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	<title>Álvaro Lima &#8211; GAZETA MERCANTIL</title>
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	<description>A Gazeta Mercantil traz as últimas notícias sobre política, economia, segurança, entretenimento, negócios, entretenimento, esportes, moda</description>
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	<title>Álvaro Lima &#8211; GAZETA MERCANTIL</title>
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		<title>Gabriel Magno pede prisão de Ibaneis e aponta ligação com Vorcaro no caso BRB</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/gabriel-magno-prisao-ibaneis-vorcaro-brb</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Oct 2026 01:33:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Master]]></category>
		<category><![CDATA[BRB]]></category>
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		<category><![CDATA[Paulo Henrique Costa]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
		<category><![CDATA[Prisão preventiva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Magno pede prisão preventiva de Ibaneis Rocha e apuração sobre sua relação com Vorcaro no caso BRB e Banco Master. Ex-governador nega interferência.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O deputado distrital Gabriel Magno (PT-DF) defendeu nesta sexta-feira (30) a prisão preventiva do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) e o bloqueio de seus bens, após a divulgação de depoimentos da investigação sobre as operações financeiras entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. O parlamentar atribuiu ao antigo chefe do Executivo distrital participação direta nas negociações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e afirmou que o governo local deve ser investigado pelas decisões que expuseram o banco público a prejuízos bilionários.</p>
<p>As declarações ocorreram após o depoimento prestado à Polícia Federal pelo ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, em 15 de outubro de 2026, no qual ele relatou que Ibaneis teria determinado a estruturação de uma operação de venda de participação do banco público ao Master durante um encontro realizado na residência de Vorcaro, em setembro de 2024. A versão apresentada pelo antigo dirigente passou a integrar a discussão sobre o papel do Governo do Distrito Federal nas tratativas comerciais e societárias entre as instituições.</p>
<p>Gabriel Magno também questionou a atuação da atual administração do Distrito Federal e defendeu o aprofundamento das investigações sobre decisões tomadas por integrantes do primeiro escalão do governo. As acusações do parlamentar são manifestações políticas e pedidos de investigação, não conclusões judiciais sobre a responsabilidade criminal das pessoas mencionadas. Ibaneis nega ter interferido nas decisões operacionais do BRB e sustenta que o ex-presidente da instituição possuía autonomia para conduzir os <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341677">negócios</a>.</p>
<h2>Ex-presidente do BRB atribui a Ibaneis ordem para negociar com o Master</h2>
<p>O principal fato que provocou a nova manifestação de Gabriel Magno foi a divulgação do depoimento de Paulo Henrique Costa à Polícia Federal.</p>
<p>Segundo o ex-presidente do BRB, ele recebeu uma convocação do gabinete de Ibaneis Rocha para participar de um jantar na residência de Daniel Vorcaro, em Brasília, em 24 de setembro de 2024. Costa afirmou que estava em viagem à Bahia e precisou retornar à capital federal para comparecer ao encontro.</p>
<p>Durante a reunião, o então governador teria solicitado que ele estruturasse uma operação envolvendo a venda de participação acionária do Banco de Brasília ao Banco Master.</p>
<p>O ex-dirigente declarou que a orientação o surpreendeu, porque a possibilidade de transferir participação no BRB a investidores privados contrariava a estratégia que, segundo ele, vinha sendo defendida para a instituição.</p>
<p>A negociação mencionada no depoimento envolveria aproximadamente 16% das ações do BRB pertencentes ao Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF). Essa proposta é diferente da operação anunciada posteriormente, em março de 2025, pela qual o BRB pretendia adquirir o controle do Banco Master.</p>
<p>Costa afirmou ter manifestado oposição à proposta inicial e relatou que, ao apresentar suas objeções, ouviu de Ibaneis que a definição caberia ao acionista controlador do banco público.</p>
<p>O Governo do Distrito Federal possui participação majoritária no BRB, mas a condição de acionista controlador não elimina as exigências legais e regulatórias relacionadas à administração de instituições financeiras.</p>
<p>As decisões devem observar os mecanismos de governança corporativa, as competências dos órgãos estatutários e as regras estabelecidas para <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341679">empresas</a> controladas pelo poder público.</p>
<p>O depoimento de Costa passou a ser relevante justamente por atribuir ao então governador uma intervenção específica em uma negociação que envolvia os interesses do banco e de seus acionistas.</p>
<h2>Gabriel Magno afirma que Ibaneis atuava em favor dos interesses de Vorcaro</h2>
<p>Ao comentar os relatos apresentados à Polícia Federal, Gabriel Magno afirmou que a relação entre Ibaneis e Vorcaro teria ultrapassado os limites de uma interlocução institucional.</p>
<p>O deputado utilizou a expressão de que Ibaneis atuava como funcionário do banqueiro para caracterizar, em sua avaliação, o alinhamento entre decisões do governo distrital e interesses empresariais do controlador do Banco Master.</p>
<p>A declaração constitui uma acusação <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341678">política</a> do parlamentar. Não significa que tenha existido vínculo empregatício entre Ibaneis e Vorcaro nem que uma relação dessa natureza tenha sido demonstrada pela investigação.</p>
<p>Magno também mencionou mensagens que teriam sido trocadas entre os dois durante o processo de aprovação legislativa da tentativa de aquisição do Master pelo BRB.</p>
<p>Em setembro, o deputado apresentou uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando apuração sobre o envio de documentos relacionados à operação.</p>
<p>A representação mencionou o encaminhamento de uma decisão judicial relativa à continuidade das negociações e da legislação distrital que autorizou a aquisição de participação no Banco Master.</p>
<p>Segundo os fatos descritos pelo parlamentar, os contatos teriam ocorrido em momentos próximos à assinatura ou à publicação dos documentos.</p>
<p>A existência de comunicação entre um governador e um empresário interessado em operação societária envolvendo uma instituição pública pode ser objeto de análise pelos órgãos de investigação. Entretanto, o conteúdo, a finalidade e a eventual relevância criminal dessas comunicações precisam ser demonstrados a partir de elementos concretos.</p>
<p>O envio de documentos e a manutenção de contatos institucionais não comprovam automaticamente favorecimento ilícito, recebimento de vantagens indevidas ou participação em fraude.</p>
<h2>Deputado defende prisão preventiva e bloqueio de bens do ex-governador</h2>
<p>Gabriel Magno afirmou que a responsabilização pelas operações envolvendo o BRB não deve ficar restrita aos antigos dirigentes da instituição financeira.</p>
<p>O parlamentar defendeu a adoção de medidas cautelares contra Ibaneis Rocha, incluindo prisão preventiva, bloqueio patrimonial e aprofundamento das diligências sobre integrantes da administração distrital.</p>
<p>Esses pedidos já constavam de uma representação noticiada em setembro, relacionada às mensagens atribuídas ao ex-governador. Na manifestação de 30 de outubro, Magno reiterou a necessidade de providências diante dos novos depoimentos.</p>
<p>A prisão preventiva, entretanto, não decorre automaticamente da apresentação de uma notícia-crime ou de acusações formuladas por um parlamentar.</p>
<p>O Código de Processo Penal estabelece requisitos específicos para a decretação dessa medida, entre eles a existência de elementos relacionados à prática de crime e a demonstração de risco concreto que justifique a restrição cautelar da liberdade.</p>
<p>O artigo 312 prevê fundamentos como a garantia da ordem pública ou econômica, a conveniência da instrução criminal e a necessidade de assegurar a aplicação da lei penal, observadas as condições estabelecidas pela legislação.</p>
<p>Da mesma forma, o bloqueio de bens e outras medidas de natureza patrimonial dependem de fundamentação jurídica e dos requisitos aplicáveis ao procedimento correspondente.</p>
<p>Até 30 de outubro, não foi identificada decisão judicial decretando a prisão preventiva de Ibaneis em decorrência das acusações apresentadas por Gabriel Magno. Também não foi localizada confirmação oficial de que os pedidos reiterados nessa data tenham resultado em novas medidas cautelares contra o ex-governador.</p>
<p>A apresentação de uma notícia-crime permite levar informações ao conhecimento das autoridades competentes, mas não equivale a indiciamento, denúncia criminal ou condenação.</p>
<h2>Polícia Federal aponta perdas de R$ 2,7 bilhões em operações do BRB</h2>
<p>A investigação sobre o Banco Master ganhou um novo desdobramento em 28 de outubro, quando a Polícia Federal formalizou o indiciamento de Daniel Vorcaro e outras 14 pessoas.</p>
<p>Entre os investigados estão Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e Augusto Lima, antigo sócio do Banco Master.</p>
<p>O relatório parcial da Operação Compliance Zero atribui a Vorcaro participação direta e reiterada nas decisões que permitiram a negociação de carteiras de crédito consideradas irregulares.</p>
<p>Segundo a Polícia Federal, aproximadamente R$ 2,7 bilhões em perdas já haviam sido formalizados e reconhecidos no conjunto de operações analisadas.</p>
<p>A corporação investiga especialmente carteiras de crédito atribuídas à empresa Tirreno, utilizadas em negociações entre o Master e o BRB. Os investigadores sustentam que parte desses ativos não possuía comprovação suficiente de existência e que as operações foram estruturadas para gerar liquidez ao banco controlado por Vorcaro.</p>
<p>Gabriel Magno, por sua vez, mencionou prejuízos superiores a R$ 20 bilhões durante suas críticas à administração do Distrito Federal.</p>
<p>Esse valor não deve ser confundido com os R$ 2,7 bilhões de perdas reconhecidas no relatório parcial da Polícia Federal. Também não corresponde necessariamente ao montante total de créditos considerados suspeitos ou à exposição financeira bruta do BRB.</p>
<p>São indicadores diferentes, que dependem de critérios contábeis, períodos de referência e níveis de confirmação distintos.</p>
<p>O Banco de Brasília informou anteriormente que sua exposição bruta a carteiras com documentação fora do padrão exigido alcançou R$ 12,76 bilhões, dos quais mais de R$ 10 bilhões haviam sido liquidados ou substituídos.</p>
<p>A diferença entre o total de ativos negociados e o prejuízo efetivamente reconhecido é fundamental para dimensionar o caso. A aquisição de uma carteira posteriormente substituída não produz necessariamente perda equivalente ao valor integral originalmente desembolsado.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a substituição de ativos não elimina a necessidade de investigar eventuais irregularidades ocorridas na negociação inicial.</p>
<h2>Tribunal de Contas determinou bloqueio de bens de ex-dirigentes do BRB</h2>
<p>As possíveis consequências patrimoniais das operações também estão sob análise do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF).</p>
<p>Em 23 de setembro de 2026, o tribunal decidiu, por unanimidade, determinar o bloqueio cautelar de até R$ 2.761.749.206,55 em bens e contas de cinco ex-dirigentes do BRB.</p>
<p>A medida foi adotada para resguardar eventual ressarcimento aos cofres públicos diante dos indícios identificados nas apurações sobre as operações com o Banco Master.</p>
<p>Os ex-dirigentes receberam prazo de 30 dias para apresentar suas defesas, e o tribunal determinou providências para aprofundar a análise dos prejuízos e das responsabilidades individuais.</p>
<p>O TCDF também requisitou informações relativas à auditoria independente contratada pelo BRB, incluindo documentos relacionados às operações financeiras investigadas.</p>
<p>O valor máximo do bloqueio, aproximadamente R$ 2,76 bilhões, representa uma medida cautelar destinada à preservação patrimonial. Não significa que o montante tenha sido integralmente recuperado ou que exista condenação definitiva dos envolvidos.</p>
<p>A decisão não deve ser confundida com o pedido de bloqueio de bens de Ibaneis defendido por Gabriel Magno. São procedimentos distintos, com fundamentos e destinatários que precisam ser examinados individualmente.</p>
<p>A atuação do tribunal demonstra que o caso envolve, além da investigação criminal, procedimentos de controle externo relacionados à administração de recursos e ao patrimônio de uma instituição financeira controlada pelo poder público.</p>
<h2>Câmara Legislativa aprovou compra do Master por 14 votos a 7</h2>
<p>A participação do Governo do Distrito Federal nas negociações pode ser examinada também a partir dos documentos oficiais de tramitação da proposta legislativa que autorizou a aquisição do Banco Master.</p>
<p>Em 19 de agosto de 2025, a Câmara Legislativa aprovou o Projeto de Lei nº 1.882/2025, encaminhado pelo Executivo distrital, com 14 votos favoráveis e sete contrários.</p>
<p>A proposta autorizava o BRB a adquirir 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais do Master.</p>
<p>A redação aprovada estabeleceu que o banco contratasse empresa especializada para avaliar a participação societária, observadas as disposições da Lei das Estatais.</p>
<p>Durante a tramitação, os deputados também modificaram o texto originalmente encaminhado pelo governo, retirando dispositivos que permitiriam uma autorização mais ampla para aquisições de participações em outras instituições financeiras.</p>
<p>A legislação resultante, Lei distrital nº 7.739/2025, foi sancionada em 20 de agosto daquele ano.</p>
<p>A aprovação parlamentar, contudo, não dispensava a autorização do Banco Central, responsável por examinar os requisitos regulatórios aplicáveis à aquisição de instituições financeiras.</p>
<p>Em 3 de setembro de 2025, a autoridade monetária indeferiu o pedido apresentado pelo BRB, impedindo a conclusão da aquisição do Master nos termos negociados.</p>
<p>O episódio é relevante porque demonstra que a tentativa de compra passou por uma sequência de decisões administrativas, legislativas e regulatórias, com competências distribuídas entre órgãos diferentes.</p>
<p>A existência dessas etapas formais não elimina a possibilidade de investigação sobre condutas individuais, mas também impede que a aprovação de uma proposta seja tratada, isoladamente, como prova de participação em fraude.</p>
<h2>Banco Central identificou inconsistências nas carteiras do Master</h2>
<p>Em manifestação institucional, o Banco Central informou que sua área de supervisão identificou inconsistências nas cessões de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB.</p>
<p>Segundo a autoridade monetária, as verificações realizadas demonstraram a insubsistência de ativos integrantes das carteiras examinadas.</p>
<p>O órgão declarou ter encaminhado informações e documentação técnica ao Ministério Público Federal e adotado medidas preventivas para impedir novas operações que pudessem comprometer a liquidez do banco público.</p>
<p>O Banco Central também destacou a responsabilidade da instituição adquirente pelos procedimentos de avaliação dos ativos e pelos controles de gerenciamento de risco.</p>
<p>Essa observação é relevante para a discussão sobre o papel dos antigos administradores do BRB.</p>
<p>Embora o Master fosse responsável pelas informações relativas aos créditos negociados, a instituição compradora também precisava observar as exigências regulatórias relacionadas à qualidade dos ativos adquiridos.</p>
<p>A apuração sobre essas responsabilidades não permite concluir automaticamente que integrantes do Governo do Distrito Federal tenham participado de irregularidades.</p>
<p>Para estabelecer eventual responsabilidade de agentes externos à administração bancária, seria necessário demonstrar a existência de condutas específicas, sua relação com os negócios investigados e os elementos jurídicos exigidos para cada possível infração.</p>
<h2>Ibaneis nega interferência nas decisões do Banco de Brasília</h2>
<p>A defesa de Ibaneis Rocha contesta as declarações que atribuem ao ex-governador participação direta nas decisões relacionadas ao Banco Master.</p>
<p>Em manifestação divulgada após o depoimento de Paulo Henrique Costa, os representantes de Ibaneis afirmaram que o então presidente do BRB possuía autonomia e responsabilidade pelas operações realizadas pela instituição.</p>
<p>A defesa também negou que o ex-governador tenha determinado a abertura de negociações para vender o banco público ao Master ou interferido nos procedimentos operacionais conduzidos pelos dirigentes.</p>
<p>Segundo a versão apresentada, os contatos mantidos com Daniel Vorcaro ocorreram no contexto institucional e jurídico de uma negociação que, naquele período, era considerada uma possibilidade de expansão do BRB.</p>
<p>O ex-governador sustenta que as decisões relacionadas à administração da instituição financeira cabiam aos órgãos e dirigentes competentes.</p>
<p>A manifestação contrapõe diretamente o depoimento de Paulo Henrique Costa e as acusações formuladas por Gabriel Magno.</p>
<p>A existência de versões conflitantes torna necessária a análise dos documentos, mensagens, registros de reuniões e demais elementos disponíveis para estabelecer a natureza da participação de cada envolvido.</p>
<p>Até a data desta publicação, não havia confirmação de condenação criminal de Ibaneis Rocha pelos fatos relacionados às operações entre o BRB e o Banco Master.</p>
<h2>Caso Master mantém pressão por investigação política no Distrito Federal</h2>
<p>As revelações sobre as negociações financeiras também intensificaram as discussões na Câmara Legislativa sobre a necessidade de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).</p>
<p>Desde 2025, deputados distritais da oposição defendem a instalação de uma investigação parlamentar para examinar a atuação dos administradores do BRB, a compra de carteiras de crédito e a participação de agentes públicos nas decisões relacionadas ao Master.</p>
<p>Gabriel Magno integra o grupo que apresentou questionamentos aos órgãos de controle e defendeu o afastamento de dirigentes da instituição financeira.</p>
<p>A criação de uma CPI depende do atendimento dos requisitos regimentais, incluindo o número mínimo de assinaturas e a delimitação de fato determinado a ser investigado.</p>
<p>Uma comissão parlamentar pode requisitar documentos, convocar depoentes e examinar fatos de interesse público dentro de suas atribuições. Suas conclusões, entretanto, não substituem a investigação criminal nem as decisões de competência do Poder Judiciário.</p>
<p>O debate também alcança a atual administração do Distrito Federal, comandada por Celina Leão, diante das consequências financeiras e administrativas das operações realizadas durante o governo anterior.</p>
<p>A relação entre as dificuldades do BRB e a disponibilidade de recursos para serviços públicos é apresentada por Gabriel Magno como uma preocupação central. A demonstração de impactos específicos sobre saúde, educação, assistência social ou infraestrutura, porém, depende de dados orçamentários e financeiros que permitam estabelecer essa relação.</p>
<p>A Polícia Federal solicitou mais 60 dias para concluir diligências complementares da Operação Compliance Zero, após encaminhar o relatório parcial de indiciamentos ao Supremo Tribunal Federal.</p>
<p>O documento deverá subsidiar novas análises sobre as responsabilidades dos envolvidos nas operações financeiras.</p>
<p>A situação de Ibaneis Rocha permanece distinta da dos 15 investigados formalmente indiciados no relatório de 28 de outubro. As acusações políticas e os pedidos de medidas cautelares apresentados pelo deputado Gabriel Magno não constituem, por si, prova de participação criminal do ex-governador.</p>
<p>A definição sobre eventuais providências adicionais dependerá da avaliação das autoridades competentes e dos elementos reunidos na investigação.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Câmara Legislativa do Distrito Federal — Registros oficiais da aprovação do Projeto de Lei nº 1.882/2025, em 19 de agosto de 2025, por 14 votos favoráveis e sete contrários.</em></p>
<p><em>Câmara Legislativa do Distrito Federal — Informações institucionais sobre manifestações parlamentares e pedidos de investigação relacionados às operações entre o BRB e o Banco Master.</em></p>
<p><em>Polícia Federal — Relatório parcial da Operação Compliance Zero, divulgado em 28 de outubro de 2026, com 15 indiciamentos e perdas reconhecidas de aproximadamente R$ 2,7 bilhões.</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil — Nota institucional sobre inconsistências identificadas nas cessões de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB.</em></p>
<p><em>BRB – Banco de Brasília — Comunicado institucional sobre exposição bruta de R$ 12,76 bilhões em carteiras com documentação fora do padrão exigido e substituição de ativos.</em></p>
<p><em>Tribunal de Contas do Distrito Federal — Decisão cautelar de setembro de 2026 sobre bloqueio patrimonial de até R$ 2,76 bilhões de cinco ex-dirigentes do BRB.</em></p>
<p><em>BRB – Banco de Brasília — Fato relevante de setembro de 2025 sobre o indeferimento, pelo Banco Central, da aquisição de participação no Banco Master.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Ex-sócio contradiz Vorcaro e relata ordens sobre consignados no Banco Master</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/ex-socio-vorcaro-ordens-consignado-banco-master</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Oct 2026 01:20:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto Lima]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Central]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Master]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Pleno]]></category>
		<category><![CDATA[BRB]]></category>
		<category><![CDATA[Credcesta]]></category>
		<category><![CDATA[crédito consignado]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Vorcaro]]></category>
		<category><![CDATA[fraude bancária]]></category>
		<category><![CDATA[operação Compliance Zero]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ex-sócio Augusto Lima contradiz Daniel Vorcaro e afirma à PF que fundador do Banco Master comandava operações de crédito consignado e orientava executivos.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master e ex-controlador do Banco Pleno, afirmou à Polícia Federal que o fundador da instituição financeira participava diretamente das decisões sobre operações de crédito consignado e conhecia os procedimentos utilizados para estruturar e negociar carteiras de empréstimos. O relato, divulgado nesta sexta-feira (30), contradiz declarações anteriores de Vorcaro, que havia atribuído ao antigo sócio a responsabilidade operacional pelo segmento e afirmado não acompanhar seus detalhes.</p>
<p>Durante o depoimento prestado em outubro de 2026, Lima declarou que Vorcaro centralizava decisões estratégicas e financeiras relacionadas ao consignado, inclusive em situações nas quais equipes internas questionavam a regularidade de determinadas operações. Segundo o ex-sócio, o empresário também teria orientado executivos sobre informações que deveriam ser apresentadas a auditores do Banco de Brasília (BRB) e do Banco Central. As afirmações integram a versão de Lima e não representam comprovação judicial das condutas atribuídas a Vorcaro.</p>
<p>A divergência ganhou relevância após a Polícia Federal formalizar, em 28 de outubro, o indiciamento de ambos e de outras 13 pessoas no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades nas operações realizadas entre o Master e o BRB. O relatório parcial encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta indícios de gestão fraudulenta, organização criminosa, lavagem de dinheiro e outras infrações financeiras, conforme a participação individual atribuída a cada investigado.</p>
<h2>Augusto Lima afirma que Vorcaro interferia diretamente nas operações de crédito</h2>
<p>A principal controvérsia entre os antigos sócios diz respeito à divisão de responsabilidades na administração das operações de consignado do Banco Master.</p>
<p>Vorcaro havia declarado anteriormente aos investigadores que Augusto Lima possuía conhecimento especializado no segmento e era responsável pela equipe encarregada da originação dos empréstimos. Segundo essa versão, o controlador acompanhava o funcionamento geral do negócio, mas não participava necessariamente das decisões operacionais.</p>
<p>Lima apresentou uma interpretação diferente. Ele sustentou que Vorcaro conhecia a estrutura dos produtos financeiros, acompanhava os resultados e interferia diretamente nas decisões relacionadas à classificação e à movimentação das carteiras de crédito.</p>
<p>Para o ex-sócio, a importância econômica do consignado dentro do Master tornaria incompatível a alegação de desconhecimento dos procedimentos utilizados na atividade. O empresário afirmou que o segmento participou de forma decisiva da expansão da instituição entre 2019 e 2025, período marcado pelo crescimento das operações de crédito e pela negociação de ativos com outras instituições financeiras.</p>
<p>Um dos episódios mencionados por Lima teria ocorrido em dezembro de 2024. Segundo seu relato, integrantes de uma equipe interna identificaram problemas em contratos que seriam processados e recomendaram que a operação não prosseguisse. Vorcaro, entretanto, teria determinado sua continuidade.</p>
<p>A declaração atribui ao fundador do Master uma intervenção específica em uma decisão operacional. A confirmação das circunstâncias dependerá do confronto do depoimento com registros internos, comunicações e outros elementos eventualmente reunidos pela Polícia Federal.</p>
<h2>Ex-sócio relata orientações para respostas ao BRB e ao Banco Central</h2>
<p>Outro ponto tratado no depoimento envolve as informações prestadas a auditores que examinavam a origem e a regularidade dos ativos financeiros negociados pelo Banco Master.</p>
<p>Segundo Lima, Vorcaro teria participado de orientações sobre como executivos deveriam responder a questionamentos relacionados ao lastro das carteiras de crédito. O ex-sócio afirmou que essas determinações incluíam referências a associações de servidores públicos da Bahia e a operações realizadas por fundos de investimento.</p>
<p>Entre as entidades mencionadas estão a Associação dos Servidores Técnicos e Administrativos do Estado da Bahia (Asteba) e a Ceba, vinculadas ao contexto das operações de consignado.</p>
<p>Lima afirmou que a estrutura dessas entidades e do produto Credcesta teria sido utilizada como referência para justificar determinadas carteiras de crédito perante os responsáveis pela fiscalização.</p>
<p>A suspeita examinada pelos investigadores é que informações sobre a origem dos ativos tenham sido utilizadas para conferir aparência de regularidade a operações cuja documentação não comprovava adequadamente a existência dos créditos.</p>
<p>O depoimento, entretanto, não permite concluir isoladamente que todas as orientações mencionadas tenham sido efetivamente executadas ou que as associações tenham participado conscientemente de eventuais irregularidades.</p>
<p>Também não estabelece que todos os contratos originados pelo Credcesta fossem inexistentes ou fraudulentos. A investigação exige a individualização das operações e a verificação dos documentos que sustentavam os ativos negociados.</p>
<p>As acusações apresentadas por Lima deverão ser confrontadas com mensagens, registros bancários, documentos de cessão e outras provas reunidas durante a apuração.</p>
<h2>Credcesta foi um dos motores da expansão do Banco Master</h2>
<p>Criado em 2018, o Credcesta tornou-se um dos produtos associados ao crescimento do Banco Master no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341675">mercado</a> de crédito consignado.</p>
<p>A operação foi inicialmente desenvolvida na Bahia e direcionada a servidores públicos, utilizando um modelo de cartão com possibilidade de contratação de crédito e pagamento mediante desconto em folha.</p>
<p>O formato permitia a formação de carteiras de recebíveis vinculadas aos pagamentos dos servidores. Esses créditos podiam permanecer na instituição de origem ou ser negociados com bancos e fundos de investimento, conforme as condições contratuais e regulatórias aplicáveis.</p>
<p>Para uma instituição financeira, a venda de carteiras representa uma forma de obter liquidez. Ao transferir direitos de recebimento para outro participante do mercado, o banco pode antecipar recursos que, originalmente, seriam pagos pelos clientes ao longo de vários meses ou anos.</p>
<p>A regularidade desse mecanismo depende, entre outros fatores, da existência efetiva dos contratos, da identificação dos devedores, da documentação das obrigações e da consistência dos fluxos financeiros esperados.</p>
<p>No depoimento, Augusto Lima apresentou o Credcesta como uma atividade relevante para a geração de receitas recorrentes do Master. Segundo ele, os resultados alcançados pelo produto ajudam a explicar por que Vorcaro teria conhecimento detalhado de sua estrutura.</p>
<p>O argumento também foi utilizado pelo ex-sócio para diferenciar as carteiras regulares de consignado das operações de maior valor que passaram a ser questionadas pela fiscalização.</p>
<h2>Lima diz que carteira regular não poderia gerar até R$ 12 bilhões</h2>
<p>Uma das informações mais relevantes do depoimento envolve a capacidade financeira e operacional da base de clientes vinculada ao Credcesta.</p>
<p>Segundo Augusto Lima, a operação inicial de aproximadamente R$ 750 milhões realizada com o BRB, em julho de 2024, estava relacionada a créditos regulares concedidos a servidores públicos. Ele afirmou que esses contratos possuíam histórico de pagamento e documentação correspondente às operações efetivamente realizadas.</p>
<p>O empresário contestou, entretanto, a possibilidade de a mesma estrutura de originação produzir carteiras em volumes de R$ 5 bilhões a R$ 12 bilhões, valores mencionados durante os questionamentos sobre os ativos negociados entre as instituições.</p>
<p>A comparação revela uma diferença expressiva de escala. Uma carteira de R$ 5 bilhões representa aproximadamente 6,7 vezes o volume de R$ 750 milhões citado para a operação inicial. No limite superior de R$ 12 bilhões, o montante equivale a 16 vezes aquele valor.</p>
<p>Essas proporções resultam de comparação aritmética entre os números mencionados no depoimento. Não demonstram, por si só, a inexistência dos créditos, mas ajudam a dimensionar a diferença entre a capacidade operacional descrita por Lima e os volumes posteriormente questionados.</p>
<p>A formação de carteiras de valores elevados exige uma base correspondente de contratos, clientes, valores financiados e obrigações de pagamento. Quando uma instituição apresenta ativos dessa natureza, sua documentação deve permitir identificar os direitos de crédito negociados.</p>
<p>A dificuldade em comprovar essa correspondência está entre os elementos centrais da investigação conduzida pela Polícia Federal.</p>
<h2>Banco Central identificou inconsistências nas carteiras cedidas ao BRB</h2>
<p>A investigação criminal ocorre em paralelo às conclusões apresentadas pela área de supervisão do Banco Central sobre as operações entre Master e BRB.</p>
<p>Em manifestação institucional, a autoridade monetária informou que identificou inconsistências nas cessões de crédito realizadas entre os bancos. Segundo o órgão, as verificações permitiram demonstrar a insubsistência de ativos integrantes das carteiras examinadas.</p>
<p>O Banco Central declarou que encaminhou informações e documentação técnica ao Ministério Público Federal e adotou medidas preventivas para limitar a realização de novas operações capazes de afetar a liquidez do BRB.</p>
<p>O comunicado também ressaltou que a instituição adquirente possui responsabilidade própria pela avaliação da qualidade dos ativos comprados, incluindo a manutenção de controles internos e procedimentos adequados de gerenciamento de riscos.</p>
<p>Essa observação é relevante porque a regularidade das cessões não depende exclusivamente das informações fornecidas pelo banco vendedor. A instituição compradora também precisa verificar a consistência dos contratos e os riscos assumidos na aquisição.</p>
<p>Em manifestação pública, o BRB informou que a exposição bruta relacionada a carteiras com documentação fora do padrão exigido alcançava R$ 12,76 bilhões. Desse montante, mais de R$ 10 bilhões haviam sido liquidados ou substituídos, segundo a instituição.</p>
<p>O banco afirmou que os procedimentos de substituição e inclusão de garantias estavam previstos contratualmente e foram acompanhados pelo Banco Central.</p>
<p>A substituição de ativos pode reduzir a exposição financeira, mas não elimina automaticamente a necessidade de investigar a documentação original, as circunstâncias das negociações e eventuais perdas.</p>
<h2>Polícia Federal aponta R$ 2,7 bilhões em prejuízos reconhecidos</h2>
<p>O relatório parcial da Operação Compliance Zero atribui às operações investigadas perdas de aproximadamente R$ 2,7 bilhões, consideradas já formalizadas e reconhecidas pela Polícia Federal.</p>
<p>Esse valor é diferente do montante total das carteiras examinadas. Enquanto os volumes de crédito indicam a dimensão dos ativos negociados, o prejuízo apontado pelos investigadores representa as perdas identificadas até aquela etapa da apuração.</p>
<p>A Polícia Federal investiga, entre outros aspectos, a negociação de carteiras atribuídas à Tirreno, empresa mencionada nos documentos relacionados às cessões de crédito do Master ao BRB.</p>
<p>Os investigadores consideram que parte dos ativos comercializados não possuía comprovação suficiente de existência e que as operações foram utilizadas para proporcionar liquidez ao Banco Master.</p>
<p>No relatório de indiciamento, a corporação atribuiu a Vorcaro participação nas decisões centrais relacionadas à estruturação e à execução das operações financeiras examinadas.</p>
<p>A defesa do empresário contesta essa conclusão e sustenta que os <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341673">negócios</a> não causaram prejuízo ao BRB, porque carteiras inicialmente negociadas teriam sido substituídas por outros ativos.</p>
<p>A posição dos advogados contrasta com a avaliação preliminar da Polícia Federal e com os apontamentos divulgados pelo Banco Central.</p>
<p>A apuração ainda depende de exames periciais complementares e da individualização das responsabilidades pelos contratos e movimentações financeiras.</p>
<h2>Saída de Augusto Lima do Master também é objeto de divergência</h2>
<p>Augusto Lima afirmou que decidiu se afastar da administração do Banco Master devido a diferenças estratégicas com Daniel Vorcaro.</p>
<p>Segundo seu relato, as divergências começaram entre o fim de 2022 e o início de 2023, quando o antigo sócio passou a defender um modelo de expansão que incluía operações de atacado e aquisições de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341674">empresas</a> em dificuldades financeiras.</p>
<p>Lima disse que preferia concentrar as atividades no crédito consignado e no desenvolvimento do Credcesta, produto que considerava uma fonte recorrente de liquidez.</p>
<p>O empresário deixou formalmente o quadro diretivo do Master em 28 de maio de 2024. De acordo com sua versão, permaneceu durante um período vinculado à estrutura de originação dos créditos, enquanto organizava a transferência da operação para outra instituição financeira.</p>
<p>Ele afirmou que essa transição teria sido conduzida de maneira reservada para evitar preocupações entre participantes do mercado sobre a continuidade do produto.</p>
<p>A cronologia apresentada pelo ex-sócio também é relevante para a investigação sobre as operações com o BRB, porque parte das negociações questionadas ocorreu depois de sua saída formal da administração.</p>
<p>Entretanto, o desligamento de um cargo não permite concluir automaticamente que a pessoa deixou de participar de todas as operações posteriores. A eventual responsabilidade depende da identificação de atos concretos, vínculos contratuais, decisões e comunicações realizadas no período investigado.</p>
<p>A defesa de Augusto Lima afirma que ele não participou, direta ou indiretamente, das fraudes atribuídas aos investigados e contesta as conclusões do relatório policial.</p>
<h2>Versões divergentes serão confrontadas com documentos e mensagens</h2>
<p>As declarações de Augusto Lima acrescentam uma nova dimensão à investigação ao apresentar uma versão diferente daquela sustentada por Vorcaro sobre o comando das operações de consignado.</p>
<p>A Polícia Federal já reuniu mensagens, contratos, documentos bancários e informações de aparelhos eletrônicos utilizados pelos investigados. Parte desse material deverá ser examinada em conjunto com os depoimentos para estabelecer a participação de cada pessoa nas decisões relacionadas às carteiras de crédito.</p>
<p>A divergência entre os dois antigos sócios não comprova, isoladamente, a falsidade de uma das versões. Também não significa que o relato de um investigado seja suficiente para responsabilizar criminalmente o outro.</p>
<p>O esclarecimento depende de evidências independentes, capazes de confirmar ou afastar as afirmações sobre ordens operacionais, respostas a auditores e movimentações financeiras.</p>
<p>Procurada sobre as declarações divulgadas em 30 de outubro, a defesa de Vorcaro não apresentou manifestação específica no material publicado. A defesa de Augusto Lima informou que não comentaria o depoimento, mantendo sua contestação às imputações policiais.</p>
<p>O relatório parcial da Polícia Federal, encaminhado ao STF em 28 de outubro, formalizou o indiciamento de 15 pessoas e solicitou a prorrogação das investigações por mais 60 dias.</p>
<p>Segundo a corporação, o período adicional será utilizado para concluir exames periciais e diligências complementares. O material deverá subsidiar a avaliação das autoridades competentes sobre eventuais medidas penais.</p>
<p>Até 30 de outubro de 2026, as declarações de Augusto Lima e Daniel Vorcaro permaneciam como versões apresentadas no âmbito da investigação. O indiciamento não representa condenação, e a definição das responsabilidades criminais dependerá da análise das provas e das decisões judiciais cabíveis.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Polícia Federal — Comunicado de 28 de outubro de 2026 sobre o relatório parcial da Operação Compliance Zero, o indiciamento de 15 investigados e o pedido de prorrogação do Inquérito nº 5.026.</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil — Nota institucional sobre inconsistências identificadas nas carteiras de crédito cedidas pelo Banco Master ao BRB e medidas adotadas pela supervisão bancária.</em></p>
<p><em>BRB – Banco de Brasília — Nota institucional sobre a exposição de R$ 12,76 bilhões em carteiras com documentação fora do padrão exigido, substituição de ativos e acompanhamento das operações pelo Banco Central.</em></p>
<p><em>Supremo Tribunal Federal — Informações processuais do Inquérito nº 5.026, relacionado às investigações da Operação Compliance Zero.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Vorcaro atribui crise do BRB (BSLI3) à operação da PF e cita saques de R$ 9 bilhões</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/vorcaro-crise-brb-saques-9-bilhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Oct 2026 21:38:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Central]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Master]]></category>
		<category><![CDATA[BRB]]></category>
		<category><![CDATA[BSLI3]]></category>
		<category><![CDATA[crise bancária]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Vorcaro]]></category>
		<category><![CDATA[investigação financeira]]></category>
		<category><![CDATA[operação Compliance Zero]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
		<category><![CDATA[saques bilionários]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Daniel Vorcaro atribui crise do BRB à investigação da PF e cita saques de R$ 9 bilhões. Banco estima necessidade de R$ 8,8 bilhões para recompor capital.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou à Polícia Federal que a crise financeira enfrentada pelo Banco de Brasília (BSLI3) foi provocada pela perda de confiança após a investigação e a liquidação do conglomerado que controlava, e não pelas operações de crédito realizadas entre as duas instituições. Durante depoimento prestado em 15 de outubro de 2026, cuja gravação foi divulgada nesta quinta-feira (29), o ex-banqueiro alegou que o BRB sofreu saques de R$ 9 bilhões depois da deflagração da Operação Compliance Zero e de sua prisão.</p>
<p>A declaração representa uma tentativa de contestar a relação entre as transações investigadas e as dificuldades financeiras do banco controlado pelo Governo do Distrito Federal. Vorcaro sustentou que os créditos considerados problemáticos foram substituídos por outros ativos e que o BRB teria recebido garantias suficientes para preservar os recursos utilizados nas operações. A versão, entretanto, diverge das conclusões da Polícia Federal e das informações apresentadas pela atual administração da instituição.</p>
<p>Em relatório concluído em 28 de outubro, a PF apontou aproximadamente R$ 2,7 bilhões em perdas já formalizadas e reconhecidas nas operações investigadas. O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, havia informado ao Senado, em junho, que o banco precisava de R$ 8,8 bilhões para fazer frente a possíveis perdas relacionadas aos <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341667">negócios</a> com o Master. Os valores correspondem a avaliações diferentes e não comprovam, isoladamente, a origem ou a dimensão da crise de liquidez mencionada por Vorcaro.</p>
<h2>Vorcaro afirma que retirada de depósitos provocou crise de confiança no BRB</h2>
<p>No depoimento à delegada Janaína Palazzo, Vorcaro defendeu que a situação do Banco de Brasília se deteriorou depois que a investigação policial ganhou publicidade e o Banco Central determinou a liquidação do Master, em novembro de 2025.</p>
<p>O empresário argumentou que a associação pública entre as duas instituições afetou a percepção de segurança dos depositantes e provocou uma retirada expressiva de recursos. Segundo ele, aproximadamente R$ 9 bilhões teriam saído do BRB após a liquidação e sua prisão.</p>
<p>&#8220;O banco vive de credibilidade&#8221;, afirmou Vorcaro durante o interrogatório, ao explicar sua interpretação sobre as dificuldades enfrentadas pela instituição pública.</p>
<p>O ex-controlador do Master sustentou que os saques comprometeram a liquidez do BRB, independentemente da qualidade dos ativos que haviam sido negociados entre as instituições. Também negou ter provocado diretamente essa situação e afirmou que o banco comprador continuava detendo garantias suficientes para cobrir as operações questionadas.</p>
<p>A cifra de R$ 9 bilhões, porém, foi apresentada pelo próprio investigado. Não foi identificada, na documentação pública examinada, uma demonstração financeira atualizada que permitisse confirmar de maneira independente o volume exato dessas retiradas, os períodos em que ocorreram e sua relação direta com a investigação.</p>
<p>Uma retirada de depósitos dessa magnitude pode pressionar o caixa de qualquer instituição financeira. Isso acontece porque os bancos mantêm parte dos recursos captados aplicada em empréstimos e outros ativos com diferentes prazos de vencimento. Quando muitos clientes solicitam simultaneamente a devolução de seus depósitos, a instituição precisa mobilizar recursos disponíveis ou obter novas fontes de financiamento para atender aos pagamentos.</p>
<p>Essa dinâmica, contudo, não elimina a possibilidade de problemas patrimoniais decorrentes da aquisição de ativos com valor inferior ao registrado contabilmente. As duas situações podem ocorrer ao mesmo tempo, embora tenham causas, indicadores e mecanismos de recuperação distintos.</p>
<h2>BRB calcula necessidade de R$ 8,8 bilhões para cobrir possíveis perdas</h2>
<p>A principal divergência com a explicação de Vorcaro está nas avaliações feitas pela atual administração do Banco de Brasília.</p>
<p>Em audiência pública realizada em 9 de junho de 2026 na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o presidente Nelson Antônio de Souza informou que as transações entre BRB e Banco Master somaram aproximadamente R$ 30 bilhões entre 2024 e outubro de 2025.</p>
<p>Segundo o executivo, R$ 21,9 bilhões permaneceram no BRB sob a forma de ativos financeiros. Dentro desse conjunto, cerca de R$ 12,12 bilhões estavam associados às operações que deram origem à investigação da Polícia Federal.</p>
<p>A análise interna identificou, inicialmente, R$ 2,6 bilhões em carteiras vinculadas à empresa Tirreno que, segundo o presidente do banco, não possuíam lastro comprovado. A avaliação foi posteriormente ampliada para outros ativos considerados frágeis ou de difícil recuperação, elevando a estimativa de possíveis perdas para R$ 8,8 bilhões.</p>
<p>O montante equivale a aproximadamente 40,2% dos R$ 21,9 bilhões em ativos relacionados ao Master que, conforme os números apresentados ao Senado, haviam permanecido no BRB. O cálculo demonstra a dimensão da exposição considerada problemática pela administração, mas não significa que toda essa parcela tenha sido definitivamente perdida.</p>
<p>A diferença entre os R$ 2,6 bilhões inicialmente identificados e os R$ 8,8 bilhões estimados para provisionamento também é relevante. O primeiro valor corresponde às carteiras que a administração declarou não possuir lastro. O segundo incorpora outros ativos cuja recuperação apresenta incertezas, ainda que não sejam necessariamente inexistentes.</p>
<p>Ao prestar esclarecimentos aos senadores, Nelson Antônio de Souza explicou que a instituição precisava reconhecer potenciais perdas de maneira prudencial, sem esperar que todos os créditos chegassem ao vencimento ou que cada contrato fosse definitivamente declarado irrecuperável.</p>
<p>A manifestação ocorreu meses antes da divulgação do novo depoimento de Vorcaro, mas oferece uma avaliação institucional que contrasta com a tese de inexistência de danos apresentada pelo ex-controlador do Master.</p>
<h2>Polícia Federal aponta R$ 2,7 bilhões em perdas já reconhecidas</h2>
<p>O relatório parcial da Operação Compliance Zero, encaminhado em 28 de outubro de 2026 ao Supremo Tribunal Federal, acrescentou um terceiro conjunto de informações sobre as consequências das operações.</p>
<p>A Polícia Federal concluiu essa etapa da investigação com o indiciamento de Vorcaro e outras 14 pessoas, entre elas o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o ex-sócio do Master Augusto Lima.</p>
<p>Os investigadores atribuíram ao fundador do Master participação pessoal e diretiva nas negociações de carteiras de crédito consideradas irregulares. Para a corporação, a estrutura utilizada permitiu a transferência de ativos sem comprovação adequada de existência e proporcionou recursos financeiros ao banco controlado por Vorcaro.</p>
<p>Segundo o relatório, aproximadamente R$ 2,7 bilhões em perdas já haviam sido formalizados e reconhecidos. Essa cifra não representa o valor total das operações suspeitas nem a integralidade das perdas potenciais estimadas pela administração do BRB.</p>
<p>A diferença decorre da abrangência dos indicadores. Os R$ 2,7 bilhões correspondem ao montante identificado pela investigação policial como perda já reconhecida, enquanto os R$ 8,8 bilhões refletem a avaliação mais ampla de possíveis perdas apresentada pelo presidente do BRB.</p>
<p>A PF também investiga a comercialização de carteiras de crédito avaliadas em aproximadamente R$ 12,2 bilhões, cuja documentação e origem são questionadas. Esse volume indica a dimensão financeira dos negócios examinados e não deve ser automaticamente classificado como prejuízo definitivo.</p>
<p>Na manifestação apresentada após o indiciamento, a defesa de Vorcaro negou a existência de fraude e afirmou que os créditos ligados à Tirreno foram substituídos por outros ativos. Os advogados também sustentaram que nenhuma perícia oficial havia demonstrado o prejuízo atribuído ao empresário.</p>
<p>O indiciamento é um ato da investigação policial e não representa condenação judicial. As conclusões da Polícia Federal continuam sujeitas à avaliação do Ministério Público e ao contraditório no processo judicial.</p>
<h2>Banco Central identificou inconsistências antes da liquidação do Master</h2>
<p>A interpretação apresentada por Vorcaro também difere da posição institucional divulgada pelo Banco Central sobre as operações com o Banco de Brasília.</p>
<p>Em nota oficial, a autoridade monetária informou que sua área de supervisão identificou inconsistências nas cessões de carteiras de crédito realizadas pelo Master ao BRB. Segundo o órgão, as análises demonstraram a insubsistência de ativos integrantes das carteiras examinadas.</p>
<p>O Banco Central acrescentou que comunicou os indícios de irregularidades ao Ministério Público Federal e adotou medidas prudenciais preventivas para impedir novas operações que pudessem comprometer a liquidez do BRB.</p>
<p>Em 18 de novembro de 2025, a autoridade monetária decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de outras instituições de seu conglomerado. No comunicado que anunciou a medida, apontou grave crise de liquidez, comprometimento significativo da situação econômico-financeira e violações das normas do Sistema Financeiro Nacional.</p>
<p>A decisão administrativa atingiu o Master, e não representou a liquidação do BRB, que continuou em funcionamento.</p>
<p>O posicionamento do Banco Central não estabelece, por si só, a responsabilidade criminal de Vorcaro. Entretanto, demonstra que a identificação de inconsistências nas carteiras de crédito foi apresentada oficialmente como resultado de atividades de supervisão anteriores à liquidação.</p>
<p>Assim, a tese de que a investigação provocou a crise do BRB precisa ser distinguida das suspeitas sobre a regularidade dos ativos. Mesmo que a publicidade da operação tenha afetado a confiança dos depositantes, a existência de retiradas de recursos não demonstraria automaticamente que os negócios financeiros investigados eram regulares.</p>
<h2>Governo do DF tenta viabilizar empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao BRB</h2>
<p>Enquanto a investigação avança, a recuperação da capacidade financeira do Banco de Brasília depende de medidas de capitalização e da obtenção de novos recursos.</p>
<p>O plano apresentado pela administração do BRB prevê um reforço patrimonial de R$ 8,8 bilhões. Desse valor, R$ 6,6 bilhões seriam provenientes de uma operação de crédito negociada pelo Governo do Distrito Federal com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Os R$ 2,2 bilhões restantes seriam obtidos por meio da securitização de créditos da dívida ativa distrital.</p>
<p>A estrutura foi apresentada à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado em junho e recebeu autorização legislativa da Câmara Legislativa do Distrito Federal em 9 de junho de 2026, por meio do Projeto de Lei nº 2.363/2026.</p>
<p>A aprovação parlamentar autorizou a contratação do empréstimo, mas não significou sua liberação imediata. A operação continuou enfrentando entraves relacionados às garantias e à participação das instituições financeiras envolvidas.</p>
<p>Em agosto, uma audiência de conciliação realizada no STF terminou sem acordo definitivo. Em setembro, o ministro Luiz Fux determinou que a União, o Banco Central e o FGC prestassem esclarecimentos sobre as dificuldades para viabilizar o financiamento.</p>
<p>A estrutura planejada prevê que o GDF obtenha o crédito e utilize os recursos para reforçar o capital da instituição financeira que controla. O mecanismo é diferente de um empréstimo destinado simplesmente a repor depósitos retirados pelos clientes.</p>
<p>Pelos valores anunciados, os R$ 6,6 bilhões representariam 75% do reforço patrimonial planejado, enquanto os R$ 2,2 bilhões da securitização corresponderiam aos 25% restantes.</p>
<p>A combinação dessas fontes de recursos busca recompor os indicadores prudenciais do BRB, preservando sua capacidade de realizar operações e cumprir exigências regulatórias. Até 30 de outubro, as informações públicas consultadas não permitiam confirmar a efetiva contratação e liberação integral do financiamento de R$ 6,6 bilhões.</p>
<h2>Saques de clientes e perdas em carteiras têm impactos diferentes</h2>
<p>O contraste entre os números apresentados por Vorcaro, pelo BRB e pela Polícia Federal exige distinguir duas dimensões da situação financeira de um banco: liquidez e patrimônio.</p>
<p>A liquidez corresponde à disponibilidade de recursos para cumprir obrigações nos respectivos vencimentos, incluindo saques, transferências e pagamentos. Uma instituição pode enfrentar dificuldades de liquidez quando ocorre uma retirada expressiva de depósitos, mesmo que possua ativos cujo valor contábil seja superior ao montante de suas obrigações.</p>
<p>O patrimônio, por sua vez, é afetado quando a instituição registra perdas em créditos ou outros investimentos. Caso ativos adquiridos por determinado valor não possam ser recuperados integralmente, o banco precisa reconhecer os efeitos contábeis e manter capital suficiente para absorver os riscos.</p>
<p>Essas diferenças ajudam a compreender por que a alegação de saques de R$ 9 bilhões não elimina as preocupações relacionadas às carteiras de crédito negociadas com o Master.</p>
<p>Os recursos que teriam sido retirados pelos depositantes, conforme a versão de Vorcaro, representam uma possível pressão sobre o caixa. Já os R$ 8,8 bilhões estimados pelo BRB correspondem a uma necessidade de reforço patrimonial associada à qualidade dos ativos.</p>
<p>Não seria correto somar automaticamente essas duas cifras para calcular um prejuízo de R$ 17,8 bilhões. Tampouco é possível subtrair uma da outra para concluir que a crise decorreu exclusivamente de retiradas de depósitos ou das operações investigadas. Trata-se de indicadores diferentes, sujeitos a critérios próprios de avaliação.</p>
<p>A determinação precisa dos impactos depende de demonstrações financeiras atualizadas, de auditorias e da identificação dos fluxos efetivos de entrada e saída de recursos.</p>
<h2>BRB afirma ter substituído carteiras e reforçado controles internos</h2>
<p>Em manifestação institucional sobre a exposição às operações com o Master, o Banco de Brasília informou que mais de R$ 10 bilhões de um conjunto de R$ 12,76 bilhões em carteiras com documentação fora do padrão haviam sido liquidados ou substituídos.</p>
<p>O banco acrescentou que os procedimentos de substituição de ativos e inclusão de garantias estavam previstos contratualmente e foram comunicados ao Banco Central.</p>
<p>A informação confirma a existência de operações de reposição de carteiras, aspecto utilizado por Vorcaro para sustentar sua defesa. Entretanto, não resolve a divergência sobre o valor recuperável dos ativos substitutos nem sobre a regularidade dos negócios originais.</p>
<p>Uma carteira de crédito pode ser substituída formalmente e, ainda assim, exigir avaliação sobre a capacidade de pagamento dos devedores, a qualidade das garantias e a possibilidade efetiva de recuperação dos valores.</p>
<p>O BRB informou também que reforçou seus controles internos e adotou medidas para preservar os interesses da instituição, inclusive no processo de liquidação extrajudicial do Banco Master, no qual figura como credor.</p>
<p>Essas providências são relevantes para a recuperação financeira do banco, mas não equivalem a uma conclusão definitiva sobre a inexistência de perdas ou responsabilidades nas operações realizadas entre 2024 e 2025.</p>
<h2>Inquérito no STF ainda depende de perícias e novas diligências</h2>
<p>Ao final de seu depoimento, Vorcaro voltou a pedir o arquivamento da investigação, afirmando que as operações questionadas não produziram prejuízo e que os ativos entregues ao BRB deveriam ser submetidos a uma avaliação independente.</p>
<p>A Polícia Federal, entretanto, solicitou ao Supremo Tribunal Federal mais 60 dias para concluir exames periciais pendentes e realizar diligências complementares. O pedido foi apresentado juntamente com o relatório parcial de indiciamentos de 28 de outubro.</p>
<p>O caso tramita no Inquérito nº 5.026, sob relatoria do ministro André Mendonça. A investigação envolve suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, organização criminosa e lavagem de dinheiro, entre outras condutas individualmente atribuídas aos investigados.</p>
<p>Vorcaro permanece preso preventivamente no Distrito Federal, e sua defesa também busca a revogação da custódia.</p>
<p>A análise das provas ainda deverá considerar a documentação das carteiras de crédito, a avaliação dos ativos oferecidos em substituição e a participação dos dirigentes nas decisões financeiras. A alegação de retirada de R$ 9 bilhões em depósitos também depende de comprovação independente para que sua dimensão e seus efeitos possam ser estabelecidos.</p>
<p>Até 30 de outubro de 2026, não havia decisão definitiva de mérito que atribuísse responsabilidade criminal a Vorcaro pelos fatos descritos no relatório parcial. A continuidade das apurações deverá esclarecer tanto a regularidade das operações entre Master e BRB quanto os efeitos financeiros efetivamente produzidos sobre a instituição pública.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Polícia Federal — Relatório parcial de indiciamentos de 28 de outubro de 2026, no âmbito da Operação Compliance Zero, com informações sobre os investigados e as perdas identificadas.</em></p>
<p><em>Senado Federal — Notas taquigráficas da audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos de 9 de junho de 2026, com declarações do presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, sobre ativos, provisões e capitalização.</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil — Nota institucional sobre as inconsistências identificadas nas operações de cessão de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB.</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil — Comunicado nº 44.234 e nota oficial de 18 de novembro de 2025 sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master.</em></p>
<p><em>BRB – Banco de Brasília — Nota institucional sobre substituição e liquidação de carteiras de crédito, reforço de garantias e medidas de controle interno.</em></p>
<p><em>Câmara Legislativa do Distrito Federal — Aprovação do Projeto de Lei nº 2.363/2026, em 9 de junho de 2026, sobre a operação de crédito de até R$ 6,6 bilhões destinada à capitalização do BRB.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Por que Trump critica o Pix? Entenda a disputa entre Brasil e Estados Unidos</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/por-que-trump-critica-pix-disputa-brasil-eua</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2026 23:45:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Central]]></category>
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		<category><![CDATA[USTR]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entenda por que Trump critica o Pix, como o sistema brasileiro afeta o mercado de cartões e o que está em jogo na disputa comercial entre Brasil e EUA.</p>
<p>Este post apareceu primeiro em Gazetamercantil.com - <a rel="nofollow" href="https://gazetamercantil.com">GAZETA MERCANTIL - A Gazeta Mercantil traz as últimas notícias sobre política, economia, segurança, entretenimento, negócios, entretenimento, esportes, moda</a></p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O <strong>Pix</strong>, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central, tornou-se um dos pontos de atrito nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. A administração do presidente americano <strong>Donald Trump</strong> acusa o país de favorecer uma infraestrutura pública de pagamentos em detrimento de <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341612">empresas</a> privadas, incluindo companhias americanas que atuam no processamento de transações financeiras.</p>
<p>A controvérsia vai além da popularidade do Pix entre os brasileiros. O sistema alterou a dinâmica do <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341608">mercado</a> ao permitir transferências e pagamentos em segundos, com gratuidade como regra para pessoas físicas e custos geralmente inferiores aos de meios tradicionais. Sua expansão ampliou a concorrência com cartões de débito e crédito e outros serviços que cobram tarifas de estabelecimentos comerciais.</p>
<p>Em junho de 2026, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu que determinadas práticas brasileiras relacionadas ao comércio digital e aos serviços de pagamento eletrônico prejudicavam interesses comerciais americanos. No mês seguinte, Washington anunciou tarifas adicionais de 25% sobre determinados produtos brasileiros, como resultado de uma investigação que também envolveu outras áreas da relação bilateral.</p>
<p>O episódio colocou o Pix no centro de uma discussão econômica mais ampla: <strong>quem controla a infraestrutura utilizada para movimentar dinheiro e como a expansão de um sistema público interfere nos <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341611">negócios</a> de empresas privadas que atuam no mercado financeiro.</strong></p>
<h2>Por que o Pix incomoda o governo de Donald Trump?</h2>
<p>A principal objeção apresentada oficialmente pelo governo americano está relacionada às condições de concorrência no mercado de pagamentos. Washington sustenta que políticas brasileiras favoreceriam o Pix, criando desvantagens para prestadores de serviços eletrônicos concorrentes, inclusive os sediados nos Estados Unidos.</p>
<p>O posicionamento aparece nos documentos da investigação comercial aberta em 15 de julho de 2025, com fundamento na Seção 301 da legislação americana. O procedimento permite avaliar práticas de outros países consideradas discriminatórias ou prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos.</p>
<p>Em junho de 2026, o USTR afirmou que o Brasil havia beneficiado seu sistema nacional de pagamentos em detrimento de empresas americanas. A avaliação faz parte da posição oficial de Washington e não representa, por si só, uma conclusão independente de que o Pix viole regras internacionais de concorrência.</p>
<p>A investigação não foi direcionada exclusivamente ao sistema brasileiro. Também examinou questões envolvendo plataformas digitais, tarifas comerciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, políticas anticorrupção e desmatamento ilegal.</p>
<p>Embora a disputa seja frequentemente apresentada como uma oposição pessoal de Trump ao Pix, os documentos oficiais demonstram uma controvérsia comercial e regulatória. Não há elementos suficientes para atribuir ao presidente americano uma motivação pessoal específica em relação à tecnologia brasileira.</p>
<h2>Como o Pix mudou a circulação do dinheiro no Brasil</h2>
<p>Lançado em novembro de 2020, o Pix transformou os pagamentos cotidianos ao permitir que consumidores e empresas movimentem recursos diretamente entre contas mantidas em instituições participantes. As operações funcionam 24 horas por dia, inclusive em fins de semana e feriados, e normalmente são concluídas em poucos segundos.</p>
<p>Antes da sua implementação, transferências entre diferentes bancos dependiam principalmente de modalidades como TED e DOC, sujeitas a horários de funcionamento, prazos e eventuais tarifas. Nas compras, cartões e dinheiro físico ocupavam uma parcela importante das operações.</p>
<p>O Pix estabeleceu outra possibilidade. Uma loja pode receber o pagamento por QR Code e ter o dinheiro disponível quase imediatamente, sem depender necessariamente de uma operação processada pelas redes tradicionais de cartões.</p>
<p>Isso não significa que todas as transações ocorram sem intermediários. Bancos, cooperativas, instituições de pagamento e fintechs continuam responsáveis por oferecer o serviço aos clientes, enquanto o Banco Central estabelece as regras e opera a infraestrutura central de liquidação.</p>
<p>A mudança foi significativa porque criou um meio de pagamento amplamente acessível, com características que diminuem a dependência de determinados serviços financeiros privados.</p>
<h2>Por que empresas de cartões podem perder receitas com o Pix?</h2>
<p>O modelo econômico das redes de cartões envolve diferentes participantes, como bancos emissores, credenciadoras, estabelecimentos comerciais e bandeiras internacionais. Parte da remuneração dessas empresas está associada às tarifas cobradas pelas transações.</p>
<p>Quando um consumidor substitui uma compra no cartão de débito por um Pix, o pagamento deixa de percorrer a mesma estrutura de processamento e remuneração. Para o comerciante, isso pode representar redução de custos, dependendo das tarifas praticadas pela instituição financeira.</p>
<p>Empresas americanas, como Visa e Mastercard, possuem participação importante no mercado global de cartões. A expansão de sistemas alternativos de pagamento cria um ambiente de concorrência no qual consumidores e comerciantes passam a dispor de outras opções para movimentar dinheiro.</p>
<p>Essa substituição, entretanto, não é automática em todas as situações. Cartões de crédito continuam oferecendo funcionalidades como parcelamento, programas de benefícios e mecanismos próprios de financiamento, que não são equivalentes a uma transferência instantânea convencional.</p>
<p>O crescimento do Pix também não significa que toda receita anteriormente obtida com cartões tenha desaparecido. Os diferentes instrumentos permanecem em operação e podem atender a necessidades distintas.</p>
<p>A disputa econômica envolve, portanto, tanto a concorrência pelos pagamentos realizados atualmente quanto a capacidade das empresas de preservar participação em um mercado cuja infraestrutura está mudando.</p>
<h2>Pix movimentou R$ 3,8 trilhões em setembro de 2026</h2>
<p>A dimensão alcançada pelo sistema ajuda a explicar sua importância para o mercado financeiro. Segundo dados do Banco Central, o Pix registrou <strong>mais de 7,8 bilhões de transações em setembro de 2026</strong>, com movimentação superior a <strong>R$ 3,8 trilhões</strong>.</p>
<p>No mesmo mês, mais de 150 milhões de pessoas físicas utilizaram o serviço. O volume inclui transferências entre pessoas, pagamentos a empresas e outras operações realizadas por meio da infraestrutura de pagamentos instantâneos.</p>
<p>Os números indicam que o Pix deixou de ser apenas uma alternativa para pequenas transferências e passou a integrar de maneira estrutural a movimentação financeira brasileira.</p>
<p>Sua adoção também criou oportunidades para bancos digitais, fintechs e empresas de tecnologia desenvolverem serviços associados à cobrança, à gestão financeira e à automatização de pagamentos.</p>
<p>Com isso, o sistema passou a influenciar não apenas a relação entre consumidores e bancos, mas também a organização comercial de empresas de diferentes setores da <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341609">economia</a>.</p>
<h2>Estados Unidos aplicaram tarifas após investigação que incluiu o Pix</h2>
<p>A controvérsia ganhou consequências comerciais concretas em 2026. Em 1º de junho, o USTR anunciou a conclusão de sua análise sobre determinadas políticas brasileiras e considerou justificadas medidas de resposta previstas na Seção 301.</p>
<p>Em 15 de julho, o governo Trump anunciou a imposição de tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções para determinadas mercadorias. A cobrança entrou em vigor em 22 de julho.</p>
<p>O Pix foi um dos temas examinados no procedimento, mas <strong>não é correto afirmar que a tarifa de 25% tenha sido aplicada exclusivamente por causa do sistema de pagamentos</strong>. A decisão americana foi fundamentada em um conjunto de questionamentos sobre práticas comerciais e regulatórias brasileiras.</p>
<p>A medida demonstrou, contudo, que a divergência envolvendo os serviços financeiros digitais passou a integrar uma disputa comercial com efeitos sobre outros setores da economia.</p>
<p>Para os exportadores brasileiros atingidos, a sobretaxa representa um encarecimento dos produtos no mercado americano. Já para o sistema de pagamentos, a pressão se concentra nas regras de funcionamento, na participação de concorrentes e no papel do Banco Central como operador e regulador.</p>
<h2>O governo americano quer acabar com o Pix?</h2>
<p>A documentação oficial americana questiona o tratamento regulatório dado ao Pix e seus possíveis efeitos sobre empresas concorrentes, mas não estabelece uma determinação para extinguir o sistema brasileiro.</p>
<p>A distinção é importante. Uma reivindicação por condições consideradas mais equilibradas de concorrência não corresponde necessariamente a uma exigência para retirar o serviço de funcionamento.</p>
<p>O governo brasileiro, por sua vez, defende o Pix como uma infraestrutura pública destinada a ampliar a eficiência dos pagamentos, reduzir custos e facilitar o acesso da população aos serviços financeiros.</p>
<p>Existe ainda uma diferença entre a gratuidade para o consumidor e a ausência de custos em toda a cadeia. O Banco Central estabelece hipóteses em que instituições podem cobrar tarifas, especialmente em operações comerciais e serviços prestados a pessoas jurídicas.</p>
<p>Assim, a questão central não é simplesmente a existência de pagamentos gratuitos, mas a forma como o mercado é organizado e como suas regras afetam instituições públicas e privadas.</p>
<h2>O que a disputa entre Trump e o Pix significa para os brasileiros?</h2>
<p>Para quem utiliza o Pix no cotidiano, a investigação americana não implica, por si só, cobrança de tarifas sobre transferências pessoais, suspensão de operações ou mudança imediata nas regras do serviço.</p>
<p>O sistema continua funcionando segundo as normas estabelecidas pelo Banco Central, que mantém a gratuidade como regra para pessoas físicas, ressalvadas as exceções previstas na regulamentação.</p>
<p>O conflito pode ganhar relevância caso negociações comerciais ou medidas regulatórias futuras resultem em alterações nas condições de participação das empresas no mercado brasileiro de pagamentos. Qualquer mudança concreta dependerá de decisões posteriores das autoridades competentes.</p>
<p>A divergência também evidencia uma transformação mais ampla da economia digital. Os sistemas utilizados para transferir recursos deixaram de ser apenas instrumentos operacionais e passaram a ocupar espaço nas discussões internacionais sobre concorrência, tecnologia e <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341610">política</a> comercial.</p>
<p>No caso brasileiro, a rápida expansão do Pix colocou o Banco Central como responsável por uma infraestrutura que movimenta trilhões de reais mensalmente e concorre com alternativas privadas. Para os Estados Unidos, o debate envolve o acesso de suas empresas a esse mercado e as regras aplicadas aos diferentes prestadores.</p>
<p><strong>O que está documentado, portanto, não é uma tentativa comprovada de Trump de acabar com o Pix, mas uma disputa sobre concorrência e controle da infraestrutura financeira, que passou a integrar as tensões comerciais entre os dois países.</strong></p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) — Abertura da investigação sob a Seção 301, 15 de julho de 2025.</p>
<p>USTR — Determinação sobre práticas comerciais brasileiras, 1º de junho de 2026.</p>
<p>USTR — Anúncio das medidas comerciais contra o Brasil, 15 de julho de 2026.</p>
<p>Federal Register — Aviso de aplicação das tarifas adicionais, 20 de julho de 2026.</p>
<p>Banco Central do Brasil — Pix em números, estatísticas referentes a setembro de 2026.</p>
<p>Banco Central do Brasil — Regulamentação do Pix, funcionamento e regras de tarifas.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Banco Central liquida MW Pay por violações graves às regras do sistema de pagamentos</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/banco-central-liquida-mw-pay-violacoes-sistema-pagamentos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2026 18:14:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Central]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Central do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[fintechs]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Galípolo]]></category>
		<category><![CDATA[instituições de pagamento]]></category>
		<category><![CDATA[liquidação extrajudicial]]></category>
		<category><![CDATA[MW Pay]]></category>
		<category><![CDATA[PIX]]></category>
		<category><![CDATA[Sistema de Pagamentos Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[sistema financeiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Banco Central decreta liquidação extrajudicial da MW Pay por violações graves às normas do sistema de pagamentos. Entenda a decisão e os impactos.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira (29) a liquidação extrajudicial da MW Instituição de Pagamento Ltda., conhecida comercialmente como MW Pay, após identificar graves violações às normas que regulamentam o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). A empresa, sediada em Joinville, Santa Catarina, atuava no fornecimento de infraestrutura tecnológica para pagamentos digitais e operações com Pix.</p>
<p>A decisão foi formalizada pelo Ato do Presidente nº 1.392, de 29 de outubro de 2026, assinado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. A medida determina o encerramento das atividades regulares da instituição e a transferência de sua administração para uma liquidante responsável pela condução do processo.</p>
<p>Segundo a autoridade monetária, a MW Pay apresentava baixa representatividade no Sistema Financeiro Nacional (SFN), respondendo por menos de 0,0002% dos ativos totais do sistema. O BC informou que continuará apurando as responsabilidades relacionadas às irregularidades identificadas, podendo aplicar sanções administrativas e comunicar os fatos a outras autoridades competentes.</p>
<p>A liquidação também provocou a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores da instituição, conforme previsto na legislação brasileira.</p>
<h2>Por que o Banco Central decretou a liquidação da MW Pay?</h2>
<p>O Banco Central fundamentou a decisão na constatação de graves infrações às normas aplicáveis às instituições integrantes do Sistema de Pagamentos Brasileiro e às atividades desenvolvidas pela empresa.</p>
<p>O ato administrativo cita o processo eletrônico nº 317725 e utiliza como fundamento os artigos 15 e 16 da Lei nº 6.024, de 1974, combinados com o artigo 13 da Lei nº 12.865, de 2013, que estabelece regras para os arranjos e instituições de pagamento.</p>
<p>Os documentos publicados pelo regulador não especificam todas as condutas que motivaram a medida. Também não apresentam, no ato de liquidação, uma conclusão de insolvência financeira como fundamento da decisão.</p>
<p>A legislação permite a adoção da liquidação extrajudicial diante de infrações graves às normas que disciplinam o funcionamento de instituições supervisionadas, independentemente da necessidade de demonstração de insolvência.</p>
<p>A autoridade monetária poderá aprofundar as investigações por meio dos procedimentos administrativos previstos na legislação. Os resultados poderão levar à responsabilização de dirigentes e controladores, conforme as conclusões das apurações.</p>
<h2>O que é a MW Pay e como a empresa atuava no Pix?</h2>
<p>A MW Instituição de Pagamento Ltda., inscrita no CNPJ 53.822.116/0001-72, foi constituída em fevereiro de 2024, com sede em Joinville. A empresa recebeu autorização do Banco Central para funcionar como instituição de pagamento na modalidade emissora de moeda eletrônica em setembro daquele ano, com publicação da decisão no Diário Oficial da União em 1º de outubro de 2024.</p>
<p>No próprio site, a MW Pay se apresentava como fornecedora de infraestrutura de pagamentos por meio de interfaces de programação de aplicações (APIs), com conectividade direta ao Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) e ao Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), componentes da infraestrutura do Pix.</p>
<p>Seus serviços eram destinados principalmente a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341592">empresas</a> que necessitavam integrar sistemas financeiros, automatizar transferências e gerenciar grandes volumes de pagamentos eletrônicos.</p>
<p>Entre as soluções anunciadas estavam ferramentas de conciliação financeira, rastreabilidade de transações e integração tecnológica para operações de pagamento.</p>
<p>A instituição figurava nos registros do Banco Central como participante direto do Pix na categoria de provedora de conta transacional.</p>
<p>Embora estivesse autorizada a oferecer serviços de pagamento, a MW Pay não era um banco comercial. As instituições de pagamento possuem enquadramento regulatório próprio e não podem realizar intermediação financeira típica de bancos, como a concessão de empréstimos com recursos captados do público.</p>
<h2>Banco Central determina bloqueio de bens de controladores e administradores</h2>
<p>Além de interromper as atividades da MW Pay, o Banco Central determinou a indisponibilidade dos bens das pessoas físicas e jurídicas relacionadas ao controle e à administração da instituição.</p>
<p>O Comunicado nº 46.202, publicado em 29 de outubro, identifica a MW Holding Financeira Ltda. e Witor Fernandes Corrêa entre os controladores atingidos pela medida.</p>
<p>O documento também relaciona os administradores Nelson Alexandre Ramos e Reginaldo de Oliveira Bello, além do próprio Witor Fernandes Corrêa.</p>
<p>A indisponibilidade patrimonial está prevista no artigo 36 da Lei nº 6.024/1974 e tem como finalidade preservar bens durante os procedimentos de liquidação e apuração de responsabilidades.</p>
<p>A medida não representa, por si só, uma condenação criminal ou o reconhecimento definitivo de responsabilidade dos envolvidos.</p>
<h2>Quem ficará responsável pela liquidação da MW Pay?</h2>
<p>Para conduzir o procedimento, o Banco Central nomeou a Sucesso Consultoria Empresarial Ltda. como liquidante extrajudicial, tendo Viviane Paninson como responsável técnica.</p>
<p>A empresa nomeada assume poderes de administração e representação da instituição durante o processo, incluindo a identificação dos ativos, o levantamento de obrigações e a adoção das providências necessárias à liquidação.</p>
<p>O ato do Banco Central estabeleceu <strong>31 de agosto de 2026 como termo legal da liquidação</strong>, data de referência para determinados efeitos jurídicos do procedimento. Isso não altera a data da decretação da medida, ocorrida em 29 de outubro.</p>
<p>O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341591">trabalho</a> da liquidante deverá seguir as regras previstas na Lei nº 6.024/1974 e nas demais normas aplicáveis.</p>
<h2>O que acontece com os clientes da MW Pay após a liquidação?</h2>
<p>A decretação da liquidação extrajudicial interrompe o funcionamento regular da instituição e coloca sua administração sob responsabilidade da liquidante nomeada pelo Banco Central.</p>
<p>Empresas que utilizavam os serviços tecnológicos da MW Pay poderão precisar avaliar a continuidade de suas operações de pagamento e a eventual necessidade de contratação de outros fornecedores autorizados.</p>
<p>Para clientes que tenham recursos ou créditos vinculados diretamente à instituição, a recuperação dos valores dependerá da natureza das operações, da identificação dos ativos e das regras aplicáveis ao procedimento.</p>
<p>As contas de pagamento possuem tratamento jurídico diferente das contas bancárias tradicionais. De acordo com o Banco Central, os recursos mantidos em contas de pagamento não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas contam com mecanismos próprios de proteção patrimonial previstos na Lei nº 12.865/2013.</p>
<p>Isso significa que a liquidação de uma instituição de pagamento não deve ser confundida com a quebra de um banco comercial, especialmente quanto à forma de proteção e eventual restituição de recursos dos clientes.</p>
<p>Não foi divulgado, nos atos de liquidação consultados, um calendário específico para restituição de valores eventualmente devidos pela MW Pay.</p>
<h2>Liquidação da MW Pay ocorre após outras intervenções do BC em 2026</h2>
<p>A decisão desta quinta-feira acontece em meio a uma sequência de liquidações extrajudiciais decretadas pelo Banco Central ao longo de 2026, envolvendo instituições financeiras, cooperativas de crédito e empresas do setor de pagamentos.</p>
<p>Em 16 de outubro, a autoridade monetária já havia determinado a liquidação da Cooperativa de Crédito Mútuo dos Empregados do Centro Universitário Newton Paiva Ltda., conhecida como Credipaiva, sediada em Belo Horizonte.</p>
<p>Naquele caso, o BC também apontou graves violações às normas aplicáveis à instituição, além do descumprimento de determinações do órgão supervisor.</p>
<p>As medidas integram as atribuições legais da autoridade monetária, responsável por acompanhar a regularidade das instituições autorizadas e adotar providências quando identifica situações incompatíveis com as exigências regulatórias.</p>
<p>No caso da MW Pay, o Banco Central destacou sua participação reduzida no conjunto dos ativos do Sistema Financeiro Nacional. A informação indica uma exposição direta limitada em termos agregados, embora não elimine possíveis impactos operacionais para empresas que utilizavam seus serviços.</p>
<p>A liquidação extrajudicial não significa o encerramento do Pix ou a interrupção de seu funcionamento nas demais instituições participantes. A decisão é direcionada especificamente à MW Instituição de Pagamento.</p>
<p>Com a medida, a empresa deixa de exercer regularmente suas atividades, enquanto a liquidante assume a condução dos procedimentos administrativos e patrimoniais. O Banco Central seguirá responsável pela supervisão e pela apuração de eventuais irregularidades relacionadas ao caso.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Banco Central do Brasil — Ato do Presidente nº 1.392, de 29 de outubro de 2026.</p>
<p>Banco Central do Brasil — Comunicado nº 46.202, de 29 de outubro de 2026.</p>
<p>Banco Central do Brasil — Comunicado nº 41.888, de 19 de julho de 2024.</p>
<p>Banco Central do Brasil — Relatório de autorizações e alterações societárias de outubro de 2024.</p>
<p>Banco Central do Brasil — Relação de participantes do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI).</p>
<p>Banco Central do Brasil — Informações oficiais sobre instituições de pagamento e proteção de recursos em contas de pagamento.</p>
<p>MW Instituição de Pagamento Ltda. — Informações institucionais sobre infraestrutura de pagamentos e participação no Pix.</p>
<p>Presidência da República — Lei nº 6.024, de 13 de março de 1974, e Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013.</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>PF investiga jatinhos, imóveis de luxo e uso de entidades religiosas para lavar dinheiro no Rio</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/operacao-unha-e-carne-pf-jatinhos-imoveis-luxo-entidades-religiosas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2026 12:54:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Coaf]]></category>
		<category><![CDATA[crime organizado.]]></category>
		<category><![CDATA[entidades religiosas]]></category>
		<category><![CDATA[holdings patrimoniais]]></category>
		<category><![CDATA[imóveis de luxo]]></category>
		<category><![CDATA[jatinhos]]></category>
		<category><![CDATA[LAVAGEM DE DINHEIRO]]></category>
		<category><![CDATA[ocultação de patrimônio]]></category>
		<category><![CDATA[Operação Unha e Carne]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://gazetamercantil.com/?p=1534999</guid>

					<description><![CDATA[<p>PF investiga jatinhos, imóveis de luxo e possível uso de entidades religiosas para lavagem de dinheiro na 9ª fase da Operação Unha e Carne.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, a nona fase da Operação Unha e Carne para investigar uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro envolvendo aeronaves executivas, imóveis de alto padrão, veículos de luxo e empresas nacionais e estrangeiras. A investigação também examina indícios de utilização de entidades religiosas e holdings patrimoniais para ocultar a identidade dos verdadeiros proprietários de bens de elevado valor econômico.</p>
<p>A operação cumpre quatro mandados de busca e apreensão na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os endereços incluem salas comerciais que, segundo os investigadores, seriam utilizadas para administrar atividades do grupo, além de um imóvel residencial vinculado a um dos principais operadores identificados pela corporação.</p>
<p>A nova etapa decorre da análise de informações obtidas em fases anteriores, especialmente dados extraídos de um telefone celular apreendido em julho. O material permitiu identificar outros endereços, estruturas empresariais e ativos que estariam envolvidos na administração e movimentação de recursos de origem suspeita.</p>
<p>A Polícia Federal não divulgou oficialmente a identidade dos alvos desta quinta-feira, o valor total do patrimônio investigado ou a existência de novas prisões. As medidas anunciadas concentram-se na obtenção de documentos, registros financeiros e provas eletrônicas capazes de esclarecer a titularidade dos bens.</p>
<h2>PF identifica patrimônio em nome de familiares e terceiros</h2>
<p>Um dos principais pontos da investigação é a suspeita de que integrantes da organização criminosa utilizavam outras pessoas para registrar formalmente propriedades que continuariam sob seu controle.</p>
<p>Segundo o comunicado oficial da Polícia Federal, os bens investigados incluem imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e participações empresariais. Parte desse patrimônio estaria registrada em nome de familiares, colaboradores próximos ou pessoas sem vínculo formal aparente com o núcleo investigado.</p>
<p>Os agentes procuram identificar a origem dos recursos utilizados nas aquisições, a relação econômica entre os envolvidos e os mecanismos empregados para administrar os ativos.</p>
<p>A utilização de terceiros como proprietários formais pode dificultar a identificação do beneficiário efetivo de um patrimônio, especialmente quando os registros de propriedade não correspondem à pessoa que exerce o controle econômico sobre os bens.</p>
<p>Entretanto, a existência de propriedades em nome de familiares ou terceiros não configura, isoladamente, prática criminosa. A investigação precisa demonstrar eventual vínculo com recursos provenientes de infrações penais e a intenção de ocultar ou dissimular sua origem ou titularidade.</p>
<p>A apuração envolve ainda operações financeiras realizadas em espécie, movimentações que a Polícia Federal considera incompatíveis com a rastreabilidade esperada e relações entre <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341563">empresas</a> brasileiras e estrangeiras.</p>
<p>O objetivo é reconstruir a circulação dos recursos para identificar quem efetivamente financiou, administrou e se beneficiou das operações.</p>
<h2>Entidades religiosas e holdings entram na investigação patrimonial</h2>
<p>A Polícia Federal também identificou indícios de possível utilização de entidades religiosas e holdings patrimoniais na estrutura de ocultação de bens.</p>
<p>Segundo a corporação, essas organizações poderiam ter sido utilizadas para afastar formalmente a propriedade de determinados ativos das pessoas que exerceriam seu controle real.</p>
<p>Os investigadores examinam a eventual existência de estruturas societárias destinadas a dificultar a identificação dos beneficiários econômicos, incluindo empresas estabelecidas em países ou territórios com tributação favorecida.</p>
<p>O uso de holdings para administração e organização de patrimônio é permitido pela legislação brasileira. Da mesma forma, entidades religiosas podem possuir imóveis, veículos, contas bancárias e outros bens necessários ao desenvolvimento de suas atividades.</p>
<p>A suspeita criminal surge quando essas estruturas são supostamente utilizadas para dissimular a origem ilícita de recursos, esconder seus verdadeiros proprietários ou viabilizar operações incompatíveis com as atividades declaradas.</p>
<p>Até a divulgação do comunicado oficial desta quinta-feira, a Polícia Federal não havia identificado publicamente quais instituições religiosas ou holdings estariam sob investigação nessa frente.</p>
<p>Também não foi divulgado se houve bloqueio de contas, sequestro de imóveis ou apreensão de aeronaves na nona fase.</p>
<p>A ausência dessas informações impede determinar o número de entidades envolvidas, o valor dos ativos investigados ou a eventual responsabilidade de seus administradores.</p>
<h2>Celular apreendido em julho levou à identificação de novos endereços</h2>
<p>A nona fase foi desencadeada a partir do aprofundamento das provas reunidas durante a quinta etapa da Operação Unha e Carne, realizada em 2 de julho de 2026.</p>
<p>Naquela ocasião, a Polícia Federal investigava suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a uma organização criminosa e possíveis conexões com integrantes de estruturas políticas e empresariais do Rio de Janeiro.</p>
<p>A quinta fase contou com três mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão, além de medidas patrimoniais determinadas pelo STF.</p>
<p>Os investigadores também apuravam registros de contabilidade paralela, possíveis pagamentos indevidos e suspeitas de irregularidades envolvendo recursos e atividades empresariais.</p>
<p>A análise posterior de dispositivos eletrônicos permitiu ampliar o levantamento das relações financeiras e patrimoniais do grupo.</p>
<p>Segundo a Polícia Federal, as informações extraídas de um dos celulares apreendidos revelaram endereços e estruturas empresariais que não integravam o foco inicial das buscas.</p>
<p>O conteúdo também teria indicado conexões entre bens de elevado valor, pessoas físicas e empresas formalmente separadas, mas que permaneceriam sob administração de integrantes do grupo investigado.</p>
<p>A nova etapa procura reunir documentos e registros capazes de confirmar ou afastar essas suspeitas.</p>
<h2>Operação anterior identificou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões</h2>
<p>A nona fase ocorre duas semanas depois de uma ofensiva contra uma rede de postos de combustíveis suspeita de funcionar como estrutura de lavagem de dinheiro na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.</p>
<p>Em 15 de outubro, a Polícia Federal deflagrou a oitava fase da Operação Unha e Carne, com seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em sete municípios fluminenses.</p>
<p>Todos os seis investigados que eram alvos das ordens de prisão foram detidos, segundo o balanço oficial da corporação.</p>
<p>Na ocasião, a Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas vinculadas à rede investigada.</p>
<p>Desse total, 96 eram postos de combustíveis que, segundo a Polícia Federal, poderiam ter sido utilizados para dar aparência de legalidade a recursos de origem criminosa.</p>
<p>Os estabelecimentos representavam aproximadamente 85,7% das empresas atingidas pelas medidas de suspensão.</p>
<p>De acordo com o Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o grupo investigado movimentou mais de R$ 7,6 bilhões em um período de seis anos.</p>
<p>Distribuído uniformemente apenas para fins de dimensionamento, esse valor equivale a aproximadamente R$ 1,27 bilhão por ano ou R$ 105,6 milhões por mês.</p>
<p>O cálculo não significa que as movimentações tenham ocorrido de maneira uniforme, nem que a totalidade dos recursos corresponda a dinheiro de origem criminosa.</p>
<p>O montante representa as transações financeiras identificadas na frente da investigação relacionada à rede de postos de combustíveis. Não se trata de um valor de patrimônio apreendido nesta quinta-feira, tampouco de uma estimativa específica dos bens identificados na nona fase.</p>
<h2>Justiça suspendeu atividades de 112 empresas na oitava fase</h2>
<p>Na operação de 15 de outubro, além das prisões e das restrições impostas às empresas, os policiais apreenderam 12 veículos de luxo, 13 aparelhos celulares, joias, relógios, aproximadamente R$ 90 mil em espécie, 16 armas, munições e documentos.</p>
<p>As buscas ocorreram no Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.</p>
<p>A Polícia Federal investiga a possível participação de agentes públicos e estruturas de articulação <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341564">política</a> na organização criminosa.</p>
<p>Entre os crimes apurados naquela etapa estão lavagem de dinheiro, organização criminosa armada, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, irregularidades na comercialização de combustíveis e formação de cartel.</p>
<p>As suspeitas envolvem atividades distintas e exigem a individualização das condutas de cada investigado.</p>
<p>O comunicado oficial da nona fase não informa que todos os crimes examinados na etapa anterior estejam necessariamente relacionados aos novos endereços e estruturas patrimoniais identificados.</p>
<p>A ligação entre essas diferentes frentes depende da análise dos documentos, das movimentações financeiras e das demais provas reunidas pela investigação.</p>
<h2>STF investiga conexões entre empresas e agentes públicos</h2>
<p>As investigações da Operação Unha e Carne estão relacionadas ao Inquérito nº 5020, em tramitação no Supremo Tribunal Federal.</p>
