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Ibovespa hoje recua com dólar a R$ 5,37 e juros futuros em queda

por Álvaro Lima
07/01/2026 às 09h39
em Ibovespa
Ibovespa Fecha No Segundo Maior Nível Da História E Inicia 2026 Com Forte Valorização - Gazeta Mercantil

Ibovespa hoje: Bolsa recua no início do pregão, dólar cai a R$ 5,37 e juros futuros operam em queda

O mercado financeiro brasileiro iniciou esta quarta-feira em ritmo mais cauteloso, após a sequência de altas recentes do Ibovespa e diante de um ambiente internacional marcado por incertezas geopolíticas e expectativa por novos dados econômicos nos Estados Unidos. O Ibovespa hoje opera em queda no mercado futuro, enquanto o dólar apresenta leve desvalorização frente ao real e os juros futuros recuam na maior parte da curva, refletindo ajustes técnicos e reprecificação de riscos no curto prazo.

Por volta das 9h07, o Ibovespa futuro recuava cerca de 0,28%, aos 165,8 mil pontos, após ter iniciado o pregão em leve alta. O movimento contrasta com o desempenho da véspera, quando o Ibovespa à vista avançou 1,11%, encerrando aos 163.663,88 pontos, em mais uma sessão de forte volume financeiro, superior a R$ 25 bilhões. No acumulado da semana, o índice sobe 1,94%, enquanto janeiro e o início de 2026 registram alta de 1,58%.

Leia também: Selic vai cair em 2026: como se preparar e onde investir com a queda dos juros.

A leitura predominante entre analistas é de que o mercado passa por um movimento natural de realização de lucros, após a renovação de máximas recentes, ao mesmo tempo em que avalia fatores externos e domésticos capazes de influenciar o comportamento dos ativos ao longo do dia.

No câmbio, o dólar comercial abriu o pregão em leve queda de 0,02%, cotado a R$ 5,378 na compra e R$ 5,379 na venda. A moeda norte-americana dá continuidade ao movimento observado na terça-feira, quando fechou com recuo de 0,48%, mesmo em um cenário de fortalecimento global do dólar. O desempenho reflete a entrada pontual de fluxo estrangeiro, além da percepção de que o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos continuará favorecendo o real no curto prazo.

Leia também: Dólar cai para R$ 5,56; Haddad atribui redução a comunicação bem-feita.

O mercado de juros futuros acompanha esse movimento. Os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) abriram o dia majoritariamente em queda, com destaque para os vencimentos intermediários, que chegaram a recuar mais de 15 pontos-base. A curva indica que os investidores seguem apostando em um ciclo prolongado de juros elevados no Brasil, mas com menor pressão adicional no curto e médio prazos, diante de sinais de desaceleração inflacionária em economias desenvolvidas e maior previsibilidade na política monetária global.

No cenário internacional, os investidores monitoram com atenção a divulgação de dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, como a pesquisa JOLTS e o relatório da ADP, que antecedem o payroll de sexta-feira. Esses indicadores são considerados centrais para calibrar as expectativas em relação à política monetária do Federal Reserve. Atualmente, o mercado precifica majoritariamente a manutenção dos juros na reunião de janeiro, com probabilidade superior a 80%, e segue apostando em até dois cortes ao longo de 2026.

As bolsas asiáticas encerraram o pregão majoritariamente em queda, pressionadas por tensões diplomáticas envolvendo China e Japão e pela dificuldade de sustentar o ímpeto observado recentemente em Wall Street. Na Europa, os principais índices operam de forma mista, com investidores reagindo a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Groenlândia, o que elevou a percepção de risco geopolítico e trouxe cautela adicional aos mercados do continente.

Nos Estados Unidos, os índices futuros operam próximos da estabilidade, após os principais índices de Nova York terem fechado a sessão anterior em novas máximas históricas, impulsionados por ações do setor de tecnologia e de semicondutores. O movimento reforça a seletividade dos investidores, que alternam exposição entre setores de crescimento e ativos considerados mais defensivos.

No mercado de commodities, o minério de ferro é um dos principais destaques do dia. O contrato negociado na bolsa de Dalian registrou alta superior a 4%, atingindo o maior patamar em vários meses. O avanço é atribuído à promessa do governo chinês de adotar medidas de afrouxamento monetário ao longo do ano, com o objetivo de estimular a atividade econômica e sustentar a demanda por matérias-primas. Esse cenário tende a favorecer ações de empresas exportadoras, especialmente do setor de mineração, que têm peso relevante na composição do Ibovespa.

Em sentido oposto, os preços do petróleo operam em queda no mercado internacional. as cotações do Brent e do WTI são pressionadas por notícias envolvendo a política energética dos Estados Unidos e a Venezuela, aumentando a percepção de maior oferta global. O movimento impacta ações do setor de óleo e gás, que vinham de desempenho positivo nas sessões anteriores.

No noticiário doméstico, o mercado acompanha com atenção as manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre a atuação do Tribunal de Contas da União no caso Master. Segundo avaliações no Palácio do Planalto, o tema pode gerar instabilidade no mercado financeiro, com potenciais reflexos sobre o câmbio e os ativos locais. A sinalização reforça a sensibilidade dos investidores a questões institucionais e ao ambiente político, especialmente em um contexto de elevada volatilidade global.

Outros dados relevantes também entram no radar, como o aumento da defasagem entre os preços dos combustíveis no Brasil e a paridade internacional, apontado por entidades do setor, e indicadores de atividade econômica, como o crescimento das vendas do varejo online no período de fim de ano, ainda que acompanhado por redução no valor médio das compras.

Diante desse conjunto de fatores, o Ibovespa hoje tende a oscilar ao longo do pregão, em um ambiente de maior seletividade e ajustes finos de posições. O dólar mantém viés de leve queda, enquanto os juros futuros seguem sensíveis às expectativas sobre inflação, política monetária e riscos fiscais. Para investidores e agentes do mercado, o cenário exige atenção redobrada aos dados econômicos, ao noticiário político e às sinalizações das principais autoridades monetárias, em um início de ano marcado por oportunidades, mas também por incertezas relevantes.

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