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	<title>Empresas &#8211; GAZETA MERCANTIL</title>
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	<description>A Gazeta Mercantil traz as últimas notícias sobre política, economia, segurança, entretenimento, negócios, entretenimento, esportes, moda</description>
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		<title>Oncoclínicas (ONCO3) tenta renegociar dívida em meio a disputa societária bilionária</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/oncoclinicas-onco3-divida-recuperacao-extrajudicial-disputa-cvm</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Oct 2026 12:46:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Master]]></category>
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		<category><![CDATA[recuperação extrajudicial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Oncoclínicas (ONCO3) renegocia R$ 5,7 bilhões em dívidas enquanto disputa societária de até R$ 14 bilhões envolve Centaurus, CVM e decisão judicial.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A <strong>Oncoclínicas (ONCO3)</strong> enfrenta uma disputa societária bilionária enquanto tenta avançar na renegociação de aproximadamente <strong>R$ 5,7 bilhões em dívidas</strong>. A companhia, especializada no tratamento de câncer, informou na quinta-feira (29) que seu plano de recuperação extrajudicial reúne adesões equivalentes a 29,79% dos créditos considerados para o cálculo do quórum legal, percentual ainda insuficiente para alcançar o apoio necessário à aprovação da proposta.</p>
<p>O impasse financeiro ocorre paralelamente a uma disputa entre acionistas que envolve uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) estimada pelo <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341650">mercado</a> em até R$ 14 bilhões. A operação havia sido determinada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mas teve sua exigibilidade suspensa provisoriamente pela Justiça Federal de São Paulo em 23 de outubro.</p>
<p>A decisão judicial levou a Oncoclínicas a cancelar uma assembleia extraordinária marcada para 3 de novembro, na qual os acionistas discutiriam a suspensão dos direitos políticos do fundo Josephina III, ligado à gestora americana Centaurus. O fundo questiona a obrigação de comprar ações dos demais investidores, decorrente de uma reorganização societária realizada em novembro de 2024.</p>
<p>A combinação de elevado endividamento, divergências entre acionistas e dificuldades operacionais aumenta a incerteza sobre o futuro da empresa. A prioridade financeira é obter apoio suficiente dos credores para concluir a reestruturação, preservar liquidez e dar continuidade às atividades assistenciais.</p>
<h2>Plano de recuperação da Oncoclínicas tem adesão de 29,79% dos créditos</h2>
<p>Em fato relevante divulgado em 29 de outubro, a Oncoclínicas comunicou o protocolo de uma versão atualizada de seu plano de recuperação extrajudicial, em andamento na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo.</p>
<p>A proposta abrange aproximadamente R$ 5,7 bilhões em créditos, excluídas as obrigações entre <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341649">empresas</a> do próprio grupo. Segundo a companhia, o documento recebeu ajustes de redação e adequações complementares que não modificam materialmente as condições econômicas e financeiras apresentadas anteriormente.</p>
<p>A adesão registrada equivale a <strong>29,79% do valor dos créditos considerados para o quórum</strong>, e não necessariamente ao mesmo percentual em número de credores. Para alcançar o patamar legal de mais da metade dos créditos abrangidos, a empresa ainda precisa ampliar significativamente o apoio à proposta.</p>
<p>A recuperação extrajudicial permite que uma companhia negocie condições de pagamento com seus credores e submeta o acordo à homologação judicial. Diferentemente da recuperação judicial, o procedimento busca estruturar previamente a renegociação, embora também esteja sujeito a requisitos legais, manifestações dos credores e decisões da Justiça.</p>
<p>A Oncoclínicas declarou confiar na obtenção das adesões adicionais dentro do prazo previsto na legislação. Uma vez cumpridas as exigências, o plano seguirá para análise judicial, com possibilidade de apresentação de impugnações pelos credores.</p>
<p>O resultado das negociações é determinante para o futuro financeiro da rede. Sem apoio suficiente, a empresa poderá precisar reformular a proposta ou avaliar outras medidas de reorganização de suas obrigações, incluindo a possibilidade de recorrer à recuperação judicial.</p>
<h2>Disputa entre Centaurus e acionistas envolve OPA de até R$ 14 bilhões</h2>
<p>A controvérsia societária começou a ganhar dimensão regulatória depois de uma reorganização realizada em 4 de novembro de 2024, envolvendo estruturas de investimento ligadas à Centaurus e ao Goldman Sachs.</p>
<p>Na operação, o fundo Josephina III passou a deter diretamente aproximadamente 16,05% das ações da Oncoclínicas. O percentual ultrapassou o limite de 15% estabelecido no estatuto social da companhia para a incidência de uma cláusula de proteção societária conhecida no mercado como <em>poison pill</em>.</p>
<p>Esse mecanismo prevê, em determinadas circunstâncias, que um investidor que alcance participação relevante seja obrigado a realizar uma oferta de compra das ações pertencentes aos demais acionistas. A finalidade é proteger a estrutura acionária contra alterações significativas de concentração de capital sem a possibilidade de saída dos outros investidores.</p>
<p>A Centaurus sustenta que não houve uma aquisição efetiva de novas ações, mas uma redistribuição de participações que já integravam sua estrutura de investimentos antes da abertura de capital da Oncoclínicas. Por essa interpretação, a operação estaria abrangida por uma exceção prevista no estatuto.</p>
<p>A área técnica da CVM inicialmente concordou com o entendimento de que a oferta não seria exigível. Entretanto, em reunião realizada em 25 de agosto de 2026, o colegiado da autarquia decidiu em sentido contrário, reconhecendo a obrigação de realizar a OPA.</p>
<p>A determinação estabeleceu prazo máximo de 60 dias para a operação, com atualização do preço desde novembro de 2024. As estimativas divulgadas no mercado apontam que o desembolso poderia variar de R$ 6 bilhões a R$ 14 bilhões, dependendo dos critérios utilizados para calcular a oferta.</p>
<p>Esses montantes são projeções relacionadas à controvérsia, e não valores definitivamente reconhecidos como devidos pela Justiça.</p>
<h2>Justiça suspende exigência da CVM e Oncoclínicas cancela assembleia</h2>
<p>O fundo Josephina III contestou a determinação administrativa na Justiça Federal, argumentando que a CVM teria ultrapassado os limites de sua competência ao exigir o cumprimento de uma obrigação prevista exclusivamente no estatuto da companhia.</p>
<p>Em 23 de outubro, a 21ª Vara Cível Federal de São Paulo concedeu uma liminar suspendendo provisoriamente os efeitos da decisão da autarquia. O juiz Paulo Cezar Neves Junior considerou relevantes as questões apresentadas sobre a competência regulatória, o contraditório e a ampla defesa no procedimento administrativo.</p>
<p>A decisão impede, por enquanto, que o fundo seja obrigado a executar a OPA nos termos determinados pelo colegiado, bem como a aplicação das penalidades relacionadas ao descumprimento dessa exigência enquanto estiver vigente a medida.</p>
<p>A liminar, entretanto, não representa um julgamento definitivo sobre a existência ou inexistência da obrigação. O mérito da controvérsia permanece sujeito à análise judicial.</p>
<p>A repercussão foi imediata na administração da Oncoclínicas. Em comunicado divulgado em 28 de outubro, a empresa informou ter cancelado a assembleia extraordinária prevista para 3 de novembro, convocada a pedido de fundos ligados à gestora Latache.</p>
<p>A reunião teria como finalidade deliberar sobre a suspensão dos direitos políticos do Josephina III em razão do alegado descumprimento da obrigação de realizar a oferta pública de ações.</p>
<p>Com a determinação da CVM provisoriamente suspensa, a companhia considerou que a assembleia havia perdido sua finalidade. A Oncoclínicas também esclareceu que não integra, como parte, a ação anulatória apresentada pelo fundo contra a autarquia.</p>
<p>O conflito societário continua relevante para a governança da empresa, especialmente diante das discussões sobre a composição do conselho de administração e a condução da recuperação financeira.</p>
<h2>Prejuízo de R$ 3,7 bilhões em 2025 aprofundou crise financeira</h2>
<p>A deterioração das contas da Oncoclínicas antecede as disputas mais recentes entre seus acionistas. A empresa encerrou 2025 com prejuízo líquido consolidado de aproximadamente R$ 3,67 bilhões, depois de registrar perdas de R$ 717 milhões em 2024.</p>
<p>O resultado de 2025 foi pressionado por problemas na recuperação de créditos e por perdas relevantes em aplicações financeiras, além dos efeitos de sua estrutura de endividamento.</p>
<p>Entre os principais impactos registrados nas demonstrações financeiras está uma perda de R$ 430,9 milhões relacionada a aplicações financeiras no Banco Master, instituição submetida à liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro de 2025.</p>
<p>A companhia também reconheceu perdas expressivas associadas a valores a receber da Unimed Ferj, operadora de saúde do Rio de Janeiro. Os problemas de recebimento pressionaram o capital de giro e contribuíram para agravar as dificuldades financeiras do grupo.</p>
<p>O avanço das despesas financeiras, somado à necessidade de recursos para a manutenção das operações, reduziu a capacidade da rede de absorver novos choques de liquidez.</p>
<p>As demonstrações de 2025 também trouxeram preocupações sobre a continuidade operacional, em um contexto de pressão sobre o caixa e necessidade de renegociação com credores.</p>
<h2>Conflitos com credores e negociações frustradas dificultam reestruturação</h2>
<p>A reorganização financeira envolve interesses de fornecedores, instituições financeiras, investidores e credores vinculados a contratos de expansão da rede hospitalar.</p>
<p>Entre as controvérsias divulgadas está uma disputa envolvendo créditos associados ao empresário Lucas Kallas e a contratos de construção de hospitais. Informações sobre as negociações apontam para valores potencialmente superiores aos montantes inicialmente considerados, mas o reconhecimento e o tratamento dessas obrigações dependem das condições contratuais e das disputas correspondentes.</p>
<p>A empresa também passou por negociações para atrair novos investidores. Em abril de 2026, a Oncoclínicas comunicou o encerramento das tratativas com Porto e Fleury, que avaliavam uma operação envolvendo ativos e atividades da rede.</p>
<p>A alternativa poderia ter contribuído para a reorganização operacional e financeira, mas as negociações não resultaram em acordo definitivo.</p>
<p>A multiplicidade de interesses torna o processo especialmente complexo. Enquanto credores buscam recuperar valores emprestados ou fornecidos à companhia, acionistas discutem direitos societários e eventuais compensações relacionadas à oferta pública de ações.</p>
<p>Essas frentes não são juridicamente equivalentes. A obrigação discutida na CVM diz respeito às relações entre acionistas, enquanto o plano de recuperação extrajudicial envolve a reestruturação das dívidas da companhia com seus credores.</p>
<p>Ainda assim, os dois processos afetam o ambiente de governança e a capacidade de construir soluções negociadas para a continuidade do negócio.</p>
<h2>Continuidade dos tratamentos depende da recuperação operacional</h2>
<p>A crise financeira possui consequências que vão além dos investidores. Por atuar no tratamento oncológico, a Oncoclínicas depende de uma operação contínua que envolve profissionais especializados, medicamentos, equipamentos e contratos com fornecedores e operadoras de saúde.</p>
<p>Dificuldades no capital de giro podem comprometer o abastecimento e a regularidade dos serviços. Ao longo de 2026, a empresa enfrentou problemas operacionais relacionados ao fornecimento de medicamentos e à reorganização de sua estrutura de atendimento.</p>
<p>A administração vem adotando medidas para preservar o funcionamento das unidades, mas a estabilidade financeira de longo prazo depende da recuperação do fluxo de caixa, da redução do endividamento e da capacidade de manter os compromissos necessários à assistência médica.</p>
<p>A renegociação com fornecedores estratégicos é particularmente importante porque parte dos insumos utilizados nos tratamentos possui elevado custo e exige disponibilidade regular.</p>
<p>A eventual aprovação da recuperação extrajudicial não resolverá automaticamente todos os problemas da companhia. Além de reprogramar obrigações financeiras, será necessário restabelecer condições sustentáveis de operação e reduzir a exposição a novos desequilíbrios.</p>
<h2>O que pode acontecer com a Oncoclínicas nos próximos meses</h2>
<p>O futuro da Oncoclínicas depende de duas frentes que avançam simultaneamente. Na esfera financeira, a companhia precisa ampliar a adesão ao plano de recuperação extrajudicial e obter sua homologação judicial. No campo societário, permanece em discussão a obrigação de realização de uma oferta pública de aquisição de ações.</p>
<p>A liminar concedida ao Josephina III altera temporariamente a situação regulatória, mas não encerra a disputa entre os acionistas. Novas decisões judiciais ou administrativas poderão modificar as condições que atualmente impedem a execução da oferta.</p>
<p>Para os credores, o principal ponto de atenção será a capacidade da companhia de cumprir o plano proposto e manter recursos suficientes para suas operações. Para os acionistas, permanecem os riscos relacionados ao valor dos papéis, à governança e à necessidade de financiamento futuro.</p>
<p>A atualização divulgada em 29 de outubro mostra que o processo de recuperação ainda depende de novas adesões, apesar dos avanços nas negociações. A companhia afirma acreditar que conseguirá atingir o percentual necessário dentro do prazo legal, mas não apresentou garantia de conclusão do acordo.</p>
<p>Enquanto esses impasses permanecem sem solução definitiva, a Oncoclínicas enfrenta o desafio de reorganizar uma dívida bilionária e preservar a continuidade de uma operação de saúde que depende de recursos financeiros e estabilidade administrativa.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Oncoclínicas — Fato Relevante de 29 de outubro de 2026, atualização do plano de recuperação extrajudicial.</p>
<p>Oncoclínicas — Fato Relevante de 28 de outubro de 2026, cancelamento da assembleia extraordinária.</p>
<p>Comissão de Valores Mobiliários (CVM) — Decisão do Colegiado de 25 de agosto de 2026, Processo nº 19957.003474/2025-07.</p>
<p>Oncoclínicas — Fato Relevante de 23 de outubro de 2026, plano de recuperação extrajudicial.</p>
<p>Oncoclínicas — Demonstrações financeiras consolidadas de 2025.</p>
<p>Oncoclínicas — Fato Relevante de 14 de abril de 2026, encerramento das negociações com Porto e Fleury.</p>
<p>Justiça Federal de São Paulo — Decisão liminar de 23 de outubro de 2026, Processo nº 5028082-56.2026.4.03.6100.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Marabraz tem recuperação judicial aceita com dívida de R$ 140 milhões; Justiça impõe restrições</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/marabraz-recuperacao-judicial-divida-140-milhoes-2</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Oct 2026 00:53:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Credores]]></category>
		<category><![CDATA[crise financeira]]></category>
		<category><![CDATA[Deloitte]]></category>
		<category><![CDATA[dívida de R$ 140 milhões]]></category>
		<category><![CDATA[empresas em recuperação]]></category>
		<category><![CDATA[Grupo Marabraz]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça de São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Lei de Recuperação Judicial]]></category>
		<category><![CDATA[Marabraz]]></category>
		<category><![CDATA[recuperação judicial]]></category>
		<category><![CDATA[varejo de móveis]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marabraz tem recuperação judicial aceita pela Justiça de SP para renegociar R$ 140 milhões em dívidas. Entenda os prazos e as restrições impostas.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Justiça de São Paulo autorizou o processamento da <strong>recuperação judicial do Grupo Marabraz</strong>, rede varejista de móveis e eletrodomésticos que busca renegociar aproximadamente R$ 140 milhões em dívidas. A decisão, assinada na terça-feira (27 de outubro de 2026), estabelece um período de proteção de 180 dias contra execuções de créditos sujeitos ao processo e determina que as <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341637">empresas</a> apresentem uma proposta de reorganização financeira no prazo de 60 dias. A autorização permite a continuidade das atividades, mas impõe exigências documentais e mantém separados os patrimônios das seis sociedades envolvidas.</p>
<p>A decisão foi proferida pela juíza Fernanda Perez Jacomini, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital paulista. A magistrada reconheceu a possibilidade de processamento conjunto da recuperação, mas não autorizou, neste momento, que todos os bens, direitos e dívidas das empresas sejam reunidos como se pertencessem a uma única pessoa jurídica. A restrição terá consequências para a elaboração das propostas de pagamento e para a participação dos credores nas futuras deliberações.</p>
<p>O grupo declarou obrigações da ordem de R$ 140,18 milhões, valor que ainda poderá ser ajustado durante a verificação dos créditos. A rede enfrenta dificuldades financeiras associadas à restrição de financiamento, ao elevado custo do crédito e a disputas societárias e familiares que, segundo a própria companhia, comprometeram o acesso a garantias utilizadas em operações bancárias.</p>
<p>A Marabraz informou que pretende cumprir as determinações judiciais e apresentar seu plano dentro do prazo legal. A empresa afirma que busca uma solução financeira sustentável para preservar suas atividades, manter empregos e reorganizar os compromissos com fornecedores e demais credores.</p>
<h2>Justiça suspende execuções por 180 dias, mas proteção não abrange todas as dívidas</h2>
<p>O deferimento do processamento da recuperação judicial coloca as empresas do Grupo Marabraz sob um regime de proteção previsto na Lei nº 11.101/2005. Durante o período inicial de 180 dias, ficam suspensas as ações e execuções abrangidas pela recuperação, assim como medidas de constrição patrimonial relacionadas a esses créditos.</p>
<p>Na prática, a decisão impede temporariamente que determinados credores avancem com penhoras, arrestos, sequestros ou apreensões de bens para receber obrigações submetidas ao processo. A suspensão busca preservar os recursos necessários ao funcionamento da empresa enquanto são negociadas as condições de pagamento.</p>
<p>Essa proteção, entretanto, não representa perdão das dívidas nem impede toda e qualquer cobrança. A legislação estabelece exceções para determinadas categorias de créditos, incluindo situações envolvendo garantias fiduciárias e obrigações que não se submetem aos efeitos da recuperação judicial. Os débitos tributários também seguem um regime jurídico próprio.</p>
<p>O prazo de proteção deverá observar o marco processual previsto na legislação e na decisão judicial. A Lei de Recuperação Judicial permite, em condições específicas, uma única prorrogação do período por até 180 dias, desde que a empresa não tenha contribuído para o atraso nas negociações.</p>
<p>A suspensão das execuções constitui, portanto, um instrumento temporário de reorganização, e não uma proteção permanente contra os credores. A continuidade do processo dependerá da apresentação das informações exigidas, da viabilidade das propostas e das etapas posteriores de deliberação.</p>
<h2>Marabraz terá 60 dias para apresentar plano e explicar como pagará credores</h2>
<p>Uma das principais obrigações estabelecidas pela Justiça é a apresentação do plano de recuperação judicial no prazo improrrogável de 60 dias, contado da publicação da decisão que autorizou o processamento.</p>
<p>O documento deverá detalhar os mecanismos de reorganização financeira, as condições propostas para pagamento dos credores e os elementos que sustentam a viabilidade econômica da operação. Entre as alternativas previstas na legislação estão renegociações de prazos, descontos, reorganização de obrigações, venda de ativos e outras medidas compatíveis com a continuidade das atividades.</p>
<p>A apresentação do plano, porém, não significa sua aprovação automática. Os credores terão oportunidade de examinar as propostas e apresentar objeções conforme os prazos legais. Havendo contestação, poderá ser convocada uma assembleia-geral para deliberar sobre os termos oferecidos.</p>
<p>A recuperação judicial somente será concedida após o cumprimento dos requisitos estabelecidos na legislação, que incluem as hipóteses de aprovação do plano e de concessão judicial previstas na Lei nº 11.101/2005.</p>
<p>O descumprimento do prazo de 60 dias para apresentação do plano pode levar à convolação da recuperação em falência. Por isso, a elaboração de uma proposta juridicamente adequada e financeiramente viável constitui uma das etapas mais importantes para o futuro do Grupo Marabraz.</p>
<p>A rede também deverá comprovar sua capacidade de manter as atividades enquanto negocia o passivo. A obtenção de proteção judicial não resolve, por si só, problemas de estoque, despesas operacionais ou necessidade de capital de giro.</p>
<h2>Juíza rejeita unificação de bens e dívidas das seis empresas</h2>
<p>Um dos pontos de maior relevância da decisão envolve a estrutura societária do Grupo Marabraz. A recuperação judicial abrange seis empresas: Comercial de Móveis Jordanésia, S.V.C. Jaraguá Comercial, Comercial Móveis das Nações, Comercial Zena Móveis, Monta Móveis Prestadora de Serviços e Marabraz Comercial.</p>
<p>A última foi incluída porque detém a titularidade da marca utilizada pela rede varejista, considerada um ativo importante para a continuidade das atividades comerciais.</p>
<p>Embora as sociedades integrem o mesmo grupo econômico, a juíza autorizou apenas a consolidação processual. Esse mecanismo permite a tramitação conjunta da recuperação, mas preserva a autonomia jurídica e patrimonial de cada devedora.</p>
<p>A magistrada rejeitou, por enquanto, a consolidação substancial, modalidade mais abrangente que permitiria reunir todos os ativos e passivos como se fossem de uma única empresa. A avaliação preliminar não identificou documentação suficiente para demonstrar uma confusão patrimonial generalizada que justificasse a medida excepcional.</p>
<p>A distinção tem consequências para os credores. Na consolidação processual, cada empresa deve preservar a identificação de seus bens, obrigações e respectivos credores. As propostas de reorganização precisam contemplar individualmente as responsabilidades de cada sociedade, ainda que sejam apresentadas de maneira coordenada.</p>
<p>A Lei nº 11.101/2005, em seus artigos 69-G a 69-L, estabelece que a consolidação substancial somente pode ser autorizada excepcionalmente, quando houver interconexão e confusão entre ativos ou passivos, associadas a outros requisitos legais.</p>
<p>Entre esses requisitos estão a existência de garantias cruzadas, relações de controle ou dependência, identidade societária e atuação conjunta no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341639">mercado</a>. A presença dessas características, isoladamente, não dispensa a demonstração da confusão patrimonial exigida pela legislação.</p>
<p>A decisão preserva, assim, a possibilidade de tratamento diferenciado para os credores de cada empresa. Isso também significa que o eventual insucesso da recuperação de uma sociedade não conduz automaticamente à falência das demais.</p>
<h2>Deloitte fiscalizará contas e documentos do Grupo Marabraz</h2>
<p>A Deloitte Touche Tohmatsu Consultores foi nomeada administradora judicial e ficará responsável por acompanhar o processo de recuperação, examinar documentos e fiscalizar as atividades das empresas.</p>
<p>A administradora judicial atua como auxiliar da Justiça. Sua função não é assumir a direção comercial da rede, mas verificar informações financeiras, acompanhar a relação de credores e fornecer elementos técnicos para as decisões judiciais e para a fiscalização do procedimento.</p>
<p>Entre as obrigações do grupo está a apresentação mensal de demonstrações financeiras e informações sobre a continuidade das operações. A Justiça também determinou a entrega de documentos pendentes no prazo adicional e improrrogável de 15 dias.</p>
<p>As exigências incluem extratos bancários específicos, documentação cadastral e certidões de protesto relacionadas a estabelecimentos anteriormente utilizados pela rede. A complementação foi considerada necessária para atender aos requisitos formais do processamento.</p>
<p>A ausência desses documentos poderá comprometer a continuidade da recuperação judicial, inclusive com a possibilidade de revogação do deferimento, conforme a decisão. O descumprimento das obrigações de prestação de contas também poderá provocar medidas contra os administradores.</p>
<p>A Lei de Recuperação Judicial estabelece que o devedor deve apresentar informações periódicas enquanto estiver submetido ao procedimento, permitindo que o juízo e os credores acompanhem sua situação econômico-financeira.</p>
<h2>Rede informou que 86 de suas 111 lojas estavam fechadas em setembro</h2>
<p>A recuperação judicial ocorre após uma redução expressiva da estrutura comercial da Marabraz, que chegou a manter 135 lojas em diferentes regiões do estado de São Paulo.</p>
<p>Em documentação apresentada durante o processo em setembro, o grupo informou possuir 111 estabelecimentos, dos quais 25 estavam em funcionamento e 86 permaneciam temporariamente fechados. Segundo a explicação apresentada pela companhia, a falta de liquidez prejudicou a recomposição dos estoques e o pagamento regular de trabalhadores.</p>
<p>Considerando esses números, apenas 22,5% das unidades estavam operando naquele momento, enquanto aproximadamente 77,5% permaneciam fechadas. O levantamento corresponde à situação informada em setembro e não representa necessariamente a quantidade de lojas abertas em 29 de outubro, já que a rede não apresentou uma atualização consolidada desse indicador na decisão divulgada nesta semana.</p>
<p>A dimensão da redução operacional mostra que o desafio da companhia vai além da renegociação das dívidas financeiras. A reestruturação dependerá também da recuperação da capacidade de abastecimento, do relacionamento com fornecedores e da manutenção de recursos suficientes para sustentar as lojas que permanecerem ativas.</p>
<p>No varejo de móveis, a disponibilidade de crédito influencia tanto o financiamento das empresas quanto o comportamento dos consumidores. Parte das vendas depende de modalidades de parcelamento, enquanto a operação exige recursos para aquisição de mercadorias, transporte, armazenagem e manutenção dos estabelecimentos.</p>
<p>A restrição de capital de giro pode provocar dificuldades sucessivas: redução dos estoques, menor capacidade de venda, queda na geração de receitas e necessidade adicional de financiamento. A superação desse ciclo dependerá de medidas operacionais e financeiras que ainda deverão ser detalhadas no plano de recuperação.</p>
<h2>Disputa familiar comprometeu garantias utilizadas em empréstimos</h2>
<p>A Marabraz atribui parte importante de sua crise financeira a conflitos envolvendo a estrutura societária e familiar responsável pelo patrimônio utilizado para garantir operações de crédito.</p>
<p>Segundo a narrativa apresentada pelas empresas no pedido de recuperação, o grupo historicamente recorria a financiamentos bancários para sustentar a expansão e o funcionamento das lojas. Nessas operações, eram oferecidos ativos patrimoniais, especialmente imóveis, como garantia de pagamento.</p>
<p>Com o agravamento das disputas entre integrantes da família controladora, os administradores da operação varejista afirmaram ter perdido acesso a parte das sociedades titulares desses imóveis.</p>
<p>A mudança teria comprometido a renovação de linhas de crédito e a contratação de novos financiamentos, provocando exigências adicionais de garantias e encarecimento das operações financeiras.</p>
<p>A existência de conflitos societários também aparece em documento empresarial publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 21 de setembro de 2026. O edital da S.V.C. Jaraguá Comercial, uma das empresas envolvidas na recuperação, convocou reunião de sócios para deliberar sobre questões administrativas, eleição de administrador e ratificação do pedido de recuperação judicial.</p>
<p>O documento identificou a participação de Nasser Fares e Jamel Fares, que, em conjunto, detinham 400 mil das 600 mil quotas representativas do capital social da empresa, equivalentes a dois terços do total.</p>
<p>A pauta da reunião incluía a reorganização da administração e a adoção de providências para regularização cadastral, fiscal e documental da sociedade. A convocação comprova a existência dessas questões na estrutura empresarial, mas não permite concluir, isoladamente, o resultado das deliberações ou atribuir responsabilidade individual pela crise financeira.</p>
<p>Além das disputas internas, a companhia apontou como fatores negativos a persistência de juros elevados, o enfraquecimento do consumo, o aumento da inadimplência e as mudanças provocadas pela digitalização do comércio.</p>
<p>Esses elementos foram apresentados pela própria Marabraz como justificativas para a deterioração de suas condições financeiras e deverão ser considerados na avaliação da viabilidade econômica do plano de recuperação.</p>
<h2>Justiça protege fornecimento de energia e autoriza retirada de mercadorias</h2>
<p>A continuidade das atividades comerciais também motivou decisões específicas sobre contratos de serviços essenciais e acesso a bens pertencentes à rede.</p>
<p>A juíza determinou que as concessionárias Enel e CPFL não interrompam o fornecimento de energia elétrica nas unidades da Marabraz com contratos ativos exclusivamente em razão de dívidas anteriores ao pedido de recuperação judicial que estejam sujeitas ao processo.</p>
<p>A proteção não dispensa o pagamento do consumo posterior nem impõe o restabelecimento automático de contratos regularmente encerrados antes da decisão.</p>
<p>A medida procura evitar que obrigações antigas comprometam o funcionamento dos estabelecimentos que permanecem em operação. Ao mesmo tempo, preserva as regras aplicáveis às relações contratuais atuais e às situações que não estão abrangidas pela recuperação.</p>
<p>A magistrada também autorizou que representantes da empresa tenham acesso a antigos imóveis comerciais para retirar mercadorias, mostruários, equipamentos e outros bens comprovadamente pertencentes às sociedades recuperandas.</p>
<p>O procedimento dependerá de comunicação prévia aos proprietários e do cumprimento das condições estabelecidas pela Justiça. A autorização não anula decisões de despejo nem assegura a retomada da posse dos imóveis anteriormente ocupados.</p>
<p>A recuperação de mercadorias e equipamentos pode representar uma fonte de recursos e de reorganização operacional, especialmente em uma rede que enfrenta dificuldades para recompor estoques e manter suas unidades abertas.</p>
<h2>Recuperação judicial não cancela automaticamente compras e contratos dos clientes</h2>
<p>Para consumidores que possuem pedidos de móveis, entregas pendentes ou contratos com a Marabraz, o deferimento do processamento da recuperação judicial não significa, por si só, cancelamento das compras ou interrupção obrigatória dos serviços.</p>
<p>A empresa continua responsável pela condução das atividades e pelas obrigações que permanecem exigíveis conforme a legislação e as condições contratuais aplicáveis.</p>
<p>Entretanto, a situação de cada consumidor dependerá da natureza do contrato, da data em que a obrigação foi constituída e de sua eventual sujeição ao processo de recuperação.</p>
<p>A legislação estabelece regras específicas para o tratamento de créditos anteriores ao pedido judicial. Por isso, a recuperação não deve ser interpretada como autorização genérica para deixar de cumprir entregas ou obrigações contratuais.</p>
<p>Consumidores que enfrentarem problemas poderão utilizar os canais de atendimento da empresa e os mecanismos de defesa do consumidor disponíveis. Nas situações em que houver crédito sujeito à recuperação, poderá ser necessário acompanhar os editais e os procedimentos de habilitação previstos na Lei nº 11.101/2005.</p>
<p>O processo também não transfere à administradora judicial a responsabilidade direta pela realização das entregas ou pelo pagamento das obrigações comerciais da rede.</p>
<h2>Marabraz ainda precisa convencer credores e demonstrar viabilidade</h2>
<p>A autorização judicial representa o início de uma nova etapa, mas não significa que a recuperação financeira da Marabraz esteja garantida.</p>
<p>A empresa terá de organizar suas informações contábeis, apresentar os documentos pendentes e formular propostas de pagamento capazes de atender aos requisitos legais e às condições econômicas das sociedades envolvidas.</p>
<p>A separação dos patrimônios das seis empresas acrescenta complexidade ao procedimento porque exige a identificação individualizada de créditos, ativos e obrigações. Os credores deverão participar das deliberações considerando a sociedade responsável por cada dívida.</p>
<p>A Deloitte acompanhará a evolução do processo e a situação financeira das recuperandas, enquanto a Justiça avaliará o cumprimento das determinações e as manifestações das partes interessadas.</p>
<p>Além da negociação das dívidas, a Marabraz precisará demonstrar que consegue gerar receitas suficientes para financiar suas operações. O histórico de fechamento de unidades, as dificuldades de abastecimento e a restrição ao crédito tornam essa avaliação especialmente relevante.</p>
<p>O próximo marco formal será a apresentação do plano de recuperação no prazo legal de 60 dias, contado da publicação da decisão que autorizou o processamento. A proposta permitirá conhecer as condições efetivamente oferecidas aos credores, os prazos de pagamento e as medidas previstas para reorganizar a operação.</p>
<p>Até que essas etapas sejam concluídas, a situação da Marabraz permanece como um processo de recuperação judicial em andamento, sujeito à fiscalização, à manifestação dos credores e a novas decisões da Justiça paulista.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Lei nº 11.101/2005 — legislação de recuperação judicial e falências, com as alterações da Lei nº 14.112/2020, especialmente os artigos 6º, 47, 52, 53 e 69-G a 69-L.</em></p>
<p><em>Diário Oficial do Estado de São Paulo — edição de 21 de setembro de 2026, edital de convocação de reunião de sócios da S.V.C. Jaraguá Comercial Ltda., relativo à administração societária e à ratificação do pedido de recuperação judicial.</em></p>
<p><em>Grupo Marabraz — comunicado institucional divulgado em outubro de 2026 sobre o deferimento do processamento da recuperação judicial, continuidade dos <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341638">negócios</a> e compromisso com a reorganização financeira.</em></p>
<p><em>Deloitte Touche Tohmatsu Consultores — portal institucional de administração judicial, com esclarecimentos sobre as atribuições do administrador judicial, habilitação de créditos e acompanhamento do plano de recuperação.</em></p>
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		<item>
		<title>Petrobras (PETR4) confirma terceira descoberta de petróleo na Foz do Amazonas</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/petrobras-petr4-terceira-descoberta-petroleo-foz-amazonas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Oct 2026 00:52:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Petrobras (PETR4) confirma terceira descoberta de petróleo na Foz do Amazonas, no poço Morpho, na costa do Amapá. Entenda os resultados e próximos passos.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A <strong>Petrobras (PETR4)</strong> confirmou nesta quinta-feira (29 de outubro de 2026) a terceira descoberta de petróleo no poço exploratório Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas da costa do Amapá. O novo intervalo portador de óleo foi identificado durante a etapa final de avaliação geológica, após outras duas ocorrências anunciadas em agosto e no início de outubro. A companhia informou que concluiu a perfuração e a aquisição de dados, encerrando uma etapa importante de sua campanha exploratória na Margem Equatorial brasileira.</p>
<p>As três descobertas ocorreram no mesmo poço, em diferentes intervalos geológicos, e reforçam as evidências da presença de um sistema petrolífero na região. Entretanto, a Petrobras ainda não informou a quantidade de petróleo potencialmente recuperável, a extensão dos reservatórios identificados ou se a exploração comercial será economicamente viável. A confirmação da presença de óleo, portanto, não representa o início da produção nem a incorporação automática de novas reservas comprovadas ao patrimônio da companhia.</p>
<p>O poço Morpho está situado a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá e a quase 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas, sob uma lâmina d&#8217;água de 2.886 metros. A operação foi realizada pela sonda NS-42, contratada da Foresea, em uma das áreas de interesse estratégico da Petrobras para a descoberta de novas reservas de petróleo e gás natural.</p>
<p>Com a perfuração concluída, a estatal iniciará os procedimentos de encerramento operacional e abandono do poço. Depois dessa etapa, a sonda será deslocada para a Bacia Potiguar, na costa do Rio Grande do Norte, onde está prevista uma nova perfuração exploratória na locação denominada Mãe de Ouro.</p>
<h2>Terceira descoberta ocorre 27 dias após confirmação de novo reservatório</h2>
<p>A confirmação anunciada nesta quinta-feira encerra uma sequência de resultados positivos obtidos durante a investigação geológica do poço Morpho. A primeira identificação de hidrocarbonetos foi comunicada em 14 de agosto de 2026, quando a Petrobras encontrou indícios em formações rochosas durante a perfuração.</p>
<p>Na ocasião, a empresa explicou que a presença de hidrocarbonetos havia sido identificada por meio de perfis elétricos e evidências observadas nas rochas. Esses procedimentos permitem avaliar propriedades físicas das formações subterrâneas e verificar a possibilidade de existência de petróleo ou gás natural.</p>
<p>Em 2 de outubro, a continuidade da perfuração em intervalos mais profundos levou à segunda descoberta. A Petrobras informou que a confirmação utilizou dados de perfis elétricos, indícios em rochas e amostras de fluidos coletados durante a operação. A companhia também revelou que análises laboratoriais da primeira ocorrência haviam indicado petróleo de boa qualidade, embora não tenha divulgado uma estimativa de reservas comercialmente recuperáveis.</p>
<p>A terceira identificação, anunciada 27 dias depois, ocorreu durante a avaliação de outros intervalos de interesse. Assim, entre o primeiro comunicado, em 14 de agosto, e o anúncio desta quinta-feira, transcorreram 76 dias, período no qual a empresa confirmou três ocorrências de hidrocarbonetos no mesmo poço exploratório.</p>
<p>A sequência amplia a quantidade de informações disponíveis sobre a geologia da área. O resultado também permite confrontar os dados obtidos nas diferentes camadas, contribuindo para a avaliação da distribuição dos fluidos e das características dos reservatórios.</p>
<p>A Petrobras, entretanto, não informou a profundidade específica do terceiro intervalo, sua espessura, as propriedades do petróleo encontrado ou a capacidade potencial de produção. Esses elementos serão necessários para uma avaliação mais precisa do valor econômico da descoberta.</p>
<h2>Petrobras conclui perfuração do Morpho sem anunciar reservas comerciais</h2>
<p>O encerramento da perfuração representa uma mudança de estágio no projeto exploratório. Até agora, o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341635">trabalho</a> esteve concentrado na obtenção de informações geológicas para verificar a presença de hidrocarbonetos e compreender as características das formações rochosas da Bacia da Foz do Amazonas.</p>
<p>A descoberta de petróleo é uma condição importante para o desenvolvimento de uma nova área produtora, mas não suficiente para justificar investimentos em plataformas, sistemas submarinos e infraestrutura de escoamento.</p>
<p>Para transformar uma ocorrência geológica em um projeto comercial, é necessário avaliar aspectos como o volume recuperável, a produtividade dos reservatórios, os custos de desenvolvimento e a viabilidade econômica da produção. Também devem ser considerados os requisitos técnicos, regulatórios e ambientais aplicáveis às etapas posteriores.</p>
<p>No caso do Morpho, a Petrobras ainda não apresentou estimativas públicas de volumes recuperáveis nem um plano de desenvolvimento comercial associado às três descobertas. Também não foi anunciada uma previsão de início de produção no bloco FZA-M-59.</p>
<p>Essa distinção impede associar automaticamente a nova ocorrência a um aumento imediato da oferta de petróleo no Brasil, das receitas da companhia ou da distribuição de dividendos aos acionistas.</p>
<p>A empresa informou que a perfuração e a aquisição de dados geológicos estão concluídas, mas o encerramento físico das operações ainda depende dos procedimentos de abandono. Nesse contexto, o termo não significa necessariamente desistência da área. Trata-se da etapa técnica de encerramento do poço, com medidas de isolamento e segurança estabelecidas para operações de perfuração marítima.</p>
<p>A análise do material coletado permanecerá relevante para determinar a continuidade da estratégia exploratória da companhia na região.</p>
<h2>Poço Morpho integra bloco adquirido pela Petrobras em 2013</h2>
<p>O bloco FZA-M-59 pertence à Bacia Sedimentar da Foz do Amazonas e foi adquirido pela Petrobras durante a 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizada em 2013, sob o regime de concessão.</p>
<p>A estatal detém 100% de participação na área e atua como operadora responsável pela condução das atividades exploratórias. O intervalo de aproximadamente 13 anos entre a aquisição do bloco e as descobertas de 2026 evidencia a duração do processo necessário para transformar direitos exploratórios em informações geológicas capazes de sustentar decisões de investimento.</p>
<p>A Margem Equatorial brasileira se estende pela costa norte e nordeste do país e compreende bacias sedimentares como Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar.</p>
<p>A região apresenta características geológicas que despertam interesse da indústria petrolífera, especialmente pela possibilidade de identificação de novos sistemas geradores e reservatórios em águas profundas e ultraprofundas.</p>
<p>Entretanto, o potencial regional não deve ser confundido com reservas já descobertas e economicamente recuperáveis. A existência de estruturas geológicas favoráveis indica oportunidades exploratórias, cuja confirmação depende de levantamentos sísmicos, perfurações, análises de fluidos e estudos de viabilidade.</p>
<p>Em 2 de outubro, a ANP aprovou a delimitação de 11 novos setores exploratórios distribuídos por bacias da Margem Equatorial, abrangendo aproximadamente 380 mil quilômetros quadrados e contemplando 501 blocos. A decisão representa uma ampliação do mapeamento das áreas de interesse, mas não significa que todos esses blocos estejam licenciados para perfuração ou que contenham reservas comprovadas.</p>
<p>As descobertas no Morpho acrescentam informações sobre uma área específica dessa fronteira exploratória, sem permitir extrapolações automáticas para toda a extensão da Margem Equatorial.</p>
<h2>Magda Chambriard destaca potencial exploratório da Margem Equatorial</h2>
<p>A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, avaliou positivamente os resultados obtidos no poço Morpho e associou a terceira descoberta ao trabalho técnico realizado pela companhia durante a campanha.</p>
<p>“Nossa persistência técnica permitiu que fossem realizadas três descobertas no mesmo poço”, afirmou a executiva no comunicado divulgado nesta quinta-feira.</p>
<p>A presidente também relacionou o desempenho da exploração aos resultados operacionais recentes da estatal. Na quarta-feira (28), a Petrobras havia anunciado recorde de produção própria de petróleo, líquido de gás natural e gás natural no terceiro trimestre de 2026.</p>
<p>A produção média alcançou 3,512 milhões de barris de óleo equivalente por dia, crescimento de 11,7% em relação ao mesmo trimestre de 2025 e de 5,3% na comparação com o segundo trimestre deste ano.</p>
<p>Esse resultado foi impulsionado principalmente pela expansão de unidades de produção já instaladas no pré-sal, pelo aumento de eficiência operacional e pela entrada de novos poços produtores nas bacias de Campos e Santos.</p>
<p>Durante o terceiro trimestre, 12 novos poços entraram em operação, sendo seis na Bacia de Campos e seis na Bacia de Santos. A produção total operada pela Petrobras, incluindo a parcela pertencente a seus parceiros, chegou a 5,08 milhões de barris de óleo equivalente por dia.</p>
<p>Os indicadores mostram que a companhia continua expandindo a produção em áreas já desenvolvidas, enquanto utiliza projetos exploratórios, como o Morpho, para investigar oportunidades de recomposição de reservas no longo prazo.</p>
<p>A descoberta anunciada nesta quinta-feira, portanto, ainda não contribui para os volumes produzidos pela companhia. Seu eventual efeito econômico dependerá da confirmação de reservas comerciais e de futuras decisões de investimento.</p>
<h2>Licenciamento da Foz do Amazonas continua cercado de questionamentos ambientais</h2>
<p>A perfuração do poço Morpho foi autorizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em 20 de outubro de 2025, após um processo de licenciamento que envolveu análises técnicas, exigências ambientais e avaliações dos planos de resposta a emergências.</p>
<p>A Licença de Operação nº 1.684/2025 permitiu o início da atividade exploratória no bloco FZA-M-59. A autorização original contemplava a perfuração do poço Morpho e não representava uma licença para produção comercial de petróleo.</p>
<p>O projeto também enfrenta questionamentos do Ministério Público Federal (MPF) relacionados aos impactos ambientais e à necessidade de consulta a comunidades potencialmente afetadas.</p>
<p>Em agosto de 2026, o MPF solicitou esclarecimentos ao Ibama sobre pedidos da Petrobras para incluir outras três perfurações exploratórias no mesmo bloco. Segundo os procuradores, a ampliação das operações exigiria uma análise específica dos efeitos acumulados sobre o ambiente marinho e as comunidades da região.</p>
<p>Em setembro, o órgão apresentou recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região para contestar a licença de perfuração. Entre os argumentos apresentados estavam a necessidade de avaliação dos riscos de vazamentos, a suficiência dos estudos ambientais e a consulta prévia a povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.</p>
<p>O recurso também mencionou um incidente ocorrido em janeiro de 2026, quando houve descarga de fluido de perfuração no mar durante as atividades do Morpho.</p>
<p>O Ibama confirmou, em comunicado oficial de 6 de janeiro, que havia recebido da Petrobras uma notificação sobre perda de fluido em duas linhas auxiliares conectadas à sonda. Segundo as informações apresentadas ao órgão, a empresa interrompeu as operações, isolou as linhas afetadas e adotou medidas para interromper a descarga.</p>
<p>A Petrobras sustenta que suas atividades seguem os requisitos estabelecidos no licenciamento ambiental e que os sistemas de resposta a emergências foram avaliados durante o processo de autorização.</p>
<p>Os questionamentos apresentados pelo MPF não equivalem, por si só, a uma decisão judicial definitiva de anulação da licença. Da mesma forma, a existência de autorização para perfuração não dispensa avaliações ambientais específicas que possam ser exigidas em eventuais etapas futuras de desenvolvimento e produção.</p>
<h2>Sonda NS-42 seguirá para perfurar Mãe de Ouro na Bacia Potiguar</h2>
<p>Com o encerramento das operações no Morpho, a Petrobras pretende deslocar a sonda NS-42 para a Bacia Potiguar, na costa do Rio Grande do Norte.</p>
<p>O próximo ponto da campanha exploratória será a locação Mãe de Ouro, onde a companhia planeja iniciar uma nova perfuração para investigar as características geológicas e a eventual presença de hidrocarbonetos.</p>
<p>A mudança amplia a atuação exploratória da Petrobras em diferentes segmentos da Margem Equatorial, permitindo que a empresa utilize a mesma unidade marítima em outra área de interesse após concluir as atividades no Amapá.</p>
<p>O comunicado divulgado nesta quinta-feira não informou uma data específica para o início da perfuração em Mãe de Ouro. O deslocamento depende da conclusão dos procedimentos de encerramento no Morpho e das condições operacionais necessárias à nova campanha.</p>
<p>A transferência da sonda também não altera o estágio das descobertas realizadas na Foz do Amazonas. Os dados obtidos no bloco FZA-M-59 continuarão sujeitos à avaliação técnica antes de qualquer decisão sobre sua eventual exploração comercial.</p>
<h2>Terceira descoberta amplia conhecimento geológico, mas ainda não garante produção</h2>
<p>A sequência de três descobertas em um único poço representa um resultado relevante para a pesquisa geológica da Bacia da Foz do Amazonas, especialmente por ampliar a quantidade de evidências sobre a presença de petróleo em diferentes intervalos.</p>
<p>A partir desses dados, a Petrobras poderá aprofundar a caracterização das formações e avaliar a necessidade de novas atividades exploratórias. A definição de etapas posteriores dependerá dos estudos técnicos e das autorizações correspondentes.</p>
<p>A nova ocorrência também reforça a estratégia de investigação de fronteiras exploratórias adotada pela estatal para compensar, no futuro, o declínio natural da produção dos campos atualmente em operação.</p>
<p>Essa estratégia, entretanto, envolve riscos geológicos, financeiros, operacionais e ambientais. Mesmo quando há confirmação da presença de petróleo, uma descoberta pode não apresentar volumes ou condições econômicas suficientes para justificar o desenvolvimento comercial.</p>
<p>A principal informação ainda ausente é a dimensão do recurso recuperável. Sem esse dado e sem estudos de viabilidade, não é possível calcular o valor econômico da descoberta, estimar receitas futuras ou estabelecer quando o petróleo eventualmente poderá chegar ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341636">mercado</a>.</p>
<p>O anúncio de 29 de outubro confirma a conclusão de uma etapa exploratória iniciada após a obtenção da licença ambiental em 2025 e marcada por três identificações sucessivas de hidrocarbonetos em 2026. A próxima definição relevante será o resultado da avaliação técnica integrada do material coletado no Morpho, que deverá indicar quais possibilidades de desenvolvimento poderão ser consideradas pela Petrobras na Bacia da Foz do Amazonas.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Petrobras — comunicado de 29 de outubro de 2026 sobre a terceira descoberta de petróleo no poço Morpho e o encerramento da perfuração.</em></p>
<p><em>Petrobras — comunicado de 14 de agosto de 2026 sobre a primeira identificação de hidrocarbonetos no bloco FZA-M-59.</em></p>
<p><em>Petrobras — comunicado de 2 de outubro de 2026 sobre a segunda descoberta, os métodos de identificação e a avaliação dos fluidos coletados.</em></p>
<p><em>Petrobras — comunicado de 20 de outubro de 2025 sobre a licença ambiental para perfuração exploratória na costa do Amapá.</em></p>
<p><em>Petrobras — Relatório de Produção e Vendas do Terceiro Trimestre de 2026, divulgado em 28 de outubro.</em></p>
<p><em>Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis — comunicado de 2 de outubro de 2026 sobre a delimitação de setores e blocos exploratórios na Margem Equatorial.</em></p>
<p><em>Ministério Público Federal — manifestações de agosto e setembro de 2026 sobre a ampliação das perfurações, o licenciamento e os riscos socioambientais do bloco FZA-M-59.</em></p>
<p><em>Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — comunicado de 6 de janeiro de 2026 sobre a perda de fluido de perfuração no poço Morpho.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Vale (VALE3) tem lucro de US$ 1,25 bilhão no 3T26, queda de 53% com minério mais barato</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/vale-vale3-lucro-terceiro-trimestre-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Oct 2026 00:52:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vale (VALE3) lucra US$ 1,25 bilhão no 3T26, queda de 53%. Receita cresce 2%, mas minério mais barato, custos e tributos pressionam resultado.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A <strong>Vale (VALE3)</strong> registrou lucro líquido atribuível aos acionistas de US$ 1,255 bilhão no terceiro trimestre de 2026, uma queda de 53% em relação aos US$ 2,685 bilhões apurados no mesmo período do ano passado. O balanço, divulgado nesta quinta-feira (29 de outubro), mostra que a mineradora perdeu rentabilidade apesar do crescimento da receita, pressionada pela redução dos preços do minério de ferro, pelo aumento dos custos operacionais e por efeitos contábeis relacionados à Samarco e aos tributos sobre o lucro.</p>
<p>Entre julho e setembro, a receita líquida de vendas alcançou US$ 10,599 bilhões, avanço de 2% na comparação anual. Entretanto, o Ebitda proforma, indicador utilizado pela companhia para acompanhar seu desempenho operacional, caiu 20%, de US$ 4,399 bilhões para US$ 3,508 bilhões. O resultado evidencia que a ampliação do faturamento não foi suficiente para compensar o encarecimento das operações e a menor remuneração obtida com a venda de minério de ferro.</p>
<p>A redução do lucro corresponde a aproximadamente US$ 1,43 bilhão em relação ao terceiro trimestre de 2025. Na comparação com o segundo trimestre deste ano, quando a Vale havia registrado US$ 1,375 bilhão, o recuo foi de 9%. Apesar da deterioração da rentabilidade, a empresa manteve suas projeções de produção para 2026 e informou que continua gerando caixa suficiente para sustentar investimentos e compromissos financeiros.</p>
<h2>Preço do minério de ferro cai 10% e reduz margem da Vale</h2>
<p>O principal fator operacional por trás da queda dos resultados foi a redução dos preços realizados com a venda de minério de ferro. A Vale recebeu, em média, US$ 85,10 por tonelada de finos no terceiro trimestre, valor 10% inferior tanto ao registrado um ano antes quanto ao observado entre abril e junho de 2026.</p>
<p>O desempenho refletiu preços internacionais menos favoráveis e ajustes temporários associados às condições comerciais de parte das vendas. Como o minério de ferro continua sendo a principal fonte de receitas da companhia, mudanças relativamente pequenas no preço por tonelada podem produzir efeitos expressivos sobre a geração de caixa e as margens operacionais.</p>
<p>A divisão de Soluções de Minério de Ferro apresentou receita líquida de US$ 7,767 bilhões, redução de 8% na comparação anual. Esse segmento respondeu por aproximadamente 73% do faturamento consolidado da mineradora no trimestre, proporção calculada a partir dos números divulgados pela empresa.</p>
<p>O Ebitda ajustado dessa divisão caiu 34%, para US$ 2,633 bilhões. Considerando apenas os finos de minério de ferro, a redução foi ainda mais acentuada: o indicador recuou 39%, de US$ 3,418 bilhões para US$ 2,078 bilhões.</p>
<p>Segundo a demonstração apresentada pela Vale, os menores preços realizados reduziram o Ebitda dos finos de minério de ferro em US$ 705 milhões na comparação anual. O encarecimento do frete representou impacto adicional de US$ 273 milhões, enquanto a valorização do real produziu efeito negativo de US$ 66 milhões. Custos e despesas maiores também contribuíram para a deterioração, parcialmente compensada pelo aumento dos volumes vendidos.</p>
<h2>Custos de produção e frete marítimo aumentam pressão sobre o resultado</h2>
<p>A queda dos preços ocorreu simultaneamente ao aumento dos custos de produção e transporte. O custo caixa C1 do minério de ferro atingiu US$ 23,10 por tonelada, crescimento de 12% em relação ao terceiro trimestre de 2025.</p>
<p>A companhia atribuiu parte desse aumento ao encarecimento do diesel, à valorização da moeda brasileira durante o período e às condições operacionais de suas minas. A apreciação do real eleva, quando expressas em dólares, determinadas despesas realizadas no Brasil, reduzindo a margem obtida com receitas denominadas na moeda americana.</p>
<p>O custo total <em>all-in</em> de minério de ferro e pelotas, indicador que incorpora despesas adicionais de produção, logística e outros componentes, chegou a US$ 60,40 por tonelada, alta de 21% na comparação anual.</p>
<p>O transporte marítimo também ficou mais caro. O aumento dos preços do combustível utilizado pelos navios, conhecido como bunker, pressionou as despesas de frete em um trimestre marcado por preços mais elevados de petróleo.</p>
<p>Para reduzir essa exposição, a Vale utilizou contratos de proteção relacionados ao petróleo Brent e instrumentos financeiros de frete. De acordo com o relatório, essas estratégias geraram benefício econômico de US$ 97 milhões no trimestre, equivalente a aproximadamente US$ 1,40 por tonelada de minério de ferro transportado.</p>
<p>Considerando esse efeito, o custo <em>all-in</em> ajustado seria de aproximadamente US$ 59 por tonelada. O benefício, contudo, não foi suficiente para neutralizar integralmente a pressão dos combustíveis, do transporte e das demais despesas operacionais.</p>
<h2>Samarco e impostos reduzem lucro em centenas de milhões de dólares</h2>
<p>Além da deterioração operacional, o lucro líquido da Vale foi afetado por ajustes contábeis e tributários relevantes.</p>
<p>A empresa informou que o resultado de participações em coligadas e empreendimentos controlados em conjunto sofreu impacto negativo associado principalmente a um ajuste de US$ 322 milhões na provisão da Samarco, mineradora da qual a Vale é acionista.</p>
<p>O efeito está relacionado à contabilização das obrigações da empresa e não deve ser confundido com um desembolso de caixa de igual valor realizado durante o trimestre. A distinção é relevante porque alterações em provisões e resultados de equivalência patrimonial podem reduzir o lucro contábil sem representar necessariamente uma saída imediata de recursos.</p>
<p>Outro fator foi o aumento dos tributos sobre o lucro. Segundo a Vale, os resultados tributários foram prejudicados principalmente por um efeito de US$ 276 milhões decorrente de variações cambiais sobre prejuízos fiscais registrados em subsidiárias.</p>
<p>No demonstrativo consolidado, a companhia contabilizou despesa de US$ 259 milhões com tributos sobre o lucro, ante um efeito positivo de US$ 83 milhões no terceiro trimestre de 2025.</p>
<p>Essas pressões foram parcialmente compensadas por ganhos financeiros. A marcação a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341632">mercado</a> e a liquidação de instrumentos derivativos produziram melhora de US$ 610 milhões na comparação anual, contribuindo para reduzir o impacto negativo dos custos operacionais, dos tributos e dos ajustes associados às participações societárias.</p>
<p>O lucro líquido proforma, que desconsidera determinados itens não recorrentes, também ficou em US$ 1,255 bilhão, recuo de 54% em relação ao resultado comparável de US$ 2,744 bilhões registrado um ano antes.</p>
<h2>Produção de minério cai 6%, mas vendas permanecem estáveis</h2>
<p>O balanço também revelou uma redução da produção de minério de ferro. A Vale produziu 88,4 milhões de toneladas no terceiro trimestre, volume 6% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.</p>
<p>A principal contribuição para o recuo veio do Sistema Norte, especialmente das operações de Serra Norte, que enfrentaram menor disponibilidade de minério bruto e restrições operacionais em determinadas áreas de lavra.</p>
<p>A companhia informou que a produção em Serra Norte caiu 31% na comparação anual. Parte dessa redução foi compensada pelo desempenho de Serra Sul, que alcançou novo recorde trimestral, e pela contribuição crescente dos projetos Capanema e VGR1.</p>
<p>Apesar da produção menor, as vendas totais de minério de ferro permaneceram praticamente estáveis, com avanço de 0,3 milhão de toneladas em relação ao terceiro trimestre do ano passado. O resultado indica que a companhia conseguiu preservar os embarques mesmo diante das restrições de produção.</p>
<p>A fabricação de pelotas apresentou desempenho mais favorável, alcançando 8,6 milhões de toneladas, crescimento de 7% na comparação anual. O preço realizado desse produto atingiu US$ 134 por tonelada, alta de 2% em relação ao mesmo período de 2025.</p>
<p>A Vale reafirmou sua projeção de produzir entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas de minério de ferro em 2026, mas indicou que espera alcançar a parte inferior dessa faixa. Para pelotas, a estimativa permanece entre 30 milhões e 34 milhões de toneladas, com expectativa de desempenho próximo ao ponto médio.</p>
<h2>Cobre cresce 66% em resultado operacional e compensa parte das perdas</h2>
<p>Enquanto a divisão de minério de ferro enfrentou deterioração das margens, as operações de metais básicos apresentaram crescimento expressivo.</p>
<p>A Vale Base Metals registrou receita líquida de US$ 2,832 bilhões no terceiro trimestre, avanço de 42% em relação ao mesmo período de 2025. O Ebitda ajustado da divisão cresceu 61%, alcançando US$ 1,105 bilhão.</p>
<p>O cobre foi o principal responsável por esse desempenho. O Ebitda ajustado do segmento aumentou 66%, de US$ 614 milhões para US$ 1,021 bilhão, impulsionado principalmente pela elevação dos preços realizados do metal e pelas receitas obtidas com subprodutos.</p>
<p>O preço médio realizado do cobre atingiu US$ 15.314 por tonelada, crescimento de 56% na comparação anual. A valorização ajudou a compensar a redução de 4% nas vendas do metal, afetadas por uma reforma programada do moinho SAG da operação de Sossego.</p>
<p>A produção de cobre ficou em 85,5 mil toneladas, queda de 6% em relação ao terceiro trimestre de 2025. O desempenho foi parcialmente compensado pelos resultados de Salobo, que registrou um recorde de produção para um terceiro trimestre.</p>
<p>No níquel, a produção chegou a 49,7 mil toneladas, crescimento anual de 6%. As vendas aumentaram 16,1%, enquanto o preço médio realizado alcançou US$ 16.898 por tonelada, alta de 9% na mesma comparação.</p>
<p>Entretanto, o Ebitda ajustado do níquel caiu 14%, para US$ 98 milhões, pressionado principalmente pelo aumento dos custos de manutenção, de matérias-primas e de processamento.</p>
<p>A Vale manteve as metas anuais de produção de cobre, entre 360 mil e 380 mil toneladas, e de níquel, entre 185 mil e 200 mil toneladas. Para ambos, a companhia afirmou esperar desempenho na metade superior das respectivas faixas.</p>
<h2>Vale gera US$ 2,23 bilhões de caixa livre apesar da queda do lucro</h2>
<p>A geração de caixa apresentou desempenho diferente do lucro contábil. O fluxo de caixa livre totalizou US$ 2,230 bilhões no terceiro trimestre, queda de 9% em relação aos US$ 2,453 bilhões registrados um ano antes, mas avanço de 48% sobre o segundo trimestre de 2026.</p>
<p>O fluxo de caixa livre recorrente, que exclui determinados efeitos extraordinários, ficou em US$ 1,373 bilhão, recuo anual de 12%.</p>
<p>A diferença entre o lucro líquido e o caixa gerado reflete a natureza distinta dos indicadores. Enquanto o lucro considera efeitos contábeis, depreciação, provisões e ajustes financeiros, o fluxo de caixa acompanha recursos efetivamente gerados e utilizados nas atividades da companhia, segundo os critérios apresentados no relatório.</p>
<p>A geração recorrente foi sustentada por uma liberação de capital de giro, menores pagamentos de impostos e resultados positivos na liquidação de instrumentos derivativos. Segundo a Vale, essas operações financeiras contribuíram com US$ 249 milhões para o caixa do trimestre.</p>
<p>A dívida líquida expandida encerrou setembro em US$ 16,413 bilhões, redução de aproximadamente US$ 264 milhões em relação aos US$ 16,677 bilhões registrados no fim de junho.</p>
<p>O indicador permanece relevante para a avaliação da capacidade financeira da companhia, sobretudo em um período de preços menos favoráveis para o minério de ferro e maiores necessidades de investimento em infraestrutura e projetos de expansão.</p>
<h2>Investimentos ficam em US$ 1,25 bilhão e Vale mantém previsão para 2026</h2>
<p>Os investimentos da mineradora totalizaram US$ 1,250 bilhão no terceiro trimestre, praticamente o mesmo valor registrado no período equivalente de 2025.</p>
<p>Desse montante, US$ 1,064 bilhão foi destinado a projetos de manutenção, enquanto US$ 186 milhões financiaram iniciativas de crescimento e expansão operacional.</p>
<p>Os investimentos acumulados de janeiro a setembro alcançaram US$ 3,467 bilhões, praticamente estáveis em relação aos US$ 3,477 bilhões registrados nos primeiros nove meses do ano passado.</p>
<p>A Vale manteve sua projeção de investimentos anuais entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões, embora tenha indicado expectativa de encerrar 2026 próxima ao limite inferior da faixa.</p>
<p>Para atingir exatamente US$ 5,4 bilhões, a companhia precisaria desembolsar aproximadamente US$ 1,933 bilhão no quarto trimestre, considerando os investimentos já realizados até setembro. O valor representa uma aceleração em relação ao ritmo médio registrado nos nove primeiros meses do ano.</p>
<p>Entre os projetos em andamento está a ampliação da capacidade operacional do S11D, no Pará, por meio do Serra Sul +20 e do Britador de Compactos. As iniciativas devem contribuir para ampliar a flexibilidade do processamento e aumentar a eficiência do sistema a partir de 2027.</p>
<p>Na área de cobre, a empresa também aprovou o projeto de Flotação de Partículas Grossas de Salobo, que prevê ampliar a capacidade de processamento da planta Salobo III de 12 milhões para 18 milhões de toneladas anuais.</p>
<p>A estimativa é acrescentar aproximadamente 30 mil toneladas de cobre e 15 mil onças de ouro por ano à produção. Segundo o relatório, o projeto estava com 17% de avanço físico no terceiro trimestre, com início de operação previsto para o primeiro semestre de 2028.</p>
<h2>Lucro acumulado da Vale cai 27% nos nove primeiros meses de 2026</h2>
<p>A redução dos resultados do terceiro trimestre também afetou o desempenho acumulado da mineradora.</p>
<p>Entre janeiro e setembro, o lucro líquido atribuível aos acionistas atingiu US$ 4,523 bilhões, queda de 27% em comparação com os US$ 6,196 bilhões apurados no mesmo intervalo de 2025.</p>
<p>A receita líquida acumulada, entretanto, cresceu 11%, alcançando US$ 30,355 bilhões. Já o Ebitda ajustado permaneceu praticamente estável, em US$ 10,833 bilhões, enquanto o Ebitda proforma avançou 4%, para US$ 11,469 bilhões.</p>
<p>A comparação mostra que a deterioração do terceiro trimestre foi mais intensa do que a observada no conjunto dos nove primeiros meses do ano. Isso se explica, entre outros fatores, pela combinação de menores preços realizados de minério de ferro e maiores custos no período mais recente.</p>
<p>A margem Ebitda proforma do terceiro trimestre ficou próxima de 33,1%, ante aproximadamente 42,2% um ano antes. O recuo de 9,1 pontos percentuais, calculado a partir da receita líquida e do indicador operacional divulgado pela companhia, mostra a dimensão da perda de rentabilidade apesar do crescimento do faturamento consolidado.</p>
<h2>Resultado da Vale será discutido com investidores nesta sexta-feira</h2>
<p>A Vale programou para sexta-feira (30), às 11h, no horário de Brasília, uma teleconferência com investidores e analistas para apresentar os resultados do terceiro trimestre de 2026.</p>
<p>A reunião deverá permitir esclarecimentos sobre a evolução dos custos operacionais, a recuperação da produção em Serra Norte, o desempenho dos metais básicos e as expectativas de investimento para o encerramento do exercício.</p>
<p>O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou no comunicado de resultados que a estratégia de frete, os instrumentos de proteção financeira e a flexibilidade do portfólio contribuíram para preservar a geração de caixa. O executivo também destacou o avanço dos projetos em Serra Sul e Salobo como parte dos esforços para ampliar a competitividade da companhia.</p>
<p>Para os próximos meses, a evolução dos preços internacionais do minério de ferro continuará sendo determinante para a rentabilidade do principal negócio da mineradora. A perspectiva de recuperação operacional em determinadas minas também poderá influenciar os volumes produzidos e os custos unitários.</p>
<p>O balanço divulgado nesta quinta-feira mostra uma Vale com crescimento de receita e expansão expressiva dos resultados de cobre, mas ainda pressionada pela combinação de preços menores do minério de ferro, custos de transporte mais elevados e ajustes contábeis que reduziram o lucro líquido em mais da metade na comparação anual.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Vale S.A. — Relatório de Desempenho do Terceiro Trimestre de 2026, divulgado em 29 de outubro, com demonstrações financeiras, resultados consolidados e indicadores operacionais.</em></p>
<p><em>Vale S.A. — Divulgação oficial dos resultados financeiros do 3T26, com informações sobre produção, preços realizados, custos, geração de caixa, investimentos e metas operacionais.</em></p>
<p><em>Vale S.A. — Demonstrativo de reconciliação do Ebitda proforma e do lucro líquido, incluindo efeitos relacionados à Samarco, tributos e instrumentos derivativos.</em></p>
<p><em>Vale S.A. — Relatório de investimentos e projetos de crescimento, com informações sobre Serra Sul +20, S11D e expansão de Salobo.</em></p>
<p><em>Vale S.A. — Calendário oficial de divulgação de resultados e teleconferência com investidores referente ao terceiro trimestre de 2026.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Petrobras (PETR4) pode pagar até US$ 4,2 bilhões em dividendos no 3T26</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/petrobras-petr4-dividendos-42-bilhoes-3t26</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2026 20:35:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[dividendos da Petrobras]]></category>
		<category><![CDATA[fluxo de caixa]]></category>
		<category><![CDATA[PETR4]]></category>
		<category><![CDATA[Petrobras]]></category>
		<category><![CDATA[pré-sal]]></category>
		<category><![CDATA[produção de petróleo]]></category>
		<category><![CDATA[proventos]]></category>
		<category><![CDATA[resultados do 3T26]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Petrobras (PETR4) pode distribuir até US$ 4,2 bilhões em dividendos no 3T26. Produção recorde e exportações sustentam projeções, apesar da queda do petróleo.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><!-- LINHA FINA: Produção recorde e aumento das exportações sustentam projeções de remuneração aos acionistas, mesmo com recuo do petróleo; balanço será divulgado em 10 de novembro --></p>
<p>A <strong>Petrobras (PETR4)</strong> poderá distribuir até <strong>US$ 4,2 bilhões em dividendos e outros proventos referentes ao terceiro trimestre de 2026</strong>, segundo projeções de instituições financeiras. A estimativa mais elevada é atribuída ao Itaú BBA e acompanha a divulgação de resultados operacionais recordes pela estatal, com crescimento da produção de petróleo e das exportações entre julho e setembro.</p>
<p>O desempenho operacional reforçou as expectativas de geração de caixa, mesmo diante da queda dos preços internacionais do petróleo. Enquanto o Itaú BBA trabalha com uma distribuição de US$ 4,2 bilhões, a XP Investimentos projeta US$ 3,6 bilhões e o Banco Safra estima US$ 3,1 bilhões. Os valores representam rendimentos trimestrais estimados entre 2,5% e 3,2%, dependendo das premissas adotadas por cada instituição.</p>
<p>A eventual remuneração ainda não foi aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobras. A companhia divulgará os resultados financeiros do terceiro trimestre em <strong>10 de novembro de 2026</strong>, após o fechamento dos mercados. Somente com a confirmação dos números e a deliberação sobre os proventos será possível conhecer os valores efetivamente destinados aos acionistas.</p>
<h2>Petrobras registra produção recorde no terceiro trimestre de 2026</h2>
<p>O principal fundamento das projeções é a expansão da atividade operacional. Segundo o relatório divulgado pela Petrobras na quarta-feira (28), a produção própria de petróleo, líquidos de gás natural e gás natural alcançou <strong>3,512 milhões de barris de óleo equivalente por dia</strong> no terceiro trimestre, o maior volume já registrado pela companhia.</p>
<p>O resultado representa avanço de 11,7% em relação ao mesmo período de 2025 e crescimento de 5,3% na comparação com o segundo trimestre deste ano. A produção própria de petróleo no Brasil chegou a aproximadamente 2,83 milhões de barris diários, impulsionada principalmente pelas operações no pré-sal.</p>
<p>Entre os fatores responsáveis pelo desempenho estão o aumento gradual da produção das plataformas P-78 e P-79, instaladas no campo de Búzios, e a expansão operacional do FPSO Alexandre de Gusmão, no campo de Mero. A companhia também se beneficiou de menores perdas provocadas por interrupções para manutenção e do maior nível de eficiência operacional em oito anos.</p>
<p>A produção de petróleo no pré-sal atingiu aproximadamente 2,45 milhões de barris por dia, crescimento de 6,7% na comparação trimestral. A expansão dessa região compensou o recuo observado em campos do pós-sal, afetados por manutenções e pelo declínio natural da produção.</p>
<p>Outro destaque foi o comércio exterior. As exportações de petróleo e derivados alcançaram <strong>1,251 milhão de barris por dia</strong>, também um recorde trimestral. O crescimento dos volumes embarcados amplia a capacidade de comercialização da estatal, embora o impacto sobre a receita dependa dos preços efetivamente realizados e do reconhecimento contábil das operações.</p>
<h2>Queda do petróleo pode reduzir o lucro da Petrobras no 3T26</h2>
<p>Apesar do aumento da produção, os resultados financeiros devem refletir um ambiente menos favorável para os preços internacionais do petróleo. Conforme análise da XP Investimentos divulgada nesta quinta-feira (29), o Brent apresentou cotação média de US$ 96,80 por barril no terceiro trimestre, contra US$ 104,80 nos três meses anteriores.</p>
<p>A redução de aproximadamente 8% tende a pressionar as receitas e as margens da companhia. Parte desse efeito poderá ser compensada pelo crescimento dos volumes produzidos, pela maior eficiência das operações e pelo desempenho das refinarias.</p>
<p>A XP projeta Ebitda de <strong>US$ 17,3 bilhões</strong> para o período, queda de 9% na comparação trimestral. A instituição estima lucro líquido de US$ 7,6 bilhões, recuo de 27% em relação ao segundo trimestre, considerando também os efeitos dos custos de transporte e das cargas de petróleo ainda em trânsito no encerramento de setembro.</p>
<p>O Banco Safra apresenta uma perspectiva mais favorável para a rentabilidade. Sua projeção indica Ebitda ajustado consolidado de US$ 19,1 bilhões, retração de 4% sobre o trimestre anterior, com margem de 53% e lucro líquido de aproximadamente US$ 9,9 bilhões.</p>
<p>As diferenças entre as estimativas refletem avaliações distintas sobre preços de venda, custos operacionais, margens de refino e reconhecimento de receitas. Embora os volumes operacionais já tenham sido divulgados, os indicadores financeiros definitivos serão conhecidos apenas com a apresentação do balanço.</p>
<h2>Por que a Petrobras pode pagar mais dividendos mesmo com lucro menor?</h2>
<p>A expectativa de remuneração elevada aos acionistas, apesar da possível redução do lucro, está relacionada principalmente à geração de caixa. O indicador considera os recursos efetivamente produzidos pelas operações e permite avaliar a capacidade da companhia de financiar investimentos, administrar dívidas e distribuir proventos.</p>
<p>Na avaliação da XP, os recebimentos associados aos programas governamentais de subvenção aos combustíveis devem contribuir para o fluxo de caixa operacional. A instituição calcula que a Petrobras recebeu aproximadamente US$ 2,2 bilhões desses programas durante o terceiro trimestre, incluindo valores referentes ao período anterior.</p>
<p>Parte desse benefício poderá ser neutralizada pela formação de novos créditos ainda não recebidos, com reflexos sobre o capital de giro. Mesmo assim, a XP estima fluxo de caixa livre ao acionista de US$ 4,8 bilhões, equivalente a um rendimento trimestral de aproximadamente 3,5%.</p>
<p>Com base nessas premissas, a instituição projeta <strong>US$ 3,6 bilhões em dividendos ordinários</strong>, montante superior ao estimado para o trimestre anterior. O Safra trabalha com uma distribuição de US$ 3,1 bilhões, enquanto a estimativa atribuída ao Itaú BBA alcança US$ 4,2 bilhões.</p>
<p>Os números mostram que a remuneração dos investidores pode permanecer elevada mesmo quando o resultado contábil apresenta retração. Para isso, entretanto, a companhia precisa preservar a geração de caixa após os investimentos e atender às condições previstas em sua <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341606">política</a> de dividendos.</p>
<h2>Política de dividendos prevê distribuição de 45% do fluxo de caixa livre</h2>
<p>A política de remuneração aos acionistas da Petrobras estabelece a distribuição de <strong>45% do fluxo de caixa livre</strong>, desde que sejam respeitadas as condições financeiras e os limites de endividamento definidos pela companhia.</p>
<p>O fluxo de caixa livre corresponde, para essa finalidade, aos recursos líquidos gerados pelas atividades operacionais, descontados os investimentos previstos na fórmula adotada pela estatal, incluindo aquisições de ativos imobilizados, intangíveis e participações societárias.</p>
<p>A regra permite que os pagamentos acompanhem a capacidade financeira efetiva da empresa, sem depender exclusivamente do lucro líquido registrado no balanço. A administração também precisa considerar a sustentabilidade das operações e os compromissos associados ao planejamento estratégico.</p>
<p>Em agosto, o Conselho de Administração aprovou <strong>R$ 17,4 bilhões em remuneração aos acionistas</strong>, equivalentes a R$ 1,34814262 por ação ordinária ou preferencial, com base no balanço encerrado em 30 de junho de 2026.</p>
<p>O pagamento será realizado em duas parcelas, previstas para 23 de novembro e 21 de dezembro. A primeira será integralmente composta por juros sobre capital próprio, enquanto a segunda combinará dividendos e juros sobre capital próprio.</p>
<p>Essa distribuição já aprovada corresponde ao segundo trimestre e não deve ser confundida com as projeções referentes aos resultados de julho a setembro.</p>
<h2>Novas plataformas podem sustentar crescimento da Petrobras em 2027</h2>
<p>A continuidade da expansão da produção representa outro fator relevante para as perspectivas de geração de caixa da Petrobras. A companhia mantém projetos de ampliação das operações no pré-sal, com novas plataformas previstas para entrar em funcionamento em 2027.</p>
<p>Entre as unidades em desenvolvimento estão as plataformas P-80 e P-82, destinadas ao campo de Búzios. Cada uma possui capacidade nominal de produção de <strong>225 mil barris de petróleo por dia</strong>, com início de operação previsto para o primeiro semestre do próximo ano.</p>
<p>O avanço desses projetos poderá elevar a produção nos próximos exercícios, compensando parte do declínio natural dos campos maduros. O impacto financeiro, no entanto, dependerá do ritmo de entrada em operação, dos investimentos necessários e do comportamento dos preços internacionais.</p>
<p>Para os acionistas, o crescimento da produção tende a favorecer a capacidade de geração de recursos, mas não representa garantia de dividendos maiores. A remuneração continuará condicionada ao fluxo de caixa, à política financeira e às decisões da administração.</p>
<h2>Quando a Petrobras divulgará os dividendos do terceiro trimestre?</h2>
<p>A Petrobras apresentará seus resultados financeiros do terceiro trimestre em <strong>10 de novembro de 2026</strong>, após o encerramento das negociações. No dia seguinte, 11 de novembro, a companhia realizará uma apresentação aos investidores, às 11h30, no horário de Brasília.</p>
<p>A divulgação permitirá conhecer os efeitos da produção recorde sobre as receitas, os custos operacionais, a geração de caixa e o endividamento da estatal. O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341605">mercado</a> também acompanhará a eventual proposta de remuneração referente ao período.</p>
<p>Caso uma nova distribuição seja aprovada, a companhia deverá informar os valores por ação, as datas que definirão o direito aos proventos e o calendário de pagamentos.</p>
<p>Até essa confirmação, as projeções entre US$ 3,1 bilhões e US$ 4,2 bilhões permanecem estimativas de instituições financeiras. O desempenho operacional recorde oferece suporte às expectativas, mas o valor final dependerá dos resultados efetivamente apurados e das condições previstas na política de remuneração da Petrobras.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Petrobras — Relatório de Produção e Vendas do terceiro trimestre de 2026, divulgado em 28 de outubro de 2026.</p>
<p>Petrobras — Política de Remuneração aos Acionistas.</p>
<p>Petrobras — Comunicado de distribuição de remuneração aos acionistas de R$ 17,4 bilhões, divulgado em 6 de agosto de 2026.</p>
<p>Petrobras — Comunicado à SEC de 13 de outubro de 2026 sobre o calendário de resultados do 3T26.</p>
<p>XP Investimentos — Prévia do 3T26: Brent mais fraco, produção mais forte, de 29 de outubro de 2026.</p>
<p>Banco Safra — Análise dos resultados operacionais e projeções para o terceiro trimestre de 2026, publicada em 29 de outubro de 2026.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Raízen (RAIZ4) obtém desconto de R$ 8,5 bilhões em acordo tributário com a União</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/raizen-acordo-tributario-descontos-85-bilhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2026 15:38:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[recuperação extrajudicial]]></category>
		<category><![CDATA[transação tributária]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Raízen (RAIZ4) formalizou um acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Receita Federal para regularizar R$ 22,4 bilhões em débitos tributários do grupo econômico, obtendo uma redução de R$ 8,5 bilhões em multas e juros sobre a parcela atribuída à companhia. O entendimento, celebrado em 28 de outubro de 2026, estabelece [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Raízen (RAIZ4) formalizou um acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Receita Federal para regularizar R$ 22,4 bilhões em débitos tributários do grupo econômico, obtendo uma redução de R$ 8,5 bilhões em multas e juros sobre a parcela atribuída à companhia. O entendimento, celebrado em 28 de outubro de 2026, estabelece uma nova etapa na reorganização das obrigações fiscais da empresa, que também precisa concluir operações societárias e financeiras previstas em seu plano de recuperação extrajudicial.</p>
<p>O acordo estabelece que R$ 16,7 bilhões do passivo tributário abrangido são de responsabilidade econômica da Raízen. Os R$ 5,7 bilhões restantes correspondem a obrigações cuja responsabilidade econômica final é atribuída aos acionistas controladores, conforme os instrumentos aplicáveis. A distinção é relevante porque os descontos anunciados para a companhia incidem sobre sua parcela, e não representam uma redução automática de todo o montante de R$ 22,4 bilhões.</p>
<p>Após os abatimentos, o saldo tributário a ser liquidado pela empresa passa a R$ 8,2 bilhões. A quitação foi estruturada com R$ 5,7 bilhões em créditos decorrentes de prejuízos fiscais acumulados e um desembolso de R$ 2,5 bilhões à vista. O modelo combina o aproveitamento de atributos fiscais com uma saída direta de caixa, sem eliminar a necessidade de a companhia cumprir as condições pactuadas com as autoridades tributárias.</p>
<p>A operação ocorre enquanto a Raízen implementa uma reorganização mais ampla de sua estrutura de capital. O plano de recuperação extrajudicial já foi homologado pela Justiça de São Paulo e abrange aproximadamente R$ 61,4 bilhões em dívidas financeiras quirografárias. A conclusão da transação tributária integra as condições previstas para a execução da reestruturação, mas não encerra, por si só, todas as obrigações envolvidas no processo.</p>
<h2>Desconto equivale a mais da metade dos débitos fiscais atribuídos à empresa</h2>
<p>O abatimento de R$ 8,5 bilhões corresponde a aproximadamente 50,9% dos R$ 16,7 bilhões inicialmente atribuídos à Raízen na transação tributária. O percentual foi calculado a partir dos valores divulgados pela companhia e demonstra a dimensão da redução negociada sobre essa parcela específica.</p>
<p>A diferença entre o valor original e os descontos resulta em um saldo de R$ 8,2 bilhões. Desse total, os créditos de prejuízos fiscais representam cerca de 69,5%, enquanto o pagamento em dinheiro equivale a aproximadamente 30,5%.</p>
<p>Essa composição diferencia o valor nominal negociado do esforço financeiro imediato. Os R$ 22,4 bilhões representam o conjunto das obrigações tributárias abrangidas pelo acordo, enquanto os R$ 8,2 bilhões correspondem ao saldo que a própria Raízen deverá liquidar após os descontos concedidos sobre sua parcela.</p>
<p>Também é necessário distinguir os dois valores de R$ 5,7 bilhões mencionados na operação. Um deles se refere à responsabilidade econômica final dos acionistas controladores sobre parte das obrigações fiscais. O outro corresponde aos créditos de prejuízos fiscais que serão utilizados pela Raízen para quitar seu saldo tributário.</p>
<p>Embora os valores sejam iguais, suas naturezas são diferentes. Os créditos fiscais integram a forma de pagamento da parcela atribuída à companhia e não devem ser confundidos com um desembolso dos controladores.</p>
<p>O fato relevante divulgado pela empresa não detalha a mecânica de liquidação da parcela de R$ 5,7 bilhões atribuída economicamente aos controladores. Por isso, não é possível concluir, apenas com as informações publicadas, de que maneira essa parte será paga ou quais desembolsos específicos caberão a cada acionista.</p>
<p>O anúncio também não significa que todo o passivo tributário esteja imediatamente extinto. A regularização depende do cumprimento das obrigações estabelecidas na transação, conforme as condições aplicáveis ao acordo.</p>
<h2>Créditos fiscais reduzem a necessidade de desembolso imediato</h2>
<p>A utilização de prejuízos fiscais é um dos instrumentos admitidos na legislação brasileira para determinadas modalidades de transação tributária. O mecanismo permite aproveitar créditos fiscais elegíveis para abater obrigações abrangidas pela negociação, observadas as condições legais e os limites aplicáveis.</p>
<p>Na prática, prejuízos fiscais acumulados podem produzir efeitos econômicos em uma renegociação sem representar uma entrada de dinheiro novo no caixa. O benefício está na possibilidade de utilizar atributos tributários para liquidar parte do saldo negociado, reduzindo a quantia que precisa ser desembolsada em moeda corrente.</p>
<p>No caso da Raízen, os R$ 5,7 bilhões previstos nessa modalidade correspondem a quase sete décimos do saldo de R$ 8,2 bilhões. O pagamento em dinheiro de R$ 2,5 bilhões representa a parcela remanescente.</p>
<p>A estrutura, portanto, procura limitar a necessidade de liquidez imediata destinada à regularização fiscal. Isso é especialmente relevante para uma companhia que, além das obrigações tributárias, enfrenta custos financeiros elevados e precisa reorganizar passivos perante bancos e investidores do <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341580">mercado</a> de capitais.</p>
<p>O desconto, entretanto, não deve ser interpretado como perdão indiscriminado do principal dos tributos. A empresa informou expressamente que a redução de R$ 8,5 bilhões recai sobre multas e juros. A operação mantém condições próprias de pagamento para o saldo restante.</p>
<p>A transação tributária é um instrumento de negociação entre o contribuinte e a administração pública, com concessões recíprocas dentro dos limites legais. Seu resultado depende das condições previstas no acordo e do cumprimento das obrigações assumidas. A assinatura, isoladamente, não substitui a execução financeira e fiscal necessária à conclusão da regularização.</p>
<h2>Recuperação extrajudicial abrange R$ 61,4 bilhões em dívidas financeiras</h2>
<p>A negociação tributária precisa ser compreendida dentro do processo mais amplo de recuperação extrajudicial da Raízen. Em agosto de 2026, a companhia informou a homologação judicial do plano apresentado em junho, que obteve adesão de 81,6% dos credores financeiros quirografários abrangidos.</p>
<p>Com a homologação pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo, o reperfilamento das dívidas financeiras quirografárias abrangidas pelo plano, estimadas em R$ 61,4 bilhões, tornou-se efetivo e vinculante para a totalidade dos credores sujeitos às suas condições.</p>
<p>O plano prevê alternativas para reorganizar os créditos, incluindo a conversão de parte das obrigações em participação societária, por meio de units, e a emissão de novos títulos de dívida com garantias. Também contempla medidas de capitalização, reorganização societária e desinvestimento de ativos, com o objetivo de readequar a estrutura financeira e operacional do grupo.</p>
<p>A homologação judicial representou uma etapa importante porque estabeleceu os efeitos do plano perante os credores abrangidos. Isso não significa, contudo, que todas as operações necessárias já tenham sido concluídas. A implementação depende do cumprimento das condições previstas, da execução dos procedimentos societários e das demais medidas de reorganização.</p>
<p>O acordo fiscal se insere nesse contexto como uma frente adicional de regularização das obrigações da companhia. Ele trata de débitos tributários perante a União, enquanto o plano extrajudicial se concentra no reperfilamento de determinadas dívidas financeiras. Embora os dois processos estejam relacionados à reorganização da empresa, seus valores não devem ser somados ou tratados como se representassem uma única categoria de passivo.</p>
<p>A diferença entre as duas frentes também é importante para a avaliação da recuperação financeira. A renegociação fiscal reduz os encargos abrangidos e define uma forma de liquidação do saldo, enquanto o plano financeiro procura alterar a estrutura e as condições de pagamento de obrigações perante credores.</p>
<h2>Endividamento e prejuízo explicam a pressão por capitalização</h2>
<p>Os resultados do ano-safra 2025/2026, encerrado em 31 de março de 2026, dimensionam os desafios financeiros que antecederam o acordo. A Raízen registrou prejuízo líquido de R$ 27,1 bilhões no período, contra uma perda de R$ 4,2 bilhões no ano-safra anterior.</p>
<p>O resultado foi afetado por fatores financeiros e operacionais, incluindo provisões de R$ 22,5 bilhões, sem efeito caixa, para redução ao valor recuperável de determinados ativos. As despesas financeiras também aumentaram em um período marcado pela elevação do endividamento e do custo de financiamento.</p>
<p>O EBITDA ajustado reportado atingiu R$ 11,27 bilhões em 2025/2026, queda de aproximadamente 2,3% em relação aos R$ 11,54 bilhões do ciclo anterior, segundo o critério comparável apresentado pela companhia. A receita operacional líquida consolidada recuou 11,5%, para R$ 225,85 bilhões, ante R$ 255,27 bilhões.</p>
<p>A dívida líquida encerrou o ano-safra em R$ 58,23 bilhões, alta de 69,9% em relação aos R$ 34,26 bilhões registrados em 31 de março de 2025. Na mesma comparação, a relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado acumulado em 12 meses passou de 3,2 vezes para 5,2 vezes.</p>
<p>Esses indicadores mostram que a pressão sobre a estrutura de capital não decorreu apenas da existência de obrigações fiscais. O aumento da dívida líquida, o custo financeiro e o desempenho operacional também contribuíram para a deterioração dos resultados e para a necessidade de uma reorganização abrangente.</p>
<p>A própria companhia apontou, em seu relatório anual, condições climáticas adversas, volatilidade das commodities, juros elevados e efeitos do mercado ilegal de combustíveis entre os fatores que afetaram suas atividades. No segmento de etanol, açúcar e bioenergia, a moagem de cana caiu de 78,2 milhões para 70,5 milhões de toneladas entre os dois anos-safra, enquanto a produção de etanol recuou 17,9%.</p>
<p>Nesse contexto, a redução do passivo fiscal ajuda a resolver uma parte das obrigações, mas não substitui a necessidade de recuperar a geração de caixa, controlar custos e concluir a reorganização das dívidas financeiras. O resultado efetivo da reestruturação dependerá da combinação dessas medidas.</p>
<h2>Aumento de capital pode chegar a R$ 39,8 bilhões</h2>
<p>Outra etapa relevante está prevista no programa de capitalização vinculado ao plano de recuperação extrajudicial. Em comunicado de 26 de outubro, a Raízen atualizou a proposta de aumento de capital privado, com direito de preferência aos acionistas, para um valor mínimo de R$ 3,5 bilhões e máximo de aproximadamente R$ 39,8 bilhões.</p>
<p>A diferença entre os limites decorre da estrutura da operação, que contempla diferentes emissões de ações e units, além da possibilidade de capitalização de créditos abrangidos pelo plano e do exercício dos direitos de preferência pelos acionistas. Por isso, o valor máximo não deve ser interpretado como uma previsão de entrada de R$ 39,8 bilhões em dinheiro novo.</p>
<p>O plano de recuperação havia previsto uma capitalização em dinheiro entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões, a ser integralizada pela Shell Brasil Petróleo e, caso aderisse à operação, pela Aguassanta Participações, controlada pela família do acionista controlador da Cosan. A atualização posterior ampliou o limite potencial da operação societária ao considerar o conjunto das emissões e a estrutura de conversão de créditos.</p>
<p>O preço proposto é de R$ 0,25 por ação ordinária ou preferencial classe B. As units, cada uma formada por uma ação ordinária e uma preferencial classe A, terão preço de emissão de R$ 0,50. A operação permanece sujeita às aprovações societárias previstas nos comunicados da companhia.</p>
<p>A assembleia geral extraordinária e a assembleia especial de titulares de ações preferenciais foram convocadas para 30 de outubro de 2026. A deliberação do conselho de administração sobre o aumento de capital está prevista para 6 de novembro, segundo o cronograma atualizado. A companhia também indicou o período de 9 de novembro a 8 de dezembro para o exercício do direito de preferência dos acionistas, sujeito às condições divulgadas.</p>
<p>A capitalização é relevante porque pode combinar recursos financeiros novos com a conversão de créditos em participação societária. Para os credores que aderirem às alternativas previstas no plano, o mecanismo pode alterar a composição de suas exposições à companhia. Para os acionistas, envolve decisões sobre participação relativa no capital e exercício dos direitos de subscrição.</p>
<p>A conclusão dessas etapas será determinante para avaliar a execução do plano aprovado judicialmente. Até lá, o acordo tributário representa uma obrigação negociada cuja liquidação precisa ser acompanhada em conjunto com o aumento de capital e as demais operações financeiras previstas.</p>
<h2>Cumprimento do acordo será decisivo para a regularização fiscal</h2>
<p>O próximo estágio da transação tributária consiste em executar a forma de quitação anunciada pela Raízen. A companhia deverá cumprir as condições aplicáveis à utilização dos prejuízos fiscais e realizar o pagamento à vista de R$ 2,5 bilhões, enquanto a estrutura de responsabilidades econômicas relativas aos controladores permanece distinta da parcela atribuída à empresa.</p>
<p>A redução de R$ 8,5 bilhões diminui de forma expressiva os encargos fiscais negociados, mas seu efeito sobre a situação financeira geral dependerá também da implementação das demais medidas de reestruturação. O montante de R$ 2,5 bilhões exige disponibilidade de caixa, enquanto o aproveitamento dos créditos fiscais depende das regras estabelecidas para a transação.</p>
<p>O acompanhamento do plano exige, portanto, separar três dimensões: o saldo tributário a ser liquidado, as dívidas financeiras abrangidas pela recuperação extrajudicial e as operações de capitalização e conversão de créditos. Cada uma possui condições e efeitos próprios.</p>
<p>A Raízen informou que continuará atualizando os acionistas e o mercado sobre os desdobramentos relevantes. Os próximos marcos incluem as deliberações societárias previstas para o aumento de capital, o exercício dos direitos de preferência e o cumprimento das condições necessárias à implementação integral do plano.</p>
<p>O avanço da negociação fiscal reduz um dos componentes do passivo do grupo. A recuperação financeira, porém, continuará condicionada à execução das obrigações pactuadas, à reorganização do endividamento e à capacidade operacional da companhia de sustentar geração de caixa compatível com sua estrutura de capital.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Raízen &#8211; fato relevante sobre a celebração da transação tributária federal, divulgado em 28 de outubro de 2026</em></p>
<p><em>Raízen &#8211; fato relevante sobre a homologação do plano de recuperação extrajudicial, adesão dos credores e reperfilamento de aproximadamente R$ 61,4 bilhões em dívidas financeiras</em></p>
<p><em>Raízen &#8211; comunicado ao mercado de 26 de outubro de 2026 sobre a atualização do aumento de capital privado e o cronograma societário</em></p>
<p><em>Raízen &#8211; relatório de resultados do quarto trimestre e do ano-safra 2025/2026, com dados de receita, EBITDA, prejuízo líquido, dívida líquida e desempenho operacional</em></p>
<p><em>Receita Federal &#8211; orientação oficial sobre transação tributária, utilização de créditos de prejuízo fiscal e cumprimento das condições para extinção de créditos tributários</em></p>
<p><em>Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional &#8211; orientações oficiais sobre transação tributária, benefícios admitidos e condições de negociação de débitos perante a União</em></p>
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		<title>Shell (SHEL) quase dobra lucro para US$ 10,8 bilhões e anuncia recompra de US$ 5 bilhões</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/shell-lucro-10-8-bilhoes-recompra-acoes-5-bilhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2026 12:20:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Shell (SHEL) quase dobra lucro para US$ 10,8 bilhões no 3º trimestre de 2026 e anuncia recompra de ações de US$ 5 bilhões.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Shell (SHEL) registrou lucro ajustado de US$ 10,814 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 99,1% ante os US$ 5,432 bilhões do mesmo período de 2025. O resultado foi impulsionado pela valorização dos produtos refinados, pelos preços mais altos do gás natural liquefeito (GNL) e pelo desempenho das operações de comercialização de energia.</p>
<p>A companhia também anunciou um novo programa de recompra de ações de US$ 5 bilhões, ampliando a distribuição de recursos aos acionistas.</p>
<p>O lucro ajustado cresceu 9,9% em relação ao segundo trimestre, quando somou US$ 9,836 bilhões. Já o lucro líquido atribuível aos acionistas, que inclui efeitos contábeis excluídos do indicador ajustado, alcançou US$ 12,057 bilhões. O valor representa alta de 126,6% ante os US$ 5,322 bilhões registrados um ano antes.</p>
<p>Os resultados refletem um <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341558">mercado</a> internacional de energia afetado por interrupções de oferta relacionadas ao conflito no Oriente Médio. A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã prejudicou cadeias de abastecimento, instalações de produção e o comércio de petróleo e gás.</p>
<p>Segundo a Shell, as perturbações favoreceram algumas margens comerciais, mas também afetaram parte das atividades de produção.</p>
<h2>Margem de refino sobe 262% e alcança US$ 42 por barril</h2>
<p>A margem indicativa global de refino atingiu US$ 42 por barril no terceiro trimestre, ante US$ 24 no segundo trimestre e US$ 11,60 no mesmo período de 2025.</p>
<p>O indicador cresceu 75% na comparação trimestral e 262,1% em relação ao ano anterior, segundo cálculos baseados nos dados divulgados pela companhia.</p>
<p>A margem de referência ficou 3,62 vezes acima do nível registrado um ano antes. O indicador, porém, não corresponde diretamente ao lucro líquido por barril processado, pois não inclui integralmente custos específicos das refinarias, despesas operacionais e outros fatores financeiros.</p>
<p>O avanço foi favorecido pelo desequilíbrio entre a oferta de derivados e a demanda por combustíveis, em um ambiente de restrições ao abastecimento internacional. A comercialização de diesel, gasolina e outros produtos refinados ganhou importância para o resultado da companhia.</p>
<p>Na divisão de Produtos, que reúne refino e comercialização, o lucro ajustado alcançou US$ 3,751 bilhões. A área de Produtos Químicos registrou lucro ajustado de US$ 103 milhões, levando o resultado conjunto a US$ 3,855 bilhões.</p>
<p>A Shell informou que a melhora das margens de produtos acrescentou cerca de US$ 1,1 bilhão ao resultado ajustado do segmento em relação ao trimestre anterior. O efeito foi parcialmente compensado pelo desempenho mais fraco das atividades de negociação e otimização comercial.</p>
<p>A taxa de utilização das refinarias caiu de 102% para 96%. Entre os fatores que afetaram a operação estavam os baixos níveis de água do rio Reno, que prejudicaram atividades industriais e logísticas na Europa.</p>
<p>Mesmo com a menor utilização, a rentabilidade da divisão aumentou devido às condições de mercado.</p>
<h2>Gás natural rende US$ 3 bilhões e amplia contribuição para o lucro</h2>
<p>A divisão de Gás Integrado, responsável por parte das operações de gás natural e GNL, registrou lucro ajustado de US$ 3,037 bilhões no terceiro trimestre.</p>
<p>O resultado foi beneficiado pelos preços mais altos do gás e do GNL, pelo aumento da produção e pelo desempenho das operações de negociação e otimização do portfólio energético.</p>
<p>O preço médio realizado do gás subiu de US$ 7,20 para US$ 8,30 por mil pés cúbicos entre o segundo e o terceiro trimestres, alta de 15,3%.</p>
<p>A produção de gás e líquidos alcançou 772 mil barris de óleo equivalente por dia, ante 631 mil no trimestre anterior. O crescimento de 22,3% foi influenciado principalmente pela aquisição da canadense ARC Resources, concluída em setembro.</p>
