Superávit comercial do Brasil cresce 86% em janeiro e alcança US$ 4,34 bilhões
O superávit comercial Brasil registrou um aumento expressivo em janeiro de 2026, atingindo US$ 4,343 bilhões, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta quinta-feira (5). O resultado representa uma alta de 85,8% em comparação com o mesmo mês de 2025, embora tenha ficado ligeiramente abaixo das projeções de analistas consultados pela Reuters, que apontavam US$ 4,9 bilhões.
O desempenho positivo da balança comercial brasileira decorreu principalmente da redução mais acentuada das importações, que caíram 9,8%, totalizando US$ 20,810 bilhões. Já as exportações somaram US$ 25,153 bilhões, apresentando leve retração de 1% em relação a janeiro do ano passado.
Queda nas importações dá impulso ao superávit comercial
A retração nas importações concentrou-se em bens intermediários e combustíveis, refletindo ajustes na demanda interna e estratégias de contenção de gastos das empresas. Em contraste, houve incremento nas compras de bens de consumo e bens de capital, embora em menor magnitude, contribuindo para um resultado líquido positivo e fortalecendo o superávit comercial Brasil no início de 2026.
Especialistas ressaltam que a redução nas importações favorece a liquidez externa do país, além de aliviar a pressão sobre a balança de pagamentos, proporcionando maior fôlego para o comércio internacional e políticas cambiais.
Agropecuária sustenta exportações enquanto indústria desacelera
No lado das exportações, o setor agropecuário apresentou desempenho favorável, com alta de 2,1%, impulsionada pelo bom desempenho da soja e do milho. Este resultado reforça a importância do agronegócio como motor do comércio exterior brasileiro e sustentador do superávit comercial Brasil em momentos de desaceleração industrial.
Por outro lado, a indústria extrativa recuou 3,4%, pressionada pela redução das vendas de petróleo e minério de ferro, enquanto a indústria de transformação apresentou ligeira queda de 0,5%. Essa combinação evidencia a dependência do país de commodities agrícolas e minerais, assim como a necessidade de políticas para ampliar o desempenho industrial no comércio exterior.
Mudança na composição do destino das exportações
A análise por países revela mudanças importantes nos fluxos comerciais. As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 25,5% em comparação anual, reduzindo a participação do país no total exportado pelo Brasil de 12,7% em janeiro de 2025 para 9,5% em janeiro deste ano.
Em contrapartida, a China ampliou sua participação de 21,7% para 25,7%, consolidando-se como principal destino das vendas brasileiras. Esse movimento reflete o deslocamento do comércio exterior em direção a parceiros estratégicos asiáticos, reforçando o papel da China como parceiro central no superávit comercial Brasil e na dinâmica de exportações nacionais.
Impactos econômicos e perspectivas para 2026
O aumento do superávit comercial Brasil em janeiro indica recuperação da competitividade externa, impulsionada pelo ajuste nas importações e pelo desempenho sólido do setor agropecuário. Economistas afirmam que, embora o resultado inicial seja positivo, o país ainda enfrenta desafios estruturais, incluindo a diversificação industrial e a redução da dependência de commodities para sustentar o saldo comercial.
Além disso, o deslocamento das exportações em direção à China pode gerar maior exposição às flutuações da demanda asiática, exigindo estratégias de mitigação de riscos e ampliação da base de parceiros comerciais.
Setores com maior contribuição para o superávit
Dentro do comércio exterior brasileiro, o agronegócio se manteve como o setor mais resiliente, com destaque para a soja, milho e carnes, que compensaram parcialmente a desaceleração industrial. Já a indústria extrativa enfrenta pressões externas, principalmente pela queda nos preços de petróleo e minério de ferro no mercado internacional.
O comportamento das importações também merece atenção. A queda significativa em bens intermediários e combustíveis sinaliza ajuste na demanda industrial e nas cadeias produtivas, enquanto o aumento em bens de consumo e capital indica recuperação gradual da atividade econômica interna.
Implicações para o câmbio e política econômica
O superávit robusto traz efeitos diretos sobre o mercado cambial, contribuindo para estabilidade do real frente ao dólar e permitindo maior previsibilidade nas operações de comércio exterior. Além disso, os resultados reforçam a capacidade do Brasil em gerar reservas internacionais, o que impacta positivamente a confiança de investidores estrangeiros.
Para o governo e o Banco Central, o superávit comercial Brasil representa oportunidade de manter políticas de estímulo seletivas ao setor exportador, ao mesmo tempo em que equilibra fluxos de importação essenciais à economia doméstica.
Expectativas para os próximos meses
Analistas projetam que o superávit comercial Brasil poderá se manter elevado ao longo de 2026, desde que a demanda externa continue favorável e a produção agrícola mantenha seu ritmo. Entretanto, a recuperação industrial e a diversificação das exportações são vistas como fatores cruciais para garantir sustentabilidade do resultado.
A interação entre setores agropecuário, industrial e comercial, juntamente com a estratégia de ampliar relações com parceiros como China, União Europeia e América Latina, deverá determinar a trajetória do comércio exterior brasileiro no próximo período.






