Manhattan fatura US$ 22,7 bi e retoma liderança global no mercado imobiliário
A recuperação do mercado imobiliário de Manhattan em 2025 recolocou o distrito nova-iorquino no centro das atenções globais. Após anos de volatilidade provocada pela pandemia e pela mudança estrutural no uso de escritórios, Manhattan voltou ao topo com um volume de vendas de investimento que atingiu US$ 22,77 bilhões. O montante representa um salto de 45% em relação a 2024 e marca o melhor desempenho desde 2018, segundo levantamento da Ariel Property Advisors.
O avanço do mercado imobiliário de Manhattan não ocorreu de forma isolada. Ele é resultado de uma combinação de fatores estruturais, como a retomada das locações corporativas, a consolidação de ativos Classe A, o ajuste de preços em imóveis Classe B e C e a aceleração de projetos de conversão residencial. O cenário indica uma inflexão relevante no ciclo imobiliário da cidade mais icônica do mundo.
A seguir, uma análise aprofundada dos números, das tendências e do impacto econômico dessa retomada histórica.
O que explica o salto de 45% no mercado imobiliário de Manhattan?
O crescimento de 45% no mercado imobiliário de Manhattan reflete uma combinação de liquidez institucional, retomada das locações e reprecificação de ativos após o choque pandêmico. Em 2025, investidores voltaram a direcionar capital para ativos premium, especialmente torres de escritórios Classe A localizadas em Midtown e no eixo da Park Avenue.
O volume total de US$ 22,77 bilhões representa não apenas um retorno à normalidade, mas uma sinalização clara de confiança estrutural no mercado nova-iorquino. O dado também indica que Manhattan voltou a disputar protagonismo com outros polos globais, como Londres e Hong Kong.
Escritórios lideram a recuperação
O segmento de escritórios foi o principal vetor do avanço do mercado imobiliário de Manhattan. As vendas dispararam 126% na comparação anual, movimentando US$ 11,29 bilhões em 2025. O número de transações subiu para 73 operações, crescimento de 26% frente ao ano anterior.
O preço médio ficou em US$ 7.588 por metro quadrado, embora exista ampla variação conforme a classe do ativo. Edifícios Classe B e C foram negociados por menos de US$ 3.229 por metro quadrado, enquanto ativos Classe A superaram US$ 19.375 por metro quadrado.
Esse diferencial revela uma mudança estrutural: o capital institucional prioriza qualidade, localização estratégica e eficiência energética — fatores decisivos para empresas que buscam consolidar presença física mesmo em ambiente híbrido.
Locações atingem maior nível desde 2019
O volume total de locações no mercado imobiliário de Manhattan alcançou 3,89 milhões de metros quadrados, alta de 25% sobre 2024, segundo a Colliers. Trata-se do maior patamar desde 2019, quando o mercado registrou 3,98 milhões de metros quadrados.
A taxa de disponibilidade caiu para 13,9% no quarto trimestre, pressionando valores de aluguel. Em Midtown, o aluguel médio chegou a US$ 926 por metro quadrado ao ano. Já edifícios troféu ultrapassaram US$ 3.229 por metro quadrado ao ano.
O movimento confirma que a retomada das locações foi determinante para impulsionar as vendas e consolidar a recuperação do mercado imobiliário de Manhattan.
Por que os imóveis Classe A dominam o mercado?
Os ativos Classe A concentraram 818 mil metros quadrados em locações no quarto trimestre, equivalentes a 74,2% do volume total — percentual superior à participação desses imóveis no estoque total, que é de 64,4%.
Grandes corporações lideraram as renovações e novos contratos. A Bloomberg renovou 46.080 metros quadrados na 120 Park Avenue. A Moody’s assinou contrato de 42.735 metros quadrados na 200 Liberty Street. Já a Millennium Management estendeu 40.690 metros quadrados na 399 Park Avenue.
O protagonismo desses contratos reforça a percepção de que o mercado imobiliário de Manhattan está migrando para um modelo mais concentrado em ativos premium, com maior liquidez e valorização sustentável.
Megadeals impulsionam o volume financeiro
Sete das dez maiores transações ocorreram no segundo semestre, evidenciando aceleração do mercado imobiliário de Manhattan ao longo do ano.
