Flexjet mantém mega pedido de 182 jatos da Embraer mesmo com tarifas de 50% dos EUA
Mesmo com a imposição de tarifas de 50% sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos, a Embraer garantiu a continuidade de um dos maiores contratos da sua história com a empresa de aviação executiva Flexjet. O pedido, anunciado em fevereiro e mantido oficialmente em julho de 2025, envolve 182 aeronaves e está avaliado em até US$ 7 bilhões, consolidando a fabricante brasileira como protagonista mundial no setor de jatos executivos.
A confirmação reforça a solidez da Embraer em meio às tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, após o anúncio do presidente norte-americano Donald Trump sobre o aumento das tarifas de importação para aeronaves brasileiras, que entrarão em vigor em 1º de agosto de 2025.
Encomenda bilionária fortalece a Embraer no setor de aviação executiva
O contrato firmado com a Flexjet abrange principalmente os modelos Praetor 500 e Praetor 600, além de unidades do Phenom 300E. As entregas estão previstas para iniciar em 2026. A Flexjet já opera uma frota de 143 aeronaves da Embraer na América do Norte e na Europa, incluindo os modelos Phenom, Praetor e Legacy.
Com este novo pedido, a Embraer reafirma sua relevância como fornecedora estratégica da aviação executiva global. Mesmo com o cenário adverso, a parceria entre as empresas se mantém sólida, provando que o desempenho técnico e a confiabilidade dos produtos brasileiros se sobrepõem às barreiras políticas e econômicas.
Produção internacional da Embraer reduz impacto das tarifas
Apesar das tarifas anunciadas pelo governo dos EUA, a Embraer possui uma estrutura global de produção que poderá minimizar os impactos das novas medidas. Os jatos Phenom são montados em Melbourne, na Flórida, enquanto os modelos Praetor são produzidos tanto em São José dos Campos (SP) quanto em território americano.
Além disso, componentes essenciais como asas e fuselagens são produzidos em Portugal e Brasil, evidenciando a estratégia globalizada da empresa. Essa diversificação na cadeia de produção é um trunfo importante para manter a competitividade frente a barreiras tarifárias e protecionismo.
Flexjet aposta no alto padrão da Embraer para ampliar sua frota
A Flexjet é uma das líderes globais em aviação executiva e sua decisão de manter o pedido, mesmo diante da alta nas tarifas de importação, demonstra a confiança na qualidade e no desempenho dos jatos da Embraer. O chairman da empresa destacou que decisões de compra neste setor tendem a seguir um planejamento estratégico de longo prazo, acima de conjunturas políticas temporárias.
Esse posicionamento reitera que a Embraer é vista como parceira confiável e estratégica, com produtos tecnologicamente avançados, conforto premium e excelente custo-benefício operacional — características que a mantêm entre as líderes do setor aeronáutico mundial.
Tarifa de 50% imposta pelos EUA pode ter efeito limitado
A elevação da tarifa de importação de 10% para 50% sobre jatos brasileiros representa uma medida severa de proteção comercial por parte dos Estados Unidos. No entanto, analistas de mercado apontam que parte relevante da produção da Embraer voltada ao mercado norte-americano já ocorre em solo estadunidense, o que reduz os efeitos diretos da taxação.
Além disso, contratos firmados anteriormente à vigência da nova tarifa — como é o caso do acordo com a Flexjet — tendem a manter suas condições originais, o que assegura à Embraer estabilidade em importantes negociações já realizadas.
Embraer: desempenho estratégico em meio a tensões globais
A estratégia da Embraer de manter centros produtivos em diferentes continentes fortalece sua posição frente a instabilidades comerciais. Com fábricas no Brasil, Portugal e Estados Unidos, a empresa consegue driblar limitações logísticas e legais impostas por governos protecionistas, sem comprometer prazos, qualidade e custos.
Essa postura globalizada, aliada ao portfólio de produtos reconhecido pela eficiência e inovação, permite à Embraer disputar espaço com gigantes do setor, mesmo em cenários adversos.
Mercado da aviação executiva projeta crescimento nos próximos anos
Com o crescimento da demanda por jatos executivos, impulsionado pela busca por voos privados e rotas mais flexíveis, a projeção é de expansão constante do mercado global até 2030. A pandemia de COVID-19 acelerou esse movimento, consolidando a aviação executiva como alternativa preferencial para empresas e indivíduos com alto poder aquisitivo.
Neste cenário, a Embraer se posiciona de forma competitiva, principalmente com os modelos Phenom 300E, reconhecido pelo custo-benefício e conforto, e o Praetor 600, considerado o jato mais disruptivo da categoria super midsize.
Perspectivas para o futuro da Embraer
A confirmação da encomenda da Flexjet fortalece o caixa da Embraer e permite novos investimentos em inovação, expansão produtiva e desenvolvimento de tecnologias sustentáveis, como os jatos híbridos e elétricos. A empresa também segue avançando em outras frentes, como o mercado de eVTOLs (veículos aéreos elétricos de pouso e decolagem vertical), por meio da subsidiária Eve Air Mobility.
Nos próximos anos, a expectativa é que a Embraer amplie ainda mais sua presença nos Estados Unidos, Europa e Oriente Médio, mercados com alta demanda por jatos executivos de médio alcance, eficiência operacional e tecnologias embarcadas de última geração.
Mesmo diante de um cenário desafiador com o aumento das tarifas de importação norte-americanas, a Embraer se mostra resiliente e estratégica. A manutenção do pedido de 182 aeronaves pela Flexjet, mesmo após a medida protecionista dos EUA, comprova a relevância e a confiabilidade da empresa no mercado internacional.
Com uma estrutura de produção globalizada, produtos de alta tecnologia e parcerias estratégicas, a Embraer segue firme no objetivo de ser protagonista na aviação executiva mundial. O contrato bilionário reforça a competitividade da fabricante brasileira e mostra que, mesmo com barreiras comerciais, a excelência fala mais alto.






