Petróleo vira para queda após abrir em alta com nova ofensiva de EUA e Irã em Ormuz
Os contratos futuros de petróleo abriram em alta e inverteram para queda na manhã desta quinta dia 9 nos mercados de Londres e Nova York enquanto Estados Unidos e Irã confirmaram pelo segundo dia consecutivo novos ataques militares no entorno do Estreito de Ormuz uma das rotas mais críticas para o escoamento mundial de petróleo e gás em um movimento marcado por realização de lucros depois de disparada superior a 7 por cento na véspera e por cautela com risco de interrupção de oferta. Por volta de 9h o Brent referência internacional negociada em Londres avançava 0,58 por cento a US$ 78,52 o barril. Às 10h30 o mesmo contrato passou a recuar 0,04 por cento em sinal de perda de fôlego comprador. O WTI referência americana seguiu trajetória semelhante. Subia 0,34 por cento a US$ 73,76 no início da sessão e virou para queda de 0,53 por cento no fim da manhã. A inversão intradia do petróleo contrasta com a força do pregão anterior e mostra um mercado que tenta precificar ao mesmo tempo o prêmio de risco geopolítico e a possibilidade de normalização do fluxo marítimo. O recuo do petróleo ocorre em momento de sensibilidade elevada para ativos de risco. O conflito no Oriente Médio voltou ao centro das decisões de alocação e adiciona volatilidade a câmbio juros futuros e ações de empresas ligadas a commodities. Para o Brasil a dinâmica do petróleo tem efeito direto sobre inflação implícita expectativas para a Petrobras (PETR4) e comportamento do Ibovespa que tem nas petroleiras um dos principais pesos setoriais. Comando Central dos EUA confirma ataque a 90 alvos iranianos Na noite de quarta dia 8 as forças do Comando Central dos Estados Unidos realizaram nova rodada de ataques contra o Irã. Segundo comunicado militar americano o objetivo foi reduzir a capacidade iraniana de atingir navios comerciais e tripulações civis no Estreito de Ormuz. A operação atingiu cerca de 90 alvos estratégicos ao longo da costa iraniana. Entre as estruturas citadas como destruídas ou danificadas estão sistemas de defesa aérea ativos de vigilância costeira locais de armazenamento de mísseis e drones embarcações e capacidades navais de apoio e infraestrutura de logística militar. Washington sustenta que as ações são defensivas e voltadas a garantir liberdade de navegação. Teerã afirma que exerce direito de defesa de sua zona de influência e defende reconhecimento de soberania sobre trechos da rota marítima. O intercâmbio de ataques pelo segundo dia consecutivo marca escalada relevante para o petróleo. O mercado vinha operando com prêmio de risco contido desde o fim do ano passado ancorado em projeções de oferta confortável por parte de produtores fora da Opep e em demanda global mais fraca. A retomada de hostilidades diretas muda a equação de curto prazo do petróleo porque introduz possibilidade de fechamento tático ou de interdição parcial do tráfego no estreito mesmo que temporária. Mesas de energia em Nova York avaliam que o petróleo reage em duas etapas a choques desse tipo. Primeiro há alta rápida por aversão ao risco e compra de proteção. Depois há fase de avaliação sobre danos efetivos à infraestrutura sobre tempo de interrupção e sobre resposta de estoques estratégicos. Foi essa segunda fase que predominou na manhã desta quinta quando o petróleo devolveu os ganhos iniciais. Estreito de Ormuz concentra um quinto do fluxo mundial de petróleo O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo com cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da atual fase da guerra cerca de 20 por cento de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela via. O volume inclui exportações de Arábia Saudita Iraque Emirados Árabes Unidos Kuwait Catar e do próprio Irã além de boa parte do gás natural liquefeito originado no Golfo. Embora o Irã não seja proprietário jurídico da via marítima o país controla a costa norte do estreito além de ilhas e posições militares que permitem monitoramento quase total do tráfego de embarcações. Nos últimos anos Teerã transformou essa posição geográfica em instrumento de pressão política e militar. Após início do conflito mais amplo na região o governo iraniano chegou a fechar o estreito para obter vantagem em negociações medida que provocou salto imediato no preço do petróleo e forçou armadores a rever rotas e apólices de seguro. A importância do estreito explica por que qualquer movimentação militar na região tem impacto desproporcional sobre o petróleo. Mesmo sem bloqueio total o aumento do custo de frete de seguro marítimo e de tempo de trânsito já eleva o preço final do barril. Além disso refinarias na Ásia principal destino do óleo que cruza Ormuz são mais sensíveis a atrasos logísticos o que tende a pressionar diferenciais de preços e margens de refino. No caso atual o governo iraniano defende que o mundo reconheça sua soberania sobre a rota. Os Estados Unidos e aliados argumentam que se trata de águas internacionais e que a liberdade de navegação deve ser preservada sob regras multilaterais. A divergência cria impasse institucional que prolonga incerteza para o mercado de petróleo e reduz previsibilidade sobre quando o fluxo voltará a operar sem interferências. Virada do petróleo reflete realização técnica após rali superior a 7 por cento O movimento desta quinta no petróleo tem componente técnico claro. Depois de alta superior a 7 por cento na quarta fundos sistemáticos e operadores de curto prazo realizaram lucros o que explica a virada de sinal entre 9h e 10h30. A leitura de mesas é que o petróleo ainda mantém suporte acima de US$ 70 no WTI e de US$ 75 no Brent enquanto risco militar persistir mas enfrenta resistência para romper patamares mais altos sem evidência concreta de perda efetiva de oferta. O comportamento do petróleo também reflete ajuste de posicionamento antes de dados de estoques americanos e de indicadores de atividade na China e nos Estados Unidos que balizam demanda. Um petróleo mais caro por tempo prolongado tende a corroer margens de transporte aviação e indústria química ao mesmo tempo em que pressiona índices de inflação ao consumidor fator que influencia decisões de bancos centrais sobre juros. ...
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