quinta-feira, 17 de setembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Juros futuros sobem após Fed indicar cautela sobre novos cortes de juros nos EUA

por Gabriel Monteiro
29/10/2025 às 19h39
em Economia
Juros Futuros Sobem Após Fed Indicar Cautela Sobre Novos Cortes De Juros Nos Eua - Gazeta Mercantil

Juros futuros sobem após Fed sinalizar incerteza sobre novo corte de juros nos EUA

Alta dos Treasuries e cautela do Federal Reserve elevam as taxas de DIs no Brasil

Os juros futuros encerraram a sessão desta quarta-feira (29) em alta em toda a curva de contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs), refletindo a reação dos investidores à decisão do Federal Reserve (Fed) de cortar juros em 25 pontos-base, mas indicar que novos cortes em dezembro ainda estão em dúvida.

A incerteza quanto aos próximos passos da política monetária americana impulsionou os rendimentos dos Treasuries — títulos do Tesouro dos Estados Unidos — e repercutiu diretamente nas taxas brasileiras.

No fechamento da sessão, o DI para janeiro de 2028 subiu a 13,175%, contra 13,129% no ajuste anterior, enquanto o DI para janeiro de 2035 avançou para 13,62%, após marcar 13,47% no pregão anterior.


Fed corta juros, mas adota tom mais conservador

O Fed reduziu a taxa de juros dos Estados Unidos em 25 pontos-base, fixando-a na faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano. Apesar do corte, o comunicado da instituição deixou claro que o caminho à frente dependerá dos dados econômicos, que continuam limitados devido à recente paralisação parcial do governo norte-americano (shutdown).

A decisão foi dividida: dez membros votaram pelo corte, um defendeu redução maior e outro pela manutenção da taxa. A mensagem central do Fed foi de cautela — sinalizando que o ciclo de flexibilização pode estar mais próximo do fim do que o mercado previa.

Além disso, o banco central americano anunciou o encerramento do programa de redução de seu balanço patrimonial, atualmente em US$ 6,6 trilhões, para evitar o aperto excessivo das condições de liquidez no sistema financeiro.

Essa combinação de decisão monetária e comunicação contida elevou a percepção de risco nos mercados globais e fez disparar os rendimentos dos Treasuries, especialmente nos vencimentos curtos e intermediários.


Treasuries sobem e pressionam os mercados emergentes

Às 16h45 (horário de Brasília), o Treasury de dois anos, que reflete as expectativas para os juros de curto prazo, subia 12 pontos-base, atingindo 3,61% ao ano. Já o Treasury de dez anos, referência global para decisões de investimento, avançava 9 pontos-base, para 4,07% ao ano.

Esse movimento reforça a percepção de que o mercado americano ainda precifica uma economia mais resistente à política monetária restritiva, o que reduz a necessidade de novos cortes de juros.

O aperto nos Treasuries teve efeito dominó sobre as taxas de juros futuros em países emergentes — incluindo o Brasil —, onde investidores ajustaram posições para refletir um cenário global menos favorável a ativos de risco.


Efeito no mercado doméstico: curva de juros e dólar em alta

No Brasil, a curva de juros futuros acompanhou o movimento externo e passou de um comportamento estável no início do dia para alta generalizada nos vencimentos mais longos após o anúncio do Fed.

A taxa do DI para janeiro de 2028 chegou a cair para 13,085% (-4 pontos-base) por volta das 11h14, mas inverteu o movimento e encerrou o dia em 13,170% (+4 pontos-base) às 16h14.

O dólar, que vinha cedendo ante o real, também reagiu à decisão americana e retomou o fôlego, acompanhando a busca global por segurança e a reprecificação dos juros nos EUA.

A leitura predominante entre os analistas é que o Banco Central do Brasil (BCB) pode manter a Selic em 15% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para o início de novembro.

De acordo com dados da curva de DIs, o mercado precifica 98% de probabilidade de manutenção da taxa básica — o que indica consenso de que o ciclo de cortes no Brasil também pode estar próximo do fim.


Ferramenta CME FedWatch reduz probabilidade de corte em dezembro

Antes da decisão do Fed, a ferramenta CME FedWatch mostrava 87,3% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base em dezembro. Após o anúncio e o discurso de Jerome Powell, essa estimativa caiu para 63,4%, evidenciando que a aposta em mais flexibilização monetária perdeu força.

Powell reforçou que os membros do comitê ainda não têm consenso sobre o cenário à frente e alertou o mercado a não presumir automaticamente novos cortes.

O tom mais duro do comunicado levou investidores a rever expectativas e reforçou a leitura de que o Fed pode interromper temporariamente o ciclo de afrouxamento monetário, dependendo da trajetória da inflação e do mercado de trabalho.


Impactos sobre os mercados globais e emergentes

A comunicação do Fed provocou uma reprecificação global de ativos. Bolsas dos Estados Unidos e da Europa encerraram o dia com volatilidade elevada, enquanto moedas de países emergentes — como o real, o peso mexicano e o rand sul-africano — sofreram desvalorização.

