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	<title>Carlos Menezes &#8211; GAZETA MERCANTIL</title>
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		<title>Alcolumbre marca votação da PEC da Segurança para terça (3) e maioridade penal divide Senado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Nov 2026 05:01:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Alcolumbre marca votação da PEC da Segurança Pública para terça (3). Proposta enfrenta impasse sobre redução da maioridade penal no Senado.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O presidente do Senado, <strong>Davi Alcolumbre (União-AP)</strong>, marcou para terça-feira, 3 de novembro de 2026, a votação da <strong>PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025)</strong>, proposta pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A sessão deliberativa está prevista para começar às 16h, com a proposta entre os principais itens da pauta. A análise ocorre após um adiamento provocado por divergências sobre emendas que pretendem reduzir a maioridade penal no Brasil.</p>
<p>A proposta busca ampliar a integração entre as forças de segurança, reorganizar competências da União, dos estados e dos municípios e estabelecer regras mais rigorosas contra facções criminosas, milícias e organizações paramilitares. O texto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 14 de outubro, mas ainda precisa receber o aval do plenário.</p>
<p>O principal impasse envolve duas emendas apresentadas pelos senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Camilo Santana (PT-CE). As propostas estabelecem critérios diferentes para reduzir a idade de responsabilização criminal, atualmente fixada em 18 anos pela Constituição Federal.</p>
<h2>PEC da Segurança Pública volta à pauta após adiamento em outubro</h2>
<p>A votação da PEC 18/2025 estava inicialmente prevista para 15 de outubro, antes do segundo turno das eleições presidenciais. Na ocasião, Alcolumbre decidiu retirar a matéria da pauta para permitir novas negociações entre os senadores.</p>
<p>O presidente do Senado justificou a decisão pela necessidade de evitar uma discussão precipitada sobre mudanças constitucionais de grande alcance. Também mencionou as divergências em torno do calendário especial aprovado para acelerar a tramitação.</p>
<p>O requerimento 713/2026, aprovado pelo plenário em 14 de outubro, permite dispensar as cinco sessões de discussão normalmente exigidas antes da votação em primeiro turno e outras três previstas para o segundo turno.</p>
<p>Com o calendário especial, o Senado poderá acelerar a análise da proposta, desde que sejam respeitadas as exigências constitucionais de votação.</p>
<p>Para ser aprovada, a PEC precisa receber pelo menos <strong>49 votos favoráveis entre os 81 senadores, em cada um dos dois turnos</strong>.</p>
<p>A inclusão na pauta não garante a aprovação nem a conclusão das votações na mesma sessão.</p>
<h2>Redução da maioridade penal divide governo e oposição</h2>
<p>A principal controvérsia envolve a possibilidade de incluir mudanças na maioridade penal dentro da PEC da Segurança Pública.</p>
<p>O senador Rogério Marinho apresentou a Emenda 84, que propõe reduzir de 18 para 16 anos a idade geral de responsabilização criminal. Para crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas, o texto prevê a possibilidade de responsabilização a partir dos 14 anos.</p>
<p>Já a Emenda 87, apresentada por Camilo Santana, mantém a maioridade penal de 18 anos como regra geral, mas admite sua redução para 16 anos nos casos de crimes hediondos.</p>
<p>As duas propostas foram formalmente apresentadas ao Senado e ainda dependem de deliberação.</p>
<p>A líder do governo na Casa, Teresa Leitão (PT-PE), manifestou-se em 15 de outubro pela aprovação da PEC sem a inclusão de emendas sobre maioridade penal. Em entrevista à TV Senado, a parlamentar defendeu que o assunto seja debatido de maneira aprofundada, sem comprometer a tramitação da proposta principal.</p>
<p>A divergência representa um obstáculo à construção de um texto consensual, especialmente porque eventuais alterações de mérito aprovadas pelos senadores precisarão ser novamente examinadas pelos deputados.</p>
<h2>O que muda com a PEC da Segurança Pública</h2>
<p>A PEC 18/2025 estabelece mudanças na organização constitucional do sistema brasileiro de segurança pública.</p>
<p>Um dos principais pontos é a inclusão do <strong>Sistema Único de Segurança Pública (Susp)</strong> na Constituição Federal, consolidando mecanismos de cooperação entre União, estados, Distrito Federal e municípios.</p>
<p>A proposta prevê o compartilhamento de informações, a integração de sistemas e a realização de operações conjuntas entre órgãos responsáveis pela prevenção e repressão de crimes.</p>
<p>O texto também amplia competências da Polícia Federal e prevê novas atribuições para a Polícia Rodoviária Federal, incluindo atuação em ferrovias e hidrovias federais.</p>
<p>Na esfera municipal, a PEC estabelece regras para a criação de polícias municipais e o fortalecimento da segurança local.</p>
<p>Outra mudança é a criação do Sistema de Políticas Penais, destinado a integrar a administração penitenciária e aprimorar a organização das polícias penais.</p>
<p>A proposta ainda contempla instrumentos de fiscalização, corregedorias e ouvidorias, além de medidas voltadas à proteção das vítimas.</p>
<h2>PEC endurece regras contra facções criminosas e milícias</h2>
<p>O combate ao crime organizado constitui um dos principais eixos da PEC da Segurança Pública.</p>
<p>O texto aprovado na CCJ prevê um regime penal mais rigoroso para integrantes e lideranças de organizações criminosas, facções, grupos paramilitares e milícias privadas, observada a posição hierárquica de cada envolvido.</p>
<p>Entre as medidas estão a previsão de custódia obrigatória em estabelecimentos penais de segurança máxima, restrições à progressão de regime e a determinados benefícios processuais.</p>
<p>A proposta também estabelece mecanismos para o confisco de bens, direitos e valores econômicos vinculados a atividades criminosas, sem pagamento de indenização nas hipóteses previstas.</p>
<p>Outra disposição trata da responsabilização de pessoas jurídicas envolvidas com organizações criminosas.</p>
<p>O texto ainda contempla medidas de proteção a denunciantes, testemunhas e seus familiares.</p>
<p>Essas alterações dependem de aprovação definitiva no Congresso e não estão em vigor.</p>
<h2>Relator retirou recursos das bets e manteve financiamento do pré-sal</h2>
<p>Durante a análise na Comissão de Constituição e Justiça, o relator Rogério Carvalho (PT-SE) modificou o texto aprovado anteriormente pela Câmara dos Deputados.</p>
<p>Das 81 emendas apresentadas na comissão, quatro foram acolhidas total ou parcialmente.</p>
<p>Uma das alterações foi a retirada do dispositivo que destinava parte das receitas provenientes das apostas esportivas, conhecidas como bets, aos fundos de segurança pública.</p>
<p>Por outro lado, o relatório manteve a previsão de destinar <strong>10% do superávit do Fundo Soberano do Pré-Sal</strong> ao financiamento da segurança pública.</p>
<p>A PEC também reforça os fundos nacionais relacionados à segurança e ao sistema penitenciário.</p>
<h2>PEC pode voltar à Câmara se Senado aprovar alterações</h2>
<p>A votação de terça-feira será decisiva para definir o encaminhamento legislativo da PEC da Segurança Pública.</p>
<p>Por se tratar de uma proposta de emenda constitucional, o texto precisa ser aprovado em dois turnos pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, com apoio de pelo menos três quintos dos integrantes de cada Casa.</p>
<p>Caso o Senado aprove mudanças de mérito em relação à versão já analisada pela Câmara, os dispositivos modificados terão de retornar aos deputados.</p>
<p>Existe a possibilidade de promulgação das partes que tenham recebido aprovação com o mesmo conteúdo nas duas Casas, enquanto os trechos alterados continuam em análise. Esse procedimento dependerá da organização do texto e das decisões legislativas.</p>
<p>Além da PEC da Segurança Pública, a pauta de terça-feira inclui propostas relacionadas à cooperação internacional e outras matérias legislativas.</p>
<p>A sessão está programada para as 16h. Até a conclusão das votações, permanecem indefinidos tanto o conteúdo final da PEC quanto o destino das emendas que tratam da redução da maioridade penal.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Senado Federal — PEC 18/2025, texto integral, emendas apresentadas e tramitação legislativa oficial.</p>
<p>Agência Senado — Davi marca para terça votação da PEC da Segurança, 30 de outubro de 2026.</p>
<p>Senado Federal — Emendas 84 e 87 à PEC 18/2025, apresentadas por Rogério Marinho e Camilo Santana.</p>
<p>Comissão de Constituição e Justiça do Senado — Parecer e deliberações sobre a PEC 18/2025, de 14 de outubro de 2026.</p>
<p>Senado Federal — Requerimento 713/2026, que estabelece calendário especial de tramitação.</p>
<p>TV Senado — Entrevista da senadora Teresa Leitão sobre a redução da maioridade penal, de 15 de outubro de 2026.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Flávio Bolsonaro fala em disputar nova eleição antes de 2030, mas não explica como seria possível</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/flavio-bolsonaro-nova-eleicao-presidencial-antes-2030</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Oct 2026 01:34:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[Constituição Federal]]></category>
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		<category><![CDATA[TSE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Flávio Bolsonaro afirma que pode disputar nova eleição presidencial antes de 2030, mas não explica como isso ocorreria. Entenda o que prevê a Constituição.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta sexta-feira (30) que está disposto a disputar novamente a Presidência da República antes das eleições previstas para 2030, apesar de ter sido derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno realizado cinco dias antes. A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo pelo Instagram, diretamente dos Estados Unidos, onde o parlamentar permanece desde quarta-feira (28), após deixar o Brasil em descumprimento de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que restringia suas viagens internacionais.</p>
<p>O ex-candidato não apresentou um caminho jurídico ou institucional para a antecipação da disputa presidencial. Durante o pronunciamento, afirmou que continuará participando das articulações da oposição e que estaria preparado para concorrer novamente caso surgisse a oportunidade. A manifestação ocorreu em meio a questionamentos sobre sua saída do país, ao andamento de investigações no STF e às negociações políticas para a próxima legislatura.</p>
<p>A Constituição Federal prevê situações excepcionais que podem resultar na realização de eleições presidenciais antes do calendário regular, mas nenhuma delas decorre simplesmente da vontade de um candidato derrotado. A antecipação depende de acontecimentos juridicamente previstos, como a vacância simultânea dos cargos de presidente e vice-presidente ou decisões judiciais que produzam efeitos sobre o mandato da chapa eleita.</p>
<h2>Senador afirma que está preparado para nova disputa presidencial</h2>
<p>Durante a transmissão, Flávio Bolsonaro declarou que pretende continuar exercendo uma função de liderança <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341680">política</a> na oposição ao governo Lula e que não descarta retornar à disputa pelo Palácio do Planalto.</p>
<p>O parlamentar afirmou estar preparado para disputar novamente a Presidência caso considere necessário, acrescentando expressamente que não se referia ao pleito de 2030, previsto no calendário eleitoral regular.</p>
<p>A declaração foi acompanhada de críticas ao resultado das eleições e à atuação das instituições brasileiras. O senador voltou a levantar suspeitas sobre o processo eleitoral, mas não apresentou provas de irregularidades capazes de comprometer a votação.</p>
<p>Flávio também mencionou a votação que recebeu no segundo turno para sustentar sua intenção de permanecer como uma das principais lideranças da oposição. Segundo ele, o número de eleitores que apoiaram sua candidatura representa uma base política que continuará mobilizada.</p>
<p>O parlamentar, entretanto, não especificou se sua expectativa de uma nova eleição estaria relacionada a uma eventual cassação da chapa eleita, à interrupção dos mandatos presidenciais ou a outra hipótese prevista na legislação.</p>
<p>A diferença é relevante porque cada uma dessas situações possui requisitos próprios e procedimentos distintos. Não existe mecanismo constitucional que permita convocar uma eleição presidencial apenas porque um candidato contesta politicamente a legitimidade do vencedor.</p>
<h2>Lula venceu Flávio Bolsonaro por mais de 4,4 milhões de votos</h2>
<p>Os resultados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que Lula foi reeleito presidente da República em 25 de outubro de 2026, com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos.</p>
<p>Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%.</p>
<p>A diferença entre os candidatos foi de 4.430.191 votos, ou 3,58 pontos percentuais, conforme cálculo realizado a partir dos resultados oficiais.</p>
<p>O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, anunciou a reeleição de Lula na noite da votação e apresentou os dados consolidados da disputa.</p>
<p>O segundo turno contou com mais de 158 milhões de eleitores aptos a votar. Aproximadamente 128,2 milhões compareceram às urnas, com abstenção em torno de 19,2%, percentual inferior ao registrado no primeiro turno.</p>
<p>A votação obtida por Flávio representa uma parcela expressiva do eleitorado, mas não altera o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral. O número de votos recebidos por um candidato derrotado também não lhe confere prerrogativa para exigir a realização de novo pleito.</p>
<p>A chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin (PSB) foi declarada vencedora pela Justiça Eleitoral. A posse para o novo mandato presidencial está prevista para 5 de janeiro de 2027, conforme a alteração introduzida pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021.</p>
<p>A mudança da data de posse, anteriormente realizada em 1º de janeiro, passa a valer para os eleitos a partir de 2026.</p>
<h2>Constituição prevê eleição direta se presidente e vice deixarem os cargos no início do mandato</h2>
<p>O artigo 81 da Constituição Federal estabelece as regras aplicáveis quando ocorre a vacância simultânea dos cargos de presidente e vice-presidente da República.</p>
<p>Se os dois cargos ficarem vagos nos primeiros dois anos do mandato, deverá ser realizada uma eleição no prazo constitucional de 90 dias após a abertura da última vaga.</p>
<p>Nesse cenário, a escolha é feita diretamente pelos eleitores, e os vencedores completam o período restante do mandato presidencial.</p>
<p>A situação é diferente quando a vacância ocorre nos últimos dois anos do mandato. Nesse caso, a Constituição determina que a eleição seja realizada pelo Congresso Nacional, no prazo de 30 dias após a abertura da última vaga.</p>
<p>Portanto, a hipótese constitucional de uma nova votação não significa necessariamente que haveria outra eleição popular.</p>
<p>Outra distinção envolve a saída apenas do presidente da República. Nessa situação, o vice-presidente assume o cargo, conforme estabelece o artigo 79 da Constituição. A substituição não provoca automaticamente a convocação de novas eleições.</p>
<p>As regras são relevantes para a declaração de Flávio Bolsonaro porque uma eventual interrupção do mandato presidencial não conduziria obrigatoriamente a uma nova disputa direta entre candidatos.</p>
<p>Além disso, a vacância de cargos pressupõe acontecimentos jurídicos concretos. Divergências políticas, críticas ao governo ou expectativas de crise econômica não constituem, isoladamente, fundamentos para convocar um pleito antecipado.</p>
<h2>Cassação da chapa eleita também pode levar a novas eleições</h2>
<p>A legislação eleitoral prevê outro conjunto de situações em que o resultado de uma eleição pode ser alterado judicialmente.</p>
<p>O artigo 224 do Código Eleitoral estabelece consequências para determinadas decisões que resultem no indeferimento do registro, na cassação do diploma ou na perda do mandato de candidatos eleitos em disputas majoritárias.</p>
<p>O dispositivo determina a realização de novas eleições, após o trânsito em julgado da decisão, nas hipóteses legalmente previstas.</p>
<p>Isso significa que uma eventual cassação da chapa presidencial pode produzir consequências diferentes da simples vacância dos cargos, exigindo análise das regras eleitorais e constitucionais aplicáveis ao caso concreto.</p>
<p>A Justiça Eleitoral possui instrumentos específicos para investigar abuso de poder político ou econômico, uso indevido de meios de comunicação e outras irregularidades capazes de comprometer a legitimidade de uma eleição.</p>
<p>Entretanto, a apresentação de uma ação judicial não implica que as acusações sejam verdadeiras. Para uma cassação, é necessário que as condutas sejam examinadas e comprovadas segundo os requisitos legais.</p>
<p>O TSE já recebeu ações envolvendo alegações apresentadas por Flávio Bolsonaro contra a candidatura de Lula e Geraldo Alckmin durante a campanha de 2026.</p>
<p>Em outubro, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, solicitou esclarecimentos sobre pedidos formulados pelo então candidato do PL, incluindo a identificação de conteúdos digitais e a apresentação de documentos considerados necessários ao exame das acusações.</p>
<p>O tribunal ressaltou que o processamento dessas ações não representa reconhecimento da veracidade das alegações.</p>
<p>Até 30 de outubro, não havia decisão judicial identificada que anulasse o resultado do segundo turno ou determinasse a realização de uma nova eleição presidencial.</p>
<h2>Flávio volta a questionar eleição sem apresentar provas de fraude</h2>
<p>A declaração sobre uma possível candidatura antes de 2030 ocorreu em meio a novas críticas de Flávio Bolsonaro ao processo eleitoral brasileiro.</p>
<p>O parlamentar sugeriu que o resultado anunciado pelo TSE não representaria adequadamente a vontade popular e afirmou que pretende continuar defendendo os eleitores que apoiaram sua candidatura.</p>
<p>Durante a transmissão, utilizou referências aos quase 60 milhões de votos que recebeu para reafirmar sua posição política.</p>
<p>As declarações, porém, não foram acompanhadas de documentos ou elementos técnicos demonstrando fraude na apuração.</p>
<p>A diferença entre contestar politicamente um resultado e demonstrar judicialmente uma irregularidade é essencial para a avaliação do episódio.</p>
<p>A Constituição assegura o direito de questionar atos perante o Poder Judiciário, mas a reversão de uma eleição exige procedimento próprio, respeito ao contraditório e decisão das autoridades competentes.</p>
<p>O resultado presidencial de 25 de outubro permanece o oficialmente reconhecido pela Justiça Eleitoral.</p>
<h2>Declaração ocorreu após saída do Brasil apesar de restrições do STF</h2>
<p>A transmissão de sexta-feira foi a primeira aparição em vídeo de Flávio Bolsonaro desde sua chegada aos Estados Unidos.</p>
<p>O senador deixou o Brasil depois de ser intimado a cumprir medidas cautelares determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, no âmbito de uma investigação conduzida pelo Supremo Tribunal Federal.</p>
<p>Segundo comunicado oficial da Polícia Federal, a corporação solicitou, em 25 de outubro, a apreensão dos passaportes e a proibição de saída do país após identificar risco de viagem internacional pelo parlamentar.</p>
<p>Os passaportes comum e diplomático brasileiros foram cancelados depois da decisão judicial. A PF também inseriu um alerta no sistema de controle migratório e determinou a entrega de eventuais documentos de viagem de outras nacionalidades.</p>
<p>Flávio foi intimado em 26 de outubro e não cumpriu a determinação dentro do prazo estabelecido.</p>
<p>A Polícia Federal informou que não encontrou registro oficial de sua saída pelos postos brasileiros de controle migratório e que investiga as circunstâncias do descumprimento das medidas.</p>
<p>A própria corporação esclareceu, entretanto, que as restrições sobre documentos de viagem não caracterizam automaticamente a condição formal de foragido nem autorizam, isoladamente, uma prisão.</p>
<p>Durante o pronunciamento realizado em Miami, Flávio afirmou que decidiu deixar o país depois de conversar com a esposa sobre a intimação recebida. Ele não detalhou o financiamento, a contratação da aeronave ou todos os procedimentos utilizados no deslocamento internacional.</p>
<p>O senador também alegou perseguição política, interpretação que não afasta, por si só, a existência das determinações judiciais nem modifica os procedimentos legais para questioná-las.</p>
<h2>Rogério Marinho recebe apoio de Flávio para presidência do Senado</h2>
<p>Além de comentar a possibilidade de uma nova candidatura presidencial, Flávio Bolsonaro anunciou apoio ao senador Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado Federal.</p>
<p>A eleição da próxima Mesa Diretora ocorrerá em fevereiro de 2027, com a posse dos parlamentares eleitos em outubro.</p>
<p>Flávio afirmou que pretende concentrar seus esforços políticos no Congresso Nacional, especialmente no Senado, que considera uma frente relevante de oposição ao governo Lula.</p>
<p>O apoio a Marinho também se insere na disputa pela condução da Casa, atualmente presidida por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).</p>
<p>A indicação anunciada pelo senador não define o resultado da eleição interna. A escolha do presidente do Senado depende da formação de maioria entre os 81 integrantes da instituição, conforme as regras regimentais.</p>
<p>As articulações para 2027 ocorrem em um ambiente de disputas entre partidos sobre o relacionamento com o Executivo, a condução de propostas legislativas e eventuais medidas relacionadas às condenações pelos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.</p>
<p>Para Flávio, a atuação parlamentar será uma das formas de manter sua presença política nacional enquanto permanece nos Estados Unidos.</p>
<h2>Próxima eleição presidencial regular continua prevista para 2030</h2>
<p>A manifestação de Flávio Bolsonaro não modifica o calendário institucional estabelecido para a Presidência da República.</p>
<p>Lula foi reeleito para um mandato de quatro anos, com início em 5 de janeiro de 2027. A próxima eleição presidencial ordinária continua prevista para outubro de 2030.</p>
<p>Uma votação antes dessa data somente poderá ocorrer mediante alguma das hipóteses juridicamente reconhecidas, observados os procedimentos constitucionais e eleitorais correspondentes.</p>
<p>Também não há garantia de que Flávio Bolsonaro participaria automaticamente de eventual disputa antecipada. Uma nova candidatura dependeria do atendimento das condições de elegibilidade e dos procedimentos de registro exigidos pela Justiça Eleitoral.</p>
<p>A declaração apresentada na sexta-feira expressa a disposição política do senador de concorrer novamente, mas não constitui anúncio de eleição, pedido formal de convocação de pleito ou demonstração de que existe fundamento jurídico para antecipar a próxima disputa presidencial.</p>
<p>Até 30 de outubro de 2026, a reeleição de Lula permanecia reconhecida pelo TSE, enquanto as investigações relacionadas à saída de Flávio do Brasil e os questionamentos eleitorais continuavam sujeitos à análise das autoridades competentes.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Comunicado oficial de 26 de outubro de 2026 com os resultados do segundo turno presidencial e anúncio da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Comunicado de 10 de outubro de 2026 sobre as ações apresentadas por Flávio Bolsonaro contra Lula, Geraldo Alckmin e André Janones e os esclarecimentos exigidos pelo corregedor-geral eleitoral.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Código Eleitoral, artigo 224, relativo às consequências de decisões judiciais em eleições majoritárias.</em></p>
<p><em>Câmara dos Deputados — Constituição Federal, artigos 79, 80, 81 e 82, relativos à sucessão presidencial, à vacância dos cargos e à duração dos mandatos.</em></p>
<p><em>Câmara dos Deputados — Emenda Constitucional nº 111, de 28 de setembro de 2021, que alterou a data da posse presidencial para 5 de janeiro.</em></p>
<p><em>Polícia Federal — Comunicado oficial de 28 de outubro de 2026 sobre as restrições de viagem impostas ao senador Flávio Bolsonaro e a investigação do descumprimento de ordens judiciais.</em></p>
<p>Este post apareceu primeiro em Gazetamercantil.com - <a rel="nofollow" href="https://gazetamercantil.com">GAZETA MERCANTIL - A Gazeta Mercantil traz as últimas notícias sobre política, economia, segurança, entretenimento, negócios, entretenimento, esportes, moda</a></p>
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			</item>
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		<title>Flávio Bolsonaro explica saída do Brasil, mas omite detalhes da viagem aos EUA</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/flavio-bolsonaro-explica-saida-brasil-viagem-eua</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Oct 2026 01:33:32 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[saída de Flávio Bolsonaro do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Flávio Bolsonaro explica saída do Brasil em live nos EUA, mas não revela quem financiou a viagem nem como deixou o país após restrições do STF.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta sexta-feira (30) que decidiu deixar o Brasil após ser intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes, mas não esclareceu como organizou, financiou ou viabilizou a viagem que o levou aos Estados Unidos. Em sua primeira transmissão ao vivo desde a chegada a Miami, o candidato derrotado nas eleições presidenciais relatou uma conversa com o pai, Jair Bolsonaro, e afirmou que somente sua esposa, Fernanda, participou da decisão de sair do país.</p>
<p>A manifestação ocorreu quatro dias depois da intimação realizada pela Polícia Federal, em 26 de outubro, e dois dias após o desembarque da família na Flórida. Durante a transmissão pelo Instagram, Flávio apresentou sua versão sobre os motivos da saída, acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) de perseguição <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341676">política</a> e declarou que pretende continuar exercendo influência sobre a oposição brasileira a partir do exterior. O senador também voltou a questionar o resultado das eleições, sem apresentar provas de fraude.</p>
<p>O pronunciamento não esclareceu aspectos centrais da viagem, incluindo a contratação do jato particular, os custos do deslocamento, a documentação utilizada para entrar nos Estados Unidos e a eventual participação de autoridades estrangeiras. Essas questões passaram a integrar uma cobrança formal de 25 deputados americanos ao secretário de Estado Marco Rubio, enquanto a Polícia Federal brasileira investiga as circunstâncias do descumprimento das restrições impostas ao parlamentar.</p>
<h2>Flávio relata conversa com Jair Bolsonaro antes de deixar o país</h2>
<p>Durante a transmissão, Flávio descreveu o encontro que teve com Jair Bolsonaro na manhã de segunda-feira, 26 de outubro, um dia depois do segundo turno presidencial.</p>
<p>Segundo seu relato, ele permaneceu aproximadamente 30 minutos na residência do pai, que cumpre pena por participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Ao deixar o imóvel, por volta das 10h30, foi abordado por agentes da Polícia Federal responsáveis por comunicar as determinações judiciais relativas aos seus documentos de viagem.</p>
<p>O senador afirmou que o pai percebeu a presença dos policiais e acompanhou parte da situação. De acordo com sua versão, os dois conversaram brevemente sobre as possíveis consequências da ordem expedida pelo ministro Alexandre de Moraes.</p>
<p>Flávio declarou que, depois da intimação, retornou para casa e conversou com Fernanda sobre as medidas que adotaria. O parlamentar sustentou que a decisão de viajar foi tomada pelo casal e procurou afastar a responsabilidade de terceiros pela iniciativa.</p>
<p>Ele afirmou que não havia informado outras pessoas sobre o plano, argumentando que a divulgação antecipada poderia comprometer sua execução.</p>
<p>Apesar dessa explicação, o senador não detalhou quando os preparativos começaram, quem participou da organização do transporte ou quais providências foram necessárias para realizar o deslocamento internacional com a esposa e as duas filhas.</p>
<p>A versão apresentada na sexta-feira também acrescenta um elemento à cronologia das manifestações do parlamentar. Em vídeo publicado no próprio dia 26, depois da intimação, Flávio havia afirmado que não pretendia deixar o Brasil e que entregaria os passaportes para contestar judicialmente a decisão. Dois dias depois, desembarcou nos Estados Unidos.</p>
<h2>Polícia Federal confirma cancelamento dos passaportes e ausência de registro migratório</h2>
<p>A situação jurídica do senador foi detalhada pela Polícia Federal em comunicado oficial divulgado em 28 de outubro.</p>
<p>Segundo a corporação, o pedido de medidas cautelares foi apresentado ao Supremo Tribunal Federal em 25 de outubro, após a identificação de risco de saída do país por Flávio Bolsonaro.</p>
<p>O parlamentar é investigado no âmbito da Petição nº 16.877, que tramita no STF. A representação policial solicitou a apreensão dos passaportes, a proibição de viagens internacionais e restrições de contato com outros investigados.</p>
<p>Depois da decisão judicial, os passaportes comum e diplomático brasileiros de Flávio foram cancelados, e um alerta foi inserido no sistema de controle migratório utilizado pela Polícia Federal.</p>
<p>A corporação informou que o senador foi intimado, na manhã de 26 de outubro, a entregar eventuais passaportes de outras nacionalidades no prazo de 24 horas. A determinação não foi cumprida.</p>
<p>A Polícia Federal também declarou que não encontrou registro oficial da saída do parlamentar pelos postos brasileiros de controle migratório.</p>
<p>O comunicado apresenta uma ressalva importante sobre sua situação jurídica. Segundo a PF, as restrições relacionadas aos documentos de viagem não caracterizam, por si só, a condição formal de foragido nem autorizam automaticamente sua prisão ou a adoção de medidas adicionais.</p>
<p>Isso significa que a investigação sobre o descumprimento das determinações judiciais deve ser diferenciada de uma eventual ordem de prisão, que dependeria de decisão específica e fundamentação própria.</p>
<p>A corporação afirmou que continua apurando as circunstâncias da saída do senador e a possível violação das medidas cautelares impostas pelo Supremo.</p>
<h2>Viagem passou pela Argentina e pelo Equador antes da chegada a Miami</h2>
<p>O deslocamento de Flávio Bolsonaro envolveu três países após sua saída do território brasileiro.</p>
<p>As informações divulgadas sobre o itinerário indicam que o senador atravessou a fronteira terrestre com a Argentina em 27 de outubro, acompanhado da esposa e das duas filhas. A entrada no país vizinho teria ocorrido mediante apresentação de documentos de viagem de nacionalidades diferentes, incluindo passaporte italiano utilizado pelo parlamentar.</p>
<p>A família embarcou posteriormente em um avião particular, que realizou uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para os Estados Unidos.</p>
<p>O voo chegou ao Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka na manhã de quarta-feira, 28 de outubro. O pouso ocorreu por volta das 9h23 no horário local da Flórida, correspondentes às 10h23 em Brasília, segundo os dados de rastreamento divulgados sobre a aeronave.</p>
<p>A viagem foi realizada em um intervalo de aproximadamente dois dias após a comunicação das restrições judiciais ao senador.</p>
<p>Apesar de apresentar essa cronologia, as informações públicas disponíveis não permitem determinar de maneira conclusiva quem custeou a aeronave, quais foram as condições contratuais do transporte ou se houve participação institucional de governos estrangeiros na organização do deslocamento.</p>
<p>Informações divulgadas sobre a viagem atribuíram a Jason Miller, aliado e assessor próximo do presidente americano Donald Trump, participação na disponibilização do avião particular.</p>
<p>A eventual colaboração de Miller, contudo, não significa automaticamente que recursos oficiais dos Estados Unidos tenham sido utilizados. A distinção entre apoio pessoal, atuação política e assistência governamental é uma das questões pendentes de esclarecimento.</p>
<p>Flávio não apresentou, durante o pronunciamento de sexta-feira, documentos ou informações que permitissem esclarecer essas circunstâncias.</p>
<h2>Deputados americanos exigem explicações sobre eventual apoio à viagem</h2>
<p>A falta de informações sobre o deslocamento passou a ter repercussão institucional nos Estados Unidos.</p>
<p>Um grupo de 25 integrantes da Câmara dos Representantes encaminhou uma carta ao secretário de Estado Marco Rubio, questionando se autoridades americanas participaram da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil ou facilitaram sua entrada em território americano.</p>
<p>A iniciativa foi liderada pelas deputadas democratas Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia, e Dina Titus, de Nevada. A correspondência, datada de 29 de outubro, solicita esclarecimentos sobre as providências diplomáticas e migratórias relacionadas à viagem.</p>
<p>Os parlamentares querem identificar se o Departamento de Estado, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil ou outras agências federais tinham conhecimento das restrições determinadas pelo STF.</p>
<p>Também pedem informações sobre a eventual concessão de vistos, a participação de funcionários americanos nos preparativos da viagem e os procedimentos utilizados para permitir a entrada da família.</p>
<p>A documentação solicitada inclui questões relacionadas a possíveis contatos entre autoridades americanas e representantes de Flávio Bolsonaro, bem como à eventual coordenação com órgãos responsáveis pelo controle migratório.</p>
<p>Os deputados solicitaram uma resposta por escrito e uma reunião de esclarecimentos com representantes do Departamento de Estado até 13 de novembro.</p>
<p>A carta não comprova que o governo Trump tenha utilizado recursos públicos para facilitar o deslocamento do senador. Trata-se de uma iniciativa de fiscalização parlamentar destinada a esclarecer a existência e a extensão de eventual assistência oficial.</p>
<p>O pedido acrescenta uma dimensão diplomática ao episódio, pois envolve decisões tomadas por autoridades americanas diante de restrições judiciais estabelecidas no Brasil.</p>
<h2>Senador volta a questionar resultado eleitoral sem apresentar provas</h2>
<p>Além de justificar sua saída do Brasil, Flávio Bolsonaro utilizou a transmissão para contestar o resultado da eleição presidencial de 25 de outubro.</p>
<p>O parlamentar alegou que teria sido prejudicado pelo funcionamento das instituições brasileiras e levantou suspeitas sobre o processo eleitoral. Não apresentou, entretanto, elementos capazes de demonstrar fraude na apuração dos votos.</p>
<p>Os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos.</p>
<p>Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%.</p>
<p>A diferença entre os candidatos foi de 4.430.191 votos, ou 3,58 pontos percentuais. A totalização de 100% das urnas foi concluída às 23h26 de 25 de outubro, segundo o TSE.</p>
<p>O resultado foi proclamado pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques.</p>
<p>A contestação política apresentada pelo senador não altera a votação oficialmente apurada. Qualquer questionamento judicial sobre o resultado depende de instrumentos processuais específicos e da apresentação de fundamentos e provas que possam ser examinados pela Justiça Eleitoral.</p>
<p>No pronunciamento, Flávio também mencionou a possibilidade de disputar novamente a Presidência antes de 2030, ano previsto para a próxima eleição presidencial ordinária.</p>
<p>A declaração representa uma intenção política do senador e não corresponde a qualquer convocação oficial de novas eleições.</p>
<p>A realização de um novo pleito antes do calendário regular dependeria de hipóteses constitucionais e eleitorais específicas, que não decorrem automaticamente da insatisfação de um candidato com o resultado.</p>
<h2>Flávio anuncia apoio a Rogério Marinho para presidir o Senado</h2>
<p>A transmissão também foi utilizada para apresentar uma orientação política aos integrantes da oposição.</p>
<p>Flávio Bolsonaro anunciou apoio ao senador Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado Federal, cuja eleição está prevista para fevereiro de 2027.</p>
<p>O parlamentar afirmou que pretende concentrar sua atuação política no Congresso Nacional, especialmente no Senado, e defendeu a formação de uma frente parlamentar capaz de se contrapor às propostas do governo Lula.</p>
<p>A manifestação indica que Flávio pretende continuar participando das articulações legislativas e partidárias mesmo permanecendo fora do Brasil.</p>
<p>A escolha do próximo presidente do Senado, entretanto, depende do voto dos integrantes da Casa. A indicação de um nome por Flávio Bolsonaro não constitui decisão institucional do Partido Liberal nem garante a eleição do candidato apoiado.</p>
<p>O Senado possui 81 integrantes, e a eleição para sua presidência exige maioria absoluta, equivalente a 41 votos.</p>
<p>O PL terá 29 cadeiras na legislatura que começa em fevereiro de 2027, conforme os resultados eleitorais divulgados pelo Senado. Mesmo que todos os integrantes da bancada apoiassem o mesmo candidato, seriam necessários pelo menos mais 12 votos de parlamentares de outras legendas.</p>
<p>A posição anunciada por Flávio também se insere nas disputas sobre a condução do Congresso e as negociações relacionadas a propostas de anistia ou redução de penas para condenados pelos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.</p>
<p>O senador criticou o ambiente institucional brasileiro e reafirmou sua oposição à atuação do STF. Essas manifestações representam posições políticas do parlamentar e não modificam as competências constitucionais dos órgãos mencionados.</p>
<h2>Manifestação não esclarece financiamento nem situação migratória nos EUA</h2>
<p>O pronunciamento de 30 de outubro apresentou a primeira explicação pública mais detalhada de Flávio Bolsonaro sobre sua decisão de deixar o país, mas manteve sem esclarecimento diferentes aspectos concretos da viagem.</p>
<p>Entre as informações ainda não demonstradas documentalmente estão a origem dos recursos utilizados para pagar o transporte, a identidade dos responsáveis por contratar a aeronave e os procedimentos migratórios adotados para sua entrada nos Estados Unidos.</p>
<p>Também não foi esclarecido publicamente qual modalidade de visto ou autorização de entrada foi aplicada ao senador e a seus familiares.</p>
<p>Essas informações são relevantes porque a entrada em território americano e a eventual concessão de mecanismos especiais de permanência dependem da legislação dos Estados Unidos e das decisões das autoridades competentes.</p>
<p>A existência de uma proibição judicial de saída do Brasil não determina automaticamente a situação migratória de um estrangeiro em outro país. Entretanto, o conhecimento dessa restrição por autoridades americanas pode ser relevante para esclarecer as circunstâncias administrativas e diplomáticas da viagem.</p>
<p>A documentação solicitada pelo Congresso americano poderá oferecer respostas sobre parte dessas questões.</p>
<p>No Brasil, a Polícia Federal mantém a investigação sobre o descumprimento das medidas cautelares impostas ao senador, enquanto eventuais consequências processuais dependem das decisões do Supremo Tribunal Federal.</p>
<p>A transmissão realizada em Miami acrescentou a versão pessoal de Flávio Bolsonaro à cronologia dos acontecimentos, sem apresentar elementos suficientes para esclarecer a organização completa do deslocamento.</p>
<p>Com isso, permanecem duas frentes distintas de apuração: a investigação brasileira sobre a saída do parlamentar apesar das restrições judiciais e a cobrança apresentada por deputados americanos para esclarecer se houve participação de autoridades dos Estados Unidos na viagem.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Flávio Bolsonaro — Pronunciamento público e manifestações divulgadas em redes sociais em 26, 28 e 30 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Polícia Federal — Nota oficial de 28 de outubro de 2026 sobre a Petição nº 16.877, as restrições de viagem, o cancelamento de passaportes e a investigação do descumprimento das determinações judiciais.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Resultado oficial do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 e comunicado de 29 de outubro sobre a conclusão da totalização dos votos.</em></p>
<p><em>Câmara dos Representantes dos Estados Unidos — Comunicado institucional das deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus, de 30 de outubro de 2026, sobre o pedido de esclarecimentos ao Departamento de Estado.</em></p>
<p><em>Senado Federal — Informações institucionais sobre a composição da Casa na legislatura iniciada em fevereiro de 2027 e o procedimento de eleição da Mesa Diretora.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Decisão pendente no STF freia articulação de Alcolumbre por anistia a Bolsonaro</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/anistia-bolsonaro-alcolumbre-stf-lei-dosimetria</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Oct 2026 00:19:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[8 de janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Alexandre de Moraes]]></category>
		<category><![CDATA[anistia]]></category>
		<category><![CDATA[Centrão]]></category>
		<category><![CDATA[Davi Alcolumbre]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2027]]></category>
		<category><![CDATA[Jair Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Lei da Dosimetria]]></category>
		<category><![CDATA[Senado Federal]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Senadores resistem à anistia a Bolsonaro articulada por Alcolumbre e aguardam decisão do STF sobre a Lei da Dosimetria antes de nova votação.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A tentativa de articular uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) enfrenta resistência no Senado Federal, onde parlamentares da oposição e de partidos do centrão defendem que o Supremo Tribunal Federal (STF) se manifeste primeiro sobre a constitucionalidade da Lei da Dosimetria. A legislação, promulgada em maio de 2026 após a derrubada de um veto presidencial, prevê alterações nas regras de cálculo e execução de penas relacionadas aos crimes contra o Estado Democrático de Direito, mas sua aplicação em processos de execução penal no Supremo foi suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes.</p>
<p>O impasse afeta as conversas conduzidas pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sobre possíveis medidas que beneficiem Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A possibilidade de anistia ou indulto passou a ser discutida também no contexto das articulações para a eleição da Mesa Diretora do Senado, prevista para 1º de fevereiro de 2027.</p>
<p>Entre os parlamentares contrários à abertura imediata de uma nova discussão legislativa, prevalece o argumento de que o Congresso já aprovou uma alteração nas regras penais e aguarda uma definição judicial sobre sua aplicação. A resistência não significa necessariamente oposição a qualquer redução de pena, mas evidencia divergências sobre o momento, o instrumento jurídico e a abrangência de um eventual novo benefício.</p>
<h2>Lei da Dosimetria foi promulgada em maio, mas aplicação aguarda julgamento</h2>
<p>A Lei nº 15.402, de 2026, teve origem no Projeto de Lei nº 2.162, de 2023, aprovado pelo Congresso Nacional para modificar dispositivos do Código Penal e da Lei de Execução Penal.</p>
<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente a proposta em 8 de janeiro de 2026. Em 30 de abril, deputados e senadores derrubaram parte dos vetos, permitindo a promulgação da legislação por Davi Alcolumbre em 8 de maio.</p>
<p>A norma estabelece critérios mais favoráveis para determinadas condenações relacionadas a crimes contra o Estado Democrático de Direito. Entre as mudanças está a possibilidade de aplicar somente a pena mais grave, em vez da soma das punições, quando determinados delitos forem praticados em um mesmo contexto.</p>
<p>Outra disposição prevê redução de um a dois terços da pena para crimes cometidos em contexto de multidão, desde que o condenado não tenha financiado os atos nem exercido função de liderança.</p>
<p>A legislação também modifica regras de progressão de regime aplicáveis a condenações por crimes contra a ordem democrática. Parte das alterações originalmente propostas foi excluída durante a apreciação dos vetos para evitar efeitos sobre outros delitos abrangidos por normas penais mais recentes.</p>
<p>Em 9 de maio, um dia depois da promulgação, Alexandre de Moraes decidiu suspender a aplicação da lei em execuções penais sob análise do STF. O ministro considerou necessário aguardar a apreciação das ações diretas de inconstitucionalidade apresentadas contra o texto, de maneira a preservar a segurança jurídica.</p>
<p>A decisão não declarou a Lei da Dosimetria inconstitucional nem suspendeu genericamente sua vigência. O efeito imediato foi impedir a aplicação das novas disposições nos pedidos de revisão de pena examinados pelo relator até que o Supremo se pronuncie sobre a controvérsia.</p>
<h2>Quatro ações diretas questionam constitucionalidade da legislação</h2>
<p>A discussão judicial começou no mesmo dia da promulgação, com o ajuizamento de duas ações diretas de inconstitucionalidade.</p>
<p>A ADI 7.966 foi apresentada pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), enquanto a ADI 7.967 partiu da federação PSOL-Rede. Ambas questionam dispositivos da legislação e aspectos do procedimento adotado pelo Congresso durante a apreciação dos vetos presidenciais.</p>
<p>Em 11 de maio, o STF registrou outras duas ações contra a norma. A ADI 7.968 foi apresentada pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), e a ADI 7.969, pela federação formada por PT, PCdoB e PV.</p>
<p>As quatro ações foram distribuídas ao ministro Alexandre de Moraes. Os questionamentos envolvem princípios constitucionais como a individualização das penas, a separação dos Poderes e a proteção do Estado Democrático de Direito.</p>
<p>As entidades autoras argumentam que a legislação criou condições penais mais favoráveis para pessoas condenadas por crimes contra a ordem constitucional. Também contestam a forma como o Congresso apreciou parcialmente o veto integral apresentado pelo presidente da República.</p>
<p>A posição do Legislativo é diferente. Ao aprovar a proposta, a maioria parlamentar defendeu a necessidade de estabelecer parâmetros considerados mais proporcionais para as condenações, especialmente em casos envolvendo os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.</p>
<p>A existência dessas ações não equivale a uma decisão de inconstitucionalidade. A análise definitiva depende do julgamento pelo Supremo, que poderá manter a legislação, invalidar determinados dispositivos ou adotar outra solução juridicamente fundamentada.</p>
<h2>Presidente da CCJ afirma que não há projeto de anistia encaminhado</h2>
<p>A ausência de uma proposta formal representa outro obstáculo à articulação <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341670">política</a>.</p>
<p>O presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), confirmou em manifestação divulgada em 28 de outubro que havia conversado com Davi Alcolumbre sobre iniciativas destinadas a reduzir as tensões políticas relacionadas às condenações pelo 8 de janeiro.</p>
<p>Segundo Otto, a conversa foi preliminar e não resultou na apresentação de um projeto à comissão. O senador também diferenciou a possibilidade de discutir novas regras de redução de penas de uma proposta de anistia.</p>
<p>A distinção tem consequências práticas. A CCJ é uma das instâncias responsáveis pela análise de constitucionalidade e juridicidade de proposições legislativas, embora a tramitação de cada matéria dependa das decisões regimentais e dos encaminhamentos da Presidência do Senado.</p>
<p>Sem um texto formalizado, não existe ainda uma proposta específica cuja abrangência, condições ou efeitos possam ser examinados pelos parlamentares.</p>
<p>A eventual apresentação de um projeto também não asseguraria sua aprovação. Seriam necessárias negociações entre bancadas, definição dos procedimentos legislativos e formação de maioria nas votações pertinentes.</p>
<h2>Anistia e indulto possuem competências e efeitos jurídicos diferentes</h2>
<p>As discussões envolvendo Bolsonaro passaram a reunir duas alternativas que, embora possam produzir efeitos sobre uma condenação, não são equivalentes.</p>
<p>A anistia é concedida por lei, mediante deliberação do Congresso Nacional, e pode alcançar determinadas infrações penais dentro dos limites constitucionais. Sua aprovação depende do processo legislativo e está sujeita a controle de constitucionalidade.</p>
<p>O indulto, por sua vez, integra as atribuições privativas do presidente da República, previstas no artigo 84, inciso XII, da Constituição Federal. O instrumento permite a concessão de perdão da pena, observadas as condições legais e constitucionais aplicáveis.</p>
<p>Por essa razão, uma articulação conduzida pelo presidente do Senado não seria suficiente, isoladamente, para conceder um indulto presidencial. Sua concretização dependeria de ato do chefe do Poder Executivo.</p>
<p>Uma proposta de anistia seguiria outro caminho, com necessidade de tramitação e aprovação legislativa, além das etapas constitucionais correspondentes.</p>
<p>Existe ainda uma terceira possibilidade, já contemplada pela Lei da Dosimetria: a revisão do cálculo da pena, desde que os dispositivos sejam considerados aplicáveis ao caso concreto.</p>
<p>Nesse último cenário, não haveria necessariamente perdão da condenação. O efeito seria a alteração do período de cumprimento da pena ou de condições de execução penal, conforme as disposições legais reconhecidas pelo Judiciário.</p>
<p>As diferenças ajudam a explicar por que a votação de uma nova anistia não é considerada, por parte dos senadores, uma consequência automática da suspensão da aplicação da Lei da Dosimetria.</p>
<h2>Condenação de Bolsonaro pode ser afetada por mudanças nas regras penais</h2>
<p>Jair Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF, em setembro de 2025, na Ação Penal nº 2.668, pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado.</p>
<p>A pena fixada foi de 27 anos e três meses de prisão. O trânsito em julgado foi reconhecido em novembro de 2025, quando teve início o cumprimento definitivo da condenação.</p>
<p>A Lei da Dosimetria foi discutida no Congresso em um contexto de questionamentos sobre a proporcionalidade das penas aplicadas aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro e pela tentativa de ruptura institucional.</p>
<p>Se os dispositivos forem considerados constitucionais e aplicáveis ao processo, a defesa de Bolsonaro poderá buscar uma revisão do cálculo da pena. Isso não significa, entretanto, que todos os benefícios previstos na legislação seriam automaticamente concedidos ao ex-presidente.</p>
<p>A causa especial de redução estabelecida para delitos praticados em contexto de multidão, por exemplo, contém restrições relacionadas à participação de financiadores e líderes. Como Bolsonaro foi considerado pelo STF o líder da organização criminosa envolvida na tentativa de golpe, sua situação jurídica exige uma avaliação individualizada das regras pertinentes.</p>
<p>A revisão de pena, portanto, dependeria da interpretação judicial dos dispositivos e da análise das circunstâncias reconhecidas na condenação.</p>
<p>A eventual concessão de anistia ou indulto envolveria fundamentos jurídicos diferentes e estaria sujeita a questionamentos próprios.</p>
<h2>Eleição para presidência do Senado amplia dificuldade das negociações</h2>
<p>A disputa pelo comando do Senado em fevereiro de 2027 acrescenta uma dimensão política às discussões sobre benefícios aos condenados.</p>
<p>Davi Alcolumbre busca construir condições para permanecer na presidência da Casa, enquanto parlamentares de oposição defendem mudanças na condução do Legislativo e resistem a compromissos relacionados a uma possível anistia.</p>
<p>A resistência inclui senadores que consideram insuficiente uma promessa de benefício penal para justificar apoio à recondução de Alcolumbre. Outros parlamentares defendem que qualquer novo compromisso seja precedido pela resolução das pendências da legislação já promulgada.</p>
<p>A composição do Senado a partir de fevereiro também altera o ambiente das negociações.</p>
<p>Segundo levantamento oficial da Agência Senado divulgado em 25 de outubro, o Partido Liberal terá 29 das 81 cadeiras, formando a maior bancada individual da próxima legislatura. O PT deverá ocupar dez assentos, enquanto o MDB contará com oito e o PP, com seis.</p>
<p>A eleição para a presidência do Senado exige maioria absoluta, correspondente a 41 votos.</p>
<p>Dessa forma, mesmo que os 29 integrantes do PL votassem de maneira uniforme em um candidato, seriam necessários pelo menos mais 12 votos de outras legendas para alcançar a maioria exigida. O cálculo evidencia a necessidade de acordos entre diferentes partidos, independentemente da posição adotada sobre a anistia.</p>
<p>A próxima Mesa Diretora será eleita em 1º de fevereiro de 2027, quando os parlamentares escolhidos nas eleições de outubro tomarão posse. A votação para presidente será secreta, conforme o procedimento regimental da Casa.</p>
<h2>Congresso já aprovou redução de penas para condenados pelo 8 de janeiro</h2>
<p>Os debates sobre a Lei da Dosimetria envolvem um conjunto de condenados significativamente maior do que apenas os integrantes do núcleo central da tentativa de golpe.</p>
<p>Em levantamento divulgado pelo Senado com base em dados do STF até abril de 2026, foram identificadas 1.402 pessoas em diferentes situações de responsabilização relacionadas aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.</p>
<p>Desse total, 431 haviam recebido penas de prisão, enquanto 419 cumpriam penas alternativas e 552 haviam firmado acordos de não persecução penal.</p>
<p>Esses grupos possuem condições jurídicas distintas. A revisão de uma pena privativa de liberdade não produz necessariamente os mesmos efeitos sobre pessoas submetidas a sanções alternativas ou que celebraram acordos com o Ministério Público.</p>
<p>Também não há garantia de que todos os condenados à prisão teriam direito a uma redução equivalente. A incidência das disposições depende dos crimes reconhecidos em cada processo, das circunstâncias individuais e da interpretação judicial.</p>
<p>A legislação permite, em tese, alterações relevantes no cálculo das condenações, mas não estabelece uma redução uniforme para todos os envolvidos nos episódios investigados.</p>
<p>Essa diferenciação também está presente nas controvérsias constitucionais em análise no Supremo, especialmente quanto à necessidade de respeitar a individualização das penas.</p>
<h2>Julgamento do STF será decisivo para continuidade do debate</h2>
<p>A principal definição pendente é a análise da constitucionalidade da Lei nº 15.402/2026.</p>
<p>Uma decisão favorável à validade das disposições questionadas poderá permitir o exame dos pedidos de revisão de pena apresentados pelas defesas, respeitados os limites estabelecidos pelo tribunal. Caso determinados dispositivos sejam considerados inconstitucionais, os efeitos dependerão do conteúdo e da abrangência da decisão.</p>
<p>O julgamento também poderá influenciar as negociações políticas no Senado, mas não impedirá automaticamente o Congresso de discutir outras proposições sobre matéria penal, observadas suas competências constitucionais.</p>
<p>Até 30 de outubro de 2026, não havia uma proposta formal de anistia apresentada pela articulação de Alcolumbre à CCJ, segundo a manifestação pública de seu presidente. Tampouco havia definição definitiva do STF sobre a constitucionalidade da Lei da Dosimetria.</p>
<p>O cenário mantém separadas duas discussões: a situação jurídica dos condenados, sujeita às decisões do Judiciário, e a negociação política para a próxima presidência do Senado, dependente da formação de maioria parlamentar.</p>
<p>A próxima etapa formal na controvérsia sobre a dosimetria será a apreciação das ações pelo Supremo. Já uma eventual anistia exigirá a apresentação de uma proposta legislativa, sua tramitação e a obtenção dos votos necessários nas duas Casas do Congresso.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Senado Federal — Promulgação da Lei nº 15.402/2026, em 8 de maio de 2026, e histórico de tramitação do Projeto de Lei nº 2.162/2023.</em></p>
<p><em>Supremo Tribunal Federal — Comunicado de 9 de maio de 2026 sobre a suspensão da aplicação da Lei da Dosimetria em execuções penais.</em></p>
<p><em>Supremo Tribunal Federal — Comunicados institucionais de 8 e 11 de maio de 2026 sobre as Ações Diretas de Inconstitucionalidade 7.966, 7.967, 7.968 e 7.969.</em></p>
<p><em>Supremo Tribunal Federal — Ação Penal nº 2.668 e registros oficiais da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.</em></p>
<p><em>Senado Federal — Levantamento de 25 de outubro de 2026 sobre a composição partidária da Casa a partir de fevereiro de 2027.</em></p>
<p><em>Senado Federal — Informações institucionais sobre a eleição da Mesa Diretora, o mandato de seus integrantes e os procedimentos regimentais de votação.</em></p>
<p><em>Constituição Federal — Dispositivos sobre competências legislativas, concessão de anistia e atribuições presidenciais relacionadas ao indulto e à comutação de penas.</em></p>
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		<item>
		<title>Hugo Motta quer votar sistema distrital misto ainda em 2026; mudança pode valer em 2034</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/sistema-distrital-misto-hugo-motta-reforma-eleitoral-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Oct 2026 22:18:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Câmara dos Deputados]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2030]]></category>
		<category><![CDATA[eleições 2034]]></category>
		<category><![CDATA[Hugo Motta]]></category>
		<category><![CDATA[MDB]]></category>
		<category><![CDATA[PL]]></category>
		<category><![CDATA[PSD]]></category>
		<category><![CDATA[PT]]></category>
		<category><![CDATA[puxadores de votos]]></category>
		<category><![CDATA[reforma eleitoral.]]></category>
		<category><![CDATA[reforma política]]></category>
		<category><![CDATA[sistema distrital misto]]></category>
		<category><![CDATA[voto proporcional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hugo Motta quer votar o sistema distrital misto ainda em 2026. Reforma eleitoral prevê transição em 2030 e possível implantação completa em 2034.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), pretende submeter à votação ainda em 2026 uma reforma eleitoral que poderá modificar a forma como os brasileiros elegem deputados federais, estaduais, distritais e vereadores. A articulação prevê a adoção do sistema distrital misto a partir de 2034, com uma etapa de transição nas eleições de 2030, e reúne partidos interessados em reduzir a influência de candidatos com votações expressivas sobre a distribuição de cadeiras no Legislativo.</p>
<p>A iniciativa foi anunciada após uma reunião realizada na quarta-feira (28) com dirigentes e lideranças partidárias. Participaram das negociações representantes de União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, da federação PSDB-Cidadania e do Podemos. O entendimento entre essas legendas permitiu avançar na discussão sobre o novo modelo, mas a proposta ainda depende de negociações com outras bancadas e da definição de seu texto legislativo.</p>
<p>O principal obstáculo político está na resistência de partidos que concentram parte relevante de sua votação em candidatos com alcance estadual ou nacional, especialmente PT e PL. Essas legendas possuem parlamentares capazes de atrair grande quantidade de votos e contribuir para a eleição de outros integrantes de suas bancadas. A alteração do sistema pode modificar esse mecanismo, embora seus efeitos concretos dependam das regras que forem aprovadas.</p>
<h2>Reforma eleitoral prevê transição em 2030 e sistema distrital misto em 2034</h2>
<p>O cronograma anunciado por Hugo Motta prevê duas etapas de implementação, separando a aprovação legislativa das mudanças efetivas na votação.</p>
<p>A primeira seria aplicada nas eleições gerais de 2030, por meio de um modelo de transição ainda em discussão. Entre as alternativas avaliadas está o chamado distritão misto, no qual parte das cadeiras seria preenchida pelos candidatos individualmente mais votados e outra parte pela representação partidária.</p>
<p>A segunda etapa ocorreria em 2034, quando seria adotado o sistema distrital misto completo, com a divisão dos territórios eleitorais em distritos e a combinação da escolha direta de representantes regionais com a votação proporcional em partidos.</p>
<p>A diferença entre as etapas é relevante porque o modelo de 2030 ainda não está definido. A proposta anunciada por Motta estabelece uma direção para a reforma, mas não representa uma regra eleitoral aprovada ou pronta para aplicação.</p>
<p>Pelo calendário apresentado, a transição começaria quatro anos depois da articulação atual, enquanto a implementação integral ocorreria oito anos após a discussão iniciada em 2026.</p>
<p>A intenção de votar a matéria antes do encerramento do ano também tem importância <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341668">política</a>. A nova legislatura será instalada em fevereiro de 2027, com a posse dos deputados eleitos em outubro. Dessa forma, os atuais parlamentares poderão participar da definição de regras que somente serão aplicadas em eleições futuras.</p>
<h2>Sistema distrital misto pode dar ao eleitor dois votos para deputado</h2>
<p>O modelo discutido na Câmara combina dois mecanismos de representação política.</p>
<p>No primeiro, o território eleitoral é dividido em distritos, e cada região elege diretamente um representante. Nesse formato, o resultado depende da votação obtida pelos candidatos dentro dos limites geográficos estabelecidos para a disputa.</p>
<p>No segundo, os eleitores votam em partidos ou listas partidárias, permitindo que uma parcela das cadeiras seja distribuída de acordo com o desempenho das legendas.</p>
<p>A combinação procura assegurar representação territorial e partidária dentro do mesmo Legislativo. Entretanto, o funcionamento específico depende de decisões sobre o número de distritos, a proporção de vagas destinadas a cada modalidade e a forma de compensação entre os resultados.</p>
<p>Em um modelo que reserve metade das cadeiras para cada sistema, por exemplo, uma unidade da Federação com 20 deputados poderia eleger dez representantes diretamente nos distritos e preencher as outras dez vagas pela votação partidária.</p>
<p>Esse exemplo é apenas ilustrativo. A divisão exata das vagas e os critérios de distribuição ainda precisam ser definidos no texto da reforma.</p>
<p>Também será necessário estabelecer como os partidos organizarão suas listas e se os nomes serão apresentados em uma ordem previamente determinada pelas direções partidárias. Essa definição altera a influência dos eleitores e das estruturas internas das legendas sobre a escolha dos representantes.</p>
<p>A experiência brasileira atual é diferente. O país utiliza o sistema proporcional de lista aberta, no qual os eleitores votam em candidatos ou legendas, e o total de votos recebidos por cada partido ou federação influencia o número de cadeiras conquistadas.</p>
<h2>Mudança pode reduzir influência dos puxadores de votos na Câmara</h2>
<p>Um dos principais pontos da reforma é a tentativa de modificar os efeitos produzidos pelos chamados puxadores de votos.</p>
<p>No sistema proporcional atualmente utilizado, candidatos com votações muito elevadas contribuem para ampliar o desempenho eleitoral de seus partidos ou federações. Isso permite que integrantes da mesma legenda conquistem vagas mesmo com votações individuais significativamente menores.</p>
<p>O mecanismo decorre da distribuição proporcional das cadeiras, e não de uma transferência direta de votos entre candidatos.</p>
<p>De acordo com as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o quociente eleitoral é calculado dividindo-se o número de votos válidos pela quantidade de vagas em disputa. O desempenho de cada partido ou federação, combinado com as exigências de votação nominal e as regras de distribuição das sobras, determina quantas cadeiras cada agrupamento poderá preencher.</p>
<p>Pelas normas aplicadas nas eleições proporcionais de 2026, os candidatos precisam, como regra geral para o preenchimento de vagas pelo quociente partidário, alcançar pelo menos 10% do quociente eleitoral. Existem critérios específicos para a distribuição das vagas remanescentes.</p>
<p>O sistema distrital misto modificaria essa dinâmica porque uma parcela dos parlamentares seria escolhida diretamente em disputas territoriais. Nesses casos, a votação expressiva de um candidato em determinada região não produziria automaticamente o mesmo efeito sobre a eleição de colegas de partido em outros distritos.</p>
<p>A mudança, entretanto, não eliminaria necessariamente toda a influência dos candidatos populares sobre as bancadas. A parcela proporcional continuaria permitindo representação partidária conforme as regras adotadas para as listas e a distribuição das vagas.</p>
<h2>PSD, MDB e partidos com presença municipal participam da articulação</h2>
<p>A reforma tem potencial para modificar as estratégias eleitorais de partidos com diferentes formas de organização.</p>
<p>Siglas com ampla presença em prefeituras, câmaras municipais e estruturas regionais podem encontrar novas oportunidades em disputas delimitadas territorialmente. O PSD, presidido por Gilberto Kassab, e o MDB estão entre os partidos que participaram das negociações conduzidas por Motta.</p>
<p>No sistema distrital, a formação de alianças locais, o reconhecimento de lideranças regionais e a capacidade de mobilização em determinados municípios podem adquirir maior importância na disputa por cadeiras.</p>
<p>Essa característica também pode alterar o perfil das candidaturas. Políticos com votação concentrada em uma área específica poderiam disputar diretamente a representação daquele território, enquanto candidatos com apoio distribuído por diferentes regiões precisariam avaliar como concorrer às vagas distritais ou partidárias.</p>
<p>A eventual vantagem para partidos com maior presença municipal, contudo, não está assegurada. Ela dependerá da distribuição dos distritos, da quantidade de representantes por unidade da Federação e dos critérios adotados para preencher a parcela proporcional.</p>
<p>Outro aspecto relevante é a possibilidade de aumentar a importância das direções partidárias na seleção dos candidatos. Caso as listas sejam fechadas e previamente ordenadas, a posição ocupada por cada concorrente poderá ter peso decisivo na eleição.</p>
<p>Por isso, a elaboração do texto deverá definir não apenas o funcionamento do voto, mas também as regras de organização interna dos partidos e os mecanismos de representação dos eleitores.</p>
<h2>PT e PL podem dificultar aprovação da reforma política</h2>
<p>A busca por apoio além dos partidos de centro constitui a próxima etapa das negociações.</p>
<p>Hugo Motta afirmou que pretende dialogar com outras legendas, incluindo a federação formada por PT, PCdoB e PV, além de PL, Novo e demais partidos representados na Câmara.</p>
<p>A necessidade de ampliar o acordo está relacionada ao peso dessas bancadas nas votações legislativas. Embora exista entendimento inicial entre os participantes da reunião de 28 de outubro, isso não significa que a proposta já tenha votos suficientes para modificar a Constituição.</p>
<p>PT e PL possuem bases eleitorais expressivas e diferentes formas de mobilização política. Parte de seus candidatos alcança votações elevadas por meio de redes de militância, estruturas partidárias e presença nas plataformas digitais.</p>
<p>Nesse contexto, a discussão sobre o sistema distrital misto também envolve o alcance territorial do voto. Candidatos que recebem apoio em diversas cidades poderão enfrentar condições distintas das atuais caso uma parcela significativa das cadeiras passe a depender de disputas em distritos.</p>
<p>As resistências relatadas durante as articulações ainda não equivalem a uma posição definitiva de todas as bancadas sobre um texto formal. A proposta permanece em negociação e poderá sofrer alterações para reunir os apoios necessários.</p>
<h2>Reforma precisará de pelo menos 308 votos na Câmara e 49 no Senado</h2>
<p>A intenção anunciada por Hugo Motta é utilizar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para estabelecer as mudanças estruturais no sistema eleitoral.</p>
<p>Esse instrumento exige maioria qualificada nas duas Casas do Congresso Nacional.</p>
<p>Na Câmara dos Deputados, a aprovação de uma PEC depende de pelo menos 308 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação. No Senado, são necessários 49 votos, também em dois turnos.</p>
<p>Esses quóruns correspondem a três quintos dos membros de cada Casa. Uma maioria simples dos parlamentares presentes, portanto, não seria suficiente para aprovar a reforma constitucional.</p>
<p>O texto também deverá passar pelas etapas de admissibilidade e análise previstas no processo legislativo. Caso as duas Casas aprovem versões diferentes, será necessário conciliar as alterações antes da promulgação da emenda.</p>
<p>Outro limite está no artigo 16 da Constituição, que estabelece o princípio da anterioridade eleitoral. Pela regra, uma alteração do processo eleitoral não pode ser aplicada a uma eleição realizada até um ano depois de sua entrada em vigor.</p>
<p>A discussão atual contempla justamente um período de implementação gradual. Entretanto, a definição de uma transição em 2030 e da adoção integral em 2034 não dispensa o cumprimento dos requisitos constitucionais de aprovação.</p>
<p>O anúncio de uma possível votação ainda em 2026 representa, portanto, o início de uma nova etapa de negociação, e não a conclusão da reforma.</p>
<h2>Proposta anterior de voto distrital misto continua em tramitação desde 2017</h2>
<p>A discussão sobre o sistema distrital misto não começou com a reunião realizada em outubro.</p>
<p>A Câmara já analisa o Projeto de Lei nº 9.212/2017, originário do Senado Federal e de autoria do então senador José Serra. O texto busca alterar a legislação eleitoral para instituir um modelo que combine a escolha de candidatos por distritos com a representação proporcional dos partidos.</p>
<p>A proposta foi aprovada pelo Senado e encaminhada à Câmara em novembro de 2017. Na consulta legislativa realizada em 30 de outubro de 2026, o projeto aparecia aguardando parecer na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.</p>
<p>Em fevereiro de 2025, Hugo Motta já havia anunciado a intenção de instalar uma comissão para discutir a implementação do voto distrital misto, tendo como referência esse projeto.</p>
<p>Há, entretanto, uma diferença entre a iniciativa legislativa existente e a reforma constitucional agora articulada.</p>
<p>O PL 9.212/2017 é um projeto de lei que altera regras eleitorais. A iniciativa anunciada em outubro de 2026 deverá ser estruturada como uma PEC, conforme a intenção manifestada pelo presidente da Câmara.</p>
<p>Os dois instrumentos possuem procedimentos legislativos e exigências de aprovação diferentes. A existência de um projeto anterior não significa que a nova proposta constitucional tenha sido apresentada formalmente ou que seu conteúdo já esteja definido.</p>
<h2>Câmara rejeitou mudança semelhante na reforma eleitoral de 2017</h2>
<p>O histórico de tentativas anteriores mostra que a alteração do sistema proporcional enfrenta dificuldades recorrentes de formação de maioria parlamentar.</p>
<p>Em setembro de 2017, a Câmara rejeitou uma proposta que previa inicialmente a adoção do chamado distritão e, posteriormente, a transição para o voto distrital misto.</p>
<p>Na votação realizada em 19 de setembro daquele ano, a mudança recebeu 205 votos favoráveis, 238 contrários e uma abstenção.</p>
<p>O resultado ficou 103 votos abaixo dos 308 necessários para aprovar uma alteração constitucional.</p>
<p>Naquele momento, o modelo discutido previa que os candidatos mais votados fossem eleitos diretamente durante uma etapa inicial e que, posteriormente, metade das vagas fosse preenchida por disputas distritais e a outra metade pela votação proporcional dos partidos.</p>
<p>A proposta acabou rejeitada, mantendo-se o sistema proporcional.</p>
<p>O precedente não determina o resultado da nova articulação, mas demonstra que a definição de um modelo de transição e a negociação entre partidos serão elementos centrais na tramitação.</p>
<h2>Câmara também pretende discutir regras para propaganda eleitoral nas redes sociais</h2>
<p>A reforma política anunciada por Motta inclui uma segunda frente de discussão, relacionada ao funcionamento das plataformas digitais durante as campanhas eleitorais.</p>
<p>O presidente da Câmara comunicou a criação de um grupo de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341669">trabalho</a> com representantes dos partidos para elaborar propostas de alteração do Código Eleitoral e estabelecer critérios para a propaganda política nas redes sociais.</p>
<p>A iniciativa pretende discutir regras de transparência e igualdade de condições entre candidatos, levando em consideração a influência crescente das plataformas digitais na comunicação política.</p>
<p>O debate envolve a diferença entre os meios tradicionais de propaganda, como rádio, televisão e materiais impressos, e as formas de distribuição de conteúdo no ambiente digital.</p>
<p>Segundo Motta, a intenção é estabelecer critérios conhecidos pelos participantes do processo eleitoral, sem restringir genericamente a manifestação política.</p>
<p>As regras específicas ainda dependerão do trabalho dos parlamentares e da apresentação de um texto legislativo. Até o momento, não existe definição oficial sobre mudanças nos mecanismos de distribuição algorítmica de conteúdo, nos critérios de impulsionamento ou em eventuais limites para campanhas nas plataformas.</p>
<p>A discussão poderá ocorrer paralelamente à reforma do sistema de votação, mas os dois temas possuem objetos distintos e poderão seguir tramitações legislativas próprias.</p>
<h2>Definição dos distritos será uma das etapas da nova reforma</h2>
<p>Se houver acordo parlamentar para avançar com a proposta, uma das questões mais importantes será estabelecer como os distritos eleitorais serão desenhados.</p>
<p>A divisão territorial precisará considerar a quantidade de cadeiras atribuídas a cada estado, a distribuição da população e os critérios utilizados para assegurar representação política.</p>
<p>Também será necessário decidir se a proporção de vagas distritais e partidárias será uniforme e como serão resolvidas situações em que o número de cadeiras de determinada unidade da Federação não permita uma divisão exata em duas partes iguais.</p>
<p>Outro ponto ainda indefinido é o mecanismo de distribuição das vagas proporcionais. Dependendo da fórmula adotada, essa parcela poderá compensar resultados obtidos nos distritos ou funcionar como uma disputa paralela, produzindo efeitos diferentes sobre a composição das bancadas.</p>
<p>Essas definições são necessárias para avaliar os impactos efetivos da reforma sobre o eleitor, os candidatos e os partidos.</p>
<p>A próxima etapa anunciada por Hugo Motta será ampliar as negociações com as bancadas que não participaram do entendimento inicial e buscar diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).</p>
<p>Até 30 de outubro de 2026, a adoção do voto distrital misto permanecia uma proposta política em articulação. O modelo vigente continua sendo o proporcional, e qualquer substituição dependerá da aprovação das alterações legislativas necessárias, da definição das regras de transição e de sua entrada em vigor.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Câmara dos Deputados — Comunicado oficial de 28 de outubro de 2026 sobre a reunião de Hugo Motta com lideranças partidárias, o sistema distrital misto e a regulamentação de plataformas digitais.</em></p>
<p><em>Câmara dos Deputados — Ficha de tramitação do Projeto de Lei nº 9.212/2017, que propõe a instituição do voto distrital misto nas eleições proporcionais.</em></p>
<p><em>Câmara dos Deputados — Registro da votação de setembro de 2017 que rejeitou a adoção do distritão e a transição para o voto distrital misto.</em></p>
<p><em>Câmara dos Deputados — Orientações oficiais sobre o processo legislativo e os requisitos para aprovação de propostas de emenda à Constituição.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.677/2021, com alterações posteriores, sobre os sistemas eleitorais e a distribuição de vagas nas eleições proporcionais.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Glossário Eleitoral Brasileiro, com as regras de cálculo do quociente eleitoral.</em></p>
<p><em>Presidência da República — Constituição Federal de 1988, especialmente os artigos 16, 45 e 60, relativos à anterioridade eleitoral, representação proporcional e tramitação de emendas constitucionais.</em></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Constituição de 1988 chega aos 38 anos com 141 emendas e desafios na garantia de direitos</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/constituicao-1988-38-anos-141-emendas-direitos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Oct 2026 00:53:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[38 anos da Constituição]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Constituição brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Constituição de 1988]]></category>
		<category><![CDATA[Constituição Federal]]></category>
		<category><![CDATA[democracia brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade social]]></category>
		<category><![CDATA[direitos fundamentais]]></category>
		<category><![CDATA[direitos sociais]]></category>
		<category><![CDATA[emendas constitucionais]]></category>
		<category><![CDATA[Estado Democrático de Direito]]></category>
		<category><![CDATA[judicialização da saúde]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://gazetamercantil.com/?p=1535097</guid>

					<description><![CDATA[<p>Constituição de 1988 completa 38 anos com 141 emendas. Entenda os desafios da democracia, dos direitos sociais e do acesso à saúde no Brasil.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Constituição Federal de 1988 completou 38 anos em outubro de 2026, depois de atravessar sucessivas crises políticas, dois processos de impeachment presidencial e os ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, em janeiro de 2023. O texto permanece como fundamento da organização democrática brasileira, mas sua aplicação continua marcada por diferenças entre os direitos previstos em lei e as condições efetivamente encontradas pela população. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que o país encerrou 2025 com aproximadamente 895 mil processos relacionados à saúde pendentes de solução, enquanto indicadores do IBGE apontam desigualdades persistentes no acesso a serviços e oportunidades.</p>
<p>Promulgada em 5 de outubro de 1988, após o período de regime militar, a Constituição estabeleceu a dignidade da pessoa humana, a cidadania e o pluralismo político entre os fundamentos da República. Também ampliou direitos sociais, consolidou garantias individuais e reorganizou as responsabilidades do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Desde então, o documento passou por 141 emendas constitucionais, incluindo duas mudanças promulgadas pelo Congresso Nacional em 16 de outubro de 2026, relacionadas à jornada de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341640">trabalho</a> e à aposentadoria de profissionais da saúde.</p>
<p>A permanência da ordem constitucional demonstra a continuidade das regras fundamentais do Estado, mas não elimina os problemas enfrentados em sua aplicação. Além das disputas sobre os limites de atuação dos Poderes, o país convive com dificuldades de acesso à Justiça, desigualdades econômicas e obstáculos à prestação de serviços públicos. A distância entre as garantias previstas na Constituição e sua concretização pode ser observada tanto nas estatísticas sociais quanto no número de ações judiciais apresentadas por cidadãos para obter tratamentos médicos, medicamentos e outros serviços.</p>
<h2>Constituição acumula 141 emendas e continua sendo modificada pelo Congresso</h2>
<p>Ao longo de quase quatro décadas, a Constituição brasileira passou por alterações que acompanharam transformações econômicas, sociais e institucionais. Reformas previdenciárias, mudanças tributárias, novas regras fiscais e modificações na organização do Estado foram incorporadas ao texto por meio de emendas constitucionais. A possibilidade de atualização está prevista no artigo 60, que estabelece o procedimento de alteração e impõe limites materiais a determinadas mudanças.</p>
<p>As duas emendas mais recentes foram promulgadas em 16 de outubro. A Emenda Constitucional nº 141 modificou o artigo 7º para reduzir progressivamente a jornada máxima semanal de trabalho e estabelecer dois dias de descanso remunerado. A transição prevê a redução da jornada de 44 para 42 horas após 60 dias da publicação, com posterior diminuição para 40 horas semanais, sem redução salarial, conforme o calendário estabelecido na norma.</p>
<p>Na mesma sessão, o Congresso promulgou a Emenda Constitucional nº 140, que estabelece condições diferenciadas de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. A medida também prevê regras relacionadas à regularização dos vínculos desses profissionais e à proteção previdenciária de trabalhadores que atuam diretamente no atendimento à população.</p>
<p>Essas alterações demonstram que a Constituição não permanece limitada às condições políticas e sociais de 1988. Ao mesmo tempo, modificações constitucionais exigem maiorias qualificadas no Congresso e precisam respeitar garantias que não podem ser abolidas por emenda. Entre elas estão a separação dos Poderes, o voto direto, secreto, universal e periódico, a forma federativa de Estado e os direitos e garantias individuais.</p>
<h2>Atos de 8 de janeiro levaram instituições ao maior teste recente</h2>
<p>Entre os episódios que colocaram à prova o funcionamento das instituições previstas na Constituição estão os ataques de 8 de janeiro. Naquela data, manifestantes invadiram e depredaram as sedes do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto, em Brasília, após a eleição presidencial de 2022. A destruição de instalações públicas e os atos dirigidos contra as instituições deram origem a investigações, processos criminais e medidas de responsabilização conduzidas pelo Poder Judiciário.</p>
<p>Em balanço divulgado em 29 de abril de 2026, o Supremo Tribunal Federal informou a aplicação de 431 penas privativas de liberdade e 419 penas restritivas de direitos relacionadas aos acontecimentos. O levantamento também registrou 552 acordos de não persecução penal, instrumentos que permitem encerrar determinados casos mediante o cumprimento de condições legais, sem equivaler a uma condenação criminal.</p>
<p>Nos processos envolvendo os núcleos considerados centrais das investigações, o STF contabilizou 29 condenações por delitos associados à tentativa de golpe de Estado, à abolição violenta do Estado Democrático de Direito e à atuação em organização criminosa. As decisões foram proferidas em ações que examinaram diferentes níveis de participação e responsabilidade, com resultados que incluíram condenações, absolvições e desclassificações de condutas.</p>
<p>A resposta institucional aos ataques também trouxe discussões sobre os limites dos poderes de investigação e julgamento, a competência do Supremo Tribunal Federal, as garantias processuais dos acusados e a proporcionalidade das sanções. Essas questões integram o debate jurídico sobre a aplicação da Constituição, que exige tanto a responsabilização por condutas criminosas quanto o respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório.</p>
<p>O episódio evidenciou a importância das regras que disciplinam a sucessão presidencial, a legitimidade dos resultados eleitorais e a atuação independente dos órgãos públicos. A Constituição estabelece que o exercício do poder político ocorre por meio de representantes eleitos ou diretamente pela população, nas condições previstas em seu texto. O funcionamento desse sistema depende da observância das decisões legalmente constituídas e da existência de mecanismos capazes de fiscalizar eventuais abusos praticados por autoridades.</p>
<h2>Justiça encerrou 2025 com 895 mil processos relacionados à saúde</h2>
<p>As dificuldades de concretização dos direitos constitucionais aparecem de maneira especialmente expressiva na área da saúde. O artigo 196 estabelece que a saúde é direito de todos e dever do Estado, princípio que fundamenta a organização do Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar da garantia constitucional, milhares de brasileiros recorrem anualmente à Justiça para obter medicamentos, consultas, procedimentos médicos e tratamentos que não conseguiram acessar pelos canais administrativos.</p>
<p>Segundo o Conselho Nacional de Justiça, o Brasil encerrou 2025 com 895.368 processos de saúde pendentes, contra aproximadamente 858,5 mil no ano anterior. O aumento foi de cerca de 36,9 mil ações, equivalente a 4,3%, mesmo com a redução no ingresso de novos processos naquele período. Os números abrangem disputas relacionadas tanto ao sistema público quanto à saúde suplementar, incluindo conflitos com operadoras de planos privados.</p>
<p>O levantamento também mostrou que, em 2025, foram distribuídas 353.934 novas ações relacionadas à saúde pública, quantidade aproximadamente 6% inferior à registrada em 2024. Na saúde suplementar, houve crescimento de 6% no número de novos processos. A combinação desses resultados indica que a redução das demandas iniciais não foi suficiente para diminuir o estoque total de ações que aguardavam solução.</p>
<p>O Tribunal de Justiça de São Paulo concentrava 177.574 processos pendentes, aproximadamente 19,8% do total nacional. Segundo o CNJ, cerca de 66% das ações registradas naquele tribunal estavam relacionadas à saúde suplementar, o que demonstra que os conflitos envolvendo planos de saúde também representam parte importante da judicialização.</p>
<p>O volume de processos não permite concluir que todas as ações resultem de descumprimento de obrigações pelo poder público ou pelas <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341642">empresas</a>. As demandas abrangem situações diferentes, incluindo pedidos de tratamentos não incorporados às políticas oficiais, controvérsias contratuais e discussões sobre a responsabilidade pelo custeio. Ainda assim, a quantidade de litígios mostra que o acesso aos serviços de saúde continua sendo objeto de disputas frequentes entre cidadãos, prestadores e gestores.</p>
<p>Para enfrentar o problema, o CNJ e o STF desenvolveram mecanismos destinados a padronizar decisões judiciais e ampliar o uso de informações técnicas. Entre eles estão os Núcleos de Apoio Técnico do Poder Judiciário, que oferecem subsídios científicos aos magistrados, e ferramentas que permitem consultar a situação regulatória e a incorporação de medicamentos ao SUS. As iniciativas procuram melhorar a qualidade das decisões e reduzir conflitos relacionados à responsabilidade de União, estados e municípios.</p>
<h2>Desigualdade de renda limita acesso a direitos previstos na Constituição</h2>
<p>As dificuldades de concretização dos direitos sociais também aparecem nos indicadores de renda, educação e condições de vida. A Síntese de Indicadores Sociais de 2025, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com dados referentes a 2024, mostrou que 23,1% da população brasileira vivia em situação de pobreza. O percentual representou uma redução em relação aos 27,3% registrados em 2023, mas ainda correspondia a uma parcela expressiva dos habitantes do país.</p>
<p>Segundo o instituto, aproximadamente 8,6 milhões de pessoas deixaram a condição de pobreza entre 2023 e 2024. A melhora foi acompanhada por avanços no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341641">mercado</a> de trabalho e na distribuição de rendimentos, embora as diferenças entre grupos populacionais tenham permanecido elevadas. Mulheres, crianças e pessoas pretas ou pardas continuaram apresentando maior vulnerabilidade econômica, enquanto as regiões Norte e Nordeste concentraram índices mais altos de pobreza.</p>
<p>O levantamento também identificou diferenças relevantes na remuneração do trabalho. Em 2024, trabalhadores brancos recebiam, em média, rendimento real 65,9% superior ao de trabalhadores pretos ou pardos. Quando considerado o rendimento médio por hora trabalhada, os valores eram de aproximadamente R$ 24,60 para pessoas brancas e R$ 15 para pessoas pretas ou pardas.</p>
<p>A Constituição estabelece a igualdade perante a lei e proíbe discriminações incompatíveis com os direitos fundamentais. Entretanto, a existência dessas garantias não elimina automaticamente diferenças históricas de renda, escolaridade e inserção profissional. A redução das desigualdades depende também de políticas públicas, acesso a serviços, condições de emprego e mecanismos capazes de enfrentar práticas discriminatórias.</p>
<p>Na educação, os indicadores mais recentes mostram avanços acompanhados de problemas persistentes. Dados divulgados pelo IBGE em junho de 2026 apontaram que a taxa de analfabetismo caiu para 4,9% em 2025, ficando abaixo de 5% pela primeira vez na série iniciada em 2016. Apesar da melhora, aproximadamente 8,4 milhões de brasileiros ainda não sabiam ler e escrever, uma condição que pode dificultar o acesso ao mercado de trabalho e a serviços que dependem de procedimentos escritos ou digitais.</p>
<p>A diferença entre o reconhecimento formal dos direitos e seu exercício cotidiano também depende das condições de moradia e infraestrutura. A ausência de saneamento adequado, as dificuldades de transporte e a distribuição desigual dos equipamentos públicos podem ampliar obstáculos enfrentados por famílias de baixa renda. Esses fatores interferem no acesso à saúde e à educação, mesmo quando os serviços são oferecidos gratuitamente pelo Estado.</p>
<h2>STF amplia interpretação de direitos em decisões tomadas em 2026</h2>
<p>O Supremo Tribunal Federal apresentou, durante as comemorações dos 38 anos da Constituição, um levantamento de decisões recentes que demonstram como dispositivos constitucionais continuam sendo utilizados para resolver conflitos não previstos expressamente em 1988. Entre os temas julgados estão a proteção à maternidade, os direitos trabalhistas, a responsabilidade de plataformas digitais e as garantias das vítimas em processos criminais.</p>
<p>Em setembro de 2026, a Corte concluiu julgamento relacionado à igualdade de critérios para concessão da licença-maternidade, considerando diferentes vínculos profissionais e formas de constituição familiar. A decisão utilizou dispositivos constitucionais sobre proteção à maternidade, à infância e à família, estabelecendo parâmetros para situações nas quais legislações específicas previam tratamentos distintos.</p>
<p>Outro conjunto de julgamentos tratou da responsabilidade das plataformas digitais pela circulação de conteúdos ilícitos. O tribunal examinou a compatibilidade de dispositivos do Marco Civil da Internet com as garantias constitucionais de liberdade de expressão, proteção da honra, privacidade e segurança. A discussão envolveu os limites da responsabilidade das empresas que administram redes sociais e outras plataformas, especialmente diante de práticas ilícitas e da necessidade de preservação dos direitos dos usuários.</p>
<p>As decisões demonstram que a aplicação da Constituição exige interpretações em áreas que passaram por transformações profundas nas últimas décadas. Ao mesmo tempo, a atuação do Judiciário em temas de grande repercussão pública provoca debates sobre a divisão de competências entre os Poderes e sobre os limites da interpretação judicial. A Constituição atribui ao Supremo a função de sua guarda, enquanto reserva ao Congresso Nacional a elaboração das leis e ao Executivo a execução das políticas públicas.</p>
<p>Essas responsabilidades não impedem o controle recíproco entre os Poderes. Pelo contrário, o modelo constitucional prevê mecanismos de fiscalização, revisão de atos e responsabilização que devem funcionar dentro das competências legalmente estabelecidas. A independência institucional convive, portanto, com obrigações de transparência e respeito às garantias individuais.</p>
<h2>Preservação da Constituição depende de instituições e cumprimento das leis</h2>
<p>A experiência brasileira desde 1988 mostra que a continuidade constitucional pode coexistir com conflitos políticos intensos e dificuldades persistentes na concretização dos direitos sociais. Os processos de impeachment de Fernando Collor, em 1992, e Dilma Rousseff, em 2016, ocorreram sob as regras da Constituição e produziram debates jurídicos e políticos sobre a aplicação dos mecanismos de responsabilização presidencial.</p>
<p>Os ataques de janeiro de 2023 acrescentaram outro episódio à trajetória institucional do país, com investigações e julgamentos que continuaram produzindo efeitos ao longo dos anos seguintes. A existência de procedimentos de responsabilização demonstrou a atuação dos órgãos de Estado, enquanto as controvérsias jurídicas reforçaram a importância do respeito às garantias constitucionais em todas as fases dos processos.</p>
<p>Em paralelo, os indicadores sociais mostram que a estabilidade das instituições não resolve automaticamente dificuldades de acesso à saúde, desigualdades de renda e limitações educacionais. Esses problemas envolvem responsabilidades compartilhadas entre União, estados e municípios, além de decisões orçamentárias, administrativas e legislativas que influenciam a disponibilidade e a qualidade dos serviços.</p>
<p>A Constituição estabelece direitos que devem orientar essas decisões, mas sua concretização depende de instrumentos legais, financiamento, estruturas administrativas e fiscalização. A existência de quase 900 mil processos pendentes na área da saúde, por exemplo, demonstra que parte significativa das controvérsias sobre atendimento e cobertura continua sendo resolvida ou discutida no Judiciário, em vez de se encerrar nos procedimentos administrativos.</p>
<p>Aos 38 anos, a Constituição de 1988 permanece em vigor, com 141 emendas e um conjunto de instituições responsáveis por sua aplicação. Os próximos desafios incluem a implementação das mudanças constitucionais aprovadas em outubro, o acompanhamento das decisões judiciais sobre direitos fundamentais e a capacidade dos serviços públicos de responder às necessidades da população. A segurança jurídica do país continuará vinculada tanto à observância das regras democráticas quanto à efetividade das garantias estabelecidas no texto constitucional.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 — texto atualizado, princípios fundamentais, direitos sociais, separação dos Poderes e limites às emendas constitucionais.</em></p>
<p><em>Câmara dos Deputados — edição da Constituição atualizada até a Emenda Constitucional nº 141, de 2026.</em></p>
<p><em>Congresso Nacional e Senado Federal — Emendas Constitucionais nº 140 e nº 141, promulgadas em 16 de outubro de 2026, sobre direitos previdenciários e jornada de trabalho.</em></p>
<p><em>Supremo Tribunal Federal — comunicado de 5 de outubro de 2026 sobre os 38 anos da Constituição e julgamentos constitucionais realizados em 2026.</em></p>
<p><em>Supremo Tribunal Federal — balanço de 29 de abril de 2026 sobre investigações, condenações e acordos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023.</em></p>
<p><em>Conselho Nacional de Justiça — Painel de Estatísticas Processuais de Direito à Saúde e levantamento divulgado em fevereiro de 2026 sobre ações pendentes e novos processos.</em></p>
<p><em>Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — Síntese de Indicadores Sociais 2025, com dados de pobreza, rendimentos e desigualdades referentes a 2024.</em></p>
<p><em>Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, indicadores de alfabetização e educação referentes a 2025.</em></p>
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		<item>
		<title>“Filhos de Bolsonaro são uns jumentos”, diz Malafaia após carta de Flávio</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/malafaia-filhos-bolsonaro-jumentos-carta-flavio</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2026 17:07:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[carta de Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[filhos de Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Jair Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[política brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Silas Malafaia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Silas Malafaia chamou os filhos de Bolsonaro de “jumentos” após carta de Flávio contestar a eleição de Lula. Senador corrigiu o documento.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O pastor Silas Malafaia criticou duramente os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após a divulgação de uma carta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na quarta-feira (28), em que o candidato derrotado à Presidência questionou o resultado das eleições de 2026 e chegou a se apresentar como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Em mensagem privada atribuída ao líder evangélico e divulgada publicamente, Malafaia chamou os filhos do ex-presidente de “jumentos” e demonstrou irritação com a condução <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341586">política</a> do episódio.</p>
<p>“Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos. Só se aconselham com gente errada! Faz carta, fala bobagem, depois corrige”, diz o trecho da mensagem atribuído ao pastor. O conteúdo foi divulgado após Flávio publicar diferentes versões de uma carta dirigida à população brasileira e à comunidade internacional, já em território norte-americano.</p>
<p>Malafaia também teria criticado a atuação dos conselheiros políticos da família e mencionado a posição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante da iniciativa do senador. A mensagem privada original, entretanto, não foi disponibilizada publicamente para verificação independente.</p>
<p>A manifestação representa uma nova divergência entre o pastor e integrantes da família Bolsonaro, da qual é aliado político há vários anos. Apesar das críticas à carta, Malafaia havia defendido anteriormente a decisão de Flávio de viajar aos Estados Unidos, argumentando que o senador enfrentava medidas judiciais no Brasil.</p>
<h2>Malafaia critica mudanças na carta de Flávio Bolsonaro</h2>
<p>Em declarações concedidas à imprensa nesta quinta-feira (29), Malafaia também questionou publicamente a elaboração do documento e afirmou que sucessivas correções prejudicaram a credibilidade política do ex-candidato à Presidência.</p>
<p>O pastor classificou a iniciativa como “infantilidade” e considerou inadequado que um político que disputou a Presidência divulgasse um pronunciamento com erros e posteriormente precisasse modificar seu conteúdo.</p>
<p>Entre os pontos criticados estava a utilização de um antigo brasão da República, com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, em uma das versões iniciais da carta.</p>
<p>O documento passou por diferentes alterações ao longo da quarta-feira. Em uma versão distribuída por aliados, Flávio se identificava como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Na publicação inicial em seu próprio perfil na rede social X, apresentava-se como o “verdadeiro presidente do Brasil”.</p>
<p>Posteriormente, o senador substituiu essa identificação por “líder do Brasil” e retirou outra passagem na qual afirmava ser o presidente eleito. As mudanças, porém, não eliminaram os questionamentos à legitimidade da eleição presidencial.</p>
<p>Na carta, Flávio afirmou que pretende continuar sua atuação política a partir dos Estados Unidos e atribuiu sua saída do país ao que considera perseguição judicial. O senador também agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina.</p>
<h2>Carta questiona eleição vencida por Lula</h2>
<p>O principal argumento apresentado por Flávio Bolsonaro para contestar o resultado eleitoral envolve a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a continuidade da votação até as 19h do domingo (25), em locais onde os trabalhos ainda não haviam sido encerrados às 17h.</p>
<p>A medida foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin após as duas candidaturas presidenciais relatarem dificuldades relacionadas ao transporte de eleitores no dia da votação.</p>
<p>Segundo levantamento oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 34.393 votos foram registrados após as 17h em território nacional. Desse total, 32.399 ocorreram entre 17h e 18h, outros 1.981 entre 18h e 19h e apenas 13 depois das 19h.</p>
