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Lucro dos Bancos em 2025: Queda do BB Derruba Setor; Itaú e Bradesco Crescem

por Alice Nascimento
30/01/2026 às 12h30
em Negócios
Fundo Garantidor De Créditos (Fgc): Como Funciona A Garantia Na Quebra De Bancos - Gazeta Mercantil

Lucro dos Bancos em 2025: Queda do Banco do Brasil Puxa Retração do Setor, Enquanto Privados Avançam na Rentabilidade

O ano fiscal de 2025 desenha-se como um período de divergência histórica e reajuste estrutural para o sistema financeiro brasileiro. Dados compilados a partir das projeções das principais casas de análise do país — incluindo Ágora Investimentos, BTG Pactual, Genial Investimentos, Itaú BBA e XP Investimentos — indicam que o lucro dos bancos em 2025 sofrerá uma retração consolidada significativa. A estimativa aponta para um resultado agregado de R$ 101,6 bilhões para as quatro maiores instituições (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander), o que representa uma queda de 9,56% em comparação aos R$ 112,34 bilhões apurados no exercício anterior.

Este cenário, à primeira vista recessivo, esconde uma dinâmica complexa: não se trata de uma crise sistêmica generalizada, mas sim do impacto desproporcional do desempenho de um único agente. O lucro dos bancos em 2025 será severamente penalizado pela performance do Banco do Brasil (BBAS3), que enfrenta uma tempestade perfeita em suas carteiras de crédito, enquanto seus pares privados — Itaú, Bradesco e Santander — demonstram resiliência, recuperação e crescimento em suas respectivas linhas de balanço.

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Neste dossiê econômico aprofundado, dissecamos as variáveis que compõem o lucro dos bancos em 2025, analisando o “freio de mão” puxado pelo banco estatal, a consolidação da liderança do Itaú, a reestruturação bem-sucedida do Bradesco e a cautela estratégica do Santander em um ambiente de juros ainda restritivos.

A Dinâmica do Setor: O Peso do Banco do Brasil no Agregado

A análise do lucro dos bancos em 2025 revela um descolamento claro entre a gestão pública e a privada neste ciclo econômico. O Banco do Brasil, tradicionalmente um motor de resultados robustos impulsionados pelo agronegócio, tornou-se o principal detrator do desempenho do setor neste ano.

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As projeções mais conservadoras indicam que o Banco do Brasil deverá reportar um lucro líquido de R$ 18,84 bilhões em 2025. Embora seja um montante expressivo isoladamente, no comparativo anual, isso representa um tombo vertiginoso de 50,27% frente aos R$ 37,89 bilhões de 2024. Este recuo de quase metade da lucratividade do BB é o fator matemático que distorce a média do lucro dos bancos em 2025, ofuscando o crescimento sustentável apresentado pelos concorrentes privados.

Os motivos para essa deterioração são multifatoriais e exigem uma análise minuciosa da qualidade dos ativos. O BB enfrenta uma deterioração aguda na qualidade de crédito em dois de seus principais pilares: o agronegócio e a carteira de Pessoas Jurídicas (PJ). A inadimplência no campo, exacerbada por questões climáticas e de preços de commodities, somada à dificuldade de caixa das empresas em um cenário de Selic elevada, forçou o banco a realizar um provisionamento massivo, drenando sua rentabilidade.

O “Cisne Negro” do Agronegócio e as Provisões Bilionárias

Para compreender a queda no lucro dos bancos em 2025, é imperativo olhar para a linha de Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) do Banco do Brasil. A estimativa é de que o banco estatal reserve cerca de R$ 62 bilhões em provisões no acumulado do ano para cobrir calotes. Esse movimento de “limpeza de balanço” é prudencial, mas custoso.

Analistas da XP Investimentos pontuam que, apesar dos esforços governamentais via MP 1.314 para injetar liquidez, o efeito prático no quarto trimestre de 2025 será limitado devido à sazonalidade e ao tempo de maturação da medida. A inadimplência do BB deve atingir 4,9% no último trimestre, um patamar que acende o sinal de alerta e contrasta com a estabilidade observada nos rivais privados.

Diferente de ciclos anteriores, onde o agro funcionava como um hedge (proteção) natural para o BB, em 2025 ele se tornou a fonte de volatilidade. A exposição concentrada do banco a este setor, que sofre com a quebra de safra e margens apertadas do produtor, é a principal responsável pela revisão negativa do lucro dos bancos em 2025 quando olhamos o consolidado.

Itaú Unibanco: A Resiliência da “Joia da Coroa”

Na ponta oposta, o Itaú Unibanco (ITUB4) reafirma sua posição de hegemonia e eficiência operacional. As projeções para o lucro dos bancos em 2025 colocam o Itaú como o líder inconteste, com um lucro acumulado estimado em R$ 42,68 bilhões — um avanço de 4% sobre o ano anterior.