<p>As vendas de GNL avançaram de 18 milhões para 19,3 milhões de toneladas, alta de 7,2%. Já o volume de liquefação caiu de 7,7 milhões para 7,4 milhões de toneladas, principalmente devido a paradas programadas para manutenção.</p>
<p>Assim, a companhia elevou a comercialização de GNL mesmo com menor processamento em algumas instalações.</p>
<p>A expansão do negócio de gás integra a estratégia de longo prazo da Shell, que busca ampliar a capacidade de fornecimento para mercados internacionais.</p>
<h2>Produção de petróleo recua, mas área de exploração mantém lucro de US$ 3,2 bilhões</h2>
<p>A divisão de Exploração e Produção, conhecida como <em>Upstream</em>, registrou lucro ajustado de US$ 3,189 bilhões no terceiro trimestre, abaixo dos US$ 3,485 bilhões do segundo trimestre.</p>
<p>A queda de 8,5% foi atribuída principalmente aos preços mais baixos dos líquidos produzidos e ao aumento de baixas contábeis relacionadas a poços.</p>
<p>O preço médio realizado dos líquidos caiu de US$ 89 para US$ 84 por barril, recuo de 5,6%.</p>
<p>A produção total da divisão ficou em 1,802 milhão de barris de óleo equivalente por dia, ante 1,824 milhão no trimestre anterior.</p>
<p>Considerando todas as operações de produção de petróleo e gás, o volume disponível para venda foi de 2,574 milhões de barris de óleo equivalente por dia. No mesmo período de 2025, o volume havia sido de 2,821 milhões.</p>
<p>A retração anual de 8,8% mostra que o aumento do lucro ocorreu apesar da queda nos volumes produzidos.</p>
<p>O resultado reforça o peso das margens de refino, dos preços do gás e das operações comerciais na rentabilidade da Shell.</p>
<h2>Fluxo de caixa operacional cresce 72,4% e supera US$ 21 bilhões</h2>
<p>A Shell também apresentou forte melhora na geração de caixa.</p>
<p>O fluxo de caixa das atividades operacionais alcançou US$ 21,043 bilhões no terceiro trimestre, ante US$ 12,207 bilhões um ano antes. A alta foi de 72,4%.</p>
<p>Excluindo os movimentos de capital de giro, o indicador ficou em US$ 21,7 bilhões. O resultado incluiu entradas de US$ 3,4 bilhões relacionadas a instrumentos derivativos, parcialmente compensadas por pagamentos de impostos e outras obrigações.</p>
<p>O fluxo de caixa livre somou US$ 16,322 bilhões, contra US$ 9,950 bilhões no mesmo período de 2025. O crescimento foi de 64%.</p>
<p>O indicador mostra os recursos disponíveis após os fluxos operacionais e de investimento. Ele é usado para avaliar a capacidade de financiar operações, reduzir a dívida e remunerar acionistas.</p>
<p>As despesas de capital pagas em dinheiro totalizaram US$ 7,922 bilhões, acima dos US$ 4,237 bilhões do segundo trimestre. Parte relevante do aumento veio da aquisição da ARC Resources.</p>
<p>Mesmo com os desembolsos, a dívida líquida caiu de US$ 41,754 bilhões no fim de junho para US$ 39,733 bilhões em setembro, redução de cerca de US$ 2 bilhões.</p>
<p>O índice de endividamento, conhecido como <em>gearing</em>, recuou de 18,7% para 16,6%.</p>
<h2>Shell amplia recompra de ações e mantém pagamento de dividendos</h2>
<p>A administração anunciou um novo programa de recompra de ações de US$ 5 bilhões, com execução prevista para aproximadamente três meses.</p>
<p>O programa substitui o ciclo anterior, que previa US$ 3 bilhões em novas recompras e US$ 1,232 bilhão remanescente de operações suspensas. O montante total de US$ 4,232 bilhões foi concluído antes do novo anúncio.</p>
<p>As ações recompradas serão canceladas, reduzindo o número de papéis emitidos pela companhia.</p>
<p>A execução ocorrerá nos mercados britânico e neerlandês, com limites de US$ 3 bilhões e US$ 2 bilhões, respectivamente. Os contratos terão prazo até 29 de janeiro de 2027, conforme as condições de mercado.</p>
<p>A Shell informou ter distribuído cerca de US$ 5,3 bilhões aos acionistas no terceiro trimestre. O valor inclui US$ 3,2 bilhões em recompras e US$ 2,2 bilhões em dividendos.</p>
<p>Esses valores correspondem a distribuições já realizadas e não devem ser confundidos com o novo programa de US$ 5 bilhões.</p>
<p>O conselho também declarou dividendo intermediário de US$ 0,3906 por ação ordinária referente ao terceiro trimestre, ante US$ 0,3580 um ano antes. A alta anual foi de aproximadamente 9,1%.</p>
<p>A Shell mantém como referência distribuir entre 40% e 50% do fluxo de caixa operacional ao longo do ciclo de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341557">negócios</a>.</p>
<h2>Shell expande investimentos em gás no Canadá</h2>
<p>Em setembro, a companhia concluiu a aquisição da ARC Resources, empresa canadense de produção de gás natural e líquidos. Segundo a administração, os ativos adquiridos acrescentam cerca de 370 mil barris de óleo equivalente por dia à base de produção dos próximos períodos.</p>
<p>A Shell também tomou a decisão final de investimento na segunda fase do projeto LNG Canada, na província da Colúmbia Britânica.</p>
<p>A expansão deverá dobrar a capacidade de liquefação da instalação e dar à Shell acesso a quase 6 milhões de toneladas adicionais de GNL por ano, segundo as projeções da empresa.</p>
<p>O projeto amplia a presença do grupo no mercado global de GNL, especialmente no fornecimento para países asiáticos.</p>
<p>A administração considera o gás integrado uma área prioritária de investimento, devido à contribuição para a geração de caixa e à expectativa de crescimento da demanda internacional.</p>
<p>Paralelamente, a Shell continua reorganizando ativos considerados menos estratégicos, incluindo participações em campos maduros, operações de distribuição e negócios de energia.</p>
<h2>Companhia reduz previsão de investimentos para US$ 23 bilhões a US$ 25 bilhões</h2>
<p>A Shell revisou sua projeção de despesas de capital em dinheiro para 2026. A nova faixa ficou entre US$ 23 bilhões e US$ 25 bilhões, ante a estimativa anterior de US$ 24 bilhões a US$ 26 bilhões.</p>
<p>O intervalo inclui cerca de US$ 4 bilhões relacionados à aquisição da ARC Resources. A revisão reflete a gestão do portfólio de projetos e a disciplina de capital adotada pela empresa.</p>
<p>Para o quarto trimestre, a companhia prevê produção de 1,08 milhão a 1,18 milhão de barris de óleo equivalente por dia na divisão de Gás Integrado.</p>
<p>Na área de Exploração e Produção, a projeção varia de 1,7 milhão a 1,9 milhão de barris de óleo equivalente por dia.</p>
<p>A taxa de utilização das refinarias deverá ficar entre 92% e 100%.</p>
<p>As estimativas estão sujeitas às condições operacionais, aos preços internacionais de energia e a possíveis mudanças no abastecimento global.</p>
<h2>Resultado do quarto trimestre poderá ter efeito contábil de US$ 6,4 bilhões</h2>
<p>A Shell alertou para um possível impacto contábil relevante no resultado do quarto trimestre.</p>
<p>A companhia estima reconhecer uma perda não monetária de aproximadamente US$ 6,4 bilhões relacionada à retirada de reconhecimento contábil de um plano de benefícios previdenciários nos Países Baixos.</p>
<p>O valor foi calculado com base nas condições de 30 de setembro e ainda poderá mudar até o reconhecimento definitivo.</p>
<p>Como se trata de um ajuste contábil sem desembolso imediato equivalente, o efeito não representa necessariamente uma redução de igual magnitude na geração operacional de caixa.</p>
<p>Os próximos resultados mostrarão se os ganhos com refino, gás e operações comerciais serão mantidos e quais serão os impactos financeiros das aquisições recentes.</p>
<p>A Shell programou a divulgação dos resultados do quarto trimestre e a atualização de sua estratégia de mercado de capitais para 4 de fevereiro de 2027.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Shell plc — demonstrações financeiras não auditadas do terceiro trimestre e dos nove primeiros meses de 2026, divulgadas em 29 de outubro.</em></p>
<p><em>Shell plc — comunicado de resultados do terceiro trimestre de 2026, com indicadores operacionais, margens de refino, fluxo de caixa e projeções.</em></p>
<p><em>Shell plc — apresentação de resultados da diretora financeira Sinead Gorman, com informações sobre aquisições, investimentos e distribuição de recursos aos acionistas.</em></p>
<p><em>Shell plc — comunicado oficial do programa de recompra de ações de US$ 5 bilhões, anunciado em 29 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Shell plc — comunicado sobre os dividendos intermediários do terceiro trimestre de 2026.</em></p>
<p><em>Shell plc — resultados do terceiro trimestre de 2025, utilizados para comparação das margens indicativas de refino.</em></p>
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		<title>Santander (SAMB11) lucra R$ 2,885 bilhões no 3º trimestre, queda de 28% em um ano</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/santander-lucro-terceiro-trimestre-2026-queda-28</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucas Correa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Oct 2026 20:50:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[crédito]]></category>
		<category><![CDATA[Inadimplência]]></category>
		<category><![CDATA[lucro bancário]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado Financeiro]]></category>
		<category><![CDATA[resultados do Santander]]></category>
		<category><![CDATA[SANB11]]></category>
		<category><![CDATA[Santander Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Santander Brasil (SANB11) registrou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,885 bilhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 28% em relação aos R$ 4,009 bilhões apurados no mesmo período do ano anterior. O resultado, divulgado nesta quarta-feira (28), mostra que a instituição ainda enfrenta dificuldades para recuperar a rentabilidade, mesmo com medidas de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Santander Brasil (SANB11) registrou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,885 bilhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 28% em relação aos R$ 4,009 bilhões apurados no mesmo período do ano anterior. O resultado, divulgado nesta quarta-feira (28), mostra que a instituição ainda enfrenta dificuldades para recuperar a rentabilidade, mesmo com medidas de controle de despesas e uma estratégia de concessão de crédito mais seletiva. O retorno sobre o patrimônio líquido médio recorrente, indicador conhecido como ROAE, recuou para 11,9%, ante 17,5% um ano antes.</p>
<p>A deterioração aparece também nas principais linhas operacionais. A receita total caiu 1,9% em 12 meses, para R$ 20,375 bilhões, enquanto as despesas líquidas com provisões para devedores duvidosos aumentaram 14,4%, para R$ 7,460 bilhões. Ao mesmo tempo, a carteira de crédito ampliada avançou 4,7%, mas o crescimento ficou concentrado em grandes <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341532">empresas</a>, pequenas e médias empresas e financiamento ao consumo. O saldo destinado a pessoas físicas encolheu na comparação anual.</p>
<p>A reação do <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341533">mercado</a> foi negativa. Na manhã desta quarta-feira, as units do banco chegaram a cair 5,1%, para R$ 24,55, às 11h51, em meio à avaliação dos investidores sobre o balanço. A pressão refletiu a combinação de lucro abaixo das expectativas, deterioração de indicadores de crédito e ausência de sinais suficientes de recuperação consistente da rentabilidade.</p>
<p>O resultado líquido ficou abaixo da estimativa média de R$ 3,161 bilhões divulgada antes do balanço, segundo levantamento de expectativas de mercado publicado pelo Money Times. O ROAE de 11,9% também ficou aquém da projeção de 12,7%. A diferença entre o desempenho efetivo e o esperado reforçou as dúvidas sobre a velocidade com que o banco poderá recompor seus indicadores de retorno.</p>
<h2>Queda da rentabilidade se prolonga ao longo de 2026</h2>
<p>A trajetória dos últimos trimestres evidencia a dimensão da deterioração. Depois de alcançar R$ 4,086 bilhões no quarto trimestre de 2025, o lucro recorrente recuou para R$ 3,788 bilhões no primeiro trimestre deste ano, R$ 3,014 bilhões no segundo e R$ 2,885 bilhões no terceiro.</p>
<p>Entre o encerramento de 2025 e setembro de 2026, a redução foi de aproximadamente 29,4%. Considerando apenas os dois últimos trimestres, a queda chegou a 4,3%. O movimento indica que a pressão sobre os resultados não se limitou à comparação anual com uma base mais elevada de lucro em 2025: a retração também continuou na comparação sequencial.</p>
<p>O ROAE acompanha essa tendência. O indicador passou de 17,5% no terceiro trimestre de 2025 para 17,6% no quarto trimestre daquele ano, recuou para 16% no primeiro trimestre de 2026, atingiu 12,5% no segundo e chegou a 11,9% em setembro.</p>
<p>A redução de 5,6 pontos percentuais em um ano representa perda de capacidade de gerar resultado em relação ao capital próprio médio empregado pelo banco. Para o acionista, o indicador é importante porque permite avaliar a rentabilidade do capital investido, além da evolução isolada do lucro nominal.</p>
<p>A diferença entre o resultado operacional e o lucro final também merece atenção. O resultado operacional caiu 37,9% em relação ao terceiro trimestre de 2025, para R$ 2,603 bilhões. O resultado gerencial antes dos impostos diminuiu 37,3%, para R$ 2,689 bilhões, recuo mais intenso do que o observado no lucro líquido recorrente.</p>
<p>A linha de imposto de renda e contribuição social apresentou um valor positivo de R$ 305 milhões no trimestre, ante uma despesa de R$ 190 milhões um ano antes. Essa diferença ajudou a limitar a queda do resultado final em comparação com a retração das linhas anteriores da demonstração financeira.</p>
<p>O desempenho mostra que a recuperação da rentabilidade depende de uma melhora simultânea das receitas, do custo de crédito e do resultado operacional. O controle administrativo, isoladamente, ainda não compensou as pressões que atingem a atividade bancária.</p>
<h2>Carteira de crédito cresce, mas a expansão se concentra nas empresas</h2>
<p>A carteira de crédito ampliada do Santander alcançou R$ 721,264 bilhões em setembro, aumento de 0,9% em relação a junho e de 4,7% em 12 meses. Em valores absolutos, o saldo cresceu R$ 32,463 bilhões na comparação anual.</p>
<p>A composição desse avanço ajuda a explicar a estratégia adotada pela instituição. A carteira de grandes empresas chegou a R$ 265,690 bilhões, alta de 4,3% no trimestre e de 7,8% em um ano. O banco atribuiu o crescimento trimestral principalmente ao crédito para comércio exterior, capital de giro e operações de garantias.</p>
<p>Nas pequenas e médias empresas, o saldo atingiu R$ 96,618 bilhões, expansão de 0,7% em três meses e 8,5% em 12 meses. O financiamento ao consumo somou R$ 97,147 bilhões, crescimento anual de 9,1%, embora tenha recuado 3,6% na comparação trimestral.</p>
<p>Em sentido contrário, a carteira destinada a pessoas físicas terminou setembro em R$ 261,808 bilhões, queda de 0,6% no trimestre e de 0,9% em um ano. O banco relacionou o movimento à redução da exposição ao segmento massificado, que reúne operações direcionadas principalmente a clientes de menor renda.</p>
<p>A mudança é particularmente visível em algumas modalidades. O crédito consignado totalizou R$ 54,623 bilhões, recuo de 2,7% no trimestre e de 13,6% em 12 meses. O crédito pessoal e outras operações da categoria somaram R$ 33,219 bilhões, diminuição de 3,1% na comparação trimestral e 11,6% na anual.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o crédito imobiliário para pessoas físicas atingiu R$ 79,213 bilhões, alta de 2,6% no trimestre e de 10,3% em um ano. O saldo de cartões de crédito chegou a R$ 65,733 bilhões, avanço anual de 9,8%.</p>
<p>A diferença entre as modalidades indica uma reorganização do balanço, com menor participação de linhas massificadas e ampliação de produtos considerados estratégicos pela administração. A seletividade pode limitar a exposição a determinados riscos, mas reduz o espaço para expansão de receitas em operações que tradicionalmente contribuem para a margem financeira.</p>
<h2>Margem financeira perde força e limita o crescimento das receitas</h2>
<p>A margem financeira bruta somou R$ 14,958 bilhões no terceiro trimestre, queda de 2,5% em relação ao segundo trimestre e de 1,6% na comparação anual. O indicador reúne os resultados financeiros associados à atividade bancária e permite acompanhar o efeito das operações de crédito, da captação de recursos e das atividades de mercado.</p>
<p>A margem financeira com clientes ficou em R$ 15,853 bilhões, recuo de 1,3% em três meses e de 4,2% em 12 meses. Segundo o Santander, a redução da participação do segmento de menor renda na carteira pressionou o resultado, apesar da evolução dos saldos médios em algumas linhas, como crédito imobiliário e cartões.</p>
<p>O spread anual, diferença entre a taxa cobrada nas operações de crédito e o custo de captação dos recursos, caiu de 10,63% no terceiro trimestre de 2025 para 9,70% em setembro de 2026. Em relação a junho, a diminuição foi de 0,33 ponto percentual.</p>
<p>A margem financeira com o mercado também permaneceu negativa. O resultado foi de R$ 895 milhões negativos, ante R$ 718 milhões negativos no trimestre anterior. Na comparação anual, porém, houve melhora de 33,6%, diante do resultado negativo de R$ 1,348 bilhão registrado no terceiro trimestre de 2025.</p>
<p>A evolução positiva dessa última linha em relação ao ano anterior não foi suficiente para compensar a retração da margem com clientes e as demais pressões operacionais.</p>
<p>As comissões, que incluem receitas de cartões, seguros, administração de recursos e outros serviços, totalizaram R$ 5,417 bilhões. Houve alta trimestral de 1,6%, mas queda anual de 2,4%. O desempenho desigual revela que algumas atividades continuam crescendo, sem que isso tenha sido suficiente para sustentar a receita total.</p>
<p>As receitas de cartões avançaram 8,1% em 12 meses, para R$ 1,695 bilhão. A linha de seguros chegou a R$ 1,189 bilhão, expansão de 5,6%. Já as receitas de administração de recursos aumentaram 23,7%, para R$ 599 milhões, enquanto fundos e previdência cresceram 28%, para R$ 247 milhões.</p>
<p>A principal pressão veio da corretagem e da colocação de títulos, cujas receitas recuaram 46,5% no ano, para R$ 228 milhões. As receitas de conta corrente diminuíram 11,3%, para R$ 791 milhões. A combinação de retração em atividades do mercado de capitais e redução de determinadas tarifas limitou o avanço das comissões.</p>
<h2>Inadimplência de longo prazo avança e mantém provisões elevadas</h2>
<p>A qualidade do crédito permanece entre os principais fatores de pressão sobre o balanço. A inadimplência acima de 90 dias atingiu 3,4% da carteira ampliada, ante 3,3% em junho e 2,8% em setembro de 2025. O aumento foi de 0,1 ponto percentual no trimestre e de 0,6 ponto em 12 meses.</p>
<p>O movimento foi mais intenso na carteira de pessoas físicas. Nesse segmento, a inadimplência superior a 90 dias chegou a 5,5%, avanço de 0,4 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e de 1,3 ponto em um ano. O Santander apontou maior pressão nas operações direcionadas à baixa renda e no <a class="wpil_keyword_link" title="Agronegócio" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341531">agronegócio</a>, em um ambiente de endividamento elevado.</p>
<p>Nas pequenas e médias empresas, o indicador recuou 0,3 ponto percentual no trimestre, para 5%. Nas grandes empresas, permaneceu em 0,2%, praticamente estável. A evolução desigual demonstra que a deterioração não atingiu todos os segmentos com a mesma intensidade.</p>
<p>A inadimplência de curto prazo, medida pelos atrasos entre 15 e 90 dias, seguiu direção oposta e caiu de 3,3% em junho para 3,2% em setembro. A melhora nesse indicador, entretanto, ainda não foi suficiente para reverter a elevação dos atrasos mais prolongados.</p>
<p>Desde o primeiro trimestre de 2026, o banco passou a divulgar os índices de inadimplência alinhados à carteira ampliada, que inclui, além das operações de crédito, títulos e garantias. Os dados comparativos de 2025 foram ajustados para permitir a análise da evolução entre os períodos.</p>
<p>As despesas líquidas com provisões para perdas de crédito somaram R$ 7,460 bilhões, queda de 2,5% no trimestre, mas alta de 14,4% na comparação anual. O custo de crédito chegou a 3,89%, ante 3,81% no segundo trimestre.</p>
<p>Um cálculo a partir dos valores divulgados pelo banco mostra que as despesas líquidas com provisões corresponderam a aproximadamente 36,6% da receita total do trimestre, contra 31,4% um ano antes. A diferença de 5,2 pontos percentuais evidencia o peso crescente das perdas esperadas sobre a receita gerada pela operação.</p>
<p>O indicador não representa, isoladamente, a margem de lucro nem a taxa de inadimplência, mas permite dimensionar quanto o resultado destinado a cobrir perdas de crédito absorve da receita total. O avanço dessa participação ajuda a explicar a dificuldade de recomposição do lucro, mesmo com a redução das provisões na comparação trimestral.</p>
<h2>Juros elevados mantêm pressão sobre famílias e concessão de crédito</h2>
<p>O ambiente monetário brasileiro continua sendo relevante para a trajetória do Santander. Na decisão de setembro, o Comitê de <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341530">Política</a> Monetária do Banco Central reduziu a Selic para 13,75% ao ano, dando continuidade ao processo de flexibilização iniciado em 2026.</p>
<p>Apesar dos cortes, o custo do dinheiro permanece elevado, enquanto a instituição aponta o endividamento das famílias e a piora de determinadas carteiras como fatores de pressão sobre as provisões. Para os bancos, esse contexto afeta tanto a demanda por crédito quanto a capacidade de pagamento de parte dos tomadores.</p>
<p>A estratégia de reduzir a exposição a operações de maior risco procura limitar a deterioração dos ativos, mas também altera a composição das receitas. No caso do Santander, a diminuição da carteira de pessoas físicas contrasta com o crescimento das operações corporativas, que sustentaram a expansão do saldo total de crédito.</p>
<p>O desafio consiste em conciliar a seletividade na concessão com a recuperação das margens. Uma melhora mais consistente do resultado dependerá da evolução da inadimplência, da necessidade de provisões e da capacidade de ampliar receitas sem comprometer a qualidade da carteira.</p>
<h2>Controle de custos ajuda, mas ainda não compensa a queda das receitas</h2>
<p>As despesas gerais do Santander totalizaram R$ 6,383 bilhões no terceiro trimestre, redução de 3% em relação ao trimestre anterior e de 0,6% na comparação anual. As despesas com pessoal diminuíram 4,2% em 12 meses, para R$ 2,879 bilhões, enquanto as despesas administrativas aumentaram 2,5%, para R$ 3,505 bilhões.</p>
<p>O banco também reduziu sua estrutura operacional. O número de funcionários passou de 51.747 em setembro de 2025 para 45.782 em setembro deste ano, diminuição de 5.965 pessoas, equivalente a aproximadamente 11,5%. A quantidade de agências caiu de 961 para 827, redução de 134 unidades, ou cerca de 13,9%.</p>
<p>O índice de eficiência ficou em 38,8%, ante 37,5% um ano antes, embora tenha melhorado em relação aos 39,3% registrados no segundo trimestre. O indicador relaciona despesas operacionais e receitas consideradas em sua metodologia; por isso, a elevação anual mostra que a redução de custos não acompanhou suficientemente a pressão sobre as receitas.</p>
<p>A expansão dos ativos e do patrimônio líquido também não se traduziu em maior retorno. Os ativos totais atingiram R$ 1,312 trilhão, alta anual de 4,7%, enquanto o patrimônio líquido chegou a R$ 99,219 bilhões, avanço de 5,4%. No mesmo período, o ROAE recuou 5,6 pontos percentuais.</p>
<p>O quadro evidencia a diferença entre crescimento do balanço e criação de rentabilidade. O Santander ampliou seus ativos e preservou a expansão do crédito em segmentos estratégicos, mas a margem financeira menor, as provisões mais elevadas e a dificuldade de recuperar receitas impediram que esse crescimento se convertesse em maior lucro.</p>
<p>A próxima etapa da recuperação dependerá da combinação entre estabilização da inadimplência, alívio no custo de crédito e retomada da margem com clientes. Até que esses fatores avancem de forma conjunta, a instituição continuará enfrentando limitações para recuperar o retorno observado em 2025.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Santander Brasil &#8211; Informe de Resultados do terceiro trimestre de 2026, demonstração do resultado gerencial, carteira de crédito, provisões, indicadores de inadimplência, despesas e patrimônio líquido</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil &#8211; Comunicado do Comitê de Política Monetária de setembro de 2026 e decisão sobre a taxa Selic</em></p>
<p><em>BB Investimentos &#8211; Análise do resultado do Santander Brasil no terceiro trimestre de 2026, avaliação da rentabilidade, margem financeira e qualidade do crédito</em></p>
<p><em>Money Times &#8211; Levantamento das expectativas de mercado para o lucro e o ROAE do Santander Brasil e informações sobre a reação intradiária das units em 28 de outubro de 2026</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Danone (BN) cresce 4% no terceiro trimestre, mas alta das vendas depende de preços</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/danone-bn-resultados-terceiro-trimestre-2026-receita-juros</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alice Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Oct 2026 16:51:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Balanço Danone]]></category>
		<category><![CDATA[Danone]]></category>
		<category><![CDATA[Danone BN]]></category>
		<category><![CDATA[indústria de alimentos]]></category>
		<category><![CDATA[mercado europeu]]></category>
		<category><![CDATA[Nutrição Especializada]]></category>
		<category><![CDATA[Receita Danone]]></category>
		<category><![CDATA[recompra de ações]]></category>
		<category><![CDATA[Resultados Danone 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Terceiro Trimestre]]></category>
		<category><![CDATA[valuation]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Danone (BN) registra receita de € 7,23 bilhões no 3º trimestre de 2026, com crescimento de 4% sustentado por reajustes de preços.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-metric-area="topo-noticia" data-v-d559f1f7="">
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<p>A Danone (BN), multinacional francesa de alimentos e bebidas, registrou receita de € 7,233 bilhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 5,2% em valores reportados e de 4% em bases comparáveis em relação ao mesmo período do ano passado. Os resultados, divulgados nesta quarta-feira (28), mostram que a expansão foi sustentada principalmente pelos reajustes de preços, enquanto o avanço dos volumes comercializados e da composição das vendas perdeu força.</p>
<p>Segundo o comunicado de resultados, os preços contribuíram com 3,6 pontos percentuais para o crescimento orgânico, enquanto o indicador de volume e mix acrescentou apenas 0,4 ponto percentual. Isso significa que aproximadamente 90% da expansão comparável das vendas no trimestre veio dos preços, proporção calculada a partir dos indicadores apresentados pela companhia.</p>
<p>O desempenho marca uma mudança em relação ao terceiro trimestre de 2025, quando a Danone havia registrado crescimento orgânico de 4,8%, impulsionado principalmente pelo aumento de 3,2% em volume e mix, diante de uma contribuição de 1,6% dos preços. Em um ano, portanto, a participação dos reajustes na expansão das receitas aumentou, enquanto o crescimento associado à quantidade e à composição dos produtos vendidos diminuiu.</p>
<p>Apesar da desaceleração dos volumes, a companhia manteve suas projeções para o encerramento de 2026, com expectativa de crescimento comparável das vendas entre 3% e 5% e avanço do lucro operacional recorrente superior ao da receita. A Danone também informou que pretende recomprar aproximadamente 3,5 milhões de ações até dezembro, com o objetivo de compensar efeitos de diluição relacionados aos programas de participação acionária dos funcionários.</p>
<h2>Reajustes respondem por 90% do crescimento orgânico das vendas</h2>
<p>A receita de € 7,233 bilhões representa um aumento nominal de € 357 milhões em relação aos € 6,876 bilhões registrados no terceiro trimestre de 2025. A variação reportada de 5,2% supera o crescimento orgânico de 4% porque incorpora efeitos cambiais, mudanças no perímetro de consolidação e ajustes relacionados à contabilidade de economias hiperinflacionárias.</p>
<p>As oscilações das moedas tiveram impacto positivo de 1,5 ponto percentual sobre as vendas reportadas, favorecidas principalmente pela valorização do renminbi chinês, do peso mexicano e do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341525">dólar</a> americano em relação ao euro. Por outro lado, as alterações no perímetro de consolidação reduziram o crescimento em 0,5 ponto percentual.</p>
<p>O indicador de crescimento comparável, conhecido como <em>like-for-like</em> (LFL), permite avaliar o desempenho operacional excluindo determinados efeitos cambiais, contábeis e de mudanças na estrutura societária. É com base nessa metodologia que a empresa apresenta a contribuição dos preços e do indicador de volume e mix.</p>
<p>Os números revelam que a capacidade de repassar aumentos de preços teve papel central no desempenho do trimestre. Embora o crescimento orgânico total tenha permanecido positivo, o avanço de 0,4% em volume e mix ficou significativamente abaixo dos 3,2% observados no mesmo período do ano anterior.</p>
<p>A mudança também aparece na comparação sequencial. No segundo trimestre de 2026, a Danone havia apresentado crescimento comparável de 4,2%, composto por 2,3% de preços e 1,9% de volume e mix. Entre o segundo e o terceiro trimestres, a contribuição dos preços aumentou 1,3 ponto percentual, enquanto a de volume e mix diminuiu 1,5 ponto percentual.</p>
<p>O indicador de volume e mix não corresponde exclusivamente à quantidade física de produtos comercializados. Ele também incorpora alterações na composição das vendas, como mudanças na participação de diferentes categorias, embalagens e produtos. Por isso, a desaceleração não significa necessariamente uma redução generalizada no número de unidades vendidas.</p>
<h2>Europa cresce 3,9%, com destaque para lácteos e bebidas vegetais</h2>
<p>A região que reúne Europa, Oriente Médio e África (EMEA) registrou receita de € 3,215 bilhões no terceiro trimestre, avanço reportado de 3,5% e crescimento comparável de 3,9%.</p>
<p>Os reajustes responderam por 4,3 pontos percentuais da expansão orgânica regional, enquanto volume e mix apresentaram retração de 0,4%. O resultado mostra que a região também dependeu dos preços para sustentar o crescimento.</p>
<p>Na Europa, considerada separadamente, as vendas comparáveis avançaram 1,9%, com contribuição positiva de 3,2% dos preços e queda de 1,3% em volume e mix.</p>
<p>A divisão de produtos lácteos essenciais e de origem vegetal, identificada pela sigla EDP, apresentou desempenho positivo em países como França, Espanha e Reino Unido. A companhia destacou a contribuição das marcas Danone, Activia, Alpro e das linhas de produtos com alto teor de proteína.</p>
<p>Na categoria de águas, a Volvic apresentou crescimento de dois dígitos, contribuindo para o resultado regional. O segmento de Nutrição Especializada, por sua vez, continuou em processo de recuperação na Europa, enquanto as condições de abastecimento de fórmulas infantis voltaram à normalidade no Oriente Médio, segundo a empresa.</p>
<p>O desempenho europeu contrasta com o observado em algumas operações fora da região, nas quais dificuldades comerciais e redução dos volumes pressionaram o resultado.</p>
<h2>Américas avançam 4,4%, mas operação norte-americana enfrenta dificuldades</h2>
<p>Nas Américas, a Danone registrou receita de € 2,372 bilhões, crescimento de 5,3% em valores reportados e de 4,4% em bases comparáveis. Os preços contribuíram com 3,7 pontos percentuais para a expansão orgânica, enquanto volume e mix aumentaram 0,7%.</p>
<p>A Nutrição Especializada apresentou crescimento expressivo, impulsionada pelas marcas Aptamil, Neocate e Kate Farms. A categoria de produtos com alto teor de proteína também contribuiu para o desempenho dos lácteos e das alternativas vegetais, enquanto as vendas de águas foram favorecidas pelos resultados da Evian na América do Norte e pela melhora das operações mexicanas.</p>
<p>Entretanto, o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341526">mercado</a> norte-americano apresentou sinais de fragilidade. As vendas comparáveis na região cresceram 2,4%, sustentadas por reajustes de preços de 3%, enquanto volume e mix recuaram 0,6%.</p>
<p>A deterioração do indicador levou a empresa a reforçar medidas de recuperação comercial, especialmente na divisão de lácteos e produtos de origem vegetal dos Estados Unidos.</p>
<p>Em sua apresentação a investidores, a Danone informou que está trabalhando para melhorar a disponibilidade dos produtos nas lojas, ampliar a eficiência operacional e recuperar sua capacidade de inovação. A companhia também anunciou uma mudança imediata na liderança dos <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341527">negócios</a> americanos, que passarão a se reportar a Henri Bruxelles.</p>
<p>O plano inclui a ampliação da oferta de produtos para além das linhas de alto teor de proteína, segmento que tem sustentado parte relevante do crescimento recente da empresa na região.</p>
<p>A recuperação da operação norte-americana dependerá da capacidade de melhorar o abastecimento, ampliar a presença comercial e transformar a inovação em maior demanda pelos produtos.</p>
<h2>Águas recuam em volume e Mizone compromete desempenho na China</h2>
<p>Na região da Ásia-Pacífico (APAC), a receita alcançou € 1,646 bilhão, com crescimento reportado de 8,6% e expansão comparável de 3,6%. O resultado orgânico contou com contribuição de 1,9% dos preços e 1,7% de volume e mix.</p>
<p>O desempenho, entretanto, apresentou diferenças importantes entre as categorias e os mercados.</p>
<p>Na região formada por China, Norte da Ásia e Oceania, o crescimento comparável foi de apenas 0,1%. O resultado refletiu queda de 1,6% em volume e mix, parcialmente compensada pela contribuição positiva de 1,7% dos preços.</p>
<p>O principal fator de pressão foi a operação de águas da marca Mizone na China. Segundo a Danone, condições climáticas desfavoráveis prejudicaram as vendas durante a temporada e levaram a companhia a adotar medidas de controle de estoques.</p>
<p>A empresa calculou que a redução das vendas da Mizone retirou aproximadamente um ponto percentual do crescimento orgânico consolidado no terceiro trimestre. Esse impacto é relevante porque o grupo registrou expansão comparável total de 4%.</p>
<p>Os dados por categoria mostram que as vendas de águas na Ásia-Pacífico caíram 7,5% em bases comparáveis, apesar do crescimento da mesma divisão nas Américas e na região EMEA.</p>
<p>Em contrapartida, a Nutrição Especializada manteve desempenho positivo na China, com contribuição das fórmulas infantis e de produtos destinados à nutrição médica. A empresa também destacou a evolução de suas operações na Indonésia e na Índia, além do crescimento de Activia e Oikos no Japão.</p>
<h2>Nutrição Especializada tem maior crescimento entre as divisões</h2>
<p>A análise das três grandes categorias de produtos mostra que a Nutrição Especializada apresentou a maior taxa de crescimento orgânico do grupo no trimestre.</p>
<p>A divisão alcançou receita de € 2,454 bilhões, alta reportada de 6,8% e avanço comparável de 4,7%. O indicador de volume e mix cresceu 0,9%, enquanto os preços contribuíram com 3,8 pontos percentuais.</p>
<p>As Américas registraram a maior expansão orgânica da categoria, de 12,4%, seguidas pela Ásia-Pacífico, com 7,9%. Na região EMEA, as vendas comparáveis da Nutrição Especializada recuaram 0,3%.</p>
<p>A divisão de lácteos essenciais e produtos de origem vegetal permaneceu como a maior fonte de receita da Danone, com € 3,409 bilhões no trimestre. O crescimento comparável foi de 3,6%, composto por aumento de 2,8% nos preços e 0,9% em volume e mix, conforme dados arredondados da companhia.</p>
<p>Considerando a receita consolidada, essa divisão representou aproximadamente 47,1% das vendas do terceiro trimestre, segundo cálculo realizado a partir dos valores divulgados. A Nutrição Especializada respondeu por 33,9%, enquanto águas representaram os 18,9% restantes.</p>
<p>A divisão de águas registrou receita de € 1,370 bilhão, crescimento reportado de 3,7% e avanço comparável de 3,6%. O resultado foi sustentado pelos preços, que contribuíram com 5,2 pontos percentuais, enquanto volume e mix recuaram 1,6%.</p>
<p>A diferença reforça a mudança no perfil de crescimento da empresa. Mesmo com faturamento maior, a categoria de águas apresentou retração no indicador que reúne volume comercializado e composição das vendas.</p>
<h2>Receita acumulada chega a € 21,18 bilhões em nove meses</h2>
<p>Entre janeiro e setembro de 2026, a Danone acumulou receita de € 21,176 bilhões, ante € 20,578 bilhões no mesmo período de 2025.</p>
<p>O aumento nominal foi de € 598 milhões, equivalente a 2,9%. Em bases comparáveis, as vendas cresceram 3,6%, com contribuição positiva de 1,3% do indicador de volume e mix.</p>
<p>Os resultados acumulados mostram que a expansão orgânica permanece dentro do intervalo estabelecido pela administração para o exercício completo, embora o desempenho do terceiro trimestre indique maior dependência dos reajustes.</p>
<p>Na distribuição regional dos nove primeiros meses, a EMEA respondeu por € 9,349 bilhões em receitas, seguida pelas Américas, com € 7,064 bilhões, e pela Ásia-Pacífico, com € 4,762 bilhões.</p>
<p>Por categoria, os produtos lácteos essenciais e de origem vegetal somaram € 10,089 bilhões. A Nutrição Especializada alcançou € 7,192 bilhões, enquanto a divisão de águas registrou € 3,895 bilhões.</p>
<p>A companhia manteve a expectativa de crescimento orgânico de vendas entre 3% e 5% para 2026, acompanhada de expansão do lucro operacional recorrente em ritmo superior ao do faturamento.</p>
<p>A Danone não divulgou, no comunicado trimestral de vendas, um novo valor de lucro líquido ou margem operacional referente exclusivamente ao período de julho a setembro.</p>
<h2>Danone anuncia recompra de 3,5 milhões de ações até dezembro</h2>
<p>Além da atualização operacional, a Danone informou que pretende recomprar aproximadamente 3,5 milhões de ações próprias até o encerramento de 2026.</p>
<p>A operação tem como objetivo compensar os efeitos de diluição decorrentes de aumentos de capital reservados aos funcionários e de programas de incentivos de longo prazo previstos para implementação em 2027.</p>
<p>Segundo a companhia, os papéis adquiridos serão destinados aos programas de participação acionária dos empregados. A recompra está vinculada às autorizações societárias existentes e não representa, necessariamente, uma redução definitiva do capital social.</p>
<p>A empresa também comunicou que Vikram Agarwal, diretor de Operações, decidiu se aposentar no início de 2027. O executivo permanecerá à frente da área até a transição, e a companhia informou que divulgará posteriormente os detalhes sobre sua sucessão.</p>
<p>As mudanças ocorrem em um período de reorganização de parte das operações internacionais da Danone. Em setembro, a companhia concluiu a aquisição da Huel, especializada em soluções de alimentação nutricionalmente completas, incorporando seus resultados a partir daquele mês.</p>
<p>Na Argentina, a criação de uma joint venture com a Arcor resultou na retirada da operação de lácteos do perímetro de consolidação integral da Danone a partir de agosto. A companhia mantém participação de 50% no empreendimento, contabilizado pelo método de equivalência patrimonial.</p>
<p>Essas operações ajudam a explicar parte das diferenças entre o crescimento orgânico e a variação das receitas reportadas.</p>
<p>Com a manutenção das metas anuais, a Danone encerra o terceiro trimestre registrando expansão em todas as grandes regiões e categorias, mas com menor contribuição de volume e mix do que no ano anterior. A evolução das vendas nos Estados Unidos, o desempenho das águas na China e a capacidade de sustentar o crescimento sem depender predominantemente dos reajustes de preços serão indicadores relevantes para avaliar o resultado do último trimestre de 2026.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Danone — comunicado oficial de resultados do terceiro trimestre de 2026, publicado em 28 de outubro, com receitas, crescimento comparável, desempenho regional, categorias e projeções anuais.</em></p>
<p><em>Danone — apresentação institucional de resultados do terceiro trimestre de 2026, com detalhamento da contribuição de preços, volume e mix e das condições operacionais na América do Norte e na Ásia-Pacífico.</em></p>
<p><em>Danone — comunicado oficial do terceiro trimestre de 2025, utilizado para comparação da evolução das vendas, dos reajustes de preços e do indicador de volume e mix.</em></p>
<p><em>Danone — memorando de informações financeiras do terceiro trimestre de 2026, publicado em 1º de outubro, com indicadores anteriores e dados do primeiro semestre.</em></p>
<p><em>Danone — documentação de Relações com Investidores sobre o programa de recompra de ações, a reorganização das operações internacionais e a estrutura societária.</em></p>
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		<item>
		<title>Endeavor retoma Scale-Up com 17 startups de inteligência artificial após dois anos</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/endeavor-retoma-scale-up-17-startups-inteligencia-artificial</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Luiza Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Oct 2026 16:06:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Endeavor Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência Artificial]]></category>
		<category><![CDATA[investimentos em startups]]></category>
		<category><![CDATA[Scale-Up]]></category>
		<category><![CDATA[Scale-Up Ventures]]></category>
		<category><![CDATA[startups]]></category>
		<category><![CDATA[venture capital]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://gazetamercantil.com/?p=1534883</guid>

					<description><![CDATA[<p>Endeavor retoma o Scale-Up com 17 startups de inteligência artificial que já captaram R$ 240 milhões e projetam receita de R$ 200 milhões em 2026.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Endeavor Brasil anunciou nesta quarta-feira (28) a retomada do programa de aceleração Scale-Up, interrompido após sua última edição, em 2024. A nova fase começa com 17 startups brasileiras de inteligência artificial (IA), em uma estratégia para identificar <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341513">empresas</a> de alto potencial de crescimento e aproximá-las de empreendedores experientes e investidores.</p>
<p>A maioria das selecionadas foi fundada entre 2024 e 2026 e já recebeu, em conjunto, mais de R$ 240 milhões em investimentos de capital de risco. Entre os financiadores estão Prosus Ventures, Canary, ONEVC e o programa Speedrun, da gestora americana Andreessen Horowitz (a16z).</p>
<p>Apesar do pouco tempo de operação, as empresas projetam faturamento combinado próximo de R$ 200 milhões em 2026. O resultado representaria um avanço expressivo para um grupo no qual quase metade das companhias ainda não registrava receita no ano passado. A projeção, entretanto, não corresponde a faturamento realizado.</p>
<h2>Endeavor selecionou 17 empresas entre 80 negócios avaliados</h2>
<p>A retomada do Scale-Up modifica a forma como a Endeavor identifica empresas com potencial para integrar sua rede. Na primeira turma, a organização pré-selecionou 80 <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341511">negócios</a>, posteriormente submetidos a bancas de avaliação com empreendedores, executivos e investidores.</p>
<p>Entre os participantes desse processo estiveram Stelleo Tolda, do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341512">Mercado</a> Livre; Paulo Veras, cofundador da 99; e Ricardo Kanitz, da Spectra. A avaliação considerou o perfil dos fundadores, a capacidade de crescimento e o estágio de desenvolvimento de cada negócio.</p>
<p>As 17 empresas escolhidas representam aproximadamente 21% do grupo inicialmente avaliado. Elas atuam em diferentes segmentos, incluindo saúde, turismo, serviços financeiros e infraestrutura tecnológica, mas compartilham uma característica: a inteligência artificial integra a estrutura de seus produtos e operações.</p>
<p>O novo modelo busca ampliar a identificação de empresas promissoras antes que alcancem estágios mais avançados. A Endeavor também pretende utilizar o programa como uma etapa de aproximação com empreendedores que poderão participar de outros processos de seleção da organização.</p>
<h2>Inteligência artificial dará acesso a mais de 3 mil horas de mentorias</h2>
<p>Outra mudança é a introdução do MCP Server Endeavor, ferramenta desenvolvida para disponibilizar o conhecimento acumulado pela organização diretamente nos sistemas de inteligência artificial utilizados pelos empreendedores.</p>
<p>A plataforma reúne mais de 3 mil horas de mentorias e conteúdos sobre gestão, precificação, estratégias comerciais, expansão e desenvolvimento de negócios. Os participantes poderão consultar esse material para obter orientações relacionadas aos desafios de suas empresas.</p>
<p>O sistema também poderá identificar especialistas da rede com experiência em determinadas áreas e facilitar o encaminhamento de demandas para mentorias individuais. A proposta é ampliar o número de empresas atendidas sem exigir crescimento proporcional da equipe responsável pelo programa.</p>
<p>A tecnologia complementará o contato com empreendedores e investidores, considerado um dos principais benefícios da aceleração. O acompanhamento da turma terá duração inicial de cinco meses.</p>
<h2>Scale-Up Ventures poderá investir nas empresas selecionadas</h2>
<p>A participação no programa também abre a possibilidade de captação de recursos por meio do Scale-Up Ventures, fundo de capital de risco da Endeavor Brasil.</p>
<p>Segundo o relatório de impacto de 2025 da organização, o fundo possui R$ 160 milhões em ativos sob gestão, mais de 160 investidores e investimentos realizados em mais de 95 empresas. A estrutura foi criada para apoiar negócios em estágio inicial e ampliar o acesso de empreendedores ao mercado de venture capital.</p>
<p>O investimento, porém, não é automático. Para receber aportes, as empresas precisam estar sendo apoiadas pelo Scale-Up, participar de uma rodada de captação em estágio inicial e contar com um investidor institucional qualificado liderando a operação.</p>
<p>O programa de aceleração não exige a transferência de participação societária como condição de ingresso. A eventual aquisição de participação pelo fundo depende de uma operação de investimento específica.</p>
<h2>Empresas de IA avançam, mas crescimento de receita ainda é desigual</h2>
<p>A escolha de startups de inteligência artificial ocorre em um período de mudanças na estrutura das empresas brasileiras de tecnologia.</p>
<p>Um levantamento da Endeavor divulgado em agosto de 2026, com 133 empreendedores de 125 companhias, mostrou que 70% das empresas participantes reorganizaram equipes ou áreas de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341514">trabalho</a> em resposta à inteligência artificial nos 12 meses anteriores. Em 63% delas, a tecnologia já era utilizada intensamente em diferentes níveis da organização.</p>
<p>Os resultados financeiros, entretanto, ainda são desiguais. Apenas 25% dos empreendedores relataram percepção de aumento de receita associado à IA, enquanto 29% identificaram ganhos em margem ou Ebitda. Além disso, 51% das empresas não possuíam indicadores de negócio diretamente vinculados à adoção da tecnologia.</p>
<p>Os dados mostram que a expansão do uso da IA ainda não se traduz necessariamente em crescimento financeiro mensurável. Para as empresas selecionadas pelo Scale-Up, transformar soluções tecnológicas em receitas recorrentes e operações sustentáveis será um dos principais desafios.</p>
<h2>Endeavor prevê novas turmas em 2027</h2>
<p>A organização pretende realizar pelo menos três novas turmas do Scale-Up em 2027, ampliando a seleção para outros segmentos tecnológicos e econômicos.</p>
<p>Entre os temas previstos estão <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341510">agronegócio</a>, biotecnologia, cibersegurança, tecnologias avançadas e negócios voltados à transformação de setores tradicionais. A proposta é manter seleções temáticas e aproximar empresas de especialistas com experiência em seus respectivos mercados.</p>
<p>A retomada ocorre em um ambiente de maior seletividade dos investidores, no qual startups precisam demonstrar capacidade de crescimento, geração de receita e viabilidade econômica. Com o novo formato, a Endeavor pretende ampliar sua rede de empresas acompanhadas e identificar antecipadamente negócios que possam alcançar maior escala.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Endeavor Brasil — informações institucionais sobre o programa Scale-Up, critérios de seleção e modelo de acompanhamento dos empreendedores.</em></p>
<p><em>Endeavor Brasil — pesquisa Inteligência Artificial nas Scale-Ups Brasileiras, publicada em agosto de 2026, com indicadores de adoção tecnológica e resultados empresariais.</em></p>
<p><em>Endeavor Brasil — Relatório de Impacto 2025, com informações sobre investimentos, estrutura de apoio e resultados do Scale-Up Ventures.</em></p>
<p><em>Scale-Up Ventures — informações institucionais sobre requisitos para investimento e modelo de coinvestimento em startups.</em></p>
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		<item>
		<title>Jio Platforms (JPL) dispara 27% em IPO histórica na bolsa da Índia e supera US$ 130 bilhões</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/jio-platforms-jpl-acoes-disparam-ipo-bolsa-india</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Oct 2026 16:05:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[ações]]></category>
		<category><![CDATA[Akash Ambani]]></category>
		<category><![CDATA[Bolsa da Índia]]></category>
		<category><![CDATA[Índia]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência Artificial]]></category>
		<category><![CDATA[IPO]]></category>
		<category><![CDATA[Jio Platforms]]></category>
		<category><![CDATA[JPL]]></category>
		<category><![CDATA[mercado de capitais]]></category>
		<category><![CDATA[Mukesh Ambani]]></category>
		<category><![CDATA[Reliance Industries]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[telecomunicações]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jio Platforms (JPL) dispara 27% em estreia na bolsa da Índia, após IPO recorde de US$ 3,2 bilhões, e supera US$ 130 bilhões em valor de mercado.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>As ações da Jio Platforms (JPL), companhia de telecomunicações e serviços digitais controlada pelo bilionário indiano Mukesh Ambani, encerraram seu primeiro dia de negociação nas bolsas da Índia com valorização de 26,68% em relação ao preço da oferta pública inicial (IPO). A estreia ocorreu nesta quarta-feira (28), depois de uma operação que levantou aproximadamente US$ 3,2 bilhões e estabeleceu um recorde de captação no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341509">mercado</a> acionário indiano.</p>
<p>Os papéis começaram a ser negociados a 1.358 rúpias na National Stock Exchange (NSE) e na Bombay Stock Exchange (BSE), avanço de 21,36% sobre o preço de emissão de 1.119 rúpias. Ao longo do pregão, a valorização aumentou, levando as ações a encerrarem a sessão a 1.417,50 rúpias na NSE e 1.417,35 rúpias na BSE.</p>
<p>Com o desempenho, o valor de mercado da Jio ultrapassou 13 trilhões de rúpias, equivalente a mais de US$ 130 bilhões, colocando a empresa na segunda posição entre as companhias listadas mais valiosas da Índia. A liderança continua com a Reliance Industries, conglomerado controlado por Ambani e principal acionista da operadora.</p>
<p>A operação representa um marco para o mercado financeiro indiano e consolida a Jio como uma das maiores <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341508">empresas</a> de telecomunicações do mundo em número de clientes, com mais de 530 milhões de assinantes.</p>
<h2>Maior IPO da Índia movimenta US$ 3,2 bilhões</h2>
<p>A oferta pública inicial da Jio Platforms alcançou 302,13 bilhões de rúpias, aproximadamente US$ 3,2 bilhões, tornando-se a maior já realizada na Índia em moeda local.</p>
<p>A operação superou o recorde estabelecido pela subsidiária indiana da Hyundai Motor em 2024, quando a montadora levantou cerca de 278,7 bilhões de rúpias em sua abertura de capital.</p>
<p>A oferta da Jio foi estruturada por meio da emissão de 270 milhões de novas ações, com faixa indicativa de preços entre 1.065 e 1.119 rúpias por papel. O preço definitivo foi estabelecido no limite superior do intervalo.</p>
<p>O período de reservas começou em 21 de outubro e terminou no dia 23. Segundo os dados divulgados pela NSE, a demanda total alcançou 22,19 vezes a quantidade de ações disponíveis ao público.</p>
<p>A procura foi particularmente elevada entre os investidores institucionais qualificados, cuja demanda superou em 70,55 vezes a parcela destinada a esse grupo. Entre os investidores individuais de varejo, a procura correspondeu a 2,72 vezes os papéis reservados.</p>
<p>Os números demonstram o interesse pela operação, apesar do ambiente de volatilidade enfrentado pelo mercado acionário indiano.</p>
<p>Diferentemente de ofertas em que os acionistas atuais vendem suas participações, o IPO da Jio foi composto exclusivamente pela emissão de novas ações. Assim, os recursos captados serão destinados à companhia, conforme as finalidades previstas nos documentos da operação.</p>
<h2>Jio se torna a segunda empresa mais valiosa da Índia</h2>
<p>A valorização registrada no primeiro pregão elevou a capitalização de mercado da Jio para aproximadamente 13,05 trilhões de rúpias.</p>
<p>O desempenho colocou a companhia atrás apenas da Reliance Industries, cuja avaliação de mercado permaneceu acima de 15 trilhões de rúpias.</p>
<p>Com isso, a Jio ultrapassou grandes grupos indianos, incluindo a operadora Bharti Airtel e instituições financeiras de grande porte.</p>
<p>A diferença entre o valor estabelecido na oferta e a capitalização alcançada após a estreia reflete a disposição dos investidores de pagar um preço superior pelo potencial de crescimento da companhia.</p>
<p>Antes da listagem, a avaliação implícita da Jio era de aproximadamente US$ 108 bilhões. A valorização das ações no mercado secundário elevou esse montante para mais de US$ 130 bilhões.</p>
<p>O avanço também amplia o valor de mercado da participação que permanece sob controle da Reliance Industries.</p>
<p>A abertura de capital não representa uma separação completa entre as duas empresas. A Reliance continua sendo a acionista controladora da Jio Platforms, mantendo influência sobre suas decisões estratégicas.</p>
<h2>Jio tem mais de 530 milhões de assinantes</h2>
<p>A dimensão da operação de telecomunicações constitui um dos principais ativos da Jio Platforms.</p>
<p>Segundo informações operacionais divulgadas pela Reliance Industries, a companhia encerrou o primeiro trimestre do ano fiscal de 2026-2027, correspondente ao período de abril a junho de 2026, com 533,3 milhões de assinantes.</p>
<p>A empresa ocupa a liderança do mercado indiano de telecomunicações e responde por aproximadamente 60% do tráfego de dados do país, de acordo com os indicadores apresentados pela controladora.</p>
<p>Criada como uma plataforma de serviços digitais, a Jio ampliou sua atuação a partir de 2016, quando iniciou a oferta comercial de serviços móveis com preços competitivos, contribuindo para a expansão do acesso à internet na Índia.</p>
<p>Desde então, a companhia desenvolveu uma operação que reúne telefonia móvel, redes de quinta geração (5G), banda larga residencial, soluções empresariais e plataformas digitais.</p>
<p>A escala da base de clientes permite distribuir novos serviços por uma infraestrutura já existente, reduzindo a necessidade de conquistar usuários do zero para cada produto lançado.</p>
<p>Esse modelo é considerado um dos elementos centrais da estratégia de crescimento da empresa.</p>
<h2>Receita da Jio cresce 14,6% e lucro ultrapassa US$ 3 bilhões</h2>
<p>Os resultados financeiros divulgados pela Reliance Industries mostram que a Jio Platforms vem ampliando suas receitas e sua rentabilidade.</p>
<p>No ano fiscal encerrado em março de 2026, a companhia registrou receita operacional de 1,468 trilhão de rúpias, crescimento de 14,6% em relação ao exercício anterior.</p>
<p>O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) alcançou 762,55 bilhões de rúpias, avanço de 18,8%.</p>
<p>A margem Ebitda chegou a 51,9%, expansão de 1,9 ponto percentual na comparação anual.</p>
<p>O lucro líquido atingiu 300,49 bilhões de rúpias, aproximadamente US$ 3,2 bilhões, com crescimento de 15,1%.</p>
<p>Os números evidenciam a capacidade de geração de resultados da operação, mesmo diante dos investimentos necessários à expansão da infraestrutura de telecomunicações.</p>
<p>A companhia também vem ampliando a participação de clientes que utilizam redes 5G e serviços de banda larga fixa, segmentos considerados importantes para o aumento do consumo de dados e da receita média por usuário.</p>
<p>Os resultados do trimestre encerrado em setembro de 2026 deverão oferecer novos elementos para avaliar o desempenho da companhia após sua abertura de capital. A Reliance comunicou que a Jio tem reunião do conselho marcada para 30 de outubro, quando serão analisadas as demonstrações financeiras do período.</p>
<h2>Inteligência artificial e serviços digitais serão foco da expansão</h2>
<p>A Jio Platforms pretende ampliar sua presença em segmentos que vão além da telefonia tradicional.</p>
<p>Entre as prioridades estratégicas apresentadas pela Reliance estão inteligência artificial, computação em nuvem, infraestrutura de dados, serviços digitais para empresas e expansão das redes de banda larga.</p>
<p>A companhia mantém parcerias com grupos internacionais de tecnologia, incluindo Meta, Google e Microsoft, para desenvolver produtos e serviços voltados ao mercado indiano.</p>
<p>Meta e Google também realizaram investimentos na Jio Platforms durante a expansão de seu ecossistema digital.</p>
<p>A estratégia busca aproveitar a dimensão do mercado indiano e a infraestrutura de conectividade da empresa para oferecer novos serviços a consumidores e companhias.</p>
<p>No segmento de inteligência artificial, o objetivo é desenvolver soluções integradas aos serviços digitais já utilizados pela base de clientes, incluindo aplicações empresariais e plataformas baseadas em processamento e armazenamento de dados.</p>
<p>A expansão para essas atividades poderá diversificar as fontes de receita, atualmente concentradas principalmente no negócio de telecomunicações.</p>
<p>Entretanto, a capacidade de transformar investimentos em inteligência artificial e outros serviços digitais em receitas recorrentes dependerá da adoção comercial das tecnologias, dos custos de infraestrutura e da concorrência.</p>
<h2>IPO marca nova etapa do império empresarial de Mukesh Ambani</h2>
<p>A estreia da Jio na bolsa representa também uma mudança na estrutura empresarial da família Ambani, responsável por um dos maiores conglomerados privados da Índia.</p>
<p>Mukesh Ambani construiu sua trajetória empresarial à frente da Reliance Industries, companhia com <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341507">negócios</a> em petróleo, petroquímica, energia, varejo, telecomunicações e tecnologia.</p>
<p>A Jio se tornou uma das principais fontes de crescimento e geração de resultados do grupo, ampliando sua relevância em relação às operações industriais tradicionais.</p>
<p>Akash Ambani, filho de Mukesh, ocupa o cargo de diretor-gerente da Jio Platforms e participa diretamente da condução da estratégia de telecomunicações e serviços digitais.</p>
<p>Seus irmãos, Isha e Anant Ambani, também exercem funções relevantes em diferentes negócios da Reliance, dentro do processo de distribuição de responsabilidades na família.</p>
<p>A abertura de capital permite que investidores tenham participação direta nos resultados da plataforma digital, ao mesmo tempo em que a Reliance mantém o controle societário.</p>
<p>Para o mercado indiano, a operação estabelece uma nova referência para ofertas públicas de grande porte e demonstra a capacidade de mobilização de capital em torno de companhias com elevada escala operacional.</p>
<h2>Valorização de 27% aumenta exigência sobre resultados futuros</h2>
<p>Apesar da valorização expressiva na estreia, o preço das ações da Jio deverá continuar sujeito às expectativas dos investidores sobre crescimento, rentabilidade e geração de caixa.</p>
<p>A avaliação de mercado superior a US$ 130 bilhões incorpora perspectivas de expansão para além da conectividade móvel, incluindo inteligência artificial, computação em nuvem e serviços empresariais.</p>
<p>O desempenho desses negócios será determinante para a capacidade da companhia de sustentar sua avaliação ao longo dos próximos anos.</p>
<p>A concorrência com outras operadoras, os investimentos em infraestrutura e a evolução das tarifas de telecomunicações também continuarão influenciando seus resultados financeiros.</p>
<p>A valorização de aproximadamente 27% registrada nesta quarta-feira corresponde à diferença entre o preço de encerramento do primeiro pregão e o preço pago pelos investidores que receberam ações na oferta pública inicial. O ganho não representa uma rentabilidade garantida para novos compradores.</p>
<p>Com a conclusão do maior IPO da história da Índia em rúpias, a Jio Platforms inicia uma nova fase como companhia aberta, sob maior acompanhamento dos investidores e com a expectativa de transformar sua extensa base de assinantes em uma plataforma mais diversificada de negócios digitais.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>National Stock Exchange of India (NSE) — Dados oficiais da oferta pública inicial da Jio Platforms, encerrada em 23 de outubro de 2026.</p>
<p>National Stock Exchange of India (NSE) — Circular NSE/CML/77117, de 27 de outubro de 2026, sobre admissão das ações JPL à negociação.</p>
<p>Bombay Stock Exchange (BSE) — Comunicado nº 20261027-9, sobre listagem das ações da Jio Platforms em 28 de outubro de 2026.</p>
<p>National Stock Exchange of India (NSE) — Dados de negociação das ações JPL em 28 de outubro de 2026.</p>
<p>Reliance Industries — Comunicado societário de 27 de outubro de 2026 sobre a listagem da Jio Platforms.</p>
<p>Reliance Industries — Resultados financeiros e operacionais consolidados do ano fiscal 2025-2026.</p>
<p>Reliance Industries — Apresentação de resultados do primeiro trimestre do ano fiscal 2026-2027.</p>
<p>Reliance Industries — Informações institucionais sobre as operações e parcerias da Jio Platforms.</p>
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		<title>Heineken (HEIA) registra alta de 4,6% na receita líquida e mantém projeção para 2026</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/heineken-receita-liquida-terceiro-trimestre-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Oct 2026 12:56:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Heineken registra crescimento de 4,6% na receita líquida no terceiro trimestre de 2026, amplia vendas em todas as regiões e mantém projeção anual.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Heineken (HEIA) registrou crescimento orgânico de 4,6% na receita líquida ajustada no terceiro trimestre de 2026, que alcançou 8,09 bilhões de euros. O resultado foi acompanhado por uma expansão de 4,8% no volume total comercializado, para 76 milhões de hectolitros, segundo o balanço operacional divulgado nesta quarta-feira (28). A companhia também confirmou suas projeções financeiras para o encerramento do ano.</p>
<p>A receita total, calculada conforme as normas internacionais de contabilidade (IFRS), atingiu 9,56 bilhões de euros, avanço de 9,7% em relação ao mesmo período de 2025. A diferença entre esse indicador e a receita líquida ajustada decorre das metodologias utilizadas pela empresa, incluindo o tratamento de impostos, ajustes extraordinários e outros componentes de receita.</p>
<p>O desempenho refletiu o crescimento das vendas nas quatro regiões operacionais da cervejaria: Américas, Europa, Ásia-Pacífico e África e Oriente Médio. A Heineken informou ainda que manteve ou ampliou sua participação de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341488">mercado</a> em mais de dois terços dos países onde atua.</p>
<h2>Marcas premium impulsionam crescimento da Heineken</h2>
<p>O segmento de cervejas premium apresentou expansão de 11,5% no volume comercializado durante o trimestre, desempenho superior ao crescimento do portfólio total. As cinco marcas globais da companhia registraram avanço conjunto de 9,9%, enquanto a marca Heineken cresceu 9,7%.</p>
<p>O segmento de cervejas convencionais, conhecido como <em>mainstream</em>, teve aumento de 2,4% no volume. Já as bebidas com baixo teor alcoólico ou sem álcool registraram crescimento de dois dígitos, sustentado principalmente pela Heineken 0.0 e por lançamentos em diferentes mercados.</p>
<p>A receita líquida por hectolitro aumentou 0,7%, enquanto o efeito combinado de preços e composição dos produtos, calculado em base geográfica constante, avançou 1,8%. Os números indicam que o crescimento das vendas em volume teve papel importante no resultado trimestral, em um cenário de diferenças de preços entre os mercados.</p>
<h2>Brasil e Américas voltam a contribuir para expansão</h2>
<p>Nas Américas, a Heineken registrou recuperação das vendas após períodos de desempenho mais fraco. O volume total cresceu organicamente 2,1% no terceiro trimestre, enquanto a receita líquida avançou 3,1%.</p>
<p>A empresa também destacou iniciativas de ampliação do portfólio brasileiro, incluindo a Heineken Ultimate 3,5%, produto com menor teor alcoólico, menos calorias e sem glúten. A marca Sol Zero também contribuiu para o desempenho da categoria de bebidas sem álcool.</p>
<p>O real brasileiro esteve entre as moedas cuja valorização frente ao euro favoreceu a conversão dos resultados internacionais da companhia, juntamente com o peso mexicano, a naira nigeriana e o rand sul-africano.</p>
<p>No trimestre, os efeitos cambiais acrescentaram aproximadamente 241 milhões de euros à receita líquida reportada. As mudanças no perímetro de consolidação, incluindo a integração das operações na Costa Rica, contribuíram com outros 182 milhões de euros.</p>
<h2>Receita acumulada chega a 22,92 bilhões de euros em nove meses</h2>
<p>Entre janeiro e setembro de 2026, a receita líquida da Heineken totalizou 22,92 bilhões de euros, ante 21,51 bilhões de euros no mesmo intervalo do ano anterior. A expansão nominal foi de aproximadamente 6,6%, enquanto o crescimento orgânico ficou em 3,4%.</p>
<p>O volume total comercializado nos nove primeiros meses alcançou 218,9 milhões de hectolitros, comparado a 210,2 milhões de hectolitros um ano antes. A expansão orgânica acumulada foi de 2,7%.</p>
<p>No período, os efeitos cambiais contribuíram positivamente com 184 milhões de euros para a receita líquida, enquanto alterações no perímetro de consolidação acrescentaram 507 milhões de euros.</p>
<p>O resultado acumulado evidencia uma aceleração das vendas no terceiro trimestre, período em que o crescimento orgânico do volume superou o observado nos nove primeiros meses do ano.</p>
<h2>Heineken mantém projeção de crescimento do lucro operacional</h2>
<p>Apesar das diferenças de desempenho entre os mercados, a Heineken reiterou sua expectativa de crescimento orgânico entre 2% e 6% para o lucro operacional ajustado em 2026.</p>
<p>O presidente-executivo da companhia, Rafa Oliveira, afirmou que o resultado trimestral contou com contribuições positivas de todas as regiões e desempenho favorável das marcas globais e dos segmentos considerados prioritários.</p>
<p>Segundo o executivo, os números reforçam a confiança da administração na manutenção das projeções para o ano. Oliveira também destacou a necessidade de melhorar a execução operacional, acelerar iniciativas estratégicas e ampliar a consistência do crescimento nos diferentes mercados.</p>
<p>A empresa informou que seu programa de produtividade continua avançando e mantém a meta de gerar 500 milhões de euros em economias brutas durante 2026.</p>
<h2>Heineken amplia presença em bebidas prontas para consumo</h2>
<p>Como parte da estratégia de diversificação, a cervejaria anunciou um acordo para adquirir participação majoritária na Stëlz, marca de bebidas alcoólicas prontas para consumo. A operação ainda depende de aprovações regulatórias.</p>
<p>A iniciativa integra a estratégia EverGreen 2030, que busca ampliar a atuação da Heineken em categorias além das cervejas tradicionais, fortalecer marcas premium e melhorar a eficiência operacional.</p>
<p>A companhia também mantém seu programa de recompra de ações de 1,5 bilhão de euros. A primeira etapa foi concluída em janeiro de 2026, com o cancelamento de 10.572.215 ações em abril. Na segunda etapa, as recompras acumulavam 654,3 milhões de euros até 23 de outubro.</p>
<p>Com o avanço das marcas premium, a recuperação nas Américas e o crescimento dos produtos sem álcool, a Heineken encerrou o terceiro trimestre com expansão simultânea de receita e volume em todas as regiões. A manutenção das projeções sinaliza que a administração considera os resultados compatíveis com os objetivos financeiros estabelecidos para 2026.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Heineken N.V. — 2026 Third Quarter Trading Update, divulgado em 28 de outubro de 2026.</p>
<p>Heineken N.V. — Comunicado oficial de resultados operacionais do terceiro trimestre de 2026.</p>
<p>Autoridade Holandesa para os Mercados Financeiros (AFM) — Registro oficial da divulgação de informações da Heineken N.V., de 28 de outubro de 2026.</p>
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		<title>Justiça determina bloqueio de até R$ 2,25 milhões contra empresas ligadas à antiga Fictor Consignado</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/justica-bloqueio-225-milhoes-fictor-consignado</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Oct 2026 01:14:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[3RP Consignado]]></category>
		<category><![CDATA[3RP Partners]]></category>
		<category><![CDATA[bloqueio judicial]]></category>
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		<category><![CDATA[CVM]]></category>
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		<category><![CDATA[investidores]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça de São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Rafael Góis]]></category>
		<category><![CDATA[recuperação judicial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Justiça de São Paulo determina bloqueio de até R$ 2,25 milhões contra empresas ligadas à antiga Fictor Consignado e executivos do grupo.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de até R$ 2,25 milhões em bens e ativos de cinco empresas vinculadas ao antigo negócio de crédito consignado do Grupo Fictor. A medida, proferida em 19 de outubro de 2026, alcança a 3RP Consignado, anteriormente denominada Fictor Consignado, e outras quatro companhias que ficaram fora do processo de recuperação judicial do conglomerado financeiro.</p>
<p>A decisão é atribuída ao juiz Fabio Evangelista de Moura, da 45ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, e decorre de uma ação apresentada por um investidor que afirma não ter conseguido recuperar R$ 2,25 milhões aplicados em contratos de Sociedade em Conta de Participação (SCP) da Fictor Invest.</p>
<p>Além da 3RP Consignado, a determinação abrange a 3RP Partners, antiga FCT Partners, a Vem Benefícios, a Alvo Card e a EI Card. A medida também alcança Rafael Ribeiro Leite de Gois, fundador e principal executivo da Fictor, Luiz Phillippe Gomes Rubini, ex-sócio do grupo, e Rafael Paixão Ferreira Giuseppe, empresário que assumiu o controle da antiga operação de consignado.</p>
<p>O bloqueio representa mais uma frente judicial aberta por investidores que buscam recuperar valores aplicados na Fictor. O grupo enfrenta uma recuperação judicial iniciada em fevereiro de 2026, com passivo declarado superior a R$ 4,2 bilhões.</p>
<h2>Investidor cobra devolução de R$ 2,25 milhões</h2>
<p>A disputa teve origem em quatro contratos de Sociedade em Conta de Participação firmados com a Fictor Invest. Os instrumentos previam remuneração mensal entre 1,49% e 2%, segundo os termos apresentados na ação, mas o investidor afirma não ter recebido a devolução do capital aplicado.</p>
<p>A controvérsia envolve a natureza jurídica desses contratos e a possibilidade de responsabilização de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341480">empresas</a> e pessoas físicas que não figuravam originalmente como devedoras.</p>
<p>A Sociedade em Conta de Participação é uma modalidade contratual prevista no Código Civil, na qual um sócio ostensivo conduz a atividade empresarial em seu próprio nome, enquanto os demais participantes contribuem economicamente para a operação.</p>
<p>A existência de uma SCP não configura, por si só, uma oferta irregular de investimento. Entretanto, dependendo da forma de distribuição, da remuneração oferecida e da expectativa de retorno decorrente dos esforços de terceiros, o instrumento pode apresentar características de um contrato de investimento coletivo sujeito à regulamentação do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341479">mercado</a> de capitais.</p>
<p>Na ação envolvendo a Fictor, a discussão sobre o enquadramento das operações e a responsabilidade das empresas está entre os fundamentos apresentados para justificar a proteção patrimonial solicitada pelo investidor.</p>
<h2>Empresas de consignado entram no centro da disputa patrimonial</h2>
<p>O principal ponto da controvérsia é a relação entre a Fictor Invest, responsável pelos contratos de participação, e as empresas que posteriormente passaram a operar o negócio de crédito consignado sob outras denominações.</p>
<p>A antiga Fictor Consignado foi transferida para Rafael Paixão Ferreira Giuseppe em novembro de 2024, antes do agravamento da crise financeira que levou o grupo a pedir recuperação judicial. Em maio de 2025, a companhia passou ao controle da FCT Partners, posteriormente rebatizada como 3RP Partners.</p>
<p>A reorganização societária colocou o negócio de consignado fora da estrutura diretamente submetida ao processo recuperacional da Fictor Holding e da Fictor Invest.</p>
<p>A discussão judicial procura estabelecer se a separação formal entre essas companhias corresponde a uma efetiva autonomia econômica ou se existem elementos suficientes para reconhecer vínculos patrimoniais capazes de justificar a extensão das medidas de bloqueio.</p>
<p>O reconhecimento de grupo econômico, isoladamente, não implica responsabilidade automática de todas as empresas pelas dívidas de uma integrante. Para alcançar o patrimônio de terceiros, o Judiciário precisa considerar os fundamentos legais aplicáveis e os elementos concretos apresentados no processo.</p>
<p>A medida de bloqueio tem natureza patrimonial e não representa, por si só, uma condenação definitiva dos empresários ou o reconhecimento final de fraude.</p>
<h2>Recuperação judicial da Fictor envolve mais de R$ 4,2 bilhões</h2>
<p>A Fictor Holding e a Fictor Invest apresentaram o pedido de recuperação judicial em fevereiro de 2026, atribuindo à causa o valor de R$ 4.257.357.283,84.</p>
<p>Na petição inicial, as companhias reconheceram que a ampliação dos pedidos de retirada de recursos provocou dificuldades de liquidez e comprometeu a continuidade de determinadas atividades.</p>
<p>Segundo as informações apresentadas pelas próprias empresas à Justiça, aproximadamente R$ 3 bilhões haviam sido captados por meio de contratos de SCP até novembro de 2025. Nos meses seguintes, os pedidos de retirada alcançaram o equivalente a 71,38% daquele montante.</p>
<p>A Fictor atribuiu parte da crise à deterioração de sua reputação após o anúncio de uma tentativa de aquisição do Banco Master, em novembro de 2025. O negócio não foi concluído.</p>
<p>Em 17 de abril de 2026, a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo deferiu o processamento da recuperação judicial. A decisão registrou informações da perícia judicial sobre a existência de movimentações financeiras entre empresas do conglomerado, inconsistências contábeis e necessidade de fiscalização da estrutura empresarial.</p>
<p>O deferimento permitiu o avanço do procedimento de reorganização, sem significar aprovação definitiva das condições de pagamento propostas aos credores.</p>
<p>Conforme o portal oficial de credores mantido pela Fictor, a assembleia geral prevista para 14 de outubro foi suspensa, com nova reunião marcada para 4 de dezembro de 2026.</p>
<h2>CVM já examinava captação de recursos pela Fictor</h2>
<p>A atuação da Fictor no mercado de investimentos também passou a ser objeto de procedimentos administrativos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).</p>
<p>Um expediente da Superintendência de Registro de Valores Mobiliários, datado de agosto de 2025 e relacionado ao processo administrativo nº 19957.008553/2024-15, registra discussões sobre a possibilidade de oferta pública irregular de valores mobiliários.</p>
<p>O documento trata de um pedido da Fictor Invest para obter acesso integral a informações de procedimentos administrativos ainda em fase pré-sancionadora. A autarquia analisou limites de acesso a documentos protegidos por sigilo legal, incluindo informações relacionadas a investigações policiais.</p>
<p>O registro demonstra que a estrutura de captação da Fictor já era objeto de questionamentos regulatórios antes da recuperação judicial. Entretanto, a existência do procedimento não equivale a uma decisão sancionadora definitiva nem permite concluir que todos os contratos de SCP oferecidos pelo grupo eram irregulares.</p>
<h2>Operações de consignado também aparecem em registros municipais</h2>
<p>O segmento de crédito consignado relacionado à antiga Fictor Consignado atua em um mercado que depende de convênios e credenciamentos com órgãos públicos para oferecer determinadas modalidades de crédito a servidores.</p>
<p>Documentos oficiais de prefeituras mostram a participação de empresas citadas na disputa patrimonial em procedimentos de habilitação para oferecer empréstimos com desconto em folha.</p>
<p>Em Praia Grande, no litoral paulista, a prefeitura declarou a Alvo Card S.A. inabilitada em um chamamento público destinado ao credenciamento de instituições financeiras para concessão de empréstimos consignados a servidores municipais.</p>
<p>A decisão administrativa, de 23 de abril de 2026, apontou que a companhia não cumpriu integralmente as exigências previstas no edital. O resultado também atingiu outra instituição participante.</p>
<p>A inabilitação naquele procedimento específico não representa proibição geral de funcionamento da empresa, nem estabelece irregularidade em outros contratos eventualmente celebrados com municípios.</p>
<p>A atividade dessas companhias permanece relevante para a discussão judicial porque envolve operações comerciais, receitas e ativos cuja titularidade e relação com a antiga estrutura da Fictor são questionadas pelos credores.</p>
<h2>Bloqueio pode ampliar disputa sobre patrimônio fora da recuperação judicial</h2>
<p>A determinação de indisponibilidade de até R$ 2,25 milhões abre uma discussão sobre os limites da proteção oferecida pela recuperação judicial e a possibilidade de alcançar patrimônios de empresas formalmente separadas da devedora.</p>
<p>No procedimento de recuperação, os créditos sujeitos ao processo são tratados segundo regras coletivas, com acompanhamento judicial e deliberação dos credores. Já a responsabilização patrimonial de terceiros depende da situação jurídica de cada envolvido e dos fundamentos apresentados nas ações individuais.</p>
<p>Uma decisão cautelar de bloqueio não significa que os valores tenham sido efetivamente localizados, transferidos ao processo ou entregues ao investidor. A satisfação do crédito depende de outras etapas judiciais.</p>
<p>As empresas e os empresários envolvidos podem contestar as medidas e apresentar recursos, inclusive sobre a extensão de sua responsabilidade e a relação entre os patrimônios.</p>
<p>O caso coloca no centro da discussão a estrutura societária que permaneceu fora da recuperação judicial e a identificação dos ativos disponíveis para responder às cobranças de investidores.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Tribunal de Justiça de São Paulo — processo de recuperação judicial nº 4014471-36.2026.8.26.0100.</p>
<p>Fictor Holding S.A. e Fictor Invest Ltda. — petição inicial do pedido de recuperação judicial, de fevereiro de 2026.</p>
<p>Tribunal de Justiça de São Paulo — decisão de deferimento do processamento da recuperação judicial, de 17 de abril de 2026.</p>
<p>Comissão de Valores Mobiliários (CVM) — Ofício Interno nº 34/2025/CVM/SRE/GER-3, processo administrativo nº 19957.008553/2024-15.</p>
<p>Prefeitura de Praia Grande — resultado do julgamento de habilitação do Chamamento Público nº 001/2025, de 23 de abril de 2026.</p>
<p>Grupo Fictor — Portal Oficial de Relações com Credores, com informações sobre o andamento da recuperação judicial.</p>
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		<title>Gerdau (GGBR4) lucra R$ 1,52 bilhão no 3º trimestre e eleva geração de caixa</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/gerdau-lucro-3-trimestre-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Oct 2026 18:43:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[América do Norte]]></category>
		<category><![CDATA[dividendos]]></category>
		<category><![CDATA[Ebitda]]></category>
		<category><![CDATA[geração de caixa]]></category>
		<category><![CDATA[Gerdau]]></category>
		<category><![CDATA[GGBR4]]></category>
		<category><![CDATA[resultados do 3T26]]></category>
		<category><![CDATA[SIDERURGIA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Gerdau (GGBR4) encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 1,523 bilhão, alta de 39,7% em relação ao mesmo período do ano passado, sustentada principalmente pela rentabilidade das operações na América do Norte. A companhia também elevou a geração de caixa livre para R$ 1,439 bilhão, reduziu a alavancagem financeira [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Gerdau (GGBR4) encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 1,523 bilhão, alta de 39,7% em relação ao mesmo período do ano passado, sustentada principalmente pela rentabilidade das operações na América do Norte. A companhia também elevou a geração de caixa livre para R$ 1,439 bilhão, reduziu a alavancagem financeira e anunciou R$ 667 milhões em dividendos. O desempenho, entretanto, ocorreu em um período de retração anual nas vendas físicas de aço e de enfraquecimento da atividade no <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341454">mercado</a> brasileiro.</p>
<p>O Ebitda ajustado, indicador de resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, alcançou R$ 3,771 bilhões entre julho e setembro, crescimento de 37,8% na comparação anual e de 9,9% sobre o segundo trimestre. A margem Ebitda ajustada avançou para 20,2%, ante 15,2% um ano antes e 19,2% no trimestre imediatamente anterior. Segundo a empresa, tanto o valor do indicador quanto a margem alcançaram seus maiores níveis desde o segundo trimestre de 2023.</p>
<p>A receita líquida somou R$ 18,691 bilhões, avanço de 3,9% em 12 meses e de 4,6% em relação ao segundo trimestre. O aumento do faturamento ocorreu apesar da redução de 5,6% no volume de aço comercializado na comparação anual, para 2,914 milhões de toneladas. A combinação indica que a melhora dos preços realizados, a composição das vendas e os efeitos cambiais compensaram a retração dos embarques, especialmente no Brasil.</p>
<p>Os resultados mostram, assim, uma diferença importante entre crescimento financeiro e expansão física da atividade. A companhia conseguiu aumentar a rentabilidade mesmo sem elevar o volume total vendido na comparação anual, mas o avanço dependeu fortemente de uma região específica, enquanto parte das operações sul-americanas enfrentou custos maiores e condições de mercado menos favoráveis.</p>
<h2>América do Norte responde pela maior parte da rentabilidade</h2>
<p>A operação norte-americana foi o principal componente da evolução dos resultados consolidados. O segmento registrou Ebitda ajustado de R$ 2,912 bilhões no terceiro trimestre, alta de 60% sobre o mesmo período de 2025 e de 12% na comparação com o segundo trimestre. A margem operacional chegou a 27,7%, contra 19,8% um ano antes e 25,7% no trimestre anterior.</p>
<p>A participação do segmento no resultado consolidado evidencia a diferença de rentabilidade entre as regiões. Embora a América do Norte tenha respondido por 44,2% dos embarques totais de aço, sua contribuição alcançou 55,6% da receita líquida e 76,4% do Ebitda ajustado da Gerdau. O Brasil, por sua vez, respondeu por 45,4% do volume comercializado, proporção próxima à norte-americana, mas com contribuição financeira significativamente inferior.</p>
<p>Em termos absolutos, os R$ 2,912 bilhões gerados na América do Norte representaram mais de três quartos do Ebitda consolidado de R$ 3,771 bilhões. O resultado ajuda a explicar por que a companhia conseguiu expandir sua margem mesmo com a perda de vendas no mercado doméstico e a contração da rentabilidade na América do Sul.</p>
<p>A receita líquida norte-americana atingiu R$ 10,512 bilhões, aumento de 14,4% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. Os embarques chegaram a 1,313 milhão de toneladas, crescimento anual de 1,5%, embora tenham recuado 2,5% na comparação trimestral. O aumento do faturamento, portanto, refletiu principalmente condições comerciais mais favoráveis, e não uma expansão expressiva da quantidade vendida.</p>
<p>De acordo com a administração, a região contou com demanda robusta, carteira de pedidos elevada e condições favoráveis para incorporar os reajustes de preços implementados ao longo do ano. Esses fatores ajudaram a compensar os custos operacionais mais altos e o efeito das paradas programadas de manutenção realizadas em unidades industriais.</p>
<p>Os preços realizados tiveram importância decisiva no resultado. A Gerdau atribuiu aproximadamente R$ 2,3 bilhões da variação anual positiva do Ebitda consolidado à melhora dos preços obtidos no período de 12 meses. Esse efeito superou as pressões provocadas pelo aumento de determinados custos, pela redução dos volumes comercializados e pelas oscilações cambiais.</p>
<p>A diferença entre preços e volumes também aparece na comparação trimestral. O Ebitda consolidado cresceu R$ 341 milhões em relação ao segundo trimestre. Desse incremento, R$ 312 milhões vieram da América do Norte, enquanto o Brasil contribuiu com R$ 36 milhões. A América do Sul, em sentido oposto, registrou uma redução de R$ 45 milhões.</p>
<p>Os números mostram que o desempenho norte-americano não apenas sustentou a expansão consolidada como compensou parte das dificuldades nas demais regiões. Essa concentração de resultado também torna o balanço mais sensível às condições comerciais e industriais dos Estados Unidos e do Canadá.</p>
<h2>Mercado brasileiro combina recuperação trimestral e retração anual</h2>
<p>No Brasil, a Gerdau registrou Ebitda ajustado de R$ 741 milhões, queda de 2,8% em relação ao terceiro trimestre de 2025, mas aumento de 5,2% sobre o segundo trimestre deste ano. A margem avançou de 9,9% para 10,7% na comparação anual, indicando melhora relativa da rentabilidade, apesar do menor nível de atividade.</p>
<p>A receita líquida brasileira somou R$ 6,948 bilhões, recuo de 9,7% em 12 meses. Os embarques de aço totalizaram 1,351 milhão de toneladas, volume 14,6% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. A retração foi influenciada tanto pela fraqueza das vendas internas quanto pela redução das exportações.</p>
<p>As vendas destinadas ao mercado doméstico alcançaram 1,179 milhão de toneladas, queda de 5,8% na comparação anual. Já as exportações recuaram 47,9%, para 172 mil toneladas. A participação das vendas externas nos embarques brasileiros diminuiu de 21% no terceiro trimestre de 2025 para 13% neste ano, movimento associado à estratégia da companhia de aumentar a parcela destinada ao mercado interno.</p>
<p>A composição regional das vendas é relevante para interpretar a queda do volume total. A redução das exportações não deve ser confundida integralmente com perda de demanda, pois parte do movimento decorre da reorganização comercial da empresa. Ainda assim, o recuo das vendas domésticas confirma que a atividade brasileira permaneceu pressionada em termos anuais.</p>
<p>O quadro é particularmente evidente no segmento de aços longos, utilizado em aplicações como construção civil e infraestrutura. Os embarques brasileiros desses produtos caíram 20,7% em relação ao terceiro trimestre de 2025, para 886 mil toneladas. Consideradas apenas as vendas domésticas de aços longos, o volume recuou 12%, de 862 mil para 759 mil toneladas. As exportações da categoria caíram 50,2%.</p>
<p>Os aços planos apresentaram comportamento distinto. Seus embarques domésticos cresceram 7,7% em relação ao terceiro trimestre do ano passado, para 420 mil toneladas, enquanto o volume total da categoria permaneceu praticamente estável, em 465 mil toneladas. Esse desempenho, contudo, não eliminou as dificuldades gerais do segmento brasileiro.</p>
<p>O balanço também aponta aumento da pressão competitiva provocada pelas importações. Segundo dados do Instituto Aço Brasil citados pela companhia, o consumo aparente de aço no país cresceu 6,3% na comparação com o segundo trimestre, puxado principalmente pelos produtos planos. No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, entretanto, o indicador apresentou queda de 4,6% em relação ao mesmo período de 2025.</p>
<p>As importações totais de aço aumentaram 19,8% sobre o trimestre anterior, enquanto as entradas de produtos planos cresceram 33,8%. O avanço da oferta importada ampliou a competição no mercado interno e limitou as condições de comercialização das siderúrgicas nacionais.</p>
<p>A administração também apontou os juros elevados como um fator de pressão sobre a atividade industrial e relatou maior cautela dos clientes diante das incertezas econômicas e políticas. Na construção civil, a atividade continuou sustentada principalmente pela construção residencial voltada às faixas de menor renda. No setor automotivo, houve sinais de recuperação na produção de veículos leves, mas a fabricação de veículos pesados permaneceu abaixo do nível de um ano antes.</p>
<h2>América do Sul registra queda de rentabilidade</h2>
<p>O segmento de América do Sul, que reúne operações na Argentina, no Peru e no Uruguai, apresentou o resultado operacional mais fraco na comparação trimestral. O Ebitda ajustado foi de R$ 160 milhões, queda de 22% sobre o segundo trimestre e de 31,8% em relação ao terceiro trimestre de 2025. A margem recuou de 16% para 11,1% em três meses.</p>
<p>A redução da rentabilidade ocorreu apesar do aumento dos embarques. O segmento comercializou 309 mil toneladas de aço, alta de 9,7% na comparação trimestral e de 7,1% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita líquida também avançou, para R$ 1,440 bilhão, crescimento de 12,6% sobre o segundo trimestre.</p>
<p>A evolução divergente entre vendas e Ebitda mostra que o aumento dos volumes não se converteu proporcionalmente em resultado operacional. Os custos das mercadorias vendidas cresceram 17,7% em relação ao segundo trimestre, para R$ 1,304 bilhão, ritmo superior ao avanço da receita líquida.</p>
<p>A companhia atribuiu parte da pressão às paradas programadas de manutenção, concentradas principalmente na Argentina, que reduziram a produção e elevaram os custos unitários pela menor diluição dos gastos fixos. A demanda fraca no mercado argentino e disputas trabalhistas no setor de construção civil do Uruguai também afetaram o ambiente de <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341453">negócios</a>.</p>
<p>No Peru, em contraste, a operação apresentou evolução positiva, impulsionada pela construção civil. A produção e os embarques alcançaram níveis elevados durante o trimestre, ajudando a sustentar o volume comercializado do segmento. O resultado peruano, contudo, não foi suficiente para neutralizar a pressão de custos nas demais operações sul-americanas.</p>
<p>A comparação entre as regiões reforça que o crescimento consolidado não foi uniforme. Enquanto a América do Norte ampliou volumes anuais e elevou significativamente a rentabilidade, o Brasil enfrentou retração das vendas e a América do Sul sofreu com custos e interrupções operacionais.</p>
<h2>Geração de caixa melhora e alavancagem recua</h2>
<p>A geração de caixa livre foi outro destaque do balanço. A Gerdau registrou fluxo de caixa livre positivo de R$ 1,439 bilhão no terceiro trimestre, ante R$ 237 milhões no segundo trimestre e R$ 1,008 bilhão no mesmo período de 2025. O resultado trimestral superou em R$ 1,202 bilhão o valor registrado entre abril e junho.</p>
<p>A melhora foi favorecida pelo avanço do Ebitda ajustado, pela redução do consumo de capital de giro e pelo menor desembolso com juros em relação ao trimestre anterior. O efeito do capital de giro sobre o fluxo de caixa foi negativo em R$ 272 milhões, abaixo do consumo de R$ 933 milhões registrado no segundo trimestre.</p>
<p>No acumulado dos nove primeiros meses do ano, a geração de caixa livre totalizou R$ 1,692 bilhão. No mesmo intervalo de 2025, a companhia havia registrado fluxo negativo de R$ 1,018 bilhão. A diferença de R$ 2,710 bilhões entre os períodos reflete a melhora operacional, a menor necessidade de recursos para investimentos e mudanças no comportamento do capital de giro.</p>
<p>A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado caiu para 0,58 vez, comparada a 0,69 vez no segundo trimestre e 0,81 vez um ano antes. O indicador mostra que a dívida líquida corresponde a menos de um ano de resultado operacional ajustado na proporção utilizada pela empresa, embora não represente, isoladamente, o prazo efetivo de pagamento das obrigações financeiras.</p>
<p>A companhia encerrou o trimestre com saldo de caixa de aproximadamente R$ 5,7 bilhões. No período, também desembolsou R$ 300 milhões na aquisição de participação societária na Dona Francisca Energética S.A., operação relacionada à estratégia de ampliar a geração própria de energia.</p>
<p>A melhora dos indicadores financeiros ocorreu em paralelo à revisão das perspectivas de crédito da empresa. Fitch Ratings e S&amp;P Global Ratings passaram a atribuir perspectiva positiva à Gerdau, mantendo as classificações de crédito informadas pela companhia. A Moody’s, em avaliação divulgada anteriormente, mantinha perspectiva estável. Essas avaliações consideram, entre outros fatores, a capacidade de geração de recursos e a disciplina financeira.</p>
<h2>Investimentos avançam, com projetos previstos para o quarto trimestre</h2>
<p>Os investimentos totalizaram R$ 955 milhões no terceiro trimestre. No acumulado de janeiro a setembro, o montante chegou a aproximadamente R$ 3,1 bilhões, equivalente a 66% do plano de investimentos de R$ 4,7 bilhões previsto para 2026.</p>
<p>A diferença entre o orçamento anual e o montante já aplicado corresponde a cerca de R$ 1,6 bilhão, ou 34% do total planejado, a ser executado no último trimestre caso a previsão original seja mantida. Trata-se de uma estimativa calculada a partir dos valores divulgados e arredondados pela companhia, não de um novo guidance.</p>
<p>Do investimento realizado no terceiro trimestre, 55% foram destinados à competitividade e 45% à manutenção. As operações brasileiras receberam 79% do total aplicado no período, em contraste com a participação predominante da América do Norte na geração de resultado operacional.</p>
<p>Entre os projetos em andamento, a unidade de processamento de sucata de Pindamonhangaba, em São Paulo, iniciou suas operações. A instalação amplia a capacidade de fornecimento de matéria-prima metálica e integra os esforços para aumentar a competitividade das operações brasileiras.</p>
<p>Outro projeto em fase avançada é a plataforma de mineração sustentável de Miguel Burnier, cujo início de operação permanece previsto para o quarto trimestre de 2026. Na América do Norte, a expansão da unidade de Midlothian, no Texas, também entrou em etapa final, com a conclusão dos trabalhos prevista para o fim do ano.</p>
<p>O projeto de Midlothian deverá acrescentar aproximadamente 150 mil toneladas anuais à capacidade de produção de aço bruto da unidade. A conclusão envolve paradas programadas no setor de aciaria, inclusive durante o quarto trimestre. A empresa informou que não espera impacto relevante nos volumes comercializados, apoiada pelos estoques de produtos semielaborados formados nos trimestres anteriores.</p>
<p>A execução dos projetos ocorre simultaneamente à remuneração dos acionistas. Em 26 de outubro, o conselho de administração aprovou a distribuição de R$ 0,34 por ação da Gerdau S.A., totalizando R$ 667 milhões, com pagamento previsto para 15 de dezembro de 2026. O valor se refere à companhia listada sob o código GGBR4 e não deve ser confundido com a distribuição aprovada separadamente pela Metalúrgica Gerdau.</p>
<p>O programa de recompra de ações de 2026 também permaneceu em andamento. Até o encerramento do trimestre, a empresa havia investido R$ 344,1 milhões na aquisição de ações próprias, alcançando 32% do volume autorizado.</p>
<p>Os próximos resultados dependerão da capacidade de preservar as margens norte-americanas durante as paradas de manutenção, executar os investimentos previstos e enfrentar a concorrência das importações e a demanda ainda fraca no Brasil. O balanço do terceiro trimestre mostra que a Gerdau dispõe de geração de caixa e rentabilidade crescentes, mas também evidencia que a contribuição desproporcional da América do Norte se tornou central para o desempenho consolidado.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Gerdau S.A. &#8211; comunicado oficial de resultados do terceiro trimestre de 2026, divulgado em 26 de outubro, com lucro, receita, Ebitda, dividendos e investimentos.</em></p>
<p><em>U.S. Securities and Exchange Commission &#8211; formulário 6-K da Gerdau S.A., de 26 de outubro de 2026, com relatório trimestral, demonstrações financeiras, desempenho por segmento, fluxo de caixa e indicadores de endividamento.</em></p>
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		<item>
		<title>Raízen (RAIZ4) anuncia aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões e mudança para RAIZ55</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/raizen-raiz4-aumento-capital-39-bilhoes-raiz55</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Oct 2026 12:31:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Ações Raízen]]></category>
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		<category><![CDATA[recuperação extrajudicial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Raízen (RAIZ4) anuncia aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões, muda ticker para RAIZ55 e define datas para subscrição de novas ações.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Raízen (RAIZ4) divulgou novas condições para seu aumento de capital privado, que poderá movimentar entre R$ 3,5 bilhões e R$ 39,79 bilhões. A operação prevê a emissão de ações ordinárias, preferenciais classe B e Units, além da concessão de direito de preferência aos atuais acionistas. Os detalhes foram apresentados em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite de segunda-feira (26).</p>
<p>O valor máximo da capitalização foi estabelecido em R$ 39.796.365.804,50, enquanto o mínimo necessário para a homologação será de R$ 3,5 bilhões. A companhia poderá emitir até 159,18 bilhões de novas ações, considerando as diferentes classes e os valores mobiliários que integrarão a operação.</p>
<p>A proposta faz parte da implementação do plano de recuperação extrajudicial da Raízen e de determinadas controladas, apresentado em junho e posteriormente homologado pela Justiça. A reestruturação busca reorganizar as obrigações financeiras e fortalecer a estrutura de capital da companhia, que atua nos setores de combustíveis, açúcar, etanol e bioenergia.</p>
<p>O aumento de capital ainda depende de aprovações societárias. A Assembleia Geral Extraordinária e a Assembleia Especial dos acionistas preferencialistas estão previstas para 30 de outubro, enquanto a deliberação do Conselho de Administração deverá ocorrer em 6 de novembro.</p>
<h2>Raízen define preços das novas ações e das Units</h2>
<p>O aumento de capital será realizado por meio de três emissões simultâneas, com preços previamente determinados. As novas ações ordinárias (ON) serão oferecidas por R$ 0,25 cada, mesmo valor estabelecido para as ações preferenciais classe B (PNB).</p>
<p>As Units, por sua vez, terão preço de emissão de R$ 0,50. Cada Unit será composta por uma ação ordinária e uma ação preferencial classe A (PNA), reunindo os dois papéis em um único valor mobiliário.</p>
<p>Os acionistas poderão escolher quais modalidades pretendem subscrever, dentro dos limites individuais de preferência. Será possível adquirir apenas ações ordinárias, somente preferenciais classe B, exclusivamente Units ou uma combinação dessas alternativas.</p>
<p>As novas ações preferenciais classe A serão emitidas apenas como componentes das Units. Dessa forma, os investidores que desejarem receber novos papéis dessa classe deverão participar por meio da subscrição das Units.</p>
<p>A Raízen recomendou que seus acionistas considerem essa modalidade, uma vez que a administração espera que as Units apresentem maior liquidez após a conclusão da capitalização.</p>
<p>Em contrapartida, as ações preferenciais classe B emitidas na operação não serão admitidas à negociação na B3 nem em <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341441">mercado</a> de balcão organizado. Essa característica representa uma diferença relevante entre os instrumentos oferecidos aos investidores.</p>
<h2>Quem terá direito de preferência no aumento de capital?</h2>
<p>A companhia estabeleceu o dia 6 de novembro de 2026 como data de corte para identificar os acionistas que poderão exercer o direito de preferência na subscrição dos novos valores mobiliários.</p>
<p>Terão acesso à operação, nessa condição, os investidores que possuírem ações da Raízen ao encerramento do pregão da B3 naquela data.</p>
<p>A partir de 9 de novembro, os papéis passarão a ser negociados sem o direito de subscrição. Isso significa que investidores que adquirirem ações a partir desse dia não receberão automaticamente o direito de participar do aumento de capital associado à posição comprada.</p>
<p>O período de exercício da preferência começará em 9 de novembro e terminará em 8 de dezembro de 2026, totalizando 30 dias corridos.</p>
<p>A empresa também divulgou os fatores máximos de subscrição. Para cada ação detida na data de corte, o investidor terá direito de preferência correspondente a aproximadamente 153,5897% em novas ações ordinárias, 153,5897% em ações preferenciais classe B e 649,3029% em Units.</p>
<p>Esses percentuais foram calculados considerando a quantidade máxima de valores mobiliários prevista na operação e o não exercício, pela Cosan, de seu direito de preferência na subscrição de ações preferenciais classe B.</p>
