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Home Política

Mauro Cid Vai para a Reserva do Exército: Entenda a Remuneração e a Delação

por Júlia Campos - Repórter de Política
28/01/2026
em Política, Destaque, News
Mauro Cid Vai Para A Reserva Do Exército: Entenda A Remuneração E A Delação - Gazeta Mercantil

A trajetória de Mauro Cid rumo à reserva: Remuneração, condenação e os bastidores da delação que abalou a República

O Diário Oficial da União deve formalizar, a partir deste sábado (31), um dos capítulos finais da carreira militar ativa de uma das figuras mais controversas da história recente do país. O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência da República e peça-chave nas investigações sobre a tentativa de golpe de Estado no Brasil, passará oficialmente para a reserva do Exército Brasileiro. A decisão, assinada pelo comandante da Força, general Tomás Paiva, encerra o ciclo de Mauro Cid na ativa, transferindo-o para a inatividade mediante o mecanismo da “cota compulsória”, uma espécie de aposentadoria antecipada prevista no estatuto militar para casos específicos.

A movimentação de Mauro Cid para a reserva não é apenas um trâmite administrativo burocrático; ela carrega um simbolismo profundo sobre o momento de depuração institucional vivido pelas Forças Armadas e as consequências jurídicas e financeiras que recaem sobre o oficial. Segundo informações confirmadas pela defesa técnica do militar, a remuneração proporcional ao tempo de serviço — calculado em quase 35 anos de dedicação à farda — girará em torno de R$ 16 mil. Este valor, embora significativo para os padrões nacionais, representa um ajuste à nova realidade de um oficial que, até pouco tempo, transitava pelos corredores mais poderosos do Palácio do Planalto.

O Mecanismo da Reserva e a Situação Financeira de Mauro Cid

A transferência para a reserva remunerada via cota compulsória foi a saída administrativa encontrada para equacionar a situação de Mauro Cid dentro da Força Terrestre. O pedido foi submetido a uma comissão de análise e avalizado pelo alto comando, culminando na assinatura da portaria pelo general Tomás Paiva. Com a publicação oficial, Mauro Cid mantém sua patente de tenente-coronel, mas perde a possibilidade de ascensão na carreira, ou seja, jamais chegará ao generalato, o topo da hierarquia que um dia pareceu ser seu destino natural dada a sua linhagem militar.

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Do ponto de vista financeiro, o valor estipulado de R$ 16 mil reflete a proporcionalidade do tempo de serviço. É importante destacar que, ao ir para a reserva, Mauro Cid também perde certos benefícios atrelados à atividade e funções comissionadas que porventura exercesse. Além do impacto no contracheque, a mudança de status impõe uma alteração logística imediata: o ex-ajudante de ordens terá um prazo de até 90 dias para desocupar o imóvel funcional que habita na Vila Militar, em Brasília. A saída da residência oficial marca o distanciamento físico definitivo de Mauro Cid do núcleo da família militar ativa na capital federal.

A Condenação e o Cumprimento da Pena

A ida para a reserva ocorre em um contexto onde Mauro Cid já cumpre pena. O militar foi condenado a dois anos de prisão, atualmente em regime aberto. Esta sentença é resultado direto de sua participação na trama golpista e em outros ilícitos investigados pela Polícia Federal (PF) e julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Os crimes imputados e confessados por Mauro Cid são gravíssimos e atentam contra a própria estrutura democrática. A lista de condenações inclui a tentativa de abolição violenta do Estado de Direito, golpe de Estado, participação em organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A pena relativamente branda de dois anos, considerando a magnitude dos crimes, deve-se exclusivamente ao acordo de colaboração premiada firmado por Mauro Cid com a Polícia Federal e homologado pelo STF.

No regime aberto, embora Mauro Cid não esteja encarcerado em um batalhão ou presídio, sua liberdade é vigiada e restrita. Ele deve cumprir recolhimento noturno e nos finais de semana, está proibido de se ausentar do país (com passaporte retido) e não pode fazer uso de redes sociais ou manter contato com outros investigados. A vida de Mauro Cid na reserva, portanto, começa sob o signo da vigilância judicial estrita.

O Peso da Delação Premiada

A colaboração de Mauro Cid foi o divisor de águas nas investigações sobre os atos antidemocráticos e a tentativa de subversão do resultado eleitoral de 2022. O tenente-coronel não foi um coadjuvante; ele operava na sala de máquinas da suposta conspiração. Em seus depoimentos, Mauro Cid forneceu aos investigadores o mapa da mina, apontando a participação direta do ex-presidente Jair Bolsonaro em reuniões onde se discutiam minutas golpistas e estratégias para impedir a posse do governo eleito.

A delação de Mauro Cid foi descrita por ele mesmo, em conversas com interlocutores, como um “processo traumático”. O peso dessa decisão reside no fato de que ele não apenas implicou o ex-chefe do Executivo, a quem servia com lealdade canina, mas também entregou antigos colegas de farda e generais de alta patente. Figuras proeminentes como o general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice na chapa de 2022, foram arrastadas para o centro do escândalo graças às revelações e aos dados telemáticos extraídos do celular de Mauro Cid.

A defesa do militar, em suas alegações finais ao STF, enfatizou o alto custo pessoal dessa colaboração. Mauro Cid passou a ser tratado como “traidor” por uma parcela significativa de seu antigo círculo social e político. O isolamento, segundo seus advogados, foi uma das consequências mais severas do processo, transformando o oficial, antes prestigiado, em uma persona non grata entre aqueles que defendiam a ruptura institucional.

