Dólar hoje recua com sinalização de corte na Selic e confirmação de saída de Haddad
O mercado financeiro brasileiro inicia esta quinta-feira (29) sob intensa volatilidade e análise criteriosa dos fundamentos macroeconômicos locais e internacionais. O dólar hoje apresenta uma ligeira baixa ante o real, refletindo um cabo de guerra entre a política monetária austera do Banco Central e as incertezas fiscais geradas pelas declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A cotação da moeda norte-americana é o termômetro imediato da digestão dos investidores sobre a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano e a confirmação de mudanças no comando da equipe econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Às 9h06, o dólar hoje à vista operava com queda de 0,12%, cotado a R$ 5,200 na venda. O movimento de correção, ainda que tímido, demonstra a resiliência da moeda brasileira frente ao cenário externo desafiador e às pressões políticas domésticas. No mercado futuro, o contrato para fevereiro, que concentra a maior liquidez na B3, subia levemente 0,04%, também orbitando a casa dos R$ 5,199, sinalizando que a disputa pela formação da Ptax será acirrada ao longo da sessão.
O impacto da Super Quarta no câmbio
A movimentação do dólar hoje é resultado direto das decisões tomadas na chamada “Super Quarta”, quando tanto o Comitê de Política Monetária (Copom) do Brasil quanto o Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos divulgaram suas diretrizes sobre juros. No cenário doméstico, a decisão unânime da diretoria do Banco Central de manter a taxa básica de juros, a Selic, no patamar elevado de 15% ao ano, serve como uma âncora para o real.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos continua sendo um dos maiores atrativos para o capital estrangeiro especulativo, o famoso carry trade. Com a Selic em 15%, o Brasil oferece um prêmio de risco substancial para o investidor que toma dinheiro em moedas fortes e aplica em títulos públicos brasileiros. Esse fluxo de entrada de dólares ajuda a conter a valorização da divisa americana, pressionando o dólar hoje para baixo, mesmo diante de ruídos políticos.
Entretanto, o comunicado do Copom trouxe um elemento novo que o mercado de câmbio está precificando: a sinalização clara de um corte de juros já na próxima reunião, em março. O Banco Central, embora tenha enfatizado que manterá a “restrição adequada” para convergir a inflação à meta de 3%, abriu a porta para o início do ciclo de afrouxamento monetário. Para os operadores de câmbio, a dúvida que paira sobre o dólar hoje é se o início dos cortes reduzirá drasticamente a atratividade do real ou se será um processo gradual que manterá o spread favorável.
A saída de Fernando Haddad e a volatilidade política
Se a política monetária traz previsibilidade, a política fiscal adiciona uma camada de incerteza que impede uma queda mais acentuada do dólar hoje. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou em entrevista ao portal Metrópoles nesta quinta-feira que deixará o cargo em fevereiro. A declaração de Haddad, afirmando ser “certeza” sua saída no próximo mês após acordo com o presidente Lula, injeta nervosismo nas mesas de operação.
O mercado financeiro, historicamente, tem aversão a mudanças bruscas em posições-chave da economia. A figura de Haddad, apesar das críticas pontuais, representava um interlocutor conhecido. Sua saída abre espaço para especulações sobre a sucessão e a continuidade do arcabouço fiscal. O dólar hoje reage a essa vacância de poder iminente. Haddad defendeu as qualidades de Dario Durigan, atual secretário-executivo, para assumir o posto, mas ressaltou que a decisão final cabe ao Presidente da República.
Essa transição ocorre em um momento delicado. A incerteza sobre quem será o novo fiador das contas públicas brasileiras faz com que muitos investidores busquem proteção na moeda forte, o que sustenta o dólar hoje acima do patamar de R$ 5,00, mesmo com os juros nas alturas. A percepção de risco fiscal é o principal vetor que impede o real de se valorizar com mais força. O mercado monitorará cada declaração vinda de Brasília hoje, buscando pistas se a troca de comando implicará em uma guinada para uma política econômica mais heterodoxa ou se a linha de responsabilidade fiscal será mantida.
O cenário externo: Federal Reserve e a força do dólar global
Para compreender a dinâmica do dólar hoje no Brasil, é imprescindível olhar para o cenário externo. O Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, optou por manter a taxa básica de juros inalterada na quarta-feira. A autoridade monetária americana citou a inflação ainda elevada e o sólido crescimento econômico como justificativas para a cautela, oferecendo poucas pistas sobre quando os custos dos empréstimos começarão a cair na maior economia do mundo.
Essa postura “hawkish” (dura) do Fed fortalece o dólar globalmente. Quando os juros americanos permanecem altos por mais tempo, os títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) tornam-se aspiradores de liquidez global, drenando recursos de mercados emergentes como o Brasil. Antes da decisão do Copom, o dólar hoje havia virado para alta justamente reagindo a esse cenário nos EUA, fechando o dia anterior quase estável.
A correlação é direta: se o Fed não corta juros lá fora e o Copom sinaliza corte aqui dentro (para março), o diferencial de juros tende a estreitar no futuro próximo. O mercado de câmbio antecipa esses movimentos. Por isso, a queda do dólar hoje é contida. Os investidores fazem as contas de até quando vale a pena manter posições compradas em real. A solidez da economia americana, mencionada no comunicado do Fed, também sugere que o dólar continuará forte contra uma cesta de moedas globais (DXY), e o real não está imune a essa tendência.
Análise Técnica e Fluxo Cambial
Do ponto de vista técnico, o dólar hoje encontra-se em uma zona de suporte importante nos R$ 5,20. O rompimento desse patamar para baixo dependeria de um fluxo de capital estrangeiro mais robusto, que poderia vir tanto da balança comercial (exportações) quanto do mercado financeiro. No entanto, a aversão ao risco gerada pela troca ministerial atua como uma barreira de resistência.
