Tesouro Direto avança no Norte e Nordeste e registra alta de 125% em quatro anos
O Tesouro Direto ampliou de forma significativa sua base de investidores nas regiões Norte e Nordeste nos últimos quatro anos. Dados divulgados pela B3 mostram que o número de pessoas físicas com títulos públicos federais nessas duas regiões cresceu 125% entre 2021 e 2025, consolidando uma mudança relevante no perfil geográfico do investidor brasileiro.
O avanço do Tesouro Direto nessas regiões ocorre em paralelo à expansão nacional do programa, que encerrou 2025 com 3,4 milhões de investidores, alta de 88% em relação a 2021. Mesmo com o crescimento expressivo no Norte e Nordeste, a concentração regional ainda revela desigualdades históricas na distribuição dos investidores pelo país.
A expansão do Tesouro Direto reforça o processo de democratização do acesso aos títulos públicos federais, especialmente em regiões onde a cultura de investimento sempre foi menos difundida.
Base de investidores no Nordeste mais que dobra
No Nordeste, o número de investidores no Tesouro Direto saltou de 214,4 mil CPFs em 2021 para 482,3 mil em 2025. O crescimento superior a 125% demonstra avanço consistente na adesão de pessoas físicas à plataforma.
O desempenho da região acompanha um movimento mais amplo de educação financeira e digitalização dos serviços bancários. O acesso facilitado a plataformas de investimento e a popularização de conteúdos sobre renda fixa contribuíram para a expansão do Tesouro Direto no Nordeste.
Ainda assim, a região representa 14,2% do total nacional de investidores do Tesouro Direto, percentual que evidencia espaço significativo para crescimento.
Norte registra forte aceleração na adesão
No Norte, a evolução também foi expressiva. O número de investidores no Tesouro Direto passou de 58,7 mil em 2021 para 131,9 mil em 2025.
O crescimento de 125% no Tesouro Direto na região sinaliza maior integração financeira e ampliação do acesso a produtos de renda fixa considerados de baixo risco.
Apesar da aceleração, o Norte concentra apenas 3,9% da base nacional de investidores do Tesouro Direto. O dado revela potencial ainda pouco explorado para expansão da cultura de investimento na região.
Sudeste lidera concentração de investidores
Mesmo com o avanço no Norte e Nordeste, o Sudeste mantém ampla liderança na distribuição geográfica dos investidores do Tesouro Direto. A região concentra 58,9% do total nacional.
O Sul aparece na sequência, com 15,3%, seguido pelo Centro-Oeste, com 7,7%. A concentração no Sudeste reflete maior densidade populacional, renda média mais elevada e histórico mais consolidado de acesso ao mercado financeiro.
O crescimento do Tesouro Direto fora do eixo tradicional, no entanto, aponta para uma tendência de descentralização gradual.
Expansão nacional e volume recorde
O Tesouro Direto encerrou 2025 com posição total a mercado de R$ 202,4 bilhões. O número reforça o papel do programa como instrumento central da estratégia de captação do governo federal junto às pessoas físicas.
O saldo mediano dos investidores no Tesouro Direto é de R$ 2,17 mil, indicando que grande parte da base é formada por pequenos aplicadores. Essa característica confirma o perfil de democratização do acesso aos títulos públicos.
O crescimento de 88% no número total de investidores entre 2021 e 2025 evidencia que o Tesouro Direto se consolidou como porta de entrada para a renda fixa no Brasil.
O que impulsiona o crescimento do Tesouro Direto
Diversos fatores ajudam a explicar a expansão do Tesouro Direto nas regiões Norte e Nordeste. Entre eles estão:
Aumento da educação financeira nas escolas e universidades.
Popularização de aplicativos de investimento.
Ambiente de juros elevados nos últimos anos.
Maior busca por segurança e previsibilidade.
O Tesouro Direto é considerado o investimento de menor risco no Brasil, pois conta com garantia do governo federal. Essa característica torna o produto atrativo para investidores iniciantes e para aqueles que buscam preservação de capital.
Além disso, o baixo valor mínimo de aplicação amplia o acesso, permitindo que pequenos aportes sejam realizados de forma recorrente.
Funcionamento e perfil do investidor
O Tesouro Direto é um programa da Secretaria do Tesouro Nacional, operacionalizado em parceria com a B3. Ele permite que pessoas físicas adquiram títulos públicos federais de forma direta, sem intermediação de fundos.
Entre os títulos disponíveis estão opções prefixadas, atreladas à inflação (IPCA+) e pós-fixadas (Selic). Essa diversidade possibilita estratégias alinhadas a objetivos de curto, médio e longo prazo.
A liquidez diária oferecida pelo Tesouro Direto também é fator decisivo para sua popularização, especialmente em regiões onde o acesso a instrumentos financeiros mais sofisticados ainda é limitado.
Desafios para ampliar a participação regional
Apesar do crescimento expressivo no Tesouro Direto no Norte e Nordeste, a participação relativa dessas regiões ainda é inferior à sua representatividade populacional.
Especialistas apontam que a ampliação do acesso à internet de qualidade, a inclusão bancária e o fortalecimento da educação financeira são fatores-chave para sustentar o avanço.
A consolidação do Tesouro Direto como ferramenta de planejamento financeiro nessas regiões pode contribuir para redução das desigualdades no acesso ao mercado de capitais.
Impacto macroeconômico e relevância estratégica
O fortalecimento do Tesouro Direto tem implicações relevantes para a estratégia de financiamento da dívida pública. Ao ampliar a base de investidores pessoa física, o governo diversifica fontes de captação e reduz dependência de grandes instituições.
O aumento da participação de investidores no Norte e Nordeste no Tesouro Direto também contribui para maior distribuição regional da renda financeira.
Esse movimento fortalece a estabilidade do mercado de títulos públicos e amplia a cultura de poupança no país.
Crescimento do Tesouro Direto sinaliza nova fase de inclusão financeira no Brasil
O avanço de 125% no número de investidores do Tesouro Direto no Norte e Nordeste marca um momento relevante para o mercado financeiro brasileiro. A expansão demonstra que a democratização do acesso aos títulos públicos avança além dos grandes centros econômicos.
Embora o Sudeste ainda concentre a maioria dos investidores, o crescimento regional aponta para transformação estrutural na relação dos brasileiros com o investimento em renda fixa.
Se mantido o ritmo atual, o Tesouro Direto poderá desempenhar papel ainda mais estratégico na formação de poupança nacional e na consolidação de uma cultura financeira mais ampla e inclusiva.