<p>Segundo a Raízen, a estrutura foi elaborada para permitir que os demais acionistas que exerçam integralmente seus direitos possam preservar, ao menos, sua participação proporcional no capital social total da companhia.</p>
<p>O direito de preferência não representa uma obrigação de investimento. O acionista poderá decidir se deseja participar da capitalização, considerando os custos da subscrição, as características dos novos papéis e os possíveis efeitos da emissão sobre sua participação acionária.</p>
<h2>Ações RAIZ4 mudarão de código para RAIZ55 em novembro</h2>
<p>Outra alteração anunciada pela Raízen envolve o código de negociação de suas ações preferenciais na B3.</p>
<p>A partir de 3 de novembro de 2026, os papéis atualmente identificados pelo ticker RAIZ4 passarão a ser negociados como ações preferenciais classe A, sob o código RAIZ55.</p>
<p>A mudança também estabelecerá um fator de cotação de 100 ações e lote padrão de negociação de 100 papéis. Na prática, o preço de referência passará a ser apresentado para um conjunto de 100 ações, em vez de uma única ação.</p>
<p>A companhia esclareceu que essa alteração não representa grupamento de ações nem modifica a quantidade de valores mobiliários detida pelos investidores. O valor econômico das posições também não será alterado exclusivamente pela mudança na forma de cotação.</p>
<p>A Raízen informou ainda que o código RAIZ5, mencionado inicialmente no comunicado de 21 de outubro, foi substituído pela nova identificação RAIZ55.</p>
<p>Os direitos de subscrição também terão fator de cotação e lote padrão de 100 direitos. Quantidades inferiores ao lote padrão continuarão podendo ser negociadas no mercado fracionário, conforme as regras da B3.</p>
<p>Os códigos específicos dos direitos de subscrição serão informados posteriormente pela companhia.</p>
<h2>Aumento de capital poderá provocar diluição dos acionistas</h2>
<p>A emissão de um volume expressivo de novas ações poderá alterar a composição acionária da Raízen. Investidores que não participarem da capitalização estarão sujeitos à redução de sua participação percentual no capital da companhia, dependendo da quantidade final de papéis efetivamente emitidos.</p>
<p>Esse efeito, conhecido como diluição acionária, ocorre quando o número total de ações aumenta sem que determinado investidor adquira novos papéis em proporção suficiente para preservar sua participação.</p>
<p>O direito de preferência funciona como um mecanismo de proteção dos acionistas existentes, permitindo que acompanhem o aumento de capital mediante novos investimentos.</p>
<p>No caso da Raízen, a estrutura considera ainda a capitalização de créditos no contexto do plano de recuperação extrajudicial. Por isso, o teto de R$ 39,79 bilhões não deve ser interpretado integralmente como entrada de dinheiro novo no caixa da empresa, uma vez que a transação contempla diferentes mecanismos de recomposição do capital.</p>
<p>O comunicado também estabelece a possibilidade de homologação parcial do aumento, desde que sejam subscritas pelo menos 14 bilhões de ações, correspondentes ao valor mínimo de R$ 3,5 bilhões.</p>
<p>Não haverá etapa de subscrição de sobras. Os recursos provenientes do exercício do direito de preferência serão integralmente destinados à companhia, conforme as condições estabelecidas no plano de recuperação extrajudicial.</p>
<h2>Capitalização integra recuperação extrajudicial da Raízen</h2>
<p>O aumento de capital representa uma das etapas da reorganização financeira conduzida pela Raízen ao longo de 2026.</p>
<p>A companhia apresentou seu plano de recuperação extrajudicial em junho, com propostas voltadas à renegociação de obrigações financeiras, à conversão de parte dos créditos em participação acionária e à reorganização de sua estrutura de capital.</p>
<p>A recuperação extrajudicial permite que uma empresa negocie diretamente com grupos de credores a reestruturação de determinadas dívidas, submetendo posteriormente o acordo à homologação judicial, conforme os requisitos da legislação brasileira.</p>
<p>No caso da Raízen, o plano busca reduzir a pressão das obrigações financeiras e estabelecer condições para a continuidade das atividades operacionais. A empresa informou anteriormente que a reestruturação contempla mecanismos de conversão de endividamento em capital e reperfilamento de dívidas.</p>
<p>A capitalização anunciada não significa que todas as etapas da recuperação estejam concluídas. A implementação depende do cumprimento das condições previstas no plano, das deliberações societárias e dos demais procedimentos necessários à efetivação das emissões.</p>
<h2>Próximas datas do aumento de capital da Raízen</h2>
<p>O cronograma divulgado pela companhia estabelece uma sequência de eventos até dezembro de 2026. As principais datas são:</p>
<ul>
<li><strong>30 de outubro:</strong> Assembleia Geral Extraordinária e Assembleia Especial de acionistas preferencialistas.</li>
<li><strong>3 de novembro:</strong> mudança do código RAIZ4 para RAIZ55.</li>
<li><strong>6 de novembro:</strong> reunião prevista do Conselho de Administração e data de corte para o direito de preferência.</li>
<li><strong>9 de novembro:</strong> início da negociação sem direito de subscrição e abertura do período de preferência.</li>
<li><strong>8 de dezembro:</strong> encerramento do prazo para exercício da preferência.</li>
<li><strong>16 de dezembro:</strong> reunião prevista para homologação do aumento de capital.</li>
<li><strong>18 de dezembro:</strong> crédito previsto dos novos valores mobiliários aos investidores.</li>
</ul>
<p>A Raízen ressalta que o calendário é indicativo e poderá sofrer alterações, que deverão ser comunicadas ao mercado.</p>
<p>A definição das condições de subscrição representa um avanço na implementação da capitalização, mas o volume final de recursos e a quantidade efetiva de novas ações dependerão da conclusão das etapas societárias e da participação dos investidores.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Raízen S.A. — Comunicado ao Mercado: Atualizações sobre o Aumento de Capital Privado, divulgado à CVM em 26 de outubro de 2026.</p>
<p>Raízen S.A. — Comunicado ao Mercado: Aumento de Capital Privado, divulgado em 21 de outubro de 2026.</p>
<p>Raízen S.A. — Fato Relevante: Aprovação de Medidas Voltadas à Implementação do Plano de Recuperação Extrajudicial, de 30 de setembro de 2026.</p>
<p>Comissão de Valores Mobiliários (CVM) — Sistema <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341442">Empresas</a>.NET, documentos oficiais da Raízen S.A.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Cheirin Bão projeta R$ 500 milhões em 2026 e aposta em 15 mil máquinas automáticas de café</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/cheirin-bao-faturamento-500-milhoes-2026-maquinas-cafe</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2026 21:19:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[ABF]]></category>
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		<category><![CDATA[Boston]]></category>
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		<category><![CDATA[varejo]]></category>
		<category><![CDATA[Wilton Bezerra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cheirin Bão projeta faturamento de R$ 500 milhões em 2026, planeja instalar 15 mil máquinas automáticas de café e prepara expansão nos Estados Unidos.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A rede de cafeterias Cheirin Bão projeta faturamento de pelo menos R$ 500 milhões em 2026 e prepara uma expansão que poderá transformar seu modelo de negócios nos próximos cinco anos. A empresa pretende instalar até 15 mil máquinas automáticas de bebidas quentes no Brasil, ampliando sua presença para além das cafeterias tradicionais. O plano também inclui investimentos em tecnologia, diversificação do cardápio e a abertura da primeira unidade internacional, prevista para novembro, na região de Boston, nos Estados Unidos. A estratégia foi detalhada pelo CEO e cofundador da companhia, Wilton Bezerra, em declarações públicas sobre o crescimento da rede.</p>
<p>O projeto representa uma mudança na forma de distribuição dos produtos. Em vez de depender exclusivamente da abertura de lojas em shoppings e centros comerciais, a Cheirin Bão pretende ampliar as vendas em escritórios, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341403">empresas</a>, consultórios, indústrias e outros locais de circulação de pessoas. Os equipamentos oferecem cafés especiais, cappuccinos e chocolates quentes preparados com formulações desenvolvidas pela rede. A empresa acredita que o novo canal poderá contribuir para dobrar seus resultados em cinco anos, embora a expansão exija investimentos expressivos.</p>
<p>A Cheirin Bão encerrou 2024 com faturamento de R$ 400 milhões e registrou crescimento de 10,5% em 2025, alcançando aproximadamente R$ 442 milhões. A meta de R$ 500 milhões para 2026 representaria avanço de 13,1% sobre o ano anterior. Em comunicações empresariais divulgadas em outubro, a companhia também apresentou uma projeção mais elevada, de R$ 550 milhões, equivalente a crescimento de 24,4%. Os dois valores devem ser tratados como estimativas, uma vez que o exercício financeiro ainda não foi concluído.</p>
<h2>Máquinas automáticas são a principal aposta de expansão</h2>
<p>A nova estratégia comercial começou a ganhar escala em setembro, com o lançamento de um modelo de microfranquia voltado à operação de máquinas automáticas. Diferentemente das cafeterias convencionais, o formato não exige a manutenção de um ponto comercial próprio. Os equipamentos poderão ser instalados diretamente em empresas que desejem oferecer bebidas a funcionários e visitantes. A proposta é atender ambientes onde a demanda por café existe, mas a abertura de uma loja completa não seria economicamente viável.</p>
<p>Segundo Wilton Bezerra, a empresa estabeleceu como objetivo alcançar 15 mil equipamentos em território brasileiro ao longo de cinco anos. Para o período inicial, o planejamento divulgado no lançamento do novo formato prevê a instalação de 3 mil máquinas em dois anos. Essas metas representam etapas diferentes do mesmo projeto e ainda dependem da contratação de franqueados, da aquisição de equipamentos e da disponibilidade de locais adequados. Não se trata, portanto, de máquinas já instaladas ou em operação.</p>
<p>O novo sistema utiliza equipamentos conectados a uma central de monitoramento remoto. A tecnologia permite acompanhar consumo, funcionamento, dosagem de ingredientes e necessidade de manutenção. A companhia estima que entre 80% e 85% das ocorrências técnicas poderão ser resolvidas remotamente. O objetivo é reduzir interrupções de funcionamento e padronizar as bebidas, independentemente da localização da máquina.</p>
<p>A operação inclui oito opções de bebidas, entre cafés coados, espressos, cappuccinos e chocolates quentes. A rede utiliza grãos de café especial produzidos no Sul de Minas Gerais e adapta receitas próprias ao preparo automatizado. Essa padronização será importante para manter características associadas à marca em pontos que não contam com atendimento presencial. O desempenho comercial dependerá, entretanto, da frequência de consumo, do preço das bebidas e da localização de cada equipamento.</p>
<h2>Cheirin Bão prevê R$ 58 milhões em investimentos</h2>
<p>A implantação da nova operação exigirá investimentos em máquinas, tecnologia e infraestrutura de distribuição. Segundo informações empresariais divulgadas no Portal do Franchising, a Cheirin Bão prevê destinar R$ 58 milhões ao projeto em três anos, depois de aplicar R$ 5 milhões em sua estruturação. A companhia também adquiriu um lote inicial de 300 equipamentos para testar receitas e sistemas operacionais. A ampliação dependerá da capacidade de transformar os testes em contratos comerciais sustentáveis.</p>
<p>O CEO reconhece que a expansão poderá pressionar temporariamente a liquidez da empresa. Isso ocorre porque os desembolsos com equipamentos e infraestrutura precisam ser realizados antes que a nova operação gere receitas suficientes para compensá-los. A expectativa da administração é que, a partir do terceiro ano, parte dos investimentos passe a ser financiada pelos resultados produzidos pelas próprias máquinas. Essa projeção dependerá do ritmo de instalação e da rentabilidade efetiva dos pontos.</p>
<p>A distinção entre crescimento de faturamento e geração de caixa será um dos principais desafios financeiros do projeto. Mesmo uma operação com vendas crescentes pode demandar capital adicional quando precisa adquirir grande quantidade de equipamentos antecipadamente. A utilização de franquias transfere parte dos investimentos aos operadores locais, mas não elimina os custos da franqueadora com logística, tecnologia e suporte. O equilíbrio entre expansão e necessidade de capital determinará a capacidade de manter o ritmo planejado.</p>
<h2>Microfranquia exige investimento a partir de R$ 80 mil</h2>
<p>O novo modelo foi desenvolvido para ampliar a participação de empreendedores na rede. Segundo as condições comerciais divulgadas no lançamento, o investimento inicial parte de R$ 80 mil, com contrato de cinco anos que permite a operação de até 30 máquinas. O formato não prevê cobrança de royalties mensais e oferece treinamento comercial e suporte técnico. As condições são diferentes das exigidas para a abertura de uma cafeteria convencional.</p>
<p>A Cheirin Bão oferece duas modalidades operacionais. Na primeira, o franqueado prospecta empresas interessadas e administra os relacionamentos comerciais, enquanto a franqueadora coordena o abastecimento e a manutenção. Na segunda, o operador também assume a gestão direta dos equipamentos e dos insumos. A escolha influencia os custos, as responsabilidades e a margem potencial do negócio.</p>
<p>A rede informou que o formato começou com 35 contratos assinados e estabeleceu a meta de alcançar 100 franqueados até o encerramento de 2026. As estimativas comerciais apresentadas pela companhia indicam prazo de retorno do investimento entre dez e 11 meses, dependendo da operação. Esses valores são projeções da franqueadora, não garantias de rentabilidade. O resultado efetivo dependerá das condições contratuais, da demanda e das despesas de cada franqueado.</p>
<p>O novo canal também poderá ampliar a presença da Cheirin Bão entre consumidores que não frequentam regularmente suas lojas. Uma pessoa que experimente os produtos no ambiente de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341406">trabalho</a> poderá posteriormente reconhecer a marca em cafeterias ou estabelecimentos comerciais. Esse possível efeito de divulgação é um benefício adicional pretendido pela empresa, mas ainda não foi quantificado publicamente. A estratégia combina distribuição de bebidas e exposição da marca.</p>
<h2>Rede ultrapassa 600 lojas e está presente em mais de 300 cidades</h2>
<p>A expansão das máquinas ocorre sobre uma rede física já consolidada. A Cheirin Bão encerrou 2025 com 588 operações, segundo o ranking oficial da Associação Brasileira de Franchising (ABF), ocupando a 42ª posição entre as 50 maiores redes do país. O número representou crescimento de 6,3% em relação às 553 unidades registradas no levantamento anterior. Em 2026, a companhia informou ter ultrapassado 600 estabelecimentos, distribuídos por mais de 300 cidades brasileiras.</p>
<p>O avanço da rede ocorreu tanto pela abertura de novos pontos quanto pela expansão de franqueados que passaram a administrar várias unidades. Essa estrutura oferece à empresa operadores com experiência na gestão de lojas e conhecimento dos mercados locais. Parte deles poderá participar da implantação das máquinas automáticas, utilizando relacionamentos comerciais já estabelecidos. A estratégia permite explorar novos canais sem depender exclusivamente da entrada de franqueados iniciantes.</p>
<p>O interior do Brasil permanece entre as prioridades comerciais da rede. A companhia identifica oportunidades em cidades nas quais o consumo de cafés especiais está em expansão e o investimento necessário para abrir uma loja pode ser inferior ao de determinados pontos comerciais nas capitais. O desenvolvimento de formatos menores também amplia as alternativas para diferentes perfis de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341405">mercado</a>. A viabilidade, contudo, continua condicionada ao fluxo de consumidores e aos custos operacionais.</p>
<h2>Primeira loja nos Estados Unidos está prevista para novembro</h2>
<p>A internacionalização constitui outra frente de crescimento da Cheirin Bão. A companhia pretende inaugurar sua primeira unidade fora do Brasil em 20 de novembro de 2026, na região de Boston, nos Estados Unidos. Para 2027, a empresa planeja abrir outras três ou quatro lojas no mercado americano. O objetivo inicial é testar a aceitação dos produtos e compreender as exigências comerciais antes de acelerar a expansão.</p>
<p>A estratégia será direcionada principalmente à comunidade brasileira residente nos Estados Unidos, com atenção especial aos consumidores familiarizados com a culinária mineira. O cardápio preservará características da marca, incluindo cafés especiais e alimentos inspirados em receitas tradicionais de Minas Gerais. A empresa pretende utilizar essa identificação cultural como ponto de entrada no mercado. Adaptações para o público americano poderão ocorrer conforme a experiência das primeiras unidades.</p>
<p>Boston foi escolhida como ponto inicial de uma operação que poderá alcançar outros mercados americanos. Flórida, Miami, Orlando e Nova Jersey estão entre os locais mencionados pela companhia em seus estudos de expansão. A rede também acompanha oportunidades no Chile e na Colômbia. Nenhuma dessas possibilidades representa, por enquanto, uma rede internacional já estabelecida.</p>
<p>A entrada nos Estados Unidos exigirá adaptação a regras sanitárias, padrões de consumo e condições comerciais diferentes das brasileiras. A competição também envolve grandes redes internacionais e cafeterias independentes com presença consolidada. Para a Cheirin Bão, o desafio será preservar sua identidade mineira sem ignorar as preferências dos consumidores locais. O desempenho das primeiras unidades deverá orientar o ritmo de novos investimentos.</p>
<h2>Alta do café exige compras antecipadas e controle de custos</h2>
<p>A expansão ocorre em um período de volatilidade dos preços do café, matéria-prima essencial para a operação da rede. Segundo Wilton Bezerra, os custos dos grãos especiais aumentaram significativamente nos últimos dois anos, pressionados por condições de safra e oscilações do mercado. O executivo afirmou que determinados cafés chegaram a praticamente dobrar de preço no período. A valorização do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341402">dólar</a> também influenciou os custos de aquisição e a formação de preços.</p>
<p>Para reduzir essas oscilações, a Cheirin Bão utiliza compras antecipadas e procura formar preços médios de aquisição ao longo do tempo. A estratégia permite adquirir lotes em momentos diferentes, diminuindo a exposição a uma única cotação. Também contribui para evitar alterações frequentes nos preços cobrados pelas cafeterias. Segundo o executivo, a rede realizou apenas um reajuste no preço do café nos últimos 18 meses.</p>
<p>A <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341404">política</a> de compras oferece maior previsibilidade, mas não elimina os riscos de mercado. A aquisição antecipada exige disponibilidade financeira e pode gerar custos de armazenagem e manutenção de estoques. Além disso, contratos fechados antes de uma eventual queda dos preços podem se tornar menos vantajosos que compras realizadas posteriormente. A eficiência desse mecanismo dependerá do planejamento de demanda e das condições de fornecimento.</p>
<h2>Cardápio e licenciamento ampliam possibilidades de receita</h2>
<p>A diversificação de produtos integra o planejamento de expansão. A Cheirin Bão mantém bebidas e alimentos inspirados na culinária mineira, incluindo cappuccino com paçoca, sanduíches de pão de queijo e outras receitas próprias. A empresa também passou a desenvolver opções associadas a hábitos de consumo mais saudáveis. A intenção é ampliar o público sem abandonar os produtos que caracterizam a marca.</p>
<p>Outro caminho estudado é o licenciamento de produtos para comercialização fora das cafeterias. A rede já desenvolveu iniciativas em parceria com outras empresas e avalia novas colaborações em segmentos como sorvetes e alimentos. Esse modelo permitiria ampliar a presença comercial sem depender diretamente da abertura de lojas. As negociações ainda não anunciadas não devem, entretanto, ser tratadas como contratos concluídos.</p>
<p>A diferenciação também envolve o atendimento nas unidades físicas. A empresa busca oferecer uma experiência de cafeteria com características de serviço de restaurante, incluindo preparo de bebidas diante do consumidor e atendimento à mesa. Esse posicionamento contrasta com o funcionamento das máquinas automáticas, voltadas à conveniência e à rapidez. A combinação indica uma estratégia de dois canais: experiência presencial nas cafeterias e acesso facilitado aos produtos em ambientes de trabalho e circulação.</p>
<h2>Expansão dependerá de execução e geração de caixa</h2>
<p>A Cheirin Bão entra em uma nova fase de crescimento ao combinar franquias tradicionais, máquinas automáticas e internacionalização. A meta de 15 mil equipamentos representa uma ampliação expressiva da presença comercial da marca, mas exigirá investimento contínuo, capacidade logística e contratos suficientes para sustentar a operação. O projeto de autosserviço poderá criar novas fontes de receita e reduzir a dependência da abertura de lojas completas. Seu resultado dependerá, sobretudo, da capacidade de manter os equipamentos funcionando e gerar vendas recorrentes.</p>
<p>A meta de faturamento para 2026 também precisará ser acompanhada à luz das projeções divulgadas pela companhia. A diferença entre os R$ 500 milhões inicialmente mencionados e os R$ 550 milhões apresentados em comunicações recentes demonstra que as expectativas foram atualizadas ao longo do ano. O desempenho efetivo só poderá ser confirmado com os números consolidados do exercício. Enquanto isso, os investimentos em máquinas, a abertura da unidade de Boston e a evolução das lojas brasileiras serão os principais indicadores para avaliar a execução da estratégia.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Cheirin Bão — Declarações públicas do CEO e cofundador Wilton Bezerra sobre metas de faturamento, expansão das máquinas automáticas, internacionalização e estratégia comercial, outubro de 2026.</p>
<p>Associação Brasileira de Franchising (ABF) — Ranking oficial das 50 Maiores Franquias do Brasil de 2025, divulgado em março de 2026.</p>
<p>Portal do Franchising, da ABF — Informações e declarações empresariais sobre o lançamento da microfranquia de máquinas automáticas, investimentos, contratos e condições comerciais, outubro de 2026.</p>
<p>Cheirin Bão — Portal institucional, informações sobre franquias, cadeia de fornecimento e portfólio de produtos.</p>
<p>Cheirin Bão — Comunicações empresariais de outubro de 2026 sobre projeção de faturamento e expansão internacional.</p>
<p><!-- REGRA REDAÇÃO CNBC --></p>
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		<title>BTG Pactual (BPAC11) compra R$ 13 bilhões em carteiras do BRB (BSLI3) após crise do Banco Master</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/btg-pactual-bpac11-compra-13-bilhoes-carteiras-brb-bsli3-banco-master</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2026 23:23:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>BTG Pactual (BPAC11) teria comprado R$ 13 bilhões em carteiras do BRB (BSLI3) após crise do Banco Master. Entenda os impactos e os riscos da operação.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-metric-area="topo-noticia" data-v-d559f1f7="">
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<p>O BTG Pactual (BPAC11), banco controlado por um grupo de sócios liderado por André Esteves, adquiriu aproximadamente R$ 13 bilhões em carteiras de crédito do Banco de Brasília (BRB; BSLI3) desde dezembro de 2025, período marcado pelo agravamento da crise financeira da instituição pública após suas operações com o Banco Master. As aquisições envolveram empréstimos imobiliários, antecipação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e crédito consignado de servidores do Governo do Distrito Federal (GDF). Segundo informações publicadas nesta sexta-feira (23) pelo UOL, com base em três fontes dos bancos envolvidos, as carteiras foram negociadas com deságio próximo de 30%. O BTG tornou-se o principal comprador desses ativos desde a liquidação do Master pelo Banco Central, em novembro do ano passado.</p>
<p>As operações ocorreram em um momento de necessidade de reforço da liquidez do BRB, que enfrenta dificuldades para recompor seu capital e divulgar demonstrações financeiras atualizadas. A transferência de carteiras permite transformar créditos com recebimento previsto ao longo dos próximos anos em recursos disponíveis imediatamente. Em contrapartida, descontos elevados podem reduzir o valor obtido pela instituição em relação ao montante contratual dos empréstimos. O impacto efetivo sobre o patrimônio depende do valor contábil dos ativos, das provisões constituídas e das condições estabelecidas em cada contrato de cessão.</p>
<p>As negociações teriam se intensificado entre março e julho de 2026, quando o BRB também utilizou mecanismos de liberação de recursos anteriormente sujeitos a recolhimento compulsório para atender às suas obrigações. Segundo a apuração, os bancos continuam discutindo novas transferências de carteiras. Procurados para comentar as operações, BTG Pactual e BRB não se manifestaram. Até a divulgação da reportagem, não havia confirmação pública das instituições sobre o valor agregado de R$ 13 bilhões ou as condições específicas das cessões.</p>
<h2>Carteiras foram negociadas com deságio de aproximadamente 30%</h2>
<p>O desconto relatado nas operações chama a atenção por sua dimensão. Em uma cessão de crédito, o comprador adquire o direito de receber pagamentos futuros de contratos originados por outra instituição financeira. O preço da negociação pode ser inferior ao valor nominal desses contratos, considerando fatores como inadimplência esperada, prazo de recebimento, custo de financiamento e remuneração exigida pelo comprador. No caso das operações entre BTG e BRB, as fontes consultadas pelo UOL apontaram deságio próximo de 30%.</p>
<p>Se os R$ 13 bilhões mencionados corresponderem ao valor nominal das carteiras, um desconto uniforme de 30% representaria um preço teórico de aquisição de aproximadamente R$ 9,1 bilhões. A diferença nominal seria de R$ 3,9 bilhões, mas esse cálculo não pode ser tratado automaticamente como prejuízo contábil do BRB ou lucro do BTG. O resultado econômico depende, entre outros fatores, do valor pelo qual os créditos estavam registrados, das perdas já provisionadas e dos recebimentos efetivamente realizados. As condições contratuais completas não foram divulgadas.</p>
<p>Para o BRB, a principal vantagem imediata é a obtenção de caixa sem precisar esperar o vencimento dos empréstimos. A medida pode contribuir para atender saques, pagamentos e outras obrigações financeiras em períodos de pressão sobre a liquidez. Entretanto, a venda também reduz a participação do banco nos fluxos futuros de receitas gerados pelas carteiras transferidas. A utilização recorrente desse mecanismo pode criar desafios para a recuperação da rentabilidade no longo prazo.</p>
<p>Para o BTG, a aquisição oferece a possibilidade de incorporar ativos geradores de receitas por um preço inferior ao valor de face. O retorno dependerá da qualidade dos contratos, da inadimplência e do custo de administração e financiamento das operações. A compra com desconto não elimina o risco de crédito, especialmente quando há incertezas sobre a capacidade de pagamento dos devedores. A avaliação desses fatores é fundamental para determinar a rentabilidade efetiva das aquisições.</p>
<h2>Crise do BRB começou com operações bilionárias envolvendo o Master</h2>
<p>A situação financeira do Banco de Brasília se deteriorou após a identificação de irregularidades em transações realizadas com o Banco Master, instituição de Daniel Vorcaro liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025. Investigações da Polícia Federal apontaram suspeitas de aquisição de carteiras de crédito sem lastro e outras operações consideradas incompatíveis com as exigências de controle e gestão de riscos. Os problemas levaram à substituição de integrantes da administração e à realização de auditorias independentes. A dimensão das perdas passou a orientar as medidas de recuperação da instituição.</p>
<p>Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, realizada em 9 de junho, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, apresentou informações sobre as operações investigadas. Segundo o executivo, aproximadamente R$ 30 bilhões foram movimentados nas transações entre o BRB e o Master, dos quais R$ 21,9 bilhões permaneceram registrados na instituição em quatro carteiras de investimentos. Desse montante, cerca de R$ 12,1 bilhões foram classificados como ativos irregulares ou de difícil recuperação. A situação exigiu medidas para reforçar o patrimônio e preservar a capacidade operacional do banco.</p>
<p>Esses valores não devem ser confundidos com os R$ 13 bilhões em carteiras que o BTG teria comprado do BRB. O primeiro conjunto está relacionado às operações investigadas envolvendo o Banco Master e à avaliação de possíveis perdas. O segundo refere-se à alienação de ativos para obtenção de liquidez após o agravamento da crise. Não há informação suficiente para afirmar que os créditos adquiridos pelo BTG correspondam às carteiras consideradas irregulares nas operações anteriores.</p>
<p>A distinção também é importante para compreender a origem das dificuldades financeiras. Uma instituição pode enfrentar problemas de liquidez quando não possui recursos imediatamente disponíveis para cumprir suas obrigações, mesmo mantendo ativos em seu balanço. Já uma insuficiência patrimonial ocorre quando as perdas comprometem o capital necessário para absorver riscos e atender às exigências regulatórias. O BRB enfrenta pressões relacionadas às duas dimensões, o que explica a combinação de venda de ativos, busca de financiamento e medidas de capitalização.</p>
<h2>BTG também sondou aquisição da Financeira BRB</h2>
<p>Além das carteiras de crédito, o BTG demonstrou interesse na Financeira BRB, subsidiária responsável por operações de crédito consignado da instituição pública. Segundo as informações obtidas pelo UOL, representantes do banco privado procuraram a administração do BRB durante o primeiro semestre para avaliar a possibilidade de uma negociação. As conversas envolveriam também a gestão da folha de pagamento dos servidores do Governo do Distrito Federal. Não há confirmação de proposta vinculante ou de acordo concluído.</p>
<p>A transferência dessas atividades representaria uma mudança mais profunda do que a simples venda de carteiras existentes. O crédito consignado constitui uma fonte recorrente de receitas para instituições financeiras, especialmente quando relacionado a clientes com pagamentos descontados diretamente da remuneração. Já a administração de folhas salariais permite ampliar o relacionamento com correntistas e oferecer outros produtos bancários. A combinação pode gerar receitas que se estendem por vários anos.</p>
<p>De acordo com a apuração, estudos internos realizados pelo BRB indicaram que uma eventual alienação integral dessas operações poderia prejudicar o banco no longo prazo. O entendimento seria de que a perda de uma atividade estratégica comprometeria parte da capacidade futura de geração de resultados. A alternativa, portanto, não avançou para uma transação anunciada publicamente. O episódio evidencia a diferença entre vender ativos para reforçar o caixa e abrir mão de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341331">negócios</a> considerados essenciais para a continuidade da instituição.</p>
<h2>BRB ainda enfrenta atraso na divulgação de balanços</h2>
<p>A falta de demonstrações financeiras atualizadas continua sendo um dos principais obstáculos à avaliação da situação do Banco de Brasília. A instituição adiou sucessivamente a divulgação dos resultados de 2025 em razão das auditorias e dos ajustes necessários após as investigações sobre o Banco Master. O atraso dificulta a mensuração pública das perdas efetivas e da capacidade do banco de recuperar seus indicadores financeiros. Também restringe as informações disponíveis aos acionistas para avaliar riscos e perspectivas.</p>
<p>Em março, o BRB comunicou ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341334">mercado</a> que a conclusão dos trabalhos de auditoria era necessária para assegurar a confiabilidade dos números apresentados. Posteriormente, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), relacionou a publicação dos balanços à conclusão das negociações de apoio financeiro à instituição. Em setembro, ela voltou a afirmar que o atraso estava associado a questões técnicas e à estruturação de um empréstimo. O banco continuava sem divulgar integralmente os resultados pendentes até esta sexta-feira.</p>
<p>Para os investidores, a ausência de informações financeiras atualizadas aumenta a dificuldade de estimar o valor patrimonial da instituição. Indicadores como índice de Basileia, provisões para perdas, rentabilidade e qualidade da carteira de crédito dependem de dados contábeis consistentes. Sem esses números, também se torna mais difícil avaliar o efeito das vendas realizadas ao BTG. A publicação dos balanços permanece uma etapa relevante para restabelecer a transparência sobre as condições do BRB.</p>
<h2>Empréstimo de até R$ 6,6 bilhões depende de garantias</h2>
<p>O plano de recuperação do BRB inclui uma operação de crédito com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), destinada ao reforço patrimonial da instituição. A Lei Distrital nº 7.845, de 10 de março de 2026, autorizou o Governo do Distrito Federal, controlador do banco, a adotar medidas de capitalização e contratar operações financeiras de até R$ 6,6 bilhões. A legislação também prevê a possibilidade de utilização de bens públicos e outras estruturas admitidas pela regulamentação. O objetivo declarado é preservar a continuidade da instituição e recompor suas condições econômico-financeiras.</p>
<p>Em fato relevante divulgado em 28 de maio, o BRB informou a celebração de um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal para viabilizar a contratação de crédito pelo Distrito Federal junto ao FGC. O modelo envolve garantias prestadas por instituições financeiras e contragarantias relacionadas a receitas públicas do DF, sem aval ou transferência de recursos pela União. O banco esclareceu que a implementação dependeria da conclusão das etapas técnicas, contratuais e regulatórias necessárias. A formalização do acordo, portanto, não representava a liberação automática dos recursos.</p>
<p>Durante audiência no Senado, Nelson Antônio de Souza explicou que o plano previa carência de 18 meses e remuneração equivalente ao IPCA acrescido de 4,5% ao ano. Segundo a apresentação do executivo, o pagamento das parcelas começaria em 2028, com desembolsos mensais próximos de R$ 95,6 milhões. A administração projetava a retomada dos lucros em 2027, após a absorção dos principais impactos das operações investigadas. Essas estimativas dependem da execução do plano de recuperação e não constituem resultados garantidos.</p>
<p>A dificuldade de concluir o financiamento aumenta a importância de outras alternativas de obtenção de recursos. Nesse contexto, a venda de carteiras de crédito constitui uma solução que pode produzir efeito imediato sobre o caixa. Entretanto, operações dessa natureza não substituem necessariamente a necessidade de recomposição de capital. A recuperação financeira depende da combinação entre liquidez suficiente, reconhecimento das perdas e geração futura de resultados.</p>
<h2>Conselho discute alternativas que podem mudar controle do BRB</h2>
<p>As dificuldades de capitalização também levaram integrantes do Conselho de Administração a discutir alternativas estruturais para o Banco de Brasília. Segundo o UOL, uma das possibilidades mencionadas informalmente seria a entrada de novos investidores em condições que reduzissem a participação do Governo do Distrito Federal. Nesse cenário, o controlador público poderia deixar de deter a maioria do capital votante. Não há, contudo, proposta de privatização formalmente anunciada ou operação de transferência de controle aprovada.</p>
<p>Uma mudança dessa natureza exigiria decisões societárias, políticas e regulatórias. A eventual alienação do controle de um banco público precisaria observar a legislação aplicável e as competências da Câmara Legislativa do Distrito Federal, além das exigências do Banco Central. O processo também envolveria a avaliação do patrimônio, dos riscos e das obrigações da instituição. A discussão informal de alternativas não significa que a privatização esteja decidida.</p>
<p>O caráter público do BRB acrescenta uma dimensão <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341332">política</a> ao processo de recuperação. A instituição mantém relações com servidores, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341333">empresas</a> e órgãos governamentais, além de operar produtos financeiros de alcance regional e nacional. Alterações em seu controle poderiam modificar a estratégia de negócios e a relação com o acionista público. Essas consequências precisam ser consideradas separadamente das necessidades imediatas de obtenção de caixa.</p>
<p>A continuidade das atividades também é relevante para a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341335">economia</a> do Distrito Federal. O BRB administra operações de crédito, depósitos e serviços financeiros que envolvem diferentes segmentos da população. Uma reestruturação pode preservar essas atividades, mas seus custos e efeitos dependerão da solução adotada. Até o momento, as discussões divulgadas não permitem estabelecer qual modelo será escolhido.</p>
<h2>O que as operações representam para BTG e BRB</h2>
<p>As compras de carteiras atribuídas ao BTG mostram como instituições com maior capacidade financeira podem atuar como adquirentes de ativos de bancos que precisam reforçar a liquidez. Para o comprador, a operação pode representar uma oportunidade de ampliar a carteira de crédito com remuneração ajustada ao risco. Para o vendedor, permite antecipar recursos que seriam recebidos gradualmente. O equilíbrio econômico depende das condições específicas de cada cessão.</p>
<p>No caso do BRB, a dimensão das operações relatadas demonstra a importância da alienação de ativos na administração da crise. A transferência de R$ 13 bilhões em carteiras representa um volume expressivo, mas o valor recebido e seu impacto contábil ainda não foram detalhados publicamente. Também não há confirmação sobre quanto dessas negociações ocorreu sem retenção de riscos ou outras obrigações pelo banco vendedor. Esses aspectos são necessários para medir os efeitos reais sobre o balanço.</p>
<p>A participação do BTG nas compras não significa que a instituição tenha assumido o controle do BRB ou se comprometido a financiar sua recuperação. A aquisição de carteiras e uma eventual operação societária são negócios distintos, com estruturas contratuais e consequências diferentes. Também não há informação de que o BTG tenha apresentado proposta formal de aquisição da instituição pública. O interesse relatado na Financeira BRB não modifica essa conclusão.</p>
<p>O desfecho da crise dependerá principalmente da capacidade do Banco de Brasília de reconhecer as perdas relacionadas ao Master, concluir as auditorias, obter financiamento e reconstruir sua posição patrimonial. A divulgação dos balanços será essencial para dimensionar o problema e avaliar a eficácia das medidas anunciadas. Até lá, a venda de carteiras continuará entre os instrumentos disponíveis para administrar as necessidades de liquidez. A apuração sobre os R$ 13 bilhões adquiridos pelo BTG acrescenta uma informação relevante sobre a extensão dessas operações, mas suas condições definitivas ainda dependem de confirmação pública pelas instituições envolvidas.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>BRB — Fato relevante de 28 de maio de 2026 sobre o acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal para viabilizar operação de crédito com o Fundo Garantidor de Créditos.</p>
<p>BRB — Fato relevante de 31 de março de 2026 sobre o adiamento da divulgação das demonstrações financeiras de 2025.</p>
<p>Senado Federal — Audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos realizada em 9 de junho de 2026, com esclarecimentos do presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza.</p>
<p>Governo do Distrito Federal — Lei nº 7.845, de 10 de março de 2026, sobre medidas de recomposição patrimonial e fortalecimento financeiro do Banco de Brasília.</p>
<p>BRB — Central de Relações com Investidores, documentos societários e comunicados ao mercado divulgados até 23 de outubro de 2026.</p>
<p>B3 — Cadastro das companhias listadas BTG Pactual (BPAC11) e BRB (BSLI3 e BSLI4).</p>
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		<title>Justiça suspende voto de fundador da Apex Partners em meio a crise de R$ 985,6 milhões</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/apex-partners-justica-suspende-voto-fernando-cinelli</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2026 18:05:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Apex Partners]]></category>
		<category><![CDATA[Credores]]></category>
		<category><![CDATA[crise financeira]]></category>
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		<category><![CDATA[Fernando Cinelli]]></category>
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		<category><![CDATA[investidores]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça do Espírito Santo]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado Financeiro]]></category>
		<category><![CDATA[recuperação judicial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Justiça suspende voto de Fernando Cinelli na Apex Partners em meio a crise de R$ 985,6 milhões. Fundador é acusado de irregularidades financeiras.</p>
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<p>A Justiça do Espírito Santo suspendeu provisoriamente os direitos de voto e de participação em deliberações societárias de Fernando Cinelli, fundador e ex-presidente da Apex Partners, em uma decisão que altera o equilíbrio de poder dentro do grupo financeiro. A medida foi determinada na quinta-feira (22) pela juíza Danielle Nunes Marinho, da 11ª Vara Cível de Vitória, e atinge a participação de 31,8% que o empresário mantém na ABM Partnership Investimentos e Participações, uma das principais sociedades da estrutura de controle da Apex. A decisão ocorre em meio à tentativa de recuperação judicial do conglomerado, que informou endividamento bruto de aproximadamente R$ 985,6 milhões. O afastamento dos direitos políticos do fundador poderá facilitar deliberações relacionadas à reestruturação financeira, embora a disputa judicial sobre sua permanência na sociedade continue em andamento.</p>
<p>A liminar atende parcialmente a uma ação apresentada pela ABM Partnership e por dez sócios que pretendem obter a exclusão definitiva de Cinelli por supostas faltas graves cometidas durante sua administração, entre 2024 e 2026. Entre as irregularidades apontadas estão transferências de recursos para contas pessoais, operações financeiras realizadas sem autorização societária e a inclusão de outros sócios como garantidores de obrigações sem seu consentimento. A magistrada identificou elementos suficientes para justificar medidas preventivas destinadas à proteção dos interesses da sociedade. A decisão, entretanto, não representa condenação definitiva nem comprovação de todas as acusações formuladas contra o empresário.</p>
<p>Além de suspender sua participação nas votações, a Justiça restringiu o acesso irrestrito de Cinelli a sistemas corporativos, e-mails, documentos estratégicos e relatórios relacionados às investigações internas. O objetivo é preservar informações consideradas relevantes para a apuração das operações financeiras contestadas e impedir possíveis interferências na reorganização administrativa. O empresário poderá solicitar judicialmente os documentos necessários ao exercício de seu direito de defesa. A restrição também não determina a perda de sua participação patrimonial na empresa.</p>
<h2>Participação de 31,8% permitia bloquear decisões estratégicas</h2>
<p>O principal efeito da decisão está relacionado às regras de governança da ABM Partnership. Segundo o acordo de sócios, determinadas deliberações consideradas relevantes exigem aprovação de representantes de pelo menos 75% do capital social. Como Cinelli detém 31,8% das cotas, sua oposição poderia impedir a formação desse quórum, mesmo que todos os demais sócios votassem favoravelmente. A Justiça entendeu que a manutenção desse poder poderia comprometer decisões urgentes relacionadas à reestruturação financeira do grupo.</p>
<p>A participação conjunta dos demais sócios corresponde a 68,2% do capital, percentual insuficiente para alcançar o quórum de 75% caso a participação de Cinelli continuasse sendo considerada integralmente no cálculo. Ao determinar a suspensão de seus direitos políticos e a desconsideração temporária de suas cotas para a formação dos quóruns, a magistrada modificou a dinâmica das deliberações. A medida não transfere a propriedade das participações do empresário aos demais integrantes da sociedade. Seu efeito é permitir que determinadas decisões sejam examinadas sem o bloqueio decorrente de seu voto, observadas as regras aplicáveis.</p>
<p>A Justiça também liberou a realização de uma assembleia societária que havia sido suspensa no início de outubro a pedido de Cinelli. A reunião poderá discutir decisões relacionadas à participação da ABM Partnership na recuperação judicial do conglomerado. A autorização para realizar a assembleia, contudo, não equivale à aprovação automática do pedido de recuperação nem resolve todas as controvérsias sobre a validade das deliberações anteriores. Essas questões permanecem sujeitas à análise dos órgãos societários e das autoridades judiciais competentes.</p>
<h2>Transferência de R$ 5 milhões para conta pessoal está entre as acusações</h2>
<p>Uma das principais alegações apresentadas pelos sócios envolve a transferência de R$ 5 milhões de uma conta da ABM Partnership para uma conta pessoal de Fernando Cinelli no BTG Pactual. Os autores da ação sustentam que a movimentação teria ocorrido sem autorização dos demais integrantes da sociedade e sem posterior restituição dos recursos. Ao analisar os documentos apresentados, a magistrada identificou indícios de possível utilização de créditos sociais em benefício próprio. A conclusão foi formulada em caráter preliminar, para fundamentar a concessão da medida de urgência.</p>
<p>A decisão faz referência ao artigo 1.017 do Código Civil, que estabelece consequências para administradores que utilizem bens ou créditos de uma sociedade em proveito próprio ou de terceiros sem consentimento escrito dos sócios. A legislação prevê a obrigação de restituição dos recursos ou pagamento de seu equivalente, além de eventual responsabilização por prejuízos. A aplicação definitiva dessas consequências exige a apuração dos fatos e das circunstâncias das operações. No estágio atual, a existência de uma transferência questionada não constitui, por si só, prova definitiva de desvio patrimonial.</p>
<p>Outras movimentações financeiras também foram mencionadas na ação. Os sócios questionam operações de cessão de créditos futuros de R$ 50 milhões e emissão de debêntures de R$ 26 milhões, supostamente realizadas sem a aprovação necessária pelo acordo societário. A magistrada também registrou questionamentos sobre documentos nos quais integrantes da sociedade aparecem como devedores solidários ou avalistas sem que tenham sido identificadas suas assinaturas ou procurações específicas. As circunstâncias dessas operações deverão ser esclarecidas durante a instrução processual.</p>
<h2>Auditoria interna apontou movimentações superiores a R$ 23 milhões</h2>
<p>Os questionamentos atuais fazem parte de uma crise de governança iniciada em agosto, quando Cinelli foi afastado da presidência da Apex Partners. A administração informou ter identificado inconsistências financeiras durante procedimentos internos de auditoria, incluindo movimentações superiores a R$ 23 milhões para contas pessoais do ex-executivo que, segundo a empresa, não apresentavam justificativas suficientes. O afastamento ocorreu em 5 de agosto, acompanhado da substituição de integrantes da direção financeira. Desde então, a companhia e seu fundador passaram a disputar judicialmente a responsabilidade pelas operações e a legitimidade das decisões administrativas.</p>
<p>A pedido da Apex, a Justiça havia autorizado medidas de bloqueio patrimonial relacionadas às suspeitas. Em 15 de outubro, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo manteve a indisponibilidade de bens de Cinelli até o limite de R$ 5 milhões, mas suspendeu provisoriamente a quebra de seu sigilo bancário anteriormente determinada. A decisão foi proferida pelo desembargador Raphael Americano Câmara, durante a análise de recurso apresentado pelo empresário. A suspensão da medida de acesso aos dados bancários não significou o encerramento das apurações nem a liberação dos bens bloqueados.</p>
<p>É importante distinguir os diferentes valores mencionados na disputa. Os R$ 23 milhões correspondem ao conjunto de movimentações questionadas pela atual direção da Apex, enquanto os R$ 5 milhões representam uma transferência específica apontada na ação societária e também o limite de uma medida de bloqueio patrimonial. Essas quantias possuem fundamentos processuais distintos e não devem ser somadas como se representassem necessariamente operações independentes. A definição de eventuais prejuízos efetivos dependerá da análise financeira e documental dos processos.</p>
<h2>Defesa afirma que decisão não afasta Cinelli da sociedade</h2>
<p>Os advogados de Fernando Cinelli contestaram a liminar e ressaltaram que o empresário continua proprietário de suas cotas na ABM Partnership. Segundo a defesa, a suspensão provisória dos direitos de voto não representa uma conclusão judicial definitiva sobre as acusações formuladas pela administração da Apex. Os representantes do fundador também questionam os efeitos da medida sobre as regras de aprovação da recuperação judicial. Para eles, o afastamento de um sócio com quase um terço do capital modifica a estrutura de decisão originalmente pactuada entre os participantes.</p>
<p>A defesa argumenta que a exigência de aprovação por 75% do capital foi estabelecida justamente para impedir que decisões de grande impacto fossem tomadas sem amplo consenso. Na avaliação dos advogados, a retirada temporária do voto de Cinelli abre caminho para que o pedido de recuperação judicial seja ratificado sem a participação de um dos principais integrantes da sociedade. O empresário sustenta que não possui interesses contrários aos da companhia e que busca preservar a continuidade das operações e os direitos dos investidores. Seus representantes afirmam que as acusações serão esclarecidas no decorrer do processo.</p>
<p>A atual administração da Apex apresenta uma avaliação diferente. Em manifestação pública, a companhia considerou a decisão necessária para preservar as investigações internas e evitar interferências na reorganização do grupo. A direção informou que continuará buscando a exclusão definitiva de Cinelli e sua eventual responsabilização pelos fatos investigados. Ao mesmo tempo, declarou estar concentrada na preparação de um plano de recuperação judicial e na negociação de alternativas para o pagamento dos credores.</p>
<h2>Recuperação judicial envolve dívida de R$ 985,6 milhões</h2>
<p>A disputa pelo controle das decisões societárias ocorre em meio a um processo de reestruturação que envolve centenas de pessoas jurídicas vinculadas à Apex Partners. Em 6 de agosto, o grupo apresentou pedido de tutela cautelar antecedente preparatória de recuperação judicial, inicialmente abrangendo 178 sociedades. Posteriormente, em 14 de setembro, formalizou o pedido principal de recuperação para 148 <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341300">empresas</a>. A abrangência do procedimento passou a ser questionada por investidores, credores e participantes de empreendimentos ligados à plataforma financeira.</p>
<p>Uma decisão de 20 de outubro, assinada pelo juiz Carlos Magno Moulin Lima, registra que o endividamento bruto informado pelo grupo alcançava aproximadamente R$ 985,6 milhões em 30 de junho. Entre os principais compromissos apresentados estavam R$ 452,1 milhões relacionados a debêntures intermediadas pela Rhino Securitizadora e R$ 309,8 milhões em obrigações denominadas cashback, associadas a aproximadamente 1.600 posições de investidores. A documentação também menciona endividamento bancário garantido por avais e tributos em atraso. A composição definitiva do passivo ainda depende de verificações e ajustes documentais.</p>
<p>O valor da causa judicial foi corrigido em setembro para aproximadamente R$ 921,2 milhões, montante diferente do endividamento bruto inicialmente informado. A diferença não significa necessariamente redução efetiva das obrigações financeiras do conglomerado, pois os indicadores possuem finalidades e critérios de apuração distintos. O primeiro representa uma estimativa do passivo apresentado, enquanto o segundo corresponde ao valor atribuído ao processo judicial. A distinção é especialmente importante para evitar interpretações equivocadas sobre o tamanho da crise.</p>
<h2>Investimentos na CVC (CVCB3) contribuíram para dificuldades financeiras</h2>
<p>A deterioração da situação financeira da Apex também está associada a operações realizadas com ações da CVC Corp (CVCB3), companhia de turismo listada na B3. Entre 2025 e 2026, estruturas de investimento ligadas ao grupo acumularam participação superior a 15% na empresa, segundo informações sobre a crise divulgadas durante o processo. Parte dessas operações estava relacionada a compromissos de remuneração de investidores com referência a 100% do CDI, independentemente da evolução das cotações. A desvalorização superior a 30% das ações da CVC em 2026 ampliou as dificuldades para sustentar os resultados prometidos.</p>
<p>O problema financeiro decorre da diferença entre a remuneração assumida nos contratos e o desempenho dos ativos utilizados nas estratégias de investimento. Quando uma operação depende da valorização de ações, mas oferece ao investidor uma referência de retorno desvinculada desse desempenho, oscilações negativas podem criar necessidades adicionais de caixa. O impacto depende da estrutura contratual, da existência de instrumentos de proteção e de eventuais garantias. No caso da Apex, a crise dessas operações se somou a questionamentos sobre a organização contábil e a governança do conglomerado.</p>
<p>Os efeitos extrapolam a relação entre os sócios. Investidores que mantêm contratos de crédito, aplicações ou participações em veículos ligados ao grupo precisam compreender quais empresas respondem por cada obrigação e quais garantias estão disponíveis. A existência de dezenas de sociedades e diferentes estruturas de captação torna essa identificação particularmente complexa. A definição da responsabilidade patrimonial de cada entidade será relevante para determinar a recuperação possível dos créditos.</p>
<h2>Perícia encontrou falhas documentais em empresas do grupo</h2>
<p>A decisão judicial de 20 de outubro também detalha dificuldades relacionadas à apresentação de informações financeiras. A Laspro Consultores, responsável pela constatação prévia, identificou inconsistências contábeis e insuficiência de documentos em sociedades incluídas no pedido de recuperação. Entre os problemas apontados estão ausência de demonstrações financeiras exigidas, divergências em registros contábeis e informações incompletas sobre credores. A perícia informou que ainda não possuía elementos suficientes para concluir sua análise sobre a regularidade do pedido.</p>
<p>A falta de documentação adequada produz consequências que ultrapassam exigências formais. Sem demonstrações financeiras consistentes, torna-se difícil identificar a origem das obrigações, avaliar a capacidade de pagamento e verificar possíveis transferências entre empresas do mesmo grupo. Essa dificuldade também afeta investidores que precisam conhecer a situação patrimonial das sociedades responsáveis por seus contratos. A transparência financeira constitui, portanto, um requisito importante para a negociação de alternativas de recuperação.</p>
<p>O juízo responsável determinou a complementação de documentos e esclarecimentos antes de decidir definitivamente sobre o processamento da recuperação judicial. A decisão também estabeleceu medidas de preservação patrimonial e fiscalização das operações. A existência de tutela cautelar não significa que a recuperação judicial principal já tenha recebido aprovação definitiva. A continuidade do procedimento depende do atendimento às exigências legais e da avaliação judicial.</p>
<h2>Justiça autoriza mediação entre empresa, investidores e credores</h2>
<p>Paralelamente à disputa societária, o Judiciário autorizou a instauração de uma mediação para tentar solucionar parte dos conflitos que envolvem a Apex Partners. A decisão de 20 de outubro prevê negociações sobre governança corporativa, controvérsias entre sócios, garantias financeiras e continuidade de empreendimentos vinculados ao grupo. Poderão participar credores financeiros, representantes de investidores e instituições envolvidas nas operações contestadas. O procedimento será conduzido por mediador independente, a ser escolhido conforme as condições estabelecidas judicialmente.</p>
<p>A mediação não suspende a tramitação da recuperação judicial nem substitui a análise dos requisitos legais para seu processamento. Seu objetivo é criar condições para acordos pontuais sobre questões que possam ser resolvidas consensualmente. Também não determina automaticamente reduções de dívidas, liberação de garantias ou alterações dos direitos dos credores. Esses efeitos dependerão do conteúdo de eventuais acordos e das aprovações necessárias.</p>
<p>A combinação de mediação financeira e disputa pelo controle societário evidencia duas dimensões da crise da Apex. De um lado, o grupo precisa identificar suas obrigações, reorganizar o caixa e construir propostas viáveis para investidores e instituições credoras. De outro, enfrenta divergências internas sobre a legitimidade das decisões tomadas antes e depois do afastamento de seu fundador. A superação de uma dessas dificuldades não representa necessariamente a solução da outra.</p>
<h2>Decisão altera governança, mas não encerra disputa judicial</h2>
<p>A suspensão dos direitos de voto de Fernando Cinelli representa uma mudança relevante no funcionamento da ABM Partnership e poderá permitir o avanço de decisões societárias que estavam bloqueadas. Entretanto, a liminar permanece provisória e sujeita aos desdobramentos da ação que pretende excluir o empresário definitivamente. Sua permanência no quadro societário, a responsabilidade pelas movimentações financeiras questionadas e a validade de determinadas operações ainda dependem de análise judicial. Não existe, até o momento, decisão definitiva que reconheça todas as irregularidades atribuídas ao fundador.</p>
<p>Para os investidores e credores, o principal efeito prático será acompanhar se a alteração na governança permitirá o avanço de um plano consistente de reorganização financeira. A recuperação de valores dependerá da identificação dos ativos disponíveis, da natureza jurídica das obrigações e da capacidade efetiva de pagamento das empresas envolvidas. A mera substituição de dirigentes ou suspensão de direitos políticos não resolve a insuficiência de recursos financeiros. A elaboração de informações contábeis confiáveis continuará sendo condição essencial para a avaliação das propostas.</p>
<p>A Apex Partners chega, assim, a uma nova etapa de sua crise institucional e financeira. A atual administração ganhou respaldo judicial provisório para restringir a atuação de seu fundador, enquanto a defesa mantém questionamentos sobre o cumprimento das regras societárias. A disputa ocorre diante de um passivo próximo de R$ 1 bilhão e de investidores que aguardam esclarecimentos sobre seus contratos e garantias. As próximas decisões judiciais deverão indicar se a reorganização societária será suficiente para viabilizar as negociações ou se novos conflitos continuarão dificultando a recuperação do grupo.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Tribunal de Justiça do Espírito Santo — Decisão da 11ª Vara Cível de Vitória, de 22 de outubro de 2026, sobre suspensão provisória dos direitos políticos de Fernando Cinelli.</p>
<p>Tribunal de Justiça do Espírito Santo — Processo nº 5036987-68.2026.8.08.0024, decisão de saneamento e organização processual de 20 de outubro de 2026.</p>
<p>Apex Partners — Manifestação institucional de 22 de outubro de 2026 sobre a disputa societária e a recuperação judicial.</p>
<p>Defesa de Fernando Cinelli — Manifestação sobre a decisão provisória de suspensão dos direitos de voto, de 22 de outubro de 2026.</p>
<p>Laspro Consultores — Relatórios de constatação prévia apresentados no processo de recuperação judicial da Apex Partners, conforme registros da decisão de 20 de outubro de 2026.</p>
<p>Presidência da República — Lei nº 10.406/2002, Código Civil, especialmente o artigo 1.017.</p>
<p>Presidência da República — Lei nº 11.101/2005, Lei de Recuperação de Empresas e Falência.</p>
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		<item>
		<title>Petz Cobasi (AUAU3) aprova recompra de até 17,6 milhões de ações; veja impacto para acionistas</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/petz-cobasi-auau3-recompra-17-milhoes-acoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2026 17:29:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[União Pet]]></category>
		<category><![CDATA[varejo pet.]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Petz Cobasi (AUAU3) aprova recompra de até 17,6 milhões de ações, equivalente a 10% dos papéis em circulação. Entenda os efeitos para acionistas.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Petz Cobasi (AUAU3), uma das maiores empresas do varejo de produtos e serviços para animais de estimação do Brasil, anunciou nesta sexta-feira (23) a aprovação de um programa de recompra de até 17.644.359 ações ordinárias. A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração da União Pet Participações, controladora do grupo formado pela combinação dos <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341302">negócios</a> de Petz e Cobasi, em reunião realizada na quinta-feira (22). O volume autorizado representa 10% das ações em circulação no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341301">mercado</a> e aproximadamente 2,05% do total de papéis emitidos pela companhia. A iniciativa busca aprimorar a estrutura de capital e ampliar a geração de valor para os acionistas.</p>
<p>O programa terá duração de até 18 meses, com início em 23 de outubro de 2026 e prazo máximo para liquidação das operações em 23 de abril de 2028. As aquisições serão realizadas na B3, a preços de mercado, com intermediação do BTG Pactual Corretora de Títulos e Valores Mobiliários. A diretoria da companhia ficará responsável por definir as datas e as quantidades de ações efetivamente adquiridas durante o período. A aprovação estabelece um limite para as operações, mas não representa compromisso de utilização integral do volume autorizado.</p>
<p>Segundo a companhia, o objetivo é aumentar a eficiência na administração dos recursos financeiros e potencializar o retorno aos investidores. Os papéis adquiridos poderão permanecer em tesouraria para posterior cancelamento, alienação ou utilização em programas de remuneração baseada em ações destinados a administradores. Essas alternativas permitem à empresa ajustar sua estrutura acionária conforme as condições financeiras e de mercado. Os efeitos econômicos dependerão, entretanto, do volume comprado, dos preços pagos e da destinação final dos títulos.</p>
<h2>Recompra poderá atingir 10% das ações em circulação</h2>
<p>De acordo com as informações divulgadas ao mercado, a Petz Cobasi possui atualmente 176.443.590 ações ordinárias em circulação, equivalentes a 20,50% do total de ações emitidas. A companhia mantém ainda 3.113.385 papéis em tesouraria, participação correspondente a aproximadamente 0,36% de seu capital. O novo programa estabelece um teto de aquisição de 17.644.359 ações, correspondente a 10% do volume em circulação na data de aprovação. Esse limite será observado em conjunto com as demais restrições previstas na regulamentação do mercado de capitais.</p>
<p>A distinção entre ações emitidas e ações em circulação é importante para compreender os percentuais anunciados. O capital total inclui participações mantidas por acionistas controladores e outros grupos, enquanto o conceito regulatório de ações em circulação exclui determinadas participações. Por essa razão, a recompra autorizada representa 10% dos papéis considerados em circulação, mas apenas 2,05% do total emitido. Os percentuais utilizam bases de cálculo diferentes e não indicam informações contraditórias.</p>
<p>O número máximo aprovado também não significa que a empresa poderá acrescentar integralmente os novos papéis à quantidade já mantida em tesouraria sem outros ajustes. A Resolução CVM nº 77 estabelece limites para a manutenção de ações próprias, incluindo aquelas detidas por sociedades controladas ou coligadas e determinadas exposições por derivativos. Assim, a execução do programa deverá considerar o saldo existente e eventuais cancelamentos ou alienações realizados durante sua vigência. O cumprimento desses parâmetros será uma condição permanente para a administração das recompras.</p>
<h2>Como a recompra pode beneficiar os acionistas da Petz Cobasi</h2>
<p>A aquisição de ações próprias é uma ferramenta utilizada por companhias abertas para administrar sua estrutura de capital e, em determinadas circunstâncias, distribuir valor aos investidores. Ao comprar papéis no mercado, a empresa reduz a quantidade disponível para negociação e passa a manter essas ações em tesouraria. Caso posteriormente sejam canceladas, haverá diminuição do número total de ações emitidas. Esse movimento pode ampliar proporcionalmente a participação dos acionistas que permanecerem na companhia.</p>
<p>O efeito pode ser ilustrado pela situação de um investidor que mantém a mesma quantidade de ações antes e depois de um eventual cancelamento. Se o número total de papéis da companhia diminuir, sua participação percentual no capital aumentará, mesmo sem novas aquisições. Esse benefício, contudo, depende da efetiva redução do capital representado pelas ações canceladas e não apenas da aprovação de um programa. A valorização das ações na Bolsa continuará sujeita às condições de mercado, aos resultados operacionais e às expectativas dos investidores.</p>
<p>Outro possível impacto envolve a distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio. De acordo com a regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários, ações mantidas em tesouraria não possuem direito a voto nem ao recebimento de proventos em dinheiro. Dessa forma, uma eventual distribuição do mesmo montante financeiro entre uma quantidade menor de ações com direito ao pagamento poderá elevar o valor recebido por papel. Isso não representa, entretanto, garantia de aumento dos dividendos ou aprovação de novos pagamentos.</p>
<p>A recompra também pode influenciar indicadores utilizados na avaliação das companhias, como o lucro por ação. Quando o lucro permanece constante e diminui a quantidade média ponderada de ações considerada no cálculo, o resultado por papel tende a aumentar. A mudança, porém, não corresponde necessariamente a uma expansão da atividade empresarial ou da geração operacional de caixa. Para avaliar o efeito econômico, é necessário considerar o desembolso realizado nas aquisições e sua relação com os resultados futuros.</p>
<h2>Ações poderão ser canceladas, revendidas ou usadas na remuneração de executivos</h2>
<p>O programa aprovado pela Petz Cobasi permite diferentes destinações para os papéis recomprados. A companhia poderá cancelar parte das ações adquiridas, reduzindo o total emitido, ou mantê-las temporariamente em tesouraria. Também será possível realizar uma venda posterior no mercado, respeitadas as condições legais e regulamentares. A escolha dependerá das necessidades financeiras e das decisões administrativas tomadas ao longo da execução.</p>
<p>A utilização de ações para remuneração baseada em desempenho constitui outra finalidade prevista. Nesse modelo, papéis mantidos em tesouraria podem ser destinados ao cumprimento de obrigações de programas de incentivo de longo prazo para administradores. A estrutura busca associar parte da remuneração de executivos aos resultados e ao desempenho da companhia. A efetiva utilização dependerá das regras dos programas aplicáveis e das respectivas autorizações societárias.</p>
<p>As diferentes possibilidades produzem consequências distintas para os acionistas. O cancelamento reduz definitivamente o número de ações emitidas, enquanto uma revenda posterior recoloca os papéis em circulação. A transferência para programas de remuneração também altera o estoque de ações mantido pela empresa. Portanto, a recompra não deve ser interpretada automaticamente como uma redução permanente do capital acionário.</p>
<h2>Operações dependerão de recursos financeiros disponíveis</h2>
<p>A Petz Cobasi informou que utilizará recursos disponíveis para financiar as operações, observando as disposições da Resolução CVM nº 77. A legislação estabelece requisitos destinados a preservar a integridade financeira das companhias que negociam ações próprias. Entre os aspectos considerados estão a existência de recursos autorizados para esse tipo de operação e a capacidade de cumprir obrigações financeiras. A companhia deverá verificar o atendimento dessas condições no momento de cada aquisição.</p>
<p>O programa não apresenta um orçamento financeiro fixo para a compra de todos os papéis autorizados. Como as transações ocorrerão a preços de mercado, o valor total desembolsado dependerá das cotações registradas em cada operação. Caso as ações apresentem valorização durante os próximos meses, a aquisição da mesma quantidade exigirá maior volume de recursos. Em um cenário de queda dos preços, o desembolso poderá ser menor, sem que isso elimine os riscos envolvidos.</p>
<p>A decisão também estabelece uma escolha de alocação de capital para a administração. Os recursos destinados à recompra deixam de estar disponíveis, naquele momento, para alternativas como investimentos em lojas, tecnologia, logística ou redução de endividamento. O retorno econômico dependerá da comparação entre o benefício esperado com a aquisição de ações e o potencial oferecido por outras aplicações dos recursos. Essa avaliação será particularmente relevante em uma companhia que ainda desenvolve iniciativas de integração após uma importante combinação empresarial.</p>
<h2>Programa ocorre após fusão entre Petz e Cobasi</h2>
<p>A autorização para recomprar ações acontece no primeiro ano de operação da companhia resultante da combinação entre Petz e Cobasi. A reorganização societária foi concluída em janeiro de 2026, após a aprovação da operação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), condicionada ao cumprimento de compromissos concorrenciais. O negócio reuniu duas das principais redes brasileiras de produtos e serviços para animais de estimação. A empresa combinada passou a negociar suas ações na B3 sob o código AUAU3.</p>
<p>Na estrutura definida para a operação, os acionistas da antiga Petz passaram a deter aproximadamente 52,6% da companhia resultante, enquanto os acionistas da Cobasi ficaram com cerca de 47,4%. O último pregão das ações PETZ3 ocorreu em 2 de janeiro de 2026, com o início das negociações de AUAU3 em 5 de janeiro. A mudança representou uma nova etapa para o grupo, que passou a reunir operações físicas, canais digitais e serviços especializados. A integração das atividades constitui um dos principais desafios administrativos após a fusão.</p>
<p>A estratégia empresarial está concentrada na combinação de redes comerciais, integração logística e aproveitamento de possíveis ganhos de escala. O setor de produtos para animais de estimação apresenta oportunidades relacionadas ao consumo recorrente de alimentos, medicamentos e serviços, mas também enfrenta competição e pressões sobre custos operacionais. A capacidade de transformar o crescimento das receitas em geração consistente de caixa será relevante para sustentar investimentos e eventuais recompras. Nesse contexto, a decisão do conselho acrescenta uma ferramenta de gestão financeira ao processo de consolidação do grupo.</p>
<h2>Mercado acompanhará balanço do terceiro trimestre em novembro</h2>
<p>A aprovação da recompra ocorre antes da divulgação dos resultados financeiros do terceiro trimestre de 2026, programada para 12 de novembro, após o encerramento do pregão. A companhia realizará sua teleconferência de resultados no dia seguinte, conforme o calendário corporativo divulgado aos investidores. O balanço deverá oferecer informações atualizadas sobre geração de caixa, desempenho operacional, despesas e investimentos. Esses indicadores poderão ajudar o mercado a avaliar a capacidade financeira de execução do programa.</p>
<p>A evolução da rentabilidade será um dos aspectos relevantes para os acionistas. Programas de recompra podem ser interpretados como sinal de confiança da administração nas perspectivas da própria companhia, mas também exigem avaliação sobre o uso eficiente dos recursos. Uma autorização de compra não elimina riscos relacionados à concorrência, às despesas operacionais ou à execução da estratégia empresarial. O preço pago pelos papéis também influencia o resultado econômico da iniciativa.</p>
<p>Outro ponto de acompanhamento será o comportamento do mercado após as primeiras operações efetivamente realizadas. A eventual presença da companhia como compradora pode representar uma fonte adicional de demanda por suas ações, dependendo do volume e da frequência das negociações. Contudo, não existe garantia de sustentação das cotações ou de valorização do ativo durante a vigência do programa. Oscilações decorrentes dos resultados corporativos, do ambiente macroeconômico e do desempenho do setor continuarão influenciando o preço de AUAU3.</p>
<h2>O que muda para quem possui ações AUAU3</h2>
<p>Para os investidores que já possuem ações da Petz Cobasi, a decisão não exige qualquer procedimento imediato. A autorização permite que a companhia realize compras no mercado durante os próximos 18 meses, mas não estabelece uma oferta direta de aquisição dirigida individualmente aos acionistas. Também não representa anúncio de dividendos extraordinários ou de pagamento adicional. Seus efeitos serão conhecidos à medida que a empresa divulgar as operações realizadas e a destinação dos papéis.</p>
<p>A principal informação a acompanhar será a diferença entre o volume autorizado e o efetivamente adquirido. A companhia poderá utilizar apenas parte do limite aprovado, dependendo da disponibilidade financeira e das condições de mercado. O preço médio das aquisições e a manutenção dos limites de tesouraria também serão importantes para avaliar a execução. Posteriores cancelamentos ou alienações poderão alterar os efeitos inicialmente esperados.</p>
<p>A aprovação do programa de recompra reforça a intenção declarada pela administração da Petz Cobasi de utilizar sua estrutura de capital como instrumento de geração de valor. A autorização de até 17,6 milhões de ações estabelece uma capacidade relevante de atuação no mercado, sem comprometer antecipadamente a aquisição de todo o volume. O resultado para os acionistas dependerá da disciplina financeira, das condições de execução e do desempenho econômico do grupo. Até abril de 2028, a companhia terá a possibilidade de adaptar as operações às necessidades de sua estratégia empresarial.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>União Pet Participações S.A. — Fato Relevante sobre o Programa de Recompra de Ações, divulgado em 23 de outubro de 2026.</p>
<p>União Pet Participações S.A. — Deliberação do Conselho de Administração de 22 de outubro de 2026.</p>
<p>Comissão de Valores Mobiliários — Resolução CVM nº 77/2022, texto consolidado.</p>
<p>Grupo Petz Cobasi — Informações oficiais de Relações com Investidores sobre a combinação de negócios entre Petz e Cobasi.</p>
<p>Grupo Petz Cobasi — Calendário corporativo de divulgação dos resultados financeiros de 2026.</p>
<p>Comissão de Valores Mobiliários — Lei nº 6.404/1976, Lei das Sociedades por Ações.</p>
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		<title>Casas Bahia (BHIA3) é acusada de transferir R$ 75,1 milhões de conta vinculada a debêntures</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/casas-bahia-bhia3-transferencia-75-milhoes-debentures-recuperacao-judicial</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2026 16:44:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Casas Bahia (BHIA3) é questionada por transferência de R$ 75,1 milhões de conta garantidora de debêntures. Oliveira Trust pede investigação judicial.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-metric-area="topo-noticia" data-v-d559f1f7="">
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<p>O Grupo Casas Bahia (BHIA3) enfrenta novos questionamentos judiciais sobre a movimentação de recursos financeiros após apresentar seu pedido de recuperação judicial, em agosto de 2026. A Oliveira Trust, instituição responsável por representar investidores em debêntures da varejista, acusa a companhia de transferir R$ 75,1 milhões de uma conta vinculada a garantias contratuais para outra conta de livre movimentação do próprio grupo. As operações teriam ocorrido entre 17 e 24 de agosto, imediatamente após o ajuizamento do pedido de recuperação, apresentado no dia 16 daquele mês. A controvérsia foi levada à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e ainda depende de esclarecimentos e análise judicial.</p>
<p>A instituição também questiona uma redução expressiva no volume de pagamentos recebidos por Pix na conta destinada à garantia dos investidores. Segundo os dados apresentados pela Oliveira Trust, o fluxo médio diário caiu de R$ 16,5 milhões na primeira semana de agosto para aproximadamente R$ 122 mil na última semana, retração de 99,3%. A representante dos credores suspeita que parte dos pagamentos realizados por consumidores tenha passado a ser direcionada para contas diferentes daquelas previstas nos instrumentos contratuais. A diminuição dos recebimentos, entretanto, não comprova isoladamente desvio de recursos ou prática de fraude.</p>
<p>A discussão ocorre em um momento particularmente delicado para a varejista, que tenta reorganizar suas obrigações financeiras e negociar condições de pagamento com credores. Na quarta-feira (21), a Justiça paulista deferiu o processamento da recuperação judicial do grupo, mas também determinou novas manifestações sobre controvérsias envolvendo suas debêntures. A decisão, assinada pela juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, registra expressamente uma comunicação da Oliveira Trust sobre possível desvio de recebíveis relacionado à primeira série da 11ª emissão desses títulos. Até o momento, não existe decisão judicial reconhecendo a ocorrência de fraude nas movimentações questionadas.</p>
<h2>Transferências de R$ 75,1 milhões ocorreram após pedido de recuperação judicial</h2>
<p>O principal ponto da contestação envolve operações realizadas em uma conta mantida no Banco do Brasil, destinada a receber pagamentos por Pix e vinculada às garantias de debêntures emitidas pela Casas Bahia. Conforme os elementos apresentados pela Oliveira Trust, R$ 75,1 milhões foram transferidos dessa estrutura para outra conta do grupo entre 17 e 24 de agosto. Os lançamentos bancários foram identificados com a descrição &#8220;144-GARANTIA TRANSF&#8221;, utilizada nas movimentações contestadas. A representante dos investidores sustenta que as transferências ocorreram quando determinadas condições contratuais para a liberação dos recursos não estariam sendo cumpridas.</p>
<p>Pelo mecanismo previsto nos contratos, a varejista poderia movimentar valores recebidos nas contas garantidoras enquanto fossem observados requisitos específicos. Entre essas condições estava a manutenção de um fluxo mínimo mensal de R$ 200 milhões, conforme a estrutura de garantias aplicável. A Oliveira Trust afirma que a exigência não estava sendo atendida no período em que os R$ 75,1 milhões foram transferidos. A interpretação das cláusulas e a verificação do efetivo cumprimento das condições ainda precisam ser examinadas no processo.</p>
<p>Outro elemento relevante é a identificação do destino dos recursos. A instituição afirma que não conseguiu determinar, com base na documentação analisada, qual banco e qual conta receberam definitivamente os valores transferidos em agosto. Essa informação é considerada necessária para reconstruir a movimentação financeira e verificar se os recursos permaneceram dentro da estrutura operacional do grupo. A ausência de identificação conclusiva do destino, contudo, não permite afirmar que o dinheiro tenha saído do patrimônio da companhia ou beneficiado terceiros irregularmente.</p>
<h2>Queda de 99,3% nos pagamentos por Pix amplia questionamentos</h2>
<p>Os dados apresentados pela Oliveira Trust indicam uma mudança acentuada no comportamento dos recebíveis vinculados à garantia. Na primeira semana de agosto, a conta registrava entradas médias de aproximadamente R$ 16,5 milhões por dia, enquanto na última semana esse volume havia recuado para cerca de R$ 122 mil. A diferença corresponde a uma redução aproximada de R$ 16,38 milhões na média diária de recebimentos. A intensidade da queda levou a representante dos debenturistas a questionar se os pagamentos continuavam sendo direcionados às contas contratualmente previstas.</p>
<p>A análise desse movimento exige distinguir a redução efetiva das vendas de uma eventual alteração nas contas utilizadas para receber os pagamentos. Uma diminuição no faturamento poderia afetar o volume de recursos que ingressam nas contas garantidoras, mas não demonstraria, por si só, descumprimento contratual. Por outro lado, a manutenção das vendas acompanhada de redirecionamento dos recebimentos poderia indicar uma mudança relevante no funcionamento da estrutura financeira. A verificação depende do cruzamento entre informações bancárias, dados de vendas e registros das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341298">empresas</a> responsáveis pelo processamento dos pagamentos.</p>
<p>Para esclarecer o destino dos recebimentos, a Oliveira Trust realizou uma compra de R$ 578,90 no comércio eletrônico da varejista em 6 de outubro. O comprovante da transação identifica o Grupo Casas Bahia como recebedor, mas aponta uma conta no Itaú como destino do pagamento por Pix, em vez da conta no Banco do Brasil vinculada às garantias questionadas. A instituição apresentou o documento como elemento adicional de sua argumentação judicial. A operação, entretanto, ocorreu em outubro e não demonstra qual foi o destino dos R$ 75,1 milhões movimentados em agosto.</p>
<p>Esse intervalo temporal constitui uma distinção importante para a análise do caso. A transação utilizada como teste permite questionar o direcionamento de um pagamento específico, mas não comprova que o mesmo procedimento tenha sido adotado para todas as vendas ou durante o período das transferências contestadas. Também será necessário verificar se existiam autorizações contratuais ou operacionais para a utilização de outras contas de recebimento. Sem essas informações, permanece em aberto a natureza das movimentações apontadas pela instituição.</p>
<h2>Recebíveis de cartão também entram na disputa</h2>
<p>Os questionamentos não se limitam aos pagamentos instantâneos. A Oliveira Trust também aponta uma redução expressiva dos recursos provenientes de vendas com cartões, outra modalidade de recebíveis utilizada na estrutura de garantias da emissão de debêntures. Segundo a manifestação, entre 1º e 24 de setembro a conta correspondente recebeu apenas R$ 30 mil em pagamentos de cartão. No mês anterior, a varejista havia realizado aportes adicionais de R$ 22 milhões, sendo o último registrado em 7 de agosto.</p>
<p>A instituição sustenta que o contrato previa movimentação mínima de R$ 200 milhões mensais na conta vinculada a essa modalidade de recebimento. Em períodos anteriores, segundo sua argumentação, a Casas Bahia teria complementado os valores depositados após notificações relacionadas ao cumprimento das condições contratuais. Esses aportes não devem ser confundidos com o faturamento efetivamente obtido por meio de cartões, já que poderiam ter origem em outros recursos da companhia. A distinção será necessária para determinar se ocorreu descumprimento das obrigações de manutenção das garantias.</p>
<p>A Oliveira Trust informou ter encaminhado uma instrução de bloqueio da conta vinculada aos cartões em 18 de agosto e outra relacionada aos pagamentos por Pix em 26 de agosto. Essa sequência revela que as transferências contestadas, realizadas entre 17 e 24 de agosto, ocorreram antes da instrução formal de bloqueio da conta de Pix. A circunstância não resolve a discussão sobre o cumprimento das cláusulas de movimentação, mas impede que as operações sejam automaticamente classificadas como violação de uma ordem de bloqueio posterior. A instituição solicitou esclarecimentos ao Banco do Brasil sobre os procedimentos adotados e a implementação das instruções.</p>
<h2>Justiça determina manifestação da Casas Bahia e análise da administradora judicial</h2>
<p>A decisão de 21 de outubro, proferida no processo de recuperação judicial nº 4152930-18.2026.8.26.0100, estabelece uma sequência de manifestações para examinar os questionamentos relacionados às debêntures. A juíza determinou que as empresas em recuperação se pronunciem no prazo de cinco dias, seguido de manifestação da administradora judicial em 15 dias. Depois dessas etapas, o Ministério Público deverá analisar os elementos apresentados, especialmente as alegações sobre desvio de recebíveis. A decisão não reconhece a procedência das acusações nem determina, naquele momento, uma conclusão sobre eventual irregularidade.</p>
<p>O documento judicial identifica a manifestação da Oliveira Trust sobre os recebíveis como evento 1965 do processo, relacionado aos titulares da primeira série da 11ª emissão de debêntures. A decisão também trata de outra controvérsia envolvendo a segunda série da mesma emissão, especialmente quanto à conversão de títulos em ações e à natureza dos créditos no procedimento recuperacional. Embora os assuntos envolvam instrumentos financeiros da mesma emissão, possuem objetos distintos e exigem análises jurídicas específicas. A eventual solução de uma dessas disputas não determina automaticamente o resultado da outra.</p>
<p>A administradora judicial AJ Ruiz Consultoria Empresarial, nomeada para acompanhar a recuperação, deverá avaliar as manifestações e os documentos apresentados pelas partes. Entre suas atribuições estão a fiscalização das atividades das empresas, o acompanhamento de informações financeiras e a elaboração de relatórios destinados ao juízo e aos credores. No caso dos recebíveis, a análise poderá depender da reconstrução das operações bancárias e da interpretação dos instrumentos de garantia. A decisão judicial prevê que o Ministério Público se manifeste depois da administradora judicial.</p>
<p>A Oliveira Trust também solicitou a apresentação de extratos bancários completos e a identificação das contas envolvidas nas movimentações questionadas. Entre as diligências pretendidas estão pedidos de informações a instituições financeiras e participantes do sistema de pagamentos. O objetivo é esclarecer se os valores foram movimentados conforme os contratos e se os recebíveis continuaram destinados à estrutura de garantia dos debenturistas. Esses pedidos ainda dependem de apreciação judicial, não podendo ser tratados como medidas integralmente autorizadas.</p>
<h2>O que está em jogo para os investidores em debêntures</h2>
<p>As debêntures são instrumentos utilizados por empresas para captar recursos diretamente de investidores, mediante compromisso de pagamento nas condições estabelecidas em escritura de emissão. Dependendo da estrutura contratual, esses títulos podem contar com garantias que oferecem proteção adicional aos credores. No caso da Casas Bahia, a primeira série da 11ª emissão está vinculada a mecanismos que envolvem determinados recebíveis financeiros. A Oliveira Trust atua como agente fiduciário, responsável por representar os interesses dos investidores e acompanhar o cumprimento das obrigações previstas.</p>
<p>A discussão sobre o direcionamento dos recebíveis é relevante porque esses recursos podem representar uma fonte de segurança para o pagamento das dívidas. Se determinados fluxos financeiros estiverem contratualmente vinculados aos credores, sua utilização deve observar as regras estabelecidas nos instrumentos de garantia e a legislação aplicável. Uma eventual alteração irregular nessa estrutura poderia produzir consequências contratuais e patrimoniais. Entretanto, a identificação dessas consequências exige examinar a natureza jurídica das garantias, os direitos envolvidos e as decisões já proferidas na recuperação judicial.</p>
<p>A Lei nº 11.101/2005 estabelece regras específicas sobre créditos sujeitos à recuperação judicial e sobre determinadas garantias fiduciárias. O artigo 49 prevê, entre outras disposições, situações nas quais direitos de propriedade fiduciária recebem tratamento diferente daquele aplicado aos créditos comuns. A definição da natureza de cada obrigação é importante para estabelecer os direitos dos investidores e os limites de utilização dos ativos vinculados. Não é possível concluir, apenas pela existência de uma conta garantidora, que todos os recursos depositados estejam automaticamente excluídos dos efeitos da recuperação judicial.</p>
<h2>Recuperação judicial da Casas Bahia amplia importância das garantias</h2>
<p>O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia foi apresentado em 16 de agosto de 2026, em meio à necessidade de reestruturação de um passivo financeiro de aproximadamente R$ 17,3 bilhões. A companhia atribuiu sua situação a fatores como o aumento do endividamento, a elevação dos juros, mudanças no consumo e dificuldades enfrentadas pelo varejo de bens duráveis. A medida busca permitir a reorganização das obrigações e a preservação das atividades empresariais durante as negociações com credores. A varejista permanece em funcionamento enquanto o processo é conduzido pela Justiça.</p>
<p>Em 21 de outubro, a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira deferiu o processamento da recuperação judicial da companhia e de outras nove empresas do grupo. A decisão confirmou a continuidade do procedimento e manteve os efeitos da proteção judicial anteriormente concedida, observadas as exceções legais. Também foram estabelecidas obrigações de apresentação de documentos e prestação de informações durante a recuperação. O deferimento do processamento, contudo, não representa aprovação definitiva do plano de pagamento nem reconhecimento da viabilidade econômica de longo prazo.</p>
<p>A controvérsia sobre os R$ 75,1 milhões surge justamente em uma etapa na qual a disponibilidade de caixa é fundamental para a manutenção das operações. Para a companhia, o acesso aos recursos financeiros influencia pagamentos a fornecedores, reposição de estoques e continuidade das vendas. Para os investidores, a preservação das garantias é essencial para reduzir os riscos de perda dos valores aplicados em títulos de dívida. A solução judicial deverá considerar os direitos contratuais e as disposições da legislação recuperacional.</p>
<p>O episódio também evidencia a importância da transparência sobre movimentações financeiras durante processos de reestruturação. A identificação da origem e do destino dos recebíveis permite verificar o cumprimento de garantias e avaliar a consistência das informações prestadas aos credores. Eventuais divergências entre registros bancários, contratos e demonstrações financeiras precisam ser esclarecidas documentalmente. A fiscalização dessas operações é particularmente relevante quando diferentes grupos de credores disputam recursos de uma empresa em dificuldades.</p>
<h2>Casas Bahia ainda terá oportunidade de apresentar esclarecimentos</h2>
<p>A Casas Bahia e a Oliveira Trust foram procuradas para comentar os questionamentos, mas informaram que não se manifestariam sobre o assunto naquele momento. A companhia terá oportunidade de apresentar seus argumentos e documentos no processo, conforme determinado pela Justiça. A análise da administradora judicial e a manifestação do Ministério Público deverão contribuir para esclarecer os fatos e os efeitos das movimentações contestadas. Até a conclusão dessas etapas, as acusações permanecem sujeitas a apuração.</p>
<p>O ponto central será determinar se os R$ 75,1 milhões foram transferidos em conformidade com as condições contratuais e identificar o destino efetivo dos recursos. Também será necessário esclarecer os motivos da redução dos recebimentos por Pix e cartão nas contas vinculadas às garantias. Essas respostas poderão indicar se houve apenas uma alteração operacional, uma divergência contratual ou irregularidades com consequências jurídicas mais amplas. A caracterização de eventual fraude dependeria de elementos adicionais e de análise específica pelas autoridades competentes.</p>
<p>Para o Grupo Casas Bahia, o desdobramento da disputa poderá influenciar as negociações com investidores e a condução do processo de recuperação judicial. A preservação da confiança dos credores será importante para a reorganização de suas obrigações financeiras e a continuidade de suas atividades. Para os debenturistas, a prioridade é obter informações suficientes para avaliar a integridade das garantias relacionadas aos títulos. A decisão judicial sobre as movimentações contestadas ainda está pendente, e não há comprovação de fraude até o momento.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Tribunal de Justiça de São Paulo — Decisão de 21 de outubro de 2026, processo nº 4152930-18.2026.8.26.0100, 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais.</p>
<p>Tribunal de Justiça de São Paulo — Registro da manifestação da Oliveira Trust no evento 1965 do processo de recuperação judicial.</p>
<p>Grupo Casas Bahia — Fato relevante sobre o pedido de recuperação judicial, de 16 de agosto de 2026.</p>
<p>Grupo Casas Bahia — Fato relevante sobre deferimento de tutela de urgência, de 31 de agosto de 2026.</p>
<p>Grupo Casas Bahia — Fato relevante sobre deferimento do processamento da recuperação judicial, de 21 de outubro de 2026.</p>
<p>Presidência da República — Lei nº 11.101/2005, Lei de Recuperação de Empresas e Falência.</p>
</div>
</div>
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		<item>
		<title>Samarco eleva produção em 4% e atinge maior volume trimestral desde a retomada após Mariana</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/samarco-producao-terceiro-trimestre-2026-recorde-retomada-mariana</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2026 12:30:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[BHP]]></category>
		<category><![CDATA[commodities]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana]]></category>
		<category><![CDATA[mercado siderúrgico]]></category>
		<category><![CDATA[Mineração]]></category>
		<category><![CDATA[minério de ferro]]></category>
		<category><![CDATA[Pelotas de Minério]]></category>
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		<category><![CDATA[Produção Mineral]]></category>
		<category><![CDATA[Samarco]]></category>
		<category><![CDATA[Vale]]></category>
		<category><![CDATA[VALE3]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Samarco aumenta produção em 4% no 3º trimestre de 2026 e atinge 4,3 milhões de toneladas, maior volume desde a retomada após Mariana.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Samarco registrou produção de 4,3 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 4% em relação ao mesmo período do ano passado e de 10% na comparação com o segundo trimestre. O volume representa o maior resultado trimestral desde a retomada das operações, em dezembro de 2020, após cinco anos de paralisação provocada pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). Os números foram apresentados na prévia operacional divulgada nesta quinta-feira (22) pela mineradora, controlada em partes iguais pela Vale (VALE3) e pela australiana BHP.</p>
<p>Entre janeiro e setembro, a produção acumulada atingiu 12 milhões de toneladas, avanço de 7% sobre os nove primeiros meses de 2025. O desempenho também representa o maior volume registrado para esse intervalo desde o reinício das atividades. A evolução consolida a recuperação da capacidade produtiva da companhia, que atualmente opera com aproximadamente 60% de sua estrutura instalada.</p>
<p>O crescimento da produção, entretanto, não foi acompanhado pelo mesmo desempenho comercial. As vendas recuaram na comparação anual, criando uma diferença entre o volume produzido e a quantidade comercializada. O contraste será um dos indicadores relevantes para avaliar a eficiência operacional e os resultados financeiros da Samarco nos próximos trimestres.</p>
<h2>Produção da Samarco cresce, mas vendas recuam 5%</h2>
<p>As vendas de pelotas e finos de minério de ferro somaram 3,9 milhões de toneladas entre julho e setembro, volume praticamente estável em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, porém, houve queda de 5%. O resultado indica que o crescimento da produção ainda não se traduziu em expansão proporcional dos embarques e das vendas.</p>
<p>No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, a Samarco comercializou 11 milhões de toneladas, crescimento de apenas 1% em relação ao mesmo período do ano passado. A diferença entre os indicadores evidencia ritmos distintos de recuperação. Enquanto a produção avançou 7% no ano, o crescimento comercial permaneceu limitado.</p>
<p>Os dados detalhados da BHP mostram que a produção superou as vendas em aproximadamente 420 mil toneladas no terceiro trimestre. Considerando os nove primeiros meses, essa diferença acumulada chega a cerca de 1 milhão de toneladas. Embora o descompasso possa estar associado à formação de estoques e ao calendário de embarques, os números divulgados não permitem determinar isoladamente sua composição ou identificar a causa predominante.</p>
<p>A diferença merece acompanhamento porque volumes produzidos e ainda não comercializados podem afetar as necessidades de capital de giro. A transformação dessa produção em receita depende das condições de venda, da demanda internacional e da logística de exportação. Por isso, os próximos balanços deverão esclarecer como a companhia está administrando a relação entre produção, comercialização e estoques.</p>
<h2>Preço médio das pelotas sobe para US$ 125,1 por tonelada</h2>
<p>Apesar da queda no volume vendido, a Samarco conseguiu melhorar o preço médio realizado das pelotas de minério de ferro. O indicador alcançou US$ 125,1 por tonelada no terceiro trimestre, aproximadamente 4% acima do valor registrado no mesmo período de 2025. Em relação ao segundo trimestre deste ano, o preço permaneceu praticamente estável.</p>
<p>Segundo a mineradora, o resultado reflete melhores condições comerciais e a recuperação dos prêmios pagos pelas pelotas. Esses produtos passam por um processo de aglomeração do minério de ferro e são utilizados como matéria-prima pela indústria siderúrgica. Suas características técnicas podem proporcionar vantagens operacionais em determinadas rotas de produção de aço.</p>
<p>A valorização do preço realizado ajuda a compensar parcialmente a redução dos volumes comercializados. Entretanto, não é suficiente para determinar o desempenho da receita total, já que o resultado depende da composição das vendas, dos contratos e dos diferentes produtos negociados. Custos de produção, despesas logísticas e variações cambiais também influenciam a rentabilidade.</p>
<p>A evolução dos preços será particularmente relevante diante dos investimentos previstos para ampliar a capacidade industrial da Samarco. A companhia precisa sustentar margens operacionais capazes de financiar suas atividades e cumprir compromissos financeiros e ambientais. O comportamento da demanda internacional por pelotas continuará sendo um fator decisivo nesse processo.</p>
<h2>Samarco avança na retomada operacional após desastre de Mariana</h2>
<p>O desempenho do terceiro trimestre representa mais uma etapa da recuperação da mineradora, que permaneceu com as operações paralisadas entre novembro de 2015 e dezembro de 2020. A interrupção ocorreu após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, desastre que deixou 19 mortos e provocou danos ambientais e sociais ao longo da bacia do Rio Doce. A tragédia atingiu comunidades de Minas Gerais e do Espírito Santo e deu origem a um extenso processo de reparação.</p>
<p>A retomada começou com aproximadamente 26% da capacidade produtiva instalada, após a implantação de mudanças nos sistemas de processamento e destinação de rejeitos. A Samarco passou a utilizar tecnologias de filtragem e empilhamento a seco, além da disposição controlada de rejeitos ultrafinos em cava confinada. O novo modelo operacional foi apresentado pela empresa como parte de sua estratégia para reduzir os riscos associados à atividade minerária.</p>
<p>Em dezembro de 2024, a reativação de estruturas industriais permitiu elevar a capacidade operacional para aproximadamente 60%. O processo incluiu a retomada do segundo concentrador no complexo de Germano, em Minas Gerais, e de outra usina de pelotização em Ubu, no Espírito Santo. Essas instalações integram um sistema de produção e transporte de minério que conecta as operações mineiras ao terminal portuário.</p>
<p>A ampliação da produção representa uma recuperação industrial importante, mas não encerra as obrigações decorrentes do desastre. A companhia continua vinculada aos compromissos de reparação ambiental, indenização e recuperação socioeconômica das regiões atingidas. A expansão dos <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341273">negócios</a> ocorre, portanto, paralelamente à execução dessas responsabilidades.</p>
<h2>Investimentos de R$ 13,8 bilhões miram capacidade plena em 2028</h2>
<p>A Samarco mantém um programa de investimentos de R$ 13,8 bilhões destinado a recuperar integralmente sua capacidade produtiva instalada a partir de 2028. A iniciativa envolve a reativação de unidades industriais, a modernização de equipamentos e a ampliação da infraestrutura necessária ao processamento do minério. O objetivo é alcançar uma produção anual próxima de 26 milhões de toneladas de pelotas e finos.</p>
