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	<title type="text">GAZETA MERCANTIL</title>
	<subtitle type="text">A Gazeta Mercantil traz as últimas notícias sobre política, economia, segurança, entretenimento, negócios, entretenimento, esportes, moda</subtitle>

	<updated>2026-10-13T17:56:28Z</updated>

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	<entry>
		<author>
			<name>João Souza</name>
							<uri>https://muckrack.com/joao-souza</uri>
						</author>

		<title type="html"><![CDATA[Vivara aprova emissão de R$ 300 milhões em debêntures com vencimento em 2031]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/vivara-emite-debentures-300-milhoes-alongar-divida" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533355</id>
		<updated>2026-10-13T17:30:51Z</updated>
		<published>2026-10-13T17:30:51Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Empresas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="debêntures" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="dívida empresarial" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="endividamento" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="geração de caixa" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="liquidez corporativa" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercado de capitais" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="VIVA3" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Vivara" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>A Vivara (VIVA3) aprovou uma emissão de debêntures simples no valor de R$ 300 milhões, em uma operação voltada principalmente à reorganização de passivos e ao reforço da liquidez. Os títulos terão vencimento em 15 de outubro de 2031 e remuneração equivalente a 100% da taxa DI acrescida de 0,65% ao ano. A estrutura prevê [&#8230;]</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/vivara-emite-debentures-300-milhoes-alongar-divida"><![CDATA[<p>A Vivara (VIVA3) aprovou uma emissão de debêntures simples no valor de R$ 300 milhões, em uma operação voltada principalmente à reorganização de passivos e ao reforço da liquidez. Os títulos terão vencimento em 15 de outubro de 2031 e remuneração equivalente a 100% da taxa DI acrescida de 0,65% ao ano. A estrutura prevê pagamentos semestrais de juros a partir de abril de 2027 e amortização do principal em duas parcelas anuais nos dois últimos anos do prazo.</p>
<p>Do total captado, R$ 208,59 milhões serão destinados ao pagamento de um empréstimo externo. Os R$ 91,41 milhões restantes deverão reforçar a posição de liquidez da companhia. A distribuição dos recursos indica que a prioridade imediata é substituir uma obrigação financeira existente por uma nova estrutura de vencimento mais longo, preservando uma parcela do caixa para as necessidades operacionais.</p>
<p>A emissão será garantida por Tellerina e Conipa, <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340619">empresas</a> ligadas à estrutura societária da companhia. Itaú BBA e Santander atuarão na coordenação da operação, enquanto a Fitch Ratings Brasil foi contratada para a avaliação de crédito.</p>
<p>A decisão ocorre em um momento em que a Vivara apresenta indicadores operacionais de geração de caixa mais favoráveis. No primeiro semestre de 2026, a companhia informou geração de caixa operacional de R$ 261 milhões, com avanço de R$ 333 milhões em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho oferece contexto para a estratégia financeira, embora não elimine a necessidade de administrar o custo da dívida e os compromissos futuros.</p>
<h2>Alongamento do passivo é o eixo da operação</h2>
<p>A destinação de aproximadamente 69,5% dos recursos ao pagamento do empréstimo externo evidencia o principal objetivo da captação: reorganizar o perfil das obrigações financeiras. A parcela remanescente, correspondente a cerca de 30,5% do total, ficará disponível para reforçar a liquidez.</p>
<p>A substituição de uma dívida por outra não representa, por si só, redução do endividamento bruto. O efeito econômico depende das condições do passivo quitado, dos custos associados à nova emissão e da utilização efetiva dos recursos. Para avaliar o resultado da operação, será necessário observar o custo financeiro total, os prazos das obrigações substituídas e a evolução do caixa nos próximos trimestres.</p>
<p>O prazo até outubro de 2031 amplia o horizonte de financiamento da companhia. Em vez de concentrar o pagamento integral do principal em um único vencimento, a estrutura prevê amortizações em duas parcelas anuais nos dois últimos anos do cronograma. O desenho distribui os desembolsos ao longo do tempo, mas também mantém compromissos financeiros por vários exercícios.</p>
<p>A remuneração de 100% da taxa DI mais 0,65% ao ano vincula o custo da emissão à evolução dos juros de referência do <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340620">mercado</a> brasileiro. O componente pós-fixado faz com que a despesa financeira varie conforme a trajetória da taxa DI durante a vigência dos títulos. Assim, o custo efetivo não pode ser determinado apenas pelo spread contratado: ele dependerá também do comportamento da taxa de referência e das condições previstas na escritura.</p>
<p>Os pagamentos semestrais de juros começam em abril de 2027, o que estabelece um calendário de desembolsos periódicos antes do início das amortizações do principal. Para a gestão financeira, esse cronograma exige planejamento de caixa compatível com as despesas operacionais, os investimentos e as demais obrigações da companhia.</p>
<h2>Geração de caixa melhora o contexto financeiro</h2>
<p>Os resultados divulgados pela Vivara para o primeiro semestre de 2026 oferecem uma referência para a análise da nova captação. A companhia reportou geração de caixa operacional de R$ 261 milhões no período, além de conversão de 72% do EBITDA em caixa operacional no segundo trimestre.</p>
<p>A empresa também informou avanços na gestão de estoques. A redução de 88 dias no indicador em comparação anual foi apresentada como equivalente a R$ 234 milhões em recursos otimizados. A evolução é relevante porque o estoque representa uma aplicação de capital de giro: quanto menor o volume de recursos imobilizado em mercadorias, maior pode ser a disponibilidade financeira para outras necessidades, desde que a redução não comprometa a operação comercial.</p>
<p>No segundo trimestre, a receita líquida alcançou R$ 833,1 milhões, alta de 9,5% em relação ao mesmo período de 2025. O lucro líquido somou R$ 156,7 milhões, crescimento de 0,9%, enquanto o EBITDA chegou a R$ 205,4 milhões, avanço de 4,9%.</p>
<p>Os números mostram crescimento da receita superior ao avanço do lucro líquido e do EBITDA no trimestre. A diferença entre essas taxas reforça a importância de acompanhar margens, despesas financeiras e conversão de resultados em caixa, sobretudo em uma operação que acrescenta uma nova obrigação de longo prazo à estrutura de financiamento.</p>
<p>A geração de caixa operacional é um indicador importante para avaliar a capacidade de uma empresa de financiar suas atividades e cumprir compromissos sem depender exclusivamente de novas captações. No caso da Vivara, a melhora reportada oferece suporte à análise da liquidez, mas não permite concluir isoladamente que a nova emissão reduzirá o endividamento ou o custo financeiro.</p>
<h2>Endividamento líquido havia recuado</h2>
<p>No encerramento do segundo trimestre de 2026, a Vivara registrava endividamento líquido de R$ 140,9 milhões, segundo informações divulgadas sobre os resultados da companhia. Um ano antes, o indicador estava em R$ 327,6 milhões, o que representa redução de aproximadamente 57%.</p>
<p>A queda indica melhora na relação entre dívida financeira e disponibilidades de caixa ao longo de doze meses. Ainda assim, o indicador precisa ser interpretado em conjunto com a evolução do capital de giro, os investimentos previstos, a distribuição de recursos aos acionistas e o cronograma de vencimentos.</p>
<p>O valor da nova emissão equivale a pouco mais de duas vezes o endividamento líquido informado para o segundo trimestre. Essa comparação serve apenas como referência de escala: os R$ 300 milhões representam o montante bruto da captação, enquanto o endividamento líquido considera a compensação entre dívidas e disponibilidades. Além disso, parte dos recursos será usada para quitar uma obrigação existente, de modo que o volume captado não corresponde automaticamente a um aumento equivalente da dívida líquida.</p>
<p>O impacto final dependerá da liquidação do empréstimo externo, da manutenção dos recursos destinados à liquidez e da evolução das demais contas financeiras. Uma análise completa exigirá os dados posteriores à conclusão da operação, incluindo a posição de caixa, o saldo das dívidas e eventuais custos de contratação e distribuição.</p>
<h2>Liquidez e custo da dívida exigem acompanhamento</h2>
<p>A parcela de R$ 91,41 milhões reservada ao reforço da liquidez pode ampliar a margem de segurança financeira da companhia. Esse recurso pode ser relevante para administrar oscilações no capital de giro, financiar despesas correntes ou atender compromissos previstos, mas sua função efetiva dependerá das decisões de gestão e das necessidades operacionais ao longo do período.</p>
<p>A contratação de dívida de longo prazo também cria uma obrigação de pagamento de juros semestrais. Como a remuneração é pós-fixada, uma eventual elevação da taxa DI aumentaria o custo financeiro dos títulos, enquanto uma redução da taxa de referência tenderia a aliviar essa despesa. A avaliação da operação, portanto, depende tanto do prazo obtido quanto da trajetória dos juros e da capacidade de geração de caixa da companhia.</p>
<p>Outro aspecto relevante é a concentração dos pagamentos do principal nos dois últimos anos da emissão. O cronograma distribui o compromisso final em duas parcelas anuais, mas mantém a necessidade de acumular recursos ou acessar fontes de financiamento para cumprir as amortizações. O acompanhamento dos vencimentos será importante para verificar se a companhia conseguirá honrar as obrigações com recursos próprios ou se precisará realizar novas operações.</p>
<p>As garantias prestadas por Tellerina e Conipa integram a estrutura de proteção dos debenturistas. A avaliação econômica dessa garantia, contudo, depende das condições estabelecidas nos documentos da emissão, da extensão das obrigações garantidas e dos demais termos contratuais.</p>
<h2>Mercado de capitais como instrumento de gestão financeira</h2>
<p>A emissão se insere no conjunto de instrumentos disponíveis às companhias para administrar passivos, adequar prazos e preservar liquidez. Debêntures permitem captar recursos junto a investidores por meio de títulos de dívida, com condições de remuneração, vencimento e garantias definidas na documentação da oferta.</p>
<p>Para a empresa emissora, a escolha entre diferentes instrumentos depende de fatores como custo total, prazo, flexibilidade contratual e capacidade de pagamento. Para os investidores, a análise envolve a remuneração oferecida, o risco de crédito, as garantias e a possibilidade de negociação dos títulos, quando aplicável.</p>
<p>No caso da Vivara, a destinação majoritária dos recursos à liquidação de um empréstimo externo aponta para uma operação de gestão do passivo, acompanhada de uma reserva adicional de liquidez. O prazo até 2031 amplia o horizonte de pagamento, enquanto o custo atrelado à taxa DI mantém a despesa financeira exposta à variação dos juros.</p>
<p>A melhora nos indicadores de caixa e a redução do endividamento líquido em doze meses constituem elementos favoráveis para a leitura da operação. A confirmação de seus efeitos, entretanto, dependerá da execução da destinação dos recursos e dos resultados financeiros posteriores.</p>
<p>O acompanhamento deverá se concentrar em três variáveis: a evolução do endividamento líquido após a liquidação do empréstimo externo, a manutenção da geração de caixa operacional e o peso das despesas financeiras sobre o resultado. Esses indicadores ajudarão a determinar se a nova estrutura de financiamento contribuiu para ampliar a flexibilidade financeira da companhia sem comprometer sua capacidade de investimento e de pagamento.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Vivara Participações — central de resultados e documentos financeiros do segundo trimestre de 2026</em></p>
<p><em>Vivara Participações — apresentação de resultados do segundo trimestre de 2026</em></p>
<p><em>InfoMoney — cobertura dos resultados financeiros da Vivara no segundo trimestre de 2026</em></p>
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			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Alice Nascimento</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[LVMH registra queda de 5% em moda e ações acumulam perda de 40% em 2026]]></title>
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		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533358</id>
		<updated>2026-10-13T17:04:22Z</updated>
		<published>2026-10-13T17:04:22Z</published>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/lvmh-queda-vendas-moda-china-acoes-2026"><![CDATA[<p>A LVMH, conglomerado francês que reúne marcas como Louis Vuitton, Christian Dior, Tiffany &amp; Co. e Sephora, encerrou o terceiro trimestre de 2026 com resultados abaixo das expectativas do mercado, em um momento de enfraquecimento da demanda chinesa por produtos de luxo. Entre julho e setembro, a receita orgânica da divisão de moda e artigos de couro caiu 5% na comparação anual, para € 8,245 bilhões. O resultado divulgado em 12 de outubro interrompeu a recuperação observada no trimestre anterior e elevou a preocupação dos investidores com a capacidade de retomada do setor.</p>
<p>A deterioração ocorre em paralelo à repercussão negativa de uma disputa judicial envolvendo a Louis Vuitton e a rede chinesa de bebidas Molly Tea. A ação movida pela grife francesa contra a empresa local terminou, em primeira instância, com uma condenação por violação de marcas registradas. A decisão provocou intenso debate nas redes sociais chinesas, com manifestações de apoio à companhia local e críticas à atuação da marca francesa. O episódio passou a integrar o conjunto de fatores de risco para os <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340628">negócios</a> da LVMH no país, embora a empresa não tenha divulgado uma estimativa específica do impacto financeiro do boicote.</p>
<p>No <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340629">mercado</a> acionário, as ações da LVMH acumulavam desvalorização de aproximadamente 40% em 2026 até 13 de outubro, segundo dados reportados pela Reuters. A queda coloca os papéis em trajetória para registrar o pior desempenho anual desde 2008, caso a tendência se mantenha até dezembro. A reação negativa aos resultados trimestrais reforçou as dúvidas sobre a recuperação do consumo de luxo e sobre o ritmo de crescimento das principais marcas do conglomerado.</p>
<h2>Divisão de moda concentra a principal deterioração dos resultados</h2>
<p>A divisão de moda e artigos de couro, responsável por marcas como Louis Vuitton e Christian Dior, continua sendo o principal ponto de pressão operacional do grupo. No terceiro trimestre, a receita reportada do segmento atingiu € 8,245 bilhões, ante € 8,497 bilhões no mesmo período de 2025. A diferença representa uma redução nominal de aproximadamente 3%, enquanto a queda orgânica chegou a 5%, desconsiderando os efeitos das variações cambiais e das mudanças no perímetro de consolidação.</p>
<p>A distinção entre os dois indicadores é relevante para a análise dos resultados. A receita reportada reflete os valores efetivamente contabilizados em euros, enquanto o crescimento orgânico permite comparar a evolução dos negócios em condições mais próximas de equivalência entre períodos. No caso da divisão de moda, os números apontam para uma deterioração da atividade comercial que não pode ser explicada apenas pelas oscilações cambiais.</p>
<p>O desempenho também representa uma reversão em relação ao segundo trimestre, quando a divisão havia registrado crescimento orgânico de 1%. Entre abril e junho, o resultado alimentou expectativas de que a demanda começava a se estabilizar após uma sequência prolongada de retrações. O recuo de 5% entre julho e setembro significa uma piora de seis pontos percentuais na taxa de crescimento orgânico do segmento em apenas um trimestre.</p>
<p>A divisão respondeu por aproximadamente 44,6% da receita total da LVMH no terceiro trimestre, calculada a partir dos valores divulgados pela empresa. Essa participação explica por que a fraqueza de moda e artigos de couro tem peso elevado sobre a percepção dos investidores, mesmo quando outras operações apresentam crescimento.</p>
<p>Nos nove primeiros meses do ano, a receita reportada da divisão somou € 26,391 bilhões, ante € 27,611 bilhões no mesmo intervalo de 2025, uma redução de aproximadamente 4,4%. Na comparação orgânica, a retração foi de 2%. O desempenho acumulado indica que a recuperação registrada no segundo trimestre não foi suficiente para compensar as perdas observadas no início e no final do período analisado.</p>
<h2>China combina desaceleração econômica e desgaste de imagem</h2>
<p>O enfraquecimento do mercado chinês constitui um dos principais elementos da deterioração dos resultados. A própria LVMH afirmou, no comunicado de receitas do terceiro trimestre, que um ambiente menos favorável na China afetou a atividade comercial, enquanto Estados Unidos, Europa e Japão apresentaram crescimento.</p>
<p>A reação negativa à disputa judicial da Louis Vuitton com a Molly Tea acrescentou um componente reputacional a esse contexto econômico. Em 29 de junho de 2026, o Tribunal Popular Intermediário de Suzhou, na província chinesa de Jiangsu, decidiu em primeira instância que a rede de bebidas havia infringido sete marcas registradas da grife francesa relacionadas a um desenho floral de quatro pétalas.</p>
<p>A decisão determinou a interrupção do uso da marca contestada e o pagamento de 10,3 milhões de yuans em indenizações e despesas relacionadas ao processo. A Molly Tea também foi obrigada a publicar uma declaração pública, conforme os relatos sobre o julgamento. A companhia indicou que pretendia recorrer da decisão, de modo que o resultado de primeira instância não deve ser confundido com uma conclusão definitiva do litígio.</p>
<p>A controvérsia ganhou dimensão pública porque parte dos consumidores e comentaristas chineses questionou a legitimidade da reivindicação da grife francesa sobre um motivo floral considerado semelhante a elementos tradicionais da cultura local. Outros participantes do debate defenderam a proteção da propriedade intelectual e argumentaram que <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340630">empresas</a> não deveriam utilizar sinais comerciais capazes de gerar confusão com marcas registradas anteriormente.</p>
<p>O alcance da discussão foi expressivo nas redes sociais. Uma publicação temática sobre a ação e a indenização de 10,3 milhões de yuans acumulou mais de 360 milhões de visualizações, segundo informações publicadas pela plataforma IPR in China, vinculada ao ambiente institucional de comércio e propriedade intelectual chinês. Outro tópico sobre a invalidação do símbolo associado à Molly Tea ultrapassou 18,7 milhões de leituras.</p>
<p>Esses números demonstram a dimensão pública da controvérsia, mas não medem diretamente a quantidade de consumidores que deixaram de comprar produtos da Louis Vuitton. Também não permitem calcular, isoladamente, o efeito da reação nas redes sobre as receitas da empresa. Até o momento, os dados trimestrais da LVMH não discriminam as perdas atribuíveis ao boicote, separando-as dos efeitos econômicos mais amplos.</p>
<p>A distinção é importante porque a desaceleração chinesa afeta o mercado de luxo para além de uma única marca ou controvérsia. A crise no setor imobiliário, a menor disposição de parte dos consumidores para realizar compras de alto valor e a pressão sobre a confiança econômica constituem obstáculos adicionais para empresas dependentes do consumo discricionário.</p>
<h2>Dados do varejo chinês indicam pressão sobre lojas de marcas</h2>
<p>Os indicadores oficiais de consumo ajudam a contextualizar o desempenho da LVMH. Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas da China, as vendas totais do varejo de bens de consumo avançaram 1,1% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em agosto, o crescimento anual foi de apenas 0,4%.</p>
<p>Os dados também mostram diferenças importantes entre formatos de comércio. Nos oito primeiros meses de 2026, as vendas de grandes redes de lojas de marcas exclusivas recuaram 10%, enquanto as de lojas de departamento caíram 3%. As lojas especializadas registraram redução de 2,2%.</p>
<p>Os indicadores não representam exclusivamente o segmento de luxo e, portanto, não permitem atribuir a retração da LVMH diretamente ao desempenho geral do varejo chinês. Ainda assim, mostram que os estabelecimentos especializados e as lojas que comercializam produtos de marcas específicas enfrentavam condições desfavoráveis antes do encerramento do terceiro trimestre.</p>
<p>O comportamento do mercado chinês é especialmente relevante para as empresas de luxo porque a demanda depende de consumidores com maior renda disponível e disposição para adquirir bens de preço elevado. Quando a confiança diminui, compras de bolsas, vestuário, acessórios e outros artigos discricionários podem ser adiadas, mesmo quando o consumidor continua gastando em categorias essenciais.</p>
<p>Nesse ambiente, a repercussão da ação judicial pode ter ampliado uma dificuldade que já existia. Entretanto, sem uma divulgação individualizada dos resultados da Louis Vuitton na China, não é possível determinar quanto da queda decorre da perda de confiança na marca, quanto está relacionado à conjuntura econômica e quanto corresponde a outros fatores operacionais.</p>
<h2>Receita do grupo cresce, mas avanço perde intensidade</h2>
<p>Apesar da retração da divisão de moda, a receita consolidada da LVMH cresceu no terceiro trimestre. O grupo registrou € 18,504 bilhões entre julho e setembro, ante € 18,280 bilhões um ano antes. O avanço reportado foi de aproximadamente 1,2%, enquanto o crescimento orgânico ficou em 1%.</p>
<p>O desempenho, porém, representou uma desaceleração em relação ao segundo trimestre, quando o crescimento orgânico consolidado havia alcançado 3%. No primeiro semestre, a expansão orgânica foi de 2%, mesma taxa registrada no acumulado dos nove primeiros meses de 2026.</p>
<p>A diferença entre crescimento orgânico e receita reportada também aparece no acumulado anual. Entre janeiro e setembro, a LVMH registrou receita de € 57,148 bilhões, abaixo dos € 58,090 bilhões obtidos no mesmo intervalo de 2025. A queda nominal foi de aproximadamente 1,6%, apesar do avanço orgânico de 2%.</p>
<p>A empresa atribuiu parte da diferença aos efeitos cambiais e às mudanças no perímetro de consolidação. Nos nove primeiros meses, as variações de câmbio tiveram impacto negativo de 3%, enquanto as mudanças de perímetro reduziram o resultado em 1%. Os efeitos ajudam a explicar por que a evolução orgânica dos negócios foi positiva, embora a receita contabilizada em euros tenha diminuído.</p>
<p>A composição dos resultados mostra que a diversificação do grupo continua funcionando como proteção parcial contra a fraqueza de moda e artigos de couro. A divisão de varejo seletivo, que inclui a Sephora, apresentou crescimento orgânico de 8% no terceiro trimestre. Relógios e joias avançaram 6%, enquanto vinhos e destilados cresceram 6%. Perfumes e cosméticos tiveram expansão de 1%.</p>
<p>A área de relógios e joias, que reúne marcas como Tiffany &amp; Co. e Bulgari, registrou crescimento orgânico de 8% no acumulado de janeiro a setembro. A divisão de varejo seletivo avançou 6% no mesmo intervalo, apoiada pelo desempenho da Sephora e pela ampliação de sua presença em diferentes mercados.</p>
<p>Esses resultados mostram que a desaceleração não atinge todas as atividades da LVMH com a mesma intensidade. Entretanto, a compensação oferecida por outras divisões permanece limitada diante da importância econômica da moda e dos artigos de couro, que continuam representando a maior parcela individual da receita do grupo.</p>
<h2>Pressão sobre o lucro já aparecia nos resultados anuais</h2>
<p>A deterioração operacional ocorre depois de um exercício de retração para a companhia em 2025. Segundo os indicadores financeiros divulgados pela LVMH, a receita anual caiu de € 84,683 bilhões em 2024 para € 80,807 bilhões em 2025, redução de aproximadamente 4,6%.</p>
<p>No mesmo intervalo, o lucro das operações recorrentes recuou de € 19,571 bilhões para € 17,755 bilhões, uma queda próxima de 9,3%. O lucro líquido consolidado passou de € 12,958 bilhões para € 11,222 bilhões, redução de cerca de 13,4%.</p>
<p>A diferença entre a retração da receita e a queda mais intensa do lucro indica que a pressão sobre os resultados não se limitou ao volume de vendas. A rentabilidade também diminuiu, tornando mais relevante a recuperação das operações de maior peso dentro do conglomerado.</p>
<p>O segmento de moda e artigos de couro, isoladamente, registrou lucro das operações recorrentes de € 13,209 bilhões em 2025, ante € 15,230 bilhões em 2024. A redução, de aproximadamente 13,3%, reforça a importância de uma retomada sustentável das vendas e do controle da rentabilidade para o grupo.</p>
<p>Os dados históricos ajudam a compreender a sensibilidade do mercado acionário aos resultados mais recentes. Quando uma empresa apresenta queda simultânea de receita e lucro, a possibilidade de recuperação passa a depender não apenas de uma melhora pontual nas vendas, mas também da capacidade de preservar margens e sustentar a demanda por seus produtos.</p>
<h2>Mercado aguarda sinais de estabilização do consumo de luxo</h2>
<p>A perda de aproximadamente 40% no valor das ações em 2026 reflete a combinação de resultados operacionais mais fracos e expectativas de recuperação menos favoráveis para o mercado de luxo. A divulgação do terceiro trimestre reforçou a percepção de que a retomada não ocorre de maneira uniforme e de que a China continua sendo uma fonte relevante de incerteza para marcas globais.</p>
<p>O resultado também aumenta a atenção sobre os próximos balanços do setor, especialmente os de grupos concorrentes que dependem da venda de artigos de alto valor. A comparação entre empresas poderá ajudar a identificar se a fraqueza está concentrada em determinadas marcas e categorias ou se representa uma desaceleração mais abrangente do consumo de luxo.</p>
<p>Para a LVMH, um dos principais desafios é recuperar o desempenho de moda e artigos de couro sem comprometer o posicionamento de suas marcas. A companhia afirmou que continuará priorizando a atratividade dos produtos, a qualidade, a criatividade e a experiência de varejo. O comunicado, contudo, não apresentou uma previsão quantitativa específica para a recuperação da demanda chinesa.</p>
<p>A repercussão da disputa com a Molly Tea acrescenta uma variável reputacional difícil de mensurar. Uma melhora nas condições econômicas pode favorecer as vendas, mas não garante, por si só, uma reversão de eventuais danos à percepção da marca entre determinados consumidores. Da mesma forma, a controvérsia judicial não explica sozinha a desaceleração observada em todo o segmento.</p>
<p>A próxima etapa para avaliar a dimensão do problema será acompanhar a evolução das vendas no último trimestre do ano e verificar se o desempenho da divisão de moda se estabiliza. A trajetória da receita, a resposta do consumidor chinês e a capacidade das demais áreas de sustentar o crescimento serão determinantes para avaliar se a LVMH conseguirá encerrar 2026 com uma recuperação operacional mais consistente.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>LVMH &#8211; comunicado de resultados do terceiro trimestre e da receita acumulada nos nove primeiros meses de 2026</em></p>
<p><em>LVMH &#8211; indicadores financeiros consolidados de 2023 a 2025, incluindo receita, lucro líquido e lucro das operações recorrentes por divisão</em></p>
<p><em>Escritório Nacional de Estatísticas da China &#8211; dados de vendas no varejo de bens de consumo entre janeiro e agosto de 2026</em></p>
<p><em>Ministério do Comércio da China, IPR in China &#8211; informações sobre a disputa de marcas entre Louis Vuitton e Molly Tea e a repercussão nas redes sociais</em></p>
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		<entry>
		<author>
			<name>Lucas Correa</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[Mercado Livre (MELI): Citi corta preço-alvo para US$ 2.100 antes do balanço do 3T26]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/mercado-livre-meli-citi-reduz-preco-alvo-balanco-3t26" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533370</id>
		<updated>2026-10-13T17:56:28Z</updated>
		<published>2026-10-13T16:29:47Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="ações Mercado Livre" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="análise de ações" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="balanço 3T26" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Citi" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Citigroup" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="comércio eletrônico" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="E-Commerce" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Empresas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="fintech" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Inteligência Artificial" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Logística" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="margem Ebit" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="margem operacional" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="MELI" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="MELI34" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercado Livre" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercado Pago" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Nasdaq" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="preço-alvo Mercado Livre" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="resultados terceiro trimestre 2026" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>O Citi elevou a recomendação do Mercado Livre (MELI34) de Neutra/Alto Risco para Neutra e cortou o preço-alvo das ações. Saiba mais.</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/mercado-livre-meli-citi-reduz-preco-alvo-balanco-3t26"><![CDATA[<p>O Citi reduziu de US$ 2.150 para US$ 2.100 o preço-alvo das ações do Mercado Livre (MELI), em uma revisão divulgada nesta terça-feira (13), às vésperas da apresentação dos resultados do terceiro trimestre de 2026. O banco manteve a recomendação neutra para a companhia, mas retirou a classificação adicional de alto risco, refletindo a percepção de menor volatilidade dos papéis e uma visibilidade ligeiramente melhor sobre a recuperação das margens operacionais. A mudança mostra que os analistas passaram a enxergar um cenário menos incerto para a empresa, embora ainda considerem limitado o potencial de valorização após o desempenho recente das ações.</p>
<p>A redução de US$ 50 no preço-alvo equivale a aproximadamente 2,33% em relação à estimativa anterior. O ajuste ocorreu sem alterações significativas nas projeções de lucro, sinalizando que a revisão está mais relacionada à avaliação do preço das ações e à relação entre risco e retorno do que a uma deterioração expressiva das expectativas para os <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340639">negócios</a>.</p>
<p>O principal ponto de atenção é a capacidade do <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340638">Mercado</a> Livre de transformar o crescimento acelerado das receitas em expansão consistente da rentabilidade. A companhia tem ampliado investimentos em frete, logística, concessão de crédito, tecnologia e programas de fidelização, iniciativas que fortalecem sua presença na América Latina, mas também pressionam os resultados no curto prazo. Para o Citi, uma recuperação das margens no terceiro trimestre poderá ser recebida positivamente pelo mercado, embora não seja suficiente, isoladamente, para justificar uma recomendação de compra.</p>
<p>A apresentação dos resultados do período de julho a setembro está prevista provisoriamente para 4 de novembro, conforme o calendário de relações com investidores da companhia. Até essa data, os números referentes ao terceiro trimestre permanecem estimativas dos analistas, sem confirmação por demonstrações financeiras divulgadas pela empresa.</p>
<h2>Citi reduz preço-alvo, mas retira classificação de alto risco</h2>
<p>A revisão da avaliação do Mercado Livre reúne duas mudanças que podem parecer contraditórias à primeira vista. Ao mesmo tempo que reduziu o preço-alvo, o Citi deixou de classificar a ação como neutra de alto risco e passou a enquadrá-la simplesmente como neutra.</p>
<p>As duas decisões, entretanto, consideram aspectos distintos. O preço-alvo representa uma estimativa de valor para a ação dentro do horizonte utilizado pelo banco, enquanto a classificação de risco procura refletir a incerteza associada às projeções e à trajetória de negociação do papel.</p>
<p>A retirada do componente de alto risco está relacionada à menor volatilidade observada recentemente e à melhora na previsibilidade dos resultados operacionais. Isso não significa que as ações tenham deixado de apresentar riscos, mas que o banco passou a considerar parte das incertezas anteriores menos pronunciada.</p>
<p>Já a redução do preço-alvo indica que o Citi continua cauteloso quanto à valorização adicional dos papéis. Após o movimento recente das cotações, a instituição entende que a relação entre retorno potencial e riscos assumidos não oferece atratividade suficiente para recomendar a compra.</p>
<p>É importante observar que a manutenção da recomendação neutra não representa uma orientação automática de venda. O banco tampouco está indicando uma queda obrigatória até determinado preço. Trata-se de uma avaliação que precisa ser interpretada em conjunto com a cotação de mercado, as premissas financeiras e o horizonte temporal adotado pelos analistas.</p>
<p>A posição também evidencia a diferença entre uma melhora operacional e uma oportunidade de investimento. Uma empresa pode apresentar crescimento de receita, expansão de clientes e recuperação de margens sem que suas ações ofereçam necessariamente um retorno considerado elevado, especialmente quando essas perspectivas já estão incorporadas aos preços.</p>
<h2>Brasil deve sustentar crescimento de aproximadamente 38% no comércio eletrônico</h2>
<p>O mercado brasileiro permanece como um dos principais fundamentos da análise do Citi. Para o terceiro trimestre de 2026, o banco projeta crescimento próximo de 38% nas atividades de comércio eletrônico da companhia no país, em moeda constante, mesmo diante de uma base de comparação mais exigente.</p>
<p>A previsão sugere continuidade de um ritmo expressivo de expansão, ainda que ligeiramente inferior ao registrado em determinados indicadores do trimestre anterior. Entre abril e junho, o valor bruto das mercadorias comercializadas pelo Mercado Livre no Brasil cresceu 39% em moeda constante, enquanto a quantidade de produtos vendidos aumentou 56% em relação ao mesmo período de 2025.</p>
<p>O desempenho foi impulsionado pela estratégia de ampliar a frequência de compras e reduzir barreiras para consumidores. Desde junho de 2025, a companhia passou a oferecer condições mais abrangentes de frete grátis no mercado brasileiro, buscando estimular compras de menor valor e aumentar a recorrência de utilização da plataforma.</p>
<p>A iniciativa elevou a atratividade do marketplace, mas também exigiu investimentos adicionais em logística. A empresa passou a absorver uma parcela maior dos custos associados à entrega de produtos, esperando compensar essas despesas por meio do crescimento do volume transacionado, da fidelização dos clientes e de ganhos de escala.</p>
<p>Os resultados do segundo trimestre indicaram avanços nessa estratégia. O Mercado Livre informou que a conversão de visitas em compras melhorou em relação ao ano anterior e que os consumidores passaram a adquirir mais produtos de diferentes categorias.</p>
<p>No mesmo período, a base consolidada de compradores ativos únicos cresceu 26%, chegando a aproximadamente 89 milhões de usuários. A companhia também registrou aumento de 14% na quantidade de itens adquiridos por comprador, demonstrando que a expansão não dependeu exclusivamente da entrada de novos consumidores.</p>
<p>Para o Citi, a continuidade desse comportamento no Brasil constitui um dos principais fatores capazes de sustentar a receita do terceiro trimestre. A dificuldade está em preservar o ritmo de crescimento sem ampliar excessivamente os gastos comerciais e logísticos.</p>
<h2>México e Argentina podem apresentar desaceleração</h2>
<p>Fora do Brasil, o banco considera possível uma moderação do crescimento das operações no México e na Argentina, diante das condições macroeconômicas de cada mercado.</p>
<p>No segundo trimestre, o valor bruto das mercadorias negociadas no México avançou 26% em moeda constante, enquanto o volume de itens vendidos cresceu 34%. A companhia destacou o impacto de mudanças tributárias e a necessidade de ampliar a oferta de produtos para sustentar a demanda.</p>
<p>Na Argentina, o valor bruto de mercadorias apresentou expansão de 38% em moeda constante, mas o número de unidades vendidas aumentou 22%. A diferença entre os indicadores mostra que o crescimento do valor transacionado pode ocorrer em ritmo superior ao avanço do volume físico de produtos, dependendo da composição das vendas e das condições econômicas.</p>
<p>Esses resultados ajudam a explicar por que os analistas observam separadamente o desempenho de cada país. Inflação, renda disponível, condições de crédito, mudanças tributárias e competição local influenciam a demanda por produtos e serviços financeiros, com efeitos distintos sobre receita e margens.</p>
<p>A diversificação geográfica representa uma vantagem comercial para o Mercado Livre, mas também amplia sua exposição a diferentes ciclos econômicos. O crescimento consolidado depende da contribuição conjunta dos mercados em que a empresa atua, enquanto flutuações cambiais podem alterar a conversão dos resultados locais para dólares.</p>
<h2>Receita cresceu 50% no 2T26, mas margem operacional caiu para 6,7%</h2>
<p>A recuperação da rentabilidade tornou-se uma das principais preocupações dos investidores após os resultados do segundo trimestre. Na ocasião, o Mercado Livre registrou receita líquida e receitas financeiras de US$ 10,17 bilhões, crescimento de 50% em relação ao mesmo período de 2025 e o maior faturamento trimestral de sua história até então.</p>
<p>O desempenho comercial, entretanto, não foi acompanhado por expansão do lucro operacional. O resultado antes dos juros e impostos recuou 17%, de aproximadamente US$ 825 milhões no segundo trimestre de 2025 para US$ 683 milhões em 2026.</p>
<p>A margem operacional caiu de 12,2% para 6,7%, uma contração de 5,5 pontos percentuais em apenas um ano. A diferença significa que, para cada US$ 100 de receita líquida e receitas financeiras, a companhia passou a gerar aproximadamente US$ 6,70 em resultado operacional, contra US$ 12,20 no período comparável.</p>
<p>O lucro líquido também diminuiu, passando de US$ 523 milhões para US$ 466 milhões, retração próxima de 11%. Assim, a empresa apresentou crescimento expressivo nas atividades comerciais e financeiras, mas uma parcela menor das receitas foi convertida em resultado para os acionistas.</p>
<p>A administração atribuiu parte dessa dinâmica aos investimentos destinados à expansão do ecossistema, incluindo benefícios de frete, desenvolvimento de produtos financeiros, expansão de cartões de crédito e tecnologia.</p>
<p>O contraste entre receitas e margens ajuda a explicar a cautela do Citi. A companhia demonstra capacidade de ampliar a escala de suas operações, mas ainda precisa mostrar que os investimentos realizados poderão produzir ganhos de eficiência suficientes para elevar a rentabilidade de forma sustentável.</p>
<h2>Ajustes nas tarifas de frete podem contribuir para recuperar margens</h2>
<p>Um dos fatores considerados favoráveis pelo Citi para o terceiro trimestre são os ajustes nas tarifas de frete implementados pelo Mercado Livre no fim de agosto. Segundo a análise atribuída ao banco, as mudanças poderão contribuir para uma recuperação sequencial das margens depois das pressões observadas nos períodos anteriores.</p>
<p>A logística ocupa posição central no modelo de negócios da companhia. O Mercado Livre opera uma estrutura de armazenagem, distribuição e entrega que permite atender milhões de compradores, mas exige investimentos contínuos em centros logísticos, transporte, tecnologia e serviços de última milha.</p>
<p>Quando a empresa amplia o acesso ao frete grátis ou concede descontos nas entregas, parte dos custos deixa de ser transferida diretamente ao consumidor. A estratégia pode estimular as compras e aumentar a fidelização, mas reduz a margem das operações caso o crescimento da receita não compense integralmente as despesas adicionais.</p>
<p>Por outro lado, o aumento da escala pode produzir ganhos de eficiência. Uma rede que movimenta mais encomendas tende a distribuir determinados custos fixos sobre uma quantidade maior de entregas, enquanto melhorias nas rotas e na utilização dos centros de distribuição podem reduzir gastos por pacote.</p>
<p>Nos resultados do segundo trimestre, o Mercado Livre informou que parte das entregas gratuitas de produtos de menor valor já apresentava contribuição variável positiva, apoiada em tecnologia, escala e melhor utilização da capacidade logística.</p>
<p>Esse avanço não significa que toda a operação de frete grátis tenha alcançado a mesma rentabilidade. Os custos dependem do tamanho dos pedidos, da distância percorrida, da localização dos centros de distribuição e das condições comerciais oferecidas a vendedores e consumidores.</p>
<p>Para o Citi, a combinação entre ajustes tarifários e ganhos de escala pode favorecer as margens no terceiro trimestre. A intensidade dessa recuperação, entretanto, dependerá do comportamento efetivo dos custos e do volume de transações.</p>
<h2>Mercado Pago amplia peso nos resultados e mantém atenção ao risco de crédito</h2>
<p>O Mercado Pago constitui outro elemento relevante nas projeções do banco. A operação financeira do grupo vem aumentando sua presença em pagamentos, contas digitais, cartões de crédito, empréstimos e outros serviços, criando oportunidades de receita além do comércio eletrônico.</p>
<p>No segundo trimestre de 2026, a receita líquida da divisão financeira alcançou aproximadamente US$ 4,4 bilhões, crescimento de 49% em dólares na comparação anual. O volume total de pagamentos processados superou US$ 101 bilhões pela primeira vez, avanço de 56%.</p>
<p>A plataforma encerrou junho com aproximadamente 88 milhões de usuários ativos mensais, expansão de 30%, enquanto os recursos sob gestão chegaram a US$ 23 bilhões. A carteira de crédito ultrapassou US$ 16 bilhões, crescimento de 75% em relação ao ano anterior.</p>
<p>A expansão fortalece a diversificação do Mercado Livre, mas também amplia a importância das provisões para perdas com empréstimos e cartões. Quanto maior a carteira de crédito, maior a necessidade de acompanhar a capacidade de pagamento dos clientes, os índices de atraso e os valores potencialmente recuperáveis.</p>
<p>Segundo a análise atribuída ao Citi, a evolução das provisões, consideradas as recuperações de créditos, poderá contribuir para uma melhora da margem no terceiro trimestre. O banco também relaciona essa expectativa aos efeitos do programa brasileiro de renegociação de dívidas conhecido como Desenrola 2.0 sobre a carteira do Mercado Pago.</p>
<p>O novo programa federal, lançado em maio, estabeleceu mecanismos para renegociar dívidas de consumidores mediante descontos, condições especiais de pagamento e participação de instituições financeiras. A possibilidade de redução das perdas contábeis depende das condições de cada operação e dos acordos efetivamente realizados.</p>
<p>A relação específica entre o programa e os resultados do Mercado Pago ainda precisa ser observada nos próximos demonstrativos financeiros. A projeção apresentada pelo Citi não equivale à confirmação de uma redução já realizada nas provisões do terceiro trimestre.</p>
<p>Para os investidores, os indicadores relevantes incluirão a evolução da inadimplência, os custos de risco, a rentabilidade da carteira e os efeitos das renegociações sobre a capacidade de recuperação dos créditos.</p>
<h2>Citi projeta receita acima do consenso, mas mantém expectativa moderada para o Ebit</h2>
<p>Na prévia de resultados do terceiro trimestre, o Citi projeta receita aproximadamente 1% superior à mediana das estimativas reunidas pela Visible Alpha, plataforma utilizada por instituições financeiras para acompanhar as projeções do mercado.</p>
<p>A diferença é atribuída principalmente a expectativas um pouco mais favoráveis para o comércio eletrônico e para as operações financeiras. O banco considera que o crescimento dessas duas atividades poderá sustentar o faturamento consolidado, mesmo com a possível desaceleração em alguns mercados internacionais.</p>
<p>Entretanto, a instituição projeta margem bruta cerca de 30 pontos-base abaixo do consenso. Isso equivale a 0,30 ponto percentual, diferença que pode se tornar relevante quando aplicada a uma companhia com receitas trimestrais superiores a US$ 10 bilhões.</p>
<p>O Citi também espera despesas ligeiramente mais elevadas com Produto e Tecnologia. Como resultado, sua estimativa de lucro operacional permanece próxima da média projetada pelos demais analistas, apesar da expectativa de receita um pouco superior.</p>
<p>A combinação sugere que parte do crescimento adicional poderá ser absorvida pelos custos e investimentos da companhia. Para o mercado, a questão será verificar se o aumento das receitas virá acompanhado de uma recuperação efetiva da margem operacional.</p>
<p>O comportamento dos indicadores também poderá influenciar as projeções de períodos seguintes. Uma melhora mais expressiva do que a esperada poderia indicar que os ganhos de escala estão começando a superar as despesas de expansão. Por outro lado, margens persistentemente pressionadas reforçariam os questionamentos sobre o prazo necessário para recuperar a rentabilidade histórica.</p>
<h2>Margem Ebit projetada em 6,9% para 2027 e 7,9% para 2028</h2>
<p>Apesar de reconhecer perspectivas um pouco mais favoráveis para a evolução da margem bruta em 2027, o Citi realizou alterações limitadas em suas estimativas financeiras de médio prazo.</p>
<p>A instituição manteve a projeção de margem Ebit em aproximadamente 6,9% para 2027 e 7,9% para 2028. A diferença de um ponto percentual entre os dois anos indica expectativa de recuperação gradual da eficiência operacional, mas sem retorno imediato aos patamares de rentabilidade observados em períodos anteriores.</p>
<p>O banco avalia que o aumento da escala do comércio eletrônico poderá contribuir para diluir custos logísticos ao longo do tempo. A maior quantidade de pedidos, combinada com melhorias na infraestrutura, tende a favorecer o custo unitário das entregas quando a empresa consegue utilizar seus ativos de forma mais eficiente.</p>
<p>Entretanto, esses benefícios são parcialmente compensados por premissas mais conservadoras em relação às despesas com tecnologia e ao risco de crédito. Os investimentos em inteligência artificial, desenvolvimento de produtos e ampliação dos serviços financeiros continuam sendo considerados relevantes para a estratégia de crescimento.</p>
<p>O Mercado Livre já informou ter expandido a utilização de inteligência artificial em ferramentas de busca, publicidade e gestão de vendedores. No segundo trimestre, concluiu a implementação de uma arquitetura de busca baseada nessa tecnologia em seus cinco principais mercados, com ganhos de conversão que, segundo a administração, compensaram os custos adicionais associados ao uso dos modelos.</p>
<p>A adoção dessas soluções pode melhorar a experiência dos usuários e ampliar a produtividade, mas também representa despesas com desenvolvimento, processamento e infraestrutura tecnológica. Seus efeitos líquidos sobre as margens dependerão do retorno econômico obtido em cada aplicação.</p>
<p>O Citi considera que a companhia ainda poderá realizar novos investimentos significativos, limitando a velocidade de expansão dos lucros. Por essa razão, suas estimativas para 2027 e 2028 permanecem abaixo das projeções consensuais de mercado.</p>
<h2>Balanço de novembro será decisivo para avaliar rentabilidade do Mercado Livre</h2>
<p>A revisão do Citi coloca a rentabilidade no centro das expectativas para o próximo balanço. O crescimento do comércio eletrônico no Brasil, a expansão do Mercado Pago e a evolução dos serviços de logística continuam sendo fundamentos relevantes para a companhia, mas os investidores deverão observar principalmente a capacidade de converter esse avanço em lucro operacional.</p>
<p>Os resultados de novembro permitirão verificar se os ajustes realizados no fim de agosto contribuíram para recuperar margens e se as despesas relacionadas ao crédito e à tecnologia permaneceram dentro das expectativas. A comparação com o segundo trimestre será importante para determinar a intensidade da eventual melhora sequencial.</p>
<p>O preço-alvo de US$ 2.100 e a recomendação neutra refletem a avaliação do Citi nas condições consideradas pelo banco em outubro de 2026. Essas estimativas poderão ser revistas à medida que novos resultados forem divulgados e que as perspectivas de crescimento, despesas e rentabilidade se tornem mais claras.</p>
<p>Por enquanto, a leitura da instituição combina confiança na capacidade de expansão dos negócios com cautela em relação ao preço das ações. O crescimento das receitas permanece elevado, mas a recuperação das margens será o principal teste para demonstrar quanto dessa expansão poderá se transformar em geração sustentável de resultados para os acionistas.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>MercadoLibre — comunicado oficial dos resultados do segundo trimestre de 2026, divulgado em 5 de agosto, com informações sobre receitas, lucro, margens, comércio eletrônico e operações do Mercado Pago.</em></p>
<p><em>MercadoLibre — carta aos acionistas referente ao segundo trimestre de 2026, com detalhamento da estratégia logística, crescimento no Brasil, México e Argentina e investimentos em tecnologia.</em></p>
<p><em>MercadoLibre — demonstrações financeiras trimestrais apresentadas à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), referentes ao período encerrado em 30 de junho de 2026.</em></p>
<p><em>MercadoLibre — comunicado dos resultados do segundo trimestre de 2025, utilizado para comparação da evolução da receita e da margem operacional.</em></p>
<p><em>MercadoLibre — calendário oficial de relações com investidores, com divulgação provisória dos resultados do terceiro trimestre prevista para 4 de novembro de 2026.</em></p>
<p><em>Governo Federal — informações oficiais sobre o programa Novo Desenrola Brasil, lançado em maio de 2026, e suas condições gerais de renegociação de dívidas.</em></p>
<p><em>Presidência da República — Medida Provisória 1.355, de 4 de maio de 2026, que instituiu o Programa Extraordinário de Reequilíbrio Financeiro das Famílias.</em></p>
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]]></content>
		
			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Camila Braga</name>
							<uri>https://muckrack.com/camila-braga</uri>
						</author>

		<title type="html"><![CDATA[Ibovespa hoje (13/10): Bolsa recua dos 209 mil pontos com eleições e inflação no radar]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=442873</id>
		<updated>2026-08-12T16:25:50Z</updated>
		<published>2026-10-13T16:15:50Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Ibovespa" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="B3" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="bancos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Boletim Focus" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Bolsa de valores" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="dólar comercial" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="dolar hoje" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Eleições 2026" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="fechamento Ibovespa" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Flávio Bolsonaro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="FMI" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Ibovespa hoje" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="inflação" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="IPCA" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Juros Futuros" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Lula" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercado de ações" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercado Financeiro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Petrobras" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Selic" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Vale" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Wall Street" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira (13), no primeiro pregão após o feriado nacional, interrompendo o movimento de valorização que levou a Bolsa brasileira a renovar seus recordes históricos na semana passada. A realização de lucros ocorre em meio à divulgação de novas pesquisas sobre o segundo turno das eleições presidenciais, à deterioração das [&#8230;]</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje"><![CDATA[<p>O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira (13), no primeiro pregão após o feriado nacional, interrompendo o movimento de valorização que levou a Bolsa brasileira a renovar seus recordes históricos na semana passada. A realização de lucros ocorre em meio à divulgação de novas pesquisas sobre o segundo turno das eleições presidenciais, à deterioração das expectativas de inflação e à elevação do <a class="wpil_keyword_link" title="Dólar" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340635">dólar</a> e dos juros futuros. No exterior, os investidores acompanham as tensões no Oriente Médio e os resultados dos grandes bancos americanos, fatores que acrescentam volatilidade aos mercados globais.</p>
<p>Às 12h37, pelo horário de Brasília, o <a class="wpil_keyword_link" title="Ibovespa" href="https://gazetamercantil.com/mercados/ibovespa" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340631">Ibovespa</a> recuava 0,84%, aos 207.316,78 pontos, depois de oscilar entre a máxima de 209.071,98 pontos e a mínima de 206.146,15 pontos. A diferença de aproximadamente 2.926 pontos entre os extremos da sessão demonstra a intensidade dos ajustes realizados pelos investidores desde a abertura. O índice chegou a perder quase 1,4% em relação ao fechamento anterior, mas recuperou parte do terreno durante a manhã.</p>
<p>O movimento contrasta com o desempenho da última sexta-feira (9), quando o principal indicador da B3 avançou 1,38%, aos 209.066,90 pontos, estabelecendo um novo recorde de fechamento. Na ocasião, a máxima intradiária alcançou 209.713,45 pontos, enquanto a valorização acumulada nos cinco pregões da semana atingiu 8,82%, impulsionada principalmente pela reavaliação de ativos brasileiros após o primeiro turno presidencial.</p>
<p>No câmbio, o dólar comercial voltou a ultrapassar R$ 5, depois de registrar queda de aproximadamente 4,44% na semana anterior. Às 11h59, a moeda americana subia 0,45%, cotada a R$ 5,007, após atingir R$ 5,028 na máxima do dia. Os juros futuros também avançavam, pressionando especialmente <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340634">empresas</a> de varejo, construção, locação de veículos e outros setores mais sensíveis ao custo de financiamento.</p>
<h2>Ibovespa realiza lucros depois de ganhar quase 9% em cinco pregões</h2>
<p>A correção desta terça-feira ocorre depois de uma valorização excepcionalmente rápida do <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340633">mercado</a> brasileiro. Em 5 de outubro, primeiro pregão após o resultado do primeiro turno, o Ibovespa disparou 7,70%, aos 206.911,89 pontos, em um movimento acompanhado pela queda do dólar e pelo fechamento das taxas de juros futuros.</p>
<p>A alta prosseguiu de maneira irregular nos dias seguintes, até culminar no recorde de sexta-feira. No acumulado de outubro até aquela sessão, o índice registrava valorização de 12,20%, enquanto os ganhos em 2026 chegavam a 29,75%.</p>
<p>Esse desempenho criou condições para uma realização de lucros, especialmente entre investidores que haviam ampliado posições em empresas de maior risco ou mais dependentes de uma trajetória favorável da <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340632">política</a> monetária.</p>
<p>Quando as ações acumulam ganhos expressivos em poucos pregões, parte dos participantes do mercado tende a reduzir posições para preservar os retornos obtidos. O movimento pode ocorrer mesmo sem mudanças relevantes nos fundamentos das companhias, principalmente quando novos acontecimentos aumentam a incerteza sobre as expectativas utilizadas na avaliação dos ativos.</p>
<p>O consultor sênior da ZERO Markets Brasil, Otávio Araújo, atribuiu a pressão vendedora à combinação entre o retorno das negociações após o feriado, as pesquisas eleitorais e o cenário internacional. Na avaliação do especialista, a correção representa inicialmente um ajuste de posições, sem configurar necessariamente uma reversão duradoura da tendência de alta.</p>
<p>A dimensão do recuo também precisa ser considerada em perspectiva. Mesmo na mínima desta terça-feira, aos 206.146 pontos, o Ibovespa permanecia aproximadamente 14 mil pontos acima do fechamento de 2 de outubro, último pregão anterior ao primeiro turno presidencial.</p>
<p>A comparação indica que a correção ainda devolvia apenas uma parte da valorização acumulada desde o início do mês, embora a intensidade das oscilações revele um mercado mais sensível às novas informações econômicas e políticas.</p>
<h2>Vale e bancos pressionam Bolsa, enquanto Petrobras avança</h2>
<p>O desempenho das ações de maior participação no Ibovespa ajuda a explicar por que o índice registrava perdas apesar da valorização de algumas companhias importantes.</p>
<p>A Vale (VALE3) operava em baixa, acompanhando o recuo do minério de ferro no mercado chinês. Às 11h24, os papéis da mineradora caíam 1,38%, negociados a R$ 66,96. Na Bolsa de Dalian, o contrato futuro da commodity encerrou as negociações diurnas em queda de 1,10%, a 677 yuans por tonelada.</p>
<p>O movimento reflete a sensibilidade das mineradoras às condições de demanda e aos preços internacionais de matérias-primas. Como a Vale possui peso relevante na composição do Ibovespa, sua desvalorização exerce pressão sobre o resultado agregado do índice.</p>
<p>Os principais bancos brasileiros também contribuíam para o desempenho negativo. Às 11h29, as ações preferenciais do Itaú Unibanco (ITUB4) recuavam 1,76%, enquanto as do Bradesco (BBDC4) perdiam 1,72%. Santander Brasil (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3) apresentavam quedas de 0,62% e 0,16%, respectivamente.</p>
<p>A pressão sobre o setor bancário ocorre após uma semana de forte valorização das instituições financeiras, favorecidas anteriormente pela queda dos juros futuros e pela melhora da percepção de risco sobre os ativos domésticos.</p>
<p>Em sentido contrário, a Petrobras apresentou desempenho positivo. Às 12h55, as ações ordinárias PETR3 subiam 1,28%, enquanto as preferenciais PETR4 avançavam 1,39%, contribuindo para limitar a queda do Ibovespa.</p>
<p>O movimento das ações da estatal ocorreu apesar da oscilação dos preços internacionais do petróleo. Às 12h21, o barril do WTI avançava 0,13%, a US$ 93,86, enquanto o Brent recuava 0,74%, a US$ 105,86.</p>
<p>A divergência entre os preços do petróleo e o comportamento dos papéis da Petrobras mostra que a avaliação da empresa não depende exclusivamente da commodity. Expectativas sobre produção, margens de refino, dividendos, investimentos e política de preços também influenciam as decisões dos investidores.</p>
<h2>VAMOS3 e Localiza lideram quedas entre ações do Ibovespa</h2>
<p>A correção atingiu com maior intensidade empresas que acumulavam valorização expressiva ou apresentam sensibilidade elevada às condições de financiamento.</p>
<p>Às 12h12, a Vamos (VAMO3) liderava as perdas entre os componentes do Ibovespa, com queda de 9,33%, a R$ 6,22. A Localiza (RENT3) aparecia em seguida, recuando 6,40%, a R$ 51,02.</p>
<p>Também figuravam entre as maiores baixas C&amp;A (CEAB3), com desvalorização de 5,82%, Lojas Renner (LREN3), que perdia 4,38%, e Hypera (HYPE3), com queda de 3,97%.</p>
<p>A concentração de perdas em locadoras de veículos e varejistas está relacionada, entre outros fatores, à sensibilidade desses <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340625">negócios</a> às taxas de juros. Empresas que dependem de financiamento para expandir suas operações ou manter estoques podem ter suas expectativas de lucro afetadas quando o mercado passa a exigir taxas de retorno mais elevadas.</p>
<p>A queda da Localiza ocorreu também em um momento de revisão das preferências dos analistas para o setor de transportes. Em relatório divulgado nesta terça-feira, o JPMorgan elevou a recomendação da Rumo (RAIL3) para exposição acima da média e reduziu a classificação da Localiza para neutra, citando a valorização recente dos papéis e a relação entre risco e retorno.</p>
<p>Na ponta positiva, a Prio (PRIO3) liderava os ganhos às 12h14, com alta de 2,05%, a R$ 65,77. A Brava Energia (BRAV3) avançava 2,04%, seguida por Telefônica Brasil (VIVT3), com 1,81%, Ambev (ABEV3), com 1,44%, e Metalúrgica Gerdau (GOAU4), que subia 1,38%.</p>
<p>A distribuição dos ganhos e perdas indica que a pressão vendedora não estava concentrada em uma única companhia. O recuo alcançava diferentes setores, embora algumas empresas de energia e consumo apresentassem resistência à correção.</p>
<h2>Pesquisas BTG/Nexus e PoderData mostram empate técnico nas eleições</h2>
<p>A divulgação de novas pesquisas sobre a eleição presidencial acrescentou incerteza à sessão. O levantamento BTG/Nexus, publicado nesta terça-feira, mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 48% das intenções de voto, contra 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na simulação estimulada para o segundo turno.</p>
<p>Considerando apenas os votos válidos, o resultado foi de 52% para Flávio e 48% para Lula. A pesquisa entrevistou 2.002 eleitores por telefone entre 10 e 12 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07997/2026.</p>
<p>O resultado configura empate técnico, considerando a margem de erro informada pelo instituto.</p>
<p>Outra pesquisa divulgada nesta terça-feira, realizada pelo PoderData em parceria com a Aya, apontou Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos e Lula com 49%. O levantamento ouviu 3 mil eleitores entre 10 e 12 de outubro, em 686 municípios, com margem de erro de 1,8 ponto percentual e nível de confiança de 95%.</p>
<p>Na comparação com a rodada anterior do PoderData, divulgada em 8 de outubro, a diferença numérica entre os candidatos diminuiu de seis para dois pontos percentuais.</p>
<p>Para os investidores, os levantamentos são relevantes porque influenciam as expectativas sobre a condução da política econômica a partir de 2027. Gestores procuram avaliar propostas relacionadas ao equilíbrio fiscal, regras orçamentárias, tributação e política de investimentos.</p>
<p>A valorização da Bolsa depois do primeiro turno esteve associada, segundo participantes do mercado, à expectativa de um possível ajuste fiscal em um eventual governo Flávio Bolsonaro. Essa interpretação, entretanto, permanece sujeita às propostas efetivamente apresentadas pelos candidatos e às condições de implementação de suas políticas.</p>
<p>A existência de empate técnico nas pesquisas também demonstra que não há definição eleitoral. Oscilações nas intenções de voto não permitem determinar o resultado da eleição nem estabelecem, isoladamente, uma relação causal com o movimento dos preços dos ativos.</p>
<h2>Boletim Focus eleva inflação de 2026 para 5,22%</h2>
<p>O cenário macroeconômico acrescentou outro elemento de cautela ao pregão. O Relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira mostrou que a mediana das expectativas para a inflação brasileira de 2026 aumentou de 5,01% para 5,22%, na quarta semana consecutiva de elevação.</p>
<p>A projeção supera o limite superior de 4,5% do regime de metas de inflação, cujo objetivo central é de 3%. Para 2027, a estimativa permaneceu em 4,30%, enquanto as medianas para 2028 e 2029 ficaram em 3,79% e 3,50%, respectivamente.</p>
<p>A revisão ocorre depois que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA avançou 0,82% em setembro, acumulando alta de 4,58% em 12 meses. O resultado foi pressionado por aumentos de preços em diferentes grupos de consumo, incluindo energia elétrica e transportes.</p>
<p>Apesar da piora nas expectativas inflacionárias, os economistas consultados pelo Banco Central reduziram de 13,50% para 13,25% a projeção da taxa Selic ao final de 2026. Para dezembro de 2027, a estimativa permaneceu em 12%.</p>
<p>A combinação de inflação mais elevada e expectativa de redução dos juros exige atenção porque pode limitar o espaço para flexibilização monetária caso as pressões sobre os preços persistam.</p>
<p>Para a Bolsa, os efeitos não são uniformes. Empresas com elevado endividamento tendem a se beneficiar de taxas menores, enquanto companhias com receitas vinculadas ao dólar ou preços internacionais podem responder de maneira diferente às oscilações cambiais.</p>
<p>A revisão do Focus reforça, portanto, a necessidade de avaliar as ações não apenas pela expectativa de queda dos juros, mas também pela capacidade das empresas de preservar margens e resultados em um ambiente de inflação mais persistente.</p>
<h2>FMI reduz previsão de crescimento do Brasil para 2,2% em 2026</h2>
<p>O ambiente econômico também foi influenciado pela divulgação das novas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). No relatório de outubro, a instituição reduziu de 2,4% para 2,2% a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro em 2026.</p>
<p>Para 2027, o FMI passou a projetar expansão de 1,9%, refletindo um cenário de juros elevados, menor impulso fiscal e dificuldades associadas às condições financeiras internacionais.</p>
<p>A revisão contrasta com a perspectiva mundial. O Fundo elevou ligeiramente sua estimativa de crescimento global em 2026, de 3% para 3,1%, apoiada principalmente pela expansão dos investimentos ligados à inteligência artificial.</p>
<p>O relatório também alerta para riscos decorrentes da guerra no Oriente Médio, dos preços elevados da energia e do aumento do endividamento de diferentes economias.</p>
<p>Para o Brasil, a perspectiva de crescimento mais moderado reforça a importância da evolução do crédito, do consumo e dos investimentos. Uma atividade econômica menos dinâmica pode limitar a expansão das receitas empresariais, embora seus efeitos dependam das características de cada setor.</p>
<h2>Petróleo, Wall Street e balanços americanos ampliam volatilidade</h2>
<p>No exterior, o pregão ocorre em meio à reavaliação das expectativas para os resultados corporativos americanos e à continuidade das tensões geopolíticas.</p>
<p>Em Nova York, os principais índices abriram sem direção única. Por volta das 10h31, o Dow Jones avançava 0,69%, enquanto o S&amp;P 500 recuava 0,04% e o Nasdaq perdia 0,30%.</p>
<p>A temporada de balanços do terceiro trimestre ganhou força com a divulgação dos resultados de grandes instituições financeiras, incluindo JPMorgan Chase, Goldman Sachs e Wells Fargo.</p>
<p>Os investidores também acompanham o desempenho das empresas de tecnologia, especialmente diante das dúvidas sobre a sustentabilidade dos investimentos em inteligência artificial. A pressão recente sobre fabricantes de semicondutores na Ásia acrescentou cautela aos mercados internacionais.</p>
<p>No setor de energia, os preços do petróleo permanecem sensíveis às informações sobre o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A possibilidade de interrupções na produção e no transporte de combustíveis mantém elevados os riscos de novas oscilações nas cotações internacionais.</p>
<p>Para a <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340627">economia</a> brasileira, esses fatores podem produzir efeitos distintos. A valorização do petróleo tende a favorecer determinadas empresas produtoras, mas também pode ampliar pressões inflacionárias e afetar o custo de transporte e produção.</p>
<h2>O que esperar do Ibovespa nos próximos pregões?</h2>
<p>Depois de uma semana de valorização excepcional, o comportamento do Ibovespa dependerá da capacidade dos investidores de absorver novas informações sem ampliar a realização de lucros.</p>
<p>Do ponto de vista técnico, a região de 209.713 pontos, correspondente à máxima histórica alcançada na sexta-feira, constitui uma referência importante para avaliar eventual retomada das compras. Já a faixa próxima de 204 mil pontos aparece entre os suportes acompanhados por analistas gráficos.</p>
<p>Esses patamares não representam garantias de comportamento futuro, mas referências utilizadas para observar a intensidade dos movimentos compradores e vendedores.</p>
<p>A agenda dos próximos dias inclui novas pesquisas eleitorais, indicadores do comércio varejista e o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), referente a agosto. Também continuará no radar a discussão legislativa sobre a redução da jornada de <a class="wpil_keyword_link" title="Trabalho" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340626">trabalho</a> e o fim da escala 6&#215;1.</p>
<p>No exterior, a divulgação de indicadores de inflação dos Estados Unidos e a evolução da temporada de balanços poderão influenciar as expectativas sobre os juros americanos, com efeitos sobre o dólar e os mercados emergentes.</p>
<p>A sessão desta terça-feira mostra que a Bolsa brasileira entrou em uma fase de maior seletividade depois da alta histórica registrada no início de outubro. A recuperação de parte das perdas ao longo da manhã indica que ainda existe demanda por determinados ativos, especialmente empresas de energia, mas o avanço dos juros e do dólar impõe obstáculos à continuidade da valorização generalizada.</p>
<p>A correção observada até o início da tarde ainda não elimina os ganhos expressivos acumulados desde o primeiro turno. Sua continuidade dependerá da evolução das expectativas econômicas, dos resultados corporativos e da percepção de risco dos investidores.</p>
<p><strong>Com o Ibovespa próximo dos 207 mil pontos, o mercado passa a testar se o movimento recente de valorização possui sustentação suficiente para superar novas rodadas de volatilidade, ou se precisará de um período mais prolongado de acomodação antes de buscar outros recordes.</strong></p>
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		<author>
			<name>Antônio Lima</name>
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		<title type="html"><![CDATA[Governo anuncia Pix de até R$ 5 mil para MEIs e propõe perdão de dívidas]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/pix-mei-5-mil-perdao-dividas-governo-lula-2026" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533354</id>
		<updated>2026-10-13T16:56:15Z</updated>
		<published>2026-10-13T15:53:46Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Economia" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Auxílio de R$ 5 Mil" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Congresso Nacional" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="DAS MEI" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Desenrola MEI" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Dívida Ativa da União" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Eleições 2026" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Empreendedorismo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="governo Lula" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="MEI" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Microempreendedor Individual" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Ministério do Empreendedorismo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="pequenos negócios" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Perdão de Dívidas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="PGFN" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Pix MEI" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Procred 360" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Pronampe" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Prospera MEI" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Receita federal" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Simples Nacional" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>A menos de duas semanas para o segundo turno das eleições, o governo federal anunciou nesta terça-feira (13) o “Prospera MEI”, um pacote de medidas</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/pix-mei-5-mil-perdao-dividas-governo-lula-2026"><![CDATA[<p>O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta terça-feira (13) um pacote de medidas para microempreendedores individuais (MEIs) que inclui a proposta de perdão de R$ 12,6 bilhões em dívidas, a criação de um auxílio financeiro de até R$ 5 mil para investimentos e novas condições de renegociação de débitos bancários. Batizado de Prospera MEI, o programa foi apresentado em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, e reúne iniciativas destinadas a reduzir o endividamento e ampliar a capacidade financeira dos pequenos <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340621">negócios</a>.</p>
<p>A medida de maior alcance prevê beneficiar aproximadamente 3,6 milhões de microempreendedores com dívidas junto à União. O cancelamento dos débitos, entretanto, ainda não está em vigor. Para viabilizá-lo, o Executivo anunciou o envio de um projeto de lei complementar ao Congresso Nacional, que precisará analisar e aprovar a proposta antes de sua implementação.</p>
<p>Outra novidade é o chamado Pix MEI, mecanismo de transferência de até R$ 5 mil por beneficiário para investimentos na própria atividade econômica. Diferentemente de um financiamento convencional, o recurso foi apresentado como apoio não reembolsável, sem obrigação de devolução. O governo ainda não detalhou os critérios de seleção, o calendário de pagamentos nem os procedimentos para solicitar o benefício.</p>
<p>O anúncio ocorre a 12 dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Lula disputa a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), em um momento no qual as políticas voltadas ao empreendedorismo ganharam espaço na agenda econômica e eleitoral.</p>
<h2>Pix MEI de R$ 5 mil será destinado a investimentos nos negócios</h2>
<p>O Pix MEI foi apresentado como um instrumento de fomento produtivo para trabalhadores formalizados como microempreendedores individuais. A proposta prevê transferências de até R$ 5 mil para financiar melhorias capazes de aumentar a produtividade, ampliar o atendimento ou fortalecer a estrutura comercial dos estabelecimentos.</p>
<p>Entre as possibilidades mencionadas durante o anúncio estão a compra de equipamentos, aquisição de ferramentas, reformas em instalações e investimentos relacionados às atividades profissionais. Um prestador de serviços poderá utilizar recursos para modernizar seus instrumentos de <a class="wpil_keyword_link" title="Trabalho" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340622">trabalho</a>, enquanto um comerciante poderá investir em equipamentos necessários ao funcionamento de seu negócio.</p>
<p>O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Rodrigues Pereira, apresentou a iniciativa como complemento às linhas de financiamento já existentes. Segundo ele, programas como Procred 360 e Pronampe somam mais de R$ 8 bilhões em operações de crédito voltadas aos pequenos negócios.</p>
<p>A principal diferença está na natureza dos recursos. Em um empréstimo, o beneficiário assume uma dívida e precisa devolver o capital conforme as condições contratadas. No modelo anunciado para o Pix MEI, os valores seriam concedidos sem exigência de reembolso, desde que atendidas as regras que ainda serão estabelecidas.</p>
<p>A ausência de detalhamento operacional, porém, impede afirmar que todos os MEIs terão direito ao pagamento. Também não há confirmação sobre a necessidade de comprovar investimentos, apresentar um plano de negócios ou cumprir requisitos específicos de faturamento.</p>
<p>O Executivo ainda estuda um programa de fomento produtivo com recursos de R$ 5 bilhões entre 2027 e 2030, com prioridade para determinados grupos de empreendedores. A relação operacional entre essa iniciativa e o Pix MEI, assim como a origem dos recursos e os critérios de distribuição, ainda depende de esclarecimentos oficiais.</p>
<h2>Perdão de R$ 12,6 bilhões em dívidas pode atingir 3,6 milhões de MEIs</h2>
<p>A proposta de remissão de dívidas representa uma das principais medidas do Prospera MEI. Segundo o Ministério do Empreendedorismo, aproximadamente 3,6 milhões de microempreendedores possuem débitos que poderão ser abrangidos pelo projeto, cujo valor total é estimado em R$ 12,6 bilhões.</p>
<p>A remissão tributária corresponde ao cancelamento de uma obrigação perante o poder público, nas condições autorizadas pela legislação. Diferentemente do parcelamento, que distribui o pagamento ao longo do tempo, a remissão extingue os débitos efetivamente alcançados pela medida.</p>
<p>O governo pretende utilizar esse mecanismo para permitir que trabalhadores formalizados recuperem suas condições de regularidade e possam continuar exercendo suas atividades sem o peso de obrigações tributárias acumuladas. A iniciativa também busca reduzir a exclusão de microempreendedores dos mecanismos de financiamento e contratação.</p>
<p>O alcance efetivo do benefício, entretanto, dependerá da redação final da lei. Será necessário definir quais débitos estarão incluídos, os períodos de vencimento abrangidos e o tratamento de valores já parcelados ou inscritos em dívida ativa. Também precisará ficar claro se haverá condições adicionais para o cancelamento das obrigações.</p>
<p>Uma questão importante é que nem toda dívida de um microempreendedor possui a mesma natureza. O Documento de Arrecadação do Simples Nacional do MEI, conhecido como DAS-MEI, reúne contribuições previdenciárias e, conforme a atividade, valores destinados ao ICMS ou ISS. A proposta anunciada está concentrada em dívidas perante o governo federal, e sua abrangência exata deverá ser estabelecida no texto legal.</p>
<p>Outro aspecto ainda não esclarecido é o impacto fiscal efetivo da medida. Os R$ 12,6 bilhões representam o estoque de débitos que o governo pretende cancelar, mas esse montante não equivale necessariamente à arrecadação que seria obtida caso as cobranças continuassem.</p>
<p>A diferença existe porque parte das dívidas pode apresentar baixa probabilidade de recuperação. Para avaliar seus efeitos sobre as contas públicas, será necessário considerar a capacidade de pagamento dos devedores e a estimativa de arrecadação que seria efetivamente perdida.</p>
<h2>Desenrola MEI terá novas condições para dívidas bancárias</h2>
<p>Além dos débitos tributários, o pacote prevê ampliar as possibilidades de renegociação de dívidas privadas contraídas pelos microempreendedores. A proposta inclui uma nova modalidade do Desenrola, direcionada especialmente a obrigações com bancos e outras instituições credoras.</p>
<p>Segundo as informações apresentadas pelo governo, a iniciativa deverá utilizar mecanismos de negociação de carteiras de crédito com descontos mínimos de 90% nos procedimentos previstos. O modelo ainda depende da publicação das regras específicas para participação das instituições financeiras e dos devedores.</p>
<p>É importante distinguir essa proposta das modalidades de renegociação tributária que já estão disponíveis. Desde 1º de outubro de 2026, o Desenrola MEI Pequeno Valor permite negociar débitos elegíveis de até R$ 8.105 inscritos na dívida ativa da União. A modalidade estabelece entrada de 5%, desconto de 50% sobre o saldo restante e possibilidade de parcelamento em até 55 meses.</p>
<p>Outra modalidade do Desenrola MEI, destinada a dívidas de até R$ 20 mil, teve o prazo prorrogado até 29 de janeiro de 2027. Nessa opção, os descontos podem alcançar 100% dos juros, multas e encargos legais, respeitado o limite de redução de 70% do valor total da dívida, sem atingir seu principal.</p>
<p>As condições demonstram que o governo já mantém mecanismos de regularização em funcionamento, independentemente da proposta de perdão anunciada nesta terça-feira.</p>
<h2>Governo também quer elevar teto do MEI para R$ 140 mil</h2>
<p>O Prospera MEI retoma outra proposta apresentada anteriormente pelo Executivo: a atualização gradual do limite de faturamento anual permitido para os microempreendedores individuais.</p>
<p>Atualmente, o teto permanece em R$ 81 mil por ano, equivalente à média de R$ 6.750 mensais. O Projeto de Lei Complementar nº 186/2026, encaminhado ao Congresso em junho, prevê elevar esse limite para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil a partir de 2028.</p>
<p>O texto também propõe ampliar a possibilidade de contratação de funcionários, permitindo que microempreendedores mantenham até dois empregados, em vez do limite atual de um trabalhador.</p>
<p>A mudança busca reduzir a necessidade de desenquadramento imediato de pequenos negócios que expandem suas receitas. Atualmente, empreendedores que ultrapassam determinados limites precisam migrar para outras modalidades empresariais, com regras tributárias e obrigações administrativas diferentes.</p>
<p>A elevação do teto permitiria que parte desses trabalhadores permanecesse no regime simplificado durante uma etapa mais longa de crescimento. Entretanto, a atualização ainda depende de aprovação legislativa e não altera as regras aplicáveis em 2026.</p>
<h2>Mudanças na emissão de notas fiscais também estão no pacote</h2>
<p>Outra frente anunciada pelo governo envolve a simplificação das obrigações fiscais para negócios de pequeno porte. A proposta procura esclarecer as regras de emissão de notas fiscais, especialmente diante das adaptações exigidas pela reforma tributária.</p>
<p>O Executivo pretende editar um decreto para evitar que trabalhadores de menor faturamento sejam submetidos a exigências consideradas desproporcionais à dimensão de suas atividades. As medidas também envolvem a categoria dos chamados nanoempreendedores, prevista nas regras de transição do novo sistema tributário.</p>
<p>É importante observar que o MEI já possui dispensa de emissão de nota fiscal em determinadas operações com consumidores pessoas físicas, ressalvadas as hipóteses de solicitação do documento e outras exigências aplicáveis. Nas operações com <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340624">empresas</a>, permanecem obrigações específicas de documentação fiscal.</p>
<p>Dessa forma, o anúncio não significa que todos os microempreendedores estarão dispensados de emitir notas fiscais em qualquer situação. A abrangência das mudanças dependerá do texto definitivo das normas e de sua compatibilidade com as regras tributárias vigentes.</p>
<h2>Anúncio às vésperas da eleição exige atenção às regras eleitorais</h2>
<p>A apresentação do Prospera MEI a menos de duas semanas da votação presidencial acrescenta uma dimensão jurídica ao pacote. A legislação eleitoral estabelece restrições à distribuição gratuita de bens, valores e benefícios pela administração pública durante anos de eleição.</p>
<p>O artigo 73, parágrafo 10, da Lei nº 9.504/1997 prevê exceções para situações de calamidade pública, estado de emergência e programas sociais autorizados em lei que já estavam em execução orçamentária no exercício anterior.</p>
<p>Essas disposições tornam relevante distinguir o anúncio de uma <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340623">política</a> pública de sua implementação efetiva. No caso do perdão de dívidas, o governo anunciou uma proposta que ainda dependerá de deliberação do Congresso. Para o Pix MEI, continuam pendentes informações sobre autorização legal, orçamento e calendário de execução.</p>
<p>A existência de um anúncio em período eleitoral não permite concluir automaticamente que houve irregularidade. Uma avaliação jurídica dependeria da natureza de cada medida, de seu fundamento legal, das condições de implementação e de eventual enquadramento nas exceções previstas pela legislação.</p>
<p>O contexto político, porém, amplia a importância da transparência sobre os recursos disponíveis, os critérios de acesso e o momento em que os benefícios poderão começar a ser executados.</p>
<h2>MEI já pode pedir os R$ 5 mil ou deixar de pagar o DAS?</h2>
<p>Apesar do anúncio, os microempreendedores ainda não devem considerar o Pix MEI um benefício disponível para saque ou solicitação imediata. Até a divulgação das informações consultadas nesta terça-feira (13), o governo não havia apresentado um calendário definitivo de pagamentos nem um procedimento oficial de inscrição.</p>
<p>Também não existe autorização para interromper o pagamento das contribuições mensais com base na expectativa de perdão das dívidas. Enquanto o projeto não for aprovado e transformado em lei, os débitos continuam sujeitos às regras de cobrança e regularização atualmente vigentes.</p>
<p>Quem possui obrigações em atraso pode consultar sua situação nos sistemas da Receita Federal e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. A escolha do procedimento depende de onde a dívida está registrada: débitos ainda administrados pela Receita seguem mecanismos próprios de parcelamento, enquanto aqueles inscritos em dívida ativa podem ser negociados pelos instrumentos da PGFN.</p>
<p>Para o contribuinte, a distinção é essencial. O anúncio de uma possível anistia não suspende automaticamente cobranças, parcelamentos ou outras consequências da inadimplência.</p>
<p>Os microempreendedores também devem acompanhar a publicação de orientações nos canais oficiais, evitando fornecer dados pessoais ou efetuar pagamentos a intermediários que prometam acesso antecipado ao Pix MEI.</p>
<h2>Pacote amplia debate sobre financiamento e formalização</h2>
<p>O conjunto de medidas anunciado pelo governo procura enfrentar obstáculos diferentes que afetam os microempreendedores individuais. O perdão de dívidas busca reduzir passivos acumulados, a renegociação bancária pretende facilitar a recuperação financeira e o Pix MEI foi concebido para estimular investimentos diretamente relacionados às atividades produtivas.</p>
<p>Já a ampliação do teto de faturamento e a simplificação documental procuram modificar aspectos estruturais do regime, oferecendo maior margem de crescimento aos negócios formalizados.</p>
<p>Os efeitos econômicos dependerão da implementação. Recursos não reembolsáveis podem aliviar restrições de capital para determinados empreendedores, enquanto a regularização de dívidas pode facilitar o acesso a operações comerciais e financeiras. A continuidade desses benefícios, entretanto, depende de critérios adequados de seleção e da capacidade de acompanhamento dos resultados.</p>
<p>O Brasil possui aproximadamente 17,56 milhões de MEIs ativos, segundo informações divulgadas pelo Ministério do Empreendedorismo em setembro. Na mesma ocasião, o governo informou que mais de 3 milhões enfrentavam situação de endividamento e que o Desenrola MEI havia registrado mais de 411 mil acordos, envolvendo R$ 1,26 bilhão em dívidas antes dos descontos.</p>
<p>Esses números mostram a dimensão do desafio de regularização financeira da categoria, mas também indicam que a efetividade de novas medidas não poderá ser avaliada apenas pelos valores anunciados. Será necessário acompanhar quantos empreendedores efetivamente receberão recursos, quantas dívidas serão extintas e qual será o resultado sobre a continuidade dos negócios.</p>
<p>Por enquanto, o Prospera MEI reúne propostas em diferentes estágios de implementação. O perdão de R$ 12,6 bilhões depende do Congresso, o Pix MEI ainda precisa de regras operacionais e algumas modalidades de renegociação já podem ser utilizadas. Para os microempreendedores, a diferença entre anúncio e benefício efetivamente disponível será determinante para o planejamento financeiro nos próximos meses.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<ul>
<li>Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte — Informações institucionais sobre o Prospera MEI e anúncio realizado em 13 de outubro de 2026, conforme declarações públicas do governo.</li>
<li>Ministério do Empreendedorismo — Comunicado de 30 de setembro de 2026 sobre o Desenrola MEI Pequeno Valor, a prorrogação dos prazos de renegociação e os resultados dos acordos.</li>
<li>Câmara dos Deputados — Projeto de Lei Complementar nº 186/2026, apresentado em 29 de junho de 2026, sobre a atualização do teto de faturamento e a contratação de empregados pelo MEI.</li>
<li>Portal do Empreendedor — Regras oficiais de funcionamento do MEI, obrigações fiscais e emissão de documentos.</li>
<li>Tribunal Superior Eleitoral — Lei nº 9.504/1997 e regulamentação sobre condutas vedadas a agentes públicos em anos eleitorais.</li>
</ul>
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			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Camila Braga</name>
							<uri>https://muckrack.com/camila-braga</uri>
						</author>

