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Ibovespa abre em alta impulsionado por dados de emprego nos EUA e inflação no Brasil

por Gabriel Monteiro
03/05/2024 às 10h50
em Economia
Ibovespa Abre Em Alta Impulsionado Por Dados De Emprego Nos Eua E Inflação No Brasil - Gazeta Mercantil - Economia

Na abertura desta sexta-feira (3), o Ibovespa iniciou os negócios em alta de 1,10%, atingindo os 128.524 pontos. Esse avanço do principal índice da B3 ocorre em meio às atenções voltadas para o relatório de empregos dos Estados Unidos (o payroll), no cenário externo, e para os números da inflação semanal no Brasil.

Nos Estados Unidos, a economia criou 175 mil empregos em abril, em termos líquidos, conforme relatório publicado pelo Departamento do Trabalho do país. Esse resultado ficou abaixo da mediana das expectativas de analistas consultados pelo Projeções Broadcast, que esperavam a criação de 225 mil postos de trabalho, e próximo ao limite inferior das estimativas, que variavam de 150 mil a 275 mil vagas.

Leia também: Ibovespa reage ao IPCA, petróleo em alta e dados dos EUA.

O payroll chega dois dias após o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, decidir manter a taxa de juros no patamar mais elevado desde 2001, entre 5,25% e 5,50% ao ano. Com o indicador mostrando uma geração de vagas menor do que a esperada pelo mercado, há apostas de que o Fed poderá cortar os juros americanos ainda neste ano.

Além disso, pela manhã, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou que o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) avançou em seis das sete capitais pesquisadas no encerramento de abril. O indicador fechou o mês com uma alta de 0,42%, após registrar um aumento de 0,10% no final de março.

Leia também: Ibovespa Hoje: Tendências, Impactos e Oportunidades no Mercado Financeiro.

Os investidores também devem ficar atentos à reação do mercado após a adesão da capital à privatização da Sabesp, com 37 votos favoráveis e 17 contra. O texto foi sancionado na noite de quinta-feira (2) pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). Além disso, os balanços de Iguatemi (IGTI11) e Gerdau (GGBR4) devem movimentar o Ibovespa.

