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	<title>Negócios &#8211; GAZETA MERCANTIL</title>
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	<description>A Gazeta Mercantil traz as últimas notícias sobre política, economia, segurança, entretenimento, negócios, entretenimento, esportes, moda</description>
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	<title>Negócios &#8211; GAZETA MERCANTIL</title>
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		<title>Investimentos em data centers devem chegar a US$ 2,1 trilhões até 2028 com avanço da I.A.</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/investimentos-data-centers-2-1-trilhoes-2028-inteligencia-artificial</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alice Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2026 19:32:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Bank of America]]></category>
		<category><![CDATA[BofA Global Research]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Investimentos globais em data centers devem chegar a US$ 2,1 trilhões até 2028, segundo o BofA. Inteligência artificial impulsiona expansão do setor.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Os investimentos globais em data centers devem alcançar US$ 2,1 trilhões até 2028, mais que o dobro do volume de US$ 1 trilhão projetado para 2026, segundo estimativas divulgadas nesta sexta-feira (23) pelo BofA Global Research, divisão de análises do Bank of America. A expansão é impulsionada principalmente pelo crescimento da inteligência artificial, que exige capacidade crescente de processamento, armazenamento de dados e infraestrutura energética. O levantamento aponta uma transformação na composição dos investimentos mundiais em tecnologia, com efeitos diretos sobre fabricantes de semicondutores, equipamentos industriais e fornecedores de eletricidade. A tendência também abre oportunidades para países interessados em atrair grandes centros de processamento de dados, incluindo o Brasil.</p>
<p>Segundo o BofA, o <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341307">mercado</a> global de data centers, estimado em US$ 275 bilhões em 2022, poderá atingir US$ 2,93 trilhões até 2030. O banco projeta crescimento médio composto de 37% ao ano entre 2025 e 2030, refletindo a ampliação dos investimentos em inteligência artificial e computação em nuvem. A trajetória representa uma expansão expressiva da infraestrutura necessária para sustentar aplicações digitais utilizadas por <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341306">empresas</a>, governos e consumidores. Entretanto, as cifras representam projeções de mercado, não compromissos de investimento já contratados ou integralmente financiados.</p>
<p>A intensidade dessa expansão também aumenta a importância de componentes que tradicionalmente recebiam menos atenção do mercado financeiro. Além dos processadores avançados, novos data centers precisam de transformadores, sistemas de refrigeração, geradores, equipamentos de distribuição de energia e infraestrutura de comunicação. A capacidade de atender a essas demandas poderá determinar quais projetos serão efetivamente construídos nos próximos anos. O crescimento da inteligência artificial, portanto, tende a produzir efeitos econômicos que ultrapassam o setor de tecnologia.</p>
<h2>Inteligência artificial acelera expansão dos data centers</h2>
<p>A inteligência artificial tornou-se um dos principais fatores responsáveis pelo aumento dos investimentos em infraestrutura digital. Sistemas capazes de gerar textos, imagens, vídeos e executar tarefas complexas dependem de grandes quantidades de processamento, tanto durante o treinamento quanto na utilização cotidiana. À medida que essas aplicações são incorporadas a produtos e serviços, cresce a necessidade de servidores especializados e conexões de alta velocidade. Essa demanda está transformando os data centers em instalações estratégicas para a <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341305">economia</a> digital.</p>
<p>O movimento também reflete uma mudança na forma como grandes empresas de tecnologia organizam seus investimentos. A expansão dos serviços de inteligência artificial exige não apenas a compra de chips, mas a construção de estruturas capazes de operar continuamente e com elevada disponibilidade. Essas instalações precisam integrar sistemas computacionais, energia, refrigeração, segurança física e conectividade. A complexidade dos projetos contribui para elevar os custos e ampliar os prazos de implantação.</p>
<p>A Agência Internacional de Energia (IEA) identificou crescimento expressivo dos investimentos realizados pelas maiores empresas de tecnologia. Segundo relatório publicado em abril de 2026, os gastos de capital de cinco grandes companhias superaram US$ 400 bilhões em 2025, com expectativa de aumento de aproximadamente 75% em 2026. Esses desembolsos abrangem diferentes investimentos tecnológicos e não devem ser confundidos com a estimativa global de data centers apresentada pelo BofA. Ainda assim, demonstram a escala dos recursos mobilizados para ampliar a infraestrutura de inteligência artificial.</p>
<p>O crescimento também depende da capacidade das empresas de transformar investimentos em receitas recorrentes. A instalação de novos servidores eleva despesas com equipamentos, energia, manutenção e atualização tecnológica. Para justificar esses desembolsos, operadores precisam garantir utilização suficiente da capacidade instalada e contratos comerciais capazes de sustentar o retorno financeiro. A velocidade de adoção da inteligência artificial será determinante para a rentabilidade desses projetos.</p>
<h2>Construção de data centers pode custar US$ 49 milhões por megawatt</h2>
<p>O levantamento do BofA apresenta uma estimativa detalhada dos custos associados à implantação de data centers. Segundo o banco, a construção e o aparelhamento dessas instalações exigem aproximadamente US$ 49 milhões por megawatt de capacidade, considerando a infraestrutura tecnológica e os demais componentes necessários ao funcionamento. Desse total, cerca de 78% correspondem a despesas relacionadas à tecnologia da informação. O percentual demonstra que servidores, redes e equipamentos computacionais concentram a maior parcela dos investimentos.</p>
<p>Os servidores representam o componente mais caro, com custo estimado de US$ 31,4 milhões por megawatt. Na sequência aparecem os equipamentos de rede, responsáveis por aproximadamente US$ 4,8 milhões por megawatt. Esses sistemas permitem distribuir tarefas de processamento, transmitir informações e conectar grandes conjuntos de equipamentos. Sua importância aumenta em ambientes destinados ao treinamento e à execução de modelos avançados de inteligência artificial.</p>
<p>Os componentes elétricos e de refrigeração também representam despesas relevantes, embora individualmente menores que as dos servidores. Segundo o BofA, equipamentos como quadros de distribuição, geradores, sistemas de energia de reserva e resfriadores apresentam custos que variam de US$ 100 mil a US$ 1,1 milhão por megawatt, dependendo da função. A instalação desses sistemas é indispensável para assegurar a continuidade das operações. Interrupções no fornecimento de energia ou falhas de refrigeração podem comprometer serviços digitais e provocar prejuízos expressivos.</p>
<p>O custo por megawatt é uma referência utilizada para comparar a intensidade de capital de diferentes projetos. Entretanto, não representa uma estimativa universal aplicável a qualquer empreendimento, já que despesas com terrenos, conexão elétrica, equipamentos e características técnicas variam conforme a localização. Também é importante distinguir a capacidade elétrica de uma instalação de sua efetiva utilização ao longo do tempo. Esses fatores influenciam diretamente o retorno esperado pelos investidores.</p>
<h2>Data centers especializados em IA exigem investimentos ainda maiores</h2>
<p>A expansão da inteligência artificial também impulsiona uma categoria de instalações frequentemente denominada neoclouds. Esses data centers são desenvolvidos especificamente para oferecer infraestrutura de processamento de alta capacidade, normalmente baseada em aceleradores e outros equipamentos especializados. Diferentemente de estruturas convencionais, podem concentrar maior potência computacional em áreas físicas relativamente menores. Essa configuração exige projetos de energia e refrigeração adaptados à elevada densidade dos equipamentos.</p>
<p>Segundo o BofA, as neoclouds apresentam custo estimado de US$ 57 milhões por megawatt, aproximadamente 16% superior à referência de US$ 49 milhões atribuída aos data centers tradicionais. A diferença está associada à maior intensidade tecnológica e às exigências dos sistemas destinados à inteligência artificial. Embora possam utilizar menos espaço para determinadas cargas computacionais, essas instalações precisam administrar elevada demanda elétrica por área ocupada. A redução da necessidade de espaço, portanto, não significa necessariamente menor investimento total.</p>
<p>A concentração de equipamentos de alto desempenho também amplia a necessidade de tecnologias avançadas de refrigeração. Sistemas convencionais de circulação de ar podem apresentar limitações diante do calor produzido por processadores de maior potência. Por isso, operadores avaliam soluções como resfriamento líquido e novas arquiteturas de distribuição térmica. A evolução dessas tecnologias poderá influenciar os custos operacionais e a viabilidade de futuros empreendimentos.</p>
<h2>Demanda por eletricidade pode quase dobrar até 2030</h2>
<p>A disponibilidade de energia elétrica aparece entre os maiores desafios para sustentar o crescimento do setor. De acordo com a Agência Internacional de Energia, o consumo mundial de eletricidade dos data centers poderá passar de aproximadamente 485 terawatts-hora em 2025 para 950 terawatts-hora em 2030. O volume projetado corresponderia a cerca de 3% da demanda mundial de eletricidade no fim da década. O consumo das instalações especificamente voltadas à inteligência artificial tende a crescer ainda mais rapidamente.</p>
<p>Essa expansão cria desafios para sistemas elétricos que já enfrentam dificuldades relacionadas à capacidade de transmissão e à conexão de novos consumidores industriais. Grandes data centers precisam de fornecimento contínuo, com elevada confiabilidade e sistemas redundantes para evitar interrupções. Em regiões onde a rede opera próxima de seus limites, novos empreendimentos podem exigir investimentos adicionais em subestações e linhas de transmissão. A disponibilidade de eletricidade passa, assim, a influenciar diretamente a localização dos projetos.</p>
<p>A IEA também alerta para restrições nas cadeias de fornecimento de transformadores, turbinas e componentes utilizados em sistemas elétricos. O aumento simultâneo da demanda por esses equipamentos pode elevar custos e prolongar os prazos de entrega. Em alguns mercados, projetos de data centers poderão enfrentar atrasos mesmo quando houver disponibilidade de recursos financeiros. Essa limitação mostra que a expansão da inteligência artificial depende de fatores industriais e energéticos, não apenas de avanços no desenvolvimento de software.</p>
<p>Outro desafio envolve os efeitos ambientais e o consumo de água de determinados sistemas de resfriamento. A escolha da tecnologia depende das condições climáticas, da disponibilidade hídrica e das características operacionais de cada empreendimento. Soluções que reduzem o uso de água podem apresentar exigências diferentes de energia e investimento. A definição dessas alternativas será importante para compatibilizar a expansão digital com metas de sustentabilidade.</p>
<h2>Brasil tenta atrair investimentos com incentivos fiscais</h2>
<p>O crescimento global do mercado ocorre em um momento em que o Brasil procura ampliar sua participação na infraestrutura de processamento de dados. Em setembro de 2026, o governo federal sancionou a Lei nº 15.504, que instituiu o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, conhecido como Redata. A legislação estabelece incentivos fiscais destinados à aquisição de equipamentos e à instalação de novos centros de processamento. A iniciativa pretende estimular investimentos, ampliar a oferta nacional de serviços digitais e fortalecer cadeias produtivas relacionadas à tecnologia.</p>
<p>O Redata prevê suspensão de tributos por cinco anos em determinadas aquisições de equipamentos, observadas as condições estabelecidas na legislação. Para acessar os benefícios, as empresas precisam cumprir contrapartidas relacionadas à sustentabilidade, à oferta de serviços ao mercado brasileiro e aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Entre os requisitos anunciados está a destinação de pelo menos 10% da capacidade efetiva de processamento, armazenamento e tratamento de dados ao mercado interno. O regime também exige compromissos específicos relacionados ao fornecimento de energia e à eficiência hídrica.</p>
<p>A <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="341304">política</a> procura aproveitar características relevantes do mercado brasileiro, como a disponibilidade de fontes renováveis de eletricidade e a dimensão de sua economia digital. Entretanto, a capacidade de atrair empreendimentos dependerá também da qualidade das redes de transmissão, da conectividade internacional e da segurança regulatória. Incentivos tributários podem reduzir determinados custos de instalação, mas não substituem a necessidade de infraestrutura física adequada. A competitividade brasileira será determinada pela combinação desses fatores.</p>
<p>A expansão do setor também poderá criar oportunidades para empresas nacionais de engenharia, construção, instalações elétricas e serviços de tecnologia. A implantação de data centers exige projetos especializados, equipamentos de distribuição de energia e manutenção de infraestrutura crítica. Parte dessas atividades pode ser contratada no mercado interno, dependendo das exigências técnicas e da capacidade dos fornecedores. Já os componentes computacionais mais avançados continuam sujeitos a cadeias internacionais de produção, o que representa um desafio para a ampliação do conteúdo nacional.</p>
<h2>Fabricantes de equipamentos industriais ganham espaço</h2>
<p>Embora os semicondutores recebam grande parte da atenção dos investidores, o crescimento dos data centers também beneficia fornecedores de equipamentos industriais. A instalação de novas unidades exige geradores, transformadores, painéis elétricos, sistemas de distribuição e equipamentos de refrigeração. Empresas capazes de entregar esses produtos em escala e dentro dos prazos estabelecidos podem encontrar oportunidades relevantes no novo ciclo de investimentos. A expansão da infraestrutura digital aproxima, dessa forma, os setores de tecnologia, indústria e energia.</p>
<p>O segmento de construção também tende a ser beneficiado pela complexidade dos empreendimentos. Grandes instalações exigem obras civis, sistemas de segurança, estruturas de suporte e projetos especializados de engenharia. A necessidade de colocar equipamentos em operação rapidamente aumenta a importância da capacidade de execução. A disponibilidade de mão de obra qualificada e de fornecedores confiáveis poderá influenciar os custos finais.</p>
<p>Para investidores, entretanto, o crescimento do mercado não representa garantia de valorização de todas as empresas associadas à cadeia de data centers. A expansão das receitas precisa ser acompanhada de margens adequadas e de capacidade para cumprir contratos. Empresas excessivamente dependentes de poucos clientes ou de produtos sujeitos a rápidas mudanças tecnológicas podem enfrentar riscos relevantes. A análise financeira deve considerar tanto o potencial de crescimento quanto os custos necessários para aproveitar a demanda.</p>
<h2>Ritmo dos investimentos dependerá do retorno da inteligência artificial</h2>
<p>A projeção de US$ 2,1 trilhões para 2028 evidencia a expectativa de crescimento acelerado da infraestrutura digital, mas também levanta questões sobre a sustentabilidade econômica desse movimento. A construção de data centers exige desembolsos elevados antes da geração integral das receitas previstas. Parte dos projetos depende de financiamento de longo prazo e de contratos que assegurem demanda suficiente para a capacidade instalada. Mudanças nas expectativas de retorno podem levar empresas a revisar cronogramas de expansão.</p>
<p>A evolução dos próprios sistemas de inteligência artificial também poderá modificar a demanda por infraestrutura. Avanços na eficiência dos modelos e dos processadores permitem executar determinadas tarefas com menor consumo de recursos computacionais. Ao mesmo tempo, custos menores podem ampliar o número de usuários e estimular novas aplicações, elevando a demanda agregada. O efeito final dependerá da velocidade relativa desses movimentos.</p>
<p>Outro fator de risco está relacionado à concentração dos investimentos em um grupo limitado de grandes empresas de tecnologia. Quando diferentes fornecedores dependem dos mesmos clientes, mudanças nas decisões de investimento podem afetar simultaneamente fabricantes de chips, operadores de data centers e empresas industriais. A diversificação da demanda será importante para reduzir essa exposição. O desenvolvimento de aplicações comerciais rentáveis poderá sustentar o crescimento além dos atuais ciclos de construção.</p>
<p>A IEA observa que restrições na oferta de componentes, energia e infraestrutura já representam obstáculos à expansão acelerada do setor. Mesmo diante de projetos anunciados e recursos disponíveis, parte dos empreendimentos poderá ser adiada ou redimensionada. Por isso, a projeção do BofA deve ser interpretada como um cenário de mercado sujeito a condições tecnológicas, financeiras e regulatórias. O volume de investimentos efetivamente realizado poderá diferir das estimativas.</p>
<h2>Data centers se tornam infraestrutura estratégica da economia digital</h2>
<p>A perspectiva de investimentos globais de US$ 2,1 trilhões até 2028 mostra que o desenvolvimento da inteligência artificial está associado a uma transformação mais ampla da infraestrutura econômica. O setor deixa de depender exclusivamente da capacidade de produzir softwares e passa a exigir uma integração crescente entre tecnologia, construção, energia e financiamento. Essa combinação deverá influenciar decisões empresariais e políticas industriais em diferentes regiões. Países capazes de oferecer eletricidade confiável, conectividade e condições competitivas poderão disputar uma parcela maior dos futuros investimentos.</p>
<p>Para o Brasil, a criação do Redata representa uma tentativa de participar desse movimento e ampliar a capacidade nacional de processamento de informações. O potencial econômico dependerá da implementação dos incentivos, da expansão das redes de infraestrutura e da presença de fornecedores qualificados. A instalação de novos empreendimentos também exigirá equilíbrio entre competitividade, consumo de recursos naturais e benefícios econômicos para as regiões envolvidas. A simples disponibilidade de energia não assegura, isoladamente, a atração dos investimentos.</p>
<p>O levantamento do BofA reforça a dimensão financeira alcançada pela inteligência artificial e a crescente importância dos data centers para empresas e governos. Entre 2026 e 2028, a estimativa apresentada pelo banco prevê que o volume global de investimentos mais que dobre, impulsionado pela necessidade de ampliar a capacidade computacional. O desafio será transformar essa expansão em infraestrutura economicamente sustentável, evitando que investimentos elevados resultem em capacidade ociosa ou custos incompatíveis com a demanda. A trajetória do setor dependerá, em última análise, do retorno efetivo proporcionado pelas aplicações de inteligência artificial.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>BofA Global Research — Estimativas globais para investimentos e custos de infraestrutura de data centers, divulgadas em 23 de outubro de 2026.</p>
<p>Agência Internacional de Energia (IEA) — Key Questions on Energy and AI, abril de 2026.</p>
<p>Ministério da Fazenda — Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, comunicado oficial de 16 de setembro de 2026.</p>
<p>Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — Informações sobre a sanção do Redata, setembro de 2026.</p>
<p>Presidência da República — Lei nº 15.504, de 15 de setembro de 2026.</p>
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		<item>
		<title>Ambev lança festival com Marshmello após Michelob Ultra triplicar vendas em volume</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/ambev-michelob-ultra-move-fest-marshmello-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lucas Correa]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2026 17:37:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ambev lança o Michelob Move Fest em 7 de novembro, em São Paulo, com corrida e show de Marshmello, após crescimento da Michelob Ultra no Brasil e na Argentina.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Ambev (ABEV3) prepara para 7 de novembro de 2026 o lançamento do Michelob Move Fest, festival que reunirá corrida de revezamento, música eletrônica e comunidades esportivas na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo. A iniciativa será protagonizada pela Michelob Ultra, marca de cerveja premium que registrou crescimento superior a três vezes no volume comercializado no Brasil e na Argentina durante o segundo trimestre, em comparação com o mesmo período de 2025. A programação terá apresentação do DJ e produtor musical Marshmello e uma competição coletiva de 42 quilômetros, disputada por equipes de dez corredores.</p>
<p>O evento representa uma ampliação da estratégia comercial da Ambev para a marca. Além dos patrocínios esportivos e das ações de experimentação realizadas por canais digitais, a companhia passa a investir em uma experiência própria, na qual poderá integrar esporte, entretenimento e relacionamento com consumidores adultos. A proposta acompanha o crescimento das categorias premium no portfólio da fabricante e a expansão do interesse empresarial por comunidades ligadas à prática de atividades físicas.</p>
<p>A companhia ainda não informou o orçamento destinado à realização do festival, a receita esperada com o projeto ou metas específicas de retorno financeiro. Também não foram divulgados indicadores que permitam estabelecer quanto do crescimento da Michelob Ultra pode ser atribuído a campanhas publicitárias anteriores. O lançamento, portanto, demonstra uma nova aposta de marketing, mas seus resultados econômicos ainda dependerão de avaliação posterior.</p>
<p>A estratégia ocorre em um ambiente competitivo no qual as fabricantes de bebidas procuram ampliar a presença de suas marcas em diferentes ocasiões de consumo. Para a Ambev, o desafio será transformar o crescimento recente da Michelob Ultra em uma expansão comercial consistente, preservando a distinção entre o posicionamento esportivo da marca e os efeitos do consumo de bebidas alcoólicas.</p>
<h2>Michelob Ultra mais que triplica vendas em volume no Brasil e na Argentina</h2>
<p>O desempenho da Michelob Ultra está entre os destaques apresentados pela Ambev na divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026. Segundo o balanço publicado em 30 de julho, a marca mais que triplicou seu volume comercializado no Brasil e na Argentina em relação ao mesmo período do ano anterior. A companhia também informou que a cerveja já estava presente em praticamente todos os mercados nos quais mantém operações.</p>
<p>No Brasil, a expansão da Michelob Ultra acompanhou o crescimento do portfólio premium da fabricante. A divisão brasileira de cervejas registrou aumento de 5% no volume comercializado no segundo trimestre, enquanto a receita líquida avançou 8,9%, para R$ 9,79 bilhões. O EBITDA normalizado da operação alcançou R$ 3,28 bilhões, crescimento orgânico de 12,8% na comparação anual.</p>
<p>Os números mostram que a Michelob Ultra apresentou desempenho superior ao crescimento agregado do negócio brasileiro de cervejas. Entretanto, as bases de comparação não são inteiramente equivalentes: o crescimento da marca informado no balanço contempla Brasil e Argentina, enquanto os indicadores consolidados da divisão brasileira se referem exclusivamente ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341039">mercado</a> nacional.</p>
<p>A Ambev não divulgou o volume absoluto vendido pela Michelob Ultra nem a receita específica da marca. Sem essas informações, não é possível calcular sua participação individual no mercado ou estabelecer quanto contribuiu para o resultado financeiro da companhia. O crescimento percentual também pode ser influenciado por uma base inicial de vendas relativamente pequena.</p>
<p>Ainda assim, a evolução comercial ajuda a explicar por que a empresa está ampliando os investimentos em posicionamento de marca. O desempenho indica que a Michelob Ultra ganhou espaço no portfólio da fabricante, em um momento no qual produtos premium e novas ocasiões de consumo ocupam papel importante na estratégia empresarial.</p>
<h2>Ambev amplia portfólio premium e produtos associados a diferentes perfis de consumo</h2>
<p>Os resultados da fabricante mostram que o avanço da Michelob Ultra integra uma transformação mais ampla de seu portfólio. No segundo trimestre, as marcas premium comercializadas no Brasil registraram crescimento de volume na faixa intermediária dos 20%, segundo a companhia. O desempenho superou a expansão de 5% do conjunto do negócio brasileiro de cervejas.</p>
<p>A categoria denominada pela Ambev como <em>Balanced Choices</em> dobrou de volume no mesmo período. O grupo reúne produtos que a fabricante posiciona para atender diferentes preferências dos consumidores, incluindo alternativas sem álcool e outras propostas de formulação. As cervejas sem álcool, especificamente, registraram crescimento na faixa dos 30%.</p>
<p>Esses resultados demonstram que a companhia busca diversificar as opções disponíveis no mercado. A estratégia envolve marcas tradicionais, cervejas premium e produtos voltados a diferentes preferências, com o objetivo de ampliar a presença comercial em ocasiões distintas. Isso não significa, entretanto, que todas essas categorias apresentem o mesmo desempenho financeiro ou as mesmas margens.</p>
<p>A Michelob Ultra ocupa uma posição particular nessa estrutura por associar sua comunicação ao universo da atividade física. A marca utiliza referências a esportes, encontros e experiências coletivas para construir reconhecimento entre consumidores adultos. Essa estratégia comercial não deve ser interpretada como uma indicação de que a bebida contribua para a saúde ou para o desempenho esportivo.</p>
<p>A relevância econômica da expansão dependerá também da capacidade de sustentar os volumes comercializados. O crescimento de uma marca pode ser acelerado por distribuição, lançamentos, publicidade e maior disponibilidade nos pontos de venda. A permanência desse desempenho exige que os consumidores continuem escolhendo o produto depois do período inicial de experimentação.</p>
<h2>Festival terá corrida de 42 quilômetros e apresentação de Marshmello</h2>
<p>O Michelob Move Fest está programado para 7 de novembro, na Mercado Livre Arena Pacaembu, na capital paulista. A programação combina uma corrida coletiva em revezamento com uma apresentação de música eletrônica comandada por Marshmello. Segundo as informações divulgadas sobre a organização, a prova terá percurso total de 42 quilômetros, dividido entre dez participantes por equipe.</p>
<p>Cada corredor será responsável por completar 4,2 quilômetros. O formato foi desenvolvido para reunir grupos que praticam corrida regularmente, conhecidos como <em>running crews</em>, além de participantes selecionados em ações realizadas pela marca. A distância individual também faz referência numérica ao teor alcoólico informado para a Michelob Ultra, elemento utilizado na concepção comercial do evento.</p>
<p>A programação prevê um palco de 360 graus na arena, integrando a apresentação musical à experiência dos corredores. A participação de Marshmello amplia o alcance do projeto para além do público que acompanha competições esportivas. A combinação de corrida e música representa uma tentativa de reunir diferentes interesses em uma mesma iniciativa de marketing.</p>
<p>A organização também anunciou uma ação voltada a corredores amadores no Parque Ibirapuera. A proposta prevê que participantes completem um percurso de 4,2 quilômetros e realizem um cadastro por meio de QR Code para concorrer a vagas em uma equipe oficial. A seleção deverá permitir a participação de pessoas que não integram necessariamente os grupos esportivos convidados.</p>
<p>A marca também divulgou iniciativas relacionadas à possibilidade de acesso à Maratona de Nova York, conforme as condições previstas para os participantes. Os detalhes definitivos de elegibilidade, premiação e participação dependem das regras estabelecidas pela organização. Essas ações integram o planejamento anunciado para o evento, ainda não realizado.</p>
<h2>Festival próprio permite à Ambev ampliar controle sobre a experiência de marca</h2>
<p>A realização do Michelob Move Fest representa uma mudança em relação ao modelo tradicional de patrocínio esportivo. Em competições organizadas por terceiros, as <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341040">empresas</a> patrocinadoras atuam dentro de formatos, espaços e condições previamente definidos pelos organizadores. Em um evento próprio, a marca assume maior participação na concepção da experiência e na definição de seus pontos de contato com o público.</p>
<p>Essa diferença pode ter implicações comerciais relevantes. A empresa passa a integrar a escolha das atrações, a estrutura da programação e as formas de interação entre participantes e patrocinadores. Também pode definir indicadores de avaliação relacionados ao alcance da iniciativa, ao reconhecimento da marca e ao relacionamento com os consumidores.</p>
<p>A maior autonomia, entretanto, vem acompanhada de responsabilidades operacionais e financeiras. A realização de um festival envolve contratação de fornecedores, infraestrutura, segurança, produção artística e logística. Sem a divulgação do orçamento, não é possível estabelecer se a iniciativa terá custo superior ou inferior ao de campanhas publicitárias e patrocínios utilizados anteriormente.</p>
<p>Outro aspecto é o potencial de continuidade. Um evento próprio pode ser repetido e adaptado em novas edições, permitindo que a empresa acumule conhecimento sobre os participantes e aperfeiçoe a programação. Contudo, essa possibilidade não assegura automaticamente expansão comercial ou retorno financeiro.</p>
<p>A diretora de marketing de cervejas premium da Ambev, Cinthia Klumpp, afirmou que a proposta do festival é acompanhar a transformação das experiências ligadas à corrida, aproximando comunidades esportivas e entretenimento. Segundo a executiva, o desempenho da primeira edição deverá oferecer informações para avaliar os próximos passos do projeto. Até o momento, a companhia não apresentou metas públicas de receita ou rentabilidade associadas ao evento.</p>
<h2>Zé Delivery apresentou Michelob Ultra a mais de 250 mil consumidores</h2>
<p>A aposta no festival complementa ações já realizadas pela Ambev em seu ecossistema digital. No balanço do segundo trimestre, a companhia informou que apresentou a Michelob Ultra a mais de 250 mil consumidores por meio do Zé Delivery. A plataforma foi utilizada para ampliar o contato do público com a marca e apoiar sua expansão comercial.</p>
<p>O Zé Delivery também apresentou crescimento dos indicadores operacionais no período. Segundo a companhia, o número médio mensal de usuários aumentou 6%, enquanto o valor bruto das transações realizadas na plataforma avançou 16%. Os resultados mostram a importância do canal digital para a distribuição e para o relacionamento direto com os consumidores.</p>
<p>A composição dos pedidos também revela diferenças em relação ao portfólio tradicional da fabricante. No segundo trimestre, os produtos classificados como <em>Balanced Choices</em> representaram aproximadamente 7% dos volumes comercializados pelo Zé Delivery, enquanto as marcas premium responderam por cerca de 35%. Segundo a Ambev, as participações dessas categorias no aplicativo são superiores às observadas no conjunto de seu portfólio.</p>
<p>A diferença sugere que os consumidores que utilizam a plataforma digital apresentam uma composição de compras distinta daquela verificada na operação mais ampla da fabricante. Entretanto, os dados não permitem concluir que o canal seja responsável pelo crescimento das marcas premium. Também não demonstram que a experimentação realizada por meio do aplicativo se converta necessariamente em compras recorrentes.</p>
<p>Para avaliar esse efeito, seriam necessários indicadores como frequência de recompra, retenção de consumidores e evolução do valor médio adquirido por cliente. A Ambev não apresentou esses dados especificamente para a Michelob Ultra. A ausência dessas informações impede medir a contribuição individual das ações de experimentação para o avanço comercial da marca.</p>
<p>A criação de um festival próprio acrescenta uma nova dimensão a essa estratégia. Enquanto o aplicativo permite interações digitais e operações de compra, o evento oferece uma experiência presencial. A combinação dos dois canais poderá ampliar as oportunidades de contato com consumidores adultos, embora o resultado econômico dependa de sua efetividade.</p>
<h2>Mercado brasileiro de bem-estar movimentou US$ 125,4 bilhões</h2>
<p>A estratégia da Michelob Ultra também pode ser analisada no contexto da expansão da chamada <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="341041">economia</a> do bem-estar. Segundo levantamento do Global Wellness Institute, esse conjunto de atividades movimentou US$ 6,8 trilhões no mundo em 2024, crescimento de 7,9% em relação a 2023. O instituto projeta que o mercado global alcance aproximadamente US$ 9,8 trilhões em 2029, com taxa média anual de expansão de 7,6%.</p>
<p>No Brasil, a economia do bem-estar foi estimada em US$ 125,4 bilhões em 2024. O país ocupou a 11ª posição entre os maiores mercados nacionais avaliados pela instituição. Na América Latina e no Caribe, o total alcançou US$ 402,8 bilhões, colocando o Brasil como responsável por aproximadamente 31,1% da atividade regional calculada pelo levantamento.</p>
<p>Esses valores mostram a dimensão econômica das atividades ligadas ao bem-estar, mas exigem interpretação cuidadosa. A metodologia do Global Wellness Institute inclui 11 segmentos, abrangendo atividade física, turismo, cuidados pessoais, alimentação, saúde mental, serviços especializados e imóveis relacionados ao bem-estar. Portanto, os números não correspondem exclusivamente ao mercado de corridas ou de eventos esportivos.</p>
<p>Também não representam o mercado potencial de bebidas alcoólicas. O instituto utiliza uma definição abrangente de gastos destinados a produtos e serviços de bem-estar, enquanto a Michelob Ultra pertence ao mercado de cervejas. A relação entre esses setores está no posicionamento de marca e nas ocasiões de relacionamento com determinados grupos de consumidores, não em uma equivalência entre seus faturamentos.</p>
<p>O crescimento da economia do bem-estar ajuda a explicar o interesse de empresas de diferentes segmentos por experiências que envolvem movimento, convivência e entretenimento. Eventos presenciais podem aproximar marcas de comunidades que possuem hábitos e interesses compartilhados. Entretanto, o tamanho desse mercado não permite calcular o retorno esperado de uma iniciativa comercial específica.</p>
<p>Para a Ambev, o desafio será identificar quais formas de relacionamento geram resultados relevantes para a Michelob Ultra. A presença em um festival pode ampliar o reconhecimento da marca, mas a contribuição efetiva para as vendas depende de outros fatores, incluindo distribuição, preço, concorrência e preferência dos consumidores.</p>
<h2>Associação entre cerveja e esporte exige cuidados regulatórios</h2>
<p>O investimento de uma fabricante de cerveja em uma competição de corrida também envolve questões relacionadas à comunicação responsável. Embora marcas de bebidas alcoólicas possam participar de determinadas ações de patrocínio, suas mensagens comerciais precisam observar restrições específicas. A publicidade não deve apresentar o consumo de álcool como responsável por benefícios à saúde, melhora do desempenho físico ou obtenção de resultados esportivos.</p>
<p>No Brasil, o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, administrado pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), estabelece regras específicas para cervejas e vinhos no Anexo P. As disposições incluem proteção de crianças e adolescentes, proibição de incentivos ao consumo exagerado e exigências relacionadas à comunicação dirigida ao público adulto. Também existem restrições quanto à utilização de determinadas referências esportivas e à apresentação do produto em situações inadequadas.</p>
<p>O código estabelece, por exemplo, que anúncios de bebidas alcoólicas não devem estimular o consumo irresponsável nem utilizar argumentos que atribuam vantagens pessoais indevidas à ingestão do produto. Também proíbe o uso de uniformes de esportes olímpicos como suporte à divulgação da marca. A aplicação das regras depende das características de cada peça publicitária e do meio de comunicação utilizado.</p>
<p>A associação entre corrida e cerveja exige, portanto, uma distinção entre a atividade esportiva e o consumo da bebida. Participar de uma competição ou acompanhar uma apresentação musical não transforma o álcool em produto destinado à hidratação ou à recuperação física. A promoção comercial deve preservar essa separação para evitar interpretações incorretas.</p>
<p>Ao apresentar a estratégia do Michelob Move Fest, a Ambev afirmou que pretende relacionar a marca a momentos de convivência e celebração, sem atribuir ao consumo da cerveja benefícios para a performance esportiva. Essa orientação será relevante para a execução das ações comerciais e publicitárias vinculadas ao festival. A análise de conformidade dependerá das peças efetivamente divulgadas e das condições de realização do evento.</p>
<h2>Quanto a Ambev espera ganhar com o Michelob Move Fest?</h2>
<p>Apesar da divulgação da programação, a Ambev ainda não apresentou informações suficientes para dimensionar financeiramente o Michelob Move Fest. Não foram informados o orçamento total do evento, eventuais receitas esperadas com ingressos, custos de contratação das atrações ou metas comerciais diretamente relacionadas à iniciativa. A ausência desses dados impede calcular o retorno previsto sobre o investimento.</p>
<p>A avaliação econômica de um festival de marca pode envolver diferentes dimensões. Entre elas estão o número de participantes, a exposição obtida, os custos de produção e os resultados de relacionamento com o público. Também podem ser considerados efeitos posteriores, como aumento de reconhecimento, intenção de compra ou expansão da distribuição.</p>
<p>Entretanto, esses indicadores precisam ser interpretados separadamente. Uma iniciativa pode alcançar grande audiência e, ainda assim, apresentar resultados comerciais limitados. Da mesma forma, um evento com público menor pode produzir efeitos relevantes se conseguir estabelecer relacionamentos duradouros com consumidores dentro do segmento pretendido.</p>
<p>Outra questão é o custo de aquisição e relacionamento com clientes. Quando a empresa investe recursos em atividades presenciais, precisa avaliar se os resultados justificam despesas que poderiam ser destinadas a outras formas de publicidade. Essa comparação exige dados financeiros e comerciais que não foram tornados públicos.</p>
<p>A Michelob Ultra já apresenta crescimento expressivo, mas não há evidências suficientes para atribuir esse resultado especificamente à nova plataforma de eventos. O festival será realizado depois do período financeiro ao qual os números divulgados se referem. Assim, qualquer eventual contribuição da iniciativa dependerá de indicadores posteriores à sua realização.</p>
<h2>Estratégia da Ambev combina expansão premium, canais digitais e experiências presenciais</h2>
<p>A criação do Michelob Move Fest reúne três movimentos identificados na estratégia recente da Ambev. O primeiro é a ampliação do portfólio premium, que apresentou crescimento superior ao volume agregado da divisão brasileira de cervejas no segundo trimestre. O segundo é o uso de canais digitais, como o Zé Delivery, para ampliar o contato direto com consumidores e facilitar a experimentação de produtos.</p>
<p>O terceiro movimento é a expansão das experiências presenciais, agora com a realização de um festival desenvolvido para a própria marca. Diferentemente dos patrocínios esportivos tradicionais, essa iniciativa oferece maior autonomia na programação e na construção das atividades. Também exige investimentos e capacidade operacional cuja dimensão financeira ainda não foi divulgada.</p>
<p>Os resultados recentes indicam que a Michelob Ultra ganhou importância dentro do portfólio da fabricante. O crescimento superior a três vezes no Brasil e na Argentina e a apresentação da marca a mais de 250 mil consumidores por meio do Zé Delivery são indicadores concretos dessa expansão. Ainda assim, a companhia não informou qual parcela desses resultados decorre de campanhas específicas ou qual é a contribuição individual da marca para o EBITDA.</p>
<p>A estreia em novembro permitirá observar a capacidade da Ambev de mobilizar comunidades de corrida e integrar diferentes atividades em uma plataforma própria. O evento também poderá fornecer informações sobre participação e reconhecimento da marca, utilizadas pela empresa para orientar futuras decisões. A continuidade do projeto dependerá da avaliação dos resultados e das prioridades comerciais da fabricante.</p>
<p>Para o mercado, a principal questão não será apenas a dimensão do festival, mas a capacidade de a Michelob Ultra manter seu ritmo de expansão em um segmento competitivo. O investimento em entretenimento e esporte representa uma alternativa para ampliar a presença da marca, mas a confirmação de seus benefícios dependerá de vendas, distribuição e desempenho financeiro. Até que esses indicadores sejam divulgados, o Michelob Move Fest deve ser compreendido como uma iniciativa de posicionamento comercial, e não como uma fonte de retorno econômico já demonstrado.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Ambev S.A. — Relatório de resultados do segundo trimestre de 2026, divulgado em 30 de julho de 2026 e apresentado à Securities and Exchange Commission, com informações sobre o crescimento da Michelob Ultra, o portfólio premium e o Zé Delivery.</p>
<p>Global Wellness Institute — Global Wellness Economy Monitor 2025, com dados sobre a dimensão da economia mundial do bem-estar em 2024 e projeções para 2029.</p>
<p>Global Wellness Institute — Global Wellness Economy: Country Rankings, publicado em 2026, com dados sobre o Brasil e a América Latina e o Caribe.</p>
<p>Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária — Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, especialmente o Anexo P, referente à publicidade de cervejas e vinhos.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Australiana conclui compra de projeto de terras raras e nióbio em Minas Gerais e acelera exploração</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/oceana-metals-compra-serra-negra-terras-raras-niobio</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 16:57:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Agência Nacional de Mineração]]></category>
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		<category><![CDATA[Guimarânia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Oceana Metals conclui compra do projeto Serra Negra, de terras raras e nióbio, em Minas Gerais, por US$ 2,95 milhões e ações. Veja os próximos passos.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A mineradora australiana Oceana Metals anunciou nesta segunda-feira (19) a conclusão da aquisição do projeto Serra Negra, de terras raras e nióbio, localizado nos municípios de Patrocínio e Guimarânia, no Alto Paranaíba, em Minas Gerais. A transação envolve a compra de 100% da Songeo Mineração, empresa brasileira detentora dos direitos minerários do empreendimento, mediante pagamento de US$ 2,95 milhões em dinheiro e emissão de aproximadamente 15,54 milhões de ações da companhia australiana. A operação amplia a presença de investidores estrangeiros na exploração de minerais críticos brasileiros e transfere à Oceana o controle de um complexo geológico com aproximadamente 10 quilômetros de diâmetro.</p>
<p>A conclusão da aquisição ocorreu em 16 de outubro, após o cumprimento ou a dispensa das condições contratuais necessárias à transferência societária. A empresa informou que mantém quatro sondas em operação e desenvolve uma campanha de aproximadamente 20 mil metros de perfurações, destinada a dimensionar a mineralização identificada em pesquisas anteriores. O objetivo é produzir a primeira estimativa formal de recursos minerais de Serra Negra, etapa necessária para determinar a extensão, os teores e a continuidade geológica das concentrações de terras raras e nióbio.</p>
<p>O investimento acontece em um momento de crescente interesse internacional pelas reservas brasileiras desses minerais, utilizados na fabricação de equipamentos industriais, sistemas de energia, veículos elétricos e componentes tecnológicos. Minas Gerais concentra importantes ocorrências geológicas de nióbio e terras raras, incluindo depósitos associados aos complexos carbonatíticos de Araxá, Serra Negra e outras áreas do Alto Paranaíba. A presença desses elementos aumenta o interesse comercial pela região, embora a transformação de ocorrências minerais em operações economicamente viáveis dependa de estudos técnicos, investimentos e autorizações regulatórias.</p>
<p>Apesar dos resultados considerados promissores pela Oceana, Serra Negra ainda não possui uma estimativa de recursos minerais publicada segundo os padrões internacionais utilizados pela companhia. Os dados disponíveis demonstram a existência de mineralização em diferentes pontos da área pesquisada, mas não permitem calcular a quantidade total de material economicamente recuperável. Essa distinção será determinante para avaliar o potencial financeiro do empreendimento nos próximos anos.</p>
<h2>Oceana Metals paga US$ 2,95 milhões e emite 15,5 milhões de ações</h2>
<p>A aquisição foi estruturada por meio de um acordo de compra de participação societária firmado inicialmente em abril de 2026. O contrato original previa pagamento de US$ 2,95 milhões em dinheiro e emissão de 20 milhões de ações da Oceana Metals, avaliadas a 0,36 <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340984">dólar</a> australiano por papel. Na conclusão da operação, foram efetivamente emitidas 15.537.600 ações, enquanto outra parcela prevista na estrutura inicial continua sujeita a ajustes contratuais.</p>
<p>Do total de ações emitidas, 14.537.600 foram destinadas aos vendedores da Songeo Mineração e 1 milhão a um intermediário envolvido na operação. A diferença de 4.462.400 ações em relação à previsão original está associada a direitos de um terceiro decorrentes de um acordo anterior com a empresa brasileira. A Oceana informou que negocia a possibilidade de liquidar essa obrigação mediante pagamento em dinheiro em condições diferidas, mas os documentos definitivos ainda não haviam sido formalizados no anúncio de conclusão.</p>
<p>O acordo também estabelece pagamentos adicionais de até US$ 2,25 milhões, condicionados ao cumprimento de metas relacionadas à exploração. A primeira parcela, de US$ 750 mil, será devida quando a companhia divulgar uma estimativa inicial de recursos minerais preparada segundo o Código JORC, padrão australiano de divulgação de resultados de exploração e recursos. A segunda, de US$ 1,5 milhão, dependerá da identificação de pelo menos 100 milhões de toneladas de material com teor médio de 4% de óxidos totais de terras raras, ou parâmetro econômico equivalente previsto no contrato.</p>
<p>As parcelas condicionais são relevantes porque vinculam parte do custo da aquisição à comprovação de resultados geológicos. Caso as metas sejam alcançadas, o compromisso adicional em dinheiro poderá elevar a soma dos desembolsos previstos nessa modalidade para US$ 5,2 milhões, sem considerar o componente acionário, possíveis ajustes e outras despesas. O valor total da transação, portanto, não deve ser confundido com os US$ 2,95 milhões pagos inicialmente.</p>
<p>O contrato ainda prevê remuneração futura aos antigos proprietários vinculada à eventual produção mineral. Os vendedores terão direito a uma participação de 2,5% sobre a receita líquida de fundição dos minerais produzidos, com exclusão do minério de ferro. Outro direito de 1% foi concedido à Karri Capital, relacionado aos serviços prestados na estruturação da aquisição.</p>
<p>Essas obrigações representam custos potenciais de longo prazo, caso o empreendimento avance para a exploração comercial. A existência de royalties não significa que haja produção em andamento ou receita já gerada pelo projeto. Sua relevância financeira dependerá da quantidade de minerais extraídos, das condições comerciais e da estrutura definitiva de processamento e venda.</p>
<h2>Serra Negra possui complexo geológico com 10 quilômetros de diâmetro</h2>
<p>O projeto adquirido pela Oceana está localizado na Província Ígnea do Alto Paranaíba, região conhecida pela presença de intrusões alcalinas e carbonatíticas associadas à formação de depósitos minerais. O complexo de Serra Negra apresenta aproximadamente 10 quilômetros de diâmetro, dimensão que o coloca entre as grandes estruturas geológicas desse tipo identificadas na região. A companhia considera a área relevante por apresentar características semelhantes às encontradas em depósitos de nióbio e terras raras já pesquisados no Brasil.</p>
<p>As estruturas carbonatíticas são formadas por processos geológicos específicos e podem concentrar diferentes elementos químicos, incluindo terras raras, nióbio, fosfato e outros minerais. A ocorrência desses elementos, entretanto, não é uniforme ao longo de todo o complexo, pois depende de processos de formação, alteração e enriquecimento mineral. Por essa razão, o tamanho da estrutura geológica não corresponde diretamente à quantidade de recursos que poderão ser aproveitados comercialmente.</p>
<p>A Oceana destaca a proximidade de Serra Negra com Patrocínio, município que oferece acesso a rodovias, infraestrutura elétrica, serviços especializados e mão de obra ligada à atividade mineral. A região também possui tradição em operações industriais e projetos de exploração de fosfato, nióbio e outros minerais. A disponibilidade dessa infraestrutura poderá influenciar os custos de desenvolvimento, caso a empresa confirme condições técnicas e econômicas para instalar uma futura operação.</p>
<p>Os títulos minerários vinculados à Songeo abrangem aproximadamente 5,8 mil hectares, distribuídos entre Patrocínio e Guimarânia. Essa área corresponde a cerca de 58 quilômetros quadrados, embora nem toda sua extensão apresente mineralização comprovada. A dimensão territorial oferece possibilidades de pesquisa em diferentes setores do complexo, mas também amplia a necessidade de planejamento das sondagens e de identificação das regiões prioritárias.</p>
<h2>Área conhecida de terras raras mais que dobra e supera 4,5 quilômetros quadrados</h2>
<p>A reavaliação de dados geológicos históricos permitiu à Oceana ampliar significativamente a área identificada com ocorrências de terras raras em Serra Negra. Em setembro, a empresa informou que a distribuição conhecida da mineralização havia mais que dobrado, superando 4,5 quilômetros quadrados. O avanço ocorreu principalmente após novas análises de amostras provenientes de perfurações realizadas anteriormente, quando a exploração estava direcionada a outros minerais.</p>
<p>A descoberta de novas ocorrências fora da área inicialmente priorizada levou a companhia a revisar a distribuição dos alvos de pesquisa. Parte das amostras analisadas revelou concentrações de terras raras em setores que não haviam recebido atenção específica nas campanhas históricas. O resultado amplia as possibilidades de investigação, mas não demonstra que toda a superfície identificada contenha mineralização economicamente aproveitável ou contínua.</p>
<p>O levantamento anterior incluía 102 furos de sondagem, totalizando aproximadamente 13,8 mil metros perfurados. A maior parte desse <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340985">trabalho</a> havia sido direcionada à identificação de fosfato, titânio e outros elementos, sem análises sistemáticas voltadas às terras raras e ao nióbio. Com a disponibilidade de aproximadamente 8 mil metros de testemunhos históricos preservados, a Oceana conseguiu iniciar uma nova investigação laboratorial sem depender exclusivamente de perfurações adicionais.</p>
<p>A estratégia permite aproveitar informações geológicas já existentes e direcionar novos investimentos aos setores considerados mais promissores. A companhia informou ter reamostrado os 68 furos históricos disponíveis para essa etapa, com resultados laboratoriais ainda pendentes para 45 deles, equivalentes a aproximadamente 4.750 metros. A análise desses materiais poderá contribuir para definir a continuidade da mineralização e identificar áreas que exijam perfurações mais próximas.</p>
<p>A expansão da superfície mineralizada é um indicador de potencial geológico, mas precisa ser interpretada com cautela. Uma área maior pode indicar distribuição mais extensa das ocorrências, sem necessariamente apresentar os mesmos teores ou espessuras em todos os pontos. Para transformar esses resultados em recursos minerais, será necessário construir um modelo geológico apoiado em informações suficientes de profundidade, continuidade e concentração.</p>
<h2>Sondagens identificam intervalos com até 4,7% de óxidos de terras raras</h2>
<p>Os resultados de pesquisas apresentados pela Oceana incluem intervalos mineralizados com concentrações consideradas relevantes de óxidos de terras raras. Entre os registros divulgados estão 50 metros com teor médio de 4% de óxidos totais de terras raras, identificados em uma zona mais ampla de mineralização. Outra interseção apresentou 22 metros com concentração média de 4,7%, demonstrando a presença de material enriquecido em determinados setores pesquisados.</p>
<p>Os percentuais são expressos pela sigla TREO, correspondente ao total de óxidos de elementos de terras raras presentes nas amostras. Um teor de 4% indica, em termos analíticos, que aproximadamente 4% da massa avaliada corresponde aos óxidos considerados na medição. Isso não significa que a mesma proporção poderá ser comercializada ou recuperada industrialmente, pois o aproveitamento depende das características mineralógicas e dos processos de beneficiamento.</p>
<p>A empresa também divulgou resultados pontuais de amostras de testemunhos históricos com concentrações superiores a 8% de óxidos totais de terras raras. No furo identificado como LG26, uma amostra atingiu 8,41%, enquanto análises do furo LG42 apresentaram resultados superiores a 6%. Esses valores demonstram enriquecimento localizado, mas não podem ser tratados como teor médio de todo o depósito.</p>
<p>A própria Oceana ressalta que determinadas amostras foram coletadas seletivamente de materiais preservados nas caixas de testemunhos. Esse procedimento permite confirmar a presença dos elementos químicos, mas pode não representar de maneira adequada toda a extensão dos intervalos perfurados. A definição de teores médios confiáveis exige amostragem sistemática e continuidade suficiente para sustentar os cálculos geológicos.</p>
<h2>Quatro sondas trabalham em campanha de 20 mil metros</h2>
<p>A Oceana intensificou a campanha de exploração iniciada em setembro, passando a operar quatro sondas diamantadas em Serra Negra. O programa prevê aproximadamente 20 mil metros de perfurações, com prioridade para uma área central de 1,5 quilômetro por 1,5 quilômetro. A região foi selecionada por reunir resultados anteriores de mineralização e apresentar informações consideradas suficientes para orientar um programa de investigação mais detalhado.</p>
<p>A campanha utiliza uma malha nominal de aproximadamente 100 metros entre os pontos de perfuração, com profundidades planejadas próximas de 150 metros. Essa configuração busca produzir dados sobre a distribuição espacial dos minerais e permitir a construção de modelos geológicos tridimensionais. As informações também poderão orientar perfurações adicionais, caso sejam identificadas extensões relevantes fora dos limites inicialmente pesquisados.</p>
<p>O programa de 20 mil metros representa uma metragem aproximadamente 45% superior aos 13,8 mil metros executados nas campanhas históricas do projeto. A comparação demonstra a dimensão do investimento atual em levantamento geológico, mas não significa que o novo programa necessariamente produzirá aumento proporcional dos recursos identificados. A diferença fundamental está no objetivo das perfurações, agora direcionadas especificamente à caracterização de terras raras e nióbio.</p>
<p>A companhia pretende divulgar novos resultados laboratoriais ao longo do quarto trimestre de 2026. Os dados serão utilizados para avaliar os teores, a geometria das zonas mineralizadas e a consistência das ocorrências identificadas. A elaboração da primeira estimativa oficial dependerá do volume e da qualidade das informações obtidas.</p>
<p>A campanha também inclui levantamentos geofísicos e estudos mineralógicos destinados a melhorar a identificação dos alvos prioritários. Essas ferramentas podem ajudar a compreender a distribuição das estruturas geológicas e orientar futuras decisões de pesquisa. Entretanto, medições geofísicas não substituem análises laboratoriais e perfurações necessárias à confirmação dos recursos.</p>
<h2>Estimativa de 100 milhões de toneladas é meta contratual, não reserva comprovada</h2>
<p>Um dos principais desafios da Oceana será transformar os resultados de exploração em uma estimativa formal de recursos minerais. O contrato de aquisição prevê remuneração adicional caso o projeto alcance pelo menos 100 milhões de toneladas com teor médio de 4% de óxidos totais de terras raras, ou parâmetro equivalente. Esse número constitui uma condição para pagamento futuro aos vendedores, não uma estimativa já comprovada de Serra Negra.</p>
<p>A distinção é importante porque volumes apresentados em contratos de aquisição ou projeções empresariais não equivalem a recursos minerais certificados. Para classificar uma ocorrência segundo o Código JORC, a empresa precisa apresentar dados técnicos suficientes sobre quantidade, teor, continuidade geológica e perspectivas razoáveis de eventual extração econômica. As informações são submetidas a critérios de classificação que refletem diferentes níveis de confiança.</p>
<p>Uma ocorrência mineral pode ser classificada inicialmente como recurso inferido, indicado ou medido, dependendo da qualidade das evidências disponíveis. A conversão desses recursos em reservas minerais exige etapas adicionais, incluindo estudos técnicos e econômicos que demonstrem a viabilidade de extração. Portanto, a divulgação de recursos não representa automaticamente a decisão de construir uma mina.</p>
<p>Caso fosse identificada uma massa de 100 milhões de toneladas com concentração média de 4% de TREO, o cálculo geológico indicaria aproximadamente 4 milhões de toneladas de óxidos de terras raras contidos no material. Esse exercício corresponde exclusivamente à relação entre volume e teor estabelecida como referência no contrato. Não representa um cálculo de produção comercial, pois não considera recuperação metalúrgica, perdas de processamento, custos ou limitações ambientais.</p>
<p>O marco de divulgação da primeira estimativa permitirá uma avaliação mais consistente da dimensão do empreendimento. Até essa etapa, o potencial de Serra Negra permanece sustentado por resultados de sondagens e interpretações geológicas, sem uma quantidade de recursos formalmente definida.</p>
<h2>Projeto Araxá já possui 111,2 milhões de toneladas de recursos minerais</h2>
<p>O avanço de Serra Negra ocorre em paralelo ao desenvolvimento de outro empreendimento australiano em Minas Gerais. A St George Mining, responsável pelo projeto Araxá, divulgou em agosto uma atualização de sua estimativa de recursos minerais para 111,2 milhões de toneladas, com concentração média de 3,57% de óxidos totais de terras raras e 0,57% de pentóxido de nióbio. O resultado representa uma referência importante para compreender o estágio mais avançado de exploração alcançado por outro projeto da região.</p>
<p>Segundo a companhia, aproximadamente 75,2 milhões de toneladas dos recursos estimados estão classificadas nas categorias medido e indicado, consideradas de maior confiança geológica. O depósito contém cerca de 3,98 milhões de toneladas de óxidos de terras raras, incluindo aproximadamente 760 mil toneladas de óxidos de neodímio e praseodímio. A estimativa também aponta cerca de 630 mil toneladas de pentóxido de nióbio contido, conforme a metodologia utilizada.</p>
<p><strong>Comparação entre os projetos de Minas Gerais</strong></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<th>Indicador</th>
<th>Serra Negra — Oceana</th>
<th>Araxá — St George</th>
</tr>
<tr>
<td>Localização</td>
<td>Patrocínio e Guimarânia</td>
<td>Araxá</td>
</tr>
<tr>
<td>Complexo geológico</td>
<td>Aproximadamente 10 km de diâmetro</td>
<td>Aproximadamente 5 km de diâmetro</td>
</tr>
<tr>
<td>Recursos minerais estimados</td>
<td>Ainda não divulgados</td>
<td>111,2 milhões de toneladas</td>
</tr>
<tr>
<td>Teor médio de terras raras</td>
<td>Ainda não estabelecido para o depósito</td>
<td>3,57% TREO</td>
</tr>
<tr>
<td>Teor médio de nióbio</td>
<td>Ainda não estabelecido para o depósito</td>
<td>0,57% Nb₂O₅</td>
</tr>
<tr>
<td>Estágio</td>
<td>Exploração e sondagens</td>
<td>Recursos definidos e estudos de desenvolvimento</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A comparação revela diferenças importantes entre os dois empreendimentos. Enquanto Serra Negra possui uma estrutura geológica de maior diâmetro, Araxá já dispõe de recursos minerais estimados segundo padrões técnicos internacionais. O tamanho físico do complexo não permite concluir que o depósito de Serra Negra terá mais recursos ou produzirá maior quantidade de minerais.</p>
<p>A St George também avançou em estudos de processamento e análises voltadas ao desenvolvimento de sua operação. Os resultados permitem que a empresa avalie alternativas industriais e necessidades de investimento com maior nível de detalhamento. Já a Oceana ainda concentra seus esforços na confirmação da extensão e dos teores de mineralização.</p>
<p>A existência de dois projetos em estágios diferentes mostra a importância das fases sucessivas de exploração. A identificação geológica representa o início do processo, enquanto a definição de recursos, a recuperação mineral e a viabilidade econômica constituem etapas indispensáveis para qualquer futura decisão de produção.</p>
<h2>ANM ainda precisa decidir sobre dois títulos minerários</h2>
<p>Apesar da conclusão da aquisição societária, a Oceana ainda aguarda decisões da Agência Nacional de Mineração (ANM) relacionadas a dois direitos minerários do projeto. Os processos envolvem os títulos 830.280/1985 e 831.298/1984, para os quais foram solicitadas alterações destinadas a contemplar terras raras e nióbio. A empresa estima que uma manifestação definitiva possa ocorrer no primeiro trimestre de 2027.</p>
<p>No processo de conclusão da compra, a Oceana dispensou uma condição contratual que exigia resposta formal da agência sobre esses títulos antes do fechamento da operação. Isso permitiu concluir a aquisição sem aguardar a decisão administrativa. A companhia informou possuir as autorizações necessárias para executar seu atual programa de pesquisa, mas a situação dos pedidos específicos permanece sujeita à análise da ANM.</p>
<p>A distinção entre adquirir a empresa titular dos direitos minerários e obter todas as autorizações necessárias à produção comercial é fundamental. A compra da Songeo transfere o controle societário do empreendimento, mas não substitui os procedimentos de aprovação, pesquisa, licenciamento e concessão previstos na legislação brasileira. Cada etapa exige o cumprimento de requisitos próprios e pode depender de avaliações técnicas e administrativas.</p>
<p>Outro título associado à área, identificado como 831.299/1984, já havia sido mencionado pela Oceana como objeto de procedimento administrativo que poderia resultar em sua perda. A companhia atribuiu valor nulo a esse direito na estrutura original da aquisição, justamente em razão da incerteza sobre sua manutenção. A questão demonstra que a extensão efetivamente disponível para exploração poderá depender de decisões regulatórias específicas.</p>
<p>A previsão de resposta no início de 2027 representa uma expectativa da empresa, não um prazo garantido de decisão. O resultado dependerá da análise dos pedidos e do cumprimento das exigências estabelecidas pela agência reguladora.</p>
<h2>Terras raras e nióbio reforçam importância estratégica de Minas Gerais</h2>
<p>O interesse internacional por depósitos brasileiros de terras raras está relacionado à importância desses elementos na fabricação de tecnologias industriais e energéticas. Neodímio e praseodímio, por exemplo, são utilizados na produção de ímãs permanentes de alto desempenho, empregados em motores elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos. Outros elementos possuem aplicações em sistemas de defesa, equipamentos médicos e processos industriais especializados.</p>
<p>O nióbio apresenta características diferentes. Sua principal utilização está na fabricação de aços especiais, nos quais pequenas quantidades do elemento podem melhorar propriedades mecânicas como resistência e tenacidade. O mineral também possui aplicações em ligas metálicas utilizadas em equipamentos industriais e em determinadas tecnologias avançadas.</p>
<p>O Brasil ocupa posição relevante no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340983">mercado</a> internacional de nióbio, especialmente pela produção concentrada em Minas Gerais. A operação da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), em Araxá, está entre as principais referências mundiais do setor. Essa presença industrial ajuda a explicar o interesse de companhias internacionais por novos projetos localizados na mesma província geológica.</p>
<p>Entretanto, a produção de terras raras envolve desafios diferentes daqueles associados à extração convencional de minérios. Além da identificação dos elementos, é necessário desenvolver processos capazes de separar e purificar componentes químicos que frequentemente apresentam propriedades semelhantes. O desempenho metalúrgico, os custos de reagentes, o consumo de energia e a gestão ambiental podem influenciar significativamente a viabilidade comercial.</p>
<p>A presença de mineralização com teores elevados não garante, isoladamente, uma operação competitiva. <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340982">Empresas</a> também precisam demonstrar capacidade de recuperar os minerais de forma economicamente eficiente e produzir materiais adequados às exigências dos compradores industriais. Esse será um dos fatores determinantes para Serra Negra depois da definição inicial dos recursos.</p>
<h2>Oceana dispõe de recursos para acelerar pesquisas, mas produção ainda depende de investimentos</h2>
<p>A Oceana realizou uma captação de aproximadamente 20 milhões de dólares australianos em 2026, destinada a financiar a aquisição e acelerar as pesquisas minerais. A operação foi estruturada em duas etapas, com participação de investidores institucionais e profissionais. Os recursos permitem ampliar o programa de perfurações e contratar serviços especializados para a caracterização do projeto.</p>
<p>Após o pagamento inicial pela Songeo, a companhia estimou uma posição de caixa próxima de 16,5 milhões de dólares australianos, antes de determinadas despesas de aquisição e custos operacionais posteriores. O montante representa uma referência da capacidade financeira disponível para a fase atual de exploração. Entretanto, não deve ser confundido com financiamento integral de uma futura mina ou instalação industrial de processamento.</p>
<p>O desenvolvimento de uma operação comercial exigiria etapas adicionais, incluindo estudos de engenharia, avaliação econômica, definição de processos metalúrgicos e obtenção de licenças. A dimensão dos investimentos necessários dependerá dos recursos efetivamente identificados, da tecnologia de processamento e da escala escolhida para eventual produção. Sem esses elementos, não é possível estabelecer o custo total de implantação ou um cronograma confiável de início da atividade comercial.</p>
<p>A emissão de ações utilizada na aquisição também modifica a estrutura de capital da Oceana. Após a conclusão, a companhia passou a contar com aproximadamente 250,9 milhões de ações emitidas, conforme os números divulgados no comunicado de outubro. As 15,54 milhões de ações entregues na transação correspondem a aproximadamente 6,2% desse total, proporção que dimensiona a participação acionária criada na operação.</p>
<p>A entrada de novos acionistas e a existência de pagamentos condicionados a metas geológicas fazem parte da estrutura financeira escolhida para o projeto. Esse modelo permite combinar desembolsos imediatos com obrigações futuras relacionadas ao avanço das pesquisas. A avaliação do investimento dependerá da capacidade da mineradora de transformar os recursos captados em informações geológicas suficientes para orientar as próximas decisões.</p>
<h2>Próximos resultados definirão potencial econômico de Serra Negra</h2>
<p>A conclusão da compra da Songeo representa uma mudança no controle empresarial de Serra Negra, mas o principal desafio agora está na evolução técnica do empreendimento. A Oceana deverá divulgar novos resultados de perfuração, concluir análises de amostras históricas e aprofundar os estudos sobre a distribuição das terras raras e do nióbio. Essas informações serão utilizadas na preparação da primeira estimativa formal de recursos minerais.</p>
<p>O trabalho também precisará esclarecer a composição dos elementos identificados e suas possibilidades de recuperação industrial. A presença de óxidos de terras raras em concentrações relevantes constitui uma informação geológica importante, mas seu valor comercial depende da quantidade de elementos demandados pelo mercado e da eficiência do processamento. Da mesma forma, a identificação de nióbio precisa ser acompanhada de dados sobre sua distribuição e concentração no depósito.</p>
<p>Na frente regulatória, as decisões pendentes da ANM deverão definir aspectos relacionados aos direitos minerários abrangidos pela aquisição. A autorização para as pesquisas atuais permite a continuidade dos trabalhos, mas o desenvolvimento de uma operação comercial exigirá o cumprimento das etapas legais e ambientais aplicáveis. A eventual expansão das atividades também dependerá de estudos econômicos e da capacidade de financiamento.</p>
<p>O projeto Serra Negra passa, assim, a integrar de forma mais direta o conjunto de investimentos estrangeiros voltados à exploração de minerais críticos em Minas Gerais. A estrutura geológica de aproximadamente 10 quilômetros, a ampliação da área conhecida de mineralização para mais de 4,5 quilômetros quadrados e a campanha de 20 mil metros de sondagens demonstram a dimensão da aposta da Oceana. O valor econômico efetivo da descoberta, entretanto, será determinado pelos resultados técnicos e pela capacidade de converter o potencial geológico em recursos minerais e, posteriormente, em uma operação viável.</p>
<p><strong>Fontes</strong></p>
<p>Oceana Metals Limited — Comunicado à Australian Securities Exchange de 19 de outubro de 2026, <em>Completion of Serra Negra Project Acquisition</em>, sobre a conclusão da aquisição, estrutura de pagamento, sondagens e situação regulatória.</p>
<p>Oceana Metals Limited — Comunicado à Australian Securities Exchange de 28 de abril de 2026, <em>Oceana Acquires Global-Scale Rare Earths Project in Brazil</em>, com os termos originais da aquisição da Songeo Mineração.</p>
<p>Oceana Metals Limited — Comunicado à Australian Securities Exchange de 17 de setembro de 2026, <em>New Serra Negra Discovery Highlights District Potential</em>, sobre a ampliação da área conhecida de mineralização.</p>
<p>Oceana Metals Limited — Comunicado à Australian Securities Exchange de 8 de outubro de 2026, <em>Drilling Ramps Up With Four Rigs at Serra Negra</em>, com a atualização do programa de perfurações.</p>
<p>Oceana Metals Limited — Documentação técnica institucional do projeto Serra Negra, com resultados de análises geológicas e informações sobre terras raras e nióbio.</p>
<p>St George Mining Limited — Atualização da estimativa de recursos minerais do projeto Araxá, divulgada em 11 de agosto de 2026, segundo o Código JORC de 2012.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Senado aprova perdão de dívidas do MEI, teto de R$ 140 mil e contratação de dois funcionários</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/senado-aprova-perdao-dividas-mei-teto-140-mil-dois-funcionarios</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Luiza Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2026 05:00:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[MEI]]></category>
		<category><![CDATA[Microempreendedor Individual]]></category>
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		<category><![CDATA[pequenos negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Perdão de Dívidas]]></category>
		<category><![CDATA[Senado Federal]]></category>
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		<category><![CDATA[Teto de Faturamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Senado aprovou hoje o projeto de lei complementar (Projeto de Lei Complementar 186/202) que amplia o limite de faturamento do microempreendedor individual (MEI) dos atuais R$ 81 mil por ano, para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil a partir de 2028. Foi</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="prose break-words dark:prose-invert prose-p:leading-relaxed prose-pre:p-0">
<p>O Senado Federal aprovou nesta quinta-feira (15), por 78 votos a zero, o projeto de lei complementar que prevê o perdão integral de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) com a União, a ampliação do limite anual de faturamento para R$ 140 mil até 2028 e a autorização para contratação de até dois funcionários. A proposta reúne medidas de regularização fiscal, expansão dos pequenos <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340838">negócios</a> e acesso às compras governamentais. Aprovado pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (14), o PLP 186/2026 concluiu sua tramitação no Congresso Nacional e seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.</p>
<p>O perdão previsto no texto alcança débitos de responsabilidade dos MEIs constituídos até 13 de outubro de 2026, inscritos ou não na Dívida Ativa da União, mas dependerá de solicitação e do cumprimento de condições específicas. Entre elas está a obrigação de manter em dia as contribuições com vencimento nos seis meses seguintes à entrada em vigor da futura legislação. O descumprimento dessa exigência poderá levar ao cancelamento do benefício, impedindo que a medida seja interpretada como uma anistia automática e incondicional.</p>
<p>A aprovação representa a etapa mais avançada do pacote Prospera MEI, apresentado pelo governo federal para ampliar a capacidade financeira e operacional dos pequenos empreendedores. O projeto combina a renegociação do passado tributário com mudanças nas condições de crescimento dos negócios, incluindo limites maiores de receita, contratação de pessoal e acesso a contratos públicos. Até a sanção e a entrada em vigor das disposições, entretanto, permanecem aplicáveis as regras atuais do regime, incluindo o teto geral de faturamento de R$ 81 mil por ano e o limite ordinário de um empregado.</p>
<h2 style="text-align: left;">Perdão de dívidas pode alcançar milhões de microempreendedores</h2>
<p>A remissão de dívidas constitui uma das medidas de maior alcance do projeto. O texto aprovado pelo Senado prevê a extinção integral dos créditos de titularidade da União de responsabilidade dos MEIs abrangidos pela regra temporal. A medida contempla débitos inscritos na Dívida Ativa e aqueles que ainda não chegaram a essa etapa de cobrança, com a finalidade de permitir a regularização de empreendedores que acumularam obrigações fiscais ao longo dos últimos anos.</p>
<p>Segundo informações divulgadas pelo Ministério do Empreendedorismo, cerca de 3,6 milhões de MEIs possuem dívidas inscritas na Dívida Ativa da União, que somam aproximadamente R$ 12,57 bilhões. O valor médio informado pelo governo é de R$ 3.473 por empreendedor. Esses números dimensionam o passivo associado ao segmento, embora o número final de beneficiários dependa das condições legais e da adesão efetiva ao mecanismo de remissão.</p>
<p>O impacto orçamentário estimado pelo Poder Executivo é de aproximadamente R$ 3 bilhões ao longo de três anos. A previsão está distribuída em R$ 1,1 bilhão para 2027, R$ 1 bilhão para 2028 e R$ 909 milhões para 2029. A soma dos valores anualizados alcança R$ 3,009 bilhões, diferença decorrente do arredondamento utilizado para apresentar a estimativa geral.</p>
<p>É importante distinguir o estoque de dívidas do impacto fiscal projetado. Os R$ 12,57 bilhões representam créditos inscritos em cobrança, enquanto os aproximadamente R$ 3 bilhões constituem uma estimativa de repercussão orçamentária da proposta. Os valores não são equivalentes porque a existência de um crédito registrado não significa que sua recuperação integral seria provável, especialmente quando envolve contribuintes em dificuldade financeira.</p>
<p>O Ministério da Fazenda informou que parte relevante dos créditos considerados apresenta baixa perspectiva de recuperação. A avaliação sustenta a decisão de propor uma remissão ampla, que poderia eliminar despesas administrativas e judiciais associadas à cobrança de valores com reduzida probabilidade de pagamento. A decisão de abrir mão desses créditos, contudo, exige autorização legal e observância das condições estabelecidas no projeto.</p>
<h2 style="text-align: left;">Perdão exigirá pagamento regular do DAS por seis meses</h2>
<p>O benefício aprovado pelo Congresso está acompanhado de uma contrapartida voltada à regularidade futura do empreendedor. Para manter a remissão, o MEI deverá pagar pontualmente as contribuições que vencerem nos seis meses seguintes à entrada em vigor da lei complementar. A exigência procura evitar a formação imediata de novos débitos depois da regularização do passivo anterior.</p>
<p>O projeto também prevê que o empreendedor apresente requerimento para obter o benefício. Segundo as orientações preliminares divulgadas pelo Ministério do Empreendedorismo, o procedimento envolverá a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), responsável pela cobrança dos créditos inscritos na Dívida Ativa da União. A operacionalização definitiva dependerá da entrada em vigor da legislação e das instruções que forem publicadas pelos órgãos competentes.</p>
<p>Outra condição envolve os contribuintes que discutem judicialmente as dívidas abrangidas. Para receber o perdão, será necessário desistir das ações em andamento e renunciar às pretensões relacionadas aos débitos. A extinção desses processos, conforme o texto aprovado, dispensará o pagamento de honorários advocatícios decorrentes dessa situação específica.</p>
<p>A renúncia judicial exige atenção porque envolve a abertura de mão de direitos processuais. Um MEI que esteja discutindo a validade de determinado débito deverá avaliar as consequências de encerrar a disputa para aderir ao benefício. A exigência não significa, por outro lado, que todos os microempreendedores precisarão ajuizar ou extinguir ações: ela se aplica às situações em que existam processos judiciais relacionados aos créditos abrangidos.</p>
<p>A remissão tampouco deve ser confundida com a devolução de tributos já pagos. Segundo a apresentação oficial do programa, os valores anteriormente quitados não serão restituídos pelo simples fato de a dívida correspondente passar a integrar o universo de créditos alcançado pela nova legislação. A medida é voltada à extinção de obrigações pendentes, não à revisão generalizada de recolhimentos realizados no passado.</p>
<p>Outro limite importante é a titularidade dos créditos. O texto trata de débitos com a União de responsabilidade dos microempreendedores individuais. Dívidas bancárias privadas, obrigações pessoais, tributos municipais cobrados diretamente pelas prefeituras e outras pendências não se tornam automaticamente elegíveis apenas porque o devedor possui um CNPJ de MEI. A natureza e a titularidade de cada débito precisam ser verificadas.</p>
<h2 style="text-align: left;">Teto de faturamento do MEI subirá para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028</h2>
<p>Além da remissão, o projeto modifica uma das principais restrições ao crescimento dos microempreendedores: o limite de receita bruta anual. Atualmente fixado em R$ 81 mil para o MEI em geral, o teto passará a R$ 110 mil em 2027 e alcançará R$ 140 mil em 2028, conforme o calendário aprovado pelo Congresso.</p>
<p>A atualização representa aumento nominal de aproximadamente 35,8% no primeiro ano e de 72,8% em 2028, tomando como referência o limite atual de R$ 81 mil. Entre os dois novos patamares, o crescimento será de 27,3%. Os percentuais resultam da comparação matemática dos limites previstos, sem representar estimativas de aumento efetivo de faturamento dos negócios.</p>
<table>
<tbody>
<tr>
<th>Ano</th>
<th>Teto anual de receita bruta</th>
<th>Variação sobre R$ 81 mil</th>
</tr>
<tr>
<td>2026 — regra atual</td>
<td>R$ 81.000</td>
<td>—</td>
</tr>
<tr>
<td>2027 — previsto no projeto</td>
<td>R$ 110.000</td>
<td>+35,8%</td>
</tr>
<tr>
<td>2028 — previsto no projeto</td>
<td>R$ 140.000</td>
<td>+72,8%</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><em>Fonte: PLP 186/2026, aprovado pelo Senado. Variações calculadas pela <a class="wpil_keyword_link" title="Gazeta Mercantil – Jornal Online" href="https://gazetamercantil.com" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340840">Gazeta Mercantil</a>. Os novos limites dependem da sanção e das condições legais de vigência.</em></p>
<p>Para os empreendedores que iniciarem suas atividades no decorrer do ano, os limites serão proporcionais aos meses de funcionamento. Em 2027, o valor de referência será de R$ 9.166,67 por mês de atividade. A partir de 2028, passará para R$ 11.666,67 mensais, observados os critérios legais de proporcionalidade.</p>
<p>A atualização procura corrigir parte da defasagem acumulada desde a última alteração do limite geral, aplicável a partir de 2018. Segundo o governo, a inflação medida pelo IPCA acumulou aproximadamente 55,4% entre janeiro daquele ano e maio de 2026. Isso significa que o reajuste intermediário para R$ 110 mil ainda ficará abaixo da correção correspondente a esse percentual inflacionário, enquanto o patamar de R$ 140 mil representará aumento nominal superior à inflação acumulada no período considerado.</p>
<p>A ampliação poderá beneficiar pequenos negócios que atualmente precisam recusar contratos ou se desenquadrar do regime por ultrapassarem o teto de receita. Entretanto, o aumento do limite não autoriza automaticamente qualquer empresa a voltar à condição de MEI. O enquadramento continuará dependendo dos demais requisitos, como atividade permitida, composição societária, natureza do empreendimento e regularidade da opção tributária.</p>
<h2 style="text-align: left;">Nova regra permitirá contratação de até dois empregados</h2>
<p>O PLP também prevê ampliar de um para dois o número de empregados que um microempreendedor individual poderá manter, observadas as atividades e as condições estabelecidas na legislação. Os trabalhadores deverão receber um salário mínimo ou o piso salarial aplicável à categoria profissional, preservadas as obrigações trabalhistas e previdenciárias.</p>
<p>A mudança pretende oferecer capacidade operacional adicional aos pequenos negócios que dependem de equipes reduzidas para realizar suas atividades. Na configuração atual, a contratação de um segundo empregado permanente constitui uma limitação importante para empreendedores que precisam ampliar a produção ou distribuir suas tarefas entre diferentes profissionais.</p>
<p>O texto aprovado contempla ainda atividades de industrialização, comercialização e prestação de serviços no meio rural, conforme as condições de enquadramento estabelecidas. Essa inclusão amplia o alcance do regime para determinadas operações econômicas que possuem características próprias de contratação e organização do <a class="wpil_keyword_link" title="Trabalho" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340837">trabalho</a>.</p>
<p>A proposta também disciplina a substituição temporária de empregados legalmente afastados. Quando um ou mais trabalhadores estiverem ausentes nas hipóteses previstas em lei, o MEI poderá contratar substitutos em quantidade correspondente à dos empregados afastados, inclusive por prazo determinado. A substituição deverá observar o período necessário até o encerramento das condições que motivaram o afastamento.</p>
<p>A autorização para um segundo empregado não elimina os encargos de contratação. O empreendedor continuará responsável pelo pagamento dos salários, recolhimentos obrigatórios e cumprimento das regras relativas a férias, décimo terceiro, jornada e demais direitos trabalhistas aplicáveis. Por isso, a ampliação deve ser entendida como uma possibilidade de crescimento, não como incentivo para contratar sem avaliar a capacidade financeira do negócio.</p>
<p>A regra também não produzirá efeitos imediatos apenas porque foi aprovada pelo Senado. Até que a nova legislação entre em vigor, a contratação deverá respeitar os limites atualmente estabelecidos para o MEI.</p>
<h2 style="text-align: left;">Licitações exclusivas de até R$ 100 mil e preferência em contratos menores</h2>
<p>As mudanças relacionadas às compras públicas constituem outra parte relevante do pacote aprovado. O projeto amplia de R$ 80 mil para R$ 100 mil o limite de valor das licitações exclusivas destinadas a microempresas e <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340841">empresas</a> de pequeno porte. Como o MEI integra o conjunto de pequenos negócios beneficiados pelas regras de tratamento favorecido, a medida poderá ampliar suas oportunidades de participação, conforme os requisitos de cada contratação.</p>
<p>A expressão licitação exclusiva, entretanto, não significa que todos os certames de até R$ 100 mil serão reservados exclusivamente aos MEIs. A previsão se refere ao tratamento diferenciado de microempresas e empresas de pequeno porte, categoria mais ampla. Os microempreendedores poderão participar das oportunidades compatíveis com seu enquadramento e com as exigências legais e operacionais de cada edital.</p>
<p>Para os MEIs, o pacote também prevê preferência em contratações públicas de até R$ 25 mil. Esse valor aparece associado à ampliação das oportunidades oferecidas pelo programa Contrata+Brasil, plataforma que aproxima pequenos prestadores de serviços dos órgãos da administração pública.</p>
<p>O limite de contratação por serviço na plataforma, que estava em aproximadamente R$ 13.098,41, deverá subir para R$ 25 mil. A diferença corresponde a aumento de aproximadamente 90,9%, calculado a partir dos valores informados pelo Ministério do Empreendedorismo. A ampliação poderá permitir que prestadores disputem oportunidades de maior valor, respeitadas as demais condições previstas para as contratações.</p>
<p>Até 13 de outubro de 2026, o Contrata+Brasil havia registrado 8.356 contratos concluídos, com valor somado de R$ 47,9 milhões, segundo o governo federal. A plataforma reunia 24.537 microempreendedores cadastrados e 2.744 órgãos públicos, além de 245 oportunidades abertas. Esses dados mostram a dimensão já alcançada pelo programa, embora não permitam antecipar quantos contratos adicionais serão gerados pelas novas regras.</p>
<p>A possibilidade de atender ao setor público pode diversificar as fontes de receita do pequeno empreendedor, especialmente em serviços locais de manutenção e conservação. Entretanto, a contratação governamental exige capacidade de execução, atendimento às especificações, documentação regular e cumprimento dos prazos. A ampliação dos limites legais não representa garantia de faturamento nem reserva automática de contratos para todos os cadastrados.</p>
<h2 style="text-align: left;">Impacto fiscal de R$ 3 bilhões não equivale ao total das dívidas perdoadas</h2>
<p>A diferença entre o valor dos débitos registrados e o custo orçamentário estimado constitui um dos principais pontos para compreender o projeto. O governo informa um estoque de R$ 12,57 bilhões apenas em dívidas de MEIs inscritas na Dívida Ativa da União. Já a projeção de R$ 3 bilhões para os próximos três anos procura dimensionar os efeitos fiscais da remissão, considerando os parâmetros utilizados pela administração federal.</p>
<p>A comparação direta entre os valores indica que o impacto fiscal estimado corresponde a aproximadamente 23,9% do estoque de R$ 12,57 bilhões. Essa proporção, entretanto, não deve ser interpretada como um desconto parcial oferecido ao contribuinte. O benefício proposto é de remissão integral dos débitos elegíveis, enquanto a estimativa orçamentária considera os efeitos esperados sobre a arrecadação e a recuperação dos créditos.</p>
<p>A medida também pode alterar o comportamento futuro da arrecadação. Um empreendedor que regularize suas pendências e mantenha o pagamento corrente do DAS poderá permanecer no regime e continuar contribuindo. A exigência de adimplência por seis meses demonstra que o projeto combina o perdão do passivo com uma tentativa de preservar os recolhimentos posteriores.</p>
<p>Esse resultado, contudo, não pode ser considerado garantido antes da implementação. O impacto líquido dependerá do número efetivo de adesões, da capacidade de cumprimento das condições e do comportamento da arrecadação após a entrada em vigor da lei. Por essa razão, as estimativas oficiais devem ser apresentadas como projeções e não como <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340839">economia</a> ou recuperação de receitas já realizadas.</p>
<h2 style="text-align: left;">Senado aprova por unanimidade e texto segue para sanção presidencial</h2>
<p>A aprovação no Senado ocorreu na noite de quinta-feira, em sessão que registrou 78 votos favoráveis, nenhum contrário e nenhuma abstenção. O relator da proposta na Casa foi o senador Carlos Fávaro (PSD-MT). O projeto recebeu uma emenda de redação e teve sua versão final aprovada, encerrando a etapa de deliberação parlamentar.</p>
<p>Um dia antes, a Câmara havia aprovado o texto por 461 votos a quatro, a partir de substitutivo apresentado pelo deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA). A versão consolidada incorporou medidas dos PLPs 186/2026 e 267/2026, ambos apresentados pelo Poder Executivo. O primeiro tratava da ampliação do teto de faturamento e da capacidade de contratação, enquanto o segundo concentrava as disposições relativas ao perdão de dívidas e outras iniciativas de apoio aos microempreendedores.</p>
<p>O próximo passo é a análise presidencial, que poderá resultar em sanção ou veto, integral ou parcial, conforme as regras constitucionais. Somente depois da conclusão dessa etapa será possível estabelecer de forma definitiva quais dispositivos entrarão em vigor e os procedimentos administrativos necessários para sua execução.</p>
<p>Para os microempreendedores endividados, o principal cuidado neste momento é não confundir a aprovação parlamentar com a concessão imediata da remissão. Débitos continuam sujeitos às regras atuais de cobrança até que a futura lei produza os efeitos previstos. Da mesma forma, os limites gerais de faturamento e contratação permanecem inalterados enquanto as novas disposições não estiverem juridicamente aplicáveis.</p>
<p>A aprovação por ampla maioria nas duas Casas coloca o projeto em sua etapa legislativa final e abre a possibilidade de mudanças relevantes no regime do MEI a partir de 2027. O alcance concreto das medidas dependerá da sanção, da regulamentação e do funcionamento dos procedimentos de adesão, especialmente no caso das dívidas com a União, cuja extinção exigirá providências específicas dos contribuintes beneficiados.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Senado Federal — Registro da sessão plenária de 15 de outubro de 2026, votação nominal e redação final do PLP 186/2026.</em></p>
<p><em>Senado Federal — Comunicado institucional da Presidência sobre a aprovação do PLP 186/2026, de 15 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Câmara dos Deputados — Registros de tramitação, aprovação e substitutivo do PLP 186/2026, incluindo disposições incorporadas do PLP 267/2026.</em></p>
<p><em>Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte — Comunicado institucional sobre o pacote Prospera MEI, de 15 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>Ministério da Fazenda — Informações sobre o programa de regularização de dívidas, impactos fiscais e ampliação dos limites do MEI.</em></p>
<p><em>Receita Federal — Orientações oficiais sobre as regras atuais de enquadramento do Microempreendedor Individual.</em></p>
</div>
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		<title>Polarização afeta consumo: 38% dos brasileiros resistentes a outros grupos rejeitam marcas associadas a eles</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/polarizacao-politica-consumo-confianca-marcas-brasil</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alice Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Oct 2026 00:40:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Boicote a marcas]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento do consumidor]]></category>
		<category><![CDATA[Confiança nas marcas]]></category>
		<category><![CDATA[Consumo e política]]></category>
		<category><![CDATA[Edelman Trust Barometer]]></category>
		<category><![CDATA[empresas brasileiras]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[polarização política]]></category>
		<category><![CDATA[Reputação empresarial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Brasil vive o intervalo entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais absolutamente dividido. Nessas semanas, manifestações, conversas de família e posts nas redes são atravessados por uma pergunta: de que lado você está?A tensão não</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-metric-area="topo-noticia" data-v-d559f1f7="">
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<div class="solar-badge sign-it bold-subtext solar-badge-subscribed solar-badge-subscribed-medium solar-badge--container" data-v-be57f0b5="" data-v-d559f1f7="">
<p>A polarização política e social começa a produzir consequências mensuráveis sobre o comportamento dos consumidores brasileiros, com efeitos que ultrapassam as disputas eleitorais e alcançam a relação entre empresas, trabalhadores e clientes. Pesquisa do Edelman Trust Barometer 2026 aponta que 72% dos brasileiros entrevistados demonstram resistência ou hesitação em confiar em pessoas com valores, crenças ou visões de mundo diferentes das suas. Entre esse grupo, 38% afirmam não estar dispostos a consumir marcas utilizadas por pessoas que consideram diferentes. Os resultados indicam que a identificação social passou a interferir em escolhas comerciais que tradicionalmente eram associadas sobretudo a preço, qualidade e conveniência.</p>
<p>O levantamento integra o relatório especial <em>Crescimento das marcas em meio à insularidade</em>, produzido pelo Edelman Trust Institute com base em 17.688 entrevistas realizadas em 15 países, entre 23 de abril e 11 de maio de 2026. No Brasil, os resultados revelam um ambiente no qual a confiança não depende exclusivamente das características do produto ou da reputação empresarial. As percepções sobre quem utiliza determinada marca, os valores associados à companhia e o sentimento de pertencimento a determinados grupos também podem influenciar o relacionamento comercial.</p>
