Bolsa Brasileira fecha estável em meio a tensões comerciais e decisões políticas
A bolsa brasileira encerrou o pregão desta quinta-feira, 17 de julho, com estabilidade, registrando variação mínima de -0,03%, fechando aos 135.622 pontos às 17h. O dia foi marcado por baixa liquidez e volatilidade moderada, com oscilações internas entre ganhos e perdas, refletindo um cenário econômico e político desafiador. Apesar dos ganhos iniciais pela manhã, os papéis da Vale terminaram em leve queda de -0,07%, enquanto as ações da Petrobras caíram 1%, pressionadas por fatores externos e internos.
Influência do conflito comercial entre Brasil e Estados Unidos na bolsa brasileira
Um dos principais fatores que impactaram o desempenho da bolsa brasileira foi o conflito comercial em curso entre Brasil e Estados Unidos, que já se estende por mais de uma semana. A imposição de tarifas americanas contra produtos brasileiros criou um ambiente de incerteza que se reflete diretamente no mercado de ações nacional. Esse cenário contribui para o afastamento de investidores em busca de ativos mais seguros, afetando o Ibovespa e impedindo a retomada consistente dos índices.
Insegurança jurídica causada pelo aumento do IOF afeta o mercado
Outro ponto crítico para o mercado financeiro brasileiro foi a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que restabeleceu parcialmente o decreto do governo federal que aumenta o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Este decreto havia sido revogado pelo Congresso Nacional, mas a incerteza jurídica causada pelo vai e vem da legislação sobre o IOF tem gerado instabilidade entre investidores, que ficam receosos diante da imprevisibilidade da política fiscal.
A combinação da guerra comercial com a insegurança jurídica decorrente do IOF contribui para que a bolsa brasileira mantenha sua cotação abaixo dos 136 mil pontos, refletindo o clima de cautela que domina o mercado.
Impacto da pauta-bomba aprovada na Câmara dos Deputados
No dia anterior, a Câmara dos Deputados aprovou uma pauta que pode gerar um impacto de até 30 bilhões de reais nas contas públicas, medida que representa um desafio para o ajuste fiscal desejado pelo governo. Esse movimento político é interpretado por analistas como um sinal de que a disputa entre Executivo e Legislativo pode se intensificar, dificultando ainda mais a implementação de reformas econômicas e ajustes necessários para o equilíbrio das finanças públicas.
A incerteza sobre a capacidade do governo em avançar no ajuste fiscal reforça o cenário de instabilidade no mercado financeiro, refletindo diretamente no comportamento da bolsa brasileira.
Destaques do pregão: Renova Energia, Lojas Marisa e Azul
Apesar da pressão geral, algumas ações se destacaram no pregão desta quinta-feira. As ações da Renova Energia (RNEW3) tiveram alta expressiva de cerca de 13%, enquanto as das Lojas Marisa (AMAR3) subiram aproximadamente 9%. Por outro lado, as ações da Azul (AZUL4) lideraram as perdas do dia, com queda significativa de 9,2%.
Esses movimentos refletem o apetite por determinados setores e empresas, mesmo diante de um contexto macroeconômico desafiador.
Dólar apresenta leve recuo após alta inicial
No mercado cambial, o dólar teve leve queda de 0,38% no saldo do pregão, cotado a R$ 5,547. A moeda americana iniciou o dia em alta expressiva, chegando a R$ 5,60, mas desvalorizou-se ao longo da tarde, revertendo parte dos ganhos recentes. Esse comportamento do câmbio no Brasil difere de outros mercados emergentes, como o México, onde a moeda local se manteve mais valorizada frente ao dólar.
Cenário político influencia o mercado financeiro brasileiro
Além dos indicadores econômicos tradicionais, o mercado tem acompanhado de perto o cenário político nacional, que também afeta a confiança dos investidores. Pesquisas recentes indicam o fortalecimento do presidente Lula para as eleições de 2026, com vantagem sobre principais adversários em cenários de primeiro e segundo turno.
Esse panorama político, aliado ao conflito comercial com os Estados Unidos — especialmente após a sobretaxa de 50% imposta por Donald Trump sobre exportações brasileiras —, contribui para a volatilidade e cautela no mercado financeiro brasileiro, impactando diretamente a bolsa brasileira.
O fechamento estável da bolsa brasileira nesta quinta-feira reflete um equilíbrio delicado entre fatores de pressão, como o conflito comercial com os Estados Unidos, a insegurança jurídica sobre o IOF e os desafios políticos no Congresso. A volatilidade e a baixa liquidez sinalizam que investidores permanecem cautelosos diante do cenário macroeconômico incerto, o que mantém o Ibovespa em patamares relativamente baixos para o momento.
Para o mercado financeiro brasileiro, o avanço na resolução desses entraves políticos e comerciais será fundamental para restabelecer a confiança e impulsionar a recuperação sustentável da bolsa brasileira nos próximos meses.






