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Preço do chocolate: Queda no cacau só deve aliviar bolso no 2º semestre

por Aparecida Garcia - Repórter
14/01/2026
em Agronegócio, Destaque, Economia, News
Preço Do Chocolate: Queda No Cacau Só Deve Aliviar Bolso No 2º Semestre - Gazeta Mercantil

Queda na cotação do cacau não alivia bolso do consumidor e preço do chocolate só deve recuar no segundo semestre

O mercado global de commodities agrícolas vive um momento de aparente contradição que afeta diretamente o consumidor final nas prateleiras dos supermercados. Embora as cotações internacionais do cacau tenham apresentado uma queda significativa após os picos históricos registrados no final de 2024, essa redução no custo da matéria-prima ainda não se traduziu em alívio no preço do chocolate para as famílias. A dinâmica complexa da cadeia de suprimentos, somada aos estoques antigos e à destruição da demanda, indica que valores mais acessíveis só deverão ser vistos a partir do segundo semestre de 2026.

O cenário atual é de pressão contínua sobre o processamento de cacau em todo o mundo. A indústria moageira, responsável por transformar as amêndoas em manteiga e pó — ingredientes base para a confeitaria —, enfrenta dificuldades operacionais severas. Este gargalo industrial é um dos principais fatores que sustentam o preço do chocolate em patamares elevados, mesmo diante da desvalorização da commodity nas bolsas de Nova York e Londres.

O “Delay” da Cadeia Produtiva

Para entender por que o preço do chocolate não cai na mesma velocidade que o cacau, é preciso analisar a cronologia das compras industriais. A maior parte dos grãos que estão sendo processados neste primeiro trimestre de 2026 foi adquirida pelos fabricantes meses atrás, justamente quando os valores estavam nas alturas.

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Os contratos futuros de cacau atingiram um recorde histórico em dezembro de 2024, impulsionados por colheitas desastrosas na África Ocidental, região que concentra a maior produção global. Costa do Marfim e Gana enfrentaram problemas climáticos e doenças nas lavouras, o que gerou um choque de oferta sem precedentes. As indústrias, temendo ficar sem insumos, estocaram amêndoas a preços exorbitantes.

Agora, o mercado vive a “ressaca” desse movimento. Vladimir Zientek, trader sênior da StoneX, explica que os produtos derivados do cacau ainda estão muito caros em comparação com os níveis históricos de quatro ou cinco anos atrás. Segundo ele, essa realidade manterá os processamentos deprimidos pelo menos até o segundo trimestre deste ano, impedindo uma queda imediata no preço do chocolate. O alívio na cotação da commodity, portanto, só chegará ao varejo quando os estoques caros forem consumidos e substituídos pelas novas safras mais baratas.

Destruição da Demanda e Mudança de Hábito

O comportamento do consumidor tem sido determinante para a configuração atual do mercado. O choque inflacionário sobre o preço do chocolate provocou o que os economistas chamam de “destruição da demanda”. Diante de ovos de Páscoa, barras e bombons com valores proibitivos, muitas famílias simplesmente cortaram o item da lista de compras ou migraram para opções de menor qualidade.

Priyanka Sachdeva, analista sênior de mercado da corretora Phillip Nova Pte, em Cingapura, destaca que essa destruição da demanda causada pelos preços elevados parece ter superado até mesmo o suporte sazonal típico do quarto trimestre — período que engloba o Natal e o Ano Novo, tradicionalmente fortes para vendas de doces. A analista aponta que a Ásia deve registrar a queda mais acentuada no processamento ano a ano, uma vez que é mais difícil repassar o aumento de custos para um consumidor cujo consumo discricionário continua fraco.

Essa retração no consumo força a indústria a manter margens apertadas e dificulta a redução do preço do chocolate, pois o volume de vendas menor não dilui os custos fixos das fábricas. Para tentar manter a rentabilidade sem assustar ainda mais o cliente, os fabricantes recorreram à “reduflação” (diminuição do peso das embalagens) e à alteração de receitas.

A Estratégia dos Ingredientes Substitutos

Uma tendência clara observada no último ano foi a mudança na composição dos produtos para mitigar o impacto do custo do cacau no preço do chocolate final. As gôndolas foram invadidas por barras contendo mais biscoitos, wafers, cremes de amendoim, nozes e frutas secas. Esses ingredientes, embora saborosos, são significativamente mais baratos que a massa e a manteiga de cacau.

Essa reformulação de receitas teve um efeito colateral na indústria de processamento: prejudicou os preços da manteiga de cacau, que historicamente é o produto mais lucrativo para os processadores. A demanda mais fraca por manteiga pura — essencial para um chocolate de alta qualidade que derrete na boca — fez com que as margens de processamento na Europa caíssem abaixo do ponto de equilíbrio em agosto, atingindo o nível mais baixo já registrado em dezembro, segundo dados da KnowledgeCharts.