<p>A resistência ao contato com pessoas de opiniões divergentes representa um desafio adicional para <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340746">empresas</a> que precisam conquistar públicos heterogêneos. Embora a associação entre consumo e identidade não seja recente, o crescimento da desconfiança social amplia o risco de produtos, campanhas publicitárias e posicionamentos institucionais serem interpretados como manifestações políticas. Para os negócios, a consequência potencial é a redução da capacidade de dialogar com diferentes segmentos do <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340747">mercado</a>, especialmente quando a identificação com uma marca passa a funcionar como sinal de proximidade ou distanciamento entre grupos.</p>
<h2>Desconfiança entre grupos chega às decisões de compra</h2>
<p>Os indicadores brasileiros superam os resultados globais apresentados no mesmo levantamento. Enquanto 72% dos entrevistados no país manifestam hesitação ou resistência em confiar em pessoas diferentes, a média internacional é de 66%, uma distância de seis pontos percentuais. A diferença também aparece nas decisões de consumo: entre os participantes que demonstram essa resistência, 38% dos brasileiros rejeitam marcas associadas a pessoas diferentes deles, ante 30% no conjunto internacional. A comparação aponta uma manifestação mais intensa desse comportamento na amostra brasileira, embora não permita atribuir o resultado exclusivamente à disputa político-partidária.</p>
<p>A pesquisa utiliza o conceito de insularidade para descrever o fechamento das relações de confiança em círculos formados por pessoas percebidas como semelhantes. Essa condição envolve diferenças de valores fundamentais, fontes de informação, maneiras de enfrentar problemas sociais e origens culturais. Não se trata, portanto, apenas da preferência por determinado candidato ou partido. O fenômeno abrange referências sociais que podem influenciar a disposição para estabelecer relações pessoais, profissionais e comerciais.</p>
<p>A rejeição também não significa que todos os consumidores estejam dispostos a abrir mão de qualidade ou pagar mais para sustentar suas preferências. O relatório mostra que 91% dos brasileiros consideram a confiança na marca um critério importante ou decisivo na compra, enquanto 92% atribuem esse peso à qualidade do produto e 94% ao atendimento ao cliente. A proximidade entre os indicadores sugere que aspectos funcionais continuam relevantes, mesmo quando valores e identidades ganham espaço no processo de decisão.</p>
<p>Essa combinação impõe uma dificuldade estratégica às companhias. Uma empresa pode conquistar a identificação de determinado público por meio de sua comunicação institucional, mas não consegue sustentar relacionamentos duradouros apenas com mensagens de afinidade. Produtos competitivos, atendimento consistente e cumprimento das promessas comerciais permanecem essenciais. O desafio está em construir uma reputação suficientemente confiável para alcançar consumidores que não necessariamente compartilham as mesmas opiniões políticas ou culturais.</p>
<h2>Empresas enfrentam efeitos da polarização também no ambiente de trabalho</h2>
<p>As consequências da desconfiança social não se restringem às vendas. A edição principal do Edelman Trust Barometer 2026 mostra que 41% dos trabalhadores brasileiros entrevistados prefeririam mudar de departamento a responder diretamente a um gestor com valores diferentes dos seus. Outros 34% afirmam que se esforçariam menos caso o líder de sua equipe tivesse crenças políticas distintas. Os números indicam que as divergências podem influenciar a disposição para colaborar e a percepção de legitimidade das lideranças, ainda que as respostas declaradas não comprovem que esses comportamentos ocorram na mesma proporção no cotidiano profissional.</p>
<p>Para empresas com equipes numerosas e operações distribuídas por diferentes regiões, a questão ultrapassa o campo da comunicação corporativa. A resistência a trabalhar sob lideranças consideradas ideologicamente distantes pode dificultar a integração de equipes, ampliar conflitos internos e exigir maior atenção às práticas de gestão. O risco é particularmente relevante em organizações que dependem da cooperação entre profissionais com diferentes experiências, formações e referências culturais.</p>
<p>O levantamento também mostra que a preferência por empresas nacionais ganhou importância. Segundo a pesquisa especial sobre marcas, 75% dos brasileiros consideram importante ou decisivo que as empresas das quais compram tenham sede no país, proporção 15 pontos percentuais superior à registrada em 2023. A valorização da origem nacional pode refletir diferentes motivações, incluindo confiança, identificação cultural e percepções sobre benefícios econômicos. O resultado, isoladamente, não permite concluir que a preferência decorra de nacionalismo político ou rejeição generalizada a companhias estrangeiras.</p>
<p>Para multinacionais que atuam no Brasil, o dado reforça a importância de demonstrar vínculos concretos com o mercado local, seja por meio de investimentos, empregos, fornecedores ou atendimento às necessidades dos consumidores. Companhias brasileiras, por sua vez, podem encontrar vantagens reputacionais na identificação com a origem nacional, mas continuam sujeitas às exigências de qualidade e competitividade. A nacionalidade de uma marca constitui apenas um dos elementos considerados no relacionamento comercial.</p>
<h2>Identidade política e pertencimento social ajudam a explicar o comportamento</h2>
<p>A ciência <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340748">política</a> oferece instrumentos para compreender por que diferenças de opinião podem se transformar em barreiras de relacionamento. Um deles é a polarização afetiva, caracterizada pela intensificação de sentimentos negativos em relação a integrantes de grupos políticos adversários. Nesse fenômeno, a divergência deixa de envolver somente propostas ou decisões de governo e passa a atingir a maneira como indivíduos avaliam a confiabilidade e as características pessoais de quem pensa de forma diferente.</p>
<p>A cientista política Lilliana Mason, professora da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, estuda a sobreposição de identidades sociais e partidárias. Em pesquisa publicada em 2018 com Julie Wronski, as autoras analisaram o processo conhecido como <em>social sorting</em>, no qual diferentes formas de identificação social se alinham progressivamente às preferências políticas. Quando referências culturais, pertencimento a grupos e posicionamentos partidários passam a coincidir, as pessoas ficam menos expostas a vínculos sociais que atravessem divisões políticas.</p>
<p>Esses estudos ajudam a interpretar os resultados sobre consumo, mas não demonstram que a escolha de cada produto tenha motivação ideológica. Preferências comerciais resultam de uma combinação de renda, disponibilidade, hábitos, necessidades e avaliações individuais. A dimensão identitária acrescenta uma variável a esse processo, especialmente em situações nas quais marcas são publicamente associadas a determinados valores ou comportamentos.</p>
<p>O efeito também pode variar conforme o setor. Empresas de bens de consumo com grande exposição publicitária enfrentam condições diferentes das encontradas por prestadores de serviços essenciais ou fornecedores industriais. Para uma marca de alcance nacional, a concentração da comunicação em um único grupo pode fortalecer a fidelidade de parte dos clientes, mas também limitar a capacidade de expansão. O equilíbrio depende do posicionamento comercial, da composição do público e da credibilidade construída ao longo do tempo.</p>
<h2>Redes sociais influenciam o debate, mas seus efeitos não são uniformes</h2>
<p>A relação entre plataformas digitais e polarização é objeto de investigações acadêmicas que apresentam resultados mais complexos do que a associação direta entre uso de redes sociais e radicalização. Estudos realizados durante a eleição presidencial norte-americana de 2020 examinaram os efeitos da exposição a conteúdos políticos e das alterações no funcionamento das plataformas. Uma pesquisa publicada em 2024 na revista científica <em>Proceedings of the National Academy of Sciences</em> analisou experimentalmente a desativação temporária de contas no Facebook e no Instagram, com participantes selecionados para permanecer seis semanas sem acesso às respectivas plataformas.</p>
<p>Outros trabalhos da mesma agenda de pesquisa identificaram que mudanças de curto prazo na distribuição de conteúdos não necessariamente produzem reduções equivalentes na polarização política. Isso não elimina a influência das redes sobre a circulação de informações e a visibilidade dos conflitos, mas demonstra a dificuldade de isolar seus efeitos sobre atitudes que também são formadas pela experiência social, pelas relações pessoais e pelo ambiente político fora da internet.</p>
<p>A existência de caminhos para reduzir a hostilidade entre grupos também foi examinada experimentalmente. Um estudo publicado em 2023 na revista <em>Nature Human Behaviour</em> utilizou uma plataforma de conversas entre eleitores republicanos e democratas nos Estados Unidos. Os pesquisadores observaram redução significativa da polarização entre participantes que mantiveram diálogos anônimos com pessoas de posições políticas opostas, em comparação com um grupo de controle. Os efeitos estiveram associados à civilidade das conversas, sugerindo que o formato das interações pode influenciar a maneira como divergências são administradas.</p>
<p>Os resultados não podem ser automaticamente transferidos para a sociedade brasileira nem representam uma solução universal. Eles indicam, entretanto, que o contato entre pessoas com opiniões diferentes não precisa necessariamente ampliar conflitos. Para organizações, essa evidência oferece uma perspectiva sobre a importância de ambientes nos quais a cooperação e o respeito às diferenças não dependam de concordância política.</p>
<h2>Confiança e experiências compartilhadas entram na estratégia das marcas</h2>
<p>A pesquisa especial da Edelman aponta que confiança e relevância funcionam de maneira complementar na construção de relacionamentos comerciais. Globalmente, consumidores apresentam disposição quase duas vezes maior para apoiar a expansão de uma marca para novos públicos quando reconhecem nela esses dois atributos. O resultado sugere que empresas com reputação consistente podem encontrar melhores condições para ampliar sua atuação entre grupos que não compartilham necessariamente a mesma identidade social.</p>
<p>A percepção de confiança, contudo, não depende apenas do discurso institucional. Segundo o levantamento, a avaliação de consumidores, pessoas próximas e defensores espontâneos das marcas tem peso expressivo na formação da credibilidade. Esse dado diferencia a comunicação publicitária das experiências efetivamente vividas pelos clientes. Uma companhia pode divulgar compromissos sociais e valores corporativos, mas a força dessas mensagens depende de sua correspondência com práticas verificáveis.</p>
<p>O esporte, a cultura e o entretenimento oferecem oportunidades de relacionamento com públicos diversos porque mobilizam interesses que não estão necessariamente organizados em torno das mesmas preferências políticas. Patrocínios, eventos, produtos culturais e experiências coletivas podem aproximar consumidores com referências sociais distintas. Essa capacidade, porém, não é automática: os mesmos espaços podem tornar-se objeto de controvérsias, dependendo das circunstâncias e dos significados atribuídos pelo público.</p>
<p>A decisão empresarial de assumir determinadas posições também envolve consequências comerciais. Compromissos ambientais, práticas de inclusão, regras de governança e políticas de relacionamento com trabalhadores podem integrar a identidade institucional de uma companhia, independentemente de disputas partidárias. O risco surge quando a comunicação transforma compromissos corporativos em instrumentos de confronto ou apresenta mensagens incompatíveis com a atuação efetiva da organização.</p>
<p>Os levantamentos de 2026 mostram que a polarização e a desconfiança já fazem parte das condições enfrentadas pelas empresas no Brasil, tanto na relação com consumidores quanto no gerenciamento de equipes. A resposta empresarial envolve preservar a coerência das decisões, oferecer produtos e serviços competitivos e estabelecer canais de relacionamento capazes de atender públicos diferentes. Os próximos levantamentos poderão indicar se a resistência entre grupos continuará avançando ou se a confiança comercial será capaz de se manter apesar das divergências sociais.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Edelman Trust Institute — Relatório Especial Edelman Trust Barometer 2026: Crescimento das marcas em meio à insularidade, resultados brasileiros, comparações internacionais e metodologia.</em></p>
<p><em>Edelman Trust Institute — Edelman Trust Barometer 2026, indicadores brasileiros sobre confiança, relações profissionais e percepções institucionais.</em></p>
<p><em>Lilliana Mason e Julie Wronski — Estudo One Tribe to Bind Them All: How Our Social Group Attachments Strengthen Partisanship, publicado em Political Psychology em 2018.</em></p>
<p><em>Proceedings of the National Academy of Sciences — Estudo The Effects of Facebook and Instagram on the 2020 Election: A Deactivation Experiment, publicado em 2024.</em></p>
<p><em>Nature Human Behaviour — Estudo Reducing Political Polarization in the United States with a Mobile Chat Platform, publicado em 2023.</em></p>
</div>
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		<title>Fusões e aquisições na mineração somam US$ 8,2 bi e terras raras concentram 42%</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/fusoes-aquisicoes-mineracao-8-2-bilhoes-terras-raras</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 12:58:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Alvarez & Marsal]]></category>
		<category><![CDATA[capital chinês]]></category>
		<category><![CDATA[capital estrangeiro]]></category>
		<category><![CDATA[CBA]]></category>
		<category><![CDATA[CMOC]]></category>
		<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[fusões e aquisições]]></category>
		<category><![CDATA[Lynas Rare Earths]]></category>
		<category><![CDATA[Mineração]]></category>
		<category><![CDATA[minerais críticos]]></category>
		<category><![CDATA[MMG]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Nexa Resources]]></category>
		<category><![CDATA[Serra Verde]]></category>
		<category><![CDATA[terras raras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A mineração brasileira atravessa uma forte reacomodação de capital, impulsionada pela disputa internacional por minerais estratégicos e pela revisão dos portfólios de grandes grupos do setor. Fusões e aquisições envolvendo ativos de mineração no país somaram US$ 8,2 bilhões em 13 operações com valores divulgados entre janeiro de 2025 e 2 de outubro de 2026, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A mineração brasileira atravessa uma forte reacomodação de capital, impulsionada pela disputa internacional por minerais estratégicos e pela revisão dos portfólios de grandes grupos do setor. Fusões e aquisições envolvendo ativos de mineração no país somaram US$ 8,2 bilhões em 13 operações com valores divulgados entre janeiro de 2025 e 2 de outubro de 2026, segundo levantamento da Alvarez &amp; Marsal. Somente neste ano, foram anunciados US$ 5,9 bilhões em <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340526">negócios</a>, o equivalente a aproximadamente 72% de todo o volume do período e 2,6 vezes os US$ 2,3 bilhões contabilizados em 2025.</p>
<p>A aceleração não está concentrada em uma única commodity. Terras raras aparecem como principal vetor do movimento, mas ouro, níquel, zinco e alumínio também estão no centro de transações bilionárias. O que une parte desses ativos é uma mudança na maneira como grandes investidores avaliam recursos minerais: além de produção, reservas e rentabilidade, entram cada vez mais na conta a segurança de fornecimento, a capacidade de processamento e a posição de cada projeto nas cadeias industriais globais.</p>
<p>Das 13 operações acompanhadas pela A&amp;M, oito já haviam sido concluídas e somavam US$ 4,6 bilhões. Outras cinco, avaliadas em aproximadamente US$ 3,6 bilhões, ainda dependiam de fechamento, aprovações regulatórias ou outras condições. Isso significa que pouco mais de 56% do valor identificado pela consultoria já correspondia a negócios efetivamente concluídos, enquanto aproximadamente 44% continuavam condicionados a etapas posteriores.</p>
<h2>Terras raras concentram US$ 3,47 bilhões</h2>
<p>Duas operações ligadas às terras raras respondem sozinhas por aproximadamente 42% dos US$ 8,2 bilhões identificados pela A&amp;M. A maior delas foi a combinação entre a americana USA Rare Earth e o Serra Verde Group, proprietário da mina e unidade de processamento Pela Ema, em Goiás. Anunciada em abril por valor implícito de aproximadamente US$ 2,8 bilhões, a transação foi concluída no início de setembro.</p>
<p>Com a incorporação da Serra Verde, a USA Rare Earth passou a combinar a produção brasileira de terras raras pesadas com atividades de processamento, metalização e fabricação de ímãs permanentes. Pela Ema, em Minaçu, é apresentada pela companhia como a única operação em escala fora da Ásia capaz de produzir os quatro elementos magnéticos de terras raras neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.</p>
<p>A segunda grande transação veio no fim de setembro, quando a australiana Lynas Rare Earths anunciou acordo para adquirir a Meteoric Resources em uma operação integralmente em ações avaliada em cerca de US$ 672 milhões. O principal ativo da Meteoric é o Projeto Caldeira, em Minas Gerais, uma das maiores ocorrências conhecidas de terras raras em argilas iônicas fora da China.</p>
<p>Somadas, Serra Verde e Meteoric alcançam aproximadamente US$ 3,47 bilhões, ou 42,3% de todo o volume contabilizado pela consultoria desde o início de 2025. A concentração mostra que as terras raras deixaram de ocupar apenas uma posição promissora no portfólio mineral brasileiro e passaram a movimentar efetivamente capital internacional em escala bilionária.</p>
<h2>Geopolítica aumenta valor estratégico dos ativos</h2>
<p>O interesse por terras raras está ligado à expansão da demanda por ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, sistemas de defesa e diferentes tecnologias industriais. Ao mesmo tempo, a elevada concentração mundial das etapas de separação e processamento na Ásia levou Estados Unidos, Europa, Austrália e outros países a buscar cadeias alternativas de abastecimento.</p>
<p>Nesse ambiente, um projeto mineral pode ganhar valor por razões que ultrapassam a simples quantidade de minério presente no solo. Localização, composição dos elementos, estágio do licenciamento, possibilidade de processamento local e capacidade de integração com fábricas de metais e ímãs passaram a influenciar diretamente a avaliação dos ativos.</p>
<p>A aquisição da Serra Verde ilustra essa mudança. A USA Rare Earth não incorporou apenas uma operação mineral brasileira, mas uma fonte de fornecimento que pode ser integrada a uma cadeia industrial mais ampla fora da Ásia. A empresa vem construindo uma estratégia que conecta mineração e processamento à produção de metais e ímãs.</p>
<p>A Lynas segue lógica semelhante com o Projeto Caldeira. A companhia já possui experiência em mineração e separação de terras raras e, ao entrar no Brasil, amplia sua base de recursos e abre a possibilidade de desenvolver etapas adicionais de processamento no país. O projeto mineiro passa, portanto, a ser avaliado também pelo papel que pode desempenhar numa cadeia internacional de suprimento.</p>
<h2>Nexa, CBA e ouro também movimentam bilhões</h2>
<p>A reorganização vai além dos minerais críticos. Em agosto, a sueca Boliden fechou acordo para adquirir a participação de 64,68% da Votorantim na Nexa Resources. O negócio será pago com novas ações da Boliden, que assumirá o controle da mineradora, enquanto a Votorantim ficará com participação de aproximadamente 7% na companhia sueca após a conclusão da transação.</p>
<p>A operação está sujeita à aprovação de acionistas e autoridades regulatórias e foi incluída pela A&amp;M entre os negócios ainda pendentes. Para a Boliden, a aquisição amplia fortemente a exposição ao zinco e adiciona operações de mineração e metalurgia na América Latina.</p>
<p>No ouro, a chinesa CMOC concluiu em janeiro a compra das operações brasileiras da Equinox Gold por até US$ 1,015 bilhão. O pacote inclui as minas Aurizona e RDM, além do Complexo Bahia. A Equinox recebeu US$ 900 milhões no fechamento e poderá receber outros US$ 115 milhões vinculados à produção.</p>
<p>A transação levou para a CMOC ativos já em produção, diferentemente de operações voltadas a projetos que ainda precisarão ser desenvolvidos. A empresa, que já operava no Brasil nos segmentos de nióbio e fosfatos, ampliou assim sua presença para o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340527">mercado</a> de ouro.</p>
<h2>Chalco e Rio Tinto avançam sobre a CBA</h2>
<p>O alumínio também entrou no ciclo de grandes transações. Em janeiro, a Votorantim fechou acordo para vender sua participação de controle de 68,596% na Companhia Brasileira de Alumínio, a CBA, para uma joint venture formada pela chinesa Chalco e pela anglo-australiana Rio Tinto.</p>
<p>A participação foi avaliada em aproximadamente US$ 902,6 milhões. A Chalco ficará com 67% da joint venture e a Rio Tinto, com os 33% restantes. A conclusão depende das aprovações regulatórias previstas no contrato.</p>
<p>A CBA é uma operação verticalmente integrada, com mineração de bauxita, produção de alumina, fundição de alumínio, reciclagem e ativos próprios de geração renovável. Esse perfil ajuda a explicar o interesse dos compradores: além da mineração, a aquisição dá acesso a diferentes etapas de uma cadeia industrial já estabelecida no Brasil.</p>
<p>O acordo também se encaixa na estratégia de gestão ativa de portfólio da Votorantim, que ao longo de 2026 avançou em operações envolvendo dois de seus principais ativos ligados à mineração e aos metais: CBA e Nexa.</p>
<h2>Capital chinês ganha espaço nos ativos brasileiros</h2>
<p>A participação de grupos chineses é outro traço importante desse ciclo. Segundo a A&amp;M, operações envolvendo CMOC, Chalco e MMG respondem por aproximadamente 30% do valor anunciado desde 2025. Sobre o total de US$ 8,2 bilhões, isso representa algo próximo de US$ 2,5 bilhões.</p>
<p>A presença chinesa abrange commodities diferentes. A CMOC avançou sobre o ouro, a Chalco participa da aquisição do controle da CBA e a MMG negocia a compra dos ativos brasileiros de níquel da Anglo American.</p>
<p>O acordo da MMG envolve as operações de Barro Alto e Codemin, em Goiás, e prevê pagamento de até US$ 500 milhões. O negócio, entretanto, enfrenta uma análise concorrencial relevante na Europa. A Comissão Europeia apresentou objeções preliminares à transação, e a MMG vem defendendo que a aquisição não prejudicará a concorrência nem a segurança de fornecimento aos clientes europeus.</p>
<p>Nesta semana, a empresa participou de audiência em Bruxelas para apresentar sua posição sobre o negócio. O episódio demonstra como uma transação envolvendo minas localizadas no Brasil pode ficar submetida a uma análise regulatória internacional quando comprador, produto e clientes fazem parte de uma cadeia global de fornecimento.</p>
<h2>Nova lei acrescenta análise estratégica às mudanças de controle</h2>
<p>O ciclo de aquisições coincide com a criação de uma nova <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340525">política</a> brasileira para minerais críticos. Sancionada em 16 de setembro, a Lei nº 15.506 instituiu a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e criou o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, o CIMCE.</p>
<p>A legislação estabelece que mudanças diretas ou indiretas de controle societário de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340528">empresas</a> titulares de direitos minerários relacionados a minerais classificados como críticos ou estratégicos ficam sujeitas a mecanismo de triagem e homologação pelo poder público, nos termos da regulamentação.</p>
<p>O dispositivo introduz uma variável adicional em futuras operações de fusão e aquisição. Além das análises concorrenciais, ambientais e societárias já existentes, negócios envolvendo determinados minerais passam a poder ser avaliados também sob a perspectiva da política nacional de segurança de suprimento e industrialização.</p>
<p>A lei estabelece ainda instrumentos voltados ao beneficiamento e à transformação mineral dentro do país. A intenção é aumentar a participação brasileira nas etapas industriais posteriores à extração, onde normalmente está uma parcela maior do valor econômico da cadeia.</p>
<h2>Regulação pode aumentar prazo de algumas transações</h2>
<p>A nova arquitetura não significa necessariamente bloqueio à entrada de capital estrangeiro. O próprio texto legal coloca estabilidade regulatória, segurança jurídica e previsibilidade entre os princípios que devem orientar a política, ao mesmo tempo em que estabelece instrumentos de proteção para ativos considerados estratégicos.</p>
<p>Para investidores, porém, a consequência prática é que a estrutura e o calendário de determinadas transações passam a depender também desse novo mecanismo. Uma aquisição que envolva mudança de controle de uma empresa com direitos minerários enquadrados na política poderá exigir planejamento regulatório adicional.</p>
<p>Na avaliação apresentada pela A&amp;M, as discussões sobre o novo marco não provocaram uma corrida generalizada para antecipar negócios. Ao contrário, a incerteza sobre a aplicação das novas regras chegou a aumentar o tempo de algumas negociações.</p>
<p>A questão tende a ganhar importância à medida que o CIMCE definir seus procedimentos e o país consolidar a relação de minerais submetidos às novas regras. Quanto mais estratégico o ativo, maior deverá ser a atenção dedicada à estrutura societária e aos efeitos de uma mudança de controle.</p>
<h2>Próxima fila de negócios pode superar o volume já anunciado</h2>
<p>O mercado ainda possui operações capazes de elevar significativamente o volume de fusões e aquisições. Entre os processos citados pela A&amp;M está a venda conjunta do Porto Sudeste e da Mineração Morro do Ipê, cuja avaliação indicada pelos vendedores gira em torno de US$ 5 bilhões.</p>
<p>Se uma transação desse porte fosse concluída pelo valor estimado, representaria sozinha aproximadamente 61% de todo o volume de US$ 8,2 bilhões identificado entre janeiro de 2025 e outubro de 2026. Também equivaleria a mais do que o dobro de todo o valor de negócios registrado em 2025.</p>
<p>Outros processos envolvem a Bahia Mineração e a possibilidade de entrada de um investidor na LHG Mining. No caso da LHG, a J&amp;F confirmou que contratou o Citi para conduzir um processo competitivo envolvendo uma eventual participação minoritária, sem indicar uma venda integral ou necessariamente uma mudança de controle.</p>
<p>A existência desses ativos no mercado sugere que a atividade de fusões e aquisições pode permanecer elevada mesmo depois da sequência de operações bilionárias já anunciadas neste ano.</p>
<h2>Mineração passa a disputar capital pela cadeia inteira</h2>
<p>O volume de US$ 8,2 bilhões revela mais do que uma sucessão de compras e vendas de minas. O movimento mostra que a avaliação dos ativos brasileiros passou a incorporar de forma mais explícita fatores industriais, tecnológicos e geopolíticos.</p>
<p>Em terras raras, o interesse está ligado à construção de cadeias de suprimento fora da Ásia. No alumínio, compradores buscam uma operação integrada e abastecida por energia renovável. No ouro, grupos globais assumem ativos já produtores. No níquel e no zinco, as transações acompanham a reorganização dos portfólios de grandes mineradoras.</p>
<p>Para o Brasil, a entrada desse capital cria oportunidade de acelerar projetos e ampliar investimentos, mas também eleva a importância de transformar recursos minerais em cadeias industriais mais completas. O valor econômico deixa de estar apenas na jazida e passa a depender também de quanto processamento, tecnologia e fabricação consegue permanecer no país.</p>
<p>Com US$ 5,9 bilhões anunciados somente em 2026 e uma nova fila de ativos em negociação, a mineração brasileira entra no último trimestre do ano com um mercado de M&amp;A muito acima do observado em 2025. O próximo passo será verificar quanto desse capital se converterá em expansão produtiva e quanto da nova política de minerais críticos conseguirá estimular etapas de maior valor agregado dentro do Brasil.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Alvarez &amp; Marsal — levantamento de fusões e aquisições envolvendo ativos de mineração no Brasil entre janeiro de 2025 e 2 de outubro de 2026</em></p>
<p><em>Presidência da República — Lei nº 15.506, de 16 de setembro de 2026</em></p>
<p><em>Presidência da República — Decreto nº 13.118, de 16 de setembro de 2026</em></p>
<p><em>USA Rare Earth — comunicados sobre aquisição e conclusão da combinação com o Serra Verde Group</em></p>
<p><em>Lynas Rare Earths e Meteoric Resources — documentos da operação envolvendo o Projeto Caldeira</em></p>
<p><em>Boliden — comunicado sobre aquisição da participação da Votorantim na Nexa Resources</em></p>
<p><em>CMOC Group e Equinox Gold — comunicados sobre a aquisição das operações brasileiras de ouro</em></p>
<p><em>Rio Tinto e Votorantim — comunicados sobre a aquisição conjunta da participação de controle da Companhia Brasileira de Alumínio</em></p>
<p><em>MMG — informações sobre a aquisição dos ativos brasileiros de níquel da Anglo American e o processo regulatório europeu</em></p>
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		<title>TikTok Shop cresce 102 vezes no Brasil e entra na estratégia de grandes marcas</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/tiktok-shop-cresce-brasil-grandes-marcas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 06:46:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[comércio eletrônico]]></category>
		<category><![CDATA[criadores de conteúdo]]></category>
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		<category><![CDATA[Natura]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
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		<category><![CDATA[varejo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Plataforma transforma influenciadores em vendedores e vídeos em lojas virtuais</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O TikTok precisou de pouco mais de um ano para transformar sua operação brasileira de comércio eletrônico em um canal que grandes marcas já não tratam como experiência. O valor bruto médio diário de mercadorias vendidas pelo TikTok Shop cresceu 102 vezes entre maio de 2025, quando a plataforma foi lançada no país, e maio de 2026. No mesmo intervalo, o volume médio movimentado pelas transmissões ao vivo avançou 161 vezes, enquanto o número de criadores afiliados que efetivamente realizaram vendas aumentou 46 vezes.</p>
<p>O avanço começa a modificar a maneira como <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340517">empresas</a> de moda, beleza e bens de consumo distribuem seus investimentos no comércio digital. Riachuelo e Natura estão entre as companhias que passaram a usar a plataforma não apenas como espaço de publicidade, mas como um canal onde conteúdo, indicação de produtos e pagamento acontecem praticamente na mesma jornada. Ao mesmo tempo, pequenas empresas descobriram uma forma de colocar centenas ou milhares de criadores para vender seus produtos em troca de comissões, sem precisar montar uma força comercial equivalente.</p>
<p>É essa combinação que distingue o TikTok Shop dos marketplaces tradicionais. Em uma loja virtual convencional, o consumidor normalmente começa a jornada sabendo que pretende comprar alguma coisa. No TikTok, a venda pode nascer enquanto ele assiste a um vídeo sem qualquer intenção prévia de consumo. Um produto aparece no conteúdo recomendado pelo algoritmo, é demonstrado por um criador e pode ser comprado dentro do próprio aplicativo, reduzindo o intervalo entre descoberta e pagamento.</p>
<h2>Plataforma tenta transformar atenção em venda</h2>
<p>O TikTok Shop estreou oficialmente no Brasil em 8 de maio de 2025. Desde o início, a companhia apresentou a operação como parte de um modelo de “compra por descoberta”, no qual entretenimento e comércio deixam de funcionar como etapas separadas.</p>
<p>A diferença fica mais clara quando comparada à busca tradicional de um marketplace. Quem entra em uma plataforma para procurar um tênis, um eletrodoméstico ou um perfume já possui alguma intenção de compra. No TikTok, o produto pode chegar primeiro ao consumidor por meio de um vídeo de maquiagem, uma receita, uma rotina de exercícios ou uma transmissão ao vivo.</p>
<p>Essa lógica dá à plataforma uma vantagem importante: ela já possui a audiência antes de precisar conquistar a venda. O desafio é transformar parte do tempo que os usuários passam consumindo conteúdo em transações comerciais sem comprometer a experiência que originalmente os levou ao aplicativo.</p>
<p>Uma pesquisa realizada pelo próprio TikTok com cerca de 17 mil usuários indicou que 57,8% dos entrevistados concluíram compras no TikTok Shop depois de descobrir o produto dentro da plataforma. O levantamento é da própria companhia e, portanto, deve ser entendido dentro desse contexto, mas ajuda a explicar por que empresas passaram a dedicar estruturas específicas ao canal.</p>
<h2>Influenciador ganha função de vendedor</h2>
<p>A maior transformação ocorre no papel ocupado pelos criadores de conteúdo. O influenciador deixa de ser apenas alguém contratado para apresentar uma marca e passa a participar diretamente da venda. Produtos podem ser vinculados aos vídeos e às transmissões, e o criador recebe uma comissão quando um consumidor compra a partir daquele conteúdo.</p>
<p>No primeiro ano do TikTok Shop no Brasil, a média de criadores afiliados ativos cresceu 46 vezes. A própria definição utilizada pela plataforma considera ativo quem realizou ao menos uma venda, o que diferencia esse grupo dos perfis que apenas produzem conteúdo ou participam de campanhas publicitárias.</p>
<p>Para uma empresa, esse sistema cria uma espécie de força de vendas distribuída. Uma marca pode disponibilizar produtos para uma grande quantidade de criadores e remunerar parte deles de acordo com o resultado obtido. Isso altera a lógica de campanhas em que o pagamento ao influenciador ocorre antecipadamente, independentemente de quantas vendas serão geradas.</p>
<p>O modelo também reduz a importância do tamanho absoluto da audiência. Um criador com uma comunidade pequena, mas muito envolvida com determinado assunto, pode gerar mais conversões do que um perfil muito maior e menos especializado. O desempenho passa a depender não apenas de alcance, mas da capacidade de transformar confiança em compra.</p>
<h2>Lives viram uma nova versão da demonstração de loja</h2>
<p>As transmissões ao vivo ganharam importância particular nesse sistema. Entre maio de 2025 e maio de 2026, a quantidade média diária de lives comerciais no TikTok Shop cresceu 20 vezes, enquanto o valor bruto médio diário de mercadorias vendido por meio delas avançou 161 vezes.</p>
<p>O crescimento muito superior das vendas em relação ao número de transmissões sugere que as lives também ganharam eficiência comercial à medida que vendedores, marcas e criadores aprenderam a utilizar o formato. Produtos são demonstrados, dúvidas são respondidas em tempo real e descontos podem ser oferecidos durante a transmissão.</p>
<p>A dinâmica recupera elementos antigos do comércio. Um bom vendedor sempre soube que explicar um produto, mostrar como ele funciona e estabelecer uma relação de confiança aumenta a chance de fechar o negócio. A diferença é que, em uma live, essa conversa pode ocorrer simultaneamente com milhares de consumidores.</p>
<p>O formato ganhou maior espaço principalmente em categorias que se beneficiam da demonstração visual, como cosméticos, moda, itens para casa e produtos de uso cotidiano. Nesses segmentos, o consumidor consegue ver a aplicação, o tamanho, a textura ou o funcionamento antes de decidir pela compra.</p>
<h2>Riachuelo integra criadores à estratégia de venda</h2>
<p>A Riachuelo esteve entre as primeiras grandes marcas brasileiras de moda a operar no TikTok Shop e criou uma estrutura específica voltada a criadores afiliados. A varejista mantém um portal com produtos, orientações e campanhas para quem produz conteúdo e comercializa itens da companhia dentro da plataforma.</p>
<p>No primeiro ano do TikTok Shop, dados divulgados pela própria rede social apontavam mais de 130 mil pedidos da Riachuelo no canal. Produtos de moda feminina, acessórios e itens da Casa Riachuelo apareceram entre aqueles que ganharam maior tração.</p>
<p>A companhia também passou a utilizar o formato para marcas administradas pelo grupo. Em uma campanha da Carter&#8217;s, 178 criadores participaram da ação, produzindo centenas de vídeos e acumulando mais de 1.900 horas de transmissões ao vivo. Durante a ativação, as vendas ficaram oito vezes acima do período utilizado como referência e as buscas pela marca cresceram 26%.</p>
<p>O resultado ilustra um dos motivos pelos quais varejistas tradicionais passaram a olhar o TikTok Shop de maneira diferente. Mesmo quando uma compra não ocorre imediatamente dentro da plataforma, o conteúdo pode aumentar a procura pela marca e produzir vendas em outros canais.</p>
<h2>Natura leva a venda direta para dentro das redes sociais</h2>
<p>A Natura encontrou no TikTok Shop uma oportunidade de atualizar um modelo que já fazia parte de sua operação havia décadas: a venda por recomendação. Em vez de abandonar a figura da consultora, a companhia passou a estimular parte dessa rede a produzir conteúdo e atuar também como criadora digital.</p>
<p>No relatório anual referente a 2025, a Natura informa ter sido a primeira empresa de beleza a atuar como vendedora no TikTok Shop brasileiro. Segundo a companhia, 70% das transações realizadas no canal vieram de novos consumidores, e mais de 52 mil transmissões ao vivo foram realizadas ao longo do período.</p>
<p>A estratégia está ligada ao programa Criadores da Beleza, desenvolvido para ampliar a presença digital das consultoras de Natura e Avon. A companhia informa que 43% dos pedidos das duas marcas já são impulsionados por conteúdo digital, percentual que se refere à estratégia mais ampla de social commerce e não exclusivamente às vendas do TikTok Shop.</p>
<p>O movimento é significativo porque atualiza sem eliminar a lógica da venda direta. A recomendação pessoal continua sendo importante, mas deixa de estar restrita ao círculo de conhecidos da consultora e pode alcançar uma audiência muito maior por meio do algoritmo.</p>
<h2>Pequenas empresas encontram uma rede comercial pronta</h2>
<p>O mesmo mecanismo que atrai grandes grupos abriu espaço para empresas de menor porte. Um lojista que dificilmente teria orçamento para contratar dezenas de influenciadores de grande alcance pode trabalhar com um grande número de afiliados menores e pagar comissões conforme as vendas efetivamente realizadas.</p>
<p>O TikTok cita a BigHome Brasil, do segmento de produtos para casa, como um dos casos de crescimento acelerado. A empresa começou a operar na plataforma em dezembro de 2025 e já acumulava R$ 17 milhões em vendas no TikTok Shop em 2026 quando os resultados do primeiro ano foram divulgados. Segundo a plataforma, o canal passou a gerar faturamento cinco vezes superior ao segundo maior canal da companhia.</p>
<p>Outro caso divulgado pelo TikTok é o da Moderna, que passou a obter 60% de suas vendas por meio do TikTok Shop e reuniu mais de 9 mil afiliados ativos. A operação chegou a movimentar mais de 10 mil unidades por dia.</p>
<p>São exemplos selecionados pela própria plataforma e, portanto, não devem ser interpretados como desempenho médio de todas as empresas presentes no aplicativo. Eles mostram, contudo, o tipo de escala que o modelo de afiliados pode proporcionar quando um produto consegue ganhar distribuição entre diferentes criadores.</p>
<h2>Crescimento traz uma nova indústria de serviços</h2>
<p>A expansão também criou espaço para <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340518">negócios</a> que não vendem diretamente ao consumidor. Agências, estúdios e empresas especializadas passaram a administrar transmissões ao vivo, selecionar influenciadores, produzir roteiros, organizar vitrines digitais e acompanhar o desempenho de afiliados.</p>
<p>A profissionalização é consequência natural da complexidade que aparece quando uma operação passa a movimentar volumes relevantes. Vender por uma transmissão de várias horas exige equipe, estoque disponível, atendimento, definição de descontos, análise de desempenho e integração com a logística.</p>
<p>Para os criadores, o modelo abriu uma nova forma de remuneração que não depende apenas de contratos publicitários. O próprio TikTok divulga exemplos de perfis que ultrapassaram R$ 1 milhão em valor bruto de mercadorias vendido por meio de seus conteúdos.</p>
<p>O valor movimentado pelo criador não equivale ao que ele recebe. A remuneração depende da comissão estabelecida para cada produto, mas o surgimento desse <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340519">mercado</a> mostra como a fronteira entre mídia, entretenimento e varejo está ficando menos definida.</p>
<h2>Mercado ainda é muito maior que o TikTok Shop</h2>
<p>O crescimento acelerado não significa que o TikTok esteja próximo de substituir os grandes marketplaces. Mercado Livre, Amazon e Shopee construíram durante anos estruturas de tecnologia, pagamentos, logística e atendimento que permitem processar enormes volumes de pedidos em todo o país.</p>
<p>A diferença está no ponto de partida. Essas companhias são procuradas principalmente quando o consumidor quer comprar. O TikTok tenta participar da etapa anterior, quando ele ainda está formando sua preferência.</p>
<p>Essa capacidade pode se tornar especialmente valiosa em categorias dependentes de descoberta, tendências e recomendação. Um perfume, um produto de maquiagem ou uma peça de roupa pode ganhar demanda rapidamente depois de aparecer repetidamente em conteúdos distribuídos pelo algoritmo.</p>
<p>Por outro lado, quanto mais o TikTok Shop cresce, maior se torna a necessidade de oferecer a mesma confiança esperada de qualquer grande plataforma de comércio eletrônico. Prazo de entrega, qualidade dos vendedores, devoluções, segurança das transações e atendimento passam a ter peso equivalente ao poder de recomendação do algoritmo.</p>
<h2>TikTok passa a disputar orçamento das grandes marcas</h2>
<p>A mudança mais importante talvez não esteja no volume vendido atualmente, mas na reorganização do orçamento das empresas. Dinheiro que antes seria dividido entre publicidade em redes sociais, campanhas com influenciadores e investimentos em marketplaces pode agora ser direcionado para uma operação capaz de reunir as três atividades.</p>
<p>Isso explica por que marcas com sites próprios e presença consolidada em outras plataformas continuam investindo no TikTok Shop. A questão deixou de ser apenas onde o consumidor conclui a compra. Passou a envolver também onde ele conhece o produto, recebe a recomendação e toma a decisão.</p>
<p>Para o varejo, essa mudança exige aprender a produzir conteúdo com a mesma disciplina usada para administrar estoque, preço ou logística. Um vídeo deixa de ser apenas uma peça de comunicação e passa a ter capacidade direta de gerar receita.</p>
<p>Em pouco mais de um ano, o TikTok Shop ainda não alterou a liderança do comércio eletrônico brasileiro, mas já conseguiu modificar a estratégia de empresas que operam nele. Ao transformar influenciadores em vendedores e vídeos em vitrines com botão de compra, a plataforma colocou a disputa pela atenção do consumidor dentro do próprio processo de venda.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>TikTok — dados do primeiro ano de operação do TikTok Shop no Brasil</em></p>
<p><em>TikTok Shop Brasil — informações sobre compra por descoberta, criadores afiliados, live commerce e vendedores</em></p>
<p><em>Natura — Relatório Anual 2025 e informações sobre social commerce e TikTok Shop</em></p>
<p><em>Riachuelo — Portal de Criadores TikTok Shop e informações sobre a estratégia de afiliados</em></p>
<p><em>BTG Pactual — análises sobre o avanço do TikTok Shop e o comércio eletrônico brasileiro</em></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cidade Matarazzo projeta superar R$ 1,5 bilhão em movimentação em 2026</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/cidade-matarazzo-1-5-bilhao-movimentacao-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alice Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Oct 2026 13:11:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Alexandre Allard]]></category>
		<category><![CDATA[Avenida Paulista]]></category>
		<category><![CDATA[Bela Vista]]></category>
		<category><![CDATA[Cidade Matarazzo]]></category>
		<category><![CDATA[Gastronomia]]></category>
		<category><![CDATA[Hotelaria]]></category>
		<category><![CDATA[luxo]]></category>
		<category><![CDATA[mercado imobiliário]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Rosewood São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Soho House]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com mais de R$ 3 bilhões investidos, complexo Mata São Paulo, no Cidade Matarazzo, reúne hotel, restaurantes, arte, moda e novas atrações na Bela Vista</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Cidade Matarazzo, complexo de hotelaria, gastronomia, cultura e varejo instalado no antigo Hospital Matarazzo, na Bela Vista, projeta superar R$ 1,5 bilhão em movimentação econômica em 2026, depois de ultrapassar R$ 1 bilhão no ano passado. A estimativa representa crescimento de pelo menos 50% sobre o piso informado para 2025 e acompanha a entrada de novas operações em uma área que já recebeu mais de R$ 3 bilhões em investimentos a poucos metros da Avenida Paulista.</p>
<p>O empreendimento reúne atualmente Rosewood São Paulo, Soho House, Casa Bradesco e Mata Lab, além de restaurantes, lojas, galerias e espaços de eventos. Segundo Alexandre Allard, empresário responsável pelo projeto, o complexo pode receber até 20 mil pessoas nos dias de maior movimento. A próxima etapa prevê uma área subterrânea para experiências imersivas, apresentações e eventos, além de um projeto voltado a saúde e longevidade programado para 2027.</p>
<p>A expansão consolida uma mudança de escala iniciada há 15 anos, quando o terreno foi adquirido por R$ 117 milhões. O projeto deixou de ser centrado na recuperação dos edifícios históricos e na construção de um hotel de luxo para funcionar como um conjunto de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340513">negócios</a> com públicos e fontes de receita diferentes. Gastronomia, cultura, hotelaria, varejo e entretenimento passaram a gerar fluxo próprio ao longo do dia e ampliaram a atividade econômica de uma área que permaneceu durante quase duas décadas sem ocupação permanente.</p>
<h2>Estrutura financeira reuniu sócios e financiamento</h2>
<p>A aquisição do terreno pelo grupo de Allard foi concluída em julho de 2011, depois de anos de negociação e de diferentes tentativas de dar uso comercial à propriedade. O desenvolvimento posterior exigiu uma estrutura de capital ampla, sobretudo porque o projeto combinava novas construções, restauração de imóveis tombados e obras subterrâneas de alta complexidade.</p>
<p>Na estrutura financeira do empreendimento, a Chow Tai Fook Enterprises (CTF), holding de Hong Kong, tornou-se a acionista majoritária da BM Empreendimentos, sociedade responsável pelo núcleo de hospitalidade do Cidade Matarazzo. O projeto também contou ao longo de seu desenvolvimento com aportes de outros investidores e financiamento bancário, em uma estrutura de capital formada para sustentar a restauração dos edifícios históricos e a implantação das novas operações.</p>
<p>O uso de diferentes fontes de capital foi necessário porque o projeto não seguia a lógica de uma incorporação imobiliária convencional. A preservação dos edifícios históricos, as restrições do tombamento e a necessidade de instalar boa parte da infraestrutura no subsolo aumentaram a complexidade e o prazo de execução.</p>
<h2>Área ficou quase duas décadas sem uso permanente</h2>
<p>O Hospital Umberto I foi inaugurado em 1904 pela comunidade italiana de São Paulo e tornou-se popularmente conhecido como Hospital Matarazzo. Nas décadas seguintes, o conjunto ganhou novos edifícios, entre eles a Maternidade Condessa Filomena Matarazzo, e se consolidou como referência da assistência hospitalar na cidade.</p>
<p>A importância histórica e arquitetônica levou ao tombamento estadual do conjunto em 1986. A proteção reconheceu tanto o valor dos edifícios quanto sua ligação com a imigração italiana e com o desenvolvimento da assistência médica em São Paulo, estabelecendo restrições que mais tarde condicionariam todo o desenho do novo empreendimento.</p>
<p>O hospital encerrou as atividades em 1993 depois de enfrentar uma longa crise financeira. Em 1996, a Previ adquiriu o imóvel e estudou diferentes alternativas para a área, mas nenhuma delas resultou em ocupação permanente. A antiga maternidade chegou a receber a Casa Cor em 2003, atraindo quase 103 mil visitantes, mas o conjunto voltou a permanecer sem uma função definitiva.</p>
<p>A mudança começou com a entrada de Allard. Mesmo depois da compra, o grupo precisou superar impasses relacionados ao patrimônio e definir uma solução que permitisse desenvolver o empreendimento sem eliminar as construções protegidas.</p>
<h2>Tombamento levou infraestrutura para o subsolo</h2>
<p>A necessidade de preservar os imóveis históricos obrigou o projeto a adotar soluções de engenharia pouco usuais. Em vez de concentrar toda a nova infraestrutura na superfície, estacionamentos, áreas técnicas, circulação e conexões entre as operações foram instalados em grande parte debaixo do terreno.</p>
<p>Uma das intervenções mais conhecidas ocorreu na Capela Santa Luzia. A estrutura precisou ser sustentada durante a escavação realizada sob o edifício, permitindo que a obra avançasse sem eliminar um dos elementos históricos do conjunto.</p>
<p>Ao lado dos prédios recuperados surgiu também a Torre Mata Atlântica, projetada pelo arquiteto francês Jean Nouvel. O edifício contemporâneo foi integrado à antiga maternidade e passou a formar, com ela, a estrutura do Rosewood São Paulo.</p>
<p>O hotel foi o primeiro grande ativo a colocar o empreendimento em funcionamento de maneira permanente. Com quartos, suítes, restaurantes, bares, spa, piscinas e uma extensa coleção de arte brasileira, o Rosewood marcou a transição de um canteiro de obras de longa duração para um complexo efetivamente aberto ao público.</p>
<h2>Soho House e Casa Bradesco ampliaram o público</h2>
<p>A ocupação ganhou velocidade com a chegada de operações que não dependem diretamente da hospedagem. A Soho House instalou no Cidade Matarazzo sua primeira unidade na América do Sul, ocupando parte da estrutura histórica com quartos, áreas sociais, piscina, academia e espaços voltados aos associados.</p>
<p>A Casa Bradesco adicionou uma frente dedicada à cultura e à criatividade, com exposições, atividades de formação e experiências multidisciplinares. A operação ocupa diferentes ambientes e passou a gerar fluxo próprio de visitantes, independentemente dos hotéis e restaurantes instalados no complexo.</p>
<p>No varejo, o Mata Lab consolidou uma área de aproximadamente 3 mil metros quadrados destinada a centenas de marcas, com forte presença de criadores brasileiros. A operação foi ampliada para segmentos como beleza, bolsas, calçados e acessórios, enquanto marcas internacionais começaram a utilizar o endereço para lançamentos e pontos físicos.</p>
<p>Essa diversificação é importante para interpretar os números econômicos do Cidade Matarazzo. O complexo reúne negócios diferentes, com estruturas e operadores próprios, de modo que a movimentação informada para 2025 e projetada para 2026 não deve ser confundida com o faturamento consolidado de uma única companhia.</p>
<h2>Gastronomia vira uma das principais portas de entrada</h2>
<p>A gastronomia tornou-se um dos segmentos mais visíveis da expansão. O Mata Città, aberto no fim de 2025, ocupa aproximadamente 1.600 metros quadrados e reúne ambientes inspirados na culinária italiana e na história da imigração em São Paulo. Posteriormente, a operação ganhou também um <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340514">mercado</a> com mais de mil produtos e ampla oferta de vinhos.</p>
<p>O complexo incorporou ainda o Preta Maria, desenvolvido a partir de referências da culinária afro-brasileira, o Lavva e o Bachour by Mata, primeira operação permanente no Brasil vinculada ao confeiteiro Antonio Bachour. Juntos, esses restaurantes ampliaram o alcance do empreendimento para um público que não necessariamente utiliza os hotéis ou participa da programação cultural.</p>
<p>A estratégia aumenta o tempo de permanência dos visitantes e distribui o movimento ao longo do dia. Uma pessoa pode chegar para uma refeição, visitar uma exposição, circular pelas lojas e utilizar outros serviços sem qualquer relação com a hospedagem, transformando a gastronomia em uma das principais portas de entrada do complexo.</p>
<p>Na prática, o Cidade Matarazzo passou a funcionar como um distrito privado de uso misto, com diferentes fontes de demanda compartilhando a mesma infraestrutura e o mesmo patrimônio histórico. Essa configuração ajuda a explicar a projeção de crescimento da atividade econômica mesmo depois da abertura dos principais ativos de hotelaria.</p>
<h2>Entorno registra valorização acima da média da Bela Vista</h2>
<p>A transformação do terreno coincide com uma valorização imobiliária superior no entorno imediato. Levantamento da Real Price Labs baseado em 823.933 transações apontou alta de 15,3% no preço do metro quadrado registrado em escrituras dentro de um raio de 1 quilômetro do Cidade Matarazzo entre setembro de 2023 e agosto de 2026.</p>
<p>No mesmo intervalo, a valorização média da Bela Vista foi de 12,4%, enquanto o Jardim Paulista registrou 13,4%. O entorno imediato teve, portanto, desempenho 2,9 pontos percentuais acima da média da Bela Vista e 1,9 ponto acima do Jardim Paulista.</p>
<p>Os números não permitem atribuir toda a diferença ao empreendimento. O comportamento dos imóveis depende também de juros, oferta, padrão das unidades negociadas, renda, infraestrutura e outras transformações urbanas. Ainda assim, o surgimento de hotelaria internacional, restaurantes, varejo e espaços culturais alterou de forma perceptível a dinâmica da região.</p>
<p>Ruas antes menos movimentadas passaram a receber visitantes, operações comerciais e serviços de alto padrão, ampliando a atividade econômica de uma área que permaneceu por anos marcada pela presença dos grandes edifícios fechados do antigo hospital.</p>
<h2>Próxima etapa terá entretenimento e saúde</h2>
<p>Uma das próximas entregas será uma área subterrânea ligada à Casa Bradesco destinada a exposições imersivas, apresentações, DJs e eventos. O projeto prevê capacidade aproximada de 1.500 pessoas e uma estrutura com cerca de 700 metros quadrados de telas de LED.</p>
<p>Outra frente programada para 2027 é um projeto dedicado a saúde e longevidade. A iniciativa recupera, de maneira simbólica, parte da vocação histórica do terreno, que durante grande parte do século passado esteve associado à assistência hospitalar, agora dentro de uma proposta voltada a serviços contemporâneos de saúde e bem-estar.</p>
<p>A projeção de ultrapassar R$ 1,5 bilhão em movimentação em 2026 mostra que a próxima etapa do Cidade Matarazzo não depende apenas de novas construções. O crescimento passa principalmente pela utilização mais intensa da estrutura já implantada, pela entrada de novas operações e pela capacidade de atrair públicos distintos para o mesmo endereço.</p>
<p>Mais de três décadas depois do fechamento do Hospital Matarazzo, o complexo entra assim em uma fase em que o principal indicador deixa de ser o tamanho da obra e passa a ser a atividade econômica gerada pelas operações instaladas. A expansão prevista para entretenimento e saúde deverá testar se esse crescimento pode continuar à medida que o projeto se aproxima de sua configuração definitiva.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Cidade Matarazzo e Mata Company — informações institucionais sobre operações instaladas, movimentação econômica e projetos em desenvolvimento</em></p>
<p><em>Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e Condephaat — processo e resoluções de tombamento do antigo Hospital e Maternidade Umberto I e informações sobre a relevância histórica do conjunto</em></p>
<p><em>Rosewood São Paulo — informações institucionais sobre o hotel, ocupação da antiga maternidade, Torre Mata Atlântica e estrutura de hospedagem</em></p>
<p><em>Soho House São Paulo — informações institucionais sobre a unidade instalada no Cidade Matarazzo e sua estrutura</em></p>
<p><em>Casa Bradesco — informações sobre a operação cultural e espaços instalados no complexo</em></p>
<p><em>Real Price Labs — levantamento sobre transações imobiliárias e evolução do preço do metro quadrado na Bela Vista, Jardim Paulista e entorno do Cidade Matarazzo</em></p>
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		<item>
		<title>Parcelamento do MEI 2026 termina hoje às 19h; veja como aderir</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/parcelamento-mei-2026-divida-ativa-regularize</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Luiza Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2026 13:12:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Desenrola MEI]]></category>
		<category><![CDATA[Dívida Ativa]]></category>
		<category><![CDATA[Edital PGFN nº 6/2026]]></category>
		<category><![CDATA[Edital PGFN nº 9/2026]]></category>
		<category><![CDATA[Microempreendedor Individual]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[parcelamento MEI 2026]]></category>
		<category><![CDATA[PGFN]]></category>
		<category><![CDATA[Regularize]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os microempreendedores individuais que possuem débitos elegíveis inscritos na Dívida Ativa da União têm até as 19h desta quarta-feira, 30 de setembro de 2026, no horário de Brasília, para aderir às condições especiais de negociação oferecidas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Entre as possibilidades estão redução do valor da dívida, entrada facilitada, prazos maiores [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Os microempreendedores individuais que possuem débitos elegíveis inscritos na Dívida Ativa da União têm até as 19h desta quarta-feira, 30 de setembro de 2026, no horário de Brasília, para aderir às condições especiais de negociação oferecidas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Entre as possibilidades estão redução do valor da dívida, entrada facilitada, prazos maiores para pagamento e prestações mínimas de R$ 25.</p>
<p>A negociação é feita pelo portal REGULARIZE e envolve principalmente as condições do Edital PGFN nº 9/2026, criado especificamente para microempreendedores individuais com até R$ 20 mil em débitos inscritos na Dívida Ativa da União. O Edital nº 6/2026, mais amplo, também possui modalidades que alcançam MEIs e encerra as adesões no mesmo horário.</p>
<p>Apesar de ser frequentemente procurado na internet como “parcelamento MEI 2026”, o benefício que termina nesta quarta-feira é tecnicamente uma transação tributária. A diferença é importante: a transação pode conceder descontos, alterar a entrada e adequar o prazo de pagamento às condições previstas nos editais, enquanto o parcelamento convencional possui regras próprias e não oferece automaticamente os mesmos abatimentos.</p>
<p>O MEI interessado precisa verificar primeiro onde está a dívida. Enquanto o débito ainda estiver sob administração da Receita Federal, existem mecanismos próprios de parcelamento. Depois da inscrição na Dívida Ativa da União, a negociação passa a ser realizada pela PGFN.</p>
<h2>Quem pode aderir ao parcelamento especial do MEI em 2026</h2>
<p>O Edital PGFN nº 9/2026 é destinado ao microempreendedor individual com débitos inscritos na Dívida Ativa da União de até R$ 20 mil.</p>
<p>Não significa, porém, que qualquer dívida dentro desse limite receberá automaticamente o mesmo desconto. O edital possui três modalidades principais: negociação conforme a capacidade de pagamento, transação para débitos considerados irrecuperáveis e transação de pequeno valor.</p>
<p>Cada uma possui requisitos próprios, inclusive em relação à data em que a dívida foi inscrita.</p>
<p>Na modalidade conforme a capacidade de pagamento, são alcançadas dívidas inscritas até 3 de março de 2026. O sistema da PGFN classifica automaticamente o contribuinte nas categorias A, B, C ou D.</p>
<p>Quem está nas classificações A ou B pode obter entrada facilitada. Para contribuintes enquadrados nas classificações C ou D, além da entrada facilitada, podem ser oferecidos prazo maior e descontos sobre os acréscimos legais.</p>
<p>A modalidade de pequeno valor exige atenção a uma data diferente: são consideradas as dívidas inscritas até 1º de junho de 2025.</p>
<p>Por isso, dois MEIs com dívidas do mesmo valor podem encontrar propostas diferentes no REGULARIZE.</p>
<h2>MEI pode ter desconto de 50% sobre o valor total da dívida</h2>
<p>Uma das condições mais favoráveis aparece na modalidade de pequeno valor.</p>
<p>Para inscrições com código de receita 1537, referente ao Simples Nacional do MEI, de até cinco salários mínimos, a PGFN prevê desconto de 50% sobre o valor total da dívida, com possibilidade de pagamento em até 60 prestações.</p>
<p>O Edital nº 9/2026 também estabelece outra condição de pequeno valor para inscrições de responsabilidade do MEI de até R$ 20 mil.</p>
<p>Nesse caso, o pagamento à vista pode ser feito com desconto de 50%.</p>
<p>O contribuinte que preferir parcelar pode pagar uma entrada equivalente a 5% do valor total da dívida, sem desconto, dividida em até cinco parcelas mensais. Depois da entrada, o percentual de redução varia conforme a quantidade de meses utilizada para pagar o saldo.</p>
<p>Para quitação em até sete meses, o desconto é de 50%. Em até 12 meses, o abatimento cai para 45%. Para pagamento em até 30 meses, o desconto previsto é de 40%. No prazo de até 55 meses, a redução é de 30%.</p>
<p>Em todas as modalidades do Edital nº 9/2026, a prestação mínima para o MEI é de R$ 25.</p>
<h2>Desconto de 100% não significa perdão de toda a dívida</h2>
<p>Na modalidade baseada na capacidade de pagamento, a PGFN prevê desconto de até 100% sobre juros, multas e encargo legal.</p>
<p>Isso não significa que o MEI poderá eliminar integralmente a dívida.</p>
<p>A redução é aplicada aos acréscimos legais e está limitada a 70% do valor da inscrição. O principal da dívida continua sujeito às regras da transação.</p>
<p>A entrada nessa modalidade corresponde a 6% do valor total da dívida, sem desconto, e pode ser paga em até 12 parcelas mensais. Se o contribuinte fizer o pagamento à vista, a entrada é dispensada.</p>
<p>O saldo pode ser dividido em até 133 prestações em determinadas situações.</p>
<p>Existe, entretanto, uma limitação importante para débitos previdenciários. Para os códigos definidos pela PGFN, entre eles o código 1537 do Simples Nacional — MEI, o prazo máximo é de 60 meses, ressalvadas exceções específicas previstas nas regras.</p>
<p>Assim, o MEI não deve presumir que necessariamente encontrará uma opção de 133 parcelas ao acessar o sistema.</p>
<h2>Como fazer o parcelamento do MEI 2026: passo a passo</h2>
<p>A adesão é realizada eletronicamente pelo REGULARIZE.</p>
<h3>1. Acesse o REGULARIZE</h3>
<p>Entre no portal da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e faça a identificação do contribuinte.</p>
<h3>2. Entre na área de negociação</h3>
<p>No menu, selecione a opção “Negociar Dívida” e depois “Acesso ao Sistema de Negociações”.</p>
<p>O contribuinte será encaminhado ao SISPAR, sistema utilizado para formalizar as negociações.</p>
<h3>3. Escolha “Adesão” e depois “Transação”</h3>
<p>Na tela inicial do SISPAR, acesse o menu “Adesão” e escolha a opção “Transação”.</p>
<h3>4. Selecione o Edital nº 9/2026</h3>
<p>Depois da identificação, avance até o campo das negociações disponíveis e selecione a opção referente à transação do Edital PGFN nº 9/2026.</p>
<p>O próprio sistema mostrará as inscrições que atendem aos critérios da negociação.</p>
<h3>5. Selecione as dívidas elegíveis</h3>
<p>O contribuinte deverá selecionar as inscrições elegíveis apresentadas pelo sistema e solicitar o cálculo.</p>
<p>A PGFN determina que a transação abranja todas as inscrições elegíveis que não estejam garantidas, parceladas ou suspensas por decisão judicial.</p>
<h3>6. Confira desconto, entrada e número de parcelas</h3>
<p>Antes de confirmar, verifique com atenção qual modalidade está sendo oferecida, o valor da entrada, o desconto aplicado, a quantidade de prestações e o valor total que será pago.</p>
<p>A proposta disponível depende das características da dívida e, em determinados casos, da capacidade de pagamento atribuída automaticamente pela PGFN.</p>
<h3>7. Confirme a adesão</h3>
<p>Depois da conferência, confirme a negociação no sistema.</p>
<p>Ao final do procedimento, será apresentada uma tela com o resumo do acordo.</p>
<h3>8. Emita imediatamente a primeira prestação</h3>
<p>Depois da confirmação, escolha a opção para gerar o documento de arrecadação da primeira parcela.</p>
<p>Esse passo é particularmente importante no último dia.</p>
<h2>Quem aderir hoje precisa pagar a primeira parcela dentro do prazo</h2>
<p>A adesão não se torna efetiva simplesmente porque o contribuinte confirmou a proposta no sistema.</p>
<p>A PGFN determina que a primeira prestação seja paga até o último dia útil do mês em que ocorreu a adesão. Caso contrário, a conta de negociação será indeferida.</p>
<p>Como o prazo de adesão termina em 30 de setembro, o MEI que formalizar a negociação nesta quarta-feira deve prestar atenção também à emissão e ao pagamento da primeira parcela.</p>
<p>Deixar apenas a adesão registrada e não efetuar o pagamento pode impedir a consolidação do acordo.</p>
<p>As parcelas também não permanecem com o mesmo valor nominal durante todo o período. A PGFN determina reajuste mensal pela taxa Selic, acrescida de 1% no mês do pagamento.</p>
<h2>Dívida do MEI na Receita é diferente de Dívida Ativa</h2>
<p>Um dos principais pontos de confusão para o microempreendedor é descobrir onde a dívida está sendo cobrada.</p>
<p>Enquanto o débito declarado pelo MEI ainda não tiver sido encaminhado para inscrição na Dívida Ativa da União, o parcelamento pode ser solicitado junto à Receita Federal.</p>
<p>O parcelamento ordinário desses débitos pode ser feito em até 60 prestações, respeitado o valor mínimo de R$ 50 por parcela.</p>
<p>Depois que a dívida é encaminhada para a Dívida Ativa da União, a cobrança passa para a PGFN.</p>
<p>Nesse caso, é no REGULARIZE que o contribuinte deve verificar as possibilidades de negociação.</p>
<p>Portanto, um MEI que acessar o portal da PGFN e não encontrar determinada dívida não deve concluir imediatamente que está sem pendências. O débito pode ainda estar sob administração da Receita Federal.</p>
<h2>REGULARIZE funciona até as 22h, mas prazo acaba às 19h</h2>
<p>Outro ponto que merece atenção nesta quarta-feira é a diferença entre o horário de funcionamento do portal e o encerramento da transação.</p>
<p>O REGULARIZE informa disponibilidade de segunda a sexta-feira, exceto feriados nacionais, das 7h às 22h, no horário de Brasília.</p>
<p>Isso não significa que a adesão poderá ser realizada até as 22h desta quarta-feira.</p>
<p>O prazo específico do Edital nº 9/2026 termina às 19h de 30 de setembro.</p>
<p>Assim, o contribuinte não deve usar o horário de funcionamento do portal como referência para o encerramento do programa.</p>
<p>Como o procedimento exige identificação, consulta das inscrições, escolha da modalidade, cálculo, confirmação e emissão da primeira prestação, deixar a adesão para os minutos finais aumenta o risco de não concluir o processo dentro do horário.</p>
<h2>O que acontece se o MEI deixar de pagar as parcelas</h2>
<p>Depois de formalizado o acordo, o microempreendedor precisa cumprir as condições estabelecidas.</p>
<p>A falta de pagamento da primeira prestação dentro do prazo provoca o indeferimento da negociação.</p>
<p>Quando existe parcelamento da entrada, a falta de quitação integral dessa entrada também pode levar ao cancelamento. O acúmulo de três prestações atrasadas, consecutivas ou alternadas, está entre as hipóteses previstas para perda do acordo.</p>
<p>Depois da formalização, o descumprimento das regras pode provocar a rescisão da transação.</p>
<p>Nesse caso, o contribuinte perde os benefícios concedidos e a cobrança do saldo devedor é retomada.</p>
<p>Além disso, a PGFN prevê impedimento para formalizar nova transação durante dois anos contados da rescisão, inclusive em relação a outros débitos.</p>
<h2>O que fazer depois das 19h se o prazo for perdido</h2>
<p>O fim da transação especial não significa que todas as possibilidades de regularização do MEI desaparecem.</p>
<p>O que termina às 19h desta quarta-feira é a possibilidade de ingresso nos editais que possuem esse prazo específico, incluindo as condições especiais destinadas ao microempreendedor individual.</p>
<p>Depois do encerramento, o primeiro passo continua sendo identificar onde está o débito.</p>
<p>Se a dívida ainda estiver na Receita Federal, o MEI poderá verificar o parcelamento ordinário, que admite pagamento em até 60 prestações e possui parcela mínima de R$ 50.</p>
<p>Se o débito já estiver inscrito na Dívida Ativa da União, será necessário acessar o REGULARIZE e verificar quais modalidades de negociação ou parcelamento continuam disponíveis para aquele CNPJ.</p>
<p>O parcelamento convencional não deve ser confundido com a transação tributária encerrada em 30 de setembro. As condições, descontos e prazos podem ser diferentes.</p>
<p>Também poderão surgir novas transações da PGFN no futuro, mas um novo edital dependerá de decisão da Procuradoria e não há garantia de repetição dos mesmos descontos.</p>
<p>Para quem possui dívida elegível no programa atualmente aberto, portanto, a referência decisiva é objetiva: <strong>a adesão termina às 19h desta quarta-feira, 30 de setembro de 2026, no horário de Brasília</strong>.</p>
<h4>Fontes:</h4>
<p><em>Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional — Edital PGFN nº 9/2026</em></p>
<p><em>Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional — Edital PGFN nº 6/2026</em></p>
<p><em>Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional — orientações sobre transação tributária e REGULARIZE</em></p>
<p><em>Receita Federal — Parcelamento de dívidas do Microempreendedor Individual</em></p>
<p><em>Portal Gov.br — serviço Parcelar Dívidas do MEI</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Corsan encerra Feirão Farroupilha em 30 de setembro com desconto de até 60% em dívidas</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/corsan-feirao-farroupilha-desconto-contas-atrasadas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alice Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2026 21:03:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[contas de água]]></category>
		<category><![CDATA[Corsan]]></category>
		<category><![CDATA[Feirão Farroupilha]]></category>
		<category><![CDATA[Negociação de dívidas]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[parcelamento]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Grande do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[saneamento]]></category>
		<category><![CDATA[tarifa social]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Clientes da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) têm até esta quarta-feira, 30 de setembro, para negociar contas de água e esgoto vencidas há mais de 30 dias dentro do Feirão de Negociação Farroupilha. A campanha prevê desconto de até 60% sobre o valor original das faturas em atraso e permite parcelamento direto nas contas futuras [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Clientes da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) têm até esta quarta-feira, 30 de setembro, para negociar contas de água e esgoto vencidas há mais de 30 dias dentro do Feirão de Negociação Farroupilha. A campanha prevê desconto de até 60% sobre o valor original das faturas em atraso e permite parcelamento direto nas contas futuras em até 60 vezes, conforme as condições aplicáveis a cada débito.</p>
<p>A negociação atende usuários residenciais, comerciais e industriais e não estabelece limite de antiguidade para as dívidas elegíveis. Imóveis públicos ficam fora da campanha. O prazo de adesão começou em 14 de setembro e termina em 30 de setembro, totalizando 17 dias corridos de operação.</p>
<p>O atendimento do Feirão pode ser feito nas lojas físicas da Corsan ou pelo call center 0800 646 6444. O canal telefônico é mantido pela companhia em regime de atendimento 24 horas. A empresa também mantém aplicativo, Agência Virtual, WhatsApp e outros canais permanentes para serviços aos clientes, embora as condições específicas do Feirão devam ser confirmadas no atendimento destinado à negociação.</p>
<h2>Prazo de cinco anos amplia alternativas para regularização</h2>
<p>A principal diferença entre as modalidades oferecidas está no prazo. No parcelamento diretamente nas próximas faturas, o acordo pode alcançar 60 prestações, o equivalente a cinco anos. No cartão de crédito, o limite informado pela Corsan é de 12 parcelas. Para quem consegue quitar o débito de uma só vez, existe a opção de pagamento via Pix.</p>
<p>Essa estrutura cria três formas distintas de regularização. O pagamento à vista concentra a liquidação em uma única operação. O cartão distribui o valor em até um ano. Já o parcelamento inserido nas contas mensais amplia o horizonte para até cinco anos, reduzindo o desembolso mensal potencial, mas prolongando a obrigação financeira do consumidor.</p>
<p>O desconto de até 60% é aplicado sobre o valor original das faturas vencidas e não significa que todos os acordos receberão abatimento nesse patamar. A condição máxima deve ser entendida como o teto informado pela companhia para as negociações. O resultado efetivo depende da situação do débito e das regras aplicáveis no momento da contratação.</p>
<p>Uma forma de dimensionar o limite é usar uma dívida hipotética de R$ 10 mil. Caso o cliente obtenha o desconto máximo de 60%, a base do acordo seria reduzida matematicamente para R$ 4 mil antes da definição do parcelamento. Em 60 prestações de mesmo valor, sem considerar eventuais condições financeiras específicas do acordo, isso representaria uma média de R$ 66,67 por mês. O exemplo é apenas uma demonstração aritmética do teto anunciado, não uma simulação comercial válida para todos os consumidores.</p>
<p>A companhia não informa, na comunicação geral do Feirão, uma taxa única ou uma tabela pública que permita transformar o desconto máximo em uma prestação universal. Por isso, o valor efetivo da parcela precisa ser obtido no momento da negociação, a partir das características de cada conta.</p>
<h2>Campanha ampliou público após ação voltada à Tarifa Social</h2>
<p>O Feirão de setembro foi estruturado depois de uma iniciativa mais restrita realizada em agosto. Naquele mês, a Corsan promoveu uma campanha específica para clientes recém-incorporados à Tarifa Social de Água e Esgoto que tinham débitos com a companhia. Na ação, os descontos podiam chegar a 70% do valor total devido, e o período de negociação ficou entre 17 e 31 de agosto.</p>
<p>A campanha atual tem alcance diferente. Em vez de limitar a negociação aos beneficiários da tarifa social, o Feirão Farroupilha foi aberto aos clientes residenciais, comerciais e industriais que atendam ao critério de atraso superior a 30 dias, independentemente de serem beneficiários do programa.</p>
<p>A mudança acompanha a expansão da própria Tarifa Social no Rio Grande do Sul. Em julho, a Corsan informou que cerca de 240 mil famílias estavam aptas a receber automaticamente o benefício a partir de agosto, segundo os critérios previstos na legislação. A tarifa garante desconto de 50% na conta de água e esgoto para consumo de até 15 metros cúbicos por mês às famílias elegíveis.</p>
<p>Os dois movimentos têm finalidades diferentes. A Tarifa Social reduz o valor corrente das contas para o público que atende aos critérios legais, enquanto o Feirão trata do passivo acumulado em faturas anteriores. Para uma família que passou a receber o benefício, por exemplo, a regularização de débitos antigos pode depender de uma negociação separada das condições aplicadas à conta atual.</p>
<p>A distinção também ajuda a explicar por que a ação de agosto e a de setembro não devem ser tratadas como uma única rodada de descontos. A primeira estava associada a um público específico e oferecia teto de abatimento maior; a segunda alcança uma base mais ampla, mas tem desconto máximo inferior.</p>
<h2>Débitos antigos também podem entrar na negociação</h2>
<p>Outro ponto relevante da campanha é a ausência de uma data-limite para a idade da dívida. O requisito informado pela Corsan é que as faturas estejam vencidas há mais de 30 dias. Na prática, isso abre a possibilidade de inclusão de débitos antigos, desde que estejam dentro dos critérios de elegibilidade da companhia.</p>
<p>O parâmetro elimina uma limitação que poderia atingir consumidores com contas acumuladas por períodos mais longos. Uma dívida de anos anteriores, por exemplo, não é automaticamente excluída apenas por ser antiga. O corte divulgado pela empresa está relacionado ao tempo transcorrido desde o vencimento, não ao ano em que a fatura foi emitida.</p>
<p>A campanha também diferencia a natureza do consumidor. Pessoas físicas atendidas na categoria residencial podem participar, mas a regra alcança igualmente clientes comerciais e industriais. Imóveis pertencentes à administração pública são a exceção expressamente indicada pela companhia.</p>
<p>A amplitude das categorias permite que a ação seja utilizada para diferentes tipos de passivos de água e esgoto. Para <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="340045">empresas</a>, a possibilidade de distribuir o débito em até 60 faturas futuras pode alterar o ritmo de desembolso, enquanto para clientes residenciais a escolha entre Pix, cartão e fatura mensal depende da capacidade de pagamento e do tamanho do débito.</p>
<h2>Atendimento segue até 30 de setembro</h2>
<p>A Corsan mantém atendimento pelo número 0800 646 6444 para a negociação e também dispõe de rede de lojas físicas. O call center da companhia é divulgado como canal 24 horas, enquanto o atendimento presencial segue os horários de funcionamento de cada unidade.</p>
<p>A empresa informa ainda que mantém canais digitais, como aplicativo, Agência Virtual e WhatsApp, para relacionamento com os consumidores. Em ações realizadas durante setembro, a companhia utilizou unidades móveis para oferecer serviços como negociação de débitos, emissão de segunda via e esclarecimentos sobre faturas, mostrando que o atendimento comercial também tem sido levado a municípios fora das lojas convencionais.</p>
<p>Como a condição máxima de 60% de abatimento não se aplica indistintamente a todas as dívidas, o consumidor que ainda não formalizou o acordo precisa verificar o valor efetivamente oferecido para sua conta antes da contratação. O mesmo vale para a quantidade de parcelas: 60 prestações é o limite informado para a modalidade diretamente nas faturas, e não uma quantidade obrigatória para todos os contratos.</p>
<p>O encerramento em 30 de setembro estabelece, portanto, um prazo definido para adesão à campanha. Depois dessa data, as condições promocionais anunciadas para o Feirão Farroupilha deixam de ter validade, salvo se a companhia divulgar uma prorrogação ou nova rodada de negociação.</p>
<p>O histórico recente mostra que a Corsan já utilizou campanhas semelhantes para estimular a regularização de débitos. Em setembro de 2025, a companhia também anunciou desconto de até 60% e parcelamento em até 60 vezes para clientes residenciais, comerciais e industriais com contas atrasadas há mais de 30 dias. Naquele ano, porém, a empresa acabou prorrogando a campanha até 3 de outubro. Para 2026, a comunicação oficial consultada fixa o término em 30 de setembro, sem indicar prorrogação.</p>
<p>Com o fim do prazo se aproximando, o ponto central para o cliente é verificar a proposta individualizada antes de decidir entre quitação, cartão ou parcelamento nas faturas. A diferença entre o desconto máximo anunciado e a condição efetivamente oferecida pode alterar de forma relevante o valor final e o número de parcelas, especialmente em débitos antigos ou de maior porte.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Corsan &#8211; comunicado oficial do Feirão de Negociação Farroupilha de setembro de 2026</em></p>
<p><em>Corsan &#8211; canais permanentes de relacionamento e atendimento ao cliente</em></p>
<p><em>Corsan &#8211; campanha de regularização de débitos para beneficiários da Tarifa Social realizada em agosto de 2026</em></p>
<p><em>Corsan &#8211; campanha do Feirão de Negociação Farroupilha realizada em setembro de 2025</em></p>
<p><em>Corsan &#8211; comunicação sobre a Tarifa Social de Água e Esgoto e famílias aptas ao benefício em 2026</em></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Santander oferece mais de 200 imóveis em leilão com descontos de até 90%</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/santander-leilao-imoveis-outubro-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Marcondes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Sep 2026 20:05:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[FGTS]]></category>
		<category><![CDATA[financiamento imobiliário]]></category>
		<category><![CDATA[imóveis em leilão]]></category>
		<category><![CDATA[Leilão de Imóveis]]></category>
		<category><![CDATA[Leilão Santander]]></category>
		<category><![CDATA[mercado imobiliário]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Santander]]></category>
		<category><![CDATA[SOLD Leilões]]></category>
		<category><![CDATA[Superbid]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Santander abriu uma nova rodada de venda de imóveis pela internet, com mais de 200 oportunidades distribuídas por diferentes regiões do Brasil. O evento, organizado pela SOLD Leilões na plataforma Superbid Exchange, está programado para 6 de outubro de 2026 e reúne unidades residenciais de diferentes padrões, desde apartamentos compactos até casas de maior [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Santander abriu uma nova rodada de venda de imóveis pela internet, com mais de 200 oportunidades distribuídas por diferentes regiões do Brasil. O evento, organizado pela SOLD Leilões na plataforma Superbid Exchange, está programado para 6 de outubro de 2026 e reúne unidades residenciais de diferentes padrões, desde apartamentos compactos até casas de maior valor. Parte dos imóveis admite financiamento em até 420 meses, equivalentes a 35 anos, e utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), conforme as condições individuais de cada lote.</p>
<p>A divulgação do pregão menciona descontos que podem alcançar 90% em relação aos valores de avaliação. Entretanto, esse percentual representa uma condição máxima anunciada, não uma redução aplicada indistintamente aos imóveis disponíveis. Na consulta realizada pela <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com" target="_blank"  rel="noopener" title="Gazeta Mercantil &#8211; Jornal Online" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340017">Gazeta Mercantil</a> em 28 de setembro, a página oficial do evento apresentava 203 anúncios, número ligeiramente superior aos 202 imóveis informados inicialmente. A quantidade poderá sofrer alterações até o encerramento das ofertas.</p>
<p>A análise dos anúncios individuais também revela uma característica importante para quem pretende participar: imóveis apresentados com abatimentos expressivos podem estar ocupados. Nesses casos, a diferença entre o valor de avaliação e o lance inicial precisa ser considerada juntamente com as condições de transferência, eventuais despesas de regularização e o tempo necessário para obter a posse efetiva da propriedade.</p>
<p>O evento ocorre em praça única, com participação exclusivamente digital e programação de encerramento individualizada para os lotes. Os interessados precisam realizar cadastro, solicitar habilitação e aceitar as condições de venda antes de registrar suas ofertas.</p>
<h2>Imóveis disponíveis abrangem diferentes faixas de preço</h2>
<p>O catálogo reúne propriedades em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás, Minas Gerais, Ceará, Rio de Janeiro, Bahia, Maranhão e Mato Grosso, além de outras localidades das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.</p>
<p>A diversidade geográfica permite encontrar imóveis tanto em municípios de pequeno e médio porte quanto em centros urbanos consolidados. No entanto, a localização, a situação documental, a ocupação e a forma de pagamento variam de uma propriedade para outra, tornando inadequado avaliar todas as oportunidades exclusivamente pelo percentual de desconto anunciado.</p>
<p>Em São Paulo, quatro anúncios examinados pela Gazeta Mercantil mostram diferenças relevantes de valor, metragem e condições de aquisição.</p>
<p>Em Araraquara, o lote 132 corresponde a um apartamento no Condomínio Parque Arpoador, com 45,54 metros quadrados de área privativa. O lance inicial está fixado em R$ 90.950, com deságio anunciado de 37%. A documentação disponibilizada pela plataforma identifica a matrícula 137.578 e informa que a unidade está ocupada. O anúncio também apresenta uma despesa condominial mensal de R$ 292,59.</p>
<p>Em Sorocaba, uma casa no Jardim São Carlos, com 189,5 metros quadrados de construção e terreno de 320 metros quadrados, está disponível a partir de R$ 355.300. O desconto anunciado é de 40%. O imóvel também aparece como ocupado e possui matrícula registrada sob o número 36.779 no 2º Cartório de Registro de Imóveis do município.</p>
<p>Outra propriedade está localizada em Marília, no Condomínio Reserva Esmeralda. A casa possui 343,61 metros quadrados de área construída e lance inicial de R$ 1.616.700, correspondente a um deságio anunciado de 41%. O anúncio informa despesa condominial de R$ 537,03 e IPTU anual de R$ 4.972,32. Nesse caso, a propriedade também consta como ocupada.</p>
<p>No litoral paulista, uma casa no Jardim Ribamar, em Peruíbe, está anunciada por R$ 423.300. Com 148 metros quadrados de construção e terreno de 155,3 metros quadrados, a propriedade apresenta deságio de 40%. A descrição informa três quartos, quatro banheiros e piscina, além de indicar que o imóvel se encontra ocupado.</p>
<p>Os quatro exemplos mostram descontos entre 37% e 41%. Todos aparecem como ocupados nas respectivas descrições consultadas, embora essa amostra não permita concluir que a mesma situação se reproduza na totalidade do catálogo.</p>
<h2>Desconto sobre a avaliação não representa economia garantida</h2>
<p>Um dos aspectos que exige atenção na aquisição de imóveis em leilão é a diferença entre o deságio divulgado e a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340018">economia</a> efetivamente obtida pelo comprador. O desconto corresponde à comparação entre o preço anunciado e determinado valor de referência utilizado na avaliação do bem. Ele não representa necessariamente a diferença entre o lance vencedor e o preço pelo qual a propriedade poderia ser revendida imediatamente no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340016">mercado</a>.</p>
<p>Além disso, o lance inicial não corresponde obrigatoriamente ao preço final da operação. Havendo concorrência, os participantes podem apresentar ofertas sucessivas, elevando o montante necessário para a aquisição.</p>
<p>Para compreender essa diferença, considere um imóvel hipoteticamente avaliado em R$ 500 mil, com lance inicial de R$ 300 mil. O abatimento anunciado seria de 40%, equivalente a R$ 200 mil. Caso a disputa termine com uma oferta de R$ 375 mil, porém, o desconto efetivo em relação à mesma avaliação cairá para 25%, antes da inclusão das despesas adicionais.</p>
<p>O cálculo financeiro deve considerar também a comissão eventualmente aplicável, custos cartorários, Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), registro da propriedade, possíveis reformas e despesas previstas nas condições de venda.</p>
<p>Nos imóveis ocupados, a necessidade de recuperar a posse pode acrescentar custos e comprometer o cronograma originalmente planejado pelo adquirente. O comprador deve verificar, especificamente, quem ficará responsável pelas providências de desocupação e quais obrigações serão assumidas após a formalização da compra.</p>
<p>A documentação individual disponível na Superbid informa a situação de ocupação, a matrícula imobiliária e características físicas das propriedades, além de apresentar condições específicas de pagamento. Essas informações permitem distinguir imóveis com características semelhantes, mas exposições jurídicas e financeiras diferentes.</p>
<h2>Financiamento pode chegar a 420 meses, mas depende de aprovação</h2>
<p>A possibilidade de financiar determinados lotes em até 420 meses constitui uma das condições comerciais destacadas no evento. O prazo corresponde a 35 anos, período máximo anunciado para as operações elegíveis, e não significa que todos os compradores receberão financiamento nessa duração.</p>
<p>O acesso ao crédito depende das condições específicas do imóvel, da modalidade de pagamento admitida e da aprovação cadastral e financeira do interessado. O valor efetivamente financiável, a necessidade de entrada e o custo total da operação devem ser confirmados antes da participação.</p>
<p>Há uma diferença importante entre a informação de que determinada propriedade aceita financiamento e a efetiva concessão do crédito. A primeira diz respeito às condições comerciais da venda; a segunda depende da análise da instituição financeira e do cumprimento dos requisitos contratuais.</p>
<p>O uso do FGTS também está sujeito a exigências próprias. Conforme as regras habitacionais divulgadas pela Caixa Econômica Federal, o trabalhador precisa cumprir requisitos relacionados ao tempo de vinculação ao fundo, à inexistência de determinadas condições impeditivas de propriedade ou financiamento e à destinação residencial do imóvel.</p>
<p>A regra geral estabelece um mínimo de três anos de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="340015">trabalho</a> sob o regime do FGTS, considerando períodos consecutivos ou não. Também existem restrições relacionadas à propriedade de outro imóvel residencial no município de residência ou de exercício da atividade profissional, incluindo localidades limítrofes e integrantes da mesma região metropolitana.</p>
<p>Portanto, a menção ao FGTS no catálogo não constitui autorização automática para utilizar o saldo disponível. A elegibilidade precisa ser verificada individualmente, inclusive quanto ao enquadramento do imóvel e da operação nas normas aplicáveis.</p>
<h2>Imóveis ocupados exigem verificação documental</h2>
<p>A situação de ocupação merece atenção particular porque interfere diretamente na finalidade da aquisição. Para quem pretende utilizar o imóvel como residência, a impossibilidade de assumir imediatamente a posse pode gerar despesas simultâneas com aluguel, financiamento e encargos associados à propriedade.</p>
<p>No caso de investidores, a permanência de ocupantes também pode retardar reformas, locações e eventual revenda.</p>
<p>As informações devem ser verificadas mediante análise do anúncio, das condições de venda e dos documentos pertinentes. A matrícula atualizada permite identificar o histórico registral, a titularidade e eventuais ônus inscritos. A documentação do lote, por sua vez, pode conter condições específicas que não aparecem integralmente nos resumos comerciais utilizados para divulgar o leilão.</p>
<p>Outro aspecto é a atribuição de responsabilidade por débitos anteriores à compra. Despesas condominiais, tributos municipais e outros encargos precisam ser examinados à luz das cláusulas contratuais aplicáveis ao imóvel escolhido. Não se deve presumir que todas essas obrigações serão automaticamente quitadas pelo banco ou integralmente transferidas ao comprador.</p>
<p>Também é necessário observar as condições de desistência. A plataforma informa que os lances registrados constituem compromissos sujeitos às regras aceitas pelo participante, com possíveis consequências financeiras em situações de inadimplemento ou descumprimento das condições de venda.</p>
<p>A consulta prévia ao edital é, portanto, uma etapa essencial para estabelecer o custo total da operação e as responsabilidades assumidas pelo interessado.</p>
<h2>Como participar do leilão do Santander</h2>
<p>O procedimento começa com o cadastro na plataforma Superbid Exchange, onde está disponível o evento denominado Santander Oportunidades, organizado pela SOLD Leilões. Após a criação da conta, o participante deve localizar o imóvel pretendido, consultar sua descrição integral e solicitar habilitação.</p>
<p>Cada anúncio apresenta informações sobre localização, características físicas, lance inicial, condições de pagamento e documentação disponível. Também é possível verificar o histórico de ofertas e as condições estabelecidas para participação.</p>
<p>A programação principal está marcada para terça-feira, 6 de outubro, a partir das 10h, no horário de Brasília. Entretanto, os imóveis possuem horários individuais de encerramento, razão pela qual os participantes devem observar a programação específica de cada lote e eventuais atualizações realizadas pela plataforma.</p>
<p>Antes da oferta, é importante conferir se o valor disponível para a compra contempla não apenas o lance pretendido, mas também as despesas necessárias para formalização, eventuais encargos e possíveis custos relacionados à situação do imóvel.</p>
<p>Nos casos de financiamento, a avaliação da capacidade de pagamento deve considerar o custo efetivo total da operação, e não somente a quantidade de parcelas oferecida. O prazo de 420 meses pode ampliar as possibilidades de contratação, mas não elimina os encargos financeiros nem substitui a análise das condições definitivas do crédito.</p>
<p>Para quem considera a compra como investimento, o retorno dependerá de fatores adicionais, entre eles localização, liquidez, estado de conservação, custos de regularização e período necessário até a efetiva disponibilidade da propriedade.</p>
<p>Com o encerramento previsto para 6 de outubro, os interessados ainda podem examinar as condições comerciais dos imóveis disponíveis. A aquisição, contudo, deve ser fundamentada nas características e obrigações de cada lote, e não exclusivamente na comparação entre o lance inicial e o desconto anunciado.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Superbid Exchange — Santander Oportunidades, catálogo oficial e programação do evento de 6 de outubro de 2026.</em></p>
<p><em>SOLD Leilões — Descrições individuais, condições comerciais e informações documentais dos lotes de Araraquara, Sorocaba, Marília e Peruíbe.</em></p>
<p><em>Caixa Econômica Federal — Orientações oficiais sobre financiamento habitacional e utilização do FGTS na aquisição da moradia própria.</em></p>
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		<title>Bets notificam clubes e colocam contratos de mais de R$ 1 bilhão em jogo na Série A</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/bets-notificam-clubes-serie-a-rompimento-patrocinios</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Henrique Valverde]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 06:30:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Marketing]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[Patrocínios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Casas de apostas começaram a preparar o terreno para uma eventual mudança radical na legislação brasileira e já notificaram clubes de futebol sobre a possibilidade de encerramento de contratos de patrocínio caso o governo federal adote medidas que inviabilizem a operação do setor no país. A Superbet comunicou São Paulo e Fluminense sobre esse risco, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Casas de apostas começaram a preparar o terreno para uma eventual mudança radical na legislação brasileira e já notificaram clubes de futebol sobre a possibilidade de encerramento de contratos de patrocínio caso o governo federal adote medidas que inviabilizem a operação do setor no país. A Superbet comunicou São Paulo e Fluminense sobre esse risco, enquanto a Esportes da Sorte enviou notificações a clubes parceiros, entre eles o Corinthians. A ameaça atinge uma cadeia comercial que envolve 13 dos 20 clubes da Série A e contratos estimados em mais de R$ 1 bilhão.</p>