		<title type="html"><![CDATA[Vale (VALE3), Raízen (RAIZ4) e CSN (CSNA3): veja os destaques da Bolsa hoje]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/vale-vaie3-raizen-raiz4-csn-csna3-destaques-13-outubro-2026" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533347</id>
		<updated>2026-10-13T14:55:31Z</updated>
		<published>2026-10-13T13:27:54Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="ações hoje" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="B3" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Banco Pine" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Bolsa de valores" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="CSN" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="CSNA3" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="dividendos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="EZTC3" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Eztec" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="governança corporativa" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="JCP" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="juros sobre capital próprio" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Lojas Renner" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="LREN3" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Marcelo Gasparino" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercado Financeiro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="PINE4" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="radar do mercado" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="RAIZ4" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Raízen" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Raízen Energia" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Stahlwerk Thüringen" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Vale" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="VALE3" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="venda de ativos" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Notificação da Vale (VALE3) e aprovação de pedido de listagem de subsidiária da Raízen (RAIZ4) na B3 são alguns dos destaques desta terça</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/vale-vaie3-raizen-raiz4-csn-csna3-destaques-13-outubro-2026"><![CDATA[<p>A agenda corporativa desta terça-feira (13) reúne decisões de governança, reorganizações societárias, venda de ativos e distribuição de proventos entre empresas negociadas na B3. A Vale (VALE3) voltou ao centro das atenções após comunicar medidas contra um ex-integrante de seu conselho de administração, enquanto a Raízen (RAIZ4) avança no processo de separação de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340618">negócios</a> por meio de uma possível listagem da subsidiária Raízen Energia. Na siderurgia, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) negocia a alienação de sua operação de aços longos na Alemanha por um valor empresarial estimado em € 550 milhões.</p>
<p>Os três acontecimentos envolvem questões diferentes, mas possuem um elemento comum: a tentativa de reorganizar estruturas de gestão, capital ou operações em um ambiente de maior atenção dos investidores à governança e à situação financeira das companhias. Na Vale, o foco está na confidencialidade das informações do conselho. Na Raízen, na reestruturação empresarial e financeira. Na CSN, na possibilidade de levantar recursos mediante a venda de ativos para diminuir o endividamento.</p>
<p>O noticiário também inclui o Banco Pine (PINE3; PINE4), que aprovou a distribuição de aproximadamente R$ 44,6 milhões em juros sobre o capital próprio, e a Eztec (EZTC3), cuja prévia operacional mostrou crescimento de 52,9% nos lançamentos imobiliários do terceiro trimestre, acompanhado por vendas líquidas praticamente estáveis. No calendário de proventos, a Lojas Renner (LREN3) tem pagamento programado para quarta-feira (14).</p>
<p>Os comunicados não possuem necessariamente o mesmo efeito sobre as cotações. Alguns representam decisões já aprovadas e com datas definidas, enquanto outros tratam de operações condicionadas a etapas adicionais. Para avaliar o impacto financeiro de cada anúncio, é necessário distinguir fatos concluídos de negociações e procedimentos ainda em andamento.</p>
<h2>Vale (VALE3) notifica ex-conselheiro por suposto vazamento de informações</h2>
<p>A Vale informou ter notificado extrajudicialmente Marcelo Gasparino da Silva, ex-vice-presidente de seu conselho de administração, por acontecimentos relacionados à divulgação de informações internas e confidenciais da companhia. Segundo a mineradora, uma apuração conduzida por escritório de advocacia externo e independente identificou um vazamento deliberado de informações referentes à reunião do conselho realizada em 19 de junho de 2026.</p>
<p>A empresa afirmou que Gasparino encaminhou a um analista de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340616">mercado</a>, em duas ocasiões, uma minuta de manifestação e voto de sua autoria. O episódio foi considerado incompatível com as obrigações de confidencialidade aplicáveis aos integrantes do órgão responsável pela supervisão estratégica da companhia.</p>
<p>A partir das conclusões da investigação, a Vale informou que poderá adotar medidas nas esferas cível e criminal para buscar a responsabilização do ex-conselheiro. Também relatou ter solicitado a interrupção de manifestações públicas que considera inverídicas e prejudiciais à reputação de seus administradores.</p>
<p>As afirmações sobre o vazamento e o caráter das declarações são posições apresentadas pela companhia. A divulgação do comunicado não equivale a uma decisão judicial definitiva sobre eventual responsabilidade do ex-conselheiro.</p>
<p>O conflito se desenvolve desde julho. Em 22 daquele mês, o conselho aprovou a destituição de Gasparino, medida que ainda dependeria de confirmação pelos acionistas. Antes da conclusão desse procedimento, o executivo apresentou renúncia, em 27 de julho, encerrando sua participação no colegiado.</p>
<p>A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também instaurou procedimento administrativo relacionado ao caso, segundo as informações divulgadas pela Vale. A mineradora afirmou estar colaborando com o órgão regulador e atualizou seu Formulário de Referência para refletir os acontecimentos.</p>
<p>O episódio chama atenção pela importância das informações confidenciais no funcionamento dos conselhos de administração. Esses órgãos têm acesso a estratégias comerciais, negociações, projeções financeiras e decisões que podem influenciar o valor de mercado das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340617">empresas</a>. A divulgação indevida de determinados dados pode afetar a igualdade de acesso à informação entre investidores e comprometer os mecanismos internos de governança.</p>
<p>Para os acionistas da Vale, a evolução do caso deverá ser acompanhada principalmente pelos seus eventuais desdobramentos regulatórios e judiciais. Até o momento, as medidas anunciadas não representam uma mudança na produção de minério de ferro nem nas metas operacionais da companhia.</p>
<h2>Raízen (RAIZ4) avança na listagem da subsidiária Raízen Energia</h2>
<p>A Raízen Energia, subsidiária do grupo Raízen, aprovou na sexta-feira (9) a apresentação de um pedido para que suas ações sejam admitidas à negociação na B3. A deliberação foi tomada pelos acionistas da empresa e envolve o enquadramento no Nível 2 de governança corporativa, além da possibilidade de negociação de ações ordinárias, preferenciais e certificados de depósito de ações, conhecidos como <em>units</em>.</p>
<p>A medida faz parte de um processo mais amplo de reorganização da Raízen, controlada pela Cosan e pela Shell. A proposta busca separar os negócios ligados à produção de açúcar, etanol e bioenergia das atividades de distribuição de combustíveis, que atualmente convivem dentro do mesmo grupo empresarial.</p>
<p>A autorização concedida pelos acionistas da subsidiária constitui uma etapa preparatória. Ela não significa que os papéis já estejam efetivamente negociados na Bolsa nem representa uma oferta pública inicial de ações. Diferentemente de um IPO tradicional, o procedimento em discussão não prevê, nessa fase, emissão de novas ações para captar recursos diretamente com investidores.</p>
<p>O objetivo é criar condições para que participações da Raízen Energia possam ser distribuídas aos acionistas da holding, de acordo com a estrutura societária que vier a ser aprovada. Essa possibilidade está relacionada à proposta de redução de capital da Raízen em até R$ 35 bilhões, mediante entrega de valores mobiliários da subsidiária, em vez de pagamento em dinheiro.</p>
<p>A operação deverá ser examinada na assembleia geral extraordinária convocada para 30 de outubro. Entre os assuntos previstos estão mudanças no capital autorizado, criação de novas classes de ações, reorganização da administração e outras medidas necessárias à execução do plano de recuperação extrajudicial do grupo.</p>
<p>A reestruturação envolve aproximadamente R$ 61,4 bilhões em dívidas financeiras, conforme os valores apresentados no processo aprovado judicialmente. O objetivo é reorganizar os compromissos com credores e estabelecer uma estrutura de capital que permita a continuidade das operações.</p>
<p>A separação das atividades poderá proporcionar maior transparência sobre os resultados de cada negócio, mas não elimina automaticamente as obrigações financeiras existentes. Seus efeitos dependerão da distribuição dos ativos e passivos, da execução dos acordos com credores e das autorizações regulatórias necessárias.</p>
<p>Para quem possui RAIZ4, a principal questão é compreender como a reorganização poderá alterar os direitos econômicos e políticos associados às ações atuais. A listagem da subsidiária representa apenas uma das etapas previstas, e ainda existem decisões relevantes a serem tomadas.</p>
<h2>CSN (CSNA3) negocia venda de siderúrgica na Alemanha por € 550 milhões</h2>
<p>A Companhia Siderúrgica Nacional assinou um termo vinculante com a espanhola Bipadosa, controladora do grupo Megasa, para negociar a venda da Stahlwerk Thüringen GmbH (SWT), produtora de aços longos localizada em Unterwellenborn, na Alemanha.</p>
<p>A operação atribui à empresa alemã um valor empresarial (<em>enterprise value</em>) de € 550 milhões, sujeito a ajustes. O montante é uma referência para a avaliação do negócio e não deve ser interpretado automaticamente como o valor líquido que ingressará no caixa da CSN após a conclusão da transação.</p>
<p>O acordo prevê exclusividade de até dez semanas para que as partes negociem os documentos definitivos. A venda ainda depende do atendimento de condições contratuais e das autorizações regulatórias aplicáveis. Portanto, não se trata de uma alienação já concluída.</p>
<p>A SWT possui capacidade instalada para produzir aproximadamente 1,1 milhão de toneladas de aço por ano, com atuação voltada especialmente à fabricação de perfis utilizados em diferentes segmentos industriais. A CSN adquiriu o ativo em 2012 como parte de sua estratégia de diversificação geográfica e expansão no mercado europeu.</p>
<p>A possível venda representa uma mudança nessa estratégia. A companhia brasileira tem procurado reduzir seu nível de endividamento por meio de desinvestimentos e revisão de sua estrutura de capital. A alienação de uma unidade industrial no exterior pode contribuir para esse objetivo, mas a redução efetiva da dívida dependerá dos recursos líquidos recebidos e de sua destinação.</p>
<p>Em análise divulgada após o anúncio, a XP Investimentos avaliou que o negócio poderia reduzir a relação entre dívida líquida e Ebitda da CSN de aproximadamente 3,5 vezes para 3,3 vezes, considerando uma simulação dos efeitos da transação. A diferença de 0,2 vez indica uma melhora potencial, mas não uma transformação completa do perfil financeiro do grupo.</p>
<p>A estimativa pressupõe determinadas condições de fechamento e utiliza as informações disponíveis sobre o valor empresarial da operação. O impacto definitivo poderá ser diferente, conforme os ajustes de preço, a posição de dívida do ativo e os demais elementos negociados pelas partes.</p>
<p>A Megasa já possui presença industrial em Espanha, Portugal e França, com atuação no segmento de aços longos. A aquisição da SWT, caso concluída, ampliaria sua presença produtiva na Europa.</p>
<p>Para os investidores da CSN, os próximos acontecimentos relevantes serão a assinatura dos contratos definitivos, a confirmação das condições financeiras e o anúncio do eventual fechamento. Até essas etapas, o valor de € 550 milhões permanece associado a uma operação em negociação.</p>
<h2>Banco Pine (PINE4) anuncia R$ 44,6 milhões em juros sobre o capital próprio</h2>
<p>O Banco Pine aprovou a distribuição de aproximadamente R$ 44,6 milhões em juros sobre o capital próprio (JCP), conforme comunicado divulgado nesta terça-feira. O valor bruto corresponde a R$ 0,179267 por ação, tanto para os papéis ordinários quanto para os preferenciais, respeitadas as condições de remuneração aplicáveis às classes.</p>
<p>Do total anunciado, aproximadamente R$ 35,3 milhões correspondem à distribuição trimestral recorrente, enquanto outros R$ 9,4 milhões estão relacionados a reservas de lucros de exercícios anteriores. Os valores apresentados em milhões são arredondados.</p>
<p>Terão direito ao pagamento os acionistas que mantiverem posição nos papéis em 20 de outubro de 2026. A partir de 21 de outubro, as ações passarão a ser negociadas sem direito a esse provento. O pagamento está previsto para 29 de outubro.</p>
<p>A data de corte é importante porque define quais investidores terão direito ao recebimento. A aquisição das ações depois do início da negociação ex-JCP não confere participação nessa distribuição específica.</p>
<p>O valor divulgado é bruto e está sujeito ao tratamento tributário previsto na legislação. Dessa forma, a quantia líquida creditada a cada acionista poderá ser inferior ao valor nominal anunciado, conforme sua situação fiscal.</p>
<p>Os JCP representam uma forma de remuneração do capital investido pelos acionistas, com características tributárias distintas das aplicáveis aos dividendos. Sua distribuição depende de deliberação societária e da observância das regras previstas na legislação.</p>
<p>Para quem acompanha PINE3 e PINE4, o anúncio estabelece três referências objetivas: valor bruto por ação, data de corte e dia programado para pagamento. O comportamento das cotações, por sua vez, continuará sujeito às condições gerais de negociação na Bolsa.</p>
<h2>Lojas Renner (LREN3) paga R$ 0,240666 por ação nesta quarta-feira</h2>
<p>A Lojas Renner também integra o calendário de proventos da semana. A varejista programou para quarta-feira (14) o pagamento de R$ 0,240666 por ação em juros sobre o capital próprio, conforme deliberação de seu conselho de administração em setembro.</p>
<p>A distribuição totaliza aproximadamente R$ 227,5 milhões e contempla os acionistas que possuíam ações da companhia em 22 de setembro de 2026. Desde 23 de setembro, os papéis são negociados sem direito a essa remuneração.</p>
<p>A data de corte já passou, de modo que a compra de LREN3 nesta terça-feira não garante participação no pagamento de quarta-feira. O dinheiro será destinado aos investidores que cumpriram a condição de titularidade estabelecida no comunicado.</p>
<p>Também há pagamento programado pela Unifique (FIQE3) na sexta-feira (16), no valor de aproximadamente R$ 0,078 por ação, com data de corte em 29 de dezembro de 2025.</p>
<p>As distribuições não devem ser confundidas com valorização adicional garantida das ações. O preço dos papéis pode sofrer ajustes em razão da negociação ex-provento, enquanto o retorno total para o acionista depende tanto das remunerações recebidas quanto da variação da cotação.</p>
<h2>Eztec (EZTC3) aumenta lançamentos em 52,9%, mas vendas recuam 0,6%</h2>
<p>A prévia operacional da Eztec para o terceiro trimestre mostrou crescimento expressivo da oferta de novos imóveis, sem expansão equivalente das vendas líquidas no mesmo período.</p>
<p>Entre julho e setembro, a incorporadora lançou empreendimentos com Valor Geral de Vendas (VGV) proporcional de R$ 726,5 milhões, alta de 52,9% em relação aos R$ 475 milhões registrados no terceiro trimestre de 2025. Foram três empreendimentos lançados na região metropolitana de São Paulo, totalizando 2.062 unidades.</p>
<p>Apesar do avanço dos lançamentos, as vendas líquidas somaram R$ 522,7 milhões, retração de 0,6% na comparação anual. Em relação ao segundo trimestre de 2026, quando haviam alcançado R$ 577,8 milhões, a redução foi de 9,5%.</p>
<p>A diferença entre o ritmo de lançamentos e o desempenho comercial exige observar o calendário dos projetos. Segundo a própria companhia, dois empreendimentos foram apresentados ao mercado nos últimos dias de setembro, deixando pouco tempo para que suas unidades contribuíssem para as vendas do trimestre.</p>
<p>O Cidade Parque Guarapiranga, na zona sul de São Paulo, apresentou VGV proporcional de aproximadamente R$ 264,5 milhões e havia alcançado 42% de vendas na data da divulgação da prévia. O Azzure Resort Life, em Osasco, somou R$ 212 milhões em lançamentos, enquanto o Reserva São Caetano — GranResort, em São Caetano do Sul, contribuiu com R$ 250 milhões.</p>
<p>No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, o cenário é mais favorável. A Eztec alcançou R$ 2,424 bilhões em lançamentos, crescimento de 53,3% em relação ao mesmo período de 2025 e recorde para a companhia nessa comparação. As vendas líquidas totalizaram R$ 1,798 bilhão, avanço de 29,2%, também um recorde para o período.</p>
<p>O estoque imobiliário terminou setembro em aproximadamente R$ 3,52 bilhões, crescimento de 31,5% em relação ao ano anterior. Desse total, cerca de R$ 1,09 bilhão corresponde a imóveis prontos, R$ 1,36 bilhão a unidades em construção e R$ 1,07 bilhão a lançamentos.</p>
<p>Um indicador que merece acompanhamento é a velocidade de vendas sobre a oferta (VSO), que passou de 16,4% no terceiro trimestre de 2025 para 12,9% no terceiro trimestre deste ano. A redução de 3,5 pontos percentuais mostra que a absorção das unidades disponíveis foi proporcionalmente menor, embora o resultado tenha sido influenciado pelo volume de lançamentos no encerramento de setembro.</p>
<p>O estoque de imóveis prontos, por outro lado, apresentou redução de aproximadamente 9,6% em relação ao segundo trimestre. A diminuição pode contribuir para a gestão do capital empregado nos empreendimentos, já que unidades concluídas e ainda não comercializadas representam recursos imobilizados.</p>
<p>A Eztec divulgará os resultados financeiros completos do terceiro trimestre em 5 de novembro, com apresentação aos investidores prevista para o dia seguinte. A prévia atual se concentra nos indicadores operacionais e não permite antecipar integralmente a evolução do lucro líquido, das margens e do fluxo de caixa.</p>
<h2>O que acompanhar nas ações da B3 nesta terça-feira</h2>
<p>O noticiário corporativo apresenta diferentes fatores para avaliação dos investidores. Na Vale, o acompanhamento se concentra nos desdobramentos de uma disputa envolvendo governança e sigilo de informações. Na Raízen, o foco está nas etapas da reorganização societária que poderá alterar a estrutura de participação dos acionistas e separar atividades industriais e de distribuição.</p>
<p>Na CSN, o principal ponto é a possibilidade de transformar um ativo siderúrgico no exterior em recursos para reduzir o endividamento. A transação possui valor empresarial definido no termo de negociação, mas ainda depende de fechamento.</p>
<p>Banco Pine e Lojas Renner oferecem informações mais imediatas para os acionistas, com valores e datas de proventos definidos. Já a Eztec apresenta indicadores que permitem avaliar o ritmo de expansão dos empreendimentos, a evolução das vendas e o aumento do estoque.</p>
<p>O conjunto de anúncios reforça a diversidade de fatores que influenciam as empresas listadas na Bolsa. Enquanto algumas companhias procuram reduzir dívidas ou reorganizar operações, outras divulgam resultados comerciais ou remuneram acionistas. Os efeitos sobre os preços das ações dependerão da avaliação de cada acontecimento pelo mercado, das expectativas anteriores e das condições gerais do pregão.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Vale — seção oficial de Relações com Investidores, com registro da nota de esclarecimento divulgada em 9 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Stahlwerk Thüringen — comunicado corporativo de 12 de outubro de 2026 sobre a intenção da CSN de vender a companhia ao grupo Megasa.</em></p>
<p><em>Companhia Siderúrgica Nacional — fato relevante de 9 de outubro de 2026, reproduzido integralmente em publicação empresarial, com as condições do termo vinculante para venda da SWT.</em></p>
<p><em>Eztec — Prévia Operacional do terceiro trimestre de 2026, disponibilizada na central oficial de Relações com Investidores, com os dados de lançamentos, vendas, estoques e velocidade comercial.</em></p>
<p><em>Lojas Renner — calendário oficial de eventos societários de 2026, com o valor e a data de pagamento de juros sobre o capital próprio.</em></p>
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			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Bruno Assis</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[Boletim Focus: inflação de 2026 sobe para 5,22% e Selic projetada cai a 13,25%]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/boletim-focus-13-outubro-2026-inflacao-selic-dolar" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533342</id>
		<updated>2026-10-13T13:14:16Z</updated>
		<published>2026-10-13T13:05:43Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Economia" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Banco Central" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Boletim Focus" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="câmbio" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Copom" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Dólar" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="economia brasileira" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="expectativas econômicas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="IBGE" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Inflação 2026" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="IPCA" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercado Financeiro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="meta de inflação" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="PIB" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="política monetária" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="projeções econômicas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Relatório Focus" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Selic" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="taxa de juros" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Índice apresentou alta de 0,21 ponto percentual, indo par 5,22%; Selic e câmbio registraram queda nos resultados desta semana com estimativa de encerrar o ano em 13,25% e R$ 5,15</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/boletim-focus-13-outubro-2026-inflacao-selic-dolar"><![CDATA[<p>O mercado financeiro elevou pela quarta semana consecutiva a projeção para a inflação brasileira em 2026, mesmo diante da expectativa de novos cortes da taxa básica de juros até dezembro. Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira (13), a mediana das estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,01% para 5,22%, um aumento de 0,21 ponto percentual em relação à pesquisa anterior. A nova previsão coloca a inflação 0,72 ponto acima do limite superior de tolerância da meta estabelecida para o país, de 4,5%, reforçando as dificuldades enfrentadas pela <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340613">política</a> monetária nos últimos meses do ano.</p>
<p>A revisão ocorreu após a divulgação da inflação de setembro, que surpreendeu os economistas ao registrar alta de 0,82%, acima da expectativa de aproximadamente 0,76% apurada no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340612">mercado</a>. O resultado foi influenciado principalmente pelo encarecimento da energia elétrica, mas também refletiu pressões sobre combustíveis, alimentos e serviços. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses acelerou de 4,22% em agosto para 4,58% em setembro, ultrapassando novamente o teto do intervalo de tolerância.</p>
<p>Apesar da deterioração das expectativas inflacionárias, os economistas consultados pelo Banco Central reduziram de 13,50% para 13,25% ao ano a projeção para a Selic no encerramento de 2026. A taxa básica está atualmente em 13,75%, depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) promover um corte de 0,25 ponto percentual em setembro. A nova estimativa pressupõe, portanto, uma redução adicional de 0,50 ponto percentual até dezembro, distribuída entre as duas reuniões restantes do colegiado neste ano, caso se confirme o cenário predominante entre os participantes da pesquisa.</p>
<p>O comportamento das projeções revela uma combinação incomum: inflação esperada mais elevada no curto prazo e juros projetados em patamar inferior ao estimado anteriormente. A diferença indica que parte dos analistas atribui a aceleração recente a fatores específicos, como energia e combustíveis, enquanto mantém a expectativa de desaceleração da atividade econômica suficiente para permitir a continuidade do ciclo de flexibilização monetária.</p>
<h2>Inflação de 2026 sobe de 5,01% para 5,22% e se afasta da meta</h2>
<p>A revisão de 0,21 ponto percentual no IPCA foi a maior registrada em uma semana desde abril, segundo análise dos dados do Focus realizada pela XP Investimentos. O movimento também marcou a quarta elevação consecutiva da estimativa para 2026, demonstrando que os economistas passaram a incorporar pressões mais intensas sobre os preços no encerramento do ano.</p>
<p>A meta brasileira de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o limite superior é de 4,5% e o inferior, de 1,5%. A previsão de 5,22% supera o centro da meta em 2,22 pontos percentuais, enquanto a distância em relação ao teto alcança 0,72 ponto.</p>
<p>É importante distinguir a projeção anual apresentada no Focus do mecanismo utilizado para verificar oficialmente o cumprimento da meta. Desde janeiro de 2025, o Brasil adota um sistema de meta contínua, no qual a inflação acumulada em 12 meses é acompanhada mensalmente. O descumprimento formal ocorre quando o IPCA permanece fora do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, e não simplesmente quando uma previsão para dezembro supera 4,5%.</p>
<p>O resultado de setembro, de 4,58% em 12 meses, indica que a inflação efetiva voltou a ultrapassar o limite superior. Isso, entretanto, não significa automaticamente que o Banco Central tenha descumprido a meta nos termos do regime vigente. A duração do desvio também precisa ser considerada.</p>
<p>Para 2027, a mediana das expectativas de inflação permaneceu em 4,30%, sem alteração em relação à semana anterior. A estimativa está abaixo do teto de 4,5%, mas ainda 1,30 ponto percentual acima do objetivo central perseguido pela autoridade monetária. Já para 2028, a projeção recuou ligeiramente, de 3,80% para 3,79%, indicando a expectativa de uma convergência gradual, e não imediata, ao centro da meta.</p>
<p>A diferença entre os horizontes é relevante para a condução dos juros. O Copom não considera apenas a inflação dos meses seguintes, mas a trajetória esperada dos preços ao longo do período em que os efeitos da política monetária deverão se manifestar. Por isso, um choque temporário pode ter consequências diferentes de uma aceleração persistente e disseminada.</p>
<h2>Conta de luz respondeu por quase 40% da inflação de setembro</h2>
<p>A principal explicação para a revisão do Focus está no IPCA divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira (9). O índice avançou 0,82% em setembro, depois de registrar deflação de 0,32% em agosto. A diferença de 1,14 ponto percentual entre os dois meses mostra uma mudança expressiva no comportamento dos preços.</p>
<p>O grupo Habitação apresentou alta de 2,31% e respondeu por aproximadamente 0,35 ponto percentual do resultado mensal. Dentro dessa categoria, a energia elétrica residencial ficou 7,98% mais cara, com impacto individual de 0,32 ponto percentual sobre o IPCA.</p>
<p>Esse impacto corresponde a aproximadamente 39% da inflação total registrada em setembro. O cálculo evidencia o peso da conta de luz na aceleração do indicador, mas não significa que os demais preços tenham permanecido estáveis. Outros componentes da cesta de consumo também apresentaram aumentos.</p>
<p>A elevação das tarifas de eletricidade foi influenciada pelo encerramento do efeito do Bônus de Itaipu, que havia proporcionado redução nas faturas emitidas em agosto. Com o desaparecimento desse desconto na comparação mensal, o preço efetivamente captado pela pesquisa voltou a subir.</p>
<p>Esse mecanismo ajuda a explicar por que parte da aceleração é considerada pontual. O fim de um desconto pode elevar a inflação no mês em que ocorre, sem necessariamente provocar aumentos equivalentes nos meses seguintes. Ainda assim, contas de energia mais caras afetam diretamente o orçamento das famílias e podem elevar custos de produção e prestação de serviços.</p>
<p>O grupo Transportes também pressionou os preços, com avanço de 0,89% em setembro. A gasolina registrou aumento de 1,21%, enquanto outros serviços relacionados à mobilidade apresentaram variações positivas. A alimentação e bebidas subiu 0,83%, revertendo parte do alívio observado nos meses anteriores.</p>
<p>O resultado consolidado levou a inflação acumulada entre janeiro e setembro a 3,95%. O percentual oferece uma referência importante para avaliar o que ainda seria necessário acontecer nos últimos três meses para que a projeção de 5,22% se concretize.</p>
<p>Considerando a capitalização dos índices mensais, uma inflação anual de 5,22% exigiria avanço acumulado de aproximadamente 1,22% entre outubro e dezembro, a partir dos 3,95% já registrados até setembro. Trata-se de uma contribuição relativamente concentrada em um trimestre, especialmente depois das pressões recentes sobre energia e alimentação.</p>
<h2>Serviços e núcleos de inflação também preocupam os economistas</h2>
<p>Embora a alta de setembro tenha sido fortemente influenciada por preços administrados, a análise dos componentes subjacentes mostra que as preocupações inflacionárias não estão restritas à energia elétrica.</p>
<p>Segundo levantamento da XP Investimentos com base nos dados do IBGE, a média das medidas de núcleo de inflação avançou 0,36% em setembro. Em 12 meses, o indicador acelerou de 4,37% para 4,55%, ultrapassando também o limite superior de tolerância da meta.</p>
<p>Os núcleos procuram identificar a tendência dos preços ao reduzir a influência de componentes sujeitos a oscilações especialmente intensas. São acompanhados pelo Banco Central porque ajudam a avaliar se uma alta está concentrada em poucos produtos ou se existem pressões mais persistentes sobre a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340614">economia</a>.</p>
<p>No setor de serviços, a inflação mensal foi de aproximadamente 0,61%, acima da previsão de 0,54% utilizada pela XP. Em 12 meses, o avanço chegou a 5,97%, ante 5,47% anteriormente.</p>
<p>A resistência dos serviços representa um desafio particular para a política monetária. Diferentemente de determinadas commodities, cujos preços podem recuar rapidamente quando há melhora na oferta, muitas atividades de serviços possuem custos associados a salários, aluguéis e contratos reajustados periodicamente. Isso pode tornar a desaceleração dos preços mais gradual.</p>
<p>A inflação de alimentos também merece acompanhamento. Depois de um período de quedas em parte dos produtos consumidos em casa, setembro registrou nova elevação. O comportamento dos preços nos próximos meses dependerá de condições climáticas, oferta agrícola, transporte e custos de produção.</p>
<p>A análise divulgada pela XP destaca o risco de pressões associadas ao fenômeno El Niño e à valorização internacional do petróleo. Esses fatores não possuem impactos previamente determinados sobre o IPCA, mas representam fontes de incerteza para as projeções de inflação do quarto trimestre.</p>
<h2>Selic de 13,25% pressupõe mais dois cortes até dezembro</h2>
<p>A redução da estimativa para a Selic constitui o principal contraponto à elevação das expectativas inflacionárias. O Focus passou a indicar juros de 13,25% no encerramento de 2026, abaixo dos 13,50% projetados na semana anterior.</p>
<p>Em setembro, o Copom reduziu a taxa básica de 14% para 13,75% ao ano, dando continuidade ao ciclo de flexibilização. Na ata da reunião, a autoridade monetária destacou a moderação gradual da atividade econômica, especialmente em setores mais sensíveis aos juros, mas reconheceu a persistência de riscos inflacionários e de incertezas no cenário externo.</p>
<p>A previsão atual do mercado corresponde a dois cortes adicionais de 0,25 ponto percentual, se distribuídos igualmente entre novembro e dezembro. Essa trajetória, entretanto, é uma expectativa dos economistas consultados, não uma decisão previamente tomada pelo Banco Central.</p>
<p>A própria comunicação do Copom ressalta que os movimentos seguintes dependerão dos dados disponíveis e da avaliação dos riscos para a convergência da inflação à meta. Uma sequência de indicadores acima do esperado poderia reduzir o espaço para novas quedas, enquanto sinais mais consistentes de desaceleração da atividade e dos preços poderiam favorecer a continuidade do ciclo.</p>
<p>Para 2027, a projeção da Selic permaneceu em 12% ao ano. A estimativa para 2028 também ficou estável, em 10,50%. Os números indicam que o mercado continua esperando uma redução gradual dos juros nos próximos anos, embora em ritmo condicionado à persistência da inflação e à evolução das expectativas.</p>
<p>A manutenção de taxas de dois dígitos, mesmo após novos cortes, mostra que as condições monetárias continuariam restritivas em termos nominais. Juros elevados tendem a encarecer financiamentos, empréstimos e capital de giro, afetando decisões de consumo e investimento. Ao mesmo tempo, aumentam a remuneração de diversas aplicações de renda fixa e o custo do serviço da dívida.</p>
<h2>Dólar projetado para dezembro cai de R$ 5,20 para R$ 5,15</h2>
<p>Além da Selic, o câmbio apresentou revisão para baixo no Focus desta semana. A mediana das estimativas para o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340615">dólar</a> no encerramento de 2026 recuou de R$ 5,20 para R$ 5,15, uma redução de R$ 0,05, equivalente a aproximadamente 0,96%.</p>
<p>Foi a primeira mudança dessa projeção depois de 16 semanas de estabilidade, segundo levantamento da XP. A alteração ocorreu após um período de valorização do real, favorecido pela movimentação dos ativos brasileiros e pela reavaliação das perspectivas econômicas.</p>
<p>Para 2027, o dólar esperado passou de R$ 5,28 para R$ 5,26. Já a estimativa para 2028 permaneceu em R$ 5,30.</p>
<p>O comportamento do câmbio possui relação direta com a inflação brasileira, principalmente por meio dos preços de produtos importados, combustíveis, insumos industriais e bens comercializados internacionalmente. Uma valorização sustentada do real pode contribuir para limitar determinados reajustes, embora seus efeitos dependam das condições de cada mercado e não sejam necessariamente imediatos.</p>
<p>A queda da projeção cambial, portanto, pode ajudar a explicar por que os economistas ainda admitem cortes de juros mesmo com a inflação esperada mais elevada em 2026. A moeda nacional mais valorizada tende a reduzir parte das pressões externas sobre os preços domésticos, compensando parcialmente outros fatores de risco.</p>
<p>Esse efeito, contudo, depende de sua continuidade. Mudanças no ambiente internacional, nas taxas de juros americanas, nas cotações de commodities e nas expectativas sobre a política fiscal podem alterar rapidamente a direção do câmbio.</p>
<h2>PIB permanece em 1,85% para 2026 e 1,40% para 2027</h2>
<p>As previsões de crescimento econômico apresentaram maior estabilidade. A mediana das expectativas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 permaneceu em 1,85%, interrompendo a sequência recente de revisões negativas.</p>
<p>Para 2027, a projeção continuou em 1,40%. A estimativa indica uma desaceleração de 0,45 ponto percentual em relação ao crescimento previsto para este ano, reforçando a perspectiva de expansão moderada da atividade econômica.</p>
<p>Em 2028, o mercado elevou ligeiramente a previsão de crescimento, de 1,81% para 1,83%.</p>
<p>Os números mostram que a revisão da inflação não veio acompanhada de uma melhora nas expectativas de atividade. Essa combinação reforça o desafio para a política monetária: conter o aumento dos preços sem provocar uma desaceleração excessiva da economia.</p>
<p>A projeção de crescimento de 1,40% para 2027 é particularmente relevante porque sugere que os efeitos dos juros elevados poderão continuar sendo sentidos no próximo ano, mesmo com a expectativa de redução gradual da Selic.</p>
<p>Na análise da XP Investimentos, as estimativas de PIB feitas pelos participantes que atualizaram seus números nos últimos cinco dias úteis ficaram abaixo das medianas gerais do Focus, em 1,81% para 2026 e 1,35% para 2027. A diferença não assegura novas revisões negativas, mas indica que parte dos economistas acompanha a possibilidade de crescimento ainda mais moderado.</p>
<h2>Quadro econômico coloca próximos dados de inflação no centro das decisões</h2>
<p>O Focus divulgado nesta terça-feira apresenta uma combinação de sinais que exigirá atenção do Banco Central até o encerramento do ano. A inflação prevista em 5,22% permanece acima do intervalo de tolerância da meta, enquanto a expectativa de juros recuou e o crescimento projetado segue moderado.</p>
<p>A diferença de 0,72 ponto percentual entre a inflação esperada para dezembro e o teto da meta demonstra que o mercado não prevê uma convergência imediata. Para 2027, a estimativa de 4,30% permanece próxima do limite superior, sinalizando que o processo de desaceleração dos preços poderá continuar ao longo do próximo ano.</p>
<p>Os próximos resultados do IPCA, a evolução dos preços de combustíveis e alimentos e os indicadores de atividade serão determinantes para avaliar a viabilidade de novos cortes da Selic. O comportamento do câmbio e as expectativas sobre a política fiscal também poderão influenciar as decisões.</p>
<p>O relatório desta semana reforça, sobretudo, a necessidade de distinguir o efeito de choques pontuais de uma deterioração persistente da inflação. A alta da energia elétrica explica parcela expressiva do resultado de setembro, mas a aceleração dos núcleos e dos preços de serviços indica que o Banco Central ainda enfrenta pressões relevantes.</p>
<p>Nesse cenário, a trajetória de juros projetada pelos economistas não está assegurada. A possibilidade de a Selic encerrar 2026 em 13,25% dependerá de evidências de que a inflação poderá retornar gradualmente à meta, sem que novos choques comprometam a estabilidade dos preços.</p>
<p><strong>Fonte:</strong></p>
<p><em>Banco Central do Brasil — Relatório Focus, metodologia do Sistema de Expectativas de Mercado e critérios de cálculo das medianas das projeções econômicas.</em></p>
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]]></content>
		
			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Camila Braga</name>
							<uri>https://muckrack.com/camila-braga</uri>
						</author>

		<title type="html"><![CDATA[Day trade hoje: Ágora indica compra de BPAC11 e venda de AURE3; veja seis ações]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/day-trade-hoje-13-outubro-2026-agora-bpac11-aure3" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533337</id>
		<updated>2026-10-13T13:01:42Z</updated>
		<published>2026-10-13T12:46:30Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="ações para hoje" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Ágora Investimentos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="análise técnica" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="AURE3" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Auren Energia" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="B3" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Bolsa de valores" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="BPAC11" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="BRAV3" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Brava Energia" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="BTG Pactual" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="day trade" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Direcional" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="DIRR3" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Klabin" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="KLBN11" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercado Financeiro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="operações de curto prazo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="RADL3" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="RD Saúde" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="recomendações de ações" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Aprenda sobre estratégias de day trade com BTG Pactual e outras ações que podem trazer retorno significativo nesta terça-feira.</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/day-trade-hoje-13-outubro-2026-agora-bpac11-aure3"><![CDATA[<p>A Ágora Investimentos selecionou seis ações para operações de day trade nesta terça-feira (13), com estratégias de compra de BTG Pactual (BPAC11), Direcional (DIRR3) e RD Saúde (RADL3), além de posições vendedoras em Auren Energia (AURE3), Brava Energia (BRAV3) e Klabin (KLBN11). As recomendações são baseadas em análise gráfica e apresentam objetivos de valorização ou desvalorização que variam de 1,38% a 1,49%, dependendo do ativo. Os percentuais representam retornos brutos potenciais, calculados a partir de preços específicos de entrada, e não ganhos assegurados aos investidores.</p>
<p>Entre as operações de compra, o maior potencial percentual indicado é o da RD Saúde, com objetivo de 1,49%. Nas posições de venda, a Auren apresenta a maior variação projetada, de 1,48%. O BTG Pactual, um dos destaques da seleção, possui preço de entrada sugerido de R$ 81,70 e objetivo de R$ 82,86, diferença de R$ 1,16 por unit. A operação corresponde a um retorno potencial de 1,42%, caso o papel alcance o preço indicado depois da abertura da posição.</p>
<p>As recomendações foram elaboradas para a sessão desta terça-feira, primeiro pregão da semana na B3 após o feriado nacional de 12 de outubro. O intervalo entre as negociações de sexta-feira (9) e a retomada do mercado amplia a importância das condições de abertura, uma vez que <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/noticias" target="_blank"  rel="noopener" title="Notícias" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340610">notícias</a> e movimentos internacionais registrados durante o período podem provocar diferenças entre os últimos preços negociados e as cotações iniciais.</p>
<p>Diferentemente das recomendações de investimento de médio e longo prazo, o day trade procura aproveitar oscilações de curtíssima duração. As posições são abertas e encerradas no mesmo pregão, e sua execução depende do comportamento efetivo dos preços. Por isso, uma indicação de compra não significa que o ativo necessariamente subirá, assim como uma recomendação de venda não representa uma previsão de queda garantida.</p>
<h2>BTG Pactual (BPAC11) tem alvo de R$ 82,86 na estratégia de compra</h2>
<p>O BTG Pactual aparece entre as três indicações de compra da Ágora para a sessão. As units do banco encerraram o último pregão, na sexta-feira (9), cotadas a R$ 81,50, segundo os preços utilizados como referência na análise divulgada nesta manhã.</p>
<p>A corretora estabeleceu entrada em R$ 81,70, objetivo de R$ 82,86 e stop de proteção em R$ 81,09. A diferença entre o preço de entrada e o alvo corresponde a R$ 1,16 por unit, equivalente a aproximadamente 1,42%. Em sentido contrário, a distância até o stop é de R$ 0,61, ou cerca de 0,75%.</p>
<p>A estratégia considera uma valorização durante o pregão, mas somente passa a ser aplicável caso as condições previstas para a entrada sejam atendidas. Se a cotação não alcançar o nível estabelecido, a operação poderá permanecer sem execução.</p>
<p>O preço de entrada também está R$ 0,20 acima do fechamento anterior, diferença de aproximadamente 0,25%. Esse intervalo indica que a estratégia não pressupõe necessariamente a compra imediata na abertura do mercado, mas o atendimento de um nível de preço definido pela análise técnica.</p>
<p>A seleção do BTG ocorre em um momento de atenção dos investidores ao desempenho das instituições financeiras e às perspectivas para o mercado brasileiro. Entretanto, a recomendação específica desta terça-feira é fundamentada em parâmetros gráficos de curto prazo, e não deve ser confundida com uma avaliação fundamentalista do banco ou com um preço-alvo de longo prazo.</p>
<h2>Direcional e RD Saúde completam as três recomendações de compra</h2>
<p>A Direcional (DIRR3) também integra a lista de operações compradoras. Para a construtora, a Ágora definiu entrada em R$ 12,33, objetivo de R$ 12,51 e stop em R$ 12,24. O ganho potencial é de 1,46%, enquanto a perda calculada até o stop corresponde a aproximadamente 0,73% do valor de entrada.</p>
<p>A diferença de R$ 0,18 entre a entrada e o objetivo representa o movimento de alta necessário para a realização integral do retorno projetado. Caso a cotação recue após o acionamento da operação, o nível de R$ 12,24 funciona como referência para o encerramento da posição com prejuízo limitado, sujeito às condições de execução do mercado.</p>
<p>Na RD Saúde (RADL3), a estratégia apresenta a maior expectativa percentual de ganho entre todas as posições compradoras. O preço indicado para entrada é de R$ 21,51, com objetivo de R$ 21,83 e stop em R$ 21,36.</p>
<p>O intervalo positivo de R$ 0,32 corresponde a aproximadamente 1,49% do preço de entrada. Já a diferença negativa de R$ 0,15 equivale a cerca de 0,70%, percentual que representa a perda planejada caso a operação seja encerrada exatamente no nível estabelecido como proteção.</p>
<p>As indicações para Direcional e RD Saúde envolvem <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340611">empresas</a> de segmentos distintos, construção civil e varejo farmacêutico. A presença das duas companhias na mesma lista não significa que estejam sujeitas aos mesmos fatores operacionais ou econômicos. A lógica da seleção está concentrada na possibilidade de movimentos de preço durante o pregão, independentemente das perspectivas de longo prazo para seus respectivos setores.</p>
<h2>Recomendações de compra da Ágora para 13 de outubro</h2>
<table>
<thead>
<tr>
<th>Ação</th>
<th align="right">Entrada</th>
<th align="right">Objetivo</th>
<th align="right">Ganho potencial</th>
<th align="right">Stop</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>BTG Pactual (BPAC11)</td>
<td align="right">R$ 81,70</td>
<td align="right">R$ 82,86</td>
<td align="right">1,42%</td>
<td align="right">R$ 81,09</td>
</tr>
<tr>
<td>Direcional (DIRR3)</td>
<td align="right">R$ 12,33</td>
<td align="right">R$ 12,51</td>
<td align="right">1,46%</td>
<td align="right">R$ 12,24</td>
</tr>
<tr>
<td>RD Saúde (RADL3)</td>
<td align="right">R$ 21,51</td>
<td align="right">R$ 21,83</td>
<td align="right">1,49%</td>
<td align="right">R$ 21,36</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Os valores correspondem às referências divulgadas para operações nesta terça-feira. O alcance do objetivo depende do ingresso no preço indicado e da movimentação posterior do ativo, sem garantia de execução ou rentabilidade.</p>
<h2>Auren (AURE3) lidera indicações de venda, com alvo de R$ 15,32</h2>
<p>Na ponta vendedora, a Auren Energia (AURE3) apresenta o maior retorno potencial entre as três ações selecionadas. A corretora estabeleceu entrada em R$ 15,55, objetivo de recompra em R$ 15,32 e stop em R$ 15,67.</p>
<p>A operação procura aproveitar uma eventual desvalorização do papel. A diferença de R$ 0,23 entre o preço de venda e o objetivo representa ganho bruto potencial de 1,48%. Caso a cotação avance até o stop de R$ 15,67, a perda calculada a partir da entrada será de aproximadamente 0,77%.</p>
<p>Nas estratégias vendidas, a lógica de obtenção de resultado é inversa à das operações compradoras. O investidor busca vender o ativo a determinado preço e recomprá-lo posteriormente por um valor inferior, respeitando as condições operacionais e de disponibilidade estabelecidas pela corretora.</p>
<p>Esse tipo de posição envolve riscos específicos, pois uma alta da ação após a venda pode produzir prejuízos. O stop é utilizado como ferramenta de controle, mas não elimina completamente a possibilidade de perdas maiores, especialmente em momentos de baixa liquidez ou movimentação abrupta das cotações.</p>
<p>A recomendação de venda de Auren também não deve ser interpretada, isoladamente, como uma avaliação negativa sobre os fundamentos da companhia de energia. O horizonte da indicação é restrito ao pregão de 13 de outubro, e a perspectiva gráfica pode ser diferente da avaliação do negócio no longo prazo.</p>
<h2>Brava Energia e Klabin também entram na lista de vendas</h2>
<p>A Brava Energia (BRAV3) foi selecionada para uma operação de venda com preço de entrada em R$ 20,52 e objetivo de R$ 20,23. O intervalo corresponde a uma queda de R$ 0,29 por ação e retorno bruto potencial de aproximadamente 1,41%.</p>
<p>O stop sugerido para Brava é de R$ 20,67, nível R$ 0,15 superior à entrada. Em termos percentuais, a distância representa cerca de 0,73%, desde que a posição possa ser encerrada exatamente no preço de proteção.</p>
<p>A Klabin (KLBN11), por sua vez, completa a relação de operações vendedoras. A corretora indicou entrada em R$ 18,09, objetivo de R$ 17,84 e stop em R$ 18,23.</p>
<p>A queda necessária para atingir o alvo é de R$ 0,25 por unit, correspondente a aproximadamente 1,38%. A distância até o stop é de R$ 0,14, equivalente a cerca de 0,77%.</p>
<p>As três indicações de venda abrangem empresas de energia elétrica, petróleo e gás e papel e celulose. Apesar das diferenças setoriais, as operações seguem o mesmo princípio de tentar capturar movimentos de queda dentro de uma única sessão, com níveis previamente estabelecidos para entrada, realização de lucro e controle de perdas.</p>
<h2>Recomendações de venda da Ágora para 13 de outubro</h2>
<table>
<thead>
<tr>
<th>Ação</th>
<th align="right">Entrada</th>
<th align="right">Objetivo</th>
<th align="right">Ganho potencial</th>
<th align="right">Stop</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr>
<td>Auren (AURE3)</td>
<td align="right">R$ 15,55</td>
<td align="right">R$ 15,32</td>
<td align="right">1,48%</td>
<td align="right">R$ 15,67</td>
</tr>
<tr>
<td>Brava Energia (BRAV3)</td>
<td align="right">R$ 20,52</td>
<td align="right">R$ 20,23</td>
<td align="right">1,41%</td>
<td align="right">R$ 20,67</td>
</tr>
<tr>
<td>Klabin (KLBN11)</td>
<td align="right">R$ 18,09</td>
<td align="right">R$ 17,84</td>
<td align="right">1,38%</td>
<td align="right">R$ 18,23</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Em todas as operações vendedoras, o objetivo é inferior ao preço de entrada. Os retornos estimados pressupõem a realização das duas etapas da negociação nos preços informados.</p>
<h2>Diferença entre alvo e stop define relação de risco das operações</h2>
<p>Os níveis apresentados pela Ágora permitem comparar a distância entre o ganho potencial e a perda inicialmente planejada. No BTG Pactual, por exemplo, o objetivo está R$ 1,16 acima da entrada, enquanto o stop está R$ 0,61 abaixo. Isso corresponde a uma relação aproximada de 1,9 para 1 entre o ganho projetado e a perda prevista.</p>
<p>Na RD Saúde, o intervalo até o alvo é de R$ 0,32, contra R$ 0,15 até o stop, uma relação aproximada de 2,1 para 1. Na Direcional, essa proporção é de 2 para 1. Entre as posições vendedoras, os parâmetros de Auren, Brava Energia e Klabin também apresentam objetivos maiores, em valores absolutos, do que as respectivas distâncias até os stops.</p>
<p>Essa estrutura não permite concluir que as operações serão lucrativas. A relação entre ganho e perda potenciais é apenas uma das variáveis envolvidas no controle de risco. O resultado de uma estratégia depende também da frequência com que os objetivos são alcançados, do comportamento dos preços após a entrada e das condições de execução das ordens.</p>
<p>Uma relação favorável entre alvo e stop pode coexistir com uma baixa taxa de acerto. Da mesma forma, uma estratégia com operações vencedoras frequentes pode acumular prejuízos caso perdas ocasionais sejam maiores do que as inicialmente previstas.</p>
<p>Para exemplificar os valores, uma operação hipotética de compra de 100 units de BPAC11 ao preço indicado de R$ 81,70 envolveria R$ 8.170 em valor negociado. Se o objetivo de R$ 82,86 fosse alcançado e a venda executada exatamente nesse nível, o ganho bruto seria de R$ 116. Se a posição fosse encerrada no stop de R$ 81,09, a perda seria de R$ 61. Os cálculos desconsideram corretagem, emolumentos, tributos e eventuais diferenças de execução.</p>
<h2>Como funcionam as recomendações de day trade da Ágora</h2>
<p>As indicações divulgadas pela Ágora seguem uma metodologia de análise gráfica voltada à identificação de movimentos de curtíssimo prazo. Os analistas procuram estabelecer níveis de preço nos quais consideram existir uma oportunidade operacional, acompanhados de objetivos e parâmetros de proteção.</p>
<p>As seis estratégias são válidas exclusivamente para esta terça-feira (13). A divulgação não significa que todas as operações serão executadas, pois os preços de entrada precisam ser atingidos nas condições previstas.</p>
<p>Outra regra importante envolve a abertura do pregão. Caso uma ação registre um salto ou uma queda de preço e alcance o objetivo antes de passar pelo ponto de entrada, a operação correspondente é cancelada, conforme a metodologia apresentada. O procedimento evita tratar como oportunidade uma movimentação que já ocorreu sem que a posição tenha sido aberta.</p>
<p>O stop de proteção também só passa a ter aplicação depois da entrada efetiva na operação. Antes disso, os níveis informados funcionam como parâmetros de planejamento, e não como ordens automaticamente executadas.</p>
<p>Os percentuais apresentados representam retornos brutos, sem considerar os custos de negociação. Corretagem, emolumentos, eventuais despesas operacionais e tributação podem diminuir o resultado líquido. Diferenças entre os preços esperados e aqueles efetivamente obtidos também podem alterar os resultados, tanto nas operações lucrativas quanto nas deficitárias.</p>
<p>A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) classifica o day trade como uma modalidade de alto risco e destaca a importância do conhecimento técnico, do gerenciamento de posições e da compreensão das perdas potenciais. Em materiais educativos, o órgão ressalta que a possibilidade de ganhos em intervalos curtos não elimina a exposição a movimentos inesperados de mercado.</p>
<p>Para a sessão de 13 de outubro, as recomendações da Ágora concentram-se em três estratégias de valorização e três de desvalorização, com objetivos próximos de 1,4%. A execução dependerá dos preços efetivamente negociados ao longo do dia. Os níveis apresentados servem como referências operacionais e não constituem garantia de retorno.</p>
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]]></content>
		
			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>João Souza</name>
							<uri>https://muckrack.com/joao-souza</uri>
						</author>

		<title type="html"><![CDATA[Movida (MOVI3) lucra R$ 152,1 milhões no 3T26, alta de 117%, e supera projeção]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/movida-movi3-lucro-3t26-resultados" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533333</id>
		<updated>2026-10-13T12:41:48Z</updated>
		<published>2026-10-13T12:20:41Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Empresas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="3T26" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="aluguel de carros" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="balanço Movida" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Ebit" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Ebitda" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="empresas listadas na B3" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="gestão de frotas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="locação de veículos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="lucro líquido" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercado de capitais" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="MOVI3" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Movida" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="receita de locação" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="resultados Movida" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="seminovos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="SIMH3" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Simpar" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="terceiro trimestre de 2026" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>A Movida (MOVI3) informou nesta terça-feira (13) sua prévia de resultados do terceiro trimestre de 2026 (3T26). Veja.</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/movida-movi3-lucro-3t26-resultados"><![CDATA[<p>A Movida (MOVI3) registrou lucro líquido preliminar de R$ 152,1 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 117% em relação ao mesmo período do ano anterior e o maior resultado trimestral da companhia em quatro anos. Os números, divulgados nesta terça-feira (13), mostram avanço das operações de locação de veículos e melhora dos indicadores de rentabilidade, com receita bruta total de R$ 4,2 bilhões e Ebitda de aproximadamente R$ 1,8 bilhão. O desempenho também superou a faixa de lucro projetada pela administração em agosto, consolidando o quarto trimestre consecutivo de cumprimento das metas financeiras anunciadas ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340608">mercado</a>.</p>
<p>A expansão do lucro foi acompanhada por um novo recorde na receita bruta de locação, que alcançou R$ 2,7 bilhões entre julho e setembro, aumento de 19% na comparação anual. O resultado reforça a importância das operações recorrentes de aluguel de automóveis e gestão de frotas para a companhia, controlada pela holding Simpar (SIMH3). Na venda de veículos seminovos, a administração manteve o foco na renovação da frota e na preservação das margens operacionais, mesmo em um ambiente de custos financeiros elevados.</p>
<p>As informações divulgadas representam uma prévia gerencial e ainda não passaram pelo processo de revisão correspondente à publicação integral das demonstrações financeiras do trimestre. Os valores poderão sofrer ajustes até a divulgação oficial do balanço, prevista para novembro. Ainda assim, os indicadores oferecem uma primeira avaliação da evolução dos <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340607">negócios</a> e permitem comparar o resultado com as projeções anteriormente estabelecidas pela empresa.</p>
<p>O lucro apresentado supera em R$ 2,1 milhões o limite superior da estimativa divulgada em agosto, que previa resultado entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões no terceiro trimestre. A diferença corresponde a aproximadamente 1,4% acima do teto projetado, sinalizando que a companhia encerrou o período ligeiramente à frente de sua própria expectativa.</p>
<h2>Lucro da Movida cresce 117% e supera resultado do segundo trimestre</h2>
<p>O lucro líquido de R$ 152,1 milhões representa um aumento expressivo em relação aos aproximadamente R$ 70 milhões apurados no terceiro trimestre de 2025. Em valores absolutos, a diferença é de cerca de R$ 82 milhões, enquanto o crescimento percentual informado pela empresa chega a 117%.</p>
<p>A comparação com o trimestre imediatamente anterior também mostra evolução. Entre abril e junho de 2026, a Movida havia registrado lucro líquido de R$ 135,6 milhões, resultado que já representava mais que o dobro daquele observado no mesmo período de 2025. No terceiro trimestre, o lucro aumentou aproximadamente R$ 16,5 milhões em relação ao segundo, uma expansão sequencial de 12,2%.</p>
<p>A melhora é relevante porque o segundo trimestre já havia sido marcado por ganhos operacionais expressivos. Na ocasião, a empresa destacou que o resultado havia superado o primeiro trimestre, apesar da sazonalidade do mercado de locação, que tradicionalmente favorece os primeiros meses do ano devido à maior demanda durante o verão.</p>
<p>Considerando os lucros de R$ 124,6 milhões no primeiro trimestre, R$ 135,6 milhões no segundo e R$ 152,1 milhões no terceiro, o resultado acumulado entre janeiro e setembro alcança aproximadamente R$ 412,3 milhões. O cálculo utiliza a prévia ainda não auditada do período mais recente e os números anteriormente divulgados pela companhia.</p>
<p>O montante supera em R$ 12,3 milhões a referência de R$ 400 milhões para os primeiros nove meses de 2026 apresentada pela Movida em agosto. A diferença de aproximadamente 3,1% indica que a empresa ultrapassou a estimativa divulgada para o acumulado do ano, embora a confirmação dependa dos números definitivos do terceiro trimestre.</p>
<p>Essa evolução também evidencia a continuidade da recuperação dos resultados financeiros observada desde o início de 2026. A companhia vem atribuindo a melhora a iniciativas de eficiência operacional, aprimoramento da precificação, uso mais intensivo de tecnologia e disciplina na administração das operações.</p>
<h2>Receita de locação atinge recorde de R$ 2,7 bilhões</h2>
<p>O crescimento da receita de aluguel de veículos foi um dos principais destaques da prévia. A Movida informou faturamento bruto de R$ 2,7 bilhões com locação no terceiro trimestre, expansão de 19% frente ao mesmo período do ano anterior e novo recorde para a atividade.</p>
<p>O valor representa aproximadamente 64% da receita bruta total de R$ 4,2 bilhões registrada entre julho e setembro. A participação demonstra a importância dos contratos de locação para a estrutura de faturamento da companhia, embora as receitas brutas não devam ser confundidas com os valores líquidos reconhecidos na demonstração de resultados.</p>
<p>A expansão está relacionada aos negócios de aluguel de curta duração, conhecidos pela sigla RAC, e à gestão e terceirização de frotas, denominada GTF. As duas modalidades possuem características diferentes. O RAC está mais exposto à movimentação de clientes individuais, viagens, turismo e demandas ocasionais, enquanto a gestão de frotas costuma envolver contratos empresariais de maior duração.</p>
<p>Para a companhia, a combinação dessas operações permite atender diferentes perfis de clientes e distribuir a exposição entre contratos recorrentes e demandas de menor prazo. A rentabilidade depende, entre outros fatores, do nível de utilização dos automóveis, das tarifas praticadas, dos custos de manutenção e do valor de revenda dos veículos substituídos.</p>
<p>No segundo trimestre, a receita bruta de locação havia alcançado aproximadamente R$ 2,6 bilhões, com crescimento anual próximo de 21%. A evolução para R$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre representa aumento sequencial aproximado de 3,8%, considerando os valores arredondados divulgados pela administração.</p>
<p>O crescimento da locação também ganha importância diante da transformação do setor de mobilidade. A ampliação da terceirização de frotas empresariais, a utilização de veículos por assinatura e a busca de consumidores por alternativas à propriedade tradicional de automóveis representam oportunidades para as <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340609">empresas</a> que conseguem administrar seus ativos com eficiência.</p>
<p>Essas possibilidades, entretanto, não garantem automaticamente margens mais elevadas. O resultado depende da capacidade de ajustar preços ao custo de aquisição dos veículos, à depreciação, às despesas de manutenção e às condições de financiamento.</p>
<h2>Ebitda avança 21% e Ebit supera R$ 1 bilhão pelo segundo trimestre consecutivo</h2>
<p>A Movida apresentou Ebitda de aproximadamente R$ 1,8 bilhão no terceiro trimestre, crescimento de 21% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O indicador corresponde ao resultado antes dos juros, impostos, depreciação e amortização e é utilizado para acompanhar o desempenho operacional das empresas.</p>
<p>A evolução do Ebitda em ritmo superior ao crescimento de algumas linhas de receita sinaliza ganhos operacionais que merecem atenção dos investidores. Entretanto, a confirmação de expansão das margens depende da demonstração completa de resultados, especialmente dos valores de receita líquida e da composição dos custos e despesas.</p>
<p>Outro destaque foi o Ebit, resultado antes de juros e impostos, que superou R$ 1 bilhão pelo segundo trimestre consecutivo. O indicador alcançou aproximadamente R$ 1,086 bilhão, alta de 27% em relação ao terceiro trimestre do ano passado.</p>
<p>No segundo trimestre de 2026, o Ebit havia atingido aproximadamente R$ 1,015 bilhão. A expansão para R$ 1,086 bilhão representa um acréscimo de cerca de R$ 71 milhões, equivalente a aproximadamente 7% em relação ao período anterior.</p>
<p>A diferença entre Ebitda e Ebit possui relevância particular para empresas de locação de veículos, pois a depreciação da frota é um componente importante do negócio. O Ebitda desconsidera essa despesa, enquanto o Ebit a incorpora. Por isso, os dois indicadores precisam ser avaliados em conjunto, especialmente em companhias que realizam investimentos elevados na aquisição e renovação de automóveis.</p>
<p>O crescimento do Ebit indica que o avanço operacional ocorreu mesmo após o reconhecimento dos efeitos da depreciação e amortização. Ainda assim, não elimina a necessidade de acompanhar as despesas financeiras, que permanecem relevantes em empresas com operações intensivas em capital.</p>
<h2>Seminovos mantém margem Ebitda de 1,1% após venda de 20,1 mil veículos</h2>
<p>A estratégia de renovação da frota também aparece nos números operacionais. Segundo a prévia, a Movida vendeu 20,1 mil veículos no terceiro trimestre, volume associado à dinâmica de substituição dos automóveis utilizados nas atividades de locação.</p>
<p>No segundo trimestre, haviam sido comercializados aproximadamente 19,4 mil veículos. O volume mais recente representa aumento de cerca de 700 unidades, ou 3,6%, na comparação sequencial.</p>
<p>A venda de seminovos constitui uma etapa importante do ciclo econômico das locadoras. Depois de utilizar os automóveis nas operações de aluguel ou gestão de frotas, as empresas precisam encontrar compradores para os veículos, recuperar parte do capital investido e financiar a aquisição de unidades mais novas.</p>
<p>A administração da Movida informou que a margem Ebitda da operação de Seminovos permaneceu estável em 1,1% no terceiro trimestre. O percentual indica que a atividade continuou operando com rentabilidade reduzida nessa métrica, característica que torna o controle dos valores de aquisição, manutenção e revenda particularmente relevante.</p>
<p>A margem apresentada também é um elemento de estabilidade. Em vez de priorizar exclusivamente o volume vendido, a companhia procura equilibrar o ritmo de renovação da frota com as condições de comercialização dos automóveis, preservando a eficiência econômica das operações.</p>
<p>Uma margem estreita pode ser afetada por pequenas mudanças nos preços de revenda, nos custos logísticos ou nas despesas de preparação dos veículos. Além disso, a variação dos preços de automóveis novos e usados interfere na depreciação estimada dos ativos e no valor efetivamente recuperado quando os veículos são vendidos.</p>
<p>O aumento do número de unidades comercializadas, combinado com a estabilidade da margem operacional, sugere continuidade do processo de renovação sem deterioração relevante desse indicador. A avaliação completa, porém, dependerá dos dados de receita, custos, depreciação e composição das vendas que serão publicados no balanço definitivo.</p>
<h2>Movida mantém sequência de cumprimento das projeções financeiras</h2>
<p>A superação do teto de lucro divulgado para o terceiro trimestre acrescenta um novo resultado à sequência de cumprimento das metas financeiras da Movida. Segundo a empresa, este foi o quarto trimestre consecutivo em que os resultados atenderam às projeções anunciadas ao mercado.</p>
<p>Em agosto, a administração havia estabelecido uma faixa de lucro líquido entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões para o período de julho a setembro. A previsão considerava a continuidade dos ganhos de eficiência operacional, disciplina financeira e melhoria dos serviços prestados aos clientes.</p>
<p>Com o lucro preliminar de R$ 152,1 milhões, o resultado ficou R$ 12,1 milhões acima do ponto médio de R$ 140 milhões da faixa projetada. A diferença representa desempenho aproximadamente 8,6% superior ao centro da estimativa.</p>
<p>A consistência das projeções é acompanhada pelo mercado porque oferece informações sobre a capacidade da administração de antecipar os resultados e executar o planejamento. Entretanto, o cumprimento de metas em períodos anteriores não constitui garantia de desempenho semelhante nos trimestres seguintes.</p>
<p>Para os investidores, a qualidade dos resultados será tão importante quanto o crescimento do lucro. Indicadores como retorno sobre o capital investido, endividamento, despesas financeiras, geração de caixa e depreciação da frota permitirão avaliar se a melhora operacional está sendo acompanhada pelo fortalecimento da estrutura financeira.</p>
<p>A Movida também concluiu recentemente um aumento de capital de aproximadamente R$ 152,48 milhões, homologado em setembro após a subscrição integral das ações previstas na operação. O movimento faz parte das iniciativas de fortalecimento patrimonial adotadas pela companhia e deve ser considerado na avaliação de sua estrutura de capital.</p>
<p>O aumento de capital, contudo, é uma operação societária distinta do lucro apresentado na prévia. Embora os valores sejam próximos, a emissão de ações não representa receita operacional nem integra o resultado líquido do trimestre.</p>
<h2>Juros, endividamento e renovação de frota seguem no radar</h2>
<p>O desempenho da Movida ocorre em um setor particularmente sensível às condições de crédito. A aquisição de automóveis exige investimentos elevados, frequentemente financiados por recursos próprios, empréstimos, debêntures e outras modalidades de captação.</p>
<p>Taxas de juros mais altas encarecem o financiamento da frota e podem reduzir a parcela do resultado operacional convertida em lucro líquido. Ao mesmo tempo, a necessidade de renovar veículos exige planejamento para conciliar expansão comercial, investimentos e preservação da liquidez.</p>
<p>No segundo trimestre, a companhia já havia apresentado melhora de rentabilidade em um ambiente de juros elevados, destacando a evolução da precificação e o aumento da eficiência operacional. A prévia do terceiro trimestre sugere continuidade dessa trajetória, mas ainda não apresenta informações suficientes para avaliar integralmente o comportamento das despesas financeiras e do fluxo de caixa.</p>
<p>Outro aspecto relevante é a relação entre expansão da frota e produtividade dos ativos. O crescimento da receita de locação pode resultar do aumento do número de veículos disponíveis, da maior utilização dos automóveis, da elevação das tarifas ou de uma combinação desses fatores. A análise de cada componente será necessária para identificar quais deles contribuíram mais intensamente para o resultado.</p>
<p>A administração atribuiu o desempenho preliminar à melhoria da experiência dos clientes, ao uso de tecnologia na gestão e precificação das operações, ao controle dos custos e à disciplina financeira. Essas iniciativas fazem parte do planejamento estratégico adotado para elevar a rentabilidade dos negócios e aprimorar a utilização dos ativos.</p>
<p>Os números apresentados nesta terça-feira mostram que a locadora encerrou o trimestre com lucro recorde em quatro anos, crescimento de dois dígitos na receita de locação e avanço expressivo dos indicadores operacionais. A confirmação dessa evolução e a avaliação de seus efeitos sobre endividamento e geração de caixa dependerão do balanço completo.</p>
<p>Conforme o calendário de relações com investidores da Movida, a divulgação oficial dos resultados do terceiro trimestre está prevista para 11 de novembro, seguida de apresentação pública em 12 de novembro. Até lá, os valores permanecem preliminares e sujeitos a revisão.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Movida Participações — fato relevante de 16 de julho de 2026, com a prévia não auditada dos resultados do segundo trimestre, incluindo lucro líquido, receitas de locação, Ebitda, Ebit e venda de veículos.</em></p>
<p><em>Movida Participações — relatório de resultados do segundo trimestre de 2026, divulgado em 10 de agosto, com indicadores operacionais, demonstrações financeiras e projeções de lucro para o terceiro trimestre.</em></p>
<p><em>Movida Participações — fato relevante de 10 de agosto de 2026, com a faixa projetada de lucro líquido para o terceiro trimestre e as premissas do planejamento estratégico.</em></p>
<p><em>Movida Relações com Investidores — calendário corporativo de 2026, com as datas previstas para a divulgação do balanço e a apresentação dos resultados do terceiro trimestre.</em></p>
<p><em>Movida Participações — documentação societária de setembro de 2026 referente à homologação do aumento de capital.</em></p>
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		<author>
			<name>Álvaro Lima</name>
							<uri>https://muckrack.com/alvaro-lima</uri>
						</author>

		<title type="html"><![CDATA[Plano econômico de Flávio Bolsonaro levanta suspeitas de estelionato eleitoral]]></title>
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		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533330</id>
		<updated>2026-10-12T23:45:21Z</updated>
		<published>2026-10-12T23:45:21Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Economia" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Adolfo Sachsida" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="ajuste fiscal" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Aposentadorias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Bolsa Família" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Bruno Moretti" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="contas públicas." /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="corte de gastos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="educação" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Eleições 2026" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="estelionato eleitoral" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Flávio Bolsonaro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="gastos públicos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Orçamento 2027" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="plano econômico de Flávio Bolsonaro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="política econômica." /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="previdência social" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="salário mínimo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="saúde" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="TSE" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>O programa econômico de Flávio Bolsonaro (PL) para um eventual governo a partir de 2027 passou a ser questionado pela falta de detalhamento sobre como o candidato pretende combinar um ajuste fiscal de até R$ 250 bilhões com a preservação de aposentadorias, benefícios sociais e investimentos em saúde e educação. As dúvidas ganharam força após [&#8230;]</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/plano-economico-flavio-bolsonaro-estelionato-eleitoral"><![CDATA[<p>O programa econômico de Flávio Bolsonaro (PL) para um eventual governo a partir de 2027 passou a ser questionado pela falta de detalhamento sobre como o candidato pretende combinar um ajuste fiscal de até R$ 250 bilhões com a preservação de aposentadorias, benefícios sociais e investimentos em saúde e educação. As dúvidas ganharam força após a divulgação de propostas discutidas por integrantes de sua equipe econômica, envolvendo mudanças nas regras de reajuste da Previdência e nos pisos constitucionais de despesas públicas. Flávio negou que pretenda adotar essas medidas e reafirmou o compromisso de manter os programas sociais e conceder aumentos reais aos aposentados.</p>
<p>A diferença entre as propostas atribuídas à equipe e as declarações públicas do candidato alimentou críticas sobre um possível “estelionato eleitoral”, expressão utilizada por comentaristas econômicos para caracterizar a hipótese de um candidato prometer a preservação de benefícios durante a campanha e, depois da eleição, adotar medidas incompatíveis com esses compromissos. Não há comprovação de que Flávio pretenda descumprir suas promessas. O problema identificado na análise das contas públicas é a ausência de informações suficientes para demonstrar como o ajuste anunciado por seus interlocutores poderia ser realizado sem atingir despesas protegidas por lei ou reduzir outras atividades do governo.</p>
<p>O Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 oferece uma dimensão concreta dessa dificuldade. Segundo o Ministério do Planejamento, as despesas obrigatórias deverão representar 91,7% dos gastos primários da União no próximo ano, deixando apenas 8,3% classificados como discricionários. O orçamento federal prevê R$ 3,418 trilhões em despesas primárias, das quais aproximadamente R$ 3,13 trilhões correspondem a obrigações legais e constitucionais. A parcela restante, próxima de R$ 284 bilhões, inclui recursos destinados ao funcionamento da administração pública, investimentos e manutenção de serviços.</p>
<p>O programa registrado por Flávio no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) defende a redução da máquina pública, a revisão das regras fiscais, o combate a fraudes e a diminuição dos impostos sobre produção e consumo. O documento, entretanto, não apresenta uma estimativa consolidada de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340606">economia</a> de R$ 200 bilhões ou R$ 250 bilhões, valores mencionados em discussões e declarações de integrantes de sua equipe. Tampouco identifica quais despesas seriam reduzidas, em que proporção e ao longo de quanto tempo.</p>
<h2>Ajuste de R$ 250 bilhões equivale a 88% das despesas discricionárias</h2>
<p>A composição do orçamento permite avaliar a dimensão das metas discutidas pela equipe econômica. Uma economia de R$ 200 bilhões, caso fosse executada integralmente em um único exercício e concentrada nas despesas discricionárias previstas para 2027, corresponderia a aproximadamente 70,5% dessa parcela. Se o valor alcançasse R$ 250 bilhões, o percentual subiria para 88,1%. Os cálculos não representam uma projeção de cortes efetivos, mas demonstram a dificuldade de promover uma redução dessa magnitude sem alterar obrigações legais ou comprometer atividades financiadas pelo governo.</p>
<p>Também é necessário distinguir uma redução nominal de despesas da contenção de seu crescimento. Economizar R$ 200 bilhões em relação a uma trajetória futura de gastos não significa necessariamente retirar R$ 200 bilhões do orçamento vigente. O resultado pode ser obtido gradualmente, mediante mudanças que reduzam o ritmo de expansão das despesas ao longo de vários anos. A diferença altera substancialmente o impacto sobre os serviços públicos e sobre o resultado fiscal de cada exercício.</p>
<p>A campanha de Flávio ainda não esclareceu se os valores discutidos representam uma economia anual, uma meta acumulada durante o mandato ou uma redução em relação à trajetória projetada das despesas. Sem essa definição, não é possível estabelecer quais medidas seriam suficientes para alcançar o resultado anunciado nem calcular adequadamente seus efeitos sobre a dívida pública.</p>
<p>O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou nesta segunda-feira (12) que um ajuste próximo de R$ 200 bilhões não poderia ser alcançado apenas com medidas de eficiência administrativa. Segundo ele, a redução de desperdícios, a modernização da gestão e o combate a irregularidades são iniciativas necessárias, mas o potencial de economia nessas áreas estaria abaixo de R$ 10 bilhões, conforme avaliação de sua equipe.</p>
<p>Moretti citou programas como Pé-de-Meia, Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida, Gás do Povo e ações de custeio de universidades e institutos federais para dimensionar o problema. Segundo o ministro, essas políticas, somadas a outras despesas de investimento e custeio, representam aproximadamente R$ 110 bilhões na proposta orçamentária de 2027. Mesmo a eliminação integral desse conjunto hipotético de gastos não seria suficiente para alcançar uma economia anual de R$ 200 bilhões.</p>
<p>As declarações de Moretti refletem a avaliação do governo Lula, adversário de Flávio na disputa presidencial. A campanha do PL rejeita a hipótese de cortes generalizados em políticas sociais e afirma que pretende concentrar os esforços na redução de desperdícios, privilégios e despesas administrativas. Ainda não apresentou, contudo, uma estimativa individualizada que permita verificar a contribuição financeira dessas medidas.</p>
<h2>Flávio nega desvincular aposentadorias do salário mínimo</h2>
<p>A principal controvérsia envolve a possibilidade de alterar os reajustes dos benefícios previdenciários e assistenciais. Informações divulgadas na última semana indicaram que integrantes da equipe econômica avaliavam a desvinculação dos ganhos reais do salário mínimo em relação às aposentadorias e ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), permitindo que determinadas despesas fossem corrigidas apenas pela inflação.</p>
<p>O mecanismo produziria economia porque impediria que aumentos reais concedidos ao salário mínimo fossem automaticamente incorporados aos benefícios vinculados ao piso nacional. Atualmente, a Constituição estabelece que aposentadorias e pensões substitutivas da renda do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340605">trabalho</a> não podem ser inferiores ao salário mínimo, além de garantir o mesmo valor como referência ao BPC para pessoas que preencham os requisitos legais.</p>
<p>Flávio Bolsonaro rejeitou publicamente a possibilidade de retirar os aumentos reais dos aposentados. Em 8 de outubro, afirmou que não pretende fazer economia sobre a população de menor renda e garantiu que os benefícios previdenciários continuarão recebendo reajustes acima da inflação. O coordenador econômico da campanha, Adolfo Sachsida, também negou que a desvinculação faça parte do programa oficial e defendeu a preservação das políticas de proteção social.</p>
<p>A negativa deixa aberta uma questão fiscal. Mesmo com as regras atuais, as despesas previdenciárias crescem não apenas em razão dos reajustes concedidos, mas também pelo aumento do número de beneficiários e pelas características demográficas da população. Portanto, preservar o poder de compra das aposentadorias não significa necessariamente estabilizar o gasto total com a Previdência.</p>
<p>O programa de governo de Flávio prevê combate a fraudes, aperfeiçoamento da administração do INSS e redução de pagamentos indevidos. Essas medidas podem produzir economias legítimas, mas dependem da identificação das irregularidades, da recuperação dos valores e da implementação de mecanismos de controle. O documento apresentado ao TSE não quantifica quanto seria economizado com essas iniciativas.</p>
<h2>Salário mínimo projetado para 2027 mostra impacto das regras de reajuste</h2>
<p>Os números do salário mínimo ajudam a compreender por que alterações em sua <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340604">política</a> de valorização possuem efeitos relevantes sobre o orçamento. O piso nacional é atualmente de R$ 1.621. Para 2027, o governo encaminhou ao Congresso uma proposta de R$ 1.741, considerando inflação projetada de 4,93% e aumento real de 2,3%, conforme as regras utilizadas na elaboração do orçamento.</p>
<p>Segundo cálculos apresentados por Bruno Moretti, caso o aumento real previsto fosse eliminado, o salário mínimo projetado cairia de R$ 1.741 para aproximadamente R$ 1.699. A diferença de R$ 42 mensais representa R$ 546 ao longo de 13 pagamentos, quando considerado também o décimo terceiro, para uma pessoa cuja remuneração ou benefício acompanhe integralmente o piso.</p>
<p>A comparação demonstra o efeito financeiro individual de uma eventual mudança, mas não significa que Flávio tenha anunciado a eliminação desse reajuste. O candidato afirmou expressamente que manterá aumentos acima da inflação, embora seu programa registrado no TSE não estabeleça uma fórmula específica de valorização do salário mínimo para os quatro anos de mandato.</p>
<p>De acordo com Moretti, a retirada do ganho real projetado produziria economia próxima de R$ 18 bilhões em 2027. Mesmo adotando essa hipótese, o valor corresponderia a apenas 9% de uma meta anual de R$ 200 bilhões. A distância mostra por que a discussão sobre um ajuste dessa dimensão envolve outras rubricas além da política salarial.</p>
<h2>Pisos de saúde e educação também entraram nas discussões</h2>
<p>Outro componente do pacote atribuído a integrantes da equipe econômica envolve mudanças nos pisos constitucionais destinados à saúde e à educação. Atualmente, a Constituição determina que a União aplique pelo menos 15% da receita corrente líquida em ações e serviços públicos de saúde e 18% da receita de impostos, observadas as regras legais, na manutenção e desenvolvimento do ensino.</p>
<p>Na proposta orçamentária de 2027, o governo reservou R$ 272,2 bilhões para a saúde, montante correspondente ao piso calculado para o período. A educação contará com R$ 141,2 bilhões, acima do mínimo constitucional estimado em R$ 138,8 bilhões. Somadas, as dotações previstas para os dois setores alcançam R$ 413,4 bilhões.</p>
<p>As discussões atribuídas à equipe de Flávio envolveriam substituir parte das regras de vinculação à arrecadação por mecanismos de atualização relacionados à inflação. Uma mudança dessa natureza poderia reduzir o crescimento automático das dotações em períodos de expansão das receitas, mas dependeria de alteração constitucional e aprovação pelo Congresso.</p>
<p>A campanha nega que pretenda retirar recursos dos serviços essenciais. Essa posição não elimina a possibilidade de discutir mudanças nos critérios de cálculo dos pisos, mas exige distinguir o compromisso de manter determinado serviço da garantia de preservar sua atual regra de financiamento. A manutenção nominal de um orçamento também não assegura, por si só, a continuidade de sua capacidade de atendimento diante do crescimento da população, dos custos e da demanda.</p>
<h2>Redução de ministérios e combate a privilégios não têm economia quantificada</h2>
<p>O plano oficial de Flávio Bolsonaro estabelece o compromisso de extinguir pelo menos dez ministérios, reduzir cargos comissionados, revisar normas administrativas e combater supersalários e benefícios considerados excessivos. Também prevê reformulação das regras fiscais, modernização da gestão pública e ampliação do uso de tecnologias digitais para reduzir custos operacionais.</p>
<p>As propostas são identificáveis no documento apresentado ao TSE, mas não vêm acompanhadas de demonstrativos financeiros. A extinção de ministérios, por exemplo, não significa necessariamente a eliminação de todas as despesas anteriormente administradas por essas estruturas. Servidores, contratos, atribuições legais e serviços podem ser transferidos para outras pastas, preservando parte expressiva dos gastos.</p>
<p>O combate a fraudes e pagamentos indevidos também exige estimativas específicas. Valores identificados em auditorias não correspondem automaticamente a economias permanentes, pois parte das irregularidades pode envolver pagamentos já realizados, disputas administrativas ou valores de recuperação incerta. A contribuição fiscal dessas medidas depende dos resultados efetivamente alcançados.</p>
<p>Ao mesmo tempo, Flávio promete reduzir a carga tributária. Seu programa prevê revisar aspectos da reforma sobre o consumo, diminuir impostos incidentes sobre produção e consumo e buscar maior competitividade econômica. Reduções tributárias podem estimular determinadas atividades, mas seus efeitos sobre a arrecadação dependem do desenho das medidas e da resposta da economia. Sem estimativas, não é possível assegurar que o crescimento resultante compensará integralmente uma eventual perda inicial de receitas.</p>
<h2>Acusação de estelionato eleitoral depende de compromissos ainda indefinidos</h2>
<p>A expressão “estelionato eleitoral” passou a aparecer no debate econômico diante da diferença entre as medidas de ajuste atribuídas à equipe de Flávio e as garantias oferecidas publicamente pelo candidato. Seu uso descreve uma crítica política à possibilidade de promessas serem abandonadas depois da eleição, mas não estabelece a existência de fraude comprovada ou de crime eleitoral.</p>
<p>A avaliação exige distinguir três situações: propostas estudadas por assessores, compromissos assumidos oficialmente pela candidatura e medidas que seriam efetivamente adotadas em um eventual governo. Até o momento, a desvinculação de aposentadorias e a alteração dos pisos de saúde e educação não foram incorporadas ao programa oficial registrado no TSE, e Flávio contestou publicamente essas possibilidades.</p>
<p>Também existe uma diferença de abordagem entre as campanhas. Nesta segunda-feira, Moretti afirmou que um eventual segundo mandato de Lula buscaria um ajuste fiscal gradual ao longo de quatro anos, com a meta de passar de déficit primário equivalente a 0,5% do PIB em 2026 para superávit de 1,5% em 2030. A trajetória também depende de medidas de contenção de despesas e obtenção de receitas, além de estar sujeita a riscos de execução.</p>
<p>O projeto orçamentário enviado pelo atual governo para 2027 prevê superávit primário de R$ 18,6 bilhões antes dos ajustes autorizados pela legislação fiscal. Trata-se de uma previsão condicionada à arrecadação e à execução das despesas, não de resultado já alcançado.</p>
<p>No caso de Flávio, a principal informação que ainda falta é uma demonstração financeira que conecte os compromissos de campanha à economia pretendida. A apresentação de metas por programa, estimativas de arrecadação, mudanças legislativas e cronograma de execução permitiria verificar se o ajuste proposto é compatível com a manutenção dos benefícios e dos serviços públicos anunciada pelo candidato.</p>
<p>Sem esse detalhamento, permanece uma distância entre a dimensão do ajuste discutido por integrantes da campanha e as medidas explicitamente assumidas no programa oficial. A situação sustenta questionamentos sobre a viabilidade fiscal das promessas, mas não permite concluir antecipadamente que elas serão descumpridas. A definição das fontes de economia, dos prazos e dos efeitos sobre as despesas obrigatórias será decisiva para avaliar o conteúdo efetivo da proposta econômica apresentada ao eleitorado.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral &#8211; Diretrizes do Plano de Governo de Flávio Bolsonaro para 2027-2030, com propostas de equilíbrio fiscal, redução de impostos, reforma administrativa e preservação de programas sociais.</em></p>
<p><em>Ministério do Planejamento e Orçamento &#8211; Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027, com composição das despesas primárias, participação dos gastos obrigatórios e dotações previstas para saúde, educação e investimentos.</em></p>
<p><em>Ministério do Planejamento e Orçamento &#8211; apresentação oficial de 31 de agosto de 2026 sobre as projeções fiscais de 2027 e a estimativa do salário mínimo.</em></p>
<p><em>Presidência da República &#8211; Constituição Federal, especialmente os dispositivos sobre o piso previdenciário, o Benefício de Prestação Continuada e os gastos mínimos em saúde e educação.</em></p>
<p><em>Presidência da República &#8211; Decreto 12.797, de 23 de dezembro de 2025, que estabelece o salário mínimo de R$ 1.621 para 2026.</em></p>
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		<author>
			<name>João Souza</name>
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						</author>

		<title type="html"><![CDATA[Bradseg, do Bradesco, mira expansão em seguros e prioriza rentabilidade]]></title>
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		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533325</id>
		<updated>2026-10-12T19:30:33Z</updated>
		<published>2026-10-12T15:30:48Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Empresas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="agronegócio" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="BBDC4" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Bradesco" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Bradesco Seguros" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Bradsaúde" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Bradseg" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="IOF" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercado de seguros" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Ney Dias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="PGBL" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="previdência privada" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="rentabilidade" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="SAUD3" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Seguradoras" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="seguro automotivo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="seguro rural" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="seguros de vida" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="setor de seguros" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="VGBL." />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Estratégia mantém um limite claro: não vai sacrificar rentabilidade para crescer agressivamente em ramos que entraram em disputa excessiva de preços, a exemplo do segmento de automóveis</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/bradseg-bradesco-seguros-crescimento-rentabilidade"><![CDATA[<p>A Bradseg, holding que concentra os negócios de seguros do Bradesco (BBDC4) fora do segmento de saúde, pretende ampliar sua presença no mercado brasileiro explorando a baixa contratação de proteção financeira por famílias e empresas, mas sem recorrer a reduções agressivas de preços para conquistar clientes. A estratégia foi detalhada pelo presidente da companhia, Ney Dias, em entrevista divulgada nesta segunda-feira (12), cinco meses depois de assumir o comando da operação. O grupo identifica oportunidades em seguros de vida, previdência, proteção patrimonial e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340601">agronegócio</a>, ao mesmo tempo que procura preservar os resultados técnicos em modalidades nas quais a concorrência vem pressionando as margens.</p>
<p>A decisão de privilegiar rentabilidade em vez de crescimento acelerado aparece nos resultados de automóveis e ramos elementares, que incluem seguros patrimoniais e outras coberturas de danos. No segundo trimestre de 2026, a divisão Auto/RE registrou faturamento de aproximadamente R$ 2,6 bilhões, crescimento de 1,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço moderado contrasta com o potencial de expansão identificado pela administração, mas reflete a decisão de não acompanhar ofertas consideradas insuficientes para remunerar adequadamente os riscos assumidos.</p>
<p>O segmento de automóveis representa uma carteira anual estimada entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões para a companhia. Segundo Dias, a manutenção de preços tecnicamente sustentáveis busca evitar que a seguradora dependa dos rendimentos obtidos com a aplicação das reservas financeiras para compensar eventuais perdas na atividade de seguros. A preocupação está relacionada à possibilidade de redução dos juros nos próximos anos, quando os resultados financeiros poderão deixar de oferecer a mesma contribuição à rentabilidade.</p>
<p>A estratégia ganha relevância após a reorganização societária do grupo, que separou as operações de saúde e odontologia em uma companhia de capital aberto, a Bradsaúde (SAUD3). Com a nova configuração, a Bradseg concentra atividades como automóveis, seguros patrimoniais, vida, previdência e capitalização, enquanto avalia oportunidades de integração comercial e operacional com os <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340603">negócios</a> que passaram a integrar a empresa de saúde.</p>
<h2>Seguros de automóveis crescem 1,8%, mas companhia evita reduzir preços</h2>
<p>A administração da Bradseg considera que a concorrência no seguro automotivo tem levado parte das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340602">empresas</a> a oferecer preços mais baixos para ampliar participação de mercado. Essa estratégia pode elevar rapidamente o número de apólices, mas também comprometer os resultados quando o valor arrecadado não acompanha a frequência e o custo das indenizações, além das despesas comerciais e administrativas.</p>
<p>O desempenho do segundo trimestre ilustra a postura adotada pela companhia. O faturamento de Auto/RE alcançou aproximadamente R$ 2,6 bilhões, ante uma base próxima de R$ 2,55 bilhões no mesmo período de 2025, considerando a taxa de crescimento informada. A diferença equivale a um acréscimo nominal aproximado de R$ 46 milhões, desempenho relativamente limitado para uma operação desse porte.</p>
<p>O crescimento reduzido não significa necessariamente perda de rentabilidade. Em seguros, a expansão da receita precisa ser acompanhada pela qualidade dos riscos aceitos e pelo controle das indenizações. Uma companhia pode aumentar o faturamento e, ainda assim, apresentar deterioração de resultados caso a sinistralidade e as despesas avancem em ritmo superior ao dos prêmios arrecadados.</p>
<p>Essa relação é particularmente importante no ramo automotivo, no qual os custos dependem de fatores como frequência de acidentes, furtos, roubos, reposição de peças, reparos e características da frota segurada. A disputa por clientes pode levar seguradoras a revisar preços, franquias e condições contratuais, mas os efeitos financeiros dessas decisões nem sempre aparecem imediatamente nos resultados.</p>
<p>Dias considera arriscado sustentar a expansão das carteiras principalmente com os rendimentos proporcionados pelas aplicações financeiras. Quando os juros estão elevados, as reservas mantidas pelas seguradoras podem gerar receitas importantes. Uma redução posterior das taxas, entretanto, diminui essa contribuição e expõe eventuais desequilíbrios entre o valor dos prêmios cobrados e os riscos efetivamente assumidos.</p>
<p>O posicionamento também deve ser analisado à luz dos indicadores operacionais divulgados pelo Bradesco. No segundo trimestre, o índice combinado da divisão Auto/RE ficou em aproximadamente 94,5%, conforme a apresentação de resultados do grupo segurador. O indicador relaciona sinistros e despesas aos prêmios ganhos, sendo utilizado para avaliar a eficiência técnica das operações. Valores inferiores a 100% indicam resultado positivo antes da consideração de determinadas receitas financeiras.</p>
<h2>Grupo Bradesco Seguros lucra R$ 5,7 bilhões no primeiro semestre</h2>
<p>A operação seguradora do Bradesco apresentou crescimento expressivo dos resultados consolidados nos primeiros seis meses de 2026. O Grupo Bradesco Seguros registrou lucro líquido de R$ 5,7 bilhões no semestre, alta de 20,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apenas entre abril e junho, o lucro alcançou aproximadamente R$ 2,9 bilhões, crescimento de 28,3% na comparação anual.</p>
<p>Os números consolidados abrangem os diferentes negócios do grupo, incluindo saúde, e não devem ser interpretados como resultados exclusivos da Bradseg após a reorganização societária. Essa distinção é necessária para compreender o desempenho financeiro apresentado pelo Bradesco e a nova estrutura de administração das empresas.</p>
<p>No primeiro semestre, as receitas de prêmios, contribuições de previdência e capitalização, desconsiderando VGBL na comparação de crescimento, somaram R$ 58,2 bilhões, expansão de 6%. O resultado das operações de seguros, previdência e capitalização chegou a R$ 12,5 bilhões, avanço de 14,1%. A melhora foi sustentada pela evolução de 12,4% do resultado industrial e de 17,1% do resultado financeiro.</p>
<p>A participação das aplicações financeiras demonstra a importância das condições monetárias para o negócio. As seguradoras recebem os prêmios e constituem provisões destinadas ao pagamento de indenizações e obrigações futuras. Enquanto os recursos permanecem disponíveis, são aplicados conforme as exigências regulatórias, produzindo rendimentos que complementam o resultado das operações.</p>
<p>Em junho, as provisões técnicas do Grupo Bradesco Seguros alcançaram R$ 467,3 bilhões, crescimento de 9,9% em 12 meses. Os ativos financeiros somavam R$ 491,4 bilhões, aumento de 10,2% na mesma comparação. Esses montantes incluem diferentes empresas e modalidades de cobertura, mas permitem dimensionar o peso da gestão de reservas na atividade seguradora.</p>
<p>A expansão também ocorreu nos canais digitais. As receitas de prêmios, contribuições de previdência e capitalização originadas por esses meios somaram R$ 3,5 bilhões no primeiro semestre, crescimento de 16,5% em relação a 2025. O avanço reforça a estratégia de distribuição por múltiplos canais, considerada importante para alcançar consumidores que ainda não possuem seguros ou previdência complementar.</p>
<h2>Nova tributação do VGBL leva Bradseg a buscar espaço no PGBL</h2>
<p>A previdência complementar é outra frente de expansão identificada pela Bradseg, embora o segmento esteja passando por mudanças no comportamento dos investidores. Desde janeiro de 2026, os aportes anuais em planos Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) passaram a estar sujeitos à cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 5% sobre a parcela que ultrapassar R$ 600 mil por pessoa física.</p>
<p>A regra foi estabelecida pelo Decreto 12.499, de junho de 2025, e considera a soma das contribuições realizadas pelo mesmo titular ao longo do ano, ainda que distribuídas entre seguradoras diferentes. Dessa forma, o limite não pode ser multiplicado simplesmente pela contratação de planos em instituições distintas.</p>
<p>Um exemplo ajuda a dimensionar o efeito financeiro da tributação. Um contribuinte que realizar aportes de R$ 700 mil em VGBL durante o ano terá R$ 100 mil acima do limite estabelecido. Sobre essa parcela, a incidência de 5% corresponde a R$ 5 mil de IOF. O imposto não alcança integralmente os R$ 700 mil, mas apenas o montante excedente.</p>
<p>Segundo Ney Dias, a mudança já influencia as decisões dos clientes que tradicionalmente realizavam contribuições elevadas nesses produtos. A companhia observa uma redução da disposição para ultrapassar o limite anual e identifica oportunidades de ampliar a distribuição do Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL), cuja estrutura tributária é diferente.</p>
<p>O PGBL permite deduzir contribuições da base de cálculo do Imposto de Renda até o limite de 12% dos rendimentos tributáveis, desde que o contribuinte cumpra os requisitos legais, incluindo a utilização da declaração completa. Em contrapartida, o imposto incidente no recebimento dos benefícios ou nos resgates alcança o valor total tributável, enquanto no VGBL a tributação do Imposto de Renda recai, em regra, sobre os rendimentos.</p>
<p>As características distintas exigem que a escolha entre os produtos considere renda, regime tributário, prazo de investimento e objetivos de acumulação. O PGBL não constitui uma alternativa automaticamente mais vantajosa para todos os investidores, assim como o novo IOF não torna inviáveis todos os aportes em VGBL.</p>
<p>Para a Bradseg, a oportunidade envolve ajustar a oferta de previdência às necessidades dos clientes, especialmente aqueles que procuram instrumentos de planejamento de longo prazo. O grupo já havia anunciado no segundo trimestre a ampliação do portfólio de PGBL e VGBL, incluindo fundos com estratégias de diversificação internacional.</p>
<h2>Seguro rural ganha espaço após mudança na legislação</h2>
<p>No agronegócio, a Bradseg identifica potencial de crescimento em um mercado que sofreu retração na contratação de proteção contra perdas na produção. A redução dos recursos públicos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) prejudicou a capacidade de agricultores de contratar apólices, especialmente em atividades sujeitas a riscos climáticos elevados.</p>
<p>O levantamento de conjuntura da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) divulgado em outubro mostra que a área plantada protegida pelo programa correspondia a aproximadamente 3,4% do total em 2025. Para 2026, a estimativa é de queda para 2,78%, considerando os cortes orçamentários. A diferença de 0,62 ponto percentual corresponde a uma redução relativa de aproximadamente 18,2% na cobertura.</p>
<p>O mesmo estudo indica que, sem os cortes previstos, a proteção poderia alcançar 5,96% da área plantada. A diferença entre esse cenário e a projeção de 2,78% representa 3,18 pontos percentuais, evidenciando a influência da disponibilidade de recursos públicos sobre a contratação de seguros agrícolas.</p>
<p>A perspectiva regulatória mudou com a sanção da Lei 15.526, em 29 de setembro de 2026. A norma estabelece caráter obrigatório para as despesas federais destinadas à subvenção do prêmio do seguro rural, respeitados os limites previstos no projeto de lei orçamentária encaminhado pelo governo ao Congresso e as demais condições legais.</p>
<p>A mudança procura aumentar a previsibilidade dos recursos públicos destinados à contratação das apólices. Entretanto, o caráter obrigatório da despesa não significa cobertura ilimitada nem garante que todos os produtores terão acesso ao benefício. A expansão efetiva continuará dependendo das dotações previstas, das condições de financiamento e da regulamentação do programa.</p>
<p>A nova legislação também estabelece prazos para procedimentos relacionados aos sinistros. Nos casos que não dependam da colheita ou de vistoria vinculada à liberação da área segurada, a regulação deverá observar prazo de até 15 dias a partir do aviso. Para a liquidação das indenizações, a regra geral específica prevê prazo máximo de 30 dias depois da entrega da documentação exigida ou da vistoria, conforme a situação.</p>
<p>A Bradseg vê oportunidades tanto na proteção direta das atividades agrícolas quanto na oferta de outros produtos a produtores rurais e empresas do setor. Seguro de vida, previdência, coberturas patrimoniais e proteção de equipamentos fazem parte das modalidades que podem ser distribuídas aos clientes do agronegócio, dependendo do perfil de risco e das necessidades de cada atividade.</p>
<h2>Parcerias com bancos e cooperativas devem ampliar distribuição</h2>
<p>Além do desenvolvimento de produtos, a estratégia comercial da Bradseg envolve ampliar os canais de distribuição. A companhia pretende aprofundar sua atuação na rede do próprio Bradesco e fortalecer parcerias com bancos, cooperativas, varejistas e outras empresas que já mantêm relacionamento com consumidores e produtores rurais.</p>
<p>O modelo adotado é conhecido como B2B2C, no qual uma seguradora fornece produtos por meio de outra empresa que mantém contato direto com o cliente final. A estrutura permite oferecer proteção financeira em ambientes nos quais o consumidor já realiza operações, como contratação de crédito, aquisição de veículos, compras no comércio e utilização de serviços bancários.</p>
<p>A abordagem procura reduzir dificuldades de acesso aos seguros, especialmente entre pessoas que não costumam procurar diretamente uma corretora ou seguradora. No agronegócio, por exemplo, cooperativas e instituições de crédito rural podem funcionar como canais para apresentar coberturas de vida, previdência e proteção patrimonial a produtores que tradicionalmente associam o seguro apenas à lavoura ou ao maquinário.</p>
<p>A dimensão do mercado brasileiro ajuda a explicar o interesse pela expansão. Segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), o setor supervisionado arrecadou R$ 244,96 bilhões entre janeiro e julho de 2026, enquanto indenizações, benefícios, resgates e sorteios somaram R$ 149,78 bilhões. As provisões técnicas do mercado alcançaram aproximadamente R$ 2,20 trilhões em julho, demonstrando a relevância econômica das operações de seguros, previdência e capitalização.</p>
<p>Apesar desses valores, a cobertura permanece limitada em diferentes segmentos. Relatório publicado pela Susep em setembro estimou que apenas cerca de 9% das perdas econômicas provocadas por desastres climáticos no Brasil são cobertas pelo mercado segurador, diante de uma média mundial próxima de 45%. O dado evidencia uma diferença de 36 pontos percentuais e ajuda a dimensionar o espaço potencial para ampliar instrumentos de proteção financeira.</p>
<p>A administração da Bradseg pretende aproveitar essas oportunidades sem abandonar a disciplina na precificação dos riscos. A combinação entre baixa penetração dos seguros, reorganização societária e mudanças regulatórias oferece diferentes caminhos para expansão, mas também exige controle de custos, eficiência operacional e capacidade de avaliar as necessidades dos clientes.</p>
<p>O principal desafio da companhia será transformar o potencial de mercado em crescimento sustentável, especialmente em um ambiente no qual a concorrência por preços pode comprometer margens e a eventual redução dos juros tende a diminuir a contribuição das receitas financeiras. Para Ney Dias, a expansão precisa preservar a rentabilidade técnica das operações, permitindo que a Bradseg aumente sua participação no mercado sem depender de condições monetárias favoráveis para compensar desequilíbrios na atividade seguradora.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Bradesco &#8211; relatório de análise econômica e financeira do segundo trimestre de 2026, com informações sobre faturamento, lucro, sinistralidade, provisões técnicas e desempenho dos segmentos de seguros.</em></p>
<p><em>Bradesco Seguros &#8211; divulgação dos resultados do primeiro semestre de 2026, com dados sobre rentabilidade, produtos, previdência e expansão dos canais digitais.</em></p>
<p><em>Superintendência de Seguros Privados &#8211; Boletim de julho de 2026, com dados consolidados de arrecadação, indenizações, benefícios e provisões técnicas do mercado segurador brasileiro.</em></p>
<p><em>Superintendência de Seguros Privados &#8211; relatório de setembro de 2026 sobre cobertura securitária de perdas decorrentes de desastres climáticos no Brasil.</em></p>
<p><em>Superintendência de Seguros Privados &#8211; comunicado de 30 de setembro de 2026 sobre a sanção do novo Marco Legal do Seguro Rural.</em></p>
<p><em>Presidência da República &#8211; Lei 15.526, de 29 de setembro de 2026, com alterações nas regras de subvenção pública, contratos e indenizações do seguro rural.</em></p>
<p><em>Confederação Nacional das Seguradoras &#8211; Conjuntura CNseg nº 140, de outubro de 2026, com dados e projeções sobre a cobertura do seguro rural e seus efeitos orçamentários.</em></p>
<p><em>Presidência da República &#8211; Decreto 12.499, de 11 de junho de 2025, com alterações na incidência de IOF sobre contribuições para planos VGBL.</em></p>
<p><em>Receita Federal &#8211; orientações sobre o tratamento tributário dos planos PGBL e VGBL e os limites de dedução das contribuições na declaração do Imposto de Renda.</em></p>
<p><em>Ministério da Agricultura e Pecuária &#8211; Plano Trienal do Seguro Rural 2025-2027, com diretrizes para concessão de subvenções e condições de acesso ao programa.</em></p>
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		<author>
			<name>Camila Braga</name>
							<uri>https://muckrack.com/camila-braga</uri>
						</author>