<p>No dia 15 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva de seis investigados por suspeita de participação em uma organização criminosa com atuação no Rio de Janeiro.</p>
<p>Entre eles estavam Márcio Canella, deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo, e Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário de Polícia Civil do estado.</p>
<p>A decisão também alcançou Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, José Carlos Alves de Souza Júnior, Christiano Gaspar Fernandes e Giovanni Gaspar Fernandes.</p>
<p>Segundo informações divulgadas pelo STF naquela ocasião, a organização investigada teria núcleos responsáveis por articulação política, administração de empresas, movimentação financeira e obtenção de proteção institucional.</p>
<p>A suspeita é de que integrantes do grupo tenham utilizado influência política e relações com agentes públicos para favorecer atividades econômicas e dificultar a fiscalização.</p>
<p>A decisão judicial de outubro também autorizou buscas, acesso a informações armazenadas em dispositivos eletrônicos, bloqueio de bens e suspensão de atividades empresariais.</p>
<p>O tribunal destacou que as medidas cautelares foram adotadas diante dos elementos apresentados pela Polícia Federal e da necessidade de preservar a investigação.</p>
<p>As prisões preventivas e demais providências judiciais não representam condenação definitiva dos envolvidos.</p>
<h2>Lavagem de dinheiro pode envolver ocultação da origem e da propriedade de bens</h2>
<p>A legislação brasileira define o crime de lavagem de dinheiro na Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998, posteriormente modificada pela Lei nº 12.683, de 2012.</p>
<p>O artigo 1º estabelece como crime a ocultação ou dissimulação da natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal.</p>
<p>A pena prevista é de três a dez anos de reclusão, além de multa, sem prejuízo de outras sanções eventualmente aplicáveis a crimes distintos.</p>
<p>Entre os mecanismos que podem ser utilizados para esconder patrimônio estão transações entre empresas relacionadas, transferências para terceiros, utilização de estruturas societárias complexas e circulação de recursos por diferentes jurisdições.</p>
<p>Essas operações, consideradas isoladamente, não caracterizam necessariamente lavagem de dinheiro. A responsabilização criminal depende da demonstração dos elementos exigidos pela legislação.</p>
<p>No caso da Operação Unha e Carne, a Polícia Federal procura verificar se os ativos identificados foram adquiridos com recursos provenientes de atividades ilícitas e se houve mecanismos deliberados para esconder sua origem ou seus beneficiários.</p>
<p>As movimentações financeiras em espécie, a presença de empresas no exterior e a utilização de pessoas interpostas são elementos examinados em conjunto com os demais registros obtidos.</p>
<h2>Investigações avançam sobre propriedade real de bens de elevado valor</h2>
<p>A nona fase amplia o foco patrimonial da Operação Unha e Carne, que já havia atingido suspeitas de vazamento de informações sigilosas, corrupção, irregularidades em contratos públicos e lavagem de dinheiro por meio de estabelecimentos comerciais.</p>
<p>As buscas desta quinta-feira procuram esclarecer três pontos centrais: a origem do dinheiro empregado na aquisição dos ativos, a identidade de seus beneficiários efetivos e a relação entre as estruturas empresariais identificadas.</p>
<p>O material recolhido será submetido à análise da Polícia Federal, que poderá confrontar documentos societários, registros contábeis, comunicações eletrônicas e informações financeiras para reconstruir a movimentação dos recursos.</p>
<p>Também poderão ser examinados vínculos entre pessoas físicas e jurídicas, contratos de aquisição e administração de bens e eventuais transações internacionais relacionadas ao patrimônio investigado.</p>
<p>A corporação ainda não divulgou balanço final das apreensões realizadas nesta quinta-feira nem informou se solicitará novas medidas cautelares ao Supremo Tribunal Federal.</p>
<p>O avanço das investigações dependerá da análise das provas recolhidas e de eventuais decisões judiciais posteriores.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Polícia Federal — comunicado oficial de 29 de outubro de 2026 sobre a nona fase da Operação Unha e Carne, com informações sobre os mandados, os bens investigados e as suspeitas de ocultação patrimonial.</em></p>
<p><em>Polícia Federal — comunicado de 15 de outubro de 2026 sobre a oitava fase da Operação Unha e Carne, incluindo prisões, empresas atingidas, apreensões e movimentações financeiras investigadas.</em></p>
<p><em>Polícia Federal — comunicado de 7 de julho de 2026 sobre a sexta fase da operação e as movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões identificadas em relatório de inteligência financeira.</em></p>
<p><em>Supremo Tribunal Federal — comunicado de 15 de outubro de 2026 sobre as prisões preventivas e medidas patrimoniais determinadas no Inquérito nº 5020.</em></p>
<p><em>Senado Federal — Lei nº 9.613, de 1998, e Lei nº 12.683, de 2012, que disciplinam a prevenção e a repressão à lavagem de dinheiro.</em></p>
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		<item>
		<title>Fed mantém juros nos EUA entre 3,75% e 4%, mas divergência abre caminho para nova alta em dezembro</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/fed-mantem-juros-eua-375-4-divergencia-alta-dezembro</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Oct 2026 20:57:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[economia dos Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Fed]]></category>
		<category><![CDATA[Federal Reserve]]></category>
		<category><![CDATA[Fomc]]></category>
		<category><![CDATA[inflação americana]]></category>
		<category><![CDATA[juros nos EUA]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado Financeiro]]></category>
		<category><![CDATA[política monetária]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fed mantém juros nos EUA entre 3,75% e 4% por 10 votos a 2. Inflação elevada e divergência no comitê mantêm possibilidade de nova alta em dezembro.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira (28) manter a taxa básica de juros americana no intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão interrompe a sequência de elevações após o aumento de 0,25 ponto percentual aprovado em setembro, mas revelou uma divisão entre os integrantes do Comitê Federal de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341534">Mercado</a> Aberto (Fomc) sobre a necessidade de intensificar o combate à inflação.</p>
<p>A manutenção foi aprovada por dez votos a dois. Lisa D. Cook e Beth M. Hammack divergiram da maioria e defenderam uma elevação imediata de 0,25 ponto percentual, que levaria os juros para a faixa de 4% a 4,25% ao ano. A divisão contrasta com a unanimidade registrada na reunião de setembro e evidencia diferenças na avaliação dos riscos inflacionários.</p>
<p>Embora tenha optado pela estabilidade dos juros, o Fed reforçou a percepção de que a atividade econômica americana continua apresentando força. No comunicado, a autoridade monetária classificou o ritmo de expansão como forte, avaliação mais positiva do que a utilizada na reunião anterior, quando descreveu o crescimento como sólido.</p>
<p>A combinação de atividade resistente, inflação acima da meta e divergência entre dirigentes mantém aberta a possibilidade de uma nova elevação dos juros na última reunião de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341537">política</a> monetária de 2026, marcada para os dias 8 e 9 de dezembro.</p>
<h2>Dois integrantes do Fed defenderam aumento imediato dos juros</h2>
<p>A votação representa uma mudança importante na composição das decisões recentes do banco central americano. Em 16 de setembro, os 12 integrantes votantes haviam concordado com a elevação de 0,25 ponto percentual, que estabeleceu o intervalo atualmente em vigor.</p>
<p>Na reunião de outubro, a maioria considerou adequado preservar a taxa enquanto novas informações sobre inflação, crescimento e emprego são incorporadas à avaliação da política monetária. Cook e Hammack, por outro lado, entenderam que as condições econômicas já justificavam um aperto adicional.</p>
<p>A divergência não significa que o Fed tenha assumido compromisso com uma elevação em dezembro. As decisões são tomadas a cada reunião, conforme a evolução dos indicadores e a avaliação dos riscos para os objetivos de estabilidade de preços e máximo emprego.</p>
<p>O comunicado também apresenta uma mudança de linguagem em relação a setembro. Na ocasião, o banco central afirmou que a elevação dos juros contribuiria para acelerar o retorno da inflação à meta de 2%. Agora, a instituição enfatizou que o acúmulo de novas informações ajudará a determinar a postura monetária apropriada para alcançar esse objetivo.</p>
<p>A alteração preserva a possibilidade de novos aumentos, mas evita indicar antecipadamente qual será a decisão seguinte. Ao mesmo tempo, a classificação mais favorável do crescimento econômico sugere que o Fed continua identificando capacidade de expansão mesmo diante de custos de financiamento elevados.</p>
<h2>Inflação americana alcança 3,7% e gasolina sobe 9,1% em setembro</h2>
<p>A persistência das pressões inflacionárias permanece como um dos principais obstáculos para a flexibilização das condições financeiras nos Estados Unidos.</p>
<p>Segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS), o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) avançou 0,6% em setembro, após alta de 0,4% em agosto. No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 3,7%, refletindo especialmente o aumento dos custos de energia.</p>
<p>Os preços da gasolina subiram 9,1% em setembro e responderam por mais da metade da variação mensal do índice geral. Em 12 meses, o combustível acumulou valorização de 34,2%, enquanto o conjunto dos preços de energia avançou 20,4%.</p>
<p>O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, apresentou aumento mensal de 0,3% e acumulou 2,6% em 12 meses. A diferença entre a inflação geral e o núcleo demonstra o peso dos combustíveis na recente aceleração dos preços.</p>
<p>A meta oficial do Federal Reserve, entretanto, não utiliza diretamente o CPI. A referência adotada pela instituição é o índice de preços das despesas de consumo pessoal (PCE), calculado pelo Bureau of Economic Analysis (BEA).</p>
<p>Em agosto, último mês disponível para esse indicador até a decisão de outubro, o PCE registrou inflação anual de 3,4%. O núcleo do índice, que desconsidera alimentos e energia, acumulou alta de 3% no mesmo período.</p>
<p>Esses números mostram que a inflação permanece acima da meta de 2% mesmo quando são utilizadas medidas que reduzem a influência direta das oscilações de alimentos e combustíveis.</p>
<h2>Projeções do Fed já indicavam juros mais altos no fim de 2026</h2>
<p>As projeções econômicas divulgadas pelo Federal Reserve em setembro ajudam a dimensionar o posicionamento dos dirigentes em relação à trajetória dos juros.</p>
<p>Na ocasião, a mediana das estimativas dos participantes do Fomc apontava uma taxa básica de aproximadamente 4,1% ao final de 2026. Como o ponto médio do intervalo atualmente em vigor é de 3,875%, essa projeção era compatível com pelo menos uma elevação adicional de 0,25 ponto percentual até dezembro.</p>
<p>O conjunto das previsões, no entanto, foi elaborado antes da reunião desta quarta-feira e não representa uma decisão previamente definida. Cada participante apresenta sua avaliação individual sobre o comportamento esperado da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341539">economia</a> e o nível de juros considerado apropriado.</p>
<p>No mesmo levantamento, o Fed projetou inflação medida pelo PCE de 3,7% em 2026 e de 2,3% em 2027. Para o núcleo do indicador, as medianas foram de 3,4% e 2,5%, respectivamente.</p>
<p>Essas estimativas indicam que, mesmo nas projeções dos próprios dirigentes, o retorno da inflação à meta ocorreria gradualmente. O cenário ajuda a explicar por que o banco central mantém uma postura cautelosa apesar da estabilidade recente do desemprego.</p>
<p>A próxima rodada de projeções oficiais será divulgada em dezembro, juntamente com a última decisão de juros do ano. O documento permitirá verificar se os dirigentes alteraram suas expectativas para inflação, crescimento e política monetária diante dos dados publicados desde setembro.</p>
<h2>Mercado de trabalho registra desemprego de 4,2%, apesar da criação limitada de vagas</h2>
<p>O comportamento do mercado de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341538">trabalho</a> também permanece no centro das decisões do Federal Reserve, que possui o mandato de promover a estabilidade de preços e o máximo emprego sustentável.</p>
<p>De acordo com os dados oficiais do BLS, a taxa de desemprego americana ficou em 4,2% em setembro, ante 4,1% em agosto. O país registrou criação líquida de 29 mil vagas fora do setor agrícola, resultado que indica crescimento limitado do emprego, embora sem deterioração acentuada da taxa de desocupação.</p>
<p>O número de desempregados permaneceu próximo de 7,1 milhões de pessoas. Desde março, a taxa de desemprego tem oscilado em um intervalo relativamente estreito, entre 4,1% e 4,3%.</p>
<p>O relatório de setembro também revisou para baixo os resultados de julho e agosto, reduzindo em 60 mil o total de empregos anteriormente contabilizados nos dois meses. As revisões reforçam a importância de acompanhar a trajetória do mercado de trabalho por períodos mais longos, em vez de considerar isoladamente os dados mensais.</p>
<p>Apesar do ritmo moderado de contratação, o Fed afirmou que a geração de empregos tem acompanhado a evolução da força de trabalho. Essa avaliação contribuiu para a decisão de manter os juros, sem indicar necessidade imediata de mudanças para sustentar a atividade econômica.</p>
<p>A leitura dos dirigentes sugere que o desafio atual está mais concentrado na inflação persistente do que em uma deterioração expressiva das condições de emprego. Essa avaliação, contudo, poderá mudar conforme os próximos indicadores.</p>
<h2>Crescimento econômico forte reduz espaço para uma queda rápida dos juros</h2>
<p>A avaliação mais favorável da atividade econômica é outro elemento relevante do comunicado divulgado nesta quarta-feira.</p>
<p>O Federal Reserve destacou a resistência dos gastos domésticos, o crescimento da produtividade e a robustez dos investimentos de capital. A instituição também reconheceu que as incertezas permanecem elevadas, em parte devido aos acontecimentos geopolíticos.</p>
<p>Uma economia que continua crescendo em ritmo elevado tende a apresentar maior capacidade de absorver taxas de juros restritivas. Ao mesmo tempo, a resistência da demanda pode dificultar a desaceleração dos preços quando a oferta não acompanha o consumo.</p>
<p>Por esse motivo, a autoridade monetária precisa equilibrar dois riscos. O primeiro é reduzir os juros prematuramente e permitir que a inflação permaneça acima da meta por um período prolongado. O segundo é manter o crédito excessivamente caro e provocar uma desaceleração econômica mais intensa do que a necessária.</p>
<p>A manutenção dos juros em outubro indica que a maioria do comitê prefere obter informações adicionais antes de alterar novamente as condições monetárias. Os votos divergentes, porém, mostram que existe preocupação dentro do próprio Fed com o risco de uma resposta insuficiente à inflação.</p>
<h2>Juros elevados nos EUA podem afetar dólar, Bolsa e investimentos no Brasil</h2>
<p>As decisões do Federal Reserve possuem consequências que ultrapassam a economia americana. Como os títulos do Tesouro dos Estados Unidos são utilizados como referência internacional de remuneração e risco, alterações nas expectativas de juros influenciam os fluxos globais de capital.</p>
<p>Quando o mercado passa a considerar provável um período mais prolongado de juros elevados nos Estados Unidos, os ativos americanos podem se tornar relativamente mais atraentes. Esse movimento tende a aumentar a concorrência pelos recursos destinados a países emergentes, incluindo o Brasil.</p>
<p>Uma possível consequência é a pressão sobre o real, especialmente quando a expectativa de juros elevados se combina com maior aversão ao risco internacional. A intensidade desse efeito depende também da política monetária brasileira, das condições fiscais e da percepção dos investidores sobre a economia doméstica.</p>
<p>Para as <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341536">empresas</a> brasileiras, juros internacionais mais altos podem elevar o custo de captação em dólares e dificultar operações de financiamento externo. Companhias com endividamento em moeda estrangeira ficam particularmente expostas a mudanças simultâneas nas taxas de financiamento e no câmbio.</p>
<p>Na Bolsa brasileira, o impacto não ocorre de maneira uniforme. Empresas mais dependentes de crédito e de financiamento de longo prazo podem enfrentar maior sensibilidade às condições financeiras, enquanto companhias exportadoras podem ser beneficiadas por determinados movimentos cambiais.</p>
<p>A decisão desta quarta-feira, isoladamente, não determina a direção do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341535">dólar</a> ou do Ibovespa. A reação dos mercados depende principalmente da diferença entre o resultado anunciado e as expectativas que já estavam incorporadas aos preços dos ativos.</p>
<h2>Novos dados de inflação e emprego serão decisivos para a reunião de dezembro</h2>
<p>O calendário econômico americano prevê a divulgação de indicadores relevantes antes do próximo encontro do Federal Reserve.</p>
<p>Nesta quinta-feira (29), o Bureau of Economic Analysis divulgará os dados de setembro das despesas de consumo pessoal e do índice PCE. O relatório permitirá verificar se as pressões inflacionárias identificadas no CPI também se refletiram na medida de preços preferida pelo banco central.</p>
<p>O mesmo órgão publicará a estimativa inicial do Produto Interno Bruto (PIB) americano referente ao terceiro trimestre de 2026. O resultado será importante para avaliar se a expansão econômica mantém o ritmo considerado forte pelo Fed.</p>
<p>Em 6 de novembro, o Bureau of Labor Statistics divulgará o relatório de emprego de outubro. Os números de contratações, desemprego e remuneração poderão alterar a percepção dos dirigentes sobre o equilíbrio entre atividade econômica e inflação.</p>
<p>A última reunião do Fomc em 2026 ocorrerá em 8 e 9 de dezembro. Além da decisão sobre a taxa básica, o encontro será acompanhado da atualização das projeções econômicas e das estimativas individuais para a trajetória dos juros.</p>
<p>Até lá, a manutenção da faixa entre 3,75% e 4% representa uma interrupção no aperto iniciado em setembro, mas não uma sinalização de encerramento definitivo das altas. A combinação entre inflação elevada, crescimento resistente e dois votos favoráveis a juros maiores mantém a política monetária americana sob avaliação nas próximas semanas.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Federal Reserve — comunicado oficial do Comitê Federal de Mercado Aberto de 28 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Federal Reserve — comunicado de política monetária de 16 de setembro de 2026.</em></p>
<p><em>Federal Reserve — Sumário das Projeções Econômicas de setembro de 2026.</em></p>
<p><em>Federal Reserve — nota de implementação da política monetária de 28 de outubro de 2026 e calendário oficial de reuniões de 2026.</em></p>
<p><em>Bureau of Labor Statistics — Índice de Preços ao Consumidor de setembro de 2026, divulgado em 14 de outubro.</em></p>
<p><em>Bureau of Labor Statistics — relatório de emprego de setembro de 2026, divulgado em 2 de outubro.</em></p>
<p><em>Bureau of Economic Analysis — relatório de renda pessoal e despesas de consumo de agosto de 2026 e calendário oficial de divulgação de indicadores econômicos.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Proposta de Flávio para adiar reforma pode afetar cashback de até 70 milhões de brasileiros</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/flavio-bolsonaro-adiar-reforma-tributaria-cashback-70-milhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Oct 2026 18:12:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
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		<category><![CDATA[Vira Pix]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Proposta de Flávio Bolsonaro para adiar a reforma tributária pode afetar cashback de impostos para até 70 milhões de brasileiros a partir de 2027.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="player" class="auding aud-final">
<p>A proposta do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) de suspender por um ano a implementação da reforma tributária poderá comprometer o calendário de devolução de impostos destinado às famílias brasileiras de baixa renda. O mecanismo, conhecido como cashback tributário, está previsto na Lei Complementar nº 214/2025 e começará a considerar o consumo realizado a partir de janeiro de 2027. A medida poderá alcançar uma população potencial de aproximadamente 70 milhões de pessoas, segundo dados do Cadastro Único utilizados pela Receita Federal no planejamento do novo sistema.</p>
<p>A possibilidade de adiamento decorre de uma promessa divulgada pela própria campanha do senador, que apresentou a suspensão temporária da reforma como uma das prioridades de um eventual governo. Em publicação de 22 de agosto de 2026, a equipe do candidato defendeu a interrupção por um ano para permitir uma revisão mais ampla da legislação tributária. Entretanto, o plano de governo registrado para as eleições utiliza uma formulação diferente, propondo a revisão e o redimensionamento da reforma, sem estabelecer expressamente a paralisação integral de todas as suas etapas.</p>
<p>Essa diferença é decisiva para o futuro do cashback. Caso uma eventual administração suspenda a cobrança da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), sem estabelecer regras específicas para preservar as devoluções, o benefício previsto para 2027 poderá ser adiado. Se as mudanças se limitarem à revisão de alíquotas, exceções e procedimentos, o mecanismo poderá permanecer em funcionamento dentro do calendário atual.</p>
<p>Até esta quinta-feira (22), a campanha não havia apresentado uma proposta legislativa detalhada esclarecendo quais dispositivos seriam modificados e como a devolução de tributos às famílias de menor renda seria tratada. Portanto, não existe decisão formal de suspender o cashback nem fundamento para afirmar que o benefício já tenha sido cancelado. O risco está associado às consequências possíveis da proposta de adiamento, caso seja efetivamente implementada.</p>
<h2>Lei garante devolução de impostos a partir de janeiro de 2027</h2>
<p>O cashback tributário integra o modelo de tributação do consumo instituído pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentado pela Lei Complementar nº 214, de 16 de janeiro de 2025. O objetivo é reduzir a regressividade do sistema brasileiro, característica pela qual os impostos sobre bens e serviços comprometem proporcionalmente uma parcela maior da renda das famílias mais pobres. A devolução permite restituir parte ou a totalidade de determinados tributos pagos pelos consumidores que atendam aos critérios legais.</p>
<p>O artigo 123 da legislação estabelece dois calendários diferentes. Para a CBS, tributo federal que substituirá o PIS e a Cofins, as devoluções serão calculadas a partir do consumo familiar realizado em janeiro de 2027. Para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), administrado por estados e municípios, o cálculo terá como referência as operações realizadas a partir de janeiro de 2029.</p>
<p>A separação acompanha o cronograma de implementação da reforma. Em 2026, o sistema passa por uma fase de testes e adaptação operacional, enquanto a CBS começará a substituir efetivamente as contribuições federais em 2027. A transição dos impostos estaduais e municipais ocorrerá gradualmente entre 2029 e 2032, com conclusão prevista para 2033.</p>
<p>O calendário representa uma das principais diferenças entre a reforma já aprovada e as propostas ainda em discussão na campanha eleitoral. O cashback possui previsão expressa em lei, enquanto a eventual suspensão da reforma dependerá de alterações legislativas e, conforme o alcance das mudanças, também constitucionais. A posse de um novo presidente não interrompe automaticamente a vigência das normas existentes.</p>
<p>É importante observar que janeiro de 2027 marca o início do período de consumo considerado para a CBS, e não necessariamente a data de depósito de todos os valores aos beneficiários. A legislação atribui à Receita Federal a definição dos procedimentos, períodos de apuração e calendário de pagamento. Nas despesas com determinadas contas domiciliares, a devolução deverá ocorrer no momento da cobrança, conforme as condições regulamentares.</p>
<h2>Receita identifica 70,4 milhões de pessoas no público potencial</h2>
<p>A dimensão social do benefício pode ser observada em apresentação técnica da Receita Federal sobre o funcionamento do cashback. Utilizando informações do Cadastro Único referentes a maio de 2025, o órgão identificou aproximadamente 27,8 milhões de famílias nas categorias de pobreza e baixa renda. Juntas, essas famílias reuniam cerca de 70,4 milhões de pessoas.</p>
<p>Os dados oficiais permitem detalhar a composição desse público. Na faixa classificada como situação de pobreza, estavam cadastradas aproximadamente 19,9 milhões de famílias, reunindo 48 milhões de pessoas. Outro grupo, identificado como de baixa renda, abrangia cerca de 7,9 milhões de famílias e 22,3 milhões de integrantes.</p>
<p>A soma das duas categorias corresponde a aproximadamente 67% das 41,45 milhões de famílias registradas no Cadastro Único naquele levantamento. Em quantidade de pessoas, o universo potencial representava cerca de 74% dos 94,89 milhões de brasileiros incluídos no sistema. Esses percentuais mostram a abrangência social do cashback, embora não indiquem que todos os cadastrados receberão valores automaticamente.</p>
<p>O número de 70,4 milhões deve ser entendido como referência de população potencialmente alcançada, e não como quantidade definitiva de beneficiários em 2027. O direito à devolução depende dos requisitos legais, da atualização cadastral e da existência de consumo tributado abrangido pelo mecanismo. Além disso, os valores serão apurados por unidade familiar, e não distribuídos individualmente a cada uma das pessoas incluídas na estimativa.</p>
<p>Pelo artigo 113 da Lei Complementar nº 214/2025, o responsável pela unidade familiar deverá estar inscrito no Cadastro Único, possuir renda mensal por pessoa de até meio salário mínimo nacional, residir no Brasil e manter o CPF em situação regular. O ingresso no sistema de devolução será automático para quem atender às condições estabelecidas. A legislação também permite que o responsável solicite a exclusão do mecanismo.</p>
<p>O caráter automático busca diminuir a burocracia para famílias que já utilizam o Cadastro Único como instrumento de acesso a políticas públicas. Entretanto, o funcionamento dependerá da integração entre informações cadastrais, documentos fiscais e sistemas de arrecadação. O benefício estará associado à efetiva incidência dos tributos e às regras de identificação do consumo.</p>
<h2>Gás, energia elétrica e água terão devolução integral da CBS</h2>
<p>A legislação estabelece percentuais diferentes de restituição conforme o tipo de despesa realizada pelas famílias. O artigo 118 determina a devolução de 100% da CBS incidente na aquisição de botijões de gás de cozinha de até 13 quilos e nas operações de fornecimento domiciliar de energia elétrica, água, esgoto, gás canalizado e telecomunicações. Para essas mesmas despesas, a restituição mínima prevista para o IBS é de 20%.</p>
<p>Nos demais produtos e serviços sujeitos ao mecanismo, a regra geral estabelece devolução de 20% da CBS e de 20% do IBS. A legislação exclui, como regra, o consumo de bens e serviços sujeitos ao Imposto Seletivo, destinado a desestimular atividades ou produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Os entes federativos poderão estabelecer percentuais maiores em determinadas condições, observadas as restrições legais.</p>
<p>A devolução integral da CBS não significa que o consumidor receberá de volta o valor completo de uma conta de energia ou da compra de um botijão de gás. O percentual incide sobre o tributo correspondente, e não sobre o preço total do produto ou serviço. Essa distinção é fundamental para compreender o alcance financeiro do mecanismo.</p>
<p>Em uma situação meramente ilustrativa, caso determinada despesa contenha R$ 10 de CBS passíveis de restituição integral, a família teria direito à devolução desses R$ 10, e não ao reembolso da compra inteira. O valor efetivo dependerá da tributação da operação, do consumo registrado e das normas aplicáveis. Como o benefício devolve imposto efetivamente suportado, não existe quantia mensal uniforme previamente assegurada a todas as famílias.</p>
<p>A diferença entre os tributos também influencia o calendário. Em 2027, o principal componente do cashback será a devolução da CBS, enquanto a restituição do IBS começará a considerar o consumo a partir de 2029. Portanto, um eventual adiamento da entrada em vigor da contribuição federal atingiria a etapa mais imediata do programa.</p>
<h2>Suspensão da reforma dependeria de mudanças aprovadas pelo Congresso</h2>
<p>O cronograma da reforma tributária não pode ser alterado integralmente apenas por decisão administrativa do presidente da República. Parte das regras de transição está incorporada à Constituição pela Emenda Constitucional nº 132/2023, enquanto os procedimentos de devolução estão disciplinados pela Lei Complementar nº 214/2025. A suspensão abrangente do sistema exigiria mudanças nas normas correspondentes, observando o processo legislativo aplicável.</p>
<p>Uma proposta de emenda à Constituição necessita de aprovação em dois turnos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, com apoio de três quintos dos integrantes de cada Casa. Isso significa pelo menos 308 deputados e 49 senadores. Mudanças em dispositivos de lei complementar também exigem aprovação parlamentar, respeitando o quórum de maioria absoluta.</p>
<p>A exigência legislativa cria uma diferença entre anunciar o adiamento durante a campanha e conseguir executá-lo. Mesmo em caso de vitória eleitoral, Flávio Bolsonaro precisaria construir maioria parlamentar para modificar o calendário constitucional. O resultado dependeria do conteúdo da proposta, das negociações com o Congresso e das condições políticas existentes no início do mandato.</p>
<p>A antecipação de uma mudança também envolve dificuldades operacionais. <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341211">Empresas</a>, governos estaduais, municípios e órgãos federais já estão adaptando sistemas de emissão de documentos fiscais, arrecadação e escrituração para a entrada em vigor das novas regras. A suspensão de etapas previamente programadas poderia exigir novas adaptações, contratos e procedimentos administrativos.</p>
<p>A Receita Federal informa que a CBS e o IBS passaram por testes em 2026, com obrigações específicas para os contribuintes e preparação dos sistemas de arrecadação. O Comitê Gestor do Simples Nacional também editou normas de adaptação à reforma, estabelecendo procedimentos relacionados aos novos tributos. A extensão de eventuais custos adicionais dependeria do alcance e do momento de uma alteração legislativa.</p>
<p>Uma revisão limitada poderia preservar parte significativa da infraestrutura já desenvolvida. Em contrapartida, uma paralisação ampla, acompanhada da manutenção temporária dos tributos antigos, exigiria compatibilização entre dois conjuntos de regras. Essa situação demonstra que o calendário do cashback não é o único elemento potencialmente afetado por uma mudança na transição.</p>
<h2>Campanha apresentou posições diferentes sobre suspensão e revisão</h2>
<p>A defesa da interrupção da reforma apareceu publicamente em junho, quando Flávio Bolsonaro afirmou que pretendia suspender sua entrada em vigor por pelo menos um ano. O argumento apresentado pelo senador era que a carga tributária brasileira já estaria excessivamente elevada e que o novo modelo deveria ser rediscutido para permitir redução de impostos. A campanha também passou a questionar o número de exceções concedidas a setores específicos, que poderiam elevar a alíquota geral do Imposto sobre Valor Agregado (IVA).</p>
<p>Em 22 de agosto, o próprio site eleitoral de Flávio voltou a apresentar o adiamento como uma das prioridades de um eventual governo. A publicação sustentou que o prazo adicional permitiria aprofundar o debate e implementar mudanças econômicas consideradas estruturantes. O texto não especificou o tratamento que seria dado ao cashback e às demais medidas sociais previstas na legislação.</p>
<p>O plano de governo para 2027–2030, entretanto, utiliza uma abordagem menos definitiva. O documento propõe revisar e redimensionar a reforma, reduzir a alíquota do IVA, assegurar a não cumulatividade e preservar a simplificação tributária. Também defende diminuir exceções para evitar tratamentos distintos entre atividades econômicas semelhantes.</p>
<p>O coordenador político da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), apresentou em agosto a possibilidade de realizar a revisão em um intervalo de quatro a seis meses. Em declarações públicas, passou a diferenciar a revisão de uma paralisação completa do novo sistema. Essa mudança de linguagem amplia a incerteza sobre o alcance efetivo da proposta.</p>
<p>A diferença não é apenas <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341210">política</a> ou semântica. Uma reforma que preserve a CBS e altere alíquotas ou tratamentos setoriais poderia manter a base de cálculo necessária à devolução de impostos às famílias. Já uma suspensão integral da cobrança do tributo federal, sem regra substitutiva, impediria a execução do cashback nos termos atualmente previstos.</p>
<p>O programa eleitoral defende reduzir impostos sobre o consumo e preservar mecanismos de proteção social, mas não detalha como essas prioridades seriam conciliadas no caso específico da restituição tributária. Também não apresenta uma estimativa do custo ou da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341213">economia</a> decorrente de eventual alteração do cashback. A ausência dessas informações impede avaliar quantitativamente os efeitos da proposta sobre o orçamento das famílias beneficiárias.</p>
<h2>Vira Pix cria comparação com benefício já previsto em lei</h2>
<p>A discussão ganhou um elemento adicional na terça-feira (20), quando a campanha de Flávio anunciou o projeto denominado Vira Pix. A proposta foi apresentada por Daniella Marques, coordenadora da área econômica, como um sistema de recompensas financeiras associado a pagamentos cotidianos. Entre os exemplos divulgados aparecem contas de energia elétrica, prestações e taxas.</p>
<p>A iniciativa prevê uma parceria com a Caixa Econômica Federal para permitir que parte dos valores pagos retorne ao consumidor. Entretanto, o anúncio não especificou quais operações seriam efetivamente abrangidas, os percentuais de devolução, a fonte de financiamento ou os critérios de acesso. Também não apresentou estimativa de custo fiscal nem cronograma de implementação.</p>
<p>Apesar de utilizarem a expressão cashback, os dois mecanismos não possuem necessariamente a mesma natureza. A devolução criada pela reforma tributária está diretamente vinculada à arrecadação da CBS e do IBS sobre o consumo das famílias elegíveis. O Vira Pix foi anunciado como um programa de recompensa associado a pagamentos, sem definição pública suficiente para estabelecer se sua fonte de recursos seria tributária, bancária ou orçamentária.</p>
<p>A diferença interfere na avaliação de viabilidade financeira. O cashback da reforma dispõe de regras legais sobre público-alvo, percentuais e tributos que poderão ser restituídos. Já um mecanismo abrangente de recompensas sobre pagamentos, caso alcance consumidores de diferentes faixas de renda, poderá apresentar custo e distribuição de benefícios muito distintos.</p>
<p>Sem regras detalhadas, não é possível afirmar que o Vira Pix substituiria o cashback previsto na reforma tributária ou ofereceria vantagem financeira equivalente às famílias de baixa renda. Também não há demonstração de que ambos seriam incompatíveis. A definição dependeria de uma proposta normativa e financeira que estabelecesse claramente a relação entre os programas.</p>
<p>A comparação revela uma questão relevante para a disputa eleitoral: o candidato defende alterar uma reforma que já estabelece devolução de impostos para famílias de menor renda e, simultaneamente, anuncia a intenção de criar outro instrumento de reembolso de gastos. A compatibilidade entre essas iniciativas permanece sem esclarecimento público suficiente.</p>
<h2>Adiamento teria efeitos sobre o poder de compra das famílias</h2>
<p>A importância econômica do cashback está relacionada ao peso dos tributos indiretos no orçamento das famílias. Consumidores de menor renda tendem a destinar proporção elevada de seus recursos à aquisição de itens essenciais, como gás de cozinha, alimentos, água, energia e serviços básicos. Quando os impostos incidem sobre essas despesas, representam uma parcela proporcionalmente maior da renda disponível.</p>
<p>A restituição pretende compensar parte desse efeito, permitindo que famílias elegíveis recuperem valores pagos na tributação do consumo. O resultado esperado depende do volume de compras, da incidência dos tributos e dos percentuais de devolução estabelecidos pela legislação. Portanto, não é possível estimar um benefício mensal individual sem conhecer os gastos efetivos e o enquadramento de cada família.</p>
<p>A eventual postergação do programa poderia adiar esse ganho de renda disponível. Mesmo quando os valores unitários forem relativamente reduzidos, sua importância poderá ser maior para famílias que destinam praticamente toda a renda ao consumo essencial. A dimensão agregada do efeito também poderá ser relevante, considerando o universo potencial de dezenas de milhões de pessoas.</p>
<p>Existe ainda uma diferença entre reduzir tributos para todos os consumidores e devolver impostos especificamente aos mais pobres. Uma redução geral de alíquotas pode beneficiar diferentes faixas de renda, dependendo do repasse aos preços, enquanto o cashback direciona recursos a famílias cadastradas que atendam aos critérios legais. As duas políticas podem coexistir, mas seus efeitos distributivos não são necessariamente equivalentes.</p>
<p>Essa distinção torna indispensável conhecer o desenho efetivo da proposta de Flávio Bolsonaro. Caso a revisão reduza impostos e preserve as devoluções, os impactos poderão ser diferentes daqueles produzidos por uma suspensão integral. Também seria possível estabelecer novas regras de compensação, desde que aprovadas e financiadas conforme a legislação.</p>
<p>O resultado concreto depende de decisões que ainda não foram formalizadas. O compromisso de reduzir a carga tributária, por si só, não esclarece se o cashback continuará operando a partir de janeiro de 2027.</p>
<h2>Receita Federal já desenvolve sistema para operacionalizar devoluções</h2>
<p>A implementação do cashback exige mais do que a previsão legal dos percentuais de devolução. O sistema precisa identificar as famílias elegíveis, reconhecer as operações de consumo, calcular os tributos correspondentes e disponibilizar os valores aos responsáveis cadastrados. Essas etapas envolvem integração de dados, emissão de documentos fiscais e procedimentos de pagamento.</p>
<p>Em apresentação técnica sobre a reforma tributária, a Receita Federal informou que já havia desenvolvido uma primeira versão da interface destinada à consulta dos valores de devolução. O material descreve funcionalidades relacionadas à identificação dos tributos incidentes sobre produtos e serviços e ao cálculo das quantias a serem restituídas. Também aponta a necessidade de aperfeiçoamentos na linguagem utilizada e na integração das informações de contas essenciais.</p>
<p>A legislação prevê que determinadas devoluções ocorram diretamente no momento da cobrança, especialmente em serviços domiciliares como energia elétrica, água, esgoto, gás canalizado e telecomunicações. Para outras operações, os valores deverão ser apurados e disponibilizados por intermédio dos mecanismos de pagamento estabelecidos em regulamento. A Receita Federal será responsável pela gestão da CBS, enquanto o Comitê Gestor do IBS administrará a parcela estadual e municipal.</p>
<p>O desenvolvimento prévio desses sistemas aumenta a importância do calendário de transição. Alterações no momento de início dos tributos podem exigir revisões operacionais e novos procedimentos para identificação dos valores. Uma decisão de adiamento, portanto, teria efeitos não apenas sobre as regras de cobrança, mas também sobre ferramentas administrativas preparadas para executar o benefício.</p>
<p>A continuidade do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341212">trabalho</a> técnico não garante que todos os pagamentos ocorram imediatamente no início de 2027. Ela demonstra, porém, que a devolução já integra o planejamento operacional da administração tributária e não depende de uma nova promessa de campanha para existir juridicamente.</p>
<h2>Futuro do cashback depende do alcance de eventual mudança tributária</h2>
<p>A disputa sobre a reforma tributária chega à reta final das eleições presidenciais com uma diferença importante entre as propostas já aprovadas e aquelas ainda em elaboração. O cashback possui legislação específica, público-alvo definido e calendário para o início da apuração das devoluções. A suspensão defendida por Flávio Bolsonaro, por outro lado, continua sem uma formulação legislativa capaz de esclarecer seus efeitos sobre cada etapa do sistema.</p>
<p>A publicação de agosto da campanha indica a intenção de adiar a reforma por um ano, enquanto o plano eleitoral formal propõe revisão e redimensionamento. Essas posições não são necessariamente incompatíveis, mas permitem cenários diferentes para a execução do benefício. A manutenção ou alteração do cronograma dependerá do conteúdo das medidas apresentadas ao Congresso Nacional.</p>
<p>Para aproximadamente 70,4 milhões de pessoas identificadas como público potencial no levantamento utilizado pela Receita Federal, a principal questão é saber se a devolução dos impostos começará a considerar o consumo de janeiro de 2027, conforme determina a legislação atual. A resposta dependerá da preservação das regras da CBS e da efetiva implantação dos mecanismos administrativos necessários.</p>
<p>Até que exista uma proposta detalhada, não é possível afirmar que Flávio Bolsonaro tenha decidido cancelar o cashback ou que sua eleição necessariamente provocaria a suspensão do benefício. O que os documentos demonstram é que um adiamento abrangente da reforma, sem salvaguardas específicas, poderá atingir diretamente uma política de restituição tributária voltada às famílias mais pobres. A definição sobre sua continuidade será uma das consequências econômicas e sociais relevantes de qualquer tentativa de modificar o calendário da reforma.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Presidência da República — Emenda Constitucional nº 132, de 20 de dezembro de 2023, que reformula a tributação sobre o consumo.</p>
<p>Presidência da República — Lei Complementar nº 214, de 16 de janeiro de 2025, com alterações posteriores, especialmente os artigos 112 a 123, relativos à devolução personalizada da CBS e do IBS.</p>
<p>Receita Federal do Brasil — Apresentação técnica Devolução Personalizada (Cashback), com dados do Cadastro Único de maio de 2025 e informações sobre o desenvolvimento dos mecanismos de restituição.</p>
<p>Receita Federal do Brasil — Entenda a Reforma Tributária do Consumo, atualização de 16 de outubro de 2026, com cronograma de transição dos novos tributos.</p>
<p>Campanha Flávio Bolsonaro Presidente — Publicação institucional de 22 de agosto de 2026 sobre a proposta de suspensão da reforma tributária por um ano.</p>
<p>Campanha Flávio Bolsonaro Presidente — Plano de Governo 2027–2030, capítulo Brasil Mais Barato, com diretrizes para revisão e redimensionamento da reforma tributária.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Vorcaro cogitou comprar “maleta espiã” igual à do Exército &#124; CNN Brasil</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/vorcaro-maleta-espia-interceptar-ligacoes-celulares</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Oct 2026 02:59:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Master]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Vorcaro]]></category>
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		<category><![CDATA[Interceptação Telefônica]]></category>
		<category><![CDATA[Maleta Espiã]]></category>
		<category><![CDATA[operação Compliance Zero]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
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<div class="border-b pb-4 lg:border-b-0 lg:pb-0" tabindex="1">
<p>O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, discutiu com o advogado Walfrido Warde a possibilidade de adquirir um equipamento de espionagem capaz de interceptar ligações telefônicas, acessar mensagens e ativar remotamente microfones de celulares. A conversa ocorreu em abril de 2024, depois de um evento jurídico realizado em Londres com financiamento do banco, e foi identificada em mensagens extraídas do aparelho de Vorcaro pela Polícia Federal. O dispositivo mencionado é semelhante a um sistema de inteligência adquirido anteriormente pelo Exército brasileiro.</p>
<p>O diálogo, divulgado neste sábado (17), revela o interesse dos dois em uma tecnologia utilizada para monitoramento de comunicações móveis. A troca de mensagens começou quando Warde encaminhou ao empresário uma reportagem sobre a compra, pelo Exército, de uma maleta equipada com recursos de interceptação eletrônica. Após receber o material, Vorcaro perguntou se o aparelho também lhe pertencia, e o advogado sugeriu a aquisição de uma unidade.</p>
<p>A conversa acrescenta um elemento às investigações sobre as relações mantidas pelo ex-controlador do Banco Master e a possível utilização de estruturas privadas de vigilância. Entretanto, as mensagens conhecidas demonstram uma intenção de compra, não a concretização do negócio. Até o momento, não há comprovação pública de que Vorcaro tenha adquirido esse equipamento específico ou utilizado suas funcionalidades para interceptar comunicações.</p>
<h2>Mensagens mostram Vorcaro e advogado discutindo aquisição do equipamento</h2>
<p>O diálogo entre Daniel Vorcaro e Walfrido Warde ocorreu em abril de 2024, pouco depois de ambos participarem de um encontro jurídico em Londres. O evento teve financiamento do Banco Master e reuniu autoridades e integrantes do meio jurídico brasileiro, incluindo ministros de tribunais superiores.</p>
<p>Segundo o conteúdo das mensagens divulgado pela CNN Brasil, o advogado inicialmente agradeceu pela participação no encontro. Aproximadamente duas horas depois, encaminhou ao empresário uma reportagem publicada em 27 de abril de 2024 sobre a compra de uma maleta de espionagem pelo Exército.</p>
<p>Ao receber o material, Vorcaro questionou se o equipamento também fazia parte de seus recursos disponíveis. A resposta do advogado transformou a conversa em uma proposta de aquisição.</p>
<p>Warde perguntou se deveriam comprar uma unidade da máquina, e Vorcaro respondeu afirmativamente. O advogado reagiu à manifestação do empresário com um emoji de coração, encerrando o trecho conhecido da conversa.</p>
<p>A troca de mensagens é relevante por revelar que o interesse na tecnologia partiu de uma discussão direta entre o banqueiro e um profissional responsável por sua representação jurídica. Não se tratava de uma conversa genérica sobre segurança da informação, mas de uma referência específica a um dispositivo com funcionalidades de interceptação e monitoramento de aparelhos celulares.</p>
<p>O conteúdo divulgado, entretanto, não apresenta informações sobre fabricantes procurados, propostas comerciais, preço negociado, contratos de aquisição ou entrega do equipamento. Também não identifica eventuais pessoas que seriam monitoradas caso a compra fosse concretizada.</p>
<p>A existência dessas lacunas impede concluir que houve operação de espionagem decorrente da conversa. Para estabelecer essa relação, seriam necessários documentos adicionais, registros de aquisição, comprovantes de pagamento ou evidências de utilização.</p>
<h2>Maleta espiã utiliza tecnologia capaz de acessar comunicações móveis</h2>
<p>O equipamento mencionado na conversa pertence a uma categoria de dispositivos de inteligência eletrônica desenvolvidos para localizar e monitorar aparelhos celulares. O sistema associado à aquisição realizada pelo Exército é conhecido como GI2, tecnologia comercializada originalmente pela empresa israelense Verint Systems, posteriormente vinculada à estrutura empresarial da Cognyte.</p>
<p>O GI2 dispõe de funcionalidades que permitem identificar aparelhos móveis próximos, obter informações de localização e, conforme as características técnicas divulgadas pelo fabricante, acessar determinadas comunicações. Entre os recursos descritos estão interceptação de chamadas e mensagens, ativação remota de microfones e interferência em conexões celulares.</p>
<p>Seu funcionamento envolve a interação com redes de telefonia móvel. O equipamento pode operar como uma estação de comunicação próxima aos aparelhos monitorados, explorando características dos protocolos utilizados pelas redes para identificar dispositivos e realizar determinadas operações de vigilância.</p>
<p>As possibilidades concretas de monitoramento dependem de fatores técnicos, incluindo o padrão da rede, as condições de operação, as proteções implementadas pelos aparelhos e a configuração do sistema utilizado.</p>
<p>A aquisição desse tipo de tecnologia exige distinguir sua capacidade técnica da autorização legal para utilizá-la. Um aparelho pode permitir a interceptação de comunicações sem solicitar previamente uma ordem judicial ao operador, mas isso não significa que sua utilização seja juridicamente permitida no Brasil.</p>
<p>A diferença é particularmente importante porque a obtenção clandestina de conversas privadas pode violar direitos fundamentais e configurar crime, independentemente de o equipamento ter sido originalmente desenvolvido para uso militar ou de inteligência.</p>
<h2>Exército adquiriu sistema GI2 em pacote de inteligência eletrônica</h2>
<p>A tecnologia citada nas mensagens possui antecedentes documentados no Brasil. Em 2018, durante a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, o Exército adquiriu um conjunto de ferramentas de inteligência eletrônica comercializadas pela Verint Systems.</p>
<p>Segundo informações prestadas à Polícia Federal por um representante da fornecedora e divulgadas em 2024, a contratação incluiu o GI2 e outros sistemas destinados à localização, análise e monitoramento de comunicações. Entre as ferramentas mencionadas estavam FirstMile, WebAlert e FaceDetect.</p>
<p>O pacote foi avaliado em aproximadamente US$ 10,8 milhões. Esse montante correspondia ao conjunto das soluções contratadas, e não ao preço individual da maleta GI2. Por esse motivo, não é possível utilizar o valor total como referência direta para estimar quanto custaria a aquisição pretendida por Vorcaro.</p>
<p>O FirstMile e o GI2 possuem funções distintas, embora possam operar de maneira complementar. O primeiro ficou conhecido por sua capacidade de identificar a localização aproximada de aparelhos celulares mediante exploração de características dos sistemas de sinalização das operadoras. O segundo foi desenvolvido para executar ações de identificação mais precisa e monitoramento em uma área determinada.</p>
<p>A combinação dessas ferramentas amplia o potencial operacional de sistemas de vigilância. Uma tecnologia pode fornecer informações para localizar determinado aparelho, enquanto outra pode ser utilizada nas proximidades para identificar o dispositivo e executar ações adicionais.</p>
<p>A compra realizada pelo Exército ganhou repercussão devido às investigações sobre o uso indevido de ferramentas de monitoramento por integrantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O caso ficou conhecido como investigação da chamada Abin paralela, envolvendo suspeitas de vigilância irregular de autoridades, jornalistas e outras pessoas.</p>
<p>Não há elementos que permitam afirmar que o equipamento cogitado por Vorcaro tenha sido adquirido das mesmas <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340941">empresas</a> ou integrado à estrutura tecnológica investigada nesse outro caso.</p>
<h2>Parlamento Europeu documentou riscos e circulação internacional do GI2</h2>
<p>Os recursos de vigilância associados ao GI2 já haviam sido examinados pelo Parlamento Europeu antes da conversa entre Vorcaro e Warde. Em maio de 2023, uma comissão parlamentar publicou um relatório sobre a utilização de ferramentas de espionagem digital, incluindo o Pegasus e tecnologias comercializadas por outras empresas do setor.</p>
<p>O documento identificou operações comerciais relacionadas ao GI2 e à estrutura empresarial da Verint e da Cognyte. Entre os pontos examinados estavam transferências internacionais de equipamentos, licenças de exportação e a utilização de tecnologias de monitoramento por governos.</p>
<p>O relatório registra que o GI2 poderia permitir acesso a dispositivos, simulação de ações de seus proprietários e envio de mensagens falsas por meio dos aparelhos. Também menciona a transferência de equipamentos entre empresas vinculadas ao setor de inteligência eletrônica em países europeus.</p>
<p>Essas informações demonstram que as funcionalidades de vigilância não eram desconhecidas em abril de 2024, quando o advogado encaminhou a notícia sobre a aquisição militar. Havia documentação pública anterior sobre as capacidades do sistema e questionamentos internacionais relacionados ao uso de tecnologias semelhantes.</p>
<p>O Parlamento Europeu também examinou casos nos quais ferramentas de interceptação foram utilizadas contra jornalistas e defensores de direitos humanos. A preocupação central era a possibilidade de emprego de tecnologias originalmente justificadas por necessidades de segurança pública para finalidades incompatíveis com a proteção das liberdades individuais.</p>
<p>O documento europeu não menciona Daniel Vorcaro nem estabelece relação com o Banco Master. Sua relevância para o caso está na descrição das funcionalidades e dos riscos associados ao tipo de equipamento discutido nas mensagens.</p>
<h2>Interceptação de ligações depende de autorização judicial no Brasil</h2>
<p>A legislação brasileira estabelece limites expressos à interceptação de comunicações. O artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal protege o sigilo das comunicações e admite sua quebra nas hipóteses e condições previstas em lei, mediante ordem judicial.</p>
<p>A Lei nº 9.296, de 1996, regulamenta a interceptação telefônica e determina que a medida, quando utilizada para produzir provas em investigação criminal ou processo penal, depende de autorização do juiz competente.</p>
<p>A mesma legislação prevê consequências penais para a realização de interceptações ilegais. O artigo 10 estabelece pena de reclusão de dois a quatro anos, além de multa, para determinadas condutas de interceptação ou escuta ambiental executadas sem autorização judicial ou com finalidade não permitida.</p>
<p>A lei também disciplina hipóteses específicas de captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos. A análise jurídica de cada situação depende da modalidade efetivamente empregada, das circunstâncias da operação e das exigências legais aplicáveis.</p>
<p>Nesse contexto, a possibilidade técnica de acionar remotamente um microfone não representa autorização para captar conversas privadas. A legalidade de uma operação de monitoramento depende de requisitos que não são substituídos pela disponibilidade comercial de um dispositivo.</p>
<p>Por outro lado, a simples manifestação de interesse na compra de um equipamento não equivale à realização de uma interceptação clandestina. A conversa atribuída a Vorcaro e Warde, isoladamente, não comprova a prática de um crime dessa natureza.</p>
<h2>Polícia Federal já investiga suspeitas de monitoramento clandestino no caso Master</h2>
<p>A divulgação da conversa ocorre em meio a investigações que ultrapassam as operações financeiras do Banco Master. Em julho de 2026, a Polícia Federal anunciou uma nova fase da Operação Compliance Zero destinada a examinar suspeitas de intimidação de jornalistas, monitoramento ilícito de pessoas ligadas a autoridades e obtenção indevida de informações sigilosas.</p>
<p>Segundo comunicado oficial da corporação, as diligências também abrangem possíveis ações destinadas a interferir em investigações criminais. A operação incluiu o cumprimento de mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal.</p>
<p>Os fatos investigados podem, em tese, envolver organização criminosa, embaraço à investigação, violações de dados e outros delitos relacionados à obtenção irregular de informações. A Polícia Federal ressalta que essas condutas dependem de apuração e responsabilização individual.</p>
<p>A existência dessa frente investigativa torna relevante examinar o interesse manifestado por Vorcaro na tecnologia de interceptação. Entretanto, não há comprovação de que a maleta discutida em abril de 2024 tenha sido adquirida ou utilizada nas atividades posteriormente investigadas pela corporação.</p>
<p>A cronologia revela que a conversa ocorreu cerca de um ano e sete meses antes da liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. Na ocasião, o órgão regulador apontou grave crise de liquidez, comprometimento da situação econômico-financeira e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.</p>
<p>A separação temporal também é importante para a análise do caso. O interesse no equipamento surgiu quando Vorcaro ainda controlava o banco, enquanto parte das investigações sobre estruturas de monitoramento e acesso a dados ganhou dimensão pública posteriormente.</p>
<h2>Compra e eventual utilização do equipamento permanecem sem comprovação</h2>
<p>A principal questão aberta pelas mensagens é determinar se a intenção expressa em abril de 2024 produziu alguma providência concreta. Até agora, o material divulgado não demonstra contratação de fornecedor, pagamento, recebimento ou operação da maleta espiã.</p>
<p>Uma apuração documental poderia esclarecer se houve contatos comerciais posteriores, quem participou de eventuais negociações e se equipamentos de vigilância foram incorporados ao patrimônio de empresas ou pessoas ligadas ao ex-banqueiro.</p>
<p>Também seria necessário diferenciar uma eventual contratação legítima de serviços de segurança da aquisição de ferramentas destinadas à interceptação clandestina. A natureza do produto, a finalidade declarada e seu uso efetivo são elementos indispensáveis para essa avaliação.</p>
<p>As defesas de Walfrido Warde e Daniel Vorcaro foram procuradas pela CNN Brasil, responsável pela divulgação das mensagens, mas não haviam respondido até a publicação da reportagem original. Não há manifestação conhecida dos envolvidos esclarecendo a finalidade da conversa ou informando se houve continuidade da negociação.</p>
<p>O novo episódio acrescenta ao caso Banco Master uma discussão sobre o eventual interesse de seu antigo controlador em tecnologias de vigilância avançada. A documentação disponível comprova a existência da conversa relatada pela imprensa, mas ainda não permite afirmar que a proposta de compra tenha sido executada ou que o equipamento tenha sido utilizado contra terceiros.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Parlamento Europeu — Relatório A9-0189/2023 da Comissão de Inquérito sobre o uso de softwares espiões Pegasus e equivalentes, incluindo referências à tecnologia GI2</em></p>
<p><em>Polícia Federal — Comunicado de 9 de julho de 2026 sobre a décima fase da Operação Compliance Zero e a investigação de monitoramento ilícito e obtenção de informações sigilosas</em></p>
<p><em>Presidência da República — Constituição Federal de 1988, artigo 5º, incisos X e XII, sobre proteção da privacidade e sigilo das comunicações</em></p>
<p><em>Presidência da República — Lei nº 9.296, de 24 de julho de 1996, sobre interceptação de comunicações, captação ambiental e consequências penais de operações ilegais</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil — Comunicado nº 44.234, de 18 de novembro de 2025, sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Campanha de Flávio Bolsonaro pagou R$ 600 mil à Elytron, citada em denúncia sobre manipulação eleitoral com IA</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/flavio-bolsonaro-elytron-600-mil-manipulacao-eleitoral</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Oct 2026 00:56:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Elytron]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência Artificial]]></category>
		<category><![CDATA[Manipulação Eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[prestação de contas]]></category>
		<category><![CDATA[segurança cibernética]]></category>
		<category><![CDATA[TSE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) registrou pagamentos de R$ 600 mil à Elytron Cybersecurity, empresa brasileira de segurança digital vinculada por um ex-consultor à apresentação internacional de uma tecnologia de inteligência artificial que permitiria executar operações clandestinas de influência política. A informação foi revelada em investigação publicada pelo Intercept Brasil na sexta-feira (16), [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) registrou pagamentos de R$ 600 mil à Elytron Cybersecurity, empresa brasileira de segurança digital vinculada por um ex-consultor à apresentação internacional de uma tecnologia de inteligência artificial que permitiria executar operações clandestinas de influência política. A informação foi revelada em investigação publicada pelo Intercept Brasil na sexta-feira (16), com base em documentos de prestação de contas eleitoral e materiais apresentados por Vincent Edward Reed, que afirma ter atuado como consultor de representantes ligados à companhia entre 2024 e 2025.</p>
<p>Além dos valores atribuídos à campanha presidencial, o Partido Liberal registrou uma despesa de R$ 131,9 mil com a mesma fornecedora. Somados, os dois conjuntos de registros mencionados na investigação alcançam R$ 731,9 mil. As descrições disponíveis associam os serviços contratados à segurança da informação, investigação de ameaças digitais, testes de segurança e monitoramento de infraestrutura.</p>
<p>A controvérsia surgiu porque documentos apresentados pelo ex-consultor descrevem uma oferta internacional de tecnologia capaz de identificar grupos de eleitores, produzir conteúdos direcionados e executar ações de influência por meio de contas falsas, rumores e materiais gerados por inteligência artificial. A existência dessa apresentação, entretanto, não comprova que o sistema tenha sido contratado ou utilizado pela campanha de Flávio Bolsonaro nas eleições brasileiras de 2026.</p>
<p>A campanha do candidato negou a contratação de serviços ilegais e afirmou que os pagamentos correspondem à proteção de suas comunicações contra ataques cibernéticos. A Elytron também rejeitou qualquer participação em operações de manipulação eleitoral, afirmou que suas atividades são exclusivamente defensivas e declarou que investigará eventual utilização não autorizada de seu nome por parceiros comerciais.</p>
<p>A distinção entre os pagamentos registrados, os serviços efetivamente prestados e as acusações relacionadas à tecnologia oferecida no exterior é central para compreender o caso, divulgado a nove dias do segundo turno presidencial entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).</p>
<h2>Notas fiscais indicam R$ 600 mil em serviços de tecnologia</h2>
<p>A investigação original identificou três notas fiscais emitidas pela Elytron e associadas à campanha de Flávio Bolsonaro no sistema de prestação de contas da Justiça Eleitoral.</p>
<p>Duas notas possuem valor de R$ 500 mil cada e foram emitidas em 16 de setembro de 2026. Uma delas, entretanto, aparece como cancelada. O terceiro documento fiscal, datado de 2 de outubro, registra R$ 100 mil.</p>
<p>Considerando apenas as duas notas não canceladas descritas na apuração, o valor chega a R$ 600 mil. A nota cancelada não pode ser simplesmente adicionada às demais como pagamento válido, pois sua situação fiscal indica que aquele documento deixou de produzir os efeitos originalmente previstos.</p>
<p>Os serviços foram classificados como consultoria em tecnologia da informação. Entre as atividades mencionadas estão apoio forense, investigação de ataques de phishing, testes de segurança e monitoramento de infraestrutura.</p>
<p>Essas atividades são compatíveis, em termos gerais, com serviços convencionais de cibersegurança. A análise forense digital pode ser utilizada para identificar incidentes, preservar evidências e examinar acessos indevidos. Testes de segurança procuram vulnerabilidades, enquanto o monitoramento de infraestrutura busca identificar ameaças a sistemas e redes.</p>
<p>A descrição genérica dos serviços, porém, não permite confirmar quais atividades foram efetivamente realizadas, quantas horas de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340920">trabalho</a> foram executadas ou quais produtos e relatórios foram entregues.</p>
<p>A apuração dos valores foi realizada originalmente pelo Intercept a partir de documentos fiscais associados ao DivulgaCandContas. Nesta verificação, foi possível acessar a estrutura oficial de divulgação de dados eleitorais do TSE, mas não obter diretamente os lançamentos individuais e as notas fiscais da Elytron para uma conferência documental independente dos pagamentos.</p>
<h2>Diferença entre R$ 1 milhão e R$ 600 mil exige esclarecimento</h2>
<p>Um dos principais pontos ainda não esclarecidos é a diferença entre o valor de R$ 1 milhão atribuído à Elytron em uma prestação de contas parcial da candidatura e os R$ 600 mil identificados posteriormente como pagamentos.</p>
<p>Segundo a investigação original, a campanha chegou a declarar uma despesa de R$ 1 milhão com a fornecedora. O conjunto de notas fiscais não canceladas descrito na reportagem, entretanto, totaliza R$ 600 mil.</p>
<p>A diferença nominal é de R$ 400 mil.</p>
<p>Os dois valores não necessariamente representam uma inconsistência contábil. Na prestação de contas eleitorais, despesas contratadas e valores efetivamente pagos podem ser registrados em momentos diferentes, assim como documentos fiscais podem ser substituídos ou cancelados.</p>
<p>Também é possível que uma despesa inicialmente declarada seja posteriormente retificada. Contudo, nenhuma dessas hipóteses pode ser adotada como explicação definitiva sem examinar os lançamentos correspondentes e os documentos que comprovem sua evolução.</p>
<p>A existência de uma nota de R$ 500 mil cancelada é um elemento relevante para a conciliação, mas não demonstra, isoladamente, por que a declaração anterior apresentava valor superior.</p>
<p>Seria necessário confrontar o contrato, eventuais aditivos, notas fiscais, comprovantes bancários, datas de pagamento e retificações transmitidas à Justiça Eleitoral.</p>
<p>A divulgação dessas informações permitiria determinar se os R$ 400 mil representam uma obrigação pendente, uma redução contratual, uma correção de lançamento ou outra alteração financeira.</p>
<p>Até que essa conciliação seja realizada, os valores de R$ 1 milhão e R$ 600 mil devem ser tratados como registros de natureza ou estágio distintos, sem presumir que ambos correspondam a desembolsos efetivos.</p>
<h2>PL também registrou pagamento de R$ 131,9 mil à Elytron</h2>
<p>A contratação não aparece apenas nas despesas da campanha presidencial. O Partido Liberal declarou um pagamento de R$ 131,9 mil à Elytron, registrado em 20 de julho de 2026.</p>
<p>A descrição apresentada para a despesa partidária utiliza a expressão serviços técnico-profissionais, sem detalhar publicamente, no registro mencionado, a execução de cada atividade.</p>
<p>A soma desse valor aos R$ 600 mil atribuídos à campanha alcança R$ 731,9 mil.</p>
<p>O cálculo reúne despesas identificadas em dois prestadores de contas diferentes: a candidatura presidencial e a estrutura partidária. Isso não significa que o dinheiro tenha sido integralmente destinado ao mesmo contrato ou que todas as atividades tenham beneficiado exclusivamente uma única operação de campanha.</p>
<p>A diferença entre os contratantes é importante porque despesas partidárias podem atender a necessidades institucionais mais amplas, enquanto gastos eleitorais de uma candidatura devem ser registrados e justificados conforme as regras específicas de financiamento de campanha.</p>
<p>A Elytron informou, em manifestação escrita, que o contrato com o PL contempla proteção de infraestrutura digital, monitoramento de riscos na internet, proteção de dispositivos de comunicação e capacitação de funcionários e assessores.</p>
<p>Segundo a empresa, também estão previstas atividades relacionadas à identificação de riscos à imagem pública do partido em ambientes digitais.</p>
<p>Para o contrato presidencial, a companhia descreveu serviços de apoio forense, investigação de phishing, testes de segurança, monitoramento de infraestrutura e suporte técnico ao setor jurídico.</p>
<p>A manifestação estabelece, portanto, uma distinção entre as atividades atribuídas ao contrato partidário e aquelas relacionadas diretamente à campanha.</p>
<h2>Ex-consultor afirma ter conhecido sistema para influenciar eleitores</h2>
<p>As suspeitas sobre o uso de tecnologia de manipulação <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340922">política</a> surgiram a partir dos relatos de Vincent Edward Reed, profissional norte-americano que afirma ter prestado consultoria a representantes ligados à Elytron e à empresa Aleria entre 2024 e 2025.</p>
<p>Reed forneceu ao Intercept documentos que, segundo ele, foram utilizados em apresentações comerciais realizadas no exterior. O material descreveria uma estrutura tecnológica baseada na coleta de informações de diferentes fontes, análise de perfis eleitorais e definição de estratégias de comunicação direcionadas.</p>
<p>Parte das funcionalidades relatadas envolve procedimentos amplamente conhecidos no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340919">mercado</a> de análise de dados, como identificação de tendências, segmentação de públicos, acompanhamento de redes sociais e avaliação da repercussão de mensagens.</p>
<p>Essas atividades não são necessariamente ilícitas. Seu enquadramento depende da origem dos dados, das condições de tratamento de informações pessoais e das técnicas efetivamente empregadas.</p>
<p>O elemento mais sensível da denúncia está em recursos que, segundo os documentos apresentados por Reed, poderiam ser utilizados para criar perfis falsos, divulgar rumores, desacreditar adversários e produzir materiais sintéticos com inteligência artificial.</p>
<p>A apresentação também mencionaria estratégias de infiltração digital e ações coordenadas para alterar percepções em grupos específicos de eleitores.</p>
<p>Reed afirma que tomou conhecimento dessas características ao assistir a demonstrações da tecnologia e que considerou os recursos incompatíveis com padrões éticos de atuação.</p>
<p>Seu relato, porém, permanece uma denúncia sobre uma oferta comercial. Não estabelece que os serviços tenham sido prestados no Brasil, que a candidatura de Flávio tenha solicitado essas funcionalidades ou que conteúdos eleitorais tenham sido produzidos por meio do sistema.</p>
<h2>Apresentação internacional teria sido direcionada a pessoas ligadas a Trump</h2>
<p>De acordo com o ex-consultor, a tecnologia foi apresentada em 2024 a pessoas associadas à campanha presidencial de Donald Trump nos Estados Unidos.</p>
<p>Os materiais descreviam possibilidades de cruzamento de informações sociais, políticas e econômicas para identificar públicos e planejar intervenções digitais.</p>
<p>Segundo Reed, essas funcionalidades poderiam ser utilizadas em estratégias eleitorais destinadas a influenciar a percepção de grupos específicos.</p>
<p>O ex-consultor afirmou ter levado suas preocupações ao Federal Bureau of Investigation (FBI) e ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.</p>
<p>Não há confirmação independente, nos elementos examinados, sobre o conteúdo formal dessas comunicações, a abertura de investigação criminal ou a existência de conclusão das autoridades norte-americanas.</p>
<p>Também não existe comprovação de que a campanha de Trump tenha adquirido ou utilizado a tecnologia descrita por Reed.</p>
<p>A Elytron brasileira negou ter sido contratada pela campanha norte-americana e afirmou que não autorizou representantes comerciais a oferecer operações de influência política em seu nome.</p>
<p>A diferença entre o relato do ex-consultor e a manifestação da empresa permanece sem resolução documental independente.</p>
<h2>Elytron nega oferecer serviços de manipulação política</h2>
<p>Em resposta escrita de quatro páginas, a Elytron Cybersecurity rejeitou as acusações de envolvimento com disseminação de informações falsas, produção de deepfakes e operações clandestinas destinadas a influenciar a opinião pública.</p>
<p>A empresa afirmou que seus serviços são voltados à segurança cibernética e à proteção de informações, incluindo prevenção de invasões, preservação de comunicações e identificação de ameaças tecnológicas.</p>
<p>Na manifestação, a companhia também negou utilizar bases de dados de eleitores, realizar segmentação de públicos para propaganda ou desenvolver estratégias de direcionamento de opiniões políticas.</p>
<p>A Elytron reconheceu que ferramentas tecnológicas, inclusive recursos de inteligência artificial, podem ser empregadas quando necessárias à proteção de sistemas. Sustentou, entretanto, que isso não transforma suas atividades em serviços de campanha eleitoral.</p>
<p>Outro ponto relevante envolve a relação entre a operação brasileira e representantes comerciais que atuam no exterior.</p>
<p>A companhia identificou João Lucas Melo Brasio como seu diretor-presidente no Brasil e afirmou que Jorge Remígio e Ludgero de Sousa são parceiros comerciais independentes, responsáveis por prospectar oportunidades mediante comissões.</p>
<p>Segundo a Elytron, esses profissionais não integram seu quadro societário, funcional ou executivo no país.</p>
<p>A empresa também declarou que não possui vínculo societário ou operacional com a Aleria Technology e que a pessoa jurídica constituída em Portugal não representa uma filial operacional brasileira.</p>
<p>Essa manifestação contesta parte da estrutura empresarial descrita no relato do ex-consultor. Ao mesmo tempo, confirma a existência de relações comerciais entre a companhia brasileira e os representantes mencionados na investigação.</p>
<p>A Elytron informou que pretende apurar se parceiros utilizaram seu nome para oferecer serviços não autorizados.</p>
<h2>Campanha de Flávio afirma que contratação foi regular</h2>
<p>A assessoria da campanha de Flávio Bolsonaro também divulgou manifestação formal negando irregularidades.</p>
<p>A equipe afirmou que a contratação teve como finalidade proteger os sistemas de comunicação utilizados pela candidatura contra ataques cibernéticos, vazamentos e outras ameaças digitais.</p>
<p>Segundo a nota, os serviços possuem escopo definido, documentação fiscal e registros apresentados à Justiça Eleitoral.</p>
<p>A campanha classificou como infundada a tentativa de associar a contratação de segurança da informação a práticas de manipulação política.</p>
<p>A manifestação não apresenta, entretanto, os relatórios técnicos produzidos pela prestadora, eventuais registros de incidentes investigados ou a documentação integral que permitiria verificar a execução das atividades contratadas.</p>
<p>A ausência desses materiais na documentação pública examinada não constitui prova de irregularidade. Contratos de segurança digital podem envolver informações confidenciais e dados cuja divulgação integral exponha sistemas a vulnerabilidades.</p>
<p>Ainda assim, a existência de registros de execução, comprovantes financeiros e documentação contratual seria relevante para esclarecer a natureza dos pagamentos e distinguir os serviços efetivamente prestados das funcionalidades descritas nos materiais internacionais.</p>
<p>Não foram identificados elementos que demonstrem conhecimento ou participação de Flávio Bolsonaro na elaboração das apresentações mencionadas por Reed.</p>
<h2>Regras do TSE proíbem deepfakes enganosos e exigem transparência</h2>
<p>A legislação eleitoral brasileira estabelece restrições específicas ao uso de inteligência artificial e ao tratamento de dados dos eleitores.</p>
<p>A Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral, atualizada para as eleições de 2026, determina que materiais sintéticos utilizados em propaganda eleitoral sejam identificados nas condições previstas pela regulamentação.</p>
<p>Também proíbe o emprego de conteúdos fabricados ou manipulados para disseminar fatos notoriamente falsos ou descontextualizados capazes de prejudicar a integridade do processo eleitoral.</p>
<p>A norma estabelece vedação específica ao uso de deepfakes em áudio e vídeo destinados a favorecer ou prejudicar candidaturas mediante alteração ou simulação de imagens e vozes.</p>
<p>A Resolução nº 23.755/2026 reforçou as exigências e introduziu novas medidas relacionadas à utilização de inteligência artificial pelas campanhas e plataformas digitais.</p>
<p>A regulamentação não proíbe genericamente a contratação de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340921">empresas</a> de segurança cibernética, a análise de tendências públicas ou a utilização de ferramentas tecnológicas para proteger dados.</p>
<p>O enquadramento de uma operação depende da finalidade do serviço, dos métodos utilizados, do tratamento de informações e da eventual produção ou circulação de conteúdo irregular.</p>
<p>Dessa forma, a contratação da Elytron não constitui, por si só, demonstração de violação da legislação eleitoral.</p>
<p>Seria necessário identificar uma conduta concreta incompatível com as normas, seu responsável e os elementos que comprovassem a irregularidade.</p>
<h2>Uso de dados de eleitores também está sujeito à LGPD</h2>
<p>Outro aspecto relevante envolve a possibilidade de coleta e cruzamento de informações pessoais para direcionar mensagens eleitorais.</p>
<p>A regulamentação do TSE estabelece que campanhas, partidos e empresas contratadas devem observar a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), incluindo obrigações de transparência, finalidade e segurança.</p>
<p>O artigo 33-B da Resolução nº 23.610 determina condições específicas para o tratamento de dados pessoais em atividades de propaganda eleitoral, especialmente quando são utilizados para construir perfis de eleitores e direcionar mensagens.</p>
<p>A norma exige informações sobre a utilização dos dados, proteção contra práticas discriminatórias e respeito aos direitos dos titulares.</p>
<p>Também atribui a partidos e candidaturas responsabilidades relacionadas à fiscalização do cumprimento das regras pelas empresas que contratam.</p>
<p>Para eleições presidenciais, a Justiça Eleitoral ainda pode exigir relatórios de impacto à proteção de dados em determinadas situações de alto risco, incluindo tratamento em larga escala e utilização de tecnologias inovadoras para perfilamento eleitoral.</p>
<p>Essas obrigações tornam particularmente importante distinguir o monitoramento técnico de ameaças digitais da coleta de informações destinada a influenciar preferências políticas.</p>
<p>A Elytron afirma que seus contratos não incluem segmentação de eleitores ou direcionamento de mensagens de campanha.</p>
<p>Os documentos internacionais descritos por Reed, por outro lado, apresentam funcionalidades que, caso utilizadas com dados pessoais em operações eleitorais, exigiriam exame específico de sua conformidade com a legislação brasileira.</p>
<p>Não há comprovação de que essas funcionalidades tenham sido utilizadas pela empresa em favor da candidatura presidencial.</p>
<h2>Pagamento registrado não comprova utilização de ferramenta ilícita</h2>
<p>Os elementos conhecidos permitem identificar três questões diferentes.</p>
<p>A primeira é financeira: documentos relatados na investigação indicam pagamentos atribuídos à campanha de Flávio Bolsonaro e ao PL em favor da Elytron. Há também uma diferença a esclarecer entre a despesa de R$ 1 milhão anteriormente declarada e os R$ 600 mil identificados nos documentos fiscais não cancelados.</p>
<p>A segunda é comercial: materiais fornecidos por um ex-consultor descrevem uma oferta internacional de tecnologia destinada a influenciar grupos de eleitores. A Elytron brasileira contesta a autoria e a autorização de operações com essas características.</p>
<p>A terceira é operacional: não foram apresentadas evidências de que o sistema mencionado nas apresentações tenha sido contratado, instalado ou utilizado pela campanha de Flávio nas eleições brasileiras.</p>
<p>Essas questões não podem ser tratadas como equivalentes. A contratação comprovada de segurança cibernética não demonstra manipulação política, assim como a existência de uma apresentação comercial não comprova que o serviço tenha sido entregue a determinado cliente.</p>
<p>Também não se pode concluir, apenas pela negativa das partes envolvidas, que todos os aspectos da relação comercial estejam definitivamente esclarecidos.</p>
<p>O principal ponto de verificação continua sendo a documentação capaz de relacionar pagamentos, contratos e entregas efetivas.</p>
<h2>Documentos e serviços executados serão decisivos para esclarecer o caso</h2>
<p>A investigação divulgada pelo Intercept acrescentou informações sobre a relação financeira entre a campanha presidencial do PL e uma fornecedora de serviços tecnológicos citada em denúncia internacional.</p>
<p>A apuração também revelou uma diferença entre registros financeiros que exige conciliação e expôs divergências sobre a atuação de representantes comerciais relacionados à Elytron.</p>
<p>Para esclarecer os fatos, seria necessário examinar os contratos e aditivos completos, os documentos fiscais válidos, os comprovantes de pagamento e os relatórios que demonstrem os serviços prestados.</p>
<p>No caso das apresentações internacionais, a verificação depende da autenticidade integral dos materiais, da identificação de seus responsáveis e da comprovação de eventuais autorizações para comercialização da tecnologia.</p>
<p>Até o momento, não existe demonstração pública de que a candidatura de Flávio Bolsonaro tenha utilizado a ferramenta de manipulação política descrita pelo ex-consultor. A campanha e a Elytron negam expressamente essa hipótese.</p>
<p>O fato jornalístico consiste na identificação de pagamentos relevantes a uma empresa cujos representantes comerciais foram associados a uma oferta internacional controversa. A existência de irregularidades eleitorais, caso sejam apontadas formalmente, dependerá de investigação, documentação e avaliação pelas autoridades competentes.</p>
<p>Com o segundo turno presidencial marcado para 25 de outubro, os registros financeiros e as versões apresentadas pelas partes estão sujeitos ao escrutínio público. A conclusão responsável exige separar o que os documentos efetivamente demonstram daquilo que permanece como denúncia ainda não comprovada.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Portal de Dados Abertos, conjunto de dados de prestação de contas eleitorais de 2026 e documentação sobre despesas, fornecedores e registros fiscais.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.610/2019, texto consolidado, com regras sobre propaganda eleitoral, inteligência artificial e tratamento de dados pessoais.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.755/2026, com alterações nas normas de propaganda eleitoral e enfrentamento à desinformação.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Comunicado institucional de setembro de 2026 sobre consulta pública às prestações de contas das campanhas.</em></p>
<p><em>Assessoria de imprensa da campanha de Flávio Bolsonaro — Nota escrita de esclarecimento sobre a contratação de serviços de segurança da informação.</em></p>
<p><em>Elytron Cybersecurity — Manifestação escrita de quatro páginas sobre contratos com a campanha presidencial e o Partido Liberal, atuação internacional e relacionamento com parceiros comerciais.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Durigan critica plano de Flávio Bolsonaro e questiona aplicação do modelo de Milei no Brasil</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/durigan-critica-plano-flavio-bolsonaro-modelo-milei</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Oct 2026 00:16:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[ajuste fiscal]]></category>
		<category><![CDATA[Dario Durigan]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Javier Milei]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[política econômica.]]></category>
		<category><![CDATA[Reforma Tributária]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://gazetamercantil.com/?p=1533876</guid>

					<description><![CDATA[<p>O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou nesta sexta-feira (16) as propostas econômicas defendidas pela campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) e questionou os efeitos de uma eventual aproximação do Brasil com as políticas adotadas pelo presidente argentino Javier Milei. Em entrevista à TV Band, o ministro, que também coordena a área econômica da campanha [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou nesta sexta-feira (16) as propostas econômicas defendidas pela campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) e questionou os efeitos de uma eventual aproximação do Brasil com as políticas adotadas pelo presidente argentino Javier Milei. Em entrevista à TV Band, o ministro, que também coordena a área econômica da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que não existem informações suficientes sobre como as medidas defendidas pela oposição seriam executadas e quais consequências poderiam produzir sobre a indústria, o emprego e as contas públicas.</p>
<p>Durigan concentrou suas críticas na estratégia de ajuste fiscal apresentada por integrantes da equipe de Flávio, na proposta de revisão da reforma tributária e na reação favorável de parte do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340914">mercado</a> financeiro ao candidato do PL. O ministro também questionou a possibilidade de alcançar um superávit primário de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) já em 2027, objetivo que, segundo sua avaliação, não teria sustentação nas medidas conhecidas.</p>
<p>A declaração ocorre a nove dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, em um momento no qual as campanhas buscam apresentar suas propostas para controlar a dívida pública, reduzir os juros e estimular o crescimento econômico. Os dois candidatos defendem o equilíbrio das contas federais, mas divergem sobre a velocidade do ajuste e os instrumentos que pretendem utilizar.</p>
<p>Uma análise do plano de governo de Flávio Bolsonaro registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que a candidatura propõe reformular as regras fiscais, reduzir a estrutura administrativa e revisar a reforma tributária. O documento, entretanto, não estabelece expressamente uma meta de superávit primário de 1,5% do PIB para 2027, o que exige distinguir as declarações de integrantes da campanha das medidas formalizadas em seu programa.</p>
<h2>Durigan questiona aplicação do modelo econômico de Javier Milei</h2>
<p>Na entrevista, Durigan associou parte das ideias discutidas pela equipe de Flávio Bolsonaro ao programa econômico adotado na Argentina desde a chegada de Javier Milei à Presidência, em dezembro de 2023.</p>
<p>O ministro afirmou que não está claro quais seriam os efeitos de transportar para o Brasil políticas inspiradas no governo argentino. A crítica integra a disputa entre as campanhas sobre a dimensão dos cortes de despesas necessários para estabilizar a dívida pública e recuperar a confiança dos investidores.</p>
<p>O governo Milei adotou uma estratégia centrada em forte ajuste das contas públicas, contenção de despesas, desregulamentação de atividades econômicas e mudanças na atuação do Estado. Essas medidas são frequentemente utilizadas como referência no debate político brasileiro, tanto por seus defensores quanto por seus críticos.</p>
<p>A comparação, entretanto, possui limitações. Brasil e Argentina apresentam estruturas tributárias, monetárias, produtivas e institucionais diferentes. Uma medida implementada em determinado ambiente econômico não necessariamente produziria os mesmos efeitos em outro país.</p>
<p>Além disso, o programa oficial de Flávio Bolsonaro não estabelece a adoção integral do modelo argentino. As referências à Argentina aparecem no contexto da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340917">política</a> externa e das relações bilaterais, enquanto as propostas econômicas são apresentadas como medidas de reorganização fiscal e administrativa.</p>
<p>Assim, a associação com Milei constitui uma interpretação política defendida por Durigan, e não a descrição de um compromisso formal de reproduzir todas as políticas argentinas.</p>
<h2>Plano de Flávio prevê cortes de ministérios e mudanças nas regras fiscais</h2>
<p>O documento apresentado pela candidatura de Flávio Bolsonaro ao TSE, intitulado <em>Para o Brasil Vencer o Atraso</em>, possui 76 páginas e estabelece diretrizes para um eventual governo entre 2027 e 2030.</p>
<p>Na área econômica, o programa propõe reduzir o tamanho da estrutura administrativa federal, reformular o regime fiscal e adotar medidas destinadas a controlar o crescimento da dívida pública.</p>
<p>Entre os compromissos estão a redução de pelo menos dez ministérios, a diminuição de cargos comissionados e despesas administrativas, a revisão de normas infralegais e o combate a remunerações consideradas excessivas no serviço público.</p>
<p>O documento também prevê a retomada do Programa Nacional de Desestatização, mediante avaliação das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340916">empresas</a> e atividades nas quais a participação estatal poderia ser reduzida.</p>
<p>Na política fiscal, a proposta estabelece a apresentação de novas regras voltadas à estabilização e posterior redução da relação entre dívida pública e PIB. Também prevê mecanismos de controle das despesas discricionárias dos três Poderes e a limitação do crédito subsidiado com recursos do Tesouro Nacional.</p>
<p>O programa defende a geração de superávits primários, mas não apresenta, nessa seção, um cronograma anual quantificado de resultados fiscais. Tampouco discrimina o valor esperado de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340915">economia</a> para cada medida administrativa anunciada.</p>
<p>A ausência de detalhamento impede calcular, a partir do documento, quanto os cortes de ministérios, cargos e despesas operacionais contribuiriam para a meta fiscal discutida durante a campanha.</p>
<h2>Ajuste de 1,5% do PIB não é necessariamente superávit de 1,5%</h2>
<p>Uma distinção importante no debate envolve o significado da referência a 1,5% do PIB utilizada por integrantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro.</p>
<p>Em declarações públicas anteriores, a economista Daniella Marques, uma das principais responsáveis pela elaboração das propostas da candidatura, apresentou a intenção de promover redução de despesas equivalente a aproximadamente 1,5% do PIB.</p>
<p>Esse número não significa necessariamente que o governo terminaria 2027 com superávit primário de 1,5% do produto.</p>
<p>Um ajuste fiscal representa uma melhoria no resultado das contas públicas, que pode ocorrer mediante redução de gastos, aumento de receitas ou combinação dessas medidas. Já o superávit primário corresponde ao resultado positivo obtido quando as receitas primárias superam as despesas primárias, sem considerar os juros da dívida.</p>
<p>Portanto, um ajuste equivalente a 1,5 ponto percentual do PIB poderia produzir resultados diferentes, dependendo da situação fiscal inicial, das receitas arrecadadas e das despesas efetivamente realizadas.</p>
<p>A diferença também afeta a avaliação da viabilidade da proposta. Para determinar se determinada meta pode ser cumprida, seria necessário conhecer o resultado de partida, o valor das economias pretendidas, os efeitos sobre a arrecadação e as mudanças legislativas necessárias.</p>
<p>Durigan afirmou que não considera factível atingir superávit de 1,5% do PIB já em 2027. A análise do programa registrado no TSE, porém, mostra que esse percentual específico não aparece formalizado como meta anual para o primeiro exercício de um eventual governo Flávio.</p>
<p>A precisão é necessária para que o debate não transforme uma promessa de redução de despesas em compromisso automaticamente equivalente de resultado primário.</p>
<h2>Governo Lula projeta superávit de 0,5% do PIB em 2027</h2>
<p>Os documentos oficiais do governo federal permitem estabelecer uma referência para comparar as trajetórias de consolidação fiscal discutidas pelas candidaturas.</p>
<p>O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhado ao Congresso Nacional em abril, prevê meta central de superávit primário de R$ 73,2 bilhões, equivalente a 0,5% do PIB.</p>
<p>Para 2028, a meta sobe para 1% do produto. Em 2029, alcança 1,25% e chega a 1,5% em 2030.</p>
<p>A trajetória proposta pelo governo Lula estabelece, portanto, a obtenção de um superávit primário de 1,5% do PIB apenas no último ano do próximo mandato, caso o presidente seja reeleito e o programa fiscal seja mantido.</p>