<p>O movimento ocorre em meio à elaboração, pelo governo federal, de uma medida provisória sobre apostas on-line. O conteúdo ainda estava em definição nesta quinta-feira (24), o que significa que não existe, até o momento, uma proibição em vigor capaz de produzir automaticamente a rescisão desses contratos. A possibilidade de rompimento depende do alcance da eventual medida e, principalmente, das cláusulas previstas em cada acordo comercial.</p>
<p>A situação colocou clubes e patrocinadores diante de um problema contratual antes mesmo de uma eventual alteração legal. <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339893">Empresas</a> autorizadas pelo Ministério da Fazenda operam hoje sob um regime federal de licenciamento, fiscalização e publicidade. A própria lista oficial de operadores autorizados foi atualizada em 24 de setembro e inclui Superbet, Betano e Esportes da Sorte, entre outras marcas.</p>
<h2>Dependência dos clubes cresceu com expansão das apostas</h2>
<p>A dimensão financeira explica a reação dos clubes. Levantamento divulgado em setembro aponta que as casas de apostas responderam por R$ 1,03 bilhão dos R$ 3,069 bilhões arrecadados em patrocínios pelos 20 clubes da Série A em 2025. O segmento, portanto, representou cerca de 33,6% de toda a receita comercial obtida com patrocínios naquele recorte.</p>
<p>Em termos de escala, os R$ 1,03 bilhão também equivalem a cerca de 7,2% da receita total de R$ 14,3 bilhões dos clubes no mesmo ano. A proporção ajuda a distinguir duas dimensões do problema: o dinheiro das bets não representa a maior parcela da receita global dos times, mas se tornou uma fatia relevante e concentrada da receita comercial, especialmente nos contratos de maior exposição.</p>
<p>Na fotografia atual da Série A, 65% dos clubes — 13 de 20 — têm uma casa de apostas ocupando a principal propriedade comercial de suas camisas. Flamengo, Fluminense, Corinthians e São Paulo estão entre os clubes diretamente expostos ao risco de revisão desses acordos.</p>
<p>O contrato do Flamengo com a Betano ilustra a dimensão dos compromissos assumidos no setor. O Conselho Deliberativo aprovou em agosto de 2025 um acordo máster com duração até 31 de dezembro de 2028, abrangendo o futebol profissional, modalidades olímpicas e outros ativos de comunicação do clube.</p>
<p>Isso significa que uma eventual alteração regulatória não afetaria apenas a receita do restante da temporada. Dependendo do texto aprovado e das cláusulas de cada contrato, poderia abrir uma disputa sobre compromissos plurianuais, indenizações, multas e substituição de propriedades comerciais.</p>
<p>A própria estrutura da atual regulação mostra que os contratos não estão vinculados a empresas que atuam informalmente à margem do sistema federal. A Secretaria de Prêmios e Apostas informa que, desde 1º de janeiro de 2025, somente operadores autorizados podem atuar nacionalmente no <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339894">mercado</a> regulado.</p>
<h2>Governo ainda amplia fiscalização e regras de publicidade</h2>
<p>A discussão ganha uma dimensão adicional porque o mercado não estava simplesmente sem regulamentação antes da nova controvérsia. Em 2026, o governo federal vem ampliando as regras para publicidade, proteção ao consumidor e combate à operação irregular.</p>
<p>Em julho, o Ministério da Fazenda tornou obrigatória a presença de mensagens de advertência em anúncios de apostas. As peças publicitárias passaram a ter de exibir alertas como “Apostar pode causar dependência”, “Apostar faz você perder dinheiro” ou “Aposta não é investimento”, com espaço mínimo correspondente a 10% da área da publicidade.</p>
<p>Em setembro, a Secretaria de Prêmios e Apostas publicou nova regulamentação voltada à prevenção e repressão de transações relacionadas à exploração irregular das apostas de quota fixa. O conjunto de medidas reforçou a fiscalização sobre operadores clandestinos e mecanismos de pagamento utilizados fora do mercado autorizado.</p>
<p>Esse processo regulatório continuou mesmo enquanto cresciam as discussões políticas sobre uma eventual proibição. Em agosto, outra portaria tratou de procedimentos para autorizações e de atividades de patrocínio e divulgação de marcas de empresas de jogos e apostas em eventos oficiais da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil.</p>
<p>Há, portanto, uma mudança potencial de direção no centro da disputa: o mercado que atualmente possui empresas autorizadas, regras específicas de publicidade, fiscalização de pagamentos e normas de patrocínio pode passar a enfrentar uma restrição estrutural caso o Executivo avance com uma medida de alcance mais amplo.</p>
<p>A lista oficial do Ministério da Fazenda registrava 85 empresas autorizadas, número que corresponde às empresas habilitadas no regime nacional. A relação inclui operadores associados a algumas das marcas mais presentes no futebol, entre elas Betano, Esportes da Sorte e Superbet.</p>
<h2>Contratos agora dependem do alcance da medida</h2>
<p>O impacto financeiro sobre os clubes não será necessariamente uniforme. Uma proibição integral da operação das apostas teria efeito contratual muito diferente de uma restrição limitada à publicidade, ao patrocínio esportivo ou apenas aos jogos de cassino on-line.</p>
<p>Essa distinção é relevante porque os contratos comerciais costumam ter mecanismos específicos para eventos de força maior, mudanças regulatórias e impossibilidade superveniente de cumprimento. Em alguns casos, a alteração pode abrir espaço para renegociação; em outros, pode fundamentar uma tentativa de rescisão. O efeito concreto dependerá da redação de cada contrato e da interpretação jurídica adotada pelas partes.</p>
<p>No caso informado pela Esportes da Sorte, a notificação enviada aos clubes não equivale, por si só, a uma rescisão. O documento sinaliza uma possibilidade condicionada à mudança do ambiente legal. A diferença é importante: enquanto não houver alteração normativa capaz de afetar a atividade ou decisão formal da empresa, os acordos permanecem vigentes.</p>
<p>A Superbet ocupa posição particularmente relevante nessa discussão porque seus contratos com São Paulo e Fluminense estão concentrados justamente na propriedade máster. No caso do Flamengo, a Betano ainda não havia formalizado uma notificação de rompimento, mas o clube acompanha a possibilidade de consequências distintas conforme o tipo de mudança legislativa. Uma restrição parcial poderia produzir renegociação, enquanto uma proibição ampla atingiria diretamente a lógica econômica do contrato.</p>
<p>O risco também se distribui de maneira desigual entre clubes. As equipes com acordos mais longos e valores mais elevados têm maior exposição financeira nominal. Já clubes com menor capacidade de reposição comercial podem enfrentar dificuldade adicional para substituir rapidamente uma marca de apostas por uma empresa de outro segmento.</p>
<h2>Futebol e setor de apostas já travam disputa sobre o novo marco</h2>
<p>A reação dos clubes não começou com as notificações. Em 17 de setembro, dirigentes, federações e representantes do setor divulgaram um manifesto contrário a mudanças que, na avaliação das entidades, poderiam comprometer receitas do futebol e estimular a migração de apostadores para operadores ilegais.</p>
<p>O argumento econômico se apoia no crescimento acelerado dos contratos. Os investimentos das casas de apostas nos clubes que disputavam a Série A passaram de aproximadamente R$ 618 milhões em 2024 para cerca de R$ 1,03 bilhão em 2025, segundo levantamento de mercado divulgado em setembro.</p>
<p>A discussão, porém, não envolve apenas a receita dos clubes. A legislação brasileira passou a incorporar mecanismos de controle sobre apostadores e operadores justamente em razão dos riscos associados ao mercado. Em 2026, o governo ampliou medidas de proteção financeira e de bloqueio de acesso às plataformas para beneficiários de programas específicos de renegociação de dívidas, além de criar instrumentos de monitoramento relacionados ao endividamento.</p>
<p>Esse histórico cria um cenário no qual os interesses econômicos do futebol e as políticas públicas de controle das apostas passaram a disputar o mesmo espaço regulatório. Para os clubes, a questão central é a previsibilidade dos contratos em vigor. Para o governo, a discussão envolve até onde deve avançar a regulação de uma atividade que já funciona sob autorização federal.</p>
<p>Enquanto o texto da medida provisória não for formalizado, não há base para considerar os contratos automaticamente encerrados. A eventual publicação do ato abrirá uma nova etapa, na qual será necessário verificar seu alcance, as regras de transição, a situação das empresas autorizadas e a validade dos compromissos comerciais já assinados.</p>
<p>Para o futebol, a consequência mais imediata é a necessidade de preparar alternativas comerciais para um mercado que se tornou uma das principais fontes de patrocínio da elite nacional. Para as casas de apostas, o risco é diferente: contratos firmados para vários anos podem deixar de produzir retorno econômico caso uma mudança legal impeça a atividade, a publicidade ou a utilização das propriedades esportivas adquiridas.</p>
<p>A disputa, portanto, já ultrapassou o terreno das declarações públicas. As primeiras notificações colocaram contratos concretos sob revisão potencial, mas o efeito jurídico e financeiro definitivo ainda depende do conteúdo da medida que o governo pretende apresentar e das decisões que vierem depois de sua eventual publicação.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Ministério da Fazenda &#8211; lista atualizada de empresas autorizadas a operar apostas de quota fixa no mercado nacional, com atualização de 24 de setembro de 2026</em></p>
<p><em>Ministério da Fazenda &#8211; regras de publicidade de apostas e novas exigências de advertência ao consumidor estabelecidas em julho de 2026</em></p>
<p><em>Ministério da Fazenda &#8211; legislação e atos regulatórios de 2026 sobre apostas de quota fixa, fiscalização, mercado ilegal e patrocínio</em></p>
<p><em>Clube de Regatas do Flamengo &#8211; aprovação do contrato de patrocínio máster com a Betano, vigente até dezembro de 2028</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Intenção de compra de imóveis chega a 52% e bate recorde no 2º trimestre</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/intencao-compra-imoveis-recorde-52-por-cento</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Duarte]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2026 19:23:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Brain Inteligência Estratégica]]></category>
		<category><![CDATA[construção civil]]></category>
		<category><![CDATA[crédito imobiliário]]></category>
		<category><![CDATA[imóveis usados]]></category>
		<category><![CDATA[intenção de compra de imóveis]]></category>
		<category><![CDATA[mercado imobiliário]]></category>
		<category><![CDATA[Minha Casa Minha Vida]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[SBPE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A intenção de compra de imóveis chegou a 52% das famílias brasileiras no segundo trimestre de 2026, o maior nível da série histórica iniciada em 2019. O avanço, de três pontos percentuais sobre o mesmo período de 2025, ocorre em um mercado no qual o crédito continua condicionando o momento da aquisição e o tipo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A intenção de compra de imóveis chegou a 52% das famílias brasileiras no segundo trimestre de 2026, o maior nível da série histórica iniciada em 2019. O avanço, de três pontos percentuais sobre o mesmo período de 2025, ocorre em um <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339817">mercado</a> no qual o crédito continua condicionando o momento da aquisição e o tipo de imóvel que consegue atender ao orçamento dos compradores.</p>
<p>A pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, divulgada pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), estima que 21,9 milhões de famílias tenham intenção de comprar um imóvel. Desse total, 68% planejam realizar a aquisição em até dois anos. Aplicando os percentuais da própria pesquisa à estimativa nacional, cerca de 14,9 milhões de famílias estariam nesse horizonte, sendo aproximadamente 6,8 milhões com intenção de comprar em até um ano e 8,1 milhões entre um e dois anos.</p>
<p>O dado mostra que o interesse pela moradia continua elevado, mas também evidencia a diferença entre intenção e fechamento de negócio. A mesma pesquisa indica que 38% dos interessados ainda não iniciaram a busca por um imóvel. Apenas 10% já pesquisam unidades pela internet e 4% visitam imóveis presencialmente. Em números absolutos, são 4,3 milhões de famílias em busca online e 1,7 milhão realizando visitas.</p>
<p>A distância entre desejo e aquisição ganha importância em um ambiente de financiamento ainda restritivo. O Banco Central reduziu a taxa Selic para 13,75% ao ano em setembro, após o ciclo de cortes iniciado em 2026, mas o custo do dinheiro permanece em patamar elevado para uma compra que normalmente depende de financiamento de longo prazo.</p>
<h2>Vendas avançam, mas o mercado não cresce de forma homogênea</h2>
<p>Os dados de comercialização mostram que a demanda não ficou apenas no campo da intenção. As vendas de imóveis residenciais novos totalizaram 226.536 unidades no primeiro semestre, alta de 5,4% em relação às 214.910 unidades registradas no mesmo período de 2025. Em termos absolutos, foram 11.626 unidades adicionais vendidas.</p>
<p>No segundo trimestre, as vendas chegaram a 113.676 unidades, aumento de 5,3% sobre as 107.924 unidades comercializadas um ano antes. O número também ficou 0,7% acima do primeiro trimestre de 2026.</p>
<p>O desempenho das vendas, porém, contrasta com a estabilidade dos lançamentos. Entre janeiro e junho, foram lançadas 211.651 unidades, contra 212.338 no primeiro semestre de 2025, uma redução de apenas 0,3%. Ou seja, enquanto as vendas cresceram 5,4%, a quantidade de novos produtos colocados no mercado permaneceu praticamente estável.</p>
<p>No segundo trimestre, essa diferença também apareceu: foram 107.161 lançamentos, queda de 1,3% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado sugere que o avanço da comercialização não decorreu de uma expansão equivalente da oferta de novos empreendimentos.</p>
<p>O Minha Casa, Minha Vida concentra parte relevante dessa atividade. Das 113.676 unidades vendidas no segundo trimestre, 58.392 estavam enquadradas no programa, o equivalente a cerca de 51,4% do total. O programa também representou 58% dos lançamentos do trimestre, maior participação da série histórica iniciada em 2019.</p>
<p>A concentração no segmento habitacional subsidiado ajuda a explicar por que os indicadores agregados do mercado podem apresentar crescimento mesmo em um cenário de crédito caro. O comportamento das vendas depende não apenas do custo do financiamento, mas também da composição da demanda, das condições de acesso aos programas habitacionais e do preço dos imóveis disponíveis em cada faixa de renda.</p>
<h2>Crédito muda o perfil do imóvel procurado</h2>
<p>Outro indicador ajuda a dimensionar o efeito das condições financeiras sobre as escolhas dos compradores. No primeiro semestre, o volume de financiamentos para aquisição de imóveis com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) chegou a R$ 67,2 bilhões, aumento de 12% ante os R$ 60,1 bilhões registrados no mesmo período de 2025.</p>
<p>Considerando aquisição e construção, os financiamentos do SBPE somaram R$ 93,7 bilhões no semestre, alta de 29% em relação aos R$ 72,9 bilhões de um ano antes. O crédito para construção avançou 107%, passando de R$ 12,8 bilhões para R$ 26,5 bilhões, enquanto o volume destinado à aquisição cresceu em ritmo menor.</p>
<p>Mesmo com o aumento do crédito, a composição das operações mostra uma migração relevante para o mercado secundário. Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) apontam que mais de 160 mil financiamentos para aquisição foram concedidos a pessoas físicas no primeiro semestre, dos quais 70% tiveram como destino imóveis usados. Isso equivale, em ordem de grandeza, a mais de 112 mil operações nessa categoria.</p>
<p>A preferência pelos usados não significa necessariamente redução do interesse pelos imóveis novos. Ela indica que preço, parcela mensal, valor de entrada e disponibilidade de produtos interferem na conversão da intenção em compra.</p>
<p>A própria pesquisa da Brain mostra diferença entre o imóvel desejado e aquele efetivamente adquirido. A casa em rua é escolhida por 38% dos entrevistados como tipo de imóvel preferido, mas representa 26% das compras. Já o apartamento é desejado por 40% e responde por 41% das aquisições. A pesquisa atribui esse descompasso à combinação entre orçamento, oferta disponível e urgência da decisão.</p>
<p>Esse comportamento também aparece nas razões para comprar. Sair do aluguel foi citado por 37% dos entrevistados, contra 28% um ano antes. Deixar a casa dos pais correspondeu a 15%, enquanto a busca por mais espaço representou 14%. A compra para investimento respondeu por 13% das motivações.</p>
<p>A mudança é relevante para o mercado porque parte expressiva da demanda não está associada apenas à expectativa de valorização dos imóveis. A decisão está relacionada também a formação de família, mudança de residência e necessidade de adaptação da moradia à renda e à rotina.</p>
<h2>Oferta regional mostra concentração em unidades menores</h2>
<p>Os números de Maringá, no Paraná, ajudam a ilustrar como a oferta vem se ajustando aos diferentes perfis de demanda. Levantamento do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná – Região Noroeste (Sinduscon-PR/Noroeste), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), identificou 97 edifícios residenciais em construção na cidade até junho, totalizando 11.823 apartamentos e aproximadamente 1,5 milhão de metros quadrados de área construída.</p>
<p>Do total de unidades em execução, 6.186 tinham até 55 metros quadrados. Isso representa cerca de 52,3% dos apartamentos em construção, ou pouco mais da metade de toda a oferta em obras. Outras 3.259 unidades estavam na faixa entre 55,01 e 80 metros quadrados.</p>
<p>Os apartamentos de dois dormitórios somavam 4.149 unidades, equivalentes a aproximadamente 35% do total. Os de três dormitórios chegavam a 3.302, enquanto havia 1.452 studios e 1.385 apartamentos de um dormitório. Na outra ponta, 344 unidades tinham mais de 180 metros quadrados.</p>
<p>A distribuição demonstra que o mercado não está produzindo um único tipo de imóvel. Há concentração nos produtos compactos e de dois dormitórios, mas permanecem empreendimentos destinados a famílias que demandam áreas maiores.</p>
<p>Maringá tinha ainda 28 empreendimentos em fase de lançamento ou aprovação, somando 4.986 unidades. Outros 20 projetos haviam sido entregues em 2026 até o período considerado pela sondagem, com 1.614 apartamentos. O levantamento também registrava 12.003 trabalhadores com carteira assinada no setor da construção civil em maio.</p>
<p>O retrato regional reforça uma característica do ciclo imobiliário de 2026: a oferta reage às condições de mercado, mas precisa equilibrar custo de produção, preço final e capacidade de pagamento do comprador. O fato de uma unidade estar em construção, portanto, não significa que ela seja necessariamente compatível com o perfil de todas as famílias que manifestam intenção de compra.</p>
<h2>Recorde de interesse não elimina a barreira da entrada</h2>
<p>A pesquisa nacional aponta ainda uma concentração regional da intenção de compra. O Nordeste registra 59%, enquanto Centro-Oeste e Norte aparecem com 53%. O Sul chega a 49% e o Sudeste a 47%. Pela renda, o indicador ficou próximo de 52% na maior parte das faixas, mas alcançou 58% entre famílias com renda superior a R$ 20 mil mensais.</p>
<p>O dado reforça que o interesse imobiliário está disseminado, mas não significa que o potencial de compra tenha a mesma capacidade financeira em todas as regiões ou faixas de renda. O impacto do crédito sobre o orçamento tende a ser maior quanto maior for a dependência do financiamento e menor for a capacidade de formar uma entrada elevada.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o mercado de crédito mostra que os recursos continuam fluindo. Os R$ 93,7 bilhões financiados pelo SBPE para aquisição e construção no primeiro semestre representam avanço de 29% sobre o ano anterior, enquanto as concessões para compra atingiram R$ 67,2 bilhões.</p>
<p>O que mudou, portanto, não é simplesmente a existência de demanda ou de crédito. O principal movimento está na forma como compradores e <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339816">empresas</a> se ajustam às condições financeiras. Famílias interessadas podem alongar o prazo de decisão, buscar imóveis menores, aumentar a entrada ou recorrer ao mercado de usados. Incorporadoras, por sua vez, precisam dimensionar os lançamentos de acordo com a capacidade de absorção de cada segmento.</p>
<p>A intenção de compra recorde amplia o mercado potencial, mas não transforma automaticamente todas essas famílias em compradores no curto prazo. O próprio levantamento mostra que uma parcela expressiva ainda não iniciou a busca, enquanto os indicadores de crédito e vendas apontam concentração em produtos e modalidades específicos.</p>
<p>Para o restante de 2026, a combinação entre juros, renda, disponibilidade de crédito, preço dos imóveis e oferta por faixa de valor seguirá sendo determinante para saber quanto dos 52% de intenção se converterá em contratos efetivamente fechados. O dado mais imediato, porém, já está estabelecido: a demanda potencial atingiu o maior nível da série, enquanto a compra efetiva continua sendo filtrada pelas condições de financiamento e pela oferta disponível.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias e Brain Inteligência Estratégica &#8211; pesquisa nacional de intenção de compra de imóveis do segundo trimestre de 2026, incluindo intenção, horizonte de compra, motivações e perfil dos compradores</em></p>
<p><em>Câmara Brasileira da Indústria da Construção e Brain Inteligência Estratégica &#8211; Indicadores Imobiliários Nacionais do segundo trimestre de 2026, com dados de lançamentos, vendas e participação do Minha Casa, Minha Vida</em></p>
<p><em>Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança &#8211; dados de financiamento imobiliário pelo SBPE no primeiro semestre de 2026 e composição das operações por imóveis novos e usados</em></p>
<p><em>Banco Central do Brasil &#8211; histórico das decisões do Copom e da taxa Selic vigente em setembro de 2026</em></p>
<p><em>SindusCon-PR/Noroeste e Fiep &#8211; Sondagem do Mercado Imobiliário de Maringá, com dados de obras, unidades em construção, perfil das metragens e emprego na construção civil</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Supermercados articulam modelo para eliminar financiamento de estoques na cadeia de consumo</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/supermercados-propoem-fim-financiamento-estoques-industria</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Sep 2026 19:29:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Abras]]></category>
		<category><![CDATA[bens de consumo]]></category>
		<category><![CDATA[cadeia de suprimentos]]></category>
		<category><![CDATA[capital de giro]]></category>
		<category><![CDATA[inflação]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[supermercados]]></category>
		<category><![CDATA[varejo alimentar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) colocou em debate uma proposta de reformulação profunda nas diretrizes comerciais que regem a relação entre o varejo de autosserviço e os grandes fabricantes de bens de consumo não duráveis. O eixo central da iniciativa consiste em transferir para as indústrias a responsabilidade financeira e logística pela manutenção dos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="my-2 first:mt-0 last:mb-0 whitespace-pre-wrap wrap-break-word">A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) colocou em debate uma proposta de reformulação profunda nas diretrizes comerciais que regem a relação entre o varejo de autosserviço e os grandes fabricantes de bens de consumo não duráveis. O eixo central da iniciativa consiste em transferir para as indústrias a responsabilidade financeira e logística pela manutenção dos estoques de produtos nos centros de distribuição e nas redes de lojas, um encargo que historicamente recai de forma integral sobre os operadores supermercadistas brasileiros.</p>
<p class="my-2 first:mt-0 last:mb-0 whitespace-pre-wrap wrap-break-word">A discussão ganha tração em um momento de margens operacionais estreitas para o setor de comércio alimentar, que enfrenta custos logísticos elevados, despesas crescentes com energia e pessoal, além da necessidade imperativa de otimizar o capital de giro em um ambiente de taxas de juros em patamares restritivos. Pelo modelo debatido junto aos principais fornecedores de alimentos, produtos de limpeza e itens de higiene pessoal, a gestão e o custeio dos produtos armazenados passariam a ser assumidos de maneira compartilhada ou integralmente pelos detentores das marcas até o momento efetivo da comercialização ao consumidor final ou a consolidação da venda nas gôndolas.</p>
<p class="my-2 first:mt-0 last:mb-0 whitespace-pre-wrap wrap-break-word">A entidade que representa o setor supermercadista argumenta que a estrutura comercial vigente no país impõe uma imobilização de capital considerada ineficiente e financeiramente onerosa. Ao assumirem o financiamento dos estoques intermediários, os supermercados acumulam despesas financeiras diretas decorrentes do custo do dinheiro, despesas com armazenagem física, riscos de avarias, perdas por quebras operacionais e a constante ameaça de obsolescência de mercadorias. A mudança pretendida busca alinhar o <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339775">mercado</a> brasileiro a práticas consolidadas em economias desenvolvidas, onde a reposição baseada estritamente na demanda real diminui a necessidade de grandes volumes de produtos parados na cadeia logística.</p>
<h2 class="mt-4 mb-2 text-sm font-semibold tracking-tight first:mt-0">Impacto estrutural na formação de preços e margens operacionais</h2>
<p class="my-2 first:mt-0 last:mb-0 whitespace-pre-wrap wrap-break-word">A absorção do custo de estocagem pelos fabricantes poderá alterar substancialmente a dinâmica de formação de preços ao longo de toda a cadeia de suprimentos. Com a redução expressiva das despesas financeiras atreladas à manutenção de grandes inventários nos centros de distribuição, o varejo alimentar projeta ganhos de eficiência operacional que poderiam mitigar o repasse de custos adicionais para os consumidores finais, especialmente em categorias de alta rotatividade e forte sensibilidade a preços.</p>
<p class="my-2 first:mt-0 last:mb-0 whitespace-pre-wrap wrap-break-word">Especialistas em varejo e cadeia de suprimentos apontam que a transição para o modelo de estoque sob responsabilidade da indústria exige investimentos robustos em tecnologia de integração de dados e rastreamento em tempo real. Para que o suprimento funcione de maneira contínua, sem rupturas nas prateleiras ou excesso de mercadorias, varejistas e fabricantes precisam compartilhar informações precisas, transparentes e em tempo real sobre o fluxo de vendas diárias, o giro de inventário, a ruptura nas gôndolas e a sazonalidade de consumo regional.</p>
<p class="my-2 first:mt-0 last:mb-0 whitespace-pre-wrap wrap-break-word">As negociações entre a entidade setorial e os grandes conglomerados industriais ocorrem em meio a um cenário macroeconômico desafiador para o crédito corporativo e o financiamento das operações de curto prazo. As redes de supermercados de médio e grande porte operam tradicionalmente com margens líquidas estreitas, geralmente situadas na faixa de 1% a 3%. Essa característica estrutural torna qualquer otimização na gestão de estoques um fator determinante para a sustentabilidade financeira do negócio. A eliminação do custo financeiro de carregamento de estoques permitiria redirecionar recursos vitais para a expansão de canais digitais, reformas estruturais de lojas, investimentos em automação de caixa e modernização logística.</p>
<h2 class="mt-4 mb-2 text-sm font-semibold tracking-tight first:mt-0">O peso do capital de giro e o custo do dinheiro no varejo</h2>
<p class="my-2 first:mt-0 last:mb-0 whitespace-pre-wrap wrap-break-word">A dinâmica do setor supermercadista brasileiro é marcada pela alta velocidade de rotação de mercadorias combinada com margens unitárias reduzidas. Nesse ecossistema, o capital de giro é o oxigênio que mantém as redes operando. Quando as taxas de juros básicas da economia encontram-se em patamares elevados, o custo para financiar os estoques acumulados nos armazéns corrói o resultado operacional das <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="339774">empresas</a>.</p>
<p class="my-2 first:mt-0 last:mb-0 whitespace-pre-wrap wrap-break-word">Historicamente, a indústria de bens de consumo de massa transfere grande parte do risco de demanda para o elo seguinte da cadeia. Os fabricantes produzem em grandes lotes para capturar economias de escala em suas plantas fabris e empurram o excedente para os centros de distribuição dos supermercados por meio de prazos de pagamento muitas vezes incompatíveis com a velocidade real de venda ao consumidor final. Com isso, o varejista assume o ônus de pagar pelos produtos antes mesmo de eles serem vendidos nas gôndolas, arcando com o custo financeiro dessa defasagem temporal.</p>
<p class="my-2 first:mt-0 last:mb-0 whitespace-pre-wrap wrap-break-word">A proposta articulada pela Abras busca inverter essa lógica por meio da adoção de conceitos modernos de gestão de cadeia de suprimentos, a exemplo dos modelos de estoque gerido pelo fornecedor, conhecidos internacionalmente pela sigla VMI (<em class="italic">Vendor Managed Inventory</em>). Nesse formato, o fabricante passa a monitorar os níveis de estoque no destino e tem a autonomia e a responsabilidade de repor os produtos apenas na medida em que as vendas reais ocorrem. A consequência direta é a liberação de bilhões de reais em capital de giro para o setor varejista, recursos que atualmente ficam estéreis nas prateleiras dos centros de distribuição.</p>
<h2 class="mt-4 mb-2 text-sm font-semibold tracking-tight first:mt-0">Desafios na negociação e resistências industriais</h2>
<p class="my-2 first:mt-0 last:mb-0 whitespace-pre-wrap wrap-break-word">A implementação de um novo modelo de relacionamento comercial não ocorre sem atritos e resistências naturais por parte dos fabricantes de bens de consumo. As grandes indústrias argumentam que também operam sob intensa pressão de custos, impactadas pela volatilidade nos preços de commodities agrícolas, custos de embalagens plásticas e de papelão, além de despesas logísticas associadas ao transporte rodoviário em malhas viárias complexas e de dimensões continentais como a brasileira.</p>
<p class="my-2 first:mt-0 last:mb-0 whitespace-pre-wrap wrap-break-word">Os fabricantes apontam que a assunção dos estoques intermediários exige uma reestruturação profunda em suas próprias linhas de crédito, capital de giro e capacidade de armazenagem. Para absorver a mercadoria que antes ficava nos depósitos dos supermercados, a indústria precisará expandir sua própria infraestrutura logística ou negociar prazos e condições diferenciadas com seus fornecedores de matérias-primas. Além disso, há o temor de que a mudança resulte em disputas contratuais complexas relacionadas a tabelas comerciais, descontos por volume, verbas de cooperativismo e prazos de pagamento, o que pode gerar atritos de longo prazo entre elos que dependem mutuamente para o funcionamento do abastecimento nacional.</p>
<p class="my-2 first:mt-0 last:mb-0 whitespace-pre-wrap wrap-break-word">Outro ponto de atrito nas negociações envolve a responsabilidade sobre perdas e avarias. No modelo tradicional, o risco de deterioração de produtos perecíveis ou de danos causados pelo manuseio nos centros de distribuição recaía sobre o varejista. Com a mudança para o estoque sob tutela da indústria, a matriz de risco contratual precisa ser reescrita para definir claramente quem arca com os prejuízos em caso de avarias logísticas, vencimento de prazos de validade nas prateleiras ou frustração de expectativas de vendas decorrente de mudanças abruptas no comportamento do consumidor.</p>
<h2 class="mt-4 mb-2 text-sm font-semibold tracking-tight first:mt-0">Impactos sobre a concorrência e a dinâmica de mercado</h2>
<p class="my-2 first:mt-0 last:mb-0 whitespace-pre-wrap wrap-break-word">A discussão sobre o financiamento de estoques também possui desdobramentos relevantes para a estrutura concorrencial do setor supermercadista brasileiro. O mercado é caracterizado por uma polarização entre grandes redes nacionais ou regionais, que possuem forte poder de barganha junto aos fabricantes, e uma vasta base de supermercados de pequeno e médio portes, que muitas vezes enfrentam dificuldades para negociar prazos e condições comerciais vantajosas.</p>
<p class="my-2 first:mt-0 last:mb-0 whitespace-pre-wrap wrap-break-word">Especialistas do setor apontam que a padronização de diretrizes comerciais mais equilibradas poderia beneficiar os supermercados regionais e de menor porte. Caso as novas regras de responsabilidade sobre estoques sejam adotadas de forma ampla no mercado, os estabelecimentos menores ganhatórias margens de manobra financeira, reduzindo a assimetria competitiva frente aos grandes conglomerados do varejo alimentar que hoje conseguem negociar condições diferenciadas de repasse de custos e prazos de pagamento estendidos junto às multinacionais de bens de consumo.</p>
<p class="my-2 first:mt-0 last:mb-0 whitespace-pre-wrap wrap-break-word">Por outro lado, a transição exige investimentos tecnológicos que podem representar barreiras operacionais para os supermercados de menor porte. A implementação de sistemas integrados de troca de dados eletrônicos e o compartilhamento de informações em tempo real demandam capacidade de investimento em tecnologia da informação, um desafio para empresas que ainda operam com sistemas legados ou processos manuais de controle de inventário. A entidade setorial avalia formas de apoiar a digitalização dos associados menores para evitar que a mudança beneficie exclusivamente os grandes players do mercado nacional.</p>
<h2 class="mt-4 mb-2 text-sm font-semibold tracking-tight first:mt-0">Próximos passos e o futuro das negociações comerciais</h2>
<p class="my-2 first:mt-0 last:mb-0 whitespace-pre-wrap wrap-break-word">As conversas entre os representantes do setor supermercadista e os grandes fornecedores de bens de consumo devem se estender ao longo dos próximos meses, com a formação de comitês técnicos conjuntos encarregados de avaliar a viabilidade operacional de projetos-piloto em categorias específicas de produtos de menor complexidade logística, como produtos de limpeza e itens de mercearia seca, antes de avançar para categorias mais sensíveis como perecíveis e congelados.</p>
<p class="my-2 first:mt-0 last:mb-0 whitespace-pre-wrap wrap-break-word">A expectativa da diretoria da entidade é estabelecer diretrizes voluntárias de boas práticas comerciais que possam servir de referência para os contratos futuros firmados entre varejo e indústria, evitando uma escalada de conflitos judiciais ou comerciais em um mercado altamente concentrado. O sucesso da iniciativa dependerá da capacidade de construção de consensos entre elos historicamente rivais na disputa pela apropriação da margem comercial ao longo da cadeia produtiva, em um ambiente onde o consumidor final busca alternativas para proteger seu poder de compra diante das oscilações inflacionárias.</p>
<p class="my-2 first:mt-0 last:mb-0 whitespace-pre-wrap wrap-break-word"><strong class="font-semibold">Fontes:</strong></p>
<p class="my-2 first:mt-0 last:mb-0 whitespace-pre-wrap wrap-break-word"><em class="italic">Associação Brasileira de Supermercados &#8211; diretrizes comerciais e propostas estruturais para a cadeia de abastecimento</em></p>
<p class="my-2 first:mt-0 last:mb-0 whitespace-pre-wrap wrap-break-word"><em class="italic">Banco Central do Brasil &#8211; evolução das taxas de juros, custos de captação e condições de crédito para o capital de giro corporativo</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Usina Hidrelétrica de Itapiranga avança nos estudos após 14 anos de impasse ambiental</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/uhe-itapiranga-724-mw-rio-uruguai-paralisada-desde-2011</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Sep 2026 14:21:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Aneel]]></category>
		<category><![CDATA[energia]]></category>
		<category><![CDATA[hidrelétrica 724 MW]]></category>
		<category><![CDATA[hidrelétricas]]></category>
		<category><![CDATA[Ibama]]></category>
		<category><![CDATA[Ibama EIA-Rima]]></category>
		<category><![CDATA[Itapiranga]]></category>
		<category><![CDATA[Itapiranga SC Pinheirinho do Vale RS]]></category>
		<category><![CDATA[licenciamento ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[MAB]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[PAC hidrelétricas]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Grande do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[Rio Uruguai]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Catarina]]></category>
		<category><![CDATA[UHE Itapiranga]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Usina Hidrelétrica de Itapiranga, projetada para o Rio Uruguai na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, registrou em 2026 um avanço no processo de estudos de viabilidade conduzido perante a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mas continua distante de uma autorização para construção. Em janeiro, a agência considerou adequado o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Usina Hidrelétrica de Itapiranga, projetada para o Rio Uruguai na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, registrou em 2026 um avanço no processo de estudos de viabilidade conduzido perante a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mas continua distante de uma autorização para construção. Em janeiro, a agência considerou adequado o primeiro relatório intermediário do Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica (EVTE) apresentado pela Múltipla Participações para o empreendimento de 724,6 megawatts.</p>
<p>A manifestação da Aneel se restringe à etapa de estudos técnicos e econômicos e não representa licença ambiental, concessão de geração ou autorização para implantação da barragem. A UHE Itapiranga ainda precisa concluir o EVTE, superar as pendências ambientais relacionadas ao projeto e passar pelas etapas necessárias para eventual outorga antes de poder se transformar em obra.</p>
<p>O prazo atualmente concedido pela Aneel para a conclusão dos estudos termina em 16 de junho de 2027. A nova movimentação regulatória ocorre após uma trajetória marcada por sucessivas prorrogações e por uma controvérsia ambiental iniciada há mais de uma década, quando a Justiça Federal suspendeu procedimentos ligados ao licenciamento da usina no Rio Uruguai.</p>
<p>A configuração registrada pela Aneel prevê 724,6 megawatts de potência instalada entre Itapiranga, no extremo oeste catarinense, e Pinheirinho do Vale, no norte do Rio Grande do Sul. A potência é inferior à de configurações anteriores do empreendimento, que chegaram a prever aproximadamente 936 MW.</p>
<p>O projeto também permanece no radar do planejamento energético federal. O Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 considera a UHE Itapiranga entre as hidrelétricas analisadas e trabalha com custo de referência de R$ 12.677 por quilowatt instalado. Aplicado aos 724,6 MW previstos, esse parâmetro corresponde a aproximadamente R$ 9,19 bilhões, antes de juros durante a construção.</p>
<p>O valor evidencia quanto a realidade econômica do empreendimento mudou. Estimativas antigas de R$ 1,3 bilhão a R$ 2 bilhões, ainda encontradas em referências históricas sobre Itapiranga, estão muito abaixo do parâmetro utilizado atualmente no planejamento energético federal.</p>
<h2>Aneel mantém estudos de Itapiranga ativos até junho de 2027</h2>
<p>A etapa regulatória atualmente em curso começou em junho de 2017, quando a Aneel registrou a Múltipla Participações como interessada na elaboração dos estudos de viabilidade da UHE Itapiranga.</p>
<p>O cronograma foi sucessivamente prorrogado. Em 2020, a entrega dos estudos passou para junho de 2022. Dois anos depois, o prazo foi estendido para junho de 2024. Em agosto de 2024, a agência concedeu nova prorrogação e estabeleceu 16 de junho de 2027 como data-limite.</p>
<p>Caso os trabalhos sejam concluídos somente no prazo atual, terão transcorrido dez anos entre o registro da empresa para elaborar o EVTE e a entrega final dos estudos.</p>
<p>O fato novo surgiu em 9 de janeiro de 2026, quando a Aneel analisou o primeiro relatório intermediário encaminhado pela Múltipla e considerou o documento adequado às exigências regulatórias aplicáveis aos estudos de viabilidade de aproveitamentos hidrelétricos.</p>
<p>A avaliação intermediária é uma etapa técnica. O EVTE precisa demonstrar aspectos como configuração do aproveitamento, capacidade energética, características de engenharia e viabilidade econômica. A aceitação do relatório não assegura a aprovação final do empreendimento nem gera direito automático à exploração da usina.</p>
<p>Também não significa que a Múltipla seja concessionária da UHE Itapiranga. A empresa aparece no processo da Aneel como responsável pelos estudos. Uma eventual exploração comercial dependeria das demais etapas regulatórias, ambientais e de outorga previstas para empreendimentos hidrelétricos.</p>
<h2>Projeto de 724,6 MW tem custo de referência acima de R$ 9 bilhões</h2>
<p>A atualização do custo de referência é uma das principais diferenças entre a Itapiranga atualmente considerada pelo planejamento federal e o projeto discutido nas décadas anteriores.</p>
<p>No Plano Decenal de Expansão de Energia 2034, a Empresa de Pesquisa Energética utilizava para a usina custo de R$ 12.054 por quilowatt instalado. Aplicado aos 724,6 mil quilowatts de capacidade, o parâmetro correspondia a aproximadamente R$ 8,73 bilhões.</p>
<p>No PDE 2035, o valor passou para R$ 12.677 por quilowatt. A mesma conta eleva o custo de referência para cerca de R$ 9,19 bilhões.</p>
<p>A diferença entre os dois parâmetros chega a aproximadamente R$ 451 milhões, uma alta próxima de 5,2%.</p>
<p>Esses valores não são um orçamento definitivo para a construção da barragem. A EPE utiliza parâmetros padronizados para avaliar e comparar alternativas de expansão da oferta de energia. O custo efetivo dependeria do projeto executivo, obras civis, equipamentos, financiamento, medidas ambientais, desapropriações, reassentamentos e infraestrutura associada.</p>
<p>Mesmo com essa ressalva, a comparação demonstra que estimativas históricas próximas de R$ 2 bilhões perderam validade como referência para dimensionar economicamente o empreendimento.</p>
<p>A própria capacidade instalada sofreu revisão relevante. Em relação à configuração de 936 MW associada às versões anteriores do projeto, os atuais 724,6 MW representam redução de 211,4 MW, equivalente a aproximadamente 22,6%.</p>
<h2>Estudos da Aneel não eliminam impasse do licenciamento ambiental</h2>
<p>A cronologia de Itapiranga exige separar dois procedimentos distintos: o estudo de viabilidade acompanhado pela Aneel e o licenciamento ambiental federal.</p>
<p>Em agosto de 2012, a Justiça Federal determinou a suspensão do processo de licenciamento ambiental da usina e dos efeitos do termo de referência então utilizado para orientar os estudos ambientais. A decisão ocorreu em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal.</p>
<p>O MPF havia apontado aspectos que, de acordo com análise técnica realizada no processo, deveriam ser complementados ou modificados para avaliar adequadamente os impactos e as consequências para as populações potencialmente atingidas.</p>
<p>A Justiça determinou que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) se manifestasse sobre as observações apresentadas pelos técnicos do Ministério Público. O conflito passou a compor uma longa disputa sobre os efeitos socioambientais da instalação de mais uma grande barragem no Rio Uruguai.</p>
<p>Por isso, o movimento registrado na Aneel em janeiro de 2026 não pode ser interpretado como retomada automática do licenciamento ambiental. A declaração de adequação do relatório intermediário do EVTE não equivale a uma licença prévia nem elimina os obstáculos ambientais e judiciais acumulados pelo empreendimento.</p>
<p>Antes de uma eventual construção, esses procedimentos terão de ser compatibilizados e superados de acordo com as exigências aplicáveis ao projeto.</p>
<h2>Reservatório projetado alcança municípios de Santa Catarina e Rio Grande do Sul</h2>
<p>A configuração historicamente estudada para Itapiranga prevê reservatório com aproximadamente 61 quilômetros quadrados. Parte dessa superfície corresponde à própria calha do Rio Uruguai e parte alcançaria áreas atualmente ocupadas em terra.</p>
<p>Os municípios associados à área potencialmente afetada incluem Itapiranga, São João do Oeste e Mondaí, em Santa Catarina, e Pinheirinho do Vale, Caiçara, Vicente Dutra e Vista Alegre, no Rio Grande do Sul.</p>
<p>A dimensão social do empreendimento permanece sujeita a divergências porque diferentes levantamentos adotaram critérios distintos para determinar quem seria efetivamente atingido.</p>
<p>Organizações ligadas às comunidades locais e ao Movimento dos Atingidos por Barragens trabalham historicamente com uma estimativa de aproximadamente 1.500 famílias e área próxima de 6 mil hectares. Estudos técnicos mais antigos apresentaram universos inferiores para famílias diretamente afetadas.</p>
<p>A diferença não é apenas estatística. A definição de atingido por barragem pode alcançar situações distintas da simples propriedade de uma área inundada. Perda de atividades econômicas, alteração do acesso às propriedades, deslocamento comunitário e mudanças relevantes nas condições produtivas também podem ser consideradas nas avaliações socioeconômicas.</p>
<p>Um número definitivo, portanto, dependeria da atualização dos estudos ambientais, do desenho final do reservatório e de um cadastro socioeconômico compatível com a configuração escolhida para a hidrelétrica.</p>
<p>A questão tem peso particular no extremo oeste de Santa Catarina e no norte gaúcho, regiões marcadas pela presença de pequenas propriedades e por sistemas intensivos de produção agropecuária.</p>
<h2>Nova usina seria instalada em rio já marcado por grandes hidrelétricas</h2>
<p>O projeto de Itapiranga também precisa ser analisado dentro da transformação promovida pelas barragens já instaladas no sistema do Rio Uruguai.</p>
<p>A bacia reúne grandes empreendimentos hidrelétricos construídos ao longo das últimas décadas, entre eles Itá, Machadinho, Barra Grande e Foz do Chapecó, além de outros aproveitamentos em seus principais cursos d&#8217;água.</p>
<p>A instalação dessas usinas transformou trechos extensos do sistema fluvial em reservatórios e produziu deslocamentos populacionais que ajudaram a consolidar uma organização regional de comunidades atingidas por barragens.</p>
<p>É nesse contexto que Itapiranga se tornou um dos projetos mais controversos da expansão hidrelétrica no Sul. A discussão não está restrita ao impacto de uma única barragem, mas inclui a avaliação dos efeitos acumulados de sucessivos aproveitamentos sobre o Rio Uruguai.</p>
<p>Aspectos como ictiofauna, conectividade do ambiente aquático, áreas agrícolas, comunidades rurais e impactos conjuntos de barragens existentes e planejadas fazem parte do debate ambiental associado ao empreendimento.</p>
<h2>Hidrelétricas perderam participação enquanto eólica e solar avançaram</h2>
<p>Itapiranga também voltou ao planejamento em uma matriz elétrica muito diferente daquela existente quando os primeiros cronogramas para a usina foram elaborados.</p>
<p>Em 2025, a fonte hidráulica respondeu por 51,7% da geração brasileira, segundo o Balanço Energético Nacional 2026. A produção hidrelétrica recuou 4,8%, passando de 421.799 gigawatts-hora em 2024 para 401.415 GWh no ano seguinte.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a geração eólica alcançou 116.488 GWh e a solar fotovoltaica chegou a 88.141 GWh. Juntas, as duas fontes responderam por 26,4% da eletricidade produzida no país.</p>
<p>A mudança não elimina o papel das hidrelétricas no Sistema Interligado Nacional. Pelo contrário: a expansão de fontes dependentes das condições de vento e insolação aumenta a importância de recursos capazes de fornecer flexibilidade operacional ao sistema.</p>
<p>Isso, porém, não significa que qualquer grande hidrelétrica se torne automaticamente competitiva. Projetos com investimentos elevados e impactos socioambientais relevantes precisam disputar espaço econômico com outras alternativas de geração, armazenamento, transmissão e gerenciamento da oferta.</p>
<p>A UHE Itapiranga, portanto, não está sendo avaliada no mesmo ambiente tecnológico e econômico no qual surgiu. A expansão acelerada de eólicas e solares alterou a composição da matriz e as alternativas disponíveis ao planejamento.</p>
<h2>Itapiranga ainda precisa superar três etapas antes de virar obra</h2>
<p>A situação atual permite identificar pelo menos três grandes etapas antes de qualquer possibilidade concreta de construção.</p>
<p>A primeira é a conclusão do Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica. O prazo da Múltipla Participações termina em 16 de junho de 2027. A adequação do primeiro relatório intermediário não substitui a análise do EVTE completo.</p>
<p>A segunda é ambiental. O histórico da ação civil pública, das exigências levantadas durante os estudos anteriores e da atuação do Ibama precisa ser resolvido dentro do processo aplicável antes que uma eventual licença prévia possa ser emitida.</p>
<p>A terceira é a outorga para exploração do potencial hidrelétrico. Itapiranga não é atualmente uma usina concedida, e a existência de estudos técnicos não significa que haja uma empresa autorizada a construir e operar comercialmente a barragem.</p>
<p>Essas distinções mudam a leitura da situação do empreendimento. A UHE Itapiranga não pode mais ser descrita simplesmente como um projeto que permaneceu integralmente congelado desde o início da disputa judicial: há estudos regulatórios ativos, uma empresa registrada para elaborá-los, prazo vigente perante a Aneel e um relatório intermediário considerado adequado em 2026.</p>
<p>Por outro lado, também seria impreciso apresentar essa movimentação como retomada da construção ou como sinal de que a hidrelétrica está próxima de sair do papel. Não há licença ambiental, concessão nem autorização de implantação.</p>
<p>O próximo marco objetivo ocorre em 16 de junho de 2027, quando termina o prazo concedido pela Aneel para a conclusão do EVTE. O que acontecer depois dependerá do resultado dos estudos, da situação ambiental e judicial e das decisões futuras sobre a inserção do empreendimento na expansão do sistema elétrico.</p>
<p>Depois de décadas de propostas, revisões e conflitos, Itapiranga voltou a avançar no papel. A distância entre um estudo tecnicamente aceito e uma barragem efetivamente construída, porém, continua grande.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Agência Nacional de Energia Elétrica &#8211; Despacho nº 47 de 2026 e análise do primeiro relatório intermediário do Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica da UHE Itapiranga</em></p>
<p><em>Agência Nacional de Energia Elétrica &#8211; Despacho nº 2.327 de 2024 e prorrogação até junho de 2027 do prazo para conclusão dos estudos de viabilidade</em></p>
<p><em>Agência Nacional de Energia Elétrica &#8211; registros e despachos de 2017, 2020 e 2022 relativos à elaboração dos estudos da UHE Itapiranga</em></p>
<p><em>Empresa de Pesquisa Energética &#8211; Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 e parâmetros econômicos considerados para a UHE Itapiranga</em></p>
<p><em>Empresa de Pesquisa Energética &#8211; Plano Decenal de Expansão de Energia 2034 e parâmetros de custos dos projetos hidrelétricos considerados no planejamento</em></p>
<p><em>Empresa de Pesquisa Energética &#8211; Balanço Energético Nacional 2026 e dados da geração elétrica brasileira em 2025</em></p>
<p><em>Ministério Público Federal &#8211; registros da ação civil pública e da suspensão do processo de licenciamento ambiental da UHE Itapiranga</em></p>
<p><em>Ibama &#8211; registros históricos da avaliação ambiental de aproveitamentos hidrelétricos na bacia do Rio Uruguai</em></p>
<p><em>Movimento dos Atingidos por Barragens &#8211; levantamentos históricos sobre famílias e áreas potencialmente afetadas pelo projeto da UHE Itapiranga</em></p>
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		<title>BNDES eleva Brasil Soberano 3 a R$ 22,6 bilhões; pedidos começam em até 15 dias</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/bndes-brasil-soberano-3-r-22-6-bilhoes-credito</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alice Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Sep 2026 15:04:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[BNDES]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil Soberano 3]]></category>
		<category><![CDATA[capital de giro]]></category>
		<category><![CDATA[crédito BNDES]]></category>
		<category><![CDATA[crédito para empresas]]></category>
		<category><![CDATA[empresas brasileiras]]></category>
		<category><![CDATA[exportadores]]></category>
		<category><![CDATA[fertilizantes]]></category>
		<category><![CDATA[financiamento empresarial]]></category>
		<category><![CDATA[minerais críticos]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ampliou nesta terça-feira, 1º de setembro, em R$ 4,1 bilhões sua participação no Brasil Soberano 3, elevando para R$ 22,6 bilhões o volume destinado à nova etapa do programa de financiamento a empresas afetadas por choques no comércio internacional e a setores considerados estratégicos para a economia [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ampliou nesta terça-feira, 1º de setembro, em R$ 4,1 bilhões sua participação no Brasil Soberano 3, elevando para R$ 22,6 bilhões o volume destinado à nova etapa do programa de financiamento a empresas afetadas por choques no comércio internacional e a setores considerados estratégicos para a economia brasileira.</p>
<p>Com a decisão, os recursos próprios do BNDES destinados ao programa passam de R$ 5 bilhões para R$ 9,1 bilhões. Outros R$ 13,5 bilhões virão de recursos federais já previstos para a iniciativa. A expectativa do banco é que as <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338936">empresas</a> enquadradas nas novas regras possam começar a protocolar os pedidos em aproximadamente 15 dias, diretamente no BNDES ou por meio das instituições financeiras credenciadas.</p>
<p>Isso significa que, apesar do anúncio do novo orçamento, os R$ 22,6 bilhões ainda não devem ser tratados pelas empresas como recursos imediatamente disponíveis para contratação. O BNDES continuava informando, na noite desta terça-feira, que o recebimento de novos pedidos nas modalidades Giro e Giro Exportação permanecia temporariamente suspenso desde 31 de julho, enquanto o banco adapta seus sistemas e procedimentos às mudanças aprovadas para a terceira etapa do programa.</p>
<p>A ampliação anunciada agora consolida uma mudança importante no desenho do Brasil Soberano. Criado inicialmente como resposta aos impactos de barreiras comerciais sobre exportadores brasileiros, o programa passou a alcançar também empresas expostas aos efeitos da instabilidade no Oriente Médio e segmentos considerados essenciais para a segurança econômica e produtiva do país, como fertilizantes e minerais críticos.</p>
<h2>Programa terá recursos distribuídos entre diferentes setores</h2>
<p>A maior parcela do novo orçamento, de R$ 8,8 bilhões, será destinada a exportadores e fornecedores afetados pelas tarifas comerciais majoradas pelos Estados Unidos. Outros R$ 6,8 bilhões serão direcionados a companhias brasileiras que exportam para países do Golfo Pérsico ou fornecem produtos a essas empresas e que tenham sido atingidas pelos efeitos da instabilidade geopolítica na região.</p>
<p>Além desses dois blocos, o programa reservou R$ 1 bilhão para setores industriais considerados relevantes para o comércio exterior brasileiro. A cadeia de adubos e fertilizantes terá R$ 4 bilhões, enquanto outros R$ 2 bilhões serão direcionados a atividades industriais e tecnológicas relacionadas a minerais críticos e estratégicos.</p>
<p>A distribuição ajuda a explicar a transformação do programa ao longo dos últimos meses. O Brasil Soberano deixou de funcionar apenas como uma resposta pontual às tarifas norte-americanas e passou a ser utilizado como instrumento de financiamento para cadeias que o governo considera vulneráveis a choques externos ou importantes para reduzir a dependência brasileira de fornecedores estrangeiros.</p>
<h2>Quem poderá acessar as novas linhas</h2>
<p>O enquadramento depende da atividade da empresa e de sua relação com os mercados afetados. A legislação que sustenta a terceira etapa do programa ampliou o universo de potenciais beneficiários ao incluir exportadores de bens industriais, seus fornecedores, empresas ligadas a produtos agropecuários e seus derivados, companhias da cadeia mineral e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338938">negócios</a> de setores industriais considerados relevantes para a inserção internacional do país.</p>
<p>Nos casos relacionados às tarifas dos Estados Unidos, um dos principais critérios é a participação das vendas elegíveis no faturamento da empresa. Também existe tratamento específico para fornecedores dessas companhias, desde que seja possível comprovar a relação comercial com exportadores enquadrados nas regras do programa.</p>
<p>Outro grupo passou a reunir empresas que exportam para países do Golfo Pérsico ou fornecem produtos a esses exportadores. A inclusão surgiu como resposta aos efeitos econômicos provocados pela instabilidade na região, que afetou fluxos comerciais, custos logísticos e capacidade de pagamento de alguns compradores internacionais.</p>
<p>Há ainda empresas que poderão entrar no programa em razão da atividade econômica exercida. Nesses casos, o CNAE registrado pela companhia ganha importância, mas o enquadramento não depende apenas do cadastro. O investimento que será financiado precisa estar relacionado à atividade considerada elegível pelas normas do programa.</p>
<h2>Fertilizantes ganham acesso a capital de giro</h2>
<p>Uma das mudanças mais relevantes ocorreu poucos dias antes do novo anúncio do BNDES. Em 27 de agosto, a Resolução CMN nº 5.336 modificou as condições do programa e permitiu que determinadas empresas ligadas à fabricação de adubos e fertilizantes, à produção de insumos intermediários e à extração de minerais destinados a essa cadeia também possam utilizar recursos para capital de giro.</p>
<p>A mudança tem efeito prático importante para um setor que trabalha com descasamento financeiro relevante entre pagamentos e recebimentos. Empresas de fertilizantes frequentemente precisam desembolsar recursos antecipadamente para comprar matérias-primas, parte delas importada, e só recebem após a venda do produto acabado ao <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338935">mercado</a> agrícola.</p>
<p>Ao permitir capital de giro para essas companhias, o governo tenta reduzir o risco de interrupção de uma cadeia considerada estratégica para o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338937">agronegócio</a> brasileiro. O país ainda depende de importações para parcela expressiva dos fertilizantes consumidos internamente, o que torna o setor particularmente sensível a variações cambiais, problemas logísticos e crises internacionais.</p>
<h2>Minerais críticos terão condições diferenciadas</h2>
<p>A mesma resolução criou condições especiais para projetos relacionados a minerais críticos e estratégicos. Determinadas operações voltadas à aquisição de máquinas e equipamentos ou a investimentos industriais e tecnológicos poderão utilizar recursos com custo financeiro de 3% ao ano, desde que estejam enquadradas nos critérios definidos pela regulamentação.</p>
<p>A condição se aplica a projetos associados ao processamento industrial e tecnológico desses minerais, incluindo etapas como beneficiamento, refino e transformação realizadas no Brasil. O objetivo é estimular atividades de maior valor agregado dentro do país e reduzir a dependência de processamento externo.</p>
<p>O percentual de 3%, no entanto, não deve ser interpretado como a taxa final disponível para qualquer empresa que participe do Brasil Soberano. Trata-se de uma condição específica para determinadas operações da cadeia de minerais críticos. Outras modalidades do programa seguem regras e custos diferentes, e operações realizadas por meio de instituições financeiras parceiras também podem incorporar remuneração do banco repassador e demais encargos.</p>
<h2>Linhas terão custos diferentes conforme finalidade e porte</h2>
<p>As condições financeiras variam conforme a modalidade contratada e o perfil da empresa. No capital de giro, a referência divulgada é de 9,8% ao ano para grandes empresas e de 8,3% para micro, pequenas e médias companhias. O Giro Exportação também tem referência de 8,3% ao ano.</p>
<p>Para aquisição de bens de capital, a taxa indicada é de 8% ao ano, enquanto operações voltadas a investimentos têm custo de referência de 6,5%. No caso específico das operações elegíveis da cadeia de minerais críticos, a condição pode chegar aos 3% previstos na regulamentação.</p>
<p>Essas taxas, porém, não eliminam a necessidade de análise individual. Empresas que contratarem recursos por meio de bancos credenciados estarão sujeitas à avaliação de risco da instituição financeira, às garantias exigidas e às condições aplicadas à operação. O fato de uma empresa estar enquadrada no programa não significa, por si só, que o financiamento será aprovado.</p>
<h2>Recursos poderão financiar caixa, máquinas e expansão</h2>
<p>O Brasil Soberano foi estruturado para atender tanto necessidades imediatas de liquidez quanto projetos de adaptação de médio e longo prazo. Uma empresa que perdeu vendas externas ou passou a enfrentar maior dificuldade para receber de clientes pode recorrer ao capital de giro para preservar caixa, manter estoques, pagar fornecedores e sustentar a operação enquanto reorganiza seus mercados.</p>
<p>Há também linhas destinadas especificamente à atividade exportadora, além de financiamento para aquisição de máquinas e equipamentos. Os recursos de investimento podem ser usados na modernização de unidades produtivas, ampliação de capacidade, adaptação de processos, fortalecimento de cadeias industriais e desenvolvimento de novos produtos e tecnologias.</p>
<p>Essa combinação permite que o programa seja usado tanto para enfrentar uma dificuldade conjuntural quanto para financiar mudanças mais profundas no modelo de produção. Uma indústria que perdeu competitividade em determinado mercado, por exemplo, poderá tentar reorganizar sua operação para buscar novos destinos de exportação ou reduzir custos produtivos.</p>
<h2>Pedidos ainda dependem de reabertura operacional</h2>
<p>Apesar do aumento do orçamento, o principal ponto de atenção neste início de setembro é o calendário operacional. O BNDES ainda mantém aviso de suspensão temporária dos novos protocolos nas modalidades Giro e Giro Exportação, medida adotada em 31 de julho para permitir a adequação do programa às alterações legais aprovadas posteriormente.</p>
<p>A nova etapa ampliou o público beneficiado, modificou algumas condições financeiras e incluiu setores que não estavam contemplados no desenho anterior. Essas mudanças exigiram ajustes nos sistemas de consulta e nos procedimentos usados pelo banco e pelas instituições financeiras parceiras para verificar a elegibilidade das empresas.</p>
<p>A previsão divulgada nesta terça-feira é que os pedidos relacionados à nova configuração possam começar a ser apresentados em aproximadamente 15 dias. Até lá, as empresas interessadas podem usar o período para conferir o enquadramento, organizar documentos financeiros, levantar dados de faturamento e exportações e definir com maior precisão a finalidade do financiamento.</p>
<h2>Prazo regulatório foi ampliado até 2027</h2>
<p>Outro ponto relevante é que a regulamentação mais recente aumentou o horizonte do programa. A Resolução CMN nº 5.336 ampliou para 31 de dezembro de 2027 o prazo aplicável ao protocolo das operações abrangidas pelas novas regras, substituindo referências anteriores que ainda podem aparecer em materiais operacionais mais antigos.</p>
<p>A prorrogação reduz a pressão sobre as empresas para contratar recursos apenas por receio de que o programa termine ainda em 2026. Para o empresário, a decisão deve considerar o custo total do financiamento, a necessidade efetiva de caixa ou investimento e a capacidade de geração de receita para pagar a dívida.</p>
<p>O crédito subsidiado pode melhorar a estrutura financeira de uma empresa quando utilizado para preservar uma operação viável ou financiar investimentos capazes de aumentar produtividade e receita. O efeito pode ser o contrário quando o dinheiro apenas adia problemas de caixa sem corrigir desequilíbrios estruturais.</p>
<h2>Empresas já podem preparar documentação</h2>
<p>Embora os protocolos da nova etapa ainda não estejam plenamente abertos, as empresas interessadas podem começar o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338934">trabalho</a> de enquadramento. Exportadores devem organizar dados sobre os produtos vendidos ao exterior, os países de destino e o peso dessas operações no faturamento. Fornecedores precisarão comprovar sua relação comercial com companhias ou cadeias beneficiadas quando isso for exigido pelas regras.</p>
<p>Empresas enquadradas por atividade econômica devem verificar se seus CNAEs aparecem entre os contemplados e se o projeto pretendido guarda relação efetiva com a atividade elegível. Também é recomendável definir previamente se a necessidade envolve capital de giro, financiamento à exportação, aquisição de equipamentos ou investimento produtivo.</p>
<p>A próxima etapa será a reabertura dos protocolos pelo BNDES e a divulgação das orientações operacionais definitivas para o público ampliado. Até que isso ocorra, o anúncio dos R$ 22,6 bilhões deve ser entendido como a definição da capacidade financeira da terceira fase do Brasil Soberano, e não como uma liberação automática de recursos. A empresa que quiser aproveitar a nova rodada terá de comprovar enquadramento, passar pela análise de crédito e demonstrar que o financiamento solicitado está de acordo com as finalidades previstas pelo programa.</p>
<hr />
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social — Plano Brasil Soberano 2026<br />
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social — Normativos que disciplinam o Plano Brasil Soberano<br />
Presidência da República — Lei nº 15.473, de 22 de julho de 2026<br />
Presidência da República — Decreto nº 13.091, de 5 de agosto de 2026</p>
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			</item>
		<item>
		<title>BB Investimentos troca Localiza por Direcional e indica 10 ações para setembro</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/bb-investimentos-acoes-setembro-direcional-localiza</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Camila Braga]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Sep 2026 16:14:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mercados]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[BB Investimentos]]></category>
		<category><![CDATA[carteira recomendada]]></category>
		<category><![CDATA[Direcional]]></category>
		<category><![CDATA[DIRR3]]></category>
		<category><![CDATA[Localiza]]></category>
		<category><![CDATA[mercados]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Petrobras]]></category>
		<category><![CDATA[RENT3]]></category>
		<category><![CDATA[Vale]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O BB Investimentos fez apenas uma alteração em sua carteira fundamentalista para setembro: retirou Localiza (RENT3) e incluiu Direcional (DIRR3). O restante do portfólio permanece formado por Alupar (ALUP11), Axia Energia (AXIA3), Embraer (EMBJ3), Gerdau (GGBR4), Itaú Unibanco (ITUB4), Petrobras (PETR4), Tenda (TEND3), Vale (VALE3) e Vibra Energia (VBBR3). A mudança coloca no portfólio justamente [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O BB Investimentos fez apenas uma alteração em sua carteira fundamentalista para setembro: retirou Localiza (RENT3) e incluiu Direcional (DIRR3). O restante do portfólio permanece formado por Alupar (ALUP11), Axia Energia (AXIA3), Embraer (EMBJ3), Gerdau (GGBR4), Itaú Unibanco (ITUB4), Petrobras (PETR4), Tenda (TEND3), Vale (VALE3) e Vibra Energia (VBBR3).</p>
<p>A mudança coloca no portfólio justamente a ação com o pior desempenho em 2026 entre os dez nomes selecionados. DIRR3 acumulava queda de 21,2% até 31 de agosto, enquanto todas as outras nove ações escolhidas pelo banco permaneciam positivas no ano. Para o BB Investimentos, porém, a desvalorização abriu espaço para uma relação mais atraente entre preço e fundamentos.</p>
<p>A carteira chega a setembro depois de superar seu índice de referência em agosto. O portfólio avançou 0,92% no mês, enquanto o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/ibovespa" target="_blank"  rel="noopener" title="Ibovespa" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338889">Ibovespa</a> caiu 0,33%. A diferença favorável à seleção do banco foi, portanto, de 1,25 ponto percentual.</p>
<p>No acumulado de 2026, a vantagem também permanece. A carteira fundamentalista registra valorização de 11,69%, contra 10,11% do Ibovespa, diferença de 1,58 ponto percentual. Os números mostram que o ganho adicional foi construído em meio a uma forte dispersão entre as ações: somente em agosto, a distância entre a melhor e a pior posição do portfólio chegou a 19,03 pontos percentuais.</p>
<h2>Direcional entra após queda de 21,2% em 2026</h2>
<p>A inclusão da Direcional é o principal fato novo da carteira de setembro e também revela uma característica da estratégia adotada pelo BB: a escolha não foi baseada no desempenho recente das ações.</p>
<p>DIRR3 terminou agosto a R$ 11,12, depois de recuar 2% no mês e acumular perda de 21,2% desde o início do ano. Em vez de interpretar a queda apenas como sinal negativo, os analistas consideraram que a correção levou a companhia a negociar em um múltiplo preço/lucro projetado mais atraente na comparação com <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338892">empresas</a> semelhantes.</p>
<p>O argumento fundamentalista está apoiado no desempenho operacional da construtora. Segundo o relatório do BB Investimentos, a Direcional registrou no segundo trimestre crescimento de 20% da receita líquida em relação ao mesmo período do ano passado e avanço de 23% no lucro bruto.</p>
<p>A margem bruta chegou a 40%, aumento de 1,1 ponto percentual em um ano. O lucro líquido alcançou R$ 202 milhões, expansão de 10%.</p>
<p>A instituição também destaca a combinação de baixo endividamento e demanda sustentada pelos segmentos econômico e de médio padrão. Programas habitacionais e condições de financiamento destinadas a compradores dessas faixas de renda têm contribuído para preservar o ritmo de vendas.</p>
<p>A entrada de DIRR3, portanto, cria uma posição contrária ao movimento recente do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338888">mercado</a>: o banco está adicionando à carteira uma empresa cujas ações caíram mais de um quinto no ano, mas cujos indicadores operacionais continuaram crescendo.</p>
<h2>Localiza sai mesmo com lucro e receita em alta</h2>
<p>A retirada da Localiza mostra o caminho inverso. A decisão não decorreu de deterioração abrupta dos resultados.</p>
<p>No segundo trimestre, a Localiza registrou receita líquida consolidada de R$ 12,3 bilhões, avanço de 24,5% na comparação anual. O Ebitda atingiu R$ 3,8 bilhões, alta de 14,1%, e o lucro líquido ficou em aproximadamente R$ 1 bilhão, crescimento de 30,6% sobre o resultado ajustado de igual período de 2025.</p>
<p>A preocupação do BB está concentrada principalmente na necessidade de capital para sustentar a expansão da frota e nos retornos que esse investimento precisará produzir.</p>
<p>Os dados da própria Localiza ajudam a dimensionar a questão. A companhia comprou 120.626 automóveis durante o segundo trimestre e vendeu 92.043, diferença de 28.583 veículos. O investimento líquido destinado à renovação e ao crescimento da frota chegou a R$ 4,45 bilhões.</p>
<p>A frota brasileira terminou junho em 670.446 veículos, 6,3% acima do nível registrado um ano antes. Ao mesmo tempo, a empresa vem elevando tarifas para recompor retornos diante de um ambiente prolongado de juros altos.</p>
<p>O BB avalia que o crescimento mais intenso da frota aumenta a necessidade de investimento e torna mais importante a capacidade da locadora de elevar preços suficientemente para gerar retorno superior ao custo de capital.</p>
<p>Além disso, os analistas identificaram menor apetite dos investidores estrangeiros por RENT3, elemento que passou a pesar contra a ação no curto prazo.</p>
<p>Assim, a troca não contrapõe uma empresa com resultados ruins a outra com resultados bons. Ela reflete a avaliação de que a relação entre risco, crescimento e preço tornou-se mais favorável para Direcional do que para Localiza.</p>
<h2>Petrobras, Tenda e Embraer lideraram ganhos em agosto</h2>
<p>O desempenho da carteira no mês passado foi marcado por diferenças expressivas entre as dez posições.</p>
<p>Tenda (TEND3) liderou com valorização de 11,21%. Embraer (EMBJ3) avançou 7,60%, enquanto Petrobras (PETR4) ganhou 6,93%. Vale (VALE3) subiu 4,92%.</p>
<p>Também terminaram agosto no campo positivo Alupar, com alta de 1,04%, e Axia Energia, com avanço de 0,57%.</p>
<p>Do outro lado, Itaú Unibanco caiu 7,82%, pior desempenho do portfólio. Localiza recuou 6,75%, Vibra Energia perdeu 4,52% e Gerdau caiu 4%.</p>
<p>Apesar de quatro das dez ações terem encerrado o mês em queda, os ganhos das seis posições positivas foram suficientes para levar a carteira a uma valorização de 0,92%.</p>
<p>A diferença de 19,03 pontos percentuais entre Tenda, melhor papel, e Itaú, pior posição, evidencia a dispersão do mercado que o próprio BB identifica como uma das características do cenário atual.</p>
<h2>Petrobras acumula alta de 55,3% em 2026</h2>
<p>Quando o horizonte é ampliado para o acumulado do ano, Petrobras aparece como a principal vencedora entre as ações escolhidas para setembro.</p>
<p>PETR4 acumulava valorização de 55,3% até o fim de agosto. Vibra Energia vinha em seguida, com ganho de 39,5%, enquanto Tenda avançava 37,3%.</p>
<p>Gerdau acumulava 19,1%; Vale, 11,2%; Embraer, 5,9%; Axia Energia, 5%; Alupar, 4,6%; e Itaú Unibanco, 2,8%.</p>
<p>Direcional é a única ação da carteira de setembro no campo negativo em 2026, com a queda de 21,2%.</p>
<p>A composição mostra que o BB não concentrou a seleção apenas nas ações que já entregaram maior valorização. Ao lado de Petrobras e Vibra, que acumulam ganhos elevados, o portfólio incorpora uma construtora que atravessou forte correção.</p>
<h2>Carteira combina energia, commodities, bancos e construção</h2>
<p>A distribuição das dez ações também reduz a dependência de um único setor.</p>
<p>Alupar e Axia oferecem exposição ao segmento elétrico. Petrobras está diretamente vinculada a petróleo e gás, enquanto Vibra atua na distribuição de combustíveis e energia. Vale adiciona mineração e Gerdau, siderurgia.</p>
<p>Itaú é a exposição financeira do portfólio. Embraer acrescenta indústria e aviação. Direcional e Tenda formam a parcela vinculada à construção residencial, especialmente aos segmentos econômico e de média renda.</p>
<p>O próprio BB afirma estar mais favorável a empresas de commodities, energia e serviços financeiros, áreas nas quais identifica geração de caixa e avaliações atrativas. Em contrapartida, mantém postura mais cautelosa com <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338891">negócios</a> fortemente dependentes de crédito, renda doméstica e custo de capital.</p>
<p>Essa seletividade ocorre enquanto a taxa básica de juros permanece em 14% ao ano. Para empresas mais dependentes de financiamento, juros reais elevados afetam tanto a demanda quanto o custo de expansão.</p>
<h2>BB vê Ibovespa em 205 mil pontos até dezembro</h2>
<p>Embora a carteira tenha como objetivo selecionar empresas individualmente, o BB Investimentos mantém uma projeção positiva para o mercado acionário brasileiro.</p>
<p>O banco trabalha com preço-alvo de 205 mil pontos para o Ibovespa em dezembro de 2026. O índice encerrou 31 de agosto aos 177.419 pontos, o que representa potencial de valorização estimado em 15,5%.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a instituição considera que setembro continuará marcado por volatilidade elevada. Entre os fatores citados estão as incertezas fiscais e políticas no Brasil, a proximidade das eleições, a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338890">política</a> monetária dos Estados Unidos, os conflitos no Oriente Médio e a disputa internacional por capital.</p>
<p>A carteira fundamentalista tenta responder a esse ambiente combinando empresas com diferentes fontes de receita e sensibilidade econômica.</p>
<h2>Tenda pode ganhar fluxo com nova composição do Ibovespa</h2>
<p>Uma das ações mantidas na carteira, Tenda, terá outro evento relevante em setembro.</p>
<p>A B3 confirmou TEND3 na terceira prévia da nova composição do Ibovespa, ao lado da retirada de PetroReconcavo e SLC Agrícola. A carteira definitiva do principal índice da Bolsa está prevista para ser divulgada e entrar em vigor em 8 de setembro.</p>
<p>A eventual confirmação na composição definitiva tende a ampliar a relevância do papel para fundos e veículos de investimento que acompanham o Ibovespa, porque esses produtos precisam adequar suas posições à carteira teórica do índice.</p>
<p>Tenda já havia sido a melhor ação da carteira fundamentalista do BB em agosto, com alta de 11,21%, e acumulava valorização de 37,3% em 2026.</p>
<p>Para setembro, portanto, a seleção do BB Investimentos reúne Alupar (ALUP11), Axia Energia (AXIA3), Direcional (DIRR3), Embraer (EMBJ3), Gerdau (GGBR4), Itaú Unibanco (ITUB4), Petrobras (PETR4), Tenda (TEND3), Vale (VALE3) e Vibra Energia (VBBR3).</p>
<p>O principal teste da mudança estará em DIRR3: depois de cair 21,2% no ano e substituir RENT3, a ação precisará mostrar se a combinação de crescimento operacional, baixo endividamento e preço mais baixo identificada pelo BB será suficiente para transformar a correção acumulada em uma oportunidade de valorização.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Siglas corporativas para aprender: 152 termos e PDF grátis</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alex Maciel]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 03:50:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Carreira]]></category>
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		<category><![CDATA[glossário corporativo]]></category>
		<category><![CDATA[marketing]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
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		<category><![CDATA[siglas corporativas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Siglas corporativas aparecem em vagas de emprego, reuniões, apresentações, e-mails, contratos e balanços de empresas. Termos como CEO, KPI, OKR, ROI, EBITDA, CAC e SLA resumem cargos, metas, indicadores e processos. Quando o significado não está claro, porém, essa economia de palavras pode provocar ruído, decisões erradas e exclusão de quem ainda não conhece o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<style id="gm-siglas-responsive-css">
/* Correção responsiva exclusiva desta matéria. */<br />.entry-content .content-inner p,<br />.entry-content .content-inner li,<br />.entry-content .content-inner h2,<br />.entry-content .content-inner h3 {<br />  word-break: normal !important;<br />  overflow-wrap: break-word !important;<br />  -webkit-hyphens: none !important;<br />  hyphens: none !important;<br />}</p>
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<p>Siglas corporativas aparecem em vagas de emprego, reuniões, apresentações, e-mails, contratos e <a href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank">balanços de empresas</a>. Termos como CEO, KPI, OKR, ROI, EBITDA, CAC e SLA resumem cargos, metas, indicadores e processos. Quando o significado não está claro, porém, essa <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337605">economia</a> de palavras pode provocar ruído, decisões erradas e exclusão de quem ainda não conhece o vocabulário da empresa.</p>
<p>Este guia reúne 152 siglas corporativas distintas, organizadas por área, com tradução, explicação prática, fórmulas e exemplos. A sigla SQL aparece em duas seções porque tem significados diferentes em vendas e tecnologia, mas é contada apenas uma vez no total.</p>
<p>Resposta rápida: quais siglas corporativas aprender primeiro?</p>
<p>Comece por <strong>CEO, CFO e COO</strong> para entender a liderança; <strong>KPI e OKR</strong> para acompanhar metas; <strong>DRE, EBITDA, ROI, CAPEX e OPEX</strong> para interpretar resultados; <strong>CAC, LTV, CRM e NPS</strong> para falar sobre clientes; e <strong>SLA, B2B, B2C e API</strong> para compreender operações, modelos de negócio e tecnologia.</p>
<p><strong><span style="color: #ff0000;"><a style="color: #ff0000;" href="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/dicionario-siglas-corporativas-2026.pdf" target="_blank">Baixe gratuitamente o dicionário de siglas corporativas em PDF</a>.</span></strong></p>
<h2 id="as-20-siglas-corporativas-mais-úteis-para-começar">As 20 siglas corporativas mais úteis para começar</h2>
<div class="gm-table-wrap" style="overflow-x: auto; -webkit-overflow-scrolling: touch; margin: 20px 0;">
<table class="gm-siglas-table" style="width: 100%; max-width: 100%; min-width: 0; border-collapse: collapse; table-layout: fixed;">
<thead>
<tr class="header">
<th>Sigla</th>
<th>Significado</th>
<th>Para que serve</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr class="odd">
<td>CEO</td>
<td>Chief Executive Officer</td>
<td>Identifica o principal executivo da empresa.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>CFO</td>
<td>Chief Financial Officer</td>
<td>Identifica o executivo responsável pela área financeira.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>COO</td>
<td>Chief Operating Officer</td>
<td>Identifica o executivo responsável pelas operações.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>KPI</td>
<td>Key Performance Indicator</td>
<td>Mede um aspecto essencial do desempenho.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>OKR</td>
<td>Objectives and Key Results</td>
<td>Organiza objetivos e resultados-chave mensuráveis.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>ROI</td>
<td>Return on Investment</td>
<td>Compara o retorno de um investimento com seu custo.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>EBITDA</td>
<td>Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization</td>
<td>Indica desempenho antes de juros, impostos sobre o lucro, depreciação e amortização.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>DRE</td>
<td>Demonstração do Resultado do Exercício</td>
<td>Apresenta receitas, despesas e resultado de um período.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CAPEX</td>
<td>Capital Expenditure</td>
<td>Agrupa gastos destinados a ativos de longa duração, conforme a classificação contábil aplicável.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>OPEX</td>
<td>Operating Expenditure</td>
<td>Reúne gastos ligados à operação do negócio.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CAC</td>
<td>Customer Acquisition Cost</td>
<td>Estima o custo médio de adquirir um cliente.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>LTV</td>
<td>Lifetime Value</td>
<td>Estima o valor econômico de um cliente ao longo do relacionamento.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CRM</td>
<td>Customer Relationship Management</td>
<td>Organiza o relacionamento e o histórico dos clientes.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>SLA</td>
<td>Service Level Agreement</td>
<td>Define níveis de serviço, métricas e responsabilidades.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>NPS</td>
<td>Net Promoter Score</td>
<td>Mede a disposição dos clientes de recomendar a empresa, o produto ou o serviço.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>B2B</td>
<td>Business to Business</td>
<td>Indica <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337603">negócios</a> realizados entre empresas.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>B2C</td>
<td>Business to Consumer</td>
<td>Indica vendas de empresas para consumidores.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>API</td>
<td>Application Programming Interface</td>
<td>Permite a comunicação estruturada entre softwares.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>RH</td>
<td>Recursos Humanos</td>
<td>Identifica a área de gestão de pessoas.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>LGPD</td>
<td>Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais</td>
<td>Estabelece regras para o tratamento de dados pessoais no Brasil.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<h2 id="índice">Índice</h2>
<ul>
<li>O que são siglas corporativas</li>
<li>Como aprender siglas corporativas sem decorar tudo</li>
<li>Cargos C-Level e liderança</li>
<li>Finanças, contabilidade e <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337604">mercado</a></li>
<li>Gestão, estratégia e projetos</li>
<li>Marketing, vendas e clientes</li>
<li>Tecnologia, dados e produto</li>
<li>Recursos humanos</li>
<li>Operações, logística e supply chain</li>
<li>Jurídico, compliance e governança</li>
<li>E-mails, reuniões e trabalho híbrido</li>
<li>Siglas que mudam de significado</li>
<li>Exemplos práticos</li>
<li>Quiz de revisão</li>
<li>Perguntas frequentes</li>
</ul>
<h2 id="o-que-são-siglas-corporativas">O que são siglas corporativas?</h2>
<p>Siglas corporativas são formas reduzidas de nomes de cargos, indicadores, documentos, sistemas, metodologias e modelos de negócio. Elas aceleram a comunicação quando todas as pessoas envolvidas conhecem o significado. Sem esse repertório comum, podem produzir o efeito contrário: dúvida, interpretação errada e retrabalho.</p>
<p>Nem todo termo do chamado “corporativês” é uma sigla. <strong>Feedback</strong>, <strong>deadline</strong>, <strong>budget</strong>, <strong>forecast</strong>, <strong>pipeline</strong>, <strong>headcount</strong> e <strong>churn</strong>, por exemplo, são palavras ou expressões em inglês, não conjuntos formados por letras iniciais.</p>
<h3 id="qual-é-a-diferença-entre-sigla-acrônimo-e-abreviação">Qual é a diferença entre sigla, acrônimo e abreviação?</h3>
<ul>
<li><strong>Sigla:</strong> forma reduzida criada, em geral, com as letras iniciais de uma expressão, como CEO, KPI, RH e OKR.</li>
<li><strong>Acrônimo:</strong> sigla pronunciada como uma palavra, como Unesco e SWOT.</li>
<li><strong>Abreviação:</strong> redução de uma palavra, como “depto.” para departamento e “adm.” para administrativo.</li>
</ul>
<p>As fronteiras entre essas categorias variam conforme a convenção linguística adotada. No cotidiano das empresas, “sigla” costuma funcionar como o termo mais amplo.</p>
<h2 id="siglas-corporativas-como-aprender-sem-decorar-tudo">Siglas corporativas: como aprender sem decorar tudo</h2>
<p>Tentar memorizar uma lista alfabética inteira costuma ser pouco eficiente. O aprendizado fica mais rápido quando cada sigla é associada a uma decisão ou situação concreta.</p>
<ol type="1">
<li><strong>Hierarquia:</strong> aprenda CEO, CFO, COO, CMO, CTO e CHRO.</li>
<li><strong>Metas:</strong> diferencie OKR, KPI, BSC e SMART.</li>
<li><strong>Dinheiro:</strong> entenda DRE, EBITDA, ROI, CAPEX e OPEX.</li>
<li><strong>Cliente:</strong> conecte CAC, LTV, CRM, NPS e SLA.</li>
<li><strong>Sua área:</strong> aprofunde os termos que aparecem no seu trabalho.</li>
<li><strong>Contexto da empresa:</strong> registre significados internos e confirme siglas ambíguas.</li>
</ol>
<p>Uma rotina de dez minutos por dia já ajuda a criar repertório. Escolha cinco siglas, leia um exemplo de uso, explique cada uma com suas próprias palavras e revise o grupo dois dias depois. O objetivo não é parecer sofisticado: é compreender a conversa e tomar decisões melhores.</p>
<h2 id="siglas-de-cargos-c-level-e-liderança">Siglas de cargos C-Level e liderança</h2>
<p>O “C” de C-Level ou C-Suite vem de <strong>chief</strong>, palavra usada nesses títulos para indicar o principal responsável executivo por uma área. A composição da liderança muda conforme o porte, o setor e a estrutura da organização. Esses títulos são convenções de mercado e não substituem, por si sós, os cargos previstos nos atos societários da empresa. Os significados listados a seguir são os mais frequentes, mas não esgotam todas as possibilidades.</p>
<div class="gm-table-wrap" style="overflow-x: auto; -webkit-overflow-scrolling: touch; margin: 20px 0;">
<table class="gm-siglas-table" style="width: 100%; max-width: 100%; min-width: 0; border-collapse: collapse; table-layout: fixed;">
<thead>
<tr class="header">
<th>Sigla</th>
<th>Termo original</th>
<th>Significado e função mais comum</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr class="odd">
<td>CEO</td>
<td>Chief Executive Officer</td>
<td>Principal executivo; lidera a estratégia e a gestão geral.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>COO</td>
<td>Chief Operating Officer</td>
<td>Executivo de operações; coordena a execução cotidiana do negócio.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CFO</td>
<td>Chief Financial Officer</td>
<td>Executivo financeiro; cuida de planejamento, caixa, capital, controles e riscos financeiros.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>CMO</td>
<td>Chief Marketing Officer</td>
<td>Executivo de marketing; lidera marca, mercado e aquisição. Na área da saúde, também pode significar Chief Medical Officer.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CTO</td>
<td>Chief Technology Officer</td>
<td>Executivo de tecnologia; costuma liderar estratégia tecnológica, arquitetura e engenharia.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>CIO</td>
<td>Chief Information Officer, Chief Innovation Officer ou Chief Investment Officer</td>
<td>Pode liderar informação e TI, inovação ou investimentos. O setor e o organograma definem o sentido.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CPO</td>
<td>Chief Product Officer, Chief People Officer, Chief Procurement Officer ou Chief Privacy Officer</td>
<td>Pode liderar produto, pessoas, compras ou privacidade. O organograma é indispensável para identificar o sentido.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>CHRO</td>
<td>Chief Human Resources Officer</td>
<td>Executivo de recursos humanos e gestão de pessoas.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CISO</td>
<td>Chief Information Security Officer</td>
<td>Executivo de segurança da informação e cibersegurança.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>CLO</td>
<td>Chief Legal Officer ou Chief Learning Officer</td>
<td>Pode liderar a área jurídica ou a área de aprendizagem corporativa.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CCO</td>
<td>Chief Commercial Officer, Chief Compliance Officer, Chief Communications Officer ou Chief Customer Officer</td>
<td>Pode liderar comercial, compliance, comunicação ou clientes.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>CDO</td>
<td>Chief Data Officer ou Chief Digital Officer</td>
<td>Pode liderar dados ou transformação digital.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CRO</td>
<td>Chief Revenue Officer ou Chief Risk Officer</td>
<td>Pode liderar receita ou riscos.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>CSO</td>
<td>Chief Strategy Officer, Chief Security Officer, Chief Sustainability Officer ou Chief Sales Officer</td>
<td>Pode liderar estratégia, segurança, sustentabilidade ou vendas.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CAO</td>
<td>Chief Administrative Officer, Chief Accounting Officer ou Chief Analytics Officer</td>
<td>Pode liderar administração, contabilidade ou análises de dados.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>CXO</td>
<td>Chief X Officer</td>
<td>Forma genérica usada para qualquer cargo executivo iniciado por “Chief”.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>VP</td>
<td>Vice President</td>
<td>Vice-presidente responsável por uma área, unidade ou região.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>GM</td>
<td>General Manager</td>
<td>Gerente-geral de uma operação, unidade ou mercado.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<h3 id="ceo-presidente-e-chairman-são-a-mesma-pessoa">CEO, presidente e chairman são a mesma pessoa?</h3>
<p>Não necessariamente. No uso empresarial brasileiro, CEO frequentemente corresponde ao principal executivo ou diretor-presidente. <strong>Chairman</strong> designa o presidente do conselho de administração. A diretoria conduz a gestão; o conselho exerce as competências definidas pela legislação, pelo estatuto e pela estrutura de governança. Uma mesma pessoa pode acumular funções quando as regras aplicáveis permitirem, mas os papéis não são sinônimos.</p>
<h2 id="siglas-financeiras-contábeis-e-de-mercado">Siglas financeiras, contábeis e de mercado</h2>
<p>As siglas financeiras aparecem em demonstrações contábeis, apresentações a investidores, orçamentos e análises de projetos. O principal cuidado é não tratar medidas diferentes como equivalentes: EBITDA não é lucro líquido nem fluxo de caixa; ROI não é ROE; CAPEX não é OPEX.</p>
<div class="gm-table-wrap" style="overflow-x: auto; -webkit-overflow-scrolling: touch; margin: 20px 0;">
<table class="gm-siglas-table" style="width: 100%; max-width: 100%; min-width: 0; border-collapse: collapse; table-layout: fixed;">
<thead>
<tr class="header">
<th>Sigla</th>
<th>Termo original</th>
<th>Significado e uso prático</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr class="odd">
<td>EBITDA</td>
<td>Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization</td>
<td>Resultado antes de juros, impostos sobre o lucro, depreciação e amortização; medida não contábil de desempenho.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>LAJIDA</td>
<td>Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização</td>
<td>Forma em português correspondente a EBITDA.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>EBIT</td>
<td>Earnings Before Interest and Taxes</td>
<td>Resultado antes de juros e impostos sobre o lucro.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>LAJIR</td>
<td>Lucro Antes de Juros e Impostos</td>
<td>Forma em português correspondente a EBIT.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>DRE</td>
<td>Demonstração do Resultado do Exercício</td>
<td>Demonstra receitas, custos, despesas e resultado do período.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>P&amp;L</td>
<td>Profit and Loss</td>
<td>Relatório de lucros e perdas; no uso empresarial, aproxima-se da DRE, mas o escopo gerencial pode variar.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CAPEX</td>
<td>Capital Expenditure</td>
<td>Dispêndios destinados à aquisição, construção ou melhoria de ativos de longa duração, conforme as regras contábeis aplicáveis.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>OPEX</td>