<p>Os números são significativamente inferiores à diferença registrada entre os dois candidatos. Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%.</p>
<p>A vantagem do presidente reeleito foi de 4.430.191 votos. Flávio não apresentou provas capazes de demonstrar que a prorrogação do horário de votação tenha provocado fraude ou alterado o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.</p>
<p>O TSE confirmou a vitória de Lula no segundo turno e informou que a apuração de 100% das urnas foi concluída às 23h26 de domingo.</p>
<h2>Críticas expõem divergências entre Malafaia e a família Bolsonaro</h2>
<p>As declarações desta semana não representam o primeiro episódio de atrito entre Silas Malafaia e os filhos de Jair Bolsonaro.</p>
<p>Em 2025, o pastor também dirigiu críticas ao então deputado Eduardo Bolsonaro, especialmente em razão de sua atuação nos Estados Unidos durante as discussões sobre a imposição de tarifas comerciais ao Brasil pelo governo norte-americano.</p>
<p>Na ocasião, mensagens atribuídas ao líder religioso demonstraram insatisfação com a estratégia política de Eduardo e seus possíveis efeitos sobre a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro.</p>
<p>O episódio atual ocorre em um contexto diferente, marcado pela derrota de Flávio na disputa presidencial e por sua decisão de permanecer nos Estados Unidos enquanto enfrenta investigações no Brasil.</p>
<p>Embora Malafaia mantenha sua proximidade política com o campo bolsonarista, suas declarações evidenciam divergências sobre a estratégia adotada após a eleição. O pastor considera que a carta e as correções posteriores comprometeram a credibilidade do senador em um momento de reorganização da oposição.</p>
<p>A divulgação do documento também provocou questionamentos sobre a posição que Flávio pretende assumir no cenário político brasileiro. Apesar de reivindicar a condição de líder nacional, o senador não possui reconhecimento institucional como presidente eleito, cargo cujo resultado foi oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral em favor de Luiz Inácio Lula da Silva.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Publicação oficial de Flávio Bolsonaro na rede social X, de 28 de outubro de 2026.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Resultado oficial do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Levantamento sobre os votos registrados após as 17h, publicado em 27 de outubro de 2026.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Balanço da totalização dos votos, publicado em 29 de outubro de 2026.</p>
<p>Declarações de Silas Malafaia em entrevista concedida à imprensa em 29 de outubro de 2026.</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Flávio Bolsonaro retira título de presidente eleito de carta, mas mantém contestação à vitória de Lula</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/flavio-bolsonaro-retira-titulo-presidente-eleito-carta</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Oct 2026 21:29:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[carta de Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[oposição política]]></category>
		<category><![CDATA[presidente eleito]]></category>
		<category><![CDATA[TSE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Flávio Bolsonaro retira da carta o título de presidente eleito, mas mantém alegação de vitória sobre Lula e anuncia oposição a partir dos Estados Unidos.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alterou nesta quarta-feira (28) a carta divulgada após sua chegada aos Estados Unidos e retirou da abertura do documento a afirmação de que seria o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Na versão atualizada, o parlamentar passou a se apresentar como “líder do Brasil”, embora tenha mantido em outro trecho a declaração de que venceu a eleição presidencial disputada no último domingo (25) contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).</p>
<p>A mudança ocorreu depois que a primeira versão do pronunciamento começou a circular nas redes sociais, inicialmente por meio de aliados do senador. O texto original apresentava Flávio como o legítimo vencedor da disputa, apesar de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter confirmado a reeleição de Lula com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato do PL.</p>
<p>A substituição da expressão modifica a maneira como o senador se identifica publicamente, mas não representa uma aceitação do resultado eleitoral. Na carta revisada, Flávio continua acusando a Justiça Eleitoral de fraude, questiona decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e anuncia que pretende liderar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos.</p>
<p>A alteração também expõe uma contradição no próprio documento: embora a apresentação inicial tenha sido modificada, uma passagem posterior conserva a reivindicação de vitória na eleição presidencial.</p>
<h2>Primeira versão apresentava Flávio como o verdadeiro presidente eleito</h2>
<p>Na abertura do documento originalmente divulgado, Flávio Bolsonaro afirmava dirigir-se à população brasileira e à comunidade internacional como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”.</p>
<p>A expressão foi substituída na versão republicada por uma apresentação como “líder do Brasil”. A modificação retira do primeiro parágrafo a reivindicação explícita de legitimidade presidencial, substituindo-a por uma definição de liderança <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341541">política</a> que não corresponde, necessariamente, a um cargo público.</p>
<p>O restante da manifestação, entretanto, demonstra que o senador não abandonou sua contestação ao resultado eleitoral.</p>
<p>Em uma passagem posterior da versão revisada, Flávio volta a afirmar que é o presidente eleito e acusa adversários de terem retirado dele a vitória. A declaração aparece em meio a críticas às instituições brasileiras e a um apelo dirigido aos eleitores que apoiaram sua candidatura.</p>
<p>Dessa forma, a mudança teve alcance limitado: foi alterada a apresentação inicial, mas permaneceu a alegação de que o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral não corresponderia à vontade dos eleitores.</p>
<p>O documento também conserva o anúncio de uma estratégia para mobilizar a oposição e manter a atuação política do senador fora do território brasileiro.</p>
<p>Não há, no texto atualizado, explicação sobre os motivos específicos que levaram à substituição da expressão inicial.</p>
<h2>Carta também passou por alteração na apresentação do brasão brasileiro</h2>
<p>Além da mudança na identificação política do senador, a divulgação do documento foi acompanhada de uma correção na representação do símbolo nacional utilizado no material.</p>
<p>Uma versão inicial apresentava um brasão com a inscrição histórica “Estados Unidos do Brazil”, denominação utilizada pelo país em período anterior à adoção do nome República Federativa do Brasil.</p>
<p>O material posteriormente distribuído passou a utilizar a identificação atual do Estado brasileiro.</p>
<p>A presença do símbolo nacional em uma manifestação política não confere autoridade institucional ao documento. A carta constitui uma declaração pública atribuída ao senador, sem equivalência com atos oficiais da Presidência da República ou da Justiça Eleitoral.</p>
<p>A sucessão de versões também torna relevante distinguir o conteúdo originalmente divulgado das alterações posteriores, especialmente porque a principal modificação textual envolveu a maneira como o candidato derrotado se apresentava perante a população e a comunidade internacional.</p>
<h2>TSE confirmou vitória de Lula por mais de 4,4 milhões de votos</h2>
<p>O resultado oficial da eleição presidencial permanece inalterado. Segundo os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, Lula recebeu 64.256.232 votos no segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 59.826.041.</p>
<p>A diferença foi de 4.430.191 votos, equivalente a aproximadamente 3,58 pontos percentuais dos votos válidos.</p>
<p>O resultado foi anunciado pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, na noite de domingo, depois da conclusão dos procedimentos de totalização.</p>
<p>Durante o pronunciamento, Nunes Marques reconheceu dificuldades operacionais provocadas pela decisão judicial que prolongou o horário de votação em parte das seções eleitorais. Apesar disso, informou que as equipes técnicas realizaram os ajustes necessários para concluir a apuração.</p>
<p>A carta de Flávio utiliza justamente a extensão do horário como um dos argumentos para contestar a legitimidade da eleição.</p>
<p>O senador sustenta que o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, teria permitido condições desiguais de votação ao determinar a continuidade dos trabalhos até as 19h nas seções que ainda estavam abertas às 17h.</p>
<p>A decisão, contudo, ocorreu após relatos de dificuldades no transporte público de eleitores apresentados pelas duas candidaturas que disputavam a Presidência da República.</p>
<p>O objetivo declarado da medida foi assegurar o exercício do voto nos locais afetados, sem determinar a reabertura de urnas que já haviam encerrado os trabalhos.</p>
<h2>Votos registrados após as 17h não seriam suficientes para alterar o resultado</h2>
<p>Os dados oficiais divulgados pelo TSE em 27 de outubro permitem comparar o alcance da prorrogação com a diferença obtida por Lula nas urnas.</p>
<p>Segundo a Justiça Eleitoral, 34.393 votos foram registrados depois das 17h no segundo turno em todo o território nacional. Desse total, 32.399 ocorreram entre 17h e 18h, outros 1.981 entre 18h e 19h e apenas 13 depois das 19h.</p>
<p>A quantidade representa aproximadamente 0,78% da vantagem de 4.430.191 votos obtida por Lula.</p>
<p>Mesmo que todos os votos registrados após as 17h fossem atribuídos a um único candidato, o resultado seria insuficiente para modificar a classificação final da disputa.</p>
<p>Há ainda uma distinção relevante: a legislação eleitoral já permite a continuidade da votação depois das 17h para atender eleitores que estejam nas filas no horário de encerramento. Portanto, nem todos os votos registrados após esse horário podem ser atribuídos exclusivamente à decisão do STF.</p>
<p>Esses números não sustentam a alegação de que a prorrogação teria sido responsável pela diferença final entre Lula e Flávio Bolsonaro.</p>
<p>A acusação de fraude permanece como uma afirmação do senador, sem demonstração documental no pronunciamento divulgado nesta quarta-feira.</p>
<h2>Flávio Bolsonaro nega fuga e confirma intenção de liderar oposição dos EUA</h2>
<p>A versão atualizada também preserva a justificativa apresentada pelo senador para sua saída do Brasil.</p>
<p>Flávio viajou aos Estados Unidos acompanhado da família e afirmou que decidiu permanecer em território americano por considerar que sua liberdade e sua atuação política estariam ameaçadas por medidas judiciais.</p>
<p>O parlamentar nega ter fugido e sustenta que a viagem representa uma forma de continuar exercendo liderança sobre seus apoiadores.</p>
<p>A carta menciona possíveis restrições judiciais, como apreensão de passaporte, monitoramento eletrônico e prisão domiciliar, descritas pelo senador como parte de uma perseguição política. Essas afirmações refletem sua interpretação sobre os acontecimentos e não comprovam, isoladamente, a existência ou a finalidade de eventuais medidas judiciais.</p>
<p>Flávio também agradece aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo acolhimento que afirma ter recebido.</p>
<p>O senador anuncia que pretende divulgar novos pronunciamentos e apresentar uma estratégia de mobilização política dirigida aos eleitores, parlamentares e governadores que apoiaram sua candidatura.</p>
<p>Entre os aliados mencionados está Rogério Marinho (PL-RN), apontado na carta como o nome que Flávio deseja apoiar na disputa pela presidência do Senado.</p>
<p>A proposta de liderar a oposição do exterior deverá enfrentar as exigências institucionais relacionadas ao exercício do mandato parlamentar, caso o senador permaneça fora do Brasil por período prolongado.</p>
<h2>Mudança na carta não altera reconhecimento institucional da eleição</h2>
<p>A retirada da expressão “verdadeiro presidente eleito” da abertura do pronunciamento não altera os procedimentos constitucionais e eleitorais brasileiros.</p>
<p>A proclamação dos candidatos eleitos compete à Justiça Eleitoral, e a diplomação representa a etapa formal posterior à totalização dos votos e à apreciação das questões previstas na legislação.</p>
<p>A autodeclaração de um candidato derrotado não produz reconhecimento jurídico de vitória nem substitui os mecanismos legais de contestação do resultado.</p>
<p>Eventuais questionamentos eleitorais precisam ser apresentados pelas vias processuais adequadas, com fundamentos e elementos probatórios sujeitos à análise das autoridades competentes.</p>
<p>A mudança realizada por Flávio Bolsonaro, portanto, deve ser compreendida em seu alcance efetivo. O senador retirou da apresentação inicial a expressão que o identificava como verdadeiro presidente eleito, mas manteve outra declaração com o mesmo sentido ao longo da carta.</p>
<p>Também preservou acusações contra o Judiciário, críticas ao processo eleitoral e a intenção de comandar a oposição política a partir dos Estados Unidos.</p>
<p>Enquanto essas manifestações permanecem no campo da contestação política, o resultado reconhecido oficialmente pelo TSE continua sendo a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para um novo mandato presidencial.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Flávio Bolsonaro — Carta à Nação Brasileira, versões divulgadas em 28 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Flávio Bolsonaro — publicação da carta atualizada em seu perfil oficial na rede social X, em 28 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Presidente do TSE anuncia reeleição de Lula e faz balanço do segundo turno das Eleições 2026, publicado em 26 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Eleições 2026: cerca de 34 mil votos foram registrados após as 17h no segundo turno, publicado em 27 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Supremo Tribunal Federal — STF prorroga votação até as 19h em locais onde urnas permaneceram abertas após as 17h, publicado em 25 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.751/2026, que disciplina os atos gerais das Eleições 2026.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Flávio Bolsonaro se declara presidente eleito do Brasil após derrota e anuncia oposição dos EUA</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/flavio-bolsonaro-presidente-eleito-derrota-lula-estados-unidos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Oct 2026 21:19:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[fraude eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[oposição política]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
		<category><![CDATA[TSE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Flávio Bolsonaro se declara presidente eleito após derrota para Lula, nega fuga do Brasil e anuncia oposição dos EUA. TSE mantém resultado oficial das urnas.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta na qual se apresenta como o verdadeiro presidente eleito do Brasil, apesar da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. O documento foi publicado após sua chegada a Miami, nos Estados Unidos, acompanhado da família. Na manifestação, o parlamentar nega ter fugido do país, acusa a Justiça Eleitoral de fraude e anuncia que pretende liderar a oposição brasileira a partir do território americano.</p>
<p>A declaração ocorre três dias depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar a reeleição de Lula, que recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio obteve 59.826.041 votos, ou 48,21%, encerrando a disputa com uma diferença de 4.430.191 votos em favor do presidente reeleito.</p>
<p>Na carta, o senador rejeita o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral e atribui sua derrota a supostas irregularidades no processo de votação. As acusações não são acompanhadas de provas documentais capazes de demonstrar a ocorrência de fraude ou de invalidar a totalização oficial.</p>
<p>O pronunciamento também inaugura uma nova etapa da atuação <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341540">política</a> de Flávio Bolsonaro. Em vez de reconhecer o resultado eleitoral e anunciar uma oposição parlamentar convencional, o senador pretende organizar seus aliados a partir dos Estados Unidos, enquanto sustenta publicamente que deveria ter sido reconhecido como vencedor da eleição.</p>
<h2>Flávio Bolsonaro afirma ser o verdadeiro presidente eleito do Brasil</h2>
<p>A carta foi divulgada inicialmente pelo influenciador Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, e posteriormente publicada nas redes sociais do senador. O documento circulou em diferentes versões, com alterações na apresentação e em trechos do conteúdo.</p>
<p>Em uma das versões, Flávio afirma: &#8220;Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente do Brasil&#8221;. Em outro trecho, reafirma considerar-se o presidente eleito e acusa adversários políticos e integrantes do Judiciário de terem impedido sua vitória.</p>
<p>A autodeclaração não produz efeitos jurídicos sobre o resultado da eleição. Pela legislação brasileira, cabe à Justiça Eleitoral totalizar os votos, proclamar os candidatos eleitos e realizar a diplomação, etapa que formaliza a condição necessária para a posse.</p>
<p>No caso da eleição presidencial, essa atribuição pertence ao TSE, que anunciou oficialmente a vitória de Lula no domingo (25). O reconhecimento unilateral de uma candidatura derrotada não substitui os procedimentos previstos na Constituição e na legislação eleitoral.</p>
<p>A manifestação de Flávio também contém acusações contra integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem atribui interferência no processo eleitoral e perseguição política. O senador afirma que a atuação do Judiciário teria comprometido a legitimidade da disputa, mas não apresenta, na carta, decisão judicial que tenha declarado a eleição inválida.</p>
<h2>Senador nega fuga e afirma que levou a família aos Estados Unidos por segurança</h2>
<p>O parlamentar também procurou justificar sua saída do Brasil, ocorrida após a derrota eleitoral. Ele chegou a Miami nesta quarta-feira, depois de passar pela Argentina, acompanhado da esposa e das filhas.</p>
<p>Na carta, Flávio sustenta que não pretendia deixar o território brasileiro, mas decidiu viajar por temer medidas judiciais que, segundo sua avaliação, poderiam restringir sua liberdade e impedir sua atuação política.</p>
<p>&#8220;Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil&#8221;, declarou o senador.</p>
<p>A afirmação representa a versão apresentada por Flávio sobre as circunstâncias da viagem. O parlamentar também nega a existência de mandado de prisão contra ele e descreve uma possível sequência de medidas judiciais, incluindo apreensão de passaporte, monitoramento eletrônico e prisão domiciliar.</p>
<p>Essas declarações não permitem, por si só, estabelecer a situação processual do senador. A existência, o alcance e os efeitos de eventuais determinações judiciais dependem do conteúdo das decisões e dos registros oficiais dos processos correspondentes.</p>
<p>Flávio afirma que decidiu permanecer nos Estados Unidos para proteger a família e continuar exercendo influência sobre a política brasileira. O documento não estabelece uma data para seu retorno ao país.</p>
<h2>Flávio agradece a Donald Trump e Javier Milei por acolhimento</h2>
<p>O texto também procura projetar a disputa política brasileira no cenário internacional. Flávio Bolsonaro agradece nominalmente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei.</p>
<p>O senador elogia o governo americano e afirma ter encontrado nos Estados Unidos condições de segurança que considera inexistentes no Brasil. Também expressa gratidão a Milei por sua posição política e por sua atuação durante o período em que passou pela Argentina.</p>
<p>Os agradecimentos são apresentados como declarações do próprio parlamentar. Não equivalem, isoladamente, a reconhecimento oficial de sua reivindicação à Presidência do Brasil por parte dos governos americano ou argentino.</p>
<p>A carta dirige ainda um apelo à comunidade internacional para que acompanhe a situação política brasileira. Flávio sustenta que a atuação do Judiciário ameaça o exercício da oposição e pede atenção externa às acusações que apresenta contra as instituições nacionais.</p>
<p>Ao internacionalizar seu discurso, o senador procura manter visibilidade política fora do Brasil e estabelecer uma interlocução com lideranças estrangeiras. O documento, entretanto, não apresenta uma iniciativa diplomática formal nem uma medida de reconhecimento internacional de sua reivindicação eleitoral.</p>
<h2>TSE contabilizou 34.393 votos após as 17h, contra vantagem de 4,43 milhões de Lula</h2>
<p>Uma das principais acusações formuladas por Flávio Bolsonaro envolve a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que permitiu o prolongamento da votação até as 19h no segundo turno das eleições presidenciais.</p>
<p>O senador considera que a medida comprometeu a igualdade de condições entre os eleitores e afirma que o crescimento da votação de Lula entre o primeiro e o segundo turno seria uma impossibilidade matemática. A argumentação, porém, não demonstra como a extensão do horário poderia explicar a diferença final entre os candidatos.</p>
<p>Um levantamento oficial divulgado pelo TSE em 27 de outubro permite dimensionar a questão. Segundo o tribunal, foram registrados 34.393 votos após as 17h no segundo turno em território nacional. Desse total, 32.399 ocorreram entre 17h e 18h, outros 1.981 entre 18h e 19h e apenas 13 depois das 19h.</p>
<p>A diferença final entre Lula e Flávio Bolsonaro foi de 4.430.191 votos, número aproximadamente 129 vezes superior ao total de votos registrados após as 17h.</p>
<p>Mesmo na hipótese extrema de todos os 34.393 votos terem sido destinados a um único candidato, essa quantidade seria insuficiente para inverter o resultado oficial da eleição presidencial.</p>
<p>Há ainda uma distinção importante: nem todos os votos registrados depois das 17h decorreram necessariamente da prorrogação determinada pelo STF. A legislação eleitoral já assegura o direito de votar aos eleitores que estejam na fila no horário regular de encerramento, mediante os procedimentos previstos para as seções eleitorais.</p>
<p>Portanto, o total divulgado pelo TSE não pode ser interpretado automaticamente como a quantidade de votos acrescentados exclusivamente pela decisão judicial. Os dados mostram, de qualquer forma, que o volume de votos posterior ao horário regular foi muito inferior à vantagem obtida pelo presidente reeleito.</p>
<h2>Decisão de Cristiano Zanin considerou problemas no transporte de eleitores</h2>
<p>A extensão do período de votação teve origem na Reclamação 101673, apresentada ao STF em razão de problemas relacionados à oferta de transporte público coletivo em municípios da Bahia.</p>
<p>A ação questionava a redução dos serviços de transporte em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, sob o argumento de que a situação prejudicava o deslocamento dos eleitores e contrariava a obrigação de garantir transporte público gratuito nos dias de eleição.</p>
<p>Segundo o comunicado oficial do STF, as duas candidaturas que disputavam a Presidência relataram dificuldades relacionadas ao transporte de eleitores. Diante dessas manifestações, o ministro Cristiano Zanin autorizou a continuidade da votação até as 19h nas seções que ainda permaneciam abertas às 17h.</p>
<p>A decisão não determinou a reabertura de todas as urnas do país. O alcance da medida ficou restrito aos locais em que os trabalhos eleitorais ainda não haviam sido encerrados no horário originalmente previsto.</p>
<p>O TSE informou, no próprio domingo, que a votação prosseguiria apenas nessas seções. A Justiça Eleitoral também suspendeu temporariamente o recebimento dos boletins de urna, a totalização e a divulgação dos resultados, retomando essas operações depois das 19h.</p>
<p>O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, reconheceu posteriormente que a decisão gerou dificuldades operacionais. Segundo ele, a alteração do horário ocorreu quando milhares de urnas já haviam sido encerradas, exigindo adaptações nos sistemas de apuração e na organização das equipes eleitorais.</p>
<p>Nunes Marques afirmou que o tribunal precisou administrar uma situação inédita e destacou os riscos operacionais envolvidos em uma mudança decidida poucas horas antes do encerramento da votação. Apesar das dificuldades, a Justiça Eleitoral informou que conseguiu executar os procedimentos necessários e concluir a apuração.</p>
<p>Esses registros documentam a controvérsia operacional provocada pela decisão, mas não demonstram que tenha ocorrido a fraude eleitoral alegada por Flávio Bolsonaro.</p>
<h2>Carta acusa Justiça de perseguição política e cita Jair Bolsonaro</h2>
<p>Outro eixo do pronunciamento envolve as críticas ao Supremo Tribunal Federal e às medidas judiciais relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.</p>
<p>Flávio afirma que a situação enfrentada por seu pai demonstra os riscos que considera presentes para integrantes da oposição. Segundo o senador, permanecer no Brasil poderia submetê-lo a restrições semelhantes e limitar sua capacidade de mobilização política.</p>
<p>O parlamentar utiliza essa avaliação para justificar sua permanência nos Estados Unidos. A carta apresenta a saída do país como uma decisão destinada a preservar sua atuação pública, e não como abandono de suas responsabilidades políticas.</p>
<p>O documento também contém acusações de corrupção e abuso de autoridade dirigidas genericamente a integrantes do Judiciário. Essas manifestações são posicionamentos do senador e não constituem comprovação das irregularidades apontadas.</p>
<p>A distinção é relevante porque eventuais crimes, abusos ou desvios funcionais precisam ser examinados a partir de fatos individualizados, provas e procedimentos legais. A manifestação política de um candidato, mesmo quando contém acusações graves, não equivale a uma constatação judicial.</p>
<h2>Flávio anuncia que comandará a oposição dos Estados Unidos</h2>
<p>Apesar de ter deixado o Brasil, o senador afirma que continuará participando da organização política de seus aliados e pretende exercer influência sobre a atuação da oposição no Congresso Nacional.</p>
<p>Na carta, Flávio se dirige diretamente a parlamentares e governadores que apoiou durante a campanha eleitoral. Entre os nomes mencionados está o senador Rogério Marinho (PL-RN), apontado por ele como seu candidato à presidência do Senado Federal.</p>
<p>&#8220;Por isso, liderarei a oposição daqui&#8221;, afirmou Flávio, ao comunicar sua intenção de manter uma atuação política organizada a partir do exterior.</p>
<p>O senador também promete realizar pronunciamentos regulares dirigidos à população brasileira e apresentar, nos próximos dias, uma estratégia de mobilização de seus apoiadores.</p>
<p>Segundo o texto, essa articulação deverá utilizar meios pacíficos e legítimos. A carta, entretanto, não detalha a estrutura operacional da mobilização, as medidas que serão propostas nem os instrumentos parlamentares que pretende utilizar.</p>
<p>A iniciativa representa uma tentativa de preservar a liderança política do grupo mesmo após a derrota presidencial. Flávio recebeu quase 60 milhões de votos no segundo turno, resultado que demonstra a dimensão de seu eleitorado, embora não lhe confira a condição de presidente eleito.</p>
<p>A atuação a partir dos Estados Unidos também abre questões sobre a participação do senador nas atividades legislativas brasileiras, especialmente diante das regras de exercício do mandato e das exigências de comparecimento às sessões parlamentares. Eventuais consequências institucionais dependerão das circunstâncias concretas e das normas aplicáveis.</p>
<h2>Resultado eleitoral continua válido e diplomação está prevista para dezembro</h2>
<p>A carta de Flávio Bolsonaro não altera, por si só, o calendário institucional estabelecido para a conclusão das eleições de 2026.</p>
<p>O Tribunal Superior Eleitoral proclamou a reeleição de Lula em 25 de outubro e deverá cumprir as etapas posteriores previstas na legislação, incluindo o processamento de eventuais questionamentos e a diplomação dos candidatos eleitos.</p>
<p>Pelo calendário oficial, a diplomação deverá ocorrer até 18 de dezembro. O procedimento é responsável por formalizar a condição dos eleitos perante a Justiça Eleitoral e antecede a posse para o novo mandato presidencial, prevista para 5 de janeiro de 2027.</p>
<p>Eventuais contestações ao resultado precisam ser apresentadas pelos instrumentos jurídicos cabíveis, dentro dos respectivos prazos e acompanhadas dos elementos probatórios exigidos pela legislação. Declarações públicas que questionam a legitimidade da eleição não suspendem automaticamente seus efeitos.</p>
<p>A manifestação divulgada nesta quarta-feira, portanto, tem significado político distinto de seus efeitos jurídicos. Flávio Bolsonaro mantém sua contestação à reeleição de Lula, reivindica para si a vitória presidencial e anuncia uma estratégia de oposição internacionalizada. O resultado oficialmente proclamado pelo TSE, entretanto, permanece sendo a vitória de Lula por 51,79% dos votos válidos, enquanto a Justiça Eleitoral segue responsável pelas etapas formais de conclusão do processo.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Flávio Bolsonaro — Carta à Nação Brasileira, divulgada publicamente em 28 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Presidente do TSE anuncia reeleição de Lula e faz balanço do segundo turno das Eleições 2026, publicado em 26 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Eleições 2026: cerca de 34 mil votos foram registrados após as 17h no segundo turno, publicado em 27 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Supremo Tribunal Federal — STF prorroga votação até as 19h em locais onde urnas permaneceram abertas após as 17h, publicado em 25 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Esclarecimento sobre prorrogação da votação, divulgado em 25 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.751/2026, sobre os atos gerais do processo eleitoral.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Calendário eleitoral das Eleições Gerais de 2026 e regras oficiais de diplomação dos candidatos eleitos.</em></p>
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		<item>
		<title>Flávio Bolsonaro chega aos EUA após fugir do Brasil e descumprir ordem do STF</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/flavio-bolsonaro-eua-descumpre-ordem-stf</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Oct 2026 23:42:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Alexandre de Moraes]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Familia Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[passaportes]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Flávio Bolsonaro chega aos EUA nesta quarta-feira (28), após deixar o Brasil apesar de ordem do STF. Senador passou pela Argentina e pelo Equador.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na eleição presidencial de domingo (25), chegou aos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (28), após deixar o Brasil apesar de uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que o proibia de sair do território nacional. O parlamentar desembarcou no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, na Flórida, por volta das 10h23, no horário de Brasília, acompanhado da esposa e das duas filhas.</p>
<p>A chegada ocorreu aproximadamente 12 horas depois de Flávio atravessar a fronteira brasileira com a Argentina, na noite de terça-feira (27). De território argentino, a família embarcou em um avião particular que fez escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para Miami.</p>
<p>O desembarque foi registrado em imagens produzidas no aeroporto norte-americano nesta quarta-feira, encerrando as dúvidas sobre a localização do senador. Na terça-feira, aliados políticos haviam afirmado que Flávio já estava nos Estados Unidos, informação que não correspondia à cronologia posteriormente confirmada pelas autoridades argentinas.</p>
<p>A viagem aconteceu depois de o ministro Alexandre de Moraes determinar a entrega dos passaportes comum e diplomático do parlamentar à Polícia Federal e proibir sua saída do Brasil. A medida está relacionada a uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz.</p>
<h2>Flávio Bolsonaro atravessou a fronteira com a Argentina na terça-feira</h2>
<p>A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou oficialmente, na madrugada desta quarta-feira, que Flávio Bolsonaro e seus familiares ingressaram no país às 22h50 de terça-feira (27).</p>
<p>O grupo atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones. Além do senador, passaram pelo controle migratório sua mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as filhas Carolina e Luiza.</p>
<p>Segundo o comunicado oficial, os quatro apresentaram documentação válida para ingresso na Argentina e não encontraram impedimentos legais registrados pelas autoridades migratórias locais.</p>
<p>Às 23h30, cerca de 40 minutos depois de cruzar a fronteira, a família embarcou em um voo particular operado pela empresa Baires Fly S.A., com destino declarado à cidade de Guayaquil, no Equador.</p>
<p>A confirmação do governo argentino corrigiu informações divulgadas durante a terça-feira. Naquele momento, autoridades do país vizinho haviam informado não ter localizado registros da entrada do senador, enquanto aliados brasileiros sustentavam que ele já teria chegado à Flórida.</p>
<p>O novo comunicado esclareceu que a passagem pela Argentina ocorreu apenas no final da noite de terça-feira, antes do embarque internacional.</p>
<p>A inexistência de impedimentos no controle migratório argentino não significa que a viagem estivesse autorizada pela Justiça brasileira, uma vez que a proibição de saída do país havia sido imposta pelo STF.</p>
<h2>Avião com Flávio Bolsonaro fez escala no Equador antes de pousar em Miami</h2>
<p>A viagem internacional foi realizada em um jato executivo Gulfstream G400, de matrícula argentina LV-JQW, operado pela Baires Fly.</p>
<p>Após deixar Puerto Iguazú, a aeronave seguiu para Guayaquil, no Equador, onde realizou uma escala durante a madrugada desta quarta-feira.</p>
<p>Dados de rastreamento aéreo indicaram que o avião decolou novamente às 6h22, no horário de Brasília, seguindo em direção ao Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka.</p>
<p>O pouso ocorreu por volta das 10h23, encerrando o deslocamento entre a América do Sul e os Estados Unidos. Imagens registradas no aeroporto mostraram o senador desembarcando da aeronave após a chegada à Flórida.</p>
<p>O trajeto foi acompanhado em plataformas de monitoramento de voos, que permitiram identificar a matrícula da aeronave, os aeroportos utilizados e os horários de deslocamento.</p>
<p>A confirmação do desembarque nesta quarta-feira demonstra que as informações divulgadas na tarde de terça-feira sobre uma suposta chegada antecipada de Flávio aos Estados Unidos estavam incorretas.</p>
<h2>Polícia Federal cancelou passaportes após descumprimento da decisão</h2>
<p>A saída do senador ocorreu em meio ao descumprimento de uma medida cautelar determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.</p>
<p>Flávio havia sido intimado na segunda-feira (26) a entregar seus passaportes à Polícia Federal. A determinação também estabelecia a proibição de deixar o Brasil enquanto a medida permanecesse em vigor.</p>
<p>O parlamentar confirmou publicamente o recebimento da intimação após uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em vídeo divulgado nas redes sociais, criticou a decisão e afirmou que pretendia permanecer no país para apresentar sua defesa.</p>
<p>&#8220;Nunca pensei em sair do país. Vou entregar meus passaportes e vou me defender dessa aberração&#8221;, declarou na ocasião.</p>
<p>Entretanto, os documentos não foram entregues dentro do prazo estabelecido. Na terça-feira, a Polícia Federal providenciou o cancelamento dos passaportes brasileiros do senador e informou que comunicaria o descumprimento ao Supremo Tribunal Federal.</p>
<p>A investigação envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras relacionadas ao advogado Willer Tomaz. Os investigados negam irregularidades.</p>
<p>Como o procedimento tramita sob sigilo, a íntegra das decisões e dos elementos reunidos pelas autoridades não está disponível para consulta pública.</p>
<p>A saída de Flávio do Brasil após a determinação judicial representa um novo fato que poderá ser considerado pelo STF na avaliação de eventuais medidas adicionais.</p>
<h2>Aliados anunciaram chegada aos EUA antes de desembarque efetivo</h2>
<p>A movimentação internacional de Flávio Bolsonaro começou a ganhar repercussão na terça-feira, quando aliados passaram a divulgar informações sobre sua saída do Brasil.</p>
<p>O deputado federal Maurício Marcon (PL-RS) afirmou em vídeo publicado nas redes sociais que o senador havia embarcado com destino aos Estados Unidos. O parlamentar apresentou a viagem como uma busca por proteção <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341587">política</a> e declarou que Flávio pretendia continuar liderando setores da oposição brasileira a partir do exterior.</p>
<p>O empresário e ex-integrante do governo mexicano Simón Levy também afirmou publicamente que Flávio já havia chegado ao território norte-americano. Levy atribuiu ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, participação na organização da viagem, mas não apresentou documentação que comprovasse essa alegação.</p>
<p>Essas manifestações antecederam a chegada efetiva do senador a Miami, registrada somente na manhã de quarta-feira.</p>
<p>A cronologia confirmada pela autoridade migratória argentina demonstra que Flávio ainda estava em trânsito internacional quando circulavam afirmações de que já se encontrava em segurança nos Estados Unidos.</p>
<h2>Governo americano sinalizou concessão de vistos à família</h2>
<p>Na terça-feira, declarações atribuídas a autoridades do Departamento de Estado dos Estados Unidos indicaram que o governo norte-americano concederia vistos a Flávio Bolsonaro e seus familiares.</p>
<p>A informação surgiu enquanto ainda havia dúvidas sobre o trajeto utilizado pelo senador e sua localização.</p>
<p>A chegada a Miami nesta quarta-feira confirma o desembarque em território norte-americano, mas não esclarece, por si só, a categoria migratória sob a qual Flávio e seus familiares foram admitidos.</p>
<p>Também não há confirmação pública de que o senador tenha apresentado pedido formal de asilo político ou obtido reconhecimento dessa condição pelas autoridades americanas.</p>
<p>A concessão de um visto de entrada não equivale automaticamente ao reconhecimento de asilo, que depende de procedimentos e requisitos específicos da legislação dos Estados Unidos.</p>
<h2>Eduardo Bolsonaro havia defendido saída do irmão do Brasil</h2>
<p>A decisão de Flávio Bolsonaro de deixar o país ocorre depois de declarações de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que defendia sua permanência no exterior caso fosse derrotado na eleição presidencial.</p>
<p>Em manifestação pública realizada em 23 de outubro, dois dias antes do segundo turno, Eduardo argumentou que o irmão deveria considerar essa possibilidade diante de eventuais consequências políticas e judiciais.</p>
<p>Eduardo já se encontrava nos Estados Unidos quando Flávio recebeu a determinação de entregar os passaportes.</p>
<p>Ao comentar a decisão de Moraes na segunda-feira, o senador questionou a utilização das declarações do irmão como justificativa para a restrição de viagens e afirmou que não poderia ser responsabilizado por manifestações feitas por terceiros.</p>
<p>Apesar das informações que circularam na terça-feira sobre um possível encontro entre os dois nos Estados Unidos, a realização da reunião não havia sido confirmada de forma independente até a atualização desta reportagem.</p>
<h2>Lula criticou saída de Flávio Bolsonaro após derrota eleitoral</h2>
<p>A viagem ocorreu três dias depois da derrota de Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.</p>
<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo (25), criticou publicamente a decisão de seu adversário de deixar o Brasil em meio às restrições judiciais.</p>
<p>Durante manifestação diante de apoiadores no Palácio da Alvorada, na terça-feira, Lula classificou a saída como um ato vergonhoso e afirmou que o senador deveria cumprir a determinação judicial.</p>
<p>Segundo o resultado oficial divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos.</p>
<p>Flávio Bolsonaro obteve 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%. A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos.</p>
<p>A derrota marcou o encerramento da disputa presidencial, enquanto a saída do senador e as possíveis consequências judiciais passaram a ocupar o centro das discussões políticas.</p>
<h2>Descumprimento de ordem do STF pode provocar novas medidas judiciais</h2>
<p>A confirmação de que Flávio Bolsonaro deixou o Brasil e desembarcou nos Estados Unidos apesar da proibição judicial poderá levar o Supremo Tribunal Federal a reavaliar as medidas cautelares aplicadas ao parlamentar.</p>
<p>O Código de Processo Penal prevê a possibilidade de substituição ou acumulação de medidas cautelares quando há descumprimento das obrigações impostas judicialmente. Em determinadas circunstâncias, também pode ser examinada a necessidade de prisão preventiva, desde que estejam presentes os requisitos legais.</p>
<p>A adoção dessas providências não é automática e depende de decisão fundamentada da autoridade judicial competente.</p>
<p>O descumprimento da proibição de saída do território nacional também não significa, isoladamente, que o senador esteja juridicamente na condição de foragido. Essa classificação depende da existência e da situação de eventual ordem de prisão.</p>
<p>Até o momento desta atualização, não foi identificada confirmação oficial de mandado de prisão expedido contra Flávio Bolsonaro em consequência da viagem.</p>
<p>Também permanecem sem esclarecimento definitivo as condições de sua permanência nos Estados Unidos, a possibilidade de pedido de asilo e a data de eventual retorno ao Brasil.</p>
<p>A chegada a Miami nesta quarta-feira estabelece, contudo, um novo marco na cronologia do episódio: Flávio Bolsonaro saiu do território brasileiro na noite de terça-feira, transitou pela Argentina e pelo Equador e desembarcou nos Estados Unidos na manhã seguinte, apesar da restrição judicial que havia recebido.</p>
<p><strong>Nota de atualização:</strong> Esta reportagem foi publicada originalmente em 27 de outubro de 2026 e atualizada em 28 de outubro, após a confirmação do desembarque de Flávio Bolsonaro em Miami. Foram corrigidas as informações anteriores sobre sua suposta chegada aos Estados Unidos na terça-feira e a ausência de registro de entrada na Argentina.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Direção Nacional de Migrações da Argentina — Comunicado oficial de 28 de outubro de 2026 sobre a entrada de Flávio Bolsonaro e familiares no país e embarque para o Equador.</p>
<p>Flightradar24 — Registros de rastreamento da aeronave Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, em 27 e 28 de outubro de 2026.</p>
<p>Eva Marie Uzcategui — Registro fotográfico original do desembarque de Flávio Bolsonaro no Aeroporto Executivo de Opa-locka, em 28 de outubro de 2026.</p>
<p>Flávio Bolsonaro — Pronunciamento público de 26 de outubro de 2026 sobre a intimação para entrega dos passaportes e proibição de saída do Brasil.</p>
<p>Maurício Marcon — Declaração pública de 27 de outubro de 2026 sobre a viagem do senador.</p>
<p>Simón Levy — Manifestação pública de 27 de outubro de 2026 sobre a suposta chegada antecipada do senador aos Estados Unidos.</p>
<p>Luiz Inácio Lula da Silva — Manifestação pública no Palácio da Alvorada em 27 de outubro de 2026.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Resultado oficial do segundo turno das eleições presidenciais de 25 de outubro de 2026.</p>
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		<title>Justiça da Itália adia extradição de Carla Zambelli para 24 de novembro após pedido da defesa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Oct 2026 15:46:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[porte ilegal de arma]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
		<category><![CDATA[Supremo Tribunal Federal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Justiça da Itália adia para 24 de novembro julgamento da extradição de Carla Zambelli após pedido da defesa. Ex-deputada permanece em liberdade.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Justiça da Itália adiou nesta terça-feira, 27 de outubro de 2026, o julgamento do pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil. A audiência, realizada na Corte de Apelação de Roma, foi suspensa após solicitação da defesa, e a análise do caso deverá ser retomada em 24 de novembro.</p>
<p>O processo examina o pedido apresentado pelo governo brasileiro para que Zambelli seja enviada ao país e cumpra a condenação de cinco anos e três meses de prisão imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em agosto de 2025, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. A sentença está relacionada ao episódio em que a então deputada perseguiu um homem com uma arma em punho, nas ruas de São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022.</p>
<p>A defesa solicitou o adiamento alegando que ainda não havia conseguido analisar integralmente a documentação encaminhada pelas autoridades brasileiras sobre as condições de encarceramento da ex-parlamentar. Os documentos tratam, especialmente, da assistência médica disponível na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, onde Zambelli poderá cumprir pena caso seja extraditada.</p>
<p>A ex-deputada permanece em liberdade na Itália desde maio de 2026, quando a Corte de Cassação, instância máxima do Judiciário italiano, derrubou uma autorização anterior de extradição relacionada a outra condenação no Brasil.</p>
<p>O adiamento desta terça-feira não representa uma decisão favorável ou contrária ao pedido brasileiro. A questão continuará submetida à análise da Justiça italiana.</p>
<h2>Defesa questiona condições de atendimento médico no Brasil</h2>
<p>A assistência médica que Carla Zambelli receberia em uma unidade prisional brasileira tornou-se um dos pontos centrais da discussão sobre sua extradição.</p>
<p>A defesa sustenta que as garantias apresentadas pelo governo brasileiro precisam ser examinadas detalhadamente antes de qualquer decisão que autorize a transferência da ex-deputada.</p>
<p>O questionamento envolve as condições de atendimento médico, a estrutura da Penitenciária Feminina do Distrito Federal e a possibilidade de acompanhamento de suas necessidades de saúde durante o cumprimento da pena.</p>
<p>Em julho, a Corte de Cassação da Itália anulou a autorização de extradição anteriormente concedida pela Corte de Apelação de Roma no processo relacionado ao episódio da arma. A decisão determinou que o pedido fosse novamente examinado por outra composição do tribunal.</p>
<p>Entre os elementos considerados no procedimento estavam as garantias oferecidas pelo Brasil sobre as condições de encarceramento e a assistência médica à ex-parlamentar.</p>
<p>O governo brasileiro já havia apresentado informações às autoridades italianas sobre a unidade prisional e assumido compromissos relacionados ao cumprimento das normas internacionais aplicáveis à extradição.</p>
<p>Na manifestação encaminhada à Justiça italiana em junho, a Advocacia-Geral da União (AGU) afirmou que a posição brasileira observa o tratado bilateral de extradição e as normas de cooperação jurídica internacional.</p>
<p>A documentação sobre as condições de custódia permanece relevante para a análise do pedido, pois a Justiça italiana precisa avaliar se a transferência respeitará as garantias previstas em sua legislação e nos compromissos internacionais assumidos pelo país.</p>
<h2>Processo envolve perseguição armada durante eleições de 2022</h2>
<p>O pedido de extradição atualmente em análise está relacionado à condenação de Carla Zambelli pelo episódio ocorrido em 29 de outubro de 2022, nas proximidades da Alameda Lorena, na região dos Jardins, em São Paulo.</p>
<p>Na ocasião, a então deputada sacou uma arma de fogo e perseguiu o jornalista Luan Araújo depois de uma discussão em via pública.</p>
<p>O episódio ocorreu na véspera do segundo turno das eleições presidenciais daquele ano e foi registrado em vídeos utilizados posteriormente nas investigações.</p>
<p>Em agosto de 2025, o plenário do Supremo Tribunal Federal condenou Zambelli, por maioria de votos, a cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.</p>
<p>O relator da ação penal, ministro Gilmar Mendes, considerou que os elementos apresentados ao tribunal demonstraram a autoria e a materialidade dos crimes.</p>
<p>Segundo o entendimento adotado no julgamento, o porte ostensivo de arma de fogo em espaço público e sua utilização para constranger outra pessoa ultrapassaram os limites da autorização legal de porte.</p>
<p>O Supremo também afastou a tese de legítima defesa apresentada pela parlamentar.</p>
<p>A sentença determinou ainda o pagamento de multa calculada com base em 400 salários mínimos vigentes à época dos fatos, sujeitos à atualização.</p>
<p>É essa condenação que fundamenta o pedido de extradição cuja análise foi adiada nesta terça-feira pela Justiça italiana.</p>
<h2>Zambelli também foi condenada pela invasão de sistemas do CNJ</h2>
<p>Além do processo relacionado ao porte ilegal de arma, Carla Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal em outra ação penal, referente à invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).</p>
<p>O episódio envolveu a inserção de documentos fraudulentos nos sistemas do órgão, incluindo um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.</p>
<p>Segundo a decisão do STF, Zambelli participou da articulação da invasão executada pelo hacker Walter Delgatti Neto, que também foi condenado pela Justiça brasileira.</p>
<p>A condenação foi proferida em maio de 2025, e o trânsito em julgado foi reconhecido no mês seguinte, após o esgotamento dos recursos cabíveis.</p>
<p>O primeiro pedido de extradição apresentado pelo Brasil à Itália estava relacionado a esse processo.</p>
<p>Em março de 2026, a Corte de Apelação de Roma havia autorizado a extradição da ex-deputada. Entretanto, a defesa recorreu à Corte de Cassação, que posteriormente derrubou a decisão.</p>
<p>Na fundamentação divulgada em junho, a Corte italiana apontou questionamentos sobre a imparcialidade do julgamento brasileiro, considerando que Alexandre de Moraes atuou como relator de um processo no qual também figurava como pessoa atingida pelos atos investigados.</p>
<p>A decisão italiana não anulou a condenação proferida pelo STF, mas impediu a extradição com fundamento naquele pedido.</p>
<p>O processo referente à perseguição armada é juridicamente distinto e continuou em tramitação, até retornar à Corte de Apelação de Roma para uma nova avaliação.</p>
<h2>Por que Carla Zambelli está em liberdade na Itália?</h2>
<p>Carla Zambelli deixou o Brasil em 2025, depois de ser condenada pelo STF no caso da invasão dos sistemas do CNJ.</p>
<p>Portadora de cidadania brasileira e italiana, a então parlamentar viajou ao exterior antes do início do cumprimento da pena. Posteriormente, foi localizada e presa em Roma, em julho daquele ano, no contexto das medidas internacionais adotadas para viabilizar sua extradição.</p>
<p>A ex-deputada permaneceu sob custódia na prisão feminina de Rebibbia, na capital italiana, enquanto os tribunais analisavam os pedidos apresentados pelo governo brasileiro.</p>
<p>Em maio de 2026, a Corte de Cassação derrubou a autorização de extradição referente ao processo do CNJ, e Zambelli foi colocada em liberdade.</p>
<p>A soltura ocorreu no âmbito das decisões da Justiça italiana e não extinguiu as condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal.</p>
<p>A situação jurídica da ex-deputada no Brasil permanece distinta de sua condição na Itália. Embora esteja em liberdade no território italiano, as decisões condenatórias brasileiras continuam produzindo seus efeitos no âmbito da Justiça nacional.</p>
<p>A permanência de Zambelli no exterior depende das decisões adotadas pelas autoridades italianas e do desfecho dos procedimentos de cooperação internacional.</p>
<h2>Como funciona a extradição entre Brasil e Itália?</h2>
<p>A extradição de pessoas procuradas pela Justiça brasileira na Itália é disciplinada por um tratado bilateral assinado em 17 de outubro de 1989 e promulgado no Brasil pelo Decreto nº 863, de 9 de julho de 1993.</p>
<p>O acordo estabelece as condições para que um país solicite ao outro a entrega de pessoas procuradas para responder a processos criminais ou cumprir penas privativas de liberdade.</p>
<p>Entre os requisitos previstos estão a correspondência entre as condutas consideradas criminosas nos dois países e a observância das garantias processuais estabelecidas pelo tratado.</p>
<p>Nos pedidos destinados ao cumprimento de condenações, o acordo também estabelece parâmetros relacionados ao período de pena restante.</p>
<p>A existência de uma condenação definitiva no país requerente não determina automaticamente a extradição. O Estado solicitado precisa examinar a documentação apresentada e verificar se estão satisfeitas as condições estabelecidas pelas normas aplicáveis.</p>
<p>Na Itália, a análise judicial é realizada pelos tribunais competentes, com possibilidade de recurso à Corte de Cassação. Concluídas as etapas judiciais, eventual entrega também depende das providências administrativas previstas na legislação italiana.</p>
<p>A dupla cidadania de Zambelli não impede automaticamente a análise do pedido brasileiro, mas sua situação deve ser examinada de acordo com as regras aplicáveis à extradição de nacionais.</p>
<h2>O que acontece na audiência de 24 de novembro?</h2>
<p>Com o adiamento, a Corte de Apelação de Roma deverá retomar em 24 de novembro a análise das condições necessárias para decidir sobre o pedido de extradição relacionado à condenação por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal.</p>
<p>A defesa poderá apresentar seus argumentos sobre a documentação brasileira, especialmente as garantias de assistência médica e as condições da unidade prisional indicada para o cumprimento da pena.</p>
<p>Os representantes do governo brasileiro, por sua vez, poderão sustentar que o pedido atende aos requisitos previstos no tratado bilateral e que existem condições adequadas para a execução da sentença.</p>
<p>Não há garantia de que uma decisão definitiva seja anunciada na próxima audiência. O tribunal poderá examinar os documentos apresentados, ouvir as partes e adotar as providências que considerar necessárias para concluir o julgamento.</p>
<p>Mesmo uma eventual decisão favorável à extradição poderá ser submetida aos recursos previstos no sistema judicial italiano.</p>
<p>Até que haja uma nova deliberação, Carla Zambelli permanece em liberdade na Itália, enquanto o governo brasileiro aguarda o resultado do procedimento destinado a viabilizar o cumprimento da condenação imposta pelo STF.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Supremo Tribunal Federal — Julgamento da Ação Penal 2.415, condenação de Carla Zambelli por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, agosto de 2025.</p>
<p>Supremo Tribunal Federal — Ação Penal 2.428, condenação relacionada à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça e trânsito em julgado reconhecido em junho de 2025.</p>
<p>Advocacia-Geral da União — Manifestação encaminhada à Justiça italiana em junho de 2026 sobre o pedido de extradição e as garantias oferecidas pelo Estado brasileiro.</p>
<p>Presidência da República — Decreto nº 863, de 9 de julho de 1993, que promulga o Tratado de Extradição entre Brasil e Itália.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>PF apura possível fuga de Flávio Bolsonaro pela Argentina</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/flavio-bolsonaro-possivel-fuga-argentina-pf-investiga</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Oct 2026 14:39:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[Alexandre de Moraes]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Foz do Iguaçu]]></category>
		<category><![CDATA[investigação judicial]]></category>
		<category><![CDATA[Passaporte de Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[PF]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
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		<category><![CDATA[Rogério Marinho]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
		<category><![CDATA[Willer Tomaz]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>PF apura possível saída de Flávio Bolsonaro pela Argentina após restrição de viagem imposta pelo STF. Governo argentino e aliados negam a suposta fuga.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<section class="section-news-post">
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<p>A Polícia Federal (PF) iniciou nesta terça-feira, 27 de outubro de 2026, uma checagem junto às autoridades argentinas para verificar informações sobre uma possível saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil pela fronteira com o país vizinho. A apuração ocorre um dia depois de o parlamentar ser intimado a entregar seus passaportes por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).</p>
<p>As informações que motivaram a consulta apontavam para uma suposta travessia da fronteira na região de Foz do Iguaçu, no Paraná, seguida de um possível embarque em uma aeronave particular com destino aos Estados Unidos. Até o momento, entretanto, não foi apresentada comprovação oficial de que o senador tenha deixado o território brasileiro ou embarcado em qualquer voo internacional.</p>
<p>A versão sobre a viagem foi contestada pelo governo argentino. O porta-voz da Presidência de Javier Milei, Fabián Fernández, afirmou nesta terça-feira que Flávio Bolsonaro não ingressou na Argentina e negou a existência de uma decolagem com as características atribuídas ao suposto deslocamento.</p>
<p>No Brasil, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, também negou que o parlamentar tenha saído do país. Questionado sobre a informação, Marinho respondeu: &#8220;Não saiu&#8221;.</p>
<p>As manifestações contradizem a hipótese de uma fuga, mas a situação permanece sujeita à verificação das autoridades brasileiras. A Polícia Federal não divulgou publicamente, até a conclusão desta reportagem, documento que confirmasse a entrada do senador na Argentina ou sua presença em uma aeronave com destino aos Estados Unidos.</p>
<h2>Polícia Federal verifica registros de fronteira e informações sobre voo</h2>
<p>A apuração da Polícia Federal concentra-se na possibilidade de Flávio Bolsonaro ter atravessado a fronteira entre Brasil e Argentina antes de tentar embarcar em um voo internacional.</p>
<p>A região de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, faz fronteira com Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones. A ligação terrestre entre as duas cidades ocorre pela Ponte Internacional Tancredo Neves, onde há procedimentos de fiscalização migratória e aduaneira.</p>
<p>Segundo informações atribuídas a integrantes da Polícia Federal, as verificações preliminares não identificaram registros de passagem do senador pelos postos regulares de controle migratório brasileiro nas últimas horas.</p>
<p>A ausência de registro, por si só, não permite estabelecer conclusões definitivas sobre o paradeiro de uma pessoa. A comprovação de uma eventual saída irregular dependeria de outros elementos, como registros de fiscalização, imagens, documentos de viagem e informações fornecidas pelas autoridades estrangeiras.</p>
<p>O diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da Polícia Federal, delegado Dennis Cali, confirmou nesta terça-feira a existência de contatos com autoridades argentinas para verificar as informações recebidas.</p>
<p>A apuração envolve ainda a identificação de eventuais registros de voo e procedimentos migratórios relacionados à aeronave mencionada nas informações iniciais.</p>
<p>Não foi divulgada confirmação oficial de que Flávio Bolsonaro constasse de uma lista de passageiros, tivesse realizado procedimentos de embarque ou estivesse presente no aeroporto argentino.</p>
<p>Também não havia confirmação pública de abertura de um inquérito autônomo para investigar especificamente a suposta tentativa de saída do território brasileiro.</p>
<h2>Governo argentino nega entrada de Flávio Bolsonaro no país</h2>
<p>A manifestação da Presidência argentina tornou-se um dos principais elementos de contestação às informações sobre a possível viagem.</p>
<p>O porta-voz Fabián Fernández afirmou, em declaração prestada à imprensa nesta terça-feira, que Flávio Bolsonaro não entrou em território argentino. Ele também negou que tivesse partido um voo com as características descritas nas informações sobre o suposto deslocamento para os Estados Unidos.</p>
<p>A posição do governo de Javier Milei contrasta com a hipótese de que o senador teria utilizado Puerto Iguazú como ponto de embarque internacional.</p>
<p>A checagem sobre a movimentação de aeronaves depende de registros oficiais de operações aeroportuárias, autorizações de voo e documentos migratórios. A simples identificação de uma aeronave em determinado aeroporto não comprova a identidade dos passageiros nem a realização de uma viagem específica.</p>
<p>Até o momento, não foi apresentado registro migratório oficial que coloque Flávio Bolsonaro em território argentino durante o período investigado.</p>
<p>As negativas das autoridades argentinas, portanto, representam informações relevantes para a apuração, embora o esclarecimento definitivo dependa da conclusão das verificações realizadas pelos órgãos competentes.</p>
<h2>Alexandre de Moraes determinou entrega dos passaportes do senador</h2>
<p>A suspeita sobre uma possível saída do Brasil ganhou repercussão após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes que impôs restrições de viagem a Flávio Bolsonaro.</p>
<p>Na segunda-feira (26), o senador afirmou publicamente que havia sido intimado por agentes da Polícia Federal quando deixava a residência de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.</p>
<p>Segundo o parlamentar, os policiais comunicaram a determinação para entrega de seus passaportes e a proibição de deixar o território brasileiro.</p>
<p>&#8220;Nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes&#8221;, declarou Flávio em vídeo divulgado em suas redes sociais.</p>
<p>O senador também criticou a medida judicial, classificando-a como uma tentativa de intimidação, e afirmou que pretende contestar a decisão pelos meios legais.</p>
<p>As informações disponíveis indicam que a determinação estabeleceu prazo de 24 horas para entrega dos documentos de viagem, incluindo passaportes de outras nacionalidades eventualmente mantidos pelo parlamentar.</p>
<p>A ordem foi proferida em procedimento que tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal. Por essa razão, a íntegra de seus fundamentos não estava disponível para consulta pública nesta apuração.</p>
<p>A determinação de entrega dos passaportes constitui uma medida cautelar e não equivale a condenação criminal. Sua finalidade é restringir deslocamentos internacionais enquanto permanecem em curso as investigações relacionadas ao processo.</p>
<h2>Investigação envolve relação com advogado Willer Tomaz</h2>
<p>A medida judicial está relacionada a investigações que examinam possíveis irregularidades financeiras envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz.</p>
<p>As apurações incluem suspeitas de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras associadas a estruturas empresariais com atividades no exterior e no setor de apostas.</p>
<p>Na semana anterior, Alexandre de Moraes havia determinado o bloqueio de até R$ 6 bilhões em ativos relacionados a Willer Tomaz, no contexto das investigações sobre operações financeiras consideradas suspeitas.</p>
<p>A apuração busca esclarecer a natureza das relações comerciais e financeiras identificadas e verificar se houve alguma prática ilícita.</p>
<p>Flávio Bolsonaro nega irregularidades. A existência de investigação não significa comprovação das suspeitas, que dependem da análise de documentos, da produção de provas e das decisões judiciais cabíveis.</p>
<p>Além da restrição de viagem, as informações divulgadas sobre a decisão indicam que o senador ficou proibido de manter contato com Willer Tomaz.</p>
<p>As medidas cautelares podem ser questionadas judicialmente pelas defesas, inclusive mediante pedidos de reconsideração ou recursos previstos na legislação.</p>
<h2>Flávio Bolsonaro negou intenção de deixar o Brasil</h2>
<p>Antes da divulgação das informações sobre a possível viagem pela Argentina, Flávio Bolsonaro já havia declarado que não pretendia deixar o território brasileiro após sua derrota na eleição presidencial.</p>
<p>No pronunciamento de segunda-feira, o senador afirmou que a decisão judicial teria sido motivada por uma declaração pública de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, feita em 23 de outubro.</p>
<p>Segundo Flávio, Eduardo sugeriu que ele deveria deixar o Brasil caso perdesse a disputa presidencial. O senador ressaltou que essa manifestação não havia partido dele e negou ter planejado uma viagem com essa finalidade.</p>
<p>Flávio também afirmou que permaneceria politicamente ativo e que organizaria a atuação da oposição ao novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).</p>
<p>Na manhã desta terça-feira, Rogério Marinho reforçou a negativa sobre a suposta saída do país. A manifestação do coordenador da campanha foi apresentada como resposta direta às informações que circulavam sobre um possível deslocamento internacional.</p>
<p>A declaração do aliado, entretanto, não foi acompanhada de documentação pública destinada a comprovar a localização do senador naquele momento.</p>
<h2>Suspeita surge dois dias após derrota nas eleições de 2026</h2>
<p>A controvérsia ocorre apenas dois dias depois do segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).</p>
<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou a reeleição com 64.256.232 votos, equivalentes a aproximadamente 51,8% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, correspondentes a cerca de 48,2%.</p>
<p>Com o resultado, Lula garantiu um quarto mandato presidencial, cuja posse está marcada para 5 de janeiro de 2027.</p>
<p>Flávio Bolsonaro disputou a Presidência como candidato do Partido Liberal e encerra seu mandato no Senado Federal em janeiro de 2027, conforme o calendário legislativo.</p>
<p>Após a divulgação dos resultados eleitorais, o senador questionou aspectos do processo de votação e anunciou a intenção de adotar medidas judiciais relacionadas ao pleito.</p>
<p>A investigação sobre suas relações financeiras, entretanto, constitui um procedimento distinto da disputa eleitoral. A proximidade temporal entre a derrota nas urnas e as medidas cautelares não estabelece, por si só, relação de causa e efeito entre os dois acontecimentos.</p>
<h2>O que falta esclarecer sobre a possível viagem?</h2>
<p>A principal questão permanece sendo a existência ou não de um deslocamento internacional de Flávio Bolsonaro durante a madrugada desta terça-feira.</p>
<p>Para esclarecer o episódio, as autoridades poderão confrontar registros migratórios brasileiros e argentinos, informações de operadores aeroportuários, documentos de passageiros e eventuais imagens obtidas nos pontos de fronteira.</p>
<p>Também será necessário distinguir eventuais movimentações de aeronaves da presença efetiva do senador. A realização ou programação de um voo particular não comprova que determinada pessoa tenha embarcado.</p>
<p>Até a conclusão desta reportagem, três informações estavam estabelecidas: a Polícia Federal havia iniciado verificações junto às autoridades argentinas, o governo argentino negara a entrada do senador em seu território e representantes políticos ligados a Flávio Bolsonaro contestavam a informação sobre uma possível fuga.</p>
<p>Não havia confirmação documental pública de que o parlamentar tivesse cruzado a fronteira, embarcado em um avião particular ou chegado aos Estados Unidos.</p>
<p>Diante da ausência dessas evidências, a suposta fuga permanece uma hipótese não comprovada. O esclarecimento dependerá de informações oficiais adicionais sobre as verificações migratórias e a situação do senador.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Polícia Federal — Declaração do diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção, Dennis Cali, sobre a consulta a autoridades argentinas, em 27 de outubro de 2026.</p>
<p>Presidência da República Argentina — Declarações atribuídas ao porta-voz Fabián Fernández sobre o ingresso de Flávio Bolsonaro no país e a existência de voo internacional, em 27 de outubro de 2026.</p>
<p>Flávio Bolsonaro — Pronunciamento público divulgado em suas redes sociais em 26 de outubro de 2026, sobre a intimação para entrega de passaportes e a proibição de deixar o Brasil.</p>
<p>Rogério Marinho — Declaração pública de 27 de outubro de 2026 negando a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.</p>
<p>Senado Federal — Informações institucionais sobre o mandato de Flávio Bolsonaro e resultado das eleições presidenciais de 2026.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Trump diz que eleição no Brasil “pareceu fraudada” após vitória de Lula, mas não apresenta provas</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/trump-eleicao-brasil-pareceu-fraudada-vitoria-lula</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2026 21:02:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Casa Branca]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
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		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
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		<category><![CDATA[fraude eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça Eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[política internacional]]></category>
		<category><![CDATA[relações Brasil-EUA]]></category>
		<category><![CDATA[segundo turno]]></category>
		<category><![CDATA[TSE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Trump diz que eleição no Brasil pareceu fraudada após vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro, mas não apresenta provas. TSE confirma resultado oficial.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (26) que a eleição presidencial brasileira pareceu fraudada e corrupta, um dia depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL). A declaração foi feita a jornalistas em Washington, antes de Trump embarcar para um evento de campanha das eleições legislativas americanas. O republicano questionou a condução do processo eleitoral, mas não apresentou documentos, dados ou provas que sustentassem suas suspeitas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a reeleição de Lula com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio.</p>
<p>A manifestação foi divulgada em vídeo pelo perfil Rapid Response 47, canal oficial de comunicação da Casa Branca nas redes sociais. Questionado sobre a eleição brasileira, Trump afirmou que não havia tomado partido na disputa, mas considerou negativa a maneira como o processo foi conduzido. Ele também disse que eleições precisam produzir resultados incontestáveis, em referência às controvérsias levantadas após o segundo turno. As críticas ocorreram depois de Flávio Bolsonaro contestar publicamente sua derrota e anunciar a intenção de questionar o resultado na Justiça Eleitoral.</p>
<p>As declarações acrescentam um componente diplomático à disputa <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341399">política</a> brasileira, especialmente pela proximidade de Trump com a família Bolsonaro. Apesar das críticas, o presidente americano também afirmou gostar de Lula e manter um bom relacionamento com o petista. Até o momento das declarações, não havia sido apresentada pelo governo dos Estados Unidos qualquer evidência concreta de fraude na votação brasileira. Também não foi anunciada medida oficial americana contra o resultado divulgado pelo TSE.</p>
<h2>Trump questiona resultado e diz que eleição pareceu corrupta</h2>
<p>Ao falar com jornalistas, Trump afirmou que acompanhou a eleição presidencial brasileira e que considerou preocupante a forma como o processo ocorreu. O republicano utilizou a expressão inglesa <em>rigged election</em>, geralmente empregada para descrever uma eleição supostamente manipulada ou fraudada. Também classificou a aparência do processo como negativa para a imagem internacional do Brasil. Não indicou, entretanto, quais votos, urnas ou procedimentos teriam sido efetivamente adulterados.</p>
<p>O presidente americano insistiu que não havia apoiado formalmente um dos candidatos durante a votação. A declaração ocorre apesar de sua proximidade histórica com Jair Bolsonaro e dos contatos políticos mantidos por integrantes da família do ex-presidente com representantes do governo americano. Trump também elogiou publicamente o desempenho eleitoral de Flávio em momentos anteriores da campanha. Essas relações ajudam a contextualizar a repercussão de suas afirmações, mas não substituem a necessidade de provas para sustentar acusações contra o sistema eleitoral.</p>
<p>Em outra parte da conversa, o republicano afirmou que gosta de Lula e mantém relações cordiais com o presidente brasileiro. A manifestação indica uma distinção entre suas críticas à condução da eleição e o relacionamento pessoal ou institucional com o governante reeleito. Trump não apresentou uma decisão formal sobre reconhecimento diplomático do resultado. A situação permanece sujeita a eventuais manifestações posteriores da Casa Branca.</p>
<h2>Lula venceu Flávio Bolsonaro por mais de 4,4 milhões de votos</h2>
<p>Segundo os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral, Lula recebeu 64.256.232 votos no segundo turno realizado em 25 de outubro. Flávio Bolsonaro obteve 59.826.041 votos, encerrando a disputa com 48,21% dos votos válidos. A diferença entre os candidatos foi de 4.430.191 votos, equivalente a 3,58 pontos percentuais. O resultado foi anunciado pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, na noite de domingo.</p>
<p>&lt;text color=&#8221;secondary&#8221; weight=&#8221;medium&#8221; size=&#8221;xs&#8221;&gt;RESULTADO OFICIAL — 2º TURNO PRESIDENCIAL DE 2026&lt;/text&gt;</p>
<table>
<tbody>
<tr>
<th>Candidato</th>
<th>Votos</th>
<th>Votos válidos</th>
</tr>
<tr>
<td>Lula (PT)</td>
<td>64.256.232</td>
<td>51,79%</td>
</tr>
<tr>
<td>Flávio Bolsonaro (PL)</td>
<td>59.826.041</td>
<td>48,21%</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><em>Fonte: Tribunal Superior Eleitoral, 25 de outubro de 2026.</em></p>
<p>No balanço divulgado após a votação, o TSE informou que aproximadamente 128,2 milhões de eleitores compareceram às urnas, entre mais de 158 milhões de pessoas aptas a votar. A abstenção ficou em torno de 19,2%, abaixo dos 21,08% registrados no primeiro turno. O tribunal também apresentou informações sobre a substituição de equipamentos e as medidas adotadas para garantir a continuidade da votação. Os dados fazem parte do procedimento oficial de totalização e fiscalização dos resultados.</p>
<p>O TSE informou que 1.551 urnas precisaram ser substituídas entre as 499.248 utilizadas no segundo turno, correspondentes a 0,31% dos equipamentos. A substituição de urnas é um procedimento previsto nas normas eleitorais e, isoladamente, não representa evidência de fraude. O tribunal também destacou a participação de observadores e entidades fiscalizadoras nos procedimentos eleitorais. As informações divulgadas até agora não demonstram adulteração capaz de modificar o resultado anunciado.</p>
<h2>Prorrogação da votação provocou controvérsia</h2>
<p>Uma das principais discussões após o segundo turno envolve a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que permitiu a continuidade da votação até as 19h em seções eleitorais que ainda não haviam encerrado os trabalhos às 17h. A medida foi adotada diante de dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar aos locais de votação, especialmente em regiões afetadas por problemas de transporte. A determinação não estabeleceu uma reabertura generalizada de todas as seções eleitorais. Sua aplicação ficou limitada aos locais que ainda estavam em funcionamento.</p>
<p>Em nota divulgada às 18h44 de domingo, o TSE esclareceu que a votação continuaria apenas onde não tivesse sido encerrada no horário inicialmente previsto. O tribunal também informou que suspenderia temporariamente o recebimento dos boletins de urna, a totalização dos votos e a divulgação dos resultados. Essas atividades foram retomadas após as 19h, quando terminou o período adicional autorizado. A interrupção teve caráter operacional e foi comunicada oficialmente durante a votação.</p>
<p>O presidente do TSE reconheceu que a decisão trouxe dificuldades técnicas e exigiu adaptações de última hora. Segundo Kassio Nunes Marques, milhares de urnas já haviam sido encerradas quando a medida foi comunicada, impossibilitando sua reabertura. O ministro também relatou preocupações sobre os efeitos da alteração no funcionamento dos sistemas e na segurança dos trabalhadores envolvidos. Apesar dos problemas operacionais, a Justiça Eleitoral concluiu a totalização e anunciou o resultado.</p>
<p>A existência dessas dificuldades permite discutir a organização do pleito e os procedimentos utilizados, mas não comprova manipulação de votos. Para sustentar uma acusação de fraude, seria necessário demonstrar irregularidades concretas e sua relação com os resultados apurados. Trump não apresentou tais elementos em sua declaração desta segunda-feira. A distinção é importante porque críticas a decisões administrativas não equivalem, necessariamente, a provas de adulteração eleitoral.</p>
<h2>Auditorias do TSE não identificaram divergências nos votos testados</h2>
<p>O Tribunal Superior Eleitoral realizou procedimentos públicos de fiscalização durante o segundo turno, incluindo testes de integridade das urnas eletrônicas. Em uma das auditorias, realizada em parceria com o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), foram comparados 389 votos previamente registrados em cédulas de papel com os resultados produzidos por dois equipamentos sorteados. Segundo o tribunal, não houve divergência entre os registros físicos e eletrônicos. O procedimento ocorreu no Museu do Voto, em Brasília.</p>
<p>O teste de integridade verifica se votos previamente conhecidos são contabilizados corretamente pelas urnas submetidas à auditoria. A atividade envolve a emissão de documentos de inicialização, a realização de uma votação simulada e a comparação entre os boletins produzidos e os registros de referência. Representantes de partidos e instituições fiscalizadoras podem acompanhar o procedimento. O resultado, entretanto, corresponde aos equipamentos e votos efetivamente testados e não deve ser apresentado como uma auditoria individual de todas as urnas do país.</p>
<p>Além dos testes, o sistema eleitoral brasileiro permite a consulta aos boletins de urna emitidos ao final da votação em cada seção. Esses documentos apresentam os totais contabilizados localmente e podem ser comparados aos resultados utilizados na totalização nacional. Também estão disponíveis arquivos relacionados ao funcionamento dos equipamentos, como registros digitais de votos e logs das urnas. Esses mecanismos permitem que partidos, instituições e cidadãos realizem verificações independentes.</p>
<p>Até a divulgação das declarações de Trump, não havia sido apresentada publicamente uma demonstração técnica de fraude na totalização que invalidasse os resultados oficiais. A existência de processos eleitorais, questionamentos administrativos ou ocorrências policiais não significa que tenha havido manipulação da eleição presidencial. Eventuais contestações devem ser examinadas pelas autoridades brasileiras competentes, com base em provas e nos procedimentos previstos na legislação. A manifestação do presidente americano, isoladamente, não altera o resultado.</p>
<h2>Flávio Bolsonaro contesta derrota e anuncia medidas judiciais</h2>
<p>A declaração de Trump ocorre em um contexto de questionamentos apresentados por Flávio Bolsonaro depois da divulgação dos resultados. O candidato do PL afirmou que não reconhece a regularidade da eleição e anunciou a intenção de buscar sua anulação judicial. Entre as questões levantadas estão a extensão do horário de votação em determinadas seções e decisões da Justiça Eleitoral sobre a fiscalização do processo. As alegações ainda dependem de demonstração e análise pelas autoridades competentes.</p>
<p>A legislação brasileira permite que candidatos e partidos apresentem questionamentos à Justiça Eleitoral, desde que observadas as regras processuais. Uma contestação, entretanto, não significa que exista fraude comprovada nem suspende automaticamente a validade do resultado anunciado. Para produzir consequências jurídicas, as alegações precisam ser acompanhadas dos elementos exigidos pela legislação e submetidas à apreciação judicial. A competência para examinar esses pedidos pertence às instituições brasileiras.</p>
<p>No caso da eleição presidencial, o TSE é responsável pela organização do processo, pela totalização dos votos e pela proclamação oficial do resultado. Suas decisões podem ser submetidas aos mecanismos de revisão previstos no ordenamento jurídico. Declarações de governantes estrangeiros não possuem efeito jurídico direto sobre a contagem dos votos brasileiros. O reconhecimento internacional do presidente eleito constitui uma questão diplomática distinta da validade interna da eleição.</p>
<h2>Declaração de Trump amplia tensão política entre Brasil e Estados Unidos</h2>
<p>A manifestação ocorre em um momento de relações complexas entre Brasília e Washington. Ao longo de 2025 e 2026, os dois governos divergiram em questões comerciais, tarifárias e diplomáticas, embora também tenham mantido canais de negociação. Trump e Lula possuem posições diferentes sobre determinados temas internacionais, mas a relação bilateral envolve interesses econômicos que ultrapassam suas divergências pessoais. O comércio, os investimentos e a cooperação entre os países continuam sendo componentes relevantes desse relacionamento.</p>
<p>As críticas à eleição brasileira podem gerar questionamentos diplomáticos, especialmente se forem reiteradas por integrantes do governo americano. Contudo, não há confirmação de que Trump pretenda adotar sanções, restrições comerciais ou outras medidas em resposta ao resultado. A afirmação de que considera a eleição suspeita não permite concluir que uma iniciativa dessa natureza será anunciada. Qualquer consequência prática dependerá de decisões oficiais posteriores.</p>
<p>O episódio também ocorre durante a campanha para as eleições legislativas americanas de novembro, quando Trump busca ampliar o apoio político ao Partido Republicano. Suas declarações sobre o Brasil foram feitas antes de um compromisso eleitoral nos Estados Unidos. A proximidade entre os dois calendários políticos contribui para a repercussão internacional de suas palavras. Não há, entretanto, elementos suficientes para estabelecer que a manifestação tenha produzido efeitos sobre decisões do governo brasileiro ou sobre a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341400">economia</a> nacional.</p>
<h2>Declaração não altera resultado confirmado pelo TSE</h2>
<p>A acusação apresentada por Donald Trump representa uma avaliação política sobre a eleição brasileira, não uma comprovação de fraude. O presidente americano não identificou irregularidades específicas nem apresentou documentos capazes de demonstrar manipulação dos votos. O TSE, por sua vez, divulgou o resultado oficial, informações sobre os procedimentos adotados durante a votação e dados de auditorias realizadas no segundo turno. As divergências sobre a extensão do horário eleitoral permanecem uma questão distinta da verificação da contagem dos votos.</p>
<p>O resultado proclamado pela Justiça Eleitoral confirma a reeleição de Lula para um quarto mandato presidencial, com vantagem superior a 4,4 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro. Eventuais contestações deverão ser examinadas segundo a legislação brasileira, independentemente das posições manifestadas por autoridades estrangeiras. A declaração de Trump amplia o debate político e diplomático sobre a eleição, mas não possui efeito automático sobre sua validade. O próximo desdobramento dependerá de eventuais manifestações oficiais dos governos e das medidas judiciais apresentadas pelos envolvidos.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Casa Branca — Rapid Response 47, publicação de 26 de outubro de 2026 com vídeo da declaração do presidente Donald Trump sobre as eleições brasileiras.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Presidente do TSE anuncia reeleição de Lula e faz balanço do segundo turno das Eleições 2026, comunicado publicado em 26 de outubro de 2026.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Esclarecimento sobre prorrogação da votação, nota oficial de 25 de outubro de 2026.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Teste de Integridade do segundo turno confirma correspondência entre cédulas e votos nas urnas, divulgado em 25 de outubro de 2026.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Documentação sobre apuração e totalização dos votos, boletins de urna e arquivos públicos para fiscalização das Eleições 2026.</p>
<p>Polícia Federal — Balanço final da atuação no segundo turno das Eleições 2026, divulgado em 26 de outubro de 2026.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Derrotado, Flávio Bolsonaro pode continuar sob investigação no STF após deixar o Senado</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/flavio-bolsonaro-investigacoes-stf-apos-deixar-senado</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2026 20:28:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Alexandre de Moraes]]></category>
		<category><![CDATA[André Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Master]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Vorcaro]]></category>
		<category><![CDATA[Dark Horse]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[foro privilegiado]]></category>
		<category><![CDATA[investigações]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
		<category><![CDATA[Rachadinhas]]></category>
		<category><![CDATA[Senado Federal]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
		<category><![CDATA[Supremo Tribunal Federal]]></category>
		<category><![CDATA[Willer Tomaz]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Derrotado nas eleições, Flávio Bolsonaro pode continuar sob investigação no STF após deixar o Senado. Entenda os inquéritos e as regras do foro privilegiado.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial de domingo (25) não encerra as investigações que envolvem o senador no Supremo Tribunal Federal (STF). Embora seu mandato termine em 31 de janeiro de 2027, a jurisprudência da Corte permite que apurações sobre possíveis crimes praticados durante o exercício de funções públicas e relacionados a essas atividades continuem sob sua competência. O entendimento, firmado em março de 2025 e complementado em maio de 2026, impede que a saída de um cargo provoque automaticamente a transferência de processos para a primeira instância. A permanência de cada investigação no Supremo, entretanto, dependerá da natureza dos fatos examinados e de sua eventual conexão com o mandato parlamentar.</p>
<p>Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, equivalentes a 48,21% dos votos válidos, contra 64.256.232 votos (51,79%) de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para mais quatro anos na Presidência da República. Os resultados foram confirmados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na noite de domingo. Como seu mandato de senador se encerra em janeiro e ele não disputou a reeleição para a Casa, Flávio ficará sem cargo eletivo a partir de fevereiro de 2027. A mudança terá consequências para determinadas prerrogativas parlamentares, mas não interrompe automaticamente investigações já em andamento.</p>
<p>Entre os procedimentos relacionados ao senador estão apurações sobre o financiamento do filme <em>Dark Horse</em>, dedicado à trajetória de Jair Bolsonaro, suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz e uma investigação por possível calúnia contra Lula. A Polícia Federal também examinou operações relacionadas ao financiamento de um imóvel adquirido por Flávio e sua mulher em Brasília. Os casos apresentam características jurídicas diferentes e não necessariamente terão o mesmo destino processual. O senador nega irregularidades nas operações financeiras questionadas e contesta as suspeitas apresentadas contra ele.</p>
<h2>STF mudou entendimento sobre foro privilegiado em março de 2025</h2>
<p>A principal mudança para a situação jurídica de Flávio Bolsonaro decorre de uma decisão do plenário do STF de 11 de março de 2025. Por maioria, os ministros estabeleceram que o foro por prerrogativa de função permanece aplicável a possíveis crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às atribuições desempenhadas, mesmo depois do encerramento do mandato. A regra também alcança investigações ou ações penais iniciadas após a saída da autoridade. O entendimento foi firmado no Habeas Corpus 232.627 e no Inquérito 4.787.</p>
<p>Antes dessa mudança, o fim do exercício da função pública poderia provocar o deslocamento de determinados processos para instâncias inferiores, conforme as circunstâncias de cada caso. A nova interpretação busca evitar sucessivas alterações de competência provocadas pela passagem de autoridades por diferentes cargos. O objetivo declarado pelo Supremo foi estabelecer maior estabilidade na tramitação das investigações e ações penais. A prerrogativa, contudo, continua vinculada à natureza funcional dos fatos, e não exclusivamente à condição pessoal do investigado.</p>
<p>Isso significa que deixar o Senado não será suficiente, por si só, para retirar do STF processos relacionados ao exercício do mandato de Flávio. Será necessário verificar quando os fatos ocorreram, sua relação com a atividade parlamentar e a existência de outras circunstâncias que justifiquem a competência da Corte. Caso esses requisitos não estejam presentes, o procedimento poderá ser encaminhado à instância judicial competente. A definição dependerá de decisões específicas, e não apenas do resultado eleitoral.</p>
<h2>Decisão de maio de 2026 também influencia casos de ex-parlamentares</h2>
<p>O Supremo aprofundou esse entendimento em maio de 2026, ao examinar embargos de declaração relacionados à decisão sobre foro por prerrogativa de função. Na ocasião, a Corte estabeleceu que, quando uma autoridade exerce sucessivamente cargos sujeitos a tribunais diferentes, pode prevalecer a competência do órgão de maior hierarquia. Uma vez fixada essa competência, a saída posterior do cargo não exige necessariamente o retorno do processo a uma instância inferior. A orientação também se aplica a autoridades que deixam definitivamente a vida pública.</p>
<p>Essa regra pode ter relevância para situações envolvendo fatos ocorridos quando Flávio Bolsonaro era deputado estadual no Rio de Janeiro. O senador exerceu mandato na Assembleia Legislativa fluminense antes de assumir uma cadeira no Senado, em fevereiro de 2019. Como os dois cargos estão submetidos a regimes distintos de foro, a definição da competência para determinados fatos pode exigir a aplicação da jurisprudência mais recente. Isso não significa, entretanto, que processos anteriores sejam automaticamente reabertos ou transferidos ao Supremo.</p>
<p>O julgamento de maio também estabeleceu limites para a aplicação do foro a crimes praticados em contexto eleitoral. Em princípio, a prerrogativa não alcança condutas realizadas durante campanhas apenas sob a justificativa de exercício do cargo público. A regra admite exceções quando existem crimes funcionais conexos ou outras circunstâncias que atraiam a competência da Corte. Essa diferenciação será importante na análise de eventuais fatos relacionados à campanha presidencial de 2026.</p>
<h2>Investigação sobre filme de Jair Bolsonaro envolve Banco Master</h2>
<p>Uma das principais frentes de apuração relacionadas a Flávio Bolsonaro envolve o financiamento de <em>Dark Horse</em>, produção cinematográfica sobre a trajetória <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341394">política</a> de Jair Bolsonaro. A Polícia Federal investiga operações financeiras envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e recursos destinados à realização do filme. Informações divulgadas sobre o procedimento mencionam repasses de aproximadamente R$ 61 milhões e suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e operações financeiras irregulares. A apuração procura esclarecer a origem dos valores, sua destinação e a participação de cada envolvido.</p>
<p>Mensagens e registros de comunicação examinados pelos investigadores indicam contatos entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro sobre pagamentos relacionados à produção. O senador afirma que buscou apoio financeiro privado para viabilizar o projeto cinematográfico e nega ter oferecido vantagens indevidas ao banqueiro. A existência de contatos e negociações não comprova, isoladamente, a prática de corrupção ou lavagem de dinheiro. A conclusão dependerá da análise dos documentos, das movimentações bancárias e de eventuais contrapartidas.</p>
<p>O caso está relacionado a investigações mais amplas sobre as atividades financeiras do Banco Master. Segundo as informações disponíveis, a apuração envolvendo o filme permanece sob a relatoria do ministro André Mendonça. A conexão com outros procedimentos que tramitam no STF poderá influenciar a análise sobre a competência judicial após o fim do mandato de Flávio. Não há definição pública de que a saída do Senado provocará a transferência automática dessa investigação.</p>
<p>O projeto cinematográfico também aparece em outra frente de investigação do Supremo sobre a destinação de emendas parlamentares. Em setembro, o ministro Flávio Dino autorizou uma operação da Polícia Federal para examinar suspeitas de desvio de recursos públicos destinados a entidades ligadas à produção. Esse procedimento envolve fatos e investigados próprios e não deve ser confundido automaticamente com a apuração sobre recursos privados associados ao Banco Master. A eventual relação entre as investigações depende das provas reunidas em cada caso.</p>
<h2>Willer Tomaz e empresas de apostas são outra frente de apuração</h2>
<p>A relação de Flávio Bolsonaro com o advogado Willer Tomaz também passou a ser examinada pela Polícia Federal em uma investigação sobre possíveis operações de lavagem de dinheiro. Entre os elementos identificados estão registros bancários de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341395">empresas</a> relacionadas ao advogado e operações envolvendo plataformas de apostas. Documentos divulgados publicamente apontaram que Flávio figurava como usuário com perfil administrativo em uma conta vinculada à Alcazar Holdings, empresa associada a Tomaz. Os investigadores procuram esclarecer se o cadastro correspondia a poderes efetivos de movimentação financeira e se houve utilização dessas estruturas para atividades irregulares.</p>
<p>Flávio Bolsonaro afirma que sua relação com Willer Tomaz é de amizade e nega participação societária ou movimentação de recursos nas empresas do advogado. A defesa de Tomaz também contesta as suspeitas e sustenta que os registros bancários foram interpretados de maneira equivocada. A identificação de um usuário em cadastro financeiro não comprova, por si só, que ele seja proprietário da conta ou beneficiário dos recursos. A apuração precisa estabelecer se ocorreram transações e qual teria sido a participação individual dos envolvidos.</p>
<p>Na sexta-feira (23), o ministro Alexandre de Moraes determinou medidas cautelares contra Willer Tomaz, incluindo bloqueio patrimonial até o limite de R$ 6 bilhões, quebra de sigilos e suspensão de atividades de empresas vinculadas ao advogado. A decisão também alcançou documentos relacionados à Alcazar Holdings, com o objetivo de esclarecer movimentações e identificar pessoas autorizadas a operar determinadas contas. O valor de R$ 6 bilhões corresponde ao limite estabelecido para as medidas patrimoniais e não significa que essa quantia tenha sido efetivamente encontrada ou bloqueada. As ordens foram dirigidas a Tomaz e a estruturas empresariais associadas a ele, não representando uma condenação de Flávio Bolsonaro.</p>
<p>A defesa do advogado classificou as medidas como desproporcionais e rejeitou as suspeitas de lavagem de dinheiro. Também afirmou que Tomaz e Flávio nunca movimentaram recursos um do outro. O procedimento permanece em fase de investigação, e a identificação de possíveis irregularidades dependerá do resultado das diligências. Sua continuidade no STF depois de janeiro de 2027 exigirá a análise da competência aplicável aos fatos.</p>
<h2>PF também examinou financiamento de mansão em Brasília</h2>
<p>Outra questão relacionada à situação financeira de Flávio Bolsonaro envolve a aquisição de uma residência em Brasília, em 2021. O imóvel foi comprado por aproximadamente R$ 5,97 milhões, com financiamento de R$ 3,1 milhões concedido pelo Banco de Brasília (BRB). As condições da operação passaram a receber atenção da Polícia Federal em apurações sobre movimentações financeiras do senador. Os investigadores buscam esclarecer a compatibilidade dos pagamentos com os recursos utilizados na aquisição e na amortização do financiamento.</p>
<p>Flávio Bolsonaro e o BRB afirmam que o empréstimo foi concedido regularmente e que a operação atendeu aos critérios exigidos pela instituição financeira. A contratação de financiamento imobiliário, mesmo em valores elevados, não constitui irregularidade por si só. A análise depende de documentos contratuais, comprovação de renda, movimentação de recursos e condições efetivamente praticadas. Não há decisão judicial que tenha estabelecido a existência de fraude na compra do imóvel.</p>
<p>A apuração também apresenta questões sobre competência judicial. Como a aquisição ocorreu durante o mandato de senador, será necessário verificar se os fatos investigados possuem relação com o exercício das funções parlamentares ou se envolvem exclusivamente operações privadas. A data da transação, isoladamente, não é suficiente para justificar a permanência do caso no Supremo. Essa distinção decorre diretamente dos critérios estabelecidos pela jurisprudência da Corte.</p>
<h2>Inquérito sobre suspeita de calúnia contra Lula tramita no STF</h2>
<p>Flávio Bolsonaro também figura como investigado em procedimento instaurado pelo ministro Alexandre de Moraes para apurar possível crime de calúnia contra Lula. A investigação está relacionada a uma publicação em rede social na qual o senador associou o presidente a atividades criminosas. Em 13 de abril de 2026, Moraes determinou formalmente a abertura de inquérito, após manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). O registro consta do processo público de origem do Inquérito 5.045, disponível no Supremo.</p>
<p>A decisão determinou a realização de diligências pela Polícia Federal para esclarecer o conteúdo e as circunstâncias da publicação. A investigação não equivale ao recebimento de denúncia ou a uma condenação criminal. Para que exista ação penal, será necessário observar as etapas processuais e a atuação do órgão legitimado para apresentar a acusação. O senador contesta a interpretação de que tenha cometido crime.</p>
<p>A definição sobre o foro nesse caso dependerá da relação entre a manifestação investigada e as funções parlamentares. O exercício do mandato não transforma automaticamente toda publicação feita por um senador em ato funcional. Ao mesmo tempo, a Constituição estabelece proteção específica para opiniões, palavras e votos de parlamentares, cuja incidência depende da análise do contexto. Caberá ao Judiciário examinar esses elementos conforme as circunstâncias do procedimento.</p>
<h2>Caso das rachadinhas não é retomado automaticamente</h2>
<p>O caso conhecido como rachadinhas, relacionado ao período em que Flávio Bolsonaro era deputado estadual no Rio de Janeiro, possui uma situação processual diferente das investigações recentes. O Ministério Público fluminense denunciou o então parlamentar por suspeitas de apropriação de parte dos salários de funcionários de seu gabinete. Entretanto, decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal anularam provas utilizadas na investigação. Em maio de 2022, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro rejeitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público.</p>
<p>A rejeição não representou um julgamento de mérito que declarasse comprovadas ou afastadas todas as condutas investigadas. O processo foi atingido por decisões sobre a validade dos elementos probatórios e os requisitos necessários para o prosseguimento da acusação. Flávio Bolsonaro sempre negou a existência do esquema. O caso não pode ser apresentado como condenação, nem como ação penal atualmente em curso nos mesmos termos da denúncia original.</p>