A Paramount Group vendeu oito edifícios para a Rithm Capital em operação estimada em US$ 3,8 bilhões. A maior venda individual foi a 590 Madison Avenue, negociada por US$ 1,08 bilhão — equivalente a US$ 11.032 por metro quadrado.
O ativo foi adquirido por um consórcio formado por RXR, Elliott Investment Management e Baupost Group, que comprou 97.550 metros quadrados do State Teachers Retirement System of Ohio.
Essas transações reforçam a volta do capital institucional ao mercado imobiliário de Manhattan, com apetite renovado por ativos estratégicos.
Classe B e C ajustam preços e redefinem patamar
Enquanto os ativos premium avançam, os edifícios Classe B e C passaram por reprecificação definitiva. Representaram 75% das operações com escritórios, mas apenas 15% do volume financeiro total.
O caso da 229 West 36th Street ilustra o ajuste. O imóvel foi vendido por US$ 40,8 milhões, equivalente a US$ 1.776 por metro quadrado — desconto de 71% frente aos US$ 156,8 milhões pagos em 2017.
Movimentos semelhantes ocorreram na 440 Ninth Avenue e na 1370 Broadway, com descontos superiores a 59%. A reprecificação sinaliza maturidade e consolidação do novo ciclo do mercado imobiliário de Manhattan.
Desenvolvimento residencial movimenta quase US$ 4 bilhões
Projetos residenciais para venda e locação injetaram US$ 3,97 bilhões no mercado imobiliário de Manhattan, alta de 19% no ano.
O volume de desenvolvimento para locação cresceu 38%, atingindo 1,04 milhão de metros quadrados edificáveis. Parte do avanço está ligada ao programa fiscal 485x, que estimula projetos com menos de 99 unidades.
O terreno na 75–83 Nassau foi vendido por US$ 53 milhões, equivalente a US$ 2.077 por metro quadrado edificável.
Condomínios de luxo registram operações bilionárias
O segmento de condomínios residenciais subiu 26% em número de transações. O Naftali Group adquiriu a 800 Fifth Avenue por US$ 810 milhões, equivalente a US$ 30.871 por metro quadrado edificável.
A Extell Development pagou US$ 103 milhões por ativos na 33–39 East 60th Street. Excluindo operações atípicas, o metro quadrado edificável subiu para US$ 5.037.
O avanço confirma que o segmento de alto padrão segue resiliente dentro do mercado imobiliário de Manhattan.
Conversões transformam escritórios em moradia
As vendas destinadas à conversão de escritórios totalizaram US$ 1,3 bilhão. Aproximadamente 399 mil metros quadrados entraram em obras, alta de 60%.
A TF Cornerstone pagou US$ 159 milhões pela 135 East 57th Street, onde pretende entregar 350 apartamentos. O Vanbarton Group adquiriu a 6 East 43rd Street por US$ 135 milhões para desenvolver 441 unidades.
As conversões reforçam a reinvenção urbana e consolidam novo vetor de crescimento do mercado imobiliário de Manhattan.
Varejo ganha força em SoHo e Fifth Avenue
O varejo registrou 68 transações, alta de 31%. Embora o volume financeiro tenha recuado para US$ 2 bilhões, o preço médio subiu para US$ 20.490 por metro quadrado.
SoHo registrou valorização de 24,1% nos valores pedidos, enquanto Upper Fifth Avenue avançou 17%. A taxa de disponibilidade caiu para 12,5%, menor nível em mais de uma década.
Grandes marcas como IKEA, Polo Ralph Lauren e UNIQLO consolidaram presença em corredores premium, fortalecendo o mercado imobiliário de Manhattan.
Manhattan volta ao centro do capital global
A retomada do mercado imobiliário de Manhattan em 2025 sinaliza não apenas recuperação cíclica, mas reconfiguração estrutural. A concentração em ativos premium, a reprecificação de edifícios secundários e o crescimento das conversões residenciais indicam maturidade e adaptação.
Em um cenário global marcado por juros elevados e ajustes monetários, Manhattan demonstrou capacidade de atrair capital institucional e sustentar liquidez. O desempenho de US$ 22,7 bilhões reposiciona a cidade como referência internacional em investimentos imobiliários.
O distrito reafirma seu papel histórico como termômetro do capital global e laboratório de transformação urbana.