<td>Operating Expenditure</td>
<td>Gastos ligados à operação da empresa, conforme o escopo adotado.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>ROI</td>
<td>Return on Investment</td>
<td>Retorno sobre investimento; compara o ganho ou benefício obtido com o custo definido na análise.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>ROE</td>
<td>Return on Equity</td>
<td>Retorno sobre o patrimônio líquido.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>ROA</td>
<td>Return on Assets</td>
<td>Retorno sobre os ativos.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>WACC</td>
<td>Weighted Average Cost of Capital</td>
<td>Custo médio ponderado do capital próprio e de terceiros.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>VPL</td>
<td>Valor Presente Líquido</td>
<td>Valor presente das entradas menos o valor presente das saídas de um projeto.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>NPV</td>
<td>Net Present Value</td>
<td>Forma em inglês correspondente a VPL.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>TIR</td>
<td>Taxa Interna de Retorno</td>
<td>Taxa de desconto que zera o VPL de uma sequência de fluxos de caixa.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>IRR</td>
<td>Internal Rate of Return</td>
<td>Forma em inglês correspondente a TIR.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>EV</td>
<td>Enterprise Value</td>
<td>Valor da empresa como operação; o cálculo costuma partir do valor de mercado do patrimônio líquido e incorporar dívida líquida e outros ajustes.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>FCF</td>
<td>Free Cash Flow</td>
<td>Fluxo de caixa livre; a definição muda conforme se trate do fluxo para a firma ou para o acionista.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>EPS</td>
<td>Earnings per Share</td>
<td>Lucro por ação, calculado segundo os critérios contábeis aplicáveis.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>LPA</td>
<td>Lucro por Ação</td>
<td>Forma em português correspondente a EPS.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>IPO</td>
<td>Initial Public Offering</td>
<td>Oferta pública inicial, geralmente associada à estreia das ações de uma companhia no mercado.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>OPA</td>
<td>Oferta Pública de Aquisição</td>
<td>Oferta para adquirir ações de uma companhia; pode ter diferentes finalidades e regimes.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>M&amp;A</td>
<td>Mergers and Acquisitions</td>
<td>Fusões e aquisições de empresas ou ativos.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>RI</td>
<td>Relações com Investidores</td>
<td>Área que se comunica com acionistas, analistas e o mercado.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<h3 id="ebitda-não-é-fluxo-de-caixa">EBITDA não é fluxo de caixa</h3>
<p>O EBITDA é usado para observar o desempenho antes de determinados efeitos financeiros, tributários e contábeis. Ele não incorpora, por si só, variações do capital de giro, investimentos em ativos, juros pagos e impostos pagos. Por isso, apresentar EBITDA como “o caixa gerado pela empresa” sem ressalvas pode induzir o leitor a erro.</p>
<p>Na data desta atualização, a divulgação voluntária de LAJIDA e LAJIR pelas companhias abertas é disciplinada pela Resolução CVM 156. A Resolução CVM 237, que aprova o CPC 51, entra em vigor em 1º de janeiro de 2027 para os exercícios sociais iniciados nessa data ou depois dela e revoga a Resolução CVM 156. Portanto, a regra aplicável deve ser conferida de acordo com o período analisado.</p>
<h3 id="fórmulas-financeiras-essenciais">Fórmulas financeiras essenciais</h3>
<p>As fórmulas abaixo são versões simplificadas. Antes de comparar empresas ou períodos, confirme o numerador, o denominador, os ajustes e a base temporal usada em cada relatório.</p>
<ul>
<li><strong>ROI:</strong> (ganho obtido − custo do investimento) ÷ custo do investimento × 100.</li>
<li><strong>ROE:</strong> lucro líquido ÷ patrimônio líquido médio × 100.</li>
<li><strong>ROA:</strong> lucro líquido ÷ ativos médios × 100.</li>
<li><strong>Margem EBITDA:</strong> EBITDA ÷ receita líquida × 100.</li>
</ul>
<h2 id="siglas-de-gestão-estratégia-e-projetos">Siglas de gestão, estratégia e projetos</h2>
<div class="gm-table-wrap" style="overflow-x: auto; -webkit-overflow-scrolling: touch; margin: 20px 0;">
<table class="gm-siglas-table" style="width: 100%; max-width: 100%; min-width: 0; border-collapse: collapse; table-layout: fixed;">
<thead>
<tr class="header">
<th>Sigla</th>
<th>Significado</th>
<th>Aplicação</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr class="odd">
<td>KPI</td>
<td>Key Performance Indicator</td>
<td>Indicador-chave usado para acompanhar um objetivo, processo ou resultado.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>OKR</td>
<td>Objectives and Key Results</td>
<td>Sistema que combina um objetivo qualitativo com resultados-chave mensuráveis.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>BSC</td>
<td>Balanced Scorecard</td>
<td>Modelo que traduz a estratégia em objetivos e indicadores sob diferentes perspectivas.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>SWOT</td>
<td>Strengths, Weaknesses, Opportunities and Threats</td>
<td>Análise de forças, fraquezas, oportunidades e ameaças.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>FOFA</td>
<td>Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças</td>
<td>Forma em português correspondente a SWOT.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>PDCA</td>
<td>Plan, Do, Check, Act</td>
<td>Ciclo de planejar, executar, verificar e agir para promover melhoria contínua.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>SMART</td>
<td>Specific, Measurable, Achievable, Relevant and Time-bound</td>
<td>Critérios para formular metas específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e com prazo.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>PMO</td>
<td>Project Management Office</td>
<td>Estrutura que padroniza e apoia a gestão de projetos; também pode se referir a programas ou portfólios.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>RACI</td>
<td>Responsible, Accountable, Consulted and Informed</td>
<td>Matriz que mostra quem executa, quem responde pelo resultado, quem é consultado e quem é informado.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>SLA</td>
<td>Service Level Agreement</td>
<td>Acordo que define níveis de serviço, indicadores, responsabilidades e, quando previsto, consequências.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>SOP</td>
<td>Standard Operating Procedure</td>
<td>Procedimento operacional padronizado; em português, também se usa POP.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>ESG</td>
<td>Environmental, Social and Governance</td>
<td>Critérios ambientais, sociais e de governança.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>ASG</td>
<td>Ambiental, Social e Governança</td>
<td>Forma em português correspondente a ESG.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>GRC</td>
<td>Governance, Risk and Compliance</td>
<td>Integra práticas de governança, gestão de riscos e conformidade.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<h3 id="kpi-e-okr-não-são-a-mesma-coisa">KPI e OKR não são a mesma coisa</h3>
<p>OKR organiza a ambição e os resultados que demonstram progresso. KPI mede um aspecto crítico do desempenho. Um KPI pode acompanhar permanentemente a saúde da operação e também servir como resultado-chave de um OKR, mas os conceitos não são intercambiáveis.</p>
<p>Exemplo: o objetivo é <strong>tornar o atendimento mais rápido e confiável</strong>. Dois resultados-chave possíveis seriam reduzir o tempo médio de resposta de oito para quatro horas e elevar a resolução no primeiro contato de 70% para 85%. Tempo de resposta e taxa de resolução são os KPIs usados para medir o avanço.</p>
<h2 id="siglas-de-marketing-vendas-e-relacionamento-com-clientes">Siglas de marketing, vendas e relacionamento com clientes</h2>
<div class="gm-table-wrap" style="overflow-x: auto; -webkit-overflow-scrolling: touch; margin: 20px 0;">
<table class="gm-siglas-table" style="width: 100%; max-width: 100%; min-width: 0; border-collapse: collapse; table-layout: fixed;">
<thead>
<tr class="header">
<th>Sigla</th>
<th>Termo original</th>
<th>Significado prático</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr class="odd">
<td>CAC</td>
<td>Customer Acquisition Cost</td>
<td>Custo médio de aquisição de um novo cliente.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>LTV</td>
<td>Lifetime Value</td>
<td>Valor econômico estimado de um cliente ao longo do relacionamento; também aparece como CLV.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CRM</td>
<td>Customer Relationship Management</td>
<td>Estratégia e sistema para organizar relacionamentos, interações e oportunidades comerciais.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>ICP</td>
<td>Ideal Customer Profile</td>
<td>Perfil de empresa ou cliente com maior aderência à oferta.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>MQL</td>
<td>Marketing Qualified Lead</td>
<td>Lead que atingiu os critérios de qualificação definidos pelo marketing.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>SQL</td>
<td>Sales Qualified Lead</td>
<td>Lead aceito ou qualificado para abordagem comercial, conforme o processo da empresa.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>B2B</td>
<td>Business to Business</td>
<td>Modelo em que uma empresa vende para outra empresa.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>B2C</td>
<td>Business to Consumer</td>
<td>Modelo em que uma empresa vende ao consumidor final.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>B2G</td>
<td>Business to Government</td>
<td>Relação comercial entre empresas e órgãos governamentais.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>D2C</td>
<td>Direct to Consumer</td>
<td>Venda direta da marca ou fabricante ao consumidor.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>NPS</td>
<td>Net Promoter Score</td>
<td>Métrica baseada na disposição de recomendar uma empresa, produto ou serviço.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>CSAT</td>
<td>Customer Satisfaction Score</td>
<td>Índice de satisfação do cliente em relação a uma experiência definida.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CES</td>
<td>Customer Effort Score</td>
<td>Índice que mede o esforço percebido pelo cliente para concluir uma tarefa ou resolver um problema.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>CTR</td>
<td>Click-Through Rate</td>
<td>Taxa de cliques em relação ao número de impressões.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CPC</td>
<td>Cost per Click</td>
<td>Custo médio por clique.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>CPM</td>
<td>Cost per Mille</td>
<td>Custo por mil impressões.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CPL</td>
<td>Cost per Lead</td>
<td>Custo médio por lead gerado.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>CPA</td>
<td>Cost per Acquisition ou Cost per Action</td>
<td>Custo por aquisição ou por ação definida na campanha.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CTA</td>
<td>Call to Action</td>
<td>Chamada que orienta o público para a próxima ação.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>SEO</td>
<td>Search Engine Optimization</td>
<td>Otimização para mecanismos de busca, com o objetivo de facilitar a descoberta orgânica do conteúdo.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>SEM</td>
<td>Search Engine Marketing</td>
<td>Marketing em mecanismos de busca; o uso do termo pode incluir mídia paga e, em alguns contextos, SEO.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>ROAS</td>
<td>Return on Ad Spend</td>
<td>Relação entre a receita atribuída à publicidade e o valor investido em anúncios.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>MRR</td>
<td>Monthly Recurring Revenue</td>
<td>Receita recorrente mensal.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>ARR</td>
<td>Annual Recurring Revenue</td>
<td>Receita recorrente anual.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>ARPU</td>
<td>Average Revenue per User</td>
<td>Receita média por usuário.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>ARPA</td>
<td>Average Revenue per Account</td>
<td>Receita média por conta ou cliente.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<h3 id="como-calcular-cac-ltv-ctr-roas-e-nps">Como calcular CAC, LTV, CTR, ROAS e NPS</h3>
<ul>
<li><strong>CAC:</strong> gastos de marketing e vendas atribuídos à aquisição ÷ número de novos clientes adquiridos no período.</li>
<li><strong>LTV:</strong> não existe uma fórmula única. Em um modelo simplificado, pode-se usar receita média por cliente em cada período × margem bruta × duração média do relacionamento em períodos, mantendo as unidades consistentes.</li>
<li><strong>CTR:</strong> cliques ÷ impressões × 100.</li>
<li><strong>ROAS:</strong> receita atribuída aos anúncios ÷ investimento em anúncios. O resultado pode ser apresentado em vezes ou convertido em percentual.</li>
<li><strong>NPS:</strong> percentual de promotores − percentual de detratores. Promotores dão notas 9 ou 10; detratores, de 0 a 6; respondentes com notas 7 e 8 são classificados como passivos.</li>
</ul>
<p>A relação LTV/CAC ajuda a analisar a economia de aquisição, mas não há uma proporção universal que determine se todo negócio é saudável. Margem, prazo de retorno, disponibilidade de capital, setor e estágio da empresa mudam a interpretação. O NPS integra o sistema desenvolvido pela Bain &amp; Company e deve ser aplicado de acordo com a metodologia correspondente.</p>
<h2 id="siglas-de-tecnologia-dados-e-produto">Siglas de tecnologia, dados e produto</h2>
<p>Esses termos aparecem em equipes de <a href="https://gazetamercantil.com/tecnologia" target="_blank">tecnologia</a>, transformação digital, análise de dados, desenvolvimento de software e produtos digitais.</p>
<div class="gm-table-wrap" style="overflow-x: auto; -webkit-overflow-scrolling: touch; margin: 20px 0;">
<table class="gm-siglas-table" style="width: 100%; max-width: 100%; min-width: 0; border-collapse: collapse; table-layout: fixed;">
<thead>
<tr class="header">
<th>Sigla</th>
<th>Termo original</th>
<th>Uso comum</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr class="odd">
<td>API</td>
<td>Application Programming Interface</td>
<td>Interface com regras que permite a comunicação entre softwares.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>SDK</td>
<td>Software Development Kit</td>
<td>Conjunto de ferramentas, bibliotecas e documentação para desenvolver uma solução.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>SaaS</td>
<td>Software as a Service</td>
<td>Software fornecido como serviço pela internet e administrado pelo provedor.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>PaaS</td>
<td>Platform as a Service</td>
<td>Ambiente gerenciado para desenvolver, executar e escalar aplicações.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>IaaS</td>
<td>Infrastructure as a Service</td>
<td>Recursos computacionais de infraestrutura fornecidos sob demanda.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>ERP</td>
<td>Enterprise Resource Planning</td>
<td>Sistema integrado de gestão de processos e recursos empresariais.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>BI</td>
<td>Business Intelligence</td>
<td>Práticas e ferramentas para transformar dados em informação gerencial.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>RPA</td>
<td>Robotic Process Automation</td>
<td>Automação de tarefas repetitivas baseada em regras.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>MVP</td>
<td>Minimum Viable Product</td>
<td>Versão mínima viável criada para testar hipóteses e aprender com usuários.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>UX</td>
<td>User Experience</td>
<td>Experiência completa do usuário ao interagir com um produto ou serviço.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>UI</td>
<td>User Interface</td>
<td>Elementos visuais e interativos da interface.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>IA</td>
<td>Inteligência Artificial</td>
<td>Campo dedicado a sistemas capazes de executar tarefas associadas à inteligência humana.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>AI</td>
<td>Artificial Intelligence</td>
<td>Forma em inglês correspondente a IA.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>ML</td>
<td>Machine Learning</td>
<td>Aprendizado de máquina; técnicas que permitem identificar padrões a partir de dados.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>ETL</td>
<td>Extract, Transform, Load</td>
<td>Processo de extrair, transformar e carregar dados.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>SQL</td>
<td>Structured Query Language</td>
<td>Linguagem usada para consultar e manipular dados em bancos relacionais.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>SSO</td>
<td>Single Sign-On</td>
<td>Autenticação que permite acessar diferentes sistemas com uma única sessão de login.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>MFA</td>
<td>Multi-Factor Authentication</td>
<td>Autenticação que exige fatores de verificação de duas ou mais categorias diferentes.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>QA</td>
<td>Quality Assurance</td>
<td>Práticas de garantia da qualidade ao longo do processo de desenvolvimento.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>UAT</td>
<td>User Acceptance Testing</td>
<td>Teste de aceitação realizado por usuários ou representantes do negócio antes da liberação.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>Nos modelos de nuvem, muda a divisão de responsabilidades entre cliente e fornecedor. Em termos gerais, SaaS entrega a aplicação pronta; PaaS oferece um ambiente gerenciado para construir e executar aplicações; e IaaS fornece componentes de infraestrutura, deixando mais itens sob gestão do cliente. O contrato e a arquitetura de cada serviço devem ser consultados para conhecer a divisão exata.</p>
<h2 id="siglas-de-recursos-humanos-e-gestão-de-pessoas">Siglas de recursos humanos e gestão de pessoas</h2>
<p>Em vagas, políticas internas e conversas sobre <a href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank">trabalho</a>, estas siglas identificam áreas, sistemas e práticas de desenvolvimento.</p>
<div class="gm-table-wrap" style="overflow-x: auto; -webkit-overflow-scrolling: touch; margin: 20px 0;">
<table class="gm-siglas-table" style="width: 100%; max-width: 100%; min-width: 0; border-collapse: collapse; table-layout: fixed;">
<thead>
<tr class="header">
<th>Sigla</th>
<th>Significado</th>
<th>Aplicação</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr class="odd">
<td>RH</td>
<td>Recursos Humanos</td>
<td>Área responsável por práticas de gestão de pessoas e relações de trabalho.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>HR</td>
<td>Human Resources</td>
<td>Forma em inglês correspondente a RH.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>HRBP</td>
<td>Human Resources Business Partner</td>
<td>Profissional de RH que atua em parceria com as áreas de negócio.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>ATS</td>
<td>Applicant Tracking System</td>
<td>Sistema usado para acompanhar candidaturas e etapas de recrutamento.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>PDI</td>
<td>Plano de Desenvolvimento Individual</td>
<td>Plano de competências, ações e metas de desenvolvimento de uma pessoa.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>eNPS</td>
<td>Employee Net Promoter Score</td>
<td>Adaptação usada para medir a disposição dos empregados de recomendar a organização como lugar para trabalhar.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>FTE</td>
<td>Full-Time Equivalent</td>
<td>Unidade equivalente à carga de trabalho de uma pessoa em tempo integral.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>DEI</td>
<td>Diversity, Equity and Inclusion</td>
<td>Diversidade, equidade e inclusão.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>ERG</td>
<td>Employee Resource Group</td>
<td>Grupo de empregados formado em torno de identidades, experiências ou interesses comuns.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>T&amp;D</td>
<td>Treinamento e Desenvolvimento</td>
<td>Área ou conjunto de ações voltadas à capacitação profissional.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>QVT</td>
<td>Qualidade de Vida no Trabalho</td>
<td>Práticas relacionadas ao bem-estar e às condições de trabalho.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>PcD</td>
<td>Pessoa com deficiência</td>
<td>Abreviação usada para pessoa com deficiência; alguns documentos adotam a grafia PCD.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p><strong>Headcount</strong>, <strong>turnover</strong>, <strong>onboarding</strong>, <strong>offboarding</strong> e <strong>feedback</strong> são frequentes em RH, mas não são siglas. Headcount é o número de pessoas; turnover é a rotatividade; onboarding é a integração; offboarding é o processo de saída; e feedback é uma devolutiva sobre comportamento, trabalho ou desempenho.</p>
<h2 id="siglas-de-operações-logística-e-supply-chain">Siglas de operações, logística e supply chain</h2>
<div class="gm-table-wrap" style="overflow-x: auto; -webkit-overflow-scrolling: touch; margin: 20px 0;">
<table class="gm-siglas-table" style="width: 100%; max-width: 100%; min-width: 0; border-collapse: collapse; table-layout: fixed;">
<thead>
<tr class="header">
<th>Sigla</th>
<th>Termo original</th>
<th>Uso prático</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr class="odd">
<td>SKU</td>
<td>Stock Keeping Unit</td>
<td>Código que identifica uma variação específica de item no estoque.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>PO</td>
<td>Purchase Order</td>
<td>Ordem de compra; em produto, PO também pode significar Product Owner.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>JIT</td>
<td>Just in Time</td>
<td>Abordagem que busca produzir ou repor próximo do momento da demanda.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>WMS</td>
<td>Warehouse Management System</td>
<td>Sistema de gestão de armazéns.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>TMS</td>
<td>Transportation Management System</td>
<td>Sistema de gestão de transportes.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>OTIF</td>
<td>On Time In Full</td>
<td>Percentual de entregas realizadas no prazo e com o pedido completo.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>OEE</td>
<td>Overall Equipment Effectiveness</td>
<td>Indicador de eficácia global do equipamento, baseado em disponibilidade, desempenho e qualidade.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>SCM</td>
<td>Supply Chain Management</td>
<td>Gestão da cadeia de suprimentos.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>MOQ</td>
<td>Minimum Order Quantity</td>
<td>Quantidade mínima aceita em um pedido.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>S&amp;OP</td>
<td>Sales and Operations Planning</td>
<td>Processo de alinhamento entre demanda, vendas, operações e planejamento financeiro.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>MRP</td>
<td>Material Requirements Planning</td>
<td>Planejamento das necessidades de materiais.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>BOM</td>
<td>Bill of Materials</td>
<td>Estrutura com componentes, materiais e quantidades necessários para fabricar um item.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<h2 id="siglas-jurídicas-de-compliance-e-governança">Siglas jurídicas, de compliance e governança</h2>
<p>Algumas siglas desta seção têm definição legal ou regulatória. Nesses casos, o significado resumido ajuda na leitura inicial, mas não substitui a consulta à lei, à norma ou ao documento original.</p>
<div class="gm-table-wrap" style="overflow-x: auto; -webkit-overflow-scrolling: touch; margin: 20px 0;">
<table class="gm-siglas-table" style="width: 100%; max-width: 100%; min-width: 0; border-collapse: collapse; table-layout: fixed;">
<thead>
<tr class="header">
<th>Sigla</th>
<th>Significado</th>
<th>Aplicação</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr class="odd">
<td>CNPJ</td>
<td>Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica</td>
<td>Cadastro que identifica entidades e seus dados perante a Receita Federal.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>CNAE</td>
<td>Classificação Nacional de Atividades Econômicas</td>
<td>Classificação oficial usada em estatísticas e registros administrativos para identificar atividades econômicas.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CVM</td>
<td>Comissão de Valores Mobiliários</td>
<td>Autarquia responsável por regular, desenvolver e fiscalizar o mercado de valores mobiliários dentro de suas competências.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>AGO</td>
<td>Assembleia Geral Ordinária</td>
<td>Assembleia periódica das sociedades por ações destinada às matérias previstas em lei.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>AGE</td>
<td>Assembleia Geral Extraordinária</td>
<td>Assembleia convocada para deliberar sobre matérias que não sejam próprias da AGO.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>LGPD</td>
<td>Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais</td>
<td>Lei nº 13.709/2018, que disciplina o tratamento de dados pessoais no Brasil.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>DPO</td>
<td>Data Protection Officer</td>
<td>Termo internacional associado ao profissional de proteção de dados. No Brasil, a LGPD usa “encarregado”, cujas atribuições decorrem da legislação e da regulamentação aplicáveis.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>RIPD</td>
<td>Relatório de Impacto à Proteção de Dados Pessoais</td>
<td>Documento do controlador que descreve tratamentos capazes de gerar riscos às liberdades civis e aos direitos fundamentais, além das medidas de proteção adotadas.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>KYC</td>
<td>Know Your Customer</td>
<td>Procedimentos para conhecer e verificar o cliente e avaliar riscos.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>AML</td>
<td>Anti-Money Laundering</td>
<td>Expressão em inglês para prevenção e combate à lavagem de dinheiro.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>PLD/FTP</td>
<td>Prevenção à Lavagem de Dinheiro, ao Financiamento do Terrorismo e ao Financiamento da Proliferação de Armas de Destruição em Massa</td>
<td>Conjunto de políticas, procedimentos e controles regulatórios relacionados ao tema.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>NDA</td>
<td>Non-Disclosure Agreement</td>
<td>Acordo de confidencialidade; seu alcance depende das cláusulas pactuadas.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>MOU</td>
<td>Memorandum of Understanding</td>
<td>Memorando de entendimentos; os efeitos vinculantes dependem do texto e da legislação aplicável.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>S.A.</td>
<td>Sociedade Anônima</td>
<td>Sociedade por ações regida pela legislação e pelo estatuto social.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>Ltda.</td>
<td>Sociedade Limitada</td>
<td>Tipo societário dividido em quotas e regido pelo Código Civil e pelo contrato social.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>A ANPD mantém um glossário oficial para termos de proteção de dados. A classificação CNAE pode ser consultada no portal da Comissão Nacional de Classificação do IBGE. Para decisões jurídicas ou regulatórias, consulte também a versão vigente da norma aplicável.</p>
<h2 id="siglas-usadas-em-e-mails-reuniões-e-trabalho-híbrido">Siglas usadas em e-mails, reuniões e trabalho híbrido</h2>
<div class="gm-table-wrap" style="overflow-x: auto; -webkit-overflow-scrolling: touch; margin: 20px 0;">
<table class="gm-siglas-table" style="width: 100%; max-width: 100%; min-width: 0; border-collapse: collapse; table-layout: fixed;">
<thead>
<tr class="header">
<th>Sigla</th>
<th>Termo original</th>
<th>Como interpretar</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr class="odd">
<td>ASAP</td>
<td>As Soon As Possible</td>
<td>Assim que possível; convém indicar uma data ou um horário para evitar ambiguidade.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>FYI</td>
<td>For Your Information</td>
<td>Para sua informação; sinaliza uma mensagem informativa.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>EOD</td>
<td>End of Day</td>
<td>Fim do dia; em equipes internacionais, informe o fuso e o horário.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>EOW</td>
<td>End of Week</td>
<td>Fim da semana; especifique o dia quando houver risco de interpretações diferentes.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>OOO</td>
<td>Out of Office</td>
<td>Fora do escritório ou indisponível.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>CC</td>
<td>Carbon Copy</td>
<td>Cópia visível para outros destinatários do e-mail.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>BCC</td>
<td>Blind Carbon Copy</td>
<td>Cópia oculta; em interfaces em português, pode aparecer como Cco ou CCO.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>ETA</td>
<td>Estimated Time of Arrival</td>
<td>Horário ou data estimada de chegada; no trabalho, também é usado para uma previsão de conclusão.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>TBD</td>
<td>To Be Determined</td>
<td>Ainda será definido.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>TBA</td>
<td>To Be Announced</td>
<td>Será anunciado posteriormente.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>WFH</td>
<td>Work From Home</td>
<td>Trabalho realizado de casa.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>RTO</td>
<td>Return to Office</td>
<td>Retorno ao escritório.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<h2 id="siglas-corporativas-que-mudam-de-significado">Siglas corporativas que mudam de significado</h2>
<p>Uma sigla não tem significado universal. Empresas criam vocabulários internos, e diferentes áreas reutilizam as mesmas letras. Estas ambiguidades estão entre as que mais causam confusão:</p>
<div class="gm-table-wrap" style="overflow-x: auto; -webkit-overflow-scrolling: touch; margin: 20px 0;">
<table class="gm-siglas-table" style="width: 100%; max-width: 100%; min-width: 0; border-collapse: collapse; table-layout: fixed;">
<thead>
<tr class="header">
<th>Sigla</th>
<th>Significados possíveis</th>
<th>Como identificar</th>
</tr>
</thead>
<tbody>
<tr class="odd">
<td>CMO</td>
<td>Chief Marketing Officer ou Chief Medical Officer</td>
<td>Marketing e marca indicam o primeiro; contexto clínico ou hospitalar indica o segundo.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>CIO</td>
<td>Chief Information Officer, Chief Innovation Officer ou Chief Investment Officer</td>
<td>TI corporativa indica Information; novos negócios podem indicar Innovation; gestão de investimentos pode indicar Investment.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CPO</td>
<td>Chief Product Officer, Chief People Officer, Chief Procurement Officer ou Chief Privacy Officer</td>
<td>Produto, pessoas, compras ou privacidade determinam o sentido.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>CLO</td>
<td>Chief Legal Officer ou Chief Learning Officer</td>
<td>Jurídico indica Legal; capacitação indica Learning.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CCO</td>
<td>Chief Commercial Officer, Chief Compliance Officer, Chief Communications Officer ou Chief Customer Officer; em e-mails em português, também pode ser cópia oculta</td>
<td>Observe se o contexto é vendas, conformidade, comunicação, clientes ou destinatários de e-mail.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>CDO</td>
<td>Chief Data Officer ou Chief Digital Officer</td>
<td>Governança de dados indica Data; transformação e canais digitais indicam Digital.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CRO</td>
<td>Chief Revenue Officer ou Chief Risk Officer</td>
<td>Vendas e receita indicam Revenue; controles e exposição indicam Risk.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>CSO</td>
<td>Chief Strategy Officer, Chief Security Officer, Chief Sustainability Officer ou Chief Sales Officer</td>
<td>O escopo da área e o organograma definem o significado.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CAO</td>
<td>Chief Administrative Officer, Chief Accounting Officer ou Chief Analytics Officer</td>
<td>Administração, contabilidade ou análise de dados definem o sentido.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>SQL</td>
<td>Sales Qualified Lead ou Structured Query Language</td>
<td>Funil de vendas indica lead; banco de dados indica linguagem.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>PO</td>
<td>Purchase Order ou Product Owner</td>
<td>Compras indica ordem; produto e métodos ágeis indicam a função.</td>
</tr>
<tr class="even">
<td>PMO</td>
<td>Project Management Office, Program Management Office ou Portfolio Management Office</td>
<td>Consulte o mandato formal da estrutura.</td>
</tr>
<tr class="odd">
<td>CPA</td>
<td>Cost per Acquisition, Cost per Action ou, nos Estados Unidos, Certified Public Accountant</td>
<td>Campanhas indicam custo; contexto contábil norte-americano indica a credencial profissional.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>
<p>A regra mais segura é escrever a expressão por extenso na primeira menção e apresentar a sigla entre parênteses. Em contratos, apresentações externas e projetos longos, inclua um glossário. Perguntar o significado evita erros e é mais profissional do que fingir entendimento.</p>
<h2 id="como-as-siglas-aparecem-em-situações-reais">Como as siglas aparecem em situações reais</h2>
<p>Os exemplos a seguir são didáticos e fictícios. Eles mostram como o contexto altera a interpretação.</p>
<h3 id="1-reunião-de-resultados">1. Reunião de resultados</h3>
<blockquote><p>“A receita cresceu, mas a margem EBITDA caiu porque o OPEX aumentou. O CAPEX ficou concentrado na nova unidade, e o ROE recuou no trimestre.”</p></blockquote>
<p><strong>Tradução:</strong> a empresa vendeu mais, mas sua margem baseada no EBITDA diminuiu com o aumento dos gastos operacionais. Houve concentração de investimentos em ativos, e o retorno sobre o patrimônio líquido ficou menor.</p>
<h3 id="2-reunião-de-marketing-e-vendas">2. Reunião de marketing e vendas</h3>
<blockquote><p>“O CTR subiu e o CPC caiu, mas os leads classificados como MQL não viraram SQL. Precisamos rever o ICP e o SLA entre marketing e vendas antes de ampliar a verba.”</p></blockquote>
<p><strong>Tradução:</strong> os anúncios atraíram proporcionalmente mais cliques a um custo médio menor, mas os contatos qualificados pelo marketing não avançaram para a qualificação comercial. A empresa deve revisar o perfil de cliente ideal e o acordo de passagem dos leads antes de investir mais.</p>
<h3 id="3-reunião-de-produto-e-tecnologia">3. Reunião de produto e tecnologia</h3>
<blockquote><p>“O MVP passou pelo UAT, mas a API ainda falha no SSO. O PO manteve o lançamento no backlog até o QA concluir a validação.”</p></blockquote>
<p><strong>Tradução:</strong> a versão mínima do produto foi aceita no teste com usuários ou representantes do negócio, mas a integração ainda apresenta falha na autenticação única. O responsável pelo produto adiou o lançamento até a conclusão da validação de qualidade.</p>
<h3 id="4-reunião-de-compliance">4. Reunião de compliance</h3>
<blockquote><p>“O KYC apontou uma divergência cadastral. A equipe de PLD/FTP fará a análise, e o controlador avaliará, com apoio do encarregado, se o caso precisa ser refletido no RIPD.”</p></blockquote>
<p><strong>Tradução:</strong> a verificação do cliente encontrou dados divergentes. A equipe responsável pelos controles de prevenção à lavagem de dinheiro, ao financiamento do terrorismo e ao financiamento da proliferação de armas de destruição em massa analisará o caso. O controlador, apoiado pelo encarregado pelo tratamento de dados pessoais, verificará os efeitos sobre o relatório de impacto.</p>
<h3 id="5-e-mail-de-projeto">5. E-mail de projeto</h3>
<blockquote><p>“FYI: o fornecedor confirmou ETA para quinta-feira. O novo PO segue em aprovação, e o prazo final permanece EOD de sexta. Os itens sem responsável estão como TBD.”</p></blockquote>
<p><strong>Tradução:</strong> a mensagem é informativa; o fornecedor prevê a chegada ou conclusão para quinta-feira; a ordem de compra aguarda aprovação; o prazo termina no fim do expediente de sexta-feira; e alguns itens ainda precisam ser definidos.</p>
<h2 id="como-usar-siglas-sem-transformar-clareza-em-corporativês">Como usar siglas sem transformar clareza em “corporativês”</h2>
<ul>
<li>Escreva o termo por extenso na primeira menção e coloque a sigla entre parênteses.</li>
<li>Prefira a forma conhecida pelo público à opção mais sofisticada.</li>
<li>Informe período, fonte, escopo e fórmula ao apresentar indicadores.</li>
<li>Não use uma expressão em inglês quando o equivalente em português for mais claro para o leitor.</li>
<li>Confirme siglas ambíguas no organograma, no contrato ou no documento original.</li>
<li>Evite encadear várias siglas na mesma frase sem explicação.</li>
<li>Mantenha um glossário acessível em materiais de integração, políticas, contratos e projetos longos.</li>
</ul>
<h3 id="leve-o-glossário-com-você">Leve o glossário com você</h3>
<p>A versão em PDF organiza as siglas por área e pode ser consultada no celular, usada para estudo ou impressa.</p>
<p><span style="color: #ff0000;"><a style="color: #ff0000;" href="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2026/08/dicionario-siglas-corporativas-2026.pdf" target="_blank">Baixe gratuitamente o dicionário de siglas corporativas em PDF</a>.</span></p>
<h2 id="quiz-você-já-domina-as-principais-siglas">Quiz: você já domina as principais siglas?</h2>
<p>Tente responder antes de consultar o gabarito.</p>
<ol type="1">
<li>Qual indicador compara o retorno de um investimento com o custo definido na análise?</li>
<li>Qual é a diferença central entre KPI e OKR?</li>
<li>EBITDA mostra quanto dinheiro sobrou na conta bancária da empresa?</li>
<li>SQL sempre significa lead qualificado por vendas?</li>
<li>O que significa OTIF?</li>
<li>Qual cargo costuma liderar a estratégia financeira?</li>
<li>Como o NPS é calculado?</li>
<li>CAPEX e OPEX representam o mesmo tipo de gasto?</li>
<li>Qual é a diferença entre UX e UI?</li>
<li>O que fazer quando CCO aparece sem explicação?</li>
</ol>
<h3 id="gabarito">Gabarito</h3>
<ol type="1">
<li><strong>ROI</strong>, de Return on Investment.</li>
<li><strong>KPI</strong> é um indicador de desempenho; <strong>OKR</strong> é um sistema de objetivos e resultados-chave. Um KPI pode ser usado para medir um resultado-chave.</li>
<li><strong>Não.</strong> EBITDA não considera, por si só, capital de giro, CAPEX, juros pagos e impostos pagos. É uma medida de desempenho, não um demonstrativo de fluxo de caixa.</li>
<li><strong>Não.</strong> Em vendas, SQL pode ser Sales Qualified Lead; em tecnologia, Structured Query Language.</li>
<li><strong>On Time In Full:</strong> entregas realizadas no prazo e com o pedido completo.</li>
<li><strong>CFO</strong>, embora a divisão de responsabilidades dependa da estrutura da empresa.</li>
<li><strong>Percentual de promotores menos percentual de detratores.</strong></li>
<li><strong>Não.</strong> CAPEX se relaciona a dispêndios com ativos de longa duração, conforme o tratamento contábil; OPEX se refere a gastos operacionais.</li>
<li><strong>UX</strong> trata da experiência completa do usuário; <strong>UI</strong>, dos elementos visuais e interativos da interface.</li>
<li><strong>Verificar o contexto ou perguntar.</strong> CCO pode designar diferentes cargos e, em e-mails em português, cópia oculta.</li>
</ol>
<h2 id="perguntas-frequentes-sobre-siglas-corporativas">Perguntas frequentes sobre siglas corporativas</h2>
<h3 id="quais-são-as-siglas-corporativas-mais-usadas">Quais são as siglas corporativas mais usadas?</h3>
<p>CEO, CFO, COO, KPI, OKR, ROI, EBITDA, DRE, CAC, LTV, CRM, SLA, NPS, B2B e B2C formam um núcleo útil em diferentes áreas. A lista mais importante muda conforme o cargo, o setor e a empresa.</p>
<h3 id="como-aprender-siglas-corporativas-rapidamente">Como aprender siglas corporativas rapidamente?</h3>
<p>Estude por contexto, não apenas em ordem alfabética. Comece por cargos, metas, finanças e clientes; associe cada sigla a uma frase real; explique o conceito com suas próprias palavras; e faça revisões em intervalos curtos.</p>
<h3 id="o-que-significam-ceo-cfo-coo-cmo-e-cto">O que significam CEO, CFO, COO, CMO e CTO?</h3>
<p>CEO é o principal executivo; CFO lidera finanças; COO, operações; CMO, marketing; e CTO, tecnologia. Os limites entre essas funções variam conforme o organograma e os documentos societários.</p>
<h3 id="por-que-tantas-siglas-corporativas-estão-em-inglês">Por que tantas siglas corporativas estão em inglês?</h3>
<p>Muitos modelos de gestão, tecnologia e mercado de capitais foram difundidos internacionalmente em inglês. Empresas brasileiras mantêm as formas originais para facilitar a comparação, a integração de sistemas e a comunicação com equipes e investidores de outros países.</p>
<h3 id="qual-é-a-diferença-entre-ebitda-e-lucro-líquido">Qual é a diferença entre EBITDA e lucro líquido?</h3>
<p>EBITDA exclui juros, impostos sobre o lucro, depreciação e amortização segundo a definição aplicável. O lucro líquido é apurado depois dos efeitos reconhecidos na demonstração do resultado. Nenhuma dessas medidas, isoladamente, equivale ao caixa disponível.</p>
<h3 id="qual-é-a-diferença-entre-roi-e-roas">Qual é a diferença entre ROI e ROAS?</h3>
<p>ROI avalia o retorno de um investimento conforme o ganho, o custo e o escopo definidos. ROAS compara a receita atribuída aos anúncios com o gasto em publicidade e não incorpora automaticamente todos os custos do negócio.</p>
<h3 id="qual-é-a-diferença-entre-c-level-e-diretoria">Qual é a diferença entre C-Level e diretoria?</h3>
<p>C-Level é uma convenção de títulos iniciados por “Chief”. Diretoria é a estrutura executiva formal da organização. Um diretor pode usar um título em português, um título C-Level ou ambos, de acordo com a empresa.</p>
<h3 id="é-errado-perguntar-o-significado-de-uma-sigla-no-trabalho">É errado perguntar o significado de uma sigla no trabalho?</h3>
<p>Não. Perguntar evita decisões baseadas em uma interpretação falsa. Em equipes bem organizadas, a sigla é explicada na primeira menção e os termos internos ficam registrados em um glossário acessível.</p>
<h2 id="fontes-de-referência-e-nota-editorial">Fontes de referência e nota editorial</h2>
<p>As definições foram confrontadas com fontes institucionais e técnicas. Os exemplos de reuniões e e-mails são fictícios e têm finalidade didática. Funções, fórmulas, traduções e metodologias podem variar por empresa, norma e contrato; consulte o documento original antes de tomar decisões financeiras, jurídicas, contábeis ou operacionais.</p>
<ul>
<li>Resolução CVM 156 — divulgação voluntária de LAJIDA e LAJIR</li>
<li>Resolução CVM 237 e CPC 51 — vigência a partir de 2027</li>
<li>Glossário de Proteção de Dados Pessoais e Privacidade da ANPD</li>
<li>Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais — texto compilado</li>
<li>Classificação Nacional de Atividades Econômicas — IBGE/Concla</li>
<li>PLD/FTP — Resolução CVM 50</li>
<li>EBITDA — glossário da B3</li>
<li>Comparação entre IaaS, PaaS e SaaS — AWS</li>
<li>Net Promoter System — Bain &amp; Company</li>
</ul>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Holding patrimonial ainda vale a pena em 2026? Reforma tributária muda a conta</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/holding-patrimonial-vale-a-pena-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Aug 2026 18:57:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[dividendos]]></category>
		<category><![CDATA[holding patrimonial]]></category>
		<category><![CDATA[IBS e CBS]]></category>
		<category><![CDATA[ITBI]]></category>
		<category><![CDATA[Lei 15.270]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento patrimonial]]></category>
		<category><![CDATA[Reforma Tributária]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Durante anos, uma das contas mais utilizadas para vender a criação de uma holding patrimonial no Brasil parecia simples: enquanto uma pessoa física que recebe aluguéis pode chegar à alíquota de 27,5% do Imposto de Renda, uma empresa no lucro presumido poderia operar com carga significativamente inferior sobre a receita de locação. Em 2026, essa [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Durante anos, uma das contas mais utilizadas para vender a criação de uma holding patrimonial no Brasil parecia simples: enquanto uma pessoa física que recebe aluguéis pode chegar à alíquota de 27,5% do Imposto de Renda, uma empresa no lucro presumido poderia operar com carga significativamente inferior sobre a receita de locação. Em 2026, essa comparação isolada já não é suficiente para responder se vale a pena transferir imóveis para uma pessoa jurídica.</p>
<p>Duas mudanças estruturais alteraram a análise. A primeira é a <strong>Lei 15.270/2025</strong>, que criou novas regras para a tributação de lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas a partir de janeiro deste ano. A segunda é a implementação da reforma tributária do consumo, que passou a alcançar operações imobiliárias e terá efeitos cada vez maiores a partir de 2027.</p>
<p>Isso não significa que a holding patrimonial deixou de ser útil. Para determinados patrimônios, principalmente aqueles com vários imóveis alugados, renda recorrente elevada e planejamento sucessório relevante, a estrutura pode continuar economicamente eficiente. O problema é outro: deixou de ser possível concluir que ela sempre reduz impostos apenas comparando a alíquota máxima do IRPF com a carga histórica de uma empresa.</p>
<p>Também não existe uma regra geral segundo a qual uma suposta “janela para abrir holding” termina em dezembro de 2026. Existem, na verdade, diferentes marcos tributários — e um dos mais importantes já passou.</p>
<h2>A janela dos dividendos terminou em 2025</h2>
<p>A Lei 15.270 estabeleceu que, desde janeiro de 2026, lucros e dividendos pagos por uma mesma pessoa jurídica a uma mesma pessoa física residente no Brasil em valor superior a <strong>R$ 50 mil em um mesmo mês</strong> ficam sujeitos à retenção de 10% de Imposto de Renda sobre o total distribuído naquele mês.</p>
<p>A legislação criou uma proteção para lucros referentes a resultados apurados até 2025, mas estabeleceu condições específicas. A distribuição precisava ter sido aprovada pelo órgão societário competente <strong>até 31 de dezembro de 2025</strong>, e os pagamentos precisam respeitar as condições originalmente definidas. A lei permite que esses pagamentos ocorram em 2026, 2027 ou 2028.</p>
<p>Portanto, para uma holding constituída agora, em agosto de 2026, não existe possibilidade de retroagir e utilizar essa janela para novos lucros.</p>
<p>Esse é um ponto relevante porque parte da vantagem tributária tradicionalmente atribuída às holdings estava na possibilidade de a empresa recolher seus tributos e depois distribuir o lucro aos sócios sem nova incidência de Imposto de Renda.</p>
<p>Desde janeiro, essa conclusão precisa considerar as regras da Lei 15.270.</p>
<p>Além da retenção mensal, a legislação introduziu uma tributação mínima anual para pessoas físicas de alta renda. O regime alcança rendimentos anuais superiores a <strong>R$ 600 mil</strong>, com alíquota crescente até chegar a 10% para rendimentos a partir de R$ 1,2 milhão, respeitados os mecanismos de cálculo, compensação e redução previstos na própria lei.</p>
<p>Em outras palavras, analisar somente quanto a holding paga antes de distribuir dinheiro ao sócio pode produzir uma comparação incompleta.</p>
<h2>No aluguel, a diferença entre pessoa física e holding ainda pode ser grande</h2>
<p>Isso não elimina a principal razão tributária pela qual muitos proprietários analisam uma holding.</p>
<p>Na pessoa física, os rendimentos de aluguel estão sujeitos à tabela progressiva do IRPF. Em 2026, a alíquota máxima continua em <strong>27,5%</strong>. Existem deduções permitidas — como determinadas despesas de condomínio, impostos, taxas e custos de cobrança quando suportados pelo locador —, de modo que não é correto simplesmente aplicar 27,5% sobre todo aluguel bruto em qualquer situação.</p>
<p>Na pessoa jurídica optante pelo lucro presumido e cuja atividade compreenda a locação de imóveis próprios, a legislação determina percentual de presunção de <strong>32% da receita</strong> para a base do IRPJ. O mesmo percentual é utilizado para a base da CSLL nessa atividade.</p>
<p>Considerando as alíquotas tradicionais do regime, a conta frequentemente utilizada para uma holding locadora resulta em cerca de <strong>11,33% da receita bruta</strong>, formada por IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, antes de eventual adicional de IRPJ e sem considerar custos administrativos, contábeis ou outros efeitos específicos.</p>
<p>É justamente daí que surgiu a percepção de que “holding paga 11% e pessoa física paga 27,5%”.</p>
<p>A diferença pode existir, mas essa frase omite pelo menos três fatores: as despesas dedutíveis da pessoa física, o adicional de IRPJ que pode atingir <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338524">empresas</a> com determinadas bases de lucro e, agora, o imposto que pode surgir quando o lucro da holding é distribuído ao proprietário.</p>
<p>A decisão correta depende do fluxo completo: <strong>aluguel entra, empresa paga tributos, despesas são suportadas e o dinheiro chega ao sócio</strong>.</p>
<h2>CBS de 1,8% sobre aluguel em 2026 não é a regra</h2>
<p>Outro erro que começa a aparecer em simulações de holdings é tratar 2026 como se a reforma tributária já estivesse integralmente implantada ou aplicar percentuais futuros como se fossem definitivos.</p>
<p>Não é assim.</p>
<p>A Lei Complementar 214 estabeleceu para 2026 uma alíquota de teste de <strong>0,9% para a CBS</strong> e de <strong>0,1% para o IBS</strong>. Para a locação, cessão onerosa e arrendamento de imóveis, a própria legislação prevê redução de <strong>70% das alíquotas aplicáveis</strong>.</p>
<p>Além disso, 2026 funciona como ano de teste do novo sistema. A Receita Federal informa que contribuintes que cumpram corretamente as obrigações acessórias estão dispensados do recolhimento da CBS e do IBS neste período; quando houver recolhimento dentro das regras de transição, há mecanismos de compensação com PIS e Cofins.</p>
<p>Por isso, simplesmente acrescentar “CBS de 1,8%” à carga de uma holding patrimonial em 2026 produz uma conta que não corresponde às normas atualmente em vigor.</p>
<p>A comparação torna-se mais importante a partir de 2027, quando PIS e Cofins serão extintos e o novo sistema começará a assumir efetivamente o papel dos tributos substituídos.</p>
<p>É nesse horizonte que holdings existentes e estruturas novas precisam ser simuladas.</p>
<h2>Pessoa física também pode entrar no IBS e na CBS</h2>
<p>Outra mudança relevante desmonta a percepção de que manter imóveis em nome da pessoa física necessariamente significa ficar fora da tributação sobre consumo.</p>
<p>A Lei Complementar 214 criou hipóteses nas quais uma pessoa física que realiza operações imobiliárias passa a ser contribuinte regular de IBS e CBS.</p>
<p>No caso de locação, uma das hipóteses considera conjuntamente receita anual de aluguéis superior a <strong>R$ 240 mil</strong>, sujeita às atualizações previstas na legislação, e mais de três imóveis distintos envolvidos nas operações.</p>
<p>Portanto, o proprietário de uma carteira imobiliária relevante não deve fazer a comparação partindo da premissa “pessoa física não paga IBS/CBS e holding paga”.</p>
<p>Dependendo do tamanho e da atividade da carteira, a pessoa física também pode entrar no regime.</p>
<p>A Receita Federal adiou para <strong>1º de janeiro de 2027</strong> a obrigatoriedade de inscrição no CNPJ e a emissão dos documentos fiscais correspondentes para as pessoas físicas enquadradas como contribuintes da CBS. A inscrição cadastral, segundo o próprio Fisco, não transforma juridicamente a pessoa física em pessoa jurídica.</p>
<h2>Então o que realmente acontece em dezembro de 2026?</h2>
<p>Dezembro possui importância para o novo sistema imobiliário, mas não porque exista um prazo nacional para “abrir uma holding”.</p>
<p>A Lei Complementar 214 estabelece <strong>31 de dezembro de 2026</strong> como uma das datas de referência para a constituição do chamado <strong>redutor de ajuste</strong> dos imóveis pertencentes a contribuintes submetidos ao regime regular.</p>
<p>Esse redutor foi criado para evitar que toda a valorização acumulada de imóveis adquiridos antes da implantação efetiva do novo IVA seja submetida ao IBS e à CBS como se tivesse ocorrido dentro do novo sistema.</p>
<p>Para imóveis pertencentes ao contribuinte em 31 de dezembro de 2026, a legislação permite determinar o valor inicial do redutor com base no custo de aquisição atualizado ou, mediante opção, no valor de referência previsto na legislação.</p>
<p>É uma data importante para planejamento patrimonial. Mas sua existência não significa que qualquer proprietário deva transferir seus imóveis para uma holding antes dela.</p>
<p>Fazer isso apenas para “não perder dezembro” pode gerar custos superiores à <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338525">economia</a> pretendida.</p>
<h2>O ITBI pode mudar toda a conta</h2>
<p>A transferência de imóveis de uma pessoa física para uma holding não é uma mera alteração cadastral.</p>
<p>A legislação federal permite que a pessoa física integralize o capital de uma empresa com seus bens pelo valor constante de sua declaração de bens ou pelo valor de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338526">mercado</a>. Se utilizar valor superior ao declarado, a diferença é tributável como ganho de capital.</p>
<p>Há ainda o ITBI, imposto municipal cuja incidência sobre integralização de capital é objeto de uma disputa de grande impacto no Supremo Tribunal Federal.</p>
<p>No <strong>Tema 1.348</strong>, o STF analisa se a imunidade do ITBI na integralização de capital também se aplica quando a empresa receptora possui atividade preponderantemente imobiliária, como compra, venda ou locação de imóveis.</p>
<p>O tema continua sem solução definitiva. O julgamento virtual foi destacado em março e o processo permanecia concluso ao relator em agosto de 2026. Há votos em sentidos distintos dentro da Corte.</p>
<p>Isso significa que uma simulação séria precisa considerar o município onde estão os imóveis, o valor utilizado na integralização e a situação jurisprudencial concreta.</p>
<h2>O fluxograma que substitui o “holding sempre vale a pena”</h2>
<p>Para decidir, o proprietário precisa começar pela finalidade.</p>
<p>Se existe apenas um ou dois imóveis, renda de aluguel relativamente baixa e nenhuma necessidade concreta de reorganização sucessória, os custos de abertura, contabilidade, obrigações acessórias, transferência e manutenção podem consumir a vantagem tributária.</p>
<p>Se há diversos imóveis, aluguel mensal elevado e parcela significativa da renda permanece dentro da própria estrutura para reinvestimento, a holding tende a ganhar atratividade, porque a diferença entre a tributação operacional da pessoa física e da pessoa jurídica pode continuar relevante.</p>
<p>Se a intenção é retirar praticamente todo o lucro da empresa todos os meses, especialmente acima de R$ 50 mil por sócio, a nova tributação de dividendos precisa entrar na simulação.</p>
<p>Se o objetivo principal é sucessório — organizar quotas, estabelecer regras de governança, antecipar doações e evitar a fragmentação direta dos imóveis entre herdeiros — a análise não pode ser feita exclusivamente pela economia de Imposto de Renda.</p>
<p>E, se será necessário transferir imóveis valorizados para a empresa, a conta precisa começar pelos custos de entrada antes de projetar qualquer economia futura.</p>
<p>A conclusão para 2026 é menos atraente como slogan, mas mais útil ao patrimônio: <strong>a holding patrimonial continua podendo valer a pena, mas deixou de admitir uma resposta automática</strong>.</p>
<p>A reforma tributária, a tributação de altas rendas, a nova retenção sobre dividendos e a disputa do ITBI tornaram a decisão mais dependente do perfil de cada proprietário.</p>
<p>Não existe uma janela geral que feche em 31 de dezembro para criar uma holding. Existe, sim, uma mudança estrutural do sistema tributário em andamento — e quem fizer a conta com as regras de 2024 pode descobrir, tarde demais, que abriu uma empresa para resolver um problema fiscal que já mudou.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Presidência da República — Lei nº 15.270/2025 e Lei Complementar nº 214/2025<br />
Receita Federal — regras de tributação de 2026, dividendos e implementação do IBS/CBS<br />
Supremo Tribunal Federal — Tema 1.348 da repercussão geral</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Academias adotam cobrança por treino de personal trainers enquanto Senado discute acesso gratuito</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/academias-cobranca-treino-personal-trainers</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Luiza Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Aug 2026 18:14:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[academias]]></category>
		<category><![CDATA[cobrança por treino]]></category>
		<category><![CDATA[gestão fitness]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[personal trainers]]></category>
		<category><![CDATA[Projeto de Lei 4.717/2020]]></category>
		<category><![CDATA[Senado Federal]]></category>
		<category><![CDATA[Treinify]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://gazetamercantil.com/?p=1530036</guid>

					<description><![CDATA[<p>A presença de personal trainers nas academias brasileiras, historicamente tratada como uma questão operacional ou uma fonte acessória de receita, começa a ganhar uma lógica diferente. Plataformas de tecnologia estão tentando transformar cada treino realizado dentro das unidades em uma transação mensurável, substituindo cobranças mensais fixas dos profissionais por modelos vinculados à atividade efetivamente registrada. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A presença de personal trainers nas academias brasileiras, historicamente tratada como uma questão operacional ou uma fonte acessória de receita, começa a ganhar uma lógica diferente. Plataformas de tecnologia estão tentando transformar cada treino realizado dentro das unidades em uma transação mensurável, substituindo cobranças mensais fixas dos profissionais por modelos vinculados à atividade efetivamente registrada.</p>
<p>Uma das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338518">empresas</a> que aposta nessa mudança é a Treinify, plataforma brasileira que conecta alunos, profissionais de educação física e academias. A companhia criou um programa no qual estabelecimentos parceiros podem receber uma participação financeira vinculada aos treinos realizados em suas dependências, enquanto o personal trainer deixa de pagar uma taxa mensal fixa para acessar a unidade.</p>
<p>A mudança parece apenas uma alteração na forma de cobrança, mas envolve uma transformação mais ampla do modelo econômico das academias. O treino acompanhado deixa de representar somente o uso da estrutura por um profissional externo e passa a gerar informações sobre frequência, ocupação, presença do personal, recorrência do aluno e quantidade de sessões realizadas.</p>
<p>Esses dados podem ser usados para calcular receitas, avaliar horários ociosos e identificar quanto da movimentação dentro da unidade está associada a profissionais independentes. Ao mesmo tempo, a discussão ocorre enquanto uma proposta em tramitação no Senado pretende assegurar ao personal trainer acesso gratuito à academia na qual seu aluno esteja regularmente matriculado.</p>
<h2>Taxa cobrada do personal trainer entra no debate regulatório</h2>
<p>A cobrança feita por academias para que profissionais independentes atendam clientes dentro dos estabelecimentos não possui um único padrão nacional. Há unidades que não cobram, outras adotam mensalidades e existem operações que estabelecem diferentes formas de credenciamento.</p>
<p>A discussão chegou ao Congresso por meio do Projeto de Lei 4.717/2020, apresentado pelo senador Jorge Kajuru. O texto pretende alterar a legislação que regulamenta a profissão de Educação Física para assegurar ao profissional que presta serviço personalizado acesso sem ônus às academias e estabelecimentos semelhantes durante o atendimento de alunos matriculados.</p>
<p>O projeto continua em tramitação. Depois de passar pela Comissão de Esporte, onde recebeu parecer favorável com emenda, foi encaminhado para análise da Comissão de Assuntos Econômicos. Na consulta do Senado, a proposição aparece pronta para a pauta da comissão desde 2 de abril de 2025. Depois dessa etapa, a matéria ainda deverá seguir para a Comissão de Assuntos Sociais, à qual foi atribuída decisão terminativa. Portanto, a proposta ainda não é lei.</p>
<p>A justificativa original do projeto sustenta que a cobrança imposta ao profissional pode funcionar como uma forma indireta de arrecadação e limitar a escolha do aluno pelo personal trainer de sua confiança. Durante a tramitação, porém, também surgiram argumentos contrários: uma das emendas apresentadas no Senado argumentou que academias investem em estrutura, atração de clientes e controle de profissionais e que a possibilidade de cobrar pelo acesso pode integrar seu próprio modelo de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338521">negócios</a>.</p>
<p>O debate evidencia um conflito econômico que vai além da simples cobrança de uma mensalidade: quem deve capturar o valor produzido pelo encontro entre aluno, personal trainer e infraestrutura da academia?</p>
<h2>Treino passa a ser tratado como unidade econômica</h2>
<p>O modelo proposto pela Treinify tenta responder a essa questão utilizando o treino realizado como unidade econômica.</p>
<p>Em vez de uma cobrança fixa desvinculada da quantidade de atendimentos, a plataforma registra as sessões e permite que a academia participe financeiramente dos treinos concluídos no estabelecimento. Segundo a empresa, a própria unidade continua podendo determinar quais profissionais estão autorizados a atuar no local.</p>
<p>A diferença financeira entre os dois sistemas pode ser relevante.</p>
<p>Em um modelo tradicional, um personal trainer que realiza dez sessões mensais e outro que realiza cem podem pagar exatamente a mesma taxa à academia. Para o profissional de menor movimento, o custo efetivo por atendimento é elevado. Para aquele com agenda cheia, diminui proporcionalmente.</p>
<p>Quando a cobrança acompanha a quantidade de sessões, o custo se torna variável.</p>
<p>Para a academia, entretanto, o resultado depende de uma equação diferente. A receita deixa de ser previsível apenas pelo número de profissionais credenciados e passa a depender de três variáveis principais: quantidade de personal trainers ativos, número médio de atendimentos de cada profissional e valor capturado por sessão.</p>
<p>Isso significa que o modelo pode superar a receita de uma mensalidade fixa quando produz aumento relevante do volume de treinos, mas também pode gerar menos receita em unidades onde o número de sessões seja reduzido. Não existe, portanto, uma vantagem financeira automática: o resultado depende da movimentação efetivamente criada.</p>
<h2>Personal trainer também pode funcionar como canal de aquisição</h2>
<p>Existe outro componente na conta. Um personal trainer não leva necessariamente para a academia apenas <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338519">trabalho</a> adicional ou ocupação dos equipamentos. Ele também pode levar clientes.</p>
<p>Um profissional que já possui uma carteira própria pode escolher a academia onde realizará os atendimentos. Dependendo das regras do estabelecimento, os alunos trazidos por ele podem contratar planos ou passar a utilizar outros serviços da unidade.</p>
<p>Nesse cenário, o personal trainer deixa de ser analisado exclusivamente como alguém que utiliza uma estrutura de terceiros. Ele pode se transformar em um canal descentralizado de aquisição de clientes.</p>
<p>Essa lógica explica por que reduzir barreiras de entrada para profissionais pode fazer sentido para determinadas academias. A Treinify afirma que um dos objetivos de seu programa é justamente permitir a entrada de mais profissionais e, consequentemente, aumentar o número de alunos circulando pelas unidades. A empresa também apresenta o potencial de conversão de alunos externos em matrículas como parte de sua proposta comercial.</p>
<p>O resultado, contudo, depende de controle. Se o aumento de profissionais ocorrer nos mesmos horários em que a academia já opera próxima da capacidade máxima, mais treinos podem significar congestionamento dos equipamentos e deterioração da experiência dos demais clientes. Em horários ociosos, a mesma movimentação pode representar melhor aproveitamento de uma estrutura que permaneceria subutilizada.</p>
<p>É justamente nesse ponto que os dados ganham importância.</p>
<h2>O ativo deixa de ser apenas o espaço físico</h2>
<p>Uma academia tradicional conhece principalmente matrículas, cancelamentos, pagamentos e acessos. Quando sessões de personal trainers passam a ser registradas individualmente, surge uma camada adicional de informação operacional.</p>
<p>É possível, em tese, identificar quantos treinos acompanhados acontecem por dia, quais horários concentram maior utilização, quantos profissionais estão efetivamente ativos e qual volume de sessões cada unidade recebe.</p>
<p>A Treinify afirma que seu sistema permite acompanhar treinos, ocupação, desempenho e resultados, além de organizar pagamentos e atividades realizadas entre alunos e profissionais. A plataforma também oferece aos personal trainers ferramentas para venda de planos e organização de agenda.</p>
<p>Essa transformação aproxima a academia de negócios cuja gestão é baseada em utilização, e não apenas em assinaturas.</p>
<p>Uma unidade pode ter milhares de clientes matriculados e ainda assim desconhecer com precisão como sua infraestrutura é utilizada durante o dia. Ao transformar cada atividade em um registro, o gestor passa a conseguir relacionar receita à ocupação.</p>
<p>O desafio é não confundir quantidade de dados com melhoria automática da gestão. A informação precisa resultar em decisões como redistribuição de horários, políticas comerciais, dimensionamento de equipamentos e gestão da capacidade física.</p>
<h2>Dados também criam novas responsabilidades</h2>
<p>A digitalização dos treinos produz outro efeito: aumenta a quantidade de dados que precisam ser administrados.</p>
<p>Informações sobre agenda, pagamentos, atividade física e eventualmente condições relacionadas ao treinamento podem envolver dados pessoais e, dependendo de seu conteúdo, informações submetidas a níveis mais elevados de proteção.</p>
<p>Na <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338520">política</a> de privacidade atualmente publicada pela Treinify, a companhia afirma que dados relacionados a saúde, atividade física, condicionamento ou bem-estar não são vendidos e que o compartilhamento ocorre quando necessário para prestação dos serviços, integrações autorizadas, cumprimento de obrigações legais ou proteção de direitos. A empresa também declara empregar recursos como criptografia, controle de acesso e auditoria de registros.</p>
<p>Para academias que adotem sistemas desse tipo, a governança dessas informações passa a fazer parte da operação, juntamente com questões como autorização de profissionais e segurança dos usuários.</p>
<p>A legislação brasileira estabelece que o exercício das atividades profissionais de Educação Física é prerrogativa dos profissionais regularmente registrados nos respectivos Conselhos Regionais. Os Crefs também possuem competência para registrar profissionais e fiscalizar o exercício da atividade.</p>
<p>Assim, aumentar o número de personal trainers utilizando uma academia exige simultaneamente mecanismos eficientes de identificação e controle.</p>
<h2>Cobrança por sessão não encerra discussão jurídica</h2>
<p>A migração da mensalidade fixa para uma remuneração baseada em atividade também precisa ser analisada com cautela do ponto de vista regulatório.</p>
<p>O texto do PL 4.717/2020 fala em assegurar acesso “sem ônus” ao personal trainer durante o atendimento de seu aluno matriculado. Caso uma proposta dessa natureza seja transformada em lei, a forma jurídica e econômica utilizada para remunerar a academia poderá se tornar relevante.</p>
<p>Simplesmente substituir o nome de uma taxa de acesso por cobrança vinculada à sessão não significa, por si só, que qualquer modelo estará automaticamente fora do alcance de uma eventual restrição legal. A interpretação dependerá do desenho contratual, de quem suporta economicamente a cobrança e do texto definitivo que eventualmente for aprovado.</p>
<p>O modelo por atividade deve ser entendido, portanto, como uma inovação comercial em desenvolvimento, e não como solução jurídica definitiva para a discussão sobre taxas cobradas dos profissionais.</p>
<h2>Academias começam a medir movimento, não apenas matrícula</h2>
<p>Durante décadas, o indicador central do setor de academias foi relativamente simples: número de alunos matriculados. A expansão de sistemas digitais permite acompanhar uma operação muito mais granular.</p>
<p>Matrículas continuam fundamentais, mas começam a dividir espaço com frequência de utilização, cancelamento, horários de pico, recorrência, utilização de equipamentos, sessões acompanhadas e permanência dos clientes.</p>
<p>Nesse ambiente, o personal trainer ocupa uma posição incomum. Ele pode elevar a frequência do aluno, utilizar a estrutura da academia, gerar receita adicional e também trazer novos consumidores para dentro do estabelecimento.</p>
<p>A disputa econômica passa a ser menos sobre quanto cobrar para que esse profissional entre na unidade e mais sobre como distribuir o valor gerado quando ele efetivamente trabalha ali.</p>
<p>A Treinify aposta que registrar cada sessão e dividir parte dessa movimentação com a academia pode substituir o modelo de mensalidade cobrada do profissional. Para os estabelecimentos, a decisão dependerá dos números de cada unidade: capacidade disponível, volume de personal trainers, distribuição dos treinos ao longo do dia e potencial de conversão dos alunos trazidos pelos profissionais.</p>
<p>Se essa lógica ganhar escala, a transformação mais relevante poderá não ser a criação de uma nova taxa. Será a conversão de uma atividade que durante anos ocorreu de maneira pouco mensurada dentro das academias em uma operação digital na qual cada treino passa a gerar dados — e potencialmente receita.</p>
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			</item>
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		<title>TikTok Shop cresce 102 vezes no Brasil e IA muda como marcas vendem dentro do aplicativo</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/tiktok-shop-cresce-102-vezes-brasil-inteligencia-artificial</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Aug 2026 02:57:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[comércio eletrônico]]></category>
		<category><![CDATA[E-Commerce]]></category>
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		<category><![CDATA[Inteligência Artificial]]></category>
		<category><![CDATA[marketing digital]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[social commerce]]></category>
		<category><![CDATA[Symphony Agent]]></category>
		<category><![CDATA[TikTok]]></category>
		<category><![CDATA[TikTok Shop]]></category>
		<category><![CDATA[vendas online]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O TikTok Shop completou seu primeiro ano de operação no Brasil transformando uma característica central da rede social — a descoberta de conteúdo por recomendação algorítmica — em uma nova porta de entrada para o comércio eletrônico. Desde o lançamento brasileiro, em maio de 2025, o valor bruto médio diário de mercadorias comercializadas pela plataforma [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O <strong>TikTok Shop</strong> completou seu primeiro ano de operação no Brasil transformando uma característica central da rede social — a descoberta de conteúdo por recomendação algorítmica — em uma nova porta de entrada para o comércio eletrônico. Desde o lançamento brasileiro, em maio de 2025, o valor bruto médio diário de mercadorias comercializadas pela plataforma cresceu <strong>102 vezes</strong>, segundo dados divulgados pelo próprio TikTok. A expansão acontece ao mesmo tempo em que a companhia acelera a incorporação de <strong>inteligência artificial</strong> em praticamente todas as etapas que antecedem uma venda, da criação do conteúdo ao atendimento do consumidor.</p>
<p>Essa combinação altera a lógica tradicional do comércio eletrônico. Em vez de o consumidor acessar um marketplace, digitar o nome de um produto e comparar opções, a compra pode começar enquanto ele simplesmente assiste a um vídeo recomendado pelo algoritmo. Pesquisa realizada pelo TikTok com 17 mil usuários mostrou que <strong>57,8% concluem compras diretamente no TikTok Shop depois de descobrir um produto dentro da plataforma</strong>, sinal de que entretenimento, recomendação, publicidade e transação estão ficando cada vez menos separados.</p>
<p>O TikTok chama esse comportamento de <strong>“Compra por Descoberta”</strong>, conceito que descreve uma jornada em que a intenção de consumo nasce durante o contato com o conteúdo. A inteligência artificial reforça esse modelo porque permite produzir mais peças criativas, identificar tendências rapidamente, selecionar criadores, automatizar campanhas e responder consumidores com menor intervalo de tempo. A plataforma tenta, assim, reduzir o número de etapas entre o primeiro contato com um produto e o pagamento.</p>
<h2>TikTok Shop cresce 102 vezes no primeiro ano no Brasil</h2>
<p>O número mais expressivo divulgado pela companhia é a evolução do GMV, sigla em inglês para valor bruto de mercadorias comercializadas. Entre a estreia brasileira e o primeiro aniversário da operação, o <strong>GMV médio diário mensal do TikTok Shop aumentou 102 vezes</strong>, enquanto a média diária de criadores afiliados ativos — aqueles que realizaram pelo menos uma venda — cresceu <strong>46 vezes</strong>. Os dados mostram velocidade de expansão, embora o TikTok não tenha divulgado o valor absoluto em reais utilizado como base para a comparação.</p>
<p>O avanço já era visível poucos meses depois do lançamento. Entre maio e setembro de 2025, o GMV médio diário havia crescido 26 vezes, o número de vendedores ativos aumentara 11 vezes e a quantidade de criadores realizando vendas mensalmente avançara 12 vezes. A aceleração observada posteriormente indica que o serviço continuou ganhando escala depois do período inicial de entrada no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338400">mercado</a> brasileiro, com mais marcas, afiliados e consumidores incorporando a compra ao uso cotidiano do aplicativo.</p>
<p>O crescimento, no entanto, não significa que o TikTok Shop já possua participação equivalente à dos maiores marketplaces brasileiros. O indicador mede multiplicação sobre uma base inicial pequena e, sem a divulgação do GMV nominal, não permite comparar diretamente o volume financeiro movimentado pela plataforma com concorrentes tradicionais do comércio eletrônico. Ainda assim, a velocidade da expansão confirma que o formato baseado em descoberta encontrou aderência no país.</p>
<h2>Compra pode começar antes de existir intenção</h2>
<p>A diferença fundamental entre o TikTok Shop e uma plataforma tradicional de comércio eletrônico está no momento em que surge a intenção de compra. Em um marketplace convencional, o consumidor normalmente já identifica uma necessidade antes de iniciar a jornada: procura por um telefone, um tênis ou um eletrodoméstico, compara preços e escolhe entre vendedores. No TikTok, o usuário pode não ter qualquer intenção de comprar quando abre o aplicativo e, mesmo assim, encontrar um produto durante a navegação.</p>
<p>Um vídeo demonstrando um cosmético, uma panela, uma peça de roupa ou um objeto para casa pode ser entregue pelo sistema de recomendação porque o algoritmo identificou afinidade entre aquele conteúdo e o comportamento do usuário. A exposição gera interesse, o interesse pode levar à consulta do produto e a compra pode ser concluída dentro do mesmo ambiente. Nesse modelo, o mecanismo de recomendação funciona não apenas como distribuidor de conteúdo, mas também como ferramenta de descoberta comercial.</p>
<p>Essa característica aproxima etapas que historicamente estiveram separadas no marketing. Gerar atenção, despertar interesse, responder dúvidas e executar a venda passam a ocorrer dentro da mesma plataforma, muitas vezes em poucos minutos. Para marcas e vendedores, isso transforma o conteúdo em uma peça diretamente ligada à conversão, e não apenas em instrumento de reconhecimento ou alcance.</p>
<h2>Inteligência artificial passa a criar campanhas</h2>
<p>A inteligência artificial já está incorporada formalmente à estrutura de publicidade do TikTok. Em junho de 2026, a companhia apresentou o <strong>Symphony Agent</strong>, agente de IA destinado a auxiliar anunciantes na criação de campanhas, conteúdos e peças publicitárias. A ferramenta utiliza sinais da própria plataforma, informações fornecidas pela empresa anunciante, tendências e referências de anúncios que apresentaram bom desempenho.</p>
<p>Na prática, uma marca pode informar produto, objetivo, público desejado e características da campanha, e o sistema transforma esses dados em briefing, roteiro, storyboard e vídeo. Segundo o TikTok, um conteúdo de aproximadamente 12 segundos pode ser gerado em cerca de três minutos, enquanto um vídeo de 20 segundos pode levar aproximadamente cinco minutos. O anunciante ainda pode produzir diferentes versões para testes, reduzindo o tempo necessário para criar variações de uma mesma campanha.</p>
<p>Esse tipo de automação tende a ser particularmente relevante para pequenos e médios <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338401">negócios</a>, que frequentemente não possuem equipes internas de vídeo ou capacidade para produzir dezenas de peças por semana. Em uma plataforma cuja distribuição depende fortemente da renovação constante de conteúdo, diminuir o custo e o tempo de produção pode aumentar a capacidade de experimentação das <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338402">empresas</a> e permitir que mais marcas disputem atenção.</p>
<h2>IA também seleciona influenciadores</h2>
<p>A automação não termina na criação de vídeos. O Symphony Agent também está conectado ao TikTok One, ambiente utilizado por marcas para trabalhar com criadores e influenciadores. A empresa pode fornecer informações sobre público, objetivo e características desejadas e receber uma seleção automatizada de perfis considerados compatíveis com a campanha.</p>
<p>Segundo a plataforma, o sistema pode apresentar <strong>20 criadores recomendados</strong>, acompanhados de justificativas sobre a adequação de cada perfil. A marca pode refinar critérios, pedir novas sugestões e enviar convites em lote, reduzindo uma atividade que tradicionalmente exige pesquisa manual de centenas de contas, análise de audiência e comparação entre histórico de conteúdo, alcance e compatibilidade com determinado produto.</p>
<p>A consequência é que parte do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338404">trabalho</a> operacional de uma agência ou departamento de marketing passa a ser executada por inteligência artificial. A decisão final continua sob controle da empresa, mas a triagem inicial, a organização das informações e a descoberta de potenciais parceiros podem ser automatizadas em escala.</p>
<h2>Agentes começam a administrar mídia</h2>
<p>Outra mudança apresentada pelo TikTok em 2026 foi o <strong>Agentic Hub</strong>, estrutura voltada ao uso de agentes de inteligência artificial na gestão de publicidade. A tecnologia foi construída sobre o TikTok for Business MCP e permite conectar agentes a funções relacionadas a relatórios, descoberta de públicos, orçamento, administração e otimização de campanhas.</p>
<p>Esse avanço modifica o papel da IA dentro do marketing digital. Em uma primeira etapa, ferramentas generativas ficaram associadas principalmente à produção de textos e imagens; agora, começam a executar atividades operacionais relacionadas ao funcionamento das campanhas. Um agente pode analisar desempenho, identificar alterações nos resultados e ajudar a apontar se uma queda de eficiência está relacionada ao público selecionado, ao criativo utilizado ou à estratégia de investimento.</p>
<p>A tendência é aproximar a publicidade de um modelo em que profissionais definem objetivos, limites e critérios enquanto sistemas automatizados executam uma parcela crescente das tarefas repetitivas. Isso não elimina a necessidade de supervisão humana, especialmente porque orçamento, posicionamento de marca e decisões comerciais continuam exigindo responsabilidade e controle, mas altera a quantidade de trabalho manual necessária para manter campanhas em funcionamento.</p>
<h2>Atendimento vira parte direta do processo de venda</h2>
<p>Depois da descoberta do produto, existe outro ponto crítico: a velocidade com que a empresa responde ao consumidor. O TikTok oferece os <strong>Messaging Ads</strong>, anúncios desenvolvidos especificamente para iniciar conversas entre usuários e marcas. Nos Direct Messaging Ads, o consumidor pode iniciar uma conversa por mensagem direta sem sair do aplicativo; nos Instant Messaging Ads, pode ser encaminhado para uma plataforma externa de comunicação utilizada pela empresa.</p>
<p>Dados divulgados pelo próprio TikTok indicam que <strong>41% dos usuários pesquisados já entraram em contato com alguma empresa dentro da plataforma</strong>. Essas conversas podem servir para esclarecer dúvidas, apresentar características de produtos, coletar informações de contato, realizar agendamentos ou conduzir o consumidor até uma compra. O aplicativo deixa, portanto, de funcionar apenas como um espaço de exposição e passa a disputar também a etapa de relacionamento comercial.</p>
<p>A velocidade desse atendimento pode influenciar diretamente o resultado. Segundo o TikTok, mensagens respondidas em até três minutos podem apresentar <strong>até 2,2 vezes mais engajamento na conversa</strong>. A plataforma já permite configurar perguntas frequentes e determinadas respostas automáticas, além de oferecer uma Business Messaging API que possibilita integrar mensagens a softwares corporativos e sistemas externos.</p>
<h2>Agentes de IA podem ocupar a camada de atendimento</h2>
<p>É justamente nessa conexão entre mensagens, APIs e sistemas de atendimento que agentes de inteligência artificial podem assumir um papel maior. Um agente treinado com catálogo, regras comerciais, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338403">política</a> de atendimento e informações internas da empresa pode interpretar a pergunta de um consumidor, consultar dados e produzir uma resposta sem que um funcionário precise executar manualmente cada etapa da interação.</p>
<p>A estrutura abre espaço para uma jornada na qual o usuário assiste a um vídeo, demonstra interesse, inicia uma conversa e recebe informações sobre preço, disponibilidade, características ou condições de entrega praticamente em tempo real. Quanto menor for a espera entre a manifestação do interesse e a resposta, menor tende a ser a possibilidade de o consumidor abandonar o processo ou procurar outra empresa.</p>
<p>É necessário, porém, separar possibilidade técnica de integração oficialmente disponível. A documentação pública do GPT Maker, citada no material que deu origem à pauta, lista atualmente canais como WhatsApp, Instagram, Messenger, Telegram, Mercado Livre e Webchat, mas o TikTok não aparece como integração nativa direta. A existência de APIs nos dois lados pode permitir desenvolvimento específico, mas não autoriza afirmar que uma conexão pública e nativa entre as plataformas esteja disponível sem implementação adicional.</p>
<h2>O funil de vendas está ficando menor</h2>
<p>A soma dessas ferramentas mostra que o movimento do TikTok é mais amplo do que simplesmente inserir uma área de compras dentro de uma rede social. O objetivo é aproximar progressivamente descoberta, publicidade, conversa, recomendação e transação, reduzindo o número de vezes em que o usuário precisa mudar de aplicativo ou repetir informações durante a jornada.</p>
<p>No modelo clássico de comércio eletrônico, um consumidor poderia passar por uma sequência como anúncio, clique, site, busca interna, página do produto, atendimento, checkout e pagamento. No ambiente desenvolvido pelo TikTok, parte dessas etapas pode ser condensada em um fluxo que começa no vídeo, passa pela descoberta do produto, conversa com a marca e termina na compra dentro do ecossistema.</p>
<p>A IA atua nos espaços existentes entre essas etapas. Ela pode ajudar a criar o vídeo que gera a descoberta, sugerir o influenciador responsável pela divulgação, otimizar o investimento em mídia, automatizar parte das respostas e analisar os dados produzidos pela campanha. Para as empresas, a consequência é que marketing, tecnologia, atendimento e comércio eletrônico passam a precisar de uma estratégia integrada.</p>
<h2>Google Analytics entra na medição da jornada</h2>
<p>A plataforma também está ampliando sua capacidade de mensuração. Em julho, o TikTok anunciou integração do <strong>Google Analytics 4 com o TikTok Ads Manager</strong>, permitindo que anunciantes comparem informações e tenham uma visão mais ampla do caminho percorrido pelos consumidores entre a exposição ao conteúdo e a conversão.</p>
<p>A companhia apresentou ainda recursos para criação automática de catálogos a partir de informações obtidas pelo pixel instalado nos sites das empresas. Esses mecanismos tentam resolver um problema antigo da publicidade digital: identificar com maior precisão qual participação uma campanha teve na venda e distinguir a conversão realmente influenciada pela mídia de uma compra que poderia acontecer independentemente dela.</p>
<p>Quanto mais dados de conteúdo, mídia, site e comércio puderem ser conectados, maior será a capacidade das empresas de identificar quais vídeos, produtos, criadores e audiências geram retorno. Ao mesmo tempo, esse aumento de integração exige cuidado com governança, privacidade e qualidade das informações utilizadas pelos sistemas de automação.</p>
<h2>TikTok estima impacto de até R$ 37,3 bilhões no PIB</h2>
<p>A expansão do comércio ocorre sobre uma base econômica já relevante. Relatório divulgado pelo TikTok e elaborado em parceria com a LCA Consultoria Econômica estimou contribuição de <strong>R$ 18,6 bilhões a R$ 37,3 bilhões ao Produto Interno Bruto brasileiro em 2025</strong> associada à atividade econômica gerada pelos investimentos em publicidade na plataforma.</p>
<p>O estudo calculou ainda que entre <strong>223 mil e 447 mil empregos</strong> teriam sido apoiados por essa atividade, considerando efeitos diretos, indiretos e induzidos. Entre pequenas e médias empresas pesquisadas, 52% disseram que o aplicativo ajudou a acessar novos mercados, enquanto 68% afirmaram depender exclusivamente do alcance orgânico, sem investimento em anúncios.</p>
<p>Esses números, contudo, não representam faturamento do TikTok e tampouco correspondem ao volume de vendas do TikTok Shop. A estimativa mede efeitos econômicos relacionados principalmente à publicidade e não incorpora integralmente todo o comércio, logística e atividade orgânica gerados pelo Shop. A distinção é importante para evitar transformar impacto econômico estimado em receita direta da companhia.</p>
<h2>Empresas brasileiras já testam venda baseada em conteúdo</h2>
<p>Casos divulgados pela plataforma ajudam a ilustrar como o modelo está sendo utilizado no país. Em uma ação da Granado, o TikTok registrou <strong>16 milhões de impressões</strong>, quase 300 mil espectadores e mais de <strong>18 mil produtos vendidos</strong>. O desempenho mostra como uma campanha pode combinar conteúdo, alcance e transação sem que o consumidor precise necessariamente iniciar a jornada em uma página tradicional de comércio eletrônico.</p>
<p>A Vittare Home, empresa mineira do segmento de casa e decoração, chegou a registrar faturamento mensal próximo de <strong>R$ 200 mil dentro do TikTok Shop</strong>, segundo informações divulgadas pelo próprio aplicativo. Naquele período, o canal chegou a representar aproximadamente 75% da receita da empresa, um exemplo extremo de dependência de uma plataforma que havia chegado ao Brasil poucos meses antes.</p>
<p>Esses casos não significam que resultados semelhantes possam ser reproduzidos por qualquer negócio. Desempenho depende de produto, preço, criatividade, logística, capacidade de atendimento, margem, concorrência e adequação do conteúdo ao comportamento do público. Eles demonstram, contudo, que o TikTok já pode funcionar como canal de vendas relevante e não apenas como fonte de tráfego para lojas externas.</p>
<h2>A próxima disputa pode acontecer antes da busca</h2>
<p>A transformação mais importante pode estar no momento em que a plataforma tenta alcançar o consumidor. Marketplaces e mecanismos de busca disputam historicamente pessoas que já demonstram intenção de compra. O TikTok tenta entrar antes dessa etapa, no instante em que uma necessidade ou desejo ainda está sendo criado pelo conteúdo.</p>
<p>Se um usuário descobre um produto em um vídeo, recebe uma recomendação de um criador, esclarece a dúvida por mensagem e conclui a compra dentro do mesmo aplicativo, uma pesquisa tradicional pelo item pode nem acontecer. A plataforma passa a competir não apenas pelo orçamento publicitário das marcas, mas pelo próprio ponto de origem da decisão de consumo.</p>
<p>A inteligência artificial aumenta essa capacidade ao permitir que empresas produzam maior volume de conteúdo, testem mais abordagens, encontrem criadores e respondam a mais consumidores sem ampliar as equipes na mesma proporção. Para negócios brasileiros, isso significa que simplesmente manter um perfil na rede social tende a ser insuficiente: catálogo, conteúdo, mídia, atendimento, dados, criadores e logística passam a fazer parte de uma mesma operação comercial.</p>
<p>O próximo teste será verificar se o crescimento de 102 vezes registrado no primeiro ano do TikTok Shop consegue continuar à medida que a base brasileira amadurece e se torna maior. Ao mesmo tempo, ferramentas como Symphony Agent, Agentic Hub, Messaging Ads e integração com sistemas de mensuração deverão mostrar até que ponto a inteligência artificial conseguirá reduzir a distância entre assistir a um vídeo, desejar um produto e efetivamente concluir a compra.</p>
<hr />
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>TikTok — TikTok Shop cresce 102 vezes em seu primeiro ano de operação no Brasil — 4 de junho de 2026</p>
<p>TikTok — TikTok adiciona até R$ 37,3 bilhões ao PIB brasileiro — 19 de maio de 2026</p>
<p>TikTok for Business — Apresentando o Symphony Agent — 22 de junho de 2026</p>
<p>TikTok for Business — TikTok Symphony, pacote de IA para criativos — 22 de junho de 2026</p>
<p>TikTok for Business — TikTok Agentic Hub: AI Skills para criação, gestão e otimização de anúncios — 30 de junho de 2026</p>
<p>TikTok for Business — As novidades do TikTok para marcas: Product Preview 2026</p>
<p>TikTok for Business — TikTok Messaging Ads: conversas que geram conversões</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Qual é a faculdade para ser empresário? Diploma não é obrigatório, mas formação pode fazer diferença</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/faculdade-para-ser-empresario</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Luiza Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Aug 2026 14:59:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
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		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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		<category><![CDATA[negócios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Existe uma pergunta que costuma aparecer antes mesmo da abertura do primeiro CNPJ: qual é a faculdade para ser empresário? A resposta curta é que não existe uma. No Brasil, ninguém precisa apresentar diploma de Administração, Economia ou qualquer outro curso superior simplesmente para ser dono de uma empresa. A legislação estabelece requisitos para o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Existe uma pergunta que costuma aparecer antes mesmo da abertura do primeiro CNPJ: <strong>qual é a faculdade para ser empresário?</strong> A resposta curta é que não existe uma. No Brasil, ninguém precisa apresentar diploma de Administração, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338261">Economia</a> ou qualquer outro curso superior simplesmente para ser dono de uma empresa. A legislação estabelece requisitos para o exercício da atividade empresarial e para o registro do negócio, mas não cria uma graduação obrigatória para quem deseja empreender.</p>
<p>Isso não torna a formação acadêmica dispensável. Apenas coloca a discussão no lugar correto. Uma coisa é estar legalmente autorizado a abrir uma empresa; outra, bastante diferente, é saber administrá-la. O empresário passa a lidar com formação de preços, fluxo de caixa, impostos, contratação de pessoas, negociação com fornecedores, crédito, marketing, vendas, concorrência e decisões de investimento. É possível aprender tudo isso fora da universidade, mas também é possível reduzir parte da curva de aprendizado escolhendo uma formação que dialogue com o negócio que se pretende construir.</p>
<p>O próprio Código Civil ajuda a esclarecer a diferença. A legislação considera empresário aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços e determina, entre outras condições, o registro antes do início da atividade. A definição legal não pergunta onde o empreendedor estudou nem exige um diploma universitário.</p>
<p>Na prática, portanto, a pergunta mais útil talvez não seja “qual faculdade preciso fazer para ser empresário?”, mas <strong>“o que preciso saber para administrar bem uma empresa?”</strong>. E, nesse ponto, algumas graduações oferecem vantagens bastante concretas.</p>
<h2>Administração é o caminho mais direto, mas não o único</h2>
<p>Se fosse necessário apontar o curso superior mais próximo da rotina de quem comanda uma companhia, Administração seria a escolha mais evidente. A graduação foi estruturada justamente para formar profissionais capazes de compreender organizações, tomar decisões, analisar recursos e lidar com diferentes áreas de uma empresa. As diretrizes curriculares nacionais do curso abrangem competências relacionadas à gestão, análise de problemas organizacionais e tomada de decisão.</p>
<p>Essa visão geral tem valor porque uma empresa não funciona em compartimentos isolados. Uma decisão comercial pode aumentar as vendas e, ao mesmo tempo, comprometer o caixa. Uma contratação pode resolver um problema operacional e criar uma despesa fixa que a companhia ainda não consegue sustentar. A redução de preços pode atrair clientes, mas destruir a margem de lucro. Crescer rapidamente também pode ser perigoso quando a empresa precisa financiar estoques ou conceder prazos longos para receber.</p>
<p>Administração ajuda justamente a enxergar essas conexões. O aluno passa por finanças, marketing, gestão de pessoas, estratégia, operações e outras disciplinas que formam uma espécie de mapa da empresa. Isso não transforma automaticamente um recém-formado em bom empresário, mas permite que ele reconheça os problemas com os quais provavelmente terá de lidar.</p>
<p>A experiência continua sendo indispensável. Nenhuma faculdade consegue reproduzir integralmente a pressão de decidir se é hora de contratar, aumentar preços, interromper um produto, negociar uma dívida ou colocar dinheiro próprio em um negócio que ainda não deu retorno. A universidade oferece ferramentas; a vida empresarial testa se o empreendedor sabe utilizá-las.</p>
<h2>Contabilidade pode ser ainda mais útil para alguns negócios</h2>