		<title type="html"><![CDATA[Bolsas europeias sobem com bancos em alta e expectativa por balanços trimestrais]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/bolsas-europeias-hoje-12-outubro-2026-bancos-balancos" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533318</id>
		<updated>2026-10-12T14:53:20Z</updated>
		<published>2026-10-12T11:58:34Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="ações europeias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="balanços trimestrais" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Banco Central Europeu" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="bancos europeus" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Bolsa de Frankfurt" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Bolsa de Londres" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="bolsa de Paris" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="bolsas europeias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Citigroup" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="IBEX 35" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="inflação na Europa" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="JPMorgan" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="LVMH" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercado Financeiro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Petróleo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Stoxx 600" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Balanços corporativos da Europa e dos EUA estão no radar nesta semana</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/bolsas-europeias-hoje-12-outubro-2026-bancos-balancos"><![CDATA[<p>As principais bolsas europeias operam em alta nesta segunda-feira (12), sustentadas pela valorização das ações de bancos e pela expectativa de divulgação dos resultados trimestrais de grandes empresas dos setores financeiro, tecnológico e de luxo. O índice pan-europeu Stoxx 600 avançava 0,48%, aos 634,58 pontos, por volta das 6h25, no horário de Brasília, enquanto o setor bancário registrava ganho de aproximadamente 1,4%. O movimento ocorre em meio à reavaliação dos riscos associados aos juros, ao comportamento dos preços de energia e às perspectivas de crescimento econômico na Europa e nos Estados Unidos.</p>
<p>A Bolsa de Madri apresentava um dos desempenhos mais expressivos da região. O Ibex 35, índice que reúne as principais companhias espanholas e possui participação relevante de instituições financeiras, subia 0,80% às 6h41. No mesmo horário, Londres avançava 0,56%, Frankfurt registrava alta de 0,53% e Paris ganhava 0,16%. Milão e Lisboa também operavam no campo positivo, com valorizações de 0,70% e 0,18%, respectivamente. Os números representam cotações parciais da manhã e ainda podem mudar até o encerramento das negociações.</p>
<p>O desempenho superior dos bancos contribuiu para sustentar os índices europeus, apesar das incertezas sobre o rumo da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340600">política</a> monetária. A valorização setorial de 1,4% correspondia a quase três vezes a alta de 0,48% do Stoxx 600, uma diferença de 0,92 ponto percentual. A comparação evidencia a concentração de parte dos ganhos da sessão nas instituições financeiras, enquanto investidores aguardam indicadores capazes de esclarecer os efeitos dos juros elevados sobre crédito, consumo e rentabilidade empresarial.</p>
<p>O início da temporada de resultados do terceiro trimestre também influencia as negociações. O conglomerado francês de luxo LVMH divulgará nesta segunda-feira, depois do fechamento do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340599">mercado</a> de Paris, seus números de receita relativos ao período de julho a setembro. Nos Estados Unidos, JPMorgan Chase e Citigroup apresentarão seus balanços na terça-feira (13), oferecendo novas informações sobre a situação do sistema bancário americano e as condições de financiamento da maior <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340596">economia</a> mundial.</p>
<h2>Bancos lideram ganhos em meio às expectativas sobre juros</h2>
<p>A valorização dos bancos europeus ocorre em um ambiente no qual os investidores procuram avaliar a possibilidade de manutenção de juros elevados por um período prolongado. Instituições financeiras podem se beneficiar de determinadas condições de taxas de juros, especialmente quando conseguem preservar margens favoráveis entre a remuneração de suas operações de crédito e o custo de captação. Entretanto, o impacto efetivo depende da estrutura de ativos e passivos de cada banco, do comportamento da demanda por empréstimos e da evolução da inadimplência.</p>
<p>Na Espanha, o peso de grandes instituições financeiras ajuda a explicar a sensibilidade do Ibex 35 às mudanças nas expectativas monetárias. Bancos com operações domésticas e internacionais possuem exposição a diferentes economias, moedas e ciclos de crédito. Por isso, a valorização conjunta do setor pode refletir tanto fatores relacionados à política monetária europeia quanto avaliações específicas sobre os resultados das instituições.</p>
<p>O Banco Central Europeu (BCE) elevou suas principais taxas de juros em 0,25 ponto percentual na reunião de 10 de setembro, diante da persistência das pressões inflacionárias. Desde 16 de setembro, a taxa de depósito está em 2,50% ao ano, enquanto a taxa das operações principais de refinanciamento foi estabelecida em 2,65% e a facilidade permanente de cedência de liquidez em 2,90%.</p>
<p>A instituição justificou o aumento pela necessidade de assegurar a convergência da inflação à meta de 2% no médio prazo. O conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre os custos de energia permanecem entre os fatores que dificultam esse processo. Embora taxas mais elevadas possam favorecer determinadas receitas bancárias, também encarecem o crédito para <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340598">empresas</a> e famílias, com consequências potenciais sobre atividade econômica e qualidade das carteiras de empréstimos.</p>
<p>Uma pesquisa realizada pela Reuters entre 5 e 8 de outubro mostrou que a maioria dos economistas consultados espera a manutenção da taxa de depósito em 2,50% na reunião de 29 de outubro, seguida de um possível aumento para 2,75% em dezembro. Essas estimativas representam expectativas de mercado e não decisões antecipadas do BCE, que continuará avaliando os indicadores econômicos antes de definir seus próximos movimentos.</p>
<h2>Inflação de 3,8% mantém pressão sobre a política monetária europeia</h2>
<p>Os indicadores mais recentes ajudam a explicar a cautela em relação aos juros. Segundo a estimativa preliminar divulgada pelo Eurostat em 2 de outubro, a inflação anual da zona do euro acelerou de 3,2% em agosto para 3,8% em setembro. O aumento de 0,6 ponto percentual colocou a taxa 1,8 ponto acima da meta de estabilidade de preços perseguida pelo Banco Central Europeu.</p>
<p>A energia foi o componente de maior pressão. Os preços energéticos apresentaram inflação anual de 18,8% em setembro, contra 14,3% em agosto, uma aceleração de 4,5 pontos percentuais. O resultado evidencia a transmissão do encarecimento do petróleo, do gás e de outros insumos para a economia europeia, especialmente em um período de instabilidade nas rotas internacionais de abastecimento.</p>
<p>A inflação dos serviços também avançou, passando de 3% para 3,2%, enquanto os preços de alimentos, bebidas alcoólicas e tabaco subiram 1,4% na comparação anual. O núcleo do índice, que exclui energia, alimentos, álcool e tabaco, ficou em 2,5%, acima da meta do BCE, mas significativamente abaixo da inflação geral.</p>
<p>A diferença entre a inflação total e o núcleo mostra a importância do choque energético no resultado recente. Embora os preços da energia apresentem variações mais intensas, seus efeitos podem se espalhar por outros segmentos, como transportes, produção industrial e distribuição de mercadorias. A intensidade dessa transmissão dependerá da duração dos aumentos e da capacidade das empresas de absorver custos sem repassá-los integralmente aos consumidores.</p>
<p>Nas projeções divulgadas em setembro, o BCE estimou inflação média de 3% para 2026 e crescimento econômico de 0,9% na zona do euro. Para 2027, a autoridade monetária prevê inflação de 2,5% e expansão do Produto Interno Bruto de 1,4%. A combinação de crescimento moderado com inflação persistente limita o espaço para uma flexibilização rápida das condições monetárias.</p>
<h2>LVMH divulga números do terceiro trimestre após fechamento em Paris</h2>
<p>O setor de luxo também está no centro das atenções nesta segunda-feira. A LVMH, controladora de marcas como Louis Vuitton, Dior, Tiffany &amp; Co. e Sephora, divulgará seus números de receita do terceiro trimestre após o encerramento das negociações em Paris. A apresentação está prevista para as 18h no horário francês, conforme o calendário financeiro da companhia.</p>
<p>As ações da LVMH registravam valorização próxima de 0,5% durante a manhã, enquanto investidores aguardavam informações sobre a demanda pelos produtos de alto padrão nos principais mercados consumidores. O desempenho da China, dos Estados Unidos e da Europa será especialmente relevante para avaliar a capacidade de recuperação do setor, que enfrenta mudanças no comportamento de consumo e pressões sobre preços e custos operacionais.</p>
<p>No primeiro semestre de 2026, a LVMH registrou receita de 38,6 bilhões de euros e lucro operacional recorrente de 8,7 bilhões de euros. A margem operacional ficou em 22,5%, enquanto o fluxo de caixa livre operacional alcançou 4,1 bilhões de euros. Os números foram divulgados pela companhia em julho e servem como referência para a avaliação dos resultados que serão apresentados nesta segunda-feira.</p>
<p>O crescimento orgânico da receita havia acelerado para 3% no segundo trimestre, depois de um desempenho mais moderado nos primeiros meses do ano. Segundo a empresa, a expansão teria chegado a 4% caso fossem desconsiderados os efeitos do conflito no Oriente Médio. A evolução representou uma melhora em relação ao ambiente observado anteriormente, embora não tenha eliminado as dificuldades enfrentadas por algumas divisões de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340597">negócios</a>.</p>
<p>A divulgação desta segunda-feira permitirá verificar se a recuperação observada no segundo trimestre teve continuidade entre julho e setembro. O mercado acompanhará principalmente a evolução das vendas de moda e artigos de couro, a demanda por joias e relógios e o desempenho das operações de varejo seletivo. Como o comunicado previsto é de receita trimestral, não deve ser confundido com uma divulgação completa de lucro e demonstrações financeiras referentes ao período.</p>
<h2>JPMorgan e Citigroup abrem temporada de balanços bancários nos Estados Unidos</h2>
<p>A partir de terça-feira, o foco dos investidores se voltará para os resultados de grandes instituições financeiras americanas. O JPMorgan Chase programou a divulgação de seu balanço do terceiro trimestre para aproximadamente 7h da manhã no horário de Nova York, seguida de apresentação aos investidores às 8h30. O Citigroup também confirmou a divulgação de resultados em 13 de outubro.</p>
<p>Os números permitirão avaliar como os bancos americanos atravessaram um trimestre marcado por juros elevados, oscilações dos mercados financeiros e incertezas sobre o crescimento econômico. Entre os principais indicadores acompanhados estarão a receita líquida de juros, o desempenho das operações de banco de investimento, as provisões para perdas com crédito e a evolução dos depósitos.</p>
<p>A receita líquida de juros representa a diferença entre os rendimentos obtidos nas operações financeiras e os custos associados à captação de recursos. Sua evolução depende tanto do nível dos juros quanto da composição das carteiras e do comportamento dos clientes. Já as provisões para perdas oferecem informações sobre a avaliação dos bancos em relação ao risco de inadimplência.</p>
<p>Os resultados também deverão mostrar a evolução das atividades de negociação de títulos, moedas e outros instrumentos financeiros. Em períodos de volatilidade, essas operações podem gerar receitas adicionais, embora os efeitos variem conforme as posições assumidas e os riscos administrados pelas instituições.</p>
<p>Além dos bancos, o calendário inclui divulgações de empresas ligadas a semicondutores e investimentos, como ASML e EQT, ao longo da semana. O desempenho dessas companhias será acompanhado em um momento de forte direcionamento de capital para infraestrutura computacional e tecnologias associadas à inteligência artificial.</p>
<h2>Nordex avança após registrar aumento de 29,5% nas encomendas</h2>
<p>Entre os destaques corporativos desta segunda-feira está a fabricante alemã de turbinas eólicas Nordex, cujas ações chegaram a subir aproximadamente 2,5% depois da divulgação de novos dados operacionais. A companhia informou que recebeu encomendas equivalentes a 2.810 megawatts de capacidade no terceiro trimestre de 2026, um aumento de 29,5% em relação aos 2.170 megawatts registrados no mesmo período de 2025.</p>
<p>A diferença corresponde a 640 megawatts adicionais em novos pedidos. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, as encomendas alcançaram 7.733 megawatts, avanço de 16,1% sobre os 6.661 megawatts registrados entre janeiro e setembro do ano anterior. O desempenho foi sustentado principalmente pela demanda da Turquia, da Alemanha e dos Estados Unidos.</p>
<p>O preço médio de venda por megawatt de capacidade contratada ficou em 900 mil euros no terceiro trimestre, abaixo dos 930 mil euros registrados um ano antes. A redução de aproximadamente 3,2% mostra que o aumento do volume de encomendas não foi acompanhado por uma elevação equivalente do preço médio dos equipamentos. O indicador, contudo, pode variar conforme a composição dos projetos contratados.</p>
<p>Outra empresa em destaque foi a francesa Vallourec, fabricante de tubos de aço utilizados pela indústria de energia. As ações avançavam cerca de 4% após a divulgação de um contrato com a TotalEnergies relacionado ao desenvolvimento do campo de gás Absheron, no Azerbaijão. O anúncio reforçou o interesse por companhias com contratos específicos de fornecimento, em uma sessão marcada pela valorização de diferentes segmentos industriais.</p>
<h2>Petróleo oscila com anúncio de Trump sobre diesel russo</h2>
<p>As bolsas europeias também acompanham a movimentação dos preços do petróleo, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um entendimento envolvendo a compra de diesel russo e afirmou que Rússia e Ucrânia teriam concordado em interromper ataques contra infraestruturas energéticas.</p>
<p>O anúncio provocou oscilações nas cotações internacionais, diante da possibilidade de aumento da oferta de combustíveis refinados. O Brent chegou a registrar recuo nas primeiras horas de negociação, mas posteriormente apresentou recuperação, com valorização próxima de 1% em determinado momento da manhã, segundo os dados de mercado. A mudança de direção mostra que os investidores ainda avaliam a viabilidade das medidas anunciadas.</p>
<p>Na sexta-feira (9), o Departamento do Tesouro americano publicou uma autorização específica para transações relacionadas à venda, entrega e importação de diesel de origem russa. A medida representa uma flexibilização delimitada das restrições econômicas, sem significar a suspensão geral das sanções contra Moscou.</p>
<p>A declaração de Trump sobre uma possível interrupção dos ataques à infraestrutura energética também exige cautela. Autoridades ucranianas relataram novos ataques russos e não reconheceram a existência de um cessar-fogo plenamente implementado. Dessa forma, a expectativa de redução das hostilidades ainda não corresponde a uma normalização comprovada das condições de segurança.</p>
<p>Para a economia europeia, o comportamento do petróleo permanece relevante porque afeta a inflação, os custos industriais e as perspectivas de juros. Uma redução sustentada dos preços poderia aliviar parte das pressões sobre empresas e consumidores, enquanto novas interrupções de fornecimento tenderiam a ampliar os riscos econômicos.</p>
<p>A abertura positiva das bolsas nesta segunda-feira reúne, portanto, fatores de curto prazo e expectativas que ainda precisam ser confirmadas. A valorização dos bancos oferece sustentação aos índices, mas a continuidade do movimento dependerá dos resultados corporativos, da evolução dos juros e dos acontecimentos no mercado de energia. As divulgações de LVMH, JPMorgan e Citigroup serão as primeiras referências relevantes da semana para avaliar se as expectativas dos investidores encontram respaldo no desempenho efetivo das empresas.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Stoxx &#8211; informações sobre o desempenho do índice Stoxx 600 e do segmento bancário europeu nas negociações de 12 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Banco Central Europeu &#8211; decisão de política monetária de 10 de setembro de 2026, com atualização das taxas de juros, projeções de inflação e crescimento econômico.</em></p>
<p><em>Eurostat &#8211; estimativa preliminar da inflação da zona do euro de setembro de 2026, divulgada em 2 de outubro, com dados sobre energia, serviços e núcleo da inflação.</em></p>
<p><em>LVMH &#8211; calendário financeiro de outubro de 2026 e comunicado de resultados do primeiro semestre, com dados de receita, lucro operacional, margens e fluxo de caixa.</em></p>
<p><em>JPMorgan Chase &#8211; comunicado de 17 de setembro de 2026 com o calendário oficial de divulgação dos resultados do terceiro trimestre.</em></p>
<p><em>Citigroup &#8211; calendário de relações com investidores e confirmação da apresentação de resultados do terceiro trimestre em 13 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Nordex &#8211; comunicado corporativo de 12 de outubro de 2026 sobre o aumento das encomendas de turbinas eólicas no terceiro trimestre e no acumulado do ano.</em></p>
<p><em>Vallourec &#8211; comunicado de 12 de outubro de 2026 sobre contrato de fornecimento para o campo de gás Absheron, no Azerbaijão.</em></p>
<p><em>Departamento do Tesouro dos Estados Unidos &#8211; Licença Geral nº 135, publicada em 9 de outubro de 2026, relativa a transações com diesel de origem russa.</em></p>
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			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Júlia Campos</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[TSE: corregedor derruba decisão de Kassio Nunes Marques e libera canal pró-Lula]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/tse-derruba-decisao-kassio-nunes-marques-canal-lula" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533314</id>
		<updated>2026-10-11T20:39:45Z</updated>
		<published>2026-10-11T20:31:57Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Política" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Andre Janones" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="censura eleitoral" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Decisão Judicial." /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Eleições 2026" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Exército do Lula" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Flávio Bolsonaro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Justiça Eleitoral" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Kassio Nunes Marques" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="liberdade de expressão" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Lula" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="PL" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="propaganda eleitoral" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="PT" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Rede Sustentabilidade" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Ricardo Villas Bôas Cueva" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="segundo turno" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="TSE" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="WhatsApp" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Decisão do corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva contraria determinação anterior do ministro Kassio Nunes Marques e determinou que canal voltasse ao ar</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/tse-derruba-decisao-kassio-nunes-marques-canal-lula"><![CDATA[<p>O corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubou na tarde deste domingo (11) a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, que havia determinado a suspensão do canal “Exército do Lula” no WhatsApp, atendendo a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Ao restabelecer o funcionamento da estrutura digital coordenada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), Cueva apontou a insuficiência das provas apresentadas para justificar uma restrição que alcançava aproximadamente 3,3 milhões de seguidores. A decisão é provisória e deverá ser submetida ao plenário da Corte.</p>
<p>A reversão ocorreu poucas horas depois de Nunes Marques ordenar a interrupção das atividades do canal, utilizado para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. O presidente do TSE havia determinado que a Meta, controladora do WhatsApp, impedisse novas publicações e a entrada de participantes até a homologação do resultado eleitoral. Com a intervenção de Cueva, essas atividades foram novamente autorizadas, enquanto permanece a proibição de divulgar conteúdos cuja ilegalidade já tenha sido reconhecida pela Justiça Eleitoral.</p>
<p>O episódio revelou uma divergência dentro da cúpula do TSE sobre os procedimentos utilizados para examinar pedidos de restrição à propaganda eleitoral. Cueva já havia recebido uma ação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro envolvendo o mesmo canal e, no sábado (10), determinara a apresentação de documentos e esclarecimentos adicionais antes de decidir sobre medidas urgentes. Apesar disso, Nunes Marques apreciou outro pedido do candidato do PL e ordenou a suspensão integral da estrutura, sem aguardar a conclusão das diligências exigidas pelo corregedor no processo sob sua responsabilidade.</p>
<p>A reviravolta ocorreu no mesmo dia em que Lula criticou publicamente a atuação do tribunal. Durante agenda na Avenida Paulista, em São Paulo, o presidente classificou a suspensão como absurda, afirmou perceber decisões tendenciosas contra sua candidatura e anunciou que seus advogados buscariam esclarecimentos da Justiça Eleitoral. A posterior decisão de Cueva estabeleceu que os elementos disponíveis naquele momento não eram suficientes para manter uma restrição de tamanha abrangência.</p>
<h2>Corregedor aponta falta de provas para manter suspensão do WhatsApp</h2>
<p>Na decisão que restabeleceu o canal, Cueva destacou que a mesma providência já havia sido solicitada em procedimento submetido à Corregedoria-Geral Eleitoral. Para o magistrado, não existiam elementos probatórios suficientes para justificar a interrupção integral das atividades de uma estrutura de comunicação com milhões de participantes, especialmente antes da conclusão das diligências destinadas à regularização das provas.</p>
<p>O corregedor determinou que o canal voltasse a receber seguidores e publicar mensagens até que o plenário do TSE examine a controvérsia. A decisão poderá ser reavaliada caso surjam novos elementos que demonstrem a necessidade de restrições adicionais. Portanto, a liberação não representa uma declaração definitiva de regularidade de todas as atividades realizadas pelos administradores, tampouco encerra as investigações sobre as acusações apresentadas pela campanha adversária.</p>
<p>Um dos fundamentos centrais utilizados por Cueva foi a necessidade de distinguir eventuais publicações irregulares do conjunto das atividades de um canal de comunicação. O magistrado afirmou que a ilegalidade de conteúdos específicos não pode ser automaticamente estendida a todas as manifestações divulgadas no mesmo ambiente digital. A interpretação estabelece uma diferença relevante entre determinar a retirada de mensagens consideradas ilícitas e impedir o funcionamento completo de uma estrutura utilizada para participação <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340595">política</a>.</p>
<p>Cueva também reiterou que os responsáveis pelo canal não estão autorizados a reproduzir conteúdos cuja ilicitude já tenha sido reconhecida pela Justiça Eleitoral. A obrigação permanece independentemente da decisão que permitiu a retomada das atividades. Assim, o restabelecimento preserva a possibilidade de mobilização e divulgação de mensagens legítimas, sem afastar a aplicação das regras eleitorais contra desinformação.</p>
<p>A análise envolve a proporcionalidade das medidas restritivas adotadas durante uma campanha. Uma ordem dirigida a publicações identificadas produz efeitos diferentes daqueles decorrentes da suspensão de um canal inteiro, especialmente quando reúne milhões de pessoas. No primeiro caso, a intervenção alcança conteúdos determinados; no segundo, impede temporariamente todas as novas manifestações naquele espaço, inclusive aquelas que não foram individualmente consideradas ilegais.</p>
<h2>Decisão de Kassio havia atendido a pedido de Flávio Bolsonaro</h2>
<p>A suspensão determinada por Nunes Marques na manhã de domingo foi motivada por uma representação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro. O candidato do PL acusou André Janones de coordenar uma estrutura digital destinada à divulgação de informações falsas sobre suas propostas e posições políticas, com orientações para compartilhamento em larga escala pelos seguidores.</p>
<p>Entre os conteúdos mencionados estavam alegações de que Flávio pretendia reduzir aposentadorias, cancelar benefícios sociais e apoiar a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A campanha sustentou que parte dessas mensagens reproduzia informações já consideradas inverídicas em decisões anteriores da Justiça Eleitoral.</p>
<p>Ao acolher a representação, Nunes Marques avaliou que o canal reunia condições para disseminar conteúdos de maneira coordenada, ampliando seu alcance e dificultando a contenção de publicações irregulares. O ministro considerou que a proximidade do segundo turno justificava uma providência imediata para evitar prejuízos à regularidade da disputa.</p>
<p>Janones negou que a estrutura estivesse sendo utilizada para distribuir as informações falsas apontadas pelo PL. Segundo o deputado, o canal ainda passava por uma etapa de organização destinada a reunir apoiadores, ampliar a participação digital e estabelecer mecanismos de comunicação entre os integrantes.</p>
<p>A interpretação apresentada por Nunes Marques foi contestada pelo corregedor, não porque a legislação permita a disseminação de informações falsas, mas porque as provas disponíveis foram consideradas insuficientes para sustentar a suspensão de toda a estrutura. A diferença entre os fundamentos das duas decisões será uma das questões a serem examinadas pelo plenário.</p>
<h2>Cueva questiona pedidos semelhantes apresentados em processos diferentes</h2>
<p>O conflito entre as decisões envolve também a forma como a campanha de Flávio Bolsonaro apresentou suas solicitações à Justiça Eleitoral. No sábado, Cueva havia determinado que os advogados do candidato esclarecessem a eventual existência de pedidos semelhantes formulados em outras ações, indicando os processos correspondentes e as providências já adotadas.</p>
<p>A determinação foi expedida em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral na qual Flávio pediu a cassação do registro ou diploma de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin, além da inelegibilidade dos responsáveis por supostas práticas abusivas. O pedido incluía a suspensão do “Exército do Lula”, a retirada de publicações e a preservação de informações digitais.</p>
<p>Ao examinar a documentação, o corregedor identificou a necessidade de individualizar as acusações e apresentar os arquivos originais mencionados pela campanha. Parte dos vídeos e mensagens havia sido citada na representação, mas não estava adequadamente incorporada ao processo eletrônico. Por isso, Cueva concedeu cinco dias para apresentação dos documentos e 72 horas para esclarecimentos sobre a extensão dos pedidos.</p>
<p>A decisão também determinou a notificação dos investigados para apresentação de defesa. O corregedor ressaltou que o recebimento da ação não significava reconhecimento da veracidade das acusações, que dependeriam da análise das provas.</p>
<p>Depois desse encaminhamento, a campanha de Flávio levou a questão da suspensão ao presidente do TSE em outro procedimento. Na decisão deste domingo, Cueva questionou a apresentação de solicitações cautelares coincidentes em processos diferentes e destacou a necessidade de observância dos deveres de boa-fé, lealdade e cooperação processual.</p>
<p>O corregedor submeteu o caso ao plenário para que os demais ministros examinem tanto a necessidade de eventual restrição ao canal quanto as questões processuais relacionadas aos pedidos apresentados pela campanha do PL. A análise deverá esclarecer os limites da atuação em procedimentos paralelos quando uma mesma providência já está submetida à apreciação judicial.</p>
<h2>Janones comemora decisão e campanha de Flávio critica reversão</h2>
<p>O deputado André Janones comemorou a liberação do canal nas redes sociais. Após a decisão do corregedor, afirmou que a suspensão havia sido derrubada e classificou o resultado como o fim de uma tentativa de censura contra a mobilização petista.</p>
<p>A estrutura digital coordenada pelo parlamentar apresentou crescimento expressivo depois do primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Segundo informações divulgadas durante a semana, o canal passou de aproximadamente 50 mil seguidores para mais de 3,3 milhões, multiplicando sua audiência por cerca de 66 vezes. A expansão tornou o espaço uma das principais ferramentas de mobilização de apoiadores de Lula nas redes sociais.</p>
<p>O crescimento também explica a importância atribuída ao canal pelas campanhas. Diferentemente do horário eleitoral gratuito, cuja duração é definida pela legislação e dividida igualmente entre os dois candidatos, os canais digitais permitem publicar mensagens e mobilizar participantes ao longo do dia. A suspensão integral de uma estrutura com essa audiência representa, portanto, uma restrição significativa à capacidade de comunicação de seus administradores.</p>
<p>A campanha de Flávio Bolsonaro reagiu negativamente à decisão de Cueva. Em manifestação divulgada após o restabelecimento, seus representantes classificaram a reversão como acintosa e sustentaram que o canal promovia a circulação de informações falsas, além de orientar participantes a evitar mecanismos de controle das plataformas e da Justiça Eleitoral.</p>
<p>Segundo a candidatura do PL, a decisão anterior de Nunes Marques havia sido necessária para interromper uma estrutura de disseminação coordenada de desinformação. O partido contesta a avaliação de insuficiência probatória e defende a aplicação de medidas mais restritivas.</p>
<p>As posições opostas demonstram que a controvérsia não foi encerrada com a liberação do canal. A campanha de Flávio poderá apresentar novos elementos, enquanto os responsáveis pelo espaço continuam sujeitos às regras aplicáveis à propaganda eleitoral. O julgamento colegiado deverá estabelecer se as provas justificam alguma restrição adicional.</p>
<h2>Reviravolta amplia debate sobre atuação de Kassio Nunes Marques</h2>
<p>A suspensão do canal ocorreu em um momento de críticas dirigidas à atuação de Nunes Marques na presidência do TSE. Indicado ao Supremo Tribunal Federal em 2020 pelo então presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, o magistrado passou a ser questionado por Lula depois de decisões recentes que atenderam a pedidos apresentados pela candidatura do PL.</p>
<p>No sábado, Nunes Marques também havia determinado a retirada de propaganda eleitoral de Lula que mencionava o caso Banco Master e acusações relacionadas ao candidato a vice-presidente de Flávio, Alfredo Gaspar. A decisão foi fundamentada na avaliação de que as peças apresentavam imputações graves sem contextualização probatória suficiente.</p>
<p>Durante manifestação na Avenida Paulista, Lula afirmou que percebia um padrão de decisões desfavoráveis à sua candidatura e declarou estar desconfiado do comportamento da Corte. As declarações expressam uma acusação política de parcialidade, mas não constituem comprovação de que o ministro tenha adotado medidas com intenção deliberada de favorecer Flávio Bolsonaro.</p>
<p>A reversão determinada por Cueva acrescentou um elemento objetivo à controvérsia: outro integrante do TSE considerou insuficientes os fundamentos probatórios para manter uma restrição ampla determinada pelo presidente da Corte. Essa divergência não significa reconhecimento judicial de motivação eleitoral indevida, mas demonstra que a adequação da suspensão é contestada dentro do próprio tribunal.</p>
<p>O caso também ocorre em meio a discussões sobre a concentração de decisões individuais na Justiça Eleitoral. Nos últimos dias, ministros do Supremo manifestaram preocupação com a quantidade de determinações monocráticas relacionadas à propaganda e aos direitos de resposta. Nunes Marques anunciou mudanças administrativas para acelerar a submissão dessas decisões ao plenário, inclusive por meio de sessões extraordinárias e julgamentos virtuais.</p>
<p>A nova controvérsia será submetida justamente à apreciação colegiada. Cueva solicitou exame urgente, preferencialmente em até 24 horas, para que os demais ministros avaliem os fundamentos do bloqueio, a suficiência das provas e as questões processuais identificadas.</p>
<h2>Plenário do TSE terá a palavra final sobre funcionamento do canal</h2>
<p>O restabelecimento do “Exército do Lula” modifica imediatamente a situação jurídica do canal, que volta a poder publicar mensagens e receber participantes. A liberação, entretanto, possui caráter provisório e poderá ser revista pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral ou diante de novas provas que justifiquem medidas adicionais.</p>
<p>A decisão também preserva a possibilidade de responsabilização por publicações específicas que violem a legislação eleitoral. As regras para a propaganda na internet, atualizadas pela Resolução 23.755 de 2026, estabelecem mecanismos para impedir a circulação de conteúdos ilícitos e disciplinam a atuação das plataformas digitais durante a campanha.</p>
<p>O desfecho provisório representa uma mudança importante em relação à determinação expedida pela manhã. Em poucas horas, o mesmo canal passou de uma ordem de suspensão que se estenderia até a homologação do resultado eleitoral para uma autorização de funcionamento condicionada à observância das decisões anteriores do TSE.</p>
<p>A diferença é particularmente relevante porque faltam 14 dias para o segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. Qualquer restrição aplicada nesse período pode produzir efeitos sobre a circulação de mensagens políticas antes que eventuais recursos sejam definitivamente julgados.</p>
<p>Com a decisão de Cueva, o canal permanece autorizado a funcionar, mas a disputa judicial continua aberta. Caberá ao plenário avaliar se a suspensão determinada por Nunes Marques foi proporcional às provas disponíveis e definir quais providências poderão ser aplicadas à estrutura administrada por Janones. Até essa deliberação, prevalece a determinação do corregedor, que restabeleceu a comunicação com milhões de seguidores sem afastar a obrigação de cumprimento das regras eleitorais.</p>
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		<entry>
		<author>
			<name>Carlos Menezes</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[Kassio Nunes Marques é acusado de medidas antidemocráticas favoráveis a Flávio Bolsonaro]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/kassio-nunes-marques-medidas-antidemocraticas-flavio-bolsonaro" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533310</id>
		<updated>2026-10-11T18:01:59Z</updated>
		<published>2026-10-11T17:41:41Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Política" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Andre Janones" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Banco Master" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="censura eleitoral" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="decisões antidemocráticas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Eleições 2026" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Exército do Lula" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Flávio Bolsonaro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Jair Bolsonaro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Justiça Eleitoral" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Kassio Nunes Marques" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="liberdade de expressão" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Lula" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="parcialidade judicial" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="propaganda eleitoral" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="segundo turno" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="STF" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="TSE" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="WhatsApp" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Petista criticou decisão de Kassio Nunes Marques, disse que pedirá explicações à Justiça Eleitoral e afirmou que não aceitará interferência indevida na campanha</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/kassio-nunes-marques-medidas-antidemocraticas-flavio-bolsonaro"><![CDATA[<p>O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, passou a enfrentar acusações de parcialidade e censura após determinar, em menos de 24 horas, duas medidas que atenderam a pedidos da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e restringiram instrumentos de comunicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Neste domingo (11), o magistrado ordenou a suspensão do canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que reunia aproximadamente 3,3 milhões de seguidores no WhatsApp. Na véspera, havia determinado a retirada de propaganda eleitoral que mencionava informações sobre o envolvimento de Flávio no caso Banco Master e acusações anteriormente apresentadas contra seu candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar.</p>
<p>A sequência de decisões provocou uma reação pública de Lula, que questionou a imparcialidade da Justiça Eleitoral durante agenda de campanha na Avenida Paulista, em São Paulo. O presidente classificou o bloqueio como absurdo, afirmou perceber decisões tendenciosas contra sua candidatura e anunciou que o PT recorrerá à Corte. Janones também denunciou censura e contestou a justificativa apresentada para suspender uma estrutura digital utilizada na mobilização de apoiadores às vésperas do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.</p>
<p>O episódio adquiriu dimensão <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340594">política</a> adicional porque Nunes Marques foi indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2020 pelo então presidente Jair Bolsonaro, pai do candidato beneficiado pelas decisões. O ministro assumiu a presidência do TSE em maio de 2026, tendo como vice-presidente André Mendonça, igualmente indicado ao Supremo durante o governo Bolsonaro. Embora a origem das nomeações não constitua prova de favorecimento eleitoral, a relação tornou-se parte dos questionamentos sobre a atuação dos dois magistrados na análise das disputas judiciais entre as campanhas.</p>
<p>A controvérsia também envolve a tramitação dos processos. No sábado (10), o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, havia exigido que Flávio Bolsonaro apresentasse provas e esclarecimentos adicionais antes da análise de medidas urgentes solicitadas contra Lula e Janones. No dia seguinte, Nunes Marques determinou a suspensão imediata do canal em outra representação, sem aguardar a conclusão dos prazos estabelecidos pelo corregedor naquele procedimento. A diferença de encaminhamento alimentou as críticas sobre a proporcionalidade da intervenção, embora os processos possuam fundamentos e competências próprios.</p>
<h2>Kassio determina suspensão de canal com 3,3 milhões de seguidores</h2>
<p>A decisão mais recente foi tomada na manhã deste domingo, depois que a campanha de Flávio Bolsonaro apresentou um pedido para interromper o funcionamento do canal “Exército do Lula”. Nunes Marques estabeleceu prazo de três horas, contado da notificação judicial, para que a Meta, controladora do WhatsApp, suspendesse novas publicações e impedisse a entrada de participantes. A restrição deverá permanecer válida até a homologação do resultado do segundo turno, procedimento que pode ocorrer depois da votação de 25 de outubro.</p>
<p>O canal havia se transformado em uma das maiores estruturas de mobilização digital da campanha petista. Coordenado por Janones, o espaço passou de aproximadamente 50 mil seguidores para mais de 3,3 milhões em poucos dias, crescimento superior a 60 vezes em relação à audiência inicial. A expansão ocorreu depois do primeiro turno, quando as equipes eleitorais passaram a concentrar esforços na mobilização de eleitores e na distribuição de conteúdos pelas redes sociais.</p>
<p>A campanha de Flávio alegou que o canal funcionaria como uma estrutura organizada para disseminar informações falsas sobre seu programa de governo, incluindo supostas intenções de reduzir aposentadorias, cancelar o Bolsa Família e adotar medidas contra instituições religiosas. Segundo a representação, os participantes receberiam orientações para compartilhar publicações em grande escala, ampliando o alcance de mensagens consideradas irregulares pela Justiça Eleitoral.</p>
<p>Ao acolher o pedido, Nunes Marques argumentou que a liberdade de expressão não protege a prática de ilícitos eleitorais e que a disseminação coordenada de informações falsas poderia comprometer a igualdade de condições entre os candidatos. O ministro considerou que a proximidade da votação justificava uma intervenção imediata, uma vez que a circulação contínua dos conteúdos produziria efeitos difíceis de reverter antes do segundo turno.</p>
<p>Janones rejeitou as acusações e afirmou que o canal ainda estava sendo organizado. Segundo o deputado, os administradores concentravam suas atividades na inclusão de participantes e na apresentação das orientações de funcionamento, sem divulgar as <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/noticias" target="_blank"  rel="noopener" title="Notícias" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340593">notícias</a> falsas mencionadas pela campanha adversária. A afirmação contraria diretamente a premissa utilizada para justificar a suspensão e deverá ser examinada a partir dos registros e documentos apresentados pelas partes.</p>
<p>A ordem alcança uma estrutura inteira de comunicação política, e não apenas publicações individualizadas. Esse aspecto está no centro das acusações de censura, porque impede temporariamente a continuidade das atividades de um canal com milhões de seguidores. A extensão da medida e sua necessidade diante das provas disponíveis são questões que poderão ser submetidas à revisão judicial.</p>
<h2>Corregedor do TSE havia exigido provas antes de analisar pedido de Flávio</h2>
<p>A decisão de Nunes Marques ocorreu menos de um dia depois de outro ministro do TSE determinar providências adicionais em uma ação apresentada pela campanha do PL. No sábado, Ricardo Villas Bôas Cueva concedeu prazo de 72 horas para que Flávio Bolsonaro esclarecesse pedidos formulados contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e André Janones.</p>
<p>A ação busca a cassação do registro ou diploma dos integrantes da chapa petista e a declaração de inelegibilidade dos responsáveis por supostas práticas abusivas. A campanha de Flávio afirma que Janones teria coordenado a distribuição de conteúdos ofensivos contra o candidato, com possível utilização de recursos eleitorais e conhecimento dos beneficiários políticos.</p>
<p>Ao analisar a petição, Cueva identificou a necessidade de esclarecer eventuais repetições de pedidos apresentados em outros processos. Também determinou que a campanha especificasse as irregularidades atribuídas a cada publicação, identificasse anúncios que ainda estariam ativos e delimitasse as informações cuja preservação pretendia obter.</p>
<p>O corregedor apontou ainda que vídeos, mensagens e outros arquivos digitais mencionados na representação não haviam sido adequadamente incorporados ao processo eletrônico. Por isso, concedeu cinco dias para apresentação dos documentos originais, organizados e identificados. A providência foi fundamentada na necessidade de permitir a conferência do material e assegurar o exercício do direito de defesa pelos investigados.</p>
<p>O recebimento da ação foi autorizado, mas Cueva ressaltou que essa etapa não representava reconhecimento da veracidade das acusações. Os envolvidos receberam prazo para apresentar defesa, enquanto os pedidos urgentes ficaram condicionados aos esclarecimentos exigidos.</p>
<p>A suspensão determinada por Nunes Marques no domingo ocorreu em outro procedimento, o que significa que as exigências estabelecidas pelo corregedor não impediam automaticamente uma decisão distinta. Ainda assim, a sequência dos acontecimentos passou a integrar a controvérsia sobre os critérios utilizados para justificar uma restrição ampla à comunicação eleitoral antes da conclusão da análise probatória conduzida na investigação.</p>
<h2>Ministro também retirou propaganda sobre Flávio e Banco Master</h2>
<p>A suspensão do canal não foi a única decisão de Nunes Marques com efeitos sobre a campanha petista durante o fim de semana. No sábado, o presidente do TSE atendeu a outro pedido de Flávio Bolsonaro e determinou a retirada de uma peça do horário eleitoral gratuito que relacionava o candidato do PL ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e mencionava uma acusação anteriormente apresentada contra Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente.</p>
<p>A propaganda abordava informações divulgadas sobre investigações relacionadas ao financiamento de <em>Dark Horse</em>, produção audiovisual sobre Jair Bolsonaro. Relatórios da Polícia Federal mencionados na cobertura do caso registram mensagens trocadas entre Flávio e Vorcaro sobre a captação de recursos para o projeto. A existência dessas mensagens não demonstra, isoladamente, responsabilidade criminal do senador.</p>
<p>Nunes Marques considerou que a campanha petista não havia apresentado elementos suficientes para contextualizar as imputações feitas na peça publicitária. O ministro apontou a ausência de identificação adequada do procedimento investigatório e da origem das informações utilizadas. No caso de Alfredo Gaspar, ressaltou que a propaganda não mencionava o arquivamento, pelo Supremo Tribunal Federal, do pedido de investigação relacionado à acusação de violência sexual.</p>
<p>A decisão determinou a retirada do material da programação eleitoral. Para Nunes Marques, a apresentação das acusações sem o contexto necessário poderia transmitir ao eleitorado a impressão de que os integrantes da chapa adversária haviam praticado crimes, apesar da ausência de condenações que sustentassem essa conclusão.</p>
<p>A campanha de Lula defende que a propaganda utilizava informações já divulgadas publicamente e questiona a restrição ao debate sobre fatos relacionados aos candidatos. A posição contrasta com o fundamento apresentado pelo ministro, que atribuiu importância à forma de exposição dos episódios e à necessidade de evitar imputações criminais sem comprovação suficiente.</p>
<p>Com as duas decisões, a candidatura petista ficou impedida de utilizar uma peça de propaganda no horário eleitoral e teve um de seus principais canais de mobilização digital submetido a bloqueio. As restrições são fatos documentados; a interpretação de que representam favorecimento deliberado ao candidato do PL, entretanto, permanece uma acusação política ainda não demonstrada judicialmente.</p>
<h2>Lula acusa Justiça Eleitoral de decisões tendenciosas</h2>
<p>A reação mais contundente ocorreu na Avenida Paulista, onde Lula participou de atividades de campanha neste domingo. O presidente afirmou que vinha observando decisões desfavoráveis à sua candidatura e questionou publicamente a condução dos processos eleitorais.</p>
<p>“Já venho percebendo, há alguns dias, que existem muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura”, declarou Lula. O presidente acrescentou que o PT pretende recorrer à Justiça para contestar o bloqueio e buscar esclarecimentos sobre os critérios adotados pelo tribunal.</p>
<p>A crítica foi acompanhada de uma cobrança por tratamento equilibrado entre as campanhas. Lula afirmou que a Justiça Eleitoral deve garantir a realização da disputa sem interferências indevidas e manifestou desconfiança em relação às restrições aplicadas a conteúdos produzidos por seus apoiadores.</p>
<p>Janones também intensificou as críticas. Em manifestação nas redes sociais, o deputado declarou que a censura havia começado e informou que continuaria promovendo mobilizações por outras plataformas. O parlamentar contestou as alegações de que sua estrutura digital teria sido utilizada para divulgar notícias falsas e afirmou que a campanha adversária buscava limitar sua atuação.</p>
<p>A campanha de Flávio Bolsonaro apresenta entendimento oposto. Seus representantes sustentam que os pedidos judiciais procuram impedir a divulgação de informações consideradas falsas e proteger a regularidade da eleição. A legislação eleitoral permite restrições a determinados conteúdos ilícitos, mas a aplicação dessas regras depende de fundamentação e pode ser contestada pelas partes interessadas.</p>
<h2>TSE também impôs restrições à campanha de Flávio Bolsonaro</h2>
<p>O conjunto das decisões recentes da Justiça Eleitoral inclui determinações contrárias ao candidato do PL. Na quinta-feira (8), o plenário do TSE ordenou, por unanimidade, a retirada de três publicações feitas por Flávio Bolsonaro na rede social X, em representação apresentada pela Federação Brasil da Esperança, liderada pelo PT.</p>
<p>Uma das publicações utilizava inteligência artificial para representar Lula em uma situação inexistente, sem a identificação exigida pela regulamentação eleitoral. As outras duas associavam o presidente a organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, sem suporte factual mínimo, conforme avaliação do tribunal.</p>
<p>O relator, ministro André Mendonça, reconsiderou decisão anterior e votou pela remoção dos conteúdos. O entendimento foi acompanhado pelos demais integrantes do colegiado, que também proibiram a republicação das peças analisadas ou de versões substancialmente equivalentes.</p>
<p>Na sexta-feira (9), outra decisão do TSE determinou a suspensão de um site que oferecia criptomoedas a usuários em troca de publicações favoráveis a Flávio. A medida foi adotada pela ministra Estela Aranha, após representação apresentada pela campanha de Lula. O PL afirmou desconhecer os responsáveis pela página e negou qualquer contratação relacionada à iniciativa.</p>
<p>Esses episódios demonstram que o tribunal também adotou medidas restritivas contra conteúdos relacionados ao candidato do PL. A existência de decisões nos dois sentidos não encerra o debate sobre eventual tratamento desigual, mas impede concluir que toda a atuação da Justiça Eleitoral tenha sido dirigida exclusivamente contra uma das candidaturas.</p>
<h2>Concentração de decisões já provocava questionamentos no Judiciário</h2>
<p>As críticas à atuação de Nunes Marques não começaram com o bloqueio do “Exército do Lula”. Nos dias anteriores, integrantes do Supremo Tribunal Federal haviam manifestado preocupação com a concentração de decisões eleitorais na presidência e na vice-presidência do TSE, especialmente em procedimentos sobre propaganda e direito de resposta.</p>
<p>O ministro Gilmar Mendes esteve entre os que questionaram a distribuição das atribuições. Flávio Dino também mencionou a existência de mais de uma centena de decisões monocráticas que ainda aguardavam apreciação pelo colegiado, ressaltando a importância de procedimentos capazes de assegurar julgamento em tempo adequado.</p>
<p>Em resposta às críticas, Nunes Marques anunciou mudanças administrativas destinadas a acelerar a tramitação dos processos. As providências incluem a possibilidade de sessões extraordinárias, julgamentos virtuais e submissão mais rápida das decisões urgentes à apreciação do plenário.</p>
<p>A discussão envolve um problema institucional que se torna particularmente sensível durante campanhas eleitorais: a necessidade de impedir a circulação de conteúdos comprovadamente ilícitos sem impor restrições desproporcionais à liberdade de expressão e à atividade política. Decisões tomadas a poucos dias da votação podem produzir efeitos imediatos, mesmo quando posteriormente modificadas.</p>
<p>A suspensão do canal coordenado por Janones deverá ser examinada nesse contexto. Além da discussão sobre as publicações atribuídas à estrutura, a eventual contestação precisará abordar a extensão da restrição, os fundamentos apresentados e as provas utilizadas para demonstrar a necessidade do bloqueio.</p>
<p>A Meta também foi notificada para prestar informações e preservar registros relacionados ao canal. Esses dados poderão contribuir para esclarecer as atividades efetivamente realizadas pelos administradores e verificar as acusações de distribuição coordenada de conteúdos irregulares.</p>
<p>O próximo desdobramento dependerá da formalização do recurso anunciado por Lula, das manifestações dos responsáveis pelo canal e da avaliação dos elementos apresentados pela campanha de Flávio Bolsonaro. Até o momento, as decisões de Nunes Marques produziram consequências concretas para a comunicação petista e desencadearam acusações de censura e parcialidade. A caracterização das medidas como antidemocráticas, porém, permanece no campo da contestação política e jurídica, sem reconhecimento definitivo por órgão judicial.</p>
<p>A disputa ocorre a duas semanas do segundo turno, em 25 de outubro, quando Lula e Flávio voltarão a disputar a Presidência da República. A apreciação dos recursos pelo TSE será decisiva para definir se as restrições continuarão em vigor durante o restante da campanha e quais limites deverão ser observados na utilização das plataformas digitais pelos candidatos.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral &#8211; comunicado de 10 de outubro de 2026 sobre a decisão do corregedor-geral Ricardo Villas Bôas Cueva, com exigência de esclarecimentos e provas na ação apresentada por Flávio Bolsonaro.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral &#8211; julgamento de 8 de outubro de 2026 que determinou a remoção de três publicações de Flávio Bolsonaro contra Lula.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral &#8211; Resolução 23.755, de 2 de março de 2026, que atualiza as regras aplicáveis à propaganda eleitoral.</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral &#8211; registros institucionais de abril e maio de 2026 sobre a eleição e a posse de Kassio Nunes Marques na presidência da Corte.</em></p>
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			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>João Souza</name>
							<uri>https://muckrack.com/joao-souza</uri>
						</author>

		<title type="html"><![CDATA[Ronaldo Fenômeno compra 51% da operação da Head no Brasil]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/ronaldo-fenomeno-compra-51-head-brasil" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533303</id>
		<updated>2026-10-10T23:41:04Z</updated>
		<published>2026-10-10T23:31:34Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Empresas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="aquisições" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Artigos Esportivos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Bruno Soares" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="DLD" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Empreendedorismo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="fusões e aquisições" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Galácticos House" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Galácticos Rackets" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Head" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Head Brasil" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="investimentos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="má" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mares" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercado esportivo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Pádel" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Ronaldo Fenômeno" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Ronaldo Nazário" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="tênis" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Ex-jogador adquiriu 51% da DLD, que opera as marcas HEAD e MARES no país; grupo que inclui o ex-tenista Bruno Soares ficou com os 49% restantes</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/ronaldo-fenomeno-compra-51-head-brasil"><![CDATA[<p>Ronaldo Nazário, o Fenômeno, ampliou sua atuação empresarial no mercado esportivo ao adquirir 51% do capital da DLD Comércio e Importação, companhia responsável pelas operações brasileiras das marcas Head, especializada em equipamentos para tênis e outros esportes de raquete, e Mares, fabricante de artigos para atividades aquáticas. A transação, anunciada em 8 de outubro, coloca o ex-jogador no controle acionário da distribuidora e marca uma nova etapa de seus investimentos fora do futebol, agora com participação direta no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340588">mercado</a> de equipamentos esportivos.</p>
<p>Os 49% restantes da empresa foram adquiridos por um grupo de investidores que inclui o ex-tenista Bruno Soares e os empresários João Rezende, Bruno Mendonça, Gustavo Maia e Rafael Alcici Cardoso, representante do grupo. O valor da operação não foi divulgado, assim como os detalhes financeiros da negociação e a avaliação atribuída à DLD.</p>
<p>O investimento ocorre em um momento de expansão da Head no mercado brasileiro. Segundo informações divulgadas pela companhia, o faturamento da operação nacional cresceu 26% nos últimos 12 meses. Considerando os três anos anteriores, a empresa registrou crescimento médio anual próximo de 20%, desempenho que contribuiu para atrair os novos acionistas e reforçou as perspectivas de ampliação das atividades comerciais.</p>
<p>Com a mudança societária, Ronaldo passa a comandar a operação brasileira da Head, mas não adquire participação de controle na fabricante internacional ou nos direitos globais da marca. O negócio envolve especificamente a DLD, empresa responsável pela comercialização e distribuição dos produtos das duas marcas no Brasil. Essa distinção é relevante porque a estrutura internacional da Head permanece separada da companhia brasileira que teve seu controle transferido.</p>
<p>A aquisição aproxima ainda mais Ronaldo de uma modalidade que passou a ocupar espaço crescente em sua vida pessoal e empresarial. Admirador do tênis profissional, o ex-atacante acompanha competições internacionais, pratica o esporte de forma recreativa e anunciou, nos últimos meses, projetos voltados à construção de clubes e instalações para tênis e padel.</p>
<h2>Head Brasil cresce 26% e prepara expansão da distribuição</h2>
<p>O crescimento do faturamento da Head Brasil foi um dos principais indicadores apresentados no anúncio da aquisição. A expansão de 26% nos últimos 12 meses supera a média anual de aproximadamente 20% registrada no triênio anterior, embora os dados divulgados não permitam avaliar isoladamente quanto desse avanço decorreu de aumento nos volumes comercializados, reajustes de preços ou ampliação da rede de clientes.</p>
<p>A companhia não informou o faturamento nominal, a margem operacional ou o lucro líquido correspondente ao período. Dessa forma, embora a evolução das receitas indique crescimento comercial, ainda não é possível determinar a rentabilidade da operação ou calcular os múltiplos financeiros considerados pelos investidores na aquisição.</p>
<p>A estratégia anunciada pelos novos controladores concentra-se no fortalecimento dos canais de distribuição, na melhoria dos serviços prestados aos revendedores e na ampliação do relacionamento com clubes, academias e praticantes de esportes de raquete.</p>
<p>Essas iniciativas deverão direcionar a próxima fase da empresa. Em um mercado no qual a venda de equipamentos especializados depende frequentemente de lojas esportivas, profissionais de ensino e estabelecimentos dedicados às modalidades, a qualidade da distribuição constitui um fator relevante para a expansão da presença comercial.</p>
<p>O fortalecimento da rede de revendedores pode aumentar a disponibilidade de produtos em diferentes regiões, reduzir dificuldades de abastecimento e ampliar o acesso dos consumidores às linhas da marca. Entretanto, o crescimento da estrutura comercial também exige investimentos em estoques, logística, atendimento e relacionamento com parceiros.</p>
<p>Para a DLD, o desafio será transformar a expansão recente do faturamento em um crescimento sustentável, sem comprometer a eficiência da operação. A companhia terá de equilibrar a ampliação da distribuição com a manutenção de serviços adequados aos revendedores e consumidores.</p>
<p>O plano também prevê maior aproximação com competições esportivas, clubes e academias. A estratégia pode fortalecer o reconhecimento da Head entre praticantes de diferentes níveis, desde iniciantes até atletas que utilizam equipamentos de alto desempenho.</p>
<h2>Ronaldo assume controle da operação brasileira, não da Head global</h2>
<p>A dimensão da aquisição exige uma distinção entre o controle da empresa brasileira e a propriedade da marca internacional. A Head é uma companhia de equipamentos esportivos com atuação mundial, cuja história começou em 1950, inicialmente no desenvolvimento de produtos para esportes de inverno.</p>
<p>Ao longo das décadas seguintes, a empresa ampliou suas atividades para o tênis, o squash, o padel e outras modalidades. Atualmente, mantém operações internacionais organizadas em diferentes divisões, incluindo esportes de raquete, esportes de inverno, vestuário esportivo e atividades aquáticas.</p>
<p>A aquisição anunciada por Ronaldo não modifica a estrutura de propriedade global da Head. O ex-jogador comprou a participação majoritária da DLD, responsável pela operação comercial brasileira das marcas Head e Mares, assumindo a posição de controlador desse negócio específico.</p>
<p>Na prática, a transação representa a entrada de Ronaldo em uma atividade de distribuição de produtos esportivos que já possui marcas estabelecidas, canais comerciais e uma trajetória recente de crescimento.</p>
<p>Esse modelo apresenta características diferentes da criação de uma marca própria. Ao operar produtos de fabricantes internacionalmente conhecidos, a distribuidora pode se beneficiar da reputação construída pelas marcas, mas continua dependendo das condições comerciais, dos contratos e das estratégias internacionais de seus fornecedores.</p>
<p>A operação também está exposta a fatores como custos de importação, variações cambiais, disponibilidade de produtos e concorrência no varejo esportivo. Esses elementos podem influenciar preços, margens e necessidades de capital de giro.</p>
<p>O potencial de expansão, portanto, não depende apenas da popularidade de Ronaldo ou da demanda por tênis e padel, mas também da capacidade da DLD de ampliar sua eficiência comercial e preservar relações competitivas com os canais de venda.</p>
<h2>Bruno Soares integra grupo de investidores da DLD</h2>
<p>A participação de Bruno Soares acrescenta à operação um nome reconhecido no circuito internacional de tênis. Ex-tenista profissional e especialista em duplas, o mineiro construiu uma carreira marcada por títulos importantes e experiência em competições de alto nível.</p>
<p>Sua presença entre os acionistas estabelece uma conexão direta entre a distribuidora e um profissional com conhecimento do ambiente esportivo, das necessidades dos atletas e do funcionamento das competições internacionais.</p>
<p>O grupo também reúne os empresários João Rezende, Bruno Mendonça, Gustavo Maia e Rafael Alcici Cardoso. De acordo com as informações divulgadas sobre a transação, Cardoso atua como representante dos investidores que participam da operação.</p>
<p>A composição societária reúne, assim, nomes ligados ao esporte e ao ambiente empresarial, embora não tenham sido detalhadas as responsabilidades executivas individuais dos participantes nem a distribuição das participações dentro dos 49% adquiridos pelo grupo.</p>
<p>A entrada de investidores com experiências diferentes pode contribuir para o desenvolvimento comercial da companhia, especialmente no relacionamento com estabelecimentos esportivos, na organização de eventos e na identificação de oportunidades de expansão.</p>
<p>A participação de Soares também ocorre em um momento no qual o tênis e o padel atraem iniciativas de investimento ligadas à infraestrutura esportiva, ao entretenimento e à comercialização de equipamentos.</p>
<p>O anúncio, contudo, não especificou compromissos financeiros adicionais dos sócios nem estabeleceu metas públicas de abertura de unidades, volume de vendas ou participação de mercado para a DLD.</p>
<h2>Mares também faz parte do negócio adquirido por Ronaldo</h2>
<p>Embora a Head concentre as atenções pela ligação de Ronaldo com o tênis, a aquisição da DLD também envolve a operação brasileira da Mares, marca internacional especializada em equipamentos para mergulho e outras atividades aquáticas.</p>
<p>A Mares integra o grupo Head e possui uma trajetória consolidada no desenvolvimento e na comercialização de produtos como máscaras, nadadeiras, reguladores e acessórios utilizados por praticantes de mergulho recreativo e profissional.</p>
<p>Segundo as informações divulgadas sobre a transação, a marca continuará integrada à estratégia comercial da DLD, sem indicação de mudança imediata em sua atuação no mercado brasileiro.</p>
<p>A manutenção das duas marcas amplia o alcance da operação para além dos esportes de raquete. Enquanto a Head atende diferentes modalidades praticadas em quadras, a Mares alcança consumidores e estabelecimentos especializados em atividades aquáticas.</p>
<p>Essa diversidade pode reduzir a dependência comercial de um único segmento, embora também exija conhecimento de mercados com características próprias de distribuição, consumo e atendimento técnico.</p>
<p>No caso dos equipamentos de mergulho, questões relacionadas à segurança, manutenção e suporte especializado possuem importância adicional. A qualidade da assistência oferecida aos revendedores e consumidores pode influenciar a reputação da marca e a continuidade das relações comerciais.</p>
<p>A presença da Mares na operação reforça que o investimento realizado por Ronaldo não se limita ao fornecimento de raquetes de tênis. A DLD reúne <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340587">negócios</a> de artigos esportivos com diferentes públicos e oportunidades de expansão.</p>
<h2>Ronaldo já havia anunciado investimentos em tênis e padel</h2>
<p>A aquisição da DLD se soma a uma estratégia de diversificação que Ronaldo começou a apresentar de forma mais consistente em 2026. Em abril, o ex-jogador anunciou o Galácticos Rackets, projeto direcionado ao desenvolvimento de espaços para a prática de tênis e padel no Brasil.</p>
<p>A iniciativa foi estruturada para combinar instalações esportivas, serviços destinados aos praticantes e ações voltadas à ampliação do acesso às modalidades. O planejamento inicial divulgado à época previa investimentos de aproximadamente R$ 25 milhões e a abertura de sete unidades na primeira fase.</p>
<p>A expansão dos esportes de raquete foi apontada como uma oportunidade diante da procura crescente por espaços de treinamento e convivência. O projeto procurou desenvolver instalações para públicos distintos, incluindo empreendimentos de padrão elevado e iniciativas com propostas mais acessíveis.</p>
<p>Outro investimento anunciado por Ronaldo foi o Galácticos House, clube privado de tênis previsto para funcionar dentro do Reserva Beach Club, empreendimento em desenvolvimento em Alphaville, na região metropolitana de São Paulo.</p>
<p>Apresentado em abril, o projeto prevê uma arena central com capacidade para aproximadamente 3 mil espectadores, além de quadras de tênis com diferentes superfícies, instalações para padel e espaços de treinamento. A previsão divulgada pelos organizadores é de entrega em 2027.</p>
<p>O empreendimento foi concebido para atender a um público de alto padrão, com número limitado de associados e títulos de participação anunciados a partir de R$ 1 milhão.</p>
<p>A entrada na DLD acrescenta uma atividade comercial a esse conjunto de projetos. Enquanto os clubes estão voltados à oferta de instalações e experiências esportivas, a distribuidora comercializa equipamentos utilizados pelos praticantes.</p>
<p>Existe potencial de complementaridade entre essas atividades, especialmente em ações de divulgação, relacionamento com consumidores e aproximação com atletas. Entretanto, não foram anunciados contratos comerciais específicos entre a DLD e os empreendimentos de tênis associados a Ronaldo.</p>
<h2>Investimentos fora do futebol ganham espaço no portfólio</h2>
<p>A operação com a Head amplia uma trajetória empresarial que começou a ganhar dimensão internacional quando Ronaldo passou a investir em clubes de futebol. Em 2018, ele adquiriu o controle do Real Valladolid, da Espanha, iniciando sua experiência como proprietário de uma equipe profissional.</p>
<p>Três anos depois, em dezembro de 2021, anunciou a aquisição de 90% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Cruzeiro, clube no qual iniciou sua carreira como jogador profissional. O negócio marcou uma etapa importante na transformação do modelo de gestão do futebol brasileiro, com a entrada de investidores privados no controle das operações esportivas.</p>
<p>Ronaldo vendeu sua participação no Cruzeiro em 2024 e encerrou sua atuação como controlador do Valladolid em 2025, quando o clube espanhol anunciou a transferência de sua participação para um grupo de investidores.</p>
<p>Com a saída das duas equipes, o ex-atacante passou a concentrar maior atenção em outras atividades empresariais. Seus negócios incluem comunicação, marketing esportivo, entretenimento, produção de conteúdo e investimentos relacionados ao desenvolvimento do esporte.</p>
<p>Entre essas iniciativas está a Oddz Network, estrutura empresarial associada a negócios como Ronaldo TV, Beyond Films e outras operações de comunicação e entretenimento.</p>
<p>Ronaldo também mantém projetos de formação esportiva e impacto social, incluindo iniciativas ligadas à Ronaldo Academy e à Fundação Fenômenos.</p>
<p>A aquisição da DLD se diferencia dos investimentos anteriores em clubes profissionais porque não envolve diretamente a administração de uma equipe ou a negociação de direitos esportivos. O negócio está concentrado na distribuição de produtos físicos, atividade cuja expansão depende de vendas, logística, estoques e relacionamento comercial.</p>
<h2>O que a aquisição pode representar para o mercado esportivo?</h2>
<p>A chegada de Ronaldo ao controle da operação brasileira da Head ocorre em um momento em que o mercado de esportes de raquete vem atraindo investimentos em infraestrutura, serviços e comercialização de equipamentos.</p>
<p>Para a DLD, a associação com um dos nomes mais conhecidos do futebol mundial amplia a visibilidade institucional do negócio. A reputação esportiva do ex-jogador pode facilitar aproximações comerciais e contribuir para o reconhecimento da operação junto a consumidores e parceiros.</p>
<p>Essa vantagem, entretanto, precisa ser acompanhada de desempenho operacional. O crescimento do faturamento de 26% divulgado pela empresa indica expansão recente, mas a continuidade dependerá da capacidade de atender a uma rede maior de clientes e sustentar condições competitivas de comercialização.</p>
<p>A presença de Bruno Soares entre os investidores acrescenta conhecimento específico do tênis, enquanto os demais sócios poderão participar da estruturação das próximas etapas empresariais conforme as responsabilidades definidas pelo grupo.</p>
<p>O investimento também representa uma mudança na composição das atividades de Ronaldo. Depois de atuar diretamente na propriedade de clubes de futebol, o ex-jogador passa a ter participação majoritária em uma operação de artigos esportivos que reúne marcas internacionais e já possui presença estabelecida no mercado brasileiro.</p>
<p>O próximo desafio será transformar a nova estrutura societária em crescimento comercial, ampliando a distribuição e fortalecendo as relações com revendedores, clubes e praticantes. Como os valores da transação e os indicadores de rentabilidade não foram divulgados, ainda não é possível avaliar o retorno financeiro esperado pelos compradores.</p>
<p>A aquisição consolida, de qualquer forma, a entrada de Ronaldo em mais uma frente do mercado esportivo. Desta vez, o ex-atacante não busca resultados dentro de campo nem assume uma equipe profissional, mas passa a controlar uma empresa cuja expansão estará diretamente relacionada à capacidade de atender consumidores e desenvolver o comércio de equipamentos para diferentes modalidades no Brasil.</p>
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		<author>
			<name>Júlia Campos</name>
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		<title type="html"><![CDATA[TSE dá 48 horas para Meta explicar denúncias da campanha de Lula]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/tse-cobra-meta-campanha-lula-flavio-bolsonaro" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533297</id>
		<updated>2026-10-10T23:20:34Z</updated>
		<published>2026-10-10T23:09:33Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Política" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="algoritmos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="ANPD" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Camilo Santana" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Eleições 2026" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Facebook" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Flávio Bolsonaro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Impulsionamento de Conteúdo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Instagram" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Justiça Eleitoral" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Lula" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Marco Aurélio Bellizze" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="meta" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="PL" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="propaganda eleitoral" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="PT" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Redes Sociais" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="segundo turno" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="TSE" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>A campanha de reeleição do presidente Lula (PT) acusou neste sábado (10) a Meta, empresa de tecnologia americana dona do Facebook</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/tse-cobra-meta-campanha-lula-flavio-bolsonaro"><![CDATA[<p>O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou neste sábado (10) que a Meta, controladora do Instagram e do Facebook, apresente esclarecimentos sobre supostas restrições à divulgação de conteúdos da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A medida foi adotada depois que a coligação petista acusou a empresa americana de interferir na disputa presidencial em benefício do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula no segundo turno das eleições de 2026, marcado para 25 de outubro.</p>
<p>O ministro Marco Aurélio Bellizze estabeleceu prazo de 48 horas para que a companhia explique problemas relatados pela campanha, incluindo dificuldades no impulsionamento de anúncios, alterações nas métricas de visualizações e a desativação de uma conta publicitária em setembro. O magistrado também determinou a preservação de registros técnicos relacionados à moderação de conteúdos e à distribuição de publicações, considerados necessários para a avaliação das alegações apresentadas pela coligação.</p>
<p>A Meta rejeitou as acusações e afirmou que não favorece candidatos. Em manifestação divulgada neste sábado, a empresa classificou as alegações como falsas e sustentou que diversos problemas técnicos mencionados pela campanha não atingiram exclusivamente usuários brasileiros ou contas específicas. A companhia declarou ainda que cumpre a legislação eleitoral e mantém compromisso com a aplicação igualitária de suas regras.</p>
<p>A controvérsia ocorre em um momento de intensificação da disputa digital entre Lula e Flávio Bolsonaro. Depois de terminar o primeiro turno atrás do candidato do PL, o presidente reformulou sua estratégia de comunicação e passou a ampliar a produção de vídeos destinados às redes sociais. Nesse contexto, a campanha petista afirma que interrupções no funcionamento dos serviços de publicidade prejudicaram sua capacidade de alcançar eleitores justamente durante a fase decisiva da eleição.</p>
<h2>Campanha de Lula relata sucessão de problemas desde dezembro</h2>
<p>A acusação apresentada ao TSE está baseada em uma sequência de episódios que, segundo a equipe de Lula, começaram no fim de 2025 e se repetiram durante a campanha presidencial. A coligação afirma que as dificuldades envolveram tanto ferramentas de publicidade paga quanto mecanismos de distribuição e contabilização de conteúdos publicados nos perfis oficiais do presidente.</p>
<p>O episódio mais recente teria ocorrido entre sexta-feira (9) e a manhã deste sábado (10), período em que a campanha afirma ter ficado impossibilitada de impulsionar determinadas publicações diretamente pelo Instagram. O recurso permite ampliar, mediante pagamento, o alcance de conteúdos entre usuários que não necessariamente acompanham a conta responsável pela publicação.</p>
<p>Segundo a equipe petista, a Meta atribuiu a indisponibilidade a um problema técnico, sem apresentar informações suficientes para demonstrar se candidatos de outras correntes políticas também foram afetados. A campanha considera que a repetição desses episódios, somada à ausência de explicações detalhadas, justifica uma investigação sobre a possibilidade de tratamento desigual.</p>
<p>Outra reclamação envolve a desativação da conta de anúncios da campanha em 23 de setembro. O episódio ocorreu durante o primeiro turno, quando as candidaturas intensificavam os investimentos em propaganda digital para ampliar o contato com eleitores indecisos.</p>
<p>A coligação também mencionou alterações nas métricas de vídeos publicados no início de outubro, especialmente em 7 de outubro, quando o perfil do presidente registrou um crescimento expressivo de visualizações. Integrantes da campanha afirmam que determinadas publicações apresentaram interrupções ou mudanças inesperadas na contabilização de seu alcance.</p>
<p>Esses relatos, entretanto, ainda dependem de verificação técnica independente. A existência de falhas em ferramentas digitais não demonstra, por si só, interferência deliberada em uma eleição. Para estabelecer eventual favorecimento político, seria necessário identificar as causas dos problemas, sua abrangência e a existência de diferenças injustificadas no tratamento das candidaturas.</p>
<h2>TSE pede registros de anúncios, moderação e distribuição de conteúdo</h2>
<p>A decisão de Marco Aurélio Bellizze amplia o alcance da discussão ao exigir informações que podem permitir uma análise mais detalhada do funcionamento das plataformas durante o período eleitoral. Entre os esclarecimentos solicitados estão os procedimentos de moderação adotados desde 16 de agosto, quando começou oficialmente a propaganda eleitoral, e os critérios aplicados a contas e publicações vinculadas aos candidatos.</p>
<p>O ministro também pediu explicações sobre possíveis anomalias na contabilização de visualizações, os motivos da desativação da conta publicitária de Lula em setembro e eventuais medidas relacionadas a perfis automatizados utilizados para divulgar conteúdos eleitorais.</p>
<p>Outro ponto relevante é a aplicação das regras sobre recomendação de publicações. A Justiça Eleitoral pretende esclarecer se os mecanismos utilizados pela Meta são empregados de maneira equivalente em relação às candidaturas que disputam a Presidência.</p>
<p>A preservação dos registros é importante porque sistemas de publicidade e recomendação operam com múltiplas variáveis, incluindo histórico de interação, características do conteúdo, preferências dos usuários, orçamento das campanhas e decisões automatizadas de moderação.</p>
<p>Sem acesso aos registros técnicos, alterações de alcance podem ser interpretadas de maneiras distintas. Uma queda nas visualizações pode decorrer de menor interesse do público, alterações nos padrões de consumo, problemas de medição ou restrições aplicadas pela plataforma. A identificação da causa exige informações mais amplas do que aquelas normalmente disponibilizadas nos painéis públicos das redes sociais.</p>
<p>A determinação do TSE não representa reconhecimento de que houve interferência eleitoral. Neste momento, o tribunal busca reunir elementos para analisar a denúncia. Após a manifestação da Meta, a coligação de Lula e a Procuradoria-Geral Eleitoral deverão ter prazo de 24 horas cada para se pronunciar, antes da apreciação do pedido de medida urgente apresentado pela campanha.</p>
<h2>Meta nega favorecimento político e cita falhas técnicas</h2>
<p>A empresa americana contestou a interpretação apresentada pela campanha petista. Em nota divulgada neste sábado, a Meta sustentou que os episódios mencionados não demonstram qualquer direcionamento político de suas plataformas.</p>
<p>Segundo a companhia, muitos dos problemas técnicos citados tiveram abrangência maior do que a indicada pela coligação e não atingiram apenas contas vinculadas ao presidente brasileiro. A empresa também afirmou seguir as normas eleitorais nacionais e assegurar condições isonômicas de utilização de seus serviços.</p>
<p>A explicação coloca no centro da controvérsia uma questão técnica: saber se os incidentes relatados decorreram de falhas gerais dos sistemas ou de restrições aplicadas especificamente aos conteúdos e às contas da campanha de Lula.</p>
<p>A primeira hipótese pode caracterizar problemas operacionais sem motivação <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340585">política</a>. A segunda exigiria examinar os fundamentos de eventuais restrições, já que as plataformas também precisam cumprir determinações judiciais e normas relativas à publicidade eleitoral.</p>
<p>Há ainda uma distinção entre impedir a contratação de novos anúncios e interromper campanhas publicitárias que já estavam em circulação. Uma conta pode enfrentar dificuldades para utilizar determinada ferramenta sem que todos os anúncios anteriormente aprovados sejam automaticamente suspensos.</p>
<p>A biblioteca de publicidade da Meta, consultada pela Folha de S.Paulo na manhã deste sábado, registrava 11 anúncios ativos associados aos perfis de Lula no Instagram e no Facebook. O dado indica que existiam campanhas publicitárias em circulação, mas não esclarece se a equipe presidencial conseguia contratar novos impulsionamentos no período questionado.</p>
<p>A verificação também precisará considerar se problemas semelhantes atingiram a campanha de Flávio Bolsonaro. Essa comparação poderá ajudar a distinguir falhas de abrangência geral de eventuais diferenças na aplicação de regras ou no funcionamento dos serviços.</p>
<h2>Alcance orgânico e impulsionamento são mecanismos diferentes</h2>
<p>A denúncia reúne questionamentos sobre duas formas distintas de distribuição de conteúdo. A primeira envolve o impulsionamento pago, no qual campanhas contratam serviços para ampliar a exposição de suas publicações. A segunda diz respeito ao alcance orgânico, determinado pelos mecanismos de recomendação e pelas interações dos próprios usuários.</p>
<p>No impulsionamento, fatores como orçamento, público selecionado, duração da campanha, aprovação do anúncio e desempenho das peças influenciam quantas pessoas recebem o conteúdo. Já na distribuição orgânica, os sistemas consideram sinais de interesse e relevância para definir quais publicações aparecem no feed, nos vídeos recomendados e em outras áreas das plataformas.</p>
<p>Uma falha na ferramenta de publicidade pode impedir temporariamente uma campanha de ampliar seu público mediante pagamento, mesmo que os conteúdos continuem disponíveis para os seguidores. Por outro lado, uma alteração no alcance orgânico pode reduzir as visualizações de uma publicação sem que exista qualquer restrição à contratação de anúncios.</p>
<p>Essa diferenciação é decisiva para a investigação porque a campanha petista também acusa os algoritmos da Meta de favorecer Flávio Bolsonaro. Para examinar essa suspeita, seria necessário avaliar padrões de distribuição comparáveis, levando em conta características dos conteúdos, períodos de publicação, investimento publicitário e comportamento das audiências.</p>
<p>Os dados públicos disponíveis não permitem concluir que a plataforma tenha manipulado deliberadamente a visibilidade das candidaturas. Tampouco a existência de anúncios ativos é suficiente para descartar problemas específicos nas ferramentas de impulsionamento.</p>
<h2>Crescimento de Lula nas redes antecedeu denúncia</h2>
<p>A controvérsia ganhou força depois que o presidente passou a adotar um formato de comunicação mais direto no Instagram. A campanha intensificou a divulgação de vídeos gravados em estilo pessoal, nos quais Lula se dirige aos eleitores sem a estrutura tradicional de pronunciamentos oficiais.</p>
<p>Segundo informações divulgadas pela Folha, o perfil presidencial registrou aproximadamente 197 milhões de visualizações em 7 de outubro, dia da publicação de um dos primeiros vídeos nesse formato. A gravação individual ultrapassou 27 milhões de visualizações, desempenho superior ao observado em diversas publicações anteriores.</p>
<p>A mudança faz parte de uma reorganização mais ampla da comunicação eleitoral. Depois do primeiro turno, integrantes do PT passaram a defender conteúdos mais curtos, maior presença de apoiadores digitais e mensagens voltadas às preocupações cotidianas da população.</p>
<p>A campanha procura ampliar o alcance de temas como programas sociais, emprego, renda e direitos trabalhistas, além de apresentar críticas às propostas atribuídas ao adversário. A estratégia busca disputar um ambiente de comunicação no qual lideranças bolsonaristas construíram forte presença ao longo dos últimos anos.</p>
<p>O crescimento recente das interações, entretanto, também indica que o desempenho das campanhas nas plataformas não é estático. Uma candidatura pode ampliar significativamente sua visibilidade mediante mudanças de formato, maior mobilização de apoiadores e publicação de conteúdos com elevado potencial de compartilhamento.</p>
<p>Da mesma forma, o número de visualizações não corresponde necessariamente ao total de pessoas diferentes alcançadas, já que um mesmo usuário pode assistir a diversas publicações ou visualizar o mesmo conteúdo repetidamente. O engajamento digital também não se converte automaticamente em intenção de voto.</p>
<h2>Disputa presidencial aumenta pressão sobre propaganda digital</h2>
<p>A denúncia ocorre a 15 dias do segundo turno, previsto para 25 de outubro. Flávio Bolsonaro terminou a primeira votação à frente de Lula, com aproximadamente 47% dos votos válidos, enquanto o presidente recebeu cerca de 45%.</p>
<p>A diferença levou a campanha petista a rever sua estratégia para tentar conquistar eleitores de outras candidaturas e ampliar a participação de grupos que não compareceram às urnas no primeiro turno.</p>
<p>Nesse cenário, as redes sociais adquiriram importância adicional. A disputa digital permite alcançar segmentos específicos do eleitorado, testar diferentes formatos de comunicação e reagir rapidamente a acontecimentos políticos.</p>
<p>Ao mesmo tempo, aumenta a dependência das campanhas em relação à infraestrutura tecnológica de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340586">empresas</a> privadas. Facebook e Instagram concentram parte relevante das atividades de divulgação política, enquanto WhatsApp e outras plataformas desempenham papel importante na mobilização de apoiadores e circulação de mensagens.</p>
<p>O funcionamento desses serviços afeta diretamente a capacidade das candidaturas de distribuir conteúdos. Entretanto, a influência política das plataformas não significa que qualquer oscilação em seus sistemas constitua uma interferência eleitoral.</p>
<p>O principal desafio para as autoridades será estabelecer critérios objetivos capazes de diferenciar problemas tecnológicos, decisões legítimas de moderação e eventuais práticas discriminatórias.</p>
<h2>O que dizem as regras eleitorais sobre anúncios nas redes?</h2>
<p>A propaganda eleitoral na internet é regulamentada pela Resolução nº 23.610/2019 do TSE, atualizada para as eleições de 2026. A norma permite o impulsionamento pago de conteúdos políticos sob condições específicas, incluindo identificação da publicidade, contratação pelos agentes autorizados e observância das regras estabelecidas para a campanha.</p>
<p>A legislação também proíbe a utilização do impulsionamento para propaganda eleitoral negativa contra adversários. O serviço pago deve ser utilizado para promover ou beneficiar a candidatura responsável pela contratação, e não para ampliar ataques direcionados a outros concorrentes.</p>
<p>Essa regra torna relevante a análise individualizada de eventuais anúncios rejeitados ou suspensos. Uma restrição pode resultar de problemas técnicos, mas também de exigências legais ou de políticas adotadas para cumprir determinações da Justiça Eleitoral.</p>
<p>Caso uma campanha considere que determinada decisão foi aplicada indevidamente, pode buscar esclarecimentos e contestar a medida pelos canais disponíveis, inclusive perante a Justiça Eleitoral.</p>
<p>A situação é diferente quando se discute uma possível atuação deliberada da plataforma para beneficiar determinado candidato. Nesse caso, seria necessário comprovar a existência de tratamento desigual injustificado e avaliar seus efeitos sobre a igualdade de condições da disputa.</p>
<p>A investigação sobre eventuais irregularidades deve considerar não apenas o prejuízo alegado por uma candidatura, mas também os critérios utilizados pela empresa e a aplicação desses procedimentos aos demais participantes do processo eleitoral.</p>
<h2>Por que a campanha também pretende acionar a ANPD?</h2>
<p>Além do Tribunal Superior Eleitoral, a equipe de Lula anunciou a intenção de levar o caso à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A autoridade federal é responsável por fiscalizar a aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), incluindo situações relacionadas ao tratamento de informações utilizadas para publicidade e direcionamento de conteúdos.</p>
<p>No ambiente eleitoral, a proteção de dados ganha importância porque plataformas e campanhas podem utilizar informações sobre interesses, comportamento e preferências dos usuários para definir públicos e estratégias de comunicação.</p>
<p>A regulamentação do TSE estabelece obrigações de transparência sobre o tratamento de dados pessoais, especialmente quando essas informações são utilizadas para construir perfis de usuários e direcionar propaganda eleitoral.</p>
<p>O papel da ANPD, entretanto, não se confunde com o da Justiça Eleitoral. Enquanto o TSE possui competência para analisar possíveis irregularidades na disputa e determinar providências relacionadas à propaganda, a autoridade de proteção de dados examina eventuais violações das regras de privacidade e tratamento de informações pessoais.</p>
<p>A simples existência de diferenças no alcance de publicações não caracteriza necessariamente infração à LGPD. Para que a atuação da ANPD produza consequências específicas, será necessário identificar aspectos relacionados à utilização de dados pessoais que estejam dentro de suas competências legais.</p>
<p>A eventual apuração por órgãos diferentes poderá oferecer informações complementares, mas cada instituição deverá observar os limites de sua atuação.</p>
<h2>Investigação deverá esclarecer se houve falha ou tratamento desigual</h2>
<p>A decisão do TSE abre uma etapa de esclarecimento técnico em uma disputa que passou a envolver não apenas as campanhas presidenciais, mas também a responsabilidade das plataformas digitais na organização da publicidade política.</p>
<p>A documentação solicitada à Meta poderá permitir a reconstrução dos episódios questionados e a comparação entre os procedimentos adotados em relação aos diferentes candidatos. Registros de indisponibilidade, decisões de moderação, justificativas de rejeição de anúncios e histórico de alterações nas ferramentas poderão contribuir para uma avaliação mais precisa.</p>
<p>Também será necessário identificar se as falhas tiveram efeitos efetivos sobre a distribuição das publicações e, caso tenham ocorrido, qual foi sua extensão. A perda temporária da capacidade de contratar publicidade não permite determinar automaticamente quantos eleitores deixaram de receber determinada mensagem.</p>
<p>O impacto depende de variáveis como duração da indisponibilidade, orçamento previsto, alcance esperado e existência de outras campanhas publicitárias em funcionamento.</p>
<p>Até o momento, não há comprovação pública de que a Meta tenha favorecido deliberadamente Flávio Bolsonaro ou prejudicado a candidatura de Lula por motivação política. A empresa nega a acusação, enquanto a campanha sustenta que a repetição dos problemas exige investigação.</p>
<p>A manifestação que deverá ser apresentada pela companhia ao TSE será, portanto, o próximo passo para esclarecer a controvérsia. A partir dos registros técnicos e das manifestações das partes, a Justiça Eleitoral poderá avaliar se existem elementos para adotar novas providências.</p>
<p>O episódio evidencia uma questão que ultrapassa a disputa presidencial de 2026: a crescente dependência das campanhas eleitorais de sistemas privados de publicidade e recomendação, cujo funcionamento nem sempre é plenamente transparente para candidatos e eleitores.</p>
<p>A apuração poderá estabelecer se os acontecimentos relatados representam problemas operacionais, medidas de moderação justificadas ou irregularidades capazes de comprometer a igualdade de condições na disputa. Até essa definição, a acusação permanece contestada e sob análise da Justiça Eleitoral.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Resolução nº 23.610/2019, com alterações aplicáveis às eleições de 2026, sobre propaganda eleitoral, impulsionamento de conteúdos e tratamento de dados pessoais.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Determinação do ministro Marco Aurélio Bellizze, de 10 de outubro de 2026, para que a Meta apresente esclarecimentos em 48 horas, conforme informações divulgadas pela cobertura judicial.</p>
<p>Meta — Nota oficial divulgada em 10 de outubro de 2026, negando as acusações de interferência eleitoral e afirmando cumprimento das normas brasileiras.</p>
<p>Campanha de Luiz Inácio Lula da Silva — Comunicado de 10 de outubro de 2026 sobre dificuldades no impulsionamento de conteúdos e alegações de tratamento desigual nas plataformas digitais, reproduzido pela imprensa.</p>
<p>Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e TSE — Guia Orientativo sobre a aplicação da LGPD no contexto eleitoral.</p>
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		<author>
			<name>Sandro Dias</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[Petróleo sobe com furacão e tensão no Oriente Médio; Brent fecha a US$ 104,72]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/petroleo-hoje-9-outubro-2026-brent-wti-furacao" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533275</id>
		<updated>2026-10-09T20:54:14Z</updated>
		<published>2026-10-09T20:33:32Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Brent" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="commodities" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="cotação do petróleo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="diesel russo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Donald Trump" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="estreito de Ormuz" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="furacão Isaias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Golfo do México" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="guerra no Irã" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercado de energia" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercado de petróleo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Oriente Médio." /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Petróleo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="petróleo hoje" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="preço do petróleo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="produção de petróleo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Saudi Aramco" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="WTI" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Na semana, o Brent e o WTI avançaram 2,41% e 0,81%, respectivamente</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/petroleo-hoje-9-outubro-2026-brent-wti-furacao"><![CDATA[<p>Os contratos futuros de petróleo encerraram a sexta-feira (9) em alta, sustentados pelas interrupções na produção americana provocadas pelo furacão Isaias e pelos riscos persistentes ao abastecimento internacional decorrentes da guerra no Oriente Médio. O Brent para dezembro avançou 0,42%, fechando a US$ 104,72 por barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) para novembro subiu 0,39%, a US$ 91,85, na bolsa de Nova York. O resultado consolidou uma semana de valorização, apesar das oscilações provocadas pelas negociações diplomáticas envolvendo Estados Unidos e Irã e por medidas anunciadas para ampliar a disponibilidade de combustíveis.</p>
<p>A principal pressão sobre a oferta nesta sexta-feira veio do Golfo do México, onde operadores de plataformas marítimas suspenderam aproximadamente 1,46 milhão de barris diários de produção, segundo dados oficiais da Marine Minerals Administration (MMA), agência vinculada ao Departamento do Interior americano. O volume representa 71,51% da produção de petróleo em águas federais da região, percentual superior aos 62,89% registrados na quinta-feira (8). A paralisação preventiva ocorre enquanto o furacão Isaias, classificado na categoria 3, avança em direção à costa americana, ameaçando instalações de extração, transporte e refino.</p>
<p>Na comparação semanal, o Brent acumulou valorização de 2,41%, enquanto o WTI registrou ganho de 0,81%. Com base nesses percentuais, o petróleo de referência internacional havia encerrado a semana anterior próximo de US$ 102,26, o que representa uma elevação aproximada de US$ 2,46 por barril. Já o contrato americano apresentou aumento equivalente a US$ 0,74, partindo de cerca de US$ 91,11. A diferença de desempenho reflete a exposição distinta dos dois mercados às interrupções internacionais de fornecimento e às condições de produção nos Estados Unidos.</p>
<p>O encerramento positivo ocorreu mesmo depois de o presidente americano, Donald Trump, anunciar um entendimento com o presidente russo, Vladimir Putin, para ampliar a oferta internacional de diesel. O governo dos Estados Unidos também autorizou temporariamente determinadas transações envolvendo combustível de origem russa, até então sujeitas a restrições econômicas. A iniciativa acrescentou um novo elemento às negociações de energia, especialmente diante dos preços elevados dos derivados e das dificuldades enfrentadas por refinarias e distribuidores.</p>
<h2>Furacão Isaias interrompe quase três quartos da produção marítima americana</h2>
<p>O avanço do furacão Isaias provocou uma rápida ampliação das paralisações nas instalações petrolíferas do Golfo do México. De acordo com os relatórios da Marine Minerals Administration, a produção interrompida passou de 511.619 barris por dia na quarta-feira (7) para 1.282.879 barris na quinta-feira (8), alcançando 1.458.814 barris nesta sexta-feira. Em apenas dois dias, o volume de produção suspensa aumentou aproximadamente 947 mil barris diários, crescimento superior a 185%.</p>
<p>Entre quinta e sexta-feira, a quantidade de petróleo retirada temporariamente da produção avançou 175.935 barris por dia, o equivalente a aproximadamente 13,7%. O aumento mostra que as <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340572">empresas</a> continuaram desativando instalações à medida que o sistema meteorológico se aproximava da costa, mesmo depois de uma parcela expressiva das operações já ter sido interrompida.</p>
<p>As medidas de segurança envolveram a retirada de trabalhadores de 129 plataformas de produção, correspondentes a 34,77% das 371 instalações tripuladas monitoradas pela agência. Também foram evacuadas oito unidades móveis de perfuração, enquanto duas plataformas com sistemas de posicionamento dinâmico foram deslocadas de suas áreas de operação para reduzir a exposição ao fenômeno.</p>
<p>O impacto alcançou ainda a produção de gás natural. Segundo a MMA, aproximadamente 1,26 bilhão de pés cúbicos diários deixaram de ser produzidos, volume equivalente a 58,84% da produção regional. A interrupção simultânea de petróleo e gás amplia os efeitos potenciais do furacão sobre diferentes segmentos do setor energético, incluindo unidades industriais que dependem do fornecimento contínuo desses insumos.</p>
<p>As paralisações são procedimentos preventivos destinados a proteger trabalhadores, instalações e o meio ambiente. As operadoras fecham válvulas de segurança e interrompem o fluxo dos poços antes da chegada das condições meteorológicas mais severas. Depois da passagem da tempestade, a produção poderá ser retomada mediante inspeções técnicas, desde que não sejam identificados danos estruturais. Portanto, os volumes suspensos não representam necessariamente perdas permanentes de produção.</p>
<p>O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) informou que Isaias deve atingir a costa americana entre a noite desta sexta-feira e o início de sábado (10). A trajetória projetada coloca sob risco áreas de produção e processamento de petróleo e gás, além de instalações industriais e logísticas próximas ao litoral. A intensidade dos efeitos dependerá do ponto de chegada do furacão e das condições encontradas pelas empresas durante a retomada das operações.</p>
<h2>Guerra no Oriente Médio mantém petróleo acima de US$ 100</h2>
<p>Embora a interrupção americana tenha exercido influência direta sobre os preços nesta sexta-feira, o conflito no Oriente Médio continua sendo o principal fator estrutural de pressão sobre o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340571">mercado</a> internacional de petróleo. Ataques a navios, instalações de produção e rotas de exportação reduziram a previsibilidade do fornecimento, aumentando os custos de transporte e de seguro marítimo.</p>
<p>O Estreito de Ormuz permanece no centro das preocupações. Localizada entre o Irã e Omã, a passagem concentra uma parcela relevante do comércio mundial de petróleo e derivados. Antes da guerra, aproximadamente 20% do consumo global de líquidos petrolíferos correspondia ao volume movimentado pela rota. Qualquer interrupção significativa afeta diretamente as exportações de países produtores do Golfo Pérsico e exige a utilização de trajetos alternativos, nem sempre disponíveis em capacidade suficiente.</p>
<p>O presidente Donald Trump afirmou nesta sexta-feira que mais de 28 milhões de barris haviam atravessado o Estreito de Ormuz na quinta-feira. A declaração foi apresentada como sinal de recuperação do fluxo marítimo, mas o volume mencionado não foi confirmado de maneira independente pelos dados oficiais consultados. A movimentação de navios continua sujeita a mudanças rápidas conforme a evolução das condições de segurança.</p>
<p>Trump também reiterou que Washington mantém negociações com Teerã e que o conflito deverá terminar, com ou sem um acordo formal entre os dois governos. As declarações contribuíram para reduzir temporariamente a pressão sobre os preços durante o pregão. Entretanto, a continuidade das operações militares e a ausência de um entendimento definitivo impediram que o mercado eliminasse o prêmio de risco associado à região.</p>
<p>A instabilidade também alcançou o Estreito de Bab el-Mandeb, no acesso ao Mar Vermelho, onde confrontos envolvendo forças do governo do Iêmen e os houthis ampliaram as ameaças à navegação comercial. Autoridades iemenitas anunciaram avanços militares na região, mas as condições de segurança permanecem incertas. A rota é especialmente importante para o transporte de petróleo saudita destinado à Europa e para a circulação internacional de mercadorias pelo Canal de Suez.</p>
<h2>Arábia Saudita retoma fornecimento e reduz pressão sobre refinarias europeias</h2>
<p>Um dos fatores que ajudaram a conter uma valorização mais intensa do petróleo foi a recuperação parcial da infraestrutura de exportação da Arábia Saudita. A Saudi Aramco informou a refinarias europeias que pretende atender integralmente aos pedidos de petróleo para novembro, depois da retomada das operações no oleoduto East-West, atingido anteriormente por ataques.</p>
<p>A estrutura conecta instalações produtoras próximas ao Golfo Pérsico ao terminal de Yanbu, no Mar Vermelho, permitindo exportar petróleo por uma rota que evita a passagem pelo Estreito de Ormuz. Antes das interrupções registradas em setembro, o oleoduto transportava mais de cinco milhões de barris por dia destinados à exportação, segundo estimativas da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA).</p>
<p>A recuperação do sistema representa uma alternativa importante para consumidores europeus, que enfrentaram dificuldades de abastecimento durante as paralisações. Entretanto, o funcionamento do oleoduto não elimina os riscos associados à navegação no Mar Vermelho. O petróleo transportado até Yanbu ainda depende de condições adequadas de segurança marítima para alcançar os mercados consumidores.</p>
<p>A EIA estima que a produção interrompida no Oriente Médio tenha alcançado média de 4,8 milhões de barris diários em setembro, abaixo dos 5,8 milhões registrados em agosto. No momento de maior restrição, em maio, as paralisações chegaram a aproximadamente 10,9 milhões de barris por dia. Os números indicam recuperação parcial da capacidade de abastecimento, embora o mercado continue operando sob limitações superiores às observadas antes do conflito.</p>
<p>A retomada das exportações sauditas e a reorganização das rotas de transporte ajudam a explicar por que o petróleo não permaneceu nas máximas registradas em setembro. Ainda assim, os custos adicionais de seguro, frete e segurança continuam incorporados às operações comerciais, especialmente nas regiões diretamente expostas aos ataques.</p>
<h2>Estados Unidos liberam importação de diesel russo até abril de 2027</h2>
<p>A preocupação com o fornecimento de combustíveis refinados levou o governo americano a anunciar uma mudança específica em sua <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340573">política</a> de sanções contra a Rússia. Nesta sexta-feira, Trump declarou ter chegado a um entendimento com Vladimir Putin para disponibilizar mais de 300 mil toneladas de diesel imediatamente aos mercados americano e internacional.</p>
<p>Segundo o presidente dos Estados Unidos, o acordo prevê outras 500 mil toneladas em novembro e mais um milhão de toneladas posteriormente. Também foi mencionada a possibilidade de fornecimento adicional de três milhões de toneladas, condicionada às condições operacionais das refinarias russas. Considerados todos os volumes anunciados, o potencial total chegaria a 4,8 milhões de toneladas, mas parte desse montante ainda depende de capacidade produtiva e logística.</p>
<p>O anúncio foi acompanhado por uma decisão formal do Departamento do Tesouro americano. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) publicou a Licença Geral nº 135, autorizando operações relacionadas à venda, entrega, descarga e importação de diesel de origem russa até 7 de abril de 2027. A autorização constitui uma exceção específica às restrições econômicas aplicáveis ao combustível e não representa a suspensão geral das sanções impostas à Rússia.</p>
<p>A medida procura aliviar a escassez de derivados em um período de preços elevados. Nos Estados Unidos, o diesel alcançou média de US$ 6,28 por galão na quinta-feira, conforme dados da associação automobilística AAA. O combustível possui papel central no transporte rodoviário de mercadorias, na atividade agrícola e em diversas operações industriais, de modo que sua valorização pode alcançar os preços finais de produtos e serviços.</p>
<p>Os estoques americanos de destilados, categoria que inclui diesel e óleo para aquecimento, somavam aproximadamente 105,1 milhões de barris na semana encerrada em 2 de outubro, segundo a EIA. O volume ficou praticamente estável em relação à semana anterior, depois de ter registrado níveis superiores a 107 milhões de barris em setembro. A disponibilidade limitada de estoques reduz a margem de resposta do mercado a interrupções inesperadas na produção e no refino.</p>
<p>O anúncio de Trump provocou reação nos contratos de diesel, mas o efeito sobre a oferta física dependerá da concretização dos embarques, da capacidade das refinarias russas e das condições comerciais estabelecidas. A emissão da licença americana permite determinadas transações, porém não comprova que os volumes anunciados já tenham sido entregues.</p>
<h2>EIA prevê Brent a US$ 105 no último trimestre de 2026</h2>
<p>As cotações desta sexta-feira ficaram próximas da estimativa mais recente da EIA para o mercado internacional. No relatório Perspectivas Energéticas de Curto Prazo, divulgado em 6 de outubro, a agência projetou preço médio de US$ 105 por barril para o Brent no quarto trimestre de 2026. A previsão foi elevada em US$ 14 em relação ao levantamento anterior, refletindo a persistência das restrições ao fornecimento no Oriente Médio.</p>
<p>A estimativa representa uma revisão de aproximadamente 15,4% sobre a projeção anterior, de US$ 91. A alteração ocorreu depois de setembro registrar preço médio de US$ 114 para o Brent, US$ 23 acima do observado em agosto. Naquele mês, a cotação diária chegou a US$ 131 por barril em 15 de setembro, quando ataques ao oleoduto saudita ampliaram as preocupações com a capacidade de exportação da região.</p>
<p>A EIA também projeta redução média de 700 mil barris diários nos estoques mundiais durante o quarto trimestre, depois de estimar uma queda de 1,9 milhão de barris por dia entre julho e setembro. A continuidade da utilização das reservas para atender ao consumo indica que a recuperação parcial das exportações ainda não foi suficiente para normalizar completamente o equilíbrio entre oferta e demanda.</p>
<p>Para 2027, a agência considera a possibilidade de redução gradual das cotações, com o Brent alcançando média de US$ 87 no segundo trimestre e US$ 74 nos últimos três meses do ano. Essas estimativas pressupõem melhora das condições de exportação, recuperação de instalações produtivas e recomposição dos estoques internacionais. Não se trata, portanto, de preços garantidos, mas de cenários condicionados à evolução do conflito e da capacidade de abastecimento.</p>
<p>A diferença entre Brent e WTI também merece atenção. Com os fechamentos desta sexta-feira, o petróleo internacional terminou US$ 12,87 acima da referência americana, distância equivalente a aproximadamente 14% do preço do WTI. O diferencial reflete características próprias dos contratos, locais de entrega, qualidade do petróleo e condições regionais de oferta e demanda, além das dificuldades de abastecimento enfrentadas por compradores internacionais.</p>
<p>A semana terminou, assim, com duas fontes de pressão sobre os preços: a interrupção imediata da produção americana pelo furacão Isaias e a continuidade das restrições energéticas associadas à guerra no Oriente Médio. A recuperação das exportações sauditas e a autorização para comercialização de diesel russo oferecem alternativas de abastecimento, mas seus efeitos dependerão da normalização efetiva dos fluxos de petróleo e derivados. Nos próximos dias, a retomada das operações no Golfo do México e as condições de navegação nas principais rotas internacionais serão determinantes para avaliar se o mercado conseguirá reduzir parte das pressões que mantiveram o Brent acima de US$ 100.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Marine Minerals Administration &#8211; boletins oficiais de 7, 8 e 9 de outubro de 2026 sobre paralisações da produção de petróleo e gás, evacuação de plataformas e medidas de segurança durante o furacão Isaias.</em></p>
<p><em>Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos &#8211; avisos meteorológicos e projeções de trajetória e intensidade do furacão Isaias em outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos &#8211; relatório Perspectivas Energéticas de Curto Prazo de 6 de outubro de 2026, com projeções para os preços internacionais do petróleo, produção interrompida e estoques mundiais.</em></p>
<p><em>Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos &#8211; análise de 9 de outubro de 2026 sobre os impactos do furacão Isaias na infraestrutura energética americana.</em></p>
<p><em>Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos &#8211; levantamento de 5 de outubro de 2026 sobre os preços do petróleo, margens de refino e interrupções no fornecimento durante o terceiro trimestre.</em></p>
<p><em>Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos &#8211; estatísticas semanais de estoques de destilados divulgadas em 7 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Departamento do Tesouro dos Estados Unidos &#8211; Licença Geral nº 135, de 9 de outubro de 2026, sobre autorização temporária de transações envolvendo diesel de origem russa.</em></p>
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		<author>
			<name>Júlia Campos</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[Ministério da Justiça pede à PF investigação de ameaças contra Ana Elisa após disputa com Nikolas]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/ana-elisa-nikolas-ferreira-ameacas-policia-federal" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533268</id>
		<updated>2026-10-09T20:13:20Z</updated>
		<published>2026-10-09T20:13:20Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Política" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="ameaças de morte" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Ana Elisa" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="deputada eleita" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="desinformação eleitoral" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Eleições 2026" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="igrejas evangélicas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Lula" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Minas Gerais" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Ministério da Justiça" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Nikolas Ferreira" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="PL" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Polícia Federal" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="PT" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Redes Sociais" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="TSE" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="violência contra a mulher" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="violência política" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>O Ministério da Justiça e Segurança Pública pediu nesta sexta-feira (9) à Polícia Federal (PF) a abertura de um inquérito para investigar ameaças de morte e estupro contra Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos, eleita deputada federal por Minas Gerais. A iniciativa ocorreu após a parlamentar denunciar ataques nas redes sociais, intensificados durante [&#8230;]</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/ana-elisa-nikolas-ferreira-ameacas-policia-federal"><![CDATA[<p>O Ministério da Justiça e Segurança Pública pediu nesta sexta-feira (9) à Polícia Federal (PF) a abertura de um inquérito para investigar ameaças de morte e estupro contra Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos, eleita deputada federal por Minas Gerais. A iniciativa ocorreu após a parlamentar denunciar ataques nas redes sociais, intensificados durante uma disputa pública com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O conflito começou com a divulgação de publicações atribuídas à petista sobre igrejas e lideranças religiosas, cuja autenticidade passou a ser questionada pela equipe da deputada eleita.</p>
<p>O pedido de investigação foi encaminhado pela Secretaria Nacional de Acesso à Justiça ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por meio do Ofício nº 974/2026/DIPRODI/SAJU/MJ. Assinado pela secretária Sheila Santana de Carvalho, o documento solicita a identificação dos responsáveis pelas ameaças e providências junto às plataformas digitais para interromper a circulação dos conteúdos ofensivos. Até a divulgação do pedido, não havia confirmação pública de abertura de inquérito federal ou identificação dos autores das mensagens.</p>
<p>A controvérsia ganhou novos elementos ao longo desta sexta-feira. Em comunicado oficial, Ana Elisa negou ter defendido o fechamento de igrejas, como sugere uma imagem divulgada por Nikolas na quinta-feira (8), e anunciou que solicitará uma perícia para verificar sua autenticidade. Ao mesmo tempo, reconheceu a existência de outras publicações antigas, feitas quando era adolescente, e pediu desculpas a pessoas que possam ter se sentido ofendidas. A manifestação estabelece uma diferença entre mensagens cuja autoria foi admitida e uma publicação específica que continua sendo contestada.</p>
<p>Ana Elisa e Nikolas foram os dois candidatos a deputado federal mais votados em Minas Gerais nas eleições de 4 de outubro. O parlamentar do PL recebeu 3.119.318 votos, enquanto a petista conquistou 524.219. A diferença de aproximadamente 2,6 milhões de votos colocou ambos entre os principais nomes da representação <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340566">política</a> mineira, embora em campos partidários opostos. A disputa nas redes ganhou repercussão nacional depois que Ana Elisa passou a colaborar com a comunicação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), marcado para 25 de outubro.</p>
<h2>Ana Elisa nega postagem sobre igrejas e admite outras mensagens antigas</h2>
<p>A publicação que desencadeou o confronto foi compartilhada por Nikolas Ferreira e atribuída a uma mensagem supostamente escrita por Ana Elisa em 2 de outubro de 2022. O conteúdo, apresentado como uma captura de tela da antiga plataforma Twitter, sugeria que ela havia pedido a Lula o fechamento de igrejas evangélicas. A imagem foi divulgada durante a campanha presidencial, acompanhada de críticas à atuação política da deputada eleita e de questionamentos sobre suas posições em relação à religião.</p>
<p>Em nota divulgada nesta sexta-feira, a equipe da petista afirmou que a mensagem sobre fechamento de igrejas não foi escrita por ela, não consta do histórico de sua conta e será submetida a pedido de perícia. A parlamentar também declarou nunca ter defendido o encerramento de instituições religiosas. A negativa é categórica, mas a autenticidade da imagem ainda não foi estabelecida por exame técnico independente ou decisão judicial conhecida.</p>
<p>Outras publicações atribuídas a Ana Elisa também circularam nas redes sociais. Entre elas estava uma mensagem, supostamente de abril de 2026, que questionava a presença de padres nas plataformas digitais. O conteúdo foi utilizado por adversários políticos para acusá-la de intolerância religiosa. A publicação original não foi localizada na conta da parlamentar nas verificações divulgadas inicialmente, e não há confirmação independente suficiente para tratar sua autoria como demonstrada.</p>
<p>A controvérsia se ampliou porque parte das mensagens antigas efetivamente foi reconhecida pela própria deputada eleita. No comunicado de 9 de outubro, sua equipe afirmou que publicações autênticas haviam sido retiradas de contexto e que a maioria remontava ao período em que Ana Elisa tinha 17 anos. A nota não apresentou uma identificação individual de todas as mensagens reconhecidas, mas informou que a parlamentar assumia o conteúdo que havia escrito e se retratava.</p>
<p>Entre os registros históricos recuperados da antiga conta da petista está uma publicação de abril de 2023 na qual ela utilizou referências ao fechamento de igrejas e a outras controvérsias políticas em tom de ironia. A mensagem é diferente daquela divulgada por Nikolas como sendo de outubro de 2022. A existência de uma publicação autêntica sobre assunto semelhante não comprova a autenticidade de outra captura de tela, especialmente quando há divergências de texto, data e contexto.</p>
<p>A equipe de Ana Elisa afirmou ainda que a deputada, atualmente com 21 anos, não mantém necessariamente as mesmas posições de quando era adolescente. Segundo a manifestação, ela é católica praticante e defende a liberdade religiosa, o Estado laico e a democracia. O reconhecimento de mensagens antigas não elimina a possibilidade de críticas ao conteúdo efetivamente publicado, mas também não autoriza atribuir à parlamentar declarações cuja autoria permaneça sem comprovação.</p>
<h2>Ameaças levaram deputada a desativar conta na rede X</h2>
<p>Os ataques denunciados por Ana Elisa não começaram com a divulgação das publicações sobre igrejas. Em 8 de outubro, a Agência Brasil informou que a deputada eleita havia apresentado denúncia à Polícia Civil por ameaças de morte e violência sexual recebidas ainda durante a campanha eleitoral. A parlamentar relatou mensagens de conteúdo racista e misógino, além da exposição de informações pessoais, como endereço residencial, telefone e documentos.</p>
<p>Uma das mensagens denunciadas havia sido enviada em 5 de setembro, cerca de um mês antes da eleição. Segundo o relato da deputada, o responsável fez referências a grupos supremacistas e incluiu ameaças contra familiares. A existência dessas ocorrências anteriores demonstra que os problemas de segurança relatados pela parlamentar precedem o confronto mais recente com Nikolas Ferreira, embora ela afirme que os ataques se intensificaram depois da repercussão das publicações.</p>
<p>Na quinta-feira (8), Ana Elisa anunciou a desativação temporária de sua conta na rede social X. Em vídeo divulgado em outras plataformas, afirmou que sua equipe recebia ameaças de morte e estupro com frequência de aproximadamente uma mensagem a cada dois minutos. A informação corresponde ao relato da própria deputada e não representa uma contagem independentemente auditada das mensagens.</p>
<p>O PT providenciou segurança particular para a parlamentar eleita, segundo informações divulgadas durante a semana. Ana Elisa também afirmou que tentava proteger seus familiares diante da circulação de dados pessoais e das ameaças. A situação passou a ser acompanhada pelas autoridades de segurança, inicialmente na esfera estadual e, agora, com um pedido formal de investigação dirigido à Polícia Federal.</p>
<p>No ofício encaminhado nesta sexta-feira, o Ministério da Justiça solicitou providências para identificar os autores dos ataques e obter a colaboração das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340567">empresas</a> responsáveis pelas plataformas X e Meta. A secretaria responsável apontou a possível ocorrência de crimes de ameaça contra mulher relacionados à atuação política da deputada eleita. A definição jurídica dos fatos, porém, dependerá da apuração policial e da identificação das circunstâncias de cada mensagem.</p>
<p>Não há comprovação pública de que Nikolas Ferreira tenha participado da elaboração das ameaças ou determinado seu envio. O deputado é responsável pelas publicações que realizou em suas próprias redes sociais, mas a atribuição de responsabilidade por mensagens enviadas por terceiros exige identificação dos autores e elementos que demonstrem eventual participação, incentivo criminoso ou coordenação, conforme o caso.</p>
<h2>Legislação eleitoral diferencia críticas políticas, desinformação e ameaças</h2>
<p>A disputa entre os parlamentares envolve três questões juridicamente diferentes: a divulgação de conteúdo supostamente falso, o direito de crítica a manifestações públicas e as ameaças dirigidas a uma mulher que participa da atividade política. Embora esses acontecimentos estejam relacionados pela repercussão nas redes sociais, cada um depende de requisitos próprios para eventual responsabilização.</p>
<p>O artigo 323 do Código Eleitoral prevê punição para a divulgação, durante a campanha, de fatos que o responsável saiba serem inverídicos e que possam influenciar o eleitorado. A regra exige a demonstração de elementos como o conteúdo da informação, sua falsidade, o conhecimento dessa condição por quem a divulga e sua capacidade de exercer influência eleitoral. Uma captura de tela contestada não permite, isoladamente, concluir que houve crime ou que o responsável por compartilhá-la tinha conhecimento de eventual adulteração.</p>
<p>A legislação também assegura liberdade para manifestações políticas, críticas e divergências de opinião. Declarações autênticas de uma pessoa pública podem ser debatidas e contestadas, inclusive quando foram feitas anos antes. A responsabilização depende das características concretas da manifestação e dos limites estabelecidos pela legislação, não bastando que determinada opinião seja considerada ofensiva ou controversa por adversários.</p>
<p>Já a Lei 14.192, de agosto de 2021, estabeleceu mecanismos específicos para prevenir e combater a violência política contra a mulher. A norma introduziu no Código Eleitoral o artigo 326-B, que pune condutas de assédio, constrangimento, humilhação, perseguição ou ameaça praticadas com discriminação relacionada à condição de mulher ou à cor, raça ou etnia, quando destinadas a impedir ou dificultar a campanha eleitoral ou o exercício de mandato. A pena prevista é de um a quatro anos de reclusão e multa.</p>
<p>A eventual aplicação desse dispositivo ao caso de Ana Elisa dependerá da identificação dos responsáveis e da demonstração dos elementos exigidos pela lei. Ameaças de morte ou violência sexual também podem configurar outros crimes previstos na legislação penal, independentemente de estarem associadas à disputa eleitoral. A existência de crítica política, ainda que contundente, não autoriza ameaças ou exposição ilícita de dados pessoais.</p>
<p>A equipe da deputada anunciou que recorrerá à Justiça Eleitoral e ao Ministério Público para questionar a divulgação da imagem sobre fechamento de igrejas. O comunicado também menciona a possibilidade de responsabilização dos responsáveis pela circulação de conteúdo considerado falso. Até o momento, contudo, não foi localizada decisão judicial específica que tenha estabelecido a autenticidade da publicação atribuída a Ana Elisa ou determinado sanções contra Nikolas por esse episódio.</p>
<h2>Nikolas já teve publicações eleitorais questionadas pelo TSE em 2022</h2>
<p>A controvérsia atual recuperou um antecedente da eleição presidencial de 2022, quando Nikolas Ferreira foi alvo de decisões da Justiça Eleitoral relacionadas à divulgação de informações sobre Lula. Naquele ano, o então candidato a deputado federal compartilhou um vídeo que associava uma eventual vitória do petista ao fechamento de igrejas, à perseguição de cristãos e a outras medidas apresentadas como consequências de seu retorno à Presidência.</p>
<p>O Tribunal Superior Eleitoral determinou a remoção do conteúdo, considerando que as mensagens divulgavam afirmações manifestamente inverídicas e prejudiciais à imagem do candidato presidencial. A decisão foi mantida pelo colegiado, e a Justiça Eleitoral também concedeu direito de resposta à campanha de Lula. O episódio foi citado pela equipe de Ana Elisa no comunicado divulgado nesta sexta-feira.</p>
<p>Esse precedente, entretanto, não determina automaticamente o resultado de uma eventual disputa judicial sobre as publicações atuais. Embora ambos os episódios envolvam alegações relacionadas a igrejas e adversários políticos, as circunstâncias, os documentos e os responsáveis precisam ser examinados individualmente. Uma decisão anterior pode oferecer referências jurídicas, mas não substitui a verificação das provas de um novo caso.</p>
<p>Em 2023, o TSE também manteve multa de R$ 30 mil aplicada a Nikolas por outro vídeo de 2022, que continha informações descontextualizadas sobre Lula e o suposto confisco de bens e ativos financeiros. Trata-se de um processo diferente daquele relacionado ao fechamento de igrejas, distinção necessária para não atribuir a uma mesma decisão fatos e penalidades de procedimentos distintos.</p>
<h2>Disputa ocorre após eleição dos dois deputados mais votados de Minas</h2>
<p>O confronto entre Nikolas e Ana Elisa também reflete a projeção política conquistada por ambos nas eleições de 2026. Nikolas foi reeleito com 3.119.318 votos, enquanto Ana Elisa conquistou 524.219 votos em sua primeira eleição para a Câmara. A votação do parlamentar do PL foi aproximadamente 5,95 vezes superior à da candidata petista, mas ambos ficaram nas duas primeiras posições entre os concorrentes a deputado federal em Minas Gerais.</p>
<p>Natural de Divinópolis, Ana Elisa tornou-se uma das deputadas federais eleitas mais jovens do país. Estudante de Direito, ganhou projeção com publicações sobre direitos trabalhistas, educação pública, igualdade racial e participação política de jovens. A campanha presidencial de Lula passou a contar com sua colaboração nas redes sociais após o primeiro turno, em uma iniciativa que também envolve outros parlamentares recém-eleitos.</p>
<p>Nikolas, por sua vez, consolidou uma base eleitoral expressiva em Minas Gerais e mantém presença relevante nas plataformas digitais. O parlamentar atua na oposição ao governo Lula e participa da mobilização em favor de Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial. A troca de acusações entre os dois ocorre, portanto, em um ambiente de disputa política nacional, mas a relevância eleitoral do episódio não altera a necessidade de apuração independente sobre a autenticidade das mensagens e a origem das ameaças.</p>
<p>A cronologia conhecida mostra que Ana Elisa já havia denunciado ameaças em setembro, foi eleita em 4 de outubro, passou a integrar iniciativas de comunicação da campanha presidencial e enfrentou nova controvérsia após as publicações divulgadas em 8 de outubro. No dia seguinte, sua equipe reconheceu a autoria de parte das mensagens antigas, contestou uma imagem específica e anunciou medidas judiciais, enquanto o Ministério da Justiça pediu a atuação da Polícia Federal.</p>
<p>A investigação solicitada pelo governo deverá se concentrar nas ameaças e na identificação de seus autores. Em paralelo, a discussão eleitoral sobre a autenticidade das publicações poderá ser levada ao TSE e ao Ministério Público, conforme anunciado pela equipe da deputada. Até que haja elementos técnicos ou decisões sobre os conteúdos contestados, permanece necessário distinguir as mensagens reconhecidas por Ana Elisa daquelas cuja autoria ela nega. Também não é possível atribuir a terceiros as ameaças recebidas pela parlamentar sem a correspondente comprovação de responsabilidade.</p>
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		<author>
			<name>Camila Braga</name>
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						</author>

