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Bolsas globais recuam com feriado nos EUA e temor sobre tarifas de Trump

por Gabriel Monteiro
04/07/2025 às 09h10
em Economia
Bolsas Globais Recuam Com Feriado Nos Eua E Temor Sobre Tarifas De Trump Gazeta Mercantil

Bolsas globais operam em baixa com feriado nos EUA e temor sobre tarifas de Trump

As bolsas globais abriram esta sexta-feira (4) em queda, refletindo o clima de cautela nos mercados internacionais. Com os mercados dos Estados Unidos fechados devido ao feriado da Independência, o cenário de baixa liquidez torna os ativos mais sensíveis a qualquer notícia relevante, principalmente no que diz respeito à política tarifária americana. A iminência de novas tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump adiciona um ingrediente extra de tensão para investidores ao redor do mundo.

Veja a análise dos impactos desse cenário sobre as principais bolsas mundiais — da Ásia à Europa — e como o Ibovespa se comportou diante dessa conjuntura.


O impacto do feriado americano nas bolsas globais

O fechamento das bolsas nos EUA nesta sexta-feira, em comemoração ao feriado de 4 de Julho (Independence Day), resultou em uma diminuição da liquidez global. Isso porque os mercados americanos, especialmente Wall Street, concentram grande volume de negociações e influenciam fortemente o comportamento de bolsas em outros continentes.

Com os EUA fora do jogo por um dia, os investidores redobram a cautela e os mercados reagem mais bruscamente a qualquer nova informação, especialmente quando ela envolve temas sensíveis como tarifas, emprego ou inflação.


Trump volta ao centro das atenções com nova rodada de tarifas

Apesar de estar fora do cargo, Donald Trump continua influente. A partir desta sexta-feira, diversos países começarão a receber notificações oficiais sobre tarifas adicionais que variam entre 10% e 70%, com prazo final para efetivação até 9 de julho. Essa postura mais agressiva em relação ao comércio exterior tem causado incertezas nas cadeias globais, afetando diretamente o desempenho das bolsas globais.

As novas tarifas, além de reacenderem tensões comerciais, representam um sinal de instabilidade para mercados já sensíveis à dinâmica inflacionária global, ao ciclo de juros e às perspectivas econômicas para o segundo semestre.


Bolsas asiáticas: cautela em alta com prazo final para tarifas

As bolsas da Ásia encerraram o pregão desta sexta-feira sem direção única. Os investidores da região seguem atentos ao prazo de 9 de julho para imposição de tarifas por parte do governo Trump, o que tem gerado volatilidade e realizado lucros em ativos mais arriscados.

Confira o desempenho das principais bolsas asiáticas:

  • Shanghai SE (China): +0,32%

  • Nikkei (Japão): +0,09%

  • Hang Seng Index (Hong Kong): -0,64%

  • Kospi (Coreia do Sul): -1,99%

  • ASX 200 (Austrália): +0,08%

A forte queda do Kospi reflete o alto grau de exposição da Coreia do Sul ao comércio exterior, especialmente com os EUA e a China, dois países diretamente envolvidos nas tensões tarifárias.


Europa também sente os efeitos da tensão global

Na Europa, o cenário também é de leve retração. As bolsas europeias operam em baixa nesta sexta-feira, ainda sob os reflexos do noticiário americano e à espera de maiores definições sobre política monetária e fiscal. Além disso, as incertezas sobre o crescimento econômico da zona do euro seguem no radar.

Desempenho das bolsas europeias:

  • STOXX 600: +0,08%

  • DAX (Alemanha): -0,48%

  • FTSE 100 (Reino Unido): -0,29%

  • CAC 40 (França): -0,86%

  • FTSE MIB (Itália): -0,72%

O recuo dos principais índices europeus reflete a aversão ao risco em um ambiente onde qualquer sinal de protecionismo nos EUA pode desencadear reações em cadeia.


Ibovespa: recorde histórico mesmo diante da tensão

Enquanto os mercados internacionais mostravam sinais de nervosismo, o Ibovespa surpreendeu positivamente. O principal índice da bolsa brasileira fechou a sessão da véspera (quinta-feira, 3) com alta de 1,35%, atingindo os 140.927,86 pontos — um recorde histórico. Pela primeira vez em 57 anos, o índice rompeu a barreira dos 141 mil pontos.

O desempenho positivo foi puxado pela reação dos mercados aos dados divulgados nos EUA sobre o mercado de trabalho. O relatório de junho mostrou criação de 147 mil vagas, acima das 110 mil esperadas, e redução da taxa de desemprego para 4,1%. Isso animou investidores e provocou um movimento de valorização dos ativos brasileiros, com o dólar comercial recuando 0,29%, cotado a R$ 5,40.


Agenda econômica do dia: o que movimenta o mercado?

Indicadores

  • 06h00 (Horário de Brasília) – Zona do euro (Eurostat): Índice de Preços ao Produtor (PPI) de maio

  • 15h00 – Secex: Balança comercial do Brasil referente ao mês de junho

  • EUA: Mercados fechados por feriado do Dia da Independência

Eventos políticos e econômicos

  • 09h40 – Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa de seminário do banco dos Brics

  • 11h00 – Presidente Lula participa de cerimônia de anúncio de investimentos da Petrobras, no Rio de Janeiro

  • 15h00 – Presidente do BCE, Christine Lagarde, discursa no evento Global Women’s Leadership Award

  • 18h00 – Ex-presidente dos EUA, Donald Trump, assina projeto de lei orçamentário

Esses eventos podem gerar volatilidade na abertura da próxima semana, especialmente no Brasil e na Europa, conforme desdobramentos políticos e econômicos se consolidarem.


O que esperar dos próximos dias nas bolsas globais?

Com a volta das negociações nos Estados Unidos na próxima semana, o foco dos mercados voltará para três grandes temas:

  1. Tarifas comerciais de Trump – A efetivação ou não das alíquotas vai moldar o comportamento das bolsas globais.

  2. Indicadores econômicos – Relatórios de inflação e atividade nos EUA, Europa e China serão cruciais para o sentimento do mercado.

  3. Temporada de balanços – A divulgação dos resultados das empresas no segundo trimestre pode alterar drasticamente o humor dos investidores.

Além disso, o Brasil continuará no radar com a política fiscal em Brasília, os efeitos da reforma tributária e os planos de investimentos da Petrobras.


As bolsas globais enfrentam um momento de incerteza em razão do fechamento do mercado americano nesta sexta-feira (4), feriado da Independência, e do anúncio iminente de tarifas adicionais por parte de Donald Trump. A liquidez reduzida amplifica os efeitos dessas notícias nos mercados financeiros.

Enquanto isso, o Ibovespa surpreendeu ao atingir um marco histórico, beneficiado pela divulgação de dados positivos sobre o mercado de trabalho dos EUA. A agenda econômica dos próximos dias promete mais movimentações, com indicadores relevantes e eventos de alto impacto político e financeiro.

O investidor que acompanha o mercado global deve ficar atento aos desdobramentos desses fatores para entender os próximos movimentos das bolsas e identificar oportunidades ou riscos nos seus investimentos.

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