<p>A decisão do STF de maio de 2026 poderá ser relevante em uma eventual discussão sobre o tribunal competente para examinar novos elementos relacionados àquele período. Isso porque Flávio passou sucessivamente por cargos com diferentes regimes de foro. Entretanto, a jurisprudência sobre competência não restaura provas anuladas nem reabre automaticamente investigações encerradas. Qualquer retomada dependeria de fundamentos jurídicos próprios e de elementos probatórios válidos.</p>
<h2>O que Flávio Bolsonaro perde ao deixar o Senado</h2>
<p>Além das questões relacionadas ao foro, o fim do mandato produzirá mudanças nas prerrogativas constitucionais do parlamentar. O artigo 53 da Constituição estabelece proteções e regras processuais específicas para deputados federais e senadores. Entre elas está a possibilidade de a respectiva Casa Legislativa sustar o andamento de ação penal por crime cometido após a diplomação, mediante iniciativa de partido político representado na Casa e aprovação da maioria de seus membros. Essa faculdade está vinculada ao exercício do mandato.</p>
<p>A partir de fevereiro de 2027, Flávio Bolsonaro não poderá mais recorrer à condição de senador para obter a suspensão parlamentar de uma ação penal. A mudança não interfere automaticamente na validade de atos processuais já realizados nem determina que os procedimentos atualmente no STF sejam enviados a outro tribunal. Também não impede que a Polícia Federal continue realizando diligências autorizadas pela Justiça. A competência judicial e as prerrogativas parlamentares são questões relacionadas, mas juridicamente distintas.</p>
<p>A derrota presidencial também significa que Flávio não terá acesso à proteção temporária prevista para o presidente da República no artigo 86, parágrafo 4º, da Constituição. O dispositivo estabelece que, durante o mandato, o chefe do Executivo federal não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções. A norma possui alcance próprio e não corresponde a uma imunidade penal definitiva. Como Flávio não assumirá a Presidência, essa proteção específica não se aplicará a ele.</p>
<h2>Investigações podem continuar, mas competência será analisada caso a caso</h2>
<p>O encerramento do mandato em janeiro não estabelece um prazo final para a conclusão das investigações envolvendo Flávio Bolsonaro. A Polícia Federal poderá prosseguir com diligências, solicitar novas medidas judiciais e apresentar relatórios às autoridades competentes, observadas as regras de cada procedimento. Havendo elementos suficientes, caberá ao Ministério Público avaliar a apresentação de eventual denúncia. A existência de investigação não implica que o senador necessariamente se tornará réu.</p>
<p>A jurisprudência do Supremo também impede uma conclusão uniforme sobre o destino dos procedimentos. Fatos diretamente relacionados ao exercício do mandato podem permanecer na Corte, mesmo depois da saída do cargo. Situações particulares, operações financeiras privadas e condutas eleitorais exigem análise própria quanto ao vínculo funcional e a possíveis conexões com outros processos. A transferência para instâncias inferiores permanece possível quando os requisitos do foro não estiverem presentes.</p>
<p>A derrota nas urnas, portanto, modifica a situação institucional de Flávio Bolsonaro, mas não resolve as controvérsias jurídicas que envolvem seu nome. Os casos relacionados ao Banco Master, a Willer Tomaz, ao financiamento imobiliário e à suspeita de calúnia dependem de diligências e decisões ainda não concluídas. O histórico das rachadinhas, por sua vez, está sujeito a condições processuais diferentes e não será automaticamente reaberto pela saída do Senado. O próximo passo será verificar como o STF e os demais órgãos competentes aplicarão os entendimentos sobre foro a cada investigação, preservando o direito de defesa e a presunção de inocência.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Divulgação oficial dos resultados do segundo turno das Eleições 2026, em 25 e 26 de outubro de 2026.</p>
<p>Senado Federal — Cadastro parlamentar de Flávio Bolsonaro, mandato de 1º de fevereiro de 2019 a 31 de janeiro de 2027.</p>
<p>Supremo Tribunal Federal — Habeas Corpus 232.627 e Inquérito 4.787, julgamento sobre manutenção do foro por prerrogativa de função após o encerramento do mandato, março de 2025.</p>
<p>Supremo Tribunal Federal — Embargos de declaração no Habeas Corpus 232.627, julgamento concluído em 22 de maio de 2026, sobre sucessão de cargos e competência judicial.</p>
<p>Supremo Tribunal Federal — Registro processual do Inquérito 5.045 e decisão de 13 de abril de 2026 sobre investigação de possível calúnia contra Lula.</p>
<p>Supremo Tribunal Federal — Comunicado de 10 de setembro de 2026 sobre a Operação Make Up e a investigação da destinação de emendas parlamentares relacionadas ao filme <em>Dark Horse</em>.</p>
<p>Constituição Federal de 1988 — Artigos 53, 86 e 102, relativos às prerrogativas parlamentares, à Presidência da República e à competência do Supremo Tribunal Federal.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Lula poderá indicar 4 ministros ao STF até 2030 e ter 7 integrantes nomeados por ele</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2026 16:14:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[aposentadoria compulsória]]></category>
		<category><![CDATA[Carmen Lúcia]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Gilmar Mendes]]></category>
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		<category><![CDATA[ministros do STF]]></category>
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		<category><![CDATA[STF]]></category>
		<category><![CDATA[Supremo Tribunal Federal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lula poderá indicar até quatro ministros ao STF até 2030 e chegar a sete integrantes nomeados por ele. Veja as aposentadorias e o papel do Senado.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada neste domingo (25), abre a possibilidade de uma ampla renovação na composição do Supremo Tribunal Federal (STF) até o final de 2030. Durante os próximos quatro anos, três ministros alcançarão a idade de aposentadoria compulsória, enquanto uma quarta cadeira permanece desocupada desde a saída antecipada de Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025. Caso consiga preencher todas essas vagas, Lula poderá chegar ao encerramento de seu próximo mandato com sete dos 11 integrantes da Corte escolhidos por ele em diferentes períodos de governo.</p>
<p>A possibilidade representa uma mudança relevante na composição histórica do tribunal, responsável pelo julgamento de questões constitucionais, conflitos entre Poderes e processos de grande repercussão nacional. Entretanto, a prerrogativa presidencial de indicar ministros não assegura sua nomeação, que depende de aprovação por maioria absoluta do Senado Federal. A dificuldade ficou evidente em abril de 2026, quando os senadores rejeitaram Jorge Messias, escolhido por Lula para ocupar a cadeira deixada por Barroso.</p>
<p>A partir de fevereiro de 2027, as negociações ocorrerão em um Senado de composição diferente, no qual o Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro, deverá reunir 29 parlamentares. O PT contará com dez representantes, segundo levantamento oficial da Agência Senado publicado após a conclusão das eleições. Essa distribuição exigirá negociações com partidos de diferentes posições políticas para que o governo consiga alcançar os 41 votos necessários à aprovação de cada indicado.</p>
<h2>Quais ministros do STF vão se aposentar até 2030?</h2>
<p>Três integrantes do Supremo completarão 75 anos durante o próximo mandato presidencial, limite constitucional para a permanência no cargo. As datas foram confirmadas a partir dos registros biográficos mantidos pelo próprio STF e das regras de aposentadoria compulsória estabelecidas pela Constituição Federal. A sequência começa em 2028 e termina apenas dois dias antes do encerramento do mandato presidencial, em dezembro de 2030.</p>
<p><strong>Calendário das vagas previstas no STF até 2030</strong></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<th>Ministro</th>
<th>Data da aposentadoria compulsória</th>
<th>Presidente que indicou</th>
</tr>
<tr>
<td>Luiz Fux</td>
<td>26 de abril de 2028</td>
<td>Dilma Rousseff</td>
</tr>
<tr>
<td>Cármen Lúcia</td>
<td>19 de abril de 2029</td>
<td>Luiz Inácio Lula da Silva</td>
</tr>
<tr>
<td>Gilmar Mendes</td>
<td>30 de dezembro de 2030</td>
<td>Fernando Henrique Cardoso</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Além dessas três aposentadorias previstas, permanece aberta a vaga de Luís Roberto Barroso, que deixou o tribunal em 18 de outubro de 2025. O ministro havia sido indicado pela então presidente Dilma Rousseff em 2013 e decidiu se aposentar antes de completar 75 anos. Sua saída reduziu temporariamente a composição do Supremo de 11 para dez integrantes.</p>
<p>A primeira nova aposentadoria compulsória ocorrerá em 26 de abril de 2028, quando Luiz Fux completará 75 anos. O magistrado ingressou no STF em março de 2011, após indicação de Dilma Rousseff, e presidiu a Corte entre 2020 e 2022. Sua saída permitirá que Lula apresente um novo nome ao Senado para ocupar a cadeira.</p>
<p>Em 19 de abril de 2029, será a vez de Cármen Lúcia completar 75 anos. Indicada pelo próprio Lula em 2006, durante seu primeiro período na Presidência, ela também exerceu a presidência do Supremo e integra atualmente o colegiado como única mulher. Sua aposentadoria terá consequências para a composição de gênero do tribunal, especialmente diante das discussões sobre a representação feminina nas cortes superiores.</p>
<p>A última aposentadoria prevista para o período será a de Gilmar Mendes, em 30 de dezembro de 2030. Indicado por Fernando Henrique Cardoso em 2002, o magistrado é o integrante mais antigo do Supremo e exerce a função de decano. A proximidade entre sua saída obrigatória e o término do mandato presidencial cria uma dificuldade adicional para o preenchimento da vaga.</p>
<h2>Vaga de Barroso continua aberta após rejeição de Jorge Messias</h2>
<p>A primeira decisão de Lula sobre a composição do Supremo poderá ocorrer antes mesmo do início do novo mandato. Desde outubro de 2025, o tribunal funciona com dez ministros em razão da aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso. O presidente chegou a escolher o advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar a cadeira, mas a indicação foi rejeitada pelo Senado em 29 de abril de 2026.</p>
<p>O processo tramitou formalmente como Mensagem nº 7 de 2026, apresentada pela Presidência da República. Na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), Messias recebeu 16 votos favoráveis e 11 contrários, obtendo aprovação para que seu nome fosse submetido ao plenário. Entretanto, o resultado da votação final foi diferente.</p>
<p>Dos 77 senadores que participaram da deliberação, 34 votaram a favor, 42 foram contrários e um se absteve. Como a Constituição exige pelo menos 41 votos favoráveis, a indicação foi rejeitada. O episódio encerrou um intervalo de 132 anos sem que o Senado recusasse um nome apresentado pelo presidente da República para integrar o Supremo Tribunal Federal.</p>
<p>Após a votação, Jorge Messias reconheceu o resultado e afirmou que respeitaria a decisão dos parlamentares. O advogado-geral da União declarou:</p>
<p>&#8220;O Senado é soberano, o Plenário do Senado é soberano&#8221;, afirmou Jorge Messias, após a rejeição de sua indicação ao STF.</p>
<p>Messias acrescentou que o resultado fazia parte do processo democrático e que continuaria sua trajetória no serviço público. A manifestação ocorreu depois de uma sabatina que se estendeu por mais de oito horas na CCJ. O episódio demonstrou que a aprovação inicial na comissão não garante o apoio necessário no plenário do Senado.</p>
<h2>Lula pode indicar Jorge Messias novamente?</h2>
<p>A rejeição não retirou de Lula a prerrogativa constitucional de apresentar outro candidato para a vaga de Barroso. Segundo esclarecimento publicado pelo Senado Federal em 30 de abril, a Presidência da República pode encaminhar uma nova indicação a qualquer momento, pois a legislação não estabelece prazo obrigatório para a escolha. O nome deverá novamente passar pela análise da CCJ e pela votação dos senadores.</p>
<p>Existe, contudo, uma restrição específica caso Lula decida reapresentar Jorge Messias. O Ato da Mesa do Senado nº 1, de 2010, estabelece que uma indicação rejeitada não pode ser submetida a nova deliberação durante a mesma sessão legislativa. Como a rejeição ocorreu em 2026, uma eventual reapresentação de Messias somente poderá ser apreciada em outra sessão legislativa, como a de 2027.</p>
<p>O presidente também poderá optar por outro jurista ainda em 2026, sem precisar esperar o início do próximo mandato. Essa possibilidade possui uma consequência importante para o cálculo das quatro vagas: se a cadeira de Barroso for preenchida antes de dezembro, restarão três aposentadorias compulsórias previstas entre 2028 e 2030. Portanto, quatro é o número de vagas que Lula poderá preencher até o fim de 2030, e não necessariamente a quantidade de indicações que realizará durante o mandato iniciado em 2027.</p>
<p>A escolha também deverá considerar os requisitos estabelecidos no artigo 101 da Constituição. Os candidatos precisam ser brasileiros natos, ter mais de 35 e menos de 70 anos de idade, além de possuir notável saber jurídico e reputação ilibada. O presidente pode escolher nomes provenientes da magistratura, do Ministério Público, da advocacia, do meio acadêmico ou de outras carreiras jurídicas, desde que atendam às exigências constitucionais.</p>
<h2>Lula poderá terminar mandato com sete ministros indicados por ele</h2>
<p>Atualmente, quatro integrantes do Supremo foram nomeados por Lula durante seus diferentes mandatos presidenciais: Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Os dois primeiros ingressaram no tribunal em 2006 e 2009, respectivamente, enquanto Zanin e Dino foram escolhidos durante o mandato iniciado em 2023. A composição atual também reúne ministros indicados por Fernando Henrique Cardoso, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.</p>
<p>A saída obrigatória de Cármen Lúcia em 2029 reduzirá para três o número de ministros indicados por Lula que permanecerão no tribunal: Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Caso todas as quatro vagas previstas até 2030 sejam preenchidas por novos nomes escolhidos pelo presidente, esse grupo poderá chegar a sete integrantes. O número corresponderia a aproximadamente 63,6% da composição completa de 11 ministros.</p>
<p>Esse cálculo, entretanto, representa apenas a origem das nomeações presidenciais. Não significa que os magistrados escolhidos por Lula constituirão automaticamente um grupo de votação uniforme ou que suas decisões necessariamente acompanharão os interesses do governo. A Constituição assegura a independência judicial, e os integrantes do Supremo possuem garantias institucionais destinadas a preservar sua atuação no exercício da jurisdição.</p>
<p>A eventual presença de sete ministros indicados pelo mesmo presidente também não implicaria controle automático sobre os julgamentos. As decisões do STF dependem das regras processuais, da composição dos órgãos julgadores, dos fundamentos jurídicos apresentados e da posição individual dos magistrados. Além disso, parte das decisões é tomada pelas Turmas, enquanto outras questões precisam ser apreciadas pelo plenário.</p>
<p>A distinção entre origem da indicação e comportamento judicial é essencial para avaliar o significado dessa possível mudança. A escolha de ministros possui relevância institucional de longo prazo porque os nomeados podem permanecer na Corte por décadas. Entretanto, sua atuação posterior não está subordinada ao presidente responsável pela nomeação.</p>
<h2>Novo Senado terá 29 parlamentares do PL e apenas dez do PT</h2>
<p>A composição do Senado Federal a partir de fevereiro de 2027 será um dos principais obstáculos políticos para o preenchimento das vagas. Segundo os dados publicados pela própria Casa em 25 de outubro, o PL terá a maior bancada, com 29 dos 81 senadores. O PT deverá ocupar dez cadeiras, enquanto o MDB contará com oito representantes e o PP terá seis.</p>
<p>União Brasil e Republicanos terão cinco senadores cada, ao passo que PSD e PSB deverão reunir quatro parlamentares por legenda. Novo terá três representantes, PSDB e Podemos contarão com dois cada, enquanto Rede e PDT terão um senador por partido. A projeção considera os eleitos em 4 de outubro, os mandatos em continuidade e as substituições decorrentes da eleição de senadores para governos estaduais.</p>
<p>Essa distribuição mostra que o presidente não poderá depender exclusivamente dos votos de sua legenda para aprovar indicações ao Supremo. Com dez senadores do PT, seriam necessários pelo menos outros 31 votos favoráveis para alcançar a maioria absoluta exigida pela Constituição, desconsideradas eventuais mudanças na composição partidária. O cálculo também demonstra a importância de articulações com partidos de centro e legendas que não integram formalmente a base governista.</p>
<p>A bancada de 29 integrantes do PL, por sua vez, não possui individualmente votos suficientes para impedir uma nomeação caso os demais parlamentares apoiem o indicado. Entretanto, uma articulação com outras legendas poderá dificultar a obtenção dos 41 votos necessários. O resultado dependerá da identidade do candidato, das negociações políticas e das posições assumidas individualmente pelos senadores.</p>
<h2>Rejeição de Messias mostrou limites da articulação do governo</h2>
<p>O resultado da indicação de Jorge Messias oferece um precedente recente para avaliar as dificuldades que Lula poderá enfrentar na próxima legislatura. O advogado-geral da União obteve apenas 34 votos favoráveis, sete a menos que o mínimo constitucional. Mesmo com o apoio do governo e a aprovação na CCJ, não conseguiu formar maioria no plenário.</p>
<p>Depois da votação, parlamentares governistas e oposicionistas apresentaram interpretações distintas sobre o resultado. O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, classificou a rejeição como uma resposta à politização do Supremo, segundo registro oficial da Agência Senado. Já integrantes da base governista defenderam a prerrogativa constitucional de Lula de indicar ministros e ressaltaram que a decisão final cabe aos senadores.</p>
<p>O episódio também evidenciou a importância do calendário legislativo e das negociações anteriores à sabatina. O nome de Messias havia sido anunciado em novembro de 2025, mas a mensagem presidencial foi formalmente encaminhada ao Senado apenas em abril de 2026. A demora na tramitação foi mencionada pelo então presidente da Casa, Davi Alcolumbre, durante a sessão que antecedeu a votação.</p>
<p>A partir de 2027, essas negociações ocorrerão em um ambiente parlamentar renovado. O crescimento da bancada do PL amplia a participação da oposição nas decisões sobre autoridades indicadas pelo Executivo, mas não estabelece previamente como será a votação de cada nome. A capacidade de articulação entre governo, partidos de centro e lideranças independentes será determinante para os próximos processos de nomeação.</p>
<h2>Aposentadoria de Gilmar Mendes terá prazo especialmente apertado</h2>
<p>Entre as quatro vagas possíveis, a substituição de Gilmar Mendes apresenta a particularidade mais relevante do calendário. O ministro completará 75 anos em 30 de dezembro de 2030, apenas dois dias antes do término do mandato presidencial de Lula. Essa circunstância torna especialmente difícil realizar, dentro do período restante, todas as etapas necessárias à aprovação de um novo integrante do Supremo.</p>
<p>A escolha presidencial precisa ser encaminhada ao Senado, examinada pela Comissão de Constituição e Justiça e submetida à votação do plenário. Depois da aprovação, ainda é necessária a nomeação formal para que o indicado possa assumir a função. Como as atividades legislativas ordinárias normalmente se encerram antes do Natal, a substituição de Gilmar poderá depender de providências excepcionais ou permanecer pendente para o governo seguinte.</p>
<p>Portanto, a possibilidade matemática de Lula escolher quatro novos integrantes não equivale à certeza de conseguir nomear todos eles até 31 de dezembro de 2030. O preenchimento da última vaga dependerá do calendário institucional e das decisões tomadas pelas autoridades competentes. Caso o processo não seja concluído durante o mandato, a definição poderá ficar para a administração presidencial seguinte.</p>
<p>A dificuldade reforça a importância de distinguir o número de aposentadorias previstas da quantidade de nomeações efetivamente concluídas. Enquanto as saídas de Fux e Cármen Lúcia ocorrerão com tempo considerável até o término do mandato, a de Gilmar terá uma janela extremamente reduzida. Essa diferença poderá influenciar a estratégia presidencial de preenchimento das cadeiras.</p>
<h2>Aposentadoria de Cármen Lúcia reacende debate sobre presença feminina</h2>
<p>A saída prevista de Cármen Lúcia em abril de 2029 também terá consequências para a representação feminina no Supremo Tribunal Federal. Atualmente, ela é a única mulher entre os dez integrantes da Corte. Sua aposentadoria poderá deixar o tribunal temporariamente sem ministras, dependendo das escolhas realizadas pelo presidente para as vagas que surgirem.</p>
<p>A Constituição não estabelece reserva de vagas por gênero para a composição do STF. Contudo, a predominância masculina entre os integrantes do tribunal tem sido objeto de debates institucionais sobre diversidade e representação no Poder Judiciário. O preenchimento das próximas cadeiras poderá alterar essa configuração, conforme o perfil dos nomes escolhidos e aprovados.</p>
<p>O histórico do Supremo registra a presença de mulheres como Ellen Gracie e Rosa Weber, além de Cármen Lúcia. A ampliação dessa participação depende das decisões dos presidentes da República e da aprovação do Senado. O debate sobre representatividade também abrange questões raciais, regionais e profissionais, embora nenhum desses critérios substitua os requisitos constitucionais para a nomeação.</p>
<p>A escolha de uma mulher para uma das vagas previstas poderia preservar ou ampliar a presença feminina na Corte. Já a substituição de Cármen Lúcia por um homem, sem outras nomeações femininas no período, deixaria o Supremo sem representantes mulheres. Trata-se de uma consequência objetiva da composição atual, e não de uma previsão sobre a decisão que será tomada por Lula.</p>
<h2>Próxima aposentadoria depois de 2030 ocorrerá em 2033</h2>
<p>Após as saídas previstas de Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, a próxima aposentadoria compulsória programada entre os atuais ministros será a de Edson Fachin. O presidente do Supremo nasceu em 8 de fevereiro de 1958 e, portanto, completará 75 anos em fevereiro de 2033. Indicado pela ex-presidente Dilma Rousseff, Fachin tomou posse no tribunal em junho de 2015.</p>
<p>O intervalo reforça o alcance temporal das escolhas realizadas entre 2027 e 2030. Ministros nomeados nesse período, dependendo da idade com que assumirem, poderão permanecer no Supremo durante diferentes governos e legislaturas. A consequência é que decisões presidenciais tomadas nos próximos quatro anos poderão influenciar a composição institucional do Judiciário por um período muito superior ao mandato de Lula.</p>
<p>O presidente reeleito inicia, assim, uma nova etapa <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341396">política</a> com a possibilidade de participar diretamente de uma renovação significativa do tribunal. A concretização desse cenário dependerá da escolha de candidatos que atendam aos requisitos constitucionais, da aprovação pelo Senado e da conclusão das nomeações dentro dos prazos disponíveis. As quatro vagas previstas até 2030 representam uma oportunidade de recomposição da Corte, mas também um desafio de negociação entre Executivo e Legislativo.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Resultado oficial do segundo turno das Eleições 2026 e pronunciamento da Presidência do tribunal, em 25 e 26 de outubro de 2026.</p>
<p>Supremo Tribunal Federal (STF) — Registros oficiais de composição da Corte e biografias dos ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Edson Fachin.</p>
<p>Supremo Tribunal Federal (STF) — Comunicado oficial sobre a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, publicado em 16 de outubro de 2025.</p>
<p>Senado Federal — Mensagem nº 7 de 2026, referente à indicação de Jorge Rodrigo Araújo Messias, com resultado nominal da votação de 29 de abril de 2026.</p>
<p>Agência Senado — Comunicados institucionais de 29 e 30 de abril de 2026 sobre a rejeição de Jorge Messias e as regras para apresentação de nova indicação.</p>
<p>Senado Federal — Regimento Interno e Ato da Mesa nº 1, de 2010, sobre o procedimento de apreciação de autoridades indicadas pelo Poder Executivo.</p>
<p>Agência Senado — Levantamento oficial da composição partidária do Senado para a legislatura iniciada em fevereiro de 2027, publicado em 25 de outubro de 2026.</p>
<p>Constituição da República Federativa do Brasil — Artigos 52 e 101, sobre as competências do Senado e a composição do Supremo Tribunal Federal, e artigo 40, sobre aposentadoria compulsória.</p>
<p><!-- REGRA REDAÇÃO CNBC --></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Lula reverte vantagem de Flávio Bolsonaro e garante quarto mandato presidencial</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/lula-reverte-vantagem-flavio-bolsonaro-eleicao-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2026 01:00:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 e garantiu um quarto mandato à frente do Executivo federal. Na atualização da apuração disponível às 21h31 de domingo, 25 de outubro, com 99,89% das seções eleitorais totalizadas, o presidente somava 64.162.245 votos, equivalentes a 51,77% dos válidos. Flávio Bolsonaro [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 e garantiu um quarto mandato à frente do Executivo federal. Na atualização da apuração disponível às 21h31 de domingo, 25 de outubro, com 99,89% das seções eleitorais totalizadas, o presidente somava 64.162.245 votos, equivalentes a 51,77% dos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) aparecia com 59.784.442 votos, ou 48,23%. A diferença de 4.377.803 votos confirmou matematicamente a vitória do petista, que havia terminado a primeira rodada da disputa atrás do adversário.</p>
<p>A eleição modifica o quadro estabelecido no primeiro turno e amplia a sequência de vitórias presidenciais de Lula, eleito em 2002, reeleito em 2006 e novamente escolhido em 2022. O resultado de 2026 representa uma nova etapa de sua trajetória <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341342">política</a>, iniciada no movimento sindical do ABC paulista e marcada por períodos de governo, oposição, derrotas eleitorais e retorno ao Palácio do Planalto. A conquista também estabelece um limite constitucional para a continuidade de seu projeto presidencial: pela regra vigente, ele não poderá disputar uma terceira eleição consecutiva para o mesmo cargo em 2030.</p>
<p>O resultado nacional se definiu depois de uma campanha em dois turnos na qual a posição relativa dos candidatos mudou de maneira significativa. Flávio chegou à segunda votação com a maior quantidade de votos da primeira rodada, enquanto Lula precisou ampliar seu apoio para ultrapassar o senador. A dimensão dessa mudança, a comparação com a eleição de 2022 e os próximos marcos institucionais ajudam a delimitar o significado político do resultado.</p>
<h2>A matemática da virada entre os dois turnos</h2>
<p>No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Na apuração divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com 99,99% das urnas processadas, o senador somava 56.104.268 votos, enquanto o presidente registrava 53.876.617. A diferença de 2.227.651 votos colocava o candidato do PL na dianteira, embora nenhum dos dois tivesse alcançado a maioria absoluta dos votos válidos necessária para encerrar a eleição naquela etapa.</p>
<p>Três semanas depois, o quadro era outro. Na parcial do segundo turno, Lula havia alcançado 51,77% dos votos válidos, enquanto Flávio aparecia com 48,23%. A distância entre os candidatos passou de uma vantagem de aproximadamente 2,23 milhões de votos para o senador a uma vantagem de quase 4,38 milhões para o presidente. Consideradas essas duas posições, a diferença relativa entre os concorrentes variou cerca de 6,61 milhões de votos de um turno para o outro.</p>
<p>Esse cálculo dimensiona a mudança da disputa, mas não significa que os mesmos eleitores tenham migrado diretamente de um candidato para o outro. Entre as duas votações, também interferem a participação dos eleitores, a abstenção e a distribuição dos votos de candidaturas eliminadas no primeiro turno. O segundo turno reorganiza a escolha em torno dos dois finalistas e permite que eleitores antes distribuídos entre diferentes projetos políticos definam qual deles assumirá a Presidência.</p>
<p>A alteração também é relevante quando observada em pontos percentuais. Flávio iniciou o segundo turno com vantagem de 1,87 ponto percentual sobre Lula, de acordo com os percentuais do primeiro turno. Na parcial da votação de 25 de outubro, Lula aparecia à frente por 3,54 pontos percentuais. A mudança de liderança foi, portanto, acompanhada de uma diferença expressiva no resultado relativo dos dois concorrentes, e não apenas de uma ultrapassagem por margem mínima.</p>
<h2>O resultado de 2026 supera a margem da eleição anterior</h2>
<p>A comparação com 2022 mostra que a vitória deste ano foi definida por uma diferença maior em números absolutos e percentuais. Naquele segundo turno, Lula recebeu 60.345.999 votos, correspondentes a 50,90% dos votos válidos, enquanto Jair Bolsonaro obteve 58.206.354, ou 49,10%. A distância entre os dois ficou em 2.139.645 votos e 1,80 ponto percentual.</p>
<p>Em 2026, a vantagem parcial de Lula sobre Flávio Bolsonaro alcançou 4.377.803 votos e 3,54 pontos percentuais. Considerados os números disponíveis na apuração, a diferença em votos ficou pouco acima do dobro da registrada quatro anos antes. A comparação indica que a disputa continuou concentrada em dois campos eleitorais competitivos, mas terminou com uma margem maior para o vencedor.</p>
<p>O contexto político, entretanto, é distinto. Em 2022, Lula derrotou o presidente que buscava a reeleição, encerrando uma disputa na qual o governo federal era comandado por Jair Bolsonaro. Desta vez, o petista concorreu à própria continuidade no cargo e enfrentou o filho de seu antecessor, Flávio Bolsonaro, em uma campanha marcada pela permanência da polarização entre o PT e o campo político ligado ao bolsonarismo.</p>
<p>A derrota do senador também demonstra que a liderança obtida no primeiro turno não foi suficiente para garantir a vitória final. O resultado da primeira votação definiu os dois participantes da etapa decisiva, mas não assegurou a transferência automática do desempenho inicial para o segundo turno. A reconfiguração da disputa mostra a importância de ampliar a base de apoio para além do eleitorado consolidado de cada candidatura.</p>
<p>Para Lula, a vitória representa a manutenção do mandato e a oportunidade de concluir um segundo ciclo consecutivo na Presidência. Para Flávio, o resultado encerra sua primeira disputa presidencial, depois de uma campanha que o levou ao segundo turno e o colocou em condições de disputar diretamente o comando do Executivo nacional. O alcance político desse desempenho dependerá de como o PL e as demais forças de oposição se reorganizarão nos próximos anos.</p>
<h2>Quatro vitórias presidenciais e uma trajetória incomum</h2>
<p>A eleição de 2026 acrescenta um quarto triunfo presidencial à trajetória de Lula, depois das vitórias de 2002, 2006 e 2022. Seu primeiro mandato começou em janeiro de 2003, seguido pela reeleição de 2006. Após deixar o governo em 2010, o petista permaneceu fora da Presidência por 12 anos, até vencer Jair Bolsonaro em 2022 e retornar ao cargo no início de 2023.</p>
<p>A sequência combina dois períodos de exercício do poder separados por mais de uma década. O primeiro ciclo, entre 2003 e 2010, consolidou Lula como principal liderança do Partido dos Trabalhadores e referência política nacional. O segundo, iniciado em 2023, permitiu sua volta ao Executivo depois de uma longa interrupção. A vitória de 2026 prolonga esse segundo ciclo até o fim do mandato previsto para 2030.</p>
<p>A longevidade política do presidente também chama a atenção pela idade. Nascido em 27 de outubro de 1945, Lula completará 81 anos dois dias depois da eleição. Ao final do próximo mandato, terá 85 anos. A dimensão geracional da disputa reforça a singularidade de sua trajetória, embora a idade, por si só, não determine o desempenho administrativo de um governo nem antecipe os resultados de suas políticas.</p>
<p>A história pessoal do presidente permaneceu como uma das referências de sua identidade política. Nascido em Garanhuns, em Pernambuco, migrou ainda criança com a família para São Paulo. Trabalhou na indústria e se tornou uma das principais lideranças do movimento sindical do ABC paulista na década de 1970. Participou da fundação do PT e concorreu pela primeira vez à Presidência em 1989, quando foi derrotado por Fernando Collor de Mello no segundo turno.</p>
<p>Depois de outras derrotas presidenciais, Lula chegou ao Palácio do Planalto em 2003. Sua carreira passou, desde então, por períodos de exercício da Presidência, oposição e afastamento do cargo. A vitória de 2022 marcou seu retorno à política nacional como chefe do Executivo, e a eleição atual confirmou que ele continua capaz de reunir votos suficientes para vencer uma disputa nacional mesmo após décadas de atuação pública.</p>
<p>O resultado de 2026, portanto, não se resume à permanência de um grupo político no governo. Ele acrescenta um novo capítulo à carreira de um presidente que acumulou quatro vitórias eleitorais para o cargo, em momentos distintos da história recente do país, e que chegará ao fim do próximo mandato sem possibilidade de buscar uma terceira eleição consecutiva.</p>
<h2>O limite constitucional para 2030</h2>
<p>A vitória de Lula não elimina o limite estabelecido pela Constituição para a reeleição presidencial. O artigo 14, parágrafo 5º, permite que o presidente da República seja reeleito para apenas um período subsequente. Como Lula foi eleito em 2022 e reeleito em 2026, não poderá concorrer novamente à Presidência em 2030 para exercer um terceiro mandato consecutivo.</p>
<p>A regra distingue a possibilidade de retornar ao cargo depois de um intervalo da autorização para permanecer na Presidência por mais de dois períodos consecutivos. Lula voltou ao Executivo em 2023 depois de ter deixado o posto em 2010. Sua situação para 2030 será diferente: os mandatos de 2023 a 2026 e de 2027 a 2030 formam uma sequência de dois períodos consecutivos, que alcança o limite constitucional.</p>
<p>Essa restrição dá ao próximo mandato uma condição política específica. Lula poderá executar sua agenda até o fim do período e participar da articulação de seu campo político, mas não poderá disputar a reeleição presidencial no pleito seguinte. A sucessão dentro do PT e entre partidos aliados, assim como a capacidade de construir uma candidatura competitiva para 2030, será uma das questões que acompanharão o segundo ciclo consecutivo do governo.</p>
<p>A impossibilidade de uma nova reeleição também torna relevante a preparação da transição política dentro da base governista. A definição de prioridades, a formação de quadros e a sustentação das políticas públicas poderão influenciar a continuidade de projetos para além do atual presidente. Isso não determina quem será o candidato de seu campo político nem garante que um eventual sucessor tenha o mesmo desempenho eleitoral; são decisões que dependerão da dinâmica partidária e das condições políticas dos próximos anos.</p>
<h2>A votação teve prorrogação localizada e auditoria de integridade</h2>
<p>O segundo turno foi acompanhado por um procedimento excepcional relacionado ao encerramento da votação. Em esclarecimento publicado em 25 de outubro, o TSE informou que, por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, a votação continuaria nos locais em que ainda não havia sido encerrada às 17h. O tribunal informou também que retomaria o recebimento dos boletins de urna, a totalização dos votos e a divulgação dos resultados após as 19h.</p>
<p>A medida não significou que todas as seções eleitorais tivessem sido reabertas ou que a votação fosse automaticamente prorrogada em locais nos quais o procedimento já havia terminado. A continuidade ocorreu nos pontos abrangidos pela decisão judicial. A distinção é importante para descrever corretamente o andamento da eleição e evitar que a extensão localizada seja interpretada como alteração uniforme do horário em todo o país.</p>
<p>O TSE também divulgou o resultado do teste de integridade realizado em sua sede. A verificação envolveu duas urnas eletrônicas e 389 votos previamente registrados em cédulas de papel. Segundo o tribunal, a comparação entre os votos digitados no equipamento e os registros em papel terminou sem divergências. O procedimento teve caráter de auditoria pública e permitiu verificar a correspondência dos votos nas urnas submetidas ao teste.</p>
<p>A auditoria pontual não substitui a totalização nacional dos boletins de urna, que é responsável por consolidar os resultados de todas as seções eleitorais. Seu resultado, contudo, integra os procedimentos de fiscalização do processo eleitoral. A vitória de Lula foi definida pela apuração dos votos válidos e pela impossibilidade matemática de Flávio Bolsonaro ultrapassá-lo, conforme a atualização da contagem.</p>
<h2>Diplomação e posse abrem a próxima etapa institucional</h2>
<p>Com a vitória matematicamente definida, a próxima etapa envolve a conclusão formal da apuração, a diplomação dos eleitos e a preparação da mudança de mandato. O calendário eleitoral divulgado pelo TSE estabelece 18 de dezembro de 2026 como prazo final para diplomação das pessoas eleitas. O ato formal reconhece o resultado eleitoral e habilita os eleitos a assumirem os cargos nos termos previstos pela legislação.</p>
<p>A posse do presidente e do vice-presidente eleitos está prevista para 5 de janeiro de 2027. A data integra o calendário de transição que levará Lula ao início do novo mandato, com Geraldo Alckmin (PSB) na Vice-Presidência. O período entre o resultado eleitoral e a posse deverá concentrar as providências administrativas necessárias à continuidade da gestão federal e à organização do novo ciclo de governo.</p>
<p>A eleição também inaugura uma nova fase para a oposição. Flávio Bolsonaro encerra a disputa como candidato derrotado no segundo turno, mas com uma votação nacional expressiva e uma base eleitoral que precisará ser avaliada no contexto dos resultados estaduais, legislativos e partidários. A derrota não estabelece por si só o futuro de sua carreira política, assim como a vitória de Lula não assegura automaticamente apoio parlamentar para as iniciativas do Executivo.</p>
<p>O resultado presidencial é definido pelo voto, enquanto a capacidade de governar depende de uma relação contínua com o Congresso, os partidos, os governos estaduais e as instituições públicas. A implementação de políticas, a aprovação do orçamento e o encaminhamento de propostas legislativas exigirão articulação política durante o mandato. A eleição encerra a disputa pelo cargo, mas não elimina as negociações necessárias à condução do governo.</p>
<p>A vitória de Lula em 2026 combina três dados centrais: a reversão da vantagem obtida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno, uma margem final superior à registrada no segundo turno de 2022 e a confirmação de um quarto triunfo presidencial. A próxima etapa será marcada pelo início de um novo mandato, pela restrição constitucional à reeleição em 2030 e pela necessidade de transformar o resultado eleitoral em capacidade de execução administrativa.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral &#8211; sistema oficial de divulgação e totalização dos resultados das Eleições 2026.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral &#8211; resultados do primeiro turno presidencial de 2026 e dados de votação de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral &#8211; relatório final de totalização e resultados oficiais do segundo turno das Eleições 2022.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral &#8211; esclarecimento sobre a prorrogação da votação em locais onde o procedimento não havia sido encerrado às 17h em 25 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral &#8211; calendário eleitoral de 2026, prazo de diplomação e data prevista para a posse presidencial em janeiro de 2027.</em></p>
<p><em>Presidência da República &#8211; Constituição Federal, artigo 14, parágrafo 5º, sobre a possibilidade de uma única reeleição consecutiva para o cargo de presidente da República.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Flávio Bolsonaro defendeu de graça PM acusado de matar menina de 5 anos; STJ manteve júri popular</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/flavio-bolsonaro-defendeu-graca-pm-acusado-matar-menina-5-anos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2026 23:22:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Advocacia Gratuita]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Clara Gomes Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Bruno Dias Delaroli]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[homicídio]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Niterói]]></category>
		<category><![CDATA[PM do Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Militar]]></category>
		<category><![CDATA[segurança pública]]></category>
		<category><![CDATA[STJ]]></category>
		<category><![CDATA[Superior Tribunal de Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Tribunal do Júri.]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Flávio Bolsonaro defendeu de graça PM acusado de matar Ana Clara, de 5 anos, em Niterói. Senador assinou recurso ao STJ, que manteve o júri popular.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-metric-area="topo-noticia" data-v-d559f1f7="">
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<p>O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) atuou gratuitamente na defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) de envolvimento na morte de Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, durante uma operação policial em Niterói, em fevereiro de 2021. O parlamentar integrou a equipe jurídica responsável por tentar impedir que o caso fosse submetido ao Tribunal do Júri. Sua participação consta de um acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que rejeitou, em abril de 2024, um recurso apresentado pela defesa do policial.</p>
<p>A atuação sem cobrança de honorários foi confirmada em informações divulgadas nesta sexta-feira (23), na reta final da campanha presidencial. Segundo o advogado Paulo Márcio Ennes Klein, responsável pela defesa de Delaroli, Flávio Bolsonaro foi convidado a participar do processo por meio do Instituto Família Policial, iniciativa voltada à assistência jurídica de agentes de segurança e seus familiares. O senador não recebeu pagamento pela participação no caso, conforme a versão apresentada pela defesa. O policial nega ter efetuado o disparo que matou a criança e ainda não foi julgado.</p>
<p>O caso ganhou repercussão durante o segundo turno das eleições presidenciais, depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionou Flávio Bolsonaro sobre sua participação na defesa do militar. O candidato do PL respondeu que o exercício da advocacia não pode ser tratado como crime e lembrou que o acusado ainda não havia sido condenado. A controvérsia envolve tanto a atuação profissional do senador quanto a demora na conclusão do processo pela morte da menina. O julgamento pelo Tribunal do Júri está previsto para 2027, segundo a defesa.</p>
<h2>Flávio Bolsonaro aparece como advogado em decisão do STJ</h2>
<p>A participação do senador na defesa de Bruno Dias Delaroli está documentada no Agravo Regimental no Agravo em Recurso Especial nº 2.240.835/RJ, julgado pela Quinta Turma do STJ em 9 de abril de 2024. No acórdão, Flávio Nantes Bolsonaro aparece identificado como advogado do policial, com inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal sob o número 67.599. O documento também relaciona Paulo Márcio Ennes Klein e outros três profissionais como integrantes da equipe de defesa. O registro oficial confirma a atuação jurídica do parlamentar no processo.</p>
<p>O recurso pretendia reverter a decisão da Justiça fluminense que determinou o julgamento de Delaroli pelo Tribunal do Júri. Por três votos a dois, os ministros rejeitaram o agravo regimental, mantendo o encaminhamento do acusado ao julgamento popular. A decisão teve fundamento processual: segundo a maioria, a defesa não havia contestado especificamente todos os motivos que impediram a admissão do recurso especial na instância anterior. O STJ aplicou a Súmula 182, que estabelece requisitos para a apreciação desse tipo de recurso.</p>
<p>A rejeição não representou uma decisão sobre a culpa ou inocência do policial. O tribunal examinou questões relacionadas à admissibilidade do recurso, sem substituir o julgamento que deverá ser realizado pelos jurados. A decisão de pronúncia significa que existem elementos suficientes para submeter a acusação ao Tribunal do Júri, mas não equivale a uma condenação. A responsabilidade criminal permanece pendente de julgamento.</p>
<h2>Defesa afirma que senador atuou sem receber honorários</h2>
<p>A participação gratuita de Flávio Bolsonaro foi explicada pelo advogado Paulo Klein, que afirmou ter convidado o senador quando o processo chegou ao Superior Tribunal de Justiça. Segundo o defensor, a atuação ocorreu por intermédio do Instituto Família Policial, criado para oferecer assistência jurídica a profissionais de segurança pública e seus familiares. O advogado justificou a participação do parlamentar por sua trajetória de apoio às forças policiais. A defesa sustenta que o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341330">trabalho</a> foi realizado de maneira regular e transparente.</p>
<p>Documentos fiscais do escritório de Flávio Bolsonaro examinados na apuração jornalística não apresentam notas emitidas em nome de Bruno Dias Delaroli ou do escritório de Paulo Klein. A ausência de cobrança é compatível com a informação de que a atuação ocorreu na modalidade pro bono, caracterizada pela prestação voluntária de serviços jurídicos sem remuneração. Entretanto, a inexistência de notas fiscais não comprovaria, isoladamente, todas as condições do acordo profissional. A confirmação de gratuidade decorre principalmente da manifestação dos responsáveis pela defesa.</p>
<p>O exercício da advocacia por parlamentares não é proibido de forma absoluta, mas está sujeito às incompatibilidades e aos impedimentos previstos na Constituição e no Estatuto da Advocacia. A representação de pessoas acusadas de crimes também constitui uma atividade legítima, assegurada pelo direito constitucional à ampla defesa. A participação de um advogado em determinado processo não significa concordância com a conduta atribuída ao cliente. No caso de Flávio Bolsonaro, a discussão pública envolve sua atuação simultânea como senador, advogado e figura <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341329">política</a> que defende determinadas políticas de segurança.</p>
<h2>Ana Clara foi morta enquanto brincava na porta de casa</h2>
<p>Ana Clara Gomes Machado morreu em 2 de fevereiro de 2021, após ser atingida por disparos durante uma operação policial na comunidade Monan Pequeno, na região de Pendotiba, em Niterói. A menina tinha cinco anos e estava próxima à residência da família, onde brincava com o irmão. Segundo a investigação, o policial militar Bruno Dias Delaroli teria efetuado disparos de fuzil em direção a uma área ocupada por moradores. A criança foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.</p>
<p>O Ministério Público denunciou o policial por homicídio qualificado, sustentando que ele assumiu o risco de provocar mortes ao disparar em uma área residencial. De acordo com a acusação, pessoas presentes no local alertaram os agentes de que havia moradores na direção dos tiros. Mesmo depois desses avisos, conforme a versão do MPRJ, os disparos teriam continuado. Essa narrativa constitui a tese apresentada pela acusação e será examinada no julgamento.</p>
<p>Bruno Dias Delaroli apresenta uma versão diferente. Em declarações registradas nos autos, o policial afirmou que a equipe foi recebida a tiros durante a operação e que reagiu à ação de criminosos armados. Ele reconheceu ter efetuado disparos, mas negou que o projétil responsável pela morte da criança tenha partido de sua arma. A defesa também questionou aspectos da investigação e da preservação das provas periciais.</p>
<p>O policial foi preso em flagrante após a morte de Ana Clara, e sua prisão foi posteriormente convertida em preventiva. Em novembro de 2021, a Justiça autorizou que ele respondesse ao processo em liberdade, mediante medidas cautelares. A soltura ocorreu antes da entrada documentada de Flávio Bolsonaro na equipe de advogados que atuou perante o STJ em 2024. Não há fundamento, portanto, para atribuir ao recurso apresentado com a participação do senador a decisão judicial que libertou o acusado em 2021.</p>
<h2>STJ rejeitou recursos e manteve julgamento pelo Tribunal do Júri</h2>
<p>A tramitação do processo passou por diferentes instâncias desde a morte da criança. Em novembro de 2021, a Justiça do Rio de Janeiro determinou que Bruno Dias Delaroli fosse levado a júri popular. A defesa recorreu ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que manteve o encaminhamento do caso. Posteriormente, os advogados buscaram reverter a decisão no STJ.</p>
<p>O recurso examinado em abril de 2024 foi rejeitado por maioria, sem que os ministros julgassem definitivamente a autoria do homicídio. Em outro procedimento, o Habeas Corpus nº 953.751/RJ, a Quinta Turma do STJ voltou a analisar questionamentos apresentados pela defesa. O julgamento ocorreu em abril de 2025 e resultou no não conhecimento do pedido. A decisão preservou o entendimento de que as provas disponíveis justificavam a apreciação do caso pelo Tribunal do Júri.</p>
<p>Nesse segundo julgamento, os ministros examinaram argumentos relativos à cadeia de custódia de elementos periciais e à suficiência dos depoimentos. A defesa sustentava que falhas na preservação do local e na coleta de vestígios comprometeriam a confiabilidade da acusação. O tribunal, entretanto, considerou que não havia ilegalidade evidente capaz de afastar a decisão de pronúncia naquela etapa processual. O acórdão destacou que a análise aprofundada das versões apresentadas caberia ao julgamento popular.</p>
<p>As decisões preservaram a competência do Tribunal do Júri para avaliar os fatos e decidir sobre a responsabilidade do acusado. Os magistrados não declararam que Delaroli cometeu o homicídio, mas reconheceram a existência de elementos suficientes para que a acusação fosse apreciada pelos jurados. A distinção é fundamental para compreender o estágio do caso. Até outubro de 2026, o policial permanecia sem condenação definitiva pela morte de Ana Clara.</p>
<h2>Defesa contesta acusação e explica adiamento do julgamento</h2>
<p>Segundo Paulo Klein, a equipe de defesa considera Bruno Dias Delaroli inocente e sustenta que o policial reagiu a uma situação de confronto armado. O advogado afirmou que a estratégia jurídica buscava transferir o julgamento para a Justiça Militar, por entender que os fatos ocorreram no exercício da atividade policial. Os tribunais, contudo, mantiveram o encaminhamento ao Tribunal do Júri. A defesa afirma que utilizou os instrumentos legais disponíveis para contestar essa decisão.</p>
<p>O advogado também negou que a participação de Flávio Bolsonaro tenha provocado adiamentos do julgamento. Conforme sua explicação, uma das sessões deixou de ocorrer por impossibilidade de atuação do magistrado responsável, e não em decorrência de medidas adotadas pelo senador. Klein afirmou que o julgamento está previsto para o início de 2027. A definição da responsabilidade criminal dependerá da apresentação e da avaliação das provas perante os jurados.</p>
<p>O tempo transcorrido desde a morte da criança tornou-se um dos aspectos mais sensíveis do processo. Passados mais de cinco anos, a família de Ana Clara continua aguardando uma decisão sobre as circunstâncias do homicídio. A duração da tramitação envolve recursos e etapas previstas na legislação processual penal, mas também evidencia a demora na obtenção de uma resposta judicial definitiva. O julgamento deverá confrontar a acusação do Ministério Público com as explicações e provas apresentadas pela defesa.</p>
<h2>Caso voltou ao debate presidencial de 2026</h2>
<p>A participação de Flávio Bolsonaro na defesa do policial voltou ao noticiário durante o debate presidencial promovido pela Band em 18 de outubro. Lula questionou o adversário sobre sua atuação no processo e associou o episódio às posições políticas defendidas pelo senador na área de segurança pública. Flávio contestou a abordagem e argumentou que todo acusado possui direito à representação jurídica. Ele também ressaltou que Bruno Dias Delaroli ainda não havia sido julgado.</p>
<p>A divulgação de novos detalhes sobre a atuação gratuita do senador acrescentou informações à discussão. O registro de seu nome no acórdão do STJ confirma a participação profissional, enquanto a manifestação de Paulo Klein esclarece a justificativa apresentada para a ausência de cobrança. Esses elementos não demonstram interferência ilegal no funcionamento da Justiça. A avaliação sobre a responsabilidade do policial permanece vinculada ao processo criminal.</p>
<p>A existência de assistência jurídica gratuita a agentes de segurança é uma questão distinta da apuração das circunstâncias de uma morte em operação policial. O direito de defesa deve ser preservado independentemente da gravidade da acusação, assim como a investigação precisa oferecer respostas à família da vítima e à sociedade. No caso de Ana Clara, a controvérsia política não altera a responsabilidade das instituições judiciais de examinar as provas. O julgamento previsto para 2027 deverá estabelecer se Bruno Dias Delaroli tem responsabilidade penal pela morte da menina.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Superior Tribunal de Justiça — Agravo Regimental no Agravo em Recurso Especial nº 2.240.835/RJ, Quinta Turma, julgamento de 9 de abril de 2024.</p>
<p>Superior Tribunal de Justiça — Habeas Corpus nº 953.751/RJ, Quinta Turma, julgamento de 1º de abril de 2025, com publicação em 9 de abril de 2025.</p>
<p>Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro — Decisão de pronúncia e acórdão que mantiveram o encaminhamento de Bruno Dias Delaroli ao Tribunal do Júri, reproduzidos nos autos do STJ.</p>
<p>Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro — Denúncia por homicídio qualificado contra Bruno Dias Delaroli, cujos fundamentos constam das decisões judiciais examinadas.</p>
<p>Paulo Márcio Ennes Klein — Manifestação da defesa do policial sobre a atuação gratuita de Flávio Bolsonaro, divulgada em outubro de 2026.</p>
</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Janones deve ficar fora do debate da Globo após Flávio Bolsonaro convidar ex-mulher do deputado</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/janones-deve-ficar-fora-debate-globo-flavio-bolsonaro-ex-mulher</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2026 19:30:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Andre Janones]]></category>
		<category><![CDATA[debate presidencial]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Exército do Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Leandra Guedes]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Medida Protetiva]]></category>
		<category><![CDATA[segundo turno]]></category>
		<category><![CDATA[TV Globo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://gazetamercantil.com/?p=1534538</guid>

					<description><![CDATA[<p>Janones deve ficar fora do debate da Globo após Flávio Bolsonaro convidar sua ex-mulher, Leandra Guedes, que possui medida protetiva contra o deputado.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O deputado federal André Janones (Rede-MG) deve ficar de fora dos estúdios da TV Globo durante o último debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcado para esta sexta-feira (23), às 21h20, no Rio de Janeiro. A possibilidade ganhou força após a campanha do senador convidar Leandra Guedes (Avante), prefeita de Ituiutaba, em Minas Gerais, e ex-companheira de Janones, para acompanhar o confronto na plateia. A presença simultânea dos dois poderia gerar um impasse jurídico, já que Leandra possui uma medida protetiva que impede o parlamentar de se aproximar dela. O episódio provocou uma movimentação nos bastidores das campanhas a menos de 48 horas do segundo turno das eleições presidenciais.</p>
<p>A campanha de Lula informou nesta sexta-feira que Janones não deverá comparecer aos estúdios da emissora e participará de uma transmissão paralela pela internet. Segundo o senador Camilo Santana (PT-CE), integrante da coordenação <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341303">política</a> da candidatura petista, o deputado acompanhará o debate em uma programação própria, com comentários e verificações sobre as declarações dos presidenciáveis. A definição coincide com o convite feito a Leandra, embora não esteja demonstrado que a iniciativa dos adversários tenha sido determinante para a ausência. O parlamentar já havia anunciado anteriormente a realização de uma transmissão especial durante a reta final da campanha.</p>
<p>A movimentação atribuída a aliados de Flávio Bolsonaro tem como pano de fundo a atuação de Janones na estratégia digital de Lula, particularmente por meio do canal de WhatsApp Exército do Lula. O parlamentar se tornou um dos principais responsáveis pela mobilização de apoiadores e pela divulgação de conteúdos eleitorais nas redes sociais. A eventual ausência nos estúdios reduziria sua participação presencial na equipe que acompanhará o presidente durante o confronto televisivo. Entretanto, não impediria sua atuação nas plataformas digitais, que continuará sendo uma das frentes da campanha petista.</p>
<h2>Flávio Bolsonaro convida ex-mulher de Janones para acompanhar debate</h2>
<p>O convite a Leandra Guedes foi articulado por interlocutores da campanha de Flávio Bolsonaro, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira. A prefeita de Ituiutaba foi procurada para acompanhar o debate presidencial nos Estúdios Globo, utilizando uma das credenciais disponibilizadas à equipe do candidato do PL. A iniciativa teria como objetivo criar uma dificuldade para a presença de André Janones no mesmo ambiente. A interpretação sobre a finalidade do convite foi atribuída a integrantes da campanha bolsonarista envolvidos nas articulações.</p>
<p>Cada candidatura dispõe de 30 convites para acompanhantes e integrantes de suas equipes, sendo 20 destinados à plateia do estúdio e outros dez à área de camarins. A utilização de uma dessas credenciais permitiria que Leandra acompanhasse presencialmente o confronto entre Lula e Flávio. A situação poderia exigir cuidados específicos de circulação caso Janones também estivesse nas dependências da emissora. Isso porque a medida protetiva impõe restrições ao contato e à aproximação do parlamentar em relação à ex-companheira.</p>
<p>O episódio revela uma estratégia eleitoral direcionada não apenas ao adversário presidencial, mas também aos integrantes de sua estrutura de comunicação. Ao explorar uma controvérsia judicial envolvendo Janones, aliados de Flávio procuram atingir um personagem de grande visibilidade nas redes sociais. A movimentação ocorre em um momento de intensa disputa pela atenção dos eleitores e pela circulação de conteúdos digitais. Sua eficácia política, entretanto, dependerá da repercussão do caso e das decisões individuais dos envolvidos.</p>
<h2>Medida protetiva impede Janones de se aproximar de Leandra</h2>
<p>A Justiça de Minas Gerais concedeu, em abril de 2025, medidas protetivas em favor de Leandra Guedes após relatos de supostas ameaças envolvendo a divulgação de fotografias íntimas. Entre as determinações divulgadas está a proibição de André Janones se aproximar da ex-companheira e de familiares dela a uma distância inferior a 300 metros. Também foram estabelecidas restrições de contato e de permanência em determinados ambientes. A proteção foi concedida com fundamento na legislação destinada à prevenção da violência doméstica e familiar contra a mulher.</p>
<p>As acusações apresentadas pela prefeita dizem respeito a episódios ocorridos durante e após o relacionamento entre os dois. Segundo seu relato, Janones teria feito ameaças relacionadas à exposição de imagens privadas em meio a divergências pessoais e políticas. O conteúdo dessas alegações fundamentou o pedido de proteção, mas a concessão da medida não equivale a uma condenação criminal definitiva. Sua finalidade é prevenir riscos enquanto permanecerem presentes as condições consideradas pela Justiça.</p>
<p>A Lei Maria da Penha estabelece que medidas protetivas devem ser cumpridas enquanto estiverem em vigor. Entre as providências previstas estão a fixação de distância mínima, a proibição de contato e a restrição de frequência a locais determinados pelo Judiciário. O descumprimento de uma ordem judicial dessa natureza pode produzir consequências criminais, conforme as circunstâncias concretas. Por isso, a eventual presença de Janones e Leandra em um mesmo evento exige atenção aos limites estabelecidos na decisão.</p>
<p>Entretanto, a existência da medida protetiva não significa que o deputado esteja automaticamente proibido de entrar em qualquer instalação onde a prefeita possa estar. A aplicação das restrições depende do conteúdo integral da determinação judicial e das condições de acesso e circulação. Não há confirmação de que a TV Globo tenha impedido Janones de acompanhar o evento ou recebido uma ordem específica para barrar sua presença. O possível impedimento decorre da necessidade de evitar uma aproximação incompatível com as restrições judiciais.</p>
<h2>Leandra Guedes ainda não confirmou se aceitará convite</h2>
<p>A prefeita de Ituiutaba afirmou nesta sexta-feira que estava em viagem e ainda precisava avaliar o convite recebido para acompanhar o debate presidencial. Questionada sobre sua participação, Leandra informou que não havia tomado conhecimento integral da proposta e preferiu não antecipar uma decisão. Ela indicou que examinaria o conteúdo da mensagem antes de se manifestar. Até as informações disponíveis para esta reportagem, sua presença no evento não estava confirmada.</p>
<p>A ausência de uma resposta definitiva da prefeita representa um elemento importante da controvérsia. Embora o convite tenha provocado repercussão política, a possibilidade de um encontro entre ela e Janones dependeria da participação efetiva dos dois. Caso Leandra não compareça, o cenário que motivou os questionamentos sobre a distância mínima deixaria de existir naquele ambiente. Ainda assim, a programação anunciada pela equipe de Lula prevê que o deputado acompanhe o debate por transmissão digital.</p>
<p>Também não há informação de que Leandra tenha solicitado providências à Globo para impedir o acesso de Janones aos estúdios. A articulação do convite foi atribuída a interlocutores da campanha de Flávio Bolsonaro. A eventual aceitação dependerá exclusivamente da decisão da prefeita, sem prejuízo das medidas de proteção concedidas pela Justiça. O caso, portanto, envolve tanto uma iniciativa política quanto uma situação jurídica pessoal que antecede a disputa presidencial.</p>
<h2>Campanha de Lula prevê atuação de Janones nas redes sociais</h2>
<p>A possibilidade de Janones não acompanhar presencialmente o debate não significa seu afastamento da estratégia eleitoral de Lula. O deputado deverá participar de uma transmissão pela internet, destinada a comentar o desempenho dos candidatos e repercutir os assuntos discutidos durante o programa. A iniciativa faz parte das atividades digitais organizadas para mobilizar apoiadores antes do segundo turno. O próprio parlamentar havia anunciado uma programação especial relacionada ao confronto televisivo.</p>
<p>Janones ganhou protagonismo nas últimas semanas pela administração do canal Exército do Lula, no WhatsApp, que reúne milhões de seguidores. A ferramenta tornou-se uma das principais estruturas de distribuição de vídeos, mensagens e conteúdos favoráveis à candidatura petista. Sua atuação envolve mobilização digital, repercussão de declarações dos adversários e incentivo à participação eleitoral. O alcance desse canal também passou a ser objeto de disputas entre as campanhas perante a Justiça Eleitoral.</p>
<p>Na quinta-feira (22), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, determinou que a Meta apresentasse informações técnicas sobre o funcionamento do canal. A providência ocorreu em meio a questionamentos apresentados pela campanha de Flávio Bolsonaro sobre os mecanismos de distribuição de mensagens. Aliados de Lula demonstraram preocupação com a possibilidade de novas restrições durante as horas finais da campanha. Até o momento das informações examinadas, a solicitação de esclarecimentos não representava uma decisão definitiva de suspensão do canal.</p>
<p>A equipe petista considera a comunicação digital uma parte importante da estratégia para as últimas horas antes da votação. Uma transmissão paralela permitiria a Janones acompanhar o debate e produzir conteúdos imediatamente destinados aos apoiadores. Esse formato também reduziria a necessidade de participação presencial do deputado na estrutura montada pela Globo. Assim, a programação anunciada oferece uma alternativa para sua atuação, independentemente da controvérsia envolvendo Leandra.</p>
<h2>Convite amplia disputa política nos bastidores da eleição</h2>
<p>O episódio ocorre em uma campanha presidencial marcada pela intensificação dos confrontos entre apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro. Além dos debates televisivos, as equipes disputam a circulação de mensagens, a repercussão de declarações e o posicionamento de influenciadores políticos. Nesse ambiente, personagens que não disputam diretamente a Presidência passaram a ocupar papéis importantes na comunicação das candidaturas. Janones é um dos exemplos mais visíveis desse movimento.</p>
<p>A tentativa atribuída a aliados de Flávio de explorar a situação judicial do parlamentar representa uma estratégia de confronto indireto. Em vez de concentrar a iniciativa exclusivamente em propostas de governo, a articulação procura produzir uma dificuldade para um integrante da equipe adversária. O episódio também pode gerar questionamentos sobre o uso político de uma medida protetiva destinada à segurança de uma pessoa. A proteção judicial, entretanto, permanece válida independentemente das motivações atribuídas aos participantes da disputa eleitoral.</p>
<p>A eventual presença de Leandra no debate poderá repercutir entre apoiadores dos dois candidatos, mas não modifica as regras estabelecidas pela emissora para o confronto. A Globo é responsável por organizar a circulação dos convidados e preservar as condições de segurança nas dependências utilizadas para o programa. Qualquer restrição adicional de acesso deveria observar as circunstâncias concretas e os direitos envolvidos. Até agora, não foi anunciada uma decisão formal da emissora especificamente contra Janones.</p>
<h2>Debate na Globo será último confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro</h2>
<p>O debate presidencial está previsto para começar às 21h20 desta sexta-feira, após o Jornal Nacional, com mediação do jornalista César Tralli. O confronto será realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, e terá quatro blocos, além das considerações finais. A emissora estabeleceu regras específicas de circulação dos candidatos para evitar situações semelhantes às registradas no encontro realizado pela Band no domingo (18). O objetivo declarado é privilegiar a apresentação de propostas e o debate sobre os principais problemas nacionais.</p>
<p>Nos primeiros três blocos, apenas o candidato que estiver com a palavra poderá se movimentar pelo cenário, enquanto o adversário permanecerá junto ao púlpito. No último bloco, dedicado ao confronto de tema livre, ambos poderão circular dentro dos respectivos espaços. A programação também prevê perguntas relacionadas a temas regionais e nacionais, além de momentos de debate direto. A emissora realizará verificações de informações divulgadas pelos participantes durante a transmissão.</p>
<p>O encontro acontece em um cenário de empate entre os presidenciáveis. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22) mostrou Lula e Flávio Bolsonaro com 50% dos votos válidos cada um. O levantamento reforça o ambiente de disputa apertada a dois dias da votação. As campanhas procuram utilizar as últimas aparições públicas para apresentar propostas, responder a críticas e mobilizar seus respectivos eleitorados.</p>
<h2>Janones deve ficar fora dos estúdios, mas seguirá na campanha</h2>
<p>A expectativa anunciada pela coordenação de Lula é que André Janones não acompanhe presencialmente o debate da Globo. Sua participação deverá ocorrer pela internet, em uma transmissão dedicada à repercussão do confronto. A decisão evita uma eventual situação de aproximação com Leandra Guedes, caso a prefeita aceite o convite de Flávio Bolsonaro. Entretanto, não está comprovado que o episódio tenha sido a causa exclusiva da programação adotada pelo deputado.</p>
<p>O desdobramento também não representa uma decisão judicial proibindo Janones de exercer atividades eleitorais ou participar da campanha presidencial. As restrições existentes estão relacionadas à proteção individual de Leandra e devem ser observadas dentro dos limites estabelecidos pela Justiça. A definição sobre eventual comparecimento ao evento permanece distinta da discussão sobre a legalidade das medidas protetivas. Por enquanto, a informação disponível é que a campanha petista trabalha com sua ausência dos estúdios.</p>
<p>A controvérsia demonstra como os bastidores do último debate presidencial passaram a integrar a disputa política entre as candidaturas. O convite à ex-companheira de Janones, a possível incompatibilidade com a medida protetiva e a definição de uma transmissão digital paralela produziram repercussões antes mesmo do início do confronto. A presença de Leandra ainda depende de confirmação, enquanto a campanha de Lula mantém o planejamento de atuação remota do deputado. Com o segundo turno marcado para domingo (25), o episódio acrescenta uma nova disputa política à reta final das eleições.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>TV Globo — Comunicado oficial sobre o debate presidencial de 23 de outubro de 2026.</p>
<p>Camilo Santana — Declarações à imprensa em 23 de outubro de 2026 sobre a participação de André Janones na transmissão do debate.</p>
<p>André Janones — Anúncio público da programação digital do Exército do Lula para o debate presidencial, realizado em 22 de outubro de 2026.</p>
<p>Leandra Guedes — Declarações públicas de 23 de outubro de 2026 sobre o convite recebido para acompanhar o debate.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Determinação de 22 de outubro de 2026 sobre informações técnicas do canal Exército do Lula.</p>
<p>Presidência da República — Lei nº 11.340/2006, Lei Maria da Penha, artigos 22 e 24-A.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Calendário oficial das Eleições Gerais de 2026.</p>
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		<title>Cantor gospel Leonardo Gonçalves declara voto em Lula, critica Flávio Bolsonaro e relembra mortes na pandemia</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/leonardo-goncalves-declara-voto-lula-critica-flavio-bolsonaro-pandemia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2026 19:07:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cantor gospel Leonardo Gonçalves declara voto em Lula, critica Flávio Bolsonaro e relembra mortes na pandemia de covid-19 e a gestão de Jair Bolsonaro.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O cantor gospel Leonardo Gonçalves declarou publicamente seu voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Em um vídeo de aproximadamente 19 minutos divulgado nesta sexta-feira (23), o artista criticou a atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de covid-19 e questionou o apoio de setores evangélicos à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). Gonçalves também apresentou os princípios sociais e ambientais que orientam seu posicionamento político. A manifestação ocorre a dois dias da votação que definirá o próximo presidente da República.</p>
<p>Na gravação, publicada em suas redes sociais, o músico relaciona sua decisão eleitoral à experiência vivida pelo Brasil durante a crise sanitária e a temas que considera fundamentais para o futuro do país. Entre eles estão a redução das desigualdades, o combate ao racismo, a proteção ambiental e a defesa dos direitos trabalhistas. O cantor também menciona controvérsias envolvendo Flávio Bolsonaro para justificar suas críticas ao candidato do PL. Suas declarações representam um posicionamento pessoal e não uma manifestação institucional das igrejas evangélicas.</p>
<p>Leonardo Gonçalves afirmou que decidiu registrar publicamente suas convicções para que seu filho possa compreender, no futuro, como ele avaliava o período político atual. O artista disse considerar importante deixar documentadas suas posições diante de acontecimentos que marcaram a sociedade brasileira. A gravação combina reflexões pessoais, referências à pandemia e críticas a personagens da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341314">política</a> nacional. O conteúdo retoma uma postura pública que o cantor já havia manifestado durante as eleições de 2022.</p>
<h2>Cantor relembra pandemia e critica gestão de Jair Bolsonaro</h2>
<p>A pandemia de covid-19 ocupa uma das partes mais relevantes da manifestação. Leonardo Gonçalves recordou as mortes provocadas pela doença no Brasil e criticou declarações e posicionamentos adotados pelo governo Jair Bolsonaro durante a emergência sanitária. O artista também questionou a resistência à vacinação e destacou a importância dos imunizantes na redução das formas graves da doença. Para ele, a experiência da pandemia deve integrar a avaliação política dos brasileiros sobre os governos e seus representantes.</p>
<p>O músico afirmou que a vacinação teve papel decisivo na redução das mortes, estabelecendo uma comparação entre os riscos da doença e a proteção oferecida pelos imunizantes. A declaração está alinhada às evidências científicas sobre a redução de hospitalizações e óbitos após o avanço da cobertura vacinal, embora a queda da mortalidade tenha ocorrido progressivamente e também tenha sido influenciada por outros fatores epidemiológicos. O cantor utilizou esse histórico para criticar a condução da crise sanitária pela administração anterior. A manifestação também expressa sua insatisfação com o apoio político que parte dos evangélicos manteve à família Bolsonaro.</p>
<p>Dados oficiais do Ministério da Saúde demonstram que o Brasil registrou mais de 708 mil mortes por covid-19 desde o início da pandemia, considerando os números consolidados até 2023. A campanha nacional de vacinação começou em janeiro de 2021 e foi acompanhada, nos meses seguintes, de uma redução importante das internações e mortes, especialmente após a ampliação da cobertura vacinal. Estudos epidemiológicos também identificaram o efeito protetor da imunização contra formas graves da doença. Esse histórico fornece contexto para as declarações do cantor, sem representar uma avaliação automática de responsabilidade individual pelos óbitos.</p>
<h2>Leonardo Gonçalves questiona apoio evangélico a Flávio Bolsonaro</h2>
<p>O apoio de setores evangélicos ao senador Flávio Bolsonaro foi outro ponto abordado pelo artista. Leonardo Gonçalves questionou a identificação de parte das lideranças religiosas com o projeto político representado pelo candidato do PL e associou suas críticas a princípios cristãos relacionados à justiça social. O músico também mencionou episódios controversos envolvendo a trajetória política de Flávio. Sua argumentação procura estabelecer diferenças entre convicções religiosas e alinhamentos partidários.</p>
<p>Entre os assuntos citados estão o caso conhecido como rachadinhas, relacionado ao período em que Flávio Bolsonaro exercia mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro, e mensagens divulgadas envolvendo Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O artista também mencionou uma homenagem concedida pelo senador ao ex-policial militar Adriano da Nóbrega, investigado por suspeitas de participação em atividades de milícias no estado. Esses episódios foram utilizados pelo cantor para explicar suas críticas à candidatura. A referência a investigações e controvérsias não significa que todas as acusações tenham resultado em condenações judiciais.</p>
<p>A posição do músico também evidencia a diversidade de opiniões políticas existente entre cristãos evangélicos. Embora lideranças religiosas e artistas do segmento manifestem apoio a diferentes candidaturas, essas declarações não representam necessariamente a preferência de todos os fiéis. As comunidades evangélicas brasileiras possuem diferenças denominacionais, sociais e regionais que influenciam suas percepções sobre políticas públicas. O posicionamento de Leonardo Gonçalves integra esse ambiente de pluralidade religiosa e política.</p>
<h2>Justiça social e meio ambiente orientam escolha do artista</h2>
<p>Ao explicar sua decisão de votar em Lula, Leonardo Gonçalves apresentou duas prioridades que considera centrais: justiça social e proteção ambiental. O cantor relacionou a primeira à distribuição de renda, ao combate ao racismo e à melhoria das condições de vida da população. A segunda envolve a preservação dos recursos naturais e a responsabilidade dos governos diante dos problemas ambientais. Segundo ele, esses assuntos orientam suas escolhas políticas há vários anos.</p>
<p>A preocupação social também aparece em sua defesa de mudanças nas relações de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341315">trabalho</a>. Durante o vídeo, Gonçalves manifestou apoio ao fim da escala 6&#215;1 e à ampliação da isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais. Os temas integram o debate político e econômico nacional e envolvem discussões sobre remuneração, jornada de trabalho e tributação. O cantor os apresentou como exemplos de medidas compatíveis com as prioridades que considera importantes.</p>
<p>A associação entre fé cristã e compromisso social não é inédita na trajetória do artista. Em entrevistas e manifestações anteriores, Gonçalves já havia defendido a importância da solidariedade, da proteção de populações vulneráveis e da responsabilidade ambiental. Seu discurso atual retoma essas preocupações e as relaciona diretamente ao segundo turno presidencial. A declaração de voto, portanto, representa a continuidade de um posicionamento público anterior, e não uma mudança política anunciada pela primeira vez nesta campanha.</p>
<h2>Cantor já havia criticado Jair Bolsonaro nas eleições de 2022</h2>
<p>Em outubro de 2022, Leonardo Gonçalves participou do lançamento da música &#8220;Messias&#8221;, produzida em parceria com outros artistas ligados ao universo gospel, entre eles Kleber Lucas e Clóvis Pinho. A composição apresentava críticas ao então presidente Jair Bolsonaro e questionava a utilização da religião como instrumento de disputa política. A letra também abordava o armamento da população, a pandemia e conflitos provocados por divergências partidárias dentro de comunidades religiosas. O lançamento ocorreu durante a campanha presidencial daquele ano.</p>
<p>Na ocasião, Gonçalves criticou o que considerava uma associação excessiva entre identidade cristã e apoio a determinadas lideranças políticas. A música defendia que valores religiosos não deveriam ser utilizados para desqualificar pessoas com opiniões diferentes. O posicionamento provocou debates entre artistas, pastores e seguidores da música gospel. A nova manifestação de 2026 retoma parte dessas discussões, agora diante da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.</p>
<p>A continuidade desse discurso demonstra que o cantor mantém atuação pública em temas que ultrapassam sua carreira musical. Ao participar de discussões eleitorais, Gonçalves integra um grupo de artistas que utiliza suas plataformas para apresentar posições sobre decisões de governo e questões sociais. A liberdade de manifestação política de artistas é reconhecida pela legislação eleitoral, respeitadas as restrições aplicáveis à propaganda e aos eventos de campanha. O apoio individual, contudo, não representa automaticamente uma orientação para a comunidade religiosa à qual o artista pertence.</p>
<h2>Declaração ocorre na reta final das eleições de 2026</h2>
<p>A manifestação de Leonardo Gonçalves foi divulgada no último dia de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão antes do segundo turno. Lula e Flávio Bolsonaro disputam a Presidência em uma campanha marcada por divergências sobre política econômica, programas sociais, segurança pública e funcionamento das instituições. O debate promovido pela TV Globo nesta sexta-feira também integra a programação dos candidatos antes da votação. A eleição está marcada para domingo, 25 de outubro.</p>
<p>O posicionamento de artistas e lideranças religiosas ganhou espaço nas discussões públicas durante a campanha. Declarações individuais circulam pelas redes sociais e podem alcançar públicos que não acompanham regularmente os programas eleitorais. Entretanto, a repercussão de uma manifestação não permite determinar seu efeito sobre a intenção de voto dos eleitores. A influência depende da identificação do público com o artista, das opiniões anteriormente formadas e das informações consideradas por cada cidadão.</p>
<p>No caso de Leonardo Gonçalves, a decisão de tornar pública sua preferência eleitoral foi acompanhada de justificativas relacionadas à memória da pandemia e às prioridades sociais e ambientais que defende. O cantor apresentou críticas ao legado político de Jair Bolsonaro e questionou aspectos da candidatura de Flávio, mantendo a argumentação centrada em suas próprias convicções. A manifestação amplia o conjunto de posicionamentos públicos de integrantes do meio artístico e religioso sobre a eleição presidencial. A escolha dos eleitores será definida nas urnas, no domingo.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Leonardo Gonçalves — Manifestação pública em vídeo divulgada em seu perfil no Instagram em 23 de outubro de 2026, conforme declarações reproduzidas na cobertura do pronunciamento.</p>
<p>Ministério da Saúde — Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 e informações oficiais sobre a redução de hospitalizações e óbitos após o avanço da imunização.</p>
<p>Ministério da Saúde — Estratégia de vacinação contra a covid-19 e dados epidemiológicos nacionais consolidados até 2023.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.760/2026, calendário das Eleições Gerais de 2026.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.610/2019, normas de propaganda eleitoral e manifestação política de artistas.</p>
<p>Leonardo Gonçalves e colaboradores — Música &#8220;Messias&#8221;, lançada em outubro de 2022.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>PF deflagra operação contra compra de votos em Roraima após prisões no primeiro turno</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/policia-federal-operacao-compra-de-votos-roraima-eleicoes-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2026 13:59:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[compra de votos]]></category>
		<category><![CDATA[Corrupção Eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça Eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[Operação Voto Franqueado]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
		<category><![CDATA[Roraima]]></category>
		<category><![CDATA[RORAINÓPOLIS]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Polícia Federal deflagra operação contra compra de votos em Roraima, cumpre mandados e investiga suspeitas de corrupção eleitoral nas eleições de 2026.</p>
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<div id="b247-article-billboard-1" class="b247-ad-slot b247-ad-slot--billboard-top ad-bed__slot">
<p>A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (23), a Operação Voto Franqueado para aprofundar investigações sobre suspeitas de corrupção eleitoral em Rorainópolis, município localizado no sul de Roraima. A ofensiva envolve o cumprimento de mandados de busca e apreensão destinados à obtenção de novas provas sobre possíveis irregularidades cometidas durante a campanha eleitoral de 2026. O inquérito teve origem na prisão em flagrante de duas pessoas às vésperas do primeiro turno, realizado em 4 de outubro. A investigação busca esclarecer as circunstâncias das ocorrências e identificar eventuais responsabilidades.</p>
<p>Segundo comunicado oficial divulgado pela Polícia Federal às 8h36 desta sexta-feira, a operação representa uma nova etapa das apurações iniciadas durante o período eleitoral. Na ocasião das prisões, os agentes apreenderam dinheiro em espécie, materiais de propaganda <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341286">política</a> e aparelhos celulares. Esses elementos passaram a integrar o conjunto de evidências relacionadas à suspeita de compra de votos. A corporação não informou a identidade dos investigados nem quais candidaturas poderiam ter sido beneficiadas.</p>
<p>A operação ocorre em um momento sensível do calendário político nacional, a apenas dois dias da votação do segundo turno, marcada para domingo (25). Embora os fatos investigados estejam relacionados ao período anterior à primeira votação, a continuidade das diligências demonstra que a apuração de possíveis crimes eleitorais não se encerra com a abertura das urnas. As investigações podem prosseguir depois das eleições, independentemente dos resultados obtidos pelos candidatos. Eventuais consequências jurídicas dependem da identificação dos responsáveis, da comprovação das condutas e das decisões das autoridades competentes.</p>
<h2>Prisões e apreensões deram origem à investigação</h2>
<p>O ponto de partida da Operação Voto Franqueado foi a prisão de duas pessoas em flagrante durante os dias que antecederam o primeiro turno. De acordo com a Polícia Federal, os agentes localizaram valores em dinheiro, propaganda eleitoral e dispositivos celulares. A apreensão desses materiais motivou o aprofundamento das investigações, agora reforçadas pelo cumprimento de novas ordens judiciais. A instituição não divulgou o montante apreendido na ocorrência que originou especificamente a operação desta sexta-feira.</p>
<p>Rorainópolis também havia sido palco de outras ações policiais relacionadas a suspeitas de corrupção eleitoral no início de outubro. Em comunicado publicado no dia 4, a Polícia Federal informou que três pessoas foram presas em flagrante no município durante duas ocorrências registradas no sábado (3). As ações resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 7 mil em espécie, além de documentos e outros materiais. A corporação não esclareceu se todas essas ocorrências integram o mesmo inquérito que motivou a Operação Voto Franqueado.</p>
<p>Na primeira dessas ocorrências, a atuação policial começou depois de uma denúncia sobre possível distribuição de dinheiro a eleitores em um imóvel. Os investigadores abordaram um veículo que havia deixado o endereço indicado e conduziram duas pessoas à unidade policial. Uma segunda intervenção, realizada durante patrulhamento, resultou em outra prisão em flagrante. Os episódios reforçaram a necessidade de apurar a possível utilização de recursos financeiros para influenciar a escolha dos eleitores.</p>
<h2>Dinheiro, celulares e propaganda eleitoral entram no foco da apuração</h2>
<p>A combinação de valores em espécie, material de campanha e aparelhos eletrônicos constitui uma das principais frentes de análise em investigações sobre compra de votos. Esses elementos podem auxiliar na identificação da origem dos recursos, de possíveis intermediários e de eventuais vínculos entre pessoas investigadas e candidaturas. Entretanto, a presença isolada de dinheiro ou propaganda eleitoral não comprova a prática de um crime. É necessário demonstrar a finalidade ilícita e estabelecer a relação entre as condutas investigadas e a obtenção de votos.</p>
<p>Os aparelhos celulares também podem apresentar informações relevantes para a reconstrução dos acontecimentos, desde que o acesso e a análise observem as exigências legais. Mensagens, registros de contatos e eventuais comprovantes de transferências podem contribuir para esclarecer se houve promessa ou entrega de vantagens em troca de apoio eleitoral. A documentação apreendida poderá ser confrontada com outros elementos obtidos durante a investigação. A Polícia Federal, porém, ainda não divulgou resultados periciais específicos da Operação Voto Franqueado.</p>
<p>Outro aspecto importante será estabelecer se os fatos investigados envolveram iniciativas individuais ou uma eventual estrutura organizada de distribuição de recursos. Essa distinção pode influenciar tanto a identificação dos responsáveis quanto a avaliação das consequências eleitorais. Para alcançar candidatos, a responsabilização por captação ilícita de sufrágio exige elementos que demonstrem sua participação, anuência ou conhecimento da prática. A existência de uma investigação policial, por si só, não comprova envolvimento de candidatos ou partidos.</p>
<h2>Compra de votos pode levar à prisão e à cassação</h2>
<p>A corrupção eleitoral está prevista no artigo 299 do Código Eleitoral, que proíbe dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber dinheiro ou qualquer outra vantagem com a finalidade de obter votos ou provocar abstenção. A legislação estabelece pena de reclusão de até quatro anos, além de multa, para quem pratica o crime. A responsabilização pode alcançar tanto quem oferece quanto quem solicita ou recebe vantagens ilícitas. A configuração da infração depende da comprovação dos requisitos previstos em lei.</p>
<p>Além da responsabilidade criminal, a compra de votos pode produzir consequências na esfera eleitoral. O artigo 41-A da Lei das Eleições estabelece que a captação ilícita de sufrágio pode resultar em multa e cassação do registro ou diploma do candidato. Conforme a regulamentação do Tribunal Superior Eleitoral, as multas previstas variam de R$ 1.064,10 a R$ 53.205,00. A aplicação dessas sanções depende da apuração dos fatos e do reconhecimento da infração pela Justiça Eleitoral.</p>
<p>A jurisprudência eleitoral também estabelece que não é indispensável haver pedido explícito de voto para caracterizar a captação ilícita de sufrágio. É necessário, contudo, demonstrar que a vantagem foi oferecida com finalidade eleitoral e que estão presentes os demais requisitos legais. Quando a conduta é atribuída a terceiros, o eventual conhecimento ou consentimento do candidato assume relevância para sua responsabilização eleitoral. Dessa forma, a identificação de quem financiou, organizou ou autorizou possíveis pagamentos pode ser decisiva para o resultado da investigação.</p>
<h2>Investigações eleitorais continuam após a votação</h2>
<p>A deflagração da Operação Voto Franqueado evidencia a continuidade da fiscalização sobre possíveis irregularidades identificadas durante as eleições de 2026. O primeiro turno foi realizado em 4 de outubro, mas eventuais crimes praticados durante a campanha permanecem sujeitos à apuração policial e judicial. O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341285">trabalho</a> investigativo pode resultar na identificação de novos envolvidos e na reunião de elementos para eventual responsabilização criminal. As consequências eleitorais, por sua vez, dependem dos procedimentos e requisitos estabelecidos na legislação específica.</p>
<p>No caso de Rorainópolis, ainda permanecem sem esclarecimento público informações fundamentais sobre a extensão das suspeitas. A Polícia Federal não detalhou a quantidade de mandados cumpridos nesta sexta-feira, os endereços das buscas ou eventuais novas apreensões. Também não anunciou prisões decorrentes da operação desta manhã. A ausência dessas informações impede, neste momento, conclusões sobre a dimensão do suposto esquema ou sobre possíveis beneficiários políticos.</p>
<p>Com a aproximação do segundo turno, o desdobramento das investigações mantém em evidência a fiscalização do financiamento e das práticas de mobilização eleitoral. A identificação da origem de eventuais pagamentos e de seus destinatários poderá contribuir para esclarecer se houve tentativa de interferir ilegalmente na liberdade de escolha dos eleitores. Até que as provas sejam examinadas e as responsabilidades individualizadas, os envolvidos devem ser tratados como investigados, com preservação da presunção de inocência. A Polícia Federal não informou prazo para a conclusão do inquérito.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Polícia Federal — Operação Voto Franqueado: comunicado oficial de 23 de outubro de 2026.</p>
<p>Polícia Federal — Comunicado sobre três prisões por corrupção eleitoral em Rorainópolis, de 4 de outubro de 2026.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Código Eleitoral, artigo 299.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Lei nº 9.504/1997, artigo 41-A.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.735/2024, artigos 13 e 14.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Calendário oficial das Eleições Gerais de 2026.</p>
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		<title>Ao lado de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques fala em eleição só daqui a oito anos </title>
		<link>https://gazetamercantil.com/daniella-marques-eleicao-oito-anos-flavio-bolsonaro</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2026 00:04:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Constituição Federal]]></category>
		<category><![CDATA[cortes de gastos]]></category>
		<category><![CDATA[Daniella Marques]]></category>
		<category><![CDATA[eleição presidencial]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Plano Econômico]]></category>
		<category><![CDATA[reeleição]]></category>
		<category><![CDATA[segundo turno]]></category>
		<category><![CDATA[Senado Federal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Daniella Marques afirma, ao lado de Flávio Bolsonaro, que só haverá eleição em oito anos. Entenda a declaração e o que prevê a Constituição.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A coordenadora do programa econômico de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, afirmou que o Brasil só teria uma nova eleição dali a oito anos, durante uma entrevista concedida ao lado do candidato à Presidência da República. A declaração ocorreu em 6 de agosto de 2026, quando a ex-presidente da Caixa Econômica Federal apresentava propostas de ajuste fiscal para um eventual governo do senador. A afirmação contrasta com o calendário eleitoral estabelecido pela Constituição, que prevê mandatos presidenciais de quatro anos e a realização periódica de eleições.</p>
<p>A manifestação foi registrada durante uma conversa sobre as condições políticas necessárias para implementar mudanças nas contas públicas. Daniella argumentava que um eventual governo de Flávio Bolsonaro precisaria aproveitar o capital político obtido nas urnas para aprovar medidas fiscais e administrativas. Nesse contexto, mencionou a renovação do Senado, a articulação com o Congresso Nacional e a preparação de propostas para redução de despesas.</p>
<p>A entrevista foi divulgada originalmente em agosto, embora a declaração tenha voltado ao debate político na reta final da eleição presidencial. O registro integral permite identificar que a referência aos oito anos foi feita durante uma discussão econômica, sem a apresentação de uma proposta específica para suspender eleições ou ampliar o mandato presidencial para esse período.</p>
<h2>Daniella Marques associa prazo de oito anos a reformas econômicas</h2>
<p>Durante o programa, Daniella explicou que a equipe responsável pela formulação econômica da candidatura trabalhava na elaboração de alternativas para reorganizar as despesas federais. Segundo ela, as medidas envolveriam mudanças no modelo de gestão pública, revisão das regras fiscais e negociação <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341245">política</a> com diferentes setores do Estado. A ex-presidente da Caixa defendeu que essas iniciativas fossem preparadas ainda durante a transição de governo, caso Flávio Bolsonaro vencesse a disputa.</p>
<p>A coordenadora afirmou que seriam apresentadas aproximadamente 300 possibilidades de cortes de gastos, a partir das quais o candidato e seus articuladores políticos poderiam definir prioridades. Também mencionou economistas como Roberto Campos Neto, Mansueto Almeida e Paulo Guedes durante a exposição de suas ideias. As referências aos profissionais foram feitas pela própria Daniella, sem constituir, isoladamente, confirmação de participação formal de todos eles na elaboração das propostas.</p>
<p>Ao detalhar as dificuldades para aprovar mudanças estruturais, ela destacou a diferença entre as medidas desejadas pela equipe econômica e aquelas que efetivamente poderiam obter apoio parlamentar. Rogério Marinho, integrante da articulação política de Flávio Bolsonaro, foi citado nesse processo de negociação. A declaração sobre o calendário eleitoral apareceu justamente quando Daniella relacionava a possibilidade de reformas à composição política do Senado.</p>
<p>A coordenadora utilizou a expressão <strong>&#8220;Só vai ter eleição daqui a oito anos&#8221;</strong>, acrescentando que o período permitiria reorganizar o país. Na sequência, defendeu que um futuro governo precisaria reduzir despesas próprias antes de discutir alterações em temas socialmente sensíveis, incluindo Previdência e salário mínimo. Essas referências foram apresentadas como parte de sua argumentação sobre a necessidade de demonstrar compromisso com o ajuste fiscal.</p>
<h2>Constituição estabelece eleições antes de 2034</h2>
<p>O sistema constitucional brasileiro não prevê um intervalo de oito anos entre eleições presidenciais. O artigo 82 da Constituição Federal estabelece mandato de quatro anos para o presidente da República, com início em 5 de janeiro do ano seguinte à eleição. Pelas regras atualmente em vigor, o vencedor da disputa presidencial de 2026 exercerá o mandato de 2027 a 2031, com nova eleição prevista para 2030.</p>
<p>O calendário também contempla eleições municipais em 2028, quando os eleitores deverão escolher prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. O artigo 29 da Constituição fixa em quatro anos os mandatos municipais e determina a realização de eleições diretas. Dessa maneira, mesmo durante um mandato presidencial iniciado em 2027, o país continuará realizando consultas eleitorais em âmbito municipal.</p>
<p>As eleições gerais de 2030, por sua vez, deverão renovar os mandatos da Presidência, dos governos estaduais e da Câmara dos Deputados, além de parte do Senado. O calendário decorre da alternância constitucional entre eleições municipais e gerais. A mudança de duração dos mandatos ou das regras de votação depende de procedimentos legislativos próprios, não podendo ser determinada unilateralmente pelo presidente eleito.</p>
<p>A Constituição estabelece ainda, no artigo 60, proteção específica ao voto direto, secreto, universal e periódico. Essa garantia integra o conjunto de cláusulas pétreas, que não podem ser abolidas por emenda constitucional. Portanto, uma eventual discussão sobre mudanças no sistema eleitoral precisa respeitar limites materiais que vão além da obtenção de maioria parlamentar.</p>
<h2>Renovação do Senado foi apresentada como vantagem política</h2>
<p>Um dos argumentos utilizados por Daniella Marques foi a renovação de dois terços do Senado nas eleições de 2026. O dado corresponde à estrutura constitucional da Casa, composta por 81 integrantes. Neste ano, 54 cadeiras foram submetidas ao voto popular, enquanto os ocupantes das outras 27 vagas possuem mandatos que prosseguem até 2031.</p>
<p>Os senadores são eleitos para períodos de oito anos, diferentemente do presidente da República e dos deputados federais, cujos mandatos duram quatro anos. A renovação acontece alternadamente: em uma eleição, são escolhidos 27 representantes; na seguinte, 54. Essa regra permite que parte dos senadores mantenha seus mandatos durante diferentes legislaturas, sem interromper a realização das eleições nacionais.</p>
<p>A existência de 54 cadeiras em disputa, entretanto, não significa que todas sejam conquistadas por um mesmo grupo político. A formação de uma maioria parlamentar depende dos resultados eleitorais e das articulações posteriores entre partidos e senadores. Também não equivale automaticamente à obtenção dos votos necessários para aprovar mudanças constitucionais.</p>
<p>Uma proposta de emenda à Constituição precisa ser aprovada em dois turnos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. São necessários pelo menos 308 votos favoráveis entre os deputados e 49 entre os senadores, correspondentes a três quintos dos integrantes de cada Casa. Mesmo uma base governista numericamente expressiva precisa cumprir essas exigências para modificar dispositivos constitucionais.</p>