		<title type="html"><![CDATA[Magazine Luiza (MGLU3) dispara 20,8% com expectativa de juros menores]]></title>
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		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533267</id>
		<updated>2026-10-09T20:28:59Z</updated>
		<published>2026-10-09T20:06:27Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="ações de varejo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="ações MGLU3" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="B3" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Banco Central" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Bolsa de valores" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="BTG Pactual" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Eleições 2026" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Ibovespa" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Itaú BBA" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="juros" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Magalu" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Magazine Luiza" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercado Financeiro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="MGLU3" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="resultados financeiros" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Selic" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="varejo" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>As ações do Magazine Luiza (MGLU3) brilham no Ibovespa (IBOV) no pregão desta sexta-feira (9). Entenda o que está no pano de fundo.</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/magazine-luiza-mglu3-acoes-disparam-juros-2026"><![CDATA[<p>As ações do Magazine Luiza (MGLU3) registravam valorização de 20,78% na tarde desta sexta-feira (9), negociadas a R$ 12,38 por volta das 16h30, em mais uma sessão de recuperação das empresas brasileiras de varejo na B3. O avanço ocorre em meio à revisão das expectativas dos investidores sobre os rumos da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340569">política</a> econômica e dos juros no Brasil após o primeiro turno das eleições presidenciais. Sem a divulgação de um novo fato relevante que explique individualmente a valorização, a alta da companhia acompanha a procura por ações consideradas mais sensíveis às mudanças nas condições de crédito e financiamento.</p>
<p>O movimento ganhou força ao longo da semana, depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno presidencial à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O resultado foi interpretado por parte dos investidores como um fator de possível mudança na orientação da política fiscal a partir de 2027, embora as propostas econômicas dos candidatos ainda estejam sujeitas ao debate eleitoral. Essa avaliação contribuiu para a queda dos juros futuros e para a valorização de empresas cujos resultados são particularmente afetados pelo custo do dinheiro, como varejistas, construtoras e companhias com elevada exposição ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340568">mercado</a> doméstico.</p>
<p>Considerando a cotação de R$ 12,38 registrada nesta sexta-feira e o preço de R$ 7,61 observado no encerramento de 2 de outubro, as ações do Magazine Luiza acumulavam valorização aproximada de 62,7% na semana, segundo cálculo realizado a partir das séries históricas de negociação. A diferença corresponde a um ganho de R$ 4,77 por ação em cinco pregões. Em relação ao fechamento de setembro, de R$ 7,46, a valorização alcançava aproximadamente 66%, demonstrando a intensidade da recuperação recente do papel.</p>
<p>O avanço é expressivo também na comparação com o comportamento do setor. Desde o encerramento da semana anterior, as varejistas acompanhadas pelo BTG Pactual haviam registrado valorização média próxima de 12%, segundo levantamento divulgado pelo banco. O Magazine Luiza apresentou desempenho superior ao movimento setorial, refletindo sua maior sensibilidade às expectativas de juros e à percepção de risco dos investidores. A valorização, entretanto, não corresponde a uma melhora equivalente já observada nos resultados financeiros da empresa.</p>
<h2>Juros menores podem aumentar lucro do Magazine Luiza em 19%, estima BTG</h2>
<p>A expectativa de redução dos juros é um dos elementos centrais para compreender a valorização recente da varejista. O Magazine Luiza opera em segmentos como eletrodomésticos, móveis e eletrônicos, nos quais o financiamento das compras exerce influência direta sobre a demanda. Além disso, a companhia utiliza crédito para financiar parte de suas operações, o que torna o resultado financeiro sensível às mudanças na taxa básica de juros e nas condições de captação de recursos.</p>
<p>Em estudo divulgado nesta semana, o BTG Pactual estimou que uma redução de 100 pontos-base, equivalente a um ponto percentual, na taxa Selic poderia elevar o lucro líquido projetado do Magazine Luiza em aproximadamente 19%, mantendo constantes as demais variáveis consideradas no exercício. O cálculo não significa que essa melhora já tenha ocorrido, nem representa uma projeção de crescimento garantido. Trata-se de uma simulação sobre os efeitos potenciais de juros mais baixos nas despesas financeiras e nos resultados da companhia.</p>
<p>A dimensão desse benefício é superior à estimada pelo mesmo banco para outras varejistas. Segundo o levantamento, um corte de um ponto percentual na Selic teria impacto positivo aproximado de 9,9% sobre o lucro do Assaí (ASAI3), de 5,7% na Pague Menos (PGMN3) e de 5,1% no Grupo SBF (SBFG3). A diferença decorre da estrutura de financiamento, do endividamento e da relação entre despesas financeiras e lucro projetado de cada empresa.</p>
<p>O Banco Central mantém atualmente a Selic em 13,75% ao ano, depois de reduzi-la de 14% na reunião de setembro. A decisão deu continuidade ao ciclo de flexibilização monetária, mas o Comitê de Política Monetária (Copom) ressaltou que a inflação acima da meta e as incertezas internacionais exigem cautela na condução dos próximos movimentos. Isso significa que a perspectiva de juros menores possui fundamento no ciclo monetário em andamento, embora a intensidade e o calendário das próximas reduções permaneçam indefinidos.</p>
<p>Para o Magazine Luiza, a queda dos juros pode produzir efeitos diferentes ao longo do tempo. O primeiro é a redução das despesas relacionadas ao financiamento da companhia, dependendo das condições e dos prazos de suas obrigações. O segundo envolve a possibilidade de melhorar a oferta de crédito aos consumidores, ampliando o acesso a compras parceladas. Um terceiro efeito pode surgir do aumento da demanda por produtos de maior valor, caso as famílias recuperem capacidade de consumo.</p>
<p>Esses benefícios, contudo, não são automáticos. A elevada participação de dívidas no orçamento das famílias brasileiras pode limitar a disposição para novas compras, mesmo que o crédito fique mais barato. Além disso, bancos e financeiras consideram inadimplência, renda e risco de cada consumidor ao decidir sobre a concessão de empréstimos ou parcelamentos.</p>
<h2>Valorização das ações ocorre após prejuízo de R$ 72,5 milhões no segundo trimestre</h2>
<p>A recuperação do Magazine Luiza no mercado acionário contrasta com os resultados financeiros mais recentes da companhia. No segundo trimestre de 2026, a varejista registrou prejuízo líquido contábil de R$ 72,5 milhões, acima da perda de aproximadamente R$ 24,4 milhões apurada no mesmo período do ano anterior. Desconsiderando efeitos não recorrentes, o prejuízo ajustado foi de R$ 50,4 milhões, revertendo o lucro ajustado de R$ 1,8 milhão registrado entre abril e junho de 2025.</p>
<p>A receita líquida consolidada alcançou R$ 8,9 bilhões, queda de 2,6% na comparação anual, enquanto as vendas totais somaram R$ 14,5 bilhões, recuo de 5,1%. Os números mostram que a companhia ainda enfrenta dificuldades para expandir suas operações em um ambiente de crédito caro e consumo enfraquecido, apesar de avanços em determinadas atividades.</p>
<p>O desempenho das lojas físicas foi uma das principais exceções. As vendas nesse canal cresceram 10,3% em relação ao segundo trimestre de 2025, elevando sua participação no volume total de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340570">negócios</a> de 30,7% para 35,7%. Em contrapartida, o comércio eletrônico apresentou retração de aproximadamente 12%, incluindo queda de 11,5% nas vendas digitais com estoque próprio e de 12,6% nas operações do marketplace.</p>
<p>A diferença entre os canais indica que a recuperação da rentabilidade dependerá de fatores adicionais à queda dos juros. A companhia precisa enfrentar a concorrência no comércio eletrônico, melhorar a eficiência de suas operações e ampliar a contribuição de serviços financeiros, logística e tecnologia para os resultados consolidados. O crescimento das lojas físicas ajudou a compensar parte da retração digital, mas não foi suficiente para impedir a diminuição das vendas totais.</p>
<p>O Ebitda ajustado, indicador utilizado para avaliar o desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 708,8 milhões no trimestre, queda de aproximadamente 2,5% na comparação anual. A margem Ebitda ajustada permaneceu em torno de 8%, mostrando relativa estabilidade operacional apesar da redução da receita.</p>
<p>O resultado financeiro foi um dos principais fatores de pressão sobre o lucro. Segundo análise do BB Investimentos, as despesas financeiras líquidas alcançaram R$ 572,3 milhões no segundo trimestre, refletindo o custo do endividamento e das operações de antecipação de recebíveis de cartões. O montante corresponde a aproximadamente 80,7% do Ebitda ajustado trimestral, comparação que ajuda a dimensionar o peso das despesas financeiras sobre a capacidade de geração de resultados da companhia.</p>
<h2>Magazine Luiza tem dívida de R$ 4,9 bilhões e vencimento relevante em outubro</h2>
<p>A estrutura de capital do Magazine Luiza também ajuda a explicar por que suas ações apresentam movimentos intensos diante de alterações nas expectativas de juros. Ao final do segundo trimestre, a dívida bruta da companhia estava próxima de R$ 4,9 bilhões, enquanto a dívida líquida alcançava aproximadamente R$ 3,2 bilhões, uma redução de 22% em relação ao mesmo período de 2025, segundo os dados examinados pelo BB Investimentos.</p>
<p>A companhia possui ainda cerca de R$ 4 bilhões em recebíveis de cartões de crédito, considerados em sua metodologia de caixa líquido ajustado. A inclusão desses valores leva a uma posição positiva de aproximadamente R$ 806 milhões, embora os recebíveis não devam ser confundidos integralmente com dinheiro imediatamente disponível em caixa, uma vez que possuem prazos e características próprias de realização.</p>
<p>Outro elemento relevante para a estrutura financeira é o vencimento da décima emissão de debêntures do Magazine Luiza, previsto para 15 de outubro. Em comunicado encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em agosto, a companhia informou que a operação envolve amortização próxima de R$ 900 milhões, correspondente ao vencimento final dos títulos.</p>
<p>O montante representa aproximadamente 18,4% da dívida bruta de R$ 4,9 bilhões divulgada para o segundo trimestre. Segundo esclarecimento da própria varejista, a amortização será realizada com recursos já disponíveis, reduzindo simultaneamente a dívida bruta e a posição de caixa. Por essa razão, a operação é considerada substancialmente neutra para a dívida líquida e não representa, isoladamente, uma melhora equivalente na situação econômica da empresa.</p>
<p>A informação é importante porque diferencia uma redução contábil do endividamento bruto de uma efetiva geração adicional de recursos. Ao quitar uma dívida com dinheiro existente, a companhia reduz obrigações futuras, mas também diminui seus ativos líquidos. Os benefícios financeiros posteriores dependem das características dos títulos, dos custos de refinanciamento e das demais necessidades operacionais.</p>
<p>A administração já havia informado que a amortização estava prevista contratualmente e não deveria ser interpretada como nova projeção de resultados. Assim, o vencimento das debêntures é um acontecimento financeiro conhecido pelo mercado, diferente de uma medida extraordinária capaz de explicar, por si só, a valorização registrada nesta sexta-feira.</p>
<h2>Reprecificação do varejo ocorre antes de melhora efetiva dos lucros</h2>
<p>O avanço das ações de varejistas não reflete apenas expectativas sobre despesas financeiras. Segundo o BTG Pactual, o primeiro movimento de recuperação do setor foi provocado principalmente pela redução do retorno exigido pelos investidores para manter posições em <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340589">empresas</a> brasileiras, diante da reavaliação dos riscos econômicos e políticos.</p>
<p>Nesse processo, os múltiplos de negociação aumentaram. O levantamento do banco mostrou que o preço mediano das ações do setor passou de aproximadamente oito para nove vezes o lucro projetado para 2027, uma elevação de 12,5% no múltiplo de avaliação. A mudança significa que os investidores passaram a aceitar pagar mais pelas mesmas estimativas de resultado futuro, mesmo sem revisões equivalentes nas projeções de lucro.</p>
<p>O fenômeno é conhecido no mercado financeiro como reprecificação dos ativos. Quando a percepção de risco diminui, o retorno exigido pode cair, elevando o valor atribuído aos fluxos de caixa futuros das empresas. O efeito costuma ser mais expressivo em companhias cujos resultados esperados estão concentrados em períodos posteriores e dependem fortemente das condições de financiamento.</p>
<p>Em análise divulgada na terça-feira (6), o Itaú BBA apresentou simulações para o setor utilizando diferentes hipóteses de crescimento econômico, redução dos juros e normalização dos múltiplos. Entre as empresas examinadas, o Magazine Luiza figurava em um grupo com potencial de valorização superior a 40% no cenário considerado pelo banco. Esse percentual é resultado de um exercício condicionado às premissas utilizadas e às cotações de referência do estudo, não podendo ser tratado como ganho garantido ou potencial remanescente após as altas posteriores.</p>
<p>O mesmo cuidado se aplica às estimativas de lucro associadas à Selic. Uma queda de um ponto percentual nos juros pode produzir benefícios financeiros, mas as ações também podem registrar perdas caso os investidores revisem suas expectativas, os resultados operacionais se deteriorem ou a melhora econômica prevista não se concretize.</p>
<p>O próprio comportamento recente das ações demonstra essa sensibilidade. O Magazine Luiza havia encerrado setembro a R$ 7,46 e chegou a R$ 12,38 nesta sexta-feira, diferença de R$ 4,92 por papel. A valorização aproximada de 66% ocorreu sem que a empresa tivesse apresentado novo balanço trimestral ou anunciado uma mudança operacional de dimensão semelhante nesse intervalo.</p>
<h2>Inflação de setembro supera expectativas e aumenta incerteza sobre Selic</h2>
<p>A recuperação do varejo ocorreu no mesmo dia em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou uma inflação acima das expectativas do mercado. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,82% em setembro, depois de recuar 0,32% em agosto. A diferença entre os dois resultados foi de 1,14 ponto percentual, refletindo principalmente o aumento dos preços da energia elétrica e de outros itens do orçamento das famílias.</p>
<p>No acumulado de 12 meses, a inflação alcançou 4,58%, ultrapassando o limite superior de 4,5% do intervalo de tolerância da meta perseguida pelo Banco Central. A energia elétrica residencial subiu 7,98% no mês, influenciada pelo encerramento dos efeitos do desconto temporário associado ao Bônus de Itaipu.</p>
<p>A aceleração dos preços acrescenta dificuldades à trajetória de redução dos juros, uma vez que o Banco Central precisa avaliar se as pressões inflacionárias são temporárias ou podem comprometer a convergência à meta. O Copom também acompanha a evolução dos preços dos alimentos, dos serviços e das expectativas de inflação, além dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre petróleo e combustíveis.</p>
<p>Apesar do resultado do IPCA, as ações brasileiras mais sensíveis aos juros continuaram valorizadas nesta sexta-feira. O comportamento indica que os investidores atribuíram peso relevante à revisão das expectativas sobre a política econômica no período posterior às eleições. Essa interpretação, entretanto, não significa que a inflação tenha perdido importância para as decisões monetárias ou para os resultados futuros das empresas.</p>
<p>Para o varejo, uma redução mais lenta da Selic pode adiar a recuperação das condições de crédito, especialmente em produtos vendidos por meio de financiamentos de prazo mais longo. Por outro lado, uma eventual combinação de inflação menor, melhora da renda e ampliação das concessões de crédito poderia favorecer a demanda, desde que acompanhada de condições financeiras sustentáveis.</p>
<p>A próxima divulgação de resultados do Magazine Luiza está prevista para 5 de novembro, quando a companhia deverá apresentar os números do terceiro trimestre de 2026. O balanço permitirá avaliar a evolução das vendas físicas e digitais, das despesas financeiras, da margem operacional e dos indicadores de crédito após o período de juros elevados.</p>
<p>Até lá, a valorização das ações continuará sendo influenciada por expectativas que ainda não se converteram integralmente em resultados. O avanço de 20,78% observado nesta sexta-feira e a recuperação superior a 60% em relação ao fechamento da semana anterior mostram a intensidade da reavaliação realizada pelos investidores. A sustentação desse movimento dependerá da confirmação das hipóteses econômicas que levaram o mercado a atribuir um valor maior à companhia, sobretudo a redução efetiva dos custos financeiros e a recuperação do consumo.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Magazine Luiza &#8211; comunicado ao mercado de 10 de agosto de 2026 encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários, com esclarecimentos sobre endividamento e amortização de debêntures.</em></p>
<p><em>Magazine Luiza &#8211; divulgação de resultados do segundo trimestre de 2026, com informações sobre receita, prejuízo, margens, vendas e estrutura de capital.</em></p>
<p><em>BB Investimentos &#8211; análise dos resultados do Magazine Luiza no segundo trimestre de 2026, incluindo desempenho operacional, despesas financeiras, vendas digitais e endividamento.</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil &#8211; comunicado da decisão do Copom de setembro de 2026, com a definição da taxa Selic em 13,75% ao ano.</em></p>
<p><em>Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística &#8211; divulgação do IPCA de setembro de 2026, com variação mensal, inflação acumulada e composição dos preços.</em></p>
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		<author>
			<name>Antônio Lima</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[Bancos começam a devolver R$ 1,3 bilhão a apostadores de bets; veja como receber]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/bancos-devolucao-dinheiro-bets-apostadores-2026" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533263</id>
		<updated>2026-10-09T19:58:02Z</updated>
		<published>2026-10-09T19:39:19Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Economia" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="apostadores" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="apostas esportivas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="apostas online" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="bancos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Bets" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="bloqueio de bets" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Caixa Econômica Federal" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Dario Durigan" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="devolução de dinheiro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="dinheiro das bets" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="instituições financeiras" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Ministério da Fazenda" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="MP 1394/2026" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="proibição de apostas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="restituição de apostas" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Os bancos e as instituições financeiras começam nesta sexta-feira (9) a devolver cerca de R$ 1,325 bilhão que permaneceu nas contas</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/bancos-devolucao-dinheiro-bets-apostadores-2026"><![CDATA[<p>Os bancos e as instituições de pagamento começam nesta sexta-feira (9) a devolver R$ 1,325 bilhão pertencente a aproximadamente 26,5 milhões de brasileiros que mantinham dinheiro em plataformas de apostas on-line. A restituição faz parte do processo de encerramento das operações das bets no país, determinado pela Medida Provisória 1.394/2026, publicada pelo governo federal em 25 de setembro. O calendário estabelece que os pagamentos deverão ser realizados até quarta-feira (14), preferencialmente nas mesmas contas bancárias utilizadas pelos apostadores para transferir recursos às plataformas.</p>
<p>A devolução representa uma das maiores operações de restituição de saldos vinculados ao setor de apostas desde o início de sua regulamentação no Brasil. Os valores foram identificados após o término do prazo concedido aos usuários para solicitar voluntariamente a retirada do dinheiro, encerrado às 23h59 de segunda-feira (5). Desde terça-feira (6), os sites e aplicativos abrangidos pela proibição foram obrigados a interromper a oferta de apostas, enquanto as <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340564">empresas</a> passaram a cumprir as exigências de encerramento de suas atividades e transferência das informações financeiras necessárias aos pagamentos.</p>
<p>A dimensão da operação chama a atenção pela quantidade de pessoas envolvidas e pela distribuição desigual dos recursos. Considerando o montante de R$ 1,325 bilhão e os 26,5 milhões de apostadores informados pelo Ministério da Fazenda, o saldo médio seria de R$ 50 por pessoa. Essa média, entretanto, não representa a situação da maioria dos usuários. Segundo o governo, aproximadamente 1% dos apostadores concentra 80% do dinheiro que ainda precisa ser devolvido, enquanto milhões de contas apresentam valores inferiores a R$ 1.</p>
<p>O processo é supervisionado pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, que recebeu das empresas os dados individualizados dos saldos remanescentes. A legislação estabelece que o encerramento das plataformas não elimina o direito dos clientes de receber o dinheiro depositado, os prêmios devidos e os valores correspondentes a apostas canceladas antes da apuração dos resultados.</p>
<h2>Devolução será feita diretamente pelos bancos até 14 de outubro</h2>
<p>O mecanismo de restituição foi estabelecido pela medida provisória e detalhado em regulamentação da Secretaria de Prêmios e Apostas. As empresas tiveram de identificar o dinheiro pertencente a cada cliente, relacionar os valores aos respectivos CPFs e informar às instituições financeiras as contas utilizadas para os depósitos. A partir desses registros, os bancos e as instituições de pagamento devem executar as transferências aos titulares dos recursos, sem que seja necessário acessar novamente as plataformas de apostas encerradas.</p>
<p>A preferência legal é pela devolução à conta bancária ou de pagamento originalmente utilizada para transferir dinheiro à bet. Entretanto, caso essa conta esteja encerrada ou não possa receber o pagamento, a legislação admite o depósito em outra conta ativa de titularidade do mesmo apostador. A identificação pelo CPF é uma exigência do procedimento, destinada a assegurar que o dinheiro seja encaminhado ao beneficiário correto e permitir o acompanhamento da operação pelos órgãos fiscalizadores.</p>
<p>O prazo de restituição decorre do artigo 9º da Medida Provisória 1.394, que concede às instituições financeiras e de pagamento sete dias, contados do recebimento das informações das operadoras, para concluir as transferências. O cronograma administrativo divulgado pelo Ministério da Fazenda prevê pagamentos entre 9 e 14 de outubro. Isso não significa que todos os apostadores receberão o dinheiro nesta sexta-feira, pois o processamento depende das informações encaminhadas pelas empresas e dos procedimentos internos das instituições responsáveis.</p>
<p>Os apostadores devem acompanhar os extratos das contas utilizadas para fazer depósitos nas plataformas, inclusive quando mantinham relacionamentos com mais de uma empresa. Como os valores são individualizados por CPF e por instituição financeira, uma mesma pessoa poderá receber restituições distintas, dependendo da quantidade de plataformas nas quais possuía recursos. A regulamentação não estabelece um pagamento único nacional nem determina que todos os créditos sejam feitos simultaneamente.</p>
<p>O encerramento do prazo para saque voluntário, em 5 de outubro, não significou a perda do dinheiro que permaneceu nas contas. A nova etapa transfere a responsabilidade operacional do pagamento às instituições financeiras vinculadas às empresas de apostas, preservando o direito dos usuários aos valores reconhecidos. Eventuais diferenças ou quantias não disponibilizadas continuam sendo responsabilidade das operadoras, mesmo depois do encerramento de suas autorizações.</p>
<h2>Apenas 1% dos apostadores concentra R$ 1,06 bilhão dos saldos</h2>
<p>Os números divulgados pelo governo revelam uma concentração expressiva dos recursos ainda disponíveis nas contas das bets. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, aproximadamente 1% dos usuários responde por 80% do saldo total pendente de restituição. Aplicando essa proporção aos R$ 1,325 bilhão identificados, o grupo concentra cerca de R$ 1,06 bilhão, enquanto os outros 99% dos apostadores dividem aproximadamente R$ 265 milhões.</p>
<p>A concentração fica ainda mais evidente quando considerada uma faixa maior de usuários. Conforme Durigan, 3,4% dos apostadores respondem por aproximadamente 90% dos recursos que permaneciam nas plataformas. Isso equivale a R$ 1,1925 bilhão, restando cerca de R$ 132,5 milhões para os outros 96,6% dos usuários. Os cálculos mostram que a maior parte do dinheiro pertence a uma parcela relativamente pequena dos participantes, embora os dados agregados não permitam identificar individualmente os valores mantidos por cada pessoa.</p>
<p>Na outra extremidade, 86,2 milhões de contas apresentavam saldos entre R$ 0,01 e R$ 0,99, totalizando R$ 15,5 milhões. A divisão desses valores revela um saldo médio aproximado de R$ 0,18 por conta. Apesar da quantidade expressiva de registros, esse grupo concentra apenas 1,17% do montante total a ser devolvido. A diferença decorre da pulverização de pequenas quantias entre usuários que frequentemente mantinham cadastros em diferentes plataformas.</p>
<p>O número de contas é superior ao de apostadores porque uma mesma pessoa podia possuir registros em diversas casas de apostas. Por isso, os 86,2 milhões de saldos inferiores a R$ 1 não correspondem necessariamente ao mesmo número de indivíduos. A identificação por CPF permite consolidar a relação entre o titular e os valores existentes em cada plataforma, mas a restituição depende das informações fornecidas por cada operadora às instituições financeiras.</p>
<p>A elevada concentração também motivou medidas adicionais de fiscalização. Durigan informou que aproximadamente 40 contas com saldos considerados excepcionalmente altos estão sob análise para verificar a origem dos recursos e identificar possíveis irregularidades, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro e vínculos com organizações criminosas. A existência de valores elevados não comprova, isoladamente, qualquer crime, e eventuais responsabilidades dependem da verificação das movimentações financeiras pelas autoridades competentes.</p>
<h2>Caixa ficará responsável pelos valores que não forem restituídos</h2>
<p>A legislação também prevê uma solução para os casos em que o pagamento não puder ser concluído pelos bancos dentro da etapa inicial. Os recursos remanescentes deverão ser transferidos para uma conta específica na Caixa Econômica Federal, que atuará na intermediação das restituições pendentes sob supervisão do Ministério da Fazenda. O mecanismo busca preservar a identificação dos titulares e impedir que dificuldades operacionais resultem na perda definitiva dos valores.</p>
<p>Entre os obstáculos possíveis estão contas bancárias encerradas, divergências cadastrais e situações em que a instituição financeira não consegue identificar uma conta ativa pertencente ao apostador. Nessas circunstâncias, os recursos deverão permanecer individualizados, vinculados ao CPF do beneficiário, até que seja possível concluir o pagamento. A Caixa não passa a ser proprietária dos saldos, mas assume a função de intermediária na etapa posterior do processo.</p>
<p>O Ministério da Fazenda prevê a atuação da Caixa depois do encerramento do calendário inicial de restituições, em 14 de outubro. As orientações específicas para os casos encaminhados ao banco público deverão ser acompanhadas pelos canais institucionais, especialmente quando houver necessidade de atualização de dados ou adoção de algum procedimento adicional pelo beneficiário.</p>
<p>A transferência para a Caixa também não encerra as responsabilidades das empresas de apostas. A medida provisória determina que as operadoras mantenham os recursos destinados aos pagamentos separados de seu patrimônio e disponíveis para a restituição integral. O descumprimento de obrigações relacionadas à identificação dos beneficiários e à disponibilização do dinheiro pode resultar em multa diária de R$ 200 mil, sem prejuízo de outras sanções previstas na legislação.</p>
<p>Outro ponto importante é o tratamento das apostas que estavam abertas quando as plataformas tiveram de interromper suas atividades. A legislação determina que apostas sem resultado apurado até o prazo de encerramento sejam consideradas sem efeito, assegurando a restituição integral do valor apostado, sem descontos. Nos casos em que o resultado tenha sido definido dentro do prazo, o apostador mantém o direito ao recebimento dos prêmios devidos.</p>
<h2>Governo já encaminhou mais de 13 mil sites ilegais para bloqueio</h2>
<p>O processo de devolução ocorre paralelamente às medidas de fiscalização determinadas pelo governo federal após a publicação da MP 1.394. Entre 25 de setembro e 6 de outubro, os órgãos responsáveis encaminharam 13.241 sites ilegais de apostas para bloqueio, segundo levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A operação envolve o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340563">trabalho</a> conjunto da Secretaria de Prêmios e Apostas e das estruturas de investigação de crimes cibernéticos, com apoio dos órgãos responsáveis pela execução das restrições de acesso.</p>
<p>Além das páginas de apostas, o governo solicitou a remoção de 3.552 conteúdos, perfis, grupos e canais utilizados para promover atividades abrangidas pela proibição. Entre os registros estavam 1.974 páginas no Facebook, 560 perfis no Instagram, 900 canais e grupos no Telegram, 103 perfis no TikTok, 14 grupos no WhatsApp e um servidor no Discord. Segundo o Ministério da Justiça, parte desses espaços reunia aproximadamente 17,2 milhões de usuários, membros ou seguidores, número que pode incluir pessoas presentes em mais de um ambiente digital.</p>
<p>A medida provisória proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no território nacional. A restrição alcança apostas sobre eventos esportivos e jogos on-line abrangidos pela legislação, inclusive quando oferecidos por empresas sediadas no exterior a pessoas localizadas no Brasil. Outras modalidades lotéricas legalmente autorizadas, como as loterias tradicionais, não estão incluídas nessa proibição.</p>
<p>As autorizações anteriormente concedidas às empresas devem ser extintas ao término do prazo de 30 dias contado da publicação da medida, embora as operações tenham sido submetidas a restrições já durante o período de transição. A legislação também impede novas autorizações para exploração das atividades abrangidas e estabelece mecanismos para bloquear transações financeiras relacionadas à oferta irregular de apostas.</p>
<p>Segundo o Ministério da Fazenda, o encerramento das plataformas integra uma <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340565">política</a> destinada a reduzir os efeitos econômicos e sociais associados ao setor. O ministro Dario Durigan afirmou que o governo havia identificado um fluxo diário de R$ 600 milhões a R$ 650 milhões das famílias para as bets. Esses valores representam movimentações anteriormente estimadas pelo governo e não devem ser confundidos com o montante de R$ 1,325 bilhão atualmente sujeito à restituição.</p>
<h2>Medida provisória ainda depende de aprovação do Congresso</h2>
<p>Apesar de já produzir efeitos legais, a Medida Provisória 1.394 precisa passar pela análise do Congresso Nacional para se transformar definitivamente em lei. O texto foi encaminhado ao Legislativo depois de sua publicação, em 25 de setembro, e está sujeito às regras constitucionais de tramitação das medidas provisórias, que estabelecem prazo inicial de 60 dias, prorrogável uma vez por igual período.</p>
<p>O processo legislativo poderá envolver alterações no texto, além de debates sobre os impactos econômicos, tributários e regulatórios do encerramento das apostas de quota fixa. A existência de autorizações concedidas anteriormente e de investimentos realizados pelas empresas acrescenta questões jurídicas ao processo. A medida prevê a extinção das autorizações por motivo de interesse público, sem direito automático à devolução dos valores pagos pelas outorgas ou à indenização pelo poder público, disposição que pode ser objeto de questionamento judicial.</p>
<p>Enquanto a tramitação prossegue, as empresas permanecem sujeitas às obrigações de encerramento das atividades e de prestação de informações. A Portaria 3.005, publicada pela Secretaria de Prêmios e Apostas em 2 de outubro, estabelece 15 de dezembro de 2026 como prazo para a regularização de obrigações financeiras e regulatórias remanescentes, respeitados os prazos específicos aplicáveis a cada procedimento.</p>
<p>As operadoras também deverão conservar por pelo menos cinco anos os documentos e registros relativos a apostas, movimentações financeiras, identificação dos usuários e pagamentos de prêmios. A exigência permite que autoridades fiscalizem operações realizadas antes do encerramento e examinem eventuais divergências identificadas durante as restituições.</p>
<p>Para os apostadores, a etapa imediata permanece concentrada no recebimento dos recursos. O calendário bancário vai até 14 de outubro, e os casos que não puderem ser resolvidos nessa fase deverão seguir para o mecanismo de restituição intermediado pela Caixa Econômica Federal. Durante esse processo, a recomendação é consultar diretamente os canais oficiais das instituições financeiras, desconfiar de pedidos de pagamentos antecipados para liberar saldos e não fornecer senhas ou códigos de autenticação a terceiros. A devolução decorre de obrigação legal e não depende da contratação de serviços particulares.</p>
<p>O resultado da operação dependerá da qualidade das informações encaminhadas pelas antigas operadoras, da capacidade dos bancos de identificar as contas dos beneficiários e da resolução dos casos que exigirem procedimentos adicionais. Ao final do calendário, as instituições financeiras deverão informar à Secretaria de Prêmios e Apostas os valores efetivamente restituídos e aqueles que permanecerem pendentes, com a identificação dos titulares e das causas que impediram a transferência. Esses dados permitirão dimensionar quanto dos R$ 1,325 bilhão retornou aos apostadores e quanto ainda precisará ser processado pela Caixa.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Presidência da República &#8211; Medida Provisória 1.394, de 25 de setembro de 2026, com regras sobre encerramento das apostas, devolução de saldos, prêmios e obrigações das instituições financeiras.</em></p>
<p><em>Ministério da Fazenda &#8211; orientações oficiais sobre a Medida Provisória 1.394/2026, cronograma de encerramento das plataformas e procedimentos de restituição aos apostadores.</em></p>
<p><em>Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda &#8211; Portaria 3.005, de 2 de outubro de 2026, com regulamentação das obrigações financeiras, cadastrais e operacionais das empresas de apostas.</em></p>
<p><em>Ministério da Justiça e Segurança Pública &#8211; comunicado de 6 de outubro de 2026 com dados sobre saldos pendentes, quantidade de apostadores, bloqueio de plataformas ilegais e remoção de conteúdos relacionados às apostas.</em></p>
<p><em>Senado Federal &#8211; informações sobre a tramitação da Medida Provisória 1.394/2026, efeitos jurídicos da proibição e necessidade de apreciação pelo Congresso Nacional.</em></p>
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		<author>
			<name>Carlos Menezes</name>
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		<title type="html"><![CDATA[Dono da Revista Veja esteve em jantar com Flávio Bolsonaro; PF contesta relato de Vorcaro]]></title>
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		<updated>2026-10-09T19:21:26Z</updated>
		<published>2026-10-09T19:21:26Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Política" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Banco Master" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Daniel Vorcaro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="delação premiada" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Eleições 2026" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Fábio Carvalho" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Flávio Bolsonaro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Grupo Abril" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="grupo Prerrogativas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Instituto Lula" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="João Moreira Salles" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Lula" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Marco Aurélio de Carvalho" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="PGR" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Polícia Federal" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="revista Piauí" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="veja" />
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/dono-da-veja-jantar-flavio-bolsonaro-vorcaro"><![CDATA[<p>O empresário Fábio Carvalho, controlador do Grupo Abril, responsável pela publicação da revista Veja, participou de um jantar com o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) em 27 de agosto, em São Paulo. A presença do executivo no encontro voltou a ganhar destaque nesta sexta-feira (9), após a revista divulgar acusações atribuídas ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A reportagem provocou manifestações oficiais da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR), que esclareceram não ter recebido depoimentos ou informações nos termos apresentados pela publicação.</p>
<p>O encontro entre Carvalho e Flávio Bolsonaro ocorreu 43 dias antes da divulgação da reportagem. A reunião foi realizada na residência do empresário Marcelo Kayath, ex-executivo do Credit Suisse e sócio da gestora QMS, e reuniu representantes de instituições financeiras e grandes companhias brasileiras. A participação de Carvalho consta da relação de convidados publicada pela CNN Brasil em 28 de agosto e foi posteriormente mencionada pelo cineasta e empresário João Moreira Salles em artigo na revista Piauí, divulgado em 1º de outubro.</p>
<p>A presença do controlador de um grupo de comunicação em um encontro com um candidato presidencial é um fato relevante para a transparência das relações entre empresários e lideranças políticas, mas não demonstra, isoladamente, apoio eleitoral ou interferência sobre a atividade jornalística. Até o momento, não há elementos públicos que comprovem participação de Carvalho na elaboração da reportagem sobre Vorcaro, tampouco uma articulação entre o empresário, a revista e a campanha de Flávio Bolsonaro. A controvérsia envolve acontecimentos distintos, cujas circunstâncias precisam ser examinadas separadamente.</p>
<p>O principal fato novo desta sexta-feira é a manifestação formal da Polícia Federal. Em nota publicada às 12h24, a corporação afirmou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo atribuído a ele pela Veja e também não entregou documentos, anexos ou informações com as características descritas pela revista. A PF informou ainda que recebeu uma notícia-crime relacionada ao episódio e encaminhou o expediente à área técnica responsável pelas providências de polícia judiciária.</p>
<h2>Polícia Federal nega depoimento e confirma recebimento de notícia-crime</h2>
<p>A reportagem da Veja, assinada pelo jornalista Robson Bonin e publicada na madrugada de 9 de outubro, atribuiu a Daniel Vorcaro declarações sobre um suposto pagamento de R$ 30 milhões em espécie relacionado ao financiamento de um documentário sobre Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone. Segundo a revista, o dinheiro teria sido destinado ao Instituto Lula por meio de uma negociação envolvendo João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, e outros interlocutores ligados ao governo federal. A publicação apresentou um áudio atribuído ao banqueiro e afirmou ter obtido documentos relacionados às alegações.</p>
<p>As acusações não foram acompanhadas de comprovação independente da realização dos pagamentos. A própria Veja reconheceu que não havia prova de um encontro entre Lula e Vorcaro nas circunstâncias sugeridas por parte das conversas mencionadas na reportagem. A revista também informou que o ex-banqueiro não conseguiu concretizar as operações de captação de recursos em fundos de pensão federais que, segundo a narrativa atribuída a ele, teriam motivado os supostos pagamentos.</p>
<p>Em sua manifestação oficial, a Polícia Federal foi específica ao distinguir as informações publicadas daquilo que efetivamente recebeu no âmbito das negociações de colaboração premiada. A corporação declarou que Vorcaro não prestou depoimento com o teor divulgado e que tampouco apresentou à instituição anexos ou documentos com esse conteúdo. Informou ainda que as propostas de colaboração encaminhadas pela defesa do ex-banqueiro não foram acolhidas por não atenderem aos requisitos legais, conforme decisão fundamentada comunicada aos advogados.</p>
<p>A Procuradoria-Geral da República também divulgou esclarecimento nesta sexta-feira. Segundo o órgão, todas as tratativas relacionadas à possível colaboração premiada ocorreram por intermédio dos advogados contratados por Vorcaro, sem interlocução direta entre o investigado e representantes da Procuradoria. A PGR confirmou que não houve depoimento oral e que as propostas apresentadas foram rejeitadas. A instituição ressaltou ainda que as negociações estavam submetidas ao sigilo previsto em lei.</p>
<p>As manifestações das autoridades estabelecem uma distinção jurídica importante. Um arquivo de áudio atribuído a determinado investigado não equivale, por si só, a um depoimento formal prestado perante a Polícia Federal ou o Ministério Público. Da mesma forma, uma proposta de colaboração premiada apresentada por advogados não constitui acordo aceito pelas autoridades e não transforma automaticamente as declarações de seu conteúdo em provas. A negativa oficial sobre a existência de um depoimento, contudo, não esclarece isoladamente a origem ou a autenticidade de eventual gravação privada, aspectos que dependem de verificação própria.</p>
<h2>Prerrogativas pede apuração sobre suposta articulação eleitoral</h2>
<p>O grupo jurídico Prerrogativas apresentou uma notícia de fato à Polícia Federal solicitando a investigação de informações sobre uma possível tentativa de utilização de declarações atribuídas a Vorcaro para produzir efeitos na disputa presidencial. A iniciativa foi anunciada na quinta-feira (8), antes da publicação da reportagem da Veja, e ganhou um novo desdobramento com a confirmação, pela PF, do recebimento de uma notícia-crime nesta sexta-feira.</p>
<p>A manifestação foi apresentada pelos advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida. Segundo os representantes do grupo, informações recebidas indicavam a possível existência de uma gravação atribuída ao ex-banqueiro, supostamente entregue a terceiros em um dispositivo de armazenamento digital. O material conteria acusações contra Lula e integrantes do governo federal, que poderiam ser utilizadas durante o segundo turno das eleições presidenciais.</p>
<p>Os advogados também relataram ter recebido informações sobre uma suposta negociação que envolveria benefícios à situação prisional de Vorcaro e de seu pai, Henrique Vorcaro. Conforme a versão apresentada ao grupo, o ex-banqueiro poderia obter prisão domiciliar depois das eleições, enquanto seu pai seria libertado antecipadamente. Essas informações não foram comprovadas e fazem parte das hipóteses submetidas à avaliação das autoridades. Não existe demonstração pública de que uma negociação com essas características tenha efetivamente ocorrido.</p>
<p>O pedido de apuração também menciona informações sobre possíveis tratativas para a realização de entrevistas com emissoras de televisão. A iniciativa busca esclarecer a existência do material, sua procedência, as circunstâncias em que teria sido produzido e eventual participação de terceiros em sua circulação. A confirmação do recebimento da notícia-crime pela Polícia Federal não significa que todas as hipóteses apresentadas tenham sido acolhidas ou que os nomes mencionados tenham passado à condição de investigados por esses fatos.</p>
<p>A atuação do Prerrogativas ocorre em um momento de intensa disputa <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340559">política</a>. Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno presidencial marcado para 25 de outubro, e o caso Banco Master tornou-se um dos temas explorados no debate eleitoral. A proximidade da votação aumenta a repercussão pública das acusações, mas não altera os critérios necessários para demonstrar a existência de pagamentos irregulares, a autenticidade de gravações ou eventual coordenação política.</p>
<h2>Fábio Carvalho participou de encontro empresarial realizado em agosto</h2>
<p>A ligação entre Fábio Carvalho e o episódio atual decorre de sua posição à frente do Grupo Abril e da presença em reuniões com Flávio Bolsonaro. Carvalho assumiu o controle da companhia em abril de 2019, quando concluiu a aquisição por meio da Cavalry Investimentos. O contrato havia sido assinado em dezembro de 2018, durante o processo de reestruturação financeira da editora, anteriormente controlada pela família Civita.</p>
<p>A reunião de 27 de agosto reuniu ao menos 14 empresários e executivos. Entre os participantes identificados estavam Luiz Carlos Trabuco, Milton Maluhy Filho, Roberto Campos Neto, Pedro Parente, Richard Gerdau, Gilson Finkelsztain e o próprio Carvalho. Flávio Bolsonaro chegou ao encontro por volta das 20h e deixou o local aproximadamente duas horas depois. Conforme relatos divulgados na ocasião, foram discutidos temas como política econômica, relações com o Congresso e o papel do Supremo Tribunal Federal em um eventual governo do senador.</p>
<p>O encontro foi retomado por João Moreira Salles em seu artigo publicado na Piauí em 1º de outubro. O texto relacionou empresários e executivos que participaram de reuniões e jantares com Flávio Bolsonaro, entre eles Carvalho, e questionou o significado político da aproximação entre representantes do setor empresarial e o candidato. A análise, de caráter opinativo, não apresentou denúncia específica contra o controlador da Abril nem indicou participação dele em qualquer iniciativa relacionada a Vorcaro.</p>
<p>A interpretação de que a presença nesses encontros representa necessariamente apoio eleitoral foi contestada por Pedro Parente, outro participante da reunião de agosto. Em manifestação pública, o ex-presidente da Petrobras afirmou que aceitou o convite para conhecer as propostas do candidato e que deixou o jantar com uma avaliação ainda mais negativa. Parente declarou que não votará em Flávio Bolsonaro e sustentou que participar de uma conversa não significa aderir politicamente ao seu interlocutor.</p>
<p>Esse exemplo reforça a necessidade de distinguir a presença em encontros empresariais de um posicionamento eleitoral formal. No caso de Fábio Carvalho, a documentação consultada comprova sua participação no jantar, mas não demonstra que ele tenha assumido compromissos com a campanha ou utilizado a estrutura editorial da Veja para favorecer determinado candidato. A independência das decisões jornalísticas e a transparência sobre relações institucionais constituem questões distintas, que não podem ser confundidas sem elementos concretos.</p>
<h2>Instituto Lula nega pagamentos e envolvimento na produção do documentário</h2>
<p>As acusações atribuídas a Vorcaro também foram rejeitadas pelos representantes do Instituto Lula. Em manifestação divulgada nesta sexta-feira, a instituição afirmou que não participou da produção nem da captação de recursos para o documentário dirigido por Oliver Stone e negou ter recebido qualquer quantia destinada ao projeto.</p>
<p>Paulo Okamotto, citado na reportagem da Veja, também negou conhecer Daniel Vorcaro ou ter participado de encontros com o ex-banqueiro. O ex-presidente do Instituto Lula classificou as alegações como infundadas. A manifestação contesta diretamente um dos elementos centrais da narrativa apresentada pela revista, que associa os supostos pagamentos ao financiamento da produção audiovisual.</p>
<p>A defesa de Vorcaro também declarou que o ex-controlador do Banco Master não prestou novo depoimento à Polícia Federal com o conteúdo divulgado. O advogado Daniel Bialski afirmou que desconhecia os documentos mencionados pela publicação e negou a realização de uma nova oitiva do cliente sobre supostos repasses destinados ao filme. As declarações da defesa não substituem a apuração sobre eventual gravação obtida fora dos procedimentos oficiais, mas reforçam a divergência entre o material apresentado pela revista e os registros reconhecidos pelas autoridades.</p>
<p>O episódio envolve ainda o financiamento de outra produção cinematográfica, o documentário Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, que aparece em investigações e reportagens relacionadas a operações financeiras de Vorcaro. A existência de informações sobre transferências vinculadas a essa produção não comprova pagamentos semelhantes para um filme sobre Lula. Cada operação precisa ser examinada a partir de seus próprios documentos, beneficiários, valores e circunstâncias.</p>
<h2>PF deverá avaliar origem do material e circunstâncias de sua divulgação</h2>
<p>Com o recebimento da notícia-crime, a Polícia Federal passou a dispor de um pedido formal para examinar os fatos relacionados à publicação. Entre os aspectos que poderão ser avaliados estão a autenticidade e a procedência dos arquivos atribuídos ao ex-banqueiro, a eventual existência de documentos financeiros que sustentem as acusações e as circunstâncias em que o material chegou a terceiros. A definição das diligências cabíveis depende da análise da área responsável, não havendo confirmação oficial de conclusão sobre essas questões.</p>
<p>A cronologia conhecida reúne cinco marcos relevantes: o jantar empresarial de 27 de agosto, a publicação do artigo de João Moreira Salles em 1º de outubro, a iniciativa do Prerrogativas em 8 de outubro, a divulgação das acusações pela Veja na madrugada de 9 de outubro e as manifestações da PGR e da Polícia Federal no mesmo dia. A sequência permite estabelecer quando os episódios ocorreram, mas não comprova uma relação de causa e efeito entre a reunião empresarial e a reportagem.</p>
<p>A questão central da apuração permanece vinculada à existência de provas sobre os supostos pagamentos e à origem das declarações atribuídas a Vorcaro. Até o momento, as autoridades não reconheceram a existência de depoimento formal com o conteúdo divulgado, as acusações de financiamento irregular foram contestadas pelos envolvidos e a Polícia Federal confirmou o encaminhamento da notícia-crime para análise. A participação de Fábio Carvalho no jantar com Flávio Bolsonaro está documentada, mas não constitui prova de envolvimento em eventual articulação eleitoral. O esclarecimento das suspeitas dependerá de diligências que identifiquem os responsáveis pela produção e circulação dos arquivos e estabeleçam, com evidências verificáveis, a natureza dos fatos relatados.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Polícia Federal &#8211; nota oficial publicada em 9 de outubro de 2026 sobre inexistência de depoimento ou documentos com o conteúdo atribuído a Daniel Vorcaro e recebimento de notícia-crime.</em></p>
<p><em>Procuradoria-Geral da República &#8211; nota de esclarecimento de 9 de outubro de 2026 sobre as propostas de colaboração premiada de Daniel Vorcaro e a ausência de depoimento oral.</em></p>
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			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Camila Braga</name>
							<uri>https://muckrack.com/camila-braga</uri>
						</author>

