Ibovespa hoje abre sob cautela com tensão no Oriente Médio, petróleo em alta e dólar a R$ 5
O Ibovespa hoje deve iniciar o pregão desta sexta-feira (24) em clima de cautela, com investidores atentos ao avanço das tensões no Oriente Médio, à alta do petróleo no mercado internacional e a uma agenda doméstica mais esvaziada. O cenário externo segue como principal vetor para os ativos de risco, enquanto o mercado brasileiro monitora dados pontuais de confiança, contas externas e novas atuações do Banco Central no câmbio.
Na véspera, o principal índice da Bolsa brasileira encerrou o dia em queda de 0,78%, aos 191.378,43 pontos, pressionado pelo aumento da aversão ao risco após sinais de deterioração nas negociações envolvendo o Irã. Segundo a agência israelense N12 News, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, deixou a equipe de negociação do país no conflito, reduzindo as expectativas de avanço diplomático no curto prazo.
O ambiente de incerteza favoreceu a alta do petróleo, impulsionou ações ligadas ao setor de energia e pressionou o câmbio. O dólar fechou em alta de 0,6%, cotado a R$ 5,0036, voltando ao patamar de R$ 5 pela primeira vez desde 16 de abril.
Petróleo sobe e sustenta ações do setor
No mercado internacional, os contratos futuros do petróleo registraram a quarta sessão consecutiva de alta. O WTI para junho avançou 3,11%, a US$ 95,85 o barril, enquanto o Brent para o mesmo mês subiu 3,1%, a US$ 105,07.
A escalada da commodity ocorre em meio à ausência de avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã, o que aumenta o temor de restrições de oferta em uma região estratégica para o abastecimento global de energia.
Na B3, esse movimento ajudou a sustentar papéis do setor. A Petrobras (PETR3; PETR4) chegou a operar em baixa durante parte do pregão anterior, mas ganhou força ao longo da tarde e encerrou o dia em alta. Outras ações petroleiras também acompanharam o movimento positivo, beneficiadas pela valorização do barril.
Bolsas dos EUA fecham em queda
Em Nova York, o clima também foi negativo. O S&P 500 caiu 0,41%, o Dow Jones recuou 0,36% e o Nasdaq perdeu 0,89%. Entre os destaques corporativos, a IBM tombou 8,25% após divulgar seu balanço do primeiro trimestre de 2026.
A combinação entre tensão geopolítica, petróleo mais caro e cautela antes de novos indicadores econômicos reduziu o apetite por risco nos mercados internacionais.
Agenda do dia tem Michigan, varejo britânico e decisão da Rússia
A agenda desta sexta-feira traz dados relevantes no exterior. No Reino Unido, serão divulgadas as vendas no varejo de março. Na Alemanha, sai o índice Ifo de sentimento das empresas de abril. A Rússia anuncia sua decisão de política monetária.
Nos Estados Unidos, o mercado acompanha a leitura final do Índice de Sentimento do Consumidor da Universidade de Michigan, além das expectativas de inflação em 1 ano e em 5 anos. Os dados podem influenciar a percepção dos investidores sobre a trajetória dos juros americanos.
No Brasil, a agenda inclui o IPC-S da FGV, o Índice de Confiança do Consumidor, dados de transações correntes de março e operações do Banco Central no mercado cambial.
Agenda econômica desta sexta-feira (24)
08h00 – Brasil: FGV divulga IPC-S da 3ª quadrissemana de abril
08h00 – Brasil: FGV divulga Índice de Confiança do Consumidor de abril
08h30 – Brasil: Banco Central divulga transações correntes de março
09h20 – Brasil: BC oferta até 20 mil contratos de swap reverso e leilão de dólar à vista
11h30 – Brasil: BC oferta até 50 mil contratos de swap cambial em rolagem
12h00 – Brasil: BC oferta até R$ 5 bilhões em operações compromissadas de 6 meses
03h00 – Reino Unido: vendas no varejo de março
05h00 – Alemanha: índice Ifo de sentimento das empresas
07h30 – Rússia: decisão de política monetária
11h00 – EUA: Sentimento do Consumidor da Universidade de Michigan
11h00 – EUA: expectativas de inflação em 1 ano
11h00 – EUA: expectativas de inflação em 5 anos
14h00 – EUA: Baker Hughes divulga poços e plataformas em operação
Antes da abertura – EUA: Procter & Gamble divulga resultados
Dólar volta a R$ 5 e amplia atenção sobre câmbio
O retorno do dólar ao patamar de R$ 5 reforça a cautela dos investidores locais. A alta da moeda americana reflete tanto o ambiente externo mais defensivo quanto a busca por proteção diante da incerteza geopolítica.
A atuação do Banco Central no câmbio também estará no radar, com ofertas de contratos de swap e operações ligadas à rolagem cambial. Em dias de maior estresse externo, esses movimentos ganham peso na formação de preço dos ativos brasileiros.
Ibovespa hoje depende do exterior
Com a agenda doméstica sem indicadores de grande impacto imediato, o comportamento do Ibovespa hoje tende a depender principalmente do exterior. A direção dos mercados em Nova York, a cotação do petróleo e novas informações sobre o Oriente Médio devem concentrar a atenção dos investidores.
Caso o petróleo siga em alta, ações de empresas ligadas ao setor podem continuar no radar. Por outro lado, a valorização da commodity também aumenta preocupações com inflação global, juros e atividade econômica, o que pode pressionar setores mais sensíveis ao custo de capital.






