CPMI do INSS convoca banqueiros e amplia investigações sobre fraudes em consignados
A CPMI do INSS entrou em uma nova fase decisiva ao confirmar a convocação de executivos do setor financeiro para prestar depoimento no Congresso Nacional. A comissão parlamentar mista de inquérito, instalada para investigar suspeitas de fraudes na concessão de empréstimos consignados a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social, intensificou suas ações ao chamar nomes centrais do sistema bancário para esclarecer sua participação nos contratos investigados.
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou oficialmente a convocação do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e de Luiz Félix Cardamone Neto, presidente do Banco BMG. As oitivas estão agendadas para a próxima quinta-feira, 5 de fevereiro, data que também marca a retomada do ano legislativo no Congresso Nacional.
Segundo o senador, os depoimentos são considerados estratégicos para o avanço das investigações e têm caráter obrigatório. Caso haja ausência injustificada, a CPMI do INSS poderá solicitar condução coercitiva, instrumento previsto no regimento parlamentar para assegurar a presença de convocados.
Convocação obrigatória reforça poder da CPMI do INSS
Em manifestação pública, Carlos Viana ressaltou que a comissão seguirá adotando todas as medidas legais disponíveis para garantir que os fatos sejam plenamente esclarecidos. A CPMI do INSS, segundo ele, não aceitará manobras jurídicas que inviabilizem a apuração de responsabilidades em um esquema que teria afetado diretamente milhões de beneficiários da Previdência Social.
O senador destacou que aposentados e pensionistas figuram entre os grupos mais vulneráveis da sociedade brasileira e que qualquer prática irregular envolvendo crédito consignado representa uma violação grave de direitos. Para a comissão, compreender a atuação das instituições financeiras é essencial para mapear o funcionamento do esquema investigado.
A convocação dos banqueiros sinaliza que a CPMI do INSS avança para além da análise documental e passa a confrontar diretamente os principais agentes envolvidos nas operações financeiras sob suspeita.
Fraudes em consignados entram no centro da investigação
O foco da CPMI do INSS está na oferta e concessão de empréstimos consignados com indícios de irregularidades, como contratação sem consentimento do beneficiário, juros abusivos, venda casada e utilização indevida de dados pessoais. Relatos de aposentados indicam descontos realizados diretamente na folha de pagamento sem autorização clara ou compreensão dos termos contratuais.
De acordo com parlamentares, a dimensão do problema pode ser muito maior do que inicialmente estimado. A CPMI do INSS busca identificar se houve falhas sistêmicas, omissões regulatórias ou práticas deliberadas de fraude por parte de intermediários e instituições financeiras.
Nesse contexto, a oitiva de executivos bancários é vista como etapa crucial para esclarecer o papel das instituições na estruturação e operacionalização dos contratos investigados.
Caso Daniel Vorcaro amplia repercussão da CPMI do INSS
A convocação de Daniel Vorcaro confere ainda mais visibilidade à CPMI do INSS, devido ao histórico recente do banqueiro. Ele foi preso após a liquidação extrajudicial do Banco Master, sob suspeita de negociar títulos de crédito considerados fraudulentos. Atualmente, Vorcaro é monitorado por tornozeleira eletrônica, medida determinada em outro inquérito.
A comissão ressalta, contudo, que o depoimento solicitado não se refere diretamente às investigações conduzidas pela Polícia Federal, mas sim a possíveis irregularidades envolvendo crédito consignado ofertado a beneficiários do INSS. Ainda assim, o histórico do banqueiro amplia a expectativa em torno de seu comparecimento ao Congresso.
Para integrantes da CPMI do INSS, ouvir Vorcaro permitirá entender a estrutura decisória do banco e os mecanismos de controle utilizados na concessão dos empréstimos.
Ex-presidente do BMG também será ouvido
Luiz Félix Cardamone Neto, ex-presidente do Banco BMG, foi igualmente convocado pela CPMI do INSS. O banco figura entre as instituições com forte atuação no mercado de crédito consignado, segmento que cresceu de forma expressiva nos últimos anos, impulsionado pela garantia de desconto direto em benefício previdenciário.
A comissão pretende esclarecer como se davam os processos internos de aprovação, fiscalização e relacionamento com correspondentes bancários. Parlamentares avaliam que a atuação desses intermediários pode ter sido determinante para a disseminação das práticas sob investigação.
A expectativa é que o depoimento de Cardamone Neto contribua para identificar eventuais falhas de governança ou decisões estratégicas que tenham favorecido irregularidades.
Habeas corpus e disputas jurídicas acompanham a CPMI do INSS
A CPMI do INSS também enfrenta disputas no campo jurídico. O senador Carlos Viana informou que a comissão atua para reverter um habeas corpus concedido de forma provisória ao empresário Maurício Camisotti, apontado como um dos operadores do esquema investigado. A decisão judicial dispensou Camisotti de comparecer à comissão, o que gerou reação imediata dos parlamentares.
Segundo Viana, permitir que investigados se ausentem fragiliza o trabalho da comissão e compromete o esclarecimento dos fatos. A CPMI do INSS defende que o interesse público deve prevalecer sobre decisões provisórias que impeçam o avanço das investigações.
As defesas de Vorcaro e de Cardamone Neto ainda podem recorrer ao Supremo Tribunal Federal para tentar evitar o comparecimento, cenário que mantém a tensão institucional em torno dos trabalhos da comissão.
Prorrogação dos trabalhos ganha força no Senado
Diante da complexidade do caso, Carlos Viana defendeu publicamente a prorrogação do prazo de funcionamento da CPMI do INSS. Segundo ele, a coleta de assinaturas para estender os trabalhos avança no Congresso, com apoio de parlamentares de diferentes partidos.
O argumento central é que os fatos apurados até o momento indicam a necessidade de aprofundamento das investigações. Para o senador, encerrar a comissão sem responsabilizar todos os envolvidos seria um desserviço à sociedade, especialmente aos aposentados e pensionistas lesados.
A retomada dos trabalhos está prevista para 5 de fevereiro, quando o pedido de prorrogação deverá ser tratado diretamente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Impacto político e social da CPMI do INSS
A CPMI do INSS se consolidou como uma das principais frentes de apuração do Congresso ao lidar com um tema sensível e de grande alcance social. O crédito consignado é amplamente utilizado por beneficiários da Previdência, muitos deles com renda limitada e baixo acesso à informação financeira.
Especialistas avaliam que os desdobramentos da comissão podem resultar em mudanças regulatórias, revisão de práticas bancárias e maior rigor na fiscalização do setor. Além disso, o relatório final da CPMI do INSS pode subsidiar ações judiciais e administrativas contra instituições e indivíduos envolvidos.
O discurso adotado pelos parlamentares reforça o caráter punitivo e pedagógico da investigação, ao sinalizar que irregularidades contra aposentados não serão toleradas.
Expectativa para os próximos depoimentos
Com as oitivas marcadas, a CPMI do INSS entra em uma fase decisiva. A presença de executivos de alto escalão tende a esclarecer pontos-chave do esquema investigado e a definir os rumos do relatório final.
A comissão aposta na transparência e na exposição pública dos depoimentos como forma de pressionar por respostas e garantir que os responsáveis sejam identificados. O avanço das investigações reforça o papel do Congresso na fiscalização de setores estratégicos da economia e na defesa de grupos vulneráveis.
Os próximos dias devem ser decisivos para o futuro da CPMI do INSS e para a responsabilização dos envolvidos nas fraudes em consignados.