<p>Para determinados perfis de empreendedor, Ciências Contábeis pode ter uma utilidade prática tão grande quanto Administração. Um dos erros mais comuns na vida empresarial é confundir dinheiro entrando na conta com resultado econômico. Faturamento, lucro e caixa são coisas diferentes, embora frequentemente sejam tratados como se fossem sinônimos.</p>
<p>Uma empresa pode faturar milhões e ter problemas para pagar suas contas. Basta que compre à vista, venda parcelado, mantenha estoque elevado ou opere com margens muito pequenas. Também pode apresentar lucro e, ainda assim, precisar buscar dinheiro no banco para financiar o crescimento. À medida que a empresa aumenta de tamanho, essas diferenças deixam de ser detalhes técnicos e passam a determinar sua sobrevivência.</p>
<p>O empreendedor não precisa fazer pessoalmente a contabilidade da própria companhia, da mesma maneira que não precisa ser advogado para assinar um contrato empresarial. Mas compreender balanço, demonstração de resultado, custos, margem, endividamento, capital de giro e geração de caixa melhora a qualidade das decisões.</p>
<p>Há uma razão para <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338265">empresas</a> aparentemente saudáveis quebrarem mesmo quando continuam vendendo. Muitas vezes, o problema não está na falta de clientes, mas na falta de caixa. Quem compreende os números percebe o problema antes de ele chegar ao banco.</p>
<h2>Economia ajuda a entender o mundo em volta da empresa</h2>
<p>Economia oferece outra perspectiva. Enquanto Administração se concentra muito no funcionamento da organização, a formação econômica permite compreender com maior profundidade o ambiente em que ela precisa sobreviver.</p>
<p>Juros, inflação, câmbio, emprego e renda não são conceitos distantes da realidade de um pequeno empresário. Uma elevação das taxas de juros pode reduzir o consumo financiado, encarecer empréstimos e alterar a viabilidade de uma expansão. Uma desvalorização do real pode aumentar o custo de matéria-prima importada. Uma queda na renda das famílias pode obrigar uma loja a rever preços, produtos e estoques.</p>
<p>O empreendedor não precisa prever o próximo movimento da taxa Selic ou acertar a cotação do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank"  rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338263">dólar</a>. Precisa entender de que maneira mudanças na economia chegam ao seu negócio e preparar a empresa para diferentes cenários.</p>
<p>Por isso, Economia tende a ser particularmente útil em atividades ligadas a investimentos, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338260">mercado</a> financeiro, comércio exterior, indústria e setores fortemente dependentes de crédito ou commodities. É uma formação menos voltada à administração cotidiana de pessoas e processos, mas bastante útil para interpretar os sinais que vêm de fora da companhia.</p>
<h2>Marketing e vendas resolvem um problema que todo empresário terá</h2>
<p>Existe também uma verdade desconfortável para quem abre uma empresa apaixonado pelo produto: <strong>não basta fazer algo bom; alguém precisa comprá-lo</strong>.</p>
<p>É aí que Marketing ganha importância. Conhecer posicionamento de marca, comportamento do consumidor, pesquisa de mercado, canais de distribuição, comunicação e aquisição de clientes pode ser decisivo para transformar uma ideia em receita.</p>
<p>Esse conhecimento ficou ainda mais relevante com a expansão do comércio eletrônico, das redes sociais, dos mecanismos de busca e das plataformas digitais. Uma empresa pequena pode hoje alcançar consumidores em praticamente todo o país, mas também disputa atenção com milhares de concorrentes. Ter acesso ao mercado não significa necessariamente conseguir vender nele.</p>
<p>Um empresário deveria ser capaz de responder a perguntas aparentemente simples: quem é seu cliente, por que ele compra, quanto custa conquistá-lo, qual margem sobra depois da venda e por que ele escolheria aquela empresa em vez de um concorrente?</p>
<p>Quando essas respostas não existem, publicidade pode virar apenas gasto. Quando existem, marketing deixa de ser entendido como “fazer postagem” e passa a funcionar como parte da estratégia do negócio.</p>
<h2>Às vezes, a melhor faculdade é a do próprio setor</h2>
<p>Há ainda uma possibilidade frequentemente ignorada: a melhor formação para um futuro empresário pode não ser Administração.</p>
<p>Quem pretende criar uma empresa de tecnologia pode ganhar enorme vantagem estudando Ciência da Computação. Um engenheiro pode conhecer profundamente o produto ou o processo industrial que pretende transformar em negócio. Um arquiteto pode construir uma empresa dentro de um mercado que já conhece tecnicamente. O mesmo raciocínio vale para diversos outros setores.</p>
<p>Nesses casos, o empreendedor domina primeiro aquilo que vende e aprende gestão paralelamente. Pode fazer cursos de finanças, contratar profissionais especializados, estudar vendas e complementar a formação à medida que a empresa cresce.</p>
<p>Em muitos <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338262">negócios</a>, essa combinação funciona particularmente bem porque conhecimento técnico do setor cria uma barreira que não é simples de reproduzir. Aprender noções de fluxo de caixa pode ser mais rápido do que adquirir anos de formação técnica em determinado segmento.</p>
<p>O erro estaria em acreditar que domínio do produto substitui conhecimento empresarial. Um excelente profissional pode administrar mal uma empresa criada em torno da própria especialidade. Saber executar o serviço e saber transformar aquele serviço em uma organização sustentável são competências diferentes.</p>
<h2>Abrir empresa também envolve burocracia, mas não diploma</h2>
<p>O processo formal de abertura reforça essa distinção. A Redesim organiza atualmente etapas como consulta de viabilidade, inscrição e registro do CNPJ e obtenção das licenças exigidas para o funcionamento. Não há uma etapa geral chamada “comprovação de diploma do proprietário”.</p>
<p>Isso não significa que qualquer atividade possa ser exercida sem requisitos específicos. O licenciamento existe justamente porque determinados negócios estão sujeitos a regras sanitárias, ambientais, municipais, estaduais ou profissionais próprias. A exigência pode estar ligada à atividade da empresa ou à necessidade de profissional habilitado, mas isso é diferente de afirmar que todo empresário precisa ter uma determinada graduação.</p>
<p>Até mesmo o Microempreendedor Individual está inserido nessa lógica de formalização empresarial. A legislação enquadra o MEI a partir da figura do empresário individual e estabelece regras próprias para enquadramento, tributação e atividades permitidas, sem instituir uma faculdade obrigatória para alguém começar a empreender.</p>
<p>O diploma, portanto, pode ser uma ferramenta competitiva. Não é, como regra, uma autorização para empreender.</p>
<h2>O que um empresário deveria aprender antes de abrir o negócio</h2>
<p>Mais importante do que colecionar diplomas é não chegar ao mercado desconhecendo os fundamentos que comandarão a empresa. O primeiro deles é dinheiro. O empreendedor precisa saber quanto custa sua operação, quanto realmente ganha em cada venda e por quanto tempo consegue sobreviver se o faturamento cair.</p>
<p>Depois vêm os clientes. É necessário entender quem compra, por que compra, quanto está disposto a pagar e como a empresa chegará até essa pessoa. Em seguida aparecem as pessoas que trabalham no negócio. Uma companhia que cresce deixa de depender apenas da capacidade individual do fundador e passa a depender da qualidade da equipe que ele consegue montar.</p>
<p>Também existe a dimensão estratégica. Talvez uma das habilidades mais difíceis de aprender seja dizer não. Empresas jovens frequentemente tentam atender todos os públicos, lançar produtos demais e aceitar qualquer oportunidade comercial. O resultado pode ser uma organização ocupada, mas sem direção.</p>
<p>Esse conjunto explica por que não existe uma única faculdade capaz de “formar um empresário”. O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338264">trabalho</a> exige um repertório que atravessa várias áreas e continua sendo construído depois que qualquer curso termina.</p>
<h2>Diploma ajuda, mas não substitui execução</h2>
<p>É tentador transformar a discussão em uma disputa entre faculdade e experiência, como se uma anulasse a outra. Na prática, a oposição faz pouco sentido. Formação acadêmica organiza conhecimento e pode impedir que o empreendedor precise descobrir sozinho erros que já foram estudados durante décadas. Experiência ensina aquilo que dificilmente cabe inteiro em um livro.</p>
<p>O empresário trabalha em condições de incerteza. Muitas decisões precisam ser tomadas antes que todas as informações estejam disponíveis. Não há como saber com absoluta segurança se uma nova loja terá clientes suficientes, se uma contratação dará certo ou se um concorrente reduzirá preços depois de uma expansão.</p>
<p>A experiência desenvolve julgamento. A formação oferece ferramentas para que esse julgamento seja menos dependente de intuição.</p>
<p>É possível construir essa base sem uma graduação tradicional. Cursos livres, livros, programas de capacitação e aprendizado dentro do próprio mercado podem formar empreendedores competentes. O problema começa quando “não preciso de faculdade” passa a ser interpretado como “não preciso estudar”.</p>
<p>São afirmações completamente diferentes.</p>
<p>Uma frase conhecida de Steve Jobs resume a dimensão pessoal do empreendedorismo ao defender que não há razão para deixar de seguir o próprio coração. A disposição para assumir riscos, porém, funciona melhor quando acompanhada pela capacidade de entendê-los.</p>
<h2>Afinal, qual faculdade fazer para ser empresário?</h2>
<p>Para quem quer uma resposta objetiva, <strong>Administração é provavelmente a graduação mais abrangente para quem pretende administrar uma empresa</strong>, porque aproxima o estudante das diversas áreas presentes na rotina de uma organização. Ciências Contábeis pode ser uma excelente escolha para quem deseja forte domínio financeiro; Economia oferece compreensão dos mercados; Marketing aprofunda o conhecimento sobre clientes e vendas; e cursos técnicos ligados ao setor podem fornecer a especialização que dará origem ao próprio negócio.</p>
<p>Mas nenhuma dessas formações é um pré-requisito universal.</p>
<p>O empresário brasileiro não nasce juridicamente quando recebe um diploma. A legislação o define pela atividade econômica que exerce e pelas condições estabelecidas para sua formalização. O que a universidade pode fazer é prepará-lo melhor para o que vem depois da abertura.</p>
<p>E é justamente depois da abertura que começa a parte difícil. Obter um CNPJ transforma uma ideia em uma empresa registrada. <strong>Transformar essa empresa em um negócio que vende, paga suas contas, gera caixa, emprega pessoas e consegue atravessar crises é outra história. Para isso, não existe diploma obrigatório — mas conhecimento dificilmente será opcional.</strong></p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p>Presidência da República — Código Civil Brasileiro, Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002.</p>
<p>Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte — Redesim, orientações oficiais para abertura, registro e licenciamento de empresas.</p>
<p>Ministério da Educação e Conselho Nacional de Educação — Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Administração.</p>
<p>Presidência da República — Lei Complementar nº 123, que disciplina, entre outros temas, o Microempreendedor Individual.</p>
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		<item>
		<title>Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/valuation-o-que-e-como-calcular</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Luiza Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Aug 2026 23:04:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
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		<category><![CDATA[avaliação de empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[fluxo de caixa descontado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Valuation é o processo utilizado para estimar quanto vale uma empresa, uma participação societária ou outro ativo econômico. O cálculo busca transformar expectativas sobre geração de caixa, crescimento e risco em uma estimativa de valor presente. Embora possa resultar em um número específico, o valuation não deve ser confundido com o preço pelo qual uma [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Valuation é o processo utilizado para estimar quanto vale uma empresa, uma participação societária ou outro ativo econômico. O cálculo busca transformar expectativas sobre geração de caixa, crescimento e risco em uma estimativa de valor presente. Embora possa resultar em um número específico, o valuation não deve ser confundido com o preço pelo qual uma companhia necessariamente será comprada ou vendida.</p>
<p>Na prática, uma mesma empresa pode apresentar valuations diferentes dependendo das premissas, da metodologia empregada, do momento econômico e da finalidade da avaliação. Uma companhia avaliada para entrada de um investidor, por exemplo, pode receber tratamento diferente daquele aplicado em uma operação de fusão, aquisição ou venda de participação societária.</p>
<p>O ponto central está na capacidade do negócio de produzir benefícios econômicos no futuro. Receita, margens, investimentos necessários, endividamento, custo de capital e perspectiva de crescimento entram na análise. Quanto maiores forem a incerteza e o risco associados aos fluxos de caixa projetados, maior tende a ser a taxa exigida pelo investidor para remunerar o capital.</p>
<p>Por isso, valuation não é uma ciência exata. O cálculo pode ser tecnicamente sofisticado, mas continua dependendo de estimativas. A própria Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao analisar casos envolvendo fluxo de caixa descontado, já reconheceu que existe margem para o avaliador estabelecer premissas compatíveis com a metodologia utilizada.</p>
<h2>O que significa valuation de uma empresa</h2>
<p>A tradução mais direta de valuation é avaliação. No ambiente empresarial e financeiro, a expressão normalmente representa o processo de estimar o valor econômico de uma companhia.</p>
<p>Essa definição ajuda a separar três conceitos frequentemente tratados como equivalentes: custo, preço e valor. O custo representa os recursos empregados para adquirir ou produzir determinado bem. O preço é aquilo que comprador e vendedor efetivamente acertam em uma transação. O valor, por sua vez, procura refletir os benefícios econômicos associados ao ativo.</p>
<p>Uma empresa pode, portanto, ter valuation de R$ 100 milhões e ser negociada por R$ 80 milhões ou R$ 120 milhões. A diferença pode decorrer do poder de negociação das partes, de sinergias esperadas, da necessidade de liquidez do vendedor, da existência de outros interessados ou de riscos percebidos durante uma due diligence.</p>
<p>Também é necessário distinguir o valor da operação da empresa do valor pertencente aos acionistas. O chamado <strong>Enterprise Value (EV)</strong> procura representar o valor das atividades operacionais. Já o <strong>Equity Value</strong> corresponde ao valor atribuível aos sócios ou acionistas depois dos ajustes financeiros, especialmente dívida e caixa. Essa diferença é fundamental em operações de fusões e aquisições.</p>
<h2>Fluxo de caixa descontado é um dos principais métodos</h2>
<p>Entre as metodologias mais utilizadas está o Fluxo de Caixa Descontado, conhecido pela sigla FCD ou, em inglês, DCF. A lógica consiste em projetar o caixa que a companhia poderá gerar no futuro e trazê-lo para o valor presente mediante uma taxa que incorpore o risco do negócio.</p>
<p>O método parte de uma premissa econômica simples: R$ 1 milhão disponível hoje não possui o mesmo valor de R$ 1 milhão a ser recebido daqui a vários anos. Além do efeito do tempo, existe o risco de que os resultados projetados não se concretizem.</p>
<p>Normalmente, o analista estima receitas, custos, despesas, impostos, investimentos e necessidade de capital de giro para construir os fluxos futuros. Em seguida, utiliza uma taxa de desconto. Quando são considerados simultaneamente capital próprio e recursos de terceiros, uma referência recorrente é o <strong>WACC</strong>, sigla de Weighted Average Cost of Capital, ou custo médio ponderado de capital.</p>
<p>A CVM possui precedentes envolvendo avaliações econômicas feitas por fluxo de caixa descontado e análises sobre variáveis como custo de capital próprio, beta e WACC, o que demonstra a presença dessa metodologia em avaliações empresariais utilizadas no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338200">mercado</a> de capitais brasileiro.</p>
<p>Uma das partes mais sensíveis do FCD é o valor terminal, que busca representar a geração de caixa posterior ao período explícito de projeção. Pequenas alterações na taxa de crescimento de longo prazo ou na taxa de desconto podem provocar mudanças expressivas no valuation. Por isso, um modelo tecnicamente correto deve apresentar premissas transparentes e, preferencialmente, análises de sensibilidade.</p>
<h2>Como calcular valuation pelo fluxo de caixa descontado</h2>
<p>Imagine uma empresa que deverá produzir fluxos de caixa livres de R$ 5 milhões, R$ 6 milhões, R$ 7 milhões, R$ 8 milhões e R$ 9 milhões durante os próximos cinco anos. Esses valores não podem simplesmente ser somados e considerados como valuation.</p>
<p>Cada fluxo precisa ser descontado por uma taxa compatível com o risco. Se o custo de capital considerado fosse de 12% ao ano, os R$ 9 milhões esperados no quinto ano teriam valor presente significativamente inferior a R$ 9 milhões. O mesmo procedimento seria realizado com todos os demais períodos.</p>
<p>Depois é necessário calcular o valor terminal, que representa a parcela do negócio correspondente aos anos posteriores à projeção explícita. O valor presente dos fluxos projetados e do valor terminal compõe uma estimativa do valor operacional da companhia.</p>
<p>Se esse cálculo apontasse Enterprise Value de R$ 100 milhões e a empresa tivesse dívida financeira líquida de R$ 20 milhões, uma simplificação levaria a Equity Value próximo de R$ 80 milhões. É esse segundo número que, depois de outros ajustes eventualmente necessários, estaria mais próximo do valor econômico pertencente aos acionistas.</p>
<p>O exercício mostra por que faturamento isoladamente não determina quanto vale uma companhia. Duas <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338199">empresas</a> com receita anual de R$ 100 milhões podem receber valuations radicalmente diferentes se uma apresentar margens elevadas, baixo endividamento e crescimento consistente enquanto a outra consumir caixa e depender continuamente de novos financiamentos.</p>
<h2>Valuation por múltiplos compara empresas semelhantes</h2>
<p>Outro método bastante utilizado é o valuation relativo, baseado em múltiplos. Em vez de construir toda a avaliação a partir da geração futura de caixa, o analista observa quanto o mercado está disposto a pagar por empresas consideradas comparáveis.</p>
<p>Entre os indicadores mais conhecidos estão EV/Ebitda, preço sobre lucro (P/L), preço sobre valor patrimonial e EV/receita. A escolha depende do setor, do estágio da empresa e da característica econômica do negócio.</p>
<p>Uma companhia que negocia a oito vezes seu Ebitda, por exemplo, pode funcionar como referência para outra empresa do mesmo setor. Se o negócio avaliado produzir Ebitda de R$ 20 milhões e um múltiplo de oito vezes for considerado justificável, o cálculo indicaria Enterprise Value de aproximadamente R$ 160 milhões antes dos ajustes necessários.</p>
<p>O problema está justamente na palavra “comparável”. Empresas aparentemente semelhantes podem apresentar estruturas de capital, margens, riscos, governança, crescimento e posicionamento competitivo diferentes. Aplicar o múltiplo de uma companhia a outra sem esses ajustes pode gerar uma aparência de precisão que o modelo não possui.</p>
<h2>Valuation patrimonial e de liquidação atendem a outras situações</h2>
<p>O valuation patrimonial parte dos ativos e passivos existentes no balanço. É uma abordagem particularmente útil em <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="338198">negócios</a> cuja geração de valor está fortemente relacionada aos ativos controlados, mas pode ter limitações importantes quando grande parte da riqueza da companhia depende de marca, tecnologia, relacionamento com clientes, capital intelectual ou outros intangíveis.</p>
<p>Já a avaliação por liquidação procura estimar quanto restaria caso os ativos fossem vendidos e as obrigações pagas. O raciocínio pode ser relevante para empresas em dificuldades financeiras ou em cenários nos quais a continuidade operacional deixou de representar a principal hipótese de análise.</p>
<p>Não existe, portanto, um método universalmente superior em qualquer circunstância. A finalidade do valuation determina qual abordagem merece maior peso. Em diversas operações, avaliadores trabalham com mais de uma metodologia para verificar se os resultados produzidos são economicamente coerentes.</p>
<p>No mercado de capitais brasileiro, a avaliação também possui implicações regulatórias. A Resolução CVM 215 estabeleceu o novo regime para ofertas públicas de aquisição de ações e substituiu a antiga Resolução CVM 85. A regulamentação faz parte do arcabouço aplicável às OPAs e entrou em vigor em julho de 2025.</p>
<h2>Pre-money e post-money são fundamentais para startups</h2>
<p>Em rodadas de investimento, dois conceitos aparecem com frequência: <strong>pre-money valuation</strong> e <strong>post-money valuation</strong>. O primeiro representa o valor da companhia antes da entrada do novo capital. O segundo corresponde ao valor depois do aporte.</p>
<p>Se uma startup possui valuation pre-money de R$ 40 milhões e recebe investimento de R$ 10 milhões, o valuation post-money, em uma estrutura simplificada, passa a R$ 50 milhões. O investidor que aplicou os R$ 10 milhões teria, nesse exemplo, participação equivalente a 20% do capital econômico após a rodada.</p>
<p>O cálculo parece simples, mas a estrutura efetiva pode ser muito mais complexa. Direitos de preferência, opções, ações preferenciais, instrumentos conversíveis, cláusulas antidiluição e planos de participação de funcionários podem alterar a parcela econômica de cada acionista.</p>
<p>Startups também apresentam uma dificuldade adicional: muitas ainda não produzem lucro ou fluxo de caixa positivo. Nesses casos, crescimento, mercado endereçável, capacidade de monetização, retenção de clientes e necessidade futura de capital podem assumir peso maior na negociação.</p>
<h2>Por que dois valuations da mesma empresa podem ser diferentes</h2>
<p>A diferença entre valuations não significa necessariamente que um deles esteja errado. Alterações aparentemente pequenas nas premissas são capazes de produzir resultados substancialmente diferentes.</p>
<p>Uma companhia pode ser avaliada considerando crescimento anual de 3% ou de 5% na perpetuidade. O custo de capital pode ser estimado em 10%, 12% ou 14%. A margem operacional projetada também pode variar conforme a visão do analista sobre concorrência, ganho de escala e preços.</p>
<p>É justamente por isso que um valuation profissional não deveria ser analisado apenas pelo resultado final. As premissas usadas para alcançar o número são tão importantes quanto o número em si.</p>
<p>O Comitê de Pronunciamentos Contábeis mantém o CPC 46, correlacionado à IFRS 13, dedicado à mensuração do valor justo. Embora valor justo contábil e valuation empresarial não sejam conceitos automaticamente intercambiáveis, o pronunciamento evidencia a importância de critérios de mensuração dentro da estrutura financeira e contábil brasileira.</p>
<h2>Erros podem inflar ou destruir o valuation</h2>
<p>Projeções excessivamente otimistas estão entre os riscos mais evidentes. Crescimento muito superior ao mercado por longos períodos, expansão de margem sem justificativa operacional ou investimentos insuficientes para sustentar o aumento da receita podem elevar artificialmente o valor estimado.</p>
<p>Outro erro frequente é misturar Enterprise Value e Equity Value. Uma empresa altamente endividada pode possuir operação valiosa sem que o mesmo valor pertença aos acionistas. Ignorar dívida líquida, contingências e outros ajustes pode distorcer significativamente a análise.</p>
<p>Também é inadequado tratar múltiplos como regras universais. Uma companhia negociada a dez vezes Ebitda não transforma automaticamente dez vezes Ebitda no múltiplo correto para todos os seus concorrentes.</p>
<p>Por fim, valuation não substitui due diligence. O modelo estima valor com base nas informações e premissas disponíveis; a investigação financeira, contábil, jurídica, tributária e operacional procura determinar se essas informações refletem adequadamente a realidade do negócio.</p>
<h2>Para que serve o valuation</h2>
<p>O valuation pode subsidiar venda de empresas, fusões e aquisições, captação de investimentos, reorganizações societárias, entrada ou saída de sócios, sucessões, decisões de investimento e análises sobre companhias negociadas em Bolsa.</p>
<p>Para o empreendedor, conhecer o valor econômico do negócio também ajuda a compreender quais fatores efetivamente criam riqueza. A análise pode revelar que crescimento sem margem destrói valor, que excesso de dívida aumenta o risco ou que determinados investimentos apresentam retorno superior ao custo de capital.</p>
<p>Para o investidor, valuation funciona principalmente como referência para comparar o valor estimado de um ativo com o preço exigido para adquiri-lo. Quanto maior a diferença favorável entre preço e valor calculado — desde que as premissas estejam corretas — maior pode ser a margem de segurança da decisão.</p>
<p>O resultado final, portanto, não deve ser interpretado como uma verdade imutável. Valuation é uma fotografia produzida a partir de expectativas sobre um futuro que ainda não aconteceu. Quando juros, resultados, riscos, concorrência ou perspectivas de crescimento mudam, o valor econômico estimado da empresa também pode mudar.</p>
<p><strong>Fontes:</strong></p>
<p><em>Comissão de Valores Mobiliários — regulamentação das ofertas públicas de aquisição e precedentes envolvendo laudos de avaliação e fluxo de caixa descontado.</em></p>
<p><em>Comitê de Pronunciamentos Contábeis — CPC 46, Mensuração do Valor Justo.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Banco do Brasil e BYD ampliam financiamento de carros pelo Move Brasil</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/banco-do-brasil-byd-move-brasil-carros-eletricos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Marcondes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 20:52:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Banco do Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[Move Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[taxistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Banco do Brasil (BBAS3) ampliou sua atuação no Move Brasil com uma parceria comercial com a BYD para financiar veículos de menor impacto ambiental a motoristas de aplicativos e taxistas. A oferta permite financiar automóveis elegíveis de até R$ 150 mil, com prazo de até 72 meses, carência de até seis meses e juros [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Banco do Brasil (BBAS3) ampliou sua atuação no Move Brasil com uma parceria comercial com a BYD para financiar veículos de menor impacto ambiental a motoristas de aplicativos e taxistas. A oferta permite financiar automóveis elegíveis de até R$ 150 mil, com prazo de até 72 meses, carência de até seis meses e juros de 0,91% ao mês para mulheres e 0,99% para os demais clientes. A contratação continua sujeita à elegibilidade no programa federal e à análise de crédito feita pelo banco.</p>
<p>A aproximação entre o BB e a montadora chinesa transforma uma <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337937">política</a> pública de renovação de frota em uma operação de varejo dentro das concessionárias. No sábado, 8 de agosto, o banco promoveu uma mobilização em cerca de 125 lojas da BYD, atendeu aproximadamente 1,2 mil motoristas e registrou mais de R$ 30 milhões em propostas de financiamento. O valor representa intenção de crédito submetida à análise, e não necessariamente contratos já desembolsados.</p>
<p>O desenho tenta resolver uma das fricções do programa: depois de ser considerado apto na plataforma do governo, o motorista ainda precisa encontrar um veículo enquadrado e uma instituição financeira disposta a assumir o risco da operação. Ao aproximar banco, concessionária e cliente no mesmo ponto de venda, a parceria busca encurtar esse caminho.</p>
<p>Para a BYD, o público de aplicativos e táxis utiliza o automóvel como ativo de <a class="wpil_keyword_link" title="Trabalho" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337939">trabalho</a>, com quilometragem normalmente superior à de um veículo de uso particular. Isso coloca preço, gasto com energia ou combustível, manutenção, seguro e prestação no centro da decisão econômica sobre a troca do carro.</p>
<h2>Crédito tem teto de R$ 150 mil e prazo de seis anos</h2>
<p>O Move Brasil estabelece condições comuns para as instituições financeiras participantes. Motoristas de aplicativo precisam manter cadastro ativo por pelo menos 12 meses na mesma plataforma e comprovar ao menos 100 corridas nesse período. Taxistas devem estar devidamente registrados e ativos. A iniciativa é voltada a pessoas físicas e limita a aquisição a um veículo por CPF.</p>
<p>Para automóveis novos, o valor final da nota fiscal deve ser de até R$ 150 mil. O veículo também precisa cumprir critérios de sustentabilidade e constar das relações de modelos e fabricantes habilitados. Entre as tecnologias admitidas estão modelos elétricos, híbridos a etanol e veículos flex enquadrados nas regras oficiais.</p>
<p>O BNDES permite financiar até 100% dos itens elegíveis, mas isso não significa crédito sem entrada para todos. A instituição financeira que assume o risco pode definir o percentual financiado e exigir sinal conforme sua política. A aprovação do cadastro no portal do governo apenas confirma que o motorista cumpre os requisitos do programa; ela não substitui a avaliação financeira do banco.</p>
<p>Na oferta divulgada pelo Banco do Brasil, os juros são de 0,91% ao mês para mulheres e 0,99% ao mês para os demais clientes, com pagamento em até 72 meses. A carência pode chegar a seis meses para amortização do principal. Durante esse período, os juros continuam sendo pagos e não podem ser incorporados ao saldo devedor, conforme as regras do BNDES.</p>
<h2>Move Brasil opera com recursos de até R$ 30 bilhões</h2>
<p>A linha para motoristas integra uma estrutura de crédito de até R$ 30 bilhões coordenada pelo governo federal e operacionalizada pelo BNDES por meio de instituições financeiras credenciadas. O modelo é indireto: os recursos passam pelo sistema bancário, e o agente financeiro decide se concede ou não o financiamento.</p>
<p>Do montante previsto, pelo menos R$ 3 bilhões foram reservados para mulheres e outros R$ 3 bilhões para taxistas. A diferenciação de taxa também favorece as motoristas, que têm custo máximo inferior ao aplicado aos demais tomadores.</p>
<p>O protocolo do BNDES começou a receber operações em 19 de junho. Antes de procurar o banco, o profissional precisa se cadastrar na plataforma oficial do Move Brasil, que verifica se os critérios de participação são atendidos. A resposta sobre a elegibilidade é encaminhada após o processamento das informações disponíveis ao governo.</p>
<p>Para motoristas de aplicativos, o governo utiliza informações fornecidas pelas plataformas cadastradas. Não há exclusividade para Uber ou 99. Outras <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337938">empresas</a> podem participar desde que estejam integradas ao programa. As 100 corridas exigidas, contudo, precisam ter sido realizadas em uma mesma plataforma; não é permitido somar viagens feitas em aplicativos diferentes.</p>
<p>Depois da confirmação de elegibilidade começa uma segunda seleção, agora financeira. O banco analisa renda, histórico de crédito, capacidade de pagamento e seus critérios internos. A política pública reduz o custo e organiza as condições, mas não elimina o risco bancário.</p>
<h2>Parceria leva financiamento para dentro das concessionárias</h2>
<p>A mobilização realizada pelo BB e pela BYD em agosto mostra como essa segunda etapa pode ser organizada. Em aproximadamente 125 concessionárias, equipes atenderam 1,2 mil profissionais e reuniram mais de R$ 30 milhões em propostas.</p>
<p>Uma proposta pode ser rejeitada, alterada ou aprovada por valor distinto do solicitado. Por isso, os R$ 30 milhões não devem ser tratados como financiamento já liberado. O número mostra a demanda capturada durante a ação comercial e a capacidade de geração de <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337940">negócios</a> da parceria.</p>
<p>Para o Banco do Brasil, a operação abre uma relação mais ampla com trabalhadores autônomos cuja vida financeira gira em torno do veículo. Além do crédito, o banco anunciou seguros, cartões, assistências e coberturas voltadas a esse público, ampliando a possibilidade de relacionamento para além do financiamento.</p>
<p>A BYD entra com a rede de concessionárias e modelos que podem se enquadrar no programa. Nas condições comerciais de agosto, a montadora oferece, por exemplo, bônus de R$ 8 mil para a compra do Dolphin GS por meio do Move Brasil, condicionado às regras promocionais e à aprovação de crédito pela instituição responsável.</p>
<h2>Elétrico passa a ser analisado como ferramenta de trabalho</h2>
<p>A entrada de veículos elétricos acrescenta uma variável econômica diferente da compra convencional. Para quem utiliza o automóvel profissionalmente, o preço de aquisição é apenas uma parcela do custo. Consumo de energia ou combustível, manutenção, depreciação, seguro, disponibilidade para rodar e valor da prestação interferem diretamente na renda líquida.</p>
<p>Um prazo de até seis anos reduz a amortização mensal, mas prolonga a exposição à dívida e exige atenção ao custo total do contrato. A carência inicial também não elimina o custo financeiro: como os juros precisam ser pagos durante o período, ela adia o principal, mas não cria meses sem desembolso financeiro.</p>
<p>No caso de um elétrico, a viabilidade depende ainda da rotina do motorista. Acesso à recarga, tarifa de energia, autonomia, tempo de carregamento e quilometragem diária influenciam o custo de uso. Para profissionais que percorrem muitos quilômetros por mês, diferenças pequenas por quilômetro podem ganhar peso relevante ao longo do ano.</p>
<p>É nesse público de utilização intensiva que o programa pode funcionar como porta de entrada para novas tecnologias de propulsão. Ao mesmo tempo, a necessidade de manter o automóvel disponível para trabalhar torna manutenção e tempo de parada fatores mais sensíveis do que para consumidores de uso particular.</p>
<h2>Banco mantém decisão sobre aprovação do crédito</h2>
<p>Embora o Move Brasil tenha sido criado pelo governo e utilize a estrutura do BNDES, a instituição financeira continua responsável pela análise. Nas operações indiretas, o agente credenciado assume o risco perante o banco de desenvolvimento, ressalvados mecanismos específicos de garantia previstos pelo programa.</p>
<p>O Move Motoristas permite o uso do FGI Peac como garantia parcial em operações elegíveis. O instrumento pode reduzir a exposição do banco e facilitar o acesso ao crédito, mas não funciona como seguro para o motorista nem elimina sua obrigação de pagamento.</p>
<p>Essa arquitetura explica por que dois profissionais igualmente aptos na plataforma federal podem receber decisões diferentes. O cumprimento dos requisitos profissionais abre acesso ao programa; a capacidade de pagamento continua sendo examinada individualmente.</p>
<p>Também não há obrigação geral de entrada zero. O BNDES informa que o programa não exige sinal, mas deixa ao agente financeiro a decisão de solicitá-lo. Percentual financiado, entrada e aprovação podem variar conforme o perfil de crédito.</p>
<h2>Prazo atual coloca pressão sobre as contratações</h2>
<p>Segundo as regras publicadas pelo BNDES, as instituições credenciadas devem contratar as operações com motoristas até 15 de setembro de 2026, data indicada como limite da vigência da Medida Provisória 1.359/2026 que ampara a linha, salvo mudança legislativa ou normativa posterior.</p>
<p>Isso cria uma janela curta entre a abertura dos protocolos, em 19 de junho, e a data-limite atual. A parceria com a BYD ocorre justamente nessa fase, quando bancos e concessionárias procuram converter profissionais elegíveis em operações contratadas.</p>
<p>Para o Banco do Brasil, os mais de R$ 30 milhões em propostas obtidos na mobilização mostram o potencial comercial do canal, mas o indicador decisivo será o montante efetivamente aprovado e desembolsado. Para a BYD, a medida aproxima seus veículos de um público cuja decisão de compra é fortemente determinada pela relação entre prestação e custo operacional.</p>
<p>A próxima etapa será a conversão das propostas coletadas nas concessionárias em contratos. Cada operação continuará condicionada à elegibilidade do motorista, ao enquadramento do veículo e à aprovação de crédito pelo BB, mantendo o Move Brasil como facilitador do financiamento sem substituir a avaliação de risco realizada pelo banco.</p>
<hr />
<h2>Fontes primárias</h2>
<ul>
<li>Banco do Brasil — BB amplia atuação no Move Brasil com parceria com a BYD — 13 de agosto de 2026 — <code>https://www.bb.com.br/pbb/pagina-inicial/imprensa/n/69235/BB%20amplia%20atua%C3%A7%C3%A3o%20no%20Move%20Brasil%20com%20parceria%20com%20a%20BYD</code></li>
<li>BNDES — Programa BNDES Move Motoristas — <code>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/produto/programa-move-motoristas/programa-bndes-move-motoristas</code></li>
<li>Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — Perguntas Frequentes do Move Brasil para taxistas e motoristas de aplicativos — atualização de 17 de julho de 2026 — <code>https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/sdic/move-brasil/taxi-e-aplicativos/faq</code></li>
<li>Governo Federal — Solicitar adesão ao Move Brasil Táxi e Aplicativos — atualização de 23 de junho de 2026 — <code>https://www.gov.br/pt-br/servicos/solicitar-adesao-ao-move-brasil-taxi-e-aplicativos</code></li>
<li>BYD Brasil — Condições comerciais e benefício associado ao Move Brasil — atualização de 5 de agosto de 2026 — <code>https://www.byd.com/br/condicoes</code></li>
</ul>
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			</item>
		<item>
		<title>Energia solar acelera e ajuda renováveis a superar carvão na geração global em 2026</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/energia-solar-renovaveis-superam-carvao-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 17:47:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[AIE]]></category>
		<category><![CDATA[carvão]]></category>
		<category><![CDATA[data centers]]></category>
		<category><![CDATA[eletricidade]]></category>
		<category><![CDATA[energia elétrica]]></category>
		<category><![CDATA[energia renovável.]]></category>
		<category><![CDATA[energia solar]]></category>
		<category><![CDATA[geração solar]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[transição energética]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A energia solar deve manter em 2026 um dos ritmos de expansão mais fortes entre todas as fontes de geração elétrica e será uma das principais responsáveis por uma mudança histórica na matriz mundial: pela primeira vez, as fontes renováveis, consideradas em conjunto, devem superar o carvão na produção global de eletricidade. A projeção consta [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A <strong>energia solar</strong> deve manter em 2026 um dos ritmos de expansão mais fortes entre todas as fontes de geração elétrica e será uma das principais responsáveis por uma mudança histórica na matriz mundial: pela primeira vez, as fontes renováveis, consideradas em conjunto, devem superar o carvão na produção global de eletricidade.</p>
<p>A projeção consta do <em>Electricity Mid-Year Update 2026</em>, atualização de meio de ano da Agência Internacional de Energia (AIE). O relatório estima crescimento superior a 8% na geração renovável em 2026, depois de essas fontes terem praticamente alcançado o carvão em 2025.</p>
<p>A mudança ocorre justamente em um momento no qual o consumo mundial de eletricidade continua acelerando. A AIE projeta que a demanda global aumentará <strong>3,6% em 2026</strong> e mais <strong>3,8% em 2027</strong>, depois de crescer 3% no ano passado. O consumo deve passar de aproximadamente 28.600 terawatts-hora (TWh) em 2025 para 30.700 TWh em 2027.</p>
<p>Esse avanço é sustentado por diferentes fatores estruturais, entre eles a expansão da atividade industrial, a maior utilização de aparelhos elétricos, a eletrificação dos transportes, o crescimento do uso de ar-condicionado e bombas de calor e a rápida multiplicação dos data centers, particularmente daqueles dedicados a aplicações de inteligência artificial.</p>
<h2>Energia solar lidera crescimento da oferta mundial</h2>
<p>A geração solar fotovoltaica permanece como a principal responsável pelo aumento da oferta de eletricidade no mundo. Para 2026, a AIE estima um acréscimo de aproximadamente <strong>600 TWh na produção solar</strong>, volume semelhante ao crescimento recorde registrado no ano anterior.</p>
<p>Mantido esse movimento, a geração solar deve ultrapassar a eólica ainda em 2026, tornando-se a segunda maior fonte renovável de eletricidade do mundo, atrás apenas das hidrelétricas.</p>
<p>Esse ponto é importante para compreender a transformação da matriz global. Não é a energia solar isoladamente que deve produzir mais eletricidade do que o carvão em 2026. A ultrapassagem prevista pela AIE ocorre quando todas as fontes renováveis — incluindo solar, eólica, hidráulica, bioenergia e outras tecnologias — são consideradas em conjunto.</p>
<p>A participação das renováveis na geração mundial, estimada em cerca de 33% em 2025, deve chegar a aproximadamente <strong>37% em 2027</strong>. Além de aumentar sua contribuição em termos percentuais, essas fontes precisarão responder a uma parcela cada vez maior do crescimento absoluto do consumo elétrico.</p>
<h2>China e Índia impulsionam demanda por eletricidade</h2>
<p>O avanço da eletrificação será particularmente intenso nas maiores economias emergentes. Na China, a demanda por eletricidade deve crescer cerca de <strong>5,5% em 2026</strong>, acima dos 5,2% registrados em 2025.</p>
<p>Entre os fatores que sustentam o consumo chinês estão a produção industrial, a eletrificação crescente de diferentes atividades e o aumento da frota de veículos elétricos, que amplia a necessidade de infraestrutura de recarga.</p>
<p>Na Índia, a AIE prevê crescimento ainda mais expressivo, de aproximadamente <strong>7% neste ano</strong>, após uma expansão de apenas 1,6% em 2025, quando fatores climáticos reduziram o consumo.</p>
<p>Estados Unidos e União Europeia também devem registrar aumento próximo de 2%. No caso norte-americano, os data centers aparecem entre os componentes que vêm exercendo pressão crescente sobre a rede elétrica, juntamente com a indústria e o maior uso de climatização.</p>
<p>O crescimento simultâneo da demanda em diferentes regiões reforça a dimensão do desafio. As fontes renováveis não precisam apenas substituir gradualmente parte da eletricidade produzida por combustíveis fósseis. Elas também precisam acompanhar um sistema global cujo tamanho continua aumentando.</p>
<h2>Carvão ainda resiste diante do preço elevado do gás</h2>
<p>Apesar do avanço estrutural das fontes de baixo carbono, o carvão continua desempenhando papel relevante na geração mundial e voltou a ganhar espaço em determinados mercados em 2026.</p>
<p>A elevação dos preços internacionais do gás natural, associada às perturbações no <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337814">mercado</a> de gás natural liquefeito, levou algumas economias da Ásia e da Europa a aumentar temporariamente a utilização de carvão para geração elétrica.</p>
<p>Segundo a AIE, os preços do gás em importantes mercados asiáticos e europeus chegaram aos níveis mais altos desde a crise energética de 2022 e 2023. O encarecimento tornou a substituição do gás pelo carvão economicamente mais atraente em determinados sistemas elétricos, ainda que isso represente aumento da intensidade de carbono.</p>
<p>A geração mundial a gás deve permanecer praticamente estável em 2026, enquanto o carvão pode apresentar crescimento em algumas regiões. Para 2027, a expectativa é de retomada da produção elétrica a partir do gás, embora tensões geopolíticas continuem representando uma fonte relevante de incerteza.</p>
<p>O comportamento mostra que a transição energética não ocorre de forma uniforme. Custos dos combustíveis, segurança energética, disponibilidade de infraestrutura e condições geopolíticas podem alterar rapidamente a composição da geração utilizada por cada país.</p>
<h2>Emissões do setor elétrico ainda devem aumentar em 2026</h2>
<p>Mesmo com a expansão recorde da energia solar e de outras renováveis, as emissões globais de dióxido de carbono provenientes da geração de eletricidade ainda não devem cair imediatamente.</p>
<p>A AIE estima uma <strong>alta de aproximadamente 1% nas emissões do setor elétrico em 2026</strong>, seguida de relativa estabilidade em 2027.</p>
<p>Parte desse crescimento está relacionada justamente à maior utilização de carvão diante do encarecimento do gás, além de fatores climáticos que elevaram o uso de usinas movidas a combustíveis fósseis em determinados mercados durante o primeiro semestre.</p>
<p>Para 2027, a expectativa é de que o aumento simultâneo da geração renovável, nuclear e a gás consiga atender ao crescimento da demanda e reduzir a necessidade de geração adicional a carvão, impedindo uma nova expansão relevante das emissões.</p>
<p>O quadro evidencia uma das principais dificuldades da descarbonização do sistema elétrico mundial: instalar capacidade renovável em velocidade suficiente não apenas para substituir ativos fósseis existentes, mas também para absorver a crescente necessidade de eletricidade.</p>
<h2>Energia solar deve ganhar ainda mais peso até 2030</h2>
<p>As projeções de médio prazo reforçam o papel estratégico da geração fotovoltaica. No relatório <em>Electricity 2026</em>, publicado anteriormente pela AIE, a agência estima que a geração renovável poderá aumentar em aproximadamente 1.050 TWh por ano até 2030.</p>
<p>Somente a energia solar deverá responder, em média, por mais de <strong>600 TWh adicionais anualmente</strong> durante esse período.</p>
<p>Com isso, a participação da solar fotovoltaica na geração elétrica mundial pode praticamente dobrar, saindo de cerca de 8% em 2025 para aproximadamente <strong>15% em 2030</strong>.</p>
<p>As fontes renováveis e a energia nuclear, consideradas conjuntamente, devem alcançar perto de metade da geração mundial até o final da década. Ao mesmo tempo, a participação do carvão tende a cair, embora o combustível permaneça importante em grandes mercados asiáticos e continue sendo uma fonte individual relevante da matriz global.</p>
<p>O avanço da solar também está relacionado à redução dos custos dos equipamentos, à expansão das cadeias industriais e à disseminação da tecnologia em mercados que anteriormente possuíam participação fotovoltaica relativamente pequena.</p>
<h2>Redes elétricas passam a ser parte central da transição</h2>
<p>Quanto maior a participação da energia solar e da geração eólica, maior também é a necessidade de investimentos em redes, armazenamento e mecanismos capazes de equilibrar oferta e demanda ao longo do dia.</p>
<p>Solar e eólica possuem produção variável, sujeita às condições meteorológicas. Em sistemas com grande capacidade instalada, pode haver períodos de oferta abundante e preços muito baixos, seguidos por momentos nos quais outras fontes ou sistemas de armazenamento precisam responder rapidamente à demanda.</p>
<p>A AIE alerta que episódios de preços negativos de eletricidade vêm se tornando mais frequentes em alguns mercados. O fenômeno pode indicar insuficiência de flexibilidade técnica, regulatória ou contratual para absorver grandes volumes de geração renovável em determinados horários.</p>
<p>Por isso, baterias, gestão da demanda, redes mais robustas, interligações regionais e sinais de preços mais eficientes passam a ocupar posição estratégica na expansão das fontes renováveis.</p>
<p>A próxima etapa da transição elétrica mundial, portanto, não dependerá exclusivamente da instalação de painéis solares e turbinas eólicas. A infraestrutura necessária para transportar, armazenar e administrar essa eletricidade será igualmente relevante.</p>
<h2>El Niño adiciona incerteza ao cenário energético</h2>
<p>As condições climáticas também representam um fator de risco para as projeções. A AIE considera que um episódio de El Niño mais intenso do que o esperado em 2026 poderia elevar ainda mais o consumo mundial de eletricidade devido ao aumento das necessidades de refrigeração.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o fenômeno pode prejudicar a geração hidrelétrica e, em determinadas regiões, também afetar a produção eólica. América Latina e Sudeste Asiático aparecem entre as áreas potencialmente mais sensíveis a essas alterações.</p>
<p>Uma redução da oferta hidrelétrica, combinada ao aumento do consumo, poderia obrigar alguns sistemas a recorrer temporariamente a térmicas movidas a carvão ou gás natural para garantir o abastecimento.</p>
<p>Esse tipo de evento reforça a importância da diversificação da matriz e da capacidade de resposta dos sistemas elétricos, especialmente em países cuja geração depende fortemente de uma única fonte.</p>
<h2>Energia solar consolida mudança estrutural da matriz mundial</h2>
<p>O avanço previsto para 2026 representa mais do que um novo recorde de instalação de capacidade renovável. A possibilidade de as renováveis ultrapassarem o carvão na geração mundial mostra que a composição da oferta elétrica está entrando em uma nova etapa.</p>
<p>A energia solar ocupa posição central nesse processo. O acréscimo projetado de cerca de 600 TWh somente neste ano equivale a uma expansão suficientemente grande para modificar o equilíbrio entre as principais fontes do sistema elétrico internacional.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o crescimento das emissões em 2026, o retorno temporário do carvão em alguns mercados e a pressão exercida pelo aumento da demanda deixam claro que a transformação ainda está longe de concluída.</p>
<p>A próxima confirmação relevante deverá vir dos dados consolidados de geração ao longo de 2026 e das revisões subsequentes da Agência Internacional de Energia. Esses números mostrarão se a expansão das renováveis foi suficiente para confirmar, na prática, a ultrapassagem do carvão projetada para este ano.</p>
<hr />
<h2>Fontes primárias</h2>
<p>Agência Internacional de Energia (AIE) — Electricity Mid-Year Update 2026<br />
Agência Internacional de Energia (AIE) — Global electricity demand growth set to accelerate as power systems adjust to recent shocks<br />
Agência Internacional de Energia (AIE) — Electricity 2026</p>
<p>&nbsp;</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Anvisa libera entrega de medicamentos por iFood, Rappi e Mercado Livre; veja o que muda</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/anvisa-entrega-medicamentos-ifood-rappi-mercado-livre</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2026 20:30:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Anvisa]]></category>
		<category><![CDATA[aplicativos]]></category>
		<category><![CDATA[comércio eletrônico]]></category>
		<category><![CDATA[entrega de medicamentos]]></category>
		<category><![CDATA[farmácias]]></category>
		<category><![CDATA[iFood]]></category>
		<category><![CDATA[Lei 15.357]]></category>
		<category><![CDATA[Medicamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado Livre]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Rappi]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) retirou restrições que atingiam a oferta e a entrega de medicamentos por meio de plataformas digitais como iFood, Rappi e Mercado Livre, adequando sua atuação à legislação sancionada em março de 2026. A mudança abre caminho para que farmácias e drogarias regularmente licenciadas utilizem marketplaces e aplicativos como [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A <strong>Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)</strong> retirou restrições que atingiam a oferta e a entrega de medicamentos por meio de plataformas digitais como <strong>iFood, Rappi e Mercado Livre</strong>, adequando sua atuação à legislação sancionada em março de 2026. A mudança abre caminho para que farmácias e drogarias regularmente licenciadas utilizem marketplaces e aplicativos como canais de intermediação logística e entrega aos consumidores, sem transferir às plataformas a responsabilidade sanitária pela dispensação dos produtos.</p>
<p>A alteração decorre da <strong>Lei nº 15.357, de 20 de março de 2026</strong>, que modificou a Lei nº 5.991/1973 e estabeleceu expressamente que farmácias e drogarias registradas nos órgãos competentes podem contratar canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para fins de logística e entrega. A autorização, porém, está condicionada ao cumprimento integral das normas sanitárias aplicáveis.</p>
<p>Essa distinção é central para entender o alcance da mudança. A nova legislação não autoriza qualquer vendedor de marketplace a comercializar medicamentos nem transforma <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337633">empresas</a> de tecnologia em estabelecimentos farmacêuticos. A venda continua vinculada a farmácias e drogarias legalmente constituídas, enquanto as plataformas funcionam como intermediárias digitais e, conforme o modelo adotado, como canais para viabilizar a logística de entrega.</p>
<p>O novo cenário modifica uma área que vinha sendo alvo de medidas preventivas e ações de fiscalização da Anvisa, especialmente diante da rápida expansão do comércio eletrônico e da dificuldade de separar operações legítimas de anúncios irregulares. A própria agência tem ampliado a fiscalização de marketplaces e já realizou operações em centros logísticos para retirar produtos sem registro ou autorização sanitária.</p>
<h2>O que muda na compra de medicamentos por aplicativos</h2>
<p>A principal mudança é jurídica: a legislação passou a reconhecer explicitamente que uma farmácia ou drogaria licenciada pode utilizar uma plataforma de comércio eletrônico para chegar ao consumidor e organizar a entrega do medicamento.</p>
<p>O parágrafo 6º incluído no artigo 6º da Lei nº 5.991 determina que esses estabelecimentos podem contratar canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para logística e entrega, desde que sejam cumpridas todas as exigências sanitárias. Isso significa que a origem do medicamento, a regularidade da farmácia, a necessidade de prescrição, as regras de dispensação e eventuais controles especiais continuam existindo independentemente do aplicativo utilizado.</p>
<p>Em operações desse tipo, o consumidor poderá encontrar uma farmácia parceira dentro de um aplicativo, selecionar os produtos disponíveis e concluir o pedido pelo ambiente digital, mas a dispensação permanece sob responsabilidade do estabelecimento farmacêutico.</p>
<p>O próprio iFood informa que as lojas virtuais de medicamentos existentes dentro de sua plataforma são operadas por farmácias e drogarias parceiras, que devem possuir licença sanitária e autorização de funcionamento válidas. A empresa atua como intermediadora do ambiente digital, enquanto a responsabilidade pelos medicamentos ofertados permanece com os estabelecimentos parceiros.</p>
<h2>Aplicativos não poderão vender medicamentos por conta própria</h2>
<p>A autorização para utilização das plataformas não significa que iFood, Rappi, <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337632">Mercado</a> Livre ou outros marketplaces receberam uma licença ampla para comprar medicamentos, mantê-los em estoque próprio e revendê-los diretamente aos consumidores.</p>
<p>A legislação estabelece que quem pode contratar a plataforma é a <strong>farmácia ou drogaria devidamente licenciada e registrada</strong>, preservando o estabelecimento farmacêutico como responsável pela operação sanitária.</p>
<p>A própria atuação recente da Anvisa demonstra que essa separação continua sendo aplicada. Em junho, a agência proibiu uma plataforma que oferecia consultas e entrega de medicamentos para tratamento da obesidade porque a empresa não estava regularizada como farmácia ou drogaria e também não possuía a autorização exigida para determinadas atividades de saúde.</p>
<p>Na ocasião, a agência ressaltou que empresas que indicam medicamentos e dosagens podem se enquadrar inclusive nas regras aplicáveis a software médico, dependendo da atividade desempenhada. A comercialização do medicamento, portanto, não se torna livre simplesmente porque ocorre em ambiente digital.</p>
<h2>Medicamentos com receita continuam sujeitos a controle</h2>
<p>Outra interpretação equivocada seria concluir que a entrega por aplicativo elimina a necessidade de receita médica. As regras aplicáveis a cada medicamento permanecem válidas, inclusive para produtos sujeitos a prescrição ou retenção de receita.</p>
<p>Plataformas já adotam mecanismos para encaminhar prescrições digitais às farmácias responsáveis pela dispensação. No caso de determinados medicamentos agonistas de GLP-1, por exemplo, o consumidor precisa possuir uma receita digital válida, cujos dados são encaminhados à farmácia parceira para validação pelo farmacêutico responsável.</p>
<p>A exigência deriva da natureza do medicamento e das regras sanitárias correspondentes, e não do canal utilizado para realizar a compra. Assim, um medicamento que exige prescrição em uma farmácia física continua sujeito ao controle quando solicitado por aplicativo.</p>
<p>A legislação sancionada em março também manteve obrigações específicas para medicamentos sujeitos a controle especial em farmácias instaladas dentro de supermercados, reforçando que a expansão de novos canais comerciais não elimina os procedimentos de dispensação e segurança.</p>
<h2>iFood, Rappi e Mercado Livre entram em um mercado sob fiscalização</h2>
<p>A possibilidade de utilizar marketplaces para entrega também amplia o desafio de fiscalização sanitária, porque produtos regulares e irregulares podem aparecer lado a lado em grandes plataformas digitais.</p>
<p>Em março, a Anvisa realizou uma ação no centro logístico do <strong>Mercado Livre</strong>, em Cajamar, na Grande São Paulo, e encontrou produtos sem registro sanitário, mercadorias com rotulagem inadequada e anúncios que descumpriam regras de vigilância sanitária. A operação incluiu a retirada de anúncios e a apreensão de itens considerados irregulares.</p>
<p>A agência classificou a fiscalização de marketplaces como uma nova frente relevante da vigilância sanitária, justamente porque o avanço do comércio digital cria formas diferentes de exposição e distribuição de produtos sujeitos à regulamentação.</p>
<p>Isso significa que a liberação da logística de medicamentos não representa uma redução da fiscalização. Ao contrário, o modelo exige mecanismos capazes de identificar quem efetivamente vende o medicamento, se a farmácia possui autorização, se o produto está regularizado e se as condições de armazenamento e entrega são compatíveis com suas características.</p>
<h2>Lei de março mudou as regras do setor farmacêutico</h2>
<p>A Lei nº 15.357 foi sancionada em 20 de março de 2026 e teve como tema principal a possibilidade de instalação de farmácias e drogarias dentro de supermercados, mas incorporou também a regra que reconhece expressamente a contratação de plataformas digitais para logística e entrega.</p>
<p>O texto determina que as farmácias instaladas em supermercados devem funcionar em ambientes delimitados, exclusivos e separados das demais áreas comerciais, além de manter farmacêutico legalmente habilitado durante todo o horário de funcionamento.</p>
<p>A norma também proíbe a exposição indiscriminada de medicamentos em gôndolas externas ao espaço da farmácia e estabelece requisitos adicionais para a circulação interna de produtos sujeitos a controle especial.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o Congresso e o Executivo incluíram o dispositivo que permite a contratação de canais digitais, criando uma base legal mais clara para um modelo de comércio que já vinha crescendo no país.</p>
<h2>Revogação de restrições não significa autorização automática</h2>
<p>A própria informação divulgada pela Anvisa sobre a revisão das medidas envolvendo plataformas chama atenção para uma limitação importante: retirar uma proibição específica não significa que qualquer operação esteja automaticamente autorizada.</p>
<p>A Lei nº 15.357 condiciona expressamente a utilização das plataformas ao cumprimento da regulamentação sanitária, enquanto a agência continua responsável por estabelecer exigências operacionais e fiscalizar o mercado.</p>
<p>Em outras palavras, o novo marco legal cria autorização para que <strong>farmácias e drogarias contratem marketplaces</strong>, mas não elimina normas relativas a registro de medicamentos, autorização dos estabelecimentos, propaganda, prescrição, armazenamento, transporte ou dispensação.</p>
<p>Esse ponto também explica por que produtos irregulares continuam sendo alvo de apreensões mesmo quando aparecem em plataformas conhecidas. A Anvisa tem realizado sucessivas ações contra medicamentos sem registro e produtos oferecidos na internet sem autorização sanitária.</p>
<h2>Consumidor precisa verificar quem está vendendo o medicamento</h2>
<p>Para o consumidor, a principal precaução permanece sendo identificar o estabelecimento responsável pela venda. A presença de um medicamento dentro de um aplicativo conhecido não substitui a obrigação de verificar se a operação é realizada por farmácia ou drogaria regular.</p>
<p>A Anvisa tem reiterado que medicamentos adquiridos fora de estabelecimentos autorizados não oferecem as mesmas garantias de origem, qualidade e regularidade sanitária. Em junho, ao proibir uma plataforma irregular, a agência voltou a advertir que empresas não registradas como farmácia ou drogaria não podem comercializar medicamentos.</p>
<p>Também continuam proibidos produtos sem registro, notificação ou cadastro quando essas autorizações são obrigatórias. Em julho, a agência determinou a apreensão e proibiu a comercialização de diversos medicamentos que não possuíam regularização sanitária.</p>
<p>O ambiente digital, portanto, muda a forma de solicitar e receber o produto, mas não reduz os controles aplicáveis ao medicamento.</p>
<h2>Entrega por aplicativo deve crescer após mudança legal</h2>
<p>Ao reconhecer formalmente o uso de canais digitais para logística e entrega, a legislação tende a reduzir parte da insegurança jurídica que cercava a atuação de marketplaces no setor farmacêutico.</p>
<p>Farmácias que já operam serviços próprios de entrega passam a ter uma base legal expressa para contratar plataformas de terceiros, enquanto aplicativos podem ampliar sua participação no segmento por meio de parcerias com estabelecimentos licenciados.</p>
<p>A expansão, porém, ocorrerá dentro de um mercado sujeito a controle sanitário mais rigoroso do que segmentos convencionais do comércio eletrônico. O crescimento das vendas digitais também amplia a responsabilidade das plataformas na identificação e retirada de anúncios de produtos irregulares quando notificadas pelas autoridades.</p>
<p>A mudança promovida em 2026, portanto, não transforma os aplicativos em farmácias virtuais independentes. <strong>O que a legislação permite é que farmácias e drogarias autorizadas utilizem iFood, Rappi, Mercado Livre e outras plataformas como canais digitais e logísticos para fazer o medicamento chegar ao consumidor, mantendo as mesmas obrigações sanitárias que existem fora do ambiente digital.</strong></p>
<hr />
<h4>Fontes:</h4>
<p>Presidência da República — Lei nº 15.357, de 20 de março de 202</p>
<p>Presidência da República — Lei nº 5.991/1973, texto atualizado</p>
<p>Anvisa — legislação sanitária consolidada</p>
<p>Anvisa — fiscalização e regras aplicáveis a plataformas que oferecem medicamentos</p>
<p>Anvisa — fiscalização em centro logístico do Mercado Livre</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Crowdfunding cresce 75% e movimenta R$ 2,1 bilhões no primeiro semestre de 2026</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/crowdfunding-investimento-2026-cvm-2-bilhoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2026 22:04:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[crowdfunding]]></category>
		<category><![CDATA[CVM]]></category>
		<category><![CDATA[fintechs]]></category>
		<category><![CDATA[investimentos]]></category>
		<category><![CDATA[mercado de capitais]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Resolução CVM 88]]></category>
		<category><![CDATA[securitização]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O mercado brasileiro de crowdfunding de investimento acelerou novamente em 2026 e movimentou R$ 2,1 bilhões no primeiro semestre, crescimento de 75% em relação aos R$ 1,2 bilhão registrados entre janeiro e junho do ano passado, segundo o mais recente Boletim Econômico da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O número de emissões também avançou em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O mercado brasileiro de <strong>crowdfunding de investimento</strong> acelerou novamente em 2026 e movimentou <strong>R$ 2,1 bilhões no primeiro semestre</strong>, crescimento de 75% em relação aos R$ 1,2 bilhão registrados entre janeiro e junho do ano passado, segundo o mais recente Boletim Econômico da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).</p>
<p>O número de emissões também avançou em ritmo expressivo. Foram <strong>477 ofertas</strong> realizadas por plataformas eletrônicas de investimento participativo até junho, ante 320 no mesmo intervalo de 2025, uma expansão de <strong>49,1%</strong>.</p>
<p>Os números mostram que não houve apenas aumento na quantidade de operações. A captação cresceu mais rapidamente do que o número de ofertas, indicando aumento do volume financeiro médio movimentado em cada operação.</p>
<p>Considerando os valores agregados divulgados pela CVM, cada oferta movimentou, em média, aproximadamente <strong>R$ 4,4 milhões</strong> no primeiro semestre de 2026. Um ano antes, a média era próxima de R$ 3,75 milhões.</p>
<p>Isso representa crescimento aproximado de 17% no tamanho médio das emissões, embora os valores individuais possam variar significativamente entre uma operação e outra.</p>
<p>A expansão ocorre em um momento especialmente relevante para o setor. A CVM colocou entre as prioridades regulatórias de 2026 a edição de uma <strong>nova norma para substituir a Resolução CVM 88</strong>, atual marco das ofertas públicas realizadas por plataformas de crowdfunding de investimento.</p>
<p>A proposta em discussão prevê, entre outras mudanças, elevar limites de captação, permitir novos tipos de emissores, incorporar produtores rurais e cooperativas agropecuárias e ampliar a integração das plataformas com instituições tradicionais do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337557">mercado</a> de capitais.</p>
<h2>Crowdfunding deixa de ser nicho de pequenas captações</h2>
<p>O crowdfunding de investimento permite que <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337555">empresas</a> captem recursos de diversos investidores por meio de plataformas eletrônicas autorizadas pela CVM.</p>
<p>Diferentemente do crowdfunding baseado em doações ou recompensas, o modelo regulado envolve <strong>oferta pública de valores mobiliários</strong>. Quem aplica recursos participa de uma operação de investimento e assume os riscos associados ao ativo adquirido.</p>
<p>A Resolução CVM 88 criou um regime simplificado para que sociedades empresárias de pequeno porte possam acessar investidores sem cumprir todo o rito normalmente exigido em ofertas públicas tradicionais.</p>
<p>Pela regulamentação atualmente vigente, uma oferta pode captar até <strong>R$ 15 milhões</strong>, enquanto o conceito de sociedade empresária de pequeno porte admite receita bruta anual de até R$ 40 milhões individualmente, com regras específicas para grupos econômicos.</p>
<p>Quando a norma foi editada, em 2022, a CVM ampliou significativamente os limites existentes e reforçou mecanismos de proteção ao investidor.</p>
<p>A evolução dos números mostra como o mercado mudou desde então.</p>
<p>Na série mais recente apresentada pela CVM, o regime de crowdfunding registrou <strong>398 emissões e aproximadamente R$ 1,2 bilhão em 2024</strong>. Em 2025, foram 771 ofertas e aproximadamente R$ 3,5 bilhões, segundo os dados consolidados apresentados no Boletim Econômico do segundo trimestre de 2026.</p>
<p>Agora, apenas nos primeiros seis meses de 2026, o setor já chegou a R$ 2,1 bilhões.</p>
<p>Mantido apenas como referência matemática — e não como projeção —, o volume do semestre equivale a aproximadamente 60% do total de 2025 informado na série atualmente publicada pela CVM.</p>
<h2>Mercado de capitais movimentou R$ 420 bilhões no semestre</h2>
<p>O crescimento do crowdfunding ocorre dentro de um mercado primário que também aumentou de tamanho.</p>
<p>As emissões de valores mobiliários totalizaram <strong>R$ 420 bilhões em 2.384 ofertas</strong> no primeiro semestre de 2026. No mesmo período de 2025, haviam sido R$ 379 bilhões distribuídos em 2.123 operações.</p>
<p>O volume financeiro, portanto, aumentou <strong>10,8%</strong>, enquanto a quantidade de ofertas avançou 12,3%.</p>
<p>Nesse contexto, os 75% de crescimento do crowdfunding chamam atenção pela velocidade: o segmento avançou quase sete vezes mais, percentualmente, do que o mercado primário agregado em volume financeiro.</p>
<p>Ainda assim, seu tamanho absoluto permanece pequeno quando comparado aos instrumentos tradicionais.</p>
<p>As debêntures, por exemplo, movimentaram <strong>R$ 142,2 bilhões em 230 emissões</strong> no primeiro semestre.</p>
<p>Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) registraram <strong>795 ofertas</strong>, o maior número entre os valores mobiliários destacados pela CVM, e captaram R$ 68,5 bilhões.</p>
<p>Já os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) realizaram 218 ofertas e movimentaram <strong>R$ 62,1 bilhões</strong>.</p>
<p>O crowdfunding ainda representa uma parcela reduzida desse universo, mas cresce a partir de uma lógica diferente: facilitar o acesso de empresas menores a investidores e reduzir parte dos custos e da complexidade associados a estruturas tradicionais de mercado de capitais.</p>
<h2>Mercado de ações também voltou a crescer</h2>
<p>Outro movimento relevante registrado no semestre foi a retomada das ofertas de ações.</p>
<p>As captações chegaram a <strong>R$ 25,5 bilhões até junho</strong>, valor que já supera em 64,5% todo o montante movimentado em 2025, quando as emissões somaram R$ 15,5 bilhões.</p>
<p>O primeiro semestre também registrou a realização de um IPO — Oferta Pública Inicial —, algo que não ocorria no mercado brasileiro desde 2021.</p>
<p>A combinação entre volta das emissões de ações, expansão dos fundos estruturados e crescimento acelerado das plataformas digitais mostra uma diversificação das fontes de financiamento disponíveis no mercado brasileiro.</p>
<p>Para empresas menores, porém, uma emissão tradicional de ações ou debêntures pode continuar economicamente inviável devido aos custos regulatórios, jurídicos, de distribuição e estruturação.</p>
<p>É justamente nesse espaço que o crowdfunding tenta se consolidar.</p>
<h2>CVM prepara uma mudança profunda nas regras</h2>
<p>O crescimento do setor ocorre enquanto o regulador discute ampliar substancialmente o alcance desse mercado.</p>
<p>A CVM realizou consulta pública para substituir integralmente a Resolução CVM 88 por um novo marco regulatório. A reforma foi posteriormente incluída entre as prioridades da Agenda Regulatória de 2026.</p>
<p>A proposta apresentada ao mercado é significativamente mais abrangente do que a regra atualmente vigente.</p>
<p>Uma das alterações estudadas é elevar de <strong>R$ 15 milhões para R$ 25 milhões</strong> o limite de captação para sociedades empresárias.</p>
<p>Para companhias securitizadoras registradas na CVM, a minuta prevê teto de <strong>R$ 50 milhões</strong>.</p>
<p>Cooperativas agropecuárias também poderiam captar até R$ 25 milhões, enquanto produtores rurais pessoas físicas teriam um limite específico de <strong>R$ 2,5 milhões por safra</strong>.</p>
<p>Outro ponto importante é a possível retirada do atual limite de faturamento para determinadas sociedades empresárias não registradas.</p>
<p>Se implementadas nos termos apresentados na consulta pública, as mudanças podem alterar substancialmente o perfil das empresas que utilizam as plataformas.</p>
<h2>Agronegócio pode entrar com mais força</h2>
<p>A inclusão do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/agronegocio" target="_blank"  rel="noopener" title="Agronegócio" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337556">agronegócio</a> é uma das principais frentes da reforma.</p>
<p>A minuta prevê expressamente a possibilidade de utilização do regime por <strong>produtores rurais pessoas naturais e cooperativas agropecuárias</strong>.</p>
<p>Isso abriria espaço para que empresas e produtores que hoje dependem principalmente de bancos, cooperativas de crédito, CPRs, securitização ou recursos próprios encontrem nas plataformas digitais uma nova alternativa de financiamento.</p>
<p>A própria CVM afirmou, ao apresentar a proposta, que pretende adaptar o regime à inserção gradual do agronegócio no mercado de capitais.</p>
<p>O movimento aproxima o crowdfunding de áreas que já passaram por forte expansão na securitização e no crédito estruturado.</p>
<p>Ao mesmo tempo, amplia o desafio regulatório porque operações ligadas ao agronegócio podem possuir características de risco, garantias e fluxos financeiros diferentes daqueles encontrados nas captações tradicionais de startups e pequenas empresas.</p>
<h2>Securitizadoras também podem ganhar espaço</h2>
<p>A reforma propõe ainda permitir que companhias securitizadoras registradas na CVM utilizem esse regime simplificado.</p>
<p>Essa alteração pode ampliar consideravelmente a variedade de ativos disponíveis nas plataformas.</p>
<p>Em vez de o investidor ficar limitado a estruturas diretamente ligadas a pequenas empresas, novas operações poderiam incorporar recebíveis e instrumentos originados a partir de processos de securitização.</p>
<p>A CVM reconhece que o crescimento das operações desse tipo foi uma das razões para a revisão da norma.</p>
<p>A mudança, se confirmada, também aproxima o crowdfunding de segmentos como crédito privado e ativos alternativos.</p>
<h2>Integração com o sistema financeiro tradicional</h2>
<p>Outra transformação proposta é permitir maior integração das plataformas com instituições integrantes do sistema tradicional de distribuição de valores mobiliários.</p>
<p>A CVM estuda autorizar modelos de <strong>distribuição por conta e ordem</strong>, criando uma ponte entre plataformas de crowdfunding e intermediários financeiros tradicionais.</p>
<p>Também estão previstas mudanças nas regras para transações posteriores à emissão, inclusive com possibilidade de recompra de valores mobiliários pelos emissores e revisão do conceito de investidor ativo.</p>
<p>Esse é um ponto particularmente sensível para o desenvolvimento do mercado.</p>
<p>Uma das limitações dos investimentos realizados em empresas menores é a liquidez. Diferentemente de uma ação negociada diariamente na B3, muitos ativos adquiridos em crowdfunding não possuem mercado secundário amplo.</p>
<p>Melhorar mecanismos de transações subsequentes pode tornar o produto mais atraente, embora não elimine o risco de o investidor permanecer por longos períodos sem conseguir vender a posição.</p>
<h2>Crescimento também aumenta necessidade de proteção</h2>
<p>A expansão de um mercado de investimento não elimina seus riscos.</p>
<p>Empresas que utilizam crowdfunding geralmente possuem porte menor e podem apresentar riscos superiores aos encontrados em companhias abertas consolidadas.</p>
<p>Há risco de crédito, risco empresarial, possibilidade de perda integral do capital, baixa liquidez e dificuldade para determinar o valor justo de determinados ativos.</p>
<p>Por essa razão, a proposta regulatória não trata apenas da ampliação das captações.</p>
<p>A CVM também pretende aumentar as exigências de transparência, criar anexos informacionais específicos para diferentes emissores e exigir a divulgação de <strong>indicadores de desempenho das plataformas</strong>.</p>
<p>A discussão regulatória passa, portanto, por dois objetivos que precisam avançar conjuntamente: permitir que mais empresas cheguem ao mercado de capitais e garantir que investidores tenham informações suficientes para compreender o risco das operações.</p>
<h2>Risco de crédito avançou no segundo trimestre</h2>
<p>O próprio Boletim Econômico que mostra o avanço das emissões traz um sinal de atenção sobre o ambiente financeiro.</p>
<p>O indicador de <strong>risco de crédito</strong> calculado pela CVM passou de 1,0 no primeiro trimestre para <strong>2,0 no segundo trimestre de 2026</strong>.</p>
<p>O risco de liquidez subiu de 2,1 para <strong>2,9</strong>.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o indicador de risco de mercado recuou de 2,7 para 2,3 e o risco macroeconômico passou de 1,1 para 1,0.</p>
<p>O indicador de apetite ao risco caiu de 3,5 para <strong>3,1</strong>.</p>
<p>Segundo a CVM, o aumento do indicador de crédito ocorreu a partir de maio e acompanhou a elevação da probabilidade média de default das companhias listadas.</p>
<p>Já a piora do indicador de liquidez refletiu a abertura dos spreads entre preços de compra e venda e a perda de intensidade do fluxo de investimentos estrangeiros em bolsa.</p>
<p>Os indicadores não se referem especificamente às empresas que captam por crowdfunding, mas ajudam a contextualizar o ambiente no qual esse mercado está crescendo.</p>
<h2>Mercado regulado chega a R$ 52,33 trilhões</h2>
<p>A dimensão total do mercado supervisionado pela CVM também aumentou.</p>
<p>A autarquia estima em <strong>R$ 52,33 trilhões</strong> o valor total do mercado regulado. Excluído o valor nocional dos derivativos, o montante é de R$ 18,94 trilhões.</p>
<p>Na comparação anual, os aumentos são de 22,8% e 13,1%, respectivamente.</p>
<p>Os fundos de investimento responderam por uma parcela importante desse crescimento e alcançaram R$ 11,83 trilhões, alta de 14,3%.</p>
<p>O número de participantes regulados chegou a <strong>92.978</strong>, avanço de 0,3% em relação ao encerramento de 2025.</p>
<h2>Crowdfunding entra em uma nova etapa</h2>
<p>Os números do primeiro semestre mostram que o crowdfunding brasileiro está deixando de ser apenas uma alternativa experimental de financiamento para pequenos <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337558">negócios</a>.</p>
<p>Ainda é um segmento pequeno quando comparado a debêntures, FIDCs, FIIs ou à indústria de fundos, mas sua velocidade de crescimento é significativamente superior.</p>
<p>Em seis meses, <strong>R$ 2,1 bilhões foram movimentados em 477 emissões</strong>.</p>
<p>E o avanço acontece justamente quando a CVM prepara uma reforma que pode elevar os limites das ofertas, abrir o mercado para novos emissores, aproximar as plataformas do agronegócio e da securitização e ampliar sua integração com intermediários tradicionais.</p>
<p>A próxima etapa, portanto, não será apenas medir quanto esse mercado consegue crescer.</p>
<p>O desafio será determinar se a expansão conseguirá preservar transparência, qualidade das ofertas e proteção ao investidor à medida que as plataformas passem a movimentar volumes cada vez maiores.</p>
<h4>Fontes:</h4>
<ul>
<li>Comissão de Valores Mobiliários — Boletim Econômico, volume 110, referente ao segundo trimestre de 2026.</li>
<li>Comissão de Valores Mobiliários — comunicado sobre os resultados do mercado de capitais no primeiro semestre de 2026.</li>
<li>Comissão de Valores Mobiliários — Resolução CVM 88.</li>
<li>Comissão de Valores Mobiliários — Consulta Pública SDM 05/2025 sobre a reforma do crowdfunding de investimento.</li>
<li>Comissão de Valores Mobiliários — Agenda Regulatória 2026.</li>
</ul>
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			</item>
		<item>
		<title>Centro de São Paulo recebe mais de 500 atrações em meio a programa bilionário de revitalização</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/centro-sao-paulo-festival-patrimonio-revitalizacao-retrofit-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alice Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2026 04:34:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Avenida São João]]></category>
		<category><![CDATA[Boulevard São João]]></category>
		<category><![CDATA[Centro de São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Festival do Patrimônio]]></category>
		<category><![CDATA[mercado imobiliário]]></category>
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		<category><![CDATA[Requalifica Centro]]></category>
		<category><![CDATA[retrofit]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Centro de São Paulo entra nesta semana em uma nova etapa da estratégia municipal para aumentar a circulação de moradores, consumidores e visitantes na região. Desde sábado, 8 de agosto, a capital recebe mais de 500 atividades gratuitas dentro do Festival do Patrimônio, enquanto programas de requalificação imobiliária e investimentos públicos avançam paralelamente sobre [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Centro de São Paulo entra nesta semana em uma nova etapa da estratégia municipal para aumentar a circulação de moradores, consumidores e visitantes na região. Desde sábado, 8 de agosto, a capital recebe mais de 500 atividades gratuitas dentro do Festival do Patrimônio, enquanto programas de requalificação imobiliária e investimentos públicos avançam paralelamente sobre parte dos imóveis e espaços urbanos da área central.</p>
<p>O festival segue até 16 de agosto e reúne visitas a edifícios históricos, caminhadas, exposições, oficinas, cursos, apresentações musicais, museus, feiras e atividades gastronômicas. A programação abrange todas as regiões da cidade, mas o Centro Histórico concentra parte relevante dos eventos.</p>
<p>O movimento ocorre em um momento no qual a Prefeitura tenta combinar três frentes para alterar a dinâmica econômica da região central: ocupação cultural dos espaços públicos, atração de novos moradores por meio de retrofit de edifícios antigos e criação de incentivos para investimentos privados.</p>
<p>Segundo dados atualizados da administração municipal, 49 edifícios estão em processo de requalificação urbana e os projetos envolvidos somam 5.238 moradias. Quinze imóveis já concluíram as obras e receberam certificado de conclusão de requalificação.</p>
<p>A <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337543">política</a> municipal de subvenção econômica para retrofit prevê aporte total de até R$ 1 bilhão e permite que recursos públicos financiem até 25% do custo de determinadas intervenções, conforme as características e a destinação dos projetos.</p>
<h2>Festival do Patrimônio reúne mais de 500 atrações</h2>
<p>O Festival do Patrimônio de 2026 começou em 8 de agosto e termina no domingo, 16. A edição reúne, em uma mesma programação, a 12ª Jornada do Patrimônio, a quarta edição do Patrimônio à Mesa e a Semana de Valorização do Patrimônio.</p>
<p>O tema deste ano é “São Paulo: cada olhar, uma história”.</p>
<p>A programação inclui mais de 100 roteiros de memória e mais de 100 cursos distribuídos pela cidade nos dias 15 e 16, além das demais atividades realizadas durante a semana.</p>
<p>No Centro, os eventos utilizam edifícios, ruas e equipamentos culturais como instrumentos para apresentar diferentes períodos da formação da capital.</p>
<p>Entre as atividades estão caminhadas pelo Centro Histórico, visitas ao Solar da Marquesa de Santos, exposições, apresentações na Galeria Olido e roteiros que passam por áreas como Avenida São João, Vale do Anhangabaú, Largo do Paissandu e entorno do Theatro Municipal.</p>
<p>O Museu da Cidade de São Paulo terá mais de 20 atividades nos dias 15 e 16, incluindo exposições, oficinas, visitas, música, dança, teatro e rodas de conversa.</p>
<p>Outro ponto de concentração será o Vale do Anhangabaú. No dia 16, das 8h às 17h, a área receberá uma exposição de aproximadamente 600 automóveis antigos, segundo a programação oficial.</p>
<h2>Avenida São João volta ao centro da estratégia de ocupação</h2>
<p>A Avenida São João tornou-se um dos principais eixos da política de ativação do Centro.</p>
<p>Além dos eventos culturais e gastronômicos, a região está inserida em projetos municipais que procuram ampliar o uso do espaço público durante períodos que tradicionalmente apresentam menor circulação de trabalhadores.</p>
<p>A programação da Jornada do Patrimônio inclui, por exemplo, trajetos que passam pela São João, Largo do Paissandu, Galeria Olido e outros endereços históricos da região central.</p>
<p>A gastronomia também integra essa tentativa de manter visitantes por mais tempo no Centro.</p>
<p>O programa municipal Patrimônio à Mesa vem utilizando estabelecimentos históricos como parte de iniciativas de valorização da memória gastronômica de São Paulo. Entre os endereços associados ao programa está o Bar Brahma, fundado em 1948 na esquina das avenidas Ipiranga e São João.</p>
<p>Esse tipo de iniciativa cria um vínculo entre preservação histórica e atividade econômica: bares, restaurantes, hotéis, comércio, museus e equipamentos culturais passam a compartilhar o mesmo fluxo de visitantes.</p>
<h2>Retrofit ganha escala no Centro de São Paulo</h2>
<p>A ocupação temporária proporcionada por eventos representa apenas uma parte da estratégia municipal.</p>
<p>A mudança considerada estrutural é a tentativa de aumentar a quantidade de moradores no Centro.</p>
<p>Em junho, a Prefeitura ampliou novamente o alcance dos programas voltados à recuperação de edifícios antigos. O Programa Requalifica Centro passou a contemplar todo o perímetro da Área de Intervenção Urbana do Setor Central.</p>
<p>A área alcança Sé, República, Brás, Bom Retiro e Pari, além de trechos da Bela Vista, Santa Cecília e Liberdade.</p>
<p>Outra medida ampliou de 1.170 para 2.780 hectares o território no qual determinados projetos residenciais podem ter acesso à subvenção econômica para obras de retrofit.</p>
<p>O mecanismo permite que a Prefeitura participe diretamente do financiamento.</p>
<p>Criado no âmbito da legislação municipal para a região central, o Programa de Subvenção Econômica prevê R$ 1 bilhão em recursos e pode cobrir até 25% do custo elegível das intervenções.</p>
<p>A distribuição do orçamento prioriza habitação.</p>
<p>Pelas regras divulgadas pelo Município, 60% dos recursos são destinados a projetos de Habitação de Interesse Social, 15% à Habitação de <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337542">Mercado</a> Popular, 15% a empreendimentos residenciais de outras faixas de renda e 10% a projetos não residenciais.</p>
<p>Até a atualização mais recente divulgada pela Prefeitura, havia 49 edifícios em processo de requalificação, 31 projetos aprovados no Requalifica Centro e 31 empreendimentos credenciados na Subvenção Econômica. Treze projetos participavam simultaneamente das duas políticas.</p>
<p>O conjunto representa 5.238 unidades habitacionais.</p>
<h2>Prefeitura já gastou R$ 63 milhões em calçadões históricos</h2>
<p>A transformação da área central não se limita aos prédios.</p>
<p>Um dos projetos já executados envolveu investimento de R$ 63 milhões para requalificar 23 calçadões do Centro Histórico.</p>
<p>As intervenções abrangeram aproximadamente 63 mil metros quadrados e incluíram troca de pavimentação, mobiliário urbano, sinalização turística, iluminação de edifícios históricos, drenagem e reorganização de redes subterrâneas de telecomunicações.</p>
<p>Essas obras integram uma política mais ampla que tenta reduzir uma das fragilidades históricas do Centro: a forte dependência da circulação comercial e dos trabalhadores durante o dia.</p>
<p>Aumentar o número de moradores tende a modificar essa equação ao criar demanda permanente por mercados, restaurantes, farmácias, serviços, lazer e transporte também durante noites e fins de semana.</p>
<h2>Boulevard São João virou disputa judicial</h2>
<p>O projeto mais controverso previsto para esse eixo, entretanto, está interrompido.</p>
<p>O Boulevard São João foi apresentado como uma parceria entre o Município e a iniciativa privada para transformar o entorno da Avenida São João, entre o Largo do Paissandu e a região do cruzamento com a Avenida Ipiranga.</p>
<p>A proposta ganhou projeção pela previsão de grandes painéis digitais na região e passou a ser chamada informalmente de “Times Square paulistana”.</p>
<p>Em março, a Comissão de Proteção à Paisagem Urbana aprovou o termo de cooperação por oito votos a seis e estabeleceu 18 condicionantes técnicas para implantação e operação do projeto.</p>
<p>A própria Prefeitura informou, durante a consulta pública do projeto, uma previsão de aproximadamente <strong>R$ 6 milhões em investimentos para intervenções urbanísticas</strong>, realizados em parceria com a iniciativa privada e sem desembolso direto do Município nessa frente.</p>
<p>Esse é o valor oficial encontrado na documentação pública consultada.</p>
<h2>Justiça suspendeu implantação dos painéis</h2>
<p>O projeto avançou administrativamente, mas encontrou resistência judicial.</p>
<p>Em 27 de maio, uma decisão da 4ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo suspendeu provisoriamente o Boulevard São João e proibiu o início de obras, instalações e intervenções relacionadas aos painéis de LED.</p>
<p>A liminar foi concedida pela juíza Celina Kiyomi Toyoshima em uma ação popular que questiona aspectos jurídicos e urbanísticos da iniciativa. Entre os autores da ação está o Instituto de Arquitetos do Brasil em São Paulo.</p>
<p>A Prefeitura tentou reverter a decisão.</p>
<p>Em 12 de junho, o desembargador Fausto Seabra, da 7ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo, negou o pedido para derrubar imediatamente a liminar enquanto o recurso prosseguia no Judiciário.</p>
<p>Nas buscas realizadas até 9 de agosto, não foi localizada decisão judicial posterior que permita afirmar que as obras dos painéis tenham sido liberadas.</p>
<p>Assim, o Boulevard permanece como uma das peças ainda indefinidas da política de transformação da São João.</p>
<h2>Cultura passa a funcionar como instrumento econômico</h2>
<p>O Festival do Patrimônio não possui a escala financeira dos programas imobiliários, mas cumpre outra função dentro desse processo.</p>
<p>Eventos criam circulação imediata.</p>
<p>Retrofits criam população residente.</p>
<p>Obras urbanas alteram infraestrutura.</p>
<p>E empreendimentos privados respondem à perspectiva de aumento de consumidores e valorização dos imóveis.</p>
<p>A estratégia municipal procura fazer essas quatro engrenagens funcionarem simultaneamente.</p>
<p>No curto prazo, são as atividades culturais que colocam pessoas nas ruas. Entre 8 e 16 de agosto, o poder público oferece mais de 500 razões diferentes para visitar equipamentos culturais, bairros e edifícios históricos da cidade.</p>
<p>No médio e longo prazo, porém, o teste será outro: descobrir se o crescimento dos investimentos imobiliários e dos incentivos públicos conseguirá produzir uma ocupação permanente do Centro.</p>
<p>Com 49 edifícios atualmente em requalificação, mais de 5,2 mil moradias associadas aos programas municipais e uma política de subvenção que pode chegar a R$ 1 bilhão, a transformação deixou de estar restrita a projetos pontuais.</p>
<p>A disputa envolvendo o Boulevard São João mostra, ao mesmo tempo, que o redesenho da região terá limites jurídicos, urbanísticos e de preservação patrimonial a serem resolvidos.</p>
<p>Até lá, o Festival do Patrimônio transforma a própria cidade em programação cultural e coloca novamente o Centro no meio de uma discussão que vai muito além do lazer: <strong>quem vai morar, investir, trabalhar e consumir no coração de São Paulo nos próximos anos.</strong></p>
<h4>Fontes:</h4>
<ul>
<li>Prefeitura de São Paulo — Secretaria Municipal de Cultura e <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337541">Economia</a> Criativa — programação oficial do Festival do Patrimônio 2026.</li>
<li>Prefeitura de São Paulo — programação oficial da Jornada do Patrimônio 2026.</li>
<li>Prefeitura de São Paulo — Museu da Cidade de São Paulo.</li>
<li>Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento — Requalifica Centro.</li>
<li>Prefeitura de São Paulo — Programa de Subvenção Econômica.</li>
<li>Prefeitura de São Paulo — dados de retrofit e requalificação urbana.</li>
<li>Comissão de Proteção à Paisagem Urbana — processo e aprovação do Boulevard São João.</li>
<li>Prefeitura de São Paulo — consulta pública do Boulevard São João.</li>
<li>Prefeitura de São Paulo — requalificação dos calçadões do Centro Histórico.</li>
</ul>
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			</item>
		<item>
		<title>SP Chamber amplia apoio a empresas nas Distritais da ACSP para operações de comércio exterior</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/sp-chamber-acsp-distritais-comercio-exterior-empresas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Luiza Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Aug 2026 19:16:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[ACSP]]></category>
		<category><![CDATA[comércio exterior]]></category>
		<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Exportação]]></category>
		<category><![CDATA[Importação]]></category>
		<category><![CDATA[internacionalização]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[SP Chamber]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A São Paulo Chamber of Commerce (SP Chamber), braço de internacionalização da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), ampliou a estrutura de atendimento voltada ao comércio exterior nas Distritais da entidade na capital paulista. A iniciativa busca preparar as equipes das unidades para orientar empresas interessadas em exportar, importar ou iniciar operações internacionais. A ação [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A São Paulo Chamber of Commerce (SP Chamber), braço de internacionalização da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), ampliou a estrutura de atendimento voltada ao comércio exterior nas Distritais da entidade na capital paulista. A iniciativa busca preparar as equipes das unidades para orientar <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337509">empresas</a> interessadas em exportar, importar ou iniciar operações internacionais.</p>
<p>A ação incluiu uma capacitação destinada aos profissionais das Distritais, que passaram a conhecer os principais aspectos envolvidos em operações de comércio exterior e os serviços disponibilizados pela SP Chamber. A proposta é aproximar a estrutura especializada da entidade de pequenas, médias e grandes empresas que procuram acessar mercados internacionais.</p>
<p>Com o treinamento, as unidades da ACSP passam a atuar também como pontos iniciais de atendimento para empresários interessados em internacionalização. As equipes poderão identificar as necessidades das empresas e direcioná-las para os serviços considerados adequados a cada estágio de uma operação internacional.</p>
<p>A iniciativa faz parte da estratégia da SP Chamber de ampliar sua presença dentro da rede da Associação Comercial de São Paulo e descentralizar o acesso às soluções relacionadas ao comércio exterior.</p>
<h2>Equipes recebem treinamento sobre importação e exportação</h2>
<p>A capacitação abordou diferentes etapas envolvidas nas operações internacionais. Entre os temas apresentados estiveram importação, exportação, logística internacional, transporte de cargas, classificação fiscal de produtos e regras aduaneiras.</p>
<p>Os profissionais das Distritais também receberam informações sobre financiamento, certificações, documentação, inspeção, sourcing e operações de câmbio.</p>
