Dólar hoje abre sob tensão com guerra no Irã, petróleo em alta e dados de emprego no Brasil e nos EUA
O dólar hoje abriu esta terça-feira, 31 de março, em meio a um cenário de cautela nos mercados globais, com investidores monitorando a guerra no Irã, a alta do petróleo e a divulgação de indicadores de emprego no Brasil e nos Estados Unidos. A combinação entre tensão geopolítica e expectativa por novos dados econômicos coloca o câmbio e os ativos de risco no centro das atenções logo na abertura do pregão.
No exterior, o noticiário segue dominado pela escalada do conflito no Oriente Médio. A possibilidade de fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de energia, continua pressionando os preços do petróleo e elevando o temor de novos impactos sobre inflação, juros e atividade econômica no mundo.
No mercado doméstico, investidores acompanham a divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), enquanto, nos Estados Unidos, a agenda inclui o relatório JOLTS, que mede o número de vagas de trabalho abertas na maior economia do planeta.
Dólar hoje acompanha tensão no Oriente Médio e reação do petróleo
O dólar hoje começou o dia refletindo a cautela dos investidores diante da guerra no Irã e dos possíveis efeitos do conflito sobre os preços da energia. A crise ganhou novo capítulo após o Irã atacar um petroleiro próximo a Dubai, em mais um episódio que mantém a região sob forte instabilidade.
Ao mesmo tempo, declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que aceitaria encerrar a guerra mesmo com o Estreito de Ormuz fechado, segundo informações publicadas pelo The Wall Street Journal, trouxeram algum alívio parcial aos mercados. Ainda assim, o clima segue longe da normalidade.
A preocupação central é que qualquer bloqueio ou restrição mais severa na passagem pelo estreito provoque uma disparada mais duradoura no petróleo, com efeitos diretos sobre inflação e crescimento econômico em várias regiões do mundo.
Petróleo sobe e amplia pressão sobre mercados
O avanço do petróleo é um dos principais vetores por trás da movimentação do dólar hoje. Por volta das 9h, no horário de Brasília, o barril do Brent subia 2,8%, negociado a US$ 116, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, avançava 1,4%, para US$ 104,34.
O movimento reflete o receio de que o conflito no Oriente Médio afete o fluxo global de energia. O Estreito de Ormuz é considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transportados no mundo.
Essa alta da commodity é acompanhada de perto por investidores porque pode contaminar expectativas de inflação em diversos países, inclusive no Brasil. Com combustíveis mais caros, cresce a possibilidade de pressão sobre índices de preços e, por consequência, sobre decisões de política monetária.
Dados de emprego no Brasil e nos EUA entram no radar do mercado
Além da guerra no Irã e da disparada do petróleo, o dólar hoje também reage à agenda econômica desta terça-feira. Nos Estados Unidos, o mercado aguarda o relatório JOLTS, que deve mostrar cerca de 6,9 milhões de vagas de trabalho abertas em fevereiro.
O indicador é relevante porque ajuda a medir o grau de aquecimento do mercado de trabalho americano, fator observado de perto pelo Federal Reserve na condução dos juros. Um número mais forte pode reforçar a percepção de economia resiliente e afetar expectativas para a política monetária dos EUA.
Ainda na agenda americana, também são esperados dados sobre estoques de petróleo, que podem ampliar a volatilidade caso tragam sinais adicionais de aperto ou folga na oferta da commodity.
No Brasil, o destaque é o Caged. A expectativa do mercado é de criação de cerca de 270 mil vagas formais de trabalho em fevereiro. O resultado pode influenciar a leitura sobre o ritmo da atividade econômica e ajudar a calibrar projeções para crescimento, juros e câmbio.
Boletim Focus reforça preocupação com inflação no Brasil
Outro fator que ajuda a explicar o comportamento do dólar hoje é a revisão para cima nas expectativas de inflação no Brasil. O Boletim Focus mostrou que analistas voltaram a elevar a projeção para o IPCA de 2026, em um contexto de pressão externa causada pela alta do petróleo.
A estimativa para a inflação oficial passou de 4,17% para 4,31%, marcando a terceira alta consecutiva. O movimento mostra que o mercado já incorpora o risco de que a guerra no Oriente Médio e o encarecimento da energia provoquem reflexos mais persistentes sobre os preços no Brasil.