<h2>Flávio Bolsonaro apresentou PEC para acabar com a reeleição</h2>
<p>A declaração de Daniella também deve ser analisada diante de uma iniciativa legislativa apresentada pelo próprio Flávio Bolsonaro. Em março de 2026, o senador protocolou a Proposta de Emenda à Constituição 4/2026, destinada a impedir a reeleição consecutiva para a Presidência da República. A medida foi apresentada com o apoio de outros parlamentares e permanece em tramitação no Senado.</p>
<p>A proposta não estabelece mandato presidencial de oito anos. Seu objetivo declarado é tornar inelegível, para o período presidencial imediatamente subsequente, quem já estiver exercendo a Presidência. Trata-se, portanto, de uma alteração nas condições de recondução ao cargo, e não de uma iniciativa destinada a eliminar eleições durante dois ciclos presidenciais.</p>
<p>Na própria entrevista de agosto, Flávio Bolsonaro defendeu o fim da reeleição e discutiu a possibilidade de um mandato único de quatro ou cinco anos, dependendo das decisões do Congresso Nacional. A manifestação ocorreu posteriormente à declaração de Daniella sobre o prazo de oito anos. Os posicionamentos precisam ser distinguidos, pois tratam de períodos e mecanismos institucionais diferentes.</p>
<p>Segundo o registro legislativo do Senado, a PEC 4/2026 continuava aguardando despacho em outubro. Em 19 de outubro, foi recebido um requerimento do senador Laércio Oliveira para acrescentar seu apoiamento à proposta. O procedimento não corresponde à aprovação do texto nem altera, por si só, as regras constitucionais atualmente aplicáveis às eleições presidenciais.</p>
<p>Outra iniciativa em discussão no Congresso é a PEC 12/2022, de autoria inicial do senador Jorge Kajuru e outros parlamentares. Essa proposta prevê o fim da reeleição consecutiva para chefes do Executivo e a ampliação de mandatos para cinco anos, com alterações no calendário eleitoral. O texto está pronto para deliberação do Plenário do Senado, mas ainda não foi convertido em norma constitucional.</p>
<h2>Plano de cortes depende de medidas concretas e aprovação legislativa</h2>
<p>A discussão econômica que antecedeu a declaração de Daniella Marques envolveu propostas de contenção de despesas, reorganização administrativa e revisão do arcabouço fiscal. A coordenadora defendeu que a equipe de um eventual governo apresentasse medidas estruturais logo no início da gestão. Parte dessas alterações, segundo sua própria exposição, dependeria de projetos de lei ou de emendas constitucionais.</p>
<p>A referência a aproximadamente 300 alternativas de cortes não equivale à aprovação de um programa fiscal com esse número de medidas. Para determinar o impacto efetivo das propostas, seria necessário conhecer seus valores, os órgãos atingidos, os prazos de implementação e as modificações legais exigidas. A quantidade de alternativas mencionada por Daniella não permite calcular, isoladamente, a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341246">economia</a> que seria obtida.</p>
<p>O processo orçamentário brasileiro também estabelece atribuições distintas para o Executivo e o Legislativo. Cabe ao governo encaminhar propostas e administrar a execução orçamentária, mas o Congresso participa da definição de despesas, da aprovação de leis e do controle sobre a gestão federal. Mudanças que alcancem direitos ou obrigações previstos constitucionalmente dependem dos procedimentos correspondentes.</p>
<p>Essa divisão institucional é particularmente relevante para reformas previdenciárias, alterações na estrutura do serviço público e mudanças permanentes nas regras fiscais. A existência de apoio político pode facilitar negociações, mas não substitui os requisitos legais de cada iniciativa. Tampouco dispensa a apresentação dos efeitos financeiros e das condições de implementação das medidas propostas.</p>
<h2>Segundo turno presidencial ocorrerá em 25 de outubro</h2>
<p>A discussão sobre o programa econômico de Flávio Bolsonaro acontece na reta final do segundo turno presidencial, marcado para domingo, 25 de outubro de 2026. O senador disputa a Presidência com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após ambos terem avançado na votação realizada em 4 de outubro. A composição do próximo governo dependerá do resultado definitivo das urnas.</p>
<p>Até 22 de outubro, a PEC apresentada por Flávio Bolsonaro permanecia sem aprovação, e a Constituição continuava estabelecendo o mandato presidencial de quatro anos. Assim, independentemente do vencedor da eleição, a legislação vigente prevê a continuidade das eleições periódicas, com pleitos municipais em 2028 e nova disputa presidencial em 2030.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Globo impõe regras para debate entre Lula e Flávio Bolsonaro após tensão na Band</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/globo-regras-debate-lula-flavio-bolsonaro-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Oct 2026 23:19:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[César Tralli]]></category>
		<category><![CDATA[debate presidencial]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça Eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[segundo turno]]></category>
		<category><![CDATA[TSE]]></category>
		<category><![CDATA[TV Globo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Globo define regras para debate entre Lula e Flávio Bolsonaro nesta sexta (23), com quatro blocos, restrições de circulação e checagem de fatos.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A TV Globo definiu nesta quinta-feira (22) as regras para o último debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcado para sexta-feira (23), às 21h20, dois dias antes do segundo turno das eleições de 2026. O confronto terá quatro blocos de perguntas e respostas, considerações finais e limitações à movimentação dos candidatos pelo estúdio. As medidas foram estabelecidas após os episódios de tensão registrados no encontro anterior, realizado pela Band.</p>
<p>O debate acontecerá nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação do jornalista César Tralli, logo após o Jornal Nacional. A transmissão será simultânea pela TV Globo, GloboNews, g1 e Globoplay. As campanhas dos dois presidenciáveis confirmaram a participação e concordaram com as regras de organização do confronto.</p>
<p>A emissora pretende privilegiar a apresentação de propostas e o confronto direto de ideias, distribuindo o tempo de maneira equivalente entre os participantes. O formato combina discussões sobre problemas regionais, assuntos nacionais previamente definidos e uma etapa de tema livre. A expectativa é que os candidatos sejam confrontados sobre questões concretas de governo, além das acusações que marcaram os embates anteriores.</p>
<h2>Como funcionarão os quatro blocos do debate</h2>
<p>O primeiro bloco terá seis rodadas de perguntas relacionadas às diferentes regiões brasileiras e a um tema prioritário de alcance nacional. Cada candidato contará com três minutos por rodada, distribuídos entre pergunta e réplica ou resposta e tréplica. A ordem de participação será estabelecida por sorteios realizados ao vivo pelo mediador.</p>
<p>No segundo e no terceiro blocos, Lula e Flávio Bolsonaro poderão selecionar os assuntos que desejam discutir entre os temas apresentados em um telão pela produção. O tempo de três minutos por candidato será mantido, assim como a dinâmica de perguntas, respostas e intervenções. A estrutura permitirá que os presidenciáveis direcionem parte do confronto para áreas nas quais pretendem destacar diferenças entre seus programas de governo.</p>
<p>O quarto bloco será dedicado ao debate de tema livre, sem assuntos previamente determinados pela emissora. Cada candidato terá oito minutos de fala, sem limite de intervenções, podendo administrar o próprio tempo para perguntas, respostas e contestações. A etapa será seguida pelas considerações finais, quando ambos poderão apresentar suas últimas mensagens ao eleitorado antes da votação.</p>
<p>A combinação dos formatos cria oportunidades distintas de avaliação dos candidatos. Enquanto as rodadas regionais exigirão respostas sobre problemas específicos do território nacional, os blocos temáticos permitirão comparar prioridades administrativas e propostas de políticas públicas. Já a discussão livre poderá concentrar os momentos mais intensos do confronto político.</p>
<h2>Globo restringe circulação após comportamento de Flávio Bolsonaro na Band</h2>
<p>Uma das principais mudanças está relacionada à circulação dos candidatos pelo cenário. Nos três primeiros blocos, apenas o participante que estiver com a palavra poderá caminhar livremente pelo estúdio. O adversário deverá permanecer em seu púlpito até receber autorização para falar.</p>
<p>A restrição ocorre após a repercussão do debate promovido pela Band no domingo (18), quando Flávio Bolsonaro se posicionou atrás de Lula enquanto o presidente respondia a perguntas e se dirigia aos telespectadores. A movimentação provocou reclamações da campanha petista, gerou confusão na plateia e contribuiu para a interrupção momentânea do encontro. O episódio levou a organização do novo debate a estabelecer limites mais claros para o deslocamento dos participantes.</p>
<p>No quarto bloco, os candidatos poderão deixar os púlpitos e circular pelo cenário, mas deverão permanecer em lados separados do estúdio. A medida mantém a possibilidade de uma interação mais dinâmica sem permitir aproximações físicas capazes de interferir na apresentação do adversário. A regra também reduz o espaço para estratégias de comunicação baseadas em gestos ou movimentos durante o tempo de fala do oponente.</p>
<p>A mudança tem relevância porque debates televisionados não são avaliados apenas pelo conteúdo verbal. Expressões faciais, posicionamento diante das câmeras e reações às respostas podem influenciar a percepção do público sobre segurança, preparo e capacidade de liderança. Ao delimitar a movimentação, a Globo procura concentrar a atenção dos telespectadores nos argumentos apresentados.</p>
<h2>Checagem de fatos será feita pelo g1, mas não aparecerá ao vivo na TV</h2>
<p>Outra decisão envolve o tratamento das declarações dos candidatos. A Globo confirmou que haverá verificação das informações apresentadas durante o debate, com publicações na página Fato ou Fake, do g1. O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341249">trabalho</a> começará durante a transmissão e continuará ao longo da madrugada, com participação de equipes de veículos do Grupo Globo.</p>
<p>A checagem, entretanto, não será incorporada à transmissão televisiva por meio de intervenções imediatas do mediador ou de alertas na tela. Isso significa que eventuais informações incorretas poderão circular durante o confronto sem uma correção simultânea para todos os telespectadores. A verificação ficará disponível principalmente nos canais digitais, permitindo que o público consulte posteriormente as conclusões das equipes responsáveis.</p>
<p>A diferença entre verificar uma declaração e corrigi-la durante sua apresentação é importante para compreender o alcance da medida. A publicação de informações checadas oferece instrumentos para o eleitor avaliar o conteúdo do debate, mas depende de que ele procure ou receba essas verificações. Em uma disputa marcada pela circulação acelerada de vídeos e recortes nas redes sociais, a velocidade da checagem pode influenciar a repercussão de cada afirmação.</p>
<h2>Debate ocorre no limite do calendário eleitoral</h2>
<p>A realização do encontro na sexta-feira atende ao calendário estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Resolução nº 23.610/2019 determina que debates transmitidos por emissoras de rádio e televisão no segundo turno não ultrapassem a meia-noite da sexta-feira imediatamente anterior à votação. O regulamento também prevê que as regras sejam estabelecidas por acordo entre as emissoras e os partidos, com comunicação à Justiça Eleitoral.</p>
<p>O segundo turno presidencial ocorrerá no domingo (25), com votação das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. Dessa maneira, o debate da Globo será a última oportunidade programada para os dois candidatos se enfrentarem diretamente em rede nacional antes da abertura das urnas. A proximidade da eleição aumenta a importância <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341250">política</a> do encontro, especialmente para eleitores que ainda avaliam as propostas dos concorrentes.</p>
<p>A organização por temas regionais e nacionais também oferece uma oportunidade para que questões econômicas ganhem espaço no confronto. Política fiscal, inflação, emprego, investimentos públicos, infraestrutura e financiamento de serviços essenciais são assuntos que podem ajudar a diferenciar os projetos de governo. A presença efetiva desses temas, contudo, dependerá das perguntas formuladas e das escolhas feitas pelos próprios candidatos.</p>
<p>Para o eleitor, um dos principais critérios de avaliação será a capacidade de cada presidenciável apresentar medidas específicas, explicar sua viabilidade e responder a questionamentos sobre custos e resultados. Promessas de ampliação de despesas ou redução de tributos, por exemplo, exigem esclarecimentos sobre fontes de financiamento e consequências para as contas públicas. O debate poderá revelar até que ponto Lula e Flávio Bolsonaro estão dispostos a detalhar compromissos que terão impacto direto sobre a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341251">economia</a> brasileira.</p>
<h2>Candidatos terão entrevistas coletivas após o confronto</h2>
<p>A Globo também reservou espaço para entrevistas coletivas depois do encerramento do debate. Cada presidenciável poderá conversar com jornalistas durante dez minutos na sala de imprensa. A ordem foi estabelecida por sorteio realizado na presença de representantes das campanhas, com Lula falando primeiro e Flávio Bolsonaro na sequência.</p>
<p>As entrevistas poderão servir para esclarecer declarações feitas durante o programa e aprofundar assuntos que não tenham recebido respostas conclusivas. Também oferecerão aos candidatos uma oportunidade adicional de comentar o desempenho no confronto. A participação será facultativa, respeitando o tempo previsto pela organização.</p>
<p>O debate desta sexta-feira encerra uma etapa decisiva da campanha presidencial de 2026. Entre as restrições de circulação, a divisão temática e o sistema de checagem de fatos, a Globo procurou estabelecer condições para um confronto mais organizado. O resultado dependerá da disposição dos candidatos de transformar o espaço televisivo em uma discussão substantiva sobre os rumos do país.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>TV Globo — Regras divulgadas para o debate presidencial do segundo turno de 23 de outubro de 2026.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.610/2019, artigos 44 a 46, sobre debates eleitorais.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Calendário Eleitoral de 2026 e Resolução nº 23.760/2026.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Lula faz live com Janones em meio a apoio de Marieta Severo, Jão, Camila Pitanga e outros artistas</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/lula-live-janones-marieta-severo-jao-camila-pitanga-artistas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Oct 2026 22:48:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Andre Janones]]></category>
		<category><![CDATA[artistas]]></category>
		<category><![CDATA[Camila Pitanga]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral.]]></category>
		<category><![CDATA[debate da Globo]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Exército do Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Jão]]></category>
		<category><![CDATA[Live de Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Marieta Severo]]></category>
		<category><![CDATA[Mobilização digital]]></category>
		<category><![CDATA[segundo turno]]></category>
		<category><![CDATA[WhatsApp]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lula participa de live com André Janones em meio ao apoio de Marieta Severo, Jão, Camila Pitanga e outros artistas na reta final das Eleições 2026.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-metric-area="topo-noticia" data-v-d559f1f7="">
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<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou nesta quinta-feira (22) sua mobilização digital para o segundo turno das eleições presidenciais, com uma transmissão ao vivo organizada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A iniciativa ocorre em meio a uma campanha de apoio que reúne artistas de diferentes gerações, entre eles a atriz Marieta Severo, o cantor Jão e a atriz Camila Pitanga, além de dezenas de personalidades da música, do cinema e da televisão. A transmissão foi marcada para as 19h, três dias antes da votação que definirá a disputa entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL).</p>
<p>A participação do presidente foi anunciada no canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado por Janones, que alcançou aproximadamente 8 milhões de seguidores nesta quinta-feira. Em vídeo divulgado na plataforma, Lula convocou os integrantes da comunidade digital para acompanhar o encontro e participar das atividades organizadas pela campanha. A iniciativa procura ampliar o alcance das mensagens eleitorais em um momento de intensa disputa por atenção nas redes sociais.</p>
<p>O envolvimento de artistas acrescenta uma dimensão cultural à mobilização <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341243">política</a> do presidente. Marieta Severo participou de encontro com Lula e representantes do setor cultural no Rio de Janeiro, em setembro, enquanto Jão esteve em manifestações de apoio realizadas durante outubro. Camila Pitanga também integrou ações digitais de artistas que utilizaram as cores verde e amarela para manifestar apoio à candidatura petista.</p>
<p>As participações ocorreram em iniciativas distintas da campanha. Embora os três artistas integrem o movimento de apoio a Lula, os registros públicos examinados não permitem confirmar que Marieta Severo, Jão e Camila Pitanga tenham participado pessoalmente da transmissão com Janones nesta quinta-feira. A presença de cada um na live depende de confirmação nas imagens ou na programação efetivamente exibida.</p>
<p>A transmissão foi anunciada para o mesmo horário de uma live de Flávio Bolsonaro, estabelecendo uma disputa simultânea pela audiência digital. Os candidatos procuram mobilizar apoiadores e ampliar a circulação de seus conteúdos antes do último debate presidencial, previsto para sexta-feira (23), e da votação de domingo (25).</p>
<h2>Marieta Severo, Jão e Camila Pitanga integram mobilização de artistas</h2>
<p>O apoio de personalidades do setor cultural tornou-se uma das características da campanha de Lula durante as últimas semanas. Artistas de diferentes gerações participaram de encontros presenciais, produziram vídeos e publicaram manifestações em suas redes sociais. As atividades reuniram representantes da música popular brasileira, do teatro, do cinema, da televisão e de gêneros musicais contemporâneos.</p>
<p>A atriz Marieta Severo esteve entre as personalidades que participaram do evento “Cultura com Lula”, realizado em 23 de setembro na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. O encontro reuniu mais de 50 artistas e representantes do setor cultural, incluindo Chico Buarque, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Daniela Mercury, Lenine, Malu Mader e Cissa Guimarães. A programação foi dedicada à discussão de propostas culturais e à manifestação de apoio à candidatura presidencial.</p>
<p>O cantor Jão também participou das mobilizações recentes. Em outubro, esteve entre os artistas presentes em eventos públicos favoráveis à reeleição de Lula, incluindo a manifestação musical realizada em Copacabana, no Rio de Janeiro, em 18 de outubro. O encontro reuniu nomes como Caetano Veloso, Djavan, Duda Beat, Marina Sena, Chico César e outros músicos.</p>
<p>Camila Pitanga participou da mobilização digital que incentivou artistas e apoiadores a publicar fotografias utilizando roupas verdes e amarelas. A iniciativa foi organizada nas redes sociais a partir de convocação associada a André Janones, buscando ampliar a circulação de conteúdos da campanha. Também participaram dessa ação personalidades como Débora Bloch, Renata Sorrah, Sophie Charlotte, Humberto Carrão e Marjorie Estiano.</p>
<p>A mobilização reúne artistas com trajetórias e públicos distintos. Marieta Severo possui longa carreira na dramaturgia brasileira, enquanto Jão alcança uma audiência associada à música pop contemporânea. Camila Pitanga, por sua vez, possui presença consolidada na televisão e no cinema, além de atuação pública em temas sociais e culturais.</p>
<p>Essa diversidade permite que manifestações políticas circulem por comunidades digitais diferentes. Entretanto, o tamanho das audiências individuais não representa automaticamente transferência de votos para um candidato. O efeito eleitoral depende da recepção das mensagens, da identificação do público com os artistas e das preferências políticas já existentes.</p>
<h2>Lula convoca seguidores do “Exército do Lula”</h2>
<p>A transmissão com André Janones foi divulgada depois que o presidente passou a participar diretamente do canal de WhatsApp organizado pelo deputado. O espaço utiliza uma linguagem de mobilização coletiva e distribui orientações para o compartilhamento de conteúdos eleitorais. Os administradores denominam essas ações de missões, procurando estimular a participação dos seguidores nas atividades digitais.</p>
<p>Em vídeo divulgado nesta quinta-feira, Lula chamou Janones de general e confirmou sua presença no encontro das 19h. O presidente afirmou que a disputa eleitoral exigiria mobilização dos apoiadores e utilizou a terminologia adotada no canal para convidá-los a acompanhar a transmissão. A gravação passou a circular entre os integrantes da comunidade digital e em outras plataformas.</p>
<p>O canal atingiu aproximadamente 8 milhões de seguidores, segundo os números divulgados pelos administradores. A marca representa uma audiência potencial expressiva para a distribuição de mensagens políticas, mas não significa que todos os inscritos acompanhem as publicações ou concordem com seu conteúdo. Também não permite determinar quantos seguidores são eleitores indecisos.</p>
<p>Na quarta-feira (21), Janones havia anunciado que o grupo alcançara aproximadamente 7 milhões de participantes. A evolução informada pelos administradores indica crescimento acelerado no período, embora seja necessário distinguir o número de seguidores da quantidade de usuários efetivamente ativos. O volume de adesões não equivale a uma pesquisa de intenção de voto.</p>
<p>A participação direta do presidente representa uma mudança na estrutura de comunicação utilizada pela campanha. Em vez de depender exclusivamente de perfis oficiais, Lula passou a integrar uma comunidade organizada por um parlamentar com forte atuação digital. A estratégia permite distribuir mensagens a uma audiência que acompanha voluntariamente as publicações do canal.</p>
<h2>Live com artistas reforça importância do apoio cultural</h2>
<p>A mobilização digital de Lula ocorre paralelamente a uma série de manifestações organizadas por artistas e coletivos culturais. Esses movimentos ganharam visibilidade durante o segundo turno, com encontros presenciais e publicações coordenadas nas redes sociais. A participação de nomes conhecidos do público amplia a repercussão dos eventos e adiciona novas formas de comunicação à campanha.</p>
<p>A ação que incentivou o uso das cores verde e amarela reuniu artistas, parlamentares e outras personalidades públicas. Entre os participantes estiveram cantores como Anitta, Caetano Veloso, Chico Buarque, Pabllo Vittar e Diogo Nogueira. No setor audiovisual, atrizes e atores publicaram imagens demonstrando adesão à iniciativa.</p>
<p>Camila Pitanga esteve entre os nomes associados à mobilização. Sua participação ocorreu por meio de conteúdos digitais divulgados durante a campanha, em um movimento que também alcançou representantes do cinema, da televisão e de outras áreas culturais. O objetivo declarado pelos organizadores foi ampliar a circulação das mensagens eleitorais entre públicos diferentes.</p>
<p>Jão participou de manifestações musicais favoráveis à candidatura de Lula, integrando uma programação que reuniu artistas de diferentes estilos. A presença do cantor em eventos da campanha reflete a participação de nomes da música contemporânea nas discussões políticas do segundo turno. Ao lado de artistas com trajetórias mais longas, esses participantes ampliaram a diversidade geracional dos encontros.</p>
<p>Marieta Severo também esteve presente em atividades culturais anteriores da candidatura. Sua participação no encontro da Fundição Progresso ocorreu ao lado de representantes da música popular brasileira e de profissionais do setor audiovisual. A programação incluiu discussões sobre políticas culturais e manifestações públicas de apoio ao presidente.</p>
<p>A reunião desses nomes em uma mesma mobilização política não significa necessariamente que todos tenham participado de uma única transmissão. Os apoios ocorreram em datas e formatos diferentes, incluindo manifestações presenciais, gravações e publicações nas redes sociais. A identificação das participações efetivas na live desta quinta-feira depende do registro completo do evento.</p>
<h2>Lula e Flávio Bolsonaro disputam audiência no mesmo horário</h2>
<p>A transmissão anunciada por Lula e Janones coincidiu com a programação de Flávio Bolsonaro, que também marcou uma live para as 19h desta quinta-feira. O candidato do PL utiliza apresentações em vídeo como instrumento de comunicação direta com seus apoiadores. A coincidência de horários acrescentou um elemento de competição digital à reta final da disputa presidencial.</p>
<p>As transmissões permitem aos candidatos apresentar propostas, comentar acontecimentos recentes e responder a críticas sem depender exclusivamente da estrutura tradicional de entrevistas e programas eleitorais. Também possibilitam que trechos das apresentações sejam posteriormente compartilhados em redes sociais e aplicativos de mensagens. O alcance final pode ser superior à audiência simultânea, dependendo da circulação das gravações.</p>
<p>A campanha de Lula passou a apostar no canal de Janones como instrumento de distribuição de conteúdos. A iniciativa combina a participação do presidente com o engajamento de comunidades digitais e manifestações públicas de artistas. Flávio, por sua vez, mantém sua própria estratégia de comunicação direta e conta com apoiadores e influenciadores que divulgam conteúdos favoráveis à candidatura.</p>
<p>A comparação entre as transmissões exige dados sobre visualizações simultâneas, duração média de audiência e reproduções posteriores. Sem essas informações, não é possível determinar qual dos candidatos alcançou mais espectadores. A quantidade de seguidores de um canal também não corresponde necessariamente ao público que acompanha determinada live.</p>
<h2>Janones anuncia maratona de 24 horas após debate da Globo</h2>
<p>A estratégia digital não se limita ao encontro desta quinta-feira. André Janones anunciou uma transmissão de aproximadamente 24 horas, programada para começar após o debate presidencial da TV Globo, na sexta-feira (23), e continuar até sábado (24). A maratona pretende manter os apoiadores mobilizados durante o intervalo entre o último confronto televisionado e o segundo turno.</p>
<p>Segundo o deputado, os participantes receberão orientações e atividades para ampliar a circulação de conteúdos da campanha. A programação foi apresentada como uma sequência de ações digitais voltadas aos últimos momentos da disputa presidencial. A execução dependerá das atividades efetivamente realizadas durante a transmissão.</p>
<p>O debate da Globo deverá representar um dos últimos grandes momentos de exposição conjunta de Lula e Flávio Bolsonaro antes da votação. A campanha petista pretende aproveitar sua repercussão nas redes sociais, enquanto o adversário também poderá utilizar o material produzido durante o confronto. O resultado será uma disputa pela circulação e interpretação dos acontecimentos do debate.</p>
<p>A transmissão prolongada oferece aos organizadores a possibilidade de distribuir conteúdos em horários diferentes e alcançar espectadores que não acompanham toda a programação. Entretanto, uma live de 24 horas não significa audiência contínua durante esse período. Os números efetivos dependerão das visualizações e do engajamento registrados pela plataforma.</p>
<h2>Mobilização digital exige cumprimento das regras eleitorais</h2>
<p>As atividades anunciadas pelas campanhas ocorrem sob as regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral. A Resolução nº 23.610/2019, com alterações posteriores, disciplina a propaganda eleitoral na internet e estabelece condições específicas para transmissões ao vivo realizadas por candidatos. As lives de promoção eleitoral são consideradas atos públicos de campanha e devem observar os limites legais aplicáveis.</p>
<p>A legislação diferencia manifestações espontâneas de eleitores, publicações em perfis permitidos e formas de propaganda contratada. Também estabelece restrições à utilização de estruturas empresariais, à circulação paga de conteúdos e ao tratamento irregular de informações pessoais. A participação de influenciadores e artistas não elimina essas exigências.</p>
<p>O calendário eleitoral de 2026 determina prazos específicos para a circulação de propaganda e a realização de debates. Nesta quinta-feira (22), encerra-se o período autorizado para impulsionamento pago de conteúdos eleitorais na internet antes do segundo turno. A votação está marcada para domingo (25).</p>
<p>As campanhas poderão continuar determinadas formas de comunicação permitidas pela legislação, respeitando as restrições aplicáveis a cada modalidade. A mobilização de seguidores por meio de canais digitais também precisa observar as normas relativas à propaganda e ao compartilhamento de mensagens.</p>
<h2>Artistas e influenciadores ampliam participação na reta final</h2>
<p>A mobilização de Lula e Janones demonstra a importância adquirida pelas plataformas digitais durante a campanha presidencial de 2026. O canal “Exército do Lula” alcançou milhões de seguidores, enquanto artistas e personalidades públicas participaram de eventos e ações virtuais relacionados à candidatura. Esses movimentos fazem parte de um conjunto de iniciativas que procura ampliar a circulação de informações eleitorais.</p>
<p>A participação de Marieta Severo, Jão e Camila Pitanga evidencia a diversidade de artistas envolvidos nas manifestações de apoio ao presidente. Cada um participou de atividades públicas ou digitais realizadas em momentos diferentes da campanha, ao lado de outros representantes do setor cultural. Sua presença nessas ações não comprova, isoladamente, participação na transmissão específica organizada por Janones em 22 de outubro.</p>
<p>A disputa de audiência com Flávio Bolsonaro também reforça a utilização das redes sociais como espaço de comunicação direta entre candidatos e eleitores. Entretanto, o alcance das plataformas precisa ser diferenciado do comportamento efetivo do eleitorado. Seguidores, visualizações e compartilhamentos não representam votos confirmados.</p>
<p>A estratégia deverá continuar nos últimos dias antes do segundo turno, especialmente com a transmissão prolongada anunciada por Janones após o debate da Globo. O envolvimento dos artistas acrescenta visibilidade às atividades de campanha, enquanto a participação direta de Lula procura ampliar a proximidade com os integrantes do canal de WhatsApp.</p>
<p>O efeito eleitoral dessas iniciativas permanecerá sujeito às escolhas dos eleitores no domingo. Até lá, Lula e Flávio Bolsonaro continuarão utilizando diferentes canais de comunicação para apresentar propostas e mobilizar suas respectivas bases de apoio.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Luiz Inácio Lula da Silva — Vídeo de convocação para a transmissão de 22 de outubro de 2026, divulgado no canal de WhatsApp “Exército do Lula”.</p>
<p>André Janones — Comunicações públicas de 21 e 22 de outubro de 2026 sobre a live com Lula e a maratona digital programada para 23 e 24 de outubro.</p>
<p>Organização do evento Cultura com Lula — Registro audiovisual do encontro realizado em 23 de setembro de 2026, na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro.</p>
<p>Organização do Ato Musical pela Democracia — Registros públicos da manifestação realizada em Copacabana, em 18 de outubro de 2026.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.610/2019 e alterações posteriores, sobre propaganda eleitoral na internet e transmissões ao vivo.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Calendário oficial das eleições de 2026, incluindo os prazos de propaganda e a data do segundo turno.</p>
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		<title>Lula e Flávio aceitam quebra de sigilos; decisão fica com André Mendonça</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/lula-flavio-bolsonaro-acordo-quebra-sigilos-andre-mendonca-tse</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Oct 2026 17:05:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Alcazar Holdings]]></category>
		<category><![CDATA[André Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Master]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Vorcaro]]></category>
		<category><![CDATA[Deltan Dallagnol]]></category>
		<category><![CDATA[Edinho Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
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		<category><![CDATA[sigilo fiscal]]></category>
		<category><![CDATA[TSE]]></category>
		<category><![CDATA[Willer Tomaz]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lula e Flávio Bolsonaro fecham acordo para abrir sigilos bancários, fiscais e telefônicos. Decisão sobre divulgação dos dados depende de André Mendonça no TSE.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) chegaram a um acordo nesta quinta-feira, 22 de outubro de 2026, para permitir a abertura simultânea de sigilos bancários, fiscais e telefônicos dos dois candidatos à Presidência da República. O entendimento foi formalizado perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), depois de uma sequência de exigências e contrapropostas que ampliaram o alcance da medida para familiares, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341205">empresas</a> e pessoas próximas aos presidenciáveis. A execução do compromisso depende agora da análise do ministro André Mendonça, relator da Petição Cível nº 0603195-27.2026.6.00.0000.</p>
<p>A petição estabelece que a disponibilização dos dados deverá ocorrer de maneira imediata, integral e simultânea, respeitadas as condições aceitas pelas duas campanhas. Os representantes dos candidatos também solicitaram que as informações sejam requisitadas ao Banco Central, à Receita Federal, às instituições financeiras e às operadoras de telefonia, com posterior divulgação em uma plataforma de acesso público. O objetivo declarado é permitir que os eleitores tenham acesso às informações antes do segundo turno, marcado para domingo (25).</p>
<p>O acordo representa uma mudança em relação ao impasse que marcou os dias anteriores, quando cada candidatura condicionava a exposição de seus registros ao cumprimento de novas exigências pelo adversário. Apesar da concordância <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341204">política</a>, a assinatura dos documentos não significa que os sigilos já tenham sido efetivamente levantados ou que as informações estejam disponíveis para consulta pública. A extensão da medida dependerá das autorizações apresentadas, dos direitos de terceiros e das providências que forem consideradas juridicamente cabíveis.</p>
<h2>Acordo prevê abertura imediata e simultânea dos dados</h2>
<p>O entendimento foi formalizado depois que a campanha de Lula aceitou as condições apresentadas por Flávio Bolsonaro em uma petição protocolada na quarta-feira (21). O documento do candidato do PL continha 19 conjuntos de exigências, abrangendo informações de familiares do presidente, antigos assessores, empresas, movimentações financeiras e registros relacionados a atividades do governo federal. Em contrapartida, a campanha petista insistiu na inclusão de empresas vinculadas ao entorno do senador, especialmente a Alcazar Holdings.</p>
<p>A representação de Flávio foi assinada por sua advogada, Maria Claudia Bucchianeri, enquanto Lula apresentou autorização assinada pessoalmente. Segundo os representantes das candidaturas, o compromisso estabelece condições recíprocas para que os dados sejam disponibilizados sem vantagem temporal para qualquer um dos participantes. A proposta prevê a divulgação das informações no sistema DivulgaCandContas ou em outro ambiente eletrônico acessível à população.</p>
<p>A campanha de Lula informou que suas autorizações foram apresentadas ao TSE nesta quinta-feira, enquanto a equipe de Flávio assumiu o compromisso de entregar a documentação restante até as 23h59. O prazo mencionado foi estabelecido no entendimento entre as campanhas, não constituindo, por si só, uma determinação judicial dirigida às instituições responsáveis pelos dados. Para que a divulgação ocorra nos termos propostos, ainda será necessário resolver questões técnicas e jurídicas relacionadas à obtenção dos registros.</p>
<h2>Lula autoriza dados pessoais, familiares e da empresa L.I.L.S.</h2>
<p>No pedido inicial apresentado na terça-feira (20), Lula autorizou a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos oito anos, condicionando a medida à adoção de providência equivalente por Flávio Bolsonaro. A proposta também incluiu a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e os cinco filhos do presidente: Lurian Cordeiro, Marcos Cláudio, Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Cláudio. O documento ainda contemplou a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações, empresa vinculada ao petista.</p>
<p>Após as exigências apresentadas pelo candidato do PL, a campanha de Lula concordou em ampliar o alcance das informações solicitadas. Entre os novos alvos estão o Instituto Lula, o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e registros relacionados a empresas de familiares do presidente. As solicitações passaram a incluir também movimentações financeiras de pessoas e entidades mencionadas pela representação adversária.</p>
<p>A ampliação alcança ainda pedidos de divulgação de despesas realizadas com cartões corporativos da Presidência, registros de visitantes de instalações oficiais e informações sobre agendas institucionais. A campanha de Flávio argumenta que esses dados são necessários para examinar relações financeiras e administrativas envolvendo pessoas próximas ao presidente. Já os representantes de Lula sustentam que aceitaram as condições para assegurar a reciprocidade da iniciativa e permitir a divulgação das informações correspondentes ao adversário.</p>
<p>O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou após a apresentação dos documentos que as campanhas cumpriram a etapa de autorização e que a continuidade do processo depende das autoridades competentes. Segundo o dirigente, o objetivo é possibilitar o conhecimento público das informações solicitadas por ambos os lados. A declaração ocorre em um momento de forte exposição política do tema, que passou a ocupar espaço importante na reta final da campanha presidencial.</p>
<h2>Flávio aceita abertura de sigilos de 20 anos e mensagens com Vorcaro</h2>
<p>A petição apresentada por Flávio Bolsonaro na quarta-feira estabelece um período de abrangência maior do que aquele inicialmente proposto por Lula. O senador declara concordar com a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos 20 anos, além das informações de familiares mencionados na proposta do adversário. Também autoriza a divulgação de registros de quatro empresas das quais afirma ser sócio ou administrador.</p>
<p>As pessoas jurídicas mencionadas no documento são Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, All In One Corretora de Seguros, Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação e Bolsonaro Digital. O senador manifesta ainda concordância com a divulgação de todas as mensagens que trocou com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O empresário aparece em investigações relacionadas a suspeitas de irregularidades financeiras e ao financiamento de projetos vinculados ao entorno político da família Bolsonaro.</p>
<p>A inclusão das mensagens com Vorcaro ganhou relevância diante dos questionamentos sobre operações financeiras relacionadas ao projeto cinematográfico &#8220;Dark Horse&#8221;, dedicado à trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O assunto integra investigações conduzidas por autoridades policiais e judiciais, mas as referências a essas apurações não representam comprovação de irregularidades atribuídas ao senador. Flávio nega a prática de ilícitos e afirma defender a divulgação das informações para esclarecer as acusações dirigidas a ele.</p>
<p>A decisão de aceitar a exposição de duas décadas de registros financeiros e telefônicos também amplia a quantidade potencial de informações abrangidas pela proposta. Entretanto, a existência de uma autorização genérica não garante que todos os documentos possam ser obtidos imediatamente, especialmente quando envolvem operações antigas, instituições estrangeiras ou pessoas jurídicas com outros titulares. Essas dificuldades práticas precisam ser consideradas na avaliação do alcance efetivo do acordo.</p>
<h2>Alcazar Holdings foi um dos principais pontos de divergência</h2>
<p>A inclusão da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, foi um dos principais obstáculos nas negociações entre as duas campanhas. A companhia está relacionada ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro e mencionado em investigações conduzidas pela Polícia Federal. Documentos atribuídos às apurações apontam referências ao senador como possível usuário com poderes de acesso a uma conta bancária vinculada à empresa.</p>
<p>A campanha de Lula passou a exigir que o compromisso de transparência também alcançasse informações relacionadas à Alcazar. O argumento apresentado pelos representantes petistas é que a apuração da eventual participação do senador em movimentações financeiras não poderia ficar restrita às empresas formalmente registradas em seu nome. A exigência levou a novas discussões sobre o alcance das autorizações e sobre a responsabilidade por fornecer os dados.</p>
<p>Na petição de quarta-feira, Flávio afirmou não ser sócio, administrador ou beneficiário da Alcazar Holdings e sustentou que, por essa razão, não dispõe dos documentos bancários e fiscais da empresa. A afirmação não resolve, isoladamente, a questão sobre eventuais poderes de movimentação ou acesso a contas, que depende da documentação mantida pelas instituições financeiras. O acordo divulgado nesta quinta-feira incluiu a controvérsia entre os pontos a serem abrangidos pelo pedido, mas a obtenção das informações dependerá dos requisitos legais e da cooperação das entidades envolvidas.</p>
<p>A distinção entre titularidade societária e poderes bancários é importante para compreender o caso. Uma pessoa pode, em determinadas estruturas empresariais, receber autorização para movimentar contas ou acessar serviços financeiros sem necessariamente integrar o quadro de sócios da companhia. A identificação dessas responsabilidades exige documentos bancários e societários específicos, não sendo possível estabelecer sua existência apenas a partir das declarações das campanhas.</p>
<h2>Instituto Lula, Marcola e cartões corporativos entram na disputa</h2>
<p>Entre as exigências formuladas por Flávio estão a apresentação de informações financeiras e fiscais do Instituto Lula e de empresas relacionadas aos familiares do presidente. A campanha do senador também solicitou autorizações individuais do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro e de pessoas que tenham utilizado linhas telefônicas para atender o chefe do Executivo. Parte dos pedidos pretende alcançar registros anteriores ao período de oito anos proposto inicialmente por Lula, incluindo informações desde 2003.</p>
<p>A representação de Flávio menciona investigações envolvendo pagamentos recebidos por Marcola e relações financeiras atribuídas a pessoas próximas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Também pede esclarecimentos sobre registros de contatos com Daniel Vorcaro, movimentações relacionadas ao Instituto Lula e possíveis conexões com personagens investigados no caso dos descontos irregulares em benefícios do INSS. As alegações apresentadas são fundamentos utilizados pela campanha para justificar suas exigências, não conclusões judiciais sobre a responsabilidade dos citados.</p>
<p>Outra frente envolve os cartões corporativos da Presidência e os registros de visitas ao Palácio do Planalto e ao Palácio da Alvorada. A campanha do PL sustenta que a divulgação dessas informações permitiria avaliar despesas públicas e contatos institucionais durante o atual mandato. Os documentos também incluem pedidos relacionados à agenda da primeira-dama e à utilização de estruturas oficiais do governo federal.</p>
<p>Essas informações possuem naturezas jurídicas diferentes. Registros sobre despesas públicas e agendas institucionais estão sujeitos a regras de transparência administrativa, enquanto movimentações bancárias privadas, declarações fiscais e comunicações pessoais recebem proteção legal específica. Por isso, não é possível tratar todos os pedidos como se estivessem submetidos ao mesmo procedimento de divulgação.</p>
<h2>André Mendonça terá de analisar os limites do acordo</h2>
<p>Com as manifestações apresentadas, a atenção passa para o ministro André Mendonça, relator do processo no Tribunal Superior Eleitoral. Os candidatos pedem que a Justiça Eleitoral determine a requisição dos dados às instituições responsáveis e estabeleça mecanismos para disponibilizá-los ao público. A questão central é verificar quais providências podem ser adotadas no processo e quais informações dependem de autorizações adicionais ou de outras vias legais.</p>
<p>A Lei Complementar nº 105, de 2001, estabelece que as instituições financeiras devem preservar o sigilo de suas operações, mas admite a divulgação de informações protegidas mediante consentimento expresso dos interessados. A legislação também prevê hipóteses de acesso a dados financeiros por autoridades competentes, observadas as condições específicas de cada procedimento. Essas possibilidades, entretanto, não tornam automaticamente públicos todos os documentos apresentados ou requisitados em uma ação judicial.</p>
<p>O principal limite envolve informações pertencentes a terceiros. Lula não pode, apenas por manifestação própria, autorizar a divulgação irrestrita dos dados bancários de um ex-assessor ou de empresas administradas por familiares. O mesmo raciocínio se aplica a Flávio Bolsonaro em relação a parentes, sócios, empresas estrangeiras e pessoas mencionadas nas investigações.</p>
<p>Também existem particularidades na obtenção de informações telefônicas. Registros de chamadas, dados cadastrais e conteúdo de mensagens possuem regimes jurídicos diferentes, além de envolverem fornecedores e mecanismos técnicos distintos. A eventual autorização para divulgar mensagens privadas não significa que operadoras de telefonia ou instituições financeiras disponham de todo o conteúdo solicitado.</p>
<h2>DivulgaCandContas não reúne automaticamente extratos privados</h2>
<p>O pedido das campanhas prevê que os registros sejam apresentados no DivulgaCandContas, sistema administrado pelo TSE e utilizado para disponibilizar informações sobre candidaturas, patrimônio declarado e prestações de contas eleitorais. A plataforma permite consultar bens informados pelos candidatos, receitas e despesas de campanha, doadores, fornecedores e outros dados exigidos pela legislação eleitoral. Entretanto, não foi concebida como um repositório universal de movimentações bancárias privadas ou comunicações pessoais.</p>
<p>A utilização do sistema para divulgar os documentos solicitados dependeria de providências específicas da Justiça Eleitoral, inclusive quanto à seleção, ao tratamento e à proteção dos dados. A divulgação integral de extratos financeiros pode envolver informações de terceiros que realizaram pagamentos ou transferências sem participar do acordo entre os candidatos. Essa circunstância exige atenção aos limites de publicidade e às regras de proteção de informações pessoais.</p>
<p>Outra questão envolve a origem e a autenticidade dos documentos. Informações encaminhadas por bancos, órgãos públicos ou representantes particulares precisam apresentar elementos que permitam identificar o período abrangido e assegurar a integridade dos registros. Sem esses cuidados, a publicação de arquivos isolados poderia gerar interpretações incompletas sobre movimentações financeiras ou contatos entre pessoas investigadas.</p>
<h2>Acordo não substitui investigações policiais e judiciais</h2>
<p>Embora o embate tenha sido impulsionado por acusações envolvendo o Banco Master, o INSS e personagens próximos às duas candidaturas, o procedimento apresentado ao TSE não substitui investigações criminais ou administrativas em andamento. A apuração de eventuais ilícitos depende de competência legal, elementos de prova e procedimentos próprios, independentemente das manifestações políticas dos candidatos. A divulgação voluntária de documentos pode contribuir para a transparência, mas não equivale a uma decisão judicial sobre a existência ou inexistência de irregularidades.</p>
<p>Também é necessário distinguir o compromisso de fornecer informações da análise de seu conteúdo. A apresentação de extratos bancários, declarações fiscais ou registros telefônicos não demonstra, isoladamente, a prática de crimes, assim como a ausência de uma informação específica não comprova automaticamente sua ocultação deliberada. A avaliação depende do contexto das operações, da documentação disponível e de eventuais conclusões produzidas pelas autoridades competentes.</p>
<p>No caso das empresas mencionadas pelas campanhas, será necessário identificar quais documentos podem ser fornecidos pelos próprios titulares e quais dependem de requisição às instituições responsáveis. O mesmo vale para registros mantidos por órgãos públicos, que podem estar sujeitos a procedimentos de acesso distintos. A concordância política dos candidatos representa uma etapa do processo, mas não elimina essas exigências.</p>
<h2>Entenda como o desafio dos sigilos chegou ao TSE</h2>
<p>O confronto começou no domingo, 18 de outubro, durante o debate presidencial promovido pela Band. Diante de acusações trocadas entre os candidatos, Lula propôs que ambos autorizassem a divulgação de seus registros bancários e telefônicos. O presidente condicionou sua iniciativa à adoção de providência equivalente por Flávio, estendendo posteriormente a proposta a familiares e empresas.</p>
<p>Na terça-feira (20), a campanha petista apresentou a primeira petição ao TSE, solicitando a divulgação simultânea de informações referentes aos últimos oito anos. No dia seguinte, Flávio respondeu formalmente, manifestando concordância com a abertura de seus registros por um período de 20 anos, mas estabelecendo novas exigências ao adversário. As condições ampliaram o debate para incluir antigos assessores, empresas familiares, gastos públicos e documentos de instituições ligadas ao governo.</p>
<p>Ainda na quarta-feira (21), representantes de Lula anunciaram que aceitariam as exigências, desde que a candidatura de Flávio cumprisse integralmente os termos apresentados anteriormente. A negociação avançou nesta quinta-feira (22), com a formalização do entendimento e a apresentação de documentos à Justiça Eleitoral. O acordo encerrou a divergência pública sobre a disposição declarada de abrir os registros, mas não concluiu o procedimento de obtenção e divulgação das informações.</p>
<h2>Reta final da eleição aumenta pressão por divulgação dos documentos</h2>
<p>O entendimento ocorre a três dias do segundo turno e às vésperas do debate presidencial previsto para sexta-feira (23), na TV Globo. A proximidade da votação reduz o intervalo disponível para que eventuais documentos sejam requisitados, processados e divulgados publicamente. Mesmo que as autorizações sejam consideradas suficientes, a execução poderá depender de instituições que possuem procedimentos próprios de atendimento.</p>
<p>Para a Justiça Eleitoral, o processo reúne questões de transparência, privacidade e competência jurisdicional em um momento de elevada exposição política. A necessidade de dar publicidade a informações relevantes precisa ser examinada em conjunto com as garantias legais aplicáveis a dados pessoais, familiares e empresariais. A decisão também poderá delimitar quais pedidos estão efetivamente vinculados à finalidade do processo e quais exigem procedimentos específicos.</p>
<p>A abertura de sigilos não deve ser confundida com a divulgação imediata de provas de irregularidades. O conteúdo dos registros, caso venha a ser disponibilizado, precisará ser analisado de acordo com sua origem, abrangência e contexto. Tampouco é possível presumir que a ausência de uma decisão antes da eleição represente concordância ou rejeição das alegações formuladas pelas campanhas.</p>
<p>O acordo entre Lula e Flávio Bolsonaro transfere para a esfera judicial a etapa seguinte de um confronto que começou nos debates eleitorais. A expectativa das duas candidaturas é de que as informações sejam tornadas públicas ainda nesta quinta-feira, mas não havia confirmação de cumprimento integral desse objetivo no momento desta atualização. A decisão de André Mendonça e a efetiva entrega dos documentos serão determinantes para estabelecer quais dados poderão ser conhecidos pelos eleitores antes da votação de domingo.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Petição Cível nº 0603195-27.2026.6.00.0000, protocolada em 20 de outubro de 2026.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Manifestação processual de Flávio Bolsonaro, de 21 de outubro de 2026, com autorização condicionada e apresentação de exigências complementares.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.609/2019, com alterações posteriores, sobre registro de candidaturas e divulgação de informações eleitorais.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Informações institucionais sobre o funcionamento do sistema DivulgaCandContas e a publicidade de informações patrimoniais e de campanha.</p>
<p>Presidência da República — Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, sobre sigilo das operações de instituições financeiras.</p>
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		<title>Lula aceita exigências de Flávio Bolsonaro para abertura de sigilos</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/lula-aceita-exigencias-flavio-bolsonaro-sigilos-marcola-instituto-lula</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2026 23:11:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[debate presidencial]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
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		<category><![CDATA[TSE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lula aceita exigências de Flávio Bolsonaro e anuncia abertura de sigilos de Marcola, Instituto Lula e dados ligados a Janja antes do segundo turno.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aceitou nesta quarta-feira (21) as condições apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para a abertura dos sigilos bancários, fiscais e telefônicos dos dois candidatos à Presidência da República. A campanha petista anunciou que apresentará nesta quinta-feira (22) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um novo documento contemplando o Instituto Lula, o ex-chefe de gabinete presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e informações sobre despesas relacionadas à primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. A decisão amplia o compromisso formalizado pelo presidente na terça-feira (20) e recoloca sobre o adversário a cobrança de reciprocidade, a quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais.</p>
<p>A resposta foi anunciada depois que Flávio Bolsonaro condicionou a divulgação de seus próprios dados à inclusão de pessoas e instituições ligadas ao presidente. O candidato do PL também cobrou informações sobre despesas com cartões corporativos da Presidência e registros de visitas ao Palácio da Alvorada. Ao aceitar as condições, a campanha de Lula procura transformar o desafio inicialmente lançado pelo petista em um compromisso de transparência que envolva os dois candidatos, seus familiares e eventuais vínculos empresariais.</p>
<h2>Lula amplia pedido apresentado ao TSE</h2>
<p>A disputa começou durante o debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio Bolsonaro a abrir seus sigilos bancário e telefônico. O presidente afirmou que estava disposto a disponibilizar informações sobre suas movimentações financeiras e as de sua família, desde que o adversário assumisse compromisso equivalente. A proposta foi formalizada na terça-feira (20), por meio de requerimento encaminhado ao TSE, abrangendo dados bancários, fiscais e telefônicos referentes aos últimos oito anos.</p>
<p>A documentação apresentada pela campanha petista prevê a inclusão da primeira-dama e dos cinco filhos de Lula, além de pessoas jurídicas vinculadas ao presidente. Em contrapartida, solicita que Flávio Bolsonaro disponibilize informações equivalentes sobre si próprio, sua esposa, seus pais, irmãos e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341180">empresas</a> às quais esteja relacionado. A proposta também alcança contas bancárias de pessoas jurídicas nas quais os candidatos atuem como administradores, responsáveis financeiros ou usuários com poderes de movimentação.</p>
<p>A ampliação anunciada nesta quarta-feira acrescenta três pontos que não estavam expressamente contemplados nas condições iniciais: o Instituto Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro e informações sobre despesas associadas a Janja. Segundo a campanha, Marcola concordou em disponibilizar seus dados, atendendo à exigência apresentada pelo senador. O novo documento deverá formalizar essa disposição e detalhar o alcance das informações oferecidas.</p>
<h2>Exigências de Flávio incluem ex-assessor e cartão corporativo</h2>
<p>Flávio Bolsonaro apresentou suas condições durante uma agenda de campanha em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. O senador afirmou que aceita o desafio de Lula, mas exigiu que o presidente amplie o acesso a informações de pessoas de seu entorno político. O candidato também questionou o tratamento dado a registros de visitas ao Alvorada e a despesas públicas relacionadas à primeira-dama, utilizando o argumento de que a transparência não deveria ficar restrita aos dados pessoais dos concorrentes.</p>
<p>Marco Aurélio Santana Ribeiro entrou no centro da controvérsia por sua atuação anterior como chefe de gabinete de Lula e por referências ao seu nome em investigações envolvendo pessoas próximas ao governo. As suspeitas mencionadas pelo campo bolsonarista incluem relações com a empresária Roberta Luchsinger, citada em apurações da Polícia Federal. A existência dessas referências, entretanto, não representa comprovação de participação do ex-assessor em irregularidades e deve ser distinguida de eventuais responsabilidades individualmente demonstradas.</p>
<p>O Instituto Lula também passou a integrar o debate por ser uma instituição associada à trajetória <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341181">política</a> do presidente. A exigência de acesso às suas informações financeiras amplia o alcance do confronto para além das contas pessoais dos candidatos. Nesse caso, a apresentação de dados depende das regras aplicáveis à própria pessoa jurídica e da autorização de seus representantes legalmente habilitados.</p>
<h2>Abertura de sigilos não ocorre automaticamente</h2>
<p>Embora os candidatos tratem a iniciativa como uma quebra de sigilo, a proposta envolve, em sua essência, a divulgação voluntária de informações protegidas por lei. A Lei Complementar nº 105, de 2001, determina que as instituições financeiras preservem o sigilo de suas operações, mas admite a revelação de informações mediante consentimento expresso dos interessados. Isso significa que a autorização apresentada por um candidato não substitui automaticamente a manifestação de vontade de familiares, ex-assessores ou representantes de pessoas jurídicas incluídas na proposta.</p>
<p>Outro ponto relevante é a diferença entre protocolar uma declaração de autorização e efetivamente disponibilizar extratos, declarações fiscais e registros telefônicos para consulta pública. O documento entregue pela campanha de Lula em 20 de outubro formalizou uma disposição condicionada à adoção de medida equivalente por Flávio Bolsonaro. A publicidade efetiva dependerá da apresentação dos registros, das autorizações necessárias e da definição de como e onde essas informações serão disponibilizadas.</p>
<p>Também existe uma distinção jurídica entre o sigilo bancário de particulares e a transparência dos gastos realizados com recursos públicos. Segundo as regras de funcionamento do Cartão de Pagamento do Governo Federal, as despesas são divulgadas no Portal da Transparência, ressalvadas informações legalmente protegidas, inclusive por razões de segurança. Por isso, a discussão sobre despesas associadas à primeira-dama exige identificar quais gastos estão sendo questionados, qual órgão os realizou e quais restrições legais eventualmente impedem sua divulgação.</p>
<p>A referência a um suposto sigilo de 100 anos, utilizada por Flávio Bolsonaro, também exige diferenciação. A Lei de Acesso à Informação estabelece proteção de até 100 anos para determinadas informações pessoais, mas isso não significa que todas as despesas da Presidência estejam automaticamente submetidas a esse prazo. A Controladoria-Geral da União reconhece a necessidade de transparência sobre o uso de recursos públicos, ressalvadas hipóteses específicas de proteção previstas na legislação.</p>
<h2>Empresas entram no centro da disputa sobre transparência</h2>
<p>A inclusão de pessoas jurídicas representa uma das dimensões mais abrangentes do compromisso anunciado pelos candidatos. A documentação inicial da campanha de Lula menciona a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda. e solicita acesso a informações de empresas relacionadas ao adversário, incluindo aquelas nas quais ele eventualmente tenha poderes de administração financeira. O objetivo declarado é impedir que a divulgação fique limitada a contas particulares, deixando de fora movimentações empresariais relevantes para o debate.</p>
<p>O requerimento apresentado ao TSE também menciona a possibilidade de incluir contas de empresas nas quais os candidatos figurem como usuários com amplos poderes de acesso ou movimentação. A previsão é relevante porque a titularidade formal de uma conta bancária não necessariamente corresponde à identidade de todas as pessoas autorizadas a operá-la. Entretanto, a existência de poderes de movimentação não comprova, isoladamente, propriedade dos recursos ou participação em qualquer irregularidade.</p>
<p>Para que a comparação entre os candidatos tenha consistência, será necessário observar se os documentos abrangem períodos equivalentes e categorias semelhantes de informações. Extratos bancários, declarações fiscais e registros telefônicos possuem naturezas distintas, sujeitas a regras próprias de proteção. A apresentação incompleta ou assimétrica desses registros pode limitar a capacidade de comparação, mesmo que ambos anunciem publicamente a abertura de seus sigilos.</p>
<h2>Desafio chega à reta final das eleições</h2>
<p>A controvérsia sobre os sigilos ganhou importância na última semana da campanha presidencial, marcada por acusações recíprocas envolvendo patrimônio, relações empresariais e suspeitas de corrupção. Lula sustenta que a divulgação das informações permitirá esclarecer questionamentos apresentados durante a disputa. Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirma que também está disposto a apresentar seus dados, mas reivindica que a iniciativa alcance pessoas e instituições ligadas ao presidente.</p>
<p>A discussão ocorre em um intervalo particularmente curto do calendário eleitoral. O novo documento da campanha petista está previsto para quinta-feira (22), enquanto os dois candidatos têm um debate programado na TV Globo na sexta-feira (23). O segundo turno será realizado no domingo (25), conforme o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral.</p>
<p>A consequência prática da iniciativa dependerá de três acontecimentos: a formalização das novas autorizações, a manifestação equivalente do candidato do PL e a efetiva disponibilização das informações ao público. Sem esses procedimentos, o compromisso continuará restrito ao campo das declarações e dos requerimentos apresentados à Justiça Eleitoral. O alcance da transparência anunciada será medido não apenas pelo número de pessoas incluídas no desafio, mas pela documentação efetivamente divulgada antes da votação.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Partido dos Trabalhadores — Comunicação oficial sobre o requerimento apresentado ao TSE em 20 de outubro de 2026</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Calendário Eleitoral 2026 e Resolução nº 23.751/2026</p>
<p>Presidência da República — Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001</p>
<p>Controladoria-Geral da União — Orientações sobre o Cartão de Pagamento do Governo Federal e transparência das despesas públicas</p>
<p>Controladoria-Geral da União — Parecer sobre acesso a informações e gastos públicos da Presidência da República</p>
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		<title>Flávio exige sigilos de Marcola e Instituto Lula; campanha de Lula diz aceitar condições</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/flavio-bolsonaro-sigilos-marcola-instituto-lula-tse</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2026 18:18:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Master]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Vorcaro]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
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		<category><![CDATA[Marcola]]></category>
		<category><![CDATA[política brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[quebra de sigilo]]></category>
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		<category><![CDATA[sigilo bancário]]></category>
		<category><![CDATA[Sigilo telefônico]]></category>
		<category><![CDATA[TSE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Flávio Bolsonaro condiciona abertura de sigilos à divulgação de dados de Marcola e do Instituto Lula. Campanha de Lula aceita discutir exigências no TSE.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) apresentou nesta quarta-feira (21) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma petição na qual afirma aceitar a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, mas condiciona a divulgação à apresentação de informações adicionais pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre as exigências estão os dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do petista, os registros financeiros do Instituto Lula e informações sobre gastos da Presidência da República. A iniciativa amplia o confronto entre os dois candidatos, que disputam o segundo turno no próximo domingo, 25 de outubro.</p>
<p>A manifestação foi apresentada na Petição Cível nº 0603195-27.2026.6.00.0000, dirigida ao ministro André Mendonça, do TSE. No documento de 12 páginas, Flávio afirma autorizar o levantamento de informações próprias, de familiares mencionados no pedido anterior de Lula e de quatro <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341178">empresas</a> das quais declara ser sócio ou administrador. O senador também manifesta concordância com a divulgação de mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mas condiciona a apresentação efetiva de suas informações ao cumprimento das exigências dirigidas ao adversário.</p>
<p>A disputa ganhou um novo desdobramento no fim da tarde. O ex-ministro Camilo Santana, porta-voz da campanha de Lula, afirmou que o presidente não se opõe às condições apresentadas por Flávio, inclusive à inclusão dos dados de Marcola. A campanha petista anunciou que pretende formalizar sua resposta no TSE nesta quinta-feira (22), às 11h, desde que o adversário também cumpra integralmente as exigências formuladas no pedido inicial.</p>
<p>Apesar das manifestações públicas, nenhum dos dois candidatos comprovou, por meio dos documentos examinados, que os respectivos sigilos já tenham sido efetivamente levantados e disponibilizados à população. As petições representam compromissos condicionados e pedidos processuais, cuja execução depende de providências adicionais. A divulgação de informações de familiares, assessores e empresas também envolve direitos de terceiros que não podem ser automaticamente afastados pela vontade dos candidatos.</p>
<h2>Flávio oferece dados de 20 anos, enquanto Lula propôs abertura de oito anos</h2>
<p>A controvérsia começou no debate presidencial realizado no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio Bolsonaro a divulgar informações bancárias, fiscais e telefônicas pessoais e familiares. O presidente formalizou sua proposta na terça-feira (20), autorizando a exposição de dados relativos aos últimos oito anos, desde que o senador assumisse compromisso equivalente. O pedido apresentado ao TSE também abrange a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, os cinco filhos do presidente e pessoas jurídicas vinculadas à família.</p>
<p>A iniciativa foi apresentada pela campanha petista como uma forma de permitir que os eleitores examinassem informações patrimoniais e financeiras dos candidatos antes da votação. A documentação menciona a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda. e solicita que a divulgação das informações seja realizada por meio do sistema DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral, ou de outro mecanismo de acesso público.</p>
<p>Na resposta protocolada nesta quarta-feira, Flávio ampliou o período oferecido para 20 anos, abrangendo informações que remontam aproximadamente a 2006. A diferença corresponde a 12 anos adicionais em relação à janela temporal proposta por Lula. O senador, entretanto, também exige que determinadas informações de familiares e empresas relacionadas ao presidente sejam apresentadas desde 2003, início do primeiro mandato do petista.</p>
<p>O documento de Flávio identifica quatro empresas das quais o candidato afirma participar: Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, All In One Corretora de Seguros, Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação e Bolsonaro Digital. A petição declara concordância com a divulgação dos dados dessas sociedades e com a publicidade de mensagens eventualmente trocadas com Daniel Vorcaro.</p>
<p>Uma divergência específica envolve a Alcazar Holdings, empresa estrangeira mencionada no pedido da campanha de Lula. O presidente e seus representantes incluem a sociedade entre aquelas cujas informações deveriam ser apresentadas pelo adversário. Na petição de resposta, Flávio declara expressamente que não é sócio, administrador nem beneficiário da Alcazar Holdings e sustenta que, por esse motivo, não possui acesso aos respectivos dados.</p>
<p>A controvérsia ganhou novo destaque com a manifestação de Camilo Santana. O porta-voz petista questionou a exclusão da empresa da relação apresentada por Flávio e reiterou que a campanha pretende exigir a divulgação das informações mencionadas no requerimento original. As alegações sobre eventuais vínculos societários e financeiros dependem de documentação específica e não são comprovadas apenas pela inclusão ou exclusão da empresa nas petições.</p>
<h2>Marcola torna-se uma das principais exigências do senador</h2>
<p>O ponto mais destacado por Flávio Bolsonaro envolve Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula, conhecido pelo apelido de Marcola. Trata-se do antigo assessor presidencial, e não do criminoso que também é identificado publicamente por esse apelido. O senador sustenta que a divulgação do sigilo telefônico do presidente seria insuficiente caso não fossem examinadas as linhas utilizadas por auxiliares que intermediavam suas comunicações.</p>
<p>Na petição, a defesa do candidato do PL solicita autorizações individuais para levantar informações telefônicas e telemáticas de Marcola e de outros assessores, seguranças e auxiliares que teriam utilizado aparelhos ou linhas em nome de Lula. O pedido abrange os últimos oito anos e exige a identificação dos números e de seus titulares formais. Também inclui os registros bancários e fiscais do ex-chefe de gabinete.</p>
<p>Durante evento de campanha em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, Flávio afirmou que estava disposto a expor suas informações, mas cobrou reciprocidade em relação ao antigo assessor. O senador argumentou que Marcola teria intermediado contatos do presidente e mantido relações financeiras que, em sua avaliação, deveriam ser esclarecidas. As afirmações integram a argumentação <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341177">política</a> e jurídica do candidato e não constituem, por si só, demonstração de irregularidade.</p>
<p>O requerimento também menciona Roberta Luchsinger, empresária investigada em apurações relacionadas a fraudes contra beneficiários do INSS, e questiona transferências financeiras destinadas ao ex-assessor. A defesa de Flávio pretende verificar se recursos recebidos por Marcola poderiam ter sido utilizados para custear despesas de Lula ou de familiares. Essa hipótese é apresentada como suspeita a ser esclarecida, não como fato demonstrado pela documentação anexada à petição.</p>
<p>Marcola e Roberta Luchsinger já sustentaram publicamente que os repasses financeiros mencionados nas investigações decorreram de empréstimos pessoais. As manifestações são relevantes porque afastam a possibilidade de interpretar automaticamente uma transferência bancária como pagamento irregular. A determinação da natureza de cada operação depende da análise dos documentos, das circunstâncias e das conclusões das autoridades competentes.</p>
<p>A campanha de Lula, por sua vez, afirmou que não pretende se opor à inclusão dos dados do antigo assessor. Essa manifestação modifica o confronto político iniciado pela exigência de Flávio, mas não substitui a necessidade de autorização individual de Marco Aurélio Santana Ribeiro ou de decisão judicial juridicamente fundamentada. A concordância do presidente não permite, isoladamente, afastar o sigilo de uma terceira pessoa.</p>
<h2>Instituto Lula e familiares entram na disputa por documentos financeiros</h2>
<p>A petição de Flávio também amplia o alcance da cobrança sobre empresas e instituições relacionadas ao entorno de Lula. O senador exige autorizações para acessar os registros financeiros do Instituto Lula, de sociedades vinculadas aos filhos do presidente e de pessoas que mantiveram relações comerciais com essas organizações. Parte das informações solicitadas remonta a 2003, período significativamente anterior ao abrangido pelo pedido original do petista.</p>
<p>Entre as pessoas mencionadas estão Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e outros integrantes da família presidencial. O requerimento identifica sociedades empresariais e sustenta que determinadas relações financeiras precisam ser examinadas para esclarecer acusações que surgiram em investigações anteriores. A existência dessas acusações, entretanto, não representa comprovação de participação dos citados em crimes.</p>
<p>O documento recupera episódios relacionados à Operação Lava Jato e menciona apurações envolvendo contratos e movimentações financeiras de empresas ligadas à família do presidente. As condenações de Lula decorrentes dos processos do tríplex e do sítio de Atibaia foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal. A anulação retirou a validade jurídica daquelas condenações, que não podem ser apresentadas como decisões penais atualmente eficazes.</p>
<p>A tentativa de ampliar os documentos examinados envolve ainda uma questão societária. Empresas possuem personalidade jurídica própria, e a divulgação de seus registros bancários e fiscais depende das condições legais aplicáveis. A participação de um familiar do presidente na administração ou no capital de determinada sociedade não autoriza automaticamente um candidato adversário a exigir acesso irrestrito às suas informações protegidas.</p>
<p>A diferença entre os dois requerimentos está também na abrangência. Lula havia proposto divulgar informações pessoais, familiares e empresariais mediante reciprocidade. Flávio acrescentou instituições, assessores, ex-integrantes do governo e outras pessoas que considera relevantes para a verificação das relações financeiras mencionadas em sua petição.</p>
<p>Essa ampliação transforma o desafio inicial em uma discussão sobre o alcance de informações de terceiros. Quanto maior o número de pessoas e empresas incluídas, maior a necessidade de identificar quem possui legitimidade para autorizar a divulgação de cada conjunto de dados. O cumprimento integral das exigências não depende exclusivamente das assinaturas dos dois candidatos.</p>
<h2>Banco Master e registros de reuniões também são cobrados</h2>
<p>Outro eixo do pedido apresentado ao TSE envolve o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro. Flávio solicita a divulgação de registros relacionados a encontros entre o banqueiro e autoridades federais, incluindo informações sobre uma reunião com Lula em 4 de dezembro de 2024. A petição também pede documentos relativos à presença de Vorcaro e de intermediários em instalações da Presidência da República.</p>
<p>O senador requer listas de visitantes dos palácios do Planalto e da Alvorada, registros de reuniões envolvendo o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e informações sobre deslocamentos realizados em aeronave atribuída ao empresário. Também solicita dados sobre visitas recebidas por Vorcaro durante período de custódia. Os pedidos são apresentados como instrumentos de esclarecimento das relações entre agentes públicos e pessoas ligadas ao banco.</p>
<p>A documentação contém referências a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/noticias" target="_blank"  rel="noopener" title="Notícias" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341179">notícias</a>, manifestações anteriores e suspeitas relacionadas às investigações sobre o Banco Master. Entretanto, a apresentação de uma relação de encontros ou visitantes não demonstra, isoladamente, a existência de pagamento irregular, favorecimento ou participação criminosa. A interpretação desses registros depende de elementos adicionais sobre o conteúdo das reuniões e a natureza das operações realizadas.</p>
<p>Flávio também afirma não se opor à divulgação de todas as mensagens trocadas com Vorcaro. O compromisso consta expressamente do documento, mas não significa que as conversas tenham sido entregues à Justiça ou tornadas públicas. A distinção entre autorizar a apresentação de informações e efetivamente disponibilizá-las é uma das questões centrais para avaliar o resultado concreto da iniciativa.</p>
<p>A discussão sobre o Banco Master aparece nas duas frentes da campanha presidencial. Enquanto Flávio exige informações sobre eventuais contatos do banqueiro com integrantes do governo, Lula cobra dados relativos às relações empresariais e financeiras atribuídas ao adversário. As suspeitas mencionadas pelas campanhas precisam ser diferenciadas de fatos comprovados em documentos oficiais ou decisões judiciais.</p>
<h2>Cartões corporativos e gastos da Presidência ampliam confronto</h2>
<p>Além de informações pessoais, o candidato do PL exige a divulgação integral dos gastos realizados com cartões corporativos da Presidência desde janeiro de 2023. O requerimento inclui a agenda da primeira-dama anterior a fevereiro de 2025, registros de visitas de familiares do presidente ao Palácio da Alvorada e informações sobre utilização de aeronaves oficiais.</p>
<p>Esses pedidos possuem natureza diferente da abertura de contas bancárias particulares. Despesas realizadas com recursos públicos estão sujeitas a regras de transparência, fiscalização e prestação de contas, embora determinadas informações possam receber proteção legal específica. Já os registros financeiros privados pertencem à esfera de proteção de dados pessoais e sigilo bancário, submetida a requisitos próprios.</p>
<p>A Lei Complementar nº 105, de 2001, estabelece o dever de sigilo das instituições financeiras em relação às operações de seus clientes. A legislação prevê hipóteses de acesso e compartilhamento de informações, mas não autoriza que um pedido político produza automaticamente a divulgação de contas privadas de terceiros. Mesmo a apresentação voluntária de documentos exige respeito aos direitos das pessoas envolvidas.</p>
<p>A Justiça Eleitoral possui atribuições relacionadas à fiscalização das campanhas, à análise de prestações de contas e ao cumprimento da legislação eleitoral. O sistema DivulgaCandContas disponibiliza informações sobre candidaturas, patrimônio declarado e movimentação financeira eleitoral. Isso não significa que a plataforma seja destinada, ordinariamente, à publicação integral de extratos bancários particulares ou registros telefônicos de candidatos e familiares.</p>
<p>A utilização do TSE como instância para receber as autorizações também levanta dúvidas sobre o procedimento jurídico aplicável. O tribunal deverá examinar o objeto das petições e os limites de sua competência antes de determinar qualquer providência. A eventual concordância política dos envolvidos não elimina essas exigências legais.</p>
<h2>Campanha de Lula aceita condições, mas impasse permanece</h2>
<p>A manifestação de Camilo Santana introduziu um novo elemento na disputa. O representante da campanha petista afirmou que Lula não se opõe às exigências adicionais apresentadas por Flávio, desde que o senador também cumpra integralmente o compromisso inicialmente solicitado pelo presidente. A posição inclui a abertura dos registros de Marcola, principal condição destacada pelo candidato do PL durante o evento em São Paulo.</p>
<p>A campanha anunciou que pretende protocolar uma nova manifestação na quinta-feira (22), às 11h. O documento deverá esclarecer como o presidente responderá às exigências e quais autorizações pretende apresentar. Até a formalização dessas providências, a concordância expressa pelo porta-voz permanece uma manifestação política, sem representar a divulgação efetiva dos dados solicitados.</p>
<p>A controvérsia acontece às vésperas do último debate presidencial, previsto para sexta-feira (23), e do segundo turno, marcado para domingo (25). A abertura de sigilos tornou-se um dos principais temas utilizados pelos candidatos para contestar a credibilidade do adversário e responder a acusações sobre relações financeiras e patrimoniais.</p>
<p>O calendário reduzido também impõe obstáculos à concretização das propostas antes da eleição. O exame de documentos referentes a até 20 anos, envolvendo pessoas físicas, sociedades empresariais e registros de instituições públicas, exige identificação das informações, autorizações válidas e definição dos procedimentos de divulgação. A apresentação de uma petição não resolve automaticamente essas etapas.</p>
<p>O documento de Flávio, datado de 21 de outubro, encerra-se com o pedido para que Lula seja intimado a aderir às condições apresentadas. O senador declara que fornecerá as informações próprias depois que o adversário cumprir as exigências adicionais. A campanha petista, por sua vez, afirma aceitar as condições, mas continua cobrando a divulgação dos documentos que mencionou originalmente.</p>
<p>O confronto, portanto, passou da troca de desafios públicos para a apresentação de manifestações formais perante a Justiça Eleitoral, sem que isso tenha produzido até agora uma abertura conjunta e efetiva dos sigilos. Os próximos desdobramentos dependerão dos documentos apresentados pelas campanhas, das autorizações de terceiros e de eventuais decisões do TSE. A divulgação dos registros, caso venha a ocorrer, permitirá distinguir os compromissos assumidos durante a disputa eleitoral das informações efetivamente disponibilizadas à população.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Petição Cível nº 0603195-27.2026.6.00.0000, manifestação de Flávio Bolsonaro datada de 21 de outubro de 2026, com 12 páginas.</em></p>
<p><em>Partido dos Trabalhadores — Comunicado institucional de 20 de outubro de 2026 sobre a autorização condicionada de Lula para divulgação de sigilos pessoais, familiares e empresariais.</em></p>
<p><em>Presidência da República — Lei Complementar nº 105/2001, sobre o sigilo das operações de instituições financeiras.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.607/2019 e informações institucionais sobre o sistema DivulgaCandContas e a publicidade das prestações de contas eleitorais.</em></p>
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		<item>
		<title>Vox Brasil divulga última pesquisa na sexta após empate entre Lula e Flávio Bolsonaro</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/vox-brasil-ultima-pesquisa-lula-flavio-bolsonaro-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2026 16:04:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Empate Técnico]]></category>
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		<category><![CDATA[intenção de voto]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa eleitoral 2026]]></category>
		<category><![CDATA[pesquisa presidencial]]></category>
		<category><![CDATA[PL]]></category>
		<category><![CDATA[PT]]></category>
		<category><![CDATA[segundo turno]]></category>
		<category><![CDATA[TSE]]></category>
		<category><![CDATA[Vox Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vox Brasil divulga última pesquisa Lula x Flávio Bolsonaro na sexta (23). Levantamento anterior apontou 51% a 49% dos votos válidos, com empate técnico.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wrapper s-content">
<section class="s-content__heading">O instituto Vox Brasil divulgará na sexta-feira (23) sua última pesquisa de intenção de voto para o segundo turno da eleição presidencial de 2026, disputado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). O levantamento será publicado a apenas dois dias da votação de domingo (25) e poderá indicar se houve mudanças no cenário de equilíbrio identificado na rodada anterior. Na pesquisa divulgada em 18 de outubro, Lula apareceu numericamente à frente, com 51% dos votos válidos, contra 49% de Flávio, resultado considerado empate técnico dentro da margem de erro.</p>
<p>A nova sondagem prevê 2.100 entrevistas presenciais com eleitores de diferentes regiões do país, realizadas entre terça-feira (20) e quinta-feira (22). A margem de erro informada é de 2,15 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está identificado pelo registro BR-03259/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e tem divulgação programada para a reta final da campanha presidencial.</p>
<p>A publicação ocorrerá em um momento decisivo da disputa, marcada pela proximidade entre os candidatos nas pesquisas e pela necessidade de conquistar eleitores que ainda podem modificar sua escolha. Como o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341164">trabalho</a> de campo ainda está em andamento nesta quarta-feira (21), não existem resultados definitivos da nova rodada disponíveis para divulgação. Os percentuais conhecidos até agora pertencem a levantamentos anteriores e não podem ser apresentados como indicação antecipada do resultado da pesquisa de sexta-feira.</p>
<p>O calendário eleitoral estabelece que os brasileiros retornarão às urnas em 25 de outubro para escolher o próximo presidente da República. A votação será realizada das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. A divulgação da Vox Brasil ocorrerá aproximadamente 48 horas antes da abertura das urnas, oferecendo uma das últimas medições nacionais da preferência dos eleitores antes da decisão.</p>
<h2>Lula teve 51% e Flávio Bolsonaro 49% na pesquisa anterior</h2>
<p>O levantamento da Vox Brasil divulgado no domingo (18) apresentou Lula com 51% das intenções de voto válidas, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 49%. A diferença nominal de dois pontos percentuais colocou o presidente à frente no resultado central da pesquisa, mas não foi suficiente para estabelecer uma vantagem estatisticamente conclusiva. A margem de erro informada pelo instituto era de 2,15 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.</p>
<p>Nos votos totais, que incluem também as respostas de eleitores que pretendem votar em branco, anular ou ainda não decidiram, Lula registrou 46,4%, contra 44,6% de Flávio. A distância entre os dois candidatos foi de 1,8 ponto percentual nessa modalidade de apresentação. Outros 5% declararam intenção de votar em branco, anular ou não escolher nenhum dos concorrentes, enquanto aproximadamente 3,9% não souberam responder.</p>
<p>A diferença entre votos totais e válidos é fundamental para interpretar corretamente os resultados. Nos votos válidos, são desconsideradas as respostas de branco e nulo, e os percentuais dos candidatos são recalculados sobre as preferências efetivamente atribuídas a cada um. Esse procedimento permite uma comparação com o critério utilizado pela Justiça Eleitoral para definir o vencedor, embora pesquisas e apuração oficial constituam processos diferentes.</p>
<p>No caso da pesquisa de 18 de outubro, a soma das intenções de voto totais atribuídas aos dois candidatos chegou a 91%. Ao dividir a participação individual de cada concorrente por essa soma, obtêm-se aproximadamente 51% para Lula e 49% para Flávio. O cálculo demonstra que os percentuais válidos não representam uma segunda pesquisa, mas uma forma de apresentar os mesmos dados, desconsiderando as demais respostas.</p>
<p>O levantamento anterior ouviu 2.100 eleitores entre 15 e 17 de outubro, mediante entrevistas presenciais. A pesquisa foi custeada pelo próprio instituto e informada sob o registro BR-04332/2026. As condições metodológicas ajudam a estabelecer uma referência para a comparação com a rodada que será divulgada na sexta-feira, desde que sejam consideradas eventuais diferenças no plano amostral e na composição das respostas.</p>
<h2>Pesquisa poderá mostrar se houve mudança nas intenções de voto</h2>
<p>A principal questão da nova rodada será verificar se a pequena vantagem numérica registrada por Lula no levantamento anterior foi mantida, ampliada ou revertida. O resultado também permitirá observar o comportamento dos votos brancos, nulos e das respostas de indecisão. Essas informações são relevantes porque diferenças reduzidas entre os candidatos podem ser influenciadas por pequenas alterações no comportamento dos entrevistados.</p>
<p>Uma mudança de um ou dois pontos percentuais entre duas pesquisas não comprova, isoladamente, uma transferência efetiva de eleitores. Oscilações desse tamanho podem decorrer das variações amostrais próprias de levantamentos de opinião. Para avaliar tendências, é necessário considerar a margem de erro, os intervalos de coleta, a metodologia empregada e a consistência dos resultados ao longo de várias medições.</p>
<p>A proximidade entre Lula e Flávio também exige cautela com a interpretação de uma eventual inversão de posições. Se um candidato aparecer com 51% e o outro com 49%, a liderança numérica não significa necessariamente que o primeiro seja favorito estatístico. O mesmo cuidado deverá ser aplicado caso os percentuais se invertam na pesquisa de sexta-feira.</p>
<p>A margem de erro de 2,15 pontos percentuais é uma estimativa associada à metodologia e ao nível de confiança declarado. Ela não deve ser confundida com a diferença entre os candidatos nem utilizada como uma garantia de que o resultado real da eleição ficará dentro de uma faixa específica. O intervalo de confiança de 95% descreve uma propriedade estatística do procedimento de amostragem, não uma probabilidade de vitória de determinado concorrente.</p>
<p>A realização de entrevistas presenciais também constitui uma característica relevante da Vox Brasil. Nesse formato, os pesquisadores coletam informações diretamente dos entrevistados, conforme o plano amostral do estudo. A qualidade da estimativa depende, entre outros elementos, da seleção das pessoas, da distribuição geográfica da amostra, dos critérios de ponderação e do controle do trabalho de campo.</p>
<p>O TSE exige que as <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341165">empresas</a> responsáveis por pesquisas eleitorais registrem informações sobre metodologia, período de realização, contratantes, financiamento, plano amostral e profissional de estatística responsável. A regulamentação também estabelece a disponibilização de documentos que permitem a fiscalização das pesquisas. O registro, entretanto, não representa aprovação prévia dos resultados nem certificação de sua precisão pela Justiça Eleitoral.</p>
<h2>Primeiro turno terminou com vantagem de 2,2 milhões de votos para Flávio</h2>
<p>O equilíbrio registrado nas sondagens contrasta com a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Segundo os dados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, o senador recebeu 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos válidos. Lula ficou em segundo lugar, com 53.876.617 votos, ou 45,16%.</p>
<p>A diferença entre os dois candidatos foi de 2.227.651 votos, correspondente a 1,87 ponto percentual na participação sobre os votos válidos. Nenhum deles alcançou a maioria absoluta necessária para encerrar a eleição na primeira etapa. O resultado levou à realização do segundo turno, em que apenas os dois mais votados disputam a Presidência.</p>
<p>O primeiro turno registrou 125.272.513 votos válidos, além de 2.300.781 votos em branco e 3.674.149 votos nulos, conforme a totalização apresentada pelo TSE. Esses números mostram a dimensão do eleitorado que participou da escolha presidencial e ajudam a contextualizar a importância de pequenas diferenças percentuais em uma disputa nacional.</p>
<p>Uma diferença de um ponto percentual, se aplicada hipoteticamente ao universo de votos válidos registrado na primeira etapa, corresponderia a aproximadamente 1,25 milhão de votos. Esse cálculo serve apenas como referência de escala, pois a quantidade de votos válidos do segundo turno ainda não é conhecida. A participação eleitoral, a abstenção e a distribuição das preferências poderão apresentar alterações entre as duas votações.</p>
<p>O cenário também envolve a redistribuição dos votos concedidos aos candidatos eliminados no primeiro turno. Como Lula e Flávio passam a ser as únicas alternativas de escolha válida para presidente, eleitores que anteriormente apoiaram outros nomes precisarão decidir entre os dois concorrentes, votar em branco, anular ou deixar de comparecer. O comportamento desse grupo pode influenciar o resultado final, sobretudo em uma eleição com diferenças reduzidas.</p>
<p>A comparação direta entre o primeiro turno e as pesquisas posteriores deve ser feita com cuidado. A votação de 4 de outubro constitui um resultado oficial, enquanto as sondagens seguintes estimam a preferência de uma amostra de eleitores em outro momento da campanha. Não é correto interpretar a diferença entre esses indicadores como uma transferência comprovada de votos de um candidato para outro.</p>
<h2>Últimos dias de campanha concentram novas pesquisas</h2>
<p>A divulgação da Vox Brasil na sexta-feira ocorrerá em meio à sequência de levantamentos nacionais programados para os dias que antecedem o segundo turno. A intensificação das pesquisas permite acompanhar o comportamento das intenções de voto, mas também aumenta o risco de interpretações precipitadas quando resultados de institutos diferentes são apresentados sem considerar suas metodologias.</p>
<p>Cada empresa pode utilizar procedimentos distintos de seleção dos entrevistados, coleta de informações e ponderação estatística. Há levantamentos presenciais, telefônicos e digitais, com diferenças no tamanho das amostras e nos períodos de realização. Por essa razão, variações entre pesquisas de institutos diferentes não devem ser tratadas automaticamente como mudanças efetivas no eleitorado.</p>
<p>A comparação entre rodadas sucessivas de uma mesma empresa tende a oferecer uma referência mais consistente para acompanhar a evolução dos indicadores, desde que o desenho metodológico permaneça comparável. Mesmo assim, uma sequência de oscilações dentro da margem de erro não necessariamente caracteriza uma tendência estatisticamente demonstrada. A leitura precisa considerar o conjunto das informações disponíveis.</p>
<p>No caso da Vox Brasil, a rodada de 23 de outubro será particularmente relevante para verificar o comportamento dos percentuais registrados cinco dias antes. O intervalo relativamente curto entre as divulgações permitirá observar se a pequena vantagem numérica apresentada por Lula se mantém ou se o levantamento passa a indicar Flávio à frente. Em qualquer hipótese, a interpretação dependerá da dimensão da diferença e das incertezas associadas à estimativa.</p>
<p>A pesquisa também poderá indicar a evolução do contingente de eleitores sem preferência definida. Embora os dois candidatos concentrem a maior parte das respostas, a presença de votos brancos, nulos e indecisos nos levantamentos anteriores demonstra que nem todos os entrevistados manifestaram apoio a um dos concorrentes. A forma como esses grupos se distribuirão na votação efetiva constitui uma das variáveis relevantes para o resultado de domingo.</p>
<h2>Divulgação ocorrerá dois dias antes da eleição presidencial</h2>
<p>O segundo turno está marcado para domingo, 25 de outubro, quando os eleitores escolherão entre Lula e Flávio Bolsonaro. A definição ocorrerá pelo sistema majoritário, no qual será eleito o candidato que conquistar mais da metade dos votos válidos. Os votos em branco e nulos não integram essa contagem e não são transferidos a nenhum dos concorrentes.</p>
<p>A pesquisa de sexta-feira será divulgada em um momento em que a campanha estará praticamente encerrada e os candidatos concentrarão seus esforços nas últimas atividades públicas. O levantamento poderá oferecer uma fotografia atualizada das preferências declaradas pelos entrevistados até quinta-feira, mas não será uma antecipação oficial do resultado das urnas.</p>
<p>A diferença entre os conceitos é essencial. Pesquisas estimam opiniões em um determinado período e estão sujeitas a incertezas estatísticas, enquanto a votação registra escolhas efetivamente realizadas pelos eleitores. Além disso, a decisão individual pode mudar depois da entrevista, e o comparecimento às urnas também influencia o resultado.</p>
<p>Até a divulgação do novo levantamento, a referência mais recente da Vox Brasil permanece sendo a rodada de 18 de outubro, com Lula numericamente à frente por dois pontos percentuais nos votos válidos, em situação de empate técnico. Os resultados previstos para sexta-feira permitirão uma nova avaliação desse equilíbrio. A definição de quem governará o país a partir de 2027, entretanto, dependerá exclusivamente da votação e da apuração oficial de domingo.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Resultado oficial do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, divulgado em 5 de outubro, com votação de Lula e Flávio Bolsonaro.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.600/2019, atualizada pela Resolução nº 23.747/2026, sobre registro, metodologia e divulgação de pesquisas eleitorais.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Calendário eleitoral de 2026, com as regras e datas do segundo turno presidencial.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Glossário Eleitoral Brasileiro e orientações institucionais sobre votos válidos, votos brancos e votos nulos.</em></p>
</section>
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			</item>
		<item>
		<title>Flávio Bolsonaro: histórico de investigações vai da rachadinha ao Banco Master</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/de-rachadinha-ao-banco-master-historico-investigacoes-flavio-bolsonaro</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2026 12:30:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Master]]></category>
		<category><![CDATA[corrupção]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Vorcaro]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Fabrício Queiroz]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
		<category><![CDATA[rachadinha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Flávio Bolsonaro enfrenta investigação sobre o Banco Master e tem histórico de acusações envolvendo rachadinha, imóveis e movimentações financeiras.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega à reta final da disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com seu histórico de investigações novamente no centro do debate político. O candidato, que construiu parte de sua campanha em torno do combate à corrupção, é alvo de um inquérito da Polícia Federal sobre suspeitas de irregularidades no financiamento de uma cinebiografia de seu pai, Jair Bolsonaro. O caso envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, e movimentações financeiras estimadas em dezenas de milhões de reais. As suspeitas se somam a episódios anteriores relacionados a desvios de salários de assessores, transações imobiliárias e operações de uma franquia de chocolates.</p>
