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Ibovespa encerra o ano em alta com Fed cauteloso, emprego forte e dólar em queda

por Álvaro Lima
30/12/2025 às 23h56
em Ibovespa
Ibovespa Encerra O Ano Em Alta Com Fed Cauteloso, Emprego Forte E Dólar Em Queda - Gazeta Mercantil

Ibovespa encerra o ano em alta com apoio do Fed, força do emprego no Brasil e dólar em queda

O Ibovespa encerra o ano em alta consolidando um dos desempenhos mais expressivos do mercado acionário brasileiro na última década. No último pregão de 2025, o principal índice da B3 avançou 0,40%, aos 161.125 pontos, em um ambiente de liquidez reduzida, mas sustentado por fatores domésticos e internacionais que reforçaram o apetite por risco no Brasil. A valorização acumulada de 33,95% no ano representa o melhor resultado desde 2016 e confirma a resiliência dos ativos locais diante de um cenário global ainda marcado por incertezas monetárias.

O fechamento positivo ocorreu após a divulgação da ata do Federal Reserve (Fed), que expôs divergências internas sobre o ritmo de cortes de juros nos Estados Unidos, e também foi impulsionado por dados robustos do mercado de trabalho brasileiro. A combinação entre emprego forte, salários em alta e menor pressão imediata sobre a política monetária doméstica ajudou a sustentar o fluxo para renda variável e reforçou a leitura de que o Brasil segue relativamente bem posicionado entre os emergentes.

Leia também: Exportações de Aço em Queda e Importações em Alta: Análise do Setor Siderúrgico Brasileiro em Junho.

Ata do Fed traz cautela, mas não abala os mercados

A ata da última reunião do Fed foi o principal evento do dia nos mercados globais. O documento revelou que os membros do comitê seguem divididos quanto à necessidade de novos cortes de juros no curto prazo. Enquanto parte dos dirigentes avalia que a inflação em desaceleração pode abrir espaço para algum alívio monetário adicional, outro grupo defende a manutenção das taxas por mais tempo, diante dos riscos de reaceleração dos preços.

Essa divisão foi interpretada como um sinal de cautela, mas não chegou a provocar movimentos bruscos. Os rendimentos dos Treasuries de dois anos, mais sensíveis às expectativas de política monetária, recuaram levemente após a divulgação da ata. Já o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas, registrou alta moderada, refletindo ajustes técnicos típicos de fim de ano.

Mesmo com esse cenário, os mercados acionários internacionais encerraram a sessão próximos da estabilidade. Em Nova York, os principais índices oscilaram pouco, enquanto na Europa o desempenho positivo das mineradoras, beneficiadas pela recuperação dos preços dos metais, ajudou a sustentar os ganhos. O petróleo também avançou, impulsionado por tensões geopolíticas e pela expectativa de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) mantenha sua estratégia de produção.

Último pregão de 2025 confirma força do mercado brasileiro

No Brasil, o Ibovespa encerra o ano em alta em um pregão marcado por giro financeiro reduzido, de R$ 15,7 bilhões, típico do período entre festas. Ainda assim, o índice encontrou suporte relevante no setor financeiro e no movimento de fechamento de cotas de fundos, comum no encerramento do ano.

Bancos e instituições financeiras lideraram os ganhos, refletindo a leitura de que a economia doméstica mantém um ritmo mais forte do que o inicialmente projetado, especialmente no mercado de trabalho. Esse desempenho ajudou a compensar a volatilidade em outros setores mais sensíveis ao cenário externo.

O resultado anual de quase 34% coloca o Ibovespa em posição de destaque entre os principais índices globais em 2025. A performance reforça a percepção de que, apesar dos desafios fiscais e das incertezas políticas, o Brasil conseguiu se beneficiar de um ambiente externo menos adverso e de fundamentos internos relativamente sólidos.

Dólar recua e reforça ambiente favorável aos ativos locais

No mercado de câmbio, o dólar teve queda expressiva de 1,43%, encerrando o último pregão do ano cotado a R$ 5,49. O movimento refletiu um fluxo cambial mais equilibrado e a atratividade do carry trade, estratégia que busca ganhos a partir do diferencial de juros entre países.

A menor probabilidade de um corte da taxa Selic já em janeiro reforçou esse movimento. Com juros domésticos ainda elevados em termos reais, o Brasil segue oferecendo retorno atrativo para investidores estrangeiros, o que ajuda a sustentar a entrada de capital e a pressionar o dólar para baixo.

A valorização do real ao longo do fechamento de 2025 também contribuiu para aliviar parte das pressões inflacionárias, reforçando a leitura de que o Banco Central pode conduzir a política monetária com maior cautela, sem necessidade de respostas abruptas no curto prazo.

Emprego surpreende e muda expectativas para juros

Um dos principais destaques do dia foi a divulgação dos dados do mercado de trabalho. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontou a criação de 85 mil vagas formais em novembro, número acima das expectativas do mercado. Além disso, a taxa de desemprego caiu para 5,2%, o menor nível da série histórica.

Esses dados reforçam a leitura de que a economia brasileira segue aquecida, com emprego resiliente e salários em trajetória de alta. Esse cenário, por um lado, sustenta o consumo e a atividade econômica, mas, por outro, aumenta a atenção sobre possíveis pressões inflacionárias no médio prazo.

Como reflexo, os juros futuros reagiram de forma mista. Os vencimentos mais curtos registraram alta, refletindo a percepção de que o Banco Central terá menos espaço para cortes imediatos. Já os contratos de médio e longo prazo devolveram parte da queda observada anteriormente, após a ata do Fed indicar incertezas sobre o cenário global de juros.

Juros futuros e o equilíbrio delicado da política monetária

O comportamento da curva de juros ilustra bem o momento de transição vivido pelo mercado. De um lado, a atividade econômica forte e o mercado de trabalho aquecido exigem cautela da autoridade monetária. De outro, a desaceleração gradual da inflação e a perspectiva de um cenário internacional menos restritivo oferecem algum alívio.

Nesse contexto, a leitura predominante é de que o Banco Central deve adotar uma postura mais conservadora no início de 2026, avaliando com cuidado os próximos dados antes de qualquer ajuste significativo na Selic. Essa estratégia tende a manter o Brasil em posição relativamente confortável frente a outros emergentes, especialmente se o Fed confirmar uma trajetória gradual de flexibilização ao longo do próximo ano.

Balanço de 2025 reforça atratividade do Ibovespa

Ao fechar 2025 com a maior alta desde 2016, o Ibovespa encerra o ano em alta consolidando um ciclo de recuperação que ganhou força ao longo dos últimos meses. A combinação de juros reais elevados, mercado de trabalho forte e expectativa de estabilidade institucional ajudou a sustentar o desempenho da Bolsa brasileira, mesmo em um ambiente global ainda desafiador.

Para investidores, o resultado reforça a importância da diversificação e da atenção aos fundamentos. Setores ligados ao crédito, à infraestrutura e ao consumo interno tendem a seguir no radar, enquanto a evolução da política monetária global continuará sendo um fator-chave para a precificação dos ativos.

O encerramento positivo de 2025 também deixa um ponto de partida mais sólido para 2026, ainda que os desafios permaneçam. A trajetória do Ibovespa seguirá condicionada ao equilíbrio entre crescimento econômico, controle da inflação e disciplina fiscal, além dos desdobramentos do cenário internacional.

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