<table>
<tbody>
<tr>
<th>Ano</th>
<th>Meta fiscal central proposta pelo governo</th>
</tr>
<tr>
<td>2027</td>
<td>Superávit de 0,50% do PIB</td>
</tr>
<tr>
<td>2028</td>
<td>Superávit de 1,00% do PIB</td>
</tr>
<tr>
<td>2029</td>
<td>Superávit de 1,25% do PIB</td>
</tr>
<tr>
<td>2030</td>
<td>Superávit de 1,50% do PIB</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>As metas possuem intervalo legal de tolerância de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo, conforme as regras do arcabouço fiscal.</p>
<p>Existe ainda uma diferença entre a meta utilizada para verificar o cumprimento da legislação e a projeção do resultado primário efetivamente registrado nas contas públicas.</p>
<p>No anexo de trajetória da dívida do PLDO de 2027, o Tesouro projeta resultado primário efetivo positivo de apenas 0,05% do PIB no próximo ano, enquanto o centro da meta fiscal corresponde a 0,5%.</p>
<p>A diferença está relacionada ao tratamento de determinadas despesas que podem ser excluídas da aferição da meta, conforme as regras fiscais aplicáveis.</p>
<p>A comparação demonstra que a meta anunciada não equivale necessariamente ao resultado primário integral registrado pela contabilidade pública.</p>
<p>Essa distinção vale para a avaliação de qualquer programa econômico que estabeleça compromissos de ajuste fiscal, seja ele apresentado pelo governo ou pela oposição.</p>
<h2>Dívida pública continuará crescendo nas projeções oficiais</h2>
<p>O desafio fiscal brasileiro não se resume à obtenção de resultados primários positivos. A trajetória da dívida pública também depende do custo dos juros, do crescimento econômico e das condições de financiamento do governo.</p>
<p>O anexo fiscal do PLDO de 2027 projeta que a dívida bruta do governo geral alcançará 83,6% do PIB em 2026 e 86% em 2027.</p>
<p>Segundo o mesmo cenário, a relação entre dívida e PIB continuará aumentando até atingir 87,8% em 2029, antes de iniciar uma trajetória de redução em 2030.</p>
<p>O documento estima que a dívida chegue a 83,4% do PIB em 2036, condicionada ao cumprimento das premissas econômicas e fiscais utilizadas pelo Tesouro.</p>
<p>Esses números ajudam a explicar a centralidade da discussão sobre resultados primários na disputa presidencial. Mesmo com superávits, a dívida pode continuar aumentando quando o custo dos juros e outras variáveis supera os efeitos do esforço fiscal.</p>
<p>A equipe de Flávio Bolsonaro propõe antecipar a reorganização das contas públicas, enquanto a campanha de Lula defende uma consolidação gradual acompanhada da preservação de políticas sociais e investimentos.</p>
<p>Nenhuma dessas estratégias pode ser avaliada apenas pelo percentual anunciado de superávit. A viabilidade também depende das medidas aprovadas pelo Congresso, do comportamento da arrecadação e dos efeitos econômicos produzidos pelo ajuste.</p>
<h2>Durigan afirma que indústria e construção civil estão preocupadas</h2>
<p>Além das metas fiscais, Durigan afirmou que representantes da indústria e da construção civil demonstram preocupação com a possibilidade de mudanças nos programas de apoio à produção em um eventual governo Flávio Bolsonaro.</p>
<p>O ministro sustenta que a redução de determinados instrumentos de estímulo econômico poderia prejudicar segmentos produtivos dependentes de financiamento, investimento e políticas industriais.</p>
<p>A declaração expressa a avaliação do coordenador econômico da campanha petista. Na entrevista, não foram apresentados levantamentos setoriais específicos que permitissem quantificar o número de empresas ou entidades representativas que compartilham essa preocupação.</p>
<p>A indústria e a construção civil são particularmente sensíveis às condições de crédito, ao custo de capital e à previsibilidade dos investimentos públicos e privados.</p>
<p>Por essa razão, alterações nas políticas de financiamento, nos subsídios ou na organização dos programas federais podem produzir efeitos distintos entre os setores.</p>
<p>O programa de Flávio prevê redução da participação do Estado em determinadas atividades, mas também apresenta propostas de investimentos em infraestrutura, melhoria da logística, expansão energética e integração produtiva.</p>
<p>A análise dos possíveis impactos exige, portanto, considerar tanto as iniciativas de redução de despesas quanto os programas de investimento anunciados.</p>
<p>Sem a definição dos instrumentos que seriam efetivamente mantidos, modificados ou encerrados, não é possível estabelecer o efeito líquido das propostas sobre a produção industrial e a construção civil.</p>
<h2>Reforma tributária se torna ponto de confronto entre as campanhas</h2>
<p>Durigan também criticou a proposta de revisão da reforma tributária aprovada em 2023. Para o ministro, alterações substanciais nas regras poderiam comprometer a reorganização do sistema de tributação do consumo.</p>
<p>A reforma substitui gradualmente tributos existentes por um modelo baseado principalmente na Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), administrado por estados e municípios.</p>
<p>O cronograma de transição estabelece etapas que se estendem pelos próximos anos, exigindo adaptação de empresas, governos e sistemas de arrecadação.</p>
<p>O plano registrado por Flávio Bolsonaro defende a revisão e o redimensionamento da reforma, com o objetivo declarado de reduzir a carga tributária sobre produção e consumo.</p>
<p>A candidatura também propõe diminuir a alíquota do imposto sobre valor agregado (IVA), reduzir exceções, preservar a não cumulatividade e simplificar a legislação.</p>
<p>O documento, portanto, não apresenta uma proposta de abandono integral do modelo de tributação sobre valor agregado. Sua orientação é modificar componentes da reforma aprovada, embora não detalhe todas as alterações legislativas pretendidas.</p>
<p>A diferença é relevante porque a diminuição de alíquotas pode depender da redução de benefícios setoriais, de mudanças na base tributável ou de compensações na arrecadação.</p>
<p>A simples redução de impostos, sem medidas correspondentes sobre despesas ou outras receitas, pode dificultar o cumprimento das metas fiscais. Por outro lado, alterações capazes de simplificar o cumprimento das obrigações tributárias podem produzir efeitos positivos sobre custos administrativos e produtividade, dependendo de sua formulação.</p>
<p>A controvérsia envolve, assim, não apenas o nível de tributação, mas também a distribuição da carga entre setores e consumidores.</p>
<h2>Argentina registra inflação de 1,9% em setembro e queda trimestral do PIB</h2>
<p>A referência ao governo de Javier Milei pode ser examinada à luz dos indicadores econômicos oficiais argentinos.</p>
<p>Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), a inflação ao consumidor na Argentina foi de 1,9% em setembro de 2026. O resultado representa uma desaceleração expressiva em relação aos índices registrados durante os períodos de instabilidade inflacionária anteriores, embora os preços continuem avançando.</p>
<p>Na atividade econômica, o PIB argentino registrou expansão de 2% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Entretanto, na série ajustada sazonalmente, houve retração de 0,6% em relação ao primeiro trimestre deste ano.</p>
<p>Os dois resultados mostram que a economia apresentava crescimento na comparação anual, mas perdeu força no intervalo trimestral mais recente.</p>
<p>No campo social, a taxa de pobreza atingiu 32,3% da população dos 31 aglomerados urbanos pesquisados no primeiro semestre de 2026. O índice ficou acima dos 28,2% registrados no segundo semestre de 2025, aumento de 4,1 pontos percentuais.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o percentual permaneceu abaixo do pico de 52,9% observado no primeiro semestre de 2024, durante a fase inicial de implementação do programa econômico de Milei.</p>
<p>Os dados revelam resultados distintos em diferentes períodos e indicadores. A desaceleração inflacionária, as oscilações da atividade e a evolução da pobreza precisam ser examinadas conjuntamente, sem atribuir automaticamente todo movimento econômico a uma única decisão governamental.</p>
<p>Também não permitem concluir, isoladamente, quais seriam os efeitos de medidas semelhantes sobre a economia brasileira, que possui características próprias de produção, tributação, financiamento e proteção social.</p>
<h2>Ministro contesta reação favorável do mercado financeiro a Flávio</h2>
<p>Na entrevista à Band, Durigan também questionou a reação de investidores às perspectivas de mudança na condução da política econômica brasileira.</p>
<p>O ministro reconheceu que parte do mercado financeiro demonstrou avaliação favorável às propostas associadas à candidatura de Flávio Bolsonaro, mas afirmou discordar dessa percepção.</p>
<p>A crítica se concentra na confiança depositada em promessas fiscais que, na avaliação de Durigan, ainda não apresentam detalhamento suficiente para demonstrar sua execução.</p>
<p>A reação do mercado, entretanto, envolve fatores diversos. Investidores consideram expectativas de inflação, trajetória dos juros, política fiscal, ambiente regulatório, crescimento econômico e perspectivas para os resultados das empresas.</p>
<p>Oscilações em preços de ativos não representam necessariamente apoio uniforme dos agentes financeiros a uma candidatura. Tampouco constituem comprovação de que determinado programa econômico produzirá os resultados esperados.</p>
<p>O próprio plano apresentado por Flávio estabelece a estabilização da dívida como uma condição para reduzir juros e melhorar as condições de financiamento da economia.</p>
<p>O desafio consiste em demonstrar quais instrumentos permitiriam atingir esses objetivos e qual seria sua influência sobre o nível de atividade e a oferta de crédito.</p>
<h2>Durigan defende crédito aos estados e diálogo com o Congresso</h2>
<p>Na parte final da entrevista, Durigan defendeu a manutenção de canais de financiamento para governos estaduais e uma relação institucional de cooperação com governadores.</p>
<p>O ministro argumentou que operações de crédito destinadas aos estados podem contribuir para ampliar investimentos e estimular as economias regionais, desde que sejam observadas as condições fiscais e financeiras aplicáveis.</p>
<p>A concessão de garantias federais para empréstimos estaduais depende de avaliações técnicas do Tesouro Nacional e do cumprimento de exigências estabelecidas na legislação.</p>
<p>O tema envolve uma área de divergência entre diferentes concepções de federalismo fiscal, especialmente quanto à autonomia dos governos regionais e ao papel da União no financiamento de investimentos.</p>
<p>Durigan também afirmou que o governo Lula teria condições de construir uma agenda legislativa com o Congresso eleito em 2026, apesar da presença expressiva de parlamentares de centro e direita.</p>
<p>O ministro citou o relacionamento com representantes do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340918">agronegócio</a> e de setores empresariais como parte da estratégia para viabilizar negociações políticas em um eventual novo mandato.</p>
<p>A capacidade de aprovação das propostas, contudo, dependerá da composição das coalizões parlamentares e do conteúdo de cada projeto encaminhado ao Legislativo.</p>
<h2>Debate presidencial da Band terá economia no centro das discussões</h2>
<p>As declarações de Durigan antecipam parte dos temas que deverão marcar o debate presidencial organizado pela TV Band para domingo (18), uma semana antes da votação do segundo turno.</p>
<p>A expectativa é que Lula e Flávio Bolsonaro sejam questionados sobre suas propostas para o orçamento federal, controle da dívida pública, programas sociais, reforma tributária e geração de empregos.</p>
<p>Durigan afirmou que Lula está preparado para defender os resultados econômicos de seu governo e apresentar compromissos para um eventual novo mandato.</p>
<p>Flávio, por sua vez, terá a oportunidade de detalhar as medidas previstas em seu programa e esclarecer como pretende executar o ajuste fiscal defendido por sua equipe.</p>
<p>A principal questão econômica permanece a mesma para as duas candidaturas: transformar objetivos de equilíbrio fiscal em medidas capazes de produzir resultados verificáveis, respeitando as limitações orçamentárias e institucionais do país.</p>
<p>Os documentos oficiais mostram uma diferença entre as estratégias anunciadas, mas também revelam pontos que exigem esclarecimento. O governo Lula apresenta uma trajetória anual de metas fiscais até 2030, enquanto o programa de Flávio enfatiza mudanças estruturais e redução de despesas sem fixar, no documento registrado no TSE, uma sequência numérica equivalente.</p>
<p>A entrevista de Durigan acrescenta uma crítica política a essa diferença. A definição sobre os efeitos econômicos de cada proposta, entretanto, dependerá das medidas concretas, de seus custos e das condições de implementação — informações essenciais para avaliar os compromissos apresentados ao eleitorado.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Plano de governo de Flávio Bolsonaro para 2027–2030, documento de 76 páginas registrado no sistema de candidaturas, especialmente os capítulos sobre ajuste fiscal, administração pública e reforma tributária.</em></p>
<p><em>Ministério do Planejamento e Orçamento — Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, incluindo o Anexo de Metas Fiscais Anuais e as metas propostas para 2027 a 2030.</em></p>
<p><em>Secretaria do Tesouro Nacional — Anexo IV.3 do PLDO de 2027, com projeções de resultado primário efetivo e evolução da dívida bruta do governo geral.</em></p>
<p><em>Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina — Índice de Preços ao Consumidor de setembro de 2026.</em></p>
<p><em>Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina — Contas Nacionais do segundo trimestre de 2026, com resultados trimestrais e interanuais do PIB.</em></p>
<p><em>Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina — Pesquisa de incidência da pobreza e indigência referente ao primeiro semestre de 2026.</em></p>
<p><em>Ministério do Capital Humano da Argentina — Divulgação dos resultados oficiais de pobreza referentes ao segundo semestre de 2025.</em></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>FMI projeta Brasil à frente de Itália e Rússia em 2027, apesar de desaceleração econômica</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/brasil-oitava-maior-economia-mundo-2027-fmi</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2026 01:11:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[economia brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[FMI]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[maiores economias do mundo]]></category>
		<category><![CDATA[PIB]]></category>
		<category><![CDATA[projeções econômicas]]></category>
		<category><![CDATA[Rússia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://gazetamercantil.com/?p=1533745</guid>

					<description><![CDATA[<p>Fundo Monetário Internacional projeta PIB de US$ 2,8 tri para o país, que deve superar Itália e Rússia no ranking mundial. Leia no Poder360.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil poderá recuperar a oitava posição entre as maiores economias do mundo em 2027, ultrapassando Itália e Rússia em um ranking calculado a partir das novas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). A atualização do <em>World Economic Outlook</em> (WEO), divulgada em outubro de 2026, estima que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro alcançará US$ 2,796 trilhões no próximo ano, diante de US$ 2,772 trilhões da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340848">economia</a> italiana e US$ 2,675 trilhões da russa. Se confirmada, a mudança representará um avanço de duas posições em relação à classificação projetada para 2026.</p>
<p>A melhora no posicionamento internacional, entretanto, ocorrerá em um contexto de desaceleração da atividade econômica brasileira. O próprio FMI reduziu a estimativa de crescimento real do país para 1,9% em 2027, abaixo dos 2,2% previstos para 2026. A aparente contradição é explicada pela metodologia do ranking, que considera o valor nominal da produção convertido em dólares e, portanto, incorpora os efeitos da inflação, das taxas de câmbio e do desempenho relativo das demais economias.</p>
<p>A distância projetada entre Brasil e Itália também indica que a oitava colocação ainda não está assegurada. A vantagem brasileira será de aproximadamente US$ 24 bilhões, equivalente a apenas 0,9% do PIB italiano estimado para 2027. Variações cambiais ou revisões relativamente pequenas nas projeções econômicas poderão modificar essa classificação antes do encerramento do próximo ano.</p>
<h2>Brasil deve superar duas economias e alcançar PIB de US$ 2,8 trilhões</h2>
<p>As projeções de outubro colocam o Brasil na décima posição em 2026, com PIB nominal estimado em US$ 2,655 trilhões. À frente do país aparecem a Rússia, com US$ 2,861 trilhões, e a Itália, com US$ 2,702 trilhões. No ano seguinte, a configuração se inverte, com o Brasil passando a ocupar o oitavo lugar, a Itália recuando para o nono e a Rússia para o décimo.</p>
<p>A comparação dos valores indica que o PIB brasileiro poderá aumentar aproximadamente US$ 141 bilhões entre 2026 e 2027, crescimento nominal de 5,3% quando medido em dólares correntes. No mesmo intervalo, a economia italiana deverá registrar aumento de aproximadamente US$ 70 bilhões em seu PIB denominado na moeda americana. Já o valor nominal da economia russa deverá diminuir cerca de US$ 186 bilhões, segundo as estimativas utilizadas no ranking.</p>
<p>O contraste ajuda a explicar a mudança de posições. Em 2026, a economia russa deverá superar a brasileira em cerca de US$ 206 bilhões. Para 2027, o Brasil aparece com vantagem de aproximadamente US$ 121 bilhões sobre a Rússia, uma inversão de US$ 327 bilhões na diferença entre os dois países. Esse deslocamento não deve ser interpretado como diferença equivalente de crescimento real, pois os valores estão expressos em dólares correntes.</p>
<p>A atualização também projeta que o PIB brasileiro ficará apenas US$ 24 bilhões acima do italiano. A margem reduzida torna a comparação especialmente sensível a alterações no valor do real e do euro diante do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340847">dólar</a>, além de revisões nas estimativas nacionais de produção.</p>
<h2>Ranking das dez maiores economias do mundo em 2027</h2>
<p>A classificação construída a partir das projeções de PIB nominal em dólares do FMI mostra que Estados Unidos e China continuarão ocupando as duas primeiras posições em 2027, com ampla distância em relação aos demais países. A Alemanha permanecerá em terceiro lugar, enquanto a Índia deverá alcançar a quarta colocação, à frente do Reino Unido e do Japão.</p>
<table>
<tbody>
<tr>
<th>Posição</th>
<th>País</th>
<th>PIB projetado para 2027</th>
</tr>
<tr>
<td>1º</td>
<td>Estados Unidos</td>
<td>US$ 34,44 trilhões</td>
</tr>
<tr>
<td>2º</td>
<td>China</td>
<td>US$ 22,94 trilhões</td>
</tr>
<tr>
<td>3º</td>
<td>Alemanha</td>
<td>US$ 5,66 trilhões</td>
</tr>
<tr>
<td>4º</td>
<td>Índia</td>
<td>US$ 4,52 trilhões</td>
</tr>
<tr>
<td>5º</td>
<td>Reino Unido</td>
<td>US$ 4,49 trilhões</td>
</tr>
<tr>
<td>6º</td>
<td>Japão</td>
<td>US$ 4,47 trilhões</td>
</tr>
<tr>
<td>7º</td>
<td>França</td>
<td>US$ 3,65 trilhões</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>8º</strong></td>
<td><strong>Brasil</strong></td>
<td><strong>US$ 2,80 trilhões</strong></td>
</tr>
<tr>
<td>9º</td>
<td>Itália</td>
<td>US$ 2,77 trilhões</td>
</tr>
<tr>
<td>10º</td>
<td>Rússia</td>
<td>US$ 2,68 trilhões</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A liderança americana continuará expressiva, com PIB projetado em aproximadamente US$ 34,44 trilhões. A economia dos Estados Unidos será cerca de 12,3 vezes maior que a brasileira em valores nominais convertidos em dólares. A China, segunda colocada, deverá registrar US$ 22,94 trilhões, o equivalente a aproximadamente 8,2 vezes o tamanho projetado da economia brasileira.</p>
<p>Outro movimento relevante ocorrerá entre a quarta e a sexta posições. Índia, Reino Unido e Japão aparecem separados por diferenças relativamente pequenas em relação ao tamanho de suas economias. As projeções indicam que a Índia deverá atingir US$ 4,52 trilhões, superando o Reino Unido, estimado em US$ 4,49 trilhões, e o Japão, com US$ 4,47 trilhões.</p>
<p>Essa proximidade revela que outras posições do ranking também poderão sofrer alterações à medida que novas informações sobre crescimento, inflação e câmbio forem incorporadas às estimativas internacionais.</p>
<h2>PIB brasileiro deve crescer menos em 2027, mesmo com avanço no ranking</h2>
<p>O aspecto mais importante da nova projeção é a diferença entre o tamanho nominal de uma economia e sua expansão efetiva. Para 2027, o FMI prevê crescimento real de 1,9% do PIB brasileiro, ante 2,2% em 2026. A redução de 0,3 ponto percentual sinaliza menor ritmo de expansão da produção de bens e serviços, apesar do aumento previsto no valor da economia medido em dólares.</p>
<p>O crescimento real desconsidera os efeitos da inflação doméstica e procura medir a variação efetiva do volume de produção. Já o PIB nominal em dólares reflete tanto alterações nos preços quanto a conversão cambial. Dessa forma, uma economia pode subir no ranking internacional mesmo apresentando desaceleração da atividade produtiva.</p>
<p>O movimento contrário também é possível. Um país pode registrar crescimento real expressivo, mas perder posições internacionais caso sua moeda se desvalorize fortemente diante do dólar. Nesse cenário, o valor de sua produção convertido para a moeda americana diminui em relação ao de outras economias, mesmo que o volume produzido tenha aumentado.</p>
<p>Na atualização de outubro, o FMI também projeta inflação brasileira de 4,4% em 2026 e 4,1% em 2027. Embora o indicador aponte desaceleração dos preços ao consumidor, a inflação continuará influenciando a evolução dos valores nominais. O comportamento cambial será outro elemento decisivo para determinar se o Brasil efetivamente superará Itália e Rússia.</p>
<p>Por isso, a passagem da décima para a oitava colocação não significa, isoladamente, uma aceleração estrutural da economia brasileira. A classificação demonstra a dimensão relativa do PIB em determinado momento, mas não permite concluir que produtividade, renda individual ou capacidade de investimento tenham avançado na mesma proporção.</p>
<h2>Diferença para a Itália deixa oitava posição sujeita ao câmbio</h2>
<p>A margem de US$ 24 bilhões projetada entre Brasil e Itália merece atenção porque representa menos de 1% do tamanho da economia italiana. Considerando os valores apresentados pelo FMI, uma alteração relativamente pequena na conversão cambial de uma das economias poderia ser suficiente para inverter a ordem projetada.</p>
<p>No caso brasileiro, uma valorização do real, mantidos os demais fatores constantes, aumenta o PIB expresso em dólares. Uma desvalorização produz o efeito oposto. Para a Itália, que integra a zona do euro, o comportamento da moeda europeia também exerce influência direta sobre a comparação internacional.</p>
<p>A sensibilidade cambial não significa que as projeções estejam incorretas. Ela decorre das características de um indicador utilizado para comparar economias que operam com moedas diferentes. Como as estimativas são elaboradas com antecedência, o resultado observado ao fim do período poderá variar conforme os movimentos dos mercados financeiros e o desempenho de cada país.</p>
<p>A diferença em relação à Rússia é mais ampla, de aproximadamente US$ 121 bilhões em 2027. Ainda assim, o deslocamento projetado da economia russa no ranking também envolve mudanças expressivas em seu PIB convertido em dólares. A retração nominal prevista na moeda americana não deve ser confundida automaticamente com uma contração equivalente do volume de produção.</p>
<p>A distinção entre essas medidas impede que a melhora brasileira seja interpretada como uma expansão econômica superior à efetivamente projetada. O avanço de posição resulta da comparação de valores convertidos para uma moeda comum, e não de uma classificação direta de produtividade ou prosperidade.</p>
<h2>FMI prevê PIB brasileiro acima de US$ 3 trilhões em 2029</h2>
<p>As projeções de médio prazo indicam que a economia brasileira poderá superar a marca de US$ 3 trilhões em valores nominais em 2029. Para aquele ano, o FMI estima um PIB de aproximadamente US$ 3,056 trilhões, seguido por crescimento adicional até atingir US$ 3,398 trilhões em 2031.</p>
<p>Em relação aos US$ 2,796 trilhões previstos para 2027, o valor estimado para 2031 representa um acréscimo de aproximadamente US$ 602 bilhões. A variação nominal acumulada será de 21,5% em dólares, cálculo que incorpora os efeitos esperados da expansão econômica, da evolução dos preços e das taxas de conversão.</p>
<p>A base atual do Fundo indica que o Brasil poderá permanecer na oitava colocação até 2031. Trata-se, contudo, de uma trajetória condicionada à confirmação das estimativas para o país e seus concorrentes. Revisões futuras poderão modificar tanto os valores de PIB quanto a ordem das maiores economias mundiais.</p>
<p>O horizonte de cinco anos é particularmente sensível a mudanças nas condições internacionais. Alterações duradouras no preço das commodities, nos fluxos de investimentos, nos juros internacionais e na taxa de câmbio podem afetar o desempenho brasileiro em dólares. Ao mesmo tempo, crescimento mais forte ou mais fraco de países próximos no ranking poderá alterar as diferenças projetadas.</p>
<p>A marca de US$ 3 trilhões, portanto, representa uma referência nominal relevante, mas não constitui um limite econômico associado automaticamente a ganhos de produtividade, elevação da renda ou melhoria dos serviços públicos.</p>
<h2>Crescimento mundial de 3,4% em 2027 contrasta com expansão brasileira</h2>
<p>O cenário internacional traçado pelo FMI ajuda a contextualizar as perspectivas brasileiras. Na edição de outubro do <em>World Economic Outlook</em>, o Fundo prevê crescimento global de 3,1% em 2026 e 3,4% em 2027. A expansão projetada para o Brasil ficará abaixo da média mundial nos dois anos, segundo as estimativas atualmente disponíveis.</p>
<p>O organismo identifica uma economia internacional resistente a sucessivos choques, mas com diferenças importantes entre países. Investimentos associados à inteligência artificial sustentam parte da atividade econômica e da demanda por tecnologia, enquanto preços elevados de energia, conflitos geopolíticos e riscos financeiros continuam impondo restrições a outras regiões.</p>
<p>O FMI também destaca a necessidade de recomposição de reservas fiscais e de políticas capazes de preservar a estabilidade macroeconômica diante de novos choques. O ambiente global apresenta riscos de inflação persistente, elevação dos custos de financiamento e aumento da vulnerabilidade de países com menor capacidade de resposta.</p>
<p>Para o Brasil, a combinação de juros, condições de crédito, investimento e demanda externa continuará relevante para a atividade econômica. O crescimento real projetado de 1,9% em 2027 indica expansão moderada, insuficiente, por si só, para demonstrar uma aceleração sustentada da capacidade produtiva.</p>
<p>A comparação com a média mundial reforça uma conclusão objetiva: subir no ranking de PIB nominal não significa necessariamente crescer mais rapidamente do que o conjunto das economias internacionais.</p>
<h2>Oitava maior economia não significa oitava maior renda por habitante</h2>
<p>O ranking por PIB nominal mede o valor total dos bens e serviços produzidos dentro de um país. Economias com grandes populações podem alcançar posições elevadas mesmo quando a renda média de seus habitantes permanece distante daquela observada em países menores e mais desenvolvidos.</p>
<p>O PIB per capita oferece uma perspectiva diferente, pois relaciona a produção econômica ao número de habitantes. Embora também apresente limitações, o indicador permite avaliar a dimensão média da produção por pessoa e comparar países com populações distintas.</p>
<p>Outro método utilizado em comparações internacionais é a paridade do poder de compra, conhecida pela sigla PPC. Nesse caso, as estimativas procuram levar em consideração diferenças no nível de preços entre países, permitindo uma avaliação alternativa do tamanho das economias. O ranking apresentado nesta reportagem não utiliza esse critério, mas exclusivamente o PIB nominal convertido em dólares.</p>
<p>A recuperação da oitava posição será um resultado relevante para a dimensão internacional da economia brasileira caso as projeções se confirmem. Seu significado econômico, entretanto, dependerá também da evolução de indicadores como crescimento real, produtividade, investimento, renda por habitante e estabilidade macroeconômica.</p>
<p>Com vantagem projetada de apenas US$ 24 bilhões sobre a Itália, o Brasil entrará em 2027 com a possibilidade de recuperar duas posições no ranking mundial, mas sem garantia de que a classificação permanecerá inalterada. A próxima atualização das estimativas do FMI será importante para avaliar se a distância entre as economias aumentou ou diminuiu e se o cenário de crescimento brasileiro sofreu novas revisões.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Fundo Monetário Internacional — World Economic Outlook Database, edição de outubro de 2026, projeções de PIB nominal em dólares e crescimento real para Brasil e demais economias.</em></p>
<p><em>Fundo Monetário Internacional — World Economic Outlook, outubro de 2026, relatório Resilience Under Strain, Urgent Choices, sobre perspectivas e riscos da economia mundial.</em></p>
<p><em>Fundo Monetário Internacional — Apresentação oficial das perspectivas econômicas mundiais durante as reuniões anuais de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Fundo Monetário Internacional — Notas metodológicas e perguntas frequentes da base World Economic Outlook, relativas a projeções, revisões estatísticas, PIB nominal e paridade do poder de compra.</em></p>
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		<title>Crédito de R$ 5,5 milhões do Master financiou imóvel de Isaac Sidney, presidente da Febraban</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/credito-master-imovel-isaac-sidney-presidente-febraban</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Oct 2026 11:37:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[Isaac Sidney]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado Financeiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A conversa do então banqueiro com o dono do imóvel, porém, trata apenas do aluguel e da venda desse apartamento. Em 2018, quando se conheceram, Vorcaro queria alugar o imóvel para morar com sua família,…</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O presidente executivo da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney Menezes Ferreira, adquiriu um apartamento de R$ 7,3 milhões em São Paulo com financiamento de R$ 5,5 milhões concedido pelo então Banco Máxima, posteriormente rebatizado como Banco Master. A operação, realizada em novembro de 2020, voltou ao centro das atenções nesta quinta-feira (15) após a divulgação de mensagens e comprovantes que apontam pagamentos adicionais de aproximadamente R$ 1,2 milhão atribuídos ao ex-controlador da instituição, Daniel Vorcaro. Os valores teriam sido destinados ao antigo proprietário do imóvel e não aparecem na escritura pública. Sidney nega ter recebido vantagem indevida e afirma que a compra ocorreu exatamente nas condições declaradas aos órgãos competentes.</p>
<p>As informações foram reveladas em apuração publicada em 15 de outubro de 2026, baseada em mensagens extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal e em documentos relacionados à negociação. Os registros indicam que o banqueiro participou de tratativas envolvendo tanto a locação quanto a posterior venda de um apartamento duplex de 410 metros quadrados, localizado na Vila Olímpia, região valorizada da capital paulista. Além do financiamento imobiliário, os documentos apresentados apontam transferências feitas ao vendedor para liquidar obrigações financeiras e custear a entrada em outra propriedade. A <a class="wpil_keyword_link" title="Gazeta Mercantil – Jornal Online" href="https://gazetamercantil.com" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340777">Gazeta Mercantil</a> não teve acesso independente aos arquivos bancários originais, razão pela qual as movimentações são aqui tratadas como informações atribuídas à apuração divulgada.</p>
<p>O caso ganhou relevância adicional pela posição institucional ocupada por Sidney. Antes de assumir a direção da Febraban, em maio de 2019, o executivo havia trabalhado como advogado em assuntos regulatórios relacionados ao Banco Máxima, inclusive na operação que levou Vorcaro ao controle da instituição. Quando o apartamento foi comprado, Sidney já presidia a entidade havia oito meses. A combinação entre uma relação profissional anterior, o financiamento concedido por um banco ligado ao antigo cliente e os pagamentos atribuídos ao banqueiro suscita questionamentos sobre transparência e eventuais conflitos de interesses, sem que esses elementos, isoladamente, comprovem irregularidade.</p>
<h2>Financiamento do Master cobriu 75,3% do valor do apartamento</h2>
<p>A escritura de compra e venda registra o preço de R$ 7,3 milhões, composto por uma entrada de R$ 1,8 milhão e financiamento imobiliário de R$ 5,5 milhões. O empréstimo correspondeu a 75,34% do valor declarado, enquanto a parcela de recursos próprios representou 24,66%. A contratação ocorreu em 26 de novembro de 2020, segundo informações constantes de uma relação de operações de crédito apresentada pelo liquidante do Master em procedimento judicial. Naquele momento, a instituição ainda utilizava a denominação Banco Máxima, substituída pela marca Banco Master em 2021.</p>
<p>A operação havia sido divulgada em julho de 2026, quando documentos judiciais revelaram a inclusão do nome de Sidney em uma relação de contratos de crédito cedidos pelo banco a terceiros. O financiamento foi posteriormente transferido à Urbaniza Empreendimentos e Participações, em 29 de dezembro de 2021, com saldo atualizado informado de aproximadamente R$ 6,1 milhões. A presença do contrato nessa documentação não significa, por si, que o executivo estivesse inadimplente ou que a dívida permanecesse em aberto na data da liquidação extrajudicial do banco.</p>
<p>Sidney afirmou que liquidou o financiamento cerca de 13 meses após a contratação, antes do início do pagamento regular das prestações. Segundo sua explicação, o contrato previa carência de um ano e a quitação foi realizada com recursos e ativos próprios, quando o crédito já havia sido cedido a outra empresa. O executivo sustenta que tanto a entrada quanto o financiamento constam dos documentos da aquisição e de suas declarações fiscais. A confirmação independente da origem dos recursos utilizados na liquidação antecipada dependeria da análise dos comprovantes e dos instrumentos financeiros correspondentes.</p>
<h2>Repasses de R$ 1,2 milhão não aparecem na escritura</h2>
<p>A principal novidade da apuração divulgada nesta quinta-feira envolve três pagamentos atribuídos a Vorcaro, que somam aproximadamente R$ 1,2 milhão. O primeiro, de cerca de R$ 535 mil, teria sido realizado em 17 de novembro de 2020 para quitar um financiamento que o vendedor mantinha com o Itaú. O segundo, de R$ 534 mil, teria sido direcionado à construtora Yuny como sinal na compra de outro imóvel pelo antigo proprietário. A terceira movimentação, de R$ 131 mil, teria consistido em uma transferência direta para a conta do vendedor, identificado como Eduardo Barcellos.</p>
<p>Os pagamentos descritos não integram a composição de R$ 7,3 milhões registrada na escritura. Em mensagens atribuídas a uma conversa entre Vorcaro e Barcellos, o vendedor teria mencionado um saldo pendente e manifestado preferência pelo recebimento antes da formalização da compra. A escritura foi assinada em 27 de novembro de 2020, dez dias depois do pagamento atribuído ao banqueiro para liquidar o financiamento anterior. A proximidade das datas é relevante para a reconstrução da negociação, mas não basta para demonstrar que os valores adicionais integraram o preço efetivo do apartamento.</p>
<p>Caso os R$ 1,2 milhão representassem uma parcela adicional da mesma transação imobiliária, o montante econômico associado à aquisição alcançaria R$ 8,5 milhões. Nessa hipótese, o financiamento de R$ 5,5 milhões corresponderia a 64,71% do total, e não aos 75,34% calculados sobre o valor da escritura. A diferença revela a dimensão financeira dos repasses questionados, mas constitui apenas um exercício de comparação. Para considerar os pagamentos parte do preço de compra, seria necessário comprovar sua finalidade, a obrigação que buscavam satisfazer e eventual conhecimento ou participação do adquirente.</p>
<p>Sidney afirma desconhecer qualquer acordo financeiro paralelo entre Vorcaro e o vendedor. Segundo o executivo, o preço final negociado foi o declarado na escritura, e eventuais pagamentos adicionais decorreriam de relações comerciais das quais ele não participou. Sua defesa também sustenta que o acompanhamento da quitação do financiamento anteriormente existente sobre o apartamento estava relacionado à necessidade de liberar o imóvel para a constituição de nova garantia. A versão exige confrontação com os contratos e comprovantes bancários para esclarecer a natureza de cada transferência.</p>
<h2>Aluguel do imóvel também envolveu pagamentos atribuídos a Vorcaro</h2>
<p>A relação entre Sidney e o apartamento começou antes da compra. Em março de 2019, quando ainda atuava na advocacia privada, o executivo passou a ocupar o imóvel por meio de um contrato de locação que previa pagamento mensal de R$ 15 mil. Segundo as mensagens divulgadas, o aluguel inicialmente pretendido pelo proprietário era de aproximadamente R$ 50 mil, e Vorcaro teria assumido parte da diferença. Os registros mencionam um compromisso estimado em R$ 946 mil, relacionado a despesas que seriam custeadas em benefício do proprietário.</p>
<p>Os pagamentos atribuídos ao banqueiro teriam sido realizados entre março e abril de 2019, período anterior ao ingresso de Sidney na Febraban. Como a negociação envolvia antecipação de despesas referentes a meses seguintes, porém, seus efeitos financeiros poderiam alcançar o período em que o executivo já exercia função de direção na federação. Essa circunstância não demonstra automaticamente conflito de interesses, mas torna importante estabelecer se os valores correspondiam exclusivamente à remuneração por serviços jurídicos anteriormente prestados.</p>
<p>Em sua manifestação, Sidney afirmou que as despesas de moradia e hospedagem custeadas durante sua atuação como advogado integravam condições profissionais acordadas antes da entrada na entidade bancária. O dirigente rejeita a interpretação de que os pagamentos configurariam benefício associado ao cargo posteriormente assumido. Para esclarecer a questão, seria necessário examinar os contratos de prestação de serviços jurídicos, os instrumentos de locação e os registros de pagamentos, identificando os períodos cobertos e as obrigações assumidas pelas partes.</p>
<h2>Da advocacia no Banco Máxima à presidência da Febraban</h2>
<p>A cronologia profissional de Sidney ajuda a contextualizar a relação com o grupo financeiro. Depois de trabalhar durante 18 anos no Banco Central, onde ocupou funções de direção, assessoramento e representação jurídica, ele passou à advocacia privada especializada em regulação bancária. Nesse período, por meio do Warde Advogados, participou de trabalhos associados à autorização da transferência do controle do Banco Máxima para Daniel Vorcaro, posteriormente aprovada pelo Banco Central em outubro de 2019.</p>
<p>Em 3 de maio de 2019, a Febraban anunciou sua nomeação para a vice-presidência executiva, com início no dia anterior. O comunicado institucional destacou sua experiência como secretário-executivo, procurador-geral, chefe de gabinete da presidência e diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do Banco Central. Em 25 de março de 2020, Sidney assumiu a presidência executiva da federação, substituindo Murilo Portugal. A compra do apartamento ocorreu, portanto, aproximadamente 18 meses após sua chegada à entidade e oito meses depois de assumir o comando.</p>
<p>O intervalo entre as funções privadas e institucionais é central para qualquer avaliação de governança. Relações profissionais encerradas antes de uma nomeação podem conservar obrigações financeiras legítimas, enquanto eventuais benefícios mantidos durante o exercício de cargo representativo exigem transparência sobre sua origem e finalidade. Isso não significa que um ex-advogado esteja impedido de contratar crédito com instituição anteriormente atendida. A questão relevante é identificar se as condições oferecidas decorreram de uma transação comercial regular ou de uma contrapartida não declarada.</p>
<h2>Processo na CVM foi encerrado por acordo de R$ 2,325 milhões</h2>
<p>O histórico regulatório da instituição controlada por Vorcaro também inclui o Processo Administrativo Sancionador CVM nº 19957.009798/2019-01. A Comissão de Valores Mobiliários examinou suspeitas de irregularidades na distribuição de debêntures e em operações envolvendo instrumentos do <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340778">mercado</a> de capitais, com participação da Máxima S.A. CCTVM. O procedimento tratou de possíveis infrações relacionadas à atuação de intermediários, gestores e administradores, além de questões envolvendo conflitos de interesses e regras de distribuição de valores mobiliários.</p>
<p>Em novembro de 2020, durante o período da negociação imobiliária, a CVM analisava propostas de termo de compromisso apresentadas pelos participantes do processo. O comitê responsável inicialmente havia recomendado a rejeição do acordo, considerando, entre outros fatores, a gravidade das infrações em tese examinadas. Após novas avaliações, o colegiado aprovou, em 1º de dezembro daquele ano, uma composição financeira global de R$ 2,325 milhões. Desse total, R$ 1 milhão coube à Máxima S.A. CCTVM e R$ 250 mil a Daniel Vorcaro, com os demais valores distribuídos entre outros participantes.</p>
<p>Mensagens apresentadas na apuração desta quinta-feira indicam que Sidney compartilhou com Vorcaro informações relacionadas ao andamento do procedimento na CVM durante o período em que já presidia a Febraban. O executivo afirma que suas comunicações se limitavam a informações institucionais ou a desdobramentos de sua atuação profissional anterior, sem coordenação jurídica de assuntos específicos do banco depois de sua entrada na federação. A existência dessas mensagens não demonstra, por si, interferência indevida no processo regulatório.</p>
<p>É importante distinguir o objeto do processo administrativo da operação imobiliária. O termo de compromisso aprovado pela CVM encerrou o procedimento mediante cumprimento das condições estabelecidas, sem equivaler a uma condenação definitiva de mérito. Também não estabeleceu qualquer relação jurídica entre as supostas irregularidades no mercado de capitais e a aquisição do apartamento por Sidney.</p>
<h2>Relação com Vorcaro e atuação perante o Banco Central</h2>
<p>A atuação institucional do presidente da Febraban constitui outra frente da controvérsia. Mensagens atribuídas a conversas de 2023 e 2024 mostram interlocuções entre Sidney e Vorcaro sobre temas regulatórios, incluindo mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em determinados trechos, o dirigente teria relatado conversas com integrantes do Banco Central e contatos envolvendo representantes de outras instituições financeiras. As comunicações passaram a ser examinadas publicamente diante das alegações de que Vorcaro buscava apoio para defender interesses do Master perante autoridades.</p>
<p>Na proposta de colaboração apresentada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, Vorcaro atribuiu a Sidney a prestação de influência em benefício do banco e relacionou essa alegação à operação imobiliária. Segundo a apuração divulgada, a proposta foi rejeitada por insuficiência de provas. As declarações do ex-controlador, portanto, não constituem demonstração de que houve favorecimento, tampouco permitem afirmar que a concessão do financiamento ou os pagamentos ao vendedor decorreram de uma contrapartida institucional.</p>
<p>Sidney nega ter utilizado o cargo para favorecer o Master e sustenta que sua atuação seguiu os interesses gerais dos bancos associados. Como argumento, afirma que a Febraban encaminhou três ofícios ao Banco Central alertando sobre riscos associados ao modelo de captação da instituição e à utilização da cobertura do FGC. O dirigente também afirma que suas conversas com banqueiros e reguladores integravam as atribuições normais de representação do setor financeiro.</p>
<p>A análise dessas alegações depende do conteúdo e da finalidade dos contatos mantidos. A interlocução entre representantes bancários e autoridades monetárias faz parte do funcionamento institucional do sistema financeiro, mas não elimina a necessidade de verificar se houve tratamento diferenciado, benefício individual ou contrapartida patrimonial. Documentos oficiais, registros de reuniões e comunicações com o regulador seriam fundamentais para estabelecer eventuais vínculos entre a atuação de Sidney e interesses específicos de Vorcaro.</p>
<h2>Liquidação do Master ocorreu em novembro de 2025</h2>
<p>O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025, quase cinco anos depois da contratação do financiamento imobiliário de Sidney. A medida também alcançou outras instituições do conglomerado, enquanto o Banco Master Múltiplo foi submetido a Regime Especial de Administração Temporária. O regulador atribuiu a decisão a uma grave crise de liquidez, ao comprometimento significativo da situação econômico-financeira do grupo e à constatação de violações graves das normas aplicáveis ao sistema financeiro.</p>
<p>Na ocasião, o Banco Central informou que o conglomerado representava 0,57% dos ativos totais e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional. Embora relativamente pequena em termos de participação agregada, a instituição havia ampliado sua presença em operações de crédito e captação, incluindo produtos protegidos pelo FGC. A liquidação intensificou discussões sobre fiscalização, governança bancária e os mecanismos de proteção aos investidores.</p>
<p>A decisão do Banco Central, entretanto, não constitui prova de irregularidade na negociação imobiliária realizada em 2020. A liquidação envolveu a situação financeira e regulatória do conglomerado, enquanto as alegações sobre o apartamento dependem de documentação patrimonial e bancária específica. Confundir os dois conjuntos de acontecimentos comprometeria a compreensão das responsabilidades individuais e institucionais.</p>
<h2>Transição na Febraban havia sido anunciada em agosto</h2>
<p>Em 31 de agosto de 2026, a Febraban anunciou a indicação de Leandro Vilain para substituir Isaac Sidney na presidência executiva. Segundo a entidade, a transição institucional foi planejada em conjunto com o dirigente, que havia manifestado ainda no primeiro semestre de 2025 a intenção de encerrar seu ciclo de atuação na federação. O anúncio ocorreu antes da divulgação, em outubro de 2026, das mensagens relacionadas aos pagamentos adicionais na compra do apartamento.</p>
<p>A cronologia não permite estabelecer ligação entre a mudança de comando e as alegações envolvendo Vorcaro. A federação apresentou a sucessão como parte de um planejamento anterior, sem associá-la formalmente à operação imobiliária. A distinção é necessária para evitar que acontecimentos contemporâneos sejam interpretados como causalmente relacionados sem evidências documentais.</p>
<h2>Origem dos pagamentos permanece como questão central</h2>
<p>O esclarecimento definitivo da negociação depende de documentação capaz de distinguir o preço declarado, as obrigações efetivamente assumidas e os pagamentos realizados por terceiros. A matrícula atualizada do imóvel permitiria reconstituir a cadeia de propriedade e as garantias existentes, enquanto a escritura e os instrumentos de financiamento demonstrariam a estrutura contratual. Já os comprovantes das transferências atribuídas a Vorcaro seriam indispensáveis para determinar os beneficiários, as datas, a origem dos recursos e a finalidade econômica de cada operação.</p>
<p>Do ponto de vista financeiro, três aspectos merecem atenção: a participação de 75,34% do financiamento no preço declarado, a quitação antecipada do crédito após aproximadamente 13 meses e o eventual impacto dos R$ 1,2 milhão sobre o valor econômico da transação. Os números, considerados isoladamente, não comprovam vantagem indevida. Sua relevância está na necessidade de confrontá-los com contratos, registros fiscais e obrigações assumidas pelas partes, identificando eventuais diferenças entre a operação formal e os pagamentos efetivamente realizados.</p>
<p>A posição ocupada por Sidney na principal entidade representativa dos bancos brasileiros acrescenta uma dimensão de governança, mas não altera os critérios de comprovação. A existência de um relacionamento profissional anterior com Vorcaro, a concessão de crédito imobiliário e o compartilhamento de informações regulatórias exigem análise de contexto, finalidade e eventual contrapartida. Sem esse encadeamento documental, não é possível concluir que houve favorecimento, conflito de interesses efetivo ou participação do executivo em pagamentos não declarados.</p>
<p>Até o momento, os registros institucionais permitem confirmar a trajetória profissional de Sidney na Febraban, o histórico regulatório da antiga instituição financeira e a liquidação do Master pelo Banco Central. Os detalhes relativos aos pagamentos adicionais permanecem apoiados na apuração jornalística divulgada nesta quinta-feira e nas manifestações dos envolvidos. A conclusão sobre a natureza da negociação imobiliária dependerá da comprovação de quem efetivamente pagou, por qual obrigação e em benefício de quem os recursos foram movimentados.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<ul>
<li>Federação Brasileira de Bancos — comunicado de 3 de maio de 2019 sobre a nomeação de Isaac Sidney para a vice-presidência executiva.</li>
<li>Federação Brasileira de Bancos — comunicado de 26 de março de 2020 sobre a posse de Isaac Sidney na presidência executiva.</li>
<li>Federação Brasileira de Bancos — comunicado de 31 de agosto de 2026 sobre a indicação de Leandro Vilain para a presidência executiva.</li>
<li>Comissão de Valores Mobiliários — Processo Administrativo Sancionador nº 19957.009798/2019-01 e decisão colegiada de 1º de dezembro de 2020.</li>
<li>Banco Central do Brasil — comunicado e atos de 18 de novembro de 2025 sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master.</li>
<li>Banco Master — Relatório de Gerenciamento de Riscos, Pilar III, referente a junho de 2022.</li>
</ul>
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		<item>
		<title>Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/dinheiro-esquecido-bancos-2026-consultar-cpf-saque</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2026 21:01:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[Sistema Valores a Receber]]></category>
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		<category><![CDATA[valores a receber]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (13) que ainda há R$ 5,79 bilhões em dinheiro esquecido em bancos e outras</p>
<p>Este post apareceu primeiro em Gazetamercantil.com - <a rel="nofollow" href="https://gazetamercantil.com">GAZETA MERCANTIL - A Gazeta Mercantil traz as últimas notícias sobre política, economia, segurança, entretenimento, negócios, entretenimento, esportes, moda</a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="player" class="auding aud-request">
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<p>O volume de dinheiro esquecido em bancos, administradoras de consórcios e outras instituições financeiras brasileiras voltou a crescer e alcançou R$ 5,79 bilhões em agosto de 2026, segundo dados divulgados nesta terça-feira (13) pelo Banco Central. Os recursos pertencem a aproximadamente 23,94 milhões de pessoas físicas e 2,36 milhões de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340670">empresas</a> que ainda possuem valores disponíveis para recuperação por meio do Sistema Valores a Receber (SVR). A consulta é gratuita e pode ser realizada pela internet mediante a informação de CPF ou CNPJ, inclusive para verificar a existência de recursos pertencentes a pessoas falecidas e empresas encerradas.</p>
<p>O montante aumentou 2,6% em relação aos R$ 5,65 bilhões registrados em julho, interrompendo uma sequência de três meses de redução dos saldos disponíveis. A recuperação ocorre depois que parte dos recursos não reclamados foi transferida ao Fundo Garantidor de Operações (FGO), mecanismo utilizado pelo governo federal para oferecer garantias ao programa Novo Desenrola Brasil, destinado à renegociação de dívidas.</p>
<p>Do total ainda disponível para resgate, R$ 4,31 bilhões pertencem a pessoas físicas, enquanto R$ 1,48 bilhão estão associados a empresas. Embora o número de beneficiários seja elevado, a maior parte possui direito a quantias pequenas. Segundo o levantamento, 69,4% dos beneficiários têm até R$ 10 para receber, enquanto apenas 2,21% apresentam valores superiores a R$ 1 mil.</p>
<p>Os dados reforçam a dimensão do dinheiro que permanece sem movimentação no sistema financeiro, mesmo depois da ampliação dos canais digitais de consulta. Também evidenciam diferenças importantes entre o número de pessoas com recursos disponíveis e o valor efetivamente concentrado nas instituições, já que parcelas pequenas e grandes integram o mesmo levantamento.</p>
<h2>Dinheiro esquecido cresce após três meses consecutivos de queda</h2>
<p>O aumento registrado em agosto interrompeu uma trajetória recente de redução dos recursos classificados pelo Banco Central como valores a receber. Em julho, o saldo informado era de R$ 5,65 bilhões, depois de sucessivas diminuições relacionadas à transferência de parte do dinheiro não reclamado para o programa federal de renegociação de dívidas.</p>
<p>A elevação para R$ 5,79 bilhões representa acréscimo aproximado de R$ 140 milhões em relação ao mês anterior, considerando os valores arredondados divulgados pela autoridade monetária.</p>
<p>É importante observar que o saldo do SVR não depende exclusivamente dos saques efetuados pelos titulares. Novos valores podem ser identificados e informados pelas instituições participantes, enquanto outros deixam de integrar o estoque em razão de devoluções ou alterações previstas na regulamentação.</p>
<p>Assim, o crescimento do montante não significa necessariamente que os brasileiros passaram a esquecer mais dinheiro durante agosto. O resultado representa a diferença entre entradas e saídas de recursos registrados no sistema naquele período.</p>
<p>Os dados também possuem uma defasagem temporal. Embora divulgadas em 13 de outubro, as informações correspondem à posição consolidada de agosto de 2026, não ao saldo atualizado diariamente nesta terça-feira.</p>
<p>Para o consumidor, isso significa que a existência de recursos divulgada nas estatísticas não garante que determinado valor continue disponível exatamente nas mesmas condições. A confirmação individual deve ser realizada no sistema oficial do Banco Central.</p>
<h2>Bancos concentram R$ 2,46 bilhões, mas consórcios também guardam valores</h2>
<p>Os bancos respondem pela maior parcela dos recursos esquecidos, com aproximadamente R$ 2,46 bilhões, equivalentes a 42,4% do total registrado pelo Banco Central. A concentração é compatível com a participação dessas instituições nas operações de depósitos, contas correntes, poupança e outros serviços financeiros utilizados pela população.</p>
<p>Entretanto, uma parcela expressiva do dinheiro está fora dos bancos tradicionais. As administradoras de consórcios concentram R$ 1,97 bilhão, aproximadamente 34% do montante disponível. Somadas, essas duas categorias representam mais de três quartos dos recursos identificados.</p>
<p>As cooperativas de crédito aparecem na terceira posição, com R$ 805,6 milhões, seguidas pelas instituições de pagamento, que possuem R$ 369,6 milhões associados a clientes e antigos usuários de seus serviços.</p>
<p>As financeiras concentram outros R$ 121 milhões, enquanto corretoras e distribuidoras de valores mobiliários respondem por R$ 68 milhões. Outras instituições participantes somam aproximadamente R$ 5 milhões.</p>
<p>A participação das administradoras de consórcios merece atenção porque muitos consumidores associam a expressão dinheiro esquecido exclusivamente a contas bancárias antigas. No entanto, recursos remanescentes de grupos de consórcio encerrados também podem integrar o sistema, desde que atendam aos critérios estabelecidos pelo Banco Central.</p>
<p>Esses valores podem resultar de saldos não procurados após o encerramento dos grupos, quando existem quantias pertencentes a participantes que não foram retiradas.</p>
<p>A consulta ao SVR, portanto, pode ser relevante mesmo para quem não possui contas bancárias antigas ou acredita ter encerrado todas as suas relações financeiras.</p>
<h2>Quase 70% dos beneficiários têm até R$ 10 para sacar</h2>
<p>A distribuição por faixas de valores mostra que o número elevado de beneficiários não corresponde necessariamente à existência de grandes quantias individuais.</p>
<p>Segundo o Banco Central, 69,4% dos beneficiários possuem valores de até R$ 10. Outros 18,95% têm entre R$ 10,01 e R$ 100, enquanto 9,39% apresentam quantias de R$ 100,01 a R$ 1 mil.</p>
<p>Somente 2,21% possuem direito a valores superiores a R$ 1 mil.</p>
<p>Isso significa que aproximadamente 88% dos beneficiários se concentram nas faixas de até R$ 100, considerando os percentuais divulgados. A distribuição ajuda a explicar por que milhões de pessoas ainda não solicitaram a recuperação dos recursos, embora o levantamento não permita determinar individualmente os motivos da ausência de saque.</p>
<p>A existência de valores reduzidos pode tornar a consulta pouco atrativa para determinados consumidores, especialmente quando o procedimento exige autenticação digital ou contato com a instituição responsável.</p>
<p>Ainda assim, a gratuidade do serviço permite verificar a existência de recursos sem assumir custos adicionais. Também não há necessidade de contratar intermediários para realizar a consulta ou solicitar a devolução.</p>
<p>A concentração de beneficiários em faixas menores não permite concluir como o montante financeiro total está distribuído. Para isso, seria necessário conhecer o valor agregado correspondente a cada faixa, informação diferente do percentual de beneficiários.</p>
<h2>Como consultar dinheiro esquecido pelo CPF no Banco Central</h2>
<p>A consulta deve ser realizada exclusivamente no Sistema Valores a Receber, disponível no endereço oficial valoresareceber.bcb.gov.br.</p>
<p>Na página pública, o interessado pode verificar a existência de recursos mediante o preenchimento do CPF e da data de nascimento. Para consultar valores de empresas, é necessário informar o CNPJ e a data de abertura do negócio.</p>
<p>Essa primeira etapa não exige acesso à conta Gov.br. O sistema informa se existem valores vinculados aos dados consultados e orienta o usuário sobre como prosseguir.</p>
<p>Caso sejam identificados recursos, será necessário entrar na área autenticada do SVR para verificar o montante, sua origem e a instituição responsável pela devolução. Nessa fase, o Banco Central exige uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, com a verificação em duas etapas habilitada.</p>
<p>Após a autenticação, o sistema apresenta informações sobre o valor disponível, a instituição financeira responsável e as alternativas de recebimento. O interessado deve aceitar o termo de responsabilidade e seguir o procedimento indicado.</p>
<p>Quando a instituição participa do mecanismo de devolução facilitada, o próprio SVR permite solicitar o pagamento mediante a escolha de uma chave Pix válida. Nas solicitações realizadas por essa modalidade, o prazo informado pelo Banco Central é de até 12 dias úteis.</p>
<p>Se a instituição não oferecer a opção de solicitação diretamente pelo sistema, o titular deverá entrar em contato utilizando os canais informados na plataforma e combinar outra forma de recebimento.</p>
<p>O Banco Central não realiza diretamente todos os pagamentos identificados pelo SVR. A devolução continua sendo responsabilidade da instituição indicada na consulta, conforme as regras aplicáveis à origem do recurso.</p>
<h2>Resgate automático pelo Pix dispensa novas consultas periódicas</h2>
<p>Uma funcionalidade incorporada ao sistema em maio de 2025 permite que pessoas físicas habilitem o recebimento automático de valores encontrados posteriormente em seu nome.</p>
<p>Para utilizar o serviço, é necessário possuir uma chave Pix vinculada ao CPF e acessar o SVR com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, com autenticação em duas etapas.</p>
<p>Depois de entrar no sistema, o usuário pode habilitar a opção de recebimento automático, autorizar a utilização de sua chave Pix CPF e informar os dados de contato solicitados.</p>
<p>A partir da adesão, valores elegíveis poderão ser encaminhados à conta associada à chave CPF sem necessidade de registrar manualmente um novo pedido para cada quantia identificada.</p>
<p>O recurso, entretanto, possui limitações. A devolução automática depende da participação da instituição financeira no mecanismo de pagamento facilitado. Valores de contas conjuntas e recursos mantidos por instituições que não aderiram ao sistema continuam exigindo procedimentos específicos.</p>
<p>A funcionalidade também não está disponível nas mesmas condições para pessoas jurídicas, que devem observar as orientações apresentadas na consulta de seus respectivos CNPJs.</p>
<p>O sistema automático representa uma alternativa para quem prefere não acompanhar periodicamente a existência de pequenas quantias, mas não elimina a necessidade de manter os dados cadastrais e a chave Pix em condições regulares de utilização.</p>
<h2>Empresas encerradas e pessoas falecidas também podem ter dinheiro a receber</h2>
<p>O SVR não se limita a pessoas físicas com contas bancárias em funcionamento. O sistema também permite consultar valores vinculados a empresas encerradas e a pessoas falecidas.</p>
<p>No caso das empresas, a pesquisa inicial pode ser realizada pelo CNPJ e pela data de abertura. A recuperação dos recursos depende da comprovação da legitimidade do solicitante e das regras aplicáveis à situação cadastral da pessoa jurídica.</p>
<p>Para pessoas falecidas, o Banco Central disponibiliza um procedimento específico. A consulta pode ser feita com o CPF e a data de nascimento do titular, enquanto o acesso às informações detalhadas é reservado a herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais.</p>
<p>Nessas situações, o interessado precisa aceitar um termo de responsabilidade e verificar qual instituição mantém os recursos. A plataforma fornece informações para que o representante entre em contato com a entidade responsável pela devolução.</p>
<p>A instituição poderá exigir documentos que comprovem a condição de herdeiro ou representante legal, conforme as circunstâncias do caso.</p>
<p>A existência de dinheiro em nome de uma pessoa falecida não significa que qualquer familiar possa solicitar o pagamento imediatamente. O recebimento deve respeitar as regras sucessórias e a documentação exigida.</p>
<p>Essa distinção também é importante para empresas baixadas. O encerramento do CNPJ não elimina automaticamente a necessidade de comprovar quem possui legitimidade para reivindicar recursos vinculados à antiga pessoa jurídica.</p>
<h2>Quais tipos de valores aparecem no SVR?</h2>
<p>O chamado dinheiro esquecido pode ter diferentes origens. Entre as situações previstas estão saldos remanescentes de contas correntes ou poupanças encerradas, valores cobrados indevidamente em operações financeiras e recursos de grupos de consórcio que já concluíram suas atividades.</p>
<p>Também podem aparecer quantias provenientes de contas de pagamento encerradas, inclusive aquelas relacionadas a determinados serviços de cartões, além de cotas de capital e sobras líquidas de cooperativas de crédito.</p>
<p>Outro grupo envolve saldos de contas de registro mantidas por corretoras e distribuidoras que foram encerradas com recursos ainda disponíveis para devolução.</p>
<p>O SVR, contudo, não reúne todas as formas possíveis de dinheiro não sacado pelos brasileiros. Saldos de FGTS, abono salarial PIS/Pasep, valores sujeitos a determinadas disputas judiciais e recursos associados a algumas instituições em processos de encerramento não integram necessariamente a plataforma.</p>
<p>Por isso, uma consulta sem valores disponíveis não significa que a pessoa não possua qualquer outro direito financeiro a receber. A resposta indica apenas que não foram identificados recursos abrangidos pelo sistema nas condições da consulta.</p>
<h2>Governo transferiu R$ 5,7 bilhões de valores esquecidos para o Desenrola</h2>
<p>O comportamento recente das estatísticas está relacionado a uma mudança promovida pelo governo federal na destinação de parte dos recursos não reclamados.</p>
<p>Em maio de 2026, instituições financeiras transferiram aproximadamente R$ 5,7 bilhões ao Fundo Garantidor de Operações, conforme informações divulgadas pelo Ministério da Fazenda.</p>
<p>A operação foi regulamentada pela Medida Provisória nº 1.355/2026 e pela Portaria Normativa nº 1.243/2026, no contexto da criação do Novo Desenrola Brasil, programa destinado à renegociação de dívidas de famílias e à recuperação de sua capacidade financeira.</p>
<p>A previsão apresentada pelo governo foi utilizar até R$ 5 bilhões como garantia para operações de crédito vinculadas ao programa. O fundo funciona como mecanismo de proteção parcial às instituições financeiras participantes, podendo cobrir perdas em determinadas situações de inadimplência.</p>
<p>O modelo não corresponde à transferência integral desses recursos diretamente aos devedores. A utilização como garantia procura viabilizar operações de renegociação ao reduzir parte do risco assumido pelas instituições credoras.</p>
<p>O governo também estabeleceu regras de reserva para eventuais solicitações de devolução dos valores pelos titulares. Segundo a regulamentação, uma parcela correspondente a 10% dos recursos transferidos deveria permanecer segregada para atender pedidos de restituição.</p>
<p>A utilização de depósitos não reclamados como suporte financeiro a uma <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340669">política</a> pública, contudo, abriu uma discussão sobre a natureza jurídica dos valores, os direitos dos titulares e a necessidade de observância das regras orçamentárias.</p>
<h2>TCU analisou transferência de recursos e rejeitou suspensão cautelar</h2>
<p>A operação passou a ser examinada pelo Tribunal de Contas da União, após questionamentos sobre a transferência dos depósitos esquecidos ao FGO sem sua passagem pelas etapas tradicionais de execução orçamentária.</p>
<p>A controvérsia envolve a possibilidade de recursos com destinação pública serem movimentados por instrumentos financeiros que não se submetem exatamente aos mesmos procedimentos aplicáveis às despesas previstas no Orçamento da União.</p>
<p>Em agosto, a discussão chegou ao plenário do TCU. No dia 25, por maioria, os ministros decidiram não referendar uma medida cautelar que havia sido adotada no processo relacionado à utilização dos depósitos esquecidos no Novo Desenrola Brasil.</p>
<p>A decisão consta do Acórdão nº 2.293/2026 e considerou insuficientes, naquele momento, os requisitos para manter a medida cautelar. O entendimento vencedor também levou em conta os potenciais efeitos de uma interrupção sobre operações e contratos realizados sob as normas então vigentes.</p>
<p>O resultado não representa, por si só, uma aprovação definitiva de todos os aspectos jurídicos e orçamentários da transferência. Significa que a maioria do tribunal decidiu não manter a restrição cautelar submetida à apreciação do plenário.</p>
<p>A distinção é relevante para compreender o estágio da controvérsia. A fiscalização do uso de recursos públicos e a avaliação da conformidade das operações são questões diferentes da decisão sobre a necessidade de suspender imediatamente sua execução.</p>
<p>Para os titulares dos valores, também é importante separar a discussão institucional sobre o financiamento do programa dos procedimentos de consulta e devolução previstos para os recursos registrados no SVR.</p>
<h2>Banco Central alerta para golpes com falsas promessas de dinheiro esquecido</h2>
<p>A possibilidade de recuperar valores por meio do sistema financeiro também é utilizada como argumento em tentativas de fraude. O Banco Central alerta que criminosos podem criar páginas falsas, enviar mensagens com links suspeitos ou solicitar pagamentos antecipados sob a promessa de liberar recursos.</p>
<p>O serviço oficial é gratuito, e não existe cobrança para consultar valores ou realizar os procedimentos de solicitação disponibilizados pela autoridade monetária.</p>
<p>O Banco Central também não envia mensagens com links para confirmação de dados pessoais e não solicita senhas, códigos de autenticação ou informações bancárias por aplicativos de mensagens.</p>
<p>Mesmo quando uma instituição financeira entra em contato para tratar de uma devolução, não deve exigir a senha de acesso à conta do cliente.</p>
<p>O procedimento mais seguro é iniciar a consulta diretamente no endereço oficial do SVR, digitado pelo próprio interessado no navegador, e seguir apenas as orientações apresentadas na plataforma.</p>
<p>A cautela deve ser redobrada diante de mensagens que prometem valores elevados ou estabelecem prazos urgentes para pagamentos de taxas. A existência de recursos não pode ser confirmada por anúncios ou mensagens recebidas de terceiros.</p>
<h2>Dinheiro esquecido revela recursos dispersos pelo sistema financeiro</h2>
<p>O saldo de R$ 5,79 bilhões registrado em agosto mostra que ainda existe um volume expressivo de recursos pertencentes a pessoas e empresas sem solicitação de devolução.</p>
<p>A distribuição indica que o fenômeno não está restrito aos bancos comerciais. Administradoras de consórcios e cooperativas de crédito concentram parcelas relevantes do montante, enquanto instituições de pagamento e empresas do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340668">mercado</a> financeiro também aparecem entre as responsáveis pelos valores.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o predomínio de quantias individuais de até R$ 10 evidencia a dispersão dos recursos entre milhões de beneficiários. Para muitos deles, a existência de dinheiro a receber pode estar relacionada a relações financeiras encerradas há anos ou a diferenças residuais que passaram despercebidas.</p>
<p>O aumento de 2,6% no saldo de agosto interrompe uma sequência de reduções, mas não permite concluir que os resgates tenham diminuído no mês. O resultado depende da movimentação líquida de diferentes tipos de recursos registrados pelas instituições.</p>
<p>A consulta gratuita ao SVR continua sendo o meio oficial de verificar a existência de dinheiro vinculado a CPF ou CNPJ. Com quase 24 milhões de pessoas físicas e mais de 2 milhões de empresas identificadas nas estatísticas, o levantamento reforça a importância de manter mecanismos de devolução acessíveis, seguros e transparentes.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<ul>
<li>Banco Central do Brasil — Sistema Valores a Receber (SVR), estatísticas com data-base de agosto de 2026, divulgadas em 13 de outubro.</li>
<li>Banco Central do Brasil — Manual de consulta e solicitação de devolução, atualizado em 2026; regras de autenticação Gov.br, Pix e recebimento automático.</li>
<li>Agência Brasil — Informações sobre o saldo de R$ 5,79 bilhões, distribuição por instituições e beneficiários, divulgadas em 13 de outubro de 2026.</li>
<li>Ministério da Fazenda — Portaria Normativa nº 1.243/2026 e informações sobre a transferência de R$ 5,7 bilhões ao Fundo Garantidor de Operações.</li>
<li>Presidência da República — Medida Provisória nº 1.355/2026, relativa ao Novo Desenrola Brasil.</li>
<li>Tribunal de Contas da União — Acórdão nº 2.293/2026, processo TC 011.685/2026-3, julgado em 25 de agosto de 2026, sobre a transferência de depósitos não reclamados ao FGO.</li>
<li>Banco Central do Brasil — Orientações oficiais de prevenção a golpes envolvendo o Sistema Valores a Receber.</li>
</ul>
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			</item>
		<item>
		<title>Plano econômico de Flávio Bolsonaro levanta suspeitas de estelionato eleitoral</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/plano-economico-flavio-bolsonaro-estelionato-eleitoral</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Oct 2026 23:45:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Adolfo Sachsida]]></category>
		<category><![CDATA[ajuste fiscal]]></category>
		<category><![CDATA[Aposentadorias]]></category>
		<category><![CDATA[Bolsa Família]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O programa econômico de Flávio Bolsonaro (PL) para um eventual governo a partir de 2027 passou a ser questionado pela falta de detalhamento sobre como o candidato pretende combinar um ajuste fiscal de até R$ 250 bilhões com a preservação de aposentadorias, benefícios sociais e investimentos em saúde e educação. As dúvidas ganharam força após [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O programa econômico de Flávio Bolsonaro (PL) para um eventual governo a partir de 2027 passou a ser questionado pela falta de detalhamento sobre como o candidato pretende combinar um ajuste fiscal de até R$ 250 bilhões com a preservação de aposentadorias, benefícios sociais e investimentos em saúde e educação. As dúvidas ganharam força após a divulgação de propostas discutidas por integrantes de sua equipe econômica, envolvendo mudanças nas regras de reajuste da Previdência e nos pisos constitucionais de despesas públicas. Flávio negou que pretenda adotar essas medidas e reafirmou o compromisso de manter os programas sociais e conceder aumentos reais aos aposentados.</p>
<p>A diferença entre as propostas atribuídas à equipe e as declarações públicas do candidato alimentou críticas sobre um possível “estelionato eleitoral”, expressão utilizada por comentaristas econômicos para caracterizar a hipótese de um candidato prometer a preservação de benefícios durante a campanha e, depois da eleição, adotar medidas incompatíveis com esses compromissos. Não há comprovação de que Flávio pretenda descumprir suas promessas. O problema identificado na análise das contas públicas é a ausência de informações suficientes para demonstrar como o ajuste anunciado por seus interlocutores poderia ser realizado sem atingir despesas protegidas por lei ou reduzir outras atividades do governo.</p>
<p>O Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 oferece uma dimensão concreta dessa dificuldade. Segundo o Ministério do Planejamento, as despesas obrigatórias deverão representar 91,7% dos gastos primários da União no próximo ano, deixando apenas 8,3% classificados como discricionários. O orçamento federal prevê R$ 3,418 trilhões em despesas primárias, das quais aproximadamente R$ 3,13 trilhões correspondem a obrigações legais e constitucionais. A parcela restante, próxima de R$ 284 bilhões, inclui recursos destinados ao funcionamento da administração pública, investimentos e manutenção de serviços.</p>
<p>O programa registrado por Flávio no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) defende a redução da máquina pública, a revisão das regras fiscais, o combate a fraudes e a diminuição dos impostos sobre produção e consumo. O documento, entretanto, não apresenta uma estimativa consolidada de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340606">economia</a> de R$ 200 bilhões ou R$ 250 bilhões, valores mencionados em discussões e declarações de integrantes de sua equipe. Tampouco identifica quais despesas seriam reduzidas, em que proporção e ao longo de quanto tempo.</p>
<h2>Ajuste de R$ 250 bilhões equivale a 88% das despesas discricionárias</h2>
<p>A composição do orçamento permite avaliar a dimensão das metas discutidas pela equipe econômica. Uma economia de R$ 200 bilhões, caso fosse executada integralmente em um único exercício e concentrada nas despesas discricionárias previstas para 2027, corresponderia a aproximadamente 70,5% dessa parcela. Se o valor alcançasse R$ 250 bilhões, o percentual subiria para 88,1%. Os cálculos não representam uma projeção de cortes efetivos, mas demonstram a dificuldade de promover uma redução dessa magnitude sem alterar obrigações legais ou comprometer atividades financiadas pelo governo.</p>
<p>Também é necessário distinguir uma redução nominal de despesas da contenção de seu crescimento. Economizar R$ 200 bilhões em relação a uma trajetória futura de gastos não significa necessariamente retirar R$ 200 bilhões do orçamento vigente. O resultado pode ser obtido gradualmente, mediante mudanças que reduzam o ritmo de expansão das despesas ao longo de vários anos. A diferença altera substancialmente o impacto sobre os serviços públicos e sobre o resultado fiscal de cada exercício.</p>
<p>A campanha de Flávio ainda não esclareceu se os valores discutidos representam uma economia anual, uma meta acumulada durante o mandato ou uma redução em relação à trajetória projetada das despesas. Sem essa definição, não é possível estabelecer quais medidas seriam suficientes para alcançar o resultado anunciado nem calcular adequadamente seus efeitos sobre a dívida pública.</p>
<p>O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou nesta segunda-feira (12) que um ajuste próximo de R$ 200 bilhões não poderia ser alcançado apenas com medidas de eficiência administrativa. Segundo ele, a redução de desperdícios, a modernização da gestão e o combate a irregularidades são iniciativas necessárias, mas o potencial de economia nessas áreas estaria abaixo de R$ 10 bilhões, conforme avaliação de sua equipe.</p>
<p>Moretti citou programas como Pé-de-Meia, Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida, Gás do Povo e ações de custeio de universidades e institutos federais para dimensionar o problema. Segundo o ministro, essas políticas, somadas a outras despesas de investimento e custeio, representam aproximadamente R$ 110 bilhões na proposta orçamentária de 2027. Mesmo a eliminação integral desse conjunto hipotético de gastos não seria suficiente para alcançar uma economia anual de R$ 200 bilhões.</p>
<p>As declarações de Moretti refletem a avaliação do governo Lula, adversário de Flávio na disputa presidencial. A campanha do PL rejeita a hipótese de cortes generalizados em políticas sociais e afirma que pretende concentrar os esforços na redução de desperdícios, privilégios e despesas administrativas. Ainda não apresentou, contudo, uma estimativa individualizada que permita verificar a contribuição financeira dessas medidas.</p>
<h2>Flávio nega desvincular aposentadorias do salário mínimo</h2>
<p>A principal controvérsia envolve a possibilidade de alterar os reajustes dos benefícios previdenciários e assistenciais. Informações divulgadas na última semana indicaram que integrantes da equipe econômica avaliavam a desvinculação dos ganhos reais do salário mínimo em relação às aposentadorias e ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), permitindo que determinadas despesas fossem corrigidas apenas pela inflação.</p>
<p>O mecanismo produziria economia porque impediria que aumentos reais concedidos ao salário mínimo fossem automaticamente incorporados aos benefícios vinculados ao piso nacional. Atualmente, a Constituição estabelece que aposentadorias e pensões substitutivas da renda do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340605">trabalho</a> não podem ser inferiores ao salário mínimo, além de garantir o mesmo valor como referência ao BPC para pessoas que preencham os requisitos legais.</p>
<p>Flávio Bolsonaro rejeitou publicamente a possibilidade de retirar os aumentos reais dos aposentados. Em 8 de outubro, afirmou que não pretende fazer economia sobre a população de menor renda e garantiu que os benefícios previdenciários continuarão recebendo reajustes acima da inflação. O coordenador econômico da campanha, Adolfo Sachsida, também negou que a desvinculação faça parte do programa oficial e defendeu a preservação das políticas de proteção social.</p>
<p>A negativa deixa aberta uma questão fiscal. Mesmo com as regras atuais, as despesas previdenciárias crescem não apenas em razão dos reajustes concedidos, mas também pelo aumento do número de beneficiários e pelas características demográficas da população. Portanto, preservar o poder de compra das aposentadorias não significa necessariamente estabilizar o gasto total com a Previdência.</p>
<p>O programa de governo de Flávio prevê combate a fraudes, aperfeiçoamento da administração do INSS e redução de pagamentos indevidos. Essas medidas podem produzir economias legítimas, mas dependem da identificação das irregularidades, da recuperação dos valores e da implementação de mecanismos de controle. O documento apresentado ao TSE não quantifica quanto seria economizado com essas iniciativas.</p>
<h2>Salário mínimo projetado para 2027 mostra impacto das regras de reajuste</h2>
<p>Os números do salário mínimo ajudam a compreender por que alterações em sua <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340604">política</a> de valorização possuem efeitos relevantes sobre o orçamento. O piso nacional é atualmente de R$ 1.621. Para 2027, o governo encaminhou ao Congresso uma proposta de R$ 1.741, considerando inflação projetada de 4,93% e aumento real de 2,3%, conforme as regras utilizadas na elaboração do orçamento.</p>
<p>Segundo cálculos apresentados por Bruno Moretti, caso o aumento real previsto fosse eliminado, o salário mínimo projetado cairia de R$ 1.741 para aproximadamente R$ 1.699. A diferença de R$ 42 mensais representa R$ 546 ao longo de 13 pagamentos, quando considerado também o décimo terceiro, para uma pessoa cuja remuneração ou benefício acompanhe integralmente o piso.</p>
<p>A comparação demonstra o efeito financeiro individual de uma eventual mudança, mas não significa que Flávio tenha anunciado a eliminação desse reajuste. O candidato afirmou expressamente que manterá aumentos acima da inflação, embora seu programa registrado no TSE não estabeleça uma fórmula específica de valorização do salário mínimo para os quatro anos de mandato.</p>
<p>De acordo com Moretti, a retirada do ganho real projetado produziria economia próxima de R$ 18 bilhões em 2027. Mesmo adotando essa hipótese, o valor corresponderia a apenas 9% de uma meta anual de R$ 200 bilhões. A distância mostra por que a discussão sobre um ajuste dessa dimensão envolve outras rubricas além da política salarial.</p>
<h2>Pisos de saúde e educação também entraram nas discussões</h2>
<p>Outro componente do pacote atribuído a integrantes da equipe econômica envolve mudanças nos pisos constitucionais destinados à saúde e à educação. Atualmente, a Constituição determina que a União aplique pelo menos 15% da receita corrente líquida em ações e serviços públicos de saúde e 18% da receita de impostos, observadas as regras legais, na manutenção e desenvolvimento do ensino.</p>
<p>Na proposta orçamentária de 2027, o governo reservou R$ 272,2 bilhões para a saúde, montante correspondente ao piso calculado para o período. A educação contará com R$ 141,2 bilhões, acima do mínimo constitucional estimado em R$ 138,8 bilhões. Somadas, as dotações previstas para os dois setores alcançam R$ 413,4 bilhões.</p>
<p>As discussões atribuídas à equipe de Flávio envolveriam substituir parte das regras de vinculação à arrecadação por mecanismos de atualização relacionados à inflação. Uma mudança dessa natureza poderia reduzir o crescimento automático das dotações em períodos de expansão das receitas, mas dependeria de alteração constitucional e aprovação pelo Congresso.</p>
<p>A campanha nega que pretenda retirar recursos dos serviços essenciais. Essa posição não elimina a possibilidade de discutir mudanças nos critérios de cálculo dos pisos, mas exige distinguir o compromisso de manter determinado serviço da garantia de preservar sua atual regra de financiamento. A manutenção nominal de um orçamento também não assegura, por si só, a continuidade de sua capacidade de atendimento diante do crescimento da população, dos custos e da demanda.</p>
<h2>Redução de ministérios e combate a privilégios não têm economia quantificada</h2>
<p>O plano oficial de Flávio Bolsonaro estabelece o compromisso de extinguir pelo menos dez ministérios, reduzir cargos comissionados, revisar normas administrativas e combater supersalários e benefícios considerados excessivos. Também prevê reformulação das regras fiscais, modernização da gestão pública e ampliação do uso de tecnologias digitais para reduzir custos operacionais.</p>
<p>As propostas são identificáveis no documento apresentado ao TSE, mas não vêm acompanhadas de demonstrativos financeiros. A extinção de ministérios, por exemplo, não significa necessariamente a eliminação de todas as despesas anteriormente administradas por essas estruturas. Servidores, contratos, atribuições legais e serviços podem ser transferidos para outras pastas, preservando parte expressiva dos gastos.</p>
<p>O combate a fraudes e pagamentos indevidos também exige estimativas específicas. Valores identificados em auditorias não correspondem automaticamente a economias permanentes, pois parte das irregularidades pode envolver pagamentos já realizados, disputas administrativas ou valores de recuperação incerta. A contribuição fiscal dessas medidas depende dos resultados efetivamente alcançados.</p>
<p>Ao mesmo tempo, Flávio promete reduzir a carga tributária. Seu programa prevê revisar aspectos da reforma sobre o consumo, diminuir impostos incidentes sobre produção e consumo e buscar maior competitividade econômica. Reduções tributárias podem estimular determinadas atividades, mas seus efeitos sobre a arrecadação dependem do desenho das medidas e da resposta da economia. Sem estimativas, não é possível assegurar que o crescimento resultante compensará integralmente uma eventual perda inicial de receitas.</p>
<h2>Acusação de estelionato eleitoral depende de compromissos ainda indefinidos</h2>
<p>A expressão “estelionato eleitoral” passou a aparecer no debate econômico diante da diferença entre as medidas de ajuste atribuídas à equipe de Flávio e as garantias oferecidas publicamente pelo candidato. Seu uso descreve uma crítica política à possibilidade de promessas serem abandonadas depois da eleição, mas não estabelece a existência de fraude comprovada ou de crime eleitoral.</p>
<p>A avaliação exige distinguir três situações: propostas estudadas por assessores, compromissos assumidos oficialmente pela candidatura e medidas que seriam efetivamente adotadas em um eventual governo. Até o momento, a desvinculação de aposentadorias e a alteração dos pisos de saúde e educação não foram incorporadas ao programa oficial registrado no TSE, e Flávio contestou publicamente essas possibilidades.</p>
<p>Também existe uma diferença de abordagem entre as campanhas. Nesta segunda-feira, Moretti afirmou que um eventual segundo mandato de Lula buscaria um ajuste fiscal gradual ao longo de quatro anos, com a meta de passar de déficit primário equivalente a 0,5% do PIB em 2026 para superávit de 1,5% em 2030. A trajetória também depende de medidas de contenção de despesas e obtenção de receitas, além de estar sujeita a riscos de execução.</p>
<p>O projeto orçamentário enviado pelo atual governo para 2027 prevê superávit primário de R$ 18,6 bilhões antes dos ajustes autorizados pela legislação fiscal. Trata-se de uma previsão condicionada à arrecadação e à execução das despesas, não de resultado já alcançado.</p>
<p>No caso de Flávio, a principal informação que ainda falta é uma demonstração financeira que conecte os compromissos de campanha à economia pretendida. A apresentação de metas por programa, estimativas de arrecadação, mudanças legislativas e cronograma de execução permitiria verificar se o ajuste proposto é compatível com a manutenção dos benefícios e dos serviços públicos anunciada pelo candidato.</p>
<p>Sem esse detalhamento, permanece uma distância entre a dimensão do ajuste discutido por integrantes da campanha e as medidas explicitamente assumidas no programa oficial. A situação sustenta questionamentos sobre a viabilidade fiscal das promessas, mas não permite concluir antecipadamente que elas serão descumpridas. A definição das fontes de economia, dos prazos e dos efeitos sobre as despesas obrigatórias será decisiva para avaliar o conteúdo efetivo da proposta econômica apresentada ao eleitorado.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral &#8211; Diretrizes do Plano de Governo de Flávio Bolsonaro para 2027-2030, com propostas de equilíbrio fiscal, redução de impostos, reforma administrativa e preservação de programas sociais.</em></p>
<p><em>Ministério do Planejamento e Orçamento &#8211; Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027, com composição das despesas primárias, participação dos gastos obrigatórios e dotações previstas para saúde, educação e investimentos.</em></p>
<p><em>Ministério do Planejamento e Orçamento &#8211; apresentação oficial de 31 de agosto de 2026 sobre as projeções fiscais de 2027 e a estimativa do salário mínimo.</em></p>
<p><em>Presidência da República &#8211; Constituição Federal, especialmente os dispositivos sobre o piso previdenciário, o Benefício de Prestação Continuada e os gastos mínimos em saúde e educação.</em></p>
<p><em>Presidência da República &#8211; Decreto 12.797, de 23 de dezembro de 2025, que estabelece o salário mínimo de R$ 1.621 para 2026.</em></p>
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		<item>
		<title>Governo corta projeção da balança para US$ 84,4 bi, mas ministro aposta em US$ 90 bi</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/balanca-comercial-superavit-84-4-bilhoes-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Oct 2026 19:13:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[balança comercial]]></category>
		<category><![CDATA[comércio exterior]]></category>
		<category><![CDATA[Dólar]]></category>
		<category><![CDATA[economia brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[exportações]]></category>
		<category><![CDATA[exportações brasileiras]]></category>
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		<category><![CDATA[Márcio Elias Rosa]]></category>
		<category><![CDATA[Mdic]]></category>
		<category><![CDATA[superávit comercial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Apesar de reduzir a projeção para US$ 84,4 bilhões, governo ainda prevê o segundo maior saldo da série histórica; ministro afirma que resultado pode chegar a US$ 90 bilhões. * * Balança comercial brasileira tem,…</p>
<p>Este post apareceu primeiro em Gazetamercantil.com - <a rel="nofollow" href="https://gazetamercantil.com">GAZETA MERCANTIL - A Gazeta Mercantil traz as últimas notícias sobre política, economia, segurança, entretenimento, negócios, entretenimento, esportes, moda</a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços reduziu de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões a projeção oficial para o superávit da balança comercial brasileira em 2026, mas o próprio ministro Márcio Elias Rosa mantém uma expectativa mais otimista. Nesta quinta-feira, 8 de outubro, ele afirmou que continua apostando em um resultado de pelo menos US$ 90 bilhões, criando uma diferença de US$ 5,6 bilhões entre a estimativa técnica atual do ministério e a projeção defendida pelo titular da pasta.</p>
<p>Os números acumulados até setembro mostram o tamanho do desafio. O Brasil registra superávit de US$ 62,396 bilhões nos nove primeiros meses do ano, resultado de US$ 284,654 bilhões em exportações e US$ 222,259 bilhões em importações. Para alcançar a previsão oficial de US$ 84,4 bilhões, o país precisa produzir mais US$ 22,004 bilhões de saldo positivo entre outubro e dezembro, equivalente a uma média mensal de aproximadamente US$ 7,33 bilhões.</p>
<p>Para que a aposta de Márcio Elias Rosa em US$ 90 bilhões se confirme, o esforço necessário é maior. O saldo dos três últimos meses precisaria atingir US$ 27,604 bilhões, ou cerca de US$ 9,20 bilhões por mês. Isso corresponde a um superávit mensal quase 19% superior aos US$ 7,741 bilhões registrados em setembro.</p>
<p>A diferença entre as duas projeções não significa necessariamente divergência dentro do governo. A estimativa de US$ 84,4 bilhões resulta de um modelo estatístico atualizado pela Secretaria de Comércio Exterior, enquanto o ministro está fazendo uma avaliação sobre a possibilidade de o desempenho efetivo superar esse cenário, sobretudo se as exportações mantiverem o ritmo recente e a diversificação dos mercados continuar compensando perdas em destinos específicos.</p>
<h2>Setembro entregou superávit de US$ 7,7 bilhões</h2>
<p>A revisão para baixo da projeção anual ocorreu mesmo depois de um setembro forte. A balança comercial teve superávit de US$ 7,741 bilhões no mês, avanço de 146% em relação ao saldo registrado em setembro de 2025.</p>
<p>As exportações atingiram US$ 34,418 bilhões, crescimento de 12,9% na comparação anual, enquanto as importações ficaram em US$ 26,678 bilhões, retração de 2,4%. A combinação de vendas externas maiores com compras menores ampliou de maneira significativa o saldo comercial mensal.</p>
<p>No acumulado de janeiro a setembro, o superávit de US$ 62,396 bilhões está 34,8% acima do observado no mesmo período do ano passado. A corrente de comércio — soma de exportações e importações — chegou a aproximadamente US$ 506,9 bilhões.</p>
