terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Mundo

Crise do turismo em Cuba esvazia hotéis e aprofunda colapso econômico da ilha

por Eduardo Toscano
03/02/2026 às 14h20
em Mundo
Crise Do Turismo Em Cuba Esvazia Hotéis E Aprofunda Colapso Econômico Da Ilha - Gazeta Mercantil

Crise do turismo em Cuba esvazia hotéis e aprofunda colapso econômico após corte de combustível pelos EUA

A crise do turismo em Cuba atingiu um novo patamar em 2025, com impacto direto sobre hotéis, resorts e toda a cadeia de serviços que sustenta um dos últimos motores econômicos ativos da ilha. Dados oficiais divulgados pelo instituto nacional de estatísticas cubano indicam que o número de visitantes internacionais caiu para níveis historicamente baixos, agravando uma recessão já profunda e expondo as fragilidades estruturais do modelo econômico do país.

A deterioração do setor ocorre em meio ao endurecimento da política externa dos Estados Unidos, liderada pelo presidente Donald Trump, que cortou o fornecimento de combustível à ilha e ampliou restrições financeiras. A combinação de sanções, escassez energética e perda de competitividade regional transformou a crise do turismo em Cuba em um dos principais vetores de instabilidade econômica e social no Caribe.

Leia também: PIB da Venezuela cai quase 90% sob Chávez e Maduro e expõe colapso econômico histórico

Leia também: Crise do Tomate na Nigéria: Inflação de alimentos gera preocupações.

Turismo em queda livre e recordes negativos

Em 2025, cerca de 1,8 milhão de turistas visitaram Cuba. Trata-se do menor fluxo registrado em mais de duas décadas, desconsiderando os anos atípicos da pandemia. Na comparação anual, as chegadas recuaram 18% em relação a 2024 e despencaram 62% frente ao pico histórico de 2018, quando a ilha recebeu aproximadamente 4,7 milhões de visitantes.

Esse colapso numérico reforça a dimensão da crise do turismo em Cuba, sobretudo porque o setor é responsável por uma parcela significativa da entrada de moeda forte no país. Em um sistema com acesso limitado a financiamento externo e forte dependência de importações, a queda do turismo compromete desde o abastecimento de alimentos até a manutenção da infraestrutura básica.

Leia também: Prisão de Bolsonaro aprofunda racha na extrema-direita e no PL.

Setor estratégico sob pressão econômica

O turismo responde por um dos pilares do setor de serviços cubano, que representa cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB). Mesmo assim, as receitas ficaram aquém das expectativas oficiais. O governo projetava arrecadar US$ 1,2 bilhão com o turismo em 2025, mas revisou a estimativa para US$ 917 milhões diante da retração da demanda internacional.

A crise do turismo em Cuba, portanto, não é apenas conjuntural, mas estrutural. O país enfrenta dificuldades para renovar sua oferta turística, manter padrões de qualidade e competir com destinos vizinhos que operam em economias abertas, com maior previsibilidade regulatória e acesso a capital privado.

Hotéis novos, quartos vazios e investimentos questionados

Mesmo diante da queda da demanda, o governo cubano manteve uma política agressiva de investimento em hotéis de grande porte. Um dos exemplos mais emblemáticos foi a inauguração, no ano passado, de um hotel de luxo de 42 andares e 594 quartos em Havana, conhecido como Torre K.

O empreendimento foi entregue em um cenário no qual a taxa média de ocupação hoteleira no país mal superava 20%. O contraste entre novos ativos imobiliários e quartos vazios tornou-se símbolo da crise do turismo em Cuba e levantou questionamentos sobre a alocação de recursos em um país que enfrenta escassez crônica de alimentos, medicamentos e energia.

Corte de combustível agrava colapso operacional

A situação se deteriorou ainda mais após a interrupção das exportações de combustível da Venezuela, tradicional aliada de Havana. A medida ocorreu após uma operação conduzida por forças especiais dos Estados Unidos, que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e no bloqueio logístico das remessas energéticas.

Além disso, o governo Trump passou a ameaçar sanções adicionais a países que forneçam apoio energético a Cuba. O impacto foi imediato: apagões mais frequentes, paralisação parcial de serviços e aumento dos custos operacionais para hotéis e resorts.

Mesmo empreendimentos turísticos considerados prioritários, com acesso a geradores próprios e cadeias de suprimentos diferenciadas, passaram a sentir os efeitos da crise do turismo em Cuba, seja pela redução de insumos, seja pela dificuldade em manter padrões mínimos de atendimento.