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# Vale (Vale3): Daniel Stieler Renuncia À Presidência Do Conselho Em Meio A Disputa Com Previ ## Saída Ocorre Antes De Assembleia Convocada Para Discutir Mudança No Comando Do Colegiado; Episódio Reacende Debate Sobre Governança E Influência De Acionistas Na Mineradora A Vale (Vale3) Confirmou A Renúncia De Daniel André Stieler Aos Cargos De Membro E Presidente Do Conselho De Administração Da Companhia. A Saída Tem Efeito Imediato E Ocorre Em Meio A Uma Disputa De Governança Envolvendo A Previ, Fundo De Pensão Dos Funcionários Do Banco Do Brasil E Acionista Relevante Da Mineradora. Stieler Integrava O Conselho De Administração Da Vale Desde 2021 E Presidia O Colegiado Desde 2023. A Companhia Agradeceu A Liderança, Dedicação E Contribuições Prestadas Pelo Executivo, Destacando Sua Atuação No Fortalecimento Da Governança Corporativa, No Aprimoramento Dos Trabalhos Do Conselho E Na Condução De Decisões Estratégicas. A Renúncia Ocorre Semanas Depois De A Previ Pedir A Convocação De Uma Assembleia Geral Extraordinária Para Deliberar Sobre A Destituição De Stieler Da Presidência Do Conselho. A Assembleia Estava Prevista Para 22 De Julho E Havia Colocado A Governança Da Vale No Centro Das Atenções Do Mercado. Com A Saída Antecipada, A Mineradora Evita Uma Votação Potencialmente Desgastante Entre Acionistas, Mas Mantém Em Aberto A Definição Sobre Quem Assumirá O Comando Do Conselho De Administração Em Caráter Definitivo. ## Disputa Com A Previ Pressionava O Comando Do Conselho A Previ Havia Defendido A Substituição De Daniel Stieler Sob O Argumento De Que A Mudança Faria Parte De Um Processo De Renovação Da Liderança Do Conselho E Contribuiria Para Reforçar A Independência E A Governança Da Companhia. O Movimento, No Entanto, Encontrou Resistência Dentro Da Própria Vale. Em Manifestação Anterior, O Conselho De Administração Recomendou Que Os Acionistas Rejeitassem A Proposta De Destituição, Afirmando Que Não Haviam Sido Apresentados Fatos Concretos Que Justificassem A Troca. A Divergência Elevou A Temperatura Política E Societária Em Torno Da Mineradora. Embora A Previ Tenha Sustentado Que Sua Iniciativa Tinha Motivação De Governança, Parte Do Mercado Passou A Interpretar O Episódio Como Um Sinal De Disputa Por Influência Em Uma Das Maiores Empresas Brasileiras De Capital Pulverizado. A Vale Tem Um Histórico Sensível Nesse Tema. Desde A Privatização E, Mais Recentemente, Após A Reorganização Societária Que Reduziu O Controle Concentrado, A Companhia Passou A Operar Sob Uma Estrutura Em Que Grandes Acionistas Institucionais Exercem Influência Relevante, Mas Sem Um Controlador Único Formal. ## Mercado Vê Risco De Instabilidade Institucional O Ponto Central Para Investidores De Vale3 Não É Apenas A Saída De Um Executivo Do Conselho, Mas O Sinal Que O Episódio Transmite Sobre A Estabilidade Institucional Da Companhia. O Conselho De Administração É Responsável Por Decisões Estratégicas De Longo Prazo, Acompanhamento Da Diretoria Executiva, Definição De Políticas Corporativas, Alocação De Capital, Avaliação De Riscos E Preservação Dos Interesses Da Companhia E De Seus Acionistas. Quando Há Disputa Pública Sobre O Comando Do Colegiado, O Mercado Tende A Observar Três Riscos Principais: Interferência Excessiva De Acionistas Específicos, Instabilidade Na Tomada De Decisão E Aumento Da Percepção De Influência Política Sobre A Empresa. Esse Risco É Especialmente Relevante No Caso Da Vale Porque A Mineradora Opera Em Setores Estratégicos, Como Minério De Ferro, Logística, Energia E Metais Para Transição Energética. Além Disso, A Empresa Tem Peso Elevado Na Bolsa Brasileira E Forte Presença No Fluxo De Investidores Estrangeiros. ## Por Que A Saída De Stieler Importa Para Vale3 Para Quem Acompanha Vale3, A Renúncia De Daniel Stieler Adiciona Uma Camada De Incerteza Ao Curto Prazo. A Companhia Segue Com Fundamentos Operacionais Ligados Principalmente Ao Preço Do Minério De Ferro, À Demanda Chinesa, Ao Câmbio E Ao Ritmo De Produção. Mas Eventos De Governança Podem Afetar A Percepção De Risco Do Papel. A Saída Não Altera, Por Si Só, A Operação Da Mineradora. A Vale Continua Produzindo, Exportando E Executando Sua Estratégia Operacional. O Impacto Imediato Está Mais Ligado À Confiança Dos Investidores Na Estabilidade Decisória Do Conselho. Em Empresas De Grande Porte, Mudanças No Conselho De Administração Podem Influenciar