Ações para proteger o patrimônio: veja as 6 apostas da XP diante das tarifas de Trump sobre o Brasil
Analistas indicam carteira defensiva com foco em valorização e resiliência em meio ao novo cenário econômico internacional
O cenário internacional ganhou novos contornos com o anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros por parte dos Estados Unidos, liderados por Donald Trump. A medida impacta diretamente diversos setores da economia nacional, desde commodities agrícolas até produtos industrializados. Em meio a essa nova conjuntura, investidores buscam alternativas para preservar seus recursos e manter a rentabilidade em suas carteiras.
Nesse contexto, a XP Investimentos divulgou um relatório com foco em ações para proteger o patrimônio, destacando seis empresas listadas na B3 que se mostram resilientes às turbulências externas. A ideia é montar uma carteira com menor exposição ao risco cambial e à dependência dos Estados Unidos, oferecendo segurança e potencial de valorização mesmo em tempos de incerteza.
Por que buscar ações para proteger o patrimônio?
Diante de mudanças bruscas no cenário global, como o novo pacote tarifário dos EUA, investidores tendem a buscar ações para proteger o patrimônio como forma de mitigar riscos. As tarifas anunciadas, que entram em vigor a partir de 1º de agosto de 2025, podem provocar efeitos em cascata: desvalorização cambial, aumento da inflação e retração no fluxo de investimentos internacionais.
Com isso, empresas fortemente expostas ao mercado norte-americano ou dependentes de cadeias de exportação vulneráveis tendem a sofrer mais. Por outro lado, companhias com atuação majoritariamente interna, setores ligados a infraestrutura, logística ou com demanda resiliente ganham destaque como alternativas defensivas.
A carteira sugerida pela XP é composta por ações de empresas com fundamentos sólidos, diversificação operacional e capacidade de adaptação — características essenciais para preservar e até aumentar o valor do capital investido durante períodos de instabilidade.
As 6 ações para proteger o patrimônio, segundo a XP Investimentos
1. Aura Minerals (AURA33)
A mineradora de ouro listada na B3 se destaca como uma opção tradicional em tempos de incerteza. O ouro é historicamente considerado um ativo de proteção em cenários de alta volatilidade, inflação ou desaceleração econômica.
A exposição geográfica da Aura, com operações diversificadas fora dos Estados Unidos, e sua ligação com a cotação do ouro, a tornam uma escolha natural em uma carteira com foco em ações para proteger o patrimônio.
2. BrasilAgro (AGRO3)
Com foco em produção e comercialização de commodities agrícolas, a BrasilAgro tem baixa exposição direta ao mercado dos EUA e apresenta grande capacidade de redirecionar sua produção para outros mercados.
O setor agrícola tende a ser menos sensível às oscilações do mercado financeiro tradicional, e a demanda por alimentos continua forte, mesmo em contextos de crise global. A empresa também se beneficia da valorização do dólar, o que potencializa seus ganhos em reais.
3. SLC Agrícola (SLCE3)
Outra gigante do agronegócio nacional, a SLC Agrícola é vista como estratégica para proteção patrimonial por sua atuação robusta no cultivo de grãos, como soja e milho, com exportação majoritária para mercados fora dos EUA, como China e Europa.
Além disso, sua gestão eficiente, aliada a políticas de hedge cambial e contratos a termo, contribui para blindar a companhia contra variações externas.
4. Gerdau (GGBR4)
A gigante do aço é vista como uma ação anticíclica em determinados momentos de mercado. A Gerdau possui forte presença na América Latina e diversificação operacional, com uma exposição que vai além do mercado norte-americano.
Seu histórico de adaptação a crises e inovação no setor siderúrgico a coloca entre as ações para proteger o patrimônio, especialmente se o Brasil optar por retaliar as tarifas americanas, promovendo incentivos ao consumo interno.
5. Unipar (UNIP6)
A Unipar é uma das principais produtoras de cloro e soda da América Latina. Seu mercado é essencialmente doméstico, com forte demanda em setores de base como saneamento e indústria química.
Com baixa correlação com o mercado americano e produtos de uso contínuo, a Unipar representa estabilidade e resiliência, sendo ideal para compor uma carteira defensiva.
6. Rumo Logística (RAIL3)
A empresa de logística se beneficia do aumento da demanda por escoamento interno e exportação por outros canais, especialmente com o redirecionamento das exportações brasileiras para outros continentes.
A Rumo é estratégica porque atua diretamente na cadeia de exportação agrícola e industrial, e pode até se beneficiar de mudanças nos fluxos comerciais globais.
Desempenho da carteira recomendada
A XP criou essa seleção de ações para proteger o patrimônio em abril e, desde então, ela já apresenta valorização de 17,3%, contra 9,6% do Ibovespa no mesmo período. Isso demonstra a eficiência da estratégia defensiva, mesmo em um cenário de maior volatilidade e incertezas.
Os analistas destacam que os fundamentos dessas empresas justificam seu bom desempenho, já que elas combinam liderança setorial, baixa exposição aos riscos específicos da relação Brasil-EUA e capacidade de adaptação ao novo cenário econômico global.
Ações com maior risco no atual cenário
Enquanto algumas empresas ganham destaque como defesa, outras estão no radar como potenciais prejudicadas. É o caso da Embraer (EMBR3), apontada como a mais vulnerável à nova tarifa de 50% imposta pelos EUA, por sua forte exposição àquele mercado.
Empresas como Weg (WEGE3) também entram na lista de risco, por atuarem com alta dependência das exportações para os Estados Unidos. A dificuldade em repassar tarifas ao consumidor final e possíveis adiamentos de pedidos de exportação podem pressionar margens e lucros dessas companhias.
Estratégias complementares para proteger o patrimônio
Além de investir em ações para proteger o patrimônio, investidores podem adotar outras práticas defensivas:
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Diversificação geográfica: aplicar parte do portfólio em ativos internacionais;
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Alocação em renda fixa atrelada à inflação: como IPCA+ e Tesouro Direto;
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Exposição a commodities: ouro, petróleo e grãos;
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Fundos multimercado com foco em proteção cambial e inflação.
O importante é manter a disciplina na alocação de ativos e o foco em empresas sólidas, com fundamentos consistentes e baixo grau de dependência de mercados externos específicos.
Proteger o patrimônio é agir com inteligência
Com o novo pacote tarifário imposto pelos EUA, a volatilidade no mercado financeiro brasileiro tende a aumentar. Diante disso, buscar ações para proteger o patrimônio se torna não apenas uma escolha sensata, mas uma estratégia fundamental para investidores que desejam manter seus ganhos e preservar capital no longo prazo.
A seleção da XP, composta por Aura, BrasilAgro, SLC Agrícola, Gerdau, Unipar e Rumo, demonstra que é possível encontrar boas oportunidades mesmo em cenários adversos, desde que o portfólio esteja bem estruturado e alinhado às tendências de mercado.






