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Microsoft aposta em influenciadores para tornar o Copilot tão popular quanto o ChatGPT

por Gabriel Monteiro
10/11/2025 às 16h54
em Tecnologia
Microsoft Aposta Em Influenciadores Para Tornar O Copilot Tão Popular Quanto O Chatgpt - Gazeta Mercantil

Microsoft aposta em influenciadores para tornar o Copilot tão popular quanto o ChatGPT

A Microsoft está investindo pesado em uma nova estratégia de marketing digital para transformar o Microsoft Copilot em um fenômeno cultural — e alcançar o mesmo reconhecimento global do ChatGPT, da OpenAI. Em uma tentativa de conquistar o público mais jovem e aumentar a presença do seu assistente de inteligência artificial (IA) entre usuários comuns, a gigante da tecnologia recrutou influenciadores de destaque nas redes sociais, apostando em um formato mais humano e acessível para promover a ferramenta.

Enquanto o Copilot se consolidou no ambiente corporativo, especialmente entre clientes de software e serviços de nuvem, o desafio da Microsoft agora é conquistar os usuários abaixo de 30 anos. A campanha pretende romper com a imagem tradicional da empresa, apresentando o Copilot como um assistente pessoal criativo e divertido, que ajuda em tarefas do dia a dia, e não apenas no trabalho.

Leia também: OpenAI Lança Assistente de Voz para ChatGPT: O Que Esperar do Novo Recurso e Seus Impactos.


Microsoft Copilot: uma aposta para disputar espaço com ChatGPT e Gemini

De acordo com dados recentes da empresa, o Microsoft Copilot possui cerca de 150 milhões de usuários ativos por mês. O número é expressivo, mas ainda modesto se comparado aos concorrentes: o ChatGPT, da OpenAI, conta com 800 milhões de usuários semanais, enquanto o Gemini, do Google, soma 650 milhões de acessos mensais.

Para reverter essa diferença, a Microsoft lançou uma campanha global com foco em influenciadores digitais, voltada principalmente para o público de 18 a 34 anos. A empresa aposta no poder de personalidades populares nas redes sociais para aumentar o engajamento, gerar curiosidade e mostrar que o Copilot é muito mais do que uma ferramenta corporativa.

Leia também: Startup bilionária aposta em IA colaborativa e desafia modelo de automação total.

Segundo Yusuf Mehdi, diretor de marketing da Microsoft, a estratégia é posicionar o Copilot como um “companheiro de IA” — alguém que ajuda o usuário a pensar, planejar, criar e até sonhar. Essa abordagem visa humanizar a inteligência artificial, aproximando-a do cotidiano de quem usa o celular e as redes sociais como extensão de sua rotina.


Campanha com influenciadores: a nova face do Microsoft Copilot

A nova campanha de marketing da Microsoft envolve parcerias com grandes nomes das redes sociais, entre eles Alix Earle, estrela do TikTok e Instagram, conhecida por seus vídeos “Get Ready With Me” (“Prepare-se comigo”). Com mais de 12 milhões de seguidores, Alix é o rosto de uma geração que consome conteúdo rápido, espontâneo e emocionalmente envolvente — exatamente o perfil que a Microsoft quer atingir.

Em um de seus vídeos, Earle interagiu com o Copilot perguntando como parecer mais jovem, após receber comentários de seguidores dizendo que aparentava ter 40 anos. A resposta do chatbot — que sugeriu uma rotina de cuidados com a pele — viralizou, acumulando mais de 15 milhões de visualizações no TikTok.

O conteúdo, marcado com a hashtag #copilotpartner, fez sucesso ao apresentar o Copilot de maneira leve e divertida, mostrando que o assistente pode oferecer dicas de beleza, moda e estilo de vida, além de funções profissionais.

O objetivo é simples: mostrar que o Microsoft Copilot pode estar presente em todos os momentos da vida, do planejamento de um projeto ao cuidado pessoal.


Do escritório ao lifestyle: a expansão do Copilot para o público jovem

Historicamente, o Copilot é conhecido como um assistente corporativo, usado para organizar informações, redigir e-mails, resumir reuniões e automatizar tarefas dentro do pacote Microsoft 365. Agora, a empresa quer mudar essa percepção.

A campanha propõe que o Copilot seja visto como um parceiro criativo, capaz de ajudar em situações triviais do dia a dia — como montar um roteiro de viagem, escolher um look para uma festa ou lidar com a ansiedade antes de uma entrevista de emprego.

A ideia, segundo Yusuf Mehdi, é empoderar o usuário a ser sua melhor versão, aproximando o produto das experiências reais e emocionais das pessoas. “Queremos que o Copilot seja visto como um conselheiro e mentor digital, e não apenas como um software técnico”, explicou o executivo durante o Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions, onde a estratégia foi apresentada.