<p>O comportamento de setembro ajuda a entender por que o ministro ainda considera possível alcançar US$ 90 bilhões. Se o país simplesmente repetisse nos três últimos meses o saldo de US$ 7,741 bilhões observado em setembro, acrescentaria cerca de US$ 23,2 bilhões ao resultado do ano e encerraria 2026 próximo de US$ 85,6 bilhões. Isso seria suficiente para superar a estimativa técnica de US$ 84,4 bilhões, mas ainda deixaria o resultado cerca de US$ 4,4 bilhões abaixo da projeção defendida por Rosa.</p>
<h2>Projeção caiu principalmente por causa dos preços</h2>
<p>A revisão oficial não ocorreu por uma piora abrupta no volume de comércio. O principal fator apontado pelo MDIC foi a mudança nas projeções de preços internacionais, particularmente depois da volatilidade observada no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340508">mercado</a> de petróleo durante o primeiro semestre.</p>
<p>O ministério agora prevê exportações de US$ 382,5 bilhões em 2026. A estimativa anterior, apresentada em julho, era de US$ 394,4 bilhões. A redução foi, portanto, de US$ 11,9 bilhões.</p>
<p>Também houve corte na expectativa para as importações, que passou de US$ 304,4 bilhões para US$ 298,1 bilhões, uma redução de US$ 6,3 bilhões. Como a revisão das exportações foi maior do que a das compras externas, o saldo projetado diminuiu em US$ 5,6 bilhões, exatamente de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões.</p>
<p>Mesmo depois do corte, as exportações projetadas para este ano representariam crescimento de 9,8% sobre 2025 e estabeleceriam um novo recorde em valor. As importações avançariam 6,4%.</p>
<h2>Último trimestre terá de manter saldo elevado</h2>
<p>Os próprios números do MDIC permitem dimensionar o que precisa acontecer até dezembro. Com US$ 284,654 bilhões já exportados até setembro, a projeção de US$ 382,5 bilhões exige aproximadamente US$ 97,85 bilhões em vendas externas no quarto trimestre.</p>
<p>Isso corresponde a uma média de cerca de US$ 32,6 bilhões em exportações por mês entre outubro e dezembro. Setembro, com US$ 34,418 bilhões, ficou acima desse ritmo.</p>
<p>Nas importações, a diferença entre os US$ 222,259 bilhões acumulados e a projeção anual de US$ 298,1 bilhões indica compras externas próximas de US$ 75,84 bilhões no último trimestre, ou aproximadamente US$ 25,28 bilhões mensais.</p>
<p>Se exportações e importações seguirem exatamente essas médias, o país chegará perto da projeção oficial. Para atingir US$ 90 bilhões, porém, será necessário combinar exportações mais fortes, importações menores ou as duas coisas simultaneamente.</p>
<p>Essa conta mostra por que os próximos três meses serão decisivos. O objetivo de US$ 84,4 bilhões está relativamente próximo do desempenho observado em setembro. A projeção de US$ 90 bilhões exige uma aceleração adicional do saldo.</p>
<h2>Resultado ainda pode ser o segundo maior da história</h2>
<p>Mesmo a previsão reduzida de US$ 84,4 bilhões colocaria 2026 entre os melhores anos da balança comercial brasileira. O saldo seria cerca de 24% superior aos US$ 68,1 bilhões registrados em 2025.</p>
<p>O recorde permanece com 2023, quando o país acumulou superávit de aproximadamente US$ 98,9 bilhões. A estimativa atual, portanto, colocaria 2026 na segunda posição da série histórica.</p>
<p>Se a previsão de US$ 90 bilhões defendida pelo ministro for alcançada, o país ainda permanecerá abaixo do recorde de 2023, mas diminuirá consideravelmente a distância. O resultado ficaria apenas US$ 8,9 bilhões abaixo da maior marca já registrada.</p>
<p>O desempenho é relevante também para as contas externas. Um superávit comercial elevado aumenta a entrada líquida de moeda estrangeira decorrente do comércio de bens e ajuda a financiar outros componentes do balanço de pagamentos. Isso não determina sozinho o comportamento do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340506">dólar</a>, mas funciona como um dos elementos de sustentação das contas externas brasileiras.</p>
<h2>União Europeia ganhou peso em setembro</h2>
<p>A composição geográfica das exportações mudou de forma importante em setembro. As vendas brasileiras para a União Europeia avançaram 60,1% em relação ao mesmo mês de 2025 e alcançaram US$ 6,95 bilhões.</p>
<p>O salto foi puxado por produtos como petróleo bruto, minério de cobre, farelo de soja, soja e óleos combustíveis. No acumulado de janeiro a setembro, as exportações ao bloco europeu registraram crescimento de aproximadamente 20%.</p>
<p>O movimento reforça a estratégia do governo de ampliar mercados para reduzir a dependência de destinos específicos. Em um ambiente internacional marcado por tarifas, cotas e mudanças nos preços das commodities, a capacidade de redistribuir exportações pode reduzir o efeito de restrições impostas por grandes compradores.</p>
<p>Os resultados, porém, não foram positivos em todos os mercados. As exportações para a China caíram 7,6% em setembro na comparação anual, em parte devido ao forte recuo das vendas de carne bovina depois que embarques brasileiros ultrapassaram a cota sujeita à tarifa mais baixa.</p>
<p>A Argentina também comprou menos produtos brasileiros no mês. Já as exportações para os Estados Unidos avançaram 31,9% em setembro, para aproximadamente US$ 3,52 bilhões. No acumulado dos nove primeiros meses, entretanto, as vendas ao mercado americano ainda apresentam queda de cerca de 6,5%.</p>
<h2>Ministro aposta em diversificação para chegar a US$ 90 bilhões</h2>
<p>Márcio Elias Rosa afirmou nesta quinta-feira que continua trabalhando com um cenário mais favorável do que o apresentado oficialmente pelo MDIC. Segundo ele, a diversificação dos destinos das exportações brasileiras tem ajudado a absorver impactos de barreiras comerciais e mudanças na demanda de alguns parceiros.</p>
<p>O ministro também informou que as conversas com os Estados Unidos sobre tarifas continuam. O governo brasileiro espera receber dos americanos um termo de referência dentro de três ou quatro semanas, documento que deverá orientar uma nova fase das negociações comerciais entre os dois países.</p>
<p>A discussão interessa diretamente aos exportadores porque os Estados Unidos seguem entre os principais destinos dos produtos brasileiros. Embora as vendas tenham crescido fortemente em setembro, o resultado acumulado do ano ainda carrega os efeitos das restrições comerciais observadas nos meses anteriores.</p>
<p>A negociação, no entanto, é apenas uma das variáveis que determinarão o resultado da balança até dezembro. A evolução do preço do petróleo, da soja e do minério de ferro, o ritmo da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340507">economia</a> chinesa, a demanda europeia e o comportamento das importações brasileiras terão influência direta sobre os números finais.</p>
<h2>Diferença entre US$ 84,4 bilhões e US$ 90 bilhões será decidida em três meses</h2>
<p>Com três quartos do ano concluídos, a maior parte do resultado comercial de 2026 já está formada. Os US$ 62,4 bilhões acumulados até setembro equivalem a aproximadamente 74% da projeção oficial para o ano.</p>
<p>Para completar os 26% restantes e atingir US$ 84,4 bilhões, a balança precisa gerar pouco mais de US$ 22 bilhões entre outubro e dezembro. É uma meta compatível com a manutenção do ritmo de setembro, embora fique exposta à volatilidade dos preços das commodities e das importações.</p>
<p>O cenário de US$ 90 bilhões defendido por Márcio Elias Rosa é mais exigente. Ele pressupõe que cerca de 31% do saldo anual seja construído apenas no último trimestre, com superávits mensais médios superiores aos observados em setembro.</p>
<p>Os próximos dados da Secretaria de Comércio Exterior mostrarão rapidamente qual das duas projeções está mais próxima de se confirmar. Se o saldo continuar perto de US$ 7 bilhões a US$ 8 bilhões mensais, o resultado deverá convergir para a estimativa oficial. Para superar US$ 90 bilhões, a balança precisará entregar uma aceleração relevante justamente nos últimos três meses do ano.</p>
<p>Independentemente de qual número prevalecer, o Brasil caminha, pelas projeções atuais, para fechar 2026 com o segundo maior superávit comercial da série histórica.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — Balança Comercial Brasileira de setembro de 2026 e projeções para o ano</em></p>
<p><em>Secretaria de Comércio Exterior — dados consolidados de exportações, importações e saldo comercial de janeiro a setembro de 2026</em></p>
<p><em>Comex Stat — estatísticas oficiais do comércio exterior brasileiro</em></p>
<p><em>Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro — evento Conexões Produtivas e declarações do ministro Márcio Elias Rosa</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Juros futuros caem mais de 130 pontos após 1º turno das eleições</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/juros-futuros-caem-130-pontos-apos-primeiro-turno</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2026 11:59:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[B3]]></category>
		<category><![CDATA[Dólar]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Ibovespa]]></category>
		<category><![CDATA[Juros Futuros]]></category>
		<category><![CDATA[política fiscal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A reação mais intensa do mercado financeiro ao primeiro turno das eleições presidenciais não ocorreu na Bolsa nem no dólar. Foi na curva de juros que apareceu com maior clareza a dimensão da mudança de percepção dos investidores sobre o Brasil. Contratos de Depósito Interfinanceiro com vencimentos mais longos chegaram a recuar mais de 130 [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A reação mais intensa do mercado financeiro ao primeiro turno das eleições presidenciais não ocorreu na Bolsa nem no dólar. Foi na curva de juros que apareceu com maior clareza a dimensão da mudança de percepção dos investidores sobre o Brasil. Contratos de Depósito Interfinanceiro com vencimentos mais longos chegaram a recuar mais de 130 pontos-base nesta segunda-feira, 5 de outubro, movimento excepcional para uma única sessão e forte o suficiente para levar a B3 a ampliar os limites de oscilação durante o pregão.</p>
<p>O DI para janeiro de 2035 terminou na região de 12,8% ao ano, depois de um ajuste anterior de 14,131%, queda de aproximadamente 1,33 ponto percentual. Nos vencimentos intermediários, o movimento também foi expressivo: o contrato para janeiro de 2028 encerrou próximo de 12,67%, ante 13,51%, enquanto taxas para 2029 chegaram a cair mais de um ponto percentual ao longo da sessão.</p>
<p>A reprecificação ocorreu no primeiro pregão depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%. Os dois voltarão às urnas em 25 de outubro.</p>
<p>O resultado levou investidores a revisar expectativas para a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340329">política</a> econômica a partir de 2027, sobretudo em relação às contas públicas. A reação, porém, antecede qualquer medida concreta: o segundo turno ainda será realizado e os programas econômicos continuam sujeitos a detalhamento. O movimento desta segunda-feira mostra, portanto, uma mudança de expectativa, e não o efeito de um ajuste já implementado.</p>
<h2>Por que a expectativa fiscal mexe tanto com os juros</h2>
<p>Os contratos de DI refletem expectativas para Selic, inflação, atividade econômica, contas públicas e o retorno exigido pelos investidores para manter recursos aplicados no país ao longo do tempo. Quando cresce a preocupação com a trajetória da dívida, as taxas mais longas tendem a incorporar uma compensação maior.</p>
<p>A discussão ganhou peso porque a Dívida Bruta do Governo Geral alcançou R$ 11,1 trilhões em agosto, equivalentes a 82,9% do Produto Interno Bruto. Nos oito primeiros meses de 2026, a relação avançou 4,2 pontos percentuais do PIB.</p>
<p>O custo financeiro do setor público também permanece elevado. Em agosto, foram apropriados R$ 105,9 bilhões em juros nominais. No acumulado de 12 meses, a conta chegou a R$ 1,182 trilhão, ou 8,86% do PIB. Somados os juros ao resultado primário, o déficit nominal atingiu R$ 1,264 trilhão, equivalente a 9,48% do PIB.</p>
<p>Nesse contexto, a queda abrupta das taxas longas mostra o quanto as cotações estavam sensíveis à possibilidade de uma mudança de direção na política fiscal. A campanha de Flávio Bolsonaro tem sinalizado intenção de maior disciplina nas contas públicas, mas ainda não apresentou um conjunto detalhado de medidas que permita projetar com precisão a evolução de receitas, despesas e dívida.</p>
<p>O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340332">mercado</a> negociou, assim, uma expectativa sobre a direção futura da política econômica. A sustentabilidade dessa queda dos juros dependerá de propostas mais concretas e, posteriormente, da capacidade política de implementá-las.</p>
<h2>Queda dos juros ajuda a explicar Bolsa em recorde e bancos em alta</h2>
<p>O fechamento da curva de juros produz efeitos que vão além do financiamento do governo. As taxas dos títulos públicos servem de referência para a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340328">economia</a> e entram nos modelos usados para avaliar ações, empresas, projetos de investimento e operações de crédito.</p>
<p>Quando os juros longos caem, o valor presente dos resultados futuros das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340421">empresas</a> tende a aumentar. Essa foi uma das razões pelas quais o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/ibovespa" target="_blank" rel="noopener" title="Ibovespa" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340331">Ibovespa</a> disparou 7,70% nesta segunda-feira e terminou aos 206.911,89 pontos, maior fechamento de sua história. O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank" rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340330">dólar</a>, ao mesmo tempo, recuou 4,12% e encerrou próximo de R$ 5.</p>
<p>As ações mais sensíveis aos juros estiveram entre as maiores altas. Magazine Luiza avançou mais de 24%, enquanto B3 e BTG Pactual subiram mais de 22%. Bradesco ganhou 13,57%, Banco do Brasil avançou 11% e Itaú teve valorização superior a 10%.</p>
<p>A reação dos bancos pode parecer contraditória à primeira vista, já que essas instituições cobram juros em suas operações de crédito. O resultado bancário, porém, depende da diferença entre custo de captação e taxas cobradas dos clientes, além da qualidade da carteira, inadimplência, crescimento do crédito, receitas de serviços e resultados de tesouraria.</p>
<p>Um ambiente de taxas menos pressionadas pode aliviar o comprometimento financeiro de famílias e empresas, reduzir perdas com inadimplência e favorecer a expansão do crédito. Também pode estimular maior movimentação de investimentos, beneficiando instituições com operações de gestão de recursos, corretagem e mercado de capitais.</p>
<p>Para B3, XP e BTG, essa relação é ainda mais direta. Uma eventual migração de recursos hoje concentrados em aplicações atreladas ao CDI para ações, fundos e outros ativos tende a elevar os volumes negociados e a atividade financeira.</p>
<h2>Mercado antecipou um cenário que ainda precisa ser confirmado</h2>
<p>A velocidade da reação mostra uma característica central dos mercados: os preços mudam antes que as políticas sejam implementadas. Entre sexta-feira e segunda-feira, a estrutura da economia brasileira permaneceu a mesma. O que se alterou foi a probabilidade atribuída pelos investidores aos diferentes cenários depois da eleição.</p>
<p>O JPMorgan, por exemplo, elevou sua recomendação para as ações brasileiras de neutra para overweight depois do primeiro turno, relacionando a mudança ao novo ambiente político e à possibilidade de uma trajetória econômica mais favorável.</p>
<p>Essa antecipação também funciona no sentido contrário. Se as propostas apresentadas durante o segundo turno não confirmarem as expectativas criadas depois da votação, ou se surgirem dúvidas sobre a capacidade de execução das medidas, parte do movimento pode ser revertida.</p>
<p>O Congresso terá papel importante nesse processo. Mesmo uma composição considerada mais favorável a determinado governo não garante a aprovação automática de cortes de despesas, revisões de benefícios ou outras medidas com custo político. A execução depende de negociações com parlamentares, interesses regionais e diferentes grupos econômicos.</p>
<p>Além disso, a curva de juros continuará respondendo a fatores que independem da eleição, como inflação, atividade econômica, decisões do Banco Central, juros americanos e ambiente internacional.</p>
<p>Por isso, a sessão desta segunda-feira deve ser lida como uma forte revisão de preços diante de um novo cenário eleitoral, e não como confirmação de que a trajetória econômica já mudou. O próximo passo será observar se as propostas apresentadas pelos candidatos conseguem sustentar a expectativa que derrubou as taxas em mais de um ponto percentual em alguns vencimentos.</p>
<p>Até 25 de outubro, a curva de juros deve permanecer como um dos principais termômetros dessa avaliação. Depois de uma queda dessa magnitude, novos detalhes sobre política econômica poderão tanto consolidar parte da reprecificação quanto devolver aos contratos uma parcela do movimento observado no primeiro pregão após a eleição.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — resultado oficial do primeiro turno das Eleições 2026<br />
Banco Central do Brasil — Estatísticas Fiscais de agosto de 2026<br />
Tesouro Nacional — Resultado do Tesouro Nacional e Relatório Mensal da Dívida<br />
B3 — contratos de Depósito Interfinanceiro e dados do pregão de 5 de outubro de 2026<br />
Reuters — mercado de juros, câmbio e ações após o primeiro turno<br />
JPMorgan — avaliação sobre ações brasileiras após o resultado eleitoral</p>
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		<title>Equipe econômica de Flávio Bolsonaro reúne ex-Guedes e mercado; veja o que está no programa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2026 14:01:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno colocou sob atenção maior a equipe responsável por desenhar sua política econômica. O grupo reúne ex-integrantes do governo Jair Bolsonaro, economistas com passagem pelo Ministério da Economia, acadêmicos e profissionais do mercado financeiro e é coordenado pela ex-presidente da Caixa Daniella Marques, com participação de Adolfo Sachsida, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno colocou sob atenção maior a equipe responsável por desenhar sua política econômica. O grupo reúne ex-integrantes do governo Jair Bolsonaro, economistas com passagem pelo Ministério da Economia, acadêmicos e profissionais do mercado financeiro e é coordenado pela ex-presidente da Caixa Daniella Marques, com participação de Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia e ex-secretário de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340279">Política</a> Econômica.</p>
<p>A campanha apresenta o núcleo como responsável não apenas pela elaboração técnica do programa, mas também pelo diálogo com empresários, especialistas e representantes dos diferentes setores da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340322">economia</a>. Sete economistas e profissionais foram incorporados formalmente ao grupo em agosto: Alexandre Messa, Alexandre Ywata, Andrei Spacov, Arilton Teixeira, Eduardo Cavendish Carvalho, Myrian Prado e Vladimir Kühl Teles. Eles se somaram a Daniella e Sachsida e a colaboradores anunciados anteriormente em áreas como infraestrutura, energia e políticas voltadas às mulheres. A participação na campanha, entretanto, não significa indicação automática para ministérios ou outros cargos em um eventual governo.</p>
<p>O desenho da equipe mostra uma intenção clara de retomar parte da orientação liberal adotada durante o governo Jair Bolsonaro, mas sem reproduzir exatamente a estrutura comandada por Paulo Guedes. A agenda apresentada até agora combina redução de impostos, controle mais rígido das despesas públicas, desburocratização, revisão de benefícios tributários, maior participação privada em infraestrutura e reorganização das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340281">empresas</a> estatais.</p>
<p>O ponto ainda em aberto é a intensidade dessa agenda e, principalmente, como ela será financiada. Flávio promete reduzir tributos ao mesmo tempo em que afirma que buscará melhorar as contas públicas. Para que as duas coisas ocorram simultaneamente, será necessário compensar a perda de receita com cortes efetivos de despesas, eliminação de benefícios, privatizações, crescimento econômico ou uma combinação dessas alternativas.</p>
<p>Até agora, a campanha ainda não apresentou uma memória de cálculo que permita verificar integralmente essa equação.</p>
<h2>Daniella Marques ocupa o centro do programa econômico</h2>
<p>Daniella Marques tornou-se a principal voz econômica da campanha. Economista formada pela PUC-Rio, trabalhou no Ministério da Economia durante o governo Jair Bolsonaro e presidiu a Caixa Econômica Federal entre julho de 2022 e janeiro de 2023. Na campanha de Flávio, assumiu a coordenação do núcleo econômico e passou a representar o candidato em encontros com empresários, instituições financeiras e entidades do setor produtivo.</p>
<p>Adolfo Sachsida funciona como outro eixo da formulação. Economista com longa trajetória acadêmica e passagem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, ele foi secretário de Política Econômica, assessor especial do Ministério da Economia e ministro de Minas e Energia no governo anterior. Sachsida entrou formalmente na coordenação do programa em agosto.</p>
<p>A escolha dos dois ajuda a compreender a linha que a campanha pretende transmitir ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340323">mercado</a>. Daniella traz experiência executiva na Caixa e proximidade com a agenda de redução do tamanho do Estado, enquanto Sachsida está associado às políticas econômicas e regulatórias adotadas entre 2019 e 2022.</p>
<p>Ao redor deles, a campanha montou um grupo com diferentes especialidades. Alexandre Messa, pesquisador do Ipea, foi secretário de Acompanhamento Econômico. Vladimir Kühl Teles foi secretário-adjunto de Política Econômica e tem atuação acadêmica na FGV. Alexandre Ywata ocupou cargos no Ipea, na Caixa e nas secretarias de Infraestrutura e Produtividade do Ministério da Economia. Myrian Prado trabalhou nas áreas de desestatização, infraestrutura e empreendedorismo.</p>
<p>Andrei Spacov traz experiência em política monetária e fiscal no mercado financeiro. Arilton Teixeira atua nas áreas de finanças internacionais, crescimento econômico e finanças corporativas. Eduardo Cavendish Carvalho trabalha com investimentos e mercado de capitais.</p>
<p>A própria campanha afirma que esses profissionais atuam tecnicamente na elaboração do plano e na apresentação das propostas ao setor produtivo. Não existe, até agora, anúncio de que algum deles esteja reservado para assumir o Ministério da Fazenda, Banco Central, Planejamento ou outra função específica.</p>
<h2>Corte de impostos é uma das principais bandeiras</h2>
<p>Uma das promessas mais explícitas da equipe é revisar aumentos tributários ocorridos durante o atual governo. Daniella Marques afirmou em setembro que recebeu de Flávio a orientação de examinar os impostos criados ou elevados durante a gestão de Fernando Haddad na Fazenda e trabalhar para revertê-los.</p>
<p>Duas medidas são citadas com maior frequência. A primeira é devolver o Imposto sobre Operações Financeiras aos parâmetros de 2022. A segunda é eliminar o imposto sobre exportação de petróleo.</p>
<p>A tributação das exportações de petróleo merece uma ressalva temporal. A alíquota de 12% foi estabelecida pelo governo em julho de 2026 como medida de duração inicialmente limitada a 60 dias. Portanto, o alcance de uma eventual promessa de revogação dependerá da situação efetivamente vigente quando o próximo governo assumir. O compromisso político da campanha é contrário a esse tipo de tributação sobre a exportação de óleo bruto.</p>
<p>No IOF, o impacto seria mais amplo. O imposto alcança operações de crédito, câmbio, seguros e diferentes aplicações financeiras, e alterações em suas alíquotas afetam tanto arrecadação quanto custo financeiro de empresas e famílias.</p>
<p>O argumento da equipe é que a redução de impostos pode estimular investimento, atividade econômica e arrecadação em outras bases. É uma tese econômica possível, mas o resultado depende do tamanho dos cortes, da resposta da economia e do comportamento das despesas públicas. Redução tributária não se transforma automaticamente em aumento de receita.</p>
<p>Esse é um dos pontos que ainda exigem maior detalhamento.</p>
<h2>Reforma tributária revela mudança de posição</h2>
<p>A posição da campanha sobre a reforma tributária é mais complexa do que uma defesa simples de revogação.</p>
<p>Em agosto, a comunicação oficial de Flávio Bolsonaro afirmou que a “suspensão da reforma tributária” estaria entre os primeiros atos de um eventual governo. O próprio candidato defendia naquele momento mais tempo para rediscutir o modelo aprovado e criticava a carga tributária resultante da implementação do novo sistema.</p>
<p>Menos de um mês depois, Daniella Marques adotou uma formulação diferente. No seminário Brasil Hoje, promovido pela Esfera, afirmou que a equipe era favorável à estrutura construída, mas pretendia “aprimorar” a reforma. Segundo ela, reabrir completamente uma discussão constitucional dessa dimensão não seria a melhor alternativa.</p>
<p>A principal crítica da equipe passou a se concentrar nas exceções concedidas durante a tramitação. A avaliação é que benefícios destinados a determinados setores pressionaram para cima a alíquota de referência do IBS e da CBS paga pelas atividades sem tratamento favorecido.</p>
<p>Na prática, portanto, a posição mais recente conhecida não é simplesmente extinguir o novo sistema, mas renegociar pontos de sua regulamentação e tentar reduzir exceções e carga tributária.</p>
<p>Essa diferença importa porque a reforma já está em implementação. Em 2026 começou o período de testes do IBS e da CBS, e empresas de todo o país vêm investindo em sistemas, contabilidade e adaptação operacional. Uma suspensão ampla produziria efeitos jurídicos e empresariais muito maiores do que alterações pontuais na regulamentação.</p>
<h2>Ajuste fiscal é promessa central, mas cortes ainda não foram detalhados</h2>
<p>Outro pilar apresentado por Daniella e Sachsida é um ajuste rápido das contas públicas. A coordenadora tem defendido redução de despesas, revisão de benefícios tributários e enxugamento da máquina administrativa, ao mesmo tempo em que afirma que programas sociais não seriam alvo do corte.</p>
<p>A dificuldade está na passagem do discurso para a composição do Orçamento.</p>
<p>Grande parte das despesas federais é obrigatória ou vinculada a regras legais e constitucionais. Previdência, benefícios sociais, folha de pagamento e pisos de determinadas políticas ocupam parcela elevada do gasto público. Isso reduz o volume de despesas que pode ser eliminado rapidamente por decisão administrativa.</p>
<p>A campanha chegou a trabalhar com um ajuste fiscal equivalente a cerca de 1,5% do PIB e com uma nova regra de controle das despesas ligada à trajetória da dívida pública, mas não detalhou integralmente quais programas, subsídios ou despesas seriam reduzidos para atingir esse objetivo.</p>
<p>Daniella também tem defendido uma espécie de “revogaço” de normas e obrigações consideradas desnecessárias. A campanha afirma ter mapeado mais de mil regras para revisão, incluindo normas infralegais e obrigações burocráticas.</p>
<p>Desburocratização pode reduzir custos para empresas sem necessariamente produzir grande economia orçamentária. Cortar normas e cortar gastos são objetivos relacionados, mas não equivalentes. Para melhorar o resultado primário, será necessário mostrar de onde virão economias fiscais mensuráveis.</p>
<h2>Referência a Milei encontra limites no caso brasileiro</h2>
<p>Daniella cita a experiência do presidente argentino Javier Milei como referência em redução de burocracia, revisão de gastos e reorganização do Estado. A comparação, contudo, tem limites importantes.</p>
<p>Brasil e Argentina possuem estruturas institucionais, federativas e fiscais muito diferentes. Medidas que podem ser adotadas pelo Executivo argentino não necessariamente podem ser reproduzidas no Brasil por decreto. Parte relevante das mudanças brasileiras dependeria do Congresso e, em alguns casos, de emendas constitucionais.</p>
<p>A equipe de Flávio também não propõe simplesmente reproduzir o ajuste argentino. A campanha diz que pretende preservar programas sociais e tem evitado defender mudanças que atinjam diretamente aposentadorias ou o salário mínimo, áreas que representam parcelas relevantes do gasto obrigatório.</p>
<p>Essa combinação aumenta o desafio fiscal. Quanto mais itens importantes do Orçamento são protegidos, maior precisa ser o ajuste nos gastos restantes ou a necessidade de medidas estruturais capazes de reduzir despesas no longo prazo.</p>
<h2>Estatais serão avaliadas antes de eventual privatização</h2>
<p>Privatizações permanecem na agenda, mas a campanha não apresentou até agora uma lista definitiva de empresas que pretende vender.</p>
<p>Daniella e Sachsida defendem reorganizar as estatais, avaliar desempenho, governança e função econômica e só depois decidir quais devem continuar sob controle público e quais poderiam ser transferidas ao setor privado.</p>
<p>Essa formulação é mais cautelosa do que a agenda adotada no início do governo Jair Bolsonaro, quando várias empresas foram incluídas explicitamente em programas de desestatização.</p>
<p>A Caixa aparece como exceção importante. Daniella tem defendido utilizar o banco público como instrumento para crédito, educação financeira e capacitação profissional, o que indica manutenção de sua função estatal.</p>
<p>Petrobras, Banco do Brasil e outras grandes companhias tendem a permanecer no centro do debate durante o segundo turno, sobretudo depois da forte valorização de ações estatais registrada nesta segunda-feira após Flávio terminar o primeiro turno à frente de Lula.</p>
<p>O movimento do mercado reflete expectativa de investidores sobre menor interferência estatal e uma política econômica mais liberal. Não significa, contudo, que privatizações dessas empresas tenham sido oficialmente anunciadas.</p>
<h2>Mercado reagiu antes de conhecer todos os detalhes</h2>
<p>A reação dos ativos brasileiros depois do primeiro turno deixou clara a preferência inicial de parte do mercado financeiro por um cenário de mudança política. O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/ibovespa" target="_blank" rel="noopener" title="Ibovespa" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340280">Ibovespa</a> chegou a superar os 200 mil pontos nesta segunda-feira, o dólar caiu abaixo de R$ 5 e as curvas de juros registraram forte recuo.</p>
<p>Parte desse movimento está relacionada à expectativa de que um eventual governo Flávio adote uma política fiscal mais restritiva, reduza a intervenção sobre empresas estatais e retome uma agenda econômica próxima àquela conduzida pelo Ministério da Economia no governo de Jair Bolsonaro.</p>
<p>A presença de Daniella Marques e Adolfo Sachsida reforça essa interpretação. Ambos são conhecidos pelo mercado e já exerceram funções de primeiro escalão ou de formulação econômica no governo anterior.</p>
<p>Mas há uma diferença importante entre o que os investidores estão antecipando e aquilo que já foi formalmente detalhado pela campanha.</p>
<p>A direção geral está relativamente clara: menos impostos, Estado menor, revisão de gastos, desburocratização, participação maior da iniciativa privada e ajustes na reforma tributária.</p>
<p>O desenho fiscal completo ainda não.</p>
<h2>Promessa de menos impostos terá de fechar com a conta dos gastos</h2>
<p>Esse será provavelmente o principal teste econômico da campanha no segundo turno.</p>
<p>Flávio pretende apresentar ao eleitor e ao mercado uma agenda que combina redução tributária com responsabilidade fiscal. As duas coisas são compatíveis, mas exigem escolhas concretas. Se a arrecadação cair, a despesa precisa cair em proporção suficiente ou o crescimento econômico precisa compensar parte da diferença.</p>
<p>O Brasil chega à eleição com dívida pública elevada, juros ainda restritivos e projeção de crescimento inferior a 2% para 2026. O Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira mostra inflação esperada de 5,01% e expansão do PIB de 1,85%. Nesse ambiente, a credibilidade do próximo governo dependerá menos do discurso genérico em defesa do equilíbrio fiscal e mais da capacidade de apresentar medidas executáveis.</p>
<p>A equipe de Flávio já identificou áreas que pretende atacar, mas ainda não demonstrou quanto cada uma produziria de economia ou redução de receita. Tampouco apresentou uma sequência completa de reformas capaz de mostrar como a dívida seria estabilizada.</p>
<p>A partir do segundo turno, essa cobrança tende a aumentar.</p>
<p>Daniella Marques, Adolfo Sachsida e os demais integrantes do núcleo econômico deixam de preparar um programa para um candidato que tentava chegar à etapa final e passam a trabalhar para um presidenciável que terminou o primeiro turno na liderança.</p>
<p>O mercado já precificou parte da expectativa.</p>
<p>Agora a campanha terá de mostrar a conta.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Comunicação oficial da campanha de Flávio Bolsonaro — composição da equipe responsável pelo plano econômico e propostas divulgadas durante a campanha.</p>
<p>Reuters — anúncios da equipe econômica e declarações de Daniella Marques e Adolfo Sachsida.</p>
<p>Seminário Brasil Hoje, Esfera Brasil — declarações dos coordenadores econômicos sobre reforma tributária, ajuste fiscal e papel do Estado.</p>
<p>Câmara de Comércio Exterior — decisão sobre o imposto de exportação de petróleo.</p>
<p>Banco Central — dados fiscais, Relatório Focus e indicadores de juros e dívida pública.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — plano de governo e documentos das Eleições 2026.</p>
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		<item>
		<title>Focus eleva inflação para 5,01% e reduz projeção do PIB de 2026 para 1,85%</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/focus-inflacao-501-pib-185-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2026 13:47:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
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		<category><![CDATA[projeções econômicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O mercado financeiro voltou a piorar sua estimativa para a inflação brasileira e reduziu a expectativa de crescimento da economia. O Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira, 5 de outubro, pelo Banco Central mostra que a mediana das projeções para o IPCA de 2026 subiu de 4,99% para 5,01%, terceira revisão consecutiva para cima. Ao mesmo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O mercado financeiro voltou a piorar sua estimativa para a inflação brasileira e reduziu a expectativa de crescimento da economia. O Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira, 5 de outubro, pelo Banco Central mostra que a mediana das projeções para o IPCA de 2026 subiu de 4,99% para 5,01%, terceira revisão consecutiva para cima. Ao mesmo tempo, a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto caiu de 1,86% para 1,85%.</p>
<p>A combinação reforça um quadro desconfortável para a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340275">política</a> econômica: a inflação esperada voltou a superar 5% ao mesmo tempo em que os economistas enxergam uma expansão mais fraca da atividade. A revisão desta semana foi pequena em magnitude — dois centésimos na inflação e um centésimo no PIB —, mas ganha importância porque confirma tendências que vêm se repetindo nas últimas edições do boletim.</p>
<p>A projeção de 5,01% coloca a inflação esperada <strong>0,51 ponto percentual acima do limite superior da meta</strong>, que é de 4,5%. Em relação ao centro da meta, de 3%, a distância chega a 2,01 pontos. Não se trata da inflação já registrada pelo país: o IPCA acumulado em 12 meses estava em 4,22% até agosto. O Focus mostra o que os analistas consultados pelo Banco Central esperam para o encerramento de 2026.</p>
<p>Essa diferença é importante. A inflação corrente ainda está abaixo do teto da meta, enquanto a estimativa para dezembro indica que os economistas esperam nova aceleração suficiente para levar o índice acima da faixa de tolerância até o final do ano.</p>
<h2>Inflação esperada volta a superar 5%</h2>
<p>A deterioração ocorre apesar de o IPCA ter registrado deflação de 0,32% em agosto. A queda mensal ajudou a reduzir a inflação acumulada em 12 meses para 4,22%, mas não foi suficiente para melhorar as expectativas para o fechamento do ano. Nas últimas semanas, fatores como pressões de preços no atacado, commodities, energia e incertezas sobre a trajetória fiscal voltaram a entrar no cálculo dos analistas.</p>
<p>O IGP-M, por exemplo, avançou 1,57% em setembro depois de cair 0,22% em agosto. Embora o índice da FGV não seja uma antecipação automática do IPCA, uma aceleração expressiva dos preços no atacado pode, dependendo de sua composição e duração, aumentar a preocupação com repasses futuros ao consumidor.</p>
<p>A previsão de inflação para 2027 teve movimento contrário nesta semana e recuou ligeiramente, de 4,31% para 4,30%. Ainda assim, continua distante do centro da meta de 3% e apenas 0,20 ponto abaixo do teto de 4,5%. Para 2028, a expectativa permaneceu em 3,8%.</p>
<p>Os números sugerem uma convergência lenta. Mesmo depois de 2026, o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340278">mercado</a> ainda não trabalha com inflação próxima do centro da meta no horizonte imediatamente seguinte. Isso ajuda a explicar por que as expectativas para a Selic continuam em patamar elevado.</p>
<p>O Focus manteve em 13,50% ao ano a previsão para a taxa básica de juros no encerramento de 2026. Para 2027, a estimativa permanece em 12%, e para 2028, em 10,5%. Apesar da expectativa de redução gradual dos juros, as projeções indicam que o mercado não enxerga espaço para uma flexibilização rápida sem que a inflação esteja mais claramente controlada.</p>
<h2>PIB perde força neste ano e nos próximos</h2>
<p>A revisão do crescimento também não ficou restrita a 2026. Para este ano, a previsão passou de 1,86% para 1,85%. Em 2027, caiu de 1,41% para 1,40%, enquanto a estimativa para 2028 recuou de 1,83% para 1,81%.</p>
<p>O movimento indica que os analistas não estão enxergando apenas uma desaceleração passageira. As projeções para os três anos recuaram simultaneamente, ainda que em proporções pequenas, sugerindo uma percepção mais cautelosa sobre a capacidade de expansão da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340277">economia</a> brasileira no médio prazo.</p>
<p>O crescimento esperado de 1,85% em 2026 representa também uma desaceleração relevante em relação a 2025, quando o PIB avançou 2,3%. A diferença é de 0,45 ponto percentual, o equivalente a uma redução de quase 20% no ritmo de crescimento quando se compara uma taxa à outra.</p>
<p>A atividade, contudo, não está parada. No segundo trimestre deste ano, o PIB cresceu 0,5% em relação aos três meses anteriores e 2% na comparação anual. O carregamento estatístico deixado pela primeira metade do ano também fornece algum suporte ao resultado de 2026. A questão é que os indicadores apontam para perda de fôlego na segunda metade do ano.</p>
<p>O Focus está praticamente no meio das projeções oficiais. O Banco Central reduziu recentemente sua própria estimativa de crescimento para 1,8%, enquanto a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda trabalha com 2%. A mediana de 1,85% dos economistas consultados pelo BC está apenas 0,05 ponto acima da previsão da autoridade monetária e 0,15 ponto abaixo da estimativa do governo.</p>
<p>Essa diferença entre as projeções é pequena, mas mostra leituras distintas sobre a intensidade da desaceleração. O governo espera que a atividade encerre o ano um pouco mais forte, enquanto o Banco Central e o mercado adotam uma postura mais cautelosa.</p>
<h2>Focus desta segunda ainda não incorporou o resultado eleitoral</h2>
<p>Há uma particularidade importante na leitura do boletim divulgado nesta segunda-feira. As estimativas do Focus são coletadas até a sexta-feira anterior à publicação. Portanto, os números divulgados hoje refletem projeções enviadas até <strong>2 de outubro</strong>, antes do primeiro turno das eleições presidenciais realizado no domingo.</p>
<p>Isso significa que o Focus desta semana ainda não captura a reação dos mercados ao resultado que colocou Flávio Bolsonaro à frente de Lula e levou a disputa para o segundo turno.</p>
<p>A diferença é relevante porque a reação financeira desta segunda-feira foi intensa. O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340276">dólar</a> chegou a operar abaixo de R$ 5 e ativos brasileiros registraram forte valorização no exterior e na abertura doméstica. Caso parte desse movimento seja mantida, a nova configuração do câmbio, dos juros de mercado e das expectativas políticas poderá aparecer nas próximas edições do Focus.</p>
<p>Por enquanto, a mediana para a cotação do dólar no fim de 2026 permanece em R$ 5,20. Para 2027, os economistas mantiveram a estimativa em R$ 5,28 e, para 2028, em R$ 5,30.</p>
<p>O contraste é evidente: enquanto o boletim desta segunda ainda trabalha com dólar a R$ 5,20 no encerramento do ano, o mercado à vista reagiu ao resultado eleitoral com uma valorização expressiva do real. Será preciso observar se essa mudança persiste ou se representa apenas uma reação inicial das mesas de negociação.</p>
<h2>Inflação acima da meta restringe espaço para cortes maiores</h2>
<p>A combinação de inflação esperada em 5,01% e PIB crescendo abaixo de 2% coloca o Banco Central diante de uma situação delicada. Uma atividade mais fraca normalmente aumentaria o espaço para redução de juros. Uma inflação acima do teto, por outro lado, recomenda cautela.</p>
<p>Esse conflito explica por que o mercado ainda espera uma Selic de 13,50% no fim do ano mesmo diante da desaceleração da economia. A taxa básica permanece muito elevada em termos nominais e continua exercendo efeito restritivo sobre crédito, investimento e consumo.</p>
<p>A velocidade da redução dos juros dependerá cada vez mais das expectativas para 2027 e 2028. Se a inflação esperada continuar resistente, o Banco Central terá menos liberdade para acelerar o ciclo de cortes. Caso as projeções convirjam de maneira mais firme para a meta, o espaço aumenta.</p>
<p>Nesse sentido, o dado mais preocupante do Focus não é necessariamente o avanço de 4,99% para 5,01% isoladamente. Uma mudança de dois centésimos é pequena. O sinal mais relevante é a sequência: esta é a terceira semana consecutiva em que os economistas aumentam a estimativa para a inflação de 2026.</p>
<p>Expectativas persistentes importam para a política monetária porque podem influenciar reajustes de preços, negociações salariais e contratos. Quanto mais tempo permanecem afastadas da meta, maior o risco de o Banco Central precisar manter juros restritivos por período prolongado.</p>
<h2>Próximas semanas podem mudar o cenário rapidamente</h2>
<p>O ambiente econômico de outubro reúne variáveis capazes de alterar rapidamente essas projeções. Além dos próximos indicadores de inflação e atividade, o mercado passará a incorporar com mais intensidade a eleição presidencial, as propostas econômicas dos dois candidatos e a composição do Congresso a partir de 2027.</p>
<p>A política fiscal também continuará no centro das análises. A Secretaria de Política Econômica projeta crescimento de 2% neste ano e inflação de 4,9%, cenário ligeiramente mais favorável do que o da mediana do Focus. Para que essa diferença se confirme, será necessário que a desaceleração da atividade não seja tão forte e que as pressões inflacionárias cedam nos últimos meses do ano.</p>
<p>O Focus desta segunda-feira, portanto, deve ser interpretado como a fotografia de um momento imediatamente anterior à eleição. Ele mostra inflação esperada novamente acima de 5%, crescimento perdendo força e juros ainda elevados, mas não incorpora a forte reprecificação dos ativos ocorrida após as urnas.</p>
<p>A próxima edição será especialmente relevante. Pela primeira vez, as instituições consultadas pelo Banco Central poderão ajustar suas estimativas já conhecendo o resultado do primeiro turno, o comportamento do câmbio e dos juros depois da votação e as primeiras sinalizações econômicas das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.</p>
<p>Se a reação favorável dos mercados persistir, parte das projeções poderá mudar. Se a volatilidade aumentar durante a campanha, o efeito pode seguir direção oposta. Até lá, o cenário-base permanece claro: o mercado espera crescimento abaixo de 2% em 2026 e inflação acima do limite da meta.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Banco Central — Relatório Focus divulgado em 5 de outubro de 2026.</p>
<p>Banco Central — Relatório de Política Monetária de setembro de 2026.</p>
<p>IBGE — Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo e Contas Nacionais.</p>
<p>Ministério da Fazenda — Boletim Macrofiscal de setembro de 2026.</p>
<p>Conselho Monetário Nacional — regime de metas para a inflação.</p>
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		<title>Proibição das bets: 1.689 novos sites ilegais são identificados após MP de Lula</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/proibicao-bets-sites-ilegais-golpes-marcas-autorizadas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2026 12:46:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A decisão do governo federal de proibir as apostas de quota fixa no Brasil abriu uma nova frente de preocupação envolvendo a expansão do mercado clandestino e a utilização fraudulenta de marcas conhecidas pelos consumidores. No sábado, 26 de setembro, primeiro dia após a edição da Medida Provisória nº 1.394/2026, um sistema privado de monitoramento [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A decisão do governo federal de proibir as apostas de quota fixa no Brasil abriu uma nova frente de preocupação envolvendo a expansão do mercado clandestino e a utilização fraudulenta de marcas conhecidas pelos consumidores. No sábado, 26 de setembro, primeiro dia após a edição da Medida Provisória nº 1.394/2026, um sistema privado de monitoramento utilizado por <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340023">empresas</a> do setor identificou 1.689 novos endereços associados à oferta irregular de apostas. O levantamento contabilizava 17.651 sites clandestinos, incluindo páginas que reproduzem nomes e elementos visuais de operadoras que, até a mudança legislativa, possuíam autorização do Ministério da Fazenda.</p>
<p>Os dados, obtidos originalmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e reproduzidos pelo Terra, indicam a dimensão de um problema que antecede a proibição e poderá representar um desafio adicional para sua implementação. Entre os endereços identificados estão páginas que imitam as marcas H2bet, Vaidebet e Novibet, algumas utilizando indevidamente selos de autorização federal e informações empresariais que não correspondem à identidade verdadeira da operadora apresentada ao público.</p>
<p>A multiplicação desses endereços ocorre durante a transição estabelecida pela medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira, 25. O texto determina o encerramento da exploração de apostas esportivas e jogos online de quota fixa, interrompe novas operações e estabelece obrigações para a restituição dos recursos pertencentes aos apostadores.</p>
<p>Há, entretanto, uma distinção importante na interpretação dos números: a identificação de novos endereços não significa necessariamente a abertura de igual quantidade de empresas clandestinas. Um mesmo operador pode utilizar dezenas ou centenas de domínios alternativos, seja para contornar bloqueios administrativos, seja para ampliar sua presença em mecanismos de busca e redes sociais. Também não foi divulgada uma auditoria independente da base integral que permita determinar quantos dos endereços identificados permanecem simultaneamente acessíveis.</p>
<p>Outro dado impede atribuir automaticamente à medida provisória toda a expansão observada. Na quinta-feira, 24, antes da assinatura presidencial, o levantamento já havia registrado 2.317 novos endereços, número superior ao identificado no sábado. Entre 28 de agosto e 23 de setembro, o maior volume diário havia sido de 540 registros, observado no dia 21. A sequência demonstra que a aceleração antecedeu a entrada em vigor da proibição, embora os números posteriores confirmem a continuidade da atividade clandestina.</p>
<h2>Sites falsos usam identidade de bets conhecidas para atrair apostadores</h2>
<p>Um dos aspectos mais preocupantes do levantamento envolve a apropriação de marcas comerciais por operadores sem autorização. A estratégia consiste em reproduzir a identidade visual de casas de apostas conhecidas, aproveitar seu reconhecimento junto ao público e apresentar páginas que aparentam representar a continuidade das operações anteriormente regularizadas.</p>
<p>Em um dos casos identificados, um endereço que utiliza a marca H2bet apresenta um selo de autorização do Ministério da Fazenda e atribui sua operação à Ana Gaming Brasil S.A., empresa associada a outras marcas do setor, entre elas a 7K Bet. A incompatibilidade entre a identidade comercial anunciada e os dados empresariais utilizados evidencia o risco de o consumidor confundir uma página de terceiros com uma operação legítima.</p>
<p>Também foram identificados endereços que reproduzem as marcas Vaidebet e Novibet, utilizando extensões alternativas, como .games, .site e .top. Até a edição da nova medida provisória, o domínio .bet.br era o padrão obrigatório das plataformas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), permitindo distinguir os operadores submetidos à regulamentação federal daqueles que atuavam fora do sistema.</p>
<p>A reprodução de uma marca, entretanto, não significa que a empresa original esteja participando da operação clandestina. É necessário separar a utilização indevida da identidade comercial da eventual responsabilidade de seus titulares. Da mesma forma, a presença de um selo de autorização em uma página não constitui prova de reconhecimento oficial pelo Ministério da Fazenda.</p>
<p>Em manifestação divulgada após a identificação dos endereços, o diretor jurídico da Vaidebet, Daniel Sitônio, classificou a utilização da marca fora do domínio anteriormente autorizado como oportunismo de agentes irregulares. Segundo ele, a proibição criou um ambiente favorável à tentativa de atrair consumidores para plataformas que não estão submetidas às exigências de fiscalização, tributação e proteção previstas no sistema regulado.</p>
<p>A dimensão dessa prática aparece em outro dado do monitoramento: entre aproximadamente 4 mil endereços detectados de quinta-feira a sábado, uma única marca clandestina concentrava 238 links diferentes. A estrutura ilustra como a substituição rápida de domínios pode dificultar o combate à atividade. Quando um endereço é bloqueado, outros podem continuar funcionando ou assumir a distribuição de usuários, especialmente quando a divulgação ocorre por aplicativos de mensagens e perfis de influenciadores.</p>
<p>Para o consumidor, o risco vai além de participar de uma atividade proibida. Uma página fraudulenta pode coletar informações pessoais, receber transferências financeiras e dificultar a recuperação dos valores depositados. O uso indevido de marcas reconhecidas acrescenta uma camada de credibilidade artificial, especialmente durante um período em que usuários procuram informações sobre o encerramento de suas contas e a devolução de saldos.</p>
<h2>Governo bloqueia 506 sites e identifica rede com mais de 212 mil membros</h2>
<p>A expansão do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340025">mercado</a> irregular ocorre paralelamente ao reforço das ações federais de fiscalização. Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil em 28 de setembro, uma força-tarefa do governo bloqueou 506 sites com indícios de oferta irregular de apostas após a publicação da medida provisória.</p>
<p>A atuação reúne o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério da Fazenda. Um dos principais objetivos é impedir que plataformas clandestinas continuem alcançando consumidores brasileiros mediante a criação de novos endereços, publicidade dissimulada e distribuição de aplicativos fora dos canais convencionais.</p>
<p>O Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), vinculado à Secretaria Nacional de Segurança Pública, também identificou 43 canais e grupos no Telegram relacionados à promoção de apostas e jogos de cassino online. Juntos, esses ambientes reuniam 212.634 membros. Nove canais concentravam 172.359 integrantes, aproximadamente 81% do público identificado no levantamento.</p>
<p>Entre os conteúdos analisados estavam promessas de rentabilidade de até 260% ao mês, supostos robôs capazes de acertar 99,8% das apostas e ofertas de estratégias para jogos de cassino. O maior grupo monitorado reunia 42.791 integrantes. Outro, dedicado ao jogo conhecido como Fortune Tiger, popularmente chamado de Jogo do Tigrinho, possuía 28.601 membros.</p>
<p>O relatório governamental também identificou publicidade de apostas em plataformas digitais. No Google, foram encontrados aproximadamente 1,9 mil anúncios relacionados ao segmento, embora o próprio Ministério da Justiça tenha esclarecido que não foi possível separar integralmente os anúncios publicados após a proibição daqueles que já estavam ativos anteriormente.</p>
<p>Esses resultados evidenciam uma dificuldade operacional que não se resolve exclusivamente com o bloqueio de domínios. A fiscalização precisa alcançar simultaneamente os mecanismos de distribuição, os perfis responsáveis pela divulgação, os intermediários financeiros e as estruturas utilizadas para substituir rapidamente os endereços retirados de circulação.</p>
<p>A medida provisória procura enfrentar esse problema ao estabelecer obrigações para provedores de aplicações, lojas de aplicativos e instituições participantes do sistema financeiro. Também prevê a atuação coordenada da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e de órgãos responsáveis pela infraestrutura de nomes de domínio no Brasil.</p>
<h2>MP estabelece encerramento das operações e restituição de dinheiro</h2>
<p>A Medida Provisória nº 1.394, publicada em edição extra do Diário Oficial da União em 25 de setembro, proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa em território nacional. A restrição alcança operadores estrangeiros que direcionem seus serviços a pessoas localizadas no Brasil, assim como autorizações estaduais e distritais. As demais modalidades lotéricas previstas em lei não foram abrangidas pela proibição.</p>
<p>O texto determina que as autorizações anteriormente concedidas sejam extintas ao término de 30 dias, mas estabelece um período menor para a indisponibilização das plataformas. Os operadores devem interromper o acesso aos sites e aplicativos destinados às apostas dez dias após a publicação da norma, com encerramento previsto a partir de 6 de outubro.</p>
<p>A diferença entre os dois prazos merece atenção. A existência de uma autorização ainda não formalmente extinta não representa permissão para continuar recebendo apostas durante todo o período de 30 dias. A norma já impede novos ingressos de recursos nas contas transacionais, ressalvadas operações específicas necessárias ao cumprimento das obrigações de encerramento.</p>
<p>Os usuários terão até 5 de outubro para acessar suas contas e providenciar os saques. Apostas ainda abertas e sem resultado apurado ao término do período de transição serão consideradas sem efeito, assegurando a restituição integral dos respectivos valores. Os prêmios referentes a resultados apurados dentro do prazo também deverão ser pagos.</p>
<p>Depois da indisponibilização das plataformas, as empresas terão dois dias para encaminhar às instituições financeiras e à Secretaria de Prêmios e Apostas a relação individualizada dos valores devidos aos consumidores. Os bancos e instituições de pagamento terão, por sua vez, sete dias após o recebimento dessas informações para realizar as restituições. Quando não for possível devolver diretamente os recursos, os valores deverão ser transferidos para conta específica na Caixa Econômica Federal, sob supervisão do Ministério da Fazenda.</p>
<p>O descumprimento das obrigações relacionadas à disponibilização dos recursos e à prestação das informações poderá resultar em multa diária de R$ 200 mil. A legislação também estabelece mecanismos para impedir novas transações financeiras destinadas à exploração irregular das apostas.</p>
<p>O período de encerramento acrescenta outro elemento de vulnerabilidade para os consumidores. Mensagens que anunciem uma suposta migração oficial das antigas operadoras para novos endereços, especialmente acompanhadas de solicitações de depósitos, não devem ser confundidas com os procedimentos de restituição previstos na legislação.</p>
<h2>Empresas contestam proibição no STF e governo defende proteção às famílias</h2>
<p>A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF), em 28 de setembro, solicitando a suspensão da medida provisória. As entidades sustentam que a interrupção do mercado regulamentado compromete investimentos realizados com base nas autorizações concedidas pelo próprio governo e pode estimular a migração de consumidores para operadores clandestinos.</p>
<p>O pedido foi encaminhado ao ministro Luiz Fux, relator de processos relacionados à regulamentação das apostas. As associações também questionam a ausência, segundo sua argumentação, de estudos econômicos suficientes para justificar a mudança e a previsão de extinção das autorizações sem ressarcimento das outorgas anteriormente recolhidas.</p>
<p>As empresas afirmam ter desembolsado aproximadamente R$ 2,55 bilhões em outorgas para ingressar no mercado regulamentado. O texto da medida provisória, entretanto, estabelece que a extinção das autorizações por motivo de interesse público não gera direito automático à devolução desses valores ou à indenização pelo poder público. A controvérsia integra a discussão judicial sobre os efeitos da mudança legislativa.</p>
<p>A Advocacia-Geral da União solicitou prazo de 72 horas para apresentar manifestação antes de eventual deliberação do relator. A discussão envolve, entre outros pontos, os requisitos constitucionais de relevância e urgência para a edição de medidas provisórias e os efeitos jurídicos da interrupção de atividades anteriormente autorizadas.</p>
<p>O governo federal fundamenta a proibição nos impactos sociais e sanitários associados ao mercado de apostas. Ao anunciar a medida, o Ministério da Saúde destacou um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde que estima em R$ 38,8 bilhões anuais o custo social relacionado aos jogos no Brasil. Desse montante, R$ 30,6 bilhões estariam associados a consequências na área da saúde, incluindo perda de qualidade de vida, transtornos mentais e tratamentos médicos.</p>
<p>A pasta também informou que os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas no Sistema Único de Saúde cresceram aproximadamente 140% entre 2018 e 2025. Esses dados compõem a justificativa sanitária apresentada pelo Executivo, embora não constituam, isoladamente, uma avaliação dos resultados futuros da proibição.</p>
<p>O presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, argumenta que o encerramento do mercado autorizado elimina empresas que estavam obrigadas a recolher tributos, identificar consumidores e aplicar mecanismos de proteção a públicos vulneráveis. Para a entidade, o desafio passa a ser impedir que a demanda existente seja absorvida por plataformas que não cumprem essas exigências.</p>
<p>A controvérsia coloca em discussão duas dimensões distintas da <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340022">política</a> pública: reduzir os danos associados às apostas e impedir que sua exploração continue por canais clandestinos. O alcance de cada objetivo dependerá dos instrumentos de fiscalização, da implementação das restrições financeiras e da capacidade de identificar os responsáveis pela oferta irregular.</p>
<h2>Proliferação de endereços expõe desafio da fiscalização digital</h2>
<p>A criação de novos domínios e a utilização de marcas comerciais alheias demonstram que o encerramento jurídico das operações autorizadas não equivale à eliminação imediata da oferta clandestina. O mercado irregular já existia antes da edição da medida provisória e utilizava estruturas digitais que permitem substituir endereços, alcançar consumidores por diferentes canais e operar fora do sistema nacional de autorização.</p>
<p>A situação também exige cuidado na interpretação dos números apresentados por entidades empresariais e autoridades públicas. O total de páginas identificadas por ferramentas privadas de monitoramento não corresponde necessariamente ao número de operadores independentes, assim como a quantidade de endereços submetidos a bloqueio não demonstra, por si só, a interrupção definitiva de suas atividades.</p>
<p>Para o Ministério da Fazenda, a efetividade da proibição dependerá de uma atuação que ultrapasse o bloqueio de sites. A identificação dos beneficiários financeiros, a interrupção dos meios de pagamento, a fiscalização da publicidade e a cooperação entre autoridades deverão integrar a estratégia de enfrentamento ao mercado clandestino.</p>
<p>Enquanto o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal examinam os desdobramentos da medida, o período de transição exige atenção especial aos consumidores que possuem recursos depositados nas antigas plataformas autorizadas.</p>
<p>O aparecimento de páginas que imitam H2bet, Vaidebet e Novibet demonstra como a identidade comercial dessas empresas pode ser utilizada para induzir usuários a acessar operações não reconhecidas pelos titulares das marcas. Com a proibição nacional, nenhum novo endereço pode legitimamente apresentar-se como uma alternativa autorizada para continuar recebendo apostas de quota fixa no Brasil.</p>
<p>O desafio imediato das autoridades será assegurar que a retirada das plataformas regulamentadas não seja acompanhada pela transferência de consumidores e recursos para estruturas fraudulentas, ao mesmo tempo em que os apostadores recebem os valores que lhes são devidos.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Presidência da República — Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro de 2026.</em></p>
<p><em>Ministério da Fazenda — Secretaria de Prêmios e Apostas.</em></p>
<p><em>Ministério da Justiça e Segurança Pública — Levantamento do Laboratório de Operações Cibernéticas, de 27 de setembro de 2026.</em></p>
<p><em>Ministério da Saúde — Comunicado sobre a proibição das apostas, de 25 de setembro de 2026.</em></p>
<p><em>Agência Brasil — Cobertura da fiscalização do mercado clandestino e dos pedidos apresentados ao STF, de 28 de setembro de 2026.</em></p>
<p><em>Associação Nacional de Jogos e Loterias — Manifestação de Plínio Lemos Jorge e posicionamento institucional.</em></p>
<p><em>Vaidebet — Manifestação do diretor jurídico Daniel Sitônio.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Clava Forte Bank, de André Valadão, segue suspensa após questionamentos da CPMI do INSS</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/clava-forte-bank-andre-valadao-cpmi-inss-banco-master</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Sep 2026 16:51:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[Clava Forte Bank]]></category>
		<category><![CDATA[CPMI do INSS]]></category>
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		<category><![CDATA[fintech]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Clava Forte Bank, plataforma de serviços financeiros associada ao pastor André Valadão e apresentada ao público cristão como alternativa para igrejas, líderes religiosos e fiéis, permanece com situação cadastral suspensa quase nove meses depois da interrupção formal de suas atividades. O registro empresarial indica que o CNPJ está suspenso desde 12 de janeiro de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Clava Forte Bank, plataforma de serviços financeiros associada ao pastor André Valadão e apresentada ao público cristão como alternativa para igrejas, líderes religiosos e fiéis, permanece com situação cadastral suspensa quase nove meses depois da interrupção formal de suas atividades. O registro empresarial indica que o CNPJ está suspenso desde 12 de janeiro de 2026 por “interrupção temporária das atividades”, uma situação diferente de baixa definitiva da empresa.</p>
<p>O caso ganhou uma dimensão adicional depois de a Clava Forte passar a aparecer em requerimentos e debates da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investigou irregularidades envolvendo benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social. Parlamentares pediram informações sobre o enquadramento regulatório da empresa, eventual relacionamento com outras instituições financeiras e uma possível conexão operacional com o Banco Master. Os registros oficiais da comissão, porém, mostram que parte das medidas mais invasivas propostas — entre elas quebra de sigilo da empresa e convocação de André Valadão — não chegou a ser apreciada.</p>
<p>A empresa utilizava a palavra “Bank” na própria denominação, mas não figurava como instituição financeira autorizada diretamente pelo Banco Central. A estrutura divulgada durante seu período de funcionamento correspondia a um modelo de prestação de serviços apoiado em infraestrutura financeira de terceiros, situação que distingue uma marca de serviços bancários de um banco autorizado a funcionar por conta própria.</p>
<p>O Banco Central mantém registros públicos de instituições supervisionadas e, entre elas, aparece a CDC SCD S.A., sociedade de crédito direto que chegou a ser associada à infraestrutura utilizada na oferta de serviços da Clava Forte. A presença da CDC nos registros do BC não transfere automaticamente sua autorização regulatória para <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339889">empresas</a> ou marcas comerciais que utilizem seus serviços tecnológicos ou financeiros.</p>
<h2>CNPJ está suspenso, mas não consta como baixado</h2>
<p>Os dados cadastrais da Clava Forte Bank S/A mostram uma empresa aberta em 15 de março de 2024, registrada como sociedade anônima fechada e com capital social declarado de R$ 100 mil. A atividade econômica principal não é a de banco comercial ou banco múltiplo, mas a categoria genérica de outros serviços prestados principalmente às empresas. Entre as atividades secundárias constam administração de cartões de crédito, atuação como correspondente de instituições financeiras, desenvolvimento de software e intermediação de serviços.</p>
<p>O registro também apresenta André Machado Valadão como presidente, com ingresso nessa condição em agosto de 2024. Cassiane Montosa Pitelli Valadão aparece como diretora a partir de novembro de 2025. Esses dados tornam imprecisa uma descrição da participação do pastor apenas como garoto-propaganda da plataforma: formalmente, ele ocupava cargo de administração na companhia.</p>
<p>Há ainda uma diferença relevante entre o discurso público de encerramento e o status jurídico atual da sociedade. Valadão afirmou em janeiro que as atividades haviam sido encerradas e atribuiu a decisão a razões estratégicas e aos custos relacionados à segurança tecnológica. O cadastro empresarial, entretanto, não registra a companhia como baixada. A classificação permanece “suspensa”, com motivo de interrupção temporária.</p>
<p>Essa distinção não significa que a plataforma continue oferecendo serviços ao público. Significa apenas que, do ponto de vista cadastral, interrupção das atividades e extinção formal de uma pessoa jurídica são situações diferentes.</p>
<h2>Banco Central virou alvo de pedidos de informação no Congresso</h2>
<p>Em 2 de fevereiro de 2026, o deputado Rogério Correia apresentou o Requerimento 2.912/2026 na CPMI do INSS solicitando informações diretamente ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a Clava Forte Bank. O documento perguntou se a empresa poderia ser enquadrada como fintech, quantos clientes possuía, por que não aparecia como instituição regulada e se atuava ou havia atuado como intermediadora de atividades do Banco Master.</p>
<p>O requerimento é importante porque delimita o estágio factual da questão: o parlamentar pediu que essas relações fossem esclarecidas. O texto não constitui comprovação de que a Clava Forte tenha intermediado <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339891">negócios</a> do Master nem demonstra, sozinho, participação em irregularidades investigadas pela comissão.</p>
<p>Esse cuidado é particularmente relevante porque declarações feitas durante reuniões da CPMI associaram a fintech, integrantes da Igreja Batista da Lagoinha, Daniel Vorcaro e outros empresários a hipóteses que parlamentares defendiam investigar. As falas constam dos registros oficiais do Congresso, mas representam alegações e linhas de apuração apresentadas pelos respectivos deputados, não conclusões estabelecidas pela comissão ou por decisão judicial.</p>
<h2>Pedido de quebra de sigilo da Clava Forte não foi apreciado</h2>
<p>A evolução dos requerimentos mostra também que nem todas as medidas propostas contra a Clava Forte avançaram. Em 24 de novembro de 2025, Rogério Correia apresentou requerimento para produção de relatórios de inteligência financeira e quebra dos sigilos bancário e fiscal da empresa, abrangendo o período entre março de 2024 e novembro de 2025. O pedido ficou sem apreciação.</p>
<p>Em 12 de fevereiro de 2026, o deputado Duarte Jr. apresentou outro requerimento pedindo quebra dos sigilos bancário e fiscal da Clava Forte, desta vez referente ao intervalo entre março de 2024 e julho de 2025. O registro oficial da CPMI também classifica a medida como não apreciada.</p>
<p>No mesmo dia, Duarte Jr. pediu a convocação de André Valadão para prestar depoimento como testemunha. Essa solicitação tampouco foi apreciada. Portanto, não é correto afirmar que a CPMI tenha aprovado a quebra de sigilo da Clava Forte ou a convocação de seu presidente.</p>
<p>A diferença é substantiva. Um requerimento protocolado mostra que um parlamentar considerou determinada providência necessária para sua linha de investigação. A aprovação pela comissão é uma etapa posterior e indispensável para transformar o pedido parlamentar em decisão colegiada da CPMI.</p>
<h2>Uso da palavra “Bank” não significava autorização bancária própria</h2>
<p>Outro ponto que gerou questionamentos desde a criação da empresa foi o uso de “Bank” na marca. A apresentação comercial da plataforma poderia levar o público a associá-la diretamente a uma instituição bancária tradicional, enquanto os registros regulatórios indicavam uma estrutura distinta.</p>
<p>O fato de uma empresa oferecer conta digital, cartão, pagamentos ou outros serviços com infraestrutura de terceiros não significa necessariamente que ela seja um banco autorizado. O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339890">mercado</a> brasileiro de Banking as a Service permite que empresas ofereçam determinadas experiências financeiras apoiadas em instituições reguladas responsáveis pela infraestrutura e pelas atividades sujeitas à autorização.</p>
<p>A CDC SCD S.A., citada como fornecedora de infraestrutura da operação da Clava Forte, aparece atualmente em bases do Banco Central referentes a instituições financeiras. Os registros disponíveis nesta quarta-feira, 23 de setembro, identificavam a CDC entre sociedades de crédito direto em diferentes tabelas regulatórias.</p>
<p>A própria Clava Forte sustentava, durante seu funcionamento, que operava por meio de modelo de Banking as a Service e que seus serviços estavam estruturados de acordo com as regras aplicáveis. Esse desenho ajuda a explicar por que a ausência de uma autorização bancária individual para a Clava Forte não equivale, por si só, à demonstração de funcionamento financeiro clandestino.</p>
<p>A questão regulatória relevante é identificar quais serviços eram executados pela própria Clava Forte, quais eram fornecidos pela instituição parceira e como responsabilidades, recursos de clientes, controles e comunicação comercial estavam distribuídos entre as empresas.</p>
<h2>André Valadão atribuiu fechamento a segurança e negou vínculo com Master</h2>
<p>Em janeiro de 2026, André Valadão confirmou publicamente a descontinuidade da plataforma. Segundo sua versão, os investimentos necessários para proteger a infraestrutura tecnológica contra tentativas de ataques tornaram o projeto desproporcional aos objetivos para os quais havia sido criado.</p>
<p>Valadão também negou que o encerramento estivesse relacionado ao Banco Master. A manifestação ocorreu depois que a coincidência temporal entre problemas enfrentados pelo Master e a retirada da plataforma Clava Forte do ar passou a ser utilizada por parlamentares como argumento para defender investigações adicionais.</p>
<p>Essa cronologia, isoladamente, não comprova relação financeira ou operacional entre as duas empresas. O documento mais objetivo produzido no âmbito da CPMI sobre esse ponto foi justamente o requerimento encaminhado ao Banco Central, que formulou a existência dessa intermediação como uma pergunta a ser esclarecida — e não como fato já demonstrado.</p>
<p>Registros de reuniões da comissão mostram que parlamentares fizeram afirmações mais abrangentes sobre possíveis relações entre pessoas ligadas à Lagoinha, Daniel Vorcaro e outros empresários. Essas declarações precisam ser tratadas como posições dos autores das falas enquanto não estiverem acompanhadas por documentação independente que confirme cada vínculo específico.</p>
<h2>Capital de R$ 100 mil contrasta com ambição da plataforma</h2>
<p>A estrutura societária da Clava Forte também oferece uma dimensão objetiva sobre o tamanho formal da empresa. Seu capital social registrado era de R$ 100 mil, valor reduzido quando comparado à amplitude de serviços que a plataforma anunciava, incluindo contas digitais, cartões, crédito, seguros, cashback e soluções financeiras destinadas a igrejas e líderes religiosos.</p>
<p>Esse contraste não caracteriza irregularidade. Empresas de tecnologia que trabalham com Banking as a Service podem concentrar a infraestrutura financeira e regulatória em parceiros, reduzindo a necessidade de capital próprio comparativamente a uma instituição bancária tradicional. Ao mesmo tempo, ajuda a compreender por que é tecnicamente inadequado comparar a Clava Forte diretamente com um banco comercial que mantém estrutura prudencial própria.</p>
<p>O modelo também coloca a identificação do prestador efetivo de cada serviço no centro da análise. Para clientes, a marca que aparece no aplicativo pode não ser a mesma pessoa jurídica responsável pela conta, liquidação, crédito ou processamento financeiro.</p>
<h2>Situação atual deixa duas questões distintas</h2>
<p>O quadro disponível em setembro de 2026 permite separar duas questões que frequentemente aparecem misturadas. A primeira é empresarial: a Clava Forte interrompeu suas atividades e seu CNPJ continua suspenso. A segunda é investigativa: parlamentares levantaram dúvidas sobre possíveis relações da empresa com personagens e instituições examinados pela CPMI do INSS e pelo caso Banco Master.</p>
<p>Até agora, os registros oficiais consultados não permitem transformar essas dúvidas em uma conclusão de participação da Clava Forte ou de André Valadão em fraudes relacionadas ao INSS. Os pedidos de quebra de sigilo da companhia e de convocação do pastor permaneceram sem apreciação na comissão.</p>
<p>Ao mesmo tempo, os documentos demonstram que a empresa efetivamente entrou no radar parlamentar e que o Congresso solicitou esclarecimentos formais sobre seu enquadramento e possíveis relações financeiras. O dado mais concreto sobre a situação atual, porém, continua sendo cadastral: a Clava Forte Bank S/A permanece registrada, mas suspensa desde 12 de janeiro de 2026, sem baixa definitiva.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Senado Federal — requerimentos e registros da CPMI do INSS utilizados para verificar pedidos de informações, quebra de sigilo, convocação de André Valadão e respectivas situações de tramitação</em></p>
<p><em>Congresso Nacional — notas taquigráficas utilizadas para distinguir declarações parlamentares de fatos comprovados</em></p>
<p><em>Banco Central — registros de instituições financeiras utilizados para verificar a presença da CDC SCD e o enquadramento da infraestrutura financeira relacionada</em></p>
<p><em>Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica — dados cadastrais utilizados para verificar situação da Clava Forte Bank, capital social, atividades econômicas e administradores</em></p>
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		<title>Genial entrou em operação de R$ 100 milhões ligada ao PCC, aponta Carbono Oculto</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/genial-operacao-100-milhoes-pcc-carbono-oculto</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Sep 2026 16:30:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Genial]]></category>
		<category><![CDATA[crime organizado.]]></category>
		<category><![CDATA[Entre Investimentos]]></category>
		<category><![CDATA[Fundo Radford]]></category>
		<category><![CDATA[Humberto Tupinambá]]></category>
		<category><![CDATA[LAVAGEM DE DINHEIRO]]></category>
		<category><![CDATA[Operação Carbono Oculto]]></category>
		<category><![CDATA[Operação Crédito Oculto]]></category>
		<category><![CDATA[PCC]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira, 24 de setembro, identificou uma estrutura financeira na qual R$ 100 milhões que haviam sido aportados pela Usina Itajobi no Fundo Radford foram aplicados em um certificado de depósito bancário emitido pelo Banco Genial e, na sequência, utilizados em operações de crédito destinadas às holdings Berna e Branson. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira, 24 de setembro, identificou uma estrutura financeira na qual R$ 100 milhões que haviam sido aportados pela Usina Itajobi no Fundo Radford foram aplicados em um certificado de depósito bancário emitido pelo Banco Genial e, na sequência, utilizados em operações de crédito destinadas às holdings Berna e Branson. Para Receita Federal e Ministério Público de São Paulo, a sequência teria criado uma aparência de financiamento bancário convencional para recursos que, economicamente, já pertenciam à estrutura investigada e seriam usados na aquisição da distribuidora de combustíveis Terrana.</p>
<p>A operação é um desdobramento da Carbono Oculto, investigação sobre a utilização de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339888">empresas</a>, fundos, fintechs e outros veículos financeiros para ocultação patrimonial e lavagem de recursos atribuídos pelas autoridades a uma organização criminosa com atuação no setor de combustíveis. A Receita Federal informou que as buscas desta quinta atingiram endereços vinculados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas em sete estados. O órgão descreveu uma estrutura formada por banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas consideradas de fachada.</p>
<p>O comunicado oficial da Receita não identifica nominalmente o banco envolvido, referindo-se a ele como um “banco tradicional”. A vinculação com o Genial aparece nos elementos da investigação e também é confirmada parcialmente pela própria instituição em sua manifestação pública: o banco reconheceu ter mantido operações envolvendo o Fundo Radford e as holdings Berna e Branson. O Genial, porém, sustenta que atuou dentro de suas atribuições, observou as regras aplicáveis e realizou as comunicações cabíveis ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf.</p>
<h2>Fundo recebeu R$ 100 milhões antes da operação de crédito</h2>
<p>A engrenagem investigada começava na Usina Itajobi. Segundo as apurações, a companhia recebeu R$ 100 milhões provenientes de empresas vinculadas ao grupo investigado e depois aportou integralmente esse valor no Fundo Radford, do qual era cotista. A Receita afirma que o dinheiro percorreu, em poucos minutos, contas de diferentes empresas e contas-bolsão mantidas em instituições de pagamento antes de chegar à usina.</p>
<p>Os investigadores consideram relevante a velocidade e a circularidade dessas transferências. Em vez de uma transferência direta entre a origem dos recursos e o destino final, o dinheiro teria passado sucessivamente por entidades juridicamente distintas, aumentando o número de camadas entre os recursos e seus beneficiários econômicos. A Usina Itajobi, nesse desenho, teria funcionado como etapa intermediária para a incorporação dos valores à <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339887">economia</a> formal.</p>
<p>Depois do aporte de R$ 100 milhões, o Fundo Radford aplicou os recursos em um certificado de depósito bancário vinculado ao Genial. Na etapa seguinte, o banco concedeu crédito por meio de Cédulas de Crédito Bancário às holdings Berna e Branson. Essas empresas participaram da aquisição de ativos relacionados à Terrana e de outros veículos de investimento.</p>
<p>A tese das autoridades é que a operação não representava, economicamente, um financiamento independente do banco. O dinheiro utilizado para sustentar o crédito concedido às holdings teria vindo do próprio Fundo Radford, cuja fonte de recursos era a Usina Itajobi. A instituição financeira aparecia formalmente entre o fundo e as empresas tomadoras, criando uma nova relação contratual entre recursos que permaneciam conectados ao mesmo circuito econômico.</p>
<h2>Estrutura colocou banco entre o dinheiro do fundo e as holdings</h2>
<p>A diferença entre a forma jurídica e a origem econômica dos recursos é um dos pontos centrais da investigação. Formalmente, o Fundo Radford comprava um ativo bancário e o Genial, na condição de credor, concedia financiamento às holdings. Na leitura apresentada pelos investigadores, porém, a disponibilidade financeira que possibilitou a concessão das CCBs tinha origem no dinheiro captado do próprio Radford.</p>
<p>Essa sequência ajuda a explicar por que Receita e Ministério Público tratam o financiamento como parte de uma estrutura de dissimulação. A interposição de um banco e de diferentes instrumentos financeiros permitia apresentar as holdings como tomadoras de um crédito bancário, ainda que o capital que sustentava a operação estivesse ligado ao fundo que integrava a própria estrutura investigada.</p>
<p>Berna e Branson também chamaram a atenção das autoridades pela dimensão patrimonial das companhias em relação à operação. De acordo com os elementos reunidos na investigação, cada uma havia sido constituída com capital social de R$ 1 mil. Somadas, portanto, possuíam apenas R$ 2 mil de capital declarado.</p>
<p>Comparados aos R$ 100 milhões que abasteceram a estrutura financeira inicial, esses R$ 2 mil correspondem a apenas 0,002% daquele montante. Em outra forma de medir a diferença, os R$ 100 milhões representam 50 mil vezes o capital social combinado das duas holdings. A disparidade, isoladamente, não caracteriza irregularidade, mas foi considerada pelas autoridades em conjunto com a origem dos recursos, a proximidade temporal da criação das empresas e os demais elementos da operação.</p>
<h2>Entre Investimentos adicionou outros R$ 20 milhões ao circuito</h2>
<p>A investigação identificou ainda um segundo fluxo relevante. Em dezembro de 2024, a Usina Itajobi recebeu R$ 20 milhões enviados pela Entre Investimentos, empresa de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. O dinheiro, segundo os elementos da apuração, foi depois integralmente transferido ao Fundo Radford.</p>
<p>Considerados os R$ 100 milhões inicialmente aportados e essa transferência posterior de R$ 20 milhões, pelo menos R$ 120 milhões passaram da usina para o Radford nessas duas sequências examinadas pela investigação. Os R$ 20 milhões da Entre equivalem a 20% do primeiro aporte de R$ 100 milhões.</p>
<p>Freixo é investigado também em apurações relacionadas ao Banco Master. A participação da Entre na Crédito Oculto amplia o cruzamento entre estruturas financeiras que aparecem em diferentes investigações em andamento, mas não significa, por si só, que todos os fatos examinados nesses procedimentos tenham a mesma origem ou constituam um único esquema. Cada operação possui objetos, documentos e responsabilidades que precisam ser individualizados.</p>
<p>A Receita informou, separadamente, que uma empresa financeira envolvida na estrutura usada para a aquisição simulada da empresa sucroalcooleira movimentou aproximadamente R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. O comunicado oficial não identifica nominalmente essa empresa nem atribui esse volume ao Banco Genial. Por isso, os R$ 11,6 bilhões não podem ser apresentados como movimentação da instituição bancária sem documentação adicional que estabeleça essa correspondência.</p>
<h2>Investigação alcança ex-diretor do Genial e irmãos</h2>
<p>Entre os nomes ligados ao núcleo financeiro examinado pela operação está Humberto Arthur Tupinambá Neto. Documentos da investigação atribuem ao então executivo participação na estruturação financeira das operações, incluindo os instrumentos de crédito e as garantias relacionadas ao negócio.</p>
<p>Registros telemáticos analisados pelas autoridades também apontam contatos entre Humberto e Paulo Narcélio Simões do Amaral, empresário que participou das negociações envolvendo a distribuidora. As conversas se estendem pelo período em que diferentes etapas da estrutura financeira estavam sendo discutidas e implementadas.</p>
<p>Os irmãos de Humberto, André e Bruno Tupinambá, também aparecem na investigação. André, ligado à AT Assessoria, teria participado da intermediação das negociações. Bruno, ligado à BT Assessoria, teria prestado suporte administrativo e operacional relacionado à Terrana.</p>
<p>Cada uma das duas empresas recebeu R$ 469,3 mil da Aster, segundo os elementos reunidos pelos investigadores. Somados, os repasses chegam a R$ 938,6 mil. A existência dessas transferências integra a apuração sobre a divisão de funções e remunerações dentro da estrutura, sem representar, isoladamente, comprovação de participação criminosa.</p>
<h2>Saída do Genial do Radford passou a integrar a apuração</h2>
<p>Outro ponto examinado pelos investigadores ocorreu depois que a estrutura já estava montada. O Genial renunciou à administração do Fundo Radford, liquidou os certificados vinculados à operação e cedeu ao próprio fundo os créditos das CCBs relacionadas às holdings.</p>
<p>Essa alteração produziu uma consequência objetiva: o banco deixou de ocupar a posição intermediária entre o Radford e as empresas que haviam tomado o crédito. O fundo passou a concentrar diretamente direitos que antes estavam formalmente na carteira da instituição financeira.</p>
<p>Para os investigadores, a reorganização reforça a necessidade de esclarecer qual era a função econômica original do banco no circuito. A análise não está concluída e integra uma investigação em andamento. As buscas realizadas nesta quinta-feira têm justamente a finalidade de reunir documentos, mensagens, registros financeiros e equipamentos que permitam reconstruir as decisões tomadas pelos participantes.</p>
<h2>Genial diz que comunicou operações ao Coaf e reforçou controles</h2>
<p>O Banco Genial contesta a interpretação de que tenha atuado irregularmente. Em manifestação divulgada após a operação, a instituição afirmou que Humberto Tupinambá não integra mais a diretoria nem o quadro societário desde maio de 2026, quando foi destituído.</p>
<p>O banco também declarou que forneceu ao Gaeco as informações que estavam em seu poder sobre o Fundo Radford, Berna e Branson e que realizou as comunicações cabíveis ao Coaf. Segundo a instituição, as operações foram conduzidas de acordo com suas atribuições e com os procedimentos e regulamentos aplicáveis, considerando as informações disponíveis no momento em que foram realizadas.</p>
<p>A instituição informou ainda ter instaurado procedimento interno de inspeção, revisado a governança de operações de crédito, afastado o então diretor dos processos decisórios relacionados ao caso e posteriormente realizado sua destituição. Também afirmou ter contratado especialistas externos para revisar e aprimorar processos e controles.</p>
<p>Depois da deflagração da Carbono Oculto, o banco renunciou à administração do Radford e continuou fornecendo informações às autoridades. A posição apresentada pela instituição estabelece um ponto de divergência relevante com a interpretação dos investigadores: enquanto a apuração vê os instrumentos financeiros como elementos de uma estrutura destinada a ocultar a origem e os beneficiários dos recursos, o Genial afirma que atuou regularmente com base nos dados de que dispunha.</p>
<p>A Operação Crédito Oculto permanece na fase de investigação e de coleta de provas. As medidas cumpridas nesta quinta-feira são mandados de busca e apreensão e não representam condenação dos investigados. A análise do material recolhido deverá determinar se surgirão novos elementos sobre a origem dos recursos, a responsabilidade individual de executivos e empresários e o papel desempenhado por cada instituição na estrutura financeira usada para a aquisição da distribuidora.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Receita Federal — comunicado oficial da Operação Crédito Oculto, estrutura financeira investigada, valores, fluxo de recursos e abrangência das buscas</em></p>
<p><em>Banco Genial — manifestação pública sobre Fundo Radford, Berna e Branson, comunicações ao Coaf, medidas de governança e destituição de Humberto Tupinambá</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Banco Genial e Entre Investimentos entram no radar de operação que apura estrutura de R$ 11,6 bi</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/banco-genial-entre-investimentos-operacao-credito-oculto-11-6-bilhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Sep 2026 13:08:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Antonio Carlos Freixo Júnior]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Genial]]></category>
		<category><![CDATA[Carbono Oculto]]></category>
		<category><![CDATA[Entre Investimentos]]></category>
		<category><![CDATA[fintechs]]></category>
		<category><![CDATA[fundos de investimento]]></category>
		<category><![CDATA[Gaeco]]></category>
		<category><![CDATA[Humberto Tupinambá]]></category>
		<category><![CDATA[LAVAGEM DE DINHEIRO]]></category>
		<category><![CDATA[Operação Crédito Oculto]]></category>
		<category><![CDATA[Receita federal]]></category>
		<category><![CDATA[Terrana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira, 24 de setembro, colocou operadores do mercado financeiro no centro de uma nova etapa das investigações derivadas da Carbono Oculto. Entre os alvos das buscas estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ligado ao Banco Genial, e Antonio Carlos Freixo Junior, proprietário da Entre Investimentos. Receita Federal e Grupo de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira, 24 de setembro, colocou operadores do mercado financeiro no centro de uma nova etapa das investigações derivadas da Carbono Oculto. Entre os alvos das buscas estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ligado ao Banco Genial, e Antonio Carlos Freixo Junior, proprietário da Entre Investimentos. Receita Federal e Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) investigam uma cadeia de fundos, fintechs, holdings e operações bancárias que teria sido utilizada para ocultar beneficiários econômicos e financiar a aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis, conhecida como Terrana.</p>
<p>A apuração oficial identificou ainda uma empresa financeira que movimentou aproximadamente R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. A Receita não atribuiu nominalmente esse volume ao Banco Genial nem à Entre Investimentos, razão pela qual o montante não pode ser associado diretamente a nenhuma das duas <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339884">empresas</a>. O número representa a movimentação de uma companhia utilizada, segundo a investigação, em uma estrutura anterior relacionada à ocultação do controle de uma usina sucroalcooleira.</p>
<p>O avanço da investigação permite, entretanto, reconstruir operações específicas nas quais aparecem estruturas relacionadas ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339883">mercado</a> financeiro. A força-tarefa examina aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina e outra movimentação de R$ 100 milhões que teria percorrido empresas e fintechs antes de chegar a um fundo utilizado na operação envolvendo a distribuidora. O objetivo é identificar de onde vieram os recursos, quem efetivamente controlava os veículos financeiros e quem recebeu os benefícios econômicos das transações.</p>
<h2>Banco Genial aparece na etapa financeira usada para aquisição da distribuidora</h2>
<p>Segundo informações atribuídas pelo Ministério Público de São Paulo à investigação, uma das estruturas passou pelo Fundo Radford, que tinha a Usina Itajobi como cotista. O Banco Genial assumiu a administração do fundo em 2024, e os recursos foram posteriormente aplicados em Certificados de Depósito Bancário Vinculados, os CDBVs, emitidos pela instituição.</p>
<p>A investigação sustenta que o lastro desses certificados foi utilizado em operações de crédito concedidas a duas holdings, Berna e Branson, por meio de Cédulas de Crédito Bancário. Os investigadores afirmam que os recursos dessas operações terminaram empregados na estrutura utilizada para adquirir a Branson Oil, controladora da Terrana, além de cotas de outro fundo de investimento.</p>