		<title type="html"><![CDATA[Ouro sobe 1,3% na semana e registra ajuste de US$ 4.216,30 na Comex]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/ouro-hoje" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533253</id>
		<updated>2026-10-09T18:41:39Z</updated>
		<published>2026-10-09T18:28:16Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Banco Popular da China" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="bancos centrais" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="comex" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="commodities" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="cotação do ouro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Fed" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Federal Reserve" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="juros americanos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercado Financeiro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="metais preciosos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Ouro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="ouro 2026" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="ouro hoje" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="prata" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="preço do ouro" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Descubra as últimas tendências do ouro. O contrato mais líquido fechou em alta, impulsionado pela demanda de bancos centrais.</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/ouro-hoje"><![CDATA[<p>O ouro encerrou a sexta-feira (9) em alta de 1,43% na bolsa de Nova York, com o contrato futuro para dezembro negociado a US$ 4.216,30 por onça-troy. A valorização acumulada na semana foi de aproximadamente 1,30%, considerando o fechamento de US$ 4.162,30 registrado em 2 de outubro. O movimento interrompeu parte da pressão observada nas últimas semanas sobre o metal precioso, que continua enfrentando os efeitos dos juros elevados nos Estados Unidos, mas encontra sustentação na demanda de bancos centrais e na procura de investidores por proteção diante das incertezas econômicas e geopolíticas.</p>
<p>Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York, a prata também terminou a sessão em alta, com valorização próxima de 2,7%, para US$ 61,04 por onça-troy no contrato para dezembro. No acumulado dos cinco pregões, o avanço foi de aproximadamente 1,04%, ligeiramente inferior ao desempenho do ouro. Os resultados mostram uma recuperação conjunta dos metais preciosos, embora as perspectivas de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340555">política</a> monetária americana continuem impondo limitações à valorização das commodities que não oferecem remuneração periódica aos investidores.</p>
<p>A recuperação semanal do ouro corresponde a um ganho de US$ 54 por onça-troy em relação ao encerramento da sexta-feira anterior. No caso da prata, a diferença foi de aproximadamente US$ 0,63, considerando a cotação de US$ 60,415 registrada em 2 de outubro. Apesar das altas, o comportamento recente dos dois metais permanece marcado pela volatilidade, em um <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340557">mercado</a> que procura conciliar a possibilidade de novos aumentos das taxas americanas com a demanda institucional e os riscos associados ao conflito no Oriente Médio.</p>
<p>Um dos principais elementos de sustentação das cotações vem da China. O Banco Popular da China (PBoC) ampliou suas reservas oficiais de ouro em aproximadamente 23 toneladas durante setembro, prolongando para 23 meses consecutivos a sequência de aquisições. O movimento ocorreu justamente em um período de desvalorização internacional do metal, reforçando a importância das compras dos bancos centrais como componente da demanda global, mesmo quando as condições monetárias favorecem aplicações financeiras remuneradas.</p>
<h2>China amplia reservas de ouro e acumula mais de 100 toneladas compradas em 2026</h2>
<p>Os dados divulgados pela Administração Estatal de Câmbio da China mostram que as reservas oficiais de ouro passaram de 76,73 milhões de onças-troy em agosto para 77,47 milhões em setembro. A diferença de 740 mil onças corresponde a aproximadamente 23 toneladas e representa o maior volume mensal adquirido pelo banco central chinês em três anos, conforme avaliação do Commerzbank. As aquisições de setembro também superaram as aproximadamente 650 mil onças incorporadas em agosto, uma expansão de cerca de 13,8% no volume comprado de um mês para o outro.</p>
<p>Desde o início de 2026, o estoque oficial chinês passou de 74,19 milhões para 77,47 milhões de onças-troy, crescimento de 3,28 milhões de onças, equivalente a aproximadamente 102 toneladas. Ao final de setembro, as reservas alcançavam cerca de 2.410 toneladas. O aumento demonstra a continuidade da estratégia de diversificação dos ativos internacionais da China, embora não seja possível atribuir todas as compras a uma única motivação, como redução da exposição ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340558">dólar</a> ou proteção contra instabilidade geopolítica.</p>
<p>A diferença entre a evolução das quantidades e o valor financeiro das reservas é particularmente relevante. Apesar de ter ampliado o estoque físico em setembro, a China registrou redução no valor de mercado do ouro contabilizado entre seus ativos oficiais. O montante passou de aproximadamente US$ 350,08 bilhões em agosto para US$ 323,52 bilhões em setembro, uma diminuição de US$ 26,56 bilhões, equivalente a cerca de 7,6%. Isso ocorreu porque a desvalorização internacional do metal reduziu o valor do estoque existente em proporção superior ao efeito positivo das novas aquisições.</p>
<p>O mesmo fenômeno de reavaliação dos ativos afetou as reservas cambiais chinesas, que diminuíram de US$ 3,438 trilhões para aproximadamente US$ 3,400 trilhões no período. Segundo a Administração Estatal de Câmbio, a queda de US$ 38,1 bilhões, ou 1,11%, refletiu principalmente o fortalecimento do dólar e a redução dos preços de ativos financeiros internacionais. O comportamento das reservas mostra que decisões de ampliar determinadas posições podem ocorrer simultaneamente à diminuição de seu valor contábil, sobretudo em momentos de oscilação acentuada dos mercados.</p>
<p>A China não é a única autoridade monetária que continua aumentando sua exposição ao ouro. Levantamento divulgado em 6 de outubro pelo Conselho Mundial do Ouro (World Gold Council) identificou compras líquidas de 39 toneladas pelos bancos centrais em agosto. No acumulado dos oito primeiros meses do ano, as aquisições oficialmente reportadas alcançaram aproximadamente 170 toneladas. China, Uzbequistão e Polônia estiveram entre os compradores relevantes em agosto, evidenciando uma procura institucional que envolve economias com diferentes estruturas de reservas e necessidades de gestão financeira.</p>
<h2>Fundos de ouro receberam US$ 10 bilhões mesmo com queda de 8,5% em setembro</h2>
<p>A demanda de investidores privados também oferece elementos para compreender a recuperação do ouro. Segundo o Conselho Mundial do Ouro, os fundos negociados em bolsa com lastro físico no metal receberam aproximadamente US$ 10 bilhões em aplicações líquidas durante setembro. O resultado ocorreu apesar de uma desvalorização de 8,5% nas cotações internacionais naquele mês, quando o preço de referência utilizado pela entidade terminou próximo de US$ 4.176 por onça-troy.</p>
<p>As entradas de setembro elevaram para US$ 31 bilhões o fluxo positivo acumulado no terceiro trimestre, considerado recorde na série acompanhada pela instituição. O volume físico mantido pelos fundos aumentou 67 toneladas no mês, alcançando 4.256 toneladas. Mesmo com novas aplicações e crescimento das reservas físicas, o patrimônio administrado caiu 7% em relação a agosto, para US$ 574 bilhões, devido principalmente à redução dos preços internacionais.</p>
<p>A diferença entre os movimentos revela que a valorização do ativo não é condição necessária para que investidores ampliem suas posições. Fundos podem receber aplicações durante períodos de queda, especialmente quando seus participantes procuram diversificação patrimonial ou consideram os preços mais atraentes. Nesse contexto, o aumento de 67 toneladas nas reservas físicas mostra que as entradas de recursos corresponderam a uma expansão efetiva das posições dos veículos de investimento, embora não tenham impedido a perda de valor do patrimônio anteriormente acumulado.</p>
<p>Na distribuição regional, os fundos registrados na América do Norte receberam aproximadamente US$ 4 bilhões durante setembro, sendo US$ 3,8 bilhões nos Estados Unidos. Na Europa, as entradas alcançaram US$ 3,6 bilhões, enquanto os fundos asiáticos captaram cerca de US$ 2,3 bilhões. O Reino Unido teve participação relevante no trimestre, com entradas de US$ 7,5 bilhões, seu maior volume trimestral registrado até então. A diversificação geográfica dos aportes indica que a procura pelo metal não esteve concentrada exclusivamente nos mercados diretamente afetados pelas mudanças na política monetária americana.</p>
<p>O comportamento dos fundos contrastou com a movimentação dos contratos futuros. De acordo com o Conselho Mundial do Ouro, as posições compradas líquidas na Comex diminuíram 13% em setembro, redução equivalente a aproximadamente 100 toneladas. Entre os gestores de recursos classificados na categoria de investimentos administrados, a diminuição chegou a 84 toneladas. Essa retração ajuda a explicar por que os preços recuaram significativamente ao longo do mês, apesar das compras realizadas por bancos centrais e das entradas de recursos nos fundos lastreados em ouro.</p>
<h2>Federal Reserve mantém perspectiva de juros elevados até o fim do ano</h2>
<p>A política monetária americana continua sendo um dos principais fatores de influência sobre as cotações do ouro. Na reunião encerrada em 16 de setembro, o Federal Reserve (Fed) elevou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, estabelecendo um intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão foi unânime e ocorreu diante da persistência da inflação acima da meta de 2%, em uma <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340554">economia</a> que continuava apresentando atividade relativamente resistente às condições financeiras mais restritivas.</p>
<p>A ata daquela reunião, publicada em 7 de outubro, mostrou que a maioria dos participantes considerava provável a necessidade de outro aumento dos juros até o encerramento de 2026. Os dirigentes também ressaltaram que as decisões futuras dependeriam das informações econômicas disponíveis e da evolução dos riscos para a inflação e o mercado de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340556">trabalho</a>. A próxima reunião de política monetária está marcada para os dias 27 e 28 de outubro, quando o banco central voltará a avaliar a trajetória dos preços, da atividade e do emprego.</p>
<p>Para o ouro, a perspectiva de juros mais elevados representa um obstáculo porque o metal não paga dividendos nem oferece rendimento periódico. Quando os títulos públicos americanos passam a remunerar melhor seus detentores, aumenta o custo de oportunidade de manter recursos aplicados em uma commodity cujo retorno depende essencialmente da valorização de mercado. Além disso, juros mais altos podem contribuir para o fortalecimento do dólar, tornando a compra do metal relativamente mais cara para investidores que utilizam outras moedas.</p>
<p>Essa relação esteve presente no desempenho de setembro. Segundo o Conselho Mundial do Ouro, o rendimento dos títulos públicos americanos de dez anos aumentou aproximadamente 0,53 ponto percentual naquele mês, alcançando 5,3% ao ano. No mesmo intervalo, o índice do dólar avançou cerca de 2%. A combinação dos dois movimentos contribuiu para a queda de 8,5% do preço internacional do metal, embora a intensidade da desvalorização também tenha refletido ajustes de posições no mercado futuro.</p>
<p>O cenário se tornou mais complexo com a elevação dos preços do petróleo associada ao conflito no Oriente Médio. O encarecimento da energia pode prolongar pressões inflacionárias e reduzir o espaço para flexibilização monetária, mantendo os rendimentos dos títulos americanos em patamares elevados. Ao mesmo tempo, a instabilidade internacional e as preocupações com a sustentabilidade das contas públicas de grandes economias podem ampliar a procura por ativos utilizados na diversificação de reservas e patrimônios. O resultado é um ambiente em que fatores favoráveis e desfavoráveis ao ouro atuam simultaneamente, sem estabelecer uma direção única para os preços.</p>
<h2>Prata sobe 2,7% na sessão e acompanha recuperação dos metais preciosos</h2>
<p>A prata apresentou valorização diária superior à do ouro nesta sexta-feira, mas terminou a semana com desempenho acumulado mais moderado. Considerando os fechamentos de 2 e 9 de outubro, a alta semanal de aproximadamente 1,04% ficou 0,26 ponto percentual abaixo da valorização de 1,30% registrada pelo ouro. A diferença mostra que o ganho mais intenso da prata na última sessão não foi suficiente para superar o resultado semanal do outro metal.</p>
<p>Embora ambos sejam negociados como metais preciosos, a demanda por prata possui uma componente industrial relevante, associada à fabricação de equipamentos eletrônicos, componentes elétricos e tecnologias de energia solar. Isso torna suas cotações sensíveis não apenas às expectativas sobre juros, câmbio e preservação patrimonial, mas também às perspectivas de produção industrial e de consumo de matérias-primas. O ouro, por sua vez, apresenta uma demanda institucional particularmente relevante, relacionada à composição de reservas internacionais e à gestão de carteiras de investimentos.</p>
<p>A evolução das cotações nas próximas semanas dependerá de uma combinação de fatores que ainda apresentam elevado grau de incerteza. As decisões do Federal Reserve, os rendimentos dos títulos americanos, o comportamento do dólar e a duração das tensões no Oriente Médio continuarão influenciando os preços. As compras dos bancos centrais e os investimentos em fundos lastreados em ouro representam fontes importantes de demanda, mas não eliminam os efeitos das condições monetárias sobre o mercado futuro.</p>
<p>O fechamento acima de US$ 4.200 por onça-troy nesta sexta-feira confirma a recuperação parcial das perdas recentes, sem representar uma reversão definitiva da tendência observada em setembro. Com os investidores divididos entre a remuneração oferecida pelos títulos públicos americanos e a procura por proteção diante da instabilidade internacional, o ouro permanece sujeito a oscilações significativas. A reunião do Federal Reserve no fim de outubro e os próximos levantamentos sobre reservas oficiais e fluxos de investimento serão referências importantes para avaliar a continuidade da recuperação.</p>
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		<author>
			<name>Bruno Assis</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[Economia mundial crescerá 2,6% em 2026, com avanço desigual entre países, prevê Unctad]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/unctad-crescimento-economico-mundial-2026" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533209</id>
		<updated>2026-10-09T18:26:03Z</updated>
		<published>2026-10-09T18:26:03Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Economia" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Banco Mundial" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="comércio internacional" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Crescimento Econômico" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="crise energética" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="economia mundial" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="FMI" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Inteligência Artificial" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Unctad" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>A economia mundial deverá crescer 2,6% em 2026, abaixo dos 2,9% registrados no ano passado, segundo o Relatório sobre Comércio e Desenvolvimento divulgado nesta sexta-feira (9) pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). A nova avaliação mostra que a atividade econômica internacional continua avançando, mas enfrenta dificuldades para transformar a expansão do [&#8230;]</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/unctad-crescimento-economico-mundial-2026"><![CDATA[<p>A economia mundial deverá crescer 2,6% em 2026, abaixo dos 2,9% registrados no ano passado, segundo o Relatório sobre Comércio e Desenvolvimento divulgado nesta sexta-feira (9) pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). A nova avaliação mostra que a atividade econômica internacional continua avançando, mas enfrenta dificuldades para transformar a expansão do comércio em ganhos de renda e produtividade distribuídos entre os países. O conflito no Oriente Médio, o encarecimento da energia e a concentração dos investimentos tecnológicos estão entre os fatores que condicionam o desempenho global.</p>
<p>O levantamento apresenta uma diferença importante entre o ritmo da produção mundial e o das transações comerciais. Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) global deverá avançar 2,6%, o volume do comércio internacional de bens e serviços tem expansão estimada em aproximadamente 4%, considerando preços constantes. Em 2025, as trocas internacionais alcançaram o recorde de US$ 35 trilhões. Para 2026, a valorização das mercadorias associada ao choque energético também contribui para elevar os valores negociados, sem necessariamente representar aumento equivalente nas quantidades comercializadas.</p>
<p>A desaceleração é mais intensa entre as economias em desenvolvimento, cuja expansão deverá passar de 4,7% em 2025 para 4% neste ano. A perda de 0,7 ponto percentual corresponde a uma redução de aproximadamente 14,9% no ritmo de crescimento anterior, enquanto a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340591">economia</a> mundial apresenta desaceleração relativa de 10,3%. Outro dado relevante é o estreitamento da vantagem de crescimento dos países em desenvolvimento sobre a média global: a diferença diminui de 1,8 para 1,4 ponto percentual, evidenciando a dificuldade dessas economias em acelerar sua aproximação dos níveis de renda dos países mais ricos.</p>
<h2>Choque do petróleo amplia custos e compromete a recuperação econômica</h2>
<p>A pressão sobre os preços de energia tornou-se um dos principais obstáculos à atividade econômica internacional. Nas semanas posteriores ao início do conflito no Oriente Médio, o petróleo Brent passou de aproximadamente US$ 70 para mais de US$ 110 por barril, conforme os dados reunidos pela Unctad. A diferença representa uma valorização superior a 57%, com efeitos sobre os custos de transporte, geração de energia, produção industrial e distribuição de mercadorias. A dimensão do impacto varia conforme a dependência de combustíveis importados, a estrutura de preços internos e a capacidade das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340592">empresas</a> de absorver despesas adicionais.</p>
<p>O encarecimento ocorre em uma região fundamental para o abastecimento energético mundial. Em análise publicada em março, a Unctad identificou que o Estreito de Ormuz concentra aproximadamente um quarto do petróleo transportado por via marítima no planeta. A passagem também responde por cerca de um terço do comércio marítimo internacional de fertilizantes, equivalente a aproximadamente 16 milhões de toneladas. Interrupções nesse corredor afetam, portanto, não apenas o fornecimento de combustíveis, mas também insumos utilizados pela agricultura e por diferentes segmentos industriais.</p>
<p>Os efeitos sobre a inflação não dependem exclusivamente da cotação internacional do petróleo. A elevação dos fretes, dos seguros marítimos e dos custos de produção pode alcançar os preços de alimentos e produtos industrializados, inclusive em economias geograficamente distantes do conflito. Países importadores líquidos de energia enfrentam pressão adicional sobre suas contas externas, enquanto famílias de menor renda tendem a sofrer proporcionalmente mais com despesas relacionadas a transporte, alimentação e eletricidade.</p>
<p>A instabilidade também alcançou os mercados financeiros. Segundo a Unctad, a volatilidade dos fluxos internacionais de capitais dobrou desde o início do conflito, elevando a exposição de países dependentes de financiamento externo. Em junho, o Banco Mundial estimou que a dívida pública agregada das economias em desenvolvimento havia passado de menos de 40% do PIB em 2010 para mais de 70%. Esse aumento restringe a capacidade fiscal de governos que precisam financiar infraestrutura, serviços públicos e medidas de proteção econômica diante de novos choques.</p>
<h2>Investimentos em inteligência artificial concentram lucros e oportunidades</h2>
<p>A expansão das tecnologias de inteligência artificial tornou-se uma das principais forças de sustentação do comércio mundial, especialmente nas cadeias de semicondutores, servidores e equipamentos de computação avançada. A Unctad, entretanto, identifica uma concentração expressiva dos benefícios econômicos desse crescimento. O acesso às etapas mais rentáveis da produção depende de investimentos elevados, conhecimento especializado e capacidade tecnológica, fatores que favorecem empresas e países já estabelecidos nos segmentos de maior valor agregado.</p>
<p>Um estudo de caso apresentado no relatório examina a distribuição do valor agregado rastreado em um equipamento avançado de servidores de inteligência artificial. Os lucros após impostos representam 68% desse valor, enquanto a remuneração dos trabalhadores corresponde a menos de 15%. A comparação indica que a participação dos lucros é superior a quatro vezes e meia a parcela destinada ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank" rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340553">trabalho</a> no exemplo analisado. O resultado não representa necessariamente toda a indústria tecnológica, mas ilustra como a expansão da produção pode beneficiar de maneira muito diferente os participantes de uma mesma cadeia.</p>
<p>A concentração aparece também na localização dos novos investimentos internacionais. Entre 2020 e 2025, aproximadamente 70% do valor dos projetos greenfield anunciados em setores estratégicos de alto valor ficou nas economias desenvolvidas. O levantamento inclui semicondutores, infraestrutura de inteligência artificial e tecnologias associadas à transição energética. Esses projetos envolvem a implantação de novas operações produtivas e podem contribuir para estabelecer atividades industriais e tecnológicas nos países que recebem os recursos.</p>
<p>Nos países em desenvolvimento, a maior presença relativa do investimento estrangeiro ocorre em minerais críticos e materiais estratégicos, segmento no qual concentram cerca de 60% dos novos investimentos considerados pela Unctad. A agência destaca a situação africana: embora o continente responda pela maior parte da extração mundial de cobalto, retém menos de 1% do valor nas cadeias de suprimentos de tecnologias verdes analisadas. A diferença evidencia as limitações de uma inserção internacional baseada predominantemente no fornecimento de matérias-primas, sem participação proporcional nas etapas industriais posteriores.</p>
<h2>Ásia responderá por 59% do crescimento global em 2026</h2>
<p>A distribuição geográfica da expansão econômica também revela diferenças importantes. Segundo a Unctad, a Ásia deverá responder por 59% do crescimento mundial em 2026. A Índia aparece entre os destaques, com avanço projetado de 7,3%, seguida pela Indonésia, com 5,2%, e pela China, com 4,5%. O desempenho da região reflete a combinação de mercados consumidores, capacidade industrial e participação em cadeias produtivas internacionais, embora os resultados individuais permaneçam sujeitos às condições econômicas de cada país.</p>
<p>O crescimento asiático ocorre simultaneamente à reorganização das relações comerciais entre as grandes potências. As trocas entre Estados Unidos e China diminuíram mais de 20% desde 2024, enquanto países do Leste Asiático ampliaram suas operações comerciais com ambos os mercados. O movimento mostra que a fragmentação das relações bilaterais não significa necessariamente redução generalizada das transações internacionais. Parte dos fluxos passa a ser reorganizada entre outros participantes das cadeias produtivas, criando oportunidades para economias capazes de atender às novas exigências comerciais.</p>
<p>Essas oportunidades, contudo, não estão igualmente disponíveis. Restrições à exportação de componentes, mecanismos de avaliação de investimentos estrangeiros e exigências de fornecimento dificultam a entrada de novos participantes em setores estratégicos. A Unctad observa que a aproximação dos níveis de renda dos países ricos perdeu força em grande parte do mundo em desenvolvimento desde meados da década passada. A industrialização continua sendo uma possibilidade de avanço econômico, mas exige capacidades tecnológicas e financeiras mais complexas do que aquelas necessárias em etapas anteriores da globalização.</p>
<p>Na América Latina e no Caribe, a perspectiva permanece mais moderada. Em suas projeções de junho, o Banco Mundial estimou crescimento regional de 2,2% em 2026, com aceleração para 2,5% em 2027. Para economias como a brasileira, a reorganização comercial e a volatilidade das commodities representam canais relevantes de transmissão das mudanças internacionais, tanto pelas exportações quanto pelos custos de insumos importados. O resultado efetivo depende da composição das atividades produtivas e das condições internas de investimento, financiamento e consumo.</p>
<h2>Banco Mundial e FMI divergem sobre intensidade da desaceleração</h2>
<p>A previsão divulgada pela Unctad situa-se entre as estimativas apresentadas anteriormente por outros organismos multilaterais. Em junho, o Banco Mundial projetou crescimento global de 2,5% para 2026, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou, em julho, expansão de 3%. A diferença entre a avaliação mais recente da Unctad e a do FMI chega a 0,4 ponto percentual, enquanto a distância em relação ao Banco Mundial é de apenas 0,1 ponto percentual.</p>
<p>As projeções refletem datas de elaboração, hipóteses e metodologias próprias. Apesar das diferenças, os organismos identificam efeitos negativos do choque energético sobre países importadores de combustíveis e reconhecem a contribuição dos investimentos tecnológicos para sustentar parte da atividade mundial. Em julho, o FMI estimou inflação global de 4,7% em 2026, depois de 4,1% em 2025, indicando uma interrupção no processo de desaceleração dos preços observado anteriormente.</p>
<p>Os cenários adversos também permanecem relevantes. O Banco Mundial calculou, em junho, que o crescimento internacional poderia cair para 1,3% em 2026 caso as interrupções no fornecimento de energia fossem mais graves e viessem acompanhadas de forte instabilidade financeira. Trata-se de uma simulação de risco, e não da previsão central da instituição. A duração das restrições energéticas e a evolução dos custos de financiamento estão entre as variáveis capazes de modificar o desempenho econômico no restante do ano.</p>
<h2>Redução da ajuda internacional agrava dificuldades dos países mais pobres</h2>
<p>Além dos efeitos imediatos da guerra e das mudanças comerciais, a Unctad aponta uma deterioração das condições de financiamento do desenvolvimento. A assistência oficial internacional deverá diminuir quase 7% em 2026, registrando a terceira queda anual consecutiva. A redução atinge particularmente países de menor renda e pequenos Estados insulares, para os quais os recursos externos representam uma parcela importante do financiamento de infraestrutura, programas públicos e medidas de adaptação econômica.</p>
<p>A agência defende que a resposta aos choques de energia não fique restrita ao aumento dos juros ou à contenção de despesas governamentais. Como parte da inflação decorre de dificuldades de oferta, investimentos em infraestrutura energética e diversificação do abastecimento podem reduzir vulnerabilidades. O relatório ressalta que, desde 2024, fontes renováveis apresentaram custos inferiores aos da alternativa fóssil mais barata de nova instalação em mais de 90% dos casos avaliados, embora a viabilidade dos projetos dependa das condições locais de financiamento e infraestrutura.</p>
<p>Outra prioridade é ampliar a participação doméstica na renda gerada pelas cadeias produtivas. A Unctad recomenda integrar políticas industriais, tecnológicas e financeiras, estimulando conexões entre investimentos estrangeiros e fornecedores locais. A cooperação regional também aparece como alternativa para ampliar mercados e diminuir obstáculos comerciais, especialmente entre economias em desenvolvimento que buscam diversificar suas atividades e reduzir a dependência de poucos parceiros.</p>
<p>O diagnóstico apresentado em 9 de outubro mostra que a continuidade do crescimento mundial não assegura, por si só, uma distribuição equilibrada de seus benefícios. Com o comércio em expansão, a produção tecnológica concentrada e os custos energéticos ainda sujeitos à instabilidade geopolítica, a capacidade de transformar oportunidades internacionais em renda, empregos e investimentos produtivos será determinante para o desempenho dos países em desenvolvimento nos próximos anos.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Unctad &#8211; divulgação de 9 de outubro de 2026 sobre o Relatório sobre Comércio e Desenvolvimento, com projeções econômicas, comércio internacional, investimentos estratégicos e distribuição regional do crescimento.</em></p>
<p><em>Unctad &#8211; análise de março de 2026 sobre as interrupções no Estreito de Ormuz e seus efeitos sobre petróleo, fertilizantes e comércio marítimo.</em></p>
<p><em>Banco Mundial &#8211; Perspectivas Econômicas Globais de junho de 2026, com projeções de crescimento, evolução do endividamento público, inflação e cenários de risco.</em></p>
<p><em>Fundo Monetário Internacional &#8211; atualização de julho de 2026 das Perspectivas da Economia Mundial, com estimativas de crescimento, inflação e efeitos do conflito no Oriente Médio.</em></p>
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			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Carlos Menezes</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[Horário eleitoral 2026: Lula e Flávio Bolsonaro estreiam no segundo turno]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/horario-eleitoral-segundo-turno-2026-lula-flavio-bolsonaro" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533248</id>
		<updated>2026-10-09T19:29:53Z</updated>
		<published>2026-10-09T17:53:37Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Política" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="campanha eleitoral." /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="eleição presidencial" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Eleições 2026" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Flávio Bolsonaro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="horário eleitoral 2026" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="horário eleitoral na TV" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="horário eleitoral no rádio" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Lula" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="PL" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="propaganda eleitoral gratuita" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="propostas dos candidatos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="PT" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="segundo turno" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="TSE" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Programas voltarão a ser exibidos a partir desta sexta-feira, 9</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/horario-eleitoral-segundo-turno-2026-lula-flavio-bolsonaro"><![CDATA[<p>O horário eleitoral gratuito do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 voltou ao rádio e à televisão nesta sexta-feira (9), com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) passando a dividir igualmente o tempo destinado à propaganda. A nova etapa da campanha começou com abordagens distintas: Flávio apresentou a mudança de governo como principal mensagem e destacou o apoio de antigos adversários, enquanto Lula procurou mobilizar o eleitorado em torno da continuidade de políticas sociais e da possibilidade de reverter o resultado da primeira votação.</p>
<p>A retomada da propaganda ocorre cinco dias depois do primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos, e Lula obteve 53.876.617 votos, ou 45,16%. A diferença entre os dois candidatos foi de 2.227.651 votos, correspondente a 1,87 ponto percentual. Como nenhum deles alcançou a maioria absoluta dos votos válidos, a eleição será decidida em 25 de outubro, quando os brasileiros voltarão às urnas para escolher o próximo presidente da República.</p>
<p>A mudança mais significativa nas regras de exposição é a divisão igualitária do tempo. Ao contrário da primeira etapa da eleição, quando a distribuição considerava a representação dos partidos na Câmara dos Deputados, agora cada candidatura dispõe de cinco minutos em cada um dos dois blocos diários transmitidos em rede, além de 12 minutos e 30 segundos em inserções distribuídas ao longo da programação. O novo formato foi aprovado por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 6 de outubro, em resolução relatada pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques.</p>
<p>A propaganda será exibida até 23 de outubro, dois dias antes da votação. Durante esse período, as campanhas terão a oportunidade de apresentar propostas, responder às críticas dos adversários e buscar votos entre eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno, votaram em branco, anularam o voto ou não compareceram às urnas.</p>
<h2>Flávio Bolsonaro apresenta apoios e promete mudanças na economia e na segurança</h2>
<p>A estreia da campanha de Flávio Bolsonaro no segundo turno colocou a ideia de mudança no centro da comunicação eleitoral. O candidato do PL afirmou que o resultado de 4 de outubro demonstrou o desejo de parte do eleitorado por uma alteração na condução do país e procurou associar sua candidatura a uma reorganização das prioridades do governo federal. Em cinco minutos de propaganda no rádio, as palavras relacionadas à mudança foram utilizadas 22 vezes, conforme levantamento sobre o conteúdo apresentado nesta sexta-feira.</p>
<p>O programa também destacou o apoio de lideranças políticas que disputaram a eleição presidencial ou participaram de outras campanhas estaduais. Entre os nomes apresentados estavam Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A participação desses aliados integra a tentativa de ampliar a base <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340562">política</a> do senador e reunir diferentes segmentos da direita e de partidos que não estiveram integralmente associados à sua candidatura na primeira votação.</p>
<p>Na apresentação de suas propostas, Flávio abordou temas relacionados ao custo de vida, ao endividamento das famílias e à segurança pública. O candidato reiterou compromissos com a redução de impostos, o enfrentamento de organizações criminosas e a construção de cinco novos presídios federais. Também voltou a defender o fim da possibilidade de reeleição presidencial, proposta que dependeria de alteração constitucional e aprovação pelo Congresso Nacional.</p>
<p>Outra mensagem utilizada pela campanha foi a promessa de manutenção de programas sociais existentes, entre eles Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Farmácia Popular. A posição busca responder às críticas apresentadas por adversários sobre eventuais consequências de um ajuste fiscal nas despesas do governo. O compromisso anunciado, entretanto, não elimina a necessidade de detalhamento sobre a compatibilidade entre os benefícios prometidos, a redução de tributos e as medidas de controle dos gastos públicos previstas pelo candidato.</p>
<p>A presença de Caiado, Zema e Tarcísio na propaganda também demonstra a importância atribuída às alianças regionais. O primeiro turno mostrou diferenças expressivas no desempenho dos candidatos entre os estados, e os apoios de governadores, parlamentares e lideranças locais podem contribuir para ampliar a presença das campanhas em municípios e segmentos eleitorais nos quais não obtiveram a maioria dos votos.</p>
<h2>Lula destaca trajetória política e alerta para riscos de retrocesso social</h2>
<p>O primeiro programa de Lula apresentou o segundo turno como uma nova etapa da disputa, na qual o eleitorado terá de escolher entre a continuidade de seu governo e a proposta de mudança representada por Flávio Bolsonaro. O presidente afirmou que considera a segunda votação uma eleição diferente da primeira e pediu que os brasileiros avaliem as consequências de sua escolha. A campanha utilizou referências à trajetória política de Lula, às realizações de seus governos e às políticas públicas que pretende preservar.</p>
<p>A comunicação petista também procurou contestar a associação entre a candidatura adversária e a ideia de renovação política. O programa relacionou Flávio ao governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e apresentou críticas a medidas adotadas durante aquela administração, particularmente nas áreas de educação, saúde e proteção social. As comparações integram a estratégia eleitoral da candidatura, mas as consequências atribuídas a um eventual governo de Flávio representam argumentos de campanha, e não resultados que possam ser considerados previamente demonstrados.</p>
<p>Entre os compromissos defendidos por Lula apareceram a preservação dos programas de transferência de renda, a valorização real do salário mínimo e a ampliação de investimentos em educação. A propaganda destacou iniciativas como o Pé-de-Meia e o Bolsa Família e reiterou o apoio do presidente à redução da jornada de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340560">trabalho</a>, incluindo o debate sobre o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso.</p>
<p>A proposta de mudança na jornada depende de tramitação legislativa e de definição de seus efeitos sobre trabalhadores, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340561">empresas</a> e setores econômicos. Da mesma forma, a expansão de políticas sociais e educacionais está condicionada à disponibilidade orçamentária e às regras fiscais. Essas questões integram o conjunto de compromissos que deverão ser detalhados pelas campanhas ao longo das próximas duas semanas.</p>
<p>A retomada da propaganda ocorre depois de Lula promover alterações na organização de sua campanha. Entre as mudanças estão novas atribuições para integrantes de sua equipe política e maior participação de aliados nas articulações eleitorais. A reorganização veio após o presidente terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, resultado que levou o PT a revisar iniciativas de mobilização, comunicação e presença regional.</p>
<h2>Divisão igualitária altera tempo disponível para os dois candidatos</h2>
<p>A diferença entre as regras do primeiro e do segundo turno pode ser observada diretamente nos planos de mídia aprovados pelo TSE. Na etapa inicial da eleição presidencial, a coligação de Lula tinha direito a cinco minutos e 31 segundos em cada bloco de propaganda, enquanto o PL, partido de Flávio Bolsonaro, dispunha de quatro minutos e 20 segundos. A distribuição também incluía o PSD, com dois minutos e dois segundos, e o Avante, com 35 segundos, além de ajustes decorrentes das frações de tempo previstas na regulamentação.</p>
<p>Com a redução da disputa a dois candidatos, ambos passaram a receber exatamente cinco minutos por bloco. Em comparação com a primeira etapa, Flávio ganhou 40 segundos em cada apresentação, enquanto Lula perdeu 31 segundos. Considerando os dois programas transmitidos diariamente, isso representa um acréscimo de um minuto e 20 segundos para o candidato do PL e uma redução de um minuto e dois segundos para o presidente.</p>
<p>A igualdade de tempo também se aplica às inserções publicitárias. Cada candidatura terá direito a 25 peças de 30 segundos por dia, totalizando 12 minutos e 30 segundos. A propaganda em rede será exibida de segunda-feira a sábado, enquanto as inserções poderão ser transmitidas também aos domingos. Com isso, cada candidato dispõe de dez minutos diários nos dois programas em bloco, além das inserções distribuídas pelos intervalos comerciais.</p>
<p>O calendário estabelece 15 dias de propaganda entre 9 e 23 de outubro, incluindo dois domingos. Considerando os 13 dias com programas em rede e as inserções previstas para todo o período, cada candidato poderá acumular cinco horas, 17 minutos e 30 segundos de exposição em cada meio de comunicação, somando os espaços regulamentares. Desse total, duas horas e dez minutos correspondem aos programas em rede, enquanto três horas, sete minutos e 30 segundos decorrem das inserções.</p>
<p>A diferença entre os formatos também influencia a apresentação das mensagens eleitorais. Nos blocos de cinco minutos, as campanhas conseguem desenvolver argumentos mais extensos, apresentar depoimentos e relacionar propostas a antecedentes políticos. Nas inserções de 30 segundos, o espaço permite mensagens mais curtas e repetidas, geralmente concentradas em um tema ou compromisso específico. O TSE estabelece a distribuição e a ordem de veiculação, mas o conteúdo político das peças é definido pelas candidaturas, dentro dos limites legais.</p>
<p>A ordem de apresentação também segue uma regra específica. Como Flávio Bolsonaro obteve a maior votação no primeiro turno, sua candidatura iniciou a sequência de propaganda. A posição dos candidatos será alternada nas exibições seguintes, conforme o plano aprovado pela Justiça Eleitoral, impedindo que um concorrente ocupe permanentemente a primeira posição.</p>
<h2>Diferença de 2,2 milhões de votos marca início da nova etapa</h2>
<p>Os resultados oficiais do primeiro turno mostram a dimensão da disputa pela Presidência. Flávio Bolsonaro terminou a votação com aproximadamente 56,1 milhões de votos, enquanto Lula recebeu cerca de 53,9 milhões. Os dois candidatos concentraram juntos quase 110 milhões de votos, correspondentes a aproximadamente 92,2% dos votos válidos apurados na eleição presidencial.</p>
<p>A concentração indica que uma parcela relativamente pequena dos votos válidos foi destinada aos demais concorrentes. Ainda assim, os eleitores que escolheram candidaturas eliminadas, além daqueles que votaram em branco, anularam ou deixaram de comparecer, representam um contingente relevante para o segundo turno. A distribuição desses votos não pode ser determinada automaticamente a partir dos resultados anteriores, pois depende da participação e das escolhas individuais na nova votação.</p>
<p>Dados divulgados pelo TSE após o primeiro turno registraram 2.300.781 votos brancos e 3.674.149 votos nulos na disputa presidencial. Somados, representam aproximadamente seis milhões de votos que não foram atribuídos a nenhum candidato. Esse conjunto não constitui um grupo politicamente homogêneo, mas ajuda a dimensionar a parcela do eleitorado que não participou da distribuição dos votos válidos no primeiro turno.</p>
<p>A abstenção também se tornou um tema importante para a mobilização eleitoral. A Justiça Eleitoral esclarece que a ausência na primeira votação não impede o comparecimento à segunda, pois os turnos são considerados etapas independentes. O eleitor que não votou em 4 de outubro poderá participar normalmente da votação de 25 de outubro, desde que esteja em situação que permita o exercício do voto.</p>
<p>Para as campanhas, isso significa que a busca por eleitores não se limita à transferência de apoios políticos entre partidos e candidatos. Também envolve a mobilização de pessoas que não participaram da primeira etapa, a comunicação de propostas para segmentos ainda não identificados com nenhuma candidatura e o incentivo ao comparecimento às urnas.</p>
<h2>Propaganda para governadores ocorre em seis estados e no Distrito Federal</h2>
<p>Além da eleição presidencial, a propaganda gratuita do segundo turno contempla disputas para governador em seis estados e no Distrito Federal. Segundo o TSE, haverá nova votação para os governos do Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins, além do Distrito Federal. Nessas localidades, os programas dos candidatos aos governos estaduais serão apresentados depois da propaganda presidencial, conforme os horários estabelecidos pela Justiça Eleitoral.</p>
<p>No rádio, os blocos presidenciais são transmitidos às 7h e ao meio-dia. Na televisão, os horários são 13h e 20h30, de segunda-feira a sábado. Em cada apresentação, os dois candidatos à Presidência dividem dez minutos de programação, com cinco minutos para cada um. As inserções de 30 segundos são distribuídas pelos intervalos comerciais das emissoras, respeitando a programação definida no plano de mídia.</p>
<p>A transmissão é obrigatória para as emissoras abrangidas pela legislação eleitoral, incluindo rádios comunitárias e canais de televisão de caráter legislativo previstos nas regras. O Tribunal Superior Eleitoral mantém uma estrutura responsável pelo recebimento e distribuição dos programas presidenciais, enquanto as campanhas devem encaminhar os materiais conforme os prazos técnicos estabelecidos.</p>
<p>A propaganda gratuita terminará em 23 de outubro. O segundo turno será realizado no domingo seguinte, dia 25, quando mais de 158,7 milhões de eleitores aptos poderão votar para presidente da República. Até lá, Lula e Flávio Bolsonaro terão a mesma quantidade de tempo no rádio e na televisão para apresentar propostas e responder às críticas, em uma disputa que começou com diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos entre os dois candidatos.</p>
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			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Júlia Campos</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[Prestes a oficializar vitória de Douglas Ruas, TRE suspende propaganda eleitoral no Rio]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/prestes-a-oficializar-vitoria-de-douglas-ruas-tre-suspende-propaganda-eleitoral-no-rio" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533246</id>
		<updated>2026-10-09T21:54:32Z</updated>
		<published>2026-10-09T17:42:33Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Candidato do PL deve ser declarado governador eleito neste sábado, 10, após retotalização do primeiro turno sem os votos de Garotinho</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/prestes-a-oficializar-vitoria-de-douglas-ruas-tre-suspende-propaganda-eleitoral-no-rio"><![CDATA[<p>O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) suspendeu a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão após uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que abriu caminho para a vitória de Douglas Ruas (PL) ainda no primeiro turno das eleições de 2026. A determinação, assinada pelo presidente da Corte regional, desembargador Cláudio de Mello Tavares, interrompe a veiculação das campanhas até domingo (11), enquanto a Justiça Eleitoral conclui os procedimentos necessários para oficializar o resultado da disputa pelo governo fluminense.</p>
<p>A mudança ocorre depois que o TSE decidiu, na quinta-feira (8), anular os 274.411 votos recebidos pelo ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), que disputou a eleição com o registro de candidatura submetido à análise judicial. Com a exclusão desses votos do cálculo, Douglas Ruas, que havia terminado a apuração com 49,27% dos votos válidos, deverá alcançar aproximadamente 50,88%, percentual suficiente para garantir sua eleição sem a necessidade de enfrentar Eduardo Paes (PSD) no segundo turno.</p>
<p>A retotalização está marcada para este sábado (10), às 15h, na sede do TRE-RJ. O procedimento não envolve uma nova votação nem a abertura das urnas para uma recontagem individual dos sufrágios. Trata-se de um recálculo oficial dos resultados, realizado a partir da exclusão dos votos atribuídos a Garotinho, conforme determinado pela instância superior da Justiça Eleitoral.</p>
<p>A suspensão da propaganda representa uma consequência imediata da mudança no cenário eleitoral. Embora a proclamação do resultado ainda dependa da retotalização, a decisão do TSE tornou desnecessária, pelas condições jurídicas atualmente estabelecidas, a continuidade da campanha para um segundo turno entre Ruas e Paes. A interrupção também evita a transmissão de peças eleitorais referentes a uma disputa que poderá deixar de existir formalmente após a atualização dos resultados.</p>
<h2>Como a anulação dos votos de Garotinho mudou a eleição</h2>
<p>Na apuração realizada em 4 de outubro, Douglas Ruas recebeu 4.271.199 votos, equivalentes a 49,27% dos votos válidos. Eduardo Paes terminou em segundo lugar, com 3.706.984 votos, ou 42,76%. Como nenhum dos candidatos havia alcançado inicialmente a maioria absoluta exigida para a eleição em primeiro turno, a Justiça Eleitoral anunciou uma nova votação para 25 de outubro.</p>
<p>A situação foi modificada pelo julgamento do recurso relacionado ao registro de candidatura de Anthony Garotinho. O ex-governador havia recebido 274.411 votos, aproximadamente 3,17% do total válido inicialmente considerado. Sua exclusão reduziu a base utilizada para calcular os percentuais dos demais concorrentes, sem alterar a quantidade absoluta de votos recebida por Ruas ou Paes.</p>
<p>Esse é o aspecto central da mudança: Douglas Ruas não recebeu novos votos após o encerramento da eleição. A elevação de seu percentual decorre exclusivamente da retirada dos votos de Garotinho do conjunto considerado válido. A diferença é suficiente para fazer o candidato do PL ultrapassar a marca de 50%, eliminando a necessidade de uma segunda rodada de votação nas condições estabelecidas pelo TSE.</p>
<p>O impacto numérico também ajuda a dimensionar a relevância das candidaturas que permanecem sob discussão judicial durante o período eleitoral. Embora Garotinho tenha obtido uma parcela relativamente pequena dos votos, sua presença no cálculo original foi suficiente para impedir que Ruas alcançasse a maioria absoluta na primeira totalização.</p>
<p>Pela Constituição Federal, a eleição para governador exige maioria absoluta dos votos válidos, excluídos os brancos e nulos. Quando nenhum candidato atinge esse patamar, os dois mais votados disputam o segundo turno. No Rio de Janeiro, entretanto, a controvérsia passou a envolver quais votos poderiam integrar juridicamente o cálculo desse percentual.</p>
<h2>TSE decidiu por cinco votos a dois pela anulação</h2>
<p>O julgamento realizado na quinta-feira apresentou duas conclusões distintas. Por unanimidade, os ministros do TSE rejeitaram o pedido de Anthony Garotinho para desistir do recurso apresentado contra o indeferimento de sua candidatura. A Corte considerou que a desistência, depois de realizada a eleição, poderia interferir diretamente na definição do resultado.</p>
<p>Na análise do mérito, por cinco votos a dois, o Tribunal determinou a anulação dos votos destinados ao ex-governador e a retotalização da eleição majoritária. A maioria acompanhou o entendimento que manteve o indeferimento do registro de candidatura em razão da ausência de condições de elegibilidade relacionadas ao pleno exercício dos direitos políticos e à filiação partidária.</p>
<p>O relator, ministro Floriano de Azevedo Marques, também analisou os efeitos da Lei Complementar nº 219/2025 sobre a situação jurídica de Garotinho. Embora tenha afastado uma das causas de inelegibilidade previstas na Lei Complementar nº 64/1990, considerou que permaneciam obstáculos constitucionais ao deferimento do registro.</p>
<p>A distinção é importante porque o indeferimento da candidatura não ficou condicionado exclusivamente à aplicação da hipótese legal de inelegibilidade decorrente da condenação por improbidade administrativa. O julgamento também examinou requisitos constitucionais indispensáveis à participação no processo eleitoral.</p>
<p>Os ministros Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior divergiram do entendimento majoritário sobre os efeitos da decisão na votação. Para eles, deveria ser preservada a totalização original do primeiro turno, permitindo a realização da disputa entre Douglas Ruas e Eduardo Paes.</p>
<p>Prevaleceu, contudo, a posição de que os votos atribuídos a Garotinho deveriam ser excluídos da base de cálculo, com comunicação imediata ao TRE-RJ para a atualização dos resultados.</p>
<h2>Eduardo Paes recorreu ao STF, mas não conseguiu suspender decisão</h2>
<p>A alteração do resultado levou a campanha de Eduardo Paes a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). A coligação do candidato do PSD questionou os efeitos da anulação dos votos de Garotinho e defendeu a manutenção do segundo turno, sob o argumento de que a escolha originalmente expressa pelos eleitores deveria ser preservada.</p>
<p>O recurso foi distribuído ao ministro Cristiano Zanin, que rejeitou o pedido de intervenção imediata. O fundamento processual foi a ausência de esgotamento das possibilidades de recurso na própria Justiça Eleitoral, circunstância que impediu, naquele momento, a análise da controvérsia pelo Supremo.</p>
<p>A decisão não representou um julgamento definitivo do mérito constitucional da discussão. Significou que o STF não identificou condições processuais para interferir imediatamente no resultado determinado pelo TSE.</p>
<p>O episódio envolve duas interpretações sobre os efeitos eleitorais da invalidação de uma candidatura. De um lado, a aplicação das regras que determinam a exclusão de votos juridicamente considerados nulos. De outro, o argumento de que a retirada posterior de votos altera a configuração <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340574">política</a> apresentada ao eleitor no momento da votação.</p>
<p>A controvérsia ganha especial importância porque a mudança ocorreu depois da divulgação do resultado original e da identificação dos candidatos que, em princípio, participariam do segundo turno. Mesmo assim, a decisão majoritária do TSE produziu efeitos imediatos sobre a totalização e a organização da etapa seguinte da eleição.</p>
<p>Após a derrota judicial, Paes reconheceu publicamente o resultado decorrente da decisão e afirmou que respeitaria a determinação da Justiça, embora mantivesse sua discordância quanto à supressão do segundo turno.</p>
<h2>Suspensão da propaganda evita campanha para disputa indefinida</h2>
<p>A decisão do TRE-RJ também tem consequências práticas para as emissoras de rádio e televisão, responsáveis pela transmissão obrigatória do horário eleitoral gratuito. A propaganda do segundo turno estava prevista para começar nesta sexta-feira (9), seguindo o calendário nacional estabelecido pela Justiça Eleitoral.</p>
<p>Com a retotalização agendada para sábado, a manutenção dos programas dos candidatos ao governo poderia criar uma situação contraditória: as emissoras continuariam apresentando uma disputa cuja realização havia sido afastada por decisão do TSE, embora ainda dependesse da formalização regional.</p>
<p>A suspensão determinada pelo desembargador Cláudio de Mello Tavares procura evitar essa inconsistência durante o intervalo entre o julgamento e a proclamação oficial do resultado. A medida, segundo a programação divulgada, vale até domingo (11).</p>
<p>A decisão se refere à propaganda eleitoral da disputa estadual e não significa o cancelamento do horário eleitoral gratuito relativo à eleição presidencial, que continua seguindo o calendário próprio do segundo turno.</p>
<p>O episódio também evidencia a importância dos prazos operacionais da Justiça Eleitoral. Durante o julgamento, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, destacou as dificuldades de preparar as urnas eletrônicas para uma nova votação diante de alterações tardias no quadro de candidatos.</p>
<p>A preparação do segundo turno exige geração de mídias, configuração dos equipamentos, transporte, procedimentos de segurança e distribuição das urnas. Uma mudança na definição das disputas estaduais interfere diretamente nesse planejamento, especialmente quando ocorre poucos dias antes do início das operações técnicas.</p>
<p>No caso fluminense, a retotalização permitirá estabelecer oficialmente se a eleição estadual foi encerrada no primeiro turno, eliminando a necessidade de preparar o sistema de votação para uma nova disputa pelo Palácio Guanabara.</p>
<h2>Vitória de Ruas altera cenário político do Rio de Janeiro</h2>
<p>A confirmação de Douglas Ruas como governador eleito representará uma vitória importante para o Partido Liberal no Rio de Janeiro. Ligado ao campo político do ex-presidente Jair Bolsonaro, o candidato construiu sua trajetória eleitoral com forte presença na região metropolitana e atuação em pautas relacionadas à segurança pública.</p>
<p>Natural de São Gonçalo, Ruas ganhou projeção estadual por sua atuação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Durante a campanha, apresentou propostas de fortalecimento das forças de segurança e enfrentamento das organizações criminosas, colocando a recuperação do controle territorial do Estado entre as prioridades de seu programa.</p>
<p>O resultado também modifica as perspectivas políticas de Eduardo Paes, que deixou a Prefeitura do Rio para disputar o governo estadual. Apesar de ter recebido mais de 3,7 milhões de votos, o candidato do PSD poderá ficar fora do segundo turno em razão de uma decisão judicial que alterou a composição dos votos válidos.</p>
<p>A disputa entre os dois representava, originalmente, um confronto entre projetos políticos distintos. Ruas buscou consolidar o eleitorado conservador e associado ao bolsonarismo, enquanto Paes procurou ampliar sua base de apoio a partir da experiência administrativa na capital e de alianças políticas estaduais.</p>
<p>A definição antecipada favorece o PL ao encerrar uma campanha que ainda poderia mobilizar apoios, produzir novas negociações partidárias e alterar as preferências de eleitores que votaram em outros candidatos no primeiro turno.</p>
<p>Para o futuro governo, porém, a eventual vitória antecipada não elimina os desafios administrativos e políticos do estado. Segurança pública, equilíbrio fiscal, investimentos em infraestrutura e relações com os municípios continuarão entre os principais temas da agenda fluminense.</p>
<h2>O que acontece na retotalização deste sábado</h2>
<p>A sessão marcada para as 15h de sábado (10) deverá consolidar a exclusão dos votos de Anthony Garotinho e estabelecer o novo percentual oficial de cada candidato ao governo do Rio de Janeiro. Caso os números confirmem a projeção resultante da decisão do TSE, Douglas Ruas será reconhecido como vencedor da eleição ainda no primeiro turno.</p>
<p>A retotalização é um procedimento de atualização matemática e jurídica dos resultados, e não uma nova manifestação do eleitorado. Os votos depositados nas urnas em 4 de outubro permanecem registrados, mas aqueles atribuídos à candidatura invalidada deixam de integrar o cálculo dos votos válidos para o cargo.</p>
<p>A etapa seguinte será a formalização do resultado pela Justiça Eleitoral. A proclamação da vitória, entretanto, não deve ser confundida com a diplomação ou a posse, procedimentos que obedecem a etapas próprias do calendário institucional.</p>
<p>Até a conclusão do procedimento, a suspensão da propaganda permanece como a principal consequência administrativa visível da decisão judicial. A eleição para governador do Rio de Janeiro caminha, assim, para um desfecho diferente daquele anunciado na noite de 4 de outubro.</p>
<p>O caso demonstra como decisões sobre registros de candidatura podem produzir efeitos que ultrapassam a situação individual de um concorrente. No Rio, a exclusão de 274.411 votos modificou o percentual dos demais candidatos, afastou a realização de um segundo turno e tornou uma decisão da Justiça Eleitoral determinante para a definição de quem ocupará o governo estadual.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Decisão de 8 de outubro de 2026 sobre o recurso de Anthony Garotinho, anulação dos votos e retotalização da eleição para governador do Rio de Janeiro; processo RO-EI 0602359-26.2026.6.19.0000.</p>
<p>Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Resultado oficial da totalização inicial do primeiro turno das eleições de 4 de outubro de 2026.</p>
<p>Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) — Informações institucionais sobre a retotalização dos votos para governador.</p>
<p>Supremo Tribunal Federal (STF) — Tramitação do pedido da coligação de Eduardo Paes, distribuído ao ministro Cristiano Zanin, conforme cobertura judicial publicada em 8 e 9 de outubro de 2026.</p>
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		<author>
			<name>Camila Braga</name>
							<uri>https://muckrack.com/camila-braga</uri>
						</author>

		<title type="html"><![CDATA[Morgan Stanley rebaixa Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3) e prevê queda nos lucros]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/vibra-vbbr3-ultrapar-ugpa3-morgan-stanley-rebaixa-acoes" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533245</id>
		<updated>2026-10-09T22:12:15Z</updated>
		<published>2026-10-09T17:42:02Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3) são rebaixadas pelo Morgan Stanley" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Depois de um rali expressivo nos últimos 18 meses, as ações da Vibra Energia (VBBR3) e da Ultrapar (UGPA3) perderam espaço na lista de favoritas do Morgan</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/vibra-vbbr3-ultrapar-ugpa3-morgan-stanley-rebaixa-acoes"><![CDATA[<p>O Morgan Stanley reduziu suas recomendações para as ações da Vibra Energia (VBBR3) e da Ultrapar (UGPA3), após avaliar que a forte valorização das companhias nos últimos 18 meses diminuiu o potencial de retorno para os investidores. A revisão, divulgada nesta semana, ocorre mesmo com a elevação dos preços-alvo das duas <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340576">empresas</a>, refletindo uma mudança na relação entre os resultados operacionais esperados e o valor que o mercado já atribui aos negócios de distribuição de combustíveis no Brasil.</p>
<p>A Vibra Energia teve sua classificação rebaixada de <em>overweight</em>, equivalente a uma recomendação de exposição acima da média, para <em>equal-weight</em>, posição neutra. No caso da Ultrapar, a alteração foi mais significativa: os papéis passaram de <em>equal-weight</em> para <em>underweight</em>, indicação de exposição abaixo da média. As mudanças sinalizam que, na avaliação do banco americano, o avanço recente das cotações reduziu a atratividade relativa das empresas, especialmente diante das perspectivas de normalização das margens de distribuição a partir de 2027.</p>
<p>Apesar da posição mais cautelosa, o Morgan Stanley elevou de R$ 41 para R$ 43 o preço-alvo da Vibra e de R$ 34 para R$ 36 o da Ultrapar. Considerando as referências de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340590">mercado</a> utilizadas pelos analistas, o novo valor atribuído à VBBR3 representa potencial de valorização de aproximadamente 14%, enquanto a projeção para UGPA3 indica uma desvalorização potencial de 7%. A diferença mostra que o banco continua enxergando maior espaço relativo de valorização na Vibra, embora já não considere seus papéis uma das principais oportunidades do setor.</p>
<p>A revisão também antecipa uma mudança importante no cenário de resultados. O Morgan Stanley projeta uma queda de 34% no lucro por ação da Vibra em 2027 e uma retração de 20% para a Ultrapar, em comparação com 2026. A expectativa está associada principalmente à redução de condições excepcionais que beneficiaram a distribuição de combustíveis neste ano, incluindo os elevados spreads internacionais do diesel e as oportunidades comerciais decorrentes da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340575">política</a> de preços da Petrobras.</p>
<h2>Por que o Morgan Stanley rebaixou Vibra e Ultrapar?</h2>
<p>A decisão do Morgan Stanley está relacionada à velocidade com que as distribuidoras brasileiras transformaram condições favoráveis de mercado em resultados financeiros e valorização de suas ações. Nos últimos 18 meses, as companhias se beneficiaram da melhora do ambiente competitivo, do fortalecimento das margens e da recuperação de volumes antes atendidos por operadores informais.</p>
<p>Segundo os analistas liderados por Bruno Montanari, os ganhos esperados com o aumento da participação de mercado e a expansão da rentabilidade ocorreram mais rapidamente do que o previsto inicialmente. A consequência foi uma valorização expressiva dos papéis, que antecipou parte relevante dos benefícios operacionais que poderiam sustentar novas altas no futuro.</p>
<p>As ações das companhias chegaram a acumular valorização próxima de 120% em um horizonte de 18 meses, segundo os dados considerados nas análises divulgadas sobre o relatório. Esse desempenho alterou substancialmente a relação entre preço e expectativa de crescimento, tornando mais exigentes as condições necessárias para justificar novas valorizações.</p>
<p>O ponto central da avaliação não é uma deterioração imediata das atividades de Vibra e Ultrapar. Pelo contrário, as duas empresas continuam apresentando perspectivas operacionais favorecidas pela maior organização do mercado de combustíveis. A preocupação é que o preço das ações tenha avançado mais rapidamente do que a capacidade de crescimento sustentável dos lucros.</p>
<p>Essa distinção é importante para o investidor. Uma companhia pode continuar registrando bons resultados e, ainda assim, apresentar uma perspectiva limitada de valorização caso suas ações já incorporem expectativas excessivamente otimistas. Nesse cenário, a continuidade do desempenho positivo depende de resultados superiores aos projetados, e não apenas da manutenção da rentabilidade atual.</p>
<p>No caso da Ultrapar, o Morgan Stanley considera que a valorização acumulada deixou as ações especialmente sensíveis a uma eventual normalização das margens. Para a Vibra, a avaliação é relativamente mais favorável, mas insuficiente para justificar a manutenção da recomendação de exposição acima da média.</p>
<h2>Fiscalização e redução da informalidade impulsionaram as distribuidoras</h2>
<p>Uma das principais transformações identificadas pelo Morgan Stanley no mercado brasileiro foi a redução da participação dos distribuidores informais. Segundo as estimativas do banco, medidas regulatórias e ações de fiscalização contribuíram para uma retração aproximada de 550 pontos-base, equivalente a 5,5 pontos percentuais, na participação desses operadores ao longo dos últimos 18 meses.</p>
<p>A mudança favoreceu as grandes companhias, que passaram a disputar um volume maior de combustíveis comercializados dentro das estruturas formais de distribuição. Vibra e Ultrapar estão entre os grupos que se beneficiaram desse processo, tanto pela ampliação das oportunidades comerciais quanto pela melhora das condições competitivas.</p>
<p>A informalidade no setor de combustíveis está associada a diferentes práticas, incluindo irregularidades tributárias, descumprimento de exigências regulatórias e operações que podem criar vantagens artificiais de preço. Quando essas distorções são reduzidas, empresas que cumprem integralmente suas obrigações passam a competir em condições mais equilibradas.</p>
<p>Esse ambiente permite maior previsibilidade comercial e pode contribuir para a sustentação das margens. Entretanto, existe uma diferença entre o ganho inicial provocado pela recuperação de mercado e sua continuidade nos exercícios seguintes. Uma vez incorporados os volumes anteriormente atendidos por operadores irregulares, a expansão adicional tende a depender mais do crescimento estrutural da demanda e da eficiência das distribuidoras.</p>
<p>É justamente essa transição que aparece na revisão do Morgan Stanley. Os ganhos proporcionados pela fiscalização e pela reorganização competitiva são considerados relevantes, mas sua capacidade de produzir surpresas positivas diminui à medida que passam a integrar as estimativas e os preços de mercado.</p>
<h2>Diesel e Petrobras sustentaram margens excepcionais em 2026</h2>
<p>Outro fator relevante para a valorização das distribuidoras foi o comportamento do mercado internacional de diesel. As tensões geopolíticas no Oriente Médio elevaram os preços e ampliaram os diferenciais entre o custo de aquisição do combustível no exterior e os valores praticados em determinadas operações no mercado brasileiro.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a Petrobras manteve preços domésticos abaixo das referências internacionais de paridade de importação em determinados períodos, criando condições comerciais favoráveis para distribuidoras com acesso ao produto no mercado interno.</p>
<p>O mecanismo é particularmente importante porque o custo de aquisição representa uma parcela expressiva da formação do preço final dos combustíveis. Quando o produto vendido no mercado doméstico apresenta um custo inferior ao das alternativas importadas, as empresas com acesso competitivo ao suprimento podem encontrar condições mais favoráveis para suas margens comerciais.</p>
<p>Esse benefício, entretanto, não é necessariamente permanente. Alterações nos preços da Petrobras, redução dos spreads internacionais, mudanças cambiais ou normalização das condições de oferta podem diminuir a rentabilidade adicional registrada durante períodos de desequilíbrio.</p>
<p>Para o Morgan Stanley, parte dos resultados excepcionais observados em 2026 dificilmente será repetida com a mesma intensidade em 2027. Essa avaliação explica por que a instituição elevou suas projeções de desempenho operacional de curto prazo, mas simultaneamente reduziu sua disposição de recomendar a compra das ações aos preços atuais.</p>
<p>A revisão das estimativas de Ebitda, indicador que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ficou entre 8% e 12%. O aumento demonstra que o banco passou a esperar um desempenho operacional superior ao considerado anteriormente. Ainda assim, a melhora não foi suficiente para compensar o efeito da valorização acumulada sobre os múltiplos de mercado.</p>
<h2>Lucro por ação pode recuar até 34% em 2027</h2>
<p>A principal preocupação do Morgan Stanley está concentrada no comportamento dos resultados futuros. Para 2027, a instituição projeta uma redução de 34% no lucro por ação da Vibra Energia e de 20% no da Ultrapar, refletindo a expectativa de margens menos favoráveis na distribuição de combustíveis.</p>
<p>O lucro por ação, também chamado de EPS, é calculado a partir da relação entre o lucro atribuível aos acionistas e a quantidade de ações considerada no período. Sua evolução é acompanhada pelo mercado porque influencia diretamente indicadores de avaliação, como a relação preço/lucro, além da capacidade potencial de distribuição de dividendos.</p>
<p>Uma redução expressiva nesse indicador pode alterar a percepção sobre o preço adequado das ações. Caso o lucro diminua e a cotação permaneça elevada, o múltiplo preço/lucro aumenta, tornando o papel aparentemente mais caro em relação à geração de resultados.</p>
<p>Isso não significa que Vibra e Ultrapar necessariamente enfrentarão dificuldades financeiras ou que suas receitas apresentarão a mesma proporção de queda. A projeção reflete um cenário de menor rentabilidade por ação, que poderá ser influenciado por mudanças nas margens, despesas financeiras, tributos, estrutura de capital e outros componentes do resultado líquido.</p>
<p>Também é importante observar que 2026 pode representar uma base de comparação excepcionalmente elevada. Quando uma companhia registra lucros favorecidos por condições extraordinárias, sua comparação com o ano seguinte pode produzir quedas percentuais relevantes mesmo que o negócio permaneça operacionalmente saudável.</p>
<p>O risco para o acionista surge quando o mercado atribui características permanentes a resultados que dependem de circunstâncias temporárias. Nesse caso, a normalização das condições comerciais pode provocar uma revisão dos múltiplos e das expectativas de retorno.</p>
<h2>VBBR3 e UGPA3: veja os novos preços-alvo e recomendações</h2>
<table>
<tbody>
<tr>
<th>Indicador</th>
<th>Vibra (VBBR3)</th>
<th>Ultrapar (UGPA3)</th>
</tr>
<tr>
<td>Recomendação anterior</td>
<td>Overweight</td>
<td>Equal-weight</td>
</tr>
<tr>
<td>Nova recomendação</td>
<td>Equal-weight</td>
<td>Underweight</td>
</tr>
<tr>
<td>Preço-alvo anterior</td>
<td>R$ 41</td>
<td>R$ 34</td>
</tr>
<tr>
<td>Novo preço-alvo</td>
<td>R$ 43</td>
<td>R$ 36</td>
</tr>
<tr>
<td>Potencial estimado</td>
<td>+14%</td>
<td>-7%</td>
</tr>
<tr>
<td>Lucro por ação em 2027</td>
<td>-34%</td>
<td>-20%</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Os potenciais de valorização e desvalorização representam as estimativas do Morgan Stanley em relação às cotações de referência utilizadas no relatório, e não uma previsão garantida de desempenho.</p>
<p>A leitura das recomendações exige considerar que <em>equal-weight</em> não corresponde necessariamente a uma ordem para manter as ações em carteira, assim como <em>underweight</em> não significa uma determinação universal de venda. São classificações relativas, utilizadas para expressar a expectativa de desempenho dos papéis em comparação com outras oportunidades de investimento.</p>
<p>No caso da Vibra, a indicação neutra sugere que o banco deixou de enxergar uma vantagem suficientemente expressiva para justificar uma exposição maior à companhia. Para a Ultrapar, a classificação abaixo da média revela uma percepção mais conservadora sobre seu potencial de retorno em relação às alternativas disponíveis.</p>
<p>A elevação simultânea dos preços-alvo e o rebaixamento das recomendações também não são contraditórios. Os preços-alvo refletem novas projeções de valor, enquanto as recomendações consideram o preço atual das ações, os riscos e o retorno esperado diante de outras possibilidades de investimento.</p>
<h2>Outros bancos ainda enxergam potencial nas distribuidoras</h2>
<p>A avaliação mais cautelosa do Morgan Stanley contrasta com análises divulgadas anteriormente por outras instituições financeiras. Em agosto, o Itaú BBA elevou seus preços-alvo para Vibra e Ultrapar, mantendo recomendação de compra para as duas companhias.</p>
<p>Na revisão do Itaú, a Vibra passou a ter preço-alvo de R$ 45, enquanto o da Ultrapar foi elevado para R$ 43. O banco considerou que o setor continuaria se beneficiando da melhora competitiva, da geração de caixa e de margens mais favoráveis ao longo de 2026, embora também projetasse uma normalização gradual em 2027.</p>
<p>O Banco Safra, por sua vez, apresentou avaliação positiva sobre as duas distribuidoras em análise publicada no fim de agosto, destacando a possibilidade de margens estruturalmente mais elevadas em consequência das mudanças no ambiente competitivo.</p>
<p>As diferenças de avaliação mostram que não existe consenso absoluto entre os analistas sobre quanto dos ganhos recentes será preservado nos próximos anos. O ponto de divergência está menos na existência da melhora operacional e mais em sua duração e no preço que os investidores devem estar dispostos a pagar por ela.</p>
<p>As instituições também utilizam diferentes premissas de preço dos combustíveis, volumes, custos financeiros, investimentos e taxa de desconto. Pequenas alterações nessas variáveis podem produzir diferenças relevantes nas estimativas de valor justo das ações.</p>
<h2>Comprar, manter ou vender VBBR3 e UGPA3?</h2>
<p>Para quem já possui ações de Vibra ou Ultrapar, a revisão do Morgan Stanley acrescenta um elemento de cautela, mas não estabelece, isoladamente, a necessidade de vender os papéis. A decisão depende do preço médio de aquisição, da participação dessas empresas na carteira, do horizonte de investimento e da tolerância a eventuais oscilações.</p>
<p>Na Vibra, o preço-alvo de R$ 43 ainda indica espaço de valorização, embora menor do que o considerado anteriormente. O principal desafio será demonstrar que a companhia consegue preservar uma parcela relevante das margens conquistadas durante a fase de condições favoráveis, mesmo diante da normalização do mercado de diesel.</p>
<p>Na Ultrapar, o novo preço-alvo de R$ 36 fica abaixo da cotação de referência utilizada pelo Morgan Stanley. Isso significa que, para o banco, o potencial de retorno esperado já não compensa adequadamente os riscos associados à evolução dos resultados. A avaliação pode mudar caso as ações recuem, as estimativas de lucro melhorem ou a empresa apresente ganhos adicionais não incorporados ao cenário atual.</p>
<p>Para novos investidores, a análise deve considerar não apenas o potencial de alta indicado por determinado preço-alvo, mas também o comportamento esperado dos lucros, a capacidade de geração de caixa, o endividamento e a sustentabilidade dos dividendos.</p>
<p>A perspectiva de queda do lucro por ação em 2027 torna especialmente importante distinguir resultados recorrentes de benefícios extraordinários. O desempenho operacional dos próximos trimestres poderá mostrar se as companhias estão consolidando uma rentabilidade estruturalmente superior ou se parte relevante dos ganhos recentes será revertida.</p>
<p>O rebaixamento de Vibra e Ultrapar representa, portanto, uma mudança de estágio na avaliação do setor brasileiro de combustíveis. Depois de um período marcado por expansão de margens, recuperação de participação de mercado e valorização expressiva das ações, a atenção dos investidores passa a se concentrar na capacidade das empresas de sustentar os resultados em um ambiente menos excepcional.</p>
<p>A conclusão do Morgan Stanley é que o mercado já antecipou grande parte das melhorias recentes. Para justificar novas altas consistentes, Vibra e Ultrapar precisarão demonstrar que os ganhos operacionais podem continuar mesmo depois que os fatores extraordinários de 2026 perderem força.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<ul>
<li>Morgan Stanley — Revisão de recomendações, preços-alvo e projeções para Vibra Energia e Ultrapar, divulgada em outubro de 2026, conforme cobertura de mercado.</li>
<li>Vibra Energia — Relações com Investidores, informações corporativas, resultados financeiros e código de negociação VBBR3.</li>
<li>Ultrapar — Informações corporativas e cadastro da companhia na B3, código UGPA3.</li>
<li>Itaú BBA — Revisão setorial de agosto de 2026, com preços-alvo para Vibra e Ultrapar e projeções de margens.</li>
<li>Banco Safra — Análise do setor de distribuição de combustíveis de agosto de 2026, com avaliação das condições competitivas e perspectivas de rentabilidade.</li>
</ul>
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		<author>
			<name>Camila Braga</name>
							<uri>https://muckrack.com/camila-braga</uri>
						</author>

		<title type="html"><![CDATA[Bitcoin (BTC) cai na semana e ETFs de criptomoedas registram saídas de quase US$ 1 bilhão]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/bitcoin-hoje" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1532887</id>
		<updated>2026-10-06T15:09:54Z</updated>
		<published>2026-10-09T17:39:54Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Criptomoedas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Bitcoin" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="BTC" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="CoinGlass" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="ETFs de bitcoin" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="ETH" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Ethereum" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercado cripto" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercados" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Saiba mais sobre o bitcoin e sua recente queda em meio a saídas de ETFs e incertezas regulatórias nos Estados Unidos.</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/bitcoin-hoje"><![CDATA[<p>O bitcoin (BTC) caminha para encerrar a semana em queda, pressionado pela retirada de recursos de fundos negociados em bolsa nos Estados Unidos, por liquidações de operações alavancadas e pela redução do apetite dos investidores por ativos de risco. Nesta sexta-feira (9), a maior criptomoeda do mundo era negociada na região de US$ 83 mil, depois de recuar até US$ 80.350 durante a recente onda de vendas. O movimento também atingiu o ethereum (ETH), a solana (SOL) e outras moedas digitais, que acumulam perdas mais expressivas do que as registradas pelo bitcoin nos últimos sete dias.</p>
<p>A deterioração do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340551">mercado</a> aparece com maior clareza nos fluxos dos fundos de investimento. Dados da Farside Investors mostram que os ETFs à vista de bitcoin e ethereum listados nos Estados Unidos acumularam saídas líquidas de US$ 986,3 milhões entre 1º e 8 de outubro. Desse montante, US$ 407,4 milhões correspondem aos fundos de bitcoin e US$ 578,9 milhões aos produtos vinculados ao ethereum. Os resgates se intensificaram nas sessões de quarta-feira (7) e quinta-feira (8), quando os dois grupos de fundos, considerados em conjunto, perderam US$ 962,4 milhões.</p>
<p>A pressão vendedora coincidiu com uma forte correção no mercado de derivativos. Levantamento da CoinGlass, com dados referentes às 24 horas encerradas às 10h UTC desta sexta-feira, apontou aproximadamente US$ 1,09 bilhão em liquidações de posições alavancadas em criptomoedas. Desse total, cerca de US$ 1,05 bilhão envolveu operações compradas, conhecidas como posições long, nas quais investidores apostavam na valorização dos ativos. A concentração das perdas nessas operações indica que parte relevante da instabilidade foi agravada pelo encerramento compulsório de apostas na alta.</p>
<p>Apesar de ter apresentado uma recuperação parcial durante a manhã, o bitcoin ainda registrava desvalorização semanal próxima de 3,5% no levantamento divulgado nesta sexta-feira. O ethereum recuava aproximadamente 8,7% no mesmo intervalo, enquanto solana e XRP acumulavam perdas superiores a 9%. A diferença entre os desempenhos mostra que a correção atingiu com maior intensidade algumas das principais criptomoedas alternativas, mesmo com a recuperação pontual do bitcoin nas últimas 24 horas.</p>
<h2>ETFs de bitcoin e ethereum acumulam saídas de US$ 986,3 milhões em outubro</h2>
<p>O comportamento dos ETFs tornou-se um dos principais indicadores da disposição dos investidores institucionais em manter exposição ao mercado de criptomoedas. Esses fundos permitem acompanhar o desempenho do bitcoin e do ethereum por meio de produtos financeiros negociados em bolsas tradicionais, sem que o investidor precise comprar diretamente os ativos digitais ou administrar uma carteira de criptomoedas.</p>
<p>A movimentação registrada em outubro representa uma mudança em relação ao final de setembro, quando os ETFs de bitcoin haviam apresentado uma sequência de entradas líquidas de capital. Os dados da Farside mostram que, em 21 de setembro, esses produtos receberam US$ 999 milhões, seguidos de US$ 714,7 milhões no pregão seguinte. A entrada de recursos diminuiu progressivamente nos dias posteriores, até dar lugar a retiradas mais expressivas na primeira semana de outubro.</p>
<p>A mudança ficou evidente em 7 de outubro, quando os ETFs de bitcoin registraram saídas líquidas de US$ 484,9 milhões. No dia seguinte, outros US$ 244,1 milhões deixaram esses fundos. Somadas, as duas sessões representaram retiradas de US$ 729 milhões, valor superior ao saldo negativo acumulado no mês porque as entradas registradas nos primeiros pregões compensaram parcialmente os resgates posteriores.</p>
<p>O Fidelity Wise Origin Bitcoin Fund (FBTC) respondeu por US$ 197,1 milhões em saídas no pregão de quinta-feira, concentrando aproximadamente 80,7% do saldo negativo diário dos ETFs de bitcoin. O ARK 21Shares Bitcoin ETF (ARKB) registrou retiradas de US$ 20,3 milhões, enquanto o Bitwise Bitcoin ETF (BITB) perdeu US$ 17,7 milhões. O iShares Bitcoin Trust (IBIT), administrado pela BlackRock, apresentou saída líquida de US$ 5,5 milhões naquela sessão.</p>
<p>No caso do ethereum, o comportamento dos investidores foi ainda mais negativo. Os ETFs vinculados à segunda maior criptomoeda acumularam oito sessões consecutivas de resgates, entre 29 de setembro e 8 de outubro. Nesse período, a retirada líquida alcançou aproximadamente US$ 641,3 milhões. Somente na quinta-feira, os fundos perderam US$ 72,5 milhões, com destaque para o iShares Ethereum Trust (ETHA), da BlackRock, responsável por US$ 71,1 milhões em saídas.</p>
<p>A comparação entre os dois mercados revela que os fundos de ethereum responderam por aproximadamente 58,7% das retiradas líquidas combinadas em outubro, enquanto os ETFs de bitcoin representaram 41,3%. A diferença é relevante porque demonstra que o enfraquecimento da demanda não está concentrado exclusivamente na maior criptomoeda. O movimento alcança também os instrumentos de investimento ligados ao ethereum, cujo desempenho recente tem sido mais fraco.</p>
<p>Os fluxos negativos não significam necessariamente que todos os investidores estejam abandonando suas posições em criptomoedas. As saídas representam o saldo entre aplicações e resgates nos produtos analisados, podendo refletir operações de realização de lucros, ajustes de exposição ou mudanças nas estratégias das carteiras. Ainda assim, retiradas sucessivas reduzem uma fonte importante de demanda em um mercado no qual a participação institucional ganhou relevância nos últimos anos.</p>
<h2>Bitcoin perde US$ 81 mil e provoca liquidações de posições alavancadas</h2>
<p>A queda do bitcoin abaixo de US$ 81 mil representou um dos momentos de maior pressão da semana. A criptomoeda chegou a US$ 80.350 na plataforma Bitstamp, menor cotação desde 18 de setembro, antes de recuperar parte do terreno perdido. A oscilação ocorreu em meio ao encerramento de operações com alavancagem, mecanismo pelo qual investidores assumem posições superiores ao capital efetivamente depositado como garantia.</p>
<p>Quando o preço de uma criptomoeda cai de maneira acentuada, investidores posicionados para a alta podem atingir os limites de margem exigidos pelas corretoras. Nesses casos, as plataformas encerram compulsoriamente os contratos para impedir que as perdas ultrapassem determinadas garantias. Esse processo pode ampliar a pressão sobre os preços, principalmente quando muitas posições são liquidadas em intervalos curtos.</p>
<p>Os dados da CoinGlass mostraram que aproximadamente 96% do montante de US$ 1,09 bilhão liquidado no intervalo de referência estava associado a posições compradas. O percentual ajuda a dimensionar o desequilíbrio das apostas no mercado de derivativos durante a correção. Investidores que esperavam continuidade da valorização foram atingidos de maneira especialmente intensa quando o bitcoin rompeu níveis de preço que serviam de referência para suas operações.</p>
<p>O volume foi o maior registrado em uma janela diária desde 21 de agosto, quando uma forte valorização do bitcoin provocou aproximadamente US$ 1,3 bilhão em liquidações, predominantemente de posições vendidas. A comparação mostra que grandes movimentos de preço podem provocar encerramentos forçados tanto em operações que apostam na alta quanto naquelas montadas para lucrar com a queda.</p>
<p>As estatísticas de liquidação, entretanto, precisam ser interpretadas de acordo com o horário da consulta. Como a CoinGlass utiliza janelas móveis de 24 horas, o montante pode variar significativamente ao longo do dia, conforme eventos anteriores deixam de integrar o período observado. Outro levantamento divulgado na manhã desta sexta-feira apontava US$ 968,95 milhões em posições encerradas, dos quais US$ 773,99 milhões correspondiam a apostas na valorização. A diferença entre os números reflete os respectivos recortes de atualização e não deve ser confundida com duas ondas independentes de liquidação.</p>
<p>Também é importante distinguir o valor das posições liquidadas de uma perda equivalente no patrimônio agregado dos investidores. Em operações alavancadas, o valor nocional dos contratos pode superar consideravelmente as garantias depositadas. Por isso, uma liquidação de US$ 1 bilhão não significa necessariamente que o mercado tenha perdido esse mesmo montante em dinheiro efetivamente investido.</p>
<h2>Investidores transferem 55,6 mil bitcoins para corretoras após perdas</h2>
<p>Outro sinal de pressão sobre o mercado apareceu nos dados de movimentação das carteiras digitais. Uma análise publicada na CryptoQuant pelo colaborador Amr Taha identificou a transferência de aproximadamente 55.600 bitcoins para corretoras em 8 de outubro por detentores de curto prazo que apresentavam perdas em suas posições.</p>
<p>O indicador acompanha moedas enviadas às plataformas de negociação por investidores que mantêm os ativos por períodos relativamente curtos, geralmente inferiores a seis meses. Quando essas transferências ocorrem com prejuízo em relação ao custo de aquisição identificado nas movimentações anteriores, podem sinalizar maior disposição para vender diante da expectativa de novas quedas.</p>
<p>O volume observado superou em aproximadamente 12,9% os 49.250 bitcoins registrados em situação semelhante em 26 de junho. A comparação chama atenção porque o preço do bitcoin estava acima de US$ 81 mil no episódio mais recente, enquanto havia sido negociado perto de US$ 59.300 no evento anterior. Isso mostra que a pressão para reduzir posições apareceu mesmo em um patamar de preços substancialmente superior.</p>
<p>As transferências não comprovam, contudo, que todas as moedas foram efetivamente vendidas. O envio de bitcoins para corretoras pode anteceder operações de negociação, mas também pode estar relacionado à reorganização de posições, à constituição de garantias ou a outras movimentações operacionais. O dado aponta aumento potencial da oferta disponível para negociação, sem permitir determinar isoladamente o volume de vendas executadas.</p>
<p>A mesma análise da CryptoQuant mencionou a movimentação de 12.267 bitcoins, avaliados em aproximadamente US$ 1,01 bilhão, a partir de uma carteira associada a ativos apreendidos pelo governo dos Estados Unidos no caso do ataque à Bitfinex, ocorrido em 2016. A transferência para endereços não identificados alimentou especulações sobre uma eventual venda desses ativos, mas não havia confirmação de alienação das moedas. A simples movimentação entre carteiras não constitui prova de operação de mercado.</p>
<h2>Ethereum, solana e XRP apresentam perdas maiores que o bitcoin</h2>
<p>A correção da semana foi particularmente intensa entre as criptomoedas de maior capitalização que não são o bitcoin. O ethereum era negociado na região de US$ 2.490 nesta sexta-feira, acumulando queda próxima de 8,7% em sete dias. A perda semanal representava aproximadamente duas vezes e meia a desvalorização percentual do bitcoin, mostrando uma pressão mais intensa sobre o segundo maior ativo digital do mercado.</p>
<p>A solana também registrava desempenho negativo, com cotação próxima de US$ 110 e recuo semanal de aproximadamente 9,4%. O XRP, negociado na região de US$ 1,38 a US$ 1,40, acumulava perda semelhante. A BNB, por sua vez, apresentava desvalorização de aproximadamente 4,9% no período. Os números correspondem ao levantamento de mercado divulgado na manhã de 9 de outubro e podem mudar conforme as negociações prosseguem.</p>
<p>Entre os fatores que ajudam a explicar a diferença de desempenho está o perfil de risco atribuído pelos investidores a cada ativo. Embora o bitcoin também apresente volatilidade elevada, ele concentra a maior parte da capitalização do mercado de criptomoedas e dispõe de uma estrutura de negociação institucional mais ampla. Em períodos de instabilidade, algumas moedas alternativas podem sofrer movimentos proporcionalmente maiores em razão das condições de liquidez, da concentração de posições e da atuação dos participantes do mercado de derivativos.</p>
<p>O comportamento das stablecoins foi diferente. Tether (USDT) e USD Coin (USDC) permaneceram próximas de US$ 1, conforme seu mecanismo de referência ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340552">dólar</a>. Esses ativos têm estruturas próprias de manutenção de paridade e, por isso, seus preços normalmente apresentam oscilações menores que os de criptomoedas como bitcoin, ethereum e solana, embora não estejam livres de riscos.</p>
<p>A queda semanal também ocorre em um ambiente financeiro internacional de maior cautela. O avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, a valorização do dólar e o encarecimento do petróleo têm influenciado a disposição dos investidores em assumir exposição a ativos voláteis. Esse contexto afeta diferentes segmentos dos mercados financeiros e pode reduzir o interesse por posições especulativas, especialmente aquelas financiadas com recursos emprestados.</p>
<h2>Mercado acompanha fluxo dos ETFs e recuperação do bitcoin acima de US$ 82 mil</h2>
<p>A recuperação parcial registrada nesta sexta-feira devolveu o bitcoin à região de US$ 82 mil a US$ 83 mil, mas não eliminou as perdas acumuladas durante a semana. O movimento ocorreu depois de uma sequência de vendas que atingiu tanto o mercado à vista quanto as operações alavancadas, enquanto os dados disponíveis dos ETFs continuavam apontando retirada líquida de recursos.</p>
<p>Para os próximos pregões, o comportamento dos fundos negociados nos Estados Unidos será um dos indicadores acompanhados pelo mercado. Os dados consolidados até 8 de outubro mostram um saldo negativo próximo de US$ 1 bilhão no mês, mas ainda não incorporam o resultado final das negociações desta sexta-feira. Uma retomada consistente das aplicações poderia indicar melhora da demanda institucional, enquanto novas retiradas manteriam a pressão sobre os ativos.</p>
<p>Outro fator importante será a capacidade do bitcoin de sustentar sua recuperação depois de ter chegado a US$ 80.350. A estabilização do preço pode reduzir o ritmo das liquidações compulsórias, mas não assegura, isoladamente, o encerramento da correção. A evolução dependerá da demanda no mercado à vista, do volume de posições alavancadas, dos fluxos de capital e das condições financeiras internacionais.</p>
<p>A semana termina, portanto, com uma combinação de sinais desfavoráveis para o mercado de criptomoedas: redução da exposição institucional nos ETFs, perdas relevantes entre investidores alavancados e aumento das transferências de bitcoins por detentores de curto prazo que acumulam prejuízos. A recuperação observada em parte desta sexta-feira mostra que compradores continuam presentes, mas os dados da semana ainda não permitem afirmar que a pressão vendedora tenha sido superada.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Farside Investors — dados diários de entradas e saídas líquidas dos ETFs à vista de bitcoin e ethereum negociados nos Estados Unidos, até 8 de outubro de 2026.</p>
<p>CryptoQuant — análise de Amr Taha sobre transferências de bitcoins por detentores de curto prazo em 8 de outubro de 2026 e movimentações de carteiras associadas ao governo norte-americano.</p>
<p>CoinGlass — estatísticas de liquidações de posições alavancadas no mercado de criptomoedas em 9 de outubro de 2026.</p>
<p>CoinMarketCap — informações de mercado e referências de cotação das principais criptomoedas em 9 de outubro de 2026.</p>
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		<author>
			<name>Camila Braga</name>
							<uri>https://muckrack.com/camila-braga</uri>
						</author>

		<title type="html"><![CDATA[Camil (CAML3) dispara 43% em um mês; BTG e Itaú BBA veem espaço para subir?]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/camil-caml3-sobe-43-lucro-cai-btg-itau-bba" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533239</id>
		<updated>2026-10-09T23:21:28Z</updated>
		<published>2026-10-09T17:19:56Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="5%; veja projeções" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Camil (CAML3) sobe 43%" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mas lucro cai 47" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercados" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Na avaliação do BTG, os resultados combinaram volumes e receitas abaixo das expectativas com despesas comerciais. Hora de comprar CAML3?</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/camil-caml3-sobe-43-lucro-cai-btg-itau-bba"><![CDATA[<p>As ações da Camil Alimentos (CAML3) acumularam valorização de 43,4% em um mês até a manhã desta sexta-feira (9), colocando a companhia entre os destaques recentes da Bolsa brasileira. O movimento ocorreu apesar de um balanço trimestral marcado pela queda de 47,5% no lucro líquido, pela retração da receita e pela manutenção de um endividamento elevado. Mesmo depois desse avanço, BTG Pactual e Itaú BBA mantiveram recomendações de compra para os papéis, embora apresentem avaliações diferentes sobre o potencial de valorização adicional.</p>
<p>O BTG Pactual estabeleceu preço-alvo de R$ 9 por ação, enquanto o Itaú BBA trabalha com R$ 7. Considerando a cotação de referência de R$ 6,92 utilizada nas análises, as projeções representam potenciais de alta de aproximadamente 30% e 1,2%, respectivamente. A diferença revela que, embora ambas as instituições enxerguem fundamentos capazes de sustentar a recuperação da empresa, não existe consenso sobre quanto desse cenário já foi incorporado aos preços de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340579">mercado</a>.</p>
<p>A discussão ganhou relevância após a divulgação dos resultados do segundo trimestre do exercício fiscal de 2026, realizada na quinta-feira (8). Entre junho e agosto, a Camil registrou lucro líquido de R$ 41,3 milhões, ante aproximadamente R$ 79 milhões no mesmo período do ano anterior. A receita líquida atingiu R$ 2,765 bilhões, queda de 7,2% na comparação anual, enquanto o Ebitda recuou 10,1%, para R$ 225,3 milhões.</p>
<p>A combinação de valorização das ações e enfraquecimento dos resultados coloca os investidores diante de uma questão central: a recuperação esperada para a segunda metade do exercício será suficiente para justificar os preços atuais? Para os analistas, a resposta depende principalmente do comportamento das cotações do arroz, da capacidade de reduzir a necessidade de capital de giro e da trajetória dos juros brasileiros.</p>
<h2>Camil registra queda no lucro e receita, mas melhora margem bruta</h2>
<p>O balanço da Camil apresentou resultados distintos entre crescimento de receitas, rentabilidade e administração financeira. A queda de 7,2% no faturamento refletiu um ambiente de preços e volumes desafiador em segmentos relevantes do portfólio, embora algumas categorias tenham apresentado desempenho mais favorável.</p>
<p>O lucro líquido de R$ 41,3 milhões representou uma redução de 47,5% em relação ao segundo trimestre do exercício anterior. Na comparação sequencial, entretanto, houve crescimento de aproximadamente 47,7% sobre os R$ 28 milhões registrados entre março e maio de 2026. Os números mostram que a companhia apresentou recuperação em relação ao trimestre imediatamente anterior, mas ainda opera abaixo da rentabilidade observada um ano antes.</p>
<p>O Ebitda divulgado pela empresa alcançou R$ 225,3 milhões, com margem de 8,2%, recuo de 0,3 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025. O indicador mede a geração operacional de resultados antes dos efeitos de juros, impostos, depreciação e amortização, sendo utilizado para avaliar a evolução dos <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340578">negócios</a>.</p>
<p>Apesar do enfraquecimento da rentabilidade operacional, o lucro bruto avançou 1,2%, alcançando R$ 681,9 milhões. A margem bruta passou de 22,6% para 24,7%, uma expansão de 2,1 pontos percentuais. O movimento indica que a companhia conseguiu melhorar a relação entre receita e custo dos produtos vendidos, mesmo diante de um faturamento menor.</p>
<p>Essa diferença entre margem bruta e margem operacional merece atenção. A melhora no custo relativo dos produtos não foi integralmente convertida em crescimento do Ebitda, refletindo a influência das despesas necessárias para sustentar as operações comerciais e administrativas.</p>
<p>Os investimentos também diminuíram. O capex totalizou R$ 52,6 milhões, redução de 66,1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. A contenção pode favorecer a preservação de caixa no curto prazo, embora sua sustentabilidade dependa da necessidade futura de investimentos em capacidade produtiva, distribuição e modernização operacional.</p>
<p>A dívida líquida encerrou o período em aproximadamente R$ 4,08 bilhões, queda de 3,1% em relação ao trimestre anterior. O recuo representa um avanço, mas o tamanho do endividamento mantém a empresa exposta ao custo do crédito e às decisões de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340577">política</a> monetária.</p>
<h2>BTG Pactual vê espaço para CAML3 chegar a R$ 9</h2>
<p>Na avaliação do BTG Pactual, o resultado do segundo trimestre foi misto. A instituição identificou receitas e volumes abaixo de suas expectativas, mas considerou positiva a redução de despesas comerciais, gerais e administrativas em relação ao inicialmente projetado.</p>
<p>A receita líquida de aproximadamente R$ 2,8 bilhões ficou 8% abaixo da estimativa do banco. O Ebitda ajustado calculado pelos analistas somou R$ 212 milhões, queda de 12,5% na comparação anual e desempenho 5,5% inferior ao esperado.</p>
<p>Apesar disso, a margem Ebitda ajustada de 7,7% superou ligeiramente a projeção de 7,5% do BTG. O lucro líquido também apresentou surpresa positiva em relação às expectativas da instituição, que projetava aproximadamente R$ 21 milhões, praticamente metade dos R$ 41 milhões efetivamente registrados.</p>
<p>É importante distinguir o Ebitda divulgado pela companhia dos números ajustados utilizados pelos bancos. O resultado reportado pela Camil alcançou R$ 225,3 milhões, enquanto as estimativas ajustadas do BTG e de outras instituições aplicam critérios próprios para determinadas receitas e despesas. As diferenças não representam necessariamente divergências nos dados contábeis, mas metodologias distintas de avaliação.</p>
<p>Outro elemento destacado pelo BTG foi a liberação de R$ 146 milhões em capital de giro. O resultado contrasta com a necessidade sazonal de aproximadamente R$ 1,2 bilhão registrada no trimestre anterior, movimento que havia pressionado o caixa e elevado a atenção sobre a estrutura financeira da empresa.</p>
<p>Para uma companhia do setor alimentício, a necessidade de capital de giro pode variar significativamente conforme o calendário agrícola, a formação de estoques e os prazos de pagamento e recebimento. A reversão de parte dessa necessidade pode fortalecer o fluxo de caixa sem depender exclusivamente de crescimento da receita.</p>
<p>O preço-alvo de R$ 9 estabelecido pelo BTG sugere que a instituição considera possível uma valorização adicional relevante das ações, desde que a melhora esperada nos próximos trimestres se materialize. A projeção, porém, não representa garantia de retorno e está sujeita às condições de mercado e à evolução dos fundamentos da companhia.</p>
<h2>Itaú BBA mantém compra, mas vê potencial de alta limitado</h2>
<p>O Itaú BBA também manteve recomendação de compra para CAML3, embora tenha adotado uma interpretação mais moderada sobre o espaço restante para valorização. Com preço-alvo de R$ 7, a instituição aponta um potencial de alta de apenas 1,2% em relação à cotação de referência de R$ 6,92.</p>
<p>O banco considerou os resultados do segundo trimestre próximos de suas estimativas, classificando o desempenho como neutro. A receita líquida de R$ 2,76 bilhões ficou praticamente alinhada às projeções, apesar das diferenças de comportamento entre as unidades de negócio.</p>
<p>O segmento de categorias de maior crescimento, identificado nas análises como Growth, apresentou expansão de volumes em todas as suas categorias na comparação anual, compensando parcialmente o ambiente menos favorável de preços nas operações de maior giro.</p>
<p>As iniciativas comerciais da empresa contribuíram para sustentar a presença de seus produtos no mercado, mas também elevaram determinados custos de distribuição e promoção. Gastos com promotores, materiais promocionais e frete reduziram parte do benefício proporcionado pela melhora da margem bruta.</p>
<p>Pelos ajustes do Itaú BBA, o Ebitda ficou em aproximadamente R$ 215 milhões, com margem de 7,8%, resultado cerca de 3% inferior à estimativa da instituição. O cálculo desconsidera uma contribuição não recorrente de R$ 10,5 milhões registrada em outras receitas operacionais.</p>
<p>O banco também observou que o desempenho das despesas financeiras foi favorecido por aproximadamente R$ 21 milhões relacionados à liquidação de instrumentos derivativos. Como esse efeito não necessariamente se repetirá nos próximos trimestres, sua presença exige cautela na avaliação da capacidade recorrente de geração de lucros.</p>
<p>Para o Itaú BBA, a principal oportunidade de melhora continua concentrada na segunda metade do exercício. Entretanto, a instituição considera que a recuperação já esperada está amplamente incorporada às suas projeções, reduzindo a possibilidade de revisões expressivas do preço-alvo sem mudanças relevantes nas condições de mercado.</p>
<h2>Alta do arroz pode favorecer resultados da Camil</h2>
<p>A evolução dos preços do arroz aparece como uma das principais variáveis para a rentabilidade futura da Camil. A companhia possui exposição relevante ao processamento e à comercialização do grão, atividade na qual os preços de aquisição, o nível dos estoques e a capacidade de repasse ao consumidor influenciam diretamente os resultados.</p>
<p>Segundo a avaliação do Itaú BBA, o preço médio do arroz observado durante o segundo trimestre ficou significativamente abaixo das referências à vista verificadas na ocasião do relatório. Essa diferença pode favorecer o ambiente de receitas e margens ao longo dos próximos meses, dependendo das condições de aquisição dos estoques e da capacidade de repassar os preços ao mercado consumidor.</p>
<p>Entretanto, a elevação do preço de uma commodity não produz necessariamente aumento proporcional dos lucros. Caso os custos de aquisição avancem mais rapidamente do que os preços de venda, as margens podem permanecer pressionadas. O resultado depende do momento de formação dos estoques, das negociações comerciais e do comportamento da demanda.</p>
<p>O desempenho de categorias de maior valor agregado também será relevante. No segundo trimestre, os volumes comercializados nesse grupo cresceram 14,1%, alcançando 51,6 mil toneladas, sinalizando que a diversificação do portfólio pode compensar parte das dificuldades observadas nos produtos tradicionais.</p>
<p>A estratégia de ampliar a participação de categorias com maior valor agregado pode reduzir gradualmente a dependência de ciclos específicos das commodities agrícolas. No entanto, exige investimentos em marcas, canais de distribuição e ações comerciais, o que também pode aumentar as despesas operacionais.</p>
<p>A capacidade de transformar crescimento de volume em margens sustentáveis será, portanto, um dos principais indicadores para avaliar a recuperação da companhia.</p>
<h2>Dívida de R$ 4 bilhões amplia importância da Selic</h2>
<p>O endividamento da Camil constitui outro fator decisivo para a avaliação de suas ações. Com dívida líquida próxima de R$ 4,08 bilhões, a companhia permanece sensível ao comportamento das taxas de juros, especialmente em um ambiente de crédito mais caro.</p>
<p>Juros elevados aumentam o custo de financiamento das operações e podem reduzir a parcela do resultado operacional que efetivamente se transforma em lucro líquido. Esse efeito ganha importância em <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340580">empresas</a> que precisam financiar estoques, investimentos e operações de grande escala.</p>
<p>Uma trajetória de redução da Selic poderia beneficiar a Camil por duas vias. A primeira seria a diminuição gradual das despesas financeiras, dependendo da composição e dos indexadores de sua dívida. A segunda estaria relacionada à avaliação das ações na Bolsa, já que juros menores tendem a reduzir a taxa de retorno exigida pelos investidores para determinados ativos.</p>
<p>É nesse contexto que aparece a possibilidade de expansão de múltiplos. Mesmo sem crescimento proporcional dos lucros, o preço de uma ação pode subir quando os investidores aceitam pagar mais por cada real de resultado esperado, especialmente diante de uma redução do custo de capital.</p>
<p>Entretanto, a relação entre juros e valorização das ações não é automática. O mercado pode antecipar cortes na Selic antes de sua implementação, incorporando previamente esse cenário às cotações. Além disso, fatores como riscos fiscais, expectativas de inflação e perspectivas de crescimento também influenciam a avaliação das companhias.</p>
<p>Para o Itaú BBA, uma queda dos juros superior à já considerada nas projeções seria um dos fatores capazes de justificar novas revisões positivas para CAML3.</p>
<h2>O que acompanhar antes de comprar CAML3?</h2>
<p>A valorização de 43,4% em um mês modificou a relação entre risco e retorno das ações da Camil. Depois de uma recuperação dessa magnitude, parte dos benefícios associados à melhora do preço do arroz, à liberação de capital de giro e às expectativas de redução dos juros pode já estar refletida nas cotações.</p>
<p>A distância entre os preços-alvo de BTG e Itaú BBA evidencia essa mudança. Enquanto o primeiro considera possível uma valorização adicional de aproximadamente 30%, o segundo projeta retorno muito mais restrito em relação ao preço de referência utilizado.</p>
<p>Para investidores interessados em CAML3, três indicadores devem ganhar prioridade nos próximos balanços: a evolução das margens nas categorias de alimentos, a redução do endividamento líquido e o comportamento do fluxo de caixa operacional. A combinação desses fatores permitirá avaliar se a recuperação esperada está produzindo ganhos recorrentes ou apenas efeitos pontuais.</p>
<p>A evolução dos preços do arroz também deverá ser acompanhada juntamente com as condições de consumo e o desempenho das operações internacionais. A companhia registrou redução de 4,6% no volume consolidado do trimestre, influenciada, entre outros fatores, pela normalização das exportações de açúcar e pelo desempenho de mercados fora do Brasil.</p>
<p>Para acionistas que já possuem o papel, a forte valorização recente torna relevante reavaliar a exposição da carteira à companhia, especialmente diante da diferença entre o preço atual e as projeções das instituições financeiras. Para novos compradores, o principal risco é ingressar após uma alta expressiva sem que os resultados operacionais tenham confirmado integralmente a recuperação esperada.</p>
<p>A próxima divulgação trimestral, prevista para janeiro de 2027, deverá oferecer novos elementos sobre a capacidade da Camil de melhorar sua geração de caixa e preservar margens em um ambiente de preços agrícolas ainda sujeito a oscilações.</p>
<p>A manutenção das recomendações de compra pelo BTG e pelo Itaú BBA mostra que os dois bancos continuam identificando fundamentos positivos para a fabricante de alimentos. A diferença está no preço considerado adequado para assumir esses riscos.</p>
<p>Depois de avançar mais de 40% em apenas um mês, CAML3 entra em uma fase na qual a continuidade da valorização dependerá menos de expectativas gerais de recuperação e mais da confirmação efetiva de resultados, redução da alavancagem e melhoria sustentável da rentabilidade.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<ul>
<li>Camil Alimentos — Relações com Investidores; divulgação dos resultados do segundo trimestre fiscal de 2026, em 8 de outubro de 2026.</li>
<li>Camil Alimentos — Demonstrações financeiras e indicadores operacionais referentes ao período encerrado em agosto de 2026.</li>
<li>BTG Pactual — Avaliação dos resultados trimestrais e recomendação para CAML3, conforme informações divulgadas em 9 de outubro de 2026.</li>
<li>Itaú BBA — Análise do segundo trimestre fiscal de 2026, preço-alvo e perspectivas para a segunda metade do exercício, conforme cobertura divulgada em 9 de outubro.</li>
<li>XP Investimentos — Análise dos resultados do 2T26 da Camil, publicada em 8 de outubro de 2026.</li>
<li>B3 — Identificação da Camil Alimentos S.A., código de negociação CAML3.</li>
</ul>
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]]></content>
		