Para a taxa Selic, a projeção foi mantida em 12,5% ao ano no fim de 2026. Já para 2027, a expectativa seguiu em 10,50% ao ano. O cenário indica que o mercado ainda trabalha com cortes de juros ao longo do próximo ano, mas num ambiente de cautela maior.
No caso do Produto Interno Bruto, a previsão para 2026 passou de 1,84% para 1,85%, enquanto a estimativa para 2027 ficou estável em 1,8%. Para o dólar, as projeções foram mantidas em R$ 5,40 ao fim de 2026 e R$ 5,45 ao fim de 2027.
Dólar acumula queda no ano, apesar da volatilidade recente
Mesmo com a tensão no exterior e a volatilidade recente, o dólar hoje ainda acumula queda no ano. Os dados mostram que a moeda norte-americana registra:
- Acumulado da semana: +0,12%
- Acumulado do mês: +2,21%
- Acumulado do ano: -4,39%
Os números indicam que, embora o dólar tenha ganhado força nos últimos dias, o movimento de 2026 ainda é de perda frente ao real. Ainda assim, a conjuntura internacional segue sendo um fator de risco importante para a trajetória da moeda.
Ibovespa abre de olho no exterior e na agenda doméstica
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h acompanhando o ambiente de maior cautela no exterior. O desempenho do índice também depende da leitura dos investidores sobre o cenário fiscal, inflação, juros e os desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
Até aqui, o índice acumula os seguintes desempenhos:
- Acumulado da semana: +0,53%
- Acumulado do mês: -3,32%
- Acumulado do ano: +13,27%
A bolsa brasileira tende a reagir diretamente ao comportamento das commodities, especialmente do petróleo, e ao humor internacional, que continua bastante sensível a qualquer sinal vindo do Oriente Médio e dos Estados Unidos.
Bolsas globais operam sem direção única
O cenário internacional ajuda a moldar o comportamento do dólar hoje. Em Wall Street, os principais índices vinham de recuperação após as perdas fortes da sessão anterior. O Dow Jones subia 0,48%, o S&P 500 avançava 0,32% e o Nasdaq tinha alta de 0,19%.
Mesmo assim, o pano de fundo segue delicado. Na sexta-feira anterior, as bolsas de Nova York encerraram o pregão em queda e acumularam a quinta semana seguida de perdas, na sequência mais longa em quase quatro anos.
Na Europa, o dia anterior foi de recuperação. Londres, Frankfurt, Paris e Milão fecharam em alta, reagindo às perdas recentes. Já na Ásia, o desempenho foi misto: Xangai avançou, mas Hong Kong e Tóquio recuaram, com destaque para a queda mais acentuada do mercado japonês.
Parte da fraqueza observada em mercados asiáticos reflete justamente a dependência da região em relação ao petróleo transportado pelo Estreito de Ormuz. Qualquer ameaça à circulação de navios na área tende a pressionar custos e afetar expectativas econômicas.
Guerra no Irã mantém mercados em alerta
A guerra no Irã segue como principal foco de atenção do mercado e deve continuar influenciando o dólar hoje ao longo da sessão. O presidente dos Estados Unidos voltou a pressionar o governo iraniano nas redes sociais, afirmando que o país deve reabrir o Estreito de Ormuz ou poderá enfrentar ataques a instalações de energia.
Ao mesmo tempo, surgem sinais contraditórios sobre possíveis tentativas de negociação. O Paquistão afirmou que pretende sediar conversas para buscar uma solução diplomática, enquanto o Irã acusa os Estados Unidos de preparar uma possível ofensiva terrestre e reforça sua presença militar na região.
Esse quadro mantém investidores em modo defensivo e reforça o papel do petróleo e do câmbio como termômetros imediatos da crise.
O que observar no dólar hoje
O dólar hoje tende a seguir sensível a três fatores principais: os desdobramentos da guerra no Irã, a trajetória do petróleo no mercado internacional e a leitura dos dados de emprego no Brasil e nos Estados Unidos.
Se o conflito avançar e ampliar o risco de interrupção no fluxo global de energia, a moeda norte-americana pode ganhar força com a busca por proteção. Por outro lado, sinais de distensão geopolítica e indicadores econômicos mais favoráveis podem reduzir parte da aversão ao risco ao longo do dia.
Com isso, o mercado entra na terça-feira com atenção redobrada ao noticiário internacional e à agenda econômica, num ambiente em que o dólar hoje permanece como um dos principais indicadores do humor dos investidores.