<p>Esse encadeamento está sendo analisado como parte da hipótese de que operações formalmente distintas teriam criado camadas entre a origem dos recursos e seus beneficiários econômicos. A tese pertence aos investigadores e ainda depende das provas reunidas, do contraditório e das etapas posteriores do procedimento criminal.</p>
<p>O Banco Genial afirma que agiu dentro das atribuições que lhe competiam e em conformidade com as normas e informações disponíveis na época das operações. A instituição também declarou que forneceu ao Gaeco informações relacionadas ao Fundo Radford e às empresas envolvidas, realizou as comunicações cabíveis ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras e abriu procedimento interno para examinar os fatos.</p>
<h2>Humberto Tupinambá está entre os alvos da nova fase</h2>
<p>Humberto Arthur Tupinambá Neto aparece entre os principais nomes ligados ao mercado financeiro alcançados pela Operação Crédito Oculto. Diferentes registros e reportagens desta quinta-feira o relacionam à estrutura societária e executiva do Banco Genial, enquanto a investigação procura estabelecer sua eventual participação individual nas operações examinadas.</p>
<p>Também foram alvo das diligências seus irmãos André e Bruno Tupinambá. Segundo informações divulgadas a partir da investigação do Ministério Público, empresas relacionadas aos dois teriam recebido pagamentos oriundos de companhia pertencente ao núcleo investigado na Carbono Oculto.</p>
<p>A inclusão de Humberto e de seus irmãos entre os alvos de busca não significa que tenham sido condenados ou que todas as hipóteses formuladas pelos investigadores estejam comprovadas. Mandados de busca e apreensão são medidas destinadas justamente à obtenção de documentos, dispositivos e registros que possam confirmar, modificar ou afastar linhas investigativas.</p>
<p>A necessidade de individualização das condutas será uma das etapas centrais a partir de agora. Ainda que uma instituição financeira ou um fundo apareça formalmente em determinada operação, eventual responsabilização penal depende da demonstração do conhecimento e da participação de cada pessoa nos atos investigados.</p>
<h2>Entre Investimentos aparece em repasse relacionado à usina</h2>
<p>A segunda empresa do mercado financeiro que ganha destaque na nova fase é a Entre Investimentos, controlada por Antonio Carlos Freixo Junior, também alvo das buscas. A investigação aponta para relações financeiras da empresa com estruturas ligadas à Usina Itajobi, companhia que ocupa posição central no caminho do dinheiro reconstruído pela força-tarefa.</p>
<p>Segundo elementos divulgados sobre a investigação, a usina recebeu aproximadamente R$ 20 milhões provenientes da Entre Investimentos. O repasse é examinado em conjunto com outras entradas financeiras e com operações envolvendo fundos que posteriormente participaram da cadeia usada na aquisição da distribuidora.</p>
<p>A existência da transferência não estabelece, isoladamente, irregularidade ou participação criminosa da Entre Investimentos. O ponto investigado é a finalidade do dinheiro, sua origem, a relação entre os operadores envolvidos e a posição do repasse dentro de uma estrutura financeira mais ampla.</p>
<p>Freixo já aparece em outra frente investigativa relacionada ao Banco Master, mas a Operação Crédito Oculto possui objeto próprio. A coincidência de personagens em diferentes investigações não significa que fatos apurados em um procedimento possam ser automaticamente tratados como provas em outro.</p>
<h2>Receita rastreia R$ 100 milhões até fundo usado na operação</h2>
<p>Uma das partes mais detalhadas da reconstrução oficial envolve R$ 100 milhões que, segundo Receita e Gaeco, foram enviados para financiar a aquisição da distribuidora de combustíveis. Antes de chegar à usina, os recursos teriam passado, em poucos minutos, por contas relacionadas a três empresas e por estruturas mantidas em fintechs.</p>
<p>A Receita descreve essas estruturas como contas utilizadas na circulação e fragmentação dos valores. Depois desse percurso, o dinheiro chegou à empresa sucroalcooleira, que posteriormente passou a integrar a carteira de um fundo criado para a operação envolvendo a distribuidora.</p>
<p>Os mesmos R$ 100 milhões teriam então sido aportados no fundo. Na sequência, aparecem os CDBVs e as Cédulas de Crédito Bancário que passaram a integrar a estrutura financeira investigada. É nesse trecho da operação que o Banco Genial surge nominalmente nas informações divulgadas a partir das apurações do Ministério Público.</p>
<p>A hipótese dos investigadores é de que o desenho teria permitido transformar recursos que já estavam na estrutura em uma operação com aparência de financiamento bancário independente. A instituição contesta qualquer interpretação de atuação irregular e sustenta ter observado os procedimentos regulatórios aplicáveis.</p>
<h2>Operação anterior de R$ 370 milhões envolveu FIDC</h2>
<p>Antes da aquisição da distribuidora, a Receita identificou outra operação de aproximadamente R$ 370 milhões envolvendo direitos creditórios da Usina Itajobi. Uma empresa ligada a uma sociedade de investimentos teria adquirido esses direitos mediante a transferência de cotas de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, o FIDC.</p>
<p>A análise financeira indicou que parcela relevante dos recursos usados na aquisição das cotas teria vindo de fundos controlados pelo próprio grupo investigado. Para os investigadores, essa característica teria criado um fluxo circular, no qual os recursos percorriam estruturas formalmente distintas antes de retornar ao ambiente econômico controlado pelos mesmos beneficiários.</p>
<p>Os R$ 100 milhões rastreados na etapa posterior correspondem a aproximadamente 27% dos R$ 370 milhões dessa operação anterior. As quantias, contudo, pertencem a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339885">negócios</a> diferentes e não devem ser somadas como se constituíssem um único fluxo financeiro.</p>
<p>A relevância do negócio de R$ 370 milhões está justamente no fato de que a mesma usina reaparece posteriormente na operação que terminou na aquisição da distribuidora. A investigação procura estabelecer se as estruturas foram planejadas de forma coordenada e quem exercia controle econômico sobre elas.</p>
<h2>Empresa financeira movimentou R$ 11,6 bilhões em cinco anos</h2>
<p>O maior valor divulgado pela Receita na Operação Crédito Oculto é a movimentação de R$ 11,6 bilhões registrada por uma empresa financeira entre 2021 e 2025. O órgão afirma que a companhia havia sido utilizada na aquisição considerada simulada da empresa sucroalcooleira e que o volume, analisado em conjunto com outras evidências, reforçou os indícios examinados pela força-tarefa.</p>
<p>A Receita não informou oficialmente, em sua comunicação pública, o nome dessa empresa financeira. Por esse motivo, não é correto atribuir os R$ 11,6 bilhões ao Banco Genial, à Entre Investimentos ou a qualquer outra instituição sem documentação adicional que estabeleça essa correspondência.</p>
<p>Em uma média aritmética simples, o volume representa aproximadamente R$ 2,32 bilhões por ano nos cinco exercícios mencionados. O total também corresponde a cerca de 31 vezes a operação de R$ 370 milhões e a 116 vezes o fluxo de R$ 100 milhões identificado na etapa relacionada à distribuidora.</p>
<p>Essas comparações servem apenas para dimensionar os valores. Movimentação financeira não equivale a patrimônio, receita, lucro ou dinheiro de origem criminosa, e os R$ 11,6 bilhões não podem ser tratados como montante lavado, desviado ou relacionado integralmente à compra da Terrana.</p>
<h2>Genial diz ter comunicado operações ao Coaf e colaborado com o Gaeco</h2>
<p>Após o avanço da investigação, o Banco Genial afirmou que forneceu às autoridades informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford e as holdings examinadas pela força-tarefa. A instituição declarou ainda ter realizado as comunicações regulatórias consideradas necessárias ao Coaf.</p>
<p>O banco sustenta que atuou de acordo com suas atribuições e com as informações disponíveis à época. Também informou que instaurou processo interno ao tomar conhecimento dos fatos investigados e posteriormente deixou a administração do Fundo Radford.</p>
<p>Segundo a investigação, após a primeira fase da Carbono Oculto houve mudanças nas operações relacionadas ao fundo e aos certificados bancários. O Ministério Público analisa se essas alterações tiveram relação com uma tentativa de afastar a instituição das estruturas examinadas. Essa é uma interpretação dos investigadores, contestável pela instituição e ainda não convertida em conclusão judicial.</p>
<p>A manifestação do Genial é relevante porque estabelece o contraditório em relação às suspeitas apresentadas. Até o momento, a inclusão de operações do banco na investigação não equivale a uma condenação da instituição nem de seus executivos.</p>
<h2>Operação alcança estruturas financeiras em sete estados</h2>
<p>A Receita informou que a nova fase cumpre mandados em endereços vinculados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas. As diligências estão distribuídas por São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.</p>
<p>São Paulo concentra a maior parcela dos alvos. A investigação envolve operadores do mercado financeiro, empresas relacionadas ao setor de combustíveis, fundos, holdings, fintechs e sociedades usadas nas estruturas patrimoniais examinadas.</p>
<p>A Operação Crédito Oculto deriva da Carbono Oculto, iniciada em agosto de 2025 para investigar suspeitas de fraude fiscal, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial em diferentes etapas do mercado de combustíveis. Na primeira fase, as autoridades identificaram dezenas de fundos e estruturas financeiras relacionadas aos negócios examinados.</p>
<p>A nova etapa aprofunda justamente o braço financeiro da investigação. Em vez de se limitar às empresas que comercializavam ou distribuíam combustíveis, Receita e Gaeco procuram agora reconstruir como o capital foi movimentado, quais instituições participaram de cada etapa e quais pessoas estavam por trás dos veículos utilizados.</p>
<h2>Próxima etapa será individualizar a atuação de cada investigado</h2>
<p>O material apreendido nesta quinta-feira deverá ser cruzado com movimentações bancárias, documentos de fundos, contratos, mensagens e registros societários já reunidos. A força-tarefa tenta estabelecer quem estruturou cada operação e se os participantes conheciam a origem e a finalidade dos recursos.</p>
<p>No caso do Banco Genial, a investigação deverá confrontar a documentação bancária com a versão da instituição de que as operações foram realizadas dentro das normas e devidamente comunicadas. No caso da Entre Investimentos, a análise deverá esclarecer o contexto e a finalidade dos recursos relacionados à usina e a eventual participação de seus responsáveis na estrutura mais ampla.</p>
<p>Os R$ 11,6 bilhões representam a dimensão da movimentação da empresa financeira ainda não identificada nominalmente pela Receita em sua comunicação pública. Já os R$ 370 milhões e os R$ 100 milhões permitem acompanhar operações específicas que os investigadores procuram conectar à ocultação da propriedade da usina e à aquisição da Terrana.</p>
<p>O avanço da Crédito Oculto coloca, assim, o mercado financeiro em posição central na nova fase da Carbono Oculto. Banco Genial e Entre Investimentos aparecem por meio de pessoas e operações específicas examinadas pela investigação, mas o grau de responsabilidade de cada companhia, executivo ou investidor dependerá das provas reunidas e das decisões futuras das autoridades e do Judiciário.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Receita Federal &#8211; comunicado oficial da Operação Crédito Oculto, com informações sobre a movimentação de R$ 11,6 bilhões, operação de R$ 370 milhões, fluxo de R$ 100 milhões e estruturas financeiras investigadas</em></p>
<p><em>Ministério Público de São Paulo &#8211; informações da investigação conduzida pelo Gaeco sobre operadores financeiros, fundos, operações bancárias e aquisição da distribuidora de combustíveis</em></p>
<p><em>Banco Genial &#8211; posicionamento sobre as operações envolvendo o Fundo Radford, comunicações ao Coaf, fornecimento de informações ao Gaeco e procedimentos internos adotados pela instituição</em></p>
<p><em>Receita Federal &#8211; registros da Operação Carbono Oculto sobre fundos de investimento, fintechs e estruturas patrimoniais utilizadas nas operações investigadas</em></p>
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		<title>Digimais, de Edir Macedo, tinha R$ 271,4 milhões em fundo com cártulas do Besc</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/digimais-edir-macedo-fundo-betel-cartulas-besc-271-milhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Sep 2026 13:46:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Central]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Digimais]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Master]]></category>
		<category><![CDATA[Besc]]></category>
		<category><![CDATA[cártulas do Besc]]></category>
		<category><![CDATA[CVM]]></category>
		<category><![CDATA[Edir Macedo]]></category>
		<category><![CDATA[Fundo Betel]]></category>
		<category><![CDATA[fundos de investimento]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
		<category><![CDATA[Reag]]></category>
		<category><![CDATA[sistema financeiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Banco Digimais, controlado por Edir Macedo, aplicou R$ 271,4 milhões no Fundo Betel, veículo cuja carteira estava concentrada em antigos certificados de ações do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Esses documentos físicos, conhecidos como cártulas, deixaram de representar participação societária depois da incorporação do banco catarinense pelo Banco do Brasil, em 2008. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Banco Digimais, controlado por Edir Macedo, aplicou R$ 271,4 milhões no Fundo Betel, veículo cuja carteira estava concentrada em antigos certificados de ações do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Esses documentos físicos, conhecidos como cártulas, deixaram de representar participação societária depois da incorporação do banco catarinense pelo Banco do Brasil, em 2008. Receita Federal e Tesouro Nacional alertam oficialmente que os papéis remanescentes têm apenas valor histórico.</p>
<p>O valor atribuído ao Betel chama atenção pela dimensão em relação ao Digimais. Os R$ 271,4 milhões equivalem a cerca de 82% do patrimônio líquido de R$ 330,9 milhões registrado pela instituição financeira em junho deste ano. Dados mais recentes do fundo também mostram patrimônio na casa dos R$ 271 milhões e apenas um cotista.</p>
<p>Documentação encaminhada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) à CPI do Crime Organizado do Senado indicava o Digimais como único cotista do Betel até janeiro de 2026. O banco, porém, afirma que o fundo deixou de integrar seu portfólio em outubro de 2025. A diferença entre as duas informações deixa em aberto quando ocorreu a saída da instituição, quem adquiriu as cotas e por qual valor a eventual transferência foi realizada.</p>
<h2>Fundo tinha praticamente todo o patrimônio concentrado nos ativos do Besc</h2>
<p>O Betel foi constituído em abril de 2025 e inicialmente usava a denominação PNG International Bank. Dois meses depois, em junho, ocorreu uma emissão de cotas adquiridas pelo Digimais e o fundo passou a adotar o nome atual.</p>
<p>A partir de julho de 2025, registros da carteira passaram a indicar a presença dos ativos relacionados ao antigo Besc. O patrimônio permaneceu próximo de R$ 271 milhões durante o período seguinte. Em julho de 2026, o fundo declarou patrimônio líquido de R$ 271,03 milhões, praticamente estável em relação aos R$ 271,38 milhões registrados um ano antes.</p>
<p>O Betel era administrado pela Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, posteriormente denominada CBSF DTVM, e gerido pela Reag Portfólio Solutions. A estrutura fazia parte do conjunto de fundos sobre os quais a CPI do Crime Organizado solicitou à CVM informações a respeito dos beneficiários finais.</p>
<p>Em março, o Senado aprovou requerimento para que CVM, Banco Central, Receita Federal e Anbima identificassem os beneficiários de fundos exclusivos ou restritos vinculados, administrados ou geridos pelo Banco Master ou pela Reag. A CVM respondeu formalmente ao pedido em abril.</p>
<p>Os ativos presentes no Betel têm origem em certificados físicos de ações do Besc. Quando o banco catarinense foi incorporado pelo Banco do Brasil em 2008, seus acionistas receberam ações eletrônicas do BB em substituição às participações que possuíam.</p>
<p>Os documentos físicos, entretanto, não precisaram ser devolvidos. Com isso, permaneceram em circulação cártulas que originalmente representavam ações, mas que já haviam sido substituídas por registros eletrônicos.</p>
<p>Uma cartilha oficial de combate a fraudes publicada pela Receita Federal, com participação do Tesouro Nacional e de outros órgãos públicos, afirma que os antigos papéis perderam seu valor societário. O documento registra que nenhum ex-acionista do Besc ficou sem a possibilidade de se tornar acionista do Banco do Brasil e alerta para tentativas de negociar essas cártulas por valores elevados como se ainda representassem direitos econômicos.</p>
<h2>CVM já apura operações com cártulas do Besc</h2>
<p>O uso desses certificados em fundos de investimento já é objeto de procedimento sancionador na CVM. O processo administrativo 19957.015036/2022-31 apura operações realizadas por fundos com cártulas do antigo Besc e envolve, entre os acusados, a Reag Asset Management.</p>
<p>Informações encaminhadas pela própria CVM à Câmara dos Deputados mostram que o inquérito administrativo já foi concluído com apresentação de acusações e que o processo está em fase de julgamento pelo colegiado da autarquia.</p>
<p>Demonstrações financeiras arquivadas na CVM mostram que outros fundos administrados ou geridos pela Reag também carregaram esses papéis. Em um dos casos, auditoria de um fundo registrou que ações do antigo Besc haviam sido avaliadas com base em laudo que atribuiu R$ 75 a cada papel. O auditor chamou atenção para a baixa liquidez e para as incertezas relacionadas à precificação desses ativos.</p>
<p>A presença das cártulas em diferentes estruturas financeiras ganhou relevância após as investigações sobre fundos relacionados ao Banco Master. As autoridades apuram operações nas quais ativos de difícil precificação teriam sido utilizados em estruturas que elevaram o patrimônio contábil de determinados fundos.</p>
<p>Isso não permite concluir que o investimento do Digimais no Betel tenha obedecido à mesma finalidade. Até o momento, não há informação pública de que a Polícia Federal tenha apontado especificamente a aquisição das cártulas pelo Betel como parte de uma fraude praticada pelo Digimais.</p>
<p>A coincidência está no tipo de ativo e na presença da Reag na administração ou gestão dos veículos envolvidos. Essa relação acrescenta uma nova frente de atenção às operações do Digimais no momento em que a própria instituição já é investigada por suspeitas relacionadas à forma como determinados ativos foram registrados em seus demonstrativos financeiros.</p>
<h2>Operação Miragem investiga demonstrativos do Digimais</h2>
<p>O banco é alvo da Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal em 23 de junho para apurar possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Mais de 50 policiais federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo.</p>
<p>A Justiça autorizou ainda a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados e o sequestro e bloqueio de bens e valores de até R$ 670 milhões.</p>
<p>Segundo a Polícia Federal, relatórios produzidos pelo Banco Central apontaram indícios de que demonstrativos contábeis e registros regulatórios teriam sido manipulados para ocultar a situação financeira do banco e aparentar solvência perante os órgãos de controle. A investigação também analisa operações consideradas suspeitas envolvendo <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339726">empresas</a> relacionadas à instituição.</p>
<p>Os fatos estão sob apuração e não representam conclusão de culpa. Entre os crimes investigados estão gestão fraudulenta, inserção de informações falsas em demonstrações contábeis e realização de operações de crédito vedadas pela legislação do sistema financeiro.</p>
<p>O Digimais informou, quando a operação foi deflagrada, que permanecia à disposição das autoridades e colaboraria com as investigações.</p>
<p>A identificação do Betel adiciona uma operação de R$ 271,4 milhões ao conjunto de ativos que podem ser confrontados com a situação patrimonial da instituição. Não há, porém, informação pública de que a Polícia Federal tenha incorporado especificamente o fundo ou suas cártulas ao objeto formal da Operação Miragem.</p>
<h2>Prejuízo de R$ 581,4 milhões supera patrimônio líquido do banco</h2>
<p>Os dados financeiros mais recentes mostram uma deterioração acentuada do resultado do Digimais. O banco encerrou o primeiro semestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 581,4 milhões, ante lucro de R$ 42,1 milhões no mesmo período do ano passado.</p>
<p>O patrimônio líquido ficou em R$ 330,9 milhões em junho, enquanto os ativos totais somavam aproximadamente R$ 9,85 bilhões. As captações estavam em R$ 8,7 bilhões e a carteira de crédito, em aproximadamente R$ 1,5 bilhão.</p>
<p>O prejuízo acumulado nos primeiros seis meses do ano equivale a aproximadamente 176% do patrimônio líquido existente ao final de junho. Entre dezembro de 2025 e junho de 2026, o patrimônio caiu de R$ 787,3 milhões para R$ 330,9 milhões, redução de R$ 456,4 milhões, ou cerca de 58%.</p>
<p>Outro indicador que chama atenção é o Índice de Basileia. Em junho, a taxa estava negativa em 4,62%. O indicador relaciona o capital disponível de uma instituição financeira aos riscos assumidos em suas operações e é utilizado pelo Banco Central na supervisão prudencial.</p>
<p>O Digimais apresentava Patrimônio de Referência negativo em aproximadamente R$ 442,6 milhões naquele mês, segundo os dados prudenciais do Banco Central. O resultado ajuda a dimensionar a pressão sobre a estrutura de capital da instituição no mesmo período em que avançam as investigações sobre seus demonstrativos financeiros.</p>
<p>Nesse quadro, os R$ 271,4 milhões atribuídos ao Fundo Betel equivalem a aproximadamente quatro quintos do patrimônio líquido atual do Digimais. A comparação não significa que o valor do fundo tenha produzido as perdas do banco, mas mostra a dimensão do investimento em relação à capacidade patrimonial hoje registrada pela instituição.</p>
<p>Permanece sem esclarecimento público a cronologia completa da participação do Digimais no Betel. O banco sustenta que deixou o investimento em outubro de 2025, enquanto informações encaminhadas pela CVM ao Senado apontavam participação posterior. A identificação do comprador das cotas, do valor da operação e da forma como os ativos foram contabilizados após a eventual saída pode esclarecer a trajetória dos R$ 271,4 milhões investidos no fundo.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Comissão de Valores Mobiliários &#8211; informações encaminhadas à CPI do Crime Organizado sobre beneficiários de fundos vinculados ou administrados pela Reag e registros de fundos de investimento</em></p>
<p><em>Senado Federal &#8211; Requerimento 253 de 2026 e registros dos documentos enviados pela Comissão de Valores Mobiliários à CPI do Crime Organizado</em></p>
<p><em>Comissão de Valores Mobiliários &#8211; Processo Administrativo Sancionador 19957.015036/2022-31 sobre operações com cártulas do antigo Besc</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil &#8211; dados prudenciais e contábeis do Banco Digimais referentes a junho de 2026</em></p>
<p><em>Polícia Federal &#8211; informações oficiais sobre a Operação Miragem e os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional sob investigação</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil &#8211; ato de liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag Trust</em></p>
<p><em>Receita Federal e Tesouro Nacional &#8211; cartilha de combate a fraudes e esclarecimentos sobre as antigas ações em cártula do Banco do Estado de Santa Catarina</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Caso Master: carteira de R$ 1 bilhão de associações contrasta com R$ 6,7 bilhões em operações</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/caso-master-asteba-asseba-r-1-bi-r-6-7-bi-tirreno-brb</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 20:29:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[André Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[Asseba]]></category>
		<category><![CDATA[Asteba]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto Lima]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Central]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Master]]></category>
		<category><![CDATA[BRB]]></category>
		<category><![CDATA[crédito consignado]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
		<category><![CDATA[servidores da Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
		<category><![CDATA[Tirreno]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A investigação sobre as operações do Banco Master com o Banco de Brasília (BRB) encontrou uma diferença bilionária entre a dimensão financeira atribuída a duas associações de servidores da Bahia e o volume de créditos que apareceu relacionado a elas durante a montagem das carteiras posteriormente negociadas pelo banco. Em 2025, a Associação dos Servidores [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A investigação sobre as operações do Banco Master com o Banco de Brasília (BRB) encontrou uma diferença bilionária entre a dimensão financeira atribuída a duas associações de servidores da Bahia e o volume de créditos que apareceu relacionado a elas durante a montagem das carteiras posteriormente negociadas pelo banco. Em 2025, a Associação dos Servidores Técnico-Administrativos e Afins do Estado da Bahia (Asteba) e a Associação dos Servidores da Saúde Afins da Administração Direta do Estado da Bahia (Asseba) reuniam 103.287 autorizações de desconto em contracheques de servidores estaduais, com uma carteira estimada pela apuração em cerca de R$ 1 bilhão. No circuito financeiro investigado, entretanto, as duas entidades chegaram a ser apontadas como origem de operações vinculadas a uma carteira de R$ 6,7 bilhões, diferença que passou a ser examinada pelo Banco Central, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.</p>
<p>A comparação revela uma distância aproximada de R$ 5,7 bilhões entre os dois valores. Uma carteira de R$ 1 bilhão corresponde a cerca de 15% de R$ 6,7 bilhões, enquanto o montante maior equivale a 6,7 vezes a estimativa baseada nos descontos das associações. Esses números, contudo, não podem ser tratados como duas fotografias diretamente equivalentes: os R$ 6,7 bilhões aparecem na documentação da investigação relacionados às aquisições de carteiras da Tirreno pelo Master e ao registro contábil dessas obrigações, enquanto o R$ 1 bilhão é uma estimativa construída a partir da escala das autorizações de desconto existentes nas duas entidades baianas.</p>
<p>O contraste tornou-se mais relevante após a abertura de milhares de documentos que estavam sob sigilo no Supremo Tribunal Federal. Em 10 de setembro, o ministro André Mendonça retirou o sigilo da Petição 15.556 e de procedimentos relacionados, a pedido da Presidência do STF. O tribunal informou no dia seguinte que colocou à disposição 25,3 gigabytes de material, distribuídos por cerca de 4 mil arquivos, incluindo peças do Inquérito 5.026, no qual são examinadas as operações do Banco Master, do BRB e de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339708">empresas</a> e pessoas relacionadas ao caso.</p>
<h2>Autorizações em folha mostram escala muito menor das associações</h2>
<p>O documento utilizado para dimensionar a atuação das duas entidades é um ofício da Secretaria da Administração do Estado da Bahia, datado de 31 de julho de 2025 e incorporado ao conjunto documental do inquérito. A Asteba possuía 52.176 autorizações de desconto em contracheques, enquanto a Asseba registrava 51.111, totalizando 103.287. A partir desses dados, a apuração trabalhou com uma estimativa de aproximadamente R$ 1 bilhão para o conjunto das carteiras, mesmo utilizando uma hipótese ampla de avaliação financeira das autorizações existentes.</p>
<p>O dado tornou-se especialmente relevante porque, em comunicação encaminhada ao Banco Central em março de 2025, o Banco Master apresentou as duas associações dentro da explicação sobre a origem de créditos posteriormente negociados no circuito financeiro que envolvia a Tirreno. A fiscalização passou a confrontar essa versão com o perfil das entidades, a quantidade de autorizações existentes e os fluxos financeiros encontrados. Também chamou a atenção dos investigadores o fato de os registros de servidores baianos não oferecerem, à primeira vista, uma explicação suficiente para uma estrutura envolvendo bilhões de reais em supostos créditos consignados.</p>
<p>Outro ponto analisado foi a natureza dos descontos. As informações da administração estadual indicavam vínculos relacionados a mensalidades e serviços associativos, e não necessariamente a empréstimos consignados de valor compatível com os bilhões apresentados no circuito de cessões. Além disso, a investigação identificou CPFs de pessoas de diferentes estados entre os contratos examinados, circunstância considerada incompatível com uma explicação baseada exclusivamente em entidades voltadas a servidores públicos da Bahia.</p>
<p>Os questionamentos acabaram provocando uma mudança na explicação apresentada sobre a origem das carteiras. Depois das cobranças do Banco Central, a Tirreno passou a aparecer como originadora direta dos créditos adquiridos pelo Master. A documentação examinada pela fiscalização registra que a empresa teria cedido ao banco, entre janeiro e junho de 2025, uma carteira de R$ 6,7 bilhões, cuja formalização documental ocorreria posteriormente. O Master, por sua vez, negociou créditos ligados a essa estrutura com o BRB por R$ 12,2 bilhões, incluindo um prêmio de aproximadamente R$ 5,5 bilhões.</p>
<p>A fiscalização encontrou novas inconsistências nessa segunda explicação. Em amostra envolvendo 30 supostos tomadores, não foi possível estabelecer correspondência entre os contratos apresentados e os fluxos financeiros que deveriam comprovar a concessão dos créditos. O resultado da amostragem não permite concluir, por si só, que todos os contratos da carteira eram inexistentes, mas foi utilizado como um dos elementos que levaram as autoridades a aprofundar a investigação sobre a existência e o lastro dos ativos.</p>
<h2>Operações de R$ 12,2 bilhões passaram a ser investigadas</h2>
<p>O Banco Central confirmou posteriormente ter identificado inconsistências nas cessões de carteiras realizadas entre o Master e o BRB e afirmou que sua área de supervisão promoveu investigações que apontaram a insubsistência de ativos integrantes das operações. A autoridade monetária também informou ter encaminhado documentação ao Ministério Público Federal e adotado medidas prudenciais para impedir novas operações com impacto sobre a liquidez do BRB.</p>
<p>O circuito investigado não se resume, portanto, aos R$ 6,7 bilhões. Os documentos descrevem a aquisição, pelo Master, de carteiras atribuídas à Tirreno e a posterior cessão de créditos ao BRB por aproximadamente R$ 12,2 bilhões entre janeiro e maio de 2025. A Polícia Federal investiga a suspeita de que parte dessas operações tenha utilizado ativos sem lastro ou créditos cuja existência econômica não conseguiu ser comprovada, mas a apuração ainda precisa individualizar responsabilidades e determinar o papel desempenhado por cada pessoa e entidade envolvida.</p>
<p>Essa diferença entre os valores ajuda a entender por que a investigação exige cuidado contábil. Os R$ 6,7 bilhões não devem ser apresentados simplesmente como dinheiro movimentado pelas duas associações baianas, porque a documentação os relaciona à carteira cedida pela Tirreno ao Master e registrada contabilmente pelo banco. Da mesma forma, os R$ 12,2 bilhões correspondem às operações posteriores envolvendo o BRB e incluem a valorização atribuída aos ativos no processo de cessão. A pergunta investigativa é como créditos inicialmente relacionados às associações chegaram a sustentar uma estrutura dessa dimensão e se existia lastro econômico correspondente.</p>
<h2>Augusto Lima aparece em documentos ligados às duas entidades</h2>
<p>A investigação também examina a relação de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, com Asteba e Asseba. Documentos fiscais de período anterior ao caso Master já registravam Lima como procurador das duas associações perante instituições financeiras. Acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reproduzem procurações apresentadas pelo Bradesco que lhe concediam poderes amplos para representar as entidades, assinar documentos, receber valores, consultar saldos e extratos e praticar outros atos perante instituições financeiras.</p>
<p>Esses registros se referem a fatos examinados em procedimentos fiscais de anos anteriores e, isoladamente, não demonstram participação de Lima nas operações investigadas em 2025. Eles são relevantes como antecedente documental da relação existente entre o empresário e as entidades. A Polícia Federal também identificou nos cadastros das associações informações que coincidem com dados relacionados a empresas de Lima, incluindo referências ligadas à Terra Firme da Bahia.</p>
<p>A defesa do empresário contesta a interpretação dada a esses elementos. Lima sustenta que não possuía poderes para movimentar as contas das associações no período relacionado às operações do Master e afirma que uma procuração que lhe havia sido concedida para tratativas com o Bradesco foi revogada em janeiro de 2020. Também nega participação em fraudes e argumenta que houve erro na associação das entidades baianas aos créditos posteriormente vendidos ao BRB.</p>
<p>Os documentos diferenciam ainda a condição de procurador da ocupação dos cargos estatutários nas associações. A presidência formal da Asteba é atribuída a Nanci Maria Prates Pereira, enquanto Maria Helena Santos Ferreira aparece como presidente da Asseba. Até o momento, não existe decisão judicial definitiva estabelecendo responsabilidade criminal das dirigentes ou de Lima pelos fatos investigados no caso Master.</p>
<h2>Pagamentos do Master às associações chegaram a R$ 8,2 milhões</h2>
<p>Outro elemento incorporado ao caso são pagamentos realizados pelo Banco Master às duas entidades entre 2022 e 2025. Declarações fiscais entregues pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado no Senado indicam que a Asteba recebeu aproximadamente R$ 5,95 milhões da instituição, enquanto a Asseba recebeu cerca de R$ 2,3 milhões, levando o total para aproximadamente R$ 8,2 milhões.</p>
<p>Na Asteba, os registros mostram aproximadamente R$ 1,33 milhão em 2023, R$ 2,99 milhões em 2024 e R$ 1,63 milhão em 2025. Para a Asseba, aparecem cerca de R$ 533 mil em 2022, R$ 1,2 milhão em 2024 e R$ 553 mil em 2025, sem registro equivalente para 2023 nos dados divulgados. As informações fiscais indicam que os valores de 2025 estavam relacionados a aplicações financeiras de renda fixa das associações no Master, enquanto a natureza de parte dos pagamentos dos anos anteriores não aparece detalhada da mesma forma.</p>
<p>Os R$ 8,2 milhões não constituem, isoladamente, evidência de participação das associações na suposta fabricação de créditos investigada pela Polícia Federal. A existência de relações financeiras entre as entidades e o banco comprova que havia operações entre eles, mas não determina automaticamente a natureza ou a legitimidade das carteiras de bilhões de reais posteriormente negociadas. É justamente essa ligação documental e financeira que os investigadores procuram reconstruir.</p>
<h2>Investigação tenta estabelecer quem originou os créditos</h2>
<p>A abertura dos documentos do STF ampliou a possibilidade de reconstruir a cronologia das operações e tornou mais clara a sucessão de versões apresentadas sobre a origem dos ativos. Primeiro, Asteba e Asseba apareceram relacionadas à explicação sobre os créditos. Depois dos questionamentos do Banco Central, a Tirreno passou a ocupar o centro da estrutura de originação, enquanto a fiscalização continuou apontando ausência de documentação e de fluxos financeiros compatíveis com o tamanho das carteiras.</p>
<p>O caso permanece em fase investigativa, e essa condição é essencial para interpretar os números. A diferença entre aproximadamente R$ 1 bilhão em carteira estimada das associações e uma operação de R$ 6,7 bilhões constitui um elemento objetivo de contraste que levou as autoridades a aprofundar as diligências, mas não resolve sozinha quem produziu os contratos, quem conhecia as eventuais inconsistências ou qual responsabilidade cabe a cada envolvido.</p>
<p>A questão central agora é estabelecer a cadeia completa de originação, aquisição e cessão dos créditos: quem criou cada contrato, qual operação financeira deu origem ao recebível, como o ativo chegou à Tirreno, por que o Master o adquiriu e em que bases ele foi posteriormente transferido ao BRB. A resposta a essas perguntas deverá determinar se os nomes das associações baianas refletiam uma relação econômica verdadeira com os créditos ou se foram utilizados em uma estrutura documental cuja dimensão não encontrava correspondência nos descontos efetivamente existentes entre servidores do Estado.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Supremo Tribunal Federal &#8211; Petição 15.556, Inquérito 5.026 e documentos públicos disponibilizados após o levantamento do sigilo em setembro de 2026</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil &#8211; informações da supervisão sobre inconsistências e insubsistência de ativos nas cessões de carteiras entre Banco Master e BRB</em></p>
<p><em>Secretaria da Administração do Estado da Bahia &#8211; Ofício SEAB/GAB nº 6091/2025 com dados das autorizações de desconto vinculadas à Asteba e à Asseba</em></p>
<p><em>Conselho Administrativo de Recursos Fiscais &#8211; Acórdãos 1101-001.968 e 1301-007.867 com registros sobre procurações, contas bancárias e relações cadastrais das associações</em></p>
<p><em>Senado Federal &#8211; documentos da CPI do Crime Organizado sobre carteiras de crédito relacionadas ao Banco Master, Tirreno, Asteba e Asseba</em></p>
<p><em>Receita Federal &#8211; declarações fiscais utilizadas na CPI para identificação dos pagamentos realizados pelo Banco Master às associações</em></p>
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		<title>Investimentos têm desempenhos diferentes nos governos Bolsonaro e Lula, aponta levantamento</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/investimentos-governos-bolsonaro-lula-ibovespa-cdi</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Sep 2026 20:15:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ibovespa]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Mercados]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[CDI]]></category>
		<category><![CDATA[Elos Ayta]]></category>
		<category><![CDATA[investimentos]]></category>
		<category><![CDATA[Jair Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Luiz Inácio Lula da Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado Financeiro]]></category>
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		<category><![CDATA[Selic]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A comparação entre os mercados financeiros nos governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva mostra resultados diferentes conforme o tipo de ativo e o período considerado. Levantamento da Elos Ayta divulgado em 16 de setembro de 2026 calcula que o Ibovespa acumulou valorização nominal de 24,86% durante os quatro anos de Bolsonaro, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A comparação entre os mercados financeiros nos governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva mostra resultados diferentes conforme o tipo de ativo e o período considerado. Levantamento da Elos Ayta divulgado em 16 de setembro de 2026 calcula que o <a class="wpil_keyword_link" title="Ibovespa" href="https://gazetamercantil.com/mercados/ibovespa" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339649">Ibovespa</a> acumulou valorização nominal de 24,86% durante os quatro anos de Bolsonaro, entre 2019 e 2022, enquanto o índice avançou 69,96% desde o início do terceiro mandato de Lula até 15 de setembro de 2026. O mesmo estudo aponta diferença também no CDI, indicador de referência para aplicações de renda fixa, e no índice de dividendos.</p>
<p>Os números, porém, não devem ser lidos como uma comparação isolada entre presidentes. As janelas têm duração diferente: o período de Bolsonaro corresponde aos quatro anos completos de seu mandato, enquanto a série de Lula 3 ainda estava em curso em 15 de setembro de 2026. Além disso, os ativos financeiros respondem a juros, inflação, câmbio, condições externas, preços de commodities, <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339650">política</a> monetária e expectativas econômicas, fatores que não são determinados exclusivamente pelo governo federal.</p>
<p>No <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339651">mercado</a> acionário, o levantamento atribui ao Ibovespa uma valorização acumulada de 69,96% desde janeiro de 2023 até 15 de setembro de 2026, ante 24,86% entre janeiro de 2019 e dezembro de 2022. A diferença acumulada entre as duas janelas é de 45,10 pontos percentuais. Em termos relativos, o retorno acumulado na primeira janela foi cerca de 2,8 vezes o registrado na segunda, embora essa comparação não corresponda a uma taxa anual equivalente, porque os períodos têm extensões diferentes.</p>
<h2>Bolsa brasileira atravessou ciclos opostos dentro dos dois períodos</h2>
<p>A trajetória anual do Ibovespa ajuda a explicar por que a comparação acumulada precisa ser analisada com cautela. Segundo a B3, o índice terminou 2019 com alta de 31,58%, avançou 2,92% em 2020, caiu 11,93% em 2021 e subiu 4,69% em 2022. O resultado acumulado desses quatro anos é diferente da simples soma das variações anuais porque os retornos são compostos.</p>
<p>O comportamento durante Lula 3 também foi irregular. A B3 registra valorização de 22,28% do Ibovespa em 2023, queda de 10,36% em 2024 e alta de 33,95% em 2025. A série de 2026 disponível na base da B3 registra variação positiva no acumulado até a data de referência mais recente apresentada pela instituição.</p>
<p>Essa sequência mostra que o desempenho de um mandato não pode ser explicado por um único ano. Em 2024, por exemplo, o Ibovespa teve perda anual de 10,36%, depois de ter subido 22,28% em 2023. Em 2025, a valorização chegou a 33,95%. A oscilação reflete, entre outros fatores, mudanças nas expectativas sobre juros, inflação, atividade econômica, contas públicas e ambiente internacional.</p>
<p>Outro ponto importante é que o Ibovespa representa uma carteira teórica de ações e, portanto, não equivale ao retorno de todos os investidores da Bolsa. A rentabilidade efetivamente obtida por uma pessoa depende dos papéis escolhidos, do momento de compra e venda, de custos, impostos e eventual recebimento de dividendos.</p>
<h2>Dividendos e renda fixa ampliam a diferença entre os indicadores</h2>
<p>O levantamento da Elos Ayta também compara o IDIV, índice de dividendos da B3. De acordo com os dados apresentados, o indicador acumulou alta de 82,78% desde o início de 2023 até 15 de setembro de 2026, contra 51,51% entre 2019 e 2022. A diferença é de 31,27 pontos percentuais.</p>
<p>A comparação é relevante porque o IDIV busca representar o comportamento de ações de <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339652">empresas</a> que se destacam por remuneração aos acionistas. Assim, sua trajetória não é idêntica à do Ibovespa e pode ser influenciada pela composição do índice e pelo comportamento de empresas maduras e pagadoras de dividendos.</p>
<p>Na renda fixa, a diferença nominal é ainda mais evidente no levantamento. O CDI acumulou 57,46% no período de Lula 3 considerado pelo estudo, contra 27,79% nos quatro anos do governo Bolsonaro. A diferença chega a 29,67 pontos percentuais.</p>
<p>Esse resultado está diretamente ligado ao comportamento dos juros. A Selic começou 2019 em 6,50% ao ano e chegou a 2% ao ano em agosto de 2020, em meio à resposta da política monetária aos efeitos econômicos da pandemia. Depois, o Banco Central iniciou um ciclo de alta que levou a taxa a 13,75% ao ano em 2022.</p>
<p>Durante Lula 3, a Selic começou 2023 em 13,75%, caiu até 10,50% em 2024 e posteriormente voltou a subir. Em 2025, a taxa chegou a 15% ao ano e permaneceu nesse nível em parte de 2026. Em 5 de agosto de 2026, o Copom manteve a meta em 14% ao ano.</p>
<p>A consequência para o investidor de renda fixa é direta: quanto maior a taxa básica, maior tende a ser a remuneração nominal de aplicações pós-fixadas ligadas ao CDI e à Selic, embora o resultado líquido dependa de tributação, custos e características de cada produto.</p>
<h2>Juros altos aumentam retorno nominal, mas também têm custo econômico</h2>
<p>O desempenho do CDI não deve ser interpretado isoladamente como medida de melhora ou piora da <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339647">economia</a>. A taxa de juros é utilizada pelo Banco Central como instrumento de política monetária e afeta simultaneamente remuneração de aplicações financeiras, custo do crédito, decisões de investimento e condições de financiamento das empresas e famílias.</p>
<p>O histórico oficial mostra que a Selic passou por movimentos muito distintos nos dois períodos. No governo Bolsonaro, houve forte redução dos juros em 2020 e 2021, seguida de uma rápida elevação em 2021 e 2022. No terceiro mandato de Lula, o ciclo começou com juros elevados, avançou para cortes em 2023 e 2024 e depois voltou a um patamar restritivo.</p>
<p>Isso ajuda a explicar por que o retorno de aplicações pós-fixadas pode ser elevado mesmo em um ambiente no qual o custo do dinheiro também é alto. Para quem possui recursos aplicados em produtos atrelados ao CDI, juros maiores significam remuneração maior em termos nominais. Para empresas endividadas e tomadores de crédito, entretanto, o mesmo ambiente representa maior despesa financeira.</p>
<p>A comparação também precisa considerar a inflação. Dados do Banco Central mostram IPCA anual de 4,31% em 2019, 4,52% em 2020, 10,06% em 2021 e 5,78% em 2022. Já no período seguinte, o índice registrou 4,62% em 2023, 4,83% em 2024 e 4,26% em 2025.</p>
<p>A inflação acumulada altera a interpretação de qualquer retorno nominal. Um investimento que rende 10% em um período de inflação elevada não produz o mesmo ganho de poder de compra que uma aplicação com retorno nominal semelhante em ambiente de inflação mais baixa.</p>
<h2>Câmbio coloca outra dimensão na comparação</h2>
<p>O levantamento também encontra comportamento diferente para os ativos denominados em moeda estrangeira. O <a class="wpil_keyword_link" title="Dólar" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339648">dólar</a> acumulou valorização de 34,66% entre 2019 e 2022, segundo a Elos Ayta, enquanto registrava queda acumulada de 1,32% na janela de Lula 3 até 15 de setembro de 2026. O euro avançou 25,47% no primeiro período e 6,71% no segundo.</p>
<p>A B3 mantém séries que permitem observar a diferença entre o retorno nominal do Ibovespa em reais e sua variação convertida para dólares. Em 2019, por exemplo, a alta nominal do índice foi de 31,58%, enquanto a valorização calculada em dólares ficou em 26,49%. Em 2020, o índice ganhou 2,92% em reais, mas caiu 20,18% na conversão para a moeda americana.</p>
<p>A diferença demonstra que o resultado de um investidor estrangeiro ou de um brasileiro que mede patrimônio em dólar pode ser bastante diferente daquele obtido por quem acompanha apenas o Ibovespa em reais.</p>
<p>O câmbio, por sua vez, não depende somente da política econômica doméstica. Juros nos Estados Unidos, fluxo internacional de capitais, preços de commodities, percepção de risco, condições fiscais e movimentos globais de valorização ou desvalorização do dólar também interferem na taxa de câmbio.</p>
<h2>Bitcoin teve forte valorização nas duas janelas</h2>
<p>Entre os ativos analisados pela Elos Ayta, o bitcoin apresenta uma das maiores oscilações. O levantamento calcula alta acumulada de 495,58% entre 2019 e 2022 e de 342,86% desde janeiro de 2023 até 15 de setembro de 2026.</p>
<p>O dado evidencia outra limitação de comparações entre governos: ativos com elevada volatilidade podem sofrer movimentos provocados por fatores internacionais que não guardam relação direta com a política econômica brasileira.</p>
<p>No caso das criptomoedas, mudanças regulatórias em diferentes países, entrada ou saída de capital institucional, ciclos de liquidez global e eventos específicos do mercado podem provocar variações muito superiores às observadas em ações ou títulos de renda fixa.</p>
<p>Por isso, o levantamento não permite concluir que um determinado ambiente político ou econômico seja, isoladamente, responsável pelo comportamento de cada ativo. Ele mostra como diferentes classes de investimento se comportaram em duas janelas temporais específicas.</p>
<h2>Inflação foi o indicador com trajetória diferente</h2>
<p>Entre os indicadores reunidos pela Elos Ayta, a inflação é apresentada com trajetória distinta das demais variáveis. O estudo calcula inflação acumulada de 26,93% durante os quatro anos do governo Bolsonaro e de 17,90% desde janeiro de 2023 até 15 de setembro de 2026.</p>
<p>Os números oficiais do Banco Central confirmam a composição anual da inflação e permitem observar a influência da pandemia e dos choques posteriores sobre os preços. Em 2021, o IPCA chegou a 10,06%, enquanto em 2022 desacelerou para 5,78%. No período seguinte, ficou abaixo de 5% em 2023, 2024 e 2025.</p>
<p>A comparação entre investimentos, portanto, depende do indicador escolhido. Bolsa, dividendos, CDI, moedas e criptomoedas produziram resultados diferentes nas duas janelas. Além disso, os períodos não são equivalentes em duração e Lula 3 ainda não havia terminado na data de corte do levantamento.</p>
<p>Para o investidor, a leitura dos números exige separar retorno nominal, retorno real, exposição cambial e risco. Para a análise econômica, os mesmos dados mostram que o desempenho dos mercados durante um governo resulta da combinação de política monetária, inflação, condições fiscais, ambiente internacional, preços de ativos e expectativas — e não apenas da identidade do presidente em exercício.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Banco Central do Brasil &#8211; histórico da meta Selic e decisões do Comitê de Política Monetária</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil &#8211; séries históricas do IPCA e inflação acumulada</em></p>
<p><em>B3 &#8211; histórico anual de variação do Ibovespa e séries de desempenho do mercado acionário</em></p>
<p><em>Elos Ayta &#8211; levantamento de rentabilidade de ativos financeiros nos governos Bolsonaro e Lula 3</em></p>
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		<title>Varejo brasileiro enfrenta juros altos e muda foco para geração de caixa e produtividade</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/varejo-brasileiro-juros-altos-consumidor-endividado</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2026 22:35:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[capital de giro]]></category>
		<category><![CDATA[endividamento das famílias]]></category>
		<category><![CDATA[geração de caixa]]></category>
		<category><![CDATA[juros altos]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[produtividade]]></category>
		<category><![CDATA[recuperação judicial]]></category>
		<category><![CDATA[Selic]]></category>
		<category><![CDATA[varejo brasileiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O varejo brasileiro entrou em uma fase em que faturamento e participação de mercado deixaram de ser suficientes para medir a saúde de uma operação. Com a Selic ainda em nível elevado, consumidor mais dependente de crédito e empresas pressionadas pelo custo financeiro, a capacidade de gerar caixa, elevar a produtividade dos ativos e preservar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O varejo brasileiro entrou em uma fase em que faturamento e participação de mercado deixaram de ser suficientes para medir a saúde de uma operação. Com a Selic ainda em nível elevado, consumidor mais dependente de crédito e <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339400">empresas</a> pressionadas pelo custo financeiro, a capacidade de gerar caixa, elevar a produtividade dos ativos e preservar margens passou a ocupar posição central nas decisões das grandes redes.</p>
<p>A mudança ocorre em um momento de forte pressão sobre diferentes elos do negócio. Desde agosto, a taxa Selic está em 14% ao ano, depois de ter permanecido em 15% por boa parte de 2026. Embora a redução de 1 ponto percentual alivie parte do custo financeiro, o patamar ainda restringe as condições de crédito para empresas e famílias. O Banco Central também avalia que a <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339398">política</a> monetária segue em terreno contracionista.</p>
<p>Do lado da demanda, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostrou que 82% das famílias estavam endividadas em agosto, mesmo percentual registrado em julho. A proporção de consumidores com contas em atraso subiu para 29,9%, enquanto 19,2% das famílias comprometiam mais da metade da renda com dívidas.</p>
<p>Esse quadro não significa que o consumo tenha deixado de existir ou que todo o comércio enfrente retração. O que muda é a qualidade do crescimento. Para empresas com alto volume de lojas, estoques relevantes, necessidade permanente de capital de giro e exposição a financiamento, cada ponto de margem e cada dia de capital imobilizado passam a ter impacto maior sobre o resultado.</p>
<h2>Custo do dinheiro aumenta o peso do capital de giro</h2>
<p>No varejo, o efeito dos juros não se limita aos empréstimos contratados diretamente pela companhia. O custo financeiro interfere na composição do capital de giro, no financiamento de estoques, nas condições oferecidas a fornecedores e na capacidade do consumidor de parcelar suas compras.</p>
<p>Quando o custo de carregar estoque aumenta, a empresa precisa vender mais rapidamente para transformar mercadoria em caixa. Produtos que permanecem nas prateleiras por períodos longos consomem capital sem produzir receita adicional. O problema se torna mais relevante em segmentos sujeitos a mudanças rápidas de preferência, tecnologia ou preço.</p>
<p>O mesmo raciocínio vale para lojas físicas. Uma unidade pode apresentar vendas relevantes e ainda assim destruir valor caso aluguel, pessoal, energia, logística, perdas e despesas de operação consumam parcela excessiva da margem gerada.</p>
<p>A consequência é uma mudança na métrica de expansão. Abrir novas lojas pode elevar a receita, mas a decisão passa a depender da capacidade de cada unidade produzir retorno superior ao capital necessário para sua instalação e operação. Em uma estrutura mais cara, crescimento de vendas sem geração correspondente de caixa pode aumentar a necessidade de financiamento em vez de fortalecer a companhia.</p>
<p>O Banco Central chegou a elevar a Selic de 10,50% em setembro de 2024 para 15% ao ano em junho de 2025, mantendo a taxa nesse nível durante boa parte do período seguinte. Em agosto de 2026, houve redução para 14%. A diferença de 3,5 pontos percentuais em relação ao início do ciclo de aperto mostra a dimensão do ajuste monetário que atingiu o custo do dinheiro no período.</p>
<h2>Endividamento das famílias reduz espaço para compras financiadas</h2>
<p>A pressão também aparece no orçamento dos consumidores. A Peic de agosto mostrou que 82% das famílias brasileiras tinham algum tipo de dívida, percentual que permanece em nível recorde pelo segundo mês consecutivo. A inadimplência geral chegou a 29,9%, e o comprometimento médio da renda ficou em 29,5%.</p>
<p>O dado mais sensível está na distribuição por renda. Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, 85,1% declararam possuir dívidas e 38,8% estavam com pagamentos atrasados, acima dos 38,5% registrados em julho. O grupo também apresentou alta de 0,5 ponto percentual na parcela sem condições de quitar os débitos, para 18,3%.</p>
<p>Para o varejo, esse quadro tende a alterar a composição da demanda. Um consumidor mais comprometido com prestações pode continuar comprando, mas passa a comparar preços, postergar aquisições de maior valor, substituir marcas e responder mais fortemente a promoções.</p>
<p>Isso aumenta a importância da precificação e da gestão de categorias. Descontos podem elevar o volume de vendas, mas, quando utilizados de forma excessiva, reduzem margem e podem criar um ciclo em que a empresa precisa vender cada vez mais para preservar o mesmo nível de geração de caixa.</p>
<p>A questão central passa a ser quanto da venda se transforma efetivamente em resultado depois de impostos, descontos, logística, despesas financeiras, perdas e custos de operação.</p>
<h2>Recuperação judicial preserva tempo, mas não substitui ajuste operacional</h2>
<p>Os casos recentes de reestruturação de grandes empresas ajudam a dimensionar a pressão. O Grupo Casas Bahia (BHIA3) protocolou em agosto pedido de recuperação judicial envolvendo a companhia e nove subsidiárias. No fato relevante encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa relacionou a decisão à deterioração das condições econômico-financeiras e informou que pretende readequar sua estrutura operacional, concentrando-se em operações mais rentáveis e com maiores margens de contribuição.</p>
<p>O passivo submetido ao processo foi de aproximadamente R$ 17,3 bilhões, segundo os documentos divulgados pela companhia ao <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339399">mercado</a>. O próprio grupo afirmou que pretende manter suas atividades enquanto busca o reperfilamento e o alongamento das dívidas.</p>
<p>O caso mostra a diferença entre uma solução financeira e uma transformação operacional. A recuperação judicial pode reorganizar vencimentos, suspender determinadas execuções e criar condições para negociação entre empresa e credores. Pela Lei nº 11.101, o deferimento do processamento suspende, nos termos previstos na legislação, execuções relativas aos créditos sujeitos ao processo, em regra por 180 dias, prazo que pode ser prorrogado uma vez em caráter excepcional.</p>
<p>Esse mecanismo, porém, não aumenta automaticamente a margem de uma loja, acelera a venda de um estoque ou reduz o custo de aquisição de clientes. A companhia ainda precisa alterar a relação entre receita, custos, capital empregado e geração de caixa.</p>
<p>É justamente nessa etapa que produtividade ganha peso. Reduzir dívida sem diminuir a necessidade estrutural de capital pode apenas transferir o problema para o futuro. A sustentabilidade depende de uma operação capaz de gerar recursos suficientes para financiar suas atividades depois da reestruturação do passivo.</p>
<h2>Lojas, estoques e canais passam por seleção mais rigorosa</h2>
<p>A unidade física continua sendo um ativo relevante para muitas redes, especialmente em segmentos nos quais experiência, conveniência, retirada de produtos e relacionamento com o consumidor fazem parte da proposta de valor. O problema aparece quando a rede é maior do que a capacidade econômica de suas lojas.</p>
<p>A análise deixa de ser simplesmente geográfica e passa a considerar produtividade por metro quadrado, vendas por unidade, margem de contribuição, custo de ocupação, fluxo de clientes e integração com o comércio eletrônico.</p>
<p>Uma loja pouco rentável pode continuar desempenhando alguma função estratégica, mas essa justificativa precisa ser mensurável. Ela pode funcionar como ponto de retirada, centro de distribuição de última milha, showroom ou canal de relacionamento. Quando nenhuma dessas funções produz retorno adequado, a manutenção do ativo passa a competir diretamente com investimentos em tecnologia, logística ou redução de dívida.</p>
<p>O mesmo vale para os estoques. O capital empregado em produtos de baixa rotação não aparece apenas como uma questão operacional. Ele ocupa recursos que poderiam ser utilizados na redução de passivos ou em mercadorias com giro mais rápido.</p>
<p>Esse cálculo também muda a relação com fornecedores. Empresas pressionadas financeiramente precisam equilibrar prazo, preço e disponibilidade. Alongar pagamentos pode aliviar temporariamente o caixa, mas condições comerciais mais caras ou perda de fornecedores estratégicos podem comprometer a operação posteriormente.</p>
<h2>Crescimento passa a ser medido pelo retorno sobre o capital</h2>
<p>A principal mudança para as empresas de varejo está na forma de avaliar expansão. Durante períodos de crédito mais abundante, o crescimento da receita pode justificar investimentos em novas lojas, canais e logística mesmo antes de a operação atingir sua maturidade.</p>
<p>Em um ambiente de capital mais caro, o cálculo exige maior disciplina. O investimento precisa ser comparado com a geração de caixa esperada e com o custo de financiamento. Uma expansão que aumenta vendas, mas reduz o retorno sobre o capital empregado, deixa de ser automaticamente positiva.</p>
<p>A pressão também favorece modelos mais leves, maior integração entre canais e revisão de portfólios. Empresas podem optar por concentrar investimentos nas categorias de maior margem, reduzir estruturas administrativas, negociar contratos ou vender ativos para reforçar liquidez.</p>
<p>A tecnologia ganha importância nesse processo não apenas como ferramenta comercial, mas como instrumento de produtividade. Dados de estoque, preço, comportamento do consumidor e logística permitem ajustar compras e reduzir capital parado. O ganho, entretanto, depende da execução: tecnologia sem alteração de processos não resolve ineficiências estruturais.</p>
<p>O mercado, portanto, não está necessariamente exigindo que o varejo deixe de crescer. O desafio é que crescimento e rentabilidade passem a caminhar juntos. Em uma companhia alavancada, aumentar o faturamento sem aumentar a geração de caixa pode ampliar a necessidade de financiamento e postergar a solução do problema.</p>
<h2>Próxima etapa será provar que a operação consegue gerar caixa</h2>
<p>A combinação entre juros ainda elevados, elevado endividamento das famílias e necessidade de reorganização financeira coloca a eficiência no centro das decisões do setor. A redução da Selic de 15% para 14% ao ano melhora a condição marginal de financiamento, mas não elimina os efeitos acumulados de um período prolongado de crédito caro.</p>
<p>Para as empresas que passam por reestruturação, o indicador decisivo será a capacidade de transformar o ajuste em geração recorrente de caixa. Isso envolve reduzir custos sem comprometer receita, melhorar o giro dos estoques, aumentar a produtividade das lojas, selecionar investimentos e direcionar capital para atividades com retorno superior ao custo de financiamento.</p>
<p>Para o consumidor, a tendência é de maior seletividade enquanto o orçamento permanecer pressionado. Para as empresas, isso significa que preço, conveniência, sortimento e experiência precisam ser combinados com uma estrutura operacional compatível com a margem efetivamente produzida.</p>
<p>Os próximos movimentos do varejo devem, portanto, ser menos associados à corrida por escala e mais à seleção de ativos, canais e categorias capazes de gerar retorno. A recuperação financeira só será sustentável quando vier acompanhada de uma operação economicamente mais eficiente.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Banco Central do Brasil &#8211; histórico das decisões do Copom e trajetória da taxa Selic em 2026</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil &#8211; comunicado do Copom sobre política monetária, inflação e condições econômicas</em></p>
<p><em>Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo &#8211; Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor de agosto de 2026</em></p>
<p><em>Grupo Casas Bahia &#8211; fato relevante sobre o pedido de recuperação judicial, reestruturação financeira e readequação operacional</em></p>
<p><em>Comissão de Valores Mobiliários &#8211; documento público do Grupo Casas Bahia sobre o pedido de recuperação judicial</em></p>
<p><em>Presidência da República &#8211; Lei nº 11.101 e regras aplicáveis à recuperação judicial, suspensão de execuções e reorganização de empresas</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Treasury de 10 anos supera 5% nos EUA antes da decisão do Fed</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/treasury-10-anos-supera-5-por-cento-eua</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2026 20:13:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[crédito]]></category>
		<category><![CDATA[Federal Reserve]]></category>
		<category><![CDATA[inflação]]></category>
		<category><![CDATA[juros nos Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[mercado acionário americano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O rendimento do Treasury dos Estados Unidos com vencimento em dez anos ultrapassou 5% nesta segunda-feira (14), atingindo 5,004% durante as negociações, no primeiro rompimento desse nível desde outubro de 2023. A alta ocorre na véspera do início da reunião do Federal Open Market Committee (Fomc), que definirá a política monetária americana na quarta-feira (16), [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O rendimento do Treasury dos Estados Unidos com vencimento em dez anos ultrapassou 5% nesta segunda-feira (14), atingindo 5,004% durante as negociações, no primeiro rompimento desse nível desde outubro de 2023. A alta ocorre na véspera do início da reunião do Federal Open Market Committee (Fomc), que definirá a <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339402">política</a> monetária americana na quarta-feira (16), e aumenta a pressão sobre ações, crédito e investimentos de longo prazo.</p>
<p>A deterioração das condições financeiras acontece mesmo antes de uma eventual mudança na taxa básica do Federal Reserve. O Treasury de dez anos é uma referência para o custo de financiamento da <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339404">economia</a> americana e influencia desde hipotecas e empréstimos corporativos até a avaliação de empresas negociadas em bolsa. O movimento, portanto, amplia o efeito de uma eventual manutenção ou elevação dos juros pelo Fed, especialmente em setores cujos preços dependem de expectativas de lucros futuros.</p>
<p>O <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339405">mercado</a> chega à reunião do banco central com uma combinação desfavorável: inflação ainda acima da meta, petróleo novamente acima de US$ 100 por barril, juros longos próximos ou acima de 5% e uma Bolsa que vinha sustentada por expectativas elevadas de crescimento dos lucros. O S&amp;P 500 encerrou a sexta-feira em 7.656,98 pontos, acumulando alta de 10,90% no ano até 10 de setembro, apesar de uma queda de 1,23% em setembro até aquela data.</p>
<h2>Juros longos avançam antes da decisão do Fed</h2>
<p>O ponto central da atual tensão é que o rendimento de dez anos não é determinado apenas pela taxa básica de curto prazo. Ele incorpora expectativas para inflação, crescimento, política monetária, oferta de títulos e prêmio exigido pelos investidores para carregar dívida de longo prazo.</p>
<p>Na sexta-feira (11), a taxa de dez anos havia encerrado em 4,96%, segundo a curva diária do Tesouro americano. Em 1º de setembro, estava em 4,79%. A diferença de 17 pontos-base em apenas dez dias úteis mostra a velocidade da deterioração no mercado de renda fixa.</p>
<p>O movimento também ocorre em um momento de forte necessidade de financiamento do governo americano. A maior oferta de títulos aumenta a competição por capital, especialmente quando investidores passam a exigir remuneração maior para absorver riscos fiscais, inflacionários e de política monetária.</p>
<p>Para a Bolsa, o problema está no mecanismo de desconto dos fluxos de caixa. Quanto maior o rendimento considerado relativamente seguro nos Treasuries, maior tende a ser a taxa usada para trazer lucros futuros das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339417">empresas</a> para o valor presente. Empresas com expectativas de crescimento concentradas em períodos mais distantes ficam particularmente sensíveis.</p>
<p>Esse efeito ajuda a explicar por que a alta dos juros longos pode pressionar o mercado acionário mesmo quando os resultados corporativos continuam robustos.</p>
<h2>Inflação mantém o Fed diante de um dilema</h2>
<p>O dado mais recente de inflação reforça a dificuldade para o Federal Reserve. O índice de preços ao consumidor subiu 0,4% em agosto, após alta de 0,1% em julho. Em 12 meses, o CPI avançou 3,4%, enquanto o núcleo, que exclui alimentos e energia, aumentou 2,4%. A inflação cheia permanece, portanto, 1,4 ponto percentual acima da meta de 2% perseguida pelo banco central.</p>
<p>A composição do indicador acrescenta pressão. O índice de energia subiu 2,1% em agosto e acumulou alta de 16,3% em 12 meses. A gasolina aumentou 3,9% no mês e 27,4% em um ano. O avanço da gasolina respondeu por mais de um terço da alta mensal do índice geral.</p>
<p>Isso cria uma dificuldade adicional para a política monetária. Caso a alta do petróleo se prolongue, o impacto pode se espalhar para combustíveis, transporte, produção industrial e logística, mantendo a inflação elevada justamente quando o mercado esperava uma trajetória mais favorável para os juros.</p>
<p>Na última decisão, em 29 de julho, o Fed manteve a taxa dos Fed Funds entre 3,5% e 3,75%. Três dirigentes votaram por uma elevação de 0,25 ponto percentual naquele encontro, mostrando que a discussão sobre aperto monetário já estava presente dentro do próprio comitê.</p>
<p>A reunião desta semana será realizada nos dias 15 e 16 de setembro. O calendário oficial do Federal Reserve prevê a decisão e a entrevista coletiva na quarta-feira.</p>
<p>Assim, a questão para os mercados não é apenas o nível da taxa básica. A comunicação do Fed sobre os próximos passos será determinante para definir se a pressão sobre a parte longa da curva de juros será temporária ou persistente.</p>
<h2>Petróleo acrescenta novo componente ao choque financeiro</h2>
<p>A escalada do petróleo tornou o quadro mais complexo. O Brent voltou a superar US$ 108 por barril nesta segunda-feira, em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio. A combinação de petróleo mais caro e juros mais altos cria um risco duplo para empresas e consumidores: aumenta custos operacionais e, ao mesmo tempo, encarece o financiamento.</p>
<p>O efeito sobre a inflação americana já aparece nos dados oficiais. Em agosto, o componente de energia avançou 2,1%, enquanto o preço da gasolina subiu 3,9%. O índice de energia acumulava alta de 16,3% em 12 meses, antes mesmo da nova escalada observada no mercado de petróleo em setembro.</p>
<p>A consequência para o Fed é relevante porque um choque de energia pode retardar a convergência da inflação à meta sem necessariamente representar um aumento proporcional da demanda interna. Nesse ambiente, reduzir juros para estimular a economia pode alimentar a percepção de que a autoridade monetária está tolerando uma inflação mais persistente.</p>
<p>Ao mesmo tempo, manter juros elevados por mais tempo aumenta o custo financeiro para empresas e famílias. O resultado é uma política monetária mais restritiva transmitida não apenas pela taxa de curto prazo, mas também pelos rendimentos de mercado.</p>
<h2>Hipotecas e empresas já sentem o encarecimento</h2>
<p>A pressão sobre os títulos públicos chegou ao mercado imobiliário. A taxa média diária para financiamentos imobiliários de 30 anos alcançou 7,07% na semana passada, segundo o Mortgage News Daily, superando 7% pela primeira vez em aproximadamente 15 meses. No início do ano, a taxa havia ficado próxima de 6%.</p>
<p>A diferença parece pequena em termos percentuais, mas tem efeito relevante sobre parcelas e capacidade de compra. Em um financiamento de longo prazo, uma alta de cerca de um ponto percentual na taxa altera substancialmente o custo total da dívida.</p>
<p>O mesmo mecanismo afeta empresas. Companhias que precisam refinanciar dívidas ou captar recursos no mercado passam a enfrentar um custo de capital maior. <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339403">Negócios</a> que dependem de investimentos intensivos em infraestrutura, tecnologia ou expansão podem ter projetos adiados ou exigir retornos maiores para justificar novos desembolsos.</p>
<p>Para empresas já endividadas, o efeito pode aparecer primeiro no resultado financeiro. Para companhias de crescimento, pode surgir na forma de redução do valor presente atribuído a seus fluxos de caixa futuros.</p>
<h2>Bolsa enfrenta teste após forte valorização</h2>
<p>O mercado acionário americano entra nesse ambiente depois de uma valorização expressiva. O S&amp;P 500 acumulava alta de 10,90% no ano até 10 de setembro, enquanto o retorno em 12 meses chegava a 16,22%, segundo os dados da S&amp;P Dow Jones Indices.</p>
<p>A valorização não significa, por si só, que exista uma bolha ou que uma correção seja inevitável. Mas aumenta a sensibilidade do mercado a mudanças nas premissas utilizadas para justificar os preços.</p>
<p>A diferença entre o desempenho das ações e o avanço dos juros longos é particularmente importante. Se o retorno exigido pelos investidores aumenta enquanto as projeções de lucros não acompanham na mesma velocidade, os múltiplos pagos pelas ações tendem a sofrer pressão.</p>
<p>O movimento também pode alterar a preferência entre renda fixa e renda variável. Um Treasury de dez anos pagando aproximadamente 5% oferece uma alternativa de remuneração nominal elevada para investidores que antes precisavam assumir mais risco em ações para buscar retornos superiores.</p>
<p>Esse processo não implica uma migração automática de capital. Porém, quanto maior a remuneração dos títulos públicos, menor tende a ser a necessidade de aceitar avaliações elevadas em ativos de risco.</p>
<h2>Tecnologia fica mais exposta à alta dos rendimentos</h2>
<p>O segmento de tecnologia é um dos mais vulneráveis ao aumento das taxas porque parte importante de sua avaliação está relacionada a expectativas de crescimento de longo prazo.</p>
<p>A sensibilidade ficou evidente no movimento observado antes da abertura dos mercados nesta segunda-feira. Os futuros do Nasdaq 100 chegaram a cair cerca de 1,8%, enquanto os contratos futuros do S&amp;P 500 recuavam aproximadamente 0,7%. A pressão se concentrou especialmente em empresas de semicondutores ligadas ao ciclo de investimentos em inteligência artificial.</p>
<p>A discussão sobre a velocidade dos investimentos em inteligência artificial acrescenta outro risco. Declarações recentes de executivos do setor reacenderam dúvidas sobre o ritmo futuro de expansão dos gastos em infraestrutura de computação, chips e data centers.</p>
<p>Esse movimento é diferente de uma deterioração generalizada dos fundamentos das empresas. A questão é a relação entre expectativa, valuation e custo de capital. Quando os juros sobem, o mercado passa a exigir mais evidências de crescimento para sustentar preços elevados.</p>
<h2>Próxima decisão será apenas parte do teste</h2>
<p>O Fomc começa sua reunião nesta terça-feira e divulgará a decisão na quarta-feira. O resultado poderá alterar imediatamente as expectativas para a curva de juros, mas o comportamento do Treasury de dez anos dependerá também das projeções para inflação, crescimento e oferta de títulos.</p>
<p>O ponto de partida é menos confortável do que no encontro de julho. A inflação anual de 3,4% está distante da meta, o núcleo permanece em 2,4% e a energia acumulou alta de 16,3% em 12 meses. Ao mesmo tempo, o rendimento de dez anos já ultrapassou 5%, antes de qualquer nova decisão do Fed.</p>
<p>A combinação estabelece um teste para os ativos americanos. Se os juros longos permanecerem elevados mesmo diante de eventual mudança na taxa básica, o mercado terá de absorver uma condição financeira mais apertada do que aquela indicada apenas pelo Fed Funds.</p>
<p>Nesse caso, os efeitos podem se espalhar das ações para crédito corporativo, mercado imobiliário, investimentos produtivos e consumo. Se, ao contrário, a alta dos Treasuries perder força com uma melhora das expectativas para inflação e petróleo, parte da pressão sobre os ativos de risco poderá diminuir.</p>
<p>O sinal mais importante nesta semana, portanto, não será apenas o que o Federal Reserve decidir na quarta-feira. Será a reação dos juros longos à decisão e à comunicação do banco central. O rompimento de 5% colocou o custo de capital americano novamente no centro da formação dos preços dos ativos e elevou a importância de cada novo dado de inflação, petróleo e atividade econômica.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>U.S. Department of the Treasury &#8211; curva diária de rendimentos dos Treasuries em setembro de 2026</em></p>
<p><em>Federal Reserve &#8211; decisão do Fomc de julho de 2026 e calendário da reunião de setembro</em></p>
<p><em>U.S. Bureau of Labor Statistics &#8211; índice de preços ao consumidor de agosto de 2026</em></p>
<p><em>S&amp;P Dow Jones Indices &#8211; desempenho do S&amp;P 500 em setembro e no acumulado de 2026</em></p>
<p><em>Federal Reserve &#8211; histórico das decisões de política monetária e atas do Fomc de julho de 2026</em></p>
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		<title>PF aponta R$ 3,8 milhões em repasses a ex-chefe do BC ligado a Daniel Vorcaro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Sep 2026 23:24:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[André Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Central]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Polícia Federal identificou R$ 3,8 milhões em repasses relacionados a Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, no inquérito que apura a relação de servidores da autoridade monetária com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master até a liquidação da instituição. Segundo os investigadores, os pagamentos eram recorrentes e teriam como [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Polícia Federal identificou R$ 3,8 milhões em repasses relacionados a Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, no inquérito que apura a relação de servidores da autoridade monetária com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master até a liquidação da instituição. Segundo os investigadores, os pagamentos eram recorrentes e teriam como referência R$ 500 mil por mês, com ao menos um registro que chegou a R$ 760 mil.</p>
<p>Os documentos também descrevem vantagens atribuídas a Vorcaro em favor de outro servidor de carreira do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização e posteriormente chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária. Entre os episódios analisados estão uma viagem aos Estados Unidos, serviços de acesso prioritário aos parques da Disney e da Universal e uma operação imobiliária considerada atípica pelos investigadores.</p>
<p>As informações integram documentos do caso Master cujo sigilo foi retirado em 10 de setembro pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. O levantamento permitiu conhecer detalhes de uma frente específica da investigação: a suspeita de que integrantes da estrutura responsável justamente pela fiscalização dos bancos teriam mantido uma relação paralela com o controlador de uma instituição supervisionada.</p>
<p>A acusação é da Polícia Federal e ainda não representa conclusão judicial de culpa. Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza negam ter favorecido Vorcaro ou fornecido informações sigilosas de forma irregular.</p>
<h2>Repasses relacionados a Belline somam R$ 3,8 milhões</h2>
<p>A investigação atribui a Belline uma relação financeira que ultrapassava contatos institucionais com o controlador do Master. Comprovantes reunidos no processo registram R$ 3,8 milhões em transferências relacionadas ao ex-chefe da Supervisão Bancária.</p>
<p>A cifra equivale a 7,6 pagamentos de R$ 500 mil, valor apontado pelos investigadores como referência para os repasses recorrentes. Em um dos registros analisados, entretanto, o montante chegou a R$ 760 mil. A diferença de R$ 260 mil representa um acréscimo de 52% sobre o valor mensal mencionado com maior frequência no inquérito.</p>
<p>A PF investiga se os pagamentos tinham como contrapartida a atuação de Belline em assuntos de interesse do conglomerado. Parte dos recursos teria circulado por meio de uma estrutura apresentada formalmente como vinculada a um projeto de capacitação financeira de jovens.</p>
<p>Para os investigadores, mensagens recuperadas durante a apuração levantam dúvidas sobre a finalidade efetiva desse arranjo. A defesa de Belline sustenta que não houve pagamento por favorecimento e afirma que a atuação do servidor dentro do Banco Central ocorreu dentro das atribuições funcionais.</p>
<p>Os documentos também registram uma viagem de Belline e da mulher a Paris. Segundo a investigação, Vorcaro participou da organização de aspectos da estadia, mantendo contato com prestadores de serviços no exterior para tratar de restaurantes, recepção e logística.</p>
<p>A PF considera esses episódios parte do conjunto de indícios usado para examinar a natureza da relação entre o banqueiro e o servidor, e não fatos isolados.</p>
<h2>Relação teria começado ao menos em 2023</h2>
<p>O material investigativo situa contatos entre Vorcaro e Belline pelo menos desde outubro de 2023. Considerado esse marco e a liquidação do Master em novembro de 2025, a relação examinada pela PF se estende por aproximadamente dois anos.</p>
<p>A relevância dessa cronologia está no papel institucional exercido pelo servidor. O Departamento de Supervisão Bancária integra a estrutura responsável por acompanhar as instituições financeiras e identificar riscos, irregularidades e problemas prudenciais.</p>
<p>A PF afirma ter encontrado mensagens que indicariam orientação técnica a Vorcaro, discussão de estratégias e revisão de documentos que seriam posteriormente apresentados ao próprio Banco Central.</p>
<p>Em comunicações analisadas pelos investigadores, servidores também teriam compartilhado informações internas sobre o andamento de assuntos relacionados ao Master. A corporação apura se parte desse conteúdo possuía caráter sensível ou sigiloso.</p>
<p>Um dos pontos centrais do inquérito é determinar onde terminava a interlocução regular entre supervisor e instituição supervisionada e onde começaria eventual prestação de auxílio privado incompatível com as funções públicas desempenhadas pelos servidores.</p>
<h2>Paulo Sérgio teve longa passagem pela cúpula da fiscalização</h2>
<p>Paulo Sérgio Neves de Souza tem trajetória de décadas na área de supervisão do Banco Central. Servidor da instituição desde 1998, passou por diferentes cargos no Departamento de Supervisão Bancária e assumiu a chefia do Desup em 2015.</p>
<p>Em 2017, foi nomeado diretor de Fiscalização do Banco Central, uma das posições mais relevantes da estrutura responsável pelo acompanhamento do sistema financeiro. Em período posterior, voltou a atuar no Departamento de Supervisão Bancária e ocupava a posição de chefe-adjunto quando ocorreram episódios relacionados ao Master analisados pela investigação.</p>
<p>Essa trajetória amplia a relevância institucional da apuração. A PF não examina apenas contatos ocasionais entre um banqueiro e funcionários públicos, mas a relação do controlador de uma instituição financeira com servidores que acumularam experiência e posições de comando justamente na área responsável pela fiscalização bancária.</p>
<p>A investigação afirma que Paulo Sérgio teria prestado orientação informal a Vorcaro em assuntos do Master. Mensagens recuperadas do celular do ex-banqueiro mostram discussões sobre operações da instituição e interlocução com outras áreas do Banco Central.</p>
<h2>Viagem à Disney tem versões divergentes</h2>
<p>Uma das frentes da investigação envolvendo Paulo Sérgio trata de uma viagem familiar aos Estados Unidos. A PF reuniu informações segundo as quais Vorcaro teria solicitado a contratação de serviços de guias VIP nos parques da Disney e da Universal, em Orlando.</p>
<p>O serviço teria custado US$ 38 mil.</p>
<p>A defesa de Paulo Sérgio apresenta uma versão diferente para a operação. Segundo seus advogados, o servidor pagou integralmente passagens, hospedagem, ingressos, compra de moeda estrangeira e despesas realizadas com cartões durante a viagem.</p>
<p>A defesa afirma ainda que Vorcaro teria oferecido uma vaga remanescente em um pacote de acesso prioritário aos parques. Paulo Sérgio sustenta ter pago US$ 8 mil em espécie nos Estados Unidos a uma pessoa indicada pelo banqueiro.</p>
<p>Os dois valores deixam uma diferença de US$ 30 mil entre o montante de US$ 38 mil identificado na contratação examinada pela investigação e os US$ 8 mil que a defesa afirma terem sido desembolsados pelo servidor. Essa diferença corresponde a cerca de 79% do valor total do serviço mencionado no inquérito.</p>
<p>A existência dessa diferença, isoladamente, não demonstra quem efetivamente arcou com o restante da despesa. A defesa afirma que Paulo Sérgio desconhecia eventual pagamento de US$ 38 mil feito por Vorcaro ao prestador de serviços e que não participou nem autorizou uma transação nesse valor.</p>
<p>A PF também investiga uma negociação envolvendo um imóvel rural relacionado ao servidor, considerada atípica pelos investigadores.</p>
<h2>Mensagens ampliam investigação sobre influência dentro do BC</h2>
<p>A análise das comunicações encontradas no celular de Vorcaro levou a investigação além da identificação dos pagamentos e benefícios.</p>
<p>Segundo a PF, Belline e Paulo Sérgio teriam participado de discussões sobre documentos, estratégias e providências relacionadas aos interesses do Master. Os investigadores também identificaram reuniões privadas, incluindo encontros realizados fora das dependências oficiais.</p>
<p>A hipótese policial é que os dois teriam ultrapassado os limites de uma interlocução institucional regular entre supervisores e uma instituição financeira.</p>
<p>As defesas rejeitam essa interpretação. Os advogados de Belline afirmam que ele atuou institucionalmente no caso Master e destacam sua participação em providências internas que posteriormente ajudaram a levar suspeitas envolvendo a instituição às autoridades.</p>
<p>No caso de Paulo Sérgio, a defesa também nega vazamento de informações e afirma possuir documentação capaz de comprovar a origem dos recursos utilizados nas despesas pessoais questionadas.</p>
<p>A investigação deverá estabelecer se as comunicações e vantagens identificadas constituíram efetivamente corrupção, violação de sigilo ou outras infrações ou se os episódios possuem explicações compatíveis com as versões apresentadas pelos investigados.</p>
<h2>Master foi liquidado após crise de liquidez e graves violações</h2>
<p>O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025. A autoridade monetária fundamentou a medida na grave crise de liquidez do conglomerado, no comprometimento de sua situação econômico-financeira e em graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.</p>
<p>Naquele momento, o próprio BC informou que o conglomerado representava 0,57% dos ativos e 0,55% das captações totais do sistema financeiro. Embora a participação fosse inferior a 1% nesses dois indicadores, o caso desencadeou investigações de grande alcance sobre operações financeiras, fiscalização bancária e relações mantidas por Vorcaro com agentes públicos.</p>
<p>A liquidação também tornou indisponíveis bens de controladores e ex-administradores, incluindo Daniel Vorcaro.</p>
<p>A Operação Compliance Zero passou por sucessivas fases e abriu diferentes linhas de investigação. Uma delas se concentra exatamente na possibilidade de obtenção indevida de informações sigilosas e de interferência em investigações.</p>
<p>Em julho deste ano, a PF informou oficialmente que uma das fases da operação também apurava possíveis práticas destinadas a intimidar jornalistas, monitorar pessoas ligadas a autoridades públicas, obter informações protegidas e interferir em investigações criminais.</p>
<h2>Apuração passa a discutir integridade da supervisão bancária</h2>
<p>A revelação dos pagamentos amplia o alcance institucional do caso porque transfere parte da investigação para dentro da estrutura encarregada de fiscalizar as instituições financeiras.</p>
<p>A supervisão bancária depende do acesso antecipado a informações patrimoniais, operações suspeitas, processos administrativos, avaliações prudenciais e decisões ainda em preparação. Uma eventual utilização desse conhecimento para beneficiar uma instituição supervisionada produziria uma assimetria incompatível com a função regulatória.</p>
<p>É justamente essa hipótese que a Polícia Federal busca demonstrar ou afastar com a análise das mensagens, transferências financeiras, viagens, documentos e reuniões.</p>
<p>A retirada do sigilo também permite que as defesas contestem publicamente a interpretação dos investigadores e apresentem documentos destinados a demonstrar a origem das despesas e a natureza das relações mantidas com Vorcaro.</p>
<p>O próximo estágio será a avaliação jurídica desse conjunto probatório. Até que haja denúncia recebida e eventual julgamento, as conclusões da Polícia Federal permanecem no campo investigativo.</p>
<p>O episódio, porém, acrescenta uma dimensão distinta ao caso Master: além das operações financeiras que antecederam a liquidação do banco, as autoridades agora precisam esclarecer se o controlador conseguiu construir canais privados de influência dentro da própria estrutura encarregada de fiscalizá-lo.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Banco Central do Brasil &#8211; ato e comunicado sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master e dados sobre a participação do conglomerado no Sistema Financeiro Nacional</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil &#8211; registros institucionais e histórico funcional de Paulo Sérgio Neves de Souza na Diretoria de Fiscalização e no Departamento de Supervisão Bancária</em></p>
<p><em>Polícia Federal &#8211; comunicados oficiais das fases da Operação Compliance Zero sobre obtenção indevida de informações sigilosas e interferência em investigações</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Sudeste concentra R$ 1,26 trilhão e quase 60% dos bilionários brasileiros, mostra Forbes</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/bilionarios-brasileiros-forbes-sudeste-rio-sao-paulo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Sep 2026 16:07:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[André Esteves]]></category>
		<category><![CDATA[bilionários brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Saverin]]></category>
		<category><![CDATA[Forbes]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Paulo Lemann]]></category>
		<category><![CDATA[patrimônio]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Riqueza]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Sudeste]]></category>
		<category><![CDATA[Vicky Safra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A geografia das maiores fortunas brasileiras continua profundamente concentrada no Sudeste. Dos 255 nomes incluídos na Lista Forbes Bilionários Brasileiros de 2026, 152 estão associados à região, o equivalente a 59,6% do total. Juntos, acumulam aproximadamente R$ 1,26 trilhão, uma concentração ainda maior quando o critério deixa de ser o número de pessoas e passa [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A geografia das maiores fortunas brasileiras continua profundamente concentrada no Sudeste. Dos 255 nomes incluídos na Lista Forbes Bilionários Brasileiros de 2026, 152 estão associados à região, o equivalente a 59,6% do total. Juntos, acumulam aproximadamente R$ 1,26 trilhão, uma concentração ainda maior quando o critério deixa de ser o número de pessoas e passa a ser o tamanho do patrimônio.</p>
<p>O levantamento da Forbes estima em R$ 1,86 trilhão a riqueza combinada de todos os integrantes da lista brasileira. Isso significa que o Sudeste sozinho concentra cerca de dois terços de todo o patrimônio mapeado entre os bilionários do País. Sul, Nordeste e Centro-Oeste aparecem muito atrás tanto em quantidade de nomes quanto em volume financeiro, enquanto a região Norte não tem nenhum representante na edição de 2026.</p>
<p>Dentro do próprio Sudeste existe outra particularidade. São Paulo é, com larga vantagem, o estado com maior número de bilionários, mas não lidera quando as fortunas são somadas. A primeira posição em patrimônio pertence ao Rio de Janeiro, que reúne menos da metade do número de representantes paulistas, mas abriga alguns dos maiores patrimônios individuais do ranking.</p>
<p>O retrato ajuda a mostrar que a distribuição da riqueza extrema brasileira não acompanha simplesmente o tamanho da população ou da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339286">economia</a> de cada região. Ela reflete décadas de formação de grandes grupos empresariais, concentração do mercado financeiro, industrialização, expansão de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339283">empresas</a> familiares e valorização de participações societárias em companhias brasileiras e estrangeiras.</p>
<h2>Rio supera São Paulo em patrimônio dos bilionários</h2>
<p>São Paulo aparece na lista com 95 nomes, o maior contingente entre todos os estados brasileiros. O patrimônio combinado desse grupo chega a aproximadamente R$ 593,2 bilhões.</p>
