AGU contrata escritório nos EUA para defender Brasil contra sanções e restrições internacionais
A Advocacia-Geral da União (AGU) confirmou nesta quarta-feira (27) a contratação do escritório norte-americano Arnold & Porter Kaye Scholer LLP para representar o Brasil em litígios e negociações internacionais nos Estados Unidos. O contrato foi firmado em um momento de tensão diplomática, marcado pela aplicação de sanções, cassação de vistos de autoridades brasileiras e até pela utilização da chamada Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
A medida busca fortalecer a defesa dos interesses nacionais em disputas comerciais, regulatórias e jurídicas, garantindo apoio técnico de um dos escritórios mais renomados do mundo.
Por que a AGU contratou um escritório nos EUA
Segundo a AGU, a decisão de contratar o escritório Arnold & Porter está relacionada à impossibilidade de advogados públicos brasileiros atuarem em tribunais estrangeiros. A legislação internacional exige que apenas profissionais habilitados em determinado país possam atuar em suas cortes.
Assim, quando há necessidade de representar o Brasil no exterior, escritórios privados especializados são escolhidos para defender os interesses nacionais, sempre sob orientação da União.
No caso atual, a contratação foi considerada estratégica diante de sanções que afetam diretamente autoridades e instituições brasileiras.
O que está em jogo para o Brasil
Entre os riscos que justificaram a decisão da AGU estão:
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Tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.
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Bloqueio de ativos no exterior.
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Restrições financeiras contra instituições nacionais.
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Cassação e negativa de vistos para autoridades brasileiras.
Além disso, há a possibilidade de empresas brasileiras também serem impactadas por medidas de natureza política ou econômica. O contrato prevê que o escritório possa atuar não apenas em defesa do Estado brasileiro, mas também de agentes públicos e companhias nacionais, desde que as sanções estejam relacionadas ao exercício legítimo de suas funções.
O escritório Arnold & Porter Kaye Scholer LLP
Fundado em 1946, o escritório Arnold & Porter Kaye Scholer LLP é reconhecido mundialmente por sua atuação em disputas regulatórias, comerciais e internacionais.
Com mais de mil advogados distribuídos em 16 escritórios pelo mundo, a firma já representou países, grandes corporações e instituições em casos de alta complexidade. Sua reputação e especialização foram os principais fatores para a escolha da AGU.
No Brasil, a contratação foi realizada por inexigibilidade de licitação, amparada pela legislação, com a justificativa de que não há outro fornecedor com o mesmo grau de especialização.
Condições do contrato firmado pela AGU
O contrato entre a AGU e o escritório norte-americano possui características específicas que reforçam sua viabilidade econômica:
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Validade: 48 meses.
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Teto de gastos: até US$ 3,5 milhões.
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Modelo de pagamento: por demanda — a União desembolsa recursos apenas quando os serviços são efetivamente prestados.
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Escopo de atuação: defesa do Brasil em casos envolvendo tarifas, bloqueio de ativos, restrições financeiras e cassação de vistos.
Esse formato garante que o governo brasileiro tenha apoio jurídico de ponta sem comprometer recursos públicos de forma antecipada.
Histórico da AGU em contratações internacionais
A Advocacia-Geral da União mantém atualmente 17 contratos ativos com escritórios de advocacia em 11 países. Essas parcerias já foram fundamentais em situações como:
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Casos de extradição de criminosos.
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Recuperação de ativos desviados ao exterior.
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Mediação de transações comerciais.
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Resolução de disputas em cortes internacionais.
Esse histórico reforça a importância da contratação de especialistas estrangeiros em casos que exigem conhecimento jurídico e regulatório além das fronteiras brasileiras.
Contexto político e internacional
A decisão da AGU ocorre em meio a um cenário de atrito entre Brasil e Estados Unidos. Sob a gestão de Donald Trump, foram aplicadas medidas que afetaram diretamente autoridades brasileiras, incluindo a cassação de vistos diplomáticos e sanções específicas.
Entre essas medidas está a Lei Magnitsky, instrumento legal norte-americano que permite punir autoridades estrangeiras acusadas de violações de direitos humanos ou corrupção. A aplicação contra um ministro do STF provocou forte reação política e jurídica no Brasil, tornando a defesa internacional uma prioridade.
A importância estratégica da defesa internacional
A contratação de um escritório de grande porte nos EUA é vista como um passo essencial para preservar a imagem institucional do Brasil e proteger seus interesses econômicos.
Além de evitar prejuízos bilionários em setores estratégicos, como exportações e investimentos, a presença de uma defesa estruturada nos EUA pode:
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Melhorar a posição do Brasil em negociações comerciais.
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Reduzir riscos de bloqueio de ativos brasileiros no exterior.
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Defender empresas nacionais contra retaliações injustificadas.
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Proteger autoridades de perseguições políticas internacionais.
A decisão da AGU de contratar o escritório Arnold & Porter Kaye Scholer LLP representa uma medida estratégica para proteger o Brasil de sanções internacionais e restrições impostas pelos EUA.
Com validade de quatro anos e teto de gastos de até US$ 3,5 milhões, o contrato fortalece a defesa jurídica do país em casos de alta complexidade, preservando os interesses de autoridades, empresas nacionais e do próprio Estado brasileiro.
Em um momento de tensões diplomáticas, a ação reafirma o compromisso do governo em blindar a soberania nacional e proteger a economia brasileira diante de pressões externas.






