Nubank Vai Quebrar? Entenda a Polêmica do Nome ‘Bank’, a Nova Regra do BC e a Real Solvência da Fintech
Uma tempestade de desinformação atingiu o mercado financeiro e as redes sociais nesta última semana de janeiro de 2026. A pergunta “o Nubank vai quebrar?” tornou-se um dos tópicos mais buscados na internet brasileira após a publicação da Resolução Conjunta nº 17/2025 pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A norma, que restringe o uso dos termos “banco” e “bank” por instituições que não possuem licença de banco comercial tradicional, gerou interpretações equivocadas sobre a sustentabilidade do negócio.
Diante do cenário de incerteza, é imperativo separar o fato regulatório do pânico infundado. A resposta técnica, baseada em balanços auditados e na regulação vigente, é taxativa: não há risco de quebra, insolvência ou descontinuidade das operações do Nubank. O que está em jogo é uma adequação de branding (marca) e transparência, não um problema de caixa.
O Que Diz a Resolução nº 17/2025 e Por Que Ela Assustou?
A nova diretriz do Banco Central (BC) tem um objetivo claro: eliminar a assimetria de informações no Sistema Financeiro Nacional (SFN). Com a explosão das fintechs na última década, muitos consumidores passaram a não distinguir a diferença entre um “bancão” tradicional (como Itaú, Bradesco ou Banco do Brasil) e Instituições de Pagamento (IPs) ou Sociedades de Crédito Direto (SCDs).
O Nubank, embora ofereça serviços bancários completos — como conta remunerada, cartões, empréstimos, seguros e investimentos —, opera juridicamente sob as licenças de IP e SCD. Essas licenças são mais leves em termos de exigências regulatórias do que as de um banco comercial.
A resolução determina que empresas com essas licenças não podem usar “banco” ou “bank” em suas marcas fantasia para não induzir o cliente ao erro. Como a marca “Nubank” carrega o sufixo inglês, a empresa foi o alvo central dos boatos de que o Nubank vai quebrar. Na realidade, a norma apenas exige que a empresa deixe claro qual é a sua natureza jurídica, podendo levar a uma alteração de nome fantasia no prazo de até um ano (por exemplo, para “Nu” ou “Nu Pagamentos”).
Raio-X Financeiro: Os Números Desmentem a Quebra
Para validar se uma instituição financeira corre risco de falência, analistas de mercado não olham para o nome, mas para os fundamentos contábeis. A Nu Holdings (NYSE: NU), controladora do Nubank, apresenta indicadores que refutam a tese de insolvência:
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Lucratividade Consistente: Superada a fase de crescimento acelerado com queima de caixa (cash burn) típica de startups, o Nubank reportou lucros líquidos robustos e crescentes ao longo de 2025, demonstrando que seu modelo de negócio é rentável e sustentável.
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Índice de Basileia: Este é o principal termômetro de saúde bancária. Ele mede a relação entre o capital próprio da instituição e o volume de empréstimos concedidos. O Nubank opera com um Índice de Basileia confortavelmente acima do mínimo de 11% exigido pelo Banco Central, o que indica solidez para absorver eventuais perdas.
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Liquidez e Caixa: A instituição mantém bilhões de dólares em caixa e equivalentes, fruto de sua abertura de capital (IPO) e da geração de caixa operacional.
Portanto, a especulação de que o Nubank vai quebrar ignora a realidade de uma empresa capitalizada, auditada internacionalmente e fiscalizada de perto pelo regulador brasileiro.
A Segurança do Dinheiro: Conta de Pagamento vs. RDB
Outro ponto que alimenta o medo de que o Nubank vai quebrar é a dúvida sobre a proteção dos depósitos. É fundamental que o consumidor entenda as garantias existentes, que permanecem inalteradas independentemente da mudança de nome:
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Patrimônio Segregado (Conta de Pagamento): O dinheiro que o cliente deixa na conta corrente (rendendo CDI) não se mistura com o patrimônio do Nubank. Por lei, esses recursos devem ser alocados em Títulos Públicos Federais (Tesouro Nacional) ou depositados no Banco Central. Isso significa que, mesmo se a fintech fechasse as portas, esse dinheiro estaria preservado e seria devolvido aos clientes. Ele não pode ser usado para pagar dívidas da empresa.
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FGC (Recibo de Depósito Bancário): Quando o cliente opta por investir em RDB ou utiliza as “Caixinhas”, ele conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Essa garantia cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição, a mesma segurança oferecida pelos grandes bancos de varejo.
Impacto no Setor e Concorrência
O Nubank não é o único afetado. A medida do Banco Central impacta um ecossistema de cerca de 15 a 20 instituições financeiras que utilizam terminologias semelhantes. O movimento é visto por especialistas como um amadurecimento do mercado brasileiro.
Ao nivelar o campo de jogo informacional, o BC fortalece a concorrência leal. As fintechs terão que competir pela qualidade do serviço e pelas taxas, sem se valer da “aura” de serem bancos tradicionais se não possuírem a licença específica para tal. Para o Nubank, que já possui uma marca forte e mais de 90 milhões de clientes, o ajuste de nomenclatura é um desafio de marketing, não de sobrevivência.
O Que Esperar Agora?
O Nubank já se manifestou afirmando que cumprirá integralmente as novas normas. O cenário mais provável para os próximos meses envolve:
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Plano de Adequação: A empresa tem 120 dias para apresentar ao BC como pretende se adequar.
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Transição de Marca: Mudanças graduais em logotipos, cartões e aplicativo, removendo a ênfase no termo “Bank”, caso o regulador mantenha a interpretação estrita.
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Continuidade: O aplicativo, o Pix, os limites de crédito e os investimentos continuam funcionando normalmente.
Veredito: O boato de que o Nubank vai quebrar é falso. Trata-se de uma confusão entre uma exigência burocrática de nome e a saúde financeira da empresa. O banco digital segue sólido, rentável e seguro para seus usuários.






