Ibovespa fecha em leve alta nesta quinta-feira (5), puxado por Itaú (ITUB4); Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) recuam com commodities
O mercado acionário brasileiro encerrou a sessão desta quinta-feira (5) em leve alta, com o Ibovespa sustentado principalmente pelo desempenho positivo das ações do Itaú Unibanco (ITUB4), após a divulgação do balanço do quarto trimestre. Em contrapartida, papéis ligados a commodities pressionaram o índice, com quedas relevantes de Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3; PETR4), em um pregão marcado por cautela no exterior e ajustes após dados econômicos internacionais.
O principal índice da B3 avançou 0,18% no fechamento, aos 182.035,83 pontos, após oscilar entre mínimas e máximas moderadas ao longo do dia. No mercado de câmbio, o dólar comercial terminou praticamente estável, em leve valorização de 0,08%, cotado a R$ 5,254, refletindo a força global da moeda americana e um ambiente externo mais defensivo.
Desempenho do Itaú sustenta o índice após balanço trimestral
As ações do Itaú Unibanco (ITUB4) encerraram o pregão em alta próxima de 2%, figurando entre os principais suportes do Ibovespa no dia. O movimento ocorreu após a divulgação do resultado do quarto trimestre, que mostrou lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bilhões, crescimento de 3,7% em relação ao trimestre anterior e avanço de 13,2% na comparação anual.
O desempenho levou o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) a 24,4%, nível considerado elevado pelo mercado financeiro e que reforça a posição do banco como referência em rentabilidade no sistema financeiro nacional. Executivos da instituição também sinalizaram que as projeções consideradas conservadoras podem ser revistas ao longo do ano, dependendo da evolução do cenário macroeconômico.
O resultado positivo do Itaú contrastou com o comportamento misto do setor bancário no pregão. Bradesco (BBDC3; BBDC4) operou em baixa antes da divulgação de seu balanço, enquanto Banco do Brasil (BBAS3) e Santander (SANB11) apresentaram oscilações moderadas, refletindo cautela dos investidores diante das expectativas sobre margens, inadimplência e provisões.
Ações de commodities pressionam Ibovespa em dia de queda externa
O avanço do Ibovespa foi limitado pela forte pressão sobre empresas ligadas a commodities. As ações da Vale (VALE3) encerraram o dia em queda de 3,44%, a R$ 86,35, acompanhando o recuo do minério de ferro nos mercados internacionais, especialmente na China e em Cingapura.
Petrobras (PETR3; PETR4) também figurou entre as maiores influências negativas do índice. Os papéis ordinários (PETR3) recuaram 1,43%, enquanto os preferenciais (PETR4) caíram 1,39%, refletindo a desvalorização do petróleo no mercado internacional.
Os contratos do Brent para abril fecharam em queda de 2,74%, a US$ 67,55 por barril, enquanto o WTI para março recuou 2,84%, a US$ 63,29. O movimento foi atribuído à percepção de alívio nas tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, além da confirmação de negociações sobre o programa nuclear iraniano, fatores que reduziram o prêmio de risco no mercado de energia.
Dólar encerra perto da estabilidade com fortalecimento global da moeda
No mercado cambial, o dólar à vista apresentou leve valorização frente ao real, encerrando a sessão cotado a R$ 5,254. Durante o dia, a moeda oscilou entre mínima de R$ 5,234 e máxima de R$ 5,288, refletindo tanto o cenário externo quanto fatores domésticos.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, avançou 0,20%, aos 97,81 pontos. Segundo operadores, o fortalecimento da moeda americana foi impulsionado por dados mais fracos do mercado de trabalho nos Estados Unidos, o que aumentou a percepção de desaceleração econômica e reforçou a busca por ativos considerados mais seguros.
No Brasil, o impacto do dólar foi parcialmente limitado pelo fluxo de recursos para a bolsa e pelo diferencial elevado de juros domésticos, que segue atraindo capital estrangeiro para aplicações em renda fixa.
Dados dos Estados Unidos aumentam cautela nos mercados globais
O pregão também foi influenciado por indicadores divulgados nos Estados Unidos. O relatório Jolts mostrou que a abertura de vagas de emprego caiu para 6,5 milhões em dezembro, abaixo das expectativas do mercado, que projetavam cerca de 7,175 milhões de postos abertos.
