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Home Economia

Prata desaba 20% e metais têm pior dia desde 2008: Entenda o Crash

por Camila Braga - Repórter de Economia
30/01/2026
em Economia, Destaque, News
Prata Desaba 20% E Metais Têm Pior Dia Desde 2008: Entenda O Crash - Gazeta Mercantil

Prata sofre colapso de 20% e metais preciosos enfrentam a maior liquidação diária desde 2008

O mercado global de commodities testemunhou nesta sexta-feira um movimento de correção histórica que abalou a confiança de investidores e redefiniu os parâmetros de volatilidade para o ano de 2026. Em um pregão marcado pelo pânico e pela liquidação forçada de posições, a prata despencou mais de 20%, registrando sua maior queda intradiária desde a crise financeira de 2008. O movimento arrastou consigo o ouro e o cobre, encerrando abruptamente um rali que vinha quebrando recordes sucessivos.

A magnitude da desvalorização da prata e do ouro surpreendeu até mesmo os operadores mais experientes de Wall Street, evidenciando a fragilidade de um mercado que havia subido de forma parabólica nas últimas semanas. O ouro, ativo de refúgio por excelência, chegou a cair 8%, rompendo para baixo o nível psicológico e técnico de US$ 5.000 a onça-troy. No entanto, foi o desempenho da prata que capturou a atenção do mundo financeiro, com uma retração que eliminou bilhões de dólares em valor de mercado em questão de horas.

O gatilho fundamental: O Fator Trump e o Federal Reserve

A reversão dramática nos preços da prata e dos demais metais preciosos não ocorreu no vácuo. O catalisador fundamental para essa tempestade perfeita foi a confirmação de que o governo de Donald Trump se preparava para indicar Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed). A notícia, inicialmente veiculada como um rumor e posteriormente confirmada pelo próprio presidente em uma publicação nesta sexta-feira, provocou uma reação imediata nos mercados de câmbio.

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Kevin Warsh, ex-diretor do banco central norte-americano, carrega uma reputação de longa data como um “hawk” (falcão) no combate à inflação — um perfil que historicamente favorece uma política monetária mais restritiva e taxas de juros mais elevadas. Embora Warsh tenha se alinhado publicamente a Trump nos últimos meses defendendo juros mais baixos, o mercado reagiu ao seu histórico ortodoxo.

O resultado foi uma recuperação vigorosa do dólar norte-americano. O fortalecimento da moeda americana é tradicionalmente negativo para commodities precificadas em dólar, como a prata e o ouro, pois encarece os metais para detentores de outras divisas e reduz o apelo de ativos que não pagam juros (yield). A alta do dólar minou o apetite dos investidores que vinham acumulando metais sob a premissa de que o presidente Trump permitiria um enfraquecimento do dólar para favorecer as exportações.

Volatilidade extrema e a mecânica do Crash

A liquidação da prata expõe a natureza de “faca de dois gumes” dos mercados impulsionados por momentum. Christopher Wong, estrategista do Oversea-Chinese Banking Corp., resumiu o sentimento do mercado ao validar a tese de cautela: “sobe rápido, cai rápido”. Segundo a análise de especialistas, embora a nomeação de Warsh tenha servido como gatilho, uma correção nos preços da prata e do ouro já estava atrasada.

“É como um daqueles pretextos que o mercado estava esperando para desfazer esses movimentos parabólicos”, afirmou Wong. O mercado de metais preciosos havia se tornado um cenário de profecia autorrealizável, onde a alta dos preços atraía mais compradores, gerando uma demanda que parecia insaciável — até deixar de ser.

Essa dinâmica foi exacerbada por modelos de risco e balanços de operadores pressionados pela volatilidade excepcional. Quando a tendência virou, a porta de saída se mostrou estreita demais para o volume de investidores tentando realizar lucros ou estancar perdas na prata.

O fenômeno “Gamma Squeeze” acelerou a queda da prata

Para entender a profundidade da queda da prata e do ouro, é necessário olhar para além dos fundamentos macroeconômicos e analisar a estrutura técnica do mercado. Analistas apontam que o colapso pode ter sido acelerado por um fenômeno conhecido como “gamma squeeze”.