Influenciadores transformam o Copilot em ícone pop

Além de Alix Earle, a Microsoft também firmou parcerias com outros criadores de conteúdo, como as gêmeas australianas Brigette e Danielle Pheloung, que juntas somam 3,4 milhões de seguidores nas plataformas. Famosas por vídeos de moda e beleza, as irmãs surpreenderam o público ao usar o Copilot para criar looks inspirados nos anos 1970 e 1980 durante a Semana de Moda de Nova York.

O chatbot sugeriu desde combinações de cores até truques de estilo — como usar meias dentro da blusa para criar ombros estruturados, típicos dos anos 80. O resultado rendeu milhares de comentários e engajamento espontâneo, com fãs elogiando o uso criativo da inteligência artificial.

“Copilot é o melhor!”, escreveu um seguidor. Outro comentou: “Acabei de baixar o app. Devíamos ter isso na escola.”

Essa abordagem descontraída vem sendo crucial para transformar o Microsoft Copilot em uma marca de cultura digital, e não apenas uma ferramenta corporativa.


O poder da influência digital na era da IA

O uso de influenciadores de lifestyle na promoção do Copilot pode parecer um movimento inesperado, mas faz parte de uma mudança global na forma como empresas de tecnologia se comunicam com o público.

Casos como o da Dunkin’ Brands, que se uniu à influenciadora Charli D’Amelio para lançar o drink “The Charli”, ou o da Amazon, que convida criadores para divulgar produtos e eventos de moda, mostram que a influência digital ultrapassou o marketing tradicional.

Ao apostar em nomes carismáticos e autênticos, a Microsoft busca quebrar a barreira da tecnicidade e fazer o Copilot se conectar emocionalmente com o público.

Segundo o professor Anindya Ghose, da Universidade de Nova York, essa estratégia funciona porque a familiaridade supera a credibilidade. “Mesmo que o influenciador não seja especialista em tecnologia, o público confia em quem ele gosta”, explica o especialista.


Campanha do Copilot já gera milhões de visualizações

Os resultados iniciais da campanha são expressivos. Vídeos de influenciadores falando sobre o Copilot já somam centenas de milhões de visualizações nas redes sociais, com alto engajamento entre o público jovem.

No TikTok, por exemplo, o perfil oficial do Copilot ultrapassou 176 mil seguidores, com postagens criativas que exploram humor, tendências e interações humanas com o chatbot.

Entre os vídeos de destaque está o do influenciador Brandon Edelman — conhecido como Bran Flakezz — que tem 1,7 milhão de seguidores. Em um de seus vídeos, ele pergunta ao Copilot se ainda teria que pagar suas dívidas caso “batesse as botas”. O chatbot responde: “Sim, dívidas não desaparecem.”

O vídeo, que mistura humor e ironia, gerou milhões de visualizações e consolidou a imagem do Copilot como um assistente acessível e espirituoso, capaz de lidar com perguntas reais e situações cotidianas.


A disputa pelo domínio da inteligência artificial generativa

A iniciativa da Microsoft reflete o cenário competitivo da corrida global pela inteligência artificial generativa. Com a ascensão do ChatGPT e o avanço do Gemini, as big techs travam uma disputa intensa pelo domínio desse mercado, que já movimenta bilhões de dólares em investimentos e publicidade.

A vantagem da Microsoft está em sua integração entre produtos, como o Windows 11, Bing e o pacote Microsoft 365, onde o Copilot está presente de forma nativa. No entanto, a popularidade entre consumidores comuns ainda é o grande desafio.

Com o investimento em influenciadores, a empresa espera humanizar sua marca, tornando o Copilot um nome reconhecido e querido pelo público — assim como o ChatGPT se tornou um sinônimo de IA conversacional.


Desafios e o futuro do Microsoft Copilot

Apesar do sucesso da campanha, analistas ainda são cautelosos. Para Jason Wong, da consultoria Gartner, superar o ChatGPT entre os consumidores será uma tarefa difícil. Ele destaca que a Microsoft precisará sustentar o engajamento gerado pela influência digital e traduzir isso em usuários ativos e recorrentes.

Mesmo assim, o movimento da Microsoft é visto como um passo estratégico. Ao expandir o Copilot para o universo dos influenciadores, a empresa redefine sua imagem pública, deixando de ser vista apenas como uma fornecedora de software corporativo e passando a ser uma marca de cultura, criatividade e tecnologia de massa.

A tendência, segundo especialistas, é que nos próximos meses a empresa teste parcerias com influenciadores de tecnologia e IA, ampliando o alcance da campanha e explorando novos formatos de interação.


O Copilot como símbolo da nova era da IA

A estratégia da Microsoft com o Copilot é clara: transformar o assistente em um ícone global de inteligência artificial, com apelo emocional e cultural.

Ao unir tecnologia, influência e autenticidade, a empresa aposta em um modelo de comunicação capaz de inspirar, educar e entreter — aproximando o público jovem de um universo antes restrito a desenvolvedores e empresas.

O futuro do Microsoft Copilot depende, portanto, da capacidade da marca de manter o diálogo humano dentro da IA, provando que a tecnologia pode ser, ao mesmo tempo, útil, divertida e inclusiva.

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