Além disso, os pedidos de auxílio-desemprego subiram em 22 mil na semana encerrada em 31 de janeiro, totalizando 231 mil solicitações, número bem acima das projeções de analistas. Os dados reforçaram a leitura de desaceleração gradual do mercado de trabalho americano, aumentando a volatilidade nos mercados globais.
Em Nova York, os principais índices acionários fecharam em queda. O S&P 500 recuou 1,23%, o Dow Jones caiu 1,20% e o Nasdaq perdeu 1,59%, refletindo o ajuste de expectativas em relação à política monetária e ao ritmo da economia dos Estados Unidos.
Maiores altas do Ibovespa refletem apetite por ações cíclicas
Entre as maiores altas do Ibovespa nesta quinta-feira (5), destacaram-se ações de empresas mais sensíveis ao ciclo econômico, beneficiadas por movimentos de recomposição de posições e expectativas de melhora gradual da atividade.
A MRV (MRVE3) liderou os ganhos do índice, com alta de 6,85%, encerrando o dia a R$ 8,74. No acumulado do mês, os papéis já avançam 8,3%, enquanto no ano a valorização chega a 12,2%.
Outro destaque foi a Vamos (VAMO3), que subiu 6,28%, cotada a R$ 4,40. A ação acumula alta de 10,28% no mês e expressiva valorização de 36,22% no ano, refletindo expectativas positivas em relação ao setor de locação de veículos e equipamentos.
As ações da Eneva (ENEV3) também figuraram entre as principais altas, com avanço de 3,7%, a R$ 21,58. O movimento ocorreu após a elevação da recomendação para compra por uma grande instituição financeira internacional, que revisou o preço-alvo dos papéis para cima.
Quedas expressivas concentram-se em Braskem, Porto Seguro e Vale
No campo das perdas, a Braskem (BRKM5) liderou as quedas do Ibovespa, com recuo de 4,56%, a R$ 9,00. O movimento ocorreu após a ação ter figurado entre as maiores altas na sessão anterior, em um ajuste técnico comum após fortes oscilações.
As ações da Porto Seguro (PSSA3) caíram 3,73%, a R$ 50,57, mesmo após a divulgação de lucro líquido de R$ 839 milhões no quarto trimestre, alta de 25% na comparação anual. No acumulado de 2025, a seguradora registrou lucro recorde de R$ 3,4 bilhões, mas o mercado realizou lucros diante da forte valorização prévia dos papéis.
Já a Vale (VALE3), além de pressionar o índice pelo peso que possui na carteira, foi impactada diretamente pela queda do minério de ferro, reforçando a correlação entre o desempenho das commodities e o humor dos investidores.
Balança comercial brasileira entra no radar dos investidores
No noticiário macroeconômico doméstico, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 4,3 bilhões em janeiro, crescimento de 85,8% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado foi impulsionado principalmente pela queda mais acentuada das importações, enquanto as exportações se mantiveram sustentadas pelo agronegócio.
Houve também mudança na composição geográfica das vendas externas, com aumento da participação da China e retração de 25,5% nas exportações destinadas aos Estados Unidos. Analistas avaliam que, embora o resultado siga confortável, a balança comercial tende a ficar mais dependente do desempenho das commodities e da demanda interna ao longo do ano.
Criptomoedas ampliam perdas em ambiente de aversão ao risco
O ambiente mais defensivo observado nos mercados tradicionais também se refletiu no segmento de criptoativos. O contrato futuro de bitcoin (BITFUT) registrou queda superior a 10% ao longo do dia, sendo negociado em torno de 346.700 pontos, ampliando as perdas recentes e acompanhando o movimento global de redução de risco.
Agenda política e externa também entra no radar do mercado
No campo político, investidores acompanharam declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que indicou a possibilidade de uma viagem a Washington na primeira semana de março. A sinalização foi interpretada como parte da agenda diplomática do governo e entrou no radar do mercado como um fator adicional de acompanhamento, especialmente no contexto das relações comerciais e institucionais com os Estados Unidos.






