Taxa de Desocupação Cai a 5,1% e Atinge Menor Nível Histórico; Renda Média Supera R$ 3,6 Mil
O mercado de trabalho brasileiro encerrou o ano de 2025 demonstrando um vigor sem precedentes na série histórica iniciada em 2012. Dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), revelam que a taxa de desocupação recuou para 5,1% no trimestre móvel encerrado em dezembro. Este indicador não apenas representa uma queda significativa de 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (5,6%), mas também um recuo de 1,1 ponto percentual na comparação anual, consolidando o cenário de pleno emprego técnico em diversos setores da economia.
A performance da taxa de desocupação reflete uma dinâmica virtuosa de expansão da população ocupada, que atingiu o recorde de 103 milhões de trabalhadores, e uma melhora qualitativa nos vínculos empregatícios, com aumento da formalização e da renda. O rendimento médio real habitual alcançou R$ 3.613, o maior da série, injetando uma massa de rendimentos recorde de R$ 367,6 bilhões na economia, o que sustenta o consumo das famílias mesmo em um ambiente de juros elevados.
Neste dossiê econômico, dissecamos os números por trás da queda histórica da taxa de desocupação, o comportamento do emprego formal e informal, a evolução da renda por setores e os desafios que um mercado de trabalho aquecido impõe à política monetária e inflacionária em 2026.
O Recorde da População Ocupada e a Queda do Desalento
A redução da taxa de desocupação para 5,1% é explicada fundamentalmente pelo crescimento robusto da população ocupada. O contingente de trabalhadores ativos somou 103 milhões de pessoas, um novo recorde histórico. No trimestre, houve um acréscimo de 565 mil pessoas ao mercado de trabalho, enquanto no acumulado do ano, 1,2 milhão de brasileiros conquistaram uma ocupação.
Em contrapartida, a população desocupada — aqueles que procuram emprego mas não encontram — caiu para 5,5 milhões, o menor contingente já registrado pela pesquisa. Essa redução de 9,0% no trimestre (menos 542 mil pessoas) evidencia a capacidade de absorção da força de trabalho pela economia.
Outro indicador vital para a saúde social é a queda na subutilização da força de trabalho. A taxa composta de subutilização recuou para 13,4%, também a menor da série. Isso significa que menos brasileiros estão trabalhando menos horas do que gostariam ou desistindo de procurar emprego. A população desalentada, que parou de buscar trabalho por falta de esperança, estabilizou-se em 2,6 milhões, com uma queda anual expressiva de 11,5%.
Formalização em Alta: Carteira Assinada Bate Recorde
Um dos destaques qualitativos da PNAD Contínua é o avanço do emprego formal. O número de empregados com carteira assinada no setor privado (excluindo domésticos) atingiu o pico histórico de 39,4 milhões de pessoas. Embora tenha ficado estável no trimestre, o crescimento anual foi de 2,4%, adicionando quase 1 milhão de trabalhadores (939 mil) ao regime CLT em 2025.
Esse movimento de formalização é crucial para a sustentabilidade do sistema previdenciário e para a segurança social das famílias. Paralelamente, a taxa de desocupação em queda não foi acompanhada por uma explosão da informalidade, que se manteve estável em 37,6%, atingindo 38,7 milhões de pessoas. Isso sugere que a recuperação do mercado de trabalho está ocorrendo com base em empregos de maior qualidade e proteção social.
O setor público também contribuiu para esse cenário, alcançando 13 milhões de ocupados, um aumento de 3,9% em 12 meses. Já o empreendedorismo por necessidade, muitas vezes mascarado como trabalho por conta própria, também bateu recorde com 26,1 milhões de pessoas, crescendo 2,5% no ano.
Explosão da Renda e Massa Salarial
A queda na taxa de desocupação veio acompanhada de um ganho real nos salários. O rendimento médio habitual de todos os trabalhos subiu para R$ 3.613, uma alta de 2,4% no trimestre e de 5,0% no ano. Esse ganho acima da inflação recompõe o poder de compra perdido nos anos de crise e pandemia.
O resultado agregado dessa equação (mais gente trabalhando ganhando mais) é uma massa de rendimento real habitual recorde de R$ 367,6 bilhões. Esse volume de recursos circulando na economia, com um acréscimo de R$ 22 bilhões em 12 meses, atua como um motor para o setor de comércio e serviços, blindando o PIB de uma desaceleração mais brusca.
Adriana Beringuy, analista do IBGE, destaca que “há uma massa crítica de fatores que mantém esse impulso, combinando expansão da ocupação e crescimento da renda do trabalhador”. Esse ciclo virtuoso, no entanto, acende um alerta no Banco Central sobre a inflação de serviços, que tende a ser mais resistente em cenários de pleno emprego.
Setores que Lideram a Contratação e a Renda
A análise setorial revela onde a taxa de desocupação está caindo com mais força. No último trimestre de 2025, o destaque ficou para o setor de “Comércio e reparação de veículos”, com alta de 1,6% na ocupação (mais 299 mil vagas), e para a “Administração pública, defesa, seguridade social, educação e saúde”, que cresceu 1,5% (mais 282 mil vagas).
Em termos de renda, o setor de “Informação, Comunicação e Atividades Financeiras” liderou os ganhos, com um aumento real de 5,1% no rendimento médio (mais R$ 254) no trimestre. A Agropecuária também registrou ganhos expressivos de 3,7% no trimestre e 9,3% no ano, refletindo a pujança do agronegócio mesmo em anos de safras voláteis.
Esses dados mostram que a queda na taxa de desocupação é disseminada, atingindo tanto setores intensivos em mão de obra (comércio) quanto setores de alta qualificação e produtividade (tecnologia e finanças).
Perspectivas e Desafios para 2026
O patamar de 5,1% na taxa de desocupação coloca o Brasil em uma situação técnica de pleno emprego para os padrões locais. Isso traz desafios macroeconômicos. A escassez de mão de obra qualificada em alguns setores pode pressionar os salários acima da produtividade, gerando pressões inflacionárias.
Para 2026, a expectativa é que o mercado de trabalho continue resiliente, mas com um ritmo de expansão mais moderado. A manutenção da Selic em níveis restritivos deve, eventualmente, arrefecer a atividade econômica. No entanto, o colchão de liquidez provido pela massa salarial recorde deve garantir um “pouso suave” para a economia.
A política pública agora deve focar na qualificação da mão de obra para sustentar esses ganhos de renda e produtividade, garantindo que a taxa de desocupação permaneça em níveis civilizados sem comprometer a estabilidade de preços.
Um Novo Patamar para o Trabalho no Brasil
Os dados da PNAD Contínua de 2025 marcam um momento histórico. A taxa de desocupação de 5,1% é o reflexo de uma economia que, apesar dos desafios fiscais e juros altos, conseguiu dinamizar seu mercado de trabalho. Com recordes de ocupação, formalização e renda, o trabalhador brasileiro inicia 2026 em uma posição mais sólida do que em qualquer momento da última década.
Resta saber se esse dinamismo será sustentável a longo prazo ou se a pressão inflacionária forçará um ajuste que reverta parte dessas conquistas. Por ora, os números do IBGE são motivo de otimismo cauteloso para famílias e investidores.