<p>O Rio de Janeiro, por outro lado, reúne 37 bilionários, mas suas fortunas somadas alcançam cerca de R$ 600,8 bilhões. Mesmo com 58 representantes a menos, portanto, os fluminenses superam os paulistas em riqueza acumulada.</p>
<p>A explicação está na concentração de algumas fortunas excepcionalmente grandes.</p>
<p>Entre os nomes ligados ao Rio aparecem Jorge Paulo Lemann e família, com patrimônio estimado em R$ 103,5 bilhões, e André Esteves, fundador e principal acionista do BTG Pactual (BPAC11), com aproximadamente R$ 66,1 bilhões. Os irmãos Fernando Roberto Moreira Salles e Pedro Moreira Salles, ligados ao Itaú Unibanco (ITUB3; ITUB4) e a outros investimentos familiares, aparecem com R$ 50,3 bilhões e R$ 46,6 bilhões, respectivamente.</p>
<p>A presença simultânea desses grandes patrimônios eleva fortemente a média fluminense e permite que o Rio ultrapasse São Paulo mesmo com um número muito menor de bilionários.</p>
<p>São Paulo, em contrapartida, possui uma base mais extensa e diversificada de grandes fortunas, espalhadas por tecnologia, indústria, varejo, finanças, saúde, alimentos, construção, logística e outros setores.</p>
<h2>Eduardo Saverin continua no topo</h2>
<p>O maior patrimônio individual da lista de 2026 pertence novamente a Eduardo Saverin, cofundador do Facebook e investidor de tecnologia.</p>
<p>A Forbes estima sua fortuna em R$ 162,9 bilhões. Mesmo depois de uma redução de aproximadamente R$ 64 bilhões em relação ao levantamento anterior, Saverin permaneceu na primeira posição entre os brasileiros.</p>
<p>A queda é expressiva: seu patrimônio havia sido estimado em cerca de R$ 227 bilhões na edição anterior. Ainda assim, a diferença para os demais integrantes da lista continua suficientemente grande para mantê-lo na liderança.</p>
<p>Saverin possui parcela de sua fortuna vinculada à Meta, controladora de Facebook, Instagram e WhatsApp, além de investimentos realizados por meio da B Capital, gestora de venture capital criada por ele.</p>
<p>A volatilidade de ações negociadas internacionalmente ajuda a explicar por que patrimônios dessa magnitude podem variar dezenas de bilhões de reais de um ano para outro sem que necessariamente ocorram grandes compras ou vendas de ativos pelos seus proprietários.</p>
<h2>Vicky Safra permanece como mulher mais rica do Brasil</h2>
<p>Vicky Safra e família aparecem logo depois, com patrimônio estimado em R$ 130,6 bilhões.</p>
<p>A fortuna está ligada principalmente ao Banco Safra e aos ativos construídos pelo banqueiro Joseph Safra, morto em 2020. Vicky nasceu na Grécia e se naturalizou brasileira, razão pela qual aparece na relação específica de bilionários naturalizados preparada pela Forbes.</p>
<p>Ela é também a mulher mais rica do Brasil.</p>
<p>Seu patrimônio aumentou em relação ao ano anterior, quando estava estimado em aproximadamente R$ 120,5 bilhões. Em uma lista cuja riqueza é fortemente dominada por homens, Vicky permanece como a única mulher entre os dez maiores patrimônios brasileiros.</p>
<p>Jorge Paulo Lemann vem na sequência, com R$ 103,5 bilhões. Aos 87 anos, o empresário ligado à 3G Capital e à AB InBev registrou crescimento de mais de 17% em sua fortuna na comparação anual.</p>
<h2>Sul tem 67 bilionários</h2>
<p>Fora do Sudeste, a maior concentração aparece na região Sul.</p>
<p>São 67 integrantes da lista com patrimônio combinado de aproximadamente R$ 292,7 bilhões. O número coloca a região em uma posição muito distante do Sudeste em volume financeiro, mas bastante acima do restante do País em quantidade de bilionários.</p>
<p>Santa Catarina chama atenção. O estado reúne 38 nomes, e a presença da WEG (WEGE3) ajuda a explicar boa parte dessa concentração. Dos bilionários catarinenses identificados na lista, 31 possuem algum vínculo patrimonial com a fabricante de motores, equipamentos elétricos e soluções industriais.</p>
<p>A trajetória da WEG ilustra como a valorização de uma grande empresa de capital aberto pode produzir diversas fortunas simultaneamente. Fundadores, herdeiros e integrantes das famílias controladoras mantêm participações cuja valorização acompanha, em grande medida, a evolução da companhia na Bolsa.</p>
<p>Além dos acionistas da WEG, o Sul reúne patrimônios ligados a fertilizantes, varejo, calçados, indústria e investimentos financeiros.</p>
<p>Alceu Elias Feldmann, fundador da Fertipar, aparece com cerca de R$ 19,2 bilhões. Lirio Parisotto, ligado à Videolar e a investimentos em Bolsa, tem R$ 14,2 bilhões. Alexandre Grendene Bartelle, cofundador da Grendene (GRND3), soma R$ 12,1 bilhões, enquanto Luciano Hang, da Havan, aparece com aproximadamente R$ 11,9 bilhões.</p>
<h2>Agro concentra riqueza no Centro-Oeste</h2>
<p>O Centro-Oeste possui apenas sete integrantes na lista, mas reúne R$ 59,2 bilhões em patrimônio.</p>
<p>Grande parte dessa riqueza está concentrada nos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista, controladores da JBS (JBSS32) por meio da J&amp;F. Juntos, os dois acumulam aproximadamente R$ 43,8 bilhões, o equivalente a mais de 70% do patrimônio dos bilionários associados à região.</p>
<p>O resultado mostra a influência do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339285">agronegócio</a> e da cadeia de proteína animal na formação das maiores fortunas locais.</p>
<p>A economia do Centro-Oeste é fortemente ligada à produção de soja, milho, carne bovina e outras commodities agrícolas. Nas últimas décadas, a expansão dessa fronteira produtiva permitiu a formação de grupos empresariais de grande escala, embora apenas uma parcela relativamente pequena tenha alcançado o patrimônio necessário para integrar a lista da Forbes.</p>
<p>A comparação com o Sudeste também revela outra diferença. Enquanto São Paulo e Rio concentram fortunas espalhadas por dezenas de setores, o Centro-Oeste apresenta uma concentração maior em poucas atividades e poucos grupos empresariais.</p>
<h2>Nordeste reúne mais nomes, mas patrimônio é semelhante</h2>
<p>O Nordeste soma 21 integrantes na lista, com patrimônio combinado de aproximadamente R$ 62,3 bilhões.</p>
<p>Apesar de possuir três vezes mais bilionários do que o Centro-Oeste, o total acumulado é apenas ligeiramente superior. Isso ocorre porque a média das fortunas nordestinas é menor e porque os grandes patrimônios da região estão menos concentrados em nomes com dezenas de bilhões de reais.</p>
<p>O principal destaque é Mário Araripe, fundador da Casa dos Ventos, cuja fortuna é estimada em R$ 20,3 bilhões.</p>
<p>Araripe construiu seu patrimônio principalmente no setor de energia renovável. A Casa dos Ventos tornou-se uma das principais empresas brasileiras de desenvolvimento de projetos eólicos e posteriormente ampliou sua atuação para outras áreas da transição energética.</p>
<p>Além de energia, aparecem no Nordeste fortunas construídas em educação, alimentos, varejo, indústria e outros <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339284">negócios</a> regionais.</p>
<h2>Norte não tem nenhum nome na lista</h2>
<p>A maior disparidade regional aparece no Norte.</p>
<p>Nenhum dos 255 integrantes da Lista Forbes Bilionários Brasileiros de 2026 está associado à região.</p>
<p>O dado chama atenção porque o Norte reúne algumas das maiores operações de mineração, energia, agronegócio e exploração de recursos naturais do País. Boa parte dessas atividades, porém, é controlada por empresas e grupos cujos acionistas e centros de decisão estão estabelecidos em outras regiões.</p>
<p>A ausência de bilionários no ranking não significa inexistência de empresários ricos na Amazônia ou nos estados nortistas. Significa apenas que nenhum patrimônio individual relacionado à região atingiu os critérios e valores considerados pela Forbes para a edição brasileira de 2026.</p>
<p>A diferença em relação ao Sudeste evidencia como a localização da atividade econômica nem sempre corresponde ao lugar onde a riqueza societária termina concentrada.</p>
<p>Grandes mineradoras, bancos, indústrias e empresas de infraestrutura podem operar nacionalmente e gerar receitas em diferentes estados, enquanto seus acionistas permanecem associados aos centros empresariais tradicionais.</p>
<h2>Finanças concentram algumas das maiores fortunas</h2>
<p>A distribuição regional também acompanha a especialização econômica brasileira.</p>
<p>No Sudeste, o setor financeiro possui peso especialmente elevado. Famílias ligadas ao Itaú, ao Safra, ao BTG Pactual e a outros grupos financeiros figuram entre os maiores patrimônios do País.</p>
<p>A indústria também continua relevante. Grandes fortunas associadas a bebidas, mineração, siderurgia, bens de capital, alimentos e tecnologia estão concentradas principalmente entre São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.</p>
<p>No Sul, empresas industriais e familiares possuem peso proporcionalmente maior. No Centro-Oeste, a origem da riqueza está mais ligada à agropecuária e à proteína animal, enquanto no Nordeste aparecem energia renovável, educação e alimentos.</p>
<p>A própria Forbes identificou as finanças como o segmento que concentra o maior volume de patrimônio entre os bilionários brasileiros de 2026, enquanto a indústria aparece com grande número de representantes.</p>
<p>Esse retrato ajuda a explicar por que mudanças no preço das ações podem alterar o ranking tão rapidamente.</p>
<p>Grande parte dessas fortunas não está parada em contas bancárias. Ela corresponde ao valor estimado de participações em empresas.</p>
<h2>R$ 1,86 trilhão não significa dinheiro disponível</h2>
<p>A soma dos patrimônios dos bilionários brasileiros chega a aproximadamente R$ 1,86 trilhão, mas o número precisa ser interpretado corretamente.</p>
<p>Esse valor não representa dinheiro disponível em caixa.</p>
<p>A maior parte corresponde ao valor estimado de ações, participações em empresas fechadas, investimentos e outros ativos. Quando a cotação de uma companhia sobe, a fortuna estimada de seus principais acionistas aumenta, ainda que eles não tenham recebido nenhum dinheiro naquele momento.</p>
<p>O movimento contrário também acontece.</p>
<p>Foi exatamente o que ocorreu com Eduardo Saverin. A redução estimada de mais de R$ 64 bilhões em seu patrimônio não significa necessariamente que o empresário tenha desembolsado ou perdido fisicamente esse montante. A mudança reflete principalmente a atualização da avaliação de seus ativos.</p>
<p>A Forbes utiliza como referência as participações societárias e as cotações disponíveis em uma determinada data. Para a lista brasileira de 2026, foram considerados valores de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339363">mercado</a> observados em 30 de junho.</p>
<p>Empresas fechadas exigem estimativas baseadas em informações financeiras, transações comparáveis e outros critérios de avaliação.</p>
<p>Imóveis, obras de arte, aeronaves, embarcações e outros bens sem preço público imediato não são necessariamente incorporados integralmente à estimativa.</p>
<p>Por essa razão, os valores devem ser entendidos como aproximações do patrimônio, e não como demonstrações contábeis completas de cada pessoa.</p>
<h2>Fortuna dos 255 equivale a parcela relevante da economia</h2>
<p>A dimensão conjunta dessas riquezas fica mais clara quando comparada à economia nacional.</p>
<p>Os R$ 1,86 trilhão atribuídos aos 255 bilionários equivalem a aproximadamente 14,6% do Produto Interno Bruto brasileiro de 2025, que alcançou R$ 12,739 trilhões.</p>
<p>A comparação possui apenas finalidade de escala: PIB mede o valor produzido pela economia durante determinado período, enquanto patrimônio representa estoque acumulado de ativos. São conceitos econômicos diferentes e não devem ser tratados como se fossem diretamente equivalentes.</p>
<p>Ainda assim, a relação mostra o tamanho do patrimônio concentrado em um grupo muito pequeno de pessoas.</p>
<p>Outro aspecto relevante é que a concentração ocorre também dentro do próprio ranking. Os maiores nomes respondem por uma parcela muito superior àquela observada entre os integrantes da parte inferior da lista.</p>
<p>Essa característica ajuda a explicar o fenômeno observado entre Rio e São Paulo. O estado paulista tem muito mais bilionários, mas alguns poucos patrimônios fluminenses de dezenas de bilhões de reais são suficientes para inverter a liderança quando o critério é riqueza total.</p>
<h2>Sudeste concentra 67,5% da riqueza da lista</h2>
<p>A informação mais reveladora da distribuição regional aparece justamente quando quantidade e patrimônio são comparados.</p>
<p>O Sudeste reúne 59,6% dos nomes, mas aproximadamente 67,5% do patrimônio mapeado pela Forbes.</p>
<p>A região, portanto, não apenas possui mais bilionários. Seus bilionários também concentram, em conjunto, fortunas proporcionalmente maiores.</p>
<p>Essa diferença reflete a presença histórica dos principais mercados de capitais, bancos, sedes corporativas e grandes grupos empresariais em São Paulo e no Rio de Janeiro.</p>
<p>Mesmo com a expansão do agronegócio no Centro-Oeste, da indústria no Sul e de novos polos de energia e serviços no Nordeste, a geografia das fortunas bilionárias continua muito próxima daquela construída durante a industrialização e a consolidação do sistema financeiro brasileiro.</p>
<p>A lista de 2026 mostra que esse padrão permanece forte: dos R$ 1,86 trilhão atribuídos aos 255 maiores patrimônios do País, cerca de R$ 1,26 trilhão continuam concentrados no Sudeste.</p>
<p>São Paulo ainda é o maior polo em número de bilionários. O Rio, graças ao tamanho de algumas fortunas individuais, supera o estado vizinho quando o dinheiro é somado. O Sul se consolidou como segundo polo em quantidade de nomes. Centro-Oeste e Nordeste aparecem muito atrás, embora setores como agronegócio e energia tenham criado fortunas de bilhões de reais.</p>
<p>E o Norte segue fora do mapa.</p>
<p>Mais do que uma lista de indivíduos ricos, o levantamento acaba funcionando como uma fotografia da própria formação econômica brasileira — e mostra que, quando se chega ao topo da distribuição patrimonial, a riqueza continua geograficamente muito mais concentrada do que a população e a atividade econômica do País.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Banco Central decreta liquidação da Banvox por vínculo com Trustee DTVM</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/banco-central-liquidacao-banvox-trustee-dtvm</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 14:02:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Banvox Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários após identificar vínculo de interesse com a Trustee DTVM, caracterizado pelo exercício de poder de controle e pela existência de administração comum. A medida consta do Ato do Presidente do BCB nº 1.390, datado de 3 de setembro de 2026, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Banvox Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários após identificar vínculo de interesse com a Trustee DTVM, caracterizado pelo exercício de poder de controle e pela existência de administração comum. A medida consta do Ato do Presidente do BCB nº 1.390, datado de 3 de setembro de 2026, e integra o mesmo processo administrativo que levou à liquidação da Trustee. A autoridade monetária nomeou Marilena Simões Valentim como liquidante da Banvox, com amplos poderes de administração e liquidação.</p>
<p>A decisão sobre a Banvox não foi tomada de forma isolada. No mesmo dia, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Trustee por graves violações às normas legais que disciplinam sua atividade. As duas <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339070">empresas</a> integram um conglomerado prudencial enquadrado no segmento S4 da regulação bancária. Em julho de 2026, Banvox e Trustee respondiam, somadas, por menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional, mas concentravam 0,76% do volume de administração de recursos de terceiros.</p>
<p>O ato que alcançou a Banvox foi fundamentado na Lei nº 6.024, que disciplina intervenção e liquidação extrajudicial de instituições financeiras, e utilizou a possibilidade de aplicação do mesmo regime a empresas que mantenham integração de atividades ou vínculo de interesse com outra instituição submetida à medida. Para a Banvox, o BC apontou especificamente a ligação com a Trustee.</p>
<h2>Termo legal foi fixado 59 dias antes do ato</h2>
<p>Um dos pontos centrais do ato é a definição de 6 de julho de 2026 como termo legal da liquidação da Banvox. A mesma data foi estabelecida para a Trustee. O intervalo entre 6 de julho e 3 de setembro é de 59 dias, praticamente o limite de 60 dias previsto pela Lei nº 6.024 para a fixação do termo legal em determinadas hipóteses.</p>
<p>O termo legal não significa que a Banvox estivesse formalmente em liquidação desde julho. A liquidação foi decretada em setembro. A data funciona como referência jurídica do processo e pode ser relevante para a análise de atos praticados antes da decretação e para a reconstrução da situação que levou ao regime especial.</p>
<p>Pela Lei nº 6.024, cabe ao Banco Central indicar, no ato que decreta a liquidação, a data em que se caracterizou o estado que determinou a medida. A legislação estabelece que esse termo não pode ultrapassar 60 dias contados do primeiro protesto por falta de pagamento ou, na ausência desse marco, do ato que decretou a intervenção ou a própria liquidação. A escolha de 6 de julho coloca a referência temporal praticamente no extremo permitido pela norma.</p>
<p>A liquidação será conduzida por Marilena Simões Valentim. A lei atribui ao liquidante poderes para verificar e classificar créditos, representar a instituição judicial e extrajudicialmente, administrar o patrimônio e conduzir as etapas necessárias ao encerramento do regime.</p>
<h2>Liquidação interrompe gestão ordinária e produz efeitos imediatos</h2>
<p>A liquidação extrajudicial é um regime especial que retira a administração ordinária da instituição e transfere a condução de seus <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339069">negócios</a> ao liquidante nomeado pela autoridade supervisora.</p>
<p>A legislação prevê efeitos imediatos sobre o patrimônio e as obrigações da empresa liquidada. Entre eles estão a suspensão de ações e execuções relacionadas aos direitos e interesses do acervo, o vencimento antecipado das obrigações e a interrupção da prescrição relativa a obrigações de responsabilidade da instituição. A lei também estabelece que não fluem juros contra a massa enquanto o passivo não estiver integralmente pago.</p>
<p>Os administradores perdem seus mandatos com a decretação do regime. A Lei nº 6.024 ainda estabelece a indisponibilidade dos bens dos administradores abrangidos pelas regras do processo até que sejam apuradas suas responsabilidades. O Banco Central informou que os bens dos controladores e ex-administradores das duas distribuidoras ficaram indisponíveis.</p>
<p>A autoridade monetária afirmou que continuará apurando responsabilidades. O resultado poderá levar a sanções administrativas e, se forem identificados fatos que extrapolem a esfera regulatória, a comunicações a outras autoridades. A liquidação, por si só, não corresponde a condenação criminal nem define individualmente responsabilidades.</p>
<h2>Banvox surgiu da antiga CM Capital Markets DTVM</h2>
<p>A Banvox operava sob essa denominação havia pouco mais de dois anos. Documentos do Banco Central mostram que a instituição era anteriormente denominada CM Capital Markets Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. A mudança de nome para Banvox DTVM foi aprovada em junho de 2024, após alteração contratual realizada em março daquele ano.</p>
<p>Antes disso, o controle direto da instituição havia sido transferido para a Banvox Holding Financeira, enquanto o controle indireto passou para o empresário Maurício Antonio Quadrado. Segundo registros do Banco Central, a operação produziu efeitos a partir de 22 de dezembro de 2023 e foi posteriormente aprovada no processo de autorização societária.</p>
<p>A instituição também passou a constar entre os participantes do Sistema de Transferência de Reservas em junho de 2024. Menos de três anos depois da transferência de controle e pouco mais de dois anos após a mudança de denominação, a empresa entrou em liquidação extrajudicial.</p>
<p>Quadrado também está associado à Trustee e foi sócio do Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025. As conexões empresariais entre integrantes desse conjunto de instituições passaram a receber atenção crescente de autoridades e reguladores nas investigações relacionadas ao entorno do Master.</p>
<h2>Banvox e Trustee negam irregularidades</h2>
<p>Após a decisão do Banco Central, Banvox e Trustee divulgaram manifestação conjunta na qual negaram irregularidades na estrutura de suas operações e violações às normas do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339068">mercado</a> de capitais. As instituições afirmaram que vinham prestando esclarecimentos solicitados pela autoridade monetária e disseram ter recebido a decretação da liquidação com surpresa.</p>
<p>As empresas também sustentaram que não haviam sido previamente notificadas pelo BC para realizar enquadramentos relacionados às irregularidades mencionadas no comunicado da autoridade. A afirmação integra a versão apresentada pelas instituições e não altera a adoção do regime de liquidação.</p>
<p>O Banco Central não detalhou publicamente, no comunicado geral sobre as duas distribuidoras, todas as condutas concretas classificadas como graves violações. No caso da Banvox, o Ato nº 1.390 destaca o vínculo de interesse com a Trustee como fundamento para a medida. A distinção é relevante: a Banvox foi alcançada pela relação de controle e administração comum, enquanto a Trustee aparece como a instituição cuja liquidação decorre diretamente das violações apontadas.</p>
<h2>Fundos administrados não se confundem com o patrimônio da distribuidora</h2>
<p>A participação das duas empresas na administração de recursos de terceiros torna a liquidação relevante para cotistas apesar da reduzida participação no total de ativos do sistema. Os 0,76% de recursos de terceiros administrados por Banvox e Trustee são muito superiores, proporcionalmente, à fatia inferior a 0,001% que as duas representavam no ativo total ajustado.</p>
<p>A diferença entre as duas métricas é superior a 760 vezes quando se comparam apenas os limites percentuais divulgados pelo Banco Central. Isso mostra como instituições de pequena dimensão patrimonial podem ter peso maior na infraestrutura da indústria de fundos.</p>
<p>A liquidação da administradora não significa, automaticamente, que os ativos dos fundos passem a integrar o patrimônio da Banvox. A regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários estabelece segregação patrimonial entre fundos, classes de cotas e prestadores de serviços, além de regras próprias para substituição de administradores e continuidade das estruturas.</p>
<p>Para os cotistas, o processo pode exigir decisões sobre a administração dos veículos afetados e eventual transferência de funções para instituições habilitadas. Cada fundo, porém, precisa ser analisado de acordo com seu regulamento, estrutura e prestadores envolvidos. Cotas de fundos de investimento também não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.</p>
<h2>Banco Central ainda apura responsabilidades</h2>
<p>A liquidação abre uma etapa de levantamento patrimonial, classificação de créditos e reconstrução das obrigações da instituição. O liquidante deverá assumir documentos, contratos e posições da Banvox, enquanto o Banco Central acompanha o processo e prossegue com as apurações.</p>
<p>A Lei nº 6.024 permite que o regime seja aplicado a empresas com integração de atividades ou vínculo de interesse para preservar a integridade do acervo. No caso da Banvox, o BC declarou ter identificado controle e administração comuns com a Trustee.</p>
<p>A combinação entre a liquidação das duas distribuidoras, a indisponibilidade de bens de controladores e ex-administradores, a fixação do mesmo termo legal e a tramitação no mesmo processo administrativo mostra que a autoridade monetária está tratando as instituições como partes de uma estrutura vinculada para fins do regime especial. Ainda não estão definidas publicamente a extensão das responsabilidades individuais nem eventuais sanções adicionais.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Banco Central do Brasil &#8211; atos e comunicados sobre a liquidação extrajudicial da Banvox e da Trustee, participação das instituições no Sistema Financeiro Nacional e registros societários da Banvox</em></p>
<p><em>Presidência da República &#8211; Lei nº 6.024 de 1974, com as regras aplicáveis à liquidação extrajudicial de instituições financeiras, efeitos da medida, termo legal e vínculo de interesse</em></p>
<p><em>Comissão de Valores Mobiliários &#8211; Resolução CVM nº 175 e regras de constituição, funcionamento e segregação patrimonial dos fundos de investimento</em></p>
<p><em>Banvox e Trustee &#8211; manifestação pública conjunta sobre a decisão do Banco Central e contestação de irregularidades</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Juros futuros recuam com eleição no radar e alívio nos Treasuries; DI para 2029 cai a 13,885%</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/juros-futuros-eleicoes-treasuries-di-2029-13-885</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 01:00:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[curva de juros]]></category>
		<category><![CDATA[Dí]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Federal Reserve]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Juros Futuros]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado Financeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Selic]]></category>
		<category><![CDATA[Treasuries]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os juros futuros brasileiros encerraram esta quinta-feira, 3 de setembro, em queda na maior parte dos vencimentos, refletindo uma combinação de fatores domésticos e externos. A disputa eleitoral voltou a influenciar a percepção de risco dos investidores, enquanto os títulos do Tesouro dos Estados Unidos perderam força durante parte do pregão após novas declarações de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Os juros futuros brasileiros encerraram esta quinta-feira, 3 de setembro, em queda na maior parte dos vencimentos, refletindo uma combinação de fatores domésticos e externos. A disputa eleitoral voltou a influenciar a percepção de risco dos investidores, enquanto os títulos do Tesouro dos Estados Unidos perderam força durante parte do pregão após novas declarações de integrantes do Federal Reserve. O movimento foi mais evidente nos contratos de médio e longo prazo, justamente aqueles mais sensíveis às expectativas sobre <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339049">política</a> fiscal, inflação e trajetória dos juros nos próximos anos.</p>
<p>O contrato de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2029 terminou a sessão com taxa de 13,885% ao ano, abaixo dos 13,950% registrados no fechamento anterior, uma redução de 6,5 pontos-base. No trecho mais longo, o DI para janeiro de 2036 encerrou a 14,285%, com queda de 3,5 pontos-base. Já o vencimento de janeiro de 2027, mais diretamente influenciado pelas expectativas de curto prazo para a política monetária, ficou praticamente estável em 13,575%.</p>
<p>A configuração mostra que a mudança mais relevante ocorreu fora da parte inicial da curva. Isso é importante porque os contratos mais longos carregam uma quantidade maior de incertezas: além da Selic definida pelo Banco Central, incorporam expectativas sobre inflação, resultado das contas públicas, crescimento econômico e risco político. Com a eleição presidencial entrando na reta decisiva, qualquer mudança na percepção sobre o próximo governo tende a aparecer rapidamente nessas taxas.</p>
<h2>Curva longa reage mais do que os vencimentos curtos</h2>
<p>A diferença entre os movimentos observados nesta quinta-feira ajuda a mostrar como o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339051">mercado</a> está separando política monetária de risco fiscal. O DI para janeiro de 2027 praticamente não se moveu, refletindo um horizonte em que as decisões do Banco Central já estão relativamente próximas e podem ser estimadas com maior precisão a partir da inflação, da atividade econômica e das sinalizações do Copom.</p>
<p>Nos prazos mais distantes, o cenário é diferente. O DI para 2029 caiu 6,5 pontos-base e o contrato para 2036 também apresentou fechamento, ainda que menos intenso. Esses vencimentos atravessam integralmente o próximo mandato presidencial e, por isso, respondem com maior intensidade às expectativas sobre a política econômica que será adotada a partir de 2027.</p>
<p>A Selic está atualmente em 14% ao ano, depois de o Banco Central reduzir a taxa em agosto. O ciclo de cortes iniciado neste ano já influencia os contratos mais próximos, mas os juros longos continuam significativamente acima da taxa projetada para o futuro justamente porque carregam prêmio adicional de risco.</p>
<p>Esse prêmio pode diminuir quando os investidores passam a enxergar maior probabilidade de controle das despesas, estabilização da dívida e melhora das expectativas de inflação. Também pode aumentar rapidamente se o cenário político indicar o contrário.</p>
<h2>Eleição começa a dominar a formação dos preços</h2>
<p>O mercado financeiro vem incorporando as pesquisas eleitorais com intensidade crescente. Nesta quinta-feira, novos levantamentos reforçaram a percepção de uma disputa apertada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.</p>
<p>Pesquisa Futura divulgada durante o dia mostrou Lula com 38,7% das intenções de voto no primeiro turno, diante de 33,6% de Flávio. Augusto Cury apareceu em terceiro lugar, com 9,9%. No segundo turno, o levantamento registrou empate técnico, com os dois principais candidatos separados por menos de um ponto percentual.</p>
<p>Outro levantamento, do Datafolha, também apresentou uma disputa competitiva. Lula apareceu com 38% no primeiro turno, contra 33% de Flávio e 8% de Augusto Cury. Em um eventual segundo turno, os dois principais candidatos permaneceram dentro da margem de erro.</p>
<p>Para os mercados, mais importante do que a liderança momentânea de um candidato é a avaliação sobre o que cada resultado pode significar para a condução da política econômica. Investidores procuram antecipar o comportamento das despesas públicas, eventuais mudanças tributárias, a capacidade de cumprir metas fiscais e a composição do Congresso que assumirá em 2027.</p>
<p>É esse conjunto de expectativas que tem produzido o chamado “trade eleitoral”. Bolsa, câmbio e juros passaram a reagir com mais força à divulgação de pesquisas à medida que a eleição se aproxima.</p>
<h2>Queda dos juros não significa apoio formal a candidato</h2>
<p>A interpretação dos movimentos precisa ser feita com cuidado. A redução dos juros futuros não significa que o mercado financeiro, como um bloco único, tenha escolhido ou apoiado determinado candidato. Os preços resultam de milhares de posições mantidas por bancos, fundos locais, investidores estrangeiros, seguradoras, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339050">empresas</a> e outros participantes com estratégias e horizontes diferentes.</p>
<p>O que pode ser observado é a forma como esses agentes alteram os prêmios exigidos para carregar risco brasileiro quando as probabilidades eleitorais mudam. Uma percepção de maior compromisso futuro com a disciplina fiscal tende a produzir fechamento da curva. Expectativas de expansão das despesas sem contrapartidas, por outro lado, costumam pressionar principalmente os vencimentos mais longos.</p>
<p>A proximidade entre Lula e Flávio também aumenta a volatilidade. Em uma eleição com vantagem ampla e estável, o mercado tende a incorporar mais rapidamente determinado cenário. Quando a diferença é pequena, cada pesquisa pode modificar as probabilidades e provocar ajustes de posições.</p>
<p>Esse comportamento deverá se intensificar nas próximas semanas, principalmente conforme os levantamentos ficarem mais frequentes e as campanhas apresentarem propostas econômicas mais detalhadas.</p>
<h2>Treasuries também deram algum alívio ao mercado brasileiro</h2>
<p>O cenário externo contribuiu para o fechamento dos juros durante parte do pregão. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos recuaram depois de declarações do diretor do Federal Reserve Christopher Waller, que sinalizou disposição para defender a manutenção dos juros americanos caso os próximos dados confirmem uma trajetória mais favorável para a inflação.</p>
<p>Waller afirmou que a decisão para a próxima reunião dependerá de maneira importante dos números de inflação de agosto. A mensagem reduziu parte das apostas mais agressivas de aperto monetário e produziu alívio temporário nos rendimentos dos Treasuries.</p>
<p>Ao longo do final da sessão, os juros americanos voltaram a oscilar próximos da estabilidade e alguns vencimentos chegaram a apresentar pequenas altas. Ainda assim, a moderação observada durante boa parte do dia ajudou mercados emergentes, inclusive o Brasil.</p>
<p>A relação é direta. Quando os títulos americanos pagam taxas maiores, tornam-se mais atraentes para investidores globais e aumentam o retorno exigido para aplicar dinheiro em economias consideradas mais arriscadas. Quando os Treasuries recuam, essa pressão pode diminuir e abrir espaço para fechamento dos juros em países emergentes.</p>
<h2>Payroll dos EUA pode mudar o cenário nesta sexta-feira</h2>
<p>A calmaria externa ainda será testada rapidamente. Nesta sexta-feira, os investidores acompanharão a divulgação do relatório oficial de emprego dos Estados Unidos, o payroll, um dos indicadores mais importantes para as decisões do Federal Reserve.</p>
<p>Um mercado de trabalho muito aquecido pode reforçar a percepção de que a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339053">economia</a> americana continua forte o suficiente para sustentar pressões sobre salários e inflação. Nesse caso, as expectativas de juros podem voltar a subir. Uma geração de empregos mais fraca, por outro lado, tende a fortalecer a tese de que o Fed pode adotar uma postura menos dura.</p>
<p>O impacto pode chegar rapidamente ao Brasil. Uma abertura dos Treasuries costuma pressionar a curva local, principalmente nos contratos intermediários e longos, mesmo quando não há nenhuma mudança no cenário doméstico.</p>
<p>Essa influência explica por que o mercado de juros brasileiro não pode ser analisado apenas a partir do Banco Central. Em determinados pregões, a movimentação externa chega a superar o peso das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/noticias" target="_blank"  rel="noopener" title="Notícias" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339052">notícias</a> locais.</p>
<h2>Selic caiu para 14%, mas curva ainda cobra prêmio elevado</h2>
<p>O Banco Central reduziu a meta da Selic para 14% ao ano na reunião de agosto, dando continuidade ao processo de flexibilização iniciado depois de a taxa ter permanecido em 15% durante vários meses.</p>
<p>Apesar disso, os contratos futuros continuam negociando em níveis elevados. O DI para 2029 permanece próximo de 14%, enquanto a parte longa da curva trabalha acima desse patamar.</p>
<p>Isso mostra que o mercado não está simplesmente projetando a trajetória da Selic. As taxas incorporam prêmios relacionados à incerteza fiscal, inflação futura e risco político, além das condições internacionais.</p>
<p>Se os investidores acreditassem em uma queda contínua e sem obstáculos da inflação e dos juros, os contratos mais longos provavelmente estariam em níveis significativamente inferiores. A persistência de taxas próximas ou superiores a 14% indica que ainda existe cautela sobre a capacidade de o país manter uma trajetória fiscal compatível com juros estruturalmente mais baixos.</p>
<p>É justamente por isso que a eleição possui impacto tão grande sobre esses contratos. A política fiscal do governo que assumir em 2027 será um dos principais determinantes da possibilidade de redução sustentável dos juros reais brasileiros.</p>
<h2>Curva de juros também afeta Bolsa, crédito e empresas</h2>
<p>A queda dos DIs não interessa apenas a quem negocia contratos futuros. A curva de juros é utilizada como referência para uma ampla variedade de decisões financeiras e influencia diretamente a avaliação das empresas listadas na Bolsa.</p>
<p>Quando as taxas longas caem, o valor presente dos fluxos futuros de caixa das companhias tende a aumentar. Setores mais sensíveis ao custo de capital, como construção civil, varejo e empresas com elevado nível de endividamento, costumam responder de maneira particularmente intensa.</p>
<p>O efeito também chega ao mercado de crédito. Bancos e empresas utilizam a curva como uma das referências para definir custos de captação e preços de empréstimos, debêntures e outras operações financeiras. Uma redução persistente das taxas pode melhorar as condições de financiamento, embora esse processo não seja imediato e dependa também dos spreads de crédito.</p>
<p>O movimento desta quinta-feira ocorreu depois de uma forte valorização recente da Bolsa brasileira associada à mesma reprecificação eleitoral. O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/ibovespa" target="_blank"  rel="noopener" title="Ibovespa" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="339054">Ibovespa</a> encerrou praticamente estável nesta sessão, na região dos 185 mil pontos, após uma sequência de altas que havia levado o índice a sucessivos recordes.</p>
<p>O comportamento simultâneo dos ativos mostra que o mercado está ajustando diferentes preços à mesma pergunta: qual será a política econômica adotada depois das eleições.</p>
<h2>Disputa eleitoral deverá manter volatilidade elevada</h2>
<p>A sessão desta quinta-feira dificilmente será um episódio isolado. À medida que outubro se aproxima, a sensibilidade dos juros às pesquisas deverá aumentar. Diferenças de poucos pontos entre os candidatos podem produzir movimentos relevantes porque alteram as probabilidades utilizadas pelos investidores na construção de seus cenários.</p>
<p>Ao mesmo tempo, qualquer leitura puramente eleitoral continuará sujeita ao ambiente internacional. Inflação americana, decisões do Fed, petróleo, Treasuries e aversão global ao risco têm capacidade de neutralizar ou intensificar os movimentos domésticos.</p>
<p>No Brasil, dados de inflação e atividade também continuarão influenciando a parte curta da curva, especialmente porque o Banco Central já iniciou o processo de redução da Selic e precisa definir o ritmo dos próximos cortes.</p>
<p>O resultado é uma curva submetida simultaneamente a três forças: política monetária no curto prazo, eleição e fiscal nos vencimentos longos e juros americanos como fator externo.</p>
<p>Nesta quinta-feira, essa combinação favoreceu o fechamento da maior parte dos contratos. O DI para 2029 caiu a 13,885%, enquanto o vencimento de 2036 terminou em 14,285%. Os números mostram redução do prêmio em relação à sessão anterior, mas ainda mantêm os juros brasileiros em patamares elevados.</p>
<p>Até que haja maior clareza sobre o resultado eleitoral, a composição do próximo Congresso e o programa fiscal do governo que assumir em 2027, a tendência é que os contratos mais longos continuem funcionando como um dos principais termômetros da percepção de risco do país.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>B3 &#8211; dados de negociação e informações sobre contratos futuros de DI</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil &#8211; histórico da taxa Selic e decisão do Copom de agosto de 2026</em></p>
<p><em>Federal Reserve &#8211; sinalizações sobre a condução da política monetária dos Estados Unidos</em></p>
<p><em>Futura Inteligência &#8211; pesquisa presidencial divulgada em 3 de setembro de 2026</em></p>
<p><em>Datafolha &#8211; pesquisa de intenção de voto divulgada em 3 de setembro de 2026</em></p>
<p><em>Dados de mercado &#8211; taxas dos contratos futuros e rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>CNJ retira pagamento prévio do ITCMD como condição para inventário em cartório</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/cnj-inventario-cartorio-sem-pagamento-previo-itcmd</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Sep 2026 18:23:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Cartório]]></category>
		<category><![CDATA[CNJ]]></category>
		<category><![CDATA[herança]]></category>
		<category><![CDATA[imposto sobre herança]]></category>
		<category><![CDATA[inventário em cartório]]></category>
		<category><![CDATA[inventário extrajudicial]]></category>
		<category><![CDATA[ITCMD]]></category>
		<category><![CDATA[partilha de bens]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento sucessório]]></category>
		<category><![CDATA[sucessão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Conselho Nacional de Justiça retirou o pagamento prévio do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação, o ITCMD, como condição para a lavratura de escrituras de inventário e partilha em cartório. A mudança foi formalizada pela Resolução nº 695, publicada em 28 de agosto, depois de decisão unânime do plenário em 18 de agosto, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Conselho Nacional de Justiça retirou o pagamento prévio do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação, o ITCMD, como condição para a lavratura de escrituras de inventário e partilha em cartório. A mudança foi formalizada pela Resolução nº 695, publicada em 28 de agosto, depois de decisão unânime do plenário em 18 de agosto, e altera uma regra nacional que desde 2007 determinava que o recolhimento dos tributos incidentes deveria ocorrer antes da escritura.</p>
<p>A nova norma permite que o tabelião conclua o inventário extrajudicial mesmo quando os herdeiros ainda não tiverem recolhido o imposto. Isso não significa que o ITCMD tenha sido dispensado ou perdoado. A obrigação tributária continua existindo, e o próprio CNJ determina que a escritura registre a ciência das partes sobre o pagamento devido conforme a legislação do estado ou do Distrito Federal.</p>
<p>A mudança atinge especialmente famílias que possuem patrimônio, mas não dispõem de liquidez imediata para pagar o imposto. A falta de caixa deixa de ser, pela norma nacional do CNJ, motivo suficiente para impedir a escritura, embora regras estaduais ainda possam criar exigências em etapas posteriores.</p>
<h2>Regra nacional mudou depois de 19 anos</h2>
<p>A Resolução nº 35 do CNJ, publicada em 2007 para disciplinar inventários, partilhas, separações e divórcios realizados pela via administrativa, estabelecia em seu artigo 15 que o recolhimento dos tributos deveria anteceder a escritura. Essa redação funcionou por quase duas décadas como referência nacional para os tabelionatos.</p>
<p>A Resolução nº 695 substituiu essa regra por uma formulação direta: a escritura pública de inventário e partilha não se condiciona à comprovação do recolhimento prévio do ITCMD. O tabelião deve consignar no documento que as partes, assistidas por seus advogados, têm ciência das obrigações tributárias e, quando o imposto não tiver sido recolhido, comunicar a lavratura ao Fisco em até cinco dias, salvo prazo diferente previsto na legislação aplicável.</p>
<p>O desenho separa duas etapas que antes estavam amarradas: a formalização da partilha e a arrecadação do imposto. O CNJ passou a entender que o tabelião não deve funcionar como barreira para a prática do ato apenas porque existe obrigação tributária pendente, desde que essa situação seja registrada e comunicada ao ente competente.</p>
<h2>Decisão não isenta herdeiros do imposto</h2>
<p>O ponto central para quem possui inventário em andamento é que a nova regra não cria isenção. O ITCMD continua sendo um imposto estadual incidente sobre transmissões por herança e doação, e sua cobrança permanece sujeita às normas de cada unidade da Federação.</p>
<p>A mudança alcança a exigência feita pelo cartório de notas para lavrar a escritura. Ela não elimina prazos de recolhimento, multas, juros, alíquotas ou obrigações declarativas previstas na legislação estadual. Uma família que assine a escritura sem ter pago o imposto continua obrigada a apurar e recolher o valor devido.</p>
<p>Essa separação pode ser relevante em espólios concentrados em imóveis, participações societárias ou outros ativos pouco líquidos. Antes, a família podia precisar da escritura para organizar a partilha, mas não conseguia obtê-la porque ainda não tinha dinheiro suficiente para pagar o tributo. A nova redação reduz esse obstáculo, embora a transferência efetiva de determinados bens ainda possa depender de comprovação tributária em etapas posteriores.</p>
<h2>São Paulo mantém exigências na legislação</h2>
<p>A mudança nacional encontra um cenário mais complexo quando confrontada com normas estaduais. Em São Paulo, a Lei nº 10.705, que disciplina o ITCMD, contém dispositivos que ainda vinculam determinados atos de transmissão à comprovação de pagamento.</p>
<p>A legislação paulista estabelece que não sejam lavrados, registrados ou averbados atos de competência de tabeliães, escrivães e oficiais de Registro de Imóveis sem prova do pagamento do imposto. O regulamento estadual também prevê, para transmissão causa mortis realizada administrativamente, recolhimento antes da lavratura da escritura pública.</p>
<p>Há, portanto, diferença entre a nova disciplina administrativa nacional do CNJ e normas tributárias estaduais que permanecem formalmente em vigor. O Conselho regula a atuação dos serviços notariais e de registro, mas não tem competência para extinguir tributo estadual ou reescrever leis tributárias. Esse descompasso tende a exigir orientação das corregedorias locais, das secretarias de Fazenda e, em situações concretas, pode chegar ao Judiciário.</p>
<h2>Rio de Janeiro também prevê pagamento prévio</h2>
<p>No Rio de Janeiro, a Lei estadual nº 7.174 estabelece que, sem prévio recolhimento do imposto, não se faça a lavratura, o registro ou a averbação de atos e títulos relacionados à transmissão de imóveis, direitos reais, ações, quotas e outros bens.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a Resolução nº 695 do CNJ afirma que a escritura de inventário e partilha não pode ficar condicionada à comprovação do pagamento prévio do ITCMD. O contraste mostra por que a decisão não deve ser resumida como autorização para “fazer inventário sem pagar imposto”. O que mudou foi a condição nacional para lavrar a escritura. A obrigação tributária e os instrumentos estaduais de fiscalização continuam existindo.</p>
<p>Em operações imobiliárias, obter a escritura de partilha não encerra necessariamente a transferência da propriedade. O título ainda precisa ser levado ao Registro de Imóveis, onde exigências fiscais podem voltar a ser verificadas. Para participações societárias, valores financeiros e outros direitos, também podem existir procedimentos próprios para a mudança de titularidade.</p>
<h2>CNJ já havia afastado exigência de certidão negativa</h2>
<p>A decisão de agosto não surgiu isoladamente. Em abril de 2026, o plenário do CNJ já havia considerado ilegal exigir Certidão Negativa de Débitos ou Certidão Positiva com Efeitos de Negativa como condição para a lavratura de inventário e partilha extrajudicial.</p>
<p>Naquele julgamento, o Conselho entendeu que o tabelião pode solicitar as certidões para fins informativos e registrar no ato a situação fiscal do espólio, mas não pode transformar a existência de débito em obstáculo absoluto à escritura. Quatro meses depois, o Conselho avançou sobre o próprio pagamento do ITCMD e aplicou raciocínio semelhante: o Fisco mantém seus instrumentos de cobrança, enquanto o cartório deixa de impedir a escritura exclusivamente pela falta de quitação antecipada.</p>
<h2>Comunicação ao Fisco passa a ser obrigatória</h2>
<p>A retirada do pagamento prévio como condição veio acompanhada de uma obrigação específica. Quando a escritura for lavrada antes do recolhimento, o tabelião deverá informar o ato ao Fisco no prazo de cinco dias ou observar prazo diferente definido na legislação tributária competente.</p>
<p>A escritura também deverá registrar que os herdeiros foram orientados sobre a obrigação de apurar e pagar o ITCMD, além de mencionar eventual isenção ou hipótese de não incidência. Com isso, a administração tributária continua recebendo informação sobre a transmissão mesmo quando o imposto não foi quitado antes da escritura.</p>
<p>Para as famílias, a principal mudança é temporal: a partilha pode ser formalizada antes do pagamento, embora a disponibilidade efetiva de cada bem continue sujeita às regras posteriores de registro e transferência.</p>
<h2>Falta de liquidez é um dos casos mais afetados</h2>
<p>O impacto tende a ser maior quando o patrimônio deixado pelo falecido é elevado, mas o espólio possui pouco dinheiro disponível. Uma família pode herdar imóveis de valor expressivo e, ainda assim, não ter caixa suficiente para recolher imediatamente o ITCMD.</p>
<p>Nessa situação, a exigência de pagamento antes da escritura podia dificultar a conclusão de um inventário consensual. A nova regra permite formalizar a partilha primeiro, embora o imposto permaneça devido. Depois de definida a divisão, cada herdeiro passa a conhecer com maior precisão os ativos que receberá e as obrigações tributárias correspondentes, o que pode facilitar a organização financeira.</p>
<p>A decisão, entretanto, não autoriza postergação indefinida do imposto. Estados podem aplicar juros, multas e outros acréscimos quando o recolhimento ocorrer fora dos prazos previstos em suas leis. O CNJ eliminou uma condição cartorial, não os efeitos tributários do atraso.</p>
<h2>Próxima etapa será harmonizar normas e prática dos cartórios</h2>
<p>A Resolução nº 695 entrou em vigor em 28 de agosto, dez dias depois da decisão do plenário. O novo artigo 15 da Resolução nº 35 já aparece como norma vigente do CNJ.</p>
<p>O principal ponto de atenção agora está na convivência dessa regra com legislações estaduais que mantêm exigências de pagamento prévio. São Paulo e Rio de Janeiro são exemplos objetivos desse descompasso, e outros estados podem ter normas próprias que também precisarão ser analisadas.</p>
<p>Corregedorias estaduais, secretarias de Fazenda e cartórios terão de ajustar procedimentos para cumprir a orientação do CNJ sem ignorar obrigações tributárias locais. Dependendo da unidade da Federação, essa adaptação poderá ocorrer por atos administrativos, interpretação das normas existentes ou discussão judicial.</p>
<p>Para os herdeiros, a mudança reduz uma barreira relevante, mas não encerra a questão fiscal do inventário. A escritura pode ser lavrada sem que o ITCMD tenha sido previamente quitado, porém a dívida continua existindo e a transferência efetiva de alguns bens poderá depender de providências posteriores. O efeito mais concreto da decisão é separar a conclusão do inventário em cartório da cobrança antecipada do imposto, deixando ao Fisco os mecanismos próprios de fiscalização e arrecadação.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Conselho Nacional de Justiça &#8211; Resolução nº 695 de 2026, que altera a regra nacional sobre pagamento prévio do ITCMD em inventários extrajudiciais</em></p>
<p><em>Conselho Nacional de Justiça &#8211; Pedido de Providências nº 0008622-24.2025.2.00.0000 e resultado da 12ª Sessão Ordinária de 2026</em></p>
<p><em>Conselho Nacional de Justiça &#8211; Consulta nº 0008053-23.2025.2.00.0000 sobre certidões negativas em inventários extrajudiciais</em></p>
<p><em>Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo &#8211; Lei nº 10.705 de 2000 e regulamentação do ITCMD</em></p>
<p><em>Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro &#8211; Lei nº 7.174 de 2015 e regras de recolhimento do ITD</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Nova regra do Pix entra em vigor e amplia prazo para contestar devoluções</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/nova-regra-pix-devolucao-med-80-dias</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Sep 2026 19:32:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Central]]></category>
		<category><![CDATA[devolução Pix]]></category>
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		<category><![CDATA[segurança digital]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma nova regra do Pix entrou em vigor nesta terça-feira, 1º de setembro, e amplia de 30 para 80 dias o prazo para que o recebedor de uma transferência conteste uma devolução realizada no âmbito do Mecanismo Especial de Devolução (MED). A mudança foi estabelecida pelo Banco Central na Instrução Normativa BCB nº 766 e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma nova regra do Pix entrou em vigor nesta terça-feira, 1º de setembro, e amplia de 30 para 80 dias o prazo para que o recebedor de uma transferência conteste uma devolução realizada no âmbito do Mecanismo Especial de Devolução (MED). A mudança foi estabelecida pelo Banco Central na Instrução Normativa BCB nº 766 e alcança situações em que um Pix foi devolvido após uma contestação por fraude, mas o recebedor sustenta que o pedido original foi indevido ou fraudulento.</p>
<p>Na prática, o prazo de defesa de quem recebeu o dinheiro aumenta em 50 dias, uma expansão de 166,7% em relação ao período anterior. A alteração não cria um novo prazo para a vítima de golpe pedir ajuda ao banco: esse usuário já dispõe de até 80 dias, contados da transação, para acionar o MED. O que muda agora é o outro lado do processo, quando a devolução já ocorreu e o recebedor entende que ela precisa ser revertida.</p>
<p>A distinção é importante porque o MED não funciona como um simples estorno de cartão de crédito e não pode ser usado para desfazer qualquer compra ou pagamento. Pelas regras do Banco Central, o mecanismo é destinado a casos de fraude, golpe, crime ou situações específicas de falha operacional. Desacordo comercial, arrependimento ou erro do próprio usuário ao escolher a chave Pix não entram automaticamente no escopo.</p>
<h2>O que muda no Pix a partir de hoje</h2>
<p>Até agora, o usuário que recebeu um Pix e depois teve o valor devolvido pelo MED dispunha de 30 dias, contados da devolução, para contestar a operação quando suspeitasse de fraude por parte do pagador. O guia operacional do Banco Central previa expressamente esse prazo.</p>
<p>A versão 8.5 do Manual Operacional do Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), divulgada pela Instrução Normativa BCB nº 766, altera esse limite para 80 dias. A norma fixou 1º de setembro de 2026 como data de entrada em vigor das mudanças relacionadas à instauração da recuperação de valores, à contestação de transações de devolução por fraude e ao fluxo de bloqueio.</p>
<p>Com isso, as duas pontas passam a trabalhar com uma janela temporal de até 80 dias em situações diferentes. A vítima de um golpe pode solicitar a abertura do MED em até 80 dias após o Pix original. Já o recebedor que teve recursos devolvidos por causa de uma contestação por fraude passa a ter até 80 dias para questionar essa devolução quando alegar que o pagador usou o mecanismo de forma fraudulenta.</p>
<p>O prazo é máximo, não uma recomendação para esperar. O Banco Central orienta rapidez porque a recuperação depende da existência de recursos nas contas envolvidas e da capacidade das instituições de rastrear o fluxo financeiro.</p>
<h2>Regra protege também quem recebeu um Pix legítimo</h2>
<p>O MED foi desenhado para proteger quem perdeu dinheiro em fraude, mas o sistema também precisa prever uma defesa contra o uso fraudulento do próprio mecanismo. É nessa situação que atua a contestação de uma transação de devolução.</p>
<p>Um exemplo ajuda a entender. Um comerciante recebe R$ 3 mil via Pix por um produto entregue normalmente. Depois, o comprador afirma ao banco que a transferência decorreu de fraude. Se o procedimento resultar em devolução e posteriormente surgirem indícios de que a alegação era falsa, o comerciante pode pedir à instituição em que mantém conta que analise a contestação.</p>
<p>Pelas regras operacionais do Banco Central, o banco do recebedor pode avaliar primeiro o mérito da solicitação. Caso considere a contestação pertinente, a instituição abre uma Recuperação de Valores no DICT e indica como transação contestada justamente a devolução anterior.</p>
<p>Isso impede que a simples alegação do recebedor reverta automaticamente a decisão. Há uma nova análise entre as instituições envolvidas. Se o banco do pagador concordar com a notificação de infração, a recuperação aberta anteriormente para devolver o Pix original deve ser cancelada, e os valores podem voltar a percorrer o caminho inverso, desde que haja recursos disponíveis.</p>
<h2>Comerciantes ganham 50 dias adicionais para reunir provas</h2>
<p>A ampliação tem efeito particularmente relevante para <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338907">empresas</a>, profissionais autônomos e prestadores de serviço que recebem Pix em grande volume. Em uma contestação, documentos podem ser decisivos para demonstrar que a operação original possuía causa econômica legítima.</p>
<p>Nota fiscal, pedido de compra, contrato, comprovante de entrega, conversa com o cliente, ordem de serviço, registro de retirada de mercadoria e comprovantes de logística podem ajudar a instituição financeira a avaliar o caso. Quanto maior o intervalo entre a venda e a contestação, maior a importância de manter esses registros organizados.</p>
<p>Uma consequência prática é que empresas que recebem por Pix devem considerar a janela de 80 dias em suas políticas de guarda de documentos de venda. Manter apenas comprovantes bancários pode ser insuficiente: o extrato mostra que o pagamento aconteceu, mas não necessariamente comprova por que ele aconteceu.</p>
<h2>MED não pode ser usado por simples desacordo comercial</h2>
<p>O Banco Central separa fraude de conflito comercial. O MED não deve ser acionado simplesmente porque o comprador se arrependeu, recebeu um produto diferente do esperado ou teve uma discussão contratual com um vendedor de boa-fé.</p>
<p>Também não é o mecanismo correto para quem fez um Pix para a pessoa errada por falta de conferência. Nesses casos, a transferência foi iniciada pelo próprio usuário e a situação não se transforma automaticamente em fraude porque o resultado foi indesejado.</p>
<p>Para quem recebe pagamentos, uma contestação via MED não equivale a uma conclusão definitiva de fraude. O valor pode ser bloqueado enquanto as instituições analisam o caso, e o usuário recebedor deve ser informado sobre o bloqueio e sobre a eventual devolução.</p>
<h2>Como funciona o MED para quem sofreu um golpe</h2>
<p>Para a vítima, o procedimento básico continua o mesmo. O pedido deve ser feito à instituição financeira em até 80 dias da transação suspeita, mas o Banco Central orienta que o usuário acione o mecanismo o mais rapidamente possível.</p>
<p>A instituição do pagador registra a ocorrência e, se o caso estiver dentro das regras do MED, inicia o processo de recuperação. Os recursos localizados podem ser bloqueados enquanto as instituições avaliam a suspeita.</p>
<p>A análise de mérito pode levar até sete dias. Confirmada a fraude, a devolução depende da disponibilidade de recursos. Por isso, o MED aumenta a possibilidade de recuperação, mas não representa garantia de ressarcimento integral.</p>
<p>O modelo mais recente permite rastrear transações subsequentes relacionadas ao dinheiro suspeito. Em vez de olhar apenas para a conta que recebeu o Pix original, a Recuperação de Valores pode identificar o caminho seguido pelos recursos e alcançar outras contas envolvidas na cadeia financeira.</p>
<p>Esse rastreamento é relevante porque fraudadores costumam movimentar rapidamente o dinheiro recebido. A reconstrução do percurso amplia os pontos em que recursos podem ser encontrados e bloqueados.</p>
<h2>Nova regra não torna devolução automática</h2>
<p>Abrir um MED não significa receber o dinheiro de volta automaticamente. O procedimento desencadeia análise e pode resultar em bloqueio de recursos. A devolução depende da conclusão sobre a existência de fraude e, em diversos casos, da presença de saldo nas contas identificadas.</p>
<p>A mesma lógica vale no caminho inverso. Se um recebedor contesta uma devolução, a instituição não simplesmente debita novamente a conta do pagador. O banco pode analisar o mérito antes de abrir a recuperação de valores, justamente porque a nova contestação afirma que houve fraude no uso do MED pelo próprio pagador.</p>
<p>O mecanismo passa, assim, a oferecer proteção em duas direções: tenta recuperar dinheiro de quem foi enganado e permite reação quando o procedimento de devolução é suspeito de ter sido provocado fraudulentamente.</p>
<h2>O que empresas devem fazer a partir de agora</h2>
<p>A principal providência para empresas que recebem Pix é manter rastreabilidade entre cada transferência e a operação comercial correspondente. O ideal é ligar o identificador do pagamento à nota fiscal, ao pedido, ao cliente, à entrega e ao atendimento relacionado à venda.</p>
<p>Também é recomendável acompanhar os avisos do banco. Quando houver bloqueio ou devolução relacionada ao MED, o prazo de 80 dias não elimina a vantagem de responder rapidamente. Quanto antes a instituição receber documentação consistente, mais fácil será reconstruir a transação.</p>
<p>Outra medida é orientar equipes financeiras e de atendimento a não confundir MED com devolução voluntária do Pix. O próprio recebedor pode devolver espontaneamente uma transferência recebida, mas esse é um procedimento diferente da devolução decorrente da análise de fraude.</p>
<p>Para consumidores, permanece a recomendação inversa: se houver golpe, a comunicação ao banco deve ser imediata. Ter 80 dias para abrir o pedido não significa que seja prudente esperar, porque o dinheiro pode ser movimentado rapidamente.</p>
<p>A alteração que entra em vigor nesta terça-feira fecha uma diferença relevante entre os prazos de atuação das partes. O usuário que alega ter sido vítima de fraude já tinha até 80 dias para iniciar o MED; agora, quem recebeu o Pix e sustenta ter sido vítima de uma devolução fraudulenta também passa a contar com uma janela de até 80 dias para contestá-la. O próximo teste será operacional: bancos e instituições de pagamento terão de aplicar o prazo ampliado sem transformar o MED em instrumento para resolver conflitos comerciais que continuam fora de seu escopo.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Banco Central do Brasil — Instrução Normativa BCB nº 766, de 27 de julho de 2026.</p>
<p>Banco Central do Brasil — Instrução Normativa BCB nº 767, de 30 de julho de 2026.</p>
<p>Banco Central do Brasil — Guia de implementação dos procedimentos de devolução no Pix, com ênfase no Mecanismo Especial de Devolução.</p>
<p>Banco Central do Brasil — página oficial Segurança no Pix e orientações sobre o Mecanismo Especial de Devolução.</p>
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		<title>Roberta Luchsinger: documentos do STF detalham investigação ligada ao INSS</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/roberta-luchsinger-investigacao-inss-stf-lulinha</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Aug 2026 00:39:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[Antônio Carlos Camilo Antunes]]></category>
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		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
		<category><![CDATA[Roberta Luchsinger]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Documentos públicos do Supremo Tribunal Federal e do Senado Federal colocam a empresária Roberta Moreira Luchsinger entre os nomes alcançados pelas investigações derivadas da Operação Sem Desconto, que apura fraudes relacionadas a descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O núcleo mais claramente documentado está na Petição 15.041, relatada pelo ministro [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Documentos públicos do Supremo Tribunal Federal e do Senado Federal colocam a empresária Roberta Moreira Luchsinger entre os nomes alcançados pelas investigações derivadas da Operação Sem Desconto, que apura fraudes relacionadas a descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O núcleo mais claramente documentado está na Petição 15.041, relatada pelo ministro André Mendonça, na qual a Polícia Federal obteve, em dezembro de 2025, medidas cautelares contra dezenas de investigados. Os autos permanecem parcialmente sob sigilo, o que limita a confirmação pública de episódios específicos atribuídos aos envolvidos.</p>
<p>A decisão anunciada pelo STF em 18 de dezembro de 2025 determinou a prisão preventiva de 16 investigados, o monitoramento eletrônico de outras oito pessoas e medidas adicionais, como proibição de deixar o país e entrega de passaportes. Segundo o tribunal, o pedido da Polícia Federal descreveu funções e vínculos atribuídos aos investigados e apresentou elementos que, na avaliação da autoridade policial, indicariam a existência de uma organização voltada a lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e continuidade de condutas ilícitas mesmo depois do início das apurações. O STF registrou que essas conclusões fazem parte da investigação, não de uma condenação.</p>
<p>Roberta aparece de forma mais detalhada em documentos posteriores da CPMI do INSS. Em agravo regimental protocolado pela Advocacia do Senado no Mandado de Segurança 40.781, a instituição reproduziu a fundamentação de requerimento parlamentar que buscava acesso a dados bancários, fiscais e a Relatório de Inteligência Financeira da empresa RL Consultoria e Intermediações Ltda., da qual Luchsinger é indicada como responsável e administradora desde novembro de 2019. O mesmo documento informa que ela foi alvo de busca e apreensão em 18 de dezembro de 2025.</p>
<p>O agravo também reproduz trecho de decisão atribuída a André Mendonça segundo o qual a atuação investigada de Luchsinger seria relevante para movimentação de valores, administração de contas e estruturas empresariais que, na hipótese policial, teriam sido usadas para lavagem de capitais. A peça do Senado acrescenta que Antônio Carlos Camilo Antunes e Roberta teriam mantido contato mesmo após a primeira fase da Operação Sem Desconto. Essas afirmações integram a fundamentação de medidas de investigação e precisam ser tratadas como alegações sob apuração.</p>
<h2>Medidas contra Roberta chegaram ao STF por duas frentes</h2>
<p>A situação jurídica de Luchsinger passou a envolver, além da investigação criminal, uma disputa constitucional sobre os poderes da CPMI. Em 26 de fevereiro de 2026, a comissão aprovou em bloco dezenas de requerimentos de quebra de sigilo de pessoas físicas e jurídicas. Roberta recorreu ao STF por meio do Mandado de Segurança 40.781, distribuído ao ministro Flávio Dino, questionando a forma de deliberação adotada pelo colegiado.</p>
<p>A medida liminar concedida no mandado de segurança suspendeu os efeitos do ato parlamentar e dos ofícios de quebra de sigilo. A decisão não impediu que a CPMI voltasse a deliberar sobre os mesmos alvos, mas exigiu que eventual novo procedimento tivesse análise, motivação e votação individualizadas. Posteriormente, outros alvos das quebras requereram extensão dos efeitos da decisão.</p>
<p>A Advocacia do Senado reagiu com agravo regimental e pedido de reconsideração. No recurso, sustentou que a votação em bloco estava prevista nas práticas regimentais e que os requerimentos continham causa provável suficiente. O Senado também argumentou que a forma de deliberação seria matéria interna do Parlamento e que a comissão não estaria obrigada a reproduzir o mesmo grau de fundamentação de uma decisão judicial. O episódio mostra que, paralelamente à investigação criminal, passou a existir controvérsia processual sobre a obtenção e o compartilhamento de dados financeiros.</p>
<p>A CPMI tentou ainda convocar Roberta para prestar depoimento. Registros oficiais do Senado mostram que requerimentos apresentados para ouvi-la foram rejeitados em votações realizadas pela comissão. Em uma das deliberações de março de 2026, pedidos de convocação receberam 12 votos favoráveis e 16 contrários. Assim, o colegiado não chegou a realizar o depoimento formal que poderia confrontar diretamente a versão da empresária com os elementos já reunidos por investigadores e parlamentares.</p>
<h2>Documentos públicos não permitem confirmar todos os detalhes atribuídos ao caso</h2>
<p>Parte relevante das informações que circulam sobre a relação entre Roberta, Fábio Luís Lula da Silva e agentes públicos está vinculada a investigações que tramitam sob sigilo. Por isso, os registros oficiais acessíveis até agora não permitem afirmar, com o mesmo grau de segurança, todos os detalhes de propostas comerciais, mensagens privadas ou destinação final de recursos atribuídos aos investigados.</p>
<p>Esse limite é especialmente importante na frente relacionada a produtos de Cannabis. O Ministério da Saúde possui registros públicos de contratações diretas de medicamentos e produtos com canabidiol realizadas em 2024. Em uma das dispensas de licitação, o órgão adquiriu solução oral de canabidiol de 50 mg/ml da Aura Pharma ao lado de outros medicamentos. Em outros processos do mesmo ano, foram compradas apresentações de canabidiol de diferentes fornecedores.</p>
<p>Esses documentos demonstram que a aquisição pública de produtos à base de canabidiol já fazia parte da rotina administrativa do Ministério da Saúde, inclusive para atendimento de demandas específicas. Eles não comprovam, porém, que alguma proposta atribuída a Roberta tenha sido aceita, encaminhada internamente, contratada ou paga pela pasta. Sem um processo administrativo específico, termo de referência oficial ou contrato associado à iniciativa investigada, não é possível transformar a existência de conversas ou minutas ainda não publicadas oficialmente em um negócio efetivamente celebrado com a União.</p>
<p>A regulação sanitária também estabelece distinções relevantes. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária mantém regras para produtos de Cannabis com autorização sanitária e outra via para importação excepcional por pessoa física. A Anvisa informa que produtos importados pela via excepcional não podem ser revendidos no Brasil por pessoas jurídicas; para comercialização regular, é necessário registro como medicamento ou autorização sanitária nos termos das normas aplicáveis. A legalidade de qualquer operação depende, portanto, da modalidade concreta, do produto, do fornecedor e das autorizações correspondentes.</p>
<h2>Investigação criminal permanece sem julgamento de mérito</h2>
<p>No plano criminal, a Petição 15.041 continua sendo a principal referência pública para a inclusão de Roberta no conjunto de medidas adotadas na Operação Sem Desconto. O STF informou, ao anunciar as cautelares de dezembro de 2025, que a Polícia Federal alegou risco de destruição de provas, fuga e continuidade das atividades investigadas. O tribunal também registrou que o pedido foi submetido à Procuradoria-Geral da República antes da decisão de André Mendonça.</p>
<p>A existência de busca e apreensão, monitoramento, restrições de contato ou medidas patrimoniais não equivale a condenação. Essas providências são instrumentos cautelares usados durante a investigação e dependem de requisitos próprios. Os documentos públicos consultados não registram sentença penal condenatória contra Roberta relacionada aos fatos aqui descritos, nem julgamento definitivo que reconheça sua participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou corrupção.</p>
<p>A própria atuação da defesa no Mandado de Segurança 40.781 mostra que parte da estratégia jurídica tem sido contestar a legalidade e a fundamentação das medidas de obtenção de dados aprovadas pela CPMI. Ao conceder a liminar, Flávio Dino não decidiu sobre a responsabilidade criminal da empresária; examinou o procedimento parlamentar de quebra de sigilo e determinou que, se a comissão quisesse renovar as medidas, deveria fazê-lo de forma individualizada.</p>
<p>Os documentos também revelam que o caso se desenvolve em esferas diferentes e com padrões de prova distintos. A Polícia Federal investiga fatos de natureza criminal; o Ministério Público avalia as medidas e eventual responsabilização penal; o STF controla cautelares e atos praticados nos processos sob sua competência; e a CPMI exerce poder de investigação parlamentar, sem função de condenar criminalmente.</p>
<h2>Registros oficiais delimitam o que já está comprovado</h2>
<p>Até o momento, é possível afirmar documentalmente que Roberta Luchsinger foi alcançada por medidas no contexto da Operação Sem Desconto; que sua empresa foi objeto de interesse da CPMI para obtenção de dados financeiros e fiscais; que o Senado reproduziu, em recurso ao STF, fundamentos de decisão que atribuem a ela papel relevante na hipótese investigada de movimentação e ocultação de valores; e que a empresária obteve liminar contra a forma como a CPMI havia aprovado quebras de sigilo.</p>
<p>Também está documentado que a CPMI rejeitou requerimentos de convocação de Roberta e que, por isso, não houve depoimento formal dela perante o colegiado. O que permanece em área de incerteza pública são os detalhes contidos em autos sigilosos, a finalidade de transferências específicas, a eventual participação de terceiros e a existência de nexo entre contatos privados e decisões administrativas concretas.</p>
<p>A ausência de acesso integral aos inquéritos exige cautela adicional em relação a versões apresentadas fora dos autos. Elementos como mensagens, planilhas, contratos particulares e relatórios policiais somente podem ser tratados como prova direta quando sua origem, integridade e contexto forem verificáveis no processo ou em documento oficial tornado público. Até essa abertura, eventuais descrições desses materiais devem permanecer classificadas como alegações.</p>
<p>A próxima etapa formal mais relevante continua sendo o avanço das investigações criminais e a definição, pelo Ministério Público e pelo STF, do destino dos elementos reunidos na Petição 15.041 e em procedimentos correlatos. Enquanto não houver denúncia recebida e julgamento de mérito sobre as condutas atribuídas a Roberta Luchsinger, as imputações permanecem no campo investigativo, submetidas ao contraditório e à presunção de inocência.</p>
<hr />
<p><strong>Fontes</strong>:</p>
<p>Supremo Tribunal Federal — decisão e informações oficiais sobre medidas adotadas na Petição 15.041, Operação Sem Desconto — 18/12/2025</p>
<p>Senado Federal — Agravo Regimental no Mandado de Segurança 40.781, apresentado pela Advocacia do Senado — 09/03/2026</p>
<p>Supremo Tribunal Federal — andamento processual do Mandado de Segurança 40.781 — 2026</p>
<p>Senado Federal — 35ª Reunião da CPMI do INSS, requerimentos de convocação de Roberta Luchsinger — 12/03/2026</p>
<p>Ministério da Saúde — Dispensa de Licitação nº 59/2024, Processo nº 25000.021387/2024-44</p>
<p>Agência Nacional de Vigilância Sanitária — regras para importação e comercialização de produtos derivados de Cannabis</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Imposto sobre dividendos arrecada só R$ 3,1 bilhões até julho e acende alerta no TCU</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/imposto-dividendos-arrecadacao-tcu-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Aug 2026 15:40:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[arrecadação federal]]></category>
		<category><![CDATA[contas públicas.]]></category>
		<category><![CDATA[dividendos]]></category>
		<category><![CDATA[Imposto de Renda]]></category>
		<category><![CDATA[imposto sobre dividendos]]></category>
		<category><![CDATA[Lei 15.270]]></category>
		<category><![CDATA[Receita federal]]></category>
		<category><![CDATA[TCU]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A nova tributação sobre lucros e dividendos arrecadou R$ 3,145 bilhões entre janeiro e julho de 2026, valor que representa apenas cerca de 18% dos R$ 17,2 bilhões que o governo ainda espera recolher neste ano. O desempenho abaixo das projeções passou a ser acompanhado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que identificou problemas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A nova tributação sobre lucros e dividendos arrecadou <strong>R$ 3,145 bilhões entre janeiro e julho de 2026</strong>, valor que representa apenas cerca de 18% dos R$ 17,2 bilhões que o governo ainda espera recolher neste ano. O desempenho abaixo das projeções passou a ser acompanhado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que identificou problemas na transparência e na consistência das estimativas utilizadas pela Receita Federal para incorporar essa fonte de recursos às contas públicas.</p>
<p>O dado mais recente foi divulgado pela própria Receita nesta quarta-feira (26). Dos R$ 3,145 bilhões arrecadados nos primeiros sete meses do ano, <strong>R$ 2,042 bilhões vieram de dividendos pagos a residentes no Brasil e R$ 1,102 bilhão de pagamentos destinados a residentes no exterior</strong>.</p>
<p>A arrecadação acumulada mostra que houve aceleração em relação aos primeiros meses de vigência da nova legislação, mas a distância para as projeções permanece grande. A estimativa inicialmente considerada pelo governo para o Imposto de Renda incidente sobre dividendos girava em torno de <strong>R$ 28 bilhões em 2026</strong>. Em julho, diante do desempenho observado no primeiro semestre, a Receita reduziu a projeção para <strong>R$ 17,2 bilhões</strong>.</p>
<p>Para atingir essa nova previsão, ainda seria necessário recolher aproximadamente <strong>R$ 14 bilhões entre agosto e dezembro</strong>, mais de quatro vezes tudo o que entrou nos cofres públicos durante os primeiros sete meses do ano.</p>
<p>A situação ganhou maior peso nesta semana porque o TCU concluiu uma análise sobre a gestão fiscal do governo e registrou formalmente dificuldades para validar os números apresentados pela administração federal. Segundo o Tribunal, a Receita não forneceu detalhamento suficiente dos cálculos utilizados para sustentar parte das projeções relativas à tributação de dividendos.</p>
<h2>TCU aponta risco nas estimativas de arrecadação</h2>
<p>O alerta aparece no <strong>Acórdão 2.274/2026</strong>, aprovado pelo plenário do TCU em sessão extraordinária realizada em 25 de agosto.</p>
<p>O processo, relatado pelo ministro Antonio Anastasia, analisou as projeções de receitas e despesas primárias do governo e sua compatibilidade com as metas fiscais estabelecidas para 2026.</p>
<p>Ao examinar especificamente a tributação de dividendos, o Tribunal concluiu que os cálculos apresentados pela Receita Federal não permitiam uma validação independente suficientemente detalhada das estimativas.</p>
<p>O TCU afirmou que a ausência de informações completas sobre a metodologia utilizada prejudicava a verificação da consistência das previsões. Na etapa examinada pelo Tribunal, a arrecadação efetivamente realizada representava apenas <strong>4,7% do valor previsto para o tributo</strong>.</p>
<p>O problema não está apenas na possibilidade de o governo ter errado uma previsão. Estimativas tributárias são naturalmente sujeitas a variações econômicas e comportamentais.</p>
<p>A preocupação do órgão de controle está na capacidade de reproduzir e verificar os cálculos que sustentaram números incorporados ao planejamento fiscal da União.</p>
<p>Quando uma receita esperada ajuda a financiar reduções de impostos ou sustenta projeções de resultado primário, uma diferença relevante entre o valor projetado e o efetivamente arrecadado pode terminar exigindo compensações em outras receitas, redução de despesas ou deterioração do resultado fiscal.</p>
<h2>Governo já reduziu previsão de R$ 28 bilhões para R$ 17,2 bilhões</h2>
<p>A própria Receita reconheceu em julho que a arrecadação ficaria abaixo da expectativa inicialmente utilizada.</p>
<p>No primeiro semestre, foram recolhidos aproximadamente <strong>R$ 2,2 bilhões</strong> com o IR sobre dividendos. Diante desse resultado, a projeção anual foi reduzida de cerca de R$ 28 bilhões para R$ 17,2 bilhões.</p>
<p>Mesmo a estimativa revisada pressupõe uma forte concentração da arrecadação na segunda metade do ano.</p>
<p>Quando apresentou os novos números, a Receita argumentou que o recolhimento desse tipo de imposto não ocorre de maneira uniforme ao longo dos meses. <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338655">Empresas</a> possuem calendários diferentes para distribuição de resultados e podem concentrar pagamentos em determinados períodos.</p>
<p>A arrecadação de julho reforça parcialmente esse argumento. O total passou de aproximadamente R$ 2,2 bilhões no primeiro semestre para R$ 3,145 bilhões até o fim do mês seguinte, indicando ingresso próximo de R$ 1 bilhão adicional em um único mês.</p>
<p>Ainda assim, a distância permanece relevante.</p>
<p>Com cinco meses restantes no calendário de 2026 após julho, seria necessário arrecadar uma média próxima de R$ 2,8 bilhões por mês para alcançar os R$ 17,2 bilhões estimados atualmente.</p>
<h2>Tributação começou em janeiro de 2026</h2>
<p>A mudança foi criada pela <strong>Lei nº 15.270/2025</strong>, sancionada em novembro do ano passado dentro da reforma do Imposto de Renda.</p>
<p>Desde janeiro de 2026, quando uma mesma empresa paga a uma mesma pessoa física residente no Brasil mais de <strong>R$ 50 mil em lucros e dividendos no mesmo mês</strong>, passa a existir retenção de <strong>10% de Imposto de Renda na fonte sobre o valor total distribuído naquele mês</strong>.</p>
<p>Um detalhe importante é que a regra não significa simplesmente cobrar 10% apenas sobre a parcela que exceder R$ 50 mil.</p>
<p>Ultrapassado o limite mensal nas condições estabelecidas pela lei, a retenção incide sobre a totalidade do pagamento de dividendos realizado pela mesma pessoa jurídica à mesma pessoa física naquele período.</p>
<p>A legislação também criou uma tributação mínima anual para pessoas físicas de alta renda.</p>
<p>A partir da declaração referente ao ano-calendário de 2026, contribuintes cuja soma dos rendimentos ultrapasse <strong>R$ 600 mil por ano</strong> ficam sujeitos a uma alíquota mínima progressiva. Ela cresce gradualmente até atingir 10% para rendimentos iguais ou superiores a R$ 1,2 milhão anuais, observadas as deduções e exceções previstas na lei.</p>
<h2>Dividendos antigos possuem regra de transição</h2>
<p>Um dos fatores capazes de reduzir a arrecadação no primeiro ano de vigência está nas próprias regras de transição aprovadas pelo Congresso.</p>
<p>A Lei 15.270 estabeleceu que determinados lucros e dividendos relacionados a resultados apurados até 2025 não entram na nova tributação, desde que a distribuição tenha sido aprovada pelo órgão societário competente dentro do prazo definido na legislação e os pagamentos respeitem as condições previstas.</p>
<p>Esses dividendos podem ser pagos durante 2026, 2027 e 2028 sem necessariamente sofrer a mesma incidência aplicável aos novos resultados.</p>
<p>Na prática, empresas tiveram incentivo para deliberar ainda em 2025 sobre a distribuição de lucros acumulados antes da entrada do novo modelo.</p>
<p>Esse efeito de transição torna o primeiro ano mais difícil de projetar porque altera o comportamento das companhias e de seus acionistas.</p>
<p>Uma estimativa baseada apenas no volume histórico de dividendos poderia superestimar a parcela que efetivamente ficaria sujeita ao novo imposto.</p>
<h2>Tributação foi criada para compensar isenção do IR</h2>
<p>A criação da tributação de altas rendas ocorreu em paralelo à ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física.</p>
<p>Desde janeiro, contribuintes com rendimentos mensais de até <strong>R$ 5 mil</strong> passaram a contar com isenção integral, enquanto existe redução gradual do imposto para determinadas faixas imediatamente superiores.</p>
<p>O custo fiscal da medida foi estimado em aproximadamente <strong>R$ 28 bilhões em 2026</strong>.</p>
<p>Para neutralizar parte dessa perda, o governo apostou justamente na tributação mínima das altas rendas e na incidência sobre dividendos, inclusive em determinadas remessas destinadas ao exterior.</p>
<p>A arquitetura da reforma dependia, portanto, de uma espécie de compensação: redução do imposto para trabalhadores de renda mais baixa e média, acompanhada de aumento da tributação sobre pessoas com rendimentos elevados e maior participação de lucros e dividendos em sua renda.</p>
<p>Se a segunda parte arrecadar menos do que o esperado, a compensação fiscal também fica menor.</p>
<h2>Problema se soma a outras dúvidas levantadas pelo TCU</h2>
<p>A tributação de dividendos não foi o único ponto questionado pelo Tribunal.</p>
<p>No mesmo relatório, o TCU identificou problemas em outras projeções utilizadas pelo governo federal.</p>
<p>O Tribunal apontou, por exemplo, possível superestimação da receita com o Imposto de Exportação incidente sobre petróleo bruto. A projeção governamental considerava exportações de 2,5 milhões de barris por dia, enquanto a média efetivamente observada nos primeiros meses estava em aproximadamente 2,1 milhões.</p>
<p>Segundo o TCU, essa diferença poderia representar impacto de <strong>R$ 2,5 bilhões</strong> sobre a arrecadação.</p>
<p>Também foram encontradas divergências de pelo menos R$ 446 milhões entre dados de arrecadação apresentados em documentos de programação fiscal e registros do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal, o Siafi.</p>
<p>Na avaliação geral, o Tribunal concluiu que as projeções permaneciam formalmente compatíveis com as regras fiscais, mas identificou fragilidades que precisam ser corrigidas.</p>
<h2>Déficit projetado também entrou no radar</h2>
<p>A análise do TCU mostrou ainda uma deterioração das projeções em relação ao cenário utilizado na Lei Orçamentária.</p>
<p>A estimativa de receitas primárias líquidas caiu R$ 13,6 bilhões, enquanto a projeção de despesas aumentou R$ 23,3 bilhões. Com isso, o déficit projetado antes das exclusões autorizadas pelas regras fiscais passou de <strong>R$ 22,9 bilhões para R$ 59,8 bilhões</strong>.</p>
<p>Após as deduções permitidas — que incluem determinadas despesas com precatórios e outras exceções previstas no regime fiscal — o resultado considerado para efeito de cumprimento da meta permanecia dentro do intervalo permitido.</p>
<p>O quadro mostra por que a qualidade das estimativas de receita ganhou importância.</p>
<p>Quanto menor a margem fiscal, maior o impacto de uma arrecadação que não se confirma.</p>
<h2>Receita total cresce, mas dividendos continuam sendo ponto de atenção</h2>
<p>A frustração específica com dividendos ocorre num momento em que a arrecadação federal como um todo apresenta crescimento.</p>
<p>A Receita informou nesta quarta-feira que o governo federal arrecadou <strong>R$ 289,346 bilhões em julho</strong>, alta real de 8,97% em relação ao mesmo mês de 2025.</p>
<p>Entre janeiro e julho, as receitas federais atingiram <strong>R$ 1,876 trilhão</strong>, crescimento real de 6,98%.</p>
<p>Isso reduz o risco de interpretar o desempenho dos dividendos como uma deterioração generalizada da arrecadação federal. O problema é mais específico: uma medida utilizada como elemento importante da reforma do Imposto de Renda não está produzindo, até agora, o montante inicialmente estimado.</p>
<p>A incógnita será resolvida nos próximos meses.</p>
<p>Se as distribuições de lucros realmente se concentrarem no fim do ano, como admite a Receita, a distância poderá diminuir rapidamente. Caso o padrão dos primeiros sete meses persista, uma nova revisão da previsão anual se tornará mais provável.</p>
<p>Com <strong>R$ 3,145 bilhões arrecadados até julho</strong>, a nova tributação já representa uma fonte relevante de recursos. Mas ainda está muito distante dos valores imaginados quando a reforma do Imposto de Renda foi desenhada.</p>
<p>Mais do que saber quanto o imposto renderá em dezembro, o debate aberto pelo TCU coloca outra questão para o governo: <strong>demonstrar de maneira verificável por que as estimativas utilizadas no Orçamento eram compatíveis com o comportamento esperado das empresas e dos contribuintes depois de uma mudança tributária que alterou os próprios incentivos para distribuir dividendos.</strong></p>
<hr />
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Tribunal de Contas da União — Acórdão 2.274/2026-Plenário, processo TC 004.887/2026-3</p>
<p>Tribunal de Contas da União — Monitoramento da gestão fiscal do 1º bimestre de 2026</p>
<p>Receita Federal — Arrecadação das Receitas Federais, julho de 2026</p>
<p>Ministério do Planejamento e Orçamento — Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do 3º bimestre de 2026</p>
<p>Lei nº 15.270, de 26 de novembro de 2025</p>
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		<title>Brasil entra no top 5 de ataques cibernéticos ao setor financeiro</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/brasil-top-5-ataques-ciberneticos-setor-financeiro</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Aug 2026 21:44:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O <strong>Brasil entrou no grupo dos cinco principais alvos mundiais de ataques cibernéticos contra o setor financeiro</strong>, em um cenário no qual o interesse dos criminosos deixou de se limitar ao roubo direto de dinheiro e passou a incluir credenciais, informações estratégicas, dados econômicos e espionagem. A posição brasileira reflete uma combinação que tornou o país particularmente atraente para invasores: um sistema financeiro de grande porte, forte digitalização bancária, pagamentos instantâneos amplamente utilizados e uma quantidade crescente de operações realizadas por aplicativos, APIs e infraestrutura em nuvem.</p>
<p>O quadro aparece no <em>Financial Services Threat Landscape Report 2026</em>, da CrowdStrike, que analisou ameaças observadas entre abril de 2025 e março de 2026. Globalmente, o setor financeiro foi o quarto mais atingido pelos adversários monitorados pela empresa e respondeu por <strong>12% de toda a atividade observada</strong>. As chamadas intrusões interativas — situações em que o criminoso obtém acesso e passa a operar diretamente dentro do ambiente comprometido — aumentaram <strong>43% em dois anos</strong>.</p>
<p>O dado brasileiro não deve ser interpretado simplesmente como evidência de que os bancos do país sejam tecnologicamente mais frágeis do que seus pares internacionais. Há outra explicação importante: quanto maior a digitalização e mais valiosos os sistemas conectados, maior o incentivo econômico para atacá-los. O Brasil reúne algumas das maiores instituições financeiras da América Latina, fintechs com milhões de clientes e um sistema de pagamentos instantâneos que movimenta recursos em poucos segundos, o que transforma credenciais legítimas e acessos internos em ativos extremamente valiosos para grupos criminosos.</p>
<p>A avaliação coincide com uma análise recente do <strong>Fundo Monetário Internacional</strong>, que classificou as ameaças cibernéticas como um risco relevante para a estabilidade financeira brasileira. Em relatório publicado em julho, o FMI destacou especificamente ataques a prestadores de tecnologia conectados ao Pix, ameaças internas, grandes golpes digitais e riscos decorrentes da elevada digitalização do sistema financeiro. O organismo considerou a estrutura de supervisão brasileira amplamente alinhada aos padrões internacionais, mas apontou necessidade de reforço em testes, segurança de APIs e supervisão de riscos tecnológicos.</p>
<h2>Crime digital já não depende necessariamente de instalar vírus</h2>
<p>Uma das mudanças mais importantes observadas nos ataques recentes é justamente aquilo que muitas vezes não aparece no computador da vítima. O modelo tradicional de segurança foi construído durante anos para encontrar arquivos maliciosos, programas suspeitos e códigos conhecidos como malware. Os adversários atuais, entretanto, conseguem em muitos casos operar com <strong>credenciais verdadeiras</strong>, ferramentas legítimas de administração e serviços normalmente utilizados pelas próprias <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338476">empresas</a>.</p>
<p>O criminoso pode obter a senha de um funcionário por phishing, uma ligação falsa de suporte técnico ou por informações vazadas anteriormente. Depois de entrar com uma identidade aparentemente válida, procura ampliar privilégios, alcançar sistemas mais sensíveis e movimentar-se de um ambiente para outro. Para mecanismos tradicionais de defesa, parte dessas atividades pode parecer semelhante à rotina de um empregado autorizado.</p>
<p>A dimensão dessa mudança aparece no <em>Global Threat Report 2026</em> da CrowdStrike. Segundo a companhia, <strong>82% das detecções realizadas em 2025 não envolveram malware</strong>, enquanto o tempo médio necessário para criminosos de e-crime avançarem do primeiro computador comprometido para outros recursos dentro da organização caiu para apenas <strong>29 minutos</strong>. No caso mais rápido registrado, foram necessários somente <strong>27 segundos</strong>.</p>
<p>O significado operacional desses números é direto. Uma instituição que depende de investigar manualmente um alerta e decidir horas depois se deve bloquear determinado usuário pode estar trabalhando numa escala de tempo completamente diferente daquela dos invasores. Quando a fraude envolve um ambiente de pagamentos, a diferença entre detectar uma credencial comprometida em dois minutos ou em duas horas pode representar a diferença entre interromper uma tentativa e descobrir o problema somente depois das transferências.</p>
<h2>PLUMP SPIDER mostra que Brasil também exporta cibercrime</h2>
<p>O Brasil aparece no relatório não apenas como vítima. Um dos grupos acompanhados pela CrowdStrike é o <strong>PLUMP SPIDER</strong>, adversário classificado pela empresa como originário do Brasil e motivado por ganho financeiro. O grupo atua pelo menos desde setembro de 2023 e se especializou justamente em instituições financeiras e empresas que prestam serviços financeiros no país.</p>