Este mecanismo ocorre no mercado de opções. Durante o rali de alta, houve uma onda recorde de compras de opções de compra (calls) — contratos que dão ao detentor o direito de comprar o ativo a um preço predeterminado. Para proteger sua exposição (hedge), os vendedores dessas opções (geralmente grandes bancos e dealers) precisavam comprar o ativo subjacente (ouro e prata) à medida que os preços subiam, o que, por sua vez, empurrava os preços ainda mais para cima. O Goldman Sachs Group Inc. destacou em relatório que esse processo vinha “reforçando mecanicamente o momentum de alta dos preços”.

No entanto, essa mecânica funciona para ambos os lados. Quando os preços começaram a cair, esses mesmos dealers precisaram vender suas posições para manter seus portfólios balanceados e neutros em delta.

No caso do ETF SPDR Gold Shares e dos contratos futuros na Comex, havia grandes concentrações de posições de opções. À medida que os preços do ouro rompiam para baixo níveis críticos — como US$ 5.300, US$ 5.200 e US$ 5.100 —, a venda forçada por parte dos dealers intensificou o movimento de baixa. A prata, sendo um mercado menor e menos líquido que o ouro, sofreu esse impacto de forma ainda mais violenta, resultando na desvalorização superior a 20%.

Indicadores técnicos: Sinais de alerta ignorados

Antes do colapso desta sexta-feira, diversos indicadores técnicos já piscavam luzes vermelhas, sugerindo que a prata e o ouro estavam perigosamente esticados. O Índice de Força Relativa (RSI), uma métrica utilizada para avaliar se um ativo está sobrecomprado ou sobrevendido, atingiu níveis historicamente altos.

No caso do ouro, o RSI chegou a bater 90, o maior nível em décadas. Para a prata, a situação era similar. Quando um ativo atinge tais patamares de “sobrecompra”, a probabilidade de uma reversão brusca aumenta exponencialmente, pois sugere que o movimento de alta exauriu sua força compradora imediata.

Analistas do Commerzbank AG observaram que a magnitude da correção sugere que “os participantes do mercado estavam simplesmente esperando uma oportunidade para realizar lucros após a rápida alta dos preços”. A prata, que acumulava uma alta superior a 40% no ano antes do crash, era o alvo perfeito para essa realização de lucros massiva.

O impacto nas mineradoras e no mercado amplo

A queda vertiginosa da prata e do ouro não se limitou aos contratos futuros e ao mercado à vista; ela transbordou para o mercado de ações, dizimando o valor de mercado das principais mineradoras.

Em Nova York, papéis de gigantes do setor, como Newmont Corp., Barrick Mining Corp. e Agnico Eagle Mines Ltd., registraram quedas superiores a 8%. Para estas empresas, a cotação da prata e do ouro é determinante para suas margens de lucro e fluxo de caixa livre. A volatilidade extrema dificulta o planejamento financeiro e a gestão de hedge dessas companhias, afugentando investidores que buscam estabilidade no setor de materiais básicos.

Além disso, o cobre, muitas vezes visto como um termômetro da economia global (Dr. Copper), também sofreu. Após ultrapassar a marca de US$ 14.000 a tonelada pela primeira vez na quinta-feira, o metal vermelho recuou quase 4% em Londres, no seu maior salto intradiário (para baixo) desde 2008. Isso indica que a aversão ao risco se espalhou por todo o complexo de metais, e não apenas nos metais preciosos.

A China e a intervenção regulatória

Outro fator crucial para a dinâmica recente da prata foi o comportamento dos investidores chineses. A China liderou o movimento de alta nos últimos meses, com uma demanda voraz tanto por ouro quanto por prata, motivada pela busca de proteção contra a desvalorização do yuan e incertezas imobiliárias locais.