Os mercados asiáticos devem reagir com cautela nas próximas sessões, uma vez que o aperto das condições financeiras nos EUA tende a reduzir o apetite global por risco.

No Brasil, o movimento de alta dos juros futuros e do dólar reflete uma combinação de fatores externos e internos: a incerteza sobre a política monetária americana e a expectativa de estabilidade da Selic até o fim do ano.


Perspectivas para o mercado de juros no Brasil

A trajetória dos juros futuros no Brasil segue fortemente atrelada ao cenário internacional. Com o Fed sinalizando prudência, investidores passaram a apostar que o BCB adotará postura semelhante, evitando movimentos bruscos de corte na Selic.

Além disso, a pressão inflacionária global e a volatilidade cambial devem manter os prêmios de risco elevados nas curvas longas de DIs.

Analistas do mercado financeiro destacam que, mesmo com a recente desaceleração da atividade econômica, o Copom tende a aguardar dados mais consistentes antes de retomar cortes.

No curto prazo, o cenário de juros altos e dólar valorizado tende a afetar o apetite por renda variável, beneficiando o mercado de renda fixa e os títulos públicos indexados ao IPCA, que oferecem retornos reais mais atrativos.


Interpretação dos analistas: cautela e adaptação

Economistas avaliam que o movimento desta quarta-feira marca uma inflexão nas expectativas do mercado. O Fed sinalizou que, embora o ciclo de cortes tenha começado, as próximas decisões serão mais espaçadas e dependentes dos dados.

Para o investidor brasileiro, isso significa volatilidade nos juros futuros e no câmbio, além de um ambiente de menor previsibilidade para estratégias de longo prazo.

Os próximos indicadores de inflação, emprego e confiança nos Estados Unidos serão determinantes para definir se o Fed continuará cortando juros ou se fará uma pausa prolongada.

Enquanto isso, a curva de juros brasileira deve permanecer sensível às variações dos Treasuries e às decisões de política fiscal e monetária no país.


Juros futuros sobem com sinal de prudência do Fed

O movimento de alta nos juros futuros brasileiros nesta quarta-feira (29) reflete o reposicionamento global dos investidores após o Fed adotar uma comunicação mais restritiva.

O mercado entendeu que novos cortes de juros nos EUA não estão garantidos, o que fortaleceu os Treasuries, elevou o dólar e pressionou as taxas de DIs no Brasil.

Com isso, a expectativa de manutenção da Selic em 15% ganha força, e a curva de juros brasileira tende a permanecer pressionada até que haja maior clareza sobre os próximos passos do Fed e do Copom.

O cenário reforça a importância de estratégias conservadoras de investimento e acompanhamento atento das decisões de política monetária global.

LEIA MAIS

Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu nesta quarta-feira, 16 de setembro, a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano, prolongando pelo quinto encontro consecutivo...

Leia MaisDetails
Empresas Ampliam Venda De Dívidas Vencidas Enquanto Crédito Segue Caro-Gazeta Mercantil
Economia

Empresas ampliam venda de dívidas vencidas enquanto crédito segue caro

Empresas brasileiras estão recorrendo com mais frequência à venda de carteiras de crédito inadimplente para transformar recebíveis de difícil recuperação em liquidez imediata. O mercado movimentou R$ 17...

Leia MaisDetails
Banco Mundial Nomeia Nobel Michael Kremer Como Novo Economista-Chefe-Gazeta Mercantil
Economia

Banco Mundial nomeia Nobel Michael Kremer como novo economista-chefe

O Banco Mundial nomeou nesta quarta-feira, 16 de setembro, o economista americano Michael Kremer, vencedor do Prêmio de Economia de 2019, para os cargos de economista-chefe do Grupo...

Leia MaisDetails
Super Quarta: Fed Pode Subir Juros Enquanto Copom Deve Cortar Selic Para 13,75%
Economia

Super Quarta: Fed pode subir juros enquanto Copom deve cortar Selic para 13,75%

Brasil e Estados Unidos chegam à Super Quarta desta quarta-feira, 16 de setembro, em momentos opostos de seus ciclos monetários. O Federal Reserve deve elevar os juros americanos...

Leia MaisDetails
Minha Casa Minha Vida - Gazeta Mercantil
Economia

Minha Casa, Minha Vida recebe R$ 500 milhões extras e subsídios chegam a R$ 13 bilhões

O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aumentou em R$ 500 milhões o orçamento destinado aos subsídios habitacionais do Minha Casa, Minha Vida...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

08:13:39
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Flávio Bolsonaro Usou Recentemente Apartamento Que Pertenceu A Cunhado De Vorcaro
Política

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Leia MaisDetails
Copom Corta Selic Para 13,75% No Quinto Recuo Seguido Dos Juros - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

Leia MaisDetails
Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

Leia MaisDetails
Brb Recebe R$ 376 Milhões Da Xp Por Créditos Ligados Ao Banco Master-Gazeta Mercantil
Empresas

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Flávio Bolsonaro usou recentemente apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro

Copom corta Selic para 13,75% no quinto recuo seguido dos juros

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP