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Ações da Raízen (RAIZ4) Disparam 16% e Recuperam Patamar de R$ 1 com Plano de Capitalização

por João Souza
28/01/2026 às 15h26
em Negócios
Ações Da Raízen (Raiz4) Disparam 16% E Recuperam Patamar De R$ 1 Com Plano De Capitalização - Gazeta Mercantil

Ações da Raízen (RAIZ4) disparam 16% e rompem barreira de R$ 1,00 impulsionadas por rumor de capitalização e venda de ativos

O pregão desta quarta-feira (28) marcou um ponto de inflexão significativo para o setor de sucroenergia na B3, com os holofotes voltados especificamente para a performance das ações da Raízen (RAIZ4). Após um longo inverno de desvalorização, que confinou o ativo à zona das penny stocks (ações negociadas abaixo de uma unidade da moeda local) por mais de três meses, os papéis da gigante de combustíveis e energia renovável registraram uma valorização expressiva, voltando a ser negociados acima do patamar psicológico e técnico de R$ 1,00.

Por volta das 12h48, as ações da Raízen operavam com uma alta robusta de 16,67%, cotadas a R$ 1,05. O movimento de euforia compradora, que não era visto nessas proporções desde 6 de outubro de 2025, é sustentado por um tripé de fatores macro e microeconômicos: o alívio na curva de juros futuros, a aprovação de venda de ativos pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e, principalmente, as especulações de mercado sobre uma reestruturação de capital bilionária que promete sanear o balanço da companhia.

Leia também: Ibovespa hoje: mercado reage ao Copom e movimenta principais ações.

O Contexto da Disparada das Ações da Raízen

Para compreender a magnitude do movimento das ações da Raízen nesta quarta-feira, é necessário analisar a estrutura de capital da empresa. Controlada pela Cosan (CSAN3) e pela Shell, a Raízen opera com um modelo de negócios intensivo em capital. Nos últimos trimestres, a companhia viu sua alavancagem financeira disparar em meio a um ciclo de investimentos pesados em plantas de Etanol de Segunda Geração (E2G) e a uma compressão de margens no setor de distribuição de combustíveis.

O mercado vinha penalizando severamente as ações da Raízen devido ao alto endividamento. A dívida líquida da companhia atingiu a cifra alarmante de R$ 53,437 bilhões, elevando o índice de alavancagem (medido pela relação Dívida Líquida/Ebitda) para 5,1 vezes. Em um cenário de taxa Selic elevada, o custo do serviço dessa dívida corrói a geração de caixa livre, afugentando investidores focados em dividendos ou crescimento sustentável.

Leia também: Raízen enfrenta desafio bilionário após recuperação extrajudicial e pressiona RAIZ4.

No entanto, o cenário mudou drasticamente hoje com a notícia, ainda não confirmada oficialmente via fato relevante, mas amplamente circulada nas mesas de operações, de que a companhia estaria estruturando um aumento de capital privado. As informações apontam para uma injeção de recursos que pode variar entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão. Para o detentor das ações da Raízen, isso sinaliza uma luz no fim do túnel da solvência, indicando que os controladores estão dispostos a aportar capital para reduzir a alavancagem e permitir que a empresa respire.

A Reestruturação de Capital e o Impacto no Valuation

A perspectiva de um aumento de capital costuma ter dois efeitos imediatos sobre as ações de uma companhia: o temor da diluição dos acionistas minoritários e o alívio pelo fortalecimento do caixa. No caso específico das ações da Raízen, o mercado optou pela segunda leitura. Dada a gravidade do endividamento, a entrada de recursos novos é vista como vital para a sustentabilidade do negócio.

Se confirmado o aporte na casa de US$ 1,5 bilhão (aproximadamente R$ 7,5 bilhões a R$ 8 bilhões no câmbio atual), a Raízen poderia abater uma parcela significativa de sua dívida bruta, reduzindo despesas financeiras e melhorando imediatamente seus covenants (garantias contratuais de dívida). Isso explica a corrida dos investidores para recomprar as ações da Raízen, apostando que o pior momento operacional e financeiro pode ter ficado para trás.

Analistas de mercado ponderam que, embora a diluição seja um risco, o preço atual das ações da Raízen já embutia um cenário de “quase insolvência” ou de dificuldades extremas de rolagem de dívida. Portanto, qualquer movimento que afaste esse risco de cauda é precificado como extremamente positivo, gerando o short squeeze (movimento de cobertura de posições vendidas) que impulsionou a cotação a R$ 1,05.

Venda de Ativos: A Estratégia de Reciclagem de Portfólio

Paralelamente aos rumores de capitalização, o noticiário corporativo trouxe um fato concreto que contribuiu para o otimismo em relação às ações da Raízen. O Cade aprovou, sem restrições, a venda da Bio Polares, uma subsidiária indireta da Raízen (via Bioenergia Barra). A Bio Polares detém uma central de minigeração de eletricidade movida a biogás, situada no Aterro Sanitário Dois Arcos, em São Pedro da Aldeia (RJ).

A compradora é a GNR Dois Arcos Valorização de Biogás (GDA), empresa especializada na produção de biometano. Embora o valor da transação não tenha sido divulgado no Diário Oficial da União, o movimento é estratégico. Ele sinaliza ao mercado que a gestão da Raízen está ativa na reciclagem de seu portfólio, desfazendo-se de ativos não-core ou de menor escala para gerar caixa imediato.

