Caso Epstein: Câmara dos EUA convoca Bill e Hillary Clinton para depor em nova investigação sobre rede de tráfico sexual
O caso Epstein volta a ocupar o centro das atenções nos Estados Unidos. A Câmara dos Representantes convocou oficialmente o ex-presidente Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton para prestarem depoimento sobre sua possível ligação com Jeffrey Epstein, bilionário acusado de chefiar uma rede internacional de tráfico sexual de menores. A medida, considerada um avanço na reabertura das investigações, integra uma nova fase da apuração conduzida por uma subcomissão de supervisão da Câmara, com apoio bipartidário.
Além do casal Clinton, ex-procuradores-gerais de diferentes administrações e ex-diretores do FBI também foram intimados. A expectativa é que esses depoimentos tragam à tona novas informações sobre os bastidores do caso Epstein, seus cúmplices e os supostos acobertamentos que envolveram nomes poderosos da política e do setor privado.
O escândalo, que já se arrasta há mais de uma década, envolve acusações gravíssimas, teorias da conspiração e uma morte ainda cercada de mistério. Entenda todos os desdobramentos recentes, os nomes envolvidos, o que está em jogo nos depoimentos e por que o caso Epstein continua repercutindo com força nos EUA e no mundo.
Relembre o caso Epstein: o bilionário acusado de tráfico sexual
Jeffrey Epstein foi um financista bilionário americano com conexões poderosas no mundo da política, finanças e celebridades. Em 2008, ele se declarou culpado de promover exploração sexual de menores, mas fechou um acordo judicial polêmico que o livrou de uma pena mais severa. Mais de dez anos depois, em 2019, Epstein voltou a ser preso por crimes ainda mais graves envolvendo tráfico sexual de menores em esquema internacional.
Pouco mais de um mês após sua prisão, Epstein foi encontrado morto em sua cela em Nova York, oficialmente por suicídio. A morte repentina e as falhas no sistema de vigilância da prisão alimentaram uma onda de especulações sobre um possível assassinato para silenciar informações comprometedoras.
Desde então, o caso Epstein tem sido alvo de diversas investigações, incluindo questionamentos sobre o papel de autoridades, juízes, agentes federais e figuras públicas que, de alguma forma, teriam conhecimento ou até mesmo envolvimento com os crimes do bilionário.
Novas convocações incluem Bill e Hillary Clinton
Agora, em 2025, a reabertura do caso Epstein ganha força com as novas convocações feitas pela subcomissão de supervisão da Câmara dos Representantes. Bill e Hillary Clinton estão entre os principais nomes intimados. Ambos terão que prestar depoimentos oficiais, marcados para os dias 9 e 14 de outubro, respectivamente.
As convocações foram autorizadas após aprovação de moções apresentadas por parlamentares republicanos e democratas. Trata-se de um esforço bipartidário que busca esclarecer o grau de envolvimento de autoridades americanas com Epstein e sua cúmplice Ghislaine Maxwell, que atualmente cumpre pena de 20 anos por facilitar e recrutar menores para exploração sexual.
Relacionamentos entre Clinton e Epstein estão sob análise
De acordo com os documentos apresentados pela comissão investigativa, Bill Clinton teria viajado diversas vezes no jato particular de Epstein, apelidado de “Lolita Express. Além disso, há registros de encontros entre o ex-presidente e Ghislaine Maxwell.
Uma carta enviada a Clinton cita inclusive uma suposta pressão exercida contra a imprensa para evitar que reportagens sobre Epstein fossem publicadas, o que, se confirmado, pode indicar tentativa de obstrução de denúncias na época.
Hillary Clinton também foi convocada, pois os parlamentares entendem que a família Clinton mantinha uma relação próxima tanto com Epstein quanto com Maxwell, o que, segundo o comitê, pode indicar que ambos tenham informações relevantes sobre o funcionamento da rede de tráfico.
Ex-procuradores-gerais e ex-diretores do FBI também serão ouvidos
Além dos Clinton, a lista de convocados inclui nomes de peso da Justiça americana. Foram intimados:
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Jeff Sessions
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Alberto Gonzales
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William Barr
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Merrick Garland
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Loretta Lynch
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Eric Holder
Todos são ex-procuradores-gerais que atuaram nos governos de George W. Bush, Barack Obama, Donald Trump e Joe Biden. Os ex-diretores do FBI James Comey e Robert Mueller também foram chamados.
A intenção da comissão é entender como e por que as investigações contra Epstein foram tão lentamente conduzidas por anos, e quais agentes ou autoridades podem ter deixado de agir diante de denúncias e provas.
Trump promete revelações, mas vira alvo de desconfiança
O ex-presidente Donald Trump, que disputa nova eleição presidencial em 2026, também aparece como figura lateral no caso Epstein. Durante sua campanha, Trump prometeu liberar todos os documentos relacionados ao escândalo. No entanto, os arquivos divulgados em janeiro de 2025 decepcionaram apoiadores, pois já eram públicos ou pouco relevantes.
Como resultado, Trump passou a ser alvo de teorias da conspiração dentro de sua própria base política, especialmente entre membros do movimento MAGA (Make America Great Again), que acreditam que o ex-presidente possa estar escondendo informações comprometedoras — ou até mesmo envolvido com o esquema de Epstein.
Diante desse cenário, o republicano tenta recuperar a confiança da base conservadora e tem incentivado o aprofundamento das investigações contra seus adversários históricos, como os Clinton.
Uma nova fase do escândalo Epstein
A reabertura do caso Epstein e as novas convocações representam uma nova etapa nas tentativas de responsabilizar todos os envolvidos no esquema. Ao envolver diretamente nomes históricos da política americana, como Bill e Hillary Clinton, a investigação pode produzir efeitos devastadores na reputação de diversas figuras públicas — especialmente em um ano pré-eleitoral.
A pressão para que o Congresso vá até o fim na apuração é crescente, e muitos acreditam que novos depoimentos podem levar ao surgimento de nomes inéditos envolvidos no conluio criminoso de Epstein. Também há expectativa de que documentos confidenciais do Departamento de Justiça (DOJ) e do FBI sejam finalmente liberados.
O papel de Ghislaine Maxwell continua sendo peça-chave
Outro nome que continua no radar da investigação é o de Ghislaine Maxwell, cúmplice de Epstein e uma das principais articuladoras da rede de tráfico. Presa desde 2020, ela tenta reverter sua condenação, mas enfrenta forte resistência de promotores federais.
Maxwell já foi citada em diversas ocasiões como detentora de informações cruciais sobre políticos, empresários e membros da elite global que teriam participado ou sido cúmplices dos abusos promovidos por Epstein. As autoridades esperam que os novos depoimentos pressionem ainda mais a socialite a cooperar com as investigações.
O caso Epstein está longe de ser encerrado. Com novas intimações, o Congresso americano mostra disposição em ir além das investigações anteriores e romper com eventuais pactos de silêncio. A convocação de Bill e Hillary Clinton reacende a polêmica sobre a influência de figuras públicas em processos judiciais e o grau de impunidade em escândalos de grande escala.
Para os EUA, o caso é mais do que uma investigação criminal: é um teste sobre a capacidade do sistema político e judicial de responsabilizar os poderosos. O desfecho dessa nova fase da apuração poderá ter impactos profundos não apenas no futuro das figuras envolvidas, mas também na confiança da opinião pública nas instituições democráticas do país.