Quando a indústria opera com margens negativas ou muito baixas, ela reduz os investimentos e as taxas de operação. Isso gera capacidade ociosa nas fábricas, o que, ironicamente, pode manter o custo de produção unitário alto, sustentando o preço do chocolate para o consumidor final, mesmo com a matéria-prima caindo.

Panorama Regional: Europa e Ásia em Baixa

Os dados de processamento do quarto trimestre de 2025, que servem como termômetro da demanda industrial, são preocupantes. Na Europa, região que detém o título de maior consumidora global de derivados de cacau, a quantidade de grãos transformados provavelmente caiu cerca de 3% em relação ao ano anterior. Essa estimativa, baseada na média de 11 analistas e traders consultados pela Bloomberg, representaria o menor volume para um quarto trimestre em 11 anos.

Na Ásia, a situação é ainda mais dramática, com os processamentos caindo para o menor nível em uma década. Apenas na América do Norte houve um leve aumento, mas este dado deve ser lido com cautela: o crescimento deve-se parcialmente à adição de duas novas plantas que começaram a reportar seus números recentemente, o que mascara uma demanda orgânica que pode estar estagnada.

Jonathan Parkman, chefe de vendas agrícolas da corretora de commodities Marex Group, em Londres, alerta para a capacidade subutilizada nos principais centros de processamento. Segundo ele, há muita capacidade ociosa no mundo no momento. Ele estima uma queda global de 5% nos processamentos do quarto trimestre, não por falta de cacau, mas pela grande queda na demanda final e pelas mudanças nas receitas que visam controlar o preço do chocolate.

Volatilidade e Expectativas de Safra

Na última quarta-feira, o mercado futuro de cacau em Nova York registrou uma queda de até 5%, cotado a US$ 4.961 por tonelada. Este é o menor preço desde novembro do ano passado, sinalizando que a bolha especulativa pode ter estourado. A volatilidade dos preços aumentou recentemente com o reequilíbrio de índices amplos de commodities, onde fundos de investimento ajustam suas posições.

Apesar da queda, o valor ainda é alto se comparado à média histórica, o que continua pressionando a cadeia. Para a temporada 2025-26, espera-se uma recuperação modesta de 1,2% nos processamentos globais, sustentada pela queda recente das cotações. No entanto, Nisha Kumari, analista do Tropical General Investments Group, adverte que o crescimento da demanda continua atrás da recuperação da produção de cacau.

Isso significa que, embora a oferta de amêndoas esteja melhorando, o apetite do mercado consumidor pelo produto final, o chocolate, ainda está traumatizado pelos preços altos. O reequilíbrio desse mercado é lento. Produtores e analistas convergem na previsão de que o cacau mais barato comprado agora só começará a chegar aos supermercados na forma de produtos acabados na segunda metade de 2026. Até lá, o consumidor deve continuar encontrando o preço do chocolate salgado.

O Impacto Econômico no Brasil

No Brasil, o cenário reflete a tendência global, mas com agravantes locais como a taxa de câmbio e custos logísticos. A indústria nacional de chocolates, embora conte com produção interna de cacau (especialmente na Bahia e no Pará), ainda depende da referência internacional de preços.

A Páscoa de 2026, que ocorre no primeiro semestre, já foi planejada e produzida com o cacau adquirido a preços elevados. Portanto, os consumidores brasileiros não devem esperar ovos de Páscoa baratos este ano. O preço do chocolate sazonal deve refletir os custos de estoque do final de 2025.

Somente para as produções visando o Dia dos Namorados e o inverno — período de alto consumo no país — é que poderemos ver algum repasse da baixa das commodities. Ainda assim, a recomposição das margens de lucro das empresas pode absorver parte dessa queda, impedindo que o preço do chocolate volte aos patamares de três anos atrás.

Paciência para o Consumidor

A dinâmica do mercado de cacau e chocolate é um estudo de caso clássico de economia: choque de oferta (quebra de safra), seguido de explosão de preços, que leva à destruição da demanda e substituição de produtos. Agora, estamos na fase de ajuste, onde os preços da matéria-prima caem, mas a indústria precisa “limpar” o estoque caro e recuperar a eficiência operacional.

Para o amante de doces, a notícia exige paciência. O preço do chocolate deve permanecer uma barreira ao consumo desenfreado nos próximos meses. A tendência é que promoções agressivas só retornem quando a indústria sentir segurança na estabilização das cotações e na recuperação do poder de compra do consumidor. Até lá, o chocolate continua sendo um item de luxo na cesta de compras, e as barras com mais “recheio” e menos cacau continuarão dominando as prateleiras como estratégia de sobrevivência do setor.

Acompanharemos os relatórios de processamento das três grandes regiões (Europa, Ásia e América do Norte) que serão divulgados ainda esta semana para confirmar se a tendência de queda na moagem se concretiza, o que seria mais um indicador de que o preço do chocolate alto realmente freou o consumo global.

Tags: commodities agrícolasconsumo de chocolatecotação do cacaueconomia globalindústria de chocolateInflação Alimentosmercado de chocolate 2026ovos de páscoa 2026preço do chocolateprocessamento de cacau

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