			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Sandro Dias</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[Governo zera tributos federais da gasolina por 30 dias e anuncia pacote de R$ 5,2 bilhões]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/governo-zera-impostos-gasolina-30-dias" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533236</id>
		<updated>2026-10-09T17:25:03Z</updated>
		<published>2026-10-09T16:57:26Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Economia" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Brent" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Cide" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="combustíveis" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Dario Durigan" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="desoneração" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="diesel" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="economia brasileira" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="etanol" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="gasolina" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="imposto federal" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Ministério da Fazenda" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Petróleo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="PIS/Cofins" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="preço da gasolina" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="subsídio" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Ministro da Fazenda afirmou que essas medidas são adicionais em relação a mitigação da guerra e impacto dos preços de combustíveis no país</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/governo-zera-impostos-gasolina-30-dias"><![CDATA[<header class="group/header group mx-auto box-border flex w-full max-w-full flex-col gap-4 pb-4 md:border-b md:border-neutral-200 [&amp;_.gallery]:-mx-4 [&amp;_.gallery]:outline [&amp;_.gallery]:outline-2 [&amp;_.gallery]:outline-neutral-950 [&amp;_.gallery]:lg:-mx-0 [&amp;_.gallery]:lg:outline-none">
<div class="flex w-full flex-col gap-4">
<p>O governo federal anunciou nesta sexta-feira (9) a eliminação temporária dos tributos federais incidentes sobre a gasolina e a ampliação dos incentivos ao etanol e ao diesel importado, em um pacote estimado em R$ 5,2 bilhões. A decisão terá validade inicial de 30 dias e amplia de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro a desoneração da gasolina, zerando a cobrança de PIS/Pasep, Cofins e Cide sobre o combustível. As medidas foram apresentadas pelos ministérios da Fazenda, do Planejamento e Orçamento e de Minas e Energia como resposta à manutenção dos preços internacionais do petróleo acima de US$ 100 por barril, patamar que continua pressionando os custos de abastecimento no Brasil.</p>
<p>A iniciativa substitui parte das medidas emergenciais anunciadas em setembro, cuja vigência terminaria nesta sexta-feira, e acrescenta novos recursos para impedir que a elevação dos custos internacionais comprometa o fornecimento de combustíveis ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340549">mercado</a> brasileiro. Além da isenção tributária sobre a gasolina, o Executivo prorrogou a desoneração do etanol hidratado, aumentou a subvenção destinada aos produtores desse biocombustível e autorizou um benefício adicional de R$ 1,40 por litro para os importadores de diesel rodoviário. Com isso, o apoio federal destinado a esses importadores poderá alcançar R$ 3,52 por litro, considerando os mecanismos já existentes.</p>
<p>O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou durante a apresentação das medidas que a decisão faz parte da resposta do governo aos efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio. Segundo a equipe econômica, a continuidade dos incentivos tornou-se necessária porque a situação internacional não apresentou melhora suficiente desde o anúncio anterior, em 9 de setembro. O governo espera que a redução tributária e os subsídios sejam transmitidos aos preços praticados no mercado interno, embora o resultado para os consumidores dependa também do comportamento das refinarias, importadores, distribuidoras e postos de combustíveis.</p>
<h2>Gasolina terá desoneração ampliada de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro</h2>
<p>A principal alteração anunciada envolve a tributação federal da gasolina. Em setembro, o governo havia reduzido em R$ 0,63 por litro a cobrança de PIS/Pasep e Cofins, mantendo uma parcela residual dessas contribuições. O novo decreto amplia a desoneração para R$ 0,89 por litro, incluindo a eliminação da cobrança federal remanescente e da Cide. A diferença em relação ao benefício anterior é de R$ 0,26 por litro, equivalente a um aumento de aproximadamente 41,3% no valor da desoneração.</p>
<p>A medida não significa, entretanto, que o preço da gasolina vendido nos postos cairá automaticamente R$ 0,89 por litro. A tributação federal incide em etapas anteriores à revenda, enquanto o valor final pago pelo motorista incorpora o custo do combustível, a mistura obrigatória de etanol anidro, os tributos estaduais, as despesas logísticas e as margens comerciais. O repasse da redução tributária poderá ocorrer de maneira gradual e variar entre regiões e estabelecimentos, dependendo das condições de aquisição e da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340550">política</a> comercial dos agentes envolvidos.</p>
<p>Outro elemento importante é a composição da gasolina comercializada no país. Desde agosto, a mistura obrigatória passou a conter 32% de etanol anidro, após decisão do Conselho Nacional de Política Energética. Isso significa que o combustível adquirido pelo consumidor não corresponde integralmente à gasolina pura sobre a qual recaem determinados componentes tributários. A distinção é relevante para avaliar o efeito da medida sobre o preço final e evita a interpretação de que o valor anunciado pelo governo representa necessariamente uma redução equivalente em cada litro abastecido.</p>
<p>A desoneração também não alcança o ICMS, cuja cobrança permanece sujeita à legislação estadual e às regras nacionais aplicáveis ao imposto. Dessa forma, a eliminação dos tributos federais não representa a retirada de toda a carga tributária incidente sobre a gasolina. O efeito efetivo dependerá da combinação entre o novo tratamento fiscal, a evolução do custo do produto nas refinarias e os preços praticados pelas distribuidoras. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) continuará acompanhando as condições de comercialização por meio de seus levantamentos periódicos.</p>
<h2>Etanol recebe subsídio maior e diesel importado terá apoio de R$ 3,52 por litro</h2>
<p>O etanol hidratado, comercializado diretamente aos consumidores como alternativa à gasolina, continuará beneficiado pela retirada de PIS/Pasep e Cofins, equivalente a R$ 0,19 por litro. A novidade está na ampliação da subvenção econômica destinada aos produtores e às cooperativas produtoras, que passa de R$ 0,25 para R$ 0,43 por litro. O reajuste representa um acréscimo de R$ 0,18, ou 72% sobre o benefício anterior, e busca preservar a competitividade do combustível renovável diante das mudanças na tributação da gasolina.</p>
<p>A preocupação envolve a relação de preços entre os dois combustíveis. Uma desoneração mais intensa da gasolina, sem medidas correspondentes para o etanol, poderia reduzir a atratividade econômica do biocombustível para parte dos consumidores. O governo procura evitar esse desequilíbrio ao combinar a manutenção da isenção tributária com uma subvenção maior à produção. O resultado dependerá das condições de oferta, dos custos agrícolas e industriais e das margens praticadas ao longo da cadeia, já que o incentivo concedido ao produtor não determina isoladamente o preço cobrado nas bombas.</p>
<p>No mercado de diesel, a estratégia é diferente. O governo decidiu ampliar diretamente o apoio aos importadores, segmento considerado importante para complementar o abastecimento nacional. A nova subvenção de R$ 1,40 por litro será acrescentada ao benefício de R$ 2,12 já existente, elevando o valor combinado para R$ 3,52 por litro durante o período de vigência anunciado. Em termos proporcionais, o reforço representa um aumento de aproximadamente 66% sobre o montante anterior, uma elevação expressiva para um mecanismo destinado a compensar parte da diferença entre os custos internacionais e as condições de comercialização no Brasil.</p>
<p>A dependência brasileira de diesel importado ajuda a explicar a prioridade atribuída a esse combustível. Dados divulgados pelo Ministério da Fazenda em setembro indicavam que mais de um quarto do diesel consumido no país tinha origem externa. Quando as cotações internacionais sobem de maneira acentuada, a importação pode perder atratividade caso o preço praticado internamente não acompanhe os custos de aquisição no exterior. A subvenção procura reduzir essa diferença e manter economicamente viável a entrada do produto, especialmente em um mercado no qual o diesel é essencial para o transporte de cargas, a produção agropecuária e o funcionamento de diferentes atividades industriais.</p>
<p>O benefício adicional não corresponde a um desconto direto de R$ 3,52 por litro para caminhoneiros ou <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340548">empresas</a> transportadoras. O mecanismo é direcionado a agentes habilitados, sujeitos às regras de comprovação e acompanhamento estabelecidas pelo governo e pela ANP. A lógica consiste em reduzir o custo líquido de comercialização para permitir condições mais favoráveis de abastecimento. A efetiva transmissão do incentivo depende do funcionamento da cadeia de fornecimento e da observância das exigências regulatórias aplicáveis às empresas participantes.</p>
<h2>Pacote de R$ 5,2 bilhões concentra recursos na desoneração tributária</h2>
<p>O custo estimado das novas medidas está distribuído entre três frentes. A maior parcela, de R$ 2,8 bilhões, corresponde à desoneração tributária da gasolina e do etanol. Outros R$ 800 milhões serão destinados à ampliação da subvenção ao etanol, enquanto R$ 1,6 bilhão financiará o incentivo adicional ao diesel importado. Somados, os valores alcançam R$ 5,2 bilhões, conforme a estimativa apresentada pela equipe econômica.</p>
<p>A distribuição mostra que aproximadamente 53,8% do impacto financeiro está associado à renúncia de receitas tributárias sobre gasolina e etanol. A ampliação do apoio aos produtores de etanol representa 15,4% do total, enquanto o reforço destinado à importação de diesel responde pelos 30,8% restantes. O cálculo evidencia que, embora a redução dos impostos sobre a gasolina seja a medida de maior visibilidade para os consumidores, uma parcela relevante dos recursos será utilizada para sustentar a oferta de combustíveis e preservar as condições de operação de setores específicos.</p>
<p>O Ministério da Fazenda informou que a compensação das medidas contará com receitas extraordinárias relacionadas ao petróleo, favorecidas pela elevação das cotações internacionais. A mesma alta que pressiona os preços domésticos também pode ampliar a arrecadação federal vinculada à exploração e à exportação de petróleo. Essa relação, contudo, depende dos volumes comercializados, dos preços efetivamente realizados e das regras de recolhimento das receitas públicas. O custo anunciado constitui uma estimativa fiscal, sujeita ao comportamento do mercado e à execução dos mecanismos de incentivo.</p>
<p>A decisão também precisa ser analisada em relação ao caráter temporário das medidas. A desoneração e as subvenções foram apresentadas com duração inicial de um mês, podendo ser reavaliadas conforme as condições de oferta, os preços internacionais e a disponibilidade orçamentária. Isso significa que o pacote não estabelece uma redução permanente da tributação dos combustíveis. Ao final do prazo, o governo precisará decidir se mantém os benefícios, altera seus valores ou permite o restabelecimento das cobranças e condições anteriores.</p>
<h2>Petróleo acima de US$ 100 mantém pressão sobre os combustíveis</h2>
<p>A justificativa econômica apresentada pelo Executivo está diretamente relacionada ao encarecimento do petróleo desde o agravamento da guerra no Oriente Médio. Antes do conflito, o barril do Brent era negociado em torno de US$ 70. Com a intensificação das tensões geopolíticas, a cotação ultrapassou US$ 100, acumulando uma valorização superior a 40% em relação àquele patamar. Essa diferença afeta o custo de referência dos derivados e amplia as dificuldades enfrentadas por países que dependem de importações para atender parte de seu consumo.</p>
<p>O aumento do petróleo não se transmite integralmente nem de forma imediata aos preços da gasolina e do diesel. O custo dos combustíveis também depende das margens internacionais de refino, das condições de transporte, da taxa de câmbio e da estratégia comercial dos fornecedores. Ainda assim, a combinação entre petróleo mais caro e restrições de oferta tende a elevar o custo de reposição dos derivados. Para o diesel, especialmente, a diferença entre o preço internacional e as condições domésticas de comercialização pode influenciar diretamente a decisão das empresas de importar novos carregamentos.</p>
<p>No Brasil, esse movimento tem consequências que ultrapassam o abastecimento dos veículos particulares. O diesel representa um custo importante para o transporte rodoviário de mercadorias, o funcionamento de máquinas agrícolas e a distribuição de produtos entre regiões. Uma alta persistente pode pressionar os gastos operacionais de transportadoras, produtores e empresas de logística, com possíveis repercussões sobre o custo de alimentos e outros bens. A manutenção do abastecimento em condições economicamente viáveis tornou-se, por isso, uma das prioridades declaradas pelo governo na formulação dos incentivos.</p>
<p>A decisão foi anunciada 16 dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Questionado sobre a proximidade entre o pacote e o calendário eleitoral, Dario Durigan rejeitou a existência de motivação eleitoral e sustentou que o Executivo vem adotando medidas relacionadas aos combustíveis desde o início do conflito internacional. O anúncio de outubro dá continuidade a iniciativas anteriores, mas amplia os valores envolvidos justamente no momento em que o governo enfrenta pressões simultâneas sobre o custo de vida e as contas públicas.</p>
<h2>Governo amplia fiscalização para acompanhar preços nos postos</h2>
<p>A execução do pacote será acompanhada por ações de fiscalização do mercado de combustíveis. Segundo os dados apresentados pelo governo, a mobilização nacional coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), começou em 9 de março e já alcançou milhares de estabelecimentos. Entre março e maio, o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor fiscalizou 11.140 postos e 463 distribuidoras. Uma segunda etapa, iniciada em 22 de setembro, acumulava 676 ações até o anúncio desta sexta-feira.</p>
<p>O acompanhamento dos preços terá importância especial nas próximas semanas porque a redução tributária não elimina a liberdade de formação dos valores praticados no mercado. A ANP informa que, desde 2002, os preços dos combustíveis são livres nas diferentes etapas da cadeia, sem tabelamento geral ou necessidade de autorização prévia para reajustes. A atuação dos órgãos fiscalizadores, portanto, envolve a verificação do cumprimento das regras comerciais, tributárias e de defesa do consumidor, além da investigação de eventuais práticas abusivas, e não a imposição de um preço único nacional.</p>
<p>Para medir o resultado das medidas, um dos principais indicadores será a evolução dos preços médios de revenda divulgados semanalmente pela ANP. A comparação entre os valores anteriores à nova desoneração e aqueles observados ao longo de outubro poderá mostrar quanto da redução tributária chegou efetivamente ao consumidor. Também será necessário acompanhar as diferenças regionais, porque custos logísticos, condições de concorrência e estratégias comerciais podem produzir trajetórias distintas mesmo sob uma mesma regra tributária federal.</p>
<p>A duração limitada dos incentivos coloca outra questão para o mercado: a possibilidade de recomposição dos custos quando o benefício terminar. Caso o petróleo permaneça acima de US$ 100 e o governo decida não prorrogar o pacote, distribuidoras e postos poderão enfrentar uma nova alteração dos valores de aquisição. Se houver recuo consistente das cotações internacionais, a necessidade de apoio fiscal poderá diminuir. Por enquanto, o Executivo optou por ampliar a intervenção temporária sobre tributos e custos de fornecimento, com a expectativa de preservar o abastecimento e limitar a transmissão da alta internacional aos consumidores brasileiros.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Ministério da Fazenda — anúncio de setembro de 2026 sobre a redução de tributos da gasolina e do etanol e a instituição de subvenção ao diesel.</em></p>
<p><em>Ministério do Planejamento e Orçamento — informações oficiais sobre as medidas emergenciais adotadas em setembro e o contexto de alta internacional dos combustíveis.</em></p>
<p><em>Ministério de Minas e Energia — Resolução do Conselho Nacional de Política Energética sobre a elevação temporária da mistura de etanol anidro para 32%.</em></p>
<p><em>Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis — informações regulatórias sobre subvenções, monitoramento de preços, liberdade de comercialização e levantamento semanal de preços dos combustíveis.</em></p>
</div>
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			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Júlia Campos</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[Revista Veja é denunciada por suposta ‘farsa eleitoral’ após reportagem sobre Vorcaro]]></title>
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		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533227</id>
		<updated>2026-10-09T16:50:28Z</updated>
		<published>2026-10-09T15:45:47Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Política" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Banco Master" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="campanha de Lula" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Daniel Vorcaro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Eleições 2026" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="farsa eleitoral" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Justiça Eleitoral" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Lula" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="PGR" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Polícia Federal" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="segundo turno" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="veja" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>A coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou nota nesta sexta-feira (9) acusando a revista Veja de publicar denúncias sem</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/veja-denunciada-farsa-eleitoral-vorcaro"><![CDATA[<p><!-- Módulo de Anuncios --></p>
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<p>A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) denunciou nesta sexta-feira, 9 de outubro, o que classificou como uma suposta “farsa eleitoral” envolvendo a revista Veja e acusações atribuídas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A coligação Brasil Pronto Para Mais anunciou medidas judiciais contra a publicação e contestou a maneira como relatos do empresário foram apresentados em reportagem divulgada a pouco mais de duas semanas do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), marcado para 25 de outubro.</p>
<p>No centro da reação está uma reportagem em que a Veja afirma ter obtido um áudio e documentos nos quais Vorcaro diz ter destinado cerca de R$ 30 milhões para um documentário sobre Lula e relata supostas negociações envolvendo integrantes do PT, do governo federal e fundos de pensão. A campanha do presidente nega as acusações e argumenta que as alegações não estão acompanhadas de elementos independentes que comprovem os pagamentos descritos pelo ex-banqueiro.</p>
<p>A controvérsia aumentou depois de a Procuradoria-Geral da República divulgar um esclarecimento oficial sobre as tentativas de Vorcaro de negociar uma colaboração premiada. Segundo a PGR, todas as propostas foram apresentadas pelos advogados do empresário, sem qualquer interlocução direta de Vorcaro com representantes da instituição. O órgão informou ainda que o ex-banqueiro não prestou depoimento oral porque a proposta de colaboração foi rejeitada.</p>
<p>A manifestação da PGR não permite concluir automaticamente que todo o conteúdo atribuído a Vorcaro seja falso, nem invalida por si só documentos ou gravações que possam existir fora das tratativas formais de colaboração. Ela estabelece, porém, uma distinção relevante para o caso: não houve depoimento oral de Vorcaro à Procuradoria com o teor apresentado publicamente como parte da controvérsia.</p>
<h2>Campanha acusa revista de produzir uma “peça eleitoral”</h2>
<p>Em nota divulgada nesta sexta-feira, a coordenação da campanha de Lula afirmou considerar “estarrecedor” que acusações de tamanha gravidade fossem publicadas na reta final da eleição sem, em sua avaliação, provas suficientes apresentadas ao público. A coligação classificou a reportagem como uma “peça eleitoral irresponsável” e afirmou que adotará providências judiciais contra o conteúdo que considera falso.</p>
<p>A campanha sustenta que a divulgação das acusações pode interferir no segundo turno presidencial e questiona o tratamento dado pela publicação às relações políticas e empresariais de Vorcaro. O argumento apresentado pela coligação é que relatos envolvendo pessoas próximas ao governo Lula foram tratados como denúncias de corrupção, enquanto relações documentadas do ex-banqueiro com pessoas ligadas ao campo bolsonarista teriam recebido tratamento diferente.</p>
<p>Essa interpretação é da campanha de Lula e não demonstra, por si só, uma articulação entre a revista, Vorcaro e a candidatura de Flávio Bolsonaro. Até o momento, não foram apresentados elementos públicos que comprovem uma ação coordenada entre os três para interferir na eleição. A existência ou não de eventual irregularidade deverá ser analisada pelas autoridades acionadas.</p>
<p>O presidente nacional do PT e coordenador da campanha, Edinho Silva, também reagiu às acusações e afirmou que os relatos atribuídos a Vorcaro têm finalidade <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340546">política</a>. A campanha defende que qualquer suspeita envolvendo o Banco Master seja investigada, mas sustenta que informações sem comprovação não podem ser tratadas como fatos consumados em meio a uma eleição presidencial.</p>
<h2>PGR diz que Vorcaro nunca foi ouvido diretamente</h2>
<p>O esclarecimento da Procuradoria-Geral da República trouxe um dado objetivo à discussão. Segundo a instituição, Vorcaro não teve interlocução direta com procuradores durante as tentativas de negociação de uma colaboração premiada. As conversas foram conduzidas exclusivamente por seus advogados, que apresentaram propostas elaboradas pela defesa.</p>
<p>A PGR informou também que todas as propostas foram recebidas sem avaliação ou recusa antecipada, seguindo o procedimento previsto para esse tipo de negociação. O conteúdo foi posteriormente analisado e a colaboração acabou rejeitada. Como consequência, não ocorreu a etapa na qual Vorcaro seria ouvido oralmente pelos responsáveis pela negociação.</p>
<p>Isso significa que não existe, no âmbito das tratativas descritas pela PGR, um depoimento oral formal de Vorcaro prestado diretamente à Procuradoria. A instituição, entretanto, não tornou público o conteúdo integral das propostas encaminhadas pela defesa porque o procedimento de colaboração premiada permanece protegido por sigilo.</p>
<p>A diferença é importante. Uma proposta de colaboração pode conter relatos e anexos apresentados pelos advogados de um investigado, mas não possui o mesmo significado jurídico de um depoimento formal já colhido, de um acordo de delação aceito ou, menos ainda, de fatos comprovados por uma investigação.</p>
<h2>PF avaliou que faltavam elementos para sustentar delação</h2>
<p>Integrantes da Polícia Federal ouvidos nesta sexta-feira pela CNN Brasil afirmaram que a proposta de colaboração de Vorcaro também não avançou por falta de elementos mínimos que dessem credibilidade às informações apresentadas. A avaliação relatada é de que as alegações não traziam elementos suficientes de corroboração para justificar o prosseguimento da negociação.</p>
<p>Esse ponto reforça a necessidade de distinguir uma declaração feita por um investigado das provas capazes de sustentá-la. Em uma colaboração premiada, não basta que o candidato a colaborador faça acusações contra terceiros. Ele precisa apresentar informações verificáveis, documentos ou outros elementos que permitam às autoridades confirmar independentemente o que está sendo narrado.</p>
<p>A rejeição de uma proposta de delação também não equivale a uma declaração judicial de que todas as afirmações feitas pelo investigado sejam falsas. Pode ocorrer porque as informações não sejam novas, porque não tenham utilidade para a investigação ou porque não venham acompanhadas das evidências necessárias. No caso de Vorcaro, a falta de elementos de corroboração tornou-se um dos principais argumentos usados pela campanha de Lula para questionar a reportagem da Veja.</p>
<h2>Veja sustenta ter áudio e documentos</h2>
<p>A revista mantém sua reportagem e afirma ter obtido diretamente áudio e documentos em que Vorcaro faz acusações relacionadas ao documentário dirigido por Oliver Stone sobre Lula. Segundo a publicação, o ex-controlador do Master teria relatado pagamentos em dinheiro e negociações envolvendo interesses empresariais do banco no governo federal.</p>
<p>A Veja apresenta os relatos como declarações atribuídas a Vorcaro e publicou trechos do material. A existência de uma gravação em que o empresário faz determinada afirmação, contudo, é diferente da comprovação do fato relatado. Para demonstrar que um pagamento ocorreu, por exemplo, seriam normalmente necessários registros financeiros, documentos contábeis, mensagens convergentes, testemunhos independentes ou outros elementos de confirmação.</p>
<p>Lula negou ter solicitado, recebido ou autorizado terceiros a receber recursos de Vorcaro. Pessoas relacionadas à produção do documentário também negaram que o ex-banqueiro, o Banco Master ou <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340545">empresas</a> vinculadas a ele tenham financiado o filme.</p>
<p>A disputa entre a publicação e a campanha passa, portanto, por dois planos diferentes. Um deles diz respeito à autenticidade dos materiais atribuídos a Vorcaro. O outro, mais importante para estabelecer os fatos, é saber se aquilo que ele afirma nesses materiais pode ser comprovado por evidências independentes.</p>
<h2>Dados do celular não confirmam pagamento para filme sobre Lula</h2>
<p>Outra frente da controvérsia envolve as informações extraídas do celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal. Levantamento realizado sobre mensagens do aparelho não encontrou registros que comprovem o suposto pagamento de cerca de R$ 30 milhões para financiar o documentário sobre Lula nos termos descritos na reportagem.</p>
<p>As conversas analisadas registram contatos de Vorcaro com pessoas de diferentes grupos políticos e tratativas relacionadas a uma série de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340547">negócios</a>. Também existem registros documentais envolvendo o financiamento de outros projetos cinematográficos, inclusive uma produção sobre Jair Bolsonaro. No conjunto de mensagens divulgado até agora, porém, não surgiu documentação equivalente que confirme o suposto aporte no filme de Oliver Stone.</p>
<p>A ausência de mensagens não prova definitivamente que o pagamento nunca tenha ocorrido. Uma transação pode ser discutida por outros meios ou registrada fora do aparelho analisado. A informação relevante, neste momento, é que o material conhecido da investigação não apresentou confirmação independente para a acusação específica.</p>
<p>É justamente essa lacuna que a campanha de Lula utiliza para sustentar que a publicação apresentou como denúncia uma narrativa ainda sem comprovação documental conhecida.</p>
<h2>Cinco medidas jurídicas são anunciadas pela defesa de Lula</h2>
<p>A reação não ficará apenas no campo político. A defesa de Lula anunciou um conjunto de medidas judiciais e administrativas relacionadas ao episódio, incluindo iniciativas contra Vorcaro e a revista. A campanha também pretende provocar órgãos de investigação para que seja esclarecida a origem do material e eventual tentativa de interferência eleitoral.</p>
<p>Separadamente, integrantes do grupo Prerrogativas apresentaram uma notícia de fato à Polícia Federal pedindo investigação sobre uma possível articulação envolvendo pessoas ligadas a Vorcaro e à campanha de Flávio Bolsonaro. Os advogados pedem que a PF apure a origem e a circulação de uma gravação atribuída ao empresário e eventuais negociações para divulgação pública do material.</p>
<p>Esse pedido não constitui prova de que tal articulação existiu. Os próprios autores da representação afirmaram não ter acesso ao conteúdo integral da gravação quando acionaram a PF. O objetivo formal do documento é justamente pedir que a polícia verifique a existência do material, sua origem e as circunstâncias de sua circulação.</p>
<p>A campanha de Lula, por sua vez, passou a incorporar o episódio ao confronto eleitoral e acusa adversários de tentar utilizar as investigações do Banco Master para atingir o presidente. A campanha de Flávio Bolsonaro nega irregularidades nas relações que passaram a ser questionadas no caso.</p>
<h2>Caso Master entra definitivamente na disputa presidencial</h2>
<p>O episódio ocorre em um momento em que o Banco Master já ocupa espaço relevante na campanha eleitoral. As investigações sobre Daniel Vorcaro revelaram contatos e relações financeiras com empresários, políticos e pessoas de diferentes partidos, criando material explorado tanto pela candidatura de Lula quanto pela de Flávio.</p>
<p>A reportagem da Veja deslocou novamente o foco para o campo governista ao publicar acusações atribuídas a Vorcaro contra pessoas relacionadas ao PT. A reação da campanha de Lula, por outro lado, transformou a própria publicação em objeto da disputa ao classificar seu conteúdo como uma suposta farsa destinada a interferir na eleição.</p>
<p>Esse ambiente exige especial cautela na apresentação dos fatos. A existência de uma acusação feita por um investigado não equivale à comprovação da acusação, assim como a rejeição de uma delação não demonstra automaticamente que tudo o que foi relatado é falso. Cada afirmação depende de evidências próprias.</p>
<p>Também é preciso separar o que já foi oficialmente esclarecido. A PGR confirmou que não houve interlocução direta com Vorcarro nem depoimento oral durante as negociações de colaboração. A proposta foi rejeitada. A Veja afirma possuir áudio e documentos com declarações do empresário. A campanha de Lula nega as acusações e anunciou medidas judiciais. A comprovação dos supostos pagamentos continua em aberto.</p>
<h2>Justiça deverá avaliar acusação de interferência eleitoral</h2>
<p>Ao levar o caso para a esfera judicial, a campanha pretende transformar a acusação de “farsa eleitoral” em uma discussão que poderá ser submetida à análise das autoridades. Dependendo do conteúdo das ações, poderão entrar em debate pedidos de direito de resposta, questionamentos sobre propaganda eleitoral, divulgação de informações consideradas falsas ou outras medidas previstas pela legislação.</p>
<p>Qualquer decisão terá de conciliar dois conjuntos de direitos. De um lado, candidatos possuem instrumentos legais para reagir a informações falsas que possam afetar uma eleição. De outro, a imprensa possui proteção constitucional para publicar reportagens de interesse público, inclusive denúncias feitas por investigados, desde que respeitados os parâmetros jurídicos aplicáveis.</p>
<p>O momento da publicação aumenta a relevância dessa análise. O segundo turno ocorre em 25 de outubro, e qualquer informação divulgada agora pode produzir efeitos sobre uma disputa presidencial cuja campanha entrou na reta final.</p>
<p>É por isso que a acusação feita pela coligação contra a Veja se torna, por si só, um fato político relevante. A campanha de Lula não está apenas negando as acusações atribuídas a Vorcaro: está afirmando que a publicação integra uma suposta operação destinada a interferir no processo eleitoral e pretende levar essa tese à Justiça.</p>
<p>A partir de agora, caberá às autoridades verificar se existem elementos que sustentem essa acusação. No plano factual, permanece estabelecido que a proposta de colaboração de Vorcaro não avançou, que ele não prestou depoimento oral à PGR nesse procedimento e que as acusações divulgadas ainda dependem de comprovação independente.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Procuradoria-Geral da República — nota de esclarecimento sobre as tratativas para colaboração premiada de Daniel Vorcaro</em></p>
<p><em>Polícia Federal — investigações relacionadas ao Banco Master e à Operação Compliance Zero</em></p>
<p><em>Coligação Brasil Pronto Para Mais — comunicados sobre a reportagem e medidas judiciais anunciadas</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — legislação e regras aplicáveis ao segundo turno das Eleições Gerais de 2026</em></p>
<p><em>Revista Veja — reportagem e materiais atribuídos a Daniel Vorcaro</em></p>
</div>
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		<entry>
		<author>
			<name>Camila Braga</name>
							<uri>https://muckrack.com/camila-braga</uri>
						</author>

		<title type="html"><![CDATA[MRV, Tenda e Cury disparam com queda dos juros e prévias do 3º trimestre]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/mrve3-tend3-cury3-construtoras-sobem-juros-eleicoes" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533226</id>
		<updated>2026-10-09T15:56:37Z</updated>
		<published>2026-10-09T15:44:43Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Caixa Econômica Federal" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="construtoras" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Cury" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Eleições 2026" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Ibovespa" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Juros Futuros" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercado Financeiro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="MRV" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="setor imobiliário" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="tenda" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Dados foram considerados mistos, apesar de algumas companhias receberem visões positivas; maior impacto é da queda dos juros futuros</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/mrve3-tend3-cury3-construtoras-sobem-juros-eleicoes"><![CDATA[<p>As ações das principais construtoras negociadas na B3 dispararam nesta sexta-feira, 9 de outubro, em uma sessão marcada pela combinação de prévias operacionais do terceiro trimestre e nova queda dos juros futuros de longo prazo. Por volta das 11h54, a MRV (MRVE3) liderava o movimento com alta de 10,73%, a R$ 7,12, enquanto Cury (CURY3) avançava 6,77%, para R$ 33,61, e Tenda (TEND3) subia 6,14%, negociada a R$ 31,38. O setor voltou ao centro das atenções porque está entre os mais sensíveis às expectativas para juros no Brasil.</p>
<p>O movimento ocorreu mesmo depois de o IPCA de setembro subir 0,82%, acima da expectativa mediana dos analistas consultados pela Reuters, de 0,73%. Em condições normais, uma inflação acima do esperado tende a pressionar a curva de juros, pois reduz o espaço para cortes da Selic. Nesta sexta-feira, porém, a parte longa da curva operava em queda, refletindo principalmente a reavaliação do risco fiscal feita por investidores após novas pesquisas para o segundo turno presidencial.</p>
<p>Datafolha e AtlasIntel divulgaram levantamentos mostrando Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Parte dos participantes do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340543">mercado</a> tem associado uma eventual mudança de governo à possibilidade de uma política fiscal mais restritiva a partir de 2027, embora Flávio ainda não tenha apresentado um plano detalhado capaz de sustentar essa expectativa. A queda dos prêmios de longo prazo beneficiou diretamente as incorporadoras, cujos resultados e avaliações em Bolsa são fortemente influenciados pelo custo do crédito e pela taxa utilizada para trazer seus fluxos de caixa futuros a valor presente.</p>
<h2>MRV sobe mais de 10% após vendas recordes</h2>
<p>A MRV apresentou os números mais fortes de crescimento comercial entre as três <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340544">empresas</a>. A divisão de incorporação registrou vendas líquidas de R$ 3,037 bilhões no terceiro trimestre, avanço de 29,6% em relação ao mesmo período de 2025. Foram comercializadas 11.015 unidades, com preço médio de aproximadamente R$ 276 mil, alta de 3,1% na comparação anual.</p>
<p>A MRV&amp;Co também informou geração consolidada de caixa de R$ 456 milhões no trimestre, resultado impulsionado pela monetização de ativos ligados à Resia e à Luggo e pela contribuição da Urba. A produção da incorporadora chegou a 11.258 unidades, outro indicador de manutenção de um ritmo operacional elevado.</p>
<p>O dado de caixa, entretanto, exige uma leitura mais detalhada. A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal afetou os repasses imobiliários no fim de setembro e, segundo a própria MRV, reduziu em aproximadamente R$ 80 milhões a geração de caixa que seria registrada pela operação de incorporação. O banco público desempenha papel central no financiamento dos compradores atendidos pela companhia, especialmente nos segmentos de habitação econômica.</p>
<p>A MRV Incorporação terminou o período com geração de caixa reportada de R$ 130 milhões. Em bases ajustadas, retirando determinados efeitos financeiros, o desempenho ficou muito mais próximo da estabilidade, o que explica por que analistas consideraram a prévia operacional positiva nas vendas, mas menos uniforme na geração recorrente de caixa.</p>
<h2>Queda dos juros muda percepção sobre setor imobiliário</h2>
<p>A força das ações nesta sexta-feira não pode ser explicada apenas pelos números trimestrais. As incorporadoras já vinham se beneficiando desde o primeiro turno da eleição da forte queda dos contratos de Depósito Interfinanceiro de vencimentos mais longos, utilizados pelo mercado como referência para as expectativas de juros nos próximos anos.</p>
<p>A relação é particularmente importante no setor imobiliário. Juros elevados encarecem o financiamento das famílias, aumentam o custo de capital das empresas e tornam investimentos de renda fixa mais competitivos em relação às ações. Também elevam a taxa utilizada pelo mercado para descontar os lucros que as construtoras poderão produzir no futuro, reduzindo o valor atribuído a esses resultados no presente.</p>
<p>Quando as taxas longas caem, o mecanismo funciona no sentido contrário. Mesmo que a Selic corrente não seja alterada imediatamente, uma redução relevante dos juros projetados para os próximos anos pode melhorar o valor atribuído às incorporadoras e alimentar uma reprecificação rápida das ações.</p>
<p>Foi esse efeito que permitiu ao setor subir mesmo diante de um IPCA acima das previsões. A inflação de setembro acumulou alta de 4,58% em 12 meses e voltou a reforçar a necessidade de cautela do Banco Central. No pregão, porém, investidores deram mais peso à percepção sobre o risco fiscal de longo prazo do que ao impacto imediato do indicador de preços.</p>
<h2>Tenda vende R$ 1,29 bilhão, mas distratos aumentam</h2>
<p>A Tenda encerrou o terceiro trimestre com vendas líquidas consolidadas de R$ 1,29 bilhão, crescimento de 4,4% na comparação anual. O resultado inclui a marca Tenda e a divisão Alea, dedicada a casas industrializadas.</p>
<p>Na operação principal, a companhia lançou 11 empreendimentos, somando R$ 1,52 bilhão em Valor Geral de Vendas, alta de 2,3% sobre o mesmo trimestre do ano passado. O preço médio das unidades lançadas atingiu R$ 271,2 mil, avanço de 15,7% e novo recorde da empresa. A Alea lançou outros três projetos, com VGV de R$ 119 milhões.</p>
<p>O ponto menos favorável foi o crescimento dos distratos. A relação entre cancelamentos e vendas brutas chegou a 19,5%, ante 12,5% no terceiro trimestre de 2025. Parte do aumento foi relacionada às dificuldades de transferência dos financiamentos em meio à greve da Caixa, que reduziu a velocidade dos repasses.</p>
<p>O efeito tende a ser especialmente importante para companhias concentradas no Minha Casa, Minha Vida, porque a Caixa ocupa uma posição dominante no financiamento dessa faixa do mercado. Quando o banco demora a concluir uma transferência, a unidade pode permanecer mais tempo no balanço da construtora e, em alguns casos, o comprador pode desistir da operação.</p>
<h2>Cury mantém vendas fortes e gera R$ 253,6 milhões em caixa</h2>
<p>A Cury também apresentou crescimento no terceiro trimestre. As vendas líquidas totais alcançaram R$ 2,035 bilhões, aumento de 11,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Considerando apenas a participação econômica da companhia nos projetos, as vendas ficaram próximas de R$ 1,8 bilhão, expansão de 10,7%.</p>
<p>Os lançamentos totalizaram R$ 2,12 bilhões em VGV, crescimento anual de 6,9%, distribuídos por oito empreendimentos e 6.503 unidades. A parcela atribuível à Cury nos lançamentos somou aproximadamente R$ 1,86 bilhão.</p>
<p>A companhia encerrou o trimestre com geração operacional de caixa positiva de R$ 253,6 milhões, alta de 8,8% na comparação anual. O desempenho chamou a atenção porque a empresa conseguiu combinar crescimento de vendas com manutenção de caixa positivo mesmo diante dos problemas provocados pela paralisação da Caixa.</p>
<p>A velocidade de vendas bruta atingiu 43,6%, enquanto a VSO líquida ficou em 39,7%. A diferença reflete principalmente os cancelamentos de contratos, que também foram afetados pela menor velocidade dos repasses dos financiamentos.</p>
<h2>Greve da Caixa distorce comparação do trimestre</h2>
<p>A paralisação da Caixa aparece como um elemento comum nos números das construtoras voltadas ao segmento econômico. O efeito não ocorre necessariamente sobre a demanda por imóveis, mas sobre uma etapa importante da conclusão financeira das vendas.</p>
<p>Quando uma construtora fecha um contrato com um comprador que utilizará financiamento, parte relevante do dinheiro só entra efetivamente depois que o banco aprova e realiza o repasse. Se esse processo fica interrompido, a companhia pode apresentar boas vendas e, ao mesmo tempo, uma geração de caixa temporariamente inferior ao que seria esperado em condições normais.</p>
<p>Na MRV, a administração estimou diretamente um impacto de aproximadamente R$ 80 milhões no caixa do trimestre. Tenda e Cury também apontaram efeitos sobre transferências e distratos, embora o desempenho comercial tenha permanecido positivo.</p>
<p>Por isso, parte dos investidores está tratando os problemas observados em setembro como um choque operacional temporário, e não necessariamente como sinal de enfraquecimento da demanda. A confirmação dessa leitura dependerá da normalização dos repasses no quarto trimestre.</p>
<h2>Construtoras estão entre as maiores beneficiadas pela queda dos DIs</h2>
<p>A reação desta sexta-feira também mostra como as expectativas macroeconômicas podem se sobrepor aos dados individuais de cada empresa. MRV, Tenda e Cury apresentaram prévias diferentes, com pontos positivos e negativos específicos, mas todas avançaram fortemente no mesmo pregão.</p>
<p>Esse comportamento sugere que o fator setorial ganhou peso. A queda dos juros futuros reduz o custo de oportunidade de investir em ações e melhora a avaliação relativa das empresas que dependem de crédito para financiar seus clientes e projetos. Incorporadoras de baixa renda também podem se beneficiar indiretamente se juros menores ampliarem a capacidade de financiamento das famílias, embora as taxas efetivamente cobradas nos contratos dependam de outros fatores e das políticas habitacionais.</p>
<p>A relação não é automática. Uma redução dos DIs em poucos pregões não garante queda equivalente no custo dos financiamentos nem melhora imediata dos lucros das empresas. Para que a reprecificação das ações se sustente, o mercado precisará observar se a trajetória dos juros de longo prazo permanece mais baixa e se as companhias conseguem transformar as vendas atuais em geração de caixa e resultados.</p>
<h2>Inflação e eleição colocam forças opostas sobre juros</h2>
<p>O pregão desta sexta-feira tornou essa disputa particularmente evidente. Pela manhã, o IBGE informou que o IPCA subiu 0,82% em setembro, depois de uma deflação de 0,32% em agosto. Em 12 meses, a inflação acelerou para 4,58%.</p>
<p>O dado veio acima do consenso dos analistas e, isoladamente, tenderia a elevar os juros futuros. Ao mesmo tempo, duas pesquisas eleitorais divulgadas entre quinta e sexta-feira mostraram Flávio numericamente à frente de Lula no segundo turno, reforçando entre parte dos investidores a expectativa de mudança na condução fiscal a partir de 2027.</p>
<p>No Datafolha, Flávio registrou 52% dos votos válidos e Lula, 48%, com margem de erro de dois pontos percentuais. No AtlasIntel/Bloomberg, o senador apareceu com 52,8% dos válidos, contra 47,2% do presidente. São levantamentos realizados com metodologias e amostras diferentes e representam fotografias do momento das entrevistas, não previsões do resultado eleitoral.</p>
<p>O mercado financeiro, porém, ajusta preços à medida que essas informações alteram as probabilidades atribuídas pelos investidores aos diferentes cenários. Nesta sexta-feira, esse efeito foi suficiente para fazer a parte longa da curva de juros recuar mesmo diante da surpresa negativa da inflação.</p>
<h2>Rali aumenta cobrança por resultados</h2>
<p>A valorização das construtoras cria também uma exigência maior para os próximos balanços. À medida que os preços das ações incorporam expectativas de juros menores e melhora do ambiente econômico, aumenta a necessidade de as empresas confirmarem crescimento, geração de caixa e redução da alavancagem.</p>
<p>No caso da MRV, os R$ 456 milhões de geração consolidada e o salto de 29,6% nas vendas são os principais indicadores positivos, mas o mercado continuará acompanhando a qualidade do caixa da incorporação. Na Tenda, o aumento dos distratos e as condições de crédito da Caixa permanecem como pontos de atenção. A Cury chega ao período com vendas e geração de caixa mais consistentes, mas também depende da normalização dos repasses no segmento econômico.</p>
<p>O pregão desta sexta-feira, portanto, reúne dois movimentos distintos. As prévias do terceiro trimestre oferecem evidências concretas de crescimento das vendas, enquanto a queda dos juros futuros aumenta o valor que os investidores estão dispostos a pagar pelas expectativas de resultado dos próximos anos.</p>
<p>É essa combinação que colocou MRV, Tenda e Cury entre as maiores altas do mercado. O teste seguinte será verificar se a melhora da curva de juros continuará e se os números financeiros do terceiro trimestre, quando forem divulgados integralmente, confirmarão o otimismo que já chegou aos preços das ações.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>MRV&amp;Co — prévia operacional do terceiro trimestre de 2026</em></p>
<p><em>Construtora Tenda — prévia operacional do terceiro trimestre de 2026</em></p>
<p><em>Cury Construtora e Incorporadora — prévia operacional do terceiro trimestre de 2026</em></p>
<p><em>Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de setembro de 2026</em></p>
<p><em>Datafolha — pesquisa de intenção de voto para o segundo turno das eleições de 2026</em></p>
<p><em>AtlasIntel/Bloomberg — pesquisa de intenção de voto para o segundo turno das eleições de 2026</em></p>
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			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Letícia Nóbrega</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[Vorcaro teria ordenado ataque hacker para apagar dados apreendidos pela PF]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/vorcaro-ataque-hacker-apagar-dados-celular-pf" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533222</id>
		<updated>2026-10-09T15:40:26Z</updated>
		<published>2026-10-09T15:28:29Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Política" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="aniel Vorcaro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Banco Central" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Banco Master" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Compliance Zero" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Fabiano Zettel" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="investigação" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Polícia Federal" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Projeto DV" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Thiago Miranda" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Thiago Santos" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Ex-dono do Banco Master, Vorcaro encomendou ataque hacker para eliminar registros digitais e monitorar autoridades durante prisão domiciliar.</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/vorcaro-ataque-hacker-apagar-dados-celular-pf"><![CDATA[<p><!-- Módulo de Anuncios --></p>
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<p>Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teria ordenado em janeiro de 2026 uma tentativa de invasão de sua conta no iCloud com o objetivo de apagar dados de um celular que já estava apreendido pela Polícia Federal. A operação teria sido articulada enquanto ele cumpria prisão domiciliar em São Paulo e buscaria impedir que investigadores tivessem acesso a mensagens, fotografias e outros arquivos armazenados na nuvem. Segundo informações da investigação reveladas pela revista piauí e posteriormente confirmadas pelo Estadão, a PF identificou a tentativa e conseguiu preservar o conteúdo.</p>
<p>O celular estava havia cerca de dois meses em poder dos investigadores da Operação Compliance Zero, aberta para apurar irregularidades relacionadas ao Banco Master. A conta de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também investigado, teria sido incluída na mesma tentativa de exclusão. Zettel havia sido preso em 14 de janeiro, quando tentava embarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos com destino a Dubai, e teve o aparelho celular apreendido.</p>
<p>A apuração atribui a intermediação da operação ao publicitário Thiago Miranda, que teria acionado o profissional de segurança digital Thiago Santos. Segundo os relatos obtidos pela imprensa, Santos conseguiu acessar a conta de Vorcaro, mas a atividade foi percebida pela Polícia Federal antes que os dados fossem eliminados. A defesa de Miranda sustenta a legalidade de sua atuação, enquanto Santos nega ter praticado irregularidades. A defesa de Vorcaro não apresentou resposta às perguntas encaminhadas pela reportagem que revelou o episódio.</p>
<h2>Celular já estava sob controle da Polícia Federal</h2>
<p>A tentativa de acesso ocorreu em um momento no qual o aparelho físico de Vorcaro já estava sob custódia policial. A apreensão havia ocorrido durante a investigação que levou à prisão do empresário em novembro de 2025, no mesmo período em que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de outras instituições do conglomerado.</p>
<p>Mesmo com o celular apreendido, parte das informações vinculadas ao aparelho poderia permanecer sincronizada em serviços de armazenamento na nuvem. É nesse ponto que a tentativa de acesso ao iCloud ganha relevância para a investigação: o objetivo, segundo a apuração publicada, seria eliminar registros antes que a PF concluísse a extração e análise do material digital.</p>
<p>A investida não teria produzido o efeito pretendido. Relatórios policiais posteriores passaram a reproduzir diálogos e outros dados extraídos dos aparelhos, indicando que as informações permaneceram disponíveis aos investigadores. O próprio episódio da tentativa de invasão também passou a integrar o material sob análise.</p>
<p>Eventual tentativa deliberada de eliminar provas pode ter consequências penais próprias, mas a definição jurídica depende das circunstâncias concretas, da participação atribuída a cada pessoa e das conclusões da investigação. Até o momento, as informações conhecidas descrevem uma apuração em andamento, e não uma condenação sobre esse episódio específico.</p>
<h2>Operação também teria como alvo dados de Fabiano Zettel</h2>
<p>A conta de Fabiano Zettel também teria sido incluída na operação. Cunhado de Vorcaro, ele aparece em diferentes frentes das investigações relacionadas ao Banco Master e teve o celular apreendido depois de ser detido em janeiro no Aeroporto de Guarulhos.</p>
<p>A tentativa de apagar os dois conjuntos de informações teria sido tratada como uma mesma operação digital. Segundo a apuração publicada, Vorcaro teria pedido a Thiago Miranda que encontrasse uma forma de retirar os dados armazenados na nuvem antes que fossem integralmente obtidos pelos investigadores.</p>
<p>Miranda, por sua vez, teria recorrido a Thiago Santos para executar tecnicamente a tarefa. O profissional posteriormente prestou esclarecimentos à Polícia Federal e negou ter participado de atividades ilegais, afirmando ter comparecido espontaneamente para explicar sua atuação.</p>
<p>A investigação sobre os aparelhos ganhou importância à medida que mensagens atribuídas a Vorcaro passaram a revelar contatos com empresários, agentes públicos, políticos e outros interlocutores. Parte desse conteúdo originou novas linhas de apuração e pedidos para que fatos encontrados no material fossem analisados pelas autoridades competentes.</p>
<h2>Relatórios sobre policial e diretor do Banco Central também são investigados</h2>
<p>A tentativa de apagar os dados teria ocorrido dentro de uma estrutura mais ampla de monitoramento de pessoas ligadas às investigações e à liquidação do Master. Segundo as informações divulgadas, Vorcaro teria solicitado a produção de levantamentos sobre um agente da Polícia Federal e sobre Renato Dias de Brito Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central.</p>
<p>Renato Gomes ocupava uma posição diretamente relacionada aos processos de supervisão e resolução de instituições financeiras. A área sob sua responsabilidade participou das análises envolvendo o Banco Master antes da decretação da liquidação extrajudicial, em novembro de 2025.</p>
<p>Um dos levantamentos teria resultado em um documento de 11 páginas sobre o diretor. Também foram identificados conteúdos publicados nas redes sociais que buscavam questionar sua atuação e a decisão do Banco Central envolvendo o Master. A Polícia Federal investiga se essas ações faziam parte de uma campanha coordenada para pressionar autoridades e influenciar a percepção pública sobre a atuação do órgão regulador.</p>
<p>O Banco Central afirmou oficialmente, ao decretar a liquidação do Banco Master, que a medida foi motivada por uma grave crise de liquidez, comprometimento significativo da situação econômico-financeira e graves violações às normas que regem o Sistema Financeiro Nacional. A autarquia também tornou indisponíveis os bens dos controladores e ex-administradores das instituições submetidas aos regimes especiais.</p>
<h2>Agente da PF teria sido alvo de levantamento</h2>
<p>Outro nome que aparece no material é o do policial federal Wilker Goulart. Segundo a apuração, um grupo ligado a Miranda teria elaborado um levantamento sobre o agente em dezembro de 2025, período em que as investigações sobre Vorcaro já estavam em andamento.</p>
<p>Poucos dias depois, durante uma audiência realizada no Supremo Tribunal Federal, Vorcaro mencionou o policial nominalmente e afirmou acreditar que ele tentava investigá-lo havia vários anos. A proximidade temporal entre a elaboração do levantamento e a declaração passou a ser analisada no contexto das ações de monitoramento atribuídas ao grupo.</p>
<p>O ponto relevante para a investigação não é a simples coleta de informações públicas sobre um agente do Estado, mas a finalidade atribuída aos levantamentos e a eventual existência de uma estrutura organizada para acompanhar investigadores, obter dados restritos ou interferir nas apurações.</p>
<p>Essa frente integra o chamado Projeto DV, investigação que examina a atuação de pessoas e estruturas digitais que teriam sido utilizadas para monitorar autoridades, produzir conteúdos e organizar campanhas contra integrantes do Banco Central e outros envolvidos no caso Master.</p>
<h2>Ataques em redes sociais entraram na mira da investigação</h2>
<p>Entre o fim de dezembro de 2025 e o início de 2026, autoridades envolvidas nas decisões sobre o Banco Master passaram a ser alvo de uma grande quantidade de publicações nas redes sociais. Parte do conteúdo questionava diretamente a atuação de integrantes do Banco Central e apresentava a liquidação da instituição como resultado de decisões arbitrárias ou precipitadas.</p>
<p>Renato Gomes esteve entre os alvos mais recorrentes. Algumas publicações usaram montagens, memes e mensagens irônicas para questionar a velocidade e as razões das decisões tomadas pela autoridade monetária.</p>
<p>A Polícia Federal passou a investigar se houve coordenação entre <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340542">empresas</a> de comunicação, páginas de grande alcance, influenciadores e pessoas ligadas a Vorcaro para ampliar artificialmente esse tipo de conteúdo. A apuração procura distinguir manifestações espontâneas de ações estruturadas e eventualmente financiadas para pressionar autoridades ou constranger investigadores.</p>
<p>Thiago Miranda, dono da agência MiThi, passou a ser um dos investigados nessa frente. Ele foi alvo de busca e apreensão e teve o passaporte recolhido por determinação judicial. Sua defesa afirma que todos os atos praticados pelo publicitário foram legais e sustenta que o andamento das investigações demonstrará a inexistência de ilícitos.</p>
<h2>Banco Master está em liquidação desde novembro de 2025</h2>
<p>O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025, juntamente com o Banco Master de Investimento, Banco Letsbank e a corretora pertencente ao conglomerado. Na ocasião, a autoridade monetária afirmou que o grupo enfrentava grave crise de liquidez e comprometimento significativo de sua situação econômico-financeira.</p>
<p>O Banco Master Múltiplo inicialmente foi submetido a Regime Especial de Administração Temporária. Posteriormente, em março de 2026, também passou à liquidação extrajudicial. Os regimes permanecem registrados pelo Banco Central entre os procedimentos de resolução envolvendo instituições do antigo conglomerado.</p>
<p>Vorcaro tornou-se alvo de diferentes investigações relacionadas à gestão da instituição e às operações realizadas pelo grupo. As apurações abrangem suspeitas de irregularidades financeiras e outras condutas que ainda dependem de conclusão das autoridades e de eventual julgamento.</p>
<p>A tentativa de apagar dados do iCloud adiciona agora outra frente ao caso. Se confirmada nos termos apontados pelas investigações, ela mostra que, mesmo depois da apreensão do aparelho, houve uma movimentação destinada a interferir no acesso da Polícia Federal a informações consideradas relevantes.</p>
<h2>Defesas negam irregularidades</h2>
<p>A defesa de Thiago Miranda afirmou que sustenta a “absoluta legalidade” dos atos praticados por ele e que as investigações deverão demonstrar que não houve participação em atividades ilícitas. Miranda é investigado tanto no âmbito da Compliance Zero quanto nas apurações relacionadas ao Projeto DV.</p>
<p>Thiago Santos também negou qualquer atividade irregular e afirmou ter se apresentado espontaneamente à Polícia Federal para prestar esclarecimentos. As informações publicadas indicam que seu relato passou a integrar os elementos usados pelos investigadores para reconstruir a tentativa de acesso às contas digitais.</p>
<p>A defesa de Daniel Vorcaro não havia respondido aos questionamentos sobre a tentativa de invasão quando a reportagem que revelou o caso foi publicada. A ausência de manifestação não significa reconhecimento das acusações, e os fatos continuam sujeitos à investigação e ao contraditório.</p>
<p>O elemento novo é que a tentativa de exclusão dos dados, segundo as informações obtidas pelos veículos que tiveram acesso ao material, foi detectada enquanto os celulares estavam formalmente apreendidos e os investigadores preservavam seu conteúdo. A partir disso, a Polícia Federal deverá determinar quem participou efetivamente da operação, qual foi a finalidade de cada ação e se houve prática de crimes além daqueles já investigados no caso Banco Master.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Banco Central do Brasil — atos e comunicados sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master e das demais instituições do conglomerado</em></p>
<p><em>Polícia Federal — Operação Compliance Zero e investigações relacionadas ao caso Banco Master</em></p>
<p><em>Supremo Tribunal Federal — decisões e atos judiciais relacionados às investigações envolvendo Daniel Vorcaro</em></p>
<p><em>Documentos e relatos integrantes das investigações sobre a tentativa de acesso a dados digitais e o chamado Projeto DV</em></p>
</div>
</section>
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			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Camila Braga</name>
							<uri>https://muckrack.com/camila-braga</uri>
						</author>

		<title type="html"><![CDATA[S&#038;P 500 deve registrar alta de 31% nos lucros do 3º trimestre, com impulso da IA]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/lucros-sp-500-terceiro-trimestre-2026-inteligencia-artificial" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533211</id>
		<updated>2026-10-09T14:38:23Z</updated>
		<published>2026-10-09T14:38:23Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Empresas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="FactSet" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Federal Reserve" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Inteligência Artificial" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercado acionário dos EUA" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="resultados corporativos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="S&amp;P 500" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="semicondutores" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="setor de energia" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>As empresas que integram o índice S&#38;P 500 devem registrar crescimento próximo de 30% nos lucros do terceiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo estimativas de analistas compiladas por diferentes instituições financeiras. A expansão, contudo, está concentrada em um grupo relativamente pequeno de companhias ligadas à inteligência artificial [&#8230;]</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/lucros-sp-500-terceiro-trimestre-2026-inteligencia-artificial"><![CDATA[<p>As empresas que integram o índice S&amp;P 500 devem registrar crescimento próximo de 30% nos lucros do terceiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo estimativas de analistas compiladas por diferentes instituições financeiras. A expansão, contudo, está concentrada em um grupo relativamente pequeno de companhias ligadas à inteligência artificial (IA), com destaque para Alphabet, controladora do Google, Amazon e Meta Platforms. A dependência dos resultados em relação a esse segmento coloca a rentabilidade dos investimentos em infraestrutura tecnológica no centro da temporada de balanços, que começa a ganhar força na semana de 12 de outubro.</p>
<p>Os cálculos da LSEG indicam avanço de aproximadamente 31% nos lucros das <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340533">empresas</a> do S&amp;P 500. Cerca de dois terços desse crescimento devem vir do setor de tecnologia e das grandes companhias diretamente beneficiadas pela expansão da inteligência artificial. A FactSet, que utiliza sua própria metodologia de consolidação das estimativas de resultados, projetava em 2 de outubro crescimento de 29,5% nos lucros por ação do índice. Embora os números não sejam idênticos, as duas referências apontam para uma temporada de resultados robusta, sustentada principalmente pelas empresas de tecnologia.</p>
<p>A diferença entre as projeções também demonstra que os percentuais dependem da base de cálculo, da definição de lucro utilizada e do conjunto de estimativas incorporadas por cada instituição. O avanço esperado, portanto, não representa uma taxa uniforme para todas as companhias americanas. Setores ligados à infraestrutura de inteligência artificial devem apresentar expansão muito superior à de segmentos mais dependentes do consumo doméstico, das condições de crédito e do comportamento dos custos operacionais.</p>
<p>O ponto central para os investidores será verificar se a evolução dos lucros acompanha a valorização das ações. O S&amp;P 500 atingiu níveis recordes no início de outubro, impulsionado pelas expectativas de crescimento das grandes empresas e pela procura por companhias capazes de monetizar a inteligência artificial. Com as avaliações de <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340536">mercado</a> elevadas em relação aos resultados de vários negócios, a divulgação de números positivos pode não ser suficiente para sustentar novas altas caso as projeções para os trimestres seguintes decepcionem.</p>
<h2>Revisões positivas melhoram as perspectivas para a temporada</h2>
<p>Um dos sinais favoráveis à temporada apareceu antes da divulgação dos balanços. De acordo com a FactSet, o lucro por ação projetado para o conjunto das empresas do S&amp;P 500 subiu de US$ 88,64, estimados em 30 de junho, para US$ 89,84 em 30 de setembro. A diferença equivale a um aumento de 1,4% nas estimativas durante o terceiro trimestre.</p>
<p>O comportamento contrasta com o padrão histórico. Nos últimos cinco anos, as projeções agregadas de lucro por ação para o S&amp;P 500 caíram, em média, 2,2% ao longo de cada trimestre. Em horizontes de dez, 15 e 20 anos, as reduções médias foram de 2,5%, 3,2% e 4,2%, respectivamente. Em vez da revisão para baixo que normalmente antecede a publicação dos balanços, os analistas elevaram as expectativas para o período encerrado em setembro.</p>
<p>A mudança também pode ser observada na comparação anual. No início do terceiro trimestre, em 30 de junho, a estimativa de crescimento dos lucros do índice era de 26,7%. Ao final de setembro, havia subido para 29,5%, uma diferença de 2,8 pontos percentuais. Se confirmada, a taxa representará o terceiro trimestre consecutivo com expansão superior a 25% e o oitavo período consecutivo com crescimento anual de dois dígitos.</p>
<p>As expectativas para a receita também melhoraram. A FactSet passou a projetar aumento anual de 12,3% no faturamento agregado, ante 10,9% no começo do trimestre. A combinação de maior receita esperada e revisões positivas dos lucros sugere que o desempenho projetado não depende exclusivamente de reduções de custos ou de ajustes pontuais de despesas.</p>
<p>Outro indicador é a orientação fornecida pelas próprias companhias. Entre 116 empresas do S&amp;P 500 que haviam apresentado projeções de lucro por ação para o terceiro trimestre, 72 divulgaram indicações positivas e 44, negativas. A proporção de avaliações favoráveis, de 62%, superou a média de 40% dos últimos cinco anos e a de 41% dos últimos dez anos, segundo a FactSet.</p>
<p>Esses dados, porém, medem expectativas, não resultados já realizados. A confirmação do crescimento dependerá dos balanços efetivos e da capacidade das empresas de explicar a evolução das margens, dos custos financeiros e das receitas ao longo do período.</p>
<h2>Semicondutores continuam na liderança, mas o ritmo tende a diminuir</h2>
<p>A indústria de semicondutores é um dos segmentos mais diretamente expostos ao investimento em inteligência artificial. A procura por processadores, aceleradores de cálculo e memórias de alto desempenho acompanha a expansão dos centros de processamento de dados, que exigem maior capacidade de computação para treinar e executar modelos de IA.</p>
<p>As estimativas compiladas pela LSEG indicam que os lucros das fabricantes americanas de chips podem crescer aproximadamente 136% no terceiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2025. No segundo trimestre, a expansão havia sido estimada em cerca de 158%. A diferença de 22 pontos percentuais indica uma desaceleração da taxa de crescimento, embora o avanço projetado continue expressivo.</p>
<p>A comparação exige cuidado: uma taxa de crescimento menor não significa necessariamente redução do lucro. Ela indica apenas que o resultado deve aumentar em ritmo menos intenso. Depois de uma expansão muito forte, a base de comparação fica mais elevada, tornando progressivamente mais difícil repetir os mesmos percentuais.</p>
<p>A Micron Technology (MU) oferece um exemplo da dimensão alcançada pelo ciclo de demanda por memória. Em 30 de setembro, a empresa divulgou receita de US$ 54,23 bilhões no quarto trimestre fiscal de 2026, encerrado em 3 de setembro. No mesmo período do exercício anterior, o faturamento havia sido de US$ 11,32 bilhões. O crescimento anual foi de aproximadamente 379%.</p>
<p>No conjunto do exercício fiscal de 2026, a receita da Micron alcançou US$ 133,19 bilhões, ante US$ 37,38 bilhões no ano anterior, aumento de aproximadamente 256%. Os números refletem a força da demanda por memória e outros componentes utilizados em sistemas de computação, embora o desempenho de uma empresa específica não possa ser automaticamente extrapolado para todas as fabricantes de semicondutores.</p>
<p>A projeção apresentada pela própria companhia reforçou essa perspectiva. Para o primeiro trimestre fiscal de 2027, a Micron indicou receita de US$ 61,5 bilhões, com margem de variação de US$ 1,5 bilhão para cima ou para baixo. O ponto médio da projeção representa avanço de cerca de 13,4% sobre os US$ 54,23 bilhões registrados no trimestre fiscal anterior.</p>
<p>O desafio para o setor é transformar a demanda atual em resultados sustentáveis. A ampliação da capacidade produtiva exige investimentos, enquanto a escassez de determinados componentes pode limitar entregas e alterar custos. Para o mercado acionário, a questão não se resume ao crescimento da receita: os balanços também precisarão demonstrar que a rentabilidade acompanha o aumento das vendas e o volume de capital empregado.</p>
<h2>Investimentos em IA ampliam a demanda por energia</h2>
<p>A infraestrutura necessária à inteligência artificial também conecta a expansão da tecnologia ao mercado de energia. Centros de processamento de dados exigem fornecimento elétrico contínuo, sistemas de refrigeração e capacidade de transmissão compatível com cargas crescentes. A disponibilidade de eletricidade tornou-se, assim, uma questão relevante para os planos de expansão das grandes companhias digitais.</p>
<p>A Constellation Energy e o Google anunciaram em 6 de outubro um acordo de compra de energia de 20 anos que prevê investimentos para adicionar 890 megawatts de capacidade nuclear à rede administrada pela PJM Interconnection. O projeto envolve a modernização de 11 unidades nucleares operadas pela Constellation em Illinois, Pensilvânia e Nova Jersey, com investimento superior a US$ 4,3 bilhões da empresa de energia.</p>
<p>As companhias também firmaram um acordo separado de fornecimento de energia por 15 anos, envolvendo 2.700 megawatts da frota de geração da Constellation no mercado da PJM. Essa parcela se refere ao fornecimento de energia da frota existente e não deve ser somada à capacidade nuclear adicional como se toda a potência contratada representasse nova geração.</p>
<p>O acordo foi anunciado depois do encerramento do terceiro trimestre e, portanto, não constitui resultado financeiro do período analisado. Ele oferece, entretanto, uma indicação concreta do volume de recursos e dos compromissos de longo prazo envolvidos na expansão da infraestrutura necessária à inteligência artificial.</p>
<p>Na estimativa da LSEG, os lucros do setor de energia podem aumentar aproximadamente 115% no terceiro trimestre, em relação ao ano anterior. O avanço projetado está associado, entre outros fatores, à alta dos preços do petróleo, que teriam subido cerca de 30% no mercado americano durante o período.</p>
<p>A alta das commodities energéticas produz efeitos distintos entre as empresas. Para produtores de petróleo e companhias com exposição favorável aos preços, a valorização pode elevar receitas e margens. Para transportadoras, indústrias, prestadores de serviços e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340541">negócios</a> com consumo intensivo de energia, o encarecimento dos insumos pode pressionar os custos e reduzir a rentabilidade, caso não seja possível repassar integralmente os aumentos aos clientes.</p>
<p>A expansão esperada dos lucros de energia, portanto, não representa uma melhora equivalente para toda a <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340535">economia</a> americana. Ela combina fatores específicos de mercado com uma mudança no custo de insumos essenciais para grande parte das atividades empresariais.</p>
<h2>Taxa de juros mais alta aumenta a pressão sobre custos e avaliações</h2>
<p>As condições monetárias acrescentam outra variável à leitura dos resultados. Em 16 de setembro, o Federal Reserve elevou a faixa-alvo dos juros básicos americanos em 0,25 ponto percentual, para entre 3,75% e 4% ao ano. Na ocasião, o banco central afirmou que a inflação continuava elevada e que as incertezas permaneciam significativas, em parte por causa dos acontecimentos geopolíticos.</p>
<p>A relação entre juros e rentabilidade corporativa ocorre por diferentes canais. O aumento do custo do crédito pode encarecer financiamentos, restringir investimentos e reduzir a disposição de consumidores e empresas para assumir novas despesas. Os efeitos variam de acordo com o endividamento, a capacidade de geração de caixa e a estrutura de receitas de cada companhia.</p>
<p>No mercado acionário, juros mais altos também afetam o valor atribuído a lucros futuros. Empresas de tecnologia cujas avaliações dependem de expectativas de crescimento por vários anos podem ficar mais sensíveis à elevação das taxas de desconto. Mesmo quando apresentam resultados sólidos, suas ações podem enfrentar pressão se as condições financeiras tornarem menos atraentes os fluxos de caixa esperados para períodos distantes.</p>
<p>Os dados da FactSet indicavam, no início de outubro, uma relação entre preço e lucro projetado para os 12 meses seguintes de 19 vezes para o S&amp;P 500. O múltiplo estava abaixo da média de cinco anos, de 19,8 vezes, e ligeiramente inferior à média de dez anos, de 19,1 vezes. O indicador isolado não determina se o mercado está caro ou barato, mas mostra que a avaliação das ações continua sensível à evolução das expectativas de lucro e das taxas de juros.</p>
<p>Para as empresas que investem intensamente em inteligência artificial, o custo do financiamento é apenas parte da equação. Também será necessário demonstrar que os gastos com equipamentos, centros de dados e desenvolvimento de modelos geram receitas e ganhos de produtividade compatíveis com o capital aplicado. Quanto maior o investimento acumulado, maior a importância de comprovar sua contribuição para os resultados operacionais.</p>
<h2>Setores fora da tecnologia oferecem um teste para a amplitude do crescimento</h2>
<p>Apesar do protagonismo de tecnologia, energia e comunicação, os resultados esperados apresentam diferenças importantes entre os setores. A FactSet projetava crescimento anual dos lucros nos 11 setores do S&amp;P 500, mas apenas cinco deveriam alcançar expansão de dois dígitos. A expectativa de crescimento generalizado, portanto, não elimina a concentração dos maiores avanços em grupos específicos.</p>
<p>As revisões das estimativas para o terceiro trimestre reforçam essa diferença. Entre 30 de junho e 30 de setembro, as projeções de lucro por ação do setor de energia subiram 18%, enquanto as de tecnologia avançaram 3,5%. Em sentido contrário, os analistas reduziram as estimativas de materiais em 10,2%, de bens de consumo básico em 4% e de saúde em 3,3%.</p>
<p>A distância entre os movimentos de energia e materiais chegou a 28,2 pontos percentuais. Trata-se de um cálculo a partir das variações publicadas pela FactSet, que evidencia como os efeitos das condições econômicas e dos preços das commodities podem beneficiar alguns negócios e prejudicar outros no mesmo intervalo.</p>
<p>Os setores de consumo básico e imobiliário também estão entre aqueles em que as projeções de crescimento dos lucros são mais fracas nas estimativas atribuídas à LSEG. O primeiro depende de condições de demanda e preços em mercados de grande volume, enquanto o segundo tende a ser particularmente sensível aos juros, ao financiamento e aos custos de ocupação e investimento.</p>
<p>A diferença entre as empresas será importante para interpretar o desempenho agregado do índice. Um avanço expressivo dos lucros do S&amp;P 500 pode coexistir com resultados fracos em uma parcela relevante de suas componentes. O índice resume a evolução de grandes companhias, mas não representa uma distribuição uniforme dos ganhos entre todos os setores e modelos de negócio.</p>
<h2>Bancos abrem uma temporada decisiva para as projeções</h2>
<p>A divulgação dos resultados dos bancos americanos começa em 13 de outubro, com JPMorgan Chase (JPM) e Goldman Sachs entre as primeiras grandes instituições a apresentar seus números trimestrais. Os balanços fornecerão informações sobre a atividade de crédito, as operações de mercado de capitais, a negociação de ativos e a evolução dos custos de financiamento.</p>
<p>No caso dos bancos, os investidores deverão observar como o nível dos juros influencia tanto a receita financeira quanto a inadimplência, a remuneração de depósitos e a procura por empréstimos. Em instituições com operações relevantes de mercado de capitais, também será importante avaliar a evolução das receitas provenientes de negociação de ativos e da assessoria em fusões e aquisições.</p>
<p>A temporada permitirá ainda comparar as projeções anteriores com os números efetivamente publicados e verificar se a força observada em tecnologia se estende para outras atividades. As orientações das empresas para o quarto trimestre serão especialmente importantes porque ajudarão a determinar se o crescimento esperado para 2026 pode se manter no fim do ano.</p>
<p>A inteligência artificial continuará no centro dessa avaliação. O volume de investimentos anunciado pelas grandes empresas, a demanda por semicondutores e os acordos de fornecimento de energia apontam para uma expansão significativa da infraestrutura. A sustentabilidade financeira desse movimento, no entanto, dependerá da capacidade de transformar o investimento em receitas recorrentes, ganhos operacionais e lucros que justifiquem as expectativas incorporadas aos preços das ações.</p>
<p>As previsões de crescimento próximas de 30% estabelecem um patamar elevado para os resultados do terceiro trimestre. A temporada deverá mostrar se o avanço continuará sustentado por um conjunto restrito de grandes companhias ligadas à inteligência artificial ou se haverá sinais mais amplos de melhora da rentabilidade empresarial. A resposta dependerá não apenas dos lucros publicados, mas também das margens, do ritmo dos investimentos e das perspectivas apresentadas para os próximos períodos.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>FactSet &#8211; relatório de perspectivas para os resultados do S&amp;P 500 no terceiro trimestre de 2026, publicado em 2 de outubro</em></p>
<p><em>FactSet &#8211; revisões das estimativas de lucro por ação do S&amp;P 500 e orientação das empresas, dados publicados em 7 de outubro de 2026</em></p>
<p><em>LSEG &#8211; estimativas de consenso I/B/E/S para o crescimento dos lucros do S&amp;P 500 e dos setores de tecnologia, semicondutores e energia no terceiro trimestre de 2026</em></p>
<p><em>Micron Technology &#8211; resultados do quarto trimestre e do exercício fiscal de 2026 e projeções de receita para o primeiro trimestre fiscal de 2027, divulgados em 30 de setembro</em></p>
<p><em>Constellation Energy &#8211; comunicado conjunto com o Google sobre o acordo de fornecimento de energia e a ampliação da capacidade nuclear, publicado em 6 de outubro de 2026</em></p>
<p><em>Federal Reserve &#8211; comunicado do Comitê Federal de Mercado Aberto sobre a decisão de <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340534">política</a> monetária de 16 de setembro de 2026</em></p>
<p><em>JPMorgan Chase &#8211; calendário oficial de divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026</em></p>
<p><em>Goldman Sachs &#8211; calendário oficial de divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026</em></p>
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		<author>
			<name>Camila Braga</name>
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						</author>

		<title type="html"><![CDATA[IPCA de setembro sobe 0,82%, e inflação em 12 meses chega a 4,58%]]></title>
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		<updated>2026-10-09T14:20:28Z</updated>
		<published>2026-10-09T14:20:28Z</published>
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		<summary type="html"><![CDATA[<p>O aumento das contas de energia elétrica e a retomada da alta dos alimentos levaram o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a subir 0,82% em setembro de 2026. O resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (9), elevou a inflação acumulada em 12 meses para 4,58% e [&#8230;]</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/ipca-sobe-setembro-energia-eletrica-alimentos-inflacao"><![CDATA[<p>O aumento das contas de energia elétrica e a retomada da alta dos alimentos levaram o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a subir 0,82% em setembro de 2026. O resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (9), elevou a inflação acumulada em 12 meses para 4,58% e ficou acima das projeções do <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340537">mercado</a>. A pressão sobre os preços ocorreu depois de uma queda de 0,32% do indicador em agosto, quando os descontos associados ao Bônus de Itaipu contribuíram para reduzir o custo da eletricidade residencial.</p>
<p>A variação mensal superou em 0,09 ponto percentual a expectativa de alta de 0,73% levantada em pesquisa da Reuters com economistas. No acumulado de 12 meses, a inflação também ficou acima da projeção de 4,50%. A diferença entre o resultado efetivo e a estimativa foi de 0,08 ponto percentual nessa base de comparação.</p>
<p>O dado de setembro representa uma mudança relevante em relação ao mês anterior. Entre agosto e setembro, a variação mensal do IPCA passou de -0,32% para 0,82%, uma diferença de 1,14 ponto percentual. A reversão foi acompanhada por aumentos em todos os nove grupos de produtos e serviços que compõem o indicador, com destaque para Habitação, Transportes e Alimentação e bebidas.</p>
<p>A composição da inflação mostra que o avanço não ficou restrito a um único produto ou serviço. Embora a eletricidade tenha exercido a maior contribuição individual para o resultado, o encarecimento de passagens aéreas, combustíveis, hortaliças e tubérculos ampliou a pressão sobre o orçamento das famílias. A combinação entre despesas essenciais e custos de transporte ajuda a explicar por que a aceleração do índice merece atenção tanto pelo efeito imediato sobre o consumo quanto pelas implicações para a <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340538">política</a> monetária.</p>
<h2>Energia elétrica responde pela principal pressão sobre o índice</h2>
<p>O grupo Habitação registrou alta de 2,31% em setembro, a maior variação entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE. Além de apresentar a maior taxa, o segmento exerceu impacto de 0,35 ponto percentual sobre o IPCA, cuja variação total foi de 0,82%.</p>
<p>O principal componente dessa alta foi a energia elétrica residencial, que avançou 7,98% no mês. O subitem acrescentou 0,32 ponto percentual ao indicador geral, o que corresponde a aproximadamente 39% da variação mensal do IPCA. Em termos de contribuição individual, nenhum outro item teve peso comparável no resultado de setembro.</p>
<p>A pressão está relacionada, em parte, ao encerramento do efeito dos créditos do Bônus de Itaipu incorporados às faturas emitidas em agosto. A redução temporária observada naquele mês deixou de influenciar os preços na mesma intensidade, contribuindo para a elevação registrada em setembro.</p>
<p>O comportamento da eletricidade também foi afetado por reajustes tarifários em diferentes localidades. Em Belém, houve aumento de 6,63% nas tarifas a partir de 18 de setembro. Em São Luís, o reajuste de 5,42% entrou em vigor em 28 de agosto, enquanto em Vitória a correção foi de 6,89%, válida desde 7 de agosto.</p>
<p>O movimento não foi uniforme em todo o País. Em Rio Branco, as tarifas foram reduzidas em 5,20% a partir de 26 de agosto. Em Fortaleza, a queda foi de 6,65%, na mesma data. As reduções decorreram da incorporação de recursos associados à repactuação do Uso de Bem Público, aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mecanismo que contribuiu para atenuar as tarifas nessas áreas.</p>
<p>Outras despesas relacionadas à moradia também registraram alterações. O gás encanado subiu 0,05%, refletindo reajustes de 10,21% em Curitiba e de 1,80% no Rio de Janeiro, ambos implementados em agosto. A taxa de água e esgoto avançou 0,13%, influenciada pela correção de 6,94% aplicada em Vitória a partir de 1º de setembro.</p>
<p>A variação do grupo Habitação contrasta com o resultado de agosto, quando o segmento havia apresentado deflação de 1,87%. A passagem de uma queda de 1,87% para uma alta de 2,31% representa uma reversão de 4,18 pontos percentuais. Essa oscilação evidencia o peso que alterações pontuais nas tarifas de energia podem exercer sobre o indicador mensal.</p>
<p>Há, porém, uma diferença importante entre o movimento de setembro e as condições para os meses seguintes. A Aneel anunciou em 25 de setembro que a bandeira tarifária de outubro seria verde, sem cobrança adicional vinculada ao sistema de bandeiras. Isso não significa que todas as contas de energia necessariamente ficarão mais baratas, pois os valores finais também dependem do consumo e das tarifas de cada distribuidora. A mudança indica apenas que, em outubro, não haverá o acréscimo específico associado à bandeira amarela vigente em setembro.</p>
<h2>Alimentação volta a subir após três meses de queda</h2>
<p>O grupo Alimentação e bebidas registrou inflação de 0,83% em setembro, interrompendo uma sequência de três meses de recuos. Em agosto, a variação havia sido de -0,34%. A mudança corresponde a uma aceleração de 1,17 ponto percentual entre os dois meses.</p>
<p>A alimentação no domicílio subiu 0,96%, pressionada principalmente por produtos que fazem parte da rotina de consumo das famílias. O tomate teve alta de 37,76%, enquanto a batata-inglesa avançou 24,07%. A cebola aumentou 10,14%, o arroz subiu 4,56% e as carnes registraram elevação de 0,63%.</p>
<p>Os aumentos expressivos do tomate, da batata e da cebola ajudam a explicar a retomada da inflação dos alimentos consumidos em casa. Como são produtos frequentemente comprados pelas famílias, mudanças de preços nesses itens podem ser percebidas rapidamente nas despesas de supermercados e feiras.</p>
<p>O comportamento do grupo, contudo, não foi homogêneo. O frango inteiro ficou 1,96% mais barato, enquanto o frango em pedaços recuou 1,41%. Os preços das frutas também apresentaram queda, de 1,12%.</p>
<p>A alimentação fora do domicílio teve alta de 0,48% em setembro, acima da variação de 0,36% registrada em agosto. Nesse segmento, a refeição passou de uma alta de 0,18% para 0,49%. O lanche, por sua vez, desacelerou de 0,62% para 0,47%.</p>
<p>A diferença entre a alimentação dentro e fora de casa é importante para avaliar o alcance da pressão inflacionária. A alta dos produtos consumidos no domicílio indica encarecimento direto de parte da cesta de compras, enquanto o avanço das refeições fora de casa mostra que as despesas com serviços de alimentação também continuaram aumentando.</p>
<p>A combinação desses movimentos reduziu o alívio que as quedas anteriores dos alimentos vinham proporcionando ao orçamento doméstico. O resultado de setembro não permite concluir que todos os itens alimentícios seguirão em alta nos meses seguintes, mas demonstra que a trajetória de redução de preços observada no grupo foi interrompida no período.</p>
<h2>Passagens aéreas e combustíveis elevam despesas de transporte</h2>
<p>O grupo Transportes registrou alta de 0,89% em setembro, depois de ter recuado 0,86% em agosto. A reversão de 1,75 ponto percentual refletiu principalmente a elevação das passagens aéreas e dos combustíveis.</p>
<p>As passagens aéreas subiram 9,66% no mês. O resultado contribuiu para elevar os custos de deslocamento, sobretudo para os consumidores que dependem do transporte aéreo em viagens de <a class="wpil_keyword_link" title="Trabalho" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340539">trabalho</a> ou lazer.</p>
<p>Os combustíveis, considerados em conjunto, tiveram aumento de 1,41%. Entre os componentes, o etanol avançou 3,16%, o óleo diesel subiu 1,69%, a gasolina aumentou 1,21% e o gás veicular registrou variação positiva de 0,10%.</p>
<p>Embora esses produtos tenham pesos distintos no orçamento das famílias e na composição do índice, o movimento conjunto ampliou a pressão do grupo. Os combustíveis afetam diretamente quem utiliza veículos particulares e também integram os custos operacionais de atividades de transporte e distribuição. O dado do IPCA, isoladamente, não permite quantificar o repasse desses custos para outros preços da <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340540">economia</a>.</p>
<p>As tarifas de táxi também contribuíram para o resultado. O subitem subiu 0,20%, incorporando o reajuste de 8,42% aplicado em Belo Horizonte a partir de 8 de agosto.</p>
<p>A alta dos Transportes teve uma contribuição adicional para a mudança de direção do índice geral. Em agosto, o grupo havia ajudado a conter a inflação, com queda de 0,86%. Em setembro, passou a exercer pressão positiva, ao lado de Habitação e Alimentação e bebidas.</p>
<p>Essa composição mostra que a aceleração do IPCA resultou da combinação de fatores distintos. Na eletricidade, a reversão de um efeito temporário sobre as faturas e os reajustes tarifários tiveram papel central. Nos transportes, destacaram-se as passagens aéreas e os combustíveis. Nos alimentos, o aumento de produtos específicos foi suficiente para encerrar a sequência de deflação do grupo.</p>
<h2>Inflação em 12 meses ultrapassa o limite superior da meta</h2>
<p>Com o resultado de setembro, o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,58%, ficando 0,08 ponto percentual acima do limite superior de 4,5% estabelecido para o regime de metas de inflação.</p>
<p>A meta central definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. A faixa compreende, portanto, taxas entre 1,5% e 4,5%.</p>
<p>Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o regime de meta contínua. Nesse modelo, a inflação acumulada em 12 meses é acompanhada mês a mês, em vez de a avaliação ficar concentrada apenas no resultado de dezembro.</p>
<p>A taxa de 4,58% supera o teto da faixa de tolerância, mas esse resultado, isoladamente, não caracteriza descumprimento formal da meta contínua. Pelas regras vigentes, a meta é considerada descumprida quando a inflação permanece fora do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos.</p>
<p>A distinção é relevante para interpretar o indicador corretamente. O resultado de setembro mostra que a inflação voltou a ficar acima do limite superior, mas a avaliação formal depende da sequência de resultados mensais e dos critérios estabelecidos pelo regime.</p>
<p>A aceleração também reforça a importância da composição do índice para a análise da política monetária. A inflação de setembro concentrou parte expressiva da pressão em energia elétrica, alimentos e transporte. Esses componentes afetam diretamente o custo de vida, mas podem ter trajetórias diferentes nos meses seguintes. Por isso, a interpretação do dado depende tanto da variação total quanto da persistência dos aumentos e de sua disseminação entre os preços.</p>
<p>O IPCA é uma das principais referências utilizadas pelo Banco Central na condução da política monetária. A divulgação de uma inflação acima das expectativas oferece informação relevante para a avaliação do comportamento dos preços, mas não determina, por si só, uma alteração na taxa básica de juros. A decisão do Comitê de Política Monetária considera também expectativas de inflação, atividade econômica, condições financeiras e perspectivas para os próximos períodos.</p>
<p>Para as famílias, o resultado tem um efeito imediato sobre a comparação entre rendimentos e despesas. Quando a inflação acumulada aumenta, o poder de compra fica mais pressionado, especialmente para quem compromete parcela significativa da renda com moradia, alimentação e deslocamento. A dimensão desse impacto, entretanto, varia de acordo com os hábitos de consumo e a participação de cada despesa no orçamento doméstico.</p>
<h2>Diferenças regionais mostram impactos desiguais</h2>
<p>A inflação de setembro também apresentou diferenças importantes entre as áreas pesquisadas pelo IBGE. Vitória registrou a maior variação regional, de 1,08%, influenciada pela alta de 10,85% da energia elétrica residencial e pelo aumento de 43,19% do tomate.</p>
<p>Rio Branco apresentou a menor variação, de 0,53%. Nesse caso, a queda de 14,13% nas passagens aéreas e o recuo de 7,40% nos preços dos ovos de galinha ajudaram a limitar o avanço do índice local.</p>
<p>A distância entre a maior e a menor taxa regional foi de 0,55 ponto percentual. Isso significa que a inflação medida em Vitória foi aproximadamente duas vezes a registrada em Rio Branco, embora a comparação percentual entre localidades deva ser interpretada com cautela, pois cada região tem uma composição própria de despesas e pesos diferentes no cálculo nacional.</p>
<p>Os resultados mostram que a inflação brasileira não se distribui de maneira uniforme. Reajustes de tarifas, preços de alimentos e comportamento das passagens aéreas podem produzir efeitos distintos conforme a região e o padrão de consumo das famílias.</p>
<p>Para o índice nacional, as variações regionais são agregadas de acordo com os pesos de cada área na metodologia do IBGE. Por isso, a maior inflação local não significa necessariamente a maior contribuição individual para o IPCA brasileiro. O resultado nacional depende da combinação entre a variação dos preços e a participação de cada componente no cálculo.</p>
<p>O dado divulgado em 9 de outubro deixa, assim, dois aspectos centrais para o acompanhamento econômico: a reversão da queda observada em agosto e a permanência da inflação acumulada acima do teto de tolerância da meta. O comportamento futuro dependerá da evolução das tarifas, dos alimentos, dos combustíveis e dos demais preços que compõem o índice, além das condições econômicas que influenciam a formação de preços e as decisões de consumo.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) &#8211; divulgação oficial do IPCA de setembro de 2026 e variações dos grupos de produtos e serviços</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil &#8211; regras do regime de metas contínuas para a inflação e limites de tolerância estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional</em></p>
<p><em>Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) &#8211; definição da bandeira tarifária amarela para setembro e da bandeira verde para outubro de 2026</em></p>
<p>&nbsp;</p>
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			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Antônio Lima</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[Poupança perde R$ 9,35 bilhões em setembro e acumula saída de R$ 66,4 bilhões]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/poupanca-saques-setembro-66-bilhoes-2026" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533204</id>
		<updated>2026-10-09T13:15:06Z</updated>
		<published>2026-10-09T13:08:52Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Economia" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Banco Central" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="caderneta de poupança" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="crédito imobiliário" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Finanças pessoais" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="investimentos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Poupança" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="renda fixa" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="saques da poupança" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Selic" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>No ano, o saldo total da poupança está negativo em R$ 66,432 bilhões; o único mês de 2026 com mas depósitos do que retiradas foi maio</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/poupanca-saques-setembro-66-bilhoes-2026"><![CDATA[<div class="content-width mx-auto" style="--ancora-content-width: 1328px;">
<section data-ds-component="card-list" data-config="{&quot;title&quot;:&quot;u00daltimas notu00edcias sobre Economia&quot;,&quot;query&quot;:{&quot;Category&quot;:&quot;13801&quot;,&quot;Exclude&quot;:[3522474],&quot;PageSize&quot;:4,&quot;InitialCount&quot;:12}}">A caderneta de poupança registrou saída líquida de R$ 9,350 bilhões em setembro e ampliou para R$ 66,432 bilhões o volume de recursos retirados da aplicação em 2026. Os dados divulgados nesta sexta-feira, 9 de outubro, pelo Banco Central mostram que os brasileiros sacaram R$ 348,343 bilhões no mês, enquanto os depósitos somaram R$ 338,993 bilhões. O resultado mantém uma tendência que atravessou praticamente todo o ano: maio foi o único mês em que as entradas superaram as retiradas.</p>
<p>Apesar de continuar negativo, o resultado de setembro foi menos desfavorável do que o observado em agosto, quando a saída líquida havia alcançado R$ 10,573 bilhões. A diferença entre os dois meses foi de R$ 1,223 bilhão, o que representa uma redução de aproximadamente 11,6% no volume líquido retirado da caderneta. O movimento, portanto, não indica uma reversão da fuga de recursos, mas mostra que o ritmo dos saques diminuiu na passagem de agosto para setembro.</p>
<p>No acumulado de janeiro a setembro, os depósitos chegaram a aproximadamente R$ 3,204 trilhões, enquanto as retiradas alcançaram R$ 3,270 trilhões. Mesmo com a remuneração creditada aos poupadores ao longo do período, a movimentação líquida permaneceu fortemente negativa, mostrando que a aplicação continua perdendo recursos em um ambiente no qual outras alternativas de renda fixa oferecem competição elevada pela poupança das famílias.</p>
<h2>Caderneta ainda mantém mais de R$ 1 trilhão aplicado</h2>
<p>Embora enfrente retiradas sucessivas, a poupança continua concentrando um estoque expressivo de dinheiro. Com o rendimento de R$ 6,526 bilhões creditado em setembro, o saldo total da modalidade encerrou o mês próximo de R$ 1,013 trilhão.</p>
<p>O rendimento acumulado de janeiro a setembro alcançou R$ 57,257 bilhões. Esse valor ajuda a compensar parte das retiradas e explica por que o saldo total da caderneta não cai na mesma proporção que o fluxo líquido negativo. Mesmo quando um poupador não realiza novos depósitos, os recursos mantidos na conta continuam recebendo a remuneração prevista pelas regras da modalidade.</p>
<p>A diferença entre fluxo e estoque é importante para interpretar os números. A saída líquida de R$ 66,432 bilhões representa quanto as retiradas superaram os novos depósitos ao longo de 2026. O saldo de mais de R$ 1 trilhão, por outro lado, mostra todo o dinheiro que permanece aplicado, acrescido dos rendimentos acumulados.</p>
<p>Isso significa que a poupança continua sendo uma das maiores reservas financeiras das famílias brasileiras, mesmo depois de meses consecutivos de saques líquidos.</p>
<h2>Setembro teve R$ 348 bilhões em retiradas</h2>
<p>O volume movimentado durante o mês mostra que a caderneta permanece amplamente utilizada como instrumento de entrada e saída de recursos. Os R$ 338,993 bilhões depositados em setembro equivalem a mais de 33% de todo o estoque existente no fim do mês, enquanto os saques chegaram a R$ 348,343 bilhões.</p>
<p>Esses números não significam que um terço de toda a poupança tenha sido necessariamente renovado durante o período, porque uma mesma conta pode receber e retirar recursos diversas vezes. Eles revelam, contudo, uma intensa movimentação dentro da modalidade, que continua sendo utilizada tanto como reserva financeira quanto como conta de passagem por milhões de brasileiros.</p>
<p>O problema para a captação aparece justamente na diferença entre essas duas pontas. Enquanto as retiradas permanecerem acima dos depósitos, a modalidade continuará apresentando fluxo negativo, ainda que os rendimentos mantenham o saldo total acima de R$ 1 trilhão.</p>
<p>Em setembro, para cada R$ 100 depositados, aproximadamente R$ 102,76 foram retirados. A diferença parece pequena quando observada proporcionalmente, mas sobre uma movimentação mensal superior a R$ 680 bilhões nas duas direções produz um resultado líquido negativo de bilhões de reais.</p>
<h2>Maio foi a única exceção em 2026</h2>
<p>O comportamento da poupança ao longo do ano mostra que setembro não foi um episódio isolado. Em oito dos nove primeiros meses de 2026, os saques superaram os depósitos. Apenas maio terminou com captação líquida positiva.</p>
<p>Essa sequência explica por que o déficit acumulado alcançou R$ 66,432 bilhões mesmo depois de uma melhora relativa em setembro. Para zerar essa saída até o fim do ano, a poupança precisaria receber, entre outubro e dezembro, mais de R$ 22 bilhões líquidos por mês, em média, sem considerar novas retiradas adicionais além desse equilíbrio. É um patamar muito superior ao comportamento observado durante a maior parte do ano.</p>
<p>O cenário não significa que a poupança esteja deixando de existir ou perdendo sua função como reserva financeira. A modalidade continua sendo simples, líquida e amplamente conhecida, características que mantêm sua utilização elevada. O que os dados mostram é que, em 2026, os poupadores vêm retirando mais dinheiro do que adicionando ao estoque.</p>
<p>Parte dessas retiradas pode estar relacionada ao uso da reserva para consumo ou pagamento de despesas, enquanto outra parcela pode refletir a transferência de recursos para investimentos com maior remuneração. Os dados agregados do Banco Central, porém, não permitem determinar quanto do dinheiro sacado teve cada destino.</p>
<h2>Juros altos aumentam a concorrência pela poupança</h2>
<p>A saída ocorre em um período no qual a taxa básica de juros continua elevada. O Comitê de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340529">Política</a> Monetária reduziu a Selic para 13,75% ao ano em setembro, mas a taxa permanece em nível alto mesmo depois do início do ciclo de cortes.</p>
<p>Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança segue a regra de remuneração de 0,5% ao mês acrescida da Taxa Referencial. Em setembro, dependendo da data de aniversário do depósito, a remuneração mensal ficou ao redor de 0,65% a 0,67%.</p>
<p>Essa combinação mantém a caderneta com rendimento positivo e isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, mas coloca o produto em competição com títulos públicos, CDBs e outros instrumentos de renda fixa cuja rentabilidade acompanha mais diretamente o nível elevado dos juros.</p>
<p>A comparação não pode ser feita apenas pela taxa anunciada. Tributação, liquidez, garantia, prazo, risco e necessidade de resgate alteram o resultado para cada investidor. Ainda assim, a manutenção da Selic em dois dígitos aumenta o número de alternativas disponíveis para quem procura rendimento acima daquele oferecido pela poupança.</p>
<h2>Recursos da poupança têm importância para crédito imobiliário</h2>
<p>A movimentação da caderneta também interessa ao sistema financeiro porque seus recursos possuem papel importante no financiamento habitacional. Parte dos depósitos feitos no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo é direcionada para operações ligadas ao setor imobiliário.</p>
<p>Quando há retiradas persistentes, diminui uma das fontes tradicionais de funding dos bancos para esse tipo de crédito. Isso não significa uma redução automática e proporcional dos financiamentos imobiliários, porque as instituições contam com outras fontes de captação, mas fluxos negativos prolongados mudam a composição dos recursos disponíveis.</p>
<p>O próprio Banco Central define a poupança como uma modalidade cujos recursos são aplicados no Sistema Financeiro da Habitação e também no crédito rural, de acordo com a origem dos depósitos. Por isso, a evolução mensal da captação é acompanhada não apenas como indicador do comportamento das famílias, mas também como uma variável relevante para o sistema de crédito.</p>
<p>A saída acumulada de R$ 66,4 bilhões em nove meses amplia essa importância. Quanto mais prolongado for o período de resgates líquidos, maior tende a ser a necessidade de bancos e demais instituições encontrarem fontes alternativas para financiar operações associadas à modalidade.</p>
<h2>Resultado de outubro mostrará se desaceleração dos saques continua</h2>
<p>A queda da saída líquida de R$ 10,573 bilhões em agosto para R$ 9,350 bilhões em setembro oferece um primeiro sinal de desaceleração, mas ainda não caracteriza uma mudança de tendência. O resultado continua negativo e setembro tornou-se o oitavo mês de 2026 em que os saques superaram os depósitos.</p>
<p>Os dados de outubro serão importantes para saber se essa redução no ritmo das retiradas se mantém. Uma nova diminuição do fluxo negativo poderia sugerir estabilização gradual, enquanto uma volta a saques superiores aos de setembro reforçaria a tendência de perda de recursos observada durante praticamente todo o ano.</p>
<p>Por enquanto, o retrato é claro: a poupança continua com mais de R$ 1 trilhão aplicado e segue movimentando centenas de bilhões de reais todos os meses, mas não consegue reter todo esse dinheiro. Em 2026, até setembro, os brasileiros retiraram R$ 66,432 bilhões a mais do que depositaram.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Banco Central do Brasil — Relatório de Poupança de setembro de 2026</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil — séries estatísticas de depósitos, retiradas, captação líquida, rendimentos e saldo da caderneta de poupança</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil — Comitê de Política Monetária e meta para a Taxa Selic</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil — regras de remuneração dos depósitos de poupança</em></p>
</section>
</div>
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]]></content>
		
