Governo estuda destinar R$ 30 bi do BNDES para apoio a empresas afetadas por tarifas dos EUA
O governo brasileiro estuda destinar cerca de R$ 30 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para apoiar empresas nacionais afetadas pelo aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos. A medida, ainda em análise, prevê a liberação de crédito com condições diferenciadas, priorizando a preservação de empregos e a competitividade no mercado internacional.
Fontes ligadas às discussões explicam que os recursos viriam do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), administrado pelo BNDES, que conta atualmente com aproximadamente R$ 50 bilhões disponíveis, é superavitário e pouco utilizado nos últimos anos.
A expectativa é que o plano seja detalhado e, se aprovado, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva até a próxima terça-feira (12), conforme declarou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin.
Objetivo: preservar empregos e manter a produção
O plano de BNDES apoio empresas em estudo prevê que os beneficiários assumam a obrigação de manter empregos enquanto durar o contrato de financiamento. Essa contrapartida busca garantir que o crédito não sirva apenas para reforçar o caixa das empresas, mas também para proteger trabalhadores e evitar demissões em larga escala.
Reação às tarifas dos EUA
A proposta surge em resposta à decisão do presidente norte-americano Donald Trump de aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, com alíquotas menores para segmentos como aeronaves, energia e suco de laranja. O aumento tarifário foi justificado por Trump com base em questões políticas, citando o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O impacto é significativo para exportadores brasileiros, especialmente no agronegócio e na indústria de transformação, que veem o mercado norte-americano como um destino estratégico para suas vendas.
Linhas de crédito diferenciadas por porte de empresa
Segundo fontes consultadas, a ideia é oferecer condições especiais para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), com juros reduzidos e prazos estendidos, além de carência para o início do pagamento. Grandes empresas também poderão acessar a linha, mas com taxas menos vantajosas.
Além do uso do FGE, o governo avalia criar novos programas de crédito setoriais, incluindo um voltado exclusivamente ao agronegócio, um dos setores mais dinâmicos da economia e mais afetados pela medida norte-americana.
Experiência prévia do BNDES em medidas emergenciais
Apesar de a proposta ainda estar em análise, o BNDES tem experiência em ações emergenciais. Em 2024, o banco lançou um programa para apoiar o Rio Grande do Sul após enchentes severas, liberando R$ 32,4 bilhões entre junho de 2024 e abril de 2025. Esse montante representou 29% de todos os recursos federais destinados ao socorro do estado.
Esse histórico é usado como referência para demonstrar que a instituição tem capacidade de mobilização rápida para situações críticas.
Setores que podem ser contemplados
O desenho final do plano de BNDES apoio empresas ainda não foi fechado, mas há consenso de que setores estratégicos terão prioridade, incluindo:
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Indústria de transformação
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Agronegócio e cadeia de alimentos
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Exportadores de manufaturados
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Segmentos com alta geração de empregos
A meta é evitar a redução da produção e impedir impactos profundos na balança comercial brasileira.
Critérios em discussão para acesso ao crédito
As regras finais ainda estão sendo definidas, mas devem incluir:
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Comprovação de impacto direto das tarifas nas operações da empresa.
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Compromisso com a manutenção de empregos durante a vigência do contrato.
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Plano de aplicação dos recursos voltado para manutenção da produção e competitividade.
O governo pretende simplificar processos para acelerar a liberação do crédito e evitar atrasos que possam prejudicar a efetividade da medida.
Desafios e perspectivas
Especialistas avaliam que, se implementada, a linha de crédito poderá amenizar os efeitos imediatos das tarifas dos EUA, preservando setores-chave da economia e milhares de empregos. No entanto, alertam que a pressão tarifária pode se manter ou até aumentar, exigindo que o Brasil busque diversificação de mercados e intensifique sua diplomacia comercial.
Resposta estratégica ainda em fase de estudo
O estudo para destinar R$ 30 bilhões do BNDES apoio empresas é um movimento estratégico do governo brasileiro diante das novas barreiras impostas pelos Estados Unidos. Embora ainda dependa de definições e aprovação final, a medida demonstra disposição em proteger a economia, apoiar exportadores e preservar empregos num cenário de tensão comercial.
Se confirmado, o programa poderá ser um marco na resposta brasileira a desafios externos, reforçando a importância do crédito direcionado como ferramenta de política econômica.