<p>A trajetória judicial de Flávio Bolsonaro reúne acusações com situações processuais distintas. O episódio mais conhecido, envolvendo o ex-assessor Fabrício Queiroz, resultou em denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, posteriormente rejeitada pela Justiça após a anulação de provas. Já a investigação sobre os recursos associados ao Banco Master permanece em andamento, sem conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal do senador. A distinção entre investigações antigas encerradas e suspeitas atualmente examinadas é essencial para compreender o alcance dos questionamentos que acompanham o candidato.</p>
<h2>Banco Master: investigação envolve R$ 134 milhões negociados para filme</h2>
<p>O episódio mais recente envolve o financiamento de <em>Dark Horse</em>, produção cinematográfica dedicada à trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Documentos e comunicações examinados pela Polícia Federal apontam negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro que teriam alcançado aproximadamente R$ 134 milhões. Desse montante, cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente transferidos em operações realizadas durante 2025. Os investigadores procuram esclarecer a origem, a destinação e a natureza dos recursos, além da possível existência de contrapartidas relacionadas à atuação <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341125">política</a> do senador.</p>
<p>Parte dos valores teria sido encaminhada a estruturas financeiras nos Estados Unidos, incluindo um fundo associado a pessoas próximas de Eduardo Bolsonaro. A investigação examina se os recursos foram integralmente destinados à produção cinematográfica ou se também financiaram despesas de terceiros. Mensagens e áudios incorporados ao material investigativo indicam que Flávio manteve contato direto com Vorcaro e participou de cobranças relacionadas à liberação de parcelas. A identificação dos beneficiários finais das transferências constitui um dos pontos centrais da apuração.</p>
<p>Outro aspecto envolve possíveis relações financeiras entre <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341124">empresas</a> associadas ao ex-banqueiro e atividades profissionais vinculadas ao senador. As informações divulgadas sobre o inquérito mencionam aproximadamente R$ 1,5 milhão em notas fiscais que teriam sido emitidas para empresas relacionadas a Vorcaro. A investigação busca esclarecer a natureza dos serviços, sua efetiva prestação e eventual conexão com os pagamentos destinados ao projeto cinematográfico. A existência de notas fiscais ou de relações comerciais, isoladamente, não demonstra a prática de irregularidade.</p>
<p>Flávio Bolsonaro reconheceu que procurou Daniel Vorcaro para buscar financiamento privado para o filme sobre seu pai, mas nega ter cometido qualquer crime. O senador afirmou que sua participação estava relacionada à identificação de investidores e não à administração operacional dos recursos. Também confirmou um encontro com o ex-banqueiro após a imposição de medidas cautelares, justificando que pretendia encerrar a relação comercial e avaliar alternativas de financiamento. Sua defesa sustenta que não houve oferta de vantagens indevidas em troca dos investimentos.</p>
<p>A repercussão ultrapassou a esfera policial e chegou ao Senado Federal. Em setembro, o Partido dos Trabalhadores apresentou uma representação ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar solicitando a abertura de procedimento disciplinar contra Flávio Bolsonaro. A iniciativa questiona a relação do parlamentar com o ex-controlador do Banco Master e as informações prestadas sobre o financiamento do filme. O pedido representa uma frente de responsabilização parlamentar distinta da investigação criminal, sem significar reconhecimento de culpa ou aplicação automática de sanções.</p>
<h2>Rachadinha: movimentações de Fabrício Queiroz deram origem às suspeitas</h2>
<p>O principal episódio anterior envolvendo Flávio Bolsonaro começou com movimentações financeiras consideradas atípicas na conta de Fabrício Queiroz, ex-policial militar que trabalhou como assessor parlamentar do então deputado estadual. Informações produzidas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontaram operações de aproximadamente R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017. As movimentações deram origem a investigações sobre a possibilidade de servidores devolverem parte de seus vencimentos a integrantes do gabinete, prática conhecida como rachadinha. O Ministério Público fluminense passou a examinar pagamentos, transferências bancárias e relações entre funcionários nomeados na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.</p>
<p>Entre os registros que despertaram atenção estava um cheque de R$ 24 mil destinado a Michelle Bolsonaro, esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro. A família afirmou que o valor correspondia à devolução parcial de um empréstimo pessoal concedido a Queiroz. Os investigadores também identificaram transferências realizadas por familiares do ex-assessor que ocupavam cargos em gabinetes ligados à família Bolsonaro. Essas operações passaram a integrar a apuração sobre a possível apropriação de recursos provenientes de salários pagos pelo poder público.</p>
<p>Em junho de 2020, Fabrício Queiroz foi preso preventivamente em Atibaia, no interior de São Paulo, em um imóvel ligado ao advogado Frederick Wassef, que representava integrantes da família Bolsonaro. A localização do ex-assessor ampliou a repercussão política do caso e provocou questionamentos sobre seus vínculos com o então presidente da República. Flávio afirmou que desconhecia a presença de Queiroz na residência do advogado e negou participação em qualquer esquema de desvio de salários. A família Bolsonaro também sustentou que eventuais irregularidades cometidas pelo ex-assessor seriam de responsabilidade individual dele.</p>
<h2>Loja de chocolates entrou na investigação por suspeita de lavagem de dinheiro</h2>
<p>Uma das frentes da investigação analisou a movimentação financeira de uma franquia da Kopenhagen da qual Flávio Bolsonaro era sócio, localizada no shopping Via Parque, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O Ministério Público suspeitou que depósitos em espécie registrados nas contas da empresa pudessem servir para dar aparência de legalidade a recursos provenientes do suposto esquema de rachadinha. Segundo os investigadores, aproximadamente R$ 1,6 milhão teria sido movimentado de maneira incompatível com características esperadas do faturamento comercial. A análise relacionava datas de depósitos, receitas declaradas e pagamentos de despesas pessoais.</p>
<p>Para a acusação, o estabelecimento poderia ter funcionado como instrumento de circulação de recursos de origem não esclarecida. A suspeita envolvia a possibilidade de registrar determinadas quantias como receitas de vendas, independentemente da efetiva comercialização de produtos. A defesa negou as irregularidades e argumentou que pagamentos em dinheiro são habituais no varejo, especialmente em períodos de maior movimento, como a Páscoa e o Natal. Os elementos utilizados nessa frente investigativa foram atingidos pelas decisões judiciais que invalidaram provas da apuração principal.</p>
<h2>Compra e venda de imóveis também foram questionadas</h2>
<p>As transações imobiliárias realizadas por Flávio Bolsonaro e sua esposa constituíram outra frente das investigações conduzidas pelo Ministério Público do Rio. Os promotores examinaram negociações de apartamentos em bairros como Copacabana, Laranjeiras e Barra da Tijuca, buscando identificar diferenças entre valores declarados e quantias efetivamente pagas. Uma das suspeitas era de que parte das aquisições tivesse envolvido dinheiro em espécie não registrado integralmente nos instrumentos contratuais. A posterior revenda de determinados imóveis por valores superiores também foi analisada como possível mecanismo de ocultação da origem de recursos.</p>
<p>Entre as operações examinadas estava a aquisição de dois apartamentos em Copacabana, em 2012, seguida de revenda aproximadamente 15 meses depois. O Ministério Público questionou a valorização dos imóveis e a eventual existência de pagamentos paralelos aos valores formalizados. Flávio Bolsonaro afirmou que suas operações imobiliárias eram legais, estavam documentadas em cartório e haviam sido declaradas aos órgãos competentes. Assim como ocorreu com a investigação da loja de chocolates, os elementos probatórios vinculados ao caso da rachadinha perderam validade nas decisões posteriores dos tribunais superiores.</p>
<h2>Familiares de Adriano da Nóbrega ocuparam cargos no gabinete</h2>
<p>Outra controvérsia envolvendo o período em que Flávio Bolsonaro foi deputado estadual diz respeito à contratação de familiares do ex-policial militar Adriano Magalhães da Nóbrega, posteriormente apontado por investigadores como integrante de organização criminosa. A mãe e a ex-esposa de Adriano ocuparam cargos vinculados ao gabinete parlamentar, circunstância examinada pelo Ministério Público no contexto das investigações sobre assessores. Os investigadores suspeitaram que elas não exercessem regularmente as funções correspondentes aos cargos e repassassem parte de seus salários a Fabrício Queiroz. Flávio afirmou que as contratações ocorreram por indicação do antigo assessor.</p>
<p>Os vínculos políticos também aparecem em registros oficiais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Em 2005, Flávio Bolsonaro apresentou o Projeto de Resolução nº 1.067, que concedia a Medalha Tiradentes ao então tenente Adriano da Nóbrega. A homenagem foi aprovada e formalizada pela Resolução nº 931 daquele ano, conforme a documentação legislativa. O registro comprova a iniciativa parlamentar, mas não constitui, por si só, demonstração de participação do senador nas atividades criminosas posteriormente atribuídas ao homenageado.</p>
<p>Adriano da Nóbrega morreu em fevereiro de 2020, durante uma operação policial na Bahia. Sua morte ocorreu em meio à repercussão das investigações sobre milícias e grupos de extermínio no Rio de Janeiro. As suspeitas envolvendo familiares nomeados no gabinete de Flávio integraram o conjunto de fatos examinados na investigação da rachadinha. A invalidação das provas atingiu também essa frente acusatória, impedindo que os elementos então reunidos sustentassem a denúncia judicial original.</p>
<h2>Justiça rejeitou denúncia da rachadinha em 2022</h2>
<p>O desfecho judicial da investigação sobre a rachadinha ocorreu em 16 de maio de 2022, quando o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro rejeitou a denúncia apresentada contra Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e outras 15 pessoas. A acusação havia sido formalizada pelo Ministério Público em 2020 e abrangia suspeitas de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita. A decisão foi tomada depois que o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal invalidaram elementos probatórios utilizados na investigação. Diante das decisões superiores, o próprio Ministério Público pediu o encerramento da ação.</p>
<p>A relatora do caso, desembargadora Maria Augusta Vaz Monteiro de Figueiredo, reconheceu que a denúncia havia sido fundamentada em elementos posteriormente considerados ilícitos. Sem essas informações, deixou de existir o suporte probatório necessário para o prosseguimento da acusação criminal. O Tribunal de Justiça esclareceu que a rejeição por falta de justa causa não impedia, em tese, a retomada de investigações mediante outros elementos válidos. A decisão, portanto, não correspondeu a uma sentença condenatória nem a um julgamento de mérito que declarasse comprovadas ou inexistentes as condutas investigadas.</p>
<p>A distinção tem importância jurídica e política diante da disputa presidencial de 2026. Flávio Bolsonaro não pode ser apresentado como condenado pelos fatos relacionados à rachadinha, uma vez que a denúncia foi rejeitada. Por outro lado, a anulação de provas por razões processuais não equivale a uma conclusão judicial de que todas as movimentações financeiras examinadas eram regulares. O histórico do processo permite compreender tanto a origem das suspeitas quanto os limites impostos pelas decisões judiciais à sua utilização em uma acusação criminal.</p>
<h2>Novo inquérito recoloca a transparência financeira na campanha</h2>
<p>O caso envolvendo Daniel Vorcaro apresenta características distintas porque se refere a operações financeiras mais recentes e permanece sob investigação. Entre os principais pontos está a necessidade de identificar quem contratou os serviços relacionados ao filme, quais empresas receberam os pagamentos e quem efetivamente controlava os recursos após as transferências. Também é relevante esclarecer se os valores foram utilizados exclusivamente no projeto cinematográfico ou se tiveram outras destinações. Essas questões são fundamentais para determinar se as transações constituíram investimentos privados regulares ou se envolveram práticas ilícitas.</p>
<p>A existência de diferentes intermediários e de transferências internacionais torna o rastreamento financeiro particularmente importante. A apuração depende da análise de contratos, comprovantes bancários, registros contábeis e eventuais vínculos entre os participantes das operações. Também exige estabelecer se houve benefícios pessoais ou políticos indevidos associados à condição de parlamentar de Flávio Bolsonaro. Nenhuma dessas hipóteses pode ser tratada como comprovada antes da conclusão das investigações e da avaliação das autoridades competentes.</p>
<p>No plano eleitoral, a sucessão de controvérsias amplia o confronto entre o discurso anticorrupção da campanha bolsonarista e os questionamentos sobre as relações financeiras do candidato. O histórico da rachadinha continua sendo explorado politicamente, embora o processo correspondente tenha sido encerrado sem condenação. A investigação sobre o Banco Master acrescenta uma dimensão atual ao debate por envolver operações realizadas durante o mandato de senador e valores significativamente superiores aos discutidos nos episódios anteriores. O tema também introduz questionamentos sobre transparência de financiamentos privados relacionados a projetos com evidente associação política.</p>
<p>Com a votação marcada para domingo, 25 de outubro, Flávio Bolsonaro enfrenta o desafio de apresentar esclarecimentos sobre sua relação com o antigo controlador do Banco Master enquanto mantém sua candidatura à Presidência da República. As investigações anteriores ajudam a contextualizar sua trajetória pública, mas não substituem a necessidade de examinar individualmente os fatos e as provas de cada procedimento. O novo inquérito poderá produzir conclusões próprias, independentemente do resultado dos processos encerrados em 2022. Até lá, as suspeitas permanecem sujeitas à apuração, ao contraditório e à presunção de inocência.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro — denúncia criminal apresentada em 2020</p>
<p>Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro — processo nº 0072696-34.2020.8.19.0000 e decisão de 16 de maio de 2022</p>
<p>Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro — Projeto de Resolução nº 1.067/2005 e Resolução nº 931/2005</p>
<p>Senado Federal — Petição do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar nº 14/2026</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — calendário oficial das Eleições Gerais de 2026</p>
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		<title>Flávio Bolsonaro é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro; PF apura contas e viagens</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/flavio-bolsonaro-investigado-lavagem-dinheiro-pf-offshore</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2026 10:46:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[Bets]]></category>
		<category><![CDATA[Cláudio Castro]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
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		<category><![CDATA[offshore]]></category>
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		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
		<category><![CDATA[RioPag]]></category>
		<category><![CDATA[segundo turno]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
		<category><![CDATA[Willer Tomaz]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Flávio Bolsonaro é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro. PF apura relações com Willer Tomaz, conta de offshore e viagens internacionais.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro em um procedimento que examina suas relações financeiras com o advogado Willer Tomaz, empresário ligado ao setor de apostas e também investigado por possíveis irregularidades envolvendo recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A apuração foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro Alexandre de Moraes foi sorteado para a relatoria, após a identificação de elementos que envolvem o parlamentar.</p>
<p>Os investigadores analisam a existência de possíveis vínculos econômicos entre Flávio Bolsonaro e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341053">empresas</a> associadas a Willer Tomaz. Entre os elementos identificados estão registros que apontam o senador como usuário com privilégios de administração em uma conta bancária vinculada à offshore Alcazar Holding, além de informações sobre viagens internacionais realizadas em 2025 com participação de empresas relacionadas ao advogado. A Polícia Federal procura esclarecer se essas operações corresponderam a relações pessoais legítimas ou se existem movimentações financeiras irregulares.</p>
<p>A investigação também passou a examinar fatos envolvendo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). Uma das frentes envolve suspeitas de irregularidades em uma licitação da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), realizada em 2022, que resultou na contratação de uma empresa de processamento de pagamentos. Outra trata de transferências que somam R$ 270 mil e teriam Ramagem como beneficiário final, segundo a hipótese analisada pelos investigadores.</p>
<p>O avanço das apurações ocorre na última semana antes do segundo turno presidencial, marcado para domingo, 25 de outubro. Flávio Bolsonaro disputa a eleição contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto as investigações sob responsabilidade da Polícia Federal procuram estabelecer a origem, a destinação e os beneficiários de determinadas movimentações financeiras.</p>
<p>Flávio nega ter <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341049">negócios</a> irregulares com Willer Tomaz e afirma que sua relação com o advogado é exclusivamente de amizade. A defesa de Tomaz também rejeita as acusações, sustenta que todas as suas participações empresariais são lícitas e critica a divulgação de informações de um procedimento sigiloso durante o período eleitoral. As suspeitas não representam condenação nem demonstram, isoladamente, participação do senador em crime.</p>
<h2>PF encontrou Flávio Bolsonaro como usuário de conta bancária de offshore</h2>
<p>Um dos principais elementos da investigação envolve a identificação de Flávio Bolsonaro como usuário com privilégios administrativos em uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holding, associada a Willer Tomaz. A informação foi localizada em mensagens eletrônicas analisadas pela Polícia Federal durante o exame de dados relacionados ao advogado. O conteúdo das comunicações passou a integrar as suspeitas sobre possíveis relações financeiras entre os dois.</p>
<p>Segundo as informações divulgadas sobre os registros, o senador aparecia com a classificação de <em>usuário master</em>, condição que pode oferecer acesso operacional ampliado a funcionalidades bancárias. Os investigadores examinam o significado dessa autorização e procuram determinar se ela estava relacionada apenas a procedimentos administrativos ou a alguma participação econômica na empresa.</p>
<p>Em maio de 2025, uma comunicação encaminhada à instituição financeira solicitou a retirada do acesso do parlamentar à conta. O episódio é considerado relevante para a investigação porque demonstra a existência de um vínculo operacional que precisa ser esclarecido. A Polícia Federal também procura identificar quando o acesso foi concedido, quais permissões estavam disponíveis e se houve movimentações realizadas por meio dessa credencial.</p>
<p>A existência de acesso administrativo não equivale automaticamente à condição de sócio ou proprietário da empresa. Em operações empresariais, diferentes pessoas podem receber permissões para consultar informações ou executar determinadas atividades, conforme os contratos e as regras internas da instituição financeira. A análise criminal exige verificar a extensão efetiva dessas permissões e sua eventual utilização.</p>
<p>Outro ponto é a distinção entre participação societária formal e possível participação econômica não declarada. A primeira pode ser examinada em registros empresariais, enquanto a segunda depende de elementos adicionais, como contratos, transferências, direitos sobre resultados e poderes de decisão. A Polícia Federal procura esclarecer se o vínculo identificado possui alguma dessas características.</p>
<p>A confirmação de eventual irregularidade dependerá dos documentos bancários e societários reunidos durante a investigação. Até o momento, as informações disponíveis não demonstram que Flávio Bolsonaro tenha praticado pessoalmente operações de lavagem de dinheiro por meio da conta examinada.</p>
<h2>Viagens de Flávio à Europa aparecem entre as movimentações investigadas</h2>
<p>Outra frente da apuração envolve viagens realizadas por Flávio Bolsonaro à Europa em 2025. Registros examinados pela Polícia Federal indicam que uma empresa ligada a Willer Tomaz participou do pagamento ou da contratação de trechos de voos executivos utilizados pelo senador e por integrantes dos círculos familiares envolvidos. As viagens ocorreram entre destinos de Portugal e França.</p>
<p>A empresa Cathedral, sediada na Ilha da Madeira, aparece nas informações sobre a aquisição dos serviços de transporte aéreo. A estrutura empresarial mantém relação com negócios do advogado no setor de apostas, incluindo a Rede Loto. Os investigadores procuram estabelecer a origem dos recursos utilizados nos pagamentos e verificar quem assumiu efetivamente os custos das viagens.</p>
<p>A participação de uma empresa na contratação de passagens ou fretamentos não demonstra, isoladamente, que tenha existido vantagem ilícita. Operações desse tipo podem envolver pagamentos realizados por terceiros, reembolsos e divisão de despesas entre passageiros. A regularidade depende da identificação dos responsáveis financeiros e da finalidade efetiva das transações.</p>
<p>O principal ponto sob exame é se os serviços foram custeados por recursos empresariais em benefício pessoal de Flávio Bolsonaro ou de seus familiares, sem justificativa econômica ou contratual compatível. Caso sejam identificadas despesas dessa natureza, também será necessário determinar se houve reembolso, autorização regular ou outro fundamento para os pagamentos.</p>
<p>Willer Tomaz sustenta que as viagens decorreram da amizade entre as famílias e nega que tenham representado negócios irregulares ou benefícios ocultos. Flávio Bolsonaro também afirma que a relação com o advogado é pessoal. Essas manifestações integram a defesa apresentada diante das informações divulgadas sobre a investigação.</p>
<p>A análise dos registros de viagem poderá ajudar a esclarecer a cronologia e a natureza das relações financeiras entre os envolvidos. Entretanto, a identificação de deslocamentos conjuntos não constitui prova de lavagem de dinheiro. A investigação precisará demonstrar eventual vínculo com recursos de origem ilícita e mecanismos de ocultação ou dissimulação.</p>
<h2>Investigação começou no setor de apostas e chegou ao candidato presidencial</h2>
<p>A apuração teve origem em movimentações financeiras relacionadas a empresas de apostas e plataformas de pagamento digital. Durante o exame de operações atribuídas a Willer Tomaz e a pessoas jurídicas associadas ao advogado, a Polícia Federal identificou documentos e comunicações que mencionavam Flávio Bolsonaro. Como o parlamentar possui foro por prerrogativa de função em determinadas hipóteses, os elementos foram encaminhados ao Supremo Tribunal Federal.</p>
<p>A partir desse material, os investigadores passaram a examinar se existiam relações financeiras entre o senador e as estruturas empresariais analisadas. O objetivo é determinar se os vínculos identificados correspondem a transações legítimas ou se foram utilizados mecanismos de ocultação patrimonial. A investigação envolve dados eletrônicos, registros bancários e documentos societários.</p>
<p>Willer Tomaz também figura em procedimentos relacionados à Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro associadas a fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. A conexão entre essas investigações decorre do exame de operações financeiras e das pessoas envolvidas, mas não significa que todas as transações investigadas tenham origem nos mesmos fatos.</p>
<p>O enquadramento de uma operação como lavagem de dinheiro depende de requisitos legais específicos. Não basta demonstrar movimentação financeira elevada, utilização de empresa no exterior ou relacionamento pessoal com alguém investigado. É necessário estabelecer elementos que indiquem ocultação ou dissimulação da natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes de infração penal.</p>
<p>Essa distinção é especialmente importante no caso de Flávio Bolsonaro. O nome do senador aparece em informações que justificaram aprofundamento investigativo, mas a existência de um inquérito não permite presumir a comprovação dos crimes examinados. A responsabilidade dependerá de provas individualizadas sobre a conduta do parlamentar.</p>
<h2>Licitação da Loterj amplia investigação sobre relações financeiras</h2>
<p>A Polícia Federal também examina possíveis irregularidades em uma licitação realizada pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), durante a administração do então governador Cláudio Castro. O procedimento resultou na contratação da Pixs Cobrança e Serviços em Tecnologia, posteriormente denominada RioPag, para prestar serviços de processamento eletrônico de pagamentos relacionados às operações lotéricas estaduais.</p>
<p>O Pregão Presencial nº 01/2022 foi realizado em 23 de dezembro de 2022 e teve como critério de julgamento a maior oferta apresentada à administração pública. Segundo os registros da Loterj, duas empresas participaram da disputa: Pixs Cobrança e Idea Maker Meios de Pagamento e Consultoria. A segunda apresentou proposta de repasse de 26%, mas foi desclassificada por descumprimento de exigências formais previstas no edital.</p>
<p>A controvérsia envolveu a apresentação do percentual com duas casas decimais, quando o edital exigia três, além de questões sobre o credenciamento do representante da concorrente. Após a desclassificação, a Pixs permaneceu na disputa e apresentou proposta final de 26,455%. A empresa foi declarada vencedora do procedimento.</p>
<p>Os documentos oficiais confirmam a existência de recursos administrativos contra a desclassificação. A Loterj rejeitou os questionamentos, sustentando que as exigências editalícias deveriam ser cumpridas e que a oferta final da Pixs era superior à apresentada pela concorrente. O entendimento consta da decisão administrativa publicada pela autarquia.</p>
<p>A Polícia Federal procura esclarecer se a exclusão da concorrente ocorreu exclusivamente pela aplicação das regras do edital ou se houve influência indevida sobre a contratação. A investigação considera a hipótese de Willer Tomaz possuir participação econômica não declarada na empresa vencedora. A comprovação dessa suspeita dependerá de informações societárias, financeiras e de eventuais elementos sobre a atuação dos envolvidos.</p>
<p>A existência de uma controvérsia administrativa não demonstra automaticamente fraude. Também não há, nos documentos públicos examinados, prova de que Flávio Bolsonaro tenha participado da licitação ou determinado o resultado do procedimento. A relevância desse episódio para o inquérito decorre principalmente das relações empresariais e pessoais que a Polícia Federal procura reconstruir.</p>
<h2>Contrato de pagamentos coloca negócios de Willer Tomaz sob análise</h2>
<p>A contratação da Pixs resultou no Contrato nº 003/2023, celebrado para a prestação de serviços de processamento de pagamentos destinados às operações lotéricas do Rio de Janeiro. Registros públicos da Loterj identificam valor estimado de R$ 32 milhões e vigência prevista de 60 meses. A documentação também registra alterações contratuais relacionadas às condições de remuneração.</p>
<p>A empresa passou a utilizar a denominação RioPag, mantendo sua identificação nos registros administrativos da contratação. A mudança de nome não representa, isoladamente, transferência irregular de direitos ou alteração indevida do contrato. Para avaliar a execução financeira, é necessário considerar os valores efetivamente movimentados e as obrigações previstas nos documentos.</p>
<p>O valor estimado da contratação não corresponde necessariamente à receita recebida pela empresa. Serviços de processamento de pagamentos podem envolver remuneração calculada sobre transações, percentuais contratuais e condições específicas de repasse. A dimensão econômica efetiva depende do volume de operações e das regras de remuneração aplicadas.</p>
<p>A investigação procura esclarecer se Willer Tomaz mantinha participação econômica na empresa e se essa relação tinha alguma conexão com agentes públicos responsáveis pela contratação. A suspeita de propriedade oculta é diferente da existência de vínculo profissional entre advogado e empresa. Para demonstrar controle empresarial de fato, são necessários elementos relacionados a decisões de gestão, benefícios financeiros e direitos sobre os resultados do negócio.</p>
<p>O episódio também oferece uma perspectiva sobre a importância do setor de pagamentos no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341050">mercado</a> de apostas. Empresas que processam transações financeiras podem administrar grandes volumes de recursos, mas essas movimentações não equivalem necessariamente a faturamento próprio. A análise de lavagem de dinheiro exige distinguir dinheiro de terceiros, receita efetiva e eventuais operações destinadas à ocultação de valores.</p>
<h2>Cláudio Castro é citado em apuração sobre contrato da Loterj</h2>
<p>O ex-governador Cláudio Castro também passou a figurar nas informações relacionadas ao inquérito, em razão das suspeitas sobre a contratação da empresa de pagamentos. A Polícia Federal identificou mensagens e registros de viagens que, segundo os investigadores, demonstrariam proximidade pessoal entre Castro e Willer Tomaz. A apuração procura estabelecer se essa relação teve alguma influência sobre decisões administrativas da Loterj.</p>
<p>Durante o governo de Castro, a autarquia era presidida por Hazenclever Lopes, nomeado para o cargo por indicação <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341052">política</a>. Os investigadores examinam informações sobre vínculos profissionais anteriores entre Hazenclever e o advogado. O objetivo é verificar se essas relações possuem relevância para as suspeitas de direcionamento contratual.</p>
<p>Castro reconhece conhecer Willer desde 2020 e afirma manter com ele uma relação de amizade. Segundo sua assessoria, o advogado participou de processos relacionados à defesa do ex-governador sem cobrança de honorários, em razão da proximidade pessoal. Castro também confirmou viagens realizadas em conjunto, mas afirmou que cada participante arcou com as próprias despesas e as de seus familiares.</p>
<p>O ex-governador nega ter participado da licitação ou de qualquer negociação envolvendo a Pixs ou a RioPag. Também afirma que desconhecia eventual participação econômica de Willer na empresa e vínculos anteriores entre o advogado e o presidente da Loterj. Sua assessoria sustenta que a autarquia possuía gestão própria.</p>
<p>As declarações apresentam a versão do ex-governador sobre os acontecimentos. A investigação deverá confrontá-las com os registros obtidos e determinar se existiram atos específicos de interferência ou participação em eventuais irregularidades. A nomeação de um dirigente e a manutenção de relações pessoais não bastam, isoladamente, para estabelecer responsabilidade criminal.</p>
<h2>PF examina pagamentos de R$ 270 mil relacionados a Alexandre Ramagem</h2>
<p>Outra frente da investigação envolve pagamentos que somam R$ 270 mil e aparecem em documentos examinados pela Polícia Federal. Segundo as informações divulgadas sobre o pedido de investigação, os recursos foram divididos em três parcelas de R$ 90 mil e teriam Alexandre Ramagem como beneficiário final. As transferências, entretanto, não foram feitas diretamente para contas pessoais do ex-deputado.</p>
<p>A destinatária formal dos valores foi a empresa Torre Comunicação Estratégica. Os investigadores procuram esclarecer a finalidade dos pagamentos, a origem dos recursos e a efetiva prestação dos serviços associados à contratação. A hipótese policial deverá ser confrontada com documentos comerciais e registros financeiros.</p>
<p>A Torre afirmou ter prestado serviços de assessoria de imprensa ao escritório de advocacia de Willer Tomaz e Eugênio de Aragão. Segundo a empresa, o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341051">trabalho</a> foi desenvolvido para Ramagem quando ele era pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, envolvendo planejamento estratégico, monitoramento de informações e treinamento para entrevistas. A consultoria informou que os serviços duraram três meses e foram acompanhados da emissão de notas fiscais.</p>
<p>A explicação apresentada pela empresa estabelece uma finalidade contratual para os pagamentos. Para demonstrar eventual irregularidade, seria necessário identificar elementos que contrariassem essa justificativa, como simulação de serviços, destinação incompatível dos valores ou mecanismos de ocultação financeira. O simples fato de um escritório de advocacia contratar serviços para um cliente não caracteriza crime.</p>
<p>Ramagem foi diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência durante o governo Jair Bolsonaro. Em 2025, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal na ação penal relacionada à tentativa de golpe de Estado, recebendo pena de 16 anos, um mês e 15 dias de reclusão. A Câmara dos Deputados declarou a perda de seu mandato em dezembro do mesmo ano.</p>
<p>A condenação anterior pertence a um processo diferente e não constitui prova das suspeitas financeiras agora examinadas. A responsabilização por eventuais irregularidades relacionadas aos R$ 270 mil dependerá de investigação própria e da demonstração das condutas atribuídas ao ex-deputado.</p>
<h2>Willer Tomaz nega lavagem de dinheiro e critica divulgação do inquérito</h2>
<p>A defesa de Willer Tomaz afirma que o advogado não teve acesso integral ao procedimento e tomou conhecimento de parte das acusações por meio da imprensa. Segundo a manifestação divulgada, os advogados responsáveis solicitaram formalmente acesso aos autos para apresentar esclarecimentos às autoridades. Tomaz sustenta que suas participações empresariais são lícitas e estão identificadas em registros públicos.</p>
<p>A defesa também nega a existência de sócios ocultos, contas não declaradas ou patrimônio escondido. Sobre Flávio Bolsonaro, afirma que os dois mantêm uma relação de amizade entre famílias, sem a existência de negócios irregulares. O advogado rejeita a interpretação de que a proximidade pessoal constitua evidência de atuação criminosa.</p>
<p>Em relação à licitação da Loterj, Tomaz sustenta que as informações divulgadas não demonstram ter havido intervenção sua na desclassificação da concorrente. A defesa argumenta que a decisão administrativa decorreu do descumprimento de exigências previstas no edital. Também considera relevante o fato de a Pixs ter apresentado, ao final do procedimento, percentual superior à oferta inicialmente formulada pela Idea Maker.</p>
<p>A manifestação ainda critica a divulgação de elementos de investigação sigilosa às vésperas do segundo turno presidencial. Segundo os advogados, a circulação seletiva de documentos antes de sua disponibilização à defesa prejudica o exercício do contraditório e amplia a exposição pública dos envolvidos. A defesa afirma esperar que a análise integral das operações demonstre sua regularidade.</p>
<p>Flávio Bolsonaro também negou anteriormente a existência de relações comerciais irregulares com Willer Tomaz. O senador sustenta que sua relação com o advogado é de amizade. As informações divulgadas sobre os registros bancários e as viagens são objeto da apuração, sem conclusão definitiva sobre sua natureza jurídica.</p>
<p>As manifestações das defesas deverão ser consideradas na análise das provas reunidas. Uma investigação pode identificar vínculos pessoais, registros empresariais e movimentações financeiras sem que todos esses elementos configurem práticas criminosas. A definição de responsabilidades dependerá da comprovação de fatos específicos.</p>
<h2>O que caracteriza lavagem de dinheiro na legislação brasileira?</h2>
<p>A investigação envolvendo Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz examina uma possível infração prevista na Lei nº 9.613, de 1998. A legislação define lavagem de dinheiro como a ocultação ou dissimulação da natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal.</p>
<p>O crime pode envolver diferentes mecanismos de movimentação patrimonial, incluindo estruturas empresariais, contas bancárias e operações realizadas por terceiros. Entretanto, a utilização desses instrumentos não é ilegal por si só. Empresas sediadas no exterior, pagamentos de serviços e transferências entre contas podem integrar atividades econômicas regulares.</p>
<p>A caracterização penal exige elementos relacionados à origem ilícita dos recursos e à conduta de ocultação ou dissimulação. Valores elevados, relações de amizade ou acesso a uma conta empresarial não são suficientes, isoladamente, para comprovar lavagem de dinheiro. A investigação precisa determinar como os recursos circularam e qual foi a participação efetiva de cada pessoa.</p>
<p>No caso examinado pela Polícia Federal, essa distinção será particularmente importante para avaliar o cadastro bancário atribuído a Flávio Bolsonaro. A existência de privilégios operacionais em uma conta não comprova necessariamente participação societária ou apropriação de recursos. O significado jurídico dependerá das permissões concedidas, das operações eventualmente realizadas e da documentação correspondente.</p>
<p>O mesmo raciocínio se aplica às viagens internacionais e aos pagamentos relacionados a terceiros. Será necessário identificar a origem dos valores, a efetiva responsabilidade pelos custos e a existência de qualquer operação destinada a ocultar sua natureza. Sem essa demonstração, os elementos permanecem como questões sob investigação.</p>
<h2>Investigação chega à reta final do segundo turno presidencial</h2>
<p>O encaminhamento das suspeitas ao Supremo Tribunal Federal ocorre em um momento de intensa exposição pública de Flávio Bolsonaro. O senador disputa a Presidência da República no segundo turno de 25 de outubro, enquanto a Polícia Federal examina suas relações financeiras com Willer Tomaz. A coincidência temporal amplia a repercussão do caso, mas não altera os requisitos legais para responsabilização criminal.</p>
<p>A relatoria atribuída a Alexandre de Moraes coloca o procedimento sob supervisão do STF, de acordo com as competências aplicáveis. A Polícia Federal deverá continuar a análise dos elementos reunidos e das diligências autorizadas, enquanto o Ministério Público exercerá suas atribuições sobre os resultados da investigação.</p>
<p>A eventual apresentação de denúncia dependerá da existência de elementos considerados suficientes pelo órgão competente. O oferecimento de acusação criminal não decorre automaticamente da abertura de um inquérito, assim como a inclusão de uma pessoa na investigação não representa demonstração de culpa.</p>
<p>No caso de Flávio Bolsonaro, os principais pontos a esclarecer estão relacionados à conta vinculada à Alcazar Holding, aos pagamentos de viagens internacionais e à possível existência de relações econômicas com empresas associadas a Willer Tomaz. A ampliação das apurações para incluir elementos sobre Cláudio Castro e Alexandre Ramagem poderá contribuir para compreender outras movimentações financeiras investigadas, mas cada situação exige demonstração própria.</p>
<p>A documentação da Loterj permite confirmar a existência de uma contratação contestada administrativamente, enquanto as informações sobre contas, viagens e supostos beneficiários de transferências dependem, em grande parte, do material atribuído ao inquérito sigiloso. A distinção entre esses níveis de documentação é essencial para compreender o alcance das suspeitas.</p>
<p>Flávio Bolsonaro enfrenta, assim, uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro que ultrapassa sua relação pessoal com Willer Tomaz e alcança estruturas empresariais e financeiras examinadas pela Polícia Federal. O aprofundamento das diligências deverá esclarecer se os vínculos identificados correspondem a operações legítimas ou se existem elementos capazes de sustentar responsabilização criminal. Até essa definição, permanecem válidas as garantias de presunção de inocência e de defesa dos envolvidos.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Loteria do Estado do Rio de Janeiro — Edital do Pregão Presencial nº 01/2022, processo SEI-150162/000531/2022.</p>
<p>Loteria do Estado do Rio de Janeiro — Recursos administrativos, contrarrazões e decisão sobre a desclassificação da Idea Maker e a proposta apresentada pela Pixs Cobrança.</p>
<p>Loteria do Estado do Rio de Janeiro — Registros públicos do Contrato nº 003/2023 e documentação associada à contratação dos serviços de processamento de pagamentos.</p>
<p>Polícia Federal — Comunicações institucionais sobre a Operação Sem Desconto e investigações financeiras relacionadas a fraudes envolvendo benefícios previdenciários.</p>
<p>Supremo Tribunal Federal — Comunicado institucional de 22 de dezembro de 2025 sobre a situação processual de Alexandre Ramagem.</p>
<p>Presidência da República — Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998, sobre os crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores.</p>
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		<title>Lula reage, chega a 49,7% e reduz vantagem de Flávio Bolsonaro a 0,6 ponto em pesquisa BTG/Nexus</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/lula-reage-pesquisa-btg-nexus-flavio-bolsonaro-segundo-turno-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 21:58:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[BTG/Nexus]]></category>
		<category><![CDATA[corrida presidencial]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
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		<category><![CDATA[segundo turno 2026]]></category>
		<category><![CDATA[TSE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lula reage na pesquisa BTG/Nexus, chega a 49,7% dos votos válidos e reduz vantagem de Flávio Bolsonaro a 0,6 ponto a cinco dias do segundo turno.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuperou parte da desvantagem em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e chegou à última semana das eleições presidenciais de 2026 em situação de empate técnico. A pesquisa BTG/Nexus, divulgada na segunda-feira (19), mostra Lula com <strong>49,7% dos votos válidos</strong>, contra 50,3% do adversário. A diferença de apenas 0,6 ponto percentual representa uma redução expressiva em relação aos 3,2 pontos registrados na rodada anterior, realizada uma semana antes. O resultado evidencia uma aproximação numérica entre os candidatos, embora as oscilações individuais estejam dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.</p>
<p>A mudança acontece em um momento decisivo da corrida presidencial. Depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, Lula passou a enfrentar a necessidade de reconquistar eleitores e ampliar sua mobilização <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341108">política</a> para tentar assegurar a reeleição em 25 de outubro. O novo levantamento sugere que a distância entre as duas candidaturas diminuiu, mas ainda não permite identificar uma vantagem estatisticamente comprovada para nenhum dos concorrentes.</p>
<p>O estudo também revela um empate exato na intenção espontânea de voto, modalidade em que os entrevistados respondem sem receber previamente os nomes dos candidatos. Lula e Flávio aparecem com 44,5% cada um. Na pesquisa divulgada em 13 de outubro, o senador registrava 46,3%, enquanto o presidente já tinha 44,5%. Nesse indicador, portanto, a aproximação ocorreu pela queda de 1,8 ponto percentual de Flávio, enquanto Lula permaneceu numericamente estável.</p>
<p>A pesquisa foi realizada pela Nexus, a pedido do BTG Pactual, entre os dias 16 e 18 de outubro, com 2.002 eleitores de 16 anos ou mais entrevistados por telefone em todas as unidades da Federação. O levantamento possui nível de confiança de 95%, margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04499/2026.</p>
<h2>Lula recupera terreno e reduz diferença de 3,2 para 0,6 ponto percentual</h2>
<p>A evolução dos números da Nexus permite identificar como a corrida presidencial mudou entre as duas pesquisas de outubro. Na rodada divulgada no dia 13, Flávio Bolsonaro aparecia com 51,6% dos votos válidos, enquanto Lula registrava 48,4%. Seis dias depois, o senador passou a 50,3%, e o presidente alcançou 49,7%.</p>
<p>A comparação mostra que Lula ganhou 1,3 ponto percentual, enquanto Flávio perdeu a mesma proporção. Como consequência, a distância entre os candidatos diminuiu 2,6 pontos percentuais, uma redução equivalente a aproximadamente 81% da vantagem numérica anteriormente observada. O cálculo dimensiona a aproximação, mas não deve ser interpretado como prova definitiva de transferência de votos entre as duas candidaturas.</p>
<p>Nos votos totais, que incluem todos os entrevistados, a pesquisa também mostra uma disputa praticamente equilibrada. Flávio aparece com 46,5%, enquanto Lula registra 45,9%. Outros 4,7% declararam intenção de votar em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos, e 2,9% não souberam ou preferiram não responder.</p>
<p>Na rodada anterior, o senador tinha 47,9% dos votos totais e Lula, 45,1%. A comparação indica crescimento de 0,8 ponto percentual para o presidente e recuo de 1,4 ponto para Flávio. Mais uma vez, os movimentos individuais permanecem dentro da margem de erro, recomendando cautela na interpretação de uma tendência consolidada.</p>
<p>A diferença entre votos totais e válidos é fundamental para compreender os resultados. Enquanto os primeiros incluem a totalidade das respostas, os votos válidos excluem as opções de voto branco, nulo e os eleitores que não indicaram candidato, seguindo o critério utilizado pela Justiça Eleitoral na apuração oficial.</p>
<p>A aproximação também aparece quando a pesquisa considera as respostas espontâneas. Em 13 de outubro, Flávio tinha vantagem de 1,8 ponto percentual sobre Lula. Na rodada mais recente, ambos chegaram a 44,5%, eliminando a diferença numérica nesse indicador.</p>
<p>O empate espontâneo possui relevância porque mede a preferência declarada sem apresentação de uma lista de candidatos. Entretanto, não constitui uma previsão mais precisa do resultado eleitoral do que a pesquisa estimulada. As duas modalidades investigam aspectos diferentes da intenção de voto e estão sujeitas a limitações estatísticas próprias.</p>
<h2>Nordeste amplia vantagem de Lula, mas Flávio mantém força no Sul e Sudeste</h2>
<p>A distribuição regional das intenções de voto revela que o equilíbrio nacional esconde diferenças expressivas entre as regiões. Segundo a Nexus, Lula ampliou sua vantagem no Nordeste, alcançando 66,2% das intenções de voto estimuladas, enquanto Flávio Bolsonaro registra 27,9%. A diferença de 38,3 pontos percentuais aumentou em relação aos 28,3 pontos observados na pesquisa anterior.</p>
<p>O Nordeste representa uma das principais bases eleitorais do presidente e permanece estratégico para sua tentativa de reeleição. O crescimento da vantagem regional indica maior concentração das preferências em torno da candidatura petista, embora o resultado nacional dependa da participação de eleitores de todas as regiões e do comparecimento efetivo às urnas.</p>
<p>O cenário é diferente no Sul, onde Flávio Bolsonaro aparece com 61% das intenções de voto, diante de 31,4% de Lula. A vantagem do senador alcança 29,6 pontos percentuais e também aumentou em relação à rodada anterior, quando estava em 21,6 pontos.</p>
<p>No Norte e Centro-Oeste, analisados conjuntamente pelo instituto, Flávio registra 56,8% das intenções de voto, enquanto o presidente aparece com 39,3%. A diferença é de 17,5 pontos percentuais, demonstrando uma predominância numérica do candidato do PL na região considerada pelo levantamento.</p>
<p>O Sudeste apresenta uma configuração especialmente relevante devido ao tamanho de seu eleitorado. Flávio Bolsonaro tem 49,2%, contra 40,8% de Lula, uma vantagem de 8,4 pontos percentuais. Embora permaneça à frente, o senador registrou uma redução da diferença em relação à pesquisa anterior, quando a distância alcançava dez pontos.</p>
<p>Os resultados regionais ajudam a explicar por que a disputa nacional permanece tão apertada. O desempenho expressivo de Lula no Nordeste compensa parcialmente as vantagens de Flávio em outras regiões, enquanto diferenças nas taxas de comparecimento podem alterar o peso relativo desses segmentos no resultado efetivo.</p>
<p>A análise também mostra que a recuperação nacional do presidente não foi homogênea. Parte importante da aproximação ocorreu simultaneamente à ampliação de sua liderança nordestina, enquanto outras regiões mantiveram preferência pelo candidato da oposição.</p>
<h2>Lula lidera entre mulheres e eleitores de menor renda</h2>
<p>O perfil socioeconômico dos entrevistados apresenta divisões igualmente relevantes para compreender o comportamento eleitoral. Entre as mulheres, Lula registra 52,6% das intenções de voto, contra 40,1% de Flávio Bolsonaro. A diferença de 12,5 pontos percentuais confirma a vantagem do presidente nesse segmento, embora tenha diminuído em comparação à rodada anterior.</p>
<p>Entre os homens, o resultado se inverte. Flávio aparece com 53,7%, enquanto Lula tem 38,3%, estabelecendo uma vantagem de 15,4 pontos percentuais para o senador. O contraste demonstra a importância da composição por sexo do eleitorado para o resultado nacional.</p>
<p>A renda familiar também influencia a distribuição das preferências. Entre os entrevistados que recebem até um salário mínimo, Lula alcança 59%, contra 31,4% do adversário. Na faixa de um a dois salários mínimos, o presidente mantém a liderança, com 55,4%, diante de 36,5% de Flávio.</p>
<p>Nas faixas superiores, a configuração muda. Entre aqueles com renda familiar de dois a cinco salários mínimos, Flávio registra 52% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 39,7%. Entre os que recebem mais de cinco salários mínimos, o senador chega a 56,9%, contra 38,9% do presidente.</p>
<p>Essas diferenças mostram que a eleição permanece fortemente segmentada por renda, região e características demográficas. A capacidade de cada candidato de ampliar seu apoio fora dos grupos tradicionais poderá influenciar os últimos dias de campanha, especialmente em uma disputa com diferença nacional inferior a um ponto percentual na pesquisa BTG/Nexus.</p>
<h2>Rejeição a Lula cai e aprovação do governo apresenta recuperação</h2>
<p>A reação numérica de Lula ocorre paralelamente a uma melhora em indicadores relacionados à avaliação de seu governo. Segundo a Nexus, a aprovação do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341107">trabalho</a> presidencial passou de 45,3% para 47,2% entre as duas rodadas de outubro, avanço de 1,9 ponto percentual. No mesmo período, a desaprovação recuou de 49,9% para 48,8%.</p>
<p>Embora a desaprovação continue numericamente superior à aprovação, a diferença entre os dois indicadores diminuiu. Na rodada anterior, o saldo negativo era de 4,6 pontos percentuais. Agora, está em 1,6 ponto, uma redução de três pontos percentuais na distância entre aprovação e desaprovação.</p>
<p>Os dados de rejeição eleitoral apresentam comportamento semelhante. A parcela que afirma não votar em Lula de maneira alguma recuou de 50,6% para 47,8%, queda de 2,8 pontos percentuais. A rejeição a Flávio Bolsonaro passou de 47% para 46,8%, uma oscilação de apenas 0,2 ponto percentual.</p>
<p>A diferença entre as rejeições dos dois candidatos ficou em um ponto percentual, também dentro da margem de erro. Esse indicador é importante porque a resistência a cada candidatura pode limitar a capacidade de conquistar novos eleitores em um segundo turno polarizado.</p>
<p>Na avaliação qualitativa da administração federal, 32,4% classificam o governo como ótimo ou bom, enquanto 42,9% consideram a gestão ruim ou péssima. Outros 23,6% avaliam o desempenho como regular. A parcela de avaliação negativa apresentou redução em comparação à rodada anterior, mas permanece numericamente superior à positiva.</p>
<p>A melhora na aprovação não significa necessariamente que os entrevistados estejam modificando sua intenção de voto em favor do presidente. Um eleitor pode passar a avaliar o governo de maneira menos negativa e, ainda assim, permanecer favorável à candidatura de oposição. A pesquisa permite observar a coincidência temporal entre os movimentos, mas não comprova uma relação causal direta.</p>
<h2>Maioria declara voto decidido, mas uma parcela ainda admite mudança</h2>
<p>A possibilidade de conquistar eleitores adicionais diminui à medida que a eleição se aproxima. A pesquisa BTG/Nexus mostra que 90,9% dos entrevistados afirmam já ter decidido definitivamente seu voto e não pretendem mudar de candidato até domingo. Outros 8,4% admitem a possibilidade de alteração, enquanto 0,7% não souberam ou não responderam.</p>
<p>Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 94,5% dizem que sua decisão está consolidada. No grupo que declara voto em Lula, o percentual chega a 94%. Os números indicam bases de apoio com elevado grau de fidelidade, deixando uma parcela relativamente pequena dos eleitores declarados disponível para uma mudança de preferência.</p>
<p>A intenção de comparecimento também permanece elevada. Segundo o levantamento, 92,9% afirmam que votarão no segundo turno, incluindo eleitores que dizem ter decidido comparecer e aqueles que consideram provável sua participação.</p>
<p>O comparecimento efetivo, contudo, pode diferir das declarações registradas em pesquisas. Fatores como dificuldades de deslocamento, condições de saúde, compromissos pessoais e desmotivação podem interferir na participação dos eleitores, especialmente entre os que demonstram menor interesse pelo processo eleitoral.</p>
<p>O potencial de mobilização assume importância adicional porque o resultado do primeiro turno foi decidido por uma diferença relativamente pequena. Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%, uma vantagem de 1,87 ponto percentual para o senador.</p>
<p>Na primeira votação, o candidato do PL recebeu aproximadamente 56,1 milhões de votos, contra 53,9 milhões do presidente. A distância foi de cerca de 2,2 milhões de votos, resultado que passou a orientar as estratégias das duas campanhas para a etapa final da eleição.</p>
<h2>Outras pesquisas mostram disputa apertada, mas Flávio segue numericamente à frente</h2>
<p>Embora a BTG/Nexus registre uma aproximação expressiva entre os candidatos, outros levantamentos apresentam diferenças maiores. A pesquisa PoderData/Aya divulgada em 19 de outubro, por exemplo, atribuiu 52% dos votos válidos a Flávio Bolsonaro e 48% a Lula.</p>
<p>O estudo foi realizado entre 16 e 18 de outubro, com 3 mil entrevistas telefônicas em 695 municípios das 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual, com nível de confiança de 95%, e o levantamento está registrado no TSE sob o número BR-02586/2026.</p>
<p>Nesse instituto, a trajetória recente foi diferente daquela registrada pela Nexus. Depois de apresentar uma diferença de seis pontos percentuais favorável a Flávio na primeira pesquisa após o turno inicial, o PoderData identificou uma aproximação entre os candidatos, que chegaram a empatar numericamente em 50% dos votos válidos. Na rodada seguinte, o senador voltou a aparecer com quatro pontos de vantagem.</p>
<p>Outra pesquisa, realizada pelo Real Time Big Data e divulgada nesta terça-feira (20), também apontou Flávio com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. O levantamento ouviu 2 mil eleitores por telefone entre 15 e 19 de outubro, possui margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrado sob o número BR-02952/2026.</p>
<p>As diferenças entre institutos precisam ser avaliadas considerando a metodologia, as datas de coleta, a composição das amostras e os procedimentos estatísticos empregados. Não é correto tratar a variação entre pesquisas de organizações distintas como se fosse uma série histórica uniforme.</p>
<p>Os resultados disponíveis mostram que a disputa permanece competitiva, mas não autorizam afirmar que Lula tenha assumido a liderança nacional. O presidente apresentou recuperação na pesquisa BTG/Nexus, enquanto Flávio Bolsonaro conserva vantagem numérica nos principais levantamentos divulgados na reta final.</p>
<h2>Expectativa de vitória ainda favorece Flávio Bolsonaro</h2>
<p>Um dos aspectos mais relevantes da pesquisa BTG/Nexus é a diferença entre intenção de voto e percepção sobre quem vencerá a eleição. Embora os candidatos apareçam praticamente empatados na preferência declarada, 53,7% dos entrevistados acreditam que Flávio Bolsonaro será eleito presidente. Outros 39,2% apostam na vitória de Lula, enquanto 7,1% não souberam ou não responderam.</p>
<p>A vantagem de Flávio nesse indicador alcança 14,5 pontos percentuais, muito superior à distância de 0,6 ponto observada nas intenções de voto estimuladas. O resultado mostra que o senador mantém uma percepção de favoritismo entre parte do eleitorado que vai além de sua base direta de apoiadores.</p>
<p>Esse indicador mede a expectativa dos entrevistados, não a probabilidade estatística real de vitória. Uma pessoa pode votar em Lula e acreditar que Flávio vencerá, ou apoiar o senador e avaliar que o presidente terminará reeleito. O resultado expressa a percepção social sobre o desfecho, influenciada por acontecimentos políticos, pesquisas anteriores e interpretações individuais sobre a força das campanhas.</p>
<p>A cinco dias da votação, o desafio das candidaturas envolve mobilizar seus eleitores, reduzir resistências e conquistar a parcela que ainda admite mudar de posição. As próximas pesquisas poderão indicar se a aproximação registrada pela Nexus representa uma tendência persistente ou uma oscilação dentro dos limites estatísticos do levantamento.</p>
<p>O segundo turno das eleições 2026 será realizado no domingo, 25 de outubro, com votação das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. Até lá, novos levantamentos e acontecimentos de campanha poderão modificar as expectativas sobre a disputa. Por enquanto, os dados confirmam uma recuperação numérica de Lula na BTG/Nexus, mas mostram que o resultado presidencial permanece indefinido e que nenhum dos candidatos possui vantagem estatisticamente demonstrada nessa pesquisa.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados — Relatório integral da 18ª rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgado em 19 de outubro de 2026, registro BR-04499/2026.</em></p>
<p><em>Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados — Divulgação oficial da 17ª rodada da pesquisa BTG/Nexus, de 13 de outubro de 2026, registro BR-07997/2026.</em></p>
<p><em>Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados — Levantamentos originais sobre distribuição regional das intenções de voto e percepção de vitória eleitoral, divulgados em 19 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>PoderData/Aya — Relatório original da pesquisa presidencial realizada de 16 a 18 de outubro de 2026, registro BR-02586/2026.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Calendário das Eleições 2026, Resolução nº 23.759/2026 e informações oficiais sobre o segundo turno presidencial.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>PF mira ex-servidor do STJ por suspeita de vazar decisões a advogado ligado a Flávio Bolsonaro</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/pf-operacao-linceu-stj-willer-tomaz-flavio-bolsonaro</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 15:59:41 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Willer Tomaz]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>PF investiga ex-servidor do STJ suspeito de vazar decisões judiciais para advogado ligado a Flávio Bolsonaro. Operação Linceu foi autorizada pelo STF.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wrapper s-content">
<section class="s-content__heading">A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (19) a Operação Linceu para investigar suspeitas de vazamento de informações sigilosas do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao advogado Willer Tomaz, que mantém relação de proximidade com o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). O principal alvo da ação é Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do tribunal, suspeito de fornecer antecipadamente minutas de decisões judiciais e informações sobre processos em tramitação. A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de uma investigação que também examina possíveis irregularidades financeiras envolvendo o advogado.</p>
<p>Os agentes federais cumpriram um mandado de busca e apreensão no Distrito Federal, com o objetivo de reunir documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam esclarecer o suposto acesso indevido às informações. As suspeitas investigadas abrangem violação de sigilo funcional, peculato eletrônico, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. A existência dessas linhas de investigação não significa que todos os delitos tenham sido comprovados ou que cada pessoa mencionada seja investigada por todas as condutas.</p>
<p>Pradera foi exonerado do cargo de confiança na sexta-feira (16), após o presidente do STJ, ministro Luis Felipe Salomão, determinar a abertura de um procedimento administrativo interno. Segundo manifestação da presidência do tribunal divulgada à imprensa, a medida foi adotada diante das informações recebidas sobre a possível participação do então secretário nas irregularidades. O STJ informou que as providências criminais permanecem sob sigilo e não apresentou detalhes sobre o conteúdo dos procedimentos.</p>
<p>A operação ocorre em um contexto de investigações mais amplas sobre as atividades financeiras de Willer Tomaz e suas relações empresariais. Informações reunidas pela Polícia Federal em procedimentos anteriores levaram os investigadores a examinar movimentações ligadas ao setor de apostas e plataformas de pagamento, além de possíveis conexões com Flávio Bolsonaro. A ação desta segunda-feira, entretanto, não incluiu o cumprimento de mandados contra o senador, e a proximidade pessoal com o advogado não constitui prova de participação nos supostos vazamentos do STJ.</p>
<h2>Ex-secretário do STJ teria antecipado decisões ainda não publicadas</h2>
<p>O principal eixo da Operação Linceu envolve a suspeita de que Humberto Pradera utilizava sua posição administrativa para obter ou facilitar o acesso a documentos judiciais antes da divulgação oficial. As informações teriam sido encaminhadas ao advogado Willer Tomaz, permitindo o conhecimento antecipado do conteúdo de decisões e manifestações processuais. Os investigadores procuram determinar como esses documentos foram acessados, quem participou de sua circulação e se houve pagamento ou outra vantagem em troca das informações.</p>
<p>Pradera ocupava a Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação do STJ, área responsável por serviços tecnológicos essenciais ao funcionamento do tribunal. A estrutura administrativa desempenha funções relacionadas à infraestrutura digital, aos sistemas processuais e ao suporte tecnológico utilizado por magistrados e servidores. O cargo não confere, por si só, autorização irrestrita para consultar documentos sigilosos ou versões ainda não publicadas de decisões judiciais.</p>
<p>Registros institucionais do STJ identificam Humberto Fontoura Pradera como titular da secretaria, confirmando sua atuação na estrutura de tecnologia da informação. A documentação administrativa também permite compreender a relevância da unidade para o funcionamento dos sistemas eletrônicos da Corte. Essa posição funcional é importante para a investigação, embora não demonstre automaticamente quais documentos estavam efetivamente disponíveis ao ex-secretário ou quais permissões de acesso ele possuía.</p>
<p>O ponto central da apuração consiste em identificar se os documentos foram obtidos mediante permissões regulares, acessos indevidos ou repasses de terceiros. A reconstrução poderá depender de registros de autenticação, histórico de arquivos, mensagens eletrônicas e dados associados aos equipamentos utilizados. A existência de uma função administrativa ligada à tecnologia não constitui, isoladamente, evidência de autoria de vazamento.</p>
<h2>Decisão de Nancy Andrighi teria sido enviada quatro dias antes da assinatura</h2>
<p>Um dos episódios examinados pelos investigadores envolve uma decisão da ministra Nancy Andrighi, relacionada à disputa societária entre J&amp;F e Paper Excellence pelo controle da Eldorado Celulose. Segundo informações atribuídas a relatório da Polícia Federal, uma imagem do documento teria sido encaminhada a Willer Tomaz em 24 de outubro de 2024, antes de sua assinatura e publicação. A versão oficial foi assinada quatro dias depois e publicada em 30 de outubro daquele ano.</p>
<p>A cronologia é relevante porque estabelece uma diferença de seis dias entre a suposta circulação antecipada da imagem e a publicação formal da decisão. O relatório policial divulgado parcialmente à imprensa aponta que os investigadores compararam o conteúdo fotografado com o documento posteriormente disponibilizado nos registros processuais. O objetivo é determinar se o material encaminhado correspondia a uma minuta autêntica ainda submetida aos procedimentos internos do tribunal.</p>
<p>A disputa envolvendo a Eldorado Celulose possui relevância econômica por tratar do controle de uma das principais <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340980">empresas</a> brasileiras do setor de celulose. O conflito societário entre J&amp;F e Paper Excellence envolve contratos, participações empresariais e decisões judiciais capazes de influenciar uma operação de grande valor financeiro. Nesse contexto, o conhecimento antecipado de uma decisão poderia permitir ajustes na estratégia processual de uma das partes.</p>
<p>A eventual vantagem obtida pelo acesso antecipado, entretanto, precisa ser demonstrada. A circulação de uma minuta não comprova que o conteúdo final de uma decisão tenha sido alterado, nem permite concluir que magistrados participaram de irregularidades. São situações distintas o vazamento de um documento ainda não publicado, o uso desse documento por terceiros e a eventual interferência na formação de uma decisão judicial.</p>
<p>A apuração também deverá considerar o percurso digital da informação. Para determinar a responsabilidade pelo compartilhamento, será necessário identificar a origem do arquivo, os registros de acesso e os participantes das comunicações. A análise pode esclarecer se o documento saiu diretamente de um sistema interno ou se chegou aos investigados por outra via.</p>
<h2>PF apura possível influência sobre pareceres do Ministério Público Federal</h2>
<p>Outra frente de investigação envolve manifestações do Ministério Público Federal (MPF) encaminhadas ao STJ. De acordo com informações extraídas de mensagens examinadas pela Polícia Federal, Willer Tomaz teria recebido antecipadamente documentos e discutido teses jurídicas com o então subprocurador-geral da República Antônio Carlos Simões Martins Soares. Os investigadores analisam se determinadas manifestações foram influenciadas por interesses de pessoas ligadas ao advogado.</p>
<p>Um dos episódios mencionados nas informações divulgadas envolve um processo relacionado ao espólio de Edemar Cid Ferreira, fundador do Banco Santos. Nesse caso, trechos de uma mensagem atribuída a Willer teriam apresentado semelhanças com passagens de um parecer do Ministério Público Federal posteriormente encaminhado ao tribunal. A coincidência textual está entre os elementos apontados pelos investigadores como relevantes para examinar a elaboração do documento.</p>
<p>A atuação regular de advogados permite a apresentação de memoriais, argumentos e manifestações jurídicas aos órgãos responsáveis por processos. Essa atividade faz parte do exercício do direito de defesa e do contraditório, observadas as regras aplicáveis. O problema investigado é a hipótese de que informações reservadas tenham circulado indevidamente ou que manifestações institucionais tenham sido condicionadas por vantagens ou interesses particulares.</p>
<p>A participação de integrantes do Ministério Público exige análise específica das atribuições funcionais e dos deveres de independência e legalidade. A eventual reprodução de argumentos apresentados por uma parte não demonstra, isoladamente, corrupção ou favorecimento indevido. Para estabelecer irregularidade, seria necessário identificar elementos adicionais sobre a origem das informações, as circunstâncias das comunicações e a existência de eventual contrapartida.</p>
<p>Os procedimentos envolvendo o ex-integrante do MPF e os servidores do STJ possuem particularidades administrativas e processuais. Eventuais responsabilizações deverão observar as competências das instituições envolvidas e as garantias individuais dos investigados. A apuração sobre pareceres não autoriza presumir que ministros do STJ tenham participado das condutas examinadas.</p>
<h2>Investigação menciona operação financeira de R$ 12,3 milhões</h2>
<p>Os documentos atribuídos à investigação também mencionam uma operação financeira de aproximadamente R$ 12,3 milhões relacionada à atuação de Willer Tomaz no conflito envolvendo a Eldorado Celulose. Mensagens examinadas pela Polícia Federal, conforme informações divulgadas nesta segunda-feira, indicariam discussões sobre o pagamento do montante à Difusora Comunicação, empresa associada ao advogado. Os investigadores procuram esclarecer a natureza do serviço contratado e a justificativa econômica para a movimentação.</p>
<p>O valor aparece em comunicações que também fazem referência a atividades de comunicação e à possibilidade de formalização de serviços por meio de estruturas empresariais no exterior. A existência de uma previsão de pagamento, entretanto, não equivale necessariamente à confirmação de transferência financeira efetiva. Para estabelecer o fluxo dos recursos, é preciso examinar contratos, registros bancários, documentos contábeis e a identificação dos beneficiários.</p>
<p>Essa distinção é essencial para interpretar os valores associados à investigação. Uma mensagem sobre remuneração contratual pode indicar uma negociação, mas não comprova pagamento, origem ilícita ou participação em esquema de corrupção. Mesmo quando uma transferência financeira é confirmada, sua natureza jurídica depende das circunstâncias e da documentação correspondente.</p>
<p>As autoridades deverão determinar se os valores estavam associados a serviços efetivamente prestados ou se foram utilizados para ocultar outras transações. Também será necessário esclarecer se existia relação econômica entre os pagamentos e o eventual acesso antecipado a documentos judiciais. Até a conclusão dessa análise, a hipótese de comercialização de decisões ou informações processuais permanece uma suspeita investigativa.</p>
<h2>STJ havia anunciado reforço na segurança de documentos em setembro</h2>
<p>A Operação Linceu ocorre menos de um mês depois de o Superior Tribunal de Justiça anunciar medidas de aprimoramento da segurança institucional. Em comunicado divulgado em 24 de setembro de 2026, o tribunal informou ter ampliado os protocolos de proteção da informação, com maior fiscalização dos procedimentos adotados por gabinetes e unidades administrativas. A iniciativa também busca melhorar a rastreabilidade dos fluxos de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340981">trabalho</a> e facilitar a identificação de possíveis irregularidades.</p>
<p>Segundo a comunicação oficial, as mudanças incluem padronização de procedimentos e mecanismos destinados a proteger documentos, servidores e colaboradores. O STJ também estabeleceu uma estrutura específica de apuração disciplinar, com coordenação de um magistrado, para acompanhar possíveis desvios de conduta. O objetivo declarado é tornar os procedimentos administrativos mais seguros e permitir respostas mais rápidas quando surgirem suspeitas.</p>
<p>Naquele comunicado, o tribunal informou a abertura de processo administrativo disciplinar relacionado a suspeitas de interferência no andamento de um processo em agosto. O servidor envolvido nesse episódio havia sido afastado preventivamente, com fundamento no artigo 147 da Lei nº 8.112, de 1990. A medida foi apresentada pela instituição como cautelar, sem antecipar conclusão sobre a responsabilidade individual.</p>
<p>Não há documentação pública suficiente para afirmar que o procedimento mencionado em setembro seja o mesmo relacionado a Humberto Pradera. Os dois episódios devem ser analisados separadamente enquanto não houver identificação oficial de vínculo entre eles. A relevância do comunicado anterior está na confirmação de que a segurança dos fluxos processuais já integrava a agenda administrativa do tribunal antes da operação desta segunda-feira.</p>
<p>A análise dos procedimentos de segurança permite identificar uma questão institucional adicional. Sistemas judiciais eletrônicos precisam assegurar o acesso de profissionais autorizados, mas também devem registrar operações e limitar a circulação de documentos ainda não disponibilizados às partes. Quanto maior a quantidade de pessoas e unidades com acesso a informações reservadas, maior é a importância de mecanismos capazes de rastrear a utilização desses dados.</p>
<h2>Exoneração não encerra investigação criminal nem substitui processo disciplinar</h2>
<p>A decisão de exonerar Humberto Pradera do cargo de confiança possui natureza administrativa e não representa uma condenação. O presidente do STJ informou que a medida foi adotada após a instituição tomar conhecimento das suspeitas relacionadas ao antigo secretário. O procedimento interno deverá examinar os fatos de acordo com as atribuições e competências do tribunal.</p>
<p>A Lei nº 8.112, que disciplina o regime jurídico dos servidores públicos federais, estabelece no artigo 116 o dever de guardar sigilo sobre assuntos da repartição. O artigo 132 também prevê consequências disciplinares para situações de revelação de segredo conhecido em razão do cargo, observados os requisitos legais e o procedimento correspondente. As normas se aplicam conforme o vínculo funcional e as circunstâncias de cada caso.</p>
<p>A diferença entre exoneração de função de confiança e perda do cargo efetivo também é relevante. Um servidor pode deixar uma posição comissionada sem que isso implique automaticamente desligamento definitivo do serviço público. Eventual penalidade disciplinar mais grave exige procedimentos próprios, com direito de defesa e avaliação das provas reunidas.</p>
<p>Além da esfera administrativa, a legislação penal estabelece responsabilidades distintas para determinadas condutas relacionadas ao sigilo funcional. O artigo 325 do Código Penal trata da revelação indevida de informações protegidas conhecidas em razão do cargo ou função pública. Outros delitos podem ser examinados quando surgirem elementos sobre pagamentos ilícitos, obtenção de vantagens ou ocultação de recursos.</p>
<p>A eventual aplicação dessas normas dependerá da demonstração da conduta individual de cada investigado. A identificação de uma irregularidade administrativa não comprova automaticamente corrupção ou lavagem de dinheiro. Da mesma forma, a abertura de uma investigação criminal não dispensa os procedimentos necessários para eventual responsabilização funcional.</p>
<h2>Relação de Willer Tomaz com Flávio Bolsonaro aparece em outro eixo da investigação</h2>
<p>A Operação Linceu foi realizada no contexto de apurações mais amplas sobre Willer Tomaz, advogado que mantém uma relação de proximidade com Flávio Bolsonaro. As informações que chegaram ao Supremo Tribunal Federal foram inicialmente identificadas durante investigações relacionadas a movimentações financeiras e atividades empresariais do advogado. Parte dos elementos examinados envolve o setor de apostas e empresas de pagamento digital.</p>
<p>Segundo informações divulgadas sobre a investigação, a análise de dados eletrônicos de Tomaz levou os investigadores a identificar comunicações e referências ao senador. Em razão do foro por prerrogativa de função de Flávio Bolsonaro, os elementos considerados pertinentes foram encaminhados ao STF. O ministro Alexandre de Moraes ficou responsável pela supervisão judicial do procedimento relacionado a essas suspeitas.</p>
<p>O encaminhamento de informações ao Supremo não significa que todas as condutas examinadas tenham sido atribuídas ao senador. Há uma diferença entre aparecer em registros obtidos durante uma investigação, ter relações pessoais ou comerciais com um investigado e ser formalmente responsabilizado por determinada conduta. Essa separação é especialmente relevante no episódio dos supostos vazamentos do STJ, cujo alvo direto da diligência desta segunda-feira foi o ex-servidor Humberto Pradera.</p>
<p>As informações divulgadas não apresentam prova de que Flávio tenha solicitado minutas judiciais, recebido diretamente os documentos apontados como vazados ou determinado pagamentos associados ao eventual repasse. A proximidade com Willer Tomaz explica a presença do nome do senador nas informações relacionadas ao caso, mas não permite estender automaticamente a ele as suspeitas formuladas contra o advogado e o ex-secretário.</p>
<p>Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negaram anteriormente a existência de relações financeiras irregulares entre ambos. O senador afirmou que sua relação com o advogado é de amizade, enquanto a defesa de Tomaz contestou informações sobre compartilhamento de contas bancárias e atribuiu caráter indevido à divulgação de dados de investigações sigilosas. Essas manifestações devem ser consideradas na avaliação das suspeitas ainda submetidas à apuração.</p>
<h2>Operação Sem Desconto e suspeitas sobre apostas integram antecedentes da apuração</h2>
<p>Willer Tomaz também foi alvo de diligências em agosto de 2026, durante uma fase da Operação Sem Desconto. A investigação examina possíveis mecanismos de lavagem de dinheiro e ocultação de recursos relacionados a fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Na ocasião, a Polícia Federal realizou medidas destinadas a aprofundar a apuração sobre o destino de valores suspeitos e as pessoas envolvidas nas movimentações.</p>
<p>A atuação investigativa também passou a abranger relações financeiras entre empresas associadas ao advogado e plataformas de apostas. Informações extraídas de dispositivos eletrônicos e relatórios financeiros foram utilizadas para examinar transações de valores elevados e possíveis estruturas de ocultação patrimonial. Essas suspeitas possuem objeto diferente da investigação sobre documentos judiciais, embora parte dos dados reunidos tenha contribuído para ampliar o conhecimento dos investigadores sobre os envolvidos.</p>
<p>A existência de múltiplos procedimentos exige distinguir suas origens e finalidades. A Operação Sem Desconto está relacionada às suspeitas envolvendo descontos e recursos de beneficiários do INSS, enquanto a Operação Linceu examina o eventual fornecimento indevido de informações judiciais. O inquérito que reúne elementos sobre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz possui questões financeiras próprias, submetidas à supervisão do STF.</p>
<p>A conexão entre procedimentos pode justificar o compartilhamento de informações quando autorizado pelas autoridades competentes. Entretanto, reunir elementos em um mesmo contexto investigativo não significa que todas as condutas componham um único esquema criminoso. A definição dessa eventual relação dependerá da análise dos documentos e do resultado das diligências.</p>
<h2>Vazamento de decisões pode afetar igualdade entre as partes de um processo</h2>
<p>O acesso antecipado a decisões judiciais representa uma questão relevante para a integridade do sistema de Justiça. Em processos que envolvem disputas empresariais, recursos financeiros elevados ou decisões capazes de alterar a situação jurídica das partes, conhecer uma manifestação antes de sua publicação pode oferecer vantagem de informação. Essa possibilidade existe mesmo quando não há modificação do conteúdo da decisão judicial.</p>
<p>A divulgação oficial de atos processuais segue procedimentos destinados a assegurar publicidade, registro e comunicação às partes interessadas, respeitadas as hipóteses legais de sigilo. Quando apenas uma pessoa ou grupo recebe informações reservadas antecipadamente, pode surgir uma diferença nas condições de preparação da estratégia jurídica. A identificação de eventual prejuízo concreto depende das circunstâncias de cada processo.</p>
<p>Em disputas empresariais, a vantagem potencial pode envolver decisões sobre recursos, negociações societárias ou movimentações financeiras relacionadas ao litígio. Uma parte informada antecipadamente sobre determinada decisão poderia, em tese, avaliar providências antes de seus adversários. Essa hipótese não demonstra que tal consequência tenha ocorrido nos episódios investigados pela Polícia Federal.</p>
<p>A investigação precisa, portanto, estabelecer não apenas se houve acesso irregular, mas também como as informações foram utilizadas. A comprovação de vazamento exige reconstruir a origem dos documentos e as circunstâncias de sua circulação. Já a demonstração de benefício econômico ou de interferência processual depende de elementos adicionais que relacionem o acesso antecipado a condutas concretas.</p>
<p>O caso também coloca em discussão a eficácia dos mecanismos de segurança adotados pelas instituições judiciais. A proteção de minutas, votos e manifestações ainda não publicadas depende tanto das permissões tecnológicas quanto do cumprimento dos deveres funcionais pelos profissionais autorizados. Sistemas de rastreamento e auditoria podem contribuir para identificar acessos indevidos, mas sua eficácia depende da implementação e fiscalização contínuas.</p>
<h2>STF deverá acompanhar resultados das buscas e novas diligências</h2>
<p>O cumprimento do mandado de busca e apreensão representa uma etapa destinada à coleta de informações, e não uma conclusão sobre os fatos investigados. Os materiais eventualmente recolhidos poderão ser submetidos à análise pericial e comparados com mensagens, arquivos e registros de acesso já identificados pelos investigadores. O objetivo é esclarecer a origem dos documentos e verificar a possível participação de outras pessoas no fluxo de informações.</p>
<p>A investigação deverá examinar se houve compartilhamento de minutas ainda não publicadas, se os documentos foram utilizados para beneficiar interesses particulares e se existiram vantagens financeiras associadas ao eventual vazamento. Outra questão relevante será identificar a extensão das informações envolvidas e a quantidade de processos que podem ter sido atingidos. Essas respostas dependerão da análise do material reunido e das providências autorizadas judicialmente.</p>
<p>O Supremo Tribunal Federal supervisiona as medidas relacionadas ao inquérito sob responsabilidade de Alexandre de Moraes. A Polícia Federal conduz as diligências investigativas, enquanto o Ministério Público deverá avaliar os elementos produzidos conforme suas atribuições constitucionais. Eventual denúncia criminal dependerá da existência de fundamentos considerados suficientes pelo órgão competente.</p>
<p>No STJ, o procedimento administrativo instaurado pela presidência prossegue em esfera própria. O tribunal deverá examinar possíveis descumprimentos de deveres funcionais e a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de controle de acesso às informações processuais. A apuração administrativa e a investigação criminal podem avançar paralelamente, respeitadas suas competências.</p>
<p>A Operação Linceu abre uma nova etapa na investigação sobre a circulação de documentos reservados no Superior Tribunal de Justiça. A exoneração do ex-secretário, as suspeitas envolvendo Willer Tomaz e o encaminhamento de informações ao Supremo demonstram a existência de diferentes frentes de apuração, mas ainda não estabelecem responsabilidade criminal definitiva. O esclarecimento dependerá da identificação dos acessos, da origem das comunicações e da existência de eventuais contrapartidas, preservando a distinção entre documentos comprovados, hipóteses investigativas e acusações ainda não demonstradas.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Superior Tribunal de Justiça — Cadastro institucional da Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação e identificação de Humberto Fontoura Pradera na estrutura administrativa da Corte.</p>
<p>Superior Tribunal de Justiça — Comunicado institucional de 24 de setembro de 2026 sobre ampliação dos mecanismos de proteção da informação, rastreabilidade dos fluxos de trabalho e apuração de irregularidades.</p>
<p>Presidência da República — Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, especialmente artigos 116, 132 e 143 a 153, relativos aos deveres funcionais e aos procedimentos disciplinares.</p>
<p>Presidência da República — Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, Código Penal, especialmente artigo 325, relativo à violação de sigilo funcional.</p>
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		<title>Deputado do PL é preso por disparar arma em boate de SP</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/deputado-do-pl-marcelo-aguiar-detido</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 14:51:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[Alesp]]></category>
		<category><![CDATA[Assembleia Legislativa de São Paulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O deputado estadual Marcelo Aguiar (PL-SP) foi detido na madrugada desta segunda-feira (19) após um disparo de arma de fogo dentro de uma casa noturna na região do Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo. O parlamentar foi conduzido ao 14º Distrito Policial, em Pinheiros, onde prestou esclarecimentos e acabou liberado após a autoridade [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O deputado estadual Marcelo Aguiar (PL-SP) foi detido na madrugada desta segunda-feira (19) após um disparo de arma de fogo dentro de uma casa noturna na região do Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo. O parlamentar foi conduzido ao 14º Distrito Policial, em Pinheiros, onde prestou esclarecimentos e acabou liberado após a autoridade policial considerar que não havia elementos para manter sua prisão em flagrante. A arma utilizada no episódio, uma pistola Glock G42 calibre .380, foi apreendida e será submetida à perícia para determinar as circunstâncias do disparo.</p>
<p>Segundo as informações registradas na ocorrência policial e divulgadas ao longo da manhã, o episódio aconteceu no Santo Cupido Bar, após um desentendimento envolvendo frequentadores do estabelecimento. Testemunhas relataram que Aguiar teria importunado algumas mulheres e sido abordado por outros clientes, que pediram que ele se afastasse. Durante a confusão, ocorreu um único disparo, provocando a dispersão das pessoas que estavam próximas.</p>
<p>O caso ganhou repercussão depois da divulgação de imagens da chegada do parlamentar à delegacia. Nos registros, Aguiar aparece com dificuldades para caminhar, sendo auxiliado por policiais militares ao sair da viatura. A condição observada nas imagens não permite determinar se ele havia consumido bebidas alcoólicas ou se estava sob efeito de medicamentos, hipóteses que exigiriam comprovação específica.</p>
<p>Além da arma, um veículo associado ao deputado e identificado com placa de representação oficial da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) também foi encaminhado à delegacia. A situação do automóvel acrescentou outra frente de esclarecimentos ao episódio, uma vez que a identificação utilizada não corresponderia, segundo informações da Assembleia, ao cadastro de veículos vinculados ao gabinete parlamentar. A origem, a propriedade e a autorização para utilização dessa identificação ainda precisam ser estabelecidas.</p>
<h2>Testemunhas relatam confusão antes do disparo</h2>
<p>A Polícia Militar foi acionada pelo gerente da casa noturna depois que o tiro provocou preocupação entre os frequentadores. Quando os agentes chegaram, encontraram Marcelo Aguiar na calçada, acompanhado por integrantes da equipe de segurança do estabelecimento. O parlamentar já havia sido retirado do interior da casa noturna e desarmado pelos responsáveis pela segurança, segundo os relatos incorporados ao registro policial.</p>
<p>Uma testemunha afirmou que o deputado teria se aproximado de mulheres que estavam no estabelecimento e causado incômodo. Um homem teria pedido inicialmente que ele interrompesse o comportamento e se afastasse, solicitação que, segundo o relato, não foi plenamente atendida. Posteriormente, outros frequentadores se aproximaram e repetiram o pedido, pouco antes de ser ouvido o disparo.</p>
<p>A sequência exata dos acontecimentos ainda depende da conclusão da investigação. Relatos iniciais indicaram que o parlamentar poderia ter perdido o equilíbrio e caído, momento em que a arma teria disparado. Entretanto, essa versão não esclarece, por si só, se o tiro foi provocado por acionamento do gatilho, por falha mecânica ou por outra circunstância relacionada ao manuseio do equipamento.</p>
<p>No registro policial inicial, não houve identificação de pessoas feridas. Publicações posteriores mencionaram a possibilidade de um frequentador ter sido atingido de raspão, mas essa informação não estava confirmada no registro policial inicialmente divulgado. A eventual existência de vítimas e a natureza de possíveis lesões dependem de confirmação documental ou manifestação das autoridades responsáveis.</p>
<p>O episódio foi registrado como disparo de arma de fogo no 14º Distrito Policial. As investigações deverão ser conduzidas pelo 15º Distrito Policial, responsável pela área dos fatos, segundo as informações atribuídas à Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. O prosseguimento da apuração poderá incluir depoimentos, imagens de câmeras de segurança e exames periciais.</p>
<h2>Marcelo Aguiar alegou mal-estar e uso de medicamentos</h2>
<p>Em depoimento à Polícia Civil, Marcelo Aguiar afirmou que havia sentido mal-estar durante o período em que permaneceu no estabelecimento. Segundo o relato atribuído ao parlamentar, a indisposição poderia estar relacionada à utilização de medicamentos ingeridos anteriormente. Ele também declarou que foi chamado por um homem que não conhecia e que, ao se virar, caiu e ouviu o estampido de um disparo.</p>
<p>O deputado sustentou que, caso o tiro tenha partido de sua arma, isso teria ocorrido acidentalmente. A versão apresentada constitui sua explicação para o episódio e deverá ser confrontada com os elementos materiais disponíveis. O resultado da perícia da pistola, os vestígios encontrados no estabelecimento e os depoimentos das testemunhas serão relevantes para esclarecer a dinâmica do ocorrido.</p>
<p>As imagens da condução policial mostram que o parlamentar precisava de auxílio para se locomover. O boletim de ocorrência também menciona um estado de exaltação durante a abordagem, circunstância apontada pelos policiais como justificativa para a utilização de algemas. A descrição não equivale a um diagnóstico médico nem constitui comprovação de embriaguez.</p>
<p>De acordo com as informações policiais divulgadas, não foi solicitado exame específico para verificar eventual consumo de álcool. Dessa forma, a atribuição do comportamento a bebidas alcoólicas permanece no campo dos relatos de testemunhas e das interpretações sobre as imagens. A declaração do deputado sobre medicamentos também não estabelece, isoladamente, a causa do mal-estar.</p>
<h2>Pistola Glock calibre .380 estava registrada</h2>
<p>A arma apreendida é uma pistola Glock G42 calibre .380, modelo semiautomático pertencente ao deputado. Segundo informações atribuídas à Polícia Militar, o armamento possuía registro válido no Sistema Nacional de Armas (Sinarm), e Marcelo Aguiar também tinha autorização federal de porte para defesa pessoal. A situação documental regular da arma, entretanto, não encerra a análise das circunstâncias em que ocorreu o disparo.</p>
<p>A legislação brasileira estabelece diferenças entre possuir uma arma regularmente registrada, transportá-la ou portá-la mediante autorização e efetuar disparos em locais habitados. Mesmo quando existe autorização para porte, o proprietário continua sujeito às regras relativas à segurança, ao manuseio e à utilização do equipamento. A eventual responsabilização depende da conduta efetivamente demonstrada e de seu enquadramento jurídico.</p>
<p>O artigo 15 da Lei nº 10.826, de 2003, conhecida como Estatuto do Desarmamento, prevê pena de dois a quatro anos de reclusão e multa para a conduta de disparar arma de fogo em lugar habitado ou em suas adjacências, nas condições estabelecidas pela norma. A aplicação desse dispositivo exige análise das circunstâncias e do elemento subjetivo da conduta. Um disparo comprovadamente involuntário não pode ser automaticamente equiparado ao crime doloso previsto no artigo.</p>
<p>A perícia poderá ajudar a esclarecer se houve acionamento do mecanismo de disparo, defeito no equipamento ou outra situação capaz de explicar o ocorrido. Também será importante determinar a posição da arma, a trajetória do projétil e a existência de vestígios que permitam reconstruir a dinâmica do episódio. Esses elementos poderão auxiliar a autoridade policial na definição de eventual responsabilidade criminal.</p>
<h2>Por que o deputado Marcelo Aguiar foi liberado?</h2>
<p>A liberação do parlamentar está relacionada às regras constitucionais sobre imunidade formal e à avaliação inicial da autoridade policial. O artigo 53, parágrafo 2º, da Constituição Federal estabelece que membros do Congresso Nacional não podem ser presos durante o exercício das prerrogativas parlamentares, salvo em flagrante de crime inafiançável. Essa proteção também alcança deputados estaduais por força do artigo 27 da Constituição.</p>
<p>No caso de Marcelo Aguiar, a autoridade policial considerou que os elementos disponíveis naquele momento não caracterizavam hipótese que autorizasse sua manutenção em prisão em flagrante. O parlamentar foi ouvido, teve a arma apreendida e deixou a delegacia. A decisão não representa absolvição, arquivamento da ocorrência ou reconhecimento definitivo de que não houve infração penal.</p>
<p>Há um aspecto jurídico relevante relacionado ao próprio Estatuto do Desarmamento. Embora o texto original do artigo 15 previsse a impossibilidade de fiança para o crime de disparo de arma de fogo, o Supremo Tribunal Federal declarou essa restrição inconstitucional em 2007, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 3.112. A decisão afastou a proibição genérica de concessão de fiança estabelecida pela legislação para essa modalidade de delito.</p>
<p>A distinção é importante porque a Constituição condiciona a possibilidade de prisão em flagrante de parlamentar à existência de crime inafiançável. Como o enquadramento inicialmente considerado pela polícia não apresentava essa característica, a prerrogativa constitucional foi relevante para a decisão de liberar o deputado. A análise poderá ser modificada caso surjam fatos ou provas que sustentem enquadramento jurídico diferente, observados os procedimentos legais.</p>
<p>A imunidade formal não impede a investigação de acontecimentos ocorridos fora do exercício das atividades parlamentares. Também não significa autorização para portar ou utilizar armas em desacordo com a legislação. As prerrogativas constitucionais limitam determinadas medidas processuais e coercitivas, mas não afastam automaticamente a possibilidade de responsabilização pelos fatos apurados.</p>
<h2>Carro com identificação da Alesp também foi levado à delegacia</h2>
<p>Outro elemento da ocorrência envolve um automóvel associado ao parlamentar que apresentava identificação de representação oficial da Assembleia Legislativa de São Paulo. O veículo foi encaminhado à delegacia juntamente com os demais elementos relacionados ao episódio. Informações divulgadas sobre a ocorrência indicam que a identificação não corresponderia à relação de automóveis oficialmente vinculados ao gabinete de Marcelo Aguiar.</p>
<p>A consulta ao cadastro público de veículos da Alesp permite identificar qual automóvel está registrado para utilização pelo parlamentar em 2026. Segundo a relação disponível no portal de transparência da Assembleia, o veículo associado ao gabinete é um Toyota Corolla com identificação oficial AL103 e placa UDG9D77, registrado para o período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2026. O histórico também apresenta automóveis utilizados anteriormente pelo gabinete, incluindo outro Toyota Corolla e um Fiat Fastback.</p>
<p>A existência desse cadastro fornece uma referência documental para a comparação com o veículo levado à delegacia. Entretanto, a confirmação de eventual utilização irregular exige confrontar os dados do automóvel apreendido com os registros administrativos da Assembleia, incluindo placa, propriedade, autorização de uso e natureza da identificação oficial. A presença de uma placa de representação não demonstra, isoladamente, que o automóvel integra a frota institucional.</p>
<p>A distinção entre veículo oficial, automóvel particular e identificação parlamentar possui implicações administrativas. O uso de placas ou sinais de representação deve observar as regras estabelecidas pelos órgãos competentes, e uma eventual divergência precisa ser examinada a partir dos documentos específicos do veículo. Se constatada irregularidade, poderão surgir consequências independentes da ocorrência envolvendo a arma de fogo.</p>
<p>A Alesp informou, segundo relatos divulgados nesta segunda-feira, que acompanha o episódio. Até o momento da apuração, não havia confirmação pública de abertura de procedimento administrativo específico para examinar a utilização da identificação do automóvel. O esclarecimento sobre a situação do veículo constitui uma questão distinta da investigação policial sobre o disparo.</p>
<h2>Episódio pode ser analisado pelas regras de decoro parlamentar</h2>
<p>Além dos aspectos criminais, a ocorrência envolvendo um deputado estadual pode suscitar avaliação à luz das normas internas de ética e decoro parlamentar. A Assembleia Legislativa de São Paulo possui um Código de Ética e Decoro Parlamentar, instituído pela Resolução nº 766, de 16 de dezembro de 1994, com alterações posteriores. O documento estabelece deveres de conduta e mecanismos disciplinares aplicáveis aos integrantes da Casa.</p>
<p>O artigo 5º do código considera incompatíveis com a ética e o decoro parlamentar determinadas condutas, incluindo o abuso de prerrogativas constitucionais e a prática de irregularidades graves no desempenho do mandato. As normas também preveem procedimentos para análise de eventuais representações por órgãos competentes da Assembleia. A aplicação dessas disposições depende da identificação da conduta, do enquadramento nas regras e da observância do direito de defesa.</p>
<p>As medidas disciplinares previstas na regulamentação incluem advertência, censura, perda temporária do exercício do mandato e perda do mandato, conforme a natureza e a gravidade da infração. A existência dessas penalidades não significa que qualquer ocorrência policial envolvendo parlamentar resulte automaticamente na abertura de processo disciplinar. A responsabilização administrativa depende dos procedimentos próprios e das decisões dos órgãos responsáveis.</p>
<p>A análise institucional, caso venha a ocorrer, será independente da conclusão criminal. O exame das circunstâncias do disparo e da eventual utilização de identificação oficial em automóvel não cadastrado pode envolver questões jurídicas e administrativas distintas. Até o momento, não há confirmação de que a Alesp tenha instaurado procedimento de cassação ou aplicado penalidade disciplinar ao deputado em razão do episódio.</p>
<h2>Quem é Marcelo Aguiar, deputado estadual do PL?</h2>
<p>Marcelo Theodoro de Aguiar tem 53 anos e exerce mandato de deputado estadual por São Paulo pelo Partido Liberal. Economista, gestor público e cantor gospel, iniciou sua trajetória eleitoral em 2008, quando foi eleito vereador da capital paulista. Posteriormente, exerceu mandatos como deputado federal e passou a integrar a Assembleia Legislativa de São Paulo.</p>