			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Sandro Dias</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[Fusões e aquisições na mineração somam US$ 8,2 bi e terras raras concentram 42%]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/fusoes-aquisicoes-mineracao-8-2-bilhoes-terras-raras" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533097</id>
		<updated>2026-10-09T12:58:54Z</updated>
		<published>2026-10-09T12:58:47Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Negócios" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Alvarez &amp; Marsal" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="capital chinês" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="capital estrangeiro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="CBA" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="CMOC" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Empresas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="fusões e aquisições" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Lynas Rare Earths" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mineração" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="minerais críticos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="MMG" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="negócios" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Nexa Resources" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Serra Verde" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="terras raras" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>A mineração brasileira atravessa uma forte reacomodação de capital, impulsionada pela disputa internacional por minerais estratégicos e pela revisão dos portfólios de grandes grupos do setor. Fusões e aquisições envolvendo ativos de mineração no país somaram US$ 8,2 bilhões em 13 operações com valores divulgados entre janeiro de 2025 e 2 de outubro de 2026, [&#8230;]</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/fusoes-aquisicoes-mineracao-8-2-bilhoes-terras-raras"><![CDATA[<p>A mineração brasileira atravessa uma forte reacomodação de capital, impulsionada pela disputa internacional por minerais estratégicos e pela revisão dos portfólios de grandes grupos do setor. Fusões e aquisições envolvendo ativos de mineração no país somaram US$ 8,2 bilhões em 13 operações com valores divulgados entre janeiro de 2025 e 2 de outubro de 2026, segundo levantamento da Alvarez &amp; Marsal. Somente neste ano, foram anunciados US$ 5,9 bilhões em <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340526">negócios</a>, o equivalente a aproximadamente 72% de todo o volume do período e 2,6 vezes os US$ 2,3 bilhões contabilizados em 2025.</p>
<p>A aceleração não está concentrada em uma única commodity. Terras raras aparecem como principal vetor do movimento, mas ouro, níquel, zinco e alumínio também estão no centro de transações bilionárias. O que une parte desses ativos é uma mudança na maneira como grandes investidores avaliam recursos minerais: além de produção, reservas e rentabilidade, entram cada vez mais na conta a segurança de fornecimento, a capacidade de processamento e a posição de cada projeto nas cadeias industriais globais.</p>
<p>Das 13 operações acompanhadas pela A&amp;M, oito já haviam sido concluídas e somavam US$ 4,6 bilhões. Outras cinco, avaliadas em aproximadamente US$ 3,6 bilhões, ainda dependiam de fechamento, aprovações regulatórias ou outras condições. Isso significa que pouco mais de 56% do valor identificado pela consultoria já correspondia a negócios efetivamente concluídos, enquanto aproximadamente 44% continuavam condicionados a etapas posteriores.</p>
<h2>Terras raras concentram US$ 3,47 bilhões</h2>
<p>Duas operações ligadas às terras raras respondem sozinhas por aproximadamente 42% dos US$ 8,2 bilhões identificados pela A&amp;M. A maior delas foi a combinação entre a americana USA Rare Earth e o Serra Verde Group, proprietário da mina e unidade de processamento Pela Ema, em Goiás. Anunciada em abril por valor implícito de aproximadamente US$ 2,8 bilhões, a transação foi concluída no início de setembro.</p>
<p>Com a incorporação da Serra Verde, a USA Rare Earth passou a combinar a produção brasileira de terras raras pesadas com atividades de processamento, metalização e fabricação de ímãs permanentes. Pela Ema, em Minaçu, é apresentada pela companhia como a única operação em escala fora da Ásia capaz de produzir os quatro elementos magnéticos de terras raras neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.</p>
<p>A segunda grande transação veio no fim de setembro, quando a australiana Lynas Rare Earths anunciou acordo para adquirir a Meteoric Resources em uma operação integralmente em ações avaliada em cerca de US$ 672 milhões. O principal ativo da Meteoric é o Projeto Caldeira, em Minas Gerais, uma das maiores ocorrências conhecidas de terras raras em argilas iônicas fora da China.</p>
<p>Somadas, Serra Verde e Meteoric alcançam aproximadamente US$ 3,47 bilhões, ou 42,3% de todo o volume contabilizado pela consultoria desde o início de 2025. A concentração mostra que as terras raras deixaram de ocupar apenas uma posição promissora no portfólio mineral brasileiro e passaram a movimentar efetivamente capital internacional em escala bilionária.</p>
<h2>Geopolítica aumenta valor estratégico dos ativos</h2>
<p>O interesse por terras raras está ligado à expansão da demanda por ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, sistemas de defesa e diferentes tecnologias industriais. Ao mesmo tempo, a elevada concentração mundial das etapas de separação e processamento na Ásia levou Estados Unidos, Europa, Austrália e outros países a buscar cadeias alternativas de abastecimento.</p>
<p>Nesse ambiente, um projeto mineral pode ganhar valor por razões que ultrapassam a simples quantidade de minério presente no solo. Localização, composição dos elementos, estágio do licenciamento, possibilidade de processamento local e capacidade de integração com fábricas de metais e ímãs passaram a influenciar diretamente a avaliação dos ativos.</p>
<p>A aquisição da Serra Verde ilustra essa mudança. A USA Rare Earth não incorporou apenas uma operação mineral brasileira, mas uma fonte de fornecimento que pode ser integrada a uma cadeia industrial mais ampla fora da Ásia. A empresa vem construindo uma estratégia que conecta mineração e processamento à produção de metais e ímãs.</p>
<p>A Lynas segue lógica semelhante com o Projeto Caldeira. A companhia já possui experiência em mineração e separação de terras raras e, ao entrar no Brasil, amplia sua base de recursos e abre a possibilidade de desenvolver etapas adicionais de processamento no país. O projeto mineiro passa, portanto, a ser avaliado também pelo papel que pode desempenhar numa cadeia internacional de suprimento.</p>
<h2>Nexa, CBA e ouro também movimentam bilhões</h2>
<p>A reorganização vai além dos minerais críticos. Em agosto, a sueca Boliden fechou acordo para adquirir a participação de 64,68% da Votorantim na Nexa Resources. O negócio será pago com novas ações da Boliden, que assumirá o controle da mineradora, enquanto a Votorantim ficará com participação de aproximadamente 7% na companhia sueca após a conclusão da transação.</p>
<p>A operação está sujeita à aprovação de acionistas e autoridades regulatórias e foi incluída pela A&amp;M entre os negócios ainda pendentes. Para a Boliden, a aquisição amplia fortemente a exposição ao zinco e adiciona operações de mineração e metalurgia na América Latina.</p>
<p>No ouro, a chinesa CMOC concluiu em janeiro a compra das operações brasileiras da Equinox Gold por até US$ 1,015 bilhão. O pacote inclui as minas Aurizona e RDM, além do Complexo Bahia. A Equinox recebeu US$ 900 milhões no fechamento e poderá receber outros US$ 115 milhões vinculados à produção.</p>
<p>A transação levou para a CMOC ativos já em produção, diferentemente de operações voltadas a projetos que ainda precisarão ser desenvolvidos. A empresa, que já operava no Brasil nos segmentos de nióbio e fosfatos, ampliou assim sua presença para o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340527">mercado</a> de ouro.</p>
<h2>Chalco e Rio Tinto avançam sobre a CBA</h2>
<p>O alumínio também entrou no ciclo de grandes transações. Em janeiro, a Votorantim fechou acordo para vender sua participação de controle de 68,596% na Companhia Brasileira de Alumínio, a CBA, para uma joint venture formada pela chinesa Chalco e pela anglo-australiana Rio Tinto.</p>
<p>A participação foi avaliada em aproximadamente US$ 902,6 milhões. A Chalco ficará com 67% da joint venture e a Rio Tinto, com os 33% restantes. A conclusão depende das aprovações regulatórias previstas no contrato.</p>
<p>A CBA é uma operação verticalmente integrada, com mineração de bauxita, produção de alumina, fundição de alumínio, reciclagem e ativos próprios de geração renovável. Esse perfil ajuda a explicar o interesse dos compradores: além da mineração, a aquisição dá acesso a diferentes etapas de uma cadeia industrial já estabelecida no Brasil.</p>
<p>O acordo também se encaixa na estratégia de gestão ativa de portfólio da Votorantim, que ao longo de 2026 avançou em operações envolvendo dois de seus principais ativos ligados à mineração e aos metais: CBA e Nexa.</p>
<h2>Capital chinês ganha espaço nos ativos brasileiros</h2>
<p>A participação de grupos chineses é outro traço importante desse ciclo. Segundo a A&amp;M, operações envolvendo CMOC, Chalco e MMG respondem por aproximadamente 30% do valor anunciado desde 2025. Sobre o total de US$ 8,2 bilhões, isso representa algo próximo de US$ 2,5 bilhões.</p>
<p>A presença chinesa abrange commodities diferentes. A CMOC avançou sobre o ouro, a Chalco participa da aquisição do controle da CBA e a MMG negocia a compra dos ativos brasileiros de níquel da Anglo American.</p>
<p>O acordo da MMG envolve as operações de Barro Alto e Codemin, em Goiás, e prevê pagamento de até US$ 500 milhões. O negócio, entretanto, enfrenta uma análise concorrencial relevante na Europa. A Comissão Europeia apresentou objeções preliminares à transação, e a MMG vem defendendo que a aquisição não prejudicará a concorrência nem a segurança de fornecimento aos clientes europeus.</p>
<p>Nesta semana, a empresa participou de audiência em Bruxelas para apresentar sua posição sobre o negócio. O episódio demonstra como uma transação envolvendo minas localizadas no Brasil pode ficar submetida a uma análise regulatória internacional quando comprador, produto e clientes fazem parte de uma cadeia global de fornecimento.</p>
<h2>Nova lei acrescenta análise estratégica às mudanças de controle</h2>
<p>O ciclo de aquisições coincide com a criação de uma nova <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340525">política</a> brasileira para minerais críticos. Sancionada em 16 de setembro, a Lei nº 15.506 instituiu a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e criou o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, o CIMCE.</p>
<p>A legislação estabelece que mudanças diretas ou indiretas de controle societário de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340528">empresas</a> titulares de direitos minerários relacionados a minerais classificados como críticos ou estratégicos ficam sujeitas a mecanismo de triagem e homologação pelo poder público, nos termos da regulamentação.</p>
<p>O dispositivo introduz uma variável adicional em futuras operações de fusão e aquisição. Além das análises concorrenciais, ambientais e societárias já existentes, negócios envolvendo determinados minerais passam a poder ser avaliados também sob a perspectiva da política nacional de segurança de suprimento e industrialização.</p>
<p>A lei estabelece ainda instrumentos voltados ao beneficiamento e à transformação mineral dentro do país. A intenção é aumentar a participação brasileira nas etapas industriais posteriores à extração, onde normalmente está uma parcela maior do valor econômico da cadeia.</p>
<h2>Regulação pode aumentar prazo de algumas transações</h2>
<p>A nova arquitetura não significa necessariamente bloqueio à entrada de capital estrangeiro. O próprio texto legal coloca estabilidade regulatória, segurança jurídica e previsibilidade entre os princípios que devem orientar a política, ao mesmo tempo em que estabelece instrumentos de proteção para ativos considerados estratégicos.</p>
<p>Para investidores, porém, a consequência prática é que a estrutura e o calendário de determinadas transações passam a depender também desse novo mecanismo. Uma aquisição que envolva mudança de controle de uma empresa com direitos minerários enquadrados na política poderá exigir planejamento regulatório adicional.</p>
<p>Na avaliação apresentada pela A&amp;M, as discussões sobre o novo marco não provocaram uma corrida generalizada para antecipar negócios. Ao contrário, a incerteza sobre a aplicação das novas regras chegou a aumentar o tempo de algumas negociações.</p>
<p>A questão tende a ganhar importância à medida que o CIMCE definir seus procedimentos e o país consolidar a relação de minerais submetidos às novas regras. Quanto mais estratégico o ativo, maior deverá ser a atenção dedicada à estrutura societária e aos efeitos de uma mudança de controle.</p>
<h2>Próxima fila de negócios pode superar o volume já anunciado</h2>
<p>O mercado ainda possui operações capazes de elevar significativamente o volume de fusões e aquisições. Entre os processos citados pela A&amp;M está a venda conjunta do Porto Sudeste e da Mineração Morro do Ipê, cuja avaliação indicada pelos vendedores gira em torno de US$ 5 bilhões.</p>
<p>Se uma transação desse porte fosse concluída pelo valor estimado, representaria sozinha aproximadamente 61% de todo o volume de US$ 8,2 bilhões identificado entre janeiro de 2025 e outubro de 2026. Também equivaleria a mais do que o dobro de todo o valor de negócios registrado em 2025.</p>
<p>Outros processos envolvem a Bahia Mineração e a possibilidade de entrada de um investidor na LHG Mining. No caso da LHG, a J&amp;F confirmou que contratou o Citi para conduzir um processo competitivo envolvendo uma eventual participação minoritária, sem indicar uma venda integral ou necessariamente uma mudança de controle.</p>
<p>A existência desses ativos no mercado sugere que a atividade de fusões e aquisições pode permanecer elevada mesmo depois da sequência de operações bilionárias já anunciadas neste ano.</p>
<h2>Mineração passa a disputar capital pela cadeia inteira</h2>
<p>O volume de US$ 8,2 bilhões revela mais do que uma sucessão de compras e vendas de minas. O movimento mostra que a avaliação dos ativos brasileiros passou a incorporar de forma mais explícita fatores industriais, tecnológicos e geopolíticos.</p>
<p>Em terras raras, o interesse está ligado à construção de cadeias de suprimento fora da Ásia. No alumínio, compradores buscam uma operação integrada e abastecida por energia renovável. No ouro, grupos globais assumem ativos já produtores. No níquel e no zinco, as transações acompanham a reorganização dos portfólios de grandes mineradoras.</p>
<p>Para o Brasil, a entrada desse capital cria oportunidade de acelerar projetos e ampliar investimentos, mas também eleva a importância de transformar recursos minerais em cadeias industriais mais completas. O valor econômico deixa de estar apenas na jazida e passa a depender também de quanto processamento, tecnologia e fabricação consegue permanecer no país.</p>
<p>Com US$ 5,9 bilhões anunciados somente em 2026 e uma nova fila de ativos em negociação, a mineração brasileira entra no último trimestre do ano com um mercado de M&amp;A muito acima do observado em 2025. O próximo passo será verificar quanto desse capital se converterá em expansão produtiva e quanto da nova política de minerais críticos conseguirá estimular etapas de maior valor agregado dentro do Brasil.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Alvarez &amp; Marsal — levantamento de fusões e aquisições envolvendo ativos de mineração no Brasil entre janeiro de 2025 e 2 de outubro de 2026</em></p>
<p><em>Presidência da República — Lei nº 15.506, de 16 de setembro de 2026</em></p>
<p><em>Presidência da República — Decreto nº 13.118, de 16 de setembro de 2026</em></p>
<p><em>USA Rare Earth — comunicados sobre aquisição e conclusão da combinação com o Serra Verde Group</em></p>
<p><em>Lynas Rare Earths e Meteoric Resources — documentos da operação envolvendo o Projeto Caldeira</em></p>
<p><em>Boliden — comunicado sobre aquisição da participação da Votorantim na Nexa Resources</em></p>
<p><em>CMOC Group e Equinox Gold — comunicados sobre a aquisição das operações brasileiras de ouro</em></p>
<p><em>Rio Tinto e Votorantim — comunicados sobre a aquisição conjunta da participação de controle da Companhia Brasileira de Alumínio</em></p>
<p><em>MMG — informações sobre a aquisição dos ativos brasileiros de níquel da Anglo American e o processo regulatório europeu</em></p>
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			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Alice Nascimento</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[OpenAI tem receita anualizada de US$ 50 bilhões, abaixo dos US$ 70 bilhões estimados antes]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/openai-tem-receita-anualizada-de-us-50-bilhoes-abaixo-dos-us-70-bilhoes-estimados-antes" />

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		<updated>2026-10-09T11:45:55Z</updated>
		<published>2026-10-09T11:45:55Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Empresas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Anthropic" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="ChatGPT" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Inteligência Artificial" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="OpenAI" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="receita anualizada" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Sam Altman" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="tecnologia" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>A OpenAI chegou ao fim de setembro com uma receita anualizada próxima de US$ 50 bilhões, abaixo dos US$ 70 bilhões que haviam circulado publicamente nas semanas anteriores. A diferença de US$ 20 bilhões não representa, por si só, uma queda de faturamento da dona do ChatGPT. O principal motivo é metodológico: investidores utilizaram bases [&#8230;]</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/openai-tem-receita-anualizada-de-us-50-bilhoes-abaixo-dos-us-70-bilhoes-estimados-antes"><![CDATA[<p>A OpenAI chegou ao fim de setembro com uma receita anualizada próxima de US$ 50 bilhões, abaixo dos US$ 70 bilhões que haviam circulado publicamente nas semanas anteriores. A diferença de US$ 20 bilhões não representa, por si só, uma queda de faturamento da dona do ChatGPT. O principal motivo é metodológico: investidores utilizaram bases diferentes para colocar os números da OpenAI e da concorrente Anthropic em uma mesma referência.</p>
<p>A revisão ganha importância porque a receita anualizada é um dos principais indicadores usados para dimensionar <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340510">empresas</a> privadas de inteligência artificial que crescem rapidamente e ainda não apresentam ao mercado aberto demonstrações financeiras com a mesma frequência das companhias listadas. No caso da OpenAI, a mudança altera a fotografia do tamanho atual do negócio, mas não elimina a expansão acelerada da companhia.</p>
<p>O novo patamar equivale a aproximadamente 71,4% do número de US$ 70 bilhões que havia sido divulgado anteriormente. Em termos absolutos, o valor revisado é 28,6% inferior à estimativa anterior. Essa diferença, contudo, não deve ser interpretada como uma perda de US$ 20 bilhões em receita efetivamente obtida pela empresa.</p>
<h2>Receita anualizada mede o ritmo do negócio, não o faturamento acumulado</h2>
<p>A expressão “receita anualizada” descreve uma taxa de execução. O cálculo projeta para 12 meses o ritmo de faturamento observado em um período mais curto. Por isso, o indicador pode mudar rapidamente conforme novos contratos, reajustes de preços, crescimento do número de clientes ou alterações na composição das vendas.</p>
<p>Uma companhia que registre US$ 4 bilhões de receita em um trimestre, por exemplo, pode apresentar uma taxa anualizada de US$ 16 bilhões, desde que se considere aquele trimestre representativo de seu ritmo atual. Isso não significa que US$ 16 bilhões já tenham sido faturados nem que esse montante esteja garantido para os quatro trimestres seguintes.</p>
<p>A distinção é particularmente relevante para empresas de inteligência artificial. <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340509">Negócios</a> como OpenAI e Anthropic estão ampliando simultaneamente vendas para consumidores, contratos empresariais, serviços de computação e uso de modelos por desenvolvedores. A velocidade dessa expansão faz com que a receita corrente possa mudar significativamente de um mês para outro.</p>
<p>No caso da OpenAI, os documentos financeiros compartilhados com investidores e relatados pelo Financial Times indicam que a taxa anualizada estava próxima de US$ 50 bilhões no fim de setembro. O número anterior de US$ 70 bilhões surgiu a partir de uma tentativa de ajustar os dados da companhia para permitir uma comparação mais direta com a Anthropic.</p>
<h2>Comparação com a Anthropic elevou artificialmente a referência da OpenAI</h2>
<p>A origem da divergência está na forma como cada empresa contabiliza receitas associadas à distribuição de seus produtos por parceiros de computação em nuvem.</p>
<p>A Anthropic comercializa seus modelos por diferentes canais, incluindo plataformas de empresas como Amazon Web Services e Google Cloud. Nesse ecossistema, receitas geradas por vendas realizadas por parceiros podem entrar na métrica utilizada para medir o ritmo do negócio.</p>
<p>A OpenAI, segundo o relato do Financial Times, não incorpora esse tipo de venda da mesma forma na sua receita. Isso cria uma diferença de base quando os investidores comparam diretamente as duas empresas.</p>
<p>Para reduzir essa distorção, investidores fizeram ajustes sobre os números da OpenAI. Em agosto, esse processo levou a uma estimativa de aproximadamente US$ 40 bilhões em receita anualizada. Posteriormente, uma indicação de crescimento superior a 70% ajudou a formar a referência de US$ 70 bilhões que passou a circular no <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340520">mercado</a>.</p>
<p>O problema é que esse cálculo de comparabilidade não correspondia exatamente à métrica utilizada nos documentos financeiros mais recentes da OpenAI. A taxa efetivamente indicada para o fim de setembro ficou próxima de US$ 50 bilhões.</p>
<p>A diferença entre os dois números, portanto, é melhor entendida como uma divergência de metodologia do que como uma revisão negativa de US$ 20 bilhões no faturamento.</p>
<h2>A distância para a Anthropic também exige cautela</h2>
<p>A comparação com a Anthropic ajuda a dimensionar o problema. Em julho, a empresa responsável pelo Claude informou a investidores que sua receita anualizada havia ultrapassado US$ 65 bilhões.</p>
<p>Tomando os números das duas companhias em períodos próximos, a taxa de US$ 50 bilhões da OpenAI fica cerca de 23% abaixo do patamar de US$ 65 bilhões associado à Anthropic. Essa diferença não permite concluir, isoladamente, que a Anthropic tenha um negócio maior ou mais rentável.</p>
<p>Além das metodologias de contabilização, há diferenças no perfil da receita, na concentração de clientes, na exposição a plataformas de nuvem e no estágio de desenvolvimento comercial de cada companhia.</p>
<p>O próprio conceito de receita anualizada exige cuidado. A métrica serve para indicar velocidade e escala, mas não informa, sozinha, margem operacional, geração de caixa, lucro ou sustentabilidade do crescimento.</p>
<p>Esse ponto é especialmente importante em empresas de IA porque o aumento das vendas ocorre ao lado de despesas elevadas com servidores, chips, energia, armazenamento e treinamento de modelos. Uma taxa de receita em forte expansão não significa automaticamente que a empresa esteja próxima de atingir rentabilidade.</p>
<h2>OpenAI amplia as fontes de monetização</h2>
<p>A estrutura de negócios da OpenAI também mudou rapidamente. A companhia passou de uma operação fortemente associada ao ChatGPT para um modelo que combina assinaturas para consumidores, contratos corporativos, acesso por API e novas formas de monetização.</p>
<p>A expansão da base empresarial é relevante porque contratos corporativos podem apresentar valores maiores e maior previsibilidade do que planos individuais. Ao mesmo tempo, o uso de modelos por desenvolvedores transforma parte da demanda em receita vinculada ao consumo de computação.</p>
<p>A companhia também passou a explorar publicidade como fonte adicional de receita. O segmento ainda representa uma parcela pequena diante do tamanho total do negócio: uma taxa anualizada de US$ 1 bilhão em publicidade equivaleria a aproximadamente 2% de uma receita anualizada de US$ 50 bilhões.</p>
<p>O dado ilustra como a monetização da inteligência artificial está se tornando mais diversificada. O avanço da OpenAI não depende apenas da cobrança direta pela assinatura do ChatGPT, mas de diferentes camadas de serviços voltados a consumidores, empresas e desenvolvedores.</p>
<p>Essa diversificação também ajuda a explicar por que investidores acompanham com atenção não apenas o faturamento absoluto, mas a composição da receita e a capacidade da empresa de transformar crescimento de usuários e uso de modelos em vendas recorrentes.</p>
<h2>A escala do negócio continua sendo relevante para o mercado</h2>
<p>Mesmo com a revisão da estimativa, uma receita anualizada próxima de US$ 50 bilhões coloca a OpenAI em uma escala excepcional para uma empresa privada de tecnologia ainda em fase de expansão.</p>
<p>A comparação também ajuda a explicar a dimensão dos investimentos necessários para sustentar o negócio. Sistemas avançados de inteligência artificial exigem infraestrutura computacional de grande porte e contratos de capacidade de processamento que envolvem empresas como Amazon, Microsoft, Google, Nvidia e outros fornecedores do ecossistema.</p>
<p>A receita, entretanto, precisa ser analisada ao lado desses custos. Quanto maior o uso dos modelos, maior tende a ser a demanda por processamento. O crescimento comercial, portanto, pode elevar simultaneamente as vendas e a necessidade de investimento em infraestrutura.</p>
<p>Para investidores privados, essa equação é decisiva. A questão não é somente quanto a OpenAI consegue vender, mas quanto desse crescimento pode ser convertido em geração de caixa e em capacidade de financiar a expansão futura sem depender continuamente de novas rodadas de capital.</p>
<p>A diferença entre US$ 50 bilhões e US$ 70 bilhões ganha relevância exatamente nesse contexto. Uma avaliação empresarial muito elevada precisa ser sustentada por uma trajetória de receita compatível com as expectativas utilizadas para precificar a companhia.</p>
<h2>Mercado passa a olhar com mais atenção para a qualidade da receita</h2>
<p>A revisão também mostra como métricas privadas de empresas de IA podem gerar interpretações distintas dependendo da metodologia.</p>
<p>Quando a comparação entre duas companhias depende de ajustes para aproximar bases contábeis diferentes, o número final pode parecer mais preciso do que realmente é. Para investidores, a informação mais importante passa a ser identificar qual receita é efetivamente reconhecida pela companhia e qual parcela resulta de estimativas ou ajustes comparativos.</p>
<p>No caso da OpenAI, a taxa de US$ 50 bilhões não elimina o crescimento observado ao longo de 2026. O que muda é a referência utilizada para medir a velocidade dessa expansão.</p>
<p>Essa distinção também afeta avaliações privadas. Uma diferença de US$ 20 bilhões em uma taxa anualizada pode alterar indicadores usados em negociações de novas captações, projeções de valor de mercado e comparações com rivais. Ainda assim, não equivale automaticamente a US$ 20 bilhões de receita perdida ou retirada dos balanços.</p>
<p>A principal conclusão, portanto, é que os US$ 50 bilhões representam uma fotografia mais próxima da métrica efetivamente reportada nos documentos recentes da OpenAI, enquanto os US$ 70 bilhões refletiram uma tentativa de tornar os números comparáveis aos da Anthropic.</p>
<p>A disputa entre as duas métricas ocorre em um mercado no qual investidores precisam distinguir crescimento real, projeções anualizadas e efeitos de metodologia. Para a OpenAI, o patamar revisado ainda aponta para uma operação de dezenas de bilhões de dólares por ano em ritmo de receita, mas deixa mais claro que o tamanho do negócio depende também da forma como os canais de distribuição e as vendas são contabilizados.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Financial Times &#8211; documentos financeiros da OpenAI compartilhados com investidores e informações sobre a diferença entre as métricas de receita anualizada da OpenAI e da Anthropic</em></p>
<p><em>OpenAI &#8211; informações institucionais sobre o modelo de negócios, receitas de assinaturas, serviços corporativos, API e publicidade</em></p>
<p><em>Anthropic &#8211; informações institucionais sobre crescimento da receita e distribuição do Claude por plataformas de computação em nuvem</em></p>
<p><em>Reuters &#8211; informações sobre a receita anualizada da OpenAI e o ritmo de crescimento reportado no terceiro trimestre de 2026</em></p>
<p><em>Bloomberg &#8211; informações sobre a receita anualizada da Anthropic registrada em julho de 2026</em></p>
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			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Letícia Nóbrega</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[12 de outubro é feriado? Veja quem folga e os direitos de quem trabalha]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/12-outubro-feriado-direitos-trabalho-2026" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533190</id>
		<updated>2026-10-09T12:37:36Z</updated>
		<published>2026-10-09T06:46:37Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Trabalho" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="12 de outubro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="calendário 2026" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="CLT" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="direitos trabalhistas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="feriado nacional" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="feriados 2026" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="folga compensatória" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Nossa Senhora Aparecida" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Pagamento em Dobro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="trabalho" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Trabalho no Feriado" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>12 de outubro é feriado? Dá para emendar? Entenda quais são os direitos de quem trabalha na data Data cai em uma segunda-feira e garante três dias seguidos de descanso para quem folga aos fins…</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/12-outubro-feriado-direitos-trabalho-2026"><![CDATA[<p>O próximo feriado nacional será na segunda-feira, 12 de outubro, data dedicada a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Como o feriado vem imediatamente depois do sábado e do domingo, trabalhadores que cumprem jornada de segunda a sexta-feira poderão ter três dias consecutivos de descanso, sem necessidade de negociar uma “emenda” com a empresa.</p>
<p>A condição de feriado nacional decorre da Lei nº 6.802, de 1980, que declarou oficialmente o dia 12 de outubro como data dedicada a Nossa Senhora Aparecida em todo o território nacional. Embora o mesmo dia também seja celebrado como Dia das Crianças, é a homenagem à padroeira que dá à segunda-feira o status de feriado. O Dia das Crianças, isoladamente, é uma data comemorativa e não cria folga obrigatória.</p>
<p>A regra, contudo, não significa que todas as atividades precisam fechar. Hospitais, restaurantes, hotéis, farmácias, postos de combustíveis e diversos outros serviços podem funcionar. No comércio, as regras passaram por mudanças importantes em 2026 e dependem da atividade, de normas coletivas e, em alguns casos, de decisões judiciais em vigor.</p>
<h2>Quem trabalha de segunda a sexta terá três dias de descanso</h2>
<p>Para quem normalmente não trabalha aos sábados e domingos, o calendário será especialmente favorável. O sábado, dia 10, e o domingo, dia 11, já integram o descanso habitual, enquanto a segunda-feira, 12, será feriado nacional. O retorno ao expediente ocorrerá normalmente na terça-feira, dia 13.</p>
<p>Nesse caso, não se trata propriamente de uma emenda de feriado. A chamada emenda normalmente acontece quando existe um dia útil entre o feriado e o fim de semana — uma sexta-feira após feriado na quinta, por exemplo — e a empresa decide dispensar o expediente ou compensar posteriormente as horas. Em 12 de outubro deste ano, o próprio feriado cai na segunda-feira e já forma um fim de semana prolongado.</p>
<p>Para trabalhadores submetidos a escalas diferentes, a situação depende da jornada prevista no contrato e das regras aplicáveis à categoria. Comércio, restaurantes, hospitais, hotéis, transportes e outros setores mantêm atividades em datas nas quais os escritórios e uma parcela do varejo permanecem fechados.</p>
<h2>Trabalhar no feriado é permitido em várias situações</h2>
<p>A legislação brasileira estabelece o descanso em feriados como regra, mas admite o funcionamento de atividades em diversas situações. Há setores que possuem autorização permanente e outros em que o <a class="wpil_keyword_link" title="Trabalho" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340524">trabalho</a> depende de negociação coletiva.</p>
<p>Uma mudança importante entrou no cotidiano do comércio em 2026. A regulamentação do Ministério do Trabalho e Emprego reforçou que o trabalho em feriados no comércio em geral depende de autorização em convenção coletiva e deve respeitar também a legislação municipal. A exigência segue o artigo 6º-A da Lei nº 10.101, que condiciona a atividade comercial em feriados à negociação entre os sindicatos.</p>
<p>A regulamentação preservou autorização permanente para determinadas atividades, entre elas padarias, farmácias, floriculturas, barbearias e salões de beleza, postos de combustíveis, comércio de gás, hotéis, restaurantes, bares, feiras livres, lavanderias, funerárias e outras operações listadas nas normas trabalhistas.</p>
<p>Por isso, a simples existência do feriado não permite concluir que determinado estabelecimento estará fechado. A possibilidade de funcionamento depende da atividade desenvolvida, da legislação local e, quando exigida, da convenção coletiva aplicável aos trabalhadores.</p>
<h2>Supermercados vivem situação excepcional neste feriado</h2>
<p>Mercados, supermercados e hipermercados passaram a ter uma situação particular. A regulamentação publicada pelo Ministério do Trabalho em julho estabeleceu inicialmente que o setor também dependeria de negociação coletiva para funcionar em feriados.</p>
<p>Em setembro, porém, a Associação Brasileira de Supermercados obteve uma decisão judicial provisória suspendendo a aplicação das novas regras para mercados, supermercados e hipermercados. A liminar restabeleceu, enquanto permanecer válida, a autorização permanente prevista pelo regime anterior para o funcionamento desses estabelecimentos nos feriados.</p>
<p>A decisão foi concedida em 22 de setembro e ainda tem caráter provisório. Isso significa que ela pode ser revista posteriormente pela Justiça. Para o feriado de 12 de outubro, contudo, o setor chega à data sob um regime diferente daquele originalmente previsto pela regulamentação do Ministério do Trabalho.</p>
<p>A situação do estabelecimento também pode ser influenciada por convenções coletivas já assinadas em cada região. Algumas delas estabelecem horários especiais, gratificações, folgas ou outras condições mais favoráveis aos empregados.</p>
<h2>Quem trabalhar pode receber em dobro ou ter folga compensatória</h2>
<p>Para a maioria dos empregados regidos pela CLT, o trabalho realizado em feriado sem compensação deve ser remunerado em dobro. A regra está consolidada na legislação trabalhista e na jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho.</p>
<p>O princípio é relativamente simples: se o empregado deveria descansar no feriado, mas foi convocado para trabalhar, o empregador pode conceder outro dia de descanso para compensar aquela jornada. Se a compensação não ocorrer, o trabalho no feriado deve, em regra, ser remunerado em dobro.</p>
<p>Convenções e acordos coletivos podem estabelecer condições específicas, incluindo prazos para a folga compensatória, gratificações adicionais, fornecimento de alimentação, transporte ou valores extras. Por isso, dois empregados que trabalham no mesmo feriado, mas pertencem a categorias diferentes, podem ter direitos complementares distintos.</p>
<p>O pagamento em dobro também não significa necessariamente que todo o salário mensal será duplicado. A remuneração adicional corresponde ao trabalho realizado no feriado não compensado, observadas a jornada cumprida e a forma de remuneração do empregado.</p>
<h2>Escala 12&#215;36 tem regra diferente</h2>
<p>Os empregados que trabalham no regime de 12 horas de atividade por 36 horas de descanso possuem tratamento específico na CLT. Desde a reforma trabalhista, o artigo 59-A estabelece que a remuneração mensal pactuada para essa jornada já engloba os pagamentos correspondentes aos descansos em feriados e considera essas datas compensadas pela própria escala.</p>
<p>Assim, quando o feriado coincide com um dia em que o empregado da escala 12&#215;36 deveria trabalhar normalmente, não há automaticamente direito a uma segunda folga ou ao pagamento dobrado apenas porque a jornada caiu no feriado.</p>
<p>A situação pode mudar se houver convenção coletiva, acordo coletivo ou outra condição contratual mais favorável estabelecendo benefício adicional. Também é necessário que a própria escala esteja regularmente instituída.</p>
<p>Esse detalhe é importante porque a regra geral do pagamento em dobro ou da folga compensatória não pode ser aplicada de maneira automática a todos os trabalhadores sem considerar o tipo de jornada.</p>
<h2>Empregado pode simplesmente faltar porque é feriado?</h2>
<p>Se o trabalhador foi legalmente escalado para trabalhar no dia 12, o fato de ser feriado não autoriza uma ausência unilateral. Uma falta sem justificativa pode gerar desconto do dia e aplicação das medidas disciplinares previstas na legislação e nas regras internas da empresa.</p>
<p>Isso não significa que uma única ausência leve automaticamente à demissão por justa causa. A aplicação da penalidade máxima depende das circunstâncias do caso, da gravidade da conduta, do histórico do empregado e dos requisitos exigidos pela legislação trabalhista.</p>
<p>Situação diferente ocorre quando a empresa não possui autorização para exigir trabalho naquele feriado ou deixa de observar uma norma coletiva aplicável. Nesses casos, o problema não pode ser analisado apenas como falta do empregado, porque também é necessário verificar se a convocação estava juridicamente regular.</p>
<p>Antes de tomar uma decisão que possa gerar punição disciplinar, o trabalhador deve verificar a convenção coletiva de sua categoria e, se houver dúvida, buscar orientação do sindicato ou de um profissional especializado.</p>
<h2>Temporários seguem as regras trabalhistas aplicáveis à contratação</h2>
<p>O fato de um empregado ter contrato temporário não elimina, por si só, os direitos relacionados ao trabalho em feriados. Quando a relação está submetida às normas trabalhistas, as condições da categoria e do contrato devem ser observadas normalmente.</p>
<p>O empregado temporário também pode estar abrangido por regras específicas previstas na contratação ou em instrumentos coletivos. Por isso, o enquadramento deve considerar tanto o tipo de contrato quanto a atividade efetivamente exercida.</p>
<p>Já prestadores de serviços autônomos e profissionais contratados como pessoa jurídica não possuem automaticamente os mesmos direitos previstos para empregados regidos pela CLT. Nesses casos, o pagamento por trabalho realizado em feriados depende das condições do contrato, desde que a relação seja efetivamente autônoma e não esconda um vínculo de emprego.</p>
<h2>Dia do Servidor Público não é feriado nacional</h2>
<p>Depois de 12 de outubro, outra data que costuma provocar dúvidas é 28 de outubro, Dia do Servidor Público. Em 2026, a data cai em uma quarta-feira, mas é ponto facultativo na administração pública federal, e não feriado nacional para todos os trabalhadores.</p>
<p><a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340523">Empresas</a> privadas não são obrigadas a dispensar seus funcionários simplesmente porque o dia 28 consta no calendário administrativo do governo federal. Estados e municípios podem estabelecer regras próprias para os respectivos servidores e serviços públicos.</p>
<p>Essa distinção entre feriado e ponto facultativo é importante. No feriado nacional, há uma norma que alcança todo o território brasileiro. No ponto facultativo, a dispensa se refere principalmente à administração pública indicada pelo ato que estabeleceu a data, sem criar automaticamente um dia de descanso no setor privado.</p>
<h2>Novembro e dezembro terão mais três feriados prolongados</h2>
<p>Depois do dia de Nossa Senhora Aparecida, o calendário de 2026 ainda reserva quatro feriados nacionais. Finados, em 2 de novembro, cairá numa segunda-feira e criará novamente um período de três dias para quem descansa no fim de semana.</p>
<p>A Proclamação da República, em 15 de novembro, cairá num domingo e terá pouco impacto sobre a rotina de quem já folga nesse dia. Já o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, em 20 de novembro, será numa sexta-feira, formando outro fim de semana prolongado.</p>
<p>O Natal, em 25 de dezembro, também cairá numa sexta-feira. Antes dele, a véspera de Natal, dia 24, será ponto facultativo após as 13 horas na administração pública federal. A mesma regra será aplicada em 31 de dezembro, véspera do Ano Novo.</p>
<p>Com isso, o último trimestre de 2026 concentra uma sequência favorável de feriados para quem trabalha de segunda a sexta-feira. O primeiro deles será justamente 12 de outubro: uma segunda-feira que garante três dias seguidos de descanso para milhões de trabalhadores, mas mantém abertas atividades autorizadas e setores que funcionam por escala.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Presidência da República — Lei nº 6.802, de 30 de junho de 1980</em></p>
<p><em>Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos — calendário oficial de feriados nacionais e pontos facultativos de 2026</em></p>
<p><em>Ministério do Trabalho e Emprego — regulamentação do trabalho no comércio em feriados</em></p>
<p><em>Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, e Lei nº 11.603, de 5 de dezembro de 2007</em></p>
<p><em>Consolidação das Leis do Trabalho — regras sobre jornada 12&#215;36 e trabalho em feriados</em></p>
<p><em>Tribunal Superior do Trabalho — jurisprudência sobre trabalho em domingos e feriados não compensados</em></p>
<p><em>Associação Brasileira de Supermercados — informações sobre decisão judicial relativa ao funcionamento do setor em feriados</em></p>
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			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>João Souza</name>
							<uri>https://muckrack.com/joao-souza</uri>
						</author>

		<title type="html"><![CDATA[TikTok Shop cresce 102 vezes no Brasil e entra na estratégia de grandes marcas]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/tiktok-shop-cresce-brasil-grandes-marcas" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533180</id>
		<updated>2026-10-09T06:56:28Z</updated>
		<published>2026-10-09T06:46:00Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Negócios" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="comércio eletrônico" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="criadores de conteúdo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="influenciadores" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="live commerce" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="marketplaces" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Natura" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="negócios" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Riachuelo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="social commerce" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="TikTok" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="TikTok Shop" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="varejo" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Plataforma transforma influenciadores em vendedores e vídeos em lojas virtuais</p>
<p>Este post apareceu primeiro em Gazetamercantil.com - <a rel="nofollow" href="https://gazetamercantil.com">GAZETA MERCANTIL - A Gazeta Mercantil traz as últimas notícias sobre política, economia, segurança, entretenimento, negócios, entretenimento, esportes, moda</a></p>
]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/tiktok-shop-cresce-brasil-grandes-marcas"><![CDATA[<p>O TikTok precisou de pouco mais de um ano para transformar sua operação brasileira de comércio eletrônico em um canal que grandes marcas já não tratam como experiência. O valor bruto médio diário de mercadorias vendidas pelo TikTok Shop cresceu 102 vezes entre maio de 2025, quando a plataforma foi lançada no país, e maio de 2026. No mesmo intervalo, o volume médio movimentado pelas transmissões ao vivo avançou 161 vezes, enquanto o número de criadores afiliados que efetivamente realizaram vendas aumentou 46 vezes.</p>
<p>O avanço começa a modificar a maneira como <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340517">empresas</a> de moda, beleza e bens de consumo distribuem seus investimentos no comércio digital. Riachuelo e Natura estão entre as companhias que passaram a usar a plataforma não apenas como espaço de publicidade, mas como um canal onde conteúdo, indicação de produtos e pagamento acontecem praticamente na mesma jornada. Ao mesmo tempo, pequenas empresas descobriram uma forma de colocar centenas ou milhares de criadores para vender seus produtos em troca de comissões, sem precisar montar uma força comercial equivalente.</p>
<p>É essa combinação que distingue o TikTok Shop dos marketplaces tradicionais. Em uma loja virtual convencional, o consumidor normalmente começa a jornada sabendo que pretende comprar alguma coisa. No TikTok, a venda pode nascer enquanto ele assiste a um vídeo sem qualquer intenção prévia de consumo. Um produto aparece no conteúdo recomendado pelo algoritmo, é demonstrado por um criador e pode ser comprado dentro do próprio aplicativo, reduzindo o intervalo entre descoberta e pagamento.</p>
<h2>Plataforma tenta transformar atenção em venda</h2>
<p>O TikTok Shop estreou oficialmente no Brasil em 8 de maio de 2025. Desde o início, a companhia apresentou a operação como parte de um modelo de “compra por descoberta”, no qual entretenimento e comércio deixam de funcionar como etapas separadas.</p>
<p>A diferença fica mais clara quando comparada à busca tradicional de um marketplace. Quem entra em uma plataforma para procurar um tênis, um eletrodoméstico ou um perfume já possui alguma intenção de compra. No TikTok, o produto pode chegar primeiro ao consumidor por meio de um vídeo de maquiagem, uma receita, uma rotina de exercícios ou uma transmissão ao vivo.</p>
<p>Essa lógica dá à plataforma uma vantagem importante: ela já possui a audiência antes de precisar conquistar a venda. O desafio é transformar parte do tempo que os usuários passam consumindo conteúdo em transações comerciais sem comprometer a experiência que originalmente os levou ao aplicativo.</p>
<p>Uma pesquisa realizada pelo próprio TikTok com cerca de 17 mil usuários indicou que 57,8% dos entrevistados concluíram compras no TikTok Shop depois de descobrir o produto dentro da plataforma. O levantamento é da própria companhia e, portanto, deve ser entendido dentro desse contexto, mas ajuda a explicar por que empresas passaram a dedicar estruturas específicas ao canal.</p>
<h2>Influenciador ganha função de vendedor</h2>
<p>A maior transformação ocorre no papel ocupado pelos criadores de conteúdo. O influenciador deixa de ser apenas alguém contratado para apresentar uma marca e passa a participar diretamente da venda. Produtos podem ser vinculados aos vídeos e às transmissões, e o criador recebe uma comissão quando um consumidor compra a partir daquele conteúdo.</p>
<p>No primeiro ano do TikTok Shop no Brasil, a média de criadores afiliados ativos cresceu 46 vezes. A própria definição utilizada pela plataforma considera ativo quem realizou ao menos uma venda, o que diferencia esse grupo dos perfis que apenas produzem conteúdo ou participam de campanhas publicitárias.</p>
<p>Para uma empresa, esse sistema cria uma espécie de força de vendas distribuída. Uma marca pode disponibilizar produtos para uma grande quantidade de criadores e remunerar parte deles de acordo com o resultado obtido. Isso altera a lógica de campanhas em que o pagamento ao influenciador ocorre antecipadamente, independentemente de quantas vendas serão geradas.</p>
<p>O modelo também reduz a importância do tamanho absoluto da audiência. Um criador com uma comunidade pequena, mas muito envolvida com determinado assunto, pode gerar mais conversões do que um perfil muito maior e menos especializado. O desempenho passa a depender não apenas de alcance, mas da capacidade de transformar confiança em compra.</p>
<h2>Lives viram uma nova versão da demonstração de loja</h2>
<p>As transmissões ao vivo ganharam importância particular nesse sistema. Entre maio de 2025 e maio de 2026, a quantidade média diária de lives comerciais no TikTok Shop cresceu 20 vezes, enquanto o valor bruto médio diário de mercadorias vendido por meio delas avançou 161 vezes.</p>
<p>O crescimento muito superior das vendas em relação ao número de transmissões sugere que as lives também ganharam eficiência comercial à medida que vendedores, marcas e criadores aprenderam a utilizar o formato. Produtos são demonstrados, dúvidas são respondidas em tempo real e descontos podem ser oferecidos durante a transmissão.</p>
<p>A dinâmica recupera elementos antigos do comércio. Um bom vendedor sempre soube que explicar um produto, mostrar como ele funciona e estabelecer uma relação de confiança aumenta a chance de fechar o negócio. A diferença é que, em uma live, essa conversa pode ocorrer simultaneamente com milhares de consumidores.</p>
<p>O formato ganhou maior espaço principalmente em categorias que se beneficiam da demonstração visual, como cosméticos, moda, itens para casa e produtos de uso cotidiano. Nesses segmentos, o consumidor consegue ver a aplicação, o tamanho, a textura ou o funcionamento antes de decidir pela compra.</p>
<h2>Riachuelo integra criadores à estratégia de venda</h2>
<p>A Riachuelo esteve entre as primeiras grandes marcas brasileiras de moda a operar no TikTok Shop e criou uma estrutura específica voltada a criadores afiliados. A varejista mantém um portal com produtos, orientações e campanhas para quem produz conteúdo e comercializa itens da companhia dentro da plataforma.</p>
<p>No primeiro ano do TikTok Shop, dados divulgados pela própria rede social apontavam mais de 130 mil pedidos da Riachuelo no canal. Produtos de moda feminina, acessórios e itens da Casa Riachuelo apareceram entre aqueles que ganharam maior tração.</p>
<p>A companhia também passou a utilizar o formato para marcas administradas pelo grupo. Em uma campanha da Carter&#8217;s, 178 criadores participaram da ação, produzindo centenas de vídeos e acumulando mais de 1.900 horas de transmissões ao vivo. Durante a ativação, as vendas ficaram oito vezes acima do período utilizado como referência e as buscas pela marca cresceram 26%.</p>
<p>O resultado ilustra um dos motivos pelos quais varejistas tradicionais passaram a olhar o TikTok Shop de maneira diferente. Mesmo quando uma compra não ocorre imediatamente dentro da plataforma, o conteúdo pode aumentar a procura pela marca e produzir vendas em outros canais.</p>
<h2>Natura leva a venda direta para dentro das redes sociais</h2>
<p>A Natura encontrou no TikTok Shop uma oportunidade de atualizar um modelo que já fazia parte de sua operação havia décadas: a venda por recomendação. Em vez de abandonar a figura da consultora, a companhia passou a estimular parte dessa rede a produzir conteúdo e atuar também como criadora digital.</p>
<p>No relatório anual referente a 2025, a Natura informa ter sido a primeira empresa de beleza a atuar como vendedora no TikTok Shop brasileiro. Segundo a companhia, 70% das transações realizadas no canal vieram de novos consumidores, e mais de 52 mil transmissões ao vivo foram realizadas ao longo do período.</p>
<p>A estratégia está ligada ao programa Criadores da Beleza, desenvolvido para ampliar a presença digital das consultoras de Natura e Avon. A companhia informa que 43% dos pedidos das duas marcas já são impulsionados por conteúdo digital, percentual que se refere à estratégia mais ampla de social commerce e não exclusivamente às vendas do TikTok Shop.</p>
<p>O movimento é significativo porque atualiza sem eliminar a lógica da venda direta. A recomendação pessoal continua sendo importante, mas deixa de estar restrita ao círculo de conhecidos da consultora e pode alcançar uma audiência muito maior por meio do algoritmo.</p>
<h2>Pequenas empresas encontram uma rede comercial pronta</h2>
<p>O mesmo mecanismo que atrai grandes grupos abriu espaço para empresas de menor porte. Um lojista que dificilmente teria orçamento para contratar dezenas de influenciadores de grande alcance pode trabalhar com um grande número de afiliados menores e pagar comissões conforme as vendas efetivamente realizadas.</p>
<p>O TikTok cita a BigHome Brasil, do segmento de produtos para casa, como um dos casos de crescimento acelerado. A empresa começou a operar na plataforma em dezembro de 2025 e já acumulava R$ 17 milhões em vendas no TikTok Shop em 2026 quando os resultados do primeiro ano foram divulgados. Segundo a plataforma, o canal passou a gerar faturamento cinco vezes superior ao segundo maior canal da companhia.</p>
<p>Outro caso divulgado pelo TikTok é o da Moderna, que passou a obter 60% de suas vendas por meio do TikTok Shop e reuniu mais de 9 mil afiliados ativos. A operação chegou a movimentar mais de 10 mil unidades por dia.</p>
<p>São exemplos selecionados pela própria plataforma e, portanto, não devem ser interpretados como desempenho médio de todas as empresas presentes no aplicativo. Eles mostram, contudo, o tipo de escala que o modelo de afiliados pode proporcionar quando um produto consegue ganhar distribuição entre diferentes criadores.</p>
<h2>Crescimento traz uma nova indústria de serviços</h2>
<p>A expansão também criou espaço para <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340518">negócios</a> que não vendem diretamente ao consumidor. Agências, estúdios e empresas especializadas passaram a administrar transmissões ao vivo, selecionar influenciadores, produzir roteiros, organizar vitrines digitais e acompanhar o desempenho de afiliados.</p>
<p>A profissionalização é consequência natural da complexidade que aparece quando uma operação passa a movimentar volumes relevantes. Vender por uma transmissão de várias horas exige equipe, estoque disponível, atendimento, definição de descontos, análise de desempenho e integração com a logística.</p>
<p>Para os criadores, o modelo abriu uma nova forma de remuneração que não depende apenas de contratos publicitários. O próprio TikTok divulga exemplos de perfis que ultrapassaram R$ 1 milhão em valor bruto de mercadorias vendido por meio de seus conteúdos.</p>
<p>O valor movimentado pelo criador não equivale ao que ele recebe. A remuneração depende da comissão estabelecida para cada produto, mas o surgimento desse <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340519">mercado</a> mostra como a fronteira entre mídia, entretenimento e varejo está ficando menos definida.</p>
<h2>Mercado ainda é muito maior que o TikTok Shop</h2>
<p>O crescimento acelerado não significa que o TikTok esteja próximo de substituir os grandes marketplaces. Mercado Livre, Amazon e Shopee construíram durante anos estruturas de tecnologia, pagamentos, logística e atendimento que permitem processar enormes volumes de pedidos em todo o país.</p>
<p>A diferença está no ponto de partida. Essas companhias são procuradas principalmente quando o consumidor quer comprar. O TikTok tenta participar da etapa anterior, quando ele ainda está formando sua preferência.</p>
<p>Essa capacidade pode se tornar especialmente valiosa em categorias dependentes de descoberta, tendências e recomendação. Um perfume, um produto de maquiagem ou uma peça de roupa pode ganhar demanda rapidamente depois de aparecer repetidamente em conteúdos distribuídos pelo algoritmo.</p>
<p>Por outro lado, quanto mais o TikTok Shop cresce, maior se torna a necessidade de oferecer a mesma confiança esperada de qualquer grande plataforma de comércio eletrônico. Prazo de entrega, qualidade dos vendedores, devoluções, segurança das transações e atendimento passam a ter peso equivalente ao poder de recomendação do algoritmo.</p>
<h2>TikTok passa a disputar orçamento das grandes marcas</h2>
<p>A mudança mais importante talvez não esteja no volume vendido atualmente, mas na reorganização do orçamento das empresas. Dinheiro que antes seria dividido entre publicidade em redes sociais, campanhas com influenciadores e investimentos em marketplaces pode agora ser direcionado para uma operação capaz de reunir as três atividades.</p>
<p>Isso explica por que marcas com sites próprios e presença consolidada em outras plataformas continuam investindo no TikTok Shop. A questão deixou de ser apenas onde o consumidor conclui a compra. Passou a envolver também onde ele conhece o produto, recebe a recomendação e toma a decisão.</p>
<p>Para o varejo, essa mudança exige aprender a produzir conteúdo com a mesma disciplina usada para administrar estoque, preço ou logística. Um vídeo deixa de ser apenas uma peça de comunicação e passa a ter capacidade direta de gerar receita.</p>
<p>Em pouco mais de um ano, o TikTok Shop ainda não alterou a liderança do comércio eletrônico brasileiro, mas já conseguiu modificar a estratégia de empresas que operam nele. Ao transformar influenciadores em vendedores e vídeos em vitrines com botão de compra, a plataforma colocou a disputa pela atenção do consumidor dentro do próprio processo de venda.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>TikTok — dados do primeiro ano de operação do TikTok Shop no Brasil</em></p>
<p><em>TikTok Shop Brasil — informações sobre compra por descoberta, criadores afiliados, live commerce e vendedores</em></p>
<p><em>Natura — Relatório Anual 2025 e informações sobre social commerce e TikTok Shop</em></p>
<p><em>Riachuelo — Portal de Criadores TikTok Shop e informações sobre a estratégia de afiliados</em></p>
<p><em>BTG Pactual — análises sobre o avanço do TikTok Shop e o comércio eletrônico brasileiro</em></p>
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			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Antônio Lima</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[Pix ultrapassa 1 bilhão de chaves e ganha 88 milhões de cadastros em 2026]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/pix-ultrapassa-1-bilhao-chaves-setembro-2026" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533144</id>
		<updated>2026-10-09T06:29:33Z</updated>
		<published>2026-10-09T06:30:55Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Economia" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Banco Central" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="bancos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="chaves Pix" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="DICT" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="economia digital" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="fintechs" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="meios de pagamento" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="pagamentos instantâneos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="PIX" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="sistema financeiro" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Número de chaves PIX ultrapassa marca de 1 bilhão em setembro, revela Banco Central Números do BC mostram um crescimento de cerca de 80 milhões de chaves neste ano. Mais da metade das chaves são…</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/pix-ultrapassa-1-bilhao-chaves-setembro-2026"><![CDATA[<p>O Pix ultrapassou pela primeira vez a marca de 1 bilhão de chaves cadastradas no Brasil. O sistema encerrou setembro com 1,008 bilhão de registros no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais do Banco Central, contra aproximadamente 998 milhões em agosto e 920 milhões no fim de 2025. Em nove meses, portanto, foram adicionadas cerca de 88 milhões de chaves, crescimento de aproximadamente 9,6%.</p>
<p>O avanço de setembro também foi expressivo isoladamente. Em apenas um mês, o estoque aumentou em cerca de 10 milhões de registros, o equivalente a uma expansão próxima de 1%. Pessoas físicas concentram praticamente todo o cadastro: são 956,7 milhões de chaves, ou quase 95% do total. As pessoas jurídicas possuem outras 51,2 milhões.</p>
<p>A marca de 1 bilhão não significa que o país tenha esse número de usuários. Uma mesma pessoa pode cadastrar diversas chaves em contas e instituições diferentes. Para pessoas físicas, o Banco Central permite até cinco chaves por conta; para <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340516">empresas</a>, o limite chega a 20 por conta. O número deve ser interpretado, portanto, como uma medida da disseminação do Pix pelo sistema bancário, e não como quantidade de brasileiros utilizando o serviço.</p>
<h2>Número equivale a quase cinco chaves para cada habitante</h2>
<p>Tomando como referência a estimativa do IBGE de 214,2 milhões de habitantes em 2026, o estoque de 1,008 bilhão de chaves corresponde matematicamente a aproximadamente 4,7 registros para cada morador do país. A comparação ajuda a mostrar o tamanho alcançado pelo sistema, mas não representa a quantidade média efetivamente mantida por cada brasileiro, já que empresas também possuem chaves e uma mesma pessoa pode concentrar diversos registros.</p>
<p>As chaves funcionam como identificadores associados às contas bancárias e permitem que uma transferência seja iniciada sem que o pagador tenha de informar agência, número da conta e demais dados do recebedor. CPF ou CNPJ, número de celular, endereço de e-mail e códigos aleatórios podem desempenhar essa função.</p>
<p>O cadastro da chave não é obrigatório para utilizar o Pix. Segundo o Banco Central, uma transferência também pode ser feita utilizando os dados completos da conta, embora o registro de uma chave simplifique o envio e o recebimento de recursos. A expansão do estoque mostra justamente como essa facilidade acabou se tornando a principal forma de identificação utilizada pelos clientes.</p>
<h2>Chaves aleatórias já passam de 526 milhões</h2>
<p>O tipo mais utilizado é a chave aleatória. Em setembro, eram aproximadamente 526,8 milhões de registros desse tipo, correspondentes a 52,3% de todas as chaves Pix existentes no país. Sozinhas, portanto, as chaves geradas automaticamente pelo sistema representam mais da metade do estoque nacional.</p>
<p>O número de celular aparece em segundo lugar, com cerca de 166,3 milhões de cadastros, ou 16,5% do total. As chaves vinculadas ao CPF somam aproximadamente 153,9 milhões, equivalentes a 15,3%, enquanto os endereços de e-mail respondem por cerca de 144,6 milhões, ou 14,3%.</p>
<p>A predominância das chaves aleatórias está relacionada também à possibilidade de receber recursos sem precisar compartilhar CPF, telefone ou endereço eletrônico com quem realiza o pagamento. O código é gerado pelo próprio Diretório de Identificadores de Contas Transacionais e funciona apenas como referência para localizar a conta associada.</p>
<p>Somados, códigos aleatórios, telefones, CPFs e e-mails respondem por quase todo o estoque de chaves do país. Os demais registros estão relacionados principalmente às modalidades utilizadas por pessoas jurídicas, incluindo CNPJs.</p>
<h2>Pessoas físicas concentram 95% dos registros</h2>
<p>Dos pouco mais de 1 bilhão de cadastros existentes em setembro, aproximadamente 956,7 milhões pertencem a pessoas físicas. Isso corresponde a cerca de 94,9% do total. As pessoas jurídicas possuem 51,2 milhões, participação próxima de 5,1%.</p>
<p>A diferença reflete tanto a quantidade muito maior de pessoas em relação às empresas quanto a possibilidade de um mesmo consumidor possuir contas em diferentes instituições financeiras. Cada conta pode ter seu próprio conjunto de chaves dentro dos limites estabelecidos pelo Banco Central.</p>
<p>Uma mesma chave, entretanto, não pode apontar simultaneamente para duas contas. Se um número de telefone ou CPF estiver associado a determinado banco, por exemplo, ele precisa passar por um processo de portabilidade para ser utilizado como identificador em outra instituição. Essa característica é administrada pelo DICT, a infraestrutura mantida pelo Banco Central para centralizar as informações das chaves.</p>
<p>Para o usuário, a multiplicação dos registros tornou comum manter diferentes identificadores para diferentes contas. Uma pessoa pode utilizar o CPF em uma instituição, o telefone em outra e chaves aleatórias em contas adicionais, o que ajuda a explicar por que o estoque cresce em ritmo muito superior ao da própria população.</p>
<h2>Pix já alcança mais de 170 milhões de pessoas</h2>
<p>O crescimento das chaves ocorre depois de o Pix se consolidar como um dos principais meios de pagamento do país. Dados divulgados pelo Banco Central indicam que mais de 170 milhões de pessoas físicas já utilizaram o sistema para enviar ou receber recursos, o equivalente a aproximadamente 80% da população brasileira.</p>
<p>O volume de operações também alcançou uma escala muito superior à observada nos primeiros anos. Em maio de 2026, por exemplo, foram realizadas mais de 7 bilhões de transações Pix, movimentando mais de R$ 3 trilhões em um único mês. O recorde diário permanece acima de 313 milhões de operações, alcançado em dezembro de 2025.</p>
<p>A diferença entre os mais de 170 milhões de usuários e o 1 bilhão de chaves reforça por que as duas estatísticas medem fenômenos diferentes. O primeiro indicador mostra quantas pessoas já participaram de uma operação; o segundo contabiliza todos os identificadores mantidos nas diversas contas existentes no sistema.</p>
<p>O crescimento contínuo dos cadastros indica também que a expansão do Pix não depende apenas da chegada de novos usuários. Pessoas que já utilizavam o sistema continuam criando chaves em outras contas ou adotando identificadores adicionais, enquanto empresas ampliam o uso do meio de pagamento nas relações com consumidores e fornecedores.</p>
<h2>Sistema ganhou 88 milhões de chaves em nove meses</h2>
<p>A comparação com dezembro mostra que a expansão permanece forte mesmo depois de quase seis anos de funcionamento do Pix. O estoque passou de aproximadamente 920 milhões no encerramento de 2025 para 1,008 bilhão em setembro, diferença de 88 milhões de registros.</p>
<p>Considerando os nove meses do período, isso equivale a uma adição média próxima de 9,8 milhões de chaves por mês. Mantido apenas como referência matemática, esse ritmo significa que o sistema incorporou diariamente mais de 320 mil novos registros líquidos ao estoque.</p>
<p>A expansão não deve ser confundida com a quantidade bruta de novas chaves criadas. Durante o mesmo período, usuários também podem excluir, transferir ou substituir cadastros. O dado do Banco Central representa o estoque existente no último dia de cada mês, ou seja, o resultado líquido dessas movimentações.</p>
<p>É justamente esse estoque que ultrapassou 1 bilhão em setembro. A marca mostra que, mesmo depois de o Pix atingir praticamente todos os segmentos do sistema financeiro brasileiro, a estrutura de identificação associada ao serviço continua crescendo.</p>
<h2>Marca mostra dimensão alcançada pelo Pix no sistema financeiro</h2>
<p>Criado pelo Banco Central e lançado ao público em novembro de 2020, o Pix mudou em poucos anos a maneira como pessoas e empresas movimentam recursos. A disponibilidade durante 24 horas por dia, inclusive em fins de semana e feriados, reduziu a dependência de instrumentos tradicionais de transferência e tornou pagamentos instantâneos parte da rotina de consumidores e estabelecimentos.</p>
<p>Desde então, novas funcionalidades ampliaram o alcance do sistema para além das transferências entre pessoas. Pix Cobrança, Pix Saque, Pix Troco e Pix Automático aproximaram a infraestrutura de diferentes modalidades de pagamento anteriormente atendidas por boletos, cartões, débito automático e outros instrumentos.</p>
<p>O estoque superior a 1 bilhão de chaves acrescenta uma nova dimensão a essa expansão. Não se trata de 1 bilhão de clientes diferentes, mas de mais de 1 bilhão de identificadores conectando usuários, empresas, contas e instituições financeiras dentro da mesma infraestrutura.</p>
<p>Com mais de 170 milhões de pessoas físicas já tendo realizado operações e 1,008 bilhão de chaves registradas, o Pix entra no último trimestre de 2026 com uma escala que seria difícil de antecipar quando começou a funcionar, há menos de seis anos.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Banco Central do Brasil — Estatísticas do Pix e estoque de chaves cadastradas no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil — informações e regras sobre cadastro e funcionamento das chaves Pix</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil — estatísticas de usuários, transações e volume financeiro do Pix</em></p>
<p><em>Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — Estimativas da População 2026</em></p>
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]]></content>
		
			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Júlia Campos</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[Datafolha: Flávio tem 52% e Lula 48% nos votos válidos do 2º turno]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/datafolha-flavio-52-lula-48-segundo-turno" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533173</id>
		<updated>2026-10-09T02:36:39Z</updated>
		<published>2026-10-09T02:36:39Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Política" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Datafolha" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="eleição presidencial" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Eleições 2026" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Flávio Bolsonaro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="intenção de voto" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Lula" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="pesquisa eleitoral" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="segundo turno" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="TSE" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="votos válidos" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>A primeira pesquisa Datafolha realizada depois da definição do segundo turno mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 52% das intenções de voto válidas e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48%. O levantamento, divulgado nesta quinta-feira, 8 de outubro, apresenta uma diferença numérica de quatro pontos percentuais entre os dois candidatos, exatamente o dobro da [&#8230;]</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/datafolha-flavio-52-lula-48-segundo-turno"><![CDATA[<p>A primeira pesquisa Datafolha realizada depois da definição do segundo turno mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 52% das intenções de voto válidas e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48%. O levantamento, divulgado nesta quinta-feira, 8 de outubro, apresenta uma diferença numérica de quatro pontos percentuais entre os dois candidatos, exatamente o dobro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. Com isso, os intervalos possíveis dos dois resultados se encontram no limite da margem.</p>
<p>Nos votos totais, antes da exclusão de brancos, nulos e indecisos, Flávio registra 49% e Lula, 45%. Outros 5% dos entrevistados afirmam que pretendem votar em branco ou anular o voto, enquanto 1% ainda não sabe em quem votar. A pesquisa ouviu 2.520 eleitores em 153 municípios entre os dias 6 e 7 de outubro e foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-02949/2026.</p>
<p>Os votos válidos são calculados excluindo brancos, nulos e indecisos, metodologia semelhante à utilizada pela Justiça Eleitoral para definir o resultado da eleição. Quando apenas os entrevistados que indicam voto em um dos dois candidatos são considerados, os 49% de Flávio e os 45% de Lula se transformam, pelo arredondamento, nos 52% a 48% divulgados pelo Datafolha.</p>
<p>O levantamento mostra uma disputa apertada e ainda sujeita a alterações até o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Pesquisa eleitoral é uma fotografia das intenções declaradas no momento das entrevistas e não uma previsão do resultado das urnas.</p>
<h2>Flávio amplia numericamente diferença registrada no primeiro turno</h2>
<p>A pesquisa é divulgada quatro dias depois de Flávio terminar o primeiro turno na primeira colocação. Segundo a apuração oficial da Justiça Eleitoral, o candidato do PL recebeu 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 53.876.617 votos, ou 45,16%.</p>
<p>A diferença entre os dois nas urnas foi de 1,87 ponto percentual, correspondente a aproximadamente 2,23 milhões de votos. No novo Datafolha, a distância numérica entre os candidatos aparece em quatro pontos entre os votos válidos e também em quatro pontos na medição sobre o total dos entrevistados.</p>
<p>Os dois números, porém, não devem ser tratados como uma comparação direta de crescimento eleitoral. O primeiro é resultado efetivamente apurado nas urnas e o segundo é uma pesquisa realizada com uma amostra de eleitores. O dado relevante é que o primeiro levantamento do segundo turno mantém Flávio numericamente à frente, agora em uma disputa restrita aos dois candidatos.</p>
<h2>Apenas 1% ainda se declara indeciso</h2>
<p>Um dos aspectos mais relevantes da pesquisa é o tamanho reduzido do grupo que ainda não escolheu um candidato. Apenas 1% dos entrevistados se declara indeciso, enquanto 5% afirmam que votarão em branco ou anularão.</p>
<p>Isso significa que 94% dos entrevistados já apontam diretamente Flávio ou Lula como opção. O número sugere uma disputa em que boa parte do eleitorado chega ao início do segundo turno com posição declarada, deixando às campanhas menos espaço entre os eleitores que ainda não manifestaram preferência.</p>
<p>Esse quadro não significa que o voto esteja definitivamente consolidado. Eleitores podem mudar de candidato, migrar para branco ou nulo ou deixar de comparecer até o dia da eleição. A baixa proporção de indecisos apenas mostra que, no momento da pesquisa, a maior parte dos entrevistados já indicava uma escolha.</p>
<p>A abstenção também pode assumir peso relevante. No primeiro turno, 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas, número equivalente a 21,08% do eleitorado. Como a diferença entre Flávio e Lula ficou em pouco mais de 2,2 milhões de votos, a capacidade de mobilizar eleitores que não votaram no primeiro turno passou a fazer parte da estratégia das duas campanhas.</p>
<h2>Eleitores dos candidatos eliminados aparecem divididos</h2>
<p>O Datafolha também investigou para onde estão migrando os votos dados no primeiro turno aos candidatos que ficaram fora da disputa. Entre os entrevistados que afirmaram ter votado em Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado ou Romeu Zema, 46% dizem agora preferir Flávio Bolsonaro e 32% afirmam que votarão em Lula.</p>
<p>A diferença nesse grupo é de 14 pontos percentuais. Outros 15% declaram intenção de votar em branco ou anular. A parcela restante se distribui entre outras respostas consideradas pelo levantamento.</p>
<p>A migração desses eleitores tem importância porque os candidatos eliminados concentraram uma quantidade de votos capaz de influenciar uma eleição apertada. Ao mesmo tempo, a transferência não ocorre necessariamente de forma automática a partir de declarações de apoio de partidos ou antigos adversários. A decisão continua sendo individual do eleitor.</p>
<p>O segundo turno também modifica a dinâmica da escolha porque deixa apenas duas alternativas de candidatura. Parte dos eleitores que apoiou nomes diferentes no primeiro turno passa a escolher entre Flávio e Lula, enquanto outra parcela pode optar pelo voto branco, nulo ou pela abstenção.</p>
<h2>Sudeste e Sul têm maior intenção de voto em Flávio</h2>
<p>Os recortes regionais mostram diferenças relevantes entre os eleitorados dos dois candidatos. No Sudeste, que representa 42% da amostra ponderada pelo Datafolha, Flávio aparece com 50% dos votos totais e Lula com 42%. No Sul, a diferença é maior: 58% a 35%.</p>
<p>Flávio também registra 56% entre os entrevistados com renda familiar de dois a cinco salários mínimos, contra 38% de Lula. Entre os evangélicos, o candidato do PL marca 69%, enquanto o presidente aparece com 25%.</p>
<p>Esses percentuais são medidos sobre subgrupos da amostra total e, por isso, possuem margens de erro próprias maiores do que a margem geral de dois pontos da pesquisa. Eles são úteis para identificar padrões de intenção de voto, mas não devem ser tratados com a mesma precisão estatística do resultado nacional.</p>
<p>Os números indicam que o candidato do PL chega ao início do segundo turno com desempenho mais forte em grupos que já tiveram peso importante no resultado da primeira votação.</p>
<h2>Lula mantém maior apoio entre Nordeste e baixa renda</h2>
<p>Lula continua apresentando seus melhores resultados entre os entrevistados de menor renda, no Nordeste, entre católicos e entre os eleitores com menor escolaridade.</p>
<p>Entre os 47% dos entrevistados situados na faixa de renda mais baixa considerada pelo levantamento, Lula registra 52% das intenções de voto, contra 41% de Flávio. Entre os eleitores de menor escolaridade, o presidente aparece com 55%, diante de 41% do adversário.</p>
<p>No Nordeste, Lula registra 61% e Flávio, 35%. Entre os católicos, o petista tem 53% das intenções contra 41% do candidato do PL.</p>
<p>O desenho reproduz divisões eleitorais já observadas no primeiro turno, com Lula mantendo desempenho mais forte no Nordeste e entre segmentos de renda inferior, enquanto Flávio apresenta percentuais maiores no Sul, em parte do Sudeste e entre os evangélicos.</p>
<h2>Rejeição dos dois candidatos permanece elevada</h2>
<p>Outro levantamento do Datafolha divulgado nesta quinta-feira mostra rejeição de 46% a Lula e de 43% a Flávio. Como a margem de erro geral é de dois pontos percentuais, também nesse indicador os resultados estão próximos.</p>
<p>A rejeição pode ganhar importância em um segundo turno porque o eleitor não escolhe apenas o candidato que prefere. Parte da decisão também pode ser determinada pela intenção de impedir a vitória do adversário.</p>
<p>Segundo o instituto, 25% dos eleitores de Flávio afirmam escolhê-lo com o objetivo de derrotar Lula. Entre os eleitores do presidente, 13% dizem votar nele principalmente para impedir uma vitória de Flávio.</p>
<p>A combinação de intenção de voto e rejeição mostra um eleitorado fortemente dividido, com as duas candidaturas chegando ao segundo turno com bases expressivas de apoio e resistência.</p>
<h2>Campanhas têm pouco mais de duas semanas para disputar votos</h2>
<p>O horário eleitoral do segundo turno começa nesta sexta-feira, 9 de outubro, e a votação ocorrerá no domingo, dia 25. Até lá, os candidatos terão pouco mais de duas semanas para tentar consolidar seus próprios eleitores, buscar quem votou em outras candidaturas e aumentar o comparecimento de segmentos nos quais apresentam melhor desempenho.</p>
<p>Flávio inicia essa etapa depois de terminar o primeiro turno à frente e receber manifestações de apoio de partidos e antigos adversários. Lula, por sua vez, reorganiza a campanha e tenta ampliar a mobilização de grupos nos quais obteve seus melhores resultados, especialmente entre eleitores de menor renda e no Nordeste.</p>
<p>O Datafolha mostra que a maior parte dos entrevistados já declara uma preferência e que o universo de indecisos é pequeno. Isso aumenta a importância tanto da eventual mudança de voto entre os que já escolheram um candidato quanto da mobilização para comparecer às urnas.</p>
<p>A fotografia desta quinta-feira é de Flávio com 52% e Lula com 48% dos votos válidos, uma diferença numérica de quatro pontos, com os intervalos das intenções de voto se encontrando no limite da margem de erro. Novos levantamentos serão necessários para mostrar se essa distância se mantém, aumenta ou diminui ao longo da campanha do segundo turno.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Datafolha — pesquisa de intenção de voto para o segundo turno da eleição presidencial, registro BR-02949/2026</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — resultado oficial do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026</em></p>
<p><em>Tribunal Superior Eleitoral — calendário eleitoral e regras para o segundo turno das Eleições Gerais de 2026</em></p>
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			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Letícia Nóbrega</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[Moraes manda prender Eduardo Bolsonaro para cumprir pena de 4 anos e 2 meses]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/moraes-manda-prender-eduardo-bolsonaro-pena" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533171</id>
		<updated>2026-10-08T22:22:59Z</updated>
		<published>2026-10-08T22:22:59Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Política" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Alexandre de Moraes" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="coação no curso do processo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Eduardo Bolsonaro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Estados Unidos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Jair Bolsonaro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mandado de prisão" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Polícia Federal" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="prisão de Eduardo Bolsonaro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="STF" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Supremo Tribunal Federal" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quinta-feira, 8 de outubro, a expedição de mandado de prisão contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro para o início do cumprimento da pena de quatro anos e dois meses de reclusão pelo crime de coação no curso do processo. A decisão foi tomada depois [&#8230;]</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/moraes-manda-prender-eduardo-bolsonaro-pena"><![CDATA[<p>O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quinta-feira, 8 de outubro, a expedição de mandado de prisão contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro para o início do cumprimento da pena de quatro anos e dois meses de reclusão pelo crime de coação no curso do processo. A decisão foi tomada depois do trânsito em julgado da ação penal, encerrando a fase de recursos dentro do processo que levou à condenação do ex-parlamentar.</p>
<p>Eduardo vive nos Estados Unidos desde 2025 e, por isso, a expedição do mandado não significa que a prisão será executada imediatamente. A ordem produz efeitos no Brasil e permite a prisão caso ele retorne ao território nacional, enquanto uma eventual detenção em solo americano dependeria dos mecanismos de cooperação jurídica entre os dois países e das providências que venham a ser adotadas pelas autoridades brasileiras.</p>
<p>Moraes também determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros de Eduardo, a inclusão do mandado no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões e a expedição da guia necessária ao cumprimento da pena. A condenação havia sido imposta em junho pela Primeira Turma do STF e mantida em setembro, quando o colegiado rejeitou por unanimidade o recurso apresentado contra a decisão.</p>
<h2>Pena será cumprida inicialmente no regime semiaberto</h2>
<p>A condenação estabeleceu pena de quatro anos e dois meses de prisão, equivalente a 50 meses, com início no regime semiaberto. Eduardo também foi condenado ao pagamento de 50 dias-multa, fixados pelo STF em dois salários mínimos para cada dia.</p>
<p>Na decisão desta quinta-feira, Moraes determinou que sejam tomadas as providências necessárias para colocar a sentença em execução. O passo é consequência do trânsito em julgado, situação processual em que não há mais recurso capaz de impedir o início do cumprimento da condenação dentro da ação penal.</p>
<p>O mandado foi destinado à Polícia Federal e deverá ser registrado no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões. O sistema reúne ordens judiciais relacionadas a prisões e permite que as autoridades responsáveis pelo cumprimento identifiquem a existência do mandado.</p>
<p>Como Eduardo permanece nos Estados Unidos, existe uma diferença entre a validade jurídica da ordem no Brasil e sua execução física. O mandado brasileiro, isoladamente, não obriga autoridades americanas a prendê-lo. Qualquer tentativa de trazê-lo ao país envolve procedimentos próprios de cooperação internacional.</p>
<h2>STF condenou Eduardo por coação no curso do processo</h2>
<p>A Primeira Turma do Supremo condenou Eduardo Bolsonaro em 16 de junho por unanimidade. Além de Moraes, relator da ação penal, votaram pela condenação Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.</p>
<p>Segundo a decisão do colegiado, ficou comprovado que Eduardo atuou nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e interferir no andamento do processo criminal em que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, era acusado pela tentativa de golpe de Estado.</p>
<p>A acusação sustentou que a atuação incluiu articulações para que o governo americano adotasse medidas contra o Brasil e contra autoridades envolvidas nos processos conduzidos pelo Supremo. Entre os episódios analisados estiveram a defesa de tarifas contra produtos brasileiros e de sanções direcionadas a integrantes da Corte.</p>
<p>O crime de coação no curso do processo ocorre quando alguém utiliza violência ou grave ameaça com a finalidade de favorecer interesse próprio ou de terceiros em processo judicial, administrativo, policial ou arbitral. No julgamento, o STF concluiu que as iniciativas atribuídas a Eduardo tiveram como objetivo pressionar o funcionamento do Judiciário brasileiro.</p>
<h2>Recurso foi rejeitado por 4 votos a 0</h2>
<p>A defesa tentou reverter a condenação, mas a Primeira Turma rejeitou o recurso em julgamento virtual encerrado em 18 de setembro. O resultado novamente foi unânime, com quatro votos pela manutenção da decisão.</p>
<p>Com o encerramento das possibilidades de recurso reconhecidas no processo, a ação transitou em julgado em 3 de outubro. Essa mudança de fase abriu caminho para que Moraes determinasse agora o início da execução da pena.</p>
<p>Até então, Eduardo estava condenado, mas ainda não havia iniciado formalmente o cumprimento da pena porque o processo seguia sujeito aos recursos cabíveis. A ordem desta quinta-feira altera essa situação: a condenação passou da fase de discussão judicial para a etapa de execução.</p>
<p>A diferença é juridicamente importante. O mandado expedido agora não tem natureza de prisão cautelar destinada a garantir uma investigação ou impedir riscos ao processo. Ele decorre de uma condenação definitiva e tem como finalidade executar uma pena estabelecida pelo Supremo.</p>
<h2>Passaportes brasileiros serão cancelados</h2>
<p>Além da prisão, Moraes determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros de Eduardo Bolsonaro. A medida restringe os documentos de viagem emitidos pelo Brasil, embora não signifique, por si só, que o ex-deputado ficará automaticamente impossibilitado de permanecer nos Estados Unidos.</p>
<p>Eduardo possui autorização de residência americana e está no país desde o início de 2025. Sua situação migratória nos Estados Unidos é regida pela legislação americana e não é decidida pelo STF brasileiro.</p>
<p>O cancelamento dos documentos brasileiros, portanto, deve ser analisado separadamente da situação migratória mantida perante o governo americano. Da mesma forma, eventual pedido brasileiro de extradição dependeria de procedimento próprio e seria submetido à análise das autoridades competentes nos Estados Unidos.</p>
<p>Não há, na decisão de Moraes, efeito automático que transfira às autoridades americanas a obrigação de executar diretamente o mandado emitido no Brasil.</p>
<h2>Condenação também teve efeitos políticos e funcionais</h2>
<p>A decisão da Primeira Turma em junho produziu consequências além da pena de prisão. O STF declarou a inelegibilidade de Eduardo e determinou a perda do cargo público de escrivão da Polícia Federal, que ele mantinha mesmo durante sua trajetória parlamentar.</p>
<p>A perda do mandato de deputado federal já havia ocorrido em contexto separado, depois que Eduardo permaneceu por longo período nos Estados Unidos e acumulou ausências na Câmara dos Deputados. Por isso, a ordem de prisão desta quinta-feira se refere ao ex-deputado, e não a um parlamentar em exercício.</p>
<p>Com a execução definitiva da condenação, também incidem os efeitos políticos associados à sentença durante o período previsto pela legislação e pela decisão judicial. A condição de condenado passa, portanto, a produzir consequências concretas independentemente de o mandado ser imediatamente executado em território americano.</p>
<p>A situação cria um cenário incomum: uma pena criminal definitiva foi colocada em execução no Brasil enquanto o condenado reside em outro país. O próximo passo dependerá das medidas adotadas pelas autoridades brasileiras e da eventual utilização dos instrumentos de cooperação disponíveis entre Brasil e Estados Unidos.</p>
<h2>Caso envolveu pressão sobre julgamento do ex-presidente</h2>
<p>A ação penal contra Eduardo nasceu das investigações sobre sua atuação nos Estados Unidos durante o processo envolvendo Jair Bolsonaro. Para a Procuradoria-Geral da República e, posteriormente, para a Primeira Turma do STF, houve tentativa de utilizar medidas econômicas e diplomáticas externas para influenciar decisões tomadas pelo Judiciário brasileiro.</p>
<p>O Supremo entendeu que a movimentação não se limitou a manifestações políticas ou críticas públicas à Corte. Na conclusão do julgamento, os ministros consideraram comprovada a intenção de produzir pressão sobre o processo judicial por meio da atuação junto ao governo americano.</p>
<p>A condenação por coação foi unânime tanto no julgamento de mérito quanto na apreciação do recurso posterior. Com o trânsito em julgado registrado em outubro, a discussão deixou de ser sobre a existência ou não da responsabilidade criminal reconhecida pelo STF e passou para a fase de execução da pena.</p>
<p>A ordem de Moraes desta quinta-feira é justamente o primeiro ato dessa nova etapa. O ex-deputado tem agora uma condenação definitiva de quatro anos e dois meses, mandado de prisão expedido no Brasil e passaportes brasileiros cancelados, enquanto permanece nos Estados Unidos.</p>
<h2>Prisão depende agora de onde Eduardo estiver</h2>
<p>Se Eduardo Bolsonaro entrar no Brasil, o mandado poderá ser cumprido pelas autoridades responsáveis. Enquanto permanecer em território americano, entretanto, o caminho é mais complexo e envolve decisões que não estão sob controle exclusivo do STF.</p>
<p>Brasil e Estados Unidos possuem instrumentos de cooperação em matéria criminal, mas um eventual procedimento de extradição possui etapas administrativas e judiciais próprias. A existência de um mandado brasileiro não equivale automaticamente a uma ordem executável pela polícia americana.</p>
<p>Esse ponto diferencia o impacto jurídico imediato da decisão de seu resultado prático. No Brasil, o processo entrou formalmente na fase de execução e o mandado já pode ser cumprido. No exterior, qualquer avanço dependerá dos procedimentos internacionais que venham a ser acionados.</p>
<p>Por isso, a decisão desta quinta-feira resolve a situação processual interna de Eduardo Bolsonaro, mas não determina quando — ou em que circunstâncias — a pena começará a ser cumprida fisicamente. O fato novo é que, a partir de agora, a condenação deixou de estar apenas registrada no processo: há uma ordem formal de prisão destinada à execução dos quatro anos e dois meses impostos pelo Supremo.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Supremo Tribunal Federal — Ação Penal 2.782 e decisão de execução da pena de Eduardo Bolsonaro</em></p>
<p><em>Supremo Tribunal Federal — julgamento da Primeira Turma que condenou Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo</em></p>
<p><em>Supremo Tribunal Federal — julgamento dos recursos apresentados contra a condenação</em></p>
<p><em>Procuradoria-Geral da República — acusação apresentada no processo por coação no curso do processo</em></p>
<p><em>Conselho Nacional de Justiça — Banco Nacional de Monitoramento de Prisões</em></p>
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			</entry>
		<entry>
		<author>
			<name>Bruno Assis</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[Endividamento das famílias cai pela primeira vez em 2026, inadimplência recua]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/endividamento-familias-cai-81-7-inadimplencia-setembro" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533145</id>
		<updated>2026-10-08T21:31:46Z</updated>
		<published>2026-10-08T21:29:40Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Economia" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="cartão de crédito" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="CNC" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="consumo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="crédito" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="dívidas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="endividamento das famílias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Inadimplência" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="orçamento doméstico" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Peic" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="renda familiar" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Endividamento das famílias cai pela 1ª vez no ano; inadimplência recua nas menores rendas e cresce nas maiores Inadimplência caiu de 38,8% para 38,5% entre famílias que ganham até 3 salários mínimos, mas subiu de…</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/endividamento-familias-cai-81-7-inadimplencia-setembro"><![CDATA[<p>O endividamento das famílias brasileiras caiu pela primeira vez em 2026 e foi acompanhado por uma redução da inadimplência, interrompendo uma sequência de meses em que o orçamento doméstico vinha mostrando sinais de maior pressão. A parcela de famílias com algum compromisso financeiro a vencer passou de 82% em agosto para 81,7% em setembro, enquanto o percentual com contas em atraso caiu de 29,9% para 29,6%, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, a Peic, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. O resultado ainda representa uma melhora moderada, mas ganha relevância por ocorrer justamente entre as famílias de menor renda, que concentram os maiores índices de dificuldade para manter os pagamentos em dia.</p>
<p>Outros indicadores reforçam esse movimento. A proporção de famílias que se consideram muito endividadas recuou de 17,9% para 17,3%, enquanto aumentou o grupo que declarou não possuir dívidas a vencer. Ao mesmo tempo, a inadimplência ficou abaixo dos 30,5% registrados em setembro de 2025, sinalizando uma melhora também na comparação anual. A expectativa da CNC é de que o endividamento termine 2026 próximo de 81,5%, o que indicaria estabilidade nos últimos meses do ano após a alta observada desde dezembro.</p>
<p>A pesquisa, no entanto, também mostra que a recuperação não ocorre da mesma forma para todos os consumidores. Entre aqueles que continuam inadimplentes, o tempo médio das dívidas em atraso aumentou e quase metade das contas vencidas já supera 90 dias. O quadro de setembro é, portanto, de melhora nos indicadores gerais, mas ainda com uma parcela relevante das famílias enfrentando dificuldades prolongadas para reorganizar o orçamento.</p>
<h2>Primeira queda do ano interrompe avanço iniciado em dezembro</h2>
<p>O endividamento havia encerrado dezembro de 2025 em 80,9% e avançou ao longo dos primeiros meses de 2026, até atingir 82,2% em abril e maio. Depois de permanecer próximo desse patamar durante boa parte do ano, setembro marcou a primeira redução em relação ao mês imediatamente anterior. A queda de 0,3 ponto percentual é pequena em termos absolutos, mas interrompe uma trajetória que vinha sendo acompanhada com atenção por economistas e pelo comércio, já que o nível de dívidas influencia diretamente a capacidade de consumo das famílias.</p>
<p>A própria definição de endividamento ajuda a dimensionar o resultado. A Peic considera como endividada qualquer família que tenha compromissos financeiros a vencer, incluindo cartão de crédito, cheque especial, carnês, empréstimos, crédito consignado e financiamentos. Isso significa que uma família pode estar endividada sem apresentar qualquer dificuldade financeira, desde que continue pagando normalmente suas prestações. A inadimplência, por outro lado, aparece quando essas contas deixam de ser quitadas no prazo.</p>
<p>Por isso, a combinação observada em setembro é mais favorável do que uma simples redução do endividamento. Ao mesmo tempo em que diminuiu a parcela de famílias com dívidas, caiu também o percentual daquelas que estavam efetivamente com pagamentos atrasados. É essa dupla movimentação que torna o resultado mais positivo do que o observado em meses anteriores.</p>
<h2>Inadimplência caiu em três das quatro faixas de renda</h2>
<p>A melhora das contas atrasadas foi disseminada pela maior parte das faixas de renda analisadas. Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, a inadimplência caiu de 38,8% em agosto para 38,5% em setembro. Na faixa entre três e cinco salários mínimos, o percentual passou de 28% para 27,8%, enquanto entre aquelas com renda de cinco a dez salários mínimos houve redução de 20,3% para 20,2%.</p>
<p>A única alta foi registrada entre famílias com renda superior a dez salários mínimos, onde a inadimplência passou de 14,9% para 15%. A variação, de apenas 0,1 ponto percentual, foi pequena e mantém esse grupo com o menor nível de contas em atraso entre as quatro faixas pesquisadas. Ainda assim, o comportamento diferente mostra que o movimento de melhora não foi uniforme.</p>
<p>Entre as famílias de menor renda, a redução ganha importância porque ocorre sobre uma base muito mais elevada de inadimplência. Mesmo depois da queda, 38,5% das famílias que recebem até três salários mínimos continuam com contas vencidas, mais que o dobro dos 15% observados entre aquelas que ganham acima de dez salários. A diferença mostra que a recuperação do crédito doméstico ainda convive com uma desigualdade acentuada na capacidade de pagamento.</p>
<h2>Menor renda também puxou redução do endividamento</h2>
<p>O movimento positivo aparece também quando se considera o conjunto das dívidas, e não apenas aquelas em atraso. Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, o endividamento recuou de 85,1% para 84,6%. Na faixa entre três e cinco salários mínimos, caiu de 83,7% para 83,3%, enquanto entre aquelas com renda superior a dez salários passou de 72,3% para 71,9%.</p>
<p>A exceção ocorreu entre as famílias que recebem de cinco a dez salários mínimos, onde a parcela de endividados subiu de 77,2% para 77,9%. Apesar dessa alta, a melhora registrada nas demais faixas foi suficiente para reduzir o indicador nacional e produzir a primeira queda mensal de 2026.</p>
<p>O comportamento das famílias de renda mais baixa merece atenção porque esse grupo costuma ser mais sensível às oscilações no preço dos alimentos, transporte, energia e outros gastos essenciais. Quando há melhora simultânea do emprego, da renda ou da capacidade de reorganizar compromissos financeiros, o efeito pode aparecer rapidamente na inadimplência, mesmo que o nível total de endividamento continue alto.</p>
<h2>Mais famílias chegam a setembro sem dívidas a vencer</h2>
<p>Outro dado favorável da pesquisa foi o crescimento da proporção de famílias que não possuem dívidas a vencer. O percentual passou de 17,4% em agosto para 18,1% em setembro, uma alta de 0,7 ponto percentual em apenas um mês. Esse movimento foi acompanhado pela redução da parcela que se considera muito endividada, de 17,9% para 17,3%.</p>
<p>A combinação dos dois indicadores sugere uma pequena melhora na organização financeira dos consumidores. Cresceu o número de famílias sem compromissos futuros e diminuiu o grupo que considera excessivo o próprio nível de dívidas. O percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar as contas atrasadas permaneceu em 12,5%, abaixo dos 13% registrados no mesmo período do ano passado.</p>
<p>Embora não seja possível atribuir essa melhora a um único fator, a manutenção de um <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340515">mercado</a> de trabalho relativamente forte contribui para dar maior previsibilidade à renda e facilita o planejamento dos pagamentos. Para famílias que já carregam prestações de cartão, financiamentos ou empréstimos, a segurança sobre a entrada de recursos no mês seguinte pode ser tão importante quanto o próprio valor da renda.</p>
<h2>Orçamento continua pressionado apesar da melhora</h2>
<p>A queda do endividamento não significa que as famílias brasileiras estejam livres da pressão financeira. Em média, 29,6% da renda mensal continua comprometida com o pagamento de dívidas, e para 19,4% das famílias esse percentual supera a metade de todos os rendimentos disponíveis no mês.</p>
<p>O dado mostra que quase uma em cada cinco famílias entra no mês com mais de 50% da renda já destinada a compromissos financeiros. Quanto maior essa parcela, menor é a margem para enfrentar gastos inesperados ou absorver aumentos de despesas essenciais sem recorrer novamente ao crédito.</p>
<p>Também aumentou a participação das dívidas de longo prazo. Em setembro, 33,8% dos compromissos possuíam vencimento superior a um ano. Esse alongamento pode ajudar a reduzir o valor das prestações e aliviar o orçamento mensal, mas mantém parte da renda comprometida durante mais tempo. Em outras palavras, uma família pode ganhar fôlego no curto prazo sem necessariamente reduzir rapidamente o estoque de dívidas.</p>
<h2>Contas vencidas estão demorando mais para ser pagas</h2>
<p>O principal ponto de atenção da pesquisa aparece entre as famílias que ainda não conseguiram regularizar suas contas. O tempo médio das dívidas em atraso chegou a 65,3 dias em setembro, maior nível desde novembro de 2024, quando havia alcançado 65,5 dias. Foi o segundo mês consecutivo de aumento.</p>
<p>Além disso, 48,9% das dívidas atrasadas já estavam vencidas havia mais de 90 dias. Isso significa que praticamente metade das contas inadimplentes permanece aberta por pelo menos três meses, período suficiente para que juros, multas e novas despesas tornem a regularização mais difícil.</p>
<p>Esse comportamento não contradiz a queda da inadimplência. É possível que algumas famílias tenham conseguido quitar ou renegociar seus débitos e deixado o grupo de inadimplentes, enquanto aquelas que permanecem nessa condição carregam dívidas cada vez mais antigas. O resultado revela uma melhora quantitativa no número de consumidores em atraso, mas um desafio ainda relevante para quem não conseguiu sair dessa situação.</p>
<h2>Setembro melhora perspectiva para o fim do ano</h2>
<p>A primeira queda do endividamento em 2026 não configura, por si só, uma mudança definitiva de tendência, mas altera o quadro observado até agosto. Pela primeira vez no ano, o país registrou simultaneamente redução do endividamento, queda da inadimplência, diminuição da parcela de famílias muito endividadas e crescimento do grupo que não possui dívidas a vencer.</p>
<p>A melhora entre as faixas de menor renda reforça o resultado, principalmente porque são justamente esses consumidores que enfrentam os maiores níveis de inadimplência e possuem menos espaço no orçamento para absorver imprevistos. Se o movimento continuar nos próximos meses, a projeção da CNC de encerrar o ano com endividamento próximo de 81,5% poderá ser alcançada sem uma nova deterioração das contas domésticas.</p>
<p>O principal desafio continua concentrado nas dívidas antigas. A redução do número de famílias inadimplentes será mais consistente se vier acompanhada, nos próximos levantamentos, de queda no tempo médio de atraso e no percentual de contas vencidas há mais de três meses.</p>
<p>Por enquanto, setembro representa o primeiro sinal mais amplo de alívio em 2026: menos famílias estão endividadas, menos consumidores possuem contas vencidas e cresceu a parcela daqueles que chegaram ao mês sem dívidas a pagar.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo — Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor de setembro de 2026</em></p>
<p><em>Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo — série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor</em></p>
<p><em>Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua</em></p>
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		<author>
			<name>João Souza</name>
							<uri>https://muckrack.com/joao-souza</uri>
						</author>

