Ex-sócio do Banco Master realizou nove visitas ao Centrão na Câmara
O empresário Augusto Ferreira Lima, conhecido como “Guga Lima” e ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, realizou ao menos nove visitas registradas à Câmara dos Deputados entre junho de 2021 e junho de 2022. Os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) e revelam encontros principalmente com parlamentares ligados ao Centrão, segundo levantamento da coluna de Milena Teixeira, do Metrópoles.
As informações reforçam a atenção do Congresso e da sociedade sobre o histórico de Guga Lima, que ganhou destaque após episódios envolvendo o Banco Master e investigações da Polícia Federal.
Agenda de visitas a lideranças do PP e PSD
Em 2021, Guga Lima compareceu duas vezes à liderança do Progressistas (PP), então comandada pelo deputado Cacá Leão (BA), atualmente secretário na Prefeitura de Salvador. No mesmo ano, o empresário visitou duas vezes a segunda vice-presidência da Câmara, ocupada por André de Paula (PSD-PE), que atualmente ocupa o Ministério da Pesca e Aquicultura.
Em 2022, Guga Lima voltou à liderança do PP, desta vez sob o comando de André Fufuca (MA), hoje ministro do Esporte. O levantamento ainda indica visita em 2021 ao gabinete do deputado Otto Alencar Filho (PSD-BA), que posteriormente assumiu cadeira no Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA).
A única visita registrada que não especificou detalhes ocorreu em um gabinete de liderança, sem identificação clara do parlamentar atendido.
Lacunas e explicações sobre os registros
A coluna observou que não há registros de visitas de Guga Lima entre 2023 e 2025. No entanto, fontes indicam que o funcionamento da Câmara pode gerar lacunas: o visitante pode acessar prédios por diferentes entradas e não aparecer nos mesmos registros oficiais.
Otto Alencar Filho afirmou conhecer Augusto Lima desde jovem e descreveu o encontro como uma conversa de cortesia, abordando política local e nacional. Já André Fufuca destacou que a liderança funciona como espaço compartilhado, o que não indica necessariamente atendimento direto do deputado. Cacá Leão e André de Paula não se manifestaram até a publicação.
Contexto e repercussão do caso Banco Master
O nome de Guga Lima voltou à atenção do público após o caso envolvendo o Banco Master, que gerou ampla cobertura jornalística e investigações da Polícia Federal. Em novembro de 2025, o empresário foi preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, que mira supostas vendas de carteiras de crédito falsas ao Banco de Brasília (BRB).
As visitas ao Centrão reforçam questionamentos sobre a proximidade de Guga Lima com parlamentares influentes, embora não haja indicação de irregularidade direta nas agendas registradas. Analistas políticos destacam que encontros frequentes com líderes de blocos partidários podem ser estratégicos para empresários com histórico de atuação em setores financeiros.
Importância política do Centrão
O Centrão é um grupo de partidos com grande peso legislativo no Congresso, conhecido por atuar em pautas estratégicas e influenciar decisões do governo. Os registros de Guga Lima mostram contato com lideranças de peso, como PP e PSD, indicando a relevância do relacionamento político para empresários com atuação no setor bancário.
A trajetória de visitas também evidencia a rotina de interação entre agentes privados e parlamentares em Brasília, que envolve reuniões de acompanhamento político, debates sobre legislação e troca de informações sobre políticas públicas.
Perspectiva de investigação e próximos passos
O histórico de Guga Lima, unido à investigação da Polícia Federal, sugere atenção contínua do público e das autoridades. A Operação Compliance Zero segue em andamento e foca em operações de crédito suspeitas envolvendo instituições financeiras, destacando a importância da transparência nas relações entre setor privado e Legislativo.
O caso também levanta debates sobre fiscalização e mecanismos de registro de visitas de empresários à Câmara, que podem ser aprimorados para garantir maior clareza e rastreabilidade das interações entre agentes políticos e representantes privados.
Implicações para o setor financeiro
O acompanhamento das atividades de Augusto Ferreira Lima evidencia o impacto potencial de relacionamentos políticos na gestão de negócios financeiros. Especialistas ressaltam que visitas frequentes a lideranças parlamentares podem facilitar entendimento sobre políticas regulatórias, mas também geram debates sobre ética e conformidade.
O caso Banco Master, aliado às agendas no Centrão, mantém o empresário em foco nas discussões sobre governança corporativa, operações de crédito e integridade do sistema bancário brasileiro.
Relevância para o público e a mídia
O registro de visitas e o contexto do Banco Master reforçam a necessidade de transparência na atuação de empresários junto ao Congresso Nacional. A imprensa e o público monitoram com atenção a evolução do caso, especialmente diante de impactos econômicos, legais e políticos.
Analistas indicam que a repercussão pode influenciar decisões futuras sobre legislação bancária, fiscalização e regulamentação de operações financeiras, tornando a trajetória de Guga Lima um exemplo de intersecção entre política e setor privado.






