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Desdobramento de cotas impulsiona liquidez e atrai novos investidores para os FIIs em 2025

por Gabriel Monteiro
27/05/2025 às 12h45
em Economia
Desdobramento De Cotas - Gazeta Mercantil - Economia

Desdobramento de cotas: estratégia dos FIIs para atrair investidores e ampliar liquidez

O mercado de Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) vem se adaptando constantemente para atrair novos investidores e manter a atratividade em cenários macroeconômicos desafiadores. Uma das estratégias que vem ganhando força em 2025 é o desdobramento de cotas, movimento adotado por diversos fundos relevantes listados na B3, como ALZR11, RBVA11, HFOF11 e HGBS11.

O desdobramento de cotas, também conhecido como “split”, é uma operação que tem se mostrado eficiente para melhorar a liquidez no mercado secundário e democratizar o acesso aos FIIs, especialmente para investidores pessoas físicas. Essa prática tem implicações diretas no valor unitário das cotas e vem transformando o comportamento dos investidores e a dinâmica do mercado.

Leia também: Raízen (RAIZ4) sofre fuga de investidores e debêntures caem com aumento de risco.


Como funciona o desdobramento de cotas?

O desdobramento de cotas consiste na divisão de uma cota em várias partes menores. Isso reduz o valor unitário das cotas, facilitando a entrada de pequenos investidores. Apesar da queda no valor individual de cada cota, o montante total investido permanece o mesmo, bem como a proporção de dividendos distribuídos.

Por exemplo, uma cota de R$ 1.000 pode ser desdobrada em dez cotas de R$ 100, sem alterar o valor total aplicado ou o rendimento proporcional. A operação tem como objetivo aumentar a atratividade do fundo e promover maior liquidez no mercado secundário, uma vez que mais investidores podem participar com menor capital.


Adoção crescente por grandes FIIs

Fundos imobiliários importantes já realizaram desdobramento de cotas recentemente. O ALZR11, que antes tinha cotas mais elevadas, optou pelo desdobramento para ampliar a base de investidores. O mesmo ocorreu com RBVA11 e HFOF11, fundos com alto volume de negociação e boa performance histórica.

A tendência indica uma movimentação coordenada de fundos que buscam adaptar-se a um novo perfil de investidor, cada vez mais interessado em renda passiva e diversificação com menor custo de entrada. A estratégia ainda contribui para facilitar o reinvestimento automático dos dividendos, já que valores menores podem ser aplicados com mais flexibilidade.


Benefícios diretos do desdobramento de cotas

1. Maior acessibilidade

O principal benefício do desdobramento de cotas é a diminuição da barreira de entrada. Com cotas mais baratas, pequenos investidores conseguem diversificar sua carteira com aportes mais baixos. É possível aplicar, por exemplo, R$ 500 em cinco fundos distintos, em vez de concentrar todo o valor em apenas um ativo de cota elevada.

2. Aumento da liquidez

Com mais participantes no mercado, a liquidez aumenta significativamente. Isso significa que as cotas circulam com maior frequência, facilitando a compra e venda sem necessidade de grandes aportes. Essa maior circulação melhora a precificação dos ativos e fortalece o mercado secundário.

3. Favorecimento de ETFs e investidores institucionais

ETFs e grandes investidores institucionais tendem a priorizar ativos com maior liquidez. O desdobramento de cotas amplia a atratividade desses fundos para esses players, permitindo maior flexibilidade na composição das carteiras e maior capacidade de negociação.


Desafios para os FIIs mesmo com o desdobramento de cotas

Apesar da vantagem estratégica do desdobramento de cotas, os FIIs ainda enfrentam desafios significativos no cenário macroeconômico. A elevada taxa de juros real no Brasil continua sendo um obstáculo, pois investimentos atrelados ao CDI tornam-se mais atraentes frente aos rendimentos dos fundos imobiliários.

Isso tem provocado uma migração de recursos dos FIIs para produtos de renda fixa, especialmente os pós-fixados. Muitos investidores optam pela segurança e previsibilidade dos rendimentos, principalmente em tempos de inflação alta e juros elevados.


Redução no volume de negociações em 2024

Mesmo com o crescimento na adesão ao desdobramento de cotas, dados recentes indicam desaceleração nas negociações com FIIs. O volume médio diário caiu de R$ 339 milhões em 2023 para R$ 317 milhões em 2024. A retração ocorre após um ciclo de expansão expressivo entre 2018 e 2021, quando o volume negociado cresceu de R$ 44 milhões para R$ 263 milhões ao dia.

Esse dado mostra que o mercado sente os efeitos da conjuntura econômica, independentemente das ações internas de adaptação dos fundos.


Fundos de CRI ganham espaço

Diante da baixa atratividade dos FIIs voltados para imóveis físicos (os chamados fundos de “tijolo”), os fundos de CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários) vêm se destacando. Eles possuem características mais próximas da renda fixa e oferecem retornos mensais previsíveis, alinhados com o perfil do investidor conservador.

A constante captação líquida desses fundos mostra que há espaço para alternativas dentro do próprio universo dos FIIs, especialmente aquelas que priorizam previsibilidade em momentos de incerteza.


Expectativas para o segundo semestre de 2025

O mercado aguarda com expectativa um ciclo de corte na taxa de juros a partir do segundo semestre de 2025. Se a inflação apresentar sinais concretos de desaceleração, o Banco Central poderá iniciar uma trajetória de redução da Selic, o que tende a favorecer o retorno de investidores aos fundos imobiliários.

A revalorização dos FIIs está diretamente ligada à atratividade em relação aos demais ativos. Juros mais baixos tornam a renda variável e os ativos imobiliários mais interessantes, especialmente para quem busca renda passiva com potencial de valorização patrimonial no longo prazo.


Desdobramento como ponte para retomada do setor

O desdobramento de cotas representa uma ponte estratégica para manter os FIIs competitivos mesmo em um cenário desafiador. Ao promover maior acessibilidade e liquidez, a medida atrai novos investidores e prepara os fundos para uma eventual recuperação do setor com a queda dos juros.

O investidor que deseja começar ou ampliar sua exposição a fundos imobiliários deve considerar não apenas o valor das cotas, mas também a qualidade da gestão, o portfólio do fundo e o cenário macroeconômico. Com planejamento, os FIIs seguem como excelente alternativa para diversificação e geração de renda passiva.

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