BRB enfrenta nova fase da crise após renúncia de conselheiros e avanço de investigações
A crise no BRB entrou em uma nova etapa nesta quarta-feira (28) com a renúncia de dois integrantes do conselho de administração do Banco de Brasília. Marcelo Talarico e Luis Fernando de Lara Resende deixaram seus cargos com efeito imediato, segundo comunicado oficial divulgado ao mercado pela instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal.
As saídas ocorrem em um momento de forte pressão institucional, marcado por investigações policiais, questionamentos do Banco Central e mudanças sucessivas na alta administração. A crise no BRB ganhou dimensão nacional após a revelação de operações financeiras envolvendo o Banco Master, hoje liquidado, e suspeitas de prejuízos bilionários ao banco público.
Além de deixarem o conselho de administração, os dois executivos também se desligaram automaticamente dos comitês internos do BRB, conforme previsto nas regras de governança e na legislação societária aplicável. O banco não detalhou as razões individuais das renúncias.
Renúncias antecedem assembleia para recomposição do conselho
A decisão ocorre cerca de duas semanas após o governo do Distrito Federal, principal acionista do BRB, convocar uma assembleia geral extraordinária para definir a composição de um novo conselho de administração. A reunião está marcada para o dia 19 de fevereiro e deverá formalizar uma nova configuração do colegiado.
Na assembleia, os acionistas votarão os nomes indicados para integrar o novo conselho: Edison Garcia, Joaquim de Oliveira e Sérgio Nazaré. A recomposição é vista internamente como uma tentativa de restaurar a governança em meio à crise no BRB, que segue sob monitoramento de autoridades regulatórias.
Fontes próximas ao banco avaliam que a antecipação das renúncias pode facilitar o processo de transição administrativa e reduzir tensões internas num momento de elevado escrutínio público.
Mudanças recentes na estrutura de comando
O BRB já havia promovido alterações relevantes em sua estrutura de comando no início do ano. Raphael Vianna de Menezes assumiu a presidência do conselho de administração, enquanto Antônio José Barreto de Araújo Júnior foi nomeado diretor executivo de finanças.
As mudanças foram apresentadas como parte de um esforço para reforçar controles internos, aprimorar a gestão de riscos e responder às exigências do Banco Central. Ainda assim, a crise no BRB continuou a se aprofundar, impulsionada pelo avanço das investigações e pela repercussão política do caso.
Investigações da PF ampliam pressão sobre o banco
A atual crise no BRB tem origem nas apurações iniciadas pela Polícia Federal em novembro do ano passado. A operação investigou dirigentes do Banco Master e do próprio BRB, sob suspeita de irregularidades em operações de compra de carteiras de crédito.
Segundo investigadores, o BRB teria transferido bilhões de reais ao Banco Master por meio da aquisição de ativos considerados problemáticos, sem garantias suficientes e, em alguns casos, sem comprovação adequada de titularidade. As autoridades estimam que os prejuízos potenciais possam superar R$ 10 bilhões.
O Banco Central, por sua vez, trabalha com uma projeção mais conservadora, apontando perdas superiores a R$ 3 bilhões. Independentemente do valor final, o episódio consolidou a crise no BRB como um dos mais graves casos recentes envolvendo um banco público regional.
Caso Master intensifica desgaste institucional
O centro da crise no BRB está ligado às negociações para a compra do Banco Master pelo banco público do Distrito Federal. O negócio chegou a avançar e foi anunciado, mas acabou barrado pelo Banco Central após a identificação de inconsistências relevantes.
A partir da negativa do regulador, investigações paralelas da Polícia Federal e do Ministério Público passaram a apurar possíveis irregularidades nas transações entre as instituições. Segundo as autoridades, parte dos créditos adquiridos pelo BRB não atendia aos critérios mínimos de segurança financeira.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, medida adotada pelo Banco Central com base em problemas de liquidez, falhas de gestão e indícios de fraude.
Prisão de Daniel Vorcaro e repercussão política
Outro fator que ampliou a crise no BRB foi a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ele chegou a ser detido e, posteriormente, passou a cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
Vorcaro afirmou ter tratado da venda do banco diretamente com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que nega a versão. As declarações elevaram a temperatura política do caso e provocaram reações no meio institucional.
Com a liquidação do Master, o foco das investigações passou a se concentrar nos efeitos das operações para o BRB e na responsabilidade de seus antigos dirigentes.
Banco Central impõe exigências adicionais
Diante da crise no BRB, o Banco Central intensificou a supervisão sobre a instituição e determinou medidas adicionais para preservar sua estabilidade financeira. Entre elas, está a exigência de uma reserva adicional de capital estimada em R$ 3 bilhões.
A medida tem como objetivo assegurar a continuidade das operações do banco e proteger depositantes e clientes. Especialistas avaliam que a exigência reflete a gravidade do cenário e o esforço do regulador para conter riscos, mesmo em instituições de controle estatal.
Comunicação ao mercado e postura institucional
Em nota, o BRB afirmou que atua com responsabilidade, ética e transparência e que segue comprometido com as normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A instituição também informou que continuará comunicando o mercado sobre decisões relevantes, especialmente aquelas relacionadas à governança.
Apesar do posicionamento oficial, analistas consideram que a crise no BRB ainda deve produzir novos desdobramentos ao longo de 2026, à medida que as investigações avançam e decisões judiciais são tomadas.
Influenciadores entram no radar das investigações
Um dos desdobramentos mais recentes da crise no BRB envolve a apuração de um possível esquema de pagamento a influenciadores digitais para criticar o Banco Central após a liquidação do Banco Master.
Segundo a Polícia Federal, os conteúdos teriam como objetivo questionar a decisão do regulador e defender o banco liquidado. O inquérito segue em andamento e adiciona um componente reputacional relevante ao caso.
Desafios para a recuperação do banco
A sucessão de renúncias, as investigações em curso e as exigências regulatórias impõem ao BRB um cenário desafiador. A recomposição do conselho de administração será determinante para definir os próximos passos da instituição.
Especialistas destacam que a superação da crise no BRB dependerá do fortalecimento dos controles internos, da transparência nas decisões estratégicas e da reconstrução da confiança junto a investidores, clientes e órgãos de controle.
O banco, que desempenha papel relevante no financiamento de políticas públicas do Distrito Federal, enfrenta agora o desafio de equilibrar estabilidade financeira, governança e credibilidade institucional em um ambiente de elevado escrutínio.