Para o investidor que monitora as ações da Raízen, cada desinvestimento é uma peça no quebra-cabeça da desalavancagem. Vender operações periféricas para focar no core business (produção de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis) é uma cartilha clássica de turnaround (virada) corporativo. A aprovação rápida pelo órgão regulador elimina riscos de execução do negócio e permite que os recursos entrem no caixa da companhia mais rapidamente.

O Cenário Macro: Juros Futuros e Setor Sucroalcooleiro

Além dos fatores idiossincráticos da empresa, as ações da Raízen beneficiaram-se nesta quarta-feira de um ambiente macroeconômico mais benigno. A curva de juros futuros (DI) apresentou fechamento (queda nas taxas), refletindo dados de inflação e o cenário externo. Para empresas altamente endividadas como a Raízen, cada ponto base a menos na curva de juros representa uma economia milionária no serviço da dívida atrelada ao CDI.

A sensibilidade das ações da Raízen aos juros é altíssima. Com uma dívida de R$ 53 bilhões, a empresa funciona quase como uma opção sobre a taxa de juros brasileira. Se os juros caem, o valor presente dos fluxos de caixa futuros da empresa sobe, e o custo da dívida cai, criando uma “boca de jacaré” positiva para o equity (valor das ações).

Adicionalmente, o setor sucroalcooleiro vive um momento de atenção. A safra de cana-de-açúcar e os preços internacionais do açúcar bruto em Nova York continuam sendo vetores de receita importantes. Apesar da pressão nas margens de distribuição de combustíveis no Brasil, a Raízen mantém uma posição de liderança global na exportação de açúcar. A recuperação das ações da Raízen também passa pela expectativa de que a empresa consiga capturar melhor as margens operacionais na próxima safra, com maior eficiência nas plantas de E2G.

A Luta Contra o Rótulo de “Penny Stock”

O retorno das ações da Raízen ao patamar acima de R$ 1,00 é simbólico e técnico. Na B3, ações que negociam abaixo de 1 real por 30 pregões consecutivos entram em uma regra de enquadramento, que pode forçar o agrupamento de ações (inplit). Esse processo costuma ser negativo para a imagem da empresa e tende a aumentar a volatilidade.

Ao romper a resistência de R$ 1,00 e negociar a R$ 1,05, as ações da Raízen afastam, momentaneamente, o fantasma do agrupamento. Isso traz tranquilidade para fundos de investimento institucionais que possuem restrições em seus regulamentos para operar ativos cotados em centavos. A volta da liquidez e do preço “de tela” acima da unidade atrai novamente o fluxo de grandes players, que estavam apenas observando a deterioração do papel.

Riscos e Pontos de Atenção para o Investidor

Apesar da euforia do dia, analistas recomendam cautela. A alta de 16% nas ações da Raízen é expressiva, mas o cenário fundamentalista ainda exige correções de rota. A alavancagem de 5,1 vezes o Ebitda continua sendo um fardo pesado, e o aumento de capital, se confirmado, trará o desafio da execução e da precificação das novas ações.

O investidor deve estar atento aos comunicados oficiais da empresa nos próximos dias. A confirmação do aumento de capital, o preço de emissão das novas ações e a participação dos controladores (Cosan e Shell) serão determinantes para a sustentabilidade da alta das ações da Raízen. Se os controladores acompanharem a oferta, isso demonstrará confiança no negócio. Se a oferta for 100% a mercado, a pressão vendedora pode retornar.

Outro ponto de atenção é a operação de venda da Bio Polares. O mercado aguarda detalhes sobre o valor arrecadado e como esses recursos serão alocados. Se o montante for relevante, poderá haver uma revisão das projeções de dívida líquida para o próximo trimestre.

Cosan (CSAN3) e o Efeito em Cascata

A valorização das ações da Raízen tem um efeito direto sobre sua controladora, a Cosan. A holding de Rubens Ometto tem na Raízen um de seus principais ativos operacionais e geradores de dividendos. A crise de valor das ações da Raízen impactou negativamente o valor de mercado da Cosan nos últimos meses, limitando a capacidade de investimento do grupo.

Com a recuperação da controlada, a Cosan também respira mais aliviada, vendo o valor de sua participação acionária crescer. Isso cria um círculo virtuoso dentro do grupo, melhorando a percepção de risco de crédito da holding e permitindo que ela apoie a capitalização da Raízen sem comprometer excessivamente sua própria liquidez.

Conclusão: Um Novo Capítulo para a Raízen?

O movimento desta quarta-feira (28) pode ser o início de uma reprecificação estrutural das ações da Raízen. O mercado financeiro, pragmático por natureza, parece ter aceitado a tese de que a empresa é “grande demais para falhar” e que os controladores farão o necessário para reequilibrar o balanço.

A combinação de venda de ativos periféricos (como a central de biogás no Rio de Janeiro) com uma injeção de capital robusta ataca diretamente o problema central da companhia: a dívida. Se executada com sucesso, essa estratégia pode devolver a Raízen aos trilhos do crescimento, permitindo que o mercado volte a olhar para seus diferenciais competitivos, como a tecnologia proprietária de etanol de segunda geração e sua capilaridade na distribuição.

Para quem está posicionado ou pensa em entrar em ações da Raízen, o momento é de vigilância. A volatilidade deve permanecer alta até que os termos do aumento de capital sejam públicos. O rompimento do R$ 1,00 foi a primeira batalha vencida, mas a guerra pela recuperação do valor de mercado da companhia ainda está longe do fim. A gestão da dívida e a eficiência operacional nos próximos trimestres serão os juízes finais deste processo de recuperação.

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