Resorts esvaziados e relatos do chão da economia

Relatos de turistas frequentes ilustram o grau de deterioração do setor. Resorts que tradicionalmente operavam com capacidade próxima do limite passaram a registrar ocupações inferiores a 30%. Em destinos como Cayo Coco, empreendimentos que costumavam receber cerca de 350 hóspedes passaram a abrigar menos de 100 visitantes.

A crise do turismo em Cuba não se limita aos números. Ela se traduz em hotéis silenciosos, equipes reduzidas, serviços simplificados e uma atmosfera de incerteza que afasta ainda mais potenciais viajantes.

Dependência do turismo canadense e perda de mercados

O Canadá permanece como a principal fonte de turistas para Cuba, seguido por cubanos residentes no exterior e visitantes russos. No entanto, mesmo esses mercados mostram sinais de desgaste.

Restrições migratórias mais rígidas nos Estados Unidos desestimulam viagens de cubanos com residência permanente no país. Ao mesmo tempo, turistas europeus enfrentam barreiras indiretas, como a exclusão de sistemas simplificados de entrada nos EUA após visitas à ilha, o que desestimula viagens a Cuba.

Esse conjunto de fatores aprofunda a crise do turismo em Cuba e reduz a capacidade do país de diversificar seus mercados emissores.

Concorrência regional avança enquanto Cuba recua

Enquanto Cuba enfrenta retração, destinos concorrentes no Caribe vivem um ciclo oposto. República Dominicana, Porto Rico e diversas ilhas das Grandes Antilhas registraram recordes de visitantes recentemente, impulsionados por investimentos privados, modernização da infraestrutura e campanhas agressivas de promoção internacional.

O contraste evidencia como a crise do turismo em Cuba também é resultado de um modelo de negócios pouco adaptável. A indústria turística local é majoritariamente controlada pelo Estado e pelas Forças Armadas, com limitada participação do setor privado e dificuldades para reinvestir receitas em manutenção e inovação.

Qualidade em queda e modelo em espiral negativa

Especialistas do setor apontam que a combinação de excesso de hotéis, escassez de capital e controle centralizado criou uma espiral descendente. Sem recursos suficientes, hotéis reduzem investimentos em manutenção, qualidade dos alimentos e treinamento de pessoal, o que afeta a experiência do visitante e reforça a queda da demanda.

A crise do turismo em Cuba passa, assim, a ser autoalimentada: menos turistas geram menos receita, que resulta em serviços piores, afastando ainda mais visitantes.

Aumento da insegurança afeta imagem internacional

Outro fator que agrava o cenário é o aumento de pequenos crimes e do assédio a turistas. Cuba sempre foi reconhecida como um destino relativamente seguro no contexto latino-americano. No entanto, a escassez econômica tem elevado a pressão social, resultando em maior incidência de furtos e abordagens insistentes a estrangeiros.

Esse elemento pesa na percepção internacional e amplia os efeitos da crise do turismo em Cuba, especialmente em um mercado cada vez mais sensível a questões de segurança.

Leia também: Jovem com neuralgia do trigêmeo deixa a UTI e relata alívio das dores

Impacto social direto sobre trabalhadores

Para além dos indicadores macroeconômicos, o colapso do turismo tem efeitos profundos sobre a população. Trabalhadores do setor sustentam famílias extensas e dependem quase exclusivamente da renda gerada por gorjetas e benefícios indiretos.

Com hotéis vazios, muitos enfrentam dificuldades extremas para garantir alimentação, medicamentos e transporte. A queda do turismo agrava desigualdades e amplia a dependência de remessas externas e ajuda informal.

Dilema moral dos visitantes estrangeiros

Parte dos turistas que continuam viajando à ilha enfrenta um dilema ético. Ao mesmo tempo em que reconhecem que parte do dinheiro circula por estruturas estatais, muitos relatam que sua presença é vital para a sobrevivência direta dos trabalhadores locais.

Esse paradoxo humano se insere no centro da crise do turismo em Cuba, onde a ausência de visitantes penaliza menos o Estado e mais a população.

Governo culpa sanções, mas enfrenta limites internos

O governo cubano atribui a queda do turismo principalmente às sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos. De fato, as restrições elevam custos, dificultam importações e limitam o acesso a sistemas financeiros internacionais.

No entanto, analistas apontam que a crise do turismo em Cuba também reflete decisões internas, como priorização de grandes obras hoteleiras em detrimento de reformas estruturais, baixa autonomia empresarial e dificuldades para adaptar o produto turístico às novas exigências do mercado global.