<p>O projeto inclui a retomada do Concentrador 1, no complexo de Germano, e das usinas de pelotização 1 e 2, em Ubu. A execução também depende de novas estruturas de filtragem, instalações auxiliares e sistemas de suporte operacional. Trata-se da etapa final do planejamento de recuperação gradual iniciado após a paralisação das atividades.</p>
<p>A conclusão do programa poderá ampliar significativamente a presença da Samarco no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341272">mercado</a> internacional de pelotas. Entretanto, o aumento da capacidade produtiva não garante, isoladamente, maior rentabilidade. A demanda siderúrgica, os preços das commodities e a eficiência de execução dos investimentos determinarão os resultados econômicos da expansão.</p>
<p>O cronograma também exige acompanhamento das condições ambientais e regulatórias. A mineração depende de licenças, monitoramento contínuo das estruturas e cumprimento das exigências técnicas aplicáveis às operações. A capacidade de conciliar expansão industrial com segurança operacional será um dos principais desafios da companhia.</p>
<h2>Samarco pode alcançar meta de produção de 2026 com desaceleração no último trimestre</h2>
<p>Os resultados divulgados permitem uma avaliação adicional sobre o desempenho esperado para o encerramento do ano. Em agosto, a Samarco havia informado uma projeção de produção entre 14,7 milhões e 15,4 milhões de toneladas para 2026. Considerando o acumulado de aproximadamente 12 milhões de toneladas até setembro, a companhia precisaria produzir entre 2,7 milhões e 3,4 milhões de toneladas no quarto trimestre para atingir essa faixa.</p>
<p>O volume necessário seria inferior aos 4,3 milhões de toneladas registrados entre julho e setembro. Isso sugere que a meta divulgada anteriormente pode ser alcançada mesmo com uma redução no ritmo produtivo durante os últimos três meses do ano. A comparação, porém, não incorpora eventuais paradas de manutenção, restrições operacionais ou alterações nas projeções da empresa.</p>
<p>Outro aspecto importante é a comparação com o desempenho de 2025, quando a Samarco produziu 15,11 milhões de toneladas. A faixa projetada para 2026 contempla tanto um resultado ligeiramente inferior quanto uma pequena expansão sobre o volume do ano anterior. Assim, o recorde trimestral não significa necessariamente que a companhia encerrará o exercício com um novo recorde anual.</p>
<p>A produção adicional também precisará ser acompanhada pela capacidade de comercialização. Caso o ritmo dos embarques permaneça inferior ao da produção, a diferença entre os dois indicadores poderá continuar aumentando. A divulgação dos resultados completos permitirá avaliar com maior precisão os efeitos sobre estoques, receitas e geração de caixa.</p>
<h2>Qual o impacto da recuperação da Samarco para a Vale (VALE3)?</h2>
<p>A recuperação operacional da Samarco possui relevância estratégica para a Vale (VALE3), que detém 50% de participação na mineradora. A outra metade pertence à BHP, uma das maiores companhias globais do setor. O desempenho da joint venture influencia a avaliação dos investimentos mantidos pelas duas controladoras no Brasil.</p>
<p>Para a Vale, a expansão da Samarco pode contribuir para ampliar a exposição ao mercado de pelotas de minério de ferro, produto utilizado por siderúrgicas em diferentes regiões. Entretanto, os volumes da joint venture não devem ser confundidos com a produção diretamente atribuída às operações próprias da Vale. A consolidação dos resultados depende das regras contábeis aplicáveis à participação societária.</p>
<p>A BHP também acompanha a evolução da produção e mantém projeções específicas para sua participação no empreendimento. No relatório operacional divulgado em 20 de outubro, o grupo australiano confirmou a produção atribuível de aproximadamente 2,2 milhões de toneladas no trimestre, equivalente à metade do volume total da Samarco. A companhia destacou o desempenho dos concentradores como principal fator para o crescimento.</p>
<p>A importância econômica da joint venture vai além da produção mineral. A operação envolve instalações industriais, minerodutos, infraestrutura portuária, contratos internacionais e investimentos de longo prazo. Sua recuperação pode fortalecer a atividade econômica nas regiões onde está instalada, embora os efeitos financeiros para as controladoras dependam da rentabilidade efetiva do negócio.</p>
<h2>Resultados financeiros mostrarão alcance da recuperação</h2>
<p>A divulgação da prévia operacional confirma a continuidade da recuperação produtiva da Samarco, mas ainda deixa questões relevantes sobre sua situação financeira. O avanço da produção, a queda das vendas e a melhora dos preços realizados apresentam efeitos distintos sobre receitas, custos e necessidade de capital de giro. A análise conjunta desses indicadores será necessária para determinar a qualidade do resultado trimestral.</p>
<p>O balanço completo do terceiro trimestre está previsto para 9 de novembro, conforme o calendário de relações com investidores da companhia. A divulgação deverá trazer informações sobre receita líquida, geração operacional de caixa, despesas financeiras e evolução do endividamento. Esses dados permitirão avaliar se os ganhos de eficiência industrial estão se convertendo em melhora econômica sustentável.</p>
<p>O histórico financeiro também merece atenção. A Samarco encerrou formalmente seu processo de recuperação judicial em agosto de 2025, após uma reestruturação de passivos superiores a R$ 50 bilhões. O encerramento representou um avanço na reorganização financeira, mas a empresa continua obrigada a cumprir os compromissos previstos nos acordos e instrumentos financeiros aplicáveis.</p>
<p>A prévia do terceiro trimestre mostra que a mineradora alcançou um novo patamar de produção desde o reinício das atividades. O desafio agora é transformar esse desempenho em crescimento comercial, geração de caixa e capacidade de investimento, sem comprometer as obrigações ambientais e financeiras. A consolidação dessa trajetória dependerá tanto da execução de seu plano industrial quanto das condições do mercado internacional de minério de ferro.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Samarco Mineração — Prévia operacional do terceiro trimestre de 2026, divulgada em 22 de outubro.</p>
<p>BHP — Operational Review for the Quarter Ended 30 September 2026, publicado em 20 de outubro de 2026.</p>
<p>Samarco Mineração — Resultados operacionais do segundo trimestre de 2026, divulgados em agosto.</p>
<p>Samarco Mineração — Resultados operacionais de 2025 e relatório da administração.</p>
<p>Samarco Mineração — Plano de retomada operacional e programa de investimentos para recuperação integral da capacidade produtiva.</p>
<p>Samarco Relações com Investidores — Calendário de divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026.</p>
<p>Samarco Mineração — Comunicado sobre o encerramento da recuperação judicial, de agosto de 2025.</p>
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		<title>Bradsaúde (SAUD3) lucra R$ 1,075 bilhão no 3º trimestre e anuncia R$ 1 bilhão em dividendos</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/bradsaude-lucro-terceiro-trimestre-2026-dividendos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2026 11:38:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Bradsaúde (B3: SAUD3) encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,075 bilhão, crescimento de 14,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, apoiada pela expansão das receitas, pela contribuição dos investimentos hospitalares e pela redução da alíquota efetiva de impostos. O resultado, divulgado em 21 de outubro, veio acompanhado da aprovação de R$ 1 bilhão em dividendos referentes ao trimestre. Apesar do avanço do lucro, os indicadores operacionais mostram que o crescimento das despesas assistenciais e o recuo do resultado financeiro limitaram a evolução de algumas linhas da demonstração de resultados.</p>
<p>A companhia registrou receitas totais de R$ 14,275 bilhões entre julho e setembro, aumento de 9,2% sobre os R$ 13,069 bilhões contabilizados um ano antes. O resultado operacional, entretanto, ficou praticamente estável, em R$ 1,449 bilhão, ante R$ 1,451 bilhão no terceiro trimestre de 2025. A diferença entre o desempenho do lucro líquido e o da operação indica que o crescimento do resultado final não decorreu exclusivamente da expansão do negócio principal.</p>
<p>A base de clientes avançou para 13,7 milhões de beneficiários, enquanto os ativos financeiros somaram R$ 30,776 bilhões no encerramento de setembro. Ao mesmo tempo, a sinistralidade consolidada subiu de 84% para 84,5%, sinalizando que os custos relacionados à assistência médica e odontológica absorveram uma parcela maior das receitas consideradas no indicador.</p>
<p>Os números colocam em evidência três dimensões do balanço: a capacidade de converter o crescimento comercial em rentabilidade, a contribuição de fontes de resultado que não se limitam à operação de planos de saúde e a disponibilidade financeira para remunerar os acionistas. A evolução desses componentes também ajuda a distinguir o desempenho do trimestre dos indicadores acumulados ao longo dos primeiros nove meses do ano.</p>
<h2>Custos assistenciais avançam mais que os prêmios ganhos</h2>
<p>A pressão sobre a rentabilidade operacional aparece com maior clareza na comparação entre as receitas de prêmios ganhos e os gastos assistenciais. Essa receita alcançou R$ 14,134 bilhões no terceiro trimestre, aumento de 9,4% em relação aos R$ 12,918 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025.</p>
<p>No mesmo período, os sinistros retidos cresceram 10,9%, de R$ 8,761 bilhões para R$ 9,714 bilhões. As despesas com eventos indenizáveis de planos administrados aumentaram outros 6,5%, passando de R$ 2,090 bilhões para R$ 2,226 bilhões.</p>
<p>Consideradas em conjunto, essas duas categorias de despesas assistenciais somaram R$ 11,940 bilhões, ante R$ 10,851 bilhões um ano antes. O avanço aproximado de 10% superou em cerca de 0,6 ponto percentual o crescimento dos prêmios ganhos. Embora as categorias possuam características operacionais distintas, a comparação ajuda a dimensionar a pressão dos custos sobre as receitas.</p>
<p>A sinistralidade consolidada, indicador que relaciona os custos assistenciais às receitas utilizadas em sua apuração, atingiu 84,5%, alta de 0,5 ponto percentual na comparação anual. Na prática, o aumento mostra que a proporção destinada à cobertura dos eventos assistenciais foi maior no trimestre.</p>
<p>A evolução desse índice depende de diferentes fatores, entre eles a frequência de utilização dos planos, o custo dos procedimentos, a composição da carteira e a capacidade de repassar aumentos de despesas aos preços dos contratos. Por isso, a alta isolada da sinistralidade não permite determinar qual componente específico provocou a mudança. O dado, contudo, demonstra que o crescimento das receitas não eliminou a pressão sobre os custos.</p>
<p>Outro indicador reforça essa leitura. A margem operacional calculada pela companhia em relação aos prêmios ganhos caiu de 11,2% no terceiro trimestre de 2025 para 10,2% no período mais recente, recuo de um ponto percentual. Assim, mesmo com a expansão comercial e o aumento das receitas, uma parcela menor dos prêmios ganhos foi convertida em resultado operacional.</p>
<p>Esse comportamento precisa ser observado em conjunto com as demais despesas. Os gastos administrativos passaram de R$ 580 milhões para R$ 599 milhões, alta de 3,3%, enquanto as despesas de comercialização subiram 13,5%, de R$ 509 milhões para R$ 578 milhões. O aumento das despesas comerciais foi superior ao crescimento dos prêmios ganhos, acrescentando pressão sobre a rentabilidade.</p>
<p>O resultado operacional permaneceu praticamente estável porque diferentes componentes da demonstração evoluíram em direções distintas. A receita total cresceu, mas o aumento dos custos assistenciais e das despesas comerciais restringiu a conversão dessa expansão em resultado.</p>
<h2>Resultado financeiro e tributação ajudam a explicar o lucro</h2>
<p>A diferença entre o avanço do lucro líquido e a estabilidade operacional também aparece no resultado financeiro e na tributação. A Bradsaúde registrou R$ 685 milhões de resultado financeiro no terceiro trimestre, queda de 5,2% em relação aos R$ 722 milhões apurados no mesmo intervalo de 2025.</p>
<p>Segundo o relatório da companhia, a redução foi influenciada pela deflação do IPCA de 0,32% em agosto e por um indicador de Selic média trimestral menor: 3,43% no terceiro trimestre de 2026, contra 3,70% no mesmo período do ano anterior. Esses fatores afetaram o desempenho dos investimentos financeiros da empresa.</p>
<p>O recuo trimestral não se repetiu no acumulado do ano. Nos nove primeiros meses de 2026, o resultado financeiro somou R$ 2,490 bilhões, crescimento de 10,7% em relação aos R$ 2,249 bilhões de igual período de 2025. A comparação mostra que a retração entre julho e setembro ocorreu depois de uma evolução positiva no conjunto do ano.</p>
<p>A alíquota efetiva de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (IR/CSLL), por sua vez, caiu de 36,4% para 31,6% entre os terceiros trimestres. A companhia relacionou a maior eficiência tributária aos efeitos da distribuição de juros sobre capital próprio e à maior participação da equivalência patrimonial.</p>
<p>A despesa com IR e CSLL recuou de R$ 520 milhões para R$ 450 milhões, redução de 13,4%. O movimento contribuiu para ampliar o lucro líquido mesmo sem crescimento do resultado operacional.</p>
<p>A demonstração também registrou resultado patrimonial e não operacional de R$ 100 milhões, ante R$ 29 milhões um ano antes. A diferença positiva de R$ 71 milhões representa outro componente relevante para compreender o resultado consolidado.</p>
<p>A combinação dessas linhas ajuda a explicar por que o lucro avançou R$ 135 milhões na comparação anual enquanto o resultado operacional permaneceu praticamente inalterado. O crescimento dos <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341195">negócios</a> continua importante, mas os efeitos tributários e patrimoniais tiveram participação no desempenho final.</p>
<p>A margem líquida, calculada segundo a metodologia apresentada pela companhia, aumentou de 7,3% para 7,6%. A melhora contrasta com a redução da margem operacional e evidencia que os indicadores de rentabilidade podem seguir trajetórias diferentes quando existem alterações relevantes nas despesas tributárias e em outras linhas da demonstração de resultados.</p>
<h2>Desempenho acumulado mostra evolução operacional mais ampla</h2>
<p>O recorte dos nove primeiros meses apresenta um quadro mais favorável para a operação. Entre janeiro e setembro de 2026, a Bradsaúde obteve lucro líquido de R$ 3,493 bilhões, crescimento de 23,2% sobre os R$ 2,835 bilhões do mesmo período do ano anterior.</p>
<p>As receitas totais alcançaram R$ 41,538 bilhões, aumento de 9,6%. O resultado operacional acumulado atingiu R$ 5,083 bilhões, ante R$ 4,435 bilhões, expansão de 14,6%. A diferença entre o crescimento das receitas e o do resultado operacional indica que, no conjunto dos nove meses, a companhia conseguiu ampliar o resultado da operação em proporção superior à expansão do faturamento.</p>
<p>A evolução acumulada também aparece na margem líquida, que passou de 7,7% para 8,5% no período. A alíquota efetiva de IR/CSLL, no entanto, subiu de 37,5% para 34,7%, uma redução de 2,8 pontos percentuais, contribuindo para o desempenho líquido.</p>
<p>Considerando os 12 meses encerrados em setembro, a receita total somou R$ 54,893 bilhões, avanço de 9,6% sobre os R$ 50,070 bilhões do período equivalente anterior. O lucro líquido atingiu R$ 4,315 bilhões, alta de 22,7%, enquanto o resultado operacional chegou a R$ 6,393 bilhões, crescimento de 15,2%.</p>
<p>O retorno sobre o patrimônio líquido médio, conhecido pela sigla ROAE, foi de 25,4% nos 12 meses encerrados em setembro, acima dos 24,5% observados no intervalo equivalente anterior. O indicador relaciona o lucro ao capital próprio médio da companhia e oferece uma referência sobre a rentabilidade obtida para os acionistas.</p>
<p>Os resultados acumulados indicam que o trimestre de estabilidade operacional não representa, isoladamente, a trajetória de todo o exercício. Ainda assim, a manutenção desse crescimento dependerá da relação entre reajustes, expansão da carteira, custos assistenciais e despesas comerciais, além dos efeitos das demais linhas de resultado.</p>
<p>A empresa informa que, para permitir a comparação histórica, replicou a estrutura societária atual da Bradsaúde nos períodos anteriores à reorganização de 1º de maio de 2026. A observação é relevante porque as comparações do relatório consideram a estrutura atualizada do grupo, em vez de reproduzir simplesmente os resultados sob a configuração societária antiga.</p>
<h2>Carteira cresce, mas ritmo de novas adesões diminui</h2>
<p>A expansão da base de beneficiários continua sendo um dos principais vetores do negócio. A carteira chegou a 13,727 milhões de pessoas em setembro, aumento de 745 mil beneficiários, ou 5,7%, em relação aos 12,982 milhões registrados um ano antes.</p>
<p>Desse total, 4,126 milhões estavam vinculados a planos médico-hospitalares, enquanto 9,601 milhões pertenciam aos planos odontológicos. Na comparação anual, a carteira médico-hospitalar cresceu 7,2%, e a odontológica avançou 5,1%.</p>
<p>Apesar do aumento da base total, o número de novas adesões líquidas foi menor do que no terceiro trimestre de 2025. A companhia registrou 117 mil adições líquidas no período mais recente. Um ano antes, a soma dos dados divulgados para os segmentos médico-hospitalar e odontológico havia alcançado aproximadamente 227 mil. A comparação aponta uma redução próxima de 48% no volume trimestral de novas vidas incorporadas, embora a base acumulada tenha continuado a crescer.</p>
<p>O recuo das adições não significa, por si só, contração da carteira. Ele indica que a expansão ocorreu em ritmo mais moderado, aspecto que merece acompanhamento nos próximos resultados. A manutenção do crescimento dependerá tanto da conquista de novos contratos quanto da permanência dos beneficiários atuais.</p>
<p>As pequenas e médias <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341196">empresas</a> (PMEs) tiveram papel central na expansão comercial. Segundo a Bradsaúde, o segmento respondeu por 78% das adições líquidas do trimestre, com aproximadamente 92 mil novos beneficiários, e alcançou 3,1 milhões de pessoas.</p>
<p>Esse desempenho amplia a importância do segmento empresarial de menor porte para a aquisição de clientes. A própria companhia destacou que os contratos de PMEs apresentaram sinistralidade inferior à média da carteira, característica que pode contribuir para a rentabilidade do conjunto, embora o resultado dependa também da evolução futura dos custos e da composição dos contratos.</p>
<p>A expansão do número de clientes não se traduz automaticamente em aumento proporcional dos lucros. O resultado depende do valor médio recebido por beneficiário, da utilização dos serviços, do custo de atendimento e das despesas necessárias para comercializar e administrar os contratos. Por isso, o acompanhamento da sinistralidade e das margens será tão relevante quanto o crescimento absoluto da carteira.</p>
<h2>Atlântica amplia contribuição dos investimentos hospitalares</h2>
<p>Os negócios hospitalares ganharam importância na composição do resultado. A Atlântica Hospitais registrou lucro líquido de R$ 53 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 191% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Nos 12 meses encerrados em setembro, o lucro da operação atingiu R$ 139 milhões, ante R$ 4 milhões no período comparável anterior.</p>
<p>A diferença entre os resultados acumulados demonstra a expansão da contribuição desse negócio para o grupo. A comparação percentual, porém, parte de uma base reduzida no período anterior, razão pela qual os valores absolutos também são importantes para dimensionar o efeito econômico.</p>
<p>A estrutura hospitalar combinava 15 hospitais em operação, com 2.278 leitos operacionais, e 23 unidades contratadas, que totalizavam 4.449 leitos previstos. A distinção entre unidades em operação e projetos contratados é importante: os leitos previstos representam capacidade potencial futura e não devem ser confundidos com a estrutura assistencial já disponível.</p>
<p>Durante o trimestre, a companhia anunciou dois novos empreendimentos, em Nova Lima, Minas Gerais, e Jundiaí, São Paulo. Os projetos acrescentaram 348 leitos contratados ao planejamento de expansão, elevando a capacidade prevista até 2030.</p>
<p>O desenvolvimento dessa frente amplia a presença da Bradsaúde em diferentes etapas da cadeia de saúde. Seu efeito financeiro, entretanto, deve ser acompanhado ao longo do tempo, considerando a implantação dos hospitais, o início das operações e a evolução de receitas e custos. Os resultados do terceiro trimestre mostram crescimento da contribuição hospitalar, mas não permitem concluir que o ritmo de expansão do lucro será necessariamente repetido nos próximos períodos.</p>
<h2>R$ 1 bilhão em dividendos terá pagamento em março de 2027</h2>
<p>A remuneração dos acionistas é outro destaque do balanço. Em reunião realizada em 21 de outubro, o conselho de administração aprovou a distribuição de R$ 1 bilhão em dividendos referentes ao terceiro trimestre de 2026.</p>
<p>O valor bruto corresponde a R$ 0,3420595420 por ação, calculado com base nas ações emitidas pela companhia, excluídas 732,1 mil ações mantidas em tesouraria na data de referência do comunicado.</p>
<p>Terão direito aos proventos os acionistas posicionados em 30 de outubro de 2026. A partir de 3 de novembro, as ações serão negociadas sem o direito a esses dividendos. O pagamento está previsto para 30 de março de 2027, conforme o aviso divulgado pela empresa.</p>
<p>Na comparação simples com o lucro líquido trimestral de R$ 1,075 bilhão, a distribuição equivale a aproximadamente 93% do resultado apurado entre julho e setembro. Essa relação dimensiona o porte da remuneração aprovada em relação ao lucro do período, mas não deve ser interpretada isoladamente como indicação de uma taxa recorrente de distribuição para os trimestres seguintes.</p>
<p>A capacidade de remunerar os acionistas também precisa ser analisada em conjunto com a posição financeira da companhia e suas necessidades de capital. No encerramento de setembro, os ativos financeiros somavam R$ 30,776 bilhões, alta de 8,2% em relação aos R$ 28,438 bilhões registrados um ano antes.</p>
<p>A carteira estava concentrada em títulos públicos indexados à inflação. Os papéis vinculados ao IPCA representavam 53,9% dos ativos financeiros, equivalentes a R$ 16,588 bilhões. Os investimentos atrelados à Selic totalizavam R$ 12,198 bilhões, ou 39,6%, enquanto as aplicações prefixadas somavam R$ 1,990 bilhão, correspondentes a 6,5%.</p>
<p>A composição ajuda a compreender a exposição do resultado financeiro às condições macroeconômicas. A inflação, a trajetória dos juros e as características dos títulos influenciam os rendimentos obtidos pela carteira, embora os efeitos dependam dos prazos, dos critérios de remuneração e da evolução das taxas ao longo dos períodos.</p>
<p>O balanço do terceiro trimestre, portanto, combina expansão do lucro, aumento das receitas, crescimento da carteira e maior contribuição da Atlântica com sinais de pressão sobre a rentabilidade operacional. A queda do resultado financeiro no trimestre e o aumento da sinistralidade acrescentam pontos de atenção à análise dos próximos resultados.</p>
<p>A evolução dos indicadores acumulados até setembro mostra que a companhia manteve crescimento expressivo do lucro e do resultado operacional ao longo do ano. A continuidade desse desempenho dependerá da capacidade de preservar a expansão comercial, administrar os custos assistenciais e transformar a receita adicional em resultado operacional, ao mesmo tempo que mantém uma <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341194">política</a> de remuneração aos acionistas compatível com sua posição financeira e seus investimentos.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Bradsaúde &#8211; Relatório de Resultados do terceiro trimestre de 2026, com demonstrações financeiras, indicadores de sinistralidade, carteira de beneficiários e desempenho dos negócios hospitalares.</em></p>
<p><em>Bradsaúde &#8211; Aviso aos Acionistas de 21 de outubro de 2026, com as condições, o valor por ação, a data de corte e o cronograma de pagamento dos dividendos do terceiro trimestre.</em></p>
<p><em>Bradsaúde &#8211; Calendário de eventos corporativos de 2026 e informações institucionais sobre a divulgação dos resultados do terceiro trimestre.</em></p>
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		<item>
		<title>CSN (CSNA3), Vale (VALE3) e Braskem (BRKM5) compram gás em leilão inédito com 100% de vendas</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/csn-vale-braskem-leilao-gas-ppsa</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2026 00:55:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[VALE3]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>CSN, Vale e Braskem compram gás em leilão inédito da PPSA. Oferta de 1,1 milhão de m³ por dia é totalmente vendida a 23 indústrias.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Vale e a Braskem estão entre as 23 empresas que arremataram gás natural da União no primeiro leilão destinado diretamente à indústria brasileira, realizado nesta quinta-feira (22) pela Pré-Sal Petróleo (PPSA). O certame terminou com a venda integral dos 110 lotes oferecidos, equivalentes a 1,1 milhão de metros cúbicos diários, e estabeleceu um preço médio estimado de US$ 5,83 por milhão de unidades térmicas britânicas (MMBtu). O resultado representa uma nova alternativa de contratação para grandes consumidores industriais, historicamente pressionados pelo custo elevado do insumo energético no país.</p>
<p>A operação reuniu <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341266">empresas</a> dos segmentos siderúrgico, metalúrgico, de mineração, químico, petroquímico, cerâmico, vidreiro e de fertilizantes nitrogenados. Das 36 companhias habilitadas, 32 participaram efetivamente da disputa, encerrada com 23 vencedoras. A concorrência ocorreu por meio da plataforma eletrônica da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), com contratos de fornecimento previstos para o período de março a dezembro de 2027.</p>
<p>O resultado também superou a etapa inicial de comercialização imaginada para o novo modelo de venda do gás pertencente à União. Todos os grupos industriais absorveram integralmente os volumes reservados, dispensando a necessidade de uma rodada adicional para redistribuição de lotes não vendidos. A PPSA informou um faturamento estimado de R$ 377 milhões, calculado a partir das condições de referência do leilão e sujeito às variáveis previstas nos contratos.</p>
<p>Para o Ministério de Minas e Energia, a competição demonstrou que existe demanda industrial por gás natural comercializado a preços inferiores aos usualmente encontrados no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341265">mercado</a> brasileiro. O secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Renato Dutra, apontou reduções estimadas entre 38% e 57% em comparação com a referência de aproximadamente US$ 12 por MMBtu. Esses percentuais, entretanto, não representam necessariamente a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341264">economia</a> final de cada fábrica, pois o transporte, os tributos e outras despesas de suprimento precisam ser considerados.</p>
<h2>CSN, Vale, Braskem e Gerdau estão entre os vencedores</h2>
<p>A distribuição dos volumes confirma a relevância dos segmentos industriais que utilizam gás natural em processos produtivos intensivos em energia. O grupo formado por siderurgia, metalurgia e mineração arrematou 320 mil metros cúbicos por dia, distribuídos em 32 lotes. Entre as vencedoras estão CSN, Gerdau Aços Longos, Samarco Mineração, Ternium Brasil e Vale.</p>
<p>O setor químico e petroquímico concentrou a maior parcela individual do leilão, com 350 mil metros cúbicos diários. Braskem, Rhodia Brasil, Evonik Brasil, Ingredion Brasil Ingredientes Industriais e Peróxidos do Brasil participaram da aquisição dos 35 lotes reservados ao segmento. A quantidade corresponde a aproximadamente 31,8% de todo o gás comercializado, evidenciando a importância do combustível tanto como fonte energética quanto como insumo para determinadas cadeias químicas.</p>
<p>Somados, os grupos químico, petroquímico, siderúrgico, metalúrgico e de mineração contrataram 670 mil metros cúbicos por dia. Esse volume representa aproximadamente 60,9% da oferta total, resultado que coloca essas atividades no centro da nova estratégia de comercialização. A concentração reflete a divisão previamente definida para o certame, e não permite concluir, isoladamente, que esses setores tenham apresentado maior demanda proporcional do que os demais.</p>
<p>Na indústria cerâmica, oito empresas dividiram os 200 mil metros cúbicos diários disponíveis. Entre as participantes vencedoras estão Biancogres, Formigres, Villagres, Delta, Dexco, Incepa, Mohawk Revestimentos e Ruy R. da Rocha Produtos Cerâmicos. O segmento reuniu o maior número de empresas contempladas em uma única etapa, embora seu volume tenha sido inferior ao destinado à siderurgia e à indústria química.</p>
<p>O setor vidreiro ficou com 100 mil metros cúbicos por dia, adquiridos por AGC Vidros do Brasil, Cebrace Cristal Plano e Wheaton Brasil Vidros. Na produção de fertilizantes nitrogenados, Yara Brasil e Multitécnica Industrial venceram a disputa pelos 130 mil metros cúbicos diários reservados ao segmento. A presença de fabricantes de fertilizantes também amplia a relevância da iniciativa para cadeias produtivas ligadas ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341261">agronegócio</a>, nas quais o gás natural desempenha papel importante como matéria-prima.</p>
<h2>Preço médio de US$ 5,83 pode reduzir custos industriais</h2>
<p>Um dos principais resultados econômicos do leilão foi a formação de um preço médio estimado de US$ 5,83 por MMBtu para a molécula de gás natural. A PPSA informou que o prêmio médio apurado nas ofertas ficou em US$ 2,44 por MMBtu, aproximadamente 35% acima da referência inicial de US$ 1,80 estabelecida para a disputa. O valor final estimado incorpora esse prêmio à fórmula de precificação vinculada ao mercado internacional.</p>
<p>O modelo contratual considera 115% da média das cotações diárias do Henry Hub, índice de referência do gás natural nos Estados Unidos, além do prêmio definido competitivamente. Para estimar o resultado, a PPSA utilizou um Henry Hub de US$ 2,9535 por MMBtu e taxa de câmbio de R$ 5,1447 por <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341262">dólar</a>. O preço efetivamente devido durante o fornecimento dependerá da atualização dos parâmetros previstos no contrato, razão pela qual o valor divulgado não constitui uma tarifa fixa para todo o período de entrega.</p>
<p>As disputas apresentaram diferenças relevantes entre os segmentos. No setor vidreiro, o prêmio corrente de encerramento alcançou US$ 4 por MMBtu, enquanto a indústria cerâmica terminou em US$ 1,86. Siderurgia, metalurgia e mineração registraram US$ 2,30; química e petroquímica, US$ 1,92; e fertilizantes nitrogenados, US$ 1,82. Esses números correspondem aos valores competitivos registrados nas etapas do leilão e não devem ser confundidos com o custo integral do gás entregue nas unidades industriais.</p>
<p>A diferença entre o prêmio apresentado em cada disputa e o preço final da molécula é fundamental para avaliar o efeito econômico da contratação. Considerando exclusivamente a média estimada de US$ 5,83 e a referência de US$ 12 por MMBtu utilizada na comparação oficial, a redução aritmética seria de aproximadamente 51,4%. Trata-se de um indicador de competitividade da molécula, não de uma estimativa automática de redução equivalente nas despesas energéticas totais das companhias.</p>
<p>Para empresas intensivas em gás natural, a redução do preço de aquisição pode representar uma oportunidade de aliviar custos operacionais. A magnitude desse benefício, entretanto, dependerá do volume contratado individualmente, da participação do combustível nos custos de produção e das condições logísticas necessárias ao abastecimento. O leilão não divulgou uma estimativa consolidada de ganhos de margem para CSN, Vale, Braskem ou qualquer outra companhia vencedora.</p>
<h2>Transporte entre Itaboraí e as fábricas será responsabilidade das empresas</h2>
<p>Embora a oferta seja realizada diretamente pela PPSA, a entrega do gás ocorrerá na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, pertencente à Petrobras e localizada no Complexo de Energias Boaventura, antigo Comperj, no estado do Rio de Janeiro. A partir desse ponto, os compradores precisarão providenciar a contratação do transporte até suas instalações industriais. Essa etapa poderá ser realizada diretamente ou por intermédio de comercializadoras habilitadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).</p>
<p>A exigência significa que duas empresas vencedoras de lotes com condições semelhantes podem enfrentar custos finais diferentes de abastecimento. A distância entre o ponto de entrega e a fábrica, a disponibilidade de capacidade nos gasodutos e as tarifas aplicáveis ao serviço de transporte influenciam o custo efetivo da operação. Dependendo da estrutura contratual, ainda poderão existir despesas adicionais relacionadas à distribuição e à tributação.</p>
<p>O ponto logístico merece atenção especial porque o leilão foi estruturado para comercializar gás processado, e não para entregar o combustível diretamente nas instalações dos compradores. A PPSA comercializa a parcela de gás natural pertencente à União, enquanto a infraestrutura de processamento e os serviços de transporte possuem funções próprias na cadeia de suprimento. A viabilidade econômica de cada contratação dependerá da combinação desses componentes.</p>
<p>O fornecimento ocorrerá durante dez meses, de março a dezembro de 2027. Considerando os 306 dias desse intervalo e a quantidade diária total ofertada, o volume nominal correspondente alcança aproximadamente 336,6 milhões de metros cúbicos ao longo do período. Essa projeção representa a multiplicação da capacidade diária pelo calendário contratual, não um registro de gás já entregue ou de consumo efetivamente realizado.</p>
<p>A execução também dependerá da conclusão dos procedimentos documentais e da assinatura dos contratos, prevista pela PPSA para a primeira quinzena de dezembro. Até essa formalização, o resultado eletrônico identifica as ofertas vencedoras, mas não equivale à comprovação de fornecimento já iniciado. As condições comerciais serão aplicadas no período contratual definido para 2027.</p>
<h2>Venda direta do gás da União amplia alternativas ao mercado industrial</h2>
<p>A realização do leilão marca uma mudança na comercialização da parcela de gás natural pertencente ao governo federal nos contratos de partilha da produção do pré-sal. A PPSA, responsável pela gestão dos interesses da União nesses contratos, passou a oferecer diretamente o produto a consumidores industriais habilitados, mediante uma disputa competitiva. O modelo foi estruturado a partir das diretrizes aprovadas pelo Conselho Nacional de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341263">Política</a> Energética (CNPE) e regulamentadas pelo Ministério de Minas e Energia.</p>
<p>A iniciativa foi viabilizada por um acordo firmado entre a PPSA e a Petrobras em setembro, que estabeleceu mecanismos para a comercialização do gás natural da União. A estrutura permite que o produto processado seja ofertado em condições contratuais destinadas a ampliar o acesso de consumidores industriais. O objetivo da política pública é criar alternativas de suprimento e contribuir para a competição em um mercado no qual o custo do gás tem influência relevante sobre diferentes atividades produtivas.</p>
<p>Antes da publicação do edital definitivo, a PPSA realizou uma consulta ao mercado que recebeu 320 contribuições de 22 agentes. As manifestações levaram a alterações destinadas a oferecer maior flexibilidade ao processo de habilitação e às modalidades de contratação. O edital final foi publicado em 6 de outubro, com lotes fracionados em volumes de 10 mil metros cúbicos diários para permitir a participação de empresas com diferentes necessidades de consumo.</p>
<p>A procura registrada nesta quinta-feira oferece uma primeira referência pública sobre o interesse de grandes consumidores industriais nesse mecanismo de aquisição. Das 36 empresas habilitadas, 23 obtiveram lotes, equivalentes a aproximadamente 63,9% das proponentes previamente qualificadas. A participação de 32 companhias na disputa demonstra que o interesse pelo certame foi superior ao número final de vencedoras, embora a oferta disponível tenha sido integralmente absorvida.</p>
<p>O resultado também permite identificar diferenças entre a disposição de pagamento dos setores. O prêmio mais elevado no segmento vidreiro e os valores menores registrados em outras atividades revelam condições competitivas distintas dentro de uma mesma política de comercialização. Esses números oferecem referências para futuras disputas, mas não permitem estabelecer conclusões definitivas sobre a rentabilidade das empresas participantes.</p>
<h2>PPSA prepara novo leilão em 2027 com oferta 64% maior</h2>
<p>O desempenho do primeiro certame levou a PPSA a anunciar a intenção de realizar um novo leilão de gás natural da União em 2027. Segundo o diretor-presidente da estatal, Luis Fernando Paroli, a próxima oferta deverá alcançar 1,8 milhão de metros cúbicos por dia. O volume projetado representa um acréscimo de 700 mil metros cúbicos diários em relação ao leilão realizado nesta quinta-feira, equivalente a uma expansão de aproximadamente 63,6%.</p>
<p>A ampliação prevista sugere que a comercialização direta poderá se tornar um mecanismo recorrente de contratação para determinados segmentos industriais. A definição das condições do próximo certame, contudo, dependerá das disponibilidades de gás, das regras aplicáveis e da estrutura comercial estabelecida pela PPSA. A projeção de oferta não representa, por enquanto, volumes já contratados para o novo leilão.</p>
<p>Paroli avaliou que a absorção integral da oferta evidencia a existência de demanda industrial por gás natural a preços mais competitivos. Para o dirigente, a disputa também mostrou diferenças na capacidade de pagamento entre os segmentos atendidos, informação que poderá contribuir para o planejamento das próximas operações. A avaliação está alinhada ao objetivo do governo federal de utilizar a comercialização do gás pertencente à União como instrumento de estímulo à competitividade produtiva.</p>
<p>O efeito econômico concreto para as empresas participantes começará a ser observado durante a execução dos contratos em 2027. Além da evolução das cotações internacionais e do câmbio, serão determinantes a contratação da logística de transporte, o consumo efetivo das unidades industriais e a comparação com os acordos de fornecimento anteriormente mantidos por cada companhia.</p>
<p>Para CSN, Vale, Braskem e os demais compradores, o leilão representa a aquisição de uma alternativa de suprimento de gás natural em condições competitivas. A confirmação dos benefícios financeiros dependerá da efetiva entrega do combustível e de sua incorporação aos custos de produção. O próximo marco do processo será a formalização contratual prevista para dezembro, antes do início do abastecimento programado para março de 2027.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Pré-Sal Petróleo (PPSA) — Comunicado oficial de resultados do primeiro Leilão de Gás Natural da União, de 22 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) — Painel público de acompanhamento do leilão, com volumes, prêmios e empresas vencedoras por segmento.</em></p>
<p><em>Pré-Sal Petróleo (PPSA) — Edital do primeiro Leilão de Gás Natural da União e documentação sobre as condições de contratação.</em></p>
<p><em>Ministério de Minas e Energia — Portaria Normativa nº 141/2026, com regras para a comercialização do gás natural processado da União.</em></p>
<p><em>Pré-Sal Petróleo (PPSA) — Comunicado institucional de setembro de 2026 sobre o acordo de comercialização firmado com a Petrobras.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Fitch rebaixa Raízen (RAIZ4) para inadimplência restrita após renegociação de dívida de R$ 61,4 bilhões</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/fitch-rebaixa-raizen-raiz4-inadimplencia-restrita-divida-61-bilhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2026 00:52:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[setor sucroenergético]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fitch rebaixa Raízen (RAIZ4) para inadimplência restrita após renegociação de R$ 61,4 bilhões em dívidas. Entenda os impactos para os acionistas.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Fitch Ratings rebaixou nesta quinta-feira (22) a classificação de crédito da Raízen (RAIZ4) para o nível de inadimplência restrita, conhecido como <em>restricted default</em> (RD), após o avanço do plano de recuperação extrajudicial da companhia. A decisão representa um novo agravamento da avaliação de risco do grupo, que negocia a reestruturação de aproximadamente R$ 61,4 bilhões em dívidas financeiras. A mudança ocorre enquanto a empresa prepara um aumento de capital de pelo menos R$ 3,5 bilhões e uma ampla reorganização societária.</p>
<p>A agência reduziu os ratings de longo prazo da Raízen e de sua subsidiária Raízen Energia de &#8216;C&#8217; para &#8216;RD&#8217;, tanto em moeda nacional quanto estrangeira. Na escala brasileira, as classificações passaram de &#8216;C(bra)&#8217; para &#8216;RD(bra)&#8217;. A alteração reflete o entendimento de que a renegociação das obrigações financeiras representa um evento de inadimplência segundo os critérios de avaliação da Fitch.</p>
<p>O rebaixamento não significa que a companhia tenha encerrado suas atividades ou entrado automaticamente em processo de falência. A classificação indica que determinadas obrigações foram afetadas por um processo de reestruturação considerado equivalente à inadimplência, mesmo que a empresa continue operando. A distinção é particularmente importante para compreender os riscos enfrentados por credores, acionistas e parceiros comerciais.</p>
<h2>Por que a Fitch classificou a Raízen como inadimplente?</h2>
<p>A decisão está relacionada às condições previstas no plano de recuperação extrajudicial, homologado pela Justiça de São Paulo em 30 de julho. O acordo permite modificar prazos e formas de pagamento de determinadas dívidas financeiras, inclusive para credores que não aderiram individualmente à proposta. Na avaliação da Fitch, a alteração compulsória das condições originalmente contratadas caracteriza um evento de crédito suficientemente grave para justificar a classificação RD.</p>
<p>O plano recebeu apoio de credores titulares de aproximadamente 81,6% dos créditos financeiros sujeitos à renegociação. A homologação judicial tornou suas disposições obrigatórias para os participantes da categoria abrangida, incluindo aqueles que não concordaram com os novos termos. O mecanismo permite reorganizar o endividamento sem exigir a abertura de uma recuperação judicial tradicional.</p>
<p>Entre as medidas previstas estão a suspensão de pagamentos abrangidos pelo acordo e a capitalização de juros durante a implementação da reestruturação. Também estão contempladas alternativas de conversão de dívidas em participação acionária e substituição de obrigações por novos instrumentos financeiros. Essas operações buscam reduzir a pressão sobre o caixa, mas alteram as condições de recuperação dos valores devidos aos credores.</p>
<p>A Fitch já havia sinalizado essa possibilidade em março, quando reduziu a classificação da Raízen para &#8216;C&#8217;. Na ocasião, a agência afirmou que o avanço formal do processo de renegociação poderia levar ao enquadramento da companhia como inadimplente em determinadas obrigações. A revisão anunciada nesta quinta-feira representa, portanto, a materialização de um risco anteriormente identificado.</p>
<h2>Raízen prepara aumento de capital de pelo menos R$ 3,5 bilhões</h2>
<p>Paralelamente à renegociação das dívidas, a Raízen anunciou na quarta-feira (21) uma proposta de aumento de capital de, no mínimo, R$ 3,5 bilhões. A operação prevê a emissão de pelo menos 14 bilhões de ações ordinárias e preferenciais, ao preço de R$ 0,25 por papel. O valor máximo da capitalização ainda dependerá da participação dos investidores, da conversão de créditos e das demais condições estabelecidas no plano.</p>
<p>A emissão faz parte da estratégia para fortalecer a estrutura financeira da empresa e permitir a continuidade da reorganização. Além da entrada de novos recursos, o processo poderá transformar parte do endividamento em participação societária. Com isso, credores poderão passar a integrar o capital da companhia, modificando a distribuição de poder entre os acionistas.</p>
<p>As medidas societárias necessárias à operação serão submetidas a assembleias marcadas para 30 de outubro. Caso recebam aprovação, o conselho de administração deverá deliberar sobre o aumento de capital em 5 de novembro. O cronograma divulgado pela Raízen prevê o exercício do direito de preferência entre 6 de novembro e 7 de dezembro, sujeito às condições e aprovações aplicáveis.</p>
<p>A companhia trabalha com a possibilidade de homologar a capitalização em dezembro e concluir as principais etapas da recuperação extrajudicial até 31 de março de 2027. O calendário, entretanto, depende do cumprimento de condições contratuais, regulatórias e societárias. Eventuais atrasos poderão prolongar a incerteza sobre a estrutura financeira definitiva do grupo.</p>
<h2>Acionistas da Raízen (RAIZ4) enfrentam risco elevado de diluição</h2>
<p>Para os atuais acionistas, a emissão de bilhões de novos papéis representa um dos principais riscos da reorganização. Quando uma companhia aumenta substancialmente a quantidade de ações em circulação, a participação percentual de quem não acompanha a operação pode diminuir. Esse efeito é conhecido como diluição acionária e pode afetar tanto a influência societária quanto a parcela dos resultados futuros atribuída a cada investidor.</p>
<p>A dimensão potencial do processo é expressiva. A proposta de emissão mínima de 14 bilhões de ações, combinada à possibilidade de conversão de créditos em capital, poderá modificar profundamente a composição acionária da Raízen. O impacto definitivo dependerá do número de papéis efetivamente emitidos e das condições aplicáveis a cada classe.</p>
<p>A empresa prevê direito de preferência aos acionistas elegíveis, permitindo que participem da capitalização conforme as regras que forem aprovadas. Entretanto, o exercício desse direito exige novos recursos financeiros, o que pode limitar a capacidade de participação de investidores individuais. Quem optar por não subscrever os novos papéis ficará exposto à redução proporcional de sua participação.</p>
<p>A reorganização também poderá modificar a identificação das ações na Bolsa. A proposta prevê transformar as atuais preferenciais em ações preferenciais classe A, que passariam a ser negociadas sob o código RAIZ5, em substituição ao RAIZ4, caso as deliberações sejam aprovadas. A mudança de ticker é uma alteração societária e não representa, por si só, valorização ou recuperação do investimento.</p>
<h2>Separação entre energia e combustíveis integra recuperação</h2>
<p>Outra frente importante da reestruturação envolve a separação das operações do grupo em dois grandes <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341258">negócios</a>. A Raízen Energia concentrará as atividades ligadas à produção de açúcar, etanol e bioenergia, enquanto a Raízen Combustíveis reunirá as operações de distribuição de combustíveis. A reorganização busca estabelecer estruturas financeiras e societárias mais adequadas às características de cada atividade.</p>
<p>As duas operações possuem dinâmicas econômicas distintas. A produção de açúcar e etanol está exposta às condições climáticas, aos preços internacionais das commodities e aos investimentos necessários para o processamento de cana-de-açúcar. Já a distribuição de combustíveis depende principalmente dos volumes comercializados, das margens operacionais e da eficiência logística.</p>
<p>A separação poderá facilitar a avaliação individual de cada negócio e permitir estruturas de financiamento diferentes. Entretanto, também exigirá decisões sobre a distribuição das dívidas, a transferência de ativos e a composição dos novos órgãos de governança. Essas definições serão fundamentais para estabelecer a capacidade de pagamento das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341259">empresas</a> após a conclusão do processo.</p>
<p>A Raízen Energia também avançou nos procedimentos para sua futura negociação no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341260">mercado</a> de capitais. A subsidiária recebeu autorização da Comissão de Valores Mobiliários para converter seu registro de categoria B para categoria A, condição que amplia as possibilidades de emissão de valores mobiliários. A efetiva listagem das ações, porém, ainda depende das demais etapas regulatórias e societárias.</p>
<h2>Reestruturação pode melhorar caixa, mas não elimina risco financeiro</h2>
<p>A renegociação oferece à Raízen a possibilidade de reorganizar vencimentos e reduzir a pressão imediata sobre sua liquidez. Essa melhora, contudo, não significa necessariamente uma recuperação definitiva da situação financeira. A sustentabilidade da companhia dependerá da capacidade de gerar recursos operacionais suficientes para financiar suas atividades e cumprir as novas obrigações.</p>
<p>O histórico recente ajuda a explicar a gravidade da crise. Na documentação apresentada à Justiça, o grupo atribuiu suas dificuldades a uma combinação de investimentos elevados, condições financeiras adversas, problemas climáticos na produção agrícola e deterioração de determinadas operações. Esses fatores contribuíram para aumentar o endividamento e reduzir a flexibilidade financeira da companhia.</p>
<p>O resultado da reestruturação também será diferente para credores e acionistas. Para os primeiros, a conversão de créditos em ações pode significar abrir mão de direitos contratuais de recebimento em troca de participação no negócio. Para os segundos, a redução do endividamento pode melhorar a viabilidade da empresa, mas ao custo de uma potencial diluição expressiva.</p>
<p>Essa diferença demonstra por que uma recuperação operacional não implica necessariamente recuperação do preço das ações. Mesmo que a Raízen consiga reduzir suas dívidas e fortalecer o caixa, o valor econômico remanescente para os acionistas dependerá da nova quantidade de papéis em circulação e da distribuição dos direitos societários. A reorganização pode preservar a atividade empresarial sem garantir a recomposição das perdas de investidores antigos.</p>
<h2>O que acontece agora com a Raízen?</h2>
<p>A próxima etapa relevante será a assembleia de 30 de outubro, quando os acionistas deverão deliberar sobre mudanças na estrutura de capital, na governança e nas classes de ações. A aprovação dessas medidas será necessária para avançar na capitalização e em outras disposições do plano de recuperação extrajudicial. O resultado das votações poderá influenciar diretamente a velocidade de implementação da reestruturação.</p>
<p>A Fitch deverá acompanhar a conclusão dessas operações antes de realizar uma nova avaliação do perfil de crédito do grupo. Entre os fatores relevantes estarão a dívida remanescente, o caixa disponível, o calendário de vencimentos e a capacidade de geração de recursos das empresas reorganizadas. Uma melhora na classificação dependerá de condições financeiras concretas, não apenas da aprovação formal das propostas.</p>
<p>O cenário continuará exigindo atenção dos investidores. Embora o plano de recuperação extrajudicial represente uma tentativa de preservar os negócios e reorganizar as obrigações financeiras, sua execução envolve riscos societários, operacionais e de financiamento. Caso as medidas não produzam os resultados necessários, a companhia poderá enfrentar novas dificuldades e precisar avaliar alternativas mais severas de reorganização.</p>
<p>A classificação de inadimplência restrita marca uma etapa decisiva na crise financeira da Raízen. A empresa precisa agora demonstrar que a renegociação de R$ 61,4 bilhões, a entrada de capital e a separação dos negócios serão suficientes para restabelecer uma estrutura sustentável. Para os acionistas de RAIZ4, o principal desafio será compreender quanto valor poderá permanecer nas ações após uma das maiores reestruturações corporativas do país.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Fitch Ratings — Relatório de rebaixamento de crédito da Raízen para C, de 12 de março de 2026, e critérios de classificação de inadimplência restrita.</p>
<p>Raízen S.A. — Comunicado ao mercado de 21 de outubro de 2026 sobre proposta de aumento de capital e cronograma de subscrição.</p>
<p>Comissão de Valores Mobiliários — Documentos societários da Raízen relativos à recuperação extrajudicial, capitalização e reorganização do grupo.</p>
<p>Tribunal de Justiça de São Paulo — Sentença de homologação do plano de recuperação extrajudicial da Raízen, de 30 de julho de 2026.</p>
<p>Raízen S.A. — Propostas da administração para as assembleias de acionistas de 30 de outubro de 2026.</p>
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		<item>
		<title>Raízen (RAIZ4) propõe capitalização de R$ 3,5 bilhões em plano de reestruturação</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/raizen-aumento-capital-35-bilhoes-reestruturacao-dividas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Oct 2026 16:43:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Raízen (RAIZ4) propôs um aumento de capital privado de, no mínimo, R$ 3,5 bilhões, por meio da emissão de 14 bilhões de novas ações ao preço de R$ 0,25 por papel. A operação, anunciada em 21 de outubro de 2026, faz parte do plano de recuperação extrajudicial da companhia e ainda depende de aprovações [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Raízen (RAIZ4) propôs um aumento de capital privado de, no mínimo, R$ 3,5 bilhões, por meio da emissão de 14 bilhões de novas ações ao preço de R$ 0,25 por papel. A operação, anunciada em 21 de outubro de 2026, faz parte do plano de recuperação extrajudicial da companhia e ainda depende de aprovações societárias. A capitalização poderá envolver ações ordinárias e preferenciais de diferentes classes, enquanto o montante final dependerá das condições estabelecidas para a implementação do plano e da participação dos acionistas e demais envolvidos.</p>
<p>A proposta representa uma etapa importante da reorganização financeira de um dos maiores grupos brasileiros de distribuição de combustíveis e produção de açúcar, etanol e bioenergia. O objetivo é executar a estrutura de capitalização prevista na renegociação das dívidas, combinando a entrada de dinheiro novo com a conversão de parte dos créditos financeiros em participação acionária. A empresa também precisa reorganizar sua estrutura societária para viabilizar as mudanças pactuadas com os credores.</p>
<p>O cronograma inicial prevê assembleias em 30 de outubro, deliberação do Conselho de Administração em 5 de novembro e conclusão das etapas de capitalização em dezembro. As datas são indicativas e podem ser alteradas. Até a aprovação das medidas e o cumprimento das condições necessárias, a emissão não representa recursos já incorporados ao caixa da companhia.</p>
<h2>Emissão mínima corresponde a 14 bilhões de novos papéis</h2>
<p>O cálculo que sustenta o valor mínimo da operação é direto: a emissão de 14 bilhões de ações a R$ 0,25 por unidade corresponde a R$ 3,5 bilhões. O preço proposto é o mesmo para as diferentes espécies e classes de ações abrangidas pela capitalização.</p>
<p>A quantidade de papéis e o preço de emissão dão dimensão à operação, mas não permitem determinar, isoladamente, a participação que cada acionista terá na companhia depois do aumento. Para isso, será necessário conhecer a distribuição definitiva das novas ações entre as classes, as condições de conversão dos créditos e o resultado do exercício dos direitos de preferência.</p>
<p>A proposta contempla ações ordinárias e preferenciais classe A e classe B. As ações preferenciais classe B previstas na operação não serão negociadas em bolsa de valores nem em <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341186">mercado</a> de balcão organizado. Esses papéis permanecerão registrados nos livros da companhia, mantidos pelo escriturador.</p>
<p>As novas ações terão direito aos dividendos, juros sobre capital próprio e demais proventos, conforme as condições estabelecidas para a emissão. O desenho societário também inclui mudanças na classificação dos papéis preferenciais que já existem e a criação de uma estrutura de Units, que reunirá ações em um único instrumento, conforme as regras do plano de recuperação.</p>
<p>As alterações propostas serão submetidas aos acionistas antes da execução do aumento. A assembleia geral extraordinária e a assembleia especial de acionistas preferencialistas convocadas para 30 de outubro deverão deliberar sobre a criação da classe B, a reclassificação das ações preferenciais atuais, a instituição do programa de Units e mudanças no estatuto social.</p>
<p>A aprovação dessas medidas é necessária para criar as condições societárias da capitalização. Caso os acionistas aprovem as propostas, o Conselho de Administração deverá analisar o aumento em reunião prevista para 5 de novembro.</p>
<h2>Acionistas terão prazo para exercer preferência</h2>
<p>A operação prevê direito de preferência para os acionistas elegíveis participarem da subscrição das novas ações. A data de corte indicada é 5 de novembro de 2026, ao fim do pregão da B3. Os papéis adquiridos a partir de 6 de novembro serão negociados sem o direito de preferência relativo à operação.</p>
<p>O período previsto para exercício desse direito começa em 6 de novembro e termina em 7 de dezembro, totalizando 30 dias corridos. A proporção de subscrição e a quantidade de ações de cada classe disponíveis a cada investidor deverão ser definidas pelo Conselho de Administração e divulgadas posteriormente pela companhia.</p>
<p>A integralização das ações subscritas mediante o exercício da preferência será feita à vista, em dinheiro, na data de liquidação a ser informada pela empresa.</p>
<p>Para os acionistas, o procedimento tem duas dimensões. A primeira é a possibilidade de acompanhar o aumento de capital para tentar preservar sua participação proporcional na companhia. A segunda é o efeito potencial da ampliação da base acionária sobre quem não participar da subscrição, não converter créditos ou não acompanhar as condições aplicáveis à sua classe de ações.</p>
<p>A diluição, entretanto, não pode ser calculada de maneira definitiva apenas com os dados da emissão mínima. O resultado dependerá do total efetivamente emitido, da quantidade de ações já existentes, da distribuição entre as classes e da conversão dos créditos prevista na reestruturação. A companhia ainda precisa divulgar os parâmetros finais necessários para esse cálculo.</p>
<p>Outro ponto relevante é a mudança prevista para as ações preferenciais atualmente negociadas. Se a reclassificação for aprovada, os papéis passarão a ser identificados como ações preferenciais classe A e terão o código RAIZ5 a partir de 3 de novembro, em substituição ao ticker RAIZ4. A alteração está condicionada às deliberações societárias pertinentes.</p>
<p>O cronograma indicativo prevê reunião do Conselho de Administração em 16 de dezembro para homologar a capitalização, seguida pelo crédito das novas ações aos investidores em 18 de dezembro. Essas datas também permanecem sujeitas a alterações.</p>
<h2>Aporte da Shell integra a solução financeira</h2>
<p>O aumento de capital está ligado ao acordo de recuperação extrajudicial que prevê um aporte de R$ 3,5 bilhões pela Shell, acionista da Raízen, e uma contribuição adicional potencial de R$ 500 milhões da Aguassanta Participações, empresa controlada pela família de Rubens Ometto, acionista controlador da Cosan.</p>
<p>A contribuição adicional da Aguassanta está condicionada à sua adesão. Por isso, não deve ser tratada como dinheiro já assegurado. A estrutura econômica definitiva da capitalização depende da execução dos compromissos previstos no plano e do cumprimento das condições aplicáveis.</p>
<p>A proposta de emissão de ações também precisa ser compreendida no contexto da conversão de dívidas em participação acionária. O plano prevê que 45% dos créditos reestruturados sejam convertidos em participação na companhia, por meio de Units, enquanto os 55% restantes sejam substituídos, refinanciados ou modificados para formar novos instrumentos de dívida, de acordo com as condições estabelecidas para os credores.</p>
<p>Esse mecanismo combina duas frentes distintas. O dinheiro novo pode reforçar a liquidez e a estrutura patrimonial da companhia, enquanto a conversão de créditos altera a composição entre dívida e capital próprio. A substituição das obrigações remanescentes busca adequar os vencimentos e as condições financeiras à capacidade de pagamento futura.</p>
<p>A conversão, por sua vez, transfere parte do risco econômico dos credores para a participação acionária. Em lugar de manter exclusivamente um crédito contra a empresa, os credores que escolherem essa modalidade passam a participar dos resultados e dos riscos relacionados ao negócio, conforme os direitos associados aos papéis recebidos.</p>
<p>O impacto final sobre o endividamento dependerá da implementação de todas essas etapas. O aumento de capital não equivale, automaticamente, à quitação de dívidas no mesmo montante, porque a destinação dos recursos e os efeitos da conversão precisam ser considerados em conjunto.</p>
<h2>Recuperação extrajudicial abrange passivos bilionários</h2>
<p>O plano de recuperação extrajudicial foi apresentado em junho de 2026 e homologado judicialmente em 30 de julho. Segundo o fato relevante divulgado pela companhia à época, a proposta recebeu adesão de 81,6% dos credores financeiros quirografários abrangidos pelo acordo. A empresa informou que não houve impugnação de credores ao plano submetido à homologação.</p>
<p>O documento de homologação apontou aproximadamente R$ 61,4 bilhões em dívidas financeiras quirografárias abrangidas pelo reperfilamento. O processo envolve obrigações contratadas com instituições financeiras e emitidas nos mercados de capitais local e internacional.</p>
<p>A aprovação judicial tornou vinculante o reperfilamento para os credores sujeitos ao plano, nos termos da legislação aplicável. Isso não significa, porém, que todas as etapas financeiras e societárias estejam automaticamente concluídas. A conversão de créditos em ações, a emissão de novos instrumentos de dívida e as reorganizações societárias ainda exigem providências específicas.</p>
<p>O plano também prevê reorganizar as atividades do grupo, com a separação dos <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341187">negócios</a> de distribuição de combustíveis e de produção de açúcar, etanol e bioenergia. A segregação pretende estabelecer estruturas mais independentes, com passivos e recursos associados às respectivas operações, conforme as condições previstas para a implementação.</p>
<p>A reorganização ocorre em uma companhia que combina operações de grande escala com necessidades relevantes de capital de giro, investimentos em ativos industriais e agrícolas e exposição às oscilações dos preços das commodities. A geração de caixa de cada negócio, portanto, é uma variável importante para a definição de uma estrutura financeira sustentável.</p>
<h2>Endividamento continua elevado apesar de melhora trimestral</h2>
<p>Os resultados do primeiro trimestre do ano-safra 2026/27, encerrado em junho, mostram a dimensão do desafio financeiro. No período, a Raízen registrou receita operacional líquida consolidada de R$ 51,46 bilhões, alta de 4% em relação ao mesmo trimestre da safra anterior. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado, conhecido como Ebitda ajustado, alcançou R$ 3,85 bilhões, ante R$ 1,70 bilhão no período comparável.</p>
<p>O desempenho operacional, contudo, não eliminou o efeito das despesas financeiras e dos custos relacionados à reestruturação. A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 1,64 bilhão entre abril e junho de 2026, redução de aproximadamente 11% frente ao prejuízo de R$ 1,84 bilhão registrado no mesmo trimestre do ano anterior.</p>
<p>A dívida líquida consolidada era de R$ 56,87 bilhões ao final de junho, recuo de 2,3% em relação ao encerramento do ano-safra anterior, em março. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado acumulado em 12 meses, caiu de 5,2 vezes para 4,8 vezes nessa comparação trimestral.</p>
<p>Apesar da melhora em relação a março, a alavancagem continuava elevada. Além disso, a dívida líquida de junho era 15,5% superior à registrada no mesmo período do ano anterior, quando somava R$ 49,22 bilhões. A evolução mostra que a redução trimestral não elimina o problema acumulado no balanço.</p>
<p>Como referência de escala, o aporte mínimo de R$ 3,5 bilhões equivale a cerca de 6,2% da dívida líquida de R$ 56,87 bilhões registrada em junho. Essa comparação é ilustrativa: os valores se referem a datas e conceitos financeiros diferentes, e o aumento de capital não implica que todo o dinheiro seja destinado à amortização direta do endividamento.</p>
<p>A execução da reestruturação também deve ser acompanhada à luz das despesas financeiras. No primeiro trimestre da safra 2026/27, o resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 2,97 bilhões, ante R$ 2,09 bilhões negativos no mesmo intervalo do ano anterior. O peso dessas despesas ajuda a explicar por que a recuperação do desempenho operacional, embora importante, não é suficiente por si só para resolver a situação financeira.</p>
<h2>Prejuízos anteriores reforçaram a necessidade de reorganização</h2>
<p>No encerramento do ano-safra 2025/26, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 27,14 bilhões, ante perda de R$ 4,18 bilhões no exercício anterior. Parte relevante do resultado foi afetada por provisões contábeis sem efeito imediato sobre o caixa, no montante total de R$ 22,5 bilhões.</p>
<p>Desse total, R$ 12,5 bilhões estavam relacionados ao contexto de incerteza significativa quanto à continuidade operacional, segundo o relatório de resultados da companhia. Outros R$ 10 bilhões correspondiam à perspectiva de não realização de determinados ativos. A empresa ressaltou que essas provisões poderiam ser revertidas no futuro, caso as premissas utilizadas nos testes de recuperabilidade fossem alteradas.</p>
<p>Esses ajustes não representam uma saída de caixa no momento do reconhecimento, mas mostram a revisão das expectativas econômicas sobre ativos e operações. Ao mesmo tempo, os encargos financeiros efetivos e o elevado volume de dívida mantêm a necessidade de recursos e de adequação dos vencimentos.</p>
<p>A Raízen também vem reduzindo investimentos e simplificando seu portfólio. No relatório do ano-safra encerrado em março, a companhia informou redução de R$ 3,3 bilhões nos investimentos em comparação com o exercício anterior e apontou impacto financeiro positivo estimado em R$ 12 bilhões com a readequação de ativos, parte ainda dependente da conclusão de transações.</p>
<p>A venda das operações de distribuição de combustíveis na Argentina é uma dessas iniciativas. O contrato, celebrado em junho, foi estimado em US$ 1,42 bilhão, sujeito a ajustes usuais de fechamento e ao cumprimento das condições precedentes. A conclusão ainda depende dessas etapas, de modo que o valor não deve ser tratado como recurso integralmente recebido.</p>
<p>As medidas de desinvestimento e a capitalização integram, assim, um conjunto mais amplo de ações que busca preservar a continuidade das operações e reduzir a pressão financeira sobre o grupo. A entrada de dinheiro novo, a conversão de créditos, a renegociação dos passivos remanescentes e a venda de ativos têm efeitos diferentes e precisam ser avaliadas em conjunto.</p>
<h2>Aprovações definem as próximas etapas da operação</h2>
<p>A principal etapa imediata será a votação das mudanças societárias em 30 de outubro. Se forem aprovadas, o Conselho de Administração deverá deliberar sobre o aumento de capital em 5 de novembro e confirmar os parâmetros necessários à subscrição dos papéis.</p>
<p>A partir de então, os investidores poderão conhecer a proporção dos direitos de preferência, a distribuição por classe e as condições de liquidação. O período previsto de 6 de novembro a 7 de dezembro dará aos acionistas elegíveis a oportunidade de participar da operação de acordo com as regras que forem formalmente divulgadas.</p>
<p>A homologação da capitalização está programada para 16 de dezembro, com crédito das novas ações em 18 de dezembro, embora o cronograma possa ser atualizado. O fechamento mais amplo do plano de recuperação extrajudicial permanece sujeito às demais condições previstas, com prazo indicado até 31 de março de 2027.</p>
<p>O resultado da operação será determinado não apenas pelo valor mínimo captado, mas também pelo grau de adesão dos participantes, pela conversão efetiva dos créditos e pela implementação das medidas de reorganização. Para a companhia, o desafio será transformar a capitalização e a renegociação dos passivos em uma estrutura capaz de acompanhar a geração de caixa de seus negócios. Para os acionistas, a atenção estará concentrada nas condições de subscrição, nos efeitos da diluição e na configuração definitiva do capital após a conclusão das etapas societárias.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Comissão de Valores Mobiliários — fato relevante da Raízen sobre a homologação do plano de recuperação extrajudicial, divulgado em julho de 2026</em></p>
<p><em>Raízen — relatório de resultados do primeiro trimestre do ano-safra 2026/27 e informações sobre endividamento, alavancagem e desempenho operacional</em></p>
<p><em>Raízen — relatório de resultados do quarto trimestre e do ano-safra 2025/26, com dados sobre prejuízo, provisões contábeis e medidas de reestruturação</em></p>
<p><em>Tribunal de Justiça de São Paulo — sentença de homologação da recuperação extrajudicial do Grupo Raízen no processo de 2026</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Nestlé cresce 4% no terceiro trimestre de 2026 com avanço das vendas</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/nestle-acelera-vendas-e-registra-crescimento-organico-de-4-no-3o-trimestre</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Oct 2026 13:58:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[economia global]]></category>
		<category><![CDATA[Empresas Multinacionais]]></category>
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		<category><![CDATA[Nestlé 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Resultados Nestlé]]></category>
		<category><![CDATA[Terceiro Trimestre]]></category>
		<category><![CDATA[vendas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nestlé cresce 4% no terceiro trimestre de 2026, impulsionada por volumes e mercados emergentes. Empresa mantém metas e amplia investimentos no Brasil.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Nestlé registrou crescimento orgânico de 4% nas vendas do terceiro trimestre de 2026, impulsionada pela recuperação dos volumes comercializados e pelo desempenho dos mercados emergentes. O resultado, divulgado nesta quinta-feira (22), representa uma aceleração em relação aos trimestres anteriores e reforça a estratégia da multinacional suíça de ampliar o faturamento por meio do consumo efetivo de seus produtos, reduzindo a dependência de reajustes de preços. Entre julho e setembro, as vendas globais alcançaram 22,76 bilhões de francos suíços, ante 21,64 bilhões no mesmo período de 2025.</p>
<p>O principal indicador dessa recuperação foi o crescimento interno real, conhecido pela sigla RIG, que avançou 2,8% no trimestre, contra 1,8% registrado entre abril e junho. A métrica considera as variações de volume e do mix de produtos vendidos, permitindo identificar quanto do crescimento decorre da atividade comercial, independentemente dos reajustes de preços. A contribuição dos preços para a expansão orgânica ficou em 1,1%, evidenciando uma mudança na composição do crescimento da companhia.</p>
<h2>Mercados emergentes lideram expansão das vendas</h2>
<p>Os países emergentes continuaram como principal motor de crescimento da Nestlé, registrando expansão orgânica de 6,8% no terceiro trimestre, acompanhada de aumento de 4,3% no indicador de volume e mix. Nos mercados desenvolvidos, o avanço orgânico foi de 2,2%, com crescimento interno real de 1,9%. A diferença entre as regiões demonstra a importância dos mercados de maior potencial de consumo para sustentar a expansão global da fabricante de alimentos e bebidas.</p>
<p>A divisão que reúne Ásia, Oceania e África apresentou crescimento orgânico de 6,4%, com avanço de 5% no crescimento interno real. A Índia destacou-se com expansão orgânica de 20%, enquanto outros mercados asiáticos e do Oriente Médio também registraram resultados expressivos. O desempenho regional foi favorecido pela comercialização de alimentos, produtos de nutrição e bebidas, incluindo marcas internacionais como Nescafé, Maggi e KitKat.</p>
<p>Nas Américas, o crescimento orgânico atingiu 3,3%, enquanto o aumento dos volumes e do mix chegou a 2,4%. A América Latina apresentou desempenho superior à média regional, com expansão orgânica de 5,2% e crescimento interno real de 3,7%. Brasil e México foram destacados pela companhia como importantes contribuintes para a recuperação comercial, especialmente diante da moderação dos reajustes de preços.</p>
<h2>Brasil ganha importância na estratégia global da Nestlé</h2>
<p>O desempenho brasileiro reforça a relevância do país nos planos de expansão da multinacional, que anunciou em setembro investimentos de 310 milhões de francos suíços em nutrição e saúde até 2028. O programa contempla a construção de uma fábrica em Ituiutaba, Minas Gerais, destinada principalmente à produção de fórmulas infantis, além da modernização de outras operações industriais. A nova unidade receberá aproximadamente 94 milhões de francos suíços e deverá criar cerca de 100 empregos diretos.</p>
<p>A fábrica mineira tem previsão de iniciar suas atividades no segundo trimestre de 2028, atendendo ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341184">mercado</a> brasileiro e a oportunidades de exportação. A companhia também planeja ampliar a estrutura industrial de Araçatuba, no interior de São Paulo, e aumentar em 15% a produção de soro de leite até 2029, ingrediente utilizado em produtos de nutrição. Os investimentos representam uma aposta na ampliação da capacidade produtiva brasileira, mesmo em um cenário internacional de pressão sobre custos e margens.</p>
<p>A combinação de crescimento comercial e investimentos industriais oferece uma perspectiva relevante para o mercado brasileiro de alimentos e produtos nutricionais. A expansão da capacidade instalada pode aumentar a demanda por matérias-primas, embalagens, transporte e serviços industriais, com efeitos potenciais sobre fornecedores locais. A concretização desses impactos, entretanto, dependerá do ritmo de implantação dos projetos e da evolução do consumo nos próximos anos.</p>
<h2>Alimentos para animais e produtos alimentícios sustentam crescimento</h2>
<p>Entre as principais categorias de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341185">negócios</a>, os produtos para animais de estimação apresentaram crescimento orgânico de 5,3%, acompanhados de avanço de 4,3% no indicador de volume e mix. A divisão foi beneficiada pelo desempenho dos alimentos para gatos e pela expansão comercial de marcas como Purina Pro Plan e ONE. A companhia também identificou melhora na correspondência entre os pedidos dos varejistas e as vendas efetivas aos consumidores, sinalizando maior equilíbrio entre demanda e estoques.</p>
<p>A área de alimentos e snacks cresceu 5%, impulsionada principalmente por chocolates, produtos culinários e pela recuperação de alimentos congelados nos Estados Unidos. Marcas como KitKat e Maggi contribuíram para o desempenho, enquanto a expansão de volumes e do mix da categoria chegou a 5,4%. O resultado indica que produtos de consumo recorrente continuam desempenhando papel relevante na sustentação das receitas da multinacional.</p>
<p>O segmento de café registrou crescimento orgânico de 3,4%, com contribuição de 2% dos preços e de 1,3% dos volumes e mix. A Nestlé destacou o desempenho de Nescafé e Starbucks, além da recuperação gradual das vendas nos Estados Unidos após reajustes realizados anteriormente. Já a divisão de águas e bebidas premium apresentou expansão orgânica de 12,3%, beneficiada pelo crescimento do consumo e pela valorização de seu portfólio.</p>
<p>Nem todas as atividades, entretanto, acompanharam a recuperação do grupo. A divisão de nutrição avançou apenas 0,3% em termos orgânicos, com queda de 1,1% no crescimento interno real, refletindo dificuldades em determinadas linhas de produtos e efeitos remanescentes do recolhimento de fórmulas infantis. A diferença entre os segmentos mostra que a melhora consolidada ainda convive com desafios operacionais específicos.</p>
<h2>Vendas crescem, mas câmbio limita resultado acumulado</h2>
<p>Nos primeiros nove meses de 2026, a Nestlé acumulou vendas de 65,87 bilhões de francos suíços, praticamente estáveis em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da estabilidade nominal, o crescimento orgânico alcançou 3,7%, composto por avanço de 1,9% no indicador de volume e mix e contribuição de 1,8% dos preços. A diferença entre os resultados decorre principalmente do efeito negativo de 3,7% das variações cambiais sobre as receitas consolidadas.</p>
<p>A comparação entre os indicadores revela uma característica importante do desempenho da companhia: a recuperação da demanda ainda não se traduz integralmente em expansão do faturamento contabilizado em francos suíços. A valorização ou desvalorização das moedas nos mercados em que a empresa atua pode reduzir os resultados reportados, mesmo quando as vendas locais apresentam crescimento. Por isso, o desempenho orgânico oferece uma medida mais adequada para avaliar a evolução comercial das operações existentes.</p>
<p>Outro sinal de transformação aparece nas vendas digitais, que registraram crescimento orgânico de 15,3% no terceiro trimestre. O comércio eletrônico representou 21,6% das vendas globais acumuladas da companhia até setembro, demonstrando a crescente importância dos canais digitais na distribuição de alimentos, bebidas e produtos especializados. A expansão desse canal também amplia a necessidade de investimentos em tecnologia, logística e relacionamento direto com consumidores e parceiros comerciais.</p>
<h2>Nestlé vende divisão de suplementos por US$ 1 bilhão</h2>
<p>Paralelamente à recuperação comercial, a Nestlé avança na reorganização de seu portfólio para concentrar recursos em negócios considerados estratégicos. Em setembro, a empresa anunciou acordo para vender sua operação de vitaminas, minerais e suplementos de consumo de massa à gestora Yellow Wood Partners por US$ 1 bilhão. A transação envolve marcas como Nature&#8217;s Bounty, Osteo Bi-Flex e Ester-C, além de instalações industriais e operações de distribuição.</p>
<p>Os ativos incluídos no acordo produziram aproximadamente US$ 1,2 bilhão em vendas durante 2025, segundo informações divulgadas pela companhia. A operação ainda depende de aprovações regulatórias e tem conclusão prevista para o primeiro semestre de 2027. A Nestlé pretende preservar sua atuação em suplementos premium e produtos nutricionais desenvolvidos com base científica, concentrando investimentos nas áreas em que identifica maiores vantagens competitivas.</p>
<p>O reposicionamento faz parte de uma estratégia mais ampla de simplificação das operações e aumento da eficiência financeira. Ao reduzir a exposição a determinadas linhas de negócios, a multinacional busca direcionar capital para segmentos de maior potencial de crescimento e rentabilidade. A eficácia dessa estratégia dependerá não apenas dos recursos obtidos com as alienações, mas também da capacidade de transformar investimentos comerciais e industriais em crescimento consistente das vendas.</p>
<h2>Operações na Rússia deixam de ser consolidadas</h2>
<p>A Nestlé também informou que deixou de consolidar suas operações na Rússia a partir do final de setembro de 2026, depois que os negócios locais foram colocados sob administração externa temporária por determinação das autoridades russas. A companhia afirmou que permanece proprietária legal dos ativos, mas deixou de exercer controle sobre a gestão das operações. Segundo o comunicado, a mudança não alterou os indicadores de vendas do terceiro trimestre e dos nove primeiros meses do ano.</p>
<p>Em bases anualizadas, as operações russas representavam aproximadamente 2% das vendas globais e entre 3% e 4% do lucro operacional recorrente subjacente e do fluxo de caixa livre. A retirada dos ativos da consolidação contábil envolve o reconhecimento de efeitos patrimoniais relevantes, incluindo a baixa de ativos líquidos de aproximadamente 1,6 bilhão de francos suíços. A companhia estima ainda um impacto desfavorável de cerca de 900 milhões de francos suíços sobre a dívida líquida ao final de 2026.</p>
<h2>Nestlé mantém metas financeiras para 2026</h2>
<p>Apesar das incertezas econômicas e geopolíticas, a Nestlé manteve suas projeções financeiras para o encerramento de 2026. A companhia espera crescimento orgânico entre 3% e 4% no acumulado do ano, acompanhado de melhora da margem de lucro operacional recorrente subjacente em relação a 2025. A expectativa para o fluxo de caixa livre permanece acima de 9 bilhões de francos suíços.</p>
<p>O presidente-executivo Philipp Navratil atribuiu a recuperação à execução comercial e à estratégia de concentrar investimentos nas atividades mais competitivas. Segundo o executivo, a melhora do crescimento interno real em todas as regiões representa um avanço na busca por uma expansão sustentável, apoiada no aumento efetivo das vendas. A direção pretende manter a disciplina financeira e ampliar a produtividade das operações diante das pressões sobre custos e consumo.</p>
<p>O desempenho do terceiro trimestre coloca a Nestlé em uma posição mais favorável para cumprir suas metas anuais, mas também evidencia diferenças importantes entre mercados e categorias de produtos. Enquanto alimentos para animais, snacks e mercados emergentes apresentam maior dinamismo, parte dos negócios de nutrição ainda enfrenta dificuldades para recuperar volumes. Para os próximos trimestres, a principal questão será a capacidade da multinacional de sustentar o crescimento comercial sem depender de novos reajustes expressivos de preços, preservando margens e geração de caixa.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Nestlé S.A. — Third-quarter and nine-month 2026 sales, comunicado oficial de 22 de outubro de 2026.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Keeta é processada por restaurantes e enfrenta pedido de indenização de R$ 10 milhões por delivery sem autorização</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/keeta-processada-restaurantes-compra-intermediada-indenizacao-10-milhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucas Correa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2026 19:22:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Keeta é processada por restaurantes e enfrenta pedido de R$ 10 milhões por danos morais coletivos. Entenda a disputa sobre compras sem autorização</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Associação Nacional de Restaurantes (ANR) ingressou com uma ação civil pública contra a Keeta, plataforma de delivery controlada pela chinesa Meituan, para impedir a comercialização de produtos de restaurantes que não autorizaram sua inclusão no aplicativo. A ação, protocolada em 20 de outubro e divulgada nesta quarta-feira (21), tramita na 34ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo e inclui um pedido de indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos. A entidade também solicita a suspensão imediata da modalidade conhecida como compra intermediada, além de multa diária de R$ 10 mil por estabelecimento mantido irregularmente na plataforma, caso haja determinação judicial nesse sentido. A controvérsia coloca em discussão os limites da atuação dos aplicativos de entrega, a autonomia comercial dos restaurantes e a responsabilidade sobre os pedidos realizados pelos consumidores.</p>
<p>A disputa envolve um modelo operacional no qual a Keeta disponibiliza opções de restaurantes que não possuem contrato com a empresa. Após o consumidor realizar um pedido pelo aplicativo, um entregador ou comprador terceirizado se desloca até o estabelecimento, adquire os produtos diretamente no balcão e providencia a entrega. Segundo a ANR, os restaurantes podem desconhecer a origem digital daquela compra e não participam da definição das condições comerciais oferecidas ao consumidor. A Keeta defende a legalidade da operação e afirma que desenvolveu a modalidade para ampliar o acesso a estabelecimentos que enfrentam restrições contratuais impostas por outras plataformas.</p>
<h2>Justiça de São Paulo recebe ação contra a Keeta</h2>
<p>A ação civil pública foi distribuída em 20 de outubro de 2026, às 18h57, sob o número 4205833-30.2026.8.26.0100. O procedimento está sob responsabilidade do juiz Airtom Marquezini Júnior, da 34ª Vara Cível do Foro Central da capital paulista. A petição inicial, apresentada pela Associação Nacional de Restaurantes, sustenta que a Keeta utiliza nomes comerciais, cardápios e outros elementos de identificação de estabelecimentos sem autorização prévia. A entidade argumenta que essa prática pode representar violação da liberdade empresarial e gerar prejuízos comerciais, operacionais e reputacionais.</p>
<p>O pedido de tutela de urgência pretende obter uma determinação judicial que obrigue a plataforma a interromper imediatamente a oferta de produtos de restaurantes que não tenham autorizado expressamente sua participação. A associação também solicita que a Keeta deixe de utilizar marcas, fotografias, cardápios, nomes e outros elementos relacionados aos estabelecimentos não parceiros. Para assegurar o cumprimento de uma eventual decisão, pede a fixação de multa diária de R$ 10 mil por restaurante indevidamente listado. O valor não corresponde a uma penalidade já aplicada, mas a uma medida coercitiva solicitada ao Judiciário.</p>
<p>No julgamento definitivo, a ANR pretende transformar a suspensão provisória em uma proibição permanente da modalidade nas condições contestadas. A entidade também solicita indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, com destinação ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos. A petição requer ainda que uma eventual condenação seja divulgada no próprio aplicativo da empresa e em veículo de ampla circulação. Até a etapa processual verificada na documentação inicial, o caso aguardava despacho judicial, sem decisão de mérito sobre a legalidade do modelo.</p>
<h2>Como funciona a compra intermediada da Keeta</h2>
<p>A compra intermediada representa uma alternativa ao funcionamento convencional das plataformas de delivery. No modelo tradicional, os restaurantes firmam contratos com os aplicativos, integram seus sistemas de pedidos e definem cardápios, preços e disponibilidade de produtos. A modalidade contestada dispensa essa relação comercial direta e permite que o consumidor contrate um serviço de aquisição e entrega por meio da plataforma. O estabelecimento recebe uma compra presencial, ainda que a transação tenha sido iniciada digitalmente.</p>
<p>Para a Keeta, o formato amplia as opções disponíveis aos consumidores e permite que estabelecimentos sem integração comercial sejam acessados pelo aplicativo. A empresa argumenta que contratos de exclusividade existentes no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341166">mercado</a> brasileiro dificultam a entrada de novas plataformas e restringem a liberdade de escolha dos restaurantes. A compra intermediada funcionaria, portanto, como um mecanismo para oferecer alternativas aos usuários enquanto a concorrência enfrenta essas barreiras. A companhia afirma que a iniciativa foi desenvolvida especificamente para o Brasil e está em conformidade com a legislação aplicável.</p>
<p>A ANR questiona justamente a ausência de consentimento dos estabelecimentos. Segundo a associação, quando o restaurante não participa da operação digital, perde a capacidade de controlar a demanda recebida, os produtos anunciados e a maneira como sua marca é apresentada ao consumidor. Essa diferença pode produzir dificuldades operacionais, especialmente em períodos de maior movimento ou quando determinados produtos deixam de estar disponíveis. A entidade sustenta que a autonomia sobre os canais de comercialização integra a liberdade de gestão de qualquer negócio.</p>
<h2>Restaurantes reclamam de perda de controle sobre pedidos</h2>
<p>Entre os problemas apresentados na petição estão falhas de integração entre o aplicativo da Keeta e os sistemas utilizados pelos estabelecimentos. No delivery convencional, os restaurantes conseguem acompanhar pedidos, estimar o volume de produção e interromper temporariamente o recebimento de novas solicitações quando atingem sua capacidade operacional. Na compra intermediada, essas ferramentas podem não estar disponíveis, uma vez que o pedido é realizado por um terceiro diretamente no balcão. Segundo a associação, o resultado pode ser o aumento inesperado da demanda, atrasos e dificuldades na organização das equipes.</p>
<p>A ausência de integração também pode provocar divergências entre produtos anunciados no aplicativo e itens efetivamente disponíveis nos estabelecimentos. Um prato retirado do cardápio ou temporariamente indisponível pode continuar sendo apresentado ao consumidor caso as informações da plataforma não sejam atualizadas. Nessa situação, o comprador intermediário poderá encontrar dificuldades para concluir a aquisição, gerando cancelamentos ou substituições. A entidade argumenta que esses problemas prejudicam a experiência do consumidor e podem atingir a reputação comercial do restaurante.</p>
<p>Outro ponto envolve o tratamento das reclamações. Quando existe uma parceria formal, as responsabilidades operacionais costumam ser estabelecidas contratualmente, inclusive em relação à preparação dos alimentos, transporte, cancelamentos e reembolsos. Sem esse vínculo, podem surgir divergências sobre quem deve responder por atrasos, produtos faltantes ou problemas ocorridos depois da retirada. Para a ANR, a falta de clareza dificulta a solução de conflitos e pode direcionar reclamações ao estabelecimento, mesmo quando ele não controla a etapa de entrega.</p>
<p>A controvérsia revela uma diferença importante entre realizar uma venda legítima no balcão e integrar involuntariamente um canal de comercialização digital. O restaurante pode aceitar a compra de um produto por qualquer consumidor sem necessariamente concordar com a divulgação permanente de seu cardápio em uma plataforma. Também pode estabelecer estratégias próprias de preço, distribuição e atendimento que não sejam compatíveis com a atuação de intermediários. Essa distinção constitui um dos pontos que deverão ser examinados pela Justiça.</p>
<h2>Promoções e descontos de até 60% também são questionados</h2>
<p>A petição apresentada pela ANR também questiona a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341168">política</a> comercial utilizada pela Keeta nas operações intermediadas. Segundo a associação, a plataforma pode oferecer descontos de até 60% em produtos de estabelecimentos que não mantêm relação contratual com o aplicativo. Mesmo quando o benefício é financiado pela própria empresa de delivery, a entidade argumenta que a prática interfere na percepção dos consumidores sobre os preços dos restaurantes. A diferença entre o valor anunciado digitalmente e o preço praticado no balcão pode gerar expectativas comerciais que o estabelecimento não participou da definição.</p>
<p>A discussão envolve a capacidade das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341167">empresas</a> de preservar seu posicionamento de mercado. Restaurantes que investem em marcas, padronização e estratégias de precificação podem enfrentar dificuldades quando terceiros promovem seus produtos com descontos elevados sem negociação prévia. Por outro lado, promoções financiadas por plataformas também podem representar uma vantagem imediata para consumidores interessados em preços menores. A avaliação jurídica dependerá das características da operação e dos eventuais direitos violados, não sendo possível considerar todo desconto concedido por intermediário automaticamente irregular.</p>
<p>Existe ainda uma questão relacionada à origem e à qualidade das informações comerciais. Quando o restaurante não atualiza diretamente o catálogo utilizado pelo aplicativo, podem ocorrer divergências de preços, descrições e disponibilidade. Essas inconsistências podem aumentar a necessidade de atendimento e reembolso, elevando o custo operacional da transação para os participantes. A transparência na apresentação da oferta passa a ser essencial para reduzir conflitos.</p>
<h2>Keeta afirma que operação é legal e amplia concorrência</h2>
<p>Em manifestação encaminhada à imprensa, a Keeta afirmou que a compra intermediada constitui um projeto-piloto destinado a ampliar o acesso dos consumidores a restaurantes que ainda não estão integrados à plataforma. A companhia justificou a iniciativa pela existência de contratos de exclusividade que, segundo sua avaliação, dificultam a livre escolha dos estabelecimentos sobre os aplicativos com os quais desejam trabalhar. A empresa também informou que o modelo foi desenvolvido especificamente para as condições do mercado brasileiro. Sua posição é de que a operação respeita as leis e regulamentações locais.</p>
<p>Segundo a plataforma, os restaurantes disponibilizados nessa modalidade aparecem identificados com a indicação “Intermediada”. A Keeta afirma que utiliza imagens ilustrativas dos pratos e não exibe os logotipos dos estabelecimentos nessa operação. A empresa sustenta que os consumidores recebem informações sobre a natureza do serviço antes de concluir seus pedidos. Essas medidas são apresentadas pela companhia como mecanismos para diferenciar a compra intermediada de uma parceria comercial convencional.</p>
<p>A ANR considera insuficiente a identificação apresentada no aplicativo e argumenta que o consumidor pode continuar acreditando que existe uma relação comercial autorizada. A entidade sustenta que a simples indicação do modelo não resolve, por si só, questões sobre disponibilidade de produtos, preços, qualidade da entrega e responsabilidade por eventuais falhas. Na ação, a associação também questiona disposições contratuais que, em sua avaliação, buscam limitar indevidamente as obrigações da plataforma. A Keeta, por sua vez, defende que seu serviço representa uma forma legítima de ampliar a concorrência e as possibilidades de escolha dos consumidores.</p>
<h2>Conflito acontece em mercado dominado por grandes plataformas</h2>
<p>A disputa judicial ocorre em meio à intensificação da concorrência entre iFood, 99Food, Keeta e outros aplicativos de entrega que operam no Brasil. O setor passou por mudanças importantes nos últimos anos, com a entrada de novos grupos internacionais e a reestruturação das estratégias comerciais das empresas já estabelecidas. A chinesa Meituan iniciou a operação da Keeta no país em 2025 e passou a disputar restaurantes, consumidores e entregadores com plataformas que já possuíam redes comerciais consolidadas. Nesse ambiente, contratos de exclusividade e acesso aos cardápios dos estabelecimentos tornaram-se temas centrais.</p>
<p>O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) acompanha as restrições contratuais adotadas nesse mercado. Em fevereiro de 2023, a autarquia celebrou um Termo de Compromisso de Cessação com o iFood para limitar determinadas cláusulas de exclusividade e reduzir barreiras à entrada de concorrentes. O acordo impôs restrições à exclusividade envolvendo grandes redes e estabeleceu limites para contratos firmados com restaurantes menores. A medida buscou estimular a concorrência e ampliar as alternativas disponíveis aos estabelecimentos comerciais.</p>
<p>Em setembro de 2026, o Tribunal do Cade também determinou a continuidade de uma investigação sobre cláusulas contratuais utilizadas pela 99Food. O procedimento foi impulsionado por questionamentos apresentados pela Keeta, que acusa a concorrente de utilizar disposições capazes de restringir a atuação de outras plataformas. Na mesma decisão, o Cade rejeitou o pedido de medida preventiva formulado pela empresa chinesa, mas determinou o aprofundamento das apurações. O processo administrativo permanece distinto da ação civil pública apresentada pela ANR.</p>
<p>A existência de investigações concorrenciais não significa que a Keeta esteja automaticamente autorizada a utilizar informações comerciais de restaurantes sem consentimento. São questões jurídicas diferentes, embora relacionadas ao funcionamento do mesmo mercado. Uma discussão envolve a validade de contratos que restringem o acesso de plataformas concorrentes a determinados estabelecimentos. A outra trata dos limites de utilização de nomes, informações comerciais e serviços de intermediação quando não existe vínculo entre aplicativo e restaurante.</p>
<h2>Direitos do consumidor entram no centro da disputa</h2>
<p>O Código de Defesa do Consumidor e o Decreto nº 7.962/2013 estabelecem regras de transparência aplicáveis às contratações realizadas pela internet. A regulamentação exige informações claras sobre o fornecedor, as características dos produtos e serviços, os preços, os custos adicionais e as condições de entrega. Também determina a existência de meios adequados de atendimento e resolução de problemas relacionados às compras. Essas obrigações ganham relevância quando diferentes empresas participam da mesma transação comercial.</p>
<p>No caso da compra intermediada, uma das questões jurídicas será identificar com clareza as responsabilidades assumidas por cada participante. O restaurante prepara e vende o alimento ao comprador que comparece ao estabelecimento, enquanto a plataforma organiza a contratação digital e as etapas necessárias para disponibilizar o produto ao consumidor final. Essa divisão pode criar dificuldades na identificação do responsável por determinadas falhas, especialmente quando não existe contrato entre o estabelecimento e o aplicativo. O grau de responsabilidade da plataforma deverá ser avaliado à luz das circunstâncias da operação e das normas de proteção do consumidor.</p>
<p>A petição da ANR apresenta um pedido alternativo caso a Justiça não determine a interrupção definitiva da modalidade. Nessa hipótese, a entidade solicita que a Keeta seja obrigada a informar expressamente que os estabelecimentos não são parceiros da plataforma, que os preços e a disponibilidade não são administrados pelos restaurantes e que a aquisição será feita por terceiros. Também requer o reconhecimento da responsabilidade da empresa por divergências de preço, cancelamentos, reembolsos e atendimento posterior à compra. A proposta procura estabelecer regras de transparência e responsabilização mesmo diante da eventual continuidade do serviço.</p>
<h2>Decisão poderá influenciar futuro do delivery no Brasil</h2>
<p>O resultado da ação poderá influenciar a maneira como plataformas digitais estruturam serviços de compra e entrega envolvendo estabelecimentos que não possuem contratos comerciais diretos. Uma decisão favorável à ANR poderá estabelecer restrições à inclusão de restaurantes sem consentimento prévio e exigir mudanças nos processos de cadastramento e divulgação dos produtos. Já o reconhecimento da legalidade do modelo, sob determinadas condições, poderá permitir sua continuidade mediante ajustes nas informações oferecidas aos consumidores. Em qualquer cenário, as decisões estarão sujeitas às regras processuais e aos recursos cabíveis.</p>
<p>Sob a perspectiva econômica, a controvérsia envolve três interesses que nem sempre coincidem. Os restaurantes procuram manter autonomia sobre suas marcas, preços e capacidade operacional, enquanto as plataformas buscam ampliar a oferta de estabelecimentos e conquistar participação de mercado. Os consumidores, por sua vez, têm interesse em variedade, conveniência, preços competitivos e segurança nas transações. O desafio regulatório consiste em conciliar essas necessidades sem impor restrições desproporcionais à concorrência nem afastar responsabilidades comerciais.</p>
<p>O caso também poderá estabelecer parâmetros para outras modalidades de intermediação digital que utilizem informações públicas de estabelecimentos sem autorização contratual. A discussão não se limita à aquisição física dos produtos, mas alcança a forma como marcas, preços e serviços são apresentados dentro de ambientes controlados por terceiros. A eventual definição judicial poderá exigir maior diferenciação entre restaurantes formalmente parceiros e estabelecimentos acessíveis apenas por meio de compras realizadas em nome dos consumidores. Isso poderá afetar investimentos em tecnologia, logística e expansão comercial.</p>
<p>A Keeta chega a essa disputa em um momento de crescimento no Brasil e de acirramento da concorrência com plataformas já consolidadas. A Associação Nacional de Restaurantes, por sua vez, pretende impedir a continuidade de um modelo que considera prejudicial à autonomia dos estabelecimentos e aos direitos dos consumidores. A decisão inicial sobre o pedido de suspensão será um dos próximos acontecimentos relevantes do processo. Até que a Justiça examine as alegações, a legalidade da compra intermediada permanece objeto de controvérsia, com posições divergentes entre a associação e a empresa.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Associação Nacional de Restaurantes — Petição inicial da Ação Civil Pública nº 4205833-30.2026.8.26.0100, protocolada em 20 de outubro de 2026</p>
<p>Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo — Registro de distribuição do processo nº 4205833-30.2026.8.26.0100, 34ª Vara Cível do Foro Central</p>
<p>Associação Nacional de Restaurantes — Manifestação institucional do presidente do conselho, Erik Momo, publicada em 7 de outubro de 2026</p>
<p>Keeta — Manifestações oficiais sobre a modalidade de compra intermediada encaminhadas à imprensa em outubro de 2026</p>
<p>Conselho Administrativo de Defesa Econômica — Comunicado oficial sobre o acordo de exclusividade com o iFood, de 8 de fevereiro de 2023</p>
<p>Conselho Administrativo de Defesa Econômica — Decisão de 2 de setembro de 2026 sobre investigação de cláusulas contratuais da 99Food</p>
<p>Presidência da República — Lei nº 8.078/1990, Código de Defesa do Consumidor, e Decreto nº 7.962/2013, sobre comércio eletrônico</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Justiça autoriza recuperação judicial da Casas Bahia por dívida de R$ 17,3 bilhões</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/casas-bahia-recuperacao-judicial-divida-17-bilhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2026 15:58:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[BHIA3]]></category>
