PIB da indústria: CNI alerta para efeitos dos juros altos e das importações no crescimento econômico
O PIB da indústria brasileira voltou a acender o alerta entre economistas, empresários e governo. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), os números do segundo trimestre de 2025 revelam uma desaceleração preocupante, diretamente influenciada pela combinação de juros elevados e aumento expressivo das importações.
Enquanto o Produto Interno Bruto geral avançou 0,4% entre abril e junho, após alta de 1,3% no primeiro trimestre, a indústria só conseguiu crescer 0,5% — sustentada quase exclusivamente pela produção de petróleo. Já os setores de transformação e construção registraram retrações, expondo a fragilidade estrutural do setor industrial brasileiro diante das condições atuais da economia.
PIB da indústria: desaceleração e fatores de pressão
De acordo com a CNI, a Selic em 15% é insustentável para quem produz. O custo elevado do crédito reduz investimentos, limita a competitividade e compromete a capacidade de geração de empregos.
A situação se agrava com a entrada crescente de produtos importados, que substituem parte da produção doméstica. Apenas no segundo trimestre de 2025, as importações de manufaturados cresceram 2,3%, com destaque para:
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Veículos: alta de 17,7%
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Produtos farmacêuticos: avanço de 8,6%
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Bens de consumo: crescimento expressivo de 27%
Esse movimento pressiona empresas nacionais, que enfrentam custos de produção mais altos e dificuldade para competir em preço e escala.
Impacto da indústria no PIB do Brasil
A indústria tem papel estratégico no cálculo do PIB do Brasil, respondendo por uma parcela significativa da geração de emprego e renda. No segundo trimestre, entretanto, o desempenho positivo do setor ficou restrito às indústrias extrativas, puxadas por uma expansão de 5,4% na produção de petróleo.
Por outro lado:
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A indústria de transformação caiu 0,5%.
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O setor de construção recuou 0,2%.
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As vendas de materiais de construção caíram 1,9%.
Esses números indicam que a expansão da indústria não foi disseminada e dependeu de um único segmento.
CNI: riscos para emprego e renda
A CNI alerta que, sem corte nos juros, os efeitos negativos da queda da atividade industrial podem se espalhar para outros setores da economia, afetando emprego e renda.
Segundo Ricardo Alban, presidente da entidade, o enfraquecimento da demanda interna já é visível. O consumo das famílias cresceu apenas 0,5% no período, mas a demanda por bens industriais nacionais recuou 0,4%, substituída por produtos importados.
Isso compromete não apenas o presente, mas também as perspectivas futuras de crescimento sustentado, já que a indústria é responsável por impulsionar cadeias produtivas, inovação e tecnologia.
PIB da indústria e contexto internacional
Outro fator que influencia o PIB da indústria é o ambiente global. As tensões comerciais, como o tarifaço dos EUA contra o Brasil, aumentam a incerteza para o setor exportador. Durante missão empresarial em Washington, a CNI tem buscado alternativas para reduzir os efeitos das tarifas e ampliar a competitividade internacional das empresas brasileiras.
No cenário interno, a desaceleração do PIB e a estagnação em setores-chave reforçam a necessidade de medidas que reduzam custos estruturais e tornem a indústria mais competitiva frente ao avanço de importados.
Perspectivas para o segundo semestre
Especialistas projetam que, se a Selic permanecer elevada até 2026, o PIB da indústria terá dificuldades para reagir. A expectativa é que apenas setores vinculados a commodities, como petróleo e mineração, mantenham desempenho positivo.
Por outro lado, a pressão crescente de empresários pode acelerar o debate sobre cortes de juros ainda em 2025. Uma redução gradual da Selic teria potencial de reaquecer investimentos, ampliar o consumo de bens industriais e equilibrar a concorrência com importados.
O desempenho do PIB da indústria no segundo trimestre de 2025 expõe os desafios enfrentados pelo setor diante de juros altos e da competição internacional. Sem medidas que reduzam custos e fortaleçam a produção doméstica, os efeitos negativos podem se espalhar para toda a economia, comprometendo o crescimento, o emprego e a renda dos trabalhadores.
A posição da CNI é clara: enquanto os juros permanecerem em níveis elevados, a indústria brasileira continuará fragilizada, distante de repetir os índices de crescimento de 3% registrados nos últimos três anos.






