Banco do Brasil acusa Eduardo Bolsonaro de fake news e aciona AGU para conter risco sistêmico
O Banco do Brasil entrou oficialmente com pedido de atuação da Advocacia-Geral da União (AGU) contra os deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Gustavo Gayer (PL-GO), acusando-os de disseminar fake news em vídeos que sugeriam uma suposta falência da instituição. Segundo o banco, os conteúdos espalhados nas redes sociais tiveram como objetivo gerar pânico entre correntistas e instabilidade no sistema financeiro nacional.
No centro da polêmica está um vídeo de Eduardo Bolsonaro, publicado diretamente dos Estados Unidos, em que ele relaciona o Banco do Brasil à Lei Magnitsky, legislação americana voltada a sanções por violações de direitos humanos. O parlamentar chegou a afirmar que o banco estaria prestes a ser “cortado das relações internacionais” e, por isso, iria “à falência” — afirmações sem base técnica, segundo a instituição e especialistas do setor.
Banco do Brasil vê risco à ordem econômica
No documento enviado à AGU, o Banco do Brasil argumenta que as postagens dos parlamentares configuram crimes contra o Estado Democrático de Direito, além de violação de sigilo institucional, manipulação de informações e atentado à segurança do sistema financeiro nacional.
A instituição alerta que a propagação de fake news financeiras tem efeito direto sobre a confiança dos clientes e pode estimular retiradas indevidas de recursos. Para o banco, não se trata apenas de crítica política, mas de uma ofensiva que ameaça a estabilidade da economia.
Possíveis consequências jurídicas
Caso a AGU dê prosseguimento à denúncia, Eduardo Bolsonaro e Gustavo Gayer podem enfrentar processos por difamação institucional, crimes contra a ordem econômica e até sanções criminais. As medidas podem incluir:
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Remoção imediata do conteúdo das redes sociais.
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Indenizações por danos institucionais.
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Proibição de reincidência.
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Responsabilização cível e criminal.
Especialistas jurídicos apontam que este processo pode abrir precedente para enquadrar parlamentares e influenciadores que usem redes sociais para incitar pânico financeiro com base em informações falsas.
Lei Magnitsky: por que foi citada?
A Lei Magnitsky, sancionada nos Estados Unidos em 2012, foi criada para punir indivíduos e instituições estrangeiras envolvidos em corrupção ou violações de direitos humanos.
O nome faz referência ao advogado russo Sergei Magnitsky, morto em 2009 após denunciar um esquema de fraudes fiscais. A legislação permite que os EUA apliquem restrições de visto e congelem ativos de alvos internacionais.
Grupos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a usar a lei como justificativa para pressionar autoridades brasileiras, chegando a citar o ministro Alexandre de Moraes (STF). No entanto, especialistas afirmam que não há fundamento jurídico para aplicar a legislação contra o Banco do Brasil.
Haddad denuncia ofensiva articulada contra o banco
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista que há uma ofensiva articulada contra o Banco do Brasil, tanto nas redes sociais quanto no Congresso Nacional.
Segundo ele, os ataques visam criar instabilidade financeira e política, com projetos de lei que buscam perdoar dívidas bilionárias do agronegócio sem justificativa técnica. Essas iniciativas, na visão da equipe econômica, têm caráter político e prejudicam deliberadamente a estatal.
Para Haddad, os ataques cumprem dois objetivos:
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Criar pânico entre correntistas, afetando a imagem do banco.
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Enfraquecer a gestão pública, reforçando narrativas de fragilidade do sistema.
Mercado reage às acusações de fake news
Mesmo com a repercussão dos vídeos, especialistas em economia afirmam que não há risco real de falência do Banco do Brasil. A instituição é considerada sólida, com ativos superiores a R$ 2 trilhões e lucro líquido de R$ 9,3 bilhões apenas no segundo trimestre de 2025.
No mercado de ações, os papéis do BB (BBAS3) chegaram a registrar leve queda após os boatos, mas logo se recuperaram. Analistas destacam que o impacto foi apenas um ruído político, sem efeito estrutural na solidez da instituição.
Redes sociais e a propagação de fake news financeiras
O episódio reacendeu o debate sobre a responsabilidade de figuras públicas na disseminação de informações em massa. As redes sociais, hoje centrais para a comunicação política, também se tornaram terreno fértil para boatos capazes de impactar mercados e instituições.
Especialistas lembram que incitar saques ou criar narrativas de colapso bancário pode ser considerado crime contra a ordem econômica, mesmo que travestido de opinião política.
Papel da AGU e a moderação de conteúdo
A atuação da AGU neste caso pode criar um precedente jurídico para responsabilizar não apenas políticos, mas também qualquer pessoa que compartilhe fake news financeiras.
A instituição defende que a moderação de conteúdos que ameaçam a ordem econômica não se trata de censura, mas de proteção da estabilidade do sistema bancário.
O embate entre o Banco do Brasil e Eduardo Bolsonaro mostra como as fake news financeiras podem se transformar em risco sistêmico. Ao acionar a AGU, o banco busca não apenas reparar sua imagem, mas também proteger a confiança no sistema financeiro nacional.
Enquanto isso, o episódio reforça a necessidade de maior responsabilidade no uso das redes sociais por parte de políticos e influenciadores, já que declarações sem base técnica podem gerar instabilidade em instituições centrais da economia brasileira.