A compra foi tão intensa que a Bolsa de Futuros de Xangai se viu obrigada a intervir. A instituição anunciou medidas de emergência para “esfriar” a disparada nos mercados de metais preciosos e industriais, aumentando as margens de garantia e impondo limites às negociações. Essas restrições regulatórias, somadas à alta do dólar, ajudaram a sufocar o rali da prata no mercado asiático, criando um efeito cascata que se espalhou para Londres e Nova York.

Perspectivas: O fim do rali ou apenas uma pausa?

A grande questão que paira sobre as mesas de operação agora é: este é o fim do ciclo de alta ou apenas uma correção saudável em um mercado de alta secular (bull market)?

Apesar da queda de 20% na prata e de 8% no ouro, ambos os metais ainda caminham para fechar o mês com fortes ganhos. O ouro mantém uma alta de cerca de 18% em janeiro, aproximando-se de seu maior ganho mensal desde 1980. A prata, mesmo após o desastre de sexta-feira, sustenta uma valorização acumulada significativa no ano.

Dominik Sperzel, head de trading da Heraeus Precious Metals, alerta para a continuidade da instabilidade. “A volatilidade está extremamente alta e os níveis de resistência psicológica de US$ 5.000 e US$ 100, respectivamente, foram rompidos diversas vezes nesta sexta-feira. Precisamos nos preparar para que a montanha-russa continue”, afirmou.

Estrategistas da Bloomberg apontam para uma comparação histórica interessante. A razão prata/ouro subiu recentemente quase tanto quanto no final da década de 1970. Os movimentos dramáticos de hoje podem ter marcado um “ponto de rejeição”. Embora o ouro e a prata, isoladamente, não tenham igualado os ralis de 1979 em termos percentuais totais, a dinâmica de preços assumiu o papel de principal força motriz, deixando os fundamentos econômicos temporariamente em segundo plano.

O cenário político e macroeconômico nos EUA

O ambiente político nos Estados Unidos continua a ser uma fonte primária de incerteza e volatilidade para a prata. Além da nomeação de Kevin Warsh, o mercado monitora as negociações orçamentárias. O risco de uma nova paralisação do governo dos EUA (shutdown) foi evitado preliminarmente após um acordo entre Trump e democratas no Senado. No entanto, a Casa Branca continua em negociações tensas sobre novos limites às operações de imigração, um tema que gera indignação nacional e pode trazer mais ruídos políticos.

Apesar da reputação “hawk” de Warsh, o Commerzbank ressalta que há uma grande probabilidade de que o Fed, sob nova direção ou pressão política, acabe cedendo e cortando os juros de forma mais agressiva do que o mercado precifica atualmente. Se isso ocorrer, o dólar poderia perder força novamente, reacendendo a chama altista para a prata e o ouro.

Proteção em tempos de caos

O crash da prata nesta sexta-feira serve como um lembrete brutal dos riscos associados a mercados parabólicos. Para o investidor, o evento destaca a importância da gestão de risco e da diversificação.

Às 11h53 em Nova York, o cenário era de terra arrasada para os altistas (bulls): o ouro à vista caía 7,4%, cotado a US$ 4.977,06 a onça. A prata recuava exatos 20%, negociada a US$ 92,96 a onça. Platina e paládio seguiam o mesmo caminho de queda, enquanto o Bloomberg Dollar Spot Index subia 0,6%, reafirmando a correlação inversa entre a moeda americana e as commodities.

O mercado de prata provou, mais uma vez, que pode ser tanto uma fonte de lucros extraordinários quanto de perdas devastadoras. Enquanto o mundo digere a nomeação de Warsh e os ajustes técnicos de fim de mês, a única certeza para os próximos dias é a continuidade da volatilidade. Investidores devem manter a cautela, observando se os níveis de suporte técnico irão segurar os preços ou se a correção da prata tem espaço para se aprofundar ainda mais.

Tags: commoditiesCotação da PrataCrise 2008.DólarFederal ReserveGamma SqueezeinvestimentosKevin WarshMercado FinanceiroMineraçãoOuroprataPreço da PrataQueda da Pratavolatilidade

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