<p>O parlamentar assumiu uma cadeira na Alesp em 2025, na condição de suplente, após a saída de Helinho Zanatta, eleito prefeito de Piracicaba. Na atual legislatura, participa de atividades relacionadas à Comissão de Constituição, Justiça e Redação, além de outras comissões parlamentares. Sua trajetória <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340955">política</a> também inclui iniciativas legislativas ligadas à educação, à cultura, ao turismo religioso e ao meio ambiente.</p>
<p>Documentos oficiais da Assembleia mostram que, em maio de 2026, Marcelo Aguiar foi indicado como membro efetivo da Comissão de Administração Pública e Relações do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340954">Trabalho</a> e como membro substituto da Comissão de Educação e Cultura. As nomeações constam do Ato do Presidente nº 77, publicado em 14 de maio de 2026. A participação nesses colegiados integra suas atribuições parlamentares durante o mandato estadual.</p>
<p>Nas eleições de 4 de outubro de 2026, Aguiar tentou conquistar um novo mandato na Alesp, mas não obteve votos suficientes para se reeleger. O parlamentar recebeu 37.585 votos e ficou na condição de 12º suplente para a próxima legislatura. A derrota eleitoral não encerra antecipadamente seu mandato atual, cujas prerrogativas permanecem aplicáveis enquanto estiver no exercício regular da função.</p>
<h2>Polícia deve analisar perícia e depoimentos para esclarecer disparo</h2>
<p>A investigação sobre o episódio deverá concentrar-se na reconstrução da sequência de acontecimentos dentro da casa noturna. A principal questão é determinar de que forma o disparo ocorreu e qual foi a participação efetiva do parlamentar na movimentação que antecedeu o tiro. Os relatos das testemunhas, a versão apresentada pelo deputado e os vestígios materiais precisarão ser confrontados para estabelecer uma conclusão fundamentada.</p>
<p>A perícia da pistola poderá esclarecer aspectos técnicos do funcionamento do equipamento e verificar a existência de anormalidades em seus mecanismos. Imagens de câmeras de segurança, caso disponíveis, poderão contribuir para identificar a posição das pessoas envolvidas e a movimentação imediatamente anterior ao disparo. A trajetória do projétil também poderá ser relevante para compreender o risco concreto produzido no estabelecimento.</p>
<p>No campo administrativo, permanece a necessidade de esclarecer a situação do automóvel levado à delegacia. A comparação entre o cadastro oficial da Alesp e os documentos do veículo permitirá determinar se havia autorização para utilização da identificação de representação. A investigação sobre a arma e a análise do automóvel possuem objetos distintos e poderão produzir conclusões independentes.</p>
<p>Até o momento, Marcelo Aguiar foi liberado após prestar depoimento, mas a apuração policial continua. A existência de porte regular de arma, a versão de disparo acidental e as prerrogativas parlamentares são elementos relevantes para o caso, sem substituir a análise dos fatos e das provas. A conclusão dependerá dos resultados periciais e das providências adotadas pelas autoridades competentes.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo — Cadastro institucional do deputado estadual Marcelo Theodoro de Aguiar.</p>
<p>Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo — Relação oficial dos veículos utilizados pelo gabinete de Marcelo Aguiar, exercício de 2026.</p>
<p>Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo — Ato do Presidente nº 77, de 14 de maio de 2026, referente à composição de comissões parlamentares.</p>
<p>Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo — Resolução nº 766, de 16 de dezembro de 1994, Código de Ética e Decoro Parlamentar, com alterações posteriores.</p>
<p>Presidência da República — Constituição Federal de 1988, artigos 27 e 53, sobre prerrogativas e imunidades parlamentares.</p>
<p>Presidência da República — Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, Estatuto do Desarmamento, especialmente artigo 15.</p>
<p>Supremo Tribunal Federal — Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 3.112, decisão sobre dispositivos do Estatuto do Desarmamento relativos à fiança e à liberdade provisória.</p>
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		<title>Nervoso, Flávio Bolsonaro se atrapalha ao explicar R$ 61 milhões ligados a Vorcaro na Globo</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/flavio-bolsonaro-sabatina-globo-vorcaro-61-milhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Oct 2026 02:25:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Master]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Vorcaro]]></category>
		<category><![CDATA[Dark Horse]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Financiamento de filmes]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Renata Lo Prete]]></category>
		<category><![CDATA[TV Globo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na sabatina da Globo, Flávio Bolsonaro se irrita com perguntas sobre R$ 61 milhões ligados a Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse.</p>
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<p>O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) protagonizou um dos momentos mais tensos da sabatina da TV Globo, na noite desta sexta-feira (16), ao ser questionado sobre os aproximadamente R$ 61 milhões vinculados ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme <em>Dark Horse</em>, sobre Jair Bolsonaro. Pressionado pela jornalista Renata Lo Prete a explicar sua participação na negociação, o presidenciável demonstrou irritação, confrontou a entrevistadora e desviou parte das respostas para críticas à própria emissora. Apesar de reconhecer que procurou Vorcaro para conseguir dinheiro, não apresentou documentos capazes de esclarecer integralmente a origem e o percurso dos recursos.</p>
<p>O desconforto ficou evidente quando a entrevista passou da discussão sobre propostas de governo para os <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340936">negócios</a> envolvendo o ex-controlador do Banco Master. Flávio insistiu que havia solicitado apenas patrocínio para uma produção privada e que nenhuma contrapartida <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340933">política</a> fora oferecida ao empresário. A explicação, entretanto, não resolveu as dúvidas sobre os valores efetivamente transferidos, os intermediários envolvidos e a prestação de contas do projeto cinematográfico.</p>
<p>A discussão ganhou intensidade quando Renata questionou o candidato sobre a transparência financeira da operação. Flávio repetiu que a produtora brasileira havia prestado contas de todos os recursos, mas essa prestação de contas integral não foi disponibilizada publicamente. Em vez de apresentar a documentação solicitada, passou a citar relações comerciais de Vorcaro com <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340935">empresas</a> de comunicação, incluindo o próprio Grupo Globo.</p>
<h2>Flávio se irrita com perguntas de Renata Lo Prete e ataca a Globo</h2>
<p>O ponto de maior atrito ocorreu quando Flávio tentou comparar sua relação com Vorcaro a negócios mantidos entre o banqueiro e empresas do Grupo Globo. O candidato mencionou a saída de Frederic Kachar, ex-executivo da empresa, após a divulgação de conversas envolvendo o antigo controlador do Banco Master.</p>
<p>A estratégia provocou uma intervenção de Renata Lo Prete, que pediu ao senador que não apresentasse como comprovadas informações que não tivessem confirmação oficial ou jornalística suficiente. O episódio interrompeu a sequência de respostas e tornou mais evidente a tensão entre entrevistadora e entrevistado.</p>
<p>Flávio argumentou que a existência de relações comerciais com Vorcaro não significava, automaticamente, a prática de irregularidades. Também afirmou que sua participação na negociação do filme havia ocorrido quando o banqueiro ainda não enfrentava publicamente as acusações que posteriormente atingiram o conglomerado financeiro.</p>
<p>A comparação com os negócios da Globo, porém, não respondia à questão central apresentada na entrevista: como foram estruturados os pagamentos destinados à produção e quais documentos permitiriam verificar a origem de cada transferência.</p>
<p>Ao longo da discussão, o senador reiterou que o projeto não envolveu recursos públicos e que sua atuação parlamentar não teria sido utilizada para beneficiar o empresário. A defesa foi acompanhada de críticas aos questionamentos feitos sobre o financiamento, mas não de novos comprovantes financeiros.</p>
<h2>Candidato admite que pediu dinheiro para o filme do pai</h2>
<p>Uma das declarações mais relevantes da sabatina foi o reconhecimento explícito de Flávio de que participou da busca por investidores para <em>Dark Horse</em>. O senador confirmou ter procurado Daniel Vorcaro, além de outros possíveis financiadores, com o objetivo de viabilizar a produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.</p>
<p>Segundo sua versão, a negociação era exclusivamente comercial e não envolvia vantagens decorrentes de seu mandato. Flávio também sustentou que parte do compromisso assumido pelo empresário não foi cumprida, motivo pelo qual outros investidores teriam contribuído para a conclusão do longa-metragem.</p>
<p>A explicação introduziu uma distinção importante entre o valor inicialmente negociado e a quantia efetivamente transferida. As informações divulgadas sobre o caso apontam uma negociação de aproximadamente R$ 134 milhões, enquanto os pagamentos identificados chegaram a cerca de R$ 61 milhões a R$ 62 milhões.</p>
<p>Isso significa que os valores conhecidos representam aproximadamente 46% do compromisso inicial. A diferença superior a R$ 70 milhões não corresponde necessariamente a dinheiro desaparecido ou desviado, mas à parcela do financiamento negociado que não foi identificada como efetivamente paga.</p>
<p>Flávio afirmou que o restante do orçamento foi coberto por outros investidores. Não apresentou, entretanto, uma relação documental completa desses financiadores durante a sabatina, o que manteve sem esclarecimento público a composição integral dos recursos destinados ao filme.</p>
<h2>Prestação de contas alegada por Flávio não foi divulgada integralmente</h2>
<p>Outro momento de controvérsia ocorreu quando o candidato afirmou que a produtora brasileira já havia prestado contas da movimentação financeira. A declaração foi contestada por informações disponíveis sobre as investigações, que indicam não haver uma prestação de contas integral e pública capaz de demonstrar a origem e a destinação de todos os valores.</p>
<p>A documentação conhecida inclui um laudo contábil particular, contratado pela defesa de uma das responsáveis pela produção, que examinou despesas relacionadas ao projeto. O <a class="wpil_keyword_link" title="Trabalho" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340934">trabalho</a>, entretanto, não equivale a uma auditoria independente de toda a cadeia de financiamento, especialmente das operações realizadas por meio de estruturas empresariais no exterior.</p>
<p>Essa diferença é essencial para compreender o impasse. Comprovar que determinado montante foi utilizado em pagamentos da produção não resolve, isoladamente, a questão sobre quem forneceu originalmente os recursos. Também não esclarece necessariamente a situação dos intermediários financeiros responsáveis pelas transferências.</p>
<p>Na sabatina, Flávio tratou o financiamento como uma operação comercial regular e afirmou que não havia recebido dinheiro pessoalmente. A investigação, por sua vez, busca verificar os caminhos utilizados para movimentar os valores atribuídos a Vorcaro e identificar eventuais irregularidades nessas operações.</p>
<p>Não há comprovação pública de que os aproximadamente R$ 61 milhões tenham sido depositados em contas pessoais do senador. O que está documentado nas informações conhecidas é sua participação na negociação de recursos destinados ao financiamento do filme.</p>
<h2>Investigação sobre dinheiro de Vorcaro continua em andamento</h2>
<p>As dificuldades de esclarecimento durante a entrevista ocorreram poucas horas depois da divulgação de novos desdobramentos da investigação federal. A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal mais 90 dias para concluir diligências relacionadas aos pagamentos destinados a <em>Dark Horse</em>.</p>
<p>O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso, diante da necessidade de finalizar perícias contábeis e obter informações financeiras por meio de cooperação internacional com os Estados Unidos.</p>
<p>Parte dos recursos atribuídos a Vorcaro teria sido movimentada para o fundo norte-americano Havengate Development Fund, cuja participação no financiamento está entre os pontos examinados pelos investigadores.</p>
<p>Um dos personagens dessa movimentação é Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, apontado como responsável por operações financeiras relacionadas ao ex-banqueiro. Em depoimento à Polícia Federal, ele afirmou que acreditava participar de um investimento imobiliário e que desconhecia a ligação dos valores com o filme sobre Jair Bolsonaro.</p>
<p>O relato acrescenta outra divergência à reconstrução dos pagamentos, já que a justificativa apresentada ao intermediário não coincidiria com a destinação atribuída posteriormente aos recursos. A versão depende de confronto com registros bancários, comunicações e contratos para determinar o que efetivamente ocorreu.</p>
<p>Em outra frente, o liquidante do Banco Master informou à Câmara dos Deputados não ter localizado, nos registros examinados, contratos ou lançamentos que comprovassem patrocínio institucional do banco à produção. A ausência desses registros não elimina a possibilidade de operações privadas realizadas pelo empresário, mas reforça a necessidade de identificar as estruturas efetivamente utilizadas.</p>
<p>O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025. Desde então, diferentes operações associadas ao conglomerado e a seu antigo controlador passaram a ser examinadas por autoridades responsáveis pela investigação de possíveis irregularidades financeiras.</p>
<h2>Caso Dark Horse chega à reta final da eleição sem explicação completa</h2>
<p>O episódio ocorreu a nove dias do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, em que Flávio Bolsonaro disputa a Presidência com Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A sabatina fazia parte da série de entrevistas da Globo com os dois candidatos, em um momento decisivo da campanha eleitoral.</p>
<p>O financiamento do filme já havia provocado questionamentos anteriores ao senador. As mensagens atribuídas a conversas com Daniel Vorcaro colocaram sua participação na negociação no centro das investigações e abriram discussões sobre a relação entre agentes políticos e empresários ligados ao sistema financeiro.</p>
<p>Na Câmara dos Deputados, uma proposta de fiscalização apresentada em maio busca apurar possíveis irregularidades na negociação dos R$ 134 milhões. A iniciativa também menciona suspeitas sobre eventual utilização indireta de recursos de emendas parlamentares, hipótese que ainda exige comprovação e não pode ser tratada como fato estabelecido.</p>
<p>Durante a entrevista à Globo, Flávio voltou a negar qualquer irregularidade. Reafirmou que solicitou financiamento para um projeto privado, sem oferecer benefícios políticos ao banqueiro, e argumentou que a produção cinematográfica não tinha relação com o exercício de seu mandato.</p>
<p>As respostas, porém, não encerraram os principais questionamentos sobre o caso. Permaneceram sem demonstração documental integral durante a sabatina a origem dos recursos, a composição dos aportes realizados por outros investidores e o funcionamento das estruturas financeiras utilizadas no exterior.</p>
<p>O confronto com Renata Lo Prete evidenciou essas lacunas. Ao alternar a defesa da legalidade do patrocínio com críticas à Globo e comparações com outras relações comerciais de Vorcaro, o candidato não apresentou os elementos que permitiriam esclarecer completamente a movimentação dos valores.</p>
<p>A existência de uma investigação não constitui prova de culpa, e Flávio Bolsonaro mantém a posição de que agiu dentro da lei. O desfecho dependerá dos documentos e das diligências ainda em andamento, mas a sabatina deixou demonstrada a distância entre as explicações oferecidas pelo presidenciável e a comprovação pública integral do financiamento de <em>Dark Horse</em>.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Banco Central do Brasil — Comunicado nº 44.234, de 18 de novembro de 2025, sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master</em></p>
<p><em>Câmara dos Deputados — Proposta de Fiscalização e Controle nº 13/2026, sobre a negociação do financiamento de Dark Horse e sua tramitação legislativa</em></p>
</div>
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		<title>Flávio promete aumento real do salário mínimo e nega mudanças em pisos de saúde e educação</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/flavio-bolsonaro-salario-minimo-pisos-saude-educacao</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Oct 2026 01:27:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[ajuste fiscal]]></category>
		<category><![CDATA[Aposentadorias]]></category>
		<category><![CDATA[BPC]]></category>
		<category><![CDATA[Comitê de Gerenciamento da Dívida Pública Federal]]></category>
		<category><![CDATA[dívida pública]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[salário mínimo]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde e Educação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (16) que pretende manter a política de valorização do salário mínimo acima da inflação, preservar a vinculação de benefícios ao piso nacional e não alterar os mínimos constitucionais de investimentos em saúde e educação. As declarações foram feitas durante entrevista à jornalista Renata [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (16) que pretende manter a política de valorização do salário mínimo acima da inflação, preservar a vinculação de benefícios ao piso nacional e não alterar os mínimos constitucionais de investimentos em saúde e educação. As declarações foram feitas durante entrevista à jornalista Renata Lo Prete, da TV Globo, na reta final do segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).</p>
<p>Questionado diretamente sobre as mudanças que poderia promover caso fosse eleito, Flávio respondeu negativamente à possibilidade de acabar com os reajustes reais do salário mínimo, modificar a vinculação de benefícios ou alterar os pisos constitucionais das duas áreas sociais. As respostas ocorreram em meio a acusações da campanha petista de que o programa econômico do PL poderia exigir reduções nas despesas obrigatórias para cumprir as metas de ajuste fiscal.</p>
<p>O senador também defendeu cortes de gastos administrativos, redução da estrutura ministerial, privatizações e venda de imóveis federais. Uma das propostas de maior impacto financeiro apresentada na entrevista foi a utilização de créditos que a União tem a receber para obter, segundo sua estimativa, mais de R$ 200 bilhões anuais para o Orçamento.</p>
<p>A análise do plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), das regras vigentes de valorização do salário mínimo e dos dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) mostra que parte das medidas possui respaldo em instrumentos legais existentes. Entretanto, o programa não apresenta uma memória de cálculo suficiente para demonstrar como a combinação de cortes, vendas de ativos e operações com créditos públicos produziria os resultados financeiros anunciados.</p>
<h2>Flávio Bolsonaro promete manter reajuste do salário mínimo acima da inflação</h2>
<p>Na entrevista, Flávio Bolsonaro afirmou que não pretende encerrar a <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340930">política</a> de aumento real do salário mínimo, mecanismo que permite ao piso nacional crescer acima da inflação.</p>
<p>A legislação em vigor estabelece que o reajuste deve considerar a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e um componente de ganho real associado ao crescimento econômico. Desde as alterações aprovadas em 2024, esse aumento adicional está sujeito aos limites definidos pelo arcabouço fiscal.</p>
<p>A regra busca preservar o poder de compra dos trabalhadores e permitir elevação real da remuneração mínima, respeitando parâmetros estabelecidos para o crescimento das despesas federais.</p>
<p>Em 2026, o salário mínimo é de R$ 1.621, conforme o Decreto nº 12.797/2025 e a portaria conjunta dos ministérios da Previdência Social e da Fazenda publicada em janeiro.</p>
<p>Para 2027, o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias encaminhado pelo governo Lula ao Congresso trabalha com estimativa de R$ 1.717. O valor representa uma projeção, ainda sujeita aos índices econômicos utilizados no cálculo definitivo do reajuste.</p>
<table>
<tbody>
<tr>
<th>Indicador</th>
<th>Valor ou regra</th>
</tr>
<tr>
<td>Salário mínimo de 2026</td>
<td>R$ 1.621</td>
</tr>
<tr>
<td>Projeção para 2027 no PLDO</td>
<td>R$ 1.717</td>
</tr>
<tr>
<td>Correção inflacionária</td>
<td>INPC</td>
</tr>
<tr>
<td>Ganho real</td>
<td>Vinculado ao crescimento econômico, sujeito ao arcabouço fiscal</td>
</tr>
<tr>
<td>Compromisso declarado por Flávio</td>
<td>Manter reajustes acima da inflação</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A valorização do salário mínimo possui consequências que ultrapassam o <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340929">mercado</a> de trabalho. O piso nacional também serve de referência para determinados benefícios previdenciários e assistenciais, ampliando os efeitos orçamentários de cada reajuste.</p>
<p>Por essa razão, a manutenção da política precisa ser considerada na avaliação das propostas de redução de despesas federais.</p>
<h2>Aposentadorias e BPC seguem regras diferentes de reajuste</h2>
<p>A promessa de preservar benefícios vinculados ao salário mínimo exige distinguir diferentes modalidades de pagamento.</p>
<p>O Benefício de Prestação Continuada (BPC) garante um salário mínimo mensal a idosos com pelo menos 65 anos e pessoas com deficiência que preencham os requisitos legais. Como seu valor está vinculado ao piso nacional, os reajustes do salário mínimo também alteram o pagamento do benefício.</p>
<p>O mesmo ocorre com aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) cujo valor corresponde ao piso previdenciário.</p>
<p>Entretanto, os benefícios previdenciários superiores a um salário mínimo não recebem, necessariamente, o mesmo percentual de aumento aplicado ao piso nacional.</p>
<p>Em 2026, a Portaria Interministerial MPS/MF nº 13 estabeleceu reajuste de 3,90% para os benefícios sujeitos ao índice integral de correção previdenciária, enquanto o salário mínimo passou para R$ 1.621.</p>
<p>A diferença decorre das regras de reajuste. Os benefícios superiores ao piso seguem critérios próprios destinados à preservação de seu valor, sem a garantia automática do ganho real concedido ao salário mínimo.</p>
<p>Assim, manter a vinculação do BPC e das aposentadorias mínimas não significa, por si só, estender aumentos reais a todos os aposentados e pensionistas.</p>
<p>Flávio também havia afirmado anteriormente que não pretendia reduzir o valor dos benefícios previdenciários nem utilizar os pagamentos destinados à população mais vulnerável como principal instrumento de ajuste fiscal.</p>
<p>As declarações representam compromissos públicos de campanha, mas sua implementação dependerá da política orçamentária e das eventuais alterações legislativas propostas por um novo governo.</p>
<h2>Pisos de saúde e educação estão previstos na Constituição</h2>
<p>Outro compromisso assumido por Flávio Bolsonaro foi o de não modificar as regras constitucionais que estabelecem despesas mínimas para saúde e educação.</p>
<p>Na saúde, o artigo 198 da Constituição determina que a União aplique anualmente pelo menos 15% de sua receita corrente líquida em ações e serviços públicos de saúde.</p>
<p>Na educação, o artigo 212 estabelece que o governo federal destine no mínimo 18% da receita resultante de impostos, observadas as regras constitucionais de cálculo, à manutenção e ao desenvolvimento do ensino.</p>
<p>As duas vinculações possuem bases de cálculo diferentes. Portanto, não é correto apresentar os percentuais como se incidissem sobre a mesma medida de arrecadação federal.</p>
<p>Para estados e municípios, também existem exigências próprias de aplicação mínima de recursos nessas áreas.</p>
<table>
<tbody>
<tr>
<th>Área</th>
<th>Piso constitucional federal</th>
<th>Base de cálculo</th>
</tr>
<tr>
<td>Saúde</td>
<td>15%</td>
<td>Receita corrente líquida</td>
</tr>
<tr>
<td>Educação</td>
<td>18%</td>
<td>Receita de impostos, segundo as regras constitucionais</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A preservação desses percentuais impede que um eventual governo reduza os limites mínimos por meio de uma simples decisão administrativa ou de uma lei orçamentária.</p>
<p>Uma alteração nas vinculações constitucionais exigiria a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição, sujeita a votação em dois turnos na Câmara e no Senado, com apoio de três quintos dos parlamentares de cada Casa.</p>
<p>Na entrevista, Flávio declarou que não pretende promover essa mudança.</p>
<p>Isso não significa que todos os programas federais de saúde e educação estariam automaticamente protegidos contra alterações. Os pisos estabelecem limites mínimos de aplicação, mas a distribuição dos recursos entre diferentes ações continua sujeita às prioridades orçamentárias e às exigências legais.</p>
<h2>Plano registrado no TSE confirma proposta de corte de ministérios</h2>
<p>Apesar dos compromissos de manutenção de benefícios e despesas sociais, Flávio Bolsonaro continua defendendo uma reorganização das contas federais.</p>
<p>Seu plano de governo, intitulado <em>Para o Brasil Vencer o Atraso</em>, prevê a redução de pelo menos dez ministérios, a diminuição de cargos comissionados e despesas administrativas e o combate a remunerações consideradas excessivas no serviço público.</p>
<p>O documento também propõe uma ampla revisão de normas administrativas, tributárias, previdenciárias e trabalhistas, além de medidas para profissionalizar a gestão de <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340931">empresas</a> estatais e agências reguladoras.</p>
<p>Na área fiscal, a candidatura pretende reformular as regras atuais para alcançar superávits primários e estabilizar a relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB).</p>
<p>O programa defende, ainda, a redução de crédito subsidiado com recursos do Tesouro Nacional e maior controle sobre gastos discricionários dos três Poderes.</p>
<p>Entretanto, não apresenta uma estimativa individualizada de <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340932">economia</a> para cada medida.</p>
<p>A redução do número de ministérios, por exemplo, pode diminuir determinadas despesas administrativas, mas não elimina automaticamente os custos das políticas públicas executadas pelos órgãos que seriam incorporados a outras estruturas.</p>
<p>Servidores, contratos, programas e obrigações legais podem continuar existindo mesmo após a reorganização administrativa.</p>
<p>Por isso, a avaliação do resultado fiscal depende não apenas da quantidade de ministérios extintos, mas também das despesas efetivamente reduzidas e das atividades que seriam transferidas, modificadas ou encerradas.</p>
<h2>Candidato defende privatizações e venda de imóveis federais</h2>
<p>O plano econômico do PL também prevê a retomada do Programa Nacional de Desestatização, com avaliação dos casos em que a participação estatal poderia ser reduzida.</p>
<p>Na entrevista à Globo, Flávio voltou a defender privatizações como parte da estratégia para reorganizar as finanças públicas.</p>
<p>O documento oficial, porém, não apresenta uma lista definitiva de empresas que seriam vendidas, nem informa o valor esperado dessas operações.</p>
<p>A venda de ativos pode gerar ingresso de recursos para o governo, mas possui características diferentes de uma redução permanente de despesas ou de uma elevação recorrente da arrecadação tributária.</p>
<p>Quando uma empresa ou imóvel é vendido, o governo recebe determinado valor pela transferência de patrimônio. Essa receita não necessariamente se repete nos exercícios seguintes.</p>
<p>Além disso, a alienação de uma empresa pública pode implicar perda de dividendos futuros, dependendo das características do negócio vendido.</p>
<p>Por outro lado, a desestatização pode eliminar determinadas necessidades de aportes de capital ou reduzir a exposição do Tesouro a riscos financeiros.</p>
<p>O efeito líquido precisa considerar o valor obtido, os custos da transação, as receitas que deixarão de ser recebidas e as obrigações que eventualmente permanecerão com o Estado.</p>
<p>A venda de imóveis federais envolve questões semelhantes. A União possui patrimônio imobiliário destinado a diferentes finalidades, mas nem todos os ativos estão disponíveis para alienação imediata.</p>
<p>A concretização dessas operações depende de avaliações patrimoniais, procedimentos legais e condições de mercado.</p>
<h2>Flávio projeta R$ 200 bilhões anuais com securitização de créditos da União</h2>
<p>Uma das declarações de maior impacto econômico feitas durante a entrevista foi a possibilidade de utilizar créditos federais para ampliar os recursos disponíveis no Orçamento.</p>
<p>Flávio afirmou que a União possui quase R$ 3 trilhões a receber e que parte desses valores poderia ser securitizada para gerar receitas adicionais superiores a R$ 200 bilhões por ano.</p>
<p>A securitização é uma operação financeira que permite transformar direitos sobre recebimentos futuros em ativos negociáveis. Em determinadas estruturas, investidores antecipam recursos ao titular dos créditos em troca do direito a fluxos financeiros associados a esses recebíveis.</p>
<p>A legislação brasileira já contempla mecanismos de cessão de direitos creditórios públicos.</p>
<p>A Lei Complementar nº 208/2024 autorizou União, estados, Distrito Federal e municípios a ceder onerosamente direitos originados de créditos tributários e não tributários, inclusive os inscritos em dívida ativa, desde que observadas as condições legais e a existência de autorização específica.</p>
<p>O mecanismo, entretanto, não significa que todo o estoque de créditos públicos possa ser convertido imediatamente em dinheiro.</p>
<p>Para avaliar a proposta de Flávio, seria necessário identificar quais créditos seriam selecionados, o valor estimado de recuperação, os descontos exigidos pelos investidores, os custos da estruturação e os prazos de recebimento.</p>
<p>Também seria indispensável esclarecer se os R$ 200 bilhões mencionados correspondem a ingressos extraordinários, a uma receita anual recorrente ou a uma combinação de mecanismos de antecipação financeira.</p>
<p>Essas características não foram detalhadas na declaração apresentada durante a entrevista.</p>
<h2>Dívida ativa de R$ 3,2 trilhões tem parcela considerada irrecuperável</h2>
<p>Os demonstrativos oficiais permitem dimensionar o problema de utilizar o estoque da dívida ativa como base para uma previsão de arrecadação.</p>
<p>Segundo o Balanço Geral da União, os créditos inscritos em dívida ativa sob gestão da PGFN totalizavam aproximadamente R$ 3,226 trilhões ao final de dezembro de 2025.</p>
<p>Entretanto, esse montante não representa dinheiro disponível em caixa.</p>
<p>Os créditos são classificados pela Procuradoria conforme sua perspectiva de recuperação. As categorias consideram fatores relacionados à situação financeira dos devedores, às condições de cobrança e à probabilidade de recebimento.</p>
<p>No encerramento de 2025, aproximadamente 42,86% do estoque estava classificado como irrecuperável.</p>
<p>Isso corresponde a cerca de R$ 1,38 trilhão em créditos cuja recuperação apresentava perspectivas consideradas extremamente reduzidas segundo os critérios oficiais.</p>
<p>A classificação não significa cancelamento automático da dívida, mas demonstra que o valor nominal do estoque não pode ser tratado como equivalente ao montante que o governo poderá efetivamente arrecadar.</p>
<p>Outros créditos possuem níveis diferentes de recuperabilidade e podem estar sujeitos a parcelamentos, discussões judiciais ou garantias específicas.</p>
<p>Qualquer operação de securitização precisaria levar em conta essas características, pois o preço que investidores estariam dispostos a pagar dependeria da qualidade e da previsibilidade dos recebimentos.</p>
<h2>Recuperação anual da dívida ativa foi de R$ 66,1 bilhões em 2025</h2>
<p>A comparação com os resultados efetivos da PGFN oferece outra referência para analisar a estimativa apresentada por Flávio Bolsonaro.</p>
<p>Segundo o relatório <em>PGFN em Números 2026</em>, a Procuradoria recuperou R$ 66,1 bilhões em créditos da dívida ativa da União durante 2025.</p>
<p>Esse valor inclui receitas obtidas por diferentes mecanismos de cobrança e negociação, não apenas por operações que poderiam ser objeto de securitização.</p>
<p>Os R$ 200 bilhões anuais mencionados por Flávio correspondem a pouco mais de três vezes a recuperação registrada pela Procuradoria em 2025.</p>
<p>A comparação não demonstra que o objetivo seja impossível, pois uma operação de antecipação financeira pode produzir um ingresso de caixa superior à arrecadação ordinária de determinado exercício.</p>
<p>Entretanto, evidencia a necessidade de explicar a estrutura proposta e distinguir valores recebidos antecipadamente de receitas que continuariam disponíveis nos anos seguintes.</p>
<p>Uma securitização pode antecipar hoje fluxos financeiros que seriam obtidos no futuro. Por essa razão, não é possível presumir que a mesma carteira de recebíveis produziria novas receitas da mesma magnitude todos os anos.</p>
<p>Para sustentar a estimativa anunciada, a campanha precisaria demonstrar como manteria o volume anual de operações, qual seria a origem dos créditos negociados e que parcela dos recebimentos permaneceria disponível à União.</p>
<p>Sem esses elementos, os R$ 200 bilhões devem ser tratados como uma projeção apresentada pelo candidato, e não como receita pública já assegurada.</p>
<h2>Margem Equatorial também aparece entre as fontes de recursos</h2>
<p>Flávio Bolsonaro citou a exploração de petróleo na Margem Equatorial como outra possibilidade de ampliar a capacidade financeira do governo federal.</p>
<p>A região compreende áreas marítimas com potencial de produção de hidrocarbonetos e projetos sujeitos a licenciamento ambiental e avaliações técnicas.</p>
<p>A exploração comercial depende de etapas como obtenção de autorizações, realização de pesquisas, comprovação de reservas economicamente viáveis e investimentos na infraestrutura necessária à produção.</p>
<p>Mesmo quando há descoberta de petróleo, a geração de royalties, participações especiais e outras receitas governamentais pode ocorrer apenas depois de um período prolongado de desenvolvimento.</p>
<p>Consequentemente, a exploração da Margem Equatorial não pode ser considerada fonte imediata e garantida de recursos para o Orçamento de 2027 sem a apresentação de cronogramas e estimativas oficiais de produção.</p>
<p>Os valores eventualmente arrecadados também dependem dos preços internacionais do petróleo, dos volumes efetivamente produzidos e das regras de distribuição das receitas.</p>
<p>A proposta integra uma estratégia de aproveitamento de ativos e recursos naturais, mas sua contribuição fiscal precisa ser avaliada separadamente das medidas de redução de despesas.</p>
<h2>Compromissos sociais e ajuste fiscal exigirão compatibilização</h2>
<p>A entrevista apresentou um conjunto de compromissos que combina preservação de direitos sociais, mudanças administrativas e busca por novas fontes de recursos.</p>
<p>De um lado, Flávio Bolsonaro afirmou que manterá os aumentos reais do salário mínimo, os benefícios vinculados ao piso nacional e os mínimos constitucionais de saúde e educação.</p>
<p>De outro, defendeu a necessidade de reduzir despesas, revisar as regras fiscais e utilizar receitas provenientes de desestatizações, imóveis e créditos públicos.</p>
<p>Essas posições não são necessariamente incompatíveis. A viabilidade dependerá da dimensão das economias obtidas em outras rubricas, da arrecadação tributária e das condições econômicas de um eventual governo.</p>
<p>Entretanto, as áreas que o candidato se compromete a preservar representam parcelas relevantes das despesas obrigatórias federais. Isso reduz a margem para realizar um ajuste fiscal concentrado apenas em gastos administrativos.</p>
<p>A própria política de valorização do salário mínimo produz efeitos diretos sobre o orçamento previdenciário e assistencial.</p>
<p>Ao apresentar o Orçamento de 2026, o Ministério do Planejamento estimou que cada aumento de R$ 1 no salário mínimo elevaria as despesas previdenciárias em aproximadamente R$ 429 milhões, segundo as condições consideradas naquele exercício.</p>
<p>A estimativa demonstra a relação entre a política salarial e as contas públicas, embora o impacto efetivo varie conforme o número de beneficiários e a composição das despesas em cada ano.</p>
<p>Uma estratégia fiscal que preserve esses compromissos precisará identificar outras fontes permanentes de economia ou elevação das receitas.</p>
<h2>Promessas diferem das medidas previstas no programa de governo</h2>
<p>A comparação entre as respostas da entrevista e o plano oficial apresentado ao TSE revela diferenças no grau de detalhamento das propostas.</p>
<p>O documento registrado pela candidatura confirma a intenção de reduzir pelo menos dez ministérios, reformular as regras fiscais, ampliar a eficiência administrativa e retomar o Programa Nacional de Desestatização.</p>
<p>Também prevê alterações regulatórias e uma agenda de controle de despesas.</p>
<p>Entretanto, não apresenta uma previsão detalhada de R$ 200 bilhões anuais decorrentes de securitização de créditos públicos, tampouco um cronograma específico para obtenção dessas receitas.</p>
<p>As declarações sobre manutenção dos pisos constitucionais e preservação de aumentos reais do salário mínimo complementam o programa com compromissos assumidos publicamente durante a campanha.</p>
<p>A diferença não significa, por si só, contradição. Programas eleitorais podem apresentar diretrizes gerais que são detalhadas posteriormente pelos candidatos.</p>
<p>Para que os objetivos possam ser avaliados financeiramente, porém, é necessário estabelecer metas, prazos, medidas legislativas e estimativas de impacto verificáveis.</p>
<p>A ausência desses elementos limita a possibilidade de calcular os efeitos líquidos das propostas sobre a dívida pública e as despesas federais.</p>
<h2>Debate econômico seguirá até o segundo turno de 25 de outubro</h2>
<p>As declarações de Flávio Bolsonaro foram feitas em resposta a questionamentos sobre a compatibilidade entre seu compromisso de reorganizar as finanças públicas e a preservação de benefícios sociais.</p>
<p>A campanha de Lula sustenta que a dimensão do ajuste discutido pelo adversário poderia pressionar despesas obrigatórias. Flávio nega que pretenda reduzir direitos previdenciários, encerrar a valorização do salário mínimo ou modificar os pisos de saúde e educação.</p>
<p>A controvérsia envolve tanto compromissos políticos quanto questões técnicas de orçamento público.</p>
<p>Os dados oficiais mostram que o estoque de créditos da União possui valor elevado, mas uma parcela significativa é classificada como de difícil recuperação ou irrecuperável. Também demonstram que operações com recebíveis e vendas de patrimônio não equivalem automaticamente a receitas permanentes.</p>
<p>A sabatina esclareceu a posição declarada do candidato sobre salário mínimo, aposentadorias e vinculações constitucionais. Permanecem, contudo, perguntas sobre os instrumentos necessários para financiar seus compromissos e atingir as metas fiscais pretendidas.</p>
<p>Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a apresentação de cálculos detalhados sobre cortes de despesas, privatizações e securitização de créditos permitirá avaliar de maneira mais precisa a consistência financeira do programa econômico defendido pelo PL.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Plano de governo de Flávio Bolsonaro para 2027–2030, com propostas de reorganização administrativa, reformulação fiscal e desestatização.</em></p>
<p><em>Presidência da República — Constituição Federal de 1988, artigos 198 e 212, referentes aos pisos de saúde e educação.</em></p>
<p><em>Presidência da República — Lei nº 14.663/2023 e alterações posteriores, relativas à política de valorização do salário mínimo.</em></p>
<p><em>Ministério da Previdência Social e Ministério da Fazenda — Portaria Interministerial nº 13/2026, com regras de reajuste dos benefícios previdenciários e valor do piso nacional.</em></p>
<p><em>Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social — Regulamentação e orientações oficiais sobre o Benefício de Prestação Continuada.</em></p>
<p><em>Ministério do Planejamento e Orçamento — Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 e estimativas oficiais de salário mínimo.</em></p>
<p><em>Presidência da República — Lei Complementar nº 208/2024, sobre cessão onerosa de direitos creditórios públicos.</em></p>
<p><em>Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional — Relatório PGFN em Números 2026, com resultados da recuperação de créditos da dívida ativa em 2025.</em></p>
<p><em>Secretaria do Tesouro Nacional — Balanço Geral da União de 2025, com estoque e classificação de recuperabilidade dos créditos inscritos em dívida ativa.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Lula defende maioridade penal aos 16 anos e cobra apuração de ministros do STF no caso Master</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/lula-maioridade-penal-16-anos-ministros-stf-caso-master</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2026 02:14:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Master]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Vorcaro]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[maioridade penal]]></category>
		<category><![CDATA[Renata Lo Prete]]></category>
		<category><![CDATA[segurança pública]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Renata Lo Prete entrevista Lula, candidato à reeleição pelo PT; veja íntegra O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta quinta-feira (15) em entrevista à Globo ser favorável à redução…</p>
<p>Este post apareceu primeiro em Gazetamercantil.com - <a rel="nofollow" href="https://gazetamercantil.com">GAZETA MERCANTIL - A Gazeta Mercantil traz as últimas notícias sobre política, economia, segurança, entretenimento, negócios, entretenimento, esportes, moda</a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, declarou ser favorável à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos e defendeu a investigação de suspeitas envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As declarações foram feitas na quinta-feira (15), durante entrevista conduzida por Renata Lo Prete, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, a dez dias do segundo turno das eleições presidenciais. O posicionamento sobre a responsabilização criminal de adolescentes representa uma mudança em relação à orientação historicamente defendida pelo PT.</p>
<p>A entrevista também expôs o esforço do presidente para responder a questionamentos sobre segurança pública, relações com integrantes do Judiciário, endividamento da população e dificuldades enfrentadas pelo governo. Lula reconheceu sua responsabilidade pela insatisfação de parte do eleitorado, afirmou ter repreendido o diretor-geral da Polícia Federal por participar de um evento ligado a Vorcaro e admitiu preocupação com o aumento da dívida pública. Ao mesmo tempo, defendeu suas políticas sociais e apresentou propostas que pretende implementar caso conquiste um novo mandato.</p>
<p>A mudança de posição sobre a maioridade penal ocorreu em meio a uma disputa no Senado sobre o alcance da PEC da Segurança Pública. Enquanto parlamentares da oposição defendem responsabilização criminal a partir dos 14 anos para determinados delitos, uma emenda apresentada por Camilo Santana (PT-CE) propõe estabelecer o limite de 16 anos exclusivamente para crimes hediondos. A votação da proposta constitucional, inicialmente prevista para quinta-feira, acabou retirada da pauta pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).</p>
<h2>Lula apoia punição penal a partir dos 16 anos, mas quer votação separada da PEC</h2>
<p>Questionado sobre a proposta apresentada por Camilo Santana, Lula afirmou considerar adequada a redução da maioridade penal para adolescentes de 16 e 17 anos que pratiquem crimes hediondos. Embora tenha manifestado concordância com a mudança, o presidente defendeu que o Congresso conclua primeiro a votação da PEC da Segurança Pública e examine posteriormente a alteração das regras de responsabilização criminal.</p>
<p>A posição estabelece uma distinção entre o mérito da proposta e o momento de sua apreciação legislativa. Lula considera que a reorganização das competências de segurança pública deve avançar sem ficar condicionada ao debate sobre adolescentes envolvidos em crimes graves. Essa separação também evitaria que a aprovação de emendas sobre maioridade penal obrigasse o texto a retornar à Câmara dos Deputados.</p>
<p>O artigo 228 da Constituição estabelece que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis e ficam sujeitos à legislação especial. A regra significa que adolescentes não respondem criminalmente segundo o mesmo regime aplicado aos adultos, embora possam receber medidas socioeducativas pela prática de atos infracionais. Uma alteração para permitir responsabilização penal aos 16 anos exigiria mudança constitucional, e não apenas a aprovação de uma lei ordinária.</p>
<p>O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê medidas que incluem advertência, obrigação de reparar danos, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação. A internação tem duração máxima de três anos, com reavaliação periódica, e deve observar os princípios da excepcionalidade e da brevidade. A redução da maioridade penal modificaria o enquadramento jurídico dos adolescentes abrangidos pela nova regra, sujeitando-os à responsabilização criminal em condições que dependeriam do texto aprovado.</p>
<h2>Propostas de Camilo Santana e Rogerio Marinho estabelecem limites diferentes</h2>
<p>A tramitação da PEC 18/2025 revelou duas propostas concorrentes para alterar a responsabilização penal de adolescentes. A emenda 87, apresentada por Camilo Santana e outros senadores, preserva a maioridade penal de 18 anos como regra geral, mas estabelece exceção aos 16 anos para crimes hediondos. A proposta recebeu apoio de parlamentares de diferentes partidos, conforme os registros legislativos do Senado.</p>
<p>A emenda 84, de Rogerio Marinho (PL-RN), tem abrangência maior. O texto propõe reduzir a maioridade penal para 16 anos como regra geral e estabelecer o limite de 14 anos para crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas. A diferença entre as duas propostas envolve tanto a idade mínima quanto o conjunto de infrações que passariam a permitir responsabilização criminal.</p>
<p>Na versão de Camilo Santana, adolescentes de 16 e 17 anos continuariam sujeitos às regras socioeducativas para atos infracionais não abrangidos pela exceção constitucional. Na proposta de Rogerio Marinho, a responsabilização penal ordinária passaria a alcançar todos os maiores de 16 anos, enquanto adolescentes de 14 e 15 anos poderiam ser submetidos ao regime criminal nos casos expressamente previstos.</p>
<p>Nenhuma dessas alterações havia sido aprovada pelo plenário do Senado até o encerramento da quinta-feira. Davi Alcolumbre retirou a PEC da Segurança Pública da pauta, alegando necessidade de ampliar o debate e construir um acordo sobre as emendas. O adiamento mantém em vigor a regra constitucional de maioridade penal aos 18 anos e deixa indefinida a data da próxima votação.</p>
<h2>Lula pede investigação de ministros do STF citados no caso Vorcaro</h2>
<p>Além da segurança pública, Lula foi questionado sobre suspeitas envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O presidente defendeu que os fatos sejam esclarecidos independentemente dos cargos ocupados pelas pessoas mencionadas. Segundo ele, a credibilidade do Judiciário exige transparência e apuração de eventuais irregularidades.</p>
<p>Durante a entrevista, Lula mencionou Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça e Kassio Nunes Marques ao comentar as controvérsias relacionadas ao banqueiro. O presidente afirmou que diferentes ministros passaram a ser citados nas discussões públicas sobre o caso e sustentou que as suspeitas precisam ser examinadas pelas instâncias competentes. As referências feitas por Lula não constituem, por si só, demonstração de participação dos magistrados em ilícitos.</p>
<p>O presidente disse ter conversado três vezes com Edson Fachin, presidente do STF, sobre a necessidade de esclarecer os episódios envolvendo integrantes da Corte. Também defendeu regras mais rigorosas de conduta, critérios de nomeação e a possibilidade de estabelecer mandatos para ministros. Essas propostas exigiriam análise legislativa e, conforme seu conteúdo, alterações constitucionais.</p>
<p>O debate sobre eventuais relações entre magistrados e pessoas investigadas precisa distinguir contatos pessoais, situações de possível conflito de interesses e condutas que efetivamente configurem infrações. A existência de uma relação social ou profissional não demonstra automaticamente favorecimento judicial. A apuração de responsabilidades depende de fatos individualizados, documentação e respeito ao contraditório.</p>
<h2>Encontro com Vorcaro e participação do diretor da PF em evento entram na entrevista</h2>
<p>Lula também respondeu sobre sua própria reunião com Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto. Segundo o presidente, o banqueiro procurou o governo alegando estar sendo perseguido politicamente. Lula afirmou que o encaminhamento dado à situação foi a necessidade de investigação técnica pelo Banco Central, sem interferência <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340852">política</a> na atuação da autoridade monetária.</p>
<p>A liquidação extrajudicial do Banco Master foi decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. A decisão ocorreu após a autoridade identificar uma grave crise de liquidez, comprometimento significativo da situação econômico-financeira do conglomerado e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. O ato administrativo constitui um fato documentalmente estabelecido, mas não esclarece, isoladamente, o conteúdo da reunião mencionada pelo presidente.</p>
<p>Lula também foi questionado sobre a presença do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em uma festa organizada por Vorcaro em Londres. O presidente confirmou ter cobrado explicações do dirigente e afirmou não ter considerado convincente a justificativa apresentada. Em sua avaliação, o ocupante de um cargo com responsabilidades investigativas deveria ter evitado a participação no evento.</p>
<p>Questionado sobre a permanência de Rodrigues no comando da instituição em um eventual novo mandato, Lula evitou antecipar uma decisão. Disse que a definição de sua equipe dependerá do resultado eleitoral e de uma posterior reorganização administrativa. A declaração não representa anúncio de exoneração ou confirmação de continuidade do diretor-geral.</p>
<h2>Presidente assume responsabilidade pela rejeição ao governo</h2>
<p>Ao avaliar as dificuldades enfrentadas na campanha de reeleição, Lula reconheceu que a responsabilidade pelos resultados políticos de sua administração cabe ao próprio presidente. Ele afirmou que não poderia transferir integralmente a culpa a ministros, auxiliares ou circunstâncias externas pela avaliação negativa de parte dos eleitores.</p>
<p>O candidato atribuiu parte das dificuldades à comunicação das políticas públicas e ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340849">trabalho</a> realizado nos primeiros anos do mandato. Na avaliação apresentada durante a entrevista, o governo precisou dedicar esforços à reorganização de estruturas administrativas e à recuperação de programas que, segundo ele, haviam sido prejudicados anteriormente.</p>
<p>A manifestação ocorre na fase decisiva da disputa presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL). O segundo turno está marcado para 25 de outubro, conforme o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral. Lula busca renovar seu mandato em um ambiente de competição eleitoral no qual segurança pública, custo de vida, endividamento e avaliação do governo estão entre os principais assuntos debatidos pelas campanhas.</p>
<p>O presidente também foi questionado sobre a futura composição do Congresso Nacional e a capacidade de aprovação de propostas em um eventual novo mandato. Lula defendeu a necessidade de negociação com diferentes partidos e afirmou que alianças parlamentares foram essenciais para a aprovação de medidas durante sua gestão.</p>
<h2>Segurança pública inclui proposta de ministério específico e maior atuação federal</h2>
<p>Na área de segurança pública, Lula voltou a defender a ampliação da participação da União no enfrentamento ao crime organizado. A PEC 18/2025 prevê mudanças na articulação entre órgãos policiais e estabelece mecanismos de integração entre diferentes níveis de governo. O presidente argumentou que a fragmentação das responsabilidades dificulta respostas coordenadas à atuação de organizações criminosas.</p>
<p>Caso a proposta constitucional avance e seja aprovada, Lula pretende criar um Ministério da Segurança Pública. A medida foi apresentada como parte de uma estratégia para fortalecer a coordenação federal, ampliar a cooperação institucional e enfrentar a atuação de facções dentro e fora do sistema prisional.</p>
<p>O presidente também mencionou planos relacionados à ampliação da segurança em estabelecimentos penitenciários. As declarações constituem propostas para um eventual próximo mandato, não medidas já implementadas. Sua execução dependeria de decisões administrativas, disponibilidade orçamentária e, quando necessário, aprovação legislativa.</p>
<p>Sobre o enquadramento de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, Lula defendeu uma diferenciação jurídica entre criminalidade organizada voltada à obtenção de recursos financeiros e atos tipificados como terrorismo. Também afirmou ter proposto cooperação ao governo dos Estados Unidos no combate a organizações criminosas.</p>
<h2>Lula admite preocupação com dívida pública e defende crescimento para equilibrar contas</h2>
<p>A <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340851">economia</a> ocupou outra parte importante da entrevista. Questionado sobre a elevação da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto, Lula reconheceu que a trajetória fiscal merece preocupação e afirmou que a perda de controle das contas públicas representaria um risco para o país. Ao mesmo tempo, rejeitou a ideia de que o ajuste deva ocorrer prioritariamente pela redução de benefícios destinados à população de menor renda.</p>
<p>O presidente sustentou que a expansão da atividade econômica é fundamental para melhorar a arrecadação e a situação fiscal. Sua argumentação privilegia estímulos ao consumo, microcrédito e circulação de recursos entre famílias de menor renda. Entretanto, o crescimento econômico, isoladamente, não assegura estabilização da dívida, que também depende dos juros, do resultado primário e da evolução das despesas públicas.</p>
<p>Lula também voltou a criticar o patamar elevado da taxa Selic, definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central. O presidente defendeu políticas voltadas ao fortalecimento de pequenos <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340850">negócios</a> e à ampliação do acesso ao crédito, apresentando essas iniciativas como instrumentos de dinamização da economia.</p>
<h2>Bolsa Família e perdão de dívidas do MEI entram na defesa do governo</h2>
<p>Questionado sobre o reajuste do Bolsa Família anunciado às vésperas do primeiro turno, Lula afirmou que desconhecia a ausência de correção do valor do benefício durante parte de seu mandato. Segundo o presidente, a decisão de reajustar os pagamentos ocorreu depois que ele cobrou explicações de seus ministros. A declaração transferiu o debate para os mecanismos de acompanhamento das políticas sociais dentro do próprio governo.</p>
<p>O presidente também defendeu programas de renegociação de dívidas e mencionou iniciativas destinadas a ampliar a capacidade de consumo de famílias endividadas. As propostas apresentadas envolvem descontos negociados com instituições financeiras e mecanismos para facilitar a regularização de débitos. As condições efetivas de cada programa, entretanto, dependem das regras específicas de adesão e da formalização das operações.</p>
<p>No caso dos microempreendedores individuais, Lula destacou a proposta de perdão de dívidas com a União. O tema teve um desdobramento legislativo concreto na própria quinta-feira: o Senado aprovou, por 78 votos a zero, o PLP 186/2026, que amplia o limite de faturamento do MEI e estabelece condições para a remissão de débitos constituídos até 13 de outubro de 2026.</p>
<p>O texto prevê que o teto anual de faturamento passe de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e alcance R$ 140 mil em 2028. Também estabelece requisitos para o perdão das dívidas, incluindo a regularidade das contribuições futuras e procedimentos específicos para a adesão ao benefício. Apesar da aprovação pelas duas Casas do Congresso, a proposta ainda aguardava sanção presidencial, razão pela qual suas disposições não poderiam ser tratadas como direitos já em vigor.</p>
<h2>Relação com Trump e fim da escala 6&#215;1 completam compromissos eleitorais</h2>
<p>No cenário internacional, Lula afirmou que continuará buscando um acordo comercial com os Estados Unidos para resolver as divergências relacionadas às tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. O presidente disse preferir a negociação diplomática, mas não descartou a adoção de medidas de reciprocidade caso os entendimentos não produzam resultados satisfatórios.</p>
<p>Lula também destacou a diversificação das relações comerciais brasileiras e afirmou que o país ampliou oportunidades em outros mercados. A estratégia apresentada procura combinar negociação com Washington e preservação de canais comerciais com parceiros internacionais. Eventuais medidas retaliatórias dependeriam de decisões específicas do governo e das normas aplicáveis ao comércio exterior.</p>
<p>Nas considerações finais, o presidente mencionou a aprovação, pelo Senado, da proposta que encerra a escala de trabalho 6&#215;1. A PEC 221/2019 estabelece transição para dois dias de descanso semanal e redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial. Até a noite de quinta-feira, o texto havia sido aprovado pelas duas Casas e aguardava promulgação, marcada pelo Congresso para a manhã desta sexta-feira (16).</p>
<p>Lula também mencionou a possibilidade de transporte público gratuito nos fins de semana, associando a proposta ao aumento do período de descanso dos trabalhadores. Não foram apresentados, na entrevista, detalhes suficientes sobre financiamento, abrangência territorial ou modelo de implementação para caracterizar a medida como um programa definido.</p>
<p>A próxima entrevista da série será realizada nesta sexta-feira (16), com Flávio Bolsonaro. Os dois candidatos também foram convidados para o debate presidencial de 23 de outubro, cinco dias antes da votação. Até lá, as declarações de Lula sobre maioridade penal, segurança pública e funcionamento do Judiciário deverão permanecer no centro das discussões eleitorais, enquanto o Congresso ainda terá de decidir se incorpora ou não as propostas de alteração constitucional apresentadas pelos parlamentares.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Flávio defende reduzir maioridade penal; impasse entre PL e PT adia PEC da Segurança</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/flavio-maioridade-penal-pec-seguranca-pt-pl</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2026 01:23:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Camilo Santana]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[maioridade penal]]></category>
		<category><![CDATA[PEC da Segurança]]></category>
		<category><![CDATA[Rogério Marinho]]></category>
		<category><![CDATA[Senado Federal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A defesa da redução da maioridade penal ganhou protagonismo na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) nesta quinta-feira (15), enquanto uma disputa entre governo e oposição sobre o tema provocou o adiamento da votação da PEC da Segurança Pública no Senado. Em transmissão ao vivo ao lado de aliados, o candidato voltou a defender o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A defesa da redução da maioridade penal ganhou protagonismo na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) nesta quinta-feira (15), enquanto uma disputa entre governo e oposição sobre o tema provocou o adiamento da votação da PEC da Segurança Pública no Senado. Em transmissão ao vivo ao lado de aliados, o candidato voltou a defender o endurecimento da responsabilização criminal de adolescentes, uma das propostas apresentadas pelo líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN). A emenda permite a responsabilização penal a partir dos 16 anos como regra geral e dos 14 anos para determinados crimes graves, mas ainda não foi aprovada pelo Congresso.</p>
<p>A discussão ganhou um novo componente político na mesma noite, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário de Flávio no segundo turno, declarou ser favorável à redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos. Durante sabatina na televisão, Lula defendeu, contudo, que a mudança seja examinada separadamente da PEC da Segurança. As declarações revelam uma aproximação parcial entre os candidatos quanto à possibilidade de reduzir a idade de responsabilização criminal, embora permaneçam diferenças importantes sobre os crimes abrangidos, a idade mínima e o momento adequado para discutir a alteração constitucional.</p>
<p>O impasse ocorreu dez dias antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, e envolveu duas emendas formalmente apresentadas à Proposta de Emenda à Constituição 18/2025. A primeira, de Rogério Marinho, amplia a redução da maioridade penal para diferentes tipos de crime e estabelece um limite excepcional de 14 anos. A segunda, apresentada pelo líder do PT no Senado, Camilo Santana, mantém a regra geral de 18 anos, mas admite responsabilização penal a partir dos 16 para crimes hediondos. Diante da falta de entendimento, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), retirou a proposta da pauta de votações, sem anunciar uma nova data.</p>
<h2>Flávio coloca redução da maioridade penal no centro de transmissão eleitoral</h2>
<p>A discussão sobre a responsabilização criminal de adolescentes ocupou parte central de uma transmissão de campanha realizada por Flávio Bolsonaro na noite de quinta-feira. O senador participou do encontro virtual ao lado de Nikolas Ferreira (PL-MG), deputado federal reeleito, e Guilherme Derrite (PP), senador eleito por São Paulo. A proposta foi apresentada como uma reivindicação antiga de setores políticos favoráveis ao endurecimento das leis penais, agora incorporada ao debate sobre uma das principais medidas de segurança pública em tramitação no Congresso.</p>
<p>Flávio associou a iniciativa à possibilidade de cumprir antecipadamente um compromisso de campanha, antes mesmo da definição do resultado eleitoral. A declaração deve ser compreendida como manifestação de intenção <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340832">política</a>, porque a emenda ainda depende de deliberação parlamentar e não possui eficácia jurídica. O senador também vinculou a defesa da redução da maioridade penal à atuação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que já sustentava essa posição durante sua trajetória na Câmara dos Deputados.</p>
<p>Nikolas Ferreira reforçou o argumento de que adolescentes são utilizados por organizações criminosas e defendeu que infrações graves recebam respostas penais mais rigorosas. O parlamentar reconheceu, ao mesmo tempo, que a mudança na maioridade penal não resolveria isoladamente os problemas da segurança pública brasileira. A argumentação apresentada pelos aliados do candidato concentra-se na responsabilização individual e na tentativa de reduzir a participação de adolescentes em atividades criminosas.</p>
<p>O debate precisa distinguir, entretanto, o apoio político à redução da maioridade penal do conteúdo jurídico específico da proposta apresentada no Senado. A emenda não estabelece simplesmente que todos os adolescentes a partir dos 14 anos sejam julgados pela legislação penal comum. O limite de 14 anos aparece para categorias determinadas de infrações, enquanto a redução geral proposta por Rogério Marinho é para 16 anos. Essa diferenciação constitui um dos principais pontos de divergência em relação à alternativa apresentada pelo PT.</p>
<h2>Emendas de Rogério Marinho e Camilo Santana apresentam modelos distintos</h2>
<p>A tramitação oficial da PEC da Segurança permite identificar exatamente o que cada grupo parlamentar tentou acrescentar à Constituição. A Emenda 84, protocolada por Rogério Marinho e outros senadores em 14 de outubro, estabelece a redução da idade de responsabilização penal para 16 anos como regra geral. Também prevê a aplicação da legislação penal a partir dos 14 anos em situações envolvendo crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas.</p>
<p>A Emenda 87, apresentada por Camilo Santana em 15 de outubro, possui abrangência menor. O texto mantém a inimputabilidade penal dos menores de 18 anos como regra geral, mas estabelece uma exceção para crimes hediondos cometidos a partir dos 16 anos. Portanto, embora as duas iniciativas envolvam a redução da idade penal, seus efeitos jurídicos potenciais não são equivalentes.</p>
<table>
<tbody>
<tr>
<th>Questão</th>
<th>Emenda 84 — Rogério Marinho (PL)</th>
<th>Emenda 87 — Camilo Santana (PT)</th>
</tr>
<tr>
<td>Idade penal como regra</td>
<td>16 anos</td>
<td>18 anos</td>
</tr>
<tr>
<td>Redução excepcional</td>
<td>14 anos</td>
<td>16 anos</td>
</tr>
<tr>
<td>Crimes abrangidos pela exceção</td>
<td>Hediondos, tortura, tráfico, terrorismo e participação em organizações criminosas</td>
<td>Crimes hediondos</td>
</tr>
<tr>
<td>Situação em 15/10</td>
<td>Apresentada, sem votação</td>
<td>Apresentada, sem votação</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><em>Fonte: Senado Federal, registros das Emendas 84 e 87 à PEC 18/2025. Comparação editorial elaborada a partir das propostas protocoladas.</em></p>
<p>A diferença de dois anos entre os limites excepcionais representa uma alteração relevante no universo de adolescentes potencialmente alcançados pela legislação penal comum. Na proposta do PL, jovens de 14 e 15 anos poderiam passar a responder criminalmente pelos delitos específicos previstos na emenda. No modelo do PT, a responsabilização penal excepcional começaria aos 16 anos e ficaria restrita aos crimes hediondos.</p>
<p>As propostas também não produzem os mesmos efeitos em relação aos adolescentes de 16 e 17 anos. A emenda da oposição pretende estabelecer a responsabilização penal como regra para essa faixa etária, enquanto a alternativa petista conserva o sistema atual para as infrações que não se enquadrem na exceção proposta. Essa distinção é essencial para compreender por que a divergência não se limita à escolha entre 14 e 16 anos.</p>
<p>Nenhuma das emendas havia sido incorporada ao texto constitucional até o encerramento dos trabalhos de quinta-feira. Sua apresentação formal garante que sejam submetidas às etapas pertinentes do processo legislativo, mas não representa aprovação, entrada em vigor ou autorização imediata para mudar a responsabilização criminal de adolescentes.</p>
<h2>Lula admite redução para 16 anos, mas rejeita mudança dentro da PEC</h2>
<p>A posição de Lula acrescentou complexidade ao debate dentro da própria base governista. Durante sabatina televisiva realizada na noite de quinta-feira, o presidente declarou apoiar a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos. Ao mesmo tempo, afirmou que não considera adequado incorporar essa discussão à PEC da Segurança Pública, defendendo primeiro a aprovação da proposta original e, posteriormente, um debate específico sobre a responsabilização criminal de adolescentes.</p>
<p>A manifestação diferencia duas decisões políticas: aceitar a possibilidade de mudar a idade penal em determinados crimes e concordar com o instrumento legislativo utilizado para realizar essa mudança. Lula passou a defender a primeira possibilidade, dentro de limites específicos, mas rejeitou a tentativa de alterar a PEC da Segurança durante sua tramitação no Senado. Essa posição não corresponde à proposta mais abrangente apresentada por Rogério Marinho.</p>
<p>A iniciativa de Camilo Santana havia provocado divergências entre parlamentares petistas e integrantes da base governista. Setores contrários à redução da maioridade penal questionaram a apresentação de uma emenda sobre assunto historicamente controverso dentro do partido. Também houve preocupação com o impacto da mudança sobre a tramitação da PEC, uma vez que alterações substanciais realizadas pelo Senado poderiam obrigar o texto a retornar à Câmara dos Deputados.</p>
<p>A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), havia defendido a aprovação da proposta de segurança sem modificações e sustentado que a redução da maioridade penal exigia discussão cuidadosa. O argumento era preservar o andamento de uma reforma institucional mais ampla, sem subordiná-la à resolução imediata de um tema que envolve controvérsias jurídicas e políticas.</p>
<p>A existência de posições distintas na base governista não significa, por si só, que tenha ocorrido uma ruptura formal na orientação do partido ou uma mudança coletiva de posicionamento. O episódio revela divergências identificáveis entre propostas e manifestações públicas, cuja evolução dependerá de novas decisões das lideranças e de eventuais votações.</p>
<h2>Alcolumbre retira PEC da Segurança da pauta após cinco novas emendas</h2>
<p>A PEC 18/2025 chegou ao plenário do Senado depois de concluir sua análise na Comissão de Constituição e Justiça, em 14 de outubro. O relator, Rogério Carvalho (PT-SE), havia conduzido a elaboração de um parecer que preservava os principais mecanismos de integração das forças de segurança e de enfrentamento ao crime organizado. Na mesma noite, os senadores aprovaram um calendário especial para acelerar a deliberação, abrindo a possibilidade de votar a proposta em dois turnos nesta quinta-feira.</p>
<p>O planejamento foi alterado quando novas emendas passaram a exigir negociação entre as bancadas. Segundo os registros oficiais, cinco propostas adicionais foram apresentadas ao plenário, incluindo as duas relativas à maioridade penal. As demais tratavam da atuação das Forças Armadas na segurança pública, da inclusão de agentes de trânsito no sistema constitucional de segurança e de questões relacionadas aos profissionais do sistema socioeducativo.</p>
<p>Diante da ausência de acordo, Davi Alcolumbre anunciou a retirada da PEC da pauta. O presidente do Senado afirmou que a decisão buscava evitar uma discussão precipitada e permitir que os parlamentares chegassem a um entendimento sobre as alterações propostas. Também mencionou o risco de que a aprovação de mudanças obrigasse a matéria a retornar à Câmara, prolongando a tramitação de uma reforma já examinada pelos deputados.</p>
<p>Rogério Marinho, líder da oposição e autor da emenda mais abrangente sobre maioridade penal, questionou a decisão e pediu esclarecimentos sobre a possibilidade de influência do governo no adiamento. Alcolumbre respondeu que a retirada resultou de sua própria avaliação sobre as condições de votação, sem atender a uma solicitação governamental. A declaração oficial impede tratar como fato comprovado a hipótese de que o adiamento tenha sido determinado pelo Palácio do Planalto.</p>
<p>A consequência institucional é objetiva: a PEC permaneceu em tramitação e não foi votada pelo plenário do Senado em 15 de outubro. A aprovação de um calendário especial, portanto, não foi suficiente para garantir a conclusão da análise. Uma nova deliberação dependerá de decisão da Presidência da Casa e de entendimentos sobre o conteúdo das emendas.</p>
<h2>Proposta original trata da integração policial e do combate a facções</h2>
<p>A PEC da Segurança Pública foi encaminhada pelo Poder Executivo com objetivos mais amplos do que a alteração da maioridade penal. A iniciativa procura inserir o Sistema Único de Segurança Pública na Constituição, ampliar a cooperação entre União, estados, Distrito Federal e municípios e estabelecer mecanismos de integração entre os órgãos responsáveis pela prevenção e repressão ao crime. O texto também prevê regras para compartilhamento de informações, atuação coordenada e fortalecimento dos instrumentos de financiamento da segurança pública.</p>
<p>Na versão examinada pelo Senado, a proposta contempla mudanças relacionadas ao enfrentamento de organizações criminosas, facções e milícias. Entre elas estão mecanismos de responsabilização diferenciada para integrantes dessas organizações, proteção às vítimas e aprimoramento da cooperação entre forças policiais. Também são discutidas novas regras para a atuação de polícias municipais e ampliação de competências em áreas de policiamento federal.</p>
<p>A inclusão da maioridade penal modifica o eixo do debate ao introduzir uma alteração direta nas condições de responsabilização criminal de adolescentes. Enquanto a estrutura original da PEC está centrada principalmente na organização do sistema de segurança e nas competências dos órgãos públicos, as emendas 84 e 87 atingem o regime jurídico aplicável a pessoas com menos de 18 anos.</p>
<p>Essa diferença ajuda a explicar a resistência de parte dos parlamentares à votação conjunta. A alteração da idade penal envolve consequências para a Justiça criminal, para o sistema penitenciário e para a rede socioeducativa, exigindo discussão que ultrapassa a distribuição de atribuições entre forças de segurança. Também envolve o debate sobre a constitucionalidade das mudanças e o alcance das garantias atualmente asseguradas aos adolescentes.</p>
<h2>Constituição estabelece maioridade penal aos 18 anos</h2>
<p>O artigo 228 da Constituição Federal determina que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas da legislação especial. Isso significa que adolescentes não respondem por seus atos pelo mesmo regime penal aplicado aos adultos, mas não implica ausência de responsabilização. O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece medidas socioeducativas para situações em que é reconhecida a prática de ato infracional.</p>
<p>Entre as medidas previstas no artigo 112 do Estatuto estão advertência, reparação do dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação em estabelecimento educacional. A aplicação depende da gravidade da infração, das circunstâncias e da capacidade de cumprimento pelo adolescente. Nos casos que envolvem privação de liberdade, a legislação estabelece critérios específicos, revisão periódica e limites para a internação.</p>
<p>O debate parlamentar envolve, portanto, a substituição parcial desse regime especial pelo sistema penal comum em determinadas idades e circunstâncias. Defensores da redução argumentam que o endurecimento das consequências jurídicas pode ampliar a responsabilização por delitos graves e enfrentar o recrutamento de adolescentes por organizações criminosas. Críticos sustentam que a medida pode ampliar o encarceramento sem necessariamente reduzir a violência e defendem o fortalecimento dos mecanismos de prevenção, investigação e atendimento socioeducativo.</p>
<p>A eficácia de qualquer modelo dependerá de fatores que não se resolvem apenas com a mudança da idade prevista na Constituição. A capacidade de investigar crimes, identificar responsáveis, assegurar o cumprimento das decisões judiciais e evitar a reincidência influencia os resultados de uma política criminal. Por isso, a avaliação dos possíveis efeitos da redução da maioridade penal exige evidências específicas, e não apenas a comparação entre as idades propostas.</p>
<h2>Fim da escala 6&#215;1 avança enquanto PEC da Segurança permanece pendente</h2>
<p>A controvérsia ocorreu um dia depois de o Senado aprovar a proposta de emenda constitucional que extingue a escala de <a class="wpil_keyword_link" title="Trabalho" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340834">trabalho</a> 6&#215;1 e estabelece a redução gradual da jornada semanal para 40 horas. A PEC 221/2019 recebeu aprovação definitiva dos senadores em 14 de outubro e teve sua promulgação marcada para sexta-feira (16), às 9h, em sessão do Congresso Nacional. A medida representa uma das principais decisões legislativas da semana e também integra o debate político entre os candidatos à Presidência.</p>
<p>Embora Flávio Bolsonaro tenha concentrado sua transmissão noturna na redução da maioridade penal, as duas propostas chegaram ao centro da campanha presidencial por caminhos distintos. A mudança da jornada trata de direitos trabalhistas, organização das <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340833">empresas</a> e condições de descanso. A PEC da Segurança envolve o funcionamento das instituições de segurança pública e, com as novas emendas, as condições de responsabilização de adolescentes.</p>
<p>O contraste também mostra que a aprovação de uma proposta no Senado não significa necessariamente sua entrada imediata em vigor. A emenda constitucional sobre a jornada depende da promulgação, enquanto a PEC da Segurança ainda precisa superar a etapa de votação na Casa. No caso das alterações relativas à maioridade penal, sequer houve aprovação de qualquer uma das alternativas apresentadas.</p>
<p>Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a discussão sobre responsabilização criminal de adolescentes passou a reunir manifestações dos dois candidatos, mas permanece sem solução legislativa. Flávio defende uma alteração mais ampla, associada à emenda de Rogério Marinho, enquanto Lula admite a redução para 16 anos em crimes hediondos e prefere discutir a medida separadamente da PEC da Segurança. O próximo desdobramento dependerá da retomada da proposta no Senado e da decisão dos parlamentares sobre manter o texto original ou negociar alterações que possam exigir nova análise da Câmara.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Senado Federal — Tramitação oficial da PEC 18/2025 e registros das Emendas 84 e 87, apresentadas em outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Senado Federal — Comunicado institucional de 15 de outubro de 2026 sobre a retirada da PEC da Segurança Pública da pauta de votações.</em></p>
<p><em>Senado Federal — Registros da Comissão de Constituição e Justiça e parecer relativo à PEC 18/2025, concluído em 14 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Senado Federal — Manifestação da liderança do governo sobre a discussão da maioridade penal, divulgada em 15 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Senado Federal — Comunicado sobre a promulgação da PEC 221/2019, prevista para 16 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Presidência da República — Constituição Federal de 1988, artigo 228.</em></p>
<p><em>Presidência da República — Lei nº 8.069/1990, Estatuto da Criança e do Adolescente, artigos 112 e 121.</em></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Vorcaro interferia em notícias e articulava pagamentos a veículos de imprensa, indicam mensagens</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/vorcaro-interferencia-noticias-pagamentos-imprensa</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Oct 2026 18:47:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Master]]></category>
		<category><![CDATA[Brazil Journal]]></category>
		<category><![CDATA[CartaCapital]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Vorcaro]]></category>
		<category><![CDATA[Interferência Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[ISTOÉ]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade de imprensa]]></category>
		<category><![CDATA[PlatôBR]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O ex-banqueiro Daniel Vorcaro criou uma rede de influência em sites de notícias por meio de patrocínios e investimentos de empresas ligadas a ele, mostram mensagens extraídas pela PF (Polícia Federal) em seu celular. Por meio desses aportes, ele interf</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, revelam negociações de contratos publicitários milionários com empresas de comunicação e pedidos de alterações em reportagens sobre seus negócios e personagens políticos. Entre os valores identificados está um contrato de R$ 20 milhões com o Metrópoles, acompanhado de referências a parcelas de R$ 5 milhões, além de pagamentos anteriores e negociações envolvendo outros veículos. As conversas, extraídas do celular do empresário pela Polícia Federal e divulgadas nesta quinta-feira (15), também mostram solicitações para retirar informações, modificar abordagens e examinar textos antes de sua publicação.</p>
<p>As revelações alcançam Metrópoles, Brazil Journal, IstoÉ, IstoÉ Dinheiro, PlatôBR, Diário do Centro do Mundo (DCM) e CartaCapital. Conforme investigação publicada pelos jornalistas Renata Agostini e Tiago Dantas, do UOL, Vorcaro mantinha contato direto com dirigentes de algumas publicações e utilizava intermediários que possuíam vínculos comerciais ou societários com outras. Em determinados episódios, seus interlocutores responderam que as alterações solicitadas haviam sido realizadas; em outros, as mensagens registram negociações e intenções cuja execução ainda depende de verificação independente.</p>
<p>O material expõe três dimensões distintas do relacionamento entre o banqueiro e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340799">empresas</a> de imprensa: contratos comerciais, participações em sociedades ligadas à produção de conteúdo e interferências relatadas em decisões jornalísticas. A coincidência entre <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340800">negócios</a> financeiros e pedidos editoriais levanta questionamentos sobre a autonomia das redações, mas não permite concluir automaticamente que todos os pagamentos tinham como contrapartida a publicação ou supressão de notícias. A documentação bancária integral e os contratos completos não estão disponíveis nesta apuração, o que impede apresentar um total auditado de recursos transferidos.</p>
<h2>Metrópoles: contrato de R$ 20 milhões e reportagens submetidas a Vorcaro</h2>
<p>A maior cifra individual divulgada envolve o Metrópoles. Em novembro de 2024, o Banco Master negociou com o portal um contrato publicitário de R$ 20 milhões, segundo mensagens reproduzidas pela investigação. Na ocasião, Ana Matos, então responsável pelo marketing do conglomerado, questionou Vorcaro sobre o custo da contratação e sobre a possibilidade de distribuir a despesa entre diferentes empresas do grupo, incluindo a seguradora Kovr e o banco digital Will Bank.</p>
<p>O ex-banqueiro aprovou a negociação e demonstrou atribuir importância estratégica ao relacionamento comercial. De acordo com os registros divulgados, os R$ 20 milhões foram quitados ao longo de 2025 por meio de parcelas de R$ 5 milhões. A informação, contudo, resulta das conversas examinadas pela investigação jornalística, sem que a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com" target="_blank" rel="noopener" title="Gazeta Mercantil – Jornal Online" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340802">Gazeta Mercantil</a> tenha acessado os respectivos extratos bancários, notas fiscais ou comprovantes de liquidação.</p>
<p>A relação financeira com o portal havia começado anteriormente. Em junho de 2024, o Master teria realizado um pagamento de R$ 1 milhão ao Metrópoles, depois de contatos entre Vorcaro, seus assessores e a direção do veículo. No mês seguinte, foi acertado outro pagamento de R$ 900 mil para financiar projetos de educação financeira ligados à Kovr e ao Will Bank. Os registros mencionam operações distintas, mas ainda não permitem estabelecer se todos esses valores integravam obrigações comerciais independentes ou se houve compensações posteriores.</p>
<p>A relevância das cifras aumenta diante das mensagens sobre a produção jornalística. Segundo levantamento divulgado pelo UOL, pelo menos 14 textos foram encaminhados antecipadamente a Vorcaro, dos quais 11 passaram por alterações depois de suas solicitações. Também foram identificados dois conteúdos publicados a pedido do empresário, embora a investigação não atribua uma contrapartida financeira específica a cada reportagem.</p>
<h2>Mudanças em notícias sobre Banco Master e Banco Central</h2>
<p>Entre os episódios relatados está uma reportagem de abril de 2025 que mencionava uma suposta proposta de compra de ativos do Master por R$ 1. Vorcaro contestou a informação, e Lilian Tahan, dirigente do Metrópoles, respondeu indicando que o trecho havia sido retirado. Em maio, o banqueiro também solicitou a exclusão de uma referência à Hapvida em notícia sobre negociações envolvendo o BTG Pactual, mudança que teria sido atendida.</p>
<p>As intervenções alcançaram assuntos relacionados ao Banco Central. Vorcaro recebeu textos sobre Renato Gomes, diretor da autoridade monetária que participava da análise da tentativa de aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB). Em agosto de 2025, sugeriu alterações em reportagens sobre o dirigente, incluindo a retirada de referência à possibilidade de quebra do banco e a introdução de informações sobre divergências internas no órgão regulador.</p>
<p>O conteúdo das mensagens permite distinguir dois tipos de intervenção. Uma fonte pode legitimamente contestar dados incorretos e apresentar esclarecimentos antes de uma publicação. A situação é diferente quando passa a influenciar quais temas merecem destaque, quais personagens devem ser abordados ou quais informações relevantes devem ser omitidas. A determinação de eventuais responsabilidades exige, entretanto, examinar as versões originais das reportagens, as modificações realizadas e suas justificativas editoriais.</p>
<h2>PlatôBR: pedidos para retirar notícias e restringir cobertura política</h2>
<p>Outro núcleo das conversas envolve Flávio Carneiro, empresário ligado à Foone, companhia participante da estrutura societária do PlatôBR. Carneiro atuava em atividades relacionadas à imagem de Vorcaro e aparece como intermediário entre o banqueiro e empresas de comunicação. Em março de 2025, dois dias depois do anúncio da operação entre Master e BRB, ofereceu ao empresário a possibilidade de examinar previamente reportagens destinadas à publicação.</p>
<p>Uma entrevista com Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, foi encaminhada a Vorcaro antes de sua divulgação. O empresário questionou o destaque dado aos precatórios, ativos associados a direitos de crédito judicial, e solicitou alterações na apresentação do conteúdo. As mensagens mostram que o texto foi modificado e que o banqueiro voltou a reclamar no dia seguinte, quando recebeu nova sinalização de mudança.</p>
<p>A interferência relatada também alcançou personagens políticos. Em agosto de 2025, Vorcaro pediu que o PlatôBR evitasse publicar conteúdos sobre Ciro Nogueira, do PP, e Antônio Rueda, do União Brasil. No mesmo período, solicitou uma cobertura desfavorável a Ricardo Cappelli, então presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e pré-candidato ao governo do Distrito Federal. Carneiro respondeu que procuraria articular a iniciativa, mas a extensão das publicações efetivamente produzidas em consequência desses pedidos não foi comprovada de forma independente.</p>
<h2>IstoÉ: pedidos envolvendo Biomm e integrantes do Congresso</h2>
<p>Os relacionamentos empresariais de Carneiro também envolviam IstoÉ e IstoÉ Dinheiro, publicações associadas a Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. Segundo as mensagens divulgadas, o intermediário participava de investimentos relacionados às revistas e mantinha interlocução com Vorcaro sobre assuntos que poderiam receber cobertura. A natureza dessas conexões exige distinguir investimentos formalizados de influência editorial efetivamente exercida.</p>
<p>Em 2024, Vorcaro solicitou uma capa da IstoÉ Dinheiro sobre a farmacêutica Biomm, empresa na qual havia investido. Também demonstrou interesse em acompanhar previamente reportagens relacionadas a políticos com influência no Congresso Nacional, incluindo Ciro Nogueira, Arthur Lira e Hugo Motta. As solicitações revelam a intenção de participar do direcionamento da cobertura, mas não identificam, isoladamente, o pagamento correspondente a cada conteúdo ou a existência de uma obrigação contratual para publicá-lo.</p>
<h2>Brazil Journal: participação de 49,86% em empresa de conteúdo</h2>
<p>No Brazil Journal, as mensagens revelam contato direto entre Vorcaro e Geraldo Samor, fundador do site. A relação empresarial incluía a BJ Conteúdo, criada em 2023 para atividades de vídeos e eventos. Conforme as informações societárias apresentadas na investigação, a Foone, de Flávio Carneiro, detinha 49,86% dessa companhia, enquanto outra participação relevante permanecia vinculada a Samor.</p>
<p>O percentual representa participação societária em uma empresa específica e não comprova que Vorcaro fosse acionista direto do portal. Para quantificar o investimento, também seria necessário conhecer o capital efetivamente integralizado, eventuais aportes posteriores e a titularidade econômica final das participações. Mensagens de dezembro de 2023 registram discussões sobre a possível entrada de Freixo Júnior nessa estrutura, incluindo alternativas para organizar o investimento por meio de outra sociedade.</p>
<p>No campo editorial, Vorcaro aparece solicitando alterações em textos relacionados ao Master. Em fevereiro de 2024, pediu a retirada de uma expressão sobre o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340801">agronegócio</a>, e Samor respondeu que a mudança havia sido realizada. Em outra reportagem, sobre o Will Bank, solicitou a exclusão de uma referência ao Voiter e sua substituição por uma formulação sobre reorganização societária. As conversas também registram o envio antecipado de conteúdo sobre um evento do Master em Londres, que contou com a participação do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.</p>
<h2>DCM: mensagens citam mensalidade para evitar críticas ao Master</h2>
<p>As revelações sobre o Diário do Centro do Mundo apresentam um relacionamento de natureza diferente. Em outubro de 2024, depois da publicação de conteúdo negativo sobre o Banco Master, Vorcaro pediu que Felipe Mourão, responsável por atividades ligadas à sua reputação digital, negociasse um pagamento periódico ao portal. A condição mencionada nas mensagens era evitar novas referências críticas ao empresário e à instituição financeira.</p>
<p>Mourão relatou posteriormente que o acordo havia sido fechado e informou que o DCM estava pago. Também mencionou a possibilidade de publicar mensalmente conteúdo favorável ou desfavorável sobre pessoas determinadas. Em maio de 2025, depois que o portal divulgou um artigo crítico ao Master, Vorcaro solicitou sua retirada imediata, e Mourão respondeu que a publicação havia sido excluída naquele dia.</p>
<p>Apesar dessas declarações, não foi divulgado o valor exato da suposta mensalidade. Os registros disponíveis também não permitem identificar quantos pagamentos teriam ocorrido, quem recebeu os recursos ou durante quanto tempo o acordo teria permanecido em vigor. Assim, não há base documental suficiente para calcular o desembolso total associado ao DCM.</p>
<h2>CartaCapital: adiantamento de R$ 300 mil e negociação de sociedade</h2>
<p>Na CartaCapital, as mensagens descrevem um relacionamento financeiro anterior aos episódios registrados com outros veículos. Segundo a investigação divulgada nesta quinta-feira, a revista celebrou em 2021 um contrato de patrocínio de cinco anos com o Banco Máxima, posteriormente denominado Banco Master. Em dezembro de 2020, a instituição já teria antecipado R$ 300 mil à publicação.</p>
<p>As conversas atribuídas a Manuela Carta, ligada à direção da revista, incluem pedidos posteriores de recursos para pagamento de despesas operacionais e da folha salarial. Em agosto de 2023, Vorcaro e Manuela também discutiram a possibilidade de participação societária do empresário na publicação. Informações sobre as dívidas da companhia teriam sido encaminhadas ao banqueiro, mas a aquisição não foi concretizada.</p>
<p>Em 2024, novos contatos envolveram pedidos de antecipação de receitas publicitárias e alternativas de apoio financeiro. As mensagens também indicam que uma decisão sobre a divulgação de reportagem teria sido submetida ao empresário. A existência dessas negociações não permite estabelecer quanto a revista efetivamente recebeu durante todo o relacionamento comercial, nem comprova que o patrocínio previsse interferência em decisões editoriais.</p>
<h2>Quanto o Banco Master efetivamente pagou aos veículos?</h2>
<p>A comparação dos valores divulgados revela a principal limitação financeira da investigação: contratos, pagamentos relatados, compromissos negociados e participações societárias não representam a mesma categoria de informação. Os R$ 20 milhões do Metrópoles correspondem a um contrato identificado nas mensagens, acompanhado de referências à quitação posterior. Os R$ 1 milhão anteriores foram descritos como pagamento realizado, enquanto os R$ 900 mil aparecem como compromisso financeiro acertado. Na CartaCapital, os R$ 300 mil correspondem a um adiantamento relatado.</p>
<p>O percentual de 49,86% atribuído à Foone na BJ Conteúdo não representa uma quantia que possa ser somada aos contratos publicitários. Também não é possível estabelecer um valor para os pagamentos mencionados ao DCM ou calcular quanto teria sido investido nas relações envolvendo IstoÉ e PlatôBR. A ausência de documentos completos impede identificar eventuais sobreposições, pagamentos não concluídos ou transferências realizadas por empresas intermediárias.</p>
<p>A verificação dessas cifras exigiria confrontar contratos assinados, aditivos, notas fiscais, extratos bancários e demonstrações contábeis. Também seria necessário identificar quais pessoas jurídicas contrataram os serviços e quais foram as beneficiárias finais dos pagamentos. Até que esses registros sejam disponibilizados e analisados, seria incorreto apresentar a soma dos valores citados como o total comprovadamente desembolsado por Vorcaro ou pelo Banco Master.</p>
<h2>Tentativa de compra pelo BRB e liquidação do Master</h2>
<p>Parte das conversas ocorreu durante a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, anunciada em março de 2025. Documentos oficiais do banco público registram que o negócio envolvia 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Master, equivalentes a 58,04% de seu capital total. Em junho daquele ano, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica aprovou a operação sem restrições, mas sua conclusão ainda dependia de outras condições e autorizações regulatórias.</p>
<p>A transação não chegou a ser concluída. Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, apontando grave crise de liquidez, comprometimento significativo de sua situação econômico-financeira e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. A decisão alcançou instituições do conglomerado e determinou a indisponibilidade de bens de controladores e ex-administradores nos termos da legislação aplicável.</p>
<p>A cronologia ajuda a explicar a relevância empresarial da cobertura sobre o Master naquele período. <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/noticias" target="_blank" rel="noopener" title="Notícias" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340881">Notícias</a> relacionadas à situação de liquidez, à qualidade dos ativos, aos órgãos reguladores e ao eventual comprador tinham potencial para afetar a percepção pública do banco. Entretanto, a coincidência temporal entre a crise e os contratos de publicidade não comprova, por si, que os pagamentos tenham sido realizados com a finalidade específica de influenciar reportagens.</p>
<h2>Independência editorial e identificação de publicidade</h2>
<p>O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, mantido pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), estabelece que a informação deve atender à veracidade dos fatos e ao interesse público, sem subordinação indevida a interesses particulares. Já o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), determina que anúncios sejam claramente identificados. Seu artigo 30 exige que conteúdos em formato jornalístico veiculados mediante pagamento sejam diferenciados das matérias editoriais.</p>
<p>Essas normas oferecem parâmetros para examinar os episódios descritos nas mensagens, mas sua aplicação exige análise individual. A contratação de publicidade é uma atividade legítima, assim como a consulta a fontes para corrigir informações. O problema surge quando interesses comerciais podem influenciar a decisão de publicar ou suprimir notícias sem transparência para o leitor.</p>
<h2>Outro lado e pontos ainda sem resposta</h2>
<p>Questionada na investigação sobre o Metrópoles, Lilian Tahan afirmou que a consulta prévia a fontes integra sua prática profissional e negou qualquer condicionamento editorial decorrente do contrato publicitário com o Banco Master. Também destacou a publicação de reportagens críticas às empresas relacionadas a Vorcaro. Na apuração sobre os demais veículos, Flávio Carneiro e Geraldo Samor haviam sido procurados, mas não apresentaram manifestações até a divulgação, enquanto o DCM e a CartaCapital não foram localizados para comentar os episódios.</p>
<p>A Gazeta Mercantil não teve acesso à extração forense integral do telefone de Vorcaro nem aos comprovantes bancários de todas as operações descritas. As revelações sobre mensagens e contratos são atribuídas à investigação jornalística que as tornou públicas, enquanto as informações sobre a operação entre BRB e Master e a liquidação da instituição foram confrontadas com documentos oficiais. Essa separação permite identificar o que está documentalmente confirmado e quais elementos ainda dependem de comprovação independente.</p>
<p>A dimensão completa das relações entre Vorcaro e empresas de comunicação dependerá da identificação dos pagamentos efetivos, dos beneficiários econômicos e das alterações realizadas nas reportagens. As mensagens já expõem pedidos concretos de intervenção editorial e negociações financeiras relevantes, mas permanecem questões sobre a extensão dos vínculos e suas consequências. Mais do que estabelecer quanto dinheiro foi negociado, a apuração busca esclarecer em que circunstâncias interesses empresariais chegaram ao processo de produção das notícias.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Banco de Brasília (BRB) — Fato Relevante de 17 de junho de 2025 sobre a aprovação, pelo Cade, da operação de aquisição de participação no Banco Master</p>
<p>Banco Central do Brasil — Comunicado nº 44.234, de 18 de novembro de 2025, sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master</p>
<p>Banco Central do Brasil — Nota oficial de 18 de novembro de 2025 sobre os regimes especiais aplicados às instituições do Conglomerado Master</p>
<p>Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) — Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros</p>
<p>Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) — Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, artigos 28 e 30</p>
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		<title>Juristas pedem suspeição de Kassio Nunes Marques por decisões contra o “Exército do Lula”</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/juristas-pedem-suspeicao-kassio-nunes-marques-exercito-do-lula</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Oct 2026 15:46:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[Justiça Eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[Kassio Nunes Marques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) protocolou nesta quinta-feira (15) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido de suspeição contra o ministro Kassio Nunes Marques, presidente da Corte, sob a alegação de possível parcialidade em decisões relacionadas à campanha presidencial de 2026. A iniciativa foi motivada por uma sequência de determinações que restringiram [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) protocolou nesta quinta-feira (15) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido de suspeição contra o ministro Kassio Nunes Marques, presidente da Corte, sob a alegação de possível parcialidade em decisões relacionadas à campanha presidencial de 2026. A iniciativa foi motivada por uma sequência de determinações que restringiram o funcionamento do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), e pela diferença de tratamento apontada pela entidade em comparação com o canal “Tropa do Flávio”, vinculado à campanha de Flávio Bolsonaro (PL).</p>
<p>O questionamento amplia a controvérsia jurídica sobre a atuação da Presidência do TSE na fiscalização da propaganda eleitoral digital durante o segundo turno. Para a associação, as decisões de Nunes Marques apresentam indícios de extrapolação de competências e podem ter produzido consequências desiguais para as candidaturas. O pedido busca submeter a atuação do magistrado ao exame colegiado, sem que a apresentação da petição represente, por si só, comprovação de parcialidade ou irregularidade.</p>
