Ensino Superior impulsiona renda e reduz desemprego no Brasil, aponta estudo
O Ensino Superior segue sendo o fator mais determinante para o crescimento da renda e para a estabilidade profissional no Brasil. De acordo com levantamento do Unico Skill, realizado a partir de dados da Pnad Contínua (IBGE) e do Censo Escolar 2024 (Inep), o trabalhador com diploma universitário ganha, em média, R$ 6.522 por mês, enquanto aquele que possui apenas o Ensino Médio recebe R$ 2.509. Na prática, isso significa que o profissional sem graduação levaria 15 anos para atingir o mesmo patamar salarial de quem concluiu o Ensino Superior, considerando o crescimento médio anual de 6,35% dos salários no país nos últimos dez anos.
Mais do que um indicador econômico, o dado evidencia o poder transformador da educação formal sobre a mobilidade social, o acesso a oportunidades e a redução das desigualdades de renda no mercado de trabalho brasileiro.
Ensino Superior antecipa ganhos de 15 anos de trabalho
O estudo mostra que o diploma universitário é capaz de antecipar em uma década e meia a renda que um trabalhador de nível médio levaria anos para conquistar. Em termos práticos, a graduação funciona como um “acelerador de carreira”: o que um trabalhador com Ensino Médio conquista aos 45 anos, um graduado já alcança aos 30.
Essa vantagem se torna ainda mais evidente quando comparada a níveis de escolaridade mais baixos. Profissionais com apenas o Ensino Fundamental, que ganham em média R$ 2.137, levariam 18 anos para atingir a renda média de um graduado — e isso em um cenário hipotético de reajuste zero para o trabalhador com Ensino Superior. Já quem não possui instrução formal, com renda média de R$ 1.662, precisaria de 22 anos para alcançar o mesmo nível.
Diferenças salariais crescem com o avanço da escolaridade
Os números revelam um padrão claro: quanto maior o nível de escolaridade, maior o impacto sobre o rendimento. Trabalhadores com Ensino Fundamental ganham 28,6% mais do que aqueles sem instrução. Do Ensino Fundamental para o Médio, o salto é de 14,6%, enquanto a transição do Médio para o Superior eleva a renda em impressionantes 159,9%.
Isso significa que o trabalhador com Ensino Superior ganha, em média, 2,7 vezes mais do que quem concluiu apenas o Ensino Médio, e quatro vezes mais do que quem não estudou. Em termos proporcionais, a diferença salarial entre um graduado e alguém sem instrução formal chega a 292,4%.
O estudo ainda detalha o ganho incremental anual de cada nível de ensino:
-
Ensino Fundamental: aumento médio de 2,8% na renda a cada ano de estudo.
-
Ensino Médio: crescimento de 4,7% ao ano.
-
Ensino Superior: salto médio de 27% por ano durante o período da graduação.
Esses percentuais demonstram que investir em educação superior gera retornos exponenciais, tanto em remuneração quanto em empregabilidade.
Educação como escudo contra o desemprego
A influência do Ensino Superior não se limita à renda: ele também funciona como uma barreira contra o desemprego. Segundo o levantamento, a taxa de desocupação entre profissionais com diploma universitário é de apenas 3,5%, menos da metade da observada entre quem concluiu apenas o Ensino Médio (8%) e seis vezes inferior à de quem não terminou o Ensino Fundamental (21,1%).
Essa diferença mostra que o grau de escolaridade impacta diretamente na segurança profissional. Em momentos de crise econômica ou retração no mercado de trabalho, os profissionais com Ensino Superior tendem a ser menos afetados e a se recolocar mais rapidamente.
Mercado valoriza mão de obra qualificada, mas sofre com escassez de talentos
Paralelamente à valorização da educação, o mercado brasileiro enfrenta um desafio crescente: a falta de profissionais qualificados. De acordo com pesquisa da PwC, a escassez de talentos já é vista como uma das principais ameaças à competitividade das empresas no país.
