Carla Zambelli presa em Roma: PF fez cerco para evitar nova fuga e põe em xeque versão de entrega voluntária
A prisão da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) em Roma marcou um novo capítulo na crise que envolve a parlamentar bolsonarista. Localizada pelas autoridades brasileiras e italianas no dia 29 de julho de 2025, Zambelli foi presa na capital italiana após um cerco policial que visava evitar uma nova tentativa de fuga. A operação, conduzida com agilidade, contradiz a versão da defesa de que a parlamentar teria se entregado espontaneamente.
Segundo fontes da Polícia Federal (PF), a estratégia adotada foi cuidadosamente pensada. O local onde Zambelli estava hospedada foi cercado pelas autoridades assim que sua localização foi confirmada. A preocupação das autoridades brasileiras e italianas era de que, devido ao histórico de movimentações rápidas da deputada, ela pudesse fugir novamente, frustrando a ordem de prisão emitida.
Polícia Federal nega entrega voluntária de Zambelli
De acordo com fontes ligadas à operação, a versão divulgada pela defesa de que Carla Zambelli se entregou voluntariamente não corresponde aos fatos constatados pela PF. Policiais envolvidos afirmam que “ninguém se entrega em casa”, reforçando a narrativa de que a prisão foi fruto de uma ação coordenada e rápida.
Na ocasião da abordagem, Carla Zambelli estava em seu apartamento em Roma, envolvida em tarefas domésticas, como pintar e lavar o cabelo, segundo seu advogado. Após o cerco, ela foi detida e autorizada a levar seus medicamentos pessoais antes de ser levada à delegacia italiana responsável.
O episódio reacende os debates sobre o papel da Polícia Federal na cooperação internacional e sobre os riscos de fuga de parlamentares investigados. Mais do que um simples caso jurídico, a prisão de Carla Zambelli representa um embate entre narrativas políticas e a atuação das instituições brasileiras no exterior.
Defesa busca impedir extradição
O advogado de Zambelli, Fabio Pagnozzi, insiste que sua cliente se apresentou voluntariamente às autoridades italianas, com o objetivo de colaborar com as investigações e evitar o processo de extradição para o Brasil. No entanto, a PF considera essa alegação inverídica, apontando que a parlamentar foi efetivamente localizada e capturada, e não se apresentou por iniciativa própria.
A defesa busca alternativas legais para evitar que Zambelli retorne ao Brasil sob custódia, onde poderá responder a diversos processos que envolvem acusações graves. Entre as possibilidades aventadas está a solicitação de asilo político na Itália, embora a própria defesa reconheça que as chances de sucesso nesse pedido são extremamente reduzidas.
Apoio político minguante e isolamento estratégico
A estratégia de Carla Zambelli para evitar a extradição teria sido fundamentada na esperança de obter apoio de políticos de extrema-direita, tanto no Brasil quanto no exterior. No entanto, conforme fontes próximas ao caso, nem mesmo seus advogados acreditavam em uma mobilização suficiente para protegê-la politicamente.
Abandonada pelo seu grupo político, inclusive por antigos aliados no Congresso, Zambelli enfrenta agora um isolamento que compromete não apenas sua liberdade, mas também sua permanência no cargo de deputada federal. A expectativa entre parlamentares da Câmara dos Deputados é de que ela busque prolongar ao máximo o mandato, uma manobra estratégica para evitar a cassação.
Mandato na berlinda: risco de cassação cresce
A situação política de Carla Zambelli no Brasil se agrava à medida que os desdobramentos da sua prisão internacional ganham repercussão. A permanência no cargo de deputada federal está cada vez mais ameaçada, especialmente diante do enfraquecimento do seu apoio dentro do Partido Liberal (PL) e da ausência de suporte entre os parlamentares da base bolsonarista.
Zambelli enfrenta processos no Conselho de Ética da Câmara, além de investigações criminais conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A prisão fora do país pode ser usada como argumento adicional por aqueles que defendem sua cassação por quebra de decoro parlamentar.
Implicações jurídicas e diplomáticas da prisão
A prisão de Carla Zambelli em território europeu é considerada um caso raro e desafiador no âmbito da cooperação jurídica internacional. O Brasil deverá seguir protocolos legais junto ao governo italiano para formalizar o pedido de extradição da parlamentar, respeitando os prazos e as normas do direito internacional.
Por outro lado, o episódio também expõe os dilemas diplomáticos que envolvem a imagem do Brasil no exterior, especialmente diante de figuras políticas envolvidas em escândalos. A ação rápida da PF e o apoio da polícia italiana reforçam o compromisso institucional com o cumprimento da lei, mesmo em cenários complexos como este.
Repercussão política no Brasil
A notícia de que Carla Zambelli foi presa em Roma rapidamente gerou reações nas redes sociais e nos bastidores políticos de Brasília. Setores da oposição comemoram a detenção como símbolo de um novo momento institucional, em que parlamentares não estão acima da lei. Já aliados de Zambelli evitam declarações públicas, indicando o desconforto político com a situação.
A falta de apoio explícito evidencia o enfraquecimento da parlamentar e aumenta a pressão sobre o PL para tomar uma posição oficial sobre o futuro de Zambelli na legenda. O silêncio de lideranças bolsonaristas revela o desgaste crescente da deputada, cuja prisão se torna um divisor de águas em sua carreira política.
Perspectivas para os próximos dias
Com a prisão oficializada, o foco agora se volta para os próximos passos do processo de extradição. A Justiça italiana deve analisar o caso e verificar se estão presentes os requisitos legais para a devolução da parlamentar ao Brasil. Esse processo pode levar semanas ou até meses, dependendo das estratégias adotadas pela defesa e das exigências do sistema jurídico europeu.
Enquanto isso, o Brasil aguarda uma definição sobre o destino de Carla Zambelli. A continuidade do mandato, os desdobramentos jurídicos e a repercussão internacional desse caso manterão o nome de Zambelli no centro do noticiário político e jurídico do país.






