PEC da Blindagem: repercussão pode enfraquecer Carla Zambelli na CCJ
A tramitação da PEC da Blindagem na Câmara dos Deputados e sua forte repercussão negativa no cenário político nacional estão criando efeitos colaterais que atingem diretamente a deputada Carla Zambelli (PL-SP). A parlamentar, que será ouvida pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), enfrenta um processo que pode resultar na perda de seu mandato, e analistas do Congresso acreditam que a polêmica em torno da proposta reduziu suas chances de escapar de uma decisão desfavorável.
O que é a PEC da Blindagem e por que ela gerou polêmica
A PEC da Blindagem foi aprovada pela Câmara na semana passada com a justificativa de oferecer maior proteção a parlamentares diante de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, a medida passou a ser amplamente criticada por especialistas e pela opinião pública, que a interpretaram como uma tentativa de criar um manto de impunidade para políticos envolvidos em irregularidades.
O Senado, que tem a prerrogativa de analisar a proposta, já indica que deve enterrá-la, atendendo às pressões populares e ao receio de desgaste institucional. A repercussão negativa transformou a PEC em um símbolo da tensão entre Legislativo e Judiciário, além de expor a fragilidade da classe política diante do clamor social por mais transparência e responsabilidade.
Impacto da PEC da Blindagem sobre Carla Zambelli
Até a semana passada, Zambelli contava com uma ala da CCJ disposta a blindá-la no processo que analisa seu mandato. Essa margem de apoio, entretanto, teria se reduzido significativamente após a enxurrada de críticas que a PEC despertou. Deputados temem que a defesa explícita de uma colega condenada pelo STF possa reforçar a percepção de que o Congresso atua de forma corporativista para proteger os seus, mesmo em casos graves.
A estratégia de Zambelli, que buscava apoio entre aliados bolsonaristas e conservadores, enfrenta agora um cenário de resistência ampliada. A perda de apoios internos torna sua defesa mais complexa, sobretudo porque o desgaste político se soma ao peso da condenação já imposta pela Justiça.
O caso judicial de Zambelli
A deputada foi condenada pelo STF por ter invadido dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em um episódio que ganhou grande repercussão. Após a condenação, deixou o Brasil e fugiu para a Itália, onde permaneceu até ser presa em Roma em julho. Esse histórico complica ainda mais sua posição perante a CCJ, já que parlamentares consideram a fuga como um agravante de sua conduta.
O processo em análise na Comissão pode levar à cassação definitiva do mandato, caso a maioria dos membros se alinhe à visão de que a deputada ultrapassou todos os limites aceitáveis para um representante público.
O ambiente político na CCJ
A CCJ, considerada o principal colegiado da Câmara, tem papel decisivo em processos que envolvem quebra de decoro parlamentar. O colegiado é formado por deputados de diversos partidos, muitos deles atentos ao impacto da opinião pública em suas bases eleitorais.
A avaliação entre integrantes é de que a PEC da Blindagem se tornou um divisor de águas. Antes vista como uma proteção política aceitável em determinados casos, agora é interpretada como símbolo de autoproteção parlamentar em detrimento da sociedade. Essa mudança de narrativa atingiu em cheio a situação de Zambelli.
Relação entre PEC da Blindagem e a imagem do Congresso
A forte rejeição à <strong data-start=”3570″ data-end=”3590″>PEC da Blindagem revelou a crescente intolerância da população em relação a iniciativas que soam como manobras para salvar políticos de punições. Nas redes sociais, movimentos de oposição e de fiscalização cidadã pressionaram o Senado a rejeitar a proposta.
O desgaste da imagem institucional do Congresso é um ponto de preocupação para parlamentares que tentarão reeleição em 2026. Proteger Zambelli, nesse contexto, poderia custar caro eleitoralmente. Por isso, muitos preferem se distanciar do caso.
Possíveis desdobramentos no Senado
Enquanto a CCJ da Câmara decide o futuro de Zambelli, o Senado se prepara para avaliar a PEC da Blindagem. Senadores já sinalizam que não pretendem assumir o desgaste de bancar uma proposta amplamente rejeitada pela sociedade. Se a PEC for enterrada, a derrota pode selar de vez a narrativa de que tentativas de blindagem política não encontram mais espaço diante da pressão popular.
Essa eventual derrota da PEC também pode ter impacto direto no julgamento da deputada, reforçando a leitura de que não haverá margem para proteção corporativista em casos polêmicos.
O peso da opinião pública
A opinião pública tem sido determinante para as movimentações em Brasília. A rejeição expressa em pesquisas e nas ruas tem feito parlamentares recuarem em propostas de caráter impopular. O caso da PEC da Blindagem é mais um exemplo dessa dinâmica, mostrando que a sociedade acompanha de perto as tentativas de flexibilizar regras em benefício de políticos.
Nesse cenário, Zambelli se vê em posição vulnerável: a associação de seu processo com a PEC torna o debate ainda mais delicado e amplia o desgaste sobre sua figura.
Conclusão política do episódio
O desenrolar dos próximos dias será crucial para o destino da deputada. A audiência na CCJ poderá consolidar a perda de apoios, enquanto o destino da PEC da Blindagem no Senado deve reforçar a pressão contrária a medidas de autoproteção política.
Se confirmada a cassação de Zambelli, o episódio será mais um marco de que o Congresso, mesmo a contragosto, se vê obrigado a responder à cobrança da sociedade por mais ética e responsabilidade.






