Empresa de tesouraria de bitcoin: o que é e por que companhias adotam essa estratégia financeira
Nos últimos anos, a estratégia de se tornar uma empresa de tesouraria de bitcoin ganhou força entre corporações ao redor do mundo. A ideia é simples, mas revolucionária: em vez de manter reservas financeiras apenas em moeda fiduciária, empresas estão investindo parte de seus recursos em bitcoin (BTC), buscando proteção contra a inflação e maior rentabilidade no longo prazo.
A mais recente a adotar esse modelo é a Trump Media and Technology Group (TMTJ), ligada a Donald Trump. A companhia divulgou que possui cerca de US$ 2 bilhões em reservas de bitcoin, posicionando-se entre as cinco maiores detentoras públicas da criptomoeda. O movimento demonstra como a estratégia vem se consolidando no mercado corporativo.
O que é uma empresa de tesouraria de bitcoin?
Uma empresa de tesouraria de bitcoin é aquela que decide manter parte ou a totalidade de suas reservas financeiras em bitcoin. Tradicionalmente, esse papel cabe à tesouraria, setor responsável pela gestão de caixa, pagamentos e liquidez da empresa. Ao incorporar o bitcoin à sua tesouraria, a companhia passa a tratar a criptomoeda como um ativo estratégico.
Em vez de manter apenas dólares, euros ou reais, essas empresas passam a considerar o bitcoin como alternativa para proteger o capital, diversificar o portfólio e buscar valorização patrimonial.
Por que empresas estão adotando bitcoin na tesouraria?
Os principais motivos que levam uma empresa de tesouraria de bitcoin a seguir esse caminho são:
- Preservação de valor no longo prazo: o bitcoin é considerado por muitos especialistas uma reserva de valor semelhante ao ouro, o que o torna interessante como proteção contra a inflação;
- Liquidez global: o ativo é negociado 24 horas por dia, em diversas bolsas ao redor do mundo, permitindo acesso rápido aos recursos, quando necessário;
- Descentralização: por não estar vinculado a nenhum governo ou instituição central, o bitcoin oferece um modelo mais autônomo de gestão financeira;
- Potencial de valorização: o histórico de crescimento do bitcoin atrai empresas que desejam alavancar seus resultados.
Empresas que aderiram à tesouraria em bitcoin
A pioneira entre as empresas de tesouraria de bitcoin foi a Strategy, antiga MicroStrategy, comandada por Michael Saylor. Em 2020, a companhia começou a comprar grandes quantidades de BTC como forma de se proteger contra a inflação. Atualmente, a empresa possui mais de 600 mil bitcoins, o equivalente a cerca de 3% de toda a oferta mundial da criptomoeda.
Seguindo esse exemplo, outras empresas também adotaram a estratégia, como a TMTJ, que recentemente anunciou reservas bilionárias em bitcoin. No Brasil, a Méliuz tornou-se a primeira empresa de tesouraria de bitcoin, acumulando mais de 590 BTC no primeiro semestre de 2025.
Como funciona na prática uma empresa de tesouraria de bitcoin?
O funcionamento é semelhante ao de uma tesouraria tradicional, mas com foco na gestão de ativos digitais. As empresas definem um percentual de seu capital para ser alocado em bitcoin, compram a criptomoeda por meio de corretoras confiáveis e a mantêm em carteiras digitais seguras, como cold wallets (carteiras offline).
Esses ativos podem ser utilizados futuramente para gerar receita, financiar projetos ou servir como garantia em operações de crédito. Além disso, a valorização do bitcoin no mercado pode aumentar o valor contábil das empresas, o que se reflete positivamente nos balanços e nas ações negociadas em bolsa.
Vantagens de ser uma empresa de tesouraria de bitcoin
Entre os principais benefícios dessa estratégia estão:
- Proteção contra inflação: em economias com moeda instável, o bitcoin pode ser um abrigo seguro de capital;
- Acesso a mercados internacionais: por ser uma moeda digital e global, facilita transações em diversos países;
- Imagem inovadora: empresas que adotam bitcoin em sua tesouraria passam a ser vistas como modernas, disruptivas e conectadas com o futuro;
- Possibilidade de ganhos expressivos: a valorização histórica do bitcoin é superior à de muitos ativos tradicionais.
Riscos envolvidos na tesouraria com bitcoin
Assim como qualquer investimento, tornar-se uma empresa de tesouraria de bitcoin também envolve riscos. O principal deles é a volatilidade do ativo. O bitcoin pode ter oscilações significativas em curtos períodos, o que pode impactar os balanços da empresa e gerar instabilidade financeira.
Outro ponto de atenção é a necessidade de uma estrutura de segurança robusta para proteger os ativos digitais contra fraudes, hackers e perdas por erro humano. Por fim, questões regulatórias também devem ser observadas, já que o mercado de criptoativos ainda está em processo de normatização em muitos países.
Investidores comuns também podem seguir essa estratégia?
Sim. Embora o conceito de empresa de tesouraria de bitcoin esteja relacionado ao mundo corporativo, investidores pessoa física também podem adotar estratégias semelhantes, alocando parte de suas reservas financeiras em bitcoin para o longo prazo.
O importante é ter consciência dos riscos e selecionar criptomoedas com fundamentos sólidos. Bitcoin e Ethereum são frequentemente apontados como os ativos digitais mais confiáveis para esse fim.
O futuro das empresas de tesouraria de bitcoin
Com a crescente adoção institucional das criptomoedas e o amadurecimento do ecossistema blockchain, a tendência é que mais empresas se tornem tesourarias de bitcoin nos próximos anos. A busca por autonomia financeira, proteção contra inflação e diferenciação no mercado são forças que impulsionam esse movimento.
As empresas que saem na frente e estruturam bem essa gestão tendem a colher frutos significativos no futuro, tanto em termos financeiros quanto na percepção de marca.