<p>A variedade dos assuntos reflete as diferentes exigências enfrentadas por empresas que pretendem comprar ou vender produtos no exterior. A proposta da SP Chamber é permitir que as unidades da ACSP identifiquem essas demandas e encaminhem os empresários para atendimento especializado.</p>
<p>Segundo Angela Garcia Soares, coordenadora de Comércio Exterior da SP Chamber/ACSP, a iniciativa busca tornar o comércio internacional mais acessível às empresas brasileiras.</p>
<p>“Mais do que oferecer serviços, a SP Chamber busca construir uma cultura de internacionalização entre as empresas brasileiras, tornando o comércio exterior mais acessível, seguro e competitivo para organizações de todos os portes”, afirmou.</p>
<h2>Distritais passam a funcionar como porta de entrada</h2>
<p>O projeto pretende utilizar a capilaridade das Distritais da ACSP para aproximar a estrutura de comércio exterior dos empresários atendidos pela entidade.</p>
<p>A ideia é que uma empresa interessada em iniciar uma exportação, localizar fornecedores internacionais, estruturar uma importação ou avaliar possibilidades em outros países possa procurar inicialmente uma das unidades da associação.</p>
<p>A equipe local poderá identificar a demanda e direcionar o empresário para as soluções da SP Chamber relacionadas àquela operação.</p>
<p>Esse modelo amplia a atuação das Distritais para além dos serviços tradicionalmente prestados pela associação e incorpora o comércio internacional entre os temas que poderão ser tratados inicialmente nas unidades.</p>
<p>A SP Chamber pretende, dessa forma, aumentar a capacidade da rede da ACSP de identificar oportunidades de internacionalização e aproximar os empresários da estrutura especializada em comércio exterior.</p>
<h2>Serviços incluem certificados, mentorias e análise de fornecedores</h2>
<p>Durante o treinamento, a SP Chamber apresentou às equipes das Distritais os produtos e serviços disponíveis para empresas que atuam ou pretendem atuar no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337508">mercado</a> externo.</p>
<p>Entre eles está a plataforma CTRL+A, destinada à gestão integrada de operações de comércio exterior.</p>
<p>A estrutura também oferece emissão de Certificados de Origem, documento utilizado em operações internacionais para comprovar a procedência das mercadorias de acordo com as exigências aplicáveis.</p>
<p>As empresas podem ainda acessar mentorias especializadas, diagnósticos de mercado e análises de fornecedores internacionais.</p>
<p>Outro serviço apresentado durante a capacitação foi o apoio ao acesso ao Seguro de Crédito à Exportação.</p>
<p>A SP Chamber também organiza missões empresariais e rodadas de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="337510">negócios</a> e mantém uma estrutura voltada à conexão entre empresas e parceiros estratégicos no Brasil e no exterior.</p>
<p>A diversidade dos serviços permite atender companhias em diferentes etapas do processo, desde organizações que ainda avaliam a possibilidade de internacionalização até aquelas que já realizam operações de importação ou exportação.</p>
<h2>Internacionalização passa a integrar atendimento da rede</h2>
<p>A aproximação entre a SP Chamber e as Distritais pretende ampliar a presença das soluções de comércio exterior dentro da própria estrutura da Associação Comercial de São Paulo.</p>
<p>Em vez de concentrar o atendimento especializado em um único ponto, a entidade busca utilizar suas unidades para identificar empresas com potencial ou interesse em acessar outros mercados.</p>
<p>A capacitação não transforma as Distritais em estruturas independentes de execução de todas as etapas de comércio exterior. O modelo apresentado prevê que as equipes funcionem como pontos de orientação e direcionamento para os serviços especializados da SP Chamber.</p>
<p>A iniciativa também procura atender empresas que ainda não possuem conhecimento aprofundado sobre procedimentos de exportação e importação.</p>
<p>Questões como classificação fiscal, documentação aduaneira, transporte internacional, câmbio e certificações podem representar etapas relevantes na estruturação de uma operação internacional. A capacitação busca permitir que as equipes reconheçam essas demandas durante o atendimento aos empresários.</p>
<h2>Pequenas e médias empresas estão entre os públicos</h2>
<p>A SP Chamber afirma que o modelo foi estruturado para atender empresas de diferentes portes.</p>
<p>O objetivo inclui aproximar pequenas e médias companhias das ferramentas utilizadas para entrada em mercados internacionais, além de continuar oferecendo suporte a organizações maiores.</p>
<p>O atendimento pode envolver tanto empresas interessadas em vender produtos brasileiros para outros países quanto companhias que procuram fornecedores, mercadorias ou oportunidades comerciais no exterior.</p>
<p>A estrutura de suporte inclui ainda ferramentas relacionadas à avaliação de mercados e fornecedores, além de iniciativas presenciais de conexão empresarial, como missões e rodadas de negócios.</p>
<p>Segundo a proposta apresentada pela entidade, a ampliação da atuação das Distritais deverá tornar o processo de identificação das necessidades mais próximo do empresário e facilitar o encaminhamento para áreas especializadas.</p>
<h2>ACSP reúne mais de 15 mil associados</h2>
<p>A Associação Comercial de São Paulo foi fundada em 1894 e informa possuir mais de 15 mil associados.</p>
<p>A entidade é presidida por Alfredo Cotait Neto e mantém uma estrutura voltada à representação empresarial e à defesa da livre iniciativa.</p>
<p>Ao longo de sua trajetória, a ACSP participou de discussões e iniciativas relacionadas ao ambiente de negócios e ao empreendedorismo. Segundo as informações institucionais fornecidas pela própria associação, a entidade participou da criação ou do desenvolvimento de iniciativas como o Estatuto da Micro e Pequena Empresa, o Simples Nacional, o Microempreendedor Individual (MEI), a Lei da Liberdade Econômica e o Impostômetro.</p>
<p>A SP Chamber integra essa estrutura com atuação direcionada à internacionalização e ao comércio exterior.</p>
<p>Com a capacitação realizada nas Distritais, a associação busca agora ampliar os pontos de contato entre essa área especializada e as empresas atendidas pela rede na cidade de São Paulo.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Copom reduz Selic para 14% em decisão unânime e mantém cautela com inflação</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/copom-reduz-selic-14-por-cento-agosto-2026</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Camila Braga]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Aug 2026 22:17:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Banco Central]]></category>
		<category><![CDATA[Copom]]></category>
		<category><![CDATA[economia brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[inflação]]></category>
		<category><![CDATA[IPCA]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[política monetária]]></category>
		<category><![CDATA[Selic]]></category>
		<category><![CDATA[taxa de juros]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira, 5 de agosto, a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime e representou o quarto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual desde o início do ciclo de flexibilização monetária, em março. Mesmo com a nova redução, o colegiado [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira, 5 de agosto, a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi unânime e representou o quarto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual desde o início do ciclo de flexibilização monetária, em março. Mesmo com a nova redução, o colegiado manteve uma comunicação cautelosa e afirmou que a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337302">política</a> monetária precisa continuar suficientemente restritiva para assegurar a convergência da inflação à meta.</p>
<p>A decisão diminuiu a taxa básica em 1 ponto percentual desde janeiro, quando a Selic estava em 15% ao ano. O ritmo permaneceu gradual porque, embora os indicadores mais recentes mostrem desaceleração da inflação e moderação da atividade econômica, o Banco Central ainda identifica pressões no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337300">mercado</a> de trabalho, incerteza externa elevada e riscos inflacionários acima do padrão histórico.</p>
<p>No cenário de referência do Copom, a inflação projetada para o primeiro trimestre de 2028, novo horizonte relevante da política monetária, ficou em 3,2%. O número está próximo da meta contínua de 3%, mas ainda acima dela. A projeção reforçou a avaliação de que o processo de desinflação avança lentamente e exige manutenção dos juros em terreno contracionista.</p>
<h2>Corte mantém ciclo gradual iniciado em março</h2>
<p>O Banco Central manteve a Selic em 15% na reunião de janeiro e iniciou o ciclo de redução em março, quando cortou a taxa para 14,75%. Em abril, promoveu nova diminuição para 14,50%, e em junho levou o juro básico a 14,25%. Com a decisão de agosto, o Copom acumulou quatro cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual.</p>
<p>A sequência mostra que o colegiado optou por calibrar a política monetária sem acelerar o ritmo, mesmo diante da melhora de alguns índices de preços. A estratégia busca evitar que uma flexibilização mais rápida reative pressões inflacionárias, provoque desancoragem adicional das expectativas ou comprometa a credibilidade do regime de metas.</p>
<p>A Selic de 14% continua elevada em termos nominais e reais. O nível permanece capaz de restringir o consumo, o crédito e os investimentos financiados, ao mesmo tempo em que aumenta a atratividade de aplicações vinculadas aos juros de curto prazo. O corte não significa abandono da postura contracionista, mas uma redução moderada do grau de aperto.</p>
<p>A autoridade monetária também evitou antecipar a decisão de setembro. Ao afirmar que seguirá acompanhando a evolução do cenário, o comitê preservou liberdade para cortar novamente, interromper temporariamente o ciclo ou alterar o ritmo, conforme o comportamento da inflação, das expectativas, da atividade e dos mercados.</p>
<h2>Inflação desacelera, mas permanece acima do limite</h2>
<p>Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram melhora na inflação corrente. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,16% em junho, após alta de 0,58% em maio. Em 12 meses, o índice acumulou 4,64%, ainda acima do limite superior de 4,50% estabelecido no regime de metas.</p>
<p>A prévia da inflação de julho reforçou o movimento de desaceleração. O IPCA-15 subiu 0,06% no mês e acumulou 4,52% em 12 meses, praticamente encostado no teto da faixa de tolerância. O resultado foi inferior aos 4,80% registrados nos 12 meses encerrados em junho pelo mesmo indicador.</p>
<p>A meta contínua de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece uma faixa entre 1,5% e 4,5%. Desde janeiro de 2025, a verificação ocorre com base na inflação acumulada em 12 meses, apurada mensalmente, e não apenas no índice fechado em dezembro.</p>
<p>No comunicado, o Copom reconheceu que a inflação cheia desacelerou. As medidas subjacentes, que procuram retirar itens mais voláteis para identificar a tendência dos preços, também perderam força e passaram a um patamar ligeiramente inferior ao limite superior da meta. Ainda assim, a autoridade monetária não considerou o processo suficientemente consolidado para acelerar os cortes.</p>
<h2>Mercado de trabalho limita espaço para redução mais rápida</h2>
<p>A atividade econômica apresenta sinais de moderação gradual, mas o Banco Central identificou comportamento desigual entre os setores. Parte dos indicadores aponta desaceleração, enquanto outros continuam demonstrando resistência. Essa combinação dificulta a avaliação sobre a intensidade efetiva do esfriamento da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337301">economia</a>.</p>
<p>O mercado de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank" rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337320">trabalho</a> permanece entre as principais fontes de atenção. Níveis elevados de ocupação e renda podem sustentar a demanda por serviços, segmento no qual a inflação costuma responder mais lentamente aos juros. Quando <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337299">empresas</a> enfrentam custos salariais crescentes e consumidores mantêm capacidade de gasto, a redução da inflação de serviços tende a ocorrer de maneira mais demorada.</p>
<p>A política monetária atua com defasagem. Cortes realizados agora não se traduzem imediatamente em crédito mais barato, aumento do consumo ou retomada dos investimentos. Da mesma forma, os efeitos dos juros elevados mantidos durante os trimestres anteriores continuam sendo transmitidos para a economia e podem aprofundar a desaceleração nos próximos meses.</p>
<p>Essa defasagem explica parte da cautela. Se o Copom esperar todos os indicadores confirmarem uma desaceleração intensa, poderá manter uma restrição excessiva. Se reduzir os juros rápido demais, poderá interromper a convergência da inflação. A estratégia de cortes pequenos procura administrar esses dois riscos.</p>
<h2>Cenário externo amplia volatilidade para emergentes</h2>
<p>O Copom voltou a destacar a incerteza no ambiente internacional. Os conflitos armados no Oriente Médio afetam petróleo, energia, transporte e expectativas globais. Oscilações expressivas das commodities podem chegar à inflação brasileira por meio dos combustíveis, dos custos de produção, do frete e da taxa de câmbio.</p>
<p>A indefinição sobre a política monetária em economias avançadas também interfere nas decisões brasileiras. Juros elevados nos Estados Unidos e em outros mercados desenvolvidos aumentam a atratividade de ativos denominados em moedas fortes, pressionam fluxos de capitais para países emergentes e podem provocar desvalorização cambial.</p>
<p>Um real mais fraco encarece produtos importados, insumos industriais, combustíveis e componentes tecnológicos. Embora o repasse cambial não seja automático nem integral, uma desvalorização persistente aumenta o risco de inflação e reduz o espaço para cortes mais rápidos da Selic.</p>
<p>O balanço de riscos permanece mais elevado que o usual, tanto para cima quanto para baixo, mas com assimetria altista. Isso significa que, na avaliação do Copom, os fatores capazes de levar a inflação acima do cenário central têm peso maior do que aqueles que poderiam produzir uma desinflação mais intensa.</p>
<h2>Selic de 14% ainda restringe crédito e consumo</h2>
<p>A redução de 0,25 ponto percentual tende a produzir efeitos graduais sobre o custo do dinheiro. Linhas de crédito para empresas e consumidores não acompanham a Selic de forma imediata ou proporcional, pois também incorporam inadimplência, despesas administrativas, impostos, garantias, prazos e margens das instituições financeiras.</p>
<p>Em financiamentos longos, como crédito imobiliário e operações de investimento empresarial, a trajetória esperada dos juros futuros pode ser tão importante quanto a taxa corrente. Se o mercado acreditar que o processo de queda continuará com inflação controlada, os custos podem recuar. Caso aumentem as dúvidas sobre os preços, os juros de longo prazo podem permanecer elevados.</p>
<p>Para empresas, a redução diminui marginalmente o custo de novas captações vinculadas ao CDI e pode aliviar despesas financeiras ao longo do tempo. O impacto é maior em companhias endividadas a taxas pós-fixadas. Para consumidores, a mudança pode aparecer lentamente em empréstimos pessoais, consignado e financiamento de veículos.</p>
<p>Mesmo depois do corte, aplicações vinculadas à Selic ou ao CDI continuam oferecendo remuneração nominal elevada. Títulos públicos pós-fixados, CDBs e outros instrumentos de renda fixa permanecem beneficiados pelo nível dos juros, embora o retorno líquido dependa de tributação, prazo, risco de crédito e custos.</p>
<h2>Bolsa e câmbio dependem da trajetória futura</h2>
<p>Juros menores reduzem a taxa utilizada para descontar resultados futuros e podem favorecer empresas mais dependentes do crédito ou do consumo. Entretanto, uma Selic de 14% ainda representa concorrência relevante para ativos de risco e mantém elevado o custo de capital das companhias.</p>
<p>O câmbio responde à diferença entre juros domésticos e externos, mas não apenas a ela. Fluxos comerciais, preços de commodities, cenário fiscal, eleições e percepção de risco também influenciam o real. Por isso, um corte de 0,25 ponto percentual não permite prever sozinho a direção do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados/dolar" target="_blank" rel="noopener" title="Dólar" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337298">dólar</a>.</p>
<p>A reação dos mercados também dependerá da leitura sobre a continuidade do ciclo. Caso investidores entendam que a inflação continuará cedendo, as taxas futuras podem recuar. Se os riscos inflacionários aumentarem, o mercado pode antecipar uma pausa ou até uma interrupção mais prolongada dos cortes.</p>
<h2>Próxima decisão dependerá de novos dados</h2>
<p>A próxima reunião ordinária do Copom está marcada para 15 e 16 de setembro. Até lá, o colegiado avaliará novas leituras de inflação, atividade, emprego, crédito, câmbio e expectativas. A ata da reunião de agosto deverá detalhar os argumentos discutidos pelos integrantes e indicar como o Banco Central interpreta a evolução dos riscos.</p>
<p>O ponto central será verificar se a inflação continuará se aproximando da faixa de tolerância sem perda de controle das expectativas. Também será relevante observar se o mercado de trabalho começa a apresentar sinais mais consistentes de moderação e se as pressões externas sobre energia e câmbio diminuem.</p>
<p>Ao reduzir a Selic para 14%, o Banco Central manteve o ciclo de flexibilização, mas não sinalizou uma retirada rápida da restrição monetária. A decisão combina reconhecimento da melhora dos indicadores com a avaliação de que a inflação ainda não convergiu de forma segura para a meta.</p>
<p>O cenário de referência de 3,2% para o primeiro trimestre de 2028 mostra que o Copom trabalha com uma convergência lenta. A continuidade dos cortes dependerá de evidências de que a desaceleração dos preços é sustentável e de que a redução dos juros não comprometerá o retorno da inflação ao objetivo de 3%.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Como empreender em casa: regras do MEI, custos e cuidados para começar um negócio</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/empreender-em-casa-regras-formalizacao-mei-negocio</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Luiza Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Aug 2026 21:05:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[comércio eletrônico]]></category>
		<category><![CDATA[empreender em casa]]></category>
		<category><![CDATA[formalização empresarial]]></category>
		<category><![CDATA[gestão financeira]]></category>
		<category><![CDATA[MEI]]></category>
		<category><![CDATA[negócio doméstico]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[revenda consignada]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho por conta própria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Brasil encerrou 2025 com 26,1 milhões de trabalhadores por conta própria, aumento de 2,4% em relação ao ano anterior e de 30,4% desde o início da série histórica, em 2012. O contingente ajuda a explicar por que garagens, quartos desocupados, cozinhas e pequenos espaços residenciais passaram a servir como base para atividades comerciais e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil encerrou 2025 com 26,1 milhões de trabalhadores por conta própria, aumento de 2,4% em relação ao ano anterior e de 30,4% desde o início da série histórica, em 2012. O contingente ajuda a explicar por que garagens, quartos desocupados, cozinhas e pequenos espaços residenciais passaram a servir como base para atividades comerciais e de prestação de serviços.</p>
<p>O crescimento do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank" rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337282">trabalho</a> independente ocorre ao mesmo tempo que o país mantém um número elevado de empresas em funcionamento. Dados do Mapa de Empresas, mantido pelo governo federal, indicavam 25,6 milhões de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337283">negócios</a> ativos e 468 mil novos registros apenas em maio de 2026. Desse total, 72,4% foram abertos em menos de um dia.</p>
<p>Transformar a residência em ponto de produção, atendimento ou distribuição pode reduzir despesas com aluguel comercial, deslocamento e manutenção. A <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337285">economia</a> inicial, porém, não elimina a necessidade de planejamento. O empreendedor precisa verificar se a atividade pode funcionar no endereço escolhido, separar as finanças pessoais das empresariais e calcular se a receita será suficiente para cobrir mercadorias, impostos, entregas, devoluções e eventuais perdas.</p>
<p>A formalização como Microempreendedor Individual, o MEI, pode atender parte desses negócios, mas não serve para todas as profissões nem para qualquer volume de faturamento. Também não autoriza automaticamente o uso irrestrito do imóvel como estabelecimento comercial.</p>
<h2>Trabalho independente ganha espaço no mercado brasileiro</h2>
<p>Os trabalhadores por conta própria representavam 25,3% da população ocupada no quarto trimestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A informalidade alcançava 37,6% dos ocupados no mesmo período, mostrando que uma parcela relevante das atividades econômicas ainda funciona sem registro empresarial ou proteção previdenciária regular.</p>
<p>O conceito de trabalhador por conta própria é mais amplo do que o de empresário formalizado. Ele inclui pessoas que exploram a própria atividade sem empregados, independentemente de possuírem CNPJ. Um vendedor, costureiro, cabeleireiro, confeiteiro ou prestador de pequenos reparos pode aparecer nas estatísticas do IBGE mesmo que não esteja registrado como MEI ou em outra modalidade empresarial.</p>
<p>A residência costuma ser a primeira estrutura de quem inicia com capital limitado. Além de evitar o aluguel de um imóvel comercial, ela permite testar a demanda antes de ampliar o negócio. Esse arranjo pode funcionar para atividades como produção artesanal, venda de roupas e acessórios, manutenção de equipamentos, serviços de beleza, aulas particulares, alimentação, comércio eletrônico e retirada de mercadorias.</p>
<p>O custo menor não significa ausência de risco. A utilização inadequada do endereço pode gerar conflito com regras de zoneamento, vigilância sanitária, condomínio, segurança ou circulação de pessoas. Atividades que envolvem armazenamento de produtos perigosos, manipulação de alimentos, ruído, alterações estruturais ou atendimento intenso normalmente estão sujeitas a exigências adicionais.</p>
<h2>Prefeitura deve ser consultada antes da formalização</h2>
<p>O Portal do Empreendedor orienta que o interessado procure a prefeitura ou a administração regional para fazer a consulta prévia do endereço e da atividade. É o município que verifica se o negócio pretendido pode ser instalado naquele local, de acordo com as regras de uso e ocupação do solo.</p>
<p>A dispensa de alvará concedida ao MEI não elimina essa obrigação. O Certificado da Condição de Microempreendedor Individual permite o início simplificado da atividade, mas o empreendedor continua sujeito a normas sanitárias, ambientais, tributárias, de segurança pública e de funcionamento de atividades domiciliares.</p>
<p>Isso significa que duas pessoas formalizadas na mesma ocupação podem enfrentar exigências diferentes conforme o município, o bairro e as características do imóvel. Uma atividade exclusivamente digital, sem estoque relevante e sem atendimento presencial, tende a causar menos impacto do que uma cozinha comercial, uma oficina ou um estabelecimento que recebe clientes durante todo o dia.</p>
<p>Quem mora em condomínio também precisa observar a convenção, o regulamento interno e as limitações aplicáveis ao uso das unidades. A instalação de placas, a entrada frequente de consumidores, a circulação de entregadores, a geração de barulho e o armazenamento de materiais podem provocar questionamentos mesmo quando a atividade é permitida pela prefeitura.</p>
<h2>MEI reduz burocracia, mas mantém obrigações</h2>
<p>A formalização como MEI é gratuita e realizada digitalmente pelo Portal do Empreendedor. Para brasileiros, é exigida conta gov.br de nível prata ou ouro, além de dados pessoais, endereço, ocupação principal, formas de atuação e informações sobre o local do negócio.</p>
<p>O regime permite escolher uma ocupação principal e até 15 secundárias, desde que todas estejam na relação autorizada pelo Comitê Gestor do Simples Nacional. A seleção não deve ser feita apenas com base no nome mais próximo da atividade. O código escolhido define os tributos incluídos no pagamento mensal e pode determinar exigências estaduais ou municipais.</p>
<p>Em 2026, o limite anual de faturamento do MEI permanece em R$ 81 mil, equivalente a uma média de R$ 6.750 por mês quando a atividade funciona durante o ano inteiro. Para <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337321">empresas</a> abertas depois de janeiro, o teto é proporcional ao número de meses de funcionamento.</p>
<p>A cobrança mensal também varia conforme a atividade. O Documento de Arrecadação do Simples Nacional custa R$ 82,05 para comércio e indústria, R$ 86,05 para serviços e R$ 87,05 para quem exerce simultaneamente comércio e serviços. Os valores reúnem a contribuição previdenciária e as parcelas de ICMS ou ISS.</p>
<p>O pagamento do DAS não substitui o acompanhamento da receita. O MEI deve preencher mensalmente o Relatório de Receitas Brutas, anexar os documentos de compra e venda e manter o material arquivado por cinco anos. A Declaração Anual do Simples Nacional precisa ser entregue mesmo quando não houve faturamento.</p>
<h2>Projeto propõe ampliar teto, mas regra ainda não mudou</h2>
<p>O governo federal enviou ao Congresso o Projeto de Lei Complementar 186 de 2026, que propõe elevar o limite do MEI para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. O texto também permitiria a contratação de até dois empregados, em vez de apenas um.</p>
<p>Até 5 de agosto, a proposta aguardava despacho da Presidência da Câmara dos Deputados. Portanto, os novos valores ainda não estavam em vigor. Para os negócios em funcionamento em 2026, permanece válido o teto de R$ 81 mil.</p>
<p>A diferença é relevante para quem começa em casa e cresce rapidamente por meio das redes sociais ou de plataformas de venda. O faturamento considerado para o limite é a receita bruta, não o lucro. Despesas com produtos, embalagens, anúncios, taxas de aplicativos e entregas não são descontadas antes da verificação do teto.</p>
<p>Ultrapassar o limite pode exigir o desenquadramento do MEI e a migração para microempresa. Dependendo do excesso e do momento em que ocorreu, pode haver cobrança de tributos pelas regras do Simples Nacional, com efeitos retroativos. O acompanhamento mensal evita que o empreendedor descubra o problema apenas ao preparar a declaração anual.</p>
<h2>Revenda consignada reduz desembolso, mas exige contrato</h2>
<p>A revenda consignada pode ser uma alternativa para quem dispõe de pouco capital. Nesse modelo, o fornecedor entrega produtos ao revendedor, que realiza as vendas e paga o valor combinado ou devolve os itens dentro do prazo previsto.</p>
<p>A relação é enquadrada pelo Código Civil como contrato estimatório. A legislação estabelece que o consignatário fica autorizado a vender os bens móveis e deve pagar ao consignante o preço ajustado, salvo quando optar pela devolução no prazo estabelecido.</p>
<p>O modelo diminui a necessidade de comprar todo o estoque antecipadamente, mas não transfere todos os riscos ao fornecedor. Se a devolução integral se tornar impossível, o consignatário pode permanecer obrigado a pagar o preço, inclusive quando o fato não tiver sido diretamente provocado por ele.</p>
<p>Por isso, a operação precisa de documento escrito. O contrato deve identificar os produtos, quantidades, preços, comissões, prazos, responsabilidades por furto ou avaria, condições de devolução, forma de prestação de contas e tratamento de mercadorias não vendidas.</p>
<p>O empreendedor também deve registrar separadamente o que pertence ao fornecedor e o que já foi vendido. Misturar itens consignados com estoque próprio ou utilizar o dinheiro das vendas para despesas pessoais aumenta o risco de inadimplência quando chegar o prazo de pagamento.</p>
<h2>Venda pela internet cria deveres perante o consumidor</h2>
<p>O fato de o negócio funcionar dentro de casa não reduz a responsabilidade sobre o produto ou serviço. Quando a venda é realizada por site, aplicativo, rede social ou mensagem, aplicam-se as normas do Código de Defesa do Consumidor e do comércio eletrônico.</p>
<p>O vendedor deve apresentar informações claras sobre sua identificação, características do produto, preço, formas de pagamento, despesas adicionais, prazo de entrega e canais de atendimento. A oferta divulgada vincula o fornecedor, que deve cumprir as condições anunciadas.</p>
<p>Nas contratações realizadas fora do estabelecimento comercial, o consumidor dispõe de sete dias para exercer o direito de arrependimento. O prazo começa a ser contado da assinatura ou do recebimento, conforme o caso, e os valores pagos devem ser devolvidos.</p>
<p>Essa obrigação precisa entrar no cálculo financeiro do negócio. Uma venda registrada hoje pode ser cancelada depois da entrega, exigindo restituição, logística reversa e retorno da mercadoria ao estoque. Empreendedores que gastam imediatamente todo o valor recebido podem enfrentar falta de caixa para realizar os reembolsos.</p>
<p>A emissão de nota fiscal também depende do comprador. O MEI é dispensado de emitir o documento para pessoa física, salvo quando solicitado. Quando vende ou presta serviços para outra empresa, a emissão é obrigatória, exceto nas situações em que o destinatário emite nota de entrada.</p>
<h2>Controle financeiro separa renda extra de empresa</h2>
<p>O principal erro de uma operação doméstica é tratar todo o dinheiro recebido como renda disponível. O faturamento inclui parcelas destinadas à reposição do estoque, tributos, entregas, embalagens, anúncios, comissões e devoluções. Apenas o valor restante depois dos custos representa resultado.</p>
<p>A conta bancária de pessoa jurídica não é obrigatória para o MEI, mas o próprio Portal do Empreendedor recomenda a separação entre o patrimônio pessoal e o empresarial. Essa divisão permite identificar se a atividade gera lucro e impede que despesas da residência consumam o capital necessário ao funcionamento do negócio.</p>
<p>O controle pode começar com uma planilha ou sistema simples, desde que registre diariamente vendas, recebimentos, compras, taxas e obrigações futuras. No caso de produtos consignados, é necessário indicar também o valor que pertence ao fornecedor.</p>
<p>Antes de ampliar a operação, o empreendedor deve verificar se o espaço continua adequado, se o volume de vendas exige mudança de enquadramento e se há capacidade para cumprir prazos. Crescer sem ajustar estoque, caixa e logística pode transformar o aumento das vendas em atraso, reclamações e endividamento.</p>
<p>Empreender em casa pode ser uma porta de entrada para a atividade empresarial, mas a residência não substitui uma estrutura mínima de gestão. O modelo se torna sustentável quando a economia de aluguel é acompanhada por formalização correta, contrato com fornecedores, respeito ao consumidor e controle rigoroso do dinheiro.</p>
<hr />
<h4>FONTES:</h4>
<ol>
<li>Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — PNAD Contínua: resultados anuais do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="337284">mercado</a> de trabalho em 2025 — 30 de janeiro de 2026 — página oficial do IBGE.</li>
<li>Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte — Mapa de Empresas, dados atualizados até junho de 2026 — Portal Gov.br.</li>
<li>Portal do Empreendedor — Perguntas frequentes, regras de formalização, faturamento, DAS, endereço, nota fiscal e obrigações do MEI — atualização consultada em agosto de 2026.</li>
<li>Presidência da República — Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, Código Civil, artigos 534 a 537, contrato estimatório — texto compilado.</li>
<li>Câmara dos Deputados — Projeto de Lei Complementar nº 186 de 2026, situação e tramitação — consulta em 5 de agosto de 2026.</li>
</ol>
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			</item>
		<item>
		<title>Fenabrave: Emplacamentos crescem 10,2% em julho e acumulado chega a 3,2 milhões</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/emplacamentos-veiculos-sobem-15-julho-279-mil-fenabrave</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alice Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2026 23:33:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[automóveis]]></category>
		<category><![CDATA[caminhões]]></category>
		<category><![CDATA[comerciais leves]]></category>
		<category><![CDATA[emplacamentos de veículos]]></category>
		<category><![CDATA[Fenabrave]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[ônibus]]></category>
		<category><![CDATA[Programa Carro Sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[programa Mover]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O mercado brasileiro de veículos novos registrou 504.574 emplacamentos em julho de 2026, alta de 10,2% em relação ao mesmo mês de 2025 e crescimento de 3,3% sobre junho, segundo balanço divulgado nesta terça-feira, 4 de agosto, pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores. O volume, que reúne automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O mercado brasileiro de veículos novos registrou 504.574 emplacamentos em julho de 2026, alta de 10,2% em relação ao mesmo mês de 2025 e crescimento de 3,3% sobre junho, segundo balanço divulgado nesta terça-feira, 4 de agosto, pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores. O volume, que reúne automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas e implementos rodoviários, foi o terceiro maior já registrado para um mês de julho.</p>
<p>De janeiro a julho, os emplacamentos chegaram a 3.219.957 unidades, avanço de 15,1% sobre igual período do ano passado. Segundo a Fenabrave, esse é o segundo maior resultado da série para os sete primeiros meses de um ano. A entidade atribuiu o desempenho principalmente aos segmentos de maior volume, com destaque para automóveis, comerciais leves e motocicletas, além da ampliação da oferta de produtos e da competição entre marcas.</p>
<p>O avanço mensal também foi influenciado pelo calendário. Julho teve três dias úteis a mais do que junho, período em que foram registradas 488.420 unidades. No primeiro semestre, o setor havia acumulado 2.715.403 emplacamentos, crescimento de 16,01% sobre os seis primeiros meses de 2025 e o melhor resultado para o período desde 2011.</p>
<p>Apesar da continuidade da expansão, a Fenabrave não elevou suas projeções para 2026. A entidade manteve as estimativas revisadas em julho e informou que poderá fazer nova avaliação em outubro, caso ocorram mudanças relevantes no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="334903">mercado</a>. A decisão indica que o resultado de julho não foi interpretado, isoladamente, como garantia de aceleração durante todo o segundo semestre.</p>
<h2>Resultado combina volume elevado e mais dias úteis</h2>
<p>A comparação entre junho e julho mostra que o aumento absoluto foi de 16.154 unidades. Como houve três dias úteis adicionais, parte da expansão decorreu da maior quantidade de dias disponíveis para registros. Ainda assim, a alta de 10,2% frente a julho de 2025 e a posição histórica do mês indicam que o avanço não se limitou ao efeito do calendário.</p>
<p>A Fenabrave informou que o varejo de automóveis e comerciais leves e o mercado de motocicletas continuaram sustentando os números gerais. Esses segmentos concentram a maior parte dos registros e se beneficiam de uma combinação de renovação de frota, demanda por mobilidade, ampliação dos portfólios e maior concorrência comercial entre fabricantes e concessionárias.</p>
<p>O presidente da entidade, Arcelio Junior, avaliou que a disponibilidade de crédito no primeiro semestre pode ter antecipado parte das compras. A Fenabrave também considera que as eleições de outubro podem levar a uma acomodação do mercado nos próximos meses. A projeção, portanto, combina um acumulado forte com cautela sobre a manutenção do mesmo ritmo até dezembro.</p>
<p>A entidade também citou o Programa Carro Sustentável entre os fatores que contribuíram para o desempenho dos segmentos de maior volume. O mecanismo alterou a tributação de automóveis e comerciais leves conforme critérios ambientais, industriais e tecnológicos, criando uma faixa de Imposto sobre Produtos Industrializados zerado para versões registradas como sustentáveis pelo governo federal.</p>
<h2>IPI zero favorece versões enquadradas no programa</h2>
<p>O Programa Carro Sustentável foi instituído no âmbito do Mover pelo Decreto nº 12.549, de 10 de julho de 2025. A norma modificou a Tabela de Incidência do IPI para veículos de passageiros e comerciais leves e estabeleceu um sistema de bônus e acréscimos conforme fonte de energia, eficiência, potência, segurança e reciclabilidade.</p>
<p>Para receber IPI zero, a versão precisa cumprir simultaneamente quatro condições: emissão de até 83 gramas de dióxido de carbono por quilômetro no ciclo do poço à roda; uso de pelo menos 80% de materiais recicláveis ou reutilizáveis; realização no país de etapas fabris definidas pelo processo produtivo básico; e enquadramento como subcompacto, compacto, utilitário esportivo compacto ou picape compacta.</p>
<p>O enquadramento não é automático para todos os veículos de determinada fabricante. Cada marca e modelo depende de requerimento e de registro de versão sustentável aprovado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Os atos de habilitação identificam as versões que atendem às exigências técnicas e podem utilizar a alíquota reduzida.</p>
<p>A regra de IPI zero tem vigência prevista até 31 de dezembro de 2026. Para os demais veículos, o decreto adotou alíquota-base de 6,3% para modelos de passageiros e de 3,9% para comerciais leves, com ajustes positivos ou negativos conforme as características do produto. A estrutura foi desenhada para redistribuir a tributação dentro do setor, premiando modelos mais eficientes sem criar benefício indistinto para toda a frota nova.</p>
<h2>Pesados aguardam efeitos do Move Brasil</h2>
<p>Nos segmentos de caminhões, ônibus e implementos rodoviários, a leitura da Fenabrave é diferente. A entidade afirmou que o Move Brasil interrompeu a deterioração observada nos meses anteriores, mas avaliou que parte dos pedidos financiados ainda precisa ser convertida em emplacamentos. Por essa razão, o efeito integral do programa deverá aparecer nos balanços seguintes.</p>
<p>O BNDES abriu em 29 de maio o protocolo do BNDES Mais Mobilidade, linha destinada à renovação de caminhões, caminhões-tratores, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários. O programa dispõe de R$ 21,2 bilhões, dos quais R$ 14,5 bilhões têm origem no Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões correspondem a recursos adicionais do banco de desenvolvimento.</p>
<p>A operação reservou R$ 2 bilhões para a aquisição de ônibus e outros R$ 2 bilhões para transportadores autônomos e cooperados. Os financiamentos são processados por agentes financeiros credenciados, com limite de até R$ 50 milhões por beneficiário, prazo que pode chegar a dez anos e possibilidade de até 12 meses de carência, conforme a modalidade e as condições aplicáveis.</p>
<p>Em junho, o BNDES informou que havia aprovado R$ 10 bilhões em operações nos primeiros 12 dias da nova etapa, o equivalente a 47,1% da dotação do programa. Como aprovação de crédito, faturamento, entrega e emplacamento ocorrem em momentos diferentes, a Fenabrave espera que parte desse volume apareça gradualmente nas estatísticas.</p>
<h2>Projeções mantêm alta nos leves e queda nos pesados</h2>
<p>A projeção revisada da Fenabrave indica 2.773.814 emplacamentos de automóveis e comerciais leves em 2026, expansão de 8,8% sobre as 2.549.462 unidades registradas em 2025. A estimativa substituiu a previsão inicial, que apontava crescimento de 3% e volume de 2.625.912 unidades.</p>
<p>Para motocicletas, a expectativa foi mantida em alta de 10%, com 2.416.980 unidades no ano. Somados todos os segmentos acompanhados, a entidade prevê 5.382.753 registros em 2026, crescimento de 8,6% diante das 4.957.517 unidades do ano anterior.</p>
<p>Os pesados permanecem com projeções negativas, apesar do crédito adicional. Para caminhões, a estimativa é de 102.245 unidades, retração de 7,8% frente às 110.873 registradas em 2025. Em janeiro, a entidade previa alta de 3,5% e 114.752 caminhões, cenário alterado após a fraqueza observada no primeiro semestre.</p>
<p>No caso dos ônibus, a projeção foi reduzida para 26.198 unidades, queda anual de 9,2%. A previsão inicial indicava crescimento de 3% e 29.709 veículos. Para implementos rodoviários, a estimativa passou a 63.516 registros, recuo de 10,6%, ante uma expectativa anterior de expansão de 2%.</p>
<p>O subtotal formado por automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus deve alcançar 2.902.257 unidades no ano, alta de 7,9% sobre 2025. O aumento dos leves mais do que compensa, no cálculo agregado, as quedas esperadas para caminhões e ônibus, mas a diferença entre os segmentos mostra que a recuperação não ocorre de forma uniforme.</p>
<h2>Crédito e eleições entram no cálculo do segundo semestre</h2>
<p>A Fenabrave considera que as taxas de juros ainda elevadas permanecem como limitação para consumidores e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="334902">empresas</a>, especialmente nas aquisições de maior valor. O impacto é mais intenso em caminhões, ônibus e implementos, normalmente financiados como bens de capital e associados a decisões de investimento de transportadores, cooperativas e operadores de transporte coletivo.</p>
<p>Nos leves, a concorrência entre marcas, os descontos comerciais e o tratamento tributário das versões sustentáveis ampliam as alternativas oferecidas ao consumidor. Esses fatores ajudam a explicar por que automóveis e comerciais leves apresentam projeção de crescimento, mesmo com o custo financeiro ainda elevado e com a possibilidade de desaceleração no segundo semestre.</p>
<p>A entidade também espera efeitos futuros do Move Brasil Táxi e Aplicativos, cuja execução depende do cadastramento dos motoristas, da aprovação das operações e do uso de garantias para reduzir o risco dos financiamentos. No balanço de julho, a Fenabrave afirmou que ainda não era possível estimar o impacto efetivo da iniciativa sobre os emplacamentos.</p>
<p>A próxima avaliação formal das projeções poderá ocorrer em outubro. Até lá, os balanços de agosto e setembro deverão mostrar se o terceiro melhor julho da série refletiu apenas a combinação entre calendário, incentivos e compras antecipadas ou se o mercado manterá crescimento suficiente para superar a previsão de 5,38 milhões de veículos emplacados em 2026. (Fenabrave)</p>
<hr />
<h4>Fontes:</h4>
<ul>
<li>Fenabrave — Emplacamentos de veículos alcançam o terceiro melhor mês de julho da história e registram o segundo maior volume no acumulado — 4 de agosto de 2026</li>
<li>Fenabrave — Emplacamentos de veículos fecham o primeiro semestre com alta acima de 16% — 2 de julho de 2026</li>
<li>Fenabrave — Projeções revisadas de emplacamentos para 2026 — julho de 2026</li>
<li>Presidência da República — Decreto nº 12.549, de 10 de julho de 2025</li>
<li>Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — Regulação do Programa Carro Sustentável</li>
<li>BNDES — Governo amplia Move Brasil, que terá R$ 21,2 bilhões para aquisição de caminhões e ônibus</li>
<li>BNDES — Move Brasil abre operação para renovar frota de caminhões e ônibus — 29 de maio de 2026</li>
<li>BNDES — Move Brasil aprova R$ 10 bilhões para renovação de frota — 16 de junho de 2026</li>
</ul>
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		<item>
		<title>Dia dos Pais deve movimentar R$ 29,7 bilhões e levar 9,3 milhões às compras de última hora</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/comercio-dia-dos-pais-compras-ultima-hora</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alice Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2026 18:24:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[comércio varejista]]></category>
		<category><![CDATA[compras online]]></category>
		<category><![CDATA[consumo]]></category>
		<category><![CDATA[dia dos pais]]></category>
		<category><![CDATA[lojas físicas]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[PIX]]></category>
		<category><![CDATA[varejo paulista]]></category>
		<category><![CDATA[vendas de agosto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O comércio brasileiro entrou nesta terça-feira (4) na reta final para o Dia dos Pais com a expectativa de receber cerca de 9,3 milhões de consumidores que ainda pretendem comprar presentes nas vésperas da comemoração, marcada para domingo (9). O contingente corresponde a 9% do público com intenção de compra e deverá reforçar o movimento [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O comércio brasileiro entrou nesta terça-feira (4) na reta final para o Dia dos Pais com a expectativa de receber cerca de 9,3 milhões de consumidores que ainda pretendem comprar presentes nas vésperas da comemoração, marcada para domingo (9). O contingente corresponde a 9% do público com intenção de compra e deverá reforçar o movimento em lojas físicas, aplicativos e sites ao longo dos últimos dias da campanha sazonal.</p>
<p>A estimativa faz parte de levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do Serviço de Proteção ao Crédito, realizado em parceria com a Offerwise. A pesquisa projeta que 104 milhões de consumidores residentes nas capitais irão às compras e que a data movimentará R$ 29,7 bilhões no comércio e nos serviços. O número de compradores representa redução nominal de 2,3 milhões em relação a 2025.</p>
<p>O aquecimento ocorre com duas forças simultâneas. De um lado, a ampla disposição de presentear mantém elevado o volume potencial de consumo. De outro, o menor número de compradores e a situação financeira de parte das famílias limitam a expansão, sobretudo em categorias de maior valor e dependentes de parcelamento.</p>
<p>O cronograma informado pelos entrevistados mostra que a maior parcela das aquisições foi distribuída antes da reta final: 39% pretendiam comprar em julho e 31% na primeira semana de agosto. Outros 11% disseram já ter garantido o presente quando o levantamento foi realizado, enquanto 10% ainda não haviam decidido o momento da compra e 1% planejava adquirir o item somente depois da celebração.</p>
<h2>Vestuário concentra a maior parcela das intenções</h2>
<p>Roupas, calçados e acessórios aparecem na liderança, citados por 62% dos consumidores que pretendem presentear. Cosméticos e perfumes ocupam a segunda posição, com 27%, seguidos por ferramentas, com 18%. Eletrônicos e artigos esportivos registram 16% cada, enquanto 10% consideram entregar dinheiro ou fazer uma transferência por PIX.</p>
<p>A composição das escolhas favorece segmentos com grande variedade de preços e possibilidade de compra imediata. Também reduz a dependência de financiamento mais longo, característica relevante em um ambiente no qual parte dos consumidores já enfrenta compromissos vencidos e demonstra resistência à contratação de novas parcelas.</p>
<p>A pesquisa indica gasto médio de aproximadamente R$ 286 por consumidor, considerando a compra de 1,8 presente. Entre os entrevistados, 36% afirmaram que pretendem gastar mais do que em 2025, 34% projetam desembolsar o mesmo valor e 17% querem reduzir a despesa.</p>
<p>Entre aqueles que planejam elevar o gasto, 61% justificam a decisão pelo desejo de oferecer um presente melhor, enquanto 38% apontam a percepção de que os preços estão mais altos. No grupo que pretende gastar menos, 40% mencionam orçamento apertado, 39% citam contenção de despesas e 18% afirmam que precisam direcionar recursos para o pagamento de dívidas.</p>
<p>O presente físico permanece como preferência percebida pela maioria. Para 60% dos entrevistados, os pais gostariam de receber um produto. Os demais 40% acreditam que o presente poderia ser substituído por ajuda financeira: 17% apontam dinheiro ou PIX para uso livre, 8% indicam recursos para quitar boletos atrasados e outros 8% mencionam pagamento de contas básicas.</p>
<h2>Lojas físicas lideram, mas pesquisa de preços migra para a internet</h2>
<p>Os estabelecimentos físicos continuam à frente na escolha do canal de compra. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores pretendem adquirir presentes presencialmente, principalmente em shopping centers, citados por 27%. Lojas de departamento aparecem com 17%, seguidas por lojas de rua e centros de comércio popular, ambas com 16%.</p>
<p>A internet participa da jornada de 47% dos compradores. Dentro desse grupo, 71% pretendem utilizar aplicativos, 57% recorrerão a sites e 23% indicam o Instagram como canal de aquisição. As respostas permitem múltiplas escolhas, razão pela qual os percentuais dos canais não são excludentes.</p>
<p>A presença física é dominante na conclusão da compra, mas o ambiente digital assumiu papel central na comparação de preços. Entre os consumidores que pesquisarão antes de decidir, 83% farão consultas online e 67% visitarão lojas. Sites e aplicativos são mencionados por 73%, redes sociais por 38%, e shoppings e lojas de rua aparecem empatados, com 39%, entre os locais presenciais de pesquisa.</p>
<p>No total, 77% pretendem comparar valores para economizar. Preço, promoções e descontos são o principal critério de escolha do ponto de venda, citados por 49% dos entrevistados. A qualidade dos produtos aparece com 45%, o frete grátis com 35%, a rapidez da entrega com 26% e a facilidade de pagamento com 25%.</p>
<p>Vitrines e exposições de produtos continuam relevantes na decisão, com influência para 32% dos consumidores. Anúncios no Instagram aparecem com 31%, mecanismos de busca com 30% e indicações de amigos e familiares com 29%. O TikTok é citado por 24%.</p>
<h2>PIX ganha espaço e parcelamento fica concentrado no cartão</h2>
<p>A preferência por pagamento à vista alcança 81% dos consumidores. O PIX será usado por 52%, enquanto o cartão de débito aparece com 17%. Ao mesmo tempo, 41% manifestaram intenção de parcelar ao menos parte das compras, principalmente no cartão de crédito, indicado por 30%. A média prevista é de 3,4 prestações.</p>
<p>Os percentuais mostram que pagamento imediato e parcelamento podem coexistir na mesma cesta, especialmente porque o consumidor pretende comprar, em média, mais de um presente. A escolha também varia conforme o valor do produto e a possibilidade de dividir a despesa com outras pessoas.</p>
<p>A maior parte dos entrevistados, 73%, pretende arcar sozinha com o custo. Outros 22% planejam dividir: 12% pagarão individualmente uma parte e compartilharão outra, enquanto 10% repartirão todo o valor. Entre os que adotarão a compra coletiva, 38% dividirão com o cônjuge, 32% com irmãos e 18% com a mãe.</p>
<p>O objetivo de oferecer um presente melhor e mais caro é apontado por 32% dos que dividirão o pagamento. Outros 27% buscam reduzir o gasto individual e 19% citam a alta de preços. A prática amplia o acesso a itens de maior valor sem concentrar toda a despesa em um único orçamento.</p>
<p>O comércio de produtos usados também disputa espaço. O levantamento mostra divisão exata: 46% considerariam presentear com um item de segunda mão em perfeito estado e 46% recusariam. Entre os favoráveis, aparecem a possibilidade de acessar marcas melhores por preço menor, a procura por peças exclusivas ou antigas e a preocupação com consumo consciente.</p>
<h2>Endividamento limita a força da data</h2>
<p>A intenção de presentear alcança uma parcela relevante de consumidores em situação financeira frágil. Entre os compradores, 37% declararam ter contas em atraso e, dentro desse grupo, 73% estão com o nome negativado. Além disso, 14% afirmaram que pretendem deixar de pagar alguma conta para viabilizar a compra do presente.</p>
<p>A maior parte, 62%, usará salário ou renda mensal para pagar a aquisição. Outros 19% ainda não sabiam de onde retirariam o dinheiro, mas afirmaram que encontrariam uma forma de comprar. Uma parcela de 13% pretende redirecionar recursos reservados para outra finalidade, e 4% recorrerão a empréstimo ou crédito rotativo.</p>
<p>O levantamento também registra que 30% reconhecem gastar além de suas possibilidades na data. Para acomodar a despesa, 24% pretendem adiar compras pessoais, 21% cortarão gastos considerados supérfluos, como saídas e entregas de refeições, e 20% admitem parcelar mesmo sabendo que o compromisso pressionará o orçamento dos meses seguintes.</p>
<p>A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas atribui a leve retração do número de compradores ao limite do orçamento familiar e recomenda planejamento, definição prévia do valor disponível, comparação de preços e prioridade para formas de pagamento que não criem obrigações futuras incompatíveis com a renda.</p>
<h2>Varejo paulista projeta avanço de 0,7% em agosto</h2>
<p>No Estado de São Paulo, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo estima que os segmentos varejistas mais afetados pelo Dia dos Pais terão crescimento de 0,7% no faturamento de agosto em relação ao mesmo mês de 2025. O aumento projetado equivale a R$ 567 milhões em receita adicional.</p>
<p>A expansão será desigual entre as atividades. Farmácias e perfumarias devem registrar alta de 3,7%, enquanto lojas de roupas têm projeção de crescimento de 1,7%. Os números estão alinhados à preferência nacional por vestuário, cosméticos e perfumes, categorias que lideram ou ocupam as primeiras posições nas intenções de compra.</p>
<p>Bens duráveis apresentam cenário mais fraco. A federação paulista prevê retração de 1,3% para móveis e decoração e queda de 0,8% para eletroeletrônicos. A avaliação da entidade é que endividamento, juros elevados e pressão sobre os preços restringem a disposição das famílias para assumir novas dívidas, ainda que de prazo curto.</p>
<p>Em julho, 74,8% das famílias paulistas tinham dívidas ativas, segundo a pesquisa de endividamento da própria federação. Esse nível ajuda a explicar por que o crescimento esperado para agosto é moderado e concentrado em produtos que permitem tíquete mais baixo, pagamento à vista e substituição rápida entre marcas e faixas de preço.</p>
<p>A pesquisa nacional foi realizada pela internet entre 23 de junho e 1º de julho, com consumidores maiores de 18 anos das 27 capitais. Foram ouvidas 978 pessoas para medir a intenção geral de compra e, depois, 636 consumidores que pretendiam presentear. As margens de erro são de 3,1 pontos percentuais e 3,9 pontos percentuais, respectivamente, com nível de confiança de 95%.</p>
<p>Com 9% dos consumidores programando a compra para as vésperas, 10% ainda sem definição sobre o momento e 1% disposto a comprar após a comemoração, o resultado final da campanha permanecerá dependente do movimento registrado até domingo e das vendas realizadas nos dias imediatamente posteriores à data.</p>
<hr />
<h4>Fontes:</h4>
<ul>
<li>Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e SPC Brasil — Dia dos Pais: 9,3 milhões de consumidores devem ir às compras na última hora — 4 de agosto de 2026</li>
<li>Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e SPC Brasil — 104 milhões de consumidores devem ir às compras para o Dia dos Pais — 30 de julho de 2026 —</li>
<li>Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo — Varejo paulista espera alta de 0,7% em agosto com vendas do Dia dos Pais — 3 de agosto de 2026</li>
</ul>
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			</item>
		<item>
		<title>Etanol amplia vantagem sobre gasolina e gera economia de até R$ 79 por tanque em São Paulo</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/etanol-amplia-vantagem-sobre-gasolina-sao-paulo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2026 15:02:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
		<category><![CDATA[ANP]]></category>
		<category><![CDATA[Biocombustíveis]]></category>
		<category><![CDATA[etanol]]></category>
		<category><![CDATA[gasolina]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[preços dos combustíveis]]></category>
		<category><![CDATA[safra 2026/2027]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Única]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O etanol hidratado atingiu a maior vantagem econômica sobre a gasolina comum em São Paulo desde 2018, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira, 3 de agosto, pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia. Com o biocombustível vendido, em média, a R$ 3,70 por litro e a gasolina a R$ 6,39, a diferença pode representar economia [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O etanol hidratado atingiu a maior vantagem econômica sobre a gasolina comum em São Paulo desde 2018, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira, 3 de agosto, pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia. Com o biocombustível vendido, em média, a R$ 3,70 por litro e a gasolina a R$ 6,39, a diferença pode representar <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333869">economia</a> de R$ 79,29 no abastecimento de um tanque de 60 litros.</p>
<p>O cálculo considera que um litro de etanol proporciona, em média, 73% do rendimento energético da gasolina. Aplicado esse parâmetro, a gasolina vendida a R$ 6,39 corresponderia a um preço equivalente de R$ 5,07 para o etanol. Como o valor efetivamente encontrado nas bombas paulistas foi de R$ 3,70, a diferença ajustada chegou a R$ 1,32 por litro.</p>
<p>A relação entre os preços ficou em 57,9% em São Paulo. Quanto menor essa proporção, maior tende a ser a vantagem do etanol para os veículos flex. O resultado foi o mais favorável ao biocombustível em oito anos e o segundo melhor desde o início da série utilizada pela entidade, em 2013.</p>
<p>Os dados têm como base o levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, responsável por acompanhar os preços praticados nos postos. A pesquisa abrange gasolina comum, etanol hidratado, diesel, gás veicular e gás liquefeito de petróleo, com resultados nacionais, estaduais e municipais.</p>
<h2>Vantagem depende do consumo de cada veículo</h2>
<p>A proporção de 73% utilizada no cálculo representa uma referência técnica mais atualizada do que a regra simplificada dos 70%, tradicionalmente adotada para comparar os dois combustíveis. O ponto de equilíbrio pode variar conforme o modelo do veículo, o motor, as condições de condução e o tipo de percurso.</p>
<p>Para um automóvel que percorra proporcionalmente 73 quilômetros com etanol para cada 100 quilômetros realizados com gasolina, o biocombustível será economicamente vantajoso quando custar menos de 73% do preço do combustível fóssil. Em São Paulo, a relação de 57,9% ficou 15,1 pontos percentuais abaixo desse limite.</p>
<p>A economia de R$ 79,29 não corresponde apenas à diferença nominal entre os preços na bomba. Se fossem comparados diretamente os valores de um tanque de 60 litros, o abastecimento com etanol custaria R$ 222, enquanto a gasolina exigiria R$ 383,40. A distância nominal seria de R$ 161,40, mas parte dela é compensada pelo menor rendimento energético do etanol.</p>
<p>Depois do ajuste pelo consumo, o custo equivalente da gasolina para a mesma distância seria de aproximadamente R$ 304,20. A diferença em relação aos R$ 222 gastos com o etanol fica próxima dos R$ 80 estimados. O benefício efetivo poderá ser maior ou menor conforme a eficiência específica de cada automóvel.</p>
<p>Motoristas podem calcular a paridade dividindo o preço do etanol pelo preço da gasolina. Com os valores médios paulistas, a operação de R$ 3,70 divididos por R$ 6,39 resulta em 0,579, ou 57,9%. O resultado indica vantagem ampla mesmo para veículos nos quais o rendimento relativo do etanol fique abaixo dos 73% adotados pela entidade.</p>
<h2>Etanol é competitivo em seis Estados pesquisados</h2>
<p>A vantagem não ficou restrita à média estadual de São Paulo. Segundo a análise dos dados da ANP, todos os municípios pesquisados em São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais apresentaram preços do etanol abaixo da paridade técnica com a gasolina.</p>
<p>Os seis Estados concentram parcela relevante da produção brasileira de cana-de-açúcar e de etanol de milho. A proximidade das usinas, a disponibilidade do produto e a estrutura logística reduzem custos de transporte e favorecem a transmissão dos preços praticados pelos produtores até os postos.</p>
<p>Em Mato Grosso, a relação entre os preços caiu para 55%. O etanol hidratado foi comercializado, em média, a R$ 3,74 por litro, diante de R$ 6,80 para a gasolina. A diferença nominal atingiu R$ 3,06 por litro, superior aos R$ 2,69 registrados em São Paulo.</p>
<p>A competitividade, entretanto, não é uniforme em todo o território nacional. Estados distantes das principais regiões produtoras enfrentam custos logísticos maiores, e a tributação também interfere no preço final. A ANP esclarece que os combustíveis operam em regime de liberdade de preços desde 2002, sem tabelamento ou autorização prévia para reajustes.</p>
<p>O valor ao consumidor é composto pelos preços praticados por produtores ou importadores, tributos federais e estaduais, custos de distribuição, despesas de revenda e margens comerciais. No caso da gasolina, também influencia a proporção de etanol anidro obrigatoriamente adicionada ao produto antes de sua comercialização.</p>
<h2>Preço nas usinas acumula quedas em julho</h2>
<p>A redução observada nos postos ocorreu após uma sequência de quedas nas negociações entre usinas e distribuidoras. O Indicador Semanal do Etanol Hidratado Cepea/Esalq para São Paulo passou de R$ 2,2427 por litro no período encerrado em 3 de julho para R$ 2,0764 entre os dias 20 e 24.</p>
<p>O recuo acumulado nesse intervalo foi de 7,4%. Apenas na semana de 20 a 24 de julho, a diminuição chegou a 2,68%. O indicador é calculado sem frete, ICMS, PIS e Cofins, motivo pelo qual não deve ser comparado diretamente com os valores pagos pelo consumidor nos postos.</p>
<p>O etanol anidro, misturado à gasolina, apresentou trajetória semelhante. O preço médio caiu de R$ 2,5808 por litro na semana encerrada em 3 de julho para R$ 2,3786 entre os dias 20 e 24, uma redução de 7,8%.</p>
<p>O movimento refletiu a intensificação da moagem de cana-de-açúcar e a necessidade de comercialização por parte de algumas unidades produtoras. A entrada de maior volume no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333870">mercado</a> pressionou as cotações, enquanto distribuidoras mantiveram cautela nas compras diante da expectativa de continuidade da oferta.</p>
<p>A transmissão das quedas das usinas para os postos não é automática nem integral. Estoques adquiridos anteriormente, contratos, frete, tributos e margens comerciais podem retardar ou reduzir o repasse. A sequência de recuos, porém, abriu espaço para uma diminuição dos preços ao consumidor ao longo de julho.</p>
<h2>Produção cresce com cana e etanol de milho</h2>
<p>A oferta também foi favorecida pelo desempenho da produção na safra 2026/2027. Até 1º de junho, as unidades do Centro-Sul haviam produzido 7,54 bilhões de litros de etanol, crescimento de 31,55% em relação ao mesmo estágio do ciclo anterior.</p>
<p>O etanol hidratado, vendido diretamente nos postos, somou 4,96 bilhões de litros, aumento de 29%. A fabricação de anidro alcançou 2,58 bilhões de litros, avanço de 36,73%. Os dados abrangem a produção a partir de cana-de-açúcar e de milho.</p>
<p>Somente na segunda quinzena de maio, foram fabricados 2,13 bilhões de litros de etanol. Desse volume, 1,33 bilhão correspondeu ao hidratado e 796 milhões ao anidro. Cerca de 19,4% da produção quinzenal teve o milho como matéria-prima.</p>
<p>A produção de etanol de milho atingiu 1,57 bilhão de litros desde o começo da safra, alta de 8,63%. Essa modalidade permite fabricação ao longo de períodos em que a moagem de cana diminui e amplia a disponibilidade do combustível em Estados do Centro-Oeste.</p>
<p>A expansão da produção ocorreu apesar de a moagem de cana ter recuado na segunda metade de maio. As usinas processaram 41,55 milhões de toneladas, 13,08% abaixo do volume do mesmo período da safra anterior. A maior destinação da matéria-prima ao etanol e o crescimento da produção de milho compensaram parcialmente a redução.</p>
<h2>Vendas internas acompanham ganho de competitividade</h2>
<p>As vendas das unidades do Centro-Sul somaram 2,88 bilhões de litros de etanol em maio. O hidratado respondeu por 1,79 bilhão de litros, enquanto o anidro totalizou 1,09 bilhão.</p>
<p>No mercado doméstico, a comercialização de hidratado alcançou 1,77 bilhão de litros. A média diária avançou 2,09% na comparação com maio da safra anterior. As vendas de anidro aumentaram 1,66%, também considerando o mercado interno.</p>
<p>A melhora já era observada no fim de maio, quando o preço do etanol nos postos correspondia a 60,7% do valor da gasolina em São Paulo. Na última semana daquele mês, todos os municípios pesquisados nos seis principais Estados produtores apresentavam vantagem para o biocombustível.</p>
<p>Entre o fim de maio e o levantamento divulgado em agosto, a paridade paulista caiu mais 2,8 pontos percentuais, de 60,7% para 57,9%. A redução mostra que o preço do etanol recuou em ritmo superior ao da gasolina durante o período.</p>
<p>No acumulado da safra até 1º de junho, as vendas das usinas do Centro-Sul chegaram a 5,66 bilhões de litros. O hidratado respondeu por 3,55 bilhões, e o anidro, por 2,11 bilhões.</p>
<h2>Mistura de etanol na gasolina sobe para 32%</h2>
<p>O ganho de competitividade do hidratado ocorre simultaneamente ao aumento do uso do etanol anidro na gasolina. O Conselho Nacional de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333868">Política</a> Energética aprovou a elevação temporária da mistura obrigatória de 30% para 32%, conhecida como E32.</p>
<p>A medida entrou em vigor em 1º de agosto e terá duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma única prorrogação por igual período. A autorização está prevista na Lei do Combustível do Futuro e foi precedida por testes coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e executados pelo Instituto Mauá de Tecnologia.</p>
<p>Os ensaios avaliaram desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo e emissões em veículos leves e motocicletas. Segundo o ministério, a mistura com 32% apresentou comportamento equivalente ao das proporções anteriores, inclusive em veículos que não possuem motor flex.</p>
<p>O governo estima que o E32 poderá reduzir em aproximadamente 900 milhões de litros por ano a necessidade de importação de gasolina. A maior demanda por anidro cria uma destinação adicional para a produção das usinas, ao mesmo tempo que o hidratado permanece disponível como opção direta para proprietários de veículos flex.</p>
<p>A vantagem <a href="https://gazetamercantil.com/fgts-agosto-2026-saque-aniversario-liberado" title="FGTS Agosto 2026: saque-aniversário liberado hoje; veja quem recebe" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="336173">econômica observada em agosto</a> dependerá da continuidade da oferta, das cotações nas usinas e dos repasses ao varejo. A ANP atualizará semanalmente os preços estaduais e municipais, permitindo verificar se a relação favorável ao etanol será mantida após o início do E32 e durante o avanço da moagem no Centro-Sul.</p>
<hr />
<h4>Fontes:</h4>
<ul>
<li>União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia — Preço do etanol atinge maior vantagem frente à gasolina desde 2018 — 3 de agosto de 2026</li>
<li>Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis — Levantamento de Preços de Combustíveis — <a href="https://gazetamercantil.com/bolsa-familia-agosto-2026-calendario-oficial" title="Bolsa Família Agosto 2026: calendário com antecipação confirmada e consulta liberada hoje" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="336174">consultado em 4 de agosto</a> de 2026</li>
<li>Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis — Série Histórica de Preços de Combustíveis e de GLP — consultada em 4 de agosto de 2026</li>
<li>Centro de Estudos Avançados em <a href="https://gazetamercantil.com/bolsa-familia-agosto-2026-calendario-oficial" title="Bolsa Família Agosto 2026: calendário com antecipação confirmada e consulta liberada hoje" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="336175">Economia Aplicada — Indicador Semanal do Etanol</a> Cepea/Esalq — consultado em 4 de agosto de 2026</li>
<li>União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia — Safra 2026/2027, segunda quinzena de maio — 24 de junho de 2026</li>
<li>Ministério de Minas e Energia — CNPE aprova elevação do teor de etanol anidro na gasolina para 32% — 24 de julho de 2026</li>
</ul>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ferrovia do Café de R$ 1 bi vai ligar Sul de Minas a Angra dos Reis com 740 km de trilhos</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/ferrovia-do-cafe-projeto-r1-bilhao-minas-angra-leilao-outubro</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Luiza Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2026 14:27:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[ANTT]]></category>
		<category><![CDATA[café arábica]]></category>
		<category><![CDATA[concessão ferroviária]]></category>
		<category><![CDATA[corredor Minas-Rio]]></category>
		<category><![CDATA[FCA]]></category>
		<category><![CDATA[Ferrovia Centro-Atlântica]]></category>
		<category><![CDATA[Ferrovia do Café]]></category>
		<category><![CDATA[Logística]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Varginha]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://gazetamercantil.com/?p=1523126</guid>

					<description><![CDATA[<p>Um projeto para reativar parte da malha ociosa da Ferrovia Centro-Atlântica no Sul de Minas e criar um corredor de exportação de café até o litoral fluminense ganhou tração em 2026 com articulação do setor produtivo, aval da Agência Nacional de Transportes Terrestres e entrada no Programa de Parcerias de Investimentos. A proposta, chamada de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Um projeto para reativar parte da malha ociosa da Ferrovia Centro-Atlântica no Sul de Minas e criar um corredor de exportação de café até o litoral fluminense ganhou tração em 2026 com articulação do setor produtivo, aval da Agência Nacional de Transportes Terrestres e entrada no Programa de Parcerias de Investimentos. A proposta, chamada de Ferrovia do Café, pretende recuperar trechos sem tráfego desde 2011 entre Varginha, Três Corações e Lavras e conectá-los aos portos do Rio de Janeiro, com investimento inicial estimado em mais de R$ 1 bilhão apenas no ramal mineiro.</p>
<p>Segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais, que articula a iniciativa em conjunto com a federação fluminense, há grupos privados interessados na recuperação dos segmentos. O desenho prevê operação com retorno de cargas, como fertilizantes e insumos industriais, para aumentar a eficiência e reduzir o custo logístico da principal região produtora de arábica do país.</p>
<p>O fato novo é a mudança de estágio regulatório. De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres, o corredor Minas-Rio foi aprovado como primeiro projeto de chamamento público do novo marco ferroviário e segue para análise do Tribunal de Contas da União antes da publicação do edital. O leilão, inicialmente previsto para abril de 2026, foi reprogramado para outubro de 2026.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Corredor Minas-Rio de 740 km será primeiro teste do novo modelo de autorizações</h3>
<p>O corredor Minas-Rio totaliza cerca de 740 quilômetros e conecta municípios mineiros como Arcos, Lavras e Varginha a Barra Mansa e Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Segundo o Ministério dos Transportes, o traçado faz parte atualmente da malha da Ferrovia Centro-Atlântica, mas está quase inoperante e demanda investimentos para ampliação e modernização.</p>
<p>A modelagem aprovada pela ANTT divide o corredor em dois lotes. O primeiro possui cerca de 625 quilômetros e liga Iguatama, em Minas Gerais, a Barra Mansa. O segundo conecta Barra Mansa ao Porto de Angra dos Reis, em aproximadamente 107 quilômetros. O ramal específico entre Varginha e Lavras, com cerca de 130 quilômetros, é tratado como segmento estratégico para o café.</p>
<p>O modelo é inédito. Em vez de concessão tradicional com pagamento de outorga elevada à União, o governo adotará chamamento público com autorização de exploração por até 99 anos e outorga simbólica de R$ 1. O critério de seleção será o maior valor proposto em investimento, com possibilidade de exploração de <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="332184">negócios</a> associados. Se houver mais de um interessado, o governo escolhe a proposta mais vantajosa ao interesse público.</p>
<p>De acordo com a ANTT, a proposta busca ampliar a participação da iniciativa privada em trechos devolvidos ou subutilizados, permitindo que <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="332186">empresas</a> de menor porte, as chamadas shortlines, operem linhas fora do foco das grandes concessionárias. A carteira total de trechos passíveis de devolução no Brasil soma cerca de 10 mil quilômetros, segundo a agência.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">FCA devolverá mais de 3 mil quilômetros e renovará concessão com R$ 24 bilhões</h3>
<p>A Ferrovia do Café só se tornou viável após a negociação de renovação antecipada da Ferrovia Centro-Atlântica. Segundo a ANTT, a FCA possui aproximadamente 7.220 quilômetros de extensão e interliga Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Sergipe e Goiás, além do Distrito Federal. <a href="https://gazetamercantil.com/bolsa-familia-agosto-2026-calendario-oficial" title="Bolsa Família Agosto 2026: calendário com antecipação confirmada e consulta liberada hoje" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="335972">Com a prorrogação antecipada</a>, a malha será reduzida para 5.469 quilômetros.</p>
<p>Conforme a agência, serão devolvidos entre 3.051 e 3.110 quilômetros de trechos considerados antieconômicos ou inativos. A concessionária VLI, operadora da FCA, manterá cerca de 4,1 mil quilômetros no novo contrato de 30 anos, com vencimento até 2056. A concessão atual termina em setembro de 2026.</p>
<p>O acordo de renovação prevê investimentos privados de R$ 24 bilhões, segundo o Ministério dos Transportes, com R$ 13,82 bilhões em Capex, além de R$ 1 bilhão em conta vinculada, R$ 500 milhões em projetos e R$ 200 milhões para solução de conflitos urbanos. Há ainda previsão de teto de R$ 4,2 bilhões em indenizações pela devolução, cujo valor final será calculado após a assinatura.</p>
<p>Para o governo, a <a title="O leilão do século: como a privatização da Telebrás colocou o celular no bolso do brasileiro e redesenhou o país" href="https://gazetamercantil.com/privatizacao-telebras-leilao-do-seculo" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="333566">de</a>volução permite aumentar a eficiência dos corredores de maior tráfego, hoje com baixa produtividade por operarem trechos construídos há mais de um século, e destinar os ramais regionais a novos operadores. Os trechos devolvidos poderão receber chamamentos públicos, autorizações independentes ou projetos de transporte de passageiros, conforme regulamentação da Resolução nº 6058 da ANTT de 2024.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Sul de Minas concentra 70% do arábica e paga até 41% em custo logístico</h3>
<p>O Sul de Minas Gerais é o coração da cafeicultura brasileira. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento, a safra total de café do Brasil em 2026 deve atingir 66,7 milhões de sacas de 60 quilos, alta de 18% sobre 2025, configurando recorde histórico. Para o arábica, a Conab prevê produção de 45,8 milhões de sacas, aumento de 28% sobre o ano anterior e a terceira maior da série, atrás apenas de 2020 e 2018.</p>
<p>Minas Gerais deve responder por 32,8 milhões de sacas de arábica, de acordo com a Conab, o que representa cerca de 70% da produção nacional da variedade e aproximadamente metade da safra total brasileira. Em algumas projeções estaduais, o volume chega a 33,4 milhões de sacas, com crescimento de 29,8% sobre 2025, impulsionado pela bienalidade positiva e pela melhor distribuição de chuvas nos meses que antecederam a floração.</p>
<p>Hoje, a maior parte do café exportado segue por caminhão até os portos, especialmente Santos, o que torna a cadeia vulnerável ao preço do diesel e a gargalos rodoviários. Segundo estudos logísticos citados pela Confederação Nacional do Transporte, os custos logísticos respondem por cerca de 41% do preço final do café convencional e por 31% do café especial. Em levantamentos do Conselho dos Exportadores de Café, o frete rodoviário até os terminais pode chegar a 2% do valor da saca dependendo da região, com impacto maior em anos de alta do combustível.</p>
<p>O problema se agravou em 2025 e 2026. Exportadores encerraram 2025 com prejuízo logístico estimado em R$ 66,1 milhões, com 55% dos navios apresentando atrasos e 1.824 contêineres deixando de ser exportados por mês, segundo dados do setor. Em março de 2026, com instabilidades no Estreito de Ormuz, importante rota de combustíveis, o contrato futuro do café arábica avançou 2,94% refletindo preocupação com custos de transporte.</p>
<p>O projeto ferroviário aposta na reversão dessa lógica. Segundo o Ministério dos Transportes, a ferrovia pode reduzir entre 30% e 40% o preço do frete em relação ao rodoviário e viabilizar a importação de fertilizantes no retorno, além de transporte de calcário, clínquer, dolomita e insumos siderúrgicos. Atualmente, o corredor Minas-Rio movimenta cerca de 1,7 milhão de toneladas por ano, com projeção de superar 2,5 milhões nas próximas décadas.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Investimento vai de R$ 720 milhões no ramal a R$ 23 bilhões no corredor completo</h3>
<p>As estimativas de investimento variam conforme o escopo considerado. Para o segmento de 130 quilômetros entre Varginha, Três Corações e Lavras, sem tráfego desde 2011, o investimento estimado é de R$ 449,6 milhões, segundo estudos setoriais. Para o conjunto do corredor entre Minas e Rio, a previsão inicial divulgada pela Federação do Comércio mineira é de aporte superior a R$ 1 bilhão na recuperação dos trechos, com atração de operadores privados.</p>
<p>Em apresentações do Porto Seco de Varginha, que atua como exportador e articulador logístico, o investimento total do projeto Varginha-Angra pode alcançar entre R$ 20 bilhões e R$ 23 bilhões considerando modernização completa, pátios intermodais e aproximação de 5 quilômetros até o porto de Angra. Já a renovação total da FCA envolve R$ 24 bilhões a R$ 40 bilhões, conforme diferentes fases de negociação divulgadas pela agência reguladora e pelo governo.</p>
<p>O modelo de autorização prevê que o vencedor do chamamento assine contrato de uso e inicie operações de forma gradual. Segundo o governo, a assinatura do contrato de concessão de uso deve ocorrer em outubro, após aval do Tribunal de Contas da União, com início das obras entre dois e quatro anos após a assinatura dos contratos, conforme prazo de licenciamento, desapropriações e obras de arte especiais.</p>
<p>O projeto também inclui potencial turístico. A ANTT incluiu a possibilidade de transporte de passageiros em seis trechos com perfil turístico no planejamento do PAC, e o corredor Minas-Rio é visto como indutor de mobilidade interurbana regional entre Lavras e Varginha.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Leilão em outubro no TCU e obras entre 2028 e 2030 definem viabilidade do café por trilhos</h3>
<p>O cronograma atualizado mostra atraso em relação ao plano original. Segundo o Ministério dos Transportes, o governo pretendia leiloar oito ferrovias em 2026 com carteira de R$ 140 bilhões em investimentos, além de R$ 516 bilhões em operações. O Corredor Minas-Rio era previsto para abril, mas segue em análise no TCU e teve leilão reprogramado para outubro, coincidindo com o período eleitoral.</p>
<p>Conforme a ANTT, o edital era esperado para janeiro e a expectativa agora é que seja publicado após junho, após a análise da Corte de Contas, com leilão no último trimestre de 2026. A pasta informou que trabalha para publicar no segundo semestre pelo menos cinco editais estratégicos, incluindo o Anel Ferroviário Sudeste, Malha Oeste, Ferrogrão, Fico-Fiol e o chamamento da Minas-Rio.</p>
<p>Para o setor cafeeiro, o prazo é relevante. A safra recorde de 2026 deve pressionar a logística de escoamento até meados de 2027, enquanto a ferrovia só entraria em operação parcial entre 2028 e 2030 no cenário mais otimista. Até lá, o transporte permanecerá majoritariamente rodoviário, com dependência do Porto de Santos e exposição a variações do diesel.</p>
<p>O Tribunal de Contas da União avalia a segurança jurídica da modelagem, incluindo outorga simbólica, prazo de 99 anos e mecanismos de investimento cruzado e garantias via Fundo de Desenvolvimento da Infraestrutura Regional Sustentável. A aprovação do TCU é considerada etapa fundamental para atrair investidores e evitar leilões vazios, risco apontado por consultorias especializadas em infraestrutura.</p>
<p>Se viabilizado, o corredor poderá consolidar um novo eixo logístico entre o interior mineiro e o litoral fluminense, reduzindo tempo e custo de exportação de café, ampliando a competitividade do arábica brasileiro no <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="332185">mercado</a> internacional e criando alternativa a portos congestionados. A diversificação de cargas e a possibilidade de receitas acessórias com negócios imobiliários nos pátios ferroviários são apontadas <a href="https://gazetamercantil.com/bolsa-familia-agosto-2026-calendario-oficial" title="Bolsa Família Agosto 2026: calendário com antecipação confirmada e consulta liberada hoje" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="335973">como fatores para viabilidade econômica</a> da shortline.</p>
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		<title>Pague Menos aumenta lucro ajustado em 22,2% e reduz alavancagem no 2T26</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/pague-menos-lucro-alavancagem-2t26</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2026 13:53:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Empreendimentos Pague Menos S.A. (PGMN3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 73,6 milhões, avanço de 22,2% sobre o mesmo período de 2025. O resultado, divulgado em 3 de agosto, foi acompanhado por crescimento de 15,4% do Ebitda ajustado, para R$ 281,7 milhões, e pela redução da alavancagem financeira [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Empreendimentos Pague Menos S.A. (PGMN3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 73,6 milhões, avanço de 22,2% sobre o mesmo período de 2025. O resultado, divulgado em 3 de agosto, foi acompanhado por crescimento de 15,4% do Ebitda ajustado, para R$ 281,7 milhões, e pela redução da alavancagem financeira para 1,8 vez o Ebitda dos últimos 12 meses. A margem Ebitda alcançou 6,5%, 0,4 ponto percentual acima da registrada um ano antes e o maior nível trimestral informado pela companhia.</p>
<p>O lucro líquido contábil, preparado sob o IFRS 16, somou R$ 71,1 milhões, ante R$ 50,2 milhões no segundo trimestre de 2025. Para chegar ao lucro ajustado de R$ 73,6 milhões, a empresa excluiu R$ 1,8 milhão de efeitos do IFRS 16 e acrescentou ajustes gerenciais líquidos de R$ 700 mil. O relatório gerencial apresenta indicadores operacionais sob o IAS 17, enquanto as demonstrações contábeis seguem o padrão vigente.</p>
<p>No primeiro semestre, o lucro líquido ajustado atingiu R$ 129,2 milhões, aumento de 76,3% em relação aos R$ 73,3 milhões apurados nos seis primeiros meses de 2025. O Ebitda ajustado acumulado chegou a R$ 486,4 milhões, alta de 23,3%, com margem de 5,7%, frente a 5,2% um ano antes.</p>
<h2>Receita avança e despesas de venda perdem peso</h2>
<p>A receita bruta totalizou R$ 4,343 bilhões entre abril e junho, crescimento de 9,3% na comparação anual. A receita líquida ficou em R$ 3,987 bilhões. O lucro bruto avançou 8,9%, para R$ 1,328 bilhão, mas a margem bruta recuou de 30,7% para 30,6%.</p>
<p>Segundo a administração, a pequena redução da margem bruta refletiu o ajuste a valor presente, sem impacto de caixa, e a menor formação de ganhos inflacionários nos estoques após o reajuste de medicamentos de 2,7% em 2026, abaixo dos 3,6% aplicados no ano anterior. Redução de perdas, composição mais favorável das vendas e melhores condições comerciais compensaram parte dessas pressões.</p>
<p>A principal contribuição para a melhora operacional veio da diluição das despesas com vendas. Esse grupo somou R$ 924 milhões e passou a representar 21,3% da receita bruta, ante 21,7% no segundo trimestre de 2025. A despesa média mensal por loja cresceu 4,9%, para R$ 182 mil, abaixo da expansão das vendas. A companhia atribuiu o controle de custos a economias em fretes e adquirência, centralização de compras e estabilização do quadro operacional.</p>
<p>A margem de contribuição subiu 0,3 ponto percentual, para 9,3%, e alcançou R$ 403,4 milhões, aumento de 12,6%. As despesas gerais e administrativas cresceram 6,6%, para R$ 121,7 milhões. Na comparação com o primeiro trimestre, a alta foi de 10,9%, associada a gastos pontuais com consultorias, honorários advocatícios e provisões para contingências.</p>
<h2>Vendas em mesmas lojas desaceleram sobre base elevada</h2>
<p>O crescimento de vendas em mesmas lojas ficou em 8% no segundo trimestre, abaixo dos 13% registrados nos três primeiros meses do ano e dos 18,1% observados no segundo trimestre de 2025. A Pague Menos atribuiu a desaceleração principalmente à base de comparação mais elevada, depois de um crescimento acumulado de 42% em três anos. As lojas maduras avançaram 7,8%.</p>
<p>A venda média mensal por unidade aumentou 6,9%, de R$ 800 mil para R$ 856 mil. O ticket médio ficou em R$ 95,40, alta de 4,8%, enquanto o volume de atendimentos cresceu 4,3%. A base de clientes ativos chegou a 22,6 milhões, expansão de 2,6%, e os clientes de cuidado contínuo somaram 6,4 milhões, 6,4% acima do número de um ano antes.</p>
<p>O desempenho por categoria foi desigual. Medicamentos genéricos cresceram 15,1%, beneficiados, segundo a companhia, pela ampliação das vendas do Farmácia Popular e por quebras de patentes. Higiene e beleza avançou 10%, medicamentos prescritos de marca cresceram 9,6% e os produtos isentos de prescrição tiveram alta de 4,7%.</p>
<p>A participação dos medicamentos análogos ao GLP-1 recuou de 9% das vendas no primeiro trimestre para 8,2% no segundo. A administração relacionou a perda de ritmo à base comparativa mais forte e ao reposicionamento de preços após a quebra de patente da semaglutida. Segundo a empresa, a redução de aproximadamente 40% no preço médio dessa molécula foi acompanhada pela duplicação do volume vendido e por aumento próximo de 50% no número de clientes.</p>
<h2>Canais digitais superam R$ 1 bilhão no trimestre</h2>
<p>As vendas pelos canais digitais alcançaram R$ 1,045 bilhão, alta de 40,6% em 12 meses, e passaram a responder por 24,1% da receita bruta, ante 18,7% no segundo trimestre de 2025. Foi a primeira vez que a operação digital superou R$ 1 bilhão em um único trimestre.</p>
<p>O comércio eletrônico concentrou 70% das vendas digitais e cresceu 39%. Dentro desse canal, o aplicativo respondeu por 63% das vendas e apresentou avanço anual de 77%. As plataformas parceiras representaram 14% do conjunto digital, depois de crescerem 58,4%. A companhia informou que cerca de 60% das vendas de medicamentos GLP-1 ocorrem por meios digitais, mas calculou que, mesmo sem essa categoria, o crescimento dos canais teria sido de 28%.</p>
<p>Mais de 80% dos pedidos foram entregues ou disponibilizados em até duas horas. A retirada em loja respondeu por 49% das encomendas digitais, ante 41% no primeiro trimestre, enquanto a entrega expressa representou 34%. O aumento da retirada reduz o custo de última milha e direciona fluxo de clientes às unidades físicas.</p>
<p>Com base em dados da IQVIA apresentados pela companhia, a participação nacional de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333856">mercado</a> chegou a 6,7%, aumento de 0,13 ponto percentual em 12 meses, com ganho em todas as regiões. A Pague Menos afirmou ter crescido acima do mercado pelo 11º trimestre consecutivo.</p>
<h2>Rede chega a 1.695 lojas e mantém conversões da Extrafarma</h2>
<p>A rede encerrou junho com 1.695 lojas, sete a mais do que no fim de março e 38 acima do número de um ano antes. No trimestre, foram abertas oito unidades e fechada uma. Nos últimos 12 meses, a companhia contabilizou 43 inaugurações e cinco encerramentos.</p>
<p>Das 346 lojas ainda ativas originadas da aquisição da Extrafarma, 210 já haviam sido convertidas para a bandeira Pague Menos ao fim de junho. A empresa acelerou reformas principalmente no Ceará e no Maranhão e informou ter realizado 48 conversões nos trimestres recentes. O objetivo é reduzir diferenças de produtividade entre os dois portfólios.</p>
<p>A malha logística foi reforçada com a entrada em operação de um centro de distribuição na Paraíba. O novo ativo elevou temporariamente os estoques e o capital empregado: o prazo médio de estoques ficou em 104 dias, quatro dias acima do segundo trimestre de 2025. O ciclo de caixa operacional aumentou de 64 para 69 dias, embora tenha recuado três dias frente ao primeiro trimestre.</p>
<p>A companhia prevê concluir até o fim do terceiro trimestre a estabilização do novo centro de distribuição. Desconsiderado esse efeito, a administração estima que o prazo médio de estoques teria permanecido próximo ao nível de um ano antes. No primeiro semestre, os índices de ruptura e perdas caíram 10% e 12%, respectivamente.</p>
<h2>Caixa cresce e dívida ajustada recua</h2>
<p>A dívida bruta encerrou junho em R$ 1,581 bilhão, abaixo dos R$ 1,701 bilhão registrados um ano antes. Depois de caixa e equivalentes de R$ 113,3 milhões e do efeito de operações de swap, a dívida líquida ficou em R$ 1,488 bilhão. Com a inclusão de R$ 315,7 milhões em recebíveis antecipados, medida usada pela empresa para o indicador ajustado, o saldo alcançou R$ 1,803 bilhão.</p>
<p>A relação entre dívida líquida ajustada e Ebitda caiu de 2,6 vezes no segundo trimestre de 2025 para 1,8 vez. Sem as antecipações de recebíveis, o índice ficou em 1,5 vez. A companhia informou que esse foi o 12º trimestre consecutivo de redução da alavancagem e que o indicador acumula queda de 3,8 vezes desde o pico do primeiro trimestre de 2023.</p>
<p>O fluxo de caixa operacional somou R$ 188,8 milhões no trimestre, aproximadamente três vezes o valor de um ano antes. Em 12 meses, chegou a R$ 573,4 milhões, equivalente a 58% do Ebitda ajustado do período. A administração atribuiu a melhora principalmente ao capital de giro.</p>
<p>Os investimentos totalizaram R$ 130,9 milhões no primeiro semestre, alta de 84%. A infraestrutura de lojas, centros de distribuição e escritórios recebeu R$ 39,1 milhões; tecnologia, R$ 31,5 milhões; reformas, R$ 30,7 milhões; e expansão, R$ 29,5 milhões. No primeiro trimestre, a empresa já havia indicado a existência de novas lojas em diferentes fases de implantação, condicionadas à disciplina de capital.</p>
<p>A Pague Menos projeta acelerar gradualmente as inaugurações ao longo de 2026, mas vinculou um ritmo mais elevado de expansão, a partir de 2027, à conclusão dos investimentos logísticos e à manutenção da geração de caixa. A próxima etapa operacional formal é a estabilização do centro de distribuição da Paraíba até o encerramento do terceiro trimestre, período em que a companhia espera normalizar o estoque adicional associado à abertura da unidade.</p>
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		<title>Brasil vira maior importador de carros chineses com US$ 5,2 bi e pressiona locadoras na B3</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/brasil-maior-importador-carros-chineses-5-bi-locadoras-alerta</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2026 02:00:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Brasil tornou-se o maior importador de automóveis da China no acumulado de janeiro a maio de 2026, com compras de US$ 5,2 bilhões, alta de 146,9% sobre o mesmo período de 2025. Do total, US$ 4,5 bilhões corresponderam a veículos eletrificados, entre elétricos puros, híbridos plug-in e híbridos convencionais. O movimento colocou o país [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil tornou-se o maior importador de automóveis da China no acumulado de janeiro a maio de 2026, com compras de US$ 5,2 bilhões, alta de 146,9% sobre o mesmo período de 2025. Do total, US$ 4,5 bilhões corresponderam a veículos eletrificados, entre elétricos puros, híbridos plug-in e híbridos convencionais. O movimento <a title="O leilão do século: como a privatização da Telebrás colocou o celular no bolso do brasileiro e redesenhou o país" href="https://gazetamercantil.com/privatizacao-telebras-leilao-do-seculo" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="333414">colocou o país</a> pela primeira vez no topo do ranking global de destinos das exportações automotivas chinesas, à frente de mercados tradicionais na Europa e na Ásia.</p>
<p>Segundo o Conselho Empresarial Brasil-China, que consolida dados oficiais de comércio exterior, as importações de veículos eletrificados chineses mantiveram ritmo acelerado no primeiro semestre completo. Somaram US$ 5,35 bilhões de janeiro a junho, com US$ 5,3 bilhões apenas em eletrificados, sendo US$ 2,79 bilhões em híbridos plug-in, com alta de 100% na comparação anual, e cerca de US$ 2 bilhões em elétricos puros, praticamente quadruplicando o valor.</p>
<p>O avanço responde por aproximadamente 15% de tudo que o Brasil importou da China no período e por 88% de todos os veículos eletrificados importados pelo país. O comércio total entre Brasil e China chegou a US$ 96,9 bilhões no primeiro semestre, com exportações brasileiras de US$ 58,3 bilhões, recorde histórico para o intervalo, e importações de US$ 38,5 bilhões, também recorde, conforme relatório divulgado pela entidade em julho.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Antecipação antes da tarifa de 35% infla importações e estoques no Brasil</h3>
<p>A aceleração das compras está diretamente ligada ao cronograma de recomposição do Imposto de Importação para veículos eletrificados. De acordo com o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, a alíquota para veículos montados e semidesmontados sobe para 35% a partir de julho de 2026 para todos os tipos, elétricos puros, híbridos plug-in e híbridos convencionais. Para veículos desmontados, o salto para 35% ocorre em janeiro de 2027, antecipado em 18 meses em relação ao calendário original que previa julho de 2028.</p>
<p>O cronograma, definido em novembro de 2023, partiu de 10% para elétricos puros em janeiro de 2024 e avançou gradualmente para 18% e 25% ao longo de 2024 e 2025. Em julho de 2025 a alíquota passou a 30% e agora chega ao teto de 35%. Para híbridos, a partida foi de 15% em janeiro de 2024. A elevação busca equilibrar o incentivo à produção local com a abertura comercial.</p>
<p>Para mitigar impactos sobre projetos industriais em instalação, o Gecex aprovou cota adicional de US$ 463 milhões com alíquota zero para veículos desmontados e semidesmontados, válida por seis meses a partir de julho. O valor repete o patamar que vigorou até janeiro deste ano e contempla regimes CKD e SKD que permitem montagem final no Brasil.</p>
<p>A corrida para embarcar antes do aumento explica o salto. Conforme dados da Associação de Carros de Passageiros da China, o Brasil importou 40,9 mil carros elétricos e híbridos chineses apenas em abril, aumento de 13 vezes sobre o mesmo mês de 2024, ultrapassando a Bélgica no ranking de eletrificados e tornando-se o segundo maior importador de todos os tipos de carros chineses, atrás apenas da Rússia, antes de assumir a liderança em maio.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Vendas internas de eletrificados crescem 125% e atingem 215 mil unidades</h3>