<p>Seu objetivo é especialmente sensível: conseguir acesso a <strong>sistemas internos de pagamentos e realizar transações fraudulentas</strong>. Para entrar nas organizações, o grupo utiliza engenharia social e técnicas como <em>vishing</em>, em que criminosos telefonam para funcionários fingindo representar áreas de tecnologia ou suporte. A vítima é induzida a fornecer informações ou instalar ferramentas que permitem acesso remoto ao ambiente corporativo.</p>
<p>Durante o período analisado no novo relatório, o PLUMP SPIDER combinou engenharia social com operações conduzidas diretamente dentro dos sistemas comprometidos. Documentação técnica da CrowdStrike registra campanhas em que o grupo recorreu a ferramentas de acesso remoto, coleta de credenciais de navegadores e técnicas destinadas a alcançar a infraestrutura financeira da vítima.</p>
<p>Esse modelo ajuda a explicar por que a proteção do sistema financeiro deixou de ser apenas uma disputa entre antivírus e vírus. A porta de entrada pode ser o funcionário que recebe uma ligação convincente, o administrador que digita credenciais em uma página falsificada ou uma conta legítima comprometida por informações capturadas meses antes.</p>
<h2>IA torna golpe mais barato e convincente</h2>
<p>A inteligência artificial acrescentou outra camada de dificuldade. De acordo com o relatório global da CrowdStrike, as operações conduzidas por adversários que utilizam IA avançaram <strong>89% em 2025</strong>. As ferramentas são empregadas para produzir mensagens mais naturais, automatizar pesquisas sobre as vítimas, construir identidades falsas, gerar conteúdo de engenharia social e acelerar etapas que anteriormente dependiam de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338475">trabalho</a> manual.</p>
<p>Para o setor financeiro brasileiro, o problema é particularmente relevante porque boa parte das fraudes depende de confiança. Um e-mail mal escrito que supostamente veio do diretor financeiro é relativamente fácil de desconfiar. Uma mensagem produzida com vocabulário correto, referências reais à empresa e informações obtidas em redes sociais pode ser muito mais eficiente. O mesmo vale para chamadas de voz e, cada vez mais, para vídeos ou imagens sintéticas utilizados para imitar pessoas conhecidas.</p>
<p>A IA também reduz o custo de preparar ataques personalizados. Antes, estudar uma companhia, identificar seus executivos e produzir comunicações específicas exigia tempo. Sistemas automatizados permitem que criminosos façam parte desse trabalho em grande escala, tornando economicamente viáveis ataques direcionados até mesmo a funcionários de níveis intermediários.</p>
<h2>Espionagem chinesa acrescenta outro objetivo: informação</h2>
<p>Nem todos os adversários que procuram instituições financeiras brasileiras estão atrás de transferências bancárias. A CrowdStrike também identificou operações atribuídas ao <strong>HOLLOW PANDA</strong>, grupo associado pela empresa a interesses chineses, contra instituições financeiras no Brasil, Filipinas e Indonésia.</p>
<p>Nesse tipo de operação, o objetivo é diferente do golpe bancário convencional. Grupos vinculados a Estados podem buscar informações econômicas, dados sobre investimentos, estratégias empresariais, propriedade intelectual e conhecimento sobre setores relevantes para decisões geopolíticas. A CrowdStrike classifica os adversários ligados à China como uma das principais ameaças de coleta de inteligência contra o setor financeiro.</p>
<p>A presença desse tipo de adversário muda a dimensão do problema brasileiro. Um banco não guarda apenas depósitos e dados cadastrais de pessoas físicas. Grandes instituições possuem informações sobre operações empresariais, aquisições, investimentos internacionais, financiamento de infraestrutura, commodities, fluxos de capital e decisões ainda não divulgadas ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338477">mercado</a>. Para um serviço de inteligência estrangeiro, determinados dados podem ser mais valiosos do que o dinheiro disponível numa conta.</p>
<p>Por isso, a fronteira entre segurança bancária e segurança econômica nacional tornou-se menos evidente. Um incidente capaz de expor informações de grandes companhias ou movimentações estratégicas pode produzir consequências que ultrapassam o prejuízo da instituição atacada.</p>
<h2>Ransomware também aumentou pressão sobre bancos e financeiras</h2>
<p>O estudo encontrou ainda um aumento das operações de extorsão contra o setor. Entre abril de 2025 e março de 2026, o número de organizações financeiras listadas em sites utilizados por grupos de ransomware cresceu <strong>27%</strong>, chegando a 423 vítimas identificadas pela CrowdStrike.</p>
<p>Ransomware moderno deixou há muito tempo de consistir apenas em criptografar computadores e exigir dinheiro para devolver os arquivos. Os grupos normalmente procuram primeiro copiar dados sensíveis, ampliar acessos e identificar aquilo que poderá provocar maior pressão sobre a vítima. A ameaça passa a combinar paralisação operacional com divulgação de informações confidenciais.</p>
<p>Para um banco, seguradora ou fintech, a possibilidade de indisponibilidade de sistemas é especialmente sensível. O negócio financeiro depende da confiança de que pagamentos serão processados, contas permanecerão acessíveis e transações serão registradas corretamente. Mesmo quando os recursos dos clientes não são diretamente atingidos, uma interrupção prolongada pode produzir efeitos reputacionais e regulatórios importantes.</p>
<h2>Pix amplia eficiência — e aumenta o valor do acesso criminoso</h2>
<p>A digitalização brasileira precisa ser colocada em perspectiva. O <strong>Pix transformou a infraestrutura de pagamentos do país</strong> e foi destacado pelo próprio FMI como uma mudança estrutural do sistema financeiro. Essa eficiência, porém, também reduz o tempo disponível para interromper determinadas fraudes.</p>
<p>Isso não significa que o Pix seja inerentemente inseguro. O ponto é que um sistema capaz de movimentar dinheiro praticamente em tempo real aumenta o valor de um acesso criminoso bem-sucedido. Se um invasor alcança uma infraestrutura de pagamento ou consegue utilizar credenciais legítimas com privilégios elevados, o dano potencial pode ser produzido rapidamente.</p>
<p>O Banco Central vem alterando suas regras diante da evolução dessas ameaças. Em agosto, a autarquia publicou a <strong>Resolução BCB nº 584</strong>, ampliando e atualizando procedimentos e controles de prevenção a fraudes na prestação de serviços de pagamento e incluindo também atividades relacionadas a ativos virtuais. A mudança mostra que o risco deixou de ser restrito à infraestrutura bancária tradicional e passou a exigir controles sobre um ecossistema financeiro cada vez mais amplo.</p>
<h2>O elo mais vulnerável pode estar fora do banco</h2>
<p>Outro ponto de atenção está nos fornecedores. Instituições financeiras utilizam empresas de tecnologia, serviços em nuvem, plataformas antifraude, softwares corporativos e uma extensa rede de terceiros. O banco pode possuir controles sofisticados e ainda assim sofrer consequências de uma invasão iniciada em uma companhia conectada à sua infraestrutura.</p>
<p>O FMI mencionou explicitamente esse risco ao avaliar o Brasil e recomendou maior atenção a APIs, testes de segurança e dependências tecnológicas. A questão é importante porque a expansão do Open Finance e das integrações digitais aumenta a quantidade de conexões legítimas existentes entre empresas. Quanto mais pontos de comunicação, maior a necessidade de controlar identidades, permissões e comportamentos anômalos.</p>
<p>Não se trata de interromper a digitalização. O mesmo processo que amplia a superfície de ataque também tornou pagamentos mais baratos, aumentou a competição bancária e permitiu o surgimento de novos serviços. O desafio passa a ser projetar a segurança levando em conta que uma credencial válida pode estar nas mãos erradas e que um fornecedor autorizado pode se transformar em caminho para uma infraestrutura crítica.</p>
<h2>Brasil está no centro porque seu sistema financeiro também está</h2>
<p>A posição brasileira entre os principais alvos globais precisa, portanto, ser interpretada para além de uma estatística negativa. O país ganhou relevância no mapa do cibercrime porque possui um sistema financeiro grande, digitalizado e capaz de movimentar recursos rapidamente. Ao mesmo tempo, essa infraestrutura concentra uma quantidade extraordinária de informações pessoais, empresariais e econômicas.</p>
<p>Essa combinação atrai três tipos diferentes de adversários que podem inclusive utilizar técnicas semelhantes: criminosos interessados em dinheiro, grupos especializados em extorsão e atores ligados a Estados em busca de inteligência.</p>
<p>O problema deixou de ser apenas impedir que alguém “invada um computador”. A batalha agora envolve descobrir quando uma identidade legítima passou para o controle de um criminoso, identificar comportamento anormal em segundos, proteger sistemas distribuídos entre empresas e nuvens e distinguir uma operação verdadeira de outra executada por alguém que possui as credenciais corretas.</p>
<p>Os dados da CrowdStrike mostram a velocidade dessa mudança. Intrusões interativas cresceram 43%, ataques apoiados por IA avançaram 89% e um adversário pode sair do primeiro acesso para outros sistemas em menos de meio minuto.</p>
<p>O Brasil não chegou ao centro do mapa mundial das ameaças financeiras apenas porque os criminosos ficaram mais agressivos. <strong>Chegou porque seu dinheiro, seus dados e sua infraestrutura digital passaram a valer mais para eles.</strong></p>
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		<item>
		<title>Banco Pine cancela 4 milhões de ações PINE4 mantidas em tesouraria</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/banco-pine-cancela-acoes-pine4-tesouraria</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Aug 2026 18:31:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mercados]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[acionistas]]></category>
		<category><![CDATA[ações em tesouraria]]></category>
		<category><![CDATA[B3]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Pine]]></category>
		<category><![CDATA[bancos]]></category>
		<category><![CDATA[cancelamento de ações]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado Financeiro]]></category>
		<category><![CDATA[mercados]]></category>
		<category><![CDATA[PINE3]]></category>
		<category><![CDATA[PINE4]]></category>
		<category><![CDATA[recompra de ações]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Banco Pine (PINE3; PINE4) aprovou nesta sexta-feira, 21 de agosto, o cancelamento de 4 milhões de ações preferenciais que estavam mantidas em tesouraria, dando continuidade a uma estratégia de recompra e redução do número total de papéis emitidos pela instituição. A decisão não altera o capital social do banco, que permanece em R$ 1,270 [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O <strong>Banco Pine (PINE3; PINE4)</strong> aprovou nesta sexta-feira, 21 de agosto, o cancelamento de <strong>4 milhões de ações preferenciais</strong> que estavam mantidas em tesouraria, dando continuidade a uma estratégia de recompra e redução do número total de papéis emitidos pela instituição. A decisão não altera o capital social do banco, que permanece em R$ 1,270 bilhão, mas reduz a quantidade de ações preferenciais representativas desse mesmo capital e aumenta, proporcionalmente, a participação de cada ação remanescente na estrutura societária.</p>
<p>A operação é maior do que parece quando analisada em conjunto com outra decisão tomada há pouco mais de um mês. Em 16 de julho, o Pine já havia cancelado <strong>2 milhões de ações preferenciais em tesouraria</strong>. Com o novo movimento, foram eliminadas 6 milhões de preferenciais em aproximadamente cinco semanas. Antes do primeiro cancelamento, o banco possuía 129.937.768 ações preferenciais emitidas. Depois da decisão desta sexta-feira, esse número cai para 123.937.768, uma redução de aproximadamente <strong>4,62% na quantidade total de preferenciais</strong> desde meados de julho.</p>
<p>Há, porém, uma distinção técnica importante para o investidor: o cancelamento não significa que 4 milhões de PINE4 que estavam sendo negociadas normalmente na B3 desapareceram nesta sexta-feira. Os papéis já estavam em <strong>tesouraria</strong>, isto é, já haviam sido recomprados pelo próprio banco e retirados do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338472">mercado</a>. O efeito econômico da redução da quantidade de ações efetivamente nas mãos dos investidores ocorreu quando o Pine realizou essas recompras. O cancelamento agora torna definitiva essa redução ao eliminar os papéis da estrutura acionária.</p>
<h2>Banco Pine passa a ter 253,9 milhões de ações</h2>
<p>Após o cancelamento aprovado pelo conselho, o capital social de R$ 1.270.485.254,43 passa a ser representado por <strong>253.888.724 ações nominativas</strong>. Desse total, 129.950.956 são ações ordinárias e 123.937.768 são preferenciais.</p>
<p>Imediatamente antes da decisão desta sexta-feira, depois do cancelamento realizado em julho, o banco possuía 257.888.724 ações. Portanto, a nova operação reduz em cerca de <strong>1,55% o número total de ações emitidas naquele momento</strong>. Considerando conjuntamente os cancelamentos de julho e agosto, o total caiu de 259.888.724 para 253.888.724 papéis, redução acumulada de aproximadamente <strong>2,31% do capital representado por ações</strong>, sem que houvesse qualquer diminuição do valor nominal do capital social.</p>
<p>O efeito é mais concentrado nas preferenciais, justamente a classe negociada sob o ticker <strong>PINE4</strong>. As 4 milhões de ações canceladas agora representam aproximadamente 3,13% das preferenciais existentes imediatamente antes da decisão. Somadas às 2 milhões eliminadas em julho, a redução chega a 4,62% sobre a quantidade de preferenciais que existia antes da primeira operação.</p>
<p>O conselho determinou ainda que o cancelamento seja submetido à primeira Assembleia Geral realizada pelo banco para que os acionistas referendem a operação e seja ajustado o artigo 5º do Estatuto Social, no qual consta a composição do capital.</p>
<h2>Cancelamento faz parte de recompra aprovada em maio</h2>
<p>A operação está diretamente ligada ao programa de recompra aprovado pelo Banco Pine em <strong>12 de maio de 2026</strong>. Na ocasião, o conselho autorizou a instituição a adquirir até <strong>10 milhões de ações próprias</strong>, ordinárias ou preferenciais, para manutenção em tesouraria e posterior alienação, transferência ou cancelamento.</p>
<p>O banco estabeleceu dois objetivos para o programa. O primeiro é permitir a utilização de ações para pagamento de remuneração variável a administradores, em conformidade com as regras do Conselho Monetário Nacional. O segundo, segundo a própria instituição, é <strong>maximizar a geração de valor para os acionistas</strong>.</p>
<p>Quando o programa foi anunciado, o Pine possuía 2.983.776 ações preferenciais e 203.500 ordinárias em tesouraria. Como apenas os dois cancelamentos anunciados desde julho somam 6 milhões de preferenciais, os números mostram que o banco continuou recomprando papéis depois da criação do programa.</p>
<p>A companhia afirmou nesta sexta-feira que o programa continua aberto e mantém autorização para aquisição de até 10 milhões de ações. O comunicado não informou, contudo, quanto desse limite ainda poderá efetivamente ser utilizado nem quantos papéis permanecem atualmente em tesouraria depois dos cancelamentos.</p>
<h2>Cancelar ações em tesouraria não é o mesmo que reduzir o free float no dia do anúncio</h2>
<p>Esse ponto é importante porque operações de cancelamento costumam ser interpretadas no mercado como uma redução imediata das ações em circulação. Tecnicamente, não é exatamente isso que ocorre.</p>
<p>Quando uma companhia recompra suas próprias ações no mercado, os papéis passam para a tesouraria. A Lei das Sociedades por Ações estabelece que, enquanto permanecerem nessa condição, <strong>essas ações não têm direito a voto nem a dividendos</strong>. Na prática, elas já deixam de participar economicamente das distribuições aos acionistas e não são consideradas da mesma maneira que os papéis pertencentes aos investidores.</p>
<p>O cancelamento é a etapa seguinte. Em vez de manter as ações para uma possível revenda futura ou utilização em programas de remuneração, a companhia decide extingui-las definitivamente.</p>
<p>Por isso, não é tecnicamente correto interpretar o anúncio de sexta-feira como se 4 milhões de ações tivessem sido retiradas da negociação naquele momento. Elas já haviam sido retiradas quando foram recompradas. O que muda agora é que o Pine abre mão da possibilidade de recolocar esses papéis no mercado futuramente.</p>
<p>Essa diferença também é importante para entender o efeito sobre indicadores como lucro por ação. O cancelamento, isoladamente, <strong>não produz necessariamente um salto instantâneo no lucro por ação</strong>, porque os papéis em tesouraria já eram excluídos de diversos cálculos econômicos enquanto estavam sob controle da companhia. O efeito de concentração surgiu principalmente durante a recompra.</p>
<h2>O que muda para quem possui PINE4</h2>
<p>Para o acionista que já possui ações preferenciais, o movimento tem uma consequência estrutural positiva: uma quantidade menor de ações representa o mesmo capital social da companhia.</p>
<p>Se um investidor possuía determinada quantidade de PINE4 antes das recompras e não vendeu suas ações, sua participação proporcional no conjunto econômico dos papéis remanescentes tende a aumentar marginalmente conforme o banco compra ações do mercado e posteriormente as cancela.</p>
<p>Isso não significa, porém, que a cotação de PINE4 necessariamente terá de subir. O preço continua sendo determinado por uma combinação muito mais ampla de fatores, incluindo lucro, crescimento da carteira de crédito, inadimplência, custo de risco, nível de capital, expectativas sobre dividendos, juros e percepção dos investidores sobre a qualidade dos ativos do banco.</p>
<p>Recompras podem criar valor quando a administração adquire ações por um preço inferior ao valor econômico que atribui à companhia. Por outro lado, se a empresa utilizar capital em recompras a preços excessivamente elevados ou comprometer recursos que seriam necessários para o crescimento do negócio, a operação pode destruir valor. Por isso, o simples anúncio de cancelamento não deve ser interpretado isoladamente como recomendação de compra ou venda.</p>
<h2>Movimento acontece depois de lucro quase dobrar no segundo trimestre</h2>
<p>A decisão ocorre poucos dias depois de o Banco Pine divulgar um dos resultados mais fortes de sua história recente. No segundo trimestre de 2026, o banco apresentou <strong>lucro líquido de R$ 165,7 milhões</strong>, crescimento de 99,6% em relação aos R$ 83 milhões registrados no mesmo período de 2025.</p>
<p>O retorno sobre o patrimônio líquido médio, medido pelo ROAE, chegou a <strong>37,5%</strong>, enquanto o lucro acumulado no primeiro semestre alcançou R$ 315,6 milhões, avanço de 101,7% na comparação anual. A carteira de crédito expandida terminou junho em <strong>R$ 21,8 bilhões</strong>, crescimento próximo de 40% em 12 meses.</p>
<p>O banco vem ampliando especialmente a exposição ao varejo colateralizado. Uma das principais frentes de expansão foi o consignado privado, área que ganhou escala ao longo do último ano. Ao mesmo tempo, o Pine mantém operações de atacado concentradas principalmente em estruturas com garantias.</p>
<p>O índice de Basileia terminou junho em <strong>14,3%</strong>, enquanto o patrimônio líquido chegou a aproximadamente R$ 1,8 bilhão. Esses indicadores são particularmente relevantes no contexto da recompra porque bancos precisam equilibrar qualquer utilização de capital para remunerar acionistas com os requisitos regulatórios de solvência necessários para sustentar suas carteiras de crédito.</p>
<h2>Crescimento também exige atenção ao risco de crédito</h2>
<p>O forte crescimento dos resultados não elimina os riscos associados à expansão do balanço. Quanto mais rapidamente uma instituição aumenta sua carteira de crédito, maior se torna a necessidade de acompanhar a qualidade dos novos clientes e a evolução das perdas esperadas.</p>
<p>No segundo trimestre, o custo de crédito do Banco Pine aumentou significativamente em relação ao ano anterior, acompanhando a expansão das operações. Esse é um dos indicadores que investidores tendem a observar junto com inadimplência, cobertura e evolução dos créditos classificados em estágios de maior risco.</p>
<p>A discussão é relevante para avaliar a recompra de ações porque o valor econômico de um banco depende não apenas da velocidade com que seu lucro cresce, mas da sustentabilidade desse resultado. Uma carteira que cresce rapidamente pode elevar receitas e margens no curto prazo, mas também exige provisões adequadas para proteger o balanço contra futuras perdas.</p>
<p>Nesse cenário, o cancelamento de ações adiciona mais uma variável ao retorno dos acionistas, mas não substitui a análise da operação bancária.</p>
<h2>Pine já cancelou 6 milhões de preferenciais desde julho</h2>
<p>O movimento desta sexta-feira ganha outra dimensão quando colocado em sequência. Em julho, o Banco Pine cancelou 2 milhões de ações preferenciais. Agora, elimina mais 4 milhões. São <strong>6 milhões de ações PINE4 retiradas definitivamente da estrutura de capital em pouco mais de um mês</strong>.</p>
<p>O primeiro cancelamento reduziu a quantidade de preferenciais para 127.937.768. O segundo leva esse total a 123.937.768. As ordinárias permaneceram em 129.950.956 ações durante o período.</p>
<p>Essa sequência mostra que o programa de recompra deixou de ser apenas uma autorização administrativa e passou a produzir alterações concretas na composição acionária. O investidor deverá acompanhar agora se o banco continuará recomprando ações e se novos cancelamentos serão realizados até o encerramento do programa.</p>
<p>Também será relevante observar como essa <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338471">política</a> coexistirá com o crescimento acelerado da carteira e com as necessidades regulatórias de capital do Pine.</p>
<h2>Decisão reduz total de ações, mas não capital do banco</h2>
<p>A principal conclusão para o investidor é que o anúncio desta sexta-feira deve ser interpretado como uma <strong>redução permanente da quantidade de ações emitidas</strong>, e não como uma redução do capital social ou uma retirada imediata de 4 milhões de papéis do pregão.</p>
<p>As ações já estavam em tesouraria. Não recebiam dividendos nem exerciam voto e poderiam, até então, ser revendidas ou transferidas futuramente. Com o cancelamento, essa possibilidade desaparece.</p>
<p>O Banco Pine continuará com o mesmo capital social de <strong>R$ 1,270 bilhão</strong>, mas esse valor agora estará representado por 253,9 milhões de ações, ante 259,9 milhões antes dos dois cancelamentos realizados desde julho.</p>
<p>Para quem acompanha <strong>PINE4</strong>, é esse conjunto de números que melhor revela o tamanho da decisão: em cinco semanas, aproximadamente <strong>4,6% de todas as ações preferenciais anteriormente emitidas foram definitivamente canceladas</strong>.</p>
<p>O próximo passo será verificar até onde o Banco Pine pretende avançar com o programa de recompra de até 10 milhões de ações — e se a combinação entre crescimento dos lucros, expansão do crédito e redução do número de papéis continuará sendo utilizada como estratégia para elevar o retorno entregue aos acionistas.</p>
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		<title>Análise: Juros altos pressionam empresas e famílias mesmo com Selic a 14%</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/uros-altos-empresas-familias-credito-dividas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Aug 2026 11:26:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A redução da Selic para 14% ao ano começou a retirar o Banco Central de um dos ciclos monetários mais restritivos dos últimos anos, mas está longe de significar dinheiro barato para empresas e consumidores. Os dados mais recentes disponíveis mostram que o Brasil entrou no segundo semestre de 2026 com uma combinação particularmente difícil: [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A redução da <strong>Selic para 14% ao ano</strong> começou a retirar o Banco Central de um dos ciclos monetários mais restritivos dos últimos anos, mas está longe de significar dinheiro barato para empresas e consumidores. Os dados mais recentes disponíveis mostram que o Brasil entrou no segundo semestre de 2026 com uma combinação particularmente difícil: famílias altamente endividadas, crédito ao consumidor acima de 60% ao ano, inadimplência elevada e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338413">empresas</a> pagando mais para financiar estoques, investimentos e capital de giro.</p>
<p>Essa combinação aparece com força no varejo, setor especialmente dependente de crédito nas duas extremidades da operação. De um lado, empresas precisam financiar estoques e manter caixa até a venda das mercadorias. Do outro, consumidores frequentemente dependem de cartão, crediário e financiamento para comprar móveis, eletrodomésticos e outros bens duráveis.</p>
<p>O pedido de recuperação judicial do <strong>Grupo Casas Bahia (BHIA3)</strong> tornou-se o exemplo mais recente desse ambiente, embora os problemas da companhia não possam ser atribuídos exclusivamente à <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338414">política</a> monetária. No fato relevante em que anunciou o pedido, em 16 de agosto, a própria varejista citou entre os fatores que deterioraram suas condições econômico-financeiras os juros elevados, a restrição de crédito, o aumento do custo financeiro e a pressão sobre consumo e capital de giro. A empresa também mencionou a não concretização de alternativas de liquidez que estavam sendo estruturadas.</p>
<p>O caso expõe uma engrenagem que vai muito além de uma única companhia.</p>
<p>Segundo o Banco Central, a taxa média cobrada no <strong>crédito livre às famílias chegou a 64% ao ano em junho</strong>. Para empresas, ficou em 24,4% ao ano. A inadimplência do crédito livre atingiu 7,6% entre pessoas físicas e 4% entre empresas.</p>
<p>A diferença entre a Selic de 14% e as taxas efetivamente pagas pelo consumidor ajuda a explicar por que um primeiro corte do juro básico não produz alívio imediato na <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338411">economia</a> real.</p>
<h2>Selic caiu, mas o crédito continua perto de 50% ao ano</h2>
<p>O Comitê de Política Monetária reduziu a Selic de 14,25% para <strong>14% ao ano em 5 de agosto</strong>. Foi mais uma etapa da flexibilização iniciada após a taxa ter permanecido em 15% durante parte de 2025 e no começo deste ano.</p>
<p>Ainda assim, o Copom classificou a política monetária como restritiva e sinalizou cautela com os próximos movimentos. O Banco Central afirmou que os indicadores apontam para uma moderação gradual da atividade econômica, embora o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338410">mercado</a> de trabalho permaneça aquecido, e observou que as expectativas de inflação continuam acima da meta.</p>
<p>No sistema financeiro, a distância entre a Selic e o custo final para quem toma dinheiro permanece enorme.</p>
<p>Em junho, antes da redução mais recente da taxa básica, o juro médio das novas concessões de crédito era de <strong>33,4% ao ano</strong>. Considerando apenas operações com recursos livres, a média subia para <strong>49,8%</strong>.</p>
<p>Para pessoas físicas, chegava a 64%.</p>
<p>O número é particularmente importante para compreender o comportamento do varejo. O consumidor não compra uma geladeira parcelada à Selic. A taxa básica influencia o custo de captação dos bancos e toda a estrutura de juros da economia, mas o preço final do crédito incorpora também risco de inadimplência, custos administrativos, impostos, margem financeira e características de cada modalidade.</p>
<p>Por isso, mesmo que o Banco Central continue reduzindo a Selic, existe uma defasagem até que o movimento chegue integralmente às prestações pagas por consumidores e empresas.</p>
<h2>Famílias nunca estiveram tão endividadas na pesquisa da CNC</h2>
<p>Do outro lado do balcão, o quadro também é apertado.</p>
<p>A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, mostrou que <strong>82% das famílias brasileiras possuíam algum tipo de dívida em julho</strong>.</p>
<p>Foi o maior percentual da série histórica pelo sexto mês consecutivo.</p>
<p>Em junho, eram 81,6%. Em julho de 2025, 78,5%.</p>
<p>O dado exige uma ressalva importante: família endividada não significa necessariamente família inadimplente. A pesquisa considera compromissos como cartão de crédito, cheque especial, empréstimos, carnês e financiamentos, mesmo que estejam sendo pagos normalmente.</p>
<p>A parcela de famílias com contas em atraso ficou em <strong>29,8%</strong>, ligeiramente abaixo dos 29,9% de junho.</p>
<p>O problema está na quantidade de renda que já chega comprometida ao início do mês. Segundo a CNC, os consumidores endividados destinavam, em média, <strong>29,5% do orçamento</strong> ao pagamento das dívidas. Entre famílias com renda de até três salários mínimos, 84,9% estavam endividadas e 38,5% tinham contas em atraso.</p>
<p>O cartão de crédito aparece com enorme vantagem como a principal modalidade de endividamento: estava presente em 85,3% das famílias endividadas.</p>
<p>Esse quadro limita a capacidade de assumir novas parcelas justamente quando o varejo depende do financiamento para sustentar a venda de produtos de maior valor.</p>
<h2>Banco Central mostra outro retrato do endividamento</h2>
<p>Os números do Banco Central parecem, à primeira vista, muito diferentes dos 82% registrados pela CNC, mas medem coisas distintas.</p>
<p>Pela metodologia do BC, o <strong>endividamento das famílias correspondia a 49,8% da renda acumulada em 12 meses em maio</strong>, enquanto o comprometimento mensal da renda com o serviço das dívidas estava em 28,5%.</p>
<p>Em ambos os casos houve deterioração na comparação anual: o endividamento cresceu 0,9 ponto percentual e o comprometimento da renda avançou 1,3 ponto.</p>
<p>A CNC mede quantas famílias declaram possuir dívidas. O Banco Central mede o tamanho das obrigações financeiras em relação à renda.</p>
<p>Lidos em conjunto, os dois indicadores mostram algo mais relevante do que qualquer um deles isoladamente: <strong>mais famílias estão recorrendo ao crédito ao mesmo tempo em que uma parcela maior de sua renda precisa ser direcionada ao pagamento de compromissos financeiros</strong>.</p>
<p>Esse é um dos principais canais pelos quais os juros altos atingem o consumo.</p>
<p>A pressão é ainda maior quando as operações antigas precisam ser refinanciadas. Uma família que contraiu dívida quando o custo financeiro era menor pode encontrar condições muito mais caras ao buscar uma renegociação.</p>
<h2>Casas Bahia expõe o problema na outra ponta</h2>
<p>A recuperação judicial da Casas Bahia não é consequência apenas dos juros.</p>
<p>A companhia atravessa há anos uma reestruturação de seu modelo de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338412">negócios</a> e de sua estrutura financeira e já havia realizado operações destinadas a alongar seu passivo. Em janeiro, por exemplo, anunciou a conclusão de uma emissão de debêntures de aproximadamente <strong>R$ 2,4 bilhões</strong> dentro do plano de transformação de sua estrutura de capital.</p>
<p>O próprio fato relevante da recuperação judicial, entretanto, demonstra que o ambiente macroeconômico passou a fazer parte formal da explicação apresentada pela administração.</p>
<p>A companhia declarou que a deterioração financeira ocorreu em um ambiente de <strong>“patamares elevados de taxas de juros, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro”</strong>.</p>
<p>O ponto é importante porque mostra como juros afetam um varejista em diferentes frentes.</p>
<p>Uma companhia pode ter de pagar mais para rolar suas próprias dívidas, enfrentar aumento do custo de capital de giro e, simultaneamente, vender para consumidores com menor capacidade de assumir prestações.</p>
<p>Quanto maior a percepção de risco do tomador, mais caro tende a ficar o crédito, o que pode alimentar um ciclo de deterioração financeira.</p>
<h2>Inadimplência empresarial também aumentou</h2>
<p>Os números do Banco Central reforçam que o problema não está limitado ao consumidor.</p>
<p>A inadimplência das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional estava em <strong>4,7% em junho</strong>, alta de 1 ponto percentual em 12 meses.</p>
<p>Entre pessoas jurídicas, o índice atingiu 3,2% considerando a carteira total. No crédito livre, modalidade mais sensível às condições de mercado, chegou a 4%.</p>
<p>Um ano antes, a inadimplência do crédito livre empresarial estava 0,5 ponto percentual abaixo desse patamar.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a taxa média para empresas no crédito livre era de 24,4% ao ano.</p>
<p>Isso significa que uma empresa que já enfrenta redução de margens ou menor geração de caixa encontra uma segunda dificuldade ao buscar financiamento para atravessar o período: o dinheiro necessário para reorganizar o negócio também está caro.</p>
<h2>Bets retiram dinheiro que poderia chegar ao consumo</h2>
<p>Além dos juros e das dívidas tradicionais, o orçamento das famílias passou a sofrer uma nova disputa.</p>
<p>Estudo da CNC divulgado em abril estima que a expansão das apostas on-line tenha retirado aproximadamente <strong>R$ 143 bilhões do varejo entre janeiro de 2023 e março de 2026</strong>.</p>
<p>A entidade calcula ainda que cerca de 268 mil famílias tenham sido levadas a uma situação de inadimplência severa associada às apostas.</p>
<p>Os números são estimativas econométricas da própria CNC, e não significam que apostas expliquem sozinhas o recorde de endividamento brasileiro. Eles mostram, porém, uma competição adicional pela renda disponível.</p>
<p>Para setores de bens discricionários, o efeito é direto: dinheiro direcionado a apostas deixa de estar disponível para roupas, celulares, móveis, eletrodomésticos ou para o pagamento das próprias dívidas.</p>
<h2>Juros altos também chegam às contas do governo</h2>
<p>O problema fecha um círculo quando se observa o setor público.</p>
<p>Em junho, a dívida bruta do governo geral chegou a <strong>81,9% do PIB, ou R$ 10,8 trilhões</strong>, segundo o Banco Central. Apenas no primeiro semestre, a relação dívida/PIB aumentou 3,3 pontos percentuais.</p>
<p>O BC calcula que a incorporação dos juros respondeu por <strong>4,9 pontos percentuais de aumento da dívida bruta no ano</strong>, parcialmente compensados pelo crescimento nominal da economia e por outros fatores.</p>
<p>Os juros nominais apropriados pelo setor público atingiram R$ 110,7 bilhões apenas em junho. No acumulado de 12 meses, chegaram a <strong>R$ 1,160 trilhão, equivalentes a 8,8% do PIB</strong>.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o setor público consolidado acumulava déficit primário de R$ 157,2 bilhões em 12 meses.</p>
<p>Isso ajuda a explicar por que a discussão fiscal e a monetária estão conectadas.</p>
<p>O próprio Copom afirma acompanhar os efeitos da política fiscal sobre a política monetária e sobre os preços dos ativos.</p>
<p>O Governo Central, pela metodologia do Tesouro Nacional, apresentou déficit primário de <strong>R$ 48,2 bilhões em junho</strong>, contra R$ 44,2 bilhões no mesmo mês de 2025. No primeiro semestre, o déficit atingiu R$ 92,2 bilhões.</p>
<h2>Redução da Selic não resolve o problema de uma vez</h2>
<p>O início da queda da Selic abre uma possibilidade de alívio, mas não desfaz rapidamente as condições financeiras construídas durante o ciclo de aperto monetário.</p>
<p>O estoque de dívidas continua existindo. Contratos antigos continuam cobrando juros. Bancos continuam precificando o risco de inadimplência. Empresas ainda precisam refinanciar passivos e consumidores continuam destinando parte relevante da renda às prestações assumidas anteriormente.</p>
<p>Há também uma diferença entre o efeito sobre novas operações e sobre dívidas já contratadas.</p>
<p>Uma sequência de reduções da Selic pode tornar novos empréstimos gradualmente mais baratos e melhorar condições de renegociação. Mas a velocidade desse processo dependerá da inflação, das expectativas, do risco de crédito, das contas públicas e das decisões futuras do Banco Central.</p>
<p>É por isso que uma Selic de 14% pode coexistir com crédito de 64% para famílias.</p>
<p>E é também por isso que o caso Casas Bahia ganha dimensão que ultrapassa a situação particular da varejista.</p>
<p>A companhia possui problemas próprios de estrutura financeira e estratégia empresarial, mas o ambiente em que tenta reorganizar suas dívidas é compartilhado por milhares de empresas e milhões de consumidores: <strong>o dinheiro continua caro, o orçamento das famílias está ocupado e o espaço para absorver novos choques diminuiu</strong>.</p>
<p>A primeira redução dos juros já ocorreu. O desafio agora é saber quanto tempo será necessário para que ela chegue efetivamente às prestações, ao capital de giro e ao caixa das empresas — e se esse alívio virá antes que a combinação de dívida elevada e inadimplência provoque novos casos de estresse financeiro.</p>
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		<item>
		<title>Depois do Pix, Brasil entra na corrida por pagamentos feitos por agentes de IA</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/pix-open-finance-pagamentos-agentes-ia-brasil</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Aug 2026 18:57:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agentes de IA]]></category>
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		<category><![CDATA[sistema financeiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Brasil pode estar diante de uma nova etapa da transformação iniciada pelo Pix. Depois de popularizar as transferências instantâneas e avançar na integração de dados bancários com o Open Finance, o sistema financeiro começa a testar uma fronteira mais complexa: compras realizadas por agentes de inteligência artificial em nome dos clientes. A ideia pode [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil pode estar diante de uma nova etapa da transformação iniciada pelo Pix. Depois de popularizar as transferências instantâneas e avançar na integração de dados bancários com o Open Finance, o sistema financeiro começa a testar uma fronteira mais complexa: <strong>compras realizadas por agentes de inteligência artificial em nome dos clientes</strong>. A ideia pode parecer futurista, mas já está sendo colocada à prova no país. Em março deste ano, Banco do Brasil e Visa realizaram uma transação em que um agente de IA participou da jornada de compra e efetuou o pagamento seguindo parâmetros previamente definidos pelo usuário, abrindo caminho para um modelo em que parte das decisões hoje tomadas manualmente pelo consumidor poderá ser delegada a softwares.</p>
<p>Na prática, um agente poderá pesquisar produtos, comparar preços, avaliar condições e concluir uma compra sem que o usuário precise acompanhar cada etapa. Um consumidor poderia, por exemplo, pedir que sua assistente digital encontre uma passagem para Recife por até R$ 1.500, sem escala e em determinado horário. O sistema faria as buscas e, caso encontrasse uma opção dentro das condições estabelecidas, poderia concluir a compra. A tecnologia para esse tipo de operação começa a existir. O ponto mais difícil, porém, não é fazer a máquina pagar, mas garantir que ela só faça aquilo que recebeu autorização para fazer.</p>
<h2>Primeira transação agêntica já aconteceu no Brasil</h2>
<p>Banco do Brasil e Visa anunciaram em 11 de março de 2026 a realização da primeira transação agêntica do país em ambiente de produção controlado. Na experiência, um cartão BB Visa foi preparado para que um agente de inteligência artificial pudesse concluir uma compra seguindo as autorizações determinadas pelo cliente, enquanto a infraestrutura da Visa cuidava de componentes como autenticação, tokenização e controles de segurança. O teste não significa que clientes poderão simplesmente entregar seus cartões a uma IA e permitir compras irrestritas. Pelo contrário: a viabilidade comercial desse <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="338369">mercado</a> dependerá justamente da criação de limites precisos sobre o que cada agente poderá fazer.</p>
<p>Um usuário poderá determinar quanto a inteligência artificial pode gastar, quais produtos pode comprar, em quais estabelecimentos, durante quanto tempo e em quais circunstâncias deverá interromper a operação para pedir uma nova confirmação. Essa lógica transforma profundamente a autorização financeira. Em vez de aprovar uma compra específica no momento em que ela acontece, o consumidor passa a conceder previamente um conjunto de permissões, algo mais próximo de uma procuração limitada. É esse conjunto de regras que começa a ser tratado pelo mercado como uma espécie de mandato digital.</p>
<h2>Autorizar uma IA é diferente de autorizar uma compra</h2>
<p>Em uma operação tradicional, intenção e autorização normalmente acontecem quase ao mesmo tempo. O consumidor escolhe o produto, confere o valor, verifica quem receberá o dinheiro e confirma a operação. Com um agente de IA, esses momentos podem ficar separados por horas ou até dias. Em vez de autorizar uma compra de R$ 800 naquele instante, por exemplo, o usuário poderá dizer que determinado produto deve ser comprado caso o preço caia abaixo de R$ 800 durante a próxima semana.</p>
<p>Nesse cenário, a máquina passaria a acompanhar o mercado e decidir quando agir. O consumidor não autorizaria exatamente uma transação, mas uma <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="338371">política</a> de atuação. Isso cria uma questão que bancos e instituições de pagamento ainda terão de resolver em escala: não basta mais saber se o titular é legítimo; será necessário verificar se a operação executada estava dentro dos limites que ele havia concedido ao agente. Quanto maior a autonomia da inteligência artificial, maior será a importância dessas regras.</p>
<h2>Pix resolve o dinheiro, mas não resolve a autorização</h2>
<p>O Brasil parte de uma posição favorável porque já construiu uma infraestrutura nacional capaz de movimentar dinheiro em tempo real e em enorme escala. O Pix é usado por mais de 170 milhões de pessoas físicas e processa bilhões de transações por mês. Isso significa que o país não precisa criar do zero um trilho para transferências instantâneas entre contas, disponível 24 horas por dia e integrado a praticamente todo o sistema financeiro.</p>
<p>O problema é que, nos pagamentos agênticos, movimentar o dinheiro é apenas a última etapa. Antes da transferência será necessário saber quem autorizou aquela inteligência artificial, quanto ela podia gastar, se a autorização ainda estava válida, quais categorias eram permitidas e em que situações uma nova confirmação deveria ser exigida. Uma transação pode ser tecnicamente perfeita, passar por todos os sistemas de segurança e ainda assim desrespeitar a vontade do usuário. É nessa diferença que está boa parte do desafio.</p>
<h2>Open Finance pode fornecer parte da estrutura</h2>
<p>O Open Finance brasileiro também oferece elementos importantes para essa nova arquitetura. O sistema já trabalha com consentimento, prazo de autorização, compartilhamento padronizado de informações, autenticação e revogação. Um cliente pode permitir que determinadas instituições acessem seus dados e, posteriormente, retirar essa permissão. Embora esse modelo não tenha sido criado especificamente para agentes de inteligência artificial, ele fornece uma referência concreta para controlar o que terceiros podem fazer dentro do ambiente financeiro.</p>
<p>Outro avanço está na iniciação de pagamentos. Com a chamada Jornada Sem Redirecionamento, determinadas operações podem ser iniciadas sem que o consumidor precise abandonar o ambiente no qual está realizando a compra para abrir manualmente o aplicativo do banco. A instituição financeira continua participando da operação, mas pode atuar nos bastidores enquanto outra interface conduz a experiência. Hoje essa interface pode ser uma carteira digital ou um comércio eletrônico; no futuro, poderá ser uma conversa com um agente de IA.</p>
<h2>Bancos brasileiros já começaram os testes</h2>
<p>A experiência realizada pelo Banco do Brasil não ficou isolada. A Visa ampliou seus testes no país e passou a trabalhar com instituições como <strong>Banco do Brasil, Bradesco, Santander, XP e Dock</strong> em iniciativas relacionadas ao comércio realizado por agentes. A movimentação mostra que o setor financeiro já começa a se preparar para um mercado em que o comprador nem sempre será uma pessoa navegando diretamente pelo site de uma empresa. Em determinadas situações, quem chegará ao estabelecimento será um software autorizado a representar aquele consumidor.</p>
<p>Essa transformação também afeta o comércio eletrônico. Hoje, lojas virtuais são desenvolvidas principalmente para convencer pessoas, com páginas de produto, banners, avaliações, filtros e técnicas de conversão voltadas ao comportamento humano. Em um ambiente no qual agentes participam da decisão, parte das vendas poderá depender de outro tipo de organização da informação: preço, prazo, disponibilidade, política de troca, formas de pagamento e características do produto terão de ser facilmente interpretáveis por máquinas. O comércio passará a disputar não apenas a atenção das pessoas, mas também a preferência dos sistemas que as representam.</p>
<h2>O problema começa quando alguma coisa dá errado</h2>
<p>A conveniência prometida pelos agentes de IA traz consigo uma questão difícil: <strong>quem responde quando a máquina compra errado?</strong> Imagine que uma pessoa autorize seu agente a comprar uma passagem de até R$ 2 mil, desde que seja um voo direto e tenha bagagem incluída. O sistema encontra um bilhete de R$ 1.850, realiza a compra e só depois o consumidor percebe que existe uma conexão. O valor estava dentro do limite, o estabelecimento era legítimo e o pagamento foi processado normalmente, mas uma das condições centrais do mandato foi ignorada.</p>
<p>Situações mais complicadas podem surgir quando o agente gasta acima do limite, compra produtos de uma categoria proibida ou interpreta incorretamente informações publicadas pelo vendedor. Também existe o risco de estabelecimentos tentarem influenciar sistemas automáticos por meio da forma como apresentam preços, estoques, condições e descrições. Isso cria um novo tipo de disputa, no qual será necessário reconstruir não apenas o pagamento, mas também o processo de decisão que levou até ele. Saber que a compra ocorreu não será suficiente; será preciso saber por que ela foi considerada autorizada.</p>
<h2>Bancos terão de explicar por que permitiram uma operação</h2>
<p>Esse ponto pode se tornar um dos maiores desafios para as instituições financeiras. Hoje, grande parte dos mecanismos de segurança procura confirmar se determinada operação foi realizada pelo titular ou por alguém devidamente autorizado. Com agentes, haverá uma segunda camada: mesmo que o usuário e o agente sejam legítimos, será necessário verificar se aquela compra específica estava dentro do mandato concedido.</p>
<p>A resposta terá de ser obtida em tempo real e permanecer disponível depois da operação. Caso o consumidor conteste uma compra, a instituição precisará demonstrar quais limites estavam ativos, que tipo de produto era permitido, qual autorização havia sido concedida e por que o sistema considerou aquela operação válida. Quanto maior a autonomia entregue às máquinas, maior será a necessidade de produzir uma trilha de auditoria capaz de reconstruir suas decisões de forma compreensível.</p>
<h2>Regulação ainda terá de acompanhar a tecnologia</h2>
<p>Apesar dos testes em andamento, o Brasil ainda não possui uma regulamentação financeira específica voltada a um modelo amplo em que agentes de IA recebem autorização para realizar compras autônomas em nome dos clientes. O país, porém, já dispõe de várias peças que podem servir de base. O Pix oferece liquidação instantânea, o Open Finance trabalha com consentimento e APIs, a iniciação de pagamentos integra jornadas entre diferentes instituições e o Pix Automático introduziu novos mecanismos para operações previamente autorizadas.</p>
<p>Nenhuma dessas estruturas, isoladamente, resolve o problema dos agentes. Juntas, entretanto, formam uma base difícil de encontrar em mercados que ainda tentam padronizar pagamentos instantâneos ou compartilhamento financeiro. A próxima discussão deverá avançar justamente sobre como transformar uma autorização humana em instruções que possam ser entendidas e aplicadas por diferentes agentes, bancos e comerciantes sem depender de interpretações individuais.</p>
<h2>Visa e empresas de IA disputam esse mercado</h2>
<p>A corrida é internacional. Bandeiras, <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="338370">empresas</a> de inteligência artificial, grandes plataformas digitais e marketplaces trabalham para definir os protocolos que poderão sustentar o comércio feito por agentes. A Visa, por exemplo, desenvolve ferramentas destinadas a identificar agentes legítimos e permitir que consumidores imponham limites de gasto, categorias de produtos e outras condições para as operações, além de ter anunciado parceria com a OpenAI voltada ao comércio agêntico.</p>
<p>Essa disputa mostra que o mercado não será definido apenas pela qualidade dos modelos de inteligência artificial. Haverá também uma batalha pela infraestrutura que permitirá às máquinas comprar com segurança. Quem estabelecer padrões amplamente adotados para identidade, autorização, limites e revogação poderá ocupar uma posição estratégica semelhante à das bandeiras e redes de pagamento no comércio eletrônico atual.</p>
<h2>Brasil tem vantagem, mas liderança não está garantida</h2>
<p>Pix e Open Finance oferecem ao país uma posição de partida privilegiada, mas isso não significa que o Brasil automaticamente liderará esse novo mercado. Protocolos internacionais podem ganhar escala antes que uma estrutura brasileira específica seja desenvolvida e acabar se tornando padrões globais. Ao mesmo tempo, o país possui uma experiência pouco comum de coordenação entre Banco Central, instituições financeiras e empresas de tecnologia, algo que foi determinante para a implantação do Pix.</p>
<p>Uma lógica semelhante poderia ser utilizada para os agentes. Em vez de cada banco, plataforma ou empresa de IA definir isoladamente como uma autorização deve funcionar, poderia existir um padrão capaz de registrar identidade, limites, prazo de validade e revogação. Isso permitiria que diferentes agentes e instituições conversassem entre si seguindo regras comuns e reduziria a dependência de soluções fechadas criadas por grandes empresas estrangeiras.</p>
<h2>Próxima revolução pode acontecer antes do pagamento</h2>
<p>O Pix mudou a maneira como o dinheiro circula no Brasil. Os agentes de inteligência artificial podem provocar uma transformação em uma etapa anterior: <strong>quem toma a decisão de gastar</strong>. Nesse cenário, a velocidade da transferência continuará importante, mas a confiança dependerá principalmente da capacidade de demonstrar que a máquina fez exatamente aquilo que recebeu permissão para fazer.</p>
<p>O consumidor precisará definir quanto seu agente pode gastar, onde, durante quanto tempo e sob quais condições. Bancos terão de entender essas regras e aplicá-las em segundos. Comerciantes precisarão reconhecer que aquele software é legítimo. E, quando alguma coisa der errado, todos os envolvidos terão de conseguir reconstruir o caminho que levou à compra. O Brasil já criou o trilho para movimentar dinheiro instantaneamente; a próxima disputa será construir as regras que permitirão às máquinas decidir quando podem usá-lo.</p>
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		<title>Risco-país da Argentina volta aos 511 pontos e mercado aumenta cautela com Milei</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Aug 2026 00:58:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Argentina encerrou esta terça-feira (18) com uma mudança importante no humor dos mercados. O risco-país avançou para 511 pontos-base, alta de 4,5% em relação aos 489 pontos da sessão anterior, e voltou a níveis que não eram registrados desde maio e início de junho. O movimento amplia uma correção que vem desmontando parte da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Argentina encerrou esta terça-feira (18) com uma mudança importante no humor dos mercados. O risco-país avançou para <strong>511 pontos-base</strong>, alta de 4,5% em relação aos 489 pontos da sessão anterior, e voltou a níveis que não eram registrados desde maio e início de junho. O movimento amplia uma correção que vem desmontando parte da forte valorização dos ativos argentinos observada durante o primeiro semestre de 2026.</p>
<p>A deterioração é mais expressiva quando comparada ao melhor momento recente. Em 10 de julho, o indicador havia fechado em 402 pontos, menor patamar da gestão do presidente Javier Milei. A diferença até os atuais 511 representa uma elevação de aproximadamente <strong>27% em pouco mais de cinco semanas</strong>, cálculo feito pela <a class="wpil_keyword_link" title="Gazeta Mercantil – Jornal Online" href="https://gazetamercantil.com" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="338206">Gazeta Mercantil</a> a partir da série histórica. Apenas desde o encerramento de julho, quando estava em 430 pontos, a alta acumulada chega a 18,8%.</p>
<p>O risco-país é uma referência do prêmio adicional exigido pelo <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="338207">mercado</a> para carregar dívida argentina em comparação com títulos considerados de menor risco, especialmente os Treasuries dos Estados Unidos. Quanto maior o indicador, maior tende a ser o custo implícito para que o país volte a captar recursos internacionalmente em condições competitivas.</p>
<p>A alta não significa uma volta aos períodos mais agudos da crise financeira argentina. Em setembro de 2025, o indicador chegou a superar 1.400 pontos. O nível atual, porém, interrompe a narrativa de redução quase contínua do risco que havia acompanhado Milei durante parte dos últimos meses e recoloca no radar questões que o mercado considerava parcialmente controladas.</p>
<h2>Bonança de julho foi rapidamente devolvida</h2>
<p>A trajetória recente mostra a velocidade da mudança.</p>
<p>No fim de julho, o risco-país estava em 430 pontos. Em 3 de agosto caiu para 411. Depois disso, a direção praticamente se inverteu: passou para 421 no dia 4, 428 no dia 5, 446 no dia 6, 451 no dia 7 e 465 no dia 10. Na semana seguinte avançou para 471, 472 e 480 pontos, até alcançar 489 na segunda-feira e 511 nesta terça.</p>
<p>Em outras palavras, dos dez pregões argentinos registrados entre 4 e 18 de agosto na série consultada, o indicador encerrou praticamente todo o período em trajetória ascendente. O movimento sugere que não se trata apenas de uma oscilação isolada de uma sessão.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a pressão chegou à Bolsa. O S&amp;P Merval recuou 1,89% nesta terça-feira, enquanto recibos de <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="338204">empresas</a> argentinas negociados nos Estados Unidos também registraram perdas. Entre eles, a YPF (NYSE: YPF) caiu 3,83%, enquanto Banco Macro (NYSE: BMA), BBVA Argentina (NYSE: BBAR) e Grupo Financiero Galicia (Nasdaq: GGAL) também terminaram a sessão no campo negativo.</p>
<p>Os títulos soberanos denominados em dólares seguiram a mesma direção. A queda de preço desses papéis produz o efeito inverso sobre o rendimento exigido pelo comprador: quanto menos o investidor aceita pagar pelo título, maior passa a ser o retorno implícito necessário para assumir o risco argentino.</p>
<p>Esse mecanismo ajuda a explicar a subida do EMBI associado ao país.</p>
<h2>Argentina começa a se descolar de outros emergentes</h2>
<p>Uma parte da correção pode ser explicada pelo ambiente internacional mais difícil. Juros de longo prazo elevados nas principais economias tornam títulos considerados seguros relativamente mais atraentes e reduzem o espaço para ativos de maior risco nos portfólios globais.</p>
<p>Mas a dimensão doméstica ganhou importância.</p>
<p>Dados de mercado mostram que os títulos argentinos passaram a apresentar desempenho inferior ao de alguns pares emergentes. Em agosto, os bônus soberanos acumularam perdas em <a class="wpil_keyword_link" title="Dólar" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="338205">dólar</a> enquanto o risco-país aumentou. Analistas ouvidos pelo mercado argentino também passaram a chamar atenção para esse descolamento.</p>
<p>A diferença é relevante porque, se a deterioração fosse exclusivamente provocada pelas taxas americanas, seria esperado um movimento mais uniforme entre os mercados emergentes. Quando a Argentina cai mais, investidores procuram explicações adicionais nas próprias condições econômicas, monetárias e políticas do país.</p>
<p>Um dos pontos observados é a atividade econômica.</p>
<p>O dado oficial mais recente do Estimador Mensal de Atividade Econômica, referente a maio, mostrou crescimento de apenas <strong>0,2% na comparação anual</strong> e retração de <strong>0,5% contra abril na série dessazonalizada</strong>. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, a atividade ainda crescia 1,7%, mas a desaceleração em relação aos ritmos observados anteriormente tornou-se mais evidente.</p>
<p>A indústria oferece outro retrato desse contraste. Embora a produção industrial manufatureira tenha crescido 2% em junho na comparação anual, o acumulado entre janeiro e junho permanecia <strong>2,2% abaixo do mesmo período de 2025</strong>, segundo o Indec.</p>
<h2>Inflação deixou de cair em linha reta</h2>
<p>A inflação também voltou ao centro das discussões.</p>
<p>O índice de preços ao consumidor argentino avançou <strong>2,1% em julho</strong>, depois de 1,9% em junho. Com isso, a inflação acumulada entre janeiro e julho alcançou 19,3%. O núcleo do índice subiu 1,8% no mês.</p>
<p>A diferença de dois décimos parece pequena, sobretudo diante das taxas mensais de dois dígitos registradas no começo do governo Milei. O problema para o mercado está menos no nível absoluto do que na trajetória: investidores vinham precificando a continuidade do processo de desinflação e qualquer interrupção desse caminho passa a influenciar expectativas de juros, câmbio e renda fixa.</p>
<p>Essa combinação é especialmente sensível porque o governo precisa equilibrar objetivos que podem entrar em tensão. Juros e condições monetárias mais restritivas ajudam a conter a procura por dólares, mas também podem limitar crédito, consumo e investimentos. Uma flexibilização acelerada poderia favorecer a atividade, mas elevar a pressão cambial e inflacionária.</p>
<p>É justamente nesse ponto que o comportamento dos títulos começa a ganhar significado maior do que a variação diária das ações.</p>
<h2>Superávit fiscal resiste à piora do mercado</h2>
<p>A deterioração financeira ocorreu no mesmo dia em que o Ministério da <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="338203">Economia</a> divulgou um dado favorável para uma das principais âncoras do programa de Milei.</p>
<p>O setor público nacional argentino registrou em julho <strong>superávit primário de 2,960 trilhões de pesos</strong> e superávit financeiro de <strong>244,897 bilhões de pesos</strong>, já considerando o pagamento de juros. Nos sete primeiros meses de 2026, o resultado financeiro positivo ficou em aproximadamente 0,1% do PIB, enquanto o superávit primário correspondeu a cerca de 0,9%.</p>
<p>O dado é importante porque mostra que o aumento do risco-país não decorre, neste momento, de uma ruptura da disciplina fiscal.</p>
<p>Isso diferencia o episódio atual de outras crises argentinas, frequentemente marcadas por déficits elevados, emissão monetária para financiar o Tesouro e perda acelerada de capacidade de pagamento.</p>
<p>A mensagem enviada pelos ativos é mais complexa: <strong>o equilíbrio fiscal continua sendo reconhecido, mas já não é suficiente sozinho para sustentar a compressão do risco-país</strong>.</p>
<p>O mercado passou a exigir respostas também para crescimento, inflação, reservas internacionais, liquidez da economia e capacidade futura de refinanciamento da dívida.</p>
<h2>O grande teste está em 2027</h2>
<p>Outro elemento importante é o calendário da dívida.</p>
<p>A Argentina enfrenta mais de <strong>US$ 23 bilhões em amortizações de principal denominadas em moeda estrangeira em 2027</strong>. Quando os juros são incluídos, os compromissos ultrapassam US$ 32 bilhões, segundo números do Fundo Monetário Internacional citados pela Reuters.</p>
<p>O ministro da Economia, Luis Caputo, afirmou que o governo pretende enfrentar esses pagamentos combinando empréstimos de organismos multilaterais, privatizações e emissões no mercado doméstico, evitando por enquanto uma volta ampla aos mercados internacionais de dívida.</p>
<p>Essa estratégia torna a evolução do risco-país particularmente relevante.</p>
<p>Em maio, quando o indicador havia caído para perto de 500 pontos, já existia discussão sobre quando a Argentina poderia recuperar acesso pleno ao mercado internacional. À época, Caputo chegou a mencionar que um risco de aproximadamente 250 pontos criaria condições muito mais favoráveis, embora o governo sustentasse que não havia urgência em emitir dívida no exterior.</p>
<p>O movimento desde julho está indo na direção contrária.</p>
<h2>Eleição presidencial ainda está a mais de um ano</h2>
<p>Há também um componente político, mas é importante dimensioná-lo corretamente.</p>
<p>A Argentina não realiza eleição presidencial em 2026. A próxima disputa nacional pela Presidência ocorrerá em <strong>2027</strong>, quando Milei poderá buscar a reeleição. Ainda falta mais de um ano, mas gestores começaram a incorporar esse horizonte às avaliações sobre dívida e câmbio, especialmente porque os grandes vencimentos externos também se concentram naquele ano.</p>
<p>O risco político, portanto, não é uma eleição iminente. É a sobreposição de três fatores: vencimentos relevantes, necessidade de manter reservas e possibilidade de mudança das expectativas sobre a continuidade das políticas econômicas depois de 2027.</p>
<p>Em mercados de dívida, essa antecipação é comum. Títulos com vencimentos longos são precificados pela expectativa do que acontecerá durante vários anos, e não apenas pelas condições econômicas da semana corrente.</p>
<h2>De 402 para 511 pontos: o alerta que muda a leitura</h2>
<p>O melhor resumo da virada está nos próprios números.</p>
<p>Em <strong>10 de julho</strong>, o risco-país fechou em 402 pontos. Em <strong>31 de julho</strong>, estava em 430. Nesta terça-feira, <strong>18 de agosto</strong>, terminou em 511. Isso representa alta de 27,1% desde a mínima de julho e de 18,8% somente em relação ao fechamento daquele mês.</p>
<p>Ainda assim, 511 pontos estão muito distantes dos níveis superiores a 1.400 observados durante o estresse de 2025. Por isso, os dados não sustentam a interpretação de que o programa econômico tenha entrado em uma crise comparável àquelas enfrentadas anteriormente pelo país.</p>
<p>O que mudou foi a assimetria das expectativas.</p>
<p>Durante boa parte do primeiro semestre, bons resultados fiscais, queda da inflação e melhora do crédito argentino alimentavam apostas de valorização dos títulos. Agora, parte dos investidores passou a exigir evidências adicionais de que a estabilização fiscal poderá ser acompanhada por recuperação consistente da atividade, acumulação de reservas e uma trajetória administrável para os vencimentos externos.</p>
<p>O resultado fiscal divulgado nesta terça mostra que Milei ainda preserva uma das peças centrais de seu programa: o superávit. O fechamento dos mercados mostra, ao mesmo tempo, que <strong>o preço cobrado pelos investidores para financiar o risco argentino voltou a subir</strong>.</p>
<p>Essa divergência — contas públicas superavitárias de um lado e prêmio de risco crescente do outro — deve ser um dos principais indicadores a acompanhar nos próximos meses.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Banco Central da República Argentina — estatísticas monetárias e cambiais oficiais.</em></p>
<p><em>Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina — inflação, atividade econômica e produção industrial.</em></p>
<p><em>Ministério da Economia da Argentina — resultado fiscal do setor público nacional de julho de 2026.</em></p>
<p><em>Rava Bursátil — série histórica do risco-país argentino e fechamento de mercado.</em></p>
<p><em>Reuters — dívida externa argentina, estratégia de financiamento e avaliação do risco para 2027.</em></p>
<p><em>La Nación e El Cronista — informações de mercado e desempenho dos ativos argentinos no pregão de 18 de agosto.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>PIB cresce 0,3% no 2º trimestre, aponta Monitor da FGV</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/pib-brasil-segundo-trimestre-2026-fgv</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Aug 2026 07:34:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[atividade econômica]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Central]]></category>
		<category><![CDATA[consumo das famílias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A economia brasileira cresceu 0,3% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, segundo o Monitor do PIB, divulgado nesta segunda-feira pela Fundação Getulio Vargas. O resultado mostra desaceleração frente ao avanço de 1% no primeiro trimestre e sugere perda de fôlego da atividade em meio a juros ainda elevados, endividamento das [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A economia brasileira cresceu <strong>0,3% no segundo trimestre de 2026</strong> em relação aos três meses anteriores, segundo o <strong>Monitor do PIB</strong>, divulgado nesta segunda-feira pela Fundação Getulio Vargas. O resultado mostra <strong>desaceleração</strong> frente ao avanço de <strong>1% no primeiro trimestre</strong> e sugere perda de fôlego da atividade em meio a juros ainda elevados, endividamento das famílias e ambiente externo mais pressionado.</p>
<p>A leitura da FGV funciona como uma prévia das Contas Nacionais Trimestrais do IBGE e ajuda a antecipar a direção da atividade antes da divulgação oficial. Na série dessazonalizada, o levantamento mostrou ainda que a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338147">economia</a> <strong>recuou 1,1% em junho na comparação com maio</strong>, sinalizando enfraquecimento no fechamento do trimestre.</p>
<p>Na comparação com o mesmo período do ano passado, o crescimento estimado pela FGV foi de <strong>1,7% no segundo trimestre</strong> e de <strong>1,9% em junho</strong>. No acumulado de 12 meses até junho, a expansão chegou a <strong>1,8%</strong>.</p>
<p>O dado reforça a leitura de que 2026 vem sendo um ano de crescimento mais moderado do que o observado em 2024 e 2025, embora a economia siga em terreno positivo. Segundo a própria FGV, este foi o <strong>20º trimestre consecutivo de alta da atividade</strong>, uma sequência que preserva a resiliência do nível de produção, ainda que em intensidade menor.</p>
<h2>Consumo segura o resultado, mas ritmo perde força</h2>
<p>A principal sustentação do trimestre veio do <strong>consumo das famílias</strong>, que avançou <strong>2,6%</strong> e foi o componente de demanda com maior contribuição positiva para a atividade. O desempenho foi puxado sobretudo por <strong>serviços</strong> e <strong>bens duráveis</strong>, com influência do aumento das importações de automóveis no período.</p>
<p>A coordenadora da pesquisa, <strong>Juliana Trece</strong>, afirmou que o resultado de 0,3% indica claramente uma desaceleração frente ao início do ano. Segundo ela, essa perda de ritmo foi observada nas três grandes atividades — agropecuária, indústria e serviços — e também em boa parte dos componentes da demanda, com exceção do consumo.</p>
<p>A leitura é importante porque qualifica o resultado além do número agregado. Em vez de um tombo disseminado, o quadro sugerido pelo Monitor do PIB é o de uma economia que ainda cresce, mas com apoio mais concentrado no consumo privado e com menor tração em outras frentes.</p>
<p>Esse desenho também ajuda a entender por que a desaceleração não significou, ao menos até aqui, uma inversão do ciclo. A atividade perdeu força, mas não entrou em contração trimestral. Em outras palavras, a economia brasileira passou do crescimento forte para uma expansão mais moderada, sem ruptura.</p>
<h2>Investimento avança menos e setor externo segue positivo</h2>
<p>Do lado da formação de capital, a <strong>Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF)</strong> cresceu <strong>1,6% no segundo trimestre</strong>, mas o dado também veio acompanhado de sinais de moderação. A FGV destacou que a tendência de aceleração observada em trimestres anteriores foi interrompida, com perda de contribuição do segmento de máquinas e equipamentos.</p>
<p>A <strong>taxa de investimento</strong> estimada pelo Monitor do PIB ficou em <strong>18,5% no segundo trimestre</strong>, ligeiramente abaixo dos <strong>18,6%</strong> observados no trimestre imediatamente anterior. A mudança é pequena, mas reforça a ideia de acomodação dos investimentos em um ambiente de crédito ainda caro e maior seletividade financeira.</p>
<p>No setor externo, o desempenho continuou positivo. As <strong>exportações cresceram 4,5% no trimestre</strong>, ainda que em ritmo inferior ao observado desde meados de 2025. Já as <strong>importações avançaram 5,7%</strong>, com destaque para serviços e bens de consumo. Quando as importações crescem mais do que as exportações, o efeito líquido sobre o PIB tende a ser mais limitado, mesmo com um comércio exterior ainda aquecido.</p>
<p>Em valores correntes, a FGV estimou o <strong>PIB do primeiro semestre de 2026 em R$ 6,557 trilhões</strong>. O número não altera, por si só, a leitura sobre o ritmo da economia, mas dimensiona a magnitude da atividade no período e ajuda a comparar a dinâmica recente com as projeções para o ano fechado.</p>
<h2>Junho fraco e IBC-Br apontam o mesmo sentido</h2>
<p>O recuo de <strong>1,1% em junho ante maio</strong> foi um dos pontos mais relevantes da divulgação da FGV porque sinaliza que a desaceleração ganhou tração no fim do trimestre. Esse movimento dialoga com outro indicador acompanhado de perto pelo <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338144">mercado</a>: o <strong>Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br)</strong>.</p>
<p>Também divulgado nesta segunda-feira, o IBC-Br mostrou <strong>queda de 0,6% em junho na comparação dessazonalizada com maio</strong>. Na métrica trimestral, o BC apontou <strong>alta de 0,2% do primeiro para o segundo trimestre</strong>, abaixo da estimativa de 0,3% do Monitor do PIB, mas na mesma direção de desaceleração.</p>
<p>As diferenças entre os dois indicadores são metodológicas e não configuram contradição. O Monitor do PIB, da FGV, busca antecipar o resultado das Contas Nacionais com base em um amplo conjunto de informações. O IBC-Br, por sua vez, é um índice mensal do Banco Central, utilizado como sinalizador da atividade, mas não substitui o PIB oficial.</p>
<p>Tomados em conjunto, porém, os dois dados reforçam uma mensagem comum: a economia brasileira entrou no segundo semestre com menos impulso do que no início do ano.</p>
<h2>Juros altos e endividamento seguem como freios</h2>
<p>A leitura da FGV destaca que a economia continua positiva em meio a um contexto considerado desafiador. Entre os fatores que pesam sobre o crescimento, a instituição cita a <strong>elevação do preço do barril de petróleo</strong>, os <strong>juros ainda em patamar elevado</strong> e o <strong>alto endividamento da população</strong>.</p>
<p>Embora o Banco Central tenha reduzido a Selic em agosto para <strong>14% ao ano</strong>, o nível de juros segue restritivo para consumo financiado, crédito corporativo e decisões de investimento. O efeito de uma <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338145">política</a> monetária apertada sobre a atividade costuma aparecer com defasagem, o que ajuda a explicar por que a desaceleração persiste mesmo após o início do ciclo de cortes.</p>
<p>No caso das famílias, o mercado de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338148">trabalho</a> ainda relativamente resistente tem ajudado a sustentar o consumo, mas o espaço para aceleração parece mais estreito. No caso das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338146">empresas</a>, o custo do capital, a incerteza sobre demanda futura e a seletividade no crédito reduzem o apetite por expansão.</p>
<p>A combinação desses fatores ajuda a entender a fotografia atual: uma economia que não colapsa, mas cresce abaixo do ritmo observado no começo do ano e com maior dependência do consumo privado.</p>
<h2>Projeções para 2026 ficam entre 1,98% e 2,3%</h2>
<p>As projeções para o PIB de 2026 continuam mostrando alguma divergência entre governo e mercado, mas caminham todas para um cenário de crescimento mais modesto.</p>
<p>No <strong>Boletim Focus</strong> divulgado pelo Banco Central, a mediana das estimativas para o <strong>PIB de 2026 ficou em 1,98%</strong>. O número permaneceu estável na semana, mas abaixo de marcas observadas em períodos anteriores, refletindo a visão de que a economia perdeu tração no segundo trimestre.</p>
<p>Já o <strong>Ministério da Fazenda</strong> manteve em seu cenário oficial a projeção de <strong>2,3% de crescimento para 2026</strong> no Boletim Macrofiscal. A diferença entre os dois números não é trivial: significa que o governo ainda trabalha com uma leitura mais benigna para a atividade do que a média do mercado.</p>
<p>A distância entre as projeções deve ganhar relevância nas próximas semanas, quando novos dados de produção, comércio, serviços e emprego ajudarem a calibrar as expectativas para o restante do ano.</p>
<h2>O que esperar do dado oficial do IBGE</h2>
<p>O número divulgado pela FGV não substitui o resultado oficial do PIB, que será apresentado pelo <strong>IBGE em setembro</strong> nas Contas Nacionais Trimestrais. Ainda assim, o Monitor do PIB tem importância justamente por antecipar tendências e oferecer uma decomposição útil do crescimento antes da leitura definitiva.</p>
<p>Se o IBGE confirmar uma expansão próxima à estimada pela FGV, o segundo trimestre deve marcar uma virada de velocidade, com a economia brasileira saindo de um primeiro trimestre forte para um crescimento mais contido. Isso não significaria recessão, mas consolidaria a percepção de um 2026 de transição para um ritmo mais baixo.</p>
<p>A grande questão para o mercado, para o governo e para o Banco Central será medir se essa desaceleração é apenas uma acomodação temporária ou o início de um processo mais amplo de enfraquecimento da atividade.</p>
<p>Por enquanto, os dados apontam mais para a primeira hipótese. A economia continua crescendo, o consumo das famílias ainda oferece suporte e o setor externo segue contribuindo. Ao mesmo tempo, a queda mensal de junho, a perda de intensidade do investimento e o recuo do IBC-Br mostram que o ciclo já não exibe a mesma força do começo do ano.</p>
<p>Em síntese, o Monitor do PIB da FGV trouxe um recado claro: <strong>o Brasil ainda cresce, mas cresce menos</strong>. E, neste momento, essa diferença de ritmo pode ser tão importante quanto o resultado positivo em si.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Fundação Getulio Vargas — Monitor do PIB de junho de 2026 e nota técnica do IBRE sobre o desempenho da atividade no segundo trimestre.</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil — Relatório Focus de 14 de agosto de 2026 e divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central referente a junho de 2026.</em></p>
<p><em>Ministério da Fazenda — Boletim Macrofiscal de julho de 2026, com projeções oficiais para o crescimento do PIB.</em></p>
<p><em>Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — resultado oficial do PIB do primeiro trimestre de 2026 e calendário de divulgação das Contas Nacionais Trimestrais.</em></p>
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		<item>
		<title>PCC: operador financeiro teria movimentado US$ 13,6 milhões na Baixada Santista</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/operador-financeiro-do-pcc</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 19:58:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Apontado pelo Ministério Público de São Paulo como integrante da estrutura financeira do Primeiro Comando da Capital (PCC), Wagner Rodrigo dos Santos, conhecido como “Branquinho” ou “Peixeiro”, teria movimentado cerca de US$ 13,6 milhões entre outubro de 2018 e julho de 2019 em operações relacionadas ao dinheiro obtido com o tráfico de drogas na Baixada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Apontado pelo Ministério Público de São Paulo como integrante da estrutura financeira do Primeiro Comando da Capital (PCC), Wagner Rodrigo dos Santos, conhecido como “Branquinho” ou “Peixeiro”, teria movimentado cerca de <strong>US$ 13,6 milhões entre outubro de 2018 e julho de 2019</strong> em operações relacionadas ao dinheiro obtido com o tráfico de drogas na Baixada Santista. Parte das transações, segundo a acusação, teria sido determinada quando ele já estava preso.</p>
<p>O volume financeiro atribuído a Wagner integra uma investigação mais ampla sobre os mecanismos usados pela facção para arrecadar, concentrar, ocultar e redistribuir recursos. Planilhas apreendidas durante as investigações registrariam as remessas e associariam diferentes apelidos ao acusado, além de indicar a participação de operadores responsáveis pela intermediação entre o dinheiro arrecadado no litoral paulista e o setor financeiro clandestino.</p>
<p>Documentos da investigação atribuem a Wagner posição relevante no chamado “Setor do Arame”, estrutura encarregada de fazer chegar recursos aos cofres da organização. O Ministério Público também o relacionou à operação financeira do tráfico internacional de drogas da Baixada Santista, atividade identificada internamente pelo termo “tomate”.</p>
<p>Registros publicados a partir da investigação indicam que Wagner teria autorizado cerca de <strong>US$ 6,8 milhões em nove operações entre outubro de 2018 e janeiro de 2019</strong>, quando ainda estava em liberdade. Depois de sua prisão, outras remessas teriam sido registradas. Entre março e junho de 2019, já recolhido à Penitenciária II de Presidente Venceslau, a acusação atribuiu a ele 22 movimentações que somariam aproximadamente US$ 5,5 milhões.</p>
<h2>Investigação descreve circuito entre tráfico, dinheiro vivo e doleiros</h2>
<p>A estrutura investigada não se limitava à transferência contábil dos valores. Segundo a acusação, recursos provenientes da venda de drogas na Baixada Santista eram recolhidos em espécie e posteriormente encaminhados a operadores financeiros, incluindo doleiros, que fariam a conversão de grandes quantias em moeda estrangeira e movimentações destinadas a dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.</p>
<p>Wagner é apontado como um dos responsáveis pela articulação desse circuito. Em uma das comunicações atribuídas a integrantes do grupo, aparece a referência ao envio de aproximadamente <strong>US$ 325 mil</strong> para um doleiro identificado pelo apelido de “Veia”. As mensagens fazem parte do conjunto de elementos utilizado pela acusação para sustentar que o investigado exercia funções financeiras que iam além da atuação local no tráfico.</p>
<p>Outra frente da investigação identificou discussões sobre a criação de uma base fixa na zona leste da cidade de São Paulo. O imóvel serviria, de acordo com a acusação, para receber, conferir, contar e preparar valores antes que o dinheiro fosse entregue aos operadores do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338130">mercado</a> clandestino de câmbio.</p>
<p>Até então, segundo os investigadores, parte das entregas era realizada em estacionamentos e outros pontos de encontro. A dinâmica criava dificuldades para a conferência das quantias e aumentava os riscos operacionais. Por isso, integrantes do grupo teriam discutido a necessidade de uma instalação permanente.</p>
<p>A localização pretendida também teria sido escolhida com critérios logísticos. As mensagens indicavam preferência por uma área distante de “quebradas”, mas próxima a estação de metrô e ponto de táxi, de maneira a permitir, nas palavras atribuídas aos envolvidos, o “acesso de vários lugares”.</p>
<h2>Prisão não teria interrompido movimentações atribuídas ao acusado</h2>
<p>Wagner foi preso em fevereiro de 2019 e, em 1º de março daquele ano, transferido para a Penitenciária II de Presidente Venceslau. A cronologia das movimentações financeiras tornou-se um dos pontos centrais da investigação porque parte das ordens atribuídas a ele teria ocorrido depois do encarceramento.</p>
<p>Segundo registros da apuração, uma movimentação de <strong>US$ 1,3 milhão</strong> teria sido autorizada no dia seguinte à prisão. O Ministério Público sustentou ainda que dezenas de remessas posteriores teriam sido ordenadas durante o período em que Wagner estava sob custódia do Estado.</p>
<p>As suspeitas levaram a Secretaria da Administração Penitenciária a instaurar procedimento disciplinar para apurar eventual atuação criminosa a partir do presídio. À época, a defesa contestou as acusações e sustentou que Wagner não integrava o PCC, não utilizava o apelido “Peixeiro” e não teria condições de comandar movimentações financeiras a partir de uma unidade de segurança máxima.</p>
<p>Os advogados argumentaram também que o sistema penitenciário possuía restrições e monitoramento das comunicações, além de bloqueadores de sinal de telefonia. A defesa afirmava que não havia prova de contato de Wagner com integrantes da organização em outras unidades prisionais.</p>
<p>A controvérsia sobre a identificação do acusado teve peso no processo judicial. Em primeira instância, Wagner chegou a ser absolvido das imputações relacionadas à organização criminosa e à lavagem de dinheiro porque o juízo considerou insuficientes os elementos que o associavam de maneira segura aos apelidos encontrados nas investigações.</p>
<h2>Absolvição foi revertida em segunda instância</h2>
<p>A identificação dos integrantes era uma das dificuldades do processo. Um levantamento citado na decisão de primeira instância apontou a existência de centenas de registros de pessoas ligadas ao sistema criminal com apelidos semelhantes a “Peixeiro”, “França” e “Branquinho”, termos que apareciam no material apreendido.</p>
<p>O Ministério Público recorreu da absolvição. Em segunda instância, a decisão foi reformada e Wagner acabou condenado a <strong>13 anos e sete meses de reclusão</strong> por crimes relacionados à participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro. A condenação considerou elementos adicionais usados para sustentar sua identificação e sua participação na estrutura financeira investigada. Registros públicos sobre o julgamento confirmam a pena e a reversão da absolvição.</p>
<p>O processo integra uma investigação de dimensão financeira significativamente maior. Outros réus foram denunciados no mesmo contexto, no qual o Ministério Público atribuiu ao conjunto dos investigados a ocultação e circulação de valores que alcançariam aproximadamente <strong>R$ 1 bilhão entre 2018 e 2019</strong>.</p>
<p>As cifras ajudam a dimensionar uma característica das investigações mais recentes contra organizações criminosas: o foco não se restringe aos responsáveis pelo transporte ou pela comercialização das drogas. O rastreamento das receitas, dos operadores financeiros, das casas de câmbio clandestinas e das estruturas destinadas à lavagem tornou-se uma das principais frentes para identificar a cadeia econômica que sustenta a atividade criminosa.</p>
<p>No caso atribuído a Wagner, a acusação descreve justamente essa conexão entre a arrecadação originada no tráfico, a concentração de dinheiro vivo, a entrega a doleiros e a transformação dos recursos em ativos com maior capacidade de circulação.</p>
<h2>Nome voltou a aparecer em investigação sobre sequestro de advogado</h2>
<p>Anos depois das movimentações financeiras investigadas, o nome de Wagner voltou a aparecer em uma apuração relacionada à atuação do PCC na Baixada Santista. Ele foi apontado por um advogado criminalista como um dos envolvidos em um episódio de sequestro ocorrido em <strong>11 de junho de 2026</strong>.</p>
<p>A vítima, Rafaell Câmara Roque, relatou ter sido atraída para um encontro sob o pretexto de discutir uma questão profissional relacionada a uma disputa empresarial envolvendo pontos comerciais de venda de pescado no Guarujá. Segundo o advogado, o conflito envolvia seu cliente e pessoas ligadas à empresa objeto da disputa.</p>
<p>Rafaell afirmou que havia ingressado com uma ação judicial depois que as negociações entre as partes fracassaram. A controvérsia teria se agravado após um acordo estimado em R$ 2 milhões que, segundo o relato da vítima, não teria sido cumprido.</p>
<p>O advogado sustenta que foi conduzido inicialmente a uma empresa e, posteriormente, levado para outro imóvel, onde teria sido mantido durante aproximadamente seis horas. Ele relatou ainda ter presenciado conversas relacionadas ao tráfico internacional de drogas e estima que dezenas de pessoas tenham participado presencialmente ou acompanhado o episódio por chamadas de vídeo.</p>
<p>As alegações sobre a participação individual de Wagner nesse episódio integram uma investigação distinta e devem ser tratadas como acusações ainda sujeitas à apuração das autoridades e ao exercício do direito de defesa.</p>
<h2>Operação Patrocínio Fiel mira grupo na Baixada Santista</h2>
<p>O caso do advogado levou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e a Polícia Militar a deflagrarem, em <strong>12 de agosto de 2026</strong>, a Operação Patrocínio Fiel.</p>
<p>A ação foi direcionada a investigados por sequestro, extorsão, tortura e ameaça. Foram expedidos sete mandados de prisão temporária e 19 mandados de busca e apreensão, com diligências em Guarujá, São Vicente, Praia Grande e Cubatão, no litoral paulista, além de Florianópolis, em Santa Catarina. O Ministério Público informou que imóveis residenciais, estabelecimentos comerciais relacionados aos investigados e o local apontado como possível cativeiro estavam entre os endereços das buscas.</p>
<p>Segundo o MPSP, a operação teve como objetivos interromper a atuação do grupo investigado, preservar a integridade da vítima e obter elementos necessários para o avanço das investigações. A apuração relacionada ao sequestro permanece sob sigilo.</p>
<p>A conexão entre a investigação atual e os registros financeiros anteriores coloca novamente em evidência a estrutura atribuída aos integrantes do PCC na Baixada Santista. No caso de Wagner, os diferentes procedimentos abrangem períodos, crimes e conjuntos probatórios distintos. A condenação decorrente da investigação financeira não comprova, por si só, participação nos fatos investigados em 2026, que dependem de apuração própria.</p>
<p>Até a publicação das informações disponíveis sobre o caso, não havia sido apresentada uma manifestação atual da defesa de Wagner sobre as acusações relacionadas ao sequestro. O direito ao contraditório permanece preservado.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Ministério Público do Estado de São Paulo — comunicação institucional sobre a Operação Patrocínio Fiel e as diligências relacionadas ao sequestro, extorsão, tortura e ameaça contra advogado na Baixada Santista.</em></p>
<p><em>Registros públicos e reportagens anteriores baseadas na investigação do Ministério Público de São Paulo — dados sobre as movimentações financeiras atribuídas a Wagner Rodrigo dos Santos, cronologia das remessas e argumentos apresentados pela defesa.</em></p>
<p><em>Registros judiciais sobre o processo criminal — informações relativas à absolvição em primeira instância, ao recurso do Ministério Público e à condenação posterior a 13 anos e sete meses de reclusão.</em></p>
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		<title>FGC completa 30 anos após R$ 49 bi em garantias e novas regras contra risco excessivo</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/fgc-completa-30-anos-apos-r-49-bi-em-garantias-e-novas-regras</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 23:19:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Central]]></category>
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		<category><![CDATA[CDB]]></category>
		<category><![CDATA[Fundo Garantidor de Créditos]]></category>
		<category><![CDATA[LCA]]></category>
		<category><![CDATA[LCI]]></category>
		<category><![CDATA[sistema financeiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) chega às comemorações de 30 anos depois de atravessar um ciclo de pagamentos de garantias provocado pelas liquidações de instituições financeiras a partir de novembro de 2025. No último balanço consolidado divulgado pela entidade, em 28 de abril, os pagamentos somavam cerca de R$ 49 bilhões destinados a quase [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) chega às comemorações de 30 anos depois de atravessar um ciclo de pagamentos de garantias provocado pelas liquidações de instituições financeiras a partir de novembro de 2025. No último balanço consolidado divulgado pela entidade, em 28 de abril, os pagamentos somavam cerca de R$ 49 bilhões destinados a quase 870 mil credores, com 94,5% do volume financeiro então previsto já entregue aos beneficiários.</p>
<p>O caso de maior dimensão nesse conjunto foi o do conglomerado Master. Após a liquidação do Banco Master, do Banco Master de Investimento e do Letsbank, o FGC constituiu provisão de R$ 40,6 bilhões para honrar créditos cobertos pela garantia. O processo de pagamento começou em 17 de janeiro de 2026, depois que os liquidantes concluíram a consolidação das informações dos credores. A estimativa final indicada pelo fundo naquele momento era de aproximadamente 800 mil beneficiários.</p>
<p>A sequência de intervenções não terminou no Master. No início de 2026, também foram liquidados a Will Financeira e o Banco Pleno. Somados esses eventos, o FGC estimou em R$ 51,7 bilhões o total de garantias a pagar e em aproximadamente R$ 57,4 bilhões o impacto combinado das liquidações e das operações de assistência sobre suas reservas. O movimento alterou a posição de liquidez da entidade e levou a uma recomposição extraordinária de recursos.</p>
<p>O marco de três décadas ocorre, portanto, em um período de utilização em larga escala dos mecanismos de proteção. Criado em 1995, o FGC é uma associação privada sem fins lucrativos integrante da rede de proteção do Sistema Financeiro Nacional e atua no pagamento de garantias em casos de intervenção ou liquidação de instituições associadas.</p>
<h2>Master concentrou R$ 40,6 bilhões em garantias</h2>
<p>O FGC informou em janeiro que o valor total das garantias relacionadas ao Banco Master, Banco Master de Investimento e Letsbank seria de R$ 40,6 bilhões, abaixo da estimativa preliminar de R$ 41,3 bilhões. A revisão ocorreu após a consolidação individualizada da base de credores pelos liquidantes responsáveis pelas instituições.</p>
<p>A quantidade estimada de credores também caiu de forma relevante. Antes da individualização dos registros, o fundo trabalhava com aproximadamente 1,6 milhão de credores com base em informações agregadas do censo mensal das instituições. Depois da revisão, o número passou para cerca de 800 mil. A mudança ocorreu depois da consolidação das informações individualizadas necessárias ao processamento das garantias.</p>
<p>O mecanismo não funciona como um pagamento automático a qualquer investidor de uma instituição liquidada. O Banco Central decreta o regime de liquidação, o liquidante identifica credores e valores, e o FGC processa os pagamentos dos créditos que se enquadram no regulamento. Pessoas físicas fazem a solicitação pelos canais digitais da entidade, enquanto pessoas jurídicas utilizam o portal destinado aos investidores.</p>
<p>A garantia ordinária é limitada a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado financeiro, observadas as regras aplicáveis. Também existe um teto global de R$ 1 milhão por beneficiário em um período de quatro anos para pagamentos de garantias ordinárias. A proteção abrange produtos previstos no regulamento, entre eles depósitos à vista, poupança, CDB, RDB, LCI e LCA.</p>
<h2>Liquidez caiu e associadas anteciparam R$ 32,2 bilhões</h2>
<p>O peso das liquidações apareceu diretamente nas contas do fundo. Ao fim de 2025, o FGC registrava patrimônio líquido de R$ 123,2 bilhões, após déficit de R$ 17,1 bilhões no exercício associado à provisão para pagamento de garantias. A liquidez encerrou o período em R$ 123,4 bilhões.</p>
<p>A posição mudou no começo de 2026 conforme as provisões e os pagamentos avançaram. O Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central mostra que a liquidez do FGC, já considerando os montantes provisionados para as instituições liquidadas, chegou a R$ 66,8 bilhões em janeiro, equivalente a 1,2% dos depósitos elegíveis à garantia.</p>
<p>Para reforçar as reservas, instituições associadas anteciparam contribuições ordinárias. O FGC informou que recebeu R$ 32,2 bilhões entre 23 e 25 de março. Com o ingresso dos recursos, a liquidez atingiu R$ 110,9 bilhões e o patrimônio líquido ficou em R$ 118,5 bilhões ao final daquele mês.</p>
<p>O Banco Central calculou, em seu relatório de maio, que a antecipação levaria a liquidez para uma região equivalente a aproximadamente 2% dos depósitos elegíveis. A autoridade monetária avaliou que esse nível manteria o fundo em condição de cobrir instituições associadas, individualmente ou em conjunto, em montantes semelhantes à posição existente antes dos eventos iniciados em novembro de 2025.</p>