O problema é reforçado pelos dados do Índice de Confiança Robert Half (ICRH), que mede o otimismo de profissionais e recrutadores em relação ao mercado de trabalho. Em sua 32ª edição, o índice revelou que 78% das empresas têm dificuldade para contratar pessoas qualificadas, mesmo com a taxa de desemprego geral em 5,8% e a de profissionais especializados em 3%.
Apesar do cenário desafiador, 18% das empresas planejam aumentar contratações nos próximos meses, o que demonstra uma expectativa de recuperação gradual do mercado. No entanto, a escassez de mão de obra com formação técnica ou superior continua sendo um gargalo para o crescimento econômico.
Educação superior e empregabilidade: um diferencial competitivo
A crescente digitalização das empresas e a automação de processos têm elevado o nível de exigência sobre as competências profissionais. Hoje, o Ensino Superior deixou de ser apenas uma credencial e passou a ser um diferencial estratégico.
As empresas procuram profissionais com sólida formação acadêmica, capacidade analítica e domínio de ferramentas tecnológicas. Cursos voltados às áreas de engenharia, tecnologia da informação, economia, administração e saúde figuram entre os mais valorizados, especialmente por atenderem a setores de alta demanda e inovação constante.
Além disso, o avanço de cursos híbridos e programas de ensino remoto ampliou o acesso à graduação, democratizando oportunidades e aproximando o ensino superior da realidade de trabalhadores que antes não tinham condições de ingressar em uma universidade.
Renda, produtividade e desenvolvimento social
O impacto do Ensino Superior vai além do aspecto individual. Economicamente, o aumento da renda média entre trabalhadores graduados impulsiona o consumo, a arrecadação de impostos e o desenvolvimento de novos setores produtivos.
Estudos do Banco Mundial e da OCDE apontam que cada ponto percentual de aumento na escolaridade média de um país está diretamente associado ao crescimento do PIB per capita e à elevação dos índices de produtividade.
No caso do Brasil, onde ainda há uma concentração elevada de trabalhadores com baixa escolaridade, ampliar o acesso à educação superior é uma medida estratégica para o crescimento econômico sustentável e a redução das desigualdades sociais.
Desafios: acesso, custo e qualidade
Embora os benefícios do Ensino Superior sejam evidentes, o país ainda enfrenta obstáculos estruturais. O custo elevado das mensalidades, a baixa qualidade em parte das instituições e a dificuldade de conciliar estudo e trabalho são barreiras que afastam milhões de brasileiros das universidades.
De acordo com o Censo da Educação Superior, menos de 25% dos jovens entre 18 e 24 anos estão matriculados em cursos de graduação — um percentual distante da média dos países desenvolvidos, que ultrapassa 50%.
A ampliação do acesso, por meio de bolsas de estudo, programas de crédito estudantil e ensino a distância de qualidade, é essencial para que o Brasil colha os frutos econômicos e sociais do investimento em educação.
Tendências para o futuro do ensino e do trabalho
O avanço tecnológico está reformulando o perfil das profissões e exigindo constante atualização dos trabalhadores. Nesse cenário, o Ensino Superior tende a se integrar cada vez mais ao conceito de educação continuada, com foco em aprendizado ao longo da vida.
Universidades e empresas já firmam parcerias para capacitação profissional e programas de reskilling — uma tendência que deve se intensificar nos próximos anos. A ênfase em competências digitais, inovação e sustentabilidade será determinante para o sucesso de profissionais em um mercado cada vez mais dinâmico.
Educação como motor de transformação social
O estudo do Unico Skill reforça uma constatação já consolidada por décadas de pesquisas: investir em educação é a forma mais eficaz de reduzir desigualdades e aumentar o potencial de crescimento de um país.
No Brasil, onde ainda há desafios de acesso e qualidade, os resultados mostram que o Ensino Superior é um divisor de águas — não apenas pela renda que proporciona, mas pela segurança profissional e pelas oportunidades que abre.
A graduação, ao antecipar em 15 anos o patamar de renda de quem tem apenas Ensino Médio, confirma que o conhecimento é o ativo mais valioso do século XXI.