<p>O reflexo no <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="332195">mercado</a> doméstico é expressivo. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico, as vendas de veículos leves eletrificados atingiram 215.023 unidades no primeiro semestre de 2026, alta de 125% sobre as 95.493 unidades do mesmo período de 2025. Somente em junho foram 47.579 emplacamentos, recorde mensal histórico, com média de 35.837 unidades por mês no semestre.</p>
<p>Com isso, de cada 100 veículos leves vendidos no Brasil entre janeiro e junho, 16 foram eletrificados, considerando elétricos puros, híbridos plug-in e híbridos com tração elétrica. Em junho, a participação chegou a 18%. A entidade atribui o crescimento à ampliação da oferta, que passou de 294 para 350 modelos disponíveis em 12 meses, à expansão da rede de recarga, que superou 25 mil eletropostos, e à maior aceitação da tecnologia.</p>
<p>O mercado total de veículos leves também cresceu, mas em ritmo menor. As vendas totais avançaram 19,4% no primeiro semestre, segundo dados setoriais, o que indica que os eletrificados crescem mais de seis vezes mais rápido que a média da indústria. O avanço ocorre mesmo com juros elevados e com o aumento gradual do imposto de importação.</p>
<p>A oferta chinesa é dominante nesse segmento. De acordo com o Conselho Empresarial Brasil-China, 88% dos eletrificados importados vieram da China. Marcas como BYD, GWM e GAC ampliaram embarques e anunciaram investimentos locais. A GAC anunciou produção no Brasil a partir de 2027 em Goiás, com plano de R$ 6 bilhões em cinco anos, enquanto BYD e GWM já iniciaram montagem no país em regime SKD e CKD.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Locadoras enfrentam risco de depreciação maior com entrada de chineses</h3>
<p>A entrada acelerada de veículos chineses, sobretudo modelos de entrada e SUVs médios com preços competitivos, acendeu alerta para o setor de locação. Conforme análise do Bradesco BBI, o apetite das montadoras chinesas pelo mercado brasileiro segue elevado, enquanto o forte fluxo de importações antes do aumento tarifário eleva o estoque disponível e pode intensificar a competição comercial no segundo semestre.</p>
<p>Para o banco, estoques locais elevados e novos lançamentos representam risco adicional para as despesas de depreciação de Localiza (RENT3) e Movida (MOVI3), especialmente em segmentos mais expostos à concorrência de eletrificados e SUVs chineses. O mecanismo é direto: preços mais baixos no mercado primário reduzem o valor de revenda no mercado de seminovos, onde as locadoras realizam parte relevante da receita ao desmobilizar frotas.</p>
<p>O Goldman Sachs estima que, no caso da Localiza, para cada 1% de variação nos preços dos carros novos no Brasil, há impacto de R$ 570 milhões no valor contábil da frota. Considerando ciclo de vida médio de 18 meses, isso implicaria impacto negativo no lucro líquido anual de cerca de R$ 300 milhões, equivalente a 6% do lucro esperado para 2027. Em 2024, a companhia já havia registrado ajuste de impairment de R$ 1,4 bilhão, cerca de 2,5% do valor da frota, após revisão de estimativas de valor de mercado e efeitos da tragédia no Rio Grande do Sul.</p>
<p>Em 2023, durante o programa de descontos para carros populares, a Localiza havia estimado perdas entre R$ 575 milhões e R$ 650 milhões com a reprecificação da frota. O histórico mostra sensibilidade elevada a movimentos abruptos de preços, com perdas contábeis de 4,6% da frota em 2008 após corte de IPI e de 7,1% em 2012 em episódio similar, segundo levantamentos setoriais.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Efeitos podem ser mitigados por SUVs, tarifas e poder de barganha</h3>
<p>Apesar do risco, analistas avaliam que os efeitos podem ser administráveis. Segundo o Bradesco BBI, há fatores mitigadores mapeados. O primeiro é o foco das locadoras em SUVs, segmento historicamente mais resiliente à depreciação e menos exposto à entrada inicial de modelos chineses de entrada. A Movida, por exemplo, tem 66% da frota em hatches, contra 47% da Localiza, o que altera a exposição relativa.</p>
<p>O segundo fator é a própria elevação das tarifas de importação para 35% em julho, que limita políticas de descontos muito agressivas por parte das montadoras chinesas e reduz a margem para compressão adicional de preços. O terceiro é o poder de compra das locadoras, que garante condições comerciais mais favoráveis junto às montadoras e preserva parte do poder de barganha do setor, com descontos de frota e acordos de recompra.</p>
<p>Além disso, a migração gradual para produção local tende a reduzir a volatilidade cambial e logística. De acordo com projeções do ex-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, as marcas chinesas podem responder por cerca de 35% do mercado brasileiro até 2035, ante aproximadamente 10% em 2024 e 20% estimado para 2030. Mesmo com produção local, a competitividade deve se manter sustentada por ganhos de escala, integração produtiva e acesso a componentes de baixo custo, especialmente em eletrificados.</p>
<p>O mercado também observa o comportamento do consumidor. A preferência ainda se concentra em híbridos plug-in e elétricos puros, com maior valor agregado, enquanto locadoras operam majoritariamente com veículos a combustão flex. A transição da frota locada para eletrificados ocorre de forma mais lenta, por questões de custo de aquisição, infraestrutura de recarga e valor residual ainda incerto.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Próximos passos incluem produção local e definição de cotas no segundo semestre</h3>
<p>O segundo semestre de 2026 será decisivo para dimensionar o impacto efetivo sobre as locadoras. Com a tarifa de 35% em vigor desde o início de julho, as montadoras chinesas devem ajustar estratégia comercial, combinando estoques já internalizados, produção local em regime CKD e SKD dentro da cota de US$ 463 milhões e novos lançamentos.</p>
<p>O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços monitora o equilíbrio entre importações e produção local, enquanto a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores pressiona por antecipação adicional do cronograma para modelos desmontados, já atendida parcialmente <a href="https://gazetamercantil.com/bolsa-familia-agosto-2026-calendario-oficial" title="Bolsa Família Agosto 2026: calendário com antecipação confirmada e consulta liberada hoje" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="335981">com a antecipação</a> para janeiro de 2027.</p>
<p>Para as locadoras, o ponto de atenção é a velocidade de repasse de preços ao mercado de seminovos e a disciplina na gestão de frota. A divulgação dos balanços do segundo trimestre, com detalhamento de depreciação e preço médio de venda de seminovos, deve trazer sinais mais claros sobre a extensão do ajuste. A Associação Brasileira do Veículo Elétrico divulga mensalmente os emplacamentos, e o Conselho Empresarial Brasil-China atualiza trimestralmente os fluxos bilaterais, permitindo acompanhamento da evolução do market share chinês.</p>
<p>No médio prazo, a expansão da rede de recarga, a redução do custo de baterias e a consolidação de produção local de eletrificados tendem a sustentar a participação chinesa, transformando o choque pontual de oferta em mudança estrutural do mercado automotivo brasileiro.</p>
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		<title>Brasil bate recorde de produção de petróleo e gás com avanço do pré-sal</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/producao-de-petroleo-e-gas-recorde-pre-sal</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Dias]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2026 00:30:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[ANP]]></category>
		<category><![CDATA[Bacia de Santos]]></category>
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		<category><![CDATA[produção de petróleo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A produção brasileira de petróleo alcançou 4,475 milhões de barris por dia em junho de 2026, o maior volume da série da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O resultado representou crescimento de 4% sobre maio e de 19,1% na comparação com junho de 2025, impulsionado pelo avanço do pré-sal e pela [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A produção brasileira de petróleo alcançou 4,475 milhões de barris por dia em junho de 2026, o maior volume da série da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O resultado representou crescimento de 4% sobre maio e de 19,1% na comparação com junho de 2025, impulsionado pelo avanço do pré-sal e pela ampliação da atividade de novas plataformas na Bacia de Santos.</p>
<p>O gás natural também atingiu uma máxima, com 217,35 milhões de metros cúbicos por dia, alta de 5,5% em um mês e de 19,7% em 12 meses. Somadas, as produções de petróleo e gás chegaram a 5,842 milhões de barris de óleo equivalente por dia, acima do recorde anterior de 5,640 milhões registrado em abril.</p>
<p>Os dados consolidam uma mudança de escala na indústria petrolífera brasileira. O crescimento está concentrado em ativos marítimos de grande produtividade, sobretudo Búzios, Mero e Tupi, e elevou a participação do pré-sal para 82% do total nacional. A expansão, porém, não significa que todo o gás produzido esteja disponível para consumo no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333807">mercado</a>.</p>
<h2>Junho supera as marcas registradas em abril</h2>
<p>A produção de petróleo havia atingido 4,340 milhões de barris por dia em abril e recuado para 4,301 milhões em maio. A retomada de junho acrescentou aproximadamente 174 mil barris diários ao resultado do mês anterior e levou o volume a uma marca 718 mil barris por dia superior à de junho de 2025.</p>
<p>No agregado de óleo e gás, o avanço mensal foi de 4,4%, enquanto a expansão anual ficou em aproximadamente 19,2%. A série da ANP mostra que a produção total saiu de 4,900 milhões de barris de óleo equivalente por dia em junho de 2025 para 5,842 milhões um ano depois.</p>
<p>O petróleo extraído em junho apresentou grau API médio de 28,4 graus. Segundo a classificação da ANP, 89,3% do volume foi considerado óleo médio, 3,9% óleo leve e 6,8% óleo pesado. A classificação mostra o amplo predomínio das correntes de densidade intermediária na produção nacional.</p>
<p>A produção teve origem em 6.579 poços, dos quais 608 marítimos e 5.971 terrestres. Apesar de os poços em terra serem numericamente predominantes, os campos marítimos responderam por 98,1% do petróleo e por 87,6% do gás natural.</p>
<h2>Pré-sal avança 24% em 12 meses</h2>
<p>A produção do pré-sal somou 4,788 milhões de barris de óleo equivalente por dia em junho, crescimento de 4,2% sobre maio e de 24% em relação ao mesmo mês de 2025. O volume foi formado por 3,699 milhões de barris diários de petróleo e 173,19 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural, extraídos de 198 poços.</p>
<p>A Bacia de Santos concentrou a maior parte desse movimento. Seus campos produziram 3,550 milhões de barris de petróleo por dia e 170,49 milhões de metros cúbicos diários de gás, o equivalente a 4,622 milhões de barris de óleo equivalente por dia. Sozinha, a bacia respondeu por cerca de 79% do petróleo extraído no Brasil.</p>
<p>A Bacia de Campos permaneceu na segunda posição, com 938 mil barris de óleo equivalente por dia. Embora distante do patamar de Santos, a região continua relevante e vem recebendo investimentos de revitalização, manutenção e aumento de eficiência em ativos maduros.</p>
<p>A expansão ocorreu em paralelo ao amadurecimento operacional de unidades recentes. A Petrobras informou que o aumento de eficiência, o avanço de produção dos FPSOs Maria Quitéria, Alexandre de Gusmão e P-78, além da entrada da P-79, foram os principais fatores do crescimento no segundo trimestre.</p>
<h2>Búzios, Tupi e Mero concentram 59% da produção</h2>
<p>Búzios liderou a produção nacional de petróleo e gás em junho, com aproximadamente 1,293 milhão de barris de óleo equivalente por dia. Tupi apareceu em seguida, com 1,096 milhão, e Mero produziu 1,079 milhão. Juntos, os três campos entregaram 3,468 milhões, equivalentes a 59,4% do total brasileiro.</p>
<p>Em petróleo, Búzios superou 1,02 milhão de barris por dia no mês. A Petrobras informou que o conjunto de plataformas do campo ultrapassou 1,1 milhão em 23 de junho e atingiu 1,2 milhão três dias depois. Foi também a primeira vez que a média mensal de óleo de Búzios ficou acima de 1 milhão de barris por dia.</p>
<p>A P-79 começou a produzir em 1º de maio, três meses antes da data prevista no Plano de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333808">Negócios</a> 2026–2030. A unidade pode produzir 180 mil barris de petróleo por dia e comprimir 7,2 milhões de metros cúbicos diários de gás. Com sua entrada, a capacidade instalada do campo passou para aproximadamente 1,33 milhão de barris por dia.</p>
<p>O FPSO Almirante Tamandaré, também em Búzios, foi a unidade com maior produção de petróleo do país, com 253.801 barris por dia. Em Mero, o FPSO Marechal Duque de Caxias liderou a produção de gás entre as instalações, com 13,36 milhões de metros cúbicos por dia. O campo produziu 48,73 milhões de metros cúbicos diários de gás.</p>
<h2>Petrobras amplia produção própria e operada</h2>
<p>Os campos operados pela Petrobras (PETR4), isoladamente ou em consórcio, responderam por 87,08% da produção brasileira de petróleo e gás em junho. A condição de operadora não deve ser confundida com a parcela econômica pertencente à companhia, porque diversos campos têm participações de outras <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333809">empresas</a> e da União.</p>
<p>Na distribuição por consorciado calculada pela ANP, foram atribuídos à Petrobras 3,437 milhões de barris de óleo equivalente por dia. A Shell Brasil ficou em segundo lugar, com 561,6 mil, seguida pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), representante da União nos contratos de partilha, com 357,7 mil. A TotalEnergies apareceu depois, com 281,6 mil.</p>
<p>A Shell havia informado em maio que sua produção no país superara 500 mil barris por dia em março de 2026. A companhia participa de grandes ativos do pré-sal, inclusive Tupi e Mero, e o volume atribuído pela ANP em junho confirma sua posição como segunda maior produtora por participação nos consórcios.</p>
<p>No segundo trimestre, a produção própria média de óleo, líquidos de gás natural e gás da Petrobras atingiu 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia. O volume cresceu 14,1% em 12 meses e 3,4% frente ao primeiro trimestre. A produção total operada chegou a 4,87 milhões, enquanto a produção própria no pré-sal alcançou 2,78 milhões.</p>
<p>A companhia conectou dez novos poços produtores entre abril e junho, seis na Bacia de Santos e quatro na Bacia de Campos. Segundo a Petrobras, os ganhos de eficiência adicionaram cerca de 70 mil barris por dia em relação ao segundo trimestre de 2025, compensando parcialmente o declínio natural de campos maduros.</p>
<h2>Recorde de gás não se converte integralmente em oferta</h2>
<p>Dos 217,35 milhões de metros cúbicos de gás natural produzidos por dia em junho, 64,36 milhões foram disponibilizados ao mercado, ou 29,6% da produção bruta. Outros 126,22 milhões de metros cúbicos por dia, equivalentes a 58,1%, foram reinjetados nos reservatórios, principalmente para manutenção de pressão e recuperação de petróleo.</p>
<p>O consumo interno nas operações alcançou 20,14 milhões de metros cúbicos por dia, enquanto a queima somou 6,63 milhões. Com isso, o índice de aproveitamento ficou em 97%. A disponibilidade ao mercado cresceu 5,8% em relação a maio, mas permaneceu abaixo dos 67,39 milhões registrados em março.</p>
<p>A queima aumentou 12,9% sobre maio e 10,1% em relação a junho de 2025. A ANP atribuiu a elevação principalmente ao comissionamento da P-79, etapa em que sistemas da plataforma são testados e estabilizados. Ainda assim, a queima representou aproximadamente 3% da produção de gás.</p>
<p>A Bacia de Santos produziu 170,49 milhões de metros cúbicos de gás por dia, mas respondeu por 119,84 milhões reinjetados. Foram disponibilizados ao mercado 32,84 milhões, menos de um quinto da produção bruta da bacia. O avanço do gás associado ao petróleo, portanto, não se traduz automaticamente em oferta comercial equivalente.</p>
<h2>Nova escala amplia exportações e exige capacidade logística</h2>
<p>O crescimento elevou o volume de petróleo disponível para exportação e processamento. A Petrobras informou que suas exportações chegaram a um patamar próximo de 1 milhão de barris por dia no segundo trimestre, enquanto as importações de óleo recuaram para 89 mil barris por dia, o menor nível desde a pandemia.</p>
<p>A companhia também registrou produção média de 559 mil barris de petróleo por dia na Bacia de Campos entre abril e junho, o segundo maior resultado trimestral da região desde o quarto trimestre de 2023. O desempenho foi associado a medidas de manutenção, integridade e otimização dos ativos.</p>
<p>A continuidade do crescimento dependerá do avanço operacional das unidades recém-instaladas, da conexão de novos poços e da estabilidade dos sistemas de escoamento, processamento e reinjeção. O próximo detalhamento corporativo será apresentado pela Petrobras no webcast de resultados do segundo trimestre, marcado para 7 de agosto, às 11h45.</p>
<hr />
<h4>Fontes:</h4>
<ul>
<li>Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis — Dados consolidados da produção de petróleo e gás em junho de 2026 — 3 de agosto de 2026.</li>
<li>Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis — Boletim da Produção de Petróleo e Gás Natural, junho de 2026.</li>
<li>Petrobras — Produção própria de petróleo e gás cresce 14% em 12 meses e atinge 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia no segundo trimestre de 2026 — 28 de julho de 2026.</li>
<li>Shell Brasil — Comunicado institucional sobre a produção da companhia no Brasil — maio de 2026.</li>
<li>Petrobras — Relações com Investidores, apresentação dos resultados do segundo trimestre de 2026.</li>
</ul>
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			</item>
		<item>
		<title>Itaú (ITUB4) transfere varejo na Colômbia e Petrobras (PETR4) descobre gás</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/itau-transfere-varejo-colombia-petrobras-descobre-gas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Aug 2026 17:52:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Axia Energia]]></category>
		<category><![CDATA[Banco de Bogotá]]></category>
		<category><![CDATA[Colômbia]]></category>
		<category><![CDATA[descoberta de gás]]></category>
		<category><![CDATA[Ecopetrol]]></category>
		<category><![CDATA[ISA Energia Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Itaú Unibanco]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Petrobras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Itaú Unibanco (ITUB4) iniciou nesta segunda-feira, 3 de agosto de 2026, a etapa operacional da transferência de parte de seus ativos, passivos e contratos de varejo na Colômbia para o Banco de Bogotá, enquanto a Petrobras (PETR3; PETR4) confirmou uma nova descoberta de gás no país. Os dois movimentos colocam a Colômbia no centro [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Itaú Unibanco (ITUB4) iniciou nesta segunda-feira, 3 de agosto de 2026, a etapa operacional da transferência de parte de seus ativos, passivos e contratos de varejo na Colômbia para o Banco de Bogotá, enquanto a Petrobras (PETR3; PETR4) confirmou uma nova descoberta de gás no país. Os dois movimentos colocam a Colômbia no centro do noticiário corporativo brasileiro: o grupo financeiro concentra sua presença local no atendimento a <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333781">empresas</a>, ao mesmo tempo que a estatal amplia a sequência de descobertas em águas profundas do Caribe.</p>
<p>A migração do Itaú altera os canais usados pelos clientes pessoas físicas. Agências e pontos de atendimento selecionados passaram a integrar a rede do Banco de Bogotá, e a administração dos produtos transferidos começou a ser direcionada aos sistemas da instituição colombiana. O cronograma foi preparado ao longo de julho, com encerramento de parte dos canais transacionais do Itaú no fim do mês e redirecionamento dos usuários para a nova estrutura.</p>
<p>A operação havia sido anunciada em dezembro de 2025 e dependia de autorização regulatória. Em 12 de junho, a Superintendência Financeira da Colômbia publicou a Resolução nº 0892, que autorizou a cessão de ativos, passivos e contratos do Itaú Colombia ao Banco de Bogotá. A aprovação permitiu que as instituições avançassem para a transferência efetiva dos produtos e do relacionamento com os clientes.</p>
<h2>Itaú preserva atuação com empresas na Colômbia</h2>
<p>O movimento não representa a saída integral do Itaú da Colômbia. A instituição informou que continuará no país com foco estratégico em clientes empresariais e pessoas jurídicas. A reorganização separa a operação de varejo, transferida ao Banco de Bogotá, da estrutura voltada a grandes companhias, serviços corporativos e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333780">negócios</a> de atacado.</p>
<p>No relatório anual entregue à Securities and Exchange Commission, o Itaú informou que o acordo foi assinado em 12 de dezembro de 2025 e abrange determinados ativos e passivos relacionados às operações de varejo na Colômbia e no Panamá. O preço da transação seria definido no fechamento com base no valor contábil dos itens transferidos, sujeito aos ajustes contratuais usuais.</p>
<p>A comunicação dirigida aos clientes colombianos estabeleceu datas específicas para a mudança. O acesso aos canais digitais e aos serviços transacionais do Itaú para pessoas físicas foi mantido até 31 de julho, enquanto a consulta e a movimentação dos produtos passaram a ocorrer nos canais do Banco de Bogotá a partir de agosto. Algumas agências e postos bancários também foram cedidos e começaram a atender sob a nova rede nesta segunda-feira.</p>
<h2>Aprovação regulatória abriu caminho para a migração</h2>
<p>A autorização da Superintendência Financeira foi o ato necessário para que os contratos pudessem ser cedidos. O regulador colombiano descreveu a Resolução nº 0892 como a autorização para a transferência de ativos, passivos e contratos entre as duas instituições. A medida foi incluída no boletim oficial de junho.</p>
<p>O Itaú orientou os usuários a utilizar os canais do Banco de Bogotá para as operações de varejo transferidas. A instituição brasileira manteve uma estrutura no país para atender empresas, o que significa que sua marca e suas unidades corporativas continuarão presentes. A divisão entre os dois públicos deverá ficar mais visível à medida que a integração dos produtos de pessoas físicas for concluída.</p>
<p>A operação faz parte de uma revisão da presença internacional do grupo. Em vez de manter uma plataforma completa de varejo na Colômbia e no Panamá, o banco passa a concentrar capital, tecnologia e equipes nas atividades consideradas estratégicas. O efeito financeiro definitivo dependerá dos valores apurados no fechamento, dos ajustes previstos no contrato e do tratamento contábil da transferência.</p>
<p>A execução também envolve uma mudança ampla na experiência dos clientes. Aplicativos, internet banking, telefones, caixas eletrônicos, cartões e atendimento presencial seguem calendários próprios de transição. O objetivo operacional é preservar a continuidade dos serviços enquanto dados cadastrais, contratos e saldos são incorporados à infraestrutura do Banco de Bogotá.</p>
<h2>Petrobras amplia sequência de descobertas no Caribe colombiano</h2>
<p>No setor de energia, a Petrobras confirmou nesta segunda-feira uma nova descoberta de gás na Colômbia. O anúncio se soma aos resultados obtidos nos poços Sirius e Copoazú, que vêm sustentando a avaliação de uma província gasífera em águas profundas do Caribe. A companhia atua na região por meio da Petrobras International Braspetro, em parceria com a estatal colombiana Ecopetrol.</p>
<p>A confirmação de hidrocarbonetos em um poço, entretanto, não equivale à declaração de reservas comercialmente recuperáveis. Petrobras e Ecopetrol ainda precisam caracterizar os reservatórios, estimar os volumes, avaliar a produtividade e definir a infraestrutura necessária para eventual desenvolvimento.</p>
<p>Em março, as duas companhias haviam confirmado gás no poço Copoazú-1, no bloco GUA-OFF-0. O poço fica a aproximadamente 36 quilômetros da costa colombiana, em lâmina d’água de 964 metros, e foi perfurado a cerca de oito quilômetros dos poços Sirius-1 e Sirius-2. Os intervalos portadores foram identificados por perfis elétricos e amostragem de fluidos, com análises laboratoriais previstas para detalhar as características da acumulação.</p>
<p>A Petrobras detém participação de 44,44% e opera o consórcio, enquanto a Ecopetrol possui 55,56%. A divisão societária distribui entre as duas empresas os investimentos, os riscos exploratórios e as decisões necessárias para o desenvolvimento da área.</p>
<h2>Sirius estabeleceu a dimensão do potencial gasífero</h2>
<p>A campanha ganhou escala em 2024, quando as empresas confirmaram a descoberta de Sirius-2. A Petrobras estimou, naquele momento, um potencial de aproximadamente 6 trilhões de pés cúbicos de gás in place na área. O indicador representa o gás existente no reservatório e não deve ser confundido com a quantidade que poderá ser efetivamente produzida e comercializada.</p>
<p>A própria companhia ressaltou que a viabilidade comercial dependeria de novos estudos. Projetos em águas profundas exigem análise de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333779">mercado</a>, licenciamento ambiental, definição de rotas para levar o gás à costa, contratos de venda e investimentos em instalações submarinas e unidades de processamento. O cronograma depende ainda das autorizações colombianas e das decisões conjuntas do consórcio.</p>
<p>Cada novo poço fornece informações sobre a continuidade das formações geológicas, a qualidade do gás, a pressão dos reservatórios e a possível conexão entre diferentes acumulações. Esse conjunto de dados será determinante para definir se os achados poderão formar um projeto integrado de produção e escoamento.</p>
<p>Para a Petrobras, a Colômbia integra a estratégia de recomposição de reservas por meio da exploração de novas fronteiras. O portfólio internacional permite à companhia diversificar áreas de atuação, embora os projetos permaneçam sujeitos a riscos geológicos, regulatórios, ambientais e comerciais. A decisão de investir no desenvolvimento ocorre somente após a consolidação dessas variáveis.</p>
<h2>Produção do segundo trimestre reforça agenda da Petrobras</h2>
<p>O anúncio colombiano coincide com a agenda de divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026. A Petrobras informou que sua produção própria de petróleo e gás cresceu 14% em 12 meses e alcançou 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia. A produção de derivados atingiu 1,918 milhão de barris por dia, alta de 10,9% na comparação anual.</p>
<p>Os números operacionais serão examinados junto com receita, geração de caixa, investimentos, endividamento e <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333778">política</a> de remuneração aos acionistas. A companhia marcou para esta segunda-feira uma entrevista coletiva online sobre o desempenho trimestral, ampliando a atenção sobre as metas de produção e o ritmo de entrada de novos projetos.</p>
<p>A descoberta de gás não produz efeito imediato nas demonstrações financeiras. Gastos exploratórios, avaliações de ativos e eventual reconhecimento de reservas seguem regras contábeis e técnicas específicas. O valor econômico somente poderá ser calculado com maior precisão depois que houver estimativas de volumes recuperáveis, custos de desenvolvimento e preços de venda.</p>
<p>O resultado exploratório, contudo, adiciona uma opção de crescimento de longo prazo ao portfólio. Petrobras e Ecopetrol apresentam a expansão das descobertas como uma contribuição potencial para a segurança energética colombiana, condicionada à confirmação da viabilidade técnica e comercial.</p>
<h2>AXIA e ISA apresentam estágios distintos do rearranjo societário</h2>
<p>Outro movimento corporativo envolve a AXIA Energia (AXIA3) e a ISA Energia Brasil (ISAE3; ISAE4). As companhias assinaram em março um contrato para descruzar participações na Interligação Elétrica do Madeira e na Interligação Elétrica Garanhuns. Pelo desenho anunciado, a ISA adquiriria os 49% da IE Madeira pertencentes à AXIA, enquanto a AXIA receberia os 51% da IE Garanhuns detidos pela ISA.</p>
<p>A apresentação de resultados da AXIA referente ao primeiro trimestre tratou o descruzamento como concluído em março. O documento informa que a companhia vendeu sua participação integral na IE Madeira, adquiriu a parcela da ISA na IE Garanhuns e recebeu R$ 1,174 bilhão. Com a operação, a AXIA passou a consolidar 100% da IE Garanhuns.</p>
<p>O mesmo relatório registrou despesa de R$ 883 milhões associada à mensuração pelo valor justo da participação na IE Madeira. O efeito integrou o resultado da alienação de ativos no trimestre e mostra que a simplificação societária também produziu impacto contábil relevante.</p>
<p>A página histórica da ISA, por outro lado, ainda descrevia o contrato como sujeito a condições suspensivas, incluindo anuências da Agência Nacional de Energia Elétrica, do Conselho Administrativo de Defesa Econômica e de determinados credores. A diferença entre os documentos exige atribuição específica: a AXIA apresenta a operação como concluída em seus resultados, enquanto a página institucional da ISA preservava a descrição inicial das condições.</p>
<p>A agenda corporativa desta segunda-feira combina reorganização bancária, exploração de gás e simplificação de participações em transmissão. No caso do Itaú, a próxima etapa será estabilizar a migração dos clientes para o Banco de Bogotá; para a Petrobras, o avanço dependerá dos estudos técnicos que definirão o tamanho e a viabilidade econômica da nova descoberta.</p>
<hr />
<h4>Fontes</h4>
<ul>
<li>Itaú Colombia — Processo de migração dos clientes pessoas físicas para o Banco de Bogotá — 2026</li>
<li>Itaú Colombia — Informações sobre a operação e a transferência dos produtos de varejo — 2026</li>
<li>Superintendência Financeira da Colômbia — Resolução nº 0892, autorização da cessão de ativos, passivos e contratos — 12 de junho de 2026</li>
<li>Itaú Unibanco Holding — Relatório anual Form 20-F referente a 2025 — 29 de abril de 2026</li>
<li>Petrobras — Agência Petrobras de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/noticias" target="_blank"  rel="noopener" title="Notícias" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333777">Notícias</a>, anúncios de 3 de agosto de 2026 e dados operacionais do segundo trimestre</li>
<li>Petrobras — Petrobras confirma nova descoberta de gás na Colômbia, poço Copoazú-1 — 18 de março de 2026</li>
<li>Ecopetrol — Petrobras e Ecopetrol confirmam descoberta no poço Copoazú-1 — 18 de março de 2026</li>
<li>Petrobras — Petrobras e Ecopetrol confirmam a descoberta de Sirius-2 — 5 de dezembro de 2024</li>
<li>AXIA Energia — Relatório de resultados do primeiro trimestre de 2026 apresentado à SEC — 2026</li>
<li>ISA Energia Brasil — Histórico corporativo e descruzamento das participações na IE Madeira e IE Garanhuns — 2026</li>
</ul>
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			</item>
		<item>
		<title>Creator economy ganha escala no Brasil e leva formalização à agenda do governo</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/creator-economy-formalizacao-governo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Marcondes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Aug 2026 16:40:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[CNAE]]></category>
		<category><![CDATA[creator economy]]></category>
		<category><![CDATA[criadores de conteúdo]]></category>
		<category><![CDATA[economia digital]]></category>
		<category><![CDATA[formalização]]></category>
		<category><![CDATA[Inteligência Artificial]]></category>
		<category><![CDATA[marketing]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[publicidade digital]]></category>
		<category><![CDATA[Youtube]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A expansão da creator economy entrou na agenda do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, que reuniu criadores de conteúdo em Brasília, em 30 de junho, para discutir formalização, acesso a crédito, tributação, previdência e reconhecimento da atividade. O debate ocorre em um mercado que já sustenta negócios e equipes: [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A expansão da creator economy entrou na agenda do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, que reuniu criadores de conteúdo em Brasília, em 30 de junho, para discutir formalização, acesso a crédito, tributação, previdência e reconhecimento da atividade. O debate ocorre em um mercado que já sustenta <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="333767">negócios</a> e equipes: somente o ecossistema criativo do YouTube contribuiu com mais de R$ 6 bilhões para o Produto Interno Bruto brasileiro em 2025 e apoiou mais de 150 mil ocupações equivalentes a tempo integral.</p>
<p>Os números fazem parte de estudo da Oxford Economics divulgado pela plataforma em junho de 2026. O levantamento registrou ainda mais de 45 mil canais brasileiros acima de 100 mil inscritos. Os dados não medem toda a <a class="wpil_keyword_link" title="Economia" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="333768">economia</a> dos criadores, porque se limitam às atividades relacionadas ao YouTube, mas oferecem uma referência recente sobre a dimensão econômica alcançada por uma parte do setor no país.</p>
<p>Ao mesmo tempo, uma pesquisa do IAB Brasil com a Offerwise mostra que a influência sobre o consumo não está restrita aos maiores perfis. O estudo #Publi 2025 apontou que oito em cada dez brasileiros já compraram produtos recomendados por criadores e que sete em cada dez consideram a autenticidade decisiva nessa relação. O resultado reforça o valor comercial das comunidades digitais, mas também amplia a exigência por transparência na publicidade.</p>
<p>O avanço econômico ainda convive com um enquadramento fragmentado. A Lei nº 15.325, sancionada em janeiro de 2026, reconheceu a profissão de multimídia e abrange tarefas de criação, produção, edição, gestão de redes sociais e distribuição de conteúdo digital. O governo, porém, passou a discutir a possibilidade de uma classificação econômica específica para influenciadores e criadores, tema que alcança registro empresarial, emissão fiscal e acesso a políticas voltadas aos pequenos negócios.</p>
<h2>Estudo mede renda, fornecedores e trabalho gerado pelo YouTube</h2>
<p>A estimativa de impacto econômico foi construída com três pesquisas realizadas entre janeiro e março de 2026. No Brasil, a Oxford Economics ouviu 5.200 criadores, 600 <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="333766">empresas</a> e 3.000 usuários. A amostra de usuários foi ponderada por idade e gênero para refletir o público da plataforma, enquanto a pesquisa de criadores buscou reunir canais de diferentes tamanhos.</p>
<p>O cálculo inclui os chamados empreendedores criativos, empresas de mídia e música, funcionários contratados e agentes da cadeia de fornecedores. Também considera receitas obtidas diretamente na plataforma, como participação em publicidade, assinaturas e pagamentos dos usuários, e ganhos externos associados à presença do criador, entre eles vendas de produtos, contratos com marcas e apresentações.</p>
<p>Para <a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="334042">e</a>stimar a contribuição ao PIB, o estudo subtraiu custos intermediários das receitas vinculadas à atividade e aplicou um modelo de insumo-produto para calcular efeitos indiretos sobre fornecedores e efeitos induzidos pelo consumo dos trabalhadores. A própria Oxford Economics ressalva que os resultados são brutos: não descontam a utilização alternativa dos recursos mobilizados pela produção de conteúdo.</p>
<p>A medida de <a class="wpil_keyword_link" title="Trabalho" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="333769">trabalho</a> também exige cautela. Uma ocupação equivalente a tempo integral não corresponde necessariamente a um empregado contratado. Ela pode representar um criador que trabalha 35 horas por semana ou a soma de duas pessoas com 17,5 horas cada. O modelo incluiu empreendedores criativos que dedicam ao menos oito horas semanais à plataforma, seus funcionários permanentes e os postos estimados nas cadeias direta e indireta.</p>
<h2>Governo discute CNAE, crédito e enquadramento tributário</h2>
<p>No encontro de junho, sete criadores, que juntos reúnem aproximadamente 10,6 milhões de seguidores e inscritos, apresentaram ao Ministério do Empreendedorismo obstáculos para transformar produção digital em empresa estruturada. A pauta incluiu formas de monetização, capacitação, tributação, cobertura previdenciária e instrumentos públicos que permitam ampliar a atividade sem perder a formalização.</p>
<p>Entre as propostas debatidas esteve a criação de um código específico na Classificação Nacional de Atividades Econômicas. A ausência de uma categoria exclusiva leva produtores digitais a recorrerem a enquadramentos relacionados à produção cinematográfica, de vídeos, programas de televisão, pós-produção e distribuição. Esses são os códigos atualmente relacionados pela Secretaria de Comunicação Social para produtores habilitados a participar de ações publicitárias do governo federal.</p>
<p>A regulamentação da publicidade oficial já impõe requisitos operacionais a esses profissionais. Para integrar o cadastro federal de mídia, o produtor deve apresentar tabela de preços, mídia kit, análises atualizadas de seguidores e relatórios de entregas. Também precisa informar publicamente o nome civil do responsável, manter canal para reclamações e identificar conteúdo publicitário quando houver acordo comercial ou troca de bens e serviços.</p>
<p>A Lei nº 15.325 criou uma referência profissional mais ampla ao definir o trabalhador multimídia como pessoa de nível técnico ou superior apta a atuar em diferentes etapas da produção digital. A norma preservou atribuições de outras categorias e incluiu gestão de redes sociais, plataformas, sites e canais digitais. Ela não criou, entretanto, um regime tributário próprio, um CNAE exclusivo ou acesso automático ao Microempreendedor Individual para todo criador.</p>
<h2>Confiança do público sustenta publicidade e vendas</h2>
<p>O estudo #Publi 2025 associa a capacidade de influência comercial à percepção de autenticidade. Além das compras já realizadas por recomendação, a pesquisa identificou pulverização entre perfis de grande alcance e microcriadores e diferenças geracionais no uso das plataformas. Vídeos curtos aparecem como formato relevante, mas a conexão entre público e criador continua sendo o ativo central para marcas e anunciantes.</p>
<p>Esse vínculo explica por que contratos diretos com empresas permanecem importantes, mesmo com a expansão de assinaturas, publicidade compartilhada, doações, venda de produtos e ferramentas de comércio eletrônico. Em projeção publicada em 2023, o Goldman Sachs Research estimou que os acordos com marcas correspondiam a cerca de 70% das receitas dos criadores no <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333770">mercado</a> global.</p>
<p>O mesmo estudo projetou que o mercado endereçável da creator economy poderia crescer de US$ 250 bilhões para US$ 480 bilhões até 2027, impulsionado por publicidade digital, marketing de influência e monetização de vídeos curtos. A projeção partia de uma base estimada em 50 milhões de criadores no mundo, com expansão anual entre 10% e 20% ao longo de cinco anos.</p>
<p>A distribuição de renda, contudo, era concentrada. O levantamento classificava apenas cerca de 4% dos criadores globais como profissionais com ganhos anuais superiores a US$ 100 mil. Embora o recorte não seja específico do Brasil e tenha sido elaborado antes dos dados nacionais de 2025, ele evidencia a diferença entre crescimento de audiência, geração ocasional de receita e consolidação de uma empresa sustentável.</p>
<h2>Inteligência artificial reduz custos e aumenta exigência de transparência</h2>
<p>A tecnologia amplia a capacidade de produção ao automatizar edição, análise de desempenho, organização de comentários, tradução e dublagem. Em junho, o YouTube liberou em português uma ferramenta que responde a perguntas sobre métricas e resume a reação da comunidade dentro do painel dos canais. A empresa apresenta o recurso como apoio à gestão, e não como substituto do trabalho criativo.</p>
<p>O uso dessas ferramentas pode permitir que equipes menores publiquem em mais formatos e alcancem públicos fora do país. Em sua carta de prioridades para 2026, o YouTube informou que mais de 1 milhão de canais utilizaram diariamente suas ferramentas de criação em dezembro de 2025. A companhia também declarou ter pago mais de US$ 100 bilhões a criadores, artistas e empresas de mídia no mundo durante os quatro anos anteriores.</p>
<p>O ganho de escala vem acompanhado de novos riscos. Pesquisa do IAB Brasil e da Nielsen sobre publicidade digital em 2026 apontou preocupações com autenticidade, homogeneização criativa e dependência funcional de sistemas de inteligência artificial. Para criadores que convertem identidade pessoal em ativo econômico, conteúdos excessivamente padronizados podem enfraquecer justamente a confiança que sustenta recomendações e contratos.</p>
<p>Transparência também se tornou uma obrigação prática. O YouTube exige identificação de conteúdos sintéticos realistas em determinadas situações e afirma aplicar rótulos a materiais produzidos por suas próprias ferramentas. No Brasil, as regras da publicidade federal orientam que acordos comerciais e permutas sejam identificados como publicidade, sempre que possível, aproximando a profissionalização do setor de deveres já aplicados a outros meios.</p>
<h2>Dependência das plataformas limita previsibilidade de receita</h2>
<p>A profissionalização não elimina a dependência de sistemas privados de distribuição. Mudanças em políticas de monetização, recomendação, alcance e formatos podem alterar rapidamente o desempenho de um canal. A diversificação possível inclui receitas da plataforma, publicidade direta, assinaturas, produtos, eventos, licenciamento e prestação de serviços.</p>
<p>O relatório da Oxford Economics incorpora essa diversidade ao contabilizar ganhos fora do YouTube que estão ligados à presença do criador. A metodologia mostra que o valor econômico não se resume ao pagamento por visualizações: inclui equipes, fornecedores, vendas, negócios de mídia e despesas que se espalham pela cadeia produtiva. Também exclui as operações próprias da plataforma e os benefícios obtidos por empresas com aumento de vendas decorrente de anúncios.</p>
<p>Essa delimitação impede que os R$ 6 bilhões sejam apresentados como tamanho total da creator economy brasileira. O indicador mede a contribuição de um ecossistema específico ao PIB e inclui efeitos diretos, indiretos e induzidos. Outras redes sociais, plataformas de cursos, newsletters, podcasts independentes e negócios digitais não vinculados ao YouTube permanecem fora dessa conta.</p>
<p>O próximo passo institucional ainda depende de decisões do governo. O Ministério do Empreendedorismo não anunciou prazo para criação de CNAE específico nem um programa exclusivo de crédito ou previdência para criadores. Enquanto essas definições não avançam, a atividade permanece distribuída entre a profissão de multimídia, códigos econômicos já existentes, contratos com plataformas e as regras gerais aplicáveis a trabalhadores autônomos e empresas digitais.</p>
<hr />
<h4>Fontes</h4>
<ul>
<li>Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte — Encontro com criadores sobre formalização e fortalecimento da economia digital — 1º de julho de 2026</li>
<li>YouTube Brasil — Google for Brasil: dados da Oxford Economics e lançamento do Pergunte ao Studio em português — 11 de junho de 2026</li>
<li>Oxford Economics — YouTube’s Creator Economy Impact: metodologia das pesquisas e do modelo econômico — 2026</li>
<li>IAB Brasil e Offerwise — Pesquisa #Publi 2025: identificação e autenticidade na Creator Economy — 2025</li>
<li>Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República — Requisitos para produtores de conteúdo em plataformas digitais — atualizado em 10 de março de 2026</li>
<li>Presidência da República — Lei nº 15.325, sobre o exercício da profissão de multimídia — 6 de janeiro de 2026</li>
<li>IAB Brasil e Nielsen — Decodificando os Desafios da IA no Mercado de Publicidade Digital, edição 2026 — 2026</li>
<li>YouTube — Carta do presidente-executivo sobre as prioridades da plataforma para 2026 — 21 de janeiro de 2026</li>
<li>Goldman Sachs Research — The creator economy could approach half-a-trillion dollars by 2027 — 19 de abril de 2023</li>
</ul>
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			</item>
		<item>
		<title>Mineração no fundo do mar avança nos EUA, mas código global segue travado</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/mineracao-fundo-mar-nodulos-polimetalicos-codigo-global-travado</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marcio Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Jul 2026 18:38:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Isa]]></category>
		<category><![CDATA[Letícia Carvalho]]></category>
		<category><![CDATA[metais críticos]]></category>
		<category><![CDATA[mineração em águas profundas]]></category>
		<category><![CDATA[mineração no fundo do mar]]></category>
		<category><![CDATA[moratória mineração]]></category>
		<category><![CDATA[negócios]]></category>
		<category><![CDATA[NOAA]]></category>
		<category><![CDATA[nódulos polimetálicos]]></category>
		<category><![CDATA[The Metals Company]]></category>
		<category><![CDATA[transição energética]]></category>
		<category><![CDATA[Zona Clarion-Clipperton]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos encerrou em 24 de julho, em Kingston, na Jamaica, a segunda parte de sua 31ª sessão sem aprovar o código de explotação que permitiria a mineração comercial em águas internacionais. O Conselho adotou um novo roteiro para continuar as negociações e marcou a retomada das discussões para março de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos encerrou em 24 de julho, em Kingston, na Jamaica, a segunda parte de sua 31ª sessão sem aprovar o código de explotação que permitiria a mineração comercial em águas internacionais. O Conselho adotou um novo roteiro para continuar as negociações e marcou a retomada das discussões para março de 2027. Ao mesmo tempo, a The Metals Company avançou com um pedido à agência oceânica dos Estados Unidos para explorar e recuperar comercialmente nódulos polimetálicos na Zona Clarion-Clipperton, no Pacífico. A disputa reúne interesses minerais, ambientais e jurídicos porque o fundo do mar abriga uma das maiores reservas conhecidas de níquel, cobre, cobalto e manganês.</p>
<p>O contraste ficou mais nítido em julho. O Conselho prorrogou por cinco anos o contrato de exploração da Nauru Ocean Resources Inc., subsidiária da The Metals Company patrocinada por Nauru, sem autorizar a extração comercial. Nos Estados Unidos, o pedido apresentado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, a NOAA, continua em análise e depende de certificação, avaliação ambiental, participação pública e decisão final.</p>
<h2>Nódulos polimetálicos transformam planície abissal em ativo estratégico</h2>
<p>Os nódulos polimetálicos são concreções minerais que repousam sobre o sedimento, entre 4 mil e 6 mil metros de profundidade. Formados ao longo de milhões de anos, concentram manganês, níquel, cobre e cobalto, metais usados em redes elétricas, defesa, eletrônicos, ligas e determinadas químicas de baterias.</p>
<p>O principal alvo econômico é a Zona Clarion-Clipperton, faixa do Pacífico entre o Havaí e o México. O Serviço Geológico dos Estados Unidos estima que a região contenha 21,1 bilhões de toneladas secas de nódulos polimetálicos, a maior concentração conhecida em área e tonelagem. Segundo o órgão, a quantidade de diversos metais críticos presente no depósito supera as reservas terrestres globais correspondentes.</p>
<p>Os nódulos ficam expostos no leito e, em tese, podem ser recolhidos por veículos coletores sem abertura de minas. O modelo prevê máquinas que percorrem o fundo, bombeiam o material por um tubo vertical até navios de produção e transferem a carga para processamento em terra. A mesma característica, porém, amplia o risco ambiental: os nódulos polimetálicos funcionam como substrato para organismos em uma planície dominada por sedimentos finos, e sua retirada elimina habitat, compacta o solo e produz plumas.</p>
<h2>Conselho adia código e empurra decisões para 2027</h2>
<p>A negociação das regras comerciais começou há mais de uma década. O código precisa definir padrões ambientais, inspeção, responsabilidade, garantias financeiras, pagamentos, repartição de benefícios e condições para suspender contratos. Persistem divergências sobre limites de impacto, fiscalização, cabos submarinos e governança econômica.</p>
<p>Na reunião encerrada em 24 de julho, os 36 integrantes do Conselho não aprovaram o código. A decisão mantém a elaboração das regras e abriu prazo até 1º de outubro de 2026 para novas propostas e comentários. As próximas reuniões foram marcadas para 8 a 19 de março e 12 a 23 de julho de 2027. Na prática, a mineração comercial sob a Autoridade permanece sem base regulatória completa.</p>
<p>A prorrogação do contrato da Nauru Ocean Resources Inc. separa a continuidade da exploração da autorização de lavra. O Conselho aprovou a extensão por cinco anos, com efeito a partir de 22 de julho de 2026, após recomendação da Comissão Jurídica e Técnica. O documento registra que a contratada não conseguiu concluir a preparação para a fase de explotação por razões fora de seu controle e que as circunstâncias econômicas não justificavam a passagem imediata à produção.</p>
<h2>Disputa chega ao Tribunal do Mar</h2>
<p>A Nauru Ocean Resources Inc. e a Tonga Offshore Mining Limited, também controlada pela The Metals Company, recorreram ao Tribunal Internacional do Direito do Mar contra uma investigação sobre seus contratos. As <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="333694">empresas</a> alegaram falta de devido processo, transparência e tratamento justo.</p>
<p>Em 18 de julho, a Câmara de Controvérsias dos Fundos Marinhos determinou medidas provisórias. O tribunal não encerrou a investigação nem decidiu o mérito, mas ordenou que a Autoridade permita respostas significativas dentro de prazo razoável. Também determinou cooperação entre as partes e abstenção de atos capazes de agravar a disputa.</p>
<p>A controvérsia toca o ponto mais sensível dos nódulos polimetálicos. A Autoridade pretende verificar se contratados vinculados ao sistema multilateral podem participar de pedidos baseados em legislação nacional para áreas além das jurisdições estatais. As empresas sustentam que suas subsidiárias americanas operam sob regime distinto e que a Autoridade não tem competência sobre atividades autorizadas pelos Estados Unidos.</p>
<h2>Via americana avança sem licença comercial</h2>
<p>A The Metals Company USA apresentou em janeiro de 2026 um pedido consolidado à NOAA para licença de exploração e permissão de recuperação comercial em aproximadamente 65 mil quilômetros quadrados da Zona Clarion-Clipperton. A área reúne recurso estimado pela companhia em 619 milhões de toneladas úmidas de nódulos polimetálicos e amplia o perímetro comercial solicitado inicialmente em abril de 2025.</p>
<p>A NOAA considerou o pedido em conformidade substancial em março e em conformidade completa em 28 de abril, segundo documento da companhia apresentado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos. O reconhecimento é processual. A própria empresa ressalta que a decisão não representa aprovação da licença de exploração nem da permissão comercial.</p>
<p>O processo ainda precisa superar certificação, consultas entre órgãos e avaliação ambiental. A NOAA deverá preparar estudo de impacto, abrir comentários públicos e decidir se concede a autorização. A agência informa que nenhuma permissão comercial foi emitida até o momento.</p>
<p>A companhia espera iniciar o comissionamento no quarto trimestre de 2027, condicionado às autorizações. O cronograma pressupõe adaptar o navio Hidden Gem, ampliar a coleta e contratar processamento em terra. Atrasos ambientais, jurídicos ou técnicos podem deslocar a produção.</p>
<h2>Projeto NORI-D atribui valor bilionário ao Pacífico</h2>
<p>Em agosto de 2025, a The Metals Company divulgou um estudo de pré-viabilidade do projeto NORI-D conforme a norma americana S-K 1300. O relatório declarou 51 milhões de toneladas de reservas prováveis de nódulos polimetálicos na área inicial de mineração e estimou outras 113 milhões de toneladas recuperáveis fora desse perímetro, totalizando 164 milhões de toneladas no plano operacional.</p>
<p>O estudo projeta vida útil de 18 anos e expansão até 12 milhões de toneladas úmidas por ano. A estimativa atribui valor presente líquido após impostos de US$ 5,5 bilhões e taxa interna de retorno de 26,8%, com taxa de desconto de 8%. O custo caixa foi calculado em US$ 1.065 por tonelada de níquel após créditos dos demais produtos, enquanto o custo total de sustentação foi estimado em US$ 2.569.</p>
<p>Os números dependem de preços, recuperação metalúrgica, navios, combustível, frete e venda do silicato de manganês. O relatório é de pré-viabilidade, não definitivo. A empresa ainda não gera receita comercial e depende de financiamento, licenças e demonstração técnica em escala industrial.</p>
<h2>Mercado de baterias amplia incerteza econômica</h2>
<p>A tese de investimento associa os nódulos polimetálicos à segurança mineral. Níquel e cobalto seguem relevantes para baterias de alta densidade, enquanto cobre e manganês têm uso amplo em redes e indústria. A concentração da produção terrestre reforça o interesse americano em cadeias alternativas.</p>
<p>A demanda, contudo, está mudando. Baterias de fosfato de ferro-lítio dispensam níquel e cobalto e ganharam participação entre os veículos elétricos. A expansão da oferta de níquel da Indonésia também pressionou preços. Como o manganês representa a maior parte da massa dos nódulos polimetálicos, a rentabilidade depende da capacidade de vender o produto resultante ao setor siderúrgico.</p>
<p>Para investidores, o ativo combina escala potencial com risco elevado. O valor econômico estimado não equivale a caixa disponível, e o recurso continua condicionado a tecnologia, licenciamento, aceitação comercial e estabilidade regulatória. A via americana pode reduzir o tempo de análise, mas amplia a possibilidade de contestações diplomáticas e jurídicas.</p>
<h2>Evidências científicas sustentam pressão por pausa</h2>
<p>Testes de mineração identificaram alterações na abundância, diversidade e composição de organismos do sedimento, com efeitos mensuráveis décadas depois. Modelos indicam que a redeposição das plumas pode ampliar a área afetada por quilômetros.</p>
<p>A ciência ainda não estabeleceu limiares universais para turbidez, deposição, ruído, luz e liberação de metais na coluna d’água. Também faltam séries de longo prazo capazes de medir a recuperação de áreas onde os nódulos polimetálicos levaram milhões de anos para se formar. A remoção do substrato duro é tratada como impacto potencialmente irreversível em escala humana.</p>
<p>Até 1º de julho de 2026, 40 países haviam declarado apoio a uma moratória ou pausa precautória, entre eles Brasil, Reino Unido, França, Alemanha, México, Chile e Canadá. A posição condiciona a mineração comercial à existência de conhecimento científico suficiente e regras capazes de proteger o meio marinho.</p>
<h2>Brasil ganha peso em negociação que seguirá aberta</h2>
<p>O Brasil integra o grupo favorável à pausa e tem a oceanógrafa Leticia Carvalho na secretaria-geral da Autoridade. A brasileira assumiu o mandato em 2025 com a tarefa de conduzir uma instituição pressionada por países patrocinadores, empresas, governos interessados em minerais críticos e Estados que exigem maior precaução ambiental.</p>
<p>A sessão de julho deixou claro que os nódulos polimetálicos já possuem valor financeiro, tecnologia em desenvolvimento e disputa regulatória concreta, mas ainda não contam com autorização comercial. A prorrogação do contrato de Nauru preserva o projeto dentro do sistema multilateral, enquanto o processo americano oferece uma rota paralela sem resultado garantido.</p>
<p>O próximo marco será a evolução da análise da NOAA e o <a class="wpil_keyword_link" title="Trabalho" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="333693">trabalho</a> da Autoridade até março de 2027. Se os Estados Unidos concederem a primeira permissão comercial antes da adoção do código global, o conflito sobre quem pode autorizar a exploração do patrimônio comum da humanidade ganhará dimensão prática. Se o licenciamento atrasar, a vantagem temporal da via americana diminuirá. Em ambos os cenários, a decisão sobre os nódulos polimetálicos será tomada sob o peso simultâneo da transição energética, da segurança mineral e de impactos ambientais que a ciência ainda não consegue delimitar por completo.</p>
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		<title>Turismo de bem-estar pode somar US$ 1,38 trilhão até 2029</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/turismo-de-bem-estar-us-1-38-trilhao-hotelaria-brasil</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Luiza Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Jul 2026 01:44:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[economia do bem-estar]]></category>
		<category><![CDATA[economia do turismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O turismo de bem-estar deverá movimentar US$ 1,383 trilhão no mundo em 2029, ante US$ 893,9 bilhões em 2024, segundo o Global Wellness Economy Monitor 2025, divulgado pelo Global Wellness Institute. A expansão projetada, de 9,1% ao ano, supera os 6,7% estimados para o turismo em geral e decorre da combinação entre recuperação pós-pandemia, procura [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="207" data-end="884">O turismo de bem-estar deverá movimentar US$ 1,383 trilhão no mundo em 2029, ante US$ 893,9 bilhões em 2024, segundo o Global Wellness Economy Monitor 2025, divulgado pelo Global Wellness Institute. A expansão projetada, de 9,1% ao ano, supera os 6,7% estimados para o turismo em geral e decorre da combinação entre recuperação pós-pandemia, procura por saúde preventiva, descanso, atividade física e equilíbrio pessoal. O avanço altera diretamente a estratégia de hotéis, resorts, termas, operadoras e destinos turísticos. Mais do que ampliar o número de viagens, o setor passa a disputar uma parcela maior do orçamento de cada visitante.</p>
<p data-start="886" data-end="1544">A base estatística mostra que o segmento deixou de ser periférico. Em 2024, os gastos com turismo de bem-estar cresceram 13,8%, enquanto a despesa turística global avançou 9,6%. O <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333639">mercado</a> alcançou 136% do valor registrado em 2019, antes da pandemia, ante uma recuperação de 110% para o turismo total. A metodologia inclui viagens domésticas e internacionais associadas à manutenção ou à melhoria do bem-estar, como motivo principal ou como componente de férias, compromissos profissionais e visitas familiares. Hospedagem, alimentação, transporte, compras e atividades vinculadas a esses deslocamentos entram no cálculo.</p>
<p data-start="1546" data-end="2148">Essa abrangência leva o turismo de bem-estar muito além de spas e retiros de luxo. Academia, alimentação específica, termalismo, meditação, programas de sono, contato com a natureza e recuperação física podem compor a experiência sem que o hóspede tenha adquirido um pacote terapêutico. Para a hotelaria, serviços antes tratados como amenidades passam a influenciar preço, permanência e consumo dentro do empreendimento. A oportunidade, porém, depende da capacidade de convertê-los em uma oferta organizada e coerente com o perfil do destino e do público atendido.</p>
<h2 data-section-id="qihyro" data-start="2150" data-end="2200">Gasto de US$ 721 por viagem dobra média mundial</h2>
<p data-start="2202" data-end="2773">O dado mais relevante para a indústria é o tíquete médio. Viajantes ligados ao turismo de bem-estar realizaram 1,239 bilhão de viagens em 2024 e gastaram, em média, US$ 721 por deslocamento. No conjunto do turismo mundial, a média foi de US$ 340. Embora respondessem por apenas 8,3% das viagens, esses consumidores concentraram 17,6% das despesas turísticas globais. A diferença indica potencial para elevar a receita por hóspede sem depender exclusivamente da construção de novos leitos ou de aumentos contínuos da taxa de ocupação.</p>
<p data-start="2775" data-end="3534">A consequência econômica é uma mudança na composição do produto hoteleiro. Um estabelecimento que vende apenas acomodação disputa principalmente preço, localização e disponibilidade; aquele que estrutura experiências pode combinar diária, alimentação, atividades, terapias e utilização de instalações especializadas. A estratégia não se resume a instalar uma sala de massagem ou adotar o termo “wellness” na comunicação. Para sustentar preços superiores, o serviço precisa ter profissionais capacitados, horários, protocolos, equipamentos e capacidade operacional. A elevação do tíquete somente se transforma em margem quando a receita adicional supera os custos de pessoal, manutenção e eventual ociosidade da estrutura.</p>
<p data-start="3536" data-end="4201">O ambiente global reforça a busca por produtos turísticos de maior valor. A ONU Turismo contabilizou 1,52 bilhão de chegadas internacionais em 2025, alta de 4% sobre o ano anterior, e registrou crescimento de 2% no primeiro trimestre de 2026, apesar das perturbações causadas pela crise no Oriente Médio em março. O turismo convencional continua avançando, mas em velocidade inferior à projetada para o turismo de bem-estar. Para <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333641">empresas</a> de hospitalidade, esse movimento aumenta a importância de experiências capazes de ampliar a permanência, reduzir a dependência de descontos e elevar o gasto realizado durante a hospedagem.</p>
<h2 data-section-id="1gy0efj" data-start="4203" data-end="4269">Ásia-Pacífico cresce 31,2%, mas América do Norte mantém receita</h2>
<p data-start="4271" data-end="4908">A distribuição regional revela modelos de negócio diferentes. A América do Norte liderou os gastos com turismo de bem-estar em 2024, com US$ 346,9 bilhões, seguida pela Europa, com US$ 258,2 bilhões, e pela Ásia-Pacífico, com US$ 215 bilhões. América Latina e Caribe movimentaram US$ 41 bilhões; Oriente Médio e Norte da África, US$ 24,7 bilhões; e África Subsaariana, US$ 8,2 bilhões. O crescimento mais acelerado ocorreu na Ásia-Pacífico, onde a receita avançou 31,2% entre 2023 e 2024, influenciada pela reabertura mais tardia de grandes mercados que haviam mantido restrições durante a pandemia.</p>
<p data-start="4910" data-end="5528">A Ásia-Pacífico respondeu por 562,7 milhões de viagens associadas ao bem-estar, acima dos 348,4 milhões da Europa e dos 239,3 milhões da América do Norte. A liderança em volume não se converteu em liderança financeira porque o gasto médio asiático ficou em US$ 382 por viagem. Na América do Norte, a média alcançou US$ 1.449; no Oriente Médio e Norte da África, US$ 1.257; na Europa, US$ 741; e na América Latina e Caribe, US$ 683. O contraste mostra que escala de visitantes e capacidade de captura de receita exigem estratégias distintas de preço, distribuição e posicionamento.</p>
<p data-start="5530" data-end="6150">Nos mercados maduros, a vantagem está na capacidade de comercializar hotelaria estruturada, serviços premium, complexos termais, spas e programas especializados. Para a América Latina, o desafio consiste em transformar biodiversidade, praias, serras, águas termais, gastronomia e patrimônio cultural em produtos com padrão comercial reconhecível. O atrativo natural, isoladamente, não assegura reservas ou consumo adicional. Transporte, segurança, hospedagem, alimentação, atividades e canais de venda precisam formar uma proposta integrada, compreensível e acessível ao consumidor.</p>
<h2 data-section-id="1erz908" data-start="6152" data-end="6211">Brasil é 11º mercado de bem-estar, com US$ 125,4 bilhões</h2>
<p data-start="6213" data-end="6852">O Brasil ocupa a 11ª posição entre as maiores economias nacionais do bem-estar, com US$ 125,4 bilhões movimentados em 2024, segundo ranking divulgado pelo Global Wellness Institute em janeiro de 2026. O valor abrange os 11 setores medidos pela instituição e não deve ser confundido com o tamanho do turismo de bem-estar brasileiro. Inclui cuidados pessoais, alimentação saudável, atividade física, saúde preventiva, imóveis, saúde mental, medicina complementar, spas e turismo. O país lidera a América Latina e o Caribe, à frente do México, com US$ 98,14 bilhões, e da Argentina, com US$ 38,8 bilhões.</p>
<p data-start="6854" data-end="7489">A região movimentou US$ 402,8 bilhões na <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank"  rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="333640">economia</a> do bem-estar em 2024, enquanto o recorte específico do turismo de bem-estar somou US$ 41 bilhões e 60 milhões de viagens. A diferença entre os indicadores é central <a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="334035">para evitar uma leitura inflada do mercado</a> brasileiro. Termas, hotéis-fazenda, destinos de praia, áreas rurais, parques e centros de meditação formam ativos potenciais, mas a receita turística depende da integração entre hospedagem, alimentação, transporte e atividades. A dimensão da economia doméstica do bem-estar, portanto, não se converte automaticamente em gastos de viagem.</p>
<p data-start="7491" data-end="8093">O ranking também exige cautela em relação ao câmbio. Entre 2019 e 2024, a economia brasileira do bem-estar cresceu 2% ao ano quando medida em dólares, mas 8,57% quando calculada em moeda local. Em 2024, o <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 05 de agosto, aguarda decisão do Copom com mercado apostando em Selic a 14%" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="337251">mercado expresso em dólares</a> correspondia a 110% do nível de 2019, enquanto em reais equivalia a 151%. O Global Wellness Institute atribui parte dessa diferença à desvalorização da moeda brasileira. A posição internacional do país reflete demanda e preços domésticos, mas também o efeito da taxa de câmbio sobre os valores convertidos para comparação global.</p>
<h2 data-section-id="14oidi9" data-start="8095" data-end="8144">Turismo brasileiro recua 0,1% até maio de 2026</h2>
<p data-start="8146" data-end="8827">A oportunidade surge sobre uma base turística relevante, embora menos uniforme do que os recordes de visitantes sugerem. Documento de gestão do Ministério do Turismo informa que o Brasil recebeu 9,28 milhões de turistas internacionais em 2025, crescimento de 37,1% em relação a 2024. Os visitantes estrangeiros geraram US$ 7,86 bilhões em receitas no período, acima da meta oficial de US$ 7,3 bilhões. Na Pesquisa Mensal de Serviços, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística registrou alta de 4,6% no volume das atividades turísticas ao longo de 2025, sustentada por segmentos como transporte aéreo, reservas, restaurantes e hotéis.</p>
<p data-start="8829" data-end="9479">O quadro perdeu força no início de 2026. De janeiro a maio, o agregado de atividades turísticas recuou 0,1% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o IBGE. A variação é pequena, mas interrompe a leitura de expansão linear e reforça a necessidade de elevar a receita gerada por visitante. Nesse cenário, o turismo de bem-estar pode diversificar a oferta de destinos sujeitos à sazonalidade ou à baixa ocupação fora de feriados. Programas de descanso, sono, alimentação, termalismo e natureza podem ser vendidos durante diferentes períodos do ano, desde que tenham demanda comprovada e execução consistente.</p>
<p data-start="9481" data-end="10167">O Ministério do Turismo identifica o bem-estar como tendência ligada à recuperação física e mental, à longevidade, à saúde integral, ao descanso e à desconexão. A publicação oficial de tendências para 2025 menciona o turismo do sono e destaca Fernando de Noronha e João Pessoa como destinos associados a relaxamento e retiros. O documento funciona como orientação de mercado, e não como certificação de que essas localidades já possuam uma cadeia plenamente estruturada. Para transformar interesse em faturamento, destinos precisam integrar hospedagem, guias, alimentação, transporte, segurança e atividades em uma oferta comprável e verificável.</p>
<h2 data-section-id="dkiu2x" data-start="10169" data-end="10230">Projeção de US$ 1,383 trilhão aumenta pressão por execução</h2>
<p data-start="10232" data-end="10966">A projeção até 2029 abre espaço para investimentos, mas não elimina o risco de oferta excessiva ou mal posicionada. A taxa anual de 9,1% é nominal, expressa em dólares e sujeita à inflação, ao câmbio, à desaceleração econômica e a mudanças no comportamento do consumidor. O Global Wellness Institute também revisa séries históricas quando são atualizadas as bases internacionais de turismo e as fontes nacionais utilizadas nos cálculos. Para hotéis e destinos, o número deve orientar planejamento, não justificar automaticamente obras ou programas de alto custo. A decisão precisa considerar ocupação, tíquete médio, recorrência, custo de pessoal e nível esperado de utilização das instalações.</p>
<p data-start="10968" data-end="11636">O diferencial competitivo tende a surgir menos da infraestrutura isolada e mais da combinação entre serviço, posicionamento e território. Um hotel urbano pode concentrar-se em sono, alimentação, atividade física e recuperação do viajante corporativo; um resort pode vender programas de vários dias; destinos rurais podem estruturar caminhadas, contemplação, gastronomia e termalismo. Cada modelo exige público, preço, profissionais e operação próprios. A especialização permite testar a demanda e reduzir investimentos improdutivos, enquanto uma oferta genérica pode elevar custos sem criar diferenciação percebida pelo hóspede.</p>
<p data-start="11638" data-end="12367">Caso a projeção do Global Wellness Institute se confirme, o turismo de bem-estar adicionará aproximadamente US$ 489,4 bilhões em gastos entre 2024 e 2029. Para o Brasil, que ocupa o 11º lugar na economia global do bem-estar e lidera a América Latina, a disputa será pela conversão dessa base em receitas turísticas efetivas. O país possui escala, diversidade territorial e ativos naturais, mas a captura de valor dependerá de produtos seguros, consistentes e distribuídos profissionalmente. O avanço para US$ 1,383 trilhão favorecerá menos os empreendimentos que apenas adotarem o rótulo e mais aqueles capazes de entregar uma experiência pela qual o viajante esteja disposto a pagar mais.</p>
<hr />
<h4 data-start="12369" data-end="12380">FONTES</h4>
<ol data-start="12382" data-end="14563">
<li data-section-id="9mh5fh" data-start="12382" data-end="12658">Global Wellness Institute — Global Wellness Economy Monitor 2025</li>
<li data-section-id="14fday0" data-start="12660" data-end="12966">Global Wellness Institute — The Global Wellness Economy: Country Rankings 2019-2024</li>
<li data-section-id="1qfzohq" data-start="12968" data-end="13553">Ministério do Turismo — Revista Tendências do Turismo 2025 e Resultados da Gestão, exercício de 2025</li>
<li data-section-id="15dcup9" data-start="13555" data-end="14107">IBGE — Pesquisa Mensal de Serviços: fechamento de 2025 e resultado de maio de 2026</li>
<li data-section-id="181c1y2" data-start="14109" data-end="14563">ONU Turismo — Resultados do turismo internacional em 2025 e primeiro trimestre de 2026 .</li>
</ol>
<p data-start="15661" data-end="15850">
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Bancos brasileiros lucraram US$ 45,8 bilhões e concentraram 51% do ganho regional</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/bancos-brasileiros-lucro-45-bilhoes-2025</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2026 12:55:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[bancos brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[crédito]]></category>
		<category><![CDATA[Felaban]]></category>
		<category><![CDATA[Inadimplência]]></category>
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		<category><![CDATA[Selic]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os bancos brasileiros lucraram US$ 45,841 bilhões em 2025, crescimento de 34,2% sobre o ano anterior, e responderam por 51% de todo o resultado bancário da América Latina. Os dados constam de relatório divulgado em julho de 2026 pela Federação Latino-Americana de Bancos, a Felaban, e consolidam os balanços encerrados em dezembro do ano passado, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os bancos brasileiros lucraram US$ 45,841 bilhões em 2025, crescimento de 34,2% sobre o ano anterior, e responderam por 51% de todo o resultado bancário da América Latina. Os dados constam de relatório divulgado em julho de 2026 pela Federação Latino-Americana de Bancos, a Felaban, e consolidam os balanços encerrados em dezembro do ano passado, período marcado por juros elevados, expansão do crédito e resiliência das receitas operacionais das instituições financeiras.</p>
<p>O resultado brasileiro, portanto, não representa o lucro acumulado pelos bancos em 2026. Trata-se da fotografia anual mais recente disponível para comparação entre os sistemas financeiros da região, publicada sete meses depois do encerramento do exercício.</p>
<p>A diferença é relevante porque o ambiente econômico já começou a mudar. Depois de atingir 15% ao ano em 2025, a Selic entrou em trajetória de redução e chegou a 14,25% em junho de 2026. O custo do crédito, porém, permanece elevado, enquanto a inadimplência continuou avançando nos primeiros meses deste ano.</p>
<p>O lucro dos bancos brasileiros subiu US$ 11,675 bilhões em relação aos US$ 34,166 bilhões registrados em 2024. O ganho obtido pelas instituições do país também superou, sozinho, o resultado somado dos demais mercados incluídos no levantamento regional.</p>
<h2>Brasil respondeu por mais da metade do lucro bancário latino-americano</h2>
<p>Os bancos da América Latina acumularam lucro líquido de US$ 88,996 bilhões entre janeiro e dezembro de 2025, avanço de 31% na comparação anual. Desse montante, pouco mais de US$ 45,8 bilhões foram gerados no Brasil.</p>
<p>O México apareceu em segundo lugar, com lucro de US$ 17,110 bilhões, equivalente a 19% do total regional. O Chile ficou na terceira posição, com US$ 5,875 bilhões, seguido por Peru, com US$ 4,207 bilhões, e Colômbia, com US$ 3,803 bilhões.</p>
<p>Brasil, México e Chile concentraram 77% do lucro bancário latino-americano. A distância brasileira em relação aos demais países reflete tanto a escala do <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="332111">mercado</a> nacional quanto a diversificação das receitas dos grandes conglomerados financeiros.</p>
<p>As principais instituições brasileiras operam simultaneamente no crédito ao consumo, financiamento empresarial, cartões, seguros, investimentos, administração de recursos, pagamentos e mercado de capitais. Essa estrutura permite compensar a desaceleração de uma área com receitas obtidas em outros segmentos.</p>
<p>A conversão dos resultados para dólares também exige cautela. Movimentos das moedas nacionais podem ampliar ou reduzir os valores apresentados na divisa americana. Ainda assim, a alta de 34,2% registrada pelo Brasil foi suficientemente expressiva para indicar uma expansão relevante dos resultados, e não apenas uma variação provocada pelo câmbio.</p>
<p>A participação brasileira no lucro regional também supera seu peso demográfico e evidencia a profundidade do sistema financeiro do país. O mercado nacional reúne grandes bancos públicos, conglomerados privados, cooperativas de crédito, instituições digitais e <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="332112">empresas</a> especializadas em pagamentos e investimentos.</p>
<h2>Juros elevados favoreceram receitas financeiras em 2025</h2>
<p>O ciclo de alta da Selic foi uma das principais variáveis enfrentadas pelos bancos ao longo de 2025. A taxa básica começou o ano em 12,25%, subiu para 13,25% em janeiro, avançou para 14,25% em março e alcançou 15% em junho, patamar mantido até dezembro.</p>
<p>Juros elevados aumentam a remuneração de títulos públicos e de ativos bancários indexados à Selic ou ao CDI. Também permitem a revisão das taxas cobradas em novas operações de crédito e nos contratos sujeitos a atualização periódica.</p>
<p>O impacto, contudo, não é unilateralmente favorável às instituições. O mesmo movimento encarece a captação feita por meio de CDBs, letras financeiras e outros instrumentos utilizados para financiar as operações dos bancos.</p>
<p>O Banco Central apontou que a margem de crédito continuou pressionada pelo aumento do custo de captação no segundo semestre de 2025. O crescimento dos resultados operacionais, embora em ritmo menor, foi suficiente para compensar a elevação das provisões destinadas a cobrir possíveis perdas.</p>
<p>Na prática, os bancos conseguiram preservar a rentabilidade mesmo em um cenário de dinheiro mais caro. A combinação entre reajuste das taxas, expansão de determinadas carteiras, receitas de serviços e controle das despesas sustentou os balanços.</p>
<p>Instituições com uma base ampla de depósitos de menor custo tendem a atravessar ciclos de juros elevados em posição mais favorável. Bancos mais dependentes de captações remuneradas pelo mercado enfrentam pressão maior sobre suas margens.</p>
<p>A diferença entre esses modelos ajuda a explicar por que o resultado agregado do setor não se distribui de maneira uniforme. Os grandes conglomerados, as instituições digitais e os bancos de nicho apresentam estruturas de custos, riscos e fontes de receita distintas.</p>
<h2>Rentabilidade resistiu ao avanço das provisões</h2>
<p>O retorno sobre o patrimônio líquido dos bancos brasileiros, indicador conhecido como ROE, chegou a 15,4% ao fim de 2025, de acordo com a Felaban. O percentual ficou acima da média de 14,2% registrada pelo sistema bancário latino-americano.</p>
<p>O ROE mede a relação entre o lucro e o capital aplicado pelos acionistas. Quanto maior o indicador, maior é a capacidade da instituição de gerar resultado com os recursos próprios disponíveis, embora a análise também dependa do nível de risco assumido.</p>
<p>O Banco Central chegou a uma leitura semelhante ao avaliar o Sistema Financeiro Nacional. Segundo a autoridade monetária, instituições com ROE superior a 10% concentravam cerca de 90% dos ativos do sistema ao final de 2025.</p>
<p>As entidades com rentabilidade negativa respondiam por aproximadamente 1% dos ativos. O ROE mediano do sistema ficou em 11,7%, praticamente estável em relação ao período anterior.</p>
<p>O desempenho foi obtido apesar do aumento do custo com provisões. À medida que cresce o risco de atraso ou calote, as instituições precisam reservar mais recursos para absorver perdas esperadas, reduzindo a parcela das receitas que chega ao lucro líquido.</p>
<p>O Banco Central avaliou que a materialização do risco aumentou no crédito às famílias e permaneceu relativamente estável entre as empresas. Os ativos problemáticos avançaram em diferentes modalidades durante o segundo semestre.</p>
<p>Ainda assim, o sistema permaneceu capitalizado e com capacidade de gerar lucros suficientes para reforçar o patrimônio. Essa condição reduz o risco de instabilidade financeira, mas não elimina a pressão sobre os resultados futuros.</p>
<h2>Investidores acompanham qualidade do lucro e pagamento de dividendos</h2>
<p>O resultado agregado amplia a atenção dos investidores sobre os balanços de Itaú Unibanco (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4), Santander Brasil (SANB11) e BTG Pactual (BPAC11), entre outras instituições negociadas na Bolsa.</p>
<p>O lucro do setor pode fortalecer a distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio, além de ampliar a capacidade de financiamento das carteiras. A avaliação das ações bancárias, porém, não depende apenas do tamanho do resultado líquido.</p>
<p>O mercado acompanha a origem do lucro, a evolução da margem financeira, o crescimento das receitas de serviços e o comportamento das provisões. Ganhos apoiados em operações recorrentes tendem a ser considerados mais sustentáveis do que resultados influenciados por eventos extraordinários.</p>
<p>A composição das carteiras também faz diferença. Bancos com maior exposição ao crédito rural, cartões, pequenas empresas ou financiamentos sem garantia podem enfrentar comportamentos distintos em períodos de desaceleração econômica.</p>
<p>O crescimento acelerado do crédito pode elevar as receitas no curto prazo, mas aumenta a vulnerabilidade do balanço quando a inadimplência começa a subir. Instituições mais conservadoras preservam capital, embora possam perder participação para concorrentes dispostos a assumir mais risco.</p>
<p>Os números da Felaban, portanto, oferecem uma visão da força do sistema brasileiro, mas não substituem a análise individual de cada instituição.</p>
<h2>Concentração recuou, mas grandes bancos preservaram escala</h2>
<p>A rentabilidade elevada dos bancos costuma ser associada ao grau de concentração do mercado. Os dados do Banco Central mostram, no entanto, que a participação das quatro maiores instituições recuou em 2025 nos principais indicadores analisados.</p>
<p>Nos ativos totais, a fatia dos quatro maiores conglomerados caiu de 54,7% em 2024 para 54,1% no ano passado. Nos depósitos, a participação recuou de 57,1% para 55,3%.</p>
<p>Nas operações de crédito, a concentração diminuiu de 57,9% para 57,1%. Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil (BBAS3), Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) permaneceram entre os líderes dos principais agregados.</p>
<p>A redução ocorreu com o avanço das cooperativas, das instituições não bancárias e dos participantes digitais. Plataformas de investimento e empresas de pagamentos também aumentaram a competição em áreas antes dominadas pelas redes tradicionais.</p>
<p>O movimento, contudo, não foi uniforme. Segmentos que dependem de funding direcionado, grande volume de capital ou redes extensas de distribuição continuam altamente concentrados.</p>
<p>Os quatro maiores participantes respondiam por 93% do financiamento habitacional, por 91,1% do crédito para infraestrutura e desenvolvimento e por 64,6% dos financiamentos rurais e agropecuários.</p>
<p>A combinação entre redução da concentração agregada e domínio persistente em determinadas linhas mostra que a competição avançou, mas ainda encontra barreiras estruturais.</p>
<h2>Lula usa lucro dos bancos para defender ambiente de negócios</h2>
<p>O desempenho das instituições financeiras também passou a integrar o discurso econômico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em fevereiro de 2026, durante cerimônia no Instituto Butantan, em São Paulo, Lula afirmou que o sistema financeiro e os empresários nunca haviam ganhado tanto dinheiro quanto em seu governo.</p>
<p>A declaração foi usada pelo presidente para rebater críticas de que sua administração estaria voltada exclusivamente a programas sociais. Ao citar os lucros empresariais, Lula procurou sustentar que políticas de transferência de renda e valorização salarial não impediram a rentabilidade do setor privado.</p>
<p>O relatório divulgado pela Felaban confirma que o sistema bancário obteve forte expansão dos resultados em 2025, durante o terceiro mandato de Lula. Os dados, entretanto, não medem o grau de satisfação dos banqueiros com o governo nem permitem concluir que o setor financeiro apoie determinada <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="332110">política</a> ou candidatura.</p>
<p>A rentabilidade dos bancos depende de um conjunto de fatores que inclui política monetária, qualidade do crédito, regulação, concorrência, eficiência administrativa e decisões próprias de cada instituição.</p>
<p>A Selic, uma das principais variáveis para o setor, é definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, que possui autonomia legal. A política fiscal do governo influencia as expectativas e a curva de juros, mas não determina diretamente a taxa básica.</p>
<p>O resultado de US$ 45,8 bilhões pode ser incorporado ao embate político, mas sua interpretação econômica exige separar o desempenho dos balanços da relação institucional entre o governo e o mercado financeiro.</p>
<h2>Comparação com orçamento da Educação não sustenta valor em dobro</h2>
<p>A dimensão do lucro bancário levou à comparação com o orçamento federal da Educação, mas os dados oficiais não confirmam que os bancos tenham lucrado o equivalente ao dobro dos recursos reservados para a área.</p>
<p>O Orçamento da União de 2026 destinou R$ 233,7 bilhões à Educação. O lucro dos bancos está expresso em dólares e precisa ser convertido para reais antes de qualquer comparação.</p>
<p>Mesmo considerando diferentes taxas de câmbio observadas ao longo do período, os US$ 45,841 bilhões representam um montante próximo ou pouco superior ao orçamento educacional, e não duas vezes maior.</p>
<p>Além da diferença numérica, são grandezas de natureza distinta. O lucro bancário é um resultado contábil obtido por instituições públicas e privadas depois da dedução de despesas, impostos e provisões.</p>
<p>O orçamento da Educação representa autorização para despesas públicas distribuídas entre programas, órgãos, universidades, institutos federais e políticas educacionais. A comparação pode demonstrar a escala do sistema financeiro, mas não deve ser apresentada como equivalência direta.</p>
<h2>Crédito caro e inadimplência deslocam a pressão para 2026</h2>
<p>Embora os números divulgados pela Felaban retratem 2025, os indicadores mais recentes do Banco Central mostram que o ambiente bancário continua desafiador em 2026.</p>
<p>Em maio deste ano, o estoque de crédito do Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 7,3 trilhões, alta de 9,5% em doze meses. O crédito destinado às famílias somou R$ 4,6 trilhões, enquanto as operações com empresas alcançaram R$ 2,7 trilhões.</p>
<p>A taxa média das novas concessões atingiu 33,4% ao ano. No crédito livre, em que as condições são negociadas entre bancos e clientes, a média chegou a 49,5%.</p>
<p>Para as famílias, a taxa média do crédito livre ficou em 62,8% ao ano. Para as empresas, alcançou 25,2%. O spread bancário situou-se em 22,1 pontos percentuais, 1,6 ponto acima do registrado um ano antes.</p>
<p>A inadimplência total chegou a 4,7% em maio, com avanço de um ponto percentual em doze meses. Entre as pessoas físicas, atingiu 5,6%. Nas operações com empresas, ficou em 3,2%.</p>
<p>Esses números mostram que a redução da Selic ainda não se traduziu em alívio amplo para os tomadores. A transmissão da política monetária ocorre de forma gradual e depende, além da taxa básica, do risco de crédito, do custo de captação e da concorrência.</p>
<p>Para os bancos, o desafio será preservar a rentabilidade em um cenário no qual os juros começam a cair, mas os atrasos continuam avançando. A redução da Selic pode pressionar a remuneração de determinados ativos, ao mesmo tempo que tende a estimular novas operações e melhorar a capacidade de pagamento dos clientes.</p>
<p>O recorde registrado em 2025 fortaleceu o capital das instituições e ampliou a margem para distribuição de resultados aos acionistas. A trajetória de 2026, porém, dependerá menos do lucro já contabilizado e mais da velocidade com que o crédito caro e a inadimplência responderão ao novo ciclo monetário.</p>
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		<title>GWM recebe terreno de 1,74 milhão de m² em Aracruz e vai investir R$ 4,6 bilhões em fábrica de 200 mil carros no ES</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alice Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 18:18:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Espírito Santo doou uma área maior que 240 campos de futebol para tirar do papel o maior projeto industrial de sua história recente. A chinesa Great Wall Motors vai erguer em Aracruz, no norte capixaba, sua segunda fábrica no Brasil, num terreno de 1,74 milhão de metros quadrados às margens da ES-257, com investimento [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Espírito Santo doou uma área maior que 240 campos de futebol para tirar do papel o maior projeto industrial de sua história recente. A chinesa Great Wall Motors vai erguer em Aracruz, no norte capixaba, sua segunda fábrica no Brasil, num terreno de 1,74 milhão de metros quadrados às margens da ES-257, com investimento inicial de R$ 4,6 bilhões e capacidade para 200 mil veículos por ano quando estiver em plena operação.</p>
<p>O anúncio foi oficializado em cerimônia realizada em 30 de junho no próprio terreno, em Barra do Riacho, com a presença do governador capixaba Ricardo Ferraço e do CPO global da GWM, Xiangjun Meng. A nova planta integra um plano de investimentos de R$ 10 bilhões da montadora no Brasil ao longo de uma década e muda o eixo logístico e tributário da empresa no país, hoje concentrado em Iracemápolis, no interior de São Paulo.</p>
<p>A operação em Aracruz está prevista para começar em 2029, com capacidade inicial de 100 mil unidades anuais, que deve chegar ao teto de 200 mil a partir de 2030. O primeiro modelo com produção confirmada na unidade capixaba é o Ora 5, SUV compacto elétrico lançado no <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331675">mercado</a> brasileiro em junho por R$ 159 mil. Segundo a companhia, a primeira etapa do projeto vai receber aporte de R$ 4,6 bilhões, dentro do pacote total de R$ 10 bilhões previsto para o país.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">O terreno de 1,74 milhão e a engenharia jurídica da doação</h3>
<p>A área foi declarada de utilidade pública pelo governo estadual em janeiro de 2026 e fica no Parque Industrial de Aracruz, integrada à estrutura do ParklogBR/ES. A Lei estadual nº 12.892, sancionada em 30 de junho de 2026, autoriza o Governo do Espírito Santo a doar a área à Great Wall Motors do Brasil para implantar o complexo automotivo, com destinação para produção, logística, infraestrutura de apoio e futuras ampliações.</p>
<p>O texto aprovado pela Assembleia Legislativa na segunda-feira anterior à cerimônia estabelece contrapartidas clássicas de projetos greenfield: implantação de ciclo completo, metas de emprego e de adensamento local. Não se trata de uma simples linha de montagem. A fábrica de Aracruz será do tipo greenfield, construída a partir de um terreno vazio, e adota o conceito que a GWM chama de multienergia, permitindo que veículos elétricos, híbridos e a combustão sejam montados na mesma linha de produção, sobre uma base industrial comum. Trata-se de um formato ainda inédito no país.</p>
<p>A fábrica ocupará 1,7 milhão de metros quadrados, contra 1,2 milhão de Iracemápolis. Mas o salto relevante está na industrialização. Enquanto a unidade paulista nasceu sem estamparia e com montagem parcial, Aracruz já nasce com estamparia, soldagem, pintura e montagem final. O secretário de Desenvolvimento do estado, Rogério Salume, detalhou que a unidade não será apenas uma linha de montagem final, mas sim uma fábrica de ciclo completo.</p>
<p>Do ponto de vista fiscal, a doação segue o modelo de distritos industriais capixabas: o estado entra com a terra e com a infraestrutura de acesso, a empresa assume licenciamento, terraplanagem, obras e metas de nacionalização. A prefeitura de Aracruz já havia sinalizado a cerimônia de lançamento em 30 de junho como marco institucional, mas o início efetivo das obras ainda depende de sondagens, topografia, licenciamento ambiental e da regularização de parte da área hoje vinculada à Suzano.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Por que Aracruz venceu cinco estados</h3>
<p>A escolha não foi automática. Segundo o governo capixaba, o Espírito Santo disputou o investimento com outros cinco estados e também <a href="https://gazetamercantil.com/privatizacao-telebras-leilao-do-seculo" title="O leilão do século: como a privatização da Telebrás colocou o celular no bolso do brasileiro e redesenhou o país" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="333532">com outros países</a> onde a GWM avalia expansão. Pesaram três fatores que, combinados, mudam a conta logística de uma montadora chinesa no Brasil.</p>
<p>O primeiro é porto. A futura fábrica ficará a cerca de 500 metros do Portocel, terminal especializado em celulose e carga geral, e próxima ao Porto da Imetame. Para uma empresa que ainda importa kits, baterias e componentes eletrônicos, e que pretende exportar para Argentina, México, Chile, Colômbia e Uruguai, a proximidade reduz custo de frete interno e tempo de trânsito. Só no ano passado, mais de 45 mil veículos da marca desembarcaram pelos portos capixabas.</p>
<p>O segundo é rodovia. O terreno fica às margens da ES-257, com conexão direta com a BR-101 e a 83 quilômetros de Vitória. A região de Barra do Riacho pode facilitar o transporte de insumos, veículos e componentes, além de favorecer futuras operações voltadas ao mercado nacional e internacional. A ligação rodoviária e a proximidade portuária foram apontadas pela companhia como decisivas para receber materiais e exportar produtos.</p>
<p>O terceiro é ambiente regulatório. O governo capixaba articula o projeto via Agência de Atração de Investimentos, Nova ES, e promete integração com o Parklog, distrito que já abriga operações da Suzano e cadeia de celulose. O governador Renato Casagrande tem repetido que a aposta é transformar o estado, historicamente dependente de commodities, em plataforma industrial. A montadora confirmou o que já era esperado pelo mercado automotivo e anunciou o lançamento da nova fábrica justamente por avaliar que a posição costeira e a ligação logística permitem escalar exportação.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Ciclo completo e conceito multienergia mudam patamar industrial</h3>
<p>A diferença entre Iracemápolis e Aracruz não é só de tamanho. É de modelo produtivo.</p>
<p>A planta paulista, inaugurada em <a href="https://gazetamercantil.com/bolsa-familia-agosto-2026-calendario-oficial" title="Bolsa Família Agosto 2026: calendário com antecipação confirmada e consulta liberada hoje" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="335890">agosto de 2025 com</a> presença do presidente Lula, foi adquirida da Mercedes-Benz em 2021, tem 94 mil m² de área construída e capacidade inicial de 50 mil veículos por ano. Hoje produz cerca de 40 mil veículos por ano, volume considerado insuficiente para atender à demanda brasileira pelos modelos da marca, segundo o próprio Xiangjun Meng. São cerca de 600 trabalhadores na linha, com previsão de chegar a 1 mil até o fim do ano.</p>
<p>Aracruz nasce quatro vezes maior em capacidade. A nova planta terá capacidade para produzir até 200 mil veículos por ano, volume quatro vezes maior que o da primeira fábrica da GWM no país. A operação paulista produz atualmente cerca de 40 mil veículos por ano, volume considerado insuficiente. Quando atingir o teto, a planta capixaba poderá ter capacidade cinco vezes maior que a atual operação paulista.</p>
<p>Mais importante que volume, o conceito multienergia permite produzir na mesma base um elétrico puro como o Ora 5, um híbrido plug-in como o Haval H6 e, eventualmente, um modelo a combustão flex adaptado ao mercado latino. Para a GWM, que está inscrita no programa Mover, <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331674">política</a> federal que concede incentivo fiscal a quem investe em nacionalização e P&amp;D, isso significa acelerar índice de conteúdo local sem multiplicar linhas. A operação brasileira seguirá o sistema peça a peça, mais complexo que o CKD tradicional, com pintura de 100% dos veículos já no primeiro ano e incorporação de fornecedores nacionais como Basf, Bosch, Continental e Goodyear, 18 dos quais já participam da produção paulista.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">R$ 4,6 bilhões agora, R$ 10 bilhões até 2032: de onde vem o dinheiro</h3>
