Magazine Luiza (MGLU3) registra lucro de R$ 124,7 milhões no 4T25 e destaca crescimento em mercado estagnado
O Magazine Luiza (MGLU3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 124,7 milhões, apresentando uma retração de 10,5% em relação ao mesmo período de 2024. Apesar da queda, o resultado superou amplamente a expectativa de consenso do mercado, que projetava um lucro de apenas R$ 30 milhões, segundo levantamento da Bloomberg.
No acumulado do ano, o lucro líquido ajustado da varejista somou R$ 158,9 milhões, registrando uma contração de 42,6% frente ao exercício anterior. Para o gerente de relações com investidores (RI) do Magalu, Lucas Ozorio, o desempenho reflete a consolidação do ecossistema da companhia e a postura estratégica de priorizar margens, mesmo diante de juros elevados.
“É um resultado que mostra de novo o poder do nosso ecossistema. Algo que conseguimos construir nos últimos cinco anos”, afirmou Ozorio em entrevista.
Desempenho operacional e Ebitda ajustado
O Ebitda ajustado, que avalia o desempenho operacional da empresa, totalizou R$ 867,3 milhões no 4T25, apresentando crescimento de 2,5% em comparação anual. A margem Ebitda ajustada manteve-se estável em 7,8%, refletindo consistência operacional mesmo em um cenário macroeconômico desafiador.
Ao longo de 2025, o Ebitda ajustado cresceu 3,4%, atingindo R$ 3,06 bilhões, com a margem ajustada avançando ligeiramente de 7,8% para 7,9%. O resultado demonstra a capacidade do Magalu de equilibrar crescimento e rentabilidade, mantendo-se resiliente frente à desaceleração do mercado.
Receita bruta e líquida
A receita bruta no 4T25 alcançou R$ 13,8 bilhões, registrando avanço de 3,3% em relação a 2024. A receita líquida acompanhou o crescimento, totalizando R$ 11,1 bilhões, alta de 3,4% no período. As vendas totais, incluindo marketplace, somaram R$ 18,2 bilhões, representando leve recuo de 1,1%, resultado de uma dinâmica contrastante entre lojas físicas e e-commerce.
Enquanto as lojas físicas apresentaram expansão de 8,7% (crescimento em mesmas lojas de 8,4%), o e-commerce registrou redução de 5,3%, totalizando R$ 12,2 bilhões em vendas. Do total de e-commerce, R$ 7,6 bilhões vieram do estoque próprio (1P), e R$ 4,6 bilhões foram gerados pelo marketplace (3P).
Ozorio enfatizou que o Magazine Luiza vem ganhando participação de mercado no varejo físico, enquanto o e-commerce enfrenta intensa competição por preços reduzidos. “Estamos crescendo em um mercado que não cresce, ou seja, ganhando muito market share. Para o online, o mercado está muito irracional em tickets baixos. Nos tickets médios e altos, o Magalu cresce acima do mercado”, explicou.
Estratégia de margens e rentabilidade
O foco em margens foi destacado como elemento central para sustentar o lucro líquido, especialmente com a taxa de juros em 15% no quarto trimestre. A estratégia de priorizar tickets médios e altos evita a participação na chamada “guerra do e-commerce”, garantindo rentabilidade consistente.
No 4T25, o lucro bruto ajustado atingiu R$ 3,3 bilhões, alta de 3,1%, com margem bruta de 30%, estável em relação ao mesmo período de 2024. “Vale ressaltar o aumento da margem bruta de mercadorias, que reflete o foco da companhia no aumento da rentabilidade”, destacou o Magazine Luiza.
As despesas financeiras líquidas somaram R$ 572,5 milhões, equivalentes a 5,1% da receita líquida, impactadas pela elevação da taxa de juros de 10,75% para 15,0%. Sem considerar efeitos de arrendamento mercantil, a despesa líquida foi de R$ 483,8 milhões, ou 4,3% da receita líquida.
Caixa, MagaluPay e expansão financeira
O Magazine Luiza encerrou o trimestre com geração de caixa operacional de R$ 2,2 bilhões, totalizando R$ 2,7 bilhões no ano, resultado impulsionado pela eficiência operacional e melhoria no capital de giro. A posição de caixa líquido ajustado atingiu R$ 3,1 bilhões, enquanto o caixa total alcançou R$ 8 bilhões.
No MagaluPay, o volume total de transações processadas (TPV) chegou a R$ 28,2 bilhões no 4T25 e R$ 101,9 bilhões no acumulado do ano. A base de cartões de crédito Luiza atingiu 5,7 milhões de unidades, com faturamento de R$ 16,6 bilhões, crescimento de 1,9%.
Perspectivas com corte de juros
O mercado aguarda a primeira redução da Selic na próxima reunião do Copom, marcada para 18 de março de 2026. Segundo Ozorio, a redução dos juros deve beneficiar o Magalu em três frentes: redução das despesas financeiras, aumento gradual das vendas com maior poder de compra e melhora no financiamento de clientes via Luizacred e CDC.
“O Magalu entregou lucro líquido na última linha nos últimos anos. Isso seria quase impossível cinco anos atrás. O CEO Frederico Trajano trouxe um ecossistema que diversifica receitas e pontos de lucratividade, reduzindo a sensibilidade aos ciclos de juros”, acrescentou o gerente de RI.
Nova fase de expansão e Inteligência Artificial
O ciclo de cinco anos focado na construção do ecossistema encerrou-se, e o Magazine Luiza inicia agora nova etapa de crescimento com foco em Inteligência Artificial (IA), buscando potencializar resultados, operações e interação com o consumidor.
A Galeria Magalu, inaugurada no final de 2025 no Conjunto Nacional, Avenida Paulista, integra Magalu, Netshoes, KaBuM!, Época Cosméticos e Estante Virtual em um único espaço. O objetivo é replicar o modelo em até 50 lojas, de forma gradual e monitorada, fortalecendo a experiência omnicanal.
Com a perspectiva de redução de juros, aumento do poder de consumo impulsionado pela Copa do Mundo e maturidade do ecossistema, o tom da varejista é otimista para os próximos trimestres, reforçando a estratégia de expansão controlada e rentável.
Mercado físico e e-commerce: contraste e oportunidades
O Magazine Luiza segue ganhando espaço no varejo físico, que permanece estável em 2025, demonstrando capacidade de captar clientes mesmo em cenário sem crescimento estrutural. No e-commerce, a empresa mantém a disciplina de margens, evitando guerras de preços em tickets baixos, enquanto cresce acima do mercado em segmentos de maior valor.
Segundo Lucas Ozorio, o posicionamento do estoque, reforço de lojas, omnicanalidade e integração do ecossistema são pilares para consolidar a vantagem competitiva no varejo brasileiro. A estratégia demonstra que a companhia está preparada para enfrentar ciclos de juros e competitividade do setor, mantendo foco em rentabilidade sustentável.
O Magazine Luiza confirma, assim, sua capacidade de adaptar-se ao cenário econômico e operacional, com resultados consistentes, geração de caixa sólida e expansão estratégica, consolidando-se como referência no varejo brasileiro.