		<category><![CDATA[Bolsa de valores]]></category>
		<category><![CDATA[Casas Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Credores]]></category>
		<category><![CDATA[crise financeira]]></category>
		<category><![CDATA[dívida bilionária]]></category>
		<category><![CDATA[Grupo Casas Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça de São Paulo]]></category>
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		<category><![CDATA[reestruturação de dívidas]]></category>
		<category><![CDATA[varejo brasileiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Justiça autoriza recuperação judicial do Grupo Casas Bahia, com dívidas de R$ 17,3 bilhões, e exige documentos em 30 dias. Plano depende dos credores.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>A Justiça de São Paulo autorizou nesta quarta-feira (21) o processamento da recuperação judicial do Grupo Casas Bahia (BHIA3) e de outras nove empresas ligadas à varejista, que enfrenta uma crise financeira com dívidas declaradas de R$ 17,3 bilhões. A decisão foi proferida pela juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível da capital paulista. Embora tenha reconhecido o cumprimento dos requisitos legais para o início do procedimento, a magistrada determinou a apresentação de documentos complementares em até 30 dias, sob pena de revogação da autorização.</p>
<p>O deferimento representa um avanço no processo de reestruturação iniciado em 16 de agosto, quando a companhia recorreu à Justiça diante da deterioração de suas condições financeiras. A decisão mantém a suspensão de execuções e de determinados atos de cobrança contra as <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341162">empresas</a>, proteção concedida anteriormente e prevista, em princípio, até 15 de fevereiro de 2027. O mecanismo busca preservar o funcionamento das operações enquanto a varejista negocia uma solução para seu endividamento.</p>
<p>A autorização judicial, entretanto, não significa que o plano de recuperação tenha sido aprovado ou que a empresa esteja financeiramente recuperada. Nesta etapa, a Justiça examina o preenchimento das exigências legais e a regularidade da documentação, sem antecipar uma conclusão sobre a viabilidade econômica da reestruturação. A proposta de pagamento das dívidas ainda deverá passar pelas etapas previstas na legislação, incluindo a participação e eventual deliberação dos credores.</p>
<p>O processo, registrado sob o número 4152930-18.2026.8.26.0100, envolve dez sociedades do conglomerado, abrangendo atividades de varejo, comércio eletrônico, logística, tecnologia e fabricação de móveis. A tramitação conjunta permite coordenar as medidas de reorganização financeira sem necessariamente eliminar a autonomia patrimonial das diferentes pessoas jurídicas. O desafio será compatibilizar a continuidade das atividades com os interesses dos credores, funcionários, fornecedores e investidores.</p>
<h2>Dívida de R$ 17,3 bilhões expõe dimensão da crise financeira</h2>
<p>O Grupo Casas Bahia apresentou à Justiça um passivo total de R$ 17.322.397.047, conforme registrado na decisão de agosto que concedeu medidas emergenciais de proteção. Desse montante, aproximadamente R$ 16,4 bilhões foram identificados no pedido como créditos quirografários, categoria que reúne obrigações sem garantia real específica. Esses compromissos representam cerca de 94,7% do valor total declarado pela companhia.</p>
<p>A concentração do endividamento nessa categoria evidencia a dimensão das negociações que deverão envolver credores financeiros e comerciais. O tratamento definitivo das obrigações dependerá da identificação dos créditos sujeitos à recuperação, das garantias existentes e das propostas que forem apresentadas no plano. O deferimento do processamento não implica perdão automático, redução compulsória ou alongamento imediato de todas as dívidas.</p>
<p>Na petição inicial, a companhia atribuiu suas dificuldades a uma combinação de fatores econômicos e operacionais. Entre eles estão os juros elevados, a restrição ao crédito, o aumento das despesas financeiras e a pressão sobre o consumo das famílias brasileiras. A varejista também apontou dificuldades para concretizar alternativas de obtenção de liquidez que vinham sendo estruturadas antes do ajuizamento do pedido.</p>
<p>O cenário afetou diretamente uma empresa cuja atividade depende de financiamento ao consumidor, disponibilidade de estoques e capital de giro. A venda de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos exige recursos para aquisição de mercadorias, manutenção de lojas, logística e concessão de condições comerciais competitivas. Quando o custo financeiro aumenta e a demanda enfraquece, a combinação pode reduzir as margens e comprometer a capacidade de cumprimento das obrigações.</p>
<p>A atual recuperação judicial sucede uma tentativa anterior de reorganização financeira. Em 2024, o Grupo Casas Bahia havia recorrido à recuperação extrajudicial, com um plano voltado principalmente ao alongamento de aproximadamente R$ 4,07 bilhões em dívidas financeiras. A homologação daquele acordo representou uma etapa de renegociação, mas não impediu o agravamento posterior da situação financeira e a necessidade de um processo judicial mais abrangente.</p>
<p>A comparação entre os dois momentos demonstra a ampliação da dimensão da reestruturação. O passivo declarado no pedido de 2026 equivale a aproximadamente 4,3 vezes o valor das obrigações financeiras que integravam a operação extrajudicial de 2024. Os valores, entretanto, correspondem a conjuntos distintos de dívidas e não devem ser interpretados como uma medida direta de crescimento do mesmo estoque de obrigações.</p>
<h2>Justiça exige documentos e mantém fiscalização das operações</h2>
<p>A decisão desta quarta-feira reconheceu a existência de pendências documentais, mas considerou que elas não impedem, neste momento, o processamento da recuperação. Entre os problemas identificados estão a ausência de demonstrações de fluxo de caixa de 2023 de quatro empresas do grupo, a necessidade de projeções financeiras individualizadas e inconsistências a serem corrigidas na relação de credores. A apresentação complementar deverá ocorrer dentro do prazo judicial de 30 dias.</p>
<p>A exigência possui relevância porque a recuperação envolve diferentes sociedades, cada uma com obrigações, ativos e informações contábeis próprios. A análise consolidada permite compreender a situação financeira do conglomerado, mas não substitui integralmente a identificação das condições econômicas de cada empresa. Essa separação será necessária para avaliar os créditos, as garantias e os efeitos das medidas de reestruturação.</p>
<p>A juíza considerou que as falhas documentais apontadas na constatação prévia são delimitadas e passíveis de correção. O entendimento acompanha a lógica da Lei nº 11.101/2005, que admite a verificação inicial das condições reais de funcionamento da empresa e da documentação apresentada. Nessa fase, não cabe utilizar a constatação prévia para substituir antecipadamente o exame da viabilidade econômica que ocorrerá durante o procedimento.</p>
<p>A Justiça também determinou o acompanhamento das atividades por um administrador judicial, responsável pela fiscalização e pela elaboração de relatórios periódicos. A administração das empresas permanece com os responsáveis pelo grupo, sujeitos às obrigações e restrições legais aplicáveis. A supervisão judicial deverá permitir o monitoramento das condições financeiras e do cumprimento das determinações durante o andamento do processo.</p>
<p>Outro ponto de atenção será a regularização do passivo tributário. A recuperação judicial não suspende indiscriminadamente as execuções fiscais, e a situação das obrigações tributárias precisa ser tratada segundo as regras específicas aplicáveis. A necessidade de equacionar essas pendências acrescenta uma frente de negociação à reorganização financeira da varejista.</p>
<h2>Perícia encontrou redução de estoques e milhares de desligamentos</h2>
<p>O deferimento foi precedido por uma constatação técnica determinada pela Justiça para verificar a continuidade das atividades do conglomerado. O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341161">trabalho</a>, realizado pela ACFB Administração Judicial e apresentado no início de outubro, examinou o funcionamento das lojas, dos centros de distribuição, da plataforma digital e de unidades industriais. A fiscalização também avaliou documentos contábeis, contratos relevantes e condições relacionadas ao abastecimento das operações.</p>
<p>Entre os dados apresentados no procedimento estão o funcionamento de 735 das 744 lojas cadastradas e de 25 dos 29 centros de distribuição. Esses números correspondem a aproximadamente 98,8% das lojas e 86,2% das estruturas de distribuição consideradas no levantamento. A manutenção da maior parte das unidades em funcionamento contribuiu para demonstrar que as atividades empresariais não haviam sido integralmente interrompidas.</p>
<p>A continuidade operacional, porém, não eliminou os sinais de fragilidade financeira. O levantamento identificou uma redução de 40,5% no valor dos estoques de mercadorias vinculados a garantias fiduciárias entre abril e agosto, de aproximadamente R$ 3,18 bilhões para R$ 1,89 bilhão nos centros de distribuição analisados. A diferença nominal alcança cerca de R$ 1,29 bilhão, evidenciando uma diminuição expressiva dos recursos representados por essas mercadorias.</p>
<p>A redução de estoques pode afetar a disponibilidade de produtos para venda e a capacidade de atendimento, sobretudo quando a reposição depende de financiamento e de negociações com fornecedores. O impacto comercial, entretanto, varia conforme a composição dos itens, o giro das mercadorias e as condições contratuais. O dado relativo aos estoques fiduciários não corresponde necessariamente à redução de todo o estoque da companhia.</p>
<p>O trabalho técnico também identificou uma diminuição de 4.647 pessoas no quadro de funcionários durante agosto, período em que a varejista intensificou sua reorganização operacional. A redução de pessoal acrescenta uma dimensão trabalhista à crise, com efeitos sobre custos, capacidade operacional e obrigações rescisórias. Esses compromissos possuem tratamento jurídico próprio e deverão ser considerados nas medidas de recuperação.</p>
<p>Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 7 de outubro, o Grupo Casas Bahia reconheceu a existência do laudo e confirmou que os dados destacados em questionamento do regulador correspondiam, em linhas gerais, ao documento técnico. A empresa ressaltou, contudo, que a avaliação tinha caráter preliminar e refletia a metodologia adotada pela perita, não representando necessariamente as conclusões da administração. A companhia também observou que, naquele momento, o conteúdo ainda não havia sido submetido ao contraditório.</p>
<p>A distinção é relevante porque a perícia inicial não equivale a uma auditoria definitiva da capacidade de recuperação da companhia. Seu objetivo principal é verificar a existência efetiva das operações e a regularidade documental necessária para o processamento. A avaliação da sustentabilidade financeira dependerá de informações posteriores e do exame das medidas propostas no plano de recuperação.</p>
<h2>Proteção contra execuções permanece até fevereiro de 2027</h2>
<p>A decisão manteve os efeitos do chamado <em>stay period</em>, mecanismo que suspende temporariamente execuções relacionadas aos créditos sujeitos à recuperação judicial. A proteção havia sido antecipada em 28 de agosto, com início fixado em 19 de agosto de 2026 e término inicialmente estabelecido para 15 de fevereiro de 2027. O objetivo é impedir que cobranças individuais comprometam a continuidade das atividades enquanto a empresa organiza uma solução coletiva com seus credores.</p>
<p>A suspensão não significa que os compromissos financeiros tenham sido extintos. As dívidas continuam existindo e deverão receber o tratamento previsto na legislação e, posteriormente, no plano que vier a ser aprovado. Além disso, determinadas obrigações não estão submetidas aos efeitos da recuperação, incluindo situações relacionadas a créditos tributários e garantias específicas.</p>
<p>O prazo de 180 dias poderá ser prorrogado nas hipóteses excepcionais previstas em lei, desde que atendidas as condições estabelecidas. A continuidade da proteção, portanto, não constitui um direito ilimitado nem representa autorização permanente para deixar de cumprir obrigações. O andamento das negociações e as decisões judiciais posteriores serão determinantes para a duração efetiva das medidas.</p>
<p>Uma determinação adicional envolve depósitos recursais existentes em processos trabalhistas. O Tribunal de Justiça informou que as empresas e o administrador judicial deverão apresentar, em 15 dias, uma planilha com informações sobre esses valores. Após essa etapa, deverão ser expedidos ofícios aos 24 Tribunais Regionais do Trabalho, buscando cooperação para que os recursos relacionados sejam colocados à disposição do juízo recuperacional, em conta judicial vinculada ao processo.</p>
<p>A medida procura organizar o tratamento de valores depositados em disputas trabalhistas, evitando movimentações incompatíveis com as determinações do juízo responsável pela recuperação. A colocação de recursos à disposição da Justiça não equivale à sua liberação automática para utilização livre pela companhia. A destinação dependerá das decisões aplicáveis e dos direitos dos credores envolvidos.</p>
<h2>Plano de recuperação ainda precisará passar pelos credores</h2>
<p>Com o deferimento do processamento, o Grupo Casas Bahia entra em uma fase decisiva de sua reestruturação. Pela Lei nº 11.101/2005, o devedor deve apresentar o plano de recuperação judicial no prazo de 60 dias contados da publicação da decisão que autoriza o processamento. O documento deverá detalhar os mecanismos propostos para superar a crise, demonstrar a viabilidade econômica e apresentar avaliações financeiras dos ativos e das obrigações.</p>
<p>Entre os instrumentos que podem integrar um plano estão o alongamento de dívidas, a renegociação de condições financeiras, a alienação de ativos e mudanças na estrutura operacional, conforme as possibilidades previstas na legislação. Isso não significa que todas essas medidas já tenham sido propostas ou aprovadas pelo Grupo Casas Bahia. As condições efetivas dependerão do conteúdo do plano e das negociações com os credores.</p>
<p>Também terá início a etapa de conferência dos créditos. Os credores deverão observar o edital e apresentar habilitações ou divergências à administração judicial, segundo os procedimentos estabelecidos. Essa fase permite corrigir valores, identificar classificações e organizar a relação das obrigações que serão consideradas durante a recuperação.</p>
<p>O processo poderá envolver uma assembleia-geral de credores caso sejam apresentadas objeções ao plano. Nesse cenário, as propostas serão submetidas às regras de deliberação aplicáveis às diferentes classes de créditos. O resultado determinará as condições de continuidade da reestruturação, sem afastar a necessidade de controle de legalidade pelo Judiciário.</p>
<p>A situação dos fornecedores será particularmente relevante para a operação da varejista. A disponibilidade de mercadorias, as condições de pagamento e a confiança dos parceiros comerciais influenciam diretamente a capacidade de manutenção das vendas. Ao mesmo tempo, bancos, investidores e demais credores precisarão avaliar como as propostas de reorganização poderão afetar a recuperação dos valores devidos.</p>
<p>Para os consumidores, o processamento da recuperação judicial não representa o encerramento das lojas ou do comércio eletrônico. A empresa informou, ao apresentar o pedido em agosto, que pretendia preservar o funcionamento de seus canais e manter o atendimento. A continuidade dessas atividades dependerá da disponibilidade financeira, da estabilidade das relações comerciais e da execução das medidas necessárias para reorganizar o negócio.</p>
<p>A decisão de 21 de outubro oferece à companhia um caminho formal para negociar suas obrigações sob supervisão judicial, mas mantém desafios importantes. Nos próximos meses, o cumprimento das exigências documentais, a apresentação do plano e a fiscalização das atividades serão determinantes para o avanço do processo. Somente após as etapas de negociação e apreciação judicial será possível avaliar os termos da recuperação e seus efeitos concretos sobre a dívida de R$ 17,3 bilhões.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo — Comunicado oficial de 21 de outubro de 2026 sobre o deferimento do processamento da recuperação judicial do Grupo Casas Bahia, processo nº 4152930-18.2026.8.26.0100.</em></p>
<p><em>Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo — Decisão judicial de 28 de agosto de 2026 sobre a antecipação dos efeitos do período de suspensão das execuções.</em></p>
<p><em>Grupo Casas Bahia — Fato relevante de 16 de agosto de 2026 sobre o ajuizamento do pedido de recuperação judicial.</em></p>
<p><em>Grupo Casas Bahia — Comunicado ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341163">mercado</a> de 7 de outubro de 2026 com esclarecimentos sobre o laudo de constatação prévia e questionamentos da CVM.</em></p>
<p><em>Grupo Casas Bahia — Fato relevante de 19 de outubro de 2026 sobre a ratificação do pedido de recuperação judicial pelos acionistas.</em></p>
<p><em>Presidência da República — Lei nº 11.101/2005, com as alterações posteriores, sobre recuperação judicial, recuperação extrajudicial e falência.</em></p>
</div>
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<p><!--// COLUNA DA DIREITA --></p>
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		<title>AT&#038;T supera projeções no 3º trimestre, eleva previsão de lucro e bate recorde em internet</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/att-resultados-terceiro-trimestre-2026-lucro-receita</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alice Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2026 15:35:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>AT&#038;T supera expectativas no 3º trimestre de 2026, registra receita de US$ 32,3 bilhões, eleva projeção de lucro e bate recorde em internet.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-metric-area="topo-noticia" data-v-d559f1f7="">
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<p>A AT&amp;T registrou receita de US$ 32,3 bilhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 5,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, e elevou sua projeção de lucro ajustado para o fechamento do exercício. O balanço divulgado nesta quarta-feira (21) mostrou lucro ajustado de US$ 0,65 por ação, acima dos US$ 0,60 esperados por analistas, enquanto o faturamento também superou a estimativa de US$ 31,69 bilhões. O desempenho foi sustentado pela expansão dos serviços de internet e telefonia móvel nos Estados Unidos, acompanhada de um recorde trimestral de adições líquidas de clientes de banda larga.</p>
<p>A operadora norte-americana encerrou o trimestre com 769 mil novos clientes líquidos de internet em seus serviços de conectividade avançada, considerando consumidores residenciais e empresariais. Desse total, 442 mil foram incorporados às operações de fibra óptica e 327 mil aos serviços de internet fixa sem fio. Na telefonia móvel pós-paga, a companhia adicionou outros 379 mil assinantes líquidos, resultado que reforçou o crescimento da base, embora tenha ficado abaixo do número registrado no trimestre anterior.</p>
<p>Os resultados levaram a administração a revisar para cima sua expectativa de lucro ajustado por ação em 2026, agora estimado em aproximadamente US$ 2,40. A projeção anterior indicava um intervalo entre US$ 2,25 e US$ 2,35. Ao mesmo tempo, a AT&amp;T anunciou uma redução nos investimentos de capital previstos para 2027 e 2028, sinalizando uma mudança gradual na intensidade dos gastos com infraestrutura depois de um período de expansão de redes.</p>
<p>O balanço apresenta, entretanto, uma diferença relevante entre o lucro ajustado e o resultado contábil. Enquanto o primeiro avançou, o lucro por ação das operações continuadas, calculado segundo as normas contábeis norte-americanas, caiu para US$ 0,13. A redução reflete principalmente uma baixa contábil de US$ 2,6 bilhões relacionada à operação de telefonia móvel no México, cuja venda foi anunciada pela companhia.</p>
<h2>AT&amp;T eleva projeção de lucro para US$ 2,40 por ação em 2026</h2>
<p>A revisão das estimativas representa uma melhora na expectativa de rentabilidade da operadora para o encerramento do ano. Considerando o ponto médio da faixa anteriormente projetada, de US$ 2,30 por ação, a nova previsão de aproximadamente US$ 2,40 equivale a um aumento de 4,3%. O avanço ocorre em um momento de crescimento das receitas recorrentes e de maior participação dos serviços de conectividade avançada na composição dos <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341160">negócios</a>.</p>
<p>Na comparação anual, o lucro ajustado por ação passou de US$ 0,54 no terceiro trimestre de 2025 para US$ 0,65 em 2026, uma expansão de aproximadamente 20,4%. O indicador elimina determinados efeitos extraordinários e contábeis, permitindo acompanhar o desempenho operacional sob os critérios utilizados pela administração. A medida, porém, não substitui o lucro apurado conforme os princípios contábeis geralmente aceitos nos Estados Unidos, conhecidos pela sigla GAAP.</p>
<p>O EBITDA ajustado da AT&amp;T alcançou US$ 12,5 bilhões no trimestre, crescimento de 5,4% sobre os US$ 11,9 bilhões registrados um ano antes. O indicador representa o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com ajustes definidos pela companhia. A geração de caixa livre também apresentou avanço, passando de US$ 4,9 bilhões para US$ 5 bilhões no intervalo.</p>
<p>A melhora operacional foi acompanhada por geração de caixa das atividades continuadas de US$ 10,5 bilhões, ante US$ 10,2 bilhões no mesmo trimestre do ano anterior. Esse desempenho oferece recursos para investimentos, remuneração dos acionistas e administração das obrigações financeiras. A utilização desse caixa, entretanto, precisa ser analisada em conjunto com a dívida elevada e os compromissos assumidos para a expansão da infraestrutura.</p>
<p>A companhia manteve sua previsão de investimentos de capital entre US$ 23 bilhões e US$ 24 bilhões em 2026. Para 2027 e 2028, reduziu a faixa anual projetada para US$ 22 bilhões a US$ 23 bilhões, abaixo da orientação anterior, que previa US$ 23 bilhões a US$ 24 bilhões por ano. A mudança representa uma diminuição de US$ 1 bilhão no ponto médio dos investimentos anuais esperados para cada um dos dois exercícios.</p>
<p>A AT&amp;T também reiterou a expectativa de alcançar geração de caixa livre superior a US$ 18 bilhões em 2026, US$ 19 bilhões em 2027 e US$ 21 bilhões em 2028. As projeções indicam que a operadora pretende combinar crescimento de receita, disciplina de investimentos e maior disponibilidade financeira. A concretização dessas metas dependerá da expansão da base de clientes, dos custos operacionais e das condições do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341159">mercado</a>.</p>
<h2>Internet registra recorde de 769 mil novos clientes no trimestre</h2>
<p>O crescimento dos serviços de internet foi o principal destaque operacional do balanço. As 769 mil adições líquidas representaram um aumento de aproximadamente 19% em relação às 646 mil registradas no segundo trimestre de 2026. A diferença de 123 mil clientes mostra uma aceleração sequencial na expansão das operações de fibra óptica e internet fixa sem fio.</p>
<p>Na fibra óptica, a operadora adicionou 442 mil clientes líquidos, contra 367 mil no trimestre anterior. O avanço de aproximadamente 20,4% demonstra a importância crescente dessa tecnologia na estratégia comercial da companhia. O crescimento também reflete a incorporação de clientes associados à aquisição das operações de fibra residencial da Lumen, concluída em fevereiro de 2026.</p>
<p>O serviço de internet fixa sem fio, comercializado sob a marca AT&amp;T Internet Air, apresentou 327 mil adições líquidas, ante 279 mil no segundo trimestre. O aumento foi de aproximadamente 17,2%, reforçando a utilização da infraestrutura móvel para oferecer conectividade residencial e empresarial. Essa modalidade permite ampliar a cobertura sem depender exclusivamente da instalação de cabos de fibra óptica em cada endereço atendido.</p>
<p>As duas tecnologias possuem características operacionais distintas e são utilizadas de forma complementar. A fibra óptica tende a oferecer maior capacidade de transmissão e estabilidade em conexões fixas, enquanto a internet sem fio pode permitir implantação mais rápida em determinadas regiões. Para a operadora, a combinação amplia as possibilidades comerciais e ajuda a alcançar diferentes perfis de consumidores.</p>
<p>A estratégia também está relacionada à venda conjunta de serviços móveis e residenciais. Ao final de setembro, 42,8% dos domicílios atendidos pelos serviços avançados de internet residencial da AT&amp;T também possuíam uma assinatura de telefonia móvel pós-paga da companhia. O percentual ficou acima dos 42,5% registrados no trimestre anterior, indicando crescimento da participação dos clientes que utilizam os dois tipos de conexão.</p>
<p>A operadora informou que ampliou em aproximadamente 350 mil sua base de relacionamentos convergentes no período. Esses consumidores são considerados estratégicos por utilizarem mais de um serviço da empresa, o que pode contribuir para maior permanência e elevar a receita total obtida por relacionamento comercial. A expansão, contudo, precisa ser acompanhada dos efeitos dos descontos promocionais oferecidos nos pacotes combinados.</p>
<h2>Telefonia móvel cresce, mas ritmo de adições diminui</h2>
<p>Na telefonia móvel pós-paga, a AT&amp;T conquistou 379 mil assinantes líquidos no terceiro trimestre, contra 432 mil nos três meses anteriores. A redução sequencial foi de aproximadamente 12,3%, evidenciando um ritmo de expansão inferior ao observado entre abril e junho. Apesar da desaceleração, a empresa manteve o crescimento da base em um mercado caracterizado por intensa competição entre grandes operadoras.</p>
<p>A taxa de cancelamento dos assinantes de telefonia pós-paga ficou em 0,92%, comparada a 0,86% no segundo trimestre. O aumento de 0,06 ponto percentual representa uma deterioração moderada do indicador de retenção. A evolução exige atenção porque a aquisição de novos clientes tende a envolver despesas comerciais e promocionais que precisam ser compensadas pela receita gerada ao longo do relacionamento.</p>
<p>A estratégia de crescimento da AT&amp;T combina expansão de cobertura, venda de pacotes convergentes e reajustes seletivos de preços. Segundo as informações financeiras divulgadas pela companhia, a receita de telefonia móvel foi favorecida pelo aumento da base de assinantes e por mudanças tarifárias, parcialmente compensadas pelos descontos concedidos para atrair clientes. Esse equilíbrio entre volume e rentabilidade continuará relevante para a evolução das margens operacionais.</p>
<p>A companhia busca fortalecer sua posição justamente quando o setor norte-americano passa por mudanças tecnológicas e comerciais. A ampliação de serviços de conectividade por satélite e a utilização de novas faixas de espectro podem intensificar a concorrência no médio prazo. Embora essas alternativas ainda apresentem diferenças de capacidade, cobertura e modelo de negócio, representam um fator adicional nas decisões de investimento das operadoras tradicionais.</p>
<h2>Conectividade avançada responde por mais de 90% da receita consolidada</h2>
<p>O segmento de conectividade avançada, que reúne serviços móveis, fibra óptica e outras operações de comunicação, registrou receita de US$ 29,48 bilhões no trimestre. O resultado representa crescimento de 7,2% na comparação anual e equivale a aproximadamente 91,3% do faturamento consolidado de US$ 32,3 bilhões. A proporção evidencia a concentração crescente dos negócios da AT&amp;T nas atividades consideradas estratégicas pela administração.</p>
<p>Dentro desse segmento, as receitas de serviços alcançaram US$ 23,9 bilhões, avanço de 6,1% em relação ao terceiro trimestre de 2025. A receita de internet residencial avançada apresentou crescimento ainda mais intenso, de 23,4%, passando de US$ 2,41 bilhões para US$ 2,98 bilhões. Parte dessa expansão está associada à aquisição da base de clientes de fibra da Lumen, além do crescimento orgânico dos serviços.</p>
<p>O lucro operacional do segmento de conectividade avançada chegou a US$ 7,63 bilhões, aumento de 18,9% em relação aos US$ 6,42 bilhões do mesmo período do ano anterior. A margem operacional subiu de 23,3% para 25,9%, uma melhora de 2,6 pontos percentuais. O ganho mostra que o resultado operacional avançou em ritmo superior ao crescimento da receita nessa área.</p>
<p>A comparação também evidencia a transformação da estrutura de negócios da companhia. Enquanto as operações de conectividade avançada expandem receitas e margens, os serviços tradicionais baseados em redes de cobre continuam perdendo participação. A receita do segmento legado caiu 24,5% no terceiro trimestre, para aproximadamente US$ 1,52 bilhão.</p>
<p>A AT&amp;T pretende desativar a maior parte de sua infraestrutura tradicional de cobre até o final de 2029, substituindo os serviços antigos por tecnologias de conectividade mais modernas. Essa transição exige investimentos e migração de clientes, mas pode reduzir despesas relacionadas à manutenção de redes que apresentam demanda decrescente. A velocidade do processo dependerá também de autorizações regulatórias e das condições técnicas de substituição dos serviços.</p>
<h2>Baixa de US$ 2,6 bilhões no México reduz lucro contábil</h2>
<p>Apesar da expansão da receita e da melhora dos indicadores ajustados, o lucro contábil da AT&amp;T foi pressionado por efeitos extraordinários. O resultado das operações continuadas caiu para US$ 1,3 bilhão, ante US$ 9,7 bilhões no terceiro trimestre de 2025. A comparação anual também foi influenciada por um ganho registrado no exercício anterior com a venda da participação da companhia na DIRECTV.</p>
<p>O lucro diluído por ação das operações continuadas recuou de US$ 1,29 para US$ 0,13. A diferença em relação ao lucro ajustado de US$ 0,65 demonstra a dimensão dos efeitos contábeis reconhecidos no período. A empresa explicou que os ajustes incluem perdas relacionadas a ativos destinados à venda, despesas com desligamentos de empregados e outros itens considerados não recorrentes.</p>
<p>O principal impacto foi uma baixa contábil de US$ 2,6 bilhões relacionada à operação de telefonia móvel da AT&amp;T no México. Em 13 de outubro, a companhia anunciou um acordo para vender o negócio ao Grupo Televisa e à Fintech Holdings. Como consequência, os ativos foram classificados contabilmente como disponíveis para venda na posição de 30 de setembro.</p>
<p>A baixa não correspondeu a uma saída imediata de caixa de US$ 2,6 bilhões, mas ao reconhecimento de uma perda no valor contábil dos ativos. A distinção é relevante para compreender por que a empresa apresentou melhora no lucro ajustado ao mesmo tempo em que registrou uma queda acentuada no resultado contábil. Também explica parte da diferença entre o desempenho operacional das atividades principais e o lucro líquido atribuído aos acionistas.</p>
<h2>Dívida de US$ 159,6 bilhões mantém pressão sobre estratégia financeira</h2>
<p>O endividamento continua sendo uma variável central para a avaliação financeira da AT&amp;T. Ao encerramento do terceiro trimestre, a dívida total da companhia alcançou US$ 159,6 bilhões, enquanto a dívida líquida ajustada ficou em US$ 149,8 bilhões. A empresa atribuiu parte do aumento sequencial ao fechamento de uma transação de aquisição de espectro junto à EchoStar.</p>
<p>A aquisição de frequências integra os esforços para ampliar a capacidade das redes móveis e fortalecer a competitividade dos serviços. O espectro constitui um recurso essencial para o funcionamento das telecomunicações sem fio, influenciando cobertura, capacidade de transmissão e qualidade das conexões. Ao mesmo tempo, operações dessa natureza exigem recursos financeiros relevantes e podem elevar temporariamente a alavancagem.</p>
<p>A AT&amp;T projeta retornar a uma relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado próxima de 2,5 vezes durante 2029. O objetivo faz parte de uma estratégia de longo prazo que combina crescimento operacional, investimentos em infraestrutura e remuneração dos acionistas. A trajetória dependerá da geração efetiva de caixa, das despesas de expansão e da execução das operações societárias anunciadas.</p>
<p>No terceiro trimestre, a companhia devolveu aproximadamente US$ 4,8 bilhões aos acionistas, incluindo US$ 2,8 bilhões em recompras de ações ordinárias. Para o período entre 2026 e 2028, mantém a intenção de distribuir mais de US$ 45 bilhões por meio de dividendos e recompras, com aquisições de ações superiores a US$ 24 bilhões. A empresa também pretende preservar o dividendo anualizado de US$ 1,11 por ação ordinária.</p>
<p>A manutenção dessa <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341158">política</a> exigirá equilíbrio entre remuneração dos investidores e necessidades de financiamento. Embora a geração de caixa operacional tenha apresentado crescimento, a companhia ainda enfrenta compromissos elevados relacionados à infraestrutura e às aquisições realizadas. A redução projetada dos investimentos a partir de 2027 poderá contribuir para ampliar a disponibilidade financeira, caso as metas operacionais sejam cumpridas.</p>
<p>Para os próximos trimestres, a administração mantém o objetivo de ampliar sua rede de fibra óptica para mais de 40 milhões de endereços residenciais e empresariais até o final de 2026 e superar 60 milhões até 2030. O desempenho divulgado nesta quarta-feira fortalece a perspectiva de crescimento dos serviços avançados, mas a desaceleração nas adições de telefonia móvel, os custos de expansão e o endividamento continuarão influenciando os resultados. A próxima etapa será verificar se a ampliação da base de clientes poderá sustentar o aumento da rentabilidade e a geração de caixa projetada para 2027 e 2028.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>AT&amp;T — Divulgação oficial dos resultados financeiros e operacionais do terceiro trimestre de 2026, publicada em 21 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>AT&amp;T — Resultados do segundo trimestre de 2026, divulgados em 22 de julho de 2026, utilizados para comparação sequencial de indicadores.</em></p>
<p><em>U.S. Securities and Exchange Commission (SEC) — Formulário 8-K da AT&amp;T, protocolado em 21 de outubro de 2026, incluindo demonstrações financeiras e dados operacionais.</em></p>
<p><em>AT&amp;T — Demonstrativos financeiros consolidados e informações complementares sobre medidas financeiras ajustadas, divulgados com o balanço do terceiro trimestre de 2026.</em></p>
</div>
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		<title>GPA (PCAR3) inicia reestruturação de R$ 4,5 bilhões e tem 60 dias para emitir novas debêntures</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/gpa-pcar3-recuperacao-extrajudicial-divida-debentures-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alice Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2026 14:49:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[B3]]></category>
		<category><![CDATA[CVM]]></category>
		<category><![CDATA[debêntures]]></category>
		<category><![CDATA[dívida bilionária]]></category>
		<category><![CDATA[GPA]]></category>
		<category><![CDATA[mercado de capitais]]></category>
		<category><![CDATA[Pão de Açúcar]]></category>
		<category><![CDATA[PCAR3]]></category>
		<category><![CDATA[recuperação extrajudicial]]></category>
		<category><![CDATA[reestruturação financeira]]></category>
		<category><![CDATA[varejo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>GPA (PCAR3) inicia reestruturação de R$ 4,5 bilhões, prevê captação de R$ 200 milhões e tem 60 dias para emitir novas debêntures após homologação judicial.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O GPA (PCAR3), controlador das redes Pão de Açúcar e Extra Mercado, iniciou uma nova etapa de sua recuperação extrajudicial nesta quarta-feira (21), após a publicação da sentença que homologou o plano de reestruturação de R$ 4,568 bilhões em dívidas. A decisão da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo foi proferida em 7 de outubro e publicada no Diário de Justiça Eletrônico Nacional (DJEN) na terça-feira (20), estabelecendo o marco inicial dos prazos para a execução do acordo. A companhia terá até 60 dias corridos para emitir e entregar novas debêntures, enquanto determinados credores deverão disponibilizar recursos adicionais em até 30 dias, conforme as condições estabelecidas no plano. A operação também prevê a captação de R$ 200 milhões para reforçar a liquidez da varejista.</p>
<p>O comunicado divulgado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) confirma que a publicação judicial torna efetivos os prazos previstos na renegociação financeira, aprovada por credores que representam 57,49% dos créditos abrangidos. A reestruturação busca substituir obrigações de curto prazo por instrumentos de dívida com vencimentos mais longos, reduzindo a pressão sobre o caixa e permitindo que a administração concentre esforços na recuperação operacional. A homologação não significa o encerramento imediato de todas as obrigações financeiras, mas estabelece as condições para sua reorganização. O processo também envolve mudanças nos títulos negociados no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341147">mercado</a> de capitais, com efeitos diretos para investidores que possuem debêntures e certificados de recebíveis imobiliários relacionados à companhia.</p>
<h2>GPA estabelece prazo de 30 dias para entrada de novos recursos</h2>
<p>Uma das etapas centrais da recuperação extrajudicial é a disponibilização de novos recursos pelos credores que escolheram participar da modalidade de aporte prevista no acordo. A partir da publicação da sentença, essas instituições e investidores terão até 30 dias corridos para realizar as operações, observadas as condições precedentes estabelecidas no documento aprovado judicialmente. A companhia prevê levantar R$ 200 milhões por meio desse mecanismo, recursos que poderão contribuir para reduzir necessidades imediatas de financiamento. O cumprimento dessa etapa será importante para a consolidação da nova estrutura de capital.</p>
<p>O valor a ser captado corresponde a aproximadamente 4,38% dos R$ 4,568 bilhões em créditos submetidos à recuperação extrajudicial. A comparação demonstra que o objetivo principal da reestruturação não é obter dinheiro novo suficiente para quitar integralmente as obrigações anteriores, mas modificar o perfil de vencimento e as condições financeiras dos compromissos existentes. O reforço de liquidez funciona como instrumento complementar para sustentar a transição entre a estrutura atual de endividamento e o modelo previsto no plano. Dessa forma, a recuperação depende tanto do cumprimento dos acordos com credores quanto da capacidade de geração de caixa da operação varejista.</p>
<p>O mesmo prazo de 30 dias também se aplica aos titulares de créditos denominados em moeda estrangeira que optaram por alterar os instrumentos contratuais originais. Essas modificações deverão adequar as condições de pagamento ao formato de renegociação escolhido por cada credor. A existência de obrigações em diferentes moedas acrescenta complexidade à reestruturação, especialmente diante das oscilações cambiais e dos procedimentos necessários à formalização dos contratos. A execução dos aditamentos será uma das etapas acompanhadas pelo mercado durante novembro.</p>
<h2>Novas debêntures deverão ser emitidas em até 60 dias</h2>
<p>O GPA terá até 60 dias corridos, contados de 20 de outubro, para emitir e entregar as novas debêntures das emissões A e B, conforme a cláusula 10.1.5 do plano homologado. Esses instrumentos substituirão determinados títulos de dívida atualmente detidos pelos credores, reorganizando as condições financeiras originalmente contratadas. Debêntures são valores mobiliários emitidos por <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341148">empresas</a> para captar recursos, que conferem aos titulares direitos de crédito sujeitos às condições de cada emissão. No caso do GPA, os novos papéis integram uma operação mais ampla de renegociação de obrigações existentes.</p>
<p>A emissão representa um mecanismo de reorganização do passivo, permitindo que parte dos compromissos seja distribuída por prazos mais longos. O plano inclui instrumentos de pagamento e de eventual conversão de dívida em participação acionária, conforme as modalidades escolhidas pelos credores. A possibilidade de conversão pode contribuir para reduzir obrigações financeiras futuras, mas também exige atenção dos acionistas aos efeitos potenciais sobre a estrutura de capital. A ocorrência de diluição dependerá das condições contratuais e da efetiva realização de conversões.</p>
<p>Considerando a contagem simples dos prazos corridos a partir da publicação judicial, os marcos de referência são 19 de novembro para os procedimentos de 30 dias e 19 de dezembro para os de 60 dias. Essas datas deverão ser observadas em conjunto com as condições e disposições específicas do plano. A diferença entre os períodos permite que determinados aportes e aditamentos sejam concluídos antes da finalização da substituição dos títulos de dívida. A sequência foi estruturada para viabilizar a implementação gradual das novas condições financeiras.</p>
<h2>B3 bloqueará debêntures e CRIs durante substituição</h2>
<p>Um dos efeitos mais imediatos da reestruturação será o bloqueio de determinados títulos de dívida mantidos nos sistemas de registro e custódia da B3. A medida abrange as debêntures da 18ª e da 20ª emissões do GPA, além dos certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) da primeira e da segunda séries da 80ª emissão da Virgo Companhia de Securitização. Segundo o fato relevante, a restrição permanecerá em vigor até que esses instrumentos sejam substituídos pelas novas debêntures previstas no plano. O procedimento busca assegurar que os títulos sejam identificados e tratados corretamente durante a reorganização das obrigações.</p>
<p>Uma vez efetivado o bloqueio, a B3 não processará operações de negociação, venda, cessão, transferência, aluguel ou outras formas de disposição dos papéis abrangidos. Isso significa que seus titulares ficarão temporariamente impedidos de negociar ou movimentar esses ativos enquanto a substituição não for concluída. A restrição pode afetar a liquidez dos instrumentos e a capacidade dos investidores de alterar suas posições durante o período. O bloqueio, entretanto, não deve ser confundido com suspensão das negociações das ações ordinárias PCAR3, que não são os títulos especificamente indicados na medida.</p>
<p>A distinção é importante porque os efeitos da recuperação extrajudicial variam conforme a posição ocupada por cada investidor. Os credores detentores dos títulos sujeitos ao plano terão seus direitos reorganizados conforme as opções de pagamento e as condições aplicáveis. Já os acionistas permanecem expostos ao desempenho econômico da empresa e a eventuais alterações futuras na estrutura de capital. Assim, a implementação da recuperação apresenta consequências diferentes para quem possui instrumentos de dívida e para quem detém participação societária no GPA.</p>
<h2>Plano recebeu adesão de 57,49% dos créditos abrangidos</h2>
<p>A recuperação extrajudicial foi homologada após o GPA obter a adesão de credores que representam 57,49% do montante de créditos sujeito ao plano. O percentual superou em 7,49 pontos percentuais a exigência de aprovação por mais da metade dos créditos de cada espécie abrangida, prevista na legislação aplicável. Com a homologação, os créditos incluídos passaram a ser considerados novados, isto é, submetidos às novas condições de pagamento estabelecidas no acordo. A decisão dá sustentação jurídica à reorganização das obrigações contempladas.</p>
<p>O plano abrange R$ 4,568 bilhões em créditos quirografários não relacionados às operações correntes de fornecimento de mercadorias, prestação de serviços ou aluguéis. Essa delimitação procura preservar os compromissos necessários ao funcionamento cotidiano das lojas e das estruturas de distribuição. O GPA informou anteriormente que mantém suas operações normalmente e que está em dia com obrigações junto a fornecedores e parceiros não abrangidos pela recuperação. A preservação dessas relações comerciais é essencial para evitar interrupções no abastecimento e prejuízos adicionais à atividade varejista.</p>
<p>Diferentemente da recuperação judicial tradicional, a modalidade extrajudicial permite que a empresa negocie diretamente com grupos específicos de credores e posteriormente submeta o acordo à homologação da Justiça. O instrumento está disciplinado pela Lei nº 11.101/2005 e possibilita a reorganização de determinadas dívidas sem necessariamente envolver todos os compromissos da companhia. A aprovação judicial pode tornar as condições obrigatórias também para credores abrangidos que não aderiram originalmente, desde que respeitados os requisitos legais. O mecanismo busca preservar a continuidade empresarial e criar condições para a reorganização financeira.</p>
<h2>Reestruturação pode ampliar prazo médio da dívida de 2,1 para 6,4 anos</h2>
<p>As projeções apresentadas pelo GPA indicam que a implementação integral do plano poderá ampliar o prazo médio de sua dívida pecuniária de 2,1 para 6,4 anos. A diferença representa um alongamento de 4,3 anos no horizonte de pagamento, reduzindo a concentração de vencimentos nos períodos imediatamente seguintes. A companhia também estima redução do custo médio da dívida não conversível, de CDI acrescido de 1,8% ao ano para CDI mais 0,5% ao ano. Isso corresponde a uma diminuição projetada de 1,3 ponto percentual no adicional de juros cobrado sobre o indicador de referência.</p>
<p>A mudança no perfil de financiamento busca corrigir um desequilíbrio entre o volume das obrigações e a capacidade de geração de caixa do negócio. Nos últimos anos, a empresa enfrentou pressões relacionadas ao endividamento, à necessidade de investimentos e ao desempenho de determinadas operações comerciais. O vencimento concentrado de compromissos financeiros elevava a necessidade de obtenção de recursos em prazos reduzidos. Com o alongamento, parte dessa pressão poderá ser distribuída ao longo de vários exercícios.</p>
<p>As projeções também apontam que a dívida líquida financeira, considerando os ajustes previstos no plano, poderia recuar de R$ 3,647 bilhões para aproximadamente R$ 1,182 bilhão. O movimento representaria uma redução de cerca de 68%, segundo os demonstrativos pro forma apresentados pela companhia. No mesmo cenário, o indicador de alavancagem financeira passaria de 3,9 vezes para 1,3 vez o Ebitda ajustado utilizado no cálculo. Os valores são estimativas condicionadas à implementação da reestruturação e não devem ser interpretados como uma redução integralmente realizada até esta quarta-feira.</p>
<h2>GPA ainda enfrenta desafios para recuperar vendas e lucratividade</h2>
<p>Embora a homologação represente avanço importante na reorganização financeira, os resultados operacionais mostram que o GPA continua enfrentando dificuldades. No segundo trimestre de 2026, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 204 milhões nas operações continuadas, aumento de 15,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida atingiu R$ 4,228 bilhões, queda de 9,6% na comparação anual. O desempenho demonstra que o alongamento das dívidas precisará ser acompanhado por medidas capazes de recuperar o crescimento das vendas e fortalecer a geração de caixa.</p>
<p>A companhia também informou retração de 7% nas vendas totais do segundo trimestre, influenciada pela descontinuidade do formato Aliados e por mudanças em operações logísticas. Nas vendas mesmas lojas, indicador que compara unidades em funcionamento nos períodos analisados, houve recuo de 0,8%. Apesar da redução do faturamento, a margem bruta avançou 3,1 pontos percentuais, alcançando 30,5%. O resultado sugere melhora na rentabilidade das vendas, mesmo em um cenário de menor receita.</p>
<p>O Ebitda ajustado alcançou R$ 450 milhões entre abril e junho, com crescimento de aproximadamente 7% na comparação anual. A companhia também informou a captura de R$ 244 milhões em eficiências no primeiro semestre, equivalente a 58,9% da meta estabelecida para o ano. As iniciativas incluem revisão de despesas, otimização da estrutura organizacional, mudanças logísticas e maior seletividade na realização de investimentos. A continuidade dessas medidas será determinante para que os benefícios financeiros da recuperação extrajudicial se convertam em resultados operacionais mais consistentes.</p>
<p>A análise conjunta dos dados demonstra que o principal desafio do GPA não se limita à renegociação das obrigações financeiras. A redução do custo da dívida pode aliviar despesas com juros e ampliar o espaço disponível para investimentos, mas não substitui a necessidade de crescimento sustentável das receitas. Além disso, a eventual conversão de obrigações em participação acionária poderá alterar a estrutura de capital sem gerar automaticamente aumento de vendas ou melhoria operacional. O sucesso da recuperação dependerá da combinação entre disciplina financeira, rentabilidade e capacidade de preservar a competitividade das bandeiras.</p>
<h2>Próximos dois meses serão decisivos para a recuperação do GPA</h2>
<p>Com a publicação da sentença, o processo entra em uma fase de execução que deverá concentrar acontecimentos relevantes até dezembro. Entre os principais pontos estão a efetiva entrada dos novos recursos, a formalização dos contratos com credores estrangeiros, a emissão das debêntures e a substituição dos instrumentos atualmente bloqueados. A conclusão dessas medidas será necessária para transformar as condições aprovadas judicialmente em uma estrutura de endividamento efetivamente reorganizada. O GPA informou que continuará comunicando ao mercado os desdobramentos relevantes da implementação do plano.</p>
<p>Para os investidores, será importante acompanhar não apenas o cumprimento dos prazos, mas também a evolução dos indicadores financeiros apresentados nos próximos balanços. A reestruturação cria condições para diminuir os vencimentos concentrados e melhorar o perfil da dívida, mas seus efeitos dependerão do ritmo de execução e do desempenho do negócio. A continuidade das atividades comerciais, a relação com fornecedores e a recuperação das vendas terão influência direta sobre a capacidade de pagamento da companhia. O avanço judicial, portanto, representa uma etapa relevante, mas não equivale à superação definitiva das dificuldades financeiras.</p>
<p>O GPA inicia essa fase com um acordo que envolve mais de R$ 4,5 bilhões em créditos, uma captação planejada de R$ 200 milhões e a substituição de títulos de dívida negociados no mercado brasileiro. Os próximos 30 e 60 dias serão fundamentais para verificar se as condições estabelecidas na recuperação extrajudicial serão efetivamente implementadas. A conclusão das etapas poderá reduzir riscos financeiros e proporcionar maior previsibilidade ao planejamento da companhia. O desafio seguinte será transformar o alívio no endividamento em crescimento, geração de caixa e recuperação sustentável da rentabilidade.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Companhia Brasileira de Distribuição (GPA) — Fato relevante de 21 de outubro de 2026: publicação da sentença de homologação do plano de recuperação extrajudicial, registrado na CVM</p>
<p>Companhia Brasileira de Distribuição (GPA) — Fato relevante de 7 de outubro de 2026: homologação do plano de recuperação extrajudicial</p>
<p>Companhia Brasileira de Distribuição (GPA) — Relatório de resultados financeiros do segundo trimestre de 2026, divulgado em 4 de agosto</p>
<p>Comissão de Valores Mobiliários — Sistema Empresas.NET, documentos societários e informações periódicas da Companhia Brasileira de Distribuição</p>
<p>Presidência da República — Lei nº 11.101, de 9 de fevereiro de 2005, artigos 161 a 165, referentes à recuperação extrajudicial</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Balanços dos bancos: inadimplência chega a 6,6% e mercado prevê pressão sobre Banco do Brasil</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/balancos-bancos-inadimplencia-66-banco-do-brasil-bradesco-itau-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2026 13:33:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Balanços dos bancos começam com inadimplência de 6,6%. Veja previsões de lucro para Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Santander, BTG e Nubank.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A temporada de balanços dos maiores bancos brasileiros começa nesta quinta-feira (22) sob a pressão do aumento da inadimplência, do endividamento das famílias e das incertezas sobre a evolução da economia em 2027. Dados do Banco Central mostram que a taxa de atrasos superiores a 90 dias nas operações de crédito com recursos livres atingiu 6,6% em agosto, o maior patamar da série histórica iniciada em março de 2011. O indicador representa um desafio para instituições como Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4), Santander Brasil (SANB11), Itaú Unibanco (ITUB4), BTG Pactual (BPAC11) e Nubank (ROXO34). Além dos lucros registrados entre julho e setembro, investidores acompanharão as perspectivas apresentadas pelos executivos para o próximo ano.</p>
<p>O Bradesco será o primeiro grande banco integrante do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/ibovespa" target="_blank" rel="noopener" title="Ibovespa" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341131">Ibovespa</a> a apresentar os resultados do terceiro trimestre, após o fechamento do mercado em 22 de outubro. A divulgação ocorrerá três dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), enquanto os balanços das demais instituições serão conhecidos nas semanas seguintes. A proximidade entre o calendário eleitoral e as apresentações financeiras deverá ampliar a atenção sobre os comentários das administrações a respeito de juros, crédito, inadimplência e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341134">política</a> econômica. O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341271">mercado</a> procura identificar se a deterioração da qualidade das carteiras de empréstimos continuará pressionando a rentabilidade do setor.</p>
<h2>Inadimplência de 6,6% acende alerta no sistema financeiro</h2>
<p>O levantamento mais recente do Banco Central, divulgado em 29 de setembro, aponta que a inadimplência nas operações com recursos livres avançou de 6,4% em julho para 6,6% em agosto. O aumento de 0,2 ponto percentual em apenas um mês reforça a preocupação com a capacidade de pagamento dos consumidores e das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341132">empresas</a>. Em comparação com agosto de 2025, a elevação foi de 0,9 ponto percentual. Os números indicam que a deterioração do crédito não se restringe a um movimento pontual, mas integra uma trajetória de agravamento observada ao longo dos últimos meses.</p>
<p>A situação é particularmente preocupante entre pessoas físicas, cuja taxa de inadimplência no crédito livre alcançou 8% em agosto. Entre as empresas, o indicador ficou em 4,3%, demonstrando que o percentual de atrasos das famílias é quase o dobro do registrado no segmento empresarial. Considerando todas as modalidades de financiamento do Sistema Financeiro Nacional, inclusive operações com recursos direcionados, a inadimplência total atingiu 5%. A diferença evidencia a importância de distinguir os indicadores antes de avaliar os riscos assumidos por cada instituição.</p>
<p>Os dados também mostram que o endividamento das famílias chegou a 49,9% em julho, enquanto o comprometimento de renda com o pagamento de dívidas alcançou 28,7%. Isso significa que uma parcela expressiva da renda disponível continua destinada ao cumprimento de obrigações financeiras, reduzindo a capacidade de consumo e a margem para contratação de novos empréstimos. Para os bancos, esse ambiente exige maior seletividade na concessão de crédito e acompanhamento constante da capacidade de pagamento dos clientes. A consequência pode ser uma combinação de crescimento mais lento das carteiras e aumento das despesas com provisões.</p>
<p>A deterioração da qualidade do crédito produz efeitos que ultrapassam os resultados das instituições financeiras. Quando a inadimplência aumenta, os bancos podem elevar as taxas cobradas dos novos tomadores, restringir limites disponíveis ou exigir garantias adicionais. Essas decisões afetam diretamente o consumo das famílias, o capital de giro das empresas e a capacidade de financiamento de investimentos produtivos. A persistência desse cenário pode contribuir para uma desaceleração econômica, mesmo que o sistema bancário continue apresentando lucros elevados.</p>
<h2>Banco do Brasil enfrenta maior pressão com crédito rural</h2>
<p>O Banco do Brasil concentra algumas das maiores preocupações dos analistas em razão da exposição ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank" rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341133">agronegócio</a> e do aumento das despesas relacionadas a empréstimos de recuperação incerta. No segundo trimestre de 2026, a instituição registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões e custo do crédito de R$ 18,5 bilhões. A inadimplência superior a 90 dias alcançou 5,61% na carteira total, enquanto o segmento rural apresentou deterioração significativa dos indicadores. O desempenho intensificou questionamentos sobre a capacidade de recuperação dos resultados no segundo semestre.</p>
<p>A carteira de agronegócios do Banco do Brasil atingiu R$ 421,6 bilhões em junho, crescimento de 4,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O tamanho dessa exposição torna a instituição especialmente sensível às dificuldades enfrentadas por produtores rurais para honrar financiamentos. A inadimplência no segmento agropecuário chegou a 6,27% no segundo trimestre, mais do que o dobro dos 3,16% registrados um ano antes. A combinação de crescimento da carteira e aumento dos atrasos amplia a necessidade de acompanhar as renegociações e os recursos destinados à cobertura de perdas esperadas.</p>
<p>Analistas do BTG Pactual trabalham com um cenário mais pessimista para o terceiro trimestre, no qual o lucro líquido do Banco do Brasil poderia ficar próximo de R$ 1,9 bilhão. A estimativa está associada à possibilidade de redução de 50% a 60% no lucro antes dos impostos em comparação com o trimestre anterior, diante do aumento das provisões. O cenário é mais negativo do que o consenso compilado pela LSEG, que aponta lucro de aproximadamente R$ 3,7 bilhões. A diferença de R$ 1,8 bilhão entre as projeções evidencia a elevada incerteza em torno do resultado da instituição.</p>
<p>Uma análise dessa divergência mostra que a projeção mais pessimista corresponde a aproximadamente 51% do lucro estimado pelo consenso de mercado. Isso significa que a avaliação dos riscos da carteira rural pode produzir diferenças substanciais nas expectativas de rentabilidade, mesmo entre instituições que acompanham os mesmos indicadores econômicos. A temporada de balanços deverá esclarecer se o banco conseguiu estabilizar as despesas com perdas de crédito ou se continuará enfrentando deterioração dos recebimentos. O resultado será divulgado em 11 de novembro, após o fechamento do mercado.</p>
<p>As medidas de renegociação de dívidas rurais também fazem parte das incertezas. A Resolução CMN nº 5.340, de setembro de 2026, autorizou a composição de determinadas operações inadimplentes, estabelecendo condições para sua regularização. A existência de mecanismos de renegociação pode contribuir para reorganizar o fluxo de pagamentos dos produtores, mas não garante recuperação imediata dos valores envolvidos. O efeito sobre os balanços dependerá das condições contratadas, da efetiva capacidade de pagamento dos devedores e das regras contábeis aplicáveis.</p>
<h2>Bradesco deve apresentar lucro de R$ 7,1 bilhões</h2>
<p>No Bradesco, os analistas esperam um desempenho marcado pela recuperação gradual das receitas financeiras, mas ainda pressionado pela necessidade de constituir provisões. O consenso de estimativas reunido pela LSEG aponta lucro líquido de aproximadamente R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre. A instituição busca ampliar sua rentabilidade por meio de disciplina de despesas, evolução das receitas de serviços e fortalecimento dos resultados da área de seguros. Entretanto, a qualidade da carteira de crédito continuará sendo um fator decisivo para avaliar a sustentabilidade dessa recuperação.</p>
<p>A expectativa de melhora da margem financeira com clientes contrasta com a possibilidade de crescimento das despesas relacionadas a empréstimos inadimplentes. Essa combinação pode limitar a expansão do lucro, mesmo que determinadas linhas de receita apresentem evolução favorável. Para os investidores, será importante identificar se a recuperação operacional decorre de fatores recorrentes ou de resultados que dificilmente serão repetidos nos próximos trimestres. A teleconferência da administração está programada para sexta-feira (23), às 10h30, pelo horário de Brasília.</p>
<h2>Santander enfrenta pressão sobre margens e qualidade do crédito</h2>
<p>O Santander Brasil também chega à temporada de balanços com expectativas de desempenho moderado. As projeções compiladas pela LSEG indicam lucro de aproximadamente R$ 3,2 bilhões no terceiro trimestre, enquanto analistas do Safra e do Citi apontam pressões sobre a margem financeira e o custo do crédito. Entre os segmentos que despertam maior preocupação estão cartões de crédito destinados a consumidores de menor renda, pequenas e médias empresas e operações ligadas ao agronegócio. A deterioração dessas carteiras pode limitar os efeitos positivos do crescimento das receitas de serviços e das iniciativas de redução de despesas.</p>
<p>A instituição já havia enfrentado dificuldades no segundo trimestre, quando registrou lucro líquido de aproximadamente R$ 3 bilhões e aumento dos gastos com provisões. O desempenho reforçou a importância de uma estratégia mais seletiva na concessão de empréstimos e de maior controle sobre riscos assumidos. A divulgação marcada para 28 de outubro permitirá verificar se houve estabilização dos indicadores ou continuidade das pressões observadas anteriormente. A evolução das margens financeiras também será determinante para avaliar o potencial de recuperação do banco.</p>
<h2>Itaú e BTG Pactual apresentam perspectivas mais favoráveis</h2>
<p>Em contraste com os desafios enfrentados por Banco do Brasil e Santander, o Itaú Unibanco aparece entre as instituições com expectativas mais favoráveis para o terceiro trimestre. Analistas consultados pelo mercado projetam lucro líquido de aproximadamente R$ 12,6 bilhões, sustentado por controle de custos e relativa estabilidade da qualidade dos ativos. A diversificação das receitas e a disciplina na concessão de crédito são apontadas como fatores importantes para a resiliência da instituição. Os números serão divulgados em 3 de novembro.</p>
<p>O BTG Pactual também deverá apresentar desempenho positivo, com estimativa de lucro líquido de R$ 5,2 bilhões. A expansão da carteira de crédito, a estabilidade dos spreads e uma dinâmica mais favorável das provisões sustentam as expectativas de crescimento. Entretanto, as receitas provenientes de atividades de banco de investimento poderão apresentar desempenho menos expressivo em comparação com outras áreas. A divulgação dos resultados está prevista para 10 de novembro.</p>
<p>Considerando apenas os cinco bancos tradicionais analisados — Banco do Brasil, Bradesco, Santander, Itaú e BTG Pactual —, a soma das estimativas centrais de lucro alcança aproximadamente R$ 31,8 bilhões no terceiro trimestre. O valor evidencia a capacidade de geração de resultados do sistema bancário, apesar das dificuldades enfrentadas por determinados segmentos do crédito. Entretanto, a concentração das maiores expectativas de lucro em instituições consideradas mais resilientes revela diferenças relevantes entre os modelos de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341135">negócios</a>. A comparação demonstra que o ambiente econômico adverso não atinge todos os bancos com a mesma intensidade.</p>
<h2>Nubank deve crescer, mas provisões preocupam</h2>
<p>O Nubank, por sua vez, deverá manter a trajetória de expansão de receitas, segundo a avaliação de analistas do UBS BB. A expectativa é de crescimento moderado do lucro em relação ao trimestre anterior, acompanhado de aumento das despesas com provisões. Parte do benefício observado no segundo trimestre com iniciativas de renegociação de dívidas tende a perder intensidade na comparação trimestral. O consenso compilado pela LSEG projeta lucro de US$ 1,09 bilhão para a companhia, que apresentará seu balanço em 12 de novembro.</p>
<p>O desempenho do banco digital será particularmente relevante para avaliar os riscos associados ao crescimento das carteiras de consumidores atendidos por plataformas financeiras. A expansão do acesso ao crédito amplia oportunidades comerciais, mas também exige mecanismos capazes de avaliar adequadamente a capacidade de pagamento dos clientes. Em um ambiente de endividamento elevado, o crescimento acelerado pode produzir resultados diferentes daqueles observados em períodos de menor inadimplência. A evolução dos atrasos e das provisões deverá indicar se o modelo consegue preservar a rentabilidade sem comprometer a qualidade dos ativos.</p>
<h2>Banco Central avalia medidas para conter endividamento</h2>
<p>Além dos resultados individuais, o mercado acompanha possíveis alterações regulatórias destinadas a reduzir riscos associados ao elevado endividamento das famílias. O Banco Central estuda mecanismos para incentivar práticas mais responsáveis na concessão de crédito, com maior atenção à análise da capacidade financeira dos consumidores. Entre as possibilidades discutidas pelo mercado estão ajustes em exigências prudenciais, critérios de avaliação de riscos e instrumentos de proteção do sistema financeiro. Até o momento, essas hipóteses não devem ser confundidas com a implementação efetiva de novas regras.</p>
<p>Medidas macroprudenciais podem produzir impactos diferentes conforme o tipo de exigência adotada. Regras mais rigorosas de capital, por exemplo, podem aumentar a quantidade de recursos próprios que as instituições precisam manter para sustentar determinadas operações. Alterações nos depósitos compulsórios podem afetar os recursos disponíveis para financiamento, enquanto exigências adicionais na avaliação de clientes podem reduzir a concessão de crédito a consumidores mais endividados. O efeito final dependerá do formato das medidas e do prazo estabelecido para sua eventual aplicação.</p>
<p>A discussão ocorre em um momento de sensibilidade política, às vésperas da definição da eleição presidencial. Os investidores procuram antecipar como as propostas econômicas dos candidatos poderão influenciar juros, contas públicas, consumo e expectativas de crescimento. Entretanto, os indicadores de inadimplência refletem operações contratadas ao longo de períodos anteriores e não se alteram imediatamente em função de resultados eleitorais. A recuperação da qualidade do crédito depende principalmente da evolução da renda, das condições de financiamento e da capacidade efetiva de pagamento dos tomadores.</p>
<h2>Confira o calendário e as projeções dos balanços</h2>
<table>
<thead>
<tr>
<th>Instituição</th>
<th>Divulgação</th>
<th align="right">Lucro esperado</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Bradesco (BBDC4)</td>
<td>22/10</td>
<td align="right">R$ 7,1 bilhões</td>
</tr>
<tr>
<td>Santander (SANB11)</td>
<td>28/10</td>
<td align="right">R$ 3,2 bilhões</td>
</tr>
<tr>
<td>Itaú (ITUB4)</td>
<td>03/11</td>
<td align="right">R$ 12,6 bilhões</td>
</tr>
<tr>
<td>BTG Pactual (BPAC11)</td>
<td>10/11</td>
<td align="right">R$ 5,2 bilhões</td>
</tr>
<tr>
<td>Banco do Brasil (BBAS3)</td>
<td>11/11</td>
<td align="right">R$ 3,7 bilhões</td>
</tr>
<tr>
<td>Nubank (ROXO34)</td>
<td>12/11</td>
<td align="right">US$ 1,09 bilhão</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><em>As projeções correspondem a estimativas compiladas pela LSEG e divulgadas antes da publicação dos balanços. Os números representam expectativas de mercado e podem diferir dos resultados efetivamente apresentados.</em></p>
<p>A divulgação dos balanços também deverá oferecer elementos para avaliar o comportamento do crédito nos primeiros meses de 2027. A manutenção de níveis elevados de inadimplência pode levar bancos a continuar restringindo operações consideradas mais arriscadas, mesmo diante de uma eventual melhora das expectativas econômicas. Por outro lado, estabilização dos atrasos e redução das despesas com provisões poderão favorecer a recuperação das margens e da rentabilidade. O acompanhamento dessas tendências será essencial para compreender a capacidade do sistema financeiro de sustentar a expansão dos empréstimos.</p>
<p>A principal questão para os investidores, portanto, não será apenas identificar quais bancos apresentaram os maiores lucros entre julho e setembro. O desempenho das carteiras de crédito, a evolução das provisões e as perspectivas anunciadas pelas administrações poderão ter impacto mais duradouro sobre a avaliação das instituições. Com a inadimplência em recursos livres no maior nível da série histórica, o setor enfrenta o desafio de preservar sua rentabilidade sem agravar a restrição ao financiamento de famílias e empresas. Os resultados das próximas semanas deverão mostrar quais bancos estão mais preparados para atravessar esse cenário.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Banco Central do Brasil — Estatísticas Monetárias e de Crédito, nota de 29 de setembro de 2026</p>
<p>Banco do Brasil — Comunicado institucional e resultados financeiros do segundo trimestre de 2026, divulgados em agosto</p>
<p>Conselho Monetário Nacional — Resoluções nº 5.330, de 23 de julho de 2026, e nº 5.340, de 4 de setembro de 2026</p>
<p>Bradesco Relações com Investidores — Agenda oficial de divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026</p>
<p>Banco do Brasil Relações com Investidores — Calendário de eventos corporativos de novembro de 2026</p>
<p>BTG Pactual Relações com Investidores — Calendário de divulgação de resultados do terceiro trimestre de 2026</p>
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		<title>Netflix cai 6% após cortar previsão de receita com anúncios em 2026</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/netflix-cai-6-por-cento-corta-previsao-receita-anuncios-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2026 12:45:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Ações Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Balanço Netflix]]></category>
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		<category><![CDATA[publicidade digital]]></category>
		<category><![CDATA[Resultados Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[streaming]]></category>
		<category><![CDATA[Terceiro Trimestre 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Wall Street]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Netflix cai 6% após reduzir previsão de receita com anúncios para US$ 2,7 bilhões, apesar de lucro de US$ 3,66 bilhões no terceiro trimestre de 2026</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>As ações da Netflix registravam queda de aproximadamente 6% no pré-mercado dos Estados Unidos nesta quarta-feira (21), após a companhia divulgar resultados financeiros que evidenciaram uma desaceleração de suas receitas e uma revisão negativa das expectativas para o mercado publicitário. Embora tenha apresentado lucro líquido de US$ 3,66 bilhões no terceiro trimestre de 2026, a gigante do streaming surpreendeu os investidores ao reduzir sua projeção de faturamento com anúncios de US$ 3 bilhões para US$ 2,7 bilhões neste ano. A empresa também apresentou uma perspectiva de crescimento mais moderado para os últimos três meses de 2026, ampliando as preocupações sobre sua capacidade de manter o ritmo de expansão registrado nos últimos anos. O resultado foi divulgado na terça-feira (20), após o encerramento do pregão em Nova York.</p>
<p>A receita trimestral alcançou US$ 12,87 bilhões, crescimento de 11,8% em relação ao mesmo período de 2025, em linha com as estimativas do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341127">mercado</a>. O lucro líquido avançou 43,9% na comparação anual, enquanto o lucro por ação diluído atingiu US$ 0,87, acima dos US$ 0,82 esperados pelos analistas. Apesar dos indicadores positivos de rentabilidade, os números revelaram uma desaceleração progressiva do faturamento. O desempenho reforçou a percepção de que a Netflix enfrenta dificuldades para preservar taxas elevadas de crescimento em um mercado de entretenimento digital cada vez mais competitivo.</p>
<h2>Netflix reduz projeção de publicidade em US$ 300 milhões</h2>
<p>O principal fator de preocupação dos investidores foi a revisão das receitas esperadas com publicidade, segmento considerado estratégico para diversificar o modelo de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341128">negócios</a> da Netflix. A companhia passou a projetar aproximadamente US$ 2,7 bilhões em faturamento publicitário ao longo de 2026, ante os US$ 3 bilhões previstos anteriormente. A diferença de US$ 300 milhões representa uma redução de 10% nas expectativas para a atividade. Segundo a administração, a mudança decorre de um ritmo de implementação de funcionalidades publicitárias mais lento do que o inicialmente planejado.</p>
<p>A revisão ocorre em um momento no qual a empresa procura ampliar as receitas provenientes de assinaturas com anúncios, buscando alcançar consumidores interessados em mensalidades mais acessíveis. O modelo também permite explorar novas oportunidades comerciais junto a anunciantes que desejam atingir o público das plataformas de streaming. Entretanto, o crescimento dessa atividade depende da disponibilidade de ferramentas de segmentação, mensuração de audiência e compra automatizada de publicidade. A implementação dessas tecnologias tornou-se uma das prioridades da estratégia de expansão da companhia.</p>
<p>Uma análise dos dados divulgados indica que a publicidade deverá representar aproximadamente 5,3% da receita total estimada para 2026. Embora a participação ainda seja relativamente pequena, o desempenho do segmento exerce influência relevante sobre as expectativas de crescimento futuro da Netflix. A redução de US$ 300 milhões na projeção publicitária equivale a cerca de 0,6% do faturamento anual esperado, demonstrando que o impacto financeiro direto é menor do que a importância estratégica atribuída ao negócio. A reação negativa do mercado está relacionada principalmente às dúvidas sobre a velocidade de expansão dessa nova fonte de receita.</p>
<h2>Receita deve chegar a US$ 51,1 bilhões em 2026</h2>
<p>Para o conjunto de 2026, a Netflix agora prevê faturamento de US$ 51,1 bilhões, equivalente a um crescimento de aproximadamente 13% em relação ao ano anterior. O valor ficou 0,2% abaixo do ponto médio da faixa de projeções anteriormente apresentada aos investidores. A companhia informou que o desempenho das assinaturas superou suas expectativas e compensou parcialmente os resultados menos favoráveis da publicidade. Ainda assim, o ajuste demonstrou que a expansão da base de consumidores e os reajustes de mensalidades não foram suficientes para neutralizar integralmente a revisão do negócio de anúncios.</p>
<p>Os números trimestrais ajudam a explicar a reação dos investidores. No primeiro trimestre de 2026, a receita havia crescido 16,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, percentual que recuou para 13,4% no segundo trimestre e 11,8% no terceiro. Para os últimos três meses do ano, a projeção é de crescimento de aproximadamente 11,5%. A sequência representa uma perda de 4,7 pontos percentuais no ritmo anual de expansão entre o primeiro trimestre e a expectativa para o quarto.</p>
<p>A desaceleração não significa que a Netflix esteja perdendo receita em termos absolutos, uma vez que o faturamento continua aumentando. O movimento indica, entretanto, que a velocidade de expansão está diminuindo e que novos ganhos exigirão maior eficiência comercial. Para investidores, essa diferença é relevante porque parte da avaliação de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341126">empresas</a> de tecnologia e entretenimento depende das expectativas de crescimento futuro. Quando essas projeções são reduzidas, o mercado pode revisar o preço considerado adequado para as ações.</p>
<h2>Lucro cresce 43,9%, mas não impede pressão sobre as ações</h2>
<p>O desempenho operacional apresentou uma evolução mais favorável do que a trajetória das receitas. O lucro operacional da Netflix atingiu aproximadamente US$ 4,46 bilhões no terceiro trimestre, avanço de 37,3% em relação aos US$ 3,25 bilhões registrados um ano antes. A margem operacional subiu de 28,2% para 34,6%, uma expansão de 6,4 pontos percentuais. A melhoria demonstra que a companhia conseguiu transformar uma parcela maior de seu faturamento em resultado operacional.</p>
<p>O lucro líquido também apresentou crescimento expressivo, passando de US$ 2,55 bilhões no terceiro trimestre de 2025 para US$ 3,66 bilhões no período encerrado em setembro de 2026. O avanço de aproximadamente 43,9% foi superior à expansão das receitas, indicando uma evolução na rentabilidade da operação. A Netflix atribuiu parte do desempenho operacional acima do previsto ao calendário de reconhecimento de despesas durante o trimestre. Isso significa que nem toda a melhora observada poderá necessariamente ser repetida nos períodos seguintes.</p>
<p>A empresa também manteve uma geração relevante de recursos financeiros. O fluxo de caixa operacional alcançou US$ 3,16 bilhões no terceiro trimestre, enquanto o fluxo de caixa livre totalizou aproximadamente US$ 2,88 bilhões. No período, a Netflix recomprou ações próprias no valor de US$ 4,8 bilhões, estabelecendo seu maior volume trimestral de recompras até então. A operação evidencia a capacidade de devolver capital aos acionistas, mesmo diante da necessidade de continuar financiando produções e infraestrutura tecnológica.</p>
<p>Para 2026, porém, a companhia reduziu a estimativa de fluxo de caixa livre de US$ 12,5 bilhões para aproximadamente US$ 12 bilhões. Segundo a administração, a mudança está relacionada principalmente à expectativa de conclusão de uma transação imobiliária no quarto trimestre. O ajuste não foi apresentado como consequência direta da revisão das receitas publicitárias. A distinção é relevante porque os dois movimentos afetam projeções financeiras diferentes e possuem causas específicas.</p>
<h2>América Latina cresce 17% e ganha importância estratégica</h2>
<p>A América Latina apresentou crescimento de aproximadamente 17% na receita trimestral, alcançando US$ 1,60 bilhão. O resultado superou a taxa de expansão de 11% registrada tanto nos Estados Unidos e Canadá quanto na região que reúne Europa, Oriente Médio e África. A Ásia-Pacífico apresentou crescimento de aproximadamente 12% no mesmo período. Os números evidenciam diferenças regionais importantes no desempenho da plataforma e demonstram que mercados emergentes continuam oferecendo oportunidades de expansão.</p>
<p>A Netflix também destacou o desempenho de produções locais como parte de sua estratégia para atrair e reter assinantes. Entre os conteúdos mencionados no relatório do terceiro trimestre está o filme brasileiro <em>Nando Entre Dois Mundos — Um Filme Sintonia</em>, que havia acumulado aproximadamente 18 milhões de visualizações no período considerado pela companhia. O investimento em produções regionais permite ampliar o catálogo e oferecer conteúdos capazes de alcançar públicos em diferentes países. Essa estratégia também contribui para reduzir a dependência comercial de lançamentos produzidos exclusivamente nos Estados Unidos.</p>
<p>No mercado publicitário latino-americano, a empresa anunciou iniciativas comerciais com o Mercado Livre, além de ampliar recursos para comercialização automatizada de anúncios em televisores conectados. A companhia pretende aperfeiçoar instrumentos que permitam aos anunciantes mensurar alcance, frequência e resultados das campanhas. Também confirmou planos de introduzir sua modalidade com publicidade em 15 novos países durante 2027, incluindo Colômbia e Peru. A expansão poderá aumentar o mercado potencial da atividade, embora os resultados dependam da adesão dos consumidores e do interesse dos anunciantes.</p>
<h2>Quarto trimestre deve confirmar crescimento mais lento</h2>
<p>A projeção da Netflix para o quarto trimestre prevê receita de US$ 13,44 bilhões e lucro operacional de aproximadamente US$ 3,5 bilhões. A margem operacional esperada é de 26%, abaixo dos 34,6% registrados entre julho e setembro, mas superior aos 24,5% observados no último trimestre de 2025. A administração informou que as recentes reduções de pessoal deverão produzir impacto negativo de aproximadamente 1,2 ponto percentual na margem operacional do período. A comparação com o trimestre anterior também deve considerar a distribuição sazonal das despesas da empresa.</p>
<p>A estratégia de crescimento continuará apoiada na expansão do catálogo, em produções originais e na transmissão de eventos ao vivo. Entre as atrações previstas para os últimos meses de 2026 estão novas temporadas de séries internacionais, transmissões de partidas da liga norte-americana de futebol americano e eventos esportivos especiais. A companhia aposta nesses formatos para ampliar o tempo de permanência dos usuários na plataforma e criar oportunidades adicionais de monetização. O desafio será transformar a maior oferta de conteúdo em crescimento sustentável das receitas e da rentabilidade.</p>
<p>O balanço evidencia uma situação contraditória para a Netflix: a empresa continua altamente lucrativa, amplia sua margem operacional e mantém geração expressiva de caixa, mas enfrenta expectativas cada vez mais exigentes sobre seu potencial de expansão. A redução na projeção publicitária se tornou um sinal de alerta porque atinge uma das principais iniciativas destinadas a sustentar o crescimento nos próximos anos. Para os investidores, o desempenho das assinaturas, a evolução do mercado de anúncios e a recuperação do ritmo de crescimento serão determinantes para a avaliação da companhia. Os próximos resultados deverão indicar se a desaceleração observada em 2026 representa uma fase de transição ou uma mudança mais persistente no padrão de expansão do serviço.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Netflix — Carta aos acionistas e resultados financeiros do terceiro trimestre de 2026, divulgados em 20 de outubro de 2026</p>
<p>Securities and Exchange Commission (SEC) — Formulário 8-K da Netflix, de 20 de outubro de 2026, registro 0001065280-26-000290</p>
<p>Netflix Investor Relations — Demonstrativos financeiros consolidados e informações operacionais do terceiro trimestre de 2026</p>
<p>Netflix — Relatório de resultados do segundo trimestre de 2026, divulgado em 16 de julho de 2026</p>
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		<title>Cosan encerra negociações para vender fatia da Rumo sem acordo e mantém desafio de reduzir dívida</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/cosan-encerra-negociacoes-venda-rumo-sem-acordo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2026 23:53:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[venda de ativos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cosan encerra negociações para vender participação na Rumo sem acordo. Holding mantém estratégia de redução da dívida e avalia alternativas.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Cosan (CSAN3) informou nesta terça-feira (20) que encerrou o período de negociações exclusivas com potenciais investidores interessados em adquirir parte de sua participação na Rumo (RAIL3), sem conseguir fechar um acordo. A companhia, que possui aproximadamente 20,33% do capital da operadora ferroviária, afirmou que as propostas avaliadas não reuniram condições estratégicas e comerciais consideradas adequadas para a alienação das ações. O desfecho representa um obstáculo para uma das alternativas estudadas pela holding para acelerar a redução de seu endividamento e simplificar sua estrutura de capital.</p>
<p>O comunicado encerra uma etapa de negociações iniciada publicamente em junho, quando a Cosan contratou o BTG Pactual para assessorá-la na avaliação de alternativas envolvendo sua participação na empresa ferroviária. O processo avançou até a apresentação de propostas vinculantes, confirmada em agosto, mas não resultou em uma transação. A companhia não divulgou os valores oferecidos, a identidade dos investidores envolvidos na fase de exclusividade nem os motivos específicos que impediram a conclusão do negócio.</p>
<p>Apesar do resultado, a Cosan não anunciou o abandono definitivo da possibilidade de vender ações da Rumo. Em fato relevante, a administração reiterou que continuará examinando oportunidades envolvendo os diferentes <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341121">negócios</a> de seu portfólio, com o objetivo de aprimorar sua estrutura financeira e preservar a geração de valor para os acionistas. A companhia também se comprometeu a comunicar eventuais acontecimentos relevantes conforme as exigências regulatórias.</p>
<h2>Venda da Rumo passou por propostas vinculantes antes de negociações exclusivas</h2>
<p>A trajetória da tentativa de venda revela como a companhia avançou na busca por investidores ao longo dos últimos quatro meses. Em 29 de junho, a Cosan informou ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341119">mercado</a> que havia contratado o BTG Pactual como assessor financeiro para avaliar alternativas relacionadas à sua participação na Rumo. A medida integrava uma estratégia mais ampla de desalavancagem, conduzida em paralelo à reorganização de outros ativos do conglomerado.</p>
<p>Em 20 de agosto, a holding confirmou que o processo havia alcançado a fase de recebimento de propostas vinculantes de potenciais interessados. Na ocasião, esclareceu que ainda não existia decisão sobre a realização efetiva da operação. A apresentação de uma proposta vinculante representa um estágio mais avançado de negociação, mas não equivale necessariamente à assinatura de um contrato definitivo de compra e venda.</p>
<p>O fato relevante divulgado em outubro acrescenta uma etapa posterior: a Cosan chegou a conduzir tratativas em regime de exclusividade com potenciais investidores. Durante esse tipo de negociação, as partes normalmente procuram concluir a avaliação dos termos financeiros, jurídicos e comerciais de uma possível transação. A existência de exclusividade demonstra que as conversas ultrapassaram a fase inicial de prospecção, embora não assegure que a operação será realizada.</p>
<p>O encerramento dessa etapa sem entendimento significa que não houve uma venda decorrente das negociações anunciadas. Também não permite concluir que todos os possíveis interessados desistiram definitivamente do investimento ou que a Cosan esteja impedida de iniciar novas tratativas. A empresa não informou se pretende retomar conversas com participantes anteriores, procurar outros compradores ou modificar o tamanho da participação eventualmente oferecida.</p>
<h2>Cosan mantém participação de 20,33% e aprovou reorganização por meio de fundo</h2>
<p>A participação acionária da Cosan na Rumo constitui um ativo relevante por sua dimensão financeira e pela importância estratégica da operadora ferroviária. Segundo informações societárias apresentadas pela companhia de logística, a holding possui aproximadamente 20,326% de seu capital social, percentual equivalente a pouco mais de um quinto das ações emitidas.</p>
<p>Poucos dias antes do anúncio sobre o encerramento da exclusividade, a Cosan havia divulgado uma decisão societária envolvendo essas ações. Em reunião realizada em 6 de outubro, seu conselho de administração aprovou a utilização de 377.829.490 ações ordinárias da Rumo para integralizar cotas do Maglev Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia. A decisão foi disponibilizada ao mercado em 16 de outubro e envolve praticamente a totalidade da participação de 20,33% detida pela holding na companhia ferroviária.</p>
<p>O fundo terá gestão e administração de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341120">empresas</a> ligadas ao BTG Pactual, enquanto a Cosan será sua única cotista na estrutura aprovada. Essa característica é decisiva para compreender o movimento: a transferência das ações para um veículo de investimento integralmente pertencente à própria holding não representa, por si só, uma venda a terceiros nem produz automaticamente entrada de recursos financeiros. Trata-se de uma reorganização da forma de detenção do investimento, distinta da operação comercial que vinha sendo negociada com potenciais compradores.</p>
<p>A estrutura também permite diferenciar duas decisões empresariais que ocorreram no mesmo período. Uma delas envolve o posicionamento societário das ações da Rumo dentro do grupo Cosan; a outra consiste na possibilidade de alienar parte do investimento para levantar recursos. O anúncio de 20 de outubro trata especificamente da ausência de acordo para essa alienação, sem informar alteração na decisão anteriormente aprovada sobre o fundo.</p>
<h2>Dívida líquida de R$ 9,2 bilhões explica importância da venda para a Cosan</h2>
<p>A tentativa de monetização da participação na Rumo está diretamente relacionada à estratégia financeira da Cosan. No segundo trimestre de 2026, a dívida líquida expandida do segmento corporativo da holding alcançou R$ 9,217 bilhões, ante R$ 11,471 bilhões no primeiro trimestre e R$ 17,538 bilhões no mesmo período de 2025. Os números representam reduções de aproximadamente R$ 2,25 bilhões em três meses e R$ 8,32 bilhões em doze meses, conforme os dados divulgados pela própria companhia.</p>
<p>A queda de 47% no endividamento expandido em relação ao segundo trimestre do ano anterior mostra os efeitos das iniciativas de capitalização, gestão de passivos e desinvestimentos implementadas pelo grupo. Entretanto, o saldo remanescente continua relevante e exige atenção à capacidade de pagamento, ao custo financeiro e à geração de recursos pelas empresas investidas. A venda de uma participação acionária poderia representar uma fonte adicional de liquidez, dependendo do preço negociado e da estrutura de pagamento.</p>
<p>Um dos movimentos mais importantes da reorganização financeira foi a oferta pública secundária de ações da Compass, empresa de gás natural do grupo. A operação movimentou R$ 3 bilhões e proporcionou aproximadamente R$ 2,3 bilhões em recursos líquidos para a Cosan, segundo o relatório de resultados do segundo trimestre. A entrada de recursos permitiu antecipar o pagamento de debêntures e notas comerciais, contribuindo para reduzir o endividamento corporativo.</p>
<p>A administração também destacou iniciativas envolvendo propriedades agrícolas do portfólio da Radar. No relatório de agosto, a companhia descreveu uma transação de R$ 1,85 bilhão, da qual aproximadamente R$ 586 milhões correspondiam à sua participação econômica, com conclusão prevista para outubro e condicionada ao cumprimento de exigências contratuais. O documento também registrou uma carta de intenções para alienação do Terminal de Uso Privado Porto São Luís, com preço indicativo de R$ 300 milhões e possibilidade de remuneração adicional vinculada à expansão futura do terminal.</p>
<p>Essas operações mostram que a estratégia de redução de dívida não depende exclusivamente da Rumo. Ainda assim, a ausência de acordo envolvendo a ferrovia retira, pelo menos nesta etapa, uma alternativa de geração de caixa que vinha sendo examinada havia meses. A administração poderá continuar recorrendo a outras vendas de participações, ajustes societários e operações financeiras, mas os resultados dependerão das condições efetivamente negociadas.</p>
<p>Outro indicador que exige atenção é a cobertura do serviço da dívida. No segundo trimestre, o índice de cobertura do serviço da dívida líquida da Cosan Corporativo, calculado com base nos últimos doze meses, ficou em 0,2 vez, contra 1,2 vez no mesmo período de 2025. A companhia atribuiu parte dessa redução ao menor recebimento de dividendos e juros sobre capital próprio de suas investidas, cujos repasses passaram de R$ 579 milhões para R$ 399 milhões na comparação trimestral.</p>
<p>Esse indicador evidencia a importância de distinguir a redução do saldo devedor da capacidade recorrente de gerar recursos para atender às obrigações financeiras. A alienação de um ativo pode reduzir o endividamento de maneira relevante, mas não substitui necessariamente os fluxos de caixa e dividendos que esse mesmo investimento poderia proporcionar no futuro.</p>
<h2>Rumo registra crescimento no transporte ferroviário, mas enfrenta pressão sobre margens</h2>
<p>A negociação envolvendo a Rumo ocorre enquanto a empresa de logística busca equilibrar crescimento operacional, rentabilidade e investimentos em infraestrutura. No segundo trimestre de 2026, a companhia transportou 23,8 bilhões de toneladas-quilômetro úteis (TKU), crescimento de 9,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço foi impulsionado principalmente pela movimentação de produtos agrícolas, atividade diretamente relacionada ao escoamento da produção brasileira para os mercados consumidores e de exportação.</p>
<p>A receita operacional líquida da Rumo alcançou R$ 3,940 bilhões entre abril e junho, alta de 6,2% na comparação anual. O crescimento foi inferior à expansão dos volumes transportados, indicando que a evolução da receita por unidade transportada não acompanhou integralmente o aumento da movimentação. Essa diferença reflete a importância das tarifas, da composição das cargas e das condições comerciais na formação dos resultados da operadora.</p>
<p>O EBITDA ajustado ficou em R$ 2,267 bilhões, praticamente estável em relação aos R$ 2,279 bilhões registrados no segundo trimestre de 2025. A margem EBITDA ajustada recuou de 61,4% para 57,5%, uma redução de 3,9 pontos percentuais. O desempenho mostra que o maior volume transportado não se converteu integralmente em expansão proporcional da rentabilidade operacional.</p>
<p>O lucro líquido ajustado somou R$ 688 milhões, queda de 5,8% na comparação anual, enquanto os investimentos atingiram R$ 1,597 bilhão, crescimento de 14,5%. A empresa também apresentou alavancagem financeira de 2,1 vezes a relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado, indicador utilizado para acompanhar sua estrutura de capital.</p>
<p>A relevância estratégica da Rumo está associada à sua infraestrutura ferroviária, que conecta regiões produtoras de grãos e outras commodities aos principais corredores logísticos do país. A companhia opera aproximadamente 13,5 mil quilômetros de ferrovias e mantém atividades de transporte, transbordo e soluções logísticas integradas. Essa presença torna a empresa um ativo de longo prazo, cuja avaliação depende tanto dos resultados atuais quanto das perspectivas de demanda, eficiência e retorno dos investimentos.</p>
<p>Para a Cosan, vender ações da Rumo representa uma decisão que envolve mais do que a obtenção imediata de recursos. A operação poderia melhorar a liquidez da holding e reduzir sua exposição financeira, mas também diminuiria sua participação nos resultados futuros da operadora. A relação entre o preço oferecido pelos investidores e o valor econômico atribuído à companhia ferroviária torna-se, portanto, um elemento central para determinar a conveniência de uma eventual alienação.</p>
<h2>Encerramento das negociações mantém indefinição sobre próximos desinvestimentos</h2>
<p>A reorganização financeira da Cosan ocorre em um conglomerado com participações em atividades de natureza distinta, incluindo distribuição de combustíveis, energia, gás natural, logística ferroviária, lubrificantes e propriedades agrícolas. Essa diversificação oferece diferentes alternativas para a administração realizar operações de capital, mas também exige avaliar separadamente a contribuição financeira e estratégica de cada negócio.</p>
<p>A situação da Raízen, empreendimento desenvolvido em conjunto com a Shell, também integra esse contexto. O relatório de resultados da Cosan do segundo trimestre registrou a homologação do plano de recuperação extrajudicial da companhia, com adesão de 81,6% dos credores financeiros quirografários. A reestruturação da investida acrescenta complexidade ao acompanhamento dos ativos e das participações econômicas do grupo, embora suas obrigações não devam ser confundidas automaticamente com a dívida corporativa individual da holding.</p>
<p>O anúncio divulgado após o encerramento do pregão desta terça-feira não apresentou novas metas de redução do endividamento, valores de operações alternativas ou cronograma para eventual retomada das negociações envolvendo a Rumo. Também não informou que a Cosan tenha recebido uma proposta definitiva de outros investidores após o término da exclusividade.</p>
<p>Para os acionistas, os próximos acontecimentos relevantes estarão relacionados à identificação de novas fontes de liquidez, à evolução do endividamento corporativo e à capacidade das empresas investidas de produzir resultados e distribuir recursos. A manutenção da participação na Rumo preserva a exposição da Cosan aos resultados futuros da ferrovia, mas deixa sem concretização uma das possibilidades de monetização que estavam em análise.</p>
<p>A holding encerra, assim, uma etapa de negociação sem concluir a venda de sua participação ferroviária, enquanto mantém em andamento o processo de reorganização financeira. Uma eventual mudança nessa situação dependerá da apresentação de novas condições comerciais consideradas adequadas pela administração e de sua correspondente divulgação ao mercado.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Cosan — fato relevante de 20 de agosto de 2026 sobre a avaliação de alternativas de alienação de participação na Rumo, arquivado na Securities and Exchange Commission.</em></p>
<p><em>Cosan — relatório de resultados do segundo trimestre de 2026, divulgado à Comissão de Valores Mobiliários.</em></p>
<p><em>Rumo — relatório de resultados do segundo trimestre de 2026, com indicadores financeiros, operacionais e investimentos.</em></p>
<p><em>Comissão de Valores Mobiliários — registros de divulgação societária da Cosan relativos à participação na Rumo e à deliberação sobre o FIP Maglev.</em></p>
<p><em>Cosan — informações institucionais sobre a composição do portfólio de negócios e a estrutura empresarial do grupo.</em></p>
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		<item>
		<title>iFood acerta compra da Caju e amplia disputa por mercado de benefícios de R$ 150 bilhões</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/ifood-compra-caju-mercado-beneficios-150-bilhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2026 23:51:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[benefícios corporativos.]]></category>
		<category><![CDATA[Cade]]></category>
		<category><![CDATA[Caju]]></category>
		<category><![CDATA[iFood]]></category>
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		<category><![CDATA[vale-alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[vale-refeição]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>iFood anuncia acordo para comprar a Caju e ampliar atuação em benefícios corporativos. Operação ainda depende da aprovação do Cade e do Banco Central.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O iFood anunciou nesta terça-feira (20) um acordo para adquirir a Caju, empresa brasileira especializada em benefícios corporativos, gestão de despesas e soluções para recursos humanos. A operação, conduzida pelo iFood Benefícios, representa um movimento de expansão da plataforma de entregas em um setor que movimenta aproximadamente R$ 150 bilhões por ano no Brasil. A transação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central, o que significa que a transferência de controle e a integração das operações não estão concluídas.</p>
<p>A aquisição coloca sob uma mesma estratégia empresarial duas companhias que ganharam espaço na modernização dos cartões de vale-refeição e vale-alimentação desde 2020. Além de ampliar a carteira de clientes corporativos, o negócio permitirá ao iFood avançar em serviços de administração de despesas, benefícios flexíveis e gestão de pessoas, segmentos que oferecem oportunidades de crescimento para além do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341116">mercado</a> tradicional de entregas de refeições.</p>
<p>O anúncio ocorre em um momento de transformação regulatória. Mudanças introduzidas pelo governo federal no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) estabeleceram limites para as taxas cobradas de restaurantes e supermercados, reduziram os prazos de pagamento aos estabelecimentos e determinaram a abertura gradual dos sistemas de aceitação dos cartões. A combinação entre novas exigências regulatórias e consolidação empresarial deverá influenciar a disputa entre operadoras tradicionais e plataformas digitais.</p>
<h2>Compra da Caju amplia carteira de empresas e trabalhadores atendidos pelo iFood</h2>
<p>Os dados divulgados pelas próprias companhias ajudam a dimensionar o alcance comercial da operação. Em comunicação institucional publicada em 20 de outubro, o iFood Benefícios informou atender aproximadamente 65 mil <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341118">empresas</a> e 1,5 milhão de usuários, enquanto a Caju reúne mais de 70 mil clientes corporativos e cerca de 1,3 milhão de usuários ativos. Consideradas isoladamente, as carteiras representam uma soma superior a 135 mil relacionamentos empresariais e aproximadamente 2,8 milhões de usuários.</p>
<p>Esses totais, entretanto, não equivalem necessariamente à quantidade de clientes exclusivos que uma empresa combinada teria. Uma mesma organização pode contratar serviços das duas plataformas, e um trabalhador pode estar presente em mais de uma base de usuários. Por isso, o tamanho efetivo da carteira consolidada dependerá da identificação de sobreposições, de critérios uniformes de contabilização e das decisões adotadas após a conclusão da aquisição.</p>
<p>A extensão das redes de aceitação também constitui um dos principais ativos envolvidos. O iFood Benefícios informa que seu cartão pode ser utilizado em mais de 11 milhões de estabelecimentos físicos, além de contar com a conexão comercial com mais de 500 mil estabelecimentos presentes no aplicativo de entregas. A Caju, por sua vez, informa que seu cartão é aceito em mais de 12 milhões de estabelecimentos comerciais.</p>