Turismo como termômetro do colapso econômico

A retração do turismo tornou-se um dos principais termômetros da crise econômica cubana. Sem moeda forte, o país enfrenta dificuldades para importar combustível, alimentos e insumos médicos, o que retroalimenta o ciclo recessivo.

A crise do turismo em Cuba revela, portanto, não apenas o enfraquecimento de um setor, mas os limites de um modelo econômico pressionado por fatores externos e internos em um momento de extrema vulnerabilidade.

Um setor-chave diante de um futuro incerto

Sem mudanças estruturais, flexibilização regulatória ou alívio significativo das sanções, o horizonte do turismo cubano permanece nebuloso. A ilha segue perdendo espaço para concorrentes regionais e vendo um de seus principais motores econômicos falhar.

A crise do turismo em Cuba deixa claro que o setor, antes visto como solução para a escassez crônica de divisas, tornou-se hoje um retrato fiel das dificuldades de um país em busca de fôlego econômico e estabilidade social.

LEIA MAIS

Motos (Foto De Paulo Pinto, Abr)
Economia

Produção de motos tem melhor setembro desde 2011 e cresce 10,4%, diz Abraciclo

No mês de setembro, a indústria brasileira de motocicletas cresceu 10,4% em relação ao ano anterior, com 186.758 unidades produzidas

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Economia

Governo anuncia Pix de até R$ 5 mil para MEIs e propõe perdão de dívidas

A menos de duas semanas para o segundo turno das eleições, o governo federal anunciou nesta terça-feira (13) o “Prospera MEI”, um pacote de medidas

Leia MaisDetails
Boletim Focus: Mercado Corta Projeção Da Inflação De 2026 Para 5,30% - Gazeta Mercantil
Economia

Boletim Focus: inflação de 2026 sobe para 5,22% e Selic projetada cai a 13,25%

Índice apresentou alta de 0,21 ponto percentual, indo par 5,22%; Selic e câmbio registraram queda nos resultados desta semana com estimativa de encerrar o ano em 13,25% e...

Leia MaisDetails
Plano Econômico De Flávio Bolsonaro Levanta Suspeitas De Estelionato Eleitoral - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Plano econômico de Flávio Bolsonaro levanta suspeitas de estelionato eleitoral

O programa econômico de Flávio Bolsonaro (PL) para um eventual governo a partir de 2027 passou a ser questionado pela falta de detalhamento sobre como o candidato pretende...

Leia MaisDetails
As Novas Regras Do Governo Para A Publicidade De Bets Após Polêmica Na Copa Do Mundo: Veja O Que É Proibido
Economia

Bancos começam a devolver R$ 1,3 bilhão a apostadores de bets; veja como receber

Os bancos e as instituições financeiras começam nesta sexta-feira (9) a devolver cerca de R$ 1,325 bilhão que permaneceu nas contas

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

17:44:01
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Motos (Foto De Paulo Pinto, Abr)
Economia

Produção de motos tem melhor setembro desde 2011 e cresce 10,4%, diz Abraciclo

Leia MaisDetails
Vivara Aprova Emissão De R$ 300 Milhões Em Debêntures Com Vencimento Em 2031-Gazeta Mercantil
Empresas

Vivara aprova emissão de R$ 300 milhões em debêntures com vencimento em 2031

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH registra queda de 5% em moda e ações acumulam perda de 40% em 2026

Leia MaisDetails
Mercado Livre
Mercados

Mercado Livre (MELI): Citi corta preço-alvo para US$ 2.100 antes do balanço do 3T26

Leia MaisDetails
Governo Notifica 37 Fintechs Ligadas A Bets Ilegais
Política

Lula atribui à pressão popular mudança de Flávio Bolsonaro sobre fim da escala 6×1

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Dólar hoje (13/10): moeda fecha a R$ 5,02, sobe 0,74% e contraria queda no exterior após pesquisas eleitorais

Produção de motos tem melhor setembro desde 2011 e cresce 10,4%, diz Abraciclo

Vivara aprova emissão de R$ 300 milhões em debêntures com vencimento em 2031

LVMH registra queda de 5% em moda e ações acumulam perda de 40% em 2026

Mercado Livre (MELI): Citi corta preço-alvo para US$ 2.100 antes do balanço do 3T26

Lula atribui à pressão popular mudança de Flávio Bolsonaro sobre fim da escala 6×1

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP