Regulação acelera uso de stablecoins em pagamentos internacionais e impulsiona adoção institucional da blockchain
A consolidação das stablecoins como instrumento operacional para pagamentos internacionais deixou de ser uma promessa distante e passou a ocupar posição central na estratégia de bancos, fintechs e empresas globais. O movimento ganhou tração a partir do avanço regulatório em mercados-chave, como Estados Unidos, Europa e Brasil, criando um ambiente de maior segurança jurídica e previsibilidade. A avaliação é de Caio Barbosa, CEO da Lumx, empresa brasileira especializada em infraestrutura blockchain, que tem acompanhado de perto a transformação do setor financeiro global.
Desde sua fundação, em 2022, a Lumx nasceu com foco no desenvolvimento de soluções para tokenização de ativos financeiros e não financeiros, incluindo imóveis, recebíveis e crédito de carbono. No entanto, a evolução do mercado e o contato direto com instituições financeiras levaram a companhia a redefinir prioridades e ajustar seu posicionamento estratégico.
Segundo Barbosa, a principal dor identificada estava no universo das transferências internacionais. Processos lentos, custos elevados, dependência de intermediários e pouca transparência operacional continuavam sendo entraves relevantes para empresas que atuam globalmente. Foi nesse contexto que o uso de stablecoins em pagamentos internacionais passou a se destacar como uma alternativa viável, eficiente e cada vez mais institucionalizada.
Mudança de foco e amadurecimento do mercado
A decisão de reposicionar a Lumx como provedora de infraestrutura para pagamentos internacionais baseados em stablecoins reflete uma mudança estrutural no mercado financeiro. Se, em um primeiro momento, os ativos digitais eram associados quase exclusivamente à especulação, hoje passam a ser reconhecidos como ferramentas operacionais para tesouraria, liquidação e movimentação de recursos entre países.
As stablecoins, por serem lastreadas em moedas fiduciárias — com predominância do dólar — oferecem previsibilidade de valor, reduzindo volatilidade e riscos cambiais no curto prazo. Essa característica foi determinante para que grandes instituições passassem a enxergar esses ativos como instrumentos legítimos para pagamentos internacionais, e não apenas como veículos de investimento.
O avanço desse modelo permitiu ganhos relevantes de eficiência. Operações que antes levavam dias passaram a ser liquidadas em minutos, com redução significativa de custos operacionais e maior transparência nos fluxos financeiros. Para empresas com presença global, a adoção de stablecoins em pagamentos internacionais passou a representar vantagem competitiva concreta.
A entrada dos grandes players institucionais
O amadurecimento do uso de stablecoins em pagamentos internacionais abriu espaço para a entrada de grandes bancos, empresas de pagamento e fintechs globais. Esse movimento, segundo Barbosa, foi impulsionado não apenas pela eficiência tecnológica, mas principalmente pelo avanço regulatório, que reduziu incertezas e riscos jurídicos.
A presença de stablecoins lastreadas em dólar também trouxe o tema para o centro do debate político e econômico nos Estados Unidos. A manutenção da dominância da moeda americana no sistema financeiro internacional passou a ser discutida sob a ótica dos ativos digitais, ampliando o interesse de reguladores e formuladores de políticas públicas.
Ao mesmo tempo, a participação institucional contribuiu para elevar os padrões de governança, compliance e segurança, afastando o estigma de informalidade que por anos acompanhou o mercado cripto. O resultado foi um ciclo de retroalimentação positiva, no qual mais regulação gerou mais confiança, e mais confiança acelerou a adoção.
Regulação como catalisador do crescimento
O ano de 2025 marcou um ponto de inflexão para o setor. Na Europa, a entrada em vigor do regulamento MiCA estabeleceu regras claras para emissores, prestadores de serviços e participantes do mercado de ativos digitais. Nos Estados Unidos, novas normas passaram a disciplinar a emissão e a supervisão das stablecoins, criando parâmetros mais definidos para atuação institucional.
No Brasil, o Banco Central avançou de forma decisiva ao publicar resoluções que enquadram os ativos virtuais e incorporam as stablecoins ao mercado de câmbio. A partir dessas normas, os pagamentos internacionais realizados com stablecoins passaram a seguir regras análogas às do câmbio tradicional, com adaptações que preservam a inovação tecnológica.
Esse avanço regulatório trouxe previsibilidade tanto para empresas de infraestrutura quanto para seus clientes. A definição clara do que pode e do que não pode ser feito reduziu resistências internas, facilitou a aprovação de projetos e acelerou a contratação de soluções baseadas em stablecoins para pagamentos internacionais.
Impacto direto na adoção empresarial
De acordo com o CEO da Lumx, o efeito da regulação foi imediato. Empresas que antes hesitavam em testar soluções baseadas em blockchain passaram a se sentir mais confortáveis para avançar. A clareza regulatória reduziu riscos percebidos e ampliou a confiança de áreas jurídicas, financeiras e de compliance.
Essa mudança de postura resultou em aumento da demanda por infraestrutura especializada, capaz de integrar stablecoins aos sistemas financeiros tradicionais. O foco deixou de ser apenas a tecnologia em si e passou a incluir requisitos rigorosos de conformidade, segurança da informação e governança corporativa.
Para empresas que já estavam estruturadas, o novo ambiente regulatório funcionou como um acelerador de crescimento. Por outro lado, startups menos preparadas enfrentaram dificuldades para atender à elevação da régua regulatória, evidenciando um processo natural de consolidação do mercado.
Desafios e oportunidades para startups
Embora a regulação tenha impulsionado a adoção institucional, ela também trouxe desafios relevantes, especialmente para startups. A exigência de padrões elevados de compliance, controles internos e adequação regulatória aumentou custos e complexidade operacional.
Ainda assim, o cenário é visto como positivo no médio e longo prazo. A presença de regras claras tende a eliminar modelos de negócio pouco sustentáveis, fortalecendo empresas que investem em governança, segurança e transparência. No contexto dos pagamentos internacionais com stablecoins, essa maturidade é considerada essencial para garantir escalabilidade e confiança.
A Lumx, segundo Barbosa, já vinha se preparando para esse ambiente mais exigente, o que permitiu atravessar o período de transição com menor impacto. Para o mercado como um todo, o processo de ajuste é visto como parte natural da evolução do setor.
Perspectivas para 2026 e o debate nos Estados Unidos
Para 2026, a expectativa é de continuidade no amadurecimento regulatório, com destaque para os Estados Unidos. O debate em torno do Clarity Act deve ganhar força, buscando definir de forma mais precisa a classificação dos ativos digitais e a responsabilidade dos órgãos reguladores.
A distinção entre commodities digitais, securities e outros tipos de ativos é considerada crucial para o futuro do mercado. Essa definição impacta diretamente a supervisão, os requisitos de compliance e o escopo de atuação de empresas que operam com stablecoins em pagamentos internacionais.
Temas sensíveis, como autocustódia e a atuação de reguladores sobre protocolos descentralizados, também devem avançar na agenda regulatória. O desfecho dessas discussões tende a influenciar não apenas o mercado americano, mas todo o ecossistema global de ativos digitais.
Stablecoins como infraestrutura financeira global
Mais do que uma inovação pontual, as stablecoins vêm se consolidando como parte da infraestrutura financeira global. O uso em pagamentos internacionais demonstra que a tecnologia blockchain pode ser integrada ao sistema financeiro tradicional de forma complementar, e não necessariamente disruptiva.
A combinação entre eficiência operacional, redução de custos e clareza regulatória cria um ambiente favorável para expansão contínua. À medida que mais países adotam marcos regulatórios claros, a tendência é que as stablecoins ganhem espaço como ferramenta padrão para liquidação internacional.
Nesse contexto, empresas especializadas em infraestrutura, como a Lumx, assumem papel estratégico ao conectar o universo cripto às demandas do mercado financeiro tradicional, viabilizando uma adoção segura, escalável e alinhada às exigências regulatórias.






