Maduro e EUA: ditador venezuelano mobiliza 4,5 milhões de milicianos contra “ameaças” de Washington
A relação entre Maduro e EUA voltou a atingir um ponto de tensão máxima. Nesta segunda-feira (18), o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos em todo o país, como resposta direta ao que chamou de “ameaças renovadas” por parte do governo dos Estados Unidos.
A medida é a mais recente escalada em uma série de confrontos diplomáticos e militares que já se arrastam há anos entre Caracas e Washington. O anúncio acontece em meio à intensificação da pressão norte-americana, liderada pelo presidente Donald Trump, que dobrou de US$ 25 milhões para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à prisão de Maduro, acusado de envolvimento direto no narcotráfico internacional.
Maduro e EUA: anúncio de mobilização militar
Em pronunciamento transmitido pela TV estatal venezuelana, Maduro declarou que ativará um plano especial para garantir a cobertura militar em todo o território nacional. Segundo ele, as milícias estão “preparadas, ativadas e armadas” para defender a soberania da Venezuela diante do que chamou de ofensiva dos Estados Unidos.
O discurso foi marcado por tom nacionalista e reforçou a retórica chavista de que a Venezuela está sob ameaça constante de potências estrangeiras. Para analistas, a mobilização dos milicianos tem duplo objetivo: mostrar força para o público interno e enviar um recado político ao governo norte-americano.
EUA dobram recompensa pela captura de Maduro
O aumento da recompensa pela captura de Maduro foi anunciado pelo Departamento de Justiça dos EUA no início de agosto. O valor, que antes era de US$ 25 milhões, passou para US$ 50 milhões (cerca de R$ 273 milhões).
Washington acusa Maduro de ser um dos principais narcotraficantes do mundo e de utilizar organizações criminosas para introduzir drogas em território americano. Entre as facções mencionadas estão o Tren de Aragua, grupo criminoso venezuelano com atuação transnacional, e o cartel de Sinaloa, do México.
Segundo a procuradoria norte-americana, a DEA (Drug Enforcement Administration) já apreendeu 30 toneladas de cocaína vinculadas a redes comandadas por Maduro e seus aliados. Além disso, mais de US$ 700 milhões em ativos relacionados ao ditador foram confiscados, incluindo aeronaves, veículos de luxo e propriedades.
Histórico das tensões entre Maduro e EUA
O conflito entre Maduro e EUA não é novo. Desde o primeiro mandato de Trump (2017-2021), a relação entre os dois países está rompida. Em 2019, Washington reconheceu Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela e impôs sanções severas contra Caracas, incluindo o embargo ao petróleo.
Em 2020, o governo norte-americano acusou formalmente Maduro de narcoterrorismo e conspiração para o tráfico de drogas, oferecendo inicialmente uma recompensa de US$ 15 milhões. Mesmo com o aumento da pressão, as medidas fracassaram em retirar o líder chavista do poder.
A oposição venezuelana, enfraquecida e fragmentada, encerrou oficialmente o “governo simbólico” de Guaidó em 2023, o que consolidou ainda mais Maduro no comando da Venezuela.
O discurso de Maduro: propaganda interna e resistência externa
O anúncio da mobilização dos milicianos faz parte de uma estratégia já conhecida de Maduro: utilizar a retórica antiamericana como ferramenta de coesão política interna. Ao apresentar os EUA como inimigos da pátria, o regime chavista tenta legitimar a militarização da sociedade e reforçar a lealdade de suas bases políticas.
Segundo especialistas, a convocação de 4,5 milhões de milicianos não apenas reforça a imagem de resistência, mas também serve como resposta ao aumento da recompensa por sua captura. Na prática, contudo, analistas questionam a capacidade real dessas milícias de enfrentar um conflito direto com forças militares convencionais.
Acusações de narcotráfico e terrorismo
O governo dos Estados Unidos tem ampliado as acusações contra Maduro. Segundo a secretária de Justiça, Pam Bondi, o ditador venezuelano utiliza conexões com facções criminosas para financiar seu regime e fomentar a violência internacional.
Além das toneladas de cocaína apreendidas, a DEA identificou conexões entre o regime chavista e redes de lavagem de dinheiro que movimentaram bilhões de dólares em ativos no exterior. As sanções econômicas aplicadas por Washington têm como objetivo sufocar financeiramente o regime, mas, até o momento, não foram capazes de desestabilizar Maduro.
Negociações discretas apesar da hostilidade
Apesar da retórica agressiva, Maduro e EUA mantêm canais de negociação em temas específicos. Um exemplo recente foi a libertação de dez cidadãos americanos presos na Venezuela, resultado de um acordo intermediado com a participação de El Salvador.
Essas tratativas pontuais demonstram que, mesmo em meio a tensões diplomáticas, há espaço para negociações quando interesses estratégicos estão em jogo. No entanto, o endurecimento da postura americana com o aumento da recompensa coloca novos obstáculos para qualquer tentativa de diálogo.
Maduro, Trump e o fator eleitoral
O embate entre Maduro e EUA também está inserido no contexto da política doméstica norte-americana. A retórica dura contra Maduro é utilizada pelo governo Trump como forma de reforçar sua imagem de combate ao crime organizado e ao narcoterrorismo.
Especialistas apontam que, em anos eleitorais, medidas como sanções, aumento de recompensas e acusações formais são frequentemente usadas para demonstrar firmeza em política externa, especialmente diante de temas sensíveis como drogas e terrorismo.
Perspectivas para a Venezuela
O anúncio da mobilização de milhões de milicianos levanta preocupações sobre o futuro da Venezuela. O país já enfrenta crise econômica prolongada, hiperinflação, escassez de produtos básicos e êxodo migratório que ultrapassa milhões de pessoas.
A militarização da sociedade pode agravar ainda mais as tensões internas e externas. Para a população, a medida representa mais um capítulo em uma longa trajetória de instabilidade política, marcada pela repressão de opositores e pela deterioração das condições de vida.
O novo capítulo da disputa entre Maduro e EUA evidencia como a relação entre Caracas e Washington continua a ser marcada por acusações, sanções e demonstrações de força. Enquanto os Estados Unidos reforçam a pressão econômica e judicial contra Maduro, o ditador chavista responde mobilizando milhões de milicianos e reforçando sua retórica de resistência.
No curto prazo, a escalada de tensão deve aumentar a instabilidade regional e alimentar a polarização política. No longo prazo, a questão permanece: até que ponto a pressão externa será capaz de desestabilizar um regime que, apesar das crises internas, segue consolidado no poder?