<p>O número de R$ 4,6 bilhões refere-se apenas à primeira etapa de Aracruz. Ele está dentro de um pacote maior: plano de R$ 10 bilhões em dez anos anunciado pela GWM em 2022, válido até 2032. Desse total, cerca de R$ 4 bilhões já foram aplicados na compra e reativação de Iracemápolis, no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento ao lado da fábrica e no lançamento da marca.</p>
<p>Na etapa seguinte, entre 2027 e 2032, estão programados mais de R$ 6 bilhões adicionais, que devem incluir cadeia de fornecedores, montagem de pacotes de baterias e nacionalização de eletrônica. A GWM confirmou que a fábrica de Iracemápolis recebeu R$ 4 bilhões em aportes e que o novo investimento faz parte da estratégia de expansão internacional da companhia, que inclui consolidar o Brasil como exportadora para a América Latina.</p>
<p>Para o Espírito Santo, a conta não é só privada. O estado entra com doação <a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 05 de agosto, aguarda decisão do Copom com mercado apostando em Selic a 14%" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="337144">de área avaliada em</a> centenas de milhões de reais a preço de mercado, com obras de acesso, energia e qualificação. Em contrapartida, estima arrecadação futura de ICMS sobre veículos, ISS sobre serviços industriais e royalties logísticos. O governo não divulgou renúncia fiscal específica para a GWM, mas o projeto foi enquadrado no Fundap e no Compete-ES, programas que diferem ICMS de importação e concedem incentivos para adensamento industrial.</p>
<p>A escolha do primeiro produto ajuda a explicar o retorno esperado. O Ora 5 chegou às concessionárias no fim de junho por R$ 159 mil, vendeu mais de 2 mil unidades em menos de 24 horas e já subiu para R$ 159.900 na versão única. É um SUV elétrico com motor de 204 cv, bateria de 58,3 kWh e autonomia de 349 km pelo Inmetro, posicionado abaixo do Haval H6 e mirando exatamente a faixa onde BYD Dolphin e os novos híbridos da Toyota disputam volume. Segundo a companhia, o primeiro lote foi vendido em 24 horas após o lançamento, sinal que ajudou a confirmar o modelo como cabeça de linha em Aracruz.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Empregos: da obra ao chão de fábrica</h3>
<p>Os números de emprego foram apresentados em duas camadas pelo governo e pela empresa, o que exige leitura cuidadosa.</p>
<p>Durante a implantação, a expectativa é de geração de 1.500 a 3.500 vagas, segundo o secretário Rogério Salume, concentradas em construção civil, terraplanagem, montagem eletromecânica e infraestrutura. São postos temporários, mas com alta demanda por insumos: estimativa interna fala em 200 mil a 350 mil toneladas de concreto e 15 mil toneladas de aço estrutural na fase de obras.</p>
<p>Na operação plena, o complexo poderá gerar até 10 mil postos de <a class="wpil_keyword_link" title="Trabalho" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331676">trabalho</a> diretos e indiretos, além de criar um novo polo automotivo na região e atrair fornecedores. A montadora estima a criação de 9 mil empregos diretos na região quando operar em dois turnos, com vagas para funções operacionais, técnicos industriais e engenheiros, em um projeto que também prevê formação profissional.</p>
<p>A Federação das Indústrias do Espírito Santo, Findes, avalia que o impacto real será no entorno. Barra do Riacho hoje tem cerca de 6 mil habitantes e depende de Suzano, Portocel e serviços portuários. A chegada de uma montadora com ciclo completo tende a puxar fornecedores de bancos, chicotes, plásticos, vidros e logística, além de demanda por cursos técnicos no Senai local. O risco, comum a greenfields desse porte, é a importação de mão de obra qualificada de fora do estado nos primeiros anos, enquanto a formação local não avança.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">O que muda para o Espírito Santo e para o Brasil automotivo</h3>
<p>Para o Espírito Santo, Aracruz representa a tentativa de diversificação mais ambiciosa desde a instalação da Aracruz Celulose nos anos 1970. O estado, que figura entre os maiores exportadores de celulose, petróleo e rochas ornamentais, tenta há duas décadas emplacar um polo industrial de maior valor agregado. A fábrica da GWM, se confirmada no cronograma de 2029, será a primeira montadora de veículos leves instalada em território capixaba e a segunda grande operação chinesa no estado, depois da BYD que avalia hub logístico em Cariacica.</p>
<p>Para o Brasil automotivo, o movimento confirma uma virada. As montadoras chinesas deixaram de tratar o país como mercado de teste e passaram a enxergar o país como base estratégica de produção. Depois de anos dominado por fabricantes tradicionais, o parque industrial brasileiro começa a ganhar um novo capítulo, agora puxado por novas marcas, como BYD e GWM. Com Iracemápolis operando e Aracruz em obras, a GWM terá capacidade nominal de 250 mil veículos até 2030, patamar que a coloca no mesmo pelotão de Honda e Renault em volume instalado.</p>
<p>O efeito competitivo é imediato. Uma planta de 200 mil unidades com estamparia própria reduz custo fixo por carro, permite nacionalizar chapas e aumenta poder de barganha para localizar baterias. Isso pressiona montadoras instaladas no Sudeste que ainda importam elétricos da China e dependem de incentivos do Mover para fechar a conta. Ao mesmo tempo, fortalece a tese do governo federal de usar o Espírito Santo como corredor exportador para o Mercosul, com veículos embarcados pelo Portocel para Argentina e Uruguai, mercados onde a GWM já estuda rede própria.</p>
<h3 class="mt-6 mb-2 font-semibold text-xl">Riscos, licenciamento e o que observar agora</h3>
<p>O projeto ainda está em fase inicial. As próximas etapas incluem levantamentos topográficos, sondagens, licenciamento ambiental e preparação do terreno. Segundo o governo, a área já foi declarada de utilidade pública, mas parte do terreno ainda depende de desapropriação vinculada à Suzano e de anuência ambiental para supressão e terraplanagem em zona industrial costeira.</p>
<p>Há também a questão do cumprimento de contrapartidas da doação. A Lei 12.892 prevê reversão em caso de não implantação no prazo, mas o texto não detalha multas por atraso de cronograma. Para a <a class="wpil_keyword_link" title="Gazeta Mercantil – Jornal Online" href="https://gazetamercantil.com" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331673">Gazeta Mercantil</a>, o ponto central a monitorar nos próximos 12 meses será a obtenção da Licença Prévia pelo Iema e o início da terraplanagem, previstos para o segundo semestre de 2026, além da assinatura do protocolo de fornecedores locais.</p>
<p>O calendário oficial aponta inauguração em 2029, com ramp-up até 2030. Se mantido, Aracruz entra em operação no mesmo ano em que a BYD promete atingir 300 mil unidades em Camaçari e a Stellantis conclui seu ciclo de R$ 30 bilhões. Para investidores, a mensagem é clara: a disputa industrial no Brasil deixou de ser entre tradicionais e passou a ser entre quem consegue escalar eletrificados com conteúdo local e quem continua importando.</p>
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		<item>
		<title>Simpar (SIMH3) vende CS Porto Aratu por R$ 1,8 bilhão; veja quanto entrará no caixa</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/simpar-simh3-vende-cs-porto-aratu-por-r-18-bilhao</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daniel Wicker]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 16:18:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[Simpar]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://gazetamercantil.com/?p=1522574</guid>

					<description><![CDATA[<p>A Simpar (SIMH3) assinou nesta quinta-feira, 23 de julho, um contrato vinculante com a ICTSI Americas para vender 100% da HSIM Participações e Holding, controladora da CS Porto Aratu, na Bahia. A transação foi anunciada por um valor de empresa de R$ 1,8 bilhão e representa uma nova etapa da estratégia do grupo de desenvolver, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Simpar (SIMH3) assinou nesta quinta-feira, 23 de julho, um contrato vinculante com a ICTSI Americas para vender 100% da HSIM Participações e Holding, controladora da CS Porto Aratu, na Bahia. A transação foi anunciada por um valor de empresa de R$ 1,8 bilhão e representa uma nova etapa da estratégia do grupo de desenvolver, ampliar e posteriormente monetizar ativos de infraestrutura, em um momento de maior disciplina financeira e busca por redução do endividamento.</p>
<p>O valor anunciado, entretanto, não corresponde integralmente a recursos que entrarão no caixa da Simpar. Dos R$ 1,8 bilhão atribuídos à operação, R$ 750 milhões representam o equity value — o valor da participação societária vendida — e aproximadamente R$ 1 bilhão correspondem à dívida líquida da CS Porto Aratu no primeiro trimestre de 2026.</p>
<p>Do equity value, R$ 650 milhões serão pagos na conclusão da transação. Outros R$ 100 milhões poderão ser recebidos em até 18 meses por meio de uma cláusula de earn-out, mecanismo que condiciona parte do preço ao cumprimento de metas ou condições estabelecidas no contrato.</p>
<p>A venda será realizada pela Simpar (SIMH3) e pela CS Brasil Holding e Locação, subsidiária integral do grupo. As <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331712">empresas</a> detêm, respectivamente, 63,27% e 36,73% da HSIM, sociedade que controla os terminais portuários ATU-12 e ATU-18.</p>
<p>O fechamento ainda depende do cumprimento de condições precedentes, entre elas a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a autorização do poder concedente. Até que esses avals sejam obtidos, a CS Porto Aratu continuará integrada à estrutura do grupo.</p>
<h2>Valor de R$ 1,8 bilhão não será integralmente recebido em dinheiro</h2>
<p>A composição financeira é um dos principais pontos para os investidores da Simpar (SIMH3). O chamado enterprise value considera tanto o valor atribuído aos acionistas quanto a dívida líquida vinculada à operação vendida.</p>
<p>Na prática, o pagamento direto aos vendedores está limitado ao equity value de R$ 750 milhões. A parcela inicial de R$ 650 milhões será desembolsada no fechamento, enquanto os R$ 100 milhões restantes estarão sujeitos ao earn-out. A dívida líquida de aproximadamente R$ 1 bilhão integra o valor econômico da companhia, mas não representa pagamento em dinheiro aos acionistas da HSIM.</p>
<p>A transferência ou desconsolidação dessa dívida, após a conclusão do negócio, poderá contribuir para a redução do endividamento consolidado da Simpar (SIMH3). O efeito exato sobre os indicadores financeiros dependerá da estrutura final da operação, dos ajustes previstos no contrato e da destinação dos recursos recebidos.</p>
<p>A transação ganha relevância porque a estrutura de capital do conglomerado permanece no centro da avaliação do <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331710">mercado</a>. A Simpar reúne empresas intensivas em capital, como JSL (JSLG3), Movida (MOVI3), Vamos (VAMO3), Automob e CS Brasil, cujas operações exigem investimentos recorrentes em veículos, equipamentos, infraestrutura e capital de giro.</p>
<p>Mesmo com avanço operacional, despesas financeiras elevadas podem pressionar o resultado líquido em ambientes de juros altos. Por isso, operações capazes de gerar caixa, transferir dívida e reduzir a necessidade de novos investimentos tendem a receber atenção especial dos acionistas.</p>
<p>A Simpar (SIMH3) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com alavancagem de 2,8 vezes, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, ante 3,6 vezes no mesmo período do ano anterior. Segundo a companhia, esse foi o menor patamar do indicador em 15 anos.</p>
<p>A melhora da alavancagem ocorreu apesar do prejuízo líquido consolidado de R$ 179,6 milhões registrado entre janeiro e março, superior à perda de R$ 51 milhões apurada um ano antes. O resultado mostra que crescimento operacional e lucro líquido podem seguir trajetórias diferentes quando despesas financeiras, impostos e efeitos contábeis ganham peso.</p>
<h2>Simpar transformou ativo antes de decidir pela venda</h2>
<p>A CS Porto Aratu opera os terminais ATU-12 e ATU-18 no Porto de Aratu, na Bahia. A estrutura é dedicada à movimentação e ao armazenamento de granéis sólidos, incluindo fertilizantes, minérios e produtos agrícolas.</p>
<p>Nos últimos quatro anos, a Simpar (SIMH3) destinou aproximadamente R$ 900 milhões à expansão e à modernização da operação. Os investimentos incluíram a construção do terminal ATU-18, a modernização do ATU-12, obras de dragagem, aquisição de equipamentos e ampliação da capacidade de armazenagem para 270 mil toneladas.</p>
<p>A capacidade potencial de movimentação foi multiplicada por cinco e chegou a 9,5 milhões de toneladas por ano. O terminal também foi preparado para operar navios da classe Panamax e poderá evoluir para receber embarcações Post-Panamax, de maior porte.</p>
<p>A localização permite atender ao corredor agrícola do Matopiba, formado por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A região ganhou importância na produção brasileira de grãos e depende de investimentos em ferrovias, rodovias, armazenagem e terminais portuários para ampliar a competitividade das exportações.</p>
<p>A infraestrutura portuária é especialmente relevante para cargas de baixo valor agregado por tonelada, nas quais o custo logístico pode definir a rentabilidade do produtor. A ampliação do Porto de Aratu criou uma alternativa para o transporte de fertilizantes importados e para o escoamento de commodities agrícolas e minerais.</p>
<p>A Simpar (SIMH3) informou ter empregado R$ 128 milhões de capital próprio na CS Porto Aratu. Com base no equity value negociado, a companhia calcula um múltiplo sobre o capital investido de 5,8 vezes, em um prazo médio de 3,6 anos.</p>
<p>Esse indicador compara o valor obtido com o capital próprio aplicado, mas não deve ser confundido com o volume total de investimentos realizados na operação. Os R$ 900 milhões destinados à modernização incluem recursos financiados e outras fontes, enquanto os R$ 128 milhões correspondem ao capital próprio informado pelo grupo.</p>
<h2>ICTSI amplia presença em infraestrutura portuária</h2>
<p>A compradora é a ICTSI Americas, subsidiária da International Container Terminal Services, operadora portuária global com sede nas Filipinas. A companhia administra terminais em diferentes regiões e atua na movimentação de contêineres e outras cargas.</p>
<p>Com a aquisição, a ICTSI passará a controlar uma operação voltada a granéis sólidos e posicionada em uma área estratégica da logística brasileira. O negócio amplia a exposição do grupo ao fluxo de produtos agrícolas, fertilizantes e minérios.</p>
<p>A entrada de uma operadora internacional também pode abrir espaço para novos investimentos e ganhos de produtividade. A continuidade da expansão, contudo, dependerá da estratégia da compradora, das condições dos contratos de arrendamento e das autorizações do poder concedente.</p>
<p>A operação deverá ser examinada pelo Cade sob a perspectiva concorrencial. O órgão avaliará se a aquisição pode gerar concentração capaz de afetar a competição nos mercados relevantes de serviços portuários e movimentação de cargas.</p>
<p>A necessidade de autorização do poder concedente decorre da natureza dos terminais portuários e dos contratos que regulam sua exploração. Mudanças de controle em ativos de infraestrutura normalmente exigem análise das autoridades responsáveis para verificar o cumprimento das obrigações contratuais e regulatórias.</p>
<p>Enquanto as condições não forem cumpridas, a venda não produzirá todos os seus efeitos financeiros e societários. Também não há garantia de pagamento integral do earn-out, já que a parcela dependerá dos critérios estabelecidos entre as partes.</p>
<h2>Venda reforça mudança na alocação de capital da Simpar</h2>
<p>A negociação da CS Porto Aratu faz parte de um movimento mais amplo da Simpar (SIMH3) para monetizar ativos depois de ciclos de expansão e modernização.</p>
<p>O grupo afirmou que os valores de empresa combinados da CS Porto Aratu, da Ciclus Rio e da Ciclus Amazônia alcançaram R$ 3,9 bilhões. Segundo os cálculos divulgados pela administração, os três <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331711">negócios</a> geraram taxa interna de retorno média de 36% ao ano e múltiplo de 2,9 vezes sobre o capital investido, em um prazo médio de 3,3 anos.</p>
<p>Os números são apresentados pela própria companhia e refletem os critérios adotados pela Simpar para medir o retorno dos projetos. Para os investidores, a avaliação também deve considerar o custo de capital, o nível de dívida assumido, os investimentos adicionais realizados e o momento em que os recursos serão efetivamente recebidos.</p>
<p>A venda da CS Porto Aratu ocorre depois de um período de crescimento acelerado do conglomerado, marcado por aquisições e entrada em novos segmentos. O avanço ampliou a escala do grupo, mas também elevou a necessidade de financiamento em um cenário de juros elevados.</p>
<p>A partir de 2025, a Simpar intensificou iniciativas destinadas a fortalecer o balanço. Entre elas estiveram a venda da Ciclus Rio e um aumento de capital de R$ 2,9 bilhões, com participação da BNDESPar. A alienação do ativo portuário dá continuidade a essa orientação de gerar caixa e reduzir a pressão financeira.</p>
<p>O impacto sobre a dívida dependerá do fechamento e da forma como os recursos serão utilizados. Caso o dinheiro seja direcionado prioritariamente à amortização de passivos, a operação poderá reduzir despesas financeiras e melhorar a capacidade de investimento das demais empresas do grupo.</p>
<p>Se parte do valor for destinada a novos projetos ou reforço de capital das controladas, o efeito sobre a alavancagem poderá ser mais gradual. A administração ainda terá de demonstrar como a transação se encaixa na distribuição de recursos entre as empresas do conglomerado.</p>
<h2>Resultado operacional cresce, mas lucro segue pressionado</h2>
<p>No primeiro trimestre de 2026, a Simpar (SIMH3) registrou receita líquida consolidada de aproximadamente R$ 11,08 bilhões, crescimento de 6,1% em relação ao mesmo período de 2025.</p>
<p>O Ebitda ajustado atingiu R$ 3,22 bilhões, avanço anual de 14,3%. O indicador demonstra expansão da geração operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização.</p>
<p>O prejuízo líquido de R$ 179,6 milhões, entretanto, mostrou que o desempenho operacional ainda não foi integralmente convertido em lucro para os acionistas. A diferença entre Ebitda e resultado líquido mantém o custo da dívida como uma variável relevante na análise da Simpar (SIMH3).</p>
<p>A venda da CS Porto Aratu deve ser observada dentro desse contexto. Mais do que a saída de um ativo, a transação poderá representar transferência de dívida, entrada de caixa e menor necessidade de capital para sustentar a próxima fase de expansão do terminal.</p>
<p>A companhia divulgará o balanço do segundo trimestre em 14 de agosto. O resultado deverá trazer dados atualizados sobre receita, Ebitda, lucro, dívida, custo financeiro e desempenho das controladas.</p>
<p>Como o contrato de venda foi assinado após o encerramento do segundo trimestre, o impacto contábil integral da operação não deverá aparecer nos números referentes ao período de abril a junho. A companhia poderá, contudo, detalhar a estratégia de desalavancagem e os efeitos esperados durante a apresentação aos investidores.</p>
<h2>Aprovações definirão quando venda afetará o balanço</h2>
<p>A assinatura do contrato não encerra a operação. O reconhecimento contábil da venda, a entrada dos R$ 650 milhões e a retirada da dívida da CS Porto Aratu do balanço dependerão do fechamento efetivo do negócio.</p>
<p>O Cade e o poder concedente ainda precisam se manifestar. Também poderão existir ajustes de preço, obrigações operacionais e condições contratuais a serem cumpridas antes da transferência do controle.</p>
<p>Até lá, a Simpar (SIMH3) continuará exposta ao desempenho e às obrigações da operação portuária. O mercado acompanhará o avanço das aprovações e a destinação dos recursos para medir quanto da venda será convertido em redução de dívida e menor despesa financeira.</p>
<p>A transação mostra que o grupo está disposto a vender ativos maduros depois de investir em expansão e eficiência. O resultado para os acionistas dependerá da conclusão do negócio, do recebimento da parcela condicionada e, sobretudo, da disciplina na utilização do capital liberado.</p>
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		<item>
		<title>Brasil despenca 22 posições em ranking global da indústria e cai ao 69º lugar</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/brasil-cai-ranking-global-industria-69-posicao</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jul 2026 01:49:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[bens de capital]]></category>
		<category><![CDATA[competitividade]]></category>
		<category><![CDATA[Iedi]]></category>
		<category><![CDATA[indústria brasileira]]></category>
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		<category><![CDATA[ranking industrial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Brasil caiu 22 posições no ranking mundial de crescimento da indústria de transformação e terminou o primeiro trimestre de 2026 na 69ª colocação entre 90 países. A produção manufatureira brasileira recuou 0,1% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto a atividade industrial global avançou 3,1%, segundo levantamento do Instituto de Estudos para o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil caiu 22 posições no ranking mundial de crescimento da indústria de transformação e terminou o primeiro trimestre de 2026 na 69ª colocação entre 90 países. A produção manufatureira brasileira recuou 0,1% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto a atividade industrial global avançou 3,1%, segundo levantamento do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial com dados harmonizados da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial.</p>
<p>O resultado mantém o país no terço inferior da classificação e aprofunda uma perda de dinamismo iniciada após a expansão registrada em 2024. No primeiro trimestre daquele ano, o Brasil ocupava a 33ª posição. Um ano depois, havia recuado ao 47º lugar. Agora, aparece atrás de 68 das 90 economias consideradas no levantamento.</p>
<p>A reação de 1,5% em relação ao quarto trimestre de 2025, já descontados os efeitos sazonais, evitou uma colocação ainda pior. O avanço trimestral brasileiro superou a média mundial de 1,2%, mas ocorreu depois de uma sequência de resultados negativos e não foi suficiente para recuperar a produção perdida ao longo do ano passado.</p>
<p>O ranking mede o ritmo de expansão da produção, e não o tamanho dos parques industriais. A 69ª posição, portanto, não significa que o Brasil tenha a 69ª maior indústria do mundo. O dado mostra que, no período analisado, a manufatura brasileira cresceu menos — ou recuou mais — do que a maioria das economias com informações comparáveis.</p>
<h2>Indústria mundial acelera enquanto Brasil permanece estagnado</h2>
<p>A produção manufatureira global ganhou velocidade no começo de 2026. Depois de crescer apenas 0,27% no último trimestre de 2025, avançou 1,2% entre janeiro e março. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a expansão chegou a 3,1%.</p>
<p>O desempenho ocorreu apesar das tensões geopolíticas no Oriente Médio, das disputas comerciais e das pressões inflacionárias que continuam afetando cadeias de suprimento e decisões de investimento. A atividade manufatureira mundial mantém taxas trimestrais positivas desde o início de 2023.</p>
<p>A Ásia e o Pacífico lideraram o crescimento, com avanço de 2% ante o trimestre anterior. Sem a China, a região cresceu 2,2%. A produção chinesa aumentou 1,8%, enquanto países como Coreia do Sul, Índia, Japão, Taiwan e Vietnã apresentaram taxas superiores à média mundial.</p>
<p>Na América Latina e no Caribe, o crescimento foi bem mais modesto, de 0,25% na margem. Em relação ao primeiro trimestre de 2025, a produção regional ainda estava 0,4% menor.</p>
<p>Brasil e México, as duas maiores indústrias da região, seguiram direções diferentes na comparação trimestral. A manufatura brasileira avançou 1,5% sobre o fim de 2025, enquanto a mexicana recuou 0,7%. A Argentina ficou praticamente estável; Colômbia e Peru cresceram, e Chile e Costa Rica apresentaram contrações relevantes.</p>
<p>A recuperação brasileira na margem, porém, partiu de uma base deprimida. No quarto trimestre de 2025, a indústria de transformação havia recuado 1,8% na comparação anual, levando o país à 72ª posição em uma classificação formada por 83 economias.</p>
<h2>Selic elevada alcança consumo, crédito e investimento</h2>
<p>A trajetória dos juros ajuda a explicar a perda de posições. A taxa Selic passou de 10,50% ao ano em meados de 2024 para 15% em junho de 2025 e permaneceu nesse patamar até janeiro de 2026. Mesmo após o início do ciclo de redução, a taxa básica estava em 14,25% ao ano em julho.</p>
<p>O impacto chega à indústria por diferentes canais. O crédito mais caro reduz a demanda por automóveis, eletrodomésticos, máquinas e outros bens cujo consumo depende de financiamento. Ao mesmo tempo, eleva o custo do capital de giro e diminui a atratividade de projetos industriais de longo prazo.</p>
<p><a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331654">Empresas</a> que precisam renovar equipamentos passam a comparar o retorno esperado do investimento produtivo com a remuneração oferecida por aplicações financeiras de menor risco. Quando a taxa real de juros permanece elevada, amplia-se o número de projetos adiados, reduzidos ou retirados dos planos de investimento.</p>
<p>O efeito não é imediato. Decisões de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank"  rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331653">política</a> monetária chegam à produção industrial com defasagem, porque contratos, encomendas, estoques e planos de expansão não mudam de uma semana para outra. Por isso, os cortes iniciados em 2026 ainda não foram suficientes para reativar de forma ampla o investimento produtivo.</p>
<p>O ambiente também é afetado pelo endividamento das famílias. Comprometimento maior da renda com parcelas e juros limita a capacidade de consumo, especialmente nos segmentos de bens duráveis, que têm elevado encadeamento industrial.</p>
<h2>Máquinas e equipamentos expõem fraqueza do investimento</h2>
<p>A composição da produção mostra que a estagnação não foi homogênea. De acordo com o Iedi, a indústria de transformação ficou estável no primeiro trimestre quando comparada ao mesmo período de 2025, mas os setores mais ligados ao investimento apresentaram retrações expressivas.</p>
<p>A produção de máquinas e equipamentos caiu 9,4%. Máquinas, aparelhos e materiais elétricos recuaram 2,2%, enquanto a indústria química teve queda de 2,5%.</p>
<p>Esses segmentos integram o grupo de média-alta intensidade tecnológica, cuja produção diminuiu 1,6% no primeiro trimestre. O desempenho reforça a leitura de que o investimento empresarial permanece como uma das partes mais frágeis da atividade industrial.</p>
<p>A fabricação de bens de capital perdeu força ao longo do trimestre. Depois de crescer perto de 3% em janeiro e fevereiro, apresentou avanço de apenas 0,6% em março, na série com ajuste sazonal.</p>
<p>Bens de capital incluem máquinas, equipamentos e instalações utilizados para produzir outros bens e serviços. Uma queda persistente nessa categoria pode limitar a expansão futura da capacidade produtiva, a modernização das fábricas e os ganhos de produtividade.</p>
<p>A indústria automobilística apresentou comportamento mais favorável, com crescimento de 2,2% no primeiro trimestre. O resultado, entretanto, não foi suficiente para compensar as perdas dos demais ramos de média-alta tecnologia.</p>
<h2>Farmacêuticas sustentam alta tecnologia, mas peso é reduzido</h2>
<p>A indústria de alta intensidade tecnológica registrou crescimento de 4,9% sobre o primeiro trimestre de 2025, o melhor desempenho entre os grupos analisados pelo Iedi.</p>
<p>O avanço foi concentrado na fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, cuja produção aumentou 14,3%. A expansão do segmento compensou perdas em outras atividades classificadas como de alta tecnologia.</p>
<p>O complexo eletrônico recuou 2,1%, pressionado pelas quedas de 5,6% na fabricação de material de escritório e informática e de 5,2% em instrumentos médicos, ópticos e de precisão. O ramo aeronáutico também apresentou retração de 5,2%.</p>
<p>A concentração reduz o alcance da melhora. A alta tecnologia responde por aproximadamente 6% da indústria de transformação brasileira, participação insuficiente para alterar sozinha o resultado agregado.</p>
<p>No cenário mundial, a situação foi diferente. Os segmentos de média-alta e alta tecnologia avançaram 1,9% na comparação trimestral e 5,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025.</p>
<p>A produção global de computadores e eletrônicos aumentou 4,1% em apenas três meses e mais de 13% em um ano. A expansão está ligada aos investimentos em inteligência artificial, infraestrutura de dados, semicondutores e modernização tecnológica.</p>
<p>A diferença de composição ajuda a explicar parte da distância entre o Brasil e os países que lideram o ranking. Economias com maior participação de eletrônicos, equipamentos digitais e tecnologias avançadas capturaram com mais intensidade o ciclo internacional de investimentos.</p>
<h2>Alimentos e derivados de petróleo impedem queda maior</h2>
<p>Na outra ponta, os setores de média-baixa intensidade tecnológica tiveram papel decisivo para evitar uma contração mais profunda da indústria brasileira.</p>
<p>A produção desse grupo avançou 0,3% no primeiro trimestre, sustentada principalmente pelas indústrias de alimentos, bebidas e fumo, que cresceram 2,6%, e pela fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, com alta de 2,1%.</p>
<p>O resultado mostra uma indústria apoiada em atividades tradicionais e com forte ligação com recursos naturais, consumo básico e commodities. Esses segmentos respondem por pouco mais da metade da indústria de transformação e, por isso, exercem influência maior sobre o índice agregado.</p>
<p>Outras áreas do mesmo grupo permaneceram no campo negativo. A fabricação de produtos de madeira, papel e celulose recuou 3,3%. Têxteis, vestuário, couro e calçados tiveram queda de 5,7%, enquanto produtos de metal diminuíram 4%.</p>
<p>Na faixa de média intensidade tecnológica, a produção cresceu apenas 0,1%. A metalurgia recuou 1,1%, e produtos de minerais não metálicos caíram 1%.</p>
<p>A composição revela que a melhora trimestral de 1,5% não representou uma recuperação disseminada. O avanço ficou concentrado em poucos setores, enquanto ramos diretamente ligados à modernização produtiva, ao investimento e à demanda por bens duráveis continuaram sob pressão.</p>
<h2>Metodologias explicam diferenças entre Unido e IBGE</h2>
<p>Os números da Unido e do Iedi podem apresentar pequenas diferenças em relação à Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.</p>
<p>A Unido utiliza séries harmonizadas e ajustadas sazonalmente para permitir a comparação direta entre países. A base internacional reúne índices de produção industrial fornecidos por instituições nacionais e complementados, quando necessário, por estimativas estatísticas.</p>
<p>O relatório global do primeiro trimestre utiliza informações de aproximadamente 135 países, responsáveis por 98,6% do valor adicionado manufatureiro mundial. O ranking elaborado pelo Iedi considera o conjunto menor de economias que apresentam dados completos e comparáveis para o período analisado.</p>
<p>Pela pesquisa do IBGE, a indústria geral brasileira cresceu 1,3% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. Esse resultado foi puxado pela indústria extrativa, que avançou 8,7%.</p>
<p>A indústria de transformação ficou estável nessa mesma comparação. Nos 12 meses encerrados em março, apresentou queda de 0,8%.</p>
<p>A diferença reforça a necessidade de separar indústria geral e indústria de transformação. Mineração e extração de petróleo podem elevar o resultado industrial total, mesmo quando a atividade manufatureira permanece parada ou em retração.</p>
<h2>Posição à frente da Alemanha não indica vantagem industrial</h2>
<p>Mesmo na parte inferior do ranking, o Brasil ficou à frente de alguns parques industriais tradicionais que também atravessaram dificuldades.</p>
<p>A Alemanha registrou queda de aproximadamente 1% na comparação trimestral. A produção manufatureira europeia recuou 0,72% na margem e 1,2% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.</p>
<p>O desempenho inferior de economias avançadas não significa que o Brasil tenha alcançado maior competitividade ou capacidade tecnológica. O ranking mede apenas a velocidade de crescimento em determinado intervalo.</p>
<p>Países com indústrias maduras podem apresentar retrações conjunturais e, ainda assim, manter produtividade, tecnologia, escala exportadora e renda industrial muito superiores às brasileiras.</p>
<p>A comparação ganha significado quando observada ao longo de vários períodos. Em 2024, o Brasil ficou na 24ª posição no ranking anual do Iedi. Em 2025, caiu para o 64º lugar entre 83 economias, pior desempenho desde 2022.</p>
<p>No primeiro trimestre de 2026, a queda ao 69º lugar confirma que a expansão registrada em 2024 não se transformou em uma trajetória contínua de crescimento.</p>
<h2>Resultado pressiona margens, emprego e competitividade</h2>
<p>Para as empresas, uma indústria estagnada reduz a capacidade de diluir custos fixos e limita ganhos de escala. Companhias com fábricas operando abaixo da capacidade também ficam mais expostas à concorrência de produtos importados.</p>
<p>O efeito varia entre os setores. Exportadores de alimentos, celulose, petróleo e alguns produtos minerais podem compensar a fraqueza doméstica com vendas externas. Fabricantes de máquinas, equipamentos, eletrônicos, produtos de metal e bens duráveis dependem mais do investimento e do crédito interno.</p>
<p>A perda de dinamismo também limita a criação de empregos industriais. A manufatura costuma pagar salários superiores à média de vários serviços de menor produtividade e mantém cadeias extensas de fornecedores, transportadores e prestadores especializados.</p>
<p>No comércio exterior, a fragilidade aparece na dependência de bens tecnológicos importados. O Brasil mantém déficit em produtos de alta intensidade tecnológica, embora as exportações do setor tenham avançado no início de 2026, principalmente com o desempenho da indústria aeronáutica.</p>
<p>A reversão da queda no ranking dependerá de uma recuperação mais disseminada. A redução dos juros pode reativar gradualmente o crédito e os investimentos, mas não elimina entraves relacionados a produtividade, infraestrutura, tributação, qualificação profissional e integração tecnológica.</p>
<p>A reforma tributária sobre o consumo poderá reduzir a cumulatividade de impostos e melhorar a organização das cadeias produtivas, mas seus efeitos serão graduais. O acordo entre Mercosul e União Europeia também pode ampliar mercados, ao mesmo tempo que aumentará a concorrência sobre setores brasileiros menos produtivos.</p>
<h2>Juros e bens de capital definirão reação da indústria brasileira</h2>
<p>Os próximos resultados mostrarão se o avanço de 1,5% sobre o fim de 2025 foi o início de uma recuperação ou apenas uma correção depois das perdas acumuladas.</p>
<p>O principal sinal virá dos bens de capital. Uma recuperação de máquinas e equipamentos indicaria retomada do investimento e maior confiança das empresas na demanda futura. A continuidade das quedas apontaria para capacidade produtiva ociosa e adiamento de projetos.</p>
<p>A trajetória da Selic também será determinante. Embora o Banco Central tenha iniciado a redução da taxa, o custo do crédito permanece elevado e seus efeitos continuarão alcançando a indústria ao longo dos próximos trimestres.</p>
<p>O Brasil entrou em 2026 com uma reação estatística na margem, mas ainda distante do crescimento observado nas economias industriais mais dinâmicas. A 69ª posição mostra que o desafio não é apenas recuperar a produção perdida, mas mudar sua composição e aproximá-la dos segmentos tecnológicos que lideram a expansão mundial.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Embraer (EMBJ3) revela jato que pousa sozinho e reforça sua maior aposta na aviação executiva</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/embraer-embj3-phenom-300ev-pouso-automatico</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Luiza Farias]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 15:19:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Embraer (EMBJ3) apresentou uma nova geração do Phenom 300, jato executivo que se tornou um dos produtos mais bem-sucedidos da fabricante brasileira no mercado internacional. Batizado de Phenom 300EV, o avião será capaz de realizar um pouso automático em situações de emergência, terá maior alcance e receberá uma atualização ampla nos sistemas de segurança, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Embraer (EMBJ3) apresentou uma nova geração do Phenom 300, jato executivo que se tornou um dos produtos mais bem-sucedidos da fabricante brasileira no mercado internacional. Batizado de Phenom 300EV, o avião será capaz de realizar um pouso automático em situações de emergência, terá maior alcance e receberá uma atualização ampla nos sistemas de segurança, aviônica e conectividade.</p>
<p>As primeiras entregas estão previstas para 2028. Até lá, a companhia precisará concluir o desenvolvimento, os ensaios em voo, a integração dos fornecedores e as certificações exigidas pelas autoridades aeronáuticas.</p>
<p>O novo modelo preserva a estrutura de uma família que lidera há 14 anos consecutivos as vendas mundiais de jatos executivos leves. <a href="https://gazetamercantil.com/privatizacao-telebras-leilao-do-seculo" title="O leilão do século: como a privatização da Telebrás colocou o celular no bolso do brasileiro e redesenhou o país" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="333522">e</a>m vez de iniciar um programa totalmente novo, a Embraer optou por aperfeiçoar uma plataforma com base instalada superior a 900 aeronaves e presença em aproximadamente 70 países.</p>
<p>A estratégia reduz parte dos riscos industriais de um desenvolvimento do zero e permite à empresa prolongar o ciclo comercial de um avião já conhecido por operadores, pilotos, centros de manutenção e compradores corporativos.</p>
<h2>Jato poderá assumir o voo e escolher onde pousar</h2>
<p>A principal novidade do Phenom 300EV será o Garmin Emergency Autoland, sistema concebido para assumir o controle caso o piloto fique incapacitado.</p>
<p>Depois de acionado, o equipamento analisa a posição da aeronave, o combustível disponível, as condições meteorológicas, o relevo e os aeroportos ao alcance. O sistema seleciona uma pista adequada, organiza a aproximação, comunica a emergência ao controle de tráfego aéreo e realiza o pouso.</p>
<p>A automação também controla a desaceleração após o toque na pista e pode desligar os motores ao fim do procedimento. Durante a operação, orientações são apresentadas aos passageiros por meio dos sistemas da cabine.</p>
<p>O recurso não transforma o Phenom 300EV em uma aeronave autônoma para voos regulares. O avião continuará dependendo de piloto habilitado. A tecnologia será utilizada como uma camada adicional de segurança para circunstâncias excepcionais.</p>
<p>Essa capacidade ganha relevância porque o Phenom 300 foi projetado para ser operado por apenas um piloto. Na ausência de um segundo comandante, uma incapacitação médica representa um risco maior do que em aeronaves com dois profissionais na cabine.</p>
<p>Segundo a Embraer, o Phenom 300EV será o maior jato executivo a incorporar o sistema de pouso automático de emergência da Garmin.</p>
<h2>Alcance chega a 3.806 quilômetros</h2>
<p>O novo modelo terá alcance máximo de 2.055 milhas náuticas, equivalentes a aproximadamente 3.806 quilômetros, considerando as reservas operacionais utilizadas como referência pela indústria.</p>
<p>A distância amplia as possibilidades de voos sem escalas e reforça a posição do avião entre os modelos leves utilizados por <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank"  rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331504">empresas</a>, companhias de táxi-aéreo, programas de compartilhamento e proprietários individuais.</p>
<p>A velocidade máxima será de Mach 0,80. A Embraer também prevê aumento de aproximadamente 430 libras, ou cerca de 195 quilos, na capacidade máxima de carga útil.</p>
<p>O ganho oferece maior flexibilidade para acomodar passageiros, bagagens e equipamentos sem comprometer tanto a autonomia. Em jatos executivos, a relação entre combustível e carga é decisiva: quanto mais peso transportado na cabine ou no bagageiro, menor pode ser a distância alcançada em determinadas condições.</p>
<p>A fabricante afirma que o Phenom 300EV terá a maior capacidade máxima de carga de sua categoria.</p>
<h2>Cabine de comando recebe nova geração de aviônicos</h2>
<p>O cockpit será equipado com o sistema Garmin G3000 Prodigy Touch, operado por telas sensíveis ao toque e integrado aos demais recursos de navegação e segurança.</p>
<p>O pacote inclui autothrottle, tecnologia que ajusta automaticamente a potência dos motores conforme a fase do voo e os parâmetros selecionados pelo piloto. O recurso reduz a quantidade de comandos manuais e ajuda a manter velocidade e desempenho dentro das margens previstas.</p>
<p>O modelo também terá autobrake, sistema de frenagem automática destinado a oferecer desaceleração mais uniforme durante pousos e em situações de decolagem interrompida.</p>
<p>A aeronave manterá o Runway Overrun Awareness and Alerting System, tecnologia desenvolvida para identificar quando o avião corre risco de não conseguir parar dentro da pista disponível.</p>
<p>O conjunto ainda inclui modo automático de descida de emergência, controle eletrônico do leme, novas luzes externas em LED e baterias de íons de lítio.</p>
<p>As mudanças indicam que a Embraer escolheu segurança e facilidade operacional como os principais argumentos da atualização. Em um segmento no qual muitos aviões podem ser comandados por um único piloto, reduzir a carga de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331506">trabalho</a> na cabine representa um diferencial comercial importante.</p>
<h2>Internet a bordo acompanha novas exigências dos clientes</h2>
<p>O Phenom 300EV sairá preparado para utilizar conectividade por satélites de baixa órbita por meio do sistema Gogo Galileo.</p>
<p>A solução foi desenvolvida para oferecer maior velocidade e menor tempo de resposta em comparação com tecnologias baseadas em satélites mais distantes da Terra.</p>
<p>A Embraer também prevê a possibilidade de instalação futura da Starlink mediante certificação suplementar. A adoção dependerá da homologação do conjunto específico para a aeronave.</p>
<p>A conectividade deixou de ser apenas um item de conforto na aviação executiva. Empresas e proprietários passaram a exigir acesso estável a videoconferências, serviços corporativos, plataformas de comunicação e transmissão de conteúdo durante o voo.</p>
<p>Para a fabricante, oferecer diferentes alternativas de internet ajuda a manter o avião competitivo durante um ciclo comercial que pode se estender por vários anos.</p>
<h2>Phenom 300 sustenta liderança mundial</h2>
<p>A nova versão parte de uma posição consolidada. A família Phenom 300 encerrou 2025 como o jato leve mais entregue do mundo pelo 14º ano consecutivo.</p>
<p>O modelo também foi o avião bimotor a jato com maior número de entregas pelo sexto ano seguido. A Embraer entregou 72 unidades da família em 2025, o maior volume anual registrado pelo programa durante a década.</p>
<p>A frota acumulava mais de 2,9 milhões de horas de voo. A base instalada superior a 900 unidades proporciona à companhia receitas que vão além da venda inicial, incluindo peças, manutenção, treinamento, modificações e suporte técnico.</p>
<p>Esse efeito é relevante para a estratégia da Embraer. Quanto maior o número de aeronaves em operação, maior tende a ser a demanda de longo prazo por serviços associados ao produto.</p>
<p>A liderança, entretanto, também exige atualizações constantes. Concorrentes podem responder com novos modelos, ampliação de alcance, mudanças de cabine ou tecnologias adicionais de automação.</p>
<p>O Phenom 300EV surge como uma defesa dessa posição antes que a plataforma atual perca competitividade tecnológica.</p>
<h2>Aviação executiva acelera entregas</h2>
<p>O lançamento ocorre em um momento de crescimento da divisão de jatos executivos da Embraer.</p>
<p>A companhia entregou 45 aeronaves executivas no segundo trimestre de 2026, alta de 55% em relação às 29 unidades entregues nos três primeiros meses do ano. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o avanço foi de 18%.</p>
<p>Somadas às áreas comercial, executiva e de defesa, as entregas da Embraer chegaram a 65 aeronaves no segundo trimestre, o melhor resultado para o período em 16 anos.</p>
<p>No primeiro semestre, a fabricante entregou 109 aviões, crescimento aproximado de 20% sobre as 91 unidades registradas no mesmo intervalo de 2025.</p>
<p>Os números mostram uma melhora no ritmo de produção após anos em que a indústria aeroespacial enfrentou dificuldades com componentes, motores, mão de obra especializada e cadeias internacionais de suprimentos.</p>
<p>Para a Embraer, elevar as entregas é essencial porque uma parcela relevante da receita é reconhecida quando a aeronave é transferida ao cliente.</p>
<h2>EMBJ3 depende de mais que um novo produto</h2>
<p>O Phenom 300EV amplia o valor do portfólio, mas seu efeito financeiro não será imediato. As primeiras entregas estão programadas para 2028, o que deixa a execução industrial e regulatória no centro da análise.</p>
<p>A empresa precisará administrar a produção do Phenom 300E atual enquanto prepara a transição para a nova versão. Uma substituição mal coordenada poderia fazer clientes adiarem compras à espera do modelo atualizado.</p>
<p>Ao mesmo tempo, manter o avião atual atraente será necessário para evitar uma perda de ritmo antes do início das entregas do Phenom 300EV.</p>
<p>A contribuição do lançamento para as ações EMBJ3 dependerá da quantidade de encomendas, dos preços negociados, das margens, do custo de desenvolvimento e da capacidade da empresa de cumprir o cronograma.</p>
<p>A Embraer também opera em aviação comercial, defesa e segurança, serviços e suporte e aviação agrícola. O desempenho financeiro da companhia resulta da combinação dessas atividades, e não de um único programa.</p>
<p>No primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou receita recorde de US$ 1,4 bilhão para o período, avanço de 31% em um ano. A carteira total de pedidos alcançou US$ 32,1 bilhões, o sexto recorde consecutivo informado pela companhia.</p>
<p>Esse volume oferece visibilidade de produção, mas também aumenta a exigência sobre fábricas e fornecedores. A conversão da carteira em receita depende da entrega efetiva das aeronaves.</p>
<h2>Evolução reduz risco de um projeto totalmente novo</h2>
<p>A escolha da sigla EV, abreviação de “evolution”, traduz a lógica do programa. A Embraer não pretende romper com o Phenom 300, mas preservar suas características e acrescentar melhorias capazes de sustentar novas vendas.</p>
<p>A evolução de uma plataforma consolidada costuma exigir menos capital e apresentar risco menor que o desenvolvimento integral de um avião. Estrutura industrial, fornecedores, processos de montagem e conhecimento de engenharia podem ser reaproveitados.</p>
<p>Operadores também enfrentam uma transição mais simples. Pilotos, equipes de manutenção e centros de serviço já conhecem a família, ainda que a nova versão exija treinamentos e procedimentos adicionais.</p>
<p>Essa continuidade pode ajudar a proteger o valor residual das aeronaves. No <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="331505">mercado</a> executivo, a facilidade de revenda e a disponibilidade de suporte influenciam diretamente a decisão de compra.</p>
<p>Uma frota numerosa tende a criar um mercado secundário mais líquido, além de justificar investimentos contínuos em peças e manutenção.</p>
<h2>Novo jato preserva uma das franquias mais valiosas da Embraer</h2>
<p>O Phenom 300EV representa uma aposta na longevidade de um programa que se tornou uma das principais franquias comerciais da fabricante.</p>
<p>A inclusão do pouso automático chama atenção pela capacidade de assumir uma emergência que antes dependeria da presença de outro piloto a bordo. O ganho de alcance, a nova carga útil e os sistemas de cabine, por sua vez, procuram manter a aeronave competitiva nas operações cotidianas.</p>
<p>A Embraer terá dois anos para transformar o anúncio em um produto certificado e pronto para entrega. Nesse intervalo, precisará formar uma carteira de pedidos, manter a produção da geração atual e demonstrar que as novas tecnologias podem ser integradas sem comprometer custos e cronograma.</p>
<p>O lançamento não garante sozinho uma valorização das ações EMBJ3, mas reforça a presença da empresa em um segmento que vem ampliando entregas e capacidade de geração de receitas.</p>
<p>Ao atualizar um avião já líder de mercado, a fabricante brasileira escolhe uma rota de menor ruptura e maior continuidade: preservar uma plataforma conhecida, acrescentar recursos de segurança inéditos na categoria e prolongar sua vida comercial por mais um ciclo.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>PMEs esbarram em falhas de gestão para atrair investidores, mostra estudo</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/pmes-prontas-receber-investidores-governanca-valuation</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jul 2026 18:41:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[capital de giro]]></category>
		<category><![CDATA[fusões e aquisições]]></category>
		<category><![CDATA[gestão financeira]]></category>
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		<category><![CDATA[pequenas e médias empresas]]></category>
		<category><![CDATA[PMEs]]></category>
		<category><![CDATA[sucessão empresarial]]></category>
		<category><![CDATA[valuation]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ter uma empresa lucrativa, com clientes recorrentes e faturamento em expansão, não significa estar preparado para receber um investidor. Um levantamento realizado pela Plataforma Valuation JK com quase 20 mil pequenas e médias empresas identificou que apenas 17% dos negócios avaliados alcançaram um grau de maturidade considerado adequado para atrair capital externo. A maior parte [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ter uma empresa lucrativa, com clientes recorrentes e faturamento em expansão, não significa estar preparado para receber um investidor. Um levantamento realizado pela Plataforma Valuation JK com quase 20 mil pequenas e médias <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" title="Empresas" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331436">empresas</a> identificou que apenas 17% dos negócios avaliados alcançaram um grau de maturidade considerado adequado para atrair capital externo.</p>
<p>A maior parte das empresas analisadas, equivalente a 69% da amostra, permaneceu classificada como negócio em desenvolvimento. Na faixa mais elevada da metodologia, denominada empresa premium, chegaram somente 0,5% das participantes.</p>
<p>Os números expõem um problema recorrente entre as PMEs brasileiras: muitas empresas conseguem crescer comercialmente antes de construir uma estrutura de gestão compatível com o próprio tamanho. O resultado aparece em demonstrações financeiras pouco organizadas, decisões concentradas nos proprietários, ausência de planejamento sucessório e baixa previsibilidade do fluxo de caixa.</p>
<p>O estudo reúne empresas que procuraram voluntariamente uma plataforma de valuation. Por essa razão, os percentuais não podem ser automaticamente estendidos a todas as pequenas e médias empresas brasileiras. Ainda assim, o volume de avaliações permite identificar dificuldades frequentes entre empresários que pretendem captar recursos, vender participações ou preparar o negócio para uma futura negociação.</p>
<p>A maior concentração da amostra está entre empresas avaliadas de R$ 1 milhão a R$ 25 milhões. O grupo situado entre R$ 10 milhões e R$ 25 milhões merece atenção porque reúne <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331469">negócios</a> que já ultrapassaram a fase inicial, mas ainda podem estar abaixo do porte normalmente procurado por grandes fundos.</p>
<p>Essa faixa costuma interessar a investidores estratégicos, grupos empresariais regionais, fundos especializados e compradores envolvidos em operações de fusões e aquisições de menor porte.</p>
<h2>Empresa valiosa não é necessariamente uma empresa investível</h2>
<p>O valuation procura estimar quanto uma empresa vale a partir de elementos como geração de caixa, perspectivas de crescimento, patrimônio, riscos e desempenho de negócios semelhantes.</p>
<p>O número obtido, porém, não responde sozinho à principal preocupação do investidor: se a companhia possui condições de utilizar o dinheiro recebido e produzir retorno de maneira previsível.</p>
<p>Uma empresa pode alcançar uma avaliação elevada porque atua em um <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331437">mercado</a> promissor, possui uma marca conhecida ou registra crescimento acelerado. Se não tiver controles internos, equipe de gestão e informações financeiras confiáveis, continuará sendo considerada uma operação de risco.</p>
<p>O investidor precisa compreender de onde vem a receita, como as margens são formadas, quais clientes sustentam a operação e quanto capital será necessário para financiar a expansão.</p>
<p>Também procura saber se os resultados dependem de circunstâncias temporárias ou de processos que podem ser repetidos. Uma boa venda realizada em determinado mês possui valor diferente de um modelo capaz de gerar receita recorrente durante vários anos.</p>
<p>É nesse ponto que muitas pequenas e médias empresas encontram dificuldades. O negócio funciona, mas não consegue explicar de maneira clara por que funciona nem demonstrar como continuará operando após a entrada de um novo sócio.</p>
<h2>Dependência do fundador reduz valor e aumenta risco</h2>
<p>Em uma parcela significativa das PMEs, o fundador continua sendo o principal vendedor, negociador, gestor financeiro e responsável pelas decisões estratégicas.</p>
<p>Essa centralização costuma surgir naturalmente. Nos primeiros anos, o empresário conhece os clientes, acompanha o caixa e resolve diretamente os problemas da operação.</p>
<p>A estrutura se torna mais vulnerável quando a empresa cresce sem distribuir responsabilidades. Se contratos, fornecedores e decisões dependem de uma única pessoa, o investidor passa a avaliar não apenas o negócio, mas também o risco de afastamento do proprietário.</p>
<p>O problema fica ainda mais evidente em processos de venda. O comprador precisa ter segurança de que a empresa continuará funcionando depois da transferência de controle.</p>
<p>Quando o relacionamento com os principais clientes está ligado pessoalmente ao fundador, parte do valor pode desaparecer após sua saída. O mesmo ocorre quando informações essenciais sobre preços, prazos e fornecedores não estão registradas em sistemas ou contratos.</p>
<p>A profissionalização não exige necessariamente uma estrutura semelhante à de uma companhia aberta. Para uma PME, pode começar com definição clara de funções, criação de indicadores, contratação de gestores e documentação dos processos mais importantes.</p>
<p>O objetivo é fazer com que a empresa dependa menos da presença diária do proprietário e mais de rotinas capazes de ser acompanhadas e aprimoradas.</p>
<h2>Controles financeiros ainda afastam capital</h2>
<p>A necessidade de melhorar os controles financeiros foi apontada por 881 empresas analisadas no levantamento. Outras 1.254 indicaram como prioridade o aumento da margem de lucro e da eficiência do caixa.</p>
<p>As respostas mostram que o faturamento, isoladamente, deixou de ser suficiente para avaliar a saúde de um negócio.</p>
<p>Uma empresa pode vender mais e ainda assim enfrentar dificuldades para pagar fornecedores, salários ou impostos. Isso ocorre quando o prazo concedido aos clientes é maior do que o prazo obtido nas compras, quando os estoques crescem excessivamente ou quando as margens não cobrem as despesas.</p>
<p>A falta de separação entre o caixa da empresa e o patrimônio dos sócios também prejudica a avaliação. Retiradas sem critérios e despesas pessoais pagas pela companhia dificultam a identificação do lucro real.</p>
<p>Para o investidor, demonstrações financeiras incompletas criam insegurança. Sem dados confiáveis, torna-se mais difícil projetar receitas, estimar a necessidade de capital de giro e identificar dívidas ou contingências.</p>
<p>O problema se agrava durante uma diligência, etapa em que compradores e investidores examinam documentos contábeis, fiscais, trabalhistas e jurídicos.</p>
<p>Inconsistências encontradas nessa fase podem reduzir o preço, alterar as condições do negócio ou provocar o abandono da transação.</p>
<p>Organizar os números, portanto, não serve apenas para apresentar uma imagem positiva. É uma condição para que o investidor consiga medir o risco e decidir quanto está disposto a pagar.</p>
<h2>Valuation passa a funcionar como diagnóstico de gestão</h2>
<p>A avaliação empresarial costuma ser procurada quando o proprietário considera vender a companhia ou negociar uma participação. O processo, entretanto, também pode revelar problemas que não aparecem na rotina.</p>
<p>Ao organizar projeções e calcular o valor do negócio, o empresário precisa analisar margens, despesas, dívidas, concentração de clientes e capacidade de crescimento.</p>
<p>Uma empresa com receita elevada pode apresentar valor menor do que outra de porte inferior caso dependa de poucos compradores, tenha margens reduzidas ou esteja sujeita a riscos regulatórios.</p>
<p>Em sentido contrário, negócios menores podem ser valorizados quando possuem receita recorrente, baixa necessidade de capital, contratos de longo prazo e possibilidade de expansão sem crescimento proporcional dos custos.</p>
<p>O valuation não produz um preço definitivo. Os modelos dependem de premissas sobre o futuro e podem chegar a resultados diferentes conforme a metodologia utilizada.</p>
<p>O valor efetivamente negociado também pode mudar de acordo com a forma de pagamento, o volume de dívida assumido pelo comprador, a permanência dos fundadores e o cumprimento de metas posteriores.</p>
<p>Mesmo assim, o processo ajuda a mostrar quais decisões podem aumentar o valor da empresa. Reduzir a concentração de clientes, melhorar o controle de caixa ou criar uma equipe de gestão pode produzir efeito maior do que simplesmente ampliar o faturamento.</p>
<h2>Mais de mil empresas procuram novos sócios</h2>
<p>Entre os negócios avaliados, 1.145 declararam interesse em atrair investidores para financiar a expansão. Outras 924 buscavam crédito ou capital de giro.</p>
<p>Embora os dois caminhos envolvam entrada de recursos, seus efeitos são diferentes.</p>
<p>No crédito, a empresa assume uma obrigação financeira com juros e prazo definidos. O proprietário mantém sua participação societária, mas precisa garantir que o caixa será suficiente para pagar as parcelas.</p>
<p>Na entrada de um investidor, o empresário divide a propriedade e, em alguns casos, o poder de decisão. Em troca, o novo sócio participa do risco e pode contribuir com experiência, rede de contatos e acesso a mercados.</p>
<p>A escolha depende da situação de cada negócio. Uma empresa madura e com caixa estável pode financiar projetos por meio de dívida. Uma operação que ainda precisa investir por vários anos antes de gerar retorno pode necessitar de capital societário.</p>
<p>O investidor também examina a utilização prevista para os recursos. Planos genéricos de crescimento tendem a produzir menos confiança do que projetos com metas, prazos e resultados mensuráveis.</p>
<p>A empresa precisa explicar se o dinheiro será destinado à abertura de unidades, compra de equipamentos, ampliação de estoques, contratação de pessoas ou desenvolvimento de produtos.</p>
<p>Sem essa clareza, a captação pode resolver uma necessidade imediata, mas não criar valor duradouro.</p>
<h2>Mercado de fusões e aquisições ainda tem espaço entre PMEs</h2>
<p>O levantamento identificou 759 empresários interessados em vender seus negócios. Quase 500 declararam procurar empresas para comprar.</p>
<p>Os números mostram que existe um mercado de fusões e aquisições fora das grandes transações anunciadas regularmente.</p>
<p>Empresas regionais podem adquirir concorrentes para ampliar presença geográfica, incorporar clientes, obter tecnologia ou eliminar custos duplicados.</p>
<p>Para o vendedor, a operação pode representar a realização do patrimônio construído ao longo de décadas. Também pode ser uma saída quando não há sucessores interessados em administrar o negócio.</p>
<p>A baixa maturidade gerencial, porém, continua sendo um obstáculo. Negócios sem documentação organizada ou contratos formalizados podem enfrentar descontos relevantes.</p>
<p>Em empresas familiares, a mistura entre patrimônio pessoal e empresarial também dificulta a negociação. Imóveis utilizados pela companhia podem estar registrados em nome dos sócios, enquanto veículos, dívidas e funcionários podem não estar corretamente vinculados à operação.</p>
<p>A preparação para uma venda não começa quando surge o comprador. Em muitos casos, são necessários anos para organizar a estrutura, corrigir passivos e formar uma equipe capaz de continuar trabalhando após a saída dos proprietários.</p>
<h2>Sucessão ainda recebe pouca atenção</h2>
<p>Apenas 297 empresas da amostra indicaram a preparação sucessória como uma prioridade. O número é reduzido diante da quantidade de negócios familiares no país.</p>
<p>A sucessão não consiste apenas em escolher qual herdeiro ficará no comando. Ela exige regras para separar propriedade, família e gestão.</p>
<p>Nem sempre o filho do fundador deseja administrar a empresa. Em outros casos, mais de um herdeiro reivindica participação nas decisões, embora apenas um possua experiência operacional.</p>
<p>Sem planejamento, divergências familiares podem afetar investimentos, contratação de executivos e distribuição de lucros.</p>
<p>O problema costuma aparecer de maneira urgente após a morte ou o afastamento do fundador, quando a empresa já está sob pressão.</p>
<p>Conselhos <a href="https://gazetamercantil.com/bolsa-familia-agosto-2026-calendario-oficial" title="Bolsa Família Agosto 2026: calendário com antecipação confirmada e consulta liberada hoje" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="335883">consultivos ou administrativos foram citados como</a> objetivo por 429 negócios. Outras 372 empresas demonstraram interesse em estruturar holdings e proteger o patrimônio.</p>
<p>Essas ferramentas podem contribuir para a organização, mas não produzem resultado quando existem apenas formalmente. Um conselho precisa receber informações, discutir riscos e acompanhar decisões.</p>
<p>Da mesma maneira, uma holding patrimonial não corrige falhas de caixa nem substitui contratos, controles e uma <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" title="Política" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331438">política</a> sucessória construída com antecedência.</p>
<h2>Economia tradicional domina a amostra</h2>
<p>A maior parte das empresas avaliadas pertence a setores tradicionais da <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/economia" target="_blank" rel="noopener" title="Economia" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331439">economia</a>.</p>
<p>Varejo, franquias e negócios de venda direta ao consumidor representam 16,6% da amostra. Serviços profissionais e contabilidade aparecem com 15,5%, seguidos por indústria e manufatura, com 15%.</p>
<p>Tecnologia e software como serviço respondem por 10,1%, enquanto saúde e healthtechs somam 9,7%.</p>
<p>A distribuição mostra que a busca por investidores não está restrita às startups. Indústrias, lojas, escritórios, prestadores de serviços e redes de franquias também procuram capital para crescer.</p>
<p>Os critérios de avaliação, entretanto, mudam conforme o setor.</p>
<p>No varejo, investidores acompanham giro de estoque, vendas por loja e necessidade de capital de giro. Na indústria, capacidade instalada, custos de matéria-prima e produtividade ganham peso.</p>
<p>Nas empresas de software, receita recorrente, cancelamento de clientes e custo de aquisição são indicadores importantes. Na saúde, regulação, relacionamento com operadoras e qualidade dos serviços influenciam o valor.</p>
<p>São Paulo concentra aproximadamente um terço das empresas avaliadas. Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia aparecem em seguida.</p>
<h2>Governança separa bons negócios de empresas prontas para investir</h2>
<p>O levantamento mostra que há uma diferença relevante entre possuir um negócio promissor e oferecer uma oportunidade adequada a um investidor.</p>
<p>Faturamento, marca e carteira de clientes são pontos importantes, mas não substituem previsibilidade, controles e capacidade de execução.</p>
<p>A parcela de 17% classificada como atrativa indica que algumas empresas já avançaram na profissionalização. O grupo premium, restrito a 0,5%, mostra como ainda são raros os negócios que combinam crescimento, governança e baixo risco operacional.</p>
<p>Para as demais, o caminho não começa necessariamente em uma rodada de captação. Antes de procurar investidores, muitas precisam organizar a própria casa.</p>
<p>Isso envolve separar as finanças pessoais das empresariais, documentar processos, formar gestores, revisar contratos e compreender de onde vem o lucro.</p>
<p>O investidor não avalia apenas aquilo que a empresa pode se tornar. Ele procura evidências de que a administração conhece o negócio, controla os riscos e sabe como transformar capital em crescimento.</p>
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		<title>Helbor (HBOR3) vê vendas caírem 27,5% no 2T26 em meio à OPA da HBR</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/helbor-hbor3-vendas-2t26-opa-hbr</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alice Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 23:22:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[ações HBOR3]]></category>
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		<category><![CDATA[OPA da Helbor]]></category>
		<category><![CDATA[prévia operacional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Helbor Empreendimentos (HBOR3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com R$ 338,5 milhões em vendas brutas, queda de 27,5% na comparação com o mesmo período do ano passado e de 19,4% frente aos três primeiros meses deste ano. O desempenho foi afetado pela ausência de lançamentos entre abril e junho, enquanto a companhia atravessa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Helbor Empreendimentos (HBOR3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com R$ 338,5 milhões em vendas brutas, queda de 27,5% na comparação com o mesmo período do ano passado e de 19,4% frente aos três primeiros meses deste ano. O desempenho foi afetado pela ausência de lançamentos entre abril e junho, enquanto a companhia atravessa o processo de oferta pública de aquisição apresentado pela HBR Realty (HBRE3), que poderá resultar no cancelamento do registro da incorporadora e em sua saída do Novo <a class="wpil_keyword_link" title="Mercados" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331281">Mercado</a> da B3.</p>
<p>A participação da Helbor no volume vendido durante o trimestre foi de 62,5%. A velocidade de vendas, medida pelo indicador Vendas Sobre Oferta, ficou em 11,3%, refletindo a comercialização de unidades remanescentes de empreendimentos lançados anteriormente.</p>
<p>Sem novos projetos no período, a companhia dependeu integralmente de seu estoque para gerar vendas. A comparação anual também foi influenciada por uma base mais forte, já que a Helbor havia lançado um empreendimento no segundo trimestre de 2025.</p>
<p>Os números fazem parte da prévia operacional da incorporadora e não representam o balanço financeiro completo. Receita reconhecida, margens, resultado financeiro, geração de caixa, endividamento e lucro líquido serão divulgados posteriormente, na apresentação dos resultados do segundo trimestre.</p>
<h2>Ausência de lançamentos reduz vendas da Helbor</h2>
<p>A Helbor não realizou lançamentos no segundo trimestre de 2026. A ausência de novos produtos reduziu a oferta disponível para comercialização e limitou o ritmo das vendas entre abril e junho.</p>
<p>No primeiro semestre, a companhia lançou dois projetos, com Valor Geral de Vendas líquido de R$ 469,7 milhões. No mesmo período de 2025, quatro empreendimentos haviam sido colocados no mercado.</p>
<p>A redução no número de lançamentos está alinhada à estratégia adotada pela empresa nos últimos períodos, marcada por maior seletividade na abertura de projetos, prioridade à comercialização dos estoques e disciplina na utilização de capital.</p>
<p>O modelo permite reduzir a exposição financeira associada ao início simultâneo de muitas obras, mas também limita o potencial de crescimento das vendas quando não há projetos recentes contribuindo para a oferta.</p>
<p>No mercado imobiliário, os lançamentos funcionam como uma das principais fontes de renovação do estoque comercial. Empreendimentos recém-colocados à venda costumam concentrar parte relevante dos contratos nos primeiros meses, especialmente quando estão localizados em regiões de alta demanda.</p>
<p>Sem esse impulso, as vendas dependem principalmente da atratividade dos imóveis que já estavam disponíveis, da <a class="wpil_keyword_link" title="Política" href="https://gazetamercantil.com/politica" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331280">política</a> comercial, das condições de financiamento e da capacidade de revenda de unidades devolvidas.</p>
<h2>Vendas recuam 19,4% em relação ao primeiro trimestre</h2>
<p>As vendas brutas de R$ 338,5 milhões representaram queda de 19,4% frente ao primeiro trimestre de 2026, quando a Helbor havia comercializado aproximadamente R$ 420 milhões.</p>
<p>Na comparação anual, a retração foi de 27,5%. O desempenho do segundo trimestre de 2025 havia sido favorecido pelo lançamento do BRK by Helbor, projeto que adicionou cerca de R$ 212 milhões em VGV à oferta da companhia.</p>
<p>A velocidade de vendas de 11,3% indica que pouco mais de um décimo da oferta disponível foi comercializado no trimestre. O indicador considera as unidades que estavam em estoque no início do período e os imóveis eventualmente lançados ao longo dos três meses.</p>
<p>Como não houve lançamentos no segundo trimestre de 2026, a VSO refletiu exclusivamente a absorção do estoque existente.</p>
<p>A participação proporcional da Helbor nas vendas ficou em 62,5%. Essa parcela considera a fatia econômica efetivamente pertencente à incorporadora em cada empreendimento, descontando as participações de sócios e parceiros.</p>
<p>A distinção é relevante porque a companhia desenvolve parte de seus projetos em associação com outras <a class="wpil_keyword_link" title="Empresas" href="https://gazetamercantil.com/empresas" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331279">empresas</a> ou proprietários de terrenos. Dessa forma, nem todo o VGV comercializado é convertido integralmente em receita potencial para a Helbor.</p>
<h2>Distratos caem e unidades devolvidas são revendidas</h2>
<p>Os distratos totalizaram R$ 66 milhões no segundo trimestre, redução de aproximadamente 49% em relação ao mesmo período de 2025.</p>
<p>A Helbor registrou a devolução de 100 unidades durante o trimestre. Segundo a companhia, todos esses imóveis foram revendidos ainda entre abril e junho.</p>
<p>O preço médio das revendas ficou 9% acima do valor originalmente contratado. O resultado mostra que as devoluções não permaneceram no estoque ao término do período e que a companhia conseguiu recolocar os imóveis no mercado por preços superiores.</p>
<p>O distrato ocorre quando um contrato de compra e venda é encerrado antes da conclusão da operação. Para as incorporadoras, o aumento das devoluções pode pressionar o fluxo de caixa, elevar o estoque e exigir novos gastos comerciais para a revenda das unidades.</p>
<p>A queda dos distratos e a recomercialização integral dos imóveis reduziram parte desse risco no trimestre. O efeito financeiro definitivo, contudo, dependerá das despesas relacionadas às rescisões, das condições oferecidas aos novos compradores e do estágio das obras.</p>
<p>O ganho médio de 9% sobre o preço original também pode refletir a atualização dos valores dos empreendimentos desde a assinatura dos primeiros contratos, além de mudanças nas condições comerciais e na disponibilidade de unidades.</p>
<h2>Repasses diminuem 51,7% no trimestre</h2>
<p>O volume de repasses somou R$ 204,8 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 51,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior.</p>
<p>O repasse representa a transferência do financiamento do imóvel para o banco que concederá crédito ao comprador. Essa etapa costuma ocorrer durante a construção ou próximo da entrega e permite que a incorporadora receba parte relevante do valor contratado.</p>
<p>A Helbor atribuiu a retração à ausência de entregas no trimestre. Entre abril e junho de 2025, três empreendimentos haviam sido concluídos, criando uma base comparativa elevada para o indicador.</p>
<p>Como nenhum projeto foi entregue no segundo trimestre deste ano, houve menor quantidade de unidades prontas para avançar à etapa final de financiamento.</p>
<p>A redução dos repasses não significa necessariamente cancelamento de vendas, mas pode adiar a entrada de recursos no caixa. O impacto dependerá do cronograma de obras, das entregas previstas para os próximos trimestres e do ritmo de aprovação dos financiamentos pelos bancos.</p>
<p>O comportamento do indicador será importante para a análise da geração de caixa da companhia. Uma retomada das entregas tende a elevar o volume de repasses, desde que os compradores tenham crédito aprovado e a documentação dos imóveis esteja regularizada.</p>
<h2>Banco de terrenos alcança R$ 11,6 bilhões</h2>
<p>A Helbor encerrou junho com um banco de terrenos equivalente a R$ 11,6 bilhões em VGV potencial. A participação econômica da incorporadora corresponde a aproximadamente 74% desse valor.</p>
<p>O landbank reúne áreas já adquiridas ou contratadas que poderão receber novos empreendimentos. O valor não representa receita contratada nem lançamento confirmado, mas uma estimativa do potencial de vendas dos projetos que poderão ser desenvolvidos.</p>
<p>A atualização da carteira refletiu principalmente o aumento dos custos de construção considerados nos estudos dos futuros empreendimentos.</p>
<p>O portfólio de terrenos está concentrado em regiões de maior valor imobiliário, especialmente na cidade de São Paulo. A companhia possui áreas voltadas a projetos residenciais de médio, alto e altíssimo padrão, segmentos que exigem planejamento cuidadoso devido ao volume de capital empregado e ao ciclo mais longo de vendas.</p>
<p>A existência de um banco de terrenos amplo oferece capacidade para novos lançamentos, mas a conversão desse potencial depende de aprovações regulatórias, licenciamento, condições de mercado, disponibilidade de financiamento e decisão da administração.</p>
<p>Em um cenário de juros elevados, as incorporadoras tendem a ser mais seletivas na escolha dos projetos, buscando equilibrar velocidade de vendas, margem esperada e necessidade de capital.</p>
<h2>OPA pode retirar a Helbor do Novo Mercado</h2>
<p>A divulgação da prévia operacional ocorre em meio à oferta pública de permuta apresentada pela HBR Realty para adquirir até a totalidade das ações ordinárias da Helbor, excluídos os papéis mantidos em tesouraria.</p>
<p>A proposta atribuiu o preço de R$ 2,52 a cada ação HBOR3. A liquidação, contudo, não será realizada originalmente em dinheiro. O acionista que aderir receberá 0,81553398 ação ordinária da HBR para cada papel da Helbor entregue na oferta.</p>
<p>Na prática, os investidores que aceitarem a OPA deixarão de ser acionistas diretos da incorporadora e passarão a deter participação na HBR Realty.</p>
<p>O preço por ação será atualizado pela taxa Selic entre 2 de julho de 2026, data-base dos laudos de avaliação, e a liquidação da operação. A relação de troca permanecerá inalterada, salvo ajustes previstos para dividendos, grupamentos, desdobramentos, bonificações ou reduções de capital.</p>
<p>A oferta busca simultaneamente a aquisição do controle, o cancelamento do registro de companhia aberta e a saída da Helbor do Novo Mercado.</p>
<p>Caso seja concluída, a incorporadora se tornará subsidiária integral ou controlada da HBR, conforme a quantidade de ações adquiridas e as etapas societárias posteriores.</p>
<h2>Oferta depende da adesão dos acionistas</h2>
<p>A conclusão da operação está sujeita a condições previstas na legislação e nos documentos da oferta.</p>
<p>A HBR precisa adquirir ações que representem ao menos 50,1% do capital votante da Helbor para caracterizar a aquisição de controle. Além disso, acionistas titulares de mais de dois terços das ações em circulação habilitadas para o leilão deverão aceitar a proposta para que seja possível cancelar o registro da companhia.</p>
<p>Esses requisitos significam que a saída da Helbor da Bolsa ainda não está garantida. O resultado dependerá da adesão dos investidores e do cumprimento das condições regulatórias.</p>
<p>A proposta também deverá seguir os procedimentos da Comissão de Valores Mobiliários e da B3. Os acionistas terão acesso ao edital, aos laudos de avaliação e às informações sobre o leilão antes de decidir se participam da permuta.</p>
<p>O formato da operação exige que o investidor avalie não apenas o valor atribuído à Helbor, mas também os fundamentos e as perspectivas das ações da HBR que serão recebidas.</p>
<p>Como o pagamento é feito em papéis, o valor econômico efetivo da oferta poderá oscilar de acordo com a cotação de HBRE3 até a liquidação.</p>
<h2>HBR busca combinar incorporação e renda imobiliária</h2>
<p>A HBR afirma que a combinação criará uma plataforma imobiliária com <a class="wpil_keyword_link" title="Negócios" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="331282">negócios</a> complementares. A Helbor atua principalmente na incorporação residencial, enquanto a HBR concentra sua operação em imóveis comerciais destinados à locação e geração de renda.</p>
<p>A integração permitiria reunir a experiência da Helbor no desenvolvimento de projetos com a atuação da HBR em ativos de renda, varejo, propriedades corporativas e serviços imobiliários.</p>
<p>A HBR também passaria a ter acesso ao banco de terrenos da Helbor, que possui forte concentração na cidade de São Paulo e participação relevante de projetos potenciais nos segmentos de maior renda.</p>
<p>Para a Helbor, a operação pode oferecer uma estrutura de capital combinada e maior diversificação de receitas. Para os acionistas, porém, a proposta representa a substituição de uma participação direta em uma incorporadora por ações de uma companhia com perfil operacional diferente.</p>
<p>A análise da transação deverá considerar a relação de troca, os laudos de avaliação, os riscos de execução, o endividamento das companhias e as possíveis sinergias.</p>
<h2>Resultado financeiro mostrará efeito da desaceleração</h2>
<p>A prévia operacional revela uma Helbor com redução das vendas, ausência de lançamentos e queda expressiva nos repasses, mas com melhora nos distratos e capacidade de revender as unidades devolvidas.</p>
<p>O balanço completo do segundo trimestre mostrará como esses movimentos afetaram a receita, as margens, o caixa e a dívida.</p>
<p>A ausência de lançamentos reduz despesas iniciais relacionadas a novos projetos, mas também limita a entrada de vendas futuras. A queda dos repasses pode pressionar temporariamente o caixa, enquanto o menor volume de distratos reduz a necessidade de recomercialização de estoque.</p>
<p>Os investidores também deverão acompanhar o ritmo dos próximos lançamentos e entregas. A Helbor possui um banco de terrenos relevante, mas a transformação desse portfólio em resultados dependerá do calendário definido pela administração e das condições do mercado imobiliário.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o avanço da OPA tende a manter as ações HBOR3 influenciadas pela cotação da HBR e pela relação de permuta, reduzindo a relevância isolada dos indicadores operacionais de curto prazo.</p>
<p>Até a realização do leilão e o cumprimento das condições da oferta, a Helbor permanece uma companhia aberta e suas ações continuam negociadas no Novo Mercado da B3.</p>
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		<item>
		<title>Squadra reduz aposta no Inter (INBR32) após ações caírem mais de 30%</title>
		<link>https://gazetamercantil.com/squadra-reduz-participacao-inter-inbr32-queda-acoes</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[João Souza]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 03:03:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[ações do Inter]]></category>
		<category><![CDATA[banco digital]]></category>
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		<category><![CDATA[Inter]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado Financeiro]]></category>
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		<category><![CDATA[Rule of 50]]></category>
		<category><![CDATA[Squadra]]></category>
		<category><![CDATA[Squadra Investimentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Squadra Investimentos reduziu sua participação no Inter (INBR32) para 9,80% do capital da companhia, em uma movimentação realizada enquanto as ações do banco digital acumulam queda superior a 30% em 2026. A gestora informou nesta quinta-feira (16) que passou a deter aproximadamente 31,9 milhões de ações e afirmou que as vendas tiveram finalidade exclusivamente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Squadra Investimentos reduziu sua participação no Inter (INBR32) para 9,80% do capital da companhia, em uma movimentação realizada enquanto as ações do banco digital acumulam queda superior a 30% em 2026. A gestora informou nesta quinta-feira (16) que passou a deter aproximadamente 31,9 milhões de ações e afirmou que as vendas tiveram finalidade exclusivamente financeira, sem intenção de alterar o controle ou interferir na administração da instituição.</p>
<p>A mudança na posição acionária ocorre em um momento de reavaliação da tese de investimento do Inter (INBR32). Embora o banco tenha apresentado expansão do lucro, da carteira de crédito e da rentabilidade no primeiro trimestre, o <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/mercados" target="_blank"  rel="noopener" title="Mercados" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="328610">mercado</a> passou a exigir maior clareza sobre a velocidade de crescimento dos resultados e a capacidade da companhia de atingir os objetivos estratégicos anunciados nos últimos anos.</p>
<p>A pressão aumentou após o Inter adiar de 2027 para 2029 o prazo de seu plano conhecido como “60-30-30”. A estratégia previa alcançar 60 milhões de clientes, índice de eficiência de 30% e retorno sobre o patrimônio líquido de 30%.</p>
<p>Com a revisão, a meta de rentabilidade também deixou de ser um número fixo. O banco passou a <a href="https://gazetamercantil.com/siglas-corporativas-aprender" title="Siglas Corporativas para Aprender e Aplicar no Mercado (2026)" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="331228">trabalhar com uma faixa de</a> retorno sobre o patrimônio entre 26% e 30% para 2029.</p>
<p>A redução promovida pela Squadra não representa uma saída completa do investimento. Com quase 10% do capital, a gestora permanece entre os acionistas relevantes do Inter (INBR32) e continua exposta à evolução operacional e ao comportamento das ações.</p>
<h2>Squadra mantém 31,9 milhões de ações do Inter</h2>
<p>O comunicado não detalhou quantos papéis foram vendidos, o valor financeiro da operação nem os preços praticados durante as negociações. Também não indicou se a redução ocorreu em uma única transação ou foi distribuída ao longo de diferentes pregões.</p>
<p>A Squadra declarou que a participação mantida no Inter (INBR32) não busca modificar a composição do controle acionário nem a estrutura administrativa da companhia.</p>
<p>Esse tipo de esclarecimento é habitual em comunicações sobre participação relevante. As regras do mercado de capitais exigem que determinados movimentos acionários sejam informados quando um investidor atinge, supera ou reduz sua posição abaixo de percentuais considerados relevantes.</p>
<p>A finalida<a href="https://gazetamercantil.com/ibovespa-hoje" title="Ibovespa hoje, 05 de agosto, aguarda decisão do Copom com mercado apostando em Selic a 14%" target="_blank" rel="noopener"  data-wpil-monitor-id="337083">de</a> é permitir que o mercado acompanhe mudanças na base acionária e identifique eventuais movimentos de investidores com capacidade de exercer influência significativa sobre uma empresa.</p>
<p>No caso do Inter (INBR32), a gestora permanece com uma posição expressiva. A redução, porém, ganha importância por ocorrer durante uma fase de desvalorização das ações e de menor confiança dos investidores na velocidade de execução das metas apresentadas pelo banco digital.</p>
<p>A decisão pode refletir diferentes fatores, como controle de risco, necessidade de liquidez, redistribuição da carteira ou revisão da relação entre retorno esperado e preço das ações. O comunicado não atribuiu a venda a nenhuma dessas razões específicas.</p>
<h2>Ações enfrentam forte correção em 2026</h2>
<p>Os papéis do Inter (INBR32) acumulam queda de aproximadamente 34% em 2026. O movimento contrasta com a recuperação operacional registrada pela companhia desde o período em que apresentava lucros reduzidos e baixa rentabilidade.</p>
<p>A correção reflete sobretudo a percepção de que a próxima etapa de crescimento poderá ser mais lenta. Depois de elevar o retorno sobre o patrimônio para patamares próximos de 15%, o banco precisa demonstrar que consegue continuar ampliando o lucro sem aumentar excessivamente o risco da carteira de crédito.</p>
<p>O mercado também passou a revisar as expectativas depois que a administração estendeu o prazo das metas de rentabilidade e eficiência. O adiamento foi interpretado como sinal de que a transformação do crescimento da base de clientes em resultados financeiros exigirá mais tempo.</p>
<p>As ações de bancos digitais costumam ser sensíveis às projeções de expansão porque parte relevante de seu valor depende dos lucros esperados para os anos seguintes. Quando essas projeções são reduzidas ou postergadas, os investidores tendem a aplicar um desconto maior aos papéis.</p>
<p>A desvalorização também aumenta o peso de movimentos realizados por acionistas relevantes. Ainda que a venda da Squadra não explique isoladamente o comportamento do ativo, o anúncio reforça a atenção sobre a composição acionária e o nível de confiança dos investidores institucionais.</p>
<h2>Lucro cresce, mas mercado cobra novo salto de rentabilidade</h2>
<p>O Inter (INBR32) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de aproximadamente R$ 395 milhões, crescimento de 38% na comparação com o mesmo período do ano anterior.</p>
<p>O retorno sobre o patrimônio líquido atingiu 15,5%, avanço de 2,6 pontos percentuais em 12 meses. O retorno sobre o patrimônio tangível aproximou-se de 20%, enquanto o índice de eficiência ficou em torno de 43%.</p>
<p>Os números confirmaram a melhora da operação. O banco ampliou a capacidade de gerar lucro, reduziu proporcionalmente o peso das despesas e avançou na monetização de sua base de clientes.</p>
<p>A carteira de crédito bruta alcançou R$ 49,8 bilhões no fim de março, com expansão anual de 33%. Entre os segmentos que contribuíram para o crescimento estavam cartão de crédito, financiamento imobiliário e consignado privado.</p>
<p>O desempenho, contudo, elevou a base de comparação. Para justificar uma valorização consistente das ações, o Inter (INBR32) precisa demonstrar que o crescimento pode continuar sem deteriorar a qualidade do crédito ou exigir uma expansão desproporcional das despesas.</p>
<p>A dinâmica é particularmente importante em um ambiente de juros elevados. Taxas maiores podem favorecer parte das receitas financeiras, mas também aumentam o custo de captação, pressionam a renda dos clientes e ampliam o risco de inadimplência.</p>
<p>O banco precisa equilibrar três objetivos simultâneos: aumentar a carteira, proteger a qualidade dos ativos e preservar a margem financeira. Um avanço acelerado dos empréstimos pode impulsionar receitas no curto prazo, mas gerar provisões e perdas maiores posteriormente.</p>
<h2>Projeções de lucro são revisadas para baixo</h2>
<p>A perspectiva de desaceleração levou analistas do Itaú BBA a reduzir as projeções de lucro para o Inter (INBR32).</p>
<p>A estimativa para 2026 foi cortada em 6%, para R$ 1,7 bilhão. Para 2027, a redução foi de 10%, para R$ 2,1 bilhões.</p>
<p>As novas projeções ficaram abaixo da média das estimativas do mercado. A avaliação considera que o banco percorreu uma trajetória relevante de recuperação, mas poderá enfrentar maior dificuldade para manter o mesmo ritmo de avanço dos resultados.</p>
<p>A leitura não representa necessariamente uma ruptura da tese de longo prazo. O Inter construiu uma plataforma que reúne conta bancária, crédito, investimentos, seguros, shopping digital e serviços internacionais.</p>
<p>A principal dúvida está na velocidade com que essa estrutura poderá produzir retornos maiores. Uma base de clientes ampla cria oportunidades comerciais, mas também gera custos com tecnologia, segurança, atendimento e conformidade regulatória.</p>
<p>A rentabilidade depende de quanto cada cliente utiliza a plataforma, da quantidade de produtos contratados e da capacidade do banco de conceder crédito com risco controlado.</p>
<p>Por isso, o número total de correntistas deixou de ser suficiente para sustentar sozinho a avaliação da companhia. Indicadores de engajamento, receita média por cliente, inadimplência, eficiência e retorno sobre o patrimônio ganharam maior peso.</p>
<h2>Plano 60-30-30 é empurrado para 2029</h2>
<p>O Inter (INBR32) apresentou o plano 60-30-30 como uma referência para sua etapa de crescimento e consolidação. O objetivo inicial era atingir os três indicadores até 2027.</p>
<p>O primeiro número correspondia à meta de 60 milhões de clientes. O segundo previa a redução do índice de eficiência para 30%. O terceiro representava um retorno sobre o patrimônio líquido de 30%.</p>
<p>Em maio, a companhia adiou o prazo para 2029. Também alterou o objetivo de rentabilidade para uma faixa entre 26% e 30%.</p>
<p>A mudança deu ao banco mais flexibilidade para administrar crescimento, despesas e risco. Ao mesmo tempo, reduziu a previsibilidade para investidores que haviam incorporado o cumprimento das metas ao horizonte de 2027.</p>
<p>O índice de eficiência mostra quanto uma instituição gasta para gerar receita. Quanto menor o percentual, maior tende a ser a produtividade operacional, embora a comparação dependa do modelo de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/negocios" target="_blank"  rel="noopener" title="Negócios" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="328608">negócios</a> e da composição das receitas.</p>
<p>O retorno sobre o patrimônio, por sua vez, mede a capacidade de transformar o capital dos acionistas em lucro. Um ROE entre 26% e 30% colocaria o Inter em um patamar elevado de rentabilidade, mas a distância entre os 15,5% registrados no primeiro trimestre e o objetivo de 2029 ainda é significativa.</p>
<p>Para cumprir o plano, o banco terá de ampliar margens, continuar reduzindo custos relativos e aumentar a monetização dos clientes sem comprometer a qualidade da carteira.</p>
<h2>Rule of 50 substitui foco exclusivo no crescimento</h2>
<p>Além do adiamento das metas, o Inter (INBR32) passou a adotar uma referência chamada “Rule of 50”, ou Regra dos 50.</p>
<p>A proposta combina o crescimento da receita com a rentabilidade. Pela lógica apresentada pela companhia, a soma dos dois indicadores deve alcançar 50%.</p>
<p>O modelo permite diferentes composições. Em um período de expansão mais acelerada, o crescimento da receita pode ter maior peso. Em uma fase de maturação, uma rentabilidade mais elevada pode compensar um avanço mais moderado.</p>
<p>A regra procura mostrar que o Inter não pretende buscar crescimento a qualquer custo. A administração quer equilibrar expansão da plataforma e retorno sobre o capital.</p>
<p>Para o mercado, o novo indicador terá de ser acompanhado por métricas objetivas. Investidores precisarão observar quais componentes de receita e rentabilidade serão utilizados, quais ajustes poderão ser feitos e como a companhia apresentará a evolução da meta ao longo dos trimestres.</p>
<p>A flexibilidade pode ajudar o banco a responder a mudanças econômicas. Em contrapartida, torna a avaliação menos direta do que o plano 60-30-30, baseado em três números claramente definidos.</p>
<p>A credibilidade da nova estratégia dependerá da capacidade de o Inter entregar resultados próximos das metas apresentadas e explicar eventuais desvios.</p>
<h2>Qualidade do crédito vira ponto central para investidores</h2>
<p>O crescimento de 33% da carteira de crédito no primeiro trimestre reforçou o banco como uma instituição cada vez mais relevante na concessão de empréstimos.</p>
<p>Essa expansão amplia as receitas potenciais, mas também aumenta a exposição a perdas. O efeito financeiro dos novos créditos depende do comportamento dos clientes nos meses seguintes.</p>
<p>A inadimplência, o custo do risco e o volume de provisões serão indicadores centrais nos próximos balanços do Inter (INBR32). Uma deterioração mais intensa poderia consumir parte do aumento das receitas e reduzir o ritmo de crescimento do lucro.</p>
<p>O consignado privado tornou-se uma das frentes de expansão. O produto possui desconto relacionado à renda do trabalhador, mas ainda exige avaliação sobre estabilidade do emprego, limites de comprometimento e capacidade de recuperação em caso de desligamento.</p>
<p>No financiamento imobiliário, os contratos possuem prazos mais longos e garantias reais, mas expõem o banco aos ciclos do mercado de <a class="wpil_keyword_link" href="https://gazetamercantil.com/trabalho" target="_blank"  rel="noopener" title="Trabalho" data-wpil-keyword-link="linked"  data-wpil-monitor-id="328609">trabalho</a>, da renda e dos juros.</p>
<p>Já o cartão de crédito oferece margens potencialmente maiores, mas apresenta risco de inadimplência mais elevado. A segmentação dos clientes e o ajuste dos limites tornam-se decisivos para proteger a rentabilidade.</p>
<p>A estratégia do Inter dependerá, portanto, não apenas do volume concedido, mas da qualidade dessa expansão.</p>
<h2>Venda da Squadra aumenta pressão sobre próximos resultados</h2>
<p>A redução da participação da Squadra ocorre antes de uma sequência de balanços que deverá testar a capacidade do Inter (INBR32) de manter a trajetória de crescimento.</p>
<p>O mercado acompanhará a evolução do lucro, do retorno sobre o patrimônio, da eficiência e da inadimplência. Também observará se o banco continuará expandindo sua carteira em ritmo elevado ou adotará uma postura mais conservadora diante do ambiente de juros.</p>
<p>A queda acumulada das ações reduziu o valor atribuído à companhia, mas uma eventual recuperação dependerá da confirmação dos resultados. O desconto do papel, isoladamente, não garante uma reprecificação.</p>
<p>Para voltar a atrair investidores de forma consistente, o Inter precisará mostrar que o adiamento das metas não representa perda de capacidade operacional, mas uma adequação realista do cronograma.</p>
<p>A posição de 9,80% mantida pela Squadra mostra que a gestora ainda possui exposição relevante à companhia. O movimento não encerra a relação societária, mas indica uma redução de risco justamente quando o mercado cobra maior previsibilidade.</p>
<p>Na segunda metade de 2026, o desempenho das ações deverá depender menos da expansão nominal da base de clientes e mais da capacidade do Inter de converter crescimento em lucro, controlar a inadimplência e demonstrar avanços concretos em direção aos objetivos estabelecidos para 2029.</p>
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