A performance do Itaú é explicada por uma estratégia de mix de carteira defensiva. O banco focou sua expansão no segmento de alta renda e em linhas de crédito colaterizadas (com garantia), blindando-se contra a inadimplência que assola o varejo massificado e as pequenas empresas. A Genial Investimentos projeta uma inadimplência controlada de 2,28% para o banco, evidenciando uma gestão de risco superior.

Para o investidor que analisa o lucro dos bancos em 2025, o Itaú representa a previsibilidade e a qualidade de execução. Mesmo com pressões pontuais no atacado, o banco consegue manter margens saudáveis e um custo de crédito sob controle, consolidando-se como a referência de rentabilidade no hemisfério sul.

Bradesco: A Recuperação do ROE e a Nova Gestão

O Bradesco (BBDC4) protagoniza o capítulo de “turnaround” (virada) na narrativa do lucro dos bancos em 2025. Sob a gestão de Marcelo Noronha, a instituição de Osasco demonstra sinais claros de que o pior ficou para trás. A estimativa é de um lucro trimestral próximo a R$ 6,4 bilhões, com uma alta expressiva de quase 20% na comparação anual.

Mais relevante que o valor absoluto é a recuperação da rentabilidade relativa. O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) do Bradesco deve atingir 15%, empatando com a taxa Selic média do período. Isso é um marco fundamental: significa que o banco voltou a gerar valor acima ou igual ao seu custo de oportunidade.

A reestruturação interna, focada em digitalização e eficiência de custos, permitiu ao Bradesco limpar sua carteira de créditos problemáticos herdados da pandemia e reposicionar-se no mercado. Para a composição do lucro dos bancos em 2025, o Bradesco deixa de ser um detrator e passa a ser um vetor de crescimento, sinalizando que a estratégia de “proteger o balanço” foi bem-sucedida.

Santander: Cautela e Estabilidade como Estratégia

O Santander Brasil (SANB11) adotou uma postura que pode ser definida como “cautela estratégica. Em um ano de incertezas fiscais e monetárias, o banco optou por não acelerar a concessão de crédito de forma agressiva, o que se reflete em um crescimento moderado no lucro dos bancos em 2025.

A projeção é de um lucro trimestral entre R$ 4,04 bilhões e R$ 4,15 bilhões, com uma alta anualizada entre 5% e 7,8%. A rentabilidade (ROE) de 17% mantém o Santander como uma operação eficiente, mas estagnada em termos de expansão de market share.

Analistas da Ágora Investimentos destacam que a receita de tesouraria do Santander permanece pressionada, um reflexo da curva de juros futura. No entanto, a expansão da margem com clientes compensa parcialmente esse cenário. Para o agregado do lucro dos bancos em 2025, o Santander cumpre seu papel de estabilidade, sem grandes surpresas positivas ou negativas, focando na preservação de capital.

Contexto Macroeconômico e Perspectivas Futuras

A análise do lucro dos bancos em 2025 não pode ser dissociada do ambiente macroeconômico. A taxa Selic em patamar restritivo (15%) atuou como uma faca de dois gumes: por um lado, elevou os spreads bancários; por outro, asfixiou a capacidade de pagamento dos tomadores de crédito e aumentou o custo de captação das instituições.

O desempenho do setor em 2025 evidencia que os bancos privados foram mais ágeis em repassar custos e ajustar suas políticas de crédito do que o Banco do Brasil. A instituição estatal, por sua natureza e mandato, manteve-se mais exposta a setores que dependem de ciclos econômicos longos e voláteis, como o agronegócio.

Olhando para frente, a expectativa é que o lucro dos bancos em 2025 sirva como uma base ajustada. Com o Banco do Brasil sinalizando uma mudança de foco para o crédito de pessoa física (onde as margens são maiores, mas o risco é pulverizado), espera-se uma recomposição gradual de seus resultados nos próximos exercícios, embora a “cicatriz” de 2025 permaneça visível nos balanços.

Seletividade é a Chave para o Investidor

O panorama do lucro dos bancos em 2025 encerra a ideia de que o setor financeiro brasileiro se move em bloco. A dispersão de resultados entre o Banco do Brasil e seus pares privados nunca foi tão acentuada. Enquanto Itaú, Bradesco e Santander conseguem navegar a turbulência com crescimento de lucros, o BB enfrenta um ajuste severo que drena a rentabilidade agregada do setor.

Para o mercado, a queda de 9,56% no lucro consolidado é um alerta sobre os riscos idiossincráticos de cada carteira. O ano de 2025 ficará marcado como o momento em que a gestão de risco de crédito separou os vencedores dos perdedores. O lucro dos bancos em 2025 conta a história de um setor resiliente, mas que possui um elo frágil exposto às intempéries do agronegócio e da economia real corporativa.

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