<p>O canal administrado por Janones reúne mais de 4 milhões de seguidores e se tornou uma ferramenta de mobilização <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340790">política</a> nas semanas posteriores ao primeiro turno. Sua suspensão ocorreu após questionamentos apresentados pela campanha de Flávio Bolsonaro, que atribuiu à iniciativa a disseminação de desinformação eleitoral. O caso passou a envolver decisões do presidente do TSE e do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, com determinações sucessivas sobre bloqueio, restabelecimento e condições de funcionamento.</p>
<p>A ABJD sustenta que a controvérsia ultrapassa uma divergência sobre a interpretação das normas eleitorais. A entidade considera necessário esclarecer se houve interferência indevida na competência do corregedor e se iniciativas digitais ligadas às duas campanhas foram submetidas aos mesmos parâmetros de fiscalização. O ministro não havia apresentado manifestação específica sobre o novo pedido de suspeição nas informações disponíveis até a publicação desta reportagem.</p>
<h2>Decisões de Kassio Nunes Marques motivam pedido de suspeição</h2>
<p>A sequência de decisões começou em 11 de outubro, quando Nunes Marques determinou a suspensão do “Exército do Lula” após receber uma solicitação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro. A ordem foi expedida no âmbito de uma petição administrativa relacionada à atuação do WhatsApp e às obrigações da plataforma no enfrentamento da desinformação. Naquele momento, já existia uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) sobre a legalidade do canal, sob relatoria do corregedor-geral.</p>
<p>Ainda no dia 11, Ricardo Villas Bôas Cueva determinou o restabelecimento provisório da ferramenta, permitindo novas publicações e a entrada de seguidores. O corregedor considerou insuficientes os elementos apresentados para justificar a manutenção de uma suspensão integral naquele estágio da apuração. A existência de duas decisões sobre o mesmo canal, expedidas em procedimentos diferentes, passou a constituir um dos principais pontos da discussão sobre a distribuição de competências no tribunal.</p>
<p>Nos dias seguintes, a Presidência do TSE solicitou informações complementares à área técnica responsável pelo enfrentamento da desinformação. A análise inicial não identificou, no material examinado, as irregularidades apontadas pela campanha adversária. A defesa de Flávio Bolsonaro contestou o alcance dessa avaliação, argumentando que a exclusão de mensagens e a ausência de análise integral de determinados conteúdos limitavam as conclusões técnicas.</p>
<p>Em 13 de outubro, Nunes Marques voltou a impor restrições ao funcionamento do canal, inicialmente suspendendo novas publicações e o ingresso de seguidores. Posteriormente, determinou nova interrupção até que o endereço eletrônico fosse formalmente comunicado à Justiça Eleitoral. A decisão também estabeleceu condições de acompanhamento pela plataforma e preservação de registros, mantendo aberta a apuração das denúncias apresentadas.</p>
<p>A campanha de Lula realizou a comunicação exigida no processo de registro da candidatura. Na decisão de 13 de outubro, identificada no processo nº 0602791-73.2026.6.00.0000, Nunes Marques reconheceu o cumprimento dessa obrigação e autorizou a retomada das atividades, mas condicionou o funcionamento ao intervalo regulamentar de 48 horas. O entendimento foi posteriormente revisto, permitindo a reativação antecipada do canal na noite de quarta-feira (14).</p>
<h2>Associação questiona competência do presidente do TSE</h2>
<p>Um dos fundamentos apresentados pela ABJD diz respeito à possibilidade de o presidente do tribunal ter adotado providências que, no entendimento da entidade, deveriam ser conduzidas pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral. A associação argumenta que a intervenção administrativa ocorreu paralelamente a uma investigação judicial já distribuída a outro magistrado. O questionamento envolve tanto o alcance das atribuições presidenciais quanto os efeitos produzidos sobre determinações anteriores do relator da investigação.</p>
<p>A documentação processual revela que Nunes Marques justificou sua atuação com base nas obrigações regulatórias das plataformas digitais e nas regras estabelecidas para o combate à desinformação. Na decisão de 13 de outubro, o ministro mencionou expressamente o regime de supervisão regulatória do WhatsApp e a necessidade de preservar registros relacionados ao canal. Também determinou o compartilhamento de informações com o corregedor-geral e a Procuradoria-Geral Eleitoral.</p>
<p>A distinção entre as duas linhas de atuação é relevante para a análise jurídica. Enquanto a investigação eleitoral examina condutas que podem configurar ilícitos durante a campanha, as providências administrativas relacionadas às plataformas procuram assegurar o cumprimento de normas de propaganda e obrigações tecnológicas. A existência de procedimentos paralelos não comprova automaticamente conflito de competência, mas exige a identificação precisa dos fundamentos legais e dos limites de cada decisão.</p>
<p>A associação pretende que o plenário examine essa sequência e avalie a pertinência da alegação de suspeição. O desfecho dependerá da admissibilidade do pedido, da legitimidade processual da entidade e da análise dos fatos apresentados. Eventual divergência entre ministros, isoladamente, não é suficiente para caracterizar parcialidade judicial.</p>
<h2>Diferença de tratamento entre canais entra no centro da disputa</h2>
<p>Outro elemento da petição envolve o canal “Tropa do Flávio”, utilizado na mobilização digital de apoiadores do candidato do PL. A iniciativa já estava em funcionamento quando seu endereço foi formalmente informado à Justiça Eleitoral, em 13 de outubro. Apesar da comunicação posterior ao início das atividades, não houve determinação equivalente de suspensão por 48 horas, circunstância questionada pela ABJD e pela coligação de Lula.</p>
<p>Na quarta-feira (14), a campanha petista pediu ao TSE que o canal associado a Flávio Bolsonaro fosse submetido à mesma restrição imposta ao “Exército do Lula”. O argumento central foi o princípio da isonomia, segundo o qual situações juridicamente equivalentes devem receber tratamento compatível. A iniciativa ocorreu em meio à discussão sobre a regularidade dos registros e sobre a possibilidade de utilização imediata dos canais durante a campanha.</p>
<p>A campanha de Flávio Bolsonaro manifestou concordância com o restabelecimento antecipado do canal administrado por Janones, desde que respeitadas as exigências de identificação e fiscalização. Posteriormente, Nunes Marques autorizou a retomada imediata do “Exército do Lula”, afastando a necessidade de aguardar o término do prazo anteriormente fixado. O episódio não encerrou, contudo, os questionamentos apresentados sobre os critérios empregados nas decisões anteriores.</p>
<p>Do ponto de vista jurídico, a comparação entre os dois casos depende de elementos que vão além da data de comunicação dos endereços eletrônicos. A Resolução nº 23.610/2019, alterada para as eleições de 2026, estabelece regras distintas para canais preexistentes não informados no registro de candidatura e para endereços criados durante a campanha. Também prevê uma exceção à obrigação de comunicação para determinadas iniciativas de pessoas naturais.</p>
<p>Essa diferenciação torna necessário esclarecer a natureza jurídica de cada canal, sua data de criação, a responsabilidade pela administração e a vinculação efetiva às candidaturas. O fato de dois endereços terem sido comunicados ao TSE na mesma data não significa, necessariamente, que estejam sujeitos à mesma hipótese normativa. Para a ABJD, entretanto, a diferença nas providências adotadas precisa ser fundamentada de maneira transparente.</p>
<h2>O que diz a legislação sobre suspeição de magistrados</h2>
<p>O pedido apresentado pela associação também coloca em discussão os requisitos jurídicos necessários para afastar um magistrado de determinado processo. O artigo 145 do Código de Processo Civil estabelece hipóteses de suspeição, incluindo situações nas quais o julgador tenha interesse no resultado da causa em favor de alguma das partes. A aplicação dessas regras exige fundamentação específica, não bastando o descontentamento com decisões judiciais desfavoráveis.</p>
<p>Há uma distinção importante entre suspeição, impedimento e revisão de decisões. A suspeição envolve circunstâncias capazes de comprometer a imparcialidade do julgador; o impedimento decorre de situações objetivamente previstas em lei; e a revisão judicial examina a correção jurídica de determinada decisão. Uma controvérsia sobre competência ou interpretação normativa pode fundamentar questionamentos processuais sem necessariamente caracterizar interesse pessoal ou partidário no resultado.</p>
<p>No caso de Nunes Marques, a associação pretende demonstrar que o conjunto das decisões merece exame sob a perspectiva da imparcialidade. O tribunal deverá avaliar se os fatos narrados são suficientes para justificar a instauração e o processamento do incidente, além de verificar a possibilidade de participação da entidade na ação. Não havia decisão colegiada reconhecendo a suspeição do ministro até o momento considerado nesta reportagem.</p>
<h2>Liberdade de expressão e combate à desinformação dividem a análise</h2>
<p>A controvérsia também envolve os limites constitucionais da atuação da Justiça Eleitoral diante de canais que concentram milhões de seguidores. O combate à circulação de informações falsas constitui uma atribuição relevante do sistema de fiscalização eleitoral, mas deve ser compatibilizado com a liberdade de expressão e com a necessidade de medidas proporcionais. A suspensão integral de um canal tem consequências diferentes da retirada pontual de publicações consideradas ilícitas.</p>
<p>Na decisão de 13 de outubro, Nunes Marques reconheceu a importância da mínima intervenção no debate político e afirmou que o cumprimento da obrigação de registro retirava o fundamento para manter a suspensão baseada exclusivamente nessa omissão. Ao mesmo tempo, preservou determinações de fiscalização, conservação de registros e acompanhamento das atividades pela área técnica do tribunal. Dessa forma, a autorização para o funcionamento não significou o encerramento da apuração sobre eventuais irregularidades.</p>
<p>A análise do caso exige separar três questões: a regularidade formal do canal perante a Justiça Eleitoral, a existência de conteúdos efetivamente ilícitos e a proporcionalidade das medidas aplicadas. A ausência de registro pode justificar providências específicas previstas na regulamentação, mas não comprova disseminação de desinformação. Da mesma maneira, a falta de confirmação das acusações em uma análise técnica inicial não impede a avaliação posterior de novos elementos apresentados pelas partes.</p>
<h2>Pedido amplia pressão por decisão do plenário do TSE</h2>
<p>Com a apresentação da petição, a ABJD pretende deslocar parte da discussão para o colegiado do Tribunal Superior Eleitoral. A entidade solicita o exame das decisões relacionadas ao “Exército do Lula” e esclarecimentos sobre os critérios utilizados na fiscalização do “Tropa do Flávio”. Também busca reunir elementos documentais que permitam avaliar a alegação de tratamento desigual entre iniciativas de mobilização das duas candidaturas.</p>
<p>O pedido surge em um momento no qual as decisões da Justiça Eleitoral podem produzir efeitos imediatos sobre a comunicação política no segundo turno. Para canais com milhões de seguidores, a interrupção de publicações representa uma limitação temporária de circulação de mensagens, independentemente da orientação partidária de seus administradores. Essa circunstância reforça a importância de decisões fundamentadas, proporcionais e passíveis de controle pelos mecanismos processuais previstos na legislação.</p>
<p>O encaminhamento do incidente deverá esclarecer, inicialmente, se a associação possui legitimidade para formular o pedido no processo em questão. Superada essa etapa, a Corte poderá examinar os fundamentos apresentados e definir as consequências processuais cabíveis. Até uma manifestação competente sobre o mérito, as alegações de parcialidade permanecem como questionamentos da entidade, sem reconhecimento judicial.</p>
<p>A controvérsia deixa uma questão institucional mais ampla para o TSE: como conciliar a fiscalização rigorosa da propaganda digital com a aplicação uniforme das regras eleitorais, a independência dos julgadores e a preservação do debate democrático. O exame do pedido de suspeição poderá contribuir para delimitar essas competências, embora sua apresentação, isoladamente, não altere a situação funcional do presidente do tribunal.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — decisão no processo nº 0602791-73.2026.6.00.0000, de 13 de outubro de 2026.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.610/2019, com alterações aplicáveis às eleições de 2026.</p>
<p>Presidência da República — Código de Processo Civil, artigos 145 e 146.</p>
<p>Câmara dos Deputados — registro parlamentar e filiação partidária de André Janones.</p>
<p>Associação Brasileira de Juristas pela Democracia — informações divulgadas em 15 de outubro de 2026 sobre o pedido de suspeição.</p>
<p>Agência Brasil — cobertura das decisões de 11 e 13 de outubro de 2026 relativas ao canal “Exército do Lula”.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>TSE proíbe Flávio Bolsonaro de impulsionar propaganda contra Lula e fixa prazo de três horas</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/tse-flavio-bolsonaro-impulsionamento-propaganda-lula</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Oct 2026 04:09:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[André Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Impulsionamento de Conteúdo]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[propaganda eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[segundo turno]]></category>
		<category><![CDATA[TSE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) André Mendonça proibiu nesta quarta-feira, 14, o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) de impulsionar vídeo contra o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociai</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta quarta-feira (14) que a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) interrompa, no prazo de três horas após a intimação, o impulsionamento pago de uma publicação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. A medida atende a uma representação apresentada pela coligação Brasil Pronto Pra Mais e estabelece restrições à contratação de novos anúncios com a mesma mensagem. A decisão também alcança a Meta, responsável pelo Instagram e Facebook, que deverá suspender a distribuição patrocinada do conteúdo. O vídeo poderá permanecer disponível nas redes sociais, desde que circule sem pagamento para ampliar seu alcance.</p>
<p>A determinação foi adotada durante a disputa do segundo turno presidencial e envolve uma prática que já havia motivado sanção contra a candidatura de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. O conteúdo questionado utiliza críticas ao governo Lula como parte da mensagem eleitoral e foi distribuído mediante contratação de publicidade digital. Para Mendonça, a irregularidade não está necessariamente na manifestação <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340759">política</a> em si, mas na utilização de recursos financeiros para promover conteúdo negativo contra um adversário. A legislação eleitoral permite o impulsionamento para promover candidaturas, partidos e federações, mas estabelece limites específicos para mensagens destinadas a desqualificar concorrentes.</p>
<p>O episódio amplia a sequência de disputas judiciais relacionadas à propaganda digital nas eleições de 2026. Com as campanhas concentradas na mobilização de eleitores para o segundo turno, o investimento em anúncios nas plataformas se tornou um dos instrumentos de distribuição de mensagens políticas. A decisão evidencia uma distinção jurídica importante: uma crítica que pode ser divulgada espontaneamente não recebe necessariamente autorização para circular mediante publicidade paga. Esse entendimento vem sendo aplicado pelo TSE em processos envolvendo diferentes candidaturas.</p>
<h2>Decisão impede novos anúncios com a mesma mensagem</h2>
<p>A publicação analisada começou a circular em 11 de outubro e apresentava uma mensagem de campanha que atribuía ao governo Lula o abandono do país, seguida de promessas de proteção aos trabalhadores, às mulheres e às crianças. O material também continha referências eleitorais favoráveis a Flávio Bolsonaro e um pedido de voto. A coligação que apoia o presidente questionou a utilização de impulsionamento para ampliar a exposição da peça nas redes sociais, argumentando que a propaganda empregava uma avaliação negativa do adversário como instrumento de promoção eleitoral.</p>
<p>Ao examinar o pedido, Mendonça estabeleceu que a campanha deveria encerrar o impulsionamento do vídeo e da respectiva legenda no prazo de três horas. A determinação impede ainda a contratação de novas campanhas publicitárias com conteúdo idêntico à mensagem questionada, inclusive mediante outros anúncios ou plataformas. A Meta recebeu ordem correspondente para interromper a divulgação patrocinada. A decisão foi submetida ao plenário do TSE, responsável por apreciar a matéria no âmbito colegiado.</p>
<p>A restrição não equivale à exclusão integral da publicação. O conteúdo pode continuar acessível no perfil do candidato e circular mediante visualizações, compartilhamentos e outras formas de distribuição espontânea, respeitadas as demais normas eleitorais. A distinção é relevante porque limita a intervenção judicial ao mecanismo de ampliação remunerada de audiência. Dessa forma, a medida procura impedir o uso de publicidade paga considerada irregular sem estabelecer, por esse fundamento específico, uma proibição geral à manifestação política contida no vídeo.</p>
<p>A ordem também não representa, por si só, uma nova condenação ao pagamento de multa. Trata-se de uma determinação para interromper a prática questionada, cuja apreciação pelo colegiado e eventuais consequências processuais dependem dos desdobramentos do caso. A existência de uma penalidade anterior, aplicada em processo relacionado a mensagem semelhante, não autoriza concluir que uma nova sanção financeira já tenha sido imposta.</p>
<h2>Campanha já havia sido multada em R$ 5 mil no primeiro turno</h2>
<p>O novo episódio ocorre após uma decisão de André Mendonça, tomada em 5 de outubro, que aplicou multa de R$ 5 mil a Flávio Bolsonaro por impulsionamento irregular de propaganda eleitoral negativa contra Lula. Naquele processo, a discussão envolvia uma publicação com mensagem semelhante, utilizada para promover a candidatura do senador enquanto dirigia críticas ao presidente. O caso demonstrou que a Justiça Eleitoral já havia analisado o mesmo tipo de comunicação política antes da nova representação apresentada no segundo turno.</p>
<p>Na decisão anterior, Mendonça acompanhou parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral, segundo o qual a mensagem empregava a rejeição ao adversário como elemento de persuasão para promover a própria candidatura. A defesa de Flávio Bolsonaro argumentou que o material expressava um juízo político e que as referências negativas a Lula ocupavam apenas parte da comunicação, predominantemente voltada à apresentação positiva do candidato. O ministro, contudo, considerou que a utilização do impulsionamento contrariava a finalidade autorizada pela legislação eleitoral.</p>
<p>A penalidade de R$ 5 mil foi acompanhada de restrições à contratação de novos impulsionamentos com mensagem de teor equivalente. Na ocasião, também não foi determinada a retirada integral da publicação. A comparação entre os dois episódios permite identificar a continuidade do fundamento jurídico utilizado pelo ministro: a análise não se restringe à presença de uma mensagem favorável ao próprio candidato, mas considera também o papel desempenhado pelas críticas ao adversário dentro da propaganda patrocinada.</p>
<p>A repetição de mensagens semelhantes em diferentes etapas da campanha torna relevante a análise do conteúdo efetivamente contratado, da identificação dos anúncios e dos registros de pagamento mantidos pelas plataformas. Esses elementos podem ajudar a estabelecer se houve continuidade de uma estratégia publicitária já questionada judicialmente. Entretanto, a simples semelhança entre duas publicações não comprova, isoladamente, descumprimento de uma decisão anterior. Essa conclusão depende da análise dos atos processuais, dos períodos de veiculação e das obrigações específicas estabelecidas em cada determinação.</p>
<h2>Lei eleitoral diferencia crítica política de propaganda negativa paga</h2>
<p>A restrição ao impulsionamento negativo tem fundamento na Lei nº 9.504/1997, conhecida como Lei das Eleições, e na Resolução TSE nº 23.610/2019, que disciplina a propaganda eleitoral. O artigo 28, parágrafo 7º-A, da resolução determina que o impulsionamento de conteúdo em plataformas digitais somente pode ser empregado para promover ou beneficiar a candidatura, o partido ou a federação responsável pela contratação. O dispositivo veda expressamente a utilização do mecanismo para propaganda negativa contra adversários.</p>
<p>A regra estabelece uma diferença entre a liberdade de manifestação política e a possibilidade de contratar distribuição remunerada dessa manifestação. Candidatos podem apresentar suas propostas, defender resultados administrativos, contestar políticas públicas e criticar adversários, respeitados os limites legais. O pagamento para ampliar artificialmente a exposição de uma mensagem, entretanto, está submetido a requisitos adicionais. Entre eles está a proibição de utilizar anúncios patrocinados com finalidade de propaganda eleitoral negativa.</p>
<p>Essa interpretação foi reafirmada pelo próprio TSE em julgamentos anteriores. Em setembro de 2026, a Corte manteve multa de R$ 10 mil aplicada a candidatos eleitos para a Prefeitura de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, em razão do impulsionamento de publicações negativas contra adversário na eleição municipal de 2024. O julgamento confirmou que a existência de crítica política não afasta automaticamente a irregularidade quando o conteúdo é distribuído por meio de publicidade paga.</p>
<p>O precedente também mostra que a restrição não foi criada especificamente para a disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro. Trata-se de uma disciplina aplicável às diferentes eleições realizadas no país, independentemente do partido ou da candidatura envolvida. A análise judicial considera o conteúdo, a finalidade da contratação e o mecanismo utilizado para sua divulgação. A identificação de propaganda negativa patrocinada pode justificar a interrupção do anúncio mesmo quando a postagem permanece acessível por meios orgânicos.</p>
<h2>Plataformas digitais também têm obrigações eleitorais</h2>
<p>A ordem dirigida à Meta evidencia o papel das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340760">empresas</a> de tecnologia no cumprimento das decisões relacionadas à propaganda política. Ao oferecer ferramentas de impulsionamento, as plataformas participam da distribuição remunerada de conteúdo e precisam observar as exigências impostas pela legislação eleitoral brasileira. Isso inclui mecanismos para identificar os responsáveis pelos anúncios, registrar informações sobre os pagamentos e permitir a fiscalização das campanhas publicitárias.</p>
<p>A Resolução TSE nº 23.610/2019 exige a manutenção de repositórios de anúncios políticos e eleitorais, com informações que permitam acompanhar o conteúdo, os valores envolvidos, os anunciantes e determinadas características da audiência. Esses registros oferecem instrumentos para verificar como uma publicação foi promovida e quais recursos foram utilizados para ampliar sua circulação. Também permitem diferenciar postagens espontâneas de campanhas contratadas, distinção central para a aplicação das regras sobre impulsionamento negativo.</p>
<p>As obrigações de transparência foram detalhadas em normas complementares aprovadas para as eleições de 2026. A Portaria TSE nº 463, de julho, estabelece parâmetros para os planos de conformidade das plataformas, incluindo procedimentos relacionados à publicidade política paga. Entre os aspectos previstos estão mecanismos de identificação dos anunciantes, rastreabilidade de anúncios e critérios para impedir a contratação de impulsionamento destinado predominantemente à desqualificação de adversários.</p>
<p>No processo envolvendo Flávio Bolsonaro, a determinação para interromper a divulgação patrocinada não significa que a Meta tenha sido condenada por irregularidade própria. A empresa foi incluída entre os destinatários da ordem judicial para viabilizar a suspensão técnica do impulsionamento. A eventual responsabilização da plataforma por condutas autônomas dependeria da verificação de seus deveres legais e de circunstâncias específicas, não podendo ser presumida apenas pelo fato de ter recebido a determinação.</p>
<h2>Restrições também atingiram publicidade da campanha de Lula</h2>
<p>A aplicação das normas sobre propaganda negativa não ficou restrita à candidatura de Flávio Bolsonaro. Em 11 de outubro, André Mendonça também determinou a suspensão do impulsionamento de publicações da campanha de Lula que apresentavam críticas ao adversário do PL. As mensagens associavam uma eventual vitória de Flávio a consequências negativas para determinadas políticas públicas e benefícios sociais. A ordem estabeleceu prazo para a interrupção da distribuição patrocinada e foi submetida à apreciação do TSE.</p>
<p>A existência de decisões contra as duas campanhas revela como a disputa jurídica se concentra não apenas na veracidade das afirmações utilizadas, mas também na forma de distribuição das mensagens eleitorais. A propaganda digital combina peças favoráveis ao próprio candidato, comparações entre programas de governo e críticas aos concorrentes. Quando esses elementos aparecem em anúncios pagos, a Justiça Eleitoral precisa avaliar se o conteúdo atende à finalidade autorizada para o impulsionamento.</p>
<p>A fiscalização ganha importância porque as plataformas permitem contratar diferentes anúncios, testar mensagens e direcionar campanhas a públicos específicos. Uma mesma publicação pode alcançar usuários espontaneamente e, simultaneamente, receber investimento para ampliar sua audiência. Sob as regras eleitorais, essas modalidades de circulação não são juridicamente equivalentes. A distribuição remunerada exige identificação do responsável, observância das restrições de conteúdo e possibilidade de acompanhamento pelos órgãos de fiscalização.</p>
<p>A questão também envolve os limites da intervenção judicial no debate político. A jurisprudência eleitoral distingue críticas permitidas, manifestações ofensivas ou desinformativas e publicidade negativa patrocinada, categorias que não devem ser confundidas. A remoção integral de uma publicação pode depender de fundamentos diferentes daqueles suficientes para suspender seu impulsionamento. No caso decidido em 14 de outubro, a medida informada concentra-se na contratação de publicidade, preservando a circulação espontânea do vídeo.</p>
<h2>Julgamento no plenário definirá próximos passos</h2>
<p>A nova determinação de André Mendonça acrescenta um capítulo à disputa sobre o uso de recursos financeiros na comunicação eleitoral durante o segundo turno. Seu efeito imediato é impedir que a campanha de Flávio Bolsonaro continue pagando para ampliar a circulação da mensagem questionada. O cumprimento da ordem depende da interrupção dos impulsionamentos pela campanha e pela plataforma, nos termos e prazos fixados na decisão.</p>
<p>O caso ainda poderá ser examinado pelo plenário do TSE, que terá a atribuição de avaliar os fundamentos da medida submetida à Corte. A análise colegiada poderá confirmar ou modificar os limites estabelecidos, conforme o andamento processual. Até que haja novos pronunciamentos, é necessário distinguir a suspensão do impulsionamento de uma eventual condenação financeira ou de uma ordem para remover completamente a publicação.</p>
<p>A controvérsia reforça a relevância da separação entre crítica política e publicidade eleitoral remunerada na reta final da eleição presidencial. Para as campanhas, as decisões estabelecem consequências práticas sobre a contratação de anúncios; para as plataformas, exigem mecanismos capazes de cumprir rapidamente ordens judiciais; e, para os eleitores, preservam a distinção entre mensagens que circulam espontaneamente e aquelas cuja exposição é ampliada mediante pagamento. O próximo desdobramento institucional será a apreciação da determinação no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.610/2019, com alterações posteriores, especialmente as regras sobre propaganda eleitoral na internet e impulsionamento de conteúdo.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — jurisprudência sobre propaganda eleitoral negativa e julgamento divulgado em 22 de setembro de 2026 relativo ao impulsionamento irregular nas eleições municipais de 2024.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — Portaria nº 463/2026, que estabelece exigências de transparência e conformidade para plataformas digitais durante o processo eleitoral.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — repositório de jurisprudência sobre propaganda negativa, impulsionamento e limites da crítica política.</em></p>
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		<title>Mensagens de Vorcaro levantam suspeita sobre Kassio Nunes Marques em festa com garotas de programa</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/kassio-nunes-marques-festa-vorcaro-garotas-programa</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Oct 2026 15:52:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[política brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[prostituição]]></category>
		<category><![CDATA[Rayanna]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
		<category><![CDATA[Supremo Tribunal Federal]]></category>
		<category><![CDATA[Suspeita de Exploração Sexual]]></category>
		<category><![CDATA[Tribunal Superior Eleitoral]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Rui Falcão afirma que é preciso investigar se informações falsas ou imprecisas foram usadas para tirar do ar o canal &#039;Exército do Lula&#039;. * * O deputado federal Rui Falcão (PT-SP) pediu ao Supremo Tribunal…</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), teve seu nome associado a uma suspeita de encontro com garotas de programa durante uma festa organizada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Mensagens encontradas no celular do empresário registram que um funcionário relatou a presença de um ministro acompanhado de cinco mulheres em um quarto de seu triplex, em São Paulo, na noite de 28 de fevereiro de 2025. Uma semana depois, uma mulher responsável por intermediar a participação de convidadas no evento procurou o banqueiro para cobrar R$ 10 mil e afirmou que uma delas havia ficado com alguém identificado apenas como “Kassio”.</p>
<p>A revelação foi publicada pela jornalista Daniela Lima, do UOL, em 13 de outubro de 2026, e posteriormente repercutida por outros veículos, entre eles a Revista Fórum, em reportagem de Julinho Bittencourt. Segundo a apuração original, investigadores da Polícia Federal (PF) e interlocutores do STF consideram a possibilidade de que o homem mencionado nas conversas seja Kassio Nunes Marques. A associação, entretanto, não está comprovada: os registros divulgados não identificam expressamente o magistrado como participante da festa, tampouco demonstram que o ministro citado pelo funcionário seja a mesma pessoa chamada de “Kassio” na cobrança posterior.</p>
<p>As mensagens apresentam uma sequência de acontecimentos que inclui a organização de um churrasco para aproximadamente 15 pessoas, orientações sobre o recolhimento de celulares, a disponibilização de um quarto para um convidado tratado como ministro e cobranças relacionadas à participação de garotas de programa. Um relatório de despesas vinculado ao evento registra gastos de aproximadamente R$ 62,3 mil. O conjunto dessas informações ampliou os questionamentos sobre a natureza dos encontros privados promovidos por Vorcaro e sua relação com pessoas de influência <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340721">política</a> e institucional.</p>
<p>Procurado após a divulgação da reportagem, Nunes Marques afirmou que nunca solicitou favores ao banqueiro, não manteve conversas por mensagens com ele e jamais autorizou terceiros a agir em seu nome. A manifestação, porém, não esclareceu especificamente se esteve na festa de fevereiro de 2025. A ausência dessa resposta não representa confirmação de sua presença, que permanece sem comprovação pública.</p>
<h2>Funcionário relatou presença de ministro com cinco mulheres</h2>
<p>A festa ocorreu em 28 de fevereiro de 2025, em um triplex utilizado por Daniel Vorcaro na capital paulista. Embora não estivesse acompanhando pessoalmente todas as etapas do encontro, o empresário recebia atualizações de funcionários responsáveis pela recepção dos convidados, pela preparação do espaço e pela organização dos serviços contratados.</p>
<p>Às 14h25, um funcionário identificado como Gustavo tratou com Vorcaro do recolhimento dos aparelhos celulares das garotas de programa que participariam do evento, segundo a reportagem original do UOL. A medida aparece nas conversas como parte das orientações dadas à equipe encarregada da recepção. Os registros não esclarecem se todos os aparelhos foram efetivamente recolhidos nem por quanto tempo permaneceram sob responsabilidade dos organizadores.</p>
<p>Em outro diálogo, mantido com um interlocutor identificado como Luiz Rennó, o banqueiro mencionou que estava preparando uma recepção para um ministro em São Paulo. A referência ganhou importância quando, horas depois, outro funcionário passou a relatar a movimentação de um convidado identificado pelo mesmo cargo.</p>
<p>Às 20h56, Michael, responsável por acompanhar o andamento da festa no imóvel, informou a Vorcaro que havia disponibilizado um quarto para um ministro acompanhado de cinco mulheres. A mensagem dizia que o funcionário tentara solicitar autorização antes de ceder o espaço, mas não conseguira falar com o empresário.</p>
<p>A comunicação sugere que o convidado recebeu tratamento diferenciado dos demais participantes, com a disponibilização de um ambiente reservado. O registro, porém, não esclarece a identidade do homem, nem permite determinar o que ocorreu dentro do quarto.</p>
<p>Às 22h58, Michael voltou a mencionar o participante, informando que ele permanecia na festa e havia demonstrado disposição para prolongar o encontro. Cerca de 20 minutos depois, às 23h17, o funcionário comunicou sua saída.</p>
<p>A sequência de horários permite estabelecer a duração aproximada dos relatos sobre a permanência do convidado no imóvel, mas não comprova que o homem mencionado fosse Kassio Nunes Marques. Os trechos divulgados não apresentam sobrenome, imagem ou identificação funcional suficientemente específica para estabelecer essa conclusão.</p>
<p>A interpretação de que o participante poderia ser o presidente do TSE surgiu posteriormente, a partir do cruzamento desses registros com outra conversa encontrada no celular de Vorcaro.</p>
<h2>Cobrança de R$ 10 mil mencionou encontro com “Kassio”</h2>
<p>Em 7 de março de 2025, uma semana depois da festa, uma mulher identificada como Rayanna procurou Daniel Vorcaro para tratar de um pagamento relacionado à participação de uma convidada no encontro.</p>
<p>Segundo os registros divulgados pelo UOL, a intermediária perguntou ao banqueiro se a participação de sua amiga havia ocorrido conforme o esperado. Em seguida, afirmou que a mulher havia ficado com alguém chamado “Kassio” e que estava cobrando o pagamento.</p>
<p>Vorcaro respondeu solicitando os dados necessários para realizar a transferência e perguntou qual era a quantia devida. Rayanna informou que o valor era de R$ 10 mil e reiterou que a convidada havia se encontrado com o homem mencionado.</p>
<p>O diálogo constitui o principal elemento de ligação entre o nome Kassio e a festa realizada no triplex. Embora apareça no contexto de um evento com garotas de programa, a conversa não apresenta a identificação completa do suposto participante nem descreve detalhadamente o serviço ao qual a cobrança se referia.</p>
<p>Também não há confirmação de que o pagamento tenha sido realizado. Os registros mostram a solicitação de dados para transferência, mas não incluem documentação bancária suficiente para demonstrar o repasse dos R$ 10 mil à intermediária ou à mulher mencionada.</p>
<p>O material divulgado não permite determinar, ainda, se a pessoa chamada de “Kassio” na conversa de março é a mesma identificada como ministro pelo funcionário Michael na noite de 28 de fevereiro.</p>
<p>Essa distinção é essencial para compreender o alcance das suspeitas. A reportagem original reúne duas referências surgidas em momentos diferentes: a primeira descreve a presença de um ministro acompanhado de mulheres; a segunda registra uma cobrança relacionada a uma pessoa identificada por um primeiro nome. A hipótese de que ambas correspondam a Kassio Nunes Marques depende de elementos adicionais de identificação.</p>
<p>Segundo o UOL, investigadores consideram essa possibilidade. Não foi apresentada, contudo, confirmação oficial ou prova pública independente que estabeleça a presença do magistrado na festa, sua participação em eventual encontro remunerado ou o recebimento de qualquer benefício custeado por Vorcaro.</p>
<h2>Festa de Vorcaro teve despesas superiores a R$ 62 mil</h2>
<p>Os documentos divulgados também ajudam a dimensionar a estrutura mobilizada para o evento. Vorcaro havia contratado um chef para preparar um churrasco destinado a um grupo inicialmente estimado em 15 convidados, enquanto funcionários cuidavam da alimentação, das bebidas e de outras providências necessárias à recepção.</p>
<p>Um relatório de despesas associado à festa registra gastos próximos de R$ 62,3 mil. A relação inclui alimentos, bebidas, insumos e serviços prestados pela equipe encarregada da organização.</p>
<p>Esse montante não deve ser confundido com os R$ 10 mil solicitados posteriormente por Rayanna. O primeiro representa as despesas registradas na preparação e realização do encontro. O segundo corresponde a uma cobrança individual, apresentada em uma conversa posterior e associada à participação de uma das mulheres.</p>
<p>Os registros tornados públicos não esclarecem se o pagamento mencionado pela intermediária já estava incluído no orçamento da festa ou se seria realizado separadamente. Também não permitem identificar todas as pessoas que compareceram ao evento.</p>
<p>A combinação entre contratação de serviços, organização de mulheres convidadas, recolhimento de celulares e atualizações constantes enviadas ao empresário revela uma estrutura de apoio para a realização de recepções privadas. Esses elementos, isoladamente, não permitem concluir que cada encontro ou participante estivesse envolvido em alguma irregularidade.</p>
<p>O interesse público sobre o episódio está relacionado à possibilidade de que pessoas que ocupam cargos relevantes no Estado tenham participado de eventos financiados por um empresário posteriormente investigado por suspeitas de irregularidades financeiras e de exploração sexual. A comprovação dessa hipótese, entretanto, exige a identificação dos envolvidos e a análise das circunstâncias específicas de cada encontro.</p>
<h2>Kassio Nunes Marques nega ter solicitado favores a Vorcaro</h2>
<p>Após a publicação da reportagem de Daniela Lima, Kassio Nunes Marques encaminhou uma manifestação ao UOL negando ter solicitado benefícios a Daniel Vorcaro.</p>
<p>Na nota, o ministro afirmou que nunca trocou mensagens com o empresário e que não autorizou outras pessoas a falar em seu nome. Também declarou não poder ser responsabilizado por conversas ou atitudes de terceiros.</p>
<p>Nunes Marques acrescentou que não proferiu decisões favoráveis ao banqueiro e mencionou seu voto pela manutenção da prisão do ex-controlador do Banco Master.</p>
<p>A manifestação foi divulgada na tarde de 13 de outubro, depois que os diálogos encontrados no celular do empresário ganharam repercussão nacional.</p>
<p>Embora trate da inexistência de pedidos de favores e de comunicações diretas entre o magistrado e Vorcaro, a nota não responde de maneira específica à possibilidade de participação na festa de 28 de fevereiro de 2025.</p>
<p>Essa circunstância foi observada por comentaristas do UOL, que defenderam a apuração das referências presentes nas mensagens. A ausência de uma negativa específica, contudo, não equivale a uma admissão de presença ou participação.</p>
<p>O fato de Kassio Nunes Marques integrar o STF e presidir o TSE amplia a relevância institucional das informações. Eventuais relações entre magistrados e pessoas com interesses em procedimentos judiciais podem suscitar questionamentos sobre imparcialidade, conflitos de interesse e vantagens indevidas.</p>
<p>Para avaliar uma situação concreta, porém, é indispensável demonstrar quem participou do encontro, em quais condições ocorreu e se houve algum benefício relacionado ao exercício da função pública. Nenhum desses elementos foi comprovado publicamente em relação a Nunes Marques no episódio da festa.</p>
<h2>Polícia Federal investiga estrutura de prostituição associada ao banqueiro</h2>
<p>A divulgação das mensagens sobre a festa ocorreu no mesmo dia em que uma investigação jornalística do UOL apresentou informações sobre uma suposta rede internacional de prostituição financiada por Daniel Vorcaro.</p>
<p>A reportagem, assinada por Natália Portinari, Cézar Feitoza e Fabio Serapião, apontou que o empresário teria investido pelo menos R$ 4,3 milhões em uma estrutura de recrutamento de mulheres e organização de encontros privados, com participação de intermediários responsáveis por viagens, hospedagens e pagamentos.</p>
<p>Segundo a investigação, a operação envolvia mulheres de diferentes nacionalidades, incluindo ucranianas, russas, venezuelanas e argentinas. Parte das participantes estaria em situação de vulnerabilidade, inclusive mulheres que deixaram a Ucrânia em decorrência da guerra.</p>
<p>Os documentos obtidos pelo UOL mencionam ainda uma agência de modelos utilizada nas negociações, a Allure Eventos, e a atuação de intermediários como Diogo Batista e Leonardo Serrano, associados à organização dos encontros e à contratação de serviços.</p>
<p>A Polícia Federal abriu um inquérito em maio de 2026 para apurar a participação de mulheres estrangeiras nesses eventos e possíveis irregularidades relacionadas à contratação dos serviços.</p>
<p>Esse procedimento é distinto da hipótese envolvendo Kassio Nunes Marques. A existência de uma investigação sobre a estrutura de recrutamento não significa que a presença do magistrado na festa tenha sido comprovada ou que ele figure formalmente como investigado nesse episódio.</p>
<p>No Brasil, a prostituição voluntária entre adultos não constitui crime. A exploração sexual, o favorecimento de atividades ilícitas e o tráfico de pessoas são questões juridicamente diferentes, sujeitas a requisitos específicos de caracterização e comprovação.</p>
<p>A condição de uma pessoa como convidada de um evento também não demonstra, por si só, envolvimento com crimes eventualmente praticados por seus organizadores.</p>
<h2>Vorcaro contesta acusações e autenticidade das mensagens</h2>
<p>Daniel Vorcaro rejeitou as acusações relacionadas à suposta rede de prostituição. Em manifestação encaminhada ao UOL, o empresário negou ter explorado ou desrespeitado mulheres e contestou a divulgação de informações privadas extraídas de seu aparelho celular.</p>
<p>A defesa afirmou que o ex-banqueiro não reconhece a autoria, a autenticidade ou o contexto de parte das conversas divulgadas. Também criticou os vazamentos de material obtido durante investigações e a exposição de informações pessoais.</p>
<p>O empresário declarou estar disposto a prestar esclarecimentos às autoridades pelos meios legais e indicou que pretende questionar a divulgação de conteúdos que considera indevidos.</p>
<p>A manifestação não esclarece individualmente todos os registros referentes à festa de fevereiro de 2025, mas estabelece a contestação apresentada pelo empresário diante das acusações de exploração de mulheres e dos materiais publicados pela imprensa.</p>
<p>A análise dos diálogos depende tanto da verificação técnica de sua autenticidade quanto da reconstrução do contexto em que foram produzidos. Mensagens privadas podem oferecer elementos relevantes a uma investigação, mas referências incompletas a terceiros não substituem procedimentos de identificação e confirmação dos acontecimentos.</p>
<h2>Relação entre empresários e autoridades permanece no centro da apuração</h2>
<p>O episódio envolvendo as mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro acrescenta um novo elemento à discussão sobre as relações entre empresários do setor financeiro e pessoas que ocupam cargos de influência no poder público.</p>
<p>A eventual participação de autoridades em encontros privados custeados por empresários pode suscitar questões institucionais quando houver demonstração de vantagens, conflitos de interesse ou relação com decisões oficiais. Entretanto, tais circunstâncias não podem ser presumidas apenas com base na existência de uma festa ou na menção a um primeiro nome em conversas de terceiros.</p>
<p>No caso divulgado pelo UOL, há três questões centrais ainda sem esclarecimento público conclusivo: quem era o homem identificado como ministro na noite de 28 de fevereiro, quem era a pessoa chamada de “Kassio” na cobrança de 7 de março e se o pagamento de R$ 10 mil foi efetivamente realizado.</p>
<p>As mensagens mostram que um funcionário relatou ter disponibilizado um quarto para um ministro acompanhado de cinco mulheres. Também registram que uma intermediária afirmou que sua amiga havia ficado com uma pessoa chamada “Kassio” e cobrou o pagamento relacionado ao encontro.</p>
<p>A associação desses registros a Kassio Nunes Marques foi apresentada como hipótese por investigadores ouvidos pela reportagem original. Até agora, entretanto, não há confirmação pública de que o presidente do TSE tenha comparecido à festa ou mantido relações com garotas de programa contratadas no contexto dos eventos organizados por Vorcaro.</p>
<p>A identificação dos participantes e o esclarecimento das circunstâncias são necessários para determinar se existe qualquer desdobramento jurídico ou institucional. Enquanto essas informações não forem verificadas, o envolvimento de Kassio Nunes Marques permanece uma suspeita atribuída a fontes da investigação, e não uma conclusão demonstrada pelos documentos divulgados.</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Flávio Bolsonaro consta como “usuário master” de conta de offshore ligada a jato usado por Vorcaro, aponta PF</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/flavio-bolsonaro-usuario-master-offshore-jato-vorcaro</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Oct 2026 12:32:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Alcazar Holdings]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Master]]></category>
		<category><![CDATA[Conta Bancária]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Vorcaro]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Embraer Legacy 650]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Fraction 024]]></category>
		<category><![CDATA[fraudes no INSS]]></category>
		<category><![CDATA[investigação do INSS]]></category>
		<category><![CDATA[investigação financeira]]></category>
		<category><![CDATA[jato de Vorcaro]]></category>
		<category><![CDATA[offshore]]></category>
		<category><![CDATA[PF]]></category>
		<category><![CDATA[PL]]></category>
		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
		<category><![CDATA[política brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Prime You]]></category>
		<category><![CDATA[Santander]]></category>
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		<category><![CDATA[Usuário Master]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecia cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que detinha participação em um jato executivo utilizado pelo parlamentar e ligado ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A informação consta de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecia cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que detinha participação em um jato executivo utilizado pelo parlamentar e ligado ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A informação consta de um relatório da Polícia Federal produzido a partir de documentos extraídos do armazenamento digital do advogado Willer Tomaz, investigado no âmbito das apurações sobre fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os registros foram revelados nesta quarta-feira (14) pelo jornal O Globo, em reportagem de Malu Gaspar, Yago Godoy e Johanns Eller. Flávio Bolsonaro e Tomaz negam a existência de qualquer relação financeira ou societária entre eles.</p>
<p>O principal elemento identificado pelos investigadores é uma troca de e-mails realizada em 22 de maio de 2025 entre uma funcionária de Willer Tomaz e representantes do Santander. A correspondência tratava de alterações no cadastro bancário da Alcazar Holdings e mencionava expressamente uma conta associada ao nome de Flávio Bolsonaro. Segundo o relatório citado pelo jornal, a documentação de abertura da conta indicava que o senador possuía um perfil com nível elevado de acesso e gerenciamento, circunstância considerada relevante pela PF para examinar a hipótese de uma eventual participação econômica na empresa. A existência de uma autorização bancária, entretanto, não comprova automaticamente propriedade de recursos, participação societária ou realização de movimentações financeiras pelo usuário cadastrado.</p>
<p>A descoberta acrescenta uma dimensão financeira às informações já conhecidas sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. Em janeiro de 2025, o senador utilizou um jato Embraer Legacy 650, matrícula PP-NLR, em uma viagem entre Brasília e Fort Lauderdale, nos Estados Unidos. A aeronave pertencia à Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., empresa da qual a Alcazar Holdings detinha 33,33% do capital. Outra participação na estrutura estava vinculada à Prime You, companhia que teve Daniel Vorcaro entre seus sócios. Quando a viagem foi revelada pela revista piauí, em setembro deste ano, Flávio afirmou que havia embarcado como convidado de Tomaz, com quem mantém uma relação de amizade.</p>
<h2>E-mails do Santander mencionam Flávio Bolsonaro em cadastro bancário</h2>
<p>A correspondência de 22 de maio de 2025 foi recuperada pela Polícia Federal a partir de informações armazenadas no iCloud de Willer Tomaz. Na mensagem enviada às 8h05, Fayla Menezes, funcionária do advogado, solicitou a inclusão de um novo usuário no perfil administrativo da conta da Alcazar Holdings. No mesmo e-mail, pediu a retirada de duas contas que apareciam vinculadas ao cadastro: uma identificada com o nome de Flávio Bolsonaro e outra descrita como conta pessoal de Willer.</p>
<p>A resposta do Santander foi enviada às 10h21, confirmando a exclusão dos vínculos indicados na solicitação. Para os investigadores, a troca de mensagens demonstra que o nome do senador constava da estrutura de acesso bancário relacionada à empresa até aquela data. O documento ganhou importância porque a conta estava vinculada a uma holding que participava da propriedade do avião utilizado por Flávio quatro meses antes.</p>
<p>A reportagem do Globo acrescentou uma informação relevante à revelação publicada pelo UOL em 10 de outubro. Na apuração anterior, o foco estava na existência de uma conta identificada com o nome do senador associada a um perfil administrativo relacionado ao advogado. O novo relato apresenta a interpretação da Polícia Federal sobre a documentação bancária da própria Alcazar Holdings, na qual Flávio teria figurado como usuário com prerrogativas elevadas de gerenciamento.</p>
<p>Essa diferença é fundamental para compreender o alcance da investigação. Uma conta bancária pode possuir titulares, representantes legais, usuários autorizados e perfis administrativos distintos, com diferentes níveis de acesso. A classificação como “usuário master” normalmente está relacionada a permissões operacionais estabelecidas pela instituição financeira, mas sua extensão depende das regras do banco e das autorizações efetivamente concedidas. O cadastro, isoladamente, não permite determinar quem era o beneficiário econômico dos recursos ou se o usuário realizou transações.</p>
<p>A documentação mencionada pela PF levanta questões sobre a origem e a finalidade da vinculação, mas a reportagem não apresenta comprovantes de transferências efetuadas por Flávio, extratos demonstrando recebimento de valores da offshore ou documentos societários que o identifiquem formalmente como proprietário da empresa.</p>
<h2>Polícia Federal examina hipótese de participação econômica na Alcazar</h2>
<p>Segundo os trechos do relatório divulgados pelo Globo, a Polícia Federal considerou que o perfil bancário atribuído ao senador indicava capacidade relevante de acesso e gerenciamento. A corporação relacionou essa circunstância à possibilidade de participação econômica ou societária de fato na Alcazar Holdings, mesmo sem o nome de Flávio constar formalmente de seu quadro societário.</p>
<p>A empresa, registrada na Ilha da Madeira, tem Willer Tomaz como único sócio formal, de acordo com os dados apresentados na reportagem. A possível participação econômica do senador permanece, portanto, uma hipótese investigativa, e não uma conclusão demonstrada por documentação societária ou reconhecida judicialmente.</p>
<p>O ponto de interesse dos investigadores está na relação entre o acesso bancário e a estrutura patrimonial da holding. Como a Alcazar participava de outra companhia proprietária de uma aeronave de alto valor, uma eventual vinculação econômica à offshore poderia adquirir relevância para compreender quem exercia influência ou possuía interesses indiretos sobre os ativos administrados por ela.</p>
<p>Essa linha de investigação, contudo, exige elementos adicionais para ser confirmada. A existência de autorização para acessar uma conta não equivale necessariamente à titularidade de ações ou quotas, assim como a utilização de uma aeronave não demonstra participação na empresa proprietária. Para estabelecer um vínculo patrimonial, seria necessário examinar contratos, registros societários, documentos bancários, origem dos recursos e eventuais operações realizadas.</p>
<p>Flávio Bolsonaro rejeitou a interpretação apresentada na investigação. Em nota encaminhada ao Globo, sua assessoria afirmou que o senador nunca manteve conta em conjunto com Willer Tomaz ou com <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340697">empresas</a> do advogado. A defesa sustenta que o próprio pedido de exclusão encaminhado ao Santander demonstra que a vinculação era indevida e precisava ser corrigida.</p>
<p>Willer Tomaz também negou qualquer sociedade ou relação financeira com o senador. Segundo o advogado, os documentos não demonstram divisão de conta bancária nem permitem concluir que Flávio tivesse participação econômica na Alcazar.</p>
<h2>Offshore tinha participação de 33,33% na empresa proprietária do jato</h2>
<p>A conexão entre a Alcazar Holdings e a aeronave passa pela Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., companhia que adquiriu o Embraer Legacy 650 de matrícula PP-NLR em 2023. Segundo a documentação descrita na reportagem, a holding portuguesa possuía um terço do capital da Fraction 024.</p>
<p>As demais participações estavam relacionadas ao empresário Laerte Cosentino, fundador da Totvs, e à Prime You, empresa especializada em serviços de aviação executiva e propriedade compartilhada de aeronaves. Daniel Vorcaro integrou o quadro societário da Prime You entre setembro de 2021 e setembro de 2025, período que abrange a viagem realizada por Flávio Bolsonaro.</p>
<p>A estrutura demonstra uma relação empresarial indireta entre a offshore administrada por Willer Tomaz e uma companhia que teve Vorcaro entre seus sócios. Isso não significa que o ex-banqueiro fosse proprietário exclusivo do avião, tampouco estabelece, por si só, uma sociedade entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro.</p>
<p>A distinção é importante porque a propriedade de uma aeronave por meio de uma empresa com múltiplos participantes envolve diferentes níveis de titularidade. Há os sócios da empresa proprietária, as participações mantidas por pessoas jurídicas intermediárias e os usuários autorizados a utilizar o equipamento. Essas condições não são equivalentes e precisam ser examinadas separadamente.</p>
<p>No caso do Legacy 650, a participação da Alcazar na Fraction 024 é o elo societário documentado na reportagem. O possível vínculo de Flávio à holding decorre da interpretação dos registros bancários, e não de uma participação formal identificada no capital da empresa.</p>
<h2>Viagem de Flávio aos Estados Unidos foi revelada em setembro</h2>
<p>A presença do senador na aeronave tornou-se pública em 23 de setembro de 2026, quando a revista piauí revelou que ele havia utilizado o Legacy 650 em uma viagem de ida e volta entre Brasília e Fort Lauderdale, na Flórida, em janeiro de 2025.</p>
<p>Questionado na ocasião, Flávio Bolsonaro afirmou que havia viajado a convite de Willer Tomaz, amigo pessoal que utilizava o avião. O advogado, por sua vez, declarou que desconhecia a participação da Prime You entre as empresas proprietárias da aeronave e sua ligação com Daniel Vorcaro.</p>
<p>A explicação apresentada pelos dois foi a de que se tratou de uma viagem realizada por amizade, sem participação financeira do senador na operação. Os documentos bancários agora mencionados pela PF acrescentam uma questão que não havia sido esclarecida pela revelação inicial: por qual motivo o nome de Flávio aparecia vinculado a um perfil de acesso da Alcazar Holdings, empresa participante da estrutura societária proprietária do jato.</p>
<p>O esclarecimento depende de informações que vão além da identificação do usuário no cadastro. Entre os elementos relevantes estão a data de concessão das permissões, a finalidade do acesso, os poderes efetivamente atribuídos e a eventual existência de transações realizadas por meio desse perfil.</p>
<p>A investigação também poderá distinguir um vínculo operacional estabelecido com consentimento do usuário de uma associação cadastral incorreta, hipótese apresentada pela defesa do senador.</p>
<p>A viagem ao exterior, por si só, não constitui comprovação de irregularidade. O interesse público da informação decorre da combinação entre o uso da aeronave, a estrutura de propriedade e os registros bancários examinados pela Polícia Federal.</p>
<h2>Outras viagens com Willer Tomaz aparecem em documentos da PF</h2>
<p>Os registros analisados pelos investigadores também incluem informações sobre outras viagens realizadas ou planejadas por Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, além de deslocamentos envolvendo familiares de ambos.</p>
<p>Em março de 2025, os dois participaram de um safári na África do Sul que também contou com a presença do senador Weverton Rocha (PDT-MA). A viagem já havia sido divulgada anteriormente pelo Globo, no contexto das investigações sobre as relações mantidas pelo advogado com diferentes lideranças políticas.</p>
<p>O material apreendido pela PF contém ainda referências à Cathedral Holding, outra empresa associada a Tomaz. Segundo o relatório, a companhia teria sido utilizada para adquirir passagens e organizar deslocamentos de caráter pessoal, incluindo viagens de Flávio Bolsonaro e seus familiares.</p>
<p>Entre os documentos mencionados estão reservas para um Bombardier Challenger 350 em abril e maio de 2025. Uma delas previa viagem entre Lisboa e Nice em 11 de abril, com Flávio, Willer e suas respectivas esposas. Outra estava relacionada a um deslocamento entre Cascais e Nice, em 23 de maio, envolvendo também familiares dos dois. A reportagem do Globo apontou Mônaco como destino pretendido neste último roteiro.</p>
<p>É necessário diferenciar reservas e registros de passagens de comprovações de que todos os voos ocorreram exatamente conforme o planejamento. A documentação descrita demonstra a organização dos deslocamentos, mas não substitui informações sobre a realização efetiva de cada etapa, seus custos e a forma de pagamento.</p>
<p>Tomaz afirmou que as viagens ocorreram entre famílias amigas, na condição de convidados, sem pagamento ou contrapartida financeira. A investigação, por sua vez, procura esclarecer se as empresas vinculadas ao advogado foram utilizadas para custear despesas pessoais e qual era a natureza das relações entre os envolvidos.</p>
<h2>Registros de mensagens também foram examinados</h2>
<p>Outra informação extraída dos dispositivos analisados pela Polícia Federal envolve o uso do aplicativo Confide, serviço de comunicação privada que oferece criptografia e funcionalidades destinadas a limitar o armazenamento e a reprodução de mensagens.</p>
<p>Segundo o relatório citado pelo Globo, Willer Tomaz mantinha contato com Flávio Bolsonaro por meio da plataforma, e o número telefônico do senador aparecia entre seus contatos favoritos.</p>
<p>O registro demonstra a utilização de um canal de comunicação privada, mas não permite concluir, isoladamente, que as conversas envolvessem operações financeiras ou atividades ilícitas. Aplicativos com criptografia e mecanismos de exclusão de mensagens também são utilizados para finalidades pessoais e profissionais legítimas.</p>
<p>Para os investigadores, a análise de comunicações pode auxiliar na reconstrução de relações entre pessoas e empresas mencionadas em uma apuração. Sua relevância probatória, entretanto, depende do conteúdo efetivamente recuperado, da autenticidade dos registros e de sua conexão com fatos determinados.</p>
<h2>Relação com investigação do INSS passa pelo advogado Willer Tomaz</h2>
<p>Os documentos bancários foram identificados no âmbito de uma investigação sobre o esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. A Polícia Federal examina possíveis operações de lavagem de dinheiro e a utilização de estruturas empresariais para movimentar recursos associados às fraudes.</p>
<p>Willer Tomaz aparece entre os investigados, e os dados armazenados em seus dispositivos eletrônicos passaram a integrar o material analisado pela corporação. Foi nesse conjunto de informações que surgiram as correspondências bancárias referentes à Alcazar Holdings e os documentos relacionados a viagens.</p>
<p>A presença do nome de Flávio Bolsonaro nesses registros não demonstra que ele tenha participado das fraudes previdenciárias ou recebido recursos de origem ilícita. São questões distintas, que dependem de provas específicas para qualquer conclusão sobre responsabilidade individual.</p>
<p>As revelações também precisam ser separadas das investigações relacionadas ao Banco Master. A conexão com Daniel Vorcaro decorre, neste episódio, de sua participação anterior na Prime You, uma das empresas associadas à estrutura proprietária da aeronave. Essa ligação societária indireta não comprova circulação de recursos do banco para Flávio ou para a Alcazar.</p>
<p>O fato de os mesmos personagens aparecerem em investigações diferentes justifica o exame de suas relações financeiras, mas não autoriza tratar todas as operações mencionadas como integrantes de um único esquema.</p>
<h2>Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz contestam informações</h2>
<p>A assessoria do candidato do PL negou que ele tenha mantido conta bancária compartilhada com o advogado ou suas empresas. Na resposta encaminhada ao Globo, argumentou que qualquer associação cadastral era incorreta e que a correspondência enviada ao Santander demonstra a tentativa de corrigir o vínculo.</p>
<p>A defesa também criticou a divulgação dos documentos durante a campanha presidencial e afirmou que poderá adotar medidas judiciais em razão do que considera informações falsas.</p>
<p>Willer Tomaz apresentou uma versão semelhante. O advogado declarou que mantém apenas uma relação de amizade com o senador, sem <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340698">negócios</a> conjuntos ou participação societária compartilhada. Também contestou a interpretação da Polícia Federal sobre o perfil bancário e classificou como indevida a tentativa de extrair dos documentos uma conclusão sobre propriedade ou participação econômica.</p>
<p>Tomaz questionou ainda a divulgação de informações extraídas de seu celular e de seu armazenamento digital, alegando exposição de dados sigilosos. A origem e a circulação desses registros constituem uma controvérsia distinta da análise de seu conteúdo.</p>
<p>As negativas dos envolvidos são parte essencial da apuração porque a documentação divulgada até agora não permite estabelecer, de forma definitiva, a natureza de todos os vínculos mencionados.</p>
<h2>O que os documentos revelam e o que ainda precisa ser esclarecido</h2>
<p>A principal novidade da reportagem publicada nesta quarta-feira está na conexão entre três elementos: o cadastro bancário associado ao nome de Flávio Bolsonaro, a offshore administrada por Willer Tomaz e a participação dessa empresa na companhia proprietária do jato utilizado pelo senador em janeiro de 2025.</p>
<p>A troca de mensagens com o Santander fornece uma referência documental sobre a existência de vínculos no sistema bancário em maio daquele ano. Já o relatório policial atribui ao cadastro do senador um nível elevado de acesso operacional, considerado relevante para investigar uma possível relação econômica com a holding.</p>
<p>Nenhum desses elementos, entretanto, comprova isoladamente que Flávio Bolsonaro fosse sócio da Alcazar, beneficiário de seus recursos ou proprietário indireto da aeronave. Também não foram apresentados, no material divulgado, extratos que demonstrem operações financeiras realizadas pelo candidato por meio da conta.</p>
<p>Entre as questões ainda sem resposta estão a origem da associação cadastral, o período em que o acesso teria permanecido ativo, as permissões concretas atribuídas ao usuário e a existência de eventuais movimentações bancárias. Esses esclarecimentos são necessários para diferenciar uma autorização administrativa de uma relação econômica efetiva.</p>
<p>As informações surgem durante a disputa do segundo turno presidencial entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, marcado para 25 de outubro. A proximidade da eleição amplia o interesse público pela transparência das relações financeiras dos candidatos, mas não modifica a necessidade de preservar a distinção entre documentos, hipóteses investigativas e fatos comprovados.</p>
<p>A Polícia Federal considera os registros relevantes para compreender as relações mantidas entre Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz e as empresas relacionadas à aeronave. O senador e o advogado rejeitam a existência de vínculos financeiros. O esclarecimento definitivo dependerá da análise da documentação bancária e societária, de eventuais informações adicionais obtidas pelos investigadores e das conclusões que possam ser formalizadas pelas autoridades competentes.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/nunes-marques-acusado-favorecer-flavio-bolsonaro-tse</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2026 21:01:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Andre Janones]]></category>
		<category><![CDATA[censura]]></category>
		<category><![CDATA[Direito Eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Exército do Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[grupo Prerrogativas]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça Eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[Kassio Nunes Marques]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade de expressão]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Nunes Marques]]></category>
		<category><![CDATA[propaganda eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[segundo turno]]></category>
		<category><![CDATA[Sindipetro]]></category>
		<category><![CDATA[Tribunal Superior Eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[TSE]]></category>
		<category><![CDATA[WhatsApp]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O grupo Prerrogativas acusa o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, de abuso de poder e de adotar decisões que, na avaliação do</p>
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<p>O grupo de advogados Prerrogativas acusou nesta terça-feira (13) o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, de adotar decisões que, na avaliação do coletivo, favorecem a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e comprometem a igualdade de condições na disputa presidencial de 2026. A manifestação foi divulgada após uma sequência de medidas judiciais envolvendo a suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), e a proibição da circulação de um jornal produzido por um sindicato de petroleiros.</p>
<p>Em nota, o Prerrogativas, coletivo de juristas identificado com posições favoráveis ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que decisões individuais tomadas na reta final da campanha podem produzir consequências difíceis de reparar antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. O grupo sustenta que restrições à circulação de informações políticas devem ser fundamentadas em provas suficientes e submetidas ao controle institucional adequado, especialmente quando afetam instrumentos utilizados para mobilização eleitoral.</p>
<p>A manifestação ocorreu em um dia de sucessivas decisões sobre o canal “Exército do Lula”. Pela manhã, Nunes Marques voltou a determinar a suspensão da página por ausência de registro formal como meio de propaganda eleitoral. Horas depois, a campanha petista comunicou o endereço eletrônico à Justiça Eleitoral, e o próprio ministro autorizou a retomada do funcionamento, condicionada ao cumprimento do prazo regulamentar de 48 horas.</p>
<p>A mudança não encerrou a controvérsia sobre a atuação do tribunal. Além da discussão sobre o registro do canal, permanecem questionamentos sobre a competência do presidente do TSE para adotar determinadas providências administrativas e sobre os limites da intervenção judicial em mecanismos de comunicação <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340671">política</a>. Nunes Marques, por sua vez, sustenta que suas decisões estão amparadas nas normas eleitorais e rejeita as acusações de favorecimento partidário.</p>
<h2>Prerrogativas questiona decisões individuais do presidente do TSE</h2>
<p>A manifestação do Prerrogativas tem como ponto central a preocupação com a utilização de decisões liminares para restringir instrumentos de comunicação eleitoral sem, segundo o grupo, demonstração suficiente das irregularidades apontadas.</p>
<p>Os advogados consideram que a retirada de conteúdos de circulação e a interrupção de canais de mobilização podem afetar a igualdade de oportunidades entre as campanhas quando são determinadas sem instrução probatória adequada ou em procedimentos cuja competência esteja sob questionamento.</p>
<p>A nota também critica a adoção de providências individuais que possam interferir em julgamentos já submetidos à apreciação de outros integrantes da Justiça Eleitoral. Para o coletivo, a proximidade da votação exige especial cautela, uma vez que decisões provisórias podem produzir efeitos políticos antes que exista tempo hábil para sua revisão.</p>
<p>O posicionamento representa uma crítica institucional formulada por um grupo de advogados, e não uma decisão judicial que tenha reconhecido abuso de poder ou parcialidade do presidente do TSE. Até o momento, não há conclusão judicial definitiva estabelecendo que Nunes Marques tenha atuado deliberadamente para beneficiar Flávio Bolsonaro.</p>
<p>A distinção é relevante porque divergências sobre interpretação da legislação, competência processual e proporcionalidade de medidas restritivas não demonstram automaticamente a existência de motivação político-partidária. A avaliação de eventual irregularidade exige examinar os fundamentos de cada decisão e os procedimentos adotados.</p>
<h2>Exército do Lula foi suspenso e depois autorizado a voltar</h2>
<p>O principal episódio citado pelos advogados envolve o canal “Exército do Lula”, criado pelo deputado André Janones para reunir apoiadores do presidente no WhatsApp. A ferramenta registrou crescimento acelerado desde o primeiro turno e ultrapassou quatro milhões de seguidores, tornando-se um dos principais instrumentos de divulgação de mensagens favoráveis à candidatura petista.</p>
<p>A controvérsia começou após a campanha de Flávio Bolsonaro questionar o funcionamento da página e acusar seus administradores de disseminar informações falsas e organizar a distribuição coordenada de conteúdos eleitorais.</p>
<p>Em decisão assinada em 11 de outubro, no processo nº 0602791-73.2026.6.00.0000, Nunes Marques determinou medidas relacionadas ao canal, com fundamento nas regras que estabelecem responsabilidades das plataformas digitais diante de riscos à integridade do processo eleitoral.</p>
<p>A defesa de Flávio argumentou que publicações já consideradas irregulares pela Justiça Eleitoral estariam sendo reproduzidas por meio da estrutura organizada por Janones. Também sustentou que a circulação de mensagens em um canal público com milhões de seguidores exigia providências mais amplas do que a remoção individual de publicações.</p>
<p>A suspensão, entretanto, foi questionada pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que havia adotado entendimento diferente sobre o caso. Para o corregedor, a existência de processo judicial específico exigia respeito à competência do relator e à tramitação regular das alegações.</p>
<p>A divergência ganhou novos contornos nesta terça-feira, quando Nunes Marques voltou a determinar a interrupção do canal, desta vez destacando a ausência de comunicação formal de seu endereço eletrônico à Justiça Eleitoral.</p>
<p>Ainda durante a tarde, a campanha de Lula realizou o registro no sistema DivulgaCand. Diante da regularização, o presidente do TSE reconheceu que havia desaparecido o fundamento utilizado para manter a suspensão integral e autorizou a retomada após o prazo de 48 horas.</p>
<p>A decisão representou uma mudança concreta na situação jurídica do canal, mas não resolveu definitivamente todas as disputas relacionadas às publicações e à responsabilidade por conteúdos eventualmente irregulares.</p>
<h2>Área técnica do TSE não confirmou acusações sobre mensagens falsas</h2>
<p>Um dos aspectos centrais da controvérsia envolve a existência de provas de que o canal teria divulgado informações falsas contra Flávio Bolsonaro.</p>
<p>Segundo informações divulgadas durante a tramitação, a Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE não identificou, no material examinado, publicações que comprovassem as acusações apresentadas contra o canal.</p>
<p>O relatório técnico também registrou limitações na análise, incluindo a possibilidade de mensagens terem sido apagadas anteriormente e as características de funcionamento da ferramenta.</p>
<p>A ausência de confirmação técnica das alegações não demonstra que nenhuma publicação irregular tenha circulado em qualquer momento. Entretanto, também impede apresentar como comprovadas todas as acusações formuladas pela campanha adversária.</p>
<p>Essa diferença está no centro da discussão jurídica. A adoção de medidas restritivas pode depender da demonstração da irregularidade, da urgência e da adequação da providência escolhida para evitar danos ao processo eleitoral.</p>
<p>Na decisão inicial, Nunes Marques diferenciou o procedimento administrativo de supervisão das plataformas das ações judiciais destinadas à responsabilização dos autores das publicações. O ministro sustentou que a Presidência do TSE possui atribuições para verificar o cumprimento dos planos de conformidade apresentados pelos serviços digitais.</p>
<p>O entendimento encontra resistência em interpretações que defendem a apreciação das acusações pelo relator do processo judicial específico. A divergência envolve, portanto, tanto a análise das provas quanto a delimitação das competências dentro do próprio tribunal.</p>
<h2>Jornal de sindicato de petroleiros também foi suspenso</h2>
<p>Outro episódio que motivou a manifestação do Prerrogativas foi a decisão de Nunes Marques de suspender a circulação de uma edição do jornal <em>Petróleo dos Brasileiros</em>, produzido pelo Sindipetro Unificado.</p>
<p>A publicação, intitulada “Eleição 2026: o que cada projeto defende para o Brasil?”, apresentava análises sobre propostas políticas e seus possíveis efeitos sobre a Petrobras e os trabalhadores do setor.</p>
<p>A campanha de Flávio Bolsonaro recorreu ao TSE argumentando que o material ultrapassava os limites da comunicação sindical e constituía propaganda eleitoral favorável a Lula, financiada com recursos de uma entidade de classe.</p>
<p>Ao analisar o pedido, Nunes Marques determinou a interrupção da distribuição impressa e digital do jornal, além do recolhimento dos exemplares ainda não entregues. A publicação teve tiragem aproximada de 30 mil unidades, segundo as informações divulgadas sobre o processo.</p>
<p>O ministro fundamentou a decisão no entendimento de que estruturas sindicais não podem ser utilizadas para financiar propaganda eleitoral irregular em favor de candidaturas. O descumprimento da determinação ficou sujeito à multa de R$ 10 mil.</p>
<p>O Sindipetro contestou a medida e afirmou que a publicação tinha como objetivo discutir políticas públicas diretamente relacionadas aos interesses da categoria profissional. A entidade classificou a suspensão como restrição indevida à liberdade de expressão e ao direito de informação.</p>
<p>A decisão também foi criticada pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), que manifestaram preocupação com a suspensão de uma publicação de caráter sindical.</p>
<h2>Liberdade de expressão e financiamento eleitoral estão no centro do debate</h2>
<p>A controvérsia sobre o jornal dos petroleiros envolve dois princípios que precisam ser considerados conjuntamente: a proteção constitucional à liberdade de expressão e as restrições legais à utilização de determinadas estruturas e recursos na propaganda eleitoral.</p>
<p>A legislação brasileira estabelece limites à participação financeira de entidades sindicais nas campanhas. Ao mesmo tempo, a Constituição protege a manifestação de opiniões, o debate público e a atuação das organizações representativas na defesa dos interesses de seus integrantes.</p>
<p>A questão jurídica consiste em determinar quando uma publicação sindical constitui exercício legítimo da liberdade de expressão e quando passa a representar propaganda eleitoral irregular financiada por fonte vedada.</p>
<p>Essa definição depende do conteúdo, das circunstâncias de produção, da finalidade predominante e dos recursos utilizados. A existência de críticas a uma candidatura ou de posições favoráveis a políticas defendidas por outra não resolve, isoladamente, a classificação jurídica de uma publicação.</p>
<p>Especialistas em direito eleitoral apresentam interpretações diferentes sobre o caso. Alguns consideram que o jornal está protegido pelo direito das entidades sindicais de discutir os efeitos das propostas políticas sobre os trabalhadores. Outros sustentam que a apresentação de uma candidatura de maneira sistematicamente favorável pode caracterizar propaganda irregular quando realizada com recursos sindicais.</p>
<p>A decisão de Nunes Marques adotou a segunda interpretação em caráter preliminar. A controvérsia, porém, permanece relevante para o debate sobre os limites da atuação de organizações da sociedade civil durante campanhas eleitorais.</p>
<h2>Nunes Marques rejeita favorecimento e defende aplicação das regras</h2>
<p>O presidente do TSE tem rejeitado acusações de atuação partidária e sustentado que suas decisões decorrem da necessidade de garantir o cumprimento da legislação eleitoral.</p>
<p>No caso do canal administrado por Janones, a decisão mais recente foi fundamentada na exigência de comunicação formal dos endereços eletrônicos utilizados como instrumentos de propaganda de campanha.</p>
<p>A Resolução nº 23.610/2019 do TSE, atualizada para as eleições de 2026, estabelece condições para divulgação de conteúdos eleitorais na internet, inclusive em redes sociais e aplicativos de mensagens. A regulamentação prevê obrigações específicas de identificação e comunicação de determinados canais à Justiça Eleitoral.</p>
<p>Ao autorizar a retomada do “Exército do Lula”, Nunes Marques considerou que o registro efetuado pela campanha havia eliminado o fundamento administrativo da suspensão. O ministro manteve, entretanto, a necessidade de observância do prazo de 48 horas previsto para utilização de endereços preexistentes.</p>
<p>A decisão também estabeleceu mecanismos de acompanhamento de conteúdos pela Meta, responsável pelo WhatsApp, abrangendo canais de grande alcance relacionados às campanhas presidenciais identificadas no procedimento.</p>
<p>A fiscalização de publicações e a atuação das plataformas digitais são temas que ganharam dimensão especial nas eleições de 2026. A Justiça Eleitoral enfrenta o desafio de combater conteúdos comprovadamente ilícitos sem estabelecer restrições desproporcionais à manifestação política.</p>
<h2>Reunião com campanhas busca reduzir disputas judiciais</h2>
<p>Em meio à controvérsia, Nunes Marques reuniu nesta terça-feira representantes das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro para discutir o aumento da judicialização do processo eleitoral e as condições de realização do segundo turno.</p>
<p>O encontro ocorreu depois de uma sequência de ações relacionadas a publicações nas redes sociais, propaganda eleitoral, pedidos de direito de resposta e acusações de divulgação de informações falsas.</p>
<p>Segundo o balanço apresentado durante a reunião, foram protocoladas 162 ações relacionadas à disputa no período examinado, número significativamente superior ao registrado em etapa equivalente das eleições de 2022.</p>
<p>O presidente do TSE manifestou preocupação com os efeitos do excesso de disputas judiciais sobre o debate eleitoral. A sucessão de pedidos de remoção de conteúdos pode elevar a pressão sobre os órgãos julgadores, especialmente quando são apresentados requerimentos urgentes sobre temas semelhantes.</p>
<p>A multiplicação de processos também aumenta a possibilidade de decisões provisórias divergentes, sobretudo quando questões relacionadas à mesma publicação ou plataforma são submetidas a procedimentos diferentes.</p>
<p>A reunião tratou ainda da necessidade de prevenir conflitos entre apoiadores e garantir condições de segurança durante a votação.</p>
<p>As medidas administrativas adotadas pela Presidência do TSE nos últimos dias incluem alterações destinadas a acelerar a tramitação de representações eleitorais, com possibilidade de sessões extraordinárias e submissão mais rápida de determinadas decisões ao colegiado.</p>
<h2>Divergência judicial amplia debate sobre equilíbrio institucional</h2>
<p>A sequência de decisões sobre o canal “Exército do Lula” colocou em evidência uma discussão que ultrapassa as campanhas envolvidas: os limites da atuação individual dos ministros e a importância do controle colegiado em processos eleitorais urgentes.</p>
<p>O Prerrogativas sustenta que decisões adotadas na reta final de uma eleição podem produzir consequências que uma revisão posterior não consegue reparar integralmente. A preocupação está relacionada ao caráter limitado do calendário eleitoral, no qual a suspensão temporária de um canal ou de uma publicação pode coincidir com etapas decisivas da campanha.</p>
<p>Por outro lado, a própria legislação prevê mecanismos de atuação urgente para impedir irregularidades capazes de produzir efeitos imediatos sobre a disputa. A questão central não é a existência dessas competências, mas a forma como são exercidas e a proporcionalidade das medidas adotadas em cada situação.</p>
<p>O episódio também evidencia a dificuldade de conciliar a velocidade da comunicação digital com os procedimentos necessários à análise judicial. Conteúdos podem alcançar milhões de pessoas em poucas horas, enquanto sua avaliação jurídica exige documentação, manifestação das partes e fundamentação adequada.</p>
<p>Nesse contexto, a transparência das decisões e a identificação dos fundamentos jurídicos tornam-se essenciais para permitir o escrutínio público da atuação da Justiça Eleitoral.</p>
<p>A manifestação do Prerrogativas acrescenta pressão política e jurídica sobre o TSE, mas não representa comprovação das acusações apresentadas contra seu presidente.</p>
<p>Com o registro do canal “Exército do Lula” realizado e sua retomada autorizada após o prazo regulamentar, a discussão imediata sobre a falta de comunicação formal foi superada. Permanecem, entretanto, as divergências sobre as decisões anteriores, a distribuição de competências e os limites das restrições à propaganda política.</p>
<p>A 12 dias do segundo turno, o desafio institucional será assegurar que as reclamações apresentadas pelas duas campanhas recebam análise fundamentada, com respeito ao contraditório e às garantias de liberdade de expressão e igualdade de condições previstas na legislação eleitoral.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<ul>
<li>Grupo Prerrogativas — Nota pública de 13 de outubro de 2026 sobre a atuação do presidente do TSE, reproduzida na cobertura da Folha de S.Paulo.</li>
<li>Tribunal Superior Eleitoral — Processo nº 0602791-73.2026.6.00.0000, decisão de Kassio Nunes Marques assinada em 11 de outubro de 2026.</li>
<li>Tribunal Superior Eleitoral — Decisões de 13 de outubro sobre o registro e a autorização de retomada do canal “Exército do Lula”, conforme informações da cobertura judicial.</li>
<li>Tribunal Superior Eleitoral — Resolução nº 23.610/2019, atualizada pela Resolução nº 23.755/2026, sobre propaganda eleitoral na internet.</li>
<li>Sindipetro Unificado, Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e Federação Nacional dos Jornalistas — Manifestações sobre a suspensão do jornal <em>Petróleo dos Brasileiros</em></li>
</ul>
</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta Ipsos-Ipec</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/conservadorismo-brasil-maior-nivel-desde-2018-ipsos-ipec</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2026 21:01:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Casamento Homoafetivo]]></category>
		<category><![CDATA[conservadorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Conservadorismo no Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Ipsos-Ipec]]></category>
		<category><![CDATA[Legalização do Aborto]]></category>
		<category><![CDATA[maioridade penal]]></category>
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		<category><![CDATA[Pena de Morte]]></category>
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		<category><![CDATA[Pesquisa Ipsos-Ipec]]></category>
		<category><![CDATA[Porte de Armas]]></category>
		<category><![CDATA[Posse de Armas]]></category>
		<category><![CDATA[Prisão Perpétua]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Valores Sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisa ouviu brasileiros sobre temas de costumes e valores, como aborto, casamento homoafetivo, pena de morte e redução da maioridade penal</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O conservadorismo em questões de costumes e valores morais alcançou em 2026 seu maior nível no Brasil desde 2018, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (13) pela Ipsos-Ipec. O Índice de Conservadorismo em Costumes passou de 0,652 em 2025 para 0,680 neste ano, aproximando-se dos patamares mais elevados da série histórica. O crescimento foi impulsionado principalmente pelo aumento do apoio a medidas de endurecimento penal, como prisão perpétua, redução da maioridade penal e pena de morte, enquanto as opiniões sobre direitos civis e questões reprodutivas apresentaram trajetórias diferentes.</p>
<p>A proporção de brasileiros classificados pela pesquisa com alto grau de conservadorismo subiu de 49% para 55% em um ano, crescimento de seis pontos percentuais. Ao mesmo tempo, a parcela situada na faixa intermediária diminuiu de 44% para 38%, e o grupo com baixo grau de conservadorismo passou de 8% para 7%. Os resultados indicam uma mudança no posicionamento dos entrevistados diante dos cinco temas utilizados para construir o indicador, mas não representam uma classificação direta da orientação partidária da população.</p>
<p>O levantamento ouviu 2 mil brasileiros em 130 municípios, entre 9 e 13 de setembro de 2026, por meio de entrevistas presenciais e domiciliares. A margem de erro máxima estimada para o total da amostra é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi realizada aproximadamente um mês antes de sua divulgação, em um período de intensificação do debate sobre segurança pública e direitos individuais durante o processo eleitoral.</p>
<h2>Índice de conservadorismo se aproxima dos recordes de 2016 e 2018</h2>
<p>O indicador da Ipsos-Ipec utiliza uma escala de zero a um, na qual resultados mais próximos de zero representam posições classificadas como progressistas e valores próximos de um indicam maior adesão a opiniões consideradas conservadoras nas questões examinadas.</p>
<p>O índice de 0,680 registrado em 2026 é o terceiro mais elevado da série histórica, atrás apenas de 2018, quando alcançou 0,689, e de 2016, com 0,686. O menor resultado foi observado em 2022, quando o indicador ficou em 0,637.</p>
<p>A evolução revela oscilações significativas ao longo do período. Em 2010, o índice era de 0,657, avançou em 2016 e 2018, recuou para 0,639 em 2021 e atingiu o menor nível no ano seguinte. Em 2023, voltou a subir para 0,665, antes de diminuir para 0,652 em 2025.</p>
<p>A recuperação registrada neste ano coloca o indicador novamente próximo de suas máximas históricas. Entretanto, como a pesquisa não possui edições anuais em todos os períodos, a trajetória não pode ser interpretada como uma sequência contínua de crescimento ou queda entre cada ano.</p>
<p>O comportamento também demonstra que as opiniões sobre costumes podem variar entre levantamentos sem acompanhar necessariamente a mesma direção observada nos debates partidários e econômicos.</p>
<h2>Prisão perpétua tem apoio de 78% dos brasileiros</h2>
<p>As propostas de endurecimento das punições criminais concentram os maiores percentuais de aprovação entre os entrevistados. Segundo a Ipsos-Ipec, 78% dos brasileiros são favoráveis à prisão perpétua para crimes hediondos, crescimento de seis pontos percentuais em relação a 2025.</p>
<p>Outros 16% se declararam contrários à medida, enquanto 2% disseram não ser favoráveis nem contrários e 4% não souberam ou não responderam.</p>
<p>A redução da maioridade penal aparece em segundo lugar, com apoio de 71% da população. O percentual também avançou seis pontos em relação ao levantamento anterior, quando 65% eram favoráveis à mudança. A oposição à proposta alcança 23%, enquanto 2% se dizem neutros e 4% não responderam.</p>
<p>Esses resultados indicam que propostas relacionadas à responsabilização criminal encontram adesão elevada na população. Contudo, a pesquisa não investigou detalhadamente quais modelos de implementação seriam preferidos pelos entrevistados, nem estabeleceu se o apoio permanece igual diante de diferentes condições jurídicas e operacionais.</p>
<p>A distinção é relevante porque a prisão perpétua e a redução da maioridade penal exigiriam mudanças no ordenamento jurídico brasileiro.</p>
<p>A Constituição Federal proíbe penas de caráter perpétuo e estabelece que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis, sujeitos a legislação específica. Assim, o apoio identificado na pesquisa não significa que essas medidas possam ser implementadas por uma simples decisão administrativa.</p>
<p>O levantamento mede a opinião dos cidadãos sobre as propostas, enquanto sua eventual adoção depende de procedimentos legislativos e dos limites constitucionais aplicáveis.</p>
<h2>Apoio à pena de morte chega a 52%, maior percentual da série</h2>
<p>A mudança mais expressiva entre os temas relacionados à segurança pública ocorreu na avaliação da pena de morte.</p>
<p>Em 2025, 43% dos entrevistados eram favoráveis à medida, enquanto 49% se declaravam contrários. Na pesquisa de 2026, o apoio avançou nove pontos percentuais, alcançando 52%, enquanto a oposição caiu para 40%.</p>
<p>Trata-se do maior percentual favorável à pena de morte registrado pela Ipsos-Ipec desde o início da série histórica, em 2010. Outros 5% dos entrevistados adotaram posição neutra e 4% não souberam ou não responderam, considerados os arredondamentos apresentados pelo instituto.</p>
<p>A inversão entre aprovação e rejeição distingue esse tema dos demais. Enquanto o apoio à prisão perpétua e à redução da maioridade penal já era majoritário no levantamento anterior, a pena de morte passou de uma situação de predominância da oposição para uma maioria favorável.</p>
<p>A Constituição brasileira, entretanto, proíbe a pena de morte, com exceção das situações de guerra declarada previstas no próprio texto constitucional.</p>
<p>Os dados revelam uma distância entre a opinião manifestada pelos entrevistados e as normas atualmente vigentes, sem permitir concluir quais alterações específicas seriam juridicamente viáveis ou defendidas por cada participante.</p>
<p>Também não é possível determinar, apenas a partir dos percentuais, os fatores que motivaram a mudança de opinião. Percepções sobre criminalidade, debates públicos e experiências individuais podem influenciar posicionamentos, mas a pesquisa não estabelece uma relação causal entre esses elementos.</p>
<h2>Casamento homoafetivo divide opiniões, com 41% a favor e 41% contra</h2>
<p>O comportamento das respostas sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo contrasta com o crescimento do apoio às medidas de endurecimento penal.</p>
<p>Em 2026, 41% dos entrevistados se declararam favoráveis ao casamento homoafetivo, exatamente o mesmo percentual registrado entre os contrários. Outros 12% disseram não ser favoráveis nem contrários, enquanto 6% não responderam.</p>
<p>Na comparação com 2025, o apoio aumentou de 38% para 41%, e a oposição caiu de 47% para 41%. Os resultados mostram uma redução da rejeição à medida, embora o percentual favorável permaneça abaixo dos 44% registrados entre 2021 e 2023.</p>
<p>Esse movimento demonstra que a elevação do índice geral de conservadorismo não corresponde a um crescimento uniforme das posições classificadas como conservadoras em todos os assuntos examinados.</p>
<p>Enquanto propostas de endurecimento penal ganharam apoio, houve aproximação entre posições favoráveis e contrárias ao casamento homoafetivo.</p>
<p>No Brasil, a celebração de casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo está assegurada pela Resolução nº 175 do Conselho Nacional de Justiça, em vigor desde 2013. A norma impede que cartórios recusem a habilitação, a celebração ou a conversão de união estável em casamento por essa razão.</p>
<p>A pesquisa mede a opinião sobre o tema, mas não modifica o reconhecimento jurídico desse direito.</p>
<h2>Legalização do aborto enfrenta rejeição de 74%</h2>
<p>A legalização do aborto permanece entre os assuntos com maior rejeição no levantamento. Segundo a Ipsos-Ipec, 74% dos entrevistados são contrários à medida, enquanto 17% se declaram favoráveis.</p>
<p>Outros 6% não assumiram posição favorável ou contrária, e 4% não souberam ou não responderam. Os números apresentam estabilidade em relação ao levantamento anterior, quando a oposição alcançava 75%.</p>
<p>A relativa estabilidade contrasta com as mudanças observadas nas questões de segurança pública. Embora o índice geral tenha avançado, a opinião sobre a legalização do aborto permaneceu praticamente inalterada.</p>
<p>É necessário distinguir a pergunta sobre legalização ampla das hipóteses nas quais a interrupção da gestação já é permitida pelo ordenamento jurídico brasileiro. Atualmente, existem previsões legais ou decisões judiciais que autorizam o procedimento em situações específicas, incluindo gravidez resultante de estupro, risco à vida da gestante e gestação de feto anencéfalo.</p>
<p>A pesquisa não permite concluir que os 74% contrários à legalização também rejeitam todas essas hipóteses. Para estabelecer essa distinção, seria necessário apresentar perguntas específicas sobre cada situação.</p>
<h2>Maioria rejeita porte de armas, apesar de apoio à punição criminal</h2>
<p>Os resultados sobre armas de fogo acrescentam outra diferença importante entre as opiniões da população.</p>
<p>Segundo o levantamento, 42% dos entrevistados apoiam a flexibilização dos critérios para a posse de armas em residências, enquanto 51% são contrários. Outros 3% assumem posição neutra e 3% não responderam.</p>
<p>No caso do porte de arma, que permite ao cidadão transportar o armamento consigo nas condições previstas pela legislação, o apoio é menor: 35% são favoráveis e 58% contrários. Outros 3% adotam posição neutra e 3% não responderam.</p>
<p>Os números mostram que o apoio ao endurecimento de penas criminais não corresponde necessariamente a uma preferência pela ampliação do acesso individual a armas de fogo.</p>
<p>A distinção entre posse e porte também é importante. A primeira está relacionada à manutenção do armamento em local autorizado, enquanto o segundo envolve sua condução fora desse ambiente, conforme os requisitos legais.</p>
<p>Embora tenham sido pesquisados, esses dois temas não integram o cálculo do Índice de Conservadorismo em Costumes. A Ipsos-Ipec explica que as perguntas sobre armas foram incorporadas somente em 2023 e ficaram fora do indicador para preservar a comparabilidade com as edições anteriores.</p>
<h2>Jovens de 25 a 34 anos registram uma das maiores altas</h2>
<p>A análise por características sociodemográficas mostra que o avanço do conservadorismo ocorreu de maneira desigual entre os grupos pesquisados.</p>
<p>Entre os brasileiros de 25 a 34 anos, o índice passou de 0,643 em 2025 para 0,696 em 2026, aumento de 0,053 ponto na escala utilizada pela Ipsos-Ipec. Foi a maior elevação entre as faixas etárias.</p>
<p>No grupo de 16 a 24 anos, o indicador avançou de 0,594 para 0,622. Entre os entrevistados de 35 a 44 anos, passou de 0,667 para 0,695.</p>
<p>Já entre pessoas de 45 a 59 anos, a variação foi menor, de 0,686 para 0,691. Para aqueles com 60 anos ou mais, o índice subiu de 0,652 para 0,674.</p>
<p>Os resultados indicam que o crescimento não ficou concentrado na população mais velha. Em algumas faixas de adultos jovens, o aumento foi superior à variação observada na média nacional.</p>
<p>Entre homens, o índice chegou a 0,712, ante 0,688 no levantamento anterior. Entre mulheres, avançou de 0,619 para 0,650, recuperando o nível observado em 2023.</p>
<p>Apesar do crescimento entre mulheres, a diferença em relação aos homens permanece relevante. Os dados também mostram que os perfis demográficos apresentam trajetórias próprias e não devem ser tratados como grupos politicamente homogêneos.</p>
<h2>Norte e Centro-Oeste apresentam maior avanço regional</h2>
<p>O conjunto das regiões Norte e Centro-Oeste registrou a maior elevação regional do indicador, passando de 0,643 para 0,710 entre 2025 e 2026.</p>
<p>Na região Nordeste, o índice subiu de 0,642 para 0,674. Entre moradores das capitais, a variação também foi expressiva, com avanço de 0,637 para 0,685.</p>
<p>Na população com renda familiar superior a cinco salários mínimos, o indicador passou de 0,665 para 0,708. O crescimento mostra que a mudança de posicionamento não esteve restrita aos grupos de menor renda.</p>
<p>Há, contudo, uma divergência entre a tabela técnica e o comunicado de divulgação da Ipsos-Ipec. Na apresentação detalhada do estudo, o Sul aparece como a única região com queda, de 0,669 para 0,659, enquanto o Sudeste apresenta elevação de 0,657 para 0,680. O comunicado institucional atribui a retração ao Sudeste, com números correspondentes àqueles apresentados para o Sul no relatório técnico.</p>
<p>Essa diferença precisa ser considerada na interpretação regional, especialmente porque a comparação depende da correta identificação das localidades.</p>
<h2>Como a Ipsos-Ipec calcula o conservadorismo?</h2>
<p>O índice é construído a partir de cinco perguntas relacionadas a pena de morte, prisão perpétua, maioridade penal, casamento homoafetivo e legalização do aborto.</p>
<p>As respostas classificadas como conservadoras recebem pontuação 1, enquanto as consideradas progressistas recebem zero. Respostas intermediárias ou sem posicionamento recebem pontuação 0,5. A média das cinco pontuações produz o indicador individual, posteriormente consolidado para os grupos pesquisados.</p>
<p>O resultado não mede todas as dimensões possíveis do conservadorismo, como opiniões sobre <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340664">economia</a>, tamanho do Estado, religião ou política externa. Também não equivale a uma medida direta de preferência eleitoral.</p>
<p>Por isso, o avanço do índice não permite concluir que determinada candidatura receberá mais votos ou que a população tenha adotado posições semelhantes em questões econômicas.</p>