<h2>Regulação ficou mais rígida para captações garantidas</h2>
<p>A recomposição financeira foi acompanhada por mudanças regulatórias destinadas a reduzir vulnerabilidades associadas ao uso de captações protegidas pelo FGC. Em abril, o Conselho Monetário Nacional alterou as regras da contribuição adicional e das exigências de alocação em títulos públicos federais para instituições associadas ao fundo.</p>
<p>A Resolução CMN nº 5.295, de 23 de abril de 2026, passou a prever contribuição adicional quando o Valor de Referência de uma instituição superar simultaneamente quatro vezes o Patrimônio Líquido Ajustado e 60% das Captações de Referência. As mudanças entraram em vigor em 1º de junho.</p>
<p>O novo desenho também ampliou as situações em que uma instituição precisa manter recursos em títulos públicos federais. Foi criado um gatilho associado ao chamado Ativo de Referência: quando o Valor de Referência excede esse parâmetro, torna-se obrigatória a manutenção da parcela excedente em títulos públicos federais, conforme a regulamentação operacional do Banco Central.</p>
<p>O Banco Central definiu o Ativo de Referência com base em ativos destinados à intermediação financeira e à gestão de liquidez, considerando critérios relacionados à qualidade das aplicações. A regulamentação exclui do cálculo determinados ativos associados a estratégias que possam representar riscos excessivos, operações sem relação direta com intermediação financeira ou aplicações envolvendo entidades ligadas, entre outras situações previstas na norma.</p>
<p>A mudança amplia os mecanismos destinados a limitar a dependência excessiva de captações protegidas pelo fundo. O arcabouço mantém a garantia ao depositante dentro das condições estabelecidas, mas eleva as exigências aplicáveis às instituições quando determinados indicadores mostram maior exposição do FGC ou desequilíbrio entre captação garantida e estrutura patrimonial.</p>
<h2>Cobertura ampla não elimina risco do emissor</h2>
<p>Os dados do próprio FGC ajudam a dimensionar o alcance do sistema. Ao final de 2025, os depósitos elegíveis à garantia somavam R$ 5,53 trilhões, ante R$ 5 trilhões no ano anterior. Desse total, R$ 2,65 trilhões estavam efetivamente cobertos pelos limites de garantia, correspondendo a 47,93% do volume elegível.</p>
<p>A cobertura, entretanto, alcançava integralmente 99,65% das contas existentes no sistema quando considerada a quantidade de contas. A diferença entre a parcela do volume financeiro e a quantidade de contas integralmente protegidas decorre da existência de limites individuais de cobertura: valores dentro do teto podem ser integralmente garantidos, enquanto parcelas que excedem os limites permanecem fora da garantia ordinária.</p>
<p>Essa característica delimita a função do mecanismo. O FGC foi estruturado para proteger depositantes e investidores nos produtos e valores previstos em seu regulamento e contribuir para a estabilidade do sistema financeiro. A regulamentação estabelece limites e condições para a cobertura e também define obrigações de financiamento do fundo pelas instituições associadas.</p>
<p>As contribuições das instituições associadas somaram R$ 6,3 bilhões em 2025, acima dos R$ 5,7 bilhões registrados em 2024. No mesmo período, o resultado financeiro dos investimentos do fundo atingiu R$ 21,8 bilhões, ante R$ 10,8 bilhões no exercício anterior. A rentabilidade dos investimentos correspondeu a 99,39% da taxa média Selic no ano.</p>
<p>A estrutura normativa também prevê mecanismos extraordinários quando o patrimônio do FGC necessita de receitas adicionais para cumprir suas obrigações. Entre eles estão contribuições extraordinárias, antecipação de doze a sessenta contribuições mensais ordinárias pelas instituições associadas, operações de crédito e outras fontes autorizadas nos termos do regulamento.</p>
<h2>FGC marca 30 anos com nova etapa da rede de proteção</h2>
<p>Para marcar as três décadas de atuação, o FGC programou para 13 de agosto um encontro na Arena B3, no centro histórico de São Paulo, dedicado à evolução da rede de proteção do Sistema Financeiro Nacional. A programação previa representantes do fundo, do Banco Central e de entidades do setor financeiro, além de uma exposição temporária sobre o funcionamento da proteção a depositantes e investidores.</p>
<p>A agenda foi estruturada para discutir mudanças regulatórias, instrumentos de atuação e aprendizados decorrentes de episódios recentes no setor financeiro. A exposição sobre o FGC e a Rede de Proteção do Sistema Financeiro Nacional foi anunciada para permanecer aberta ao público entre 14 de agosto e 30 de setembro, em São Paulo.</p>
<p>O aniversário ocorre depois de o próprio FGC registrar que 2025 foi marcado pela atuação no caso Master. Em maio daquele ano, antes da liquidação, o fundo havia estruturado uma operação de suporte financeiro ao conglomerado para possibilitar pagamentos de instrumentos elegíveis à garantia. Ao fim de 2025, o saldo das letras financeiras emitidas nessa operação somava R$ 5,7 bilhões.</p>
<p>O ciclo de pagamentos continua operacionalmente relevante. A página de garantias do FGC mantém procedimentos relacionados ao Banco Master, Banco Master de Investimento, Banco Pleno e Will Financeira para credores que ainda precisam solicitar valores ou completar etapas necessárias ao recebimento. No caso da Will Financeira, o próprio fundo informa que parte do processo de consolidação da base de credores ainda estava em andamento.</p>
<p>Nesta sexta-feira, 14 de agosto, uma nova liquidação passou a integrar a lista: a Simpala S.A. Crédito, Financiamento e Investimento. Segundo o FGC, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial por meio do Ato do Presidente nº 1.388. Os pagamentos dos créditos enquadrados na garantia serão iniciados depois que o liquidante concluir o levantamento dos credores e disponibilizar ao fundo os respectivos dados e valores.<code></code></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Banco Central liquida empresas do grupo Simpala após deterioração financeira e violações regulatórias</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/banco-central-liquida-simpala-fgc-consorcios</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 12:56:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Central]]></category>
		<category><![CDATA[consórcios]]></category>
		<category><![CDATA[crédito]]></category>
		<category><![CDATA[FGC]]></category>
		<category><![CDATA[investimentos]]></category>
		<category><![CDATA[liquidação extrajudicial]]></category>
		<category><![CDATA[Simpala]]></category>
		<category><![CDATA[sistema financeiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Banco Central decretou nesta sexta-feira, 14 de agosto, a liquidação extrajudicial da Simpala S.A. Crédito, Financiamento e Investimento e da Simpala Lançadora e Administradora de Consórcios Ltda., ambas com sede em Porto Alegre. A autoridade monetária atribuiu a intervenção ao comprometimento da situação econômico-financeira das empresas, à exposição de credores sem garantia real a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Banco Central decretou nesta sexta-feira, 14 de agosto, a liquidação extrajudicial da <strong>Simpala S.A. Crédito, Financiamento e Investimento</strong> e da <strong>Simpala Lançadora e Administradora de Consórcios Ltda.</strong>, ambas com sede em Porto Alegre. A autoridade monetária atribuiu a intervenção ao comprometimento da situação econômico-financeira das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337995">empresas</a>, à exposição de credores sem garantia real a risco considerado anormal e à existência de graves violações das normas que disciplinavam suas atividades.</p>
<p>A decisão encerra a administração regular das duas entidades e transfere a condução dos <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337996">negócios</a> para o liquidante indicado pelo BC. Embora as empresas pertençam ao mesmo conglomerado, os efeitos para investidores da financeira e participantes dos grupos de consórcio são diferentes. Produtos financeiros elegíveis emitidos pela Simpala Crédito podem contar com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos, enquanto cotas de consórcio não estão incluídas na garantia ordinária do FGC.</p>
<p>O tamanho das instituições reduz o risco de repercussão sistêmica. Segundo o Banco Central, a Simpala Consórcios respondia por aproximadamente <strong>0,1% dos consorciados ativos</strong> e por igual percentual dos recursos ainda a coletar no sistema de consórcios. A Simpala Crédito detinha, em junho, apenas <strong>0,004% dos ativos totais do Sistema Financeiro Nacional</strong>. As duas integravam um conglomerado prudencial enquadrado no segmento S4, formado por instituições de menor porte e complexidade.</p>
<p>A baixa participação, contudo, não reduz o efeito individual para clientes, investidores e consorciados diretamente vinculados às empresas. A partir da liquidação, contratos, créditos, dívidas e recursos administrados passam a ser tratados dentro de um regime especial, com regras próprias para identificação dos credores, levantamento do patrimônio e eventual pagamento das obrigações.</p>
<h2>BC apontou deterioração financeira e infrações graves</h2>
<p>O comunicado divulgado nesta sexta-feira não detalha quais operações ou condutas formaram as “graves violações” mencionadas como fundamento da decisão. Também não informa, nesta etapa, o valor total do déficit patrimonial ou dos créditos sujeitos à liquidação. O Banco Central afirmou que continuará apurando responsabilidades e que o resultado poderá levar a sanções administrativas e comunicações a outras autoridades.</p>
<p>A Lei nº 6.024, que disciplina a liquidação extrajudicial de instituições supervisionadas, permite ao Banco Central adotar o regime quando a situação econômico-financeira compromete credores ou quando irregularidades tornam inadequada a continuidade normal da operação. O mecanismo busca retirar a administração dos antigos gestores e preservar o patrimônio disponível enquanto são identificados ativos, obrigações e responsabilidades.</p>
<p>Com a decretação, o liquidante recebe amplos poderes para administrar a massa, verificar e classificar créditos, representar as entidades judicialmente e concluir negócios pendentes quando autorizado. As obrigações da entidade liquidada vencem antecipadamente e ações e execuções relativas ao patrimônio submetido ao regime ficam sujeitas às regras específicas da liquidação.</p>
<p>A medida é diferente de uma falência decretada pelo Judiciário. Na liquidação extrajudicial, a condução inicial ocorre sob responsabilidade do Banco Central. Se, durante o processo, forem identificadas circunstâncias que justifiquem outra providência, a legislação admite desdobramentos posteriores, inclusive no Judiciário.</p>
<h2>Bens de controladores e antigos administradores ficam indisponíveis</h2>
<p>Um dos efeitos imediatos anunciados pelo BC foi a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores das instituições atingidas. A restrição decorre do regime jurídico destinado a preservar patrimônio enquanto são apuradas as causas da deterioração e eventuais responsabilidades.</p>
<p>A Lei nº 6.024 determina que administradores de instituições submetidas à liquidação não podem alienar ou onerar os bens alcançados pela indisponibilidade até a apuração final de suas responsabilidades. A Lei nº 9.447 estende o mecanismo aos controladores diretos ou indiretos em determinadas situações.</p>
<p>A indisponibilidade não representa, por si só, condenação ou reconhecimento definitivo de responsabilidade pessoal. O bloqueio possui natureza de preservação patrimonial enquanto o Banco Central conduz o inquérito previsto em lei.</p>
<p>Esse procedimento deve examinar as causas que levaram as entidades ao regime especial, a atuação de administradores e controladores e a existência de prejuízos. A própria legislação estabelece que os envolvidos podem apresentar documentos e explicações antes da conclusão das apurações. Caso sejam encontrados elementos de possível crime, as informações podem ser encaminhadas ao Ministério Público ou às demais autoridades competentes.</p>
<h2>Investidores da financeira podem ter cobertura do FGC</h2>
<p>Para quem mantinha recursos na Simpala Crédito, o ponto central passa a ser identificar se o produto contratado é elegível à garantia do FGC. O Banco Central afirmou que as captações da financeira possuem cobertura do Fundo, observadas as regras e os limites aplicáveis.</p>
<p>A proteção ordinária alcança produtos como depósitos em conta, poupança, CDB, RDB, LCI, LCA e letras de câmbio, entre outros instrumentos previstos no regulamento. O limite geral é de <strong>R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado financeiro</strong>, considerando principal e rendimentos dentro das regras do Fundo. Existe ainda um teto global de R$ 1 milhão em garantias recebidas pelo mesmo CPF ou CNPJ em um período de quatro anos.</p>
<p>Isso significa que a liquidação não assegura automaticamente pagamento de R$ 250 mil a todo cliente. A garantia corresponde ao saldo elegível efetivamente mantido na instituição, limitado ao teto aplicável. Produtos não contemplados pelo regulamento permanecem fora da garantia ordinária.</p>
<p>O pagamento também não começa no mesmo momento em que o Banco Central anuncia a liquidação. Primeiro, o liquidante precisa consolidar a relação de credores, valores e produtos elegíveis e encaminhar essas informações ao FGC. Pessoas físicas podem fazer o cadastro pelo aplicativo do Fundo e solicitar a garantia quando a base estiver disponível.</p>
<h2>Consorciados estão submetidos a regime diferente</h2>
<p>A situação da Simpala Lançadora e Administradora de Consórcios exige tratamento distinto. <strong>Cota de consórcio não é depósito bancário e não possui cobertura do FGC.</strong> A proteção anunciada pelo Banco Central refere-se às captações elegíveis da financeira, e não aos pagamentos realizados pelos participantes dos grupos administrados pela Simpala Consórcios.</p>
<p>A Lei nº 11.795 estabelece expressamente que administradoras de consórcio podem ser submetidas à liquidação extrajudicial e determina a aplicação das regras da Lei nº 6.024 e da legislação complementar. O patrimônio e as demonstrações de cada grupo precisam ser tratados de forma individualizada durante o regime.</p>
<p>Isso é relevante porque os recursos dos grupos de consórcio possuem dinâmica própria e não devem ser confundidos com o patrimônio livre da administradora. O liquidante precisa levantar a situação de cada grupo, incluindo disponibilidades, créditos a receber, contemplações e obrigações existentes.</p>
<p>O Banco Central prevê mecanismos que podem permitir a continuidade de um grupo por outra administradora. Durante a liquidação, o liquidante pode convocar assembleia para tratar da transferência, inclusive mediante solicitação de pelo menos 30% dos consorciados ativos, conforme as regras divulgadas pela autoridade monetária.</p>
<p>Assim, a decretação da liquidação da administradora não significa necessariamente que todos os grupos serão imediatamente encerrados. O destino de cada um dependerá de sua situação patrimonial, das providências do liquidante e das deliberações que venham a ocorrer no procedimento.</p>
<h2>Simpala atuava em crédito ligado a veículos</h2>
<p>Registros do próprio Banco Central mostram a Simpala S.A. Crédito, Financiamento e Investimento como instituição supervisionada e autorizada a operar no segmento de crédito. A empresa aparecia nas bases da autoridade monetária em modalidades de financiamento e empréstimos e fazia parte da estrutura de serviços financeiros associada ao grupo gaúcho Simpala.</p>
<p>A administradora de consórcios também constava dos registros regulatórios do BC. Em 2021, uma declaração de propósito divulgada pela autoridade monetária registrou mudanças na estrutura de controle da empresa e indicou Porto Alegre como sede da operação.</p>
<p>A liquidação dos dois braços financeiros simultaneamente mostra que o Banco Central tratou o problema no âmbito do conglomerado, embora cada entidade tenha natureza operacional e relação com clientes diferentes.</p>
<p>O BC não informou nesta sexta-feira quantos investidores da financeira terão valores cobertos pelo FGC, qual será o montante potencial da garantia nem quantos grupos de consórcio precisarão ser transferidos ou encerrados. Esses números dependerão do levantamento conduzido pelo liquidante.</p>
<h2>Apuração definirá tamanho do passivo e responsabilidades</h2>
<p>A fase que começa agora será determinante para dimensionar o problema financeiro. O liquidante terá de levantar livros, documentos, ativos, contratos e obrigações das duas entidades, além de elaborar as demonstrações de abertura da liquidação e identificar os credores.</p>
<p>Para investidores com produtos elegíveis da Simpala Crédito, o marco seguinte será o envio da relação de credores ao FGC. O Fundo informa que somente depois de receber a base preparada pelo liquidante consegue liberar a solicitação da garantia. O pagamento é processado a partir da confirmação dos dados e da formalização dos procedimentos exigidos pelo mecanismo de proteção.</p>
<p>Para consorciados, o processo deverá seguir a avaliação individual dos grupos, sem a cobertura de R$ 250 mil aplicável aos investimentos financeiros elegíveis. Transferência para outra administradora, continuidade ou encerramento dependerão da situação encontrada durante a liquidação.</p>
<p>O Banco Central também deverá concluir o inquérito sobre as causas que levaram ao comprometimento econômico-financeiro e sobre as violações regulatórias citadas na decisão. Enquanto essa apuração não estiver encerrada, a indisponibilidade patrimonial dos controladores e ex-administradores permanece como medida de preservação, sem antecipar responsabilidade definitiva.</p>
<p>A liquidação começa, portanto, com impacto sistêmico reduzido pelo pequeno tamanho das duas entidades, mas abre uma etapa decisiva para clientes diretamente expostos. O próximo dado relevante será a consolidação dos créditos da Simpala Crédito para acionamento do FGC e, no braço de consórcios, o levantamento da situação financeira de cada grupo administrado pela companhia.</p>
<h4>Fontes:</h4>
<ul>
<li>Banco Central do Brasil — Banco Central decreta liquidação extrajudicial da Simpala Lançadora e da Simpala S.A. Crédito — 14 de agosto de 2026 — <code>https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/21225/nota</code></li>
<li>Banco Central do Brasil — base de instituições supervisionadas, Simpala S.A. Crédito, Financiamento e Investimento — <code>https://dadosabertos.bcb.gov.br/dataset/ir-34991938000132</code></li>
<li>Banco Central do Brasil — orientações sobre liquidação extrajudicial de administradoras de consórcio — <code>https://www.bcb.gov.br/meubc/faqs/s/liquidacao-extrajudicial</code></li>
<li>Fundo Garantidor de Créditos — garantia ordinária, produtos cobertos e limites — <code>https://www.fgc.org.br/sobre-garantia-fgc</code></li>
<li>Fundo Garantidor de Créditos — procedimento para pagamento de garantia — <code>https://www.fgc.org.br/pagamento-de-garantia</code></li>
<li>Presidência da República — Lei nº 6.024, de 13 de março de 1974 — <code>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6024.htm</code></li>
<li>Presidência da República — Lei nº 11.795, de 8 de outubro de 2008 — <code>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11795.htm</code></li>
</ul>
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		<title>China pede para entrar em disputa do Brasil contra tarifaço dos EUA na OMC</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/china-disputa-brasil-tarifas-eua-omc</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Aug 2026 16:31:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[comércio exterior]]></category>
		<category><![CDATA[Donald Trump]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[OMC]]></category>
		<category><![CDATA[Seção 301]]></category>
		<category><![CDATA[tarifaço]]></category>
		<category><![CDATA[Tarifas]]></category>
		<category><![CDATA[Xi Jinping]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A China pediu para participar das consultas abertas pelo Brasil contra os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC) envolvendo as novas sobretaxas impostas pelo governo do presidente Donald Trump às exportações brasileiras. O movimento aproxima Pequim da disputa iniciada formalmente por Brasília em 27 de julho e amplia a dimensão internacional de uma [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A <strong>China pediu para participar das consultas abertas pelo Brasil contra os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC)</strong> envolvendo as novas sobretaxas impostas pelo governo do presidente Donald Trump às exportações brasileiras. O movimento aproxima Pequim da disputa iniciada formalmente por Brasília em 27 de julho e amplia a dimensão internacional de uma controvérsia que questiona o uso da legislação comercial americana para impor tarifas adicionais a parceiros dos Estados Unidos.</p>
<p>No pedido apresentado para integrar as consultas, a China argumenta possuir interesse comercial substancial porque uma das medidas questionadas pelo Brasil faz parte de uma investigação americana mais ampla sobre <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337719">trabalho</a> forçado, que alcança dezenas de economias e também afeta produtos chineses. Pequim sustenta que as tarifas alteram as condições de concorrência enfrentadas por mercadorias de origem chinesa no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337720">mercado</a> dos Estados Unidos e, por isso, pretende acompanhar a fase inicial da disputa brasileira.</p>
<p>O processo foi registrado pela OMC como <strong>DS646 — Estados Unidos: Direitos Adicionais sobre Determinados Produtos do Brasil</strong>. A documentação oficial confirma que Brasília contesta duas decisões adotadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com fundamento na Seção 301 da Lei de Comércio americana: uma sobretaxa adicional de 25% decorrente de investigação específica contra o Brasil e outra de 12,5% relacionada à <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337721">política</a> de combate a produtos associados a trabalho forçado.</p>
<p>Quando as duas medidas incidem sobre a mesma mercadoria, a tributação adicional pode alcançar <strong>37,5%</strong>, além da tarifa ordinária aplicável ao produto. Segundo cálculos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 16,5% das exportações brasileiras para o mercado americano estão simultaneamente sujeitas às duas sobretaxas.</p>
<h2>China alega interesse direto nas medidas americanas</h2>
<p>A entrada da China na discussão ocorre porque a investigação americana sobre trabalho forçado não foi direcionada exclusivamente ao Brasil. O USTR examinou políticas adotadas por 60 grandes parceiros comerciais dos Estados Unidos e estabeleceu alíquotas adicionais de 10% ou 12,5%, conforme a avaliação americana sobre a existência e a aplicação de mecanismos destinados a impedir a entrada de mercadorias produzidas mediante trabalho forçado.</p>
<p>O Brasil ficou no grupo submetido à alíquota de 12,5%. A decisão americana determinou o mesmo percentual para diversas outras economias, enquanto parceiros considerados pelos Estados Unidos como possuidores de mecanismos ou compromissos suficientes receberam tratamento tarifário diferente.</p>
<p>É nesse ponto que surge o interesse chinês na disputa. Ao tentar acompanhar as consultas solicitadas pelo Brasil, Pequim busca participar de uma discussão que pode produzir interpretações relevantes sobre o uso da Seção 301 e sua compatibilidade com compromissos assumidos pelos Estados Unidos no sistema multilateral de comércio.</p>
<p>A participação chinesa, entretanto, ainda não significa que o país tenha se tornado parte reclamante no processo iniciado pelo Brasil. Nas consultas da OMC, um terceiro membro pode pedir ingresso quando considera possuir interesse comercial substancial na controvérsia, mas a participação depende de o membro demandado reconhecer esse interesse.</p>
<p>Nesse caso, são os <strong>Estados Unidos</strong>, e não o secretariado da OMC, que precisam aceitar a participação chinesa nas consultas. Caso o pedido não seja aceito, a China continua tendo a possibilidade de iniciar uma consulta própria contra a medida americana caso entenda que seus direitos comerciais foram afetados.</p>
<h2>Brasil questiona tarifas de 25% e 12,5%</h2>
<p>O Brasil iniciou formalmente o novo litígio em <strong>27 de julho de 2026</strong>, contestando duas decisões distintas adotadas pela administração Trump. A primeira surgiu de uma investigação da Seção 301 especificamente voltada ao Brasil e resultou em uma sobretaxa de <strong>25% sobre determinados produtos brasileiros</strong>, com uma lista de exceções definida pelo governo americano.</p>
<p>O USTR justificou a medida afirmando que determinadas políticas e práticas brasileiras seriam inadequadas ou prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos. Entre os temas examinados pela investigação estiveram comércio digital e serviços de pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, questões relacionadas à aplicação de normas anticorrupção e desmatamento ilegal.</p>
<p>O governo brasileiro rejeitou as principais conclusões da investigação. Em manifestações oficiais encaminhadas durante o processo da Seção 301, Brasília sustentou que as políticas brasileiras de pagamentos não discriminam <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337718">empresas</a> americanas, que os acordos tarifários celebrados pelo País são compatíveis com as regras da OMC e que diferentes alegações apresentadas pelo USTR não refletiam adequadamente informações fornecidas pelas autoridades brasileiras.</p>
<p>A segunda tarifa contestada no DS646 é de <strong>12,5%</strong> e decorre da investigação americana sobre mecanismos nacionais de combate à entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Essa medida possui alcance internacional e foi aplicada a diferentes parceiros comerciais dos Estados Unidos.</p>
<h2>Tarifas podem se acumular e chegar a 37,5%</h2>
<p>As duas sobretaxas possuem incidências diferentes, mas podem ser acumuladas quando atingem uma mesma mercadoria brasileira. Nesse grupo, a carga adicional chega a <strong>37,5%</strong>, antes mesmo de considerar a tarifa ordinária que já incidia sobre a importação do produto nos Estados Unidos.</p>
<p>Levantamento do MDIC, baseado no comércio bilateral de 2024, estima que <strong>23,1% das exportações brasileiras aos Estados Unidos</strong> estejam alcançadas pelas novas medidas decorrentes das investigações da Seção 301. Desse total, 4,7% das vendas são afetadas apenas pela tarifa de 12,5%, enquanto 1,9% estão sujeitas exclusivamente à sobretaxa de 25%.</p>
<p>Outros <strong>16,5% das exportações</strong> enfrentam simultaneamente os dois encargos e, portanto, podem receber sobretaxa combinada de 37,5%. Entre os segmentos citados pelo governo brasileiro nesse grupo estão máquinas e equipamentos, diferentes tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.</p>
<p>O impacto, porém, não se distribui sobre toda a pauta exportadora. Aproximadamente <strong>52,7% das vendas brasileiras aos Estados Unidos</strong> permanecem fora das sobretaxas específicas da Seção 301 e das tarifas setoriais consideradas pelo levantamento do MDIC, ficando sujeitas apenas às tarifas ordinárias americanas.</p>
<p>Produtos como café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas, diferentes produtos químicos e grande parte das exportações de celulose aparecem entre os itens fora das duas novas sobretaxas, segundo a avaliação oficial brasileira.</p>
<h2>Brasil alega violação de compromissos da OMC</h2>
<p>Na solicitação de consultas, o Brasil argumenta que as medidas americanas parecem contrariar compromissos assumidos pelos Estados Unidos no <strong>Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio de 1994 (GATT)</strong> e no Entendimento sobre Solução de Controvérsias da OMC.</p>
<p>A contestação brasileira cita os artigos I:1, II:1(a) e II:1(b) do GATT, dispositivos relacionados, entre outros pontos, ao tratamento comercial entre membros e ao respeito às concessões tarifárias consolidadas. Brasília também invocou os artigos 23.1 e 23.2(a) do Entendimento sobre Solução de Controvérsias, que disciplinam o uso do sistema multilateral para buscar reparação de supostas violações das regras comerciais.</p>
<p>O argumento brasileiro coloca em discussão uma questão que ultrapassa o impacto imediato das tarifas sobre produtos nacionais: até que ponto os Estados Unidos podem recorrer unilateralmente à Seção 301 para impor sobretaxas quando as matérias discutidas envolvem direitos e obrigações previstos nos acordos da OMC.</p>
<p>Washington, por sua vez, sustenta que suas medidas resultam de investigações realizadas de acordo com a legislação comercial americana. No caso específico do Brasil, o USTR afirma ter conduzido uma investigação durante cerca de um ano, recebido centenas de manifestações públicas, promovido audiências e realizado negociações com o governo brasileiro antes da decisão de aplicar a tarifa de 25%.</p>
<p>Essa divergência será central caso o processo avance da etapa de consultas para a formação de um painel.</p>
<h2>Consultas são a primeira fase da disputa</h2>
<p>O pedido apresentado pelo Brasil ainda está na fase inicial do mecanismo de solução de controvérsias. As consultas constituem uma etapa formal destinada a permitir que os governos envolvidos discutam diretamente as medidas questionadas e tentem alcançar uma solução negociada antes da abertura de um contencioso perante um painel.</p>
<p>Os Estados Unidos comunicaram que estão disponíveis para realizar as consultas solicitadas por Brasília. A disposição para participar das reuniões, contudo, não significa reconhecimento de que as tarifas sejam incompatíveis com as regras multilaterais nem indica intenção de retirar as medidas.</p>
<p>Pelas regras da OMC, caso as consultas não produzam uma solução satisfatória dentro do período previsto pelo sistema, o país reclamante pode solicitar o estabelecimento de um painel para analisar juridicamente a controvérsia.</p>
<p>A eventual participação da China nesta etapa permitiria que Pequim acompanhasse as discussões por possuir interesse comercial nas medidas questionadas, especialmente na investigação americana sobre trabalho forçado. Isso não transformaria automaticamente a China em coautora da reclamação brasileira, mas colocaria uma das maiores economias do mundo dentro das negociações sobre o caso.</p>
<h2>Disputa reforça embate sobre uso unilateral de tarifas</h2>
<p>A aproximação chinesa ocorre em um período de aumento das disputas comerciais envolvendo Washington. Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, a política tarifária voltou a ocupar posição central na estratégia econômica americana, com medidas gerais, investigações da Seção 301 e tarifas direcionadas a setores ou parceiros específicos.</p>
<p>Brasil e China já manifestaram em fóruns da OMC preocupação com as consequências de medidas tarifárias americanas para o sistema multilateral de comércio e para as cadeias globais de produção. Pequim, por sua vez, mantém disputas próprias contra os Estados Unidos relacionadas a sobretaxas impostas a mercadorias chinesas.</p>
<p>Para Brasília, o acionamento da OMC cumpre duas funções. A primeira é buscar formalmente a contestação das medidas que o governo considera incompatíveis com compromissos internacionais dos Estados Unidos. A segunda é preservar a posição histórica brasileira de utilizar os mecanismos multilaterais de solução de controvérsias diante de conflitos comerciais.</p>
<p>Os efeitos econômicos das tarifas já começaram a ser acompanhados pelo governo brasileiro. No primeiro semestre de 2026, as exportações do Brasil aos Estados Unidos somaram <strong>US$ 17,4 bilhões</strong>, queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o MDIC. A participação americana nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026.</p>
<p>A entrada da China nas consultas, caso seja aceita pelos Estados Unidos, adicionará um novo componente diplomático ao litígio. O processo deixa de envolver apenas a relação bilateral entre Brasília e Washington e passa a reunir interesses comerciais de Pequim em torno de uma discussão mais ampla sobre tarifas, Seção 301 e os limites das ações unilaterais dentro do sistema da OMC.</p>
<hr />
<h4>Fontes:</h4>
<p>Organização Mundial do Comércio — DS646: registro oficial da disputa “United States — Additional Duties on Certain Products from Brazil”, aberta pelo Brasil em 27 de julho de 2026, com identificação das tarifas de 25% e 12,5% e dispositivos do GATT e do DSU contestados.</p>
<p>OMC — Entendimento sobre Solução de Controvérsias: regras para ingresso de terceiros nas consultas e exigência de interesse comercial substancial.</p>
<p>Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços: levantamento oficial sobre alcance das medidas tarifárias americanas, segundo o qual 23,1% das exportações brasileiras aos EUA são afetadas pelas duas novas medidas da Seção 301 e 16,5% podem ficar sujeitos à alíquota combinada de 37,5%.</p>
<p>USTR — Section 301 Action on Brazil: decisão americana que estabeleceu a tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros.</p>
<p>USTR — Forced Labor Section 301 Investigation: decisão que definiu sobretaxas de 10% ou 12,5% para parceiros comerciais, incluindo a alíquota de 12,5% aplicada ao Brasil.</p>
<p>Governo brasileiro — Defesa do Brasil no âmbito da Seção 301: argumentos apresentados pelas autoridades brasileiras em resposta às alegações americanas.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Titan Capital, holding ligada a Vorcaro, entra em liquidação nas Ilhas Cayman</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/titan-capital-vorcaro-liquidacao-ilhas-cayman</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2026 23:10:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Central]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Master]]></category>
		<category><![CDATA[Compliance Zero]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Vorcaro]]></category>
		<category><![CDATA[holding]]></category>
		<category><![CDATA[Ilhas Cayman]]></category>
		<category><![CDATA[liquidação]]></category>
		<category><![CDATA[offshore]]></category>
		<category><![CDATA[Tether]]></category>
		<category><![CDATA[Titan Capital]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Titan Capital Holding, empresa sediada nas Ilhas Cayman e ligada ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, entrou em processo de liquidação por determinação judicial na jurisdição caribenha. A medida acrescenta uma nova frente internacional ao esforço para identificar ativos, obrigações e credores relacionados à estrutura empresarial que participou do controle indireto de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A <strong>Titan Capital Holding</strong>, empresa sediada nas Ilhas Cayman e ligada ao empresário <strong>Daniel Vorcaro</strong>, ex-controlador do Banco Master, entrou em processo de liquidação por determinação judicial na jurisdição caribenha. A medida acrescenta uma nova frente internacional ao esforço para identificar ativos, obrigações e credores relacionados à estrutura empresarial que participou do controle indireto de instituições financeiras do conglomerado Master.</p>
<p>O processo ganhou um componente relevante porque a Titan já havia sido atingida no Brasil por medidas do <strong>Banco Central</strong>, que em 5 de março tornou indisponíveis os bens da holding em razão de sua participação no controle indireto do Banco Master Múltiplo, da Master Corretora e de outras <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337660">empresas</a> submetidas a regimes de resolução. A decisão brasileira antecedeu em alguns meses a liquidação da companhia em Cayman.</p>
<p>A abertura do processo não significa que a empresa simplesmente deixou de existir nesta segunda-feira (10). Em uma liquidação judicial, os poderes de administração passam aos profissionais nomeados para conduzir o procedimento, enquanto ativos e passivos são levantados, credores apresentam suas pretensões e a Justiça acompanha a realização do patrimônio disponível. A dissolução definitiva da pessoa jurídica costuma ocorrer apenas ao final desse processo.</p>
<p>Um aviso relacionado à liquidação convocou credores a apresentarem seus créditos e eventuais direitos contra a Titan. A medida é fundamental para que os responsáveis pela administração do processo possam reconstruir a situação patrimonial da companhia e definir quais obrigações deverão ser reconhecidas antes de qualquer distribuição de recursos eventualmente recuperados.</p>
<h2>Titan participou do controle indireto do conglomerado Master</h2>
<p>Documentos oficiais do Banco Central ajudam a dimensionar a posição que a Titan ocupava dentro da estrutura societária ligada ao Banco Master.</p>
<p>Em comunicado publicado em <strong>5 de março de 2026</strong>, o BC identificou formalmente a <strong>Titan Capital Holding, CNPJ 57.265.362/0001-21</strong>, como participante do controle indireto do Banco Master Múltiplo nos 12 meses anteriores à adoção do regime de resolução da instituição.</p>
<p>O reconhecimento não aparece apenas em relação a uma companhia. Outros comunicados do BC também registraram a Titan como controladora indireta de empresas pertencentes ao conglomerado, entre elas a Master Corretora e a Will Financeira.</p>
<p>Foi justamente essa condição societária que levou o Banco Central a determinar a indisponibilidade dos bens da holding no Brasil, aplicando as regras previstas para controladores de instituições financeiras submetidas a regimes especiais.</p>
<p>A indisponibilidade patrimonial não equivale a confisco definitivo. A medida tem natureza cautelar e busca preservar ativos enquanto são apuradas responsabilidades e executados os procedimentos decorrentes da liquidação das instituições financeiras.</p>
<h2>Banco Master foi liquidado pelo BC em novembro</h2>
<p>A crise que agora alcança judicialmente a estrutura offshore da Titan começou a produzir seus efeitos mais profundos em <strong>18 de novembro de 2025</strong>, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do <strong>Banco Master S.A.</strong></p>
<p>Na ocasião, o BC também tornou indisponíveis os bens de controladores e ex-administradores identificados no ato, incluindo Daniel Vorcaro. A medida colocou a instituição sob administração de liquidante com poderes para representar o banco, levantar seus ativos e passivos e conduzir os procedimentos de encerramento.</p>
<p>Outras empresas ligadas ao conglomerado foram atingidas posteriormente. A Will Financeira teve sua liquidação extrajudicial decretada em janeiro de 2026, enquanto o Banco Master Múltiplo, inicialmente submetido ao Regime de Administração Especial Temporária, passou igualmente para liquidação extrajudicial em março.</p>
<p>Foi nesse contexto que a autoridade monetária avançou sobre estruturas de controle que não haviam sido incluídas de forma explícita nos primeiros comunicados e, em março, tornou também indisponíveis os bens da Titan.</p>
<p>A decisão do BC registrou que a participação da empresa no controle indireto havia sido identificada em mapas de composição de capital homologados pela própria autoridade monetária.</p>
<h2>Pedido de liquidação havia sido apresentado em abril</h2>
<p>O processo nas Ilhas Cayman não surgiu apenas como consequência administrativa das medidas brasileiras. Em <strong>28 de abril</strong>, a <strong>Tether Investments S.A. de C.V.</strong> protocolou perante a Grand Court das Ilhas Cayman um pedido de liquidação da Titan.</p>
<p>O pedido judicial alegava uma dívida de aproximadamente <strong>US$ 326 milhões</strong> e descrevia a Titan como uma empresa que funcionava como holding de um grupo de serviços financeiros cujas principais operações e subsidiárias estavam localizadas no Brasil.</p>
<p>A existência desse processo acrescentou um credor internacional de grande porte ao caso e colocou a situação patrimonial da holding diretamente sob análise do Judiciário de Cayman.</p>
<p>Um pedido de liquidação apresentado por credor precisa percorrer o procedimento judicial previsto na jurisdição, com análise dos fundamentos da cobrança, da situação financeira da empresa e das manifestações apresentadas pelas partes.</p>
<p>A evolução do processo até a liquidação significa que os credores passam a disputar seus direitos dentro de um procedimento coletivo, em vez de cada um tentar individualmente alcançar os ativos da companhia.</p>
<h2>O que acontece com os bens da Titan</h2>
<p>Com o processo de liquidação, a administração dos ativos da companhia deixa de funcionar segundo a lógica empresarial ordinária. Os liquidantes assumem a tarefa de identificar o que pertence à empresa, localizar recursos, examinar dívidas, verificar transações anteriores e receber pedidos apresentados pelos credores.</p>
<p>Isso não significa, entretanto, que os antigos acionistas percam automaticamente a propriedade pessoal de todos os seus bens. A liquidação atinge o patrimônio pertencente à pessoa jurídica e os direitos que possam ser recuperados em favor dela.</p>
<p>Caso os liquidantes identifiquem operações anteriores que possam ser contestadas segundo a legislação das Ilhas Cayman, poderão recorrer à Justiça para tentar recuperar ativos transferidos ou responsabilizar pessoas que tenham causado prejuízos à companhia.</p>
<p>Esse <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337659">trabalho</a> pode incluir análise de movimentações entre empresas relacionadas, fundos de investimento, sociedades controladas ou estruturas mantidas em outras jurisdições.</p>
<p>Em estruturas offshore complexas, uma parcela significativa do trabalho está justamente em determinar onde estão os ativos e qual pessoa jurídica possui juridicamente cada bem.</p>
<h2>Credores são chamados a apresentar créditos</h2>
<p>Uma das primeiras etapas é a identificação dos credores da holding.</p>
<p>O aviso divulgado no âmbito do procedimento solicita que pessoas e empresas que afirmem possuir valores a receber apresentem documentação capaz de demonstrar a existência e o montante de seus créditos.</p>
<p>Os liquidantes analisam essas pretensões e podem aceitá-las, rejeitá-las ou exigir informações adicionais. Caso exista disputa, a controvérsia pode ser levada ao Judiciário.</p>
<p>Somente depois de identificar os credores, conhecer o patrimônio disponível e resolver questões relevantes sobre propriedade dos ativos será possível estimar quanto poderá ser recuperado e qual porcentagem das dívidas poderá eventualmente ser paga.</p>
<p>Nesse estágio inicial, portanto, não é possível concluir que os credores receberão integralmente seus valores nem estimar quanto será efetivamente localizado pelos responsáveis pela liquidação.</p>
<h2>Liquidação em Cayman pode exigir ações em outros países</h2>
<p>A presença da Titan em uma jurisdição offshore torna o processo especialmente relevante do ponto de vista internacional, mas também exige precisão sobre o alcance jurídico da decisão.</p>
<p>Uma ordem de liquidação das Ilhas Cayman <strong>não produz automaticamente, por si só, a transferência para os liquidantes de qualquer patrimônio existente em todos os países do mundo</strong>.</p>
<p>Quando existem ativos ou empresas relacionadas em outras jurisdições, os liquidantes normalmente precisam buscar o reconhecimento da sua autoridade ou utilizar mecanismos locais de cooperação judicial para obter documentos, congelar recursos ou assumir o controle de determinados bens.</p>
<p>Esse procedimento pode envolver tribunais estrangeiros, autoridades regulatórias e instrumentos de cooperação internacional, dependendo do país onde o ativo estiver localizado.</p>
<p>A estrutura do caso Master já atravessa diferentes jurisdições, o que aumenta a importância dessa coordenação entre processos.</p>
<h2>Empresa com nome semelhante foi criada no Reino Unido</h2>
<p>Outro elemento que passou a fazer parte do caso foi o registro de uma empresa chamada <strong>Titan Capital Holdings Ltd. no Reino Unido</strong>, menos de um mês depois de o Banco Central brasileiro ter determinado a indisponibilidade dos bens da Titan ligada ao Master.</p>
<p>O registro oficial britânico mostra que a sociedade foi incorporada em <strong>2 de abril de 2026</strong>, possui sede formal em Covent Garden, Londres, e continua classificada como ativa.</p>
<p>A documentação da Companies House informa como atividades declaradas da empresa funções relacionadas a holdings, intermediação financeira, administração de sedes empresariais e consultoria de gestão.</p>
<p>O único diretor atualmente registrado é <strong>Victor Henrique Medeiros Lima</strong>, brasileiro residente no Brasil, nomeado no próprio dia da constituição da companhia.</p>
<p>Apesar da semelhança dos nomes e da proximidade temporal, <strong>não é juridicamente correto tratar a empresa britânica como se fosse automaticamente a mesma pessoa jurídica da Titan liquidada nas Ilhas Cayman</strong>. Os registros mostram entidades constituídas em jurisdições distintas.</p>
<p>Qualquer relação patrimonial, societária ou operacional entre as duas precisaria ser demonstrada por documentação adicional ou pelas investigações em curso.</p>
<h2>Liquidação britânica não ocorre automaticamente</h2>
<p>Essa distinção produz uma consequência direta: a liquidação da Titan de Cayman não significa que a sociedade registrada no Reino Unido tenha sido automaticamente liquidada.</p>
<p>Nesta segunda-feira (10), o cadastro oficial britânico ainda apresenta a <strong>Titan Capital Holdings Ltd., número 17135437, como empresa ativa</strong>.</p>
<p>Caso liquidantes, autoridades brasileiras ou credores entendam que existem ativos ou direitos relacionados à estrutura em território britânico, poderão buscar providências perante os órgãos competentes, desde que apresentem fundamento jurídico para isso.</p>
<p>A existência de duas empresas com nomes quase idênticos também poderá ser examinada no processo de rastreamento patrimonial, principalmente para determinar se houve alguma transferência de ativos, contratos ou atividades entre as estruturas.</p>
<p>Até que essa ligação seja demonstrada, entretanto, a semelhança nominal não deve ser apresentada como prova de uma reorganização patrimonial.</p>
<h2>Caso amplia dimensão internacional do Banco Master</h2>
<p>A liquidação da Titan acrescenta uma peça importante ao complexo conjunto de processos que se formou depois da quebra do Banco Master.</p>
<p>O caso deixou de envolver apenas a liquidação de uma instituição financeira brasileira. Passou a compreender empresas controladoras, fundos, operações societárias, ativos em diferentes países, ações judiciais e procedimentos destinados à recuperação de patrimônio.</p>
<p>Para os liquidantes do Master no Brasil, a existência de uma liquidação formal em Cayman pode criar um interlocutor institucional responsável por administrar a Titan e responder por seus documentos, ativos e obrigações.</p>
<p>Para credores da holding, por outro lado, o início do procedimento estabelece um canal formal para habilitação de créditos e acompanhamento da realização do patrimônio.</p>
<p>A estrutura também será relevante para as investigações conduzidas pelas autoridades brasileiras, na medida em que documentos societários e registros financeiros recuperados durante a liquidação possam ajudar a reconstruir relações entre empresas e movimentações realizadas antes do colapso do conglomerado.</p>
<h2>Vorcaro permanece no centro das investigações</h2>
<p>Daniel Vorcaro continua sendo um dos principais personagens das apurações relacionadas ao Banco Master.</p>
<p>Depois da liquidação do banco, o empresário foi alvo de diferentes fases da <strong>Operação Compliance Zero</strong>, conduzida pela Polícia Federal, e voltou a ser preso em março de 2026.</p>
<p>As investigações examinam operações financeiras atribuídas ao grupo e procuram determinar a responsabilidade individual das pessoas envolvidas. As suspeitas permanecem sujeitas à análise judicial, e nenhuma imputação deve ser tratada como condenação definitiva antes do encerramento dos respectivos processos.</p>
<p>A Titan assume importância nesse contexto porque documentos do Banco Central demonstram que ela participou formalmente do controle indireto de instituições do conglomerado durante o período anterior às intervenções.</p>
<p>A liquidação nas Ilhas Cayman abre agora uma nova etapa desse processo: <strong>localizar o patrimônio efetivamente pertencente à holding, identificar seus credores, reconstruir suas operações e determinar até onde os responsáveis pelo procedimento poderão alcançar ativos mantidos fora da jurisdição caribenha</strong>.</p>
<hr />
<h4>Fontes:</h4>
<p>Banco Central do Brasil — Comunicado nº 44.823, de 5 de março de 2026</p>
<p>Banco Central do Brasil — Comunicado nº 44.826, de 5 de março de 2026</p>
<p>Banco Central do Brasil — Comunicado nº 44.827, de 5 de março de 2026</p>
<p>Banco Central do Brasil — Comunicado nº 44.234, de 18 de novembro de 2025</p>
<p>Grand Court das Ilhas Cayman — processo Tether Investments S.A. de C.V. x Titan Capital Holding</p>
<p>Companies House — Reino Unido</p>
<p>&nbsp;</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>PF investiga R$ 97 milhões do Iprev no Banco Master; atas mostram aporte de R$ 80 milhões</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/pf-iprev-maceio-banco-master-97-milhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2026 19:01:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Master]]></category>
		<category><![CDATA[CGU]]></category>
		<category><![CDATA[Iprev Maceió]]></category>
		<category><![CDATA[Letras Financeiras]]></category>
		<category><![CDATA[Maceió Previdência]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
		<category><![CDATA[previdência]]></category>
		<category><![CDATA[RPPS]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), cumpriu nesta segunda-feira, 10 de agosto de 2026, oito mandados de busca e apreensão em Alagoas e São Paulo em uma investigação sobre duas aplicações do regime próprio de previdência de Maceió em letras financeiras. As operações foram realizadas em 2023 e 2024 e somam [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), cumpriu nesta segunda-feira, 10 de agosto de 2026, oito mandados de busca e apreensão em Alagoas e São Paulo em uma investigação sobre duas aplicações do regime próprio de previdência de Maceió em letras financeiras. As operações foram realizadas em 2023 e 2024 e somam <strong>R$ 97 milhões</strong>.</p>
<p>Segundo a PF, o inquérito busca esclarecer o processo de credenciamento, cotação, análise de risco, governança e tomada de decisão que antecedeu os investimentos. A apuração também considera a possível prática de gestão fraudulenta, sem prejuízo da investigação de outros delitos eventualmente relacionados às operações.</p>
<p>Atas oficiais do Comitê de Investimentos do então Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Maceió (Iprev), atualmente Maceió Previdência, ajudam a reconstruir a cronologia das decisões. Em <strong>29 de novembro de 2023</strong>, o colegiado aprovou o credenciamento interno do <strong>Banco Master S.A.</strong> e de outras instituições financeiras.</p>
<p>Dois dias depois, em <strong>1º de dezembro de 2023</strong>, o comitê aprovou uma proposta do Banco Master para uma letra financeira de <strong>R$ 80 milhões</strong>, com prazo de dez anos e remuneração equivalente ao IPCA acrescido de 7,60% ao ano.</p>
<p>A documentação pública permite identificar os atos administrativos que antecederam a aplicação, mas não permite, isoladamente, concluir pela existência de crime. A regularidade das operações depende da análise do cumprimento das normas federais aplicáveis aos regimes próprios de previdência, da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337625">política</a> de investimentos do instituto e dos procedimentos efetivamente adotados pelos responsáveis.</p>
<h2>Regra da lista exaustiva já aparecia nas atas</h2>
<p>Antes mesmo da aprovação do primeiro aporte ao Banco Master, o próprio Comitê de Investimentos havia registrado condições para a realocação da carteira previdenciária.</p>
<p>Em reunião realizada em <strong>21 de setembro de 2023</strong>, o colegiado aprovou ajustes destinados a adequar os investimentos à política do instituto e à Resolução CMN nº 4.963/2021. Na ocasião, a ata registrou que as realocações deveriam passar por instituições financeiras, gestoras ou corretoras autorizadas a administrar recursos de regimes próprios de previdência e integrantes da chamada <strong>lista exaustiva</strong> aplicável aos RPPS.</p>
<p>Na mesma reunião, a consultoria Crédito e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337626">Mercado</a> apresentou uma análise da carteira do instituto. Segundo o documento, em 31 de julho de 2023 o patrimônio analisado alcançava aproximadamente <strong>R$ 858,8 milhões</strong> e estava integralmente sob gestão no Banco do Brasil.</p>
<p>A ata apontava concentração de <strong>51,64%</strong> dos recursos no BB Fluxo FIC Renda Fixa Simples Previdenciário e indicava a necessidade de redistribuição da carteira, inclusive por meio de investimentos em títulos privados e instrumentos de renda fixa com prazos mais longos.</p>
<p>A entrada do Banco Master ocorreu, portanto, dentro de um processo administrativo apresentado como estratégia de diversificação e adequação da carteira. A necessidade de reduzir a concentração, entretanto, não afastava as exigências relativas a credenciamento, elegibilidade, análise de risco, governança e segurança dos recursos previdenciários.</p>
<h2>Master foi credenciado internamente em 29 de novembro</h2>
<p>A ata de 29 de novembro de 2023 registra uma reunião extraordinária do Comitê de Investimentos com a presença de <strong>Ronnie Reyner Teixeira Mota</strong>, então diretor-presidente do Iprev; <strong>Marília Alexandre de Lima Alves</strong>, diretora executiva de Governança e Gestão Interna; <strong>Marcelo Brasileiro Santos</strong>, integrante do Conselho Fiscal; e <strong>Gustavo Antônio Rodrigues de Souza</strong>, coordenador-geral de Investimentos e Receitas dos Fundos.</p>
<p>O representante da consultoria Crédito e Mercado, <strong>Renan Calamia</strong>, apresentou ao colegiado um novo relatório de análise de portfólio e realocação.</p>
<p>O documento relaciona pedidos de credenciamento de BB Gestão de Recursos, Banco BTG Pactual, BTG Pactual Serviços Financeiros, Banco Master, Caixa Distribuidora e Caixa Econômica Federal.</p>
<p>Segundo a ata, a documentação das instituições havia sido submetida à verificação de conformidade pela consultoria antes da deliberação do comitê.</p>
<p>Os integrantes aprovaram os credenciamentos e reconheceram internamente as instituições relacionadas como aptas a receber recursos do regime próprio de previdência, autorizando também providências para abertura das contas necessárias às operações.</p>
<p>Esse credenciamento interno constitui uma etapa relevante da cronologia administrativa, mas não encerra a análise sobre a regularidade do investimento. O cumprimento das regras também dependia das condições impostas pela regulamentação federal e pela própria política de investimentos do instituto.</p>
<h2>Dois dias depois, R$ 80 milhões foram aprovados</h2>
<p>Em <strong>1º de dezembro de 2023</strong>, os integrantes do comitê voltaram a se reunir.</p>
<p>A ata informa que a pauta era dar continuidade às realocações e adequar a carteira à política de investimentos de 2023. O documento registra que o BB Fluxo ainda representava <strong>43,74%</strong> da carteira considerada na análise.</p>
<p>Na sequência, foi apresentada a proposta do Banco Master.</p>
<p>A operação previa uma <strong>letra financeira no valor de R$ 80 milhões</strong>, com emissão programada para 6 de dezembro de 2023 e vencimento em <strong>6 de dezembro de 2033</strong>.</p>
<p>A remuneração estabelecida era de <strong>IPCA mais 7,60% ao ano</strong>.</p>
<p>A proposta foi aprovada pelos integrantes presentes, e a diretoria da Presidência recebeu autorização para adotar os procedimentos necessários à efetivação do investimento.</p>
<p>O intervalo de apenas dois dias entre o credenciamento interno da instituição e a aprovação da aplicação é um dado objetivo registrado nos documentos públicos. Esse intervalo não demonstra, por si só, irregularidade ou fraude, mas integra o conjunto de circunstâncias que podem ser analisadas pelos investigadores.</p>
<p>Entre os pontos anunciados formalmente pela Polícia Federal estão justamente as condições de credenciamento, a realização de cotações, a análise de risco, os procedimentos de governança e a tomada de decisão que antecedeu o emprego dos recursos previdenciários.</p>
<h2>Ata de 2024 registra nova proposta do Banco Master</h2>
<p>A Polícia Federal informou que a investigação envolve <strong>duas aplicações</strong>, realizadas em 2023 e 2024, cujo valor total alcançou <strong>R$ 97 milhões</strong>.</p>
<p>Uma ata de <strong>9 de maio de 2024</strong> registra nova reunião do Comitê de Investimentos e a apresentação de uma proposta do Banco Master envolvendo letras financeiras.</p>
<p>Segundo o documento, a proposta tinha prazo de dez anos e remuneração equivalente a <strong>IPCA mais 7,30% ao ano</strong>.</p>
<p>Na reunião estavam presentes Ronnie Reyner Teixeira Mota, Marília Alexandre de Lima Alves e Marcelo Brasileiro Santos. A ata também registra a participação de Renan Calamia na apresentação da análise de portfólio.</p>
<p>O documento mostra que a discussão voltou a ocorrer dentro de um processo de realocação destinado a reduzir a concentração da carteira. Naquele momento, um dos fundos ainda representava parcela superior a 38% dos recursos analisados.</p>
<p>A nota oficial divulgada pela Polícia Federal nesta segunda-feira não detalha individualmente as condições financeiras das duas aplicações nem apresenta publicamente todos os elementos probatórios reunidos no inquérito.</p>
<p>Por essa razão, <strong>R$ 97 milhões</strong> é o montante oficialmente identificado como objeto das investigações, sem que a abertura da apuração permita antecipar eventual responsabilidade criminal dos envolvidos.</p>
<h2>O que a legislação exige dos gestores previdenciários</h2>
<p>A Resolução CMN nº 4.963/2021 estabelece as regras aplicáveis às aplicações dos recursos dos regimes próprios de previdência social.</p>
<p>A norma determina que os responsáveis pelos investimentos observem princípios de segurança, rentabilidade, solvência, liquidez, motivação, adequação às obrigações previdenciárias e transparência.</p>
<p>Também são exigidos procedimentos de diligência, controles internos, análise prévia dos riscos e credenciamento das instituições responsáveis por administrar ou receber os recursos.</p>
<p>Entre os critérios considerados no processo estão histórico de atuação, solidez patrimonial, exposição a riscos, condições operacionais e aderência às exigências regulatórias.</p>
<p>A política anual de investimentos de cada regime deve ainda estabelecer limites para exposição a determinados emissores e classes de ativos, metodologia de análise de risco e instrumentos de acompanhamento da carteira.</p>
<p>No caso de ativos de renda fixa emitidos por instituições bancárias, a regulamentação prevê limites específicos e condiciona as aplicações ao atendimento das demais exigências estabelecidas para os regimes próprios de previdência.</p>
<h2>Lista exaustiva entra no centro da investigação</h2>
<p>Outro ponto relevante é a chamada lista exaustiva de instituições financeiras que atendem aos requisitos estabelecidos para operações com recursos dos RPPS.</p>
<p>O próprio Comitê de Investimentos do Iprev havia mencionado essa exigência em sua reunião de setembro de 2023.</p>
<p>O Ministério da Previdência mantém relações periódicas das instituições consideradas enquadradas nos critérios regulatórios.</p>
<p>Documentos posteriores explicam que, quando determinada instituição não aparece na relação, isso pode significar que a confirmação dos requisitos necessários ainda não havia sido obtida para aquela atualização.</p>
<p>A posição específica do Banco Master na lista aplicável no momento exato do primeiro investimento, em dezembro de 2023, deverá ser confrontada com os documentos recolhidos pela investigação e com os registros utilizados pelos responsáveis pela decisão.</p>
<p>Esse ponto é especialmente relevante porque a investigação busca determinar se todos os procedimentos necessários ao credenciamento e à seleção da instituição foram observados antes de os recursos previdenciários serem aplicados.</p>
<h2>Maceió Previdência sustentou regularidade das aplicações</h2>
<p>Em novembro de 2025, após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, o Maceió Previdência divulgou uma manifestação institucional sobre os investimentos.</p>
<p>A autarquia afirmou, naquela ocasião, que o banco estava habilitado perante os órgãos competentes quando as aplicações foram realizadas e que os investimentos haviam seguido as regras vigentes, além de terem passado pelas instâncias administrativas responsáveis.</p>
<p>O instituto também informou patrimônio de aproximadamente <strong>R$ 1,4 bilhão</strong> e declarou que sua exposição aos títulos vinculados ao Banco Master correspondia a menos de 10% do total.</p>
<p>Essa manifestação é anterior às diligências realizadas pela Polícia Federal em 10 de agosto de 2026 e, portanto, não constitui resposta específica à atual operação.</p>
<p>A nota, entretanto, registra a posição institucional adotada pelo Maceió Previdência e deverá ser confrontada com os documentos, pareceres, registros de credenciamento, análises de risco e demais elementos reunidos pelos investigadores.</p>
<h2>O que os documentos já permitem afirmar</h2>
<p>As atas públicas confirmam uma sequência objetiva de acontecimentos.</p>
<p>Em setembro de 2023, o Comitê de Investimentos discutiu a necessidade de diversificação da carteira e registrou a exigência de utilização de instituições enquadradas nas regras aplicáveis aos regimes próprios de previdência.</p>
<p>Em <strong>29 de novembro de 2023</strong>, o Banco Master foi credenciado internamente pelo colegiado.</p>
<p>Em <strong>1º de dezembro de 2023</strong>, apenas dois dias depois, foi aprovada uma letra financeira do banco no valor de <strong>R$ 80 milhões</strong>, com vencimento previsto para 2033.</p>
<p>Em maio de 2024, nova proposta do Banco Master envolvendo letras financeiras foi analisada pelo comitê.</p>
<p>A Polícia Federal afirma que duas aplicações realizadas em 2023 e 2024 atingiram, juntas, <strong>R$ 97 milhões</strong>.</p>
<p>Esses fatos estão documentados. O que ainda precisa ser esclarecido é se todos os requisitos de elegibilidade estavam preenchidos nas datas das aplicações, se as análises de risco foram suficientes, quais alternativas foram consideradas, de que forma ocorreu a tomada de decisão e se houve alguma conduta deliberadamente fraudulenta.</p>
<p>A realização de buscas, a existência de um inquérito e a apuração de possível gestão fraudulenta não significam condenação nem comprovam antecipadamente a responsabilidade dos investigados.</p>
<h2>Investigação deve confrontar atas com documentos apreendidos</h2>
<p>Com o material recolhido durante os oito mandados de busca e apreensão em Alagoas e São Paulo, a Polícia Federal poderá confrontar os registros formais das reuniões do Iprev com documentos internos, comunicações, pareceres, cotações, análises de risco e dados relacionados às instituições envolvidas nas operações.</p>
<p>A Controladoria-Geral da União participa da ação, enquanto as medidas judiciais foram autorizadas no âmbito do Supremo Tribunal Federal.</p>
<p>O ponto central da investigação será determinar se o fluxo administrativo registrado nas atas correspondia, na prática, aos controles exigidos pela legislação previdenciária e financeira ou se houve falhas, omissões ou manipulações capazes de configurar ilícitos.</p>
<p>Até a conclusão dessas diligências, os documentos públicos permitem estabelecer a cronologia dos investimentos e identificar os responsáveis pelas deliberações administrativas, mas não permitem antecipar a conclusão criminal que ainda será produzida pelas autoridades responsáveis pela investigação.</p>
<h4>Fontes:</h4>
<ol>
<li>Polícia Federal — investigação sobre aplicação de recursos previdenciários em Maceió, 10 de agosto de 2026</li>
<li>Prefeitura de Maceió / Iprev — Comitê de Investimentos e atas de 21/09/2023, 29/11/2023, 01/12/2023 e 09/05/2024</li>
<li>Conselho Monetário Nacional — Resolução CMN nº 4.963/2021</li>
<li>Ministério da Previdência — Lista Exaustiva de Instituições Financeiras</li>
<li>Maceió Previdência — manifestação institucional sobre os investimentos no Banco Master</li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Radar da Semana: IPCA, ata do Copom e inflação dos EUA podem mexer com os mercados</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/radar-da-semana-ipca-copom-inflacao-eua-agosto-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2026 03:21:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agenda econômica]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Central]]></category>
		<category><![CDATA[Copom]]></category>
		<category><![CDATA[CPI]]></category>
		<category><![CDATA[Dólar]]></category>
		<category><![CDATA[Federal Reserve]]></category>
		<category><![CDATA[Ibovespa]]></category>
		<category><![CDATA[inflação]]></category>
		<category><![CDATA[IPCA]]></category>
		<category><![CDATA[mercados]]></category>
		<category><![CDATA[Radar da Semana]]></category>
		<category><![CDATA[Selic]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A semana de 10 a 14 de agosto começa com uma agenda carregada de indicadores capazes de alterar as expectativas dos investidores para juros, inflação e atividade econômica. No Brasil, o radar dos mercados estará concentrado principalmente na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no IPCA de julho e nos novos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A semana de 10 a 14 de agosto começa com uma agenda carregada de indicadores capazes de alterar as expectativas dos investidores para juros, inflação e atividade econômica. No Brasil, o radar dos mercados estará concentrado principalmente na ata da última reunião do Comitê de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337582">Política</a> Monetária (Copom), no IPCA de julho e nos novos dados de serviços e varejo, enquanto nos Estados Unidos o foco estará sobre os índices de inflação ao consumidor e ao produtor.</p>
<p>O conjunto de divulgações ganha relevância porque ocorre poucos dias depois de decisões importantes de política monetária nas duas maiores economias das Américas. No Brasil, o Banco Central reduziu a Selic para 14% ao ano na reunião encerrada em 5 de agosto, enquanto o Federal Reserve manteve a taxa básica americana entre 3,50% e 3,75% ao ano em sua última decisão.</p>
<p>Para os investidores, portanto, a semana servirá como um primeiro teste dos cenários traçados pelos dois bancos centrais. No <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337583">mercado</a> doméstico, a combinação entre a ata do Copom e o IPCA poderá influenciar as apostas sobre a velocidade dos próximos cortes da Selic, enquanto os dados americanos poderão alterar as expectativas para a trajetória dos juros nos Estados Unidos.</p>
<p>Além de Brasil e Estados Unidos, o radar internacional inclui números de atividade econômica do Reino Unido e da zona do euro, formando uma agenda que poderá provocar movimentos relevantes nas bolsas, no mercado de câmbio e nas curvas de juros.</p>
<h2>Segunda-feira: Focus abre o radar doméstico</h2>
<p>A primeira referência importante da semana no Brasil será o Relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira, 10 de agosto, pelo Banco Central. O documento reúne as projeções de economistas e instituições financeiras para indicadores como IPCA, Selic, Produto Interno Bruto e câmbio e funciona como um termômetro das expectativas do mercado.</p>
<p>O relatório ganha importância adicional depois da redução da Selic para 14% ao ano, porque qualquer mudança relevante nas projeções de inflação poderá interferir na leitura sobre os próximos passos do Copom. Uma melhora consistente das expectativas tende a favorecer o cenário de continuidade da flexibilização monetária, enquanto uma deterioração pode aumentar a cautela do Banco Central.</p>
<p>O Focus não representa uma projeção oficial da autoridade monetária, mas a evolução das estimativas acompanhadas pelo mercado faz parte do conjunto de informações observado pelo Copom, principalmente quando os horizontes mais longos começam a se afastar ou se aproximar da meta de inflação.</p>
<p>Para os mercados, a abertura da semana deverá ser marcada justamente pela comparação entre as projeções atualizadas e o cenário utilizado pelo Banco Central na decisão de agosto.</p>
<h2>Terça-feira: ata do Copom e IPCA formam o dia mais importante no Brasil</h2>
<p>A terça-feira, 11 de agosto, concentra os dois principais eventos da agenda econômica doméstica e tende a ser o dia de maior atenção para os mercados brasileiros.</p>
<p>O primeiro deles será a divulgação da ata da última reunião do Copom, documento que detalha os argumentos utilizados pelo Banco Central para justificar a redução da taxa básica de juros e apresenta uma avaliação mais ampla sobre inflação, atividade econômica, cenário fiscal e riscos externos.</p>
<p>Depois de cortar a Selic para 14%, o mercado buscará principalmente indicações sobre a disposição do Banco Central para continuar reduzindo os juros nas próximas reuniões. A linguagem utilizada pelo comitê será analisada em busca de sinais sobre o grau de confiança da autoridade monetária no processo de desinflação e sobre as condições necessárias para que novos cortes sejam realizados.</p>
<p>A ata também poderá ajudar a esclarecer como o Copom avalia a evolução das expectativas de inflação, a política fiscal e os efeitos acumulados de um período prolongado de juros elevados sobre consumo, crédito e investimentos.</p>
<p>Pouco depois, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgará o IPCA de julho, indicador oficial utilizado como referência para o regime de metas de inflação.</p>
<p>Em junho, o IPCA havia avançado 0,16%, acumulando alta de 4,64% em 12 meses. A leitura de julho mostrará se a inflação continua apresentando comportamento compatível com um ciclo de redução dos juros ou se novas pressões podem exigir uma postura mais cautelosa do Banco Central.</p>
<p>Além do resultado geral, investidores e economistas deverão observar a composição do índice, especialmente inflação de serviços, preços subjacentes e disseminação das altas entre diferentes grupos de produtos e serviços.</p>
<p>Uma leitura melhor do que a esperada, combinada com uma ata menos conservadora, pode reforçar apostas em novos cortes da Selic. O movimento contrário — inflação acima das projeções acompanhada de uma comunicação cautelosa — pode provocar revisão das expectativas para os juros.</p>
<h2>Quarta-feira: serviços no Brasil e CPI nos EUA entram no radar</h2>
<p>Na quarta-feira, 12 de agosto, o foco doméstico passa da inflação para a atividade econômica, com a divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços referente a junho.</p>
<p>O indicador será acompanhado para avaliar se a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337584">economia</a> brasileira começa a apresentar uma desaceleração mais clara depois de um período prolongado de condições monetárias restritivas. Como o setor de serviços possui peso relevante na atividade e no mercado de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337581">trabalho</a>, seu comportamento também ajuda a avaliar a persistência de pressões inflacionárias.</p>
<p>Uma atividade ainda muito resistente pode dificultar a desaceleração da inflação de serviços, enquanto sinais mais evidentes de perda de ritmo podem reforçar a percepção de que o aperto monetário acumulado começa a produzir efeitos mais amplos sobre a economia.</p>
<p>No exterior, entretanto, estará o principal evento da quarta-feira: a divulgação do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, o CPI de julho.</p>
<p>O indicador será publicado depois de o Federal Reserve manter os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano e deverá influenciar diretamente as expectativas sobre as próximas decisões da autoridade monetária americana.</p>
<p>Uma inflação superior às projeções do mercado tende a aumentar a possibilidade de juros elevados por mais tempo e pode pressionar os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, fortalecendo o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337585">dólar</a> e afetando ativos de países emergentes.</p>
<p>Uma leitura mais moderada, por outro lado, pode aliviar a pressão sobre os juros americanos e favorecer ativos de risco, especialmente se vier acompanhada de sinais de menor persistência da inflação nos componentes mais observados pelo Federal Reserve.</p>
<p>Para o mercado brasileiro, o CPI americano também importa porque alterações nas expectativas para os juros dos Estados Unidos afetam os fluxos internacionais de capital, o câmbio e o comportamento da curva de juros doméstica.</p>
<h2>Quinta-feira: varejo brasileiro, PPI americano e PIB britânico</h2>
<p>A quinta-feira, 13 de agosto, reúne novamente indicadores importantes em diferentes economias.</p>
<p>No Brasil, o IBGE divulgará as vendas do varejo referentes a junho, completando a rodada semanal de informações sobre atividade econômica. O resultado permitirá avaliar o comportamento do consumo das famílias diante de juros ainda elevados e condições de crédito mais restritivas.</p>
<p>O varejo possui relação direta com renda, emprego, confiança e disponibilidade de crédito, razão pela qual o indicador será interpretado em conjunto com os dados de serviços apresentados no dia anterior.</p>
<p>Uma combinação de atividade mais moderada e inflação em desaceleração poderia fortalecer a percepção de que o Banco Central possui espaço para continuar reduzindo a Selic, enquanto números de consumo mais fortes podem sustentar uma postura mais cautelosa.</p>
<p>Nos Estados Unidos, o destaque será o índice de preços ao produtor, o PPI de julho, que mede a evolução dos preços recebidos pelos produtores e ajuda a identificar pressões existentes nas etapas anteriores da cadeia produtiva.</p>
<p>Depois do CPI, divulgado na quarta-feira, o PPI permitirá ao mercado construir uma visão mais ampla sobre o comportamento da inflação americana. Caso os dois indicadores apontem pressões persistentes, as apostas em juros elevados por mais tempo podem ganhar força.</p>
<p>O Reino Unido também estará no radar com a divulgação da primeira estimativa do PIB do segundo trimestre, acompanhada por números de produção industrial, serviços e comércio exterior. O conjunto permitirá avaliar o ritmo da economia britânica e poderá influenciar as expectativas em relação às próximas decisões do Banco da Inglaterra.</p>
<p>Na zona do euro, o mercado acompanhará uma nova estimativa do PIB e os dados de emprego do segundo trimestre, informações importantes para avaliar a resistência da atividade econômica da região.</p>
<h2>Sexta-feira: varejo americano fecha a semana</h2>
<p>A agenda perde intensidade no Brasil na sexta-feira, 14 de agosto, mas os Estados Unidos ainda terão um indicador capaz de mexer com os mercados internacionais.</p>
<p>O U.S. Census Bureau divulgará as vendas no varejo de julho, oferecendo uma leitura atualizada sobre a força do consumo das famílias americanas.</p>
<p>O dado será especialmente relevante porque permitirá comparar a evolução da demanda com os indicadores de inflação divulgados ao longo da semana. Consumo muito resistente pode sustentar pressões sobre preços e reduzir o espaço para uma política monetária mais flexível, enquanto sinais de desaceleração podem reforçar a percepção de perda de força da economia.</p>
<p>Para o Federal Reserve, o desafio permanece em equilibrar o combate à inflação com a necessidade de evitar um enfraquecimento excessivo da atividade econômica. Por isso, a combinação entre CPI, PPI e varejo deverá formar uma das principais referências utilizadas pelo mercado para atualizar as apostas sobre os próximos movimentos dos juros americanos.</p>
<h2>Europa também estará no radar dos investidores</h2>
<p>Embora Brasil e Estados Unidos concentrem os indicadores de maior impacto para os mercados domésticos, a agenda europeia também trará números importantes.</p>
<p>Na quarta-feira, a zona do euro divulgará a produção industrial de junho, permitindo avaliar o desempenho de um setor que enfrenta desafios relacionados ao crescimento econômico, competitividade e demanda externa.</p>
<p>Na quinta-feira, a região apresentará nova estimativa do PIB e dados de emprego do segundo trimestre. Os números ajudarão a dimensionar a força da economia europeia e poderão influenciar as expectativas sobre os próximos passos da política monetária.</p>
<p>No Reino Unido, a divulgação do PIB do segundo trimestre terá peso semelhante, especialmente porque será acompanhada por informações sobre indústria, serviços e comércio exterior.</p>
<p>O desempenho europeu importa para os mercados globais porque uma desaceleração mais pronunciada pode modificar as expectativas para os juros da região, influenciar o euro e alterar o fluxo internacional de capitais.</p>
<h2>Radar da Semana: confira os principais eventos</h2>
<p><strong>Segunda-feira, 10 de agosto</strong></p>
<p><strong>Brasil</strong><br />
Relatório Focus do Banco Central.</p>
<p><strong>Terça-feira, 11 de agosto</strong></p>
<p><strong>Brasil</strong><br />
Ata da reunião do Copom.<br />
IPCA de julho.</p>
<p><strong>Quarta-feira, 12 de agosto</strong></p>
<p><strong>Brasil</strong><br />
Pesquisa Mensal de Serviços de junho.</p>
<p><strong>Estados Unidos</strong><br />
CPI de julho — inflação ao consumidor.</p>
<p><strong>Zona do euro</strong><br />
Produção industrial de junho.</p>
<p><strong>Quinta-feira, 13 de agosto</strong></p>
<p><strong>Brasil</strong><br />
Vendas no varejo de junho.</p>
<p><strong>Estados Unidos</strong><br />
PPI de julho — inflação ao produtor.</p>
<p><strong>Reino Unido</strong><br />
PIB do segundo trimestre.<br />
Produção industrial.<br />
Serviços.<br />
Balança comercial.</p>
<p><strong>Zona do euro</strong><br />
PIB do segundo trimestre.<br />
Dados de emprego.</p>
<p><strong>Sexta-feira, 14 de agosto</strong></p>
<p><strong>Estados Unidos</strong><br />
Vendas no varejo de julho.</p>
<h2>O que pode mexer mais com os mercados</h2>
<p>Entre todos os eventos programados, a combinação entre <strong>ata do Copom e IPCA</strong>, na terça-feira, e <strong>CPI dos Estados Unidos</strong>, na quarta, concentra o maior potencial para alterar as expectativas dos investidores.</p>
<p>No Brasil, a principal pergunta será se a inflação permitirá ao Banco Central continuar reduzindo a Selic depois de levar a taxa para 14% ao ano. A resposta começará a ser construída pela combinação entre a comunicação do Copom, o comportamento efetivo dos preços e os sinais apresentados posteriormente pelos indicadores de atividade.</p>
<p>Nos Estados Unidos, o mercado tentará descobrir se a inflação está suficientemente controlada para impedir um novo aperto monetário ou se as pressões ainda justificam juros elevados por um período mais prolongado.</p>
<p>As respostas não influenciam apenas as taxas básicas de cada país. Mudanças nas expectativas de juros afetam diretamente o preço dos títulos públicos, o dólar, os mercados acionários e os fluxos de recursos entre economias desenvolvidas e emergentes.</p>
<p>Por isso, o <strong>Radar da Semana</strong> começa com o Focus e termina com o varejo americano, mas terá seu momento decisivo entre terça e quinta-feira, quando os principais indicadores de inflação e atividade poderão redefinir parte das apostas para os juros no Brasil e nos Estados Unidos.</p>
<hr />
<h4>FONTES:</h4>
<p>Banco Central do Brasil — Relatório Focus, ata e documentos oficiais do Comitê de Política Monetária.</p>
<p>Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IPCA, Pesquisa Mensal de Serviços e Pesquisa Mensal de Comércio.</p>
<p>Federal Reserve — decisão e comunicado oficial do Federal Open Market Committee.</p>
<p>Bureau of Labor Statistics — CPI e PPI dos Estados Unidos.</p>
<p>U.S. Census Bureau — vendas no varejo dos Estados Unidos.</p>
<p>Office for National Statistics — PIB, produção industrial, serviços e comércio exterior do Reino Unido.</p>
<p>Eurostat — produção industrial, PIB e emprego da zona do euro.</p>
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		<item>
		<title>Mansão de R$ 300 milhões ligada ao presidente da JAC Motors e a Vorcaro vira alvo de disputa judicial</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/mansao-presidente-jac-motors-vorcaro-venda-justica</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Álvaro Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2026 22:11:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Vorcaro]]></category>
		<category><![CDATA[fraude à execução]]></category>
		<category><![CDATA[Grupo SHC]]></category>
		<category><![CDATA[JAC Motors]]></category>
		<category><![CDATA[mansão]]></category>
		<category><![CDATA[Sandra Habib]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Habib]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A venda de uma mansão de alto padrão em Trancoso, no sul da Bahia, estimada em R$ 300 milhões, passou a integrar uma disputa judicial envolvendo o empresário Sérgio Habib, presidente do Grupo SHC e da JAC Motors Brasil, e sua mulher, Sandra Habib. Em petição apresentada em uma execução iniciada em 2018, um credor [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A venda de uma mansão de alto padrão em Trancoso, no sul da Bahia, estimada em R$ 300 milhões, passou a integrar uma disputa judicial envolvendo o empresário Sérgio Habib, presidente do Grupo SHC e da JAC Motors Brasil, e sua mulher, Sandra Habib.</p>
<p>Em petição apresentada em uma execução iniciada em 2018, um credor pediu que a transferência do imóvel seja reconhecida como fraude à execução. O argumento é que Sérgio e Sandra, apontados como fiadores de uma obrigação de aproximadamente R$ 2,5 milhões, teriam alienado a propriedade enquanto a cobrança já estava em andamento.</p>
<p>A alegação ainda depende de análise judicial. Não foi localizada, nos registros públicos consultados, decisão que tenha declarado a venda fraudulenta, determinado a indisponibilidade do imóvel ou tornado a operação ineficaz perante o credor.</p>
<p>Documentos de outro processo, relacionado à cobrança de comissão imobiliária, indicam que a propriedade estava formalmente vinculada a Sandra Habib até junho de 2024. Naquele mês, o imóvel foi adquirido por seis <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337429">empresas</a> denominadas Fractions, relacionadas à Prime You.</p>
<p>As companhias compradoras foram associadas empresarialmente a Daniel Vorcaro, conhecido por sua atuação no Banco Master. O empresário, entretanto, já afirmou em manifestação sobre a disputa da comissão que não integrava o quadro societário das empresas adquirentes e que não poderia ser responsabilizado pessoalmente pelo negócio.</p>
<p>Essas circunstâncias tornam imprecisa a afirmação de que Sérgio Habib vendeu diretamente a mansão a Vorcaro. O que os documentos disponíveis permitem afirmar é que um imóvel atribuído a Sandra Habib foi transferido para empresas relacionadas a um grupo empresarial que mantinha vínculos com o então banqueiro.</p>
<h2>Imóvel estava registrado em nome de Sandra Habib</h2>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1528395" src="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/d95500b2f49a65c3cd48f6260aa3c380.webp" alt="Mansão de R$ 300 milhões ligada ao presidente da JAC Motors e a Vorcaro vira alvo de disputa judicial - GAZETA MERCANTIL - Empresas" width="600" height="400" title="Mansão de R$ 300 milhões ligada ao presidente da JAC Motors e a Vorcaro vira alvo de disputa judicial 3 GAZETA MERCANTIL" srcset="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/d95500b2f49a65c3cd48f6260aa3c380.webp 600w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/d95500b2f49a65c3cd48f6260aa3c380-300x200.webp 300w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /></p>
<p>Conhecida como Villa 21, a propriedade está localizada diante do mar, na região da Praia dos Nativos, em Trancoso. O conjunto ocupa uma área estimada em 40 mil metros quadrados e reúne 12 suítes, cinco bangalôs, piscina, academia e espaços destinados a eventos e hospedagem.</p>
<p>A casa vinha sendo alugada para temporadas antes da venda. Vorcaro esteve no imóvel em diferentes ocasiões entre 2021 e 2022, acompanhado por convidados e funcionários contratados para atender o grupo.</p>
<p>A relação anterior com a propriedade tornou-se um dos argumentos de um corretor que busca receber comissão pela transação. Celso Francisco Pinto Júnior, da AirConcierge, afirma ter apresentado a residência ao empresário e participado das primeiras tratativas para uma eventual compra.</p>
<p>O corretor iniciou uma ação de produção antecipada de provas e enviou notificações a Vorcaro, Sandra Habib, Prime You e às empresas Fractions. A cobrança apresentada por ele alcança R$ 18 milhões, correspondente a 6% de um negócio estimado em R$ 300 milhões.</p>
<p>As empresas ligadas à aquisição e Vorcaro contestaram a cobrança. A posição apresentada é que o corretor não teria participado da operação efetivamente concluída e que o empresário não poderia responder por companhias das quais, segundo sua defesa, não era sócio.</p>
<p>A divergência também envolve o preço exato da propriedade. O processo relacionado à comissão menciona um negócio de aproximadamente R$ 300 milhões. Uma conversa atribuída a Sandra Habib teria indicado valor de R$ 350 milhões, enquanto outras informações sobre a operação apontaram cerca de R$ 280 milhões.</p>
<p>Sem acesso à escritura integral e às condições comerciais completas, o valor de R$ 300 milhões deve ser tratado como estimativa vinculada aos documentos e às alegações apresentados nas disputas judiciais, e não como quantia definitivamente comprovada em decisão.</p>
<h2>Credor alega fraude à execução</h2>
<p>O novo questionamento sobre a mansão surgiu em uma execução distinta da cobrança da comissão imobiliária.</p>
<p>Nesse processo, Sérgio e Sandra Habib aparecem como garantidores de um contrato relacionado a uma concessionária da Citroën. A dívida, estimada em R$ 2,5 milhões, é cobrada judicialmente desde 2018.</p>
<p>Diante das dificuldades relatadas para localizar ativos financeiros dos executados, os advogados do credor anexaram informações sobre a venda da propriedade e pediram que a Justiça examine a possível ocorrência de fraude à execução.</p>
<p>O pedido parte da premissa de que a alienação de um bem durante o andamento de uma cobrança pode reduzir o patrimônio disponível para satisfazer o credor. A existência simultânea do processo e da venda, contudo, não basta, isoladamente, para caracterizar fraude.</p>
<p>O Código de Processo Civil estabelece situações específicas nas quais uma alienação pode ser considerada fraudulenta. Entre elas estão a existência de averbação da execução ou de uma restrição judicial no registro do bem e a tramitação de ação capaz de levar o devedor à insolvência.</p>
<p>A Justiça também precisa analisar a situação do comprador, o momento em que ocorreu a transferência, a titularidade formal do imóvel, a existência de outros bens e o conhecimento das partes sobre a cobrança.</p>
<p>Quando reconhecida, a fraude à execução não necessariamente anula a compra em todos os seus efeitos. A consequência prevista na legislação é a ineficácia da alienação em relação ao credor, permitindo que o bem seja alcançado para o pagamento da dívida.</p>
<p>No caso da propriedade de Trancoso, essa conclusão ainda não foi proferida. A fraude representa, até o momento, uma tese apresentada pelos advogados da parte que promove a execução.</p>
<h2>Dívida pessoal não se confunde com recuperação do Grupo SHC</h2>
<p>A execução contra Sérgio e Sandra Habib ocorre paralelamente ao histórico de endividamento das empresas do Grupo SHC. Embora os dois temas ajudem a explicar o interesse dos credores pelo patrimônio do casal, são juridicamente diferentes.</p>
<p>O Grupo SHC apresentou pedido de recuperação judicial em novembro de 2018, na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A ação reuniu cerca de 40 empresas e informou um passivo inicial de R$ 517,74 milhões.</p>
<p>O conglomerado havia construído sua operação a partir da distribuição de veículos e de uma ampla rede de concessionárias. Além da representação da JAC Motors no Brasil, o grupo manteve <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337431">negócios</a> ligados a marcas como Citroën, Volkswagen, Jaguar e Land Rover.</p>
<p>A crise do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337430">mercado</a> automotivo, o enfraquecimento das vendas, a redução da rede de concessionárias e o elevado custo financeiro foram apresentados como fatores para a reestruturação.</p>
<p>O processamento da recuperação foi deferido em novembro de 2018. Após negociações, assembleias e sucessivos aditamentos, os credores aprovaram uma nova versão do plano, posteriormente homologada pela Justiça.</p>
<p>Em fevereiro de 2022, uma decisão reconheceu o cumprimento das obrigações sujeitas ao período de fiscalização judicial e decretou o encerramento formal da recuperação. O fim dessa supervisão, porém, não significou o pagamento imediato e integral de todos os créditos.</p>
<p>Os relatórios da administradora judicial continuaram acompanhando obrigações previstas no plano, inclusive pagamentos parcelados, informações contábeis e créditos trabalhistas. Há documentos publicados com dados das atividades do grupo até 2024.</p>
<p>A recuperação judicial abrange obrigações das empresas incluídas no processo. Já as cobranças dirigidas pessoalmente contra Sérgio e Sandra dependem da natureza de cada contrato, da existência de fiança ou aval e da eventual responsabilização patrimonial dos garantidores.</p>
<p>Não é juridicamente correto, portanto, somar indistintamente as dívidas empresariais do Grupo SHC às obrigações pessoais atribuídas ao casal.</p>
<h2>Sérgio Habib segue à frente da JAC Motors Brasil</h2>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1528394" src="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/837556bec3e81e6c2a5436f41d8582a9.webp" alt="Sérgio Habib - Gazeta Mercantil" width="720" height="480" title="Mansão de R$ 300 milhões ligada ao presidente da JAC Motors e a Vorcaro vira alvo de disputa judicial 4 GAZETA MERCANTIL" srcset="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/837556bec3e81e6c2a5436f41d8582a9.webp 720w, https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/837556bec3e81e6c2a5436f41d8582a9-300x200.webp 300w" sizes="(max-width: 720px) 100vw, 720px" /></p>
<p>Sérgio Habib fundou o Grupo SHC no início da década de 1990, depois de construir carreira no setor automotivo. O empresário participou da expansão da Citroën no Brasil e posteriormente estruturou uma rede de distribuição de diferentes marcas.</p>
<p>Em 2011, o grupo iniciou a operação da JAC Motors no mercado brasileiro. A estratégia começou com a importação de veículos produzidos na China e incluiu o anúncio de uma fábrica na Bahia, projeto que não avançou conforme o cronograma originalmente apresentado.</p>
<p>Mesmo após a recuperação judicial, Habib permaneceu associado à direção da JAC Motors Brasil. O site institucional da montadora continua identificando o executivo como presidente do Grupo SHC e da operação brasileira da marca.</p>
<p>A empresa mantém atividade comercial com automóveis elétricos, picapes, vans e caminhões, além de serviços de pós-venda e distribuição de peças.</p>
<p>O fato de Habib permanecer no comando de uma operação empresarial não resolve nem afasta as cobranças judiciais. Da mesma maneira, a existência de execuções não comprova, por si só, que o empresário tenha ocultado patrimônio ou praticado fraude.</p>
<h2>Venda não foi anulada pela Justiça</h2>
<p>Até o momento, a operação envolvendo a Villa 21 permanece válida. O pedido para que a transferência seja considerada fraude à execução ainda precisa ser examinado pelo juízo responsável pela cobrança.</p>
<p>A análise deverá esclarecer, entre outros pontos, quem era o proprietário formal do imóvel, quais empresas realizaram a compra, quando as partes foram citadas na execução, se havia averbação da cobrança na matrícula e se a venda comprometeu a capacidade dos devedores de pagar a obrigação.</p>
<p>Também será necessário definir se a propriedade de Sandra Habib poderia responder pela garantia contratual discutida no processo e se as empresas compradoras tinham conhecimento de eventual restrição.</p>
<p>Não havia manifestação pública específica de Sérgio e Sandra Habib sobre o novo pedido relacionado à venda. Vorcaro, na disputa separada sobre a comissão imobiliária, negou ser proprietário das empresas compradoras e rejeitou responsabilidade pessoal pela operação.</p>
<p>Enquanto não houver decisão, a formulação tecnicamente correta é que um credor questiona a venda e sustenta a ocorrência de fraude à execução. Afirmar que Habib vendeu a mansão para fugir de dívidas transformaria uma alegação processual ainda pendente em fato consumado.</p>
<h4>FONTES:</h4>
<p>Tribunal de Justiça de São Paulo; processo de recuperação judicial do Grupo SHC; decisões e relatórios da administradora judicial; Código de Processo Civil; documentos da ação de produção antecipada de provas relacionada à Villa 21; site institucional da JAC Motors Brasil; manifestações apresentadas pelas partes nas disputas judiciais.</p>
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