FGC aprova plano emergencial para recompor caixa após rombo do Banco Master
O FGC (Fundo Garantidor de Crédito) aprovou nesta terça-feira (10) um plano emergencial para recompor sua liquidez após o impacto financeiro provocado pela liquidação do Banco Master. A decisão visa assegurar que o fundo, mantido pelas instituições financeiras para cobrir eventuais quebras e liquidações, mantenha caixa compatível com os riscos do sistema financeiro brasileiro, especialmente até o fim do primeiro trimestre de 2026.
O plano emergencial do FGC inclui a antecipação imediata de cinco anos de contribuições futuras dos bancos associados, dividida em três parcelas mensais. Além disso, o cronograma prevê novos adiantamentos: mais 12 meses de aportes em 2027 e outros 12 meses em 2028. Na prática, a medida representaria até sete anos de contribuições antecipadas, reforçando de forma significativa a capacidade de pagamento do fundo.
Elevação temporária das contribuições
Além da antecipação de aportes, as instituições financeiras concordaram em elevar temporariamente o valor das contribuições mensais ao FGC. O aumento extraordinário deve variar entre 30% e 60%, com vigência mínima de cinco anos, segundo fontes envolvidas nas negociações.
Atualmente, os bancos associados recolhem mensalmente 0,01% sobre o total de instrumentos financeiros cobertos pelo fundo. No caso dos Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE), as alíquotas são mais altas e dependem da estrutura das emissões. Com o plano emergencial, o FGC busca assegurar recursos suficientes para cobrir perdas inesperadas e fortalecer a confiança no sistema bancário.
Estratégias adicionais para recomposição do caixa
Em nota, o FGC informou que discute alternativas de recomposição de liquidez com as instituições associadas e com o Banco Central (BC), mas evitou detalhar todas as medidas em análise. “As discussões estão em andamento e uma deliberação deverá ocorrer no curto prazo”, declarou a entidade.
Entre as propostas em debate está a destinação de parte dos recursos do compulsório de depósitos à vista – reservas que os bancos devem manter obrigatoriamente no BC – para reforçar o caixa do FGC. Essa medida, no entanto, depende de autorização do Banco Central, que ainda não se manifestou oficialmente sobre o tema.
Pagamentos já realizados e estimativas futuras
Até o momento, o FGC desembolsou cerca de R$ 36 bilhões de um total superior a R$ 40 bilhões previstos para ressarcir os credores do Banco Master. O fundo ainda não iniciou os pagamentos relacionados ao Will Bank, que integrava o conglomerado e teve sua liquidação decretada posteriormente. Nesse caso, a estimativa é de aproximadamente R$ 6,3 bilhões em garantias.
O restante das perdas está associado a linhas de crédito concedidas pelo próprio FGC a empresas do grupo Master. O plano emergencial busca garantir que os recursos do fundo sejam suficientes para cobrir tanto os pagamentos já previstos quanto eventuais contingências adicionais.
Impactos na governança do FGC
A recomposição do caixa é considerada pelo setor financeiro uma etapa preliminar para uma possível reforma nas regras do FGC. Entre as medidas em discussão estão:
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Ampliação da fiscalização da qualidade dos balanços das instituições associadas;
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Restrição de níveis elevados de alavancagem;
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Redução da concentração da distribuição de produtos financeiros em poucas plataformas.
O objetivo é reforçar a segurança do sistema financeiro e evitar que o fundo seja utilizado de forma indevida para cobrir perdas de investidores em modelos de negócio considerados insustentáveis.
Críticas de instituições financeiras tradicionais
Parte das instituições financeiras, principalmente bancos tradicionais de maior porte, criticam o uso do FGC nos últimos anos. Segundo esse segmento, algumas plataformas e instituições de menor porte teriam usado o fundo para alavancar balanços – utilizando recursos emprestados para emprestar – enquanto o FGC era empregado para recompor perdas de investidores.
Essa prática, de acordo com especialistas, pode comprometer a sustentabilidade do fundo e gerar riscos sistêmicos, reforçando a necessidade de medidas emergenciais como a aprovação do plano anunciado nesta terça-feira.
Papel do FGC na estabilidade do sistema financeiro
O FGC desempenha função estratégica na estabilidade do mercado bancário brasileiro. Criado para proteger depositantes e investidores em caso de liquidação ou falência de instituições financeiras, o fundo é um mecanismo essencial para manter a confiança no sistema financeiro.
Com o plano emergencial, o FGC garante que recursos suficientes estarão disponíveis para cobrir as perdas decorrentes da liquidação do Banco Master e de outras instituições em risco, preservando a liquidez do sistema e evitando efeitos em cascata no mercado.
Antecipação de aportes e segurança futura
O plano aprovado pelo FGC prevê não apenas a antecipação de cinco anos de contribuições, mas também a possibilidade de novos adiantamentos nos anos subsequentes. Essa estratégia de múltiplos aportes antecipados cria um colchão financeiro que permite ao fundo enfrentar contingências de forma mais eficiente, mantendo a solvência do sistema financeiro e protegendo os depositantes.
Especialistas destacam que a antecipação de aportes combinada com o aumento temporário das contribuições é uma medida proativa que fortalece a resiliência do FGC e reduz o risco de impactos negativos em caso de futuras crises bancárias.
Perspectivas para o FGC e o setor financeiro
A recomposição do FGC abre caminho para uma possível reformulação das regras do fundo, com foco em governança, fiscalização e redução de riscos sistêmicos. A medida reforça o compromisso do setor financeiro com a estabilidade do mercado e garante maior transparência sobre a utilização dos recursos do fundo.
O plano emergencial aprovado nesta terça-feira reforça a função do FGC como instrumento de proteção dos investidores e depositantes, consolidando seu papel estratégico na economia brasileira e garantindo segurança jurídica e financeira em um cenário de incertezas.






