Pesquisa Genial/Quaest indica cenário desafiador para Lula e ascensão de Flávio Bolsonaro
A mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (11), aponta uma tendência clara e preocupante para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o levantamento, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) surge como favorito para as eleições presidenciais de outubro, mantendo-se em empate técnico com Lula em simulações de segundo turno. Todos os indicadores da pesquisa, tanto em termos de avaliação do governo quanto de intenção de voto, mostram resultados desfavoráveis ao atual presidente.
Avaliação de governo: desaprovação de Lula atinge patamar crítico
Os dados revelam que a desaprovação do governo Lula voltou a subir, atingindo 51% em março, contra 49% em fevereiro. A taxa de aprovação, por outro lado, recuou para 44%, menor índice desde julho. Este movimento evidencia uma erosão gradual na confiança da população, que coincide com recentes suspeitas envolvendo o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, no escândalo do INSS. Embora ainda seja cedo para determinar o impacto eleitoral definitivo, a tendência é de desgaste contínuo.
Entre o eleitorado feminino, pela primeira vez desde o início da série histórica da pesquisa, a desaprovação supera a aprovação: 48% desaprovam e 46% aprovam o governo Lula. Este dado é particularmente relevante, já que o eleitorado feminino é tradicionalmente um segmento mais crítico ao bolsonarismo, indicando que a polarização entre os dois grupos pode estar se aprofundando.
Intenção de voto: queda gradual de Lula e ascensão de Flávio
Na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio, o presidente apresenta uma tendência de queda contínua: 46% em dezembro, 45% em janeiro, 43% em fevereiro e 41% em março. Flávio Bolsonaro, por sua vez, subiu de 36% para 41% no mesmo período, nivelando-se com Lula. A vantagem inicial de dez pontos que Lula detinha se diluiu, indicando um cenário de intensa competitividade eleitoral.
No primeiro turno, a vantagem de Lula sobre Flávio chega a sete pontos percentuais no cenário base: Lula com 37% e Flávio com 30%, incluindo Ratinho Júnior (PSD) com 7%, Romeu Zema (Novo) com 3%, e Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo (DC) com 1% cada. No entanto, mudanças nos cenários eleitorais — como a substituição de Ratinho Júnior por Ronaldo Caiado ou Eduardo Leite, ou a ausência de Zema — favorecem Flávio, que pode se aproximar ou até ultrapassar Lula, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.
Eleitorado independente: fragilidade crescente de Lula
A pesquisa Genial/Quaest também evidencia uma debilidade estrutural do governo: no eleitorado independente, que corresponde a aproximadamente um terço do total, a aprovação de Lula cai constantemente, de 43% seis meses atrás para 33% atualmente. Esse segmento crítico, que não se identifica nem com o lulismo nem com o bolsonarismo, é decisivo em eleições apertadas e sinaliza um terreno político mais hostil para o presidente.
Além disso, a percepção de piora do desempenho econômico aumentou de 43% para 48%, atingindo o pior índice desde setembro. Esse dado sugere que, mesmo com investimentos em comunicação sobre medidas econômicas, como a isenção do imposto de renda para salários de até R$ 5 mil, o eleitorado percebe fragilidade na gestão financeira do país.
Estratégias eleitorais: possíveis movimentos de Lula
Diante deste cenário, a equipe de Lula deve considerar duas frentes de ação. A primeira é intensificar críticas a Flávio Bolsonaro, interrompendo a estratégia anterior de contenção, possivelmente baseada na percepção de que Flávio seria um adversário mais fraco que Tarcísio de Freitas (Republicanos) ou outros pré-candidatos. A segunda é revisar a política fiscal, potencialmente adotando medidas de estímulo social, similar ao que ocorreu com Jair Bolsonaro em 2022, quando gastos sociais e a flexibilização do pagamento de precatórios impulsionaram sua popularidade, apesar da derrota eleitoral.
Embora o Congresso imponha restrições à esquerda, ações sociais em ano eleitoral tendem a receber tolerância legislativa, abrindo espaço para o governo adotar estratégias compensatórias. Lula pode, portanto, estar diante de uma necessidade de recalibrar sua campanha, apostando em medidas concretas que revertam o desgaste identificado pela pesquisa Genial/Quaest.
Impactos para o cenário político nacional
O levantamento revela que, além de Flávio Bolsonaro, outros candidatos de menor expressão podem influenciar significativamente os resultados, dependendo da configuração do primeiro turno. A volatilidade do eleitorado independente e feminino mostra que a corrida presidencial não está definida, e pequenos movimentos de campanha podem alterar substancialmente a dinâmica do pleito.
Os resultados desta pesquisa Genial/Quaest, portanto, servem como alerta para o Planalto e seus aliados: a estabilidade percebida nas rodadas anteriores já não se mantém, e a convergência entre aprovação governamental e intenção de voto mostra fragilidades que podem se traduzir em perda de vantagem estratégica em poucos meses.