<p>Não é possível somar essas redes e concluir que uma futura operação integrada oferecerá 23 milhões de pontos de aceitação diferentes. Os estabelecimentos podem aceitar simultaneamente cartões das duas companhias, especialmente quando utilizam sistemas de pagamento abertos. A vantagem competitiva dependerá menos da soma nominal das redes e mais da disponibilidade efetiva dos benefícios, das condições comerciais e da experiência oferecida aos usuários.</p>
<p>A Caju acrescenta ao negócio uma estrutura tecnológica que vai além da emissão de cartões. Sua plataforma reúne funcionalidades de controle de despesas corporativas, reembolsos, administração de benefícios e gestão de pessoas. Para o iFood, essas atividades representam oportunidades de ampliar o relacionamento com departamentos financeiros e de recursos humanos, oferecendo serviços que acompanham diferentes etapas da administração das empresas.</p>
<h2>Mercado de R$ 150 bilhões passa por reestruturação regulatória</h2>
<p>O mercado brasileiro de vale-refeição e vale-alimentação movimenta cerca de R$ 150 bilhões anuais, segundo estimativas apresentadas pelo iFood. Esse volume corresponde a aproximadamente R$ 12,5 bilhões por mês, considerando uma distribuição aritmética uniforme ao longo do ano. Trata-se de um setor de pagamentos recorrentes, sustentado pela contratação de benefícios destinados à alimentação de milhões de trabalhadores.</p>
<p>A dimensão desse mercado explica o interesse de empresas de tecnologia, instituições financeiras e operadoras especializadas. Embora a concorrência frequentemente seja associada às taxas cobradas de restaurantes e supermercados, a disputa também envolve contratos empresariais, ferramentas de gestão, processamento de pagamentos, atendimento aos usuários e capacidade de integração tecnológica.</p>
<p>O iFood estima que o setor alcance mais de 22 milhões de trabalhadores e aproximadamente 470 mil empresas vinculadas ao PAT. Já o portal institucional do Ministério do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341117">Trabalho</a> e Emprego apresenta referências de mais de 21,5 milhões de trabalhadores e cerca de 300 mil empresas beneficiárias inscritas. As diferenças entre as estimativas mostram a necessidade de distinguir o universo comercial considerado pelas empresas dos cadastros administrativos utilizados pelo governo, antes de estabelecer comparações de participação de mercado.</p>
<p>Uma das mudanças mais importantes ocorreu com a edição do Decreto nº 12.712, de novembro de 2025, que alterou a regulamentação dos benefícios de alimentação. O texto estabeleceu que a taxa de desconto cobrada dos estabelecimentos comerciais, conhecida como MDR, não pode ultrapassar 3,6% do valor das transações. A tarifa de intercâmbio, que integra a remuneração dos participantes do sistema de pagamentos, ficou limitada a 2%, já incluídos no teto de 3,6%.</p>
<p>Na prática, em uma compra de R$ 100 realizada com um cartão de alimentação sujeito ao limite regulamentar, a taxa de desconto não pode superar R$ 3,60. O estabelecimento deverá receber pelo menos R$ 96,40 referentes à transação, consideradas essas taxas de pagamento, sem prejuízo de outros custos próprios de sua atividade comercial. A legislação também proíbe a cobrança de tarifas adicionais pelas operadoras nas condições abrangidas pela regulamentação.</p>
<p>Outro avanço foi a redução do prazo máximo de liquidação financeira para 15 dias corridos após a transação, em comparação com o prazo médio anterior de aproximadamente 30 dias apontado pelo Ministério do Trabalho. Para restaurantes e supermercados, a antecipação do recebimento pode reduzir a necessidade de capital de giro e melhorar a previsibilidade financeira, especialmente em operações com margens apertadas.</p>
<p>A redução de custos para os estabelecimentos, porém, não representa uma diminuição automática dos preços ao consumidor. O eventual repasse depende da concorrência local, da estrutura de despesas dos comerciantes e das decisões comerciais de cada empresa. A regulamentação estabelece as condições de funcionamento dos pagamentos, mas não determina que os restaurantes reduzam seus preços.</p>
<h2>Cade analisará efeitos concorrenciais da união entre iFood e Caju</h2>
<p>A aquisição foi anunciada em um ambiente no qual novas empresas digitais disputam espaço com operadoras tradicionais de benefícios corporativos, como Alelo, VR Benefícios, Ticket e Pluxee. A aproximação entre iFood e Caju poderá aumentar a capacidade comercial de uma plataforma de tecnologia diante desses concorrentes, mas também elimina a independência entre duas empresas que disputam clientes no mesmo segmento.</p>
<p>Esse será um dos aspectos relevantes para a análise concorrencial do Cade. O órgão deverá avaliar os mercados envolvidos, a presença das companhias, as condições de rivalidade e os eventuais efeitos da concentração sobre empresas contratantes, trabalhadores e estabelecimentos comerciais. A dimensão das bases de usuários, isoladamente, não permite determinar a participação de mercado nem antecipar o resultado da avaliação.</p>
<p>A operação também possui uma dimensão de integração entre atividades distintas. O iFood reúne serviços de entrega de alimentos, relacionamento com restaurantes, ferramentas de gestão e soluções de pagamentos, enquanto a Caju oferece produtos destinados à administração financeira e aos departamentos de recursos humanos. A combinação dessas atividades poderá ampliar a oferta de serviços empresariais, embora o desenho comercial futuro ainda dependa das decisões das companhias e das condições regulatórias.</p>
<p>O exame antitruste deverá considerar tanto as possíveis eficiências econômicas quanto os efeitos da redução do número de concorrentes independentes. Uma empresa maior pode ganhar escala para desenvolver tecnologias e disputar contratos, mas essa ampliação também exige atenção à preservação de alternativas comerciais para clientes e parceiros.</p>
<p>Além da avaliação do Cade, as empresas informaram que a transação dependerá de autorização do Banco Central. As análises possuem objetos distintos: a autoridade concorrencial examina os efeitos da operação sobre os mercados, enquanto o regulador financeiro considera as exigências aplicáveis às atividades e estruturas supervisionadas.</p>
<p>O preço da aquisição, a estrutura de pagamento e os detalhes financeiros do contrato não foram divulgados nas comunicações corporativas consultadas. Sem esses elementos, não é possível determinar o valor efetivamente atribuído à Caju, o prêmio eventualmente pago pelo comprador ou o impacto financeiro da operação sobre o grupo responsável pelo iFood.</p>
<h2>O que muda para trabalhadores, empresas e restaurantes</h2>
<p>Apesar do acordo anunciado, os usuários das duas plataformas não precisarão substituir imediatamente seus cartões ou aplicativos. O iFood esclareceu que as operações continuarão independentes durante o processo de aprovação regulatória, sem migração obrigatória de clientes, alteração automática de contratos ou integração antecipada dos sistemas.</p>
<p>Para os departamentos de recursos humanos, a principal possibilidade está na construção futura de uma solução mais abrangente. A combinação das funcionalidades das duas companhias poderá permitir que benefícios, despesas empresariais e atividades de gestão de pessoas sejam administrados com maior integração. A configuração definitiva dessa oferta, entretanto, ainda não foi estabelecida.</p>
<p>Os trabalhadores também não devem interpretar a aquisição como uma autorização para utilizar livremente os recursos destinados à alimentação. A legislação mantém a finalidade específica do vale-refeição e do vale-alimentação, que devem ser empregados na aquisição de refeições e produtos alimentícios. Outros benefícios disponibilizados pelas plataformas possuem categorias e regras próprias.</p>
<p>O iFood destaca vantagens comerciais associadas ao seu ecossistema, como descontos em estabelecimentos parceiros e ofertas vinculadas ao Clube iFood. A companhia afirma que determinadas condições promocionais podem ampliar em até 40% o poder de compra do saldo utilizado. Esse percentual se refere às vantagens oferecidas em situações específicas de consumo, não a uma remuneração financeira automática do dinheiro depositado no cartão.</p>
<p>Para restaurantes e supermercados, o interesse principal está na possibilidade de ampliar o público atendido e reduzir custos de processamento. A combinação das duas empresas poderá trazer ganhos operacionais, mas a redução das tarifas também resulta das novas regras aplicáveis ao setor e não depende exclusivamente da aquisição.</p>
<h2>Novas regras do PAT ampliam disputa entre operadoras</h2>
<p>A reorganização do mercado de benefícios não se limita ao teto das taxas. O Decreto nº 12.712/2025 estabeleceu a abertura dos arranjos de pagamento que atendem mais de 500 mil trabalhadores e definiu um processo de interoperabilidade destinado a permitir a utilização dos cartões em diferentes redes de estabelecimentos e equipamentos de pagamento.</p>
<p>Segundo as orientações do Ministério do Trabalho e Emprego, o cronograma regulatório prevê a interoperabilidade plena em novembro de 2026. A mudança busca reduzir a dependência de estruturas fechadas, nas quais o trabalhador fica limitado aos estabelecimentos credenciados por determinada operadora. Com sistemas integrados, a concorrência tende a se deslocar para preços, serviços, atendimento, tecnologia e qualidade dos produtos oferecidos às empresas.</p>
<p>O governo também esclareceu, em julho de 2026, que as regras de utilização e processamento do auxílio-alimentação e do auxílio-refeição alcançam empresas que oferecem esses benefícios mesmo quando não estão inscritas no PAT, observadas as disposições da legislação aplicável. Essa interpretação amplia o alcance das exigências de transparência, limites tarifários e destinação dos recursos.</p>
<p>Há ainda uma obrigação administrativa relevante para as empresas vinculadas ao programa. Em setembro, o Ministério do Trabalho e Emprego estabeleceu, por meio da Portaria nº 1.599/2026, um novo prazo de recadastramento no sistema do PAT, com encerramento previsto para 9 de novembro. A atualização é obrigatória para os participantes abrangidos pela norma, independentemente das negociações societárias em andamento no setor.</p>
<p>Nesse ambiente, a eventual integração de iFood Benefícios e Caju ocorrerá durante uma mudança estrutural na forma de funcionamento do mercado. O desafio comercial será ampliar escala e eficiência sem comprometer a continuidade dos serviços, enquanto as companhias se adaptam às regras que favorecem maior interoperabilidade entre diferentes operadores.</p>
<p>A aquisição permanece condicionada às autorizações regulatórias. Até a conclusão das análises, iFood Benefícios e Caju continuarão atendendo seus clientes separadamente, com contratos, aplicativos e operações próprios. Os próximos desdobramentos dependerão das decisões do Cade e do Banco Central, da divulgação dos termos definitivos do negócio e da definição de como as companhias pretendem integrar suas estruturas após a aprovação.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>iFood — comunicado institucional de 20 de outubro de 2026 sobre o acordo de aquisição da Caju e publicação explicativa sobre a continuidade das operações.</em></p>
<p><em>Caju — informações institucionais sobre a carteira de clientes, usuários e funcionamento da plataforma de benefícios.</em></p>
<p><em>Presidência da República — Decreto nº 10.854/2021, com alterações introduzidas pelo Decreto nº 12.712/2025.</em></p>
<p><em>Ministério do Trabalho e Emprego — orientações oficiais sobre as regras de vale-alimentação e vale-refeição, limites tarifários e interoperabilidade.</em></p>
<p><em>Ministério do Trabalho e Emprego — informações institucionais do PAT e comunicado sobre o recadastramento estabelecido pela Portaria nº 1.599/2026.</em></p>
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			</item>
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		<title>Lucro da Neoenergia Coelba cai 19% no 3º trimestre, enquanto dívida chega a R$ 20 bilhões</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/neoenergia-coelba-lucro-3-trimestre-2026-divida-20-bilhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alice Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2026 23:51:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lucro da Neoenergia Coelba cai 19% no 3º trimestre de 2026, para R$ 201 milhões. Dívida chega a R$ 20 bilhões e investimentos avançam na Bahia.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-metric-area="topo-noticia" data-v-d559f1f7="">
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<p>A <strong>Neoenergia Coelba registrou lucro líquido de R$ 201 milhões no terceiro trimestre de 2026</strong>, queda de aproximadamente 19% em relação ao mesmo período do ano anterior, apesar da estabilidade do resultado operacional ajustado. Os indicadores divulgados nesta terça-feira (20) mostram que a distribuidora de energia elétrica da Bahia encerrou o período com receita líquida de R$ 4,42 bilhões, retração de 2% na comparação anual, enquanto o Ebitda ajustado permaneceu próximo de R$ 1,15 bilhão. O desempenho evidencia a redução da rentabilidade da companhia em um momento de expansão dos investimentos em infraestrutura e crescimento do endividamento.</p>
<p>A dívida líquida alcançou R$ 20,03 bilhões, aumento de 13% em relação ao encerramento de dezembro de 2025. Paralelamente, os investimentos acumulados entre janeiro e setembro chegaram a R$ 2,88 bilhões, crescimento de 8% sobre o mesmo intervalo do ano passado. A maior parte dos recursos foi direcionada à expansão e modernização da rede elétrica, especialmente em regiões onde o crescimento da atividade econômica exige maior capacidade de distribuição.</p>
<p>Os resultados foram apresentados em um ano de mudanças estruturais para a companhia. Em maio, a Neoenergia Coelba formalizou a renovação antecipada de sua concessão por mais 30 anos, assegurando o direito de explorar o serviço público de distribuição de energia até agosto de 2057. O novo horizonte contratual está associado a um ciclo de investimentos de longo prazo, com previsão de R$ 25 bilhões para a infraestrutura elétrica da Bahia até 2030.</p>
<p>A combinação entre redução do lucro, manutenção do desempenho operacional ajustado e aumento da dívida coloca em evidência o desafio financeiro da distribuidora. A empresa precisa financiar obras de grande porte, preservar a qualidade do fornecimento e cumprir exigências regulatórias em um setor caracterizado por investimentos elevados e recuperação de capital distribuída ao longo de muitos anos.</p>
<h2>Lucro recua mais que a receita e revela pressão sobre a rentabilidade</h2>
<p>A queda de 19% no lucro líquido foi consideravelmente superior à retração de 2% na receita, indicando uma deterioração da rentabilidade final da operação. No terceiro trimestre de 2025, a Neoenergia Coelba havia registrado lucro de R$ 247 milhões, conforme o relatório financeiro apresentado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A comparação com os R$ 201 milhões informados agora representa uma redução nominal de R$ 46 milhões em 12 meses.</p>
<p>A diferença entre a evolução da receita e do lucro é um indicador relevante para compreender o desempenho da companhia. Enquanto o faturamento diminuiu proporcionalmente pouco, o resultado disponível após a contabilização das despesas, dos encargos financeiros e dos tributos sofreu uma contração mais acentuada. Isso mostra que a redução do lucro não pode ser explicada apenas pelo comportamento da receita.</p>
<p>A margem líquida estimada para o terceiro trimestre ficou em aproximadamente 4,5%, considerando o lucro de R$ 201 milhões sobre a receita de R$ 4,42 bilhões. Um ano antes, a margem havia ficado próxima de 5,5%, conforme os indicadores comparáveis. A redução de cerca de um ponto percentual significa que a companhia passou a transformar uma parcela menor de seu faturamento em lucro efetivo.</p>
<p>O Ebitda ajustado, indicador que procura avaliar o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, apresentou comportamento mais estável. O valor de aproximadamente R$ 1,15 bilhão representa margem operacional ajustada próxima de 26% sobre a receita líquida trimestral. O resultado sugere preservação de parte importante da capacidade de geração operacional, embora não seja equivalente ao fluxo de caixa livre nem ao lucro disponível para distribuição.</p>
<p>A diferença entre a estabilidade do Ebitda ajustado e a redução do lucro líquido merece atenção. Despesas financeiras, depreciação, amortização e tributos podem provocar alterações importantes entre os dois indicadores. A identificação do peso específico de cada rubrica, entretanto, depende da análise completa da demonstração financeira do terceiro trimestre, não sendo possível atribuir a queda do lucro exclusivamente a um desses fatores com os dados resumidos disponíveis.</p>
<p>A comparação com o trimestre imediatamente anterior também mostra um enfraquecimento do resultado. Entre abril e junho, a Neoenergia Coelba havia registrado lucro de R$ 341 milhões. O resultado de R$ 201 milhões entre julho e setembro ficou R$ 140 milhões abaixo desse patamar, uma retração sequencial de aproximadamente 41%.</p>
<p>Essa variação entre trimestres não deve ser confundida com o desempenho anual. A atividade de distribuição de energia pode apresentar alterações sazonais relacionadas ao consumo, às temperaturas, ao calendário tarifário e ao reconhecimento de receitas regulatórias. Por isso, a comparação com o mesmo trimestre do ano anterior continua sendo a referência principal para avaliar a evolução anual do negócio.</p>
<h2>Investimentos chegam a R$ 2,88 bilhões em nove meses</h2>
<p>A expansão dos investimentos constitui um dos aspectos centrais da estratégia da Neoenergia Coelba. Entre janeiro e setembro de 2026, a distribuidora destinou aproximadamente R$ 2,88 bilhões a projetos de infraestrutura elétrica, crescimento de 8% na comparação anual. Os recursos foram direcionados principalmente à ampliação da rede, construção e modernização de instalações e atendimento à expansão da demanda.</p>
<p>O relatório financeiro do primeiro semestre já mostrava uma aceleração desse movimento. Até junho, a companhia havia investido R$ 1,919 bilhão, com destaque para R$ 1,415 bilhão em expansão de rede, R$ 223 milhões na renovação de ativos e R$ 96 milhões em melhorias operacionais.</p>
<p>A comparação entre os R$ 1,919 bilhão investidos até junho e os R$ 2,88 bilhões acumulados até setembro permite estimar investimentos adicionais de aproximadamente <strong>R$ 961 milhões no terceiro trimestre</strong>. O cálculo considera a diferença entre os dois acumulados e pressupõe a manutenção dos mesmos critérios de contabilização.</p>
<p>Em 2025, o investimento acumulado entre janeiro e setembro havia sido de R$ 2,667 bilhões. Portanto, o valor informado para os nove primeiros meses de 2026 representa um incremento nominal de aproximadamente R$ 213 milhões, próximo de 8%. Essa diferença mostra que o crescimento dos aportes foi relevante, embora menor em termos absolutos do que o volume total de investimentos necessário para sustentar a expansão da rede.</p>
<p>O aumento do Capex, sigla utilizada para identificar despesas de capital, não representa necessariamente uma deterioração financeira. Investimentos em ativos de distribuição podem ampliar a capacidade de atendimento e contribuir para a formação da base de remuneração regulatória, utilizada no cálculo da receita permitida à concessionária. Entretanto, exigem recursos imediatos e sua recuperação ocorre gradualmente ao longo do tempo.</p>
<p>O desafio consiste em equilibrar a execução das obras com a geração operacional de caixa e as fontes de financiamento disponíveis. Uma expansão acelerada pode aumentar temporariamente o endividamento, mesmo quando os investimentos apresentam perspectiva de retorno econômico no longo prazo.</p>
<h2>Dívida líquida sobe 13% e ultrapassa R$ 20 bilhões</h2>
<p>O endividamento passou a representar um dos principais indicadores a serem acompanhados na trajetória financeira da Neoenergia Coelba. A dívida líquida de R$ 20,03 bilhões registrada em setembro representa um crescimento de 13% em relação a dezembro de 2025, quando o saldo equivalente, calculado a partir da variação informada, estava próximo de R$ 17,73 bilhões.</p>
<p>A diferença corresponde a um aumento aproximado de R$ 2,3 bilhões em nove meses. Trata-se de uma expansão expressiva das obrigações financeiras líquidas, que deve ser analisada em conjunto com os investimentos, os vencimentos de dívidas e a capacidade de geração de caixa da empresa.</p>
<p>A dívida líquida representa o endividamento financeiro descontado de disponibilidades e outros ativos financeiros considerados no cálculo. Seu crescimento pode decorrer de novas captações, utilização de recursos para investimentos, alterações na posição de caixa ou outros movimentos financeiros. O indicador, isoladamente, não demonstra deterioração de liquidez ou incapacidade de pagamento.</p>
<p>No segundo trimestre, a companhia havia apresentado uma relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses de 3,73 vezes, acima das 3,39 vezes registradas no encerramento de 2025. O indicador mostra quantas vezes a dívida líquida representa o resultado operacional anual utilizado nessa metodologia. A evolução sugere aumento da alavancagem financeira durante o primeiro semestre.</p>
<p>A atualização dessa relação para setembro exige o Ebitda acumulado em 12 meses e a dívida líquida calculada com os critérios aplicados no terceiro trimestre. Não seria adequado utilizar apenas o Ebitda trimestral de R$ 1,15 bilhão como denominador, pois isso produziria uma comparação de períodos incompatíveis.</p>
<p>O crescimento das obrigações financeiras também aumenta a importância da gestão de prazos de vencimento e dos custos de financiamento. Em <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341114">empresas</a> de infraestrutura, que dependem de ativos com vida útil longa, a compatibilidade entre o prazo de recuperação dos investimentos e o perfil das dívidas constitui um dos fatores centrais para a sustentabilidade financeira.</p>
<h2>Renovação da concessão assegura operação até agosto de 2057</h2>
<p>A Neoenergia Coelba passou por uma alteração relevante em sua estrutura regulatória em 8 de maio de 2026, quando assinou o termo aditivo de prorrogação antecipada de sua concessão. O contrato foi renovado por mais 30 anos, sem pagamento de outorga adicional pela extensão, garantindo a continuidade da operação até agosto de 2057.</p>
<p>O comunicado apresentado pela controladora à CVM informou que a distribuidora atendia aproximadamente 6,9 milhões de clientes, distribuídos por 415 municípios baianos, em uma área de concessão de aproximadamente 567 mil quilômetros quadrados. A extensão territorial coloca a empresa diante de desafios operacionais distintos, que incluem grandes centros urbanos, municípios do interior, localidades rurais e regiões agrícolas em expansão.</p>
<p>Na ocasião da renovação, a Neoenergia informou que a Coelba possuía uma base de ativos líquidos de aproximadamente R$ 21,7 bilhões, considerando os valores do primeiro trimestre de 2026. Esse indicador representa uma referência patrimonial e regulatória relevante para os investimentos realizados no serviço de distribuição, mas não equivale à disponibilidade de caixa da empresa.</p>
<p>A renovação foi formalizada juntamente com as concessões da Neoenergia Cosern, no Rio Grande do Norte, e da Neoenergia Elektro, que atende municípios de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Segundo a controladora, as três distribuidoras atenderam aos critérios de qualidade do serviço e solidez econômico-financeira exigidos pelo poder concedente.</p>
<p>A prorrogação contratual proporciona maior previsibilidade para decisões de investimento de longo prazo. Projetos de subestações, linhas de distribuição e modernização tecnológica exigem planejamento plurianual e dependem de condições regulatórias que permitam a recuperação dos recursos aplicados.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a continuidade da concessão não elimina as obrigações de qualidade e eficiência. A distribuidora permanece submetida às regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), incluindo fiscalização, metas de continuidade do fornecimento e procedimentos de revisão e reajuste tarifário.</p>
<h2>Plano de R$ 25 bilhões prioriza expansão da rede na Bahia</h2>
<p>A renovação da concessão está relacionada a um plano de investimentos de aproximadamente R$ 25 bilhões na Bahia até 2030, anunciado pela Neoenergia em junho. O programa integra a previsão de R$ 50 bilhões em investimentos em distribuição de energia no Brasil entre 2026 e 2030.</p>
<p>O montante destinado à Bahia corresponde a cerca de metade dos recursos previstos pelo grupo para suas operações de distribuição no país. O plano inclui expansão de redes, modernização tecnológica, reforço de instalações existentes e construção de infraestrutura necessária ao crescimento do consumo.</p>
<p>Uma das áreas prioritárias é o Extremo Oeste baiano, região que concentra atividades de agricultura irrigada, produção de grãos e outras operações agroindustriais com elevada demanda por energia. A companhia anunciou projetos para ampliar a capacidade elétrica regional, incluindo novas subestações e expansão de instalações existentes.</p>
<p>A relevância econômica dessas obras vai além do setor elétrico. O fornecimento confiável de energia é necessário para sistemas de irrigação, armazenagem agrícola, processamento industrial, transporte e operação de serviços. Restrições de capacidade podem limitar novos investimentos produtivos, enquanto a expansão da infraestrutura cria condições para o crescimento de atividades já estabelecidas.</p>
<p>A perspectiva de maior consumo também ajuda a contextualizar o comportamento operacional da distribuidora. A ampliação da demanda de grandes consumidores e das atividades agropecuárias pode compensar oscilações de consumo em outros segmentos. Entretanto, o crescimento do volume de energia distribuída não se traduz automaticamente em aumento proporcional do lucro, devido à estrutura de custos e às regras de remuneração das concessionárias.</p>
<h2>Reajuste tarifário de 5,85% entrou em vigor em abril</h2>
<p>Além dos investimentos, a Neoenergia Coelba passou por um novo reajuste tarifário em 2026. A Aneel aprovou em 22 de abril uma atualização com efeito médio de 5,85% para os consumidores atendidos pela distribuidora, aplicada a partir daquela data.</p>
<p>O índice representa uma média e não significa que todas as unidades consumidoras tiveram exatamente a mesma alteração em suas contas de energia. O impacto individual depende da modalidade tarifária, da classe de consumo e das condições específicas de fornecimento.</p>
<p>O relatório financeiro do segundo trimestre detalhou os principais componentes do processo. A chamada Parcela A, que reúne custos não gerenciáveis diretamente pela distribuidora, apresentou variação de 7,32%, alcançando R$ 9,17 bilhões na estrutura de cálculo tarifário. O resultado foi influenciado principalmente pelo aumento de encargos setoriais.</p>
<p>A Parcela B, relacionada aos custos gerenciáveis da atividade de distribuição, apresentou variação negativa de 2,01%. O cálculo considerou a atualização monetária prevista no contrato e a aplicação do Fator X, instrumento regulatório que compartilha com os consumidores parte dos ganhos de produtividade esperados.</p>
<p>A distinção é importante porque o reajuste da conta de energia não representa um aumento equivalente na remuneração líquida da concessionária. Parte dos valores cobrados é destinada à compra de energia, transmissão e encargos regulatórios, reduzindo a parcela efetivamente disponível para custear a distribuição e remunerar os investimentos.</p>
<p>O processo tarifário de abril também considerou mecanismos relacionados à utilização de recursos do Uso do Bem Público, previstos na legislação federal, com o objetivo de contribuir para a modicidade tarifária.</p>
<h2>Qualidade do serviço permanece sob fiscalização regulatória</h2>
<p>A expansão da rede e a renovação da concessão também colocam os indicadores de qualidade no centro da avaliação do desempenho da Neoenergia Coelba. A companhia precisa cumprir metas regulatórias de continuidade do fornecimento, controlando a duração e a frequência das interrupções percebidas pelos consumidores.</p>
<p>No relatório do segundo trimestre de 2026, a distribuidora informou um indicador de duração equivalente de interrupção por unidade consumidora (DEC) de 9,67 horas, abaixo do limite regulatório de 11,47 horas então aplicável. O indicador de frequência equivalente de interrupção (FEC) ficou em 3,96 interrupções, também abaixo do limite de 5,94.</p>
<p>Esses resultados indicavam cumprimento dos parâmetros apresentados no relatório semestral, mas não permitem concluir antecipadamente que todos os indicadores permaneceram dentro das metas ao final de setembro. A confirmação depende dos dados operacionais atualizados.</p>
<p>O setor também permanece sujeito a sanções regulatórias. Em julho, a Aneel anunciou uma multa de R$ 82,7 milhões contra a Neoenergia Coelba por irregularidades relacionadas à geração distribuída. A penalidade foi divulgada no âmbito de processo administrativo da agência, com previsão de prazo para recurso ou pagamento.</p>
<p>A existência dessa penalidade não permite concluir, sem acesso às informações contábeis e processuais atualizadas, que seu valor tenha sido reconhecido integralmente como despesa no terceiro trimestre ou que tenha contribuído para a queda do lucro. A situação administrativa e os efeitos financeiros do processo precisam ser avaliados separadamente.</p>
<p>Para os consumidores, a capacidade de manter a qualidade do fornecimento será um dos principais critérios práticos para medir os resultados dos investimentos anunciados. A execução de novas obras, a modernização dos equipamentos e a redução de interrupções representam consequências concretas da estratégia de longo prazo.</p>
<h2>Próximos resultados deverão esclarecer o efeito dos custos financeiros</h2>
<p>A Neoenergia Coelba encerra o terceiro trimestre de 2026 em uma posição marcada por estabilidade operacional ajustada, menor rentabilidade líquida e ampliação dos investimentos. O lucro de R$ 201 milhões demonstra que a companhia permaneceu lucrativa, mas a queda de 19% na comparação anual evidencia pressões sobre o resultado final.</p>
<p>O aumento da dívida líquida para R$ 20,03 bilhões acrescenta uma variável relevante à avaliação financeira. A companhia terá de compatibilizar o financiamento de suas obras com a geração de recursos e o cumprimento das obrigações contratuais, especialmente diante de um programa de expansão previsto para os próximos anos.</p>
<p>A confirmação das causas da redução do lucro dependerá da conciliação completa entre o Ebitda ajustado, as despesas financeiras, a depreciação e os tributos do terceiro trimestre. A evolução do fluxo de caixa e do custo médio da dívida também será importante para verificar se o aumento dos investimentos está sendo acompanhado por uma estrutura de financiamento sustentável.</p>
<p>Com a concessão renovada até 2057 e um plano de R$ 25 bilhões para a Bahia até 2030, o desempenho da distribuidora será acompanhado não apenas pelos resultados trimestrais, mas também pela capacidade de transformar seus investimentos em expansão da infraestrutura, melhoria da qualidade do serviço e remuneração adequada dos ativos regulados.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Neoenergia Coelba — Relatório de resultados do terceiro trimestre de 2025, divulgado em 27 de outubro de 2025 e disponibilizado à Comissão de Valores Mobiliários.</em></p>
<p><em>Neoenergia Coelba — Relatório de resultados do segundo trimestre de 2026, divulgado em 21 de julho de 2026 e disponibilizado à Comissão de Valores Mobiliários.</em></p>
<p><em>Neoenergia S.A. — Comunicado ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341115">mercado</a> de 8 de maio de 2026 sobre a renovação das concessões de Coelba, Cosern e Elektro.</em></p>
<p><em>Neoenergia S.A. — Comunicado institucional de 8 de junho de 2026 sobre o plano de investimentos de R$ 25 bilhões na Bahia até 2030.</em></p>
<p><em>Agência Nacional de Energia Elétrica — Resolução Homologatória nº 3.578/2026, referente ao reajuste tarifário da Neoenergia Coelba.</em></p>
<p><em>Agência Nacional de Energia Elétrica — Comunicado de fiscalização de 23 de julho de 2026 sobre penalidade administrativa relacionada à geração distribuída.</em></p>
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		<title>WEG (WEGE3) divulga balanço do 3º trimestre sob pressão cambial e com expansão industrial em curso</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/weg-resultados-terceiro-trimestre-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2026 18:57:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A WEG (WEGE3) divulga nesta quarta-feira, 21 de outubro, os resultados do terceiro trimestre de 2026, em um momento no qual a expansão internacional e os investimentos em infraestrutura elétrica convivem com pressões sobre a rentabilidade. A publicação permitirá avaliar a evolução das vendas, a capacidade da companhia de repassar custos aos clientes e os [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A WEG (WEGE3) divulga nesta quarta-feira, 21 de outubro, os resultados do terceiro trimestre de 2026, em um momento no qual a expansão internacional e os investimentos em infraestrutura elétrica convivem com pressões sobre a rentabilidade. A publicação permitirá avaliar a evolução das vendas, a capacidade da companhia de repassar custos aos clientes e os efeitos da ampliação de sua estrutura produtiva sobre as despesas operacionais.</p>
<p>O resultado anterior mostrou que o crescimento da receita em dólares não se traduziu integralmente em avanço das vendas consolidadas em reais. No segundo trimestre, encerrado em junho, a fabricante de motores elétricos, transformadores, geradores e equipamentos de automação registrou receita operacional líquida de R$ 10,14 bilhões, queda de 0,6% em relação ao mesmo período de 2025. O EBITDA recuou 2,1%, para R$ 2,21 bilhões, enquanto o lucro líquido diminuiu na mesma proporção, para R$ 1,56 bilhão.</p>
<p>A comparação trimestral, entretanto, apresentou uma evolução mais favorável. Em relação aos três primeiros meses de 2026, a receita avançou 7,1%, o EBITDA cresceu 5,2% e o lucro líquido aumentou 7%. Os indicadores mostram uma recuperação sequencial da atividade, embora ainda sem retorno ao patamar de receita e rentabilidade observado um ano antes.</p>
<p>O balanço do terceiro trimestre será importante para verificar se essa recuperação ganhou continuidade. Também permitirá acompanhar os efeitos dos investimentos em novas unidades e ampliações industriais, realizados para atender à demanda por equipamentos de geração, transmissão e distribuição de energia.</p>
<p>O calendário de relações com investidores da companhia prevê a divulgação do balanço em 21 de outubro e a teleconferência de resultados no dia seguinte. Até a publicação dos números, as avaliações sobre o desempenho do trimestre permanecem sujeitas à confirmação pelos dados oficiais.</p>
<h2>Câmbio distorce a comparação entre vendas internacionais e receita consolidada</h2>
<p>A exposição internacional da WEG ajuda a explicar parte da diferença entre o desempenho comercial e o resultado consolidado em reais. No segundo trimestre, a receita proveniente do <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341073">mercado</a> externo alcançou R$ 6,17 bilhões, crescimento de 2,3% na comparação anual. Quando convertida para dólares, porém, essa receita aumentou 14,7%.</p>
<p>A diferença decorre, em parte, da valorização do real frente à moeda norte-americana. Segundo o relatório de resultados da companhia, a cotação média do <a class="wpil_keyword_link" title="Dólar" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341074">dólar</a> utilizada na comparação passou de R$ 5,67 no segundo trimestre de 2025 para R$ 5,05 no mesmo período de 2026, uma redução de aproximadamente 10,9%.</p>
<p>Esse movimento diminui o valor, em reais, das receitas geradas em dólares quando elas são convertidas para a apresentação dos resultados financeiros. Por isso, o crescimento das operações internacionais em moeda estrangeira pode ser consideravelmente maior do que a expansão registrada nas demonstrações consolidadas.</p>
<p>O mercado doméstico apresentou uma dinâmica diferente. A receita no Brasil somou R$ 3,97 bilhões no segundo trimestre, queda de 4,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. A redução foi suficiente para limitar o desempenho consolidado, apesar do avanço dos <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341072">negócios</a> no exterior.</p>
<p>No acumulado do primeiro semestre, a receita operacional líquida totalizou R$ 19,61 bilhões, ante R$ 20,29 bilhões nos seis primeiros meses de 2025. A retração foi de 3,3%. No mesmo intervalo, a receita do mercado interno caiu 12,4%, para R$ 7,55 bilhões, enquanto a receita externa em reais cresceu 3,4%, para R$ 12,07 bilhões.</p>
<p>Quando medida em dólares, a receita internacional acumulada no semestre avançou 15,4%. A diferença reforça a importância de separar a evolução comercial das operações dos efeitos cambiais na análise do balanço.</p>
<p>Para o terceiro trimestre, a distribuição das vendas entre Brasil e exterior será um dos indicadores centrais. Um aumento das receitas internacionais em moeda estrangeira pode sinalizar continuidade da expansão comercial, mas o efeito final sobre a receita consolidada dependerá também das taxas de câmbio e da composição geográfica das vendas.</p>
<h2>Pressão sobre custos aparece nas margens da fabricante</h2>
<p>Além do câmbio, os custos industriais constituem um dos fatores que merecem acompanhamento. No relatório do segundo trimestre, a própria WEG identificou aumentos nos preços de matérias-primas, especialmente do cobre, e os impactos das tarifas de importação nos Estados Unidos como fatores que afetaram a margem bruta.</p>
<p>A margem bruta ficou em 33,2% no segundo trimestre de 2026, abaixo dos 33,7% registrados um ano antes. A diferença de 0,5 ponto percentual indica que a companhia reteve uma parcela menor da receita após os custos diretamente associados à produção e à comercialização dos produtos.</p>
<p>O custo dos produtos vendidos, por sua vez, permaneceu praticamente estável em relação ao segundo trimestre de 2025, próximo de R$ 6,77 bilhões. A receita menor, combinada com a pressão sobre determinados insumos, contribuiu para a redução proporcional da margem.</p>
<p>A margem EBITDA também apresentou recuo. O indicador ficou em 21,8%, ante 22,1% no segundo trimestre do ano anterior e 22,2% nos três primeiros meses de 2026.</p>
<p>Como o EBITDA mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, sua evolução ajuda a acompanhar a capacidade de geração de resultado das atividades industriais sem os efeitos de determinadas despesas financeiras e contábeis. A queda anual de 2,1% no indicador mostra que o crescimento de segmentos específicos ainda não foi suficiente para produzir expansão do EBITDA consolidado.</p>
<p>A companhia informou que os ganhos de eficiência operacional e produtividade ajudaram a sustentar a rentabilidade, mesmo diante dos aumentos nos custos e das despesas relacionadas à ampliação da capacidade produtiva.</p>
<p>Esse ponto será relevante na divulgação de outubro. A expansão industrial pode elevar despesas com pessoal, estrutura e preparação de novas instalações antes que a capacidade adicional se converta integralmente em vendas. Se os novos equipamentos e fábricas forem utilizados em escala crescente, os ganhos de produtividade poderão contribuir para diluir parte desses custos ao longo do tempo. O efeito, porém, dependerá do ritmo de entrada em operação das unidades, da demanda e das condições comerciais.</p>
<p>O lucro líquido oferece outra perspectiva sobre essa dinâmica. No segundo trimestre, o resultado foi de R$ 1,56 bilhão, redução de 2,1% em um ano e alta de 7% em relação ao primeiro trimestre. A margem líquida ficou em 15,4%, ante 15,6% no mesmo período de 2025.</p>
<p>A combinação de receita anual ligeiramente menor, margens pressionadas e recuperação sequencial coloca a evolução dos indicadores operacionais no centro da análise do novo balanço.</p>
<h2>América do Norte concentra oportunidades em equipamentos de energia</h2>
<p>A expansão internacional da WEG não depende exclusivamente do mercado tradicional de motores elétricos. A companhia também procura ampliar sua atuação em equipamentos destinados à geração de energia e à infraestrutura necessária para atender à eletrificação da <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341075">economia</a>.</p>
<p>No segundo trimestre, a América do Norte foi responsável por US$ 613,8 milhões da receita externa, equivalente a 50,3% das vendas internacionais da empresa. O faturamento em dólares nessa região cresceu 20% na comparação anual, segundo o relatório financeiro da companhia.</p>
<p>A região reúne mercados industriais e projetos ligados à infraestrutura energética, incluindo equipamentos para transmissão e distribuição e aplicações relacionadas à geração de eletricidade. A demanda por esses produtos pode abrir oportunidades adicionais para a fabricante, embora o resultado efetivo dependa dos contratos, dos prazos de entrega e da capacidade de produção disponível.</p>
<p>Um dos movimentos mais recentes nessa estratégia foi anunciado em 28 de setembro. A WEG informou um plano de investimento de US$ 165 milhões, aproximadamente R$ 840 milhões na conversão divulgada pela companhia, para ampliar a produção de geradores na América do Norte.</p>
<p>O projeto será desenvolvido em duas fases. A primeira prevê US$ 24 milhões para a aquisição e adaptação de um prédio industrial localizado ao lado do parque fabril de Quma I, em Atotonilco de Tula, no México. A unidade será destinada à montagem de geradores, com início das operações previsto para o segundo trimestre de 2027.</p>
<p>A segunda fase prevê US$ 141 milhões para a construção de duas instalações industriais, em local ainda a ser definido na América do Norte. O plano inclui a internalização de etapas produtivas, como a fabricação de lâminas, bobinas, eixos e carcaças.</p>
<p>De acordo com a empresa, a conclusão dessa etapa está prevista para 2030. Ao final do projeto, a capacidade global de produção de geradores deverá atingir aproximadamente 50 unidades por dia, ante o ritmo atual de dez unidades diárias.</p>
<p>A meta representa uma multiplicação por cinco da capacidade informada pela companhia. Trata-se, contudo, de uma expansão planejada, e não de produção já disponível. Sua contribuição para a receita e para o lucro dependerá da execução dos investimentos e da materialização da demanda ao longo dos próximos anos.</p>
<p>A WEG atribuiu o projeto ao crescimento das necessidades de infraestrutura crítica, com destaque para os data centers, que exigem fornecimento confiável de energia e soluções de geração para assegurar a continuidade das operações.</p>
<h2>Transformadores reforçam a carteira de investimentos industriais</h2>
<p>A expansão de geradores integra uma agenda mais ampla de investimentos em equipamentos de transmissão e distribuição. Em setembro de 2024, a WEG anunciou aportes de aproximadamente R$ 543 milhões para ampliar a capacidade de produção de transformadores no Brasil, com projetos nas unidades de Betim, em Minas Gerais, e Gravataí, no Rio Grande do Sul.</p>
<p>O plano previa cerca de R$ 370 milhões para a ampliação da fábrica de Betim e aproximadamente R$ 128 milhões para a unidade de Gravataí, além de outros investimentos dentro do programa anunciado. As obras foram justificadas pela companhia pelo aumento da demanda por soluções de transmissão e distribuição de energia.</p>
<p>A iniciativa se soma a um plano de investimentos de R$ 1,2 bilhão divulgado em dezembro de 2023 para expandir a produção de transformadores no Brasil, no México e na Colômbia. Na ocasião, a empresa estimou que o conjunto dos projetos poderia elevar em aproximadamente 50% sua capacidade global de produção desses equipamentos.</p>
<p>Esses investimentos conectam o desempenho de curto prazo à estratégia de ampliar a presença em segmentos que dependem da modernização dos sistemas elétricos. A expansão das redes de transmissão e distribuição, a eletrificação industrial e a necessidade de fornecimento estável de energia podem sustentar demanda por equipamentos especializados.</p>
<p>A conversão dessas oportunidades em resultados financeiros, no entanto, não ocorre de forma automática. A instalação de novas linhas produtivas exige desembolsos, contratação de pessoal e adaptação de processos. A receita adicional surge conforme os projetos entram em operação e os equipamentos são fabricados e entregues.</p>
<p>O desempenho do terceiro trimestre deverá ajudar a verificar como esse ciclo de investimento se combina com a atividade comercial já existente. Os dados de receita por segmento e região, quando divulgados, permitirão avaliar se o avanço dos negócios externos continua compensando a fraqueza registrada no mercado doméstico.</p>
<h2>Geração de caixa e retorno sobre capital completam a análise</h2>
<p>A expansão da capacidade também exige atenção à geração de caixa e ao retorno dos recursos empregados. No segundo trimestre, a WEG investiu R$ 794,9 milhões em modernização, ampliação de capacidade produtiva, máquinas, equipamentos e licenças de software. Desse montante, 44,5% foram destinados às unidades produtivas brasileiras e 55,5% às instalações no exterior.</p>
<p>No primeiro semestre, os gastos em pesquisa, desenvolvimento e inovação somaram R$ 736,2 milhões, equivalentes a 3,8% da receita operacional líquida acumulada no período. Esses desembolsos fazem parte da estrutura necessária para desenvolver produtos, aprimorar processos e preparar a companhia para atender a novos mercados.</p>
<p>A geração de caixa operacional acumulada até junho alcançou R$ 2,45 bilhões. Ao final do segundo trimestre, a empresa apresentava caixa líquido de aproximadamente R$ 3,74 bilhões, conforme o relatório de resultados. A posição oferece uma referência para acompanhar como os investimentos, as necessidades de capital de giro e os resultados operacionais afetam a estrutura financeira.</p>
<p>Outro indicador importante é o retorno sobre o capital investido, conhecido pela sigla ROIC. O índice atingiu 33,6% nos 12 meses encerrados no segundo trimestre, alta de 0,7 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025.</p>
<p>A evolução desse indicador ajuda a avaliar se a expansão dos ativos produtivos acompanha a capacidade da empresa de gerar resultado operacional. Investimentos elevados podem ampliar o potencial de crescimento, mas também aumentam o capital empregado antes que todos os projetos alcancem a utilização planejada.</p>
<p>A divulgação do terceiro trimestre permitirá acompanhar a evolução da receita, do EBITDA, das margens, do lucro líquido e dos investimentos. A distribuição geográfica das vendas e o comportamento dos custos também serão importantes para compreender a qualidade do crescimento.</p>
<p>A teleconferência marcada para 22 de outubro poderá acrescentar informações sobre a leitura da administração a respeito da demanda, da execução dos projetos industriais e das perspectivas operacionais. Até a publicação do balanço e de eventuais esclarecimentos da companhia, os resultados do trimestre permanecem desconhecidos.</p>
<p>O quadro anterior aponta para uma empresa que combina expansão internacional e investimentos estruturais com pressões de custos e efeitos cambiais. O novo balanço mostrará se a evolução operacional observada entre abril e junho ganhou força ou se os obstáculos à rentabilidade continuaram limitando o desempenho consolidado.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>WEG &#8211; release de resultados do segundo trimestre de 2026, com dados de receita, EBITDA, lucro líquido, margens, câmbio e desempenho por região</em></p>
<p><em>WEG &#8211; comunicado de 28 de setembro de 2026 sobre o investimento de US$ 165 milhões na expansão da produção de geradores na América do Norte</em></p>
<p><em>WEG &#8211; anúncio de investimentos para ampliar a capacidade produtiva de transformadores no Brasil, publicado em setembro de 2024</em></p>
<p><em>WEG &#8211; plano de expansão da capacidade de produção de transformadores no Brasil, no México e na Colômbia, anunciado em dezembro de 2023</em></p>
<p><em>WEG &#8211; calendário de relações com investidores e programação de divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Vale (VALE3) perde R$ 24,64 bilhões em valor de mercado desde o primeiro turno eleitoral</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/vale-perde-valor-de-mercado-pressao-de-custos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2026 18:34:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[frete marítimo]]></category>
		<category><![CDATA[minério de ferro]]></category>
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		<category><![CDATA[VALE3]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As ações da Vale (VALE3) perderam quase 8% entre o fechamento do mercado em 2 de outubro, último pregão antes do primeiro turno das eleições presidenciais, e 19 de outubro, enquanto o Ibovespa avançou no período. A divergência reflete a combinação de fatores específicos da mineração com mudanças nas expectativas dos investidores para a economia [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>As ações da Vale (VALE3) perderam quase 8% entre o fechamento do mercado em 2 de outubro, último pregão antes do primeiro turno das eleições presidenciais, e 19 de outubro, enquanto o Ibovespa avançou no período. A divergência reflete a combinação de fatores específicos da mineração com mudanças nas expectativas dos investidores para a <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341066">economia</a> brasileira: petróleo mais caro, valorização do real e diferentes perspectivas para as empresas de commodities.</p>
<p>No intervalo analisado, a cotação da ação caiu de R$ 72,10 para R$ 66,36, uma redução de R$ 5,74 por papel. O recuo foi de aproximadamente 7,96%, segundo o histórico de preços dos pregões. A desvalorização contrasta com a recuperação do <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341067">mercado</a> acionário brasileiro após o primeiro turno, em 4 de outubro, e mostra que a entrada de recursos na Bolsa não se traduz necessariamente em valorização uniforme das empresas.</p>
<p>A pressão ocorre às vésperas da divulgação do balanço do terceiro trimestre, marcada para 29 de outubro, depois do fechamento do mercado. Os números serão acompanhados por investidores interessados em avaliar a evolução dos custos operacionais, o comportamento dos preços realizados do minério de ferro, o efeito do câmbio e a capacidade da companhia de preservar a geração de caixa diante das pressões logísticas.</p>
<p>A queda das ações não representa, por si só, uma deterioração já comprovada dos resultados financeiros. No segundo trimestre, a mineradora registrou crescimento do Ebitda pro forma e aumento das vendas de minério de ferro, cobre e níquel. O movimento dos papéis, porém, indica que o mercado também está avaliando os riscos para os resultados futuros, especialmente em um período marcado pela elevação do petróleo e pela valorização da moeda brasileira.</p>
<h2>Custos operacionais ganharam peso na avaliação da mineradora</h2>
<p>Os números divulgados pela própria Vale no segundo trimestre oferecem uma referência para compreender a preocupação com as margens. Entre abril e junho, o custo caixa C1 do minério de ferro chegou a US$ 24,10 por tonelada, aumento de 9% na comparação anual. Esse indicador representa os custos diretos de produção do minério, antes de outras despesas incorporadas às medidas mais abrangentes de custo.</p>
<p>O custo all-in, que considera uma cesta mais ampla de despesas associadas ao minério de ferro, alcançou US$ 61,60 por tonelada, alta de 18% em relação ao segundo trimestre de 2025. A diferença entre as taxas de crescimento dos dois indicadores é relevante: o aumento do custo total superou em nove pontos percentuais a expansão do custo caixa C1.</p>
<p>A companhia atribuiu a pressão, entre outros fatores, à valorização do real e à elevação das despesas com frete. O comportamento dos custos logísticos é especialmente importante para uma mineradora que precisa transportar grandes volumes de minério por ferrovias, portos e navios até os mercados consumidores.</p>
<p>A Vale revisou suas projeções para 2026. O guidance do custo caixa C1 passou a indicar uma faixa de US$ 22,50 a US$ 23,50 por tonelada. Para o custo all-in do minério de ferro, a previsão ficou entre US$ 58 e US$ 62 por tonelada. A empresa relacionou as estimativas, principalmente, à expectativa de real mais valorizado e aos preços mais elevados do petróleo.</p>
<p>Essas projeções ajudam a explicar por que uma companhia pode apresentar bons resultados operacionais e, simultaneamente, enfrentar pressão na Bolsa. O preço das ações incorpora expectativas sobre receitas, despesas e geração de caixa futuras, e não apenas os números do último trimestre divulgado.</p>
<p>A alta dos custos, contudo, não elimina os efeitos positivos de preços realizados e volumes maiores. No segundo trimestre, a Vale obteve preço realizado de US$ 95 por tonelada para os finos de minério de ferro, queda de 1% ante o trimestre anterior, mas aumento de 12% na comparação anual. O balanço entre preços de venda, produção, frete e demais despesas continuará determinante para a evolução das margens.</p>
<h2>Petróleo caro amplia a diferença entre mineração e produção de energia</h2>
<p>O avanço do petróleo representa um dos principais pontos de atenção para a Vale. Em 20 de outubro, o Brent superou US$ 111 por barril, atingindo o maior nível em cinco meses, em meio a tensões geopolíticas e preocupações com a oferta internacional.</p>
<p>Para a mineradora, o efeito não se limita aos combustíveis consumidos diretamente nas operações. O petróleo também influencia o preço do bunker, utilizado por navios de carga, e pode elevar o custo do transporte marítimo do minério de ferro. Quando o frete fica mais caro, uma parcela maior da receita obtida com as vendas é absorvida pelas despesas necessárias para levar o produto ao comprador.</p>
<p>O impacto depende da duração e da intensidade da alta da commodity, dos contratos de transporte e das condições comerciais negociadas pela companhia. Por isso, não é possível converter automaticamente uma elevação percentual do Brent em aumento idêntico dos custos da Vale.</p>
<p>A exposição ao petróleo também não é igual em todas as <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341071">empresas</a> de commodities. Para produtoras de petróleo, a valorização da matéria-prima pode elevar as receitas obtidas com a venda da produção, dependendo dos volumes comercializados, dos custos de extração, da qualidade do petróleo e das condições contratuais. Para a Vale, o mesmo movimento pode representar uma fonte de pressão sobre a logística.</p>
<p>Essa diferença ajuda a compreender por que investidores podem preferir ações de empresas do setor petrolífero em determinados períodos, reduzindo a exposição a companhias mais vulneráveis ao encarecimento do transporte. A Petrobras (PETR4), por exemplo, tem uma estrutura de receitas e custos diferente da mineradora, o que produz sensibilidades distintas aos preços internacionais da energia.</p>
<p>A valorização do petróleo, isoladamente, não comprova que tenha ocorrido uma migração direta de recursos da Vale para a Petrobras. Movimentos de carteira dependem também das avaliações de cada empresa, das perspectivas para produção e vendas, dos dividendos esperados e dos riscos específicos de cada negócio. A relação entre os dois papéis deve ser entendida como uma possível estratégia de alocação, e não como explicação única para o desempenho das ações.</p>
<p>A própria Vale utiliza instrumentos de proteção financeira para administrar parte da exposição às oscilações de commodities. Segundo a divulgação dos resultados do segundo trimestre, operações de hedge geraram um ganho econômico de US$ 99 milhões, equivalente a aproximadamente US$ 1,60 por tonelada de minério de ferro vendido. O benefício ajudou a compensar os efeitos dos preços mais altos do petróleo, embora não elimine a exposição da companhia a mudanças nas condições de transporte.</p>
<h2>Valorização do real afeta a estrutura de custos</h2>
<p>O câmbio constitui outro elemento relevante para a avaliação financeira da companhia, mas seus efeitos precisam ser distinguidos de acordo com a perspectiva analisada.</p>
<p>A Vale apresenta seus resultados financeiros principalmente em dólares, enquanto parte importante de sua estrutura de despesas no Brasil é denominada em reais. Quando a moeda brasileira se valoriza, salários, serviços e outros custos locais passam a representar valores maiores em dólares, mantidas as demais condições. Esse mecanismo ajuda a explicar a pressão cambial destacada pela companhia ao revisar suas projeções de custos.</p>
<p>A relação também afeta a leitura feita pelos investidores brasileiros. Quando o <a class="wpil_keyword_link" title="Dólar" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341068">dólar</a> cai, a conversão de receitas e ativos denominados na moeda americana para reais produz valores menores, considerados isoladamente. Entretanto, essa conversão não deve ser confundida com uma redução automática da receita operacional apresentada pela empresa em sua moeda de reporte.</p>
<p>Na prática, o efeito líquido do câmbio depende da composição de receitas e despesas, dos compromissos financeiros, dos instrumentos de proteção e das operações realizadas em diferentes moedas. A valorização do real pode pressionar os custos expressos em dólares sem necessariamente provocar, na mesma proporção, uma queda do resultado operacional.</p>
<p>Essa distinção é importante porque a análise das ações da Vale envolve dois planos diferentes. O primeiro é o desempenho econômico da companhia, medido por produção, preços realizados, despesas, lucro e geração de caixa. O segundo é a rentabilidade do investimento para o acionista brasileiro, influenciada também pela cotação em reais e pelas condições gerais do mercado financeiro.</p>
<p>O câmbio, portanto, não deve ser interpretado isoladamente como causa suficiente para a desvalorização das ações. Seu peso aumenta quando combinado a outros fatores que também pressionam a rentabilidade esperada, como a elevação do frete e as perspectivas para o preço do minério de ferro.</p>
<h2>Recuperação do Ibovespa não garante valorização de todas as ações</h2>
<p>A diferença entre o desempenho da Vale e o índice de referência da Bolsa brasileira também evidencia os limites de uma análise baseada apenas no comportamento do mercado como um todo.</p>
<p>Após o primeiro turno das eleições de 4 de outubro, os ativos brasileiros passaram a reagir às expectativas relacionadas ao futuro da <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341070">política</a> econômica, à condução fiscal e ao ingresso de capital estrangeiro. O resultado eleitoral e a perspectiva para o segundo turno, previsto para 25 de outubro, tornaram-se variáveis relevantes para a formação dos preços.</p>
<p>Esse movimento pode beneficiar diferentes segmentos por meio da redução de prêmios de risco ou da revisão das expectativas para juros, investimentos e atividade econômica. Ainda assim, a valorização de um índice não significa que todos os seus componentes apresentem fundamentos idênticos ou perspectivas equivalentes de retorno.</p>
<p>Empresas com maior exposição a custos domésticos podem reagir de maneira diferente às mudanças no câmbio. Companhias ligadas à energia podem ter desempenho influenciado pelo preço internacional do petróleo, enquanto empresas de mineração respondem também às condições do mercado de minério de ferro, à demanda industrial e à capacidade de transporte.</p>
<p>Os fluxos destinados a fundos negociados em Bolsa que replicam índices também não eliminam essa diferenciação. Embora as compras realizadas por esses fundos possam favorecer ações com participação relevante nos indicadores, o preço de cada papel continua sujeito às ordens de compra e venda, às expectativas de resultado e aos riscos próprios da companhia.</p>
<p>No caso da Vale, a queda observada entre 2 e 19 de outubro ocorreu mesmo diante da recuperação do mercado acionário. A diferença mostra que a conjuntura política favorável a uma parcela dos ativos não foi suficiente para neutralizar, no período, as preocupações relacionadas à estrutura de custos e à perspectiva operacional da mineradora.</p>
<h2>Balanço de outubro deverá esclarecer a pressão sobre as margens</h2>
<p>A próxima divulgação financeira será um ponto importante para avaliar se as preocupações com custos se confirmam nos resultados do terceiro trimestre. A Vale programou a publicação do relatório de desempenho para 29 de outubro, após o fechamento do mercado, e a teleconferência com investidores para 30 de outubro, às 11h, no horário de Brasília.</p>
<p>A partir do terceiro trimestre, a empresa passará a reunir as informações operacionais, comerciais e financeiras em um único Relatório de Desempenho. A mudança permitirá uma leitura integrada dos volumes produzidos, das vendas e dos indicadores financeiros, que anteriormente eram distribuídos entre documentos separados.</p>
<p>Entre os indicadores acompanhados pelo mercado estarão o volume de embarques de minério de ferro, os preços realizados, os custos por tonelada, as despesas logísticas e o Ebitda. A evolução da geração de caixa também será relevante para avaliar em que medida a pressão das despesas afeta a capacidade de financiar investimentos e remunerar os acionistas.</p>
<p>O segundo trimestre oferece uma base de comparação positiva. O Ebitda pro forma da Vale somou US$ 4,1 bilhões, alta de 19% em relação ao mesmo período de 2025. O fluxo de caixa livre recorrente alcançou US$ 1,505 bilhão, enquanto a dívida líquida expandida terminou junho em US$ 16,7 bilhões, redução de US$ 1,1 bilhão em relação ao trimestre anterior.</p>
<p>Esses números indicam que a companhia chegou ao segundo semestre com geração de caixa robusta, apoiada por volumes maiores e preços realizados favoráveis em seus <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341069">negócios</a>. A questão para o terceiro trimestre é verificar como essa base foi afetada pelas mudanças nas condições de câmbio, combustível e transporte.</p>
<p>A queda das ações, nesse contexto, não permite concluir antecipadamente que haverá deterioração dos resultados. Ela sinaliza que o mercado está atribuindo peso crescente aos fatores capazes de reduzir a rentabilidade futura da mineradora, mesmo diante dos resultados positivos apresentados no trimestre anterior.</p>
<p>A combinação entre petróleo caro, real valorizado e incertezas sobre o mercado de minério de ferro deverá continuar influenciando a avaliação da Vale. O balanço de 29 de outubro fornecerá dados atualizados para medir a intensidade dessa pressão e verificar se a geração de caixa e o desempenho operacional seguem suficientes para compensar o aumento das despesas.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Vale &#8211; divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre de 2026, Ebitda pro forma, geração de caixa, dívida e indicadores operacionais</em></p>
<p><em>Vale &#8211; relatório de produção e vendas do segundo trimestre de 2026, volumes de minério de ferro, cobre e níquel</em></p>
<p><em>Vale &#8211; informações sobre custos C1 e all-in, efeitos do câmbio e do bunker e revisão das projeções para 2026</em></p>
<p><em>Vale &#8211; calendário de divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026 e consolidação das informações no Relatório de Desempenho</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral &#8211; calendário oficial das Eleições Gerais de 2026, com datas do primeiro e do segundo turno</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Salesforce anuncia compra da Braze por US$ 5,66 bilhões para ampliar negócios com inteligência artificial</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/salesforce-compra-braze-us-566-bilhoes-inteligencia-artificial</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alice Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2026 14:57:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[aquisição de empresas]]></category>
		<category><![CDATA[automação de marketing]]></category>
		<category><![CDATA[Braze]]></category>
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		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Salesforce anuncia compra da Braze por US$ 5,66 bilhões para expandir negócios com inteligência artificial, CRM e personalização digital.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Salesforce anunciou nesta terça-feira (20) um acordo definitivo para adquirir a Braze, empresa americana especializada em plataformas de relacionamento e engajamento de clientes, por aproximadamente <strong>US$ 5,66 bilhões em valor de empresa</strong>. A operação, que será realizada em dinheiro, integra a estratégia da companhia de ampliar sua presença no <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341082">mercado</a> de inteligência artificial aplicada ao marketing e à gestão de consumidores. Pelo contrato, os acionistas da Braze receberão US$ 47,50 por ação ordinária classe A, desde que a transação seja concluída conforme as condições estabelecidas.</p>
<p>A oferta representa um prêmio de aproximadamente 58,1% em relação ao preço de fechamento de US$ 30,04 registrado pelas ações da Braze na segunda-feira (19). O valor adicional indica a disposição da Salesforce de pagar acima da cotação anterior para incorporar uma tecnologia que considera estratégica para seu crescimento. O negócio deverá ser concluído durante o ano fiscal de 2028 da compradora, sujeito à aprovação dos acionistas da Braze, das autoridades regulatórias e ao cumprimento das demais condições contratuais.</p>
<p>O anúncio amplia o movimento de aquisições da Salesforce em áreas consideradas prioritárias para sua transformação tecnológica. A companhia pretende combinar seus sistemas de gestão de relacionamento com clientes, conhecidos pela sigla CRM, com a capacidade da Braze de interpretar o comportamento dos consumidores e produzir comunicações personalizadas em tempo real. A integração também poderá fortalecer o Salesforce Marketing Cloud, plataforma utilizada por <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341080">empresas</a> para administrar campanhas, jornadas de compra e estratégias de fidelização.</p>
<h2>Braze amplia capacidade da Salesforce em personalização e inteligência artificial</h2>
<p>A Braze desenvolveu uma plataforma que permite acompanhar interações de consumidores em aplicativos, sites e serviços digitais para determinar como e quando uma empresa deve se comunicar com cada usuário. A tecnologia reúne dados comportamentais e ferramentas de automação para coordenar mensagens por e-mail, notificações em celulares, SMS, WhatsApp e outros canais. O sistema também utiliza inteligência artificial para ajustar conteúdos, ofertas e momentos de contato de acordo com o histórico e as ações dos consumidores.</p>
<p>O diferencial estratégico está na capacidade de transformar eventos registrados durante a navegação ou a utilização de um serviço em ações de marketing praticamente imediatas. Uma empresa de comércio eletrônico, por exemplo, pode utilizar informações sobre produtos consultados, compras anteriores e abandono de carrinho para organizar campanhas específicas. Em serviços financeiros e plataformas de assinatura, ferramentas semelhantes permitem desenvolver iniciativas de retenção, reativação de usuários e comunicação sobre produtos relevantes.</p>
<p>Para a Salesforce, a aquisição oferece a possibilidade de aproximar esse processamento contínuo de dados de sua estrutura de gestão comercial, atendimento e relacionamento empresarial. A companhia pretende integrar as capacidades da Braze aos produtos Customer 360, Data 360 e Agentforce, utilizados para reunir informações, automatizar processos e executar tarefas por meio de agentes de inteligência artificial. A combinação permitiria ampliar o uso de informações obtidas durante as interações dos consumidores para orientar campanhas e decisões operacionais.</p>
<p>Patrick Stokes, presidente de Aplicações e Marketing da Salesforce, destacou no comunicado oficial que o conhecimento sobre o consumidor e a capacidade de responder no momento adequado são elementos importantes para melhorar a experiência de relacionamento. A avaliação da companhia é que a tecnologia da Braze poderá complementar seus sistemas atuais e tornar as interações comerciais mais relevantes.</p>
<p>A integração também poderá modificar a maneira como empresas utilizam ferramentas de automação de marketing. Em vez de administrar separadamente as informações sobre vendas, atendimento e campanhas digitais, as organizações poderão explorar uma estrutura mais conectada para acompanhar consumidores ao longo de diferentes etapas do relacionamento. Os benefícios dependerão, entretanto, da compatibilidade entre os sistemas, da implementação dos produtos e da capacidade de transformar dados em resultados comerciais mensuráveis.</p>
<h2>Braze cresceu 26,2% no último trimestre e ampliou sua carteira de clientes</h2>
<p>Os resultados financeiros mais recentes da Braze ajudam a explicar o interesse da Salesforce. No segundo trimestre do ano fiscal de 2027, encerrado em 31 de julho de 2026, a empresa registrou receita de US$ 227,2 milhões, crescimento de 26,2% em relação aos US$ 180,1 milhões apurados no mesmo período do ano anterior. A expansão foi impulsionada principalmente pela contratação de novos clientes, ampliação de contratos existentes e renovações de serviços.</p>
<p>A receita proveniente de assinaturas alcançou US$ 207,7 milhões no trimestre, enquanto serviços profissionais e outras atividades responderam por aproximadamente US$ 19,6 milhões. A predominância das assinaturas evidencia o caráter recorrente do modelo de <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341081">negócios</a> da empresa, no qual os clientes contratam acesso contínuo às ferramentas de engajamento. Esse perfil tende a oferecer maior previsibilidade de faturamento, embora o desempenho permaneça condicionado à manutenção dos contratos e à expansão do uso dos serviços.</p>
<p>A carteira de clientes também apresentou crescimento. A Braze encerrou julho de 2026 com 2.789 clientes, ante 2.422 um ano antes, acréscimo de 367 empresas, equivalente a aproximadamente 15,2%. Entre os usuários de sua tecnologia estão Canva, Dairy Queen, Equinox, Instacart, Urban Outfitters e Venmo, que operam em segmentos distintos e dependem de estratégias digitais para manter relacionamento frequente com consumidores.</p>
<p>Outro indicador relevante é a taxa de retenção líquida de receita, que alcançou 110% nos 12 meses encerrados em julho. O percentual demonstra que a receita recorrente gerada pela base de clientes existente apresentou expansão líquida, considerando aumentos de contratos, reduções e cancelamentos. Para a Salesforce, esse desempenho sugere oportunidades de crescimento não apenas pela conquista de novos clientes, mas também pela ampliação do consumo de ferramentas dentro das empresas já atendidas.</p>
<p>Apesar do avanço comercial, a Braze ainda registrou prejuízo operacional de US$ 18,1 milhões no trimestre, diante de perdas de US$ 38,8 milhões no período equivalente de 2025. A redução de aproximadamente 53% demonstra melhora na eficiência operacional, embora a companhia ainda não tenha alcançado lucro operacional segundo os princípios contábeis americanos. O fluxo de caixa livre ajustado, por sua vez, foi positivo em US$ 21,7 milhões, comparado a US$ 3,5 milhões um ano antes.</p>
<p>Os números indicam que a Salesforce está adquirindo uma companhia com crescimento expressivo e avanços na geração de caixa, mas que ainda enfrenta desafios de rentabilidade contábil. A capacidade de preservar essa expansão e aproveitar possíveis ganhos de escala será um dos fatores determinantes para avaliar o retorno financeiro do investimento.</p>
<h2>Preço da aquisição equivale a mais de seis vezes a receita anual projetada</h2>
<p>A avaliação de US$ 5,66 bilhões ganha dimensão adicional quando comparada às projeções financeiras apresentadas pela própria Braze. Em setembro, a empresa estimou uma receita entre US$ 910 milhões e US$ 913 milhões para o ano fiscal de 2027, que termina em janeiro do próximo ano. Considerando o ponto médio dessa faixa, de US$ 911,5 milhões, o valor de empresa atribuído à transação corresponde a aproximadamente <strong>6,2 vezes o faturamento anual projetado</strong>.</p>
<p>Essa relação permite dimensionar o preço pago por uma companhia em expansão, mas não constitui, isoladamente, uma avaliação definitiva sobre o custo do negócio. O múltiplo de receita não considera diretamente a lucratividade futura, as despesas de integração, os investimentos necessários nem as possíveis sinergias comerciais. O montante de US$ 5,66 bilhões corresponde ao valor de empresa informado na transação, conceito distinto do valor atribuído exclusivamente ao capital dos acionistas.</p>
<p>A comparação também evidencia a diferença de escala entre as duas organizações. A Salesforce registrou receita de US$ 11,3 bilhões no segundo trimestre fiscal de 2027, enquanto a Braze faturou US$ 227,2 milhões em seu trimestre correspondente. A receita trimestral da empresa-alvo equivale a aproximadamente 2% da receita registrada pela compradora, embora suas atividades tenham potencial de complementar produtos comercializados para uma base corporativa significativamente maior.</p>
<p>No último balanço divulgado, a Salesforce informou crescimento de 11% em sua receita trimestral e elevou a projeção de faturamento para o exercício fiscal de 2027 para uma faixa entre US$ 46,1 bilhões e US$ 46,4 bilhões. A companhia também destacou a expansão das receitas recorrentes relacionadas a suas soluções de inteligência artificial e gestão de dados. A incorporação da Braze poderá acrescentar novas possibilidades comerciais, especialmente em empresas que utilizam o CRM da Salesforce, mas contratam soluções independentes para comunicação digital.</p>
<p>A apresentação da aquisição aos investidores reconhece, contudo, que a operação poderá pressionar a rentabilidade no curto prazo, mesmo com a expectativa de contribuir para o crescimento das receitas. A Salesforce informou que pretende financiar o negócio com recursos em dinheiro e que não espera alterações em suas projeções para o ano fiscal de 2027 em decorrência do anúncio. Como a conclusão está prevista para o exercício seguinte, a companhia ainda não apresentou uma estimativa definitiva sobre o impacto financeiro da integração nesse período.</p>
<h2>Contrato prevê indenizações em situações específicas de cancelamento</h2>
<p>O acordo de fusão foi assinado em 19 de outubro de 2026 pela Salesforce, pela Braze e pela Banff Acquisition Sub, subsidiária constituída para viabilizar a transação. Conforme o documento apresentado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), a operação prevê que a empresa adquirida permaneça como uma subsidiária integral da Salesforce após a conclusão. O pagamento aos acionistas ocorrerá conforme os mecanismos estabelecidos no contrato, respeitadas as condições e exceções previstas.</p>
<p>O documento também estabelece obrigações para os casos em que a aquisição não seja concluída. Em determinadas circunstâncias relacionadas à impossibilidade de obter aprovações regulatórias, a Salesforce poderá ter de pagar US$ 300 milhões à Braze. Trata-se de uma compensação contratual condicionada à ocorrência de situações específicas, e não de uma multa automática sempre que houver atraso ou impedimento à operação.</p>
<p>A Braze, por sua vez, poderá ser obrigada a pagar US$ 191,39 milhões à Salesforce em hipóteses previstas no acordo, incluindo determinadas situações de encerramento da transação relacionadas a propostas concorrentes ou mudanças na recomendação da administração. As cláusulas procuram distribuir os riscos jurídicos e financeiros durante o período necessário para aprovação e implementação do negócio.</p>
<p>A existência dessas obrigações reforça a importância da etapa regulatória. Mesmo com um acordo definitivo assinado, a transferência de controle ainda não ocorreu e depende das autorizações aplicáveis. As empresas também precisarão preservar suas operações e cumprir compromissos contratuais enquanto aguardam a conclusão.</p>
<h2>Aquisição reforça disputa por plataformas integradas de marketing</h2>
<p>A movimentação da Salesforce acontece em um mercado de software empresarial no qual o uso de inteligência artificial vem ampliando a competição por soluções capazes de automatizar tarefas e interpretar grandes volumes de dados. Plataformas especializadas em marketing digital, relacionamento e análise de comportamento disputam contratos com fornecedores tradicionais de sistemas corporativos. A aquisição da Braze poderá fortalecer a posição da Salesforce nesse segmento, sobretudo pela combinação entre informações centralizadas e execução de campanhas em tempo real.</p>
<p>A operação também pode alterar a concorrência enfrentada por fornecedores independentes de tecnologias de engajamento. Empresas que utilizam sistemas da Salesforce e contratam ferramentas externas de comunicação poderão avaliar uma solução mais integrada, enquanto organizações com estratégias tecnológicas diversificadas continuarão considerando fatores como interoperabilidade, custos de migração, autonomia operacional e proteção de dados.</p>
<p>A manutenção de uma arquitetura aberta foi destacada pelas duas companhias como parte da estratégia da aquisição. Isso significa que a integração anunciada não pressupõe necessariamente o abandono de ferramentas e parceiros tecnológicos já utilizados pelos clientes da Braze. A forma concreta como essa compatibilidade será preservada dependerá das decisões de desenvolvimento e comercialização adotadas após o fechamento da transação.</p>
<p>Para Bill Magnuson, cofundador e presidente-executivo da Braze, a união deverá ampliar os recursos disponíveis para desenvolver novos produtos e alcançar mercados adicionais. A empresa afirma que pretende continuar investindo em sua plataforma e na comunidade de clientes e parceiros, aproveitando a estrutura global da Salesforce.</p>
<p>Com o contrato anunciado e submetido às condições de aprovação, o próximo estágio envolverá os procedimentos societários e regulatórios necessários à transferência de controle. A conclusão é esperada durante o ano fiscal de 2028 da Salesforce, que se encerra em janeiro de 2028, sem data específica de fechamento confirmada. Até lá, investidores acompanharão os resultados das duas empresas, os custos potenciais da integração e a capacidade de transformar a aquisição em crescimento sustentável e ganhos efetivos de produtividade.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Salesforce — Comunicado oficial de 20 de outubro de 2026 sobre o acordo definitivo de aquisição da Braze.</em></p>
<p><em>Braze — Resultados financeiros do segundo trimestre fiscal de 2027, divulgados em 8 de setembro de 2026.</em></p>
<p><em>Salesforce — Resultados financeiros do segundo trimestre fiscal de 2027, divulgados em 26 de agosto de 2026.</em></p>
<p><em>Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) — Formulário 8-K apresentado pela Salesforce em 20 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) — Contrato de fusão entre Salesforce, Banff Acquisition Sub e Braze, datado de 19 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) — Apresentação aos investidores sobre a aquisição da Braze, de 20 de outubro de 2026.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Gol transporta 2,95 milhões de passageiros em setembro, mas ocupação cai para 80,2%</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/gol-passageiros-setembro-2026-taxa-ocupacao-voos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2026 13:05:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[transporte de cargas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gol transportou 2,95 milhões de passageiros em setembro de 2026, alta de 3,5%, mas ocupação dos voos caiu para 80,2%. Veja os dados operacionais.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div data-metric-area="topo-noticia" data-v-d559f1f7="">
<div data-v-d559f1f7="">
<div class="jupiter-headline mt-150-lg mt-100-xs body-container grid" data-v-f25cefd4="" data-v-d559f1f7="">
<div class="headline-container" data-v-f25cefd4="">
<div class="solar-headline size-default type-heading variant-default" data-v-88fafe1b="" data-v-f25cefd4="">
<p>A Gol Linhas Aéreas transportou 2,948 milhões de passageiros em setembro de 2026, crescimento de 3,5% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo os resultados operacionais preliminares divulgados pelo Abra Group, controlador da companhia. Apesar do avanço no número de viajantes, a taxa de ocupação das aeronaves caiu de 83,5% para 80,2%, reflexo de uma expansão da capacidade de transporte superior ao crescimento da demanda. O desempenho evidencia um dos principais desafios da companhia: aumentar sua presença no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341043">mercado</a> sem comprometer o aproveitamento dos assentos disponíveis.</p>
<p>O relatório, publicado oficialmente pelo Abra Group em 16 de outubro, mostra que a oferta de transporte da Gol, medida em assentos-quilômetro oferecidos (ASK), cresceu 9,4%, alcançando 4,372 bilhões. A demanda, medida em passageiros-quilômetro transportados (RPK), avançou 5%, para 3,505 bilhões. A diferença de 4,4 pontos percentuais entre as taxas de crescimento explica a redução do indicador de ocupação, mesmo com o aumento absoluto do número de passageiros.</p>
<p>O crescimento foi sustentado principalmente pelas operações domésticas. A Gol transportou 2,763 milhões de passageiros em voos dentro do Brasil, alta de 4,4% na comparação anual. No mercado internacional, a companhia registrou retração de 8,2%, com 185 mil passageiros transportados.</p>
<p>Além das operações de passageiros, a empresa apresentou expansão expressiva no transporte de cargas. O volume movimentado em setembro aumentou 21,2%, alcançando 18.383 toneladas. O resultado representa uma frente adicional de crescimento operacional, embora o relatório não apresente informações suficientes para determinar sua contribuição específica para o faturamento ou a rentabilidade.</p>
<h2>Gol cresce em passageiros, mas oferta de assentos avança mais rapidamente</h2>
<p>Os números de setembro mostram que a Gol transportou aproximadamente 100 mil passageiros a mais do que no mesmo mês de 2025. Naquele período, a companhia havia registrado 2,848 milhões de viajantes, ante 2,948 milhões em setembro de 2026. O aumento foi acompanhado pela expansão das operações, com crescimento de 6,8% no número de decolagens, que passou de 19.613 para 20.939.</p>
<p>A ampliação da capacidade, entretanto, ocorreu em ritmo mais acelerado do que a utilização efetiva dos assentos. Enquanto a oferta cresceu 9,4%, a demanda avançou 5%, diferença que reduziu a taxa de ocupação em 3,4 pontos percentuais, conforme os cálculos apresentados pelo Abra Group. O indicador encerrou setembro em 80,2%, abaixo dos 83,5% registrados um ano antes.</p>
<p><strong>Principais indicadores da Gol em setembro de 2026</strong></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<th>Indicador</th>
<th>Setembro de 2026</th>
<th>Variação anual</th>
</tr>
<tr>
<td>Passageiros transportados</td>
<td>2,948 milhões</td>
<td>+3,5%</td>
</tr>
<tr>
<td>Oferta (ASK)</td>
<td>4,372 bilhões</td>
<td>+9,4%</td>
</tr>
<tr>
<td>Demanda (RPK)</td>
<td>3,505 bilhões</td>
<td>+5,0%</td>
</tr>
<tr>
<td>Taxa de ocupação</td>
<td>80,2%</td>
<td>-3,4 p.p.</td>
</tr>
<tr>
<td>Decolagens</td>
<td>20.939</td>
<td>+6,8%</td>
</tr>
<tr>
<td>Carga transportada</td>
<td>18.383 toneladas</td>
<td>+21,2%</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><em>Fonte: Abra Group. Dados operacionais preliminares divulgados em 16 de outubro de 2026.</em></p>
<p>O comportamento é relevante porque as companhias aéreas precisam equilibrar a quantidade de voos oferecidos com a procura efetiva dos consumidores. Uma operação pode transportar mais passageiros e, simultaneamente, apresentar menor aproveitamento da capacidade instalada. Essa situação ocorre quando o número de assentos colocados à disposição do mercado cresce mais rapidamente do que a demanda.</p>
<p>A redução da ocupação não significa necessariamente queda de receita ou prejuízo operacional. O resultado financeiro também depende das tarifas cobradas, da distância percorrida, dos custos de combustível, da utilização da frota e de outras receitas comerciais. Como o relatório de tráfego não divulga preços médios das passagens nem despesas operacionais, não é possível determinar isoladamente seu impacto sobre a rentabilidade.</p>
<h2>Mercado doméstico responde por quase 94% dos passageiros</h2>
<p>As operações dentro do Brasil continuaram sendo a principal fonte de demanda da Gol. Em setembro, a companhia transportou 2,763 milhões de passageiros domésticos, aumento de 4,4% em relação aos 2,647 milhões registrados no mesmo mês de 2025. O volume corresponde a aproximadamente 93,7% de todos os passageiros transportados pela empresa no período.</p>
<p>A oferta doméstica cresceu 11,5%, alcançando 3,745 bilhões de assentos-quilômetro disponíveis. A demanda avançou 6,1%, para 2,999 bilhões de passageiros-quilômetro transportados. Como resultado, a taxa de ocupação caiu de 84,2% para 80,1%, retração de 4,1 pontos percentuais.</p>
<p>A diferença entre as taxas de crescimento de oferta e demanda foi de 5,4 pontos percentuais, superior à registrada no conjunto das operações da companhia. Isso demonstra que a pressão sobre o aproveitamento dos assentos esteve concentrada especialmente no mercado doméstico. Embora tenha transportado mais passageiros, a Gol ampliou a capacidade em proporção ainda maior.</p>
<p>O número de decolagens realizadas dentro do país passou de 18.194 para 19.648, alta de 8%. O aumento representa 1.454 partidas adicionais em relação a setembro de 2025. A expansão das operações pode refletir alterações na frequência dos voos, na distribuição da frota e na capacidade disponibilizada nas rotas, mas o relatório não detalha quais trechos receberam a maior parte do crescimento.</p>
<p>A concentração de quase 94% dos passageiros no Brasil reforça a importância do mercado doméstico para a companhia. Mudanças no comportamento de consumo, no preço das passagens ou na distribuição da oferta nacional podem influenciar significativamente o desempenho consolidado. Por isso, o acompanhamento da ocupação interna é determinante para avaliar a eficiência da expansão.</p>
<h2>Voos internacionais perdem 8,2% dos passageiros</h2>
<p>O desempenho internacional apresentou direção oposta à observada dentro do Brasil. A Gol transportou 185 mil passageiros em voos para o exterior durante setembro, queda de 8,2% em relação aos 201 mil registrados um ano antes. A redução ocorreu simultaneamente à diminuição da capacidade ofertada e do número de decolagens internacionais.</p>
<p>A oferta caiu 1,8%, para 626 milhões de assentos-quilômetro. A demanda recuou 1,3%, alcançando 506 milhões de passageiros-quilômetro transportados. Como a redução da procura medida em RPK foi proporcionalmente menor do que a da oferta, a taxa de ocupação internacional subiu de 80,3% para 80,8%.</p>
<p>O indicador revela que a utilização relativa dos assentos melhorou ligeiramente, mesmo com menos passageiros transportados. O resultado é possível porque o número de viajantes e a demanda em passageiros-quilômetro não medem exatamente a mesma coisa. O segundo indicador incorpora as distâncias percorridas, permitindo que mudanças na composição das rotas influenciem os resultados.</p>
<p>As decolagens internacionais diminuíram 9%, passando de 1.419 para 1.291. A diferença corresponde a 128 partidas a menos do que em setembro de 2025. O relatório não permite identificar se a redução esteve concentrada em determinados destinos ou se decorreu de ajustes mais amplos da malha internacional.</p>
<p><strong>Comparação entre os mercados da Gol em setembro</strong></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<th>Indicador</th>
<th>Doméstico</th>
<th>Internacional</th>
</tr>
<tr>
<td>Passageiros transportados</td>
<td>2,763 milhões</td>
<td>185 mil</td>
</tr>
<tr>
<td>Variação de passageiros</td>
<td>+4,4%</td>
<td>-8,2%</td>
</tr>
<tr>
<td>Variação da oferta</td>
<td>+11,5%</td>
<td>-1,8%</td>
</tr>
<tr>
<td>Variação da demanda</td>
<td>+6,1%</td>
<td>-1,3%</td>
</tr>
<tr>
<td>Taxa de ocupação</td>
<td>80,1%</td>
<td>80,8%</td>
</tr>
<tr>
<td>Decolagens</td>
<td>19.648</td>
<td>1.291</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A diferença entre os dois mercados demonstra que a Gol enfrenta desafios operacionais distintos. Nas rotas domésticas, a companhia amplia a capacidade para atender uma demanda crescente, mas registra queda de ocupação. Nas internacionais, transporta menos passageiros e realiza menos voos, embora utilize uma proporção ligeiramente maior dos assentos oferecidos.</p>
<h2>Gol transporta 26,87 milhões de passageiros de janeiro a setembro</h2>
<p>Apesar da redução da ocupação em setembro, o resultado acumulado de 2026 permanece positivo em número de passageiros. Entre janeiro e setembro, a Gol transportou 26,867 milhões de pessoas, crescimento de 7,5% em comparação com os 25,003 milhões registrados no mesmo período de 2025. A diferença representa aproximadamente 1,864 milhão de passageiros adicionais nos primeiros nove meses do ano.</p>
<p>A oferta acumulada aumentou 9,2%, para 39,316 bilhões de assentos-quilômetro, enquanto a demanda avançou 8,1%, alcançando 32,422 bilhões de passageiros-quilômetro. A taxa de ocupação ficou em 82,5%, abaixo dos 83,3% observados no mesmo intervalo do ano anterior. O recuo acumulado foi de 0,8 ponto percentual, menos intenso do que a queda registrada especificamente em setembro.</p>
<p>As operações domésticas responderam pela maior parte da expansão. No período de janeiro a setembro, a Gol transportou 25,036 milhões de passageiros dentro do Brasil, crescimento de 8,6% na comparação anual. A oferta doméstica aumentou 12%, enquanto a demanda avançou 11,1%.</p>
<p>Nas rotas internacionais, o número de passageiros acumulado caiu 6,4%, para 1,830 milhão. A oferta diminuiu 4,2% e a demanda recuou 5,7%. Os dados demonstram que a retração internacional não se restringiu a setembro, embora sua intensidade tenha variado ao longo do ano.</p>
<p>O conjunto dos resultados mostra que o crescimento da Gol em 2026 permanece dependente da expansão doméstica. A companhia conseguiu transportar mais passageiros no acumulado, mas a capacidade cresceu em proporção ligeiramente superior à demanda. A evolução desse equilíbrio nos próximos meses será relevante para avaliar o aproveitamento da frota.</p>
<h2>Taxa de ocupação é fundamental para entender o desempenho das companhias aéreas</h2>
<p>A taxa de ocupação é um dos principais indicadores utilizados para acompanhar o desempenho operacional das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341044">empresas</a> de transporte aéreo. Ela representa a relação entre a demanda efetivamente transportada, medida em RPK, e a capacidade disponibilizada, medida em ASK. O indicador permite avaliar quanto da oferta de transporte foi efetivamente utilizada pelos passageiros pagantes.</p>
<p>O ASK corresponde à quantidade de assentos disponíveis multiplicada pela distância percorrida nos voos. Já o RPK mede o número de passageiros pagantes transportados multiplicado pela distância de suas viagens. Esses conceitos são utilizados pelo Abra Group e pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para acompanhar a evolução das operações.</p>
<p>A relação entre os dois indicadores explica por que transportar mais passageiros não garante aumento da taxa de ocupação. Caso uma companhia amplie a quantidade de voos ou ofereça maior capacidade sem crescimento equivalente da demanda, o aproveitamento relativo dos assentos tende a diminuir. Isso ocorreu com a Gol em setembro.</p>
<p>Uma ocupação menor, entretanto, não permite concluir isoladamente que os voos estejam operando com prejuízo. O resultado econômico depende do preço médio das passagens, das receitas adicionais e dos custos associados à operação. Uma companhia pode apresentar ocupação elevada com tarifas insuficientes para cobrir despesas, assim como pode registrar ocupação menor e obter resultados favoráveis em determinadas rotas.</p>
<p>Também é necessário considerar as diferenças entre mercados. Voos domésticos e internacionais possuem distâncias, estruturas de custos e condições comerciais distintas. Por isso, a análise de eficiência exige observar conjuntamente ocupação, receita por unidade de capacidade, custos e rentabilidade.</p>
<h2>Transporte de cargas cresce mais de 21% em setembro</h2>
<p>Um dos destaques positivos do relatório está nas operações de cargas. A Gol transportou 18.383 toneladas em setembro, crescimento de 21,2% em relação às 15.170 toneladas movimentadas no mesmo mês de 2025. O aumento representa 3.213 toneladas adicionais no período.</p>
<p>No acumulado de janeiro a setembro, o volume transportado chegou a 155.085 toneladas, expansão de 21,4% sobre as 127.725 toneladas registradas nos nove primeiros meses do ano anterior. O crescimento das cargas foi, portanto, superior ao observado no transporte de passageiros. A diferença mostra que os dois <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341042">negócios</a> apresentam ritmos distintos de expansão operacional.</p>
<p>O transporte de mercadorias pode utilizar aeronaves exclusivamente cargueiras ou espaços disponíveis em aviões de passageiros, dependendo das características da operação. Essa combinação permite atender diferentes necessidades logísticas e aproveitar parte da infraestrutura aeroportuária existente. Entretanto, cada modalidade possui custos, capacidades e condições comerciais próprias.</p>
<p>O crescimento em toneladas não significa necessariamente aumento proporcional da receita. O resultado financeiro depende do tipo de carga transportada, da distância, das tarifas negociadas e das despesas operacionais. O relatório preliminar divulgado pelo Abra Group não apresenta faturamento específico do segmento, impedindo uma avaliação direta das margens.</p>
<p>A expansão das cargas acrescenta uma dimensão relevante ao desempenho da companhia. Enquanto a ocupação dos voos de passageiros diminuiu em setembro, o transporte de mercadorias apresentou crescimento superior a 20%. O comportamento poderá ser aprofundado quando forem divulgadas informações financeiras mais completas.</p>
<h2>Gol encerra setembro com 141 aeronaves em operação</h2>
<p>A Gol terminou setembro de 2026 com uma frota operacional de 141 aeronaves, segundo o Abra Group. Desse total, 132 eram destinadas ao transporte de passageiros e nove funcionavam como cargueiros. A composição apresentada pelo grupo considera os equipamentos efetivamente em operação na data de referência.</p>
<p>Entre as aeronaves de passageiros, a companhia operava 75 Boeing 737 de gerações anteriores ao MAX e 57 Boeing 737 MAX. A família MAX representava, assim, aproximadamente 43,2% das aeronaves destinadas ao transporte de passageiros. O cálculo considera exclusivamente a frota operacional de 132 aviões informada no relatório.</p>
<p>A composição é relevante para a análise da capacidade de transporte e dos custos operacionais. Modelos diferentes podem apresentar características distintas de consumo de combustível, manutenção e disponibilidade de assentos. Entretanto, a eficiência efetivamente alcançada também depende de fatores como utilização diária, distâncias percorridas e condições das rotas.</p>
<p>O relatório não informa quantas horas cada aeronave voou em setembro nem a produtividade individual dos modelos utilizados. Por isso, não é possível relacionar diretamente a composição da frota à redução da ocupação. A expansão da oferta pode decorrer de uma combinação de aeronaves disponíveis, frequências e distâncias operadas.</p>
<p>O tamanho da frota também ajuda a dimensionar a posição da Gol dentro do Abra Group. A companhia respondeu por 141 das 315 aeronaves operadas pelo grupo ao final de setembro, considerando também Avianca e Wamos. Essa participação demonstra a importância da operação brasileira para a estrutura regional da holding.</p>
<h2>Abra Group transporta 5,81 milhões de passageiros e registra queda de ocupação</h2>
<p>No conjunto das empresas controladas pelo Abra Group, o número de passageiros transportados em setembro ficou praticamente estável. A holding registrou 5,813 milhões de viajantes, redução de 0,2% em comparação com os 5,824 milhões do mesmo mês de 2025. O resultado consolidado contrasta com a expansão apresentada pela Gol.</p>
<p>A Avianca transportou 2,866 milhões de passageiros no período, queda de 3,7% na comparação anual. A Gol, por sua vez, apresentou crescimento de 3,5%, para 2,948 milhões. Assim, a expansão da operação brasileira compensou parcialmente a redução registrada pela companhia colombiana.</p>
<p>A oferta consolidada do Abra Group cresceu 7,8%, alcançando 10,250 bilhões de assentos-quilômetro. A demanda avançou 2,6%, para 7,995 bilhões de passageiros-quilômetro. Com isso, a taxa de ocupação do grupo caiu de 82% para 78%, retração de quatro pontos percentuais.</p>
<p>A redução consolidada foi mais intensa do que a observada individualmente na Gol. Esse resultado mostra que os desafios de aproveitamento da capacidade não ficaram restritos à operação brasileira. A utilização dos assentos também diminuiu em outras atividades relevantes da holding.</p>
<p>O transporte de cargas apresentou crescimento expressivo no conjunto do grupo. Foram movimentadas 72.615 toneladas em setembro, aumento de 21,1% na comparação anual. O resultado reflete a expansão simultânea das operações de carga da Gol e da Avianca.</p>
<p>No acumulado de janeiro a setembro, o Abra Group transportou 55,419 milhões de passageiros, alta de 5,9%. A taxa de ocupação acumulada alcançou 81,6%, aumento de 0,7 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho dos nove primeiros meses permanece, portanto, mais favorável do que o resultado isolado de setembro.</p>
<h2>Expansão da oferta aumenta importância da gestão de capacidade</h2>
<p>A diferença entre oferta e demanda observada em setembro coloca a gestão de capacidade no centro da análise operacional da Gol. O crescimento de 9,4% no ASK demonstra que a empresa disponibilizou mais transporte ao mercado, enquanto o avanço de 5% no RPK indica aumento menos intenso na utilização dessa capacidade. O resultado foi uma redução da ocupação, apesar da alta no número absoluto de passageiros.</p>
<p>A situação pode exigir acompanhamento das frequências e da distribuição da frota entre as rotas. Em companhias aéreas, a adequação da oferta às condições de demanda é importante para evitar capacidade excessiva em determinados mercados. Entretanto, mudanças operacionais também precisam considerar conectividade, horários, contratos e expectativas de procura futura.</p>
<p>A redução da ocupação doméstica de 84,2% para 80,1% merece atenção particular. Como o mercado brasileiro respondeu por aproximadamente 93,7% dos passageiros transportados pela Gol em setembro, alterações nesse segmento possuem peso elevado sobre os números consolidados. A expansão doméstica continua sustentando o crescimento da empresa, mas também concentra a maior pressão sobre o aproveitamento dos assentos.</p>
<p>Outra questão será a evolução dos custos operacionais. A expansão de voos e capacidade pode elevar despesas com combustível, tripulações, manutenção e serviços aeroportuários. Sem informações financeiras correspondentes, entretanto, não é possível determinar se o crescimento da oferta foi acompanhado por aumento ou redução do custo unitário.</p>
<p>O desempenho das cargas apresenta uma dinâmica diferente. O avanço superior a 20% em setembro e no acumulado do ano indica crescimento consistente do volume transportado nessa atividade. A relevância financeira desse resultado dependerá das receitas e margens efetivamente registradas.</p>
<h2>O que os números da Gol indicam para o restante de 2026?</h2>
<p>O relatório de setembro mostra que a Gol continua ampliando sua base de passageiros, especialmente no mercado doméstico. A companhia acumulou crescimento de 7,5% entre janeiro e setembro e encerrou o período com 26,867 milhões de viajantes transportados. Entretanto, a expansão da capacidade em ritmo superior à demanda reduziu o aproveitamento dos assentos, especialmente no resultado mensal mais recente.</p>
<p>A diferença entre o desempenho doméstico e internacional também deverá permanecer entre os indicadores acompanhados. Enquanto o transporte dentro do Brasil cresceu 4,4% em setembro, o número de passageiros internacionais diminuiu 8,2%. A composição dessas operações poderá influenciar a evolução das receitas, dos custos e da ocupação nos próximos meses.</p>
<p>O crescimento do transporte de cargas constitui outro elemento importante. A expansão de 21,2% em setembro e de 21,4% no acumulado do ano demonstra que a atividade apresentou desempenho mais acelerado do que o transporte de passageiros. Ainda assim, a contribuição financeira depende de dados que não constam do relatório preliminar.</p>
<p>Os próximos resultados financeiros permitirão verificar se a ampliação da oferta produziu ganhos de receita suficientes para acompanhar o aumento da capacidade operacional. Também será possível avaliar a trajetória das tarifas, dos custos e da geração de caixa. Esses indicadores serão necessários para determinar se a queda na ocupação representa pressão relevante sobre a rentabilidade ou apenas uma etapa do ajuste da malha aérea.</p>
<p>A Gol encerra os nove primeiros meses de 2026 com crescimento consistente no transporte de passageiros e cargas, mas setembro revelou uma diferença significativa entre a expansão da oferta e a evolução da demanda. Com quase 3 milhões de passageiros transportados no mês, a companhia mantém uma operação doméstica de grande escala. O principal desafio indicado pelos dados será transformar essa capacidade adicional em maior utilização dos assentos e resultados financeiros sustentáveis.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Abra Group — Relatório oficial <em>Abra Group Announces Preliminary September 2026 Operating Metrics</em>, publicado em 16 de outubro de 2026, com dados consolidados e segmentados de passageiros, oferta, demanda, ocupação, decolagens, cargas e frota.</p>
<p>Abra Group — Central oficial de estatísticas operacionais e relatórios mensais de tráfego de 2026.</p>
<p>Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) — Dados Estatísticos do Transporte Aéreo e documentação metodológica sobre ASK, RPK e taxa de ocupação.</p>
</div>
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<section class="solar-comment my-200 x10Q1-LF" data-nosnippet="" data-v-d559f1f7=""><!--&gt;</section>

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			</item>
		<item>
		<title>Fundo ligado à Algarve Capital participa de operação ligada a ação de R$ 500 milhões contra a Totvs</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/totvs-disputa-judicial-fundo-algarve-capital</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2026 11:37:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Algarve Capital]]></category>