		<title type="html"><![CDATA[JBS (JBSS32) ganha força entre analistas com virada do gado nos EUA no radar para 2027]]></title>
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		<published>2026-10-08T20:08:57Z</published>
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		<summary type="html"><![CDATA[<p>A JBS N.V. (JBSS32) passou a concentrar uma visão mais favorável de analistas diante da perspectiva de melhora do ciclo pecuário nos Estados Unidos. A XP Investimentos elevou a companhia à principal recomendação no setor de proteínas e definiu preço-alvo de US$ 20,30 para a ação negociada em Nova York, estimando potencial de valorização de [&#8230;]</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/jbs-xp-potencial-69-carne-bovina-eua"><![CDATA[<p>A JBS N.V. (JBSS32) passou a concentrar uma visão mais favorável de analistas diante da perspectiva de melhora do ciclo pecuário nos Estados Unidos. A XP Investimentos elevou a companhia à principal recomendação no setor de proteínas e definiu preço-alvo de US$ 20,30 para a ação negociada em Nova York, estimando potencial de valorização de 69%. A tese combina uma recuperação esperada da operação de carne bovina norte-americana com revisões positivas para os <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340504">negócios</a> brasileiros.</p>
<p>A mudança ocorre em um momento em que o desempenho operacional da JBS ainda é desigual entre as unidades de negócio. O segundo trimestre mostrou receita recorde, mas também confirmou a pressão sobre a rentabilidade da carne bovina nos Estados Unidos. Nos seis meses até junho, a companhia teve receita líquida de US$ 45,51 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado sob a metodologia US GAAP somou US$ 2,17 bilhões. No trimestre, a receita alcançou US$ 23,9 bilhões, alta de 13,8% sobre um ano antes, mas o Ebitda ajustado recuou 8%, para US$ 1,257 bilhão.</p>
<p>A principal aposta para a melhora está na combinação entre uma oferta de gado ainda apertada, redução de capacidade de abate e normalização gradual do fluxo de animais importados do México. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos informou em julho que havia 28,5 milhões de vacas de corte no país em 1º de julho, queda de 1% em relação ao ano anterior. A safra de bezerros também caiu 2%, para 32,5 milhões de cabeças, sinalizando que a reposição do rebanho continua limitada.</p>
<h2>Recuperação do gado pode mudar o resultado da operação americana</h2>
<p>A XP estima uma mudança expressiva na contribuição da carne bovina dos Estados Unidos para o resultado da JBS. Pelas projeções da corretora, o Ebitda dessa operação passaria de uma perda de US$ 226 milhões em 2026 para um resultado positivo de US$ 385 milhões em 2027. A diferença entre os dois números chega a US$ 611 milhões, o que representa uma reversão relevante no desempenho operacional de uma das áreas que hoje mais pressionam o grupo.</p>
<p>A lógica da projeção está relacionada ao estágio do ciclo pecuário americano. Menor disponibilidade de animais costuma elevar o preço do gado e pressionar os custos dos frigoríficos. Para que a rentabilidade dos processadores se recupere, é necessário que a oferta caminhe para uma situação mais equilibrada ou que o preço dos produtos finais avance mais rapidamente do que o custo da matéria-prima.</p>
<p>Os dados oficiais mais recentes ainda mostram uma oferta estruturalmente apertada. O USDA afirmou, em setembro, que o abate de bovinos permanecia em níveis historicamente baixos e reduziu as projeções de produção de carne bovina para 2026 e 2027. Ao mesmo tempo, o órgão passou a considerar uma trajetória de preços de bovinos menos pressionada que nos picos registrados no primeiro semestre.</p>
<p>Outro elemento relevante é a retomada gradual das importações de gado vivo do México. O serviço veterinário do USDA informou que as entradas de bovinos foram reabertas de forma escalonada em postos da fronteira sul. Douglas, no Arizona, voltou a operar em 24 de agosto, enquanto Santa Teresa, no Novo México, foi reaberto em 24 de setembro. O movimento amplia a disponibilidade potencial de animais para a cadeia americana, embora o processo ainda esteja sujeito a restrições sanitárias e a uma reabertura parcial.</p>
<p>Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que as estimativas de 2027 estão se tornando mais favoráveis do que as de 2026. A recuperação, contudo, depende de uma melhora efetiva dos spreads — a diferença entre o valor da carne comercializada e o custo do gado e de processamento — e não apenas da redução pontual dos preços dos animais.</p>
<h2>Receita cresce, mas margem ainda mostra efeito do ciclo</h2>
<p>Os números do segundo trimestre ajudam a dimensionar o ponto de partida. A receita de US$ 23,9 bilhões foi 13,8% maior que os US$ 21,0 bilhões registrados no mesmo período de 2025. O Ebitda ajustado pelo padrão US GAAP, porém, caiu de US$ 1,368 bilhão para US$ 1,257 bilhão.</p>
<p>O efeito pode ser observado na margem. O Ebitda ajustado equivalente à receita recuou de aproximadamente 6,5% no segundo trimestre de 2025 para 5,3% no mesmo período deste ano, uma redução de cerca de 1,26 ponto percentual. O contraste entre receita recorde e margem menor mostra que o crescimento de volume e preços não foi suficiente para neutralizar integralmente as pressões de custos.</p>
<p>A própria JBS destacou que a diversificação geográfica e entre proteínas ajudou a compensar parcialmente o ambiente menos favorável em determinadas operações. A empresa registrou desempenho positivo em unidades como Austrália e Brasil, com crescimento de receita apoiado por preços e volumes. No <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340505">mercado</a> brasileiro, a companhia informou que o Ebitda da operação de carne bovina alcançou o maior nível para um segundo trimestre, mesmo com o preço médio do boi vivo cerca de 12% acima do registrado um ano antes.</p>
<p>Essa estrutura é importante para a tese dos analistas porque reduz a dependência da JBS de um único mercado. Uma melhora da operação americana pode ocorrer simultaneamente a resultados sustentados no Brasil, enquanto aves, suínos e alimentos preparados funcionam como amortecedores em ciclos menos favoráveis.</p>
<h2>Oferta pela Pilgrim’s adiciona outra variável ao caso de investimento</h2>
<p>A avaliação das ações também ocorre em meio a uma movimentação societária relevante na América do Norte. Em agosto, a JBS apresentou uma proposta não vinculante para adquirir as ações da Pilgrim’s Pride Corporation (PPC) que ainda não pertencem ao grupo. A companhia já detém aproximadamente 82% da empresa americana e propôs uma relação fixa de 2,086 ações classe A da JBS por ação da Pilgrim’s Pride remanescente.</p>
<p>A operação ainda não está concluída e depende da análise de um comitê especial formado pelo conselho da Pilgrim’s Pride, além das aprovações previstas para os acionistas minoritários. Portanto, qualquer impacto financeiro definitivo sobre a JBS permanece condicionado ao avanço da proposta.</p>
<p>O negócio, entretanto, é relevante para a leitura dos investidores porque reforça a estratégia de concentração de ativos de proteínas na América do Norte. Caso seja concluído, o movimento pode simplificar a estrutura societária do grupo e ampliar a integração entre negócios que já possuem vínculos operacionais e acionários.</p>
<p>A JBS também atravessa uma transição de comando. A companhia anunciou que Wesley Batista Filho assumirá a posição de CEO global em janeiro de 2027, enquanto Gilberto Tomazoni deixará a função executiva e passará à vice-presidência do conselho. Batista Filho atualmente lidera a operação da JBS nos Estados Unidos, o que coloca a execução da estratégia norte-americana no centro da transição de gestão.</p>
<h2>Ação ainda está distante da máxima de 52 semanas</h2>
<p>Na B3, o movimento mais recente indica reação dos investidores às revisões positivas. Às 14h35 de 8 de outubro, o BDR JBSS32 era negociado a R$ 63,57, em alta de 2,70%, depois de abrir a R$ 62,00. O papel chegou a R$ 63,83 na máxima intradiária.</p>
<p>Mesmo com a alta, o ativo permanece 32,2% abaixo da máxima de 52 semanas de R$ 93,74 e 14,7% acima da mínima de R$ 55,44. A distância em relação ao topo ajuda a dimensionar o tamanho do espaço necessário para que a tese mais otimista dos analistas se reflita integralmente na cotação.</p>
<p>A recuperação recente também ocorre depois de uma sequência de desempenho inferior ao de alguns pares do setor. O mercado passou a considerar que parte do desconto aplicado à JBS pode estar associado a fatores transitórios, enquanto a perspectiva de normalização da carne bovina americana tende a ganhar peso nas projeções para 2027.</p>
<p>A próxima confirmação operacional virá com os resultados do terceiro trimestre. O calendário de relações com investidores da JBS prevê a divulgação do balanço em 9 de novembro, seguida da teleconferência em 10 de novembro. Os números serão especialmente importantes para avaliar se a melhora sequencial nas operações indicada pela companhia no segundo trimestre continua avançando.</p>
<p>No curto prazo, a tese ainda convive com riscos. A recomposição do rebanho americano é um processo lento, a reabertura da fronteira mexicana ocorre de forma gradual e os custos do gado continuam elevados. Além disso, a companhia precisa administrar simultaneamente investimentos, geração de caixa e eventuais movimentos de consolidação.</p>
<p>No médio prazo, porém, o ponto central da discussão mudou. A questão deixou de ser apenas o quanto a carne bovina americana está pressionando os resultados atuais e passou a ser em que velocidade a operação conseguirá transformar uma oferta limitada de gado em margens melhores. Para a XP, a resposta pode aparecer de forma significativa em 2027, com recuperação de US$ 611 milhões no Ebitda estimado da unidade americana entre 2026 e 2027. Para os investidores da JBS, os próximos resultados serão o principal teste dessa hipótese.</p>
<p>A perspectiva de remuneração ao acionista também permanece no radar. A administração da JBS já indicou nos resultados e em teleconferências anteriores que mantém a referência de aproximadamente US$ 1 bilhão anual em dividendos, condicionada à geração de caixa e ao nível de alavancagem. Esse histórico ajuda a explicar por que a recuperação da rentabilidade nos Estados Unidos pode ter efeito duplo para o investidor: melhora do resultado operacional e maior capacidade de distribuição de capital.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>JBS N.V. &#8211; divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026 e indicadores financeiros consolidados</em></p>
<p><em>JBS N.V. &#8211; central de resultados, calendário de relações com investidores e informações sobre a transição de liderança</em></p>
<p><em>XP Investimentos &#8211; atualização do modelo da JBS após os resultados do segundo trimestre de 2026 e preço-alvo para a companhia</em></p>
<p><em>USDA National Agricultural Statistics Service &#8211; Cattle Report de julho de 2026 e dados sobre o rebanho bovino norte-americano</em></p>
<p><em>USDA Animal and Plant Health Inspection Service &#8211; reabertura gradual dos postos de entrada para bovinos provenientes do México</em></p>
<p><em>JBS N.V. &#8211; proposta não vinculante para aquisição das ações remanescentes da Pilgrim’s Pride Corporation</em></p>
<p><em>InfoMoney &#8211; reportagem sobre as avaliações da XP Investimentos e do Morgan Stanley para JBS e carne bovina nos Estados Unidos</em></p>
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		<entry>
		<author>
			<name>Alice Nascimento</name>
					</author>

		<title type="html"><![CDATA[Shake Shack chega ao Brasil em 2027 com grupo do Outback e plano de 40 restaurantes]]></title>
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		<updated>2026-10-08T19:47:02Z</updated>
		<published>2026-10-08T19:20:10Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Empresas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="alimentação fora do lar" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Bold Hospitality" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="expansão internacional" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="fast casual" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Franquias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Hamburgueria" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Outback" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="restaurantes" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="São Paulo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Shake Shack" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Operação será comandada pelo grupo responsável pelo Outback no país e terá 40 unidades previstas nos próximos 10 anos. * * :strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/N/o/zPApFMTgWoIS2PPciyIA/234f.jpg) Shake Shack abrirá no Brasil em 2027. — Foto: Divulgação/Shaek Shack A rede…</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/shake-shack-brasil-2027-40-restaurantes"><![CDATA[<p>A rede americana Shake Shack vai entrar no mercado brasileiro em 2027 com um plano de abrir 40 restaurantes no país até 2036. A primeira unidade será instalada em São Paulo, ainda sem endereço divulgado, e a operação ficará sob responsabilidade da Bold Hospitality Company, grupo que controla no Brasil as marcas Outback Steakhouse, Abbraccio e Aussie. O acordo transforma o país em uma das principais frentes de expansão internacional da companhia na próxima década.</p>
<p>O cronograma representa, em média, quatro novos restaurantes por ano ao longo do período previsto, embora as <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340511">empresas</a> não tenham informado como as inaugurações serão distribuídas. A Shake Shack já soma mais de 740 unidades no mundo e pretende usar no Brasil um modelo apoiado em um parceiro local com experiência em expansão, gestão de restaurantes e conhecimento do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340512">mercado</a> de alimentação fora do lar.</p>
<p>A entrada ocorrerá por meio de um acordo de licenciamento com a Bold, apresentado no mercado brasileiro como uma operação exclusiva de master-franquia. A companhia ficará responsável pelo desenvolvimento da marca, pelos investimentos e pela implantação dos restaurantes no território nacional. Mauro Guardabassi, atual diretor de operações da Bold, assumirá a presidência da Shake Shack no Brasil.</p>
<h2>Bold pode encerrar 2026 com 217 restaurantes no país</h2>
<p>A escolha da Bold dá à Shake Shack uma estrutura pronta para acelerar a operação brasileira. Criada em 2025 a partir de uma parceria entre a Vinci Compass e a Bloomin&#8217; Brands, a holding reúne as operações nacionais de Outback Steakhouse, Abbraccio e Aussie e espera terminar 2026 com 217 restaurantes distribuídos por 22 estados e pelo Distrito Federal.</p>
<p>Caso o plano de 40 Shake Shacks seja integralmente executado, a nova rede terá uma quantidade de unidades equivalente a aproximadamente 18% da atual escala projetada da Bold no país. A comparação não significa que o Shake Shack substituirá restaurantes existentes, mas mostra o tamanho do compromisso assumido para desenvolver uma marca que ainda não possui operação brasileira.</p>
<p>A Bold acumula quase três décadas de experiência operacional herdada da trajetória do Outback no país. Essa estrutura permite que a nova rede compartilhe conhecimento sobre localização de restaurantes, fornecedores, treinamento, logística e comportamento do consumidor sem precisar construir toda a operação a partir do zero.</p>
<p>Para a Shake Shack, essa é justamente a lógica utilizada na expansão internacional. Enquanto nos Estados Unidos a empresa mantém uma ampla rede de unidades administradas diretamente, fora do país costuma crescer ao lado de operadores locais responsáveis pelo desenvolvimento dos restaurantes.</p>
<h2>Brasil passa a integrar avanço da Shake Shack na América Latina</h2>
<p>A chegada ao país faz parte de uma expansão mais ampla na América Latina. A Shake Shack já opera há sete anos no México e prepara sua entrada no Panamá. O Brasil será o próximo grande mercado da região.</p>
<p>Michael Kark, presidente global de licenciamento da rede, afirmou no anúncio que o Brasil estava havia anos entre os mercados mais pedidos pelos consumidores da marca. Segundo o executivo, características como a cultura de alimentação fora de casa e a importância atribuída à hospitalidade contribuíram para a decisão de entrar no país.</p>
<p>A dimensão do mercado brasileiro também pesa nessa estratégia. Diferentemente de uma entrada experimental com poucas unidades, o contrato já nasce com uma meta nacional de 40 restaurantes. A primeira operação em São Paulo funcionará como ponto inicial para testar preços, cardápio, fornecedores e comportamento de consumo antes do avanço para outras regiões.</p>
<p>As empresas ainda não revelaram quais cidades receberão as unidades posteriores nem o volume total de investimento necessário para executar o plano até 2036.</p>
<h2>Rede já ultrapassa 740 restaurantes no mundo</h2>
<p>A Shake Shack surgiu em Nova York a partir de um carrinho de cachorro-quente instalado no Madison Square Park. O sucesso da operação levou à abertura de um quiosque permanente em 2004 e, posteriormente, à expansão da marca pelos Estados Unidos e pelo exterior.</p>
<p>Hoje, a rede possui mais de 740 restaurantes em seu sistema global. Aproximadamente 475 estão distribuídos por 36 estados americanos e pelo Distrito de Columbia, enquanto mais de 265 unidades funcionam em mercados internacionais.</p>
<p>A presença externa inclui cidades como Londres, Hong Kong, Xangai, Singapura, Cidade do México, Istambul, Dubai, Tóquio e Seul. A expansão internacional tornou-se uma frente relevante para a companhia porque permite crescer em novos mercados por meio de parceiros locais, enquanto concentra recursos próprios na abertura de restaurantes administrados diretamente nos Estados Unidos.</p>
<p>A companhia também continua acelerando dentro de seu mercado de origem. Em 2025, abriu 45 restaurantes próprios e 40 licenciados e estabeleceu uma meta de longo prazo de alcançar mais de 1.500 unidades operadas diretamente.</p>
<h2>Shake Shack faturou US$ 417,6 milhões no segundo trimestre</h2>
<p>A entrada no Brasil ocorre enquanto a empresa mantém crescimento das vendas. No segundo trimestre de 2026, a Shake Shack registrou receita de US$ 417,6 milhões, avanço de 17,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.</p>
<p>As vendas das unidades operadas diretamente somaram US$ 403,4 milhões, enquanto as receitas de licenciamento atingiram US$ 14,2 milhões. As vendas de todo o sistema, que incluem também restaurantes licenciados, chegaram a US$ 625,8 milhões no trimestre, crescimento de 13,8%.</p>
<p>O lucro operacional foi de US$ 20,7 milhões, e o lucro líquido atingiu US$ 16,9 milhões. A rede abriu 16 restaurantes próprios e 11 licenciados apenas no período.</p>
<p>Esses números ajudam a explicar por que o licenciamento internacional continua relevante para o grupo. Embora a receita direta recebida dos parceiros seja menor do que a obtida nos restaurantes próprios, o modelo permite expandir a presença geográfica utilizando capital e infraestrutura de operadores locais.</p>
<h2>Cardápio brasileiro manterá produtos tradicionais da rede</h2>
<p>A companhia pretende preservar no Brasil os itens responsáveis pela identidade global da marca. Entre eles estão o ShackBurger, preparado com carne Angus, queijo, alface, tomate e o molho ShackSauce; o sanduíche Chicken Shack; as batatas fritas cortadas no formato ondulado conhecido como crinkle cut; além dos milkshakes e do frozen custard.</p>
<p>A operação brasileira, porém, não será uma reprodução integral do cardápio americano. Shake Shack e Bold planejam trabalhar com produtores e fornecedores nacionais e incluir elementos locais na oferta, uma estratégia já utilizada pela rede em outros países.</p>
<p>A empresa afirma que procura adaptar parte da experiência às comunidades onde entra, mantendo simultaneamente os principais produtos globais. Esse modelo permite preservar reconhecimento de marca entre consumidores que já conhecem o Shake Shack do exterior sem ignorar hábitos alimentares e características do mercado brasileiro.</p>
<p>A definição da cadeia local de fornecedores será especialmente importante porque a proposta comercial da rede enfatiza qualidade de ingredientes e preparação sob demanda. Carne, pães, vegetais, laticínios e outros insumos terão de atender aos padrões definidos pela empresa e, ao mesmo tempo, sustentar a expansão prevista para dezenas de restaurantes.</p>
<h2>Entrada aumenta disputa no segmento de hambúrgueres</h2>
<p>O Shake Shack chegará a um mercado no qual grandes redes internacionais e nacionais já disputam pontos comerciais, consumidores e canais de entrega. McDonald&#8217;s e Burger King possuem presença nacional muito superior em número de lojas, enquanto outras marcas competem em segmentos que vão do fast-food convencional ao hambúrguer artesanal.</p>
<p>A estratégia da Shake Shack historicamente ocupa uma faixa intermediária, frequentemente classificada como fast-casual: serviço relativamente rápido combinado com preços, ambiente e ingredientes posicionados acima do padrão tradicional de fast-food.</p>
<p>Esse posicionamento torna a execução brasileira particularmente relevante. A Bold terá de encontrar uma faixa de preço capaz de preservar a proposta da marca sem restringir excessivamente o mercado potencial. Localização dos restaurantes, custo imobiliário, matérias-primas e renda disponível dos consumidores estarão entre as variáveis que definirão a velocidade da expansão.</p>
<p>A escolha de São Paulo para a estreia reduz parte desse risco. A cidade concentra renda, turismo, fluxo corporativo, shopping centers e consumidores habituados a redes internacionais, além de permitir que a Bold utilize uma estrutura operacional já consolidada.</p>
<h2>Meta de 40 lojas transforma estreia em projeto de longo prazo</h2>
<p>O anúncio diferencia-se de entradas internacionais que começam com uma única unidade e deixam a expansão condicionada ao desempenho inicial. Shake Shack e Bold estabeleceram desde o início uma meta de 40 restaurantes até 2036, tornando a chegada ao Brasil um projeto de longo prazo.</p>
<p>Ainda assim, o cumprimento desse objetivo dependerá do desempenho das primeiras lojas. Uma média matemática de quatro inaugurações anuais não significa que esse ritmo será uniforme. É comum que redes internacionais utilizem as primeiras operações para ajustar fornecedores, preços, cardápio, formatos imobiliários e logística antes de acelerar a abertura de novos endereços.</p>
<p>A estrutura da Bold reduz parte dessa curva de aprendizado, mas não elimina o desafio de posicionar uma marca nova para a maior parte dos consumidores brasileiros. O reconhecimento existente entre pessoas que tiveram contato com o Shake Shack em viagens ao exterior não equivale a uma base de clientes suficiente para sustentar dezenas de unidades.</p>
<p>A primeira loja em São Paulo será, portanto, mais do que a estreia de uma nova hamburgueria americana no país. Será o teste inicial de um plano que pretende transformar o Brasil em uma das maiores operações latino-americanas da Shake Shack ao longo da próxima década.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Shake Shack Inc. — anúncio oficial da parceria com a Bold Hospitality Company e plano de expansão no Brasil</em></p>
<p><em>Shake Shack Inc. — resultados financeiros do segundo trimestre de 2026 e informações operacionais da companhia</em></p>
<p><em>Shake Shack Inc. — informações institucionais sobre expansão internacional, modelo de licenciamento e presença global</em></p>
<p><em>Bold Hospitality Company — informações institucionais sobre a operação brasileira, portfólio de marcas e estrutura de restaurantes</em></p>
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		<entry>
		<author>
			<name>Álvaro Lima</name>
							<uri>https://muckrack.com/alvaro-lima</uri>
						</author>

		<title type="html"><![CDATA[Governo corta projeção da balança para US$ 84,4 bi, mas ministro aposta em US$ 90 bi]]></title>
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		<updated>2026-10-08T19:25:55Z</updated>
		<published>2026-10-08T19:13:01Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Economia" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="balança comercial" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="comércio exterior" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Dólar" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="economia brasileira" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="exportações" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="exportações brasileiras" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="importações" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Márcio Elias Rosa" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mdic" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="superávit comercial" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Apesar de reduzir a projeção para US$ 84,4 bilhões, governo ainda prevê o segundo maior saldo da série histórica; ministro afirma que resultado pode chegar a US$ 90 bilhões. * * Balança comercial brasileira tem,…</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/balanca-comercial-superavit-84-4-bilhoes-2026"><![CDATA[<p>O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços reduziu de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões a projeção oficial para o superávit da balança comercial brasileira em 2026, mas o próprio ministro Márcio Elias Rosa mantém uma expectativa mais otimista. Nesta quinta-feira, 8 de outubro, ele afirmou que continua apostando em um resultado de pelo menos US$ 90 bilhões, criando uma diferença de US$ 5,6 bilhões entre a estimativa técnica atual do ministério e a projeção defendida pelo titular da pasta.</p>
<p>Os números acumulados até setembro mostram o tamanho do desafio. O Brasil registra superávit de US$ 62,396 bilhões nos nove primeiros meses do ano, resultado de US$ 284,654 bilhões em exportações e US$ 222,259 bilhões em importações. Para alcançar a previsão oficial de US$ 84,4 bilhões, o país precisa produzir mais US$ 22,004 bilhões de saldo positivo entre outubro e dezembro, equivalente a uma média mensal de aproximadamente US$ 7,33 bilhões.</p>
<p>Para que a aposta de Márcio Elias Rosa em US$ 90 bilhões se confirme, o esforço necessário é maior. O saldo dos três últimos meses precisaria atingir US$ 27,604 bilhões, ou cerca de US$ 9,20 bilhões por mês. Isso corresponde a um superávit mensal quase 19% superior aos US$ 7,741 bilhões registrados em setembro.</p>
<p>A diferença entre as duas projeções não significa necessariamente divergência dentro do governo. A estimativa de US$ 84,4 bilhões resulta de um modelo estatístico atualizado pela Secretaria de Comércio Exterior, enquanto o ministro está fazendo uma avaliação sobre a possibilidade de o desempenho efetivo superar esse cenário, sobretudo se as exportações mantiverem o ritmo recente e a diversificação dos mercados continuar compensando perdas em destinos específicos.</p>
<h2>Setembro entregou superávit de US$ 7,7 bilhões</h2>
<p>A revisão para baixo da projeção anual ocorreu mesmo depois de um setembro forte. A balança comercial teve superávit de US$ 7,741 bilhões no mês, avanço de 146% em relação ao saldo registrado em setembro de 2025.</p>
<p>As exportações atingiram US$ 34,418 bilhões, crescimento de 12,9% na comparação anual, enquanto as importações ficaram em US$ 26,678 bilhões, retração de 2,4%. A combinação de vendas externas maiores com compras menores ampliou de maneira significativa o saldo comercial mensal.</p>
<p>No acumulado de janeiro a setembro, o superávit de US$ 62,396 bilhões está 34,8% acima do observado no mesmo período do ano passado. A corrente de comércio — soma de exportações e importações — chegou a aproximadamente US$ 506,9 bilhões.</p>
<p>O comportamento de setembro ajuda a entender por que o ministro ainda considera possível alcançar US$ 90 bilhões. Se o país simplesmente repetisse nos três últimos meses o saldo de US$ 7,741 bilhões observado em setembro, acrescentaria cerca de US$ 23,2 bilhões ao resultado do ano e encerraria 2026 próximo de US$ 85,6 bilhões. Isso seria suficiente para superar a estimativa técnica de US$ 84,4 bilhões, mas ainda deixaria o resultado cerca de US$ 4,4 bilhões abaixo da projeção defendida por Rosa.</p>
<h2>Projeção caiu principalmente por causa dos preços</h2>
<p>A revisão oficial não ocorreu por uma piora abrupta no volume de comércio. O principal fator apontado pelo MDIC foi a mudança nas projeções de preços internacionais, particularmente depois da volatilidade observada no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340508">mercado</a> de petróleo durante o primeiro semestre.</p>
<p>O ministério agora prevê exportações de US$ 382,5 bilhões em 2026. A estimativa anterior, apresentada em julho, era de US$ 394,4 bilhões. A redução foi, portanto, de US$ 11,9 bilhões.</p>
<p>Também houve corte na expectativa para as importações, que passou de US$ 304,4 bilhões para US$ 298,1 bilhões, uma redução de US$ 6,3 bilhões. Como a revisão das exportações foi maior do que a das compras externas, o saldo projetado diminuiu em US$ 5,6 bilhões, exatamente de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões.</p>
<p>Mesmo depois do corte, as exportações projetadas para este ano representariam crescimento de 9,8% sobre 2025 e estabeleceriam um novo recorde em valor. As importações avançariam 6,4%.</p>
<h2>Último trimestre terá de manter saldo elevado</h2>
<p>Os próprios números do MDIC permitem dimensionar o que precisa acontecer até dezembro. Com US$ 284,654 bilhões já exportados até setembro, a projeção de US$ 382,5 bilhões exige aproximadamente US$ 97,85 bilhões em vendas externas no quarto trimestre.</p>
<p>Isso corresponde a uma média de cerca de US$ 32,6 bilhões em exportações por mês entre outubro e dezembro. Setembro, com US$ 34,418 bilhões, ficou acima desse ritmo.</p>
<p>Nas importações, a diferença entre os US$ 222,259 bilhões acumulados e a projeção anual de US$ 298,1 bilhões indica compras externas próximas de US$ 75,84 bilhões no último trimestre, ou aproximadamente US$ 25,28 bilhões mensais.</p>
<p>Se exportações e importações seguirem exatamente essas médias, o país chegará perto da projeção oficial. Para atingir US$ 90 bilhões, porém, será necessário combinar exportações mais fortes, importações menores ou as duas coisas simultaneamente.</p>
<p>Essa conta mostra por que os próximos três meses serão decisivos. O objetivo de US$ 84,4 bilhões está relativamente próximo do desempenho observado em setembro. A projeção de US$ 90 bilhões exige uma aceleração adicional do saldo.</p>
<h2>Resultado ainda pode ser o segundo maior da história</h2>
<p>Mesmo a previsão reduzida de US$ 84,4 bilhões colocaria 2026 entre os melhores anos da balança comercial brasileira. O saldo seria cerca de 24% superior aos US$ 68,1 bilhões registrados em 2025.</p>
<p>O recorde permanece com 2023, quando o país acumulou superávit de aproximadamente US$ 98,9 bilhões. A estimativa atual, portanto, colocaria 2026 na segunda posição da série histórica.</p>
<p>Se a previsão de US$ 90 bilhões defendida pelo ministro for alcançada, o país ainda permanecerá abaixo do recorde de 2023, mas diminuirá consideravelmente a distância. O resultado ficaria apenas US$ 8,9 bilhões abaixo da maior marca já registrada.</p>
<p>O desempenho é relevante também para as contas externas. Um superávit comercial elevado aumenta a entrada líquida de moeda estrangeira decorrente do comércio de bens e ajuda a financiar outros componentes do balanço de pagamentos. Isso não determina sozinho o comportamento do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340506">dólar</a>, mas funciona como um dos elementos de sustentação das contas externas brasileiras.</p>
<h2>União Europeia ganhou peso em setembro</h2>
<p>A composição geográfica das exportações mudou de forma importante em setembro. As vendas brasileiras para a União Europeia avançaram 60,1% em relação ao mesmo mês de 2025 e alcançaram US$ 6,95 bilhões.</p>
<p>O salto foi puxado por produtos como petróleo bruto, minério de cobre, farelo de soja, soja e óleos combustíveis. No acumulado de janeiro a setembro, as exportações ao bloco europeu registraram crescimento de aproximadamente 20%.</p>
<p>O movimento reforça a estratégia do governo de ampliar mercados para reduzir a dependência de destinos específicos. Em um ambiente internacional marcado por tarifas, cotas e mudanças nos preços das commodities, a capacidade de redistribuir exportações pode reduzir o efeito de restrições impostas por grandes compradores.</p>
<p>Os resultados, porém, não foram positivos em todos os mercados. As exportações para a China caíram 7,6% em setembro na comparação anual, em parte devido ao forte recuo das vendas de carne bovina depois que embarques brasileiros ultrapassaram a cota sujeita à tarifa mais baixa.</p>
<p>A Argentina também comprou menos produtos brasileiros no mês. Já as exportações para os Estados Unidos avançaram 31,9% em setembro, para aproximadamente US$ 3,52 bilhões. No acumulado dos nove primeiros meses, entretanto, as vendas ao mercado americano ainda apresentam queda de cerca de 6,5%.</p>
<h2>Ministro aposta em diversificação para chegar a US$ 90 bilhões</h2>
<p>Márcio Elias Rosa afirmou nesta quinta-feira que continua trabalhando com um cenário mais favorável do que o apresentado oficialmente pelo MDIC. Segundo ele, a diversificação dos destinos das exportações brasileiras tem ajudado a absorver impactos de barreiras comerciais e mudanças na demanda de alguns parceiros.</p>
<p>O ministro também informou que as conversas com os Estados Unidos sobre tarifas continuam. O governo brasileiro espera receber dos americanos um termo de referência dentro de três ou quatro semanas, documento que deverá orientar uma nova fase das negociações comerciais entre os dois países.</p>
<p>A discussão interessa diretamente aos exportadores porque os Estados Unidos seguem entre os principais destinos dos produtos brasileiros. Embora as vendas tenham crescido fortemente em setembro, o resultado acumulado do ano ainda carrega os efeitos das restrições comerciais observadas nos meses anteriores.</p>
<p>A negociação, no entanto, é apenas uma das variáveis que determinarão o resultado da balança até dezembro. A evolução do preço do petróleo, da soja e do minério de ferro, o ritmo da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340507">economia</a> chinesa, a demanda europeia e o comportamento das importações brasileiras terão influência direta sobre os números finais.</p>
<h2>Diferença entre US$ 84,4 bilhões e US$ 90 bilhões será decidida em três meses</h2>
<p>Com três quartos do ano concluídos, a maior parte do resultado comercial de 2026 já está formada. Os US$ 62,4 bilhões acumulados até setembro equivalem a aproximadamente 74% da projeção oficial para o ano.</p>
<p>Para completar os 26% restantes e atingir US$ 84,4 bilhões, a balança precisa gerar pouco mais de US$ 22 bilhões entre outubro e dezembro. É uma meta compatível com a manutenção do ritmo de setembro, embora fique exposta à volatilidade dos preços das commodities e das importações.</p>
<p>O cenário de US$ 90 bilhões defendido por Márcio Elias Rosa é mais exigente. Ele pressupõe que cerca de 31% do saldo anual seja construído apenas no último trimestre, com superávits mensais médios superiores aos observados em setembro.</p>
<p>Os próximos dados da Secretaria de Comércio Exterior mostrarão rapidamente qual das duas projeções está mais próxima de se confirmar. Se o saldo continuar perto de US$ 7 bilhões a US$ 8 bilhões mensais, o resultado deverá convergir para a estimativa oficial. Para superar US$ 90 bilhões, a balança precisará entregar uma aceleração relevante justamente nos últimos três meses do ano.</p>
<p>Independentemente de qual número prevalecer, o Brasil caminha, pelas projeções atuais, para fechar 2026 com o segundo maior superávit comercial da série histórica.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — Balança Comercial Brasileira de setembro de 2026 e projeções para o ano</em></p>
<p><em>Secretaria de Comércio Exterior — dados consolidados de exportações, importações e saldo comercial de janeiro a setembro de 2026</em></p>
<p><em>Comex Stat — estatísticas oficiais do comércio exterior brasileiro</em></p>
<p><em>Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro — evento Conexões Produtivas e declarações do ministro Márcio Elias Rosa</em></p>
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			</entry>
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		<author>
			<name>Camila Braga</name>
							<uri>https://muckrack.com/camila-braga</uri>
						</author>

		<title type="html"><![CDATA[Euro cai com crise fiscal na França e aumento do risco político na Europa]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/euro-franca-crise-fiscal-risco-politico-europa" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533135</id>
		<updated>2026-10-08T18:07:29Z</updated>
		<published>2026-10-08T17:54:02Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Euro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Banco Central Europeu" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="BCE" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="câmbio" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="crise fiscal" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="dívida pública" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="euro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="França" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="franco suíço" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="juros europeus" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="libra esterlina" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercado Financeiro" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Zona do Euro" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Os mercados do continente vêm registrando perdas recentemente em meio à perspectiva de colapso do governo francês e a um novo agravamento do déficit do país</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/euro-franca-crise-fiscal-risco-politico-europa"><![CDATA[<p>O euro entrou em outubro sob a maior pressão em mais de um ano, à medida que investidores passaram a combinar em uma mesma conta o aumento dos riscos fiscais da França, a proximidade da eleição presidencial francesa e uma nova rodada de incerteza política na Europa. A moeda chegou nesta semana à mínima de 17 meses diante do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340498">dólar</a> e caiu para o menor nível em cerca de 16 meses frente à libra esterlina, enquanto fundos ampliaram posições defensivas em moedas como franco suíço e iene.</p>
<p>Nesta quinta-feira, 8 de outubro, o euro era negociado próximo de US$ 1,12 depois das perdas acumuladas nos últimos pregões. Contra a libra, a cotação permanecia na região de 84,7 pence por euro. No Brasil, o movimento é diferente porque o real também se valorizou fortemente depois do primeiro turno das eleições presidenciais: o euro operava na região de R$ 5,60, depois de superar R$ 5,86 no início do mês.</p>
<p>Essa diferença é importante. A fraqueza recente do euro não explica sozinha a queda da moeda europeia diante do real. Entre 2 e 8 de outubro, a cotação EUR/BRL recuou aproximadamente 4,4%, movimento concentrado principalmente no primeiro pregão depois das eleições brasileiras, quando houve forte valorização do real. No <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340500">mercado</a> internacional, porém, a tendência de enfraquecimento do euro vem sendo construída há mais tempo e está diretamente relacionada à deterioração da percepção sobre a Europa.</p>
<p>O foco mais imediato está na França. O país combina déficit público elevado, crescimento econômico fraco, dívida crescente e dificuldade <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340502">política</a> para aprovar medidas capazes de estabilizar as contas públicas. Em um ambiente global no qual investidores já exigem remunerações maiores para financiar governos endividados, a segunda maior <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340503">economia</a> da zona do euro passou a funcionar como um dos principais pontos de tensão do mercado europeu.</p>
<h2>Dívida francesa chega a 119% do PIB</h2>
<p>Os números explicam parte da preocupação. A dívida pública francesa alcançou € 3,595 trilhões ao final do segundo trimestre de 2026, equivalente a 119% do Produto Interno Bruto. Apenas três meses antes, a relação estava em 117,5%.</p>
<p>Isso significa uma alta de 1,5 ponto percentual do PIB em apenas um trimestre. Em valores nominais, o endividamento aumentou € 59,6 bilhões entre abril e junho, depois de já ter crescido € 75,8 bilhões nos três primeiros meses do ano.</p>
<p>O problema não começou em 2026. A França encerrou 2025 com déficit público equivalente a 5,1% do PIB, ou € 152,5 bilhões, enquanto a dívida estava em 115,7% do PIB. A regra fiscal europeia estabelece como referência um déficit de até 3% do PIB, nível do qual o país permanece distante.</p>
<p>A Comissão Europeia projetava anteriormente que, sem novas medidas, o déficit francês continuaria em 5,1% do PIB em 2026 e poderia subir para 5,7% em 2027. Para a dívida, a estimativa apontava avanço para aproximadamente 120% do PIB no próximo ano.</p>
<p>O mercado passou a exigir um prêmio cada vez maior para financiar esse desequilíbrio. Os juros dos títulos franceses de dez anos chegaram a se aproximar de 5% nesta semana, níveis que não eram vistos havia mais de duas décadas. O aumento do custo de financiamento cria um efeito circular: quanto maior o juro exigido pelos investidores, mais cara se torna a rolagem da dívida e maior a pressão sobre o orçamento.</p>
<h2>Problema deixa de ser apenas francês</h2>
<p>Uma crise fiscal em um país que utiliza moeda própria costuma produzir pressão principalmente sobre seus títulos e sua taxa de câmbio. Na zona do euro, o mecanismo é mais complexo porque 20 países compartilham a mesma moeda e uma única política monetária, embora mantenham estruturas fiscais nacionais independentes.</p>
<p>Isso faz com que dificuldades em uma grande economia possam contaminar a percepção sobre outras dívidas soberanas. Nas últimas semanas, investidores passaram a diferenciar com maior intensidade os países considerados fiscalmente mais frágeis daqueles vistos como portos seguros.</p>
<p>Títulos alemães ganharam demanda enquanto papéis de países mais endividados enfrentaram pressão. A França tornou-se o centro dessa reprecificação, mas Itália e Espanha também passaram a ser monitoradas com mais atenção.</p>
<p>A lembrança inevitável é a crise da dívida soberana que atingiu a zona do euro na década passada. O cenário atual é diferente: bancos estão mais capitalizados, existem instrumentos de intervenção que não estavam disponíveis no início daquela crise e ainda não há sinais de ruptura do mercado comum de títulos. Mesmo assim, a velocidade da alta dos rendimentos reacendeu a discussão sobre a sustentabilidade fiscal dentro da união monetária.</p>
<h2>Eleição francesa aumenta incerteza</h2>
<p>A pressão ganhou uma dimensão política porque a França se aproxima da eleição presidencial de 2027 em um ambiente marcado por forte fragmentação partidária.</p>
<p>Qualquer ajuste fiscal significativo exige decisões politicamente difíceis, como redução de despesas, alterações de benefícios, aumento de receitas ou combinação dessas medidas. Quanto mais próximo fica o calendário eleitoral, menor tende a ser o espaço político para implementar cortes impopulares.</p>
<p>Essa dificuldade ajuda a explicar por que investidores não estão avaliando apenas o tamanho atual do déficit, mas também a probabilidade de que o próximo governo consiga estabilizá-lo. O risco não está simplesmente em a França possuir uma dívida elevada; está na combinação de endividamento crescente com incerteza sobre quem terá condições políticas de corrigir a trajetória.</p>
<p>Nas últimas semanas, manifestações e tensões sociais adicionaram outra camada ao problema. O governo precisa apresentar uma resposta fiscal capaz de convencer os mercados sem produzir uma reação política que torne a aprovação das medidas ainda mais difícil.</p>
<p>Para o euro, essa combinação é negativa porque aumenta o prêmio de risco associado aos ativos europeus e pode incentivar investidores internacionais a procurar alternativas em outras moedas.</p>
<h2>Espanha adiciona novo foco de risco político</h2>
<p>A França não é o único país importante da zona do euro enfrentando incerteza política. O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez convocou eleições antecipadas para 29 de novembro, depois de uma crise envolvendo propostas para o mercado imobiliário e dificuldades para manter apoio parlamentar.</p>
<p>A Espanha chega à disputa em situação econômica diferente da francesa, com crescimento mais forte nos últimos anos, mas o calendário eleitoral amplia a lista de variáveis políticas que os investidores precisam incorporar aos preços dos ativos europeus.</p>
<p>Quando mais de uma grande economia da região enfrenta incerteza simultaneamente, a preocupação deixa de ser apenas com o resultado de uma eleição específica. O mercado começa a precificar o risco de menor coordenação fiscal e política dentro do bloco.</p>
<p>Essa percepção ajuda a explicar por que a pressão sobre o euro passou a aparecer não apenas contra o dólar, mas também diante de outras moedas.</p>
<h2>Libra ganha espaço contra o euro</h2>
<p>Na quarta-feira, o euro caiu para aproximadamente 84,5 pence, levando a libra ao nível mais forte em cerca de 16 meses frente à moeda comum. Foi a nona sessão consecutiva de valorização da moeda britânica nesse par.</p>
<p>O movimento é relevante porque elimina parte da explicação baseada exclusivamente na força do dólar. Se o euro estivesse caindo apenas porque a moeda americana ganhou força globalmente, seria esperado um comportamento relativamente mais estável diante de outras moedas europeias.</p>
<p>Não foi o que aconteceu. O euro também perdeu terreno contra a libra e enfrentou pressão em relação ao franco suíço, tradicional destino de capital em períodos de aversão ao risco.</p>
<p>Esse comportamento indica que investidores estão construindo operações especificamente direcionadas à fraqueza da moeda europeia, e não apenas comprando dólares.</p>
<h2>Franco suíço volta a funcionar como proteção</h2>
<p>O franco suíço voltou a ganhar destaque justamente por essa característica. A Suíça possui histórico de estabilidade institucional, inflação relativamente controlada e moeda utilizada como proteção em momentos de turbulência europeia.</p>
<p>Quando investidores aumentam posições vendidas em euro e compradas em franco, estão expressando uma visão mais específica sobre os riscos da zona do euro. A mesma lógica pode aparecer nas operações envolvendo o iene japonês.</p>
<p>O mercado de opções também vem mostrando aumento na procura por proteção contra novas quedas da moeda europeia. Esses instrumentos permitem aos investidores montar posições cujo valor aumenta caso determinado movimento cambial se materialize.</p>
<p>Mais do que a cotação diária, esse comportamento revela uma mudança na distribuição das apostas. O pessimismo deixou de estar concentrado apenas no par euro-dólar.</p>
<h2>BCE entra em posição delicada</h2>
<p>A situação também complica o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340497">trabalho</a> do Banco Central Europeu. A taxa da facilidade de depósito está em 2,50% desde setembro, após duas altas realizadas durante o verão europeu.</p>
<p>A inflação da zona do euro voltou a acelerar, especialmente por causa da energia, o que normalmente aumentaria a pressão por novos juros mais altos. Ao mesmo tempo, a turbulência nos mercados de dívida e o aumento do custo de financiamento dos governos criam um risco de aperto excessivo das condições financeiras.</p>
<p>A ata mais recente do BCE mostra que seus dirigentes ainda consideram os riscos inflacionários relevantes, mas não demonstram disposição para elevar os juros automaticamente. A avaliação predominante é de que os próximos movimentos devem depender dos dados econômicos e da persistência da inflação.</p>
<p>O dilema é evidente. Se o banco central subir juros agressivamente, pode aumentar ainda mais o custo da dívida de países como França e Itália. Se reagir de forma muito branda à inflação, pode comprometer sua credibilidade e produzir nova pressão sobre a moeda.</p>
<p>Os mercados reduziram recentemente parte das apostas em uma sequência mais agressiva de aumentos de juros europeus. Essa reprecificação também retirou suporte do euro.</p>
<h2>Euro já perde cerca de 5% frente ao dólar em 2026</h2>
<p>A pressão das últimas semanas aprofundou um movimento que vinha se formando ao longo do ano. O euro acumula queda de aproximadamente 5% diante do dólar em 2026.</p>
<p>Nesta quinta-feira, a taxa de referência do Banco Central Europeu colocou o euro a US$ 1,1186. A moeda americana, por sua vez, aproximou-se recentemente do maior nível em 18 meses diante de uma cesta de divisas.</p>
<p>O diferencial de juros continua sendo uma variável importante. Quanto maior a remuneração oferecida pelos títulos americanos em relação aos europeus, maior tende a ser o incentivo para investidores manterem recursos em dólares.</p>
<p>Mas a atual fase do mercado acrescentou outro fator: o dólar passou a ser beneficiado não apenas pelos fundamentos americanos, mas pela piora relativa da percepção sobre a Europa.</p>
<h2>Contra o real, movimento tem componente brasileiro</h2>
<p>Para o investidor brasileiro, entretanto, a leitura precisa ser diferente. O euro caiu de aproximadamente R$ 5,87 em 2 de outubro para a região de R$ 5,61 nesta quinta-feira, redução próxima de 4,4%.</p>
<p>Grande parte dessa queda ocorreu em 5 de outubro, primeiro pregão depois da eleição presidencial brasileira. Naquele dia, o real se valorizou fortemente depois de Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva, movimento acompanhado por entrada de capital estrangeiro e alta de 7,70% do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/ibovespa" target="_blank"  rel="noopener" title="Ibovespa" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340501">Ibovespa</a>.</p>
<p>Isso significa que a queda do EUR/BRL resulta da combinação de duas forças: enfraquecimento internacional do euro e fortalecimento doméstico do real.</p>
<p>A distinção é relevante para <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340499">empresas</a> que importam produtos europeus, brasileiros que planejam viagens e companhias que possuem receitas ou despesas denominadas em euro. Uma moeda europeia mais barata em reais pode reduzir custos de importação e viagens, mas também diminui, quando convertida para reais, a receita de exportadores que vendem para a Europa.</p>
<h2>Teste será saber se crise fiscal permanece concentrada</h2>
<p>O principal ponto a observar agora é se o mercado continuará tratando a França como um problema administrável ou começará a enxergar risco de contágio para o restante da zona do euro.</p>
<p>Até aqui, autoridades europeias têm argumentado que a França possui instrumentos para estabilizar suas contas e que não existe justificativa para uma intervenção extraordinária do BCE no mercado de títulos. Essa avaliação pressupõe, porém, que o país consiga avançar com um orçamento crível.</p>
<p>Uma deterioração adicional dos títulos franceses, acompanhada por aumento dos rendimentos em Itália e Espanha, mudaria essa leitura. Nesse cenário, o euro poderia enfrentar uma pressão mais estrutural.</p>
<p>O movimento inverso também é possível. Um acordo fiscal francês capaz de reduzir a incerteza sobre a dívida, combinado com estabilização política e sinais de crescimento mais forte na Europa, poderia retirar parte das posições pessimistas construídas nas últimas semanas.</p>
<p>Por enquanto, o mercado está cobrando um preço maior pela incerteza europeia. O euro deixou de sofrer apenas diante de um dólar forte e passou a perder espaço também para moedas utilizadas como proteção ou que oferecem perspectivas monetárias mais favoráveis. A França está no centro dessa mudança — e os próximos meses mostrarão se o problema permanecerá nacional ou se se transformará em uma questão para toda a zona do euro.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Banco Central Europeu — taxas de câmbio de referência, taxas básicas de juros e ata da reunião de política monetária de setembro de 2026</em></p>
<p><em>Institut National de la Statistique et des Études Économiques — dívida pública e contas das administrações públicas francesas</em></p>
<p><em>Comissão Europeia — projeções macroeconômicas e fiscais para França</em></p>
<p><em>Governo da Espanha — convocação das eleições gerais antecipadas e calendário eleitoral</em></p>
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		<author>
			<name>João Souza</name>
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						</author>

		<title type="html"><![CDATA[Casas Bahia abre leilão com 124 lotes e lance mínimo de R$ 211]]></title>
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		<updated>2026-10-08T17:47:18Z</updated>
		<published>2026-10-08T17:47:18Z</published>
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		<summary type="html"><![CDATA[<p>O Grupo Casas Bahia (BHIA3) colocou em leilão 124 lotes de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos, com valores de abertura a partir de R$ 211. A disputa será realizada pela plataforma Kwara e está prevista para 20 de outubro de 2026, a partir das 10h, com encerramento sequencial dos lotes. Os bens estão armazenados em Jundiaí, [&#8230;]</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/casas-bahia-leilao-124-lotes-lance-211"><![CDATA[<p>O Grupo Casas Bahia (BHIA3) colocou em leilão 124 lotes de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos, com valores de abertura a partir de R$ 211. A disputa será realizada pela plataforma Kwara e está prevista para 20 de outubro de 2026, a partir das 10h, com encerramento sequencial dos lotes. Os bens estão armazenados em Jundiaí, no interior de São Paulo, e incluem desde sofás e colchões até refrigeradores, fogões, lavadoras e televisores de grande porte.</p>
<p>Entre os produtos destacados pela plataforma estão uma lavadora Brastemp de 15 kg, refrigeradores Electrolux, uma geladeira French Door de 590 litros e Smart TVs TCL de 75 e 98 polegadas. A relação também reúne móveis de diferentes fabricantes, como Linoforte, Luizzi, Hellen, Umaflex, Herval, Politorno e Bartira. Os lotes são vendidos individualmente ou em conjuntos, o que muda de forma relevante o custo por unidade para o comprador.</p>
<p>Um dos menores valores de abertura aparece no lote 23, que reúne três móveis, entre eles uma fruteira, uma mini cama montessoriana e um berço. O lance parte de R$ 211, enquanto o valor de referência informado para o conjunto é de R$ 844,65. A diferença entre os dois números equivale a um desconto inicial de cerca de 75%, mas não representa necessariamente o preço final de aquisição, porque o lance ainda pode ser elevado durante a disputa e está sujeito às condições do edital.</p>
<h2>Lance inicial não representa o custo final de compra</h2>
<p>O principal ponto de atenção para quem pretende participar está nas condições financeiras da arrematação. O edital estabelece comissão de 5% para o leiloeiro e despesas administrativas de 15% sobre o valor do arremate. Juntas, as cobranças acrescentam 20% ao lance vencedor, antes de despesas de transporte e eventuais tributos aplicáveis.</p>
<p>Na prática, um lance de R$ 211 resultaria em R$ 253,20 apenas com a soma do preço e das duas cobranças. Em um arremate de R$ 1.000, por exemplo, o desembolso passaria para R$ 1.200 antes de qualquer custo adicional. A diferença é importante porque a comparação com o preço de varejo ou com o valor de referência do lote pode parecer mais vantajosa quando se considera apenas o lance exibido na tela.</p>
<p>Outro detalhe relevante é que os lances não geram, por si só, direito automático à aquisição. O certame é classificado como condicional e a empresa vendedora mantém a decisão final sobre a aprovação. O edital prevê prazo de até cinco dias úteis após o encerramento para que os lances sejam analisados.</p>
<p>Caso a oferta vencedora seja aprovada, a Kwara comunica o arrematante para o pagamento do valor do lote, da comissão e das despesas administrativas. O prazo previsto é de até um dia útil a partir da aprovação. O pagamento deve seguir as instruções encaminhadas pela plataforma, com liquidação por Pix ou créditos previamente concedidos, conforme as regras do certame.</p>
<p>O sistema também permite lances automáticos. Nesse mecanismo, o participante define previamente um limite e a plataforma cobre ofertas de concorrentes pelo incremento mínimo, até o teto estabelecido. O cronômetro pode ser prorrogado quando ocorre uma nova oferta nos segundos finais de determinado lote, evitando que a disputa seja encerrada apenas por uma oferta feita no instante final.</p>
<h2>Produtos são vendidos no estado em que estão e podem não funcionar</h2>
<p>O edital impõe uma condição mais rígida do que a encontrada em uma compra convencional no varejo. Os bens são vendidos no estado de conservação em que se encontram, sem garantia de funcionamento e sem direito à troca. Podem existir riscos, amassados, sujeira, sinais de uso, falta de componentes, acessórios ou manuais e até situações em que determinado equipamento esteja bloqueado por senha ou código.</p>
<p>A própria plataforma alerta que alguns bens podem estar sem testes de funcionamento. Isso significa que o comprador assume o risco de adquirir um produto que necessite de reparo, desmontagem ou substituição de componentes. A recomendação do edital é fazer a vistoria presencial sempre que possível antes da oferta.</p>
<p>No caso de equipamentos oriundos de logística reversa, a situação pode ser ainda mais complexa. Embalagens podem não corresponder exatamente ao produto que está dentro delas, e etiquetas ou registros internos da operação podem não refletir o modelo ou a condição efetiva do item. A Kwara informa que não abre determinadas embalagens para evitar novas avarias.</p>
<p>Há ainda uma particularidade fiscal expressamente prevista nas condições de venda: a nota fiscal emitida pelo comitente terá natureza de operação correspondente à venda de sucata, independentemente do estado de conservação ou da funcionalidade do bem. O participante declara concordar com essa condição ao oferecer o lance.</p>
<p>A plataforma também responsabiliza o comprador por verificar previamente eventuais senhas, bloqueios, números de identificação e demais condições necessárias ao uso dos produtos. Por isso, o valor baixo de entrada não deve ser confundido com garantia de funcionamento ou com uma compra equivalente à aquisição de um produto novo em uma loja.</p>
<h2>Visitação ocorre antes do leilão e retirada exige transporte adequado</h2>
<p>Os interessados poderão fazer a avaliação presencial dos lotes armazenados em Jundiaí. Para os lotes divulgados no evento, a visitação está prevista para 16 de outubro, em horários agendados, com exigência de cadastro prévio e apresentação de informações de identificação dos participantes e do veículo.</p>
<p>A entrada no local tem regras específicas. O edital proíbe menores de 18 anos e restringe o acesso de pessoas com bolsas, mochilas, sacolas, celulares, tablets, smartwatches e fones de ouvido. O uso de calçado de segurança é obrigatório. A entrada também precisa seguir as condições determinadas pelo centro de distribuição, inclusive em relação ao veículo utilizado.</p>
<p>A etapa de retirada é igualmente diferente de uma compra convencional. Depois da compensação do pagamento, a Kwara agenda a retirada, que deve ocorrer dentro dos dias e horários definidos para cada lote. No caso do lote 23, por exemplo, o cronograma informado aponta os dias 27, 28 e 29 de outubro, em janelas específicas de manhã e à tarde.</p>
<p>O comprador não pode retirar apenas parte dos produtos de um lote. Todo o conjunto precisa ser levado de uma só vez, e os custos de desmontagem, carregamento, mão de obra e transporte ficam por conta do arrematante.</p>
<p>A retirada também não pode ser feita a pé ou de motocicleta. O edital exige veículo automotor apropriado para a carga, como HR, Kombi ou VUC, e determina que o veículo esteja vazio no momento da operação. O comprador ou seu representante deve levar a documentação exigida e cumprir as regras de segurança do centro de distribuição.</p>
<p>O descumprimento do prazo de retirada pode gerar custo adicional. O edital prevê taxa de guarda de R$ 200 por dia e por lote em caso de permanência dos bens após a data limite estabelecida. O atraso prolongado ainda pode resultar na perda dos valores pagos e na revenda dos produtos a terceiros, segundo as condições do certame.</p>
<h2>Leilão ocorre durante recuperação judicial, mas não equivale à venda de ativos do processo</h2>
<p>A nova rodada acontece menos de dois meses depois de o Grupo Casas Bahia protocolar pedido de recuperação judicial. Em 16 de agosto de 2026, a companhia e nove sociedades do grupo recorreram à Justiça de São Paulo para reestruturar obrigações. O processo foi apresentado com passivo declarado de R$ 17,322 bilhões.</p>
<p>No fim de agosto, a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo concedeu medidas de proteção à companhia no processo, que passou a avançar sob supervisão judicial. A recuperação foi apresentada pela empresa em meio à deterioração das condições financeiras, que a própria companhia relacionou a juros elevados, restrição de crédito, aumento dos custos financeiros e pressão sobre capital de giro.</p>
<p>A coincidência temporal pode levar à interpretação de que o leilão esteja sendo realizado para levantar recursos destinados à recuperação. As informações disponíveis, porém, não sustentam essa conclusão. Em operações anteriores, a Casas Bahia informou que leilões desse tipo são recorrentes e estão relacionados ao Departamento de Assistência Técnica, o DAT, e não ao processo de recuperação judicial.</p>
<p>A própria companhia descreve o DAT como uma estrutura ligada à <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340489">economia</a> circular e à logística reversa, responsável por avaliar e recuperar equipamentos devolvidos, prolongar a vida útil dos produtos e encaminhar parte deles para revenda. O modelo inclui itens que retornam à operação por devolução, avaria ou processos de assistência técnica.</p>
<p>O edital do leilão atual reforça essa natureza operacional ao mencionar produtos de logística reversa e itens provenientes de mostruário. Isso permite separar a existência do certame da situação financeira da empresa: o leilão ocorre enquanto a Casas Bahia está em recuperação judicial, mas não há indicação, nas regras divulgadas para esta rodada, de que os 124 lotes constituam ativos colocados à venda como parte do processo de reestruturação de dívidas.</p>
<p>Para o consumidor, a principal diferença está no risco assumido. A operação não equivale a uma promoção tradicional nem a uma venda comum de estoque. O comprador disputa bens em condição variável, paga encargos adicionais, assume a logística de retirada e, em determinados casos, pode receber produtos que exigem reparos ou que não tenham condições imediatas de uso.</p>
<p>Com o leilão marcado para 20 de outubro, o valor anunciado de R$ 211 funciona, portanto, como ponto de entrada para a disputa, e não como preço garantido de compra. Para avaliar a vantagem econômica de cada lote, o participante precisa considerar o valor final do lance, os 20% adicionais, o transporte, eventuais tributos e o estado efetivo dos produtos antes de concluir a arrematação.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Kwara &#8211; edital e condições de venda do Leilão Extrajudicial K-3067 do Grupo Casas Bahia</em></p>
<p><em>Kwara &#8211; relação de 124 lotes, valores de abertura, descrição dos bens e cronograma de encerramento do leilão</em></p>
<p><em>Grupo Casas Bahia &#8211; informações institucionais sobre o Departamento de Assistência Técnica, economia circular e logística reversa</em></p>
<p><em>CVM &#8211; fato relevante sobre o pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia em 16 de agosto de 2026</em></p>
<p><em>Tribunal de Justiça de São Paulo &#8211; decisão judicial do processo de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia</em></p>
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		<author>
			<name>Daniel Wicker</name>
							<uri>https://muckrack.com/daniel-i-wicker</uri>
						</author>

		<title type="html"><![CDATA[BTG seleciona 8 FIIs de tijolo com desconto e dividendos de até 12,1%]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/btg-oito-fiis-de-tijolo-desconto-dividendos-ate-12-1" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533123</id>
		<updated>2026-10-08T16:03:14Z</updated>
		<published>2026-10-08T16:03:14Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Fundos Imobiliários" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="BTG Pactual" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="dividendos" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="FIIs" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="fundos de tijolo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="fundos imobiliários" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="IFIX" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="lajes corporativas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="mercados" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Shoppings" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>Os fundos imobiliários de tijolo voltaram ao radar dos investidores diante da combinação entre desconto das cotas, distribuição de renda e possibilidade de valorização caso os juros de longo prazo recuem. Em relatório, o BTG Pactual identifica oito veículos que considera particularmente bem posicionados nesse ambiente, distribuídos entre lajes corporativas, galpões logísticos, shopping centers e [&#8230;]</p>
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]]></summary>

					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/btg-oito-fiis-de-tijolo-desconto-dividendos-ate-12-1"><![CDATA[<p>Os fundos imobiliários de tijolo voltaram ao radar dos investidores diante da combinação entre desconto das cotas, distribuição de renda e possibilidade de valorização caso os juros de longo prazo recuem. Em relatório, o BTG Pactual identifica oito veículos que considera particularmente bem posicionados nesse ambiente, distribuídos entre lajes corporativas, galpões logísticos, shopping centers e hotelaria.</p>
<p>O ponto central da análise está na relação entre preço de <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340488">mercado</a> e valor patrimonial. Segundo os cálculos apresentados pelo banco, o índice P/VP do segmento de tijolo está em aproximadamente 0,85 vez, enquanto a média histórica é próxima de 0,94 vez. Na prática, o mercado estaria pagando cerca de 85% do valor patrimonial dos imóveis e demais ativos dos fundos, um desconto de aproximadamente 15%.</p>
<p>O diferencial, porém, não está apenas no deságio. O BTG também observa que o dividend yield do IFIX de tijolo se encontra em patamar elevado em relação à taxa real dos títulos públicos de referência. Na avaliação do banco, esse prêmio pode favorecer a classe caso a curva de juros permita uma redução do custo de capital, embora a qualidade dos imóveis, a ocupação, a estrutura financeira e a recorrência dos rendimentos continuem sendo determinantes.</p>
<p>A seleção reúne fundos com perfis bastante diferentes. Há veículos negociados cerca de um terço abaixo do patrimônio, enquanto outros estão próximos do valor contábil. O levantamento dos oito nomes indicados pelo banco resulta em P/VP médio de aproximadamente 0,85 vez e dividend yield médio anualizado de 9,6%, cálculo feito a partir dos dados apresentados na análise.</p>
<h2>Desconto é maior nas lajes, mas vacância continua no radar</h2>
<p>Entre os fundos escolhidos, VBI Prime Properties (PVBI11) e JS Real Estate (JSRE11) aparecem entre os maiores deságios. Ambos são associados principalmente a imóveis corporativos de padrão elevado em São Paulo, segmento que ainda carrega o efeito de ciclos anteriores de vacância e renegociação de contratos.</p>
<p>No recorte analisado pelo BTG, os dois fundos apresentam P/VP de 0,66 vez. Isso significa um desconto nominal de cerca de 34% em relação ao valor patrimonial, o maior deságio da seleção. No caso do PVBI11, o rendimento anualizado indicado é de 6,4%, enquanto o JSRE11 aparece com 9%.</p>
<p>O desconto, contudo, não deve ser interpretado automaticamente como margem de segurança. O valor patrimonial depende da avaliação dos imóveis, enquanto o desempenho econômico do fundo depende da capacidade de locação dos ativos, reajuste de contratos e despesas. No PVBI11, dados recentes mostram cotação próxima de R$ 69 e P/VP de 0,66 vez, com vacância concentrada em parte do portfólio corporativo; a cota acumulava queda de aproximadamente 15,5% em 2026 até 7 de outubro.</p>
<p>O JSRE11 apresenta uma situação diferente. Dados recentes apontam P/VP ao redor de 0,67 vez, mas ocupação de 96,1% em agosto, além de um histórico recente de redução da vacância e expansão de contratos. O fundo também adquiriu as Torres I e II do complexo WTorre Nações Unidas em 2026, ampliando a exposição a imóveis corporativos de alto padrão.</p>
<p>A diferença entre os dois casos ajuda a explicar por que o deságio patrimonial, isoladamente, não basta para definir uma oportunidade. O mercado pode aplicar descontos diferentes a ativos semelhantes dependendo da velocidade esperada de recuperação operacional e da capacidade de geração de caixa.</p>
<p>Nos galpões logísticos, o BTG selecionou Bresco Logística (BRCO11) e Vinci Logística (VILG11). Os deságios são mais modestos, de 2% e 8%, respectivamente, considerando os P/VPs de 0,98 e 0,92 vez apresentados no relatório. Em contrapartida, os fundos oferecem yields anualizados próximos de 9,8%.</p>
<p>A tese aqui é menos dependente de uma reavaliação abrupta das cotas e mais ligada à qualidade dos ativos, ocupação e capacidade de preservar receitas. O VILG11, por exemplo, concluiu em outubro a aquisição do empreendimento Multimodal Campinas por R$ 140 milhões, mostrando que a carteira segue passando por movimentos de reciclagem e expansão mesmo em um ambiente de juros ainda elevados.</p>
<h2>Shoppings concentram os maiores rendimentos da seleção</h2>
<p>No segmento de shopping centers está a combinação mais agressiva entre desconto e geração de renda da carteira apresentada pelo BTG. Os três fundos escolhidos são BTG Pactual Shopping Centers (BPML11), HSI Malls (HSML11) e Vinci Shopping Centers (VISC11).</p>
<p>O BPML11 aparece como o maior destaque em rendimento, com dividend yield anualizado de 12,1% e P/VP de 0,76 vez. O desconto de aproximadamente 24% em relação ao patrimônio coloca o fundo entre os nomes com maior assimetria da seleção.</p>
<p>A trajetória recente mostra, porém, que a tese já foi parcialmente reconhecida pelo mercado. O BPML11 acumulava alta de 16,7% na cotação em 2026 até 7 de outubro e valorização de 37,2% quando considerados os proventos, segundo dados de mercado. Mesmo após esse movimento, permanecia abaixo do valor patrimonial.</p>
<p>O HSML11, por sua vez, aparece com P/VP de 0,89 vez e yield de 10,1%. O fundo possui exposição a oito empreendimentos, distribuídos por diferentes estados, e combina geração de receita de aluguel com participação direta nos ativos. Demonstrações financeiras referentes ao exercício encerrado em junho mostraram patrimônio líquido de cerca de R$ 2,1 bilhões e imóveis avaliados a valor justo em aproximadamente R$ 2,34 bilhões.</p>
<p>Já o VISC11 tem o menor desconto entre os três, com P/VP de 0,97 vez e yield de 9%. O fundo estava praticamente alinhado ao valor patrimonial no fechamento de 7 de outubro, mas apresentou novos eventos corporativos relevantes: um relatório gerencial divulgado naquele dia tratou da venda de participações em cinco shoppings do portfólio.</p>
<p>A situação dos shoppings também reforça uma ressalva importante do BTG: parte dos rendimentos atuais de determinados fundos pode conter componentes não recorrentes. Ganhos com vendas de ativos, resultados acumulados ou operações extraordinárias elevam temporariamente o valor distribuído e, por isso, não devem ser extrapolados automaticamente para os próximos 12 meses.</p>
<h2>Hotelaria tem yield elevado e dinâmica diferente</h2>
<p>O Hotel Maxinvest (HTMX11) completa a seleção. O fundo possui uma estrutura particular porque combina receitas relacionadas à operação dos hotéis com ganhos provenientes da venda de unidades. Isso torna o fluxo de distribuição menos comparável ao de fundos tradicionais de escritórios, logística ou shoppings.</p>
<p>No levantamento do BTG, o HTMX11 apresenta P/VP de 0,93 vez e dividend yield anualizado de 10,4%. Dados mais recentes de mercado mostram cotação próxima de R$ 140, P/VP de aproximadamente 0,94 vez e rendimento de 12 meses na casa de 12%.</p>
<p>Os relatórios do fundo ajudam a explicar essa diferença. Em agosto, o patrimônio líquido estava em aproximadamente R$ 428 milhões, enquanto o valor patrimonial por cota era de R$ 148,23. O fundo também registrou distribuição elevada em meses que incorporaram operações extraordinárias, o que torna necessário separar o resultado operacional da receita obtida com alienação de unidades.</p>
<p>Esse aspecto é relevante para investidores que utilizam o dividend yield como principal critério de seleção. Um rendimento de dois dígitos pode ser atraente, mas a qualidade do fluxo depende de sua recorrência. Em fundos de hotelaria, o desempenho da ocupação, da diária média e do RevPAR também pesa diretamente na capacidade de sustentar os pagamentos.</p>
<h2>O que o desconto representa para o investidor</h2>
<p>A fotografia dos oito fundos mostra uma distribuição bastante ampla de risco e de potencial de reprecificação. O menor P/VP da seleção é de 0,66 vez, enquanto o maior é de 0,98 vez. A diferença entre esses extremos é de 32 pontos percentuais de valor patrimonial, indicando que o grupo não deve ser tratado como uma carteira homogênea.</p>
<p>O cálculo médio ajuda a dimensionar a tese: tomando os oito P/VPs apresentados pelo BTG, o investidor estaria pagando, em média, cerca de 84,6% do patrimônio dos fundos. Isso corresponde a um desconto aproximado de 15,4%. Já o rendimento médio anualizado dos oito nomes chega a cerca de 9,6%.</p>
<p>Esse desconto pode oferecer potencial de ganho de capital caso as cotas converjam para níveis mais próximos do valor patrimonial. Mas não há uma regra que obrigue o mercado a negociar fundos a 1 vez o patrimônio. A permanência de juros reais elevados, dúvidas sobre crescimento econômico, vacância, necessidade de investimentos e percepção de risco podem manter os múltiplos comprimidos por longos períodos.</p>
<p>A própria curva de juros é, portanto, parte essencial da tese. O Tesouro Nacional informa que as taxas dos títulos públicos negociados pelo Tesouro Direto refletem as condições do mercado secundário e são atualizadas diariamente. Em um ambiente de queda consistente dos juros reais, a renda proporcionada pelos FIIs pode se tornar relativamente mais competitiva, ao mesmo tempo em que o valor presente dos fluxos futuros dos imóveis tende a aumentar.</p>
<p>Para o investidor, o principal ponto da análise do BTG não é simplesmente buscar o maior dividend yield. O conjunto dos dados sugere uma estratégia baseada na relação entre preço, patrimônio e capacidade de geração recorrente de renda. Fundos como BPML11 oferecem rendimento elevado, mas já tiveram forte valorização em 2026. PVBI11 e JSRE11 possuem descontos maiores, porém dependem mais diretamente da recuperação dos escritórios. BRCO11 e VILG11 apresentam menor desconto e uma tese mais ligada à qualidade operacional dos galpões.</p>
<p>A conclusão é que o desconto patrimonial funciona como ponto de partida, e não como justificativa isolada para a compra. A eventual queda dos juros pode favorecer a classe como um todo, mas a intensidade do benefício dependerá de cada portfólio, do perfil dos contratos, da ocupação e da recorrência dos resultados. Dentro desse universo, a seleção do BTG reúne oito fundos com características distintas e deixa clara uma divisão entre os que oferecem maior margem de reprecificação e os que apresentam maior previsibilidade operacional.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>BTG Pactual &#8211; Research de fundos imobiliários, indicadores setoriais, carteira recomendada e análises dos segmentos de tijolo</em></p>
<p><em>Tesouro Nacional &#8211; taxas dos títulos ofertados pelo Tesouro Direto e dados do mercado secundário de títulos públicos</em></p>
<p><em>B3 e Clube FII &#8211; cotações, P/VP, dividend yields e desempenho de fundos imobiliários em 2026</em></p>
<p><em>JSRE11 &#8211; relatórios gerenciais, informações patrimoniais e comunicados sobre o portfólio</em></p>
<p><em>HSML11 &#8211; demonstrações financeiras e informações patrimoniais do exercício encerrado em junho de 2026</em></p>
<p><em>HTMX11 &#8211; relatórios gerenciais, informações patrimoniais e distribuição de rendimentos</em></p>
<p><em>VISC11 &#8211; relatório gerencial de setembro de 2026 e informações sobre movimentações no portfólio</em></p>
<p><em>VILG11 &#8211; relatório gerencial e informações sobre a aquisição do empreendimento Multimodal Campinas</em></p>
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		<author>
			<name>João Souza</name>
							<uri>https://muckrack.com/joao-souza</uri>
						</author>

		<title type="html"><![CDATA[Oi registra prejuízo de R$ 36,4 bilhões em 2025 e PwC contesta base contábil]]></title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://gazetamercantil.com/oi-prejuizo-36-4-bilhoes-2025-pwc-base-contabil" />

		<id>https://gazetamercantil.com/?p=1533117</id>
		<updated>2026-10-08T19:52:08Z</updated>
		<published>2026-10-08T15:34:17Z</published>
		<category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Empresas" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Destaque" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Notícias" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="demonstrações financeiras" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="falência" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="Oi" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="prejuízo" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="PWC" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="recuperação judicial" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="telecomunicações" /><category scheme="https://gazetamercantil.com" term="venda de ativos" />
		<summary type="html"><![CDATA[<p>A receita operacional líquida consolidada somou R$ 2,6 bilhões em 2025, queda de 18,3% ante 2024 (R$ 3,18 bilhões)</p>
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					<content type="html" xml:base="https://gazetamercantil.com/oi-prejuizo-36-4-bilhoes-2025-pwc-base-contabil"><![CDATA[<p>A Oi encerrou 2025 com prejuízo líquido consolidado de R$ 36,4 bilhões, revertendo o lucro de R$ 9,6 bilhões registrado no ano anterior, em um balanço divulgado já sob o efeito da conversão da recuperação judicial em falência. As demonstrações financeiras, entregues em 7 de outubro, mostram também retração de 18,3% da receita operacional líquida, para R$ 2,6 bilhões, e resultado financeiro negativo de R$ 33,2 bilhões. O cenário é agravado por uma opinião adversa da PwC, que questionou a adoção da premissa de continuidade operacional.</p>
<p>O tamanho da deterioração não decorre apenas da redução da atividade. A diferença entre o resultado líquido de 2024 e o de 2025 foi de R$ 46 bilhões. Já o resultado financeiro piorou R$ 45,4 bilhões em um ano, saindo de um ganho de R$ 12,2 bilhões para uma despesa líquida de R$ 33,2 bilhões. Em termos proporcionais, o prejuízo de 2025 equivale a cerca de 14 vezes a receita operacional líquida do exercício, uma dimensão que ajuda a mostrar o peso dos efeitos financeiros e contábeis sobre uma companhia cuja operação encolheu ao longo do período.</p>
<h2>Efeito contábil domina a virada do resultado</h2>
<p>Segundo as demonstrações, a deterioração do resultado financeiro esteve ligada principalmente à reversão de ajustes associados à novação de passivos prevista no plano de recuperação judicial. Entraram nesse movimento valores relacionados a empréstimos e financiamentos, fornecedores e obrigações com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), com recomposição dos saldos nominais das dívidas.</p>
<p>O tratamento contábil de 2025 contrasta com o que ocorreu em 2024. Naquele exercício, a homologação do plano de recuperação judicial produziu efeitos positivos sobre o resultado financeiro porque dívidas sujeitas ao plano foram novadas e recalculadas. Em 2025, parte desse efeito foi revertida, contribuindo para a forte piora do resultado.</p>
<p>A diferença é importante para a leitura do balanço porque o prejuízo não pode ser interpretado integralmente como uma saída de caixa de R$ 36,4 bilhões no período. Uma parcela relevante do resultado veio da forma como os passivos passaram a ser reconhecidos e ajustados nos demonstrativos. O dado, portanto, expressa principalmente a deterioração patrimonial e financeira registrada contabilmente em um momento em que a empresa já havia perdido a perspectiva de reorganização pela via da recuperação judicial.</p>
<p>A receita operacional líquida caiu de R$ 3,18 bilhões em 2024 para R$ 2,6 bilhões em 2025, uma redução de aproximadamente R$ 580 milhões. A retração de 18,3% mostra que a piora não ficou restrita a efeitos extraordinários: a base operacional também era menor ao final do exercício. Ainda assim, a queda de receita foi numericamente muito inferior à oscilação de R$ 45,4 bilhões registrada no resultado financeiro.</p>
<h2>Auditoria aponta mudança na base contábil</h2>
<p>A PwC emitiu opinião adversa sobre as demonstrações financeiras. A auditoria avaliou que os números não apresentam adequadamente a posição patrimonial e financeira e o desempenho da companhia e de suas controladas segundo as regras contábeis aplicáveis a entidades em liquidação e as normas internacionais de contabilidade.</p>
<p>O ponto central do parecer está na escolha da base contábil. Segundo a auditoria, a manutenção do pressuposto de continuidade operacional foi inadequada diante das circunstâncias da companhia. Na avaliação da PwC, as demonstrações deveriam ter sido preparadas sob uma base de liquidação, levando em conta que a empresa não seria capaz de liquidar seus passivos no curso normal de suas atividades.</p>
<p>A diferença não é apenas formal. Na base de continuidade, ativos e passivos são registrados a partir da expectativa de que a empresa seguirá operando e cumprirá suas obrigações no curso normal dos <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340484">negócios</a>. Em uma situação de liquidação, a avaliação dos ativos e das obrigações passa a refletir as condições relacionadas ao encerramento ou à realização dos ativos e à liquidação dos passivos. Por isso, a própria escolha da base pode alterar valores relevantes do balanço.</p>
<p>Na prática, o parecer da auditoria introduz uma ressalva estrutural sobre a capacidade das demonstrações de representar a posição econômica da companhia em um cenário de falência. A opinião adversa também impede que o balanço seja lido como uma fotografia patrimonial sem considerar as limitações apontadas pelo auditor.</p>
<h2>Falência muda o estágio da companhia</h2>
<p>A conversão da recuperação judicial em falência foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em 25 de agosto, nos julgamentos dos agravos de instrumento relacionados ao caso. Os acórdãos correspondem aos processos 0096877-26.2025.8.19.0000 e 0096871-19.2025.8.19.0000, segundo a documentação divulgada pela companhia e pelo processo de recuperação judicial.</p>
<p>A sequência judicial ajuda a explicar por que o balanço de 2025 foi publicado em um contexto diferente daquele em que os números originalmente deveriam ter sido apresentados. A companhia adiou várias vezes a divulgação das informações financeiras ao longo de 2026, citando os impactos dos acontecimentos ligados à recuperação judicial e aos processos competitivos de venda de ativos.</p>
<p>A publicação do balanço ocorreu, portanto, depois de uma mudança fundamental no regime jurídico da empresa. O ano de 2025 ainda foi contabilizado em um período em que a recuperação judicial estava em curso, mas os demonstrativos chegaram ao <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340483">mercado</a> depois de a falência ter sido decretada e mantida em segunda instância.</p>
<p>Outro marco ocorreu em setembro, quando a listagem das ações da Oi deixou de ser admitida na B3. A deslistagem não extingue, por si só, a companhia nem converte automaticamente as ações em créditos contra a massa falida, mas retira os papéis do ambiente de negociação da bolsa. O fato reforça a mudança do perfil da companhia perante acionistas e credores.</p>
<h2>Venda de ativos passa a definir a continuidade operacional</h2>
<p>A trajetória dos ativos também mostra que a reorganização da Oi está avançando por meio de alienações específicas. Uma das operações mais relevantes envolve a Unidade Produtiva Isolada de Serviços Telefônicos, criada para concentrar os ativos e contratos ligados à telefonia fixa. A proposta vencedora do leilão foi apresentada pela Método Telecomunicações e Comércio Ltda., em operação estruturada para preservar a continuidade dos serviços.</p>
<p>A venda da UPI foi aprovada em etapas ao longo de 2026 e a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) transitou em julgado no fim de setembro. A estrutura prevê a transferência da operação de telefonia fixa para a Oi Serviços Telefônicos S.A., com mudança prevista para novembro, e posterior alienação da participação da Oi nessa nova empresa à Método, vencedora do processo competitivo.</p>
<p>Esse tipo de operação é compatível com uma companhia em processo de liquidação porque separa ativos e atividades operacionais em unidades que podem ser vendidas individualmente. O foco deixa de ser reconstruir integralmente o antigo grupo econômico e passa a ser realizar ativos e organizar a destinação dos recursos dentro do processo falimentar.</p>
<p>Para consumidores, credores e prestadores de serviço, a consequência é diferente. A falência societária não significa necessariamente interrupção imediata de todas as operações. Atividades consideradas essenciais podem continuar temporariamente enquanto ativos, contratos e estruturas empresariais são transferidos ou vendidos, o que explica a permanência de serviços mesmo após a decretação da falência.</p>
<h2>Balanço evidencia limite da operação remanescente</h2>
<p>Os números de 2025 ajudam a dimensionar a diferença entre a Oi que existia antes das grandes vendas de ativos e a estrutura que permanece em processo de liquidação. A receita operacional líquida de R$ 2,6 bilhões é insuficiente para explicar, sozinha, a magnitude do resultado líquido negativo. O principal fator de pressão foi financeiro e patrimonial, intensificado pela reversão dos efeitos de novações e pela mudança de referência contábil discutida pela auditoria.</p>
<p>A diferença entre receita e prejuízo também mostra por que o desempenho de 2025 não deve ser lido com a mesma lógica de um balanço convencional de uma companhia em atividade normal. O resultado está fortemente condicionado por eventos de reestruturação de passivos, decisões judiciais e alienação de ativos, e não apenas pela capacidade de gerar receita com seus serviços.</p>
<p>O próximo ciclo da Oi, portanto, dependerá menos de uma recuperação operacional tradicional e mais da execução ordenada da falência, da realização de ativos e do tratamento dos passivos. A divulgação das demonstrações financeiras encerra uma etapa de atraso na apresentação dos números, mas também deixa explícita a dimensão dos ajustes contábeis produzidos pela crise.</p>
<p>Com o parecer adverso da PwC e a companhia já submetida ao regime falimentar, os demonstrativos de 2025 passam a servir sobretudo como registro da posição financeira de uma empresa em transição para a liquidação. Os números mostram uma operação menor, um passivo sujeito a fortes efeitos de reavaliação e um processo cuja etapa seguinte será determinada pela venda dos ativos remanescentes e pela ordem de pagamento dos credores.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Oi S.A. &#8211; Demonstrações Financeiras Anuais Completas de 2025 e relatório anual com o parecer da auditoria independente</em></p>
<p><em>Oi S.A. &#8211; fatos relevantes e comunicados sobre adiamento das demonstrações financeiras, falência, deslistagem e alienação de ativos</em></p>
<p><em>Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro &#8211; acórdãos dos agravos de instrumento que mantiveram a convolação da recuperação judicial do Grupo Oi em falência</em></p>
<p><em>Oi S.A. &#8211; documentos sobre a alienação da UPI Serviços Telefônicos e transferência da operação para a Oi Serviços Telefônicos S.A.</em></p>
<p><em>Conselho Administrativo de Defesa Econômica &#8211; aprovação da operação envolvendo a UPI Serviços Telefônicos</em></p>
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