Devolução do INSS: Mais de 1,6 milhão já receberam valores de descontos indevidos; veja como consultar
A devolução do INSS já beneficiou mais de 1,6 milhão de aposentados e pensionistas em todo o Brasil, colocando fim a um capítulo marcado por cobranças indevidas e prejuízos financeiros para milhares de segurados. O ressarcimento é resultado de um acordo judicial firmado entre o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Ministério Público Federal (MPF), que identificou descontos não autorizados feitos por associações e entidades representativas nos benefícios mensais de aposentadorias e pensões.
O programa, que começou em março de 2025, cobre casos ocorridos entre março de 2020 e março de 2025 e prevê o pagamento integral dos valores descontados de forma ilegal, corrigidos pela inflação acumulada no período. O dinheiro está sendo depositado diretamente na conta em que o beneficiário já recebe seu pagamento mensal, sem burocracia e sem a necessidade de apresentar documentos adicionais.
Quem tem direito à devolução do INSS
Segundo o balanço divulgado pelo próprio instituto, aproximadamente 2,43 milhões de beneficiários foram identificados como vítimas de descontos irregulares. Esses valores eram retirados mensalmente por associações de aposentados, clubes de benefícios e entidades representativas sem qualquer autorização formal do segurado — e, em muitos casos, sem que ele sequer tivesse conhecimento de uma suposta filiação.
Os descontos variavam, em média, entre R$ 20 e R$ 50 mensais. Ao longo de meses ou anos, esse valor acumulado chegava a quantias significativas, impactando diretamente a renda de pessoas que muitas vezes dependem exclusivamente do benefício previdenciário.
Tipos de descontos ilegais identificados
A investigação apontou que as cobranças irregulares eram feitas de maneira sistemática por entidades associativas, supostamente oferecendo benefícios ou serviços aos aposentados e pensionistas. Porém, sem o consentimento formal e documentado, tais débitos passaram a ser considerados abusivos.
Entre os tipos mais comuns de descontos indevidos estão:
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Mensalidades associativas sem adesão formal.
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Taxas de manutenção de clubes de benefícios nunca utilizados pelo segurado.
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Cobranças por serviços inexistentes ou que não foram solicitados.
Como funciona o acordo de devolução do INSS
O acordo judicial garante que os valores sejam pagos em parcela única, já corrigidos pela inflação acumulada.
Pontos principais do acordo:
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Pagamento direto na conta onde o segurado recebe o benefício mensal.
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Dispensa de apresentação de documentos ou atualização cadastral.
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Processo gratuito, sem cobrança de taxas.
Para quem ainda não recebeu, basta aderir ao programa e aguardar o crédito em conta.
Como saber se você tem direito ao reembolso
Existem duas formas seguras e oficiais de consultar a devolução do INSS:
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Meu INSS (aplicativo ou site)
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Acesse com seu CPF e senha.
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Procure a opção “Revisão de desconto indevido” ou “Acordo de devolução”.
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Siga as instruções para verificar se há valores a receber.
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Agências dos Correios
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Compareça a uma unidade com documento com foto e CPF.
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Solicite a consulta sobre a devolução.
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Esse atendimento presencial é uma alternativa especialmente útil para quem não tem acesso à internet ou prefere resolver o assunto pessoalmente.
Quantos já receberam e quantos ainda podem receber
Até agora, mais de 1,6 milhão de beneficiários já receberam a devolução do INSS. Entretanto, cerca de 700 mil pessoas aptas ao ressarcimento ainda não aderiram ao acordo.
O prazo final para contestar os descontos e garantir o reembolso é 14 de novembro de 2025. Após essa data, a adesão ao programa ainda será possível, mas sem a possibilidade de contestar formalmente os débitos, o que pode limitar o direito à devolução.
O que acontece se o beneficiário não fizer nada
Quem não confirmar a adesão dentro do prazo pode perder definitivamente o direito de receber o valor. Por isso, é altamente recomendável que todos os aposentados e pensionistas verifiquem sua situação o quanto antes.
Mesmo quem não tem certeza se foi vítima deve fazer a consulta — já que muitos descontos indevidos ocorreram sem o conhecimento do segurado.
Cuidados para evitar novos golpes
O INSS alerta que não entra em contato por telefone, e-mail ou WhatsApp para solicitar informações bancárias, documentos ou senhas.
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Processo oficial: apenas via Meu INSS ou nas agências dos Correios.
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Desconfie de abordagens que solicitem dados pessoais para liberar valores.
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Denuncie tentativas de fraude à Ouvidoria do INSS ou ao Ministério Público.
O que dizem os órgãos públicos
Segundo o presidente do INSS, o acordo representa uma reparação justa para milhares de aposentados lesados e é também uma forma de reforçar a confiança no sistema previdenciário. A prioridade agora é ampliar a divulgação para que todos os beneficiários elegíveis tenham acesso ao ressarcimento.
FAQ – Perguntas frequentes
1. Preciso contratar advogado para receber a devolução do INSS?
Não. Todo o processo é gratuito e pode ser feito pelo Meu INSS ou presencialmente nos Correios.
2. Preciso declarar os valores recebidos no Imposto de Renda?
Não há obrigatoriedade, pois trata-se de devolução de valores pagos indevidamente. Mas é recomendável guardar o comprovante.
3. O pagamento é feito de forma parcelada?
Não. O acordo prevê pagamento em parcela única, diretamente na conta do beneficiário.
A devolução do INSS é uma oportunidade real para que aposentados e pensionistas recuperem valores descontados ilegalmente, já corrigidos pela inflação. Quem ainda não verificou se tem direito deve agir imediatamente, seja pelo aplicativo Meu INSS ou em uma agência dos Correios.
Com um prazo definido e regras claras, o programa busca garantir justiça para todos os que foram prejudicados por práticas abusivas, ao mesmo tempo que reforça a importância da atenção e do cuidado para evitar novos golpes no futuro.