		<category><![CDATA[EvidJuri]]></category>
		<category><![CDATA[financiamento de litígios]]></category>
		<category><![CDATA[Itaú Asset]]></category>
		<category><![CDATA[Sogem]]></category>
		<category><![CDATA[STJ]]></category>
		<category><![CDATA[TOTS3]]></category>
		<category><![CDATA[Totvs]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um fundo ligado à Algarve Capital, co-gerido pelo Itaú Asset, entrou no radar de uma disputa judicial envolvendo a Totvs (TOTS3) e antigas representantes comerciais da empresa, em um processo cujo valor atualizado é estimado pela parte autora em R$ 500 milhões. A operação envolve direitos econômicos relacionados à ação e receitas que dependem do [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um fundo ligado à Algarve Capital, co-gerido pelo Itaú Asset, entrou no radar de uma disputa judicial envolvendo a Totvs (TOTS3) e antigas representantes comerciais da empresa, em um processo cujo valor atualizado é estimado pela parte autora em R$ 500 milhões. A operação envolve direitos econômicos relacionados à ação e receitas que dependem do resultado do litígio, ainda sem indenização definitivamente reconhecida pela Justiça.</p>
<p>A estrutura financeira é articulada pela EvidJuri, empresa especializada em perícias técnicas, avaliações e análise de provas judiciais. O escritório adquiriu direitos econômicos vinculados à demanda da Sogem e passou a estruturar operações com investidores interessados em obter retorno associado ao desfecho do processo. O valor do aporte relacionado ao fundo não foi divulgado publicamente.</p>
<p>A disputa, que tramita há mais de 17 anos, teve uma etapa processual relevante em fevereiro de 2026, quando o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a determinação de realização de uma nova perícia técnica. A decisão, contudo, não reconheceu a responsabilidade da Totvs nem estabeleceu o montante de uma eventual indenização.</p>
<p>A controvérsia tem origem na relação comercial entre a Sogem e a antiga RM Sistemas, desenvolvedora de softwares de gestão empresarial posteriormente adquirida pela Totvs. A autora sustenta que mudanças nas condições comerciais e na distribuição dos clientes teriam provocado prejuízos após a aquisição. A companhia contesta os argumentos e afirma que os valores apresentados são estimativas unilaterais, incompatíveis com sua avaliação jurídica do caso.</p>
<h2>Financiamento vincula retorno ao resultado judicial</h2>
<p>A operação utiliza um modelo no qual investidores passam a ter exposição econômica a direitos relacionados a uma demanda judicial. A remuneração pode combinar uma parcela inicial com outra condicionada ao resultado do processo, conforme as condições estabelecidas nos contratos.</p>
<p>Nesse formato, o investidor não recebe automaticamente o valor indicado na ação. O retorno depende das condições negociadas, do resultado judicial ou de eventual acordo e do prazo necessário para a realização econômica dos direitos adquiridos. Uma decisão desfavorável ou um resultado financeiro inferior ao esperado pode comprometer a rentabilidade da operação.</p>
<p>No caso da Totvs, a EvidJuri adquiriu direitos econômicos vinculados à posição da Sogem e comercializa parte dos honorários que espera receber. O modelo permite antecipar recursos a partir de expectativas de receitas futuras, transferindo parte da exposição econômica do litígio para investidores dispostos a assumir esse risco.</p>
<p>A participação do fundo ligado à Algarve Capital representa uma nova etapa dessa estrutura, mas as informações disponíveis não permitem determinar o percentual adquirido, o valor investido ou as condições financeiras específicas negociadas. Também não há indicação pública de que o fundo tenha assumido a posição processual das <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341000">empresas</a> envolvidas na disputa.</p>
<p>A distinção é relevante porque a negociação de direitos econômicos não equivale à venda de um crédito judicial definitivamente reconhecido. Enquanto não houver definição sobre a responsabilidade das partes e sobre os valores eventualmente devidos, a expectativa de receita permanece vinculada ao andamento e ao desfecho da ação.</p>
<p>A operação também evidencia a possibilidade de transformar expectativas de recebimento decorrentes de processos judiciais em ativos negociáveis. Para o financiador, o retorno potencial precisa ser avaliado em conjunto com o risco jurídico, o custo de oportunidade do capital e o tempo de espera. Para quem detém os direitos econômicos, a estrutura pode permitir a obtenção de recursos antes da conclusão do processo.</p>
<h2>STJ manteve perícia complementar, sem julgar a indenização</h2>
<p>Em 9 de fevereiro de 2026, a Quarta Turma do STJ negou, por unanimidade, recurso da Totvs no processo envolvendo a Sogem Comércio e Representações e a Terena Comércio e Assistência Técnica. O julgamento tratou da continuidade da produção de provas, e não do mérito da disputa contratual.</p>
<p>A decisão manteve o entendimento das instâncias anteriores sobre a necessidade de uma nova perícia técnica para esclarecer questões pendentes. A medida foi determinada após a morte do perito anteriormente nomeado, quando ainda havia pontos que demandavam esclarecimentos adicionais.</p>
<p>O julgamento foi relatado pelo ministro João Otávio de Noronha. Entre os argumentos apresentados pela Totvs estavam questionamentos sobre a fundamentação da nova perícia, a suficiência do laudo anterior e a possibilidade de resolver as questões remanescentes por outros meios de prova. O tribunal entendeu que rever a avaliação das instâncias ordinárias exigiria reexame de fatos e provas, vedado naquela via recursal.</p>
<p>Em comunicado ao <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340999">mercado</a> publicado em 20 de março de 2026, a Totvs afirmou que a decisão do STJ não examinou a responsabilidade das partes e se limitou a manter a perícia complementar. Segundo a empresa, os elementos produzidos pelo perito anterior eram favoráveis à companhia, e o novo <a class="wpil_keyword_link" title="Trabalho" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341001">trabalho</a> terá a finalidade de esclarecer os pontos adicionais questionados pela parte contrária.</p>
<p>A empresa também contestou a caracterização da EvidJuri como responsável pela perícia judicial. Segundo o comunicado, o escritório não foi nomeado pelo juízo e atua como prestador de serviços contratado pela parte autora, não sendo responsável pela prova pericial oficial.</p>
<p>A manifestação empresarial diverge da interpretação apresentada pela EvidJuri sobre o significado do avanço processual. Para a Totvs, a continuidade da perícia decorre da necessidade de complementação dos trabalhos após a morte do perito anterior, sem alterar a avaliação jurídica da companhia. A decisão judicial, por sua vez, permite a continuidade da produção de provas, mas não antecipa a conclusão do processo.</p>
<p>A etapa pericial deverá fornecer elementos para a análise das questões contratuais e econômicas ainda discutidas. Somente após a produção e a avaliação das provas será possível estabelecer os efeitos do trabalho sobre o julgamento da demanda. Até lá, o valor de R$ 500 milhões deve ser tratado como estimativa atribuída à parte autora, e não como obrigação financeira reconhecida judicialmente.</p>
<h2>Valor estimado supera em mais de sete vezes o montante original</h2>
<p>A dimensão financeira atribuída ao litígio aumentou ao longo dos anos. Conforme informações recuperadas pela própria Totvs em resposta a questionamentos sobre o processo, a ação foi ajuizada em fevereiro de 2009 com valor estimado em R$ 69,7 milhões.</p>
<p>Em 2016, quando a companhia voltou a mencionar o caso em seus documentos públicos, o valor informado havia alcançado aproximadamente R$ 102,3 milhões, atualizado até 31 de dezembro de 2015. Na documentação referente a 2020, o montante divulgado chegou a R$ 188,1 milhões.</p>
<p>A estimativa atual de R$ 500 milhões, apresentada pela parte autora, representa aproximadamente 7,2 vezes o valor inicial da ação. Em termos nominais, a diferença corresponde a R$ 430,3 milhões, uma elevação de cerca de 617% em relação aos R$ 69,7 milhões originalmente indicados.</p>
<p>A comparação com o valor informado em 2020 também dimensiona a evolução da estimativa. A diferença entre R$ 188,1 milhões e R$ 500 milhões é de R$ 311,9 milhões, ou aproximadamente 166%. Esses cálculos comparam os valores divulgados em diferentes momentos e não representam uma atualização contábil homogênea nem uma confirmação judicial do montante reivindicado.</p>
<p>O crescimento da estimativa está associado, segundo a parte autora, à incidência de correção monetária, juros e encargos financeiros ao longo da tramitação, além da extensão dos pedidos apresentados no processo. A Totvs, entretanto, afirma que o cálculo utiliza premissas unilaterais e inclui pedidos de danos morais em valores que considera desproporcionais, inclusive em comparação com processos semelhantes.</p>
<p>A diferença entre a estimativa inicial e o valor atualizado reforça a importância de separar o tamanho econômico de uma pretensão judicial da quantia que poderá eventualmente ser reconhecida. A atualização de um pedido não equivale à comprovação integral dos prejuízos alegados, assim como a realização de uma perícia não representa, por si só, uma condenação.</p>
<h2>Disputa surgiu após aquisição da RM Sistemas</h2>
<p>A origem do processo está na relação comercial entre a Sogem e a RM Sistemas, empresa que comercializava soluções de gestão empresarial na região de Campinas, no interior paulista. A Totvs adquiriu 100% do capital da RM Sistemas em abril de 2006, em operação anunciada por R$ 206 milhões.</p>
<p>Do total, R$ 164,8 milhões foram pagos aos antigos controladores na formalização da aquisição, enquanto outros R$ 41,2 milhões foram depositados e tinham liberação prevista para fevereiro de 2007, condicionada ao cumprimento de determinadas exigências. A operação integrou ao portfólio da Totvs uma desenvolvedora de softwares de gestão e ampliou sua presença em segmentos atendidos pelas soluções da empresa adquirida.</p>
<p>A Sogem sustenta que, após a incorporação da RM Sistemas à estrutura da Totvs, houve mudanças unilaterais no modelo comercial, centralização da carteira de clientes e bloqueio de repasses relacionados às vendas. Na avaliação da antiga representante, essas alterações comprometeram a relação contratual e provocaram prejuízos que fundamentam a pretensão indenizatória.</p>
<p>A Totvs contesta essa interpretação. Em sua manifestação pública, a empresa afirmou que o valor divulgado para a causa se baseia em premissas apresentadas pela parte autora e que a avaliação de seus advogados é de risco remoto para quase a totalidade dos pedidos.</p>
<p>O processo também envolve a Terena Comércio e Assistência Técnica. A presença das duas empresas entre as partes do recurso examinado pelo STJ indica que a controvérsia não se limita à discussão sobre o valor atualizado da ação, abrangendo também questões contratuais que dependem da análise das provas.</p>
<p>A longa duração do caso contribui para a ampliação nominal dos valores reivindicados, mas não elimina a necessidade de examinar os fundamentos da pretensão e a extensão dos eventuais prejuízos. O resultado econômico dependerá da avaliação judicial dos pedidos e dos elementos técnicos que ainda precisam ser esclarecidos.</p>
<h2>Totvs mantém avaliação de risco remoto para a maioria dos pedidos</h2>
<p>A companhia afirmou que segue os critérios contábeis aplicáveis e sua <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340998">política</a> de gestão do contencioso, com avaliação dos riscos realizada por advogados externos. Segundo o comunicado de março de 2026, os valores do processo não atingem os critérios internos para divulgação individual como caso relevante, considerando o prognóstico jurídico então adotado.</p>
<p>A Totvs acrescentou que as provisões referentes aos processos são mantidas conforme a regulamentação aplicável e que os valores agregados são divulgados anualmente em seu Formulário de Referência. A empresa não informou, no comunicado, uma provisão específica de R$ 500 milhões para a disputa.</p>
<p>Essa posição deve ser distinguida do valor atualizado atribuído à ação. O montante reivindicado pela parte autora não corresponde necessariamente à perda esperada pela companhia, nem permite concluir que exista obrigação equivalente registrada nas demonstrações financeiras. A avaliação de risco remoto feita pela empresa também não substitui a decisão judicial sobre os pedidos.</p>
<p>A diferença entre essas medidas tem relevância para investidores porque o valor de uma ação judicial pode ser substancialmente diferente do impacto financeiro que a companhia espera suportar. A leitura do risco depende do estágio processual, dos fundamentos dos pedidos, das provas existentes e da avaliação jurídica que sustenta os registros contábeis.</p>
<p>A entrada de um investidor na estrutura econômica do litígio tampouco altera essa distinção. Ela indica que há interesse privado em obter exposição ao possível resultado financeiro, mas não constitui confirmação da validade do crédito nem da probabilidade de vitória da parte autora.</p>
<h2>Próxima etapa depende da conclusão dos trabalhos técnicos</h2>
<p>O avanço do processo depende agora da continuidade da perícia complementar e da análise das questões que permaneceram pendentes após a morte do perito anterior. O material técnico deverá auxiliar a avaliação da controvérsia contratual e dos valores discutidos, sem determinar automaticamente o resultado final.</p>
<p>Para a estrutura de investimento, o prazo de conclusão permanece uma variável relevante. Quanto maior o período necessário para a definição judicial, maior pode ser a distância entre o desembolso inicial e o eventual recebimento. A remuneração condicionada ao desfecho expõe o investidor tanto ao risco de resultado desfavorável quanto à incerteza sobre quando os direitos econômicos poderão ser convertidos em recursos.</p>
<p>Segundo informações divulgadas pela própria EvidJuri, sua carteira reúne processos avaliados em R$ 5,5 bilhões e honorários potenciais contratados de R$ 1,5 bilhão, sujeitos aos resultados das ações. A empresa também declarou ter como objetivo estruturar R$ 100 bilhões em direitos judiciais nos próximos anos. Esses números correspondem a estimativas e metas informadas pelo próprio escritório, não a valores já recebidos ou a uma medida independente do mercado.</p>
<p>No caso da Totvs, os próximos marcos decisivos continuam ligados à produção de provas e à avaliação judicial dos pedidos. Até que essas etapas sejam concluídas, a disputa permanece sem indenização definitiva, e a estimativa de R$ 500 milhões representa uma referência econômica para a operação privada, não um crédito garantido.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Superior Tribunal de Justiça &#8211; acórdão no agravo interno no AREsp 2.967.941/SP, julgamento sobre a manutenção da perícia complementar em fevereiro de 2026</em></p>
<p><em>Totvs &#8211; comunicado ao mercado de 20 de março de 2026, resposta à B3 sobre o processo judicial e a avaliação de risco da companhia</em></p>
<p><em>Totvs &#8211; fato relevante de 12 de abril de 2006 sobre a aquisição de 100% do capital da RM Sistemas por R$ 206 milhões</em></p>
<p><em>EvidJuri &#8211; informações institucionais sobre financiamento de litígios, direitos econômicos e carteira de processos judiciais</em></p>
<p><em>Folha de S.Paulo &#8211; informação publicada em 19 de outubro de 2026 sobre a participação de fundo ligado à Algarve Capital, co-gerido pelo Itaú Asset, na operação econômica relacionada à disputa</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Magazine Luiza registra maior volume mensal de vendas de 2026 em setembro</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/magazine-luiza-recorde-vendas-digitais</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alice Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2026 05:40:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Amazon]]></category>
		<category><![CDATA[comércio eletrônico]]></category>
		<category><![CDATA[Magalog]]></category>
		<category><![CDATA[Magazine Luiza]]></category>
		<category><![CDATA[marketplace]]></category>
		<category><![CDATA[MGLU3]]></category>
		<category><![CDATA[Shopee]]></category>
		<category><![CDATA[varejo brasileiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Magazine Luiza (MGLU3) encerrou setembro de 2026 com o maior volume mensal de vendas do ano, segundo apuração publicada pelo Radar Econômico, da revista Veja. O resultado teria acrescentado aproximadamente R$ 1 bilhão ao montante comercializado pela companhia e ocorreu em um período de retração das vendas reais do varejo brasileiro, marcado por dificuldades [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Magazine Luiza (MGLU3) encerrou setembro de 2026 com o maior volume mensal de vendas do ano, segundo apuração publicada pelo Radar Econômico, da revista Veja. O resultado teria acrescentado aproximadamente R$ 1 bilhão ao montante comercializado pela companhia e ocorreu em um período de retração das vendas reais do varejo brasileiro, marcado por dificuldades no consumo e diferenças importantes de desempenho entre os canais físicos e digitais.</p>
<p>A evolução representa um sinal positivo para a varejista, que vinha enfrentando dificuldades para ampliar as vendas pela internet. No segundo trimestre, o comércio eletrônico da companhia recuou 11,9% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto as lojas físicas avançaram 10,3%. A empresa registrou, no conjunto, uma queda de 5,1% nas vendas totais, para R$ 14,5 bilhões.</p>
<p>A informação sobre o desempenho de setembro ainda não vem acompanhada, na publicação que revelou o recorde, de uma abertura detalhada dos valores por canal ou da base de comparação utilizada para calcular o acréscimo de aproximadamente R$ 1 bilhão. Assim, não é possível determinar a contribuição individual do comércio eletrônico, das lojas físicas e das vendas realizadas por plataformas parceiras para o resultado mensal. Segundo o Radar Econômico, a companhia não comentou as informações quando procurada.</p>
<p>O desempenho é relevante porque antecede o período de maior concentração de campanhas promocionais do varejo, que inclui a Black Friday e as compras de fim de ano. Para o Magazine Luiza, a possibilidade de sustentar o crescimento dependerá tanto da capacidade de atrair consumidores quanto da preservação das margens em um ambiente no qual preço, crédito e custos de operação influenciam a decisão de compra.</p>
<h2>Crescimento da rede física e retração digital mudaram a composição das vendas</h2>
<p>Os resultados divulgados pelo Magazine Luiza para o segundo trimestre ajudam a dimensionar o desafio enfrentado pela companhia antes da recuperação informada em setembro. Entre abril e junho de 2026, as vendas totais somaram R$ 14,5 bilhões, ante R$ 15,3 bilhões no mesmo intervalo de 2025. A diferença representa uma redução de aproximadamente R$ 778 milhões, calculada a partir dos valores divulgados pela empresa.</p>
<p>O resultado foi determinado pela divergência entre os canais. As lojas físicas movimentaram R$ 5,18 bilhões no segundo trimestre, contra R$ 4,70 bilhões um ano antes. O aumento foi de aproximadamente R$ 485 milhões. Já o comércio eletrônico, considerando tanto o estoque próprio quanto as vendas de terceiros em marketplace, recuou de R$ 10,59 bilhões para R$ 9,33 bilhões, uma redução próxima de R$ 1,26 bilhão.</p>
<p>A retração digital superou, portanto, o avanço obtido nas lojas físicas. A diferença ajuda a explicar por que a expansão do canal presencial não foi suficiente para impedir a queda das vendas consolidadas no período.</p>
<p>A mudança também alterou a composição do negócio. No segundo trimestre de 2025, as lojas físicas respondiam por 30,7% das vendas totais. Um ano depois, a participação passou para 35,7%, avanço de cinco pontos percentuais. No sentido oposto, o comércio eletrônico perdeu participação, passando de 69,3% para 64,3%.</p>
<p>O desempenho das unidades físicas foi associado pela empresa, entre outros fatores, à comercialização de produtos relacionados à Copa do Mundo de Futebol, com destaque para televisores. A companhia também informou ter obtido ganho de participação de <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340884">mercado</a> nesse canal. O avanço, contudo, não elimina a necessidade de recuperar o segmento digital, que concentra a maior parcela de suas vendas.</p>
<p>No comércio eletrônico, a retração atingiu tanto as operações com mercadorias próprias quanto o marketplace. As vendas de estoque próprio, identificadas pela companhia como operação 1P, caíram 11,5% no segundo trimestre, para aproximadamente R$ 5,76 bilhões. No marketplace, modelo em que vendedores terceiros comercializam produtos por meio da plataforma, as vendas recuaram 12,6%, para cerca de R$ 3,57 bilhões.</p>
<p>Os números mostram que a dificuldade não estava restrita à comercialização de produtos mantidos diretamente no estoque da varejista. O desempenho negativo dos dois modelos indicava a necessidade de ampliar o alcance comercial e recuperar a atratividade dos canais digitais, mantendo o controle sobre os custos de aquisição de clientes e a rentabilidade das transações.</p>
<h2>Parcerias com marketplaces ampliam o alcance comercial</h2>
<p>A ampliação da distribuição em plataformas de terceiros passou a ocupar uma posição central na estratégia do Magazine Luiza para recuperar o crescimento digital. A iniciativa permite que a companhia apresente mercadorias de seu próprio estoque a consumidores que utilizam outros ambientes de compras, sem depender exclusivamente do tráfego gerado por seus sites e aplicativos.</p>
<p>A parceria com a Amazon, iniciada em meados de junho de 2026, já integrava o plano anunciado pela empresa no balanço do segundo trimestre. Na ocasião, a administração indicou a intenção de ampliar a presença do catálogo em canais externos e associou essa estratégia à retomada das vendas on-line sem abandonar a disciplina de rentabilidade.</p>
<p>Em 15 de outubro, o grupo iniciou uma nova parceria com a Shopee. O acordo abrange produtos de estoque próprio das marcas Magazine Luiza e KaBuM!, incluindo eletrodomésticos, eletroeletrônicos, móveis, jogos e artigos de informática. Os itens são disponibilizados na seção de lojas oficiais da plataforma, enquanto as entregas ficam sob responsabilidade da Magalog, operação logística do grupo.</p>
<p>A iniciativa amplia o acesso da companhia à audiência de outra plataforma digital e abre a possibilidade de utilizar ferramentas de comércio social, como transmissões ao vivo e vídeos de produtos. A estratégia combina distribuição, divulgação e logística, com o objetivo de aumentar o alcance comercial sem exigir que o consumidor inicie a jornada de compra nos canais próprios do grupo.</p>
<p>A expansão, porém, não garante, por si só, crescimento rentável. As vendas realizadas por marketplaces externos estão sujeitas às condições comerciais de cada plataforma, aos custos logísticos e às despesas relacionadas à aquisição de clientes. A contribuição efetiva para o resultado depende do volume adicional obtido e do retorno financeiro de cada operação.</p>
<p>A distinção entre canais também é importante para a leitura dos próximos balanços. Quando o Magazine Luiza comercializa mercadorias próprias em uma plataforma externa, a operação corresponde à venda de estoque próprio, ou 1P. Já o marketplace tradicional da companhia reúne produtos comercializados por vendedores terceiros. A entrada em novos canais externos busca ampliar a distribuição do estoque próprio e não deve ser confundida automaticamente com crescimento das vendas de terceiros no marketplace da empresa.</p>
<h2>Varejo nacional mantém pressão sobre bens duráveis</h2>
<p>O recorde informado em setembro ocorreu em um mercado com indicadores ainda desfavoráveis. O Índice Cielo do Varejo Ampliado apontou queda real de 3,9% nas vendas do comércio brasileiro na comparação com setembro de 2025. O resultado foi o pior para o mês desde 2020 e representou o 16º mês consecutivo de retração real do indicador.</p>
<p>A contração foi disseminada, mas atingiu com maior intensidade segmentos importantes para o Magazine Luiza. Segundo a Cielo, as vendas de bens duráveis e semiduráveis caíram 7,3% em termos reais, enquanto o grupo de serviços registrou recuo de 9%. Os bens não duráveis apresentaram queda mais moderada, de 0,7%, indicando maior resistência relativa dos gastos com produtos essenciais.</p>
<p>A diferença entre o desempenho dos segmentos ajuda a explicar por que os resultados de cada varejista podem divergir do movimento agregado. <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340885">Empresas</a> com maior exposição a eletrodomésticos, eletrônicos, móveis e outros bens duráveis estão sujeitas às oscilações das compras de maior valor, que podem ser adiadas quando o consumidor enfrenta restrições de orçamento ou de crédito.</p>
<p>No mesmo levantamento, o comércio eletrônico brasileiro registrou crescimento nominal de 5,1% em setembro, enquanto as lojas físicas tiveram queda nominal de 0,1%. Esses indicadores descrevem o conjunto do varejo e não podem ser utilizados diretamente para calcular o desempenho real do Magazine Luiza. Além de abrangerem empresas e segmentos distintos, os números do comércio eletrônico divulgados pela Cielo são nominais, sem descontar a inflação.</p>
<p>A comparação, ainda assim, mostra que os canais de venda tiveram comportamentos diferentes no período. O resultado geral do comércio eletrônico foi positivo em valores correntes, embora o varejo tenha continuado a registrar retração real. Nesse contexto, a volta do crescimento digital informada para o Magazine Luiza precisa ser analisada em conjunto com o volume efetivamente vendido e a evolução das margens.</p>
<p>Os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística também apontavam uma recuperação limitada do comércio até agosto. Na Pesquisa Mensal de Comércio, o volume de vendas do varejo cresceu 0,1% em relação a julho, após a queda de 0,8% registrada no mês anterior. Na comparação com agosto de 2025, a alta foi de 0,4%, enquanto o acumulado de janeiro a agosto chegou a 1,7%.</p>
<p>No varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, o volume de vendas caiu 0,2% na comparação mensal. A pesquisa do IBGE ainda não contemplava setembro na data de publicação desta reportagem, e a divulgação dos dados daquele mês estava prevista para 13 de novembro. Até lá, o indicador da Cielo constitui uma das referências disponíveis para acompanhar o desempenho agregado do comércio em setembro, embora adote metodologia própria.</p>
<p>A combinação entre os indicadores revela um mercado sem crescimento uniforme. Enquanto algumas empresas e canais conseguem ampliar suas vendas, os dados setoriais mostram que o consumo continuava pressionado. Por isso, o resultado mensal do Magazine Luiza não deve ser interpretado isoladamente como evidência de recuperação generalizada do varejo.</p>
<h2>Resultado financeiro ainda exige recuperação operacional</h2>
<p>A melhora informada para setembro precisa ser considerada à luz dos resultados financeiros apresentados pela varejista no trimestre anterior. Entre abril e junho, a receita líquida do Magazine Luiza somou R$ 8,9 bilhões, uma redução de 2,6% na comparação anual. O Ebitda ajustado, indicador de resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, atingiu R$ 708,8 milhões, com margem de 8%.</p>
<p>O lucro líquido ajustado, por sua vez, foi negativo em R$ 50,4 milhões, ante resultado positivo de R$ 1,8 milhão no segundo trimestre de 2025. Considerados os efeitos não recorrentes, o prejuízo contábil chegou a R$ 72,5 milhões. Os números mostram que a companhia ainda precisava recompor o desempenho financeiro, apesar do avanço nas vendas presenciais e da manutenção de uma margem operacional relevante.</p>
<p>A estrutura de caixa oferecia uma base para sustentar a estratégia comercial. Ao final de junho, o grupo informou posição total de caixa de R$ 5,8 bilhões e caixa líquido ajustado de R$ 800 milhões. A geração de caixa operacional foi de R$ 258,8 milhões no trimestre. Esses indicadores, entretanto, não eliminam a necessidade de avaliar se o crescimento das vendas digitais será suficiente para compensar os custos de distribuição e preservar a rentabilidade.</p>
<p>O avanço de setembro constitui um sinal favorável para a operação, mas ainda faltam dados públicos detalhados que permitam verificar sua composição e sustentabilidade. O acréscimo de aproximadamente R$ 1 bilhão informado pelo Radar Econômico não permite, sem uma base de comparação explicitada, calcular uma taxa de crescimento anual ou atribuir o resultado a uma única iniciativa comercial.</p>
<p>O próximo ponto de atenção será a capacidade do Magazine Luiza de manter o ritmo de vendas com a aproximação da Black Friday e do Natal. A evolução do comércio eletrônico, a contribuição dos marketplaces parceiros e o comportamento das lojas físicas serão determinantes para avaliar se o desempenho de setembro representa uma mudança consistente em relação à retração observada no primeiro semestre.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Magazine Luiza — divulgação de resultados do segundo trimestre de 2026, com dados de vendas por canal, receita, Ebitda, resultado líquido e posição de caixa.</em></p>
<p><em>Cielo — Índice Cielo do Varejo Ampliado de setembro de 2026, com variações reais do varejo, desempenho por segmento e indicadores dos canais físico e digital.</em></p>
<p><em>Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — Pesquisa Mensal de Comércio de agosto de 2026, com indicadores de volume de vendas e variações mensais, anuais e acumuladas.</em></p>
<p><em>B3 — cadastro da Magazine Luiza S.A. e confirmação do código de negociação MGLU3.</em></p>
<p><em>Estadão/Broadcast — informações sobre o início da parceria entre Magazine Luiza, KaBuM! e Shopee em outubro de 2026, categorias comercializadas e operação logística da Magalog.</em></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar dívida de R$ 827,4 milhões</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/ri-happy-recuperacao-extrajudicial-divida-827-milhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2026 01:38:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[BluSun Capital Partners]]></category>
		<category><![CDATA[dívida empresarial]]></category>
		<category><![CDATA[PBKids]]></category>
		<category><![CDATA[recuperação extrajudicial]]></category>
		<category><![CDATA[reestruturação financeira]]></category>
		<category><![CDATA[Ri Happy]]></category>
		<category><![CDATA[varejo de brinquedos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Grupo Ri Happy iniciou uma nova etapa de sua reestruturação financeira ao apresentar à Justiça de São Paulo, em 18 de outubro de 2026, um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas. A iniciativa envolve seis empresas ligadas à operação, incluindo as redes de brinquedos Ri Happy e PBKids, e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Grupo Ri Happy iniciou uma nova etapa de sua reestruturação financeira ao apresentar à Justiça de São Paulo, em 18 de outubro de 2026, um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas. A iniciativa envolve seis <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340988">empresas</a> ligadas à operação, incluindo as redes de brinquedos Ri Happy e PBKids, e busca reorganizar os compromissos financeiros sem interromper o funcionamento das lojas e dos canais digitais.</p>
<p>O requerimento foi protocolado 48 dias após a aquisição integral do grupo pela BluSun Capital Partners, anunciada em 31 de agosto. A mudança de controle marcou o retorno de Héctor Núñez à presidência da companhia, que já vinha adotando medidas administrativas para revisar custos, reorganizar equipes e adequar sua estrutura operacional.</p>
<p>Até a tarde de 19 de outubro, as informações publicadas sobre o caso indicavam que o pedido ainda aguardava decisão judicial. A apresentação da solicitação não significa que o plano tenha sido homologado nem que a empresa tenha entrado em falência. O resultado dependerá do cumprimento dos requisitos legais e da evolução das negociações com os credores abrangidos pela proposta.</p>
<p>A administração sustenta que a continuidade das operações é compatível com o processo de reorganização. As unidades físicas e as plataformas de comércio eletrônico permanecem em funcionamento, enquanto a empresa prepara suas atividades para a Black Friday e o Natal, períodos relevantes para a comercialização de brinquedos e produtos infantis.</p>
<h2>Renegociação depende da adesão dos credores</h2>
<p>Os dados divulgados sobre o pedido indicam que credores titulares de R$ 308,8 milhões em créditos já haviam aderido à proposta de renegociação. Esse montante foi apresentado como equivalente a 42,38% dos créditos abrangidos pelo plano, sinalizando que uma parcela relevante das partes envolvidas havia concordado em participar das tratativas.</p>
<p>A interpretação desses números exige uma distinção. O total de R$ 827,4 milhões informado para as dívidas do grupo não corresponde diretamente à base implícita no percentual de adesão divulgado. Considerando R$ 308,8 milhões equivalentes a 42,38%, o denominador utilizado para esse cálculo seria de aproximadamente R$ 728,6 milhões. A diferença em relação aos R$ 827,4 milhões é de cerca de R$ 98,8 milhões, sem que as informações publicadas até o momento esclareçam detalhadamente a composição dos dois valores.</p>
<p>A separação entre esses montantes é relevante para avaliar o andamento da renegociação. O valor total das dívidas atribuídas ao pedido não deve ser confundido automaticamente com o conjunto de créditos considerado para calcular a adesão ao plano. Sem a discriminação completa das obrigações abrangidas e das condições propostas, também não é possível determinar como os diferentes grupos de credores serão afetados.</p>
<p>Pela Lei nº 11.101, de 2005, a recuperação extrajudicial permite que uma empresa negocie diretamente com seus credores um plano para reorganizar obrigações financeiras. Nos casos em que a companhia busca estender os efeitos do plano a todos os credores de determinadas categorias abrangidas, a legislação exige adesão de titulares de mais da metade dos créditos de cada espécie incluída.</p>
<p>Por isso, o percentual global divulgado não basta, isoladamente, para concluir se o plano atende aos requisitos de homologação. A análise depende da natureza dos créditos contemplados, dos respectivos valores e da documentação apresentada à Justiça.</p>
<p>A companhia terá de demonstrar que a proposta cumpre as exigências legais aplicáveis. Após a tramitação pertinente, a homologação judicial poderá conferir ao acordo os efeitos previstos na legislação sobre os créditos abrangidos. Até que isso aconteça, o pedido deve ser tratado como uma iniciativa de reestruturação em andamento, e não como uma solução financeira já concluída.</p>
<h2>Histórico de renegociação bancária remonta a 2023</h2>
<p>A atual iniciativa ocorre depois de uma tentativa anterior de reorganização dos compromissos financeiros. Em agosto de 2023, a Ri Happy concluiu uma renegociação bancária de aproximadamente R$ 289 milhões com nove instituições financeiras. O acordo estendeu vencimentos que estavam concentrados naquele período para prazos de quatro e cinco anos, com compromissos que avançavam até 2027 e 2028.</p>
<p>Na ocasião, o Carlyle Group, então ligado ao controle da varejista, comprometeu-se a realizar um aporte de R$ 75 milhões. Os recursos seriam destinados ao capital de giro e ao abastecimento das lojas para datas comerciais importantes, incluindo o Dia das Crianças e o Natal.</p>
<p>A renegociação buscava ampliar o prazo para o pagamento das dívidas e dar melhores condições financeiras à operação. Entretanto, o documento apresentado no atual processo, conforme informações divulgadas sobre a petição, aponta que a recuperação esperada após o acordo anterior não se concretizou como previsto.</p>
<p>A comparação entre os valores ajuda a dimensionar a escala da nova iniciativa. Os R$ 827,4 milhões associados ao pedido de 2026 correspondem a aproximadamente 2,9 vezes os R$ 289 milhões renegociados em 2023. A diferença nominal é de R$ 538,4 milhões.</p>
<p>Esse cálculo, contudo, não significa necessariamente que a dívida original tenha crescido nesse mesmo ritmo. Os valores se referem a momentos distintos e podem contemplar conjuntos diferentes de obrigações. Para estabelecer uma evolução comparável do endividamento, seria necessário conhecer a composição atual dos passivos, os pagamentos realizados desde 2023, as novas obrigações assumidas e eventuais encargos acumulados.</p>
<p>A referência ao acordo anterior é relevante porque indica que a companhia já havia recorrido ao alongamento de dívidas e ao reforço de capital para enfrentar dificuldades financeiras. A nova recuperação extrajudicial amplia o alcance da tentativa de reorganização ao envolver diferentes empresas do grupo e um conjunto mais amplo de compromissos.</p>
<h2>Aquisição pela BluSun inaugura uma nova fase de ajustes</h2>
<p>A mudança de controle foi anunciada em 31 de agosto de 2026, quando a BluSun Capital Partners adquiriu 100% do Grupo Ri Happy. Os valores financeiros da transação não foram divulgados publicamente nas informações consultadas.</p>
<p>A operação também levou Héctor Núñez de volta ao comando da varejista. O executivo havia liderado a Ri Happy entre 2012 e 2020 e assumiu novamente a presidência com a tarefa de reorganizar a empresa e acompanhar suas prioridades comerciais.</p>
<p>Desde a aquisição, a gestão começou a revisar a estrutura corporativa e os custos operacionais. Entre as medidas divulgadas estão ajustes nas equipes administrativas e a preparação de uma mudança de sede. A companhia, porém, não detalhou publicamente a quantidade de funcionários afetados nem a <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340989">economia</a> esperada com essas iniciativas.</p>
<p>O pedido de recuperação extrajudicial indica que a revisão administrativa precisa ser acompanhada de uma reorganização das obrigações financeiras. A redução de despesas pode contribuir para preservar recursos disponíveis para a operação, mas sua efetividade depende também da capacidade de gerar caixa, manter o abastecimento e negociar prazos compatíveis com o fluxo de receitas.</p>
<p>A petição atribui parte das dificuldades a fatores econômicos e setoriais. Entre os elementos apontados estão os juros elevados, as consequências acumuladas da pandemia, a mudança nos hábitos de consumo, o endividamento das famílias e a redução do poder de compra. O grupo também menciona a concorrência de plataformas internacionais de comércio eletrônico, que, segundo sua avaliação, exerce pressão sobre os preços e as margens do varejo brasileiro.</p>
<p>Essas justificativas representam a avaliação apresentada pela companhia no contexto do pedido. Sem demonstrações financeiras detalhadas que permitam decompor o impacto de cada fator, não é possível atribuir a um elemento isolado a responsabilidade pelo valor total das dívidas.</p>
<h2>Operação comercial enfrenta o calendário de vendas do fim do ano</h2>
<p>A manutenção das lojas e do comércio eletrônico assume importância adicional porque a renegociação ocorre antes de duas das principais datas comerciais do varejo no Brasil: a Black Friday e o Natal.</p>
<p>Para a Ri Happy e a PBKids, o período envolve a organização de estoques, o planejamento de compras, a disponibilidade de produtos e a execução das estratégias comerciais. A continuidade dessas atividades depende do relacionamento com fornecedores, franqueados, administradoras de shopping centers e instituições financeiras, interlocutores citados pela administração como relevantes para a reorganização do negócio.</p>
<p>A empresa informou que as equipes permanecem concentradas na preparação para essas datas e que os canais de venda continuam funcionando normalmente. A declaração indica a intenção de evitar que as negociações financeiras provoquem interrupções no atendimento aos consumidores.</p>
<p>O resultado comercial do período, porém, ainda não pode ser antecipado. As informações divulgadas não apresentam projeções atualizadas de receita, margens, geração de caixa ou volume de vendas para o último trimestre de 2026. Tampouco há dados suficientes para avaliar quanto da receita prevista poderá ser destinado ao cumprimento dos compromissos financeiros renegociados.</p>
<p>O desempenho do fim do ano poderá fornecer elementos para avaliar a capacidade da companhia de sustentar suas operações durante a reestruturação. Ainda assim, o movimento das vendas, isoladamente, não determinará o resultado do processo: as condições negociadas com os credores e os prazos de pagamento também influenciarão a disponibilidade de caixa.</p>
<p>A administração afirma que o plano integra uma agenda mais ampla de reorganização, com foco no controle de custos, na gestão de liquidez e no ajuste da estrutura de capital às necessidades operacionais. Esses objetivos precisarão se traduzir em medidas concretas para que a empresa consiga conciliar o pagamento das obrigações com a manutenção dos estoques e das atividades comerciais.</p>
<h2>Homologação judicial definirá os próximos passos</h2>
<p>A recuperação extrajudicial distingue-se da recuperação judicial porque parte de negociações conduzidas diretamente entre a empresa e os credores. A legislação permite que o devedor solicite a homologação judicial do plano e estabelece requisitos específicos para que seus efeitos alcancem os créditos abrangidos.</p>
<p>O protocolo não equivale, por si só, a uma autorização definitiva para executar todas as condições propostas. O procedimento prevê a análise dos requisitos legais e, conforme a modalidade adotada, a possibilidade de manifestação dos credores nos termos estabelecidos pela Lei nº 11.101, de 2005.</p>
<p>A extensão de eventuais efeitos sobre cobranças e execuções também depende das condições legais aplicáveis. A recuperação extrajudicial não paralisa automaticamente todos os direitos dos credores, especialmente daqueles cujos créditos não estejam abrangidos pelo plano. A abrangência da proposta e o cumprimento dos requisitos de adesão são, portanto, aspectos centrais para determinar o alcance da proteção jurídica pretendida.</p>
<p>Para o Grupo Ri Happy, os próximos marcos envolvem a tramitação do pedido, a consolidação do apoio necessário e a definição das condições que poderão ser aplicadas aos créditos incluídos na renegociação. Os termos específicos de pagamento, os prazos pretendidos e o detalhamento das obrigações não estavam integralmente esclarecidos nas informações públicas consultadas até a tarde de 19 de outubro.</p>
<p>A companhia chega a essa etapa após uma troca de controle e depois de uma renegociação bancária realizada três anos antes. A combinação desses antecedentes torna a execução do plano financeiro um elemento central para a nova administração: será necessário conciliar a reorganização das dívidas com o funcionamento das operações e a capacidade de gerar recursos para sustentar o negócio.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Lei nº 11.101/2005 &#8211; regras sobre recuperação extrajudicial, adesão dos credores e homologação judicial</em></p>
<p><em>Ri Happy &#8211; página institucional sobre a origem e a trajetória da varejista de brinquedos</em></p>
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		<title>Localiza (RENT3) aprova debêntures de R$ 1 bilhão com prazo de 24 meses</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/localiza-emissao-debentures-1-bilhao-recompor-caixa</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 23:25:13 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Localiza&amp;Co (RENT3) aprovou em 19 de outubro de 2026 uma nova emissão de debêntures de R$ 1 bilhão, com vencimento em 24 meses e destinação dos recursos à recomposição do caixa da Localiza Rent a Car, braço de aluguel de veículos do grupo. A operação representa a 49ª emissão de debêntures da companhia desde o início de sua trajetória no <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341010">mercado</a> de capitais e a quarta aprovada pela empresa em 2026.</p>
<p>A oferta prevê a emissão de 1 milhão de títulos, cada um com valor nominal de R$ 1 mil. A remuneração será atrelada a 100% da taxa dos Depósitos Interfinanceiros (DI), acrescida de uma sobretaxa de 0,65% ao ano, com pagamento semestral de juros nos meses de abril e outubro. A Localiza Fleet S.A., subsidiária voltada à gestão e terceirização de frotas, atuará como fiadora e devedora solidária de todas as obrigações principais e acessórias da emissão.</p>
<p>A decisão ocorre em um exercício marcado por outras captações relevantes e por operações de reorganização do passivo financeiro. Considerando os valores autorizados para as quatro emissões da Localiza, o montante chega a R$ 12,07 bilhões. Com a emissão independente da Localiza Fleet, aprovada no mesmo ciclo de operações, o total alcança R$ 14,08 bilhões. Os valores correspondem aos montantes das ofertas aprovadas, não necessariamente ao dinheiro líquido que já ingressou no caixa.</p>
<p>O novo financiamento tem prazo menor que o das três emissões anteriores da Localiza mencionadas pela companhia em 2026, todas estruturadas com vencimento em 84 meses, equivalentes a sete anos. A redução para 24 meses concentra o pagamento do principal em um horizonte consideravelmente mais próximo e diferencia a operação das captações de prazo mais longo realizadas ao longo do exercício.</p>
<h2>Nova emissão tem prazo menor que as captações anteriores</h2>
<p>A estrutura financeira da operação combina títulos simples, não conversíveis em ações, remuneração pós-fixada e garantia fidejussória adicional. Na prática, os investidores não se tornam acionistas da Localiza ao comprar as debêntures. A companhia assume uma obrigação de dívida, com pagamento de juros e devolução do principal conforme as condições contratuais.</p>
<p>A remuneração vinculada à taxa DI acompanha a variação do indicador de referência do mercado interbancário, acrescida de 0,65 ponto percentual ao ano. Diferentemente de uma taxa prefixada, essa estrutura faz com que o custo dos juros varie de acordo com o comportamento do indicador durante a vigência dos títulos. O cronograma semestral de pagamentos prevê desembolsos em abril e outubro.</p>
<p>A garantia da Localiza Fleet acrescenta uma obrigação de pagamento por parte da subsidiária caso a emissora não cumpra os compromissos previstos na escritura. O documento também estabelece a responsabilidade solidária da garantidora. A operação, entretanto, não deve ser confundida com uma emissão integralmente lastreada em ativos específicos: os títulos são da espécie quirografária, com garantia fidejussória adicional.</p>
<p>O procedimento de distribuição seguirá o rito de registro automático previsto na regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Inicialmente, a oferta será destinada a investidores profissionais. A negociação dos títulos por investidores qualificados deverá ser permitida três meses depois do encerramento da distribuição, enquanto o acesso do público em geral está previsto para seis meses após essa conclusão.</p>
<p>Esses intervalos dizem respeito às condições estabelecidas para a negociação posterior dos papéis e não alteram o prazo contratual de 24 meses para o vencimento. A aprovação pelo conselho de administração também não significa, por si só, que todo o montante já tenha sido captado. A conclusão financeira da operação depende da execução da oferta e de suas formalidades.</p>
<h2>Emissões anteriores elevam o volume autorizado em 2026</h2>
<p>O histórico das captações autorizadas ajuda a dimensionar a operação de outubro. Em maio, a Localiza aprovou uma emissão de R$ 1,25 bilhão. Em junho, autorizou outra de R$ 1,8 bilhão. Ainda naquele mês, foi aprovada uma emissão de R$ 8,02 bilhões pela própria Localiza Rent a Car, acompanhada de uma operação separada de R$ 2,01 bilhões da Localiza Fleet.</p>
<p>Somados os três montantes da emissora, as ofertas anteriores totalizam R$ 11,07 bilhões. Com a nova captação de R$ 1 bilhão, o valor chega a R$ 12,07 bilhões. A parcela da Localiza Fleet acrescenta R$ 2,01 bilhões ao volume das operações aprovadas no ano, elevando a soma para R$ 14,08 bilhões.</p>
<p>A comparação demonstra que a emissão de outubro é menor do que a operação aprovada em junho pela companhia, mas adiciona uma fonte de financiamento com características diferentes das anteriores. Enquanto as emissões precedentes citadas tinham vencimento em sete anos, a nova oferta reduz o prazo para dois anos.</p>
<p>O alongamento ou a concentração dos vencimentos influencia o planejamento financeiro de uma empresa. Captações de prazo mais longo distribuem a obrigação de devolver o principal por um período maior. Em contrapartida, uma dívida com vencimento em 24 meses exige que a companhia organize antecipadamente os recursos para o pagamento ou avalie alternativas de refinanciamento perto do vencimento. Essa é uma implicação contratual do prazo estabelecido, não uma indicação de que a empresa necessariamente precisará renegociar a obrigação.</p>
<p>A operação de outubro também se insere em uma estratégia mais ampla de gestão do passivo. No segundo trimestre, a Localiza informou que, em julho, concluiu uma operação de troca de títulos que envolveu a rolagem de aproximadamente R$ 7 bilhões em dívidas. Segundo a companhia, a transação contribuiu para alongar o prazo médio do endividamento e reduzir seu custo médio.</p>
<p>A troca de dívida existente e a emissão de novos títulos para recomposição de caixa, contudo, cumprem funções distintas. Na primeira, a empresa reorganiza obrigações já contratadas, alterando suas condições ou datas de vencimento. Na segunda, busca recursos adicionais para fortalecer a disponibilidade financeira. Embora ambas integrem a gestão do passivo, não se deve somar automaticamente o valor de uma rolagem de dívida ao das emissões como se todo o montante representasse dinheiro novo recebido pela companhia.</p>
<h2>Endividamento e investimento na frota ajudam a explicar a demanda por caixa</h2>
<p>Os dados financeiros mais recentes disponíveis na data da aprovação da nova emissão eram os do segundo trimestre de 2026, divulgado em agosto. No encerramento de junho, a Localiza registrava dívida líquida consolidada de R$ 32,352 bilhões, alta de 4,2% em relação aos R$ 31,052 bilhões apurados no fim de 2025. Em valores absolutos, o aumento foi de R$ 1,3 bilhão.</p>
<p>A dívida líquida considera o endividamento descontados o caixa, os equivalentes de caixa e as aplicações financeiras, além dos ajustes definidos pela metodologia utilizada pela companhia. O indicador oferece uma visão mais ampla da posição financeira do que o saldo isolado das obrigações brutas, mas não representa, por si só, uma avaliação completa da capacidade de pagamento.</p>
<p>Na mesma data, a empresa mantinha R$ 11,39 bilhões em caixa. O relatório de resultados informou que esse montante era suficiente para cobrir a dívida de curto prazo e as obrigações com montadoras. Esse dado descreve a posição de 30 de junho, não o saldo disponível na data de aprovação da emissão, quase quatro meses depois. Movimentos de caixa, investimentos, pagamentos, novas dívidas e amortizações podem alterar a posição financeira nesse intervalo.</p>
<p>A emissão de R$ 1 bilhão equivale a aproximadamente 3,1% da dívida líquida informada no fim do segundo trimestre. O cálculo é uma comparação de escala entre o valor nominal da nova oferta e o estoque histórico de dívida líquida; não representa redução automática do endividamento nem mede sozinho o impacto da operação sobre a liquidez.</p>
<p>O destino anunciado para os recursos é a recomposição do caixa da Localiza Rent a Car. A finalidade ganha contexto quando comparada às necessidades de investimento do negócio de locação, que exige compras frequentes de veículos, renovação da frota e posterior venda dos automóveis usados.</p>
<p>No primeiro semestre, o caixa gerado pelas atividades de aluguel somou R$ 5,211 bilhões. No mesmo período, o investimento líquido em veículos, incluindo o México, consumiu R$ 5,248 bilhões. Portanto, o desembolso líquido com a frota superou em R$ 37 milhões o caixa gerado pelas atividades de aluguel, antes de considerados os demais componentes do fluxo financeiro.</p>
<p>Os investimentos em outros ativos imobilizados consumiram mais R$ 161 milhões. Ao mesmo tempo, o aumento de R$ 2,03 bilhões nas contas a pagar a fornecedores de veículos contribuiu para compensar parte dessas saídas. Com esses movimentos, a companhia reportou geração de caixa de R$ 1,832 bilhão antes de juros e outros itens no primeiro semestre.</p>
<p>A composição dos números evidencia a importância do capital necessário à operação. A atividade de aluguel produz caixa, mas a expansão e a renovação da frota demandam recursos elevados. A venda de seminovos também participa desse ciclo, permitindo a recuperação de parte do capital investido nos veículos. A necessidade de financiar as diferentes etapas do negócio ajuda a contextualizar a decisão de buscar recursos para recompor o caixa, sem que isso, isoladamente, permita concluir que houve deterioração da liquidez.</p>
<h2>Resultados operacionais mantêm o contexto da estratégia financeira</h2>
<p>A necessidade de financiamento deve ser analisada em conjunto com o desempenho operacional. No segundo trimestre, a receita líquida consolidada da Localiza&amp;Co chegou a R$ 12,3 bilhões, avanço de 24,5% em relação ao mesmo período de 2025. O Ebitda, indicador de resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, atingiu R$ 3,8 bilhões, alta de 14,1% na comparação anual.</p>
<p>O lucro líquido foi de R$ 1,003 bilhão, crescimento de 30,6% em relação ao lucro líquido ajustado do segundo trimestre do ano anterior. A comparação utiliza a base ajustada porque, em 2025, a companhia reconheceu uma baixa de R$ 937 milhões em créditos tributários associados a prejuízos fiscais da antiga Locamerica.</p>
<p>Os resultados indicam que a decisão de captar recursos ocorre em paralelo a uma operação com crescimento de receita, Ebitda e lucro líquido. Isso não elimina a importância do endividamento ou das necessidades de caixa, mas impede que a emissão seja interpretada, sem outras evidências, como prova de dificuldade financeira. A finalidade declarada pela empresa é recompor o caixa, enquanto os resultados e os indicadores de dívida fornecem parâmetros para acompanhar a execução dessa estratégia.</p>
<p>Na avaliação do passivo, também importa distinguir a dívida líquida do custo financeiro dos títulos. Em junho, a empresa informou que R$ 8,87 bilhões de sua dívida líquida estavam expostos à variação do CDI, enquanto R$ 23,482 bilhões estavam protegidos por operações de swap, que transformavam a exposição daquela parcela em taxa prefixada. A taxa média ponderada informada para a parcela protegida era de 12,30% ao ano, acrescida dos spreads das captações correspondentes.</p>
<p>A nova emissão, por sua vez, terá remuneração diretamente vinculada à taxa DI, com sobretaxa de 0,65% ao ano. O custo efetivo dependerá do indicador ao longo da operação, e não apenas da taxa observada no momento da aprovação. Essa característica deve ser considerada na leitura do custo futuro da dívida, assim como o prazo relativamente curto para a devolução do principal.</p>
<p>O próximo ponto relevante será a execução da oferta e a formalização dos títulos, seguida pelo acompanhamento da evolução do caixa, da dívida líquida e do calendário de vencimentos. A divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026 está prevista pela companhia para 5 de novembro, após o fechamento do mercado. Os dados desse período permitirão atualizar a análise da posição financeira depois das movimentações registradas no segundo semestre.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Localiza&amp;Co &#8211; divulgação de resultados do segundo trimestre de 2026, com dados de receita, Ebitda, lucro líquido, dívida líquida, caixa e fluxo de caixa do primeiro semestre</em></p>
<p><em>Localiza Rent a Car S.A. &#8211; comunicado ao mercado sobre a 47ª emissão de debêntures, aprovada em junho de 2026</em></p>
<p><em>Localiza&amp;Co e Localiza Fleet S.A. &#8211; comunicado ao mercado referente à 48ª emissão da Localiza Rent a Car e à 21ª emissão da subsidiária, publicado em junho de 2026</em></p>
<p><em>UOL &#8211; informações sobre as condições financeiras, o vencimento, a remuneração e as regras de distribuição da emissão aprovada em 19 de outubro de 2026</em></p>
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		<title>Seara mira 100 mil clientes e quer crescer seis vezes mais que mercado de restaurantes</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/seara-food-solutions-restaurantes-crescimento-mercado-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 23:05:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Seara aposta em pequenos restaurantes para crescer seis vezes mais que o mercado em 2026. Setor de alimentação fora do lar deve movimentar R$ 540 bilhões.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-metric-area="topo-noticia" data-v-d559f1f7="">
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<p>A Seara, empresa de alimentos do grupo JBS, pretende ampliar suas vendas no mercado brasileiro de alimentação fora do lar em um ritmo seis vezes superior à média estimada para o setor em 2026. A estratégia está concentrada em pequenos e médios estabelecimentos, que representam aproximadamente 80% da carteira da Seara Food Solutions, divisão especializada no atendimento a restaurantes, bares, lanchonetes, hotéis e redes de alimentação. Segundo informações divulgadas pela companhia nesta segunda-feira (19), a unidade atende cerca de 100 mil clientes, direta e indiretamente, e acumulou crescimento de 50% no faturamento nos últimos três anos.</p>
<p>A expansão ocorre em um <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341036">mercado</a> que deverá movimentar R$ 540 bilhões em 2026, segundo projeção da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). O valor representa aumento de aproximadamente 9% em relação aos R$ 495 bilhões registrados em 2025. Ao mesmo tempo, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) estima crescimento real de 2% a 2,5% nas vendas da indústria alimentícia brasileira, sinalizando uma expansão mais moderada da atividade produtiva.</p>
<p>Criada em 2019, a Seara Food Solutions passou a operar com estratégia comercial, gestão e equipes próprias, deixando de funcionar apenas como um canal de distribuição de produtos da fabricante. A divisão oferece alimentos, suporte técnico, desenvolvimento de receitas, orientação sobre cardápios e treinamento para equipes dos estabelecimentos atendidos. Para pequenos operadores, a companhia informa que disponibiliza compras diretas com pedidos mínimos de R$ 400, condição destinada a ampliar o acesso de <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341034">negócios</a> que não possuem a mesma capacidade de compra das grandes redes.</p>
<p>A estratégia busca aproveitar a pulverização do mercado brasileiro de alimentação fora do lar, formado majoritariamente por pequenos empreendimentos. Entretanto, o crescimento do faturamento não elimina os desafios de rentabilidade. Dados recentes da Abrasel mostram que parcela relevante dos estabelecimentos continua enfrentando dificuldades para transformar o aumento das vendas em lucro, cenário que reforça a importância de soluções voltadas à redução de desperdícios, controle de custos e produtividade.</p>
<h2>Seara Food Solutions acumula crescimento de 50% em três anos</h2>
<p>A expansão da Seara Food Solutions nos últimos anos constitui um dos principais argumentos da empresa para sustentar sua estratégia comercial em 2026. Segundo os números divulgados pela companhia, o faturamento da unidade cresceu 50% no acumulado dos últimos três anos. A área também registra taxas anuais de expansão de dois dígitos há cinco anos, com crescimento superior a 10% em cada um dos dois últimos exercícios.</p>
<p>Considerando uma evolução acumulada de 50% distribuída por três períodos anuais, o crescimento médio composto corresponderia a aproximadamente 14,5% ao ano. Trata-se de um cálculo indicativo, que não significa que o faturamento tenha avançado exatamente nesse percentual em cada exercício. A empresa não detalhou, na divulgação, os valores absolutos de receita da unidade nem a evolução anual completa de seus resultados.</p>
<p>A distinção entre crescimento acumulado e desempenho anual é importante para avaliar o ritmo de expansão. Uma empresa pode registrar aumento expressivo de faturamento em determinado período, sem necessariamente apresentar crescimento proporcional de volumes comercializados. Mudanças nos preços, no conjunto de produtos vendidos e na composição da carteira de clientes também influenciam a receita.</p>
<p>A meta de crescer seis vezes mais que o mercado foi apresentada pela Seara como uma comparação com o ritmo esperado para o setor. Entretanto, a referência divulgada para a companhia é o volume de vendas, enquanto a estimativa de 2% a 2,5% da Abia diz respeito ao crescimento real das vendas da indústria de alimentos. Como os indicadores possuem bases e abrangências diferentes, não é possível converter automaticamente a meta da Seara em uma taxa exata de crescimento sem informações metodológicas adicionais.</p>
<p>O objetivo evidencia, ainda assim, a intenção da fabricante de ampliar sua participação no fornecimento de alimentos destinados ao consumo fora do domicílio. A concretização dessa estratégia dependerá da conquista de novos clientes, do aumento da frequência de pedidos e da capacidade de atendimento em diferentes regiões do país.</p>
<h2>Pequenos e médios estabelecimentos representam 80% da carteira</h2>
<p>A decisão de priorizar estabelecimentos de menor porte acompanha a estrutura do mercado brasileiro. Levantamento da Abia em parceria com a Wise Sales identificou 1.199.142 estabelecimentos de alimentação fora do lar, considerando restaurantes, bares, lanchonetes, cozinhas voltadas ao delivery e outros formatos de operação. Desse total, 864.123 são classificados como pequenos negócios, equivalentes a 72,04% da base pesquisada.</p>
<p>Os estabelecimentos de médio porte somam 173.157 unidades, ou 14,44% do total. Já os grandes operadores representam 161.862 estabelecimentos, participação de aproximadamente 13,5%. Os dados mostram que o mercado é bastante fragmentado, embora grandes redes possam concentrar volumes relevantes de compra.</p>
<p>Na carteira da Seara Food Solutions, pequenos e médios operadores respondem por aproximadamente oito em cada dez clientes. Considerando a base informada de 100 mil atendimentos diretos e indiretos, a proporção corresponderia a cerca de 80 mil clientes dessas categorias. O cálculo é apenas uma aproximação, pois a divulgação não separa os estabelecimentos atendidos diretamente daqueles alcançados por distribuidores.</p>
<p>A presença de pequenos empreendimentos representa uma oportunidade comercial, mas também impõe desafios específicos. Estabelecimentos com menor capacidade financeira costumam trabalhar com estoques reduzidos, pedidos mais frequentes e maior sensibilidade às oscilações de preços. Isso exige uma estrutura de distribuição diferente daquela utilizada para atender grandes redes, que normalmente compram volumes mais elevados e possuem maior previsibilidade de demanda.</p>
<p>Para a indústria, a pulverização da carteira pode reduzir a dependência de poucos compradores, mas aumenta a complexidade logística. O atendimento de milhares de pontos de venda exige planejamento de rotas, controle de entregas, manutenção da cadeia de refrigeração e capacidade de responder a pedidos de diferentes tamanhos.</p>
<h2>Pedidos a partir de R$ 400 buscam ampliar acesso dos pequenos negócios</h2>
<p>Uma das iniciativas comerciais da Seara Food Solutions é permitir pedidos diretos a partir de R$ 400, conforme as condições informadas pela empresa. O valor estabelece uma porta de entrada para estabelecimentos que não possuem escala suficiente para compras de maior porte. A medida pode facilitar o abastecimento de restaurantes independentes e pequenos negócios que precisam administrar cuidadosamente o capital de giro.</p>
<p>Para o operador, compras menores podem reduzir a quantidade de recursos imobilizados em estoques. Essa característica é relevante para estabelecimentos que trabalham com produtos perecíveis e precisam equilibrar abastecimento, espaço de armazenamento e consumo diário. Entretanto, pedidos reduzidos também podem elevar a frequência de entregas e os custos logísticos envolvidos na operação.</p>
<p>O valor mínimo, isoladamente, não permite concluir que a compra direta seja economicamente mais vantajosa do que o abastecimento por distribuidores locais. A comparação depende dos preços praticados, das condições de pagamento, da frequência das entregas e das despesas associadas ao armazenamento e ao preparo. Também é necessário considerar a disponibilidade efetiva desse modelo de atendimento em cada região.</p>
<p>Para a indústria, a viabilidade financeira de operações com pedidos menores depende da eficiência da distribuição. Uma alternativa é combinar o atendimento direto em determinadas localidades com parceiros comerciais em mercados mais dispersos. A companhia não apresentou, na divulgação, uma divisão detalhada da participação de cada modalidade em sua carteira de clientes.</p>
<p>A estratégia da Seara indica uma tentativa de ampliar a presença entre estabelecimentos que, historicamente, dependem de atacadistas e distribuidores regionais. O resultado comercial dependerá não apenas do preço dos alimentos, mas também da regularidade das entregas e da capacidade de oferecer produtos adequados às necessidades de cada operador.</p>
<h2>Consultoria e desenvolvimento de cardápios passam a integrar o negócio</h2>
<p>A Seara Food Solutions também procura ampliar sua relação com restaurantes e outros estabelecimentos por meio de serviços técnicos. A companhia informa que sua equipe pode orientar clientes no desenvolvimento de receitas, na organização de cardápios e na escolha dos produtos mais adequados à estrutura operacional. O atendimento considera fatores como equipamentos disponíveis, quantidade de funcionários, perfil dos consumidores e volume de produção.</p>
<p>Joice Fernandes, diretora da Seara Food Solutions, afirmou que a proposta da companhia é compreender as necessidades de cada operador antes de definir os produtos oferecidos. A executiva explicou que a criação de uma unidade de negócios independente permitiu estruturar equipes e processos específicos para o mercado de alimentação fora do lar. O modelo busca aproximar a fabricante das decisões operacionais dos restaurantes.</p>
<p>Essa abordagem representa uma mudança na relação tradicional entre fornecedores e estabelecimentos. Em vez de competir exclusivamente pela venda de alimentos, a indústria procura participar de etapas relacionadas à preparação, ao rendimento dos ingredientes e à composição do cardápio. A estratégia pode ampliar a frequência de compras, mas também exige capacidade técnica para atender negócios com características distintas.</p>
<p>A engenharia de cardápios é especialmente relevante para restaurantes que enfrentam pressão sobre margens. O processo envolve avaliar o custo dos ingredientes, o rendimento das receitas, a demanda por determinados pratos e a contribuição de cada item para o resultado do estabelecimento. Alterações na composição dos produtos ou nos procedimentos de preparo podem influenciar o custo de produção sem necessariamente exigir aumento de preços ao consumidor.</p>
<p>Entretanto, serviços de consultoria fornecidos por fabricantes também possuem interesses comerciais próprios. O restaurante deve avaliar se as soluções propostas são competitivas em relação às alternativas disponíveis no mercado. A eficiência operacional precisa ser medida por resultados concretos, como redução de desperdício, estabilidade de custos e melhora da rentabilidade.</p>
<h2>Mercado de alimentação fora do lar deve movimentar R$ 540 bilhões</h2>
<p>A expansão planejada pela Seara ocorre em um setor de grande dimensão econômica. A Abrasel projeta que bares e restaurantes movimentem aproximadamente R$ 540 bilhões em 2026, ante R$ 495 bilhões no ano passado. O aumento nominal esperado é de cerca de 9,1%, enquanto o faturamento de 2024 havia alcançado R$ 455 bilhões.</p>
<p>Os dados mostram uma trajetória de crescimento do consumo fora de casa, embora o faturamento nominal não permita determinar, isoladamente, quanto desse avanço decorre de maior volume de refeições ou de reajustes de preços. A evolução real da atividade depende da inflação específica do setor e das mudanças no comportamento de consumo. Também existem diferenças entre o desempenho de grandes redes, restaurantes independentes e operações concentradas em entregas.</p>
<p><strong>Principais indicadores do mercado de alimentação fora do lar</strong></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<th>Indicador</th>
<th>Valor</th>
</tr>
<tr>
<td>Faturamento de bares e restaurantes em 2024</td>
<td>R$ 455 bilhões</td>
</tr>
<tr>
<td>Faturamento de bares e restaurantes em 2025</td>
<td>R$ 495 bilhões</td>
</tr>
<tr>
<td>Projeção de faturamento para 2026</td>
<td>R$ 540 bilhões</td>
</tr>
<tr>
<td>Crescimento nominal projetado para 2026</td>
<td>Cerca de 9%</td>
</tr>
<tr>
<td>Vendas da indústria ao food service em 2025</td>
<td>R$ 287,9 bilhões</td>
</tr>
<tr>
<td>Estabelecimentos mapeados pela Abia e Wise Sales</td>
<td>1,2 milhão</td>
</tr>
<tr>
<td>Participação dos pequenos estabelecimentos nessa base</td>
<td>72,04%</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><em>Fontes: Abrasel e Abia, com dados da Wise Sales. Os valores de faturamento dos estabelecimentos e de vendas industriais possuem metodologias e abrangências distintas.</em></p>
<p>Um ponto importante é a diferença entre os R$ 540 bilhões projetados pela Abrasel e os R$ 287,9 bilhões contabilizados pela Abia. O primeiro indicador corresponde ao faturamento estimado de bares e restaurantes, enquanto o segundo representa as vendas da indústria de alimentos destinadas ao canal de alimentação fora do lar. Não são receitas equivalentes e os valores não devem ser somados para dimensionar o mercado.</p>
<p>Os estabelecimentos de alimentação incorporam aos preços cobrados dos consumidores outros componentes além dos alimentos comprados da indústria. Entre eles estão despesas com funcionários, aluguel, energia, tributos, operação e margem comercial. Por essa razão, o faturamento final do restaurante pode ser significativamente diferente do valor pago aos fornecedores de ingredientes e produtos industrializados.</p>
<p>A Abia informou que o food service respondeu por 28,3% do faturamento da indústria de alimentos no mercado interno em 2025. A participação demonstra a importância do canal para fabricantes que antes concentravam parte maior de suas vendas no varejo tradicional. A perspectiva de expansão do consumo fora do domicílio tende a aumentar a competição entre indústrias por esse mercado.</p>
<h2>Vendas crescem, mas apenas 40% dos restaurantes registraram lucro em agosto</h2>
<p>Apesar do avanço da atividade, a rentabilidade continua sendo um problema para grande parte dos estabelecimentos. Pesquisa da Abrasel divulgada em 2 de outubro mostrou que 40% dos bares e restaurantes consultados registraram lucro em agosto. Outros 40% ficaram em equilíbrio financeiro, enquanto 19% apresentaram prejuízo e 1% não existia no período de referência.</p>
<p>O levantamento também identificou perda de ritmo na comparação mensal. Em agosto, 35% dos estabelecimentos tiveram aumento de faturamento em relação a julho, enquanto 26% mantiveram suas receitas e 38% registraram queda. No levantamento referente a julho, a parcela de <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341035">empresas</a> com crescimento mensal havia sido de 46%.</p>
<p>O contraste demonstra que a expansão do setor não acontece de maneira uniforme. Embora o Índice Abrasel-Stone tenha registrado crescimento de 7,4% nas vendas em agosto na comparação anual, o indicador apresentou retração de 0,2% em relação ao mês anterior. Isso significa que a atividade permaneceu acima do nível observado em 2025, mas perdeu intensidade no curto prazo.</p>
<p>A dificuldade para reajustar os preços também preocupa os empresários. Segundo a pesquisa, 38% dos estabelecimentos afirmaram não conseguir aumentar os valores cobrados dos consumidores. Outros 34% aplicaram reajustes equivalentes à inflação, enquanto 22% elevaram os preços em proporção inferior e apenas 6% conseguiram aumentos superiores à inflação.</p>
<p>Esse cenário limita a capacidade de repassar custos operacionais. Restaurantes precisam absorver despesas com alimentos, mão de obra, aluguel, energia e logística, mas enfrentam resistência dos consumidores a preços mais elevados. A pressão torna a eficiência produtiva um fator central na formação das margens.</p>
<p>A existência de fornecedores capazes de oferecer produtos padronizados, apoio técnico e previsibilidade de abastecimento pode contribuir para esse processo. Entretanto, o impacto financeiro dependerá dos preços praticados e das condições reais de utilização dos produtos. O benefício para o operador precisa ser demonstrado na sua própria estrutura de custos.</p>
<h2>Indústria vendeu R$ 287,9 bilhões ao food service em 2025</h2>
<p>A Abia informou que as vendas da indústria de alimentos e bebidas destinadas ao food service alcançaram R$ 287,9 bilhões em 2025. O valor representou crescimento nominal de 10,1% em relação ao ano anterior e respondeu por mais de um quarto do faturamento doméstico das fabricantes. O dado mostra que o consumo fora de casa se consolidou como um importante destino dos produtos industrializados.</p>
<p>No conjunto de suas atividades, a indústria brasileira de alimentos e bebidas faturou R$ 1,388 trilhão em 2025, considerando mercado interno e exportações. O mercado doméstico respondeu por aproximadamente R$ 1,02 trilhão, distribuído entre o varejo e o canal de alimentação fora do lar. A indústria também registrou crescimento real de 2,2% nas vendas no período.</p>
<p>Para 2026, a entidade projeta expansão real de 2% a 2,5%. O resultado dependerá da continuidade da demanda doméstica e do comportamento dos custos industriais. Embalagens, energia, transporte e matérias-primas agrícolas permanecem entre os fatores acompanhados pelas empresas do setor.</p>
<p>O aumento das vendas ao food service pode incentivar fabricantes a desenvolver produtos específicos para restaurantes. Porções padronizadas, alimentos pré-preparados e soluções que reduzam etapas de produção podem atender operadores com equipes pequenas e estrutura limitada. Em contrapartida, produtos destinados a esse canal precisam oferecer custos e rendimentos compatíveis com o modelo de negócios de cada estabelecimento.</p>
<p>A estratégia comercial da Seara está alinhada a essa tendência, mas envolve desafios adicionais de distribuição. O crescimento de uma carteira formada por pequenos clientes exige escala operacional e controle rigoroso dos custos de atendimento. Sem esses fatores, o aumento das vendas pode não se traduzir em crescimento proporcional da rentabilidade.</p>
<h2>Setor abriu mais de 420 mil empresas em 2025</h2>
<p>O levantamento da Abia e da Wise Sales identificou aproximadamente 420 mil novas empresas de alimentação fora do lar abertas em 2025. Desse total, 354.206 eram microempreendedores individuais e outras 65.887 pertenciam a categorias empresariais diferentes do MEI. A movimentação demonstra a capacidade do setor de atrair novos empreendedores, especialmente em atividades que permitem começar com estruturas relativamente pequenas.</p>
<p>Entretanto, os dados também evidenciam elevada rotatividade. No mesmo ano, foram registrados 220.563 encerramentos de MEIs e 56.624 fechamentos de empresas fora desse regime. As estatísticas mostram que a abertura de negócios não representa necessariamente expansão permanente da base de estabelecimentos ativos.</p>
<p>Outro movimento relevante foi a migração de empresas para estruturas maiores. Segundo a pesquisa, 288.741 negócios deixaram a categoria de microempreendedor individual e passaram a outros enquadramentos empresariais. A transformação pode estar relacionada ao aumento do porte das operações, à expansão do faturamento ou a mudanças na organização dos estabelecimentos.</p>
<p>O fenômeno cria oportunidades diferentes para fornecedores de alimentos. Empresas recém-criadas podem demandar produtos de menor volume e apoio técnico básico, enquanto negócios em expansão tendem a precisar de maior regularidade de abastecimento e estruturas de compra mais profissionais. A capacidade de acompanhar essas etapas pode influenciar a permanência do cliente na carteira.</p>
<p>A presença de milhares de novos operadores também aumenta a concorrência entre restaurantes. Em mercados locais com grande quantidade de estabelecimentos, preços, qualidade, conveniência e eficiência operacional passam a desempenhar papel decisivo. Para a indústria, ampliar a base de clientes exige compreender essas diferenças e adaptar a oferta comercial.</p>
<h2>Interiorização e delivery ampliam oportunidades para fornecedores</h2>
<p>O crescimento do food service brasileiro também ocorre fora dos grandes centros urbanos. O levantamento da Abia e da Wise Sales mostra que a região Sudeste concentra 47,65% dos estabelecimentos pesquisados, seguida pelo Nordeste, com 21,96%, e pelo Sul, com 15,47%. Centro-Oeste e Norte respondem, respectivamente, por aproximadamente 8,68% e 6,23%.</p>
<p>A distribuição regional demonstra o potencial de expansão para cidades médias e municípios do interior. Entretanto, quanto maior a dispersão geográfica dos clientes, maiores tendem a ser as exigências de planejamento logístico. A entrega de alimentos refrigerados ou congelados requer controle de temperatura, regularidade de abastecimento e infraestrutura adequada.</p>
<p>O avanço do delivery também modificou as necessidades dos operadores. Restaurantes passaram a organizar cardápios, embalagens e linhas de produção considerando não apenas o consumo presencial, mas também a preparação de pedidos para entrega. Essa mudança favorece a busca por produtos com rendimento previsível e tempo de preparo compatível com os horários de maior demanda.</p>
<p>Uma pesquisa apresentada pela Abrasel em setembro, realizada com 1.710 gestores em parceria com a 99Food, mostrou que os aplicativos já respondiam por 58% das vendas de delivery nos estabelecimentos pesquisados. O levantamento também apontou que 78% utilizavam a mesma linha de produção para atendimento presencial e entregas. Aproximadamente um terço dos negócios operava no limite da capacidade nos horários de pico.</p>
<p>Esses números ilustram a importância de organizar as operações internas. Um restaurante que aumenta suas vendas por aplicativos sem ampliar a eficiência da cozinha pode enfrentar atrasos, desperdícios e dificuldades para manter a qualidade dos produtos. Nesse contexto, a padronização de ingredientes e processos pode se tornar relevante para a produtividade.</p>
<p>A capacidade de atender operadores com modelos de negócio distintos, incluindo cozinhas exclusivas para entrega e restaurantes tradicionais, pode representar uma vantagem comercial. Entretanto, isso exige conhecimento das condições de consumo e custos de cada região. A expansão nacional depende, portanto, tanto da oferta de produtos quanto da adaptação da estrutura de atendimento.</p>
<h2>JBS amplia presença no food service, mas custos pressionam resultados da Seara</h2>
<p>A estratégia de expansão no fornecimento para restaurantes ocorre em um momento de transformação do portfólio da JBS. A Seara participa tanto do mercado de alimentos destinados ao consumo doméstico quanto do fornecimento a empresas de alimentação fora do lar. Essa diversificação permite atuar em canais com características distintas de preços, volumes e distribuição.</p>
<p>Nos resultados consolidados apresentados pela JBS para o primeiro semestre de 2026, o segmento Seara registrou receita líquida de aproximadamente US$ 4,94 bilhões, aumento de 14,4% em relação ao mesmo período de 2025. O EBITDA ajustado do segmento, entretanto, recuou 8,3%, para aproximadamente US$ 749,7 milhões. A companhia atribuiu a pressão sobre o resultado principalmente aos custos mais elevados de matérias-primas e salários.</p>
<p>Os números dizem respeito ao segmento Seara como um todo e não correspondem exclusivamente à Seara Food Solutions. Portanto, não é possível utilizar o EBITDA consolidado para medir diretamente a rentabilidade do canal de alimentação fora do lar. Ainda assim, os dados mostram que o crescimento das receitas pode ocorrer simultaneamente à redução do resultado operacional.</p>
<p>Essa diferença é relevante para avaliar estratégias de expansão. A conquista de novos clientes e o aumento das vendas precisam ser acompanhados por controle de custos industriais, despesas comerciais e eficiência logística. Caso contrário, uma operação poderá crescer em faturamento sem melhorar suas margens.</p>
<p>A Seara também desenvolve projetos voltados a grandes eventos e operações especiais de alimentação. Em setembro, a empresa informou que dobrou o volume de produtos comercializados no Rock in Rio de 2026 em comparação com a edição de 2024. A atuação da Seara Food Solutions envolveu planejamento, desenvolvimento de produtos e organização logística para o atendimento dos pontos de venda.</p>
<p>A experiência com eventos demonstra uma frente de atuação diferente daquela destinada aos pequenos restaurantes. Enquanto grandes operações exigem fornecimento concentrado em períodos específicos, pequenos estabelecimentos demandam relacionamento contínuo e frequência regular de entregas. A estrutura comercial precisa atender ambos os perfis sem comprometer a eficiência.</p>
<h2>Crescimento seis vezes superior dependerá de escala e rentabilidade</h2>
<p>A meta anunciada pela Seara para 2026 é expressiva, mas sua avaliação exigirá informações adicionais sobre desempenho e participação de mercado. A companhia não divulgou, na apresentação dos números, uma receita absoluta para a Seara Food Solutions nem o volume total de alimentos comercializados pela unidade. Também não apresentou uma projeção pública detalhada de margem operacional específica do negócio.</p>
<p>Sem esses indicadores, é possível avaliar a direção estratégica da empresa, mas não calcular com precisão sua participação no mercado nacional. O atendimento de 100 mil clientes demonstra capilaridade comercial, embora não revele a distribuição de receitas entre pequenos operadores, grandes redes e canais indiretos. Diferentes estabelecimentos podem apresentar volumes de compra muito distintos.</p>
<p>Outro ponto será a capacidade de manter o crescimento sem elevar excessivamente os custos de distribuição. O atendimento a pequenos clientes, com pedidos a partir de R$ 400, amplia a base potencial de compradores, mas exige produtividade logística. A escala de atendimento pode compensar parte dessas despesas, dependendo da concentração geográfica dos clientes e da frequência de compras.</p>
<p>A oferta de consultoria técnica também poderá influenciar a permanência dos estabelecimentos na carteira. Serviços voltados à organização de cardápios, treinamento e rendimento dos ingredientes podem criar uma relação comercial mais duradoura. No entanto, sua contribuição efetiva para a rentabilidade dos clientes dependerá da qualidade da execução e dos ganhos obtidos.</p>
<p>O cenário mais amplo do setor exige cautela. Apesar da previsão de R$ 540 bilhões em faturamento, a pesquisa da Abrasel mostra que a maioria dos estabelecimentos consultados em agosto não registrou lucro, permanecendo em equilíbrio ou no prejuízo. O crescimento do consumo, portanto, não elimina a necessidade de disciplina financeira e gestão eficiente.</p>
<p>A Seara Food Solutions aposta justamente nessa combinação de escala e prestação de serviços para ampliar sua atuação no mercado de alimentação fora do lar. Com uma carteira de 100 mil clientes e avanço acumulado de 50% no faturamento em três anos, a unidade pretende conquistar uma parcela maior de um setor marcado por expansão, concorrência e margens pressionadas. A confirmação da meta de crescer seis vezes mais que o mercado dependerá dos resultados efetivos de 2026 e da capacidade de transformar o aumento das vendas em desempenho econômico sustentável.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) — Balanço anual da indústria brasileira de alimentos e bebidas de 2025, divulgado em março de 2026, com dados de faturamento, vendas ao food service e perspectivas para 2026.</p>
<p>Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) e Wise Sales — Estudo ID Food Service, divulgado em setembro de 2026, com informações sobre estabelecimentos, distribuição regional, abertura e encerramento de empresas.</p>
<p>Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) — Estudo de setembro de 2026 com projeção de faturamento de R$ 540 bilhões para o setor em 2026.</p>
<p>Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) — Pesquisa Nacional de Conjuntura Econômica divulgada em 2 de outubro de 2026, com dados de lucro, prejuízo, faturamento e reajustes de preços.</p>
<p>Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e Stone — Índice de atividade de bares e restaurantes referente a agosto de 2026.</p>
<p>JBS N.V. — Demonstrações financeiras e informações operacionais referentes ao primeiro semestre de 2026, com dados de receita e EBITDA do segmento Seara.</p>
<p>JBS Brasil — Comunicado institucional de 14 de setembro de 2026 sobre a participação da Seara Food Solutions no Rock in Rio e a expansão das vendas no evento.</p>
</div>
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			</item>
		<item>
		<title>CSN avança na venda da CSN Cimentos por até R$ 15 bilhões para reduzir dívida de R$ 42,1 bilhões</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/csn-cimentos-venda-15-bilhoes-votorantim-huaxin</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alice Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 15:57:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Benjamin Steinbruch]]></category>
		<category><![CDATA[Cade]]></category>
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		<category><![CDATA[Fabio Schvartsman]]></category>
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		<category><![CDATA[Huaxin Cement]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>CSN avança na venda da CSN Cimentos por até R$ 15 bilhões. Votorantim e Huaxin estão entre os interessados; operação pode ajudar a reduzir dívida de R$ 42,1 bilhões.</p>
<p>Este post apareceu primeiro em Gazetamercantil.com - <a rel="nofollow" href="https://gazetamercantil.com">GAZETA MERCANTIL - A Gazeta Mercantil traz as últimas notícias sobre política, economia, segurança, entretenimento, negócios, entretenimento, esportes, moda</a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) avançou nas negociações para vender sua divisão de cimentos, em uma operação avaliada em até R$ 15 bilhões que poderá se tornar uma das principais transações do setor industrial brasileiro em 2026. A companhia controlada pela família Steinbruch deverá selecionar nos próximos dias um potencial comprador para uma fase de negociações exclusivas, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (19). A operação integra uma estratégia de venda de ativos destinada a reduzir o endividamento do grupo, que encerrou o segundo trimestre com dívida líquida consolidada de R$ 42,1 bilhões.</p>
<p>Entre os principais interessados aparecem a chinesa Huaxin Cement e um grupo de investidores formado pela Votorantim Cimentos em associação com outras <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340969">empresas</a> do setor. As negociações são conduzidas pelo presidente-executivo da CSN, Fabio Schvartsman, que assumiu o comando da companhia em setembro, com acompanhamento do presidente do conselho de administração, Benjamin Steinbruch. A escolha de um comprador poderá acelerar a definição das condições comerciais, mas ainda não significa que a venda tenha sido concluída ou que exista um contrato definitivo.</p>
<p>A CSN confirmou oficialmente, em fato relevante divulgado em 10 de agosto, que recebeu propostas vinculantes de potenciais compradores autorizados a participar do processo competitivo de alienação integral da CSN Cimentos. Na ocasião, a companhia informou que analisava as ofertas recebidas, sem revelar valores ou identificar os interessados. Até a atualização pública considerada nesta reportagem, não havia anúncio oficial de comprador selecionado, assinatura de exclusividade ou preço final para a divisão.</p>
<p>O processo ocorre em um momento de reorganização financeira do conglomerado. Além da fabricação de aço, a CSN possui <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340970">negócios</a> em mineração, logística, energia e cimento, segmentos que exigem investimentos elevados e apresentam necessidades distintas de capital. A venda de participações consideradas não prioritárias busca liberar recursos para reduzir obrigações financeiras e concentrar investimentos nas operações com maior potencial de rentabilidade.</p>
<h2>Dívida de R$ 42,1 bilhões pressiona a CSN a acelerar desinvestimentos</h2>
<p>Os números apresentados pela CSN no balanço do segundo trimestre de 2026 ajudam a explicar a importância da negociação. Em 30 de junho, a companhia registrava dívida líquida consolidada de R$ 42,138 bilhões, com índice de alavancagem de 3,49 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda acumulado em 12 meses. O indicador revela a dimensão do endividamento em comparação com a geração operacional de resultados do grupo.</p>
<p>A dívida líquida representa, de maneira simplificada, o endividamento financeiro deduzido das disponibilidades consideradas no cálculo da companhia. Portanto, os R$ 42,1 bilhões não correspondem ao total bruto de obrigações financeiras, mas ao saldo líquido consolidado apresentado no relatório. A CSN também informou possuir R$ 15,4 bilhões em caixa e equivalentes ao encerramento de junho.</p>
<p>O avanço da dívida ocorreu apesar da melhora de alguns indicadores operacionais. No segundo trimestre, a companhia registrou receita líquida de R$ 11,306 bilhões, crescimento de 6,6% em relação aos três meses anteriores e de 5,7% na comparação anual. O Ebitda ajustado alcançou R$ 2,773 bilhões, enquanto o resultado líquido permaneceu negativo, com prejuízo de R$ 773,1 milhões.</p>
<p>O desempenho foi pressionado pelo resultado financeiro, que apresentou despesa líquida de aproximadamente R$ 1,843 bilhão no trimestre. A companhia atribuiu parte da deterioração às oscilações cambiais e aos efeitos sobre o custo de suas obrigações financeiras. Embora tenha registrado fluxo de caixa livre positivo de R$ 808,1 milhões no período, a CSN continua enfrentando o desafio de reduzir o endividamento sem comprometer os investimentos estratégicos.</p>
<p>A venda da CSN Cimentos surge como uma das principais alternativas para acelerar esse processo. Considerando apenas os valores de referência, uma transação de R$ 15 bilhões equivaleria a aproximadamente 35,6% da dívida líquida informada em junho. Essa proporção dimensiona a importância potencial do negócio, mas não significa que o endividamento cairia automaticamente nesse percentual.</p>
<p>O resultado financeiro efetivo dependerá da estrutura da operação. O preço atribuído a uma empresa pode incluir suas próprias dívidas e outros ajustes, enquanto a quantia recebida pelo vendedor corresponde ao valor efetivamente pago pela participação negociada. Tributos, despesas da transação, condições de pagamento e eventual transferência de obrigações também podem alterar o montante disponível para amortização de dívidas.</p>
<h2>Huaxin e Votorantim disputam ativo estratégico no mercado brasileiro</h2>
<p>A possível venda da CSN Cimentos desperta interesse de grandes grupos industriais por envolver uma das principais produtoras de cimento do Brasil. A companhia consolidou sua posição após a aquisição de ativos da LafargeHolcim, concluída em 2022, ampliando sua capacidade produtiva e presença regional. A operação colocou a divisão entre os principais grupos do setor, em um <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340968">mercado</a> caracterizado pela importância da escala industrial e dos custos logísticos.</p>
<p>A chinesa Huaxin Cement aparece entre as interessadas em adquirir a operação brasileira. O grupo possui atuação internacional na produção de cimento e materiais de construção e busca oportunidades de expansão fora de seu mercado de origem. Sua entrada por meio da compra da CSN Cimentos representaria uma ampliação relevante de sua presença industrial no Brasil.</p>
<p>A Huaxin já havia participado de negociações envolvendo ativos da InterCement, companhia que passou por dificuldades financeiras e recuperação judicial. As conversas anteriores não resultaram em uma aquisição concluída. O interesse pela CSN Cimentos demonstra a continuidade das movimentações em torno dos grandes ativos industriais disponíveis no país, embora a empresa não tenha anunciado oficialmente uma proposta vencedora.</p>
<p>A alternativa nacional envolve a Votorantim Cimentos, líder do mercado brasileiro, em uma composição com outros investidores do setor. Informações de mercado apontam a participação da italiana Cementir nas articulações. A identidade definitiva dos integrantes da eventual estrutura compradora, suas respectivas participações e as condições financeiras ainda dependem de confirmação pelas empresas.</p>
<p>A formação de um grupo comprador pode facilitar a divisão dos investimentos necessários à aquisição. Entretanto, caso empresas que já atuam no mercado brasileiro compartilhem o controle ou adquiram determinados ativos, a operação precisará ser examinada também sob a perspectiva da concorrência. A participação de vários compradores não elimina automaticamente os riscos de concentração econômica.</p>
<h2>Cade poderá impor restrições a uma compra liderada pela Votorantim</h2>
<p>Uma eventual aquisição da CSN Cimentos pela Votorantim e seus parceiros deverá passar pela análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), observados os critérios legais de notificação obrigatória. A autarquia é responsável por examinar operações capazes de alterar a concorrência entre empresas, incluindo fusões, aquisições e outras formas de concentração econômica. No setor de cimento, essa avaliação possui características específicas devido à localização das fábricas e aos custos de transporte.</p>
<p>Embora o cimento seja comercializado nacionalmente, a competição também depende de condições regionais. O transporte representa parcela relevante do custo do produto, de modo que a proximidade entre unidades industriais, centros de distribuição e mercados consumidores influencia a capacidade de concorrência. Por isso, uma operação pode apresentar diferentes níveis de concentração conforme a região analisada.</p>
<p>A compra de uma empresa relevante por outra que já possui participação expressiva no mesmo setor caracteriza uma operação potencialmente horizontal. O Cade examina elementos como participação de mercado, rivalidade existente, capacidade de entrada de novos concorrentes e possíveis ganhos de eficiência econômica. A avaliação também considera se a operação poderá prejudicar consumidores por meio de redução da competição ou outras alterações nas condições comerciais.</p>
<p>Caso identifique riscos concorrenciais, o órgão poderá exigir medidas corretivas. Entre as possibilidades previstas nos procedimentos de controle de concentrações estão a alienação de determinados ativos, restrições contratuais ou outras condições destinadas a preservar a concorrência. A imposição de medidas depende, contudo, da análise concreta da estrutura apresentada e dos mercados envolvidos.</p>
<p>A Huaxin poderia enfrentar uma avaliação concorrencial diferente, considerando a extensão de sua atuação prévia no mercado brasileiro. Uma empresa com presença limitada tende a produzir menor sobreposição horizontal do que uma concorrente já estabelecida, mas isso não representa garantia de aprovação automática. O Cade deverá examinar a estrutura efetiva da transação e os efeitos sobre a concorrência independentemente da nacionalidade do comprador.</p>
<p>A necessidade de autorização regulatória acrescenta uma variável ao cronograma pretendido pela CSN. Mesmo após a assinatura de um acordo definitivo, a conclusão poderá depender da aprovação concorrencial e do cumprimento de outras condições previstas no contrato. Essa etapa é particularmente importante em uma negociação envolvendo os principais participantes da indústria brasileira de cimento.</p>
<h2>CSN Cimentos registra Ebitda recorde e melhora rentabilidade</h2>
<p>A decisão de vender a divisão ocorre em um período de melhora dos resultados operacionais do negócio. Segundo o relatório financeiro da CSN referente ao segundo trimestre, o segmento de cimento apresentou receita líquida de R$ 1,386 bilhão, crescimento de 14,3% em comparação com o mesmo período de 2025. O desempenho ocorreu apesar da redução no volume de produtos comercializados.</p>
<p>As vendas totalizaram 3,123 milhões de toneladas entre abril e junho, queda de 9,9% na comparação anual. A companhia atribuiu parte da redução a paralisações programadas para manutenção e à estratégia de priorizar rentabilidade em vez de expansão de volume. O desempenho mostra que a receita cresceu em ritmo superior ao volume comercializado, movimento associado principalmente aos reajustes de preços realizados no início do ano.</p>
<p>O Ebitda ajustado da divisão alcançou R$ 426,9 milhões no trimestre, aumento de 45,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem Ebitda ficou em 30,8%, acima dos 30%, indicando uma melhora expressiva da geração operacional de resultados. Segundo a CSN, foi o segundo trimestre consecutivo de recorde do indicador para o negócio de cimento.</p>
<p><strong>Desempenho da divisão de cimentos no segundo trimestre de 2026</strong></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<th>Indicador</th>
<th>Resultado</th>
<th>Variação anual</th>
</tr>
<tr>
<td>Receita líquida</td>
<td>R$ 1,386 bilhão</td>
<td>+14,3%</td>
</tr>
<tr>
<td>Ebitda ajustado</td>
<td>R$ 426,9 milhões</td>
<td>+45,5%</td>
</tr>
<tr>
<td>Margem Ebitda</td>
<td>30,8%</td>
<td>Acima de 30%</td>
</tr>
<tr>
<td>Volume vendido</td>
<td>3,123 milhões de toneladas</td>
<td>-9,9%</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A expansão da rentabilidade pode influenciar o valor atribuído à divisão durante as negociações. Compradores avaliam não apenas a capacidade instalada das fábricas, mas também a geração de caixa, os investimentos futuros necessários e as perspectivas de crescimento do mercado. Uma operação com margens em recuperação pode apresentar características financeiras diferentes daquelas observadas em períodos de menor rentabilidade.</p>
<p>Ainda assim, a melhora de um trimestre não garante a manutenção do desempenho nos exercícios seguintes. Os resultados dependem de preços, demanda, custos de energia, matérias-primas e frete, além da eficiência operacional das unidades. A avaliação de longo prazo exige considerar os resultados acumulados, a necessidade de investimentos e os riscos inerentes à indústria.</p>
<h2>Avaliação de R$ 15 bilhões implica múltiplo relevante sobre geração de caixa</h2>
<p>O valor de até R$ 15 bilhões mencionado nas negociações permite realizar uma comparação indicativa com a geração operacional recente da CSN Cimentos. Se o Ebitda ajustado de R$ 426,9 milhões registrado no segundo trimestre fosse repetido durante quatro trimestres, a divisão produziria aproximadamente R$ 1,708 bilhão em resultado operacional anualizado. Nesse exercício puramente ilustrativo, uma avaliação de R$ 15 bilhões corresponderia a cerca de 8,8 vezes o Ebitda anualizado.</p>
<p>A relação é uma medida de referência e não representa necessariamente o múltiplo utilizado pelos compradores. A anualização de um trimestre não substitui o cálculo do Ebitda efetivo dos últimos 12 meses, especialmente em atividades sujeitas a sazonalidade e oscilações de demanda. Além disso, é necessário confirmar se os R$ 15 bilhões representam o valor total da empresa, incluindo dívida, ou o preço atribuído exclusivamente à participação acionária negociada.</p>
<p>O resultado também depende da composição dos ativos incluídos na operação. A CSN Cimentos possui unidades industriais integradas, estruturas de moagem, centros de distribuição e instalações logísticas que contribuem para sua capacidade produtiva. Conforme a apresentação estratégica divulgada pela CSN em janeiro, o negócio reunia capacidade instalada de aproximadamente 17 milhões de toneladas anuais, distribuída por sete fábricas integradas e seis unidades de moagem.</p>
<p>A presença industrial em diferentes regiões aumenta a complexidade da avaliação. Fábricas localizadas próximas a mercados consumidores relevantes podem apresentar vantagens logísticas, enquanto instalações com maior necessidade de manutenção ou investimentos podem demandar recursos adicionais. A estrutura de distribuição também influencia os custos e a capacidade de competir em diferentes regiões do Brasil.</p>
<p>Para a CSN, a negociação precisa equilibrar duas prioridades financeiras. De um lado, a companhia busca obter recursos suficientes para reduzir seu endividamento; de outro, procura preservar valor ao negociar um negócio que vem apresentando melhora de rentabilidade. A diferença entre a necessidade de caixa do vendedor e a avaliação considerada aceitável pelos compradores constitui um dos principais fatores capazes de influenciar o preço final.</p>
<h2>Mercado de cimento cresce apenas 0,9% até setembro</h2>
<p>O processo de venda ocorre em um mercado que mantém expansão acumulada, mas apresenta sinais recentes de desaceleração. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), a indústria brasileira comercializou 50,8 milhões de toneladas entre janeiro e setembro de 2026, aumento de apenas 0,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado demonstra crescimento limitado da demanda, apesar da contribuição do mercado imobiliário e dos investimentos em infraestrutura.</p>
<p>Em setembro, as vendas nacionais somaram 5,7 milhões de toneladas, retração de 5,7% em comparação com o mesmo mês de 2025. No terceiro trimestre, o volume acumulado alcançou 18,1 milhões de toneladas, queda de 0,4% na comparação anual. O SNIC relacionou parte do desempenho ao menor número de dias úteis e às chuvas que prejudicaram o andamento de obras.</p>
<p>A demanda por cimento é influenciada por fatores como construção residencial, infraestrutura, investimento público e condições de financiamento imobiliário. O programa Minha Casa, Minha Vida contribui para sustentar parte da atividade, enquanto juros elevados podem dificultar novos projetos e aumentar os custos de financiamento das construtoras. A combinação desses fatores produz diferenças regionais no consumo e nas perspectivas de expansão.</p>