Operadores de tesouraria relatam que há um fluxo defensivo de empresas importadoras, que aproveitam qualquer queda no dólar hoje para travar custos e fazer hedge (proteção) de suas dívidas em moeda estrangeira. Esse comportamento de compra nos “mergulhos” da cotação impede que a moeda despenque. Do outro lado, exportadores que se beneficiam do dólar alto podem estar segurando a internalização de recursos, aguardando definições mais claras sobre o substituto de Haddad.
A liquidez no mercado futuro da B3 também sugere cautela. O dólar hoje para fevereiro mostra um volume de negociação que reflete a indecisão dos grandes players. Ninguém quer ficar excessivamente exposto em real antes de saber o nome do novo ministro, mas ninguém quer apostar contra o Brasil com a Selic pagando 15% ao ano. É esse equilíbrio tenso que dita a variação decimal da moeda nesta quinta-feira.
Inflação, Meta de 3% e o Câmbio
A decisão do Banco Central de manter a Selic em 15% tem um objetivo claro: convergir a inflação para a meta de 3%. O dólar hoje desempenha um papel crucial nessa estratégia. Um câmbio desvalorizado pressiona a inflação através do aumento dos custos de importados e commodities cotadas em dólar (como petróleo e soja). Portanto, o BC acompanha de perto a cotação.
Se a instabilidade política decorrente da saída de Haddad provocar uma disparada no dólar hoje, o plano do Banco Central de cortar juros em março pode ser colocado em xeque. O canal do câmbio é um dos principais vetores de transmissão da inflação no Brasil. A autoridade monetária sabe que não pode permitir um descontrole cambial. A ênfase na “restrição adequada” no comunicado do Copom foi um recado direto ao mercado: o BC não hesitará em manter os juros altos se o cenário fiscal (e cambial) se deteriorar.
Investidores atentos à movimentação do dólar hoje devem observar como a curva de juros futuros (DI) se comporta. Se os juros longos subirem muito devido ao risco fiscal, isso pressionará o dólar à vista. A estabilidade da moeda americana depende, fundamentalmente, da credibilidade de que a meta de inflação será perseguida, independentemente de quem ocupe a cadeira do Ministério da Fazenda.
Perspectivas para o Dólar Hoje e Médio Prazo
Para o restante do dia, a tendência do dólar hoje é continuar oscilando ao sabor das manchetes políticas. Qualquer confirmação sobre o nome de Dario Durigan ou o surgimento de um nome político inesperado para a Fazenda fará preço instantaneamente. A volatilidade é a palavra de ordem.
No médio prazo, a trajetória do dólar hoje dependerá da execução do corte de juros sinalizado para março. Se o corte for de 0,50 ponto percentual, a Selic cairá para 14,5%, ainda um patamar extremamente atrativo para o capital internacional, o que sustentaria o real. No entanto, se o Fed mantiver os juros altos por todo o primeiro semestre de 2026, a pressão externa sobre o real aumentará.
Além disso, a performance das commodities agrícolas e minerais é um fator exógeno que influencia o dólar hoje. Com a China mostrando sinais mistos de recuperação, o fluxo comercial brasileiro pode não ser suficiente para inundar o mercado de dólares como em anos anteriores. O superávit comercial é a principal fonte de oferta de moeda estrangeira no país, e qualquer solavanco nas exportações afeta o equilíbrio de preço.
O papel do investidor diante da volatilidade
Para o investidor pessoa física ou gestor de empresas, o comportamento do dólar hoje exige prudência. A diversificação de carteira com ativos atrelados a moedas fortes continua sendo uma estratégia de proteção recomendada em tempos de incerteza fiscal. A exposição ao dólar hoje não deve ser vista apenas como especulação, mas como seguro.
Aqueles que possuem compromissos em moeda estrangeira devem monitorar a cotação do dólar hoje minuto a minuto. A oportunidade de fechar câmbio a R$ 5,20 pode ser interessante se a perspectiva for de deterioração do cenário político com a sucessão ministerial. Por outro lado, se a transição na Fazenda for suave e o Copom conduzir o pouso suave da economia com cortes de juros técnicos, o real tem espaço para se apreciar, buscando patamares abaixo de R$ 5,15.
A leitura do mercado é que o prêmio de risco embutido no dólar hoje é alto. Se as incertezas se dissiparem, a moeda “desincha”. Se se confirmarem, o dólar tem espaço para testar novas resistências.
O Dólar Hoje como reflexo do Brasil
O comportamento do dólar hoje nesta quinta-feira (29) resume o momento complexo da economia brasileira em 2026. Temos juros estratosféricos de 15% que defendem a moeda, um Banco Central técnico e autônomo, mas vivemos sob a sombra de mudanças políticas no núcleo do governo. A saída de Fernando Haddad em fevereiro é o evento de cauda que impede o otimismo pleno.
Enquanto o mundo, liderado pelo Fed, mantém a cautela com a inflação, o Brasil tenta encontrar seu próprio caminho de corte de juros sem perder o controle dos preços. O dólar hoje operando em leve baixa aos R$ 5,200 é o retrato desse equilíbrio frágil. Os próximos dias serão decisivos. A definição do sucessor na Fazenda e as próximas atas do Copom ditarão se o dólar hoje iniciará uma tendência de alta estrutural ou se voltará a se acomodar em patamares mais baixos, permitindo que a economia respire. Até lá, a volatilidade será a única certeza na tela dos investidores.






