China proíbe emissão não autorizada de stablecoins atreladas ao iuan
O Banco Popular da China (PBoC) anunciou nesta sexta-feira (6) novas medidas para reforçar a repressão às criptomoedas no país, proibindo a emissão offshore não autorizada de stablecoins atreladas ao iuan. A decisão, comunicada oficialmente pelo PBoC em conjunto com sete outras agências regulatórias chinesas, estabelece um endurecimento das regras para ativos digitais no país, visando conter riscos financeiros e proteger a estabilidade econômica.
Criptomoedas sob alerta: status legal e restrições
Em comunicado conjunto, os reguladores destacaram que “as moedas virtuais não têm o mesmo status legal que as moedas fiduciárias”. Além disso, as atividades comerciais relacionadas a moedas digitais foram qualificadas como “atividades financeiras ilegais”, reforçando que qualquer operação envolvendo criptomoedas sem autorização constitui violação da legislação chinesa.
O PBoC enfatizou que, sem aprovação oficial, entidades nacionais e suas controladas no exterior estão proibidas de emitir moedas virtuais fora da China. O mesmo se aplica a entidades estrangeiras que desejem lançar stablecoins atreladas ao iuan, reforçando a necessidade de conformidade rigorosa com as normas locais.
Stablecoins atreladas ao iuan: funções e riscos
Segundo o PBoC, as stablecoins atreladas a moedas fiduciárias, como o iuan, desempenham efetivamente algumas funções das moedas tradicionais em circulação. Isso significa que tais ativos digitais podem atuar como meio de pagamento ou reserva de valor, mas sem a supervisão regulatória adequada, representam riscos sistêmicos relevantes para o sistema financeiro.
A proibição visa reduzir o risco de evasão regulatória, lavagem de dinheiro e instabilidade monetária, especialmente em operações offshore, onde o controle das autoridades chinesas é mais limitado. O alerta reforça a intenção do governo de manter a soberania sobre a emissão de moeda e a política monetária, em linha com a estratégia de digitalização do iuan, já em teste em várias cidades chinesas.
Restrição a serviços financeiros para empresas de criptomoedas
Além da proibição de emissão, o PBoC também orientou instituições financeiras a não prestarem serviços bancários ou de compensação para empresas relacionadas a moedas virtuais não autorizadas. Essa medida amplia a fiscalização sobre exchanges, corretoras e demais operadores que poderiam intermediar ou facilitar transações com stablecoins offshore atreladas ao iuan sem aprovação oficial.
Especialistas financeiros afirmam que essa ação pode reduzir significativamente a circulação de criptomoedas no exterior vinculadas à economia chinesa, além de limitar a exposição de investidores e instituições financeiras a riscos associados a ativos digitais não regulamentados.
Repressão contínua: histórico da China com criptomoedas
A China mantém uma postura restritiva em relação a criptomoedas desde 2017, quando proibiu a emissão de ICOs (Initial Coin Offerings) e exchanges de ativos digitais dentro do país. Desde então, o governo intensificou ações para eliminar operações não autorizadas, incluindo o banimento de mineração de criptomoedas em grande escala.
A decisão atual reforça a política de zero tolerância a iniciativas que possam comprometer a estabilidade financeira. Ao mesmo tempo, o PBoC segue avançando no desenvolvimento do iuan digital, que oferece controle regulatório direto e rastreabilidade de transações, diferentemente das stablecoins privadas, cuja circulação pode ocorrer fora da supervisão estatal.
Implicações para o mercado de stablecoins
A proibição de emissão de stablecoins offshore atreladas ao iuan impacta tanto investidores estrangeiros quanto operadores chineses que buscam alternativas digitais fora do controle do PBoC. O movimento indica que o governo pretende centralizar a autoridade sobre todos os ativos digitais com lastro na moeda nacional, limitando iniciativas privadas que possam replicar funções de moeda fiduciária.
Analistas financeiros destacam que a medida pode reduzir a liquidez dessas stablecoins no mercado internacional, especialmente em países que operam como hubs de tecnologia financeira. Além disso, empresas que mantêm fundos em stablecoins atreladas ao iuan deverão revisar suas operações para garantir conformidade regulatória.
Potenciais efeitos no mercado global de criptomoedas
A restrição chinesa pode ter efeito dominó em mercados internacionais, dado o papel da China como grande emissor de ativos digitais e participante de exchanges globais. Investidores que mantêm posições em stablecoins vinculadas ao iuan precisarão monitorar atentamente a situação e adaptar estratégias para evitar penalidades ou perda de ativos.
Enquanto alguns mercados digitais buscam alternativas descentralizadas, o movimento chinês reforça que a regulamentação nacional continua prevalente, destacando a necessidade de conformidade com políticas monetárias e regulatórias locais.
iuan digital como alternativa controlada
O PBoC tem promovido o iuan digital (e-CNY) como alternativa segura e supervisionada, oferecendo transações rápidas e rastreáveis, totalmente integradas ao sistema bancário oficial. A iniciativa busca reduzir a dependência de stablecoins privadas, proporcionando confiança ao mercado e reforçando a soberania monetária da China.
Especialistas apontam que a adoção do iuan digital, combinada com restrições a stablecoins offshore, cria um ambiente regulatório rigoroso que privilegia a estabilidade financeira e limita riscos de especulação e fraude.
China fortalece supervisão e previne riscos sistêmicos
A decisão de proibir emissão não autorizada de stablecoins atreladas ao iuan reforça a estratégia chinesa de supervisão intensa sobre ativos digitais. O objetivo é prevenir riscos financeiros, proteger consumidores e manter o controle sobre a política monetária em um contexto de crescente digitalização da economia.
Reguladores alertam que qualquer operação irregular poderá ser considerada atividade financeira ilegal, sujeita a sanções severas, incluindo bloqueio de contas, multas e processos judiciais. Essa postura consolidada envia um sinal claro a investidores e empresas internacionais sobre os limites legais para emissão e negociação de stablecoins vinculadas à moeda chinesa.
Estabilidade financeira em primeiro lugar
Com a medida, a China deixa evidente que a estabilidade do sistema financeiro é prioridade máxima. Ao limitar a circulação de moedas digitais privadas não autorizadas e incentivar o uso do iuan digital, o país reforça o compromisso com controle monetário, prevenção de crimes financeiros e manutenção da confiança no sistema bancário nacional.
O efeito imediato deve ser a redução da emissão de stablecoins offshore e a necessidade de revisão de contratos, investimentos e operações envolvendo iuan digital em plataformas internacionais.
Observatório global sobre ativos digitais
Investidores internacionais acompanham de perto os movimentos do PBoC, pois a postura chinesa sobre stablecoins e criptomoedas digitais tem impacto direto sobre mercados globais, exchanges e políticas de compliance em fintechs. A centralização regulatória pode servir de modelo para outros países que buscam maior controle sobre ativos digitais e moedas privadas.
O reforço na supervisão também contribui para maior previsibilidade regulatória, permitindo que empresas adaptem estratégias de investimento e operações internacionais sem risco de violar normas chinesas.