Temas Como Política De Dividendos, Investimentos, Desalavancagem, Disciplina De Capital, Aquisições, Desinvestimentos, Sucessão Executiva E Relacionamento Com O Governo. Por Isso, Mesmo Quando A Mudança Não Afeta Diretamente A Produção, Ela Pode Ter Reflexo Na Forma Como O Mercado Precifica A Ação. ## Quem Pode Assumir O Comando Do Conselho Com A Renúncia, A Vale Precisa Reorganizar A Liderança Do Conselho De Administração. A Definição Pode Ocorrer Por Decisão Interna Do Colegiado Ou Ser Encaminhada Dentro Do Processo Societário Já Aberto Com A Assembleia Convocada A Pedido Da Previ. Entre Os Nomes Citados No Debate Está Manuel Lino Silva De Sousa Oliveira, Conhecido Como Ollie, Que Aparece Como Lead Independent Director Na Estrutura De Governança Da Companhia. Ele Vinha Sendo Defendido Pela Previ Como Alternativa Para A Presidência Do Conselho. Outro Nome Relevante No Colegiado É Marcelo Gasparino, Vice-Presidente Do Conselho De Administração. Em Discussões Anteriores, Gasparino Manifestou Preocupação Com Os Riscos De Instabilidade Institucional E Com A Possibilidade De Interferências Indevidas Na Governança Da Mineradora. A Escolha Do Próximo Presidente Do Conselho Será Acompanhada De Perto Porque Indicará O Grau De Acomodação Entre Os Principais Acionistas E A Capacidade Da Vale De Preservar Uma Agenda De Governança Sem Ruptura. ## Governança Volta Ao Centro Da Tese De Investimento A Vale É Uma Das Companhias Mais Relevantes Da B3 E Uma Das Maiores Produtoras Globais De Minério De Ferro. Por Isso, Qualquer Mudança Em Sua Governança Tem Efeito Que Vai Além Da Própria Empresa. A Mineradora Está No Radar De Fundos Locais, Investidores Estrangeiros, Gestoras Globais E Fundos De Pensão. A Composição E A Independência Do Conselho São Variáveis Importantes Para Esses Investidores, Principalmente Em Uma Companhia Com Ativos Estratégicos, Forte Geração De Caixa E Histórico De Sensibilidade Política. O Episódio Também Ocorre Em Um Momento Em Que O Mercado Acompanha De Perto A Relação Entre Grandes Empresas Brasileiras E O Governo Federal. No Caso Da Vale, Relatos De Pressão Política Para Ampliar Investimentos E A Ofensiva Da Previ Sobre O Comando Do Conselho Alimentaram Uma Leitura Mais Cautelosa Por Parte Dos Investidores. Ainda Assim, É Importante Separar Fato De Interpretação. O Fato Objetivo É Que Stieler Renunciou Aos Cargos De Membro E Presidente Do Conselho. A Interpretação De Mercado Envolve A Leitura De Que A Disputa Com A Previ E O Ambiente Político Aumentaram A Pressão Sobre O Executivo. ## O Que Observar Daqui Em Diante A Primeira Questão É Quem Assumirá A Presidência Do Conselho De Administração Da Vale. A Escolha Será Relevante Para Medir Se A Companhia Buscará Uma Solução De Continuidade Ou Se Haverá Mudança Mais Ampla No Equilíbrio De Forças Dentro Do Colegiado. O Segundo Ponto É O Futuro Da Assembleia Geral Extraordinária Solicitada Pela Previ. Com A Renúncia De Stieler, Parte Da Pauta Perde Objeto, Mas A Recomposição Da Vaga No Conselho E A Reorganização Da Liderança Ainda Podem Exigir Deliberação Dos Acionistas. O Terceiro Ponto É A Reação Do Mercado. Se A Transição For Conduzida De Forma Rápida E Institucional, O Impacto Sobre Vale3 Tende A Ser Limitado. Se Houver Nova Disputa Pública Entre Acionistas, O Prêmio De Risco Da Companhia Pode Aumentar. Para O Investidor, A Mensagem Principal É Que A Vale Continua Sendo Influenciada Por Fundamentos Globais Do Minério De Ferro, Mas A Governança Voltou A Ser Um Fator Relevante Na Leitura Da Ação. ## Cronologia Do Caso Daniel Stieler Entrou No Conselho De Administração Da Vale Em 2021 E Assumiu A Presidência Do Colegiado Em 2023. Em Junho De 2026, A Previ Pediu A Convocação De Uma Assembleia Geral Extraordinária Para Discutir Sua Destituição Da Presidência Do Conselho. A Fundação Argumentou Que Buscava Renovação E Reforço De Governança. O Conselho De Administração Da Vale Recomendou Rejeição À Proposta, Sustentando Que Não Havia Fatos Concretos Que Justificassem A Substituição. Em 6 De Julho De 2026, Antes Da Assembleia Prevista Para 22 De Julho, Stieler Apresentou Renúncia Aos Cargos De Membro E Presidente Do Conselho De Administração, Com Efeitos Imediatos. A Partir De Agora, A Companhia Terá De Definir A Recomposição Da Liderança Do Colegiado E Administrar Os Efeitos Do Episódio Sobre Sua Percepção De Governança No Mercado. - Gazeta Mercantil
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