<p>Em 2026, quando o país se prepara para o segundo turno presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro, o levantamento oferece informações sobre o posicionamento da sociedade diante de temas frequentemente presentes no debate público. Não se trata, porém, de uma pesquisa de intenção de voto, e as respostas não foram utilizadas para projetar o resultado da eleição.</p>
<p>A principal conclusão é que o conservadorismo em costumes voltou a crescer no Brasil, impulsionado especialmente pelo apoio a punições criminais mais severas. Ao mesmo tempo, o levantamento mostra movimentos diferentes em assuntos relacionados a direitos civis, aborto e armas.</p>
<p>A combinação desses resultados revela um cenário no qual opiniões classificadas como conservadoras coexistem com posições distintas sobre liberdade individual, segurança e direitos. O índice de 0,680 sintetiza essa evolução, mas a compreensão do comportamento da sociedade exige observar cada tema separadamente.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<ul>
<li>Ipsos-Ipec — Índice de Conservadorismo em Costumes, pesquisa nacional realizada entre 9 e 13 de setembro de 2026, apresentação técnica com 31 páginas.</li>
<li>Ipsos-Ipec — Comunicado institucional de 13 de outubro de 2026 sobre a evolução do índice, aprovação das propostas de segurança pública e diferenças sociodemográficas.</li>
<li>Ipsos-Ipec — Índice de Conservadorismo Brasileiro de 2025, utilizado para comparação histórica.</li>
<li>Constituição Federal de 1988 — Artigos 5º, inciso XLVII, e 228, sobre limitações às penas e responsabilidade penal.</li>
<li>Conselho Nacional de Justiça — Resolução nº 175/2013, referente ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.</li>
<li>Supremo Tribunal Federal — Julgamento da ADPF 54, sobre interrupção da gestação de feto anencéfalo, e disposições do Código Penal sobre hipóteses legalmente permitidas.</li>
</ul>
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			</item>
		<item>
		<title>Kassio Nunes Marques é acusado de medidas antidemocráticas favoráveis a Flávio Bolsonaro</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/kassio-nunes-marques-medidas-antidemocraticas-flavio-bolsonaro</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2026 17:41:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Andre Janones]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Master]]></category>
		<category><![CDATA[censura eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[decisões antidemocráticas]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Exército do Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Jair Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça Eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[Kassio Nunes Marques]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade de expressão]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[parcialidade judicial]]></category>
		<category><![CDATA[propaganda eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[segundo turno]]></category>
		<category><![CDATA[STF]]></category>
		<category><![CDATA[TSE]]></category>
		<category><![CDATA[WhatsApp]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Petista criticou decisão de Kassio Nunes Marques, disse que pedirá explicações à Justiça Eleitoral e afirmou que não aceitará interferência indevida na campanha</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, passou a enfrentar acusações de parcialidade e censura após determinar, em menos de 24 horas, duas medidas que atenderam a pedidos da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e restringiram instrumentos de comunicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Neste domingo (11), o magistrado ordenou a suspensão do canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que reunia aproximadamente 3,3 milhões de seguidores no WhatsApp. Na véspera, havia determinado a retirada de propaganda eleitoral que mencionava informações sobre o envolvimento de Flávio no caso Banco Master e acusações anteriormente apresentadas contra seu candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar.</p>
<p>A sequência de decisões provocou uma reação pública de Lula, que questionou a imparcialidade da Justiça Eleitoral durante agenda de campanha na Avenida Paulista, em São Paulo. O presidente classificou o bloqueio como absurdo, afirmou perceber decisões tendenciosas contra sua candidatura e anunciou que o PT recorrerá à Corte. Janones também denunciou censura e contestou a justificativa apresentada para suspender uma estrutura digital utilizada na mobilização de apoiadores às vésperas do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.</p>
<p>O episódio adquiriu dimensão <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340594">política</a> adicional porque Nunes Marques foi indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2020 pelo então presidente Jair Bolsonaro, pai do candidato beneficiado pelas decisões. O ministro assumiu a presidência do TSE em maio de 2026, tendo como vice-presidente André Mendonça, igualmente indicado ao Supremo durante o governo Bolsonaro. Embora a origem das nomeações não constitua prova de favorecimento eleitoral, a relação tornou-se parte dos questionamentos sobre a atuação dos dois magistrados na análise das disputas judiciais entre as campanhas.</p>
<p>A controvérsia também envolve a tramitação dos processos. No sábado (10), o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, havia exigido que Flávio Bolsonaro apresentasse provas e esclarecimentos adicionais antes da análise de medidas urgentes solicitadas contra Lula e Janones. No dia seguinte, Nunes Marques determinou a suspensão imediata do canal em outra representação, sem aguardar a conclusão dos prazos estabelecidos pelo corregedor naquele procedimento. A diferença de encaminhamento alimentou as críticas sobre a proporcionalidade da intervenção, embora os processos possuam fundamentos e competências próprios.</p>
<h2>Kassio determina suspensão de canal com 3,3 milhões de seguidores</h2>
<p>A decisão mais recente foi tomada na manhã deste domingo, depois que a campanha de Flávio Bolsonaro apresentou um pedido para interromper o funcionamento do canal “Exército do Lula”. Nunes Marques estabeleceu prazo de três horas, contado da notificação judicial, para que a Meta, controladora do WhatsApp, suspendesse novas publicações e impedisse a entrada de participantes. A restrição deverá permanecer válida até a homologação do resultado do segundo turno, procedimento que pode ocorrer depois da votação de 25 de outubro.</p>
<p>O canal havia se transformado em uma das maiores estruturas de mobilização digital da campanha petista. Coordenado por Janones, o espaço passou de aproximadamente 50 mil seguidores para mais de 3,3 milhões em poucos dias, crescimento superior a 60 vezes em relação à audiência inicial. A expansão ocorreu depois do primeiro turno, quando as equipes eleitorais passaram a concentrar esforços na mobilização de eleitores e na distribuição de conteúdos pelas redes sociais.</p>
<p>A campanha de Flávio alegou que o canal funcionaria como uma estrutura organizada para disseminar informações falsas sobre seu programa de governo, incluindo supostas intenções de reduzir aposentadorias, cancelar o Bolsa Família e adotar medidas contra instituições religiosas. Segundo a representação, os participantes receberiam orientações para compartilhar publicações em grande escala, ampliando o alcance de mensagens consideradas irregulares pela Justiça Eleitoral.</p>
<p>Ao acolher o pedido, Nunes Marques argumentou que a liberdade de expressão não protege a prática de ilícitos eleitorais e que a disseminação coordenada de informações falsas poderia comprometer a igualdade de condições entre os candidatos. O ministro considerou que a proximidade da votação justificava uma intervenção imediata, uma vez que a circulação contínua dos conteúdos produziria efeitos difíceis de reverter antes do segundo turno.</p>
<p>Janones rejeitou as acusações e afirmou que o canal ainda estava sendo organizado. Segundo o deputado, os administradores concentravam suas atividades na inclusão de participantes e na apresentação das orientações de funcionamento, sem divulgar as <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/noticias" target="_blank"  rel="noopener" title="Notícias" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340593">notícias</a> falsas mencionadas pela campanha adversária. A afirmação contraria diretamente a premissa utilizada para justificar a suspensão e deverá ser examinada a partir dos registros e documentos apresentados pelas partes.</p>
<p>A ordem alcança uma estrutura inteira de comunicação política, e não apenas publicações individualizadas. Esse aspecto está no centro das acusações de censura, porque impede temporariamente a continuidade das atividades de um canal com milhões de seguidores. A extensão da medida e sua necessidade diante das provas disponíveis são questões que poderão ser submetidas à revisão judicial.</p>
<h2>Corregedor do TSE havia exigido provas antes de analisar pedido de Flávio</h2>
<p>A decisão de Nunes Marques ocorreu menos de um dia depois de outro ministro do TSE determinar providências adicionais em uma ação apresentada pela campanha do PL. No sábado, Ricardo Villas Bôas Cueva concedeu prazo de 72 horas para que Flávio Bolsonaro esclarecesse pedidos formulados contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e André Janones.</p>
<p>A ação busca a cassação do registro ou diploma dos integrantes da chapa petista e a declaração de inelegibilidade dos responsáveis por supostas práticas abusivas. A campanha de Flávio afirma que Janones teria coordenado a distribuição de conteúdos ofensivos contra o candidato, com possível utilização de recursos eleitorais e conhecimento dos beneficiários políticos.</p>
<p>Ao analisar a petição, Cueva identificou a necessidade de esclarecer eventuais repetições de pedidos apresentados em outros processos. Também determinou que a campanha especificasse as irregularidades atribuídas a cada publicação, identificasse anúncios que ainda estariam ativos e delimitasse as informações cuja preservação pretendia obter.</p>
<p>O corregedor apontou ainda que vídeos, mensagens e outros arquivos digitais mencionados na representação não haviam sido adequadamente incorporados ao processo eletrônico. Por isso, concedeu cinco dias para apresentação dos documentos originais, organizados e identificados. A providência foi fundamentada na necessidade de permitir a conferência do material e assegurar o exercício do direito de defesa pelos investigados.</p>
<p>O recebimento da ação foi autorizado, mas Cueva ressaltou que essa etapa não representava reconhecimento da veracidade das acusações. Os envolvidos receberam prazo para apresentar defesa, enquanto os pedidos urgentes ficaram condicionados aos esclarecimentos exigidos.</p>
<p>A suspensão determinada por Nunes Marques no domingo ocorreu em outro procedimento, o que significa que as exigências estabelecidas pelo corregedor não impediam automaticamente uma decisão distinta. Ainda assim, a sequência dos acontecimentos passou a integrar a controvérsia sobre os critérios utilizados para justificar uma restrição ampla à comunicação eleitoral antes da conclusão da análise probatória conduzida na investigação.</p>
<h2>Ministro também retirou propaganda sobre Flávio e Banco Master</h2>
<p>A suspensão do canal não foi a única decisão de Nunes Marques com efeitos sobre a campanha petista durante o fim de semana. No sábado, o presidente do TSE atendeu a outro pedido de Flávio Bolsonaro e determinou a retirada de uma peça do horário eleitoral gratuito que relacionava o candidato do PL ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e mencionava uma acusação anteriormente apresentada contra Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente.</p>
<p>A propaganda abordava informações divulgadas sobre investigações relacionadas ao financiamento de <em>Dark Horse</em>, produção audiovisual sobre Jair Bolsonaro. Relatórios da Polícia Federal mencionados na cobertura do caso registram mensagens trocadas entre Flávio e Vorcaro sobre a captação de recursos para o projeto. A existência dessas mensagens não demonstra, isoladamente, responsabilidade criminal do senador.</p>
<p>Nunes Marques considerou que a campanha petista não havia apresentado elementos suficientes para contextualizar as imputações feitas na peça publicitária. O ministro apontou a ausência de identificação adequada do procedimento investigatório e da origem das informações utilizadas. No caso de Alfredo Gaspar, ressaltou que a propaganda não mencionava o arquivamento, pelo Supremo Tribunal Federal, do pedido de investigação relacionado à acusação de violência sexual.</p>
<p>A decisão determinou a retirada do material da programação eleitoral. Para Nunes Marques, a apresentação das acusações sem o contexto necessário poderia transmitir ao eleitorado a impressão de que os integrantes da chapa adversária haviam praticado crimes, apesar da ausência de condenações que sustentassem essa conclusão.</p>
<p>A campanha de Lula defende que a propaganda utilizava informações já divulgadas publicamente e questiona a restrição ao debate sobre fatos relacionados aos candidatos. A posição contrasta com o fundamento apresentado pelo ministro, que atribuiu importância à forma de exposição dos episódios e à necessidade de evitar imputações criminais sem comprovação suficiente.</p>
<p>Com as duas decisões, a candidatura petista ficou impedida de utilizar uma peça de propaganda no horário eleitoral e teve um de seus principais canais de mobilização digital submetido a bloqueio. As restrições são fatos documentados; a interpretação de que representam favorecimento deliberado ao candidato do PL, entretanto, permanece uma acusação política ainda não demonstrada judicialmente.</p>
<h2>Lula acusa Justiça Eleitoral de decisões tendenciosas</h2>
<p>A reação mais contundente ocorreu na Avenida Paulista, onde Lula participou de atividades de campanha neste domingo. O presidente afirmou que vinha observando decisões desfavoráveis à sua candidatura e questionou publicamente a condução dos processos eleitorais.</p>
<p>“Já venho percebendo, há alguns dias, que existem muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura”, declarou Lula. O presidente acrescentou que o PT pretende recorrer à Justiça para contestar o bloqueio e buscar esclarecimentos sobre os critérios adotados pelo tribunal.</p>
<p>A crítica foi acompanhada de uma cobrança por tratamento equilibrado entre as campanhas. Lula afirmou que a Justiça Eleitoral deve garantir a realização da disputa sem interferências indevidas e manifestou desconfiança em relação às restrições aplicadas a conteúdos produzidos por seus apoiadores.</p>
<p>Janones também intensificou as críticas. Em manifestação nas redes sociais, o deputado declarou que a censura havia começado e informou que continuaria promovendo mobilizações por outras plataformas. O parlamentar contestou as alegações de que sua estrutura digital teria sido utilizada para divulgar notícias falsas e afirmou que a campanha adversária buscava limitar sua atuação.</p>
<p>A campanha de Flávio Bolsonaro apresenta entendimento oposto. Seus representantes sustentam que os pedidos judiciais procuram impedir a divulgação de informações consideradas falsas e proteger a regularidade da eleição. A legislação eleitoral permite restrições a determinados conteúdos ilícitos, mas a aplicação dessas regras depende de fundamentação e pode ser contestada pelas partes interessadas.</p>
<h2>TSE também impôs restrições à campanha de Flávio Bolsonaro</h2>
<p>O conjunto das decisões recentes da Justiça Eleitoral inclui determinações contrárias ao candidato do PL. Na quinta-feira (8), o plenário do TSE ordenou, por unanimidade, a retirada de três publicações feitas por Flávio Bolsonaro na rede social X, em representação apresentada pela Federação Brasil da Esperança, liderada pelo PT.</p>
<p>Uma das publicações utilizava inteligência artificial para representar Lula em uma situação inexistente, sem a identificação exigida pela regulamentação eleitoral. As outras duas associavam o presidente a organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, sem suporte factual mínimo, conforme avaliação do tribunal.</p>
<p>O relator, ministro André Mendonça, reconsiderou decisão anterior e votou pela remoção dos conteúdos. O entendimento foi acompanhado pelos demais integrantes do colegiado, que também proibiram a republicação das peças analisadas ou de versões substancialmente equivalentes.</p>
<p>Na sexta-feira (9), outra decisão do TSE determinou a suspensão de um site que oferecia criptomoedas a usuários em troca de publicações favoráveis a Flávio. A medida foi adotada pela ministra Estela Aranha, após representação apresentada pela campanha de Lula. O PL afirmou desconhecer os responsáveis pela página e negou qualquer contratação relacionada à iniciativa.</p>
<p>Esses episódios demonstram que o tribunal também adotou medidas restritivas contra conteúdos relacionados ao candidato do PL. A existência de decisões nos dois sentidos não encerra o debate sobre eventual tratamento desigual, mas impede concluir que toda a atuação da Justiça Eleitoral tenha sido dirigida exclusivamente contra uma das candidaturas.</p>
<h2>Concentração de decisões já provocava questionamentos no Judiciário</h2>
<p>As críticas à atuação de Nunes Marques não começaram com o bloqueio do “Exército do Lula”. Nos dias anteriores, integrantes do Supremo Tribunal Federal haviam manifestado preocupação com a concentração de decisões eleitorais na presidência e na vice-presidência do TSE, especialmente em procedimentos sobre propaganda e direito de resposta.</p>
<p>O ministro Gilmar Mendes esteve entre os que questionaram a distribuição das atribuições. Flávio Dino também mencionou a existência de mais de uma centena de decisões monocráticas que ainda aguardavam apreciação pelo colegiado, ressaltando a importância de procedimentos capazes de assegurar julgamento em tempo adequado.</p>
<p>Em resposta às críticas, Nunes Marques anunciou mudanças administrativas destinadas a acelerar a tramitação dos processos. As providências incluem a possibilidade de sessões extraordinárias, julgamentos virtuais e submissão mais rápida das decisões urgentes à apreciação do plenário.</p>
<p>A discussão envolve um problema institucional que se torna particularmente sensível durante campanhas eleitorais: a necessidade de impedir a circulação de conteúdos comprovadamente ilícitos sem impor restrições desproporcionais à liberdade de expressão e à atividade política. Decisões tomadas a poucos dias da votação podem produzir efeitos imediatos, mesmo quando posteriormente modificadas.</p>
<p>A suspensão do canal coordenado por Janones deverá ser examinada nesse contexto. Além da discussão sobre as publicações atribuídas à estrutura, a eventual contestação precisará abordar a extensão da restrição, os fundamentos apresentados e as provas utilizadas para demonstrar a necessidade do bloqueio.</p>
<p>A Meta também foi notificada para prestar informações e preservar registros relacionados ao canal. Esses dados poderão contribuir para esclarecer as atividades efetivamente realizadas pelos administradores e verificar as acusações de distribuição coordenada de conteúdos irregulares.</p>
<p>O próximo desdobramento dependerá da formalização do recurso anunciado por Lula, das manifestações dos responsáveis pelo canal e da avaliação dos elementos apresentados pela campanha de Flávio Bolsonaro. Até o momento, as decisões de Nunes Marques produziram consequências concretas para a comunicação petista e desencadearam acusações de censura e parcialidade. A caracterização das medidas como antidemocráticas, porém, permanece no campo da contestação política e jurídica, sem reconhecimento definitivo por órgão judicial.</p>
<p>A disputa ocorre a duas semanas do segundo turno, em 25 de outubro, quando Lula e Flávio voltarão a disputar a Presidência da República. A apreciação dos recursos pelo TSE será decisiva para definir se as restrições continuarão em vigor durante o restante da campanha e quais limites deverão ser observados na utilização das plataformas digitais pelos candidatos.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral &#8211; comunicado de 10 de outubro de 2026 sobre a decisão do corregedor-geral Ricardo Villas Bôas Cueva, com exigência de esclarecimentos e provas na ação apresentada por Flávio Bolsonaro.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral &#8211; julgamento de 8 de outubro de 2026 que determinou a remoção de três publicações de Flávio Bolsonaro contra Lula.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral &#8211; Resolução 23.755, de 2 de março de 2026, que atualiza as regras aplicáveis à propaganda eleitoral.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral &#8211; registros institucionais de abril e maio de 2026 sobre a eleição e a posse de Kassio Nunes Marques na presidência da Corte.</em></p>
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			</item>
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		<title>PF nega ter recebido depoimento de Vorcaro sobre filme de Lula; PGR esclarece delação</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/dono-da-veja-jantar-flavio-bolsonaro-vorcaro</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 19:21:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[Marco Aurélio de Carvalho]]></category>
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		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
		<category><![CDATA[revista Piauí]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>DIREITO DE RESPOSTA — FÁBIO CARVALHO Fábio Carvalho, “Publisher” da Revista Veja, informa que a matéria intitulada “Dono da Revista Veja esteve em jantar com Flávio Bolsonaro; PF contesta relato de Vorcaro”, publicada neste site no dia 09 de outubro de 2026, errou ao relacioná-lo entre os participantes de um jantar realizado no dia 27 [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div style="background-color: #f2f2f2; border-left: 5px solid #000000; padding: 20px 24px; margin: 32px 0; color: #1a1a1a; line-height: 1.7;">
<h2 style="margin-top: 0; font-size: 18px; font-weight: bold; text-transform: uppercase; color: #111111;">DIREITO DE RESPOSTA — FÁBIO CARVALHO</h2>
<p style="margin-bottom: 12px;">Fábio Carvalho, “Publisher” da Revista Veja, informa que a matéria intitulada “Dono da Revista Veja esteve em jantar com Flávio Bolsonaro; PF contesta relato de Vorcaro”, publicada neste site no dia 09 de outubro de 2026, errou ao relacioná-lo entre os participantes de um jantar realizado no dia 27 de agosto de 2026 na residência de um empresário paulista.</p>
<p style="margin-bottom: 0;">Fábio Carvalho não participou daquele jantar e sequer estava no Estado de São Paulo na ocasião, pelo que não são verdadeiras quaisquer associações que possam ser feitas entre o evento e matérias publicadas pela Revista Veja antes ou depois daquela data.</p>
</div>
<div style="background-color: #fafafa; border: 1px solid #d9d9d9; padding: 20px 24px; margin: 32px 0; color: #1a1a1a; line-height: 1.7;">
<h2 style="margin-top: 0; font-size: 18px; font-weight: bold; text-transform: uppercase; color: #111111;">NOTA DE CORREÇÃO EDITORIAL — 27 DE OUTUBRO DE 2026</h2>
<p>Esta reportagem, originalmente publicada em 9 de outubro de 2026, às 16h21, foi retificada após a identificação de um erro factual.</p>
<p>A versão original identificou incorretamente Fábio Soares de Miranda Carvalho, publisher da revista Veja, como participante de um jantar realizado com Flávio Bolsonaro em 27 de agosto de 2026, em São Paulo. Após revisão das informações, constatou-se que não havia elementos que sustentassem essa identificação.</p>
<p>A redação procedeu à retirada integral das afirmações que atribuíam ao executivo participação no referido encontro e das associações editoriais decorrentes dessa identificação equivocada.</p>
<p>A <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com" target="_blank"  rel="noopener" title="Gazeta Mercantil &#8211; Jornal Online" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341477">Gazeta Mercantil</a> reconhece expressamente o erro de identificação e esclarece que não dispõe de elementos que sustentem a presença de Fábio Carvalho no referido evento.</p>
<p>A presente correção não altera o conteúdo das manifestações oficiais da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e do Instituto Lula, que constituem o objeto central da reportagem revisada.</p>
<p>O direito de resposta apresentado por Fábio Carvalho está reproduzido integralmente no início desta reportagem, com destaque e identificação próprios.</p>
<p style="margin-bottom: 0;">A Gazeta Mercantil reafirma seu compromisso com a precisão factual, a verdade, a transparência editorial e o respeito ao direito de resposta.</p>
</div>
<hr />
<p>A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) divulgaram, em 9 de outubro de 2026, esclarecimentos oficiais sobre informações atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, envolvendo supostos pagamentos relacionados ao financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.</p>
<p>As manifestações ocorreram após a circulação de alegações sobre possíveis repasses financeiros destinados à produção audiovisual dirigida pelo cineasta norte-americano Oliver Stone. O episódio também provocou reação do Instituto Lula, que negou participação na captação de recursos e no financiamento do projeto.</p>
<p>Em comunicado publicado às 12h24 daquele dia, a Polícia Federal afirmou que Vorcaro não havia prestado depoimento com o conteúdo divulgado publicamente. A instituição também declarou não ter recebido anexos, documentos ou informações com o teor apresentado.</p>
<p>A Procuradoria-Geral da República, por sua vez, confirmou que houve tratativas para uma possível colaboração premiada, mas esclareceu que os contatos ocorreram exclusivamente por intermédio dos advogados do investigado. Segundo o Ministério Público Federal, não houve depoimento oral de Vorcaro.</p>
<h2>Polícia Federal nega depoimento e recebimento de documentos</h2>
<p>A Polícia Federal publicou, em 9 de outubro de 2026, uma nota oficial para esclarecer informações atribuídas a Daniel Vorcaro sobre um suposto financiamento do documentário dedicado à trajetória <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341476">política</a> de Lula.</p>
<p>No comunicado, a corporação informou que o ex-controlador do Banco Master não prestou depoimento com o teor divulgado naquela data. Acrescentou que também não foram entregues à instituição documentos, anexos ou outras informações correspondentes ao conteúdo apresentado publicamente.</p>
<p>A instituição esclareceu ainda que as propostas de colaboração premiada encaminhadas pela defesa de Vorcaro não foram acolhidas porque deixaram de atender aos requisitos legais necessários à sua aceitação. Segundo a corporação, a decisão foi fundamentada e comunicada aos advogados do investigado.</p>
<p>O posicionamento da Polícia Federal refere-se especificamente à inexistência de depoimento e de material documental com o conteúdo mencionado em seus procedimentos oficiais. A manifestação não representa, isoladamente, uma conclusão definitiva sobre a autenticidade ou a origem de eventuais declarações privadas atribuídas ao empresário.</p>
<h2>PF confirma recebimento de notícia-crime para apuração dos fatos</h2>
<p>No mesmo comunicado, a Polícia Federal confirmou o recebimento, em 9 de outubro, de uma notícia-crime acompanhada de pedido de providências urgentes para apuração dos fatos relacionados à divulgação das informações atribuídas a Vorcaro.</p>
<p>Segundo a corporação, o expediente foi encaminhado à área técnica responsável pela adoção das medidas de polícia judiciária.</p>
<p>O recebimento de uma notícia-crime significa que uma comunicação foi formalmente apresentada às autoridades, mas não representa, por si só, a confirmação das alegações ou a conclusão de que houve prática de infração penal.</p>
<p>A eventual realização de diligências, a análise dos elementos apresentados e a identificação de possíveis responsabilidades dependem das providências adotadas pelas autoridades competentes.</p>
<h2>PGR confirma negociações de colaboração premiada, mas nega depoimento oral</h2>
<p>A Procuradoria-Geral da República também divulgou uma nota de esclarecimento em 9 de outubro de 2026, às 11h29, para explicar como ocorreram as tratativas de possível colaboração premiada envolvendo Daniel Vorcaro.</p>
<p>Segundo a PGR, todas as negociações foram conduzidas por advogados contratados pelo investigado, sem interlocução direta entre o empresário e representantes do Ministério Público Federal.</p>
<p>A instituição informou que as propostas formalizadas pela defesa foram recebidas na forma apresentada pelos próprios advogados.</p>
<p>A PGR esclareceu, entretanto, que não houve depoimento oral de Vorcaro em razão da rejeição da proposta de colaboração, cujos motivos foram comunicados à defesa.</p>
<p>O Ministério Público Federal também ressaltou a necessidade de preservar o sigilo legal aplicável aos procedimentos de negociação de acordos de colaboração premiada.</p>
<p>A manifestação estabelece uma distinção entre o recebimento de propostas elaboradas pela defesa e a formalização de um acordo de colaboração. A apresentação de informações por representantes de um investigado não significa que seu conteúdo tenha sido confirmado ou reconhecido como prova pelas autoridades.</p>
<h2>Instituto Lula nega participação no financiamento do documentário de Oliver Stone</h2>
<p>O Instituto Lula também se manifestou oficialmente em 9 de outubro de 2026, às 16h10, para contestar as alegações relacionadas ao financiamento do documentário dirigido pelo cineasta Oliver Stone.</p>
<p>Em nota institucional, a entidade afirmou que o projeto cinematográfico constitui uma iniciativa do próprio diretor e negou ter participado da produção ou da captação de recursos destinados ao filme.</p>
<p>O Instituto Lula declarou ainda que jamais recebeu valores destinados à realização do documentário e que não autorizou terceiros a arrecadar recursos em seu nome, seja para a produção cinematográfica ou para outros projetos.</p>
<p>A manifestação também abordou referências a Paulo Okamotto, dirigente ligado ao instituto e mencionado nas alegações divulgadas.</p>
<p>Segundo a entidade, Okamotto não conhece Daniel Vorcaro, nunca esteve com o ex-banqueiro e não participou de reuniões com ele.</p>
<p>O instituto classificou as acusações como falsas e infundadas e afirmou que não foram apresentadas provas capazes de comprovar a suposta participação da entidade nas operações financeiras mencionadas.</p>
<p>As declarações representam a posição oficial do Instituto Lula sobre o episódio. A eventual comprovação de operações financeiras depende da apresentação e da verificação de documentos, registros bancários ou outros elementos probatórios.</p>
<h2>O que as manifestações oficiais esclarecem sobre o caso</h2>
<p>Os comunicados divulgados em 9 de outubro de 2026 permitem estabelecer três pontos centrais sobre as informações atribuídas a Daniel Vorcaro.</p>
<p>A Polícia Federal afirmou não ter recebido depoimento, anexos ou documentos com o conteúdo divulgado sobre o suposto financiamento do documentário. A Procuradoria-Geral da República confirmou a existência de tratativas de colaboração premiada conduzidas por advogados, mas esclareceu que não houve depoimento oral do investigado. O Instituto Lula, por sua vez, negou participação na produção, na captação de recursos e no recebimento de valores destinados ao projeto audiovisual.</p>
<p>Esses esclarecimentos não devem ser confundidos com uma conclusão definitiva sobre todos os acontecimentos mencionados publicamente. A inexistência de um depoimento formal com determinado conteúdo não permite, isoladamente, confirmar ou descartar a existência de eventuais declarações privadas atribuídas ao empresário.</p>
<p>Da mesma forma, a apresentação de uma proposta de colaboração premiada não implica reconhecimento automático da veracidade das informações fornecidas pela defesa de um investigado.</p>
<p>Quanto aos supostos pagamentos para financiar o documentário sobre Lula, as manifestações oficiais examinadas não apresentam comprovação da realização dos repasses alegados.</p>
<p>A Polícia Federal confirmou o recebimento e o encaminhamento de uma notícia-crime relacionada à divulgação das informações, cabendo às autoridades competentes avaliar a necessidade de diligências e a existência de elementos que justifiquem eventuais medidas adicionais.</p>
<p>A distinção entre informações atribuídas a investigados, propostas de colaboração, depoimentos formalmente prestados e provas documentais é fundamental para a compreensão do episódio.</p>
<p>O esclarecimento dos fatos depende da apresentação de elementos verificáveis e da análise das autoridades responsáveis, sem que declarações ou acusações ainda não demonstradas sejam tratadas como acontecimentos comprovados.</p>
<hr />
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Polícia Federal — Nota oficial à imprensa publicada em 9 de outubro de 2026, às 12h24.</p>
<p>Procuradoria-Geral da República — Nota de esclarecimento sobre as tratativas de colaboração premiada de Daniel Vorcaro, publicada em 9 de outubro de 2026, às 11h29.</p>
<p>Instituto Lula — Nota institucional publicada em 9 de outubro de 2026, às 16h10.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Horário eleitoral 2026: Lula e Flávio Bolsonaro estreiam no segundo turno</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/horario-eleitoral-segundo-turno-2026-lula-flavio-bolsonaro</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 17:53:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral.]]></category>
		<category><![CDATA[eleição presidencial]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[horário eleitoral 2026]]></category>
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		<category><![CDATA[PL]]></category>
		<category><![CDATA[propaganda eleitoral gratuita]]></category>
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		<category><![CDATA[PT]]></category>
		<category><![CDATA[segundo turno]]></category>
		<category><![CDATA[TSE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Programas voltarão a ser exibidos a partir desta sexta-feira, 9</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O horário eleitoral gratuito do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 voltou ao rádio e à televisão nesta sexta-feira (9), com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) passando a dividir igualmente o tempo destinado à propaganda. A nova etapa da campanha começou com abordagens distintas: Flávio apresentou a mudança de governo como principal mensagem e destacou o apoio de antigos adversários, enquanto Lula procurou mobilizar o eleitorado em torno da continuidade de políticas sociais e da possibilidade de reverter o resultado da primeira votação.</p>
<p>A retomada da propaganda ocorre cinco dias depois do primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos, e Lula obteve 53.876.617 votos, ou 45,16%. A diferença entre os dois candidatos foi de 2.227.651 votos, correspondente a 1,87 ponto percentual. Como nenhum deles alcançou a maioria absoluta dos votos válidos, a eleição será decidida em 25 de outubro, quando os brasileiros voltarão às urnas para escolher o próximo presidente da República.</p>
<p>A mudança mais significativa nas regras de exposição é a divisão igualitária do tempo. Ao contrário da primeira etapa da eleição, quando a distribuição considerava a representação dos partidos na Câmara dos Deputados, agora cada candidatura dispõe de cinco minutos em cada um dos dois blocos diários transmitidos em rede, além de 12 minutos e 30 segundos em inserções distribuídas ao longo da programação. O novo formato foi aprovado por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 6 de outubro, em resolução relatada pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques.</p>
<p>A propaganda será exibida até 23 de outubro, dois dias antes da votação. Durante esse período, as campanhas terão a oportunidade de apresentar propostas, responder às críticas dos adversários e buscar votos entre eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno, votaram em branco, anularam o voto ou não compareceram às urnas.</p>
<h2>Flávio Bolsonaro apresenta apoios e promete mudanças na economia e na segurança</h2>
<p>A estreia da campanha de Flávio Bolsonaro no segundo turno colocou a ideia de mudança no centro da comunicação eleitoral. O candidato do PL afirmou que o resultado de 4 de outubro demonstrou o desejo de parte do eleitorado por uma alteração na condução do país e procurou associar sua candidatura a uma reorganização das prioridades do governo federal. Em cinco minutos de propaganda no rádio, as palavras relacionadas à mudança foram utilizadas 22 vezes, conforme levantamento sobre o conteúdo apresentado nesta sexta-feira.</p>
<p>O programa também destacou o apoio de lideranças políticas que disputaram a eleição presidencial ou participaram de outras campanhas estaduais. Entre os nomes apresentados estavam Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A participação desses aliados integra a tentativa de ampliar a base <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340562">política</a> do senador e reunir diferentes segmentos da direita e de partidos que não estiveram integralmente associados à sua candidatura na primeira votação.</p>
<p>Na apresentação de suas propostas, Flávio abordou temas relacionados ao custo de vida, ao endividamento das famílias e à segurança pública. O candidato reiterou compromissos com a redução de impostos, o enfrentamento de organizações criminosas e a construção de cinco novos presídios federais. Também voltou a defender o fim da possibilidade de reeleição presidencial, proposta que dependeria de alteração constitucional e aprovação pelo Congresso Nacional.</p>
<p>Outra mensagem utilizada pela campanha foi a promessa de manutenção de programas sociais existentes, entre eles Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Farmácia Popular. A posição busca responder às críticas apresentadas por adversários sobre eventuais consequências de um ajuste fiscal nas despesas do governo. O compromisso anunciado, entretanto, não elimina a necessidade de detalhamento sobre a compatibilidade entre os benefícios prometidos, a redução de tributos e as medidas de controle dos gastos públicos previstas pelo candidato.</p>
<p>A presença de Caiado, Zema e Tarcísio na propaganda também demonstra a importância atribuída às alianças regionais. O primeiro turno mostrou diferenças expressivas no desempenho dos candidatos entre os estados, e os apoios de governadores, parlamentares e lideranças locais podem contribuir para ampliar a presença das campanhas em municípios e segmentos eleitorais nos quais não obtiveram a maioria dos votos.</p>
<h2>Lula destaca trajetória política e alerta para riscos de retrocesso social</h2>
<p>O primeiro programa de Lula apresentou o segundo turno como uma nova etapa da disputa, na qual o eleitorado terá de escolher entre a continuidade de seu governo e a proposta de mudança representada por Flávio Bolsonaro. O presidente afirmou que considera a segunda votação uma eleição diferente da primeira e pediu que os brasileiros avaliem as consequências de sua escolha. A campanha utilizou referências à trajetória política de Lula, às realizações de seus governos e às políticas públicas que pretende preservar.</p>
<p>A comunicação petista também procurou contestar a associação entre a candidatura adversária e a ideia de renovação política. O programa relacionou Flávio ao governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e apresentou críticas a medidas adotadas durante aquela administração, particularmente nas áreas de educação, saúde e proteção social. As comparações integram a estratégia eleitoral da candidatura, mas as consequências atribuídas a um eventual governo de Flávio representam argumentos de campanha, e não resultados que possam ser considerados previamente demonstrados.</p>
<p>Entre os compromissos defendidos por Lula apareceram a preservação dos programas de transferência de renda, a valorização real do salário mínimo e a ampliação de investimentos em educação. A propaganda destacou iniciativas como o Pé-de-Meia e o Bolsa Família e reiterou o apoio do presidente à redução da jornada de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340560">trabalho</a>, incluindo o debate sobre o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso.</p>
<p>A proposta de mudança na jornada depende de tramitação legislativa e de definição de seus efeitos sobre trabalhadores, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340561">empresas</a> e setores econômicos. Da mesma forma, a expansão de políticas sociais e educacionais está condicionada à disponibilidade orçamentária e às regras fiscais. Essas questões integram o conjunto de compromissos que deverão ser detalhados pelas campanhas ao longo das próximas duas semanas.</p>
<p>A retomada da propaganda ocorre depois de Lula promover alterações na organização de sua campanha. Entre as mudanças estão novas atribuições para integrantes de sua equipe política e maior participação de aliados nas articulações eleitorais. A reorganização veio após o presidente terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, resultado que levou o PT a revisar iniciativas de mobilização, comunicação e presença regional.</p>
<h2>Divisão igualitária altera tempo disponível para os dois candidatos</h2>
<p>A diferença entre as regras do primeiro e do segundo turno pode ser observada diretamente nos planos de mídia aprovados pelo TSE. Na etapa inicial da eleição presidencial, a coligação de Lula tinha direito a cinco minutos e 31 segundos em cada bloco de propaganda, enquanto o PL, partido de Flávio Bolsonaro, dispunha de quatro minutos e 20 segundos. A distribuição também incluía o PSD, com dois minutos e dois segundos, e o Avante, com 35 segundos, além de ajustes decorrentes das frações de tempo previstas na regulamentação.</p>
<p>Com a redução da disputa a dois candidatos, ambos passaram a receber exatamente cinco minutos por bloco. Em comparação com a primeira etapa, Flávio ganhou 40 segundos em cada apresentação, enquanto Lula perdeu 31 segundos. Considerando os dois programas transmitidos diariamente, isso representa um acréscimo de um minuto e 20 segundos para o candidato do PL e uma redução de um minuto e dois segundos para o presidente.</p>
<p>A igualdade de tempo também se aplica às inserções publicitárias. Cada candidatura terá direito a 25 peças de 30 segundos por dia, totalizando 12 minutos e 30 segundos. A propaganda em rede será exibida de segunda-feira a sábado, enquanto as inserções poderão ser transmitidas também aos domingos. Com isso, cada candidato dispõe de dez minutos diários nos dois programas em bloco, além das inserções distribuídas pelos intervalos comerciais.</p>
<p>O calendário estabelece 15 dias de propaganda entre 9 e 23 de outubro, incluindo dois domingos. Considerando os 13 dias com programas em rede e as inserções previstas para todo o período, cada candidato poderá acumular cinco horas, 17 minutos e 30 segundos de exposição em cada meio de comunicação, somando os espaços regulamentares. Desse total, duas horas e dez minutos correspondem aos programas em rede, enquanto três horas, sete minutos e 30 segundos decorrem das inserções.</p>
<p>A diferença entre os formatos também influencia a apresentação das mensagens eleitorais. Nos blocos de cinco minutos, as campanhas conseguem desenvolver argumentos mais extensos, apresentar depoimentos e relacionar propostas a antecedentes políticos. Nas inserções de 30 segundos, o espaço permite mensagens mais curtas e repetidas, geralmente concentradas em um tema ou compromisso específico. O TSE estabelece a distribuição e a ordem de veiculação, mas o conteúdo político das peças é definido pelas candidaturas, dentro dos limites legais.</p>
<p>A ordem de apresentação também segue uma regra específica. Como Flávio Bolsonaro obteve a maior votação no primeiro turno, sua candidatura iniciou a sequência de propaganda. A posição dos candidatos será alternada nas exibições seguintes, conforme o plano aprovado pela Justiça Eleitoral, impedindo que um concorrente ocupe permanentemente a primeira posição.</p>
<h2>Diferença de 2,2 milhões de votos marca início da nova etapa</h2>
<p>Os resultados oficiais do primeiro turno mostram a dimensão da disputa pela Presidência. Flávio Bolsonaro terminou a votação com aproximadamente 56,1 milhões de votos, enquanto Lula recebeu cerca de 53,9 milhões. Os dois candidatos concentraram juntos quase 110 milhões de votos, correspondentes a aproximadamente 92,2% dos votos válidos apurados na eleição presidencial.</p>
<p>A concentração indica que uma parcela relativamente pequena dos votos válidos foi destinada aos demais concorrentes. Ainda assim, os eleitores que escolheram candidaturas eliminadas, além daqueles que votaram em branco, anularam ou deixaram de comparecer, representam um contingente relevante para o segundo turno. A distribuição desses votos não pode ser determinada automaticamente a partir dos resultados anteriores, pois depende da participação e das escolhas individuais na nova votação.</p>
<p>Dados divulgados pelo TSE após o primeiro turno registraram 2.300.781 votos brancos e 3.674.149 votos nulos na disputa presidencial. Somados, representam aproximadamente seis milhões de votos que não foram atribuídos a nenhum candidato. Esse conjunto não constitui um grupo politicamente homogêneo, mas ajuda a dimensionar a parcela do eleitorado que não participou da distribuição dos votos válidos no primeiro turno.</p>
<p>A abstenção também se tornou um tema importante para a mobilização eleitoral. A Justiça Eleitoral esclarece que a ausência na primeira votação não impede o comparecimento à segunda, pois os turnos são considerados etapas independentes. O eleitor que não votou em 4 de outubro poderá participar normalmente da votação de 25 de outubro, desde que esteja em situação que permita o exercício do voto.</p>
<p>Para as campanhas, isso significa que a busca por eleitores não se limita à transferência de apoios políticos entre partidos e candidatos. Também envolve a mobilização de pessoas que não participaram da primeira etapa, a comunicação de propostas para segmentos ainda não identificados com nenhuma candidatura e o incentivo ao comparecimento às urnas.</p>
<h2>Propaganda para governadores ocorre em seis estados e no Distrito Federal</h2>
<p>Além da eleição presidencial, a propaganda gratuita do segundo turno contempla disputas para governador em seis estados e no Distrito Federal. Segundo o TSE, haverá nova votação para os governos do Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins, além do Distrito Federal. Nessas localidades, os programas dos candidatos aos governos estaduais serão apresentados depois da propaganda presidencial, conforme os horários estabelecidos pela Justiça Eleitoral.</p>
<p>No rádio, os blocos presidenciais são transmitidos às 7h e ao meio-dia. Na televisão, os horários são 13h e 20h30, de segunda-feira a sábado. Em cada apresentação, os dois candidatos à Presidência dividem dez minutos de programação, com cinco minutos para cada um. As inserções de 30 segundos são distribuídas pelos intervalos comerciais das emissoras, respeitando a programação definida no plano de mídia.</p>
<p>A transmissão é obrigatória para as emissoras abrangidas pela legislação eleitoral, incluindo rádios comunitárias e canais de televisão de caráter legislativo previstos nas regras. O Tribunal Superior Eleitoral mantém uma estrutura responsável pelo recebimento e distribuição dos programas presidenciais, enquanto as campanhas devem encaminhar os materiais conforme os prazos técnicos estabelecidos.</p>
<p>A propaganda gratuita terminará em 23 de outubro. O segundo turno será realizado no domingo seguinte, dia 25, quando mais de 158,7 milhões de eleitores aptos poderão votar para presidente da República. Até lá, Lula e Flávio Bolsonaro terão a mesma quantidade de tempo no rádio e na televisão para apresentar propostas e responder às críticas, em uma disputa que começou com diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos entre os dois candidatos.</p>
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		<title>Flávio tem 53% e Lula 47% no 2º turno, diz PoderData/Aya</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/pesquisa-flavio-bolsonaro-lula-segundo-turno-53-47</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Oct 2026 11:58:13 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
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		<category><![CDATA[pesquisa presidente]]></category>
		<category><![CDATA[PoderData]]></category>
		<category><![CDATA[segundo turno]]></category>
		<category><![CDATA[TSE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Levantamento divulgado nesta quinta-feira, 8, mostra vantagem de 6 pontos do senador do PL; Flávio terminou o primeiro turno à frente de Lula</p>
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<p>Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 53% dos votos válidos contra 47% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na primeira pesquisa PoderData/Aya realizada depois do primeiro turno da eleição presidencial. Divulgado nesta quinta-feira, 8 de outubro, o levantamento coloca o senador seis pontos percentuais à frente do presidente na disputa marcada para 25 de outubro, uma distância superior à registrada nas urnas quatro dias antes.</p>
<p>A pesquisa foi realizada entre 5 e 7 de outubro, portanto inteiramente depois da votação que levou os dois candidatos ao segundo turno. Foram entrevistados 3 mil eleitores em 705 municípios das 27 unidades da Federação, por meio de ligações para telefones celulares e fixos. A margem de erro informada é de 1,8 ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-08134/2026.</p>
<p>A abertura de seis pontos representa uma mudança em relação à rodada anterior do mesmo instituto, feita de 30 de setembro a 2 de outubro. Naquele levantamento, Lula e Flávio apareciam empatados em 50% a 50% dos votos válidos numa eventual disputa direta. Em uma semana, o senador passou de 50% para 53%, enquanto o presidente recuou de 50% para 47%.</p>
<h2>Vantagem na pesquisa supera diferença registrada nas urnas</h2>
<p>O resultado amplia, na fotografia atual do eleitorado, a vantagem que Flávio já havia obtido no primeiro turno. Segundo a apuração oficial da Justiça Eleitoral, o senador terminou a votação com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. A diferença foi de 1,87 ponto percentual, suficiente para colocar o candidato do PL na primeira posição, mas distante da maioria absoluta necessária para encerrar a eleição no primeiro turno.</p>
<p>A pesquisa desta quinta-feira mostra uma distância de seis pontos entre os dois. Isso representa 4,13 pontos percentuais a mais que a diferença registrada nas urnas. A comparação, no entanto, não significa que pesquisa e resultado eleitoral sejam medidas equivalentes. A votação contabiliza a escolha efetiva de todo o eleitorado que compareceu às urnas, enquanto o levantamento estima o comportamento da população a partir de uma amostra e está sujeito à margem de erro.</p>
<p>O dado relevante é a mudança observada entre as duas pesquisas do mesmo instituto. Antes do primeiro turno, os candidatos estavam numericamente empatados no cenário de confronto direto. Depois da votação, Flávio avançou três pontos e Lula perdeu três, produzindo uma diferença de seis pontos na soma das duas variações.</p>
<p>Essa movimentação ocorreu justamente quando os eleitores dos candidatos eliminados começaram a redistribuir suas preferências. No segundo turno, quem escolheu outros nomes em 4 de outubro precisa decidir entre Flávio e Lula, votar em branco ou nulo ou deixar de comparecer. Essa transferência de votos tende a ser um dos fatores decisivos nas próximas duas semanas de campanha.</p>
<h2>Flávio mantém vantagem entre homens e Lula lidera entre mulheres</h2>
<p>A pesquisa mostra uma divisão acentuada do eleitorado por sexo. Entre os homens, Flávio registra 57% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 37%. A vantagem do senador nesse grupo chega, portanto, a 20 pontos percentuais.</p>
<p>Entre as mulheres, o quadro se inverte. Lula aparece com 50%, contra 42% de Flávio, diferença de oito pontos favorável ao presidente. Os números indicam que parte importante da liderança geral do candidato do PL é construída pelo desempenho no eleitorado masculino, enquanto o petista continua obtendo resultado superior entre as eleitoras.</p>
<p>Os percentuais dos recortes demográficos precisam ser analisados com cautela porque a margem de erro geral de 1,8 ponto percentual vale para a amostra completa. Quando os entrevistados são divididos por sexo, idade, renda, região ou escolaridade, cada grupo contém um número menor de pessoas e, consequentemente, apresenta margem de erro maior.</p>
<p>Ainda assim, a diferença entre homens e mulheres revela uma das linhas mais claras de separação entre as bases dos candidatos no início do segundo turno. A capacidade de reduzir essa distância nos segmentos em que apresentam desempenho inferior deverá fazer parte da disputa por eleitores até 25 de outubro.</p>
<h2>Lula lidera entre os mais jovens</h2>
<p>A divisão também aparece nas diferentes faixas etárias. Lula registra 52% das intenções de voto entre os eleitores de 16 a 24 anos, enquanto Flávio aparece com 40%. O presidente tem, portanto, vantagem de 12 pontos nesse segmento.</p>
<p>A situação muda a partir dos 25 anos. Flávio registra 50% entre os entrevistados de 25 a 44 anos, 49% na faixa de 45 a 59 anos e 52% entre aqueles com 60 anos ou mais. Os dados apontam uma distribuição geracional distinta daquela que predominou em algumas eleições anteriores, embora seja necessário acompanhar os próximos levantamentos para verificar se o padrão se mantém.</p>
<p>A segmentação por escolaridade também mostra diferenças. Lula alcança 53% entre os entrevistados com ensino fundamental, enquanto Flávio chega a 55% entre aqueles que concluíram o ensino médio. Na faixa de renda familiar entre dois e cinco salários mínimos, o senador registra 57% contra 39% do presidente.</p>
<p>Esses recortes ajudam a localizar os grupos nos quais cada campanha começa o segundo turno em posição mais favorável, mas não devem ser interpretados isoladamente como projeções do resultado final. Além das margens específicas de cada segmento, o peso de cada grupo dentro do eleitorado nacional é diferente.</p>
<h2>Sul dá maior vantagem a Flávio; Lula lidera no Nordeste</h2>
<p>O mapa regional reproduz parte da divisão observada no primeiro turno. Flávio alcança 58% no Sul, seu melhor resultado entre as cinco regiões, e aparece com 54% no Centro-Oeste. No Sudeste, maior colégio eleitoral do país, o senador registra 51%.</p>
<p>Lula mantém sua principal vantagem regional no Nordeste, onde aparece com 52% das intenções de voto contra 41% de Flávio. A diferença de 11 pontos faz da região o principal contraponto à liderança nacional do candidato do PL.</p>
<p>No Norte, Lula registra 48%, enquanto Flávio aparece com 43%. A distância de cinco pontos é menor que a observada no Nordeste e precisa ser considerada levando em conta a margem de erro específica do recorte regional.</p>
<p>O resultado mostra que nenhum dos candidatos começa o segundo turno com domínio uniforme do país. Flávio apresenta melhor desempenho em três regiões, enquanto Lula preserva vantagens no Nordeste e no Norte. Como o Sudeste reúne a maior parcela do eleitorado brasileiro, movimentos relativamente pequenos nessa região podem ter peso expressivo sobre o resultado nacional.</p>
<h2>Rejeição de Flávio cai de 46% para 43%</h2>
<p>A nova rodada também registrou mudança na rejeição dos candidatos. A parcela dos entrevistados que afirma não votar em Flávio “de jeito nenhum” caiu de 46% para 43% em uma semana, redução de três pontos percentuais. A rejeição a Lula passou de 47% para 46%, oscilação de um ponto para baixo.</p>
<p>A diferença entre os dois indicadores é de três pontos, ainda insuficiente para estabelecer uma separação segura entre as rejeições quando considerada a incerteza estatística da pesquisa. A trajetória, porém, é distinta: Flávio apresentou uma redução maior justamente na semana em que terminou o primeiro turno na liderança e avançou na simulação de segundo turno.</p>
<p>Ao mesmo tempo, 43% dos entrevistados afirmam que Flávio é o único candidato em quem votariam, enquanto outros 8% dizem que poderiam votar nele. Na pesquisa anterior, 38% diziam que o senador era sua única opção e 9% admitiam a possibilidade de escolhê-lo.</p>
<p>No caso de Lula, 42% afirmam que o presidente é o único candidato em quem votariam, e outros 8% dizem que poderiam escolhê-lo. Esses números ajudam a medir não apenas a rejeição, mas também o grau de fidelidade e o espaço potencial de crescimento de cada candidatura.</p>
<h2>Maioria acredita que Flávio vencerá a eleição</h2>
<p>A vantagem do senador é maior quando a pergunta deixa de ser sobre intenção de voto e passa a medir quem os entrevistados acreditam que vencerá o segundo turno. Segundo o levantamento, 54% consideram Flávio o candidato com maior chance de ser eleito, enquanto 37% apontam Lula. Outros 9% não souberam responder.</p>
<p>A diferença nesse indicador chega a 17 pontos percentuais. Uma semana antes, o quadro era inverso: 48% acreditavam que Lula tinha maior chance de vencer e 45% apontavam Flávio. O senador avançou nove pontos nessa percepção, enquanto o presidente recuou 11.</p>
<p>A mudança de 20 pontos na diferença entre os candidatos — de três pontos favoráveis a Lula para 17 favoráveis a Flávio — mostra o impacto do primeiro turno sobre a percepção dos entrevistados. Trata-se, porém, de uma pergunta diferente da intenção de voto. Um eleitor pode pretender votar em um candidato e, ao mesmo tempo, acreditar que o adversário terminará vencedor.</p>
<p>Entre aqueles que afirmam ter votado em Flávio no primeiro turno, 92% acreditam que o senador será eleito. Entre os entrevistados que dizem ter votado em Lula, 76% esperam a vitória do presidente. A confiança é, portanto, maior entre os eleitores do candidato do PL nesta primeira medição depois das urnas.</p>
<h2>Pesquisa é fotografia do início do segundo turno</h2>
<p>O levantamento foi concluído 18 dias antes da votação de 25 de outubro. A distância temporal importa porque o segundo turno ainda terá propaganda eleitoral, debates, novas alianças partidárias e acontecimentos políticos e econômicos capazes de alterar as decisões dos eleitores.</p>
<p>A vantagem de seis pontos registrada pelo PoderData/Aya não deve ser convertida em previsão de resultado. Pesquisas eleitorais medem as intenções declaradas durante determinado período de coleta e carregam incertezas próprias da metodologia amostral. A evolução da disputa ficará mais clara com a sequência de levantamentos realizados ao longo das próximas semanas, inclusive por outros institutos.</p>
<p>A comparação com a pesquisa anterior do próprio PoderData/Aya, no entanto, revela uma alteração objetiva no início dessa etapa da eleição. Lula e Flávio estavam empatados em 50% a 50% dos votos válidos antes do primeiro turno. Depois da votação, o candidato do PL aparece com 53% e o petista com 47%, enquanto a rejeição ao senador recuou e aumentou a parcela dos entrevistados que acredita em sua vitória.</p>
<p>O segundo turno começa, assim, com Flávio à frente tanto no resultado efetivamente obtido nas urnas quanto na primeira medição nacional do PoderData/Aya realizada depois da votação. A distância entre os candidatos, porém, ainda será submetida a mais de duas semanas de campanha antes que os eleitores definam, em 25 de outubro, quem governará o país entre 2027 e 2030.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>PoderData/Aya — pesquisa nacional realizada entre 5 e 7 de outubro de 2026, com intenção de voto, rejeição, expectativa de vitória, recortes demográficos e metodologia do levantamento</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — resultado oficial do primeiro turno da eleição presidencial de 2026 e calendário eleitoral do segundo turno</em></p>
<p><em>Justiça Eleitoral — registro BR-08134/2026 e informações declaradas para a realização da pesquisa eleitoral</em></p>
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		<title>Flávio diz que usará Congresso mais à direita para mudar a Constituição</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/flavio-bolsonaro-congresso-mudar-constituicao</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Oct 2026 14:37:31 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
		<category><![CDATA[PEC]]></category>
		<category><![CDATA[PL]]></category>
		<category><![CDATA[Senado]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que pretende aproveitar o avanço da direita nas eleições para promover mudanças na Constituição caso seja eleito presidente da República. O candidato, que terminou o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), relacionou a nova composição do Congresso à possibilidade de controlar as presidências da Câmara e do Senado e de aprovar alterações constitucionais a partir de 2027.</p>
<p>A declaração foi feita nesta terça-feira, 6 de outubro, em Goiânia, durante o ato em que recebeu o apoio de Ronaldo Caiado (PSD) para o segundo turno. Flávio comemorou o crescimento das bancadas de direita e afirmou que o eleitorado entregou um Congresso mais alinhado ao seu campo político, capaz, em sua avaliação, de sustentar mudanças institucionais em um eventual governo.</p>
<p>O resultado das urnas efetivamente fortaleceu o PL. O partido elegeu 121 deputados federais, 22 a mais que em 2022, e terá a maior bancada da Câmara. No Senado, conquistou 19 das 54 vagas que estavam em disputa. Somados aos nove senadores do partido cujos mandatos continuam, serão 28 cadeiras a partir de 2027, também a maior bancada partidária da Casa.</p>
<p>Os números, porém, não significam que o PL sozinho tenha votos para alterar a Constituição. Para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição são necessários três quintos dos integrantes de cada Casa: pelo menos 308 dos 513 deputados e 49 dos 81 senadores, em dois turnos de votação.</p>
<p>Com 121 deputados, o PL estará 187 votos abaixo do mínimo necessário na Câmara. No Senado, os 28 parlamentares da legenda representarão 21 votos a menos que os 49 exigidos.</p>
<p>Flávio precisaria, portanto, construir uma coalizão muito mais ampla que sua própria bancada para transformar a promessa em mudanças constitucionais.</p>
<h2>PL terá maior bancada, mas não maioria para aprovar PEC</h2>
<p>A dimensão da bancada conquistada pelo PL é expressiva.</p>
<p>Os 121 deputados representam aproximadamente 23,6% das 513 cadeiras da Câmara. É a primeira vez em 28 anos que uma única legenda consegue eleger mais de 100 deputados federais.</p>
<p>Ainda assim, o partido controlará menos de um quarto da Casa.</p>
<p>Para chegar sozinho aos 308 votos necessários para uma PEC, seriam necessários outros 187 deputados. Isso significa que mesmo uma eventual aliança com partidos ideologicamente próximos precisará reunir uma parcela significativa do centro político.</p>
<p>No Senado, os 28 integrantes da futura bancada do PL representarão aproximadamente 34,6% das 81 cadeiras. O percentual é maior que na Câmara, mas também permanece distante dos 60% necessários para modificar a Constituição.</p>
<p>A matemática mostra que o avanço eleitoral aumenta significativamente a capacidade de negociação do partido, mas não elimina a necessidade de acordos.</p>
<p>Além disso, uma PEC precisa ser aprovada duas vezes em cada Casa. Não basta atingir os votos necessários em uma votação isolada.</p>
<p>Se Câmara e Senado aprovarem textos diferentes, a parte modificada também precisa ser novamente apreciada pela outra Casa até que exista uma redação idêntica aprovada pelos dois lados.</p>
<h2>Presidente pode apresentar PEC, mas não aprová-la sozinho</h2>
<p>A Constituição permite que o presidente da República apresente propostas de emenda constitucional diretamente ao Congresso.</p>
<p>Isso dá ao chefe do Executivo capacidade formal para iniciar determinadas alterações sem depender de um parlamentar para protocolar o texto.</p>
<p>O poder presidencial termina, entretanto, na apresentação e na articulação <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340413">política</a>.</p>
<p>Diferentemente de uma lei ordinária, uma emenda constitucional aprovada pelo Congresso não depende de sanção presidencial. Ela é promulgada pelas Mesas da Câmara e do Senado depois de atingir o quórum qualificado nas duas Casas.</p>
<p>O presidente, portanto, não pode editar uma mudança constitucional por decreto, medida provisória ou decisão unilateral.</p>
<p>Mesmo uma proposta enviada pelo Palácio do Planalto só entra na Constituição se conquistar três quintos dos votos dos deputados e dos senadores em dois turnos.</p>
<p>Essa distinção é especialmente relevante diante da frase utilizada por Flávio. Um eventual governo pode liderar politicamente um projeto de reforma constitucional, mas quem efetivamente altera o texto é o Congresso.</p>
<h2>Flávio não detalhou quais artigos pretende mudar</h2>
<p>No discurso em Goiânia, Flávio não apresentou uma relação das alterações constitucionais que pretende propor.</p>
<p>A referência à mudança da Constituição apareceu enquanto o candidato comentava a nova composição política do Congresso e a possibilidade de a direita influenciar a escolha dos presidentes das duas Casas.</p>
<p>A ausência de detalhamento impede, neste momento, afirmar quais dispositivos seriam alvo de um eventual governo.</p>
<p>Na mesma agenda, Flávio voltou a defender uma política mais dura de segurança pública. Entre as propostas mencionadas estão a expansão do sistema prisional, o aumento de penas para chefes de organizações criminosas e o enquadramento de facções como PCC e Comando Vermelho, além de milícias, como organizações terroristas.</p>
<p>Nem todas essas medidas necessariamente exigiriam alteração constitucional. Parte das mudanças na área de segurança e direito penal pode tramitar por legislação ordinária ou complementar, dependendo do conteúdo concreto das propostas.</p>
<p>Por isso, a afirmação sobre mudar a Constituição deve ser separada das propostas de segurança apresentadas no mesmo discurso.</p>
<h2>Constituição também estabelece limites para as mudanças</h2>
<p>Mesmo uma maioria de três quintos no Congresso não pode alterar qualquer ponto da Constituição.</p>
<p>O artigo 60 estabelece as chamadas cláusulas pétreas, dispositivos que não podem ser abolidos nem por uma PEC.</p>
<p>Entre elas estão a forma federativa de Estado, o voto direto, secreto, universal e periódico, a separação dos Poderes e os direitos e garantias individuais.</p>
<p>Isso significa que possuir 308 votos na Câmara e 49 no Senado não dá ao governo ou ao Congresso poder ilimitado para reescrever o sistema constitucional.</p>
<p>Uma proposta considerada tendente a abolir alguma dessas garantias encontra uma limitação material estabelecida pela própria Constituição.</p>
<p>Existem também limites circunstanciais. O texto constitucional não pode ser emendado enquanto estiver em vigor intervenção federal, estado de defesa ou estado de sítio.</p>
<p>A combinação desses mecanismos foi desenhada justamente para exigir amplo consenso político e impedir que maiorias parlamentares ocasionais modifiquem elementos essenciais do regime constitucional.</p>
<h2>Eleição das presidências da Câmara e do Senado entra na disputa</h2>
<p>Flávio também relacionou o resultado das urnas à escolha dos próximos presidentes da Câmara e do Senado.</p>
<p>A fala ocorre enquanto Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), atuais comandantes das duas Casas, trabalham politicamente para permanecer nos cargos.</p>
<p>O candidato do PL não afirmou nominalmente que pretende impedir a continuidade dos dois, mas disse esperar contar com força suficiente para influenciar a escolha das presidências.</p>
<p>Essa disputa é estratégica para qualquer governo.</p>
<p>Os presidentes da Câmara e do Senado exercem influência direta sobre a agenda legislativa, a organização das votações e o ritmo de tramitação dos projetos.</p>
<p>Na Câmara, a eleição do presidente exige maioria absoluta dos votos no primeiro escrutínio. Se nenhum candidato atingir esse patamar, ocorre uma segunda votação entre os mais bem colocados, quando basta maioria simples.</p>
<p>No Senado, a eleição da Mesa ocorre por voto secreto e exige maioria dos votos, desde que esteja presente a maioria dos integrantes da Casa.</p>
<p>Novamente, o PL precisará de aliados.</p>
<p>Ter 121 deputados e 28 senadores transforma o partido em peça central dessas negociações, mas não lhe entrega automaticamente o comando das duas Casas.</p>
<h2>Avanço da direita aumenta poder de negociação</h2>
<p>A diferença em relação à legislatura atual está menos na existência de uma maioria automática e mais na mudança do ponto de partida das negociações.</p>
<p>O PL terá a maior bancada tanto na Câmara quanto no Senado.</p>
<p>Isso amplia sua presença nas comissões, aumenta o peso da legenda na distribuição de cargos internos e fortalece sua capacidade de negociar com União Brasil, PP, Republicanos, PSD, Novo e outros partidos que poderão participar de votações de interesse de um eventual governo.</p>
<p>Essas siglas, porém, não formam um bloco monolítico.</p>
<p>Partidos do centro e da centro-direita possuem lideranças regionais, interesses próprios e posições diferentes em temas econômicos, institucionais e sociais. Apoiar Flávio no segundo turno também não significa necessariamente apoiar todas as propostas de seu eventual governo.</p>
<p>O próprio PSD exemplifica esse cenário. Caiado declarou apoio a Flávio, mas a direção nacional do partido decidiu permanecer neutra na disputa presidencial e liberou suas lideranças para tomar posições individuais.</p>
<p>Para alcançar 308 deputados e 49 senadores de maneira recorrente, uma eventual administração precisaria construir uma base parlamentar relativamente estável.</p>
<h2>Segundo turno será decisivo em 25 de outubro</h2>
<p>A discussão ainda depende, antes de tudo, do resultado da eleição presidencial.</p>
<p>Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. A diferença entre os dois foi de 1,87 ponto percentual.</p>
<p>Os candidatos voltam às urnas em 25 de outubro.</p>
<p>Depois de ficar à frente na primeira votação, Flávio passou a buscar a consolidação das forças de direita e centro-direita que concorreram separadamente no primeiro turno.</p>
<p>Ronaldo Caiado formalizou seu apoio nesta terça-feira. Romeu Zema também declarou voto no candidato do PL, enquanto outras legendas e lideranças negociam suas posições para a etapa final.</p>
<p>O avanço do PL no Congresso oferece ao candidato um argumento adicional de campanha: se vencer, começará o mandato com a maior bancada partidária das duas Casas.</p>
<p>Isso facilita a formação de uma base, mas a distância entre ser a maior legenda e possuir os votos necessários para mudar a Constituição continua grande.</p>
<p>Na Câmara, o partido controla menos de um quarto das cadeiras e precisa conquistar mais 187 votos para alcançar o quórum de uma PEC. No Senado, precisará adicionar pelo menos 21 votos aos seus 28.</p>
<p>O resultado das eleições legislativas, portanto, aumentou significativamente o poder político de Flávio Bolsonaro e do PL. Não entregou, entretanto, uma autorização automática para alterar a Constituição.</p>
<p>Qualquer mudança constitucional dependerá de uma coalizão de partidos, quatro votações com quórum de três quintos — duas na Câmara e duas no Senado — e do respeito aos limites estabelecidos pelo próprio texto constitucional.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — resultados das Eleições 2026</p>
<p>Câmara dos Deputados — composição partidária eleita para 2027</p>
<p>Senado Federal — composição partidária após as Eleições 2026</p>
<p>Constituição Federal — artigo 60 e regras para emendas constitucionais</p>
<p>Regimento Interno da Câmara dos Deputados — eleição da Mesa Diretora</p>
<p>Regimento Interno do Senado Federal — eleição da Mesa</p>
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		<item>
		<title>O voto silencioso da direita e o Brasil que a política deixou de ouvir</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/voto-silencioso-direita-brasil-politica-eleicoes-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2026 12:46:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento eleitoral]]></category>
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		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[eleitor conservador]]></category>
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		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
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		<category><![CDATA[polarização política]]></category>
		<category><![CDATA[Redes Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[voto silencioso]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há uma tentação confortável depois de uma eleição surpreendente: culpar as pesquisas, os algoritmos, a desinformação, a abstenção ou alguma anomalia estatística. Tudo isso pode ter peso. Mas minha leitura é outra. O resultado de 2026 expôs uma distância crescente entre o Brasil que fala alto e o Brasil que vota baixo. Uma parte considerável [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Há uma tentação confortável depois de uma eleição surpreendente: culpar as pesquisas, os algoritmos, a desinformação, a abstenção ou alguma anomalia estatística. Tudo isso pode ter peso. Mas minha leitura é outra. O resultado de 2026 expôs uma distância crescente entre o Brasil que fala alto e o Brasil que vota baixo. Uma parte considerável do eleitorado conservador deixou de fazer questão de se exibir politicamente. Não desapareceu, não moderou necessariamente suas convicções e muito menos se tornou irrelevante. Apenas aprendeu que, em determinados ambientes, é mais conveniente guardar a opinião para si.</p>
<p>Esse eleitor não precisa vestir camisa de candidato, discutir política no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank" rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340267">trabalho</a> ou transformar o Instagram em comitê eleitoral. Ele pode ser o pintor, o técnico de manutenção, o motorista de aplicativo, a dona do imóvel alugado por temporada, o pequeno comerciante, o autônomo que atende na sua casa. É gente comum, próxima, muitas vezes invisível como grupo político justamente porque não se comporta como militância organizada. E é aí que muita análise erra: continua procurando o eleitor conservador apenas onde ele fazia barulho há alguns anos.</p>
<p>A provocação de que esse eleitor teria se tornado também “envergonhado” me parece particularmente interessante. Não porque necessariamente se arrependa do que pensa, mas porque percebeu que expressar determinada posição pode custar amizade, cliente, ambiente profissional ou simplesmente paz. Em vez de confrontar, ele se recolhe. Em vez de publicar, encaminha. Em vez de discutir, observa. E, no domingo, vota.</p>
<p>Isso deveria preocupar sobretudo quem acreditou que o silêncio significava conversão.</p>
<h2>A direita mudou de classe, linguagem e estética</h2>
<p>Um dos maiores erros cometidos por quem tenta compreender a direita atual é continuar imaginando seu eleitor como uma caricatura dos anos 1990: empresário rico, fazendeiro, militar, morador do Sul ou do interior. Esse eleitor existe, claro. Mas ele não explica sozinho a dimensão que o conservadorismo alcançou no Brasil.</p>
<p>A direita se espalhou entre trabalhadores autônomos, pequenos prestadores de serviço, comerciantes, entregadores, profissionais liberais e pessoas que passaram a organizar sua própria identidade econômica em torno da ideia de independência. Muitos não são empresários no sentido clássico, mas se enxergam como empreendedores. Não querem necessariamente falar em luta de classes, organização coletiva ou proteção estatal. Querem ganhar mais, trabalhar por conta própria, consumir melhor, viajar, investir e, se possível, enriquecer rápido.</p>
<p>Pode-se criticar essa visão de mundo — e há muito o que criticar nela —, mas desprezá-la é suicídio político.</p>
<p>A esquerda ainda fala muito com o trabalhador de carteira assinada, com o sindicalizado, com o primeiro universitário da família e com o cidadão que ascendeu pelo consumo. Só que uma parte da geração seguinte já não se reconhece integralmente nesses símbolos. Para o pai, o diploma universitário representou ruptura social. Para o filho, pode representar apenas uma dívida e um salário abaixo do esperado. Para uma geração, entrar no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340266">mercado</a> formal era conquista; para outra, ser empregado pode soar como limitação.</p>
<p>A sociedade mudou mais rápido do que o vocabulário de quem pretende representá-la.</p>
<h2>A esquerda insiste em vender como futuro aquilo que muitos já tratam como passado</h2>
<p>É desconfortável dizer isso, mas algumas das grandes conquistas sociais das últimas décadas perderam poder de mobilização justamente porque foram incorporadas à vida cotidiana. Quem cresceu num Brasil com universidade mais acessível, crédito, internet, programas sociais e consumo popular não olha necessariamente para tudo isso com a mesma carga simbólica de quem viveu sua ausência.</p>
<p>Isso não significa que tais políticas tenham deixado de ser importantes. Significa que elas já não bastam como narrativa <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340324">política</a>.</p>
<p>Uma ampliação da isenção do Imposto de Renda pode colocar dinheiro real no bolso. Mas não necessariamente conquista emocionalmente o eleitor que passa três horas no trânsito, teme ser assaltado, paga aluguel caro e sente que trabalha sem conseguir avançar. Um programa de renegociação de dívidas pode aliviar milhões de famílias, mas não resolve a ansiedade de quem acredita que precisa mudar de vida depressa.</p>
<p>A política tradicional continua oferecendo melhoria gradual. A cultura digital oferece transformação imediata.</p>
<p>E a cultura digital está vencendo essa disputa.</p>
<h2>O brasileiro foi treinado para querer resultado agora</h2>
<p>Vivemos num ambiente em que tudo precisa acontecer rápido. A transferência cai em segundos, o aplicativo entrega em minutos, o vídeo precisa capturar atenção imediatamente e uma aposta promete multiplicar dinheiro antes do fim de uma partida. Nesse universo, pedir paciência para uma política pública que vai produzir efeito em cinco ou dez anos parece quase uma afronta.</p>
<p>É nesse espaço que prosperam coaches, gurus financeiros, influenciadores de empreendedorismo, apostas esportivas e promessas de enriquecimento acelerado. Todos vendem, de formas diferentes, a mesma coisa: atalho.</p>
<p>A política séria não consegue competir oferecendo atalho porque a realidade não funciona assim. O problema é que parte dela sequer percebeu que estava nessa competição.</p>
<p>Enquanto um governo explica que determinado investimento levará anos para gerar produtividade, o influenciador promete uma nova vida num curso de fim de semana. Enquanto um economista fala de crescimento potencial, o feed exibe alguém mostrando carro importado, relógio caro e viagem internacional. Enquanto a política fala em proteção social, o algoritmo oferece a fantasia da autonomia total.</p>
<p>Não é difícil entender qual narrativa gera mais dopamina.</p>
<p>Isso ajuda a explicar por que propostas simples, frases agressivas e personagens que prometem ruptura circulam tão bem. Não necessariamente porque sejam melhores, mas porque se encaixam perfeitamente no modo como a atenção passou a ser consumida.</p>
<h2>A esquerda perdeu linguagem antes de perder voto</h2>
<p>Na minha avaliação, esse é um dos maiores problemas do campo progressista atual. Não falta apenas programa. Falta tradução.</p>
<p>A esquerda ainda fala de maneira muito eficiente com quem já compartilha seu repertório moral e político, mas tem dificuldade crescente para conversar com quem vive fora dele. Em muitos casos, oferece políticas públicas enquanto o adversário oferece identidade. Um lado explica medidas; o outro diz ao eleitor quem ele é, de quem precisa desconfiar e a qual grupo pertence.</p>
<p>Isso faz enorme diferença.</p>
<p>A direita contemporânea aprendeu a fornecer pertencimento. Igreja, família, empreendedorismo, segurança, patriotismo, redes sociais e oposição a determinadas instituições formam um pacote identitário. O eleitor não precisa concordar com todos os pontos. Basta sentir que aquele campo reconhece suas frustrações.</p>
<p>A esquerda, por sua vez, frequentemente responde enumerando realizações.</p>
<p>Realizações ganham relatórios. Identidade ganha eleição.</p>
<p>Essa constatação não deveria levar progressistas a copiar a direita, mas a perceber que política não é apenas entregar benefício material. É também produzir sentido.</p>
<h2>O Brasil dos grupos privados vale tanto quanto o Brasil do feed</h2>
<p>A ideia de um “Brasil dos Stories” ajuda a entender por que tanta gente parece ser surpreendida pelas urnas. Há uma vida política subterrânea, ou pelo menos menos visível, que não aparece com a mesma intensidade nos ambientes públicos.</p>
<p>Muita gente não publica apoio político, mas encaminha vídeo no WhatsApp. Não discute eleição no escritório, mas consome horas de conteúdo ideológico. Não vai a ato, não usa camiseta e não comenta notícia — mas sabe exatamente em quem vai votar.</p>
<p>Esse comportamento bagunça a percepção de quem mede o ambiente político apenas pelo ruído social.</p>
<p>É perfeitamente possível que um campo pareça acuado publicamente e continue numericamente forte. É possível também que outro pareça dominante nas redes mais visíveis e esteja falando, em grande medida, consigo mesmo.</p>
<p>A política brasileira precisa abandonar a ilusão de que exposição é sinônimo de adesão.</p>
<p>Nem todo mundo que fala convence. Nem todo mundo que cala está em dúvida.</p>
<h2>A polarização também ensinou o eleitor a esconder o jogo</h2>
<p>Parte desse silêncio nasceu porque o debate público ficou insuportável.</p>
<p>No Brasil de hoje, declarar voto frequentemente significa aceitar um pacote inteiro de julgamentos. Quem vota em Lula pode ser imediatamente classificado como conivente com corrupção, estatismo ou autoritarismo. Quem vota em Flávio Bolsonaro pode ser tratado como cúmplice de golpismo, extremismo ou retrocesso institucional.</p>
<p>Quase ninguém é autorizado a ser apenas contraditório.</p>
<p>A política perdeu nuance e transformou o adversário em problema moral.</p>
<p>Quando isso acontece, esconder o voto pode se tornar comportamento racional. O sujeito que quer preservar uma amizade, evitar conflito no trabalho ou não transformar o almoço de família numa guerra simplesmente se cala.</p>
<p>Depois nos surpreendemos quando ele aparece na urna.</p>
<p>Talvez não devêssemos.</p>
<h2>Escândalo político já não produz efeito automático</h2>
<p>Outro erro recorrente é imaginar que determinada denúncia, investigação ou episódio controvertido produzirá obrigatoriamente punição eleitoral. Não produz.</p>
<p>Quando a identidade política é forte, a informação passa por filtros. O eleitor questiona a fonte, compara com o adversário, relativiza o episódio, invoca perseguição ou simplesmente decide que outros temas pesam mais.</p>
<p>Isso vale para a direita e para a esquerda.</p>
<p>A crença de que basta expor um escândalo e esperar que o eleitor “acorde” é uma forma preguiçosa de fazer política. Ela parte da premissa de que quem chegou a conclusão diferente só pode não ter sido suficientemente informado.</p>
<p>Talvez tenha sido informado e simplesmente tenha atribuído outro peso ao fato.</p>
<p>Essa possibilidade costuma irritar porque nos obriga a reconhecer que o eleitor não é uma versão imperfeita de nós mesmos.</p>
<p>Ele possui prioridades próprias.</p>
<h2>O “voto envergonhado” não explica tudo — mas explica alguma coisa importante</h2>
<p>Também não compro a tese de que o resultado de Flávio Bolsonaro tenha sido simplesmente produzido por milhões de eleitores secretos. Seria conveniente demais. <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340268">Economia</a>, segurança pública, rejeição ao governo, desempenho regional, campanha digital, abstenção e comportamento de última hora ajudam a formar o resultado.</p>
<p>Mas acho igualmente errado descartar o componente social do silêncio.</p>
<p>Há uma diferença entre dizer que pesquisas erraram porque as pessoas mentiram e reconhecer que determinado eleitorado está menos disposto a manifestar publicamente suas preferências. A primeira afirmação exige demonstração estatística. A segunda é uma observação sociológica plausível e visível na vida cotidiana.</p>
<p>É nesse segundo sentido que a ideia de “voto envergonhado” me parece relevante.</p>
<p>O problema não é apenas saber quantos são.</p>
<p>É entender por que se calaram.</p>
<h2>Chamar metade do país de ignorante é receita para perder de novo</h2>
<p>Talvez a reação mais improdutiva possível seja olhar para o resultado e concluir que milhões de brasileiros foram enganados, manipulados ou são politicamente atrasados.</p>
<p>Essa postura pode produzir conforto moral, mas é desastrosa eleitoralmente.</p>
<p>Quem acredita que o eleitor votou “contra os próprios interesses” deveria primeiro ter humildade suficiente para perguntar quais interesses esse eleitor acredita possuir. Talvez não sejam os mesmos que um acadêmico, jornalista, militante ou economista considera prioritários.</p>
<p>Pode ser segurança.</p>
<p>Pode ser religião.</p>
<p>Pode ser rejeição cultural.</p>
<p>Pode ser dinheiro.</p>
<p>Pode ser ressentimento.</p>
<p>Pode ser desejo de mudança.</p>
<p>Pode ser apenas vontade de punir quem governa.</p>
<p>O eleitor não tem obrigação de organizar o voto segundo a hierarquia racional que terceiros desenharam para ele.</p>
<p>Se a política não entende isso, continuará tentando corrigir o eleitor em vez de convencê-lo.</p>
<h2>O verdadeiro fracasso foi deixar de escutar</h2>
<p>O resultado de 2026 pede menos espanto e mais humildade.</p>
<p>Existe uma distância evidente entre o Brasil narrado por determinados ambientes políticos, culturais e midiáticos e aquele que surge diante da urna. Reduzir essa distância exige ir além de pesquisas qualitativas, painéis de televisão, timelines e círculos de pessoas que pensam parecido.</p>
<p>É preciso ouvir de verdade o motorista, o técnico, a cabeleireira, o autônomo, o comerciante, o universitário frustrado, o funcionário público, o evangélico, o trabalhador informal e a pessoa que passa horas no transporte coletivo.</p>
<p>Não para romantizá-los.</p>
<p>Não para presumir que estejam certos.</p>
<p>Mas para reconhecer que são sujeitos políticos, não objetos de correção moral.</p>
<p>Talvez o “chá revelação” de 2026 não seja descobrir que existe um eleitor conservador silencioso. Esse eleitor nunca esteve escondido de verdade. Ele trabalhava ao nosso lado, prestava serviço em nossa casa, dirigia o carro que chamávamos pelo aplicativo e aparecia todos os dias nos grupos privados que não víamos.</p>
<p>A revelação é outra: uma parte significativa da política brasileira parou de ouvi-lo, confundiu silêncio com desaparecimento e, quando percebeu o erro, ele já tinha apertado o botão verde.</p>
<p><strong>Opinião</strong></p>
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		<title>Tarcísio vai a Brasília para definir estratégia do 2º turno com Flávio Bolsonaro</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/tarcisio-flavio-bolsonaro-estrategia-segundo-turno-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Menezes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2026 07:00:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[campanha eleitoral.]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Flávio Bolsonaro]]></category>
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		<category><![CDATA[Sudeste]]></category>
		<category><![CDATA[Tarcísio de Freitas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, viaja a Brasília nesta segunda-feira, 5 de outubro, para se reunir com Flávio Bolsonaro e integrantes da campanha presidencial do PL. O encontro deve marcar o início da participação mais direta do governador na estratégia do segundo turno, depois de uma vitória expressiva em São Paulo que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, viaja a Brasília nesta segunda-feira, 5 de outubro, para se reunir com Flávio Bolsonaro e integrantes da campanha presidencial do PL. O encontro deve marcar o início da participação mais direta do governador na estratégia do segundo turno, depois de uma vitória expressiva em São Paulo que reforçou seu peso político dentro do campo de centro-direita.</p>
<p>Tarcísio foi reeleito no primeiro turno com 62,65% dos votos válidos, contra 36,42% de Fernando Haddad. A diferença de 26,23 pontos percentuais transformou o governador em um dos principais vencedores da eleição deste domingo e deu a ele um ativo que a campanha de Flávio pretende explorar nas próximas três semanas. Além do resultado estadual, Tarcísio venceu em 633 dos 645 municípios paulistas e também ficou à frente na capital, cenário diferente daquele observado na eleição de 2022.</p>
<p>O encontro em Brasília deve servir para organizar agendas conjuntas, definir prioridades regionais e discutir como a estrutura <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340252">política</a> e de comunicação montada por Tarcísio em São Paulo poderá contribuir para a campanha presidencial. Entre as possibilidades em avaliação está a cessão de parte da equipe responsável pelo marketing e pela produção de conteúdo digital do governador. Até o momento, porém, essa transferência não foi anunciada como decisão fechada e deve ser tratada como uma alternativa em discussão entre os grupos.</p>
<p>Na noite da eleição, Tarcísio deixou claro que pretende participar ativamente da nova fase da campanha. Ao comentar o desempenho de Flávio, afirmou que “faltou muito pouco” para uma vitória no primeiro turno e prometeu <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340251">trabalho</a> intenso no período até a votação de 25 de outubro. A fala ocorre depois de uma campanha estadual em que o governador preservou elevada votação própria e manteve apoio ao candidato presidencial do PL.</p>
<h2>São Paulo passa a ser peça central do segundo turno</h2>
<p>A importância de Tarcísio vai além da votação pessoal obtida neste domingo. São Paulo possui 34.104.226 eleitores aptos, o equivalente a 21,48% de todo o eleitorado brasileiro. Em outras palavras, mais de um em cada cinco eleitores do país está no Estado governado por ele.</p>
<p>A dimensão cresce quando se considera todo o Sudeste. São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo reúnem 66.329.375 eleitores, ou 41,78% do total nacional. Isso significa que praticamente quatro em cada dez votos disponíveis no país estão concentrados na região que Flávio Bolsonaro pretende priorizar na fase final da disputa.</p>
<p>O primeiro turno já mostrou o tamanho desse terreno eleitoral. Flávio terminou à frente de Lula em São Paulo e no Rio de Janeiro e também conseguiu vantagem em Minas Gerais. Em São Paulo, o candidato do PL recebeu cerca de 51,9% dos votos, enquanto Lula ficou próximo de 38,2%. O desempenho cria para a campanha de Flávio um desafio diferente daquele enfrentado por quem está atrás em determinado Estado: mais do que virar votos, será necessário preservar a vantagem já conquistada e tentar ampliá-la.</p>
<p>É nesse ponto que Tarcísio ganha importância. A campanha presidencial pretende usar a capilaridade política do governador, prefeitos aliados, deputados eleitos e a estrutura organizada ao longo da campanha estadual para aumentar a presença de Flávio em cidades onde ainda exista margem de crescimento. A força demonstrada por Tarcísio no interior paulista também oferece ao PL uma rede eleitoral já testada em praticamente todo o Estado.</p>
<h2>Vitória estadual amplia peso de Tarcísio</h2>
<p>A reeleição deste domingo consolidou uma mudança no mapa político de São Paulo. Tarcísio venceu Haddad por mais de 26 pontos percentuais e ampliou sua presença territorial em relação a 2022. Naquele ano, sua vitória sobre o petista ocorreu apenas no segundo turno e o governador venceu em cerca de 500 municípios. Quatro anos depois, levou 633 cidades ainda na primeira votação.</p>
<p>O resultado também teve peso simbólico porque Tarcísio conseguiu vencer em áreas historicamente mais competitivas para o PT, incluindo municípios da região metropolitana e a própria capital paulista. O governador chegou à eleição de 2026 em posição diferente daquela de sua primeira candidatura: desta vez, disputou o cargo com a máquina estadual, alto grau de conhecimento do eleitorado e uma coalizão partidária mais ampla.</p>
<p>Esse desempenho dá a Tarcísio capacidade de se apresentar no segundo turno presidencial não apenas como um apoiador político de Flávio, mas como um governador que acaba de sair das urnas com mais de 60% dos votos. Para uma campanha presidencial apertada, a diferença é relevante porque permite utilizar um aliado com votação comprovada e estrutura própria de mobilização.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a entrada mais intensa de Tarcísio na campanha presidencial tende a colocá-lo sob maior exposição nacional. O governador vinha mantendo uma estratégia relativamente cautelosa ao longo de parte do primeiro turno, embora tenha participado de atos ao lado de Flávio e reiterado publicamente seu apoio ao candidato do PL.</p>
<p>A partir de agora, a tendência é que essa cautela diminua.</p>
<h2>Campanha quer colocar eleitos do primeiro turno nas ruas</h2>
<p>A reunião desta segunda também faz parte de uma estratégia mais ampla da campanha de Flávio para mobilizar os candidatos da direita e do centro-direita que já resolveram suas próprias eleições.</p>
<p>A avaliação dos estrategistas é que governadores, senadores, deputados e lideranças eleitas no primeiro turno podem atuar como cabos eleitorais regionais nas próximas três semanas. Com suas disputas encerradas, esses aliados ficam livres para concentrar agendas na eleição presidencial.</p>
<p>Tarcísio é considerado um dos ativos mais importantes desse grupo, mas não o único. Em Minas Gerais, a campanha pretende ampliar a participação de Cleitinho, eleito governador, e de Nikolas Ferreira, reeleito deputado federal com votação recorde. Em outras regiões, a equipe de Flávio também busca incorporar candidatos e lideranças que não tinham se engajado integralmente na disputa presidencial durante o primeiro turno.</p>
<p>A lógica é aumentar a capacidade de campanha sem depender apenas da agenda pessoal de Flávio. Em vez de o presidenciável tentar cobrir sozinho diferentes Estados, aliados poderão realizar atos, conceder entrevistas e mobilizar suas bases simultaneamente.</p>
<p>Esse modelo já havia sido utilizado parcialmente no primeiro turno. O vice Alfredo Gaspar e o senador Rogério Marinho percorreram Estados do Nordeste, enquanto Michelle Bolsonaro e outras lideranças femininas participaram de agendas específicas. Agora, a intenção é ampliar essa descentralização.</p>
<h2>Marketing de Tarcísio pode reforçar campanha digital</h2>
<p>Uma das questões que devem entrar na conversa em Brasília é o aproveitamento da equipe de comunicação que conduziu a campanha estadual de Tarcísio. A possibilidade é que profissionais de marketing e produção de conteúdo digital passem a colaborar diretamente com a campanha presidencial.</p>
<p>A discussão ocorre num momento em que as redes sociais terão peso ainda maior. No primeiro turno, 12 candidaturas disputavam a atenção do eleitorado. No segundo, toda a comunicação política nacional ficará concentrada em Lula e Flávio, aumentando a competição por agenda, vídeos, cortes de entrevistas e respostas rápidas a ataques dos adversários.</p>
<p>Tarcísio entra nessa etapa com uma operação de comunicação que acabou de atravessar uma campanha vencedora no maior colégio eleitoral do país. Isso não significa que sua estrutura será simplesmente incorporada pela campanha presidencial, mas explica por que o tema passou a fazer parte das conversas entre as duas equipes.</p>
<p>Qualquer integração também exigirá cuidado na divisão de funções. Tarcísio continua governador de São Paulo e precisa separar a estrutura oficial do governo dos recursos partidários e eleitorais utilizados em campanha. A colaboração, portanto, deve ocorrer no âmbito político e eleitoral, e não por meio da máquina pública.</p>
<h2>Minas e São Paulo concentram mais de 50 milhões de eleitores</h2>
<p>A prioridade dada ao Sudeste tem fundamento matemático. São Paulo tem 34,1 milhões de eleitores e Minas Gerais, 16,37 milhões. Juntos, os dois Estados concentram cerca de 50,5 milhões de pessoas aptas a votar, quase um terço de todo o eleitorado brasileiro.</p>
<p>Somados ao Rio de Janeiro e ao Espírito Santo, formam uma região com 66,3 milhões de eleitores.</p>
<p>A campanha de Flávio também deve analisar onde ainda existe espaço para crescimento dentro dessa base. Em Minas, por exemplo, a equipe acredita que o apoio de Cleitinho e Nikolas pode ampliar o desempenho do candidato. Em São Paulo, a preocupação é preservar e eventualmente aumentar a vantagem conseguida no domingo.</p>
<p>O Rio de Janeiro possui dinâmica diferente porque é o principal reduto eleitoral da família Bolsonaro e Flávio já apresentou votação elevada no Estado. Isso pode levar a campanha a gastar menos tempo em regiões onde o eleitorado já está consolidado e direcionar agendas para municípios considerados mais competitivos.</p>
<p>A definição dessas prioridades dependerá da leitura detalhada dos boletins de urna e dos mapas municipais do primeiro turno, uma das tarefas previstas para os primeiros dias da nova campanha.</p>
<h2>Tarcísio passa de candidato à reeleição a cabo eleitoral nacional</h2>
<p>Até domingo, a prioridade política de Tarcísio era sua própria reeleição em São Paulo. A vitória no primeiro turno encerrou essa etapa e liberou o governador para participar da disputa presidencial sem precisar dividir esforços com sua campanha estadual.</p>
<p>Essa mudança ajuda a explicar a rapidez da reunião programada para Brasília. Menos de 24 horas depois da eleição, o grupo de Flávio pretende organizar a participação de um aliado que sai fortalecido das urnas e possui base relevante justamente na região com maior concentração eleitoral do país.</p>
<p>Tarcísio também entra no segundo turno sem depender de uma negociação partidária para declarar apoio. O Republicanos já esteve politicamente alinhado à sua candidatura em São Paulo, e o governador vinha apoiando Flávio durante a campanha. O encontro desta segunda, portanto, não tem como objetivo decidir de que lado ele ficará, mas definir como será sua participação.</p>
<p>Há diferença entre as duas coisas. Enquanto outros partidos e lideranças ainda discutem a quem apoiar, Tarcísio já escolheu seu candidato e agora negocia o grau de envolvimento, as agendas e os recursos políticos que colocará à disposição.</p>
<h2>Segundo turno começa com disputa de pouco mais de dois pontos</h2>
<p>Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula, com pouco mais de 47% dos votos válidos, contra cerca de 45% do presidente. A diferença ficou em torno de dois pontos percentuais, a menor já registrada entre os dois primeiros colocados em uma eleição presidencial de primeiro turno desde a redemocratização.</p>
<p>A vantagem oferece ao candidato do PL uma posição inicial favorável, mas está longe de resolver a eleição. Cerca de 9 milhões de votos foram destinados aos demais candidatos, além dos aproximadamente 33 milhões de eleitores que não compareceram às urnas.</p>
<p>Esses grupos passam a ser disputados pelas duas campanhas.</p>
<p>Flávio tentará agregar eleitores de candidaturas de direita e centro-direita e, ao mesmo tempo, preservar a base que o colocou na liderança. Lula, por sua vez, já anunciou que pretende buscar os ausentes e intensificar a comparação direta entre os dois projetos.</p>
<p>Nesse cenário, Tarcísio deixa de ser apenas o governador reeleito do maior Estado brasileiro e passa a ocupar um papel nacional na campanha. Sua votação em São Paulo, a capilaridade de sua estrutura política e a possibilidade de mobilizar uma equipe de comunicação já testada nas urnas tornam o encontro desta segunda uma das primeiras decisões estratégicas relevantes do segundo turno.</p>
<p>O resultado da conversa deverá indicar até onde irá esse envolvimento. O que já está definido é que Tarcísio pretende entrar na nova fase de maneira mais intensa. Depois de garantir mais quatro anos no Palácio dos Bandeirantes, sua próxima tarefa política será tentar transformar parte dos 62,65% conquistados em São Paulo em impulso para Flávio Bolsonaro na corrida pelo Planalto.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Folha de S.Paulo — informações sobre a reunião entre Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro e a equipe presidencial.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — resultados oficiais das eleições de 2026 para presidente e governador de São Paulo.</p>
<p>Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo — eleitorado paulista e distribuição municipal.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral — estatísticas do eleitorado brasileiro e distribuição regional.</p>
<p>Dados oficiais da apuração do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026.</p>
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