<p>Para os potenciais compradores da CSN Cimentos, o crescimento moderado do mercado reforça a importância da eficiência operacional. Em um setor com custos elevados de transporte e necessidade constante de investimentos industriais, a capacidade de preservar margens pode ser tão relevante quanto ampliar volumes. A recuperação dos resultados da divisão, portanto, constitui um aspecto importante da análise financeira da transação.</p>
<p>O desempenho setorial também afeta os riscos concorrenciais. Em um mercado de crescimento limitado, aquisições entre empresas estabelecidas podem produzir ganhos de escala, mas também reduzir o número de competidores independentes em determinadas regiões. O exame dessas consequências integra a função do Cade quando a operação se enquadra nos critérios legais de notificação.</p>
<h2>Fabio Schvartsman lidera negociações após assumir comando da CSN</h2>
<p>A venda da divisão de cimentos tornou-se uma das principais prioridades da administração após a mudança no comando executivo da CSN. Em 2 de setembro, a companhia anunciou que Benjamin Steinbruch deixaria a presidência executiva e passaria a ocupar a presidência do conselho de administração. Fabio Schvartsman assumiu o cargo de diretor-presidente em 3 de setembro, ficando responsável pela gestão operacional e pela execução das iniciativas estratégicas.</p>
<p>A reorganização representa uma mudança na distribuição de responsabilidades dentro do grupo. Steinbruch, que comandava diretamente a companhia havia mais de duas décadas, permaneceu em posição central nas decisões estratégicas como presidente do conselho. Schvartsman passou a liderar a execução do plano de negócios, incluindo negociações de ativos e medidas de reorganização financeira.</p>
<p>O novo presidente-executivo possui experiência anterior no comando de grandes empresas industriais, incluindo Klabin e Vale. Sua trajetória ganhou atenção nacional por ter presidido a mineradora Vale durante o rompimento da barragem de Brumadinho, em janeiro de 2019, quando deixou o cargo semanas depois da tragédia. Na CSN, sua atuação está concentrada na melhoria da estrutura de capital e na condução das operações industriais.</p>
<p>A entrada de um executivo com experiência em grandes grupos ocorreu em um momento de pressão financeira e necessidade de concluir negociações relevantes. A escolha de um potencial comprador para a CSN Cimentos será um dos primeiros testes da capacidade da nova administração de transformar o programa de desinvestimentos em operações efetivamente concluídas. O andamento também dependerá da aprovação dos órgãos competentes e da disposição dos interessados em aceitar as condições comerciais propostas.</p>
<h2>CSN também negocia venda de siderúrgica na Alemanha por € 550 milhões</h2>
<p>A possível alienação da CSN Cimentos faz parte de um programa mais amplo de redução de ativos. Em 9 de outubro, a companhia anunciou a assinatura de um termo vinculante para negociar a venda integral da Stahlwerk Thüringen (SWT), sua operação de aços longos localizada na Alemanha. O acordo foi firmado com a Bipadosa, controladora do grupo siderúrgico espanhol Megasa, e atribuiu ao negócio um valor empresarial de € 550 milhões.</p>
<p>A transação envolve uma instalação com capacidade produtiva de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas de aço por ano, adquirida pela CSN em 2012. O termo estabelece um período de exclusividade de até dez semanas para a negociação dos documentos definitivos, além de condições precedentes necessárias à conclusão. Embora represente um avanço relevante, a assinatura não equivale ao recebimento imediato dos recursos nem à transferência definitiva do ativo.</p>
<p>A operação alemã fornece um exemplo concreto da estrutura utilizada pela CSN em seu programa de desinvestimentos. A companhia seleciona potenciais compradores, define condições econômicas e estabelece períodos de exclusividade antes de avançar para a documentação contratual final. A eventual venda da divisão de cimento poderá seguir etapas semelhantes, embora a estrutura específica ainda não tenha sido anunciada.</p>
<p>Além dos negócios em siderurgia e cimento, a CSN estuda alternativas envolvendo ativos de infraestrutura e logística. O grupo possui participações em operações ferroviárias e portuárias que integram sua estrutura industrial e podem atrair investidores interessados em contratos e serviços de longo prazo. A decisão de vender participações, entretanto, precisa considerar os efeitos sobre a integração logística das atividades que permanecerão sob controle do conglomerado.</p>
<p>Em janeiro de 2026, a CSN estabeleceu como objetivo realizar iniciativas capazes de reduzir o endividamento entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões. O plano faz parte de uma estratégia de longo prazo que pretende melhorar a relação entre dívida líquida e Ebitda e concentrar recursos em negócios considerados mais rentáveis. O resultado dependerá do valor efetivamente recebido pelas vendas e da evolução simultânea da geração de caixa e das demais obrigações financeiras.</p>
<h2>Venda pode transformar perfil financeiro da CSN, mas ainda depende de acordo</h2>
<p>A possível escolha de um comprador para a CSN Cimentos representa uma etapa relevante de um processo iniciado formalmente no começo do ano. Em janeiro, a empresa anunciou seu programa de reorganização de ativos; em maio, recebeu propostas preliminares; e, em agosto, confirmou o recebimento de ofertas vinculantes. A entrada em uma fase de exclusividade poderá aproximar as partes da assinatura de um contrato definitivo, mas ainda existem condições comerciais e regulatórias a serem resolvidas.</p>
<p>A principal questão financeira está no valor que efetivamente ingressará no caixa da companhia. Uma avaliação de R$ 15 bilhões pode representar uma contribuição expressiva para o programa de redução de dívidas, mas a parcela destinada à amortização dependerá da estrutura da transação. Caso parte do valor corresponda a obrigações assumidas pelo comprador, o ingresso de recursos será diferente do valor empresarial anunciado.</p>
<p>Outro fator determinante será a identidade do comprador. Uma aquisição liderada pela Votorantim exigirá avaliação cuidadosa das sobreposições industriais e comerciais no mercado brasileiro, enquanto uma operação com a Huaxin poderá apresentar outra configuração concorrencial. Em ambos os casos, a análise dependerá da estrutura efetiva do negócio e das condições estabelecidas pelas partes.</p>
<p>A melhora dos indicadores operacionais da divisão de cimentos fortalece a importância econômica do ativo. O crescimento de 45,5% no Ebitda do segundo trimestre, acompanhado de margem superior a 30%, demonstra a capacidade recente de geração de resultados do negócio, mesmo em um mercado de expansão moderada. Para a CSN, a venda de uma operação rentável envolve também abrir mão de parte da geração futura de caixa em troca de recursos disponíveis para reduzir o endividamento atual.</p>
<p>O desfecho das negociações deverá influenciar a avaliação dos investidores sobre a execução do plano financeiro da companhia. A formalização de um contrato, a definição do preço, a aprovação concorrencial e o pagamento dos recursos serão etapas necessárias para medir o impacto efetivo da venda. Até que esses elementos sejam confirmados, a negociação permanece como uma operação potencial, ainda que considerada estratégica para o futuro financeiro da CSN.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Companhia Siderúrgica Nacional — Fato relevante de 15 de janeiro de 2026 sobre o programa estruturado de desinvestimentos e a meta de redução do endividamento.</p>
<p>Companhia Siderúrgica Nacional — Fato relevante de 10 de agosto de 2026 sobre o recebimento de propostas vinculantes para a alienação da CSN Cimentos.</p>
<p>Companhia Siderúrgica Nacional — Relatório de resultados do segundo trimestre de 2026, divulgado em 12 de agosto, com dados consolidados de endividamento, receitas e desempenho do segmento de cimento.</p>
<p>Companhia Siderúrgica Nacional — Fato relevante de 2 de setembro de 2026 sobre a eleição de Benjamin Steinbruch para a presidência do conselho de administração e a nomeação de Fabio Schvartsman para a presidência executiva.</p>
<p>Companhia Siderúrgica Nacional — Fato relevante de 9 de outubro de 2026 sobre a assinatura de termo vinculante para potencial alienação da Stahlwerk Thüringen.</p>
<p>Companhia Siderúrgica Nacional — Apresentação de atualização estratégica de janeiro de 2026, com dados sobre capacidade produtiva da divisão de cimentos e planejamento de desinvestimentos.</p>
<p>Sindicato Nacional da Indústria do Cimento — Resultados preliminares de setembro de 2026, com dados nacionais de comercialização de cimento.</p>
<p>Conselho Administrativo de Defesa Econômica — Guia para Análise de Atos de Concentração Horizontal e orientações oficiais sobre a avaliação de fusões e aquisições.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Starbucks fecha 250 lojas na América do Norte e acelera expansão no Brasil</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/starbucks-fecha-250-lojas-america-do-norte-expansao-brasil-5-palavra</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 12:38:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[cafeterias]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[expansão no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[fechamento de lojas]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[reestruturação]]></category>
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		<category><![CDATA[Starbucks Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[Zamp]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Starbucks fecha 250 lojas na América do Norte e acelera expansão no Brasil, com 32 inaugurações previstas em 2026 e reestruturação de US$ 300 milhões.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Starbucks anunciou o fechamento de aproximadamente 250 cafeterias nos Estados Unidos e no Canadá, aprofundando a reestruturação de suas operações na América do Norte, enquanto acelera os investimentos no mercado brasileiro. No Brasil, a rede chegou a cerca de 130 estabelecimentos em outubro de 2026 e elevou de 30 para 32 a meta de novas unidades previstas para este ano, das quais 20 já foram inauguradas. O contraste reflete uma estratégia de reorganização do portfólio internacional, com redução de pontos considerados pouco rentáveis em mercados consolidados e expansão seletiva em regiões com potencial de crescimento.</p>
<p>A nova rodada de fechamentos foi anunciada em 24 de setembro pelo diretor de operações da Starbucks, Mike Grams, como parte do programa <em>Back to Starbucks</em>, iniciado sob a liderança do presidente-executivo Brian Niccol. As unidades selecionadas representam aproximadamente 1% das mais de 18 mil cafeterias mantidas pela companhia na América do Norte. A empresa informou que os estabelecimentos atingidos não apresentavam perspectivas satisfatórias de desempenho financeiro ou não atendiam aos padrões de experiência estabelecidos para consumidores e funcionários.</p>
<p>O movimento amplia uma reestruturação iniciada em 2025, quando a Starbucks encerrou 627 estabelecimentos em diferentes mercados, mais de 90% deles na América do Norte. Naquele exercício, a companhia reconheceu aproximadamente US$ 892 milhões em despesas de reestruturação e perdas contábeis relacionadas ao processo. A nova etapa, aprovada em setembro de 2026, prevê encargos adicionais estimados em US$ 300 milhões, associados principalmente ao encerramento de contratos imobiliários, desligamentos de trabalhadores e baixa de ativos.</p>
<p>A estratégia não significa uma retirada generalizada da Starbucks dos mercados americanos. A companhia continua inaugurando unidades, reformando estabelecimentos e investindo em atendimento, mas procura concentrar recursos em pontos comerciais com maior capacidade de geração de receita. No Brasil, a expansão ocorre depois da crise enfrentada pela antiga operadora SouthRock, que entrou em recuperação judicial em 2023 e posteriormente perdeu a operação da marca no país.</p>
<h2>Starbucks prevê US$ 300 milhões em custos com novos fechamentos</h2>
<p>O plano aprovado pelo conselho de administração da Starbucks em 22 de setembro de 2026 prevê despesas extraordinárias de aproximadamente US$ 300 milhões com a nova rodada de encerramentos. Conforme documento apresentado à Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340951">mercado</a> de capitais americano, cerca de US$ 200 milhões correspondem a desembolsos financeiros previstos com rescisões contratuais e benefícios relacionados ao desligamento de funcionários. Outros US$ 100 milhões representam encargos sem efeito imediato sobre o caixa, decorrentes principalmente de baixas e perdas no valor contábil dos ativos associados às cafeterias.</p>
<p>A distinção entre essas despesas é importante para avaliar o impacto da reestruturação sobre os resultados financeiros. Os pagamentos relacionados a aluguéis e desligamentos afetam diretamente a disponibilidade de recursos da companhia, enquanto os ajustes contábeis reduzem o resultado reportado sem necessariamente representar uma saída equivalente de dinheiro no mesmo período. Embora o encerramento de unidades gere custos extraordinários no curto prazo, a empresa procura reduzir compromissos operacionais de estabelecimentos considerados pouco eficientes.</p>
<p>A nova rodada ocorre depois de um processo de encerramentos mais amplo em 2025. Segundo os resultados oficiais daquele exercício, a Starbucks fechou 627 cafeterias no âmbito de seu programa de reestruturação, incluindo unidades próprias e licenciadas. O número não deve ser confundido com a variação líquida do total de lojas, pois novas inaugurações realizadas no mesmo período compensaram parcialmente os estabelecimentos encerrados.</p>
<p>Consideradas as duas decisões anunciadas em 2025 e 2026, aproximadamente 877 unidades foram incluídas nas respectivas rodadas de fechamento. A soma representa o alcance das medidas anunciadas nos dois exercícios, sem significar uma redução líquida equivalente na rede mundial. A diferença ocorre porque a Starbucks mantém investimentos em novos pontos comerciais e continua desenvolvendo oportunidades de crescimento em diferentes países.</p>
<p>O plano também envolve mudanças na experiência oferecida ao consumidor. A companhia pretende ampliar a eficiência operacional, reduzir o tempo de atendimento e reformar unidades existentes, fortalecendo o posicionamento de suas cafeterias como espaços de convivência. A empresa estabeleceu uma iniciativa de modernização de 1.500 estabelecimentos na América do Norte, buscando melhorar o ambiente das lojas e recuperar a frequência de consumidores.</p>
<h2>Brasil chega a 130 lojas e projeta 32 inaugurações em 2026</h2>
<p>Enquanto reduz o número de estabelecimentos considerados pouco eficientes na América do Norte, a Starbucks retoma o crescimento no Brasil. A rede alcançou aproximadamente 130 cafeterias em operação no país em outubro, depois de abrir 20 novas unidades ao longo de 2026. A meta anual foi ampliada de 30 para 32 inaugurações, movimento que indica a continuidade dos investimentos conduzidos pela Zamp, responsável pela operação brasileira.</p>
<p>O objetivo corresponde a 32 novas cafeterias durante todo o exercício, e não a 32 inaugurações adicionais às 20 já realizadas. Considerando o desempenho informado em outubro, aproximadamente 62,5% da meta anual havia sido cumprida, restando 12 aberturas para alcançar o planejamento. O resultado final dependerá da execução do cronograma, das condições comerciais dos imóveis e da capacidade de colocar as novas operações em funcionamento até dezembro.</p>
<p>A expansão representa uma mudança importante em relação ao período de retração que atingiu a marca depois da recuperação judicial da SouthRock. A antiga operadora enfrentou dificuldades financeiras que levaram ao fechamento de estabelecimentos e à redução da presença da Starbucks em diferentes localidades. Em 2024, a Zamp assumiu os direitos de operação e desenvolvimento da rede no país, iniciando uma reorganização que envolveu revisão de cardápios, investimentos em marketing, recuperação de lojas e melhoria da experiência dos consumidores.</p>
<p>Em dezembro de 2025, a Starbucks havia anunciado oficialmente um plano para inaugurar aproximadamente 30 cafeterias no Brasil em 2026. Na ocasião, a companhia informou que encerraria aquele ano com cerca de 112 estabelecimentos, incluindo novas operações em São Paulo e Curitiba. A revisão posterior da meta para 32 unidades indica uma ampliação moderada do planejamento inicial, acompanhando a retomada dos investimentos.</p>
<p>A presença brasileira continua concentrada nas regiões economicamente mais relevantes para a marca. São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais estão entre os principais mercados de expansão, embora a rede também mantenha operações no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Bahia e Distrito Federal. A companhia avalia oportunidades de entrada em outras cidades e regiões a partir de 2027, movimento que poderá ampliar sua distribuição geográfica.</p>
<h2>Zamp registra crescimento de 7,4% nas vendas comparáveis</h2>
<p>Os resultados financeiros da operadora brasileira ajudam a compreender a estratégia de expansão. De acordo com as informações trimestrais da Zamp referentes ao segundo trimestre de 2026, as vendas comparáveis das cafeterias Starbucks cresceram 7,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O indicador, conhecido como <em>same-store sales</em>, mede a evolução das vendas em estabelecimentos comparáveis, permitindo avaliar o desempenho comercial sem considerar exclusivamente o efeito da abertura de novas lojas.</p>
<p>O crescimento demonstra que a recuperação da operação brasileira não depende apenas da ampliação do número de estabelecimentos. Parte da expansão das vendas ocorre dentro das cafeterias já existentes, resultado que pode refletir maior movimento de consumidores, mudanças no valor médio das compras ou uma combinação desses fatores. A divulgação agregada, entretanto, não permite atribuir a alta de maneira isolada a cada componente.</p>
<p>O desempenho positivo também precisa ser analisado em perspectiva. No primeiro trimestre de 2026, a Starbucks havia registrado crescimento de 11,6% nas vendas comparáveis brasileiras, percentual superior aos 7,4% observados entre abril e junho. A desaceleração do ritmo de expansão não significa queda no faturamento das lojas existentes, mas indica que a recuperação ocorre em velocidades diferentes ao longo dos períodos analisados.</p>
<p>Ao final de junho, a Zamp contabilizava 112 cafeterias Starbucks no Brasil, conforme suas demonstrações financeiras. O número era igual ao registrado no encerramento de 2025, resultado de aberturas e fechamentos ocorridos durante o primeiro semestre. A elevação posterior para aproximadamente 130 estabelecimentos mostra que a expansão física ganhou intensidade depois de junho.</p>
<p>A combinação entre crescimento das vendas comparáveis e novas inaugurações constitui um dos principais elementos da estratégia brasileira. Quando uma rede consegue elevar o desempenho dos estabelecimentos existentes antes de acelerar sua expansão, aumenta a possibilidade de financiar novos investimentos com uma operação comercial mais consolidada. Entretanto, a viabilidade econômica das futuras lojas dependerá de custos imobiliários, despesas com pessoal, investimentos iniciais e demanda efetiva dos consumidores.</p>
<h2>Starbucks aposta em novos formatos e adapta cardápio ao consumidor brasileiro</h2>
<p>A retomada da expansão brasileira envolve também uma reorganização da oferta de produtos e dos formatos comerciais. A Starbucks passou a incorporar ao cardápio opções inspiradas nos hábitos locais, incluindo o Cafézinho Brasileiro, com versões de café puro e café com leite. A iniciativa procura aproximar uma marca internacional de consumo relativamente sofisticado dos costumes de um mercado onde o café faz parte da rotina diária de grande parte da população.</p>
<p>Os investimentos em estabelecimentos localizados em centros comerciais, regiões corporativas e pontos de grande circulação também fazem parte da estratégia. Em dezembro de 2025, a empresa anunciou uma cafeteria no Aeroporto Internacional de Curitiba e outra no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Durante 2026, a expansão alcançou novos endereços paulistanos e bairros de Belo Horizonte, incluindo a Savassi.</p>
<p>Em agosto, a companhia anunciou a abertura de uma unidade na região da Savassi e divulgou planos para outras duas cafeterias na capital mineira, no Shopping Del Rey e no Boulevard Shopping. Na ocasião, informou manter 116 estabelecimentos no território brasileiro, sinalizando o início de uma fase de crescimento mais intenso. A escolha de bairros comerciais e centros de compras demonstra uma preferência por localizações que combinam circulação de consumidores, atividades de serviços e oportunidades de consumo recorrente.</p>
<p>A adequação do cardápio representa outro componente da estratégia comercial. Embora a Starbucks preserve produtos que sustentam seu posicionamento internacional, a incorporação de bebidas adaptadas aos hábitos brasileiros permite disputar ocasiões de consumo tradicionalmente atendidas por cafeterias independentes, padarias e outras redes. O desafio consiste em ampliar a frequência de visitas sem comprometer o posicionamento de preços e a rentabilidade da operação.</p>
<h2>Reestruturação reduz projeção de novas lojas no mundo</h2>
<p>A reorganização da Starbucks também alterou as expectativas de crescimento global da companhia. No documento apresentado à SEC em setembro, a empresa reduziu sua projeção de abertura líquida de cafeterias em 2026 para aproximadamente 440 unidades. A previsão anterior apontava entre 600 e 650 novas lojas líquidas, considerando estabelecimentos próprios e licenciados em todos os mercados.</p>
<p>A revisão representa uma redução de 160 a 210 unidades na expectativa de crescimento da rede mundial. Em termos proporcionais, equivale a uma diminuição de aproximadamente 27% a 32% em relação ao planejamento anunciado anteriormente, dependendo do ponto de comparação utilizado. A mudança reflete principalmente os encerramentos previstos para a América do Norte, parcialmente compensados pelo desempenho de outros mercados internacionais.</p>
<p>O corte nas projeções não significa que a Starbucks tenha abandonado sua estratégia global de expansão. A empresa continua identificando oportunidades comerciais em países onde sua presença pode crescer e procura fortalecer unidades existentes nos mercados mais maduros. A distinção entre expansão bruta, fechamento de estabelecimentos e crescimento líquido é fundamental para compreender o resultado da reorganização.</p>
<p>No terceiro trimestre fiscal de 2026, encerrado em 28 de junho, a Starbucks possuía 41.304 cafeterias em operação no mundo. O total incluía unidades próprias e licenciadas, com diferentes modelos de administração e reconhecimento de receitas. A companhia informou crescimento de 7,9% nas vendas comparáveis globais naquele trimestre, indicando uma melhora do desempenho comercial mesmo durante a reorganização de parte de sua estrutura.</p>
<p>Nos Estados Unidos, as vendas comparáveis avançaram 7,9% no mesmo período, enquanto as receitas do negócio americano cresceram 7% em relação ao ano anterior. Os resultados mostram que o fechamento de cafeterias não pode ser interpretado automaticamente como uma deterioração generalizada das vendas. A empresa procura melhorar a produtividade de seu portfólio, concentrando investimentos nos estabelecimentos com maior capacidade de atender consumidores e gerar resultados.</p>
<h2>Expansão brasileira reforça diferença entre mercados maduros e emergentes</h2>
<p>A estratégia adotada pela Starbucks evidencia como uma mesma companhia pode apresentar movimentos distintos de investimento e reorganização em diferentes países. Nos Estados Unidos, onde a rede mantém milhares de estabelecimentos, o principal desafio envolve elevar a produtividade, modernizar unidades e melhorar a rentabilidade de operações consolidadas. No Brasil, onde sua presença é proporcionalmente menor, a empresa ainda identifica oportunidades para ampliar a cobertura territorial e conquistar novos consumidores.</p>
<p>Essa diferença também decorre dos modelos de operação. No mercado brasileiro, a Zamp possui os direitos de desenvolvimento e administração da rede, enquanto a Starbucks global atua como proprietária da marca e parceira contratual. O modelo permite que a expansão seja conduzida por uma empresa com conhecimento do varejo nacional, preservando os padrões comerciais e operacionais estabelecidos pela companhia internacional.</p>
<p>O crescimento brasileiro, entretanto, exige cautela na avaliação de resultados futuros. A abertura de novas cafeterias aumenta as oportunidades de faturamento, mas também demanda investimentos em imóveis, equipamentos, contratação e treinamento de funcionários. Além disso, a rentabilidade depende da capacidade de manter movimento suficiente de consumidores e controlar despesas em um setor caracterizado por concorrência intensa.</p>
<p>Outro aspecto relevante é a escala das operações. Mesmo com a meta de 32 inaugurações em 2026, a Starbucks continuará com uma presença brasileira muito inferior à mantida nos Estados Unidos. Portanto, o movimento não representa uma transferência do centro de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340952">negócios</a> da companhia para o Brasil, mas uma redistribuição seletiva dos investimentos conforme as condições comerciais de cada mercado.</p>
<p>O contraste entre fechamentos na América do Norte e expansão no Brasil revela uma tentativa de equilibrar eficiência operacional e crescimento internacional. Ao mesmo tempo que assume custos extraordinários para encerrar estabelecimentos considerados pouco rentáveis, a Starbucks procura aproveitar oportunidades em mercados onde sua rede ainda possui espaço para expansão.</p>
<p>A evolução dessa estratégia dependerá dos resultados das unidades remanescentes nos Estados Unidos, da execução do cronograma brasileiro e da capacidade de transformar o crescimento das vendas em rentabilidade sustentável. O desempenho de 2026 indica que a reorganização global e a expansão regional podem avançar simultaneamente, desde que os investimentos sejam direcionados às operações com perspectivas comerciais favoráveis.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Starbucks Corporation — Formulário 8-K apresentado à Securities and Exchange Commission em 24 de setembro de 2026, com detalhes dos fechamentos, custos de reestruturação e revisão das projeções globais.</p>
<p>Starbucks Corporation — Relatório anual Form 10-K do exercício fiscal de 2025, com informações sobre encerramento de 627 unidades e despesas de reestruturação.</p>
<p>Starbucks Corporation — Resultados financeiros do terceiro trimestre fiscal de 2026, divulgados em 29 de julho de 2026.</p>
<p>Zamp S.A. — Informações Trimestrais de 30 de junho de 2026, com indicadores operacionais, vendas comparáveis e evolução da rede Starbucks no Brasil.</p>
<p>Starbucks Brasil — Comunicado institucional de 19 de dezembro de 2025 sobre a abertura de novas cafeterias e o planejamento de expansão para 2026.</p>
<p>Starbucks Brasil — Comunicado institucional de 12 de agosto de 2026 sobre a expansão da rede em Minas Gerais.</p>
<p>Starbucks Corporation — Comunicado institucional de Mike Grams, diretor de operações, divulgado em 24 de setembro de 2026, sobre o programa Back to Starbucks.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Justiça torna 12 ex-executivos da Americanas réus por fraude bilionária e abre nova fase do caso</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/justica-12-executivos-americanas-reus-fraude-bilionaria</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Oct 2026 07:31:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Americanas]]></category>
		<category><![CDATA[Americanas S.A]]></category>
		<category><![CDATA[CVM]]></category>
		<category><![CDATA[fraude contábil]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça Federal]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado Financeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Miguel Gutierrez]]></category>
		<category><![CDATA[Ministério Público Federal]]></category>
		<category><![CDATA[operação Disclosure]]></category>
		<category><![CDATA[recuperação judicial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Justiça Federal do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra 12 ex-executivos e ex-funcionários da Americanas (AMER3), acusados de participação em um esquema de fraude contábil bilionária que comprometeu as demonstrações financeiras da varejista e antecedeu seu pedido de recuperação judicial, em janeiro de 2023. A decisão da 6ª [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Justiça Federal do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra 12 ex-executivos e ex-funcionários da Americanas (AMER3), acusados de participação em um esquema de fraude contábil bilionária que comprometeu as demonstrações financeiras da varejista e antecedeu seu pedido de recuperação judicial, em janeiro de 2023. A decisão da 6ª Vara Federal Criminal transforma os denunciados em réus e inaugura uma nova etapa de responsabilização judicial em um dos maiores escândalos corporativos da história do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340942">mercado</a> de capitais brasileiro.</p>
<p>A denúncia havia sido apresentada em 2025, após investigações que envolveram a Polícia Federal, o Ministério Público e informações obtidas por meio de acordos de colaboração. Inicialmente, 13 antigos integrantes da companhia foram denunciados, mas um deles, Márcio Cruz Meirelles, celebrou posteriormente um acordo de colaboração premiada. Com o recebimento da acusação em outubro de 2026, os outros 12 passaram formalmente a responder à ação penal.</p>
<p>O processo tramita sob segredo de Justiça, o que impede o acesso público à íntegra da decisão e à individualização de todas as imputações. Entre os investigados está Miguel Gutierrez, ex-presidente da Americanas, apontado pelo Ministério Público como um dos principais responsáveis pela organização das práticas contábeis questionadas. A defesa do executivo nega participação nas irregularidades e contesta as acusações apresentadas contra ele.</p>
<p>A abertura da ação penal ocorre enquanto a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mantém procedimentos administrativos relacionados ao caso, incluindo investigações sobre instituições financeiras, integrantes de conselhos de administração e possíveis operações com informações privilegiadas. A dimensão desses processos demonstra que a apuração não está limitada aos antigos dirigentes denunciados criminalmente.</p>
<h2>Ex-presidente da Americanas está entre os acusados no processo criminal</h2>
<p>Miguel Gutierrez ocupou a presidência da Americanas durante grande parte do período investigado. Segundo a linha de apuração construída pelas autoridades, as irregularidades teriam permitido que resultados financeiros fossem artificialmente elevados, ocultando obrigações e apresentando ao mercado uma situação econômica diferente da efetivamente enfrentada pela companhia.</p>
<p>As acusações divulgadas em relação ao grupo incluem manipulação de mercado, falsidade ideológica e associação criminosa. Parte dos denunciados também enfrenta imputações relacionadas ao uso indevido de informações privilegiadas na negociação de valores mobiliários, conduta conhecida como <em>insider trading</em>.</p>
<p>O recebimento da denúncia não significa que a Justiça tenha considerado os acusados culpados. Nessa fase, o magistrado reconhece a existência dos requisitos necessários para que a acusação seja examinada em processo criminal, assegurando aos réus o exercício do contraditório e da ampla defesa.</p>
<p>A situação jurídica dos 12 denunciados difere, portanto, daquela enfrentada enquanto ainda eram investigados. Com a instauração da ação penal, o procedimento passa a compreender atos de defesa, produção de provas e eventual julgamento das acusações. A aplicação de qualquer condenação dependerá da demonstração da responsabilidade individual de cada réu.</p>
<p>O segredo de Justiça também limita a identificação das condutas específicas atribuídas a cada participante. Não é possível presumir que todos tenham praticado os mesmos atos ou participado de maneira equivalente das operações financeiras investigadas.</p>
<h2>Fraude contábil envolveu receitas fictícias e ocultação de dívidas</h2>
<p>O caso Americanas começou a se tornar público em 11 de janeiro de 2023, quando a companhia comunicou ao mercado a identificação de inconsistências contábeis inicialmente estimadas em aproximadamente R$ 20 bilhões. Os problemas estavam associados, principalmente, a lançamentos redutores da conta de fornecedores e ao tratamento de operações financeiras.</p>
<p>A dimensão das irregularidades aumentou à medida que as verificações avançaram. Em junho de 2023, informações apresentadas pela administração e por seus assessores apontaram indícios de que antigos dirigentes haviam manipulado deliberadamente os resultados. As apurações posteriores identificaram mecanismos utilizados para alterar artificialmente receitas, despesas e obrigações registradas nos balanços.</p>
<p>Uma das principais práticas examinadas envolve as verbas de propaganda cooperada, conhecidas pela sigla VPC. No varejo, esses contratos representam acordos comerciais legítimos entre fornecedores e redes de distribuição, pelos quais fabricantes concedem benefícios financeiros em troca de determinadas ações promocionais.</p>
<p>No caso Americanas, a investigação apontou que lançamentos dessa natureza teriam sido utilizados para registrar vantagens comerciais sem lastro econômico efetivo. O resultado seria a apresentação de ganhos inexistentes, com reflexos positivos artificiais nas demonstrações financeiras.</p>
<p>Outro mecanismo investigado envolve as operações de risco sacado, modalidade na qual instituições financeiras antecipam pagamentos a fornecedores e posteriormente recebem os valores da empresa compradora. Essas operações são comuns em grandes redes varejistas, mas exigem classificação e divulgação contábil adequadas.</p>
<p>As autoridades examinam se obrigações decorrentes desses financiamentos foram apresentadas de maneira a ocultar a real dimensão do endividamento financeiro da companhia. O problema não está na existência do risco sacado, mas na eventual utilização de registros inadequados para esconder compromissos e distorcer os resultados.</p>
<h2>CVM concluiu que inconsistências integravam esquema de manipulação de resultados</h2>
<p>Um dos documentos mais relevantes para compreender a dimensão do caso foi divulgado pela CVM em 30 de janeiro de 2026. Na ocasião, a autarquia apresentou os resultados de uma investigação administrativa que examinou documentos internos, mensagens eletrônicas, comunicações entre funcionários e registros financeiros da Americanas.</p>
<p>A área técnica concluiu que as inconsistências identificadas em 2023 correspondiam a uma fraude complexa destinada a produzir demonstrações financeiras incompatíveis com a realidade econômica da companhia. Segundo a acusação administrativa, o objetivo seria sustentar resultados artificialmente favoráveis e influenciar a valorização das ações negociadas no mercado.</p>
<p>O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340943">trabalho</a> envolveu diferentes superintendências da CVM e técnicas de análise de grandes volumes de dados. A autarquia utilizou informações obtidas em inspeções, depoimentos e documentação corporativa para reconstruir operações realizadas ao longo de diferentes exercícios financeiros.</p>
<p>A conclusão levou à formulação de acusações administrativas contra antigos dirigentes, profissionais vinculados à companhia e a própria Americanas, em diferentes enquadramentos regulatórios. Essas imputações precisam ser avaliadas conforme a responsabilidade atribuída a cada acusado e os procedimentos de defesa previstos na legislação do mercado de capitais.</p>
<p>A investigação administrativa possui natureza distinta da ação penal agora instaurada. Enquanto o processo criminal examina a eventual ocorrência de delitos e pode resultar em sanções penais, os procedimentos da CVM tratam de infrações à legislação e às normas do mercado de valores mobiliários, sujeitas a penalidades administrativas.</p>
<p>Essa divisão permite que diferentes instituições examinem os mesmos acontecimentos sob perspectivas jurídicas próprias, sem que o resultado de um procedimento represente automaticamente a conclusão de outro.</p>
<h2>Bancos e membros de conselhos continuam sob investigação</h2>
<p>A responsabilização de antigos executivos não encerrou as investigações sobre a estrutura de governança da Americanas. Em janeiro de 2026, a CVM anunciou a abertura de dois novos inquéritos administrativos destinados a examinar aspectos que ultrapassam as condutas individuais de integrantes da antiga diretoria.</p>
<p>O primeiro procedimento investiga a atuação de bancos e administradores de instituições financeiras que mantiveram relações comerciais com a Americanas e suas antecessoras societárias. Também abrange intermediários envolvidos em emissões de valores mobiliários, buscando identificar eventuais falhas ou infrações regulatórias relacionadas às operações investigadas.</p>
<p>O segundo inquérito examina o cumprimento dos deveres fiduciários por membros dos conselhos de administração e fiscal e de seus comitês de assessoramento. A análise considera as responsabilidades legais de acompanhamento, fiscalização e diligência na administração de companhias abertas.</p>
<p>A abertura desses procedimentos não constitui comprovação de participação de bancos ou conselheiros na fraude. As investigações procuram justamente determinar se houve condutas juridicamente relevantes e se os agentes envolvidos cumpriram as obrigações estabelecidas pelas normas aplicáveis.</p>
<p>No comunicado de janeiro, a CVM informou manter três inquéritos administrativos, três processos administrativos sancionadores e um procedimento relacionado à atuação de auditor independente. Os números demonstravam a continuidade das apurações em diferentes frentes de responsabilidade.</p>
<p>Em setembro de 2026, a autarquia anunciou a celebração de um terceiro acordo administrativo de supervisão relacionado ao caso. Os acordos anteriores haviam sido firmados em setembro de 2023 e outubro de 2025, permitindo a obtenção de informações e documentos adicionais para subsidiar as investigações.</p>
<p>A sequência evidencia que a reconstrução das operações financeiras continuou produzindo elementos relevantes mais de três anos após a primeira divulgação das inconsistências.</p>
<h2>Americanas afirma que foi vítima de fraude deliberada da antiga diretoria</h2>
<p>Em manifestação divulgada na sexta-feira (16), a Americanas reiterou que se considera vítima das práticas investigadas. Segundo a companhia, antigos executivos teriam manipulado controles internos, registros contábeis e informações relevantes ao mercado durante anos, contrariando obrigações legais e deveres associados aos cargos ocupados.</p>
<p>A varejista classificou as irregularidades como estruturadas e intencionais e defendeu a responsabilização dos envolvidos. Também informou que ainda não havia recebido acesso à decisão judicial que acolheu a denúncia, mas manifestou confiança no trabalho das autoridades.</p>
<p>A posição institucional da empresa é relevante porque diferencia a personalidade jurídica da companhia das condutas atribuídas a seus antigos administradores. Essa distinção, entretanto, não afasta automaticamente eventuais responsabilidades da sociedade em procedimentos administrativos, civis ou demandas de investidores.</p>
<p>A CVM, por exemplo, incluiu a própria Americanas entre os acusados em processo sancionador relacionado à divulgação de informações consideradas inadequadas ao mercado. A condição de empresa prejudicada por atos de antigos dirigentes pode coexistir com discussões sobre suas obrigações perante investidores e órgãos reguladores.</p>
<p>O episódio também produziu questionamentos sobre os mecanismos de auditoria, fiscalização interna e supervisão exercidos pelos órgãos de governança corporativa. As investigações administrativas buscam determinar quais falhas ocorreram, quem tinha obrigação de identificá-las e quais informações estavam disponíveis aos responsáveis.</p>
<h2>Recuperação judicial envolveu aproximadamente R$ 43 bilhões em créditos</h2>
<p>A descoberta das inconsistências contábeis desencadeou uma crise de confiança que atingiu fornecedores, instituições financeiras, investidores e credores. Em 19 de janeiro de 2023, apenas oito dias após a primeira comunicação sobre o problema, a Americanas teve deferido seu pedido de recuperação judicial.</p>
<p>Na ocasião, o processo envolvia créditos estimados em aproximadamente R$ 43 bilhões, conforme registros examinados pela CVM. O montante representa o universo de obrigações então submetidas à reestruturação e não deve ser confundido com o valor da fraude contábil investigada.</p>
<p>Essa diferença é fundamental. Os aproximadamente R$ 20 bilhões inicialmente divulgados correspondiam à dimensão preliminar das inconsistências identificadas, enquanto o valor da recuperação judicial refletia compromissos financeiros de diferentes naturezas. Os dois números não podem ser somados nem utilizados como medidas equivalentes do prejuízo causado pelo esquema.</p>
<p>A recuperação exigiu negociações com credores, alterações na estrutura de capital e reorganização das operações comerciais. Documentos disponibilizados pela área de relações com investidores demonstram a continuidade do acompanhamento do plano, incluindo relatórios periódicos de monitoramento e informações sobre alienação de ativos.</p>
<p>A empresa segue executando medidas de reestruturação, enquanto o processo criminal examina responsabilidades por acontecimentos anteriores. São procedimentos independentes, embora originados da mesma crise corporativa.</p>
<h2>Ação penal abre caminho para produção de provas e julgamento</h2>
<p>Com a denúncia recebida, o processo criminal ingressa em uma etapa na qual as acusações poderão ser confrontadas com as manifestações das defesas e os elementos probatórios apresentados pelas partes. A tramitação poderá envolver análise de documentos, perícias, depoimentos e outras diligências autorizadas pelo juízo.</p>
<p>A complexidade contábil do caso tende a exigir a avaliação de operações registradas em exercícios diferentes, documentos financeiros e informações produzidas pelas investigações administrativas. O material deverá ser examinado de acordo com as regras próprias do processo penal e com a responsabilidade individual atribuída aos acusados.</p>
<p>O recebimento da denúncia representa um avanço processual, mas não encerra a discussão sobre a extensão das irregularidades nem sobre a participação de pessoas que não integram a ação penal. As investigações paralelas da CVM continuam relevantes para esclarecer o papel de instituições financeiras, conselheiros e outros agentes envolvidos nas operações da companhia.</p>
<p>Para investidores e credores, a nova etapa judicial também reforça a importância da documentação financeira utilizada na reconstrução do caso. A apuração das responsabilidades poderá fornecer elementos para outras controvérsias, embora eventuais consequências patrimoniais dependam de procedimentos e decisões próprios.</p>
<p>Mais de três anos após a divulgação das inconsistências contábeis, o caso Americanas passa da fase predominante de investigação para uma etapa formal de julgamento criminal de antigos integrantes da companhia. A definição das responsabilidades, contudo, continuará dependendo da produção de provas, do exame das defesas e das decisões judiciais que ainda serão proferidas.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Comissão de Valores Mobiliários — Comunicado de 30 de janeiro de 2026 sobre as conclusões das investigações administrativas, acusações formuladas e instauração de novos inquéritos relacionados à Americanas</em></p>
<p><em>Comissão de Valores Mobiliários — Comunicado de 10 de setembro de 2026 sobre a celebração do terceiro acordo administrativo de supervisão relacionado às irregularidades contábeis da companhia</em></p>
<p><em>Comissão de Valores Mobiliários — Registros sobre o fato relevante de 11 de janeiro de 2023 e os desdobramentos regulatórios das inconsistências contábeis</em></p>
<p><em>Americanas S.A. — Documentação de relações com investidores relativa ao plano de recuperação judicial, relatórios de monitoramento e reorganização financeira</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Rede D’Or firma acordo de 20 anos para sucessão da família Moll e manutenção do controle</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/rede-dor-acordo-acionistas-sucessao-familia-moll-2046</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Oct 2026 00:38:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[acordo de acionistas]]></category>
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		<category><![CDATA[Rede D’Or]]></category>
		<category><![CDATA[saúde privada]]></category>
		<category><![CDATA[setor hospitalar]]></category>
		<category><![CDATA[sucessão familiar]]></category>
		<category><![CDATA[SulAmérica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Rede D’Or firma acordo de 20 anos para organizar sucessão da família Moll, preservar controle acionário e definir regras de governança até 2046.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-metric-area="topo-noticia" data-v-d559f1f7="">
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<p>A Rede D’Or São Luiz (RDOR3) formalizou uma reorganização de seus acordos societários para estabelecer regras de controle e sucessão familiar pelos próximos 20 anos. A companhia comunicou ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340979">mercado</a>, em 16 de outubro de 2026, a assinatura do terceiro aditamento ao acordo de acionistas originalmente celebrado em maio de 2019, além de um novo acordo de cotistas envolvendo integrantes da família Moll. Os instrumentos estabelecem mecanismos de voto conjunto, preferência na transferência de participações e continuidade da liderança do grupo, uma das principais operadoras privadas de hospitais do Brasil.</p>
<p>O principal objetivo das alterações é assegurar maior previsibilidade na condução da companhia e disciplinar a relação entre os integrantes da família controladora. Os acordos preservam a atual estrutura administrativa, com Jorge Neval Moll Filho na presidência do conselho de administração e Paulo Junqueira Moll na diretoria executiva. Também estabelecem diretrizes para a continuidade da liderança de Paulo Moll em caso de falecimento ou incapacidade permanente do fundador.</p>
<p>Os documentos terão duração de 20 anos, contados de 16 de outubro de 2026, estabelecendo um horizonte contratual que se estende até outubro de 2046. O prazo não representa uma determinação para que os atuais executivos permaneçam nos cargos durante todo esse período, mas define a vigência dos compromissos assumidos entre os acionistas e cotistas. A distinção é importante porque a escolha dos administradores continua submetida às regras societárias, estatutárias e legais aplicáveis.</p>
<p>A reorganização ocorre em uma companhia cujo controle permanece concentrado na família fundadora, apesar da presença relevante de investidores institucionais e acionistas minoritários. Segundo a composição acionária publicada pela própria Rede D’Or, os integrantes da família Moll detinham, direta e indiretamente, 50,2% das ações em 30 de junho de 2026. A nova estrutura contratual procura organizar o exercício desses direitos e reduzir incertezas relacionadas à transferência de participações entre diferentes gerações.</p>
<h2>Família Moll estabelece regras de sucessão até 2046</h2>
<p>O acordo de acionistas formalizado em outubro representa a terceira alteração e consolidação do instrumento originalmente firmado em 19 de maio de 2019. A atualização envolve o Chardonnay Fundo de Investimento Financeiro em Ações, o Delta FM&amp;B Fundo de Investimento Financeiro em Ações e integrantes da família Moll. Na mesma data, os familiares também celebraram um acordo específico de cotistas do Chardonnay, complementando a organização das participações societárias.</p>
<p>Os dois documentos possuem funções relacionadas, mas não idênticas. O acordo de acionistas disciplina direitos associados à participação na companhia, enquanto o acordo de cotistas estabelece compromissos entre os participantes do fundo de investimento envolvido na estrutura de controle. A utilização conjunta desses instrumentos permite organizar direitos políticos e patrimoniais exercidos por diferentes veículos societários.</p>
<p>Entre os temas tratados estão o exercício do voto, a atuação coordenada dos signatários e as condições de preferência na transferência de ações ou cotas. Essas regras são relevantes porque a fragmentação de participações entre familiares pode modificar a dinâmica de controle de uma empresa ao longo do tempo. A definição antecipada de procedimentos procura estabelecer como determinadas decisões serão tomadas e quais direitos deverão ser observados nas transferências de participações.</p>
<p>A duração contratual também merece atenção. Considerando o início da vigência em outubro de 2026, o acordo atravessará diferentes mandatos de conselheiros e diretores, além de possíveis mudanças no cenário econômico e na estrutura de capital da companhia. Sua existência não impede automaticamente futuras alterações societárias, mas estabelece compromissos que deverão ser observados pelas partes enquanto permanecerem válidos.</p>
<p>A formalização não foi acompanhada de anúncio de mudança imediata no controle acionário ou na presidência executiva. O comunicado apresenta uma reorganização das regras aplicáveis aos atuais participantes, sem informar transferência de controle para investidores externos. O efeito central está na definição de mecanismos para preservar a coordenação societária e administrar a sucessão.</p>
<h2>Jorge Moll permanece no conselho e Paulo Moll continua como CEO</h2>
<p>A estrutura de liderança da Rede D’Or será mantida após a assinatura dos acordos. Jorge Moll, fundador do grupo, continuará exercendo a presidência do conselho de administração, responsável pela supervisão estratégica dos <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340976">negócios</a> e pelo acompanhamento da administração. Paulo Moll permanece como diretor-presidente, encarregado da gestão executiva e da implementação das diretrizes estabelecidas pelos órgãos de governança.</p>
<p>Os dois cargos possuem atribuições diferentes. O conselho de administração participa da definição das prioridades estratégicas, supervisiona o desempenho empresarial e acompanha decisões relevantes para a companhia. A diretoria executiva responde pela condução cotidiana das atividades operacionais, pela execução dos investimentos e pelo cumprimento das metas estabelecidas.</p>
<p>A separação entre essas funções é prevista na estrutura institucional da Rede D’Or. Conforme as informações divulgadas em seu portal de relações com investidores, os membros do conselho são eleitos pelos acionistas em assembleia geral, com mandato de dois anos e possibilidade de reeleição. Já os integrantes da diretoria possuem mandatos de três anos, também sujeitos às regras estatutárias e aos procedimentos de nomeação.</p>
<p>Os novos acordos procuram dar continuidade à liderança atual sem eliminar essas exigências formais. A existência de compromissos entre os controladores pode orientar o exercício dos votos em assembleias, mas não substitui os atos societários necessários para eleger conselheiros ou nomear diretores. Assim, a sucessão familiar e a administração da companhia permanecem juridicamente relacionadas, porém sujeitas a procedimentos próprios.</p>
<h2>Paulo Moll terá papel central na sucessão do fundador</h2>
<p>Uma das disposições mais relevantes dos instrumentos trata da continuidade administrativa em situações de falecimento ou incapacidade permanente de Jorge Moll. Segundo o fato relevante divulgado pela Rede D’Or, os acordos preveem a manutenção e a consolidação da liderança da companhia por Paulo Moll, seja na condição de diretor-presidente, seja na presidência do conselho de administração.</p>
<p>A previsão busca reduzir a incerteza sobre a liderança do grupo em circunstâncias que poderiam exigir mudanças na administração. Ao estabelecer antecipadamente uma diretriz de sucessão, os acionistas procuram diminuir o risco de divergências sobre quem deverá conduzir a companhia. A disposição, entretanto, não estabelece que Paulo Moll acumulará obrigatoriamente os dois cargos nem representa uma nomeação automática para uma função diferente da atualmente exercida.</p>
<p>Paulo Moll possui trajetória profissional diretamente ligada ao desenvolvimento do grupo hospitalar. De acordo com a apresentação institucional da empresa, ingressou na companhia em 2001 e atualmente exerce a função de diretor-presidente. Formado em <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340978">economia</a> pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais, também participa do conselho da Associação Nacional de Hospitais Privados.</p>
<p>Jorge Moll, por sua vez, possui participação histórica na formação da Rede D’Or. Médico de formação, foi um dos fundadores do Labs D’Or, em 1977, empreendimento que contribuiu para a construção da estrutura empresarial posteriormente expandida para o setor hospitalar. Sua permanência na presidência do conselho preserva uma ligação entre a trajetória de fundação da companhia e a supervisão das decisões estratégicas.</p>
<p>A definição da sucessão adquire relevância em <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340977">empresas</a> nas quais a identidade do controlador está fortemente associada à história do negócio. Mudanças inesperadas de liderança podem gerar dúvidas entre investidores, credores, parceiros comerciais e administradores. A existência de regras previamente acordadas não elimina todos os riscos de transição, mas pode tornar mais previsível a condução societária diante de mudanças na composição da família.</p>
<h2>Família Moll controla mais da metade das ações da Rede D’Or</h2>
<p>A dimensão econômica dos novos acordos aparece na estrutura acionária da Rede D’Or. Em 30 de junho de 2026, a família Moll possuía 1.123.650.667 ações, equivalentes a 50,2% do capital social da companhia. Na mesma data, a empresa contabilizava 2.240.292.590 ações emitidas, conforme os dados divulgados em sua área de relações com investidores.</p>
<p>A composição também incluía uma participação de 44,8% classificada como ações em circulação, conhecida no mercado como <em>free float</em>. A família Larragoiti possuía aproximadamente 1,3%, enquanto os papéis registrados em nome da administração representavam 1,1%. As ações mantidas em tesouraria correspondiam a 2,7% do total.</p>
<p><strong>Composição acionária da Rede D’Or em 30 de junho de 2026</strong></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<th>Acionista ou grupo</th>
<th>Participação</th>
</tr>
<tr>
<td>Família Moll</td>
<td>50,2%</td>
</tr>
<tr>
<td>Ações em circulação</td>
<td>44,8%</td>
</tr>
<tr>
<td>Família Larragoiti</td>
<td>1,3%</td>
</tr>
<tr>
<td>Administração</td>
<td>1,1%</td>
</tr>
<tr>
<td>Ações em tesouraria</td>
<td>2,7%</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Os percentuais foram arredondados pela companhia e devem ser interpretados conforme as categorias divulgadas na composição acionária oficial. A soma pode apresentar pequena diferença em relação a 100% em razão desses arredondamentos.</p>
<p>A participação superior à metade do capital evidencia o peso da família Moll na estrutura societária. Entretanto, possuir a maioria das ações não significa que todas as decisões possam ser tomadas unilateralmente, pois determinadas matérias dependem de quóruns específicos, procedimentos legais e respeito aos direitos dos demais acionistas.</p>
<p>Nesse contexto, a organização do voto em bloco ganha importância. Acordos dessa natureza permitem que acionistas estabeleçam compromissos sobre determinadas decisões, reduzindo a possibilidade de manifestações divergentes entre participantes que integram um mesmo grupo de controle. As condições concretas dependem das cláusulas contratuais e dos limites impostos pela legislação societária.</p>
<p>O número de ações controladas pela família também demonstra que a reorganização não envolve apenas uma distribuição interna de responsabilidades administrativas. Trata-se de um conjunto expressivo de direitos políticos e patrimoniais associados a uma companhia aberta, cuja governança interessa também aos investidores que não participam diretamente dos acordos.</p>
<h2>Voto em bloco pode diminuir divergências entre familiares</h2>
<p>O mecanismo de votação conjunta constitui um dos elementos centrais da nova estrutura societária. Acordos de acionistas podem estabelecer procedimentos pelos quais determinados participantes discutem previamente matérias relevantes e assumem compromissos sobre a forma de exercer seus votos. O objetivo é organizar decisões em temas que afetam o controle, a administração e a continuidade dos negócios.</p>
<p>Na Rede D’Or, os instrumentos atualizados mencionam expressamente o exercício de direitos políticos e a votação em bloco. A divulgação indica que a família pretende preservar mecanismos de coordenação entre seus integrantes, ainda que a companhia não tenha apresentado no resumo do fato relevante todas as hipóteses específicas de deliberação previstas nas cláusulas contratuais.</p>
<p>A importância desse mecanismo cresce quando diferentes herdeiros ou veículos de investimento participam da estrutura acionária. Sem regras de coordenação, mudanças patrimoniais podem criar grupos com interesses distintos e modificar o equilíbrio de poder nas assembleias. Com um acordo de voto, determinadas decisões passam a estar submetidas aos compromissos assumidos pelos participantes.</p>
<p>A legislação brasileira reconhece a validade desses instrumentos. O artigo 118 da Lei nº 6.404, de 1976, estabelece que acordos sobre compra e venda de ações, preferência para adquiri-las, exercício de voto ou poder de controle devem ser observados pela companhia quando arquivados em sua sede.</p>
<p>A previsão legal também possui limites. Os acordos não autorizam seus participantes a descumprir deveres societários nem afastam responsabilidades relacionadas ao exercício do controle. Sua validade e execução dependem das disposições contratuais e das exigências estabelecidas pela legislação das sociedades por ações.</p>
<h2>Regras de preferência disciplinam transferência de ações e cotas</h2>
<p>Outro componente importante da reorganização envolve o direito de preferência nas transferências de participações societárias. Em termos gerais, esse mecanismo pode estabelecer condições para que determinados integrantes de um acordo tenham prioridade na aquisição de ações ou cotas que outro participante pretenda vender. A estrutura busca organizar mudanças patrimoniais e preservar relações de controle previamente estabelecidas.</p>
<p>Na Rede D’Or, o acordo menciona direitos de preferência relativos às ações e cotas pertencentes à família Moll. A divulgação não significa que todas as ações da companhia estejam sujeitas às mesmas restrições, pois os compromissos alcançam os participantes e ativos abrangidos pelos instrumentos. Também não permite concluir que os familiares estejam proibidos de realizar qualquer transferência de patrimônio.</p>
<p>O efeito econômico depende das condições previstas para cada operação. Direitos de preferência podem influenciar o procedimento de venda de participações, os prazos para manifestação dos demais interessados e as exigências necessárias à conclusão da transferência. Essas características podem reduzir o risco de entrada inesperada de terceiros no bloco de controle, mas também influenciar a liquidez de determinadas participações.</p>
<p>É importante distinguir essas regras das condições de negociação aplicáveis às ações RDOR3 em circulação na Bolsa. O acordo entre acionistas específicos não altera automaticamente os direitos dos demais investidores nem significa que as ações negociadas no mercado secundário passaram a estar sujeitas às mesmas obrigações contratuais.</p>
<p>A proteção dos acionistas minoritários continua submetida à legislação, ao estatuto social e às normas da Comissão de Valores Mobiliários. Eventuais operações que envolvam mudança de controle, reorganização societária ou transações entre partes relacionadas devem observar as exigências aplicáveis a cada situação.</p>
<h2>Acordo de 20 anos pode reduzir incertezas, mas não garante resultados financeiros</h2>
<p>A atualização dos instrumentos societários procura aumentar a previsibilidade sobre a administração e o exercício do controle da Rede D’Or. Para investidores, conhecer as diretrizes de sucessão pode contribuir para avaliar a continuidade das decisões estratégicas e os riscos associados a mudanças de liderança. Entretanto, a existência de um acordo de longo prazo não representa garantia de desempenho operacional, crescimento de lucro ou valorização das ações.</p>
<p>O fato relevante divulgado em outubro não anunciou alteração de capital social, distribuição extraordinária de dividendos ou mudança no número de ações emitidas. Também não apresentou projeções financeiras associadas diretamente à reorganização familiar. O conteúdo concentrou-se nas regras de governança e nos compromissos assumidos pelos acionistas e cotistas.</p>
<p>A diferença entre estabilidade societária e desempenho econômico é relevante. Uma estrutura de controle organizada pode facilitar a continuidade de decisões e investimentos, mas os resultados da companhia permanecem sujeitos à demanda por serviços de saúde, aos custos operacionais, à remuneração dos contratos e à necessidade de investimentos. Esses fatores continuam determinantes para a geração de caixa e a rentabilidade do negócio.</p>
<p>O mercado também precisa considerar a existência de diferentes interesses entre acionistas controladores e minoritários. A atuação coordenada de um grupo familiar pode aumentar a previsibilidade sobre a gestão, mas exige mecanismos de fiscalização, transparência e respeito às regras societárias. A governança corporativa depende do funcionamento conjunto desses instrumentos, e não apenas da concentração de votos.</p>
<p>A formalização dos acordos fornece, portanto, uma informação relevante sobre a disposição dos controladores de manter uma estrutura de comando coordenada. Seu efeito prático será observado ao longo do tempo, especialmente em futuras eleições para o conselho, decisões sobre investimentos e eventuais mudanças na composição do grupo familiar.</p>
<h2>Sucessão ocorre em uma das principais redes hospitalares privadas do país</h2>
<p>A importância dos acordos também está relacionada à dimensão das operações da Rede D’Or. A companhia atua em serviços hospitalares, diagnóstico e outras atividades ligadas à assistência à saúde, além de possuir participação relevante no mercado de seguros e planos de saúde por meio da SulAmérica. Sua estrutura exige decisões de longo prazo relacionadas à expansão, modernização de unidades, tecnologia médica e gestão de capital.</p>
<p>A integração entre atividades hospitalares e serviços de saúde suplementar acrescenta complexidade à administração do grupo. As operações estão sujeitas a diferentes regulações e exigem acompanhamento de indicadores assistenciais, financeiros e operacionais. Uma mudança de liderança envolve, portanto, responsabilidades que ultrapassam a gestão de uma única unidade empresarial.</p>
<p>A continuidade administrativa também possui relevância para projetos de investimento com maturação prolongada. Construção e expansão de hospitais, aquisição de equipamentos, desenvolvimento tecnológico e integração de negócios podem exigir desembolsos durante vários exercícios antes de produzir os resultados esperados. A existência de diretrizes estáveis de governança pode contribuir para o planejamento dessas iniciativas, embora não assegure sua execução.</p>
<p>A Rede D’Or mantém uma estrutura de administração formada por profissionais com experiências em áreas médicas, financeiras e empresariais. O conselho de administração inclui integrantes da família e membros independentes, enquanto a diretoria executiva reúne responsáveis por diferentes funções operacionais. Essa organização permanece em vigor após os acordos anunciados em outubro.</p>
<p>O caráter familiar do controle não elimina a condição de companhia aberta. A empresa continua obrigada a divulgar informações relevantes ao mercado, cumprir exigências de transparência e observar normas aplicáveis às sociedades com ações negociadas na B3. Os acordos de acionistas integram esse ambiente regulatório e precisam ser interpretados em conjunto com os demais instrumentos de governança.</p>
<h2>Investidores acompanharão execução das regras de sucessão</h2>
<p>A formalização dos documentos em 16 de outubro representa uma etapa de organização societária com efeitos potencialmente duradouros. O prazo de 20 anos estabelece um horizonte até outubro de 2046, período durante o qual poderão ocorrer mudanças na composição da família, nas participações acionárias e nos órgãos de administração. Os compromissos assumidos agora procuram disciplinar parte dessas situações antecipadamente.</p>
<p>Entre os aspectos relevantes para acompanhamento estão a aplicação prática das regras de voto, a utilização dos direitos de preferência e os procedimentos adotados em futuras alterações na liderança. A divulgação de novas informações dependerá da ocorrência de eventos que se enquadrem nas obrigações legais e regulatórias de comunicação ao mercado.</p>
<p>A manutenção de Jorge Moll na presidência do conselho e de Paulo Moll como diretor-presidente preserva a estrutura atual. A previsão específica para situações de falecimento ou incapacidade permanente do fundador oferece uma diretriz para a sucessão, sem estabelecer uma transferência imediata ou automática dos cargos.</p>
<p>A reorganização também evidencia uma distinção entre controle acionário e administração executiva. Embora a família possua participação majoritária e coordene direitos políticos por meio de acordos, a escolha formal dos administradores continua submetida aos procedimentos societários. A existência de regras familiares não substitui as competências legais dos órgãos de administração.</p>
<p>Com a renovação dos compromissos, a Rede D’Or procura preservar uma estrutura de controle coordenada e reduzir incertezas sobre sua sucessão. O impacto mais imediato está na governança, não nos resultados financeiros. Para os investidores, a relevância do movimento dependerá da capacidade de transformar a previsibilidade societária em continuidade administrativa, respeito aos direitos dos acionistas e execução consistente da estratégia empresarial.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Rede D’Or São Luiz S.A. — Fato relevante de 16 de outubro de 2026, sobre o terceiro aditamento e consolidação do acordo de acionistas da família Moll e a celebração do acordo de cotistas do Chardonnay.</p>
<p>Rede D’Or São Luiz S.A. — Composição acionária oficial de 30 de junho de 2026, com participação da família Moll e distribuição das ações da companhia.</p>
<p>Rede D’Or São Luiz S.A. — Informações institucionais de governança corporativa, composição do conselho de administração e da diretoria executiva.</p>
<p>Comissão de Valores Mobiliários — Registro de fato relevante apresentado pela Rede D’Or São Luiz em 16 de outubro de 2026, referente aos acordos de acionistas e cotistas.</p>
<p>Presidência da República — Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, especialmente o artigo 118, relativo aos acordos de acionistas.</p>
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		<title>M. Dias Branco (MDIA3) acerta compra de 80% da Grespan e entra no mercado de pães congelados</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/m-dias-branco-compra-grespan-paes-congelados</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Oct 2026 00:14:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[aquisições]]></category>
		<category><![CDATA[Grespan]]></category>
		<category><![CDATA[indústria alimentícia]]></category>
		<category><![CDATA[Jasmine]]></category>
		<category><![CDATA[M. Dias Branco]]></category>
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		<category><![CDATA[Mercado de Panificação]]></category>
		<category><![CDATA[Pães Congelados]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A M. Dias Branco (MDIA3), uma das maiores fabricantes de massas e biscoitos do Brasil, anunciou nesta sexta-feira (16) um acordo para adquirir 80% do capital da Grespan Pães Congelados, indústria sediada em Marília, no interior de São Paulo. A operação marca a entrada da companhia cearense no segmento de panificação congelada e faz parte [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-metric-area="topo-noticia" data-v-d559f1f7="">
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<p>A M. Dias Branco (MDIA3), uma das maiores fabricantes de massas e biscoitos do Brasil, anunciou nesta sexta-feira (16) um acordo para adquirir 80% do capital da Grespan Pães Congelados, indústria sediada em Marília, no interior de São Paulo. A operação marca a entrada da companhia cearense no segmento de panificação congelada e faz parte de sua estratégia de diversificação para categorias complementares ao negócio principal. O valor da aquisição não foi divulgado.</p>
<p>O negócio será realizado por meio da Jasmine Indústria e Comércio de Alimentos, controlada da M. Dias Branco. O contrato estabelece a possibilidade de aquisição dos 20% restantes da Grespan em até cinco anos, contados da conclusão da operação. A transferência de controle ainda depende do cumprimento das condições previstas no acordo e das aprovações aplicáveis.</p>
<p>Fundada em 2009, a Grespan registrou receita bruta de R$ 138,7 milhões em 2025 e atende mais de 1.100 clientes, principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Seu portfólio reúne mais de 60 itens de panificação congelada, destinados a supermercados, atacarejos e padarias.</p>
<p>A aquisição acrescenta à M. Dias Branco uma atividade diferente da produção tradicional de alimentos industrializados embalados. A nova operação será direcionada ao fornecimento de produtos que passam pelas etapas finais de preparo nos próprios estabelecimentos comerciais, permitindo a oferta de pães recém-assados ao consumidor.</p>
<h2>Aquisição da Grespan prevê controle de 80% e compra futura do restante</h2>
<p>A estrutura anunciada pela M. Dias Branco contempla a aquisição inicial de uma participação majoritária de 80% da Grespan. Com a conclusão da operação, o grupo passará a exercer o controle indireto da fabricante de pães congelados por meio da Jasmine.</p>
<p>Os 20% restantes continuarão vinculados aos atuais sócios, observadas as condições contratadas. O acordo também estabelece uma opção para aquisição dessa participação remanescente dentro de um prazo de até cinco anos após o fechamento do negócio.</p>
<p>A existência dessa opção não significa que a compra integral esteja definida. O exercício do direito dependerá dos termos negociados e das condições estabelecidas entre as partes.</p>
<p>A M. Dias Branco não divulgou o preço da participação adquirida, a avaliação total da Grespan ou a fórmula financeira prevista para uma eventual aquisição dos 20% restantes. Também não apresentou publicamente estimativas de contribuição da nova operação para o lucro ou a receita consolidada do grupo.</p>
<p>A ausência dessas informações impede calcular o múltiplo de aquisição ou avaliar se o preço negociado representa um prêmio em relação ao faturamento e à capacidade de geração de caixa da empresa.</p>
<p>Outro ponto relevante é o estágio da transação. O anúncio confirma a assinatura de um contrato de aquisição, mas a conclusão depende das condições precedentes e das aprovações aplicáveis. Até o fechamento, as <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340913">empresas</a> permanecem responsáveis pela condução independente de suas operações.</p>
<h2>Grespan faturou R$ 138,7 milhões em 2025 e atende mais de 1.100 clientes</h2>
<p>A empresa adquirida foi fundada em 2009, na cidade de Marília, importante polo da indústria de alimentos do interior paulista. Ao longo de sua trajetória, especializou-se na fabricação e comercialização de produtos de panificação congelada, desenvolvendo uma estrutura própria de distribuição e atendimento a estabelecimentos comerciais.</p>
<p>Segundo informações divulgadas pela M. Dias Branco, a Grespan encerrou 2025 com receita bruta de R$ 138,7 milhões. O montante corresponde ao faturamento antes das deduções de tributos, devoluções e outros ajustes que integram a apuração da receita líquida.</p>
<p>A diferença é importante para a análise financeira da aquisição. Os R$ 138,7 milhões não representam lucro, geração de caixa ou o valor pago pela compradora. Também não permitem determinar isoladamente a rentabilidade do negócio.</p>
<p>A Grespan informa atender mais de 1.100 clientes e possuir um catálogo com mais de 60 unidades de manutenção de estoque, conhecidas como SKUs. Essa medida representa a variedade de produtos e apresentações comercializadas, não necessariamente a existência de 60 categorias diferentes de alimentos.</p>
<p>O modelo operacional reúne fabricação, logística própria, fornecimento de equipamentos e suporte técnico aos clientes. A estrutura busca permitir que estabelecimentos sem uma produção própria completa de panificação ofereçam produtos assados ao longo do dia.</p>
<p>A presença comercial está concentrada principalmente no Sudeste, com atendimento também à região Centro-Oeste. Entre os canais atendidos estão supermercados, redes de atacarejo e padarias.</p>
<p>Para a M. Dias Branco, essa base de clientes representa uma oportunidade de ampliar sua presença em pontos de venda onde já comercializa outros alimentos, embora a distribuição de produtos congelados exija uma operação distinta daquela utilizada para massas e biscoitos convencionais.</p>
<h2>Pão francês é o principal produto da Grespan</h2>
<p>A panificação congelada envolve a produção industrial de massas ou pães que são armazenados e transportados sob condições controladas de temperatura. Dependendo das características do produto, as etapas finais de fermentação, descongelamento ou forneamento são realizadas no estabelecimento responsável pela venda ao consumidor.</p>
<p>O pão francês é o principal produto da Grespan, segundo a apresentação institucional divulgada pela compradora.</p>
<p>Esse modelo permite que supermercados e padarias organizem a produção conforme a demanda, reduzindo a necessidade de preparar integralmente as massas em cada unidade comercial.</p>
<p>Para os estabelecimentos, uma das possíveis vantagens está na padronização dos processos. O fornecimento industrial pode facilitar o controle de quantidades e a programação de fornadas, especialmente em operações com grande fluxo de consumidores ou múltiplas lojas.</p>
<p>A utilização de produtos congelados também pode diminuir a dependência de determinadas etapas de produção artesanal, embora os resultados dependam da organização, dos equipamentos e das condições operacionais de cada cliente.</p>
<p>A M. Dias Branco identifica a escassez de mão de obra qualificada como um dos fatores que favorecem soluções desse tipo.</p>
<p>Fábio Cefaly, diretor executivo de Relações com Investidores e Novos <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340912">Negócios</a> da companhia, afirmou que a oferta da Grespan combina produtos e serviços destinados a melhorar a eficiência operacional dos clientes.</p>
<p>A estratégia, portanto, não depende exclusivamente da venda de pães. Também envolve equipamentos, logística e conhecimento técnico necessários para que o produto chegue ao consumidor com as características esperadas.</p>
<h2>Mercado de panificação movimentou R$ 164 bilhões no Brasil em 2025</h2>
<p>O tamanho do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340910">mercado</a> brasileiro de panificação é um dos argumentos apresentados pela M. Dias Branco para justificar a aquisição.</p>
<p>Segundo informações divulgadas pela companhia, o setor movimentou aproximadamente R$ 164 bilhões no país em 2025. A atividade também atende um público diário estimado em 47,5 milhões de consumidores.</p>
<p>É necessário distinguir, entretanto, o mercado geral de panificação do segmento específico de pães congelados. Os R$ 164 bilhões correspondem à dimensão econômica da atividade de panificação como um todo, e não exclusivamente às vendas de produtos congelados.</p>
<p>O levantamento setorial referente a 2024, elaborado pelo Instituto de Desenvolvimento das Empresas de Alimentação e divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), já havia identificado faturamento de R$ 153,36 bilhões no setor. O mesmo estudo estimava a circulação diária de 47,5 milhões de consumidores nas padarias brasileiras.</p>
<p>A pesquisa também identificou crescimento de 10,92% nas vendas de panificação e confeitaria em 2024, na comparação com 2023. O fluxo de clientes avançou 4,57%, enquanto o tíquete médio apresentou aumento de 6,37%.</p>
<p>Esses indicadores demonstram a relevância econômica da atividade, mas não permitem estabelecer automaticamente o ritmo de crescimento da panificação congelada, que possui características e canais de comercialização próprios.</p>
<p>A oportunidade identificada pela M. Dias Branco está justamente na possibilidade de ampliar o fornecimento industrial para estabelecimentos que buscam manter a oferta de produtos frescos sem executar internamente todas as etapas produtivas.</p>
<h2>Jasmine será responsável pela aquisição da Grespan</h2>
<p>A escolha da Jasmine como veículo da aquisição acrescenta uma dimensão estratégica ao negócio. A empresa, controlada pela M. Dias Branco, atua no segmento de alimentos saudáveis e possui portfólio de produtos orgânicos, integrais, cereais, granolas, snacks e pães sem glúten.</p>
<p>Fundada em 1990, em Campina Grande do Sul, no Paraná, a Jasmine passou a integrar a estrutura da M. Dias Branco como parte da estratégia de expansão do grupo para categorias além de massas e biscoitos.</p>
<p>Sua utilização na compra da Grespan permitirá que a nova operação seja incorporada ao grupo por intermédio de uma controlada já existente.</p>
<p>A escolha também evidencia a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340911">política</a> de diversificação por meio de aquisições. Em vez de desenvolver internamente uma operação de panificação congelada desde o início, a fabricante passará a contar, após a conclusão da compra, com uma empresa que já possui produção, clientes e estrutura comercial estabelecidas.</p>
<p>Essa alternativa pode reduzir o tempo necessário para entrar em uma nova categoria. Por outro lado, exige integração de sistemas, processos administrativos, controles financeiros e estratégias comerciais entre organizações com características operacionais diferentes.</p>
<p>A logística constitui um dos principais desafios. Ao contrário de alimentos de longa validade, produtos congelados exigem transporte e armazenamento com controle de temperatura, além de equipamentos adequados em diferentes etapas da cadeia.</p>
<p>Isso significa que a escala de distribuição da M. Dias Branco poderá representar uma vantagem competitiva, mas não garante, por si só, ganhos imediatos de eficiência na operação adquirida.</p>
<h2>Fundadores permanecerão na gestão por até cinco anos</h2>
<p>A operação prevê a permanência de José Marcos Grespan e Marlene Tereza Grespan Ferrari, fundadores da empresa, durante um período de até cinco anos.</p>
<p>A continuidade dos atuais dirigentes busca preservar o conhecimento acumulado sobre fabricação, logística, relações comerciais e particularidades do mercado de panificação congelada.</p>
<p>O prazo também se relaciona ao período estabelecido para a eventual aquisição da participação societária remanescente.</p>
<p>A manutenção dos fundadores pode facilitar a transição administrativa e a integração entre as estruturas das duas companhias. A execução dessa estratégia, entretanto, dependerá da definição de responsabilidades, metas operacionais e mecanismos de governança.</p>
<p>Em operações desse tipo, a permanência de antigos controladores pode contribuir para preservar o relacionamento com fornecedores e clientes, especialmente quando a empresa adquirida possui atuação regional especializada.</p>
<p>A M. Dias Branco não detalhou publicamente as condições de remuneração dos fundadores, eventuais metas associadas à permanência ou os critérios financeiros para aquisição das participações restantes.</p>
<h2>Operação amplia estratégia de diversificação da M. Dias Branco</h2>
<p>A M. Dias Branco possui presença consolidada no mercado brasileiro de alimentos, com marcas como Vitarella, Piraquê, Adria, Isabela, Fortaleza, Richester e Jasmine.</p>
<p>A aquisição da Grespan expande essa estrutura para um segmento no qual a venda ao consumidor final depende, em grande parte, de estabelecimentos parceiros responsáveis pelo preparo e forneamento dos produtos.</p>
<p>A diferença exige uma abordagem comercial própria. Enquanto massas e biscoitos industrializados podem ser distribuídos diretamente às prateleiras dos pontos de venda, a panificação congelada envolve equipamentos específicos, gestão de estoques refrigerados e programação de produção.</p>
<p>Gustavo Theodozio, vice-presidente de Investimentos, Controladoria e Relações com Investidores da M. Dias Branco, afirmou que a operação permitirá ampliar a presença em um mercado fragmentado e complementar às atividades atuais.</p>
<p>O caráter fragmentado do setor representa uma oportunidade potencial de expansão por meio de escala industrial, distribuição e relacionamento comercial. Entretanto, a existência de diferentes produtores regionais também impõe concorrência e limita a possibilidade de crescimento sem investimentos adicionais.</p>
<p>Um dos principais pontos a acompanhar será a capacidade de ampliar as vendas da Grespan para além de sua base atual de clientes, aproveitando a presença nacional da compradora.</p>
<p>Outro será a manutenção da qualidade dos produtos durante o crescimento da operação, especialmente diante das exigências de armazenamento e transporte.</p>
<h2>Impacto financeiro dependerá do preço e da rentabilidade da operação</h2>
<p>A transação acrescenta à M. Dias Branco um negócio com receita bruta anual de R$ 138,7 milhões, mas ainda não há informações suficientes para determinar seu impacto sobre os resultados consolidados da companhia.</p>
<p>O valor pago pela participação de 80%, a rentabilidade da Grespan, sua posição de endividamento e os investimentos necessários para ampliar a produção não foram detalhados no anúncio.</p>
<p>Sem esses dados, não é possível calcular indicadores de avaliação como a relação entre preço de aquisição e lucro operacional ou estimar o prazo de retorno do investimento.</p>
<p>A receita informada, por sua vez, corresponde ao exercício de 2025. Ela não representa uma projeção para 2026 nem indica necessariamente o faturamento que será incorporado às demonstrações financeiras da M. Dias Branco.</p>
<p>O reconhecimento dos resultados da Grespan dependerá da conclusão da transação e das regras contábeis aplicáveis à combinação de negócios.</p>
<p>Também será importante observar se a estrutura comercial da compradora conseguirá ampliar o volume de vendas sem elevar os custos logísticos em proporção equivalente.</p>
<p>Uma expansão desse tipo pode produzir ganhos de escala, mas também demanda investimentos em produção, armazenagem, transporte e equipamentos instalados nos clientes.</p>
<h2>Próximos passos da aquisição da Grespan</h2>
<p>A aquisição de 80% da Grespan foi anunciada em 16 de outubro, mas sua conclusão ainda depende do cumprimento das condições estabelecidas no contrato.</p>
<p>Até o fechamento, a M. Dias Branco não terá necessariamente incorporado o controle operacional ou os resultados da fabricante paulista.</p>
<p>Os próximos comunicados ao mercado deverão esclarecer a conclusão da operação e poderão trazer informações adicionais sobre sua estrutura financeira, embora não exista confirmação de que o preço será divulgado integralmente.</p>
<p>Para os acionistas da M. Dias Branco (MDIA3), a evolução da aquisição poderá ser acompanhada pelos demonstrativos financeiros e pelas apresentações de resultados posteriores à transferência de controle.</p>
<p>A principal novidade é a entrada planejada da companhia no mercado de pães congelados por meio de uma empresa que já possui mais de 1.100 clientes, portfólio diversificado e presença comercial relevante no Sudeste.</p>
<p>A estratégia amplia o alcance da M. Dias Branco para uma categoria de consumo recorrente, mas seus efeitos sobre crescimento, margens e rentabilidade dependerão da execução da integração e da expansão comercial.</p>
<p>Com a aquisição contratada, a fabricante de massas e biscoitos passa a preparar uma nova frente de negócios na panificação brasileira. A dimensão econômica dessa aposta somente poderá ser avaliada com maior precisão após a conclusão da transação e a divulgação dos primeiros resultados consolidados.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>M. Dias Branco — Comunicado institucional de 16 de outubro de 2026 sobre a aquisição de 80% da Grespan e a estratégia de entrada no mercado de pães congelados.</em></p>
<p><em>M. Dias Branco — Informações institucionais de Relações com Investidores sobre suas controladas e a atuação da Jasmine Indústria e Comércio de Alimentos.</em></p>
<p><em>Instituto de Desenvolvimento das Empresas de Alimentação — Estudo Indicadores de Performance 2024–2025, com dados originais sobre faturamento, consumo, fluxo de clientes e desempenho da panificação brasileira.</em></p>
<p><em>Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria — Divulgação institucional dos indicadores econômicos e estruturais do setor de panificação e confeitaria.</em></p>
</div>
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		<title>Petrobras chega a R$ 800 bilhões em valor de mercado após alta de 14,3%</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/petrobras-800-bilhoes-valor-de-mercado-alta-acoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabriel Monteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2026 20:43:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[B3]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado Financeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Oriente Médio.]]></category>
		<category><![CDATA[PETR3]]></category>
		<category><![CDATA[PETR4]]></category>
		<category><![CDATA[Petrobras]]></category>
		<category><![CDATA[Petróleo]]></category>
		<category><![CDATA[valor de mercado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Petrobras (PETR3; PETR4) acrescentou aproximadamente R$ 100 bilhões ao seu valor de mercado em 12 dias corridos e alcançou R$ 800 bilhões no fechamento da Bolsa de Valores brasileira em 14 de outubro de 2026. O avanço consolidou uma sequência de recordes das ações da companhia, em um período marcado pela valorização do petróleo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Petrobras (PETR3; PETR4) acrescentou aproximadamente R$ 100 bilhões ao seu valor de mercado em 12 dias corridos e alcançou R$ 800 bilhões no fechamento da Bolsa de Valores brasileira em 14 de outubro de 2026. O avanço consolidou uma sequência de recordes das ações da companhia, em um período marcado pela valorização do petróleo no <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340900">mercado</a> internacional, pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela divulgação de resultados operacionais e financeiros favoráveis.</p>
<p>O novo patamar representa uma elevação de aproximadamente 14,3% em relação aos R$ 700,08 bilhões registrados em 2 de outubro, quando a empresa também havia estabelecido uma máxima histórica. A diferença entre as duas avaliações corresponde a R$ 99,92 bilhões, calculada a partir dos valores divulgados para os dois pregões. A companhia ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 800 bilhões no encerramento das negociações de 14 de outubro, segundo informações divulgadas pela própria estatal no dia seguinte.</p>
<p>A valorização ocorre em um ano de forte desempenho dos papéis da petroleira. Até o recorde de outubro, as ações preferenciais acumulavam alta próxima de 100% em 2026, enquanto as ordinárias apresentavam valorização de aproximadamente 110%, de acordo com os dados publicados pela companhia. A diferença entre o desempenho das duas classes reflete trajetórias específicas de negociação, embora ambas participem da avaliação conjunta da empresa na Bolsa.</p>
<p>O movimento não se explica por um único acontecimento. A elevação das cotações internacionais do petróleo melhora, em determinadas condições, as perspectivas de geração de caixa das produtoras, enquanto os indicadores operacionais da Petrobras, as expectativas sobre pagamentos a acionistas e as decisões comerciais também influenciam a avaliação do mercado. A descoberta de petróleo na Margem Equatorial brasileira, anunciada no início de outubro, havia contribuído para o recorde anterior.</p>
<h2>Petróleo próximo de US$ 110 reforça o interesse pelas produtoras</h2>
<p>A escalada recente dos preços internacionais do petróleo constitui um dos principais fatores externos associados à valorização da Petrobras. Em 16 de outubro, os contratos futuros do Brent, referência internacional para a commodity, encerraram o pregão a US$ 109,86 por barril, com alta diária de 3,7%. Foi o maior preço de fechamento desde maio, segundo dados divulgados pela Reuters.</p>
<p>A cotação reflete a preocupação dos investidores com possíveis interrupções no fornecimento mundial de petróleo. A intensificação das tensões no Oriente Médio, os riscos para a navegação no Estreito de Ormuz e os ataques a instalações do setor energético ampliaram as incertezas sobre a disponibilidade da commodity. A retomada de ataques contra refinarias russas pela Ucrânia acrescentou outro elemento de risco à oferta internacional.</p>
<p>O mercado reage não apenas à quantidade de petróleo efetivamente retirada da circulação, mas também à probabilidade de interrupções futuras. Quando os investidores consideram maior o risco de escassez, os preços podem subir antes de ocorrer uma redução definitiva da produção. Para <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340898">empresas</a> produtoras, essa reprecificação altera as expectativas de receita e rentabilidade.</p>
<p>O relatório de outubro da Agência Internacional de Energia, publicado em 14 de outubro, registrou que os contratos futuros do Brent haviam subido 13% desde o início de setembro, alcançando aproximadamente US$ 107 por barril no momento da elaboração do documento. A instituição também apontou que a recuperação da oferta do Oriente Médio permanecia vulnerável à intensificação dos ataques contra a infraestrutura energética e o transporte marítimo.</p>
<p>Esse contexto beneficia a perspectiva de receita das companhias que extraem petróleo e conseguem comercializar sua produção a preços mais altos. No caso da Petrobras, a relevância do fator é ampliada pela escala de suas operações de exploração e produção, especialmente no pré-sal.</p>
<p>A relação, entretanto, não é automática. A valorização do barril pode aumentar a receita obtida com o petróleo produzido, mas seus efeitos sobre o resultado consolidado dependem de custos operacionais, despesas financeiras, tributos, investimentos, composição das vendas e comportamento do mercado de derivados. A <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340902">política</a> comercial adotada no Brasil também influencia a transmissão das oscilações internacionais para os preços domésticos.</p>
<p>Além disso, a alta da commodity não elimina os riscos geopolíticos para a própria cadeia produtiva. O aumento do custo de transporte, a disponibilidade de derivados e a volatilidade das cotações podem afetar diferentes segmentos do negócio, inclusive as atividades de refino e distribuição.</p>
<h2>Resultados operacionais sustentam a avaliação da companhia</h2>
<p>Os indicadores financeiros divulgados pela Petrobras ajudam a explicar por que o mercado não depende exclusivamente da perspectiva de preços elevados para reavaliar a empresa. No segundo trimestre de 2026, a estatal registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, crescimento de 97% em relação ao mesmo período de 2025.</p>
<p>O Ebitda ajustado, indicador utilizado para avaliar o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, alcançou R$ 93,8 bilhões no trimestre. Já o fluxo de caixa operacional somou R$ 61,8 bilhões, avanço de 46% em 12 meses. No primeiro semestre, o lucro líquido chegou a R$ 85,1 bilhões, segundo os resultados divulgados em agosto.</p>
<p>A produção própria de petróleo no Brasil atingiu 2,7 milhões de barris por dia no segundo trimestre, aumento de 15% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. A empresa também informou que o fator de utilização de seu parque de refino alcançou 101%, resultado associado à elevada utilização da capacidade instalada.</p>
<p>Esses números são relevantes para a avaliação de mercado porque conectam as expectativas sobre os preços da commodity à capacidade de produção e geração de caixa da companhia. Uma alta do petróleo tende a produzir efeitos diferentes conforme a empresa tenha capacidade de ampliar a produção, controlar custos e converter receita em caixa.</p>
<p>O crescimento operacional também pode influenciar as expectativas sobre o cumprimento dos compromissos financeiros, a execução do plano de investimentos e a remuneração dos acionistas. No caso da Petrobras, a combinação de maior produção própria com desempenho de refino contribuiu para fortalecer os resultados do período.</p>
<p>A companhia informou ainda que a dívida bruta encerrou o segundo trimestre em US$ 70,8 bilhões, abaixo do limite de US$ 75 bilhões estabelecido no Plano de <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340901">Negócios</a> 2026-2030. A empresa mantinha a expectativa de convergência da dívida para US$ 65 bilhões no horizonte do plano.</p>
<p>O dado não elimina os riscos financeiros da companhia, mas oferece uma referência para a avaliação de sua capacidade de equilibrar investimentos, endividamento e geração de caixa. Em empresas intensivas em capital, a manutenção desse equilíbrio é importante para sustentar os projetos de exploração e produção, que exigem recursos elevados e retornos distribuídos ao longo de vários anos.</p>
<h2>Acordo na Bacia de Santos acrescenta receita prevista para 2026</h2>
<p>Outro fator corporativo associado ao recorde foi a conclusão de acordos de equalização de gastos e volumes relativos às jazidas compartilhadas de Berbigão e Sururu, na Bacia de Santos. As negociações envolveram a Petrobras e suas parceiras Shell, TotalEnergies e Petrogal.</p>
<p>Pelos acordos, a estatal deverá receber aproximadamente US$ 859 milhões líquidos, com pagamentos previstos até novembro de 2026. O valor representa um ingresso financeiro esperado, não um montante que deva ser somado automaticamente ao lucro do trimestre ou ao caixa já realizado.</p>
<p>A equalização de gastos e volumes em jazidas compartilhadas está relacionada à divisão de despesas e à participação econômica de empresas que atuam em áreas comuns. Ajustes desse tipo podem gerar pagamentos entre os participantes e modificar o fluxo financeiro previsto para cada companhia.</p>
<p>Para os investidores, o anúncio acrescenta um elemento concreto à avaliação dos ativos da Petrobras porque indica recebimentos programados para os meses seguintes. A relevância, contudo, deve ser analisada em conjunto com a escala financeira da empresa, suas obrigações e os investimentos necessários para manter a produção.</p>
<p>A valorização observada em 14 de outubro ocorreu em uma sessão na qual as ações preferenciais avançaram 2,22%, enquanto as ordinárias subiram 1,94%, conforme os dados divulgados pela companhia. O desempenho diário coincidiu com a repercussão dos acordos e com o cenário internacional favorável aos preços do petróleo.</p>
<p>Não é possível atribuir toda a elevação do valor de mercado a esse anúncio. As cotações incorporam simultaneamente informações sobre resultados, expectativas futuras, condições internacionais, riscos empresariais e decisões dos investidores.</p>
<h2>Descoberta na Margem Equatorial marcou a etapa anterior da alta</h2>
<p>O avanço da Petrobras para R$ 700 bilhões em valor de mercado, em 2 de outubro, ocorreu após o anúncio de uma nova descoberta de petróleo em águas ultraprofundas na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira.</p>
<p>Naquele pregão, a companhia adicionou cerca de R$ 20,9 bilhões à sua avaliação de mercado, segundo informações divulgadas pela Agência Brasil. A descoberta renovou as expectativas sobre o potencial exploratório da região, considerada uma nova fronteira de interesse para a indústria petrolífera brasileira.</p>
<p>A notícia passou a integrar o conjunto de fatores considerados pelos investidores na avaliação das perspectivas de produção de longo prazo da estatal. Uma descoberta pode elevar as expectativas sobre o potencial de determinado ativo, mas não representa, por si só, produção comercial imediata nem garante retorno financeiro em prazo definido.</p>
<p>Entre a identificação de petróleo e a eventual produção em escala comercial, são necessárias etapas técnicas, avaliações sobre a viabilidade econômica e autorizações regulatórias e ambientais aplicáveis. Os custos, o cronograma de desenvolvimento e o volume recuperável influenciam a decisão de avançar para as fases seguintes.</p>
<p>A Margem Equatorial, portanto, oferece uma possibilidade de expansão futura que deve ser distinguida da produção corrente da Petrobras. A valorização das ações incorpora expectativas sobre ativos existentes e oportunidades futuras, mas o valor econômico dessas oportunidades depende de sua confirmação e desenvolvimento ao longo do tempo.</p>
<p>A sequência dos recordes mostra como <a class="wpil_keyword_link" title="Notícias" href="https://gazetamercantil.com/noticias" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340899">notícias</a> de naturezas distintas podem contribuir para a reavaliação de uma companhia. Enquanto a descoberta brasileira ampliou as expectativas sobre o potencial de exploração, o petróleo mais caro reforçou as perspectivas de receita das operações em andamento.</p>
<h2>Participação estatal e estrangeira amplia o alcance do recorde</h2>
<p>A composição acionária da Petrobras também ajuda a dimensionar a relevância da valorização. Em setembro de 2026, o governo federal detinha 29,02% do capital total da companhia, conforme os dados de relações com investidores. O grupo de controle, que também inclui participações do BNDESPar e do BNDES, representava 35,45% do capital.</p>
<p>Os investidores não brasileiros respondiam por 48,73% do total de ações, incluindo papéis negociados no exterior e participações mantidas por investidores estrangeiros na B3. A presença internacional torna as ações da estatal sensíveis à avaliação dos investidores globais sobre petróleo, risco geopolítico, condições financeiras e perspectivas de economias emergentes.</p>
<p>A valorização do valor de mercado aumenta a avaliação contábil das participações acionárias, mas não significa que a Petrobras tenha recebido R$ 100 bilhões em dinheiro. O valor de mercado é calculado a partir dos preços das ações negociadas e da quantidade de papéis em circulação. Ele mede quanto o conjunto das ações é avaliado pelo mercado naquele momento, e não o saldo disponível em caixa.</p>
<p>Da mesma forma, a valorização não equivale a uma transferência imediata de recursos ao governo federal. Eventuais benefícios fiscais e financeiros dependem de mecanismos específicos, como dividendos efetivamente aprovados e pagos, tributos, participações governamentais ou vendas de ações. A simples elevação das cotações não gera, por si só, uma entrada de caixa para o Tesouro.</p>
<p>As ações ordinárias PETR3 e preferenciais PETR4 também possuem características distintas. As ordinárias conferem direitos de voto nas assembleias, enquanto as preferenciais têm prioridade no recebimento de dividendos conforme as condições previstas no estatuto da companhia. Os preços das duas classes podem variar de maneira diferente, embora ambas componham a avaliação de mercado da empresa.</p>
<h2>Alta do petróleo também traz riscos para a demanda</h2>
<p>A perspectiva favorável para as produtoras convive com riscos decorrentes da própria escalada dos preços. O relatório de outubro da Agência Internacional de Energia alerta que a oferta global permanece vulnerável às interrupções no Oriente Médio e que os preços elevados estão pressionando o consumo de combustíveis e as margens de determinados segmentos de refino.</p>
<p>A instituição prevê retração da demanda mundial de petróleo em 2026 em meio aos efeitos da guerra, à redução da disponibilidade de derivados e à piora das perspectivas econômicas. Também aponta que o encarecimento do transporte marítimo e a redução dos estoques aumentam a pressão sobre o abastecimento internacional.</p>
<p>Para a Petrobras, a permanência do petróleo em patamares elevados pode sustentar as perspectivas de receita das operações de exploração e produção. Entretanto, a duração das tensões, a recuperação da oferta, o comportamento da demanda e eventuais mudanças na política comercial são variáveis que podem alterar a trajetória dos preços e das ações.</p>
<p>O recorde de R$ 800 bilhões, portanto, combina o desempenho operacional da estatal com expectativas sobre o mercado internacional e oportunidades de produção futura. O avanço de aproximadamente R$ 100 bilhões em menos de duas semanas demonstra a velocidade com que esses fatores foram incorporados às cotações, mas não determina que a valorização continuará no mesmo ritmo.</p>
<p>O comportamento das ações nos próximos períodos dependerá da evolução dos preços do petróleo, da concretização dos recebimentos previstos, dos resultados financeiros e dos riscos associados às operações e aos investimentos da companhia. A marca histórica registrada em outubro estabelece um novo referencial de mercado, sem eliminar a possibilidade de oscilações decorrentes de mudanças nas condições econômicas e geopolíticas.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Petrobras &#8211; comunicado de 15 de outubro de 2026 sobre o recorde de R$ 800 bilhões, a valorização das ações e os acordos relativos às jazidas de Berbigão e Sururu</em></p>
<p><em>Petrobras &#8211; resultados financeiros e operacionais do segundo trimestre de 2026, incluindo lucro líquido, Ebitda ajustado, fluxo de caixa, produção e endividamento</em></p>
<p><em>Petrobras &#8211; composição acionária de setembro de 2026, com participação do governo federal, do grupo de controle e de investidores estrangeiros</em></p>
<p><em>Agência Internacional de Energia &#8211; Relatório do Mercado de Petróleo de outubro de 2026, com dados sobre preços, oferta, demanda e riscos de abastecimento</em></p>
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