A Estrutura da Trama Revelada por Mauro Cid

As informações prestadas por Mauro Cid permitiram à Polícia Federal montar o quebra-cabeça da tentativa de golpe. O ex-ajudante de ordens detalhou como funcionava o “gabinete do ódio” e a estrutura paralela de inteligência. Mauro Cid confirmou a existência de reuniões presenciais no Palácio da Alvorada onde documentos inconstitucionais — como a minuta que previa a prisão de ministros do STF e a intervenção na Justiça Eleitoral — foram apresentados e debatidos com a cúpula das Forças Armadas.

A veracidade dos depoimentos de Mauro Cid foi corroborada por provas materiais. Mensagens de WhatsApp, áudios, registros de localização e documentos apreendidos em sua posse serviram para validar a narrativa do colaborador. Foi através do celular de Mauro Cid que a PF descobriu a profundidade do envolvimento de militares da ativa, incluindo o Comando de Operações Especiais (os “Kids Pretos”), na logística dos acampamentos e na incitação aos atos de 8 de janeiro.

Sem a colaboração de Mauro Cid, é provável que a investigação tivesse esbarrado no pacto de silêncio que costuma vigorar em corporações hierarquizadas. A quebra desse silêncio por Mauro Cid foi fundamental para que a responsabilidade penal pudesse escalar até os mandantes intelectuais e políticos da trama.

Repercussões Institucionais no Exército Brasileiro

A passagem de Mauro Cid para a reserva é vista com alívio pela atual cúpula do Exército Brasileiro. Desde a prisão preventiva do tenente-coronel, a Força terrestre vinha sofrendo um desgaste de imagem sem precedentes. A manutenção de um oficial condenado e réu confesso na ativa gerava constrangimento interno e questionamentos externos sobre a leniência da instituição com desvios de conduta graves.

O comandante Tomás Paiva, ao assinar a portaria, cumpre um rito legal, mas também político. Envia-se a mensagem de que a instituição está virando a página. Embora Mauro Cid continue recebendo proventos do Exército (direito adquirido pelo tempo de contribuição), ele não mais representa a Força ativa. A “cota compulsória” funciona, na prática, como uma higienização dos quadros, afastando aqueles que macularam a farda com envolvimento político-partidário e criminal.

Para Mauro Cid, a reserva significa o fim do sonho de comando. Para o Exército, a saída de Mauro Cid significa a possibilidade de retomar a normalidade institucional, focando na missão constitucional de defesa da pátria e afastando-se das turbulências políticas que marcaram o governo anterior.

O Futuro de Mauro Cid

O horizonte de Mauro Cid é complexo. Aos 45 anos, ele se vê aposentado compulsoriamente, com uma renda de R$ 16 mil que, embora garanta a subsistência, está aquém do padrão de vida e das perspectivas que ele projetava para o auge de sua carreira. Além disso, Mauro Cid carrega o estigma de delator em um meio corporativista e a marca de condenado pela Justiça.

A obrigação de deixar a casa na Vila Militar em 90 dias impõe a Mauro Cid a necessidade de reinvenção na vida civil. No entanto, as restrições do regime aberto limitam suas possibilidades de atuação profissional imediata. Ele não pode viajar, não pode frequentar determinados lugares e tem sua comunicação monitorada. A “morte social” alegada pela defesa é um componente real da pena que Mauro Cid continuará a cumprir.

Além disso, a colaboração premiada de Mauro Cid mantém-se sob escrutínio. Qualquer deslize, mentira ou omissão descoberta posteriormente pode levar à rescisão do acordo, o que faria com que Mauro Cid tivesse que cumprir a pena original, muito superior aos dois anos atuais, e possivelmente em regime fechado. Portanto, a lealdade de Mauro Cid agora deve ser exclusiva à verdade processual e às determinações do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF.

Conclusão: O Ocaso de um Operador do Poder

A trajetória de Mauro Cid serve como um estudo de caso sobre a sedução do poder e as consequências de se ultrapassar as linhas da legalidade em nome de um projeto político. De oficial promissor, primeiro da turma e com caminho aberto ao generalato, Mauro Cid tornou-se o símbolo da instrumentalização das Forças Armadas para fins antidemocráticos.

Sua ida para a reserva, com uma remuneração de R$ 16 mil, é o epílogo de uma carreira que colapsou sob o peso de escolhas erradas. A história registrará Mauro Cid não pelos serviços militares prestados, mas pelo papel central que desempenhou na tentativa de golpe e, paradoxalmente, pelo papel decisivo que sua delação teve em desbaratar essa mesma trama.

O sábado (31) marcará o dia em que o Tenente-Coronel Mauro Cid deixará de ser um problema da ativa do Exército para se tornar, definitivamente, um capítulo nos livros de história e nos autos do Supremo Tribunal Federal. A sociedade brasileira, por sua vez, observa o desfecho como uma prova de que as instituições, ainda que testadas ao limite, funcionaram para punir quem atentou contra elas, independentemente da patente ou do cargo que ocupava.

Tags: cota compulsória.delação Mauro Cidgeneral Tomás PaivaMauro CidMauro Cid BolsonaroMauro Cid ExércitoMauro Cid reservasalário Mauro Cidtenente-coronel Mauro Cidtrama golpista

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